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Numero do processo: 13855.000100/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Gileno Gurjão Barreto, relator. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o
voto vencedor.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1390; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.000100/200892 Recurso nº Resolução nº 330200.232 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de julho de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente USINA AÇUCAREIRA GUAÍRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Gileno Gurjão Barreto, relator. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator EDITADO EM: 23/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13855.000100/200892 Resolução n.º 330200.232 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 02/07, lavrado em 16/01/2008, com ciência da contribuinte em 17/01/2008, totalizando o crédito tributário de R$ 8.419.921,92. De acordo com a descrição dos fatos, houve falta de lançamento de IPI na saída de produtos tributados, no período de janeiro de 2003 a maio de 2006. A contribuinte deu saída a açúcar cristal de cana sem adição de aromatizantes ou corantes e com polarização superior a 99,5%, conforme constatado em exame laboratorial, enquadrável no código 1701.9900 com alíquota de 5%. Entretanto, a empresa enquadrou o produto no Ex 01 do código 1701.9900, relativa à sacarose quimicamente pura, com alíquota de 0%. Segundo consta, o produto não poderia ter sido enquadrado como sacarose quimicamente pura porque não bastaria o grau de polarização superior a 99,5%, e o grau de impureza encontrado fora superior ao admitido para a sacarose pura, a qual somente poderia ser produzida em laboratório, e não em escala industrial. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 121/131, alegando, em síntese, que: 1. A classificação fiscal adotada pela contribuinte é correta, conta com o apoio de diversos laudos e já foi confirmada pelo Conselho de Contribuintes; 2. Classificou o produto de acordo com a Nota de Subposição do Capitulo 17 da TIPI; 3. O açúcar produzido pela empresa tem leitura no polarímetro igual ou superior a 99,5%; 4. A Nota de Subposição 1 aponta somente o teor de sacarose para diferenciar a "sacarose quimicamente pura" do "açúcar em bruto"; 5. Vejase que o exame oficial do Laboratório Nacional de Análises Luis Angerami detectou todos os elementos da sacarose pura, inclusive o eleito pela NCM, inovando e se equivocando ao colocar o "resíduo de ignição" como fator de deslocamento do enquadramento tarifário; 6. Acompanha a defesa Nota Técnica na qual o perito contesta o Laudo Oficial; 7. Ainda que se aceite o "resíduo de ignição" como fator de definição do enquadramento tarifário, não há como acolher o Laudo Oficial, pois foi realizado fora dos padrões da ''American Chemical Society" (ACS); 8. Os parâmetros utilizados deveriam se basear na ICUMSA e não na ACS; 9. Em face da dúvida do Laudo Oficial, devese aplicar o artigo 112 do CTN, em favor da contribuinte; 10. O açúcar produzido é o destinado ao consumidor final, para consumo alimentício, devendo ser aplicado o principio constitucional da seletividade. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13855.000100/200892 Resolução n.º 330200.232 S3C3T2 Fl. 3 3 Por fim, requer a improcedência do lançamento. Acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em considerar procedente o lançamento. Intimada em 26/08/2010, irresignada a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 24/09/2010. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. A primeira matéria a enfrentar é a classificação fiscal do produto fabricado e vendido pela Recorrente, objeto da atuação, qual seja: açúcar cristal granulado, que a recorrente denomina de Especial, Especial Extra e Exportação. Na posição 1701 classificamse os AÇÚCARES DE CANA OU DE BETERRABA E SACAROSE QUIMICAMENTE PURA, NO ESTADO SÓLIDO. A primeira conclusão que se tira é que na posição 1701 classificamse os açucares e, também, a sacarose quimicamente pura. Pela interpretação literal do texto da posição, são dois produtos diferentes classificados nesta posição. A sacarose quimicamente pura classificase no EX 01 da posição 1701.99.00, onde se classificam, também, os açúcares, sem aromatizante ou corante, com polarização igual ou superior a 99,5ºS. Pela leitura da posição 1701 TIPI, concluise que toda “sacarose quimicamente pura” é um açúcar com polarização superior a 99,5ºS. No entanto, nem todo açúcar com polarização superior a 99,5ºS é uma sacarose quimicamente pura. É, portanto, a “sacarose quimicamente pura” um tipo específico e particular de açúcar com polarização superior a 99,5ºS. No caso dos autos, a autuada classificou seu produto no EX 01 do 1701.99.00 por entender que seu açúcar, por ter polarização superior a 99,5ºS, é sacarose quimicamente pura. Por seu turno, a Fiscalização adotou conclusão do Laboratório Nacional de Análise Luiz Angerami, o qual atesta, expressamente, que o produto objeto da autuação é açúcar cristal, com polarização igual a 99,9ºS, e não é sacarose quimicamente pura. Ocorre que nos autos constam vários laudos técnicos, elaborados por instituições públicas diferentes e em diferentes datas. Destes, alguns não fazem referência se o açúcar cristal granulado, com teor de sacarose superior a 99,5ºS, é ou não sacarose quimicamente pura. Outros fazem referência, ora para dizer que o referido açúcar não é sacarose quimicamente pura, ora para dizer que o referido açúcar é sacarose quimicamente pura e ora Fl. 233DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13855.000100/200892 Resolução n.º 330200.232 S3C3T2 Fl. 4 4 para dizer que o açúcar “é praticamente sacarose pura” ou apresenta “características de sacarose quimicamente pura”. Os Laudos Técnicos que não fazem nenhuma referência se o produto “açúcar cristal granulado com polarização superior a 99,5ºS” é ou não “sacarose quimicamente pura” são os seguintes: INSTITUIÇÃO QUE EMITIU O LAUDO Nº DO LAUDO DATA Instituto Adolfo Lutz Divisão de Bromatologia e Química TLBQ 7841 15/09/1997 Laboratório de Análise e Simulação Tecnológica / Universidade Federal de São Carlos. LQA03078 28/08/1998 Laboratório de Análise e Simulação Tecnológica / Universidade Federal de São Carlos. LQA03309 30/09/1999 Laboratório de Análise e Simulação Tecnológica / Universidade Federal de São Carlos. LQA031000 14/09/2000 Os Laudos Técnicos que atestam que o produto “açúcar cristal granulado com polarização superior a 99,5ºS” não é “sacarose quimicamente pura” são os seguintes: INSTITUIÇÃO QUE EMITIU O LAUDO Nº DO LAUDO DATA Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami 0958.02 23/11/2000 Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami 0958.03 23/11/2000 Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami 0958.04 23/11/2000 Os Laudos Técnicos que atestam que o produto “açúcar cristal granulado com polarização superior a 99,5ºS” “é praticamente sacarose pura” ou apresenta “características de sacarose quimicamente pura” são os seguintes: INSTITUIÇÃO QUE EMITIU O LAUDO Nº DO LAUDO DATA ESALQ Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz / USP S/N 19/08/1998 Laboratório de Análise e Simulação Tecnológica / Universidade Federal de São Carlos. LAST Nº 96905 17/10/2005 O Laudo Técnico que atesta que o produto “açúcar cristal granulado com polarização superior a 99,5ºS” é “sacarose quimicamente pura” é o seguinte: INSTITUIÇÃO QUE EMITIU O LAUDO Nº DO LAUDO DATA Laboratório de Análise e Simulação Tecnológica / Universidade Federal de São Carlos. LAST Nº 030103 15/10/2003 Apesar de ter plena convicção de que toda “sacarose quimicamente pura” é um açúcar com polarização superior a 99,5ºS e que nem todo açúcar com polarização superior a 99,5ºS é uma sacarose quimicamente pura, não foi possível a este Conselheiro concluir se o produto objeto do lançamento é ou não “sacarose quimicamente pura”, um tipo específico e particular de açúcar com polarização superior a 99,5ºS. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13855.000100/200892 Resolução n.º 330200.232 S3C3T2 Fl. 5 5 A contradição existente entre as conclusões dos Laudos Técnicos do Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami e do Laboratório de Análise e Simulação Tecnológica/Universidade Federal de São Carlos, impossibilita este Conselheiro de firmar convicção sobre a correta classificação fiscal do produto em discussão. É preciso que uma terceira instituição pública, com notório conhecimento na área, diga qual Laudo Técnico está tecnicamente correto, sem que haja necessidade de novos ensaios laboratoriais. A instituição pública que irá arbitrar a questão deverá ser escolhida pela Recorrente e pela Receita Federal do Brasil, em consenso. Não havendo consenso, retornem os autos para prosseguir o julgamento. Tanto a Receita Federal do Brasil como a Recorrente poderão, se assim desejarem, formular quesitos complementares aos que abaixo se coloca, desde que não envolva a realização de novos ensaios laboratoriais ou a juntada de outros laudos técnicos. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Repartição da RFB de origem para providenciar a realização de perícia técnica objetivando responder os seguintes quesitos: 01 Pela literatura científica, existe sacarose quimicamente pura? Existindo, quais são suas características físicoquimicas? 02 Na sacarose quimicamente pura existe impurezas? Existindo, quais são elas e qual a quantidade máxima admitida pela literatura científica? 03 Existe sacarose com polarização igual a 100ºS, ou seja, sem impureza? Existindo, ela é uma sacarose quimicamente pura? 04 Existindo sacarose com polarização igual a 100ºS (sem impurezas) e/ou sacarose quimicamente pura (com impurezas) as mesmas são produzidas industrialmente e comercializadas no Brasil como açúcar cristal granulado, ou somente são produzidas em laboratório? 05 Tecnicamente, podese afirmar que a sacarose quimicamente pura tem polarização (teor de sacarose) igual ou superior a 99,5ºS? 06 Sendo a resposta do quesito 05 positiva, podese afirmar que, técnica e cientificamente, todo açúcar cristal granulado, com teor de sacarose igual ou superior a 99,5ºS, é uma sacarose quimicamente pura? 07 Sendo a resposta do quesito 06 negativa, o que diferencia o açúcar cristal granulado, com teor de sacarose superior a 99,5ºS, da sacarose quimicamente pura, posto que claramente são produtos distintos, com usos distintos e processos produtivos distintos? 08 Pela literatura científica, e com base nas informações dos Laudos Técnicos, dos Certificados de Análises, da Nota Técnica e da Resposta a Quesitos, juntados aos autos, é possível concluir se das amostras analisadas, todas com polarização superior a 99,5ºS, alguma (ou algumas) é sacarose quimicamente pura? Em caso positivo, identificar. 09 Pela literatura científica e com base nas informações dos Laudos Técnicos, dos Certificados de Análises, da Nota Técnica e da Resposta a Quesitos, juntados aos autos, é Fl. 235DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13855.000100/200892 Resolução n.º 330200.232 S3C3T2 Fl. 6 6 possível concluir se das amostras analisadas, todas com polarização superior a 99,5ºS, alguma (ou algumas) é açúcar cristal granulado e não é sacarose quimicamente pura. Em caso positivo, identificar. 10 Conclusivamente, o açúcar cristal especial, o açúcar cristal especial extra e o açúcar cristal exportação, objeto da autuação, são “sacarose quimicamente pura”? (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13450.000071/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1526; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 66 1 65 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13450.000071/200650 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.715 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2012 Matéria IRPF Recorrente LUIZ ALBERTO GADELHA DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 45 0. 00 00 71 /2 00 6- 50 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Tratase de recurso voluntário (fls. 62/63) interposto em 10 de fevereiro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) (fls. 50/56), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de janeiro de 2010 (fl. 61), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 03/08, lavrado em 19 de outubro de 2005, em decorrência de glosa de despesas médicas e omissão de rendimentos, verificados no anocalendário de 2002 (fl.53) O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São apenas dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RENDIMENTOS IMPROCEDÊNCIA. Cabe cancelar a infração de omissão de rendimentos quando a fonte pagadora retifica a informação através de um documento idôneo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 62/63), alegando em síntese que apresentou, atendendo intimação da Receita Federal, os recibos originais das Despesas Médicas deduzidas em sua Declaração de Rendimentos, os quais foram apensados ao presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A controvérsia gira em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços médicos e odontológicos. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13450.000071/200650 Acórdão n.º 2101001.715 S2C1T1 Fl. 67 3 Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preencham os requisitos legais e que são acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a Fl. 74DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) No presente caso, verificase que o auto de infração foi lavrado, (além de omissão de rendimentos, tidos como improcedentes em 1ª Instância) em virtude de dedução indevida de despesas médicas e odontológicas, constantes de recibos emitidos no exercício de 2002 pelos seguintes prestadores: Prestador Espécie Valor R$ Folhas UNIMED Sousa PB Plano Saúde 1.343,23 25/26 Drª Ângela Maria de Araújo Barros Odontologia 200,00 14 Dr. D.J. Veloso Odontologia 35,00 14 Dr. José Eduardo da Silva Calaffo Odontologia 200,00 15 Drª Glícia Maria Arnaud Arruda Psicologia 5.800,00 17/21 Drª Maria Julieta de O. Gadelha Serv. Médicos 10.000,00 22/26 Drª Margareth Márcia Dantas Psicologia 12.000,00 27/39 Drª Maria do Socorro Abrantes de Sá Almeida Fisioterapia 2.000,00 40/46 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13450.000071/200650 Acórdão n.º 2101001.715 S2C1T1 Fl. 68 5 Excetuandose os recibos da UNIMED – SousaPB e do Dr. D. J. Veloso, ambos acatados, os demais permaneceram glosados pelo juízo à quo. Agora, nesta Instância, limitase o Recorrente em informar que os recibos originais foram apensados nos autos. Ora, em casos como o presente, em que os valores gastos são expressivos, representando grande parcela dos rendimentos declarados como tributáveis, tenho entendido que o contribuinte deve apresentar outros documentos além dos recibos e declarações dos prestadores, como fichas médicas ou odontológicas, agendas do profissional, receitas, exames, notas fiscais de aquisição de medicamentos, extratos bancários para comprovação de saques etc. Como nem todos os documentos apresentados cumpriram os requisitos necessários e nenhum outro documento foi apresentado, nem por ocasião da impugnação, nem no momento da interposição do presente recurso, entendo que a referidas deduções não podem ser restabelecidas. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15586.001097/2010-91
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. TERCEIROS. ALIMENTAÇÃO SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO-INCIDÊNCIA.
O fornecimento de alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM DINHEIRO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O fornecimento de alimentação em pecúnia a empregado integra o salário de contribuição.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
Constitui falta passível de multa, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator para: a) decotar do lançamento a parte relativa ao fornecimento de auxílio alimentação in natura aos empregados, independentemente de inscrição no PAT, por possuir natureza indenizatória; b) aplicar a multa do art. 35 da Lei nº. 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº. 11.941/2009, caso seja mais benéfica ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. TERCEIROS. ALIMENTAÇÃO SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃOINCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM DINHEIRO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O fornecimento de alimentação em pecúnia a empregado integra o salário de contribuição. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui falta passível de multa, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator para: a) decotar do lançamento a parte relativa ao fornecimento de auxílio alimentação in natura aos empregados, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 97 /2 01 0- 91 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA 2 independentemente de inscrição no PAT, por possuir natureza indenizatória; b) aplicar a multa do art. 35 da Lei nº. 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº. 11.941/2009, caso seja mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001097/201091 Acórdão n.º 2803002.282 S2TE03 Fl. 275 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela TRANSPORTES FIOROTI LTDA. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do relatório fiscal, a autuação se deu em razão das contribuições sociais devidas a Terceiros/Outras entidades, previstas no art. 94 da Lei nº. 8.212/91 e artigo 3º da Lei nº. 11.457/2007, e determinadas pelo FPAS 6120, quais sejam FNDE, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT. 3. Observase que tais contribuições não foram declaradas pela empresa em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social (GFIP), conforme estabelece o inciso IV, do art. 32, da Lei nº. 8.212/91, combinado com o inciso IV, do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99, sendo tais contribuições arrecadadas, fiscalizadas e cobradas pela Receita Federal do Brasil. 4. Em síntese, o relatório fiscal dispõe (fls. 45 a 49): “(...). 2. Como medidas preparatórias aos lançamentos creditícios cobrados pela Fazenda Pública, foi o contribuinte notificado da execução do procedimento fiscal autorizado através de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), acima referenciado, relativo ao período de 01/2006 a 12/2007, quando se solicitou formalmente, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), anexo ao presente, datado de 16/07/2010, emitido de acordo com o art. 32, III, e art. 33, §§1º e 2º, da Lei 8.212/91, a apresentação dos documentos necessários à realização das verificações definidas pelo citado MPF. (...). 5.1.1. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), que tem por finalidade comunicar a ocorrência de Sonegação de Contribuição Previdenciária ao Ministério Público Federal, pois, em tese, demonstram a prática do ilícito previsto no art. 337A, inciso I e III, do Código Penal. (...)” 5. No que se refere à composição dos levantamentos, o relatório assim dispõe: “Levantamento TA (01/2006 a 05/2006) – é o crédito decorrente do fornecimento de alimentação (cartões eletrônicos visa vale alimentação) aos segurados empregados, sem a necessária inscrição no PAT (Programa de Alimentação ao Trabalhador – programa gerenciado pelo Ministério do Trabalho e Emprego). Estabelece a Lei 6.321 de 14/04/1976, DOU de 19/04/76, que dispõe sobre as condições para o gozo de Fl. 276DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA 4 isenções tributárias relativamente ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT (...). Levantamento DA (01/2006 a 12/2007) – é o crédito decorrente do fornecimento de alimentação em dinheiro aos segurados empregados. Tais pagamentos foram constatados em recibos de pagamento a empregados, fato este que exclui de plano qualquer tipo de gozo de isenção tributária relativa a esta utilidade apelidada, pela empresa, de ticket alimentação, paga em dinheiro. Neste caso não há que se falar em PAT, Programa de Alimentação ao Trabalhador – programa gerenciado pelo Ministério do Trabalho, atualmente Ministério do Trabalho e Emprego, pois a Lei 6.321/76, DOU de 19/04/76, que dispõe sobre as condições para gozo de isenções tributárias, relativamente ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), não faz nenhuma menção a esta modalidade. Portanto o valor da alimentação paga em dinheiro aos segurados tem natureza salarial, integrando a remuneração dos segurados empregados que as receberam e estando sujeito às contribuições incidentes sobre a folha de salários.” 6. Reiterese que o lançamento tributário ora guerreado referese às contribuições incidentes sobre remuneração percebida pelos segurados empregados, como apontados nos levantamentos denominados “TA” e “DA”, não recolhidas e nem declaradas em GFIP pela recorrente. 7. O acórdão (fl. 239) exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “SALÁRIO IN NATURA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO PAT. INCIDÊNCIA. A concessão de alimentação aos segurados empregados em desacordo com a legislação que regula o Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) do ministério do Trabalho e Emprego (TEM), requisito previsto na legislação previdenciária, configurase salário in natura, sujeitandose à tributação. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares, que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. Impugnação Improcedente Crédito tributário Mantido.” 8. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos trazidos na impugnação, aduzindo em síntese: a) que ao deixar de inscrever o fornecimento de alimentação, através de cartões eletrônicos, no Programa de Alimentação ao Trabalhador, do Ministério do Trabalho e Emprego, não gerou qualquer prejuízo ao erário, vez que incorreu em simples descumprimento de obrigação de natureza acessória; b) cita decisões do Superior Tribunal de Justiça para corroborar seu entendimento, de que o auto de infração deve ser desconstituído, vez que Fl. 277DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001097/201091 Acórdão n.º 2803002.282 S2TE03 Fl. 276 5 pretende exigir o pagamento de contribuição previdenciária sobre verbas que não têm natureza salarial, conforme legislação regente; c) que vigia à época dos supostos fatos geradores convenção coletiva da categoria que equiparava o pagamento da alimentação através de dinheiro, ao pagamento através de ticket (cartões eletrônicos), o que consubstancia a necessidade da aplicação da mesma norma isentiva aplicada nos casos em que o pagamento se dava em forma de ticket; d) por imposição das convenções coletivas as verbas pagas a título de alimentação, exemplificadamente, por meio de reembolso em dinheiro não tinham natureza salarial, restando isentas do recolhimento da contribuição previdenciária, portanto, não pode a empresa ser penalizada (pela não aplicação da isenção) em virtude de simples descumprimento de dever instrumental, ou obrigação acessória, de informação ao Ministério do Trabalho e Emprego de inscrição no PAT. 9. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA 6 Voto Conselheiro NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS , Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO 2. O auto de infração que se combate nessa ação fiscal originouse em razão de: “(...) não recolhimento da contribuição devida a terceiros (outras entidades e fundos), com origem na contribuição devida sobre a rubrica alimentação, paga em desconformidade com a legislação, a seus empregados (alimentação). Também não foi declarado em GFIP”. 3. A recorrente argumenta que ao deixar de inscrever o fornecimento de alimentação, através de cartões eletrônicos, no Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT), do Ministério do Trabalho e Emprego, não gerou qualquer prejuízo ao erário, vez que incorreu em simples descumprimento de obrigação de natureza acessória. 4. Conforme narra o auto de infração, o crédito é decorrente do fornecimento de alimentação (cartões eletrônicos visa vale alimentação) e do fornecimento de alimentação em dinheiro aos segurados empregados, sem inscrição no PAT. 5. Assim, cumpre salientar que a entrega de ticket alimentação assemelhase ao fornecimento de auxílioalimentação in natura, que não sofre a incidência de contribuição social porque não integra o salário (natureza indenizatória). 6. Corroborando esse entendimento, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional publicou o Parecer PGFN/CRJ/nº. 2117/2011 sobre a não incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação pago in natura: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n.º 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso e a desistir dos já interpostos.” 7. No mesmo sentido, observase o Ato declaratório n.º 03/2011 no qual a PGFN declarou que “fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. 8. Além disso, pelo que se indica nestes casos, a concessão da alimentação in natura é desvinculada do salário por força da própria Lei nº. 8.212/91 que determina a não Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001097/201091 Acórdão n.º 2803002.282 S2TE03 Fl. 277 7 integração do salário de contribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, § 9º, letra “e”, item 7). 9. Para firmar esse entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação não se constitui em base da contribuição previdenciária, fazse mister a referência de acórdão cuja relatoria é do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao Fl. 280DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA 8 sóciogerente.Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) (g.n.) 10. Cumpre destacar que, embora os valores pagos a título de auxílio alimentação estejam estabelecidos em convenção coletiva (fls. 143/235), no que se refere ao pagamento do benefício em pecúnia, tal previsão não tem o condão de possibilitar a não incidência da contribuição social previdenciária, haja vista que o referido instrumento trata de normas aplicáveis entre as partes e não está o Poder Público obrigado a obedecer acordos e convenções coletivas de trabalho naquilo que conflitarem com a legislação tributária. 11. Portanto, o fornecimento de alimentação em pecúnia deve integrar o salário de contribuição do segurado. 12. Do até aqui exposto, é o caso, portanto, de dar provimento ao recurso no que se refere ao fornecimento de alimentação in natura, mas mantendo o lançamento no que tange ao fornecimento do benefício em dinheiro. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 13. Sobre o descumprimento de obrigação acessória (apresentação de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas), importante destacar que, conforme prevê o art. 32, IV da Lei nº. 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...). IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97). (...). § 5°. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo incluído pela Lei n° 9.528, de 10.12.97).” O Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99, dispõe no mesmo sentido, in verbis: “Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...). Fl. 281DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001097/201091 Acórdão n.º 2803002.282 S2TE03 Fl. 278 9 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...). § 4° O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. (...).” 14. Desta forma, a recorrente ao omitir na GFIP dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária, inferese como certo que houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme estabelece os dispositivos acima transcritos, resultando, assim, na imposição de multa, a qual independe do cumprimento da obrigação principal e da natureza do lançamento. DA MULTA APLICADA 15. Por fim, sobre a multa aplicada, tornase importante apreciar, de ofício, a matéria, tendo em vista se tratar de questão de ordem pública. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº. 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº. 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 16. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº. 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” E o supracitado art. 61, da Lei nº. 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA 10 (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 17. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº. 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 18. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº. 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº. 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº. 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 19. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito dar lhe provimento parcial para: a) decotar do lançamento a parte relativa ao fornecimento de auxílio alimentação in natura (Levantamento TA 01/2006 a 05/2006) aos empregados, independentemente de inscrição no PAT, por possuir natureza indenizatória; b) aplicar a multa do art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº. 11.941/2009, caso seja mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 19509.000194/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2001
Ementa:
CO-RESPONSÁVEIS
Os relatórios de Co-Responsáveis
e de Vínculos são partes integrantes dos
processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e Auto de Infração,
para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e
subsidiar futuras ações executórias de cobrança.
A efetiva gestão do empreendimento, corroborada com fatos e documentos,
implica na co-responsabilidade
dos gestores para com a sociedade
empresária.
AUTO-DE-INFRAÇÃO.
GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A
TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a
todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo
32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008,
que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A
à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato
pretérito, tratando-se
de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de
defini-lo
como infração; b) quando deixe de tratá-lo
como contrário a
qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento
e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da
sua prática.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº
363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos
após a Emenda Constitucional Nº 20/98.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o
presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida
Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A,
inciso II, que na conversão pela Lei
n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A,
inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também devem
ser excluídas as parcelas referentes à comercialização da produção rural até a competência
outubro de 2001 (inclusive).
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2001 Ementa: CO-RESPONSÁVEIS Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança. A efetiva gestão do empreendimento, corroborada com fatos e documentos, implica na co-responsabilidade dos gestores para com a sociedade empresária. AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional Nº 20/98. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2236; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19509.000194/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 230201.698 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria Auto de Infração: GFIP. Fatos Geradores Recorrente FRIGONOSTRO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2001 Ementa: CORESPONSÁVEIS Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança. A efetiva gestão do empreendimento, corroborada com fatos e documentos, implica na coresponsabilidade dos gestores para com a sociedade empresária. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional Nº 20/98. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também devem ser excluídas as parcelas referentes à comercialização da produção rural até a competência outubro de 2001 (inclusive). Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Relator Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 20/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 523DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19509.000194/200816 Acórdão n.º 230201.698 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 11/07/2002, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 22/07/2002, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 11/1999 a 12/2001, as contribuições devidas por subrogação, relativas à aquisição de produto rural de produtores rurais pessoas físicas ou segurados especiais. Às fls.15 a 31 do processo, consta um detalhado relatório com “Histórico e Pontos Relevantes da Auditoria Fiscal”, onde o fisco comprova que os sóciogerentes da notificada Srs. Antonio Lourenço de Lima Neto e Ademir Filaz, apenas cederam seus nomes e assinaturas para a constituição da empresa, sendo o empreendimento gerido e mantido por José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci, que devem assumir a condição de co responsáveis pela recorrente. A recorrente impugnou a autuação e DecisãoNotificação de fls. 349/371, julgou o lançamento procedente. Ainda inconformada, a recorrente apresentou recurso, arguindo em síntese: a) que de forma arbitrária e inquisitorial os auditores fiscais atribuíram coresponsabilidade aos sócios e mandatários da recorrente; b) que a decisão recorrida não indicou os pressupostos de fato e de direito que determinaram a decisão administrativa; c) que a decisão não teve motivação e razoabilidade porque não considerou as razões que levaram a recorrente á inadimplência; d) que não lhe foi concedido prazo para juntar provas, infringindose o princípio da ampla defesa; e) que o descumprimento dos princípios constitucionais traz insegurança à decisão; f) que a NFLD possui vício insanável; g) que foi envolvida pela fiscalização em ilícito penal, relativos a procedimentos que em tese são crimes contra a seguridade social; Fl. 524DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 h) que só há suposição de que houve simulação na sucessão e responsabilidade tributária; i) que a empresa não foi constituída com a intenção de sonegar contribuição previdenciária; j) que os débitos são originários da crise financeira; k) que o fisco excluiu os verdadeiros responsáveis pelas obrigações previdenciárias; l) que não há apropriação indébita porque os valores levantados na NFLD 35.201.0908 foram pagos em 31/08/2002, devendo ser desconsiderada esta agravante, m) que o pagamento do tributo desconstitui o ilícito; n) que não houve dolo ao não informar a comercialização da produção rural, apenas desconhecimento da obrigação; o) que os livros foram espontaneamente apresentados; p) que a não apresentação dos documentos no AI 35.201.0886, foi idoneamente justificada; q) que o julgador desconheceu a atenuante de inexistência de agravantes; r) que é necessária a desconstituição do ilícito porque a presunção não constitui prova plena e não merece fé. Requer o provimento total do recurso para reformar a decisão recorrida , declarando a improcedência da coresponsabilidade atribuída aos mandatários e a nulidade da NFLD por vício insanável. Os coresponsáveis arrolados na autuação José Clarindo Capuci , Francisco Claudinei Capuci também apresentaram recurso argüindo em peças similares: a) que é ilegal a responsabilidade que lhes foi atribuída; b) que somente eram procuradores dos sóciogerentes da recorrente; c) que eram mandatários e não gestores; d) que não há fundamentos fáticos na alegação de que houve simulação para descaracterizar a sucessão e a responsabilidade tributária; e) que a empresa na foi constituída com o interesse de sonegar; f) que a inadimplência assola todo o setor empresarial; g) que não há apropriação indébita porque os valores levantados na NFLD 35.201.0908 foram pagos em 31/08/2002, devendo ser desconsiderada esta agravante; Fl. 525DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19509.000194/200816 Acórdão n.º 230201.698 S2C3T2 Fl. 3 5 h) que não houve dolo ao não informar a comercialização da produção rural, apenas desconhecimento da obrigação; i) que a não apresentação dos documentos no AI 35.201.0886, foi idoneamente justificada; j) que o julgador desconheceu a atenuante de inexistência de agravantes; k) que é necessária a desconstituição do ilícito porque a presunção não constitui prova plena e não merece fé. Requer a revisão dos autos a exclusão definitiva de coresponsabilidade das obrigações da empresa na qual era mandatário e a desconstituição do ilícito penal. O sóciogerente, Ademir Filaz, também apresentou recurso, argüindo: a) que a coresponsabilidade não encontra amparo no CTN, nem a solidariedade passiva; b) que não tem interesse comum na situação que se deve exclusivamente a inadimplência; c) que a empresa não se encontra em liquidação; d) que não se trata de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, é só inadimplência; e) que a coresponsabilidade ocorreu por presunção; l) que não há fundamentos fáticos na alegação de que houve simulação para descaracterizar a sucessão e a responsabilidade tributária; m) que a empresa na foi constituída com o interesse de sonegar; n) que a inadimplência assola todo o setor empresarial; o) que não há apropriação indébita porque os valores levantados na NFLD 35.201.0908 foram pagos em 31/08/2002, devendo ser desconsiderada esta agravante; p) que não houve dolo ao não informar a comercialização da produção rural, apenas desconhecimento da obrigação; q) que a não apresentação dos documentos no AI 35.201.0886, foi idoneamente justificada; r) que o julgador desconheceu a atenuante de inexistência de agravantes. Foram oferecidas as contrarrazões pela manutenção da decisão recorrida. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Acórdão da 04 CaJ do CRPS não conheceu do recurso por estar desacompanhado do depósito recursal.Os autos foram encaminhados à Procuradoria e inscritos em dívida ativa. Posteriormente, em sede de Agravo de Instrumento, o TRF da 3ª Região, mandou cancelar a inscrição, reconhecendo nulidade, porque os recursos não tinham sido apreciados por falta de depósito. Os autos, assim, retornaram a este Colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19509.000194/200816 Acórdão n.º 230201.698 S2C3T2 Fl. 4 7 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço dos recursos e passo aos seus exames. Da Preliminar A relação de coresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, tem a finalidade de listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. No caso em tela, as recorrentes se insurgem quanto à coresponsabilidade ter sido atribuída a pessoas que entendem estranhas à sociedade. No entanto, após o exame dos autos, vêse que o relatório constante das fls. 15/31 traz um detalhado histórico de fatos e situações com as quais se deparou a fiscalização e que lhe levou a concluir que os co responsáveis pela em presa Frigonostro Indústria e Comércio de Carnes Ltda., não se limitam aqueles constantes do contrato social, devendo, também, a responsabilidade ser imputada aos Srs.José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci. No citado relatório, o fisco faz todo o detalhamento da situação encontrada na empresa em relação aos demais empreendimentos pertencentes e administrados por membros da família Capuci. Por economia processual, me reporto integralmente ao relatório, apenas destacando que a Frigonostro foi constituída em 22/09/1999, com capital de R$ 150.000,00 e dois sócios: Ademir Filaz e Antonio Lourenço Lima Neto, ambos empregados em empresas frigoríficas da região com salários baixos e sem patrimônio, que foram alçados à situação de sócioempresários, perfazendo em 75.000,00, cada, o capital social. Pesquisa efetuada nos sistemas da Previdência Social, CNIS mostram que os segurados sempre desempenharam funções com níveis salariais baixos e de baixa qualidade, mas mesmo assim integraram o capital social da empresa. Como a sociedade não tinha imóvel, arrendou o complexo industrial do frigorífico Friporã, por R$1.080.000,00, em contrato de arrendamento datado de 20/09/1999, ou seja, em data anterior a sua constituição e quando os sócios ainda eram empregados das empresas Frigocap Comércio de Carnes Ltda. e Prudenfrigo Prudente Frigorífico Ltda. O valor Fl. 528DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 do arrendamento por quinze anos ficou bem abaixo do real valor de mercado, como demonstra o fisco com dados concretos constantes do relatório. Ato contínuo, os sócios gerentes da recorrente assinaram procuração com amplos poderes de gestão do empreendimento para os Srs.José Clarindo Capucci e Francisco Claudinei Capucci. E na primeira alteração contratual, o Sr. Antonio Lourenço de Lima Neto cede suas cotas (R$75.000,00) para uma empresa uruguaia, representada por um Capucci e se retira da sociedade, enquanto o Sr. Ademir Filaz cede para a mesma empresa uruguaia, R$ 74.000,00 de suas cotas, que perfaz R$ 149.000,00 do capital social e o Sr. Ademir permanece com R$ 1.000,00 e como sóciogerente. A recorrente também ocupou instalações da empresa Comanche Assessoria de Bens Ltda. de propriedade da família Capucci, sendo que o local da empresa é o escritório denominado “Irmãos Capuci”, como nome de fantasia e logotipo “Frigonostro”. O fisco demonstra, ainda, que o volume de recursos financeiros despendidos na aquisição de matéria prima registrada no Livro Registro de Entrada são incompatíveis com capital social , fato não contestado pela recorrente que se limita a dizer que a situação foi presumida pela auditoria. Ora, por todos os elementos trazidos aos autos não se pode falar de presunção, mas de demonstração cabal e fática da situação encontrada pelos auditores fiscais que muito bem demonstraram que os irmãos Capuci foram os verdadeiros gerenciadores e empreendedores na sociedade Frigonostro. As negociações com a fazenda Paquetá, por exemplo, que figura como dos maiores fornecedores de gado bovino para a recorrente, com aquisições superiores a cinco milhões de reais, no ano de 2001,foram empreendidas com os irmãos Capuci, sendo os cheques e notas promissórias rurais assinadas por eles. É de se notar que o capital social da recorrente é irrisório frente ao montantes despendidos com matéria prima. A fiscalização comprovou com fatos e dados que os sócios da recorrente são pessoas modestas, desprovidas de patrimônio, que participaram do negócio apenas para assinar a constituição do mesmo, as alterações contratuais, procurações e contrato de arrendamento, sendo que todo o empreendimento é administrado pelos procuradores Srs.José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci, que são pessoas reconhecidas na atividade econômica empreendida, pertencentes a famílias abastadas e conhecidas da comunidade, que levam o negócio de fato, realizando os atos necessários e indispensáveis ao andamento das atividades operacionais do mesmo. A fiscalização demonstrou com detalhes todo o liame tecido que permitiu chegar à conclusão de que os verdadeiros coresponsáveis da recorrente são os Srs.José Clarindo Capcci e Francisco Claudinei Capuci, inclusive visitando vários estabelecimentos envolvidos nas relações comerciais, não se tratando de presunção, mas de um trabalho sério que redundou no relatório de fls. 15 a 31, com documentos anexados às fls. 32 a 306, o que possibilitou visualizar que a empresa Frigonostro Indústria e Comércio de Carnes Ltda. foi criada com a participação de sócios estranhos à família Capuci, com baixo patrimônio,mas sendo o negócio administrado pela família, basta ver que os cargos de direção são ocupados por membros da família e todos os documentos relacionados às atividades operacionais são assinados pelos Srs.José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci. Por derradeiro, deve ser considerado como elementos de convencimento da relação existente que a pessoa jurídica, Frigonostro, não possui bens, pois suas instalações são arrendadas; os sóciosgerentes não possuem capacidade financeira e bens; as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e as advindas da subrogação na aquisição de produto rural não foram recolhidas desde o início de atividades da recorrente, redundando num valor de mais de sete milhões de reais, à época do lançamento Fl. 529DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19509.000194/200816 Acórdão n.º 230201.698 S2C3T2 Fl. 5 9 em 2002 e a empresa encontrase com suas atividades paralisadas, funcionando no local outro empreendimento. A efetiva gestão do empreendimento, corroborada com fatos e documentos anexados aos autos, implica na coresponsabilidade dos gestores para com a sociedade empresária. A coresponsabilidade não pode se restringir ao sóciogerente capaz de assinar os documentos constitutivos da empresa e alterações contratuais, quando cabalmente demonstrado que o mesmo não se envolveu com qualquer ato de efetiva administração da sociedade e que, comprovadamente, os gestores é que foram os verdadeiros empreendedores gerindo e assumindo todos os riscos do negócio. Por todos estes fatos é que entendo correta a posição dos auditores da Receita Federal do Brasil para esclarecer a situação existente com dados que permitiram vislumbrar que os verdadeiros responsáveis pela recorrente são os Srs.José Clarindo Capuci e Francisco Claudinei Capuci, gestores do empreendimento que buscaram através de subterfúgios se escusar das ações que visassem satisfazer os créditos previdenciários. Ainda é de se notar que o arrolamento das pessoas físicas acima citadas como coresponsáveis, não implica de imediato o reconhecimento da responsabilidade pelo débito fiscal da sociedade. Apenas assinala sobre a possibilidade da configuração da responsabilidade tributária por substituição, nos termos no art. 135, do CTN, que poderá ser amplamente discutida em juízo. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; Fl. 530DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: Fl. 531DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19509.000194/200816 Acórdão n.º 230201.698 S2C3T2 Fl. 6 11 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Do Mérito Referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP da aquisição de produtos rurais adquiridos de produtor rural pessoa física, que são fato gerador de contribuição previdenciária, uma vez que o adquirente fica subrogado nas obrigações do produtor pessoa física, conforme artigo 30, inciso IV da Lei n.º 8212/91. Recentemente o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal – STF, julgou o Recurso Extraordinário n.º 363852, declarando inconstitucional a exação tributária do artigo 1º da Lei n.º 8540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VIII, 25, I e II e artigo 30, IV da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n.º 9.528/97. Entretanto, o julgado ressalva “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n.º 20/98, venha a instituir a contribuição...”. Sobre a questão peço licença e reproduzo o voto da ilustre Conselheira Ana Maria Bandeira, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que já abordou a questão, cujos fundamentos passo a adotar: É sabido que está em julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas Fl. 532DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Ou seja, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não estava albergada na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97. Tal inconstitucionalidade residiria no fato de que seria necessária lei complementar para a instituição da contribuição incidente sobre a comercialização da produção do empregador rural pessoa física. Esta exigência decorreria do art. 195, §4º, da Carta Magna Até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável. Assim, a Lei nº 8.540/1992 ao instituir contribuições sobre receita bruta sobre a comercialização da produção dos produtores rurais pessoas físicas levou ao questionamento sobre sua constitucionalidade, culminando com a decisão plenária do STF no julgamento do RE 363.852. No entanto, a Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao art. 195, inciso I da CF/88, a qual passou a dispor que: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Como se vê, a partir da EC nº 20/1998, a própria Constituição Federal passa a admitir a receita como base tributável para as contribuições previdenciárias. Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, Fl. 533DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19509.000194/200816 Acórdão n.º 230201.698 S2C3T2 Fl. 7 13 destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Cumpre enfatizar que o fundamento jurídico adotado pelo Relator no julgamento do RE 363.852 demonstra que apenas foi abordada a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei 8.212/91 conferida pela Lei 8.540/92, não havendo apreciação da constitucionalidade da redação atual do art. 25 da Lei de Custeio, conferida pela Lei 10.256/01 e, segundo o Ministro Marco Aurélio, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC 20/98 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, ao menos no que tange à necessidade de Lei Complementar para sua instituição, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito: ...conheço e dou provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. (g.n.) Asseverese que a contribuição lançada com fulcro no dispositivo com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 já teve a constitucionalidade confirmada pelo Judiciário conforme se depreende da decisão abaixo colacionada: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua Fl. 534DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) No presente caso, a contribuição cuja omissão em GFIP levou à lavratura do presente Auto de Infração, referese a período posterior à edição da Lei nº 10.256/2001, portanto, sob a vigência da mesma. Além disso, no anexo Relatório de Fundamentos Legais do Débito que ampararam o lançamento da obrigação principal correspondente, cujo recurso também foi objeto de análise por parte desta conselheira, verificase que a contribuição foi lançada com fundamento nos dispositivos já na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Assim, a meu ver, não há que se sobrestar os presentes autos em razão de não estarmos diante recurso que se enquadre no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. A presente autuação se refere às competências de 11/1999 a 12/2001, quando os fatos geradores ocorridos a partir de 11/2001, já se encontram ao abrigo da legislação superveniente, Lei n.º 10.256, de 09/07/2001, publicada no DOU de 10/07/2001 e obedecido o prazo nonagesimal. A Emenda Constitucional n.º 20, de 15/12/12998, incluiu a receita e o faturamento como base de incidência contributiva previdenciária e a Lei n.º 10.256/2001, instituiu a contribuição, ao que, a recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal pela inconstitucionalidade formal dos artigos 25, incisos I e II e 30, inciso IV da Lei n.º 8.212/91, não se aplica às competências 11/2001 e 12/2001, do presente processo. As contribuições sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, e a subrogação até competências até 10/2001, inclusive, foram declaradas inconstitucionais pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, devendo ser afastadas da autuação, conforme dispõe o artigo 62, do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19509.000194/200816 Acórdão n.º 230201.698 S2C3T2 Fl. 8 15 Quanto à autuação, a obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos a aquisição de produto rural, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo Fl. 536DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19509.000194/200816 Acórdão n.º 230201.698 S2C3T2 Fl. 9 17 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Quanto às argüições acerca da inexistência de apropriação indébita devido ao pagamento do tributo e que a não apresentação de documentos foi idoneamente justificada, deixo de me manifestar por ser matéria estranha aos autos. No caso presente restou demonstrado o descumprimento da obrigação acessória, sendo acertada a autuação e a aplicação da multa punitiva. É de se registrar que não ocorreram circunstâncias atenuantes da penalidade aplicada, porque não houve a correção da falta. De acordo com o artigo 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com a redação vigente à época da autuação a falta deveria ter sido corrigida até a decisão da autoridade julgadora de primeira instância para que fosse aplicada a circunstância atenuante, o que efetivamente não ocorreu. A inexistência de agravantes, que vem explícitas no artigo 290, do citado Regulamento não pressupõe a atenuante, como quer a recorrente: Fl. 538DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir do lançamento as competências até 10/2001, inclusive, devido à declarada inconstitucionalidade da exação até a edição da Lei n.º 10.256/2001, devendo a multa aplicada nas demais competências ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 539DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10920.000374/2010-87
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO JUDICIAL. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. POSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DOS ADMINISTRADORES. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, caracteriza-se como descumprimento da obrigação acessória do artigo 32, inciso IV, da Lei nº. 8.212/91.
Os relatórios de vínculos é parte integrante dos processos de lançamento e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiar futuras ações judiciais. Esse relatório não tem o condão de atribuir responsabilidade pessoal.
A participação nos lucros e resultados da empresa relativa aos administradores enquadra-se nas hipóteses previstas pela Lei nº. 8.212/91 referentes às parcelas não integrantes do salário de contribuição, quando observados os requisitos legais relativos à constituição do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados - PLR, previstos na Lei nº. 10.101/2000.
Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei nº. 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei nº. 11.941/09.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar a multa do art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso seja mais benéfica ao contribuinte. Declarou-se impedido/suspeito de votar o(a) Conselheiro(a) Gustavo Vettorato.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Liam - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO JUDICIAL. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. POSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DOS ADMINISTRADORES. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, caracteriza-se como descumprimento da obrigação acessória do artigo 32, inciso IV, da Lei nº. 8.212/91. Os relatórios de vínculos é parte integrante dos processos de lançamento e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiar futuras ações judiciais. Esse relatório não tem o condão de atribuir responsabilidade pessoal. A participação nos lucros e resultados da empresa relativa aos administradores enquadra-se nas hipóteses previstas pela Lei nº. 8.212/91 referentes às parcelas não integrantes do salário de contribuição, quando observados os requisitos legais relativos à constituição do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados - PLR, previstos na Lei nº. 10.101/2000. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei nº. 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei nº. 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO JUDICIAL. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. POSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DOS ADMINISTRADORES. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, caracterizase como descumprimento da obrigação acessória do artigo 32, inciso IV, da Lei nº. 8.212/91. Os relatórios de vínculos é parte integrante dos processos de lançamento e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiar futuras ações judiciais. Esse relatório não tem o condão de atribuir responsabilidade pessoal. A participação nos lucros e resultados da empresa relativa aos administradores enquadrase nas hipóteses previstas pela Lei nº. 8.212/91 referentes às parcelas não integrantes do salário de contribuição, quando observados os requisitos legais relativos à constituição do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR, previstos na Lei nº. 10.101/2000. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei nº. 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei nº. 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 03 74 /2 01 0- 87 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 89 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar a multa do art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso seja mais benéfica ao contribuinte. Declarouse impedido/suspeito de votar o(a) Conselheiro(a) Gustavo Vettorato. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Liam Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 90 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela COMPANHIA FABRIL LEPPER em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fl. 14), o presente Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória foi lavrado com fundamento na Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. IV e § 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, combinado com art. 225, IV, § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, em decorrência de ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 3. O auditor fiscal, para a autuação, utilizouse dos seguintes argumentos (fl. 13): “(...). 4. Por intermédio do já referido TIPF, foi a empresa intimada a apresentar livros e documentos, incluindose as atas de assembléias e escrituração contábil e folha de pagamento de todo o período fiscalizado. 5. Examinando a contabilidade apresentada — especificamente o razão da conta de passivo nº 21403.00061 — ‘Gratificação à Diretoria’, em confronto com as ‘Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência’ (GFIP) constantes dos sistemas da RFB (GFIPWEB) verificase que a empresa não declarou tais gratificações em GFIP: ....................................................................................................... (...).” 4. O acórdão (fl. 54) exarado em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADOR. SOCIEDADE ANÔNIMA. A participação dos membros do conselho de administração e da diretoria no lucro de companhia, prevista na Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias por caracterizar contraprestação aos serviços prestados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 91 4 A mera inclusão do nome de pessoas físicas ligadas à Autuada pessoa jurídica no relatório de vínculos que integra o auto de infração visa apenas fornecer subsídios à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que esta, caso seja necessário, pleiteie judicialmente o redirecionamento de eventual execução forçada do crédito tributário. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 5. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) argumenta que a autuação atribui de forma indevida a responsabilidade tributária às pessoas físicas constantes do relatório de vínculos; b) afirma que a regra vigente na legislação aplicável é de que não há incidência de contribuições previdenciárias na participação nos lucros, tanto no que se refere aos lucros distribuídos aos acionistas da empresa, bem como nos valores pagos aos administradores a título de participação nos lucros, posto que a participação não possui natureza de retribuição pela prestação de trabalho ou equiparada; c) aduz que os diretores são empregados, eleitos pelo Conselho de Administração, conforme previsão no estatuto Social, Administradores da recorrente, são pessoas físicas, qualificados como empresários/contribuintes individuais, que recebem remuneração mensal (salário de contribuição), seja em pecúnia (prólabore) seja em utilidades, destinada tão somente a retribuir o trabalho prestado; c) a participação nos lucros não constitui fato gerador da contribuição previdenciária, visto que não está abrangido pelo salário de contribuição. 6. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 92 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 2. A autuação da contribuinte tem fundamento na Lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. IV e § 5°, acrescentado pela Lei nº. 9.528/97, combinado com art. 225, IV, § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99, em decorrência de ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 3. Em seu recurso, a empresa não trouxe argumentos que pudessem afastar a aplicação da multa em decorrência do descumprimento da obrigação acessória em discussão. 4. Apenas reiterou os mesmos argumentos trazidos no processo da obrigação principal sobre o relatório de vínculos e a participação nos lucros. 5. Cumpre informar que no processo principal (10920.000375/201021), também da minha relatoria, foi dado provimento parcial ao recurso apenas para a aplicação da multa mais benéfica. 6. Assim, passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente. DO RELATÓRIO DE VÍNCULOS 7. A recorrente aduz que a autuação atribui de forma indevida a responsabilidade tributária às pessoas físicas constantes do relatório de vínculos. Portanto, devem ser excluídas da presente autuação, todas as pessoas físicas, diretores e presidentes, em face de não possuírem responsabilidade tributária perante os lançamentos efetuados neste auto. 8. Cumpre esclarecer que o relatório em discussão, anexado aos autos (fl. 05), não tem como escopo incluir os sócios da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal. 9. De modo que, a responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses estabelecidas na lei, com respeito ao devido processo legal. O débito foi Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 93 6 lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa. 10. Além disso, o relatório de vínculos é utilizado como instrumento de informação, a fim de discriminar a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. 11. Fundamentando o exposto, citase o art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005, que determina a inclusão do referido relatório nos processos administrativos fiscais: “Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...). X – Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI – Relação de Vínculos, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; (...).” “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa”. 12. Pelo exposto, nesta parte, não assiste razão ao contribuinte. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS 13. Sobre a participação nos lucros, alega a recorrente que a regra vigente na legislação aplicável é de que não há incidência de contribuições previdenciárias na participação nos lucros, tanto no que se refere aos lucros distribuídos aos acionistas da empresa, bem como nos valores pagos aos administradores a título de participação nos lucros, posto que a participação não possui natureza de retribuição pela prestação de trabalho ou equiparada, não sendo, portanto considerada salário de contribuição. 14. A fiscalização dispôs que a participação de administradores não pode ser confundida com a distribuição de lucros ou dividendos a detentores do capital social e que esta distribuição disciplinada pelos arts. 201 e 202 da Lei nº. 6.404/76 deverá obedecer a legislação para ser considerada como não incidente de contribuição previdenciária. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 94 7 15. Contudo, tal entendimento não merece prosperar, pois a legislação vigente faz expressa menção da hipótese em que não ocorre incidência sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados, conforme se depreende da transcrição abaixo: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica.” 16. Com a análise do instituto, verificase que deve ser dada interpretação de modo a examinar o diploma legislativo específico. 17. Dessa forma, apenas na ausência de diploma legislativo específico é que se poderia afirmar que a participação em resultados relativa aos administradores da empresa seria integrante do salário de contribuição e passível de incidência de contribuição previdenciária. 18. Contudo, a Lei nº. 6.404, Lei das Sociedades por Ações prevê expressamente participação dos administradores nos lucros remanescentes da empresa, conforme se depreende dos artigos 190 e 201 da referida Lei, a seguir transcritos: Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplicase ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. Art. 201. A companhia somente pode pagar dividendos à conta de lucro líquido do exercício, de lucros acumulados e de reserva de lucros; e à conta de reserva de capital, no caso das ações preferenciais de que trata o § 5º do artigo 17. 19. Diante do exposto, ao contrário do que entendeu a fiscalização, podese afirmar que a participação nos lucros e resultados da empresa relativa aos diretores não empregados enquadrase nas hipóteses previstas pela Lei nº. 8.212/91 referentes às parcelas não integrantes do salário de contribuição, sendo indevida, portanto, a incidência de contribuição previdenciária, desde que observados os requisitos legais relativos à constituição do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR. 20. Passo a análise da validade da PLR estabelecida pela recorrente. 21. A legislação em vigor sobre o tema determina a existência de requisitos para a PLR, que corresponde à parcela não fixa da remuneração do trabalhador e guarda uma relação direta com o desempenho da empresa, diferentemente dos aumentos reais de salários. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 95 8 22. A PLR depende de vários indicadores que definirão o valor final a ser pago àqueles que dela participam. Estes indicadores são, entre outros, o comportamento do lucro, a rentabilidade e a evolução do desempenho dos empregados. 23. Observase que a Lei nº. 10.101/2000 versa sobre a PLR dos empregados, apresentando os seguintes requisitos: “Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” 24. Pelo que se depreende dos autos, os pagamentos foram efetuados de acordo com a previsão estatutária, nos seguintes termos (fl. 34 – processo principal): “ARTIGO 10 – Além dos honorários fixados pela assembléia geral, os diretores perceberão uma participação nos lucros, fixada em assembléia geral, observados os limites legais. Parágrafo único – a assembléia poderá fixar o valor da participação individual ou coletivamente, delegando, neste caso, ao diretor presidente, a distribuição da verba.” 25. Desse modo, não se vislumbra critério que ofereça qualquer estímulo para a atividade produtiva, que dependa dos resultados eventualmente alcançados ou da atividade desenvolvida, o que contraria os requisitos legalmente dispostos. 26. Portanto, como os dispositivos legais devem ser rigorosamente observados para que o contribuinte não tenha que recolher a contribuição previdenciária quando houver PLR instituído na empresa, não há que se falar, no caso sob análise, em ausência de fato gerador de obrigação principal, pois a PLR da recorrente não obedeceu aos critérios legalmente exigidos, sendo devida a multa aplicada em decorrência do descumprimento da obrigação acessória, pois não restou demonstrada qualquer tipo de retificação da GFIP que pudesse elidir a exigência em questão. DA MULTA APLICADA Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 96 9 27. No que tange à regra aplicável ao caso em análise, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica, no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, passo a análise da matéria. 28. Ocorre que a Lei nº. 11.941, de 2009, alterou a Lei nº. 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 29. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 97 10 a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 30. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 31. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 32. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 33. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei nº. 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. (...). Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 98 11 Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições (...). Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 34. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 35. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplica a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 99 12 36. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei nº. 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 37. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP nº. 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 38. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei nº. 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP nº. 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei nº. 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 100 13 §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 39. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP nº. 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...). II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.000374/201087 Acórdão n.º 2803002.324 S2TE03 Fl. 101 14 40. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 41. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em que a multa contida no auto de infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 42. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, I, se mais benéfico para o contribuinte. CONCLUSÃO 43. Por todo exposto, conheço do recurso, para, no mérito, darlhe provimento parcial para aplicar a multa do art. 32A, I, da Lei nº. 8.212/91, caso seja mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 35464.003482/2004-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/01/1999
DECADÊNCIA
Existindo recolhimentos parciais aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 2403-002.069
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência total do crédito tributário com base na regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Freitas Souza Costa e Jhonatas Ribeiro Da Silva.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência total do crédito tributário com base na regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 34 82 /2 00 4- 19 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Freitas Souza Costa e Jhonatas Ribeiro Da Silva. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.003482/200419 Acórdão n.º 2403002.069 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1628.424 da 12ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. O crédito tributário foi parcialmente mantido em razão do reconhecimento da decadência, com base na regra do artigo 173, I, do CTN, para o período de 07 a 11/1998. A autuação, segundo o Relatório Fiscal, decorreu do fato de a Construtora Richter Ltda ter prestado serviço à Whirlpool (então Multibrás) mediante cessão de mão de obra e por a contratante não ter apresentado cópias das guias de recolhimento e respectivas folhas de pagamento. Inconformada com a decisão, as duas empresas apresentaram, recurso voluntário, onde alegam, em síntese, que: Construtora Richter : · Não foram considerados os recolhimentos apresentados, folhas 84 e 85. · Decadência. · Questiona o valor das notas fiscais considerado pela fiscalização. Whirlpool apresenta petição com o seguinte conteúdo: · Foi obrigada a submeterse ao depósito prévio de 30%. · O débito remanescente equivale a R$ 31.621,60. · O depósito administrativo perfaz R$ 39.941,85. · Requer a conversão do depósito para pagamento do débito e levantamento do excedente. O processo baixou em diligência para informar se houve a conversão do depósito em pagamento e se ainda existe crédito tributário ou se ele foi extinto. Em resposta foi informado que “ainda não foi apropriado ao presente débito, o que será feito após a decisão definitiva dessa Câmara. Permanece ainda o crédito tributário.” É o relatório. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento referese ao período 07/0998 a 01/1999, sendo que o julgamento de primeira instância reconheceu a decadência do período de 07 a 11/1998, com base na regra do artigo 173, I, do CTN. Este lançamento tem por base a solidariedade tributária estabelecida pelo artigo 31 da Lei 8.212/91. Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, Fl. 446DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.003482/200419 Acórdão n.º 2403002.069 S2C4T3 Fl. 4 5 devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). O prestador de serviço era o responsável pelos recolhimentos, sendo que a elisão da responsabilidade solidária se dava se comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Existem recolhimentos apresentados pelo executor às folhas 84 e 85. Entendo que nessa situação aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. O lançamento referese ao período 07/0998 a 01/1999 A ciência do lançamento ocorreu em 21/10/2004. Entendo o lançamento totalmente decadente. CONCLUSÃO Voto pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo a decadência total do crédito tributário com base na regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 447DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10120.006113/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 13/08/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º
3.048/99 NÃO SUBSUNÇÃO DO SITUAÇÃO FÁTICA DESCRITA PELO AUDITOR FISCAL À NORMA TRIBUTÁRIA
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida, cuja finalidade é auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Para que seja procedente a autuação, a situação fática deve subsumir-se à norma tributária, o que não ocorreu no caso concreto. Foram apresentados os documentos em meio digital, porém entendeu a autoridade fiscal que a não inclusão dos transportadores em folha de pagamento ensejaria a infração que
lhe fora imputada.
Não é cabível auto de infração pela ausência de informações cadastrais, quando ditas informações foram prestadas em meio digital. A infração descrita: não inclusão em folha de pagamento de contribuintes individuais enseja autuação com capitulação legal diversa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.353
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Para que seja procedente a autuação, a situação fática deve subsumirse à norma tributária, o que não ocorreu no caso concreto. Foram apresentados os documentos em meio digital, porém entendeu a autoridade fiscal que a não inclusão dos transportadores em folha de pagamento ensejaria a infração que lhe fora imputada. Não é cabível auto de infração pela ausência de informações cadastrais, quando ditas informações foram prestadas em meio digital. A infração descrita: não inclusão em folha de pagamento de contribuintes individuais enseja autuação com capitulação legal diversa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006113/200791 Acórdão n.º 2401002.353 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.055.6739, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, III e § 22 e art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, fls. 29, em Diligência Fiscal de Rotina realizada junto à empresa acima identificada, no período de 01/1997 a 02/2007,constatouse que a mesma, apesar de intimada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, em anexo, deixou de atender à solicitação fiscal ao não prestar as informações cadastrais, financeiras e contábeis abaixo relacionadas, na forma estabelecida nos atos legais e normativos que disciplinam o assunto. DESCRIÇÃO DOS FATOS: 1. As informações em meio digital sobre a folha de pagamento, apresentadas pela empresa, englobaram apenas os segurados empregados. As informações acerca dos segurados contribuintes individuais (Transportadores Autônomos pessoa física) não constam na referida folha de pagamento; 2. A empresa, ao não apresentar em meio digital uma folha de pagamento que trouxesse todos os trabalhadores (segurados empregados e contribuintes individuais), deixou de informar as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS; 3. Os contribuintes individuais (Transportadores Autônomos PF) que não foram incluídos nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa por meio de arquivos digitais, no período de 07/2003 a 02/2007, estão relacionados em tabelas anexas ao AI, entregue ao contribuinte por meio de CD (Arquivos Digitais). Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 13/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/08/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 70 a 81. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 97 a 101. Vejamos ementa da referida decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS • PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 13/08/2007 DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Determina a lavratura de autodeinfração deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 financeiras e contábeis de interesse da SRFB, na forma estabelecida, bem como todos os esclarecimentos necessários à fiscalização. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 109 a 118. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, senão vejamos: 1. Quanto a afirmação por parte da julgadora de primeira instância, que a empresa forneceu informações de forma insuficiente, fora dos termos fixados pelo fisco, e que a empresa, em sua defesa, não contesta o cometimento da infração a ela imputada, uma vez que suas alegações se referem à suposta não entrega de Livros Diários, não sendo este o objeto da presente autuação". Ora, tais afirmações não podem prevalecer, por não constituírem a verdade dos fatos. 2. Por demais contraditório, tanto o auto de infração, quanto a decisão de primeira instância, uma vez que a Recorrente não pode ter deixado de apresentar os documentos exigidos, pois a própria fiscalização fez proveito dos mesmos para constituir outras infrações em face da Recorrente. 3. Ressaltese ainda, que os livros diários referentes aos períodos da autuação não puderam ser apresentados porque a Recorrente não está obrigada a guardar tais documentos por período superior a cinco anos, fato este que a autoriza a não disponibilizálos, sendo, por conseguinte, abusiva a exigência da Recorrida. 4. Insurgese contra a aplicação da multa, por entender abusiva/confiscatória, afirmando que os elementos subjetivos, tais como os antecedentes fiscais do contribuinte, o dano sofrido pelo Erário Público, a existência ou não de conluio, fraude fiscal, sonegação, dolo, deveriam ser analisados e perqueridos pelo aplicador da lei, e que no caso em tela, a sua aplicação foi desproporcional. 5. Alega ter havido contradição por parte da fiscalização ao afirmar, no Relatório Fiscal, que "não se configura a presença das circunstâncias atenuantes do art. 291", já que este dispositivo estipula que a multa sera relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentre outras condições previstas nos dispositivos, quais sejam, ser primária e não ter nenhuma circunstância agravante. 6. Requer, ao final, seja julgado insubsistente o débito apurado no AI, por encontraremse prescritos, bem como seja declarada insubsistente a incidência de multa por não ter havido dolo ou culpa. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006113/200791 Acórdão n.º 2401002.353 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 80 e 81. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Pelos documentos presentes nos autos a autoridade previdenciária em Diligência Fiscal de Rotina realizada junto à empresa, no período de 01/1997 a 02/2007, constatouse que a mesma, deixou de atender à solicitação fiscal ao não prestar as informações cadastrais, financeiras e contábeis, na forma estabelecida nos atos legais e normativos que disciplinam o assunto. Mais especificamente deixou de apresentar: DESCRIÇÃO DOS FATOS: 1. As informações em meio digital sobre a folha de pagamento, apresentadas pela empresa, englobaram apenas os segurados empregados. As informações acerca dos segurados contribuintes individuais (Transportadores Autônomos pessoa física) não constam na referida folha de pagamento; 2. A empresa, ao não apresentar em meio digital uma folha de pagamento que trouxesse todos os trabalhadores (segurados empregados e contribuintes individuais), deixou de informar as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS; Assim, não se trata de não apresentação de livro diário, cujo período encontravase alcançado pela decadência quinquenal, conforme já afastado pela autoridade julgadora de primeira instância, mas ausência de inclusão dos transportadores em folha, bem como entrega em meios digitais das remunerações pagas a ditos transportadores, conforme descrito acima. O art. 293 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. No presente caso, a obrigação acessória descrita pelo auditor na aplicação do presente auto de infração está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, III, nestas palavras: Art.32. A empresa é também obrigada a: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Contudo, ao contrário do entendimento da autoridade julgadora de primeira instância não vislumbro que a situação fática descrita, subsumise a falta imputada ao recorrente pela autoridade fiscal. Ao lermos o relatório fiscal observamos que a base para autuação é deixar de atender à solicitação fiscal ao não prestar as informações cadastrais, financeiras e contábeis abaixo relacionadas, na forma estabelecida nos atos legais e normativos que disciplinam o assunto. Todavia, a não apresentação de documentos não restou configurando, mas tão somente a não inclusão dos valores pagos a transportadores em folha de pagamento em meio magnético, o que enseja auto de infração específico, pela não elaboração de folhas de pagamento para os contribuintes individuais. Da mesma forma, não vislumbro a correta descrição da falta para aplicação do auto, nem mesmo há como consubstanciar a infração no art. 225, III do Decreto 3.048, posto que restou descrito pelo auditor a apresentação de arquivos digitais, sendo que as informações prestadas pelos mesmos quanto aos transportadores não foram entregues nas folhas de pagamento em meio digital. Face o exposto, não vislumbro como ser mantido o auto de infração em questão. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13820.001200/2002-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Ocorrendo a sentença final com trânsito em julgado, a decisão judicial é de cumprimento obrigatório pela Administração Tributária e a análise dos efeitos e da extensão da decisão caberá a Autoridade Administrativa responsável.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE CRÉDITOS JUDICIAIS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001, de 10/01/2001.
A compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, conforme a sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça no REsp 1164452, julgado nos termos do art. 543-C do CPC.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para deterinar a suspensão da decisão que não homologou a Declaração de Compensação protocolada em 19/05/2005 até a decisão final da demanda judicial.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Adrea Medrado Darze e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ocorrendo a sentença final com trânsito em julgado, a decisão judicial é de cumprimento obrigatório pela Administração Tributária e a análise dos efeitos e da extensão da decisão caberá a Autoridade Administrativa responsável. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE CRÉDITOS JUDICIAIS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001, de 10/01/2001. A compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, conforme a sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça no REsp 1164452, julgado nos termos do art. 543-C do CPC. Recurso Voluntário Provido em Parte
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OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ocorrendo a sentença final com trânsito em julgado, a decisão judicial é de cumprimento obrigatório pela Administração Tributária e a análise dos efeitos e da extensão da decisão caberá a Autoridade Administrativa responsável. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE CRÉDITOS JUDICIAIS ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001, de 10/01/2001. A compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, conforme a sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça no REsp 1164452, julgado nos termos do art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 12 00 /2 00 2- 48 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para deterinar a suspensão da decisão que não homologou a Declaração de Compensação protocolada em 19/05/2005 até a decisão final da demanda judicial. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Adrea Medrado Darze e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições e alterações, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação de Pedidos de Ressarcimento e Pedidos de Compensação a seguir relacionados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter compensado o saldo credor do 10 Trimestre de 2001, no valor de R$ R$ 92.381,74, em débitos do estabelecimento. "Foram protocolados: Pedido de Ressarcimento em 12/11/2002 no valor de R$ 92.381,74 (fl. 2) Declaração de Compensação em 12/11/2002 no valor de R$ 70.191,43 (fl. 1) Declaração de Compensação em 19/05/2005 no valor de R$ 22.190,31 (fl. 135)" O valor a ser compensado é originário da apuração de saldo credor de IPI no trimestrecalendário decorrente da aquisição de insumos, nos temos do art. 11 da Lei n° 9.779, de 10 de janeiro de 1999. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André SP, em 10/12/2008, mediante Despacho Decisório de fl. 138/139, Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13820.001200/200248 Acórdão n.º 3102001.871 S3C1T2 Fl. 246 3 no qual a autoridade competente indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas neste processo. 0 pedido foi indeferido por ter sido constatada a utilização de créditos extemporâneos, já glosados em procedimento fiscal anterior, e créditos contemporâneos, ambos correspondentes a insumos adquiridos com alíquota zero. Cientificada do Despacho Decisório, em 23/12/2008 (fl. 140 verso), a contribuinte ingressou, em 21/01/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 141/143 e documentos anexos, na qual alega, em síntese, o disposto a seguir. 1. Traz a lume a existência do Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0191931 da 9a Vara da Seção Judiciária de São Paulo, no qual demanda pelo direito de creditarse dos valores de IPI relativos a insumos isentos, nãotributados e tributados alíquota zero, direito esse já reconhecido na sentença ali prolatada relativamente aos produtos intermediários utilizados no processo de industrialização de produtos tributados à alíquota zero. Segundo a contribuinte, o processo encontrase pendente de julgamento da apelação interposta pela Unido. Portanto, afirma serem absolutamente legítimos os créditos utilizados, pois estão "sob o manto de decisão judicial" e "não existe coisa julgada a obstar o procedimento adotado pela requerente, mas, inversamente, uma sentença que lhe assegura o lançamento adotado". Encerra pedindo a reforma da decisão para homologar a compensação realizada." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pelo provimento parcial da manifestação de inconformidade, declarando a homologação tácita da Declaração de Compensação protocolada em 12/11/2002 e mantendo o lançamento sob o arrimo que a compensação pleiteada pela Recorrente somente poderia ocorrer após o trânsito em julgado da ação judicial, conforme determina o art. 170A do CTN. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. CRÉDITOS PROVENIENTES DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 São vedados o ressarcimento e a compensação de créditos judiciais sem o transito em julgado da decisão. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido." Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário, alegando a homologação tácita da declaração de compensação registrada em 19/05/2005 e que o auto não pode subsistir, pois, os créditos utilizados na compensação eram líquidos e certos conforme determinava o Mandado de Segurança nº 2000.61.00.00191931, não devendo ser aplicado o disposto no art. 74, § 12, inciso II da alínea "d", da Lei nº 9.430/96, em respeito ao princípio da irretroatividade tributária É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente, aprecio a alegação trazida no Recurso, que pede a homologação tácita da declaração de compensação protocolado em 19/05/2005. Entendo não assistir razão a Recorrente. Os pedidos de reconhecimento e aproveitamento do indébito tributário podem ocorrer de duas formas distintas. Em alguns casos, o valor dos créditos constantes do pedido se confundem com a compensação e o aproveitamento total dos créditos objeto do pedido. Em outros casos, o valor dos créditos pleiteados é maior que o valor constante das compensações e portanto, resta crédito a ser utilizado pelo contribuinte. Nestes casos, o contribuinte realiza outras compensações utilizando o crédito restante em novos pedidos de compensação complementares. No caso em tela, a Recorrente protocolou em 12/11/2002 pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI no valor de R$ 92.381,74 (fl. 2) e na mesma data apresentou Declaração de Compensação (fl. 1) no montante de R$ 70.191,43. O valor dos débitos a serem compensados foi inferior ao total de créditos pleiteados, portanto, o restante dos créditos continuaram sendo controlados neste processo, podendo ser objeto de pedidos de compensações posteriores, como de fato ocorreu com a Declaração de Compensação apresentada em 19/05/2005, no valor de R$ 22.190,31 (fl. 135). É fato cediço que o prazo para homologação é de 5 (cinco) anos, contados a partir da data da declaração de compensação. A declaração de compensação em discussão neste recurso foi protocolado em 19/05/2005. O Recorrente foi cientificada do despacho decisório em 23/12/2008. Assim, a decisão da Receita Federal foi dentro do prazo quinquenal previsto pela legislação tributária. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13820.001200/200248 Acórdão n.º 3102001.871 S3C1T2 Fl. 247 5 Superada esta preliminar, passemos a discussão sobre o direito creditório de IPI referente a aquisições de insumos tributados à alíquota zero. O direito ao crédito estaria amparado no Mandado de Segurança nº 2000.61.00.00191931. Onde a Recorrente obteve decisão favorável, a decisão foi objeto de Recurso pela Fazenda Pública e segundo consta do voto do acórdão a quo, a decisão que garantiria o direito creditório da Recorrente foi modificada em decisão prolatada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. A Decisão da autoridade de piso, considerou homologada tacitamente a Declaração de Compensação protocolada em 12/11/2002, quanto a segunda Declaração de Compensação de 19/05/2005 decidiu que o direito creditório obtido pela Recorrente na ação judicial somente poderia ser utilizado quando do trânsito em julgado desta ação, em obediência ao art. 170A do CTN. Neste ponto, é relevante destacar que não há reparo a fazer na decisão da autoridade a quo, considerando o entendimento da legislação vigente à época daquele julgamento. Entretanto, o momento a partir do qual deveria ser aplicado as determinações do art. 170A do CTN, foi enfrentada pelo STJ no REsp 1.164.452, submetido ao regime do art. 543C do CPC, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, quando foi decidido pela inaplicabilidade das determinações do art. 170A, a demandas anteriores a Lei Complementar nº 104/2001. Transcrevo abaixo a ementa desta decisão. “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08." A partir das alterações promovidas no Regimento Interno do CARF, com a edição da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, foi incluída a determinação de reproduzir nos julgamentos deste colegiado, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ, julgados nos termos do art. 543B e do art. 543C, do CPC, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes..” Portanto, atendendo a determinação do Regimento Interno do CARF, adoto o entendimento prolatado no REsp 1.164.452, no sentido da exigência do trânsito em julgado da ação judicial, posteriores à 10/01/2001, data da edição da LC 104/2001. Destarte por ter sido proposta em data anterior a LC 104/2001, a ação judicial apresentada pela Recorrente não se submete a exigência do trânsito em julgado previsto no art. 170A do CTN. Entretanto, considerando que a demanda judicial ainda encontrase pendente de decisão final pelo Poder Judiciário, não podendo ser extinto o débito objeto de compensação do presente processo. A decisão da Receita Federal quanto a homologação do pedido de compensação não considerou a existência da ação judicial, decidindo pelo mérito, por entender não ser possível o creditamento do IPI referente às aquisições de insumos tributados à alíquota zero. Entendo, que as razões de decidir desta decisão ficam condicionadas a decisão final na esfera judicial do Mandado de Segurança nº 2000.61.00.00191931. Assim, a decisão quanto a homologação do pedido de compensação deverá permanecer suspensa, aguardando a decisão final da demanda judicial. Transitada em julgado caberá a Administração Tributária implementar a decisão, quando a procedência dos créditos pleiteados. Quanto ao mérito do indébito tributário. A matéria esta submetida ao poder judiciário e não pode ser apreciada por esta turma, pois, a decisão na Ação Judicial interfere diretamente no lançamento ora combatido. O código Tributário Nacional ao excluir da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, visa evitar decisões divergentes, diante do principio da unidade de jurisdição prevalente no País em que decisões judiciais são soberanas e a propositura destas afasta a possibilidade de apreciação pela via administrativa. Este entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13820.001200/200248 Acórdão n.º 3102001.871 S3C1T2 Fl. 248 7 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para suspender a decisão que não homologou a Declaração de Compensação protocolada em 19/05/2005 até a decisão final da demanda judicial. Winderley Morais Pereira Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.002613/2001-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000
Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso dos autos, verificase que houve antecipação de pagamento.
Destarte, há de se aplicar a regra do § 4º, art. 150 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir da data da ocorrência do fato gerador.
IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA.
A legislação considera que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens ocorre no dia da alienação, diferindose o pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada uma das parcelas do contrato. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-002.014
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que houve antecipação de pagamento. Destarte, há de se aplicar a regra do § 4º, art. 150 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir da data da ocorrência do fato gerador. IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. A legislação considera que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens ocorre no dia da alienação, diferindose o pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada uma das parcelas do contrato. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Recurso Especial do Procurador Negado.
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Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado ELVIRA DO CARMO FARIA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que houve antecipação de pagamento. Destarte, há de se aplicar a regra do § 4º, art. 150 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir da data da ocorrência do fato gerador. IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. A legislação considera que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens ocorre no dia da alienação, diferindose o pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada uma das parcelas do contrato. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCELO OLIVEIRA, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ELIAS SAMPAIO FREIRE, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10850.002613/200113 Acórdão n.º 920202.014 CSRFT2 Fl. 1.110 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls.01078, interposto pela nobre PGFN contra acórdão, fls. 01050, que decidiu dar provimento ao recurso, devido à decadência. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Anocalendário: 1996 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°., do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. Homologase no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo", inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade. A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção regra geral do artigo 173, I. A interpretação do caput do artigo 150 deve ser feita em conjunto com os artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1°. e 4°., 156, V e VII, e 173, I, todos do CTN. IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. A legislação considera que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens ocorre no dia da alienação, diferindose o pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada uma das parcelas do contrato. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Preliminar de decadência acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 ACOLHER a preliminar de decadência, nos termos do voto do Relator. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que a utilização da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN deve ser feita somente quando há pagamento parcial. Segue, abaixo, trecho do pleito da recorrente: Portanto, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é, no presente caso, 1º de janeiro de 1997, a teor do que dispõe o art. 173, inciso I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte). Portanto, teria o Fisco até 31 de dezembro de 2001 para efetuar o lançamento referente ao ganho de capital na alienação de imóvel. Tendo o Contribuinte Recorrido sido notificada do lançamento em 21 de dezembro de 2001, não há se falar em decadência. IV — CONCLUSÃO Pelo exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o acórdão proferido pela e. Câmara a quo, afastandose a preliminar de decadência no caso em exame, uma vez que efetuado dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I, do CTN). Por despacho, fls. 01089, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 01099, argumentando, em síntese, que o decidido no acórdão recorrido deve ser mantido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10850.002613/200113 Acórdão n.º 920202.014 CSRFT2 Fl. 1.111 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual regra decadencial, presentes no CTN, aplicarseá na tributação do ganho de capital, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento. Para o contribuinte, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 150, pois o que se homologa não é o pagamento, mas sim a atividade, como decidiu o Acórdão recorrido. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10850.002613/200113 Acórdão n.º 920202.014 CSRFT2 Fl. 1.112 7 em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733) Cabe destacar que há valores recolhidos, referentes ao ganho de capital, fls. 020 (Declaração) e 0433 (Guias, código 04600, ano de 1996). As regras decadenciais expressas no CTN (Art. 150 e Art. 173) definem como momento de cálculo do prazo decadencial a ocorrência do fato gerador e quando o lançamento poderia ter sido efetuado: CTN: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. ... Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Como no ganho de capital o fato gerador e a possibilidade de efetivação do lançamento diferem da exigência de ajuste anual, devemos analisar os recolhimentos em separado. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Cabe ressaltar, também, que no caso de ganho de capital em vendas a prazo o fato gerador ocorre no momento da alienação e não no pagamento das parcelas, por expressa determinação legal. Lei 8.981/1995: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. Essa é a inteligência de disposição contida em norma regulamentar da Receita Federal. Instrução Normativa 084/2001: Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. A Instrução Normativa acima difere, de forma correta, ocorrência do fato gerador (apuração) com pagamento do tributo. Portanto, como a alienação, que difere do recolhimento do tributo, ocorre com a formalização do negócio jurídico, no caso em questão o fato gerador do tributo ocorreu com a pactuação da venda e não com o pagamento das parcelas. Destarte, como há recolhimentos para os ganhos de capital acarretando o uso da regra expressa no Art. 150 do CTN como a alienação em questão ocorreu em 25/10/1996 e a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 21/12/2001, temse que manifestamente caduco o direito de lançar o crédito tributário por parte da Fazenda Pública, pela regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, devido a recolhimento efetuado, fls. 020 e 0433. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10850.002613/200113 Acórdão n.º 920202.014 CSRFT2 Fl. 1.113 9 Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 18471.003306/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/10/2005
SALÁRIO INDIRETO. PROGRAMAS DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DEVIDA
A mera alegação de perda dos autos sem a apresentação de provas substanciais não caracteriza a anulação do lançamento decorrido por descumprimento de obrigação principal, não havendo, portanto, adequação ao art. 156 do CTN para extinção do crédito.
As verbas pagas através de cartão premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo a notificação fiscal que considerou a omissão dos valores correspondentes aos benefícios pagos aos segurados empregados.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva José Silva, que votou em excluir a multa presente no lançamento; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
Declaração de voto: Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
PRESIDENTE.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes
Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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PROGRAMAS DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DEVIDA A mera alegação de perda dos autos sem a apresentação de provas substanciais não caracteriza a anulação do lançamento decorrido por descumprimento de obrigação principal, não havendo, portanto, adequação ao art. 156 do CTN para extinção do crédito. As verbas pagas através de cartão premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo a notificação fiscal que considerou a omissão dos valores correspondentes aos benefícios pagos aos segurados empregados. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 33 06 /2 00 8- 01 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva José Silva, que votou em excluir a multa presente no lançamento; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. Declaração de voto: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira PRESIDENTE. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18471.003306/200801 Acórdão n.º 2301002.380 S2C3T1 Fl. 235 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário apresentado pela empresa IBERDROLA ENERGIA DO BRASIL LTDA em face da decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte. 2. Narra o relatório que o contribuinte foi autuado devido ao levantamento “Remuneração Contribuintes Individuais por meio de cartão de premiação” que foi “apurado com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas de serviços, emitida pela Empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda – CNPJ 03.069.255/00107; apresentadas pelo sujeito passivo, os quais foram confrontados com os lançamentos contábeis do período de 07/2007 a 10/2005.” (ff. 16 a 17) 3. O acórdão, ora vergastado, restou ementado nos termos que passo a transcrever: “CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS São devidas as contribuições para a Seguridade Social incidentes sobre a remuneração paga aos trabalhadores, na qualidade de segurados contribuintes individuais (art. 1º, I da LC 84/96, art. 21 e 22, inciso III da Lei 8/.212/91, art. 4º, caput da Lei 10.666/03). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” (f. 254) 4. Em sede de recurso voluntário, com o objetivo de reverter o lançamento feito, o contribuinte aduz, em síntese: a) preliminarmente, a necessidade de lavratura de novo lançamento, tendo em vista o cancelamento do procedimento anterior por decisão unilateral da Receita Federal; b) que diante do cancelamento do lançamento anterior, a autoridade administrativa estava obrigada a exonerar, de ofício, os gravames decorrentes da autuação fiscal; c) a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa a Incentive House, Expertise e Infiniti, pois estes se referem à contratação de serviços de marketing promocional, e não podem ser classificados como remuneração; d) por fim, que como a contratação das empresas de marketing promocional não alterou os salários pagos a seus funcionários e dessa forma, não alterou o recolhimento das contribuições previdenciárias. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 5. Embora devidamente cientificado da apresentação do recurso por parte da empresa, o fisco limitouse a encaminhar os autos a este Conselho, sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18471.003306/200801 Acórdão n.º 2301002.380 S2C3T1 Fl. 236 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. Preliminarmente aduz o contribuinte a nulidade do presente lançamento tendo em vista que “diante da decisão que determinou o cancelamento do AI originário, a Autoridade Administrativa estava obrigada a exonerar de ofício a requerente dos gravames decorrente do lançamento tributário (...) em litígio” (f. 279) 3. Não obstante o bom arrazoado trazido pela recorrente na busca de ver seu pleito acolhido, razão não lhe assiste. Isso porque não foram acostados documentos que possam comprovar o extravio dos presentes autos, pois o boletim de ocorrência (ff. 210 a 214) não faz menção explícita ao processo ora em análise, bem como o documento de f. 209, que criou o grupo de trabalho, não especifica nenhuma medida que atinja o caso em questão. 4. Além disso, o artigo 156, do Código Tributário Nacional, não traz entre as modalidades de extinção do crédito tributário, o extravio de documentos, sendo, portanto, descabido o pedido de anulação do lançamento fiscal. 5. E conforme depreendese da decisão de primeira instância, inexiste qualquer óbice ao prosseguimento do procedimento fiscalizatório, posto que, conforme narrado pelo julgador a quo “consultando o sistema ‘ÁGUIA/SICOB’, verificase que o autode infração nunca foi cancelado, inexistindo qualquer decisão administrativa até o momento, encontrandose na fase ‘AGUARDANDO ANÁLISE P/EXPED DN’.” (f. 258) 6. Cabe salientar ainda que, o fato narrado pela empresa de que teria sido formalmente cientificada do cancelamento da notificação fiscal e da lavratura de uma nova, não está comprovado documentalmente, configurandose em uma alegação subjetiva. 7. Além disso, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99. Desta forma, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal. DO PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO 8. Narra o relatório fiscal que o lançamento de débito contra o contribuinte se deu em decorrência do levantamento “Remuneração Contribuintes Individuais por meio de cartão de premiação”. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 9. E segundo alega a recorrente, os valores pagos em cartão premiação não tem qualquer relação remuneratória, portanto não podem ser objeto de incidência de contribuições sociais previdenciárias. 10. Sobre a abrangência do salário de contribuição, a Lei n.º 8.212/91 estabelece em seu artigo 28, inciso I: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. 11. A lei de custeio é clara ao destacar que o salário de contribuição envolve as verbas destinadas a retribuir o trabalho, e a destinação desta retribuição garante que as verbas, que sejam a título de retribuição ao empregado, devam ser consideradas para fins de contribuição previdenciária. 12. E o saláriodecontribuição pode ser conceituado pelo disposto nos 195 e 201 da Constituição Federal: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18471.003306/200801 Acórdão n.º 2301002.380 S2C3T1 Fl. 237 7 13. Do dispositivo legal citado acima percebese que a definição de salário decontribuição incorpora os quesitos da habitualidade e da retributividade. Desta forma, se o fim proposto pelo cartão premiação é retribuir o trabalho em função do atingimento de metas, podemos então concluir que os quesitos acima elencados devem ser abarcados pelo conceito do ganho habitual previsto na legislação previdenciária. 14. Assim, a destinação final do cartão premiação está vincula ao conceito de saláriodecontribuição trazido pela Lei n.º 8.212/91, dessa forma, as contribuições advindas de tais cartões são devidas conforme a legislação previdenciária acima colacionada. 15. E da análise dos autos, tenho como certo que os valores pagos na forma descrita, qual seja, por cartão premiação, fazem parte da base de cálculo da contribuição social previdenciária, pois se relacionam à remuneração concedida aos segurados em decorrência do trabalho prestado. 16. Além disso, os argumentos trazidos pelo contribuinte não são suficientes para demonstrar a natureza indenizatória ou compensatória dos valores pago. Cumpre ressaltar que o fato de os pagamento terem sido realizados por empresa interposta não retira a responsabilidade pelo tributo da empresa, ora recorrente. 17. Importante frisa que a matéria objeto deste processo já foi analisada por este Colegiado, resultado diversos acórdãos no sentido de validar a cobrança do tributo sobre os valores pagos a título de incentivo (incentive house), verbis: “EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE INFORMAÇÃO EM GFIP. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO INCENTIVO. MULTA. A falta de informação em GFIP do total da remuneração dos segurados empregados acarreta a lavratura de Auto de Infração, com multa punitiva nos termos do art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social. Verbas pagas através de cartões de premiações integram o salário de contribuição, art. 28 da Lei n. 8.212/91 e devem constar de GFIP. Recurso Voluntário Negado.” (Recurso 149.730, de minha relatoria) “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIOAUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO INCENTIVO MULTA – CO RESPONSÁVEIS A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. [...] Verbas pagas através de cartões de premiações "Incentive House" integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n. 8.212/91 e devem se prestar ao desconto da contribuição previdenciária devida, relativa a parte do segurado. [...] Fl. 346DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Recurso negado.” (Recurso 141267 de relatoria da Conselheira Liege Lacroix Thomasi) (g.n.) 18. Assim, entendo que o lançamento fiscal deve persistir, tendo em vista que foi realizado dentro do que determina a legislação previdenciária, notadamente o disposto no art. 22, I, da Lei n.º 8.212/91: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” 19. No presente caso, o repasse de valores aos funcionários da empresa por intermédio de cartões premiação são destinados a retribuir o trabalho, posto que são pagos de acordo com critérios preestabelecidos, em função do atingimento de metas, de sorte que constituem manifestas remunerações e, por conseguinte, salário de contribuição, nos termos da legislação aludida, não havendo que se falar em reforma do débito lançado. DA MULTA APLICADA 20. No que se refere à multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 21. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18471.003306/200801 Acórdão n.º 2301002.380 S2C3T1 Fl. 238 9 (...) §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 22. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 23. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 24. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, mais benéfica ao contribuinte, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à conclusão sobre a multa. Concordo com a posição do Relator a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN ao caso: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita pelo Relator, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 349DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18471.003306/200801 Acórdão n.º 2301002.380 S2C3T1 Fl. 239 11 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ocorre que o nobre Relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o Fl. 351DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18471.003306/200801 Acórdão n.º 2301002.380 S2C3T1 Fl. 240 13 sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo Fl. 352DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício), nova redação. Conseqüentemente, divirjo do voto do Relator, pelas razões expostas, a fim de negar provimento ao recurso na questão analisada acima. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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