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Numero do processo: 10920.000020/2005-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Deve ser restabelecida a dedução a título de despesas com instrução de dependente que o autuado logra êxito em sua comprovação.
Numero da decisão: 2201-004.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE RENDIMENTO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Deve ser restabelecida a dedução a título de despesas com instrução de dependente que o autuado logra êxito em sua comprovação.
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DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Deve ser restabelecida a dedução a título de despesas com instrução de dependente que o autuado logra êxito em sua comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 00 20 /2 00 5- 75 Fl. 87DF CARF MF 2 O presente processo trata de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, fl. 04 a 07, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário original de R$ 1.494,75, decorrente da glosa de despesas com instrução.. Assim restou justificado o lançamento: O valor informado como despesas com instrução foi alterado porque o somatório das linhas 09 e 10 do quadro 08, mais o somatório das despesas com instrução própria, declarada no quadro 07 com o código 01, multiplicado pelo valor legal ultrapassou o limite permitido. Inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 03, em que busca demonstrar a correção dos valores informados em sua declaração de rendimentos. Debruçada sobre os termos da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis exarou o Acórdão de fl. 11 a 13, concluindo pela procedência do lançamento por não ter o contribuinte apresentado qualquer documento que comprovasse a regularidade das deduções pleiteadas. Ciente da Decisão de 1ª Instância em 16 de abril de 2008, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, em 25 de abril do mesmo ano, o recurso voluntário de fl. 17 e 18, acompanhados dos documentos de fl. 19 a 32, em que alega que estão corretas as deduções pleiteadas, mas que não as teria apresentado juntamente à impugnação em razão de sua indisponibilidade momentânea. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Conforme se verifica em fl. 06, a imputação Fiscal tem amparo legal na alínea "b", incido II do art. 8º da Lei 9.250/4995, que assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) b) a pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, creches, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de R$ 1.998,00 (mil, novecentos e noventa e oito Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10920.000020/200575 Acórdão n.º 2201004.148 S2C2T1 Fl. 88 3 reais); (Redação dada pela Medida Provisória nº 22, de 8.1.2002). Pelo que se infere da descrição dos fatos, teria ocorrido erro de informação de valores na declaração apresentada, erros estes que só se justificam em declarações elaborada em formulário, como é o presente caso. Assim, objetivando corroborar a regularidade das deduções, o contribuinte junta os documentos que estão abaixo sintetizados: Da análise dos documentos em tela, ainda que não tenham sido juntados aos autos elementos que possam confirmar a que tipo de curso se referem; considerando sua verossimilhança alinhada aos diminutos valores envolvidos; considerando o tempo decorrido deste o início da tramitação do presente (12 anos), que não justificaria conversão do julgamento em nova diligência; considerando as idades dos filhos que apresentam gastos com instrução; considerando as informações disponíveis na Internet que permitem afirmar que a União de Tecnologia e Escolas de Santa Catarina (Utesc) e a Associação Catarinense de Ensino são instituições dedicadas à formação superior, entendo que as provas dos autos são suficientes a concluir pela procedência parcial do recurso voluntário pelo valor total dedutível indicado na planilha supra. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução de R$ 6.537,60, a título de despesas com instrução de dependente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.902951/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.082
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 51 /2 01 1- 09 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10950.902951/201109 Acórdão n.º 3302005.082 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.054. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10950.902951/201109 Acórdão n.º 3302005.082 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10950.902951/201109 Acórdão n.º 3302005.082 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10950.902951/201109 Acórdão n.º 3302005.082 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.721496/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SIMPLES. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Correto o lançamento de ofício da empresa que declara na DSPJ-Simples do período fiscalizado receita bruta em montante inferior ao escriturado nos livros Diário e Razão. Os livros mencionados são adequados para o lançamento do crédito tributário ainda que pela sistemática do Simples. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.818
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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SIMPLES FEDERAL Recorrente IVANILDE OLIVEIRA DA FONSECA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SIMPLES. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Correto o lançamento de ofício da empresa que declara na DSPJSimples do período fiscalizado receita bruta em montante inferior ao escriturado nos livros Diário e Razão. Os livros mencionados são adequados para o lançamento do crédito tributário ainda que pela sistemática do Simples. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 242DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10530.721496/201185 Acórdão n.º 140200.818 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório IVANILDE OLIVEIRA DA FONSECA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de autos de infração do SIMPLES FEDERAL, às fls. 02/78, exigindo da contribuinte o crédito tributário no valor consolidado de R$ 1.643.391,48 (tributos, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora), conforme demonstrativo à folha 72. Segundo consta do Termo de Verificação de Infração (fls. 74/78), a apuração relativa ao anocalendário de 2006 teve como base a receita bruta contabilizada nos livros Razão e Diário (fls. 106/115 e 116/131), no valor total de R$ 6.127.188,63. Como a fiscalizada só declarou na DSPJSimples (fls. 139/156) o valor total de R$ 884.687,09, resulta uma diferença de base de cálculo tributável no montante de R$ 5.242.501,54, de acordo com Demonstrativo de Apuração das Diferenças de Base de Cálculo – SIMPLES (fl. 79). Em 15/06/2010, conforme o Termo de Verificação, teve início a ação fiscal com a entrega de intimação pessoal para a fiscalizada apresentar os livros fiscais e arquivos da contabilidade em formato digital. Nesse dia foi entregue pelo gerente da fiscalizada cópia do contrato social da empresa Supermercado Flex Ltda. Em 06/08/2010 a empresa fez a entrega dos livros fiscais, atendendo parcialmente à intimação, já que faltou a relação dos bens do ativo imobilizado. Em 25/03/2011 a fiscalização lavrou o presente Auto de Infração, pois no desenrolar dos trabalhos restou comprovada a infração à legislação tributária, caracterizada pelo cálculo da contribuição para o SIMPLES com uso indevido de base de cálculo inferior à real. Eis que a empresa fiscalizada realizou o cálculo e declaração na DSPJ das contribuições para o SIMPLES com base na receita de R$ 884.687,09, auferida em 2006, porém, analisandose a sua escrituração contábil concluise que a mesma auferiu R$ 6.127.188,63 em receitas nesse período. O valor das receitas excedente ao declarado na DSPJ foi considerado diferença de base de cálculo, originando o presente lançamento de ofício das contribuições para o SIMPLES. Como consequência do uso de base de cálculo inferior à real houve também o cometimento da infração de insuficiência de recolhimento da contribuição para o Simples, haja vista que foram usadas alíquotas inferiores às devidas em função do enquadramento incorreto das receitas nas faixas de tributação do Simples, conforme detalhado no corpo do Auto de Infração e planilha anexa (fls. 02 e 79). Para apuração da base de cálculo foram utilizadas a DSPJSimples do ano calendário 2006 e os livros Diário e Razão, cujas contas de resultado contém a contabilização das receitas não declaradas. Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, em face da estreita conexão com a empresa fiscalizada, foi arrolada como responsável solidário pelo crédito tributário lançado de ofício a empresa SUPERMERCADO FLEX LTDA, Fl. 243DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10530.721496/201185 Acórdão n.º 140200.818 S1C4T2 Fl. 0 3 com fundamentação legal nos artigos 129 e 133, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN). Em decorrência do procedimento fiscal houve lavratura de Representação Fiscal contra a Ordem Tributária, processo nº 10530.724146/201090, e Termo de Arrolamento de Bens (fls. 157/158), processo nº 10530.724147/201034. Em 29/03/2011 a contribuinte e o responsável solidário foram cientificados dos autos de infração e seus anexos, incluindo Termo de Verificação da Infração, conforme Aviso de Recebimento (AR), às fls. 162 e 164. Em 25/04/2007 foi interposta impugnação (fls. 165/187), requerendo, em síntese, o seguinte: (a) Que sejam acatadas as preliminares e declarado NULO o presente lançamento, pois o Termo de Início de Ação Fiscal não foi assinado pela titular da empresa, a Sra. Ivanilde Oliveira da Fonseca, única pessoa responsável pela firma individual autuada, que poderia ser facilmente localizada para ciência do inicio e prorrogações da fiscalização em lide. Além disso, teria havido cerceamento do direito de defesa no tocante ao prazo para a elaboração da sua defesa, pois, conforme o "Termo de Devolução de Livros e Documentos", os documentos que serviram de lastro à autuação somente foram devolvidos no dia 07/04/2011, mais de dez dias depois da lavratura e fluência do prazo de defesa; (b) Que sejam deferidas as diligências requeridas, para apurar a situação excludente do Simples anteriores ao anocalendário de 2006 (excesso de receita bruta e participação societária da titular da PJ autuada na totalidade do capital de outra empresa); (c) Que seja determinada a exclusão da empresa do SIMPLES com efeitos retroativos ao início do exercício de 2006 ou, alternativamente, ao mês em que estava impedida de permanecer com base nas prescrições legais, pois a sua titular é Sra. da quase totalidade das cotas da empresa BRUSTEJUNIOR PETRÓLEO LTDAME, CNPJ nº 05.309.796/000182, e a receita bruta em conjunto com a da autuada ultrapassava os limites legais. Devido ao exíguo prazo para reunião de documentos não foi possível apurar o total do faturamento das citadas empresas nos exercícios anteriores à 2006, prova que poderá ser objeto de diligência pela Receita Federal do Brasil (RFB) o que desde já se requer. Reforça que a RFB possuía todas as informações necessárias para conhecimento dessa impossibilidade e deveria ter procedido à exclusão de ofício muito antes do exercício de 2006, o que por imposição legal ainda requer; (d) Que, em decorrência, seja realizado novo lançamento com base no Lucro Real e compensados os valores pagos no SIMPLES e convolação da multa de ofício em multa formal; (e) Que, alternativamente, caso não deferido o item anterior, no mérito, seja o Auto de Infração declarado improcedente por ter se baseado em documentação inidônea, ou seja, contando que os Livros Diário e Razão não são obrigatórios para os contribuintes optantes pelo Simples, como dispõe o art. 7º da Lei nº 9.317, de 1996. O estado também não faz exigência desses livros para efeito do ICMS. Assim, o verdadeiro motivo para manutenção de uma escrita contábil é que a empresa Ivanilde Oliveira da Fonseca (ME) não poderia ter optado pelo SIMPLES ou nele permanecido, e apenas por um erro da contabilidade deixou de recolher as contribuições devidas com base no Lucro Real, no seu entender, mais benéfico no anocalendário de 2006, eis que teve prejuízo em sua atividade comercial; Fl. 244DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10530.721496/201185 Acórdão n.º 140200.818 S1C4T2 Fl. 0 4 (f) Que, enfim, o lançamento seja declarado improcedente, haja vista que baseado em omissões de faturamento para o SIMPLES, sistemática que à toda evidência não poderia a contribuinte estar enquadrada e ter sido fiscalizada; (g) E, uma vez que não houve fato gerador dos impostos e contribuições para o Simples, não há descumprimento de obrigação principal e, consequentemente, de imposição da muita absurda de 75% sobre os valores apurados. A decisão recorrida está assim ementada: DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correto o lançamento de ofício da empresa que declara na DSPJSimples do período fiscalizado receita bruta em montante inferior ao escriturado nos livros Diário e Razão. Os livros mencionados são adequados para o lançamento do crédito tributário ainda que pela sistemática do Simples. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. PROCEDÊNCIA. Por expressa determinação legal, cobrase multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) no lançamento de ofício do crédito tributário, sendo inócuas alegações de ilegalidade e de percentual abusivo. PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO PELO LUCRO REAL. A legislação tributária veda a retificação de declaração quando iniciado o procedimento de ofício ou quando tiver por objetivo alterar o regime de tributação anteriormente adotado, após decorrido o prazo de entrega, sendo impossível a autuação pelo Lucro Real de empresa optante do Simples no período fiscalizado. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente e de acordo com os requisitos do processo administrativo fiscal, restando ainda comprovado que o contribuinte obteve plena ciência de seus termos e assegurado o seu direito de defesa na impugnação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Constatandose nos autos elementos suficientes para o julgamento da lide, indeferese o pedido de diligência. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido No voto condutor do acórdão guerreado, destacamse os seguintes fundamentos (verbis) DA NULIDADE FORMAL: A impugnante alega que o feito deve ser declarado nulo, pois o Termo de Início de Ação Fiscal não foi assinado pela titular da empresa, Sra. Ivanilde Oliveira da Fonseca, única pessoa responsável pela firma individual autuada, que poderia ser facilmente localizada para ciência do inicio e prorrogações da fiscalização em lide. Tal desconhecimento destes fatos prejudicou a contribuinte, na medida em que foi tolhida de explicar a real situação da empresa no exercício de 2006, gerando equívocos insanáveis nas conclusões da Fiscalização que culminaram na presente exação. Assim, pessoa não autorizada a receber intimações foi escolhida Fl. 245DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10530.721496/201185 Acórdão n.º 140200.818 S1C4T2 Fl. 0 5 para conhecimento dos termos de fiscalização, tal que digressões acerca da responsabilidade tributária promovidas pela fiscalização não possuem o condão de suprir as exigências formais do procedimento. Não bastasse a representante legal da empresa ter sido alijada totalmente do conhecimento acerca do início e andamento da fiscalização, ao tomar ciência do resultado da mesma viu novamente o seu direito sendo preterido, notadamente no tocante ao prazo para a elaboração da sua peça defensória, conforme se depreende do "Termo de Devolução de Livros e Documentos", os documentos que serviram de lastro à autuação somente foram devolvidos no dia 07/04/2011, ou seja, mais de dez dias depois da lavratura e fluência do prazo de defesa. Mas a impugnante não tem razão, porquanto em 15/06/2010 o Termo de Início de Procedimento Fiscal (fl. 80/81) foi entregue no exato endereço constante do cadastro CNPJ (fl. 138) e, em 05/07/2010, Sra. Ivanilde Oliveira da Fonseca solicitou prorrogação de prazo de 60 (sessenta) dias para entrega dos livros contábeis, conforme pedido assinado pela própria (fl. 82), denotando pleno conhecimento da ação fiscal. Ressaltese que o endereço em comento é o mesmo que figura na folha de rosto dos autos de infração (fl. 24, p.ex.) e da impugnação apresentada pela parte interessada (fl. 165). Ademais, consta a ciência pessoal da Sra. Ivanilde no Termo de intimação Fiscal nº 01, efetivada em 08/07/2010 (fls. 86/87), solicitando livros e documentos fiscais necessários ao andamento da auditoria. Verificase, ainda, que, em 10/11/2010, a Sra. Ivanilde assinou outro pedido de prorrogação de prazo de dez dias para apresentar documentação requerida no Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 93). A entrega da intimação no endereço do contribuinte constante do cadastro da RFB é suficiente para caracterizar a notificação fiscal, conforme dispõe o art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF): (...) O dispositivo retrocitado do PAF não exige que a intimação fiscal seja assinada necessariamente pelo titular da empresa. Em se tratando de intimação pessoal, basta a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, como se deu no caso presente, em que o Termo de Início de Procedimento Fiscal (fl. 80/81) foi assinado por pessoa que se identifica como administrador da impugnante. Vale referir que o Supermercado FLEX Ltda, arrolado como responsável tributário, funciona no mesmo endereço e instalações da autuada, exercendo o mesmo ramo de atividade. Ambas empresas também atuam com o mesmo nome de fantasia, agindo como se fossem uma única empresa, conforme descrito no Termo de Verificação de Infração (fls. 74/78). Sobre a devolução de livros e documentos utilizados pela Fiscalização não há cerceamento do direito de defesa, pois consta informação no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 63), parte integrante dos autos de infração, que “Os livros e documentos originais entregues pelo sujeito passivo à fiscalização estarão disponíveis para retirada na Agência da Receita Federal do Brasil em Juazeiro, no prazo de até 10 (DEZ) dias contados da lavratura do presente termo. Os documentos entregues pelo sujeito passivo em cópia serão inutilizados. Os livros e documentos fiscais referentes à empresa SUPERMERCADO FLEX LTDA, responsável tributário, serão devolvidos após o término da ação fiscal em andamento sobre esta empresa”. Ora, a contribuinte tomou conhecimento dessa informação na mesma data de ciência dos autos de infração. Portanto, o alegado atraso de mais de dez dias para Fl. 246DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10530.721496/201185 Acórdão n.º 140200.818 S1C4T2 Fl. 0 6 recuperação de tais documentos deve ser creditado à inércia da impugnante e não ao Fisco. Nos termos do art. 59 do PAF, também não há qualquer irregularidade capaz de ensejar declaração de nulidade dos autos de infração guerreados, já que estes foram lavrados por autoridade competente e resta comprovado que a contribuinte obteve plena ciência de seus termos e assegurado o seu direito de defesa na impugnação. Em síntese, nada se verifica a título de anormalidade que pudesse suscitar cerceamento ao direito de defesa, e, por conseguinte, decretação de nulidade. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: A impugnante alega que a empresa autuada deveria ter sido excluída do Simples antes do período fiscalizado (AC/2006), pois a sua representante legal (Ivanilde Oliveira da Fonseca, CPF nº 373.759.625533) detém a quase totalidade das cotas da empresa Brustejunior Petróleo LtdaME, CNPJ nº 05.309.796/000182, e a receita bruta em conjunto das duas empresas excedia os limites legais. Assim, a impugnante não poderia ter optado ou permanecido no Simples, devendo o seu regime de tributação ser o mesmo das demais pessoas jurídicas. E que tendo em vista o exíguo prazo para reunião de documentos não foi possível apurar o total do faturamento das citadas empresas nos exercícios anteriores à 2006, prova que poderá ser objeto de diligência pela Receita Federal o que desde já se requer. Enfatiza que a Receita Federal possuía todas as informações necessárias para conhecimento de tal vedação e deveria ter procedido à exclusão de ofício muito antes do exercício de 2006, o que por imposição legal ainda requer. Em primeiro lugar, a concessão de diligência/perícia é deferida a partir da livre convicção do julgador sobre a sua necessidade, tendo em vista as provas processuais, nos termos dos arts. 18 e 29 do PAF, abaixo citados: (...) Ressalvese que não tem sentido a realização de diligência para suprimento de prova que deveria ter sido apresentada pelo sujeito passivo, como é o caso da receita bruta das empresas de propriedade da titular da firma impugnante. Em segundo, verificase que a impugnante é optante do Simples Federal desde o anocalendário de 2000 (fl. 199), e somente após ser comunicada do auto de infração, em 29/03/2011, alega a ocorrência de situação excludente em períodos já decadentes, visando beneficiarse da própria torpeza, já que caberia, inicialmente, a ela mesma informar à então SRF o excesso de receita bruta no anocalendário, nos termos da Lei nº 9.317, de 1996. Mas, ainda que fosse o caso, a soma da receita bruta declarada dos anoscalendário de 2002 a 2006 pelas empresas Ivanilde Oliveira da Fonseca ME e Brustejunior Petróleo Ltda, existente nos arquivos da RFB (fls. 200 a 204), mostra que a impugnante não tem razão quanto ao limite de receita que determinaria a sonhada exclusão do Simples, conforme quadro abaixo: Demonstrativo da receita bruta declarada à Receita Federal dos anoscalendário de 2002 a 2006 pelas empresas Ivanilde Oliveira da Fonseca ME e Brustejunior Petróleo Ltda (em R$). Ano Ivanilde (ME) (a) Brustejunior Ltda (b) Total (c = a+b) Limite EPP 2002 128.378,57 0,00 128.378,57 1.200.000,00 2003 156.963,09 926.313,27 1.083.276,36 1.200.000,00 2004 166.525,18 823.963,79 990.488,97 1.200.000,00 2005 285.001,19 0,00 285.001,19 2.400.000,00 Fl. 247DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10530.721496/201185 Acórdão n.º 140200.818 S1C4T2 Fl. 0 7 2006 884.687,09 0,00 884.687,09 2.400.000,00 Verificase, com base no quadro acima, que os montantes de receita bruta declarados pela empresa impugnante e pela outra empresa da qual Sra. Ivanilde é sócia são insuficientes para determinar o desenquadramento de ofício do Simples, ainda que isso fosse possível, haja vista que no decurso do procedimento fiscal estavam decadentes os dados fiscais anteriores ao AC/2006. Ressaltese, ainda, que os dados informados pela impugnante foram insuficientes para a RFB verificar a alegada necessidade de exclusão obrigatória do Simples. Finalmente, com base no exposto, indefiro o pedido de diligência, por considerálo absolutamente dispensável. DO PEDIDO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE: A impugnante requer que seja determinada a sua exclusão do SIMPLES com efeitos retroativos ao início do exercício de 2006 ou, alternativamente, a partir do mês de junho em que estaria impedida de permanecer com base nas prescrições legais, com o conseqüente recálculo das contribuições devidas com base no Lucro Real, compensandose os valores pagos naquele sistema diferenciado de tributação. A exclusão do Simples a partir do anocalendário de 2006 está disciplinada nos artigos 20, 22 e 24, da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006, conforme trechos infracitados: (...) Nos termos da legislação supracitada, se houvesse excesso de receita em período anterior ao ano fiscalizado caberia à pessoa jurídica, de pronto, informar tal situação excludente obrigatória até o dia útil do mês de janeiro do anocalendário seguinte, ainda mais que num primeiro momento somente ela dispunha de tais informações. Além disso, a pessoa jurídica inscrita no Simples Federal, que exceder o limite de receita bruta poderá permanecer no sistema até o dia 31 de dezembro do ano calendário em que se deu o excesso de receita, processandose a exclusão obrigatória a partir do anocalendário subsequente, nos termos do art. 13 da IN SRF nº 608, de 2006, verbis: (...) Portanto, nos termos dos dispositivos retrocitados, inexiste motivação legal para exclusão do Simples a partir do anocalendário de 2006, seja desde 1º/01/2006 ou 1º/06/2006, como quer a impugnante. Ainda que houvesse exclusão do Simples Federal por excesso de receita bruta apurada no AC/2006, o efeito do desenquadramento seria a partir de 1º/01/2007, não havendo qualquer influência sobre os lançamentos ora impugnados. Anotese que o Simples Federal vigeu somente até 30/06/2007. DA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE: A impugnante solicita que seja realizado novo lançamento com base no Lucro Real, após a exclusão do Simples, tendo em vista que a escrituração fiscal da empresa evidencia a intenção de optar pelo Lucro Real e que só continuou no sistema simplificado por erro do Contador. Alega ainda que a utilização dos Livros Diário e Razão para verificação de possível sonegação não se constitui numa praxe pela fiscalização, uma vez que normalmente são utilizados os livros de saída e apuração do ICMS, os quais, no presente caso, Fl. 248DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10530.721496/201185 Acórdão n.º 140200.818 S1C4T2 Fl. 0 8 apesar de terem sido entregues ao fiscal autuante sem qualquer embaraço, foram totalmente desprezados. Em primeiro lugar, vejase que a ação fiscal relativa ao AC/2006 teve o seu início em 15/06/2010 (vide Termo de Verificação às fls. 74/78), decorridos mais de quatro anos da data de entrega de DSPJ ou DIPJ. Ora, a impugnante teve todo esse tempo para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil (RFB), mediante procedimento espontâneo, podendo, inclusive, escolher o regime de tributação mais adequado, mais não o fez. Portanto, é estranho que só após iniciada a presente ação fiscal venha alegar que deveria ter sido excluída de ofício do Simples em períodos já decadentes, aludindo situação excludente em que a lei remete ao sujeito passivo o dever de informar à RFB, mas, ainda assim, está patente que optou por continuar no sistema simplificado, gozando plenamente dos benefícios fiscais dedicados às microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP). Sendo, destarte, inconcebível cogitarse de tributação pelo Lucro Real, depois da auditoria fiscal, quando não há possibilidade concreta de exclusão do Simples com data/efeito anterior ao período fiscalizado. Resta lembrar que o preenchimento da Declaração de Ajuste Anual é de única e exclusiva responsabilidade do sujeito passivo, que deve certificarse de que as informações foram transmitidas corretamente e em boa forma. Cabe ao contribuinte confirmar os dados transmitidos e, caso verifique irregularidades, proceder a retificação tempestiva da sua declaração antes do início de qualquer procedimento fiscal. Assim, não há como invalidar a DSPJSimples do AC/2006. Em segundo, no âmbito do processo administrativo fiscal é ineficaz acusar o profissional de Contabilidade por supostas falhas relativas ao descumprimento de obrigação tributária, mormente quanto à opção pelo lucro real. Na ocorrência de irregularidade praticada por contador, ou preposto, contratado para execução da contabilidade da empresa, a culpa por supostos prejuízos deve recair sobre a contratante, eis que somente a ela competia fiscalizar a execução dos serviços e atribuições conferidos ao referido profissional. Com efeito, a empresa tem a obrigação legal de ser diligente na gestão de suas operações, inclusive, obrigações tributárias (principal e acessória). Em terceiro, verificase nos arquivos da RFB que a impugnante não fez nenhum pagamento pelo Lucro Real inerente ao AC/2006 que pudesse caracterizar a intenção de aderir ao referido sistema de tributação, nos termos dos arts. 221, 222 e 232, do RIR/99: (...) Por mais este motivo, seria impossível a tributação pelo Lucro Real pois a autuada optou pelo Simples no período fiscalizado, tendo apresentado Declaração Simplificada e feito pagamento dos tributos declarados em DarfSimples (código 6106). Vejase que a opção pelo regime simplificado é definitiva para todo o ano calendário, de conformidade com o art. 8º, § 2º, da Lei nº 9.317, de 1996. Além disso, a legislação tributária veda a retificação de declaração quando iniciado o procedimento de ofício ou quando tiver por objetivo alterar o regime de tributação antes adotado – art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999, verbis: Art. 4º No caso de DIPJ ou DIRPJ, não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. Em quarto, a empresa inscrita no Simples pode optar pela escrituração comercial, Fl. 249DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10530.721496/201185 Acórdão n.º 140200.818 S1C4T2 Fl. 0 9 caso seja do seu interesse, mantendo, inclusive, os livros Razão e Diário. O art. 7º da Lei nº 9.317, de 1996, apenas estabelece que a PJ fica dispensada da escrituração comercial desde que mantenha os livros Caixa e de Inventário, conforme citação abaixo: (...) Vêse que o dispositivo acima não impõe proibição alguma em relação à pessoa jurídica do Simples, define apenas regras para dispensa de escrituração comercial por parte da empresa optante do Simples – manutenção de Livro Caixa, Livro de Inventário e documentos que embasem a escrituração simplificada. A dispensa de escrituração, na forma do dispositivo acima, não impede que a pessoa jurídica mesmo enquanto submetida ao Simples mantenha escrituração adequada às suas circunstâncias, pois, no caso de eventual exclusão do sistema, a ME ou EPP ficará sujeita às regras previstas para o regime normal de tributação, seja lucro real, lucro presumido, ou até mesmo o lucro arbitrado nas condições previstas em lei. Portanto, quanto ao anocalendário de 2006, é correto o auto de infração pela forma do Simples com base na escrita dos livros Diário e Razão, porquanto a receita bruta lá registrada foi de R$ 6.127.188,63 e o valor declarado na DSPJSimples de R$ 884.687,09 (fls. 201/202), restando diferença a tributar de R$ 5.242.501,54 (fl. 79), indicando omissão de base de cálculo no percentual de 85,56%. Os livros Diário e Razão não são “inidôneos” para fins de lançamento fiscal pela forma do Simples, como referiu a impugnante. Em quinto, não consta dos autos nenhum livro de saída e apuração do ICMS do ano calendário de 2006 (AC/2006), tendo o autuante dito no Termo de Verificação que a base de cálculo foi apurada através da DSPJSimples referente ao AC/2006 e dos Livros Diário e Razão, cujas contas de resultado contém a contabilização das receitas não declaradas. Significa que o fiscal autuante no exercício das suas prerrogativas, após exame dos elementos apresentados pelo sujeito passivo regularmente intimado, utilizou a documentação contábil que melhor refletia as operações da empresa autuada, e que podia servir de prova irrefutável das infrações detectadas, sendo irrelevante falar de desprezo pela documentação apresentada. Por fim, os autos de infração ora combatidos devem prosperar, pois, como já demonstrado, não há razão para declaração de nulidade ou improcedência, haja vista a impossibilidade de exclusão do Simples para efetivação de um novo lançamento com base no Lucro Real, como pretende a impugnante. DA SUBSISTÊNCIA DA APURAÇÃO FISCAL: No mérito, a impugnante solicita que o lançamento seja declarado improcedente vez que baseado em omissões de faturamento para o SIMPLES, sistemática que à toda evidência não poderia a contribuinte estar enquadrada e ter sido fiscalizada. Ou, alternativamente, caso não deferido o item anterior, seja o Auto de Infração declarado improcedente por ter se baseado em documentação inidônea. No entanto, a despeito da intenção da interessada em desacreditar a escrita que deu suporte aos lançamentos, taxandoa de “inidônea”, é legal a utilização pelo Fisco Federal de receita bruta contabilizada nos livros Diário e Razão, apresentados pela própria autuada. Não importa que a empresa seja optante do Simples, pois, como já dito, aqueles livros são aptos para efeito de apuração fiscal pelo regime simplificado. A sua manutenção pela pessoa jurídica inscrita no Simples Federal é perfeitamente admitida, prestandose para comprovação das operações fiscais inerentes ao referido sistema. Notese que o conteúdo dos livros e fichas dos empresários e sociedades faz prova contra ou a favor das pessoas a que pertencem, nos termos do art. 226 do Fl. 250DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10530.721496/201185 Acórdão n.º 140200.818 S1C4T2 Fl. 0 10 Código Civil (Lei nº 10.406, de 10/01/2002), in verbis: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. No caso concreto não há que se falar de cometimento de erro na apuração da base de cálculo do crédito tributário lançado, nem de elisão aos princípios da legalidade, proporcionalidade, entre outros, previstos na CF/1988, invocados pela impugnante. Já foi demonstrado também que não há motivação legal para exclusão do Simples Federal com efeito a partir de data anterior, ou conflitante, com o período fiscalizado, nem de tributação com base no lucro real. Deste modo, é procedente a cobrança do crédito tributário lançado de ofício, não havendo que se falar de novo lançamento com base no Lucro Real, compensação de valores pagos no SIMPLES, ou convolação da multa de ofício em multa formal. DA MULTA DE OFÍCIO: Alegou a impugnante que a multa no percentual de 75% seria absurda e improcedente, pois não teria ocorrido o fato gerador dos tributos lançados que ensejaram a sua incidência. Já foi demonstrado que houve o fato gerador dos tributos lançados com base na diferença entre a receita bruta contabilizada nos livros Diário e Razão e a receita bruta declarada na DSPJSimples, relativos ao anocalendário de 2006, entregues pela contribuinte mediante regular intimação fiscal. Daí que no caso de lançamento de ofício, em que o contribuinte sob ação fiscal perde a espontaneidade, aplicase a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, em conformidade com o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: (...) Portanto, uma vez mantidos os lançamentos dos tributos pela forma do Simples, mantémse a multa de ofício prevista no dispositivo acima. Com relação ao protesto de que essa multa seria abusiva ou exagerada, não compete à autoridade administrativa manifestarse sobre esse tipo de alegação, já que exerce atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único, do CTN. Significa, pois, que uma vez ocorridas as hipóteses de incidência da multa em comento, nos termos da lei vigente, como se deu no caso concreto, a autoridade tributária não poderá eximirse da sua aplicação, bem como afastar ou reduzir o seu percentual, ao desamparo de expressa previsão legal. Ressalvese que a legislação vigente goza da presunção de legitimidade na esfera administrativa, daí que compete ao julgador administrativo, no exercício de atividade vinculada e em obediência ao princípio da legalidade, verificar se o procedimento fiscal está em conformidade com a legislação aplicável, zelando, destarte, pelo seu fiel cumprimento. Assim, deve ser mantida a exigência da multa de ofício, no percentual aplicado pela Fiscalização, por estar em expressa harmonia com a legislação aplicável. CONCLUSÃO: Por todo o exposto e pelo que dos autos consta, concluo que as alegações da impugnante são insubsistentes, devendo ser mantido o crédito tributário Fl. 251DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10530.721496/201185 Acórdão n.º 140200.818 S1C4T2 Fl. 0 11 lançado, por ter sido realizado com observância da legislação aplicável e lastreado em provas documentais que comprovam as infrações imputadas nos autos de infração ora impugnados. Não vejo, assim, motivação legal para declaração de nulidade ou improcedência. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega que (verbis): É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10530.721496/201185 Acórdão n.º 140200.818 S1C4T2 Fl. 0 12 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. A contribuinte alegou na peça impugnatória que a autuação seria insubsistente, eis que baseada em informações imprestáveis extraídas dos livros Diário e Razão, inexistindo, assim, fato gerador dos tributos lançados pela forma do SIMPLES, uma vez que os livros mencionados sugerem a sua intenção de tributação pelo Lucro Real, sendo, consequentemente, inidôneos para fins de apuração pela regime simplificado de tributação. A defendente tenta convencer da invalidade do feito mediante palavras, fazendo menção de doutrina e jurisprudência que não se sobrepõem à verdade material transparente nos autos do processo. Conforme, asseverado na decisão de 1a. instancia, não se verifica a juntada de prova real que pudesse sustentar os argumentos trazidos na impugnação, estando absolutamente correta a exigência na forma constituída. Já no recurso voluntário a contribuinte apresenta uma alegação evasiva, mais uma vez desprovida de qualquer demonstração, no sentido de que não aferiu as receitas imputadas no auto de infração. A toda evidência, a peça recursal é meramente protelatória haja vista que, consonante, Termo de Verificação Fiscal, fls. 74/78, a apuração relativa ao anocalendário de 2006 teve como base a receita bruta contabilizada nos livros Razão e Diário (fls. 106/115 e 116/131), no valor total de R$ 6.127.188,63. Como a fiscalizada só declarou na DSPJSimples (fls. 139/156) o valor total de R$ 884.687,09, resulta uma diferença de base de cálculo tributável no montante de R$ 5.242.501,54, de acordo com Demonstrativo de Apuração das Diferenças de Base de Cálculo – SIMPLES (fl. 79). Ora, bastaria a autuada fazer prova de que sua escrituração está errada, o que não ocorreu, seja durante a auditora, seja no transcurso do processo administrativo fiscal. Diante do exposto, resta negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 253DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 11080.903612/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. GLOSA. AUTO DE INFRAÇÃO. JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS.
Os julgamentos do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI e dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI só fazem sentido se concomitantes. Sendo improcedente o auto de infração, é de se afastar as glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. GLOSA. AUTO DE INFRAÇÃO. JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS. Os julgamentos do auto de infração por insuficiência de recolhimento de IPI e dos pedidos de ressarcimento de créditos de IPI só fazem sentido se concomitantes. Sendo improcedente o auto de infração, é de se afastar as glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as glosas efetuadas e determinar à unidade de origem que proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 36 12 /2 01 2- 71 Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 11080.903612/201271 Acórdão n.º 3301004.185 S3C3T1 Fl. 1.280 2 Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, o qual segue transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Campinas (fl. 241), que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito de IPI e não homologou as compensações pleiteadas. A contribuinte apresentou PER/DCOMP, no valor de R$ 13.013.737,15, referente ao saldo credor de IPI do 3º trimestre de 2007. A DRF em Campinas, indeferiu o direito creditório e exigiu os débitos não homologados: principal – R$ 10.715.206,00; multa – R$ 2.143.041,16; e juros – R$ 4.501.346,43. Segundo consta na informação fiscal de fls. 243/244, foi lavrado auto de infração (cópia às fls. 245/277), que resultou na reconstituição da escrita fiscal e conseqüente extinção do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Conforme relatado, foi constatada falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei nº 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome da contribuinte, identificando esses produtos. O auto de infração foi formalizado no processo administrativo nº 10830.725456/201217. Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/48, com as seguintes alegações: o auto de infração foi objeto de impugnação, que está pendente de julgamento na esfera administrativa; o presente processo deve ser suspenso até o efetivo julgamento do auto de infração; contesta, no mérito, os motivos alegados pela fiscalização para a lavratura do auto de infração; após a improcedência do auto de infração, o despacho decisório deve ser reformado. Por fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade de forma a suspenderse a exigibilidade do crédito tributário e impedirse a inscrição em divida ativa dos créditos tributários ora discutidos. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 12ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão nº 1449.168, com a seguinte ementa: Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 11080.903612/201271 Acórdão n.º 3301004.185 S3C3T1 Fl. 1.281 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Extinguindose o saldo credor de IPI do trimestre calendário, em virtude do lançamento de imposto e reconstituição da escrita fiscal, indeferese o pedido de ressarcimento. A Recorrente apresentou recurso voluntário, no qual repisa as razões de sua manifestação de inconformidade e combate ponto a ponto a decisão de piso. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme relatado, foi constatada a falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal (sobre bens de informática) instituído pela Lei nº 8.191, de 11 de junho de 1991 e por inobservância de alíquota de IPI, o que resultou na reconstituição da escrita fiscal e consequente redução do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. O auto de infração foi formalizado no processo administrativo nº 10830.725456/201217. É cristalino o fato de que o presente processo é totalmente vinculado ao processo nº 10830.725456/201217, que trata de auto de infração de IPI, como bem apontou a decisão de piso: A contribuinte transmitiu declarações de compensação com base em saldo credor de IPI do 3º trimestre de 2007. A DRF em Campinas indeferiu o pedido porque constatou falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei nº 8.248/91 e suas alterações. Em virtude da lavratura de auto de infração e reconstituição da escrita fiscal, não teria sobrado saldo credor a ser ressarcido. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 11080.903612/201271 Acórdão n.º 3301004.185 S3C3T1 Fl. 1.282 4 Assim, o julgamento deste processo depende do julgamento do auto de infração. Por conseguinte, diante da vinculação deste julgamento ao do auto de infração, há que se aplicar a decisão proferida no processo nº 10830.725456/201217, cuja ementa foi assim redigida: DECADÊNCIA. Se após a reconstituição da escrita fiscal no RAIPI, houver créditos validados pelo Fisco para compensar parte do saldo devedor, então houve pagamento parcial, apto a atrair a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Logo, contase o prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador do tributo. IPI. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL. DISTINÇÃO ENTRE NOVO MODELO E VERSÃO DO MODELO HABILITADO. Mediante a juntada de laudos técnicos, demonstrado que os equipamentos objetos do auto de infração apresentam as características técnicas dos modelos já habilitados no incentivo fiscal e que são, portanto, versões, resultantes da combinação de características alternativas que podem pertencer a cada um dos modelos, conforme já constara no processo de habilitação, então não houve descumprimento da Portaria de concessão do benefício fiscal. Legítima a saída com as reduções de IPI. PROVA. LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. Nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas ao deslinde dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. MULTA ISOLADA POR FALTA DE DESTAQUE DE IPI COM COBERTURA DE CRÉDITO. A multa isolada por falta de destaque de IPI com cobertura de crédito encontrase prevista na legislação vigente, art. 80, §8, da Lei 4.502/64. Recurso voluntário provido. Diante disso, como todo pedido de ressarcimento depende da existência de um crédito, o qual deve ser reconhecido na exata medida de sua comprovação, a Recorrente deve ter seu direito creditório analisado e apurado pela unidade de origem. Logo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem proceda ao encontro de contas estampado no PER/DCOMP apresentado, homologando total ou parcialmente, de acordo com o resultado da apuração e comprovação de todos os valores envolvidos. (Assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 11080.903612/201271 Acórdão n.º 3301004.185 S3C3T1 Fl. 1.283 5 Fl. 1283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.720974/2014-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 09 74 /2 01 4- 10 Fl. 56DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 05 a 09, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio do qual foi constatada omissão de rendimentos, relativo a fonte pagadora Instituto Nacional de Seguro Social INSS, no valor de R$ 33.235,66, gerando assim a exigência de imposto de renda suplementar no valor de R$ 8.353,66. O interessado foi cientificado da notificação em 06/08/2014 e apresentou impugnação em 15/08/2014, instruída co documentos de fls, 04 e 16. Alega, em síntese, que o rendimento reputado omitido é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação. Cita base legal e jurisprudência para corroborar o seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos De acordo com o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias nele enumeradas. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6º do art. 39 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Nos termos do § 4º do RIR/1999, para o reconhecimento de novas isenções, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 17613.720974/201410 Acórdão n.º 2001000.233 S2C0T1 Fl. 3 3 O contribuinte sustenta que encontrase aposentado desde junho de 2008 (fl. 13), entretanto entende a DRJ que ele não apresentou laudo médico nos moldes estabelecidos na legislação acima. Alega a DRJ de Belo Horizonte que o laudo de fl. 10 não foi emitido por serviço médico oficial. No campo destinado à identificação do serviço médico oficial apenas foi aposto o carimbo de identificação do médico Ricardo Ferreira Moura. O fato de tal laudo ter recebido carimbo de CNPJ do INSS não o torna oficial. Não concordo com o entendimento da DRJ. Ao meu ver, foram integralmente supridas as faltas apontadas no lançamento. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos Fl. 58DF CARF MF 4 atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave, nos termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a condição de isento para fins fiscais, restando comprovada a sua condição de portador de moléstia grave. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904283/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.058
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 42 83 /2 00 9- 02 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10120.904283/200902 Acórdão n.º 3401004.058 S3C4T1 Fl. 3 2 Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10120.904283/200902 Acórdão n.º 3401004.058 S3C4T1 Fl. 4 3 foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.001327/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003
MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO.
Nas hipóteses em que o contribuinte declara e recolhe com atraso tributos sujeitos a lançamento por homologação, não se aplica o beneficio da denúncia espontânea e, por conseguinte, não se exclui a multa moratória.
Numero da decisão: 1402-000.882
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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JUROS DE MORA. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO. Nas hipóteses em que o contribuinte declara e recolhe com atraso tributos sujeitos a lançamento por homologação, não se aplica o beneficio da denúncia espontânea e, por conseguinte, não se exclui a multa moratória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.001327/200738 Acórdão n.º 140200.882 S1C4T2 Fl. 126 2 Relatório Banco do Estado do Pará S/A recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “BANCO DO ESTADO DO PARÁ S/A, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 04.913.711/000108, teve contra si lavrado o Auto de Infração (fls 33/40) n° 1004496, referente ao IRPJ emitido eletronicamente e onde foi apurado um crédito tributário total na ordem de R$ 79.368,41. Referido Auto de Infração teve como fato gerador o quarto trimestre de 2004 e deveuse a recolhimento em atraso de tributo informado na DCTF. Tomando ciência e inconformada, a empresa apresentou impugnação (fls 1/6) em 20.04.2007, onde aduz em síntese que: Procedeu corretamente ao pagamento dos valores principais com a conseqüente inclusão dos respectivos juros moratórios aplicáveis, tratandose, portanto, de reconhecimento espontâneo dos valores devidos. Demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer cancelamento do Auto.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 14.129 (fls. 7277) de 29/05/2009, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. É cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 18/06/2009 (A.R. de fl. 80), a interessada interpôs recurso voluntário em 13/07/2009 (fls. 8187) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Assim como no Acórdão recorrido, entendo que o instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.001327/200738 Acórdão n.º 140200.882 S1C4T2 Fl. 127 3 Com efeito, não merecem prevalecer os argumentos formulados pela interessada. Ela recorre ao instituto da denúncia espontânea, assim introduzido no ordenamento jurídico, através do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A tese da Recorrente se funda na premissa de que a denúncia espontânea excluiria toda e qualquer modalidade de penalidade, inclusive as de caráter moratório. Essa interpretação, à primeira vista possível em face da literalidade da redação, a qual não estabelece distinção entre as modalidades de multa, tornase insustentável quando examinada a partir de uma perspectiva sistemática, que leva em conta a lógica interna do ordenamento jurídico como um todo. Inicialmente, há que se distinguir a multa punitiva da multa moratória, sendo esta indenizatória e aquela punitiva, conforme ensina Paulo de Barros Carvalho, em Curso de Direito Tributário, 16ª edição, Saraiva, 2004, pg. 514: As multas de mora são também penalidades pecuniárias, mas destituídas de nota punitiva. Nelas predomina o intuito indenizatório, pela contingência de o Poder Público receber a destempo, com as inconveniências que isso normalmente acarreta, o tributo a que tem direito. Muitos a consideram de natureza civil, porquanto largamente utilizadas em contratos regidos pelo direito privado. Essa doutrina não procede. São previstas em leis tributárias e aplicadas por funcionários administrativos do Poder Público. A interpretação que deve prevalecer, quanto aos efeitos da denúncia espontânea, é aquela segundo a qual os benefícios decorrentes da denúncia espontânea circunscrevemse às multas de natureza punitiva, que são justamente aquelas aplicadas pela autoridade fiscal em procedimento de fiscalização, não se aplicando às penalidades de caráter indenizatório, como a multa de mora. É que, caso a multa moratória fosse também excluída pela denúncia espontânea, seria ela totalmente inócua, já que o contribuinte sempre poderia optar por deixar de recolher o tributo no prazo legal, e escolher um dia qualquer para saldar sua dívida com o fisco, bastando que pague “espontaneamente”, sem qualquer multa pelo inadimplemento. Além disso, na hipótese de o fisco bater a sua porta antes do pagamento, também não poderia exigir a multa de mora, já que a penalidade cabível seria a multa de ofício. Em suma, caso vingasse a tese formulada pela litigante, a multa de mora seria absolutamente desprovida de eficácia, pois jamais seria exigível, nem por ato espontâneo do contribuinte, nem por dever do fisco. Por óbvio que essa conclusão foge ao bom senso, e merece, portanto, ser rejeitada. Não pode o ordenamento jurídico, por um lado, criar um instituto e conferir legitimidade à autoridade fiscal para aplicálo visando a determinados fins, e, de outro lado, retirarlhe totalmente sua eficácia. A relevância da multa moratória foi inclusive reafirmada Fl. 133DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.001327/200738 Acórdão n.º 140200.882 S1C4T2 Fl. 128 4 pelo legislador, quando estipulou sua incidência no caso de recolhimento em atraso de tributos e contribuições, nos seguintes termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifouse) §1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não são do original) A interpretação no sentido de que a denúncia espontânea é apta a eximir o contribuinte somente das penalidades de natureza punitiva, sendo ineficaz quanto às multas moratórias, é compartilhada por Paulo de Barros Carvalho, ao comentar o art. 138 do CTN, na obra Curso de Direito Tributário, 16ª edição, Saraiva, 2004, pg. 512: A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. (Grifouse) Na jurisprudência deste Conselho encontramse diversos julgados em consonância com a presente decisão, conforme se transcreve a seguir: Número do Recurso: 135810 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10746.000330/200558 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: RESTITUIÇÃO/COMP COFINS Recorrida/Interessado: DRJBRASÍLIA/DF Data da Sessão: 18/10/2007 15:00:00 Relator: Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 134DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.001327/200738 Acórdão n.º 140200.882 S1C4T2 Fl. 129 5 Decisão: ACÓRDÃO 20312511 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTN referese a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso. (Grifouse) Recurso negado. ____________________________________________________ Número do Recurso: 151552 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10830.003822/0015 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrida/Interessado: 4ª TURMA/DRJCAMPINAS/SP Data da Sessão: 24/05/2007 00:00:00 Relator: Sandra Maria Faroni Decisão: Acórdão 10196167 DENÚNCIA ESPONTÂNEA EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. (Grifouse) ...” Também nessa direção é o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, consoante acórdão publicado em 17/03/2008, cuja ementa reproduzse a seguir: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO EM ATRASO. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. PRECEDENTE. SÚMULA N.168/STJ. 1. Agravo regimental interposto em face de decisão que negou seguimento a embargos de divergência por entender aplicável a incidência da Súmula n. 168/STJ. Alega a agravante que nunca sofreu qualquer fiscalização no sentido de apurar eventuais pendências para com o INSS, desse modo, se antecipou à ação do Fisco não pode ser responsabilizada pelo pagamento de multa moratória, porque caracterizada a denúncia espontânea. 2. Acórdão embargado com o seguinte posicionamento: Nas hipóteses em que o contribuinte declara e recolhe com atraso Fl. 135DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.001327/200738 Acórdão n.º 140200.882 S1C4T2 Fl. 130 6 tributos sujeitos a lançamento por homologação, não se aplica o beneficio da denúncia espontânea e, por conseguinte, não se exclui a multa moratória. 3. O entendimento da Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento dos EREsp 641.538/PR, desta Relatoria, DJ de 02/10/2006, de que: "nos casos de parcelamento do débito tributário ou de sua quitação total, mas com atraso, não há que se falar na aplicação do beneficio da denúncia espontânea". 4. Nesse sentido, tem incidência a Súmula n. 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 5. Agravo regimental nãoprovido. (STJ Agravo Regimental n° 2007/0239863 0, DJ 17.3.2008, pg. 1).” Nessa esteira, destaquese que a matéria já foi definitivamente julgada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo (Art. 543C da Lei nº 5.869/1973 CPC), tornandose, dessa forma, decisão vinculante àquelas proferidas por este Conselho, consoante alteração contida na Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. In verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, conforme entendeu o Egrégio STJ no REsp nº 962.379RS, o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.001327/200738 Acórdão n.º 140200.882 S1C4T2 Fl. 131 7 (STJ, Resp nº 962.379, de 22/10/2008) Ex positis, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 1 de fevereiro de 2012 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10425.001336/2002-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Jurídicas IRPJ
Ano calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
Ementa: CLINICA OFTALMOLÓGICA. REALIZAÇÃO DE CIRURGIAS. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. RECEITA DECORRENTE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA HOSPITALAR.
Os informes de rendimentos fornecidos pelo Ministério da Saúde, de onde foi extraída a receita tributável, indica serviços de natureza hospitalar. Em assim sendo, a base de cálculo a ser considerada, no caso de arbitramento, é de 9,6%.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-000.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reduzir a base de cálculo do IRPJ e CSLL de 38,4% para 9,6% da receita bruta total conhecida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os conselheiros Antônio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Albertina Silva Santos de Lima acompanharam pelas conclusões haja vista que a totalidade dos lucros arbitrados advêm de pagamentos do Ministério da Saúde à empresa, a título de "serviços hospitalares".
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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REALIZAÇÃO DE CIRURGIAS. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. RECEITA DECORRENTE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA HOSPITALAR. Os informes de rendimentos fornecidos pelo Ministério da Saúde, de onde foi extraída a receita tributável, indica serviços de natureza hospitalar. Em assim sendo, a base de cálculo a ser considerada, no caso de arbitramento, é de 9,6%. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reduzir a base de cálculo do IRPJ e CSLL de 38,4% para 9,6% da receita bruta total conhecida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os conselheiros Antônio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Albertina Silva Santos de Lima acompanharam pelas conclusões haja vista que a totalidade dos lucros arbitrados advêm de pagamentos do Ministério da Saúde à empresa, a título de "serviços hospitalares". (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator Fl. 591DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001336/200222 Acórdão n.º 140200908 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001336/200222 Acórdão n.º 140200908 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório Oftalmoclínia Saulo Feire Ltda, já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Tratase de auto de infração que arbitrou a receita em 38,4%. O debate neste processo diz respeito única e exclusivamente quanto ao percentual a ser aplicado em relação aos serviços oftalmológicos prestados pela recorrente. Após fazer referência a outro acórdão que analisa o que deve ser entendido como serviços hospitalares, o acórdão recorrido, quanto às características da recorrente, destaca o que transcrevo nos parágrafos que seguem: “0 exame minucioso das peças coladas pela defesa me leva as seguintes conclusões: 13.1. A Oftalmoclínica Saulo Freire Ltda pratica procedimentos cirúrgicos oftalmológicos, que em muito se assemelham aos serviços hospitalares especificados na legislação em destaque; 13.2. Foram apresentadas diversas provas (fls. 322/517) de que a empresa pratica procedimentos cirúrgicos, tendo todos eles como responsável (médico solicitante) o Dr. Saulo Freire de Araújo — Oftalmologista — CRM 3743; Obs.: Documentos de folhas 352/354 indicam como médico solicitante o Dr. Marcos de Brito Campos, no entanto, não há nos autos comprovação da relação existente entre a Oftalmoclínica Saulo Freire Ltda e o referido médico. 13.3. Às folhas 192—194 são apresentadas escalas do plantão médico da Oftalmoclínica Saulo Freire Ltda para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2002, não pertencente, portanto, ao período fiscalizado; 13.4. À folha 195, é apresentada "relação de pessoal informada ao SUS" (fl.195), não informada a data a que corresponde a relação, nem o vinculo existente entre os mesmos com a Oftalmoclínica Saulo Freire ltda.. Vale aqui ressaltar que todas as requisições apresentadas pela impugnante como provas (serviços médicos prestados), ligadas ao período fiscalizado, têm como médico solicitante o Dr. Saulo Freire de Araújo — Oftalmologista — CRM 3743, único sócio da empresa (vide subitem 13.2). Logo, não há provas que na composição da receita apurada pela fiscalização estão outras que não as vinculadas ao serviço médico prestado pelo Dr. Saulo Freire de Araújo; 13.5. Não há prova que a empresa possui estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da RDC n° 50, de 2002, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; A recorrente foi intimada do acórdão de fls. 537 a 549 em 24092007 (fl. 552) e em 23102007 ingressou com o recurso de fls. 559 a 564, acompanhado dos documentos denominados “registros de operações” de fls. 565 a 580, referentes aos anos calendário de 1999 a 2002, aos quais se reporta como sendo amostragem das mais de 8.000 cirurgias feitas no período. Juntou alvará de fl. 582, do exercício de 2006, fornecido pela Fl. 593DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001336/200222 Acórdão n.º 140200908 S1C4T2 Fl. 0 4 Secretaria de Saúde Agência Estadual de Vigilância Sanitária do Estado da Paraíba, identificando a atividade da recorrente como Hospitalar. Anexou, ainda, as fotografias de fls. 583 e seguintes fazendo referência às dependências físicas do estabelecimento, equipamentos existentes, sala de cirurgia (fl. 586) e centro cirúrgico (fl. 588). Ao se reportar aos documentos juntados com o recurso, a interessada destaca que os mesmos devem ser admitidos eis que necessários para contrapor os argumentos indicados na decisão recorrida. Neste sentido faz referência ao acórdão 90178316/2005, cuja ementa transcreveu à fl. 559. Quanto ao mérito, a recorrente destaca que na fase impugnatória apresentou planta baixa do estabelecimento (fls. 184/185) demonstrando a estrutura física para prestação de serviços hospitalares, no sentido de ter seu lucro arbitrado em 9,6%. Em seu recurso rebate os argumentos do acórdão recorrido que não acataram sua pretensão. Em face da objetividade das razões recursais, transcrevoas nos principais pontos: “Escalas de plantão médico relativas ao período fiscalizado A fls. 192/194 constam, de fato, escalas de plantão médico dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2002, pois as anteriores foram destruídas após atingirem o seu objetivo. Como o período fiscalizado se estendeu até o mês de setembro de 2002, quis a recorrente, ao anexar a escala de plantão de outubro de 2002, demonstrar e comprovar como era o seu procedimento a respeito do assunto. Ou seja, que os serviços hospitalares foram prestados, no período aditado, por outros profissionais, que não o seu sócio Saulo Freire de Araújo. (fl. 562). “Serviços hospitalares prestados por Dr. Marcos de Brito Campos Os documentos de fls. 352/354 comprovam que o médico solicitante foi o Dr. Marcos de Brito Campos, que prestou serviços hospitalares utilizando a estrutura física da recorrente e que nunca foi sócio da mesma. Estabelece o Ato Declaratório Interpretativo n° 18/03 que não são serviços hospitalares os prestados exclusivamente pelos sócios da empresa. 0 ato em causa não usou o advérbio preponderantemente, mas sim o exclusivamente. Isso significa que bastaria apenas um serviço prestado por um médico, não sócio, como no presente caso, para ser considerado serviço hospitalar. Enfatiza o acórdão recorrido, a fl. 548, que há provas que na composição da receita apurada pela fiscalização estão outras que não vinculadas ao serviço prestado pelo Dr. Saulo Freire de Araújo".116, no entanto, no processo, prova, pelo menos, dos serviços hospitalares solicitados pelo Dr. Marcos de Brito Campos.” É o relatório. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001336/200222 Acórdão n.º 140200908 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. O auto de infração de fls. 03 e seguintes, com exigência no valor de R$ 249.568,06, foi notificado à recorrente em 22112002 e corresponde ao período compreendido entre o 1º trimestre de 1998 e o 3º trimestre de 2002. Apesar de destacar que foram apresentadas diversas provas de que a clínica autuada presta serviços cirúrgicos, o acórdão recorrido desacolheu a pretensão por entender que: para ser considerado como atividade hospitalar a recorrente devia demonstrar que as atividades não eram prestadas exclusivamente pelos sócios da empresa e que às fls. 192 a 194 apresentando escalas de plantão médico da Oftalmoclínica Saulo Freire Ltda, para os meses outubro, novembro e dezembro de 2002, não corresponde ao período fiscalizado. que todas as requisições apresentadas pela impugnante como provas (serviços médicos prestados), ligadas ao período fiscalizado, têm como médico solicitante o Dr. Saulo Freire de Araújo — Oftalmologista — CRM 3743, único sócio da empresa (vide subitem 13.2). Logo, não há provas de que na composição da receita apurada pela fiscalização estão outras que não as vinculadas ao serviço médico prestado pelo Dr. Saulo Freire de Araújo; inexistência de prova fornecido pela Vigilância Sanitária Municipal ou Estadual quanto às atividades exercidas pela recorrente. Diante do argumento contido no acórdão guerreado de que a recorrente não teria juntado prova fornecida pela Vigilância Sanitária Municipal ou Estadual quanto à natureza de suas atividades, a parte interessada anexou ao recurso o documento de fl. 582 denominado de Autorização de Funcionamento, também conhecido como “alvará de funcionamento”, exercício 2006, com validade até 31032007. Dos elementos que colho do referido documento destaco que o órgão competente, ao descrever a atividade do estabelecimento, o colocou como sendo hospitalar. Atendida a questão quanto à necessidade de documento fornecido por órgão público de que a recorrente exercia atividade hospitalar, os documentos de fls. 565 e seguintes, denominados “REGISTRO DE OPERAÇÕES” onde consta o nome do paciente, a data, o nome do médico, o tipo de procedimento e o nome do anestesista1, em período compreendido entre 1999 e 2002, acompanhados do desenho correspondente à planta baixa do estabelecimento contendo, segundo descrição, 37 repartições, tais como “quarto (leito), consultório, sala de exame, apartamentos (leito), sala de cirurgia, esterilização, oxigênio”, junto 1 O nome do anestesista, por ser anestesia local, na quase totalidade, ficava a cargo do próprio cirurgião. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001336/200222 Acórdão n.º 140200908 S1C4T2 Fl. 0 6 com as notas fiscais de compra de medicamento de fls. 196 e seguintes, em nome da recorrente, não deixam dúvidas quanto à natureza hospitalar do estabelecimento. Tendo o acórdão recorrido utilizado como fundamento a necessidade de demonstrar que no estabelecimento havia trabalho prestado por outros profissionais não sócios, além da escala de plantão de fls. 192 a 194, o recorrente tratou de juntar comprovantes relativos a procedimentos cirúrgicos executados pelos médicos de nome “Dr. Ciro”; Dr. José Luiz; Dra. Eliane; Dr. Fábio Queiroz; Dr. Cláudio; Dr. Roberto; Dr. Daniel e Dra. Micheline, profissionais estes que constam da escala de fls. 192 a 194. Ao meu sentir, a prestação de serviços por profissionais não sócios não se constitui em elemento essencial para definir a natureza hospitalar de determinado estabelecimento. Porém, ainda que assim fosse, as provas referidas no parágrafo anterior, dentre as quais destaco a autorização do Poder Público e o croqui identificando as dependências do estabelecimento, acompanhado da comprovação dos procedimentos médicos, não deixam dúvidas quanto à natureza hospitalar da recorrente. Quanto à necessidade de documentos correspondentes ao período fiscalizado, apontado pelo acórdão recorrido, os documentos já referidos, junto com os documentos de fls. 487488, mostramse hábeis para tal, pois dizem respeito a procedimentos ou fatos abarcados no período fiscalizado. O documento de fl. 487, por exemplo, mostra internação de paciente com entrada em 08082001 e alta em 09082001. Pelo que se extrai do documento de fl. 488, do Sistema Único de Saúde, tratavase de paciente com necessidade de cirurgia de catarata. O documento de fl. 489, por exemplo, indica “facectomia com implante de lente intraocular”, prova que também reputo hábil para comprovar a natureza hospitalar do estabelecimento. Preocupado em demonstrar a natureza hospitalar da clínica, além do documento de fl. 500 intitulado de “folha de anestesista”, contendo o nome do paciente, do médico anestesista Almir... e do Cirurgião Saulo, sócio da empresa recorrente, a parte interessada ainda trouxe, junto com o recurso, inúmeras fotografias cujos equipamentos demonstram que não se trata de um simples consultório médico onde se prestava somente consultas médicas, sem realização de procedimentos mais complexos. Por fim, conforme destacado quando da sessão de julgamento, os informes de rendimentos de fls. 79 a 81, fornecido pelo Ministério da Saúde, contendo valores cuja soma, em cada trimestre, se equivale à base de cálculo tributada, ao descrever a causa dos pagamentos, especifica como sendo oriundos de “serviços hospitalares”. Durante os debates se questionou quanto à certeza de que todos os valores tributáveis eram oriundos de serviços hospitalares. Do exame da prova, feita por amostragem pelo relator e pelo Conselheiro Antônio Praga, confrontando os valores tributáveis no auto de infração com os valores especificados nos informes de rendimentos, concluiuse que a base de cálculo utilizada no lançamento é exatamente a base de cálculo contida nos informes de fls. 79 a 81. Em síntese, a natureza física do estabelecimento, a demonstração das cirurgias realizadas, a aquisição dos medicamentos relacionados nas notas fiscais de fls. 196 e seguintes, assim como os documentos de fls. 79 a 81, demonstram que a receita tributada decorre da prestação de serviços hospitalares. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001336/200222 Acórdão n.º 140200908 S1C4T2 Fl. 0 7 Em síntese, a natureza física do estabelecimento, a demonstração das cirurgias realizadas e a aquisição dos medicamentos relacionados nas notas fiscais de fls. 196 e seguintes, assim como os documentos de fls. 79 a 81, demonstram que a recorrente caracteriza se, para efeitos fiscais, como sendo de natureza hospitalar. Por oportuno, observo que da análise da prova o acórdão recorrido foi preciso ao concluir que “a Oftalmoclínica Saulo Freire Ltda pratica procedimentos cirúrgicos oftalmológicos, que em muito se assemelham aos serviços hospitalares especificados na legislação.” O equívoco da referida decisão, no entanto, advém do entendimento de que para se caracterizar atividade hospitalar há necessidade de prestação de serviços também por quem não seja sócio. Tal entendimento é equivocado. Nada impede que um conjunto de profissionais ligados à área da saúde constitua estabelecimento com características hospitalares, atendido somente pelos sócios. O que caracteriza a natureza do estabelecimento para se chegar a conclusão se estamos diante de consultório médico ou de estabelecimento qualificado como hospitalar é a natureza dos procedimentos realizados e não o fato de que estes também sejam prestados por quem não seja sócio. Ao estabelecer base de cálculo diferenciada entre as atividades que relaciona, o artigo 15 da Lei nº 9.249, de 1996, leva em consideração, no caso da área médica, a necessidade de equipamentos ou de procedimentos complexos para a execução dos serviços. Consultas prestadas no interior de um hospital podem não guardar natureza de serviço hospitalar. Contudo, se para dar o diagnóstico o profissional necessita valerse de equipamentos de custos elevados ou emprego de tecnologia diferenciada, o serviço caracterizarseá como hospitalar. Em tais circunstâncias se sobressai, em relação ao trabalho do médico, a tecnologia empregada ou o custo do equipamento. Neste sentido observase a decisão no REsp 1267610/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques. DJe 17/10/2011, cuja ementa segue transcrita: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA IR. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PARA SERVIÇOS HOSPITALARES. ARTS. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELO ART. 543C, CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA. 1. O conceito de "serviços hospitalares" previsto no art. 15, §1º, III, "a", da Lei n. 9.249/95, abrange também serviços não prestados no interior do estabelecimento hospitalar e que não impliquem em manutenção de estrutura para internação de pacientes. 2. Desse contexto, devem ser excluídas somente as consultas realizadas por profissionais liberais nos consultórios médicos do estabelecimento hospitalar, devendo a tributação com a base de cálculo reduzida considerar a receita proveniente de cada atividade específica, na forma do § 2º do art. 15, da Lei n. 9.249/95, ao invés da receita bruta total da empresa, a fim de proporcionar essa exclusão. Precedentes: REsp. Nº 951.251 PR, Primeira Seção, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 22.4.2009; REsp. Nº 939.321 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 21.5.2009. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001336/200222 Acórdão n.º 140200908 S1C4T2 Fl. 0 8 3. Tema que também já foi objeto de julgamento pelo regime instituído no art. 543 C, do CPC, no REsp. n. 1.116.399 BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 28.10.2009. 4. Recurso especial provido. Quanto ao REsp 1.116.399, que foi objeto de julgamento pelo regime instituído no art. 543C, do CPC, que em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, deve ser observado pelos Conselheiros do Carf, transcrevo a respectiva ementa e agrego seus fundamentos como razões de decidir: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos Fl. 598DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10425.001336/200222 Acórdão n.º 140200908 S1C4T2 Fl. 0 9 percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Isso posto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reduzir a base de cálculo do IRPJ e CSLL de 38,4% para 9,6% da receita bruta total conhecida. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 599DF CARF MF Impresso em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10835.902590/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 25 90 /2 00 9- 94 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10835.902590/200994 Acórdão n.º 1401002.233 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10835.902590/200994 Acórdão n.º 1401002.233 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10835.902590/200994 Acórdão n.º 1401002.233 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10835.902590/200994 Acórdão n.º 1401002.233 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10835.902590/200994 Acórdão n.º 1401002.233 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10835.902590/200994 Acórdão n.º 1401002.233 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10835.902590/200994 Acórdão n.º 1401002.233 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.922519/2013-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ALHEIA À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO.
É precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na manifestação de inconformidade e na decisão recorrida.
RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.
O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.
Numero da decisão: 3001-000.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que conheceu totalmente do Recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ALHEIA À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na manifestação de inconformidade e na decisão recorrida. RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.
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MATÉRIA ALHEIA À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na manifestação de inconformidade e na decisão recorrida. RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que conheceu totalmente do Recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 25 19 /2 01 3- 69 Fl. 56DF CARF MF 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0258.358, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE que, em sessão de julgamento realizada no dia 29.07.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório postulado e, por decorrência, não homologou a compensação pleiteada. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 30 a 37): Relatório DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 57873062, emitido eletronicamente em 02/08/2013, referente ao PER/DCOMP nº 39812.57364.221112.1.3.045122. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor de R$7.305,61, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/04/2012. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10880.922519/201369 Acórdão n.º 3001000.243 S3C0T1 Fl. 57 3 que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que seja acatada a preliminar de nulidade, que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito, que este seja reconhecido e que a compensação seja homologada. Da decisão de 1ª Instância A 2ª Turma da DRJ/BHE, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Fl. 58DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário. Saliento, de plano, que referida peça é composta por dois conjuntos de argumentos, um primeiro no qual aduz que a autoridade administrativa deixou de apreciar o processo judicial 001862627.2013.4.03.6100, que segundo alega, está em trâmite na 22ª Vara Federal da Capital/SP e que julgou o pedido procedente, bem como determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins do recorrente; e um segundo em que, fazendo uso de outras palavras, desenvolve os mesmos questionamentos, ou seja, aqueles já apresentados na sua manifestação de inconformidade. No que confere identidade com as alegações suscitadas em ambas as peças (manifestação de inconformidade e recurso voluntário), a fim de evidenciála, tomo a liberdade de transcrever os itens do recurso voluntário a seguir, ipsis litteris: (...) 11. Pois bem, no despacho que indeferiu o pedido da recorrente ficou consignado; A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito(sic) disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Grifei 12. Dessa forma, estamos diante de um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos por lei, isto é, não houvera a fundamentação de quais foram os pagamentos localizados, visto que simplesmente noticia por meio da margem da discricionariedade que foram localizados um ou mais pagamentos. 13. Dessa forma, a violação de qualquer dos princípios da Administração ou do direito administrativo, assim como suas regras, pode inibir a edição do ato, a violação isolada ou conjuntamente, sugere o exercício do controle dos atos da administração, seja por meio da aplicação dos princípios da auto tutela e tutela. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.922519/201369 Acórdão n.º 3001000.243 S3C0T1 Fl. 58 5 14. Deve a Recorrida rever seus próprios atos, seja para revogá los (quando inconvenientes) seja para anulálos (quando ilegais). "..." (Sumula(sic) 473 do Supremo Tribunal Federal))(sic). 15. A atuação administrativa desconforme, ou contraria aos princípios enunciados, carreta (sic), por isso, ao ato a invalidade dos efeitos almejados pelo agente ou pela Administração. 16. Como sabemos, a Constituição da República, em norma revestida de conteúdo VEDATÓRIO (CF, art. 5º, LVI), desautoriza, por incompatível com os postulados que regem uma sociedade fundada em bases democráticas (CF, art. 1º), qualquer prova cuja obtenção, pelo Poder Público, derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional, repelindo, por isso mesmo, quaisquer elementos probatórios que resultem de violação do direito material (ou, até mesmo, do direito processual), não prevalecendo, em consequência, no ordenamento normativo brasileiro, em matéria de atividade probatória, a fórmula autoritária do 'male captum, bene retetum'.(sic) 18.(sic) Assim, esse tipo de procedimento que indeferiu o pedido do contribuinte por meio de um ato discricionário e noticia que foram localizados um ou mais pagamentos, por meio de sua administração tributária, vais ao desencontro aos postulados consagrados pela Constituição da República, e revelamse inaceitáveis e não são corroborados pelo Supremo Tribunal Federal, conforme jurisprudência in verbi(sic): (...) Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte em 03.11.2015, segundo o "Termo de Abertura de Documento", tomou conhecimento do acórdão de manifestação de inconformidade (efl. 40). Irresignado com a referida decisão em 02.12.2015, o recorrente, conforme o "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 54), registrou a solicitação de juntada do recurso voluntário apresentado (efls. 43 a 53). Fl. 60DF CARF MF 6 No caso, compulsando as datas acima destacadas e confrontandoas com a legislação processual de regência, concluise que o recurso voluntário é tempestivo. Do não conhecimento Proferida decisão de primeira instância administrativa que seja total ou parcialmente desfavorável ao contribuinte, desta caberá recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do artigo 33 do Decreto 70.235 de 06.03.1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O dispositivo acima transcrito não deixa dúvida de que os motivos de fato ou de direito, os pontos de discordância e as razões e provas que o sujeito passivo possuir devem ser apresentados em sede de impugnação/manifestação de inconformidade. Quanto ao recurso voluntário, este deve ser interposto em face da decisão de piso (recorrida), restando precluso o direito de se trazer argumentos que não tenham sido suscitados na impugnação/manifestação de inconformidade ou no decisum a quo. No entanto, compulsando a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário constatase, conforme já evidenciado no relatório deste acórdão, que, ainda que em sede de manifestação de inconformidade o recorrente tenha se ocupado em rebater as razões de decidir do despacho decisório, para nela suscitar o acatamento das diversas preliminares aduzidas, no intuito de pretender a declaração de nulidade do despacho, por entender que este está eivado de vício insanável, em face da suposta ausência da exposição dos fundamentos que culminaram com a não homologação da compensação declarada, bem assim, para que fosse determinada a remessa dos autos para a unidade de origem, a fim de esta realizar as diligências necessárias à comprovação do alegado crédito, no recurso voluntário, para além de reprisálas circunstância que será devidamente tratada no próximo tópico, traz argumento sobre o qual foi silente na manifestação de inconformidade, qual seja, a que diz respeito ao fato de que "a autoridade administrativa" deixar "apreciar o processo judicial em tramite(sic) na 22ª Vara Federal da Capital/SP, processo n. 001862627.2013.4.03.6100, que julgou o pedido procedente, bem como determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins". Vejase que, embora desprovidos de consistência, não há como conhecer do argumento contido no recurso voluntário que trata do aventado processo judicial 0018626 27.2013.4.03.6100, eis que a questão nele abordada não foi objeto da manifestação de inconformidade, tampouco da decisão recorrida. Isto porque não pode o recorrente modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso administrativo, sob pena de violação do princípio da congruência e ofender aos preceitos gravados nos artigos 16 e 17 do Decreto 70.235 de 1972 e nos artigos 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil, mormente quando falece razão para somente agora trazer aduzir estes novos questionamentos. Por decorrência, a matéria ventilada no recurso voluntário deve limitarse àquela trazida pelo recorrente em sua manifestação de inconformidade, posto que é defeso à parte contrária ser surpreendida com novos argumentos nesta fase processual, sob pena de violar o princípio do contraditório e da ampla defesa, da supressão de instância e da lealdade processual, que deve preponderar entre as partes e ser incentivada e supervisionada pelo órgão julgador. Da manutenção dos fundamentos da decisão recorrida Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.922519/201369 Acórdão n.º 3001000.243 S3C0T1 Fl. 59 7 Dispõe o artigo 57 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), in verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Nos termos do faculdade garantida ao julgador do colegiado ad quem, pela norma acima transcrita e, em especial, a grifada, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos no que se refere (i) ao pedido de posterior juntada de prova e realização de diligência, (ii) à arguição de nulidade do despacho decisório, (iii) à motivação do despacho decisório, (iv) à falta de intimação para prestar esclarecimentos e, por fim, (v) ao ônus da prova, razão pela qual transcrevo na íntegra seu voto condutor. Vejamos: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela tomase conhecimento. PEDIDO DE POSTERIOR JUNTADA DE PROVA E DILIGÊNCIA O momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentam as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. n.º 70.235, de 1972). O § 4º e o § 5º do art. 16 do Dec. n.º 70.235, de 1972, instituídos pelo art. 67 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelecem a preclusão da juntada de prova documental depois de trazida a impugnação, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Sem a comprovação da ocorrência de uma dessas condições, não há falar em juntada de novos documentos. Alegase que a apresentação de provas não foi possível, porque o interessado não sabe o motivo da não homologação da compensação. O alegado desconhecimento não se justifica, conforme se demonstra no tópico seguinte deste voto. Fl. 62DF CARF MF 8 Da mesma forma, considerase não formulado o pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Dec. n.º 70.235, de 1972, acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748, de 09 de dezembro de 1993 (§ 1º do mesmo art. 16). O pedido de diligência deve conter os motivos que o justifiquem e os quesitos referentes aos exames desejados, não sendo admitido quando efetuado de forma genérica. De toda sorte, o pedido de diligência deve ser indeferido, por ser prescindível. Não cabe a realização de diligência para sanar a insuficiência de prova das alegações do contribuinte. A diligência só se justifica quando há dúvida diante dos fatos; ela visa a fornecer ao julgador informações necessárias para a formação da sua convicção que não estejam a sua disposição. No caso, há nos autos elementos suficientes para a solução da lide. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Quanto à argüição de nulidade do despacho, ela é descabida. A matéria é regida pelos arts. 59 e 60 do Dec. n.º 70.235, de 1972, abaixo transcritos: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ................................................... Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." O despacho contestado não é nulo, porque não observadas as hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa. A alegada falta de motivação do despacho não se confirma e a falta de intimação prévia não prejudica a defesa, conforme será demonstrado em tópico mais adiante deste voto. Outras irregularidades, incorreções e omissões não importam nulidade, mas saneamento, quando muito. Entretanto, nada há que demande o saneamento previsto no art. 60 do Dec. n.º 70.235, de 1972, transcrito no item anterior deste voto. No ato contestado não há o que prejudique o próprio processo, ou o estabelecimento da relação jurídica processual, nele constando todas as formalidades exigidas na legislação para que seja considerado válido ou juridicamente perfeito. Em verdade, não se verificam, no despacho decisório, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante, ou influam na solução do litígio. Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.922519/201369 Acórdão n.º 3001000.243 S3C0T1 Fl. 60 9 crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão o valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva, não havendo preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de não homologação da compensação. O Decreto nº 70.235, de 1972, rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal (art. 1º). A sua sistemática compreende a existência de autos de infração ou notificações de lançamento, que formalizam a exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada, nos termos de seu art. 9º, com a redação data pela Lei nº 8.748, de 1993. No caso, não se trata de processo de exigência de crédito tributário, mas de não homologação de compensação. Outras normas facultaram a apresentação de reclamação contra atos administrativos distintos do lançamento e imputaram a competência de seu julgamento, em 1ª instância, também às Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Diz o § 9º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996, que é facultado ao sujeito passivo, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. De acordo com o § 11 do mesmo artigo 74, a manifestação de inconformidade de que trata o § 9º segue o Decreto n.º 70.235, de 1972. O Dec. n.º 70.235, de 1972, tratou da lide fiscal como algo que gira em torno da exigência fiscal e é por ela delimitada. Antes da formalização da exigência, com a ciência do auto de infração, Fl. 64DF CARF MF 10 não há o que contestar, não há do que se defender, não há litígio. Intimações para prestar esclarecimentos, quando feitas no curso das investigações, não conferem contraditório; respostas a elas dadas não constituem defesa, pois sem auto de infração, não há acusação do que se defender. A impugnação da exigência é que instaura a fase litigiosa do procedimento (art. 14 do Dec. n.º 70.235, de 1972). O direito ao contraditório e a ampla defesa surgem com a ciência do lançamento. No processo de nãohomologação de compensação não há auto de infração nem lançamento. O despacho decisório não constitui “decisão” no processo administrativo, e sim ato contra o qual se instaura o litígio. O tratamento que o Decreto determina para o auto de infração deve ser dado ao despacho decisório contestado (ato de nãohomologação da compensação); o tratamento determinado para a impugnação deve ser dado à manifestação de inconformidade. Assim sendo, o litígio só se instaura com a apresentação da manifestação de inconformidade. Antes da ciência do despacho decisório, não há falar em contraditório, muito menos em oportunidade para o sujeito passivo se manifestar contra a motivação da nãohomologação da compensação. Assim sendo, é despropositada a alegação de falta de oportunidade para defesa. A oportunidade foi dada pelo despacho decisório, no qual o sujeito passivo é alertado para o direito ao contraditório que lhe assiste. Tal direito foi exercido com a apresentação de manifestação de inconformidade. A análise que aqui se faz da manifestação de inconformidade comprova que o direito de defesa e o devido processo legal estão sendo respeitados. ÔNUS DA PROVA É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele o contribuinte demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, concluise que a RFB deve indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. Se o Darf indicado como origem do crédito utilizado no PER/DCOMP foi anteriormente vinculado em DCTF pelo próprio sujeito passivo a um débito nela declarado, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. A DCTF tem a natureza jurídica de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito nela confessado. A declaração presumese verdadeira em relação ao Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.922519/201369 Acórdão n.º 3001000.243 S3C0T1 Fl. 61 11 declarante (CC, art. 219 e CPC, art. 368). A declaração válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Assim, para contestar o fundamento do despacho decisório, cabe ao recorrente demonstrar erro ou a falsidade de sua DCTF. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. O contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas. Ele alega que há situações que podem dar ensejo à restituição, como a inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo que são autorizadas. Contudo, não prova nenhuma situação concreta que o favoreça e que não tenha sido considerada na apuração do débito confessado em DCTF. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: (...) Ainda que o DARF utilizado constituísse pagamento indevido, não seria suficiente para fazer frente a tantas compensações com ele pretendidas. O mesmo DARF, no valor de R$8.427,06, foi utilizado em 15 PER/DCOMP para compensar débitos que somam R$104.391,80, conforme abaixo discriminado: (...) SOMA 104.391,80 Isto porque, ao meu sentir resta absolutamente demonstrado (i) a lisura do procedimento que culminou no despacho decisório, (ii) seus aspectos intrínsecos e extrínsecos e, de resto, (iii) a ausência de fundamentos jurídicos e fáticos que pudessem dar guarida às pretensões do recorrente, posto que não logrou, seja em sede de manifestação de inconformidade seja em fase recursal, comprovar, de forma mínima sequer, a existência do suposto crédito, informado no PER/DCOMP 39812.57364.221112.1.3.045122. Por todos esses fatos, não tenho como chegar a outra conclusão senão a de que a decisão contida no acórdão recorrido é inelutável. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer da parte do Recurso Voluntário apresentado que trata da não apreciação do processo judicial 0018626 27.2013.4.03.6100, em face da preclusão, e na parte conhecida negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 66DF CARF MF 12 Fl. 67DF CARF MF
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