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Numero do processo: 13899.001314/2006-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. NORMALIDADE. USUALIDADE. NECESSIDADE. INOCORRÊNCIA.
As despesas decorrentes de operações com debêntures, oferecidas e subscritas exclusivamente pelos sócios da empresa, mediante simples conversão de valores a eles devidos pela própria pessoa jurídica, e sem previsão de remuneração fixa por meio de juros, mas tão somente com remuneração atrelada aos lucros da empresa, em percentual substancial, não se enquadram nos conceitos de usualidade, normalidade e necessidade, sendo, portanto, indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
ABATIMENTO DO IRRF.
Afastando-se a natureza de remuneração de debêntures dedutíveis, deixa de ser pertinente IRRF sobre a operação, fazendo-se necessário o abatimento dos valores recolhidos pelo contribuinte a tal título da exigência fiscal.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. PREVISÃO LEGAL ESPECÍFICA.
A partir de 1º de janeiro de 96, devem ser adicionadas ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, as despesas incorridas pela pessoa jurídica que não possuam os atributos de necessidade, anormalidade e usualidade, em virtude da previsão legal contida no art. 13 da Lei nº 9.249/1995.
Numero da decisão: 9101-002.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. A declaração por escrito, dos conselheiros fazendários, manifestando-se pelo não impedimento e suas razões, será anexada aos autos. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito: 1) por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência; 2) quanto à dedutibilidade das debêntures, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nessa matéria, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo; 3) quanto ao aproveitamento do IRRF, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe negaram provimento. O conselheiro Gerson Macedo Guerra não participou dos julgamentos quanto ao conhecimento do recurso, nem quanto ao mérito em relação à decadência, concluídos na sessão de 23/11/2016, na qual houve a participação do conselheiro suplente Demétrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. NORMALIDADE. USUALIDADE. NECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. As despesas decorrentes de operações com debêntures, oferecidas e subscritas exclusivamente pelos sócios da empresa, mediante simples conversão de valores a eles devidos pela própria pessoa jurídica, e sem previsão de remuneração fixa por meio de juros, mas tão somente com remuneração atrelada aos lucros da empresa, em percentual substancial, não se enquadram nos conceitos de usualidade, normalidade e necessidade, sendo, portanto, indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ABATIMENTO DO IRRF. Afastando-se a natureza de remuneração de debêntures dedutíveis, deixa de ser pertinente IRRF sobre a operação, fazendo-se necessário o abatimento dos valores recolhidos pelo contribuinte a tal título da exigência fiscal. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. PREVISÃO LEGAL ESPECÍFICA. A partir de 1º de janeiro de 96, devem ser adicionadas ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, as despesas incorridas pela pessoa jurídica que não possuam os atributos de necessidade, anormalidade e usualidade, em virtude da previsão legal contida no art. 13 da Lei nº 9.249/1995.
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NORMALIDADE. USUALIDADE. NECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. As despesas decorrentes de operações com debêntures, oferecidas e subscritas exclusivamente pelos sócios da empresa, mediante simples conversão de valores a eles devidos pela própria pessoa jurídica, e sem previsão de remuneração fixa por meio de juros, mas tão somente com remuneração atrelada aos lucros da empresa, em percentual substancial, não se enquadram nos conceitos de usualidade, normalidade e necessidade, sendo, portanto, indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ABATIMENTO DO IRRF. Afastandose a natureza de remuneração de debêntures dedutíveis, deixa de ser pertinente IRRF sobre a operação, fazendose necessário o abatimento dos valores recolhidos pelo contribuinte a tal título da exigência fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. PREVISÃO LEGAL ESPECÍFICA. A partir de 1º de janeiro de 96, devem ser adicionadas ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, as despesas incorridas pela pessoa jurídica que não possuam os atributos de necessidade, anormalidade e usualidade, em virtude da previsão legal contida no art. 13 da Lei nº 9.249/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 13 14 /2 00 6- 16 Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 13899.001314/200616 Acórdão n.º 9101002.535 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. A declaração por escrito, dos conselheiros fazendários, manifestandose pelo não impedimento e suas razões, será anexada aos autos. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito: 1) por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência; 2) quanto à dedutibilidade das debêntures, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nessa matéria, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo; 3) quanto ao aproveitamento do IRRF, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe negaram provimento. O conselheiro Gerson Macedo Guerra não participou dos julgamentos quanto ao conhecimento do recurso, nem quanto ao mérito em relação à decadência, concluídos na sessão de 23/11/2016, na qual houve a participação do conselheiro suplente Demétrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 4 3 Relatório Trata-se, em brevíssima síntese, da discussão quanto à dedutibilidade de despesas com a remuneração de debêntures emitidas por pessoa jurídica tributada pelo lucro real, remuneradas em percentual dos lucros desta (máximo de 70%, não alcançado de fato) e adquirida por seus acionistas. Foram emitidas 140.000 debêntures, com o correspondente direito unitário a até 0,0005% (cinco milésimos por cento) na participação dos lucros. Colhe-se do acórdão a quo o seguinte relato quanto ao presente caso (fls. 1818 e seg.): “Trata-se de lançamento de oficio para exigência de IRPJ em face das acusações relativas a: (i) utilização, no ano-base de 2000, de incentivos fiscais (FNAM- FINOR-FUNRES) em valores que teriam excedido o que a legislação permite, e (ii) despesas não necessárias, em razão de glosa de despesas com remuneração de debêntures no ano de 2001. Lavrou-se também, no mesmo trabalho fiscal, o lançamento de CSLL acerca do item (ii) acima. No Termo de Verificação Fiscal, foram dedicados 2 parágrafos para a acusação de que a empresa se utilizou de incentivos em valores superiores conforme apurado em revisão interna e demonstrado em anexo. Com relação as debêntures, após pequena introdução teórica acerca de debêntures e de dedutibilidade de despesas, o AGENTE FISCAL narrou que a empresa emitiu debêntures em 1998 com remuneração de até 70% do lucro e que foram adquiridas pelos próprios acionistas mediante aproveitamento de conta-corrente da qual eles eram credores junto A empresa. Ademais, para sustentar sua acusação, afirmou: A emissão das debêntures da empresa infringe a legislação e conceito puro de debênture; As características das debêntures da autuada comprovam sua anormalidade e desnecessidade, o que tornam a despesa indedutível; Não houve captação de recursos externos (o AGENTE FISCAL adverte que este é o "motivo primordial"); Os adquirentes das debêntures foram os acionistas da empresa, mediante transferência de crédito existente em suas contas correntes mantidas junto A empresa, cujos saldos eram oriundos de dividendos de anos anteriores não pagos; Não houve circulação monetária para a aquisição das debêntures (o AGENTE FISCAL indica como "fator fundamental"). Por conta de tais motivos, o AGENTE FISCAL desconsiderou a operação, tendo sido tais despesas reconhecidas como não necessárias as operações ou transações normais A. atividade da empresa. Informou ainda no TVF que a empresa já havia sido autuada anteriormente pelo mesmo motivo (processo 19515.002923/2003-85), sendo que esse lançamento relativo ao ano de 1999 foi mantido pelo 1° Conselho de Contribuintes (Acórdão 101-94.986/2005). Em 18/04/2007, a 5a Turma de Julgamento da DRJ em Campinas cancelou em parte o lançamento por reconhecer a decadência do lançamento no que concerne A utilização excessiva de incentivo fiscal, e o IRFonte pago nas Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 5 4 remunerações das debêntures para o fim de diminuir o valor do lançamento do IRPJ. Como fundamento de sua decisão na parte que manteve o lançamento em relação à descaracterização das debêntures, a Turma Julgadora a quo utilizou argumentos apresentados tanto em 1 a instância quanto em 2 a instância de julgamento do referido processo decorrente da exigência do ano de 1999 em face da glosa das debêntures, mediante transcrição praticamente integral das decisões, dentre os quais se podem destacar os seguintes: Argumentos da la decisão no processo 19515.002923/2003-85: - com o aproveitamento dos valores em conta-corrente, não houve riqueza nova (recursos novos) para financiar o projeto; - ao reembolso do valor das debêntures acrescem-se, pelo menos, juros; a participação nos lucros deve ser vista como algo a mais além dos juros; - a lógica do instituto de debêntures é o financiamento de projetos de longo prazo, sendo que no caso foi deliberado um prazo exíguo para o inicio da remuneração; - a propriedade deve atender a sua função social, e nesse sentido está o fisco protegendo o bem da coletividade, ao cumprir seu dever de fiscalizar e arrecadar; - o intérprete da legislação tributária pode abstrair-se da validade jurídica dos atos e fatos efetivamente praticados, para considerar os verdadeiros efeitos econômicos subjacentes deles. Argumentos da 2 decisão (CC) no processo 19515.002923/2003-85: - é inegável que a lei faculta a remuneração das debêntures mediante participação nos lucros; - todavia, não se pode dizer que é ela normal e usual; pode-se pelo menos dizer tratar-se de um aspecto controvertido; - o direito do contribuinte auto-organizar sua vida não é ilimitado; - o conceito de legalidade a ser observado não tem sentido estrito de corresponder à conduta que esteja de acordo com os preceitos específicos da lei, mas sim um sentido amplo, de conduta que esteja de acordo com o Direito; - se o negócio licito, embora inusual, se apoiar em causas reais, em legítimos propósitos negociais, contra ele o Fisco nada pode objetar; todavia, se adotada forma de negócio jurídico inusual, sem um real propósito negocial, mas visando apenas reduzir artificialmente a carga tributária, o Fisco pode se opor; - é pouco crível que a empresa abrisse mão de 70% de seus lucros para remunerar terceiros debenturistas, de modo que isso não é usual; - no caso, a remuneração das debêntures com até 70% dos lucros caracterizou ato de liberalidade, ainda que seja próprio da companhia captar recursos para fazer frente às suas necessidades; - não houve ingresso de novos recursos financeiros na empresa, apenas foi alterado o titulo da sua obrigação frente aos acionistas (o que era credito de acionista foi transformado em crédito de debenturista); - não pode ser oponível ao Fisco uma operação que objetivou exclusivamente reduzir a carga tributária, mediante operação formalizada "em papel" que transformou lucros distribuídos em despesa dedutível. Acrescentaram-se ainda argumentos de que o questionamento acerca do enquadramento legal em dispositivos da dedutibilidade de despesa operacional, sob argumento de existência de disposição especifica sobre a matéria (RIR, art. 462), foi apreciado e afastado pelos acórdãos mencionados no voto e que o PN CST 99/78 fez constar o entendimento de que apenas as debêntures com natureza de juros são dedutíveis. Quanto ao custo financeiro do crédito dos acionistas, a DRJ sustentou que a tentativa da Recorrente não pode ser acatada, pois não restou comprovado que a Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 6 5 empresa teria a obrigatoriedade de promover pagamentos aos acionistas, e que, portanto, necessitaria fazer empréstimo. Ademais, a contribuinte adotou como parâmetro taxas pre-fixadas do Banco Central, ao passo que o órgão divulga também taxas consolidadas de aplicação e captação, todas inferiores aquelas utilizadas. Por fim, acatou parcialmente o pedido de aproveitamento do IRFonte retido quando do pagamento das remunerações das debêntures aos acionistas para reduzir o valor do IRPJ. A Turma Julgadora recorreu de oficio em razão do reconhecimento da decadência e da redução do IRPJ por conta do aproveitamento do IRFonte. Inconformada com a decisão, a empresa Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário no qual traz as seguintes alegações: Em 02/05/98 a Recorrente emitiu 140.000 debêntures, no valor nominal de R$1.000,00 cada, sendo que cada debenture assegurava uma remuneração com base exclusivamente em participação de 0,0005% nos lucros trimestrais da Recorrente, e que o máximo de 70% jamais foi alcançado. Até janeiro/2001 foi integralizado um total de 130.659 debêntures, sendo a integralização inicial (66.801 debêntures) efetuada com referidos créditos em contas correntes e as demais mediante os rendimentos das próprias debêntures. No ano-calendário de 2001 o percentual de participação nos lucros pelas debêntures chegou a 65,32% em média. Os subscritores das debêntures foram acionistas da Recorrente, que efetivaram as integralizações das debêntures mediante compensação de créditos seus mantidos em contas correntes contra a empresa, oriundos de dividendos distribuídos e não pagos, mas há muito já creditados aos acionistas. Houve cerceamento ao direito de defesa, pois a autoridade fiscal limitou-se a afirmar que a emissão das debêntures teria infringido a legislação e o "conceito puro" as debêntures, bem como que não teria se revestido das formalidades legais, sem, contudo, apontar qual o dispositivo de lei que teria sido infringido e em quais circunstâncias isto teria ocorrido. Não se pode aplicar os requisitos de dedutibilidade das despesas operacionais (art. 299 do RIR/99) a remuneração assegurada a debêntures de participação nos lucros. Mesmo que a remuneração das debêntures, correspondente a participações no lucro, pudesse ser subsumida ao art. 299 do RIR/99, ainda assim a dedutibilidade das mesmas estaria assegurada, pois houve relação objetiva entre a despesa e as atividades da Recorrente. A autoridade fiscal também capitulou a exigência no artigo 300 do RIR/99, segundo o qual: "Aplicam-se aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros". Assim, considerando-se que a remuneração das debêntures corresponde a rendimento pago a terceiros, a única norma especifica aplicável ao caso concreto é a do art. 462 do RIR199, a qual expressamente determina a dedutibilidade das participações no lucro da pessoa jurídica "asseguradas a debêntures de sua emissão". O negócio jurídico atinente as debêntures foi motivado por razões empresariais legitimas e facilmente aferíveis com base nos indicadores econômico- financeiros da Requerente. Houve efetivo ingresso de recursos novos na empresa. A ausência de circulação monetária, no sentido exclusivamente fisico desta circulação, não implica na inexistência de ingresso de novos recursos financeiros para a empresa. A situação acionistas/debenturistas, sendo as debêntures remuneradas com base em participação nos lucros, foi plenamente justificável no caso concreto da Recorrente, em função da sua realidade empresarial vivida a época. Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 7 6 O empréstimo instrumentalizado pelas debêntures foi vantajoso para a Recorrente, pois seu custo ficou abaixo das taxas médias praticadas para empréstimos bancários à pessoa jurídica (34,88% para as debêntures e 40,99% para os empréstimos bancários). A estrutura de endividamento da Recorrente era absolutamente compatível e adequada as características de seu negócio, conforme se observa do resultado da pesquisa sobre endividamento de empresas, realizada por empresa especializada. A redução do lucro da Recorrente pela remuneração das debêntures não importou na eliminação total ou abusiva de tributação. Adicionalmente, caso o valor total da remuneração das debêntures fosse reconhecido pela Recorrente sob a forma de contas correntes remunerados com os seus acionistas a taxas de juros de mercado ou pudesse ser pago sob a forma de juros sobre o capital próprio (JCP), nenhuma dessas outras opções seria mais onerosa do ponto de vista tributário do que acabou sendo a opção das debêntures (apresentou quadros comparativos). Ainda que fosse mantido o lançamento do IRPJ, a dedutibilidade das participações no lucro asseguradas as debêntures não pode ser questionada quanto à base de cálculo da CSLL, na medida em que não ha qualquer diploma legal determinando que as despesas não dedutiveis para fins de apuração do lucro real, em função do requisito de necessidade regulado no art. 299 do RIR/99, devam ser adicionadas a base de calculo da CSLL. Caso fosse mantido o lançamento em sua integralidade, os valores recolhidos pela Recorrente a titulo de IRRF devem ser deduzidos do crédito tributário de IRPJ, na medida em que a modificação dos efeitos fiscais de um negócio jurídico não pode limitar-se a apenas um de seus efeitos (a dedução das bases do IRPJ e CSLL), mas sim a todos eles, inclusive os pagamentos feitos em decorrência deste mesmo negócio a titulo de IRRF no período -base autuado. Encontram-se nos autos pareceres de Marco Aurélio Greco e de Ricardo Mariz de Oliveira que concluem pela regularidade da operação objeto deste processo e pela eficácia para fins fiscais. Cuida-se de retorno de diligência, nos termos da Resolução no. 1202-00.008, de 17 de junho de 2009, que teve a finalidade de esgotar a análise probatória sobre a documentação constante nestes autos, relativamente aos recolhimentos do IRRF referentes a abril, maio e dezembro de 2001, cotejadas As justificativas e demonstrativos elaborados pela Recorrente. Pois bem, a diligência foi executada e veio aos autos seu termo conclusivo, a fls. 1733 e 1734, que leio em sessão para elucidar o quanto diligenciado. Foi dada ciência a Recorrente que se manifestou no prazo concedido, aduzindo o seguinte: - que a diligência validou que os valores recolhidos, nos períodos de abril, maio e dezembro de 2001 do IRRF sobre emissões de debêntures e que devem ser deduzidos do IRPJ lançado originalmente neste auto de infração, alcançando os juros de mora e a multa de oficio, alegando igual tratamento conferido no julgado pela 1 a Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, nos autos do processo administrativo no. 19515.002923/2003-85, em que é parte a própria Recorrente; - que, por autorizado pelo art. 3°, inciso III da Lei no. 9.784/99 requer que seja apreciado o argumento da não incidência dos juros "selic" sobre a multa de oficio, perante a exoneração pretendida em parte sobre a autuação, citando ementas deste órgão fazendário de julgamento, inclusive o acórdão CSRF/02-03.133 (processo no. 18471.001680/2004-30); Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 8 7 - suscita, ademais a impossibilidade de o fisco exigir crédito tributário oriundo de negócio jurídico ou ato praticado há mais de cinco anos contados da data do lançamento de oficio, ainda que esses negócios ou atos tenham gerado repercussão em períodos-base subsequentes, ou seja, suscita a decadência como questão de ordem pública, que deve ser conhecida a qualquer tempo e instancia de oficio pelo órgão julgador, que implica no próprio controle de legalidade do lançamento. Reporto-me a manifestação da Recorrente a fls. 1748 a 1753, que leio em sessão para o fiel relato da ocorrência processual.” A Turma a quo, por unanimidade de votos, decidiu rejeitar as preliminares suscitadas pelo contribuinte quanto à decadência e ao cerceamento ao direito de defesa. Pelo voto de qualidade, decidiu-se dar provimento parcial ao recurso de oficio quanto à material da compensação do IRFonte, bem como negar provimento ao recurso voluntário. A aludida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES EXCLUSIVAMENTE COM LUCROS. AQUISIÇÃO UNICAMENTE PELOS SÓCIOS. OPERAÇÃO NÃO USUAL E ANORMAL. A remuneração de debêntures efetuadas exclusivamente com os lucros da empresa e oferecidas unicamente aos seus sócios, foge dos critérios de usualidade e normalidade a esse tipo de operação. Somente são admitidas como dedutíveis para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as despesas operacionais usuais ou normais ao tipo de transações, operações ou atividades da empresa. IRRFONTE. COMPENSAÇÃO COM O IRPJ. Inexiste direito a compensação do IRRF retido e recolhido pela fonte pagadora com o seu próprio IRPJ. O contribuinte opôs embargos de declaração em face do acórdão em questão, (1866 e seg. do e-processo), os quais foram apenas parcialmente acolhidos pela Turma a quo, sem efeitos infringentes, nos seguintes termos, em decisão assim ementada (fls. 1889 e seg. do e-processo): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADA. REJEIÇÃO. Rejeita-se os embargos de declaração opostos, quando não constatada contradição no acórdão embargado. RESOLUÇÃO EMITIDA POR TURMA DO CARF. CARÁTER MANDAMENTAL. As decisões emitidas pelas Turmas de julgamento do CARF, por meio de Resolução, tem caráter mandamental e não tem o condão de pôr fim ao julgamento de matéria aventada no recurso voluntário. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIRMADA. ACOLHIMENTO. Acolhe-se os embargos para sanar a omissão, quando verificado que o acórdão embargado deixou de se manifestar a respeito de matéria trazida pela defesa, mesmo que para declará-la preclusa. O contribuinte interpôs, então, recurso especial (fls. 1912 e seg. do e- processo), que foi admitido apenas parcialmente (fls. 2184 e seg. do e-processo), quanto às seguintes matérias: decadência do direito de lançar tributos; dedutibilidade da remuneração de debêntures; compensação do IRFonte retido nas operações em questão (pedido subsidiário). Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 9 8 Quanto às referidas matérias conhecidas, em apertada síntese, alega o contribuinte: - decadência do direito de lançar tributos: a insurgência em face da emissão de debêntures, realizada em 1998, não poderia mais ocorrer em 2006, tendo em vista o decurso do prazo de decadência prescrito no art. 150 do CTN; - dedutibilidade das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de remuneração das debêntures: - a recorrente anexou ao seu recurso especial pareceres elaborados pelos professores MARCO AURÉLIO GRECO e RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA , já referidos pelo acórdão a quo, bem como suscita que a autuação baseou- se em doutrina de MODESTO CARVALHOSA, já superada pela literatura contemporânea; - não haveria impedimento legal para que os acionistas da companhia subscrevessem as debêntures, nem que estas fossem remunerada com base em percentual na participação dos lucros; - teriam ocorrido sacrifícios dos debenturistas e ingresso de recursos na companhia, tendo em vista que as debêntures foram subscritas com créditos imediatamente exigíveis que estes detinham em face da companhia. A circulação física de moeda não seria exigida; - deveria ser aplicado ao caso o art. 462 do RIR/99 e não o seu art. 299. Este seria aplicável de forma geral às despesas operacionais da pessoa jurídica; - ainda que o art. 299 fosse aplicável ao caso, restaria configurada a dedutibilidade das despesas; - as operações realizadas apresentariam lídimo propósito negocial; - não se sustentaria a premissa do voto vencedor do acórdão a quo, de que o normal e usual seria a emissão de debêntures ao público em geral. A emissão de debêntures sem a garantia de remuneração de juros pré fixados dificilmente atrairia agentes diversos dos acionistas, que acreditariam na solidez e crescimento da companhia; - a emissão de debêntures teria gerado menos despesas à companhia em comparação com a possibilidade de obtenção de empréstimos no mercado; - compensação de IRRF, retido nessa operação com debêntures: caso seja mantida a glosa das despesas de debêntures, deveria ser compensado o IRRF recolhido, tendo em vista que a desconsideração não pode ser apenas em relação a uma etapa da operação; A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial, arguindo, em síntese: Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 10 9 Decadência - “Vê-se, assim, que, para a contagem da decadência, deve-se ter em mira o fato gerador da obrigação tributária que será constituída. Sem a materialização de alguma hipótese de incidência prevista em lei, não há que se falar em constituição de cr’rdito fiscal, o que, por sua vez, afasta a possibilidade de contagem do prazo decadencial. Em resumo, não havendo fato gerador, não haverá prazo decadencial a ser contado”; - “Não há qualquer óbice legal à possibilidade da Fazenda Pública analisar o negócio jurídico original, a fim de configurar os efeitos de dedutibilidade deste negócio em anos subsequentes.” - “Nesse esteio, vê-se que, no caso dos presentes autos, o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não a debênture em si. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos dados que dão origem aos créditos que serão constituídos.” Dedutibilidade das debêntures: - “Todavia, a bem da verdade, a autuada simplesmente alterou o título jurídico de obrigação que tinha perante seus sócios, passando-a de devidendos a pagar para debêntures a pagar, com a finalidade de deduzir o que entendeu tratar-se de despesa com remuneração de debêntures. Quer dizer, com essa operação, foi criada uma suposta despesa, que foi deduzida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Como ficou suficientemente delineado na decisão de primeira instância e no próprio TVF, não se discute acerca da efetiva ocorrência dos atos praticados, nem de eventuais vícios relativos a tais atos. A autuação desconsiderou as “despesas” por entende-las como não necessárias, requisito de sua dedutibilidade. Trata-se de interpretação da legislação tributária aplicável ao caso.” - “Em primeiro lugar, o fato de os adquirentes das debêntures serem os sócios da recorrente. Com isso, não se afirma a impossibilidade de os subscritores desses títulos mobiliários terem participação na sociedade, mas sim que é, no mínimo, incomum tal situação. A forma de pagamento pela aquisição desses títulos reforça o que foi dito anteriormente: apesar de constar expressamente tanto da escritura de emissão de debêntures quanto da ata da assembléia geral extraordinária aprovadora dessa emissão que a integralização da subscrição desses títulos dar-se-ia à vista no ato de subscrição, a realização desta se deu mediante a compensação de créditos que os adquirentes detinham junto à emitente. Com isso extinguiu-se um passivo anterior e criou-se outro (remuneração de debêntures a pagar) com a possibilidade de dedução dessa pretensa despesa. Outro fato curioso verificado pela autoridade atuante foi o de os valores mobiliários emitidos não assegurarem juros. Somente está estabelecida como remuneração uma participação nos lucros da emitente.” Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 11 10 - Os pagamentos em questão não podem ser considerados como desdesas e, se assim o forem, devem ser considerados despesas indedutíveis (arts. 299 e 300 do RIR/99). Não haveria usualidade e normalidade: “Além disso, a emissão de debêntures realizada pela empresa não proporcionou o ingresso de recursos financeiros novos, leia-se, riqueza nova. Embora a participação dos acionistas (financiamento interno) nesse tipo de operação não seja proibida pela lei, se o objetivo da empresa era realmente captar recursos financeiros para o empreendimento, então porque não o fez junto ao público, para atrair recursos novos?” Compensação de IRRF, retido nessa operação com debêntures, com o IRPJ: Não haveria fundamento legal para tanto. Em suas contrarrazões, a PFN não se opôs ao conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte. Conclui-se, com isso, o relatório. Voto Voto vencedor em relação ao conhecimento e à preliminar de decadência Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Em seu recurso especial, o contribuinte apresentou analiticamente argumentos para a demonstração da divergência jurisprudencial arguida, cumprindo com o que requer o art. 67 do RICARF. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos de admissibilidade do recurso especial quanto às matérias conhecidas. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Compreendo não assistir razão ao contribuinte quanto à questão da decadência. Ocorre que o prazo em questão apenas começar a fluir a partir do momento em que a despesa com a remuneração de debêntures efetivamente afetar a base de cálculo dos tributos, pois somente a partir daí é possível cogitar inércia do fisco. A partir da dedução dessas despesas, caso o fisco discorde, deverá lavrar AIIM para a glosa correspondente, o que não seria possível antes da efetiva dedução ter sido concretizada pelo contribuinte. Desse modo, como o período de apuração compreende o ano de 2001 e o lançamento foi realizado em 2006, antes do decurso do prazo de 5 anos, não pode ser considerado fulminado pela decadência. Sobre a questão, portanto, não merece reparos o acórdão a quo. Voto vencido, exceto em relação ao IR/Fonte Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Fl. 2241DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 12 11 MÉRITO: DEDUTIBILIDADE DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL DE REMUNERAÇÃO DAS DEBÊNTURES: Na hipótese de se tratar de remuneração de debêntures, não se aplica a regra geral do art. 299 do RIR/99, mas sim a regra específica prevista em seu art. 462: Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 58): I - asseguradas a debêntures de sua emissão; II - atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; III - atribuídas aos trabalhadores da empresa, nos termos da Medida Provisória nº 1.769-55, de 1999 (art. 359). Preenchida a hipótese de incidência do art. 462 do RIR/99, deve ser garantida a dedutibilidade das despesas incorridas pela companhia com a remuneração de seus debenturistas. Não obstante, neste voto, a análise da questão será realizada também sob a ótica da regra geral do art. 299 do RIR/99. Ocorre que, caso se considere ao caso concreto a aquela regra do art. 462 do RIR/99, passa ser necessário saber se o art. 299 do RIR/99 confere validade à dedutibilidade das despesas em questão. Para o julgamento do presente caso, deve ser verificado ser as despesas incorridas pela NATURA têm natureza jurídica de “debêntures de sua emissão”. É relevante destacar a seguinte constatação do acórdão a quo, inserta no voto do i. Conselheiro relator, que restou vencido: “No TVF, o agente afirmou que se infringiu a legislação e conceito puro de debênture sem, entretanto, apontar efetivamente qual dispositivo legal ofendido, Portanto, examina o mérito jurídico do instituto, formalizado em estrutura jurídica já considerada válida, porque não contaminada por qualquer patologia jurídica, o que, a meu ver, demonstra uma inconsistência lógica com a incompatibilidade patenteada, posto que se o negócio jurídico está conforme a lei, com objeto lícito, e validamente considerado, não tendo sido produzido com vício de consentimento ou vício social (simulação), a autoridade administrativa sustenta violação do instituto de debênture, sem descrever, no entanto, qual transgressão expressa da regra positiva do Direito que restou cometida pela Recorrente, na adoção da estrutura jurídica negocial sob exame. Em síntese, se vale o negócio jurídico causal, legítimo, porque seu efeito fiscal foi desconsiderado sem validade jurídica, apenas fundado em apreciação isolada sem conexão ao próprio contexto negocial" celebrado eficazmente?” Conforme a tese sustentada pela PFN, às despesas em questão não se poderia atribuir o título jurídico de “remuneração de sua emissão”, pois: (i) a remuneração dos títulos foi estipulada com base em participação nos lucros das pessoas jurídicas emissoras e; (ii) os acionistas também assumiam a condição de debenturistas das empresas emitentes; (iii) a subscrição das debêntures teria se dado mediante compensação de créditos em contas correntes detidas por acionistas em face da NATURA. Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 13 12 Tais fatores, contudo, não são suficientes para descaracterizar a natureza jurídica das debêntures e a incidência da norma do art. 462 do RIR/99, nem tampouco tornariam as despesas desnecessárias, não usuais ou anormais, com vistas ao art. 299 do RIR/99. Não há qualquer impedimento legal para que os próprios acionistas da NATURA subscrevessem debêntures de emissão da empresa, remuneradas exclusivamente com base em participação nos lucros. A remuneração exclusiva com base em participação nos lucros é expressamente tutelada pela Lei das SA, em seu art. 56: Art. 56. A debênture poderá assegurar ao seu titular juros, fixos ou variáveis, participação no lucro da companhia e prêmio de reembolso. A lei societária, portanto, atribui faculdade à companhia, sem que lhe seja imposta preferência ou cumulação das alternativas em questão, entre as quais figura expressamente a "participação no lucro da companhia". Nesse sentido, importante destacar o magistério de NELSON EIZIRIK 1 ,, in verbis: “Os rendimentos que a companhia pode atribuir às debêntures de sua emissão – juros, participação no lucro e prêmio de reembolso – são facultativos; não são, portanto, cumulativos ou obrigatórios. Poderão ser atribuídas às debêntures todas as vantagens previstas neste artigo ou apenas uma delas”. Importante considerar, ainda, a doutrina de MODESTO CARVALHOSA 2 , in verbis: “A doutrina mais consentânea é a que afirma que a remuneração por meio de participação nos lucros não retira a natureza pura dos títulos de crédito. (...) Então, dentro da teoria do direito subjetivo, a debênture com participação nos lucros da companhia emissora outorga ao tomador um direito decorrente da obrigação assumida, pela companhia emissora, de pagar determinado percentual do lucro anualmente apurado. Não há, portanto, nenhum direito eventual, na espécie, pois o direito à participação nos lucros constitui direito certo a que corresponde uma obrigação cuja exigibilidade (pretensão) pode não se configurar em determinados exercícios sociais” Por sua vez, não há proibição legal para a subscrição de debêntures por acionistas da pessoa jurídica, devendo ser observada a regra geral de que restrições de direitos não se presumem. Aludida regra geral resta confirmada, inclusive, em face do artigo 57, § 10, da Lei das SA, que assegura a preferência dos acionistas a certas debêntures, o que evidencia que a sua subscrição é juridicamente garantida a esses agentes. Ademais, é correto afirmar que houve efetivo ingresso de novos recursos na NATURA. Para haver efetivo ingresso de novos recursos na companhia, não é, por óbvio, necessário o trânsito físico de moeda, mas sim de direitos positivos que, antes da subscrição, inexistiam. No caso, a compensação de créditos assegurou que recursos com natureza jurídica e perfil econômico novos passassem a estar disponíveis à companhia. Antes, a NATURA possuía 1 EIZIRIK, Nelson. A Lei das SA Comentada, v. 1. São Paulo : Quartier Latin, 2015, p. 385 e seg. 2 CARVALHOSA, Modesto. Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, v. 1. São Paulo : Saraiva, 2014, p. 793 e seg. Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 14 13 dívidas exigíveis de imediato, deixando de tê-las e passando a deter novo título jurídico (debêntures) com vencimento de longo prazo. Não se trata de questão irrelevante, mas fator que notoriamente pode ser fundamental à gestão e solvência das empresas. Quanto ao percentual na participação dos lucros da companhia, compreendo que também não se pode considera-lo a priori excessivo, inclusive por não haver parâmetros legais para essa discriminação. Ademais, as características do caso concreto devem ser observadas, como bem identificado no parecer de MARCO AURÉLIO GRECO (e-fls. 1378 e seg.): “Mas perguntará alguém: e se tivesse atingido 70% do lucro, a operação ainda assim estaria isenta de patologias? No caso concreto, sim. Sublinho: no caso concreto. Assim faço, pois estou convencido que cada operação deve ser examinada cuidadosamente A. vista das suas circunstâncias sendo inadequado transplantar respostas ou soluções que sejam adequadas a outras situações ou proceder a generalizações do tipo tudo ou nada, sempre/ nunca. Por isso, não é o percentual em si que determina a existência da patologia. t,o contexto em que ele surge e os efeitos que produz! De imediato, deve ser afastada a idéia por vezes não explicita consistente em pensar que algo superior à metade adquire outra natureza. No caso, o simples fato de ser superior a 50% dos lucros não altera a conclusão, pois - por tudo que li das peças processuais e dos elementos que me foram fornecidos - o objetivo da operação não foi eliminar o tributo (tanto que houve retenção na fonte) nem reduzi-lo (pois esta .diferença foi um dos efeitos e não o foco central da operação). Objetivo explicito e demonstrável foi mudar o perfil da divida que a companhia tinha coin seus acionistas. Vale dizer, reduzir o seu comprometimento a curto prazo (que onera a empresa e poderia sangrá-la se os acionistas exigissem o pagamento dos valores em conta corrente) e financiar-se com recursos dos próprios acionistas. Bem indicativo disto foi o fato de a primeira subscrição se dar com a quase totalidade dos lucros distribuídos em anos anteriores. Ou seja, o objetivo foi impedir o impacto gerado pelo eventual desembolso imediato dos respectivos recursos. Substituiu-se uma posição INDIVIDUAL EGOÍSTICA (receber já, tudo a que se tem direito) por uma visão SOCIALMENTE RESPONSÁVEL ligada à continuidade do empreendimento (receber paulatinamente à medida que o próprio empreendimento tiver condições de suportar pagar = participação nos lucros). Neste contexto, ate 70% é percentual relevante mas que não indica, por si só, a ocorrência de simulação, abuso ou fraude à lei. De fato, não se pode esquecer que estamos perante hipótese em que é preciso definir a dimensão da remuneração de capital de pessoas que deixaram de ter a CERTEZA de um recebimento presente (crédito a vista) pela INCERTEZA do sucesso do empreendimento (participação no lucro). É curial que a troca do certo atual pelo incerto futuro supõe um equivalente diferencial de remuneração para tornar atraente e aceitável a subscrição, o que por si justificaria um percentual mais elevado do que numa captação em que o subscritor não tivesse créditos a vista contra a companhia. Além disso, olhando a operação da perspectiva da companhia, ela não foi onerada, ao contrário, foi beneficiada, pois só se viu na condição de ter de desembolsar recursos quando efetivamente os tiver. Sem lucro não haverá Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 15 14 participação a pagar. Por outro lado, da perspectiva dos acionistas a operação envolveu inequívoco risco, qual seja o de não receber nenhuma remuneração pelo capital entregue o que, aliás, efetivamente aconteceu no 4 o trimestre de 1999 quando a inexistência de lucros levou a urna PARTICIPAÇÃO ZERO. Também neste aspecto não vejo liberalidade, pois o percentual não foi uma concessão feita pela companhia que a onerasse em beneficio exclusivo do sócio. Corresponde ao percentual que se entendeu necessário para torná-lo aceitável pelos acionistas. Se liberalidade houve, esta foi por parte dos acionistas que, podendo receber a vista tudo a que tinham direito, aceitaram fazê-lo desdobradamente no tempo e à medida em que a companhia pudesse suportar os respectivos desembolsos. Em suma, utilizou-se, motivadamente, de uma forma jurídica licita para atingir um objetivo prestigiado pelo ordenamento positivo. Por derradeiro, também não me parece que o percentual de até 70 seja indicativo de um caso de thin capitalization, pois não se trata de situação em que o acionista pura e simplesmente opta, ex novo, emprestar à companhia ao invés de subscrever ações. A escolha da debênture não foi uma escolha incondicionada; ao revés, ela foi balizada, motivada, pela existência do crédito vista que, pensando no interesse da companhia, não seria razoável exigir. Prever os até 70% não foi um expediente indireto para assegurar uma remuneração independente do desempenho do empreendimento; ao contrário, foi um critério adotado para assegurar que só haveria remuneração se houvesse lucro. Da perspectiva da companhia, o simples decurso do tempo não gera qualquer oneração se não houver lucro no período. Portanto, não se está querendo utilizar essa proporção como meio indireto de assegurar ao acionista o recebimento de urna remuneração independente do lucro (uma das distorções geradas pela thin capitalization).” Desse mesmo parecer do Professor MARCO AURÉLIO GRECO, destaca-se, ainda: “4) Teria havido simulação absoluta ou relativa; fraude a lei; ou abuso de direito no processo de emissão, subscrição e remuneração de tais debêntures de participação nos lucros emitidas pela Natura? Não. A análise das circunstâncias mostra a existência de um único motivo (real e aparente) que afasta a simulação; o exercício regular do direito de emitir debêntures participativas em sintonia com a finalidade do instituto (sem distorção do seu perfil objetivo, nem reiteração abusiva); e o fato de o resultado prático visado com a operação ter sido viabilizar a aceleração dos investimentos e não a menor carga tributária (esta é efeito lateral e não predominante da operação) afastam o abuso de direito e a fraude a lei tributária. Além de não padecer de patologias, a operação examinada encontra justificação suficiente, pois possui perfil compatível com o motivo em que se apóia e a finalidade a que visa, bem como esta em sintonia corn o planejamento estratégico do empreendimento e correspondeu à busca do interesse da companhia à luz, inclusive, da responsabilidade social que lhe cabe.” A análise do caso concreto e do Direito positivo demonstra assistir razão às constatações em questão. A tal conclusão também chegou o i. Conselheiro relator do acórdão a quo, que restou vencido: "Em primeiro lugar porque, se a lei prevê a possibilidade de a remuneração das debêntures ser apenas mediante participação nos lucros, então não se pode admitir a imposição de prática de ilegalidade o negócio jurídico que adota o previsto em lei. Caso contrário, estar-se-ia afrontando o comando do art. 5, II, Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 16 15 da Constituição Federal, segundo o qual as pessoas somente estão obrigadas ou proibidas de praticar algum ato, se houver lei para tanto. Em segundo lugar, reitere-se, porque não se demonstrou (ainda que por indícios convergentes) tratar-se de simulação, já que a afirmação final transcrita acima indica que teria havido simulação na emissão das debêntures com intuito de esconder-se a realidade. E a justificativa para tal — exposta no referido acórdão — foi a de que não seria crível uma remuneração de 70% para quem não fosse acionista da companhia (mas debenturista) levando em conta que o principal objetivo da companhia é obter lucros para os detentores do capital; e, portanto, essa remuneração somente teria sido fixada porque favorecia exatamente os mesmos indivíduos que compõem o quadro de acionistas. Como conclusão, o reflexo de diminuição da base de cálculo do IRPJ e da CSL não seria oponível ao Fisco, com base na doutrina de Marco Aurélio Greco encontrada na sua obra "Planejamento Tributário" (Editora Dialética, 2004, pp. 179 e 180). (...) Ocorre que não se demonstrou nem no Termo de Verificação Fiscal nem em qualquer outra fase processual que teria havido tal desmontagem da operação, o que leva a não se compartilhar do entendimento de que a operação questionada é artificial e inoponível ao Fisco. Por tais motivos, foi reconhecida como válida a emissão das debêntures na forma da Assembléia Geral Extraordinária de 15/04/1998 e da Escritura de 02/05/1998. Vale comentar ainda a alegação contida no Acórdão da 1a Câmara de que a remuneração foi deliberada a até 70% por conta da coincidência de acionistas e debenturistas nas mesmas pessoas. Essa alegação está mais no sentido de que a remuneração está acima do que praticado pelo mercado (o que será tratado no item específico adiante — "4 A Remuneração das Debêntures"). Isso, na verdade, reitera a legitimidade da estrutura jurídica de captação adotada, já que a patologia lá apontada é o guantum da remuneração e não a estrutura em si, ainda que o percentual da remuneração seja considerada como fundamento da patologia da estrutura. No TVF, aponta-se como "motivo primordial" o fato de que não houve captação externa de recursos. Ora, tratando-se de companhia de capital fechado, é razoável que os próprios acionistas — ou então pessoas de seu relacionamento — optem pela aquisição das debêntures. (...)” Também é relevante observar que, RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA , em parecer anexado autos (e-fls. 1401 e seg.), discorre longamente sobre a legitimidade das operações praticadas e sua oponibilidade ao fisco, corroborando com o entendimento deste voto. Colaciono o seguinte trecho: “Para arrematar, quero mais uma vez fazer remissão ao acórdão n. CSRF/01- 01874, que foi sábio e categórico ao afirmar que “se o ato praticado era lícito, as eventuais consequência contrárias ao fisco devem ser qualificadas como casos de elisão fiscal e não evasão ilícita” Em suma, os atos lícitos são, inegavelmente, oponíveis ao fisco, como o são ‘erga omnes’! No caso concreto da Natura, o acórdão n. 101-94986, apesar de levantar determinadas objeções, não caracterizar acima de qualquer dúvida qualquer ilicitude na emissão de debêntures. Talvez o tenha feito indiretamente quanto à simulação, ao dizer tratar-se de artifício e ‘operação de papel’, mas não adentrou numa acusação frontal de ter havido simulação. Talvez não assacou qualquer acusação clara e específica da existência de outros defeitos jurídicos na mesma. É por isso mesmo – ou parece ser por isso mesmo – que chegou à afirmação de que, mesmo o ato sendo lícito, não seria oponível ao fisco. Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 17 16 Contudo, com a devida vênia, o ato foi lícito, e por ser lícito produziu seus efeitos no âmbito das relações jurídicas privadas, e por constituírem estas os efeitos visados pela norma tributária em questão, não há como deixar de aplicá- la”. Não se pode deixar de ressaltar que a recorrida tem discutido o tema no Poder Judiciário em razão de outros autos de infração. O acórdão proferido pelo e. Tribunal Regional Federal da 3 a Região, nos autos da apelação e reexame necessário n. 2010.61.00.007888-3/SP, enunciou decisão à qual me alinho neste voto, como se observa de sua ementa: TRIBUTÁRIO.DIFERENÇA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS IRPJ/CSLL. GLOSA NAS BASES DE CÁLCULOS. REMUNERAÇÃO DEBÊNTURES EMITIDAS PELA APELADA E SUBSCRITAS PELOS SEUS ACIONISTAS. PRELIMINAR CONTRARRAZÕES. REJEITADA. REMESSA OFICIAL E APELAÇAO UNIÃO FEDERAL. IMPROVIDAS. -Afastada a preliminar arguida em contrarrazões, de não conhecimento do apelo por ausência de ataque às razões da sentença, porquanto nos termos do citado artigo 514, inciso II, do Código de Processo Civil de 1973, a apelação deve apresentar os fundamentos de fato e de direito. Trata-se, pois, da positivação do denominado "princípio da dialeticidade", o qual cumpre ao apelante apresentar as razões de sua inconformidade, impugnando os argumentos da decisão proferida na origem. No caso em apreço, as razões de apelação apresentadas pela ré enfrentam os argumentos contidos no julgado singular. -No tocante à possibilidade da remuneração das debêntures exclusivamente com base na participação nos lucros, há que se observar o disposto no art. 56 da Lei 6.404/76. Da leitura de tal dispositivo, depreende-se que a debênture pode atribuir ao seu titular juros e/ou participação no lucro e/ou prêmio de reembolso, de onde se conclui que o pagamento de juros é, portanto, uma faculdade prevista na referida legislação. -A ausência de circulação monetária, no sentido exclusivamente físico, não implica na inexistência de circulação econômica e jurídica de recursos financeiros. -As debêntures diferenciam-se de despesas operacionais, na medida em que as despesas operacionais alcançam insumos ou custos diversos do contribuinte e não deduções financeiras como as debêntures. -In casu, não há como ser acolhida a pretensão da apelante, visto que o disposto no art. 47 e parágrafos da Lei nº 4.506/64 (e art. 299 do RIR), não se aplica à questão suscitada nos autos, porquanto não refletem os fatos ora narrados, bem como anterior à vigência da legislação que dispõe sobre dedutibilidade de despesas. -O disposto no art. 462 do RIR/99 não impõe qualquer restrição quanto à dedutibilidade da remuneração das debêntures - salvo as regras gerais próprios dos atos jurídicos gerais, a sua efetiva existência, validade, como a forma e os seus requisitos gerais. -O art. 187 da Lei das S/A obedece ao critério de divisão de resultados. A operação efetivada pela apelada, portanto, atende aos requisitos de validade dos atos jurídicos em geral, então prevista no art. 82 do CC/1916, quais sejam objeto lícito, agentes capazes e forma prescrita em lei. - No caso concreto, a emissão das debêntures obedeceu às disposições da Lei da S/A como a preferência de sua emissão aos acionistas. O fato de os acionistas terem sido os subscritores das debêntures não descaracterizou o negócio ou o tornou ilegal, eis que é expressamente previsto em lei a possibilidade dos acionistas da companhia passarem a ser seus debenturistas, aspecto que não pode ser utilizado para caracterizar a operação como anormal e, portanto, desnecessária. Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 18 17 -Constada a legalidade e eficácia da emissão de debêntures e sua subscrição, devendo ser afastada a glosa da base de cálculo efetuada efetivada pela autoridade fiscal no IRPJ da autora no processo administrativo nº. 19.515.002923/2003-85. -Não havendo previsão legal à adição de despesas operacionais não dedutíveis para o IRPJ (art. 47 da Lei 4.506/64), não se pode exigir da apelada qualquer quantia a título de CLS, visto que ausente previsão legal que determinasse a adição dessas despesas em sua base de cálculo. -Na hipótese dos autos, considerando o valor da causa (R$ 22.633.213,49 em 07/04/2010 - fls. 76), bem como a matéria discutida nos autos, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido ao seu serviço, mantidos os honorários advocatícios nos termos em que fixado pelo r. juízo a quo (1%). De acordo com os enunciados aprovados pelo Plenário do C. STJ, na sessão de 09/03/2016, a data do protocolo do recurso é parâmetro para aplicação da honorária de acordo com as regras do então vigente Código de Processo Civil/1973. -Negado provimento à remessa oficial e à apelação da União Federal. Note-se, por fim, que embora o TRF3 não tenha, acertadamente, analisado a questão sob a ótica do art. 299 do RIR/99, a mesma conclusão é alcançada em face deste dispositivo. Ocorre que, por todo o exposto, o contexto fático e legal analisado evidencia que se trataram de despesas normais, usuais e necessárias para as atividades da empresa. Não há provas que conduzem a entendimento diverso. Deve-se ressaltar tratar-se de operação tão normal e usual que há décadas a CVM admite a remuneração de debêntures com base na participação dos lucros da companhia, como se observa do Parecer CVM/SJU n. 15/88: "É possível, diante da Lei n. 6.404/76, a existência de debênture perpétua, a que seja atribuída remuneração apenas a título participativo nos lucros sociais". Nesse cenário, diante da ausência de fundamento legal para a manutenção do auto de infração, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial do contribuinte. ABATIMENTO DO IRRF JÁ RECOLHIDO Por restar vencido quanto ao mérito principal deste recurso, a decisão deste Colegiado foi desconsiderar os efeitos jurídicos das operações realizadas pelo contribuinte, de tal forma que as despesas incorridas pela contribuinte não ostentariam a natureza jurídica de debêntures e, assim, não seria aplicável a regra de dededutibilidade que lhes seria inerente. Por coerência, em face da decisão deste Colegiado de recusar a natureza jurídica de debêntures, também deixa de ser aplicável aos pagamentos em questão a regra que determina a retenção de IRRF sobre a remuneração de debêntures. Dessa forma, os recolhimentos realizados a tal título pela recorrente também deixaram de assumir essa roupagem. Destaco a parte final do voto que orientou o acórdão nº 101-94.986, indicado pela recorrente como paradigma de divergência para a interposição do recurso especial ora sob julgamento: “Entendo, todavia, que por uma questão de razoabilidade, deve ser deduzida da exigência o valor pago a título de imposto de renda retido na fonte. É que, ao se considerar como indedutíveis as despesas correspondentes aos rendimentos de Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 19 18 debêntures, na realidade está-se tratando os valores contabilizados a título de remuneração de debêntures como lucros distribuídos. Nesse caso, não cabe o imposto de renda retido na fonte, e uma vez que se trata de incidência exclusiva, não compensável na declaração dos beneficiários, deve o respectivo valor ser deduzido da presente exigência.” Do mesmo modo, compreendo assistir razão à NATURA quando pleiteia, de forma subsidiária, seja aproveitado o IRRF por ela recolhido na operação, para a compensação dos correspondentes valores exigidos nestes autos. Não há falar-se em ausência de expressa disposição legal para tanto, pois se trata de decorrência lógica e necessária da desconsideração das operações de remuneração de debêntures. Voto, portanto, por CONHECER o recurso especial, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, dar-lhe INTEGRAL PROVIMENTO, inclusive para acolher o pedido subsidiário formulado pelo contribuinte para o abatimento dos valores exigidos nestes autos com o IRRF por ele recolhido na mesma operação. (assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 20 19 Voto Voto vencedor, exceto em relação ao IR/Fonte Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator Designado. PRELIMINAR DE ARGUIÇÃO DE IMPEDIMENTO Em razão da argüição de impedimento aduzida pelo patrono da contribuinte por ocasião da sustentação oral ocorrida na sessão de julgamento, ao argumento de que nós, Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, estaríamos impedidos de atuar no presente julgamento, faz-se necessário juntar-se aos autos a presente manifestação, nos termos do art. 44 do Anexo II do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, haja vista que não reconheço tal impedimento. A argüição foi motivada pela publicação da Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2015, cujo art. 5º prevê um Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil e de Analista- Tributário da Receita Federal do Brasil, nos seguintes termos: Art. 5 o Ficam instituídos o Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil e de Analista- Tributário da Receita Federal do Brasil. § 1 o O Programa de que trata o caput será gerido pelo Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil, composto por representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Casa Civil da Presidência da República, nos termos a serem definidos em ato do Poder Executivo federal. § 2 o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira será definido pelo Índice de Eficiência Institucional, mensurado por meio de indicadores de desempenho e metas estabelecidos nos objetivos ou no planejamento estratégico da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3 o Ato do Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil será editado até 1 o de março de 2017, o qual estabelecerá a forma de gestão do programa e a metodologia para a mensuração da produtividade global da Secretaria da Receita Federal do Brasil e fixará o Índice de Eficiência Institucional. § 4 o A base de cálculo do valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira será composta pelo valor total arrecadado pelas seguintes fontes integrantes do Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 21 20 Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização - FUNDAF, instituído pelo Decreto-Lei n o 1.437, de 17 de dezembro de 1975: I - arrecadação de multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de impostos, de taxas e de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a que se refere o art. 4 o da Lei n o 7.711, de 22 de dezembro de 1988, inclusive por descumprimento de obrigações acessórias; e II - recursos advindos da alienação de bens apreendidos a que se refere o inciso I do § 5 o do art. 29 do Decreto-Lei n o 1.455, de 7 de abril de 1976. § 5 o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira a ser distribuído aos beneficiários do Programa corresponde à multiplicação da base de cálculo do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira pelo Índice de Eficiência Institucional. § 6 o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira não poderá ultrapassar o valor da base de cálculo de que trata o § 4 o . Em apertada síntese, foi alegado que, em decorrência do §4º do supracitado artigo prever que o bônus possui como base de cálculo, além do produto da alienação de bens objeto de pena de perdimento, o valor da arrecadação das multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e aquelas exigidas em virtude do descumprimento de obrigações acessórias, e considerando que o CARF é o órgão competente para o julgamento de recursos versando sobre as multas que servirão como base de cálculo para o bônus, os resultados dos seus julgamentos deveriam repercutir no valor a ser pago aos Auditores-Fiscais e Analistas-Tributários, o que caracterizaria interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, fato que, por sua vez, impediria os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional de atuarem no julgamento de recursos, nos termos do art. 42 do Anexo II do RICARF, ora colacionado: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I - atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II - interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III - como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau. § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considera-se existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 22 21 mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 3º O conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso de ofício, voluntário ou recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso. § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplica-se também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau que trabalhem ou sejam sócios do sujeito passivo ou que atuem no escritório do patrono do sujeito passivo, como sócio, empregado, colaborador ou associado. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ocorre que tal dispositivo só tem aplicação para os Conselheiros representantes dos Contribuintes, consoante o disposto no seu §1º. E, consoante a doutrina processual civil, as hipóteses de impedimento são objetivas, definidas a partir da presunção absoluta de parcialidade do julgador, de modo que se a hipótese não está prevista no diploma regulador do processo, não é possível constituí-la a partir de uma interpretação extensiva da norma. De toda a sorte, há uma razão para a hipótese regimental não alcançar os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Essa diferença de tratamento reside nas conseqüências advindas da não observância ao próprio dispositivo. É que, para os Conselheiros representantes dos Contribuintes, nos termos do art. 45, inciso I, do Anexo II do RICARF, configurado o impedimento, se o Conselheiro argüido assim não se reconhecer, fica caracterizada hipótese de descumprimento ao Regimento Interno, configurando hipótese de perda de mandato. No entanto, para os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, o descumprimento acarreta ato de improbidade administrativa, nos termos dos incisos I e VIII do art. 9º da Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, punível com a demissão, nos termos do art. 132 da Lei nº 8.112, de 1990. Nesse sentido, o Presidente do CARF, no âmbito da atribuições de exarar atos administrativos complementares ao Regimento Internos, nos termos do art. 3º, incisos IV, XI e §2º do Anexo I, bem como os incisos IV e XIII do art. 20 do Anexo II, todos do RICARF, editou a Portaria CARF nº 1, de 2017, ora transcrita: Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 23 22 O PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos IV, XI e § 2º do art. 3º do Anexo I, bem como os incisos IV e XIII do art. 20 do Anexo II, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face de questionamentos suscitados por Conselheiros representantes da Fazenda Nacional diante do disposto no art. 5º da Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2016, DECLARA: Art. 1º A hipótese de impedimento prevista no inciso II do art. 42 do Anexo II do RICARF aplica-se exclusivamente aos conselheiros da representação dos contribuintes dada a especificidade de que trata o § 1º do mesmo dispositivo. § 1º O interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, ocorre nos casos em que o conselheiro da representação dos contribuintes, em relação ao interessado ou empresa do mesmo grupo econômico: I - preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil; ou II - perceba remuneração, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º Eventual enquadramento de conselheiro da representação da Fazenda Nacional nos casos de que trata este artigo tipificaria improbidade administrativa nos termos dos incisos I e VIII do art. 9º da Lei nº 8.429, de 02 de junho de 1992. Art. 2º Há impedimento do conselheiro da representação da Fazenda Nacional: I - na hipótese em que tenha atuado como autoridade lançadora, ou praticado ato decisório monocrático, nos termos do inciso I do art. 42 do Anexo II do RICARF; II - quando o interesse for presumido pelo vínculo de parentesco ou de afinidade, nos termos do inciso III do mesmo artigo; e III - na qualidade de relator, quando tiver atuado na condição de relator ou redator em decisão anterior. Art. 3º Esta Portaria será publicada no Boletim de Serviço do CARF. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Com efeito, o Regimento anterior ao atual, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente ao tempo em que advogados podiam atuar como Conselheiros representantes dos Contribuintes, concomitantemente com a prática da advocacia, já dispunha: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I - atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; Fl. 2253DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 24 23 II - interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; III - como parte, cônjuge, companheiro, parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau; IV - participado do julgamento em primeira instância. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considera-se existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes: I - preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; e II - atue como advogado, firmando petições, em ação judicial cujo objeto, matéria, ou pedido seja idêntico ao do recurso em julgamento Ou seja, mesmo quando o Regimento não obrigava os representantes dos Contribuintes a se licenciar da Ordem dos Advogados do Brasil, o dispositivo já era direcionado aos Conselheiros representantes dos Contribuintes. Situação diferente ocorria em Regimentos anteriores, em que a redação do dispositivo que tratava do impedimento trazia em seu bojo, a título de parágrafo, uma complementação ao caput, usando a expressão “considera-se também”. A título exemplificativo, transcreve-se o que constava da Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007: Art. 15. O conselheiro estará impedido de participar do julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I - atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II - interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III - cônjuge, companheiro ou parentes, consangüíneos ou afins, até o terceiro grau, como parte, , ou como advogado da parte. § 1º Para os efeitos deste artigo, considera-se também existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro: I - percebe ou percebeu remuneração do recorrente, de advogado, de sociedade de advogados, de consultoria ou assessoria que lhe preste assistência jurídica e/ou contábil, em caráter eventual ou permanente, qualquer que seja a razão ou o título da percepção, no período que medeia o início da ação fiscal e a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; II - figure como representante ou mandatário, legal ou convencional, em ação judicial que tenha por fundamento ou pedido, no todo ou em parte, a mesma matéria que seja objeto do recurso em julgamento. § 2º O conselheiro representante da Fazenda Nacional estará impedido de atuar como relator em recurso no Conselho de Contribuintes quando tiver atuado como relator em instância inferior.(Negritamos) É importante destacar, ainda, que ao Processo Administrativo Fiscal aplica-se o Decreto nº 70.235, de 1972 e, somente em caráter subsidiário, a Lei nº 9.784, de 1999, cujo art. 69 traz disposição expressa nesse sentido: "Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei." E o Decreto nº 70.235, de 1972, remete ao Regimento Interno do CARF, a disciplina do seu julgamento, nos termos do art. 37, verbis: Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 25 24 Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais far-se-á conforme dispuser o regimento interno. Todavia, ainda que se entenda ser possível interpretação diversa aquela conferida por meio da Portaria CARF nº1, de 2017, é oportuno esclarecer que o bônus de eficiência, tal como regulamentado por meio da Portaria RFB nº 31, de 18 de janeiro de 2017, ainda que precariamente, posto que será submetido ao Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil, composto por representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Casa Civil da Presidência da República, somente será devido se a Secretaria da Receita Federal do Brasil atingir as metas constantes do Anexo II. Para tanto, será necessário que os indicadores de 1 a 8, que não são atrelados à arrecadação, sejam positivos. Consoante a fórmula trazida no §2º do art. 2º, a arrecadação somente influenciará o fator de multiplicação F (Indicador 9), o qual, por sua vez, será multiplicado pela somatório de todos os demais indicadores, de onde se conclui que, se a soma não for positiva, ou, em outras palavras, se os demais indicadores de eficiência e produtividade não foram atingidos, o indicador representativo da arrecadação será multiplicado por “zero”, resultando, por conseguinte, em um bônus igual a zero. Entretanto, ainda que todos esses argumentos até então aduzidos estivessem superados, considera-se oportuno registrar que, na condição de julgador representante da Fazenda Nacional, entendo não estar impedido porque sempre me vi julgando de acordo com o melhor direito, pautado na imparcialidade que a própria condição de julgador me impõe. Nesse sentido, e com a devida vênia aos que aduziram o tal impedimento, entendo ser necessário colocar e analisar os cenários possíveis decorrentes da presente problemática: Pois bem, para levantamento desses cenários possíveis, devemos considerar que: (a) a multa lançada pode ser (i) indevida ou (ii ) devida e (b) no julgamento, essa multa pode ser (i) mantida ou (ii ) cancelada. Dessa forma, por análise combinatória, concluo que os cenários possíveis são: I. multa indevida mantida; II. multa indevida cancelada; III. multa devida mantida; e IV. multa devida cancelada. A seguir, analiso em separado cada um desses quatro possíveis cenários. O primeiro cenário, de multa indevida mantida, é justamente aquele que aparentemente tem apelo. Poder-se-ia pensar que o conselheiro julgaria como devida uma Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 26 25 multa indevida para aumentar a base de cálculo do bônus e, assim, aumentar sua parcela no bônus futuramente devido. Entretanto, esse pensamento é equivocado porque não considera dois pontos essenciais: - a verdadeira natureza do julgamento administrativo, uma revisão de legalidade do lançamento, que é facultativa e sujeita à palavra final do Poder Judiciário; e - que a base de cálculo do bônus de eficiência não é a multa mantida administrativamente, mas sim a multa efetivamente devida, aceita, conformada e recolhida. Na verdade, todo crédito tributário mantido no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, antes de ser recolhido, pode ser questionado no Poder Judiciário, em ação própria ou em sede de embargos à execução. E o Poder Judiciário é que tem a palavra final, é ele quem diz se a multa era efetivamente devida ou indevida. A palavra do Poder Judiciário é superior ao julgamento administrativo, podendo reformá-lo e, inclusive, dentro das regras legais e regimentais, vincular todos os julgamentos administrativos futuros. Nesse caso, se o Poder Judiciário efetivamente decidir que uma multa mantida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal era indevida, não haverá qualquer possibilidade de seu valor influenciar a base de cálculo do bônus de eficiência. Ao contrário, essa situação ensejaria ônus da sucumbência. E o mais importante, esse diálogo com o Poder Judiciário sinaliza o critério a ser utilizado administrativamente em situações equivalentes. Portanto, como a multa administrativamente mantida e considerada indevida pelo Poder Judiciário não é a multa efetivamente recolhida, fica aqui afastada para esse primeiro cenário, a alegação de interesse indireto e, consequentemente, de impedimento do conselheiro fazendário. Passamos agora à análise do segundo cenário, de multa indevida cancelada. Ora, uma multa indevida e cancelada no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, por óbvio não aumentaria a base de cálculo do Bônus de Produtividade, o que afasta também nesse cenário qualquer possibilidade de impedimento. O terceiro cenário, de multa devida mantida, é o que a sociedade espera da atuação do Estado, das autoridades tributárias e de todos os julgadores administrativos, sejam eles representantes da Fazenda Nacional, sejam eles representantes dos contribuintes: a aplicação correta da legislação. Todavia, nessa situação, para o caso de o sujeito passivo entender que a multa seria por acaso indevida, caberia a discussão junto ao Poder Judiciário, o que torna aqui aplicáveis todas as explicações já apresentadas para o primeiro cenário. Portanto, também não se pode alegar que, nesse cenário, falar-se-ia de parcialidade e consequentemente de impedimento. Por fim, o quarto cenário, de multa devida cancelada, é o cenário que toda a sociedade quer evitar. Uma multa que pudesse ser considerada devida pelo Poder Judiciário, em face da legislação, e que fosse, entretanto, cancelada no âmbito administrativo caracteriza crédito tributário teoricamente devido, porém definitivamente perdido, porque, nesse caso, a decisão administrativa (ainda que equivocada) é definitiva, por não ter a União legitimidade Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 27 26 para recorrer ao Poder Judiciário contra decisão administrativa, salvo que seja provada má-fé, por corrupção. Esse cenário, sim, é desencorajado pelo bônus de eficiência. Mas esse cenário é ilegal, além de não interessar à sociedade e, conseqüentemente, ao Estado, aos bons contribuintes ou até mesmo aos conselheiros. Na verdade, esse cenário somente interessaria ao sonegador e àqueles que viessem a lucrar com a sonegação perpetrada. Aliás, situações relacionadas a esse cenário foram apontadas - pelo que se depreende do que foi publicado na imprensa ao longo dos anos de 2015 e 2016 - na chamada operação "Zelotes". Ora, não se pode dizer que um mecanismo que inibe o erro e a corrupção venha a ser motivo de impedimento de atuação do conselheiro. Portanto, afasta-se aqui, para esse cenário, também, a possibilidade de impedimento. Enfim, para todos os cenários possíveis: - a multa é devida ou indevida em face da legislação e não da vontade do conselheiro; e - independentemente de sua vontade, nenhuma multa que o interessado considere indevida será recolhida sem que a ele seja assegurada a possibilidade de discussão junto ao Poder Judiciário. Pelo que se encontra exposto acima, resta claro que não há interesse do conselheiro, seja direto ou indireto, na multa por ele julgada. Confirmando a conclusão acima, cabe olhar mais uma vez para o passado e perquirir como aqueles que nos antecederam analisaram a situação sobre a qual agora nos debruçamos. Isso porque a presente situação é ontologicamente idêntica àquela que vigiu por mais de uma década nos Conselhos de Contribuintes, entre o início de 1989 e meados de 1999, quando a remuneração dos então Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional era composta pela RAV - Remuneração Adicional Variável. A RAV, instituída pela Lei n° 7.711, de 1988, era calculada sobre o produto da arrecadação de multas em função da eficiência individual e plural da atividade fiscal. O valor dessa RAV foi limitado, inicialmente, ao valor do soldo do Almirante de Esquadra e, posteriormente, a 8 (oito) vezes o valor máximo do vencimento do Auditor-Fiscal e o valor da RAV devida aos conselheiros era o valor médio devido aos demais Auditores-Fiscais. Ora, em tudo a RAV se assemelhava ao atual Bônus de Eficiência: - a base era a mesma (produto de multas arrecadadas); - o critério era o mesmo (eficiência da atividade fiscal); - os limites eram equivalentes, valores máximos de soldos ou vencimentos (atualmente o limite é o vencimento de Ministro do Supremo Tribunal Federal); e Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 28 27 - o Regimento Interno vigente à época tinha dispositivo de impedimento equivalente. Entretanto, durante todo o período da RAV, nunca foi sequer apontado um caso concreto de parcialidade por interesse direto ou indireto, nem discutido o impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional, em função dessa remuneração. No entendimento deste conselheiro, a inexistência desse questionamento se deve ao fato de os que nos antecederam terem feito a análise de cenários aqui apresentados e visualizado a inocorrência de interesse direto ou indireto dos conselheiros na multa em julgamento. Mais do que isso, não há registro, durante esse período, de aumento de multas indevidas mantidas administrativamente. Portanto, a história confirma a análise aqui realizada e corrobora a inexistência de qualquer interesse direto ou indireto do conselheiro fazendário na multa em julgamento. Aliás, se fosse possível inferir tal interesse, caberia arguir impedimento em qualquer julgamento acerca de exigências de crédito tributário promovido por funcionários públicos, quer em sede de processo administrativo ou judicial, vez que os tributos arrecadados são a principal fonte de recursos a assegurar a remuneração dos servidores públicos. Ainda, a título de reforço, cumpre fazer referência a outros tribunais administrativos que, em 22 Estados Membros da Federação, também remuneram seus agentes com base na eficiência da fiscalização e arrecadação tributárias, sem que isso implique impedimento para o julgamento administrativo dos lançamentos de ofício. Nesse sentido, convém trazer à tona o modelo do Estado de Pernambuco, onde se tem um Tribunal Administrativo autônomo, composto por julgadores concursados especificamente para tal fim, ou seja, sequer há paridade nos termos do CARF e, a despeito disso, não há diferença entre Auditor-Fiscal e Julgador, pois ambos os cargos recebem, entre outros valores, um bônus de 30% da arrecadação de multas (dividido por todos os auditores e julgadores, incluindo aposentadorias e pensões). Por esses motivos não me declaro impedido. MÉRITO: Com a devida vênia, divirjo do entendimento exposto pelo insigne Conselheiro Relator, tanto em relação à dedutibilidade, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, dos valores despendidos pela contribuinte a título de remuneração das debêntures de sua emissão, quanto no que diz respeito à possibilidade de aproveitamento do IRRF recolhido sobre a remuneração paga aos debenturistas, para fins de diminuição do valor do crédito tributário mantido. Por razões de clareza, trato a seguir dos dois temas separadamente. 1) Dedutibilidade dos valores pagos a título de remuneração de debêntures A contribuinte NATURA COSMÉTICOS S/A foi autuada porque a autoridade tributária que a fiscalizou entendeu que foram indevidamente deduzidas, na Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 29 28 apuração do IRPJ e da CSLL referentes ao ano-calendário de 2001, despesas decorrentes do pagamento de remuneração de debêntures de sua emissão. As debêntures em questão foram emitidas por meio da lavratura de escritura particular datada de 02/05/1998, após a diretoria da contribuinte ter aprovado a operação em Assembleia Geral Extraordinária realizada em 15/04/1998. Foram emitidas 140.000 debêntures, cada uma com o valor nominal de R$1.000,00. A forma de remuneração prevista para cada debênture era a participação de 0,0005% nos lucros auferidos pela contribuinte, antes da provisão para o imposto de renda, aos finais dos meses de março, junho, setembro e dezembro de cada ano. Assim, se todas as 140.000 debêntures fossem subscritas e integralizadas, a remuneração total trimestral devida pela emitente dos títulos corresponderia a 70% do lucro apurado no período. A possibilidade de subscrição das debêntures emitidas não foi aberta ao público em geral, ficando restrita às pessoas físicas dos cinco sócios quotistas da contribuinte, que, à época, ainda era uma sociedade de capital fechado. Em junho de 1998, foram integralizadas as primeiras 66.801 debêntures, por meio da compensação de créditos que os sócios possuíam contra a empresa (dividendos já distribuídos contabilmente mas ainda não pagos). Até janeiro de 2001, foram integralizadas mais 63.855 debêntures, desta vez mediante a compensação com valores que os sócios teriam a receber da empresa a título de remuneração decorrente das debêntures anteriormente integralizadas. Assim, das 140.000 debêntures emitidas por meio da escritura particular de 02/05/1998, 130.656 foram integralizadas. As remunerações pagas ao longo do ano de 2001 foram deduzidas pela contribuinte na apuração do seu lucro real e da sua base de cálculo da CSLL relativos àquele período. A Fiscalização discordou do entendimento da contribuinte, que alegava que sua conduta estaria autorizada pelo art. 462 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). Assim, foram efetuados os lançamentos tributários que permanecem sob discussão nos presentes autos. Como bem descrito no Relatório deste acórdão, o lançamento relativo às glosas das deduções consideradas indevidas foi parcialmente mantido pela decisão de primeira instância administrativa, que deu provimento à impugnação da contribuinte apenas para permitir o abatimento, sobre o total lançado, de parte do IRRF recolhido sobre a remuneração de debêntures paga aos seus titulares. Já a decisão de segunda instância restabeleceu a totalidade dos créditos constituídos pela Fiscalização em razão da glosa das despesas consideradas indedutíveis. O principal argumento de mérito apresentado pela contribuinte em seu recurso especial, assim como nas demais manifestações que fez ao longo do processo, vai no sentido de que a dedutibilidade de despesas oriundas do pagamento de remuneração de debêntures é expressa e incondicionalmente prevista no inciso I do art. 462 do RIR/1999, cuja matriz legal encontra-se no art. 58 do Decreto-Lei nº 1.598/1977: Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 58): Fl. 2259DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 30 29 I - asseguradas a debêntures de sua emissão; II - atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; III - atribuídas aos trabalhadores da empresa, nos termos da Medida Provisória nº 1.769-55, de 1999 (art. 359). Segundo a contribuinte, ora recorrente, a dedutibilidade das despesas de remuneração de debêntures não se submete a quaisquer verificações adicionais, já que o dispositivo que a prevê o faz de forma incondicional. Com base em tal tese, alega a recorrente que está equivocado o entendimento exposto pela autoridade tributária, que defende que tais despesas só seriam dedutíveis do lucro líquido se fossem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. O voto do i. Conselheiro Relator considera correta a tese da recorrente, ao concluir que as despesas oriundas do pagamento de remuneração de debêntures submetem-se exclusivamente à regra do art. 462 do RIR/1999, afastando-se, nestes casos, a aplicação do art. 299 do mesmo Regulamento (que tem sua matriz no art. 47 da Lei nº 4.506/1964): Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3º O disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. No meu entender, entretanto, a interpretação defendida pela recorrente e adotada pelo Conselheiro Relator não é a melhor para o caso sob análise. Acredito que a regra insculpida no art. 58 do Decreto-Lei nº 1.598/1977 e reproduzida no art. 462 do RIR/1999 não se aplica a casos como o esquadrinhado nos presentes autos. E minha conclusão se baseia em motivos semelhantes aos expostos pelo i. ex- Conselheiro Marcus Vinicius Neder de Lima em declaração de voto constante do Acórdão nº 107-08.029, de 13/04/2005: "Na verdade, o Decreto-lei nº 1.598, de 1977, permitiu que, na determinação do lucro real da pessoa jurídica, fossem deduzidas (art. 58) as participações nos lucros atribuídas a debêntures de sua emissão. Na exposição de motivos desse Decreto-lei (citada no Parecer Normativo CST nº 99, DOU de 7/12/78), a justificativa do artigo 58 trazida pelo proponente do projeto é que: "26. A lei da sociedade por ações conceitua as Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 31 30 participações como deduções no lucro líquido do exercício, pois do ponto de vista dos acionistas são despesas, que reduzem o montante do lucro que lhes cabe. Para a lei fiscal, todavia, somente são dedutíveis as participações atribuídas a empregados ... ou de debêntures de emissão da companhia (porque essa participação tem natureza de juros)". A razão da autorização da dedução do lucro tributável das participações de debêntures é sua natureza de juros, tanto que sua tributação na fonte segue as regras aplicáveis as demais aplicações financeiras de renda fixa. Portanto, a possibilidade de dedução dessas participações, que se assemelham a juros, deve ser confrontada com o critério de sua necessidade em face dos objetivos sociais da empresa" (grifou-se) O eminente ex-Conselheiro lança mão da Exposição de Motivos do legislador para alcançar as razões que justificaram a edição do art. 58 da Decreto-Lei nº 1.598/1977. Dessa forma, verifica que o legislador foi motivado pela necessidade de se estabelecer, em relação às participações, um tratamento fiscal distinto daquele adotado pela legislação societária. Enquanto a lei societária encarava todas as participações como despesas, a norma tributária somente deveria considerar como dedutíveis as participações atribuídas a empregados e as asseguradas às debêntures de sua emissão. E o legislador expressamente indicou a razão da dedutibilidade fiscal das participações relativas às debêntures: sua natureza de juros. Prova de que a legislação fiscal encara as participações de debêntures como indissociáveis da remuneração sob a forma de juros é o fato de sua tributação na fonte seguir a mesma regra aplicável às demais aplicações de renda fixa, como muito bem apontou o ex-Conselheiro signatário da declaração de voto. Assim, em situações como a analisada nos presentes autos, em que as debêntures emitidas pela empresa não são remuneradas sob a forma de juros, mas apenas de participação nos resultados da emitente, não se justifica a dedutibilidade automática das remunerações de debêntures prevista no art. 58 do Decreto-Lei nº 1.598/1977 e no art. 426 do RIR/1999. Além disso, outra característica presente no caso concreto da recorrente, se analisada sob a luz da Exposição de Motivos do Decreto-Lei nº 1.598/1977, também leva à conclusão pela inaplicabilidade do art. 426 do RIR/1999. Na citada Exposição de Motivos, o legislador explica que a lei societária encara as participações como deduções do lucro líquido porque elas são, do ponto de vista dos acionistas, despesas que reduzem o montante do lucro que lhes cabe. Esta lógica, no entanto, não se aplica à situação concreta dos autos, uma vez que os sócios e os debenturistas da empresa são exatamente as mesmas pessoas. Os valores pagos pela empresa aos debenturistas não diminuem, na realidade, o montante final que será repassado aos sócios. O que os sócios veriam como redução de seu lucro, em uma situação em que os debenturistas fossem terceiros estranhos ao quadro societário da empresa, no caso examinado neste processo caberá aos próprios sócios, que apenas o receberão sob título diverso dos dividendos. Fl. 2261DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 32 31 Portanto, concluo que não procede o argumento da recorrente de que somente seria aplicável às suas participações de debêntures a regra do art. 462 do RIR/1999. Quer seja pelo fato de que a remuneração de suas debêntures não se deu sob a forma de juros, quer seja pela perfeita identidade entre seus sócios e debenturistas, entendo que a dedutibilidade tributária dos valores pagos a título de remuneração de debêntures durante o ano-calendário de 2001 deve ser realizada sob a luz dos critérios gerais de necessidade à atividade da empresa e à manutenção de sua fonte produtiva, nos termos previstos no art. 299 do RIR/1999. Definido o escopo da análise que será empreendida, importante se faz revisitar o que dispõe o art. 299 do RIR/1999, reproduzindo regra oriunda da Lei nº 4.506/1964. Segundo os mencionados diplomas legais, as despesas são consideradas operacionais (e, consequentemente, dedutíveis do lucro real), se forem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Despesas necessárias, por sua vez, são aquelas relacionadas à realização de transações ou operações exigidas pela atividade a que a empresa se dedica. Por fim, fixa-se que as despesas operacionais admitidas para fins de dedutibilidade são aquelas que atendam os requisitos de usualidade e normalidade em relação ao tipo de transações, operações ou atividades praticadas pela empresa. O Parecer Normativo CST nº 32/1981 fez, a partir da legislação mencionada, a seguinte análise acerca dos conceitos de despesas necessárias, usuais e normais: 4. Segundo o conceito legal transcrito, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. 5. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuadas e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio. Pois bem. A recorrente argumenta que, mesmo que não se acate sua tese de que somente a regra prevista no art. 462 do RIR/1999 é aplicável ao seu caso, ainda assim as despesas decorrentes do pagamento de remuneração das debêntures de sua emissão seriam dedutíveis por satisfazerem os critérios de necessidade, usualidade e normalidade estabelecidos no art. 299 daquele mesmo Regulamento. O voto do nobre Conselheiro Relator corroborou a tese da recorrente de forma indireta, por meio da transcrição de trechos do voto vencido do acórdão recorrido e de parecer do Professor Marco Aurélio Greco que afastam das operações da empresa a característica da artificialidade, ressaltando-lhes as legítimas motivações negociais. Também a respeito deste aspecto, peço vênia para divergir das conclusões expostas pela recorrente e pelo i. Conselheiro Relator. Esclareço inicialmente que concordo com a recorrente quando ela defende a legalidade da sua operação de emissão de debêntures. Mas não é disso que trata a presente discussão. Como muito bem expôs a i. Conselheira Sandra Maria Faroni, ao relatar o Acórdão nº 101-94.986, de 19/05/2005 (decisão proferida nos autos do processo nº Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 33 32 19515.002923/2003-85, em que figura a mesma contribuinte NATURA COSMÉTICOS S/A e que trata da mesma infração tributária aqui discutida, mas praticada no ano-calendário 1999), é o conjunto das características da operação, todas elas legais, que deve ser analisado para fins de verificação dos efeitos tributários cabíveis: "Não se trata, como aventado pela Recorrente, de restringir a dedutibilidade em razão de critérios como "ausência de pagamento de juros", "percentual de participação", "pagamento mediante créditos detidos pelos sócios em conta corrente", mas sim, de confrontar a operação praticada com os cânones de usualidade e normalidade, condições para apreciação da qualidade de "necessárias" das despesas. (...) Inegavelmente, a operação praticada não encontra vedação expressa na lei. Mas isso não significa que se trate de operação usual e normal, a respaldar a dedutibilidade da remuneração das debêntures emitidas. Não se discute que o empresário pode gerir seus negócios com inteira liberdade, inclusive sendo lícito e até desejável fazê-lo de forma a obter maior economia de tributos possível. Há, todavia, uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam exclusivamente reduzir artificialmente a carga tributária. O direito do contribuinte de auto-organizar sua vida não é ilimitado. Os direitos de alguns sofrem limitações impostas pelos direitos de outrem. Atuando dentro da lei, o empresário é livre para gerir os seus negócios, mas não para gerir os negócios do Estado. A mais moderna corrente doutrinária entende que a ótica da análise não deve ser sob o ângulo da licitude ou ilicitude (a licitude é requisito prévio), mas sim, da oponibilidade ou inoponibilidade dos seus efeitos ao fisco. O conceito de legalidade a ser observado não tem sentido estrito de corresponder à conduta que esteja de acordo com os preceitos específicos da lei, mas sim um sentido amplo, de conduta que esteja de acordo com o Direito, que abrange, além da lei, os princípios jurídicos Assim, cada caso deve ser analisado com cuidado, para decidir sobre a oponibilidade ao fisco dos negócios formalizados. Dentro dessa ótica, se o negócio lícito, embora inusual, se apoiar em causas reais, em legítimos propósitos negociais, contra ele o Fisco nada pode objetar. Todavia se adotada uma forma de negócio jurídico inusual, sem um real propósito negocial, mas visando apenas reduzir artificialmente a carga tributária, o Fisco a ele pode se opor." O voto delimita muito bem a discussão travada também nos presentes autos. O fato de uma despesa decorrer de uma operação legal, expressamente prevista na legislação, não autoriza automaticamente sua dedutibilidade tributária. A legalidade da operação é aferida Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 34 33 à luz das legislações societária, civil e outras. A dedutibilidade submete-se às regras estabelecidas nas leis tributárias. Assim, para que determinada despesa seja dedutível do lucro real e da base de cálculo da CSLL, não basta que seja oriunda de uma operação legal. Como fixado pelo art. 299 do RIR/1999, a despesa é dedutível se for necessária às atividades e à produção da empresa. E o requisito da necessidade da despesa é verificada por meio de sua usualidade e normalidade. Em outras palavras, a licitude da operação não implica em automática oponibilidade de seus efeitos ao Fisco. Para operar efeitos tributários, mais do que a conformidade com a lei, a operação deve estar conforme o Direito. No caso analisado no presente processo (o mesmo examinado no voto transcrito há pouco, com a única diferença de tratarem-se de anos-calendário distintos), as seguintes características, analisadas em conjunto e confrontadas com as demais variáveis observadas, levam-me à conclusão pela desnecessidade das despesas decorrentes da operação praticada pela recorrente e, consequentemente, pela sua indedutibilidade: a) a remuneração das debêntures emitidas pela recorrente se deu exclusivamente com base em participação nos lucros da empresa (cada debênture participa com 0,0005% do lucro auferido trimestralmente, antes da provisão para o imposto de renda, totalizando uma participação máxima possível de 70% do resultado apurado); b) a possibilidade de subscrição e integralização das debêntures só foi aberta aos cinco sócios da empresa, então pessoa jurídica de capital fechado; c) a integralização das debêntures subscritas foi realizada por meio de compensação com créditos que os sócios detinham contra a empresa (as primeiras 66.801 foram integralizadas com créditos relativos a dividendos ainda não pagos e as outras 63.855, com créditos atinentes à remuneração das primeiras debêntures), não se verificando efetiva captação de recursos, que seria o objetivo primordial da emissão dos papéis. Ressalto novamente que nenhuma destas características é ilícita ou necessariamente implicaria, por si só, na indedutibilidade das despesas verificadas com a remuneração das debêntures. A conclusão pela indedutibilidade das despesas advém do "conjunto da obra", como se passa a demonstrar. Tratando inicialmente da forma de remuneração das debêntures emitidas pela recorrente, registre-se que o art. 56 da Lei nº 6.404/1976 prevê a possibilidade de que este tipo de título de crédito seja remunerado com base em juros (fixos ou variáveis), participação no lucro da empresa emitente ou ainda prêmio de reembolso: Art. 56. A debênture poderá assegurar ao seu titular juros, fixos ou variáveis, participação no lucro da companhia e prêmio de reembolso. A lei efetivamente não prevê precedência entre as forma de remuneração ou obrigatoriedade de adoção de alguma delas em específico. A escolha é facultativa e pode ser ou não cumulativa. Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 35 34 Ocorre que o fato de a remuneração de debêntures baseada exclusivamente na participação nos lucros da empresa ser legalmente prevista não implica necessariamente que ela seja usual e normal e, portanto, necessária às atividades da empresa emitente. Neste sentido, peço vênia para novamente colacionar trecho do voto lavrado pela i. Conselheira Sandra Maria Faroni no Acórdão nº 101-94.986, em que consta rica análise a respeito do posicionamento doutrinário acerca do tema: "É inegável que a lei faculta a remuneração das debêntures mediante forma de participação nos lucros. Tal consta de disposição literal da lei. Também não há vedação expressa na lei a que essa forma de remuneração seja a única atribuída. Comentando a Lei das Sociedades por Ações, Roberto Barcellos de Magalhães, ao mencionar que as debêntures podem ter remuneração sob a forma de juros, participação nos lucros, prêmios de reembolso ou até correção monetária, registra que "são vantagens que poderão ser deferidas ao debenturista isolada ou cumulativamente, conforme estipulação constante da escritura de emissão e do certificado...". Não se pode, todavia, dizer que essa forma de remuneração seja "usual" e "normal". Pelo menos, pode-se afirmar tratar-se de aspecto controvertido. Falando sobre a Lei 6.404/76 (Nova Lei das S.A.), Amador Paes de Almeida registra: "Ponto altamente controvertido na nova Lei, e que, por isso mesmo, vem se constituindo em objeto de controvérsias, é a regra estabelecida no art. 56, que faculta participação nos lucros da companhia ao debenturista. Manifestando-se a respeito, assim se expressou a Federação do Comércio do Estado de São Paulo: 'A debênture é título característico de empréstimo, sendo os juros e a correção monetária a remuneração a ela peculiar, não se justificando a concessão de vantagens adicionais, dada a natureza do negócio jurídico que origina seu lançamento. Lucro é remuneração de capital de risco e, salvo o caso especial das 'partes beneficiárias', não deve ser estendido a outros títulos que não as ações." José Edwaldo Tavares Borba, (in Direito Societário, 9ª edição, Renovar, Rio de Janeiro, p. 270) comenta: "A debênture, como título de renda fixa, deveria oferecer sempre uma taxa determinada de juros. A atual lei, entretanto, alterando o sistema anterior, estabelece que 'a debênture poderá assegurar juros fixos ou variáveis, participação no lucro da companhia e prêmio de reembolso'. Criam-se, desse modo, alternativas várias para a empresa emitente, que poderá optar entre uma taxa certa de juros e uma taxa variável, ou, até mesmo, fazer depender o rendimento do título do lucro da empresa, dando-lhe caráter de mera participação. Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 36 35 Essa flexibilidade não se afigura conveniente, uma vez que atenta contra a tradição brasileira, a qual, em matéria de títulos de crédito, sempre se fundou na certeza. Uma debênture cujo rendimento depende do desempenho da emitente não é uma verdadeira debênture e sua existência, sob o aspecto psicológico, apresenta a desvantagem de esgarçar a consistência do título, descaracterizando-o," Em nota de pé de página, o mesmo autor registra que Fernando Mendonça (in "Debêntures", Saraiva, São Paulo, 1988, p. 14) não aceita uma debênture sem juros, e assim desenvolve seu entendimento: "Há quem admita, em virtude dos termos da lei atual, que o rendimento da debênture possa consistir, tão somente, em participação no lucro. Não nos parece ser o melhor entendimento" (...) "Interpretação diversa, no sentido de se poder deixar de atribuir juros à debênture, levaria à descaracterização do título. Com efeito, debênture sem juro, com participação no lucro apenas, não teria a natureza de debênture, mas a de parte beneficiária". Modesto Carvalhosa (in Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, Saraiva, S.Paulo, pp. 532 e seguintes) leciona: "Lei n. 6.404, de 1976 A lei faculta a adoção de juros variáveis, além da participação nos lucros e prêmio de reembolso como forma de remuneração do capital debenturístico. Ao assim facultar, a lei não exige a cumulatividade de vantagens ou a alternatividade. O caráter facultativo permite a atribuição de outras vantagens remuneratórias complementares, que façam as debêntures atrativas e com melhor colocação no mercado. Fica então reafirmado o princípio da onerosidade e comercialidade da debênture, que não poderá deixar de oferecer vantagem pecuniária, compativelmente remuneratória do capital mutuado. ...................... ....., os juros fixos constituem a remuneração básica e indeclinável das debêntures, sendo as demais modalidades acessórias daqueles, como a participação nos lucros da companhia e/ou o prêmio de reembolso. ...................... Juros como remuneração necessária Os juros constituem, como referido, a forma necessária de remuneração dos recursos emprestados pelos Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 37 36 debenturistas à companhia. Sendo a remuneração própria do capital. Os juros serão sempre devidos. Participação nos lucros não é substitutiva dos juros, mas adicional A remuneração adicional de participação nos lucros da companhia emissora já estava prevista no Decreto-lei n° 718, de 1938, que admitia a emissão de debêntures com renda variável, ajustada à lucratividade da empresa. A menção a essa faculdade na lei vigente prende-se mais à diversidade de remuneração das debêntures adotada no direito norte-americano, cujos usos, no entanto, pouco têm que ver com o nosso sistema. As idéias fora de lugar ainda aí prevaleceram, como se percebe na canhestra redação do artigo, que dá a impressão de que a participação nos lucros poderia constituir remuneração substitutiva dos juros. Tal prática no direito norte-americano, ou seja, de substituição de juros por participação nos resultados das empresas, dá-se na reorganização de empresas insolventes (reorganization). Nesse caso, propõe a administração aos credores debenturísticos a substituição dos juros por uma remuneração advinda de lucros líquidos (net profits) ou de lucros líquidos do exercício (earned profits). Criam-se assim, para esses casos de empresas insolventes sujeitas à reorganization, planos substitutivos de falência pura e simples, os famosos incorr bonus (cumulative e nom cumulative incorr bonus). Pela razão mesma de surgirem no bônus de uma repactuação sempre dramática entre os credores debentirísticos e a empresa pré-falida, são também chamados Adjustment bonus. Entre nós, o instituto norte-americano assimilável é o participating bonus, que concede, além dos juros, a participação dos debenturistas nos lucros. A causa dessa dupla remuneração é óbvia, tanto aqui como lá, ou seja: visa atrair para a emissão dos títulos uma vantagem adicional, consistente na participação nos lucros sociais. Os participating bonus, com efeito, são a única modalidade que se pode admitir em nosso direito, em face do caráter oneroso e mercantil do empréstimo debenturístico, que não poderia sujeitar o tomador ao não recebimento de remuneração nos exercícios em que não houvesse lucros. A periodicidade da remuneração do capital integra a própria natureza do mútuo debenturístico, não se podendo admitir que a pretensão de recebê-los ficasse suspensa nos exercícios vários em que não houvesse ou fossem insuficientes os lucros apurados. Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 38 37 Trata-se, pois, a participação nos lucros de remuneração adicional ou complementar àquela de juros periódicos. Críticas à participação nos lucros A inclusão na lei de emissão de debêntures com participação nos lucros da companhia, embora admitida no direito comparado, tem sido alvo de críticas. Argumentam tratar-se de empréstimo, sendo, portanto, a remuneração originada de lucros descaracterizadora do mútuo. Isto porque retiraria o requisito de certeza da dívida. Comenta-se, outrossim, que tal cláusula remuneratória afastaria a liquidez do título, requisito essencial à sua cobrança por via de execução, prevista no art. 596 do Código de Processo Civil. Haveria a descaracterização absoluta do título que, de certeza, passaria a tornar-se de risco, à semelhança das ações representativas do capital da companhia. Vantagens da remuneração adicional em participação nos lucros Não há, mesmo, como admitir substitutivamente a remuneração via lucros por aquela dos juros. Se assim fosse, estaria, com efeito, desfigurada a debêntures como título de dívida comercial, líquida e certa. Ocorre que a lei ao facultar a participação no lucro da companhia o faz como prêmio, adicional, portanto, aos juros fixos estabelecidos. E o faz como substitutivo do prêmio representado pela concessão de juros variáveis ... ....................... A causa desse prêmio é a mesma dos juros variáveis, ou seja, sustentar as debêntures de determinada classe no mercado, promovendo assim sua valorização e a sua liquidez. Isto posto, fica evidente que a participação no lucro da companhia constitui vantagem adicional, não podendo substituir a remuneração pecuniária certa, representada pelos juros fixos." Como se vê, não obstante prevista em lei, não parece ser tão pacífico que a remuneração das debêntures sob forma exclusiva de participação no lucro seja normal. Embora, talvez, legal, não há evidências de que essa forma de remuneração seja usual. Inegavelmente, a operação praticada não encontra vedação expressa na lei. Mas isso não significa que se trate de operação usual e normal, a respaldar a dedutibilidade da remuneração das debêntures emitidas." (grifou-se) Os doutrinadores citados são unânimes ao considerar que as debêntures, como títulos de renda fixa que são, sempre deveriam oferecer alguma remuneração baseada em juros fixos. A remuneração fundada apenas na participação nos lucros descaracteriza o mútuo que define a debênture, afastando suas certeza e liquidez. Assim, o título passa a ostentar Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 39 38 características muito mais assemelhadas às de partes beneficiárias do que de debêntures propriamente ditas, fugindo da sua configuração normal. Ainda em relação à forma de remuneração eleita pela recorrente, há de se destacar a anormalidade e a inusualidade verificadas em uma situação em que a empresa abdica de 70% (ou algo próximo disso) de seu lucro em favor de seus debenturistas. Embora a recorrente tenha alegado por diversas vezes que a remuneração efetivamente paga nunca chegou aos 70% de seu lucro, o fato é que 130.656 das 140.000 debêntures emitidas foram subscritas e integralizadas. Isso significa que, a partir de janeiro de 2001, 65,328% do lucro que a recorrente viesse a auferir em qualquer trimestre estariam comprometidos com o pagamento de remuneração aos debenturistas. Convenhamos que a diferença percentual verificada não altera os termos da análise a ser desenvolvida. A recorrente defende que não há regra legal que preveja um percentual máximo de participação nos lucros que pudesse ser estipulado como remuneração de debêntures. Segundo sua tese, os títulos são de risco, em razão de sua remuneração baseada exclusivamente em participação nos resultados. Por este motivo, justificar-se-ia a exigência, pelos debenturistas, de um percentual de participação mais elevado. A despeito dos argumentos elencados pela recorrente, é evidente que causa estranheza o fato de qualquer pessoa jurídica com fins lucrativos concordar em comprometer mais de 65% de seu lucro, ainda mais por prazo indeterminado (a escritura de emissão da debêntures não trouxe data de vencimento para os títulos). A prevalecerem as razões da recorrente, uma pessoa jurídica poderia abdicar mesmo de 100% de seu lucro, desde que a debêntures remuneradas pudessem ser encaradas como títulos de risco suficientemente alto. A emissão de debêntures nestes moldes levaria a uma absurda situação em que simplesmente deixaria de existir lucro tributável na pessoa jurídica. Tudo em nome da alegada liberdade negocial de que dispõem as pessoas jurídicas de direito privado. Analisando a situação da recorrente, mas em relação a infrações tributárias praticadas no ano-calendário de 2002 (processo nº 13896.002592/2007-93), o i. Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, designado como Redator do voto vencedor do Acórdão nº 1102-00.659, de 31/01/2012, assim se pronunciou a respeito do tema sob discussão: "Deste modo, conquanto também não tenha a lei tributária expressamente estabelecido limite ou condição à dedutibilidade das participações pagas a debenturistas, evidentemente não é o intuito da lei permitir, ou mesmo incentivar, por exemplo (e ainda que não seja o caso presente) que 100% dos lucros da empresa possam ser a eles destinados, posto que isto significaria simplesmente a extinção da tributação na pessoa jurídica, sendo desnecessário, neste sentido, que a lei expressamente faça tal ressalva. Do exposto, tenho como certo que as participações pagas a debêntures também tem de atender aos critérios de necessidade, usualidade, e normalidade, assim como todos os demais custos e despesas operacionais também têm de fazê-lo. Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 40 39 Neste contexto, a emissão de debêntures sem previsão de juros, com remuneração atrelada unicamente aos lucros da empresa, em percentual de até 70% destes, oferecidas e subscritas exclusivamente pelos sócios da empresa, mediante a simples conversão de valores a eles devidos pela empresa, não é operação que se enquadre nos conceitos de usualidade, normalidade e necessidade." Foge à razoabilidade, portanto, a remuneração de debêntures baseada em participação nos lucros estabelecida em um percentual de tal magnitude que possibilite o esvaziamento da tributação na pessoa jurídica emitente dos papéis e desvirtue a vontade do legislador. Tal operação obviamente foge aos parâmetros de normalidade da atuação de qualquer empresa. Outras características anormais e inusuais do caso sob análise, já identificadas alhures, dizem respeito ao fato de os sócios da empresa serem os únicos debenturistas e à inexistência de efetivo ingresso de recursos na pessoa jurídica por ocasião da integralização dos papéis subscritos. A razão de existir das debêntures é a necessidade que empresas eventualmente possam ter de se capitalizar, de captar recursos financeiros, por qualquer que seja o motivo. No caso sob análise, a recorrente afirma que precisava dos recursos para implementar um ciclo de crescimento. Apesar de a escritura particular de emissão das debêntures da recorrente prever, em seu item 6, que os papéis seriam subscritos pelo seu valor nominal e que a integralização ocorreria à vista no ato da subscrição, não houve captação de recursos quanto as debêntures subscritas foram integralizadas pelos cinco sócios da empresa emitente. Todas as 130.656 debêntures subscritas foram integralizadas por meio de compensação entre contas representativas de obrigações da empresa perante seus sócios. A integralização das primeiras 66.801 debêntures se deu mediante compensação com dividendos já distribuídos mas ainda pendentes de pagamento. Já as demais 63.855 foram integralizadas com a utilização de créditos oriundos de remuneração relativa às primeiras debêntures. O que ocorreu de fato foi uma simples alteração do título jurídico da obrigação que a recorrente tinha com seus sócios: de dividendos a pagar para debêntures a pagar. Tratou-se de fato contábil comutativo, que altera a composição de elementos patrimoniais sem provocar alterações no Patrimônio Líquido da entidade. Portanto, quando se afirma que não houve efetivo ingresso de recursos por ocasião da subscrição e integralização das debêntures emitidas pela recorrente, não se trata de exigência de efetiva circulação monetária, em seu sentido físico, para o interior dos cofres da empresa. O que se verificou no caso foi a ausência de efetiva alteração quantitativa do patrimônio da pessoa jurídica. Tal fato comprova a desnecessidade da operação de emissão de debêntures pela recorrente. A existência de dividendos já distribuídos contabilmente não obrigaria uma sociedade de capital fechado (como era a recorrente à época) ao seu imediato pagamento. Os mesmos cinco sócios que, em tese, poderiam exigir o pagamento imediato dos dividendos a que teriam direito, deliberaram em assembleia pela emissão das debêntures. Nada os impedia Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 41 40 de deixar os recursos financeiros correspondentes aos dividendos à disposição da empresa por um período maior. Os efeitos, para fins de captação de recursos, seriam exatamente os mesmos verificados no processo de emissão de debêntures levado a cabo pela recorrente. O argumento apresentado pela defesa, no sentido de que a instrumentalização e a transformação da dívida eram mandatórias diante da necessidade de satisfação da obrigação perante os sócios, somente faria sentido se estivéssemos tratando de uma empresa de capital aberto. Nesta hipótese, diante da exigência dos acionistas pelo efetivo pagamento dos dividendos e de uma eventual necessidade de não descapitalização da empresa, poder-se-ia justificar a efetiva necessidade de imediata captação de recursos por meio da emissão de debêntures. Mas não foi isso que se verificou no processo sob exame. Os sócios da recorrente optaram por converter a dívida de dividendos em debêntures e passar a receber a remuneração de 70% dos lucros apurados, concomitantemente com os dividendos auferidos a partir de então, em patamar obviamente reduzido pela nova dedução criada. Poderiam ter simplesmente deixado em aberto por mais tempo o saldo dos dividendos a que tinham direito e seguir recebendo os dividendos apurados a partir de então em seu patamar normal, sem a influência de uma dedução que reduzisse o lucro tributável e o total dos dividendos auferidos. Os efeitos financeiros para a empresa, no que atine aos recursos sobre os quais tinha disponibilidade, seriam exatamente os mesmos. É improcedente, portanto, o argumento de que a emissão das debêntures foi necessária. Toda a operação foi desnecessária, assim como o foram as despesas dela decorrentes. Dentro dos parâmetros de usualidade e normalidade do mercado, uma pessoa jurídica jamais concordaria em abrir mão, por prazo indeterminado, de mais de dois terços de seu lucro em favor de debenturistas. A única hipótese em que se poderia vislumbrar tal possibilidade seria no caso atípico de um empresa em extrema necessidade de rápida captação de recursos novos. Não há dúvidas de que não era este o caso da recorrente. A forma de remuneração das debêntures só foi fixada em 70% dos lucros da recorrente porque já se sabia que os únicos debenturistas seriam os sócios da empresa. Aliás, toda a operação só foi realizada nos moldes verificados porque os papéis de investidor e de investida estavam nas mãos das mesmas cinco pessoas físicas, sócios da recorrente. As pessoas que deliberaram pela emissão das debêntures, formatando os aspectos do negócio, são as mesmas que viriam a figurar como debenturistas. Está aí uma das principais provas da anormalidade e da inusualidade da operação. Na forma atípica em que foi concebido o negócio jurídico, verifica-se a criação de uma certa confusão patrimonial, uma vez que o lucro da empresa, mediante a dedução da despesa relativa à remuneração das debêntures, é majoritariamente transferido para as pessoas físicas dos próprios sócios, que deveriam receber dividendos pela detenção do capital social (rubrica não dedutível do lucro líquido). Assim, a empresa tem personalidade jurídica, possui patrimônio próprio, responde por seus atos, exerce a atividade prevista no objeto social, mas a maior parte do lucro não é dela, mas dos sócios pessoas físicas no papel de debenturistas. Tal configuração, obviamente, não gera prejuízos para a empresa ou para seus sócios/debenturistas, mas somente para o Fisco e para a sociedade. Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 42 41 A forma eleita pelos sócios da recorrente para a emissão/remuneração das debêntures não lhes acarretava nenhuma perda, qualquer que fosse o resultado auferido no trimestre. Caso houvesse prejuízo, a empresa ficaria dispensada de remunerar os sócios- debenturistas e estes não veriam seu empreendimento ser descapitalizado. Já na hipótese de lucro, a empresa deveria remunerar os sócios-debenturistas, mas reduziria seu lucro tributável a 30%, enquanto os sócios-debenturistas seriam remunerados com 70% do lucro auferido, devendo pagar o imposto de renda retido da fonte à alíquota de 20%, bem mais vantajosa do que a tributação que ocorreria sobre o lucro na pessoa jurídica (IRPJ de 15% mais 10% de adicional, além dos 9% de CSLL). Reitere-se que não se pretende aqui contestar a liberdade de que dispõem os empresários para administrar seus empreendimentos da forma que melhor lhes aprouver, direito garantido pelo ordenamento jurídico brasileiro. O que está em discussão são os efeitos tributários do negócio jurídico praticado pela recorrente e seus sócios. Nem todos os atos negociais, ainda que conformes à legislação, podem ser opostos ao Fisco para fins de redução da carga tributária. A este respeito, irretocáveis as colocações da i. Conselheira Sandra Maria Faroni constantes de trecho já reproduzido do voto condutor do Acórdão nº 101-94.986. Concordo integralmente com a nobre Conselheira quando diz que o direito do empresário de gerir seus negócios com inteira liberdade não é ilimitado, devendo respeitar os direitos de outrem. Mais do que estar de acordo com a lei, a conduta deve guardar conformidade com o Direito, em que se inserem os princípios jurídicos. Assim, um negócio lícito que se apoie em causas reais, em legítimos propósitos negociais, pode ser oposto ao Fisco. Já o negócio lícito desnecessário, sem real propósito negocial, que vise simplesmente a redução artificial da carga tributária, não obriga o Fisco a acatar os efeitos desejados pelo empresário. É justamente o que se verificou na operação esquadrinhada nos presentes autos. A emissão de debêntures pela recorrente, subscritas somente por seus sócios, integralizadas mediante compensação entre contas referentes a obrigações que a empresa tinha com estes e remuneradas exclusivamente com participação de 70% dos lucros auferidos trimestralmente, não pode ser considerada uma operação normal, usual ou necessária às atividades da empresa. A operação claramente foi projetada como uma forma de instrumentalizar a distribuição de dividendos da empresa por meio da criação artificial de despesas dedutíveis. O objetivo era trocar a tributação dos resultados na pessoa jurídica (34%, entre IRPJ e CSLL) pela incidência de 20% de imposto de renda retido em fonte sobre as remunerações pagas às pessoas físicas beneficiárias das debêntures, não por acaso os sócios da recorrente. A recorrente, sem incorrer realmente em despesa alguma, criou uma operação que lhe permitiu reduzir artificialmente seu lucro tributável em 70%. E a razão de não ter havido nenhuma despesa efetiva é que a participação nos lucros já estava assegurada às cinco pessoas físicas que subscreveram as debêntures, por ser inerente à sua condição de sócio da empresa. Diante de tal análise, outra conclusão não se alcança senão a de que as despesas decorrentes do pagamento das debêntures emitidas pela contribuinte não podem ser Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 43 42 consideradas normais, usuais ou necessárias às suas atividades. Não podem também, portanto, ser consideradas dedutíveis do lucro tributável no ano-calendário de 2001. Vencida a discussão acerca da principal matéria dos autos, passa-se à análise da tese que a contribuinte expôs de forma subsidiária em seu recurso especial. Defende a recorrente que, mesmo que as despesas oriundas da remuneração de suas debêntures sejam consideradas indedutíveis da base de cálculo do IRPJ, elas não o seriam em relação à base de cálculo da CSLL, "uma vez que não estão incluídas dentre os ajustes previstos na Lei nº 7.698/88 e alterações posteriores, que cuidam especificamente da base de cálculo da referida contribuição". Não discordo da recorrente quando esta afirma que a regra do art. 57 da Lei nº 8.981/1995 manteve separadas as bases de cálculo e as alíquotas previstas para o IRPJ e a CSLL. Embora estipule que as normas de apuração e de pagamento do IRPJ se aplicam à CSLL, o próprio dispositivo declara em seguida que serão "mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor": Art. 57. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (grifou-se) Não há dúvidas de que a legislação prevê ajustes específicos (adições e exclusões) que não abrangem os dois tributos. Tampouco se discute que nem todos os ajustes de um tributo serve ao outro. Se o art. 57 da Lei nº 8.981/1995 houvesse produzido uma coincidência plena entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, seria inteiramente dispensável que normas posteriores a ele viessem estabelecer pontualmente, em determinadas situações, a equiparação. Por exemplo, o art. 60 do Decreto-Lei nº 1.598/1977 (base legal do art. 464 do RIR/1999) estabelece que, na determinação do lucro real, devem ser adicionados os valores caracterizados como distribuição disfarçada de lucros. Se o art. 57 da Lei nº 8.981/1995 houvesse equiparado as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a partir de então a distribuição disfarçadas de lucros também deveria ser adicionada à base de cálculo da CSLL. Conclui-se que não era este o caso a partir do momento em que o art. 60 da Lei nº 9.532/1997, abaixo transcrito, veio estabelecer expressamente esta adição à base de cálculo da CSLL. Qual seria o sentido dessa nova norma legal promulgada em 1997 se já houvesse, desde 1995, equiparação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL determinada pelo art. 57? Art. 60. O valor dos lucros distribuídos disfarçadamente, de que tratam os arts. 60 a 62 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, com as alterações do art. 20 do Decreto-Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, serão, também, adicionados ao lucro líquido para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 44 43 Assim, se existem normas posteriores ao art. 57 da Lei nº 8.981/1995 que vêm pontualmente determinar a adição de certos valores à base de cálculo da CSLL, valores estes que antes só eram adicionados ao lucro real, é de se concluir inexoravelmente que o referido art. 57 não equiparou as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ocorre que tal constatação não é suficiente para sustentar o pleito da recorrente de que as despesas decorrentes da remuneração das debêntures de sua emissão não sejam adicionadas à base de cálculo da CSLL. Isto porque o art. 13 da Lei nº 9.249/1995 determina a adição, à base de cálculo da contribuição, das despesas consideradas desnecessárias: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) Observe-se que o art. 47 da Lei nº 4.506/1964, a que se refere o dispositivo reproduzido, é o fundamento legal do art. 299 do RIR/1999, que dispõe exatamente sobre os requisitos da necessidade, usualidade e normalidade para a dedutibilidade das despesas, já exaustivamente discutidos neste tópico. Assim, o texto legal acima transcrito evidencia claramente o vínculo entre a apuração da base cálculo da CSLL e os referidos requisitos para a dedutibilidade de despesas. Do contrário não faria nenhum sentido a ressalva contida no texto. Com efeito, se o texto diz que para uma determinada situação deve se aplicar "A" independentemente de "B", é porque "B" também é aplicável àquela mesma situação. Concluo, desse modo, que as despesas associadas ao pagamento da remuneração das debêntures de emissão da recorrente também não são dedutíveis da base de cálculo da CSLL apurada no ano-calendário de 2001. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte no que se refere ao pedido de cancelamento das glosas de despesas relativas à remuneração de debêntures, deduzidas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano-calendário de 2001. 2) Possibilidade de aproveitamento do IRRF recolhido sobre as remunerações pagas A recorrente apresentou ainda o seguinte pedido subsidiário: caso não se reconheça a dedutibilidade das despesas advindas da remuneração das debêntures de sua emissão, que lhe seja permitido deduzir do crédito tributário os valores de IRRF recolhidos sobre as parcelas recebidas pelos debenturistas. Fundamentou tal pedido na afirmação de que a desconsideração dos efeitos fiscais do negócio jurídico das debêntures não pode ficar limitada a apenas um de seus efeitos (a glosa das despesas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL), mas deve produzir todos eles, inclusive sobre os pagamentos de IRRF feitos em virtude do mesmo negócio. Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 45 44 Apreciando o mesmo pedido, formulado em outros autos, o voto condutor do multicitado Acórdão nº 101-94.986 expôs o seguinte entendimento: "(...) ao se considerar como indedutíveis as despesas correspondentes aos rendimentos de debêntures, na realidade está-se tratando os valores contabilizados a título de remuneração de debêntures como lucros distribuídos. Nesse caso, não cabe o imposto de renda retido na fonte, (...)" Neste aspecto particular, divirjo daquela decisão. No que se refere à possibilidade de se deduzir do IRPJ lançado o IRRF recolhido sobre os rendimentos pagos aos debenturistas, entendo que não há fundamento legal para a compensação pretendida. Isto porque não houve a desconsideração da despesa, como se inexistente fosse, mas simplesmente a negação dos efeitos tributários pretendidos pela contribuinte (dedutibilidade da despesas associadas aos pagamentos). No caso sob exame, os valores pagos como remuneração de debêntures não foram considerados como lucros distribuídos, mas apenas como despesas indedutíveis. Aliás, mesmo que se chegasse à conclusão de que não era cabível a cobrança de imposto de renda sobre os valores pagos (o que se admite apenas como hipótese argumentativa), seriam as pessoas físicas debenturistas as únicas possíveis beneficiárias de eventual restituição. As retenções incidiram sobre rendimentos das pessoas físicas investidoras, e não da pessoa jurídica investida. Logo, não podem beneficiar a pessoa jurídica. Assim fundamentou o voto vencedor do acórdão recorrido o provimento dado ao recurso de ofício a respeito do tema: "Em relação ao aproveitamento do IRRFonte, retido por ocasião do pagamento da remuneração das debêntures aos seus beneficiários (acionistas), para fins de compensação/dedução do IRPJ exigido na autuação, entendo por discordar da posição adotada pelo acórdão recorrido. Em primeiro lugar, porque essa compensação/dedução carece de qualquer fundamento legal. E veja-se, que nesse ponto, o acórdão recorrido não apresentou qualquer base legal que justificasse a dedução do IRPJ lançado. E o fundamento legal para essa compensação não existe, porque se estaria deduzindo do imposto de renda da pessoa jurídica- IRPJ devido pela autuada, um imposto de renda na fonte- IRRFon que incidiu sobre rendimentos de terceiros, no caso os beneficiários da remuneração das debêntures, que são os sócios, o que, como já dito, carece de qualquer fundamento legal. No caso em tela, em que ocorreu a indedutibilidade da despesa com a remuneração das debêntures emitidas, o imposto de renda é exigido da autuada na condição de "contribuinte" do IRPJ. Já no caso da retenção do imposto de renda na fonte-IRRFonte, a autuada atua como "responsável" por essa retenção, uma vez que os contribuintes são os sócios beneficiários dos rendimentos Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 46 45 das debêntures. Assim, não há como efetuar a dedução do IRPJ de um contribuinte (autuado) utilizando-se do IRRFon pertencente à outro contribuinte (sócios)."(grifou-se) Entendo que o posicionamento exposto não merece reparo algum. A Fiscalização fundamentou a glosa objeto dos presentes autos de infração no art. 299 do RIR/1999, por entender que os pagamentos efetuados pela recorrente, relativos à remuneração de debêntures de sua emissão, são despesas desnecessárias e, portanto, indedutíveis. Já a retenção do imposto de renda na fonte deve-se ao disposto no art. 729 do RIR/1999, que obriga a retenção sobre rendimentos produzidos por aplicações financeiras auferidos por qualquer beneficiário, que no caso dos autos foram as pessoas físicas dos sócios. Em resumo: o IRPJ devido pela pessoa jurídica não tem qualquer relação com o IRRF, de tributação exclusiva na fonte, retido e incidente sobre os rendimentos pagos às pessoas físicas. Nos termos do disposto no art. 733 do RIR/1999, a recorrente figurou somente como responsável pela retenção do imposto por ter efetuado o pagamento dos rendimentos. Logo, totalmente incabível cogitar-se de uma compensação (ou dedução, como prefere a recorrente) entre o IRPJ lançado contra a recorrente na condição de contribuinte e o imposto de renda que ela reteve em fonte e recolheu aos cofres públicos no papel de responsável pelo pagamento das remunerações aos debenturistas. Corrobora esta tese o art. 166 do Código Tributário Nacional, que trata especificamente de restituição mas cuja ratio legis aplica-se perfeitamente ao caso em questão. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. Também vai no mesmo sentido o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que considera como não declarada a compensação que tenha por escopo a utilização de créditos pertencentes a terceiros: art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo o contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II - em que o crédito: Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 47 46 a) seja de terceiros; (...) Por fim, reproduzo as lúcidas considerações do ex-Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior perfiladas na declaração de voto do Acórdão nº 101-94.986, que pesaram na formação da minha convicção na parte relativa ao IRRF: "Daí nossa primeira objeção com a decisão alcançada no brilhante voto da douta Relatora, pois se de pura desnecessidade se tratasse, não se poderia prover parcialmente o recurso com a dedução do imposto retido na fonte quando do pagamento das participações de lucros (encargos) relativas às debêntures. A desnecessidade da despesa não poderia descaracterizar sua natureza, permanecendo como encargos pagos e tributáveis. No momento em que se provém parcialmente o recurso para descontar o valor retido na fonte estar-se-ia a considerar os pagamentos não mais como encargos tributáveis, mas como lucros não tributáveis, fato que é bastante diverso da imputada infração de desnecessidade da despesa." Como de pura desnecessidade das despesas se trata no presente julgamento, não se pode prover o pedido de dedução do imposto retido na fonte. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte também em relação a este pedido, tendo oferecido a seguinte proposta de ementa para este ponto: DEDUÇÃO DO IR-FONTE RECOLHIDO NA REMUNERAÇÃO DAS DEBÊNTURES. CONTRIBUINTE VERSUS RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Considerando-se que não houve a desconsideração do negócio das debêntures e das despesa relacionadas à sua remuneração, mas simplesmente a negação da dedutibilidade fiscal pretendida pela contribuinte, não cabe a compensação do IRRF recolhido sobre os rendimentos pagos aos debenturistas. Mesmo que se entendesse descabida a cobrança do IRRF, ainda assim a compensação seria impossível, uma vez que o ônus do imposto foi do debenturista e não da fonte pagadora, que atuou como simples responsável tributária no que diz respeito ao IRRF. Desse modo, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito: - negar-lhe provimento quanto ao pedido de cancelamento das glosas das despesas decorrentes do pagamento de remuneração de debêntures de sua emissão, mantendo- se o lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL do ano-calendário de 2001; - negar-lhe provimento quanto ao pedido de dedução dos valores de IRRF recolhidos sobre as remunerações pagas aos debenturistas ao longo do ano-calendário de 2001. Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 13899.001314/2006-16 Acórdão n.º 9101-002.535 CSRF-T1 Fl. 48 47 É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2278DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.721953/2013-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. VALE-TRANSPORTE.
"A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia." (Súmula CARF nº 89)
FATOR DE ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO - FAP. DISCORDÂNCIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não detém competência para decidir sobre inconformismo do contribuinte acerca da definição do FAP, especificado pelo Ministério da Previdência Social, sendo que, nos termos do art. 202-B do Decreto nº 3.048/1999, eventuais contestações devem ser opostas perante este Ministério.
ALÍQUOTA RAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Nos termos do art. 202 do RPS/1999, a alíquota RAT aplicável é aquela atribuida à atividade na qual se encontram o maior número de segurados empresados ou trabalhadores avulsos. Cabe à Contribuinte apresentar provas que contradigam as informações prestadas por ela mesma no preenchimento da GFIP.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM PROCESSO DECORRENTE DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível analisar, em sede de julgamento de Recurso Voluntário contra auto de infração, a existência ou não de direito creditório da Contribuinte.
Numero da decisão: 2202-003.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores referentes ao auxílio transporte.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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VALETRANSPORTE. "A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia." (Súmula CARF nº 89) FATOR DE ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP. DISCORDÂNCIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não detém competência para decidir sobre inconformismo do contribuinte acerca da definição do FAP, especificado pelo Ministério da Previdência Social, sendo que, nos termos do art. 202B do Decreto nº 3.048/1999, eventuais contestações devem ser opostas perante este Ministério. ALÍQUOTA RAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Nos termos do art. 202 do RPS/1999, a alíquota RAT aplicável é aquela atribuida à atividade na qual se encontram o maior número de segurados empresados ou trabalhadores avulsos. Cabe à Contribuinte apresentar provas que contradigam as informações prestadas por ela mesma no preenchimento da GFIP. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM PROCESSO DECORRENTE DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível analisar, em sede de julgamento de Recurso Voluntário contra auto de infração, a existência ou não de direito creditório da Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 19 53 /2 01 3- 07 Fl. 421DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores referentes ao auxílio transporte. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Recorrente para constituir débito fiscal referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Intimado, o sujeito passivo apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Insatisfeito, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que ora se analisa. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 03/12/2013 foi lavrado auto de infração (fls. 3/20) (DEBCAD nº 51.048.4727) para constituir débito fiscal referente a Contribuições Sociais Previdenciárias, especificamente Contribuição da Empresa sobre a Remuneração de Empregados e Contribuição das Empresas para Financiamento dos Benefícios em Razão da Incapacidade Laborativa, no valor de R$ 1.858.742,05, além de juros e de multa de ofício. Conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 21/34), o sujeito passivo havia apresentado documentação incompleta. Dessa forma, com base nas informações fornecidas pelo próprio Contribuinte durante a fiscalização, entendeu ser necessário realizar lançamento complementar. Também, que deixou de informar o índice do Fator Acidentário Previdenciário FAP e que alculou a alíquota de RAT à base de 1%, quando deveria têlo feito à alíquota de 2%, vez que o seu CNAE Fiscal é 8411600, como de todos os demais municípios. Ainda no Relatório Fiscal, a autoridade lançadora anotou que foram lavrados outros autos de infração com base nos mesmos dados, os quais se consolidaram no processo nº 10670721954/201343. Especificamente, os DEBCADs nº 51.048.4735 e nº 51.048.4733, referentes às Contribuições sociais Patronal e de Terceiros. Intimado em 19/12/2013 (fl. 331), o Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 336/351 e docs. anexos fls. 352/370) em 20/01/2014, argumentando, em síntese: · Que as rubricas não incluídas pelo município na base de cálculo das contribuições previdenciárias referemse "a servidores públicos Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10670.721953/201307 Acórdão n.º 2202003.770 S2C2T2 Fl. 422 3 municipais efetivos, que se enquadram no Regime Próprio de Previdência Social dos Servidores Públicos, não sendo de competência da Receita Federal do Brasil a fiscalização e lançamento dos respectivos tributos" fl. 337; · Que, com base na previsão do art. 40 da CF/1988, a Lei municipal nº 2.101/1993 estabeleceu o regime especial de previdência para seus servidores públicos. Nesse caminho, as parcelas que são pagas exclusivamente a esses servidores, tais como o abono de 3%, os quinquenios e biênios, devem compor a base de cálculo desse RPPS e não a da RGPS, como quis a autoridade lançadora; · Que a Lei municipal nº 3.175/2003, em seu art. 71, regula o abono família, o qual só é pago aos servidores municipais que recebam até duas vezes o menor vencimento básico pago pela prefeitura. Também, que é pago proporcionalmente aos dependentes desse servidor, de sorte que não se desconfigura a sua natureza indenizatória; · Que o auxílio transporte também tam natureza indenizatória, natureza essa que o simples fato de ser pago em pecúnia não desconfigura. Aponte nesse sentido, inclusive, a Súmula nº 60 da AGU; · Que a alíquota do FAP é inconstitucional e ilegal, porquanto, a despeito de ter sido elaborada por Lei, esta não estabeleceu a alíquota aplicáveis, deixando para a regulamentação do poder executivo, por meio de Decreto, o que fere o art. 150, I, da CF/1988 e o art. 97, IV, do CTN; · Que, a despeito dos argumentos acima, o Município informou em sua GFIP o índice 1,00% refere ao FAP, índice esse apurado em atendimentos às normas legais e infralegais; · Que, ainda no tocante ao índice FAP, a autoridade lançadora não apontou a fórmula nem os cálculos utilizados para alcançar o índice de 1,3481 utilizado no auto de infração; · Que o índice de 1% para o RAT, utilizado pela Municipalidade, está correto, vez que encontra amparo no art. 22 da Lei nº 8.212/1991. Inclusive, que a Lei não estabelece vínculo entre a atividade principal declarada no CNAE e o índice do RAT, como quer a autoridade lançadora; · Que não deve ser aplicada a multa de ofício, porquanto a Contribuinte não desrespeitou nenhuma Lei. Ainda que seja mantido o lançamento, a multa aplicada é confiscatória, ferindo os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; e · Que a própria autoridade lançadora constatou a ocorrência de recolhimentos a maior em relação aos valores declarados na GFIP e, se for mantido o lançamento, pede que haja compensação dos valores. Fl. 423DF CARF MF 4 Levado a julgamento em 1º grau, a DRJ negou provimento à impugnação no acórdão nº 0734.911 (fls. 375/395), de 29/02/2014, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 DEBCAD nº 51.048.4727 PAGAMENTO DE ABONO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculado do salário por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valetransporte concedido em desacordo com a legislação própria constitui fato gerador da contribuição da empresa e integra o saláriodecontribuição. SAT/RAT. É obrigação da empresa o recolhimento de contribuições para o SAT/RAT, de acordo com o enquadramento de sua atividade preponderante. REQUISITOS PARA DEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. A restituição ou a compensação de quantias recolhidas indevidamente a título de tributo administrado pela RFB, somente será possível se cumpridos os requisitos exigidos na legislação pertinente. MULTA DE OFÍCIO. Sempre que restar configurada uma das situações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10670.721953/201307 Acórdão n.º 2202003.770 S2C2T2 Fl. 423 5 Intimado dessa decisão em 30/06/2014 (fl. 396), e ainda insatisfeito, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 398/413) em 25/07/2014, insistindo nos mesmos argumentos já ventilados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Regime Próprio de Previdência Social: Argumenta o Contribuinte que, nos termos do art. 40 da CF/1988, a Lei Municipal nº 2.101/1993 instituiu o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), razão pela qual a Receita Federal não tem competência para fiscalizar e lançar os tributos referentes às rubricas pagas exclusivamente aos servidores públicos municipais. Em análise desse argumento, a DRJ chamou atenção ao fato de que a autoridade lançadora excluiu os segurados vinculados ao RPPS da base de cálculo, tributando apenas as rubricas pagas aos segurados vinculados ao RGPS. Apontou ainda que tendo a autoridade lançadora se embasado nas informações fornecidas pela própria Contribuinte, especificamente GFIP e folha de pagamento cabia à Impugnante, ora Recorrente, trazer provas indicando quais dos segurados incluídos no lançamento eram vinculados ao RPPS. Pois bem. Como bem anotou a decisão recorrida, a autoridade lançadora registrou no item 5.8. do seu Relatório Fiscal o seguinte: "O arquivo digital de folha de pagamento contemplou todos os segurados do município, inclusive os vinculados ao Regime Próprio de Previdência. Na análise das informações constatamos que os segurados vinculados ao regime próprio foram todos classificados como pertencendo à categoria "12". Desta forma, para extrair as informações corretas, excluímos dos arquivos digitais os segurados relativos à categoria 12 de forma que os segurados remanescentes correspondiam aos vinculados ao Regime Geral de Previdência." fl. 27 Mais: já durante a fiscalização, o anexo ao Termo de Intimação Fiscal nº 02 deixou claro que os valores identificados como divergentes referiamse à massa salarial "exceto Contribuinte Individual e Regime Próprio" (fl. 79). Fl. 425DF CARF MF 6 A Contribuinte não trouxe tais provas em sede de Impugnação e, mesmo ciente dessa decisão e da relevância de tal prova, tampouco trouxea em sede de Recurso Voluntário. Apenas argumentou que estavam inclusos na base de cálculo valores pagos apenas aos servidores, sem apresentar provas de quem eram essas pessoas e de que efetivamente eram servidores públicos. Portanto, ante a inexistência de provas que refute o quanto afirmado pela autoridade lançadora, impossível dar provimento ao pleito da Contribuinte nesse ponto. Do abono família: Não pode prevalecer o argumento da Contribuinte no tocante ao abono família. Efetivamente, analisando o caso concreto, percebese que está correta a decisão da DRJ pelos seus próprios fundamentos: "Pelo exposto, concluise que os abonos de qualquer natureza, concedidos em virtude de lei, dissídio, acordo coletivo ou contrato ou por mera liberalidade, fixos ou variáveis, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Todavia, no caso específico dos “abonos” o legislador ordinário no art. 28, § 9º, alínea "e", item 7 da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 9.711/98 (...) Desse modo, somente não integram a base de cálculo os abonos expressamente desvinculados do salário. Ocorre que o Decreto nº 3.048/99 acrescentou a necessidade de previsão legal, ou seja, determinou que o “abono” seja expressamente desvinculado do salário por força de lei. Logo, o fato gerador do tributo em tela, por total ausência de previsão legal, está presente no conceito de remuneração, ou seja, todas as contraprestações efetivadas pelo empregador ao empregado com o intuito de retribuir o serviço prestado, independentemente do título jurídico utilizado para realizar o pagamento. Isso quer dizer que os abonos pagos por liberalidade do empregador ou por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho não estão dentre as parcelas excluídas do saláriode contribuição previdenciária, definidas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, e integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. No caso presente, o Município apenas alega em sua defesa que as verbas incluídas no lançamento, ora impugnado, são pagas somente aos segurados vinculados ao Regime Próprio de Previdência e que, portanto, são devidas ao RGPS. Ressaltese, por oportuno, que esse tema já foi abordado no tópico anterior que teve como resultado da análise o não acolhimento das razões apresentadas pelo Município por ausência de provas. Assim sendo, em não tendo sido acolhido a pretensão da Defesa, devese manter o lançamento como proposto pela fiscalização." fls. 382/383. Por essas razões, impossível dar provimento ao Recurso nesse ponto. Do auxílio transporte: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10670.721953/201307 Acórdão n.º 2202003.770 S2C2T2 Fl. 424 7 Também foi incluído na base de cálculo os valores pagos a título de auxílio transporte, posto que foi pago em espécie. Nesse sentido, a autoridade lançadora apontou a vedação da Lei nº 7.418/1985 e do Decreto nº 95.247/1987. Em sua defesa, a Contribuinte apontou que o auxílio transporte é verba indenizatória, como se extrai do art. 1º da Própria Lei nº 7.418/1985. Mais, que a própria Lei nº 8.212/1991, em seu art. 28, §9º, "f", assim como a Lei nº 7.418/1985, em seu art. 2º, estabelece expressamente que o auxílio transporte não compõe o saláriodecontribuição. Enfim, que o simples fato de que o auxílio é pago em pecúnia não lhe altera a natureza indenizatória, apontando inclusive, precedentes do STF e a Súmula nº 60 da AGU. Enfim, a DRJ manteve a rubrica na base de cálculo pelos mesmos fundamentos do lançamento, acrescentando que a referida Súmula da AGU não tem efeito vinculante em relação à SRFB. Pois bem. Este tribunal administrativo já consolidou seu entendimento sobre a matéria na Súmula CARF nº 89, que tem a seguinte redação: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Assim, sem maiores delongas explanatórias, impende reconhecer o direito da Contribuinte, porquanto a súmula do CARF é de aplicação obrigatória, nos termos do art. 45 do RICARF. Da índice FAP: Conforme o Relatório Fiscal, a Contribuinte não informou em suas GFIPs índice FAP. Consequentemente, baseandose em informações do sistema da Receita Federal, atribuiu o índice 1,3481. Insatisfeita, a Contribuinte argumenta pela inconstitucionalidade e pela legalidade do referido índice, posto que violaria o art. 150, I, da CF/1988 e o art. 97, IV, do CTN. Outrossim, registrou que declarou sim índice FAP, apenas o fez em 1%, posto que o trabalho realizado é de baixo índice de ocorrências graves e que, inclusive, no período fiscalizado não ocorreu nenhum acidente de trabalho nem foi constatada nenhuma doença ocupacional. Por fim, apontou que a autoridade lançadora não apresentou os cálculos feitos para se alcançar esse índice de 1,3481. Mais uma vez a DRJ manteve o lançamento, afastando os argumentos de ilegalidade e de inconstitucionalidade com base no art. 26A do Decreto nº 70.235/1972. No tocante ao cálculo do índice FAP, apontou que o cálculo é feito nos termos do Regulamento da Previdência Social (RPS, Decreto nº 3.048/1999), citando especificamente os arts. 202A e 202B que determinam a forma de calcular, impõem ao Ministério da Previdência Social a obrigação de publicar os índices FAP na internet e concedem o prazo de 30 dias, contados da referida publicação, para que as empresas contestem o índice FAP que lhe foi atribuído. Em primeiro lugar, registrase que o tema da constitucionaldiade do FAP é objeto de julgamento em sede de Repercussão Geral perante o STF: Fl. 427DF CARF MF 8 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. SEGURO ACIDENTE DE TRABALHO. RISCOS ACIDENTAIS DO TRABALHO. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. DISCUSSÃO SOBRE A FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA. DELEGAÇÃO PARA REGULAMENTAÇÃO. RESOLUÇÃO DO CONSELHO NACIONAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRECEDENTE DO SUPREMO NO RE 343.4462, RELATOR MINISTRO CARLOS VELLOSO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. (RE 684261 RG, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 14/06/2012, PROCESSO ELETRÔNICO DJe125 DIVULG 28 062013 PUBLIC 01072013 ) Tendo dito isso, impende registrar que este e.CARF não é competente para se pronunciar acerca da constitucionalidade ou não de Lei tributária (Súmula CARF nº 02), razão pela qual deixo de me pronunciar sobre esse argumento do Contribuinte. Em segundo lugar, a verdade é que este e.CARF não tem competência para julgar o índice FAP correto, vez que é publicado pelo Ministério da Previdência Social e é perante esse Ministério que devem ser apresentadas as impugnações, nos termos do art. 202B do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/1999). Nesses sentido, precedentes do CARF: FATOR DE ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP. DISCORDÂNCIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não detém competência para decidir sobre inconformismo do contribuinte acerca da definição do FAP especificado pelo Ministério da Previdência Social. (acórdão CARF nº 2402005.185, de 12/04/2016) OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO FAP. ALÍQUOTA. INCORREÇÃO. DIFERENÇA. LANÇAMENTO. É procedente o lançamento que vise a cobrança da diferença de contribuição previdenciária resultante da aplicação da alíquota do FAP em percentual menor que o divulgado pela Previdência Social. O CARF não é competente para julgar procedimento e orientações adotados pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas da Previdência Social para obtenção do índice do fator FAP atribuído ao contribuinte, nem benefícios previdenciários decorrentes da Lei 8.213/91 e Resoluções MPS/CNPS n°s 1.308 e 1.309. (acórdão CARF nº 2803004.195, de 11/02/2015) Enfim, tendo em vista que a autoridade lançadora utilizou o índice disponível no sistema da Receita Federal, e que o Contribuinte a despeito da decisão de 1º grau não trouxe nenhuma prova de ter contestado o índice apurado perante os órgãos adequados, então não é possível dar provimento ao Recurso Voluntário nesse ponto. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10670.721953/201307 Acórdão n.º 2202003.770 S2C2T2 Fl. 425 9 Da alíquota RAT: A autoridade lançadora alterou a alíquota de RAT dos 1% declarado pela Contribuinte para 2%, tendo em vista tratarse de Contribuinte classificada no CNAE Fiscal como 8411600 Administração Pública em Geral. A Contribuinte, insatisfeita, contestou a alteração, argumentando que encontrou a alíquota seguindo os comandos legais do art. 22 da Lei nº 8.212/1991. Também, que a Lei não estabelece vínculo entre a atividade principal declarada no CNAE e a alíquota aplicável. A DRJ manteve o auto de infração nesse ponto, anotando que a Contribuinte não trouxe provas ou mesmo alegações que justificassem a alteração da alíquota aplicada pela autoridade lançadora. Com razão a DRJ pelos seus próprios fundamentos. Efetivamente, apesar de admitir que a tese da Contribuinte está correta, a autoridade julgadora de 1º grau entendeu que suas conclusões estão equivocadas. Explicou que a apuração da alíquota do RAT não será feita com base no CNAE principal, e sim com base na atividade preponderante, que é exatamente o comando do art. 202 do RPS/1999. Para identificar qual é a atividade preponderante, a DRJ apontou o art. nº 78, §1º, I, "c", da IN SRP nº 971/2009, vigente à época, segundo a qual é preponderante a atividade que dispuser do maior número de segurados empregados ou trabalhadores avulsos. Independentemente de qual seja a atividade preponderante de fato da Contribuinte, a verdade é que ela declarou em suas GFIPs como atividade preponderante "Administração pública em geral" (CNAE 84116/00), que, conforme o Anexo V ao RPS/1999, tem a alíquota RAT igual a 2%. Argumenta, a Recorrente, que sua atividade é preponderantemente burocrática e, portanto, tem baixo grau de periculosidade. Ainda assim, não indica qual seria a atividade em que desejaria se enquadrar, dentre aquelas apontadas no referido Anexo V. Traz, unicamente, decisões judiciais que determinam a aplicação da alíquota de 1% para outras municipalidades. Desconsiderando o fato de que a esse tribunal administrativo não cabe afastar a Lei tributária com base em argumentos principiológicos, constatase que o próprio STJ tem jurisprudência farta no sentido de que é válido o enquadramento dos municípios como grau médio de risco, aplicandose a alíquota de 2%: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO REFERENTE AO RAT (RISCO AMBIENTAL DE TRABALHO), ANTIGO SAT (SEGURO CONTRA ACIDENTES DE TRABALHO). REGULARIDADE DO REENQUADRAMENTO, PELO DECRETO 6.042/2007, DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL, NO GRAU DE RISCO MÉDIO, COM APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 2% AOS MUNICÍPIOS. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. Fl. 429DF CARF MF 10 I. Agravo interno interposto em 04/04/2016, contra decisão publicada em 29/03/2016. II. De acordo com a atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a alíquota do Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), fixada pelo Decreto 6.042/2007, para os entes da Administração Pública em geral, inclusive os Municípios, em virtude do enquadramento das atividades no grau de risco médio, não padece de qualquer ilegalidade. Nesse sentido: STJ, EDcl no REsp 1.522.496/RN, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 13/10/2015; AgRg no REsp 1.443.273/PE, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 21/09/2015; AgRg no REsp 1.502.533/PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 11/09/2015; AgRg no REsp 1.496.216/PE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 20/02/2015. III. Assim, não deve prevalecer a tese quanto à necessidade de preponderância do autoenquadramento, feito anteriormente pelo contribuinte, sobretudo porque, na forma do art. 202, § 5º, do Decreto 3.048/99, pode o ente público rever, a qualquer momento, o referido enquadramento. IV. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1586895/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2016, DJe 24/06/2016) Enfim, tendo em vista que a Contribuinte não indica qual é, em seu entendimento, a sua atividade preponderante que justifique a aplicação da alíquota de 1%, então não é possível dar provimento ao pleito nesse ponto. Da multa de ofício: Subsidiariamente, caso fosse mantido o auto de infração, a Contribuinte pleiteia o afastamento da multa de ofício sob o argumento de que é confiscatória e não observa os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Acontece que, como já foi dito alhures, este e.CARF é obrigado a aplicar a Lei tributária nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 e da Súmula CARF nº 2, sem contar no art. 62 do RICARF. Da compensação recolhimento a maior: Por fim, a Contribuinte pleiteia, também subsidiariamente, se o auto de infração for mantido, que seja feita a compensação dos valores aqui analisados com os créditos que ela dispõe perante a Fazenda Nacional. Efetivamente, quando do lançamento do auto de infração, a autoridade fiscalizadora constatou a Contribuinte havia recolhido valores em excesso na GPS em relação aos valores declarados nas GFIPs. Entretanto, ressaltou no Relatório Fiscal que, tendo o sujeito passivo sido intimado durante a fiscalização para que justificasse as sobras e não tendo recebido resposta, deixou de apropriálas no procedimento fiscal. Efetivamente, anotou que o procedimento não visava o reconhecimento de créditos em favor da Recorrente. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10670.721953/201307 Acórdão n.º 2202003.770 S2C2T2 Fl. 426 11 A verdade é que o pleito da Contribuinte não tem lugar nesse momento processual. O pedido administrativo de compensação deve ser feito por meio de procedimento próprio, que terá o seu trâmite adequado. Não é possível a essa autoridade julgadora de 2º grau saber se esse crédito permanece, por exemplo, ou se já não foi utilizado para compensar outro débito. Enfim, impossível dar provimento também a esse pedido. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores referentes ao auxílio transporte. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 431DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.907541/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF
A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
COMPENSAÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE
Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Não se reconhece o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado não foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. COMPENSAÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Não se reconhece o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado não foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Negado.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. COMPENSAÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Não se reconhece o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado não foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 75 41 /2 00 9- 39 Fl. 109DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3803 000.316, depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Belchior Melo de Santos, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados desta 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo. A Recorrente transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 36148.89616.180907.1.7.048053, em que utilizou como crédito pagamento indevido de Cofins relativa ao período de apuração setembro de 2002, no valor de R$ 47.573,34. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 18/21, a DRF/Joaçaba não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/7, a Recorrente alegou, em síntese que por conta da posterior declaração de inconstitucionalidade do art.3°, § 1º, da lei n° 9.718/98, passou a possuir o crédito contra a Fazenda decorrente das contribuições que incidiram sobre as receitas financeiras, o qual, atualizado pela Taxa Selic, foi utilizado na DComp em questão. Afirmou que em razão de no sistema da RFB o Darf recolhido estar vinculado ao débito mencionado, neste incluída a parcela referente as receitas financeiras, o crédito não foi localizado, todavia, ele existe e o direito de compensálo é garantido pela legislação. Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis, fls. 26/29, considerou que: a) a inconstitucionalidade do artigo 3° da Lei n.° 9.718/98, apesar de ter sido prolatada pelo Plenário daquela Corte, o foi em sede de recurso extraordinário, cujos efeitos são restritos às partes integrantes da ação. Por não ter o Senado Federal expedido Resolução para retirar a vigência do dispositivo legal, não há eficácia erga omnes, não podendo os agentes públicos estender os efeitos dessa decisão para todos os contribuintes; Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10925.907541/200939 Acórdão n.º 3402004.093 S3C4T2 Fl. 110 3 b) a compensação do crédito alegado só poderia ser efetivada se a Recorrente tivesse identificado o crédito informado em DComp como decorrente de ação judicial transitada em julgado, indicando o número do respectivo processo judicial, para fins da oportuna análise, pela DRF, da pertinência e existência do crédito; c) o crédito contra a Fazenda Nacional que o sujeito passivo entende possuir e do qual pretende se utilizar para quitar o débito indicado deve estar corretamente identificado a fim de viabilizar sua exata pretensão; d) não é permitido em sede de análise de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o pleito do contribuinte, conceder crédito diverso do pedido, como também não o é à autoridade administrativa, que detém a competência para originariamente analisar pleitos desta natureza, no caso, a DRF; e) a compensação em questão, nos termos em que foi formalizada, de fato não poderia ter sido homologada pela DRF com base no argumento de que possui crédito disponível mas não o informado na DComp, e tampouco o poderia em sede de contencioso, por restar inexistente o crédito oferecido; f) em verificando que a Recorrente ter cometido algum erro de declaração, cabialhe têlo corrigido em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito fosse realizada de fato sobre o direito creditório que acreditava possuir. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis (SC), proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. ANALISE DO CRÉDITO. LIMITE A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Cientificada da decisão em 28/11/2011 (fl. 33), irresignada, apresentou em 15/12/2011, o recurso voluntário de fls. 34/38, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. O processo digitalizado, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Em 27/06/2013, os membros da extinta 3ª Turma Especial/3ª Sejul, reconhecem o bom direito da Recorrente (declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), no entanto resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para fins de apuração da correta composição das bases cálculo, conforme Resolução nº 3801000.316, nos seguintes termos (fls. 49/54): "(...) Observo, à fl. 21 destes autos, que o despacho decisório não foi precedido de intimação eletrônica para que a Contribuinte tivesse ciência da integral alocação do DARF indicado Fl. 111DF CARF MF 4 como originário do crédito, procedimento ocorrente em inúmeras situações que apontavam para a inconsistência das informações prestadas na DComp e as constantes dos registros da RFB. A providência permitiria à Contribuinte esclarecer o fundamento do pagamento indevido e, com isso, suscitar o tratamento manual da DComp" (...). "(...) Por essas razões, entendo que o processo deve ainda ser instruído com a apresentação, pela Contribuinte, de demonstrativo de suas receitas que correspondam ao conceito de faturamento, com destaque das receitas financeiras, do decorrente valor da contribuição devida e do indébito, acompanhado dos respectivos registros contábeis que justifiquem as exclusões. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF". Os autos, então, foram encaminhados à DRF em Joaçaba (SC), para cumprimento da referida Resolução. Visando o atendimento da diligência solicitada, a fiscalização intimou a RENAR a apresentar demonstrativo de suas receitas, segregadas entre aquelas que correspondam ao conceito de faturamento e aquelas correspondentes a receitas financeiras ou outras receitas, acompanhados dos respectivos registros fiscais e contábeis comprobatórios. Após a conclusão dos trabalhos, o Fisco prolatou a Informação Fiscal de fls. 98/102 e intimou a Recorrente para ciência da Resolução do CARF, bem como, do resultado constante na Informação Fiscal dela decorrente. Decorrido o prazo constante na intimação, não consta dos autos manifestação da interessada, conforme se observa no Despacho da DRF à fl. 106: "1 Devidamente cientificada da IF, no prazo dado à empresa, 30 (trinta) dias contados da ciência, a mesma não se manifestou". Assim, após serem cumpridos todos os dispositivos da Resolução nº 3803 000.316, o processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Como já analisado na Resolução o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomase conhecimento. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10925.907541/200939 Acórdão n.º 3402004.093 S3C4T2 Fl. 111 5 1. Do direito A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme muito bem asseverado pela Resolução nº 3803000.316, a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei º 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Desta forma, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de COFINS nos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS). 2. Da comprovação dos créditos Em que pese o direito da Recorrente, do exame dos elementos comprobatórios, foi constatado pela decisão a quo, que no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da COFINS e eventuais pagamentos a maior. No entanto, por força da Resolução nº 3803000.316, este processo foi convertido em diligência, para que a Delegacia de origem (DRF em Joaçaba SC), "(...) intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos Fl. 113DF CARF MF 6 termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF". O Fisco cumprindo as determinações deste CARF, realizou as diligências necessárias, intimando a Recorrente a apresentar informações e documentos fiscais/contábeis, bem como ao final, elaborou a Informação Fiscal de fls. 98/102 e procedeu ciência do resultado a interessada, oferecendolhe prazo para sua manifestação, o que não ocorreu. Ao final dos trabalhos, assim conclui a fiscalização, conforme demonstrado nos principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) A segunda intimação foi atendida em 16/09/2015 (fls. 92/96), “Arquivo NãoPaginável – CD –Resposta à intimação” (fl. 97). Porém, novamente, a interessada apresentou apenas planilha de apuração da contribuição e o correspondente Darf de recolhimento, desacompanhados dos respectivos registros contábeis e demais documentos hábeis comprobatórios necessários para a validação da apuração realizada pela contribuinte". "(...) Em que pese a interessada ter apresentado planilha em que demonstra crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Cofins, com valor compatível com o utilizado em DComp, entendemos não ser possível atribuir ao crédito demonstrado os atributos de certeza e liquidez, uma vez que não foram apresentados quaisquer registros contábeis ou outros documentos hábeis comprobatórios suficientes para dar suporte à demonstração do crédito pleiteado". "(...) No caso, com base nos elementos apresentados, somente ficou comprovado o recolhimento da Cofins no valor de R$ 57.804,47, mas não foram comprovadas as receitas, em especial as financeiras, que compuseram a base de cálculo desse débito". "(...) Ressaltamos, por oportuno, que a interessada foi intimada, por duas vezes, a apresentar os documentos necessários à apuração do crédito, mas não atendeu totalmente as solicitações. Desse modo, portanto, caberia inclusive o arquivamento do processo, conforme previsto no art. 40 da Lei nº 9.784, de 1999: "Conclusão: Em razão de todo o exposto, finalizamos a presente diligência concluindo que o direito creditório postulado na DCOMP nº 36148.89616.180907.1.7.04 8053, tem valor igual a 0 (zero), haja vista que, após ser intimada (por duas vezes) a apresentar os elementos de prova necessários, a interessada não logrou êxito em comprovar a certeza e a liquidez do crédito que opôs contra a Fazenda Nacional" (grifei). Concluída a diligência, a Recorrente foi devidamente intimada do resultado e não se manifestou, conforme confirma o Despacho da DRF à fl. 106. Pois bem. Como se observa no Relatório da fiscalização, a planilha apresentada pela Recorrente estava desacompanhada de qualquer registro contábil e demais documentos comprobatórios. Diante disso, foi novamente intimada, mediante Termo de Intimação Fiscal SAORT/DRF/JOASC nº 243/2015 (fls. 87/88), para apresentar demonstrativo de suas receitas, segregadas entre aquelas que correspondam ao conceito de faturamento e aquelas correspondentes a receitas financeiras, acompanhado dos respectivos registros contábeis e documentos hábeis comprobatórios. Ao final o Fisco concluiu que o direito creditório postulado na DCOMP nº 36148.89616.180907.1.7.048053, tem valor igual a 0 (zero), haja vista que, após ser intimada Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10925.907541/200939 Acórdão n.º 3402004.093 S3C4T2 Fl. 112 7 (por duas vezes) a apresentar os elementos de prova necessários, a interessada não logrou êxito em comprovar a certeza e a liquidez do crédito que opôs contra a Fazenda Nacional. Como é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN), e uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo da Recorrente contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. 3. Conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, não reconhecendo o direito ao crédito requerido na DCOMP, nos exatos termos como restou consignado no Relatório Fiscal de Diligência prolatada pelo Fisco. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.004137/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
GLOSA DE CUSTOS. NOTAS INIDÔNEAS.
Comprovada a inexistência real das operações, glosa-se o custo indevidamente deduzido e exige-se o imposto eventualmente devido.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte, competindo à autoridade julgadora indeferir as diligências e perícias que julgar prescindíveis (art. 18 do Decreto nº 70.235/72).
Ademais, as diligências ou perícias que o Recorrente pretenda sejam efetuadas, devem indicar os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de perícia, não conhecer do recurso nas questões atinentes à inconstitucionalidade e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar este julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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NOTAS INIDÔNEAS. Comprovada a inexistência real das operações, glosase o custo indevidamente deduzido e exigese o imposto eventualmente devido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte, competindo à autoridade julgadora indeferir as diligências e perícias que julgar prescindíveis (art. 18 do Decreto nº 70.235/72). Ademais, as diligências ou perícias que o Recorrente pretenda sejam efetuadas, devem indicar os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 41 37 /2 01 0- 12 Fl. 761DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 762 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de perícia, não conhecer do recurso nas questões atinentes à inconstitucionalidade e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar este julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 763 3 Relatório O presente processo foi objeto da Resolução nº 1402000.346 proferida na sessão de 20 de janeiro de 2016. Repito o relatório então apresentado. INDÚSTRIA DE CALÇADOS TROPICÁLIA LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1433.378 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementandoo ao final: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração que exigiram o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos aos anos calendário de 2005, 2006 e 2007, em virtude de glosa de custos representados por notas fiscais inidôneas emitidas pela empresa Trieste Comércio de Artefatos de Couro Ltda. (doravante denominada Trieste). O crédito tributário lançado totalizou R$ 1.036.056,49 (um milhão e trinta e seis mil e cinqüenta e seis reais e quarenta e nove centavos), conforme demonstrativo de fl. 8, exigindose os tributos nos seguintes termos: I – IRPJ – fls. 9/12 Imposto: R$ 248.680,31 Juros de mora: R$ 106.633,21 Multa proporcional:R$ 373.020,44 Total: R$ 728.333,96 Enquadramento legal: Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 –, arts. 249, I, 251 e parágrafo único, e 300. II –CSLL – fls. 13/17 Contribuição: R$ 104.996,60 Juros de mora: R$ 45.231,05 Multa Proporcional:R$ 157.494,88 Total: R$ 307.722,53 Enquadramento legal: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2o e §§; Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 1o, e Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 28; Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 37. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 764 4 O Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 34/57 descreve em detalhes a ação fiscal, destacando que em auditorias anteriores foram constatadas infrações tributárias com reflexos na autuada e assim, a partir dos elementos e conclusões fiscais levantados, foram consideradas as infrações tributárias relativas ao IRPJ e CSLL. Descreveu as constatações da auditoria fiscal dos tributos previdenciários, objeto do processo nº 13855.003176/201094, no qual se constatou que todos os empregados das empresas Vera Lúcia de Paula Cintra – ME, Lilian Cristina de Lima Franca – ME e Maria Lúcia de Paula Cintra Franca – ME, optantes pelo Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), são, para fins previdenciários, empregados da Tropicália. Destacou, ainda, as constatações da auditoria fiscal dos tributos fazendários na empresa Trieste, segundo a qual se concluiu que houve a formação de uma cadeia sonegatória construída com o fito de evadir tributos. Ressaltou que o trabalho é decorrente do apurado no processo administrativo nº 13855.003495/201008, no qual foi apurado um forte e completo esquema de compra, venda e utilização de notas fiscais inidôneas, com a participação de pessoas físicas e jurídicas “laranjas”, pessoas jurídicas de fato inexistentes e movimentação financeira em contas de terceiros, sempre à margem da legalidade e sem qualquer pagamento ou mesmo reconhecimento de obrigação pelo pagamento de tributos. Naquela fiscalização, constatouse que a Trieste, gerida pelo sócio Rubens Cintra, utilizavase de notas fiscais relativas a supostas aquisições de grande monta de couro com o intuito de dar um ar de legalidade a entradas irregulares e até mesmo forjar entradas de forma a viabilizar a emissão de também grande monta em notas fiscais de saída e, por conseguinte, permitir a fruição irregular de créditos tributários e gerar despesas fictícias na cadeia produtiva subseqüente, e que, para tanto, operava em contas de terceiros, dentre esses, Salvina Alves Cintra, mãe de Rubens Cintra. Destacou que entre um dos maiores beneficiários se encontra a empresa Tropicália, que supostamente adquiria enorme monta de couros da Trieste, mas que, intimada a comprovar os pagamentos dessas aquisições, sequer se dá ao trabalho de responder, mesmo porque tais pagamentos de fato não existem, e que, além disso, a Tropicália se utilizava de inúmeras empresas satélites, todas comprovadamente sob sua administração, que se relacionavam de maneira escusa com a Trieste, por meio de terceiros “laranjas”. Observou que tanto a Tropicália quanto suas empresas satélites eram administradas de forma oculta, por meio de procurações, por Vera Lúcia de Paula Cintra, esposa de Rubens Cintra. Concluiu que a Trieste é na verdade um braço operacional da Tropicália, que se utiliza daquela como empresa de aluguel para “criar” créditos tributários passíveis de ressarcimento e, como nem a Trieste ou seus sócio possuem patrimônio passível de garantir eventuais cobranças de dívidas Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 765 5 tributárias, esta declara seus débitos para dar um ar de legalidade, mas não paga nada. Ressaltou que, para simular pagamentos de supostas aquisições de couro da Trieste pela Tropicália, ambas realizam operações de descontos de títulos junto a terceiros da seguinte forma: a Trieste cede a terceiros (desconto de títulos) o direito creditório do couro supostamente adquirido pela Tropicália; entretanto, o controle do pagamento dos títulos é feito pela própria Trieste, bem assim o efetivo pagamento, mediante repasse desta para a Tropicália ou mesmo efetuando o pagamento diretamente. No lançamento, foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art.44, I e § 1o, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por entender a fiscalização que houve, a partir de um conluio entre pessoa jurídica e pessoa física, sonegação e evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Considerou o autuante que todo o procedimento descrito e elementos de prova coletados demonstram, de forma clara e inequívoca, que a contribuinte agiu com o objetivo único de sonegar, o que denota o elemento subjetivo do dolo. Foram considerados responsáveis pessoais por infrações os senhores Vera Lúcia de Paula Cintra, Manoel Justino de Paula e José Justino de Paula, com a lavratura dos termos de responsabilização de fls. 2/7. Houve, ainda, lavratura de representação fiscal para fins penais. Notificada do lançamento em 17/12/2010, conforme aviso de recebimento de fl. 353, a interessada, representada pelo advogado Fernando César Pizzo Lonardi (procuração de fl. 430), ingressou, em 18/01/2011 (fls. 394 e 472), com duas impugnações idênticas (fls. 394/429 e 438/471, alegando, em suma: · Preliminarmente, que o auto de infração está respaldado em infração fiscal anterior, na qual se considerou que ela se utilizava irregularmente de empresas satélites com o intuito de redução de carga tributária, e em declaração de inidoneidade da empresa citada na autuação, Trieste, em processo que se encontra sob julgamento administrativo; · O auto de infração só poderia ter sido lavrado após julgamento dos processos administrativos que envolvem a impugnante e a declaração de inidoneidade da Trieste; · No mérito, que a infração não encontra capitulação para desenquadramento por parte das empresas Lilian, Vera e Maria Lúcia, requisito para transpor a responsabilidade à impugnante; · No que concerne ao suposto relacionamento configurado no auto de infração entre a impugnante e a Trieste, os autuantes consideram que as operações de comércio de couro Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 766 6 realmente acontecem, conforme descrito no organograma de fl. 16; · A Trieste é tãosomente um de seus fornecedores de matéria prima e a impugnante desconhece as operações de compra daquela empresa, sendo mister informar que no período fiscalizado ela se encontrava em regular estado junto aos Fiscos Federal e Estadual; · No ato da intimação para comprovação dos pagamentos de duplicatas efetivados à Trieste, toda documentação foi entregue e se encontra em poder da fiscalização, que sequer se deu ao trabalho de devolvêla; · Toda operação efetivada entre Tropicália e Trieste está comprovada por documentos fiscais idôneos, com adimplementos em duplicatas; · Não obstante a Trieste trocar duplicatas junto a factorings, todas operações foram devidamente liquidadas em transações e pagamentos bancários, não deixando dúvidas de sua existência; · O autuante afirma que a transação comercial existe de fato, ou seja, que o couro é entregue (fl. 16), mas considera que não há aquisição de couro (fl. 18), que é somente para gerar créditos de PIS/Cofins para gozo de benefício de incentivo à exportação; · Tais divergências no próprio fundamento da autuação levam na ao descrédito; · Não há qualquer operação financeira entre a impugnante e a Trieste que não esteja embasada por documentação idônea; · As transferências entre contas das empresas Vera ME e Lilian ME e a da pessoa física Salvina não beneficiam a impugnante, e não há qualquer documento no processo que demonstre o suposto benefício; · Não há documentos acostados aos autos que justifiquem o teor da infração, não passando de meras alegações, inexistentes; · A Trieste possui suas próprias operações, com diversas empresas, e não há qualquer documento que demonstre que a impugnante usufrui ou se beneficia com a operação comercial da Trieste; · A verificação não conseguiu demonstrar qualquer indício documental e por qualquer outro meio de prova que a impugnante seja controladora da Trieste; Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 767 7 · Toda operação da impugnante está devidamente demonstrada e carreada por documentos; não há movimentação financeira descoberta que possa dar ensejo às argumentações narradas no auto de infração; · Fica impugnado o valor da multa, aplicada sobre percentual confiscatório, acima do que, judicialmente, vem sendo admitida, com limite de 100% e, no caso em tela, foi aplicada multa no importe de 150%; · Tendo em vista que toda administração da empresa é exercida pela coresponsável Vera Lúcia de Paula Cintra, fica requerido que, no caso de eventual responsabilidade, seja a esta imputada, tendo em vista que os sócios proprietários não exercem a administração e não têm conhecimento dos fatos. Requereu: 1) a suspensão do processo, aguardandose o trânsito em julgado do processo de contribuição previdenciária e que envolvem a Trieste; 2) seja julgado insubsistente o lançamento, tendo em vista não haver prova que embase os argumentos articulados que fundamentam a infração; 3) juntada de documentos, que se encontram no setor de fiscalização e, tãologo sejam entregues à contribuinte, serão juntados ao processo; 4) a realização de perícia, pois a acusação versa sobre a simulação na compra de couro, porém a empresa produziu calçados e, diante disso, fica desde já requerida a produção de prova pericial para avaliar se a quantidade de couro comprada no período, sem levar em consideração a compra que é tida como inexistente; 5) provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidos; 6) que as intimações e notificações seja feitas no endereço citado. O senhor Manoel Justino de Paula, sócio da empresa arrolado como responsável, apresentou também impugnação idêntica àquela apresentada pela empresa (fls.357/390). A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: [...] Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 768 8 O corresponsável Manoel Justino de Paula que apresentou impugnação foi intimado em 22/06/2011 da decisão (por edital fl. 500). Não houve apresentação de recurso voluntário. Vera Lúcia de Pauta Cintra (corresponsável que não apresentou impugnação) foi intimada da decisão em 24/05/2011 (fl. 502). José Justino de Paula (corresponsável que não apresentou impugnação) foi intimado da decisão em 24/05/2011 (fl. 503). O contribuinte foi intimado da decisão em 24/05/2011, uma terçafeira (fl. 501), apresentando recurso voluntário em 24/06/2011 (fls. 504515). Em resumo, reafirma a Recorrente seus argumentos da impugnação, pugnando cancelamento da exigência. Por meio da Resolução 1402000.346, este colegiado resolveu determinar o retorno dos autos à turma julgadora de origem para que fosse analisada a questão atinente à responsabilidade tributária, prolatando acórdão complementar. Por meio do Acórdão 1459.745, a 3ª Turma da DRJ revisou o Acórdão 14 33.378. No mérito, repetiu os termos do acórdão original exarado. Em relação ao coobrigado Manoel Justino de Paula, que havia apresentado impugnação, decidiu o colegiado a quo retirá lo do polo passivo da obrigação tributária, uma vez que entendeuse não haver nos autos a indicação de fatos que pudessem caracterizar a sujeição passiva solidária do sócio administrador de direito da autuada, uma vez que a única acusação contra o senhor Manoel Justino de Paula era a de ter fornecido uma procuração dando amplos poderes à Vera Lúcia de Pauta Cintra, esta sim considerada como praticante dos referidos atos. Como a senhora Vera Lúcia de Paula Cintra e o senhor José Justino de Paula não apresentaram impugnação, não se analisou a imputação de responsabilidade a esses coobrigados. Em relação ao senhor José Justino de Paula, tanto a empresa quanto o senhor Manoel Justino de Paula solicitaram, em suas impugnações, a exclusão de eventual responsabilidade dos sóciosproprietários (Manoel e José), imputandoa a Vera, tendo em vista que toda administração da empresa seria exercida por ela, e que os sóciosproprietários não exercem a administração e não têm conhecimento dos fatos. Contudo, a turma julgadora entendeu que, ausente impugnação apresentada em nome do Sr. José Justino, não caberia, em sede de julgamento, apreciar oposição à imputação de responsabilidade a ele, uma vez que a pessoa jurídica e o Sr. Manoel não deteriam legitimidade, e nem interesse, para tanto. Assim, nesta parte, não se conheceu da impugnação. Aos que apresentaram impugnação, foi lhes dada ciência da decisão. Em relação ao contribuinte, tomou ciência da nova decisão de primeira instância em 14/04/2016 (fl. 739), apresentando recurso voluntário de fls. 746754 em 09/05/2016. Em resumo, aduz que não houve operações simuladas, requerendo a realização de perícia para que fosse apreciado se a quantidade de calçados que produziu seria compatível com a entrada de couros, pois alega que sem a matéria prima indicada nas notas fiscais glosadas pelo Fisco não seria possível produzir. Em relação à inidoneidade de Trieste, aduz que o julgamento do presente processo deveria ser suspenso até houvesse decisão definitiva em relação à declaração de inidoneidade de Trieste. Aduz ainda que os efeitos da declaração de Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 769 9 inidoneidade de Trieste teriam efeito ex nunc, não podendo surtir efeitos retroativos. Argumenta ainda que os pagamentos referentes às aquisições teriam sido realizados diretamente a empresas de factoring em razão de Trieste ter realizado operações de “desconto” das respectivas duplicadas, não havendo dúvidas quanto à efetividade do pagamento realizado, não havendo que se falar em fraude na cessão de títulos apontada pela autoridade fiscal autuante. Contesta ainda a aplicação da multa qualificada de 150%, afirmando a penalidade ser abusiva e confiscatória e em patamar superior ao limite fixado pelo STF (100% do valor imposto). Por fim, argumenta que a multa não poderia ser aplicada pelo valor da operação, devendo a penalidade se restringir somente às operações relativas à empresa considerada inidônea, pois, na prática, a multa não teria sido de 100 ou 150%, mas sim em torno de 400%. É o relatório. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 770 10 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário apresentado é tempestivo e assinado por procurador devidamente habilitado. Preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 PEDIDO DE PERÍCIA E MÉRITO DA EXIGÊNCIA O Recorrente requereu em sua impugnação, e também em sede de recurso voluntário, a realização de perícia a fim de demonstrar que sem a matéria prima discriminada nas notas fiscais objeto de glosa, não seria possível ter produzido os calçados vendidos. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. O recurso voluntário apresentado repete o pedido perícia. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 771 11 No caso ora examinado tratase de prova que o contribuinte, ao menos, poderia ter se esforçado para causar o mínimo de dúvida nos julgadores, trazendo elementos de prova mínimos para que isso fosse possível. Desde a impugnação, a tese aventada pela defesa não passou do limite de mera hipótese, sem qualquer comprovação de que tal os fatos por ela narrados pudessem, de fato, ter ocorrido. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (CPC/2015, em consonância com o art. 333 do CPC 1973): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) Fl. 771DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 772 12 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Nesse contexto, tivesse o contribuinte trazido ao menos evidências materiais de que seus argumentos seriam válidos, poderia o colegiado entender necessária a realização de perícia, ou, ainda, a conversão do julgamento em diligência, mas ante qualquer comprovação Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 773 13 material de suas alegações, não é possível suprir a insuficiência de elementos de prova que deveriam ser trazidos pelo Recorrente, por meio da realização de diligência ou perícia. Além disso, deixouse de identificar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, o que por si só, já seria suficiente para o indeferimento do pleito (inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72). Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de perícia, uma vez que, conforme dispõe o caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Diante do exposto, indefiro o pedido de perícia. No mérito, nada de mais relevante foi argumentado pelo Recorrente, não atacando as conclusões da DRJ a respeito da suficiência de provas de que as aquisições objeto de glosa realmente teriam ocorrido. A respeito da declaração de inidoneidade de seu fornecedor (“Trieste”), há de ressaltar que não houve apresentação de irresignação pelo interessado, ou seja, cai por terra o argumento do Recorrente de que seria necessário o deslinde daquele feito para que o presente julgamento tivesse seguimento. A respeito da suposta irretroatividade do ato declaratório sobre a inidoneidade de “Trieste”, além de o argumento do Recorrente contrariar o próprio conceito de ato declaratório, há de se ressaltar que a autuação não se baseia em tal presunção de inidoneidade, mas sim nos fartos elementos de prova de que as operações objeto de glosa, de fato, não existiram. Destaco as conclusões do Fisco: segundo auditoria fiscal dos tributos previdenciários, objeto do processo nº 13855.003176/201094, no qual se constatou que todos os empregados das empresas Vera Lúcia de Paula Cintra – ME, Lilian Cristina de Lima Franca – ME e Maria Lúcia de Paula Cintra Franca – ME, optantes pelo Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), são, para fins previdenciários, empregados da Tropicália [é importante destacar que tal conclusão foi confirmada pelo acórdão CARF nº 2302002.571, restando controversas somente a base de cálculo e a penalidade aplicadas no lançamento]; segundo a autoridade fiscal autuante as constatações da auditoria fiscal dos tributos fazendários na empresa Trieste, segundo a qual se concluiu que houve a formação de uma cadeia sonegatória construída com o fito de evadir tributos. Ressaltou que o trabalho é decorrente do apurado no processo administrativo nº 13855.003495/201008, no qual foi apurado um forte e completo esquema de compra, venda e utilização de notas fiscais inidôneas, com a participação de pessoas físicas e jurídicas “laranjas”, pessoas jurídicas de fato inexistentes e movimentação financeira em contas de terceiros, sempre à margem da legalidade e sem qualquer pagamento ou mesmo reconhecimento de obrigação pelo pagamento de tributos [tais conclusões não foram contestadas por Trieste]; Fl. 773DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 774 14 em tal procedimento fiscal, constatouse que a Trieste, gerida pelo sócio Rubens Cintra, utilizavase de notas fiscais relativas a supostas aquisições de grande monta de couro com o intuito de dar um ar de legalidade a entradas irregulares e até mesmo forjar entradas de forma a viabilizar a emissão de também grande monta em notas fiscais de saída e, por conseguinte, permitir a fruição irregular de créditos tributários e gerar despesas fictícias na cadeia produtiva subseqüente, e que, para tanto, operava em contas de terceiros, dentre esses, Salvina Alves Cintra, mãe de Rubens Cintra; que entre um dos maiores beneficiários se encontra a empresa Tropicália, que supostamente adquiria enorme monta de couros da Trieste, mas que, intimada a comprovar os pagamentos dessas aquisições, sequer se dá ao trabalho de responder, mesmo porque tais pagamentos de fato não existem, e que, além disso, a Tropicália se utilizava de inúmeras empresas satélites, todas comprovadamente sob sua administração, que se relacionavam de maneira escusa com a Trieste, por meio de terceiros “laranjas”. Observou que tanto a Tropicália quanto suas empresas satélites eram administradas de forma oculta, por meio de procurações, por Vera Lúcia de Paula Cintra, esposa de Rubens Cintra; aduziu ainda que Trieste na verdade era um braço operacional da Tropicália, que teria se utilizado daquela como empresa de aluguel para “criar” créditos tributários passíveis de ressarcimento e, como nem Trieste ou seus sócios possuem patrimônio passível de garantir eventuais cobranças de dívidas tributárias, esta declarava seus débitos para dar um ar de legalidade, mas jamais teria realizado qualquer pagamento; por fim, ressaltou que, para simular pagamentos de supostas aquisições de couro da Trieste pela Tropicália, ambas realizam operações de descontos de títulos junto a terceiros da seguinte forma: a Trieste cede a terceiros (desconto de títulos) o direito creditório do couro supostamente adquirido pela Tropicália; entretanto, o controle do pagamento dos títulos é feito pela própria Trieste, bem assim o efetivo pagamento, mediante repasse desta para a Tropicália ou mesmo efetuando o pagamento diretamente. Portanto, o Termo de Verificação Fiscal deixa claro que Trieste utilizavase de notas fiscais de várias empresas relativas a “supostas aquisições de grande monta de couro” com o intuito de “dar um ar de legalidade a entradas irregulares e até mesmo forjar entradas de forma a viabilizar a emissão de também grande monta em NF de saída”. E, como bem salientado pela decisão de primeira instância, A contribuinte quer comprovar o pagamento mediante a apresentação das duplicatas e da escrituração da saída do numerário do caixa. Tais elementos não são suficientes para comprovar a efetividade do pagamento. Ademais o autuante demonstrou a ocorrência de simulação nesses pagamentos, detalhando o esquema praticado pelas empresas, de cessão dos títulos a terceiros, cuja quitação ou era feita pela Tropicália, mediante repasse de dinheiro da Trieste, ou diretamente por esta última, denotando a inexistência da operação, uma vez que o pagamento era efetuado pela própria fornecedora. O Recorrente, por sua vez, não traz sequer uma linha a respeito do tema, devendose manter intocáveis tais conclusões. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 775 15 A respeito da multa de ofício cominada, tratase de mera aplicação do disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, e o argumento a respeito da abusividade do percentual de 150%, ou de caráter confiscatório, não podem ser analisados por este colegiado, pois implicaria, por via oblíqua, a declaração de inconstitucionalidade da norma. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A respeito da decisão do STF sobre o patamar máximo de multa em 100% do tributo, há de se ressaltar que não foi abordado o limite da penalidade em casos de sonegação, fraude ou conluio, como as apontadas no caso concreto, tema em que recentemente foi reconhecida sua repercussão geral no Recurso Extraordinário 736090. Por fim, o argumento do Recorrente a respeito da base de cálculo da multa, e sua suposta aplicação em percentual próximo a 400% não possui qualquer fundamento, pois aplicouse a multa de 150% sobre o total de tributos calculados a partir da glosa de custos indicados nas notas fiscais consideradas inidôneas. Portanto, não há que se falar em penalidade aplicada sobre o valor das operações. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 13855.004137/201012 Acórdão n.º 1402002.418 S1C4T2 Fl. 776 16 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar o pedido de perícia, não conhecer do recurso nas questões atinentes à inconstitucionalidade e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 776DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000287/2007-90
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES Ano-calendário: 2006 Ementa: SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. Comprovada, nos autos, a intenção do contribuinte em aderir ao sistema – mormente por meio de recolhimento de tributos em Darf-Simples –, a indevida opção em FCPJ, determinada por erro de fato, há de ser retificada de ofício, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº. 16/02.
Numero da decisão: 1803-000.801
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. Comprovada, nos autos, a intenção do contribuinte em aderir ao sistema – mormente por meio de recolhimento de tributos em DarfSimples –, a indevida opção em FCPJ, determinada por erro de fato, há de ser retificada de ofício, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº. 16/02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente (assinado digitalmente) Fl. 85DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 2 BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Em 19/03/2007, a interessada solicitou sua inclusão retroativa no Simples, a partir de 2006. Tal solicitação foi indeferida pela DRF em Governador Valadares – MG, por meio do Despacho Decisório de fl. 23v, que teve como base a Informação Processual de fls. 23 e 23v. Cientificada do indeferimento de seu pleito, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 26/27, por meio da qual afirmou, em síntese e entre outros aspectos, que reconhece o erro, quando do preenchimento da FCPJ, mas que efetuou o recolhimento dentro da sistemática do Simples, conforme cópia dos DARF, que apresenta. Foi anexado aos autos o extrato de fl. 39, obtido juntos aos sistemas da RFB. A 1ª TURMA – DRJ EM JUIZ DE FORA – MG, ao julgar a manifestação formulada, indeferiu novamente o pedido, consoante a seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 INCLUSÃO RETROATIVA. É incabível a inclusão retroativa ao Simples quando não identificada a intenção inequívoca de aderir àquele sistema, por meio de pagamentos mensais efetuados por DarfSimples e da apresentação da Declaração Anual Simplificada. Solicitação Indeferida” Fl. 86DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10630.000287/200790 Acórdão n.º 1803000.801 S1TE03 Fl. 2 3 Intimado desta nova decisão, interpôs o contribuinte, tempestivamente, em 15/05/2009, recurso a este conselho, erigindo considerações similares àquelas apresentadas na peça inconformista. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Versa o presente pleito sobre a possibilidade de inclusão retroativa da recorrente no regime do Simples, desde a data de sua constituição. Segundo sustenta a peticionária, teria ela deixado de optar pela sistemática simplificada, à época do preenchimento da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica – FCPJ, por força de mero erro de fato. Dita claudicação teria sido constatada, então, somente ulteriormente, no momento em que tentara transmitir a Declaração Simplificada atinente ao anobase de 2006. Intenta a recorrente, desta forma, a solução do citado equívoco, mediante seu enquadramento ex tunc. Para tanto, argumenta que deu cumprimento a todos os adimplementos mensais inerentes ao regime, mediante as guias corretas, vez ter acreditado estar adstrita a tanto, durante todo o período. Pois bem. A despeito das negativas fazendárias, vejo razão na pretensão da recorrente. A opção pelo Simples deve ser operada, em princípio, no momento de entrega da FCPJ. Eventualmente, entretanto, o contribuinte que deixar de assim proceder pode ser retroativamente introduzido na sistemática simplificada, por meio de decisão administrativa, desde que reste comprovado que a falta de expressa eleição pelo regime tenha decorrido de simples equívoco de fato. A demonstração deste erro, para que se admita a retificação oficiosa da FCPJ, deve ser realizada mediante elementos que evidenciem, cabalmente, que o contribuinte agiu como se estivesse sob a égide do Simples, durante o interregno analisado. Salvo contrário, deverá se manter o sujeito passivo no regime ordinário de tributação, com a incidência comum dos tributos federais. Este entendimento deflui do Artigo Único do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/02: Fl. 87DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 4 “Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.” O Parágrafo Único do transcrito dispositivo enuncia, exemplificativamente, aquelas circunstâncias que, nesse cenário, comprovam o inequívoco intuito do contribuinte de aderir ao Simples, a despeito da falta de opção inicial. Notase, então, que, dentre os elementos de instrução plausíveis, ganha especial relevo o fato de o sujeito passivo ter realizado pagamentos mensais de tributo, por meio de DARFSimples. Analisando os presentes autos, não é difícil notar, pois, que a recorrente realizou tais espécies de recolhimentos, conforme as quitadas DARFSimples entranhadas às fls. 05 e ss. Outrossim, corroborando este entendimento, podese ainda verificar que o contribuinte declinou, à JUCEMG, conforme declaração de fl. 03, o desiderato de inclusão no Simples, na qualidade de microempresa, relatando obedecer aos pressupostos legais para tanto estatuídos. Há mostras indubitáveis, assim, de que o intento do contribuinte sempre fora o de recolher exação sob a forma simplificada, a partir de sua constituição. Tanto é assim que se comportou, desde o início, como microempresa sujeita ao sistema, consoante explicado. Não há como se sustentar a exegese do acórdão recorrido, no sentido de que só poderiam ser retificada a FCPJ se tivesse o contribuinte, cumulativamente, efetuado recolhimentos mensais, de um lado, e apresentado a Declaração Simplificada do período, de outro. O enunciado do Parágrafo Único do Artigo Único não traz, em nenhum momento, condições simultâneas, mas, sim, mero rol de ilustração, a direcionar o exegeta – lista estq eye, ademais, pode ainda ser complementada por circunstâncias probatórias outras, não explicitadas pela norma, segundo as condições do caso concreto. A busca pela verdade material impele à consideração de todas as situações e provas expostas nos autos, sob o critério do livre convencimento, para que jaça caracterizado o intuito do contribuinte de se enquadrar retroativamente no bojo do Simples. No presente caso, demonstrados os pagamentos simplificados, de um turno, e a notícia do atendimento às condições legais pertinentes, dada à JUCEMG, de outro, restam perfeitos os requisitos para tanto, nos termos do Artigo Único do ADI SRF nº 16/02. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10630.000287/200790 Acórdão n.º 1803000.801 S1TE03 Fl. 3 5 Por fim, é de se pisar, então, inexistir óbice para o enquadramento postulado. Esta é a situação relatada pela tela de extrato de fl. 17, juntada pela autoridade fiscal competente. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para determinar o enquadramento retroativo da recorrente no Simples, desde a data de sua constituição. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2011 (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 89DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 07/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/05/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000574/2004-77
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1999, 2000, 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA.
Para elidir a presunção legal de omissão de receitas por suprimentos de caixa de sócios, deve ser comprovada por documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor, a origem e a efetiva entrega dos recursos.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:1999, 2000, 2001
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se
o decidido ao lançamento
principal ou matriz de IRPJ aos lançamentos reflexos ou decorrentes de
CSLL, PIS e COFINS.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano calendário:1999, 2000, 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. PIS E COFINS.
Não se estende às receitas decorrentes da atividade operacional da empresa “factoring” a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do Art. 3º da Lei nº 9.718/98, mormente não sendo possível definir a real natureza jurídica da receita omitida.
Numero da decisão: 1803-001.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, excluindo o valor de R$ 300.000,00 em relação ao ano calendário 1999, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA. Para elidir a presunção legal de omissão de receitas por suprimentos de caixa de sócios, deve ser comprovada por documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor, a origem e a efetiva entrega dos recursos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:1999, 2000, 2001 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ aos lançamentos reflexos ou decorrentes de CSLL, PIS e COFINS. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário:1999, 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. PIS E COFINS. Não se estende às receitas decorrentes da atividade operacional da empresa “factoring” a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do Art. 3º da Lei nº 9.718/98, mormente não sendo possível definir a real natureza jurídica da receita omitida.
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SUPRIMENTOS DE CAIXA. Para elidir a presunção legal de omissão de receitas por suprimentos de caixa de sócios, deve ser comprovada por documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor, a origem e a efetiva entrega dos recursos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ aos lançamentos reflexos ou decorrentes de CSLL, PIS e COFINS. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1999, 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. PIS E COFINS. Não se estende às receitas decorrentes da atividade operacional da empresa “factoring” a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do Art. 3º da Lei nº 9.718/98, mormente não sendo possível definir a real natureza jurídica da receita omitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excluindo o valor de R$ 300.000,00 em relação ao ano calendário 1999, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, João Carlos Figueiredo Neto e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório CREDCORP FOMENTO MERCANTIL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foram lavrados contra a instituição financeira contribuinte acima identificada, os Autos de Infração a seguir discriminados, para formalização e cobrança do crédito tributário neles estipulados, no valor total de R$ 736.096,01 (setecentos e trinta e seis mil e noventa e seis reais), incluindo a multa de ofício e os juros de mora. a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Lucro Real (fls. 02 a 08): Total do Crédito Tributário (IRPJ, juros de mora, multa de ofício75 %):R$ 458.101,82; Fatos Geradores: 31/12/1999, 31/12/2000 e 31/12/2001; Enquadramento legal: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADA A ORIGEM E/OU A EFETIVIDADE DA ENTREGA: art. 24 da Lei n° 9.249/1995; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único; 279, 282 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99 Decreto n° 3.000, de 26/03/1999). b) Contribuição Social (CSLL) (fls. 19 a 25) Total do Crédito Tributário (CS, juros de mora, multa de oficio 75%): R$ 200.562,46; Fatos Geradores: 31/12/1999, 31/12/2000 e 31/12/2001; Enquadramento legal: art. 2° e seus parágrafos da Lei n° 7.689, de 15/12/1988; arts. 19 e 24 da Lei n° 9.249/1995;art. 1° da Lei n° 9.316/1996 e art. 28 da Lei Fl. 629DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000574/200477 Acórdão n.º 180301.189 S1TE03 Fl. 621 3 n° 9.430/1996 e art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. c) Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) (fls. 09 a 13): Total do Crédito Tributário (PIS, juros de mora, multa de oficio 75 %):R$ 13.789,16; Fatos Geradores: 28/02/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/03/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 31/12/2000 e 30/04/2001; Enquadramento legal: arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/1970; art. 24, § 2 0, da Lei n° 9.249/1995; arts. 2% inciso I, art. 8°, inciso I e 9° da Lei n° 9.715/1998; art. 2% 3% da Lei n° 9.718/1998. d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fls. 14 a 18): Total do Crédito Tributário (PIS, juros de mora, multa de oficio 75 %):R$ 63.642,57; Fatos Geradores: 28/02/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/03/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 31145/2000 e 30/04/2001; Enquadramento legal: art. 1° da Lei Complementar n° 7/1991; art. 24, § 2% da Lei n° 9.249/1995; arts. 2% 3°, da Lei n° 9.718/1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/1999 e suas reedições. 1.1. A interessada tomou ciência da autuação em 07/05/2004, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) acostado à fl. 48 2. De acordo com o disposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 07, 12, 17 e 24), o crédito tributário referese à OMISSÃO DE RECEITAS —SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADA A ORIGEM E/OU EFETIVIDADE DA ENTREGA. 3. No Termo de Verificação às fls. 27/28, o Auditor Fiscal autuante informa que: em ação fiscal, ao analisar o Livro Razão da interessada, verificou a existência de conta de mútuo 2.1.1.06.2.03 entre o sócio Orlando C. Boselli e a empresa, nos anos sob fiscalização de 1999 a 2001; tendo em vista a disposição contida no art. 282 do RIR/99, foi a interessada intimada a comprovar de forma inequívoca a origem dos recursos e a efetiva entrega dos mesmos ao caixa da empresa, bem como a comprovar a retenção e recolhimento do IRRF sobre os rendimentos de juros creditados na referida conta de juros; em resposta à intimação, a contribuinte informou não ter efetuado pagamento ou crédito de juros incorridos a pagar ao Fl. 630DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 mutuante, de forma que não efetuou recolhimento do IRRF e apresentou contrato de mútuo; anteriormente o contribuinte havia sido intimado a justificar os valores creditados na conta 2.1.1.06.2.01, relativos a adiantamento para aumento do capital, tendo informado que os valores haviam sido reclassificados para mútuo; não provada a origem e a efetividade da entrega dos recursos, os valores a seguir relacionados devem ser considerados como omissão de receitas e objeto de lançamento de oficio: DATA ENTRADAS 23/02/99 R$ 100.000,00 15/06/99 50.000,00 08/07/99 50.000,00 28/07/99 50.000,00 28/07/99 100.000, 00 28/03/00 40.000,00 29/03/00 110.000, 00 26/09/00 30.944,16 03/11/00 12.333,41 14/11/00 18.726, 99 30/11/00 6.322,21 18/12/00 50.000,00 19/12/00 100.000,00 19/04/01 150.000, 00 TOTAL 868.326,77 não há como aceitar a resposta da contribuinte, posto que no Livro Razão estão claramente contabilizados diversos créditos de "juros e encargos sobre empréstimos"; constitui rendimento de capital, equiparado a renda fixa os rendimentos auferidos nas operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoa física e jurídica; a base de cálculo do IRRF na referida operação é o valor dos rendimentos obtidos e a retenção deverá ocorrer na data do pagamento ou crédito dos rendimentos e que, por crédito, entendese a contabilização dos rendimentos em conta de passivo, o que de fato ocorreu, reportandose aos artigos 17, inciso III, § 1°, II, e art. 18, inciso I e parágrafo único, II, da Instrução Normativa n° 123/99. 4. Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seu sócio gerente (docs. às fls. 79 a 92), apresentou, em 07/06/2004, a impugnação de fls. 49 a 78, acompanhada dos documentos de fls. 79 a 300 e 303 a 457. 4.1. Na peça de defesa, a contribuinte, em preliminar, argúi a extinção do crédito tributário pela decadência, com base no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos fatos geradores da Contribuição para o PIS e da COFINS ocorridos em fevereiro/1999. Entende que a Lei n° 8.212/1991 não se aplica às contribuições (PIS e COFINS) à luz do que dispõe o artigo 146, inciso III, "b", da Constituição Federal. 4.2. Quanto ao mérito, a impugnante alega que: a origem dos recursos é comprovada através do contrato de mútuo celebrado em 10/0111997, com o sócio Orlando Carichi Boselli (cf. documento de fls. de fls.122 a 124), bem como pelas DIPJ's de 2000, 2001 e 2002, tendo em vista que o empréstimo contraído encontrase devidamente discriminado na "Ficha — Passivo Balanço Patrimonial" como "Realizável a Longo Prazo Créditos com Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas)"; Fl. 631DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000574/200477 Acórdão n.º 180301.189 S1TE03 Fl. 622 5 a diferença entre os valores de R$ 868.326,77 (entrada de dinheiro discriminada no Termo de Verificação do Auto de Infração) e R$ 876.883,32 (constante nas DIPJs) referese à incidência de juros, daí o motivo pelo qual os valores não coincidem; basta verificar a DIPF do sócio mutuante, referente ao ano calendário 2002 (Doc. de fls. 134/137) para constatar um ativo a título de mútuo no montante de R$ 2.233.019,47 e em contrapartida verificar na DIPJ — AC 2002 (fls. 131/133) da Impugnante um passivo na "Ficha _ Passivo — Balanço Patrimonial" como Realizável a Longo Prazo Créditos Com pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas)" em idêntico valor, demonstrando que o valor dos mútuos está sendo controlado nas declarações do mutuante e da mutuária; Outros documentos também demonstram a origem dos recursos, quais sejam: cópias de alguns microfilmes de cheques e fichas de compensação (Doc. de fls. 138/148), nominais à Impugnante, bem como extratos Bancários do Supridor (fls. 444 a 457), além do que, o próprio autuante informa que a Impugnante escriturou contabilmente tal passivo; O próprio Sr. AFRF, ao equipar à renda fixa os rendimentos auferidos nas operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoa física e jurídica, comprova veementemente a existência do contrato de mútuo e, por conseguinte, a origem dos recursos. Reportase aos itens 5 e 5.2 do Parecer Normativo CST n° 10/85, aos artigos 923 e 924 do RIR/99 e a ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes para robustecer seus argumentos com vistas à comprovação da existência do contrato de mútuo; A efetividade da entrega é comprovada pelo registro no razão da conta "Mútuo' (fls. 149/151); da conta "Banco Bradesco" (fl. 152/443), pelos extratos bancários da Impugnante (fls. 444/457) e cópias de cheques e fichas de compensação (fls. 138/144); a exigência a título de PIS e de COFINS, nos termos da Lei n° 9.718/98, notadamente a inclusão de todas as receitas na base de cálculo da contribuição, é ilegal e inconstitucional, por ofender diversos artigos da CF e do CTN. Afirma que "faturamento” deve ser entendido como receita decorrente da venda de bens e serviços, afastadas quaisquer outras receitas e reportase a julgados do STF (RE n° 150.7551/PE) e do STJ (4ª Turma — REsp no 501.628), afirmando que o STJ já reconheceu a inconstitucionalidade da Lei no 9.718/1998. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1614.473, de 16 de agosto de 2007 (fls. 466/), julgou procedente em parte o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. A omissão de receita é caracterizada pela falta de comprovação da origem e da efetividade da entrega do numerário registrado, no anocalendário, a débito de Conta de Disponibilidades. APRESENTAÇÃO DE PROVA. A apresentação de prova da origem e da efetiva entrega de numerário à empresa afasta a presunção de omissão de receita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O • LUCRO LíQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001 CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência da omissão de receitas apurada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001 PIS. DECADÊNCIA. O direito de constituição do crédito relativo à Cofins decai em 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não cabe à autoridade administrativa pronunciarse quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais. PIS. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a Contribuição para o PIS lançada em decorrência da omissão de receitas apurada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001 COFINS. DECADÊNCIA. O direito de constituição do crédito relativo à Cofins decai em 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não cabe à autoridade administrativa pronunciarse quanto a alegações de inconstitucional idade de normas legais. COFINS. DECORRÊNCIA. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000574/200477 Acórdão n.º 180301.189 S1TE03 Fl. 623 7 O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a COFINS lançada em decorrência da omissão de receitas apurada. Ciente da decisão em 19/11/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 510), apresentou o recurso voluntário em 19/12/2008 fls. 516/545, onde reitera os argumentos da inicial de inexistência de omissão de receitas por suprimentos não comprovados, que comprova os suprimentos de caixa, da inexistência de base legal para exigências das contribuições reflexas, da inconstitucionalidade das exigências de PIS e COFINS sobre receitas financeiras. Registrese por oportuno, que antes da ciência do acórdão da DRJ ao contribuinte, a unidade de origem realizou revisão de ofício do lançamento (fls. 507/509), excluindo adicionalmente por decadência os fatos geradores anteriores a 05/1999 relativos as exações de PIS e COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício contendo autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lavrados em virtude de omissão de receitas por suprimentos de caixa não comprovados, relativos aos anos calendários 1999, 2000 e 2001. Alega a recorrente em síntese: a) Que os suprimentos de caixa realizados pelo sócio Sr. Orlando C. Boseli, estão comprovados pelos contratos, razão contábil, pelos elementos já apresentados e pelos demais documentos ora anexados aos autos; b) Que inexiste base legal para estender as presunções do IRPJ para os demais lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS, devendo haver previsão legal específica para cada tipo de contribuição; c) Que é ilegal e inconstitucional a exigência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras conforme já decidiram o STJ e STF. A presunção legal de omissão de receitas por suprimentos não comprovados de sócios vem de longa data e se assenta na constatação de que corriqueiramente havendo insuficiência de caixa na pessoa jurídica é procedimento comum registrar um suposto suprimento realizado mais das vezes pelos sócios da empresa. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 8 Diante desta constatação exige a legislação que os suprimentos realizados pelos sócios seja a título de mútuo seja a título de adiantamentos para futuro aumento de capital, sejam rigorosamente comprovados mediante a confirmação simultânea da origem e efetiva entrega dos recursos por documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor. Desta forma, não basta comprovar apenas ou a origem ou a entrega, mas devem ser preenchidas ambas as condições para que o suprimento de caixa seja reputado como regular. Por outro turno, não basta também a simples comprovação de que os recursos transitaram pelas contas do sócio supridor mas que este tenha origem comprovada dos mesmos, sob pena de invalidar totalmente a eficácia da norma tributária. Pelos elementos apresentados dos autos, verificase que há em tese origem dos recursos do sócio supridor uma vez que sua DIRPF (fls. ) contém grande volume de recursos decorrentes do resgate de aplicações financeiras. No entanto, é necessário que ambas as condições (origem e entrega) estejam corretamente comprovados. Após a decisão de primeira instância, remanesceram os seguintes suprimentos de caixa considerados não comprovados: DATA VALOR 23/02/1999 100.000,00 15/06/1999 50.000,00 08/07/1999 50.000,00 25/07/1999 30.000,00 25/07/1999 70.000,00 29/03/2000 6.000,00 26/09/2000 30.944,16 03/11/2000 12.333,41 14/11/2000 18.726,99(*) 30/11/2000 6.322,21 (*) R$ 2,490,00, R$ 2.576,00, R$ 6.310,00, R$ 7.350,99 Afirma a recorrente que comprovam os suprimentos o contrato, a escrituração da pessoa jurídica e demais documentos já apresentados. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000574/200477 Acórdão n.º 180301.189 S1TE03 Fl. 624 9 Com relação ao suprimento de R$ 100.000,00 contabilizado em 23/02/1999, afirma que houve equívoco de data por parte do auditor fiscal, sendo a data correta 04/02/1999 conforme documentos que apresenta. Tem razão a recorrente pois os documentos de fls. 595, 599 e 600 comprovam que a data correta do suprimento é 04/02/1999, devendo ser considerado comprovado o suprimento. Com relação aos suprimentos de R$ 30.000,00 e R$ 70.000,00 realizados segundo o lançamento no dia 28/07/1999, a data correta seria de acordo com o recurso voluntário: 06/08/1999. Conforme documentos de fls. 601, 602 e 603, resta comprovado igualmente o valor de R$ 100.000,00 (R$ 30.000,00 + R$ 70.000,00) havendo correspondência entre a origem e a entrega dos recursos supridos. No que tange ao suprimento realizado em 16/06/1999, no valor de R$ 50.000,00, junta aos autos o extrato bancário da CREDCORP (fl. 604) e do sócio supridor Sr. Orlando Boseli (fl. 605) com data e valor coincidente. Considerando o que já foi considerado até o momento pela decisão de primeira instância e também neste voto considero comprovado também este suprimento. O mesmo ocorre com o suprimento de R$ 50.000,00 em 08/07/1999 (fls. 606/607) havendo coincidência de data e valor entre os extratos bancários da recorrente e do sócio supridor Sr. Orlando Carichio Boseli. Com relação aos suprimentos realizados no ano calendário 2000 e considerados não comprovados, nenhum documento adicional juntou a recorrente limitandose ao que parece reafirmar a comprovação através do contrato de mútuo e da escrituração contábil da recorrente já apresentados. Considerando que somente o contrato de mútuo e a escrituração contábil ou mesmo apenas os extratos bancários da pessoa jurídica não preenchem os requisitos exigidos para elidir a presunção legal devem ser rejeitado o recurso em relação aos valores remanescentes do ano calendário 2000. Ante o exposto, rejeito o recurso em relação aos suprimentos realizados no ano calendário 2000, no montante de R$ 74.326,77. No que se refere a suposta falta de base legal para as exações reflexas de CSLL, PIS e COFINS evidentemente exagera a recorrente ao exigir de que haja previsão legal específica para cada tributo acerca da omissão de receita por suprimento de caixa. Além da previsão legal genérica prevista no art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, plenamente válida em nosso ordenamento jurídico tributário, constatase que a presunção legal que erige como pressuposto de omissão de receitas para o IRPJ o suprimento de caixa não comprovado, tem repercussão automática para os demais tributos, como conseqüência lógica, uma vez que havendo receita tributável para o IRPJ, como corolário há também receita tributável para a CSLL, PIS e COFINS. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 10 Rejeito, destarte as alegações de falta de fundamento legal para exigência das contribuições da CSLL, PIS e COFINS. Por derradeiro, com relação as alegações sobre a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o denominado alargamento da base de cálculo das exações ao PIS e COFINS, sem razão também a recorrente. Com efeito, além de não se poder determinar exatamente qual a natureza das receitas omitidas, mesmo em se tratando de receitas financeiras, considerando tratarse das receitas da atividade “factoring” ou seja da atividade operacional principal da empresa, não lhe aproveita a declaração de inconstitucionalidade reconhecida pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. Ante o exposto voto por dar provimento parcial ao recurso e excluir o montante de R$ 300.000,00 da matéria tributável do ano calendário 1999 em relação ao IRPJ e pela íntima relação de causa e efeito, também em relação as exações da CSLL, PIS e COFINS. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 11080.928909/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.496
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 89 09 /2 00 9- 44 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.928909/200944 Acórdão n.º 3201000.496 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.958, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.928909/200944 Acórdão n.º 3201000.496 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.928909/200944 Acórdão n.º 3201000.496 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.928909/200944 Acórdão n.º 3201000.496 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.928909/200944 Acórdão n.º 3201000.496 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.928909/200944 Acórdão n.º 3201000.496 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11080.928909/200944 Acórdão n.º 3201000.496 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11080.928909/200944 Acórdão n.º 3201000.496 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11080.928909/200944 Acórdão n.º 3201000.496 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 383DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.935111/2009-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.535
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 51 11 /2 00 9- 59 Fl. 543DF CARF MF Processo nº 11080.935111/200959 Acórdão n.º 9303004.535 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.980, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 11080.935111/200959 Acórdão n.º 9303004.535 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 11080.935111/200959 Acórdão n.º 9303004.535 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11080.935111/200959 Acórdão n.º 9303004.535 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11080.935111/200959 Acórdão n.º 9303004.535 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 548DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.006882/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
INDENIZAÇÃO PREVISTA NO ART. 497 DA CLT. ISENÇÃO.
A indenização recebida com base no art. 497 da CLT não integra a base de cálculo do Imposto Sobre a Renda das Pessoas Físicas - IRPF, em face do disposto no inciso V da Lei nº 7.713/1988 e no inciso XX do art. 39 Regulamento do Imposto de Renda.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DEFINIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REGIME DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser recalculado de acordo com o regime de competência.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA.
A incidência de imposto de renda em relação a rendimentos recebidos acumuladamente alcança não somente o valor principal, mas também as quantias recebidas a título de juros e correção monetária.
Numero da decisão: 2402-005.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) afastar a tributação em relação à indenização recebida com base no art. 497 da CLT, de valor originário equivalente a R$ 158.927,36 e; b) recalcular o crédito tributário de acordo com o regime de competência. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felícia Rothschild que davam provimento integral adotando os dois fundamentos.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 INDENIZAÇÃO PREVISTA NO ART. 497 DA CLT. ISENÇÃO. A indenização recebida com base no art. 497 da CLT não integra a base de cálculo do Imposto Sobre a Renda das Pessoas Físicas - IRPF, em face do disposto no inciso V da Lei nº 7.713/1988 e no inciso XX do art. 39 Regulamento do Imposto de Renda. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DEFINIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REGIME DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser recalculado de acordo com o regime de competência. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. A incidência de imposto de renda em relação a rendimentos recebidos acumuladamente alcança não somente o valor principal, mas também as quantias recebidas a título de juros e correção monetária.
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ISENÇÃO. A indenização recebida com base no art. 497 da CLT não integra a base de cálculo do Imposto Sobre a Renda das Pessoas Físicas IRPF, em face do disposto no inciso V da Lei nº 7.713/1988 e no inciso XX do art. 39 Regulamento do Imposto de Renda. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DEFINIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REGIME DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser recalculado de acordo com o regime de competência. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. A incidência de imposto de renda em relação a rendimentos recebidos acumuladamente alcança não somente o valor principal, mas também as quantias recebidas a título de juros e correção monetária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 68 82 /2 00 8- 05 Fl. 217DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) afastar a tributação em relação à indenização recebida com base no art. 497 da CLT, de valor originário equivalente a R$ 158.927,36 e; b) recalcular o crédito tributário de acordo com o regime de competência. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felícia Rothschild que davam provimento integral adotando os dois fundamentos. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10950.006882/200805 Acórdão n.º 2402005.748 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – DRJ/CTA (fls. 112/118), que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005 / exercício 2006, a qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 32.873,10, além de multa de ofício e juros moratórios. De acordo com a Notificação de Lançamento (fls. 7/12), o crédito foi constituído em virtude de i) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, R$ 146.749,29; e ii) compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, R$ 3.271,52. Por bem retratar as questões trazidas até a apresentação do recurso voluntário, reproduzse os trechos correspondentes do relatório da Resolução nº 2102000.136, da 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento (fls. 210/215): O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 27/10/2008, conforme AR de fls. 101, apresentando impugnação em 26/11/2008, constante as fls. 0104, aduzindo o que segue. A verba de R$ 158.927,36 foi recebida a titulo de indenização por ocasião de sua dispensa imotivada, decorrente da estabilidade no emprego em razão do tempo de serviço anterior à opção pelo FGTS, assegurada pelo art. 478, da CLT, art. 7º, I da CF/88, conforme se comprova pelas cópias da Reclamatória Trabalhista, Termo de Rescisão Contratual, Sentença da Justiça do Trabalho da 1ª instância e acórdãos do TRT e TST, nos quais se discutiram a natureza jurídica da indenização. Afirma que os próprios advogados da Unido através dos cálculos desconsideraram e não discutiram a natureza jurídica da referida verba para efeito de cálculo do imposto de renda, conforme documentos fls. 761 a 772. Juntou documentos, tais como, os recibos de honorários advocatícios no valor total de R$ 84.168,00. Requereu, ao final, o procedimento da impugnação, a fim de considerar isenta de tributação a verba recebida a titulo de indenização, assim como a dedução do montante dos rendimentos o valor de R$ 42.084,00 pago a título de honorários advocatícios. A 7ª Turma da DRJ/CTA, Curitiba/PR, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0628.099 de fls. 105.108, de 31 de agosto de 2010, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação, reduzindo o crédito tributário para R$ 44.213,01, conforme ementa que segue transcrita: Fl. 219DF CARF MF 4 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. INDENIZAÇÃO. As indenizações passíveis de isenção são somente aquelas expressamente previstas na legislação tributária. VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÃO PROPORCIONAL. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda incide sobre o total dos rendimentos, diminuídos dos valores das despesas com a ação judicial necessária ao seu recebimento, desde que efetuadas pelo contribuinte, sem indenização. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O contribuinte tomou ciência da decisão a quo, em 22/09/2010, conforme intimação através do AR de fls. 111, da qual interpôs recurso voluntário em 20/10/2010 (fls. 112123), argumentando, em apertada síntese, o que segue. A verba indenizatória decorrente da ruptura do vinculo laboral não é fato gerador do 'IR', não se podendo admitir que essa indenização diga respeito, apenas, ao montante de depósito de FGTS, conforme decidiu a colenda 7ª Turma da DRJ; Argumenta que a matéria já foi objeto de decisão judicial no Superior Tribunal de Justiça, citando acórdão daquele Tribunal Superior; Aduz que, caso não seja afastada a incidência tributária sobre a verba indenizatória auferida em ação judicial pelo contribuinte, que seja reconhecido o direito do mesmo de sofrer a exação nos parâmetros legais que vigiam a época do fato gerador, ou seja com o imposto calculado mês a mês e com a alíquota de 10% (dez por cento), bem como a multa que vigia à época; Requereu em seus pedidos: A reformar a decisão da colenda 7ª Turma da DRJ e, por via de consequência, declarar a isenção da incidência do Imposto de Renda sobre a verba indenizatória recebida pelo Contribuinte nos autos da Reclamação Trabalhista n° 1.048/1992 da 2° Vara do Trabalho de Maringá/PR; caso não seja acolhido o pedido anterior, que se dignem determinar que seja aplicada a alíquota da época própria do fato gerador; A exclusão dos juros de mora da base de cálculo do Imposto de Renda, o que deverá ser apurado a partir dos cálculos elaborados pelo Sr. Perito da Justiça do Trabalho. Junta a mesma documentação que instruiu sua impugnação à Notificação de Lançamento. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10950.006882/200805 Acórdão n.º 2402005.748 S2C4T2 Fl. 4 5 A 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento sobrestou o presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406/RS, em razão do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que dispunha sobre o sobrestamento de julgamentos de recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários de mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Revogado o dispositivo regimental, retornam os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, convém mencionar que não houve qualquer menção no recurso voluntário quanto à compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF e, estando fora do objeto do litígio, referida matéria não será aqui abordada. Considerações Gerais Em sede de normas gerais, o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estabelece como fato gerador do imposto de renda a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda). Vejamos: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (Grifos Nossos) No mesmo sentido, o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dispõe: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10950.006882/200805 Acórdão n.º 2402005.748 S2C4T2 Fl. 5 7 nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. [...] (Grifos nossos) Natureza Indenizatória de Verba Recebida pelo Contribuinte Com relação à isenção do imposto acerca das rubricas decorrentes de rescisão do contrato de trabalho, o inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, bem assim o inciso XX do art. 39 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR, estabelecem: Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; RIR RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS Seção I Rendimentos Diversos Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XX a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso V, e Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28); Ainda sobre a indenização por rescisão de contrato de trabalho, os arts. 477 e 478 do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) asseguram ao trabalhador com contrato de trabalho por prazo indeterminado, no caso de rescisão contratual por despedida involuntária, indenização correspondente a um salário mensal por ano e fração igual ou superior a seis meses de serviço efetivo: Fl. 223DF CARF MF 8 Art. 477 É assegurado a todo empregado, não existindo prazo estipulado para a terminação do respectivo contrato, e quando não haja êle dado motivo para cessação das relações de trabalho, o direto de haver do empregador uma indenização, paga na base da maior remuneração que tenha percebido na mesma emprêsa. (Redação dada pela Lei nº 5.584, de 26.6.1970) Art. 478 A indenização devida pela rescisão de contrato por prazo indeterminado será de 1 (um) mês de remuneração por ano de serviço efetivo, ou por ano e fração igual ou superior a 6 (seis) meses. (Vide Lei nº 2.959, de 1956) [...] Em se tratando do empregado estável demitido por consequência da extinção da empresa empregadora, a ele é garantido o pagamento do dobro da indenização por rescisão contratual, consoante art. 497 da CLT. Vejamos: Art. 497 Extinguindose a empresa, sem a ocorrência de motivo de força maior, ao empregado estável despedido é garantida a indenização por rescisão do contrato por prazo indeterminado, paga em dobro. Especificamente com relação ao autuado, verificase que esse recebeu valores em razão de sentença judicial proferida no âmbito da Justiça do Trabalho por ruptura de vínculo laboral com o Banco Nacional de Crédito Cooperativo S.A. em razão da extinção de referida instituição financeira pertencente à União. Verificase ainda que o vínculo contratual se estabeleceu em 14/8/1978, data em que foi feita a opção pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, e que a despedida involuntária ocorreu com o afastamento do trabalhador em 1/2/1991. Do quadro de fl. 13, abaixo reproduzido, que apresenta um resumo das verbas deferidas ao contribuinte, extraise as rubricas pagas em decorrência da ruptura do vínculo contratual: EQUIPARAÇÃO SALARIAL + INTEGRAÇÕES RS 46.283,46 MULTA DO ART. 477, DA CLT RS 1.356,29 INDENIZAÇÃO RS 158.927,36 DIFERENÇA DA MULTA DE 40% DO FGTS RS 459,24 HORAS EXTRAS RS 122.613,20 REFLEXOS DAS HORAS EXTRAS RS 28.988,97 RESTITUIÇÃO DE DESCONTOS RS 1.072,31 FGTS RS 21.974,69 PREVIDÊNCIA SOCIAL RS (146,11 ) Soma RS 381.529,42 Juros de 1,00% am ( 061=10.992 a 31Idez12.000 ) 3.161 d 105,37% RS 402.017,55 Total da Reclamatória conta atualizada até 01/janeiro/2.001 RS 783.546,96 Os Embargos à Execução, interpostos na ação trabalhista pela Advocacia Geral da União AGU (fls. 54/64) traz quadro que discrimina as verbas sobre as quais foi efetuado o cálculo do IRPF. Quais sejam: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10950.006882/200805 Acórdão n.º 2402005.748 S2C4T2 Fl. 6 9 10 Imposto de renda Base de Cálculo Equiparação salarial 46.283,46 Horas Extras 113.413,68 Reflexos das horas extras 26.733,28 Subtotal 188.430,42 desconto previdenciário 148,11 Base de cálculo 186.282,31 Aliquota de 27,5% 51.227,64 parcela a descontar 380,00 valor do imposto 50.867,64 Total dos descontos 51.015,75 Vejase que no cálculo judicial, o qual refletiu na tabela apresentada nos embargos da AGU, para a definição do imposto foram desconsideradas as seguintes rubricas: Multa do art. 477 DA CLT, Indenização, Diferença da Multa de 40% do FGTS, Restituição de Descontos e FGTS. Com relação à rubrica denominada “Reflexo das Horas Extras”, R$ 2.255,70, valor relativo a aviso prévio, foi considerado indenizatório, enquanto que R$ 13.607,03 (trezenos) e R$ 13.126,25 (férias) integraram a base de cálculo do tributo (vide discriminativo “7. Reflexo das Horas Extras” de fl. 17). Analisandose o tópico “Complementação da Descrição dos Fatos” da Notificação de Lançamento (fls. 8/9), é possível determinar quais as rubricas foram consideradas pela fiscalização para o cálculo do tributo lançado. Nesse sentido, reproduzse o seguinte trecho do texto: Com base nos cálculos periciais constante nas fls. 747 do processo trabalhista constatouse que 6,7% dos rendimentos são isentos, que 3,6% dos rendimentos são de tributação exclusiva na fonte e que 89,7% são tributáveis no ajuste anual. Foram considerados isentos os seguintes rendimentos originais: (Aviso Prévio; FGTS; multa FGTS; Restituição de descontos). Compulsandose o quadro extraído dos Embargos à Execução da AGU e as conclusões constantes da Complementação da Descrição dos Fatos da Notificação de Lançamento, é possível constatar que a rubrica “Indenização” (de valor originário equivalente a R$ 158.927,36) foi excluída tributação quando da execução judicial e considerada como tributável pela autoridade autuante. Ademais, esse é o principal ponto de divergência relacionado à presente lide, pois, enquanto a DRJ/CTA afirma que, “ quanto a indenização, objeto da impugnação, recebida pelo contribuinte devido a impossibilidade de reintegração (extinção da empresa) de empregado com estabilidade, está é tributável, pois não há previsão legal para que seja considerada isenta”, acrescentando que “a indenização pela perda de emprego de funcionário estável optante pelo FGTS não consta do rol das isenções previstas em lei”. O sujeito passivo, por seu turno, alega “que a verba indenizatória decorrente da ruptura do vinculo laboral não é fato gerador do 'IR'”. (Grifos do original) Fl. 225DF CARF MF 10 Pois bem, o deslinde dessa questão passa necessariamente pelo exame da decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 9º Região, que condenou a União a indenizar o sujeito passivo em razão da ruptura do vínculo laboral com o Banco Nacional de Crédito Cooperativo S.A. Relativamente à estabilidade contratual (fls. 36/37), referida decisão estipula: Estabilidade contratual A ruptura do contrato de trabalho, ora em apreço, se deu em conseqüência da extinção do Banco Nacional de Crédito Cooperativo, em face de liquidação extrajudicial a que foi submetido. Restou definitivamente provado nos autos que o autor era detentor de estabilidade no emprego, segundo o que dispõe o Regulamento de Pessoal da Instituição Financeira através do Decreto 52.093/63, uma vez que no ato da demissão, o autor possuía 12 anos e 5 meses de serviço. O reclamado alega que tal Decreto foi revogado por norma posterior, porém, somente a alegação não nos autoriza a julgar da forma pretendida. A prova se faz necessária e, no caso em apreço, não há qualquer prova no sentido do aduzido. Apesar de ser optante pelo FGTS, o autor era estável e, portanto deveria se reintegrado à empresa, .não sendo isso possível, tendo em vista sua extinção, devida é a indenização acima referida. As duas vantagens não se excluem, vez que, segundo muito bem lembrado pelo Juizo "a quo" "o FGTS visa indenizar o tempo de serviço, e a indenização remunera a perda do emprego". Reconhecida a estabilidade do reclamante, faz este jus A indenização em dobro pretendida, equivalente a 24 meses de sua última remuneração. De acordo com a Súmula nº 98 do TST, “a estabilidade contratual ou a derivada de regulamento de empresa são compatíveis com o regime do FGTS”, ou seja, na decisão judicial ponderouse que o sujeito passivo “era detentor de estabilidade no emprego, segundo o que dispõe o Regulamento de Pessoal da Instituição Financeira através do Decreto 52.093/63”. Assim, considerou aquele juízo que a opção pelo regime do FGTS não afastaria o direito à indenização prevista no art. 497 da CLT e, em sendo extinta a empresa sem que tenha havido motivo de força maior, o empregado estável despedido teve o direito à indenização por rescisão do contrato por prazo indeterminado, paga em dobro. Esse foi o entendimento expresso pelo TRT da 9ª Região ao julgar desfavoravelmente o recurso da União, que foi condenada a pagar ao trabalhador uma indenização equivalente a 24 meses de sua última remuneração, sendo que esse contava somente com 12 (doze) anos e 5 (cinco) meses de serviço. Por todo o exposto, considero que, tendo o recorrente se beneficiado de indenização prevista no art. 497 da CLT por virtude de decisão judicial, referida rubrica deve ser excluída da base de cálculo do imposto lançado em face do disposto no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, bem assim no inciso XX do art. 39 RIR. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10950.006882/200805 Acórdão n.º 2402005.748 S2C4T2 Fl. 7 11 Equívoco na Aplicação da Alíquota e Respectiva Multa Argumenta o recorrente que, caso se mantenha a incidência do imposto sobre as verbas recebidas em razão da decisão judicial, “há que se considerar, conforme a disposição do art. 144 do CTN e os limites da decisão que deferiu a respectiva verba indenizatória ao Contribuinte, o seguinte”: Primeiro: a indenização disse respeito a 24 meses da última remuneração. A última remuneração foi em 01.02.1991 (quando houve o afastamento do Quadro funcional do BNCC), conforme se infere da cópia anexa do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, bem como da cópia, anexa, do acórdão que confirmou o deferimento dessa verba laboral. Portanto, se for considerado o período de 24 (vinte e quatro) meses posteriores a 01.02.1991, o fato gerador da incidência mês a mês do Imposto de Renda teria ocorrido entre 01.02.1991 e 31.01.1993. Segundo: no período de 01.02.1991 e 31.01.1993 a alíquota do Imposto de Renda incidente sobre a 41/ base de cálculo (valor equivalente à ultima remuneração), era de 10% (dez por cento) e, não, de 27,5%. Terceiro: a demora para ser feita a respectiva indenização não pode ensejar prejuízos ao Contribuinte que, repitase, fazia jus a tal direito à época. Reproduz entendimento esposado em decisões judiciais de que para o IRPF “Em caso de rendimentos recebidos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês do recebimento, mas o cálculo do imposto é feito levando em consideração o mês a que cada parcela se refere”. Com base nisso, requer que seja reconhecido o direito de sofrer a exação nos parâmetros legais que vigiam à época do fato gerador, com o imposto calculado mês a mês e com a alíquota de 10% (dez por cento), bem como que lhe seja aplicada a multa que vigia à época. Em primeiro lugar, com relação à multa de ofício, convém esclarecer que, de acordo com o art. 113 do CTN, a obrigação tributária (principal ou acessória) surge com a ocorrência do respectivo fato gerador. Em função disso, constatase ser desprovida de fundamento a alegação do recorrente de que a multa a ser aplicada deveria ser aquela vigente no período por ele indicado, tendo em vista que o cometimento da infração somente se configurou com o recebimento e o não oferecimento à tributação dos valores sujeitos ao imposto de renda. A respeito da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, o Supremo Tribunal Federal – STF se posicionou recentemente a partir do RE 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida por aquela Corte, em obediência à sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil. A decisão prolatada em face do referido Recurso Especial é de obrigatória observância no âmbito do CARF, haja vista previsão contida no § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Fl. 227DF CARF MF 12 O julgado da Suprema Corte foi no sentido de manter a decisão do TRF da 4ª Região acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/ 1988, devendo ocorrer a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência após somado este com o valor já pago, afastado o regime de caixa para os casos de rendimentos recebidos acumuladamente. Diante disso, tendo sido reconhecido que a indenização recebida pelo recorrente não integra a base de cálculo do tributo, impõese a retificação dos valores remanescentes no lançamento, mediante a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época em que deveriam ter sido pagos os rendimentos, nos termos estabelecidos RE 614.406/RS. Incidência do IR Sobre os Juros Moratórios e Correção Monetária Aduz o recorrente que pelo “fato de ter recebido os valores da indenização do período de 01.02.1991 e 31.01.1993 somente no ano de 2005, esses valores sofreram a correção monetária e respectiva incidência dos juros moratórios, e sobre os juros moratórios não há incidência do ‘IR’”. Acostase em decisão judicial para requerer a exclusão dos juros de mora e da correção da base de cálculo do tributo. Sobre esse assunto, dispõe o art. 56 do RIR/1999 que o IRPF incidirá sobre o total dos rendimentos recebidos de forma acumulada, inclusive juros e atualização monetária. Vejamos: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Por óbvio, nesse aspecto, o art. 56 do RIR encontrava amparo no revogado art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e, atualmente, o art. 12A do mesmo diploma legal traz disciplina semelhante. Dito isso, resta esclarecido que, a despeito dos argumentos suscitados no recurso voluntário, a incidência tributária alcança não somente o valor principal dos rendimentos recebidos acumuladamente, mas também as quantias pagas a título de juros e correção monetária, não assistindo razão ao sujeito passivo quanto a essa questão. Além disso, em relação à incidência do imposto de renda, recente decisão do STJ, adotada no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiu o entendimento de que o tributo é inexigível sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo apenas em relação a verbas trabalhistas de natureza indenizatória, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C D O CPC. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10950.006882/200805 Acórdão n.º 2402005.748 S2C4T2 Fl. 8 13 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECUR SO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Resp. 1.227.133/RS, resta claro que os juros de mora decorrentes do pagamento em atraso de verbas trabalhistas (provenientes de condenação judicial) de natureza remuneratória são tributáveis, consoante a regra do “accessorium sequitur suum principale. Desta feita, é forçoso concluir, com base na legislação que rege a matéria e na recente jurisprudência, que os juros e a correção monetária recebidos em face das diferenças de natureza remuneratória recebidas pelo sujeito passivo também estão sujeitos à tributação. Fl. 229DF CARF MF 14 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar a tributação em relação à indenização recebida com base no art. 497 da CLT, de valor originário equivalente a R$ 158.927,36, além dos juros incidentes sobre essa indenização, e determinar retificação do crédito tributário remanescente com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época em que deveriam ter sido pagos os rendimentos. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006325/2003-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/07/1998
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE DO SUJEITO PASSIVO PARA EXTINGUIR O DÉBITO.
Não obstante o direito a restituir/compensar Finsocial pago a maior tenha sido integralmente reconhecido ("an debeatur"), os valores efetivamente apurados a título de crédito ("quantum debeatur") detido pelo sujeito passivo contra a Fazenda Pública não foram suficientes para compensar a totalidade dos débitos de Cofins discutidos no presente processo, motivo pelo qual o direito creditório deve ser apenas parcialmente reconhecido, devendo-se prosseguir a cobrança do valor remanescente.
Numero da decisão: 3401-003.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
ROBSON BAYERL - Presidente.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE DO SUJEITO PASSIVO PARA EXTINGUIR O DÉBITO. Não obstante o direito a restituir/compensar Finsocial pago a maior tenha sido integralmente reconhecido ("an debeatur"), os valores efetivamente apurados a título de crédito ("quantum debeatur") detido pelo sujeito passivo contra a Fazenda Pública não foram suficientes para compensar a totalidade dos débitos de Cofins discutidos no presente processo, motivo pelo qual o direito creditório deve ser apenas parcialmente reconhecido, devendose prosseguir a cobrança do valor remanescente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário. ROBSON BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vicepresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rodolfo Tsuboi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 63 25 /2 00 3- 14 Fl. 203DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado em 10/07/2003 originário de falta de recolhimento por compensação indevida, no valor histórico de R$ 104.027,14 de Cofins e de R$ 78.020,31 de multa de ofício, além de acréscimos legais, referentes aos períodos de apuração de 01/06/1997 a 31/12/1997 e 01/03/1998 a 31/07/1998, com fundamento nos arts. 1º a 4º da Lei Complementar n° 70/1991, no art. 1º da Lei n° 9.249/1995, no art. 57 da Lei n° 9.069/1995, e nos e arts. 56 e parágrafo único, 60 e 66 da Lei n° 9.430/1996: 2. Em sua impugnação, a contribuinte argumenta que: (i) que impetrou o Mandado de Segurança n° 9100.119857, que tramitou na 7ª Vara da Justiça Federal em Curitiba/PR, referente a créditos decorrentes de recolhimento a maior do antigo Finsocial, e que já transitou em julgado favoravelmente às impetrantes, tendo sido a compensação legalmente efetuada; (ii) existiria pedido administrativo de compensação, objeto do Processo Administrativo n° 10980.009115/9850, protocolado em 16/07/1998, relativamente às competências de junho de 1997 a julho de 1998, e que nunca foi comunicada sobre óbice algum à compensação realizada, mesmo porque efetuada nos termos da decisão judicial e das normas de compensação vigentes, supondo não ter ocorrido irregularidade, mas homologação da compensação, e solicita, ao fim, neste sentido, que sua situação seja regularizada, para evitar autuação sobre competências relativas ao anocalendário de 1998; e (iv) a autuação seria nula por ausência de infração tipificada, uma vez que não houve falta de recolhimento do principal 3. O Acórdão DRJ nº 8.643, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Curitiba em sessão de 15 de junho de 2005, em que pese a impugnação nada ter dito quanto à existência do Processo n° 10979.000.117/200260, que discute autuação Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10980.006325/200314 Acórdão n.º 3401003.234 S3C4T1 Fl. 204 3 por falta de recolhimento de Cofins de junho a dezembro de 1997, reconheceu de ofício a duplicidade de lançamento, cancelando, desta feita, as parcelas de contribuição discutidas naquele processo, de forma a restringir a discussão do presente processo aos débitos de Cofins apurados de março a julho de 1998. 4. Quanto a este período de apuração remanescente, ou seja, não lançado em duplicidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendose o lançamento de ofício no valor histórico de R$ 46.946,12 (mais multa e juros), em conformidade com a seguinte ementa: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1997 DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO Devese cancelar o lançamento, por duplicidade, das parcelas de contribuição que, anteriormente, foram constituídas em outro auto de infração. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/1998 a 31/07/1998 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo à Cofins decai em dez anos. RECLAMAÇÕES E RECURSOS ADMINISTRATIVOS EM PROCESSOS DISTINTOS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE E REUNIÃO DE PROCESSOS. As reclamações e os recursos administrativos apresentados em processos distintos não estendem a suspensão de exigibilidade a créditos tributários neles não formalizados e não dão ensejo à reunião de processos. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RAZÕES DE INDEFERIMENTO. DISCUSSÃO EM PROCESSO PRÓPRIO. O processo administrativo de lançamento de ofício de Cofins comporta o litígio em relação à oponibilidade de eventual direito de compensação à cobrança do crédito da Fazenda Pública, não servindo, por outro lado, para a contestação de decisões proferidas em processos administrativos próprios, de pedido de restituição/compensação. Lançamento Procedente em Parte". 5. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte argumentou: (i) a necessidade da conexão para julgamento simultâneo do presente processo com o Processo Administrativo n° 10979.000.117/200260, no qual se discute compensação dos débitos de Cofins com créditos de Finsocial pagos indevidamente; (ii) que realizou a compensação conforme autorizava o art. 66 da Lei nº 8.383/1991, independentemente de qualquer requerimento prévio dirigido à Receita Federal, consoante pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; (iii) que, mesmo com o respaldo legal e jurisprudencial em referência, no sentido de colaborar com a administração fazendária, protocolou, em 16/07/1998, pedido de Fl. 205DF CARF MF 4 restituição de Finsocial e compensação da Cofins nos termos da Instrução Normativa SRF nº 21/1997 editada em virtude da edição da Lei nº 9.430/1996, "mesmo sem estar obrigada a fazê lo", iniciando, assim, o Processo Administrativo n° 10980.009115/9850, no qual teve seu pedido não homologado em razão de prescrição nos termos do Ato Declaratório SRF nº 96/1999. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade na qual alegou inocorrência da prescrição, pois, nos casos de lançamento por homologação, o prazo é de dez anos após o pagamento antecipado, já que inexistiu sua homologação tácita. A DRJ manteve a decisão recorrida e foi interposto recurso voluntário, então pendente de julgamento pela segunda instância administrativa. Requereu, portanto, o reconhecimento da conexão para julgamento conjunto dos pleitos administrativos (Processos n° 10979.000.117/200260; n° 10980.006325/200314; n° 10980.009115/9850), para evitar o risco da superveniência de decisões conflitantes e em homenagem ao princípio da economia processual. 6. Em 21/09/2007, o então Segundo Conselho de Contribuintes Resolução n° 20300.852 com o seguinte teor: "(...) Como relatado, a exigência é combatida mediante a argüição de duas compensações: uma específica e relativa a direito creditório reconhecido em ação judicial (MS n° 91.00.119857); e e outra compensação mais genérica, cujos créditos são da própria recorrente. Como o litígio sobre os créditos da cedente é objeto do Processo Administrativo n° 10980.009115/9850, atualmente em sede de recurso especial da Fazenda Nacional e para a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes, e como a decisão final naquele deve ser levada em conta neste, convém que este processo seja julgado após aquele. Não há como proferir uma decisão em segunda e última instância num pleito envolvendo compensação quando a liquidez e certeza do crédito são discutidas em outro processo, que ainda não tem decisão definitiva. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento do recurso em diligência, determinando que se aguarde a decisão final no Processo n° 1098.0009115/9850, atualmente em sede de recurso especial. Após o término daquele devem ser acostadas ao presente processo cópias das decisões lá proferidas, com retorno destes autos a esta Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, para apreciação" (seleção e grifos nossos). 7. Em 23/02/2006 foi proferido, no Processo n° 1098.0009115/9850, o Acórdão nº 30237.335 pela Segunda Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, dando provimento ao recurso para afastar a decadência; em 17/06/2008 a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão CSRF nº 0305.753 negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional; em 27/08/2012 o Acórdão nº 9900000.747 (Pleno) negou seguimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tendo prevalecido a decisão de dar provimento ao direito da contribuinte de pleitear a restituição/compensação de valores de Finsocial recolhidos a maior. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10980.006325/200314 Acórdão n.º 3401003.234 S3C4T1 Fl. 205 5 Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 8. Constatase, a partir da leitura dos documentos que instruem os presentes autos, que o Mandado de Segurança n° 91.00119857, o Processo n° 1098.0009115/9850, o Processo nº 10979.000117/200260, e o Processo nº 10980.006325/2003, todos de interesse da contribuinte, devem ser contextualizados para que se alcance a correta compreensão do presente caso, o que se passa a fazer nos parágrafos seguintes, que devem nortear a discussão. 9. Em 1991, a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 91.00119857, no qual obteve decisão favorável, reconhecendose o seu direito a "(...) recolher o FINSOCIAL a partir de 25 de setembro de 1991 (Lei nº 8.212/91), até a entrada em vigor da Lei Complementar n° 70/91, bem como assegurar (...) a incidência da alíquota de 2% efetivada pela Medida Provisória nº 279, convalidada pela Lei nº 8.147/90 somente após a data de 14/03/1991", advindo o trânsito em julgado do quanto decidido em 01/10/1997. 10. Em 16/07/1998, com base na decisão judicial favorável obtida, a contribuinte realizou pedido de compensação no montante de R$ 70.292,93 referentes a recolhimentos a maior de Finsocial efetuados entre 11/10/1989 e 15/07/1991, com débitos de Cofins relativamente às competências de junho de 1997 a julho de 1998, o que foi discutido no Processo n° 1098.0009115/9850, no qual também obteve êxito, afastandose a decadência de maneira a se "(...) reconhecer o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação, em 16/07/1998, de valores de Finsocial relativos aos períodos de setembro de 1989 a junho de 1991"1. 11. Enquanto pendente de julgamento o processo administrativo acima descrito, em 04/11/2001 foi lavrado auto de infração discutido no Processo nº 10979.000117/200260 no qual se exigem débitos de Cofins no valor histórico de R$ 57.081,02 de Cofins (mais multa e juros) referentes ao período de apuração de junho a dezembro de 1997. 12. Em 15/07/2003 foi lavrado auto de infração discutido no Processo nº 10980.006325/2003 no qual se exigem débitos de Cofins no valor histórico de R$ 46.946,12 de Cofins (mais multa e juros) referentes ao período de apuração de março a julho de 1998. 13. Parecenos que, caso a conexão dos processos administrativos acima descritos houvesse sido reconhecida, como requereu a contribuinte em diversas oportunidades, conforme se demonstrou no relatório que precede o presente voto, maior clareza teria sido proporcionada para o deslinde da matéria, em benefício da própria Administração. 14. Por outro lado, correto o entendimento dos julgadores de primeira instância administrativa no sentido de que o processo administrativo de lançamento de ofício de Cofins comporta o litígio em relação à oponibilidade de eventual direito de compensação à cobrança do crédito da Fazenda Pública, não servindo, por outro lado, para a contestação de 1 Trecho dispositivo do Acórdão do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 9900000.747, de relatoria da Conselheira Nanci Gama, proferido em sessão de 29/08/2012. Fl. 207DF CARF MF 6 decisões proferidas em processos administrativos próprios, de pedido de restituição/compensação. 15. A existência do processo judicial, ademais, de fato foi comprovada pela contribuinte, mas ainda assim "(...) a autuação foi efetuada corretamente, haja vista que não consta ter tido a contribuinte provimento judicial, nos autos do Mandado de Segurança n° 91.00119857, autorizandoa a efetuar compensações. No processo judicial, aliás, sequer se cogitou haver recolhimentos indevidos a título de Finsocial" (grifos nossos). 16. Neste sentido, entendo como indevida a compensação intentada amparada em provimento judicial, uma vez que tal matéria seria estranha ao objeto do litígio do mandamus, tendo se limitado o mandado de segurança a tratar do "(...) reconhecimento incidental da inconstitucionalidade da legislação que majorou as alíquotas do Finsocial". 17. O Processo Administrativo n° 10980.009115/9850, por seu turno, protocolado em 16/07/1998, antes, portanto, da lavratura do auto de infração em debate, de 10/07/2003, versava "(...) sobre os efeitos da decisão judicial que lhe assegurara o direito de não recolher a contribuição para o Finsocial em alíquotas superiores a 0,5%" e no qual a contribuinte pugnava pela "utilização de pagamentos a maior para a compensação de débitos de Cofins de junho de 1997 a julho de 1998 ". 18. Logo, enquanto o Processo nº 10980.009115/9850 é relativo à possibilidade de aproveitamento por compensação de Finsocial pago a maior, os Processos nº 10979.000117/200260 e nº 10980.006325/2003, por sua vez, prestamse a formalizar de ofício crédito da Fazenda Nacional. 19. Assim, destacamos trecho do voto condutor do acórdão de primeira instância administrativa: "De fato, embora à época do lançamento não houvesse decisão administrativa cientificada à contribuinte no Processo n° 10980.009115/98 50, verificase (...) que o pedido administrativo foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR, por meio de despacho decisório cientificado em 18/07/2003 (juntamente com a ciência de outro auto de infração) e que a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, em 18/08/2003, não foi provida por esta Terceira Turma de Julgamento, mediante o Acórdão n° 4.414, de 29 de agosto de 2003 (fls. 80/89). Atualmente, o referido processo encontrase no Terceiro Conselho de Contribuintes (fl. 90). Extraise, desses elementos, que não há reconhecimento administrativo que permita dar provimento à alegação de compensação, eis que no processo administrativo em que a contribuinte trouxe à Administração o conhecimento de sua pretensão os pedidos e reclamações não foram providos. Convém relembrar, para contextualizar essas considerações, que o lançamento foi efetuado em auditoria interna das informações que haviam sido inseridas nas DCTFs e que o Processo Administrativo n° 10980.009115/9850 sequer havia sido indicado pela contribuinte naquelas declarações como base para a compensação. Pelo exposto, a contribuinte, em face do lançamento de ofício, ou recolhe a contribuição devida ou, pelos meios cabíveis, obtém provimento suficiente no processo de restituição/compensação para contraporse à exigência da Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10980.006325/200314 Acórdão n.º 3401003.234 S3C4T1 Fl. 206 7 contribuição que deixou de recolher. Até o presente momento, como descrito, não há o reconhecimento administrativo do direito de compensação" (seleção e grifos nossos). 20. Pendente de decisão final do Processo nº 10980.009115/9850 (cujo objeto é o reconhecimento do crédito de Finsocial reconhecido em decisão judicial transitada em julgado), no momento do julgamento de primeira instância administrativa dos Processos nº 10979.000117/200260 e nº 10980.006325/2003 (cujo objeto é formalizar de ofício crédito da Fazenda Nacional), foram mantidos os respectivos autos de infração e, ao chegarem à segunda instância administrativa, sobrevieram resoluções para que se aguardasse a conclusão do primeiro processo administrativo. 21. Uma vez transitada em julgado decisão favorável à contribuinte no Processo nº 10980.009115/9850 no sentido de se reconhecer o seu direito de pleitear restituição/compensação de valores de Finsocial recolhidos a maior ("an debeatur"), o processo foi remetido à unidade local para se apurar o exato valor do crédito ("quantum debeatur"). 22. Em 20/04/2014 foi proferido despacho decisório pela unidade local reconhecendo o direito da contribuinte passível de compensação originado de recolhimentos indevidos de Finsocial no montante de R$ 69.459,01 a ser acrescido de taxa de juros Selic a partir de 01/01/1996. 23. Em seguida, a autoridade fiscal consignou que, com base em tal crédito, a contribuinte apresentou pedido de compensação com débitos que à época não haviam sido confessados em DCTF, tendo sido, portanto, lançados e discutidos no presente Processo Administrativo nº 10980.006325/2003. 24. No entanto, ao compulsar o encontro do crédito (apurado no Processo n° 1098.0009115/9850) com o débito (apurado apenas neste Processo Administrativo nº 10980.006325/2003), verificou que "(...) o crédito não foi suficiente para proporcionar a homologação das compensações da totalidade dos débitos, havendo remanescido débito não compensado". 25. Considerando que o Processo n° 1098.0009115/9850 discute crédito de Finsocial a compensar com débitos de Cofins do período de junho de 1997 a julho de 1998, e que o Processo nº 10979.000117/200260 se refere a autuação por falta de recolhimento de Cofins de junho a dezembro de 1997 e o Processo nº 10980.006325/2003 se refere a autuação por falta de recolhimento de Cofins de março a julho de 1998; e 26. Considerando que o despacho decisório de 20/04/2014 verificou que o crédito apurado não foi suficiente para compensar a totalidade dos débitos de Cofins apurados de março a julho de 1998 (Processo nº 10980.006325/2003), concluise pela insuficiência de créditos para extinguir a totalidade dos débitos discutidos no presente processo. 27. Assim, inobstante o direito a restituir/compensar Finsocial pago a maior tenha sido integralmente reconhecido, os valores efetivamente apurados a título de crédito detido pelo sujeito passivo não foram suficientes para compensar a totalidade dos débitos de Cofins discutidos no presente processo, motivo pelo qual o direito creditório deve ser apenas parcialmente reconhecido, devendose prosseguir a cobrança do valor remanescente. Fl. 209DF CARF MF 8 Assim, voto por conhecer e, no mérito, conceder provimento parcial ao recurso voluntário interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 210DF CARF MF
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