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Numero do processo: 10783.724550/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1639; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 204 1 203 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.724550/201172 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.321 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria Auto de Infração: GFIP. Fatos Geradores Recorrente SOCE SOCIEDADE CAPIXABA DE EDUCAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 45 50 /2 01 1- 72 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de autodeinfração de obrigação acessória, lavrado em 08/11/2011, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 16/11/2011, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32 A, caput, inciso I, §§2º e 3º, da Lei n.º 8.212/91, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s, os valores pagos aos contribuintes individuais na competência de 05/2008. Após a impugnação, Acórdão de fls. 179/186, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese a nulidade do auto de infração por desobediência aos princípios que regem os Atos Administrativos e ao contraditório e ampla defesa. No mérito, requer a insubsistência do uto de Infração, porque a verba relativa à previdência privada não integra a remuneração. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.724550/201172 Acórdão n.º 2302002.321 S2C3T2 Fl. 205 3 Voto Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 179/186 em 05/06/2012, fls.188, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 06/06/2012, fruindo até 05/07/2012. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 06/07/2012, conforme documento de fls. 189, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatora Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 16707.002152/2002-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Anocalendário:
2002
PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005
aplica-se somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de restituição formalizados antes daquela data, aplica-se o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ, proferido em sede de recurso especial processado na sistemática do art 543C do CPC.
Numero da decisão: 1102-000.711
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade do pedido de restituição formulado, determinando o retorno dos autos à DRF/Natal – RN para que seja proferido novo despacho decisório com análise do mérito do Pedido de Restituição, com relação aos anos-calendário 1995 e 1996, restabelecendo-se o trâmite processual a partir daí, e também para que anexe ao presente cópia integral do processo nº 16707.003535/2001-12.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 aplica-se somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de restituição formalizados antes daquela data, aplica-se o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ, proferido em sede de recurso especial processado na sistemática do art 543C do CPC.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2094; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 215 1 214 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16707.002152/200208 Recurso nº 913.502 Voluntário Acórdão nº 110200.711 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria CSLL. COMPENSAÇÃO. Recorrente TECNART ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 aplicase somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de restituição formalizados antes daquela data, aplicase o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ, proferido em sede de recurso especial processado na sistemática do art 543C do CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade do pedido de restituição formulado, determinando o retorno dos autos à DRF/Natal – RN para que seja proferido novo despacho decisório com análise do mérito do Pedido de Restituição, com relação aos anoscalendário 1995 e 1996, restabelecendose o trâmite processual a partir daí, e também para que anexe ao presente cópia integral do processo nº 16707.003535/200112. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16707.002152/200208 Acórdão n.º 110200.711 S1C1T2 Fl. 216 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório No presente recurso insurgese a recorrente contra a decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RecifePE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/NatalRN, o qual por sua vez, reconhecera a homologação tácita de do Pedido de Restituição/Compensação apresentado em 24.07.2002, e não homologara as demais compensações constantes deste processo. Inicialmente, a empresa apresentou, em 24.07.2002, o Pedido de Restituição (fl.1, em formulário de papel), no qual pleiteia a restituição da CSLL paga a maior, apurada nas declarações DIPJ dos anoscalendário de 1995 a 1999, a ele anexas, bem como o Pedido de Compensação (fl.2, também em formulário de papel), no qual aponta débitos de COFINS, apurados nos meses de fevereiro a dezembro de 2000, no montante de R$ 47.914,96, a serem compensados com aqueles créditos. Posteriormente, apresentou várias Declarações de Compensação (PER/DCOMP), cópias anexas às fls. 48 a 82, indicando como crédito saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 62.744,49, apurado no anocalendário 1999, conforme sua DIPJ/2000. Por meio do Despacho Decisório de fls. 128 a 143, emitido em 26.05.2010, e retificado à fl. 161, a autoridade fiscal: a) homologou tacitamente a compensação objeto do Pedido de Compensação de fl. 2, pelo decurso do prazo de mais de cinco anos da data do pedido; b) considerou prescrito o direito à restituição dos valores dos saldos negativos relativos aos anoscalendário 1995 e 1996, posto que decorridos mais de cinco anos da data da extinção do crédito quando do pedido efetuado; c) em razão da comprovação de pagamentos de estimativa efetuados em 1997 de apenas R$ 2.578,76 e de efetiva quitação, no âmbito do Refis, de estimativas parceladas no montante de R$ 10.040,66, contra um valor informado de estimativas pagas no total de R$ 15.142,47, reduziu o valor do saldo negativo pleiteado, de R$ 5.058,61, para R$ 2.535,56, naquele ano; d) em razão da efetiva quitação, no âmbito do Refis, de estimativas parceladas, referentes a 1998, no montante de apenas R$ 4.088,80, contra um valor informado de estimativas parceladas no total de R$ 24.490,49, reduziu o valor do saldo negativo pleiteado, de R$ 21.812,96, para R$ 1.411,27, naquele ano; e) em razão dos itens precedentes ‘b’, ‘c’, e ‘d’, observou que, se não fosse a homologação tácita havida, os saldos negativos seriam insuficientes para a quitação dos débitos objeto do Pedido de Compensação; Fl. 216DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16707.002152/200208 Acórdão n.º 110200.711 S1C1T2 Fl. 217 3 f) em razão de não terem sido efetivamente quitadas, no âmbito do Refis, as estimativas parceladas, referentes a 1999, no montante de R$ 60.767,85, e de ter o contribuinte informado compensação da CSLL com 1/3 da Cofins efetivamente paga no valor de R$ 19.084,01, quando só poderia ter utilizado R$ 1.277,75 (1/3 de R$ 3.833,25), concluiu pela inexistência de saldo negativo naquele ano, posto que, em lugar do saldo negativo pleiteado, de R$ 62.744,49, haveria saldo a pagar, de R$ 15.829,62; g) em razão da inexistência de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 1999, não homologou as demais compensações constantes do presente processo, as quais apontavam este saldo como o crédito a ser utilizado. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 149/156), alegando, em síntese, o seguinte: A DRFNatal emitiu o despacho decisório contrariando a orientação por ela mesma proferida na Solução de Consulta constante do processo nº 16707.003535/200112. Nos termos da consulta ali formulada, informou que incluíra no Refis estimativas de IRPJ e CSLL, que vinham sendo pagas, sem prazo para sua liquidação, e que, com a citada inclusão, iria apurar saldos negativos em todos os anos. Consultou a RFB se as DIPJ deveriam ser retificadas para incluir as referidas estimativas, e indagou qual o momento a partir do qual poderia utilizar os créditos apurados nas referidas declarações (IRPJ e CSLL a compensar). A resposta da DRF, dada de forma a não caber qualquer dúvida a respeito, foi a seguinte: “Neste sentido, há de ser considerada a obrigatoriedade das antecipações do imposto devido, para efeito de dedução do imposto a pagar ou a ser compensado. Devendo, portanto, o contribuinte acima, promover a retificação das declarações de IRPJ, para incluir os valores das estimativas que foram objeto de declaração REFIS, corretamente declarados, a serem compensados no momento da apuração do IRPJ anual, conforme acima explicitado.” Resta claro, portanto, o seu direito a compensar os saldos do IRPJ e da CSLL, no momento da apuração anual, sem nenhuma restrição à compensação. Contudo, a DRF/Natal utilizou forma de cálculo inusitada, cuja metodologia não foi apresentada à consulente, quando da referida Solução da Consulta, efetuando glosas dos valores das estimativas parceladas no Programa Refis (conforme itens 11, 12, 13 e 14 do Despacho). A consulta tem força vinculante para a administração, se favorável ao contribuinte, conforme doutrina que refere. A DRF/Natal promoveu revisão das DIPJs dos exercícios de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000, incluída nesta última a Cofins glosada, estando caduco, no entanto, o direito de revisão por parte da Fazenda Nacional, por força do que dispõe o art. 149, parágrafo único e 150 e § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16707.002152/200208 Acórdão n.º 110200.711 S1C1T2 Fl. 218 4 Ao final, requer a revisão do lançamento para restabelecer os valores constantes das respectivas DIPJ. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RecifePE consignou que, ante a homologação tácita das compensações objeto do pedido efetuado em 24.07.2002 (fl.02), o litígio restringese às PER/DCOMPs de folhas 48 a 82, que informam crédito de saldo negativo de CSLL, apurado na DIPJ/2000, e referente ao anocalendário de 1999. No mérito, rejeitou a alegação de decadência do direito do fisco de revisar as declarações do contribuinte em sede de restituição/compensação, e julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao fundamento de que, para que haja o direito à restituição ou a compensação de tributos, é necessário que o crédito tributário tenha sido comprovadamente extinto em montante indevido ou a maior que o devido, e que o parcelamento não é forma de extinção, senão de suspensão. Transcreve trechos do Manual de Instruções de Preenchimento da DIPJ, bem como das instruções para preenchimento da DCOMP, que reforçam o entendimento de não ser possível compensar crédito tributário parcelado e ainda pendente de extinção na data da transmissão da DCOMP. E, por fim, observou que não é correta a interpretação feita pela recorrente quanto à afirmativa feita na consulta, que restringese única e exclusivamente à compensação a ser efetuada na DIPJ no momento da apuração anual do imposto/contribuição, ou seja, em 31 de dezembro de cada ano. O Acórdão 1132.418, fls. 161 a 169, está assim ementado: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. PARCELAMENTO DE VALORES DEVIDOS POR ESTIMATIVA. O saldo negativo da CSLL apurado no encerramento do anocalendário, oriundo de valores devidos mensalmente por estimativa, somente poderá ser utilizado na compensação quando efetivamente extinto. O parcelamento não constitui modalidade de extinção do crédito tributário, em face do que os valores das estimativas que foram parcelados não podem ser utilizados para compensação enquanto não liquidados.” Cientificada desta decisão em 14.02.2011, conforme AR anexo, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 04.03.2011, no qual, a par de reprisar os argumentos expostos por ocasião da inicial, requer seja anexada ao presente processo cópia integral do processo nº 16707.003535/200112, objeto da consulta formulada e do litígio do presente processo. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16707.002152/200208 Acórdão n.º 110200.711 S1C1T2 Fl. 219 5 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme antes relatado, a autoridade julgadora a quo entendeu que o litígio restringirseia às PER/DCOMPs que informam crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1999. Na verdade o litígio inclui os demais anoscalendário, pois a recorrente protesta com dois argumentos que a eles também dizem respeito: (i) contra o mérito das glosas efetuadas no seu crédito, posto que estas teriam contrariado orientação expressa da própria DRF consubstanciada em consulta; e (ii) contra a possibilidade de efetuar qualquer glosa, em razão da decadência do direito do fisco de revisar as declarações do contribuinte após transcorridos mais de cinco anos. O acórdão recorrido, contudo, não chegaria a padecer de vício, porque, na verdade, ao analisar o crédito referente ao anocalendário de 1999, a autoridade julgadora a quo abordou as duas alegações, posicionandose contrário a ambas, o que significa que, na prática, ratificou integralmente o Despacho Decisório também com relação aos anos anteriores. E, conforme visto, na ótica do despacho, se não fora a homologação tácita, o saldo disponível dos anos de 1995 a 1998 seria insuficiente para a quitação dos débitos arrolados no Pedido de Compensação, que totalizavam R$ 47.914,96 em 2000. Isto porque restariam somente R$ 2.535,56 em 1997 e R$ 1.411,27 em 1998, sendo desnecessários maiores cálculos para verificar a impossibilidade de tal compensação. Contudo, como a compensação fora homologada tacitamente, sob esta estreita ótica faria sentido a DRJ considerar que somente as compensações posteriormente feitas permaneceriam em litígio. Ocorre que o referido Despacho sequer analisou o mérito dos valores pleiteados relativos a 1995 (R$ 4.942,53) e 1996 (R$ 13.515,03), por considerálos formulados a destempo. Entretanto, consoante a jurisprudência desta Turma, o regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005, aplicase somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, sendo que no presente caso, a solicitação foi feita em 24.07.2002, pelo que aplicase o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. Assim foram julgados recentemente os acórdãos 1102 00609, 110200611, 110200656, 110200682, e 110200692, apenas para citar alguns. De se ressaltar que tal entendimento aplicase inclusive em casos como o presente, em que a recorrente sequer suscitou este questionamento, por tratarse de matéria de ordem pública, que deve ser conhecida de ofício, conforme restou assentado no julgamento do PAF no 11831.000185/200347, onde tal questão também não fora proposta pela recorrente, e o processo foi retirado de pauta em fevereiro de 2011, porque ainda não havia manifestação definitiva do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC no 118/05, e, mais tarde, dele originouse o acórdão 110200609 acima referido. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16707.002152/200208 Acórdão n.º 110200.711 S1C1T2 Fl. 220 6 Assim, não é possível a priori confirmar se, de fato, o montante dos saldos negativos de 1995 a 1998 não seriam suficientes para quitar os débitos contidos no Pedido de Compensação efetuado em 24.07.2002, e, mais, se deste confronto não restaria ao contribuinte saldo a restituir relativo a estes anos. Em vista disto, necessário o retorno dos autos à DRF de origem, para a análise do mérito relativo aos saldos negativos apontados nos anoscalendário 1995 e 1996, com o restabelecimento de todo o trâmite processual a partir daí. Além disto, e para evitar um futuro pedido de diligência, que somente viria a retardar ainda mais o desfecho do presente litígio, entendo ser de boa providência que a DRF anexe aos autos cópia integral do processo nº 16707.003535/200112, relativo à Consulta formulada pela recorrente, posto que sua tese de defesa centrase neste aspecto, de sorte que o conhecimento do seu inteiro teor possibilitará a maior convicção dos membros desta Turma a respeito da procedência ou não de suas alegações recursais. Em virtude das circunstâncias relatadas, deixo de apreciar os demais argumentos da recorrente neste momento. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade do pedido de restituição formulado, determinando o retorno dos autos à DRF/Natal – RN para que seja proferido novo despacho decisório com análise do mérito do Pedido de Restituição, com relação aos anoscalendário 1995 e 1996, restabelecendose o trâmite processual a partir daí, e também para que anexe ao presente cópia integral do processo nº 16707.003535/200112. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 220DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 10830.003982/2005-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 NULIDADE - ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS - ART. 135 DO CTN - NÃOCABIMENTO. O art. 135 do CTN não exclui a empresa do pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas se refere à responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta responsabilidade é atribuída às pessoas indicadas no artigo, de modo supletivo e como bem destacou a decisão recorrida, o artigo mencionado não tem a força de alterar a definição de sujeito passivo, de que trata o art. 121 do CTN. De toda sorte, demonstrada em juízo a responsabilidade dos antigos administradores estes deverão arcar com as consequências desse ônus. Até lá, sobre o sujeito passivo deve incidir a exigência em relação a tributos decorrentes da atividade da pessoa jurídica. LUCRO ARBITRADO. OPÇÃO ADOTADA PELO SUJEITO PASSIVO Constatado, em procedimento de auditoria fiscal, que a contribuinte, diante da falta de manutenção de escrituração nos moldes das leis comerciais e fiscais optou, por ocasião da entrega da DIPJ do respectivo exercício, pelo arbitramento dos lucros, mantém-se, no lançamento de oficio, a opção originalmente adotada, quando presentes os requisitos estabelecidos em lei para tributação com base no lucro arbitrado, uma vez que a retificação para troca de sistemática de tributação, não é admitida pela legislação. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ACOBERTADAS POR SUPOSTOS EMPRÉSTIMOS
Numero da decisão: 1202-000.740
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de erro de eleição da sujeição passiva e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso, para excluir da tributação do PIS as receitas financeiras auferidas até novembro de 2002, e da Cofins, as receitas financeiras de todo o período lançado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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O art. 135 do CTN não exclui a empresa do pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas se refere à responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta responsabilidade é atribuída às pessoas indicadas no artigo, de modo supletivo e como bem destacou a decisão recorrida, o artigo mencionado não tem a força de alterar a definição de sujeito passivo, de que trata o art. 121 do CTN. De toda sorte, demonstrada em juízo a responsabilidade dos antigos administradores estes deverão arcar com as consequências desse ônus. Até lá, sobre o sujeito passivo deve incidir a exigência em relação a tributos decorrentes da atividade da pessoa jurídica. LUCRO ARBITRADO. OPÇÃO ADOTADA PELO SUJEITO PASSIVO Constatado, em procedimento de auditoria fiscal, que a contribuinte, diante da falta de manutenção de escrituração nos moldes das leis comerciais e fiscais optou, por ocasião da entrega da DIPJ do respectivo exercício, pelo arbitramento dos lucros, mantémse, no lançamento de oficio, a opção originalmente adotada, quando presentes os requisitos estabelecidos em lei para tributação com base no lucro arbitrado, uma vez que a retificação para troca de sistemática de tributação, não é admitida pela legislação. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ACOBERTADAS POR SUPOSTOS EMPRÉSTIMOS Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10830.003982/200595 Acórdão n.º 120200.740 S1C2T2 Fl. 2 2 Consideramse receitas omitidas os valores contabilizados como empréstimos supostamente praticados entre empresas ligadas, com o intuito de acobertar o recebimento, pela contribuinte, de receitas de prestação de serviços médicos e hospitalares. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. PIS/ COFINS RECEITAS FINANCEIRAS. Em observância a decisão do Pretório Excelso é de se excluir, parcialmente, em período certo,as receitas financeiras das bases das referidas contribuições. LANÇAMENTO DE OFICIO. PENALIDADE A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. TAXA DE JUROS SELIC APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE Não cabe à autoridade administrativa apreciar questionamentos a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas tributárias. Tal competência é exclusiva do Poder Judiciário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de erro de eleição da sujeição passiva e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso, para excluir da tributação do PIS as receitas financeiras auferidas até novembro de 2002, e da Cofins, as receitas financeiras de todo o período lançado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10830.003982/200595 Acórdão n.º 120200.740 S1C2T2 Fl. 3 3 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Luiz Tadeu Matozinho Machado, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de autuação para exigências do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente aos exercícios de 2002 e 2003, por acusação da infração de omissão de receitas – receitas não contabilizadas pelo Contribuinte. Em suma, durante o curso do procedimento fiscalizatório, descrito no "Termo de Verificação Fiscal" (Doc. 05), a Fiscalização identificou o montante contabilizado pelo Contribuinte sob a rubrica de "empréstimos", obtidos junto à Cooperativa Médica Campinas COOPERMECA empresa que figura como sócia majoritária do Contribuinte, considerandoo, na sua integralidade, como "receita" decorrente de prestação de serviços que foi desempenhada pelo Contribuinte em favor desta mesma Cooperativa, sujeito, portanto, à tributação pelo IRPJ. De acordo com a Fiscalização, o Contribuinte e a Cooperativa Médica Campinas COOPERMECA consubstanciam pessoas jurídicas diversas, porquanto a primeira "deve manter sua contabilidade independente da outra, registrando seus próprios custos, despesas e receitas de suas atividades". Assim, a criação da conta contábil de 'empréstimos' deuse no intuito de viabilizar o repasse legal de recursos da COOPERMECA para custeio de despesas contraídas pelo Contribuinte, contaminando a apuração de seus resultados. Para apuração do montante devido relativo ao anocalendário de 2001, a Fiscalização manteve a sistemática de tributação com base no Lucro Arbitrado, que corresponde à opção declinada pelo Contribuinte quando da apresentação de sua Declaração do IRPJ — DIPJ original. No tocante ao anocalendário de 2002, foi acolhida a sistemática do Lucro Real, em conformidade com a opção manifestada pelo Contribuinte por ocasião da entrega de sua DIPJ referente a esse períodobase. Cientificado da autuação, o Contribuinte apresentou sua impugnação ao lançamento de ofício (fls. 429 e ss), arguindo a insubsistência do mesmo devido, em apertada síntese, às seguintes razões: no concernente ao anobase de 2001, está sendo imputada a responsabilidade por atos cuja prática deve ser atribuída, exclusivamente, às pessoas físicas responsáveis pela sua administração durante parte do período da autuação, será determinada, no processo judicial no 3.131/03, em trâmite na 6' Vara Civil da Comarca de Campinas, a responsabilidade dos exadministradores da Recorrente quanto aos inúmeros atos fraudulentos por eles praticados contra o Hospital até agosto de 2001, incluído o período de apuração do tributo ora combatido. foram desconsideradas as DIPJRetificadoras apresentadas; Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10830.003982/200595 Acórdão n.º 120200.740 S1C2T2 Fl. 4 4 todos os valores repassados pela Coopermeca estão devidamente discriminados na contabilidade de ambas as pessoas jurídicas envolvidas, de forma que se afiguram legais e legitimas as transações levadas a efeito. A DRJ de Campinas julgou o lançamento procedente, adotando a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS ART. 135 DO CTN – NÃO CABIMENTO. A responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN não configura hipótese de sujeição passiva tributária, mas de responsabilidade patrimonial pelo crédito tributário, decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tendo em conta a natureza nãotributária da discussão acerca da atuação de diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica com excesso de poderes, a questão não deve ser definitivamente dirimida na esfera administrativa, com a exclusão do contribuinte do pólo passivo, sendo apenas possível, na execução fiscal, em sede de embargos do devedor. Admitir a exclusão de responsabilidade da pessoa jurídica pelos atos praticados por seus dirigentes, em seu nome, mas com excesso de poderes, implicaria afronta ás disposições do art. 123 do CTN, na medida em que a violação de um contrato particular entre as partes in casu, o estatuto da sociedade a regular a competência de atuação dos dirigentes poderia vir a alterar a definição de sujeito passivo da obrigação tributária. ILEGALIDADE DE NORMAS TRIBUTARIAS APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo não cabe autoridade fiscal emitir juízo de valor a respeito de legalidade ou constitucionalidade de normas legais que embasam o ato, sob pena de responsabilidade funcional, por desrespeito aos comandos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao disposto no art. 142, parágrafo único, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 LUCRO ARBITRADO. OPÇÃO ADOTADA PELO SUJEITO PASSIVO Constatado, em procedimento de auditoria fiscal, que a contribuinte, diante da falta de manutenção de escrituração nos moldes das leis comerciais e fiscais optou, por ocasião da entrega da DIPJ do respectivo exercício, pelo arbitramento dos lucros, mantémse, no lançamento de oficio, a opção originalmente adotada, quando presentes os requisitos estabelecidos em lei Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10830.003982/200595 Acórdão n.º 120200.740 S1C2T2 Fl. 5 5 para tributação com base no lucro arbitrado, uma vez que a retificação para troca de sistemática de tributação, não é admitida pela legislação. ESCRITURAÇÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL. Como não existe arbitramento condicional, a opção da empresa pela sistemática do lucro arbitrado não pode ser modificada, ainda que venha a ser apresentada escrituração hábil a amparar o lucro real, fato que não se verificou no caso concreto. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ACOBERTADAS POR SUPOSTOS EMPRÉSTIMOS Administração Pública tem o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei, como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. Consideramse receitas omitidas os valores contabilizados como empréstimos supostamente praticados entre empresas ligadas, com o intuito de acobertar o recebimento, pela contribuinte, de receitas de prestação de serviços médicos e hospitalares. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS Deve ser mantido o lançamento por omissão de receitas quando a auditoria fiscal apura na contabilidade da empresa receitas escrituradas em valores maiores do que aqueles declarados em DIPJ, que foram confirmados pela própria contribuinte na tentativa de retificação da declaração original por outra em que foram consignados os valores constantes da escrituração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. LANÇAMENTO DE OFICIO. PENALIDADE A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10830.003982/200595 Acórdão n.º 120200.740 S1C2T2 Fl. 6 6 In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de oficio encontrasse em perfeita consonância com a legislação em vigor. TAXA DE JUROS SELIC APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE Não cabe à autoridade administrativa apreciar questionamentos a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas tributárias. Tal competência é exclusiva do Poder Judiciário Lançamento Procedente O Contribuinte recorre, tempestivamente, utilizandose dos mesmos argumentos já apresentados em sua impugnação, além de requerer a suspensão do processo administrativo fiscal até a definitiva solução do processo judicial no qual se busca a responsabilidade de seus exadministradores pelos atos fraudulentos praticados. Eis o relatório. Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Relator Por tempestivo o recurso voluntário, dele tomo conhecimento. Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Em que pese o denodado esforço jurídico do Recorrente, em suas peças de defesa, sua pretensão de atribuir a responsabilidade tributária aos antigos administradores, sob a alegação de que teriam agido com dolo, fato que implicaria na responsabilização pessoal perante a exigência lançada, não pode prosperar. A decisão de primeira instância bem abordou e fundamentou a mesma para afirmar que a responsabilidade tributária não pode ser transferida, pura e simplesmente, à pessoa física dos exadministradores. Necessário se faz comprovar o nexo causal direto da responsabilidade subjetiva e individual dos exadministradores à conduta infracional – omissão de receitas – a fim de que possa a eles ser imputada a responsabilidade pessoal pelo crédito tributário. O art. 135 do CTN não exclui a empresa do pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas se refere à responsabilidade pessoal pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta responsabilidade é atribuída às pessoas indicadas no artigo, de modo supletivo e como bem destacou a decisão recorrida, o artigo mencionado não tem a força de alterar a definição de sujeito passivo, de que trata o art. 121 do CTN. Ressaltese que a pessoa jurídica goza de personalidade própria e autonomia patrimonial, e ao serem cometidas as infrações, o objetivo era o de reduzir a carga tributária da empresa, ou seja, no momento do cometimento dessas infrações, havia o interesse em beneficiar a pessoa jurídica, pelo pagamento de menos tributos. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10830.003982/200595 Acórdão n.º 120200.740 S1C2T2 Fl. 7 7 Desse modo, demonstrada em juízo a responsabilidade dos antigos administradores esses deverão arcar com as consequências de tal ônus. Até lá, sobre o sujeito passivo deve incidir a exigência em relação a tributos decorrentes da atividade da pessoa jurídica. Portanto, não há erro na identificação do sujeito passivo. Por consequência, resta prejudicado o pedido de suspensão deste processo administrativo até a definitiva solução do processo judicial no qual se busca a responsabilidade de seus exadministradores pelos atos fraudulentos praticados. Mantido o Contribuinte no pólo passivo da relação jurídica tributária constituída no lançamento, o Fisco deve seguir com a exigência tributária. Do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, a Recorrente argúi o acatamento das DIPJsRetificadoras relativas aos anoscalendários de 2001 e 2002, em observância ao princípio da verdade material, vez que essas trazem a efetiva realidade contábil e fiscal do Recorrente. No caso em tela, não há dúvidas sobre a impossibilidade de acatamento das DIPJsRetificadoras que foram apresentadas depois de iniciado o procedimento fiscal. Tratase de expressa vedação legal, estampada tanto no art. §1º do art. 147 do CTN, como no inciso I, do art. 7º do Decreto nº 70.235/72. O início do procedimento fiscal acaba pondo fim à espontaneidade do sujeito passivo, não possibilitando a alteração dos atos envolvidos nas infrações verificadas. Ademais, como sabiamente destacado na decisão a quo, “uma vez adotada a forma de tributação, ratificada por ocasião da entrega da respectiva DIPJ, a opção se torna definitiva e não pode mais ser alterada, ainda que a retificação seja promovida ANTES do início do procedimento fiscal”. Confirmo, portanto, o acerto da Autoridade Fiscal ao desconsiderar as DIPJs Retificadoras apresentadas extemporaneamente pelo Contribuinte. Em relação ao arbitramento do lucro, defende o Recorrente que o arbitramento é medida excepcional, que só pode ser adotado pela Autoridade Fiscal após o esgotamento de todos os meios de fiscalização. Não prospera, entretanto, a pretensão da Recorrente. O arbitramento dos lucros da pessoa jurídica, de fato, é medida excepcional, a ser adotada diante da existência de um dos requisitos estabelecidos no art. 47, da Lei 8.981/95, in verbis: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o Decretolei n° 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10830.003982/200595 Acórdão n.º 120200.740 S1C2T2 Fl. 8 8 II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1 0 do art. 76 da Lei n°3.470, de 28 de novembro de 1958; VI REVOGADO VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Radio ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. § 1° Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto de renda correspondente com base nas regras previstas nesta Seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do imposto de renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5° do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia Call do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. Daí decorre que, o arbitramento promovido pelo próprio sujeito passivo é permitido, desde que também presentes os pressupostos para apuração do lucro com base nas regras do arbitramento. E foi exatamente o que ocorreu no presente caso. A decisão de 1ª instância bem elucida este ponto e merece aqui ser reproduzida: “Uma vez admitido pela própria contribuinte, a imprestabilidade de sua escrituração, resta claro que não teria sido realmente possível, apenas com base nesses elementos, determinar a apuração dos resultados da empresa, no anocalendário 2001, com base nas regras do lucro real. Como resumo do presente tópico temos que: Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10830.003982/200595 Acórdão n.º 120200.740 S1C2T2 Fl. 9 9 1) A própria contribuinte determinou seus resultados relativos ao ano calendário 2001, à época da entrega da DIPJ do respectivo exercício, optando pelas regras de apuração do lucro arbitrado porque não dispunha de escrituração mantida de acordo com as leis comerciais e fiscais, conforme suas próprias afirmações; 2) A contribuinte deliberadamente omitiu da fiscalização a escrituração refeita do anocalendário 2001, e sonegou elementos imprescindíveis que poderiam ter levado à correta determinação do fato jurídico tributável. 3) Ainda que fosse possível a posterior apuração, pela auditoria fiscal, dos resultados da pessoa jurídica com base nas regras do lucro real, proporcionada pelas informações contidas na escrituração refeita, não é admitida a mudança da opção pela forma de tributação in casu, o autoarbitramento adotada pela contribuinte e manifestada com a entrega da respectiva DIPJ. Perfeitamente caracterizada, portanto, a situação que enseja o arbitramento nos moldes do dispositivo citado. A Recorrente ainda combate o equivocado pressuposto da Autoridade Fiscal de que os valores a ela repassados pela Cooperativa Médica Campinas COOPERMECA corresponderiam a receitas tributáveis, defendendo que tais valores de fato consubstanciam empréstimos concedidos por esta última, devidamente contabilizados por ambas. Ora, a mera repetição feita pela Recorrente de que os valores repassados pela Cooperativa Médica Campinas COOPERMECA detém, efetivamente, a natureza de empréstimos, não se revela suficiente a afastar a omissão de receitas presumida pela Autoridade Fiscal com base nos fatos indiciários constantes da própria escrituração contábil e fiscal da contribuinte. Referidos fatos indiciários do ilicíto tributário – omissão de receitas – foram assim elencados pela Autoridade Julgadora a quo: “Temse, assim, como fatos indicidrios do ilícito tributário, in casu, (i) a brusca reclassificação contábil dos valores recebidos da Coopermeca, pelo Hospital Sta. Edwiges, que até o anocalendário 2000 eram contabilizados como receitas de prestação de serviços e passaram, a partir do anocalendário 2001 a serem contabilizados como empréstimos; (ii) a continuidade da prestação de serviços médicos e hospitalares A Coopermeca, pelo Hospital Sta. Edwiges, nos anoscalendário 2001 e 2002; (iii) a tentativa de retificação, no curso do procedimento fiscal, das DIPJ dos anoscalendário 2001 e 2002, para o fim de consignar valores a titulo de receitas recebidas, de acordo com a escrituração contábil mantida A época dos fatos, (iv) a inexistência de contratos de mútuo entre as empresas Hospital Sta. Edwiges e Coopermeca, a amparar os supostos "empréstimos" concedidos pela segunda A primeira; (v) a existência de recibos emitidos em 2001 pelo Hospital Sta. Edwiges em nome da Coopermeca, pelo serviço de aluguel de leitos prestado pela primeira à segunda; (vi) a admissão, em Juízo, da desorganização contábil que imperava, à época, em ambas as empresas, que tinham por rotina confundir e misturar fatos contábeis de uma com a outra; (vii) a admissão, em Juizo, de que os empréstimos efetuados entre as empresas não se revestiam das formalidades legais exigidas; (viii) a falta de pagamento dos empréstimos ou de qualquer parcela amortizadora. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10830.003982/200595 Acórdão n.º 120200.740 S1C2T2 Fl. 10 10 Ante tais fatos, impõese como acertada a caracterização da omissão de receita que fundamentou o lançamento tributário em questão. Em relação à tributação reflexa relativa às contribuições CSLL, PIS e COFINS, cabe esclarecer que, na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Quanto à inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre a base de cálculo de tais contribuições, imperiosa se faz a aplicação do posicionamento do STF, no sentido de que seja afastada a aplicação do §1°, do artigo 3°, da Lei 9.718/98 quanto ao critério para a definição da base de cálculo do PIS e COFINS ( R.E. 357 .950 de 15/08/2006). Excluemse, portanto, da tributação, as variações monetárias e demais receitas financeiras, SOMENTE ATÉ NOVEMBRO DE 2002 EM RELAÇÃO AO PIS E DE TODO O PERÍODO LANÇADO EM RELAÇÃO A COFINS. Diante da contestação apresentada pela Recorrente em relação à aplicação da multa de 75%, cumpre esclarecer que a inobservância da norma jurídica com redução indevida da base de cálculo do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe a aplicação da multa de ofício. Por fim, o questionamento sobre a utilização da taxa SELIC como indexador dos juros de mora, deixa de prosperar ante o recente julgamento do Recurso Extraordinário nº 582.461, com repercussão geral sobre o tema, que assim uniformizou o entendimento do STF: “2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critérios isonômicos. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária Assim, correta a adoção dos juros referidos na taxa SELIC. Por essas razões, acompanho parcialmente a decisão de primeira instância, à qual também se reporta para bem fundamentar o presente voto, é de se DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir as receitas financeiras, SOMENTE ATÉ NOVEMBRO DE 2002 EM RELAÇÃO AO PIS E DE TODO O PERÍODO LANÇADO EM RELAÇÃO A COFINS. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10830.003982/200595 Acórdão n.º 120200.740 S1C2T2 Fl. 11 11 Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
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Numero do processo: 10660.901559/2009-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 15 59 /2 00 9- 85 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 0936.840 de 15/09/2011, da 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG (fls. 28/30) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório da DRF em Varginha/MG, que não homologou as compensações declaradas em DCOMP. Histórico Trata o presente processo de Declaração de Compensação transmitida eletronicamente que informa direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL relativa ao mês de janeiro de 2005 (recolhimento em fevereiro/2005), no valor original de R$ 16.707,73 (corrigido de R$ 16.874,81), para utilização na compensação de diversos débitos próprios, inclusive multa por atraso na entrega de DCTF (fls. 06 e ss.). Pelo Despacho Decisório Eletrônico da DRF em Varginha/MG, emitido em 25/03/2009 (fl. 09) não houve reconhecimento do direito creditório pleiteado sob a seguinte justificativa; “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 16.707,73 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 01/02) na qual alega a interessada que teria direito ao indébito pois em janeiro de 2005 a estimativa de CSLL calculada como devida com base em balanço de suspensão seria de R$ 60.999,66, mas que ao proceder ao recolhimento, em fevereiro de 2005, acabou por pagar o valor de R$ 77.707,69 e, assim, teria recolhido a maior/indevidamente, o valor de R$ 16.707,39, que, corrigido pela Selic, montaria em R$ 16.874,81. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 4 3 Aduz, ainda, que como o recolhimento efetuado a maior foi indevido, não se caracterizaria como estimativa de CSLL devida e, nessas condições, teria direito ao seu aproveitamento em compensações com outros tributos. Pede, ao final, pela homologação da compensação pleiteada. Analisando o pedido a 2a. Turma Julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que, nos termos das IN SRF 460/2004 e 660/2005, pagamentos efetuados a título de estimativa de IRPJ ou de CSLL não podem ser utilizados como indébito, em compensação, e somente podem ser aproveitados para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo (fls. 28/30). Notificada da decisão, em 30/10/2011, como demonstra a cópia do AR (fl. 36 processo digital) apresentou, a interessada, em 30/11/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz que como o recolhimento efetuado a maior foi indevido, não se caracterizaria como estimativa de CSLL devida e, nessas condições, teria direito ao seu aproveitamento em compensações com outros tributos assim que o recolhimento é considerado indevido, ou seja, na data do pagamento. Argumenta que o CTN, a Lei n º 9.430, de 1996 e a IN SRF n º 900/2008 não trariam qualquer vedação à utilização de recolhimentos a maior a título de estimativa como direito creditório para efeito de compensação. Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento das autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada ano calendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 5 4 quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Entretanto, surgiram interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos, e a questão tende a ser pacificada neste órgão de julgamento, no sentido de ser possível a utilização de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa de IRPJ e de CSLL como direito creditório em compensações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 6 5 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 7 6 período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 8 7 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 9 8 VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 10 9 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 11 10 Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 12 11 I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 13 12 b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 14 13 SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar pagar a estimativa de CSLL relativa ao mês de janeiro de 2005, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito de R$ 16.707,73, para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2005. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pretendido e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901559/200985 Acórdão n.º 1801001.357 S1TE01 Fl. 15 14 Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Observo que em respeito à Portaria RFB n º 666/2008, art. 1o. IV, o presente processo deverá ser juntado ao de n º 10660.900425/200947, por tratarem, ambos, do mesmo direito creditório. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 31/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13768.000060/98-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 1991, 1992, 1993 ILL. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TIBUTÁRIA. Declina-se da competência em favor da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando a causa de pedir tenha como fundamento o pagamento indevido do imposto de renda retido na fonte incidente sobre o lucro líquido, apurado pela pessoa jurídica no encerramento do período-base, instituído pelo art. 35 da Lei n° 7.713, de 1988.
Numero da decisão: 1802-001.173
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR da competência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TIBUTÁRIA. Declinase da competência em favor da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando a causa de pedir tenha como fundamento o pagamento indevido do imposto de renda retido na fonte incidente sobre o lucro líquido, apurado pela pessoa jurídica no encerramento do períodobase, instituído pelo art. 35 da Lei n° 7.713, de 1988. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR da competência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 13768.000060/9871 Acórdão n.º 180201.173 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.119/136 contra decisão da 5ª Turma DRJ/Rio de Janeiro I (fls.107/110) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da interessada. Quanto aos fatos: em 23/04/1998, a contribuinte protocolizou, mediante formulário em papel, pedido de restituição do IRRF/ILL sobre o lucro líquido no valor de R$ 22.769,64, decorrente de pagamentos indevidos, quanto aos períodos de 30/04/1991 a 31/05/1993 (fl.02), com planilha de cálculo (fl. 03) e cópia dos DARF (fls. 31/43); ainda, no dia 23/04/1998, a contribuinte potocolizou, mediante formulário em papel, pedido de compensação tributária, nos termos da Lei nº 9.430/96, IN SRF 21/97 e IN SRF 73/97, utilizando o pretenso crédito, para quitação dos seguintes débitos: a) Cofins – código de receita 2172 – PA dezembro/97 e Janeiro/98; b) Contribuição para o PIS – código de receita 8109 – PA dezembro/97 e março/98; c) IPI – código de receita 1097 fatos geradores de 11/04/98 e 20/04/98. A unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Vitória, com base no Parecer Seort n° 1021/2003 (fls. 60/62), proferiu Despacho Decisório deferindo, em parte, o direito creditório pleiteado, procedendo a compensação até o limite do crédito deferido (fl. 62). A seguir, transcrevo, a fundamentação do citado Parecer e a parte dispositiva do Despacho Deciório, in verbis: (...) Com base no inciso I do artigo 165, e caput e inciso I do artigo 168, têmse que, conquanto o pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido confira ao contribuinte direito à sua restituição, esse direito extinguese (decai) no prazo de 5 (cinco) anos contados "da data da extinção do crédito tributário". (...) Com base no acima exposto, e considerando que a solicitação foi em 23/04/1998, podemos considerar como decaído o direito de pleitear a restituição de todos os pagamentos efetuados antes de 23/04/1993. Portanto, só será analisado o pagamento recolhido a partir dessa data, ou seja, o pagamento efetuado em 31/05/1993(...) A Lei nº 7.713/88, em seu artigo 35, estabeleceu a obrigatoriedade de o sócio quotista, acionista ou o titular da empresa individual recolher imposto de renda na fonte, à Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 13768.000060/9871 Acórdão n.º 180201.173 S1TE02 Fl. 3 3 aliquota de oito por cento, calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do períodobase. A pessoa jurídica era a responsável tributária, devendo reter e recolher o imposto independentemente da efetiva distribuição dos lucros aos sócios, exceto no caso de sociedades civis de que trata o DecretoLei 2.397, de 21.12.87. Em 18/11/1996, é editada a Resolução do Senado Federal n°82, que suspende, em parte, a execução da Lei n° 7.713/88, no que diz respeito à expressão "o acionista", contida no seu art. 35, pois foi considerado inconstitucional ao revelar como fato gerador do imposto de renda na modalidade "desconto na fonte" a simples apuração, sem a distribuição do lucro, pela sociedade e na data do encerramento do períodobase, do lucro liquido, já que o fenômeno não implica qualquer das espécies de disponibilidade versadas no art. 43 do CTN, isto diante da Lei n.° 6.404/76. Em 24/07/1997, é editada a Instrução Normativa SRF nº 63, que determina a dispensa da constituição de créditos da Fazenda Nacional e o cancelamento dos lançamentos relativos ao ILL, em virtude do contido na Resolução SF n° 82/96. O pagamento em questão está confirmado em pesquisa ao sistema SINAL07, fl. 46. A interessada é Sociedade Anônima de Capital Fechado, conforme faz prova o doc. de fl. 08. Não houve distribuição de lucros ou dividendos conforme pode ser verificado na DIRPJ exercício 1993, ano base 1992, doc. fl. 19verso, confirmada pelo extrato sistema IRPJ, doc. A fl. 60 (linha 13, Quadro 05 do Anexo A). Considerando que a Resolução SF n° 82/96 veio retirar do mundo jurídico a obrigatoriedade do pagamento do imposto retido na fonte sobre o lucro liquido apurado pelos acionistas das sociedades por ações, fica evidente que se trata de pagamento indevido. (...) Destarte, é de meu parecer que: 1. Para os pagamentos que foram efetuados antes de 23/04/1993, seja considerado improcedente o pedido de restituição pelo motivo de decadência do direito. 2. Seja reconhecido o direito creditório do pagamento abaixo discriminado, devendo ser considerada a compensação solicitada, nos termos da IN SRF n° 210/2002. (...) Diante do exposto acima, proponho o deferimento parcial do pedido de restituição, com o conseqüente reconhecimento do direito creditário do pagamento discriminado no item 2 deste Parecer no valor de R$ 2.047,75 (dois mil, quarenta e sete reais e setenta e cinco centavos), valor em 31/12/1995, devendo ser Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 13768.000060/9871 Acórdão n.º 180201.173 S1TE02 Fl. 4 4 considerada a compensação solicitada nos termos da IN SRF n° 210/2002. (...) Tendo em vista o parecer SEORT, que aprovo, defiro parcialmente o pedido de MOVELAR S.A. INDUSTRIA E COMÉRCIO, CNPJ. 27.152.438/000141, reconhecendo o direito creditório do pagamento discriminado no item 2 deste Parecer no valor de R$ 2.047,75 (dois mil, quarenta e sete reais e setenta e cinco centavos), valor em 31/12/1995, devendo ser considerada a compensação solicitada nos termos dos artigos 24 a 26 da IN SRF n° 210/2002. Determino, ainda, o atendimento ao item 3 deste Parecer. Os créditos deverão receber os acréscimos dos juros SELIC, na forma do artigo 896 do Decreto 3.000/99. Caso o crédito não seja suficiente para extinção de todos os débitos, que se dê prosseguimento à cobrança dos saldos devedores nos termos da IN SRF n° 210/2002 (artigos 22, 23 e 35). (...) Inconformada com o deferimento parcial do pedido, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 88/99, alegando, em síntese, em suas razões: a) que o prazo de cinco anos para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo homologação expressa, somente começa a correr após a homologação tácita do lançamento, que se dá cinco anos após o pagamento, na forma do art. 150, § 4°, do CTN; b) que, nesse sentido, é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (“Tese 5+5”) e, também, do CARF. Não obstante, a DRJ/Rio de Janeiro I, infensa aos argumentos suscitados, denegou o pleito da contribuinte, cuja ementa do Acórdão transcrevo (fl. 107), in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1992, 1993, 1994 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso (...) de cinco anos contados da data da extinção do crédito Tributário, que, à luz da interpretação dada pelo art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005, coincide com a data do pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente (...) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 13768.000060/9871 Acórdão n.º 180201.173 S1TE02 Fl. 5 5 Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 28/05/2010 (fl. 118), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 24/06/2010 (fls. 119/136), pedindo a revisão da decisão recorrida, reiterando as razões apresentadas na instância a quo. Além disso, argumentou que a Lei Complementar nº 118/2005 não se aplica ao caso, pois o pleito é anterior ao início de sua vigência. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 13768.000060/9871 Acórdão n.º 180201.173 S1TE02 Fl. 6 6 Voto O litígio objeto dos autos versa acerca do pedido de compensação tributária de suposto crédito de IRRF/ILL, com débitos de Cofins, PIS e IPI. No caso, a Primeira Seção de Julgamento deste CARF, e por conseguinte esta Segunda Turma Especial a qual está vinculada, carece de competência para exame e processamento desse recurso voluntário, nos termos do art. 3º, II, Anexo II, do Regimento Interno – Portaria MF nº 256/2009, e atualizações posteriores. A propósito, estratui o art. 3º, II, Anexo II, do RICARF, in verbis: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – (...) II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III – (...) Nesse sentido, também há diversos precedentes jurisprudenciais deste Conselho Administrativo: ILL. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Declinase da competência, a favor das Câmaras especializadas, quando a causa de pedir do recurso voluntário tenha como fundamento o pagamento indevido do imposto de renda retido na fonte, incidente sobre o lucro líquido, instituído pelo artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1988. Publicado no D.O.U. n° 128 de 06/07/06. (Acórdão 10322471, Rel. Flávio Franco Corrêa, Data da sessão 25/05/2006). ILL. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Declinase da competência, a favor das Câmaras especializadas, quando a causa de pedir tenha como fundamento o pagamento indevido do imposto de renda retido na fonte, incidente sobre o lucro líquido, instituído pelo art. 35 da Lei n° 7.713, de 1988.(Acórdão 103 – 22.921, sessão de 02/03/2007, Rel. Paulo Jacinto do Nascimento). Por tudo que foi exposto, voto no sentido de DECLINAR da competência, determinandose a remessa dos autos para a Segunda Seção de Julgamento deste CARF, a qual tem competência para exame e julgamento deste recurso, por força do art. 3º, II, Anexo II, do Regimento Interno – Portaria MF nº 256/2009, e atualizações ulteriores. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 13768.000060/9871 Acórdão n.º 180201.173 S1TE02 Fl. 7 7 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 12898.001889/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
Omissão de Receitas. Confronto entre Valores Declarados/Escriturados e Informados por Empresas e/ou Órgãos Públicos. Prova Direta
A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.
Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão
Lançamento de Ofício. Penalidade.
A penalidade instituída pelo artigo 44, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata.
In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1801-001.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 Omissão de Receitas. Confronto entre Valores Declarados/Escriturados e Informados por Empresas e/ou Órgãos Públicos. Prova Direta A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão Lançamento de Ofício. Penalidade. A penalidade instituída pelo artigo 44, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. CONFRONTO ENTRE VALORES DECLARADOS/ESCRITURADOS E INFORMADOS POR EMPRESAS E/OU ÓRGÃOS PÚBLICOS. PROVA DIRETA A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A penalidade instituída pelo artigo 44, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 18 89 /2 00 9- 11 Fl. 903DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.001889/200911 Acórdão n.º 1801001.261 S1TE01 Fl. 3 2 Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJSimples, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLLSimples, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINSSimples, Contribuição ao Programa de Integração Social – PISSimples e Contribuição para a Seguridade Social –INSSSimples, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 442.081,08, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas no anocalendário 2005, relativas a omissão de receitas de prestação de serviços e de revenda de mercadorias apurada entre o cotejo dos valores informados na Declaração –PJSI/2006 e os dados constantes do sistema – SIAFISistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, alimentado com informações prestadas por empresas e órgãos públicos (fls. 59/118). De acordo com o relato constante do Termo de Constatação Fiscal (fls. 49/54 e demonstrativos de fls. 55/57), a empresa, optante pelo Simples fora intimada a apresentar sua escrituração contábil e fiscal e depois de vários pedidos de prorrogação, apresentou o Livro Diário e o Razão escriturados em partidas mensais. Solicitouse, então, a apresentação do Livro Caixa com a movimentação financeira. Em seu lugar, porém, foi apresentado um novo Livro Diário, escriturado em partidas diárias. Não foi apresentado o Livro Razão nem o Livro Caixa, Fl. 904DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.001889/200911 Acórdão n.º 1801001.261 S1TE01 Fl. 4 3 motivo pelo qual a auditoria se utilizou do Razão anteriormente apresentado em partidas mensais. As notas fiscais de prestação de serviços requeridas não foram apresentadas. Diante das divergências entre os dados de receitas obtidas pela empresa no anocalendário 2005, constantes de sua PJSI e do sistema SIAFI, providenciouse diligências junto aos tomadores de serviços, que foram oficiados e/ou intimados a comprovar os valores pagos à fiscalizada. De posse das informações foi elaborado demonstrativo (fls. 55/57) com a as diferenças apuradas pela auditoria, devidamente identificadas por número de nota fiscal, data, valor, nome da empresa e/ou órgão recebedora dos serviços ou mercadorias e data do pagamento, que foi levado à ciência da fiscalizada para suas explicações. Ainda que tenha sido intimada por seis vezes, a contribuinte não apresentou as justificativas, razão pela qual os valores apurados foram levados à tributação por omissão de receitas na modalidade do Simples, o que ensejou, também, a exigência de diferenças de alíquotas nos valores pagos pelo Simples durante todo o anocalendário. Não houve necessidade de excluir a empresa da sistemática. Foram apresentadas impugnações tempestivas, uma contra cada tributo exigido. Nas alegações de defesa argüiu a empresa a nulidade das exigências pois teriam sido computados indevidamente na receita bruta, valores a título de ISS. Discorreu acerca das diferenças entre “receita” e “entrada” para concluir que nem toda “entrada” gera uma receita e que devem ser excluídos do conceito de receita bruta os impostos não cumulativos. A mesma alegação de defesa se desenvolveu em relação às parcelas relativas a 1/3 de férias e horas extras. Defendeu a ilegalidade da multa de 75%, de caráter confiscatório e sua redução a 20%. A 3a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedentes as alegações e manteve as exigências, por unanimidade. Notificada da decisão, em 17/11/2011, apresentou a interessada, em 12/12/2011, recurso voluntário, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas nas impugnações, no que toca à indevida inclusão do ISS no conceito de receita bruta e o caráter confiscatório da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.001889/200911 Acórdão n.º 1801001.261 S1TE01 Fl. 5 4 O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A recorrente contesta, unicamente, o cômputo do valor do ISS na base de cálculo para a incidência de tributos exigidos na modalidade do Simples Federal e não contradiz, de fato, a omissão de receitas apurada pela auditoria fiscal. No que toca a alegação a leitura dos dispositivos legais que regem a matéria é de clareza cristalina: RIR/99 Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Como bem observou a turma julgadora de 1a. instância, apenas o IPI deve ser excluído do conceito de receita bruta para fins de apuração da base de cálculo para incidência dos tributos, uma vez que a recorrente não é contribuinte desse imposto. Nesse sentido é alinhada a jurisprudência deste CARF, como se verifica das ementas de acórdãos abaixo transcritas: RECEITA BRUTA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EXCLUSÃO DE SALÁRIOS DE EMPREGADOS Em regra, a receita bruta própria da prestadora de serviços corresponde ao preço contratado, incluindose aí todos os custos e despesas necessários à realização do serviço. Descabe excluir os salários dos empregados para fins de determinação da receita bruta. 1º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 103 22.975 em 25.04.2007. Publicado no DOU em: 22.06.2007 DIVERGÊNCIA ENTRE LIVROS FISCAIS E DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Caracterizase omissão de rendimentos, diferença a maior lançada no Livro Registro de Apuração do ICMS, em relação ao valor declarado pelo contribuinte em sua Declaração de Rendimentos, se o sujeito passivo não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos as razões das Fl. 906DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.001889/200911 Acórdão n.º 1801001.261 S1TE01 Fl. 6 5 diferenças apuradas. 1º CC. / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 101 94.317 em 14/08/2003. Publicado no DOU em: 14.10.2003. Na mesma linha o Acórdão 10194.128. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INFORMAÇÕES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS Demonstrado que o valor da receita declarada é inferior à auferida pela pessoa jurídica, evidenciase a omissão de receitas. A informação fornecida por órgão público acerca do número de atendimentos e do preço vigente é prova suficiente para determinação do quantum auferido, especialmente se o sujeito passivo, além de confirmar a adoção de preço inclusive superior e de não contestar a quantidade de atendimentos, informa que não emitia nota fiscal de serviços, utilizando, para contabilização, apenas os extratos bancários. 1º CC. / 8ª Câmara / ACÓRDÃO 10806.954 em 21.05.2002. Publicado no DOU em: 16.07.2002. RECEITAS NÃO DECLARADAS APURADAS EM LIVROS FISCAIS Ressalvada prova em contrário feita pelo contribuinte, caracteriza omissão de receita a diferença entre o montante das vendas apuradas pelo cotejo entre os valores constantes do livro Registro de Saídas e aqueles lançados na Declaração IRPJ. 1º CC. / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10193.000 em 14.03.2000. Publicado no DOU em: 02.06.2000. Com relação à penalidade aplicada sobre os tributos exigidos nos presentes autos é de se esclarecer que a multa ao percentual de 75% corresponde à multa exigida nos casos de lançamento de ofício. A penalidade instituída pelo artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, qual seja, a falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributos devidos, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. A propósito, em relação aos argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade de comandos normativos legitimamente inseridos no sistema jurídico, cumpre transcrever o posicionamento consentâneo deste órgão, como se verifica da seguinte súmula: Súmula CARF no. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 907DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.001889/200911 Acórdão n.º 1801001.261 S1TE01 Fl. 7 6 Fl. 908DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903798/2009-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Cabem Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pelo Conselheiro Alexandre Kern, designado para a elaboração do voto vencedor do julgamento ocorrido em 17 de julho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 37 98 /2 00 9- 73 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 nesta Turma, que por sua vez negou provimento ao recurso em epígrafe, por maioria de votos, tendo sido ele designado para elaboração do voto vencedor. Todavia, no momento da elaboração do voto, o embargante constatou que embora o Recurso Voluntário tivesse sido apresentado dentro do prazo estabelecido na legislação, a Manifestação de Inconformidade seria intempestiva e por este motivo interpôs os Embargos de Declaração com o objetivo de alertar que o colegiado não poderia ter adentrado ao mérito da demanda, sob o pressuposto de que o acórdão foi omisso na medida em que deixou de apreciar pressuposto de admissibilidade do processo administrativo em epígrafe, especificamente em relação a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. Comenta ainda, nos embargos, que talvez o equívoco possa ser atribuído ao servidor Reinaldo Brigatto que ignorou a informação de postagem e por isso sugeriu que a Manifestação de Inconformidade fosse conhecida pela DRJ. Agora, resta analisar se os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade, bem como se cabe reformar o acórdão. É o Relatório Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator De acordo com o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Primeiramente é preciso dizer que os embargos são tempestivos, visto que foram apresentados no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão, pelo que conheço do recurso, no termos do § 1º do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Tendo em vista tal dispositivo regulamentar, será possível concluir que os embargos não preenchem os requisitos de admissibilidade, uma vez que o pressuposto de intempestividade da Manifestação de Inconformidade alegado não se encontra peremptoriamente atestado nos autos, conforme será demonstrado a seguir. Conforme se verifica do despacho da repartição de origem que encaminhou a Manifestação de Inconformidade à Delegacia de Julgamento, o agente consignou que não era possível constatar nos elementos presentes nos autos a data da ciência do despacho decisório por parte do contribuinte, o que, em princípio, fragiliza, de pronto, o argumento do Embargante. Além disso, as telas em que o Embargante se embasa para afirmar a ocorrência da intempestividade da Manifestação de Inconformidade não são originadas da Empresa Brasileira de Correios – ECT, mas de sistemas do Serpro, em que não se tem a imagem do Aviso de Recebimento (AR), elemento esse primordial à verificação da tempestividade. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903798/200973 Acórdão n.º 3803003.998 S3TE03 Fl. 112 3 Não bastassem tais constatações, temse que o relator a quo afirmou que a Manifestação de Inconformidade atendia todos os pressupostos de admissibilidade, dentre os quais se inclui a tempestividade. Considerando que o relator a quo tem acesso às informações dos sistemas internos da Receita Federal, essa sua afirmativa, para ser afastada, dependeria de elemento de prova inequívoco, o que não ocorre no presente caso. Conforme este Colegiado já decidiu em outras ocasiões, havendo dúvida quanto à tempestividade de uma peça recursal, concluise pela regularidade processual, com fundamento nos princípios da eficiência, da oficialidade e formalidade mitigada. O Embargante, valendose da alegação de ocorrência de omissão desta Turma quanto à não constatação do erro no acórdão de primeira instância – erro esse não demonstrado, conforme acima apontado –, quis fazer uso dos embargos para provocar a prolação de nova decisão, de forma não consentânea com a previsão do Regulamento do CARF. Por fim, embora o Embargante tenha manifestado opinião de que este relator desconhece as rudimentares regras processuais e que ignora o prazo de 30 dias para a interposição da Manifestação de Inconformidade, cumpre esclarecer que tal alegação não procede, conforme acima demonstrado. Nesse sentido, voto por rejeitar os embargos de declaração. Sala das sessões, 28 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 10/04/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907243/2009-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PROVA. DACON. APURAÇÃO ANTECEDENTE À DECISÃO ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A prova consubstanciada em obrigação acessória destinada à apuração da contribuição sob enfoque, Dacon retificador, apresentada à Receita Federal do Brasil antes do despacho decisório em processo de restituição, ressarcimento e compensação e que respalda a retificação da DCTF merece ter lugar no julgamento de primeira instância em detrimento do formalismo que sustentou a causa de decidir.
CAUSA DE DECIDIR. FORMALISMO. ANULAÇÃO.
Deve ser anulada a decisão de primeira instância que se funda apenas em aspecto formal do procedimento do contribuinte desprovida de previsão normativa, deixando de apreciar o mérito apresentado.
Numero da decisão: 3803-004.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão recorrida, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Hélcio Lafetá Reis, que votaram por dar provimento parcial apenas para reformar a decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 PROVA. DACON. APURAÇÃO ANTECEDENTE À DECISÃO ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. A prova consubstanciada em obrigação acessória destinada à apuração da contribuição sob enfoque, Dacon retificador, apresentada à Receita Federal do Brasil antes do despacho decisório em processo de restituição, ressarcimento e compensação e que respalda a retificação da DCTF merece ter lugar no julgamento de primeira instância em detrimento do formalismo que sustentou a causa de decidir. CAUSA DE DECIDIR. FORMALISMO. ANULAÇÃO. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que se funda apenas em aspecto formal do procedimento do contribuinte desprovida de previsão normativa, deixando de apreciar o mérito apresentado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão recorrida, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Hélcio Lafetá Reis, que votaram por dar provimento parcial apenas para reformar a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues.
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INEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE ORIGINAL. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, se não descumpridos os requisitos que delimitam este efeito. Mesmo transmitida após emissão de despacho decisório, nada obsta na legislação de regência, a subsistência deste efeito de original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 PROVA. DACON. APURAÇÃO ANTECEDENTE À DECISÃO ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. A prova consubstanciada em obrigação acessória destinada à apuração da contribuição sob enfoque, Dacon retificador, apresentada à Receita Federal do Brasil antes do despacho decisório em processo de restituição, ressarcimento e compensação e que respalda a retificação da DCTF merece ter lugar no julgamento de primeira instância em detrimento do formalismo que sustentou a causa de decidir. CAUSA DE DECIDIR. FORMALISMO. ANULAÇÃO. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que se funda apenas em aspecto formal do procedimento do contribuinte desprovida de previsão normativa, deixando de apreciar o mérito apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 43 /2 00 9- 49 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão recorrida, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Hélcio Lafetá Reis, que votaram por dar provimento parcial apenas para reformar a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta contribuinte transmitiu a DComp nº 34453.94283.290908.1.3.049062, em 29 de setembro de 2008, por meio da qual compensou crédito de pagamento indevido de Cofins cumulativa, referente ao período de apuração maio de 2004, com débito de IRPJ e CSLL. Despacho Decisório eletrônico da DRF/JoaçabaSP, emitido em 7 de outubro de 2009, não homologou a compensação, em face de o pagamento encontrarse integralmente utilizado, vinculado ao débito declarado em DCTF do qual o crédito se origina, tornandoo indisponível. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou, sinteticamente, que o despacho decisório é equivocado, pois recolheu o valor de R$ 22.424,04 a titulo de Cofins do período de apuração maio de 2004, débito indevidamente informado na DCTF do 2° trimestre de 2004. Aduziu, em complemento, que após rever a apuração constatou saldo credor neste período, conforme fez do Dacon retificador a nova apuração. Em vista desta constatação, formalizou o pedido de restituição e retificou sua DCTF. Em julgamento da lide a DRJ/Joaçaba, primeiramente, destacou o efeito da DComp de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de eventual homologação expressa posterior por parte da Fazenda Nacional. Para tanto – consignou seria necessário que, à época da apresentação da DComp, o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pelo sujeito passivo fosse líquido e certo, sem o que não haveria como homologála. Anotou que, no caso presente, a contribuinte não havia retificado a DCTF na data de apresentação da DComp, razão porque inexistia juridicamente o crédito alegado. Por fim, considerou improcedente a manifestação de inconformidade fundado no fato de que a retificação posterior da DCTF não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentalizada por DComp. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.907243/200949 Acórdão n.º 3803004.028 S3TE03 Fl. 199 3 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Cientificada de decisão em 14 de outubro de 2011, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 16 de novembro de 2011, em que reiterou o mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, colacionando a ementa do acórdão do CARF nº 130100351 3ª/1ª Turma Ordinária e transcrevendo o teor do Acórdão nº 330200812 3ª/2ª Turma Ordinária, para defender que: “a verdade material deve ser sempre perseguida, isto sem abandonar as normas procedimentais da RFB. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2° do art. 11 da IN RFB n° 786/2007, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte.”. E o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como se pode ver da ementa da decisão recorrida, a razão de decidir do órgão julgador ancorouse na necessidade do procedimento do contribuinte de retificar a DCTF previamente à transmissão da DComp. Com efeito, a DCTF ainda não havia sido retificada em momento antecedente à transmissão da DComp. Nem mesmo antes do despacho decisório. A controvérsia que se instala é, pois, aquilatar se a DCTF retificadora transmitida nas circunstâncias presentes pode ou não surtir os efeitos que lhe são naturalmente próprios. Ao tempo da retificação procedida pela Contribuinte, vigia a IN RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, regulamentando a matéria. Ao tratar das alterações das informações em DCTF, a norma inserta no art. 11 desta instrução normativa nomeia a natureza jurídica da retificadora e fixa critérios que deveriam ser obedecidos para que surtisse efeitos, verbis: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Como se vê, não há entre estas disposições regra que condicione a validade da natureza de original da retificadora, de molde a surtir os efeitos que lhe são próprios, a sua transmissão antes da declaração de compensação. Por outro prisma, entre as disposições relativas ao direito de compensar créditos previstas entre os arts. 26 a 33 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, também vigente à época da transmissão da DComp, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PeR/DComp à prévia retificação de DCTF, embora se vislumbre que esta deva ser a ordem natural das coisas, de sorte a permitir a análise automática e escorreita do crédito, bem assim o consequente processamento da compensação. No caso presente, não se pode dizer que foram violadas as prescrições do parágrafo segundo da IN RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, não sendo o fato presente nem mesmo abarcado pela hipótese do inciso III, eis que o despacho decisório eletrônico de manifestação em declaração de compensação transmitida de procedimento fiscal não se trata. Assim, ressalvadas as hipóteses do parágrafo segundo desta instrução normativa, a DCTF retificadora transmitida dentro do prazo prescricional dos débitos tem, inelutavelmente, a natureza de original. No caso presente, temse que a DCTF foi transmitida após o despacho decisório; este, em 7 de outubro de 2009, aquela, em 19 de outubro de 2009. Conquanto ela tivesse a natureza de original, não havia como o despacho decisório localizar pagamento disponível no sistema, por este não ter sido ainda afetado pela retificação da DCTF. Logo, por outra perspectiva, não se pode inquinar de incorreta a decisão administrativa de não reconhecimento do despacho decisório e não homologação do débito compensado. Ocorre que a Contribuinte transmitira Dacon retificador em 30 de abril de 2009, portanto, meses antes da transmissão da DComp, dando conta de que apurara saldo credor no mês em tela. Não obstante a citada obrigação acessória não tenha força de desconstituir a confissão do débito apurado naquele mês por meio da DCTF original, por não Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10925.907243/200949 Acórdão n.º 3803004.028 S3TE03 Fl. 200 5 revestir a mesma natureza desta obrigação, de maneira a fazer surtir os efeitos legais próprios a esta, não se pode dizer que a apuração era desconhecida da Administração. A decisão de primeira instância delimitou a apreciação da controvérsia trazida aos autos mirando tão só o aspecto formal da impossibilidade de existência de crédito quando a transmissão de DCTF retificadora não se der antes da transmissão da declaração de compensação. Este óbice não deve existir, conforme entendimento já definido por esta Turma, sobretudo quando, na espécie, a Contribuinte traz aos autos obrigação acessória de apuração pontual da contribuição sob exame (o Dacon) transmitida antes do despacho decisório e apresentada por ocasião da manifestação de inconformidade. Posto que não seja o Dacon uma prova legalmente qualificada em prol da Contribuinte, como o seria a escrita contábil/fiscal regular, ela merecia ter sido apreciada pelo Colegiado a quo, cabendo, inclusive, na hipótese de dúvidas solicitar a manifestação do órgão de origem quanto à verossimilhança de seus registros. Entender desse modo não equivale a dizer que a Administração estará suprindo as vezes do contribuinte na apresentação da prova. Uma decisão “emitida” por meio eletrônico, cujos registros são sintéticos, em especial o da intimação nele contida para que o contribuinte, desejando, manifeste a sua inconformidade, oblitera o integral conhecimento, pelo interessado, dos instrumentos que deve manejar em sua defesa e das exigências pontuais que haveriam de ser feitas pelo órgão julgador de primeira instância para o acolhimento das suas razões. Todavia, nada obstante ser o Dacon documento que merecia ter sido considerado e apreciado, não me inclino a direcionar o presente voto na linha do provimento dado por outras turmas julgadoras deste CARF (Acórdão nº 330200.812, 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de fevereiro de 2011/Acórdão n° 130100.531, 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 30 de março de 2011), referenciados na defesa, mesmo sendo idêntico o substrato fático, de retificação da DCTF após o despacho decisório. Isso porque a despeito de se ter nos autos o relevante fato de que houvera apuração de crédito para utilização na DComp documentado perante a RFB antes do despacho decisório tratase de uma obrigação acessória de caráter subsidiário de apuração de débitos, e, porque o saldo credor de contribuição, em oposição ao outrora débito, decorre, quase integralmente, de expressivo de valor excluído das receitas auferidas, anotado como Outras Exclusões, não explicado na defesa. Assim, considero prudente, para admitirse a existência efetiva do crédito utilizado, desvendar a formação dessa rubrica, Outras Exclusões. Entretanto, fazêlo a partir desta instância, convertendo o julgamento em diligência, traz o risco de deixar à margem do debate a instância a quo, na hipótese de serem controvertidos os valores dela resultantes, e faria com que esta instância viesse a se manifestar sobre elementos que deixariam de ser apreciados em primeiro grau. Assento que o formalismo da decisão de primeira instância não deve subsistir, ante: a) a presença da DCTF retificadora que exala a natureza de original, mesmo transmitida após o despacho decisório de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação; e Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN 6 b) da demonstração da Contribuinte de que efetivamente procedera à nova apuração do quanto devido de Cofins referente ao mês de junho de 2004, antes do dito ato administrativo. Assim, deve a decisão recorrida ser anulada para que afaste o empecilho formal erigido em suas razões de decidir e outra profira apreciando o documento de apuração trazido na manifestação de inconformidade, sublimandose, de já, o livre exercício do convencimento. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso. Sala das sessões, 19 de março de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 19679.011723/2005-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 CONCOMITÂNCIA. ALCANCE DO LITÍGIO. Restando caracterizada a concomitância com a via judicial em qualquer momento processual, não se conhece do recurso, conforme preconiza a Súmula CARF n° 01.
Numero da decisão: 1803-001.396
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ALCANCE DO LITÍGIO. Restando caracterizada a concomitância com a via judicial em qualquer momento processual, não se conhece do recurso, conforme preconiza a Súmula CARF n° 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19679.011723/200511 Acórdão n.º 1803001.396 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Viviani Aparecida Bacchmi, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase o presente processo de auto de infração eletrônico, referente a CSLL do ano calendário de 2000, composto de crédito tributário advindo de multa de ofício isolada. O presente auto de infração decorreu de procedimento de auditoria interna executada em DCTF na qual foi constatada a falta e/ou insuficiência de recolhimento dos acréscimos legais, vinculado ao código da receita 2484. Devidamente cientificada do auto de infração, a empresa recorrente apresenta suas razões de inconformidade em seara de impugnação, de forma tempestiva, alegando, em apertada síntese, que a multa isolada é improcedente, porquanto que o pagamento da contribuição, embora realizados com atraso, foram praticados com recolhimento referentes aos juros devidos dos períodos relativos aos fatos geradores da contribuição e com observância do princípio da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, circunstância que afasta a aplicação das penalidades imputadas no auto de infração. Sob este aspecto sustenta suas arguições através de decisões proferidas pelo STJ e na esfera do Conselho de Contribuintes. Prossegue a recorrente aduzindo que obteve decisão judicial que reconhece o direito de não estar obrigada a recolher as parcelas correspondentes à multa de mora do débito de CSLL pago em atraso e vinculada à cobrança indicada no auto de infração, haja vista que estariam respaldadas no 'objeto e sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança — Processo n° 2005.61.00.0054810, impetrado pela mesma com objetivo de que fosse admitida a improcedência de diversos débitos, bem como das respectivas multas de mora, os quais eram impeditivos da CND ou Certidão Positiva com efeitos de Negativa, mediante reconhecimento da ilegitimidade da exigência de recolhimento das multas de mora pendentes e impeditivas da emissão de certidão. Ainda, contrapõese a empresa recorrente ao auto de infração, questionando a legalidade da manutenção da multa de ofício aplicada no lançamento, prevista nos termos dos arts. 43 e 44 da Lei n° 9.430/96, amparase em jurisprudências prolatadas por diversas Câmaras de julgamento do egrégio Conselho de Contribuintes. No mesmo caminho aduz a legitimidade da aplicação indevida da taxa SELIC a título de apuração e cálculo dos juros moratórios e requer a não aplicação da referida taxa para correção da multa isolada em questão, caso não se entendam pertinentes as contrarazões apresentadas pela recorrente. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter a autuação parcialmente. Aduz que o auto de infração foi lavrado por autoridade administrativa plenamente vinculada, mediante lançamento, respeitando os procedimentos fiscais previstos na legislação para comprovação e apuração da ocorrência do fato gerador da contribuição, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, portanto, norteado pelo princípio da legalidade, respeitando o art. 142 do CTN. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19679.011723/200511 Acórdão n.º 1803001.396 S1TE03 Fl. 113 3 Afere o julgador que o auto de infração contém fundamentação legal, descrição dos fatos e determinação da exigência fiscal, instruído com demonstrativos resultantes do processamento das informações prestadas em DCTF pela recorrente, os quais se caracterizam elemento de prova suficiente à comprovação do ilícito, nos termos do Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal — PAF. Frisa que o procedimento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito ao contraditório e ampla defesa, estando em consonância com o artigo 142 do CTN e com o artigo 10 do Decreto n. 70.235/72. No tocante à denúncia espontânea, arguida pela recorrente, a autoridade de primeira instância frisa que o entendimento é de que o artigo 138 do CTN não exclui a cobrança da multa moratória. Salienta que o artigo citado acima deve ser compreendido em sintonia com os demais artigos da legislação pátria e no caso em comento com o artigo 161 do CTN que determina a cominação dos juros de mora para os casos dos créditos tributários que não forem pagos integralmente nas datas de seus vencimentos. Prossegue o julgador referindo que há norma específica sobre o tema (Lei 9.430/96) e por tratarse de atividade vinculada nos termos do art.142 do CTN, não há como dispensar a cobrança da multa moratória na situação presente, tributo pago fora prazo legal de vencimento. Observa também que a exclusão da responsabilidade por infrações, entendendose aí a aplicação da multa de ofício de 75%, só se configura se o débito foi integralmente extinto antes do início do procedimento de ofício, incluído todos os acréscimos legais previstos em lei para o recolhimento espontâneo efetuado fora do prazo legal. Porém atenta o julgador a quo para o fato de que o caso concreto decorre crédito tributário (CSLL) constituído sob a modalidade de lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, no qual o sujeito passivo tem a obrigação de antecipar o pagamento da importância apurada sem prévio exame da autoridade administrativa. Verificandose tal fenômeno tributário, o valor do tributo deve ser recolhido à Administração Tributária Federal na data do vencimento, sob pena de incidirem multa e juros de mora aplicáveis pela legislação e cita Súmula 360 do STJ neste sentido. No que diz respeito à identidade de objeto entre o processo judicial e o administrativo, entende o julgador que não há procedência na alegação da recorrente de que a mesma encontrase protegida em relação ao lançamento em debate, face aos efeitos da decisão judicial proferida em 27/09/2005 e em sede da 22° Vara Federal Cível de São Paulo/SP, nos autos do Mandado de Segurança — Processo n° 2005.61.00.0054810. Isso porque tais inferências restringemse ao objeto que motivou a impetração do pedido de liminar contra a autoridade coatora reportada na ação, consoante se depreende dos excertos derivados da sentença de fls. 87/91. A autoridade de primeira instância entende que mesmo ocorrendo uma das hipóteses de suspensão de exigibilidade prevista no art. 151 do CTN, é dever da autoridade fiscal efetuar a constituição do lançamento da obrigação tributária principal para resguardar o direito fazendário do decurso do prazo decadencial. Ressalta que a autoridade fiscal não necessita aguardar o trânsito em julgado de ações judiciais em tramitação, em que se discute a exigibilidade de tributo não constituído, para só então efetuar o lançamento de ofício, tendo em vista que a existência de causa suspensiva não obsta a constituição de ofício do crédito tributário, ressalvado o disposto no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19679.011723/200511 Acórdão n.º 1803001.396 S1TE03 Fl. 114 4 Aduz o julgador que os efeitos da sentença judicial a que alude a empresa recorrente restringemse expressamente aos débitos de multas moratórias constantes do relatório emitido pela Secretaria da Receita Federal em 27/04/2005, acostado às fls. 541/559 dos autos do Mandado de Segurança – Processo n. 2005.61.00.0054810, ou seja, não estendendo sua eficácia e seu alcance sobre as exigências fiscais reportadas no auto de infração em questão, tendo em vista que a constituição ocorreu em período subsequente à data de referência dos débitos assinalados na decisão proferida na primeira instância do lide judicial. Desse modo, entende evidenciada a inexistência de concomitância entre as matérias, bem como a falta de respaldo dos efeitos da medida judicial em relação aos créditos tributários integrantes do referido auto de infração, haja vista restar caracterizado trataremse de objetos distintos. Assim, sob sua ótica, não há que prosperar as arguições do sujeito passivo. Quanto à retroatividade benigna da multa isolada, afere o julgado que me precedeu que embora a nova redação do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, em conformidade com as alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, tenha dispensado o referido lançamento, inclusive em relação aos documentos apresentados nesse período, os autos de infração, os quais foram legalmente constituídos pela legislação de regência, consistem em atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram elaborados. Porém, destaca que em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração parcial da multa isolada constituída em lançamento de ofício sempre que não tenha sido verificada nenhuma das hipóteses previstas preceito assentado no diploma legal que derrogou o art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Observa que não se pode asseverar que o pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória, simplesmente abdicou da condição de infração. Particularmente ao caso concreto, a novel legislação comina penalidade menos severa, qual seja a aplicação de multa equivalente àquela prevista no art. 61, caput e §§1° e 2°, da Lei n°9.430, de 1996. Conclui pela manutenção da exigência fiscal disposta no auto de infração, contudo reduzindo a multa isolada imposta e calculada sobre o principal declarado e pago em atraso para montante equivalente ao limite percentual máximo de 20% (vinte por cento), prevista no art. 61, caput e §2°, da Lei n°9.430, de 1996, inclusive na forma do art. 43 da referida legislação de referência, tendo em vista a aplicação do princípio da retroatividade benigna, em conformidade com o art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, combinado com o art. 14 da Lei n2 11.488/2007. A autoridade de primeira instância faz um breve arrazoado ainda a respeito das jurisprudências administrativas e judiciais. Cita Parecer Normativo CST n° 390/71. Ao se referir ao juros de mora isolados, aduz o julgador de primeira instância que o questionamento abarcado pela recorrente falece por si só em razão do fato de inexistir qualquer lançamento de juros de mora isolados no auto de infração em comento, razão pela qual impossibilita a instauração do litígio e reputa a condição de matéria não controversa. Por fim, ao ser referir ao pedido da recorrente de que não incida taxa SELIC sobre a cobrança de multa isolada, o julgador atenta para o fato de que a multa faz parte do crédito tributário e portanto deve ter o mesmo tratamento, segundo o disciplinado no artigo 161 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19679.011723/200511 Acórdão n.º 1803001.396 S1TE03 Fl. 115 5 do CTN. Destarte, os juros de mora são incidentes sobre a exigência fiscal lançada, sendo calculado e atualizado na forma do art. 61, caput e § 3°, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, até a data do efetivo pagamento, observado, porém, que a apuração somente incorrerá na fase de execução do acórdão e de cobrança do valor mantido, ou seja, após a decisão tornarse definitiva na esfera administrativa e dita jurisprudência deste Egrégio Conselho. A recorrente devidamente cientificada da decisão de primeira instância apresenta suas razões em recurso voluntário de forma tempestiva, arguindo de forma sintética o já disposto em seara de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente feito de auto de infração para cobrança de multa de ofício isolada em decorrência do pagamento de CSLL do ano calendário de 2000, sem os acréscimos legais, qual seja multa de mora. A empresa recorrente alega em sua defesa que estava desobrigada ao pagamento do referido acréscimo legal, qual seja, multa de mora, por encontrarse ao abrigo da denúncia espontânea, bem como por estar amparada por uma decisão judicial que lhe dava guarida nesse sentido. Ocorre que a autoridade de primeira instância entendeu por bem dar provimento parcial à impugnação proposta, tomando em conta o disposto no art. 61, caput e §2°, da Lei n°9.430, de 1996, inclusive na forma do art. 43 da mencionada legislação de referência, tendo em vista a aplicação do princípio da retroatividade benigna, em conformidade com o art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, combinado com o art. 14 da Lei n2 11.488/2007. Concomitância Inicio a presente decisão observando que, ao contrário do disposto pelo julgador que me precedeu, há amparo judicial a presente demanda da empresa recorrente. Isso porque na sentença proferida em seara de Mandado de Segurança, o juiz de direito foi claro ao dispor e estabelecer o alcance de sua decisão, quando determinou que o benefício concedido abarcaria as multas elencadas no relatório datado de 27/04/2005, da Secretaria da Receita Federal, juntado ao Mandado de Segurança nas folhas 541/559. No presente feito, o débito em discussão encontrase nos Termo de Intimação que foi objeto de apreciação pelo juízo da demanda judicial. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19679.011723/200511 Acórdão n.º 1803001.396 S1TE03 Fl. 116 6 Assim, entendo que há concomitância entre as esferas administrativa e judicial, posto que tratam de mesma matéria, de mesmo período, bem como entendo que o presente período se encontra dentro dos que estão sendo beneficiados pela liminar proferida pelo Exmo. Juiz de Direito responsável pelo Mando de Segurança impetrado pela empresa recorrente. Ademais, importa que se atente para o fato de que este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais está jungido à aplicação da Súmula n. 01 que versa: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” Temse que a recorrente, ao ingressar com a ação judicial, cujo objeto da demanda envolve o mesmo objeto do presente processo administrativo, abriu mão da análise por essa esfera administrativa sobre o tema. Este Conselho não pode mais tomar conhecimento do que se discute no processo administrativo e também no processo judicial, abstendose de apreciar o fato e emitir juízo de valor. Desse modo, ainda que a empresa recorrente entenda que a Receita Federal esteja obrigada a aceitar os ditames determinados na sentença judicial, quando esta for julgada em definitivo, devendo pois cancelar o lançamento, isso somente poderá ser feito em seara de execução de sentença, através do processo judicial e não da esfera administrativa. A etapa em que se encontra o processo administrativo obriga que o recurso voluntário, proposto pela empresa recorrente, sequer seja conhecido, pela concomitância ocasionada com a ação judicial proposta pela mesma junto ao poder judiciário. Diante do exposto, julgo por não conhecer do recurso voluntário proposto. É o voto. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19679.011723/200511 Acórdão n.º 1803001.396 S1TE03 Fl. 117 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 13807.001444/97-34
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1994
PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 14 44 /9 7- 34 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.001444/9734 Acórdão n.º 9900000.550 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0385 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0376, que decidiu em negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1991 a 01/12/1994 PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, iniciase na data da publicação da resolução. Inaplicabilidade do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Vencidos os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim, Emanuel Carlos Dantas de Assis u1bstituto convocado) e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento ao recurso. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar Fl. 850DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0393, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.001444/9734 Acórdão n.º 9900000.550 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 01/01/1991 a 31/12/1994, fls. 054, e o pedido de restituição foi protocolado em 23/12/1997, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo Fl. 853DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.001444/9734 Acórdão n.º 9900000.550 CSRFPL Fl. 5 7 de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 23/12/1997, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 23/12/1987 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 23/12/1987 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 854DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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