Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,954)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,892)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,944)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,143)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,303)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,526)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10920.909603/2012-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.909603/2012-92
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5390742
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.754
nome_arquivo_s : Decisao_10920909603201292.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 10920909603201292_5390742.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5670700
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254016720896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.909603/201292 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.754 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria PER ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente FRANCOBACHOT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 96 03 /2 01 2- 92 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909603/201292 Acórdão n.º 3801002.754 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909603/201292 Acórdão n.º 3801002.754 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909603/201292 Acórdão n.º 3801002.754 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909603/201292 Acórdão n.º 3801002.754 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909603/201292 Acórdão n.º 3801002.754 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909603/201292 Acórdão n.º 3801002.754 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909603/201292 Acórdão n.º 3801002.754 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004030/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Mara Cristina Sifuentes, que negavam provimento. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES Redator designado.
EDITADO EM: 29/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola CassianoKeramidas; Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10715.004030/2010-72
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5402503
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.463
nome_arquivo_s : Decisao_10715004030201072.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
nome_arquivo_pdf_s : 10715004030201072_5402503.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Mara Cristina Sifuentes, que negavam provimento. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Redator designado. EDITADO EM: 29/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola CassianoKeramidas; Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
dt_sessao_tdt : Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5739515
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254045032448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.004030/201072 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.463 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2014 Matéria MULDI Recorrente SOCIÉTÉ AIR FRANCE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Mara Cristina Sifuentes, que negavam provimento. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator designado. EDITADO EM: 29/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 40 30 /2 01 0- 72 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola CassianoKeramidas; Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 0725.428 2ª Turma da DRJ/FNS, de 05 de agosto de 2011, que, por unanimidade de votos, decidiu por julgar procedente em parte a impugnação contra Auto de Infração de multas aduaneiras, mantendo o crédito tributário exigido no valor de R$ 20.000,00. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 75.000,00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em junho de 2007 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes As cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "A U7'0 DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/000320/10", descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/2005, uma vez que o inciso II do artigo 39 da citada IN/SRF 28/1994 considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 30, acompanhada dos documentos de fls. 31 a 42, para aduzir que (i) a multa aplicada não corresponde à infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa da impugnante; (ii) conforme a Solução de Consulta 215, de 16.08.2004, os dados de embarque referentes às mercadorias embarcadas em 01.06.2007, 15.06.2007, 16.06.2007, 23.06.2007 e 29.06.2007, foram tempestivamente informados no Siscomex; (iii) que por razão de natureza econômica é inviável a manutenção de pessoal especializado para, tão somente, efetuar a inserção de dados no Siscomex relativamente aos embarques de mercadorias ocorridos nas sextasfeiras, sábados e domingos ou na véspera de feriado; (iv) a penalidade aplicação contraria aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, uma vez que seu valor não leva em consideração a quantidade de registros informados fora de tempo, além de ser Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.004030/201072 Acórdão n.º 3302002.463 S3C3T2 Fl. 11 3 muito superior ao valor da multa por embaraço à fiscalização, que além de considerar o valor aduaneiro da mercadoria, somente é aplicável quando constatado o dolo especifico; (v) o diminuto lapso temporal verificado não trouxe qualquer prejuízo ao fisco; (vi) o artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame porque foram inseridas informações referentes as mercadorias no Siscomex, conforme determina a Receita Federal; (vii) o SiscomexExportação considera como novas as averbações retificadas por conta de divergência de informação, sendo que para fins de contagem do prazo o sistema informatizado levou em consideração somente o registro dos dados de embarque retificados, em prejuízo da transportadora aérea. Do exposto, requer a nulidade do auto de infração e, por conseguinte, a desconstituição do crédito lançado. Novamente a autuada comparece aos autos, às fls. 45 a 51, para, em apertada síntese, dar noticia de que "a Secretaria da Receita Federal do Brasil expediu, em 13.12.2010, a Instrução Normativa n°1096 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no Siscomex os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque", e que "0 Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como infração aplicase imediatamente aos atos não definitivamente julgados". Dessa forma, "não há dúvida quanto à aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil deixou de definir como infração a inserção de dados no Siscomex realizada anteriormente ao prazo de 07 dias data de embarque". Do exposto, "requer seja declarada a nulidade absoluta do presente auto de infração, ou, alternativamente, caso assim não entenda, (.) requer sejam excluídos da presente cobrança as multas referentes aos embarques tempestivamente informados". Observese, por fim, que ao presente processo foi juntado, por anexação, o processo 10715.001276/201173. É o relatório.” O Acórdão 0725.428 – 2ª Turma da DRJ/FNS, de 05 de agosto de 2011, decidiu a controvérsia administrativa nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 0725.428 – 2ª Turma da DRJ/FNS, por meio da Intimação nº 120/2011, em 29/09/2011, conforme Aviso de Recebimento de efl. 77. Assim, devidamente cientificada, inconformada, recorre a contribuinte, em 28/10/2011, insistindo na mesma linha de argumentação esboçada na impugnação, acrescentando novas alegações, segundo os seguintes itens de defesa: I ‐ DOS FATOS E DA R. DECISÃO RECORRIDA; II ‐ DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO ATINENTE À MATÉRIA EM DEBATE E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS; III ‐ DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE PROVAS DA INFRAÇÃO IMPUTADA À RECORRENTE; IV ‐ DA AUSÊNCIA DE PROVA DA INTEMPESTIVIDADE DO REGISTRO EFETUADO PELA RECORRENTE; V ‐ PROVA IMPERFEITA DA INFRAÇÃO COMETIDA EM RAZÃO DE INDISPONIBILIDADES DO S1SCOMEX; VI ‐ RECONHECIMENTO POR PARTE DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL ACERCA DAS IMPOSSIBILIDADES DE ACESSO AO SISCOMEX CARGA ‐ IN RFB N° 835/2008; VII ‐ INEXISTÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, DESONERAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES E VIOLAÇÃO À FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO; VIII‐ VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE; IX ‐ DO PEDIDO Em razão de todo o exposto, a Recorrente requer que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que seja reformado o v. acórdão n° 0725.370, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.004030/201072 Acórdão n.º 3302002.463 S3C3T2 Fl. 12 5 julgandose totalmente improcedente o lançamento efetuado por meio do auto de infração juntado aos autos do processo administrativo n° 10715.004030/201072. Na forma regimental, o presente processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões que justificam o seu conhecimento. A lide, neste processo, restringese unicamente à multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, prevista na legislação aduaneira, em face de registros intempestivos no SISCOMEX. No entender do Fisco, a contribuinte não fez o registro dos dados de embarque dos despachos de exportação que realizou, no Sistema de Comércio Exterior — SISCOMEX, dentro do prazo legal de 2 (dois) dias, para a prática do ato, contado da data da realização do embarque, consoante o prazo fixado no art. 37 da IN SRF nº 28/1994, com a redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 510/2005. Por conta disso, foi aplicada a multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei nº 10.833/2003. PRECLUSÃO DE ALEGAÇÕES EFETUADAS APENAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Como é sabido, o recurso voluntário dirigido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF deve ser interposto pelo sujeito passivo, no prazo de 30 dias, contra decisão das DRJ que não tenha acatado, parcial ou total, a impugnação ou que não tenha acolhido, total ou parcial, a manifestação de inconformidade (artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972 e artigos 1º e 7º do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). O recurso voluntário, desta forma, visa devolver ao tribunal administrativo o conhecimento de questões suscitadas e já discutidas no Processo Administrativo Fiscal. Portanto, é inadmissível a inovação em grau recursal, abordando tese não aventada por ocasião da impugnação e/ou manifestação de inconformidade, inovando na linha de defesa, na medida em que afronta o duplo grau de jurisdição e os princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Ou seja, não pode a contribuinte inovar na linha de defesa, suscitando em grau recursal questões que não foram objeto de litígio, haja vista que, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997). Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 É que, de acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. Da jurisprudência deste Conselho, colhese: "ITR/92 PRECLUSÃO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA 1 O contribuinte não pode inovar seu pedido na instancia ad quem. 2 Não pode a segunda instância conhecer e decidir matéria que não foi posta ao conhecimento da instância inferior. sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição e, com ele, o devido processo legal. Neste sentido, quanto ao prazo de vencimento do lançamento, rejeito e encargos moratórios, deve a autoridade julgadora monocrática sobre eles manifestarse, para então, se for o caso, retornarem os autos a este Colegiado. Recurso não conhecido" (2° Conselho, I a Câmara, RV n° 104.321, Processo n° 13847.000106/9268, Rel. Jorge Freire). "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A impugnação apresentada pelo sujeito passivo, entre outros requisitos, mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta (art. 16, Decreto n° 70.235/72), os quais serão julgados em Primeira Instancia Administrativa (arts. 27 e 28. Decreto n° 70.235/72). Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, ao Conselho de Contribuintes competente (art. 33, mesmo Diploma legal). O sujeito passivo não pode inovar em relação aos motivos de fato e de direito constantes da defesa recursal, tendo em vista os princípios da legalidade e do duplo grau de jurisdição. Argumentos não apresentados quando da impugnação são preclusos. RECURSO NEGADO." (3° Conselho, 2° Câmara, RV n° 130.573, Processo n° 10930.004537/20035Z Rel. Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, J. 11/11/2005). “RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS DA DEFESA. PRECLUSÃO. É defeso ao contribuinte trazer, no recurso voluntário, argumentos que não foram apresentados na impugnação, por ocorrência de preclusão, haja vista tratarse de matéria nova não submetida ao litígio. (2ª Seção AC 2201002.180 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, Processo nº 10970.720193/201166, Rel. Walter Reinaldo Falcão Lima) Conforme análise do conteúdo da impugnação da contribuinte e consoante registra o relatório da DRJ acima transcrito, a contribuinte impugnou a tempestividade unicamente quanto ao registro no SISCOMEX dos dados de embarque de mercadorias efetuadas no Vôo AF/443, embarques dos dias 01.06.2007, 15.06.2007, 16.06.2007, 23.06.2007 e 29.06.2007, com base na Solução de Consulta 215, de 16.08.2004 e, em nenhum momento de sua impugnação questionou as provas dos autos. Desta forma, verificase estar preclusa a alegação abaixo mencionada que visa descaracterizar o valor probatório da planilha extraída do SISCOMEX quanto à Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.004030/201072 Acórdão n.º 3302002.463 S3C3T2 Fl. 13 7 intempestividade dos registros dos embarques, posto que tal alegação foi aduzida unicamente no recurso voluntário, não tendo sido submetida, portanto, à apreciação da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa: 1) a alegação contida no item “III DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE PROVAS DA INFRAÇÃO IMPUTADA À RECORRENTE”, na qual argúi que “tal planilha não possui valor probatório algum para fins de apuração da infração imputada à Recorrente” e que “Não tendo a fiscalização juntado os extratos de tela do Siscomex que comprovam efetivamente a infração cometida por parte da Recorrente, restam apenas alegações, carecedoras de comprovação. Assim, não havendo provas nos autos de que a Recorrente descumpriu qualquer prazo para a inserção de dados no sistema Siscomex, não há sequer a possibilidade desta se defender da aplicação da multa, restando inviabilizada a aplicação de qualquer punição à mesma pela inserção intempestiva de dados no SISCOMEX.”(grifos do original). Como se vê, é inadmissível inovar na postulação recursal para incluir novas alegações diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da impugnação do lançamento na instância a quo, salvo questões de ordem pública, se o julgador de 1ª instância administrativa não apreciou determinada matéria, posto que não foi a ela submetida, não compete ao Conselho apreciála, simplesmente porque haveria de ferir o princípio do duplo grau de jurisdição. Assim, deixase de apreciar as alegações recursais acima mencionadas. Passase à análise das alegações suscitadas na impugnação e apreciadas pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, sobre as quais ainda se insurge a contribuinte, sem, contudo, seguir integralmente a ordem posta no recurso voluntário, em face de se levar em conta o momento oportuno de apreciação de referidas alegações dentro do contexto do voto. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS No item “II DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO ATINENTE À MATÉRIA EM DEBATE E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS”, a recorrente destaca a evolução da legislação atinente à questão sob litígio, concluindo pela incorreção da tipificação dos fatos para suscitar a nulidade do auto de infração, alegando cerceamento do direito de defesa, cujos termos se transcreve a seguir, por ser oportuno: A recorrente tece a seguinte evolução da legislação: “0 DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, previa originariamente em seu art. 107, I, a aplicação de multa, no valor de Cr$ 200.000 (duzentos mil cruzeiros) a quem, por qualquer meio, realizasse o embaraço à ação fiscalizadora. Ultrapassados três anos da publicação do DecretoLei n° 37/66, foi editado o DecretoLei n° 751, de 1969, apenas atualizando o valor original da multa por embaraço à fiscalização, conforme transcrito abaixo: ‘Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora’; Neste contexto, em 1994, quando vigente a redação acima transcrita do art. 107, I, do DecretoLei n° 37/66, foi editada e publicada a Instrução Normativa n° 28, de 27 de abril de 1994, que, pela primeira vez, criou uma obrigação ao transportador aéreo de informar no Siscomex os dados pertinentes às mercadorias por ele embarcadas ao exterior. Em sua redação original, a Instrução Normativa n° 28/94 determinava que o transportador deveria informar os dados de mercadoria imediatamente após o embarque ao exterior e que o descumprimento de tal obrigação constituiria embaraço à fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator à multa prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Assim, a penalidade, em seu conjunto, se consubstanciava da seguinte forma: "Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinente, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (...) Art. 44. 0 descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto Lei n° 37/66 com a redação do art. 5o do DecretoLei n° 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis." Após 09 anos de vigência da Instrução Normativa n° 28/94, foi publicada a Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003, que deu nova redação ao art. 107 do DecretoLei n° 37/66, incluindo novos incisos e criando novas penalidades relacionadas às infrações aduaneiras, conforme transcrito a seguir: ‘Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado a intimação em procedimento fiscal; e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte aéreo internacional, inclusive à prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta ou ao agente de carga (...)’”. E, com base nessa evolução efetua a sua conclusão no seguinte sentido: “Notese que a redação do art. 44 da Instrução Normativa n° 28/94 não foi modificada com a edição da Medida Provisória n° Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.004030/201072 Acórdão n.º 3302002.463 S3C3T2 Fl. 14 9 135/03, que alterou a redação do art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Ou seja, ainda nos dias de hoje, o descumprimento da obrigação contida no art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94 permanece gerando a multa por embaraço à fiscalização aduaneira, prevista no art. 107, IV, "c", do DecretoLei n° 37/66, por força do disposto no art. 44 da referida Instrução Normativa que se encontra em vigor. Porém, ainda que demonstrada cabalmente acima a evolução da legislação pertinente à matéria, o auto de infração que originou a presente cobrança foi lavrado descrevendo os fatos e tipificando, erroneamente, a conduta na forma a seguir reproduzida: (...); Diante de tal análise, concluise que o enquadramento do auto de infração trata de infração relacionada à falta de informação sobre carga transportada em veículo, prevista na alínea "e" daquele inciso, e não ao embaraço à fiscalização aduaneira, prevista na alínea "c". É imprescindível lembrar que o art. 44 da Instrução Normativa n° 28/94 determina expressamente que o descumprimento da obrigação prevista no art. 37 constitui embaraço à fiscalização aduaneira.”(grifos do original). Pois bem, da análise da evolução da legislação acima transcrita é de se concluir, diferentemente da conclusão da recorrente, pela correção do enquadramento legal atribuído pela fiscalização à infração apurada, qual seja, o art. 107. IV, alínea "e", do Decreto Lei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, no que se refere à seguinte infração: “deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte aéreo internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga.” (grifei). Tal conclusão depreendese em função de que a nova redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03 ao art. 107. IV, do DecretoLei n° 37/66 trouxe, em sua alínea “e” tipificação específica de infração atinente ao fato descrito nos autos. O fato de a Instrução Normativa RFB n° 1.096, de 13/12/2010, que alterou a IN SRF n° 28/1994, continuar fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como embaraço, demonstra desconformidade desta quanto a esta tipificação, mas isto de forma alguma significa que a redação da instrução normativa deva prevalecer sobre a redação legal. Foi exatamente neste sentido que concluiu o Acórdão nº 320200.341 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no Processo 10715.003346/200911, o qual foi colacionado pela ora recorrente, in verbis: “A Instrução Normativa SRF nº 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts.37, caput, e 44 que, verbis: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei no 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.’ O art. 107 do Decretolei nº 37/1966, na redação do art. 5º do Decretolei nº 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto nº 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro): “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1º da IN SRF nº 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: ‘Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.’ (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: ‘Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: ‘Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado’. (...) ‘Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, Fl. 172DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.004030/201072 Acórdão n.º 3302002.463 S3C3T2 Fl. 15 11 inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; e (...)”Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44.’ No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei nº 37/1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, ‘e’, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, ‘c’.”(grifos do original). Cabe aqui ressalvar, nos mesmos termos contidos na decisão recorrida, que mesmo na hipótese de o enquadramento legal ter sido erroneamente indicado, o que não é o caso, conforme acima demonstrado, é pacifica a jurisprudência administrativa no sentido de que a existência de erro dessa natureza não tem a capacidade de inquinálo de nulidade, pois não prejudica a defesa da autuada, sendo suficiente a descrição correta do fato que motivou sua lavratura. Tanto é assim, que a contribuinte apresentou vasta impugnação demonstrando pleno entendimento da infração que lhe foi imputada, não tendo havido cerceamento do direito de defesa. Portanto, em vista do acima explicitado, não há que se falar improcedência do fundamento legal da autuação, rejeitandose, pois, a preliminar de nulidade. Assim esclarecido, ressaltase que não há que se falar em embaraço à fiscalização, sendo descabidas as alegações atinentes à questão de embaraço à fiscalização aduzidas no item “VIII INEXISTÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, DESONERAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES E VIOLAÇÃO À FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO”, haja vista que a infração devidamente aplicada nos autos foi a prevista no inciso IV, ‘e’, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966 que tem natureza objetiva, independendo, portanto, da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato praticado e uma vez consumada a infração, aplicável é a penalidade prevista em lei pelo descumprimento da obrigação acessória, em face à prestação intempestiva da informação sobre carga transportada. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 12 DAS ALEGAÇÕES QUANTO: À AUSÊNCIA DE PROVA DA INTEMPESTIVIDADE DO REGISTRO EFETUADO PELA RECORRENTE; À PROVA IMPERFEITA DA INFRAÇÃO COMETIDA EM RAZÃO DE INDISPONIBILIDADES DO SISCOMEX E AO RECONHECIMENTO POR PARTE DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL ACERCA DAS IMPOSSIBILIDADES DE ACESSO AO SISCOMEX CARGA IN RFB N° 835/2008 Referente à alegação aduzida na impugnação de que o atraso no registro das informações era decorrente de questões operacionais (i.e. falhas do SISCOMEX) e documentais e não de desídia da empresa, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa assim pronunciouse: “Quanto à impossibilidade de efetuar no prazo estipulado o registro de embarque por conta de falhas ocorridas no Siscomex, é dizer que referida assertiva é inócua na medida em que a autuada não demonstra a ocorrência de tal circunstância, ao contrário, procura transferir o ônus do alegado para o julgador administrativo, o que não é razoável, posto que em sede de julgamento não há como o julgador se pautar apenas em alegações desprovidas de elementos que a sustente, notadamente quando se tratar de matéria de fato. Ainda mais que as evidências conduzem para a conclusão de que a empresa autuada registrou intempestivamente os dados de embarque em apreço.” Assim é que, novamente, em fase de recurso, a contribuinte reforça seus argumentos de que o SISCOMEX não funciona de forma ininterrupta e que são constantes as falhas e erros do sistema, inclusive pelo o fato de que o SISCOMEX “registra, na realidade, a data de averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a dos registros de dados efetuados pela Recorrente”, ressaltando que se faz necessário criar um mecanismo que assegure às companhias aéreas que estas somente serão multadas quando a não inclusão dos dados no sistema depender de ato exclusivamente seu. Visando comprovar o alegado, a recorrente traz aos autos notícias obtidas no site da ANVISA que atestavam algumas das inúmeras indisponibilidades do sistema, bem como junta ao presente processo administrativo alguns correios eletrônicos enviados pela Infraero às empresas aéreas, comunicando a indisponibilidade do sistema aduaneiro, neste caso, em razão de manutenção elétrica realizada no centro de dados da Regional São Paulo do SERPRO e, em item específico de seu recurso, transcreve trecho da Instrução Normativa RFB n° 835, de 28 de março de 2008, que dispõe acerca das regras de contingência na utilização do Siscomex Carga, afirmando que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema. Também, para comprovar a alegação quanto à falha do SISCOMEX, no que se refere aos equívocos dos registros (Averbação da RFB x registro pela contribuinte) anexa parte do Auto de Infração contra ela lavrado no processo nº 10715.007805/200928, qual seja, a planilha apurada a partir do SISCOMEX, que embasou aquela autuação e a tela do sistema do Siscomex, referente aos registros efetuados quanto à mercadoria embarcada na data de 01/08/2005 e alterada em 27/07/2006, tendo sido essa última data a que embasou a multa naquele processo. Cita Soluções de Consulta. De fato, é inconteste que o Sistema de Comércio Exterior SISCOMEX é sistema que apresentou falhas no início de sua implantação e que há a possibilidade de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.004030/201072 Acórdão n.º 3302002.463 S3C3T2 Fl. 16 13 ocorrências de indisponibilidades e/ou instabilidades do sistema. Como também é inconteste que a Instrução Normativa RFB n° 835, de 28 de março de 2008 estabelece no §2º do seu art. 7º que “Para fins de baixa dos bloqueios por informação prestada após o prazo, nos termos do inciso III do caput, sem imposição de penalidades, a autoridade aduaneira levará em conta o período de paralisação do sistema.” E é lógico e razoável entender que se o referido sistema eletrônico de Comércio Exterior SISCOMEX apresenta falhas, não pode a contribuinte ser prejudicada. E, exatamente por esta razão, a referida instrução normativa determina que a autoridade aduaneira levará em conta o período de paralisação do sistema. As diversas notícias da Anvisa, bem como as mensagens de correios eletrônicos enviados pela Infraero às empresas aéreas, as quais foram trazidas pela recorrente, demonstram que os órgãos intervenientes comunicam aos interessados as interrupções e ou instabilidades do sistema. Portanto, para afastar a referida multa cabe à contribuinte demonstrar que no período abrangido pela fiscalização houve a ocorrência dessas indisponibilidade e/ou instabilidades do SISCOMEX, de modo a comprovar as suas alegações de que o atraso nos registros decorreu dessa falhas e não de sua vontade ou por desídia. Entretanto, as notícias da Anvisa, bem como o correio eletrônico da Infraero trazidos pela recorrente referemse à períodos outros que não o abrangido pela presente autuação. De outro lado, a tela do SISCOMEX denominada “CONSULTA HISTÓRICO DESPACHO” (efl.185) trazida pela recorrente para demonstrar que aquele sistema , na verdade, registra a data de averbação do embarque da carga, a qual é efetuada pela Receita, mas não a dos registros de dados efetuados pela Recorrente , ao contrário do aduzido, demonstra que o sistema relata todo o histórico dos registros, sejam eles efetuados pelos contribuintes ou pela RFB. Naquele processo mencionado pela recorrente (10715.007805/200928), deduzse ter havido apenas equívoco do autuante e não falhas do Sistema. Assim, meras alegações, desprovidas de provas que as ampare, não tem o condão de afastar o lançamento, devendose manter, quanto a esta questão, a decisão proferida no Acórdão ora recorrido. DA VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE Os princípios (da finalidade, da proporcionalidade, da razoabilidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). Ademais, o julgador administrativo não pode valorar norma sob o argumento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou Fl. 175DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 14 decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais não se enquadra a matéria fática examinada. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF. Portanto, neste item, nada há de ser alterado quanto às ponderações feitas pela i. Decisão recorrida, que se pronunciou nos seguintes termos: “Quanto às alegações de que a penalidade aplicada viola aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, é mister consignar que os julgadores das instâncias administrativas não têm competência para apreciar arguições dessa natureza. Porém, cabe acentuar que no Direito Administrativo brasileiro o principio da legalidade assume significado especial, pois ora traduzse numa expressão de direito, ora revelase elemento de garantia e segurança jurídicas, sendo que o denominado principio da autonomia da vontade não encontra acolhimento neste campo do Direito, na medida que os bens tutelados interessam a toda coletividade, cujo regramento da atuação dos agentes e órgãos públicos funciona como elemento garantidor daqueles que subsidiam e se servem da prestação dos serviços públicos. Razão pela qual o agente público não age em nome próprio, mas sim em nome do Estado, e sempre em cumprimento das finalidades legalmente estabelecidas para respectiva conduta. Nesse contexto, o principio da finalidade é aquele que imprime à autoridade administrativa o dever de praticar o ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei. Nesse sentido, o agente público deve estrita obediência à lei (principio da legalidade) e tem como dever a satisfação dos interesses públicos (principio da finalidade). Por conseguinte, o agente público não pode utilizar meios ou instrumentos que fiquem aquém ou se coloquem além do que seja estritamente necessário para o fiel cumprimento da lei. Portanto, pelo fato de a matéria examinada se encontrar plenamente disciplinada por atos legais regularmente inseridos no ordenamento jurídico, as instâncias administrativas, por caráter vinculado de atuação, são incompetentes para apreciar questões que se referem à ilegalidade e/ou inconstitucionalidade das respectivas normas legais, uma vez que tal competência é atribuída privativamente ao Poder Judiciário (art. 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal). A tratar do assunto, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF/MF manifestouse no sentido de que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF no 2, publicada no DOU em 22.12.2009, p. 71, Seção I). Quanto à alegada boafé ou ausência de prejuízo ao Erário por conta da conduta da autuada, é suficiente reprisar que em matéria tributária a responsabilidade não tem a mesma natureza da responsabilidade penal, não havendo falar em modalidade Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.004030/201072 Acórdão n.º 3302002.463 S3C3T2 Fl. 17 15 culposa ou dolosa, conforme dispõe o parágrafo 2° do artigo 94 do Decretolei 37/1966 e o artigo 136 do CTN.” DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, e uma vez demonstrada a legitimidade do lançamento formalizado contra o sujeito passivo, voto para conhecer em parte do recurso voluntário, para indeferir a preliminar de nulidade e no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Voto Vencedor Conselheiro ALEXANDRE GOMES Conforme se depreende do relatório produzido pela eminente conselheira relatora, o presente processo trata de multa administrativa lavrada em função de a Recorrente ter prestado, dentro do prazo de dois dias, as informações a que está obrigada sobre os embarques internacionais efetuados junto ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Em que pese existirem diversos argumentos de defesa relacionados a improcedência da aplicação da multa regulamentar, verifico a existência de questão preliminar que pode, inclusive, ser reconhecida de oficio pelo julgador administrativo, qual seja, a ocorrência da denuncia espontânea no caso sob análise. Inicialmente, cumpre destacar o que determina o Código Tributário Nacional sobre o tema: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O Decreto nº 37/66 também tratou do assunto: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) A partir da interpretação dos dispositivos legais acima expostos, por muito tempo, a doutrina e a jurisprudência administrativa travaram verdadeira batalha a respeito do alcance do instituto da denuncia espontânea, e em especial desta em relação as multas de natureza administrativas. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 16 Parte da doutrina e da jurisprudência aliouse ao entendimento de que o disposto no art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37/66 contemplavam especialmente as multas de natureza tributaria, não alcançando, por conseqüência, as de natureza administrativas como por exemplo, as multas regulamentares relacionadas ao direito aduaneiro. Contudo, a partir da redação estabelecida na Lei nº 12.350/2010, o § 2º do art. 102 passou ter a seguinte orientação: § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. No presente caso, como bem destacado no relatório que acompanha o presente acórdão, a multa foi aplicada tão somente por conta da declaração de embarque fora do prazo regulamentar estipulado, ou seja, pela denuncia espontânea da infração por parte da Recorrente. Muito embora os atos praticados sejam anteriores a evolução legislativa supra citada, tratando de atos pendentes de julgamento aplicável do que determina o art. 106 do CTN, nos termos do a seguir exposto: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No âmbito deste órgão colegiado, cito o seguinte julgado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 29/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 3301001.691 – 3a Câmara / 1a Turma Ordinária. Relator: Jose Adão Vitorino de Morais. Data Julgamento: 30/01/2013) Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar a multa regulamentar aplicada. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.004030/201072 Acórdão n.º 3302002.463 S3C3T2 Fl. 18 17 É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Redator Designado. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000185/2005-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. RETORNO DE DILIGÊNCIA
Retornando os autos da diligência com a informação de que a compensação foi homologada, concluindo-se que o resultado do processo administrativo nº 13804-002.729/2003-68 encerra o litígio do presente processo administrativo relativamente à exigibilidade do valor remanescente do crédito tributário da Cofins apurada no mês de abril de 2003. Logo, assiste razão à recorrente. Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-003.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. RETORNO DE DILIGÊNCIA Retornando os autos da diligência com a informação de que a compensação foi homologada, concluindo-se que o resultado do processo administrativo nº 13804-002.729/2003-68 encerra o litígio do presente processo administrativo relativamente à exigibilidade do valor remanescente do crédito tributário da Cofins apurada no mês de abril de 2003. Logo, assiste razão à recorrente. Recurso ao qual se dá provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.000185/2005-01
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387364
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.667
nome_arquivo_s : Decisao_19515000185200501.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 19515000185200501_5387364.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5654361
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254092218368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 439 1 438 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000185/200501 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.667 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Recorrente SANTISTA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA (Incorporada pela BUNGE ALIMENTOS S A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. RETORNO DE DILIGÊNCIA Retornando os autos da diligência com a informação de que a compensação foi homologada, concluindose que o resultado do processo administrativo nº 13804002.729/200368 encerra o litígio do presente processo administrativo relativamente à exigibilidade do valor remanescente do crédito tributário da Cofins apurada no mês de abril de 2003. Logo, assiste razão à recorrente. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 85 /2 00 5- 01 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Em ação fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativa aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro de 1998 a fevereiro de 1999, abril de 1999, maio de 1999, abril de 2001, janeiro de 2003 e abril de 2003, razão pela qual foi lavrado o auto de infração de fls. 227 a 229, com o seguinte enquadramento legal: Art 2º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; Art. 77, inciso III, do DecretoLei nº 5.844/43; art. 149 da Lei nº 5.172/66; Art 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; arts. 2º, 3º e 8º da Lei 9.718/98, com as alterações da MP nº 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da MP nº 1.858/99 e suas reedições; arts. 2º, inciso II e § único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02. 2. O crédito tributário apurado, composto pela contribuição, pela multa proporcional e pelos juros moratórios, calculados até 30/12/2004, perfaz o total de R$ 288.655,62 (duzentos e oitenta e oito mil, seiscentos e cinqüenta e cinco reais e sessenta e dois centavos). 3. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 01/02/2005, o contribuinte protocolizou, em 28/02/2005 a impugnação de fls. 232235 acompanhada de documentos de fls. 236313, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. Com exceção ao valor apurado relativamente ao fato gerador de 30/04/2001 e 30/04/2003, os demais foram aceitos pela empresa e recolhidos conforme DARF ora anexada. 3.2. Em relação ao primeiro período (30/04/2001), o Sr. Fiscal autuante não atentou para o fato da incorporação da empresa MOINHO ILHÉUS LTDA. pela empresa SANTISTA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA, ocorrida em 30/04/2001, bem assim as informações que lhe foram prestadas sobre o evento. 3.2.1. Não obstante estes fatos, deixou de considerar também a própria DIPJ 2001 de incorporação apresentada pelo MOINHO ILHÉUS LTDA (anexa), relativa ao período de 01/01/2001 a 30/04/2001, na qual consta claramente a base de cálculo da COFINS, base esta que não foi incluída na da SANTISTA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA. por razões óbvias. 3.2.2. E, exatamente esta base de cálculo, no montante de R$ 2.636.526,31, que foi apontada pela Autoridade Fiscal como não informada pela empresa incorporadora e passível de lançamento a título de COFINS. 3.2.3. Como afirmado, esta base de cálculo era referente as operações da empresa incorporada, que foram contabilizadas na sua receita/faturamento, informadas na DIPJ 2001 (incorporação) e devidamente recolhidas, conforme comprovam os docs. Anexos (vide DCTF). 3.3. No que tange ao segundo período (30/04/2003) mencionado, o valor lançado de R$ 48.671,16 foi devidamente compensado com créditos de IPI, conforme Pedidos de Ressarcimento (13710.000767/200325, s/nº e Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000185/200501 Acórdão n.º 3802003.667 S3TE02 Fl. 440 3 10768.002816/200319) e de Compensação (13804.002728/200313, 13804.002729/200368 e 13804.002730/200392) cujas cópias seguem anexas, estes nos montantes de R$ 10.172,81, 12.388,24 e 26.110,11, respectivamente. 3.4. Os documentos acostados não deixam margem à dúvidas quanto ao efetivo cumprimento da obrigação de recolher. 3.5. Por fim, requer se digne acolher as razões da impugnação. 4. É o relatório. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO I no 1622.498, de 19/08/2009, proferida pelos membros da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1999, 01/04/1999 a 31/05/1999, 01/04/2001 a 30/04/2001, 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/04/2003 a 30/04/2003 DEPÓSITO JUDICIAL CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO EXIGÊNCIA NO AUTO DE INFRAÇÃO DUPLICIDADE. O eventual valor convertido em renda da União deverá ser alocado para quitar o débito da incorporada, sendo que a exigência desse mesmo valor da incorporadora, no Auto de Infração, caracteriza duplicidade, tornando o lançamento improcedente nessa parte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃODCOMP DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. O débito compensado na DCOMP entregue anteriormente à vigência da MP nº 135/2003 publicada em 31/10/2003, não constitui confissão de dívida, portanto enseja a manutenção do lançamento no Auto de Infração. Lançamento procedente em Parte. O julgamento foi no sentido de considerar procedente em parte a impugnação para exonerar parte do crédito, conforme demonstrativo, abaixo, que transcrevo: . DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAIS Exigido, Exonerado e Mantido. PA EXIGIDO EXONERADO MANTIDO COFINS 2172 MULTA PROP. COFINS 2172 MULTA PROP. COFINS 2172 MULTA PROP. 04/2001 79.095,78 59.321,83 79.095,78 59.321,83 0,00 0,00 04/2003 48.671,16 36.503,37 36.282,92 27.212,19 12.388,24 9.291,18 total 127.766,94 95.825,20 115.378,70 86.534,02 12.388,24 9.291,18 Obs.: Acréscimos legais de acordo com a legislação vigente. Registrese que a contribuinte, não acata os motivos para manutenção dos fatos geradores de 30/04/2001 e 30/04/2003, no entanto nos demais, foram aceitos e recolhidos, Fl. 441DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 conforme DARFs. Ressaltese que a decisão de primeira instância já excluiu o período de apuração de 04/2001, restando período de 04/2003, conforme quadro acima. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória, não se conformando com o saldo remanescente. Ressalta a não concordância de não se aceitar a Dcomp do processo 13804.002.729/200368, pois a mesma foi protocolizada, antes da vigência da MP 135/2003 e a mesma não foi considerada confissão de dívida. Diante dos fatos relevantes, o processo foi convertido em DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, através da Resolução de n° 3201000.267, de 02/06/2011, no intuito de verificar o resultado do processo 13804002.729/2003/68, bem como a repercussão do referido resultado neste processo que se encontra em litígio. A informação fiscal de fls. 409/410 (Relatório de diligência) dá conta de que a demanda resultou na comprovação da alegação da recorrente, nos seguintes termos: ............. ............. ............ Embora o processo se encontre no Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Salvador/BA (fls.408), as informações captadas dos sistemas sincor/profisc/consultapc/coinfpropc e Sief/Processos (fls. 405 a 407) elucidam a questão permitindose concluir que o direito creditório oriundo de saldo credor de IPI acumulado no 1º trimestre de 2003, no valor de R$ 12.388,24 foi totalmente deferido e utilizado para compensar a Cofins apurada no mês de abril de 2003, extinguindo o crédito tributário sob condição resolutória. Os mesmos sistemas demonstram que a compensação foi homologada, concluindose a diligência informando que o resultado do processo administrativo nº 13804002.729/200368 encerra o litígio do presente processo administrativo relativamente à exigibilidade do valor remanescente do crédito tributário da Cofins apurada no mês de abril de 2003. ..................... O processo digitalizado foi a mim redistribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 442DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000185/200501 Acórdão n.º 3802003.667 S3TE02 Fl. 441 5 O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata de ação fiscal, onde foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativa aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro de 1998 a fevereiro de 1999, abril de 1999, maio de 1999, abril de 2001, janeiro de 2003 e abril de 2003. Ressaltese que só remanesce o fato gerador de abril de 2003, pelos motivos já expostos no relatório, remanescendo tãosomente a parcela referente ao processo (DCOMP) n° 13804.002729/2003 68, de R$ 12.388,24. Quanto ao período remanescente (30/04/2003), o valor lançado de R$ 48.671,16 já foi devidamente compensado com créditos de IPI, conforme Pedidos de Ressarcimento (13710.000767/200325, s/nº e 10768.002816/200319) e de Compensação (13804.002728/200313, 13804.002729/200368 e 13804.002730/200392), estes nos valores de R$ 10.172,81, 12.388,24 e 26.110,11, respectivamente. Como esclareceu a decisão de primeira instância: 8.1. Consultando o sistema SINCOR, PROFISC, CONSULTAPC, COINFPROPCCONSULTA INFORMAÇÕES PROCESSO, verificase que os processos de compensação do débito da COFINS do PA de 04/2003 no valor total de R$ 48.671,16 apresentam fracionados conforme abaixo: Processo 13804002.728/200313: débito no valor de R$ 10.172,81 = extinto por compensação (fls. 322323). Processo 13804002.729/200368: débito no valor de R$ 12.388,24 = saldo devedor (fls. 324325). Processo 13804002.730/200392: débito no valor de R$ 26.110,11 = extinto por compensação (fls. 326327 ). 8.2. Portanto, o valor do débito de R$ 36.282,92 já foi extinto por compensação. 8.3. No tocante ao saldo devedor de R$ 12.388,24, sendo objeto de Declaração de CompensaçãoDCOMP (fl. 307) no processo 13804002.729/200368, protocolado em 15/05/2003, portanto anteriormente à vigência da MP nº 135/2003 publicada em 31/10/2003, não constitui confissão de dívida (item “e” das conclusões do Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/05), portanto enseja a manutenção do lançamento no Auto de Infração. Assim a DRJ julgou parcialmente procedente o pleito, sob a alegação de que o saldo devedor de R$ 12.388,24, sendo objeto da declaração de Compensação autuada no processo administrativo nº 13804002.729/200368, protocolada em 15/05/2003, portanto antes da vigência da MP nº 135/2003 publicada em 31/10/2003, não constitui confissão de dívida, ensejando, portanto, a manutenção do lançamento no Auto de Infração nesta parte. Tratase de retorno de diligência em que a Fiscalização responde que o processo em trâmite resta comprovado o que alega a recorrente. Ou seja, através da Resolução, foi observado que assiste razão a recorrente. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Do resultado da diligência, percebese que a compensação foi homologada, e o resultado do processo administrativo nº 13804002.729/200368 encerrando, assim, o litígio do presente processo administrativo relativamente à exigibilidade do valor remanescente do crédito tributário da Cofins apurada no mês de abril de 2003. Logo, fica excluída a exigibilidade remanescente relativa ao período de apuração de 04/2003, nos termos comprobatórios da diligência. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720105/2008-44
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. VTN. VALOR ARBITRADO A PARTIR DE SIPT EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO.
A alteração pela fiscalização do VTN declarado pelo contribuinte deve ter como base SIPT que referencie, de modo transparente, as fontes de dados utilizadas, sob pena de desconformidade com os termos legais apta a ensejar o cancelamento da exigência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso e Jaci de Assis Júnior, o primeiro que votou pela realização de diligência, o segundo que negava provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. VTN. VALOR ARBITRADO A PARTIR DE SIPT EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO. A alteração pela fiscalização do VTN declarado pelo contribuinte deve ter como base SIPT que referencie, de modo transparente, as fontes de dados utilizadas, sob pena de desconformidade com os termos legais apta a ensejar o cancelamento da exigência. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10073.720105/2008-44
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5399638
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-003.215
nome_arquivo_s : Decisao_10073720105200844.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10073720105200844_5399638.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso e Jaci de Assis Júnior, o primeiro que votou pela realização de diligência, o segundo que negava provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5730094
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254107947008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 120 1 119 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720105/200844 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.215 – 2ª Turma Especial Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria ITR Recorrente JOÃO LOPES COELHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. VTN. VALOR ARBITRADO A PARTIR DE SIPT EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO. A alteração pela fiscalização do VTN declarado pelo contribuinte deve ter como base SIPT que referencie, de modo transparente, as fontes de dados utilizadas, sob pena de desconformidade com os termos legais apta a ensejar o cancelamento da exigência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso e Jaci de Assis Júnior, o primeiro que votou pela realização de diligência, o segundo que negava provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 01 05 /2 00 8- 44 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do anocalendário 2003, exigindo crédito tributário no montante total de R$ 15.642,94 relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Sambaíba", com área declarada de 181,5 ha e cadastrado na Receita Federal do Brasil (RFB) sob o nº 4.253.6944, localizado no Município de Rio Claro/RJ. O lançamento glosou, por falta de comprovação, a área declarada na DITR (Declaração do Imposto Territorial Rural) do exercício 2004 como sendo de preservação permanente de 108,5 ha, e alterou o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$ 125.800,00 para o arbitrado de R$ 363.000,00, com base no Sistema de Preços de Terra (SIPT) para o município. O contribuinte, em sua irresignação, trouxe laudo de avaliação de imóvel rural que alegou atender as metodologias estabelecidas na norma NBR146531 (fls. 56/66), no qual é apurado no item 5.1 "Da terra nua", o valor de R$ 36.750,00, bem inferior ao arbitrado e também menor que o declarado, considerando assim inexistir diferença a ser paga, mas sim, sendo o caso, a ser restituída. Além disso, traz diversos argumentos de fato e de direito com vistas a ver reconhecidas as deduções declaradas de áreas de preservação permanente. A instância recorrida cancelou o lançamento no pertinente às áreas de preservação permanente, mantendoo quanto ao Valor da Terra Nua, conforme entendimento consubstanciado em acórdão assim ementado: DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Comprovado nos autos, que a área de preservação permanente declarada foi objeto de ADA protocolado tempestivamente no IBAMA, cabe a mesma ser restabelecida, para efeito de exclusão de tributação. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2004), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida. Irresignado, o notificado interpôs recurso voluntário em 27/7/2012, aduzindo as razões a seguir sintetizadas: o laudo técnico aplicou o método evolutivo do imóvel para fins de avaliação do VTN; o VTN/ha consignado no laudo foi de R$ 750,00/ha e não R$ 202,48/ha como apontou a decisão a quo, sendo maior que o declarado e superior ao informado pela FAERJ; Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10073.720105/200844 Acórdão n.º 2802003.215 S2TE02 Fl. 121 3 o valor arbitrado é muito superior ao apurado por diversos órgãos os quais relaciona; Ao final, pede o cancelamento da exigência e junta documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante relatado, o valor do VTN declarado pelo contribuinte na DITR/2004 foi alterado pela fiscalização com base no SIPT, face à ausência de comprovação no curso da ação fiscal, com amparo, dentre outras normas, nos ditames do art. 148 do Código Tributário Nacional: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Visando contestar o valor apurado no lançamento de ofício, o recorrente apresentou em sede de impugnação laudo técnico o qual (fls. 56/66), contudo, não atendeu aos requisitos previstos na Norma Brasileira para Avaliação de Bens em sua parte 3, Imóveis Rurais, NBR 14.6533, que consolidou os conceitos, métodos e procedimentos gerais para avaliações de imóveis rurais e que serve de baliza para tais avaliações. Nesse aspecto, convém esclarecer que não vislumbro razões para dissentir do Voto condutor do acórdão recorrido, motivo pelo qual, com a devida vênia, passo a reproduzir o seguinte excerto dessa decisão, que passa a integrar a presente fundamentação: No presente caso, não há como acatar a revisão do VTN pretendido pelo Impugnante, pois entendo que o teor desse documento não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue a integralidade das normas da ABNT, para um Laudo com fundamentação e grau de precisão II, não demonstrando, de forma clara e convincente, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2004 (1º.01.2004), nem a existência de características particulares desfavoráveis, diferentes das características gerais da região de sua localização, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Na análise do laudo apresentado, verificase que a autora do trabalho apresenta a localização geral do imóvel avaliando, alguns aspectos gerais do imóvel rural em particular (localização, dimensões, situação etc). Em relação à avaliação propriamente dita, apenas indica o valor de R$ 36.750,00 para o VTN, diz ter utilizado o método evolutivo e solicita que seja acatado. Ocorre que o item 7.4.3 da NBR 14.6533 dispõe sobre a necessidade de investigação do mercado, coleta de dados e informações confiáveis sobre negócios realizados e ofertas que sejam contemporâneos à data de referência e que as fontes devem ser diversificadas. Quando as amostras forem objeto de homogeneização, devese observar o anexo “B” da Norma, onde os atributos devem ser o mais semelhante possível ao do imóvel avaliando (devem estar contidos entre 0,50 e 1,50), devem guardar semelhança quanto à sua localização, quanto à destinação e capacidade de uso, que os dados sejam contemporâneos, obtidos na mesma região geoeconômica, e ainda, caso os dados sejam fornecidos com opiniões subjetivas, que sejam visitados todos os imóveis que foram tomados como referência, dentre outros. Além disso, o método prevê o tratamento estatístico das amostras coletadas, previsto no item 8.1 da Norma (método comparativo direto de dados de mercado), adotandose, dependendo do caso, a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, normatizados nos anexos A e B da NBR 146533, respectivamente. Verificandose o Laudo, constatase que não há atendimento de nenhuma destas exigências apresentadas. Enfim, para atingir grau II de fundamentação e precisão, conforme exigido pela autoridade fiscal, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.6533 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, preferencialmente com características semelhantes às do imóvel avaliado, com o posterior tratamento estatístico dos dados coletados, conforme previsto no item 8.1 dessa mesma Norma, adotandose, dependendo do caso, a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, conforme demonstrado, respectivamente, nos anexos A e B dessa Norma, de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel avaliado, a preços de 01/01/2004, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80%. Fato é que o Requerente não providenciou a elaboração de um “Laudo de Avaliação”, que atendesse às normas da ABNT (NBR 14.6533), com pontuação suficiente para enquadrálo com grau II de fundamentação e precisão, conforme exigido pela autoridade fiscal. Observese, ainda, que no laudo em comento está consignado ter havido "dificuldade de obter dados do mercado" (fl. 58), não existindo, contudo, qualquer justificativa ou demonstração do referido empecilho. Também consta a referência de que o valor da área de terra sem produção vegetal de 49 ha é de R$ 1.500,00/ha, "obtido através de pesquisa na região do imóvel" acerca da qual não existe nenhuma evidência no documento. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10073.720105/200844 Acórdão n.º 2802003.215 S2TE02 Fl. 122 5 Aliás, vale anotar que o contribuinte confundiu, em suas razões recursais, a acima mencionada área sem produção vegetal de 49 ha, que possui o valor por hectare de R$ 1.500,00, com a área total do imóvel, de 181,5 ha. Não obstante tais considerações, mister é avaliar se o SIPT utilizado pela autoridade lançadora, como parâmetro para o cálculo do VTN, encontra correspondência com as disposições da legislação de regência. Reza o § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, o art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993 assim dispõe: Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) III dimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Assim sendo, o SIPT utilizado, para fins de arbitramento do VTN pela fiscalização, deve respeitar os critérios estabelecidos nas normas supra, ou seja, considerar a localização, aptidão agrícola e dimensão do imóvel bem como as informações obtidas de levantamentos das Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, consoante prescrito pela Portaria SRF nº 447, de 3 de abril de 2002. Na espécie, o VTN tomado como referência é o que consta da "Consulta ao SIPT" de fls. 19, apontado como sendo de R$ 2.000,00 para o Município do imóvel, Rio Claro/RJ. Todavia, não consta detalhamento algum sobre a fonte de tal informação, se proveniente de Secretarias de Agricultura ou mesmo das DITR relativas a imóveis situados no município. Assim sendo, por não constar nenhuma referência no SIPT em comento sobre as fontes de dados às quais se reporta, inábil se consubstancia para fins de arbitramento do VTN do imóvel sob exame nos termos da legislação, devendo ser cancelada a exigência nele embasada. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013884/2008-70
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Relatório
Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 14.749,42, incluídos multa de ofício, multa de mora e juros de mora calculados até 30/09/2008.
O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3 deste processo digital, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 47/50.
Segundo se extrai da peça impugnatória e do acórdão recorrido, em decorrência do não atendimento à intimação a Autoridade lançadora glosou despesas médicas no valor de R$ 22.000,00, por falta de comprovação, e imposto de renda retido na fonte indevidamente compensado, no valor de R$ 838,98.
Cientificado da decisão de primeira instância em 18/05/2011 (fl. 29), o Interessado interpôs, em 17/06/2011, o recurso de fls. 37/42. Na peça recursal aduz, em síntese, que:
Preliminarmente
Nulidade por falta de citação
- Ao contrário do que se afirma no acórdão recorrido, não recebeu o Termo de Intimação, pois o mesmo foi devolvido em 24/01/2008, conforme comprovante à fl. 05 deste processo digital.
- Fala-se em edital nº 00001, publicado em 02/06/2008. Mas o que houve antes desta data? Quem é que foi notificado e para quê?
- Afirma-se na decisão e no edital que por haverem sido improfícuas as tentativas de notificação por via postal, o contribuinte foi citado por edital. Estando no plural, é porque houve no mínimo duas tentativas.
- O que ocorreu antes de 02/06/2008 para se afirmar que as tentativas de notificação por via postal foram improfícuas e que foi necessária a publicação por edital? A única informação, trazida e juntada aos autos pelo Recorrente, obtida na própria Receita, refere-se à tentativa de janeiro (Termo de Intimação Fiscal). Os documentos de fls. 10 e 19 referem-se à Notificação de Lançamento.
- Aonde foi publicado o edital? Esteve na Receita por três vezes e não viu nem sinal dele. Quanto ao aviso de recebimento de fl. 19, datado de 19/09/2008, não traz a assinatura do Recorrente nem de ninguém de sua família e não foi entregue na sua residência. Portanto, a nulidade é absoluta, por falta de citação, e o processo é nulo.
Mérito
- A citação por edital é a que se faz por avisos, publicados pela imprensa e afixados na sede do juízo. A Advocacia-Geral da União, no seu Guia Prático dos Procedimentos Disciplinares, estabelece: Trata-se de providência processual pela qual se dá conhecimento ao indiciado da acusação formal que lhe é feita, a fim de que possa defender-se. É o ato final da subfase da instrução e constitui requisito de validade processual.
- A regra é a citação pessoal, por mandado. Frustrada esta, por se achar o indiciado em lugar incerto e não sabido, determina o art. 163 da Lei 8.112/1990 que a citação seja feita por edital, que deverá ser publicado, uma única vez, no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação, na localidade do último domicílio conhecido. Neste caso, o prazo para a apresentação de defesa é de 15 dias, contados da última publicação.
- O importante é que a citação tenha sido regularmente efetivada. Portanto, somente com o descumprimento, pelo indiciado, da citação regularmente feita, por mandado ou por edital, para o fim de apresentar defesa escrita, é que fica caracterizada a revelia, que será declarada por termo, nos autos, e restituirá o prazo para a referida defesa, desta feita, por defensor dativo, ocupante de cargo de nível superior ao do indiciado e nomeado pela autoridade instauradora do processo.
- Ou seja, publicado o Edital no Diário Oficial da União e no jornal O Estado de Minas, o prazo será restituído para a defesa e nomeado um defensor dativo para que a faça.
- Quanto ao Código de Processo Civil, a forma normal de fazer-se a citação é por mandado e pessoalmente. Apenas por exceção o Código admite a citação por edital, quando impraticável a sua promoção pessoalmente. A citação por edital é, portanto, presuntiva.
- Ao réu que, citado por edital, se mantiver revel, é obrigatória a nomeação de curador especial. É que, tratando-se de uma citação por presunção legal, é de admitir-se que o réu não tenha tido ciência de seu chamamento.
- São requisitos da citação por edital a afixação do edital, na sede do juízo, certificada pelo escrivão e a publicação do edital no prazo máximo de quinze dias, uma vez no órgão oficial e pelo menos duas vezes em jornal local.
- Conclusão: só houve uma única tentativa de citação pelos Correios, a qual foi devolvida devido à ausência. O referido edital não foi publicado em órgão da imprensa oficial local, assegurado pelo Decreto nº 70.235/1972. Não houve o envio de uma única carta simples, tão simples que dispensa a necessidade de se ter alguém em casa aguardando a passagem do carteiro. E não existe no processo comprovação inequívoca da referida publicação, como ocorre nas multas de velocidade no trânsito e nos seguros obrigatórios, cuja fotografia, registrando o cometimento da infração, é obrigatória, o mesmo ocorrendo com as seguradoras, que fartamente fotografam o veículo a ser segurado. Sabido é que no serviço público, hoje, com a terceirização, às vezes com pessoal não tão qualificado, falhas podem ocorrer e não se tem a certeza, a garantia de que o referido edital tenha sido ao menos afixado na Receita.
Ao fim, requer:
1) o acolhimento da preliminar oferecida, determinando-se a anulação do processo e o seu arquivamento;
2) se ultrapassada a preliminar, permita ao contribuinte, perante esse Conselho, exibir documentos que entender necessários ou a devolução de prazo para impugnação.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.013884/2008-70
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5388886
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-000.319
nome_arquivo_s : Decisao_10680013884200870.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10680013884200870_5388886.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5660780
ano_sessao_s : 2014
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 14.749,42, incluídos multa de ofício, multa de mora e juros de mora calculados até 30/09/2008. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3 deste processo digital, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 47/50. Segundo se extrai da peça impugnatória e do acórdão recorrido, em decorrência do não atendimento à intimação a Autoridade lançadora glosou despesas médicas no valor de R$ 22.000,00, por falta de comprovação, e imposto de renda retido na fonte indevidamente compensado, no valor de R$ 838,98. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/05/2011 (fl. 29), o Interessado interpôs, em 17/06/2011, o recurso de fls. 37/42. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Preliminarmente Nulidade por falta de citação - Ao contrário do que se afirma no acórdão recorrido, não recebeu o Termo de Intimação, pois o mesmo foi devolvido em 24/01/2008, conforme comprovante à fl. 05 deste processo digital. - Fala-se em edital nº 00001, publicado em 02/06/2008. Mas o que houve antes desta data? Quem é que foi notificado e para quê? - Afirma-se na decisão e no edital que por haverem sido improfícuas as tentativas de notificação por via postal, o contribuinte foi citado por edital. Estando no plural, é porque houve no mínimo duas tentativas. - O que ocorreu antes de 02/06/2008 para se afirmar que as tentativas de notificação por via postal foram improfícuas e que foi necessária a publicação por edital? A única informação, trazida e juntada aos autos pelo Recorrente, obtida na própria Receita, refere-se à tentativa de janeiro (Termo de Intimação Fiscal). Os documentos de fls. 10 e 19 referem-se à Notificação de Lançamento. - Aonde foi publicado o edital? Esteve na Receita por três vezes e não viu nem sinal dele. Quanto ao aviso de recebimento de fl. 19, datado de 19/09/2008, não traz a assinatura do Recorrente nem de ninguém de sua família e não foi entregue na sua residência. Portanto, a nulidade é absoluta, por falta de citação, e o processo é nulo. Mérito - A citação por edital é a que se faz por avisos, publicados pela imprensa e afixados na sede do juízo. A Advocacia-Geral da União, no seu Guia Prático dos Procedimentos Disciplinares, estabelece: Trata-se de providência processual pela qual se dá conhecimento ao indiciado da acusação formal que lhe é feita, a fim de que possa defender-se. É o ato final da subfase da instrução e constitui requisito de validade processual. - A regra é a citação pessoal, por mandado. Frustrada esta, por se achar o indiciado em lugar incerto e não sabido, determina o art. 163 da Lei 8.112/1990 que a citação seja feita por edital, que deverá ser publicado, uma única vez, no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação, na localidade do último domicílio conhecido. Neste caso, o prazo para a apresentação de defesa é de 15 dias, contados da última publicação. - O importante é que a citação tenha sido regularmente efetivada. Portanto, somente com o descumprimento, pelo indiciado, da citação regularmente feita, por mandado ou por edital, para o fim de apresentar defesa escrita, é que fica caracterizada a revelia, que será declarada por termo, nos autos, e restituirá o prazo para a referida defesa, desta feita, por defensor dativo, ocupante de cargo de nível superior ao do indiciado e nomeado pela autoridade instauradora do processo. - Ou seja, publicado o Edital no Diário Oficial da União e no jornal O Estado de Minas, o prazo será restituído para a defesa e nomeado um defensor dativo para que a faça. - Quanto ao Código de Processo Civil, a forma normal de fazer-se a citação é por mandado e pessoalmente. Apenas por exceção o Código admite a citação por edital, quando impraticável a sua promoção pessoalmente. A citação por edital é, portanto, presuntiva. - Ao réu que, citado por edital, se mantiver revel, é obrigatória a nomeação de curador especial. É que, tratando-se de uma citação por presunção legal, é de admitir-se que o réu não tenha tido ciência de seu chamamento. - São requisitos da citação por edital a afixação do edital, na sede do juízo, certificada pelo escrivão e a publicação do edital no prazo máximo de quinze dias, uma vez no órgão oficial e pelo menos duas vezes em jornal local. - Conclusão: só houve uma única tentativa de citação pelos Correios, a qual foi devolvida devido à ausência. O referido edital não foi publicado em órgão da imprensa oficial local, assegurado pelo Decreto nº 70.235/1972. Não houve o envio de uma única carta simples, tão simples que dispensa a necessidade de se ter alguém em casa aguardando a passagem do carteiro. E não existe no processo comprovação inequívoca da referida publicação, como ocorre nas multas de velocidade no trânsito e nos seguros obrigatórios, cuja fotografia, registrando o cometimento da infração, é obrigatória, o mesmo ocorrendo com as seguradoras, que fartamente fotografam o veículo a ser segurado. Sabido é que no serviço público, hoje, com a terceirização, às vezes com pessoal não tão qualificado, falhas podem ocorrer e não se tem a certeza, a garantia de que o referido edital tenha sido ao menos afixado na Receita. Ao fim, requer: 1) o acolhimento da preliminar oferecida, determinando-se a anulação do processo e o seu arquivamento; 2) se ultrapassada a preliminar, permita ao contribuinte, perante esse Conselho, exibir documentos que entender necessários ou a devolução de prazo para impugnação.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254111092736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 53 1 52 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.013884/200870 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.319 – 1ª Turma Especial Data 8 de outubro de 2014 Assunto IRPF Recorrente JOSÉ ANCHIETA CAMPOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 14.749,42, incluídos multa de ofício, multa de mora e juros de mora calculados até 30/09/2008. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3 deste processo digital, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 47/50. Segundo se extrai da peça impugnatória e do acórdão recorrido, em decorrência do não atendimento à intimação a Autoridade lançadora glosou despesas médicas no valor de R$ 22.000,00, por falta de comprovação, e imposto de renda retido na fonte indevidamente compensado, no valor de R$ 838,98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 13 88 4/ 20 08 -7 0 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.013884/200870 Resolução nº 2801000.319 S2TE01 Fl. 54 2 Cientificado da decisão de primeira instância em 18/05/2011 (fl. 29), o Interessado interpôs, em 17/06/2011, o recurso de fls. 37/42. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Preliminarmente Nulidade por falta de citação Ao contrário do que se afirma no acórdão recorrido, não recebeu o Termo de Intimação, pois o mesmo foi devolvido em 24/01/2008, conforme comprovante à fl. 05 deste processo digital. Falase em edital nº 00001, publicado em 02/06/2008. Mas o que houve antes desta data? Quem é que foi notificado e para quê? Afirmase na decisão e no edital “que por haverem sido improfícuas as tentativas de notificação por via postal, o contribuinte foi citado por edital”. Estando no plural, é porque houve no mínimo duas tentativas. O que ocorreu antes de 02/06/2008 para se afirmar que as tentativas de notificação por via postal foram improfícuas e que foi necessária a publicação por edital? A única informação, trazida e juntada aos autos pelo Recorrente, obtida na própria Receita, referese à tentativa de janeiro (Termo de Intimação Fiscal). Os documentos de fls. 10 e 19 referemse à Notificação de Lançamento. Aonde foi publicado o edital? Esteve na Receita por três vezes e não viu nem sinal dele. Quanto ao aviso de recebimento de fl. 19, datado de 19/09/2008, não traz a assinatura do Recorrente nem de ninguém de sua família e não foi entregue na sua residência. Portanto, a nulidade é absoluta, por falta de citação, e o processo é nulo. Mérito A citação por edital é a que se faz por avisos, publicados pela imprensa e afixados na sede do juízo. A AdvocaciaGeral da União, no seu Guia Prático dos Procedimentos Disciplinares, estabelece: Tratase de providência processual pela qual se dá conhecimento ao indiciado da acusação formal que lhe é feita, a fim de que possa defenderse. É o ato final da subfase da instrução e constitui requisito de validade processual. A regra é a citação pessoal, por mandado. Frustrada esta, por se achar o indiciado em lugar incerto e não sabido, determina o art. 163 da Lei 8.112/1990 que a citação seja feita por edital, que deverá ser publicado, uma única vez, no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação, na localidade do último domicílio conhecido. Neste caso, o prazo para a apresentação de defesa é de 15 dias, contados da última publicação. O importante é que a citação tenha sido regularmente efetivada. Portanto, somente com o descumprimento, pelo indiciado, da citação regularmente feita, por mandado ou por edital, para o fim de apresentar defesa escrita, é que fica caracterizada a revelia, que será declarada por termo, nos autos, e restituirá o prazo para a referida defesa, desta feita, por defensor dativo, “ocupante de cargo de nível superior ao do indiciado” e nomeado pela autoridade instauradora do processo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.013884/200870 Resolução nº 2801000.319 S2TE01 Fl. 55 3 Ou seja, publicado o Edital no Diário Oficial da União e no jornal O Estado de Minas, o prazo será restituído para a defesa e nomeado um defensor dativo para que a faça. Quanto ao Código de Processo Civil, a forma normal de fazerse a citação é por mandado e pessoalmente. Apenas por exceção o Código admite a citação por edital, quando impraticável a sua promoção pessoalmente. A citação por edital é, portanto, presuntiva. Ao réu que, citado por edital, se mantiver revel, é obrigatória a nomeação de curador especial. É que, tratandose de uma citação por presunção legal, é de admitirse que o réu não tenha tido ciência de seu chamamento. São requisitos da citação por edital a afixação do edital, na sede do juízo, certificada pelo escrivão e a publicação do edital no prazo máximo de quinze dias, uma vez no órgão oficial e pelo menos duas vezes em jornal local. Conclusão: só houve uma única tentativa de citação pelos Correios, a qual foi devolvida devido à ausência. O referido edital não foi publicado “em órgão da imprensa oficial local”, assegurado pelo Decreto nº 70.235/1972. Não houve o envio de uma única carta simples, tão simples que dispensa a necessidade de se ter alguém em casa aguardando a passagem do carteiro. E não existe no processo comprovação inequívoca da referida publicação, como ocorre nas multas de velocidade no trânsito e nos seguros obrigatórios, cuja fotografia, registrando o cometimento da infração, é obrigatória, o mesmo ocorrendo com as seguradoras, que fartamente fotografam o veículo a ser segurado. Sabido é que no serviço público, hoje, com a terceirização, às vezes com pessoal não tão qualificado, falhas podem ocorrer e não se tem a certeza, a garantia de que o referido edital tenha sido ao menos afixado na Receita. Ao fim, requer: 1) o acolhimento da preliminar oferecida, determinandose a anulação do processo e o seu arquivamento; 2) se ultrapassada a preliminar, permita ao contribuinte, perante esse Conselho, exibir documentos que entender necessários ou a devolução de prazo para impugnação. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Constatase, pela leitura da impugnação (Os Fatos) e do acórdão recorrido (Relatório), que a Autoridade lançadora glosou, na declaração de ajuste anual do Recorrente, exercício de 2005, despesas médicas e imposto de renda retido na fonte. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.013884/200870 Resolução nº 2801000.319 S2TE01 Fl. 56 4 Compulsando os autos, no entanto, verificase que a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” está mutilada, evidenciando tão somente a infração de “Dedução Indevida de Despesas Médicas”. Em outras palavras: não há nos autos qualquer documento que aponte a descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração relativa à glosa de imposto de renda retido na fonte. Observo, ainda, por oportuno, que a infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, apurada em malha fiscal, é lastreada em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, que também não se encontra acostada aos autos. Nesse cenário de ausência de documentos imprescindíveis ao deslinde da controvérsia, proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem instrua o processo adequadamente, mediante a juntada dos documentos faltantes acima apontados e de outros que integram o dossiê fiscal do contribuinte, mas que deixaram de ser digitalizados ou não foram anexados ao processo digital. De seguida, o Interessado deverá ser intimado para, caso queira, apresentar as razões que entender de direito, bem como para apresentar os documentos que comprovem as despesas médicas deduzidas e o imposto de renda compensado em sua declaração de ajuste anual. Após, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 56DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720155/2011-77
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO.
O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nua-propriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nu-proprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital.
IRPF - BENS IMÓVEIS. DIREITOS REAIS. USUFRUTO.
Considera-se imóveis para todos os efeitos legais os direitos reais sobre imóveis, a exemplo do usufruto.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. REDUÇÃO.
Para apuração do valor a ser tributado, no caso de alienação de bens imóveis, será aplicado um percentual de redução sobre o ganho de capital, segundo o ano de aquisição ou incorporação.
LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO SUBSTANCIAL EM SEDE RECURSAL.
O controle contencioso de legalidade do lançamento não permite a inovação nos motivos e na motivação do ato.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-003.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 IRPF. ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO. O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nua-propriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nu-proprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. IRPF - BENS IMÓVEIS. DIREITOS REAIS. USUFRUTO. Considera-se imóveis para todos os efeitos legais os direitos reais sobre imóveis, a exemplo do usufruto. IRPF. GANHO DE CAPITAL. REDUÇÃO. Para apuração do valor a ser tributado, no caso de alienação de bens imóveis, será aplicado um percentual de redução sobre o ganho de capital, segundo o ano de aquisição ou incorporação. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO SUBSTANCIAL EM SEDE RECURSAL. O controle contencioso de legalidade do lançamento não permite a inovação nos motivos e na motivação do ato. Recurso provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11040.720155/2011-77
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387674
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-003.017
nome_arquivo_s : Decisao_11040720155201177.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
nome_arquivo_pdf_s : 11040720155201177_5387674.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5657585
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254125772800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 119 1 118 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.720155/201177 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.017 – 2ª Turma Especial Sessão de 12 de agosto de 2014 Matéria IRPF Recorrente LUIZ CARLOS NUNES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO. O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nuapropriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nuproprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. IRPF BENS IMÓVEIS. DIREITOS REAIS. USUFRUTO. Considerase imóveis para todos os efeitos legais os direitos reais sobre imóveis, a exemplo do usufruto. IRPF. GANHO DE CAPITAL. REDUÇÃO. Para apuração do valor a ser tributado, no caso de alienação de bens imóveis, será aplicado um percentual de redução sobre o ganho de capital, segundo o ano de aquisição ou incorporação. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO SUBSTANCIAL EM SEDE RECURSAL. O controle contencioso de legalidade do lançamento não permite a inovação nos motivos e na motivação do ato. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 01 55 /2 01 1- 77 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Cuidase de Auto de Infração de fls. 02/09, no qual se exige do contribuinte ora recorrente, o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa proporcional e juros de mora, no valor total de R$ 370.546,32, calculados até 28.02.2011, por omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos no anocalendário de 2006. O Relatório de Procedimento Fiscal de fls. 10/12, trata da apuração do correto valor do ganho de capital proveniente da alienação do usufruto sobre os imóveis rurais inscritos no Registro de Imóveis da Comarca de Pedro Osório/RS, sob os números 16 e 17 da matrícula 568 (parcial) e números 1 e 2 da matrícula 2.715, realizada em 27.06.2006, para a empresa AGROFLORESTAL VERDE SUL S/A. A fiscalização descreve que, conforme escrituras constantes nos autos, em 08.11.1982 o recorrente adquiriu 50% dos imóveis e em 05.07.1989, os outros 50%. Em 29.08.1996, doou a nuapropriedade dos imóveis para os seus quatro filhos, com reserva do usufruto, sem que fosse instituído valor. Em 27.06.2006, os bens e direitos foram alienados a título oneroso à empresa AGROFLORESTAL VERDE SUL S/A; o usufruto pelo recorrente, ao valor de R$ 1.473.365,90, e a nuapropriedade pelos seus filhos. A fiscalização informa que na apuração do ganho de capital foi utilizado o percentual de redução previsto na IN/SRF n° 84 de 11/10/2001 e custos de aquisição diferentes de zero. Constatou também que este usufruto não estava declarado na relação de bens da DAA de LUIZ CARLOS NUNES DA SILVA. A fiscalização explica que o autuado utilizou indevidamente as reduções do ganho de capital previstas no art. 26 da IN/SRF n° 84 de 2001 (art. 139 do Decreto n° 3.000 e 1999) e no art. 3º da IN SRF n° 599 de 2005 (art. 40 da Lei 11.196 de 2005) com relação à operação de alienação de usufruto. Afirma que este benefício está previsto apenas na alienação de imóveis, não se enquadrando na alienação de direito real sobre imóvel, haja vista a determinação do art. 111, II, do Código Tributário Nacional, cujas disposições impõem a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. De acordo com o "Demonstrativo Ganhos de Capital – anocalendário 2006", às fls. 13/14, o valor do ganho a ser tributado na alienação do usufruto é de R$ 1.102.521,16, correspondente à diferença entre o valor constante na escritura de R$ 1.473.365,90 e o ganho de capital já tributado de R$ 370.844,74, gerando uma diferença de imposto de RS 165.378,17, já considerados os R$ 55.626,71, já recolhidos. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11040.720155/201177 Acórdão n.º 2802003.017 S2TE02 Fl. 120 3 Inconformado com o lançamento, o recorrente apresentou Impugnação às fls. 54/62. Esclarece que a exigência de crédito tributário decorreu de duas circunstâncias. A primeira, por ter sido considerado zero o valor do custo de aquisição do usufruto alienado, já que não foi estipulado valor quando da sua instituição. A segunda, pelo entendimento da fiscalização de que as reduções previstas no art. 26 da IN/SRF 84/2001 e no art. 3º da IN SRF n° 599 de 2005, só se aplicam a imóveis, não se enquadrando a alienação de usufruto. Alega que é inquestionável que a aquisição do direito de uso e gozo dos imóveis ocorreu quando da aquisição da propriedade plena dos imóveis em 1981, 1982 e 1989, e não em 1996, quando da doação gravada com reserva de usufruto vitalício. Aduz que o usufruto não foi instituído em benefício de outrem, mas sim, dos proprietários (impugnante e cônjuge), que reservaram para si o direito (de uso e gozo) que já detinham desde as aquisições dos imóveis. Aduz que, conforme o disposto no art. 80, I, c/c o art. 1.225, IV do Código Civil/2002, o usufruto é considerado imóvel para os efeitos legais. Conclui que, sendo assim, o ganho de capital na alienação do usufruto deve ser tributado com as reduções previstas no art.139 do RIR/99 e no art. 40 da Lei 11.196/2005 e que, observado o disposto no § 9º do art. 128 do aludido Regulamento, deve ser tomado como custo o somatório dos valores constantes das escrituras públicas de aquisição da propriedade plena. Perante o órgão colegiado a quo, a Impugnação foi julgada parcialmente procedente (acórdão de fls. 92 a 96) tendo em vista que, nos termos da Lei n.º 7.713/1988, art. 16, valor de aquisição considerado no lançamento foi aquele quando da instituição do usufruto (realizado em 1996 por meio de uma doação não onerosa), sendo o valor de tal instituição zero, o ganho de capital é o próprio preço da alienação, no valor de R$ 1.473.365,90. Apesar do usufruto distinguirse do imóvel sobre o qual seu direito recai, é considerado imóvel para efeitos legais (arts. 1.225 e 1.390 a 1.411 do CC de 2002), sendo que o ganho de capital apurado deve considerar os fatores de redução previstos no art. 40 da Lei n.º 11.196/2005. Dessa forma, decidiuse por ajustar os valores do lançamento, recalculando o imposto, os juros de mora e a multa proporcional em função do valor de ganho de capital de R$ 740.209,20, mantendose o valor de R$ 124.139,70. Inconformado, o recorrente interpôs Voluntário (102/108) com vistas a obter a reforma do julgado, alegando em pequena síntese: a) a aquisição, pelos doadores, do direito de uso e gozo dos imóveis (correspondente ao “usufruto” previsto no art. 1390 do CC) ocorreu quando da aquisição da propriedade plena, em 1981, 1982 e 1989, e não como entendeu a decisão recorrida – em 1996, quando da “doação , gravada com reserva de usufruto vitalício”; b) não houve a instituição de usufruto em benefício de alguém, uma vez que os proprietários, ao transferirem aos filhos, por doação, a “nuapropriedade”, reservaram para si o direito (de uso e gozo) que já detinham desde as aquisições dos imóveis; c) ainda que, por lapso, não tenha sido declarado o “direito real de usufruto” na declaração de bens do usufrutuário, não se pode deixar de reconhecer que houve “custo de aquisição”, conforme o disposto no parágrafo único do art. 136 do RIR/99, sendo que tais custos devem ser considerados de acordo com a somatória dos valores pagos constantes das escrituras públicas de “aquisição da propriedade plena”, e não ser declarado como “zero”, de acordo com o entendimento da decisão recorrida. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. O litígio recursal se centra na insurgência sobre o custo de aquisição “igual a zero”, imputado pela fiscalização à alienação do usufruto de imóvel objeto de doação. Em que pese a fundamentação adotada pela DRFJ, assiste razão o recorrente. Explico e fundamento. Conforme acima exposto, a fiscalização constatou que, conforme escrituras constantes nos autos, em 08.11.1982 o recorrente adquiriu 50% dos imóveis e em 05.07.1989, os outros 50%. Em 29.08.1996, doou a nuapropriedade dos imóveis para os seus quatro filhos, com reserva do usufruto, sem que fosse instituído valor. Em 27.06.2006, os bens e direitos foram alienados a título oneroso à empresa AGROFLORESTAL VERDE SUL S/A; o usufruto pelo recorrente, ao valor de R$ 1.473.365,90 e a nuapropriedade pelos seus filhos. Dada a não instituição de valor ao usufruto objeto de doação, a autoridade autuante considerou custo zero de aquisição. Em sede recursal, o recorrente se insurge com a atribuição de custo de aquisição igual a zero, bem como em relação à data de aquisição do imóvel. Com efeito, a não instituição de valor ao usufruto, por ocasião da doação da nuapropriedade do imóvel aos filhos, não pode justificar a atribuição de custo de aquisição igual zero, ainda mais quando a fiscalização conhece os valores e as datas de aquisição dos imóveis. Com efeito, a atribuição de custo de aquisição igual a zero, somente pode ser admitida na ausência de dados confiáveis quanto ao valor pago na aquisição. Tratase de metido de tributação por presunção, suscetível, portanto, à apresentação de prova em sentido contrário a cargo do contribuinte. É de se reconhecer o erro por parte do recorrente em não declarar o valor do usufruto. Entretanto, o equívoco não pode justificar o arbitramento no valor do ganho de capital auferido com a venda do imóvel: Nesse sentido, processo n. 11040.001178/9760: IRPF ALIENAÇÃO OU CESSÃO DE DIREITOS DE USUFRUTO O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nuapropriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nuproprietário estão sujeitos à apuração do ganho de capital. IRPF BENS IMÓVEIS DIREITOS REAIS USUFRUTO Considerase imóveis para todos os efeitos legais os direitos reais sobre imóveis, a exemplo do usufruto. IRPF GANHO DE Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11040.720155/201177 Acórdão n.º 2802003.017 S2TE02 Fl. 121 5 CAPITAL REDUCÃO Para apuração do valor a ser tributado, no caso de alienação de bens imóveis, será aplicado um percentual de redução sobre o ganho de capital, segundo o ano de aquisição ou incorporação. Recurso provido. Do voto vencedor, se extrai o seguinte trecho: Ora, é inquestionável que a aquisição, pelos doadores (suplicante e cônjuge), do direito de uso e gozo dos imóveis (correspondente ao "usufruto', definido no art. 713 do C.C) ocorreu em dezembro de 1953, quando da aquisição da propriedade plena, já que os proprietários ao transferirem, por doação, a nuapropriedade, reservaram para si o direito (de uso e gozo) que já detinham, desde a aquisição do imóvel, em 1953. Desta forma, se conclui que a suplicante tinha o direito de uso e gozo do imóvel desde 1953, quando da aquisição da propriedade plena, fazendo, portanto, jus a redução de 100% do ganho de capital, conforme previsto no Art. 18 da Lei n. 7.713 1 de 1988 A propriedade de bem imóvel implica no direito uso, gozo, disposição e reivindicação, nos termos da lei civil (art. 1.228 do CC)., ao passo que o usufruto dele se distingue, dado o poder de fruir as utilidades e frutos de uma coisa enquanto temporariamente destacado da propriedade (artigo 1.225, IV e 1.390 a 1.411, do Código Civil). A instituição do usufruto e a doação em vida da propriedade do imóvel aos filhos com posterior alienação do bem, não representou em ganho de capital no valor da alienação, mas sim, em acréscimo descontado o valor de aquisição do imóvel. Portanto, é de se reconhecer o equívoco da fiscalização em não considerar o custo de aquisição do imóvel para fins de apuração da base de cálculo do ganho de capital, apenas pelo fato de não ter sido atribuído valor ao usufruto ou declarado pelo recorrente, por ocasião da doação da nuapropriedade aos seus filhos. Dada a impossibilidade de realizar novo lançamento em sede recursal que venha a levar em consideração os fatores de redução previstos na legislação, voto pelo cancelamento do crédito tributário contestado. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 23/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720171/2009-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006
CSLL. NÃO INCIDÊNCIA, SOCIEDADE SEM FINS LUCRATIVOS. A CSLL tem como fato gerador a existência de lucro no período correspondente. Tendo em vista que as sociedades sem fins lucrativos auferem superávits e não lucro, não podem se sujeitar à incidência da da CSLL.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9101-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Por unanimidade de votos em conhecer do recurso. Por maioria de votos, recurso negado provimento, vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator). O Conselheiro Rafael Vidal de Araújo acompanhou pelas conclusões a divergência apresentada pela Conselheira Karem Jureidini Dias. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri sendo substituído pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias. Apresentarão declaração de voto: Moises Giacomelli Nunes da Silva e Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
(assinado digitalmente)
KAREM JUREIDINI DIAS - Redatora Designada
EDITADO EM: 25/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, Joao Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006 CSLL. NÃO INCIDÊNCIA, SOCIEDADE SEM FINS LUCRATIVOS. A CSLL tem como fato gerador a existência de lucro no período correspondente. Tendo em vista que as sociedades sem fins lucrativos auferem superávits e não lucro, não podem se sujeitar à incidência da da CSLL. Recurso Especial do Procurador negado.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19740.720171/2009-60
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387762
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9101-001.978
nome_arquivo_s : Decisao_19740720171200960.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
nome_arquivo_pdf_s : 19740720171200960_5387762.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Por unanimidade de votos em conhecer do recurso. Por maioria de votos, recurso negado provimento, vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator). O Conselheiro Rafael Vidal de Araújo acompanhou pelas conclusões a divergência apresentada pela Conselheira Karem Jureidini Dias. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri sendo substituído pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias. Apresentarão declaração de voto: Moises Giacomelli Nunes da Silva e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. (assinado digitalmente) KAREM JUREIDINI DIAS - Redatora Designada EDITADO EM: 25/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, Joao Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5658979
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254141501440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 44; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.720171/200960 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.978 – 1ª Turma Sessão de 21 de agosto de 2014 Matéria CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAPEMI INSTITUTO DE AÇÃO SOCIAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 CSLL. NÃO INCIDÊNCIA, SOCIEDADE SEM FINS LUCRATIVOS. A CSLL tem como fato gerador a existência de lucro no período correspondente. Tendo em vista que as sociedades sem fins lucrativos auferem superávits e não lucro, não podem se sujeitar à incidência da da CSLL. Recurso Especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Por unanimidade de votos em conhecer do recurso. Por maioria de votos, recurso negado provimento, vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Relator). O Conselheiro Rafael Vidal de Araújo acompanhou pelas conclusões a divergência apresentada pela Conselheira Karem Jureidini Dias. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri sendo substituído pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias. Apresentarão declaração de voto: Moises Giacomelli Nunes da Silva e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. (assinado digitalmente) KAREM JUREIDINI DIAS Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 71 /2 00 9- 60Fl. 842DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 EDITADO EM: 25/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, Joao Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 590/597) consubstanciado em lançamentos de CSLL nos anos de 2005 e 2006, somados à multa de ofício no percentual de 75% e juros, por suposta falta de recolhimento de referida contribuição, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (fls.598/623). A .Câmara a quo, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, por entender que as entidades abertas de previdência complementar sem fins lucrativos não estão sujeitas à incidência da CSLL. Julgou não prevalecer a necessidade de o sujeito passivo atender aos requisitos legais para se beneficiar da isenção concedida pela Lei nº 9. 532/97, por considerar que a isenção do caso não é a relativa às entidades sociais, mas, às entidades “sem fins lucrativos”. O Colegiado proferiu acórdão cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2005, 2006 Ementa: CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. SOCIEDADE SEM FINS LUCRATIVOS. A CSLL tem como fato gerador a existência de lucro no período correspondente. Tendo em vista que as sociedades sem fins lucrativos auferem superávits e não lucro, não podem se sujeitar à incidência da CSLL. Ato Declaratório Normativo COSIT nº 17/90 e Instrução Normativa SRF nº 588/05 (artigo17). A Fazenda Nacional apresentou recurso especial por meio do qual insurgese contra o acórdão que entende que entidades abertas de previdência complementar sem fins lucrativos não estão sujeitas à incidência da CSLL. O recurso foi admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 1ª SEJUL. O sujeito passivo apresentou contrarrazões ao recurso da Procuradoria. É o Relatório. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 3 3 Voto Vencido O contribuinte em suas contrarrazões alega que o recurso especial não pode ser conhecido, basicamente porque as teses do recorrido e do paradigma são diferentes e que a tese do paradigma já foi objeto de apreciação pela CSRF. Não concordo com nenhum dos argumentos. Não tem razão o contribuinte, as teses são divergentes, o acórdão recorrido afasta a incidência porque entende que a CSLL só incide sobre lucro e lucro não haveria no caso, e o acórdão paradigma, em sentido contrário, que a CSLL incide sobre essas entidades, aio dizer que “incluemse no campo de incidência da CSLL as entidades abertas de previdência complementar sem fins lucrativos.. A demonstração disso é simples o acórdão paradigma tem exatamente a mesma ementa do acordão da DRJ o Rio de Janeiro I que foi objeto de reforma pelo recorrido, com a seguinte redação: ENTIDADE ABERTA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR SEM FINS LUCRATIVOS. SUJEITO PASSIVO. Não havendo norma de isenção no período de apuração, incluemse no campo de incidência da CSLL as entidades abertas de previdência complementar sem fins lucrativos. O que o contribuinte faz é confundir tese com fundamento. São teses contrárias, ainda que fundamentos lastreados em visões diferentes. Assim, não tem razão o contribuinte, pois as teses são divergentes, o acórdão recorrido afasta a incidência porque entende que a CSLL só incide sobre lucro e lucro não haveria no caso, e o acórdão paradigma entende que há incidência. Ademais, há fundamentos adicionais no Acórdão paradigma (não só lastrado no art. 72 do ADCT), que são também reiterados no recurso especial, que não são detalhados na análise de admissibilidade que entendeu suficiente a confrontação feita. Em relação à afirmação de que tese do paradigma já foi objeto de apreciação pela CSRF, também não procede a alegação. Isto porque enquanto o paradigma se refere a entidades abertas de previdência, as decisões trazidas pelo contribuinte para corroborar seu argumento todas se referem a entidades fechadas de previdência. Matérias fáticas diferentes, com legislação diferenciada. Por essas razões afasto as alegações de inadmissibilidade trazidas pelo contribuinte em suas contrarrazões e conheço do recurso. Passo, então, passo à análise do mérito. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese à incidência da CSLL das entidades abertas de previdência complementar sem fins lucrativos. Considerados os argumentos esposados no acórdão recorrido e nas contrarrazões do contribuinte, e, do lado oposto, os argumentos do acórdão paradigma e do recurso especial da Fazenda Nacional, passo adiante expor minha posição sobre a matéria para decidir sobre a questão que se coloca. De plano há que se afastar a incidência do §7º do art. 195 da Constituição sobre o caso em questão. Tal dispositivo tem a seguinte redação: Fl. 844DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Isto porque a Constituição de 19088 colocou de maneira clara a distinção entre saúde, previdência e assistência social, como componentes da seguridade social (ver o Cap. Ii do Título III, da Constituição de 1988). Assim a seguridade social é gênero das quase são componentes (ou espécies) a saúde, previdência e assistência social. Como o contribuinte em questão exerce a atividade no setor de previdência (entidades aberta de previdência privada), a ele não se aplica a imunidade acima referida. A jurisprudência do STF, ainda confundida pela falta distinção entre saúde, previdência e assistência social da Constituição anterior, que não fazia esta distinção, e trazia a assistência social em contornos diferentes da atual redação, fez com que já sob a Constituição de 1988 fosse editada a Súmula 730, que tem a seguinte redação: Súmula 730: A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, vi, "c", da constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Tal súmula poderia levar ao raciocínio de que o art. 7º do art. 195, acima transcrito se aplicasse às entidades abertas de previdência social. O que reputamos incabível, pelo simples fato de que o dispositivo se aplica às entidades de assistência e não de previdência. Ademais, in casu, tratase de entidade abertas de previdência complementar, mantida pela contribuição dos beneficiários, o que afastaria de vez a aplicação da Súmula 730, ou mesmo uma hermenêutica paralelística (do tipo, se está no 150, vi, "c" estaria também no 195, § 7º), que poderia conclui neste sentido. Entendo, portanto, que não se trata de aplicação de tema constitucional, a entidade contribuinte não é beneficiária de imunidade aplicável às entidades de assistência social prevista no § 7º do art. 195 da Constituição, nem da prevista em seu art. 150, VI, “c” (que só aplica a impostos). Passemos ao mundo da legislação infraconstitucional. A questão central, que de fato é o único fundamento do acórdão recorrido, é a subsunção das entidades abertas de previdência sem fins lucrativos a um tributo sobre o lucro líquido, qual seja a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), sob o argumento que em sendo uma sociedade sem fins lucrativos, não haveria lucro a ser tributado. Ou seja, se não auferem lucro, não haveria o fato gerador. A esse respeito adoto o pensamento exarado no voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior no Acórdão 1302001.175 (julgado em 12 de setembro de 2013), que se adequa perfeitamente ao caso em questão, e do qual transcrevo abaixo a parte da qual comungo (vejase que enquanto o Acórdão se refere aos períodos de 2007 e 2008, os presentes autos se referem aos exercícios de 2005 e 2006, mas as razões de fato e de direito às quais adiro e trasncrevo abaixo são idênticas): Fl. 845DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 4 5 Embora constituída sob a forma de associação, a recorrente não gozava da isenção prevista no art. 15 da Lei nº 9.532/97 por se tratar de uma entidade aberta de previdência complementar. Por outro lado, não procede a tese de defesa que desqualifica as sobras líquidas da Capemi, com base no argumento de que o termo “lucro” utilizado na alínea “a” do inciso I do art. 195 da Constituição Federal tem um sentido unívoco e preciso. Ora, a questão de saber o que é “lucro” é bastante complexa e tem sido tormentosa para economistas e contabilistas. Ainda no século passado, Kekewick, juiz da Corte de Londres, propunha darse ao termo “lucro” a definição consagrada pelo comércio mundial, qual seja, “a soma pela qual aumenta um capital durante um dado período, em razão de transações efetuadas nesse mesmo período”. O Código Civil, para distinguir a associação (ente sem fins lucrativos) da sociedade (ente com fins lucrativos) diz que a primeira se constitui da união de pessoas que se organizam para fins não econômicos; já para a segunda, dispõe que decorre de contrato no qual pessoas se obrigam a contribuir, com bens e serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Como se vê, a definição do termo “lucro” não é tranqüila, motivo pelo qual nem a fundamentação aduzida pela impetrante nem os julgados trazidos a lume enfrentaram a questão, qual seja, de dizer o que significa o termo “lucro”. Dessa forma, incorre em equívoco quem pretenda dar ao termo “lucro” utilizado na alínea “a” do inciso I do art. 195 um sentido estrito retirado do direito privado. Os termos utilizados pelo constituinte no aludido artigo, seja lucro, faturamento, folha de salário etc., devem ser interpretados à luz da legislação tributária que venha instituir o tributo. Se assim não fosse, a COFINS, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, só poderia, então, ser cobrada quando houvesse efetivo faturamento, não atingindo, assim, as vendas para pronta entrega e pagamento a vista. Nada disso! Mesmo quando a alínea “b” do inciso I do art. 195 dispunha que a COFINS iria incidir sobre o faturamento, ninguém duvidou que, contrariando o sentido comercial estrito do termo faturamento, a base de cálculo da COFINS fosse o que definia a Lei Complementar nº 70, de 1991. Da mesma forma, quando o art. 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991, dispunha que a COFINS iria incidir sobre a venda de mercadorias e serviços, não vingou a tese de que as vendas de imóveis estariam fora do alcance da norma, pelo fato de imóveis não se subsumirem no conceito de mercadoria. A doutrina e a jurisprudência majoritárias adotaram, então, uma interpretação extensiva e teleológica do dispositivo, para afastar tal argumento, sabendo que o conceito de mercadoria há muito já se modificou, tanto que, hoje, é comum e amplamente utilizado termos como mercado imobiliário, mercado financeiro etc., concluíram, então, que o legislador falou menos do que quis no aludido dispositivo e que a interpretação correta do art. 2º levava ao entendimento de que todas as receitas de operações de compra e venda estariam sujeitas a incidência da COFINS, inclusive da venda de imóveis. No caso em tela, a situação, ainda é mais simples, pois sequer existe um conceito legal e unívoco de lucro. Assim, lucro, para fins de apuração da CSLL, é aquilo que a legislação tributária definir. Aliás, Fl. 846DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 há que se alertar que, não existindo na legislação civil e comercial uma definição do conceito de lucro, não se aplica, ao caso em tela, o disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional, assim sendo, reforçasse a idéia de que o conceito de lucro, para fins de apuração da CSLL, deve ser buscado realmente na legislação tributária. Nesse sentido, no Julgamento do Recurso Extraordinário nº 582525, o Ministro Fux sustentou que os conceitos de lucro e de renda são conceitos legais, na medida em que dependem de diversas operações, não se confundindo com o conceito abstrato e coloquial de lucro puro: “Porque, a levarse em consideração este conceito, uma pessoa física só pagaria imposto de renda depois de deduzir tudo o que gasta por mês, sendo que, às vezes ela até termina o mês deficitária, e então não pagaria absolutamente nada de imposto de renda? Na verdade, esse lucro que é tributável decorre de um comando legal e, no campo do direito tributário, dois princípios são muito caros: o da legalidade (e aqui impede a dedução pretendida pela empresa) e o da ausência da limitação constitucional do poder de tributar. E isso foi obedecido no caso em foco”. Assim sendo, vejamos que a legislação da CSLL, mais precisamente o art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, dispõe que a base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício, logo, conceito no qual se subsume perfeitamente as sobras líquidas das Entidades Abertas de Previdência Privada e que não infringe a Constituição Federal, já que não existe uma definição unívoca no Direito Privado do que venha a ser lucro. Mesmo porque o caput art. 195 da Constituição (já transcrito acima), ao dizer que seguridade social será financiada por toda a sociedade, consubstancia o princípio da solidariedade. Isto porque as verbas arrecadadas pela CSLL, de uma entidade de previdência serão destinadas à seguridade social, que abarca, além da própria previdência (em prol das pessoas sem recursos), ações de saúde e de assistência social. Embora os argumentos acima sejam suficientes para que eu entenda que sobre o superávit das entidades abertas de previdência incida a CSLL, em relação a um ponto específico das razões do recurso especial confrontado pelas contrarrazões ofertadas pelo contribuinte merece um esclarecimento. Tratase da fundamentação do art. 72 do ADCT (que remete ao art. § 1º, do art. 22 da lei 8.212/191, que se refere, entre outras, às entidades de previdência abertas e fechadas). Evidentemente, tanto o acórdão paradigma, quanto as argumentações do recurso não sustentam que a base da cobrança é o referido dispositivo, mas tão somente se trata de uma interpretação dada pelo legislador constituinte, chamada intepretação autêntica, de que os superávits são passíveis de tributação. Por isto a incidência não existe somente durante a vigência da norma transitória, que só serviu de base hermenêutica, mas não de fundamento legal da incidência. A questão central do recurso fica, portanto, superada no sentido de haver incidência da CSLL sobre as entidades de previdência aberta de previdência complementar. Ainda que não tenha sido objeto de argumentação nas contrarrazões, que insiste na não incidência da CSLL, o tema da isenção foi objeto de debate no acórdão recorrido e no recurso especial, e para evitar futuros questionamentos cumpre considerar, a questão da isenção, naquilo que foi tocado no acórdão recorrido, e no que se afigura relevante no especial. No que respeita a isenção supostamente prevista no art. 15 da Lei n. 9.532/1997, o acórdão recorrido corroborou a decisão da de primeira instância decidindo que “decisão recorrida houve por bem não considerar a Recorrente como entidade de assistência social sujeita à isenção concedida pelo artigo acima transcrito.” (fls. 790), e como não foi objeto de recurso pelo contribuinte, transitou em julgado. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 5 7 Em relação à isenção prevista no art. 5º da Lei n. 10.426/2002, tal dispositivo tem a seguinte redação: Art. 5o As entidades fechadas de previdência complementar ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2002. Assim, como no caso se trata de entidade aberta de previdência complementar não se aplica a isenção acima referida. O argumento de que tal disposto também se aplica à entidades abertas de previdência sem fins lucrativos, pois as entidade fechadas obrigatoriamente não podem ter fins lucrativos, carece de qualquer fundamento hermenêutico. Assim, entendo que a referida isenção não se aplica in casu. No que diz respeito aos argumentos relativos à Instrução Normativa SRF 588/2002, entendo que seu artigo 17 não afeta as entidades abertas, ainda que sem fins lucrativos, posto que uma instrução normativa não pode alargar o campo isencional estabelecido pela lei, que remete somente às “entidades fechadas”, aplicação também do art. 111 do CTN. No que diz respeito ao Ato Declaratório Normativo COSIT nº 17/90, também referido no Acórdão recorrido, também não se aplica, pois se dirige a entidades diferentes de sociedade abertas de previdências (referese a entidades do tipo fundações, associações e sindicatos). Assim afasto a incidência de isenção para as entidades abertas de previdência complementar. Isto posto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, restabelecendo a decisão de primeira instância em todos os seus termos. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Voto Vencedor C. Karem Jureidini Dias Redatora Desiganada Inicialmente, explico minhas razões para pedir vista do processo. Tendo em conta que o recurso especial se legitima diante de situações em que a legislação tributária é interpretada de forma diversa por diferentes colegiados do CARF, cabendo à Câmara Superior de Recursos Fiscais apontar qual deve ser a interpretação a ser seguida, é primordial delimitar com precisão qual a legislação cujas interpretações são apontadas como divergentes. Nesse mister, a legislação tributária que agora está sendo submetida a julgamento referese à incidência da CSLL sobre resultados positivos apurados por uma entidade privada de previdência social sem fins lucrativos. Impactoume o fato de este Colegiado, todas as vezes que analisou esta questão em relação a entidades de previdência fechada, ter decidido que tais entidades, por não possuírem finalidade lucrativa, não sofrem a incidência da CSLL, conforme o artigo 1° da Lei Fl. 848DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 8 n° 7689/88, que demanda a existência de lucro. Os fundamentos para essa interpretação, indicados naqueles julgamentos, inclusive alguns de minha relatoria, são de que (i) o pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial; (ii) o resultado positivo (superávit) não se identifica com lucro; (iii) o fato de essas instituições estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1º da Lei n° 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados. Sobre esse aspecto, peço vênia para fazer transcrever alguns trechos de votos de minha relatoria sobre o assunto. De fato, as entidades de previdência complementar, por não possuírem caráter de assistência social, são contribuintes da Seguridade Social como qualquer outra empresa, entidade ou 'instituição. Sendo elas contribuintes, de acordo com o caput do artigo 195 da Constituição Federal, devem, em conjunto com toda a sociedade, financiar a seguridade social, de acordo com os parâmetros traçados em seus incisos, verbis: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa fisica que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998) Válido lembrar que o legislador constituinte, mesmo entendendo ser de vital importância o financiamento da seguridade social, delimitou a criação de tributos destinados a tal fim, restringindo as bases de cálculo sobre as quais poderão incidir. Dessa maneira, a análise a ser efetuada no presente caso diz respeito à possibilidade da incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre os rendimentos auferidos pelas Entidades de Previdência, com base nas restrições impostas pelo artigo 195, I, 'c' da Constituição Federal. A despeito de as Entidades de Previdência Complementar, consoante dispõe o artigo 40 da Lei Complementar n° 109/01, poderem ser "abertas" ou "fechadas", conforme o grupo de pessoas a que são destinadas, fato é que a entidade no presente caso é sem fins lucrativos. O que ocorre em alguns períodos é a formação de superávit, o qual consiste apenas na diferença entre o ingresso de recursos (advindos dos patrocinadores e dos participantes) e as despesas da entidade. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 6 9 Notase que lucro e superávit são conceitos totalmente distintos e não podem ser usados como sinônimos para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A interpretação incidente sobre a norma ora questionada não pode se pautar apenas em diferenças gramaticais, mas sim caminhar por outras esferas a fim de que se busque de maneira mais profunda o significado dos conceitos debatidos, retirandolhes eventual vaguidade ou ambiguidade. Pois bem. Sinteticamente, lucro e superávit consistem em diferenças apuradas entre ingresso de receitas ou outra espécie e despesas. Contudo, o lucro, objetivo maior de qualquer atividade empresarial, é obtido com o objetivo de ser repassado aos sócios da pessoa jurídica e de ser repartido entre aqueles que possibilitam o desenvolvimento da atividade empresarial. O superávit, por sua vez, consiste em resultado positivo que, por ser auferido por pessoa jurídica sem fins lucrativos, não é repassado a ninguém, mas sim reinvestido na própria entidade, da maneira que determinar a legislação. O superávit não tem o caráter de disponibilidade, intrínseco ao lucro. No caso em questão, está determinado que o superávit não é disponibilizado, e sim reinvestido na assistência social. Dessa maneira, analisandose o objetivo com o qual são alcançados e o destino de cada um, superávit e lucro não podem, em hipótese alguma, serem equiparados. O legislador manteve a coerência, não utilizando em nenhum momento os termos como sinônimos, não sendo possível, de acordo com o disposto nos artigos 110 e 111 do Código Tributário Nacional, buscar a equiparação entre os conceitos de lucro e superávit. O fato de as Entidade de Previdência figurarem no rol do artigo 22, § 1°, da Lei n 8.212/91 não possibilita a cobrança da CSLL. Isto porque, sem dúvida, tais entidades são contribuintes da seguridade social, inclusive com contribuição adicional sobre as bases de cálculo previstas nos incisos I e III do mesmo artigo, bases estas que não se confundem com o lucro. É bem verdade que o § 1° do artigo 22 estabelece a contribuição adicional sobre as remunerações, "além das contribuições referidas neste artigo e no artigo 23 (...)". Também é fato que o referido artigo 23 trata da Contribuição Social sobre o Lucro. Ocorre que, enquanto o § 1° do artigo 22 menciona situação específica da contribuição adicional para as instituições e entidades que enumera, o artigo 23 do mesmo texto legal é genérico como o caput do artigo 22, ambos da Lei n°8.212/91. O que, vale dizer, ao estabelecer sobre a contribuição adicional, a norma veiculada no artigo 22 da Lei n° 8.212/91 apenas deixa claro, também, que o adicional lá previsto não excepciona a incidência da CSLL prevista genericamente e que incide nas instituições como bancos comerciais, bancos de investimentos, entre outras enumeradas no seu texto, mas, de forma alguma, prevê expressa e especificamente a incidência da CSLL para as entidades de previdência. De se esclarecer que não se trata de declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade na lei, ao contrário, procurase interpretar o disposto na Lei 8.212/91 e na Lei 7.689/88, nas Emendas Constitucionais citadas, no artigo 195 da Constituição Federal de 1988 e nas demais normas, em harmonia. Entendo que nem poderia ser de outra forma a interpretação, sob pena de negar vigência à norma veiculada no artigo 15 da Lei n° 9.532/97. Ademais, a respeito da não incidência da CSLL sobre o superávit das entidades de previdência, o artigo 69 da Lei Complementar n° 109/88 e o artigo 15 da Lei 9.532/97 determinam a isenção de seu superávit em relação à CSLL. Tal premissa é até Fl. 850DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 10 redundante, pois se trata, in casu, de não incidência da CSLL por inexistência de base imponível. Assim é a redação dos referidos dispositivos legais: Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º. Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido 'instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória n°215835, de 2001) § 1° A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subsequente. § 2° Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável Frisese que a não incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido sobre o superávit das entidades de previdência não impede que seja cumprido o objetivo do artigo 195 da Constituição Federal, tendo em vista que com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido não se esgotam todas as possibilidades de financiamento da seguridade social, ex vi do disposto no artigo 22 da Lei 8.212/91. De mais a mais, a incidência da CSLL no presente caso se faz impossível tendo em vista que tais entidades não possuem receita, mas apenas administram receitas de propriedade dos patrocinadores e dos participantes. Sobre o conceito de receita, José Antônio Minatel reconhece uma série de atributos imprescindíveis para sua configuração, sendo eles: "a) conteúdo material: ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica; b) natureza do ingresso: vinculada ao exercício de atividade empresarial; Fl. 851DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 7 11 c) causa do ingresso: contraprestação, em negócio jurídico que envolva a venda de mercadorias ou prestação de serviços, assim como pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos pela remuneração de investimentos: d) disponibilidade: pela definitividade do ingresso: e) mensuração instantânea: isolada em cada evento, abstraindose dos custos e de periodicidade para a sua apuração." As entidades de previdência complementar, de modo geral, têm por escopo a administração e execução de planos de benefícios de natureza previdenciária, exclusivamente, sendolhes vedada a prestação de quaisquer serviços que não estejam no âmbito do seu objeto social (artigo 2° da Lei Complementar n° 109/2001). Nesse sentido, recebem as contribuições de patrocinadores e participantes e administram tais recursos de maneira a possibilitar o melhor alcance dos objetivos da entidade, cujo fim será a manutenção da previdência privada dos participantes. Dessa maneira, não há que se falar em disponibilidade dos recursos, mormente em se tratando de sociedade sem fins lucrativos, como é o presente caso. Cabe esclarecer ainda o seguinte. Como a jurisprudência da CSRF firmouse no contexto de entidades fechadas, a primeira indagação a ser feita é qual a particularidade que distingue uma entidade de previdência privada fechada de uma entidade de previdência privada aberta sem fins lucrativos. E a resposta é singela: exclusivamente o fato de as primeiras serem acessíveis exclusivamente aos empregados de uma só empresa ou de um grupo de empresas, enquanto as abertas são acessíveis a qualquer um que delas queira participar. Ora, esse fato (qualidade dos participantes) não tem nenhuma relevância tributária. O que é relevante para a incidência tributária é a prática do fato gerador (no caso, auferir lucro). E nisso, as entidades de previdência privada fechadas e as abertas sem fins lucrativos são absolutamente idênticas. Imperam, aqui, os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, segundo os quais na repartição do ônus tributário não pode haver diferenças injustificadas entre contribuintes que estejam na mesma situação. Vejamos como o Acórdao Recorrido interpretou a questão da incidência da CSLL para as entidades de previdência social sem fins lucrativos: “Passo, então, a análise da sujeição de entidades sem fins lucrativos à incidência da CSLL. Primeiramente, vale ressaltar que como o próprio nome já diz, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incide sobre o lucro das pessoas jurídicas, conforme disposto no artigo 195, inciso I, alínea “c” da Constituição Federal. Tendo em vista que a Recorrente é entidade sem fins lucrativos, ou seja, não aufere lucro, não seria possível incidir referida contribuição que recai justamente sobre o lucro. É sabido que as entidades sem fins lucrativos não apuram lucro, mas apenas resultado; e este, quando for positivo, Fl. 852DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 12 não pode ser distribuído aos sócios, ficando vinculado tão somente às destinações estatutariamente previstas. Referido resultado positivo e eventuais sobras são classificados como superávits não tributados, exatamente por não serem considerados lucro da entidade. A fim de evitar possíveis entendimentos contrários, oportuno se faz transcrever trechos do voto do Ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortez, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que trata da distinção entre superávit e lucro. Vejamos: “De se notar que os conceitos de superávit e de lucro são nitidamente distintos, pois o primeiro referese à simples diferença entre receitas e despesas, ou seja, o saldo positivo entre os ingressos e as saídas de numerário cujo conceito sequer exige a aplicação do regime de competência para reconhecimento do resultado, sendo suficiente para tanto o simples conceito de caixa.” (Acórdão nº 10194.668, sessão de 12.08.2004) É de observar a diferença entre superávit e lucro, não sendo possível considerálos sinônimos e tributálos da mesma maneira.” Como visto, a interpretação da legislação tributária dada pelo Acórdão Recorrido e contestada pela Procuradoria da Fazenda Nacional é no sentido de que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não incide sobre o resultado positivo de entidade de previdência privada sem fins lucrativos porque elas não apuram lucros, mas resultados, e que eventuais superávits não são tributados porque superávits e lucro são conceitos diferentes, não sendo possível considerálos sinônimos para fins de incidência da CSLL. Foi exatamente esse o fundamento utilizado pela CSRF para decidir que as entidades de previdência privada fechada não se sujeitam à incidência da CSLL, como já relatado. Destaco que o fundamento do Acórdão Recorrido é a não incidência. Esse fundamento prejudica qualquer argumento sobre inexistência de isenção, porque isenção e não incidência não se confundem. Não existe crédito sem nascimento da obrigação tributária, e não existe obrigação tributária sem ocorrência do fato gerador (auferir lucro), pressuposto de incidência. No seu Recurso Especial, para se contrapor à interpretação dada pelo Acórdão recorrido no sentido da não incidência, afirma a d. Procuradoria que, de acordo com o § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, o contribuinte é equiparado às instituições financeiras para fins de incidência da CSLL. Como interpretação divergente, traz o Acórdão 180301.167, de 18 de janeiro de 2012, cujo voto condutor afirma que “ não há que se falar em “não incidência” da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre as entidades de previdência privada sejam estas abertas ou fechadas, e com ou sem fins lucrativos, por haver expressa previsão constitucional de sua tributabilidade” , referindose ao inciso III do art. 72 do ADCT, incluído pela Ementa Constitucional de Revisão nº 1, de 1994 (grifei). Fl. 853DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 8 13 Depois, a tese de previsão constitucional para tributabilidade ancorada no art. 72 dos ADCT fundamentase no fato de tais pessoas jurídicas estarem mencionadas no § 1º do art. 22 as Lei 8.212/91. Essa tese também foi rejeitada pela CSRF em todas as oportunidades em que a enfrentou, a exemplo do Acórdão nº 9101000.915/2011, cuja ementa assenta: “(...)O fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1º da Lei n° 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados. Precedentes da CSRF.” (negritos acrescentados) Passo a apreciar os argumentos do ilustre Relator. Na sequência, observo que o douto Relator reportase ao voto isolado do insigne Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, no Acórdão 1302001.175 (julgado em 12 de setembro de 2013). Naquele voto, afirmase que nos períodos de apuração sub examine a Capemi já não poderia ser mais uma sociedade civil, razão pela qual, a ela não se aplicaria mais o § 1º do art. 77 da LC 109/2001, e ela deveria estar constituída como sociedade anônima. Constou do voto do Conselheiro Alberto que tal decorria de “ (...) imposição do art. 36 da Lei Complementar 109/01, o qual obriga que as entidades de previdências aberta se constituam sob a forma de sociedade anônima. Assim, a partir da Lei Complementar 109/01, as entidades abertas de previdências complementar não mais podiam se constituir sob a forma de sociedades civis sem fins lucrativos, já que teriam que se constituir sob a forma de sociedade anônima, o que, com a entrada em vigor da Lei 10406/02 – Código Civil, significava que seriam necessariamente sociedades empresárias. Vale ressaltar que a permissão, prevista no § 1º do art. 77 da LC 109/01, para que as entidades sem fins lucrativos continuassem ad perpetuam a se constituir como sociedade civil findou com a entrada em vigor do novo Código Civil (Lei 10.406/2002), pois simplesmente essa figura deixou de existir a partir de 11 janeiro de 2007, se não vejamos como dispõe o art. 2.031 do Estatuto Civil brasileiro: Art. 2.031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007.” Sobre este aspecto, a despeito do brilhantismo do Conselheiro, ouso divergir. Primeiro, o § 1º do art. 77 da Lei Complementar nº 109/2001, ao permitir que as entidades abertas sem fins lucrativos já autorizadas a funcionar mantivessem sua organização jurídica como sociedade civil, não fixou nenhum prazo. Depois, a questão da submissão das entidades de previdência privada abertas sem fins lucrativos foi objeto de consulta à Advocacia Geral da Fl. 854DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 14 União que, no Processo nº 00400.000962/200498, exarou parecer, ratificado pelo despacho nº 492/2004, do Consultor Geral da União declarando que “...o regime jurídico das entidades abertas de previdência privada constituídas antes da Lei Complementar nº 109/2001 e por ela excepcionados do novo regime, fica também — e pelo mesmo motivo inalcançado pela vigência do novo Código Civil, norma de caráter geral que não opera contra as regras especiais (ademais de hierarquia superior), tal a do art. 77, § 1º L. C 109/01”1. Além disso, o argumento do conselheiro então Relator, de que a permissão para permanência como sociedade civil foi superada a partir de 11 de janeiro de 2007 pelo Novo Código Civil, sequer poderia ser invocado para o presente caso. É que o julgamento de que foi relator o Conselheiro Alberto se referia aos anoscalendário de 2007 e 2008, enquanto o presente processo alcança apenas os anoscalendário de 2005 e 2006. Por essa razão, observase que a Contribuinte possui natureza de entidade de previdência social sem fins lucrativos, não auferindo rendimentos tributáveis, posto que os resultados positivos de suas atividades têm natureza jurídica de superávit. Sendo assim, não se pode incidir normas tributárias aplicadas à sociedades empresárias para entidade sem fins lucrativos. É de se esclarecer que a própria Fazenda Nacional elucida a questão mediante o Ato Declaratório Normativo CST n. 17/90 que dispõe sobre a não incidência de contribuição social sobre os rendimentos de pessoas jurídicas que desempenham suas atividades sem o escopo de lucro, verbis: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e demais interessados que a contribuição social não será devida pelas pessoas jurídicas que desenvolvam atividades sem fins lucrativos tais como as fundações, associações e sindicatos. Continuando, questionase naqueles autos a univocidade do termo “lucro”, utilizado na alínea “a” do inciso I do art. 195 da Constituição Federal. De início, digase que conceito utilizado na Constituição Federal para atribuir competência para instituição da contribuição social não é simplesmente “lucro”, mas sim “lucro da empresa”. E o conceito de lucro da empresa tem, realmente, um sentido unívoco, cujo significado se encontra no Código Civil, quando trata do “Direito da Empresa” , de onde se extrai que lucro da empresa, que constitui seu objeto, é o resultado positivo da atividade econômica destinado a ser partilhado entre os sócios ou apropriado pelo titular (no caso de empresa não coletiva). Devese atentar para o fato de que o art. 2º da Lei nº 7.689/88, ao definir a base de cálculo da contribuição, reportouse à legislação mercantil (resultado do exercício apurado de acordo com a legislação comercial), ou seja, observou a autorização constitucional de tributação do lucro, característico das sociedades empresariais que o têm como fim. Como já assentado neste voto, o aspecto principal para que se conclua pela não incidência da CSLL sobre as entidade de previdência é o fato de não auferirem lucro. Sobre o tema, observese a lição de Leandro Paulsen: As entidades de assistência social, também beneficiárias da imunidade, são aquelas que desenvolvem uma das atividades descritas no art. 203 da CF. [...] Podem exercer economia rentável, desde que sem finalidade de lucro, ou seja, desde que revertam seus resultados para a atividade essencial. Há impedimento à distribuição de lucros, esta sim descaracterizadora da finalidade assistencial e do caráter não 1 Conforme encontrado em http://bdjur.stj.jus.br/. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 9 15 lucrativo. Não se pode confundir, ainda, a ausência de caráter lucrativo com a obtenção de superávit, este desejável inclusive para as entidades sem fins lucrativos de modo a viabilizar a ampliação das suas atividades assistenciais. (PAULSEN, Leandro. Curso de Direito tributário Completo. 5ª ed. rev., atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013. p. 105). (grifo não original) Como esclarece a doutrina supra, “resultado positivo” deve ser buscado por qualquer entidade que pretenda dar continuidade aos seus trabalhos. Vale dizer, a recorrente precisa de recursos financeiros para alcançar sua finalidade, não sendo possível exigir que esta experimente sucessivos resultado negativos. Quando se emprega o termo “lucro”, pretendese afirmar que determinada entidade almeja aumentar o patrimônio próprio ou de seus participantes (sócios/acionistas). De outro lado, afirmar que a entidade aufere “superávit” significa afirmar que seus resultados serão destinados à realização de seus fins. Notese que a própria lei procura criar um contexto para o emprego do “superávit”, fazendo crer que este não pode ser administrado livremente. É o que se depreende do art. 12, §3º, da Lei n. 9.532/97, observese: Art. 12. [...]. § 3° entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (grifo não original) Nesse sentido tem se posicionado consistente e sistematicamente esse colegiado, declarando a inexistência de base tributável pela CSLL, no caso de mera existência de superávit, que com o lucro não se confunde. Vejase, por exemplo, os seguintes acórdão, de minha relatoria e de relatoria do Conselheiro Marcos Neder: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1998, 2000, 2001, 2002 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superávits ou déficits técnicos, que têm destinação específica prevista na lei de regência. O superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis não se identifica com o lucro líquido do exercício apurado segundo a legislação comercial. O fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1º, da Lei n 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas Fl. 856DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 16 apurados. Recurso especial provido. (Acórdão CSRF/0106.013, Relator Marcos Vinicius Neder de Lima. Processo Administrativo nº 10166.003486/200350) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2001, 2002 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As Entidades Fechadas de Previdência Complementar obedecem a planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superávits ou déficits técnicos, que têm destinação específica prevista na lei de regência. O superávit técnico apurado por aquelas instituições, de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis, não se identifica com o lucro líquido do exercício apurado segundo a legislação comercial. Os ingressos de recurso nas Entidades Fechadas de Previdência Complementar não se configuram como receita, não havendo, assim, possibilidade de formação de lucro. O fato de as Entidades Fechadas de Previdência Complementar estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1º, da Lei n 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico apurado, mas a incidência de outras contribuições como forma das EFPC`s contribuírem com a Seguridade Social. Recuso especial negado. (Acórdão CSRF/0106.016, Relatora Karem Jureidini Dias. Processo Administrativo 10166.003496/200476) Não traz nenhum prejuízo o fato de algumas decisões terem sido proferidas em face de entidades fechadas, isto porque o fundamento jurídico empregado naquela ocasião é idêntico ao que ora se apresenta: entidades sem fins lucrativos não auferem lucro, mas superávit, que são conceitos inconfundíveis. Sendo assim, a hipótese de incidência prevista abstratamente na lei não se espelha na realidade dos fatos. De mais a mais, a Emenda Constitucional de Revisão 1/94, com a redação dada pela EC no 10/96, incluiu nos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias os artigo 71 e 72, o primeiro instituindo o Fundo Social de Emergência e o segundo indicando as fontes de recurso do fundo, entre elas a “parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991”. Nada no dispositivo autoriza concluir que se trata de interpretação do constituinte no sentido de que a contribuição social sobre o lucro incide sobre superávits de entidades sem fins lucrativos. O dispositivo apenas indica a fonte de recursos do Fundo, trata de alteração de alíquota e dispõe expressamente que, ressalvadas as normas sobre alteração de alíquota, são mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Por essas razões, entendo que não merece censura o Acórdão recorrido, que está de acordo com o entendimento sistematicamente manifestado por esta CSRF, no sentido de que superávit apurado por entidade sem fins lucrativos, e que não pode ser distribuído aos Fl. 857DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 10 17 sócios por ter destinação legal ou estatutariamente prevista, não se equipara a lucro, e assim, não se sujeita à incidência da contribuição social. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) C. Karem Jureidini Dias Redatora Desginada. Declaração de Voto Declaração de voto C. Rafael Vidal de Araújo Conselheiro Rafael Vidal de Araujo 2. Os motivos que me levaram a pedir vista do processo foram: a) uma questão, levantada nas sustentações orais, tratando do parecer da Advocacia Geral da União no Processo nº 00400.000962/200498, que, segundo a recorrida, é de observância obrigatória ao CARF; b) a discussão quanto à aplicação ao caso do Ato Declaratório Normativo CST n. 17/90; e, por fim, c) a necessidade de estudar um pouco mais a fundo o voto vista da Conselheira Karem Jureidini Dias, que veio a se tornar o voto vencedor. 3. Quanto ao primeiro motivo, eis o que constou no memorial da recorrida, apresentado na sessão de julho: "A Advocacia Geral da União exarou parecer no sentido de que o regime jurídico das referidas entidades excepcionado pelo § 1º do art. 77 da LC 109 não é afetado pela vigência do novo Código Civil (Proc. nº 00400.000962/200498), e nos termos do inciso X do art. 4º da Lei Complementar 742/93, a interpretação fixada pela AGU deve ser seguida pelos órgãos e entidades da Administração Pública." 3.1. Sobre esse ponto, assim se pronunciou o referido voto vencedor: "Na sequência, observo que o douto Relator reportase ao voto isolado do insigne Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, no Acórdão 1302001.175 (julgado em 12 de setembro de 2013). Naquele voto, afirmase que nos períodos de apuração sub examine a Capemi já não poderia ser mais uma sociedade civil, razão pela qual, a ela não se aplicaria mais o § 1º do art. 77 da LC 109/2001, e ela deveria estar constituída como sociedade anônima. Constou do voto do Conselheiro Alberto que tal decorria de “ (...) imposição do art. 36 da Lei Complementar 109/01, o qual obriga que as entidades de previdências aberta se constituam 2 Na verdade, Lei Complementar n º 73, de 10/02/1993. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 18 sob a forma de sociedade anônima. Assim, a partir da Lei Complementar 109/01, as entidades abertas de previdências complementar não mais podiam se constituir sob a forma de sociedades civis sem fins lucrativos, já que teriam que se constituir sob a forma de sociedade anônima, o que, com a entrada em vigor da Lei 10406/02 – Código Civil, significava que seriam necessariamente sociedades empresárias. Vale ressaltar que a permissão, prevista no § 1º do art. 77 da LC 109/01, para que as entidades sem fins lucrativos continuassem ad perpetuam a se constituir como sociedade civil findou com a entrada em vigor do novo Código Civil (Lei 10.406/2002), pois simplesmente essa figura deixou de existir a partir de 11 janeiro de 2007, se não vejamos como dispõe o art. 2.031 do Estatuto Civil brasileiro: Art. 2.031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007.” Sobre este aspecto, a despeito do brilhantismo do Conselheiro, ouso divergir. Primeiro, o § 1º do art. 77 da Lei Complementar nº 109/2001, ao permitir que as entidades abertas sem fins lucrativos já autorizadas a funcionar mantivessem sua organização jurídica como sociedade civil, não fixou nenhum prazo. Depois, a questão da submissão das entidades de previdência privada abertas sem fins lucrativos foi objeto de consulta à Advocacia Geral da União que, no Processo nº 00400.000962/200498, exarou parecer, ratificado pelo despacho nº 492/2004, do Consultor Geral da União declarando que “...o regime jurídico das entidades abertas de previdência privada constituídas antes da Lei Complementar nº 109/2001 e por ela excepcionados do novo regime, fica também — e pelo mesmo motivo inalcançado pela vigência do novo Código Civil, norma de caráter geral que não opera contra as regras especiais (ademais de hierarquia superior), tal a do art. 77, § 1º L. C 109/01”. Além disso, o argumento do conselheiro então Relator, de que a permissão para permanência como sociedade civil foi superada a partir de 11 de janeiro de 2007 pelo Novo Código Civil, sequer poderia ser invocado para o presente caso. É que o julgamento de que foi relator o Conselheiro Alberto se referia aos anoscalendário de 2007 e 2008, enquanto o presente processo alcança apenas os anoscalendário de 2005 e 2006." 3.2. Considero suficientes os esclarecimentos trazidos no voto vencedor, principalmente em relação à inaplicabilidade da polêmica ao presente processo, que tratou dos anoscalendário de 2005 e 2006. 3.2.1. A discussão quanto aos anoscalendário 2007 e 2008, de fato, deveuse apenas em razão da adoção, pelo relator, do voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior no Acórdão 1302001.175 (julgado em 12 de setembro de 2013), afirmando que: "as razões de fato e direito são idênticas". 3.2.2. Entretanto, essa questão incidente de direito nos anoscalendário de 2005 a 2006 não é idêntica a dos anoscalendário de 2007 e 2008, pois o prazo do art. 2031 do Código Civil, é até 11 de janeiro de 2007. 4. Passo agora à apreciação do Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 17, de 30/11/1990, publicado no D.O.U de 04/12/1990, que tem a seguinte redação: "" Dispõe sobre a Contribuição Social e as pessoas jurídicas que desenvolvam atividades sem fins lucrativos." Fl. 859DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 11 19 O COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa do SRF nº 034, de 18 de setembro de 1974 e tendo em vista as normas de incidência da contribuição social, instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, declara: em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e demais interessados que a contribuição social não será devida pelas pessoas jurídicas que desenvolvam atividades sem fins lucrativos tais como as fundações e sindicatos." 4.1. O ato lista "as pessoas jurídicas que desenvolvam atividades sem fins lucrativos tais como as fundações e sindicatos". A despeito do ato listar apenas as fundações e os sindicatos, sem incluir as associações, podese entender que sua intenção foi tratar de forma geral das pessoas jurídicas que desenvolvam atividades sem fins lucrativos, apenas exemplificando os dois tipos citados, é o que se espera da partícula "tais como". 4.2. Não obstante, considero a aplicação ao caso superada a partir do tratamento específico dado pelos arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, até mesmo porque esta mesma lei, em seu art. 82, II, “a”, revogou o art. 28 do DecretoLei nº 5.844, de 23/09/1943, dispositivo que serviu de base para interpretação extensiva que sustentou o ADN nº 17/1990. 5. Concordo com o voto vencedor ao asseverar que: “Nesse mister, a legislação tributária que agora está sendo submetida a julgamento referese à incidência da CSLL sobre resultados positivos apurados por uma entidade privada de previdência social sem fins lucrativos. ... A despeito de as Entidades de Previdência Complementar, consoante dispõe o artigo 40 da Lei Complementar n° 109/01, poderem ser "abertas" ou "fechadas", conforme o grupo de pessoas a que são destinadas, fato é que a entidade no presente caso é sem fins lucrativos. ... Cabe esclarecer ainda o seguinte. Como a jurisprudência da CSRF firmouse no contexto de entidades fechadas, a primeira indagação a ser feita é qual a particularidade que distingue uma entidade de previdência privada fechada de uma entidade de previdência privada aberta sem fins lucrativos. E a resposta é singela: exclusivamente o fato de as primeiras serem acessíveis exclusivamente aos empregados de uma só empresa ou de um grupo de empresas, enquanto as abertas são acessíveis a qualquer um que delas queira participar. ..." 6. Sejam os arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997: Fl. 860DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 20 "Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) ... Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações Fl. 861DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 12 21 civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. § 4º O disposto na alínea "g" do § 2º do art. 12 se aplica, também, às instituições a que se refere este artigo. (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998)" 7. Estes dispositivos legais foram disciplinados por meio da Instrução Normativa SRF nº 390, de 30 de janeiro de 2004, da seguinte forma: "Seção III Da Imunidade Das entidades de assistência social Art. 11. São imunes da CSLL as entidades beneficentes de assistência social que atendam cumulativamente às seguintes condições: I sejam reconhecidas como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II sejam portadoras do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promovam a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V apliquem integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Fl. 862DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 22 § 2° A imunidade de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da imunidade. Seção IV Da Isenção Art 12. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1 º Para o gozo da isenção, as instituições a que se refere este artigo estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: I não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; II aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; III manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; IV conservar em boa ordem, pelo prazo decadencial, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; V apresentar, anualmente, DIPJ, em conformidade com o disposto em ato da SRF. § 2 º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. § 3 º Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a SRF suspenderá o gozo da isenção a que se refere este artigo, relativamente aos anoscalendário em que a pessoa jurídica houver praticado ou por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. § 4 º Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição isenta, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. § 5 º À suspensão do gozo da isenção aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996." Fl. 863DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 13 23 8. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 598 a 623), reportouse à IN SRF nº 390/2004, com as seguintes considerações: "4.3.2. Entende o Contribuinte que a CSLL não será devida pelas pessoas jurídicas que desenvolvem atividades sem fins lucrativos, tais como as fundações, associações e sindicatos. Contudo, o disposto no art. 12 da IN SRF nº 390/2004 se refere às entidades de assistência social, e não as de previdência social, não bastando, pois, que a Interessada atue também em promoção social, visto que, antes de tudo, precisaria ser apenas uma instituição de assistência social, com o cumprimento de todos os requisitos exigidos em Lei, e não desenvolver as atividades de Entidade Aberta de Previdência Complementar. 4.3.3. Assim, o Contribuinte não se enquadra como entidade de assistência social de que trata a Constituição Federal (art. 150, VI, alínea "c"), pois a concessão de benefícios aos seus filiados se dá mediante o recolhimento de contribuições. 4.3.4. O art. 12 da IN SRF nº 390/2004 trata tão somente dos requisitos para a isenção das referidas associações, que, além dos requisitos para o gozo da isenção, sofre também uma restrição não demonstrada pelo Contribuinte, qual seja, que o superávit inexista ou, se existir, seja ele destinado totalmente ao ativo imobilizado. ... 4.3.5. A associação civil sem fins lucrativos, para gozar de isenção quanto à contribuição social sobre o lucro líquido, deve atender aos requisitos previstos na legislação de regência e, especialmente, não praticar atos de natureza econômico financeira, o que não é o caso do Contribuinte, que para consecução de seu objetivo social realiza uma série de atividades de natureza econômicofinanceira prestação de serviços, venda de planos, assistência financeira, etc, além das atividades específicas de previdência complementar.. " (Grifou se) 9. Faço inicialmente uma primeira distinção: é certo que o art. 12 da Lei nº 9.532/1997, regulamento pelo art. 11 da IN SRF nº 390/2004, trata das entidades de assistência social, não se aplicando à recorrida (neste ponto acompanho o relator ao afastar a incidência do §7º do art. 195 da Constituição). Entretanto, o art. 15 da Lei nº 9532/1997 e o art. 12 da IN SRF nº 390/2004 não são voltados apenas às entidades de assistência social (essas já dispõem do art. 195, §7º, da Constituição; do art. 12 da Lei nº 9532/1997 e do art. 11 da IN SRF nº 390/2004). 10. Assim, quando a acusação fiscal apreciou a IN SRF nº 390/2004, conforme visto no item 7 deste voto, afastou o art. 12 da citada IN (que é semelhante ao art. 15 da Lei nº 9.532/1997) pensando tratarse do art. 11 da mesma IN (que corresponde ao art. 12 da Lei nº 9.532/1997, no âmbito do IRPJ, aplicável em razão do art. 195, §7º, da Constituição, e não em razão do art. 150, VI, "c"). Talvez tenha havido confusão da autoridade lançadora que tratou do art. 12 da mencionada IN pensando tratar do art. 12 da referida Lei. Fato é que não foi Fl. 864DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 24 apreciado o enquadramento na isenção do art. 15 da Lei nº 9.532/1997 pela autoridade fiscal, exceto brevemente no seu item 4.3.5, do qual vou tratar adiante. 11. Ao julgar esse ponto, a primeira instância assim declarou: "A interessada também argumenta que o art. 15 da Lei 9.532/97 dispõe sobre a isenção do IRPJ e da CSLL das "associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos". O art. 12 da IN SRF n° 390/2004, também citado pela interessada, trata dos requisitos para a isenção das referidas associações, que, além dos requisitos para o gozo da isenção, sofre também uma restrição não demonstrada pela interessada, qual seja, que o superávit inexista ou seja destinado totalmente ao ativo imobiliado: ... A associação civil sem fins lucrativos, para gozar de isenção quanto à contribuição social sobre o lucro líquido, deve atender aos requisitos previstos na legislação de regência e, especialmente, não praticar atos de natureza econômico financeira, o que a própria interessada admite ao lista uma série de atividades de natureza econômicofinanceira lançamento de planos, assistência financeira e a captação de novos associados, além das atividades específicas de previdência complementar aplicação dos recursos, formação de provisões, pagamento dos benefícios, etc." 12. Da leitura acima, percebese que o julgamento da primeira instância não aprofundou a questão, apenas reproduziu o que constava no Termo de Verificação Fiscal. 13. O voto condutor acórdão recorrido assim se pronunciou sobre o tema: "Além disso, alega a decisão recorrida que a associação civil sem fins lucrativos para gozar de isenção quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido deve atender aos requisitos previstos na legislação de regência e, especialmente, não praticar atos de natureza econômicofinanceira, o que não seria supostamente o caso da Recorrente. ... Primeiramente, a Recorrente alega que é beneficiária da isenção concedida pelo artigo 15 da Lei n° 9.532/97, por ser uma entidade de assistência social, prestadora de serviços sociais. Vejamos o que dispõe referido artigo: ... Em contrapartida, a decisão recorrida houve por bem não considerar a Recorrente como entidade de assistência social sujeita à isenção concedida pelo artigo acima transcrito. Todavia, o cerne da questão discutida nos autos não se refere à caracterização ou não da Recorrente como entidade de assistência social embora seja efetivamente entidade de assistência social, tendo em vista que tem como finalidade Fl. 865DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 14 25 estatuária a manutenção de obra social que atende gratuita e indiscriminadamente a sociedade, em especial a criança, o adolescente, o idoso e os portadores de deficiência mas, sim, por se tratar de entidade sem fins lucrativos, deve ou não se sujeitar à incidência da CSLL. Oportuno se faz destacar que no Termo de Verificação Fiscal (fls. 598) a própria fiscalização considerou a Recorrente como entidade sem fins lucrativos, sendo indiscutível essa característica. Dessa forma, não prevalece aqui a necessidade de atendimento aos requisitos legais para se beneficiar da isenção concedida pela Lei n° 9.532/97, tendo em vista que a isenção de que ora se trata não é aquela relativa às entidades sociais mas às entidades "sem fins lucrativos". Passo, então, a análise da sujeição de entidades sem fins lucrativos à incidência da CSLL." 14. Na seqüência do que foi transcrito, o voto condutor do acórdão recorrido passa a discorrer sobre as diferenças entre lucro e superavit. Percebese que mesmo o acórdão recorrido faz uma vinculação entre o art. 15 da Lei nº 9.532/97 e as entidades de assistência, embora tenha, a meu ver, identificado corretamente que o cerne da questão não se refere à caracterização ou não da recorrida como entidade de assistência social, mas sim como entidade sem fins lucrativos. 15. O ilustríssimo relator, ao apreciar o ponto, proferiu os seguintes dizeres: "No que respeita a isenção supostamente prevista no art. 15 da Lei n. 9.532/1997, o acórdão recorrido corroborou a decisão da de primeira instância decidindo que “decisão recorrida houve por bem não considerar a Recorrente como entidade de assistência social sujeita à isenção concedida pelo artigo acima transcrito.” (fls. 790), e como não foi objeto de recurso pelo contribuinte, transitou em julgado." 16. Mais uma vez o art. 15 da Lei nº 9.532/1997 foi associado a entidades de assistência social. Não vejo porque um fundamento para decidir transite em julgado e, ademais, não havia porque haver recurso nesse ponto já que teve seu recurso voluntário provido. 17. No voto vencedor, podese encontrar que: "Ademais, a respeito da não incidência da CSLL sobre o superávit das entidades de previdência, o artigo 69 da Lei Complementar n° 109/88 e o artigo 15 da Lei 9.532/97 determinam a isenção de seu superávit em relação à CSLL. Tal premissa é até redundante, pois se trata, in casu, de não incidência da CSLL por inexistência de base imponível. ..." 18. Tenho o entendimento que a interessada está enquadrada ao art. 15 da Lei nº 9.532/97, independentemente do fato de ser ou não entidade de assistência social, e de que a não tributação da CSLL se dá em razão do parágrafo primeiro do mesmo artigo (e não porque o superavit não seja lucro), o que me faz divergir da afirmação do voto vencedor da Conselheira Karem ao expressar que "tal premissa é até redundante". Fl. 866DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 26 19. Nesse sentido, a acusação fiscal (no item 4.3.5) limitase a dizer ser vedado praticar atos de natureza econômicofinanceira. Data vênia, não há essa vedação no art. 15 da Lei nº 9.532/97, e, caso houvesse desrespeito a requisito para usufruto da isenção, para que fosse descaracterizada essa isenção condicionada, deveria ter sido seguido o devido processo legal, qual seja, o art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996: "Seção I Suspensão da Imunidade e da Isenção Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 15 27 § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência." 20. Assim, como não houve atendimento a todo o regramento do art. 32 da Lei nº 9.430/1996, a autuação fiscal não deve prosperar. 21. Portanto, exceto quanto às questões aqui apresentadas acompanho o relator, em especial quanto aos conceitos de lucro, superávit e resultado; pois, já que a incidência da CSLL é sobre resultado (Lei nº 7.689/88, art. 2º, caput), a própria definição do que se deve entender por “sem fins lucrativos”, igualou superávit a resultado (Lei nº 9.532/97, art. 12, §3º, e art. 15, §3º), por meio da expressão "referido". "§ 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)" 22. Assim, o resultado do meu voto é acompanhar pelas conclusões a divergência aberta pela Conselheira Karem Jureidini Dias. 23. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Declaração de voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Em que pese os respeitáveis fundamentos articulados pelo ilustre Conselheiro relator, Dr. Valadão, vou pedir vênia para acompanhar a divergência seguindo parte dos argumentos elencados pela Conselheira Karen, primeira a votar e parte dos fundamentos destacados pelo Conselheiro Rafael. Em relação aos inúmeros argumentos elencados pelo Conselheiro Rafael comungo com ele quando menciona que a recorrente era reconhecida como entidade sem fins lucrativos. Assim, para se lhe exigir a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido havia necessidade de representação do agente fiscal para que o Delegado da Receita, na área de competência, expedisse ato declaratório afastando tal benefício. Este ato ensejaria defesa, processo e julgamento. Somente em caso de manutenção do declaratório afastando a isenção é que se poderia falar em exigência da CSLL. Nesta linha, do meu entendimento que resultou vencido quando do julgamento do processo nº 19740.000056/200894, desta mesma contribuinte, só que em relação a outro anocalendário, pela Segunda Turma da Quarta Câmara da Primeira Sessão, transcrevo a seguinte passagem da declaração de voto que apresentei: Fl. 868DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 28 "Reafirmo que a fiscalização poderia ter equiparado o resultado da Capemi a lucro (e lançado a CSLL) se, com base no § 3º do art. 12 da Lei nº 9.542, de 1997, tivesse descaracterizado sua natureza de entidade sem fins lucrativos, mediante demonstração de que o superávit obtido não foi destinado exclusivamente aos objetivos sociais da Recorrente (programas previdenciários e programas filantrópicos). Mas isso não ocorreu." Quanto aos argumentos da Conselheira Karem, concordo quando ela demonstra as razões pelas quais não se identifica, no caso, base imponível. Nesta linha, revelando entendimento no mesmo sentido, da declaração de voto proferida nos autos do processo 19740.000056/200894, colho o seguinte trecho: "Dispondo a lei que a base de cálculo é o resultado do exercício apurado de acordo com a legislação comercial (art. 2º, § 1º, “c” da Lei nº 7.689/98), interpretar essa norma de maneira a alcançar o resultado de entidades sem fins lucrativos, a pretexto de alcançar a máxima efetividade reclamada pela norma veiculada pelo artigo 72, III, dos ADCT , representa, à toda evidência, uma interpretação contra legem, uma interpretação forçada, que, ao fim e ao cabo, configura verdadeiro exercício legislativo, o que não é permitido pelo princípio hermenêutico da interpretação conforme a Constituição, conforme esclarece a doutrina acima transcrita." No entanto, Senhor Presidente, Senhores Conselheiros, Sr. Procurador da Fazenda Nacional e Senhores advogados, dado ao grande número de processos a serem analisados na sessão de hoje e diante da circunstância de que no processo nº 19740.000056/200894, que trata desta mesma matéria de direito, em face desta mesma contribuinte, peço para apresentar como declaração de voto as razões de decidir que apresentei naquela ocasião, que seguem transcritas integralmente, dispensando a leitura. I Síntese da autuação Trata o presente processo de exigência de contribuição social sobre o lucro líquido de entidade de previdência privada, sem fins lucrativos, sendo que a autuação está alicerçada, sem síntese, nos seguintes fundamentos: que a interessada é uma entidade aberta de previdência complementar, sem fins lucrativos; que as atividades desempenhadas pelas entidades de previdência privada não se confundem com a assistência social, e a Constituição cuidou em distinguilas, dedicando a uma e a outra Seções absolutamente diversas; afastada a hipótese de imunidade, enquadramse as entidades de previdência privada na condição de contribuintes da contribuição social. que a Constituição Federal de 1988, em seu art. 195, 1, atribuiu à União a competência para instituir contribuição para o financiamento da seguridade social, imponível a toda a sociedade; que a contribuição foi instituída pela Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, definindo em seu art. 4o que são contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária. Dessa forma, excetuando as entidades de beneficentes de assistência social, imunes da CSLL, a incidência Fl. 869DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 16 29 alcançou todas as empresas e entidades, inclusive as entidades de previdência privadas abertas e fechadas, de fins lucrativos ou não. que a Lei n° 8.212 de 1991, enquadrou, em seu art. 22, §1°, as empresas tributadas pela contribuição, quais sejam; bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autónomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas. que o art. 5o da Lei n° 10.426, de 2002, ao tratar da isenção da CSLL para as entidades de previdência complementar, o fez de forma a excluir da incidência do tributo apenas as entidades fechadas, in verbis: "Art. 5o As entidades fechadas de previdência complementar ficam isentas da Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativamente aos fatos geradores a partir de 1° de janeiro de 2002. II Da análise das normas constitucionais em matéria tributária A Constituição da República não criou tributos. Seu papel restringese conceder imunidade3 e a outorgar competências para que as pessoas políticas, por meio de lei em sentido formal, observados os requisitos do artigo 150 e do artigo 195, § 6º, viessem a instituílos. Assim, em momento algum a Constituição instituiu a exigência da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL. Quando se analisa a competência outorgada pelo artigo 195 da Constituição Federal é preciso ter presente que não se pode confundir as diversas espécies/tipos de contribuições indicadas nas alíneas "a", "b" e "c" do inciso I. Tratamse de tributos distintos, criados por normas distintas, com fatos geradores e sujeitos próprios. a) A contribuição de que trata a alínea "a", conforme se extrai da nota de rodapé abaixo inserida, diz respeito à incidência sobre folha de salário e demais rendimentos do trabalho, foi instituída pela Lei nº 8.212 de 19914; b) A contribuição indicada na alínea "b", inciso I, do artigo 195 da Constituição trata da Cofins e do PIS, instituídas, respectivamente, pela Lei Complementar nº 70, de 1991 e pela Lei nº 9.715 de 1998. 3 Nos termos do artigo 150, VI, alíneas "b" e "c", são imunes os templos de qualquer culto e o patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Quando o artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, usa as expressões: "são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficientes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei", há que se ter presente que se trata de atecnia de redação, pois a norma aqui referida está versando sobre imunidade e não isenção. 4 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 870DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 30 c) A contribuição de que trata a alínea "c", inciso I, do artigo 195, diz respeito à Contribuição Social Sobre o Lucro e tem sua regra matriz de exigência tributária na Lei nº 7.689, de 1991. Assim, na análise do presente processo não se pode confundir as contribuições sociais indicadas no artigo 195, I, letras "a", "b" e "c" da Constituição Federal, pois cada uma destas tem sua própria regra matriz e, por consequência, seu critério material e respectivos sujeitos passivos. III Da instituição, do critério material e do sujeito passivo da CSLL LEI 7.689, DE 1988 Nos termos do artigo 97, III, do CTN, a lei que institui tributo deve definir quem deve pagar, quando e quanto deve pagar. Em termos técnicos, a norma de incidência tributária há de definir, dentre outros, o critério material, o critério subjetivo e o critério qualitativo da exigência tributária. A este propósito, quando do julgamento do processo nº 13603.724565/201108, em que resultei vencido, tratando de exigência de CSLL, em declaração de voto, analisei o critério material da referida contribuição. Aqui, volto ao tema para examinar o critério material e o sujeito passivo da citada contribuição, iniciando com a seguinte ilustração: Identificados os elementos que integram a regra matriz de incidência tributária, passo ao texto da Lei nº 7.689, de 1988, para identificar o critério material e o sujeito passivo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda. ... Art. 4º São contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 17 31 Quando o artigo 1º da Lei nº 7.689, de 1988, diz que "fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social." o critério material está nas expressões "lucro das pessoas jurídicas.". Se o critério material da exigência é o lucro, só é possível exigir CSLL das pessoas jurídicas que obtêm lucro, conceito este que deve ser buscado no direito privado. III Do conceito de lucro Em relação a este item e demais aspectos relacionados à matéria em litígio, louvome, em parte, dos fundamentos, recebidos por email do ilustre Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo que proferiu voto vencedor no processo nº 19740.720010.201018, desta mesma contribuinte, decidido pela Segunda Turma da Terceira Câmara desta Seção e, de razões contidas em memoriais fartamente distribuídos tanto antes quanto depois da leitura do voto do ilustre relator. Dos documentos aqui referidos extraio o quanto segue: "No caso concreto, temos que a norma origem do sistema, a Constituição, atribuiu competência à União para instituir contribuição social sobe o lucro da empresa (art. 195, inciso I, alínea “c”). Entre a norma fundamental e a lei ordinária encontrase uma norma de sobreposição, o Código Tributário Nacional, que traz em seu bojo as chamadas "normas gerais" ou regras de estrutura (e não de conduta). Prescreve o art. 110 do CTN que “A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” Esta é uma norma de sobreposição, que regula a produção das normas inferiores. Assim, sendo o lucro um conceito do direito privado, a lei que viesse a instituir a contribuição não poderia alterar seu conteúdo e alcance. O art. 1º da Lei nº 7.689, de 1988, instituiu a “contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social”. O art. 2º e seu §1º estabeleceram que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, apurado com observância da legislação comercial a ajustado por adições e exclusões previstas na lei. Portanto, a lei ordinária observou rigorosamente a norma de sobreposição, o art. 110 do CTN, pois, ao instituir a contribuição sobre o lucro das pessoas jurídicas, não alterou o conteúdo e alcance do conceito de lucro, mas ao contrário, estabeleceu a base de cálculo reportandose à legislação comercial, subordinandose ao alcance de lucro nela definido (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, incisos I a V, e art. 191). Portanto, enquanto a nível de norma geral, nenhuma incompatibilidade estrutural: qualquer pessoa jurídica que aufira lucro é contribuinte do tributo instituído pelo art. 1º da Lei nº 7.689, de 1989. A questão a ser respondida é se a Recorrente praticou o fato gerador, isto é, se ela auferiu lucro. E para esta questão não há uma resposta positiva confirmada nos autos. .... Fl. 872DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 32 Para buscar o alcance do conceito de direito privado “lucro das empresas” o intérprete deve, necessariamente, socorrerse do Código Civil de 2002, que trata do Direito da Empresa (Livro II da Parte Especial). Esse conceito é dado pelos artigos 981 e 982 dos quais se dessume que lucro da empresa é o resultado positivo da atividade econômica para ser partilhado entre os sócios. De fato, nos termos do art. 966 do Código Civil, a atividade empresarial consiste no exercício de atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. E, nos termos dos artigos 981 e 982, considerase sociedade empresária a que tenha por objeto o exercício de atividade empresarial para partilha, entre os sócios, dos resultados. Por conseguinte, se a sociedade exerce uma atividade econômica cujo resultado não seja destinado a ser partilhado entre os sócios, a sociedade não se caracteriza como empresa, e o resultado positivo que alcançar não representa lucro da empresa, dentro do conceito do direito privado. A relevância do aspecto da distribuição dos resultados para possibilidade de equiparação da pessoa jurídica sem fins lucrativos a empresa e de seu resultado a lucro fica nítida na redação do § 3º do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, que dispõe: “Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” O dispositivo legal acima reproduzido veicula uma norma que equipara a empresa a entidade organizada sem fins lucrativos, mas que, tendo obtido superávit, não o destine integralmente à manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Nesses termos, ao interpretar que a Capemi estava sujeita, no período da autuação, a pagar a contribuição social sobre o lucro simplesmente porque ela obteve superávit, a autoridade administrativa (autuante) produziu uma norma individual concreta (lançamento) inválida, porque, ignorando o comando das normas de superposição (o art. 110 do Código Tributário Nacional e o art. 195, I, “c” da Constituição), alterou o alcance e conceito de lucro do direito privado, equiparando‐o a qualquer resultado positivo, independentemente de sua destinação. Ressalto que a invalidade da norma deuse apenas a nível concreto (o lançamento da CSLL em litígio). Com isso quero dizer que a autoridade fiscal não estava impedida de exigir da Capemi a CSLL apenas porque ela é constituída como entidade sem fins lucrativos. Não é isso. O que importa não é se a pessoa jurídica está impedida, por lei, de exercer atividades com fins lucrativos, mas sim, se ela, de fato, exerce. Nessa linha, se a autoridade fiscal identificasse que a Capemi, ostensiva ou disfarçadamente, distribuiu resultado, estaria descaracterizada sua finalidade não lucrativa, cabendo sujeitála à CSLL. Mas tal não foi apontado nos autos, nem disso há o mais leve indício. Invocase como argumento recente julgado do STF, que negou provimento a Agravo Regimental contra decisão que negou seguimento a Recurso Extraordinário, e com base nele concluise que o argumento de que superávits não estariam sujeitos à incidência da CSLL por não serem lucros, encontramse superados pelo entendimento do Pretório Excelso. Com a devida vênia, o julgado colacionado não autoriza essa conclusão, pois em momento algum ele se manifestou sobre a equiparação de lucros a superávits. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 18 33 No caso tratavase, na origem, de mandado de segurança coletivo impetrado pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar ABRAPP, na qualidade de substituta processual de suas associadas, contra a exigência da Contribuição Social Sobre o Lucro – CSLL e do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, incidente, na modalidade de tributação exclusiva, sobre aplicações financeiras. Notese que a postulação da autora não tinha qualquer vinculação a fatos, mas apenas a normas gerais. A ementa do acórdão da Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que foi objeto de Recurso Extraordinário, encontrase assim redigida: “AC. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMUNIDADE. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. BITRIBUTAÇÃO. PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA PROGRESSIVIDADE. 1. O patrimônio das entidades fechadas de previdência privada compõese de valores provenientes das contribuições de seus participantes, de dotações da própria entidade e de aporte do patrocinador, enfim, mesmo que não possuam fins lucrativos, é cabível a incidência do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro, pois na sua atividade captam e administram os recursos destinados ao pagamento de benefícios de seus associados. Também, não gozam da imunidade prevista no art. 150, VI, "c" da CRFB, já que não se confundem com as entidades de assistência social, destinadas a auxiliar pessoas carentes, independentemente de estarem ou não no mercado de trabalho e da contribuição correspondente. 2. Quanto à bitributação, não há demonstração clara sobre quais valores estaria ocorrendo a dupla incidência do mesmo tributo. A incidência do imposto de renda, quando da concessão dos benefícios, se dá na fonte e não há vedação para a sua incidência no momento em que há a acumulação de reservas e provisões destinadas ao pagamento de benefícios futuros, ou seja, um fato gerador é a acumulação, outro é a distribuição. 3. Em relação aos princípios da isonomia e da progressividade entendo que não há a alegada quebra. O princípio da isonomia prevê a vedação ao tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. O que a apelante está pretendendo é o reconhecimento de imunidade, ou seja, um benefício concedido pelo legislador constituinte. A esse respeito o STF já decidiu (RE 259.756, DJ 29/08/2003) quais as entidades estariam abrangidas pela imunidade, quais sejam, as entidades de previdência complementar custeadas, exclusivamente, pelo ente patrocinador. Tampouco há ofensa ao princípio da progressividade, pois é baseado na capacidade contributiva. 4. Portanto, como visto, a decisão da Segunda Turma do TRF/4ª foi no sentido de que as entidades de previdência privada fechadas não são imunes nem isentas. A autora (ABRAPP) interpôs recurso extraordinário, ao qual foi negado seguimento por decisão monocrática do Ministro Luiz Fux, datada de 31 de outubro de 2012, assim fundamentada: “O acórdão recorrido harmonizase com o Enunciado da Súmula n.º 730 do Supremo Tribunal Federal: “A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente Fl. 874DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 34 alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários”. Nesse mesmo sentido: TRIBUTÁRIO.(...) Sobre a alegação da requerente que suas associadas não exercem atividade lucrativa, assim fundamentou o juízo a quo: “(...). A incidência do imposto de renda, quando da concessão dos benefícios, se dá na fonte e não há vedação para a sua incidência no momento em que há a acumulação de reservas e provisões destinadas ao pagamento de benefício futuros, ou seja um fato gerador é a acumulação, outro é a distribuição”. Assim sendo, para divergir do acórdão recorrido acerca da existência do fato gerador demandaria o reexame de provas e cláusulas contratuais (estatuto social e plano de benefícios), o que encontra óbice nas súmulas 279 e 454 desta Corte. Não se revela cognoscível, em sede de Recurso Extraordinário, a insurgência que tem como escopo o incursionamento no contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, porquanto referida pretensão não se amolda à estreita via do apelo extremo, cujo conteúdo restringese a fundamentação vinculada de discussão eminentemente de direito e, portanto, não servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do arcabouço fáticoprobatório dos autos, face ao óbice erigido pela Súmula 279/STF de seguinte teor, verbis: “Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário”. Sob esse enfoque, ressoa inequívoca a vocação para o insucesso do apelo extremo, por força do óbice intransponível do verbete sumular supra, que veda a esta Suprema Corte, em sede de recurso extraordinário, sindicar matéria fática. Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao recurso extraordinário. Dessa decisão a autora interpôs agravo regimental, julgado em 05 de março de 2013 (o acórdão citado pelo Conselheiro relator), sendo relator o Ministro Fux, que nada acrescentou aos fundamentos declinados na decisão monocrática agravada, e concluiu: Em que pesem os argumentos expendidos nas razões de agravar, resta evidenciado das razões recursais que a parte agravante não trouxe nenhum argumento capaz de infirmar a decisão hostilizada, razão pela qual a mesma deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Ex positis, nego provimento ao agravo regimental . Como visto, diferentemente do que entendeu o ilustre Relator do presente Recurso Voluntário, não se encontra superado pelo Excelso Pretório o argumento de que superávits de entidades sem fins lucrativos não são lucros. Sobre isso não se manifestou. Ao contrário, sobre a alegação da ABRAPP, de que suas associadas não exercem atividade lucrativa, o fundamento para o não conhecimento do Recurso Extraordinário foi que se trata de matéria de prova, tendo a decisão assentado: “Não se revela cognoscível, em sede de Recurso Extraordinário, a insurgência que tem como escopo o incursionamento no contexto fático probatório engendrado nos autos, porquanto referida pretensão não se amolda à estreita via do apelo extremo, cujo conteúdo restringese a fundamentação vinculada de discussão eminentemente de direito e, portanto, não servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do Fl. 875DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 19 35 arcabouço fáticoprobatório dos autos, face ao óbice erigido pela Súmula 279/STF de seguinte teor, verbis: ‘Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário’.” Portanto, o julgado trazido à baila pelo Relator em nada influencia o presente litígio, eis que a fiscalização está exigindo a contribuição sobre superávit, grandeza que não é lucro nem a ele equiparável nos termos do § 3º do art. 12 da Lei nº 9.542, de 1997, uma vez que integralmente aplicado na manutenção do seu objetivo social. Aqui não discute imunidade ou isenção, mas sim a inocorrência do fato gerador. Assim, tal como manifestado no julgado do STF, a eventual ocorrência do fato gerador (lucro) é matéria de fato, que não foi apontada pela autoridade fiscal, tendo a autoridade se limitado a equiparar a lucro o superávit. O Relator transcreve, ainda, voto do Conselheiro Flávio Franco Corrêa (designado para redigir o voto condutor do Acórdão 10322.858 (vencedor pelo voto de qualidade), no qual o insigne Conselheiro desenvolve 36 laudas para “superar a opinião que serviu de paradigma ao voto vencido, que se inspirou na autoridade da consagrada Conselheira Sandra Faroni”. Das 36 laudas do voto do Conselheiro Flávio, 22 dirigiramse a demonstrar que o constituinte derivado tem competência para alterar as regras matrizes constitucionais dos tributos. Embora eficientemente defendido pelo Conselheiro Flávio que o constituinte derivado, no tocante à norma insculpida no art. 72, III, dos ADCT, inserida por ementa constitucional, não ultrapassou os limites impostos pelo constituinte originário, devo chamar atenção para o fato de que o fundamento utilizado pela Conselheira Sandra Faroni para concluir que as emendas constitucionais ECR n° 01/94, EC n° 10/96 e EC n°17/97 não ampliaram a base de incidência nem o universo de contribuintes da contribuição social sobre o lucro não foi a alegação de incompetência para tanto do constituinte derivado. Naquele voto, que serviu de inspiração a inúmeros outros julgados do Conselho, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a Conselheira analisa as referidas emendas constitucionais, e conclui que elas não têm qualquer disposição no sentido de ampliar a base de incidência e o universo dos contribuintes sujeitos à CSLL. O comentário “até porque, segundo a melhor doutrina, o constituinte derivado não se equipara ao constituinte originário, não lhe competindo alterar as regras matrizes constitucionais dos tributos”, encontrase inserido entre parênteses, após a conclusão da relatora, e não a fundamentou. Constituiu, apenas, um “comentário”. A conferir: Acórdão 10193.942 “Para sustentar a exigência, a autoridade autuante e a decisão recorrida constroem um raciocínio indireto, partindo da Emenda Constitucional de Revisão no 1/94, passando pela Emenda Constitucional no 10/96, para concluir que o legislador, ao exercer o poder constituinte derivado, estabeleceu que todas as pessoas jurídicas mencionadas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991, aí compreendidas as entidades de previdência abertas e fechadas, deveriam contribuir para a contribuição social sobre o lucro de que trata a Lei no 7.689/88. Entretanto, tal argumentação não tem consistência, como se verá a seguir A Emenda Constitucional de Revisão no 01, de 01/03/94, com a redação dada pela EC no 10, de 04/03/96, incluiu nos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias o artigo 71, que instituiu o Fundo Social de Fl. 876DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 36 Emergência, para vigorar nos exercícios financeiros de 1994 e 1995 e no período de 1o de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997 . A EC no 17, de 22/11/97, alterou a redação, prevendo que o Fundo vigoraria também nos períodos de 01/07/97 a 31/12/99 (a partir do exercício de 1996, conforme EC 10/96, o fundo passou a denominarse Fundo de Estabilização Fiscal). O art. 72 dos ADCT, também acrescentado pela Emenda Constitucional de Revisão 01/94 e alterado pela EC no 17/97, determina, no seu inciso II, que o Fundo será integrado pela “parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de 1° de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988” . Essas Emendas Constitucionais (ECR no 01/94, EC no 10/96 e EC no 17/97) não ampliaram a base de incidência nem o universo de contribuintes da contribuição social sobre o lucro. Não há, nas referidas Emendas, qualquer disposição nesse sentido. (Até porque, segundo a melhor doutrina, o constituinte derivado não se equipara ao constituinte originário, não lhe competindo alterar as regras matrizes constitucionais dos tributos). Portanto, a base de incidência de CSLL, mesmo após a ECR no 01/94 e as EC nos 10/96 e 17/97 continua a ser o lucro, e contribuintes são todos os que aufiram lucro.(negritos não existentes no original.) Explicada a irrelevância da discussão, para a decisão, sobre a competência do constituinte derivado, passo a analisar as demais considerações contidas naquele voto. O Conselheiro redator do voto condutor do acórdão 10322.858 socorrese de texto de autoria do Ministro Celso de Mello, relator da ''Petição nº 3.270", colhido no Informativo STF nº 370, no qual o brilhante Ministro trata do tema “interpretação conforme a Constituição”, reportandose a artigo do Magistrado André Gustavo C. de Andrade. Traz, também, doutrina de Canotilho, que critica o que denominou de “interpretação da Constituição conforme as leis”. Ancorado nessas lições, assenta o voto ora analisado: “a interpretação entalhada na ementa do arestomodelo esvaziou, por completo, o conteúdo da norma constitucional, tomandoa letra morta, mediante o simplório argumento de que as entidades fechadas de previdência complementar não auferem lucro. Entretanto, as razões de decidir do aresto que o voto vencido tomou como paradigma não denotam, apenas, a erronia que se visibiliza na sujeição da Constituição à norma de escalão inferior. Não bastasse a interpretação de mão invertida pela qual se guiou, é nítido o desacerto na aplicação da própria norma constitucional, porquanto a remissão ao parágrafo primeiro do artigo 22 da Lei n° 8.212/90, constante do artigo 72, III, dos ADCT, não tem outra função a não ser a de referirse ao rol de pessoas jurídicas sujeitas à elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro ao percentual de 30%. Em face de tamanha clareza, o raciocínio cujo remate descerra a conclusão de que o sobredito dispositivo constitucional trata da tributação — não da CSSL — mas da contribuição previdenciária sobre as remunerações pagas — convenhamos — dimana de uma interpretação tão criativa quanto hostil à Carta Magna.” Como visto, o entendimento expressado no trecho supratranscrito foi de que o voto condutor do Acórdão 10193.942, que guiou o voto vencido no julgamento da Terceira Câmara, fez uma errônea “interpretação de mão invertida”, mediante “sujeição da Constituição à norma de escalão inferior.” Fl. 877DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 20 37 Mas não é isso que se vê no voto condutor do acórdão da Primeira Câmara. A “interpretação conforme a Constituição” é um método hermenêutico e de controle de constitucionalidade de norma geral, que tem como fim garantir a compatibilidade da lei ao ordenamento constitucional, devendo ser utilizada, sempre para dar à lei o sentido adequado da Constituição Federal. Como diz Paulo Bonavides, citado por André Gustavo C. de Andrade no artigo a que se reporta o Ministro Celso de Mello na Petição nº 3.270, tratase de “princípio de interpretação da lei ordinária de acordo com a Constituição”. Nas palavras de Gilmar Ferreira Mendes, "oportunidade para interpretação conforme à Constituição existe sempre que determinada disposição legal oferece diferentes possibilidades de interpretação, sendo algumas delas incompatíveis com a própria Constituição."5. O ponto de partida da interpretação da norma sujeita a controle é a presunção de constitucionalidade das normas, da qual se extrai que, entre dois entendimentos possíveis do preceito legal impugnado, deve prevalecer o que seja conforme a Constituição. Em momento algum, no voto (da Primeira Câmara) criticado, foi aferida a constitucionalidade de qualquer disposição legal, nem se valeu, o intérprete, de normas infraconstitucionais para determinar o sentido dos textos constitucionais (interpretação da Constituição conforme a lei), em alegada interpretação de mão invertida. A Relatora daquele acórdão, no seu mister de analisar a legalidade da norma individual concreta (o lançamento do tributo instituído pelo art. 1º da Lei nº .7.689, de 1988), não emitiu nenhum juízo quanto à constitucionalidade da disposição legal. Diversamente, assentou que referida lei foi instituída com base no permissivo constitucional para instituir contribuição sobre o lucro. O que o voto contestou foi a interpretação adotada pela administração tributária, que equiparou superávit a lucro. As referências às emendas constitucionais não se dirigiram a qualquer análise de constitucionalidade de lei, mas tiveram por escopo apenas desconstituir a afirmativa de que as emendas constitucionais referidas instituíram como contribuintes da CSLL todas as pessoas jurídicas mencionadas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991. Na análise da Relatora do voto antes referido, as Emendas Constitucionais cuidaram apenas de instituir o Fundo Social de Emergência, e indicar de onde seriam tirados os recursos para provêlo (no caso do inciso III do art. 72 dos ADCT, do aumento de alíquota da CSLL), sem nenhuma disposição quanto a quem seriam os sujeitos passivos da contribuição, que é atribuição da lei instituidora da exação (Lei nº 7.698/88). Também foi equivocada a compreensão do Conselheiro Flávio Franco Corrêa, de que o “remate” do raciocínio expressado no voto condutor do Acórdão 10193.942 “descerra a conclusão de que o sobredito dispositivo constitucional (inc. III do art. 72 dos ADCT) trata da tributação — não da CSSL — mas da contribuição previdenciária sobre as remunerações pagas” Não é isso que diz o voto, mas sim, que o dispositivo constitucional destinou ao Fundo Social de Emergência a parcela do produto da arrecadação correspondente à elevação de sua alíquota para 30%, para as pessoas jurídicas relacionadas no § 1º do art. 22 da Lei 8.212/91 e que sejam contribuintes da CSLL (segundo a lei instituidora dessa contribuição). Nem de longe o voto insinua que o inciso III do art. 72 trata de contribuições previdenciárias. O que ele diz é que: (i) o § 1º do art. 22 da Lei 8.212/91 instituiu adicional de contribuição previdenciária para as pessoas jurídicas nele relacionadas; (ii) O inciso III do art. 72 dos ADCT institui aumento de alíquota da CSLL para as pessoas jurídicas relacionadas no § 1º do art. 22 da Lei 8.212./91 e que fossem contribuintes da CSLL, destinando o produto da arrecadação desse aumento de alíquota ao Fundo Social de Emergência. Na realidade, quem fez uma interpretação em mão invertida, interpretando a Constituição conforme a lei, foi a autoridade administrativa, ao entender que, ao se reportar às pessoas jurídicas relacionadas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 (que trata de contribuição previdenciária) para aumentar a alíquota da CSLL, o dispositivo constitucional incluiu entre os 5 Jurisdição Constitucional, São Paulo, Saraiva, 1996, p. 222 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 38 contribuintes as entidades de previdência privada fechadas. O dispositivo trata apenas de aumento de alíquota (e destinação da arrecadação decorrente do aumento), declarando expressamente que ficam mantidas as demais normas da Lei nº 7.689/88. Aduziu o Conselheiro Flávio não hesitar “na asseveração de que o voto vencido e seu arestomodelo valeramse do ' nomem juris’ do tributo para a suposição de sua base de incidência.” Também não é o que transparece do mencionado “arestomodelo”, conforme se constata dos excertos a seguir transcritos: “(...) Portanto, buscando seu fundamento de validade no art. 195 da Constituição, com base na autorização à União para instituir a ontribuição sobre o lucro, a Lei no 7.689/88 criou uma contribuição que incide sobre lucro apurado de acordo com a legislação comercial, com os ajustes da lei. (...) Portanto, devese partir para um segundo plano no controle da legalidade do lançamento : averiguar se foi realizado o fato gerador (auferir lucro) e , em caso positivo, se foi o tributo quantificado corretamente ( base de cálculo e alíquota).” Como visto, o aresto não se guiou pelo' nomem juris’ do tributo para a suposição de sua base de incidência, mas sim, pela definição legal de sua base de cálculo. Acrescenta o Conselheiro Flávio que a expressão "resultado do exercício", gravada no corpo do artigo 2° da Lei n° 7.689/99, deve ser adequada “às entidades sem fins lucrativos que se conformam, por adequação típica, às pessoas jurídicas do artigo 72, III, dos ADCT, visando à máxima efetividade que a norma constitucional reclama”. Quanto a essa interpretação “visando à máxima efetividade que a norma constitucional reclama”, vale trazer a lume trechos da mesma doutrina do Magistrado André Gustavo C. de Andrade, a que se reporta o Ministro Celso de Mello no julgado referido pelo Conselheiro Flávio: “É lição corrente da doutrina a de que a interpretação em conformidade com a Constituição não permite a criação de um sentido que não decorra razoavelmente do texto legal. A tarefa interpretativa, apesar do subjetivismo que encerra, encontra limites incontornáveis no texto interpretado. Não pode o intérprete, à guisa de buscar harmonização com a Constituição, retirar conseqüência jurídica evidentemente não emanável da lei interpretada. Por isso, segundo Canotilho, a interpretação conforme à constituição traz, ínsita, o princípio da exclusão da interpretação conforme a constituição mas ‘contra legem’, pelo qual “o aplicador de uma norma não pode contrariar a letra e o sentido dessa norma através de uma interpretação conforme a constituição, mesmo [que] através desta interpretação consiga uma concordância entre a norma infraconstitucional e as normas constitucionais” A legitimidade da interpretação conforme estaria condicionada à existência do que o notável constitucionalista português denomina de espaço de decisão (= espaço de interpretação), pelo qual várias possibilidades interpretativas seriam admissíveis. É enfaticamente ressaltado pela doutrina que a interpretação conforme a constituição não constitui instrumento de salvação da lei ao Fl. 879DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 21 39 custo de uma interpretação forçada, que, ao fim e ao cabo, configure verdadeiro exercício legislativo” Dispondo a lei que a base de cálculo é o resultado do exercício apurado de acordo com a legislação comercial (art. 2º, § 1º, “c” da Lei nº 7.689/98), interpretar essa norma de maneira a alcançar o resultado de entidades sem fins lucrativos, a pretexto de alcançar a máxima efetividade reclamada pela norma veiculada pelo artigo 72, III, dos ADCT , representa, à toda evidência, uma interpretação contra legem, uma interpretação forçada, que, ao fim e ao cabo, configura verdadeiro exercício legislativo, o que não é permitido pelo princípio hermenêutico da interpretação conforme a Constituição, conforme esclarece a doutrina acima transcrita. Resultado do exercício apurado de acordo com a legislação comercial tem um sentido unívoco, é lucro característico de uma sociedade comercial, que o tem como norte, o qual não se identifica com superávit de instituição sem fins lucrativos, que se destina à manutenção e desenvolvimento dos objetivos da entidade e preservação da sua continuidade. Para justificar o entendimento de que “resultado do exercício” é gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit, o Relator do presente processo transcreve as seguintes considerações do Conselheiro Flávio: “De tudo o que salientei, depreendo que a harmonização entre a Lei n° 7.689/88 e o art. 72, III, dos ADCT exige a compreensão de que "resultado do exercício" é gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit. Por conseguinte, pouco importa, para a tributação da CSSL em consonância com o artigo 72, III, dos ADCT, se a entidade de previdência tem finalidade lucrativa ou não. Contudo, a justiça que se exige do órgão julgador requer a segregação das entidades que distribuem benefícios previdenciários decorrentes, exclusivamente, de contribuições da própria mantenedora. Isto porque a jurisprudência da Corte Suprema acolheuas no seleto grupo das instituições de assistência social, albergadas, em conseqüência, pelo manto da imunidade prevista no art. 195, § 7°, da Constituição da República, a teor das informações que emanam das seguintes ementas: "IMUNIDADE ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Na dicção da ilustrada maioria, entendimento em relação ao qual guardo reservas, o fato de mostrarse onerosa a participação dos beneficiários do plano de previdência privada afasta a imunidade prevista na alínea "c" do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal. Incide o dispositivo constitucional, quando os beneficiários não contribuem e a mantenedora arca com todos os ânus. Consenso unânime do Plenário, sem o voto do ministro Nelson Jobim, sobre a impossibilidade, no caso, da incidência de impostos, ante a configuração da assistência social." (RE 259.756, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 29.08.2003) (os grifos não estão no original) "CONSTITUCIONAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMUNIDADE TRIBUTARIA. INEXISTÊNCIA. 1. Entidade fechada de previdência privada. Concessão de benefícios aos filiados mediante recolhimento das contribuições pactuadas. Imunidade tributária. Inexistência, dada a ausência das características de universalidade e generalidade da prestação, próprias dos órgãos de assistência social. 2. As instituições de assistência social, que trazem ínsito em suas finalidades a observância ao princípio da universalidade, da generalidade e concede benefícios a toda coletividade, independentemente de contraprestação, não se confundem e não podem ser comparadas com as entidades fechadas de previdência privada que, em decorrência da relação contratual firmada, apenas contempla uma categoria específica, ficando o gozo dos benefícios previstos em seu estatuto social dependente do recolhimento das contribuições avençadas, conditio sine qua non para a respectiva Integração no sistema. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 40 Recurso extraordinário conhecido e provido." (RE, 202.700, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 01.03.2002) (os grifos não estão no original) Ao fim, os autos denunciam, entretanto, que a autuada não está incluída na categoria das instituições de assistência social, uma vez que a relação jurídica da qual se deriva o sistema previdenciário aludido não dispensa — ao contrário, impõe – a participação dos beneficiários em seu custeio.” Além de tratarse de verdadeira interpretação forçada e verdadeiro exercício legislativo, vedado ao intérprete, conforme acima referenciado, posto que contraria a letra da norma (resultado do exercício apurado com observância da lei comercial), a linha argumentativa desenvolvida no trecho acima reproduzido prestase exclusivamente para fundamentar decisão acerca da inocorrência de imunidade das entidades de previdência sem fins lucrativos em que haja contribuição dos participantes. Mas não se presta a responder a questão que realmente interessa neste litígio, que é a da ocorrência do fato gerador. Porque o fato de a pessoa jurídica não ser imune não basta para que dela seja exigida a contribuição. A prática do fato gerador é condição para o nascimento da obrigação tributária. Portanto, imprestável a argumentação acima transcrita, uma vez que a circunstância de não estar ao abrigo de imunidade não responde à questão relativa à ocorrência do fato gerador. O cerne da solução do litígio situase em definir se o superávit de instituição sem fins lucrativos, por si só, sem qualquer outra indagação, equiparase a lucro da empresa para fins de incidência da CSLL. E quanto a isso, não tenho dúvida em responder que não, porque lucro da empresa é conceito do direito privado utilizado expressamente para atribuir competência, não cabendo ao aplicador do direito alargálo. Reafirmo que a fiscalização poderia ter equiparado o resultado da Capemi a lucro (e lançado a CSLL) se, com base no § 3º do art. 12 da Lei nº 9.542, de 1997, tivesse descaracterizado sua natureza de entidade sem fins lucrativos, mediante demonstração de que o superávit obtido não foi destinado exclusivamente aos objetivos sociais da Recorrente (programas previdenciários e programas filantrópicos). Mas isso não ocorreu. Assim, repito, o ponto nodal, sobre o qual repousa o auto de infração, é a equiparação pura e simples, a lucro, de superávit obtido por entidade sem fins lucrativos. Discussão análoga travouse, na esfera administrativa, em relação às sobras líquidas auferidas pelas sociedades cooperativas de crédito. A matéria de fundo é a mesma pois, (i) assim como as entidade de previdência privada sem fins lucrativos, as cooperativas de crédito encontramse entre as relacionadas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, e (ii) as sociedades cooperativas também são sociedades de natureza civil, sem fins lucrativos, conforme estabelece a Lei nº 5.764, de 1971: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: Fl. 881DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 22 41 Na sociedade cooperativa, o resultado positivo dos atos cooperados é designado na lei por “sobras líquidas” (art. 4º, inc. VII, art. 44, I, “c” e art. 80, parágrafo único, inciso II), enquanto nas entidades de previdência sem fins lucrativos é superávit. O entendimento da administração tributária era de que a Lei nº 8.212/91, ao incluir as cooperativas de crédito entre pessoas jurídicas relacionadas no § 1º do art. 22, teria instituído para elas a CSLL, independentemente de seu resultado positivo não caracterizar “lucro”, mas sim,“sobras”. Raciocínio idêntico ao adotado para as entidades de previdência privada sem fins lucrativos, quanto aos seus superávits. Pesquisa da jurisprudência do Conselho nos últimos 10 anos mostra que, invariavelmente, as decisões foram no sentido de que as sobras líquidas resultantes dos atos cooperativos não podem ser equiparadas a lucros (acórdãos nº 10193.828 de 21/05/2002, 107 07.459/2003, 10805.371/2003, 10805.373/2003, 10805.374/2003, 10807.540/2003, 108 07.590/2003, 10514.456/2004, 10707.459/2004, 10707.577/2004, 10707.729/2004, 108 07.863/2004 10807.867/2004, 10807.886/2004, 10808.081/2004, 10808.130/2004, 101 95.004/2005, 10195.100/2005, 10195.138/2005, 10195.169/2005, 10195.194/2005, 101 95.956/2004, 10322.216/2005, 10708.044/2005, 10708.129/2005, 10708.130/2005, 107 08.237/2005, 10808.842/2005, 10195.391/2006, 10322.777/2006, 10808.775/2006, 103 22.735/2006, 10708.906/2007, 10516.689/2008, 10517.076/2008, 180200.028/2009, 1802 00.069/2009, 180300.170/2004, 180300.187/2009, 180400.014/2009, 120100.340/2010, 120100.345/2010, 120100.350/2010, 120100.359/2010, 120200.392/2010, 1302 00261/2010, 180100.371/2010, 180200.719/2010, 180200.721/2010, 180200.739/2010, 180200.754/2010, 110100.463/2011, 120200.392/2011, 120200.560/2011, 1802 00.022/2011). E na Câmara Superior de Recursos Fiscais: acórdãos CSRF/0101.734/1994, CSRF/0104.202/2002, CSRF/0104.381/2003, CSRF/0104.445/2003, CSRF/0104.910/2004, CSRF/0105.153/2004, CSRF/0105.284/2005, CSRF/0105.645/2007, CSRF/0105.874/2008, 910100207/2009, 910100.266/2009, 919199.267/2009, 910100.308/2009, 910100312/09, 910101.156/2012, 910101.552/2013. .... Para que se entenda que a causa de decidir nos processos envolvendo cooperativas aplicase aos envolvendo entidades de previdência sem fins lucrativos, trago trechos elucidativos de ementas e/ou votos de alguns dos acórdãos acima mencionados: AC. 10193.828, de 21/05/2002 Ementa CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – COOPERATIVA DE CRÉDITO – O fato de as cooperativas de crédito estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1º, da Lei n° 8.212/91, não implica a tributação do resultado dos atos cooperados por elas praticados. O ato cooperado não configura operação de comércio, seu resultado não é lucro e está situado fora do campo de incidência da Contribuição Social instituída pela Lei n° 7.689/88. Acórdão 180300.187, de 30/09/2009 Ementa: COOPERATIVAS CSLL COOPERATIVA SOBRAS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO As sobras apuradas pelas cooperativas, resultado de atos Fl. 882DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 42 exclusivamente cooperativos, não podem ser confundidas com o lucro. Os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91 não ensejam o entendimento de que a CSLL deva incidir sobre as denominadas "sobras", mas somente sobre a renda derivada de atos nãocooperativos. Ac. CSRF/0104.381, de 24/02/2003 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — COOPERATIVA DE CRÉDITO — A circunstância de as cooperativas de crédito enquadraremse como instituições financeiras, segundo o artigo 22, §1°, da Lei n° 8212/91, não resulta em legitimar a tributação segundo o resultado dos atos cooperados. O ato cooperado não configura operação de mercado. O seu resultado não é lucro e está situado fora do campo de incidência da Contribuição Social instituída pela Lei n° 7.689/88. Ac. 10514.456, de 13/05/2005: Voto: “(...) O constitucionalista bem como o legislador ordinário elegeu como base da contribuição em lide, O LUCRO, não qualquer outra figura, logo o administrador somente poderá exigir o referido tributo sobre tal hipótese, sendo, portanto vedado exigilo sobre as SOBRAS da cooperativa.” Ac. 120100.392, de 24/01/2011 Voto: “(...) Os arts. 3º e 4º da Lei nº 5.764, de 1971, estipulam claramente algumas diferenciações em relação às demais sociedades empresariais, podendose destacar que as sociedades cooperativas tem “natureza civil” e devem atuar “sem objetivo de lucro”. Por esse motivo, os dispositivos da referida lei tratam os possíveis resultados obtidos como “sobras”, não se referindo, em nenhum momento, no auferimento de “lucros”. Além disso, o “ato cooperativo” não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias, como explicitado no próprio art. 79, parágrafo único da lei das cooperativas, o que afasta o caráter mercantil presente nas sociedades em geral. Assim, da leitura das normas legais que regem as sociedades cooperativas depreendese que os resultados obtidos por essas sociedades, em razão dos atos cooperativos, são denominadas “sobras”, com destinação própria definidas na lei, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689, de 1988, que exige a ocorrência de “lucro”, termo de conteúdo diverso e bem definido em nosso ordenamento jurídico, que se relaciona à atividade mercantil.” .... A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido foi instituída pela Lei nº 7.689/88, que tratou de sua incidência, definiu sua base de cálculo e alíquota. A Lei nº 8.212/91 (Lei Orgânica da Seguridade Social) em nada altera as normas de incidência e base de cálculo da Lei nº. 7.689/88 (e alterações posteriores), contendo apenas dispositivo (o art. 23) que trata de alíquota. Portanto, equivocada a interpretação de que o § 1o art. 23 da Lei 8.212/91 alterou a Lei 7.689/88, no tocante à base de cálculo da CSLL e universo de contribuintes alcançados. Repitase: no que se refere à contribuição social sobre o lucro, a Lei nº 8.212/91 só trata de alíquota. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 19740.720171/200960 Acórdão n.º 9101001.978 CSRFT1 Fl. 23 43 Também é improcedente a afirmativa de que o art. 15 da referida lei espanca qualquer dúvida quanto à incidência da CSLL sobre entidades sem fins lucrativos. .... O fato de o art. 15 mencionar que “se considera empresa a sociedade que com fins lucrativos ou não” é insuficiente para concluir que a entidade sem fins lucrativos é contribuinte da CSLL. Como já dito em momento anterior deste voto, para o nascimento da obrigação tributária exigese a materialização do fato gerador. A regra matriz de incidência da CSLL pode ser assim decomposta: Se a pessoa jurídica apurar lucro, então, deve ser o pagamento da CSLL. Portanto, não basta haver uma disposição em lei (que, inclusive, não é a instituidora do tributo) equiparando sociedade sem fins lucrativos a empresa, para concluir que a entidade sem fins lucrativos deve pagar CSLL. Se .o artigo 15 da lei tivesse a amplitude que lhe atribui o Relator, os órgãos e entidades da administração pública direta, que o dispositivo também considera “empresa”, deveriam pagar CSLL. A interpretação de qualquer dispositivo legal dissociado do ordenamento como um todo conduz a esse absurdo. É obvio que a equiparação a empresa estabelecida no art. 15, é para efeitos de considerar as pessoas nele referidas incluídas no Capítulo IV ( Da Contribuição das Empresas), na medida em que pratiquem o fato gerador. Assim, por exemplo, os órgãos da administração pública direta são equiparados a empresa no sentido de que devem pagar a “contribuição a cargo da empresa” referida no art. 22, sempre que pagarem qualquer das remunerações ali previstas. Da mesma forma, as entidades sem fins lucrativos. ... Além de todas as razões expendidas neste voto para divergir do ilustre relator, confortame saber que o faço em boa companhia, pois assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (em relação a entidades fechadas), todas as vezes em que a matéria lhe foi submetida (exigência de CSLL de entidade de previdência sem fins lucrativos). Acórdão CSRF/0106013/2008 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Exercício: 1998, 2000, 2001, 2002 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO INSTITUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA. O pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades de previdência privada fechadas obedecem a uma planificação e normas contábeis próprias, impostas pela Secretaria de Previdência Complementar, segundo as quais não são apurados lucros ou prejuízos, mas superávits ou déficits técnicos, que têm destinação específica prevista na lei de regência. O Fl. 884DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 44 superávit técnico apurado pelas instituições de previdência privada fechada de acordo com as normas contábeis a elas aplicáveis ao se identifica com o lucro líquido do exercício apurado segundo a legislação comercial. O fato de as instituições de previdência privada fechada estarem incluídas entre as instituições financeiras arroladas no artigo 22, § 1°, da Lei nº 8.212/91, não implica a tributação do superávit técnico por elas apurados.(negritos apostos) Recurso especial provido. (....) IV Consideração finais Encerro as longas considerações que tomei por empréstimo e retomo a matéria para dizer que, quanto à natureza jurídica, não vejo distinção entre "resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas" e "resultado positivo ou superavit obtido pelas instituições sem fins lucrativos.". Se em relação às Cooperativas o CARF editou a Súmula CARF nº 83 dispondo que "o resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ‐ CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004,” não encontro razões jurídicas para sustentar a exigência de CSLL em relação à situação caracterizada pela mesma natureza jurídica. No presente processo não se trata de imunidade e tampouco de isenção, mas sim de situação caracterizada pela não incidência. Quando o artigo 195, I, c, da Constituição outorga competência à União instituir contribuição social sobre o lucro e a Lei nº 7.689, de 1988, instituiu a contribuição social sobre o lucro, há que se entender por lucro o real significado que este possui no direito privado, isto é, resultado positivo da atividade econômica para ser partilhado entre os sócios, não podendo ser confundido com superavit das entidades de previdência privada, sem fins lucrativos, sob pena de violar, no mínimo, o disposto no artigo 110 do CTN. ISTO POSTO, pedindo vênia ao relator, voto por dar provimento ao recurso, acompanhando a divergência inaugurada pela Conselheira Karen. (Assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 885DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por KAREM JUREIDI NI DIAS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalm ente em 06/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000432/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006, 2007
ITR. ÁREA COM PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a existência de área com produtos vegetais, esta deve ser considerada para efeitos de determinação do grau de utilização do imóvel.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2101-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006, 2007 ITR. ÁREA COM PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência de área com produtos vegetais, esta deve ser considerada para efeitos de determinação do grau de utilização do imóvel. Recurso de ofício negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11444.000432/2010-06
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5400158
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2101-002.616
nome_arquivo_s : Decisao_11444000432201006.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 11444000432201006_5400158.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5731184
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254158278656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 143 1 142 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11444.000432/201006 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2101002.616 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2014 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KIAPARACK PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006, 2007 ITR. ÁREA COM PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência de área com produtos vegetais, esta deve ser considerada para efeitos de determinação do grau de utilização do imóvel. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 04 32 /2 01 0- 06 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (efls. 123/129), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de e fls. 03/12, lavrado em 07 de maio de 2010, em virtude da falta de recolhimento do ITR, verificada nos exercícios de 2006 e 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006, 2007 Área de Preservação Permanente – Matéria não impugnada Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado. Área Utilizada pela Atividade Rural – Comprovação Parcial É possível rever o lançamento que glosou áreas utilizadas pela atividade rural, por ausência de comprovação solicitada, se a impugnação estiver acompanhada dos comprovantes, mesmo que parcialmente. Valor da Terra Nua – VTN – Ausência de comprovante O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (efl. 123). Não houve interposição de recurso voluntário, conforme Representação n.º 2013/007 (efl. 138). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Tratase de auto de infração lavrado em 07/05/2010, por meio do qual o contribuinte foi intimado a recolher crédito tributário de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercícios de 2006 e 2007, relativo ao imóvel denominado Fazenda Macaco e Alto do Turvo, em virtude da glosa das áreas apontadas como Área de Preservação Permanente Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11444.000432/201006 Acórdão n.º 2101002.616 S2C1T1 Fl. 144 3 (APP), Área com Produtos Vegetais (APV) e do arbitramento do VTN, utilizandose o constante da tabela SIPT. Na impugnação apresentada (efls. 41/44), o contribuinte não impugnou especificamente a glosa relativa à apontada Área de Preservação Permanente, tampouco juntou aos autos Laudo Técnico emitido em consonância com as normas da ABNT, que comprovasse o Valor da Terra Nua – VTN apontado em sua DITR, restando preclusas, portanto, tais matérias. No entanto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), ao analisar a documentação trazida pelo contribuinte quando da apresentação de sua impugnação, entendeu que restara comprovada a cultura de canadeaçúcar naquela propriedade, conforme Laudo Técnico elaborado em novembro de 2006. Diante disso, houve novo cálculo do imposto devido, considerandose a área de cultivo demonstrada pelo contribuinte. De fato, o documento trazido aos autos (efl. 77 e seguintes) comprova o cultivo daquela cultura em 1.153,5 ha. da propriedade. Tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar a existência da Área com Produtos Vegetais (APV) apontada em sua DITR, conforme o termo de intimação fiscal, deve ser esta considerada para efeitos de determinação do grau de utilização da propriedade, mantendose, portanto, a decisão recorrida, por seus próprios fundamentos: “23. Com relação à produtividade, sujeito passivo afirmou que na propriedade se desenvolve a cultura de canadeaçúcar e, para comprovar, apresentou laudo técnico elaborado em novembro de 2006. 24. Da análise da argumentação e do trabalho técnico se verifica que, dos 1.427,4 ha. de APV declarada, nesse documento se atesta o cultivo 1.153,5 ha. de canadeaçúcar, executado em 2006 visando a safra 2007/2008. 25. Tendo em vista que o comprovante solicitado pelo fisco com relação à APV foi o referido laudo é possível considerar a dimensão nele apurada.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902022/2011-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10850.902022/2011-10
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5385210
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-000.829
nome_arquivo_s : Decisao_10850902022201110.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10850902022201110_5385210.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5646226
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254160375808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 127 1 126 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.902022/201110 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.829 – 1ª Turma Especial Data 18 de setembro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente RODOBENS CORPORATIVA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 02 2/ 20 11 -1 0 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902022/201110 Resolução nº 3801000.829 S3TE01 Fl. 128 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, transmitido em 22 de setembro de 2005, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 691,57, em 15 de outubro de 2002, relativo ao período de apuração de setembro de 2002. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD), à folha 5, emitido em 6 de junho de 2011, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf discriminado no PER/Dcomp, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada com o indeferimento do pedido de restituição, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o pagamento informado na ficha Darf do Pedido de Restituição foi realizado por meio de compensação, conforme comprova a Declaração de Compensação no processo administrativo nº 10850.002617/200282 que junta aos autos. A contribuinte argumenta, ainda, que não obstante o erro de preenchimento, tal fato não prejudica seu direito creditório, em razão dos princípios da estrita legalidade e da verdade material, entre outros. Por fim, a contribuinte requer a produção de perícia, realização de diligência e juntada de documentos. Em 09 de agosto de 2013, esta Turma proferiu o Acórdão nº 0732.222 equivocadamente, uma vez que o Despacho Decisório em litígio se refere a Pedido de Restituição. Este voto, portanto, tem como objetivo retificar o citado Acórdão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. INDEFERIMENTO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902022/201110 Resolução nº 3801000.829 S3TE01 Fl. 129 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ESPÉCIE DE PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. LIMITES DA APRECIAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA No âmbito dos pedidos de restituição, a apreciação administrativa da regularidade do procedimento do contribuinte se limita à aferição da existência de crédito contra a Fazenda Nacional estritamente informado no Pedido de Restituição (PER) eletrônico. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, na essência: · que o crédito pleiteado se refere à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição PIS, de receitas estranhas ao conceito de faturamento dada a inconstitucionalidade do artigo 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9718/98; · pede vénia para que, em observância ao princípio da economia processual, seja determinada a reunião dos processos que versam sobre a mesma matéria; · que a não retificação do pedido de restituição não interfere na obrigação principal (recolhimento do imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente; · que, por um escusável lapso por parte da ora Recorrente, deixou de ser informado no pedido de restituição em análise que o pagamento no qual se lastreia o crédito nele pleiteado não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através da declaração de compensação em discussão no processo administrativo n. 10850.002617/200282, cuja cópia foi oportunamente apresentada junto com sua manifestação de inconformidade; · que para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer, nos termos da alínea "c", do parágrafo 4o, do art. 16, do Decreto n. 70235/72, a juntada aos presentes autos do livro razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado; · que essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei n. 9718/98; bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria; Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902022/201110 Resolução nº 3801000.829 S3TE01 Fl. 130 4 · que a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9718/98, com fulcro no inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11941, de 27.5.2009 e também no Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), no seu art. 62, parágrafo 1o, inciso I, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22.6.2009; Assim, requer, requer que o seu recurso seja conhecido e provido, reformando se o v. acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição do PIS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9718/98, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o Relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902022/201110 Resolução nº 3801000.829 S3TE01 Fl. 131 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre valores de PIS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, nas PER/DCOMPs que utilizaram este crédito não houve pagamento no sentido estrito e sim compensação do débito informado como pagamento indevido. Diante disso, o pagamento não foi localizado, sendo exarado Despacho Decisório indeferindo a restituição pleiteada. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, caso o contribuinte não informe corretamente os dados do pagamento ele efetivamente não será localizado, o que de fato ocorreu conforme consta no Despacho Decisório. Nesse procedimento não se está adentrando efetivamente no mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Não obstante os equívocos cometidos pela recorrente na formalização do pedido de restituição, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, conforme ensina Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902022/201110 Resolução nº 3801000.829 S3TE01 Fl. 132 6 inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 1 Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados. Neste sentido, os documentos colacionados, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da restituição com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à demonstração e comprovação da existência do indébito, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Todavia, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que instituiu nova base de cálculo para a incidência de PIS e da Cofins, no julgamento dos RE 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, conforme ementa abaixo: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e 1 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 78. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902022/201110 Resolução nº 3801000.829 S3TE01 Fl. 133 7 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF, RE 390.840, j. em 09/11/2005) Destaquese que o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJE nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral da questão constitucional e reafirmou a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF No mais, o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 27/05/2009 e o artigo 62 do RICARF, estabelecem estar vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, com exceção dos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, no que também se amolda o presente caso. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de PIS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, no caso vertente a recorrente informa que o indébito no qual se lastreia o crédito nele pleiteado não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através de compensação, formalizada por meio da declaração de compensação apresentada Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902022/201110 Resolução nº 3801000.829 S3TE01 Fl. 134 8 no processo administrativo n. 10850.002617/200282, cuja cópia foi oportunamente apresentada junto com sua manifestação de inconformidade. Não obstante a compensação declarada extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, necessário se faz a verificação da liquidez e certeza do crédito a ser restituído ou compensado, nos termos do artigo 170 do CTN. Para que se possa verificar se houve a extinção do crédito tributário e o atendimento aos pressupostos de certeza e a liquidez do crédito pleiteado, que possam ensejar a repetição do indébito, devese solicitar que a Delegacia de origem informe qual a situação do débito compensado. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Informe qual a situação do débito compensado no processo administrativo n. 10850.002617/200282 e colacione cópia do Despacho Decisório homologando ou não a compensação, caso haja; b) Caso tenha sido interposto recurso, aguarde o encerramento do contencioso administrativo no âmbito do processo nº 10850.002617/200282 e após a liquidação da decisão definitiva informe qual a situação do débito compensado relativo a PIS (8109), apurado no período de setembro de 2002; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10469.905430/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
IRPJ - PAGAMENTO POR ESTIMATIVA - RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO
Conforme a Súmula CARF nº 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1102-001.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, porém sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela Unidade de Jurisdição e pela Turma Julgadora, razão pela qual os autos devem retornar à Delegacia de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade de crédito pretendido em compensação.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Douglas Bernardo Braga, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e. João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 IRPJ - PAGAMENTO POR ESTIMATIVA - RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO Conforme a Súmula CARF nº 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10469.905430/2009-12
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5390116
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-001.143
nome_arquivo_s : Decisao_10469905430200912.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10469905430200912_5390116.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, porém sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela Unidade de Jurisdição e pela Turma Julgadora, razão pela qual os autos devem retornar à Delegacia de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade de crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Douglas Bernardo Braga, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e. João Otávio Oppermann Thomé.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5668502
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254170861568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.905430/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.143 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente GUARARAPES CONFECÇÕES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ PAGAMENTO POR ESTIMATIVA RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO Conforme a Súmula CARF nº 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, porém sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela Unidade de Jurisdição e pela Turma Julgadora, razão pela qual os autos devem retornar à Delegacia de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade de crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 54 30 /2 00 9- 12 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10469.905430/200912 Acórdão n.º 1102001.143 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Douglas Bernardo Braga, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e. João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão nº 1132.311 (fls.60/71) proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE (DRJ/REC), na sessão de 10 de dezembro de 2010, que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade protocolizada em decorrência da não homologação da DCOMP nº 37551.26243.280607.1.3.046908, enviada em 28 de junho de 2007 fl.55. Em suma, na data acima informada, a Contribuinte efetuou pedido de compensação de crédito no valor de R$ 78.574,96 (fl. 56), decorrente do recolhimento indevido de estimativa de IRPJ, paga em 31/10/2006 (fls.51), com débito de IRPJ, apurado em outubro de 2006 (fl. 58). Entendeu o AuditorFiscal pela impossibilidade da compensação, fundamentando que pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, conforme consta à fl. 34: “Limite de crédito analisado, correspondente ao valor de crédito original na data da transmissão, informado no PER/DCOMP: 78.574,96. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi contestada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.”. A decisão da Autoridade Fiscalizadora registrou, em seguida, as características do DARF e o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos, em seu entender, indevidamente compensados, para pagamento até 30/10/2009 (fl. 34): Período de Apuração Código de Receita Valor Total do DARF Data de Arrecadação 30.09.2006 2362 796.676,02 31/10/2006 Principal Multa Juros 78.574,96 15.714,99 25.521,14 A Contribuinte, às fls. 1/22, se contrapôs ao despacho decisório por meio da manifestação de inconformidade, instruída com os documentos de fls. 23/52. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10469.905430/200912 Acórdão n.º 1102001.143 S1C1T2 Fl. 4 3 Em suma, alegou "existência do direito creditório, já que no mês de setembro de 2006 a Manifestante apurou IRPJ a pagar no montante de R$ 999.355,99, sendo que o montante total vinculado ao pagamento foi de R$ 1.489.92,85, ou seja, perfazendo um crédito de R$ 490.567,86" fl. 20. Alega que compensou o suposto crédito com débito de IRPJ referente Outubro/2006. Requereu que fosse utilizado o princípio da retroatividade benigna, tendo como parâmetro a IN RFB 900/08, a qual revogou a IN RFB 600/05, ora utilizada. Desta forma não haveria mais que se falar que: "a compensação de valores pagos a maior/indevidamente nas antecipações de IRPJ e CSLL somente pode ser realizada ao final do anocalendário ou que tais valores sejam utilizados para compor o saldo negativo" – fl. 21. Por fim, requereu que não se aplicasse multa e juros moratórios, "já que o fato caracterizador da mora não se concretizou, qual seja o atraso no pagamento" fl. 21. A 5ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade, considerou o crédito improcedente. O voto de n° 1132.311, proferido na sessão de 10 de dezembro de 2010, assim foi ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ – PAGAMENTO POR ESTIMATIVA – RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O valor de IRPJ pago por estimativa, se não for utilizado para o pagamento do IRPJ devido na apuração final do exercício, só se torna restituível/compensável quando compuser o saldo negativo de IRPJ. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. Os fundamentos da decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/REC podem ser assim resumidos: "Como se sabe, na hipótese de pagamento a título de estimativa mensal de Pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou, então, para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, de acordo com a legislação que rege a matéria, razão da não homologação da compensação efetivada pela defendente." fl. 64. (...) "A INSRF n° 600, de 2005, era a norma vigente à época do fato gerador objeto da presente lide" fl. 69. (...) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10469.905430/200912 Acórdão n.º 1102001.143 S1C1T2 Fl. 5 4 "(...) as disposições do artigo 6°, parágrafo 1°, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, são claras, no sentido de que não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, apurados na forma do artigo 2° dessa Lei (...)" fl. 69. (...) “Portanto, a compensação não homologada pelo Despacho Decisório objeto do presente processo, obedeceu às disposições legais e NÃO há que se falar no benefício da retroatividade previsto no artigo 106 e incisos do CTN” – fl. 70. (...) "(...) no que concerne à alegação de que não caberia a aplicação da multa e dos juros incidentes sobre o valor devedor consolidado, há apenas que ressaltar que se tratam de obrigações acessórios decorrentes desse valor, que corresponde a débitos indevidamente compensados, nos termos do despacho decisório." fl.71. A Contribuinte, objetivando ver reformado o acórdão n° 1132.311, da 5ª Turma da DRJ/REC, interpôs Recurso Voluntário (fls. 76 a 96 e anexos fls. 97/1120). A despeito de não inovar os seus fundamentos, merecem transcrições os seguintes trechos do recurso: “(...) a lei não impossibilita a compensação dos valores recolhidos a maior que o devido a título de estimativa.” – fl. 84. (...) “Doutos Conselheiros, no caso em tela o Sr. AFRF, equivocadamente, entendeu pela inexistência de direito creditório apenas e tão somente pelo fato de o mesmo ter sido declarado na DCOMP como decorrente de pagamento a maior/indevido e não como saldo negativo de IRPJ” fl. 87. (...) “Em não havendo mais a restrição para a utilização desta espécie de crédito na IN RFB nº 900/08, imperioso concluir que o indeferimento do direito creditório não pode prosperar, já que o procedimento questionado passou a ser permitido, sendo, portanto, inquestionável por parte das autoridades fiscais.” – fl. 93. Por fim, requereu que “seja afastada a exigência de multa e juros de mora pelos motivos já expostos” fl. 96. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10469.905430/200912 Acórdão n.º 1102001.143 S1C1T2 Fl. 6 5 I DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos dos art. 7º, § 1º1, do Regimento Interno do CARF, combinado com o art. 2º, inciso I2, desse mesmo diploma, os recursos interpostos em processo de compensação, cujo crédito alegado seja IRPJ, é da competência desta 1ª Seção. No que tange à legitimidade, a petição está assinada pelo presidente da pessoa jurídica Recorrente (fl. 96), o qual, nos termos dos documentos de fls. 103 e 105, possui poderes para a prática desse ato. A tempestividade do recurso é confirmada pelo despacho de encaminhamento à fls. 121. Correta a certidão, pois a decisão proferida pela DRJ em 10/12/2010 (fl. 60) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 14/02/2011, uma segundafeira (fl.74). É fato a ser mencionado que pelo envelope endereçado à Delegacia da Receita Federal de Natal/RN – o recurso foi interposto via postal (fl.75) – não é possível confirmar a data da postagem, porém a análise da tempestividade não fica prejudicada, já que é possível ver a data do carimbo do Correio no envelope, qual seja 14/03/2011. Considerando que o primeiro dia do prazo foi 14/02/2011 e o último o dia 16/03/2011, vêse a tempestividade do ato, à luz das normas previstas no art. 33, do Decreto 70.235/70 e no ADN COSIT n° 19/19973. Sob essas premissas, conheço do recurso interposto pela Recorrente. II DO PONTO CONTROVERTIDO Ultrapassando o juízo de admissibilidade, vêse que a única questão controvertida é a possibilidade de restituir/compensar pagamento indevido ou a maior de IRPJ no curso do anocalendário. É importante frisar que não se tratam de pontos controvertidos: i) a ilegalidade do art.10 da instrução normativa, ii) a retroatividade benigna do art.11 da IN RFN nº 900/2007, e neste momento, a aplicação de multa e juros quando da não homologação da DCOMP. 1 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. §1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. 2 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); 3 A petição poderá ser encaminhada, também, por intermédio dos correios e será considerada como data da entrega a data da respectiva postagem constante da aviso de recebimento e na falta dela a data constante do carimbo aposto pelos correios no envelope, quando da postagem da correspondência.” Ato Declaratório Normativo nº 19, de 26/05/1997, da Corregedoria Geral do Sistema de Tributação, da SRF, publicado no DOU nº 99, de 27/05/1997 p. 10.997. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10469.905430/200912 Acórdão n.º 1102001.143 S1C1T2 Fl. 7 6 III IRPJ – PAGAMENTO POR ESTIMATIVA – RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Inicialmente, necessário alegar que assuntos referente legalidade e constitucionalidade não competem a esta instância administrativa, nos termos da Súmula do CARF nº 2. No que tange ao pagamento indevido ou a maior de IRPJ por estimativas, assiste parcial razão à Recorrente. Com efeito, o entendimento da Administração Tributária restou superado conforme reconheceu a Súmula nº 84 deste e. Tribunal: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. O pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Desta forma, se o valor pago foi efetivamente maior ao devido, essa diferença é passível de restituição ou compensação, inclusive, no curso do anocalendário. Todavia, como a Delegacia não se manifestou sobre a existência do crédito, este e. Tribunal não pode decidir sobre a homologação do pedido, razão pela qual, os autos devem retornar à Delegacia de origem para verificação quanto ao direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário reconhecendo a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, porém sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela Unidade de Jurisdição e pela Turma Julgadora, razão pela qual os autos devem retornar à Delegacia de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade de crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
score : 1.0
