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Numero do processo: 13873.000293/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. NULIDADE. LANÇAMENTO DOS AUTOS JÁ CANCELADO.
Deve-se cancelar a multa por atraso na entrega de declaração cobrada nestes autos, pois foi constituída por lançamento cancelado por despacho decisório posterior.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-000.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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NULIDADE. LANÇAMENTO DOS AUTOS JÁ CANCELADO. Devese cancelar a multa por atraso na entrega de declaração cobrada nestes autos, pois foi constituída por lançamento cancelado por despacho decisório posterior. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ Caio Marcos Candido Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. EDITADO EM: 16/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, 18/02/2011 por CAIO MARCOS CAND IDO 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 2, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência no valor de R$800,05. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva, alegando que auferiu rendimentos de R$14.604,53, mas que a autuação considerou um imposto devido de R$26.668,46. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, pois considerou que o contribuinte estava obrigado a declarar pelo valor dos rendimentos tributáveis, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 15 a 16): Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. É cabível a cobrança da penalidade, quando o sujeito passivo obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual, não o faz tempestivamente. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 30/11/2007 (fl. 20), o contribuinte apresentou, em 4/12/2007, o recurso de fls. 22 a 30, onde esclarece que, após receber a notificação de lançamento deste processo, recebeu outra notificação de lançamento que cancelava a anterior por erro de cálculo, apresentando documentação comprobatória. Ao final, pugna pelo cancelamento da penalidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 37, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, 18/02/2011 por CAIO MARCOS CAND IDO Processo nº 13873.000293/200511 Acórdão n.º 210100.960 S2C1T1 Fl. 39 3 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte apresentou, no dia 22/07/2005, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do exercício de 2005 (fls. 03 a 08), declarando rendimentos tributáveis de R$14.604,53. A Instrução Normativa SRF nº 507, de 11 de fevereiro de 2005, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art 1o, inciso I, que estava obrigado a declarar quem recebesse rendimentos tributáveis acima de R$ 12.696,00 (doze mil, seiscentos e noventa e seis reais), e fixava o prazo de entrega para 29/04/2005 (art. 3°). Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste e por fazêlo em atraso, o contribuinte estava sujeito à aplicação de penalidade. Por isso, recebeu a notificação de lançamento de fl. 2, objeto deste processo, em 25/08/2005 (fl. 34) Entretanto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP, verificando que o cálculo estava incorreto, proferiu despacho decisório cancelando o lançamento anterior, e emitiu nova notificação de lançamento, cobrando multa no valor de R$165,74 (fl. 26), que já foi paga (fls. 27 e 33). Por sua vez, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento não percebeu o erro no cálculo da multa nem a revisão do lançamento, e manteve a autuação (fls. 15 a 16). Já a Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia em Bauru recusouse a fazer a revisão do lançamento, pois considerou que este estava cancelado, e encaminhou os autos à Agência da Receita Federal do Brasil em Botucatu/SP (fl. 36), que os enviou para julgamento. Assim, é evidente que a multa cobrada nestes autos deve ser excluída, pois foi constituída por lançamento cancelado por despacho decisório posterior. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário para cancelar o crédito tributário deste processo. José Evande Carvalho Araujo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, 18/02/2011 por CAIO MARCOS CAND IDO 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Assinado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, 18/02/2011 por CAIO MARCOS CAND IDO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005284/91-93
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 30 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Fri Jul 30 00:00:00 UTC 1993
Ementa: IMPORTAÇÃO DESACOMPANHADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO.
Descrição incompleta de mercadoria importada que, entretanto, não
implique sua reclassificação tarifária e permita a adequada
identificação do produto, não autoriza a que a operação seja
considerada como importação sem Guia de Importação, não se
caracterizando a hipótese prevista no art. 526, II do R.A.
Recurso provido.
NULIDADE.
Quando a questão no mérito beneficia o contribuinte, pode o julgador
passar diretamente a sua apreciação, abdicando de analisar as
preliminares suscitadas e, consequentemente, de pronunciar a nulidade
pretendida, em atendimento ao princípio da economia processual.
Numero da decisão: 302-32669
Nome do relator: UBALDO CAMPELLO NETO
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ementa_s : IMPORTAÇÃO DESACOMPANHADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO. Descrição incompleta de mercadoria importada que, entretanto, não implique sua reclassificação tarifária e permita a adequada identificação do produto, não autoriza a que a operação seja considerada como importação sem Guia de Importação, não se caracterizando a hipótese prevista no art. 526, II do R.A. Recurso provido. NULIDADE. Quando a questão no mérito beneficia o contribuinte, pode o julgador passar diretamente a sua apreciação, abdicando de analisar as preliminares suscitadas e, consequentemente, de pronunciar a nulidade pretendida, em atendimento ao princípio da economia processual.
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Descrição incompleta de mercadoria importada que, en- tretanto, não implique sua reclassificação tarifária e permita a adequada identificação do produto , não autoriza a que a operação seja considerada como im- portação sem Guia de Importação, não se caracterizan- do a hipótese prevista no art. 526, II do R.A. Recurso provido. NULIDADE . Quando a questão no mérito beneficia o contribuinte, pode o julgador passar diretamente a sua apreciação, abdicando de analisar as preliminares suscitadas e, consequentemente, de pronunciar a nulidade pretendi- da, em atendimento ao principio da economia proces- sual. VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, 11> ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos ,em dar provimento ao recurso. O Cons. Ricardo Luz de Barros Barreto declarou-se impe- dido ,na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF,em 30 de julho de 1993. SERGIO DE CASO NEVES - Presidente ,(i)t) dop grBALDO CAMP LLO N TO - Relatar • "uh Ottawa, Muita dé Xemei MARUPCIA crnet!fletil5~MIRANDA CORREA - Proc.da Faz.Na- cional 2 1 VISTO EM SESSAO DE: 03 DEZ 1993 Participaram,ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: José Sotero Telles de Menezes, Elizabeth Emílio Moraes Chiere- gatto, Wlademir Clóvis Moreira, Paulo Roberto Cuco Antunes e Luis Carlos Viana de Vasconcelos Neto . 411 411 -2- ME - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -SEGUNDA CAMARA RECURSO N. 115.350 -ACORDA° N. 302-32.669 RECORRENTE : EVADIN COMPONENTES DA AMAZONIA LTDA. RECORRIDA : IRF/PROTO DE MANAUS/AM RELATOR : LUIS CARLOS VIANA DE VASCONCELOS RELATORI 0 EVADIM COMPONENTES DA AMAZONIA LTDA recorre em tempo hábil a este Egrégio Conselho da Decisão do Inspe- tor da receita Federal, no Posto de Manaus, que julgou pro- cedente o Auto de infração de fls. 01, retificado, quanto ao enquadramento legal, pelo Auto de Infração Complementar de fls. 48, em razão, segundo a descrição dos fatos constantes do quadro "10" do referido Auto de Infração, de divergência entre a descrição nos documentos de importação (GI e D1) e a 411 descrição apontada pela fiscalização , por ocasião do exame físico da mercadoria. Em seu decisum, o Sr. Inspetor da Receita Fe- deral no Porto de Manaus caracterizou a importação objeto do presente processo, como desamparada de guia de importação, responsabilizando a recorrente pelo crédito tributário cons- tante do Auto de Infração Complementar (fls. 48). No recurso tempestivo de fls. 74/87, a ora recorrente apresenta, em síntese, as seguintes razbes: 1) reitera as razões de nulidade apresentadas nas impugnaçbes de fls.; 2) que em face do disposto no art. 249, pará- grafo 2. do CPC, solicita a essa Colenda Cãmara a apreciação do mérito para os fins previstos no dispositivo supra men- cionado; 3) que as descriçbes da mercadoria, constante da SI e respectivo Aditivo, bem como da conferência física, ambas levam à conclusão inevitável de que se trata de cir- cuito integrado híbrido; •4) que embora não esteja em causa problema de classificação tarifária, desde a G.I., a importadora indicou o código 85.42.20.0000 da TIPI-88, relativo a circuitos in- tegrados; 5) Aduz os argumentos que leio em sessão, (ler). E o relatório. 0.111/ Rec.115.350 Ac .302-32.669 VOTO Através do Acórdão n. 301-27.380 , a Primeira Câmara deste Egrégio Conselho procedeu ao julgamento de processo idêntico e de mesma natureza do que ora julgo, cujo fundamentado voto, do ilustre Cons. José Theodoro Mascarenhas Menck, adui.o e transcrevo na integra: Do exame dos autos verifica-se que algumas quest6e5 prelimi- nares foram suscitadas pela recorrente, envolvendo, inclusive, a tese da nulidade do Auto de Infração Complementar de fls. 39. No entanto, como a apreciação do mérito da matéria litigiosa ANL. aproveita ao contribuinte e atendendo ao principio da economia proces- sual, deixo de apreciar as mencionadas queStbes prefaciais, passando desde já à análise da procedência do crédito tributário sub júdice., nos termos do pedido da própria recorrente. A decisão recorrida manteve integralmente o crédito tributá- rio lançado no Auto de Infração Complementar de fls. 39. Referido lan- çamento decorreu do fato de a autoridade fazendária haver entendido que a empresa descumpriu os requisitos de controle às importações, em virtude de divergência detectada entre as mercadorias importadas, des- critas na G.I. e aquelas verificadas por ocasião do seu exame físico. Por esse motivo, considerou a autoridade fiscal que as questionadas mercadorias haviam sido importadas sem amparo em Guia de Importação ou documento equivalente, aplicando as sanções e exigindo os impostos ca- bíveis, nessas circunstâncias. O cerne do litígio se prende, portanto, à existência ou não, da mencionada divergência e, em existindo, se a mesma _é relevante ao ponto de caracterizar a hipótese de mercadoria importada sem guia de importação. A discrepância detectada pela autoridade fiscal, na descri- ção das mercadorias importadas, decore do fato de que a respectiva • G.I. autorizava a importação de "placa de circuito impresso principal com microestrutura eletrônica (circuito integrado híbrido)"; enquanto que do exame físico da mercadoria constatou-se a existência de "placas de circuito impresso principal com microestrutura eletrônica (circuito integrado híbrido), montadas com componentes eletrônicos: capacitores. resistores. diodos. etc.". Conforme consta da decisão recorrida, a di- '4 ' verg@ncia residiria na "presença, além das microestruturas citadas, de componentes discretos ativos e passivos (transistores, capacitores, diodos, resistores e transformador de núcleo ajustável". Segundo o en- tendimento do julgador monocrático, a G.I. somente acobertaria a im- portação de circuito integrado híbrido contendo, exclusivamente, mi- I croestruturas eletrônicas. Seria, pois, incompatível, no seu entender, com a descrição das mercadorias existentes na aludida G.I. a importa- ção de circuito integrado híbrido que, além de microestruturas eletrô- nicas, contivesse, também, nas placas, componentes discretos ativos e passivos: transistores, diodos, capacitares, resistáres e transforma- dor de núcleo ajustável. Analisando os elementos constantes dos autos, relacionados à descrição da mercadoria importada, objeto do presente litígio, verifi- ca-se o seguinte: • 1 - Há concordância entre.a descrição da G.I. e o entendi- mento da autoridade fiscal de qu- mercadoria importada se trata de circuito integrado híbrido; • -4- Rec.115.350 Ac .302-32.669 2 Nào houve, por parte da administração fazendtria, a des- classificação tarifária da mercadoria, indicada nos documentos de im- portação 6.1. e D.1., como sendo a posição 6542.20.00:0.0.; 3 - Logo, a eventual divergOncia vislumbrado não foi sufi- ciente para acarretar a reclausificação da mercadoria; Consoante bem ressaltou a recorrente, tanto au Notau 40 Capitulo 05 da TIPI-06, quanto az Notas Explicativos da NESH, alusivae aos circuitos integrados hlbridou, admileem que ou muumou podem in- cluir, também, componentes discretos, eiwmentos passivos e ativos, além de microeutruturas eletrônicas. Depreende-se, ainda, da leitura dessas Notas que a classificação dou produtos da posição 0542 se dá, prioritariamente, em razão de sua Imad2L2 e que os componentes que for- -: . mam um circuito integrado híbrido estão reunidos de maneira pratica- mente indissolúvel; e 5 - E oportuno assinalar que a% deucriçOeu das mercadorias nos documentou de impurtação, que n5Nn são documentos emitidos excluui-"emente para ou fins fiscais, ocorrem em níveis diversos da detalha-ANIPPmento e especifiCação, não havendo uma padronização terminológica, nem a obrigatoriedade de que coincidem.int com o texto constante - da nomenclatura aplicável à tranuação. Impreucindivel C, apenas, que a deucrição se dO de forma a permitir a correta clauzificação tarifária do produto, e que o seu detalhamento e clareza ensejem a confrontação dos caracteres fluicos da mercadoria, com o teor descritivo dos docu- mentos dm importação a ela alusivos; 6 - Na hipótese dou autos, todos ou elementos levam t con- cluso de que, realmente, foram Importados circuitos integrados híbri- dos. A divergencia repousa, apenas, quanto ao detelhamento dou seus componentez. Sebe-se, entretanto, que quaisquer que sejam esses compo- nentes, ancontram-se os mesmos reunidos de maneira, praticamente, in- dissolúvel, não se procedendo á sua retirada ou substituição, em con- diçbez normais de produção (NESH); 7 - A leitura do inteiro teor do Parecer do INT , que funda- mentou o Auto de Infração Complementar e a Decisão de 1. grau, eviden- cia ter havido deficiOncia na descriOão dos produtos, não autorizando, jamais, a concluo de que se estava importando um produto por outro. dencriçao analítica do questionado produto, constante do citado Pa- recer do INT, não aponta nenhum elemento estranho, que não pudesse es- tar contido em um circuito integrado híbrido, nos termos das Notas da TIPI-00 e da NESH, retromencionadau. • Aszim sendo, C de se concluir que inexiztem nos autos ele- mentos hábeis a caracterizar a pretendida divergencia entre a descri- ção das mercadorias constante da G.I. e o exame físico da mesma, sufi- ciente para evidenciar que se estava importando um produto por outro e, conmequentemente, que a im portação realizou-se mem o amparo de guia de importação ou documento equivalente. Pelas mesmas razões, dou provimento ao roctirso. Salà das Sessões, em 30 de julho de 1993. UBALDO (d40(06 CA PELLO 4erWL. TO - RelatorfT _
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Numero do processo: 10380.004069/92-11
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 1995
Ementa: IPI - CLASSIFICAÇÃO FISCAL - A classificação fiscal dos produtos, segundo determina a legislação do IPI, deve obediência às Regras Gerais para Interpretação e Regras Gerais Complementares (RGC) da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias, tendo as Notas Explicativas da Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira (NENCCA), com a atualização aprovada pelo Comitê Brasileiro de Nomenclatura, como elementos subsidiários para a interpretação do conteúdo das posições da Tabela e seus desdobramentos (RIPI/82, art. 16 e 17). Informação prestada pela CST "exclusivamente para fins do Decreto-Lei nr. 2.288, de 23 de julho de 1.986", que instituiu o Empréstimo Compulsório para os adquirentes de automóveis de passeio e utilitários, não interfere na classificação fiscal para fins de incidência do IPI. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-07784
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
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IC A 1 _ o ,.0 •"-"-"-r--**•.-ini. MINISTÉRIO DA FAZENDA O.4._ 1 9 . 4iit‘'. • irr C SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 C - i Processo n.° : 10380.004069/92-11 Sessão de : 24 de maio de 1995 Acórdão n.° 202-07.784 Recurso n.° : 97.579 Recorrente : JOÃO FERREIRA IND. E COM. DE VEÍCULOS ESPECIAIS LTDA. Recorrida : DRF em Fortaleza - CE , IPI - CLASSIFICAÇÃO FISCAL - A classificação fiscal dos produtos, segundo determina a legislação do IPI, deve obediência às Regras Gerais para Interpretação e Regras Gerais Complementares (RGC) da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias, tendo as Notas Explicativas da Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira (NENCCA), com a atualização aprovada pelo Comitê Brasileiro de Nomenclatura, como elementos subsidiários para a interpretação do conteúdo das posições da Tabela e seus desdobramentos (RIPI182, art. 16 e 17). Informação prestada pela CST "exclusivamente para fins do Decreto-Lei n° 2.288, de 23 de julho de 1986", que instituiu o Empréstimo Compulsório para os adquirentes de automóveis de passeio e utilitários, não interfere na classificação fiscal para fins de incidência do 1PI. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOÃO FERREIRA IND. E COM. DE VEÍCULOS ESPECIAIS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de mai, de 1995 Helvi s oves : rcellos - Preside e ° Tar: às Campe Bo n'es Relato ff I vb. • 01, eacg-ce-0, dri. na Queir e Carvalho - 'roce a* ora-Representante da Fazenda Nacional VISTA EM SESSÃO DE eN L 1 SET 1995 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elio Rothe, Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho, José Cabral Garofa- no e Daniel Corrêa Homem de Carvalho. BR/eaal/MAS/RS 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n." : 10380.004069/92-11 Recurso n.° : 97.579 - Acórdão n.° : 202-07.784 Recorrente: JOÃO FERREIRA IND. E COM. DE VEÍCULOS ESPECIAIS LTDA. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que compõe a Decisão Recorrida de fls. 44/50. "A empresa acima identificada, foi autuada para cobrança do IPI no valor de 55.782,16 UFIR, em decorrência das infrações a seguir mencionadas: 1 - Falta de lançamento e recolhimento do Imposto sobre Produtos Industriali- zados, em virtude da fiscalizada ter dado saída a produto de sua linha de industrialização - "Veiculo tipo Buggy", classificado erroneamente no código 8703.23.9900, tributado à aliquota de 12%, quando deveria ter sido classifica- do no código 8703.23.0199 e tributado de acordo com as aliquotas abaixo relacionadas: PERÍODO ALÍQUOTA ATO LEGAL 01.04.90 a 04.06.91 37% Dec. 99.182/90 05.06.91 a 04.07.91 27% Dec. 143/91 05.07.91 a 05.09.91 27% Dec. 173/91 09.09.91 a 22.09.91 27% Dec. 207/91 A partir de 22.09.91 12% Dec. 221/91 2- Falta de recolhimento do IPI lançado e não declarado. Tendo em vista a insuficiência de escrita fiscal, foi adotado pela fiscalização o seguinte procedimento: a) Pelos valores destacados como IPI lançado nas Notas Fiscais de produtos adquiridos na indústria, foi considerado o crédito em conta-corrente do contri- buinte em seus totais; h) Considerando que, em média, os produtos adquiridos no comércio local apresentam aliquota de 12% e considerando o disposto no artigo 82, IX, do RIPI/82, foi lançado o crédito respectivo a que a empresa faz jus. 2 ágie.'*'4$4 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processe : 10380.004069/92-11 Acórdão n.° : 202-07.784 • Inconformada com a exigência fiscal, a autuada apresentou em tempo hábil, impugnação parcial, fls. 25/30, mediante as considerações resu- midas a seguir: 1. Argúi a impetrante que não pode concordar com o lançamento fiscal, consi- derando que o mesmo fere os Princípios Gerais que regem o Direito Tributário; 2. Argui ainda que a exigência, no que tange à diferença de alíquota do 21 sobre os veículos tipo "buggy" contraria o disposto na I.N. SRF N° 119/86, que excluiu a incidência do empréstimo compulsório instituído através do D.L. n° 2.288/86, na aquisição de veículos do tipo "jipes" e na Informação CST n° 154 de 30.04.87, na qual ficou esclarecido que nos veículos tipo "buggy", suas propriedades técnicas se enquadravam como veículo tipo "jipe", para fins do não pagamento do citado empréstimo compulsório, quando de sua aquisição. Fundamenta assim seu entendimento na citação do art. 108 do C.T.N.; 2.1. Alega que o veículo tipo "buggy" não possui classificação fiscal específica na TIPI e tendo em vista que suas propriedades técnicas se assemelham aos "jipes", não haveria porque sofrerem tributação diferente daqueles veículos; 3. Enfatiza ainda que o Decreto n° 221 de 20.09.91, o qual determinou a criação de Nota Complementar ao capítulo 87 da tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, que reduziu para 12% a alíquota do Código 8703.23.0199 incidente sobre o veículo tipo "buggy", é exata- mente uma regra interpretativa no que se refere a alíquota do IPI aplicável aos citados veículos, uma vez que os mesmos já haviam, sido equiparados aos "jipes" para efeito do empréstimo compulsório através da Informação CST n° 154/87. 3.1- Considerando que a referida nota somente reduziu a alíquota para os veículos tipo "buggy", ficando os demais veículos do mesmo código com a alíquota mais elevada, fica caracterizado o caráter de norma interpreta- tiva do citado Decreto, portanto aplicável aos fatos pretéritos conforme prescreve o art. 106, I do C.T.N.; 4. Após citação de respeitável doutrina, acata a exigência resultante da • infração 02, conforme descrição dos fatos, fl.03, procedendo o recolhimen- to da parte não contestada da qual anexa cópia do DARF, fl. 31, e solicita 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Process • : 10380.004069/92-11 Acórdão n.° : 202-07.784 declare-se improcedente o A.I. na parte relativa a exigência da diferença de aliquota do No contra-arrazoado de fls. 36/37, a autoridade autuante confir- ma integralmente os fundamentos da ação fiscal e manifesta-se pela manu- tenção do AI." A autoridade monocrática julgou procedente o lançamento de oficio, com os seguintes fundamentos: Infere-se do exame das peças que instruem os autos e à luz da legislação de regência, não assistir razão à impugnante pelos motivos a seguir elencados: 1. Cumpre esclarecer que os argumentos utilizados pela impugnante de que o veículo tipo "buggy" não possui classificação específica na TIPI e é dotado de propriedades técnicas que se assemelham aos "jipes", classificando-os como tais por interpretação da Informação C.S.T. n° 154/87 e entendendo serem aplicáveis as disposições do art. 108, I do C.T.N não encontram amparo legal, senão vejamos: 1.1. Quando o produto final não possui classificação especifica na TIPI, compete ao interessado formalizar consulta à Secretaria da Receita Fede- ral, que é o Órgão competente para dirimir dúvidas sobre classificação fiscal, conforme reza o art. 1° do D.L. n° 2.227 de 16.01.85, combinado com a IN N° 59 de 26.07.85, alterada pela IN N° 168 de 11.11.88. Verifica-se pela leitura dos autos que a defendente assim não procedeu; 1.2. A espécie impugnada não cabe a aplicação analógica defendida na peça impugnatória, pois só há sentido em valer-se dos meios de integração quando inexiste norma específica. Ao caso dos autos existe disposição expressa na legislação determinando aliquotas para a classificação nos códigos (8702.01.01 da TIPI aprovada pelo Decreto n° 89.241 de 23.12.83 e 8703.23.0199 da TIPI aprovada pelo Decreto n° 97.410 de 23.12.88) e respectivos decretos de alterações retromencionados; 1.2.1. Entende a peça impugnatória que a Informação C. S.T. n° 154 de 30.04.87 equiparou o veículo tipo "buggy" ao veículo tipo "jipe" inclu- sive para efeitos de classificação fiscal. Entretanto, tal interpretação não pode ser acolhida, uma vez que a referida informação é textual e explicita ao concluir que "... se enquadra como veículo tipo jipe, 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA jer SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Proces' : 10380.004069/92-11 Acórdão n.° : 202-07.784 exclusivamente para fins do Decreto-Lei n° 2.288, de 23.07.86" (grifo nosso), ou seja para efeito da não exigência do empréstimo compulsório. Ademais a citada informação é específica para a empresa FYBER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, interessada consulente e atende precipuamente às determinações estabelecidas na IN SRF n° 119, de 06.10.86. 1.2.1.1. Cumpre ainda ressaltar o caráter extrafiscal do empréstimo compulsório, utilizado via de regra para a retenção da demanda de bens, visando a sua instituição, atingir os objetivos da Política Econômica Governamental. Desse modo, a não incidência do referi- do empréstimo sobre algumas categorias de bens, atende a interesses sócio-econômicos, haja vista o disposto no art. 13, parágrafo 4°, alínea "d", do D.L. n° 2.288/86, combinado com o item 8 da Port. MF n°257 de 01.08.86. 1.2.1.2. A Informação supra ao equiparar o veículo tipo "buggy" ao veículo tipo "jipe", o fez apropriadamente com a ressalta acima, não interfe- rindo de modo algum na classificação fiscal do produto, pois para efeito de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, a única classificação fiscal admissivel é a realizada de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação e Regras Gerais Comple- mentares (RGC) da NBM/SH, na qual a TIPI (Decreto n° 97.410/88) em vigor está estruturada, não importando para efeitos fiscais classificações outras; 1.3. Quanto ao veículo tipo "buggy" possuir características diferentes dos veículos convencionais e ser dotado de propriedades técnicas semelhantes aos "jipes", constata-se que o referido produto não se reveste das carac- terísticas que lhe são atribuídas pela defesa, haja vista a Orientação Normativa NBM/DIVTRI/3 a Região Fiscal n° 06/87, emitida em resposta ao processo de consulta da empresa FIBRAV - INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA, que concluiu o que a seguir se reproduz: 1.3.1. "Pelas informações contidas na consulta, o veículo em estudo não apre- senta nada de especial em sua utilização ou em sua mecânica...". Escla- rece ainda que "... as características que diferenciam os veículos tipo Buggy dos automóveis comuns se resumem, basicamente, na carroçaria em "fiberglas" (fibra de vidro), em modelo esportivo e nos pneus traseiros especiais que permitem seu deslocamento em terrenos areno- sos como praias e dunas. Essas particularidades o tornam, por 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA 'eu SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES45,4 r Procesn : 10380.004069/92-11 Acórdão o.° : 202-07.784 excelência, um veículo destinado mais a passeios e outras atividades de lazer". Ressalta também que o buggy não possui "tração especial" e não é normalmente utilizado para transporte em geral nas zonas rurais o que o assemelharia aos veículos denominados "jipes". Conclui ao final que as características diferenciadoras do veículo tipo buggy, não são suficientes para deslocá-lo da posição 87.02.01.00 para uma outra qualquer. 1.4. A orientação acima citada por estar de conformidade com a RGI 1', ambas da NBM/SH TIPI/TAB foi homologada em 29.06.90 pelo Despa- cho Homologatório C.S.T. (D.C.M) n° 202 o qual ratifica o código 87.02.01.01 da TIPI/TAB, aprovada pelo Decreto n° 89.241, de 23.12.83 e esclarece que a partir de 01.01.89, data da vigência da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 97.410/88, o produto em causa deve classificar-se no código 8703.23.0199 de acordo com a RGI P (texto da posição 8703) e RGI 6 (textos das subposições 8703.2 e 8703.23) combinadas com a RGC P, todas da NBM/SH, TIPI/TAB e com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (versão luso-brasileira) da posição 8703. 2. Quanto ao fato de ser o Decreto n° 221/91 uma regra interpretativa como assim se expressa a defesa no item 6, fl. 50, realidade diversa constata-se pela simples leitura do mesmo, "art. 10 omissis. "NC (87.10). Fica reduzida para 12% (doze por cento) a alíquota do códi- go 8703.23.0199, incidente sobre o veículo tipo "buggy",..."(grifo nosso). Evidente está portanto, que antes vigorava uma alíquota maior. 2.1. Não vemos como se possa invocar o art. 106, do C.T.N. no caso presen- te, pois a lei interpretativa limita-se a esclarecer dúvida existente no texto da lei anterior. Corroborando com esse entendimento, Ruy Barbosa Nogueira esclarece acerca do tema, "verbis": "A interpretação da norma material tributária deve, pois ser estrita: Não ampliar nem restringir". ... "a aplicação deve ser estrita, tal qual disponha a lei tributária". 2.1.1. Ao expedir o referido Decreto o Executivo usou das prerrogativas, que lhe confere o art. 40 do D.L n° 1.199/71 ao criar a Nota Complementar 87.10 acima mencionada, estabelecendo a partir de sua vigência a possibilidade de aplicação da nova alíquota aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Não há portanto como classificar o Decreto n° 221/91 como norma meramente interpretativa. 6 • MINISTÉRIO DA FAZENDA I • \ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Proces ~ —, • .' : 10380.004069/92-11 Acórdão o.° : 202-07.784 3. Acrescente-se que o Ato Declaratório Normativo da Coordenação Geral do Sistema de Tributação n° 32, de 28.09.93 estabelece com relação aos jipes, que serão classificados nos códigos 87.03.22.0400, 8703.23.0700, 8703.24.0500, 8703.31.0300, 8703.32.0400 e 8703.33.0400 da BM/SH(TIPI/TAB), somente os veículos que atendam cumulativamente aos requisitos nele elencados, merecendo menção o item "a" que trata da tração nas quatro rodas. (grifo nosso). 3.1. De relevo registrar-se aqui, a Informação DISIT/3 a RF N° 032/93 a qual ratifica o entendimento expresso na presente peça acerca da classificação fiscal dos veículos tipo buggy. A Informação supra foi instruída com a cópia de alguns Despachos Homologatórios CST (DCM), que expressam a correta classificação dos veículos objeto do presente litígio, quer sejam movidos a gasolina (código 8703.23.0199) ou a álcool (código 8703.23.0399). Diante dos fatos acima expostos, sobejamente embasados nos atos legais respectivos, conclui-se que a divergência (DCM) n° 202 que ratifi- cou a Orientação Normativa MBM/DIVTRI/3 a Região Fiscal n° 06/87 quanto à classificação fiscal do veículo tipo "buggy", ficando assim evidente que o referido veículo resulta de uma adaptação da mecânica dos veículos conven- cionais a uma carroçaria em fibra de vidro, destinando-se especificamente ao lazer, uma vez que não possui "tração especial", classificando-se dessa forma nos Códigos 87.02.01.01 até 1988 e 8703.23.0199 a partir de 1989, como acima demonstrado, codificação esta diferente do veículo tipo "jipe". Com efeito, o Decreto n° 221/91 retrocitado expressa de forma cristalina a classificação correta para os veículos tipo "buggy", depreendendo- se portanto que após a emissão dos atos acima citados, não há como justificar a classificação do veículo em questão em qualquer outra posição da TIPI. Os demonstrativos de fls. 05/09 discriminam apropriadamente o valor tributável, alíquota e valor apurado do imposto nos diversos períodos de apuração, sendo corretos os cálculos efetuados e ali exibidos". Inconformada, a autuada recorre a este Conselho, com as razões de fls. 54/55, que leio em Sessão para conhecimentos dos Senhores Conselheiros. É o relatório. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo n9. 10380.004069/92-11 Acórdão n.2 202-07.784 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR TARÁSIO CAMPELO BORGES O recurso é tempestivo e dele conheço. Conforme relatado, somente foi instaurado litígio referente à parcela do auto de infração que trata da exigência do IPI, pela denúncia de falta de lançamento e recolhimento do tributo devido na saída de produtos da linha de produção da ora recorrente - veículos tipo BUGGY, classificados na posição 8703.23.9900, tributado à alíquota de 12%, enquanto que o fisco entende que deveria ter sido adotada a posição 8703.23.0199, com alíquotas variando, gradualmente, de 37% na vigência do Decreto n 2 99.182/90, chegando a 12% a partir de 22.09.91, na vigência do Decreto n2 221/91. Entendo que a decisão monocrática não deve ser reformada. Em nenhum momento a decisão recorrida desrespeitou normas ou princípios gerais do Direito Tributário contidos no Código Tributário Nacional. A recorrente, sem um suporte fático para sustentar suas razões, procura amparo na Informação CST n2 154, de 30.04.87, que aceitou o enquadramento de um buggy específico, fabricado pela Fyber Indústria e Comercio Ltda., como veículo tipo jipe, "exclusivamente para fins do Decreto- lei n2 2.288, de 23 de julho de 1986", que instituiu o Empréstimo Compulsório para os adquirentes de automóveis de passeio e utilitários. Aquela informação da CST, tratando especificamente de Empréstimo Compulsório, jamais poderia servir de base para a classificação fiscal de produtos sujeitos à incidência do IPI, haja vista que a correta classificação deve obediência às Regras Gerais para Interpretação e Regras Gerais Complementares (RGC) da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias, tendo as Notas Explicativas da Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira (NENCCA), com a atualização aprovada pelo Comitê Brasileiro de - r MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo irg 10380.004069/92-11 Acórdão 11.2 202- o 7 . 7 8 4 Nomenclatura, como elementos subsidiários para a interpretação do conteúdo das posições da Tabela e seus desdobramentos (RIPI182, art. 16 e 17). Entendo que é na posição NBM/SH 8703.23.01, que compreende os automóveis de passageiros com motor a gasolina de até 100 HP de potência bruta, que deve ser classificado o produto industrializado pela recorrente, mais especificamente no subitem 0199 - Qualquer outro, por se tratar de um automóvel de passageiro com motor a gasolina de potência bruta inferior ao limite fixado no texto do item, ficando descartada a possibilidade de classificação como "jipe" na posição residual NBM/SH 8703.23.99. , Ademais, o Ato Declaratótio (Normativo) COSIT n2 32, de 28.09.93, estabelece como o primeiro dos requisitos para a classificação fiscal dos veículos denominados "jipes" na NBM/SH (TIPI/TAB), a existência de tração nas quatro rodas, requisito não atendido pelo veículo industrializado pela recorrente. A alegação da inexistência de classificação específica na TIPI para o produto industrializado pela ora recorrente não a autoriza a adotar posição diversa, a seu exclusivo critério, pois, nestes casos, é obrigação do interessado formular consulta ao órgão local da Secretaria da Receita Federal para dirimir suas dúvidas quanto à classificação que deve ser adotada. Porém, em nenhum momento, a recorrente formulou consulta neste sentido. Uma outra empresa, FIBRAV - Indústria e Comércio de Veículos Ltda., também fabricante de veículos tipo "buggy", em resposta à consulta por ela formulada, obteve a Orientação Normativa NBM/DIVTRI/Y RF d2 06/87, , que conclui, quanto às características diferenciadoras do veículo tipo "buggy", que as mesmas não são suficientes para deslocá-lo da posição NBM 87.02.01.01 para urna outra qualquer. A citada Orientação Normativa foi homologada pelo Despacho Homologatório CST (DCM) n2 202, de 29.06.90, por estar de acordo com a RGI 1 combinada com a RGC 1-'1, ambas da NBM/SH TIPI/TAB, ratificando o Código 87.02.01.01 da TIPI/TAB aprovada pelo Decreto n2 89.241/83, esclarecendo que a partir de 01.01.89, data da vigência da TIPI aprovada pelo -9- 1 d es , MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n9. 10380.004069/92-11 Acórdão n9- 202-07.784 Decreto n9- 97.410188 o produto em causa deve ser classificado no código 8703.23.0199 de acordo com a RGI 1 (texto da posição 8703) e RGI (textos das subposições 8703.2 e 8703.23) combinadas com a RGC V t-, todas da NBM/SH, TIPUTAB e com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (versão luso-brasileira) da posição 8703. Também não prospera a alegação da recorrente quanto ao caráter meramente interpretativo do Decreto n 221, de 20.09.91, que criou a Nota Complementar ao Capítulo 87 da TIPI/88 - NC (87.11), pois, referida nota, textualmente, reduziu para 12% (doze por cento) a alíquota do Código 8703.23.0199, incidente sobre os veículos tipo "buggy", desde que respeitadas as características nela indicadas. O Decreto n2 221/91, ao criar a NC (87.11), alterou a alíquota então vigente numa determinada posição da Tabela, para o produto nela individualizado, sem que tenha qualquer característica de norma expressamente interpretativa, sendo incabível a aplicação do disposto no artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional. Com estas considerações, nego provimento ao recurso. Sala dar Sessões, em 24 de maio de 1995 • _ T À 10 C P O BORGES -10-
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Numero do processo: 10380.002410/98-71
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
Ementa: FINSOCIAL — COMPENSAÇÃO — ORDEM JUDICIAL — EXPURGOS
INFLACIONÁRIOS.
Havendo decisão judicial que autoriza a compensação do FINSOCIAL com a COFINS, a autoridade administrativa fiscal deve se limitar a cumprir a ordem emanada do Poder Judiciário, incluindo no
cálculo do valor a compensar os expurgos inflacionários determinados na mencionada decisão.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-38.946
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso,
nos termos do voto do relator.
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Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Havendo decisão judicial que autoriza a compensação do FINSOCIAL com a COFINS, a autoridade administrativa fiscal deve se limitar a cumprir a ordem emanada do Poder Judiciário, incluindo no cálculo do valor a compensar os expurgos inflacionários determinados na mencionada decisão. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. 01, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. JUDIT dA ttÁRALIARCONDES A DO - PresidenteiGIA Processo n.° 10380.002410/98-71 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.946 Fls. 276 2 GILk a.P.AdtVA,Pir.)- CELO IBEIRO NOGUEI - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Paula Cintra de Azevedo Aragão. Processo n.° 10380.002410/98-71 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.946 Fls. 277 Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. A contribuinte acima identificada requereu em 27/02/1998, junto à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/Ce, o reconhecimento do seu direito creditório à compensação de parcelas pagas indevidamente da contribuição para o Finsocial com parcelas devidas da contribuição para Cofins, informando que impetrou junto à I° Vara da Justiça Federal Mandado de Segurança Preventivo, tendo seu direito reconhecido por intermédio de liminar. Tal solicitação foi apreciada pela Secat/DRF/Fortaleza, fls. 167/168, nos seguintes termos: • 4. Em consulta efetuada aos documentos anexados ao processo pelo contribuinte, e aos sítios da Justiça Federal - Seção Ceará, Tribunal Regional / 5" Região e Superior Tribunal de Justiça na Internet (fls 68-82), verificou-se que o Mandado de Segurança foi concedido e está em fase de julgamento de recurso. 5. Uma vez apurado os créditos, conforme determinado pelo acórdão (fls 81 a 82), feita a imputação dos pagamentos efetuados pelo contribuinte e constatado que estes são suficientes para suspender a exigibilidade dos créditos dos períodos 01/98 a 09/98, 11/98 e 12/98, 01/99 a 05/99, 10/00 a 12/00, e pane do débito de 01/01, foi formalizado processo de Representação n° 10380011743/2004-73 gl 166) para suspender os PAs citados até o trânsito em julgado da ação 95.0024654-6. 6.Assim, procedeu-se a transferência, do crédito tributário dos PAs a serem suspensos para o processo 10380.011743/2004-73, fls 153-155, cadastrando-o no sistema PROF1SC na situação "Suspenso por Medida • Judicial", fls 165. 7. Pela análise das folhas 161 e 162, verifica-se que o saldo devedor restante de COFINS é o seguinte: TRIBUTO P.A VENCIMENTO MOEDA VALOR COFINS 31/01/2001 15/02/2001 Real 844,52 COFINS 28/02/2001 15/03/2001 Real 2.661,75 COF1NS 31/03/2001 12/04/2001 Real 2.530,70 COF1NS 30/04/2001 15/05/2001 Real 2.586,26 A interessada apresentou, em 30/09/2005, manifestação de inconformidade ao deferimento parcial, fls. 175/185, argumentando que "(...) o "suposto" débito alegado pela Impugnada devido a insuficiência do crédito referente ao indevidamente pago a titulo de Processo n.° 10380.002410/98-71 CCO3/CO2 Acórdão ft° 302-38.946 Fls. 278 contribuição para o FINSOCIAL não tem procedência, pois o aproveitamento do crédito (indébito) da Impugnante não foi apurado completa e devidamente, tendo em vista o direito até o presente momento assegurado no Mandado de Segurança n e 95.24654-6, ou seja, de ser repetido o indébito em tela, sob a forma de compensação, devido a interrupção do prazo prescricional quando do ajuizamento daquele "mandamus", retroagindo o direito de apurar o indébito a 10 (dez) anos, mais precisamente, até 28 de novembro de 1985". Continua: "Ocorre que, tendo em vista que o período em que vigorou a legislação que majorou a alíquota do F1NSOCIAL declarada inconstitucional compreende o mês-base de setembro/89 a março/92, mas, NÃO, apenas a partir de novembro de 1990, conforme ignorado pela Impugnada em seus cálculos e planilhas de fls. 137/145, inclusive não incluindo sobre estes os expurgos inflacionários". Desta feita, considera que é por demais cristalino que deve ser reformado o despacho de fls. 167/168, no sentido de que seja • reconhecido o seu direito de ter restituído/compensado todo o indébito a titulo de contribuição para o F1NSOCIAL, devido à interrupção do prazo prescricional com o ajuizamento da ação mandamen tal em comento, desde setembro de 1989, bem como de incluir os expurgos inflacionários sobre o aludido indébito, reformando a apuração do credito (indébito) efetuada pela Impugnada e, conseqüentemente, a extinção do saldo remanescente de COF1NS alegado como devedor. Em seguida, a defesa faz às fls. 179/184 uma análise sobre a interrupção do prazo prescricional do direito à repetição do indébito, alegando que, em sendo o FINSOCIAL uma espécie tributária sujeita a lançamento por homologação, o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para a repetição do indébito se inicia após a extinção definitiva do crédito tributário, vale dizer, após a homologação (tácita ou expressa) do fisco. Nesse sentido, a defendente faz uma breve análise dos arts. 150, 156 e 158 do CT7V, para concluir que a extinção definitiva do crédito • tributário somente se opera com a homologação, que poderá ser apressa ou tácita, conforme acima mencionado. Afirma: "Por outro lado, antes da extinção definitiva do crédito, não há como o sujeito passivo pleitear a restituição do lançamento por ele antecipado se o mesmo ainda não foi homologado ou ainda não ocorreu o silêncio do fisco de 5 (cinco) anos para que se opere a homologação tácita, estando o mesmo sob condição resolutória da fiscalização da Fazenda Publica". Assim, salienta que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos para que a Impugnante reveja o indébito tributário somente começa afluir a partir da extinção definitiva do crédito tributário, ou seja, pela homologação tácita ou expressa do lançamento efetuado pelo sujeito passivo. Não tendo havido homologação expressa, entende que esse prazo flui a partir do decurso do prazo previsto para a sua homologação tácita, podendo, assim como é o caso em tablado, estender-se este prazo por 10 (dez) anos, sendo de 5 (cinco) anos para que haja a homologação tácita, somados mais 5 (cinco) anos para que o sujeito passivo possa Processo n.° 10380.002410/98-71 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.946 Fls. 279 reaver seus valores indevidamente pagos, conforme reiterada jurisprudéncia (ementas transcritas às fls. 181/183). Tão transparente e óbvio e o direito da Impugnante que tal tese é ratificada por um parecer PGFN/CATIN° 1.538, de 1999, do Secretário da Receita Federal. Conclui: "Portanto, resta claro que a Impugnante possui o direito de compensar todas as quantias pagas indevidamente a título de contribuição para o FINSOCIAL, pois a prescrição interrompida quando a Impugnante ajuizou Mandado de Segurança em comento (Doc. 01), tombado sob o n° 95.24654-6, o qual tramita perante a I' vara da Seção Judiciária do Ceara, com vistas a determinar a compensação do indébito a titulo de contribuição para o FINSOCIAL, no período de setembro de 1989 a março de 1992, pela alíquota vigente quando da promulgação da Constituição Federal de 05.10.88 (Decreto e 1.940/82), tendo em vistas que suas alterações são posteriores já foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal". • "Assim sendo, nota-se que a prescrição veio a ser interrompida na citação da Impugnada quanto à ação mandamental em tablado, conforme preceitua o § I°, do art. 2 19, do Código de Processo Civil e, especificamente, o art. 174, parágrafo único, do Código Tributário Nacional". Diante disso, entende que resta por demais cristalino que os argumentos trazidos através da impugnação são suficientes para desconstituir o despacho/decisão de fls. 167/168, uma vez que a mesma padeceria de ilegitimidades e ilegalidade, as quais se revestem de vício insanável, restando, apenas, a Impugnante requerer a reformulação de tal decisão. Por fim, a defesa alega que a decisão merece ser reformada, pois não reconheceu a inclusão dos expurgos e índices inflacionários ao crédito tributário em comento, mesmo com decisão judicial neste sentido. Afirma que, até o presente momento foi assegurado no Mandado de Segurança n° 9524654-6 o direito de inclusão ao indébito da • Impugnante os expurgos inflacionários, índices fornecidos pelo IBGE, nos meses de janeiro/89, março a abril/90 e fevereiro191, todos calculados de acordo com o IPC, e nos meses de março a dezembro de 1991, o INPC. Diante do exposto, a Impugnante requer que seja julgado PROCEDENTE a presente Manifestação de Inconformidade, no sentido de que seja reconhecido o seu direito de ser repetido o indébito de forma integral oriundo do recolhimento a maior a título de FINSOCIAL, desde o mês-base de setembro de 1989. Requer, ainda, tendo em vista a decisão judicial em anexo, a inclusão dos expurgos inflacionários nos períodos de março a maio/90, fevereiro/91, no qual deverá ser aplicado o IPC, e, nos meses de março a dezembro/9I, aplicar-se-á o INPC, reformando a apuração do credito (Indébito) efetuada pela Impugnada e, conseqüentemente, a extinção do saldo apontado como devedor. Processo n.° 10380.002410/98-71 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.946 Fls. 280 A decisão de primeira instância foi assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 Ementa: REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue- se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO. A extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 Ementa: RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura da ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da mesma pretensão, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo da manifestação de inconformidade apresentada. Solicitação indeferida. No seu recurso, o contribuinte repisa os argumentos trazidos com a impugnação. • As Dras. Damiana Auxiliadora Rodrigues de Oliveira e Luiza Helena Pereira da Silva assinam os diversos pedidos de quitação de débito e pedidos de compensação. O Dr. Walbene Graça Ferreira Filho assina a peça de impugnação e o recurso é assinado pelo Dr. Maikon Antonio Bahia da Silva (fls. 235). Constam ainda como procuradores do contribuinte o Dr. Manuel de Freitas Cavalcante e a Dra. Rita Valéria de Carvalho Cavalcante (fls. 62); Dra. Mara Regina Siqueira de Lima e Dra. Fabiola Cavalcante Torres Borges (fls. 63); e a Dra. Renata Sonoda Pimentel (fls. 172). É o Relatório. • Processo 10380.002410/98-71 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.946 Fls. 281 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator Conheço do presente recurso por tempestivo e atender aos requisitos legais. Primeiramente é importante esclarecer que ao contrário do que foi entendido pela primeira instância não há concomitância entre este processo administrativo fiscal e o mandado de segurança impetrado pelo contribuinte, mas este PAF é conseqüência daquele, pois o pedido aqui formulado é decorrente da decisão que determinou à autoridade fiscal aceite a compensação pretendida pelo contribuinte, observados os critérios definidos naquele processo judicial. Logo, nestes autos trata-se exclusivamente do cumprimento da decisão judicial obtida pelo contribuinte, inexistindo concomitância. No recurso voluntário, o contribuinte traz notícia e certidão que comprova o • trânsito em julgado da decisão judicial que reconhece seu direito aos expurgos inflacionários, fazendo incidir o "IPC no período de março/1990 a janeiro/1991, de INPC no período de fevereiro/1991 a dezembro/1991; e a partir de janeiro de 1992, a UFIR, nos termos da Lei n° 8.383/91." Estes ajustes devem ser incluídos no cálculo formulado nos presentes autos, na forma do decidido pelo Poder Judiciário. É preciso notar que as cópias das decisões judiciais aqui trazidas não se referem ao prazo prescricional e que o primeiro pedido de quitação de débito foi protocolado em 27 de fevereiro de 1998, com base na liminar deferida ao contribuinte em 15 de dezembro de 1995, tendo o respectivo mandado de segurança foi proposto em 28 de novembro de 1995. A sentença de primeira instância judicial não foi alterada, quando determina a restituição por compensação de todos os valores relativos ao FINSOCIAL calculado por aliquota superior a 0,5% (meio por cento), ou seja, a partir da edição da Lei n° 7.787/89. Não cabe à autoridade fiscal restringir este direito, sob qualquer argumento. • Ao contribuinte foi garantido, por decisão judicial transitada em julgado, o direito à restituição por compensação de todos os valores recolhidos indevidamente, com a aplicação dos expurgos inflacionários acima mencionados, desde a majoração da alíquota do FINSOCIAL pela Lei n° 7.787/89, portanto, VOTO para conhecer do recurso voluntário e dar- lhe integral provimento. Sala das Sessões, em 12 de setembro de 2007 IN \ saA,C1 talher MARCELO RIBEIRO NOGU — Relator Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13227.901380/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.182
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. Recorrente AUTO POSTO IRMAOS BATISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 13 80 /2 01 2- 31 Fl. 984DF CARF MF Processo nº 13227.901380/201231 Acórdão n.º 3302005.182 S3C3T2 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de contestação contra Despacho Decisório emitido pela DRF JiParaná, que deferiu parcialmente o direito ao crédito de COFINS não cumulativa/mercado interno e, em conseqüência, homologando parcialmente a compensação declarada até o limite do crédito concedido. Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que se dedica ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins, que é optante pelo regime de apuração pelo Lucro Real e, portanto, sujeitase à apuração das contribuições para o PIS e a Cofins pelo regime da nãocumulatividade. Diz que realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis tributados à alíquota zero e que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos, mas, sim, de créditos sobre insumos e serviços necessários na atividade que exerce, uma vez que sendo seu produto final tributado à alíquota zero, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitem o aproveitamento dos créditos sobre esses dispêndios.(grifei). Quanto aos fretes pagos, esclarece que adquire combustíveis e lubrificantes para revenda, mas como a empresa vendedora não entrega os produtos, precisa contratar serviços de fretes de outras pessoas jurídicas para que o produto chegue até seus estabelecimentos e possa realizar a venda, e enfatiza, por isso, que o frete é um serviço/insumo necessário para a realização de sua atividade comercial. Ressalta que o art 3º da Lei nº 10.833, Fl. 985DF CARF MF Processo nº 13227.901380/201231 Acórdão n.º 3302005.182 S3C3T2 Fl. 4 3 de 2003, não relaciona os insumos/serviços e tampouco considera que apenas indústrias podem realizar créditos, e que a Receita Federal ao editar a IN 404/2004, conceituando o termo insumo, foi além do seu dever de normatizar. Faz uma diferenciação entre a não cumulatividade do PIS e da Cofins e da não cumulatividade do IPI ou do ICMS, citando decisões do CARF, do Tribunal Regional Federal e Soluções de Consulta da Receita Federal. A Recorrente contesta ainda a exclusão dos créditos que foram glosados, pleiteando o seu reconhecimento e a homologação das compensações declaradas, a suspensão da exigibilidade dos débitos e também o direito à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Tendo em vista as argumentações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade e dada a inexistência de documentos comprobatórios nos autos, foi emitido Termo de Diligência pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, solicitando cópias de recibos de aluguéis efetuados no período, comprovação de seu registro contábil e respectivos contratos de locação; bem como relação dos produtos vendidos com detalhamento e sua classificação NCM. Cumprida a solicitação efetuada, os autos retornaram para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06 054.549. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade com relação a Fretes sobre Compras e Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, cabendo destacar quanto ao pedido, em síntese: · Seja acolhido o presente Recurso Voluntário; · Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o fim de Reconhecer os créditos da Recorrente, eis que apurados na forma da legislação em vigor e de direito; · Que sejam incluídos no montante da base de cálculo de créditos os valores relativos ao insumo frete sobre compras de mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos produtos comercializados pela Recorrente, pois foram por ela suportados e atendem a condição de insumo conforme determina a legislação de regência da matéria; · Que seja afastado em definitivo o entendimento de que os fretes sobre compras teriam a mesma natureza tributária do produtos transportado, eis que tal alegação não tem respaldo legal e fere o sistema de nãocumulatividade das contribuições para o PIS e Cofins previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03; · Que sejam incluídos no montante da base de créditos os valores a título de aluguéis de máquinas e equipamentos pagos para pessoas jurídicas, conforme comprovam os boletos bancários pagos Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13227.901380/201231 Acórdão n.º 3302005.182 S3C3T2 Fl. 5 4 à Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga sob a denominação de “Programa Rodo Rede”, integrantes deste processo, eis que os pagamentos são legítimos e correspondem aos aluguéis de bombas para estabelecimentos de combustíveis com bandeira Ipiranga; · Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; · Determinar que todos os valores de créditos constantes do pedido de ressarcimento sejam atualizados mediante a incidência da SELIC, a partir do período de apuração do crédito em face das disposições das disposições do Decreto nº 2.138/97 e parágrafo 4º do artigo 39 da Lei 9.250/95.(grifei). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.163, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900124/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.163): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário Cabe esclarecer que o Despacho Decisório ao homologar parcialmente a compensação declarada, cientifica e intima o interessado a efetuar o pagamento dos débitos não abrangidos pela homologação, facultando ao interessado nos termos da legislação de regência a apresentação da manifestação de inconformidade. Optando assim o interessado pela apresentação da manifestação de inconformidade, ato processual que inaugura a lide administrativa no caso em tela, está abrigado pela suspensão da Fl. 987DF CARF MF Processo nº 13227.901380/201231 Acórdão n.º 3302005.182 S3C3T2 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito tributário, nos termos do 1inciso III do art. 151 do CTN. MÉRITO Observase que a recorrente em extenso arrazoado, discorre sobre o seu suposto direito aos créditos alegados, na ótica de sua interpretação, arguindo ainda que a decisão de piso se mostra confusa e contraditória, notadamente quanto à fundamentação referente à glosa de fretes sobre compras, ressaltando que o julgador em sua interpretação não destaca os dispositivos legais que amparam sua interpretação. Verificase não assistir razão à recorrente, haja vista que a fundamentação da decisão de piso em cada matéria abordada, cita expressamente os dispositivos das Leis nºs 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, que regem a matéria dos autos e respaldam a exegese conferida a cada tópico analisado. Para a análise a seguir é importante destacar que a empresa tem por objeto mercantil o comércio varejista de combustíveis e a prestação de serviços afins. Da glosa dos créditos relativos a Fretes sobre Compras Quanto aos pagamentos de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, que segundo a recorrente consiste em um serviço necessário para a realização de sua atividade comercial, considerando que a questão fática está bem dirimida, prendendose o litígio na interpretação da legislação quanto à possibilidade ou não de creditamento de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, utilizome da fundamentação escorreita e primorosa sobre o assunto, conferida pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, através do acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016, na qual estão plasmados os fundamentos à luz da legislação de regência sobre a matéria, conforme excertos do voto a seguir transcritos: Da glosa dos créditos relativos a gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...); III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13227.901380/201231 Acórdão n.º 3302005.182 S3C3T2 Fl. 7 6 No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20035, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/ 1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.(grifei). Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das Fl. 989DF CARF MF Processo nº 13227.901380/201231 Acórdão n.º 3302005.182 S3C3T2 Fl. 8 7 citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe.(grifei). (...) Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); (grifei). b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os fundamentos acima expendidos, cuja hermenêutica da legislação expressamente citada e sistematicamente organizada permitem inferir que não há amparo legal para o aproveitamento de crédito sobre fretes utilizados pela contribuinte, na compra de combustíveis para revenda, como bem destacou a decisão de piso, em trecho a seguir ressaltado: (...) o frete está relacionado à aquisição de combustíveis, e esta operação, compra de combustíveis, está submetida ao regime monofásico que não gera direito a crédito. Por isso esses gastos de fretes, ainda que componham o custo de aquisição de combustíveis, não podem ser admitidos para efeito de aproveitamento de crédito. Ou seja, não havendo possibilidade de aproveitamento de crédito com a própria aquisição de Fl. 990DF CARF MF Processo nº 13227.901380/201231 Acórdão n.º 3302005.182 S3C3T2 Fl. 9 8 combustíveis assim também não o haverá para o gasto com seu transporte.(grifei). Assim, mantémse a glosa acima destacada, por falta de amparo legal para seu creditamento. Das glosas com Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos Com relação à glosa em apreço, dispõem as leis de regência, Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;(grifei) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Destaca o relatório fiscal: Foram analisados os comprovantes de pagamento de aluguéis, mês a mês, e solicitamos a cópia autenticada do contrato de aluguel para aferirmos se a utilização dos equipamentos se daria nas atividades da empresa. Foram apresentados apenas os contratos de locação feitos com a Transportadora Giomila LTDA e com a Transportadora Batista LTDA. O contrato de locação com a Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga não foi localizado pelo contribuinte.(grifei). Referida glosa foi objeto de procedimento de diligência, nos seguintes termos (...) que seja intimada a interessada a apresentar, relativamente aos 3º e 4º trim/2004 e aos 1º ao 4º trim/2005: 1) cópias dos recibos de aluguéis efetuados no período à Transportadora Batista Ltda. e à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, bem como o seu respectivo registro nos livros contábeis, além dos contratos de locação (...);(grifei) Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13227.901380/201231 Acórdão n.º 3302005.182 S3C3T2 Fl. 10 9 O resultado está consignado nos excertos da decisão de piso como a seguir demonstrado: Em atendimento à diligência efetuada, a interessada juntou comprovantes de pagamentos efetuados no período à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, assim como cópia do seu livro Diário onde consigna o respectivo registro. Entretanto, os recibos trazidos aos autos em nada esclarecem a que se referem cada um dos pagamentos, estando em alguns deles mencionado simplesmente referirse a ‘Programa Rodo Rede’. Por óbvio que não restou demonstrado que esses pagamentos são relativos a aluguéis de equipamentos (bombas de gasolina e tanques) utilizados nas atividades da empresa, como pondera a interessada, que possa ser aproveitado para o cálculo do crédito a ser deduzido da contribuição devida.(grifei) Verificase que o direito ao crédito da espécie em análise, requer conforme o preceito legal destacado, duas condições: aluguéis (...), pagos... e utilizados pessoa jurídica, nas atividades da empresa. Com efeito, tratandose de direito creditório, cabe ao interessado a comprovação de seu direito arguido. No caso em apreciação, a interessada além de não apresentar o contrato de locação já referido, os recibos apresentados, conforme arquivos não pagináveis acostados aos autos não demonstram a efetividade dos pagamentos quanto à locação arguída, mesmo após a diligência deferida pela instância a quo, visto que não há nestes documentos a identificação da operação que visam respaldar. Ante o exposto, mantémse a glosa por falta de comprovação pela interessada. Do direito à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC Quanto à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC, tratase de expressa vedação legal, conforme dispõe o 2art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, logo tornase impossível o atendimento ao pleito da recorrente. Destaquese que o direito à compensação, pugnado na peça recursal prendese ao cumprimentos dos requisitos impostos pela legislação. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante frisar que no presente processo o litígio abarca o direito a créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, que encontram correspondência com os pleiteados pela Recorrente no caso do paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 2 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 992DF CARF MF Processo nº 13227.901380/201231 Acórdão n.º 3302005.182 S3C3T2 Fl. 11 10 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 993DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.721739/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
APURAÇÃO ANUAL. ESTIMATIVAS. PARCELAMENTO.
Tendo havido o parcelamento dos valores do IRPJ devidos por estimativa mensal que, ao final do período de apuração, é substituída pelo próprio tributo devido, não há a possibilidade de lançamento de ofício desse tributo.
MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. ADESÃO A PARCELAMENTO ESPECIAL ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
A falta de recolhimento das estimativas mensais do imposto de renda autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, incidente sobre os montantes não recolhidos do imposto.
Numero da decisão: 1201-002.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, para manter a multa isolada em face do não recolhimento das estimativas. Vencidos os conselheiros: Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que negavam provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa e Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 APURAÇÃO ANUAL. ESTIMATIVAS. PARCELAMENTO. Tendo havido o parcelamento dos valores do IRPJ devidos por estimativa mensal que, ao final do período de apuração, é substituída pelo próprio tributo devido, não há a possibilidade de lançamento de ofício desse tributo. MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. ADESÃO A PARCELAMENTO ESPECIAL ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. A falta de recolhimento das estimativas mensais do imposto de renda autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, incidente sobre os montantes não recolhidos do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, para manter a multa isolada em face do não recolhimento das estimativas. Vencidos os conselheiros: Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que negavam provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 17 39 /2 01 5- 46 Fl. 668DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa e Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Adoto o relatório da decisão de piso, complementandoo a seguir: Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 492 a 499, para exigência de crédito tributário referente ao ano calendário de 2011, adiante especificado: O referido auto de infração é decorrente de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação dos impostos e contribuições descritas no Auto de Infração e no Relatório de Auditoria Fiscal, às fls. 467 a 490. Os enquadramentos legais encontramse discriminados no Auto de Infração, que passam a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fossem. As irregularidades constatadas e suas conseqüências podem ser assim resumidas: A presente fiscalização teve como foco a correta apuração do IRPJ anual e do recolhimento das estimativas mensais. O procedimento fiscal foi iniciado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF emitido em 11/03/2015, com ciência do contribuinte, por via postal em 17/03/2015. No dia 18/08/2015, a contribuinte foi intimada a se manifestar sobre as diferenças apuradas entre os valores a recolher por estimativa do IRPJ, constante da DIPJ e os valores efetivamente recolhidos ou compensados e sobre as diferenças apuradas entre o valor a recolher no ajuste anual do IRPJ, constante da DIPJ e o valor declarado em DCTF ano calendário 2011, conforme demonstrativos abaixo: IRPJ recolhimento de estimativas: Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13609.721739/201546 Acórdão n.º 1201002.072 S1C2T1 Fl. 3 3 Atendendo ao termo anterior a fiscalizada encaminhou resposta à DRF/STL datada de 04/09/2015, apresentando documentos de adesão ao parcelamento e informando que as diferenças apontadas foram incluídas no Refis da Crise em 21/08/2014, conforme Lei nº 12.996/2014. De posse dos dados apresentados à fiscalização e análise do LALUR, contabilidade, DIPJ e DCTF, verificase que o contribuinte apurou no LALUR e demonstrou na DIPJ (Ficha 11) o valor a pagar por estimativa mensal do IRPJ e não recolheu o valor total devido. Na apuração do imposto devido anualmente a título de IRPJ na DIPJ (Ficha 12A) o contribuinte informou o valor devido de IRPJ, subtraiu as deduções legais, imposto de renda retido na fonte, e o imposto de renda mensal pago por estimativa no valor de R$ 4.534.576,97 e apurou imposto a pagar de R$ 4.443.229,28. Este valor devido a título de ajuste do IRPJ apuração anual deveria ter sido declarado em DCTF. Este valor não foi declarado em DCTF e em julho de 2014 o contribuinte retificou suas DCTF relativas aos débitos de IRPJ estimativas mensais e incluiu a diferença não paga, vinculou o valor já recolhido e deixou saldo a pagar, conforme tabela a seguir: Fl. 670DF CARF MF 4 Acontece que, após o encerramento do ano de 2011, com a demonstração do imposto de renda devido no ano de 2011, não existia mais estimativa a ser paga e sim o pagamento do ajuste anual do IRPJ. Portanto a declaração em DCTF retificadora do valor devido de estimativas mensais não alteram os pagamentos realizados durante o ano de 2011. DAS INFRAÇÕES Verificase que o contribuinte optou pela apuração do Lucro Real anual, com pagamento das estimativas com base no Balanço de Suspensão Redução. A fiscalização verificou que o contribuinte não declarou na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF o valor devido de IRPJ do ano calendário de 2011. Durante a fiscalização foi verificado a falta de declaração do IRPJ no ano calendário de 2011 no valor de R$ 4.443.229,28 e o contribuinte informou que as diferenças refletem o somatório dos valores não recolhidos de estimativas mensais. Estas estimativas foram declaradas em DCTF retificadoras em julho de 2014 e incluídas no “Refis da Crise” em 21/08/2014, conforme Lei nº 12.996/2014. Após analisar a legislação que trata da apuração do IRPJ e do pagamento das estimativas, a fiscalização concluiu que para verificar o saldo a pagar de IRPJ em 31/12/2011 a empresa poderia deduzir os incentivos fiscais, o imposto pago ou retido na fonte e as parcelas de estimativas pagas. Sobre as estimativas o legislador não considera o valor declarado e sim as parcelas pagas. Esta distinção é realizada, devido ao fato das estimativas não serem tributos, são apenas um adiantamento, que serão levadas ao ajuste no final do exercício. Portanto, só podemos falar de estimativas durante o exercício em curso, pois ao término do mesmo não há mais estimativas a serem pagas ou cobradas pela Receita Federal do Brasil RFB e sim o IRPJ anual. Este fato impede que haja a inscrição em Dívida Ativa da União – DAU dos débitos declarados e não pagos. Sobre a possibilidade de parcelamentos de estimativas após o encerramento do exercício a PGFN, também, já se posicionou sobre sua impossibilidade, conforme informações do Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011 e PARECER PGFN/CAT/Nº 193/2013. Outro aspecto que ressalta esta impossibilidade é que na apuração anual do imposto de renda referente ao ano calendário de 2011, fato gerador ocorrido em 31/12/2011, foram levados ao ajuste apenas os valores já pagos de estimativas do Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13609.721739/201546 Acórdão n.º 1201002.072 S1C2T1 Fl. 4 5 IRPJ, conforme prescreve o art. 231, do RIR/99. Restando o imposto a pagar no valor de R$4.443.229,28. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO E DO PAGAMENTO A fiscalização verificou que o contribuinte não declarou na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF o valor de IRPJ anual, apurado com base no LALUR e demonstrado na DIPJ, conforme demonstrado na tabela a seguir: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA O demonstrativo abaixo traz o valor do lucro real apurado no LALUR e demonstrado na DIPJ, o valor das estimativas mensais a recolher, as estimativas efetivamente recolhidas ou compensadas, a diferença apurada entre o valor a recolher e o recolhido e a multa que corresponde a 50% desta diferença. Fl. 672DF CARF MF 6 DA IMPUGNAÇÃO Devidamente notificado, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 511/517): No caso, a Impugnante incluiu os valores não recolhidos no anobase de 2011 a título de "IRPJ Estimativas Mensais Código de Receita 2362" na anistia fiscal instituída por meio da Lei nº 11.941/09 (REFIS da Crise) e reaberta pela Lei nº 12.996/14 (REFIS da Copa), como comprovam os recibos de adesão emitidos pelo sistema eletrônico da RECEITA FEDERAL DO BRASIL (documento nº 03). Como o sistema eletrônico ECAC da RECEITA FEDERAL DO BRASIL não disponibilizou a inclusão do saldo devedor de "IRPJ Estimativas Mensais Código de Receita 2362" na anistia fiscal em questão, a Impugnante apresentou um Requerimento Administrativo solicitando a revisão da consolidação dos débitos tributários incluídos no parcelamento da Lei nº 12.996/14 (documento nº 04). Considerando a ausência de manifestação da RECEITA FEDERAL DO BRASIL, a Impugnante impetrou o Mandado de Segurança nº 0006009 95.2015.4.01.3812 (documento nº 05) com o objetivo de ser reconhecido o seu direito líquido e certo de realizar a consolidação dos débitos tributários de IRPJ Estimativa Mensal Código de Receita 2362" (vencidos em 25/01/2012, 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011, 31/01/2012, 31/12/2012 e 31/01/2013). Ato contínuo, o DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM SETE LAGOAS/MG prestou suas informações no Mandado de Segurança nº 000600995.2015.4.01.3812 apontando que os débitos da Impugnante de "IRPJ Estimativa Mensal" apurados no anobase de 2011 serão incluídos na anistia fiscal instituída pela Lei nº 12.996/2014 (documento nº 06). Vale apontar que os valores das estimativas do IRPJ devidas pela Impugnante no anobase de 2011, que foram objeto do Requerimento Administrativo solicitando a revisão da consolidação dos débitos tributários incluídos no parcelamento da Lei nº 12.996/14 (documento nº 04), são exatamente os montantes exigidos pela Fiscalização por meio do Auto de Infração, qual seja, o importe de R$4.443.229,28: Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13609.721739/201546 Acórdão n.º 1201002.072 S1C2T1 Fl. 5 7 Neste sentido, como a Impugnante formalizou a sua adesão à anistia fiscal instituída pela Lei 12.996/14 antes da lavratura do Auto de Infração nº 13609.721739/201546, deve ser cancelado o presente lançamento fiscal, em conformidade com o entendimento pacífico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Quando menos, tendo em vista que a Impugnante está realizando o pagamento parcelado dos débitos da estimativa do IRPJ devidos no anobase de 2011, deve ser sobrestada a tramitação do presente PTA nº 13609721.739/201546, considerando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão, nos termos do inciso VI do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Tendose em vista o parcelamento dos débitos de estimativa, anteriormente à ciência quanto ao Termo de Início de Fiscalização conforme consta do voto do relator da decisão de primeira instância, a 4ª Turma da DRJ/Recife considerou a impugnação totalmente procedente, exonerando o crédito tributário lançado (IRPJ e multas isoladas), sob o fundamento de que débitos, ainda que provenientes de estimativas, podem ser objeto de parcelamento, consoante a NOTA TÉCNICA CONJUNTA DINOR/DAPAR nº 009/2015 que esclarece a evolução do entendimento da Receita Federal do Brasil quanto à possibilidade de parcelamento de estimativas, determinando em sua conclusão: Dessa forma, considerando os fatos acima apontados e considerando também que o pedido de parcelamento é confissão de dívida e que a Lei nº 11.941, de 2009, permitiu o parcelamento de débitos constituídos ou não, uma vez confessados os débitos, ainda que provenientes de estimativas em qualquer de seus estágios (controladas no Fiscel ou objeto de DCOMP não homologada), estes deverão ser incluídos no parcelamento tanto da Lei nº 12.996, de 2014, quanto no simplificado. Havendo rescisão do parcelamento, há que prosseguir na cobrança, enviando o débito confessado para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). No voto condutor da decisão de piso constou ainda: Constatase, portanto, que o entendimento atual prevalente na RFB é no sentido de ser possível a inclusão de débitos provenientes de estimativas em qualquer de seus estágios no parcelamento da Lei nº 12.996/2014. Como o Código Tributário Nacional, em seu art. 106, inciso I, autoriza a aplicação da lei a ato ou fato pretérito em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, fica evidente a incidência da NOTA TÉCNICA CONJUNTA DINOR/DAPAR nº 009/2015 no presente caso, permitindo a inclusão de débitos de estimativa do IRPJ no parcelamento da Lei nº 12.996/2014 como foi pleiteado pela contribuinte em 21/08/2014. Observase que todas as condições exigidas para atestar a regularidade do parcelamento solicitado pela contribuinte foram satisfeitas. Dessa forma, quando foi dada a ciência do Termo de Início de Fiscalização em 17/03/2015, a contribuinte já havia, de forma espontânea, informado os débitos de IRPJ Estimativas Mensais, código de arrecadação 2362, nas DCTF Retificadoras e incluído os correspondentes saldos devedores no pedido de parcelamento da Lei nº 12.996/2014. Fl. 674DF CARF MF 8 Demonstrando a apuração do IRPJ a Pagar, a partir da DIPJ/2012 apresentada pela contribuinte e considerando o valor do IRPJ Estimativa Mensal pago e parcelado declarado nas DCTF, temse o seguinte: [...] Concluise, então, inexistir saldo de IRPJ a Pagar, considerando o valor total das estimativas pagas e parceladas, conforme declaradas nas DCTF dos períodos de apuração do ano calendário de 2011, devendo ser exonerado o lançamento do IRPJ a Pagar. Houve recurso de ofício dessa decisão, em face de o valor exonerado superar o limite de alçada de R$ 1.000.000,00, à época. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O recurso de ofício deve ser conhecido, uma vez o valor exonerado exceder ao novo limite de alçada de R$ 2.500.000,00. Mérito. O lançamento referese ao IRPJ ajuste anual e multas isoladas por não pagamento de estimativas, do anocalendário 2011. Conforme constou no relatório: Durante a fiscalização foi verificado a falta de declaração do IRPJ no ano calendário de 2011 no valor de R$ 4.443.229,28 e o contribuinte informou que as diferenças refletem o somatório dos valores não recolhidos de estimativas mensais. Estas estimativas foram declaradas em DCTF retificadoras em julho de 2014 e incluídas no “Refis da Crise” em 21/08/2014, conforme Lei nº 12.996/2014. Após a retificação das DCTFs, que se deu antes da ciência quanto ao Termo de Início de Fiscalização (17/03/2015), houve a adesão ao tratamento tributário diferenciado instituído por meio da Lei nº 11.941/09 (REFIS da Crise), revitalizado pela Lei nº 12.996/14 (REFIS da Copa), com a inclusão no parcelamento dos débitos de estimativa que, no total, coincidiam com os R$ 4.443.229,28 relativos ao IRPJ devido ao final do período. Sobre a viabilidade de parcelamento de débitos de estimativa, é certo que a Receita Federal admitiu essa possibilidade com a edição da Nota Técnica Conjunta DINOR/DAPAR nº 009/2015. No presente caso, foram aceitos e consolidados os débitos indicados pela contribuinte no parcelamento especial. Na referida Nota Técnica disponível no "site" da Receita Federal consta: Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13609.721739/201546 Acórdão n.º 1201002.072 S1C2T1 Fl. 6 9 Dessa forma, considerando os fatos acima apontados e considerando também que o pedido de parcelamento é confissão de dívida e que a Lei nº 11.941, de 2009, permitiu o parcelamento de débitos constituídos ou não, uma vez confessados os débitos, ainda que provenientes de estimativas em qualquer de seus estágios (controladas no Fiscel ou objeto de DCOMP não homologada), estes deverão ser incluídos no parcelamento tanto da Lei nº 12.996, de 2014, quanto no simplificado. Havendo rescisão do parcelamento, há que prosseguir na cobrança, enviando o débito confessado para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Em relação ao parcelamento simplificado, os códigos de estimativas já foram incluídos nas tabelas dos códigos passíveis de parcelamento, assim o ParcWeb já recupera tais débitos, desde que atenda as demais condições para essa modalidade de parcelamento. Com referência ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 12.996, de 2014, a recuperação dos débitos passíveis de inclusão já ocorreu, sendo que as estimativas não foram recuperadas, e não há ferramenta para alteração. Dessa forma, os contribuintes que se dirigirem às unidades de atendimento requerendo a consolidação desses débitos deverão ser orientados a protocolar pedido de revisão da consolidação do parcelamento, com as informações detalhadas sobre os débitos a serem incluídos. Como pode ser visto às fls. 582 a 585, a contribuinte, em 24 de setembro de 2015, protocolou o documento denominado "Solicitação de Revisão dos Débitos Consolidados no REFIS SRDC REFIS LEI 12.996/14" em que formaliza sua opção em incluir os débitos de estimativa no parcelamento. Inobstante isso, impetrou Mandado de Segurança uma vez que tal consolidação não fora feita. Nas informações prestadas pela autoridade impetrada (Delegado da Receita Federal em Sete LagoasMG), está apontado (fl. 612): Diante da possibilidade de parcelamento dos débitos de estimativas de IRPJ e CSLL passouse, então, a orientar os contribuintes que se dirigissem às unidades de atendimento da RFB e protocolassem pedido de revisão da consolidação dos parcelamentos, apresentando as informações detalhadas sobre os débitos a serem incluídos, tal como procedeu a autora em 24/09/2015, cujo requerimento está sendo controlado através do PTA n° 13607720.562/201581. Face ao acima exposto, considerando a mudança de entendimento por parte da RFB, forçoso é reconhecer que os débitos de IRPJ ESTIMATIVA (cód. receita 2362), vencidos em 28/02/2011, 30/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011, 25/01/2012. 31/01/2012, 31/12/2012 e 31/01/2013 serão incluídos no parcelamento especial instituído peia Lei n° 12.995/2014, mediante a reconsolidação por parte da RFB da conta "Demais Débitos" Todavia, ressaltese que no presente momento inexiste ferramenta para a reconsolidação do Fl. 676DF CARF MF 10 parcelamento no sistema de controle, como também planilha para cálculo manual dos novos valores referentes ao montante parcelado e das parcelas, motivo pelo qual somente é possível suspender a exigibilidade dos débitos de IRPJ ESTIMATIVA, que passam a não serem óbices à liberação da CPDEN. Embora essa admissão do parcelamento de estimativas por parte da Receita Federal, não se pode olvidar a natureza desses débitos: mera antecipação do tributo a ser apurado no período anual. No Parecer PGFN/CAT/Nº 88/2014, em seu item II, TRANSFORMAÇÃO DA ESTIMATIVA EM TRIBUTO, está assim assentado: 6. O imposto de renda tem sua matriz no Art. 153, Inciso III da Constituição Federal, estabelecendo princípios para sua regência no § 2º do mesmo artigo, além dos já previstos nos Arts. 150 e 151 da Carta Magna, porém, o delineamento do tributo consta no Código Tributário Nacional, ao definir o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1ºA incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2ºNa hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.” 7. Não existe nenhuma dúvida quanto ao fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto sobre a renda, valendo trazer a lição a seguir a respeito do conceito de renda: “...o acréscimo de valor patrimonial, representativo da obtenção de produto, da ocorrência de fluxo de riqueza ou simples aumento do valor do patrimônio, de natureza material ou Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13609.721739/201546 Acórdão n.º 1201002.072 S1C2T1 Fl. 7 11 imaterial, acumulado ou consumido, que decorre ou não de uma fonte permanente, que decorre ou não de uma fonte produtiva, que não necessariamente esta realizado, que não necessariamente esta separado, que pode ou não ser periódico ou reprodutível, normalmente líquido, e que pode ser de índole monetária ou em espécie.”1 8. Outro aspecto deve ser levando em consideração para aferir a renda, o interstício temporal, a partir da combinação de acréscimos e decréscimos patrimoniais relevantes, que vão apontar o ganho de renda do sujeito passivo num determinado período. Vejamos lição de Hugo de Brito Machado: “em se tratando de imposto de incidência anual, podese afirmar que o seu fato gerador é da espécie dos fatos continuados. E em virtude de ser a renda, ou o lucro, um resultado de um conjunto de fatos que acontecem durante determinado período, é razoável dizerse também que se trata de fato gerador complexo”2 9. Mesmo o fato que enseja à incidência do imposto de renda ocorrendo apenas ao final do ano, a legislação estabelece o pagamento de valores mensais, cujo valor real se apresentará apenas no ajuste anual, com a apuração do lucro real, a qual ocorrerá em 31 de dezembro, consoante definido no Art. 2º da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: 1 QUEIROZ, Luis César Souza, Imposto Sobre a Renda:Requisitos para uma tributação Constitucional, p. 229 2 Curso de Direito Tributário, 23ª edição, Malheiros Editores: São Paulo, 2003, p. 292. Fl. 678DF CARF MF 12 I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” 10. Por sua vez, o Art. 6º da Lei n.º 9430, de 1996, também deixa bastante claro que o imposto será apurado em 31 de dezembro, estruturando o imposto de renda anual para o seu devido valor, superando as antecipações de recolhimento designadas como estimativa. Vejamos o dispositivo: “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1o O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro receberá o seguinte tratamento: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I se positivo, será pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, observado o disposto no § 2o; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II se negativo, poderá ser objeto de restituição ou de compensação nos termos do art. 74. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.” 11. Esse pagamento a que nos referimos acima se assemelha a antecipação do imposto de renda por meio de retenção na fonte, a qual tem sua natureza abordada em nota na clássica obra de Aliomar Baleeiro: “Generalizouse a retenção do imposto de renda na fonte. Com o advento da Lei nº 7713/88, a partir de 01.01.1988, todos os rendimentos de pessoa física, recebidos de pessoas jurídicas, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, mesmo quando pagos em juízo. Incluemse, portanto, no rol, os rendimentos pagos ao trabalho assalariado (salários, remunerações e despesas pagas pelo empregador), ao autônomo, aluguéis e outros. As exceções são os ganhos de capital, mesmo se pagos por pessoas jurídicas, os alimentos e pensões. ...omissis.. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13609.721739/201546 Acórdão n.º 1201002.072 S1C2T1 Fl. 8 13 Originariamente, o imposto de renda (fonte) incidia apenas sobre os rendimentos ao portador e dos residentes e domiciliados no exterior. Surgiu, portanto, por razões de praticidade ou pelas limitações territoriais da lei brasileira, como incidência única e exclusiva, cabendo às fontes pagadores reter e recolher o tributo as repartições competentes. ...omissis... Posteriormente, estendeuse o imposto de fonte a outras hipóteses, até a ampla generalização que tem hoje. Não configura, em nenhum caso, tributo diferente do imposto de renda, mas, antes, deve ser analisado como mera antecipação de imposto que se presume devido. Se, ao final do anobase em que está periodizado (ver comentários seguintes, no tópico 13), o imposto não for devido, em decorrência de saídasdespesas elevadas, deverá ser devolvido ao contribuinte.”3 12. O entendimento quanto à natureza de antecipação do imposto foi tratada em decisões do Supremo Tribunal Federal, a seguir colacionadas: EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS EFETUADOS PELO PODER PÚBLICO. CARÁTER INFRACONSTITUCIONAL DA DISCUSSÃO. INSUFICIÊNCIA DAS RAZÕES RECURSAIS. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA. DISCUSSÃO ACERCA DE SEUS REQUISITOS. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. Nos termos do art. 38 da Lei 8.038/1991 e do art. 21, § 1º do RISTF, cabe ao relator negar seguimento aos pedidos ou aos recursos manifestamente improcedentes. Nestes casos, devese preservar a possibilidade de recurso ao Colegiado, pela exposição precisa dos fundamentos da decisão monocrática. Requisito observado neste caso. 2. Considerada a sistemática de retenção na fonte como instrumento de antecipação do Imposto de Renda (realidade diversa da retenção na fonte como mecanismo de tributação definitiva), para que fosse possível bem compreender a alegada dimensão constitucional do debate, seria necessário examinar não apenas a norma de retenção, mas também a contramedida de compensação, destinada a reconduzir a carga tributária ao patamar autorizado pela Constituição e pela legislação. Ausente discussão sobre elemento essencial do modelo, as razões recursais são ineficazes para promover o debate constitucional da matéria. 3. Ademais, as razões recursais desviamse de outro elemento determinante para o controle da validade da tributação, que referese aos limites à mensuração da carga tributária que pode ser exigida em antecipação. Como há a previsão para o reequilíbrio da carga tributária com a compensação, a questão de fundo deixa de ser propriamente a violação imediata do conceito de renda, para se desdobrar em duas: (a) a razoabilidade e a proporcionalidade dos valores 3 Direito Tributário Brasileiro. 11ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002. p. 314. Fl. 680DF CARF MF 14 retidos, considerado o direito constitucional ao exercício de atividade econômica lícita e (b) a eficácia do mecanismo de compensação para reconduzir a carga tributária ao patamar permitido pela Constituição e pela legislação. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 628845 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/03/2011, DJe061 DIVULG 30032011 PUBLIC 31032011 EMENT VOL0249301 PP00194) E MENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. ANTECIPAÇÃO. “DUODÉCIMOS”. VALIDADE. PROCESSUAL CIVIL. FUNDAMENTAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. 1. O acórdão prolatado pelo Tribunal de origem está devidamente fundamentado, ainda que com sua conclusão não concorde a parteagravante. Ausência de violação do art. 93, IX da Constituição. 2. A orientação firmada por esta Corte considera válida a cobrança do IRPJ pela modalidade de antecipação conhecida como “duodécimos” (DecretoLei 2.354/1987 e Lei 7.787/1989). A suposta violação do princípio da vedação do uso de tributo com efeito confiscatório depende do exame de provas específicas, relativas ao caso concreto. Ausente quadro probatório capaz de confirmar a alegação da parteagravante. Impossibilidade de revisão de fatos e provas (Súmula 279/STF). Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 255379 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 08/02/2011, DJe060 DIVULG 29032011 PUBLIC 30032011 EMENT VOL02492 01 PP00043) 13. Ao final do período ocorre à substituição das estimativas pelo ajuste anual, não existindo liquidez e certeza na estimativa, razão pela qual é impossível a inscrição e cobrança das estimativas, conforme exposto no Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, do qual extraímos o trecho a seguir: 28. Ocorre que, como visto e reiterado, os valores do IRPJ e da CSLL apurados por estimativa não se qualificam como crédito tributário, mas como mera antecipação do pagamento deste. 29. Assim, ainda que a DCOMP se preste à confissão de dívida, tal confissão não tem o poder de transformar a antecipação do tributo (estimativa) em crédito tributário. 30. Disto decorre que, mesmo declarada esta antecipação do tributo como débito (e até confessada), em não sendo homologada a compensação ela é tida por inexistente, tendo como efeitos o não pagamento e a não extinção desta parte do crédito tributário, a teor do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. 31. Conclusivamente, o débito relativo à antecipação do IRPJ e da CSLL apurada por estimativa não constitui crédito tributário e assim não se converteu pelo fato de ter sido objeto de DCOMP, não se sustentando como líquido e certo, inclusive porque é necessário o ajuste, ao final, para apuração do saldo do imposto. 32. De fato, conforme preceitos do art. 2o c.c. art. 6o da Lei no 9.430, de 1996, caso não recolhido ou pago a menor o valor da Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13609.721739/201546 Acórdão n.º 1201002.072 S1C2T1 Fl. 9 15 antecipação mensal dos tributos, é necessária a apuração destes ao final (31 de dezembro ou na data do encerramento das atividades ou dos demais eventos indicados na lei), com previsão de penalidade pecuniária, ainda que a pessoa jurídica venha a apurar prejuízo no balanço. 33. A propósito, não é desarrazoado prever a ocorrência de situação em que os valores antecipados sejam superiores ao valor do tributo devido, hipótese que reforça a conclusão de inexistência de certeza e liquidez das referidas antecipações. 14. A mesma conclusão foi adotada no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013, conforme excerto a seguir: “12. A existência da compensação não implica em sua possibilidade de cobrança, afinal, ao ser concluído o exercício, a estimativa é substituída pelo imposto apurado, consoante exposto no Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011 e assim como é definido pela própria Receita Federal do Brasil no Art. 16 da Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.” 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarse iam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. 16. Esse entendimento já é aplicado pela Receita Federal do Brasil, vejamos trecho da Nota Cosit nº 31/2013, a qual serve de lastro à consulta: “Portanto, ao apurar, em 31 de dezembro, o valor total do imposto devido em todo o anocalendário, o sujeito passivo há de pagar esse valor, não havendo porque a RFB manter a cobrança de um débito (estimativa) que foi incorporado por outro (imposto a pagar). Isso é pacífico. A RFB não cobra estimativa não paga no anocalendário: aplica multa de ofício e cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar.” 17. A leitura do trecho acima deixa claro que a RFB tem consciência da inviabilidade de cobrança das estimativas, pelo menos até a ocorrência do fato jurídico que enseja a incidência do IRPJ e CSLL na modalidade anual. Fl. 682DF CARF MF 16 18. Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.º 31/2013: “21. Ocorre que não se está tratando de estimativa não paga no anocalendário, mas de estimativa extinta por meio da compensação, cujo efeito legal é o mesmo do pagamento, conforme se depreende da leitura do art. 156, Incisos I e II, do CTN e do art. 6º da Lei nº 8.212, de 29 de agosto de 1991. 21.1. Por sua vez, a Lei n.º 9.430, de 1996, não previa – e não foi atualizada nesse ponto – a hipótese de que o valor devido fosse antecipado por forma diversa do pagamento, in casu, a compensação, cujas regras próprias possibilitam a contestação dessa antecipação por meio da nãohomologação, que ocorre, via de regra, apenas depois de 31 de dezembro, ou seja, depois de a Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) ser entregue e o imposto pago ou o saldo negativo apurado. 21.2. Ora, enquanto não homologada a compensação, extinto está o débito declarado a título de estimativa e, portanto, corretamente deduzido do total do imposto devido no ano e demonstrado no DIPJ. Essa extinção, entretanto, não é definitiva, mas se submete a condição resolutória de a RFB homologála ou não no prazo de cinco anos. 21.3 Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao final do anocalendário, e ser declarado extinto por meio de estimativa, temse que esse valor informado na DIPJ como compensado já não é mais estimativa, mas imposto sobre a renda, crédito tributário definitivamente constituído por apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e compensado prestada na DCTF, como na DComp. 19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. 21. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. O entendimento esposado no parecer cujos excertos foram transcritos acima leva à conclusão de que, após encerrado o anocalendário, as estimativas não pagas, mesmo Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13609.721739/201546 Acórdão n.º 1201002.072 S1C2T1 Fl. 10 17 informadas em DCTF, que compõem o imposto apurado ao final do período, não se constituem mais em estimativas, mas no próprio tributo em si. Em face do exposto, não pode prosperar a cobrança do IRPJ apurado no período anual. Esse valor é o que foi efetivamente parcelado, anteriormente ao lançamento de ofício. Entretanto, quanto às multas isoladas, elas devem ser mantidas. Pelo que consta no parecer citado, as estimativas, embora declaradas em DCTF retificadora, não foram pagas, nem tampouco parceladas como tal. O débito efetivamente parcelado constituiuse no tributo em si, uma vez encerrado o período de apuração quando da inclusão dele no programa de parcelamento. A título de esclarecimento, o valor efetivo das estimativas não pagas foi de R$ 4.518.087,52, conforme somatória dos valores constantes no quadro de fl. 489. Assim, o valor da multa isolada é de R$ 2.259.043,76 (aplicação da alíquota de 50% sobre o valor não recolhido). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso de ofício para, no mérito, DARLHE provimento parcial, mantendo a multa isolada pelo não pagamento de estimativas. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 684DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721382/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL(MPF). NULIDADE.
Descabe falar em nulidade do MPF quando demonstrado nos autos que a emissão do documento ocorreu nos termos da legislação de regência.
PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA.
Descabe falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa em função da inexistência de fundamentação e motivação jurídica,implicando em cerceamento do direito de defesa, quando o Relatório Fiscal explicita em detalhes as irregularidades apuradas e o Auto de Infração menciona o enquadramento legal para cada uma delas.
PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. ÔNUS DA PROVA.
Nos termos da legislação de regência, a dedução dos custos e despesas operacionais, se questionada, fica condicionada à apresentação pelo sujeito passivo de documentação hábil e idônea que os lastreie. Na inexistência de elementos probantes, não há que se falar em ônus da prova da Fiscalização.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. INCÊNDIO.
Os custos e despesas operacionais são dedutíveis apenas se lastreados em documentação hábil e idônea. A ocorrência de incêndio que supostamente destruiu documentos não elide a responsabilidade do sujeito passivo em buscar elementos de prova substitutos ou alternativos que possam embasar os valores questionados.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
MULTA DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO.
Correta a imputação da multa de ofício qualificada quando demonstrado nos autos que o sujeito passivo utilizou-se de valores inexistentes de fato para reduzir o resultado tributável.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO REFLEXO.
Tratando-se de lançamento reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
Numero da decisão: 1402-002.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL(MPF). NULIDADE. Descabe falar em nulidade do MPF quando demonstrado nos autos que a emissão do documento ocorreu nos termos da legislação de regência. PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA. Descabe falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa em função da inexistência de fundamentação e motivação jurídica,implicando em cerceamento do direito de defesa, quando o Relatório Fiscal explicita em detalhes as irregularidades apuradas e o Auto de Infração menciona o enquadramento legal para cada uma delas. PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. ÔNUS DA PROVA. Nos termos da legislação de regência, a dedução dos custos e despesas operacionais, se questionada, fica condicionada à apresentação pelo sujeito passivo de documentação hábil e idônea que os lastreie. Na inexistência de elementos probantes, não há que se falar em ônus da prova da Fiscalização. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. INCÊNDIO. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis apenas se lastreados em documentação hábil e idônea. A ocorrência de incêndio que supostamente destruiu documentos não elide a responsabilidade do sujeito passivo em buscar elementos de prova substitutos ou alternativos que possam embasar os valores questionados. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010 MULTA DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO. Correta a imputação da multa de ofício qualificada quando demonstrado nos autos que o sujeito passivo utilizou-se de valores inexistentes de fato para reduzir o resultado tributável. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO REFLEXO. Tratando-se de lançamento reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto- Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL(MPF). NULIDADE. Descabe falar em nulidade do MPF quando demonstrado nos autos que a emissão do documento ocorreu nos termos da legislação de regência. PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA. Descabe falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa em função da inexistência de fundamentação e motivação jurídica,implicando em cerceamento do direito de defesa, quando o Relatório Fiscal explicita em detalhes as irregularidades apuradas e o Auto de Infração menciona o enquadramento legal para cada uma delas. PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. ÔNUS DA PROVA. Nos termos da legislação de regência, a dedução dos custos e despesas operacionais, se questionada, fica condicionada à apresentação pelo sujeito passivo de documentação hábil e idônea que os lastreie. Na inexistência de elementos probantes, não há que se falar em ônus da prova da Fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. INCÊNDIO. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis apenas se lastreados em documentação hábil e idônea. A ocorrência de incêndio que supostamente destruiu documentos não elide a responsabilidade do sujeito passivo em buscar elementos de prova substitutos ou alternativos que possam embasar os valores questionados. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 13 82 /2 01 4- 41 Fl. 23507DF CARF MF 2 Anocalendário: 2010 MULTA DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO. Correta a imputação da multa de ofício qualificada quando demonstrado nos autos que o sujeito passivo utilizouse de valores inexistentes de fato para reduzir o resultado tributável. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO REFLEXO. Tratandose de lançamento reflexo, aplicase a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 23508DF CARF MF Processo nº 19515.721382/201441 Acórdão n.º 1402002.818 S1C4T2 Fl. 23.508 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida abaixo transcrito: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 580/596, através dos quais foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. O crédito tributário total importou em R$ 10.654.773,76, incluídos juros de mora e multa proporcional. 2. De acordo com os autos de infração e com o Relatório Fiscal de fls. 569/579, o lançamento, que se refere ao anocalendário 2010, decorreu de (i) despesas não comprovadas, (ii) indevida dedução de perdas no recebimento de créditos, (iii) adições de despesa indedutível não computada no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL e (iv) exclusões indevidas na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. Qualificouse a multa (percentual de 150%) no tocante a esta última infração. 3. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 622/639, alegando, em síntese: a) nulidade dos lançamentos por inobservância aos termos do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e por perda de validade dos termos de intimação fiscal; b) nulidade do procedimento por inexistência de fundamentação e motivação jurídica, vez que a fiscalização realizou um lançamento arbitrado, mesmo reconhecendo ter havido um incêndio que destruiu documentos fiscais da empresa; c) nulidade por cerceamento do direito de defesa; d) que cabe à fiscalização o ônus da prova das infrações; e) que não foi intimada para se manifestar sobre o fim da instrução, conforme previsto no art. 44 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999; f) que, de acordo com ao art. 393 do Código Civil, não pode ser responsabilizada em face do incêndio em suas dependências e que a fiscalização deveria ter intimado os fornecedores para apresentação dos documentos; g) que a multa de 150% é indevida por não ter havido sonegação, fraude ou conluio e por ter sempre atendido à fiscalização; h) que é indevida a incidência de juros de mora sobre a multa. 4. Requereu, ao final, o cancelamento dos autos de infração, bem assim que seja intimada para apresentação de defesa oral. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1153.590 pelo qual deu provimento parcial à impugnação para acolher parte dos documentos apresentados referente à infração Despesas operacionais não comprovadas. Fl. 23509DF CARF MF 4 Devidamente cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário a este colegiado ratificando as razões expedidas na pela impugnatória. Suscita o cancelamento da decisão de primeira instância que teria deixado de apreciar os argumentos quanto à apresentação de elementos comprobatórios da inexistência de motivos para a realização do lançamento bem como em relação à solicitação da diligência. É o relatório. Fl. 23510DF CARF MF Processo nº 19515.721382/201441 Acórdão n.º 1402002.818 S1C4T2 Fl. 23.509 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A arguição de nulidade da decisão recorrida não merece prosperar. Em relação à ausência de motivos para a realização do lançamento e à necessidade de diligência para obtenção de informações junto aos fornecedores o acórdão questionado assim se manifestou (destaques acrescidos): [...] Em sua impugnação, reafirma a contribuinte a ocorrência do sinistro, conforme provas que diz anexar. Aduz que, de acordo com o art. 393 do Código Civil, não pode ser responsabilizada, e que deveria a fiscalização ter intimado seus fornecedores, os quais relaciona. [...] Determinada despesa, para ser dedutível, há de ter sua ocorrência devidamente comprovada. Nos termos do dispositivo acima transcrito, compete ao contribuinte provar que as despesas lançadas em sua DIPJ foram efetivamente pagas ou incorridas, devendo a comprovação se dar mediante apresentação de documentação hábil e idônea. [...] Assim, o Órgão julgador deixa claro o entendimento quanto à obrigação do sujeito passivo, e não do Fisco, em demonstrar documentalmente os valores lançados na escrituração o que também implicaria na desnecessidade da diligência eis que caberia à interessada obter os elementos de prova. Deixo claro minha concordância com a decisão recorrida no que se refere à diligência. O sinistro ocorreu em 11/01/2012 e o procedimento fiscal teve início em 26/08/2013. Só nesse interregno temse 1 ano e 7 meses para que a interessada obtivesse junto aos fornecedores elementos substitutivos de prova dos lançamentos contábeis. Levandose em consideração que esta Corte aceita, sob determinadas circunstâncias, elementos de provas apresentados em sede recursal, se for levado em consideração a data de interposição do recurso voluntário (26/09/2016), foram quase 5 anos para que a interessada buscasse suprir a falta decorrente do incêndio. Ressaltese nesse aspecto, como será demonstrado em momento posterior deste voto, que maior parte da documentação foi obtida. No que se refere às demais preliminares suscitadas na impugnação e reiteradas no recurso voluntário, foram bem enfrentadas pela decisão recorrida cabendo apenas ratificar a análise lá efetuada. Fl. 23511DF CARF MF 6 Em relação ao MPF, conforme bem ressaltado no acórdão hostilizado, foi indicada apenas uma auditorafiscal como responsável pela execução do mandado, sendo ela própria a autoridade que lavrou os autos de infração. A outra autoridade mencionada no MPF foi designada apenas na condição de supervisor, não sendo obrigatória sua assinatura nos autos de infração, conforme art. 7º da Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011. Quanto à CSLL, o art. 8º desse mesmo diploma legal deixa clara a desnecessidade de MPF específico para tributos abrangidos no mesmo procedimento fiscal do IRPJ. Importa ressaltar que, mesmo se houvesse qualquer irregularidade no documento, a jurisprudência do CARF consolidouse no sentido de que o MPF é instrumento de controle exclusivamente administrativo e eventuais equívocos nele contidos não teriam o condão de macular o procedimento fiscal. Quanto à nulidade do procedimento fiscal pelo término do prazo de 60 (dias) entre os termos lavrados pela Fiscalização, a interessada se confunde. Ressaltando que não foi indicado especificamente quando ocorreu tal fato, o efeito do decurso do prazo em questão sem a prática de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal seria o retorno da espontaneidade em relação às matérias objeto do procedimento fiscal. A partir do momento em que ocorre nova manifestação formal da Fiscalização sem que o sujeito passivo tenha aproveitado a espontaneidade para pagar tributos ou suprir alguma irregularidade, o procedimento fiscal procede normalmente. Inexiste a perda de validade suscitada. Em relação à inexistência de fundamentação e motivação jurídica para o lançamento, o Relatório Fiscal descreve claramente as irregularidades apuradas que geraram a autuação, deixou claro que a existência do incêndio não seria motivo suficiente para justificar a não comprovação das despesas e registra a aceitação de alguns documentos. O auto de infração, por sua vez, traz em seu bojo todo o enquadramento legal para cada uma das infrações. Não vislumbro a irregularidade suscitada. As alegações de cerceamento do direito de defesa e ônus da prova da Fiscalização se confundem com o item anterior, pois o sujeito passivo novamente sustenta no primeiro caso, que não teriam sido demonstradas as razões jurídicas necessárias ao lançamento e, no segundo, ter apresentado elementos comprobatórios da inexistência de motivos para o lançamento. A simples leitura do parágrafo anterior derruba os argumentos de defesa. A interessada insiste no argumento de que ocorreu indevido arbitramento. Conforme já esclarecido pela decisão recorrida, o lançamento fiscal não foi formalizado na modalidade do lucro arbitrado, mas sim lucro real. Improcedente a alegação. Quanto à aplicação do art. 44, da Lei nº 9.789/99, a decisão recorrida foi precisa. De fato, o procedimento fiscal tem natureza inquisitória, não sendo exigida a intimação do contribuinte para manifestarse sobre o fim da instrução. Ao sujeito passivo cabe oferecer suas contestações em momento oportuno, quando da impugnação ao lançamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972. Além do mais, esse Decreto regula especificamente o processo administrativo fiscal no âmbito federal e, sendo assim, os dispositivos da Lei nº 9.784/99 só são aplicáveis em caráter subsidiário, nos termos do art. 69 desse diploma legal. Naquilo que a interessada denomina mérito, não foi apresentado qualquer documento ou esclarecimento que pudesse subsidiar a defesa. A única alegação dirigese à ocorrência de incêndio que teria atingido os documentos fiscais. O Relatório Fiscal e a decisão recorrida trazem algumas colocações pelas quais o sinistro por si só não seria justificativa para a não apresentação dos elementos de prova. Fl. 23512DF CARF MF Processo nº 19515.721382/201441 Acórdão n.º 1402002.818 S1C4T2 Fl. 23.510 7 Temse como exemplo a dedução com provisões que representa individualmente o maior valor glosado (R$ 10.041.256,69). Como regra geral as provisões são indedutíveis, com as exceções previstas em lei. Caberia à defesa, mesmo sem documentos comprobatórios, ao menos tentar justificar a dedução. Não houve qualquer esforço da interessada nesse sentido. No que se refere às perdas tidas como indedutíveis (R$ 299.019,95) a interessada admitiu que só havia adotado os requisitos legais em relação a uma das devedoras e apresentou documento que foi aceito. Aqui também o incêndio não pode se tido como justificativa. Em relação às despesas operacionais, importa ressaltar que o valor total sob exame foi de R$ 55.386.258,50 e desse montante apenas R$ 7.449.566,04 foi glosado, ou seja, um percentual de apenas 13,50% (treze e meio por cento). Assim, se por hipótese o incêndio fosse causa da impossibilidade de apresentar os comprovantes requeridos, tal fato não teria impedido a demonstração da grande maioria dos valores deduzidos. No que se refere à exclusão indevida do lucro líquido (R$ 3.541.119,06) o problema é absolutamente estranho ao incêndio. Isso porque a Fiscalização deixou claro o indicativo da existência de uma "conta de chegada", ou seja, um lançamento de exclusão idêntico ao lucro líquido (R$ 2.716.280,44) mais a adição (R$ 824.838,62). Dada a gravidade da questão, caberia à recorrente no mínimo uma tentativa de justificar tal valor, inclusive porque a contabilidade não foi destruída. Relativamente à multa qualificada, em primeiro lugar importa não confundir com a multa agravada decorrente do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, matéria estranha aos autos. A qualificadora foi imputada exclusivamente sobre a exclusão indevida do lucro líquido. Isso porque, diversamente das demais glosas decorrentes da não apresentação de documentação comprobatória, no caso sob exame a exclusão foi tida como fictícia, resultado de um "jogo de contas" para zerar o valor tributável. Não houve sequer uma tentativa do sujeito passivo de justificar o valor excluído. Entendo caracterizada a fraude prevista no art. 72, da Lei nº 4.502/64, motivo pelo qual voto por manter a multa nos moldes aplicados. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) Fl. 23513DF CARF MF 8 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Em resumo do exposto, conduzo meu voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, o que se aplica também à CSLL pela relação de causa e efeito que une os lançamentos. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 23514DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.723379/2012-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/10/2008
SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE LEGAL.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no sistema Siscomex Carga configura a infração aduaneira sancionada com multa regulamentar fixada em preceito legal estatuído em nosso ordenamento jurídico.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração.
A multa por atraso na prestação de informação no Siscomex Carga, sobre dados da desconsolidação, não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA DESCONSOLIDADOR. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA PENALIDADE APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga desconsolidador, ainda que por representação de outro agente, na qualidade de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação no sistema Siscomex Carga, sobre a desconsolidação da carga transportada, tem legitimidade para figurar no polo passivo da exação fiscal e, por conseguinte, para responder pela penalidade aplicada por atraso na prestação da respectiva informação, pelo fato de ter sido justamente este quem lhe deu causa.
Numero da decisão: 3001-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por ilegitimidade da sujeição passiva e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/10/2008 SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE LEGAL. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no sistema Siscomex Carga configura a infração aduaneira sancionada com multa regulamentar fixada em preceito legal estatuído em nosso ordenamento jurídico. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração. A multa por atraso na prestação de informação no Siscomex Carga, sobre dados da desconsolidação, não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA DESCONSOLIDADOR. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA PENALIDADE APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga desconsolidador, ainda que por representação de outro agente, na qualidade de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação no sistema Siscomex Carga, sobre a desconsolidação da carga transportada, tem legitimidade para figurar no polo passivo da exação fiscal e, por conseguinte, para responder pela penalidade aplicada por atraso na prestação da respectiva informação, pelo fato de ter sido justamente este quem lhe deu causa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/10/2008 SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE LEGAL. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no sistema Siscomex Carga configura a infração aduaneira sancionada com multa regulamentar fixada em preceito legal estatuído em nosso ordenamento jurídico. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração. A multa por atraso na prestação de informação no Siscomex Carga, sobre dados da desconsolidação, não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA DESCONSOLIDADOR. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA PENALIDADE APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga desconsolidador, ainda que por representação de outro agente, na qualidade de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação no sistema Siscomex Carga, sobre a desconsolidação da carga transportada, tem legitimidade para figurar no polo passivo da exação fiscal e, por conseguinte, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 33 79 /2 01 2- 17 Fl. 80DF CARF MF 2 para responder pela penalidade aplicada por atraso na prestação da respectiva informação, pelo fato de ter sido justamente este quem lhe deu causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por ilegitimidade da sujeição passiva e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1144.163 da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC que, em sessão de julgamento realizada no dia 05.12.2013, julgou improcedente a impugnação para manter integralmente o crédito tributário lançado. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 43 a 48), que segue transcrito: Relatório Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a interessada, deixou de prestar informação, no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos pela legislação aduaneira. Com efeito, a autuada procedeu à desconsolidação da carga em 30/10/2008, às 16h5min7s, restando intempestiva a informação, tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de “INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO” de forma imediata. Tal conduta, segundo a autoridade fiscal, configuraria descumprimento de obrigação acessória (prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), sujeitando o infrator à multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18/11/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Devidamente cientificada a contribuinte apresenta impugnação, com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: a) não figura como consignatário do Master BL, e a desconsolidação foi realizada por instrução e procuração do consignatário do Master BL, CALLAWAY LOGÍSTICA INTERNACIONAL LTDA, uma vez que, somente tem acesso às Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10711.723379/201217 Acórdão n.º 3001000.255 S3C0T1 Fl. 81 3 informações e documentos para desconsolidação após o envio das informações pertinentes ao processo pela CALLAWAY LOGÍSTICA INTERNACIONAL LTDA, nesse caso específico a instrução foi dada no mesmo dia da chegada do navio MOL WISH ao porto do Rio de Janeiro e não tem como ser responsabilizada pelo não cumprimento de formalidades junto ao Sistema Mercante SISCOMEX CARGA e RECEITA FEDERAL; b) pleiteia que seja revogada a cobrança de multa estipulada conforme art. 22 IN 800/07, uma vez que conforme consta nessa Instrução Normativa, com alteração dada pela IN 899/08, art. 50 "Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir do dia 1º de abril de 2009", não há jurisprudência para cobrança. Por fim, requer correção do real Sujeito Passivo do débito fiscal CALLAWAY LOGÍSTICA INTERNACIONAL LTDA, CNPJ 07014436/000189. É o relatório. Da decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão da 6ª Turma da DRJ/REC, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do colegiado a quo julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, com base nos fundamentos do voto condutor, haja vista que, com espeque na Portaria SRF 1.364 de 10.11.2004, respectivo acórdão estava dispensado de apresentar ementa. Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário para em síntese aduzir, em preliminar, que atuou em nome do importador, mediante mandato, e que portanto é equivocada a responsabilidade que lhe foi atribuída no auto de infração, pela suposta infração, ainda mais que é a importadora a única detentora das informações relativas aos dados de embarque das cargas em questão, devendo esta figurar como sujeito passivo da autuação. No mérito, alega que não deixou de prestar quaisquer informações, que, inclusive, foi próativa, agindo em favor do Fisco, devendolhe, por consequência, ser aplicado o benefício da denúncia espontânea inscrita no artigo 138 do CTN, bem como no artigo 102 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com redação dada pelo Decretolei 2.472 de 01.09.1988. Aduz também que este entendimento está alinhado com a jurisprudência dos tribunais judiciais e administrativos. Requer, por fim, que seja considerada insubsistente e improcedente a presente exigência fiscal. Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Fl. 82DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte em 18.02.2014 (terçafeira) tomou conhecimento da Intimação nº 52/2014 juntada às efls. 50/51 dandolhe conta do teor do acórdão vergastado, é o que depreendese do aviso de recebimento "AR" juntado às efls. 76/77. Irresignado com a decisão nele proferida em 20.03.2014 (quintafeira) junta o recurso voluntário, é o que depreendese do protocolo da Alfândega do Porto de Santos, constante da sua "Folha de Rosto" de efl. 76. Concluise no caso sob exame, após cotejar as datas acima mencionadas, que o recurso voluntário foi interposto no interstício legal de 30 (trinta) dias, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Do litígio O autuado, cientificado da decisão de primeira instância, protocolou recurso voluntário (efls. 53 a 73) em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Avançando em suas alegações recursais, requer também que sejalhe aplicado o benefício do instituto da denúncia espontânea. Portanto, em síntese, o litígio cingese aos seguintes pontos: (i) ilegitimidade passiva do recorrente e (ii) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Do contexto fático e jurídico da autuação De plano, cabe destacar que a aplicação da penalidade em comento foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (grifei) (...) Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10711.723379/201217 Acórdão n.º 3001000.255 S3C0T1 Fl. 82 5 E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800 de 2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" que integra o presente Auto de Infração juntado às efls. 02 a 14, a conduta que motivou a imputação da penalidade em apreço foi a prestação da informação a destempo no sistema Siscomex Carga. Para a absoluta evidenciação dos fatos, transcrevese os seguintes trechos da peça acusatória: Dos Fatos A embarcação MPL WISH (EXCARRIBBEAN SEA) chegou ao Brasil através do porto de SANTOS, procedente HONG KONG, no dia 18 de outubro de 2008, tendo atracado às 01:00:00:h, conforme consta nas telas de DETALHES DO MANIFESTO Nº 130.850.198.4208 às fls. 14 e Detalhes da Escala nº 08000205082/SANTOS às fls. 15. (...) A agência de navegação UNIMAR AGENCIAMENTOS MARÍTIMOS LTDA, (...), após ter informado o Manifesto nº 130.850.198.4208 e efetuado sua vinculação às escalas dentro do prazo, informou tempestivamente o Conhecimento Eletrônico (C.E. Mercante) Genérico (Máster) nº 130.805.196.459.899, no dia 17 de OUTUBRO de 2008, às 16:06:50 hs, conforme fls. 16 a 19. A atracação da embarcação no Porto de destino CE MERCANTEGENÉRICO supracitado Rio de Janeiro/RJ, ocorreu no dia 30 de OUTUBRO de 2008, às 09:00:00h, conforme Detalhes da Escala nº 08000223367RIO, constante na folha 20, sendo esta a data/hora limite para a empresa PRAXIS 2000 ASSESSORIA EM COMERCIO EXTERIOR LTDA (...), conforme tela so sistema CNPJ constante a fls. 21, também cadastrada junto ao Departamento do Fundo da Marinha Mercante DEFMM como agente de carga (desconsolidador), como se verifica na tela impressa do sistema Mercante, constante a fls. 22, prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos (...). No entanto a empresa PRAXIS 2000 ASSESSORIA EM COMERCIO EXTERIOR LTDA, procedeu a desconsolidação da carga informando o C.E. Mercante Agregado (HBL) nº 130.805.204.506.579, somente no dia 30 de OUTUBRO DE 2008, às 16:05:07 h, restando, portanto INTEMPESTIVA a informação, tendo sido gerado inclusive pela sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata, conforme extrato do C.E. Mercante nas folhas 23 a 25. (...) Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no inciso III do artigo 22 e parágrafo único do artigo 50 da Instrução Fl. 84DF CARF MF 6 Normativa RFB 800 de 2007 (Publicada no DOU de 28.12.2007, seção, página 48), que seguem transcritos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: (...) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. (...) Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção;e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. No caso em apreço, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, o recorrente estava obrigado a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, de que trata o inciso II do parágrafo único do artigo 50, acima transcrito. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pelo recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 16:05:07 horas do dia 30.10.2008 data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 130.805.204.506.579, portanto, após a atracação da embarcação no Porto do Rio de Janeiro/RJ, ocorrida na mesma data, porém às 09:00:00 horas, conforme Detalhes de Escala nº 08000223367/RIO. Portanto, é indiscutível que o recorrente praticou a conduta infracionária narrada no Auto de Infração em apreço. Demais disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pelo recorrente subsumese concretamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da infração mencionada inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pelo recorrente. Da ilegitimidade passiva O recorrente alegou que, na condição de agente de carga representante do importador, não pode figurar como sujeito passivo da autuação, pois além de agir mediante mandato, é o importador que detém as informações relativas aos dados de embarque das cargas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10711.723379/201217 Acórdão n.º 3001000.255 S3C0T1 Fl. 83 7 em questão, não podendo recair sobre si a responsabilidade pelo descumprimento do prazo para prestação das referida informações. A alegação do recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do artigo 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 2007 tenha se referido apenas ao transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que prestam serviços de transporte e emitem conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do parágrafo 1º do artigo 2º da referida norma complementar IN RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: (...) V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; (...) § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: (...) IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (...) Demais disso, não se pode descuidar da literalidade da disposição contida no artigo 5º da já referida norma complementar, a seguir transcrito: Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. Não bastasse o já elucidado, há ainda expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, o recorrente, diferentemente do que alega em sua defesa recursal, atuou como representante do transportador estrangeiro no País. Logo, dada essa Fl. 86DF CARF MF 8 condição, era dele a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou, relativamente ao conhecimento eletrônico agregado HBL 130.805.204.506.579. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ele deve responder pela correspondente penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, o recorrente estava obrigado a prestar, tempestivamente, as informações no sistema Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo sua obrigação, foi o autuado quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, devendo por conseguinte responder pela infração em apreço. Por fim, não é demais ressaltar que, os termos do caput do artigo 94 do Decretolei 37 de 1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Com arrimo nessas ponderações, entendo que resta demonstrado que o recorrente deve ser mantido polo passivo da autuação, haja vista existir previsão legal expressa nesse sentido. Da denúncia espontânea da infração. O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que não deixou de prestar quaisquer informações e que agiu em favor do Fisco quando da prestação das respectivas informações, portanto, em conformidade com o previsto no parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pela Lei 12.350 de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) É sem razão a alegação do recorrente, pois no caso em tela a denúncia da infração não restou configurada, haja vista que as informações foram prestadas após a atracação do veículo transportador, de procedência estrangeira, o que, segundo preceitua o parágrafo 3º do artigo 683 do Decreto 6.759 de 2009 (RA/2009), que tem o mesmo teor do Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10711.723379/201217 Acórdão n.º 3001000.255 S3C0T1 Fl. 84 9 parágrafo 3º do artigo 612 do Decreto 4.543 de 2002 (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, in verbis: Art. 612. (...) § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria o recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão 3102002.187 de 26.03.2014, cujos excertos relevantes, com a devida licença, tomo a liberdade de adotar como fundamento de decidir. Vejamos sua transcrição: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, Fl. 88DF CARF MF 10 com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10711.723379/201217 Acórdão n.º 3001000.255 S3C0T1 Fl. 85 11 Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. [...]. (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de Fl. 90DF CARF MF 12 responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10711.723379/201217 Acórdão n.º 3001000.255 S3C0T1 Fl. 86 13 Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Pelas circunstâncias fáticas e jurídicas expostas nos presentes autos, ratifico do que foi decidido no voto condutor do acórdão recorrido. Da conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721346/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES
DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES. Não é nulo o auto de infração que apresenta a descrição dos fatos e enquadramento legal na forma do art. 10 do Dec. 70.235/72.
DEPÓSITO BANCÁRIO. VALOR DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. DESNECESSIDADE DE PROVA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Para a presunção de omissão de receita DE
QUE TRATA O ARTIGO 42, CAPUT, da Lei nº 9.430, de 1996, basta que o depósito bancário seja proveniente de origem não comprovada, sendo desnecessário a prova de evolução patrimonial. Se o valor de origem não comprovada foi depositado na conta do contribuinte e não houve evolução patrimonial a conclusão que decorre é que se trata de recursos consumidos.
SÚMULA 182 DO TRF. Os preceitos da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos não se aplicam a situações caracterizadas na vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
MULTA AGRAVADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DADOS EM PODER DA
FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RESPOSTAS OU DE JUSTIFICATIVAS
DO SUJEITO PASSIVO. SITUAÇÃO QUE NÃO ENSEJA AGRAVAMENTO DA
MULTA. No momento em que a autoridade fiscal dispõe da movimentação financeira do contribuinte, o não atendimento deste para comprovar a origem ou a demonstração da escrituração contábil e tributação dos mesmos tem como consequência a presunção de receita omitida, não cabendo o agravamento da multa
que é admitida somente nos casos em que a autoridade fiscal não dispõe dos elementos necessários para efetivar o lançamento.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1402-000.682
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de 112,5% para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima acompanhou pelas conclusões, em relação à redução da multa. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES. Não é nulo o auto de infração que apresenta a descrição dos fatos e enquadramento legal na forma do art. 10 do Dec. 70.235/72. DEPÓSITO BANCÁRIO. VALOR DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. DESNECESSIDADE DE PROVA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Para a presunção de omissão de receita DE QUE TRATA O ARTIGO 42, CAPUT, da Lei nº 9.430, de 1996, basta que o depósito bancário seja proveniente de origem não comprovada, sendo desnecessário a prova de evolução patrimonial. Se o valor de origem não comprovada foi depositado na conta do contribuinte e não houve evolução patrimonial a conclusão que decorre é que se trata de recursos consumidos. SÚMULA 182 DO TRF. Os preceitos da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos não se aplicam a situações caracterizadas na vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA AGRAVADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DADOS EM PODER DA FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RESPOSTAS OU DE JUSTIFICATIVAS DO SUJEITO PASSIVO. SITUAÇÃO QUE NÃO ENSEJA AGRAVAMENTO DA MULTA. No momento em que a autoridade fiscal dispõe da movimentação financeira do contribuinte, o não atendimento deste para comprovar a origem ou a demonstração da escrituração contábil e tributação dos mesmos tem como consequência a presunção de receita omitida, não cabendo o agravamento da multa que é admitida somente nos casos em que a autoridade fiscal não dispõe dos elementos necessários para efetivar o lançamento. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte
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NULIDADES. Não é nulo o auto de infração que apresenta a descrição dos fatos e enquadramento legal na forma do art. 10 do Dec. 70.235/72. DEPÓSITO BANCÁRIO. VALOR DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. DESNECESSIDADE DE PROVA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Para a presunção de omissão de receita DE QUE TRATA O ARTIGO 42, CAPUT, da Lei nº 9.430, de 1996, basta que o depósito bancário seja proveniente de origem não comprovada, sendo desnecessário a prova de evolução patrimonial. Se o valor de origem não comprovada foi depositado na conta do contribuinte e não houve evolução patrimonial a conclusão que decorre é que se trata de recursos consumidos. SÚMULA 182 DO TRF. Os preceitos da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos não se aplicam a situações caracterizadas na vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA AGRAVADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DADOS EM PODER DA FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RESPOSTAS OU DE JUSTIFICATIVAS DO SUJEITO PASSIVO. SITUAÇÃO QUE NÃO ENSEJA AGRAVAMENTO DA MULTA. No momento em que a autoridade fiscal dispõe da movimentação financeira do contribuinte, o não atendimento deste para comprovar a origem ou a demonstração da escrituração contábil e tributação dos mesmos tem como consequência a presunção de receita omitida, não cabendo o agravamento da multa que é admitida somente nos casos em que a autoridade fiscal não dispõe dos elementos necessários para efetivar o lançamento. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte . Fl. 1805DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10166.721346/200952 Acórdão n.º 140200.682 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de 112,5% para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima acompanhou pelas conclusões, em relação à redução da multa. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Nos termos do auto de infração de fls. 1.611 e seguintes, conforme demonstrado à fl. 1.686, que faz parte do Termo de Verificação fiscal, no ano de 2005, a recorrente escriturou receitas no valor de R$ 489.670,65, emitiu notas fiscais no montante de R$ 6.157.122,58, caracterizando omissão de receita no montante de R$ 5.667.451,93. Neste período teve depósitos bancários no valor de R$ 7.186.233,23. A autoridade fiscal lançou R$ 5.667.451,93 a título de omissão de receita e R$ 1.029.110,67. Por ter a empresa deixado de comunicar sua exclusão do Simples, uma vez que ultrapassou a receita bruta lhe foi aplicado multa de 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos em 2005, multa esta cujo fundamento invocado foi o artigo 13, inciso II e 21, da Lei nº 9.317, de 1996, vigente à época. Devido à falta de atendimento à fiscalização, principalmente pela falta de entrega de cerca de 32% das notas fiscais e pela falta de entrega dos Livros de Apuração do ICMS e Registro de Saídas, foi agravada a multa. A notificação do lançamento deuse em 30/06/2009 (fl. 1692). A impugnação foi tempestiva, alegando a contribuinte, em preliminar, nulidade do lançamento e, no mérito, sustentou que o mesmo é indevido em todos os seus termos. A DRJ, por meio do acórdão de fl. 1753 e seguintes, julgaou procedente o lançamento cujo julgamento pode ser sitetizado com a ementa a seguir transcrita: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando foram cumpridos todos os requisitos essenciais do auto de infração, fixados no art. 10 do PAF, e dos lançamentos em geral, constantes do art. 142 do CTN. Somente a ausência total dessas Fl. 1806DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10166.721346/200952 Acórdão n.º 140200.682 S1C4T2 Fl. 0 3 formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Adicionalmente, se as infrações constantes do auto de infração foram descritas de forma minuciosa, se o enquadramento legal permite determinar quais as disposições legais infringidas e as penalidades aplicáveis, e se a pessoa jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DILIGÊNCIA, PERÍCIA E PRODUÇÃO DE PROVAS Para que seja deferido o pedido de realização de diligência, perícia ou produção de outras provas, estes devem estar devidamente justificados e formulados de acordo com o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza considerar como receitas omitidas os montantes relativos a depósitos bancários cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea pelo contribuinte devidamente intimado para tanto. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não há que se falar em irretroatividade da lei, quando os autos de infração se basearam na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos para determinar as disposições legais infringidas e as penalidades aplicáveis constantes do auto de infração. Lançamento Procedente Intimada do acórdão, às fls. 1.775 a parte interessada ingressou com recurso alegando, em síntese: I) que há nulidade do auto de infração por falta de fundamentação correta que assegure o exercício da ampla defesa; II) quanto ao mérito, destaca que em momento algum a autoridade fiscal demonstrou sinais exteriores de riqueza, para afirmar que a receita declarada pela empresa são incompatíveis a com os valores informados aos fisco e a movimentação financeira. Neste sentido, invoca a Súmula 182 do extinto TFR; III) que existem depósitos na conta da recorrente que foram utiliuzados para pagamento da taxa de registro de arma de fogo, que na época era de Rr 300,00 reais, e estes documentos estão devidamente registrados na polícia federal. IV) que no caso em questão não cabe o arbitramento do lucro. V) quanto a retroatividade, para 2005, da exclusão do simples que se deu em 2008, esta é incabível por ferir o princípio da segurança jurídica, sendo que esta está intimamente ligada ao direito adquirido. VI) alega que é incabível a multa de 112,5%, eis que nitidamente confiscatória; É o relatório. Fl. 1807DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10166.721346/200952 Acórdão n.º 140200.682 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Apesar de ter segregado as infrações, o que foi considerado, para efeitos de receita, no caso dos autos, foi o montante dos depósitos bancários no valor de R$ 7.186.233,23. Desta importância a autoridade fiscal excluiu a receita declarada no montante de R$ 489.670,65. A diferença entre o valor das notas emitidas e a receita declarada foi tributada como omissão de receita. O restante de R$ 1.029.110,67, correspondente ao montante dos depósitos bancários, menos receita declarada e valores constantes das notas fiscais foi tributado como depósito bancário de origem não comprovada (7.186.233,23 489.670,65 5.667.451,93 = 1.029.110,67). Do exposto, pode se afirmar que a autoridade fiscal, do valor total dos depósitos bancários subtraiu a receita declarada; tributou como omissão o montante das notas fiscais não escrituradas e, a diferença foi tributada a título de omissão de receita caracterizada por de depósito bancário de origem não comprovada. A exigência feita com base em omissão de receita caracterizada pelas notas fiscais não escrituradas e a diferença correspondente aos depósitos bancários, estão devidamente fundamentadas. A omissão de receita está fundamentada com base no artigo 282 e seguinbtes do RIR e os depósitos bancários de origem não comprovada estão fundamentados com base no 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Por tais razões, afasto a alegação de nulidade do lançamento por deficiência por vício que pudesse resultar em prejuízo ao exercício do direito de defesa. Da omissão de receita A definição de omissão de receita encontrase no artigo 2º da Lei nº 8.846, de 1992, repetido no artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, a seguir transcrito: “Art. 2º. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital para efeito do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais, incidentes sobre o lucro e o faturamento, a falta de emissão da nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações a que se refere o artigo anterior, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Da norma acima transcrita extraise os seguintes elementos cuja prova concomitante é necessária para que se caracterize a omissão de receita: Fl. 1808DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10166.721346/200952 Acórdão n.º 140200.682 S1C4T2 Fl. 0 5 (i) recebimento de um valor; (ii) não emissão de nota fiscal referente a este valor, ou a sua emissão por um valor inferior; (iii) não escrituração deste valor; (iv) não tributação deste valor. No caso dos autos merece ênfase o primeiro item, qual seja, a necessidade de recebimento do valor. Tratase da parcela “por fora”, que é recebida e nãoescriturada pelo contribuinte, atitude que enseja a incidência da regra de omissão de receitas. A prova do recebimento de valor não escriturado, no caso dos autos, advém do confronto da receita declarada com o montante dos depósitos bancários, estes muito superior, o que caracteriza a infração de omissão de receita de que trata o artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda. Dos depósitos bancários não justificados Os depósitos bancários, por si só, não se constituem em rendimentos. Entretanto, por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações” Para Pontes de Miranda1, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Para este autor: “Na presunção legal, absoluta, temse A, que pode não ser, como se fosse, ou A, que pode ser, como se não fosse. Na presunção iuris tantum, e não de iure, temse A, que pode não ser, como se fosse, ou A, que pode ser, como se não fosse, admitindose prova em contrário. A presunção mista é a presunção legal relativa, se contra ela se admite a prova em contrário a, ou a ou b.” ..... “A presunção simplifica a prova, porque a dispensa a respeito do que se presume. Se ela apenas inverte o ônus da prova, a indução, que a lei contém, pode ser ilidida in concreto e in hypothesi” Fixados o conceito de presunção, tenho que o depósito bancário feito em conta corrente ou de investimento do contribuinte, dentro da correlação natural dos fatos, pressupõe a existência de rendimento prévio e, se assim o é, estamos diante de uma presunção legal, cabendo ao contribuinte fazer prova em contrário, usando de todos os meios em direito admitidos. 1 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. Fl. 1809DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10166.721346/200952 Acórdão n.º 140200.682 S1C4T2 Fl. 0 6 A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de receita não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos ou receita está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao mero crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem uma simples transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. Em relação a alegação do contribuinte de que nos termos da Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, o depósito em conta bancária não caracteriza receita omitida, destaco que a referida jurisprudência não se aplica ao caso concreto visto que se refere a fatos ocorridos antes da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Da exigência da multa agravada Nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, as multas de 75% (setenta e cinco por cento) e de 150% (cento e cinquenta por cento) previstas, respectivamente, no inciso I e § 1º do artigo de lei aqui referido serão aumentadas de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, apresentar arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 e documentação técnica de interesse da fiscalização. Na mesma linha, o artigo 195 do CTN, prevê que “para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. 2” 2 Diante da circunstância de que, em determinadas hipóteses, a entrega de documentos podem trazer consigo revelação de crime contra a ordem tributária, previstos no artigo 1º da Lei 8.137, de 1990, partindo da garantia constitucional de que ninguém é obrigado a fazer prova contra si (art. 5º, LXIII ), tenho entendimento de que os Fl. 1810DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10166.721346/200952 Acórdão n.º 140200.682 S1C4T2 Fl. 0 7 A norma contida no artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, aplicase quando presentes, cumulativamente, dois requisitos, a saber: a) que as informações ou documentos solicitados pela autoridade fiscal efetivamente estejam em poder do fiscalizado e este, de forma ilegítima, se recusa a fornecê las; b) que tais elementos sejam essenciais ao procedimento fiscal3; Na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em multa agravada e nem em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.545, de 2002, abaixo transcritos, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. Decreto nº 4.545, de 2002, Art. 1º As instituições financeiras, assim consideradas ou equiparadas nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, devem prestar à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda informações sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços, sem prejuízo do disposto no art. 6º da referida Lei Complementar. Art. 2º As informações de que trata este Decreto, referentes às operações financeiras descritas no § 1º do art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001, serão prestadas, continuamente, em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas pela Secretaria da Receita Federal, e restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos a cada usuário, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados. .... § 2º As instituições financeiras deverão conservar todos os documentos contábeis e fiscais, relacionados com as operações informadas, enquanto perdurar o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários delas decorrentes. dispositivos acima apontados, com a amplitude com que se tem atribuído, devem ser interpretados conforme a Constituição e não o contrário 3 c) Há uma terceira hipótese que deixo de destacar por envolver questão de ordem constitucional, qual seja: Sempre que a entrega de documentos podem caracterizar prova de crime contra dirigente da empresa, não se pode agravar a multa pela não apresentação. Isto equivaleria à situação semelhante a exasperação da pena, em infração de trânsito, sempre que o condutor se recusasse a fazer exame de teor alcoólico. Fl. 1811DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10166.721346/200952 Acórdão n.º 140200.682 S1C4T2 Fl. 0 8 § 3º A identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro elemento de identificação existente na instituição financeira. Se por força das disposições legais antes referidas, mais precisamente o art. 2°, § 3°, do Decreto n° 4.489, de 2002, as informações são continuamente, em arquivos digitais, prestados à Secretaria da Receita Federal, identificando cada uma das operações realizadas por seus respectivos titulares, não se pode falar em sonegação ou omissão com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Se estivéssemos no campo do direito penal estaria configurada situação de crime impossível, pois em fazendo aplicação financeira não tem o contribuinte como impedir o conhecimento desta por parte da fiscalização. Igualmente, no caso dos autos, não cabe agravar a multa de 75% para 112%. No momento em que a autoridade fiscal dispõe da movimentação financeira do contribuinte, o não atendimento deste para comprovar a origem ou a demonstração da escrituração contábil e tributação dos mesmos tem como consequência a presunção de receita omitida, não cabendo o agravamento da multa que é admitida somente nos casos em que a autoridade fiscal não dispõe dos elementos necessários para efetivar o lançamento. ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de 112,5% para 75%. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1812DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 10580.904792/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.272
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 79 2/ 20 11 -2 4 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904792/201124 Resolução nº 3402001.272 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.024, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904792/201124 Resolução nº 3402001.272 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904792/201124 Resolução nº 3402001.272 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904792/201124 Resolução nº 3402001.272 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904792/201124 Resolução nº 3402001.272 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 89DF CARF MF
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