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Numero do processo: 10940.002773/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DESPESAS MÉDICAS, GLOSA.
O contribuinte que apresentou recibos considerados inidõneos deve fazer a contraprova do pagamento e da prestação do serviço.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para
confirmar a prestação da totalidade dos serviços e os respectivos pagamentos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.712
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votas, em DAR
provimento ao recurso para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 5.932,58 e R$ 200,00, nos termos do voto do relatar.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS MÉDICAS, GLOSA, O contribuinte que apresentou recibos considerados inidõneos deve fazer a contraprova do pagamento e da prestação do serviço. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para confirmar a prestação da totalidade dos serviços e os respectivos pagamentos. Recurso provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votas, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 5,932,58 e R$ 200,00, nos termos do voto do relatar. AIO MARCOSyÁSDIDO - Presidente / flQ ALEXAINDRE NAk.)K.I NISHj\jOKA Relator EDITADO EM: 2 4 sE T 2010 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cãndido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage, Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 64/65) interposto em 19 de novembro de 2008, contra o acórdão de fls. 54/60, do qual o Recorrente teve ciência em 31 de outubro de 2008 (ft 63), proferido pela 5 n Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de inflação de fls. 03/09, lavrado em decorrência de dedução indevida de despesas médicas para efeitos de apuração do IRPF, verificada no ano-calendário de 2000. O acórdão teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 DESPESAS MÉDICAS PROVA A prova das despesas médicas declaradas deve atender aos requisitos da legislação vigente sob pena de não ser aceita sua dedução da base de cálculo do IRPF na Declaração de Ajuste ERRO DE FATO NO LANÇAMENTO, VERDADE MATERIAL Comprovado o equívoco na apuração do IR Suplementar, deve o CITO ser reparado uma vez que erros ou equívocos não têm o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária_ Lançamento Procedente em Parte" (11, 54). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No que se refere à glosa de despesas médicas, a controvérsia gira em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como dos respectivos pagamentos. Em relação à dedução dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n„ 9.250/95) determina o seguinte: "Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as sornas: 2 Processo n° 0940 002773/2005-87 S2-C1T1 Acórdão ft° 2101-00.712 Fl. 77 I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem corno as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; §2°. O disposto na alínea 'a' do inciso II: I — aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; — restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; NI — limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou CadaStro Geral de Contribuintes — CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." Por sua vez, o Decreto m 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, reproduz o seguinte comando normativo: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n," 5.844, de 1.943, art. 11, § 3'). § 1'. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei n.° 5.844, de 1943, art, 11, § 4°)." No presente caso, os comprovantes apresentados pelo Recorrente para justificar as despesas médicas foram rejeitados pela Recorrida com base nos seguintes fundamentos: "Como se vê, a legislação tributária exige expressamente que a prova das despesas médicas seja feita por meio da apresentação dos comprovantes originais, e não cópias simples. A esse respeito, deve ser destacado que o sujeito passivo já tinha conhecimento desta determinação, afinal foi exatamente este o motivo da recusa, pela Fiscalização, dos comprovantes da UNIMED apresentados ainda na fase anterior ao lançamento, conforme se apura da indicação do Demonstrativo das Infrações: I) - GLOSADO R$ 5.932,58 REF.. RECIBO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE EM RESPOSTA À INTIMAÇÃO DE UNIMED PONTA GROSSA COOP. TRAB, MÉD. LTDA., CNN 77,781,706/0001-62 POIS O DOCUMENTO/RECIBO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE NÃO TEM 3 AUTENTICAÇÃO NEM IDENTIFICAÇÃO QUE CONFIRME LEGITIMIDADE DA PONTE EMITENTE. (destacamos) Evidente que se havia esta exigência para os comprovantes da UNIIVIED, que foram apresentados pelo contribuinte antes do lançamento, naturalmente a exigência se estenderia às Notas Fiscais da Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa, que o contribuinte anexou à fl 18 também por cópia simples," (fi 57), Relativamente às cópias das declarações e notas fiscais apresentadas, entendo que não haveria necessidade de exigir-se do contribuinte qualquer outro documento, Não obstante, o Recorrente anexou ao seu recurso os documentos originais (fls. 66/67), motivo pelo qual entendo que as despesas de R$ 5.932,58 e R$ 200,00 devem ser restabelecidas. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para restabelecer as deduções com despesas médicas nos valores de R$ 5.932,58 e R$ 200,00. Sala das Sessões-DE, em 19 de agosto de 2010 nt..19 ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 4
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720588/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF.
APLICAÇÃO. Tendo o Pleno do STF declarado, de forma definitiva, a
inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pode o CARF
aplicála
afastando exigência fundamentada no dispositivo declarado
inconstitucional. A base de calculo do das contribuições do PIS e da COFINS
é o faturamento, afastandose
a sua incidência sobre as receitas financeiras,
os créditos decorrente de pedidos de ressarcimento da Lei 9.363/96 e as
bonificações recebidas.
Numero da decisão: 3302-000.650
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Matéria PIS Recorrente SIDERÚRGICA ALTEROSA SA Recorrida DRJ BELO HORIZONTE/MG Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o Pleno do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pode o CARF aplicála afastando exigência fundamentada no dispositivo declarado inconstitucional. A base de calculo do das contribuições do PIS e da COFINS é o faturamento, afastandose a sua incidência sobre as receitas financeiras, os créditos decorrente de pedidos de ressarcimento da Lei 9.363/96 e as bonificações recebidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 14/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 338DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 03/10), relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, totalizando um crédito tributário de R$ 87.634,01, incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos períodos de janeiro a julho de 2007 (fl. 07). A autuação ocorreu em virtude de divergência entre os valores da contribuição declarados/pagos e os valores apurados pelo fisco (fl. 11). Conforme o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 12/17, o contribuinte excluiu indevidamente das bases de cálculo mensais do PIS, sem amparo legal ou judicial, as receitas financeiras e as outras receitas operacionais auferidas pela empresa, contrariando a Lei n°9.718, de 1998. O contribuinte está obrigado a apurar o PIS e a Cofins pelo regime cumulativo, uma vez que optou pelo lucro presumido na apuração do IRPJ e da CSLL. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração (fl. 05). liresignado, tendo sido cientificado em 28/08/2007 (fl. 198 verso), o autuado apresentou, em 13/09/2007, acompanhadas dos documentos de fls. 214/295, as suas razões de defesa (fls. 199/213), a seguir resumidas: •Narrando os fatos considerados na formalização do presente Auto de Infração, aduz que o procedimento do fisco é incorreto, uma vez que a Constituição Federal vigente à época da edição da Lei n" 9.718, de 1998, somente admitia como base de cálculo da contribuição o valor das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Transcreve julgados do STF que determinaram a inaplicabilidade do §1" do art. 3' da Lei n° 9.718, de 1998, por inconstitucional, e decisões dos Conselhos de Contribuintes no mesmo sentido. Aduz que o crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e Cofins apurado foi contabilizado de forma incorreta como "outras receitas", fato que não modifica a natureza de recuperação de custos de tal ressarcimento. Esse favor legal deveria ter sido contabilizado a crédito da conta que registra a própria conta da matéria prima, ou em subconta redutora desta, afirmação corroborada pelo §3" do art. 289 do RIR. Observa que tanto a isenção tributária na exportação de produtos quanto o ressarcimento das contribuições sociais pagas pelo fornecedor dos insumos nacionais utilizados na fabricação desses produtos buscaram desonerar as exportações do PIS e da Cofins, dando maior competitividade aos produtos nacionais, Fl. 339DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10665.720588/200736 Acórdão n.º 330200.650 S3C3T2 Fl. 339 3 para a geração de superávit na balança comercial. Transcreve julgados do Conselho de Contribuintes e decisões judiciais a respeito do tema. Entende que também não se sujeita à incidência da contribuição o valor das bonificações recebidas, pois não representam receita tanto da empresa vendedora como da compradora , uma vez que não há ingresso de recursos financeiros. Tais bonificações devem ser contabilizadas a débito da conta de matériasprimas e a crédito de conta redutora dessas matériasprimas. Sobre o assunto, transcreve acórdão do Conselho de Contribuintes. Explica que obteve judicialmente o direito de compensar PIS pago a maior, conforme os documentos em anexo, e a fiscalização fez incidir a contribuição sobre o valor compensado, contrariando o disposto no art. 2" do Ato Declaratório Interpretativo SRF n" 25, de 2003, o qual transcreve. Requer, conforme os argumentos anteriores, seja considerada a ação fiscal inteiramente improcedente, com o cancelamento do Auto de Infração, ou a exclusão da base de cálculo das receitas acima referidas. Após analisar os argumentos lançados, a delegacia de julgamento entendeu por bem julgar procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, conforme se depreende da ementa reproduzida a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 • A arguição de inconstitucionalidade de lei não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. O valor do crédito presumido do IPI instituído pelas Leis n" 9.363, de 1996, c n" 10.276, de 2001, integra a base de cálculo da contribuição para o PIS, incidente sobre a receita bruta. Nos termos da Lei n" 9.748, de 1998, as bonificações recebidas devem compor a base de cálculo do PIS. Não incide o PIS sobre os valores.recuperados judicialmente, quando se enquadrarem nos termos do art. 2" do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra referido acórdão, foi interposto Recurso Voluntário, onde os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade são reprisados. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. A matéria tratada no presente processo se restringe a questão relativa ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS promovido pela Lei 9.718/98, ou seja, a incidência das contribuições sobre as receitas financeiras, bem como sobre outras receitas recebidas pela Recorrente que não se enquadram no conceito de faturamento. Em relação ao alargamento da base de cálculo a questão encontrase pacificada no E. STF, que decidiu no seguinte sentido: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346.084/PR. Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO. Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO. Julgamento: 09/11/2005 Órgão Julgador: Tribunal Pleno) Do voto do Relator, Ministro Marco Aurélio, destacase: “Vale dizer que se está diante de diploma normativo cujo § 1 do art. 3 veio à luz sob o signo da inconstitucionalidade parcial, ao fazer compreender no conceito de receita bruta do contribuintes entradas outras diversas do produto da venda de mercadorias e serviços, instituindo, por conseqüência, nova fonte destinada a garantir a manutenção da seguridade social , o que somente por lei complementar poderia se feito validamente, como previsto no § 4 do referido art. 195 da Carta”. Fl. 341DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10665.720588/200736 Acórdão n.º 330200.650 S3C3T2 Fl. 340 5 Importante ressaltar que embora o julgador administrativo faleça de competência para declarar a inconstitucionalidade de lei, o Regimento Interno deste Conselho, em seu art. 62, assim prescreve: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Neste sentido, o antigo Conselho de Contribuintes já afastava a incidência das contribuições sobre as receitas que não sejam decorrentes do faturamento da empresa, senão vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/08/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS ALEGADOS. É preciso que o contribuinte comprove os fatos alegados, ou ao menos traga aos autos provas circunstanciais ou indícios suficientes para que se requisite a perícia contábil. A não apresentação de documentos suficientes ou fatos objetivos neste sentido tornam verdadeiras as alegações da Fiscalização. COFINS. LEI Nº 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE). INCONSTITUCIONALIDADE DA SELIC. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorada pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecida e aplicada de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. Acertada a aplicação da taxa Selic. Recurso provido em parte (Acórdão . 20181.031. Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2000 INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.Tendo o Pleno do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº Fl. 342DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 6 9.718/98, pode o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS e da Cofins sobre receita de deságio.Recurso provido (Acórdão. 20180.899. Relator Walber José da Silva) Assim, conforme se depreende das decisões acima transcritas as receitas financeiras e as outras receitas, estranhas ao faturamento, não devem ser tributadas pelo PIS e pela COFINS. No caso sob análise, as receitas financeiras, assim como os valores relativos ao crédito presumidos de IPI recebidos como ressarcimento do PIS e da COFINS nos termos da Lei nº 9.363/96 e os valores relativos a bonificações recebidas não se enquadram no conceito de faturamento, assim entendido como o decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Ante ao exposto, voto pro DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar o Auto de Infração. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Relator Fl. 343DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10510.003914/2008-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJAno-calendário: 2005EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA.Sujeitam-se ao lançamento de ofício para exigência do imposto como pessoa jurídica, as receitas auferidas por pessoa física com a prática reiterada de atividade comercial de compra e venda de produtos rurícolas. Inexistindo escrituração impõe-se o arbitramento do lucro como forma de tributação.ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCALAno-calendário: 2005LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.Em virtude da íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos tidos como reflexos ou decorrentes (CSLL, PIS e COFINS) o decidido em relação ao lançamento principal ou matriz (IRPJ).Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1803-000.763
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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Sujeitam-se ao lançamento de ofício para exigência do imposto como pessoa jurídica, as receitas auferidas por pessoa física com a prática reiterada de atividade comercial de compra e venda de produtos rurícolas. Inexistindo escrituração impõe-se o arbitramento do lucro como forma de tributação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Em virtude da íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos tidos como reflexos ou decorrentes (CSLL, PIS e COFINS) o decidido em relação ao lançamento principal ou matriz (IRPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES - Presidente. (assinado digitalmente) WALTER ADOLFO MARESCH - Relator. EDITADO EM: 31/01/2011 Fl. 505DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch e Marcelo Fonseca Vicentini. Relatório JOSE EURIPES LOPES DE ALMEIDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SALVADOR (BA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Trata o presente processo de Autos de Infração que pretendem a exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$28.696,20 (vinte e oito mil seiscentos e noventa e seis reais e vinte centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, no valor de R$19.721,51 (dezenove mil setecentos e vinte e um reais e cinqüenta e um centavos), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$54.781,98 (cinqüenta e quatro mil setecentos e oitenta e uni reais e noventa e oito centavos), e à Contribuição para o Programa de Integração Social, no valor de R$11.869,37 (onze mil oitocentos e sessenta e nove reais e trinta e sete centavos), acrescidos de multa de ofício e dos juros de mora, totalizando R$246.422,34 (duzentos e quarenta e seis mil quatrocentos e vinte e dois reais e trinta e quatro centavos). De acordo com a descrição dos fatos, de fls. 325 e 326, foi efetuado o arbitramento do lucro, referente aos períodos de apuração ocorridos no ano-calendário de 2005, com base no artigo 530, inciso 1, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (R1R/1999),tendo em vista que a contribuinte, sujeita à tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Intimado e reintimado a efetuar a escrituração, solicitou prorrogação do prazo, mas não efetuou a escrituração. As receitas que serviram de base para o arbitramento do lucro são provenientes da revenda de mercadorias efetuada por contribuinte individual, conforme notas fiscais e demais comprovantes anexos, apuradas conforme Termo de Constatação e demonstrativos anexos. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 354 e 355) foi informado que: a ação fiscal teve início na pessoa física José Euripes de Almeida, CPF 515.847.005-72, em 25/03/2008, com a ciência do Termo de Inicio de Fiscalização, intimando-o a esclarecer o tipo de atividade exercida, uma vez que haviam sido constatadas operações de venda de mercadorias às empresas ali citadas, no ano-calendário de 2005, no valor total de R$1.851.221,51, conforme DIPJ apresentadas por aquelas empresas, enquanto Fl. 506DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10510.003914/2008-91 Acórdão n.º 1803-00.763 S1-TE03 Fl. 497 3 que o fiscalizado havia declarado em sua DIRPF/2006 rendimentos de apenas R$8.216,74. Não houve resposta; em resposta à reintimação o contribuinte apresentou parte das notas fiscais juntamente com relação das operações efetuadas que confirmam os valores declarados pelas empresas adquirentes de suas mercadorias (fls. 14 a 89), na forma a seguir: IRACEMA IND. COM. CASTANHA DE CAJU LTDA., matriz, apresentou notas fiscais no valor de R$351.799,35; IRACEMA IND. COM. CASTANHA DE CAJU LTDA., filial 0003, apresentou notas fiscais no valor de R$510.393,20; UPA COUROS LTDA., matriz, apresentou notas fiscais no valor de A$105.848,37; BRESPEL CIA INDL BRASIL ESPANHA, matriz, apresentou apenas relação com algumas notas fiscais de fornecimento de mercadorias (fls. 14);apresentou, também, declaração (fls. 11 a 13), acompanhada de procuração em favor de Luiz Carlos S. Oliveira, em que afirma ser intermediário de compra e venda de mercadorias, sem apresentar, contudo, qualquer comprovação de atuação em nome de terceiros; uma vez que em tais operações configurou-se a habitualidade na exploração de atividade profissional de compra e venda, o contribuinte foi intimado a esclarecer se referidas operações foram exercidas em seu próprio nome ou da empresa Lopes Pneus Ltda., da qual consta como sócio responsável. Foi intimado ainda a efetuar a sua inscrição no CNPJ e a providenciar toda a escrituração contábil relativa ao período sob ação fiscal, caso fosse individualmente responsável pelas operações; em resposta, o contribuinte informou serem somente de sua responsabilidade as operações comerciais em questão, bem como se comprometeu a efetuar sua inscrição na qualidade de empresa individual em 18/06/2008 (Il. 93). Não se manifestou quanto à escrituração; a inscrição na qualidade de empresa individual foi confirmada, entretanto novamente não se manifestou quanto à escrituração contábil; então foi encerrada a fiscalização na pessoa física e iniciada nova ação fiscal na pessoa jurídica, reintimando a contribuinte a apresentar sua escrituração contábil, a fim de proceder ao lançamento com base no Lucro Real; o contribuinte não apresentou a escrituração, declarando não possui-la e nem ter os elementos necessários à sua elaboração (fl. 318), razão pela foi efetuado o lançamento do IRPJ com base no lucro arbitrado em função da receita bruta conhecida e seus reflexos na CSLL, PIS e Cofins; Fl. 507DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 4 os valores referentes às vendas efetuadas às empresas IRACEMA IND. COM. CASTANHA DE CAJU LTDA e UPA COUROS LTDA. foram obtidos das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte. Já os valores referentes à BRESPEL CIA INDL BRASIL ESPANHA foram obtidos a partir das notas fiscais apresentadas por esta empresa, em resposta à circularização efetuada (fls. 96 a 316). Foram comprovados também pagamentos efetuados a José Euripes no ano de 2005 em valores superiores aos obtidos nas operações comerciais efetuadas; os demonstrativos dos valores apurados de vendas de mercadorias encontram-se às fls. 319/322, tendo sido entregue uma via de cada ao contribuinte. A contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 21/08/2008, e em 19/09/2008 o Sr. José Euripes de Almeida apresentou impugnação, argüindo, basicamente, que: não se enquadra na situação prevista no art. 150, § 1°, inciso II, do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), cuja ocorrência obriga a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, a saber: as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com afim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços; apresenta uma declaração da empresa IRACEMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CASTANHA DE CAJU LTDA. de que José Euripes Lopes Almeida, CPF 515.847.005-72, é fornecedor comissionado daquela empresa, conforme CONTRATO DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO NA COMPRA DE CASTANHA DE CAJU IN NATURA, celebrado entre a citada pessoa física e a empresa signatária. Transcreve algumas cláusulas do aludido contrato, o qual também foi juntado aos autos; afirma que além do contrato com a Iracema Indústria e Comércio de Castanha de Caju Ltda., para quem intermedeia a compra de castanha de caju "in natura" em 2005, também intermediou a compra de couro de bovinos e peles de ovinos e caprinos para as empresas Upa Couros Ltda.e Brespel Companhia Industrial Brasil Espanha, tudo no mesmo sistema, ou seja, as empresas antecipam o dinheiro e o impugnante vai a campo e adquire as matérias primas, remete aos destinatários devidamente acompanhados de nota fiscal emitida pela Fazenda Estadual e devolve a sobra dos adiantamentos de dinheiro, se houver, e recebe comissões pelos serviços intermediados, com as devidas retenções na fonte, e então declara tais valores recebidos na sua Declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física, conforme cópia anexa; assim sendo indaga: onde está a transgressão às normas tributárias? Onde estão as condições cumulativas que levam à equiparação da pessoa física à pessoa jurídica? Fl. 508DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10510.003914/2008-91 Acórdão n.º 1803-00.763 S1-TE03 Fl. 498 5 afirma que a sua atividade, como descrita acima, se enquadra perfeitamente nas disposições do § 2º inciso III do art. 150 do RIR/1999, in verbis: §2° O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica ás pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de (...) III- agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 60, alínea "c"); argüi que faltaria ainda a habitualidade, porque a prática é eventual, esporádica, especialmente no caso da castanha de caju que é sazonal, existe apenas em 04 (quatro) meses do ano e não há finalidade lucrativa, e na ausência destes componentes não há como se falar em equiparação; a intermediação na compra de couros e peles é muito pequena, porque as compras se dão diretamente dos açougueiros que matam o boi ou ovino nas propriedades rurais e vão à feira vender a carne; a Declaração de 1RPF/2006 ano base 2005, mostra a evolução patrimonial completamente em conflito com o que pensa o Auditor- Fiscal; os fatos foram expostos como na verdade aconteceram e as cópias dos documentos juntados comprovam a intermediação nas aquisições de matérias primas. Houve uma inscrição no CNPJ feita no dia 18/06/2008, sob coação e imposição fiscal; pelo exposto, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração do IRPJ e seus reflexos, por lhes faltar suporte legal. A DRJ SALVADOR (BA), através do acórdão 15-17.248, de 16 de outubro de 2008 (fls. 454/457), julgou procedente o lançamento , ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 PESSOA FÍSICA EQUIPARADA À PESSOA JURÍDICA. São empresas individuais, equiparadas às pessoas jurídicas, as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. ARBITRAMENTO DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Fl. 509DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 6 Contribuição para o P1S/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido - CSLL Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Ciente da decisão em 07/01/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 463), apresentou o recurso voluntário em 04/02/2009 - fls. 465/472, onde reitera os argumentos da inicial de que não se sujeita à tributação como pessoa jurídica, pois pratica os atos de comércio em nome de terceiros mediante comissão. É o relatório. Fl. 510DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10510.003914/2008-91 Acórdão n.º 1803-00.763 S1-TE03 Fl. 499 7 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), lavrados em virtude de equiparação à pessoa jurídica pela prática de atividade comercial (compra e venda de produtos rurais – castanhas de caju e couros de animais), apurada no ano calendário 2005, tendo sido realizado o lançamento pelo regime do lucro arbitrado. A recorrente apresenta seu recurso em forma de questionamentos, repisando as teses apresentadas na impugnação e pugnando pela reforma da decisão de primeira instância. Afirma a recorrente de que não estaria caracterizada a habitualidade e que exercia a atividade de compra de castanhas de caju e couros de animais, por conta e ordem das empresas contratantes, percebendo apenas comissões, o que desnaturaria a equiparação à pessoa jurídica. Entende que não está enquadrada no disposto no art. 150, § 1º, inciso II do Decreto 3.000/99 (RIR/99), pois estaria abrangida na exceção contida no § 2º, inciso III do mencionado dispositivo legal. O dispositivo legal está assim redigido: (in verbis) Art. 150 — As empresas individuais, para efeito do Imposto de Renda, são equiparadas a pessoa jurídica. § 1º - São Empresas Individuais: I —As firmas individuais. II — As pessoas físicas que em nome individual, explorem, habitualmente e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiro bens ou serviços. § 2º - O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: III — agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício e que, tomando parte em atos de comércio, não os pratique, todavia, por,conta própria. Alega a recorrente que não foi caracterizada a habitualidade e tampouco as operações comerciais são realizadas em nome próprio mas em nome das adquirentes das castanhas de caju e couros de animais. Fl. 511DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 8 Reitera que o contrato de prestação de serviços apresentado e o recibo de pagamento autônomo, firmado com a empresa IRACEMA Ind. Com. De Castanhas de Caju Ltda, são prova irretorquível de suas afirmações, sendo que o procedimento adotado com as empresas adquirentes de couros bovinos e ovinos – UPA COUROS e BRESPEL — Companhia Industrial Brasil Espanha são idênticos. Não assiste razão à interessada. Com efeito, resta comprovado às escâncaras que o contribuinte exercia em seu nome a atividade de compra e venda de castanhas de caju e couros de animais (bovinos e caprinos), incidindo na hipótese de equiparação à pessoa jurídica nos termos do art. 6º, alínea “f” do Decreto-Lei nº 5.844 de 1943 e constante do art. 150 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99). No que tange a habitualidade a própria recorrente reconhece que exerce a atividade de forma reiterada, sujeitando-se obviamente à sazonalidade das épocas de colheita das castanhas de caju, afirmando no entanto que não pratica a atividade em nome próprio mas de terceiros. Não é no entanto o quadro fático que se delineia no processo e que trilha justamente em sentido contrário às suas afirmações. Embora afirme que tenha sido mediante coação, o próprio contribuinte acabou efetuando o registro de empresa e obtendo o respectivo CNPJ, sabidamente reconhecendo que sua atividade extrapolava a simples intermediação de negócios, caracterizando-se como efetiva compra e venda de produtos rurícolas (castanhas de caju e couros de animais). Constata-se que percebia adiantamentos em seu nome assumindo o encargo de adquirir e entregar em seu nome, produtos rurícolas, na qualidade e quantidades definidas pelas empresas adquirentes, assumindo os riscos e ganhos decorrentes. As notas fiscais emitidas pelas empresas adquirentes única e exclusivamente em nome de José Euripes Lopes de Almeida, bem como o acerto de contas entre as partes, revela efetiva comercialização dos produtos e não simples intermediação pois inexistem quaisquer outros envolvidos nas operações. Não há qualquer comprovação ou evidência de que o ganho teria se limitado apenas a alguma comissão pois toda a operação é feita exclusivamente em seu nome, englobando nestes valores o custo e o ganho pela aquisição dos produtos rurícolas. O Sr. José Euripes Lopes de Almeida sai a campo adquirindo de pequenos produtores que nenhuma vinculação ou relação jurídica tem com as adquirentes – IRACEMA, UPA COUROS e BRESPEL. Não me comovem outrossim, os elementos apresentados por ocasião da impugnação (fls. 372/375) em relação a empresa IRACEMA Ind. Com. De Castanhas de Caju Ltda.. Trata-se de um recibo pelo pagamento de comissões (fl. 173), e um contrato de prestação de serviços de intermediação (fls. 373/375) firmado com a empresa IRACEMA Ind. Com. Cast. Caju Ltda. Fl. 512DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10510.003914/2008-91 Acórdão n.º 1803-00.763 S1-TE03 Fl. 500 9 No caso do recibo de pagamento a autônomo firmado em 23/12/2005, no valor exato de R$ 5.000,00, nenhuma referência faz à quantidades entregues ou mantém qualquer vinculação com as notas fiscais que foram emitidas ao longo de todo o ano (janeiro, fevereiro, março e dezembro de 2005). Não havendo qualquer referência acerca da origem do mencionado pagamento de comissões, tenho que o mesmo apenas corrobora que o contribuinte além de efetuar a compra e venda de castanhas em seu nome, também auferiu rendimento complementar a título de comissões sobre outras operações mas que nenhuma vinculação tem com os fatos que ocasionaram sua equiparação à pessoa jurídica. Tampouco o contrato de prestação de serviços apresentado firmado com a empresa “IRACEMA” tem o condão de alterar a situação fática relatada nos autos. O contrato (sem data) embora mencione que o Sr. José Euripes Lopes de Almeida esteja sendo contratado como mero intermediário para aquisição de castanhas de caju junto aos produtores, percebendo em troca um valor fixo de R$ 10,00 por tonelada à título de comissão, impõe variada gama de exigências e obrigações que ultrapassam o simples mandato ou representação que estariam sendo outorgados. Fica o contratado obrigado entre outros, a entregar os produtos rurícolas de forma “seca, limpa, livre de materiais estranhos, sadia, livre de pendúnculos, maturis e polpa”, assumir pessoalmente a responsabilidade financeira das operações mediante assunção de nota promissória sujeitando-se a posterior acerto de contas sem qualquer intervenção de terceiros. Ao afastar e omitir deliberadamente a interveniência de terceiros, atraem os contratantes para si todas as relações econômicas, financeiras e jurídico-tributárias subjacentes advindas das operações afastando em conseqüência a figura da simples representação ou de intermediação como querem fazer crer as partes, caracterizando-se na verdade a operação comercial que ocasionou a equiparação da pessoa física do Sr. José Euripes Lopes de Almeida à pessoa jurídica. Tampouco alteram os fatos a declaração prestada pela empresa “BRESPEL” (fl. 451), que afirma laconicamente que “José Euripes Lopes de Almeida é fornecedor de peles e couros desta empresa, adquiridas através de produtores rurais”, ou seja, nada acrescenta ou altera a situação fática configurada pela fiscalização. Caracterizada portanto a efetiva situação como pessoa jurídica, impõe-se a exigência do imposto como tal, sendo que na ausência de escrituração a única opção possível é o lançamento pelo regime do lucro arbitrado. Pela íntima relação de causa e efeito, idêntica solução deve ser dada aos lançamentos da Contribuição Social sobre o Lucro, PIS e COFINS pois refere-se aos mesmos fatos e provas. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator Fl. 513DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH 10 Fl. 514DF CARF MF Emitido em 03/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 03/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 31/01/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
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Numero do processo: 15956.000488/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2003
Ementa:- DECADÊNCIA 7 INOCORRÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer As disposiç6es da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito A. prescrição e decadência.
Tratando-se de descumprimento de dever instrumental, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
MULTA - INCONSTITUCIONALIDADE - RETROATIVIDADE BENIGNA
Falece a esse órgão administrativo judicante competência para decidir pela inconstitucionalidade de lei. Houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32-A da Lei n° 8.212, de
24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.708
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para adequar a multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros
que aplicava o artigo 35-A da Lei n° 8.212/91 e, por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência de parte do período com base no artigo 173, I do CTN.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2003 Ementa:- DECADÊNCIA 7 INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer As disposiç6es da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito A. prescrição e decadência. Tratando-se de descumprimento de dever instrumental, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. MULTA - INCONSTITUCIONALIDADE - RETROATIVIDADE BENIGNA Falece a esse órgão administrativo judicante competência para decidir pela inconstitucionalidade de lei. Houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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FATOS GERADORES Recorrente CENTRAL PARK COMÉRCIO REPRESENTAÇÕES E LOGISTICA Lif)A Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2003 Ementa:- DECADÊNCIA 7 INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer As disposiç6es da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito A. prescrição e decadência. Tratando-se de descumprimento de dever instrumental, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. MULTA - INCONSTITUCIONALIDADE - RETROATIVIDADE BENIGNA Falece a esse órgão administrativo judicante competência para decidir pela inconstitucionalidade de lei. Houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no Auto de Infração calculada nos teimos do artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / la Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para adequar a multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 35-A la Le' 'ri° 8.212/91 e, por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência de parte do perícdb' ciim base no artigo 173, I do CTN. JULIO C SAR VIEIRA GOMES Presidente ) - - ADRIANO GOTLES SILVÉRIO — Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Damido Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração no 37.112.293-7, o qual exige multa decorrente do não cumprimento, nos termos legais, de obrigação acessória, conforme assim descrito no Relatório Fiscal: "Autuo a empresa por ter deixado de incluir todos os fatos geradores em GFIP- Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações a Previdência Social, Infringindo a Lei n. 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e § 50, também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10/12/1997 combinado com o art. 225, inc. IV, § 40 do Regulamento da Previdência RPS, aprovado pelo Decreto n. 3048, de 06/05/1999. No período verificado, envolvendo as competências mar/02 a mai/03, a empresa deixou de Incluir em GFIP os segurados relacionados no ANEXO II, em desacordo com a Lei n. 8.212/91, art. 32, inc. IV e § 30, acrescentados pela Lei n. 9.528/97." Devidamente intimada A empresa autuada apresentou sua impugnação alegando decadência parcial do crédito tributário, bem como a ilegitimidade da multa aplicada nos ternios dos §§ 4° e 5° do artigo 32 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991. A DRJ de Ribeirao Preto proferiu acórdão mantendo integralmente a autuação fiscal, entendendo, em suma que, não houve decadência, em virtude do prazo decenal estipulado no artigo 45 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, bem como que a multa fora aplicada dentro dos limites previstos na legislação, não cabendo A. autoridade administrativa afastá-la sob a legação de inconstitucionalidade. A autuada, cientificada da decisão de primeira instância, apresenta presente recurso voluntário repisando os argumentos deduzidos na impugnação. É o relatório. 2 Processo n° 15956.000488/2007-38 82-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.708 rAd 41t, Voto Conselheiro ADRIANO GONZALES SILVÉRIO, Relator 0 recurso reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Preliminati iente alega a decadência do direito do Fisco utilizar o prazo decenal, previsto no artigo 45 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, cabendo, no caso, ser aplicado o prazo previsto no artigo 150 parágrafo quarto da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange ã. decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e A. administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verifica-se que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, 'b' da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários n° 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n° 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Sumula Vinculante n° 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e .decadência de crédito tributário" Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 3 Parágrafo único. 0 disposto no cupid não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I — que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou" Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 pelo STF, restou extinto os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, confoline se depreende do art. 103-A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004, in verbis: "Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus , membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a. partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1 0 A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. 2° Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta • de inconstitucionalidade. 5S' 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida coin ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação .fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência a autoridade pro latora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar ás futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal" 4 Processo n° 15956.000488/2007-38 S2-C31'1 Acórdão n.° 2301-01.708 Fl. Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4 0 ou 173, inciso I, ambos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4°. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial 989.421/RS, publicado no Diário da Justiça de 10 de dezembro de 2008: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ICMS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. OCORRÊNCIA. ARTIGO 150, ,sS' 4; DO CTIV. 5. A decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por. homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulagdb, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do ,sç 4 0, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem . do: prazo para o Fisco hbmologar expressamente. o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologa cão, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In. Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad pág. 170)." Ocorre que no caso dos autos a situação é distinta, pois não está se tratando de exigência de tributos não recolhidos integralmente ou parcialmente, mas de descumprimento de obrigação acessória por parte do sujeito passivo. Nessa situação, não há que se cogitar em lançamento por homologação no qual há pagamento antecipado sujeito a posterior homologação pelo Fisco, mas tão somente o cumpriMento ou não, pelo sujeito passivo, do dever instrumental que lhe é exigido por lei. Figure-se, portanto, o lançamento de oficio embasado nas hipóteses do artigo 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, o qual se submete ao prazo previsto no artigo 173, inciso I desse mesmo diploma legal. Isto 6, ao prazo qüinqüenal cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido levado a efeito. 5 Sabendo-se que na espécie o período verificado está compreendido entre março de 2002 a maio de 2003 e, subsumindo-seo fato ao dispositivo legal acima apontado, verifica-se que não padece a autuação de decadência. Pelo exposto, rejeito a preliminar de decadência. No mérito, alega que a multa aplicada, calculada nos moldes dos §§ 40 e 5 0 do artigo 32 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 é vaga e deixa para o Poder regulamentar a cominação em si, arrematando que a norma não passa por um exame de constitucionalidade e legalidade. Sustenta, ainda, que o calculo da multa baseado no número de segurados viola os princípios da legalidade, ao delegar ao Decreto a competência para fixar o valor em Reais da penalidade, e o da isonomia. Por fim, arremata no sentido de que "a multa aplicada é flagrantemente inconstitucional devendo a mesma ser anulada, quando menos deve se ater ao limite mínimo disposto no artigo em comento." Extrai-se do recurso que a recorrente pretende ver afastada a multa, então na sua redação original, sob o fundamento de inconstitucionalidade, seja pelo fato do dispositivo legal supra na sua visa), ter delegado para a via do decreto a fixação em Reais da multa, seja pelo fato de utilizar-se de fator de discrimen que, no seu ponto de vista, tolheria o principio da isonomi a. Ocorre que a esse órgão judicante administrativo falece competência para declarar a inconstitucionalidade de lei, conforme reiterada jurisprudência desse Conselho, cristalizada na Sumula CARF no 2, cuja redação é a seguinte: "Súmula GARE n° 2: 0 CARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Contudo, é certo que o artigo acima citado foi, no curso desse processo, alterado pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, cabendo, portanto, analisar a viabilidade ou não da aplicação do que dispõe a alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. A meu ver houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos teimos do artigo 32-A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a multa seja fixada nos termos do artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n°11.941, de 27 de maio de 2009 Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 / - ---ADRIANO GONZALES SILVÉRIO 6
score : 1.0
Numero do processo: 35464.003279/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2000
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
PROGRAMA ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAT – PARCELA
INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGA
EM DESACORDO COM A LEI.
O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Numero da decisão: 2302-000.687
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Thiago D'Ávila Melo Fernandes divergiram,
pois entenderam que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN.Quanto à parcela não decadente, por maioria de votos, foi negado provimento ao recurso nos termos do voto do Conselheiro Relator. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente INVENSYS SYSTEMS BRASIL LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2000 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. PROGRAMA ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAT – PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI. O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Thiago DÁvila Melo Fernandes divergiram, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN.Quanto à parcela não decadente, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 por maioria de votos, foi negado provimento ao recurso nos termos do voto do Conselheiro Relator. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35464.003279/200612 Acórdão n.º 230200.687 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida pelos segurados empregados e a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros, sobre a remuneração paga a título de fornecimento de alimentação sem a devida formalização ao PAT. Referese ao período compreendido entre as competências janeiro de 1998 a março de 2000, fls. 23 a 28. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 99 a 117. A Receita Previdenciária comandou diligência fiscal, conforme fls. 137 a 140. A fiscalização previdenciária elaborou relatório fiscal complementar, fls. 145 a 151. Reaberto o prazo para defesa, a autuada manifestouse às fls. 169 a 189. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 263 a 282. Não concordando com a decisão da autarquia previdenciária, foi interposto recurso, conforme fls. 291 a 311. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • Deve ser cancelado o Termo de Arrolamento de Bens haja vista o montante atualmente devido ser inferior a R$ 500.000,00; • O lançamento já foi atingido pela fluência do prazo decadencial; • A falha resumiuse à nãoobservância de obrigação meramente formal relativa ao PAT que não tem o condão de desconstituir a natureza dos valores disponibilizados aos empregados; • A parcela in natura não integra o saláriodecontribuição; • Requerendo provimento ao recurso interposto. A unidade descentralizada da Receita Previdenciária apresenta suas contra razões às fls. 367 a 382. O órgão previdenciário alega, em síntese, que: • A recorrente não apresenta elementos novos capazes de modificar a decisão recorrida; • Requerendo, por fim, que seja mantido o lançamento. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 364. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar suscitada pela recorrente, na peça recursal, de que o lançamento já fora atingido pela decadência, razão lhe confiro em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi realizado, sendo necessário o lançamento de ofício. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. A obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1998 a março de 2000. O lançamento foi realizado em 7 de abril de 2005. Seguindo a interpretação da 1a Seção do STJ (Recurso Especial n 973.733, cuja ementa foi divulgada no DJe de 18/09/2009) contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35464.003279/200612 Acórdão n.º 230200.687 S2C3T2 Fl. 3 5 Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 1999, inclusive esta, bem como a referente ao décimo terceiro de 1999. A competência dezembro de 1999 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2000; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1o de janeiro de 2001, a qual findaria em 1o de janeiro de 2006. Quanto ao argumento de que deveria ser cancelado o Termo de Arrolamento de Bens haja vista o montante atualmente devido ser inferior a R$ 500.000,00; esse argumento não guarda relação com a procedência ou improcedência da presente autuação. O acerto ou desacerto da elaboração do TAB não afeta o quantum devido na presente NFLD. Além do mais, quando da lavratura da presente NFLD o montante dos débitos superavam R$ 500.000,00; desse modo a fiscalização agiu com acerto ao elaborar o termo – TAB. O ajuizamento da Medida Cautelar Fiscal não é de competência da Receita Federal, mas sim da Procuradoria da Fazenda Nacional, assim não cabe a este Colegiado analisar essa questão. A questão controversa reside no ponto de as verbas pagas a título de alimentação in natura sem inscrição no PAT para o período não decadente integrarem ou não a remuneração dos segurados empregados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35464.003279/200612 Acórdão n.º 230200.687 S2C3T2 Fl. 4 7 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Como se verifica, a única previsão expressa em lei para exclusão da verba alimentação paga in natura da base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária, é a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei n ° 8.212/1991. Para estar excluída da base de cálculo é imprescindível que a parcela recebida pelos trabalhadores esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. No presente caso, a recorrente não fez prova de estar inscrita no PAT, requisito essencial para desfrutar do benefício fiscal. Não sendo uma mera formalidade como alegado pela recorrente. A verba alimentação paga in natura possui natureza remuneratória. Ao deixar de gastar com tal utilidade, o trabalhador obteve um ganho indireto. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento para o período não decadente. CONCLUSÃO: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35464.003279/200612 Acórdão n.º 230200.687 S2C3T2 Fl. 5 9 Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo que parte do lançamento já foi atingido pela fluência do prazo decadencial. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 27/07/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10920.002988/2002-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA
INSTANCIA. NULIDADE. Não é nula a decisão de DRJ que adota
fundamentos próprios como razão de decidir em manifestação de
inconformidade contra decisão da DRJ que indeferiu pleito do contribuinte.
INCENTIVOS FISCAIS - FINAM - A opção pelo incentivo fiscal se
caracteriza com o recolhimento de parcela do IRPJ mediante o
preenchimento de Darf sob código específico destinado ao fundo escolhido pelo sujeito passivo ou na DIPJ/DIRPJ originalmente entregue.
Preliminar rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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TURMA - DRJ EM CURITIBA - PR ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA. NULIDADE. Não é nula a decisão de DRJ que adota fundamentos próprios como razão de decidir em manifestação de inconformidade contra decisão da DRJ que indeferiu pleito do contribuinte. INCENTIVOS FISCAIS - FINAM - A opção pelo incentivo fiscal se caracteriza com o recolhimento de parcela do IRPJ mediante o preenchimento de Darf sob código específico destinado ao fundo escolhido pelo sujeito passivo ou na DIPJ/DIRPJ originalmente entregue. Preliminar rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 10/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 2 Relatório WHIRLPOOL S/A, atual denominação da Empresa Brasileira de Compressores S/A - EMBRACO, CNPJ 84.720.630/0001-20, inconformada com a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, que indeferiu a manifestação inconformidade, recorre a este CARF objetivando a reforma do julgamento. Adoto o relatório da DRJ. Em nome da interessada emitiu-se o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, fl. 03, com base na DIPJ original nº 0723180, zerando todas as colunas, esclarecendo, quanto ao Total Liberado, que o valor repassado ao Fundo de Investimento (que está zerado) corresponde à soma dos valores Incentivo (zerado) e Recursos Próprios (zerado), identificando a base de cálculo de R$ 12.468.840,88. À fl. 01, a interessada, em 19/11/2002, ingressou com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, instruído com os documentos de fls. 03/89. Juntaram-se ao processo os extratos de fls. 90/122. O pedido foi indeferido pelo Despacho Decisório de fls. 123/126, da DRF em Joinville – SC, sob o argumento de haver sido apresentada, após o prazo, DIPJ retificadora, alterando a opção fora do exercício de competência, o que caracteriza retratação, se enquadra no art. 4º, § 5º da Lei nº 9.532, de 1997 e, levando-se em conta que a DIPJ retificadora substitui a original, impede o incentivo, nos termos do ADN CST nº 26, de 1985. Cientificada em 07/07/2003 (fl. 127), a interessada, por sua mandatária (fl. 138), apresentou, em 07/08/2003, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 128/137, instruída com os documentos de fls. 139/150, argumentando, em síntese, ser incabível a exclusão de opção, prevista na lei, tendo por base apenas ato normativo - ADN CST nº 26, de 1985 - por se tratar de matéria de competência exclusiva da lei. Aduz que a retificação da declaração resultou de erro de fato em seu preenchimento e que reduziu o valor do incentivo, sendo que, por uma redução de R$ 32.973,65 está sendo injustamente impedida de usufruir do benefício fiscal na ordem de R$ 2.244.391,36, informado na DIPJ retificadora. Transcreve ementa de acórdão do 1º CC relativo ao exercício de 1992 e finaliza requerendo o reconhecimento do direito ao incentivo, no montante apurado na DIPJ retificadora. Levado a julgamento a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, decidiu pelo indeferimento do pleito através dos argumentos que podem ser resumidos na ementa da decisão contida no acórdão 06-14.061 de 27 de abril de 2.007, verbis: INCENTIVOS FISCAIS: FINAM - A opção pelo incentivo fiscal somente se caracteriza com o recolhimento do IRPJ mediante o preenchimento de Darf sob o código especifico destinado ao fundo escolhido pelo sujeito passivo, nos termos da legislação, sendo que a inexistência do recolhimento específico impede a fruição do incentivo fiscal por falta de opção válida.” Inconformada a empresa apresentou o Recurso Voluntário de folhas 167 a 181, argumentando em síntese, o seguinte. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 10/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10920.002988/2002-93 Acórdão n.º 1402-00.341 S1-C4T2 Fl. 2 3 Nulidade da decisão recorrida. Argumenta o recorrente que a DRF em Joinville indeferiu o PERC por entender que não poderia fazer a opção na declaração retificadora, motivo esse que a DRJ não entendeu plausível para a recusa, mas alterando os critérios jurídicos da decisão recorrida, negou o pedido sob o argumento de que não teria feito os recolhimentos mensais por estimativa com a opção pelo incentivo fiscal. Cita jurisprudência relativa à anulação de decisão de primeira instância na hipótese de mudança do critério jurídico, ou seja modifica a acusação anterior e não dá oportunidade ao contribuinte de se manifestar ainda que em fase de diligência sobre o novo argumento. Afirma que a DRJ não tem competência nem para lançar e nem para modificar o lançamento, sendo portanto vedado o aperfeiçoamento ou a inovação do lançamento realizado. Mérito No mérito afirma que seguiu a legislação que o autoriza a fazer a opção na declaração de rendimentos apresentada, cita jurisprudência. Afirma que o fato para a negativa do PERC se baseou em dados internos da SRFB sem oportunizar ao contribuinte contradizê-los. Diz que o extrato emitido fl. 03 não consta o motivo – “falta de código específico no DARF”, base para a negativa feita pela DRJ. Requer a nulidade da decisão de Primeira Instância e se for o caso superar esta preliminar para dar provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 10/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. De inicio, cumpre afastar a preliminar de nulidade da decisão de 1 a . instância, isso porque a turma julgadora centrou-se na análise do pleito do contribuinte, qual seja, o deferimento de sua manifestação de inconformidade no sentido de fazer jus à aplicação em incentivos fiscais no ano-calendário de 1999. Logo, os fundamentos da decisão de 1 a . instancia são razões de decidir e não se tratam de inovação haja vista que o pleito já havia sido indeferido pela DRF. Na questão a ser resolvida é preciso estabelecer se é obrigatória a opção e indicação do código de investimentos regionais nos DARF de recolhimentos por estimativas mensais ou, se pode ser válida a opção feita na DIPJ sem a indicação dos códigos nos recolhimentos mensais. Transcrevo a legislação: Lei nº 9.532 de 10.12.1.997, verbis: “Art. 4º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do ano-calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente.” Analisando a legislação podemos afirmar que a opção deve ser feita na declaração de rendimentos ou no curso do ano calendário, seja nos recolhimentos por estimativas ou no lucro real apurado trimestralmente. Ocorre que, no presente caso, conforme registrado na decisão recorrida, verifica-se que no extrato de aplicações (fl. 02) estão zeradas tanto a coluna referente ao incentivo quanto a referente à aplicação com recursos próprios ou subscrição voluntária, o que evidencia a inexistência da opção mediante o recolhimento a título de Finam. Nada foi recolhido a título de incentivo sob o código 6692 - Finam no período de 01/07/1999 a 31/01/2002, conforme se verifica às fls. 90/93 e 155/157. Também não se verificou recolhimento com base no ajuste anual. Em verdade, a nova opção do contribuinte foi formalizada apenas na DIPJ retificadora, apresentada em 12/11/2002 (fl. 23), Argumentação do contribuinte tem aplicação para as opções feitas na DIPJ, mesmo que não houvessem recolhimentos mensais, tal qual decidido no acórdão No. 107- 08652, proferido em 26/07/2006, cuja ementa transcrevo a seguir: INCENTIVOS FISCAIS – ANO CALENDÁRIO DE 2000 – MP 2.145/01 – REVOGAÇÃO - INDEFERIMENTO – RESPEITO AO DIREITO ADQUIRIDO E AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS – GARANTIA - O contribuinte, a luz da lei vigente no ano calendário de 2000, teve assegurado o direito de destinar parte do imposto de renda pago em incentivos fiscais. A MP 2.145/01, em respeito ao direito adquirido e ao princípio da irretroatividade das Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 10/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10920.002988/2002-93 Acórdão n.º 1402-00.341 S1-C4T2 Fl. 3 5 leis, evidentemente não teria o condão de revogar esse direito sob o argumento de que a opção, realizada quando da tempestiva entrega da DIPJ, fora feita quando o incentivo já se achava revogado. A opção feita quando da tempestiva entrega da declaração, é, por assim dizer, ato de manifestação de direito que já se incorporara ao patrimônio do contribuinte, pelo que este pode e deve, no âmbito do processo administrativo fiscal, ver solucionado o litígio instaurado quando do protocolo do denominado PERC, em que buscava assegurar o reconhecimento do direito aos incentivos que postulara. Ocorre que o artigo 50, inciso XVIII, da Medida Provisória n°2.145, de 02.05.2001, estabelece: "Art. 50. Ficam revogados:(...) XVIII— o inciso Ido art. 1° da Lei n°8.167, de 16 de abril de 1991;" Por sua vez, o artigo 1°, I, da Lei n° 8.167/191 possui a seguinte redação: "Art. 1°. A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao período-base de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido: I — no Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) ou no Fundo de Investimentos da Amazónia (Finam) (Decreto-lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Económica do Espírito Santo (Funres) (Decreto-lei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, V);" A Medida Provisória n° 2.145 foi editada em 02.05.2001, portanto, a revogação trazida em seu bojo - em face do principio constitucional da irretroatividade -, se aplica a partir do ano calendário de sua edição. Com efeito, a opção pelo incentivo em projetos de terceiros formalizada em declaração retificadora apresentada em 12/11/2002 (fl. 23), sem ter havido recolhimentos por estimativa até maio/2001 é inócua. Outrossim, devem prevalecer eventuais opções realizadas pelo contribuinte na DIPJ originalmente entregue até 30/06/2000, cabendo a unidade de origem verificá-las e processá-las. Diante do exposto, rejeito as preliminares e nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 10/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/01/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 13005.001000/2004-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 09/11/1997 a 01/11/1999
DECADÊNCIA LEI
Nº 8212/91 INAPLICABILIDADE
SÚMULA
Nº 8
DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as
previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São
inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei
nº
1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de
prescrição e decadência de crédito tributário”.
PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN HOMOLOGAÇÃO
DO
FATO GERADOR.
A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu
lançamento. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação
(PIS/COFINS/IPI/etc) a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de
antecipar o pagamento e a declaração do débito sem prévio exame da
autoridade administrativa. Nestes casos, a contagem do prazo decadencial
deslocase
da regra geral (art. 173, do Código Tributário Nacional) para
encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em
que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato
gerador, independente da ocorrência de pagamento. Precedentes do Pleno do
então denominado Conselho de Contribuintes, sessão de dezembro/2008, RE
201121531
Processo
10980.003190/200254;
RE 201122746
Processo
10280.005672/0021;
RE 201123568
Processo
13891.000209/0029;
RE
301125569
Processo
10805.002709/9824.
SELIC CAPITALIZAÇÃO
IMPOSSIBILIDADE
Não se admite a capitalização da Taxa Selic. Ademais, in casu a questão foi
tratada em processo judicial proposto pela contribuinte, inexistindo
autorização para o procedimento.
PAES COMPETÊNCIA
INEXISTENTE
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para julgar
matéria de remissão/anistia, devendo o contribuinte procurar as vias cabíveis,
sejam elas recurso hierárquico ou os órgãos próprios como o Comitê Gestor
do REFIS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.649
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 09/11/1997 a 01/11/1999 DECADÊNCIA LEI Nº 8212/91 INAPLICABILIDADE SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN HOMOLOGAÇÃO DO FATO GERADOR. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (PIS/COFINS/IPI/etc) a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e a declaração do débito sem prévio exame da autoridade administrativa. Nestes casos, a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (art. 173, do Código Tributário Nacional) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, independente da ocorrência de pagamento. Precedentes do Pleno do então denominado Conselho de Contribuintes, sessão de dezembro/2008, RE 201121531 Processo 10980.003190/200254; RE 201122746 Processo 10280.005672/0021; RE 201123568 Processo 13891.000209/0029; RE 301125569 Processo 10805.002709/9824. SELIC CAPITALIZAÇÃO IMPOSSIBILIDADE Não se admite a capitalização da Taxa Selic. Ademais, in casu a questão foi tratada em processo judicial proposto pela contribuinte, inexistindo autorização para o procedimento. PAES COMPETÊNCIA INEXISTENTE O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para julgar matéria de remissão/anistia, devendo o contribuinte procurar as vias cabíveis, sejam elas recurso hierárquico ou os órgãos próprios como o Comitê Gestor do REFIS. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 09/11/1997 a 01/11/1999 DECADÊNCIA LEI Nº 8212/91 INAPLICABILIDADE SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN HOMOLOGAÇÃO DO FATO GERADOR. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (PIS/COFINS/IPI/etc) a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento e a declaração do débito sem prévio exame da autoridade administrativa. Nestes casos, a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (art. 173, do Código Tributário Nacional) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, independente da ocorrência de pagamento. Precedentes do Pleno do então denominado Conselho de Contribuintes, sessão de dezembro/2008, RE 201121531 Processo 10980.003190/200254; RE 201122746 Processo 10280.005672/0021; RE 201123568 Processo 13891.000209/0029; RE 301125569 Processo 10805.002709/9824. SELIC CAPITALIZAÇÃO IMPOSSIBILIDADE Não se admite a capitalização da Taxa Selic. Ademais, in casu a questão foi tratada em processo judicial proposto pela contribuinte, inexistindo autorização para o procedimento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/0 5/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 PAES COMPETÊNCIA INEXISTENTE O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para julgar matéria de remissão/anistia, devendo o contribuinte procurar as vias cabíveis, sejam elas recurso hierárquico ou os órgãos próprios como o Comitê Gestor do REFIS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Walber José da Silva Presidente Fabiola Cassiano Keramidas – Relatora EDITADO EM: 14/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de cobrança de valores declarados em DCTF e inicialmente exigidos pela fiscalização por meio do Termo de Intimação nº 2300, de 19/03/2004 (fls. 02), expedido pela Delegacia da Receita Federal de Santa Cruz do Sul/RS – DRF – o qual considerava a Recorrente devedora de valores de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ. Após manifestações da Recorrente e diversas intimações da fiscalização, a DRF analisou todos os documentos trazidos aos autos e concluiu pela existência de débito de COFINS referente ao período de apuração de Nov/97; Out/98 e ago/99 a dez/99 (fls. 353 – Vol. II). Todos os demais débitos inicialmente apontados foram considerados extintos pelo pagamento ou pela compensação com crédito decorrente da ação judicial nº 96.0008731 8, na qual a Recorrente discutiu a constitucionalidade da majoração da alíquota de Finsocial. Inconformada, a Recorrente apresentou inconformidade com a mencionada exigência em 357/361, argumentando, em síntese: que os valores foram considerados insuficientes porque a DRF não aceitou a capitalização da SELIC (juros compostos, SELIC sobre SELIC), o que afronta o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/0 5/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13005.001000/200461 Acórdão n.º 330200.649 S3C3T2 Fl. 424 3 que os débitos compensados foram considerados devidos no prazo de 10 anos, quando o correto são 5 anos; ainda, como se trata de compensação, passados 5 anos, também ocorre a homologação tácita das compensações que foram declaradas ao Fisco e todas as compensações foram devidamente informadas à fiscalização sem qualquer manifestação em sentido contrário, razão pela qual estão todas tacitamente homologadas; a correção monetária apresentada pela SELIC está de acordo com os termos legais (artigo 30, § 4º, Lei nº 9.250/95), e deve ser considerado, o que torna o crédito suficiente; admitida a existência do débito, como se trata de débito declarado, deve ser aceita sua inclusão no PAES. Após analisar as razões trazidas pela Recorrente a Segunda Turma de Julgamento da Delegacia de Santa Maria proferiu o acórdão nº 3.963, de 13/05/05, acostado às fls. 386/390 – Vol. II, por meio do qual se manteve a decisão do Despacho Decisório. Em resumo, no tocante ao prazo decadencial, as autoridades administrativas de julgamento entenderam que além de para a COFINS este prazo ser de 10 anos, não se aplica ao presente caso uma vez que não houve lançamento de tributos, mas apenas análise do procedimento de compensação, verbis: “Importa assentar, ao início, que neste processo administrativo não consta qualquer espécie de lançamento tributário de valores eventualmente devidos. Tratase, isto sim, de procedimento de compensação que a contribuinte entende ter realizado entre valores credores de FINSOCIAL e valores devedores de COFINS. Assim, neste processo administrativo cabe verificar se aquele procedimento foi correto ou não, sendo que pela análise da DRF de origem, a correção se apresentou apenas de forma parcial, donde resultou a manutenção da cobrança de parte dos valores, conforme demonstrado às fls. 351. Disso, é possível entenderse que não há porque discutir questões referentes a prazo decadencial do direito da Fazenda Nacional efetuar o lançamento de eventuais valores da contribuição, eis que, como dito, não há apuração de valores devidos, senão a cobrança daqueles previamente apontados pela contribuinte em DCTF. ” Em relação à capitalização dos Juros, os julgadores entenderam pela impossibilidade de capitalizar a SELIC, citando para tanto trecho da decisão judicial, bem como o artigo 167 do Código Tributário Nacional – CTN, concluindo pela correição do cálculo da DRF de origem. No tocante à inclusão no PAES, as autoridades administrativas de primeira instância se julgaram incompetentes para analisar a matéria, indicando para tanto a Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona a Recorrente. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 395/399, no qual reitera os argumentos de sua inconformidade. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/0 5/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 É o relatório. Voto Conselheira Relatora Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de procedimento de compensação informado em DCTF, que gerou a ausência de recolhimento da COFINS e o questionamento, da fiscalização, por meio de Termos de Intimação. A sucessão de Termos de Intimação, seguidos da resposta da Recorrente, constituíram o presente o presente processo administrativo. Após analisar as informações prestadas pela Recorrente e recalcular o valor de seu crédito, a fiscalização procedeu ao encontro de contas (planilhas e demonstrativos de cálculos de fls. 292/320). Em 18/11/2004, a DRF proferiu o Parecer DRF/SCS/Sacat nº 114/2004 e o despacho homologatório de parte do crédito tributário compensado (fls. 349/352), oportunidade em que se concluiu que a Recorrente não possuía crédito suficiente para compensar os valores referentes aos períodos de apuração de Nov/97; Out/98 e Ago/99 a Dez/99. A Recorrente apresenta quatro argumentos: primeiro, a decadência do lançamento dos valores; segundo, a homologação tácita da compensação; terceiro, a existência do crédito e quarto, a necessária inclusão do débito (se existente) no PAES. Em relação à decadência do direito de lançar, concordo com a decisão de primeira instância administrativa. Realmente no presente caso não estamos tratando de lançamento de valores, tanto que não há qualquer auto de infração, mas apenas análise de compensação. É o indeferimento da compensação por insuficiência de crédito que ocasiona a existência de débito. Por outro giro, a compensação tácita do procedimento de compensação realmente ocorreu. Conforme se verifica dos autos, a compensação dos créditos foi realizada na escrita contábil e devidamente declarada por meio da DCTF da empresa, e este procedimento é válido, tanto que não foi questionado pela fiscalização, ao contrário, foi fiscalizado e aceito como regular, restando claro que o indeferimento parcial da compensação ocorreu em virtude de ausência de crédito. Logo, pareceme não haver qualquer dúvida quanto à regularidade da compensação realizada pela Recorrente. Ocorre que, conforme argumentado pela Recorrente, este procedimento de compensação não foi indeferido ou não homologado até a decisão da DRF de 18/11/2004, razão pela qual entendo estarem extintos os fatos geradores ocorridos até outubro/1999. No tocante ao pleito da Recorrente de capitalizar a SELIC, com razão a decisão recorrida, a lei admite a aplicação da Selic, mas não a sua capitalização. Da mesma forma esta autorização não consta das decisões judiciais mencionadas (fls. 179/188 e 224/231). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/0 5/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13005.001000/200461 Acórdão n.º 330200.649 S3C3T2 Fl. 425 5 Ainda em relação ao alegado pela Recorrente, deixo de analisar a matéria referente ao PAES por não ser de competência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais analisar questões vinculadas à anistia de débitos. Ante o exposto, conheço do recurso em análise para o fim de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado, reconhecendo a homologação tácita das compensações referentes aos fatos geradores ocorridos até outubro/99 (inclusive). É como voto. Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/0 5/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000051/2004-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DE RECEITAS. GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS Não comprovada a ocorrência de infração, deve ser cancelado o lançamento.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO Em face da não comprovação do saldo de conta do passivo, não é possível presumir omissão
de receitas em período posterior àquele em que o lançamento contábil foi feito.
GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. A glosa se
deu pela não comprovação documental o que ocorreu na totalidade em sua impugnação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo
tratamento dispensado ao lançamento do IRPJ, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1202-000.404
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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ementa_s : Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITAS. GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS Não comprovada a ocorrência de infração, deve ser cancelado o lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO Em face da não comprovação do saldo de conta do passivo, não é possível presumir omissão de receitas em período posterior àquele em que o lançamento contábil foi feito. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. A glosa se deu pela não comprovação documental o que ocorreu na totalidade em sua impugnação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento do IRPJ, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
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GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS Não comprovada a ocorrência de infração, deve ser cancelado o lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO Em face da não comprovação do saldo de conta do passivo, não é possível presumir omissão de receitas em período posterior àquele em que o lançamento contábil foi feito. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. A glosa se deu pela não comprovação documental o que ocorreu na totalidade em sua impugnação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento do IRPJ, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) NELSON LÓSSO FILHO Presidente. (documento assinado digitalmente) NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Relatora. Fl. 479DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Flávio Vilela Campos Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratade Auto de Infração ( fl 97/126 ) lavrados pela DEFIC no Rio da Janeiro/RJ, em 26 de janeiro de 2004, para exigir IRPJ, no valor de R$829.897,12; de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$73.811,20; de contribuição ao PIS, no valor de R$16.136,40; e, de COFINS, no valor de R$73.811,20, acrescidos de multa de 75% e juros de mora à taxa SELIC. O crédito tributário lançado perfaz um total de R$82.921.125,22 (fls 2). O lançamento foi motivado por: Omissão de Receitas. Receitas não contabilizadas – não tributação de parte dos valores constantes da Conta nº11120.41.0001 “Aluguéis de Lojas Shopping Center Tijuca a receber”, que são correspondentes aos aluguéis relativos ao período de janeiro a dezembro de 1999 não recebidos e, portanto, não foram contabilizados porque a interessada adota a sistemática contábil de reconhecer a receita pelo regime de caixa e, não, pelo regime de competência. Fundamento legal: artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 283 e 288, do RIR/99; Omissão de Receitas. Passivo Fictício – manutenção no Passivo de Conta nº 2.1.110.01.0001 — “Fornecedores Diversos”, que se referem a obrigações cuja exigibilidade não foram comprovadas. Somente comprovou uma parcela dos valores no montante de R$ 229.803,76 , enquanto que o total é de R$ 579.196,94. Fundamento Legal: Artigo 24 da Lei n° 9.249/95; artigo. 40 da Lei n° 9.430/96; Artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso II, e 288, do RIR/99. Custos ou Despesas não comprovadas e Custos, Despesas Operacionais e Encargos não necessários – Contascorrentes com as empresas ligadas Construtora Sá Cavalcante S/A, registradasna Conta nº 11120.16.0001, e Sá Cavalcante Comestíveis —Bob's Ltda, registrada na Conta n° 11120.16.0004, decorrentes de empréstimos concedidos sem a correspondente cobrança de encargos financeiros. A empresa contabilizou, na conta nº.36.100.04.0004, despesas com encargos financeiro que se mostraram desnecessários à manutenção de sua atividade fim. Também considerou custos ou despesas não comprovadas por falta de documentação idônea e hábil. Fundamento Legal: Artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 300, do RIR/99. Multas e juros à taxa SELIC – Artigos 61 e 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Desconsiderou todo o Prejuízo Fiscal e a Base de Cálculo Negativa da CSLL, tendo em vista que entendeu que já tinha sido utilizada no REFIS. Em sua Impugnação, a recorrente alega que: Os valores correspondentes ao Prejuízo Fiscal e a Base de Cálculo Negativa da CSLL não foram utilizados no Refis e traz documentação comprobatória; Fl. 480DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 18471.000051/200492 Acórdão n.º 120200.404 S1C2T2 Fl. 2 3 Omissão de Receitas – Receitas não contabilizadas – o montante autuado foi tomado com base no relatório de inadimplência. Alguns valores lá constantes eram objeto de ações judiciais (aluguéis a receber) e os demais foram reconhecidos, pelo regime de competência, nos meses seguintes. Fato esse que, no máximo, poderia ter caracterizado postergação, mas não omissão de receitas. Ainda, argumenta que o artigo 9º da Lei nº 9430/1996 faculta a exclusão de valores cobrados judicialmente (perdas com recebimento de créditos). Omissão de Receitas – Passivo Fictício – a diferença lançada já estava registrada no Passivo desde 31 de dezembro de 1998, consoante Razão Contábil, portanto, alega decadência. Alega cerceamento de defesa e apresenta os documentos que foram entregues e deram base à autuação e argumenta que, como a fiscalização não identifica quais foram os valores glosados, não tem como se defender. Ao final, protesta pela produção de provas (especialmente diligências e perícias) e solicita o cancelamento do lançamento. DO JULGAMENTO DA DRJ Primeiramente, explica que não cabe à DRJ examinar pedido de estorno dos valores não utilizados no REFIS para o saldo de prejuízos fiscais acumulados e de base de cálculo negativa da CSLL. Indefere pedido de diligências/perícias porque não cabe ao julgador suprir as deficiências de prova que são de responsabilidade da autoridade administrativa ou do contribuinte. O procedimento seguiu o caminho normal disposto no Decreto nº 70.235/1972. Quanto à Omissão de Receitas caracterizada pelo não oferecimento à tributação de parte dos valores constantes da “Conta n° 11120.41.0001 — Aluguéis Lojas Shopping Center Tijuca a Receber”, a qual corresponde aos aluguéis referentes ao período de janeiro a dezembro de 1999 não recebidos. A autoridade fiscal entendeu que: nos termos do artigo 273 do RIR/99, a inobservância do registro das receitas pelo regime de competência fundamenta o lançamento quando resultar em postergação ou redução indevida do lucro real. foi apresentada relação individualizada dos valores a receber, mas a fiscalização efetuou o lançamento com base no somatório dos totais mensais sem analisar os valores propriamente ditos. não houve omissão de receitas tendo em vista que a interessada registrou a receita posteriormente, mas dentro do mesmo anocalendário; portanto, o IRPJ devido no ano calendário contém tal receita. se fosse aplicado o artigo 9º da Lei nº 9430/1996, o contas a receber registrado pelo regime de competência poderia ser deduzido como perda, logo, a inexatidão contábil não resultou em postergação ou redução indevida do lucro real, pois estaria sujeito à tributação pelo regime de caixa da mesma forma. Fl. 481DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO 4 a fiscalização deveria aprofundar a análise da listagem constante do Sistema de Contas a Receber e, não, simplesmente tributar o total da listagem. por fim, conclui que o lançamento deve ser cancelado por não estar demonstrada a ocorrência da omissão de receita de que trata. Quanto à Omissão de Receitas caracterizada pela existência de Passivo Fictício de obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada, constante da Conta nº 21.110.01.0001 — Fornecedores Diversos, a DRJ entendeu que: a interessada encaminhou o Relatório Gerencial da conta (fls. 54/56) à fiscalização. A fiscalização entendeu estar comprovado parcela correspondente a R$229.803,76, todavia, não demonstra a que item da lista o valor corresponde. a interessada, por sua vez, alega que a diferença lançada no montante de R$349.393,28, já estava no Passivo em 31 de dezembro de 1998, conforme Razão Contábil — fls. 499/501. Ao compararmos os saldos da conta em 31 de dezembro de 1999 e 31 de dezembro de 1998, verificase que a interessada comprova sua alegação porque se os valores não comprovados já constavam do Balanço Patrimonial de 31 de dezembro de 1998, não se pode lançar o mesmo Passivo Fictício em 31 de dezembro de 1999, ou seja, “a não comprovação só poderia levar a lançamento no ano calendário no qual foi efetuado o lançamento contábil no Passivo”. Conclui, assim, que se o lançamento contábil tido por fictício, que poderia encobrir despesa inexistente ou postergação de receita, não ocorreu no anocalendário de 1999, não é possível presumir omissão de receitas neste período. Conclui que os elementos de prova apresentados são suficientes para elidir a presunção de omissão de receitas, portanto, cancela o lançamento. Quanto aos custos ou despesas não comprovadas, entende que é questão de prova documental e a interessada, na impugnação, apresenta os documentos comprovandoos (fl s. 502/571). Da análise da documentação, resta comprovada que a totalidade da glosa de despesas ou custos são relacionados à manutenção da atividade da empresa. Portanto, conclui pelo cancelamento do lançamento. Quanto aos custos, despesas operacionais e encargos não necessários, na impugnação, a interessada alega que a fiscalização não identificou os valores glosados, portanto, teve sua defesa cerceada. Da análise dos autos, não há nos Termos de Intimação, qualquer solicitação de esclarecimentos referente ao valor apresentado. No Termo de Intimação de fl. 57, foi solicitada a comprovação contábil do montante correspondente às “Despesas Financeiras”, no total de R$33.400.818,40. A interessada pediu prorrogação que não foi concedida. Dessa forma, não tem qualquer listagem ou lançamento contábil, como poderia glosar apenas o montante de R$388.740,07(fls 103)? Ademais, da listagem apresentada pela interessada na impugnação (fls 574) também não se identifica o valor glosado. Assim, não é possível entender ou analisar o lançamento porque não se sabe donde vem esse valor. A mera manutenção de contacorrente com empresas ligadas, sem remuneração à título de encargos financeiros não autoriza por si só a glosa de todo o encargo financeiro por ele escriturado. Aliás, não restou comprovado que não há remuneração de fato. ao final, conclui que como não foi comprovada a ocorrência de qualquer infração, o lançamento deve ser cancelado. Quanto aos lançamentos reflexos, aplicase o mesmo tratamento dispensado ao IRPJ pela estreita relação entre eles. Fl. 482DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 18471.000051/200492 Acórdão n.º 120200.404 S1C2T2 Fl. 3 5 Em 26 de abril de 2004, tendo em vista a decisão da DRJ acima, os Autos foram encaminhados a esse Conselho para julgar em “Recurso de Ofício”. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Consoante relatório acima, o lançamento foi feito por omissão de receitas, tendo em vista que ficou constatado que havia receitas não contabilizadas e existência de Passivo Fictício, e pela glosa de despesas e custos não comprovados. Da omissão de receitas pela existência de Passivo Fictício Em relação à caracterização da omissão de receitas pela existência de obrigações registradas no Passivo e não comprovadas, no montante de R$349.393, 28, ficou evidenciado que o valor já estava registrado no anocalendário de 1998, consoante Razão Contábil. Verificase pelos autos que, no anocalendário de 1998, o valor registrado (fls 499/501) equivaleu ao total de R$ 805.842,81, e, no anocalendário de 1999 (fls 54/56), ao total de R$579.196,94, os quais cruzam com a Ficha 26A da DIPJ – Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica(fl 28). Portanto, o registro contábil do Passivo não foi feito em 1999, mas em 1998. Dessa forma, está correta a conclusão da DRJ, quando diz que “a não comprovação só poderia levar a lançamento no anocalendário no qual foi efetuado o lançamento contábil no Passivo”, ou seja, no mínimo, que fosse feito em 31 de dezembro de 1998. Em se tratando de lançamento por homologação, desde que não haja dolo, fraude ou simulação, ou a autoridade não tome conhecimento da atividade exercida, devese observar o prazo máximo de 5 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, findo o qual não é defeso à autoridade fiscal promover qualquer alteração. Como a lavratura ocorreu em 26 de janeiro de 2004 e o Passivo estava escriturado já no anocalendário de 1998, reconheço que a decadência atingiu o direito de constituir o crédito tributário, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN – Código Tributário Nacional. Da omissão de receitas pelo não registro de receitas com base no regime de competência A autoridade fiscalizadora entendeu que se caracterizou a omissão de receitas por não observar o regime de competência, mas o regime de caixa, portanto, contrariando os artigos 251 e 274 do RIR/99. Pelos Autos se verifica que: Fl. 483DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO 6 em 21 de outubro de 2003, a fiscalização solicitou abertura da conta de nº 23.110.03.002 – “Aluguéis Lojas Shopping Center Tijuca”, no valor de R$ 79.581.481,84 (fls. 52); em 18 de dezembro do mesmo ano, a interessada apresentou uma listagem do “Sistema de Contas a Receber” (fls. 60 a 93) de forma individualizada e detalhada sobre o andamento dos montantes a receber; e, ao final, a autoridade lançadora considerou não contabilizado pelo regime de competência o valor R$2.133.139, 75 (fl 98), sem qualquer abertura ou explicação do montante a que se refere esse valor. A DRJ entendeu que o montante não foi registrado no mês que deveria ter sido, todavia, foi registrado no mesmo anocalendário, logo, não houve prejuízo ao fisco porque a apuração do IRPJ é em bases anuais. Tal conclusão se aplica ao IRPJ e à CSLL, mas não à contribuição ao PIS e à COFINS, as quais tem apuração mensal, portanto, o não registro no mês correto prejudica sim o Erário Público. Todavia, o montante de R$2.133.139,75 que foi apontado pela autoridade fiscal como incorreto, não está devidamente explicado e identificado, restando na impossibilidade de se calcular a mora no recolhimento dessas contribuições. Entendo ser mora no recolhimento tendo em vista que, como a empresa faz o reconhecimento pelo regime de caixa, depreendese que foram reconhecidas num período e deveriam ter sido num período anterior, ou seja, essas contribuições foram registradas contabilmente fora do prazo devido, donde o cálculo deve contemplar a apuração dos juros e multa entre o mês que deveria ser recolhido e o que efetivamente ocorreu. Não está correto o procedimento da autoridade fiscal em simplesmente considerálas omitidas no seu total e anualmente. Com base no exposto, de fato, não há como se efetuar os cálculos do montante não recolhido, logo, concordo com o cancelamento do auto de infração pela falta de clareza e certeza do lançamento. Custos e Despesas não comprovadas Em relação ao montante de R$544.315,39, foi alegada a falta de comprovação documental pela autoridade fiscal. Todavia, a interessada trouxe a comprovação de todos os documentos e da totalidade da glosa (fls. 502/571), bem como da comprovação de se tratam de despesas que são necessárias à atividade da empresa por serem despesas com prestadores de serviços (advocatícios, prestação de serviços de comercialização, merchandising, perícias e avaliações) que lhes são necessários. Da análise da documentação, resta comprovada documentalmente a totalidade da glosa, portanto, uma vez comprovada não há fundamento a glosa. Quanto às despesas operacionais e encargos considerados não necessários referentes às contascorrentes com as empresas ligadas Construtora Sá Cavalcante S/A, Conta nº 11120.16.0001, e Sá Cavalcante Comestíveis —Bob's Ltda, conta n° 11120.16.0004, decorrentes de empréstimos concedidos, sem a correspondente remuneração de encargos financeiros, no montante de R$388.740,07, não é possível identificar a que se refere o valor apontado pela autoridade fiscalizadora. Como consta do relatório, no Termo de Intimação de fl. 57, de 3 de dezembro de 2003, foi solicitada a comprovação contábil do montante total das “Despesas Financeiras”, no total de R$33.400.818,40. A interessada pediu prorrogação que não Fl. 484DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 18471.000051/200492 Acórdão n.º 120200.404 S1C2T2 Fl. 4 7 foi concedida e, em seguida, recebeu o auto de infração com a glosa de R$388.740,07(fls 103). Não é possível analisar o lançamento porque não se sabe a que se refere esse valor. A autoridade fiscalizadora não esclarece o valor glosado, portanto, falta também aqui esclarecimentos à interessada para entender a infração cometida.Também pela falta de certeza e clareza, concordo com o cancelamento do auto de infração. Por todo o acima exposto, mantenho a decisão da DRJ que julgou improcedente todo o auto de infração tanto pelo IRPJ quanto pelos seus reflexos (CSLL, constribuição ao PIS e COFINS), portanto, voto por negar provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 485DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO
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Numero do processo: 13837.000653/2002-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA() PIS/PASEP
Per iodo de apuração: 01/0211999 a 2810212003
COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO RECONHECIDO PELA
ADMINISTRAÇÃO.
Sem o reconhecimento, pela Administração Tributária, de crédito em favor
do contribuinte. não há que se homologar as compensações por ele declaradas
RFD.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.685
Decisão: Acoldam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntátio, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA() PIS/PASEP Per iodo de apuração: 01/0211999 a 2810212003 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO RECONHECIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Sem o reconhecimento, pela Administração Tributária, de crédito em favor do contribuinte. não há que se homologar as compensações por ele declaradas RFD. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acoldam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntátio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente e Relatof EDITADO EM: 11/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walbei José da Silva, José Antonio Fiancisco. Fabiola Cassiano Kerarnidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurlão Bando. Relatorio A interessada apresentou Declaração de Compensação em 12111/2002 (fl. 01), cujos créditos tem como origem o Processo Administrativo Fiscal n° 13837.000313/00-03. Os mesmos créditos subsidiam as declarações for malizaclas nos processos n° 13837.000076/2003-03, 13837.000077/2003-40, 13837.000078/2003-94, 13837.000134/2003- 91. 1383'7.000192/2003-14 e 13837.000191/2003-70. Os débitos compensados for am transferidos para o presente processo conforme "Ter mos de fls. 39/46 A DRF em Jundiai - SP não homologou as compensações declaradas ern face da inexistência de credito reconhecido em favor da interessada, nos termos o despacho decisório de Os. 50/53, dele tendo a recortente tomado ciência no dia 09/08/2007. Ciente da decisão, a interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de Os. 58/89, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, A 3 5 Turma de Julgamento da DRJ em Campinas - SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão n2 05-20.616, de 20/12/2007, cuja ementa abaixo transcrevo: COMPENSACW DIREITO CREDl1t5R10 IVOPOV!l'E l. AlPOSSIBIL IDA DE A manifestação dos *Ras extintiros da compensação exige a exisn'incia c/c direito creditório liquido e certo Fundada elo di, eito credit& in fá indefer ido pelct Adminisu ação f ibutá, ia, ainda que sem decisão defi niliva, a declaração cie compensação nulo pode ser homologada CO1JPEN5A (7:4 0 HOMOLOG.-10o ÀIA VIFESTAÇ.TO ADMINISI RAO-TO Na data da cM»cia da dec isão quo indelOr iu a estituição/compensação os iginal, cessa a contagem do polo &endemic,' papa que a Administração ihnuciria se manifesto creel ea de compensações ela, vinculadas, nwsmo que apresentadas poster lor menle A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 12/02/2008, conforme AR de fl. Ill, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 12/03/2008, com o recurso voluntário de lis,. 112/148, no qual reptisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuido.. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber Jose da Silva DI t 2 . f) 7 Processo s" 13837 000653/2002-78 S3-C31 2 Aenrdtio n' 3302-00.685 Fl 152 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos denials requisitos legais . Dele se conhece. Trata o presente de declarações de compensação de débitos com créditos que a recorrente diz possuir e estar pleiteando no Processo Administrativo 13837.000313/00-03. O crédito pleiteado no referido Processo n' 13837.000313/00-03 não foi reconhecido nem pela RFB e nem pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso voluntário da interessada, nos termos do Acórdão n° 202-18.940, de 09/04/2008, cuja ementa abaixo transcrevo. ASSUNTO CONTRIBUIVO PARA O PIS/P,ISEP Pei iodo de apuração 01/01/1989 a 31/01/1999 RESTITUICJO DE 1NDEBITO ALTERAC:TO DA CONTRIBIK.TO 40 PIS POR PROVISORIA POSSIBILIDADE. TERM() DE INICIO DA ANTERIORIDADE 111111GAD4 DESNECESSIDADE DELE! COMPLEMENTAR .1 alto ação da rant? ibuição ao PIS não exige lei complemeniar, podendo sei efetivada por medida p1 ovisMia, conkuido-se o a.:o de 11011'171a dicis pm a sua exige'ncia a pai tit edição da pi inwi, a MP A exigência do PIS, de acordo com a MP n" 1 212, de 1995. conyalidada pela „sum I eediciies, uFc e, conreitida na lei n" 9 715, de 1998 NORA IAS GERAIS DE DIREITO TRIBC1T, IRI0 INCOAISTIT UCIONALIDA DE E !LEGAL IDA DE Ent consoncincia coin a Srimula a' 02 do Pleno do Segundo Conselho de Conti ibuintes, descabe a este Colegiado a apreciação de inconsfilucionalidade e ilegalidade de norms ii ibuttilias válidas Recurso negado ,k mingua de crédito reconhecido em favor da recorrente, não se homologa as compensações efetuadas pela recor rente, como bem disse a decisão recorrida . Quanto r alegação de que ocorreu a homologação tácita das compensações efetuadas, infundadas são as alegações da recorrente porque o prazo para homologação conta- se da data da apresentação da declaração de compensação. No caso dos autos, a ciência da decisão que não homologou as compensações efetuadas ocorreu no dia 09/08/2007 e a declaração de compensação apresentada mais remotamente data de 12/11/2002, portanto antes de completar o prazo legal. As demais declarações de compensação controladas neste processo foram apresentadas em data posterior a 12/11/2002, não havendo que se falar em homologação tacita. Quanto aos argumentos relativos ao direito creditõrio, os mesmos são estéreis neste processo, posto que aqui não se discute o direito a tais créditos. Essa discussão é própria do Processo Administrativo n° 13837,000313/00-03, cuja decisão final se erradia para todas as Declarações de Compensações vinculadas ao mesmo, independente da fase em que se 3 . 1 . encontram os respectivos processos administrativos que as contiolam. como é o caso deste processo. Também deixo de apreciar os demais argumentos da recoriente posto que it relevantes ou desnecessários para o deslinde da questao. No mais, com filler° no art.. 50, § IQ, da Lei IV 9,7 841 1999 1 , adoto e ratifico os fundamentos do acórdao de primeira instancia . Por tais razes, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walher lose da Silva I An. 50 Os atos adininistrativos deverZio ser rnotivados„ corn indicae:lo dos !Was e dos tundainentos juridicos„ quando: 1 • 1 * rt. A motivay5o dove ser explicita , clara e congruente, podendo consistir Clii declarayZio de coneordancia cant kind:enemas de anteriores pareceres, inlonnaetles, deeisacs ou propostas, que, neste cas o . sento parte integrante do ato
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Numero do processo: 11543.000484/2001-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Contatada omissão
no acórdão embargado, que deixou de apreciar matéria em litígio, acolhe-se os embargos para sanar o vício, com o exame da matéria esquecida.
Embargos acolhidos
Acórdão rerratificado
Numero da decisão: 2201-000.824
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos declaratórios para, retificando o acórdão 2201.00.380, desqualificar a multa de ofício, mantendo os demais itens da decisão embargada.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Matéria IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado NATALINA FRANÇA DAHER Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Contatada omissão no acórdão embargado, que deixou de apreciar matéria em litígio, acolhe-se os embargos para sanar o vício, com o exame da matéria esquecida. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos declaratórios para, retificando o acórdão 2201.00.380, desqualificar a multa de ofício, mantendo os demais itens da decisão embargada. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente . Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 23/09/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Janaína Mesquita Lourenço de Souza e Rayana Alves de Oliveira França Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/10/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Cuida-se de Embargos Declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional. A embargante aponta omissão do Acórdão nº 2201.00.380 – 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, de 19 de agosto de 2009. O acórdão teria deixado de se manifestar sobre a qualificação da multa de ofício, matéria que foi arguida no recurso e, além disso, ao apreciar a decadência, a Turma deixou de considerar o fato da qualificação da multa. O Senhor Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, após exame preliminar de admissibilidade, determinou a inclusão do processo em pauta para apreciação da matéria pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Analiso a admissibilidade dos embargos. Compulsando os autos, verifico que a autuação se deu com multa qualificada e que o acórdão recorrido deixou de se manifestar sobre esta matéria, e que, consequentemente, a qualificação da multa de ofício também não foi considerada quando da apreciação da decadência. Assim, penso que está configurada a omissão. Isto posto, acolho os embargos. Cumpre, pois, examinar a matéria esquecida pelo acórdão embargado. A fundamentação para a qualificação da multa está assim vazada no termo de constatação e verificação fiscal: Fato é que com a omissão na apresentação das declarações de ajuste anual, a autuada logrou êxito em se eximir do pagamento de imposto de renda, no período auditado. É cediço que a declaração de imposto de renda é documento exigido pela lei fiscal, como se verifica pela leitura do art. 12 da leitura do art. 12 da lei 8.383/91, de 30/12/91, o qual estabelece que as pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de ajuste, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou valor a ser restituído. A sua não apresentação intencionalmente configura, por si só, omissão de informação, capitulada na primeira parte do inciso I, do artigo 1º da Lei 8.137/90. Em decorrência, tem-se que a falta de apresentação das Declarações de Imposto de Renda, frustram a persecução do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/10/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 11543.000484/2001-65 Acórdão n.º 2201-00.824 S2-C2T1 Fl. 2 3 recolhimento tributário cabível. Com efeito, não restam dúvidas de que se trata de comportamento tipificado pela lei penal como tipo doloso, o que demonstra que tal atitude se configura como evidente intuito de fraude. A reiterada omissão na entrega das declarações de imposto de renda prejudicou a administração tributária no seu desiderato, qual seja, a promoção de arrecadação em favor do Erário. Pela análise procedida, pode-se afirmar que a contribuinte revelou sua intenção fraudulenta em se eximir do recolhimento tributário cabível. Como se vê, o fundamento para a qualificação da multa foi a própria omissão na entrega das declarações e a omissão de rendimentos. Ora, a omissão na entrega da declaração é conduta tipificada na legislação tributária que prevê a aplicação da multa específica pelo descumprimento da obrigação acessória. Quanto à omissão de rendimentos, ainda que reiterada, a jurisprudência deste Conselho se consolidou no sentido de que o fato não enseja a qualificação da multa de ofício, conforme súmula CARF nº 14, a saber: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. É forçoso concluir, portanto, neste caso, pela desqualificação da multa de ofício. Afastada a qualificação da multa, não resta alteração a ser feita no acórdão embargado quanto á decadência. Assim, em conclusão, penso que o acórdão nº 2201.00.380 deve ser rerratificado apenas para se acrescentar a desqualificação da multa de ofício, mantendo-se a decisão quanto a todo o resto. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos declaratórios para, rerratificando o acórdão embargado, desqualificar a multa de ofício. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/10/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/10/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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