Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13807.004628/99-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Omissão de tributação de ganhos de capital — IRPJ/CSLL
Ano-calendário: 1995
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO JUDICIAL.
CONCOMITÂNCIA COM RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura,
pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda Nacional, por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, importa em renúncia ao julgamento administrativo da matéria em vista do principio da unicidade de jurisdição, que faz prevalecer a decisão tomada pelo Poder Judiciário e torna ineficaz o decidido pelo órgão administrativo.
Numero da decisão: 1103-000.306
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do ielatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro Eric Moiaes de Castro e Silva.
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recktenvald
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Omissão de tributação de ganhos de capital — IRPJ/CSLL Ano-calendário: 1995 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda Nacional, por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, importa em renúncia ao julgamento administrativo da matéria em vista do principio da unicidade de jurisdição, que faz prevalecer a decisão tomada pelo Poder Judiciário e torna ineficaz o decidido pelo órgão administrativo.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13807.004628/99-45
conteudo_id_s : 5627157
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1103-000.306
nome_arquivo_s : Decisao_138070046289945.pdf
nome_relator_s : Gervasio Nicolau Recktenvald
nome_arquivo_pdf_s : 138070046289945_5627157.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do ielatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro Eric Moiaes de Castro e Silva.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
id : 6480576
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692301234176
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-22T14:28:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-22T14:28:13Z; Last-Modified: 2011-08-22T14:28:13Z; dcterms:modified: 2011-08-22T14:28:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:0d2f3dcb-4138-4f03-8d07-421d7305afd1; Last-Save-Date: 2011-08-22T14:28:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-22T14:28:13Z; meta:save-date: 2011-08-22T14:28:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-22T14:28:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-22T14:28:13Z; created: 2011-08-22T14:28:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-08-22T14:28:13Z; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-22T14:28:13Z | Conteúdo => ALO ( YSIO IL,VA - Presidente , 1, GERVASIG NICOLAU RECI(TENVALD - Relator SI-cl 13 H MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13807.004628/1999-45 Recurso n" ReCUISO Voluntário Acórdão n" 110.3-00.306 — 1" Camara / .3" Turma Ordinária Sessão de 08 de novembro de 2010 Matéria IRPVCSLL - CONCOMITANCIA COM PROCESSO JUDICIAL Recorrente BUENINVEST REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA. (sucessora de BUENAVENTURA REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA). Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Omissão de tributação de ganhos de capital — IRPVCSLL Ano-calendário: 1995 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂN CIA COM RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda Nacional, por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, importa em renúncia ao julgamento administrativo da matéria em vista do principio da unicidade de jurisdição, que faz prevalecer a decisão tomada pelo Poder Judiciário e torna ineficaz o decidido pelo órgão administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do ielatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o consella . ro Eric Moiaes de Castro e Silva. EDITADO EM: 1 5 DEZ 2010 Participaiam da sessão dc julgamento os conselheiros: Aloysio Jose Percinio da Silva (Presidente da Turma), Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, IIutto COliCa Sotero, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gerv6sio Nicolau Recktenvald. Processo n" 13807 004628/1999-45 SI-CI T3 Accildao n" 1103-00.306 H 2 Relatório A empresa BUENINVEST REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA., CNPJ n" 62.370.028/0001-78, sucessora de BUENAVENTURA REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA., CNP.1 11" 61.645,040/0001-85, veio perante este Conselho para, através de recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade com o decidido pela 4" Turma da DR.I de Sao Paulo, que (a) não conheceu a impugnação quanto à matéria já levada pela interessada para deslinde perante o Poder Judiciário e (b) exonerou a multa de oficio em virtude de o fato autuado estar amparado, por ocasião do lançamento, por decisão judicial Detalhando a controvérsia, vê-se que a matéria objeto do presente processo administiativo decorreu de um procedimento fiscal externo, que resultou na lavratura de um auto de infiação (0. 50) notificado à contribuinte ern 29/04/1999, corn exigência de IRP.I/CSLL calculada sobre um ganho de capital, no valor de RS 274,097,64, relativo a resultado positivo na alienação de "Investimento em Sociedade Coligada ou Controlada Avaliado pelo Patrimônio Liquido" na empresa BANCOCIDADE DISTRIBUIDORA DE TfTULOS E VALORES MOBILIARIOS LTDA. (fl. 51). Notificada do processo, tempestivamente, em 28/05/1999, a interessada impugnou o lançamento (fi. 57). Para delinear o controvertido, inicialmente, informou não ser litigiosa exigência concernente ao IRPJ. Reconheceu ser elètiva a omissão de tributação sobre o aludido iendimento e informou que o IRPJ correspondente foi recolhido no prazo de impugnação, com a redução da multa de oficio. Ainda, e para comprovar o afirmado, anexou o DARE comprobatório da quitação do IRPJ. De outra parte, no que tange à exigência de CSLL, alegou "que a exigibilidade desta obriga côo tributária encontrava-se suspensa para este contribuinte, em virtude do AGRAVO DE INSTRUMENTO n" 96.03 028514-5, concedido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3" Regiiio" Acrescentou que a referida suspensão encontrava-se em plena vigência, e assim permaneceria até que fosse dada solução definitiva, corn decisão transitada ern julgado, nos autos da Ação Ordinária n" 96 0011554-0, onde discutia a inconstitucionalidade das leis relacionadas CS LI,. Por fim, sem qualquer outra argumentação, pede a desconstituicão cio Auto de Infração Encaminhado o processo à DRI/SP, a impugnação foi julgada em Primeiro Gi au administrativo, conforme exposto no acórdão n" 8.791, de 09 de fevereiro de 2006 (if 147), Em síntese, a Turma Julgadora não conheceu a impugnação quanto à matéria levada ao Poder Judiciário e exonerou a multa de oficio, por constatado, posteriormente ao lançamento, ter sido indevida a exigência da multa, em virtude de estar o procedimento do contribuinte amparado por decisão judicial. 3 Notificada do acórdão em 11/04/2008, e inconformada com o decidido, interessada interpôs lecurso voluntário (if 171), alegando, em síntese, o que segue: - que as ações judiciais, tanto a Medida Cautelar n" 96.0008098-4 quanto a Ação Ordinária n" 96.0011554-0, foram julgadas improcedentes em 15/06/2000, contra as quais apelou, estando pendentes de julgamento esses recursos; - que não renunciou b. esfera administrativa, conforme entendeu o acórdão recorrido, pois as medidas judiciais foram interpostas antes da laviatura do auto de infração; que o auto de infração não é instrumento adequado para formalizar lançamento de credito tributário que se encontra com a exigibilidade suspensa, como é o caso da CSLL constituída nos presentes autos; - que a recorrente não incidiu em qualquer falta que desse ensejo ao lançamento via auto de infração, nos termos dos artigos 9" e 10 do Decreto n" 70.235/72 (na redação da Lei n" 8.748/93); - que, segundo aqueles artigos, quando não haveria infrações, a constituição do credito se daria pela notificação de lançamento; - que, em vista do art. 195, I, da Constituição Federal, não é possível a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro de sociedade que não possui calm egado; - que não são exigíveis os juros de mora, tendo em vista que o credito tributário da CSLL se encontra "sub-j Lidice"; - que, mesmo que devidos juros, a taxa Se lic seria inaplicável; - por fim, pede a reforma parcial da decisão recorrida, na parte mantida, e o cancelamento das exigências fiscais. o Relatório, occsso nn 13807 004628/1999-45 SI - CI 13 11" 1103-00.306 Fl 3 Voto Conselheiro G'ervásio Nicolau Recktenvald, O recurso voluntário interposto é tempestivo e reúne os demais pi essupostos de admissibilidade. Conforme relatado, a exigência fiscal constituída neste processo, na parte controversa (CSLI.), esta sendo discutida e decidida perante o Poder Judiciário. Diante disso, nada mais há para deliberar na instancia administrativa, conforme, aliás, acertadamente, já decidiu o acórdão recorrido. Nesse contexto, segundo entendimento há tempos pacilicado na jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja matéria inclusive encontra-se sumulada, a interposição, antes ou depois da autuação fiscal, de ação judicial para discutir a matéria objeto do lançamento fiscal, implica renúncia A discussão administi ativa. Por pertinente, transcreve-se a Súmula CARF n" 1 (Portaria CARF n" 106, de 21 de dezembro de 2009): Importa rell(111d0 às inskincias administi Wives a propositin a pelo sujeito passivo de a0o judicial por qualquer modaliclade pm ocessual, antes ou depois do lançamento de oficio, coin o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a aprecia0o, pelo 61 &air° de julgamento administrativo, de materict distinta da constante do processo Ainda, convém lembrar que "as slimulas aprovadas pelo Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARP', conforme dispõe o art. 72, § 40, do Anexo II da Portaria MF n" 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Em complemento, cabe destacar que a recorrente afirmou, expressamente, por sua impugnação, "reconhecer geme, de fato, deixou dc tributar o referido descigio no investimento da empresa acima" (fl„ 57), tanto é que recolheu o imposto sobre a renda autuado, calculado sobie aquela base, no prazo de impugnação. Mesmo assim, conforme relatado, a recorrente apresentou diversas novas arguições neste recurso voluntário, que, unicamente por amor ao debate, serão sucintamente comentadas. Nesses termos, inicialmente, é necessário deixar claro que as alegações apresentadas no recurso voluntário, mesmo que, por hipótese, não se fizesse presente a renúncia à instancia administrativa acima aludida, ainda assim não poderiam ser conhecidas, por preclusas, pois não foram alegadas na peça impugnatária, Feitas essas considerações, passa-sc ao desenvolvimento de urna superficial análise dos novos argumentos ttazidos no recurso voluntatio. No que concerne ao pleito de que "o auto de infração lizio seria instrumento adequado para formalizar o lançamento de crédito ti ibutario que se encontra com a exigibilidade suspensa" (fl. 181), entendimento que justifica no fato de "não ter incidido em qualquer falta que desse ensejo ao lançamento via auto de infiação" (fl. 181), a partir do que concluiu que "a constituição do crédito deveria se dar pela notificação de lançamento", é um entendimento que não tern aparo legal. Segundo disp6e o paidgrafo único do alt. 6" da Lei n" 7 689/1998 "aplicam- se a contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda de, ente à adminisn ação, ao lançamento, a consulta, a cobs onça, as penalidades, as garantias e ao processo administrativo". Então, quanto ao lançamento, o alt. 841 do RIR199 (Decreto 3.000/99), determina: Al t. 841. 0 lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo (Dec, do-Lei n°5 844, de 1943, nit. 77, Lei n" 2.862, de 1956, art.28, Lei n" 5.172, de 1966, art 149, Lei n" 8.541, de 1992, art 40, Lei n" 9.249, de 1995, art. 24, Lei n" 9.317, de 1996, art 18, e Lei n°9430, de 1996, art. 42) - III — fizer declaração inexata, considerando como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação aos incentivos fiscais, qualquer elemento que implique reduçiio do imposto a pagar ou restituição indevida; VI— omitir receitas ou rendimentos Portanto, o lançamento da CSLL, por auto de infração, está plenamente justificado e legalmente embasado. Por outro lado, especificamente quanto à lavratura de Auto de Infração, o art. 926, também do RIR199, deteimina: A1. 926 Sempre que apurarem MI; ação as disposições deste Decreto, inclusive pela verificação de omissão de valores na declaração c/c bens, os Auditores-Fiscais do 'Tesoro° Nacional lavrardo o competente auto de infiação, com observancia do Decreto n" 70231, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores', que dispõem sobre o Pr acesso .4dministrativo Fiscal No caso, nos teamos do att. 10 do PAP, o Auditor-Fiscal, um servidor competente para tal, por piocedimento de fiscalização externa, lavrou o auto de infração no local da verificação da falta, no qual fez constar todas as informações exigidas por aquele artigo 10, cumprindo, assim, também, as exigências do art. 142, do CTN. 6 Prnce;;so n" I3507 004628/1999-45 SI-CIT3 Ac(ii ciao n " 1103-00.306 Fl 4 Portanto, quando o procedimento, como no caso, decorre dc auditoria fiscal externa, procedida no estabelecimento do contribuinte, eventuais exigências, acompanhadas ou desacompanhadas de multa de oficio, devem ser formalizadas através de auto de infração. De outra parte, a nottficaçao de lançamento, que no entender da recorrente deveria ter sido adotada na situação em foco, é apropriada para a constituição de exigências decorrentes de revisão interna da declaração, isto 6, quando a infração à legislação tributinia for constatada exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (IN 958/2009). Porém, mesmo a revisão interna da declaração pode redundar em lançamento por auto de infração, isso ocorre quando a revisão interna identifica indícios de infração, mas os dados disponíveis na SRF são insuficientes para estribar o lançamento. Nesses casos, o auditor-fiscal intima o contribuinte para apresentar, na repartição, os documentos e/ou esclarecimentos pertinentes. Assim, se da análise das informações e esclarecimentos prestados resultar exigência tributária, esta sera formalizada por Auto de Infração, ainda que o procedimento tenha decorrido de revisão interna (IN 958/2009). Ademais, conforme jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, mesmo que o lançamento tivesse sido procedido por auto de infração, quando "poderia" ter sido formalizado por notificação de lançamento, ainda assim não ficaria invalidada a constituição da exigência: ALEGAÇÃO DE ME10 INADEQUADO IVA CONSTITUIÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO — NULIDADE DO ATO — IMPROCEDENCIA A teor do art. 142 do CTN, compete et autoridade arlministrativa, pela via do lançrtmento, constituir o crédito ibutário Rátulos dados pela legiçlaçiio ordinária para formalLagio do crádito tributário — auto de ittft-açáo ou notifiendo de lançamento nantralmente mio têm t o condrio, por si só, de validar ou invalidar o crádito tributário Ibrnializado pela autoridade administi regitlarincaite investida no cargo. (1" Conselho de Contribuintes / 7" Camara/ Acórdão 107-09.090 cm 14.06.2007, Publicado no DOU em 31.01.2008). Outra atguiçao de defesa, que aqui também é abordada apenas em respeito ao debate, versa acerca da alegação de que, em vista do disposto no art. 195, I, da Constituição Federal, seria impossível a incidência da Contibuição Social sobre o Lucro de sociedade que não possui empregado. Aliás, cabe salientar que esse tema é o objeto do Agravo n" 96.03 028514-5 al 69), interposto pela recorrente. Entretanto, essa contiovérsia está há tempos superada por reiteradas decisões do Poder Judiciário, a exemplo do REsp 625589, assim ementado: RECURSO ESPECIAL 1?Esp 62.5589 RS 2003/0230906-8 (STI) CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL COFINS ALTERAÇÁO DA ALIOUOTA. LEI N" 9.718/98 SUJEITO PASSIVO. EMPRESA OUE NÃO POSSUI EMPREGADOS, CARACTERIZAÇÁO COMO EMPREGADORA INTERPRETAÇÃO À LUZ DOS ARTS 194 E 195 DA CF/88. VIOLAÇÃO AO ART 535 DO CPC 1NOCORRÉNCIA - O Tribunal a quo I calizau a prestagão jurisclicional invocada, pronunciando-se sobre os 1e11141A propostos, tecendo considerações acerca da demanda, tendo se pi anunciado ace' co da possibilidade da inchisão como sujeito passivo da COFINS de empresa que não possua empregados e a respeito da constitucionalidade da alter ação da aliquwa da efetida contribuição por meio da Lei 17" 9.718/98. 11 - À lu: da intelpretaedo dos am /s. 194 e 195 do CT/88 e em atendimento aos princípios da isonwnia e da justiça social, assim como da universalidade, da eqüidade e da solidariedade é cabível a cobrança da COFINS das "pessoas jurídicas de di, eito privado", nos moldes do ai! 2" da Lei 17" 9 718/98. III - Deve se considerar como empregadores Mes1110 as empresas que não tenham empregados, liras que possam, eventualmente, empregar. 0 fato de a empresa Way) possuir empregados é uma escolha sua, o que não impede a incidência da COF1NS, mesmo porque, ainda assim, a exigência da contribuição é sobre o faturamento e não sobre a folha de salários IV- Por meio da EC n°20/98, foi modificado a texto do art 195 da Cm to Magna, acrescentando a figin a do empregador, a empresa e a entidade a ela equiparada, o que reforça a vontade do legislador em instituir o lament() da segui idade social de todas ás empresas, indistintamente V- Rectos() especial improvido Assim, mesmo que as normas regimentais permitissem aos "membros das turmas de julgamento do CARE' afastar aplicaglio ou deixar de obsetwir tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob ,fundamento c/c inconstitucionalidade" (art. 62, caput, do Anexo IT da Portaria MF 11 0 256, de 22 de junho de 2009 — Regimento Interno do CARF), ainda assim o pleito não poderia ser atendido; por insubsistente, Por fim, apesar da renúncia ao processo administrativo, da medusa) e da impossibilidade, em vista das normas regimentais vedarem "aos membros- das turmas de julgamento do CARF *star aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade" (art. 62, caput, do Anexo II da Portaria MF n" 256, de 22 de junho de 2009 — Regimento Interno do CARF), ainda assim, por amor ao debate, é de comentar a alegação da litigante, por seu recurso voluntário, de que "sac) inexigíveis os juros de mora, tendo em vista que o crédito tributário da CSLL enconn a-se sub- judice" e que, mesmo que devidos juros, a taxa Selic seria inaplicável". Quanto a isso, segundo o disposto no art. 953, do RIR/99, que trata de fatos geradores ocorridos a partir de 1" de abril de 1995, os créditos tributários da União não pagos até a data do vencimento serão acrescidos de juros de mora equivalente à variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. Ainda segundo o mencionado artigo, os juros de mora são devidos, inclusive durante o período em que respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. A única ressalva é a contida no § 4" do art. 953: "somente o depósito em dinheiro, na Caixa Econômica J11 Process() n" 13807 004628/1999-45 S 1-C113 Acind:lo n " 110340..306 Fl 5 IJecicial, faz cessar a responsabilidade pelos juros de mora devidos no curso da excelled° judicial pat a ci cobrança da divida ativa". Portanto, também esse pleito no tem como prospci ar . Aliás, a matéria inclusive encontra-se sumulada — Súmula n" 5 — do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, cujo enunciado diz: Enunciado n" 5 — Silo devidos piros de mot a sobre o crédito tributcit lo mio integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua evigibilidade, salvo quando eis/ir depósito no montante integral. POT 'fim, sobre pretensa inaplicabilidade da taxa Selic, é de referir que o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento quanto à legalidade da Taxa Selic nos casos de mora no pagamento de tributos federais. E nesse passo, o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes sumulou a matéria, sintetizada no seguinte enunciado: Enunciado n" 4 — A partir de 1" de abt il de 1995, os juros mot atárior incidentes .sobre débitos bibutórios administrativos pela Secretal la da Receita Federal siio devidos, no período de Motif/vie:I/Gig, à taxa rdaTencial do Sistema Especial e Liquidação e Custodia —SELIC para títulos federais Ante o exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário, em face da renúncia à esfera administrativa por concomitância de discussdo judicial e administrativa. GERV 10 NICOL, U RECKTENVAL,D 9
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900447/2008-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10882.900447/2008-11
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5621017
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.996
nome_arquivo_s : Decisao_10882900447200811.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10882900447200811_5621017.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6467840
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692309622784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10882.900447/200811 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.996 – 3ª Turma Sessão de 07 de junho de 2016 Matéria PIS/COFINS. Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 47 /2 00 8- 11 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 9303003.996 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.962, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 9303003.996 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 9303003.996 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 9303003.996 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 9303003.996 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 9303003.996 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900447/200811 Acórdão n.º 9303003.996 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 259DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002710/2009-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/08/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/08/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11065.002710/2009-82
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5676512
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.684
nome_arquivo_s : Decisao_11065002710200982.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 11065002710200982_5676512.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6642270
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692313817088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.002710/200982 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.684 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES À MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2013 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PL FUNDICAO E SERVICOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/08/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 27 10 /2 00 9- 82 Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11065.002710/200982 Acórdão n.º 9202004.684 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11065.002710/200982 Acórdão n.º 9202004.684 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11065.002710/200982 Acórdão n.º 9202004.684 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11065.002710/200982 Acórdão n.º 9202004.684 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11065.002710/200982 Acórdão n.º 9202004.684 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11065.002710/200982 Acórdão n.º 9202004.684 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11065.002710/200982 Acórdão n.º 9202004.684 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11065.002710/200982 Acórdão n.º 9202004.684 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11065.002710/200982 Acórdão n.º 9202004.684 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720181/2014-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
ORGANIZAÇÃO SOCIAL DE INTERESSE PÚBLICO. OSCIP. EQUIPARAÇÃO ÀS EMPRESAS EM GERAL.
As OSCIP se equiparam às empresas em geral quanto ao cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA E JURÍDICA. EXCLUSÃO.
Deve ser afastada a qualificação da multa em razão da falta de fundamentação fática e jurídica que lhe dê sustentação.
MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO.
Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação pagar o tributo, sob o fundamento de que seria confiscatória.
DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES.
A falta de comunicação ao fisco da mudança de domicílio tributário da empresa equipara-se à sua dissolução irregular, fato que acarreta na responsabilização dos seus dirigentes pelos tributos devidos.
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática dos recursos repetitivos, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para dar-lhe provimento parcial, de modo que sejam excluídos do lançamento as contribuições decorrentes de faturas emitidas por cooperativas de trabalho (Levantamento CO) e reduzida a multa imposta sobre as contribuições lançadas ao patamar de 112,5%.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo
Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 ORGANIZAÇÃO SOCIAL DE INTERESSE PÚBLICO. OSCIP. EQUIPARAÇÃO ÀS EMPRESAS EM GERAL. As OSCIP se equiparam às empresas em geral quanto ao cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA E JURÍDICA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a qualificação da multa em razão da falta de fundamentação fática e jurídica que lhe dê sustentação. MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação pagar o tributo, sob o fundamento de que seria confiscatória. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES. A falta de comunicação ao fisco da mudança de domicílio tributário da empresa equipara-se à sua dissolução irregular, fato que acarreta na responsabilização dos seus dirigentes pelos tributos devidos. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática dos recursos repetitivos, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.720181/2014-26
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5627117
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.449
nome_arquivo_s : Decisao_19515720181201426.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19515720181201426_5627117.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para dar-lhe provimento parcial, de modo que sejam excluídos do lançamento as contribuições decorrentes de faturas emitidas por cooperativas de trabalho (Levantamento CO) e reduzida a multa imposta sobre as contribuições lançadas ao patamar de 112,5%. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6480089
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692327448576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2166; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 188 1 187 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720181/201426 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.449 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INSTITUTO SORRINDO PARA A VIDA ISPV Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 ORGANIZAÇÃO SOCIAL DE INTERESSE PÚBLICO. OSCIP. EQUIPARAÇÃO ÀS EMPRESAS EM GERAL. As OSCIP se equiparam às empresas em geral quanto ao cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA E JURÍDICA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a qualificação da multa em razão da falta de fundamentação fática e jurídica que lhe dê sustentação. MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação pagar o tributo, sob o fundamento de que seria confiscatória. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES. A falta de comunicação ao fisco da mudança de domicílio tributário da empresa equiparase à sua dissolução irregular, fato que acarreta na responsabilização dos seus dirigentes pelos tributos devidos. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática dos recursos repetitivos, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 81 /2 01 4- 26 Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para darlhe provimento parcial, de modo que sejam excluídos do lançamento as contribuições decorrentes de faturas emitidas por cooperativas de trabalho (Levantamento CO) e reduzida a multa imposta sobre as contribuições lançadas ao patamar de 112,5%. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.720181/201426 Acórdão n.º 2402005.449 S2C4T2 Fl. 189 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir diversos Autos de Infração AI relativos à exigência de obrigação principal e de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, os quais passo a descrever. a) AI n.º 51.026.4085: contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho – GILRAT; b) AI n.º 51.026.4093: contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais; c) AI n.º 51.026.4107: contribuições para outras entidades ou fundos (terceiros); d) AI n.º 51.026.4034: multa em razão da empresa descumprir a obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, em conformidade com os padrões e normas estabelecidos pela administração tributária; e) AI n.º 51.026.4042: multa em razão da empresa descumprir a obrigação acessória de lançar em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; f) AI n.º 51.026.4050: multa em razão da empresa descumprir a obrigação acessória de apresentar documento ou livro relacionado às contribuições previstas na Lei 8212/91, ou apresentálos sem as formalidades exigidas, contendo informação diversa da realidade ou omitindo informação verdadeira; g) AI n.º 51.026.4069: multa em razão da empresa descumprir a obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto da remuneração dos segurados, as contribuições previdenciárias destes; h) AI n.º 51.026.4077: multa em razão da empresa descumprir a obrigação acessória de apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP sem informações incorretas ou omissas. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 1.285/1.315, narra minuciosamente as intimações e reintimações do contribuinte promovidas no curso do procedimento, concluindo que este não apresentou todos os documentos solicitados naquela ocasião, motivo pela qual a base de cálculo foi apurada mediante aferição indireta. Vejamos este excerto do pronunciamento da autoridade lançadora: Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Nessa toada, a remuneração dos segurados empregados foi fixada no maior valor entre os dados obtidos na escrituração contábil, folha de pagamento, GFIP e Relação Anula de Informações Sociais RAIS. Afirmase também que foram localizados na contabilidade pagamentos a pessoas físicas sem vínculo de emprego, pagamento a diretores e pagamento de "Bolsa Auxílio", este último com classificação contábil de pagamento a autônomo. Em razão do sujeito passivo não haver respondido às intimações do fisco para apresentar informações sobre estes pagamentos, estes foram considerados remuneração de contribuintes individuais. Foram também localizados na contabilidade pagamentos por serviços prestados por cooperados, intermediados por cooperativas de trabalho, os quais foram tratados como fatos geradores de contribuição previdenciária, nos termos do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991. A seguir o fisco apresenta a motivação para as lavraturas decorrentes de descumprimento de obrigação acessória e os critérios utilizados para fixação da penalidade. Há ainda a informação de que no curso do procedimento fiscal foi declarada a inaptidão da pessoa jurídica, como se pode ver das palavras da autoridade fiscal: Outra questão explicitada no relatório do fisco foi a imposição da multa de ofício agravada em 50%, em razão do contribuinte haver deixado de prestar os esclarecimento solicitados pela fiscalização, mesmo tendo sido regularmente intimado. Há ainda a informação de que foram arrolados como devedores solidários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, os administradores (Presidentes e Diretores Administrativo e Financeiro) que estiveram à frente da entidade no período correspondente aos lançamentos. Cientificados dos lançamentos em 19/03/2014, apresentaram impugnação a entidade autuada e o seu presidente, ambas com idêntico teor, cujas alegações não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que declarou improcedentes as defesas. Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.720181/201426 Acórdão n.º 2402005.449 S2C4T2 Fl. 190 5 Intimada da decisão por edital em 08/07/2015, a entidade não apresentou recurso. No entanto , seu Presidente Luiz Carlos Mandia, que havia tomado ciência do acórdão da DRJ em 26/06/2015 (sextafeira), fl. 1.743, interpôs recurso de fls. 1.745/1.783 em 28/07/2015, no qual tratou dos pontos abaixo. Inicialmente alega que o fisco não se ateve ao fato de que a entidade autuada não tem fins lucrativos, realizando as parcerias possíveis para manutenção de suas atividades, principalmente aquelas voltadas para a promoção à saúde. A seguir faz uma síntese do curso do processo até a decisão de primeira instância. Afirma que o autuado sendo uma Organização Social de Interesse Público OSCIP tem única e exclusiva responsabilidade de administrar os recursos que lhes são repassados e fazer com que os atendimentos de saúde e pronto atendimento sejam disponibilizados. Cita normas que regem o Sistema Único de Saúde apresentando regras atinentes à repartição de competência entre as três esferas do poder público. Depois afirma que não foi mencionado na autuação o fato de que inexistiu a prestação de serviço, ou que os profissionais não receberam as verbas repassadas ou, ainda, que não havia disponibilização de medicamentos. Advoga que no julgamento recorrido não se considerou que os recursos repassados ao sujeito passivo pelo Município não eram suficientes para contratação dos prestadores de serviço como funcionários, assim, a mão de obra foi contratada de acordo com os recursos disponíveis. Observa que o Município somente poderia prestar um serviço de saúde satisfatório com um incremento dos repasses financeiros pela União. Depois menciona a natureza jurídica das OSCIP e cita a Lei 9.790/1999 e o Decreto n.º 3.100/1999 como normas que qualificam estas entidades e regulamenta os termos de parcerias que firmam com a administração pública, para viabilizar atividades de interesse público. Assevera que o Instituto Sorrindo para a Vida ISPV é uma OSCIP séria e pioneira, com sede na cidade de São Paulo e escritórios administrativos em outras localidades. Foi criado por profissionais conceituados das mais diversas categorias, tais como educadores, jornalistas, pesquisadores científicos e advogados, objetivando a prestação de serviços de excelência voltados à saúde, assistência social, educação e ao meio ambiente. Apresenta resumo das atividades do ISPV e aduz que a forma de contratação de pessoal se dava de acordo com os recursos financeiros disponíveis, além de que se não contratasse os profissionais em razão dos encargos previdenciários, acabaria por deixar a população sem os serviços essenciais. Protesta contra a aplicação da multa no patamar de 225% do valor do tributo, que considera abusiva, apresentando decisões judiciais que não admitem esse procedimento confiscatório. Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Uma das formas de contratação dos serviços pelo Instituto Autuado foi a intermediação de profissionais por cooperativas, sendo que estas devem se responsabilizar pelos tributos devidos. Uma OSCIP não pode ser tratada como uma empresa com fins lucrativos, dada a sua finalidade social e os recursos exíguos disponíveis para sua atuação. Por fim, alega que a responsabilidade dos diretores é apenas administrativa, não podendo serem chamados a responder por dívidas tributárias. Ao final pediu: a) o regular processamento do recurso; b) a declaração de improcedência das lavraturas; c) que as intimações seja efetuadas no endereço do procurador subscrito, inclusive da data do julgamento do recurso no CARF, de modo que possa efetuar a sustentação oral. É o relatório. Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.720181/201426 Acórdão n.º 2402005.449 S2C4T2 Fl. 191 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso apresentado pelo devedor solidário Luiz Carlos Mandia merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Legitimidade do autuado Uma das razões apresentadas no recurso diz respeito à suposta impossibilidade de se incluir o ISPV no polo passivo da lavratura, dada a sua condição de OSCIP. Apreciando a Lei n.º 9.790/1999 e o decreto que a regulamenta, verificase que tratam da qualificação de pessoas jurídicas de direito privado como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público OSCIP e trazem disposições sobre a sua forma de atuação mediante parceria com o setor público. Todavia, malgrado o que defende o recorrente, não há qualquer exclusão da responsabilidade dessas pessoas jurídicas quanto às obrigações previstas na Lei de Custeio da Previdência Social, seja quanto ao recolhimento das contribuições, seja quanto ao cumprimento das ditas obrigações acessórias. Nesse sentido, deve prevalecer os ditames do art. 15 da Lei n.º 8.212/1991, que, ao conceituar empresa, assim dispõe: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...)(grifei) Como pode se inferir do texto acima, as entidades de qualquer natureza ou finalidade, mesmo que não visem ao lucro equiparamse às empresas em geral para fins de aplicação da legislação previdenciária, não sendo motivo para afastar as imposições constantes das lavraturas em destaque pelo fato da entidade autuada haver se qualificado como OSCIP. Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Nesse sentido, as obrigações prevista na legislação previdenciária, mormente aquelas previstas no art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, são exigíveis das OSCIP, sendo legítima a exigência de contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades ou fundos incidentes sobre a remuneração paga a segurados a seu serviço. Não serve de escusa para o não cumprimentos das obrigações previdenciárias a suposta insuficiência de recursos, posto que se há contratação de serviços de segurados da Previdência Social, deveria haver uma previsão orçamentária suficiente para fazer frente ao recolhimento das contribuições decorrentes, haja vista que em nenhum momento houve a comprovação de que a entidade autuada gozaria da imunidade prevista no § 7.º do art. 195 da Constituição Federal. Por outro lado, a obrigação de apresentar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis vem prevista também na Lei n.º 8.212/1991, nos seguintes termos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...). III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...). Como se observa do texto acima, também não tem sustentação jurídica a alegação de que o Instituto Autuado não estaria obrigado a apresentar informações relativas à sua movimentação financeira requeridas pelo fisco. Multa Insurgiuse o recorrente também contra a imposição da multa no patamar de 225%. Devemos lhe dar razão em parte. Verificase que o fisco justificou a imposição da multa agravada em 50%, pelo fato do contribuinte haver deixado de prestar informações requeridas pelo fisco. Eis o que falou a autoridade lançadora: Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.720181/201426 Acórdão n.º 2402005.449 S2C4T2 Fl. 192 9 De fato há a devida motivação para imposição da multa agravada, prevista no § 2.º do art. 44 da Lei 9.430/1996, assim redigido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Ocorre que não consta do lançamento a fundamentação para a imposição da multa qualificada, esta prevista no § 1.º do mesmo artigo, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Assim, por falta de fundamentação fática (ocorrência das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964), não deve prevalecer a qualificação da multa para 150% do valor do tributo não recolhido, devendo o agravamento de 50% ser aplicado sobre a multa de ofício ordinária de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996. Dessas considerações emerge que a multa sobre as contribuições não recolhidas deve ser exigida no patamar de 112,5% que corresponde a aplicação cumulativa dos §§ 1.º e 2.º do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996. Quanto à abusividade da multa, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação tributária é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que, uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. O pedido de redução da penalidade em razão do suposto caráter confiscatório não merece sucesso, porto que caso se afastasse a multa em razão do atropelo a princípios Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 constitucionais, estarseia declarando a inconstitucionalidade da norma tributária. Isto não é possível nesta instância de julgamento. Salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de caráter confiscatório da multa imposta, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar a autuação. Responsabilidade solidária O fisco com espeque no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional responsabilizou pelo crédito os membros da diretoria do ISPV, quais sejam: Presidente, Diretor Administrativo e Diretor Financeiro. Segundo a autoridade lançadora o fato de ter ocorrido a conduta de omitir fatos geradores na GFIP demonstra a existência de conduta contrária aos interesses da sociedade o que torna os seus gestores pessoalmente responsáveis. Cita ainda a Súmula n.º 435 do STJ que autoriza o redirecionamento da execução fiscal para o sócio em caso de dissolução irregular de sociedade, mencionando também que a RFB declarou inapto o CNPJ do contribuinte em razão deste não se encontrar no domicílio tributário informado ao fisco desde junho de 2013. Vejamos se a situação tratada nos autos se amolda ao dispositivo invocado pelo fisco para responsabilizar solidariamente os diretores do Instituto Autuado. Eis sua redação: " Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." Observase que o dispositivo não se trata de responsabilidade solidária, mas de responsabilização pessoal, que deve ocorrer nos casos de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei ou dos atos constitutivos da pessoa jurídica. Ao meu sentir a mera falta de declaração de fatos geradores na GFIP não é causa suficiente para se atribuir a responsabilidade solidária aos dirigentes. Fosse assim estaria se atribuindo responsabilidade objetiva aos gestores por todas as infrações cometidas pelo Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.720181/201426 Acórdão n.º 2402005.449 S2C4T2 Fl. 193 11 sujeito passivo. Essa tese que hoje não encontra ressonância na jurisprudência pátria, como se pode ver das seguinte decisão do STJ, adotada na sistemática dos recursos repetitivos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. REsp n.º 1101728, de 11/03/2009 Por outro lado, observase que a dissolução irregular da sociedade é considerada prática que configura infração à lei que atrai a aplicação do inciso III do art. 135 do CTN, levando, por conseguinte, à responsabilização dos gestores pelos débitos previdenciários. Esse entendimento encontrase consagrado na Súmula STJ n.º 435, assim redigida: " Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente". A interpretação desse entendimento pode ser vista em decisão do STJ exarada no REsp n.º 1371128/RS adotada segundo o rito dos recursos repetitivos e que, por força do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores deve ser aplicado pelos membros desse colegiado. Eis a ementa: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REDIRECIONAMENTO DE EXECUÇÃO FISCAL DE DÍVIDA ATIVA NÃOTRIBUTÁRIA EM VIRTUDE DE DISSOLUÇÃO IRREGULAR DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. ART. 10, DO DECRETO N. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 3.078/19 E ART. 158, DA LEI N. 6.404/78 LSA C/C ART. 4º, V, DA LEI N. 6.830/80 LEF. 1. A mera afirmação da Defensoria Pública da União DPU de atuar em vários processos que tratam do mesmo tema versado no recurso representativo da controvérsia a ser julgado não é suficiente para caracterizarlhe a condição de amicus curiae. Precedente: REsp. 1.333.977/MT, Segunda Seção, Rel. Min. Isabel Gallotti, julgado em 26.02.2014. 2. Consoante a Súmula n. 435/STJ: "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio gerente". 3. É obrigação dos gestores das empresas manter atualizados os respectivos cadastros, incluindo os atos relativos à mudança de endereço dos estabelecimentos e, especialmente, referentes à dissolução da sociedade. A regularidade desses registros é exigida para que se demonstre que a sociedade dissolveuse de forma regular, em obediência aos ritos e formalidades previstas nos arts. 1.033 à 1.038 e arts. 1.102 a 1.112, todos do Código Civil de 2002 onde é prevista a liquidação da sociedade com o pagamento dos credores em sua ordem de preferência ou na forma da Lei n. 11.101/2005, no caso de falência. A desobediência a tais ritos caracteriza infração à lei. 4. Não há como compreender que o mesmo fato jurídico "dissolução irregular" seja considerado ilícito suficiente ao redirecionamento da execução fiscal de débito tributário e não o seja para a execução fiscal de débito nãotributário. "Ubi eadem ratio ibi eadem legis dispositio". O suporte dado pelo art. 135, III, do CTN, no âmbito tributário é dado pelo art. 10, do Decreto n. 3.078/19 e art. 158, da Lei n. 6.404/78 LSA no âmbito não tributário, não havendo, em nenhum dos casos, a exigência de dolo." Assim, devemos manter o que ficou decidido pela DRJ acerca da responsabilização dos diretores da Entidade Autuada pelos débitos lançados. Intimação Considerando que o próprio responsável solidário, o Sr. Luiz Carlos Mandia foi quem subscreveu o recurso, este será regularmente intimado desta decisão, não havendo previsão legal, todavia, para a intimação pessoal do julgamento no CARF, posto que esta se dá mediante publicação da pauta no Diário Oficial da União, nos termos do § 1.º do art. 55 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores. Contribuição sobre faturas emitidas por cooperativas de trabalho Mesmo não sendo requerido pelo recorrente, devemos reconhecer impossibilidade de se tributar os valores relativos às faturas emitidas pela cooperativa que prestaram serviços à autuada. É que em sessão plenária realizada em 23/04/2014, o STF, ao decidir sobre o RE n. 595.838, declarou por unanimidade a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, o qual fundamentou o lançamento. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.720181/201426 Acórdão n.º 2402005.449 S2C4T2 Fl. 194 13 Portanto, devem ser excluídas as contribuições apuradas sobre as faturas emitidas por cooperativas de trabalho, Levantamento CO. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso de modo que sejam excluídos do lançamento as contribuições decorrentes de faturas emitidas por cooperativas de trabalho (Levantamento CO) e reduzida a multa imposta sobre as contribuições lançadas ao patamar de 112,5%. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720042/2014-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento deste até o julgamento final dos PAs. 16561.000125/2007-07 e 19515.722490/2012-79, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16561.720042/2014-59
anomes_publicacao_s : 201611
conteudo_id_s : 5659836
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-000.443
nome_arquivo_s : Decisao_16561720042201459.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 16561720042201459_5659836.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento deste até o julgamento final dos PAs. 16561.000125/2007-07 e 19515.722490/2012-79, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6573042
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692336885760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1726; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720042/201459 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.443 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de setembro de 2016 Assunto IRPJ. Compensação Recorrente ABRIL COMUNICAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento deste até o julgamento final dos PAs. 16561.000125/200707 e 19515.722490/201279, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório O Procedimento Fiscal iniciado em 19/12/2013 verificou inconsistências no sistema SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL) – AC 2010, com suposta compensação indevida de prejuízos fiscais de IRPJ e CSLL, respectivamente, nos valores de R$15.064.458,59 e R$74.494.459,31, relativas à empresa incorporada “Editora Abril S/A”, CNPJ: 02.183.757/000193. O Auto de Infração (MPF n. 0818500.2013.00337), às fls. 410/417, verificou, por amostragem, o cumprimento das obrigações tributárias relativas a CSLL, sendo constatadas RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 04 2/ 20 14 -5 9 Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 3 2 as irregularidades enquadradas quanto ao vencimento do tributo nos Arts. 1º, 6º, §1º, I e 28 da Lei n. 9.439/96 (Fatos geradores entre 01/01/2010 e 31/12/2010), as multas passíveis de redução em 75% no art. 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96 com a redação dada pelo art 14 da Lei n. 11.488/07 (Fatos Geradores entre 01/01/2010 e 31/12/2010) e juros de mora a partir de 1997 nos arts. 61, § 3º e 6, § 2º ambos da lei n. 9.430/96, autuando o contribuinte no montante de R$13.722.773,35. Em 24/05/2014, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 428/472), expondo razões que em síntese tratavamse, preliminarmente, da economia processual para julgamento em conjunto com o Processo Administrativo nº 1656.720041/2014 12, oriundo do mesmo procedimento fiscalizatório, em razão de a presente autuação se referir a mesmos fatos e mesmo período em um único processo. Sustentou a necessidade de suspensão da exigibilidade do lançamento que originou o presente (processo administrativos nºs 19515.722498/201244 e nºs 19515.722490/201279) ante a ausência de decisão definitiva quanto aos “ajustes” de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativa, e, questionou a decadência no sentido de que não poderia a fiscalização ter procedido à glosa dos valores de prejuízo fiscal contabilizados pela impugnante no ano de 2003, indevidamente apontados pelo relatório fiscal como tendo ocorrido em 2004, sem procedimento administrativo de lançamento e após o decurso do prazo decadencial de cinco anos. Pontuou a ausência de motivação que deu causa ao cerceamento do direito de defesa, e o erro de motivação ante a inexistência de adição de base negativa no LALUR no anocalendário 2004. No mérito, a Manifestação de Inconformidade alegou erro de motivação sob informação equivocada utilizada como fundamento do lançamento no processo administrativo nº 19515.001392/200494, com relação a decisão final favorável à Impugnante e do ajuste de ofício no ano calendário 1999, reforçou a ausência de decisão final definitiva no processo administrativo nº 16562.000125/200707, o que impossibilitaria alteração de ofício do prejuízo fiscal/base negativa lançados no período, além de erro no montante apresentado. Pugnou pelo cancelamento do Auto de Infração neste ultimo processo administrativo mencionado por trata se de tema já decidido pelo STF. Relata a recomposição de base negativa acumulada no ano calendário 2003 e a adesão ao PAES. Questionou a multa, os juros e sua aplicabilidade sobre a multa de ofício. E, ao final, requereu imediato cancelamento do auto de infração ora combatido e o afastamento definitivo do crédito tributário constituído e das penalidades cominadas. Não obstante as alegações da recorrente, o Acórdão nº 0953.833, lavrado pela 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora, de 20 de agosto de 2014, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário exigido, no seguinte sentido: DA TEMPESTIVIDADE DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO A impugnação é tempestiva, estando reunidos todos os demais requisitos para a sua admissibilidade, devendo ser conhecida. DA ECONOMIA PROCESSUAL – JULGAMENTO EM CONJUNTO A hipótese não se enquadra na determinação contida no artigo 1º, inciso I, “a”, da Portaria RFB nº 666/08, visto que a exigência de CSLL ora contestada não é decorrente do IRPJ exigido naqueles autos. Sendo distintas as matérias tributáveis, devem ser julgados em conjunto os processos em comento, porém, em autos independentes. Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 4 3 DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO LANÇAMENTO QUE ORIGINOU O PRESENTE (PROCESSOS ADMINISTRATIVOS NºS 19515.722.489/201244 E Nº 19515.722490/201279) – AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA QUANTO AOS “AJUSTES” DE PREJUÍZO FISCAL E BASES DE CÁLCULO NEGATIVA. O lançamento aqui em análise não é decorrente daquele realizado em 2012, através do processo administrativo nº 19515.722490/201279. A contribuinte utilizou base de cálculo negativa acumulada para compensar a CSLL devida de períodos posteriores, mesmo depois de alterações realizadas de ofício, ou seja: sabedora da inexistência de saldo suficiente, em função das alterações procedidas pelo Fisco, a contribuinte persistiu em utilizar a base negativa antes de alterada, sem proceder os ajustes no LALUR e realizando ainda acréscimos sem qualquer lastro em suas declarações. A utilização pela contribuinte de forma forçada e equivocada de base negativa levou ao lançamento em 2012. Em 2014, a contribuinte foi lançada por continuar a utilizar base negativa que não mais existia. A utilização indevida de base negativa em períodos de apuração distintos não gera lançamentos decorrentes. Fica configurada, de forma cristalina, que não há decorrência nos lançamentos em questão, quando se verifica que o cancelamento parcial do lançamento efetivado em 2012, ainda em primeira instância administrativa, não alterou o lançamento em análise no presente processo. A impugnação apresentada referente a determinado processo administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão naquele processo. Por falta de previsão legal, a discussão em processo administrativo referente a determinado período de apuração não gera suspensão da exigibilidade de crédito tributário discutido em processo administrativo distinto que trata de outro período de apuração, mostrandose escorreita a aplicação tanto da multa de ofício como dos juros de mora sobre contribuição apurada. Se houver posterior alteração da base de negativa, em função do recurso apresentado ao CARF no processo administrativo nº 19515.722490/201279, e esta influenciar o crédito tributário aqui em discussão, a contribuinte será exonerada, se for o caso, no todo ou em parte da contribuição assim como dos juros e da multa correspondentes. DA DECADÊNCIA – INDEVIDO AJUSTE DE PREJUÍZOS/BASES NEGATIVAS NOS ANOS DE 2001 A 2004. A impugnante sustenta a tese de que a Fiscalização não poderia ter buscado fatos já atingidos pela decadência para neles basear o lançamento tributário. E isso teria acontecido por ter a Fiscalização alterado valores de bases negativas de CSLL remanescentes de 2001 a 2004. Como o lançamento tributário foi efetuado em 29/04/2014, este só poderia ter alcançado os fatos ocorridos até 5 anos antes, ou seja, a partir de 29/04/2009, por força do que dispõe o artigo 150, parágrafo 4º do CTN. À contribuinte incumbe a prova das bases negativas utilizadas em compensação nos períodos fiscalizados, e a autoridade tem o direito de deles discordar enquanto não transcorrido o prazo previsto na legislação para exigência do crédito tributário correspondente, cinco anos do fato gerador que contempla sua utilização. A contagem do prazo decadencial referente à utilização de base negativa de CSLL não é influenciada pelas alterações produzidas de ofício controladas no SAPLI, pelo pagamento de crédito tributário onde houve aproveitamento de base negativa então Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 5 4 existente ou por ajustes feitos no LALUR que não foram questionados no prazo de cinco anos. Repisese que a contagem do prazo decadencial referente à utilização de base negativa da CSLL tem início com a ocorrência do fato gerador que contempla sua utilização. Assim, o prazo decadencial para verificação da base negativa utilizada na apuração da CSLL do anocalendário 2010, iniciase em 31/12/2010 e se encerra em 31/12/2015. A Súmula CARF nº 10, abaixo transcrita, trata de situação análoga, definindo a contagem do prazo decadencial para o lucro inflacionário diferido somente a partir de sua realização. No mesmo sentido, o prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores só tem a contagem do prazo decadencial iniciada quando de sua efetiva utilização. Só para esclarecer, a necessidade de lançamento de ofício para redução de prejuízo fiscal (art. 9º do Decreto 70.235/72) tinha por mote tãosomente permitir o controle das alterações produzidas pelo Fisco em sistema próprio (SAPLI), evitando a necessidade de a Fiscalização examinar toda a escrituração e documentação da contribuinte sempre que utilizado prejuízo fiscal ou base negativa. A Lei 11.941/09 não alterou esse entendimento. Estabeleceu apenas, de forma genérica, a formalização de auto de infração sem exigência de crédito tributário, quando constatada infração à legislação tributária, da qual não resulte exigência de crédito tributário, ou seja: deu maior amplitude ao dispositivo anterior. Portanto, não assiste razão à contribuinte, no tocante ao prazo decadencial. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE – AJUSTE DE OFÍCIO RELATIVO AO ANO CALENDÁRIO 2002. Essa matéria já foi amplamente discutida no processo administrativo nº 19525.722490/201279, não cabendo novamente sua análise no presente processo. Formalizado processo administrativo, referente a auto de infração motivado pela inexistência da base negativa de períodos anteriores utilizada pela contribuinte, não cabe apreciação de matéria já impugnada em processo referente a lançamento de período anterior trazida novamente à baila pela defesa. Consta daquele processo, no item da Fundamentação AJUSTE DA BASE NEGATIVA DO ANOCALENDÁRIO 2002 que “Com efeito, a diferença encontrada no confronto da base negativa apurada na DIPJ 2003 e a base negativa mantida pela DRJ nos autos do 16561.000125/200707 é de R$ 36.159.944,61”. Assim, não haveria porque constar informação no lançamento em questão da diferença abordada. ERRO DE MOTIVAÇÃO – NULIDADE – INEXISTÊNCIA DE ADIÇÃO DE BASE NEGATIVA NO LALUR NO ANOCALENDÁRIO 2004. Essa matéria já foi amplamente discutida no processo administrativo nº 19515.722490/201279, no tópico da Fundamentação RECOMPOSIÇÃO DE BASES NEGATIVAS NO LALUR, de onde extraímos os excertos a seguir, não cabendo novamente sua análise no presente processo. DO MÉRITO ERRO DE MOTIVAÇÃO – INFORMAÇÃO EQUIVOCADA UTILIZADA COMO FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 19515.001392/200494 – AJUSTE DE OFÍCIO NO ANO CALENDÁRIO 1999 – DECISÃO FINAL FAVORÁVEL À IMPUGNANTE. Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 6 5 Ocorre que, ainda na fundamentação do referido acórdão, no tópico “CONCLUSÃO”, está demonstrado que, acolhida a pretensão correspondente aos ajustes determinados no processo fiscal 19515.001392/200494, os quais restaram integralmente afastados por conta de decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes (Ac. 10196.155), e revista a matéria tributável apurada no lançamento, foi mantida CSLL à alíquota 9% no montante de R$ 602.282,57 sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício, ou seja: toda a base negativa de períodos anteriores foi absorvida na apuração da CSLL do anocalendário 2009, restando ainda contribuição devida. Assim, o lançamento aqui em discussão, que versa sobre aproveitamento indevido de base negativa no anocalendário 2010, permanece incólume com a alteração acima detalhada, uma vez que continuou sem existir base negativa disponível para aproveitamento no anocalendário 2010. Esse fato é importante inclusive para caracterizar que os lançamentos realizados em 2012, referentes ao anocalendário 2009, e em 2014, relativos ao anocalendário 2010, não são reflexos ou decorrentes, como argumentado pela defesa. ANOCALENDÁRIO 2002 – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/200707 – AUSÊNCIA DE DECISÃO FINAL DEFINITIVA – IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DE OFÍCIO DO PREJUÍZO FISCAL/BASE NEGATIVA LANÇADOS NO PERÍODO, ALÉM DE ERRO NO MONTANTE APRESENTADO. Apurada infração caracterizada por omissão de receita em fiscalização relativa ao IRPJ, por reflexo, caberá o lançamento referente à CSLL, ao PIS e a Cofins, porque o fato gerador desses tributos fica automaticamente alterado pelo faturamento (omissão de receita). A mesma infração apurada no IRPJ pode gerar autuação no IPI, desde que caracterizada a saída do produto do estabelecimento (fato gerador do IPI). Esse motivo (fato gerador distinto) é suficiente para que a autuação do IPI não seja reflexiva daquela do IRPJ, existindo somente conexão entre elas. No caso especificado pela defendente, temse autuações realizadas em ações fiscais distintas, uma realizada em 2007 e outra em 2014, correspondentes a infrações díspares, formalizadas corretamente em processos separados, até pelo tempo transcorrido entre essas ações, portanto não podem ser consideradas reflexas nos termos da Portaria RFB 666/2008. Quanto ao pleito de sobrestamento não é possível de ser atendido por absoluta falta de previsão legal. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, não autoriza a pretendida suspensão do trâmite processual. A impugnação apresentada referente a determinado processo administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão naquele processo. Por falta de previsão legal, a discussão em processo administrativo referente a determinado período de apuração não gera suspensão da exigibilidade de crédito tributário discutido em processo administrativo distinto que trata de outro período de apuração e motivado por outra infração, mostrandose escorreita a aplicação tanto da multa de ofício como dos juros de mora sobre contribuição apurada. Se houver posterior alteração da base de negativa, em função da decisão final do processo administrativo nº 16561.000125/200707, e esta influenciar o crédito tributário Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 7 6 aqui em discussão, a contribuinte será exonerada, se for o caso, no todo ou em parte da contribuição assim como dos juros e da multa correspondentes. ANOCALENDÁRIO 2002 – DO NECESSÁRIO CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO CONSUBSTANCIADO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/200707 – TEMA JÁ DECIDIDO PELO STF. O cancelamento do auto de infração consubstanciado no processo administrativo nº 16561.000125/200707 só pode ser abordado em impugnação ou recurso atinente àquele processo ou ainda, se for o caso, reconhecido de ofício pela autoridade julgadora que o analisa. RECOMPOSIÇÃO DE BASE NEGATIVA ACUMULADA – ANOCALENDÁRIO 2003 (INDEVIDAMENTE APONTADO EM RELAÇÃO AO ANO DE 2004) – ADESÃO AO PAES. Essa matéria já foi amplamente discutida no processo administrativo nº 19515.722490/201279, não cabendo novamente sua análise no presente processo. Resta claro que a matéria foi (DRJ) e ainda está (CARF) sendo discutida no processo administrativo nº 19515.722490/201279, portanto se a motivação foi feita pela DRJ, cabe ao CARF examinar e se pronunciar sobre o tema. Assim, julgado em primeira instância o processo administrativo nº 19515.722490/201279, foi considerado procedente em parte o lançamento nele existente, sem que produzisse alteração no lançamento constante deste processo. Isso porque, as alterações produzidas naquele não afetaram a base de cálculo deste, ou seja: como registrado no Termo de Verificação Fiscal, item 2.1 acima reproduzido, para o AC 2010, não haveria mais nada a ser compensado, e, após julgamento em 1ª instância administrativa daquele processo, continuou não havendo saldo de base negativa a compensar. Desse modo, a motivação para o presente lançamento está correta, não cabendo se reportar à matéria que tem que ser discutida em outro processo. Quanto à decadência, a abordagem realizada no item II.4 deste voto é suficiente para esclarecer a matéria, bastando reforçar que a contagem do prazo decadencial referente à utilização de base negativa da CSLL tem início com a ocorrência do fato gerador que contempla sua utilização. Assim, o prazo decadencial para verificação da base negativa utilizada na apuração da CSLL do anocalendário 2010, iniciase em 31/12/2010 e se encerra em 31/12/2015. DA MULTA Quanto à exclusão da supracitada multa sobre a parcela decorrente do processo fiscal 19515.722490/201279, pleiteada pela impugnante com base no artigo 63 da Lei nº 9.430/96 (que, com a redação dada pela MP nº 2.15835/2001, dispõe que “Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício”), há que se destacar a impossibilidade de se atender à impugnante. Isso porque o artigo 63 da Lei nº 9.430/96 não prevê a exclusão da multa para o caso em tela (mas apenas para os casos em que tenha havido a concessão de “medida liminar em mandado de segurança” ou de “medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial” incisos IV e V do artigo 151 do CTN) e, nos termos do Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 8 7 artigo 111, inciso I, do CTN, “Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: suspensão ou exclusão do crédito tributário”. DOS JUROS E SUA INAPLICABILIDADE SOBRE A MULTA DE OFÍCIO, CASO VENHA A SER MANTIDO O LANÇAMENTO. Com relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, embora não esteja consignada no lançamento, há previsão legal para sua cobrança. Isso porque a penalidade pecuniária compõe o crédito tributário. PROTESTO POR PRODUÇÃO DE PROVAS Há que se registrar, no que tange à produção de prova documental, que esta deve ser realizada na fase de impugnação. Com efeito, a aceitação posterior de documentos só pode ocorrer se verificada uma das hipóteses previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, o que, até o presente momento, não ocorreu ou, ao menos, não restou comprovado no caso em exame. Registrese que não encontra embasamento legal, na esfera administrativa, a produção de prova testemunhal, pelo que fica aqui negado o seu pedido. O Contribuinte tomou conhecimento do teor do julgamento, na data 14/10/2014 15:00h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações (fls. 1025). Já às fls. 1026, o Termo de Ciência por decurso de prazo deuse em 29/10/2014. Desta forma, em 13.11.2014, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1028/1082), cujas razões sinteticamente são: II. PRELIMINARMENTE II.1 DA TEMPESTIVIDADE DO PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO Tendo em vista que a Recorrente foi notificada da lavratura do Auto de Infração em 14/10/2014, o início do prazo para apresentação do Recurso Voluntário se deu em 15/10/2014, de acordo com o que dispõe o artigo 66 da Lei nº 9.784/99 e o art. 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim sendo, o prazo de 30 dias, por findar no final de semana, implica no prazo fatal para apresentação do presente Recurso Voluntário no dia 13/11/2014, sendo, pois, tempestivo o presente recurso. II.2 – DA DECADÊNCIA – INDEVIDO AJUSTE DE BASES NEGATIVAS ACUMULADAS NOS ANOS DE 2001 A 2004. Verificase, inicialmente, que a autoridade fiscal remete ao quadro elaborado pela fiscalização do anocalendário de 2009, limitandose a adicionar que o processo nº 19525.003041/200507 encontrase arquivado, com decisão da DRJ que manteve a alteração das bases negativas de 2001, 2003 e 2004. De acordo com o entendimento da autoridade fiscal, nos anos de 2001 a 2004, os valores de das bases negativas acumuladas da Recorrente deveriam ter sido ajustados em decorrência da utilização de parte das bases negativas acumuladas então existente para redução da base de cálculo da CSLL devida, promovida nos autos do Processo Administrativo n° 19515.003041/200507. Da análise do Auto de Infração de CSLL que é objeto do Processo Administrativo n° 19515.003041/200507 (vide Doe. 09 da Impugnação) constatase que no lançamento relativo aos anos de 2001 a 2004, a autoridade fiscal reduziu o Lucro Real tributável, no lançamento com valores de bases negativas acumuladas que a Recorrente possuía naqueles períodos. Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 9 8 Ao optar por pagar o auto de infração e não discutir o lançamento efetuado no ano de 2005, referente a parte das bases negativas acumuladas até 2004, temse a decadência, contada a partir do ano de 2005, do direito da autoridade fiscal de questionar a adequação ou não dos ajustes feitos pela Recorrente em seu LALUR e no saldo acumulado remanescente declarado. Isto porque, conforme se depreende da análise dos documentos do Processo Administrativo nº 19515.003041/200507, a ciência do lançamento foi dada em 01.11.2005, e a concordância e pagamento do crédito tributário ocorreu em 30.11.2005 (dentro do prazo então concedido pela autoridade fiscal para pagamento do auto de infração, com as reduções cabíveis). Desta data (30.11.2005) o Fisco teria, portanto, cinco anos para fazer a verificação dos controles da Recorrente – em especial seu LALUR – para constatar se os saldos de bases negativas estavam adequadamente ajustados/contabilizados, e/ou realizar quaisquer questionamentos ou alterações de ofício que entendesse devidas. Assim, a autoridade fiscal somente poderia questionar a realização ou não dos ajustes, e/ou quaisquer outros procedimentos em relação ao lançamento em questão, até 30.11.2010, sob pena de decair em seu direito de fazêlo. Este é o prazo que a legislação tributária confere à Fazenda para promover as verificações relativas ao adequado lançamento do crédito tributário, mormente porque, em existindo parcial pagamento, de se contar o prazo em referência de acordo com o artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional. Mesmo que não reconhecida a decadência relativa ao ajuste da correção de ofício efetuada no SAPLI, por meio do Processo Administrativo nº 19515.003041/200507, é de rigor que se reconheça ao menos a decadência para a glosa das bases negativas no realizado no anocalendário de 2003, porquanto as bases negativas apresentadas no LALUR não foi alterado de ofício no SAPLI, tampouco foi efetivado qualquer lançamento sendo ausente controle de processo administrativo, conforme se depreende do próprio quadro de conciliação LALUR x SAPLI, apresentado pela d. fiscalização no auto de infração. Fato é que a recomposição das bases negativas ocorreu no anocalendário de 2003 e desde então nunca foi contestada, senão apenas por meio dos lançamentos ocorridos em 2012 e 2013, relativos aos anoscalendário de 2009 e 2010. II.3 – AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE – AJUSTE DE OFÍCIO RELATIVO AO ANO CALENDÁRIO 2002. Sobre este ponto, o acórdão limitase a mencionar que a matéria já foi discutida no processo administrativo n° 19515.722490/201279, "não cabendo novamente sua análise no presente processo". Ao se negar a apreciar a alegação da Recorrente, torna ainda mais patente o cerceamento de direito de defesa, especialmente porque a própria DRJ entendeu que não há decorrência entre os lançamentos. Ora, se assim é, deveria o acórdão recorrido ter analisado as alegações, especialmente porque, conforme seu próprio entendimento, não se trata de processos decorrentes. Neste passo, reiterase que o ajuste relativo ao anocalendário de 2002 não possui motivação clara no lançamento, o que culmina em sua nulidade. Vejamos. Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 10 9 Em relação ao anocalendário de 2002, consta no Termo de Verificação Fiscal, e em especial no quadro demonstrativo nele apresentado (supra transcrito) e na planilha que acompanha o lançamento que o valor questionado se fundamenta em: "Base negativa declarada, alterada de ofício pela DRF, Processo 16561.000125/200707". Ocorre que, na decisão proferida pela DRJ no referido processo administrativo, o valor de base negativa que foi objeto de "glosa/não reconhecimento" é de R$ 31.660.515,43 (vide Doe. 11 da Impugnação), enquanto o valor da glosa/ não reconhecimento das bases negativas, nestes autos, é de R$ 36.159.944,61. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal e da análise do quadro demonstrativo, que traz os fundamentos das glosas/não reconhecimento das bases negativas, bem como da planilha de Conciliação das informações (LALUR x SAPLI), constatase que não há registro ou informação a respeito da diferença dos valores. Portanto, não resta dúvida, da análise dos autos, que neste ponto tanto o lançamento quanto o acórdão recorrido carecem de motivação. Verificase que nos autos do processo administrativo n° 19515.722490/201279, a DRJ reconheceu o erro do agente fiscal, porém entendeu que "esse equívoco, contudo, não configura erro na motivação hábil a prejudicar o exercício da defesa da autuada.". Tal fato não foi nem ao menos avaliado pelo acórdão recorrido nos presentes autos. Por isso, a Recorrente reitera que qualquer erro de motivação prejudica não apenas a defesa do contribuinte, mas ofende princípios do processo administrativo e, em especial, ofende a legislação vigente que exige motivação explícita, clara e congruente, sendo sua observância obrigatória por todos os agentes fiscais, em todos os lançamentos que realizarem! II.4 – ERRO DE MOTIVAÇÃO – NULIDADE – INEXISTÊNCIA DE ADIÇÃO DE BASES NEGATIVAS NO ANOCALENDÁRIO 2004. Outra irregularidade cometida pelo agente fiscal na elaboração do lançamento sob análise também se refere a erro na motivação, em relação ao valor adicionado no quadro de conciliação LALUR x SAPLI, no anocalendário de 2004. De acordo com o quadro demonstrativo constante do Termo de Verificação Fiscal e na planilha de Conciliação anexa ao auto de infração, o agente fiscal questiona a recomposição de base de cálculo efetuada pela Recorrente, sob o seguinte argumento: "Adição unilateral consta nota que seria recomposição base negativa.". Nada mais consta no Termo de Verificação Fiscal a respeito deste valor, nem qualquer outro esclarecimento quanto à razão do lançamento, tampouco qualquer questionamento objetivo quanto ao valor em questão. Portanto, além de rasa a motivação do lançamento, a mesma está equivocada. E, conforme esclarecido no item acima, a legislação estabelece de modo cristalino que a motivação do lançamento deve ser explícita, clara e congruente de modo a permitir não só o adequado entendimento das razões que levaram a autoridade fiscal a autuar o contribuinte, como também não dificultar sua defesa. Vejase, ainda, a DRJ no processo administrativo nº 19515.722490/201279 reconheceu o erro do agente fiscal, porém entendeu que este erro “em nada prejudicou a defesa da impugnante (...) mostrandose descabida qualquer alegação de nulidade fundada no lapso apontado pela defesa.” Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 11 10 Ora, a própria decisão constata o erro na motivação e, só por isso, no entender da Recorrente, já deveria aplicar o princípio da estrita legalidade e cancelar o lançamento. E o mesmo caminho deveria ser seguido pelo acórdão recorrido no presente processo, o qual nem mesmo pretendeu afastar as alegações da Recorrente. DESTA FEITA, DE SE RECONHECER A NULIDADE DO LANÇAMENTO TAMBÉM EM RELAÇÃO A ESTE PONTO, SEJA PORQUE A MOTIVAÇÃO EM TELA É SUPERFICIAL, INSUFICIENTE E EQUIVOCADA, O QUE IMPLICA EM EVIDENTE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA RECORRENTE, E EM OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA MOTIVAÇÃO E DA ESTRITA LEGALIDADE, SEJA PORQUE NÃO EXISTE QUALQUER ADIÇÃO NO ANO CALENDÁRIO DE 2004, MUITO MENOS NO VALOR APRESENTADO. A DRJ, no processo administrativo n° 19515.722490/201279, confirma que tais valores se tratam da adição efetuada em 2003, mas afirma que a autoridade fiscal errou na indicação do período da recomposição das bases negativas porque a Recorrente teria induzido a fiscalização a erro, na medida em que anotou em seu LALUR que tal recomposição se referia a recomposição de bases negativas do ano de 1994. ORA, O ERRO DA AUTORIDADE FISCAL NÃO SE JUSTIFICA. A INDICAÇÃO EFETUADA PELA RECORRENTE EM SEU LALUR, EXATAMENTE NO ANO ADICIONADO, CORRESPONDE À NECESSÁRIA JUSTIFICATIVA DA RECOMPOSIÇÃO. CASO NÃO A TIVESSE INDICADO, A AUTORIDADE CERTAMENTE QUESTIONARIA A FALTA DE INDICAÇÃO DA ORIGEM DA RECOMPOSIÇÃO. NÃO PODE O FISCO, OU A DRJ, JUSTIFICAR SEU ERRO EM PROCEDIMENTO CORRETO ADOTADO PELA RECORRENTE! Incabível a alegação de que o Fisco não teria de apresentar qualquer motivação para o não reconhecimento das bases negativas, conforme apontou a DRJ no lançamento do anocalendário de 2009, reproduzido no acórdão recorrido. Portanto, seja por ofensa aos princípios da motivação e da estrita legalidade, seja por ofensa ao direito de ampla defesa da Recorrente, claro está que o lançamento deve ser cancelado nesta parte, pois não respeitou as disposições contidas na Lei nº 9.784/99 na Constituição Federal e no Decreto nº 70.235/72. Isto é claro, se por absurdo não acolhida a insubsistência da glosa por ausência de lançamento prévio e específico, relativo a tal montante e período, como determinado na legislação de regência e exaustivamente tratado no item II.2 deste Recurso. III – DO MÉRITO III.1 – ERRO DE MOTIVAÇÃO – INFORMAÇÃO EQUIVOCADA UTILIZADA COMO FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 19515.001392/200494 – AJUSTE DE OFÍCIO NO ANOCALENDÁRIO 1999 – DECISÃO FINAL FAVORÁVEL À RECORRENTE Da leitura do Termo de Verificação Fiscal constatase que a glosa (ou não admissão) de bases negativas declaradas pela Recorrente em seu LALUR, relativamente ao ano de 1999 (o ajuste positivo de ofício efetuado no ano de 2000 é apenas o reflexo do saldo "carregado" de 1999), foi fundamentada pelo agente fiscal no fato de que a Recorrente teria obtido decisão desfavorável nos autos do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494. No entanto, esta informação não procede, pois nos autos do referido processo a decisão final e definitiva foi favorável à Recorrente. Esse elemento foi reconhecido nos autos do lançamento do anocalendário de 2009. Mesmo após constatado o equívoco pela DRJ, os equívocos se repetiram no presente lançamento. Reiterase, assim, que a motivação do lançamento encontrase viciada. Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 12 11 O acórdão recorrido nos presentes autos reconheceu mais uma vez que houve equívoco da fiscalização neste ponto, mencionando o trecho em que a DRJ afirma o erro fiscal nos autos do processo administrativo n° 19515.722490/201279. No entanto, afirma que a correção e a recomposição já teria sido absorvido na apuração da CSLL do anocalendário de 2009 e, portanto, não impactaria na CSLL relativa ao anocalendário de 2010. Ocorre que, como ainda não há decisão definitiva no tocante às demais alegações e, portanto, no tocante a outras recomposições de bases negativas, não há que se falar que o equívoco fiscal não tem efeitos nos presentes autos! Ao contrário do que afirmar o acórdão recorrido, tratase de mais um elemento que demonstra que os lançamentos estão intrinsecamente relacionados, não podendo se concluir pela inexistência de impacto até que se decida definitivamente sobre os demais ajustes efetuados. Como reconhecidamente a decisão no âmbito do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494 foi favorável a ora Recorrente, ao contrário do que consta no TVF, logo, o fundamento indicado pela autoridade fiscal para promover a glosa lançado pela Recorrente em seu LALUR no ano de 1999, bem como para inadmitir a compensação realizada em 2000, não procede. Afinal, embora em decisão proferida pela DRJ a Recorrente tenha sido vencida, a decisão final nos autos do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494, inclusive proferida antes do lançamento ora impugnado, reconheceu que aquele lançamento não procedia, determinando seu cancelamento integral, decisão esta que transitou em julgado não havendo, assim, nenhum ajuste de ofício que pudesse ser realizado pela autoridade tributária. Portanto, o procedimento adotado pelo agente fiscal nos autos sob análise (repetindo equívoco do lançamento do anocalendário de 2009), relativamente à glosa das bases negativas declarados pela Recorrente em seu LALUR, no ano de 1999, no valor de R$ 32.224.591,95, bem como a inadmissão da compensação efetuada em 2000, não possui fundamento válido. Os efeitos desse equívoco no presente lançamento apenas podem ser averiguados depois de findo o julgamento nos autos do lançamento de 2009, caso contrário, não há como se concluir pela inexistência de efeitos no anocalendário de 2010, como pretende o acórdão recorrido. III.2 – ANOCALENDÁRIO 2002 – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/20077 – AUSÊNCIA DE DECISÃO FINAL DEFINITIVA – IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DE OFÍCIO DAS BASES NEGATIVAS LANÇADO NO PERÍODO, ALÉM DE ERRO NO MONTANTE APRESENTADO. Em relação ao anocalendário de 2002, além da ausência de motivação de parte do valor ajustado de ofício pela fiscalização (acima tratado), e glosado pela autoridade fazendária, está em discussão o valor de R$ 31.660.515,43, tratado no Processo Administrativo n° 16561.000125/200707 e não o valor de R$ 36.549.944,61, equivocadamente indicado pela fiscalização. Sobre este aspecto, o acórdão recorrido entendeu que como se trata de glosa originária do processo administrativo n° 19515.722490/201279, então deve ser naquele processo discutido. Ora, se assim é, deverseia, portanto, aguardar decisão definitiva daquele processo, para fins de apuração do crédito tributário no presente processo. Do contrário, não é Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 13 12 possível a manutenção da glosa e do lançamento com base em apuração que não é definitiva! Se o acórdão recorrido está acolhendo a glosa efetuada no processo administrativo n° 19515.722490/201279, deveria então aguardar decisão definitiva naquele processo, sob pena de lesão ao direito do direito de defesa e de prejuízo ao devido processo legal. Se, ao contrário, entende o acórdão que não precisa aguardar decisão definitiva, então deveria ter analisado as razões do Recorrente de forma independente, o que não o fez, também ferindo o direito de defesa da Recorrente. Esclarece, ainda, que não haveria previsão legal para o sobrestamento do presente processo. No entanto, o necessário sobrestamento decorre da própria ausência de constituição definitiva do crédito tributário de 2009, do qual decorre o presente, inclusive porque há suspensão da exigibilidade do crédito tributário de 2009. Enquanto o processo originário discute a existência do crédito tributário de 2009 não th jr decisão definitiva e enquanto houver suspensão de exigibilidade, não pode as bases negativas utilizadas pela fiscalização, na apuração de tributo, que sequer é líquido e certo, serem glosadas para o fim de já impactar em outra exigência fiscal. Se uma exigência está sob discussão administrativa, com exigibilidade suspensa, no mínimo a outra também está suspensa, por conta e em decorrência daquele. De outra parte, se entende o acórdão recorrido que os processos administrativos são independentes, então deveria ter analisado as demais razões da Recorrente e não simplesmente fazer referência ao julgamento (não definitivo) do anocalendário de 2009. Por essa razão, deve ser reformado o acórdão recorrido, de modo a cancelar o lançamento também nesta parte. Na hipótese de ser acolhida apenas parcialmente (ou de, absurdamente, não ser acolhida) a preliminar de nulidade do lançamento em relação a este período, ou ao menos em relação ao montante que não corresponde à glosa efetuada no citado processo administrativo, de se analisar o argumento de mérito que leva, também, à impossibilidade de manutenção do lançamento, relativo ao montante de bases negativas ajustadas em relação ao processo acima indicado. REITERASE, TAL ALEGAÇÃO NÃO FOI APRECIADA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO! Segundo motivação contida no Termo de Verificação Fiscal, que faz referência ao lançamento do ano de 2009, foi promovida a glosa de parte das bases negativas lançadas pela Recorrente em seu LALUR, relativamente ao ano de 2002, porque o valor em questão foi utilizado para redução da base de cálculo do lançamento objeto do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707 (no montante de R$ 31.660.515,43). O agente fiscal entendeu que, embora o processo administrativo ainda esteja em andamento e, portanto, ainda não tenha decisão definitiva constituindo o crédito tributário nele discutido já seria possível proceder à alteração de ofício nos controles de bases negativas em discussão naqueles autos. Ainda segundo o agente fiscal autuante o ajuste, ora imposto à Recorrente, seria uma mera obrigação acessória, cujo cumprimento não estaria suspenso por força da interposição do recurso administrativo, nos termos do artigo 151, inciso III e parágrafo único do Código Tributário Nacional, que determinam a suspensão da exigibilidade do crédito em discussão administrativa, mas não dispensam o cumprimento das obrigações acessórias relacionadas ao tributo em discussão. Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 14 13 O entendimento e as conclusões manifestadas pela fiscalização, contudo, não possuem suporte legal e, por isso, não podem prosperar. Vejamos. As bases negativas de CSLL não têm relação com obrigação acessória, mas faz parte da base de incidência da CSLL, ou seja, é forma de apuração da própria obrigação principal. Alterar o valor das bases negativas contabilizado no LALUR não é, portanto, uma mera obrigação acessória, mas sim a própria obrigação principal! Esta, contudo, por força dos recursos administrativos (seja em relação ao lançamento, seja em relação à decisão da DRJ) está com sua exigibilidade suspensa, conforme o artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. LOGO, O VALOR DECLARADO EM 2002 PELA RECORRENTE EM SEU LALUR, NO MONTANTE R$ 31.660.515,433, ORA QUESTIONADO PELA FISCALIZAÇÃO, NÃO PODE SER GLOSADO, POIS NÃO SE TRATA DE MERA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, MAS SIM DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, AINDA NÃO CONSTITUÍDA DEFINITIVAMENTE E SOB DISCUSSÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO, O QUE LHE GARANTE A SUSPENSÃO DE SUA EXIGIBILIDADE. O Processo Administrativo nº 16561.000125/200707 tem por objeto auto de infração que constituiu crédito tributário de IRPJ e CSLL relativo a lucros supostamente auferidos no exterior, pela Recorrente. Na elaboração daquele lançamento, o Fisco utilizou bases negativas acumuladas da Recorrente para reduzir a base de cálculo da CSLL que estava sendo constituído por meio do auto de infração. E justamente o valor das bases negativas utilizadas pelo agente fiscal, na elaboração do auto de infração objeto do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, que está sendo glosado/ não admitido pela fiscalização, nos autos do processo relativo ao anocalendário de 2009 e refletido no anocalendário de 2010(no montante de R$ 31.660.515,43). No entanto, considerando que ainda não existe decisão definitiva nos autos do mencionado processo administrativo, é evidente que não se pode ajustar o valor das bases negativas da Recorrente, geradas no ano de 2002, pois sequer há certeza quanto à existência do crédito tributário em questão, que inclusive encontrase suspenso por determinação legal! Assim como o próprio lançamento pode ser efetuado posteriormente à utilização das bases negativas, como tão comumente ocorre nos casos das compensações deve o mesmo tratamento ser aplicado! Vale dizer, se ainda não há julgamento definitivo no processo que trata do crédito tributário, há ainda a forte possibilidade de que ele não venha a ser mantido e que, portanto, as bases negativas foi "utilizadas" para redução da base daquele lançamento, jamais venha a ser de fato, e em definitivo, absorvido. Enquanto o processo que discute a existência do crédito tributário não tiver decisão definitiva, ao menos no âmbito administrativo, e enquanto houver suspensão de exigibilidade do crédito como há, e a própria autoridade fiscal reconhece (por força do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional) , não podem as bases negativas que utilizadas pela fiscalização, na apuração de tributo que sequer é líquido e certo (e está suspenso ainda na fase administrativa!), ser glosado para o fim de já impactar em outra exigência fiscal. Se uma exigência está sob discussão administrativa, com exigibilidade suspensa, no mínimo a outra também está suspensa decorrência. Vejase que prosseguimento do presente processo, sem observância do processo relativo ao lançamento do anocalendário de 2009 e do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, pode afetar irreversivelmente a Recorrente, especialmente na hipótese de vir a obter uma decisão favorável, como reconhecidamente já aconteceu nos Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 15 14 autos do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494, que também foi objeto de glosa nestes autos, e já cancelada pela própria DRJ. E, se não houvesse decisão, cobrar seia os valores duas vezes, indevidamente? É o que se pretende fazer com a glosa relativa ao Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, ainda pendente de julgamento administrativo! Nesta hipótese, as bases negativas cujas glosas a autoridade fiscal realizou nestes autos, poderá ser revertido em favor da Recorrente. No entanto, os juros e multa que estão sendo cobrados no presente processo, em virtude da glosa, impactando o valor de CSLL devida pela Recorrente no ano de 2009 e no ano de 2010, não serão devolvidos. Os encargos cobrados sobre o valor do tributo objeto do lançamento (juros e multa), eventualmente consolidados em decisão final nestes autos, possivelmente anterior à decisão definitiva a ser proferida nos autos do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707 não poderão ser compensados (por falta de previsão normativa). Assim, a Recorrente se encontrará em situação de irreversibilidade do pagamento de juros e multa que não eram devidos, e que não podem ser restituídos. O prejuízo irreversível é, portanto, evidente. Por esta razão, também, resta evidente que não pode ser exigida a redução da base negativa declarada pela Recorrente em 2002, com base em sua utilização no auto de infração objeto do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, pois o crédito tributário objeto daqueles autos encontrase suspenso. A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE É EFEITO GARANTIDO PELA LEI JUSTAMENTE PARA EVITAR QUE OS REFLEXOS ANTECIPADOS DO LANÇAMENTO QUE AINDA NÃO FOI DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO NÃO PREJUDIQUEM AS PARTES EM LITÍGIO ADMINISTRATIVO. Tanto assim que, para evitar consequências ilegais há previsão específica na Portaria RFB nº 666/08, para que a autuação reflexa de outra com aquela seja julgada ou, se não for possível, como sempre procede o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deve, no mínimo, esse processo ser sobrestado, até que decisão final seja proferida nos processos administrativos que lhe serviram de fundamento, em especial o Processo Administrativo nº16561.000125/200707 (tratado no presente tópico), além dos processos administrativos n°s. 19515.722489/201244 e n° 19515.722490/201279 (anocalendário de 2009, no qual foram imputados os primeiros efeitos da glosa de prejuízo fiscal e bases negativas), todos aguardando julgamento. De mais a mais, importa verificar que, se o montante está sob litígio no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, nessa medida, encontrase suspenso por força de Lei, o lançamento que lhe é nesta parte decorrente somente poderia ter sido feito para prevenir a decadência, não havendo, portanto, que se lançar qualquer multa e deve, nesta parte, aguardar o julgamento daqueles autos a que se refere. No tocante a este ponto, a impossibilidade de imputação de penalidade relativamente a tal ajuste, e respectivo reflexo, no anocalendário em questão, tem previsão no artigo 63 da Lei n° 9.430/964, assim como a necessidade de se aguardar o deslinde daquele feito é consequência lógica da necessidade de comprovação do fundamento do lançamento que ainda permanece em discussão nos autos do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707. DIANTE DO EXPOSTO SE CONSTATA QUE IGNORAR OS EFEITOS DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, EM ESPECIAL NO PROCESSO QUE ENCONTRASE AINDA EM TRÂMITE NA FASE ADMINISTRATIVA, PROVOCARÁ PREJUÍZO IRREVERSÍVEL À RECORRENTE, QUE É JUSTAMENTE O QUE A LEI TEM POR FINALIDADE Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 16 15 EVITAR! LOGO, INADMISSÍVEL MANTER O ENTENDIMENTO DA AUTORIDADE FISCAL, INCLUSIVE EM RELAÇÃO À IMPUTAÇÃO DE PENALIDADE, SOB PENA DE OFENSA À LEI E À RAZOABILIDADE, QUE DEVEM SER OBSERVADAS NECESSARIAMENTE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade fiscal afirma que a Recorrente deveria ter promovido o ajuste das bases negativas declaradas em 2002 em seu LALUR porque este ajuste se configuraria uma obrigação acessória ao pagamento da CSLL que está suspensa por força da existência de recurso administrativo pendente de decisão, nos autos do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707. No entanto, o ajuste exigido pela fiscalização não se configura em uma obrigação acessória, mas parte da própria obrigação principal que se encontra suspensa. Ocorre que, as bases negativas não têm relação com obrigação acessória, mas faz parte da base de incidência da CSLL, ou seja, é forma de apuração da própria obrigação principal. Alterar o valor das bases negativas contabilizadas no LALUR não é, portanto, uma mera obrigação acessória, mas sim a própria obrigação principal! Esta, contudo, por força dos recursos administrativos (seja em relação ao lançamento, seja em relação à decisão da DRJ) está com sua exigibilidade suspensa, conforme o artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Exigir que seja feita qualquer movimentação nas bases negativas em questão e, pior, imputar multa em relação aos atos reflexos, é exigir que se cristalize a obrigação principal que ainda está em discussão e encontrase suspensa. O ajuste pretendido pela autoridade fiscal no presente processo não se configura, portanto, mera obrigação acessória, mas a obrigação principal em si, na medida em que, a realização do ajuste parte da premissa de que o crédito tributário é devido. O reflexo, portanto, ensejaria, no máximo, o lançamento sem imputação de multa, bem como este julgamento depende daquele. Salta aos olhos, no presente caso, que o agente fiscal confundiu o que significaria o ajuste no LALUR, por ele exigido da Recorrente. Embora ajustes no LALUR tenham, a princípio, roupagem de meras obrigações acessórias, no presente caso não se trata de obrigação desta natureza, na medida em que estarseia, ao procederse referido ajuste, reconhecendo a existência do crédito tributário cristalizando a apuração de sua base de cálculo o que, configura, então, cumprimento da própria obrigação principal, atualmente suspensa. LOGO, O VALOR DAS BASES NEGATIVAS DECLARADAS EM 2002 PELA RECORRENTE EM SEU LALUR, NO MONTANTE R$ 31.660.515,435, ORA QUESTIONADO PELA FISCALIZAÇÃO, NÃO PODE SER GLOSADO, POIS NÃO SE TRATA DE MERA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, MAS SIM DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, AINDA NÃO CONSTITUÍDA DEFINITIVAMENTE E SOB DISCUSSÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO, O QUE LHE GARANTE A SUSPENSÃO DE SUA EXIGIBILIDADE. O VALOR EM QUESTÃO DEVE, PORTANTO, SER IMEDIATA E INTEGRALMENTE EXPURGADO DO LANÇAMENTO. III.3 – ANOCALENDÁRIO 2002 – DO NECESSÁRIO CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO CONSUBSTANCIADO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/200707 – TEMA JÁ DECIDIDO PELO STF Além de estar com sua exigibilidade suspensa, em razão de aguardar julgamento do Recurso Voluntário, o que impediria o lançamento de glosa de bases negativas dos anoscalendário de 2009 e 2010, fato é que o auto de infração consubstanciado no Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 17 16 processo administrativo n° 16561.000125/200707 deverá necessariamente ser cancelado, em decorrência do quanto decidido pelo STF na ADI 2.588, cujo resultado é definitivo e vinculante a todos os contribuintes e à Administração Tributária. Assim, o resultado do julgamento da ADI 2.588 é definitivo e vinculante a todos os contribuintes e à Administração Tributária, conforme determinou a Emenda Constitucional nº 45, promulgada em 30 de dezembro de 2004, que, no que diz respeito à ação direta de inconstitucionalidade, consagra que "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e á administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal" (art. 102, § 2°, CF). Deste modo, se se trata de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal com efeitos ex tunc e, assim, retirada do ordenamento jurídico, não há motivos para subsistência da autuação lavrada, devendo ser aplicado o julgamento proferido nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 2.588, resultando, assim, no cancelamento integral da mencionada autuação. Uma vez que a presente autuação é posterior ao julgamento do Supremo Tribunal Federal, bem como que está diretamente relacionada ao lançamento fulcrado em norma declarada inconstitucional pelo STF, deveria a fiscalização ter considerado o mencionado julgamento para fins da análise do prejuízo fiscal e bases negativas da Recorrente. Ora, como exigir que a Recorrente efetue ajustes no Lalur, a partir de um lançamento fundamentado em norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal? In casu, especialmente em relação aos reflexos do processo administrativo n° 16561.000125/200707, é a fiscalização quem deveria ter observado a decisão definitiva do STF para fins do presente lançamento, sob pena de inobservância de decisão judicial vinculante. Assim, tendo em vista que, após a decisão do Supremo Tribunal Federal na ADIn n° 2.588, não subsiste o lançamento no processo administrativo n° 16561.000125/200707, razão pela qual haverá a confirmação do prejuízo fiscal e bases negativas informada pela Recorrente para os anoscalendário de 2009 e 2010, como já se demonstrou. III.4 – RECOMPOSIÇÃO DE BASES NEGATIVAS ACUMULADAS – ANO CALENDÁRIO 2003 (INDEVIDAMENTE APONTADO EM RELAÇÃO AO ANO DE 2004) – ADESÃO AO PAES No que se refere ao valor de R$ 49.592.639,13, que embora indicado pela autoridade fiscal como recomposição de bases negativas realizada unilateralmente em 2004, foi, na realidade (se é que disso que se trata!), realizada em 2003, também não merece prosperar a glosa/desconsideração do valor, efetuada nestes autos. A uma porque há erro na motivação do lançamento, vez que, como já demonstrado, não houve qualquer adição ou recomposição de bases negativas no ano de 2004, sendo reconhecido n o erro cometido pela fiscalização, em afronta ao princípio a legalidade. A duas e, principalmente, porque, em se tratando de recomposição efetuada no ano de 2003 e, inexistindo qualquer procedimento administrativo mormente de lançamento para retificar as bases negativas contabilizadas pela Recorrente, não há possibilidade mais de contestálo, em razão do decurso do prazo decadencial. Neste ponto, o acórdão recorrido novamente faz referência ao processo administrativo n° 19515.722490/201279. Aduziu também que caberia ao CARF se pronunciar sobre o tema naquele processo. Ocorre que, a despeito de reconhecer que a matéria ainda está pendente de julgamento, todos os efeitos da glosa ora questionada está provocando Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 18 17 efeitos no presente lançamento, o que, mais uma vez, não é objeto de análise no presente processo. Pelo princípio da eventualidade, a ora Recorrente reitera os motivos de mérito apresentados em face do lançamento de 2009 (em sede de Impugnação e Recurso Voluntário), sem deixar de destacar para a nulidade quanto à motivação do lançamento. A Recorrente ajuizou medida judicial em 1995 visando garantir o direito ao aproveitamento integral das bases negativas até o ano de 1994, sem as restrições impostas pela Lei n° 8.981/956 (Ação Declaratória n° 95.00480859 Doe. 21 da Impugnação). Referida norma estabeleceu, dentre outras disposições, que a partir de 01.01.1995, na apuração do Lucro Real a base negativa só poderia reduzir a base de cálculo da CSLL em até 30% de seu valor. Em relação às bases negativas acumuladas nos anos anteriores (até 1994), o saldo poderia ser aproveitado pelo contribuinte nos anos subsequentes, desde que respeitada a mesma regra/limite de 30% da medida judicial a Recorrente continuou aproveitando bases negativas até o curso então acumuladas sem o limite dos 30%, contra o qual se insurgiu. Entretanto, em 2004, a Recorrente optou pela desistência da medida judicial e adesão ao PAES Parcelamento Especial estabelecidos pela Lei n° 10.684/03 (Does. 22 e 23 da Impugnação), visando a inclusão no PAES de, dentre outros, débitos que haviam sido quitados/parcialmente quitados com a parcela de das bases negativas fiscais acumuladas que a Recorrente não poderia ter aproveitado conforme as disposições da Lei n° 8.981/95 qual seja, os 70% que não poderia aproveitar, diante da limitação de 30% imposta pela referida norma. Ora, se a Recorrente aderiu ao PAES justamente para quitar, via pagamento, o tributo cujo valor devido havia sido É reduzido por meio de aproveitamento de das bases negativas acumuladas, o aproveitamento indevido representado pelo percentual de 70% foi justamente o débito tributário confessado e incluído no PAES. Uma vez que o débito tributário é confessado e incluído no PAES, tais das bases negativas, obviamente, porquanto cancelada sua utilização com efeitos ex nunc retorna à Recorrente. Inclusive, a Recorrente tem o poderdever de declarar tal valor justamente quando da adesão e confirmação no PAES, para não prescrever seu direito de contabilização para posterior utilização das bases negativas. Uma vez comprovado que o montante adicionado o foi exatamente no montante que correspondeu à utilização indevida apontada ela fiscalização pela constituição do crédito tributário, e demonstrado que referido valor foi incluído no PAES pela Recorrente, de rigor a aceitação de sua recomposição. Inadmitir a recomposição das bases negativas implicaria em tributar em duplicidade a Recorrente, via (i) redução do saldo que foi utilizado no passado para redução da base de cálculo do imposto; e (ii) via constituição do débito do CSLL (correspondente à redução de base anterior), para pagamento no âmbito do PAES. Logo, no momento em que houve a constituição definitiva e irretratável do IRPJ em questão no PAES (de acordo com as regras do parcelamento), as bases negativas que no passado haviam sido (erroneamente) utilizadas deveria ser imediatamente restituídas à Recorrente. Afinal, tais bases negativas deixaram de ser utilizadas para redução da base de cálculo do tributo ora parcelado e, portanto, pôde ser recuperado pela Recorrente. Esta recuperação, por sua vez, se dá através da recomposição do valor da base negativa (anteriormente utilizada), em seu LALUR ou seja, exatamente como procedeu a Recorrente. Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 19 18 A recomposição em questão não ofende nenhuma norma do sistema tributário, mas constituise como verdadeiro poderdever da Recorrente, razão pela qual não pode ser contestada pelo agente fiscal. Aliás, não foi realmente indicada nenhuma norma, no lançamento, que tivesse sido desrespeitada. O agente fiscal sequer motivou o lançamento, só indicou que o valor em questão era derivado de recomposição das bases negativas, mas não esclareceu sequer porque não concordou com ela. No presente caso a recomposição do das bases negativas se deu com vistas a evitar a dupla incidência de tributo que, por sua vez, é vedada pela legislação tributária. A Recorrente agiu dentro da total legalidade e não podem ser contestados os procedimentos por ela adotados em relação a este ponto do lançamento! Neste sentido, de se reiterar que a comprovação da natureza do da base negativa adicionada no ano de 2003 aproveitamento indevido no passado conforme se verifica da Ação Declaratória anexada aos autos e do LALUR do período, além a planilha de inclusão de débitos no PAES. Diante do exposto, de se concluir que o procedimento adotado pela Recorrente para recomposição das bases negativas em questão está de acordo com as normas vigentes e possui fundamento. Deriva da constituição do valor de tributo que havia sido reduzido por meio de utilização das bases negativas que ultrapassavam o limite de 30% imposto pela legislação e que, portanto, uma vez declarado para pagamento no âmbito do PAES justifica a recuperação daquele valor que deixou de estar comprometido com a apuração da CSLL incluído no parcelamento. III.4.1 – DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DE BASE NEGATIVA DE CSLL DE INCORPORADAS – VEDAÇÕES EM 29/06/1999 – INCORPORAÇÃO EM 30/01/1999 Quanto ao ajuste em questão, o acórdão da DRJ faz mais uma vez mera referência ao processo administrativo n° 19515.722490/201279, dizendo que a matéria já fora discutida naqueles autos, a despeito de não haver qualquer decisão transitada naquele processo. Para que não seja violado seu direito de defesa, a Recorrente contesta os fundamentos apresentados naquele processo, que nem mesmo foram reproduzidos no acórdão recorrido. Da decisão proferida pela DRJ no processo administrativo n° 19515.722490/201279, foi trazido aos autos motivação para o lançamento que, contudo, não existia no Termo de Verificação Fiscal ou no Auto de Infração do anocalendário de 2009, tampouco no lançamento deste processo. Naqueles autos, a DRJ alegou, em síntese, que os valores que foram adicionados no LALUR da Recorrente, como recomposição derivada da adesão da empresa ao PAES, e que não poderiam ter sido adicionados porque gerados em empresas incorporadas pela Recorrente. Segundo a DRJ, a Recorrente, como sucessora, não poderia aproveitar as base negativas acumuladas por empresa sucedida. Reiterase que o argumento é contestado já que o acórdão recorrido nos presentes autos meramente fez referência ao acórdão do lançamento de 2009 para manter o auto de infração de 2010. Vejase. De fato o valor recomposto no anocalendário de 2003 foi gerado em empresas que foram incorporadas pela Recorrente Da análise da documentação anexa (Does. 04 a 10 Atos Societários), verificase que foram promovidas diversas reorganizações societárias no grupo econômico do qual a Recorrente faz parte, ao longo dos anos. Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 20 19 A empresa originalmente autuada no lançamento de 2009 a EDITORA ABRIL S/A (CNPJ 02.183.757/000193), foi a nova denominação social conferida à antiga LISTEL S/A (mesmo CNPJ 02.183.757/000193), em razão da alteração de denominação social pela qual passou esta última em janeiro de 1999. A EDITORA ABRIL S/A, ainda com sua antiga denominação social LISTEL S/A (CNPJ 02.183.757/000193) incorporou, em 30/01/1999, a parte cindida da empresa ABRIL S/A (CNPJ 44.597.052/000162 Vide Doe. 04). A ABRIL S/ A., por sua vez, nos anos anteriores à cisão (com posterior incorporação da parte cindida pela LISTEL/EDITORA ABRIL S/A CNPJ 44.597.052/000162), incorporou diversas empresas, quais sejam: (i) em 19.08.1996 incorporou a empresa ABRILCAP (CNPJ em 19.08.1996 incorporou a empresa ABRILCAP (CNPJ 00.156.494/000106), que deixou de existir (vide Doc. 05); (ii) em 30.07.1997, incorporou a empresa IRMÃOS REIS (CNPJ 57.143.034/000152), que também deixou de existir (vide Doc. 06); (iii) em 29.08.1997, incorporou a empresa ABRILPAR (CNPJ 01.348.791/000108), que deixou de existir (vide Doc. 08); (iv) em 30/06/1998 incorporou a ABRILPAR (CNPJ 02.192.666.00114 vide Doe. 09), que, por sua vez, havia incorporado a EDITORA AZUL S/A (CNPJ 55.901.979/000160), em 29/06/1998 (vide Doc. 10). As operações podem ser assim sintetizadas: Quadro de Operações de Reorganização Societária Incorporações Origem de Bases Negativas 1996 1997 1998 1999 Abril S/A (44.597.052/000162) incorpora AbrilCap (00.156.494/000106) Doc. 06 Abril S/A (44.597.052/000162) incorpora Irmãos Reis (57.143.034/000152) Doe. 07 e a AbrilPar (01.348.791/000108) Doc. 08 AbrilPar (02.192.666.00114) incorpora Editora Azul (55.901.979/000160) Doe. 10 e, em seguida, Abril S/A (44.597.052/000162) incorpora AbrilPar Doc. 09 Em 30/01/1999, Abril S/A (44.597.052/000162) sofre uma cisão e a parcela cindida é incorporada por Editora Abril S/A (02.183.757/000193) Doe. 05, que é a nova denominação social da antiga Listei S/A (02.183.757/000193) Doc. 04 Todas as operações foram devidamente comprovadas nos autos do processo administrativo nº19515.722490/201279 e nos presentes autos a ora Recorrente traz novamente a documentação. De se notar, ainda, que a empresa que efetuou a recomposição da base negativa, no anocalendário de 2003, foi a EDITORA ABRIL S/A (CNPJ N° 02.183.757/000162), que é a mesma que sofreu a autuação fiscal objeto deste processo. Posteriormente, no ano de 2012, a autuada foi incorporada pela Recorrente ABRIL COMUNICAÇÕES S/A; De todo modo, o que importa ressaltar é que a EDITORA ABRIL S/A poderia aproveitar as bases negativas das empresas incorporadas. Isto porque a vedação ao Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 21 20 aproveitamento de bases negativas de CSLL de incorporadas só entrou em vigor em 29/06/1999, por meio do artigo 20 da Medida Provisória n° 1.8586. Constatase, portanto, que em relação à base negativa de CSLL, a vedação ao aproveitamento de bases negativas de empresas incorporadas (inclusive em razão de cisão), somente passou a ser aplicável a partir de 29/06/1999. No entanto, a incorporação da parte cindida da ABRIL S/A, pela EDITORA ABRIL S/A, se deu ANTES da entrada em vigor da proibição de aproveitamento de base negativa de incorporadas, pois ocorreu em 30/01/1999. Assim, no momento em que ocorreu a incorporação em tela, a EDITORA ABRIL S/A possuía direito à contabilização da base negativa de CSLL anteriormente detida pela empresa incorporada (ABRIL S/A esta, por sua vez, também tinha direito a "carregar" as bases negativas das empresas que incorporou antes de ser cindida e, em seguida, incorporada pela EDITORA ABRIL S/ A). Logo, a alegação da DRJ de que a EDITORA ABRIL S/ A não poderia contabilizar a base negativa de CSLL de empresa por ela incorporada não procede, pois, à época dos fatos (janeiro/1999), tal vedação não era aplicável. Não bastasse a inexistência de vedação à contabilização da base negativa em questão, nos autos do Processo Administrativo n° 19515.722490/201279 questionouse o fato de que a ação judicial que foi apresentada por empresas incorporadas (EDITORA AZUL S/A e ABRIL S/A), e não pela autuada (EDITORA ABRIL S/A), não poderia gerar "reflexos na compensação de seus prejuízos (sic), muito menos na pretensa recomposição do saldo acumulado em 2003". Do acórdão recorrido verificase que a D. Delegacia, naqueles autos, não compreendeu adequadamente os fatos noticiados, que deram origem à recomposição do saldo de base negativa de CSLL, em 2003, assim como não compreendeu quais débitos foram incluídos no PAES. Assim, sendo, cumpre esclarecêlos. Conforme apontado acima, a parcela cindida da ABRIL S/A que foi incorporada pela EDITORA ABRIL S/A (sucedida pela ora Recorrente), possuía um valor de base negativa de CSLL que, de acordo com a legislação vigente no momento das incorporações realizadas podia ser "carregado" pelas incorporadora neste caso, a EDITORA ABRIL S/A. Parcela desta base negativa que pode ser incorporada pela EDITORA ABRIL S/A, foi gerada pela própria ABRIL S/A, e outra parcela foi absorvida por esta empresa em razão de incorporações realizadas em anos anteriores (1996, 1997 e 1998), conforme acima noticiado (e demonstrado na documentação ora apresentada). Portanto, quanto ao direito de aproveitamento da base negativa em questão, não há discussão, na medida que até 30/01/1999, quando aconteceu a última operação de incorporação sob análise (EDITORA ABRIL S/ A incorporando parcela cindida da ABRIL S/A), a legislação permitia que as bases negativas fossem "carregadas" ao longo dos anos, nas incorporações realizadas (1996 a 1999). Além da questão da origem destas bases negativas e do direito de "carregalas" , importa salientar que as empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A possuíam medida judicial visando afastar a aplicação da trava de 30% no aproveitamento da base negativa, imposta pela Lei n° 8.981/958, com vigência a partir de 01.01.1995 (Ação Declaratória n° 95.00480859 já anexada aos autos). Ação judicial de mesmo Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 22 21 conteúdo havia sido ajuizada, também, pela empresa ABRILCAP (Mandado de Segurança n° 95.00321149 Doe. 11) Em relação à base negativa acumulada nos anos anteriores (até 1994), o saldo poderia ser aproveitado pelo contribuinte nos anos subsequentes, desde que respeitada a mesma regra/limite de 30%, o que também foi questionado na medida judicial visando o aproveitamento de 100% da base até então gerada (1994). Assim, em virtude da existência da ação judicial em comento, as empresas autoras ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A aproveitaram suas bases negativas de CSLL, sem a limitação dos 30%. Posteriormente, no ano de 2003, quando tais empresas já haviam sido incorporadas pela EDITORA ABRIL S/A, com o advento do Parcelamento Especial PAES a sucessora optou por desistir da medida judicial, e incluir os débitos de CSLL que haviam sido "quitados" com os 70% de base negativa sob discussão, no parcelamento. A recomposição deste valor encontrase declarada não apenas em seu LALUR, como também em sua D1PJ/04 Anocalendário 2003 (Doc. 12), na linha relativa ao total da base negativa existente em 31/12/2003 (esta linha comporta diversos outros valores, conforme esclarece a planilha demonstrativa elaborada pela Recorrente Doc. 13 e seus Anexos). O efeito imediato da confissão (irretratável) e inclusão dos débitos no PAES foi o seguinte: a base negativa que havia sido utilizada anteriormente, para reduzir a base da CSLL devida pelas empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A, poderia ser recomposta, na medida em que, com a inclusão dos débitos da CSLL no PAES tais bases tiveram sua utilização revertida. De fato, como afirma a DRJ, não foram incluídos no PAES débitos da Editora Abril S/ A (sucessora), mas sim das próprias empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A, pois estas é que utilizaram, no passado, 100% de suas respectivas bases negativas, para redução da base de cálculo da CSLL. Ademais, todos os valores de base de cálculo de CSLL da ABRIL S/Ae EDITORA AZUL S/A, que foram reduzidos com os 70% de base negativa sob discussão na medida judicial, foram objeto de lançamento por parte da autoridade fiscal, para prevenção da decadência. Assim, cada um dos 05 (cinco) débitos que foram incluídos no PAES, das referidas empresas, possuem seus respectivos processo administrativos, que foram incluídos na Declaração PAES da EDITORA ABRIL S/A (sucessora e optante do parcelamento), conforme se depreende do quadro abaixo, bem como dos extratos do COMPROT (Doc. 14/18) e da Declaração PAES (anexada à impugnação e novamente trazida aos autos Doc. 19) Tal fato se constata da análise da Declaração PAES e do Extrato do PAES que foram anexados à impugnação. No entanto, para melhor identificação dos débitos das empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A, que foram incluídos no PAES, apresentamos novamente estes documentos. Os processos administrativos a que se referem os débitos em questão encontramse enumerados na Página 09 da Declaração PAES. Em relação ao Extrato PAES, a Recorrente anexa presente apenas as páginas do Extrato que se referem à ABRIL S/A e à EDITORA AZUL S/A pois os débitos incluídos no parcelamento, ora sob análise, foram gerados por tais empresas, conforme já esclarecido acima. A Recorrente incluiu, também, uma numeração de páginas sequencial, para facilitar a identificação das informações relacionadas aos débitos Extrato PAES (Doe. 20) os Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 23 22 débitos em questão encontramse relacionados nas páginas 01 e 07 da parte do Extrato PAES que se encontra anexo. A Recorrente apresenta, ainda, o seguinte quadro demonstrativo, para facilitar a identificação dos débitos de CSLL gerados pela ABRIL S/Ae EDITORA AZUL S/A e incluídos por sua sucessora (EDITORA ABRIL S/A) no PAES, relacionados à contribuição cuja base foi reduzida com os 70% então sub judice. Da documentação acostada, bem como dos esclarecimentos acima apresentados,, é de fácil constatação os seguintes fatos: os débitos incluídos no PAES referemse àqueles gerados pelas empresas do Grupo Abril que possuíam medida judicial para afastar a aplicação da trava de 30% quais sejam, a ABRIL S/A e a EDITORA AZUL S/ A. Estas empresas utilizaram mais base negativa do que a Lei lhes autorizava, razão pela qual, com a adesão ao PAES, por sua sucessora (EDITORA ABRIL S/A) os respectivos débitos de CSLL (correspondente à parcela de base de cálculo que havia sido reduzida com 70% de base negativa, não autorizada), foram incluídos no parcelamento. Com a inclusão de tais débitos no PAES surgiu o direito de recomposição destes valores de base negativa, cuja utilização foi revertida com a confissão da dívida a ela correspondente (CSLL sobre os 70% de base reduzida). Assim, de fato, não se trata de débitos da EDITORA ABRIL S/A. Afinal, não foi esta a empresa que utilizou 100% de suas bases negativas para redução da CSLL devida, mas sim as empresas que possuíam ação judicial que lhes autorizava ABRIL S/A e a EDITORA AZUL S/A. No entanto, em razão da sucessão ocorrida, apenas a EDITORA ABRIL S/ A, poderia fazer a inclusão de tais débitos no PAES, assim como, apenas ela poderia recompor a base negativa em questão. Logo, é evidente que os argumentos da DRJ no processo administrativo n° 19515.722490/201279, no sentido de que não haveria qualquer relação com a inclusão de débitos do PAES, com a recomposição da base negativa realizada em 2003 pela Recorrente, não procedem. PORTANTO, O LANÇAMENTO NÃO MERECE PROSPERAR TAMBÉM NESTE PONTO, SEJA PELAS RAZÕES PRELIMINARES ACIMA APONTADAS (MORMENTE QUANTO À DECADÊNCIA DO DIREITO DE GLOSA DE BASES NEGATIVAS, SEM O CORRESPONDENTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO), SEJA PORQUE A DRJ NÃO PODERIA INOVAR O LANÇAMENTO, APRESENTANDO LHE NOVA FUNDAMENTAÇÃO, SEJA PORQUE MESMO AS NOVAS FUNDAMENTAÇÕES TRAZIDAS PELA DRJ NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 19515.722490/201279 NÃO PROCEDEM, NA MEDIDA EM QUE O DIREITO AO "CARREGAMENTO" DAS BASES NEGATIVAS NÃO ERA VEDADO PELA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DA INCORPORAÇÃO EFETUADA PELA EDITORA ABRIL S/A (30/01/1999). Demonstrativo dos Débitos Consolidados no PAES CSLL Abril S/A e Editora Azul S/A Empresa geradora do débito Processo Relacionado Decl. PAES (Pág) Cod. Rec. Período Apuração Extrato PAES (Pág) Principal (R$) Multa Reduzida (R$) Juros ate 07/2003 (R$) Valor Consolidado (R$) Ed. Azul 13808.003801 /0066 09 2973 dez/95 07 156.746,71 58.780,01 235.872,44 451.399,16 sV 13808.002151 /0087 09 2973 dez/95 02 1.643.804,72 164.380,47 2.473.597,34 4.281.782,53 Abril S/A 13808.002152 /0040 09 2973 dez/95 02 314.063,25 0,00 472.602,37 786.665,62 Ed. Azul 13808.003801 /0066 09 2973 dez/97 07 222.927,71 83.597,89 279.545,76 586.071,36 Abril S/A 13808.006363 /200102 09 2973 dez/96 02 2.597.814,82 974.189,56 3.328.320,34 6.900.315,72 Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 24 23 III.5 – DA MULTA Pelas razões apresentadas ao longo desta exposição, descabe o lançamento de ofício efetuado contra a Recorrente, referente à CSLL, inexistindo fundamento para a imposição de qualquer multa de ofício, uma vez que a aludida penalidade pecuniária constitui acessório da exação principal. A multa, em si mesma, segue a sorte do tributo principal que, uma vez inexigível, acarreta inexigibilidade daquela. Como se não bastasse, uma vez que o presente lançamento depende do resultado dos processos administrativos n°s. 19515.722489/201244 e n° 19515.722490/201279 (ajustes e glosa para o anocalendário de 2009), o presente lançamento configurase, no máximo, como lançamento efetuado para prevenção da decadência, razão pela qual impossível a manutenção da imposição de penalidade por força do disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430/96. III.6 – DOS JUROS E SUA INAPLICABILIDADE SOBRE A MULTA DE OFÍCIO, CASO VENHA A SER MANTIDO O LANÇAMENTO. Por fim, é de se ressaltar que, na absurda hipótese de vir a ser mantida a autuação, será indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Com efeito, dispõe o §1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional que o crédito tributário eventualmente existente, não integralmente pago no vencimento, será acrescido de juros de mora. No caso da multa decorrente de lançamento de ofício, a incidência dos juros, se devidos, deveria ocorrer a partir do trigésimo dia após a ciência do lançamento, quando restaria configurada a mora. Todavia, ao referirse ao "crédito tributário" o diploma legal não se refere à multa de ofício, mas apenas ao principal cobrado. Isso porque, se assim não fosse, não haveria necessidade do mesmo dispositivo ressalvar, logo em seguida, que a aplicação dos juros não causa prejuízo à imposição das penalidades cabíveis. Ademais, no presente caso, os juros moratórios cuja aplicação foi autorizada pelo lançamento limitamse àqueles aplicados sobre o tributo. E o que determinam os artigos 6º, §2º e 28 da Lei nº 9.430/96, únicos dispositivos legais constantes da capitulação legal do lançamento que tratam da aplicação dos juros de mora. E, ainda que assim não fosse, tendo sido aplicada a Taxa SELIC, depreendese da leitura do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 que estabeleceu sua aplicação como juros moratórios que a referida taxa se aplica apenas sobre os tributos não pagos no vencimento. Logo, não há sequer como pretender aplicar a norma constante do artigo 161, §1° do Código Tributário Nacional, para que incidam juros de 1% sobre a multa de ofício lançada, pois ao aplicar a Taxa SELIC ao lançamento o agente fiscal optou por esta sistemática de aplicação de juros de mora, a qual além de estabelecer um percentual diferenciado para apuração desses juros (distinto do citado artigo do Código Tributário Nacional) estabeleceu, expressamente, a incidência apenas sobre os tributos. Logo, independentemente do enfoque atribuído ao litígio, os juros moratórios não podem ser aplicadas sobre a multa de ofício lançada, caso mantido o lançamento, seja por falta de previsão legal, seja porque o enquadramento legal apontado no auto de infração não autoriza a imposição de juros sobre a multa de ofício, mas apenas sobre os tributos não pagos no prazo legal. IV – DAS PROVAS Outrossim, a Recorrente apresentou uma série de documentos, comprobatório do direito alegado, em sede de Impugnação. Solicitou, ainda, que Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 25 24 eventuais provas que pudessem ser produzidas, e cuja apresentação viesse a ser necessária, em razão especialmente do entendimento da DRJ a respeito dos fatos e direito em discussão, fossem aceitas no curso do processo. A DRJ, contudo, manifestouse pela impossibilidade de produção de provas após a fase impugnatória. Tal entendimento, contudo, ofende flagrantemente o princípio da verdade material. De se destacar, também, que o próprio Decreto n° 70.235/72 permite a apresentação de provas após a fase impugnatória, se tais provas se referirem, especialmente, a fatos ou razões trazidas aos autos posteriormente. Logo, no caso da necessidade de comprovação de questões que foram trazidas aos autos apenas por força, por exemplo, da decisão da DRJ ou do próprio Conselho (no caso do cabimento de eventuais recursos cabíveis), não há que se questionar quanto ao direito de o contribuinte trazer novos documentos ao processo, os quais deverão ser necessariamente considerados pela Turma Julgadora. Assim, reiterase o pedido para produção de todas as provas em Direito admitidas, especialmente a posterior juntada de documentos, caso seja necessário, inclusive em razão dos andamentos dos processos administrativos que ensejaram o presente lançamento serão atualizados e o conhecimento. V – DO PEDIDO Assim, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, com a reforma integral do v. Acórdão recorrido, determinandose, por conseguinte, O IMEDIATO E INTEGRAL CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO ORA COMBATIDO, SEJA EM RAZÃO DAS PRELIMINARES OU DO MÉRITO, COM O AFASTAMENTO DEFINITIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO E DAS PENALIDADES NELE COMINADAS. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma acima, verifico que o recorrente está regularmente representado (fl. 1085) e que o recurso voluntário foi interposto em 15/11/2014 (fl. 1028/1082). Assim, preenchidos os requisitos de admissibilidade quanto à representação processual e a tempestividade, conheço do recurso voluntário. Verificase no procedimento fiscal iniciado, em 19/12/2013, o referido registro de constatação de inconsistências no sistema SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL) Ano Calendário 2010, com compensação indevida de prejuízos fiscais de IRPJ e CSLL, respectivamente, nos valores de R$15.064.458,59 e R$74.494.459,31, relativas à empresa incorporada “Editora Abril S/A”, CNPJ: 02.183.757/000193. De outro lado, o Auto de Infração (MPF n. 0818500.2013.00337), às fls. 420/428, indicou que o sujeito passivo teria compensado prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, com fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010, apurado valor de R$15.064.458,59 e multa de 75%. Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 16561.720042/201459 Resolução nº 1302000.443 S1C3T2 Fl. 26 25 Todavia, a recorrente demonstrou em Manifestação de Inconformidade (fls. 439/482), preliminares quanto à economia processual para julgamento em conjunto com o Processo Administrativo nº 16561.720041/201412, oriundo do mesmo procedimento fiscalizatório, em razão de a presente autuação se referir a mesmos fatos e mesmo período em um único processo. Ainda assim, sustentou a necessidade de suspensão da exigibilidade do lançamento que originou o presente (processos administrativos nº 16561.000125/200707 e 19515.722490/201279) ante a ausência de decisão definitiva quanto aos “ajustes” de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativa; e questionou a decadência no sentido de que não poderia a fiscalização ter procedido à glosa dos valores de prejuízo fiscal contabilizados pela impugnante no ano de 2003, indevidamente apontados pelo relatório fiscal como tendo ocorrido em 2004, sem procedimento administrativo de lançamento e após o decurso do prazo decadencial de cinco anos. Pontuou a ausência de motivação que deu causa ao cerceamento do direito de defesa, e o erro de motivação ante a inexistência de adição de base negativa no LALUR no anocalendário 2004. Analisadas as informações, documentos e fundamentos apresentados pela recorrente, verificase que razão lhe assiste, quanto à suspensão deste feito. Assim, diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento deste até o julgamento final dos Processos Administrativos nº 16561.000125/200707 e 19515.722490/201279. Encaminhese à unidade de origem para controle e acompanhamento até o julgamento final dos processos acima referidos, após o que, deverão ser juntadas aos presentes autos as decisões definitivas neles proferidas e devolvido a este CARF para prosseguimento do julgamento. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 1575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000597/00-98
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 202-01.021
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Antonio Zomer
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200604
camara_s : Pleno
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13888.000597/00-98
conteudo_id_s : 5668932
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 30 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 202-01.021
nome_arquivo_s : Decisao_138880005970098.pdf
nome_relator_s : Antonio Zomer
nome_arquivo_pdf_s : 138880005970098_5668932.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2006
id : 6600359
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692363100160
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-06-17T11:46:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2014-06-17T11:46:08Z; Last-Modified: 2014-06-17T11:46:08Z; dcterms:modified: 2014-06-17T11:46:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:6b1f5a95-180e-4495-8fe4-7adb06469763; Last-Save-Date: 2014-06-17T11:46:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-06-17T11:46:08Z; meta:save-date: 2014-06-17T11:46:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2014-06-17T11:46:08Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-06-17T11:46:08Z; created: 2014-06-17T11:46:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2014-06-17T11:46:08Z; pdf:charsPerPage: 992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2014-06-17T11:46:08Z | Conteúdo => n o ar os Atulim Processo n2 Recurso n2 Recorrente Recorrida Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : 13888.000597/00-98 : 131.620 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COMO OJIGINAL Brasilia-DE, em 16 i 6 iZat (441 * C euza ) lea fuji Secretária da Segunda Camafa : REMA EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA. : DRJ em Ribeirao Preto - SP 22 CC-MF Fl. RESOLUÇÃO N2 202-01.021 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por REMA EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA. RESOLVEM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator. Sala das S ões, em 7 de abril de 2006. Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Raquel Motta Brandão Minatel (Suplente), Nadja Rodrigues Romero, Raimar da Silva Aguiar, Mauro Wasilewski (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. 1 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo e : 13888.000597/00-98 Recurso n2 : 131.620 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conseiho de Contribuintos CONFERE corytO O'IGINAL/ Bras Ilia.DF, e m /2€10P" euza akafuji Secretaria da Segunda Camara CC-MF FL Recorrente : REMA EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de restituição/compensação de valores da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, pagos com base nos Decretos-Leis n 2s 2.445/88, 2.449/88 e Medida Provisória n2 1.212/95, sob o argumento de que, corn a declaração de inconstitucionalidade desses dispositivos legais, os recolhimentos resultaram a maior ou indevidos. 0 pleito foi formulado em 30/06/2000 e refere-se aos períodos de apuração ocorridos entre janeiro de 1991 e setembro de 1995. Instruem o processo as planilhas de apuração de fls. 03/04, que embutem juros calculados com base na taxa Selic, e os Darfs de fls. 18/80. A DRF em Piracicaba - SP indeferiu a solicitação, concluindo pela inexistência do direito credit6rio, em parte pela decadência do direito de restituição e em parte por não existir pagamentos a maior ou indevidos, uma vez que o pedido do contribuinte baseia-se em urna tese, refutada pela DRF, da base de cálculo do PIS ser o valor do faturamento do sexto mês anterior. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 118/150, alegando, em síntese, que o prazo qüinqüenal de prescrição deve ser contado a partir da homologação do lançamento, o que pode representar o prazo de até 10 anos para pleitear restituição. No tocante a base de cálculo, aduz que deve ser tomada a do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 6 2 da Lei Complementar n 2 07/70. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP manteve o indeferimento, em Acórdão sintetizado na seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep • Período de apuração: 01/01/1991 a 30/09/1995 Ementa: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vincendos decai no prazo de cinco anos contados du data de extinção do crédito tributário. PIS. FATO GERADOR 0 fato gerador da contribuição para o PIS é o faturamento do próprio período de apuração e não o do sexto mês a ele anterior. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. Normas legais supervenientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS, previsto originariamente em seis meses. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra pedido de compensação indeferido não suspende a exigibilidade dos débitos objeto do pedido, por inadequação as hipóteses descritas no art. 151, do CTN. )1\ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13888.000597/00-98 Recurso n : 131.620 MINISTERIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE cog 0 0,RIGINALz Brasitia-DF. ern_A__) / zer.6, tb:euz T afujt Secretena da Segunda Carna,e 22 CC-N1F Fl. Solicitação Indeferida". No recurso voluntário, a empresa reedita suas razões de defesa, requerendo o reconhecimento do direito A restituição/compensação conforme apuração constante do demonstrativos que juntou A inicial. o relatório. 3 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n 2 : 13888.000597/00-98 Recurso ni2 : 131.620 MINISTÉRIO DA FAZENDA F,egUnd0 Conselho de Contribuintes • CONFERE Comp OVIG1NAL BrasIlls-DF, b, 2e0P dz es-)"-X eua afuji Secretária da Segundo Cámare CC-NIF Fl. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO ZOMER 0 recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais para ser admitido, pelo que dele conheço. Em face do que restou estabelecido pelos Membros desta Camara, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligencia à repartição de origem, para que, conclusivamente, pronuncie-se sobre a existência de recolhimentos efetuados a maior, a titulo de PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1991 a setembro de 1995, levando-se em consideração o que determina o art. 62, parágrafo único, da LC n 2 07/70 (faturamento do sexto mês anterior) e a aliquota de 0,75%, estatuida pela LC n 2 17/73. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos a maior, deve ser efetuada corn base nos indices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n2 8, de 27/06/97, devendo incidir a taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 42, da Lei n2 9.250/95. Tal correção deve ser aplicada até o momento de cada compensação realizada pela recorrente. 0 resultado da diligencia deve ser consolidado em relatório que demonstre os indébitos e as compensações, dando-se dele conhecimento ao sujeito passivo, para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 10 (dez) dias. Após, com ou sem a manifestação da recorrente, retornem os autos a esta Câmara, para julgamento. Sala das Sessões, em 27 de abril de 2006. ER 4
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720944/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO.
É vedada a dedução de juros sobre o capital próprio de determinado ano-calendário em períodos posteriores, estranhos ao da sua competência.
REGIME DE COMPETÊNCIA.
Ainda que os juros sobre o capital próprio pudessem ser pagos/creditados ao titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica em um determinado período base, relativamente ao patrimônio líquido de períodos base anteriores, a respectiva despesa com esses juros deverá ser atribuída aos períodos anteriores, em observância ao regime de competência.
Numero da decisão: 1401-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário em parte e, na parte conhecida, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201610
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. É vedada a dedução de juros sobre o capital próprio de determinado ano-calendário em períodos posteriores, estranhos ao da sua competência. REGIME DE COMPETÊNCIA. Ainda que os juros sobre o capital próprio pudessem ser pagos/creditados ao titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica em um determinado período base, relativamente ao patrimônio líquido de períodos base anteriores, a respectiva despesa com esses juros deverá ser atribuída aos períodos anteriores, em observância ao regime de competência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.720944/2014-68
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5653013
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.743
nome_arquivo_s : Decisao_16327720944201468.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 16327720944201468_5653013.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário em parte e, na parte conhecida, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto
dt_sessao_tdt : Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
id : 6553537
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692365197312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 531 1 530 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720944/201468 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.743 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de outubro de 2016 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente SAFRA LEASING SA ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. É vedada a dedução de juros sobre o capital próprio de determinado ano calendário em períodos posteriores, estranhos ao da sua competência. REGIME DE COMPETÊNCIA. Ainda que os juros sobre o capital próprio pudessem ser pagos/creditados ao titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica em um determinado período base, relativamente ao patrimônio líquido de períodos base anteriores, a respectiva despesa com esses juros deverá ser atribuída aos períodos anteriores, em observância ao regime de competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário em parte e, na parte conhecida, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . Vencida a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 44 /2 01 4- 68 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 532 2 Argangelo Zani, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto Fl. 436DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 335 a 350, para exigência de crédito tributário no montante de R$ 20.242.090,50, assim discriminado: Tributo Juros Multa Total IRPJ CSL L .760.592,58 3.690.047,74 .095.347,12 1.608.122,81 .320.444,44 .767.535,81 2.176.384,14 8.065.706,36 20.242.090,50 Segundo a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal/Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica", a fls. 336, foram imputadas à interessada as seguintes infrações: 0001 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCESSO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Valor indedutível de juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador 31/12/2009 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 249, inciso I, e 347, do RIR/99 0002 SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL O sujeito passivo compensou prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, conforme detalhamento nos demonstrativos de apuração e no relatório fiscal anexo. Fato Gerador 31/12/2012 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: art. 3° da Lei n° 9.249/95. Arts. 247 e 250, inciso III, 251, 509 e 510 do RIR/99 Multa (%) 75,00 Fl. 437DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 534 4 Com respeito à CSLL, conforme fls. 346, o Auto de Infração assim descreve a infração apurada: 0001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO PAGOS OU CREDITADOS Valor indedutível de juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2009 24.600.318,26 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: Art. 2° da Lei n° 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Lei n° 8.034/90; art. 57 da Lei n° 8.981/95, com as alterações do art. 1° da Lei n° 9.065/95; art. 2° da Lein° 9.249/95 Art. 9° da Lei n° 9.249/95, com as alterações dos arts. 78 e 88 da Lein° 9.430/96 Art. 3° da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08 Termo de Verificação Fiscal Os procedimentos e verificações realizados no curso da ação fiscal, bem como as conclusões que dela resultaram, estão relatados no "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 321 a 334, do qual se reproduzem os seguintes excertos: O contribuinte SAFRA LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL, CNPJ 62.063.177/000194, deduziu na apuração do lucro real do anocalendário de 2009, a título de Juros sobre o Capital Próprio, o montante de R$ 78.500.000,00, conforme consta em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais Ficha 06B Linha 53, DIPJ/2010. Não houve nenhuma adição a título de "Excesso de Juros sobre o Capital Próprio Pago ou Creditado ", conforme Ficha 09, Linha 14 da mesma DIPJ/2010. Os juros sobre o capital próprio foram integralmente pagos aos sócios, BANCO SAFRA S/A, CNPJ 58.160.789/0001 28, no montante de R$ 78.499.998,36 e R$ 0,55 aos outros três sócios detentores de 1 ação cada, com a devida retenção de IRRF. O contribuinte foi intimado a apresentar memória de cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio relativo ao anocalendário de 2009. Em resposta à intimação fiscal apresentou a tabela denominada "Cálculo de JCP 2009 Banco J Safra" e "Pagamento de Juros sobre Capital Próprio", demonstrando o cálculo dos limites nos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009. Através da análise das planilhas acima constatamos que a despesa apropriada a título de JCP anocalendário de 2009, no valor de R$ 78.500.000,00, excede em R$ 24.600.318,26 o limite calculado conforme legislação em vigor no montante de R$ 53.899.681,74. Integram o valor de R$ 78.500.000,00 parcelas correspondentes a Juros sobre o Capital Próprio pertinentes aos anoscalendário de 2006, 2007, 2008 e 2009 (...) Na Ata de Reunião do Conselho de Administração realizada em 28 de dezembro de 2009 foi deliberado o pagamento aos acionistas, na forma do art. 9° da lei n° 9.249/95 e legislação sucedânea, de juros a título de remuneração do capital próprio com base na TJLP, no valor de R$ 78.500.000,00 (setenta e oito milhões e quinhentos mil reais) valor este relativo ao exercício de 2009, para pagamento a partir da data de 28/12/2009 (...) O contribuinte não respeitou o limite legal de dedutibilidade, com excesso no ano calendário de 2009 de R$ 24.600.318,26. No anocalendário de 2009, tomou a dedutibilidade de R$ Fl. 438DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 535 5 78.500.000,00 que inclui o saldo de juros sobre o capital próprio relativo aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008. Com esse procedimento do contribuinte, não foi obedecido o limite de dedutibilidade, para fins de IRPJ e CSLL previsto em lei, ocasionando uma dedução indevida de R$ 24.600.318,26 da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (...) (...) além das condições legais supra [art. 9o da Lei n° 9.249/95, com as alterações da Lei n° 9.430/9], para efeito de apuração do lucro real e da contribuição social sobre o lucro líquido, a dedutibilidade dos juros remuneratórios deve ainda atender a outras condições previstas na Instrução Normativa IN/SRFn.° 11, de 21 de fevereiro de 1996, conforme transcrito a seguir: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (...) Art. 30. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo da incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando exercida a opção de que trata o § 1° do artigo anterior, deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. Além das condições legais supra, em se tratando de Sociedade Anônima, para efeito de apuração do lucro real, a dedutibilidade dos JCP será aferida de acordo com o regime de competência, por ser regra geral, bem como critério básico para registro das operações da pessoa jurídica na contabilidade societária e fiscal, nos termos do art. 177 da Lei n° 6.404/76 (...) (...) o art. 248 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99) prevê expressamente que o lucro líquido seja determinado com observância da lei comercial (...) Portanto resta claro que o pagamento dos Juros Sobre o Capital Próprio, que foi instituída em nosso ordenamento tributário pelo art. 9° e parágrafos da Lei n° 9.249/95 (art.347 do RIR/99), posteriormente alterada pela Lei n° 9.430/96, é uma faculdade conferida aos acionistas, que decorre de princípios como a livre iniciativa e a autonomia privada, dependendo apenas de uma decisão formal dos mesmos mediante disposição estatutária ou deliberação em Assembleia. O tratamento fiscal para fins de dedutibilidade dependerá, entretanto, do cumprimento dos requisitos legais expostos acima e dispostos em lei, quais sejam, a existência de lucro computado antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, obediência aos limites quantitativos objetivos, bem como observância do regime de competência. Neste sentido, a doutrina de Hiromi Higuchi aborda o tema nos seguintes termos: "a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento ". Logo, podemos concluir que para haver dedutibilidade das despesas de JCP necessário se faz que tenha se materializado o fato gerador correspondente, ou seja, a deliberação social tomada no devido tempo, e que a empresa tenha observado as condições previstas na lei 9.249/95, ou seja, o pagamento ou creditamento (no caso de pagamento futuro), em favor dos sócios/acionistas, com o devido registro contábil no ano de competência, além de obedecer os limites previstos na lei. O decisum do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.086.752 é coerente com a posição exposta, em especial quando se considera o teor do voto que dispõe: "...os juros sobre capital próprio, de acordo com a Lei 9.249/95, apresentamse como uma faculdade à pessoa jurídica, que pode fazer valer de seu creditamento sem que ocorra o efetivo pagamento de maneira imediata, aproveitandose da capitalização durante esse tempo. Além do mais, ao contrário dos dividendos, os Fl. 439DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 536 6 juros sobre capital próprio dizem respeito ao patrimônio líquido da empresa, o que permite que sejam creditados de acordo com os lucros e reservas acumulados ". (sublinhamos) Esse entendimento do STJ confirma a doutrina de Edmar Oliveira Andrade Filho, no sentido de que somente pode ser deduzida a despesa correspondente ao JCP se houver decisão assemblar no tempo devido. À toda evidência não pode uma assembléia decidir sobre outros exercícios já findos, sob pena de "legislar" sobre um período já aprovado por outra assembléia, incorrendose, numa situação dessas, em total desvirtuamento da legislação societária. No caso do presente procedimento fiscal não houve deliberação social sobre a distribuição dos JCP nas Atas das Assembleias de 2006, 2007 e 2008, relativo aos valores pagos em 2009. O entendimento exposto encontrase ainda em consonância com a jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (...) Com relação ao IRPJ a retificação do saldo de Prejuízo Fiscal em 2009 gerou, no ano calendário de 2012, compensação indevida de Prejuízo Fiscal de períodos anteriores conforme demonstrativo (...) Impugnação Ciente do lançamento em 30 de setembro de 2014 (fls. 352), a interessada apresentou, em 10 de outubro de 2014, impugnação a fls. 359 a 369, alegando, em síntese e fundamentalmente, o seguinte: • Inicialmente, é mister consignar que a questão posta em debate trata da (i) possibilidade de serem deduzidos do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL as despesas com o pagamento de créditos acumulados de JCP, e (ii) se, para fins de dedutibilidade dos JCP pagos/creditados, deve ser observado o lucro acumulado/lucro do anocalendário a que se referem os JCP ou do anocalendário em que houve a deliberação pelo pagamento dos JCP. • Nada obstante a legalidade da operação, a fiscalização glosou a importância de R$ 24.600.318,26, relativa à diferença entre o valor pago e o valor que entendia ser efetivamente dedutível (R$ 78.500.000,00 R$ 53.899.681,74), sob o argumento de que a Impugnante não poderia ter pagado JCP fora do regime de competência, assim entendido o período a que se referem os JCP e, conseqüentemente, tais valores seriam indedutíveis. • A autuação teve como fundamento a interpretação fiscal conferida ao supracitado art. 9° da Lei n°. 9.249/95 e o art. 29 da Instrução Normativa ("IN") n°. 11/96. • Estabeleçase, para logo, a premissa básica inquestionável de que a Lei não estabelece prazo para o pagamento ou crédito dos JCP. • Ou ainda, em outras palavras, não existe qualquer menção no texto legal de que seja obrigatório, para fins de dedutibilidade dos JCP, que o pagamento ou crédito seja feito em cada ano, em cada exercício social, em cada períodobase fiscal ou em qualquer outro determinado período de tempo. • O art. 9° da Lei n°. 9.249/95 estabelece que a pessoa jurídica "poderá deduzir" os juros pagos ou creditados a titular, sócios ou acionistas, deixando claro, pois, que o pagamento dos JCP é uma faculdade da sociedade, a qual não está condicionada a qualquer espécie de periodicidade. • Sendo assim, observadas as regras legais de cálculo e limites, os JCP que eventualmente não tenham sido pagos ou creditados, total ou parcialmente, em um anocalendário qualquer, podem sêlo em qualquer momento posterior, quando houver deliberação societária neste sentido. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 537 7 • Muito embora claras as disposições da Lei, a interpretação fiscal pretende explorar a lacuna da Lei para restringir a possibilidade de dedução dos JCP pagos, majorando silenciosamente a tributação, sem autorização legal! • Nesse passo, é de se lembrar que, se dúvida houvesse a respeito do direito da possibilidade de se deduzir os JCP pagos acumuladamente/retroativamente, deverseia aplicar o art. 112 do CTN. Nele o legislador determinou que fosse adotada a interpretação mais favorável ao contribuinte, sempre que a dúvida se instalasse na penalização do contribuinte. • Equivocase a fiscalização por preferir entender que a IN n° 11/96, ao regulamentar os dispositivos da Lei, teria extrapolado sua competência, acabando por inovála, em flagrante desrespeito ao princípio da estrita legalidade. • Conforme dispõe o Parecer Normativo CST n°. 58/77, contemporâneo à Lei n°. 6.404/76 e ao Decretolei n°. 1.598/77, e que até hoje informa o entendimento do conceito, o regime de competência "costuma ser definido, em linhas gerais, como aquele em que as receitas ou despesas são computadas em função do momento em que nasce o direito ao rendimento ou a obrigação de pagar a despesa". • Aplicadas essas diretrizes, concluise que a despesa com o pagamento dos JCP apenas é incorrida pela sociedade quando houver deliberação dos sócios e/ou acionistas neste sentido e ainda sob condição de haver efetivo pagamento ou crédito dos juros, que no caso concreto ocorreu em 2009, ano em que a Impugnante deduziu os valores referentes aos JCP. • Apenas com a efetiva deliberação e pagamento ou crédito dos JCP é que existe a obrigação incorrida incondicionalmente. • As despesas com JCP só podem ser consideradas incorridas quando definitivamente devidas, isto é, o momento em que as obrigações a que se referem estejam constituídas de acordo com a norma de direito aplicável. Logo, as despesas de JCP serão consideradas incorridas no períodobase em que houver sua deliberação e seu pagamento ou crédito. • Antes da deliberação e do pagamento ou crédito não há o que deduzir, e não há que se dizer que o regime de competência não foi cumprido. • Desse modo, o que a Impugnante pleiteia é apenas a correta aplicação do art. 9° da Lei n°. 9.249/95, que não estabeleceu qualquer limite temporal para o pagamento de JCP calculados em determinado período, podendo ser pagos em períodos subseqüentes, quando passariam a ser dedutíveis para fins do IRPJ e da CSLL, como aconteceu no caso concreto. • O art. 29 da IN n°. 11/96, ao prever que os JCP são dedutíveis segundo o regime de competência, apenas esclarece que a despesa deve ser reconhecida no períodobase do pagamento ou crédito, pois apenas nesse momento nasce a obrigação a eles relativa. • Assim, para fins de determinação dos limites de dedutibilidade dos JCP, deve se atentar apenas para as condições previstas em Lei, quais sejam, a existência de lucros no momento em que haja deliberação para pagamento ou crédito, em montante igual ou superior a duas vezes o valor dos juros a serem pagos ou creditados. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 538 8 É indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2008 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os mesmos argumentos aduzidos anteriormente na respectiva impugnação e combatendo a decisão de piso praticamente com os mesmo argumentos já expendidos. e aduzindo em complemento a seguinte matéria não tratada na impugnação: Como pedido subsdiário, se entender que os pagamentos realizados pela Recorrente desobedeceram ao regime de competência, ainda assim não prosperam os lançamentos, pois por força do que dispõe o art. 273 do RIR/99, somente constitui fundamento para o lançamento de imposto ou diferença de imposto (atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar), se da inobservância do regime de competência resultar postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Entretanto, o pagamento retroativo de JCP não se enquadra nessa hipótese, justamente porque há a antecipação e não postergação do imposto devido, na medida em que a pessoa jurídica opta por deduzir em exercícios subsequentes despesas financeiras que já poderiam ter sido reduzidas do lucro tributável em anoscalendário anteriores, caso tivesse optado pela deliberação do pagamento do JCP naquela época. É o relatório. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 539 9 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos legais para admissibilidade. A irregularidade em lide referese à dedução reputada indevida de pagamento de juros sobre o capital próprio relativo a períodos anteriores ao anocalendário da autuação. Ou seja, a infração não está relacionada à superação do limite estabelecido em lei. O fisco e a DRJ alegam que as despesas incorridas em anos anteriores não podem ser apropriadas em anos posteriores, pois feriria o princípio da competência. Dispõe a legislação ora em debate: RIR/99 “Art. 347. A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da TJLP (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º). § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 78). § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto na forma prevista no art. 668 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 2º). § 3º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 7º). Tive a oportunidade de enfrentar essa matéria pontualmente em três ocasiões, em duas delas raciocinei dessa mesma forma, de plano adotei o pressuposto de que a natureza dos juros sobre capital próprio seria de “despesas” e, por consequência, adotei o regime de competência a esse fato ligado. Reforcei esse caminho pelas disposições trilhadas por um ato infralegal da SRFB (Instrução Normativa SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996), que regulamenta a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio: Juros Sobre o Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (Grifei) Fl. 443DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 540 10 E daí conclui peremptoriamente que: [...] os preceitos contábeis e legais e infralegais específicos acerca dos juros sobre o capital estão de conformidade legislação na medida que a dedutibilidade de tais valores ficou condicionada ao pagamento ou creditamento em favor dos sócios ou acionistas. Assim, podese afirmar com convicção que o pagamento ou o creditamento em favor dos sócios ou acionistas, disposto no art. 9ª da Lei n° 9.249, de 1995, é que efetivamente materializa o fato gerador correspondente a essa despesa. Portanto, despesa alguma teria se materializado no anocalendário de 2003, não se podendo, in casu, inclusive nem falar que se estarseia diante de uma postergação de despesas. [...] Ademais, a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio é uma opção da pessoa jurídica, que pode ou não ser exercida. E conforme pacífica jurisprudência deste Conselho não existe erro diante de uma opção legal. Por outro lado, está claro nos autos que no anocalendário de 2007 teria se materializado o pagamento ou creditamento em favor dos acionistas dos juros sobre o capital próprio, não se podendo reconhecer como dedutíveis valores que não foram pagos ou creditados em 2003, mas apenas a despesa paga ou incorrida no próprio anocalendário de 2007 e nos limites estabelecidos para esse período. Ora, para que a despesa fosse incorrida, bastaria que a Recorrente contabilizasse débito de despesa a crédito dos sócios ou acionistas no passivo da empresa até que o pagamento se efetive, Em uma terceira oportunidade de debater o tema, impressionado por julgado do STJ, mudei minha posição em uma votação onde era o relator (apresentei declaração de voto), não mais assumindo aquela premissa, qual seja, o pressuposto de que a natureza dos juros sobre capital próprio seria de “despesas”. Na referida declaração de voto, sem adentrar na "verdadeira" natureza dos juros sobre capital próprio, mas assumindo indiretamente a premissa de que eles se equivaliam aos dividendos, sendo espécie do gênero remuneração de capital, adotei "que a melhor metodologia a ser aplicada para o caso dos juros sobre capital próprio é o regime de caixa, pois não são verdadeiros encargos financeiros apropriáveis no período a que competirem, mas resultados a serem distribuídos e exercendo fiscalmente a função de uma exclusão extracontábil do lucro real." Partindo dessa premissa cheguei à seguinte conclusão, que hoje vejo equivocada: (...) não havia qualquer óbice de se efetuar o pagamento dos juros de forma cumulativa, envolvendo mais de um exercício, mormente em casos que a empresa ficou temporariamente impedida de pagálo. Essa restrição, sem dúvidas, deveria estar expressa em lei. Na falta dessa, fica claro que o legislador elegeu o momento da disponibilização do pagamento como o marco para se aferir os dois vetores temporais de dedutibilidade: O vetor que aponta para o passado (Lucros acumulados e reservas) e o vetor que aponta para o presente (lucros do período). Observei que a jurisprudência do CARF trilhava caminho diverso e não negligenciei fazer novos estudos para assentar de vez o meu entendimento. Reestudando a matéria, novamente, e em debates com um novo colegiado, dúvidas novamente sobrevieram e a partir do voto do Conselheiro Fernando na sessão de 03 de Fl. 444DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 541 11 fevereiro de 2016, através do Acórdão nº 1401001.534, enfrentouse novamente o mesmo tema, O Conselheiro Fernando adotou integralmente os fundamentos do Acórdão nº 1201000.857 – 2ª Câmara/1º Turma Ordinária do CARF, proferido em sessão de julgamento realizada em 10 de setembro de 2013, referente ao processo nº 16327.720497/201102. O citado acórdão teve como relator o ilustre Conselheiro Marcelo Cuba Netto que também Transcreveu trechos relevantes do voto da Conselheira Edeli Pererira Bessa, proferido nos autos do processo nº 16327.002051/200716. Referidos julgados fizeramme ver, inclusive com citações doutrinárias relevantes que a premissa adotada por mim estava equivocada e assim também a minha conclusão. De fato, vejo que os juros sobre capital próprio possui natureza de despesa e como tal devese respeitar o regime de competência. Há de se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros, que se materializa através de uma opção da pessoa jurídica e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. A dedução dos juros sobre capital está sujeita ao regime de competência e a observância de limites quantitativos objetivos. Isso porque os juros sobre o capital próprio constituem despesas financeiras, que tem por fundamento a remuneração pelo investimento realizado pelos sócios, tais despesas devem pertencer ao mesmo período do investimento, sob pena de desrespeito ao regime de competência. De outra banda, cabe salientar que os juros sobre o capital próprio tem natureza diversa da distribuição de lucros ou dividendos. Isso porque nessa última os valores pagos integram contas patrimoniais sem afetar resultado do exercício, enquanto a decisão de pagar de juros sobre o capital próprio afeta, sim, a redução do resultado exercício, e por isso deverá ser pertinente ao exercício social competente. E se de fato a lei faculta à pessoa jurídica pagar/creditar JCP, uma vez exercida essa faculdade, não caberá a ela determinar a seu talante em que período deverá ser apropriada referida despesa, pois conforme pacífica jurisprudência deste CARF não existe erro diante de uma opção legal. Ressaltese, ainda, que é o efetivo pagamento que poderá ocorrer em exercícios futuros, mas não a deliberação sobre a distribuição de juros sobre o capital próprio (JSCP) e nem a efetiva escrituração dos juros na contabilidade, que deverão ocorrer no próprio exercício, o que não foi o caso nos autos. Dessa forma, sobre a possibilidade legal do exercício da faculdade de pagar/creditar JCP calculados sobre o patrimônio líquido de anos anteriores e deduzilos como despesas do período do pagamento, peço licença para transcrever e adotar também como razões complementares de decidir, trechos do excelente voto do então Conselheiro Marcelo Cuba Netto, proferido em sessão de julgamento realizada em 10 de setembro de 2013, referente ao processo nº 16327.720497/201102: 2) Da Distribuição de Juros sobre o Capital Próprio Acerca dos juros sobre o capital próprio o art. 9º da Lei nº 9.249/95 assim estabelece (...) Pois bem, é pacífico o entendimento, tanto administrativo quanto judicial, de que o pagamento/crédito de juros sobre o capital próprio é uma faculdade da pessoa jurídica, e, como tal, poderá ou não vir a exercêla, conforme melhor lhe convier. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 542 12 Essa faculdade encontrase regulada pela norma acima transcrita, bem como pelas demais normas comerciais, societárias e fiscais que com ela interajam. Parece claro que a faculdade de pagar/creditar juros sobre o capital próprio poderá ser exercida ao longo dos anos em que o capital do titular, sócios ou acionistas permanecer no patrimônio líquido da pessoa jurídica, e que o valor dos JCP será calculado mediante a aplicação da taxa de juros (limitada à TJLP) sobre o patrimônio líquido do ano em que exercida a faculdade, observados os limites estabelecidos na norma acima transcrita. Mas no caso dos presentes autos a contribuinte, além de haver pago/creditado, em 2007, JCP calculado sobre o patrimônio líquido do ano de 2007, também pagou/creditou JCP calculados sobre o patrimônio líquido de anos anteriores, quais sejam, os anos de 2002 a 2006. É a dedutibilidade desses últimos que está aqui em discussão. Nesse sentido, especificamente no caso sob exame, é preciso responder às seguintes questões de direito: a) a faculdade de pagar/creditar JCP poderá ser legalmente exercida em um determinado ano, mas incidir sobre o patrimônio liquido de anos anteriores? b) em caso positivo, em qual ano deverá ser legalmente apropriada a respectiva despesa com pagamento/creditamento de JCP? Passemos, então, a responder essas questões. 2.1) Do Exercício da Faculdade de Pagamento/Crédito de JCP Sobre a possibilidade legal do exercício da faculdade de pagar/creditar JCP calculados sobre o patrimônio líquido de anos anteriores, peço licença para transcrever, a seguir, trechos do excelente voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferido em 12/06/2013 nos autos do processo nº 16327.002051/200716, e acompanhado pela unanimidade dos demais membros da 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF: Como se vê, a lei não disciplina precisamente este aspecto, motivo pelo qual há diferentes entendimentos firmados pelos colegiados deste Conselho acerca deste tema. A recorrente invoca os seguintes julgados administrativos: (…) JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL — O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do Fl. 446DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 543 13 pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP — desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. (Acórdão nº 10196751, sessão de 29 de maio de 2008, Relator Conselheiro Valmir Sandri) (…) De outro lado, há jurisprudência administrativa favorável ao entendimento que justificou o lançamento, exteriorizada nos seguintes acórdãos: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Os juros sobre o capital próprio devem ser apropriados com observância do regime de competência, com obediência os limites impostos pelo § 1° do art. 9° da Lei n° 9.249/95, considerados para este fim, os saldos de lucros acumulados ou do exercício, na data do crédito ou pagamento. (Acórdão nº 19500.023, sessão de 20 de outubro de 2008, Relator Conselheiro Walter Adolfo Maresch). (…) Enfatizando o aspecto defendido pela Fiscalização, diz Hiromi Higuchi et alli em Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática (36ª ed., São Paulo, IR Publicações, 2011, p. 130), que “(...) a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento” (grifos acrescidos). À semelhança do que disse a Fiscalização, o referido autor assevera que a apropriação tardia prova a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o capital próprio (Op. cit., p.131). No mesmo sentido é a manifestação de Edmar Oliveira Andrade Filho em Imposto de Renda das Empresas (3ª ed., São Paulo, Atlas, 2006, p. 240242): (…) Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, ao deixar de exercêla ao final do período de apuração, é razoável afirmar que a sociedade, por não segregar o resultado comum de sua atividade daquele que seria atribuível à utilização do capital dos sócios, designou integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, estipulando dividendos a pagar ou mantendo este valor em conta de reservas de lucros ou lucros acumulados para posterior distribuição. Em conseqüência, a destinação destes lucros aos sócios, no futuro, somente poderá se dar mediante distribuição de dividendos, e não mais a título de juros sobre o capital próprio. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 544 14 Concluise, daí, que os juros sobre capital próprio do período de referência devem ser estipulados no momento da proposta de destinação do lucro, assim disciplinada pela Lei nº 6.404/76 na redação vigente no período de apuração autuado: Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléia geral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. É certo que a dedução fiscal de juros sobre o capital próprio somente é admitida no momento em que formalizada a obrigação de pagálos em favor dos sócios. Contudo, a constituição de obrigação a este título somente é possível enquanto a sociedade tem o direito de destacar do resultado do exercício a parcela que corresponderia à remuneração do capital próprio, em razão dos juros incorridos no período de tempo em que apurado aquele resultado. Uma vez tributados os lucros, e destinados, integralmente, ao patrimônio líquido da entidade, a opção não pode mais ser exercida. Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no anocalendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. (…) Portanto, segundo o acórdão acima referido, cujas conclusões aqui adoto, a lei não permite que os JCP incidam sobre o patrimônio líquido de períodos anteriores, em especial, porque nos anos anteriores, à falta do exercício tempestivo da faculdade de pagar/creditar JCP, a pessoa jurídica destinou integralmente o lucro ao pagamento de dividendos, ou à reserva de lucros para posterior distribuição. Nesse sentido, é de se admitir que no caso dos autos a contribuinte pagou/creditou em 2007 JCP até o limite legal permitido para o período, sendo indedutível a despesa com JCP relativos a períodos anteriores. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 545 15 2.2) Da Apropriação da Despesa com Pagamento/Crédito de JCP Mas ainda que admitíssemos, meramente para fins de argumentação, que o exercício da faculdade de pagar/creditar JCP pudesse incidir sobre o patrimônio líquido de períodos anteriores, teríamos ainda que responder à questão levantada na letra “b”, contida ao final do item 2 deste voto, qual seja: em que ano deverá ser legalmente apropriada a respectiva despesa com pagamento/creditamento de JCP? Pois se é certo que a lei faculta à pessoa jurídica pagar/creditar JCP, uma vez exercida essa faculdade, não caberá a ela determinar, a seu bel prazer, o período em que deverá ser apropriada respectiva despesa com JCP. Sobre o período em que deverão ser apropriadas as mutações patrimoniais (despesas, custos, perdas, receitas, ganhos, etc.), a lei societária assim estabelece: Lei nº 6.404/76: (...) Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (Grifamos) (...) Não é demais recordar que o registro das mutações patrimoniais pelo regime de competência constitui regra geral que, por conseguinte, deverá ser observada na interpretação e aplicação das demais normas contábeis e fiscais relativas às pessoas jurídicas em geral e, em especial, por aquelas constituídas sob a forma de sociedade anônima, como é o caso da contribuinte. Daí porque é desnecessário que cada uma dessas normas contábeis e fiscais contenha expressamente a observação de que o registro das respectivas receitas, despesas etc. deva observar o regime da competência. Em verdade, ocorre justamente o contrário. Quando a receita, despesa, etc. deva ser registrada segundo o regime de caixa é que deverá haver expressa referência na norma, já que esse regime é empregado apenas excepcionalmente. Isso posto, e uma vez que o art. 9º da Lei nº 9.249/95 é silente sobre qual o regime de apropriação da despesa com JCP deverá ser adotado, é de se concluir, necessariamente, que deverá ser empregado o regime de competência, pois, se a lei desejasse excepcionálo haveria que estabelecer, expressamente, a apropriação pelo regime de caixa. Mas afirmar que a despesa com JCP deverá ser apropriada segundo o regime de competência resolve apenas parte da questão que no propusemos a responder. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 546 16 Resta ainda investigar a qual período compete a apropriação de juros sobre o capital próprio. Em outras palavras, e especificamente no caso dos autos, resta investigar se a despesa competirá a 2007, data em que a contribuinte exerceu a faculdade de distribuir JCP incidente sobre o patrimônio liquido de 2002 a 2006, ou se a despesa competirá aos anos de 2002 a 2006. Para tanto, necessário se faz determinar a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio. Sobre o assunto vale transcrever as lições de Luís Eduardo Schoueri, em seu artigo intitulado Juros sobre Capital Próprio: Natureza Jurídica e Forma de Apuração diante da "Nova Contabilidade" (in Controvérsias JurídicoContábeis (Aproximações e Distanciamentos), 3º volume, Editora Dialética, São Paulo: 2012, p. 169/193): (...) Afastandose qualquer aproximação com categorias de Direito Privado, há que se reconhecer que, na perspectiva do Direito Tributário, corresponde a figura do artigo 9º da Lei n° 9.249/1995 a uma remuneração do capital. O conceito tributário de juros sobre o capital próprio parte, assim, da noção econômica de custo de oportunidade, entendida enquanto renúncia, pelo agente econômico, dos benefícios derivados de determinado investimento em função do potencial de lucro superior vislumbrado em aplicação distinta. Em tal contexto, o lucro do negócio, sob uma perspectiva econômica, somente poderia ser apurado se desconsiderado o lucro sobre o capital. (...) Tais considerações, intimamente relacionadas com o conceito econômico de custo de oportunidade, tornam razoável, do ponto de vista econômico e tributário, a consideração dos pagamentos dos juros sobre o capital próprio enquanto remuneração do capital, que é dedutível. E dizer, do ponto de vista tributário, a situação apresentase tal qual como se o sócio tivesse "emprestado'' dinheiro à sociedade e recebesse juros desta, recebendo tal circunstância, em razão do princípio da igualdade, igual tratamento ao que é dado às empresas que se valem de financiamento de terceiros. (Grifamos) Ora, pelo acima exposto, é de se concluir que as despesas com JCP têm a natureza jurídica de despesa com juros pagos/creditados ao titular sócios ou acionistas pelo uso do capital por estes investido na empresa. Em outras palavras, tratase de despesa pelo uso do dinheiro investido na pessoa jurídica. E, segundo o regime da competência, as despesas pelo uso do dinheiro devem ser apropriadas ao longo dos períodos em que for utilizado esse dinheiro. Respondendo, então, à questão objeto deste item do voto, ainda que a contribuinte estivesse autorizada por lei a exercer, em 2007, a faculdade de pagar/creditar JCP Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 547 17 incidente sobre o patrimônio líquido de 2002 a 2006, a respectiva despesa com JCP deveria ter sido apropriada nos anos de 2002 a 2006, e não em 2007, como fez a recorrente, já que se trata de uma despesa pelo uso, ao longo daqueles anos, do capital empregado na pessoa jurídica por seus acionistas. Por fim, quanto à decisão do STJ proferida nos autos do REsp 1.086.752/PR, em que acolhe o argumento trazido pela recorrente, e cuja ementa abaixo se transcreve, é importante ressalvar que se trata da única decisão do STJ sobre o assunto, e que, a meu sentir, não é negligenciável a possibilidade de a Corte vir a rever seu entendimento em outra oportunidade, pois aquele julgado considera que o art. 9º da Lei nº 9.249/95 deve ser aplicado segundo o regime de caixa, quando, de acordo com o art. 177 da Lei nº 6.404/76, correto seria o emprego do regime de competência. MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano calendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV " O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. (...) Portanto, em conformidade com os fundamentos transcritos do Acórdão nº 1201000.857 – 2ª Câmara / 1º Turma Ordinária do CARF, Sessão de 10 de setembro de 2013, onde são abordados os argumentos trazidos na impugnação em apreço, a lei não permite que os JCP Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 548 18 incidam sobre o patrimônio líquido de períodos anteriores, em especial, porque nos anos anteriores, à falta do exercício tempestivo da faculdade de pagar/creditar JCP, a pessoa jurídica destinou integralmente o lucro ao pagamento de dividendos, ou à reserva de lucros para posterior distribuição. Destaquese ainda o Acórdão 1201000.886– 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF, Sessão de 12 de outubro de 2013, referente ao processo 16682.721029/201289, da lavra do Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, com a ementa abaixo reproduzida, que negou provimento à recurso apresentado por esta mesma empresa sobre igual matéria, quando do exame da dedução de despesas de juros sobre o capital próprio, consignadas no ano calendário 2009, referentes à períodos de apuração anteriores (2000 a 2003). Cumpre observar que existe inclusive repetição de períodos de apuração com os autos aqui em análise (200 e 2001). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. Existem regras expressas e limites temporais que regem a matéria, razão pela qual o não exercício da faculdade conferida pela lei implica renúncia e preclusão de direito, até porque parece razoável que os direitos, notadamente aqueles de que resultam efeitos tributários, não podem ser exercidos a qualquer tempo, mediante simples e pura liberalidade do interessado. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. No referido acórdão (1201000.886– 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF), anexado ao presente processo por se reportar à mesma empresa e sobre igual matéria, que ratifica os argumentos até aqui apresentados, com os quais comungo, e também contraargumenta tópicos trazidos pela defesa no presente processo, encontrase em Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 549 19 destaque o entendimento da RFB sobre o assunto, expressado através de Soluções de Consulta, cujas ementas estão transcritas a seguir: SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 63, de 24 de Abril de 2001 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. Sob pena de infringir o regime de competência previsto na legislação própria, é vedado à pessoa jurídica computar em um exercício o montante dos juros sobre capital próprio de períodos anteriores. SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 32, de 27 de Janeiro de 2010 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A observância do regime de competência é condição para a dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido. Dessa forma, concluo que é vedada a dedução de juros sobre o capital próprio de determinado anocalendário em períodos posteriores, estranhos ao da sua competência. Ainda que os juros sobre o capital próprio pudessem ser pagos/creditados ao titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica em um determinado período base, relativamente ao patrimônio líquido de períodos base anteriores, a respectiva despesa com esses juros deverá ser atribuída aos períodos anteriores, em observância ao regime de competência. Quanto a seu pedido subsidiário de considerar que o auto de infração não poderia ter sido lavrado em desobediência ao regime de competência porque não se trataria de postergação de tributo, mas de postergação de despesas, há que se considerar que a matéria é preclusa por não ter sido levantada na fase impugnatória. É pacífica a jurisprudência administrativa no sentido de não se conhecer tais matérias Pelo exposto, não CONHEÇO de parte do recurso, por se tratar de matéria preclusa e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16327.720944/201468 Acórdão n.º 1401001.743 S1C4T1 Fl. 550 20 Fl. 454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.733921/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Fernando Goedert Leite, OAB/SC 32.930.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.733921/2011-93
anomes_publicacao_s : 201611
conteudo_id_s : 5658335
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-000.632
nome_arquivo_s : Decisao_10580733921201193.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 10580733921201193_5658335.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Fernando Goedert Leite, OAB/SC 32.930. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6568481
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692373585920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 993; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2.849 1 2.848 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.733921/201193 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.632 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de setembro de 2016 Assunto IMUNIDADE DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Recorrente UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Fernando Goedert Leite, OAB/SC 32.930. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 33 92 1/ 20 11 -9 3 Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.850 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal decorrente da desconsideração do auto enquadramento da recorrente como entidade beneficente de assistência social para o período de 01/01/2007 a 31/12/2008. A discussão principal no processo é o direito à imunidade tributária do §7° do artigo 195 da Constituição Federal em razão de dois requisitos supostamente descumpridos pela recorrente: o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social foi concedido para a entidade mantenedora Associação Universitária e Cultural da Bahia CNPJ 13.970.322/0001 05 e não para a mantida ora recorrente; e que foram constatados na folha de pagamento valores de remuneração aos dirigentes. Após desconsiderála como imune, a fiscalização realizou lançamento tributário sobre várias parcelas pagas aos seguradoras: remunerações direta e indireta. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: II. 1 Do Total Desrespeito ao Devido Processo Legal. A legislação não condicionou o gozo da isenção tributária ao reconhecimento formal deste direito pela Administração. Não se discorda que é do Fisco o dever de apurar o cumprimento dos requisitos legais necessários ao gozo da isenção, porém, acaso constate o descumprimento de algum, deve cancelar o benefício lastreado num devido e respectivo processo legal. Conforme se verifica, para os casos em que há provas do não atendimento dos requisitos legais para o gozo da isenção tributária, a autoridade administrativa DEVE emitir "Informação Fiscal", na qual deverão estar descritos os fatos que justificariam a perda da isenção, abrindo prazo para apresentação de defesa e produção de provas. ... II.2 Da Injustificada Descontextualização do Caráter Assistencial da Impugnante Afastamento do Princípio da Legalidade e da Finalidade do Ato Administrativo A Realidade em detrimento da Presunção. A essência do "negócio jurídico" da Impugnante com a sociedade por ela assistida foi desprezada, dado que interpretada em desprezo ao contexto jurídico, o que não se pode admitir. Prestigiouse a forma em detrimento da essência. E, nesse sentido, a fim de se combater as alegações articuladas pelo Sr. Agente Fiscal que fundamentam a autuação fiscal impugnada, cumpre apresentar, de antemão, o conceito legal de assistência social, bem como demonstrar as inúmeras atividades assistenciais da Impugnante (que são desempenhadas por ela e pela Associação Universitária e Cultural da Bahia), em prol das comunidades carentes da Bahia atividades essas que foram absoluta e integralmente desconsideradas pelo Sr. Agente Fiscal. II.2.1 Da Assistência Social. Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.851 3 Em perfeita sintonia com a caracterização constitucional da assistência social, como política pública social, de defesa de direitos e garantia de acesso aos direitos sociais, a Impugnante oferece à população de Salvador, em especial de baixa renda, além da concessão de Bolsas de Estudos para seus cursos universitários, diversos projetos e atividades que proporcionam condições de desenvolvimento social, formação da cidadania, acesso à justiça, à habitação, à saúde, além de promover o abrandamento da aguda desigualdade sócioeconômica da região. II.2.2 Das Ações Desenvolvidas pela Impugnante. A Impugnante oferece 4.600 vagas por ano em 26 cursos de graduação, todos reconhecidos pelo MEC, e dentre essas vagas disponibiliza em média 2.473 Bolsas de Estudo, além de desenvolver cerca de quatorze projetos de ação comunitária, em benefício dos membros de diversas comunidades carentes na região de Salvador. Demonstrandose a inequívoca condição de entidade beneficente de assistência social da impugnante, é imperioso ressaltar que nenhum dos programas descritos na impugnação foi levado em consideração quando da autuação da Impugnante. É certo que esses indicadores demonstram claramente que a Associação Universitária e Cultural da Bahia, por meio de sua mantida, Universidade Católica do Salvador, desenvolve as suas atividades em consonância com o disposto no artigo 203 da Constituição Federal de 1988, bem cumprindo a sua missão institucional. Dentre os programas desenvolvidos pela Impugnante, que foram ignorados pelo Sr. Agente Fiscal, citamse, entre outros, os seguintes: Programa de Bolsas de Estudos; Programa de Orientação para a Saúde; Programa de Integração UniversidadeComunidade; Projeto de Assessoria Jurídica Popular; Projeto de Educação para a Saúde; Projeto de Educação Sanitária; Projeto Criança do Amanhã; Programa Educação e Cidadania; Programa UCSAL nos Bairros; Projeto Economia dos Setores Populares; Projeto Atenção Família e Escola Diante de todo o exposto, se evidencia que a Impugnante é entidade voltada à assistência social. Além disso, os serviços acima relacionados são prestados pela Impugnante, conjuntamente com a Associação Cultural da Bahia, do que se pode extrair, desde já, que a personalidade jurídica de uma está compreendida na outra (conforme será melhor abordado mais adiante). II.3. – Da Falta de Individualização da Contribuição dos Empregados. No entanto, ao deixar de proceder à individualização da contribuição previdenciária supostamente devida por cada um dos empregados do Impugnante, a Fiscalização acabou por desrespeitar a norma contida no artigo 20 da Lei n.° 8.212/91 e o §5° do artigo 28 da Lei n° Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.852 4 8.212/91, que definem qual é a base de cálculo da contribuição devida pelos empregados e o seu limite máximo, respectivamente. Da simples leitura dos supramencionados dispositivos legais, depreendese que a contribuição devida pelos empregados deve sempre ser calculada mediante a aplicação de dois parâmetros: o primeiro relativo à alíquota aplicável a cada um dos empregados, variável de acordo com a sua faixa salarial; o segundo, mediante a limitação da base de cálculo ao valor máximo do salário de contribuição fixado pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. ... III DO DIREITO. III. 1 Da condição de Mantida/Mantenedora verificada entre a UCSAL e a Associação Universitária e Cultural da Bahia. A Associação Universitária e Cultural da Bahia e a Impugnante representam, na sua essência, uma única entidade jurídica. Em primeiro lugar, vale frisar que no Brasil é obrigatório que as Instituições de Ensino Superior (IES) do setor privado tenham uma entidade mantenedora, que, atualmente, poderá ser constituída sob qualquer forma prevista no Código Civil, com ou sem finalidade lucrativa. As Mantenedoras serão então as responsáveis pelas IES, possuindo personalidade jurídica adquirida com o registro de seus atos constitutivos nos competentes Cartórios de Registro de Pessoas Jurídicas. Caberá à Mantenedora, por sua vez, realizar o credenciamento para o funcionamento, bem como os pedidos de autorização de cursos da IES perante o Ministério da Educação MEC. Dessa forma, é imprescindível a existência de uma mantenedora para que exista uma IES. Nesse sentido, é importante ainda esclarecer que o próprio MEC, entidade responsável pela análise da documentação, autorização de funcionamento de IES e criação de cursos, em documentação oficial disponibilizada à consulta pública em seu site, reconhece a condição de Mantenedora à Associação Universitária e Cultural da Bahia, em face da Mantida UCSAL. Outrossim, vale relembrar que o CNAS sempre considerou as entidades como mantida/mantenedora, como se pode verificar dos Certificados da Impugnante, nos quais sempre contou que a UCSAL era a entidade mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia e que os benefícios dos respectivos certificados seriam extensivos a ela. Nesse ponto, é preciso retomar o contexto histórico, que gerou as interpretações distorcidas propostas pelo Sr. Agente Fiscal. De fato, em 1961, quando foi constituída a UCSAL, entidade mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia, o sistema era totalmente diferente do atual. Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.853 5 Notese, pois, que, em 1961, para que as Universidades fossem regulares perante o Ministério da Educação, elas deveriam ser constituídas em forma de associação ou fundação e era obrigatório o registro de seus estatutos, os quais disciplinariam apenas e tão somente a sua organização e funcionamento. No caso da Impugnante, esse Estatuto, que existia somente para fins da legislação educacional, sofreu duas alterações, uma em 1985 e outra em 1994, as quais foram devidamente registradas somente no Ministério da Educação, através da Sesu Secretaria de Educação Superior, (órgão competente para credenciar, recredenciar, autorizar, reconhecer e fiscalizar as entidades de ensino superior), já que não era mais preciso que os Estatutos, bem como suas alterações fossem registradas em Cartório. Todavia, a Associação Universitária e Cultural da Bahia não cancelou o Estatuto de sua mantida, registrado em 1961, pois entendeu que a sua existência era parte do processo de regularidade de criação da UCSAL. Obviamente que o Estatuto consolidado em 1985 não está registrado em cartório. Ora, o registro feito em 1961 somente ocorreu para os fins da legislação educacional; uma vez que, para tais fins, não era mais necessário registrar as alterações, esse ato não foi realizado, ratificando a inexistência de personalidade jurídica autônoma. Todavia, o referido Estatuto Social de 1961, de fato registrado, não tem mais qualquer validade perante terceiros, e o documento que efetivamente o substituiu foi, após a referida mudança legislativa, registrado somente no órgão regulatório do ensino no Brasil (o MEC), demonstrando a ausência de personalidade jurídica da Impugnante (a UCSAL). Assim sendo, a conclusão óbvia é: a Associação Universitária e Cultural da Bahia e a UCSAL são uma única unidade econômica, sendo a primeira a mantenedora e a segunda a mantida. E tal conclusão já foi alcançada pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Nesse sentido, transcreve paralelo entre os dois estatutos e conclusão formulada em processo julgado pela 8ª CaJ. Ainda que suficientes as alegações acima mencionadas, existem outras provas da patente relação de dependência (mantida/mantenedora) verificada entre a Associação Universitária e Cultural da Bahia e a Impugnante. De fato, um dos atributos da personalidade jurídica é o domicílio civil da entidade. No caso em tela, pode ser facilmente verificado que as duas entidades (mantenedora e mantida) possuem o mesmo domicílio civil, ou seja, a sede de ambas é a mesma. Corroborando ainda mais a alegação, notese que o imóvel onde funciona a UCSAL é de propriedade da Associação, conforme se verifica na matrícula do imóvel n° 44.775, registrada no 3º Ofício do Registro de Imóveis e Ato Constitutivo. Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.854 6 Além disso, a unicidade das duas entidades é tamanha que a Impugnante assumiu a responsabilidade de administrar o patrimônio da Associação Universitária e Cultural da Bahia. De fato, toda a contabilidade da Requerida é feita regularmente na UCSAL, vez que se trata, na prática, de uma universalidade, atuando com as funções de entidade mantenedora e mantida. Outra prova da existência da relação mantida/mantenedora das duas entidades, é o fato de que a Associação Universitária e Cultural da Bahia é a entidade inscrita no Fundo de Financiamento do Estudante do Ensino Superior FIES, conforme se verifica do extrato atualizado de conta FIES nos exatos termos do art. 1º. da Portaria n° 480 da Secretaria de educação Superior, de 5 de abril de 2000. Frisese novamente que, perante o MEC, as duas entidades são efetivamente reconhecidas como mantenedora/mantida, sendo certo que todas as requisições, registros, autorizações, reconhecimentos, renovações e credenciamentos são realizados pela Associação Universitária e Cultura da Bahia, mantenedora, em nome da UCSAL mantida. Portanto, diante dos argumentos acima, é inegável a afirmação de que a Impugnante e a Associação Universitária e Cultural da Bahia são de fato entidade mantida e entidade mantenedora, sendo reconhecidas desta forma pelo MEC . Ministério responsável pela regulamentação e fiscalização das IES. A identidade estrutural e civil entre a Impugnante e a Associação também vem sendo reconhecida por diversos órgãos da Administração Pública Federal, inclusive o próprio Conselho Nacional de Assistência Social CNAS ao conceder o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social à Associação, pois consignou expressamente que os efeitos do certificado seriam estendidos à Impugnante, na condição de mantida da Associação. Conclusivamente, não há como prosperar a alegação do Sr. Agente Fiscal de que a Impugnante deveria possuir um Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social em nome próprio. III.2 Do Cabimento da Remuneração Decorrente do Exercício do cargo de Dirigente. De fato, presumiu o Sr. Agente Fiscal que determinados pagamentos realizados pela Impugnante aos seus dirigentes tratariam de remuneração decorrente do exercício do cargo de gestão na entidade. Todavia, além de inexistir qualquer prova nesse sentido (o que, por si só, basta para refutar a pretensão do Sr. Agente Fiscal), a verdade é a de que os valores pagos pela Impugnante se prestavam a retribuir os trabalhadores da entidade, assim como os demais empregados e contribuintes individuais, mas que cumulavam suas atividades com o cargo de direção. A Impugnante não remunerou seus dirigentes apenas pelo fato de serem dirigentes. A remuneração decorre dos serviços (diversos da direção da entidade) que tais trabalhadores lhe prestam. Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.855 7 Nesse sentido, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, é lídimo que os trabalhadores de uma entidade beneficente sejam remunerados, desde que dentro dos parâmetros de mercado. É esse também o entendimento do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse sentido, transcreve diversas ementas. Logo, não há como prosperar a pretensão do Sr. Agente Fiscal, razão pela qual se conclui que a Impugnante atende todos os requisitos previstos na legislação para gozo da isenção tributária. III. 3 Hipótese de Incidência das Contribuições Previdenciárias. Se determinado pagamento não possuir as características de retributividade e/ou habitualidade, não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias. Esta conclusão não está vinculada ao fato de determinado pagamento estar ou não arrolado em uma das hipóteses de isenção do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n.° 8.212/91. mas sim à verificação da subsunção de determinado fato àquele descrito na hipótese de incidência tributária. Diferença entre remuneração de segurados contribuintes individuais declarada em GFIP e encontrada na folha de pagamento (item 7); Com relação às supostas divergências, a Impugnante informa que os valores declarados em Folha de Pagamento estão vinculados a trabalhadores que possuíam mais de uma inscrição no PIS/PASEP perante a Caixa Econômica Federal. Para esses trabalhadores, o número de inscrição do trabalhador ("NIT") utilizado pela Impugnante era diferente daquele que constava perante a Caixa Econômica Federal, gestora do SEFIPGFIP. No que diz respeito aos supostos valores declarados a menor pela Impugnante, cumpre esclarecer que decorrem de descontos indevidos realizados sobre pagamentos realizados aos trabalhadores, que não integravam a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Com efeito, tratamse de retenções de contribuição previdenciária sobre a remuneração de 2 (dois) trabalhadores quando, de fato, eles já teriam sofrido retenção no limite máximo de contribuição. Dessa forma, tais montantes indevidamente retidos (informação que pode ser facilmente verificada nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil) foram posteriormente devolvidos aos contribuintes individuais. Portanto, insta observar que descabe a pretensão creditória quanto a estes valores. Recolhimento a menor da multa de mora em Guias da Previdência Social das competências 08/2007 e 05/2008 (item 8). Em relação a este levantamento, a Impugnante informa que os recolhimentos por ela efetuados atendem as disposições legais em vigor, não existindo qualquer diferença passível de exigência (até porque, ressaltese, o Sr. Agente Fiscal não apresentou qualquer justificativa capaz de fundamentar tal entendimento). Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.856 8 Ainda assim, caso se entenda em favor dos argumentos da fiscalização, fato é que pelo instituto da denúncia espontânea, a exigência de multa de mora não poderá prosperar, conforme entendimento proferido pelo antigo Conselho de Contribuintes. Nesse sentido, transcreve diversas ementas. Com efeito, ainda que não sejam cancelados integralmente os lançamentos em questão, o que se admite apenas a título argumentativo, deverá esta d. Delegacia de Julgamento cancelar a multa de mora calculada em razão dos pagamentos realizados espontaneamente pelo Impugnante, com relação às competências de 08/2007 e 05/2008. Diferença entre remuneração de segurados empregados declarada em GFIP e encontrada na folha de pagamento (item 9). De início, parte das diferenças apontadas pela Fiscalização decorre da desconsideração do procedimento adotado pela Impugnante em relação aos recolhimentos das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores percebidos pelos empregados em atenção às respectivas admissões e rescisões dos contratos "retroativa". Isto é, as admissões retroativas eram feitas por circunstâncias em que o empregado iniciava suas atividades para a Impugnante e a "autorização para admissão" (ou, "Ato de Admissão") era emitida apenas após finalizados todos os trâmites burocráticos de contratação (o que ocorria em período posterior). Assim, enquanto a admissão não era "autorizada", o empregado exercia suas atividades regularmente, contudo, sem que sua remuneração pudesse ser declarada em folha de pagamento e GFIP. Em decorrência disso, quando liberada a autorização para admissão, a Impugnante retificava as GFIP dos períodos anteriores para que a remuneração devida em cada mês fosse devidamente alocada. Em relação às rescisões, o procedimento é semelhante. Isso porque, o pagamento dos valores devidos aos empregados ocorre somente depois do da data de desligamento, o que gera um recolhimento em atraso (com os respectivos encargos legais). Noutro passo, parte das divergências apontadas pelo Agente Fiscal decorrem, assim como exposto no tópico anterior, a empregados que possuíam mais de uma inscrição no PIS/PASEP perante a Caixa Econômica Federal. Para esses empregados, o número de inscrição do trabalhador ("NIT") utilizado pela Impugnante era diferente daquele que constava perante a Caixa Econômica Federal, gestora do SEFIP GFIP. Tal fato poderá ser facilmente verificado por esta D. Turma Julgadora, por meio das justificativas contidas nas planilhas anexas sobre cada empregado. Diferença entre o valor descontado pela Impugnante a título de Vale transporte (4,2%) e o valor previsto na legislação (6%) (item 10). Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.857 9 O desconto do valetransporte efetuado sobre o salário dos empregados da Impugnante é de 4,2%. Tal percentual foi aplicado a partir de julho/1989, após determinação de Fiscal do Trabalho da DRT Delegacia Regional do Trabalho, conforme Termo de Registro de Inspeção. Segundo o referido Termo de Registro, a Impugnante deveria: "... passar a descontar os 6% sobre o salário dos dias trabalhados e não os dos 30 dias (salário mensal: 30 x dias trabalhados x6%)" Veja que a determinação da Fiscalização do Trabalho não alterou a previsão contida na legislação (efetuar o desconto de 6%), mas tão somente explicitou o seu alcance (6% sobre os dias trabalhados). O raciocínio é lógico e pertinente, já que a concessão de valetransporte se restringe aos dias trabalhados e não aos 30 dias do mês. Assim, seguindo a determinação da autoridade administrativa, a Impugnante adotou como dias úteis a média mensal de 21 dias, chegando ao percentual de 4,2% (21 dias x 6% : 30 dias). Vale esclarecer: o desconto realizado pela Impugnante nunca deixou de ser de 6%; o que se alterou foi a base de cálculo do referido desconto. Valores desembolsados em favor da empresa Bradesco Previdência e Seguros S/A (item 11). A pretensão do Sr. Agente Fiscal não se coaduna com a legislação em vigor. Em primeiro lugar porque, na legislação em vigor, não há qualquer disposição que vede a negativa de novas adesões de participantes por força da "extinção" do plano de previdência complementar. Portanto, já se evidencia que o entendimento do Sr.Agente Fiscal carece de fundamento legal. Em segundo lugar porque, mesmo que existisse uma vedação à extinção do plano de previdência privada (o que se alega apenas a título de argumentação), o fato da Impugnante não estender o benefício a todos os seus empregados e dirigentes jamais justificaria a incidência de contribuições previdenciárias. O artigo 69 da Lei Complementar n.° 109/2001 não condiciona a exclusão das contribuições vertidas a planos privados de previdência complementar, da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Isso quer dizer que, independente da Impugnante disponibilizar um plano de previdência privada a todos os seus empregados e dirigentes, os valores a ele relacionado estão excluídos de tributação. Ao se confrontar a norma acima citada e aquela contida no artigo 28, §9°, "p" da Lei n.° 8.212/91 se conclui que esta última: (i) permanece válida, vigente e eficaz, mas apenas em relação aos planos de benefícios de entidades FECHADAS de previdência complementar. Isso porque, nos termos do artigo 16 da Lei Complementar n.° 109/2001, apenas os planos de benefícios mantidos por entidades de previdência fechadas devem ser extensível a todos os trabalhadores. Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.858 10 (ii) foi revogada tacitamente pelo artigo 69, §1° da Lei Complementar n.° 109/2001, por incompatibilidade, em relação aos planos de benefícios de entidades ABERTAS de previdência complementar, como é o caso dos autos e como já foi decidido pelo E. CARF no acórdão 230100.571. Valores desembolsados a título de Plano de Saúde (item 12). De acordo com as alegações do Sr. Agente Fiscal, o fato do plano de saúde custeado pela Impugnante não ser extensível a todos os empregados e dirigentes, razão pela qual as despesas a ele relacionadas integrariam a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O levantamento do Sr. Agente Fiscal não pode prosperar. Isso porque, em primeiro lugar, os benefícios de saúde concedidos gratuitamente aos empregados da Impugnante não podem ser considerados "habituais", eis que dependem de acontecimento futuro e incerto, podendo, até mesmo, nem serem usufruídos, caso não ocorram os episódios que justifiquem a demanda pelos mesmos, ou então, caso optem por serviços médicos diversos daqueles que lhe são disponibilizados pela administradora do plano de saúde. Confirase, a este respeito, a jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que, ao reconhecer a ausência de habitualidade da oferta patronal de planos de saúde, afasta a incidência de contribuições previdenciárias sobre a mesma. Notase que até a jurisprudência reconhece que, diante da ausência de habitualidade, a oferta gratuita de planos de saúde não se insere no âmbito conceitual de remuneração, de modo que não se pode fazer incidir a contribuição previdenciária sobre ela, independente de ser ou não extensível a todos os empregados e dirigentes. Resta, portanto, vislumbrada a hipótese de isenção previstas no artigo 28, §9°, "e", 7 da Lei n.° 8.212/91. Ademais, conforme visto anteriormente, para que qualquer valor integre a base de cálculo de contribuições previdenciárias é necessário que possua natureza retributiva, o que não ocorre no presente caso. A retributividade somente estaria presente in casu acaso tal benefício fosse proporcional à remuneração dos beneficiários, ao trabalho desempenhado por estes, à sua produtividade, ou a qualquer outra medida que indicasse uma retribuição da empresa pelos feitos individuais de seus empregados. Efetivamente, o pagamento de planos de saúde possui natureza iminentemente assistencial, cuja finalidade é a de resguardar a saúde dos empregados da Impugnante, razão pela qual jamais poderiam compor a base de cálculo de contribuições previdenciárias ou representar um ganho econômico para o empregado. Glosa das deduções de saláriofamília procedidas pela Impugnante (item 13). Não se pode olvidar que toda e qualquer verba de benefício previdenciário, incluindo o saláriofamília, não integra a base de Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.859 11 cálculo da contribuição previdenciária, pois não se está remunerando o trabalho. Ressaltese que o benefício do saláriofamília é pago aos segurados empregados e trabalhadores avulsos por seus empregadores, juntamente com o respectivo salário, para tão somente auxiliar no sustento dos filhos, e não em contraprestação pelos serviços prestados. Pagamentos realizados a fiscais nos concursos vestibulares da Impugnante (item 14); Entendeu o Sr. Agente Fiscal que os pagamentos realizados pela Impugnante aos fiscais de vestibular representariam remuneração por serviços prestados. Ocorre que, tais pagamentos são exclusivamente eventuais, o que os enquadra na hipótese de exclusão prevista no artigo 28, §9°, "e", 7 da Lei n.° 8.212/91. Valores pagos a título de bolsas de monitoria (item 15); A Monitoria é compreendida como uma atividade discente, de natureza acadêmica, direcionada ao currículo de cada curso e à formação do aluno. Caracterizase pelo aproveitamento do aluno em atividades acadêmicas de ensino, de pesquisa e de extensão, de natureza auxiliar e não substitutiva do professor. Logo, não há como classificar ou equiparar o valor da bolsa de monitoria à remuneração (o que é suficiente para refutar a pretensão do Sr. Agente Fiscal). Ademais, os pagamentos realizados pela Impugnante são eventuais (nos termos do artigo 28, §9°, "e", 7 da Lei n.° 8.212/91), razão pela qual não podem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. Valores pagos a título de "jeton"(item 16); A Impugnante expressamente esclareceu que o "Jeton" se presta a estimular a participação de representantes do corpo discente nos órgãos e comissões da instituição, em conformidade com o que estabelece o seu estatuto social. Deste modo, os pagamentos eventualmente realizados pela Impugnante estão condicionados e vinculados ao comparecimento nas reuniões por ela organizadas, razão pela qual não há que se falar em prestação de serviços. Assim, também não há como classificar os alunos que eventualmente receberam o "Jeton" como contribuintes individuais, porque jamais prestaram serviços à Impugnante. Valores pagos aos denominados estudantes facilitadores (item 17); Criouse a figura do estudante facilitador para informar e orientar o alunado quanto ao uso de nova ferramenta de matrícula, via internet, com vistas a desenvolver o espírito de solidariedade e de participação do alunado nos objetivos da comunidade acadêmica, como forma de consolidar a conduta participativa na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.860 12 A duração deste tipo de atividade não excede 45 dias por semestre. O principal benefício do aluno é o cômputo do tempo dedicado à Impugnante na carga horária da graduação, inclusive para efeito de equivalência a atividades complementares, ensejando a emissão de certificado. Não há contraprestação pecuniária pelo exercício da "função" de estudante facilitador. Há a possibilidade, em reconhecimento do tempo despendido pelo aluno, de se conceder eventual compensação/desconto no valor das mensalidades por ele devida, em valor simbólico. Por isso é que, para os alunos que possuem bolsa integral (ou outro benefício que lhe seja correspondente) nada lhes é concedido pelo fato de serem estudantes facilitadores (o que demonstra a natureza não salarial dos descontos eventualmente praticados pela Impugnante). Deste modo, os descontos praticados pela Impugnante são totalmente carentes de natureza remuneratória, assim como de habitualidade, razão pela qual não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Valores pagos a título de bolsas de estudos concedidos aos empregados e parentes dos empregados (item 18). A pretensão do Sr. Agente Fiscal é ilógica e ilegal. Em primeiro lugar porque, conforme definido anteriormente, apenas os valores pagos com habitualidade e em contraprestação pelos serviços prestados compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. No presente caso, contudo, as bolsas de estudos concedidas pela Impugnante JAMAIS se prestaram a retribuir o trabalho desempenhado pelos seus empregados, tampouco complementar/substituir a remuneração por eles percebida. Ademais, ressaltese que a aplicação ao caso do artigo 111 do Código Tributário Nacional é completamente equivocada, uma vez que não se está diante de norma de isenção, não se podendo, assim, justificar o uso da interpretação meramente literal. Logo, a alínea "t", do § 9o, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, não pode ser considerada como norma de isenção, já que apenas torna expresso o que decorre implicitamente da cláusula mais genérica contida no artigo 22 da Lei n° 8.212/91. E, ainda que se compreendesse que o artigo 28, § 9o, alínea "t", da Lei n.° 8.212/91, fosse regra de isenção, o mesmo não poderia ser interpretado de maneira meramente literal. Isto porque, as regras de isenção possuem um alto teor teleológico, já que são instrumentos das mais variadas políticas extrafiscais, as quais formam um substrato que não se pode ignorar no momento de interpretação. Transcreve decisões administrativas e judiciais nesse sentido. Ademais, o requisito isencional do presente caso referese apenas ao pagamento de bolsas de estudo à totalidade dos empregados e diretores das empresas, de modo que, cumprida esta única Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.861 13 determinação, não há que se falar em cobrança de contribuição previdenciária. Não há dúvidas de que, no caso em tela, a Impugnante cumpre perfeitamente esta determinação, concedendo as bolsas de estudos a todos os seus empregados e diretores, de modo que a regra de isenção não lhe pode ser afastada. O fato de a Impugnante estender as bolsas de estudos aos dependentes de seus empregados não representa descumprimento do requisito isencional, mas, muito pelo contrário, fortalece a demonstração de que ela vem preenchendo a hipótese que lhe permite o usufruto da isenção. O Sr. Agente Fiscal não pode estabelecer mais requisitos do que aqueles previstos em lei para o gozo de isenção. Ora, se existem pessoas dependentes de outras, presumese que os gastos com as necessidades básicas de tais dependentes serão suportados pelos seus responsáveis. Logo, falar em bolsa de estudo concedida ao dependente do trabalhador é a mesma coisa que falar em bolsa de estudo concedido ao próprio trabalhador. Outrossim, caso não se entenda pelo exposto acima, o que se afirma ad argumentandum, não há que se falar em contribuição previdenciária incidente sobre as bolsa de estudos concedidas aos empregados da entidade, em razão da finalidade alcançada com estes estudos, qual seja, o aperfeiçoamento profissional. Isto porque, diferentemente do equivocado entendimento do Sr. Agente Fiscal, para um adequado desenvolvimento profissional de qualquer trabalhador é imprescindível que este indivíduo possua formação acadêmica de nível superior. Com efeito, para que o indivíduo trabalhador tenha facilidade e condições de praticar as tarefas e atividades rotineiras, importante que ele tenha conhecimento técnico sobre determinada área e função. Para ilustrar, citese o funcionário que trabalha na área administrativa da instituição de ensino da Impugnante o auxiliar administrativo. Este funcionário, por óbvio, precisa ser alfabetizado e familiarizado na seara em que atua. No entanto, o simples: "ler e escrever"; "ser organizado"; "inteligente", etc. são insuficientes para que ele atenda as necessidades do empregador para ser promovido, por exemplo, ao cargo de Gerente. Para tanto, não basta apenas que ele seja alfabetizado, ele, necessariamente, para suprir as necessidades desta atividade, precisa ser graduado (graduação tecnológica) em Gestão Comercial curso este oferecido pela Impugnante. Por outro lado, não é apenas o indivíduo que se beneficia com o desenvolvimento profissional. Com efeito, ao se investir na educação dos empregados, bem assim promovendo o acesso deles à formação em nível superior, há uma série de vantagens diretas e indiretas para o empregador no curto, médio e longo prazo, tais como: (i) aumento da motivação dos funcionários, (ii) aumento da produtividade e da fidelidade dos funcionários, (iii) descoberta de novos talentos, (iv) vantagens no recrutamento de novos funcionários, pela preferência dada às empresas que incentivam o desenvolvimento pessoal e profissional por meio do incentivo à educação, etc. Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.862 14 Dessa forma, a concessão de bolsas de estudos de primeira graduação universitária aos empregados, exatamente como ocorrido no presente caso, constitui, de fato, investimento na qualificação profissional, razão pela qual não subsistem elementos para manutenção da autuação fiscal. III.4 – Da Ilegalidade da Majoração da Multa pelo Decurso de Tempo. Sob outro aspecto, não há motivo legal que permita que a cobrança da multa de mora seja majorada no tempo. Isso porque, ao determinar a progressão do percentual da multa de mora lastreada em fatores diversos da gravidade da ilicitude in casu, a mora e a prática de atos administrativos ao longo do tempo (tais quais a apresentação de defesa ou recurso administrativo, o pagamento parcial ou integral do tributo, a inscrição em dívida ativa, o ajuizamento de execução fiscal e etc.) o artigo 35 da Lei n.° 8.212/91 acabou por fazer com que a multa de ofício assumisse a função compensatória que é própria e exclusiva dos juros de mora, o que acaba por configurar o malfadado bis in idem. Em outras palavras, não existe justificativa legal capaz de fundamentar a onerosidade do percentual da multa de mora em razão do simples transcorrer do tempo ou em virtude da prática de determinados atos administrativos, já que tais expedientes se prestam a configurar uma nova infração ou a modificar a infração, tornandoa mais lesiva. E, nem se alegue que a aplicação do artigo 35 da Lei n.° 8.212/91 se justificaria pelo fato de se tratar de ato vinculado da Administração (oriundo do princípio da legalidade), pois a aplicação de um princípio (no caso, o da legalidade) deve ser ponderada em relação à aplicação de princípios como o da razoabilidade e, principalmente, o da proporcionalidade. Em outro giro verbal, apontese que a cobrança da multa de mora progressiva no tempo (tal como estava prevista no artigo 35 da Lei n.° 8.212/91) restou revogada com a edição da Medida Provisória n.° 449/08. Tais disposições, atreladas à norma contida no artigo 106, inciso II, alínea V do Código Tributário Nacional, conduz à conclusão de que a multa de mora exigida no presente caso não pode ser superior a 20% (vinte por cento), sob pena de ilegalidade. III.5 DA ILEGAL IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Noutro passo, à Impugnante incumbe refutar a imputação de responsabilidade solidária aos seus dirigentes. Isso porque, de acordo com a legislação em vigor, as únicas hipóteses em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias (principal ou acessória) estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, hipóteses estas que não ocorreram no caso presente e, insistase, não podem ser presumidas. Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.863 15 Por fim, ressaltese que de acordo com o artigo 13, parágrafo único da Lei n.° 8.620/93, a responsabilidade solidária dos sócios ou gerentes darseá somente quando provado pelo Fisco a inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa, sendo que tanto um como a outra jamais restaram configurados. III.6 DO NÃO CABIMENTO DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Necessário ressaltar, por derradeiro, que a notória ausência de infração (ilícito) por parte da Impugnante afasta a possibilidade de prosseguimento da representação fiscal para fins penais (tal como previsto no item 20 do Relatório Fiscal do Auto de Infração). Além disso, enquanto não vier a ser encerrado o presente processo administrativo, não pode prosseguir a representação fiscal para fins penais instaurada, nos termos do que reconhece a uníssona jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal. Assim, a Impugnante requer à Colenda Turma Julgadora seja determinada a suspensão do andamento da representação fiscal para fins penais instaurada, diante da ausência de fundamento legal e jurídico para tanto. Em sessão plenária de 09/12/2015, o julgamento foi convertido em diligência através da Resolução nº 2301000.547 para que se esclarecesse, independentemente da emissão do CEBAS em nome e CNPJ da mantenedora (essa informação está clara nos autos), sobre a possibilidade de extensão desse reconhecimento como entidade beneficente à mantida, ora recorrente. Esse indício resultou do fato de que em outros triênios o CEBAS constara a extensão de efeitos à mantida e da alegação que perante o MEC formam um agregado de duas entidades com personalidades jurídicas para consecução de uma única unidade econômica: a mantenedora com as atribuições de representação junto ao MEC e coordenação/administração/supervisão de atividades da mantida (atividadesmeio) e esta, com a atividade propriamente dita de ensino (atividadefim): 2. Constatase que alguns CEBAS emitidos para períodos anteriores aos fatos geradores constava a extensão de seus efeitos à recorrente, fls. 246/248 e que a mantenedora obteve a renovação do CEBAS para o período de 01/01/2004 a 31/12/2009, fls. 254/255. ... Para a convicção deste colegiado é necessário que se esclareça sobre a execução efetiva de atividades de ensino por parte da mantenedora a justificar o CEBAS obtido por ela ou se apenas é uma entidade cujo objeto estatutário é a coordenação/administração/supervisão de atividades de ensino executadas através de outra entidade, no caso a recorrente. A diligência também buscou informações sobre a remuneração dos dirigentes da entidade: Quanto a remuneração de dirigentes, seja trazida aos autos alguma das folhas de pagamento analítica ou outro documento que comprove o descumprimento do artigo 29 inciso I da Lei nº 12.101, de 27 de Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.864 16 novembro de 2009, ou seja, tratase de remuneração como contraprestação pelo cargo de dirigente, membro de conselho administrativo ou outra atividade atribuída pelos atos constitutivos: Como resposta à diligência, a fiscalização afirma que no local não funciona qualquer atividade e que segundo relatos de empresas próximas, a mantenedora funciona no mesmo endereço que a mantida. Após intimação para apresentação de documentos a fim de se identificarem as atividades desenvolvidas pela mantenedora a justificar o CEBAS obtido, foram apresentados, dentre outros, o estatuto e o relatório de atividades da mantenedora e folhas de pagamento da mantida com as remunerações aos dirigentes, fls. 2682 e s. A recorrente, no cumprimento da intimação, também apresentou respostas aos questionamentos feitos pela fiscalização. Reitera que, na verdade, mantenedora e mantida funcionam como uma entidade única de ensino, a primeira na atividademeio e a segunda na atividadefim, independentemente da constituição formal de duas pessoas jurídicas com distintos CNPJ, fls. 2727 e s. Em manifestação após o relatório de diligência, o recorrente sustenta que a diligência não fora cumprida, limitandose a fiscalização a trazer informações acerca de ausência de atividades da mantenedora no endereço de cadastro e outras colocações, fls. 2813 e s. É o Relatório. Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.865 17 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator A decisão recorrida se sustenta no fundamento de que sendo ambas pessoas jurídicas regularmente constituídas e com CNPJ próprio, o reconhecimento da recorrente como entidade beneficente seria vedado pelo artigo 55, §2º da Lei 8.212/91, atual artigo 30 da Lei 12.101/2009: Em relação às alegações supratranscritas, cumpre inicialmente registrar que independentemente do fato da Impugnante e da Associação Universitária e Cultural da Bahia serem ou não entidade mantida e entidade mantenedora, a UCSAL não tem direito à isenção, em razão de não cumprir os requisitos necessários para tanto. A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva a outra empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja por aquela mantida ou controlada, conforme redação do §2º do art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, atualmente substituído pelo art. 30 da Lei 12.101/2009. Assim, a Impugnante não pode querer se valer do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social da Associação Universitária e Cultural da Bahia para que seja reconhecido seu direito à isenção. A polêmica central discorre sobre a UCSAL possuir ou não personalidade jurídica própria. ... Lei nº 8.212/91: artigo 55 (...) §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) ... Lei nº 12.101/2009 Art. 30. A isenção de que trata esta Lei não se estende a entidade com personalidade jurídica própria constituída e mantida pela entidade à qual a isenção foi concedida. Pareceme que tal dispositivo legal é até mesmo desnecessário. Por óbvio que uma entidade não pode se apropriar da imunidade/isenção concedida a outra entidade, ainda que entre elas exista uma relação entre mantenedora/mantida. Quando a mantenedora é reconhecida como entidade beneficente de assistência social em razão das atividades que desempenha diretamente não se estende seu CEBAS às entidades ensino por ela mantidas, que não necessariamente estarão cumprindo os mesmos requisitos legais: percentual mínimo de gratuidades, não remuneração de dirigentes etc. Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.866 18 Mas o caso que ora se examina não é tão simples assim. A diligência não soluciona a dúvida quanto à possibilidade de que a mantenedora não desenvolva diretamente atividade de ensino, mas somente indiretamente, e justamente através da mantida, ora recorrente. As respostas prestadas pela recorrente à intimação reiteram o que fora alegado desde a impugnação sobre a rígida divisão de atribuições: mantenedora com as atividades meio, dentre as quais a representação junto ao MEC, e a mantida com as atividadesfim na área de ensino. Apesar das informações trazidas pela fiscalização e pelo recorrente, ressaltandose que não foram examinados os registros contábeis e outros documentos da mantenedora, ainda não se tem certeza razoável se as atividadesfim de ensino são, de fato, desempenhadas somente pela entidade mantida. O compartilhamento do mesmo estabelecimentosede, fls. 2682, ou a alegação de que mantenedora e mantida desempenham suas atividades conjuntamente, como se formassem uma unidade econômica, não são informações suficientes para se esclarecer se a mantenedora também executa diretamente atividades de ensino a justificar a concessão de CEBAS. Com efeito, examinando o artigo 2º do estatuto da entidade mantenedora, constatase que a entidade mantenedora também pode manter e dirigir outras organizações de caráter cultural e social além da Universidade Católica de Salvador, fls. 2718. E na resposta à intimação durante a diligência, a recorrente apresentou várias atividades que poderiam estar sendo executadas direta ou indiretamente pela mantenedora, fls 2733. Não é vedado pelo MEC que entidades mantenedoras mantenham mais de uma entidade ou mesmo que desenvolvam diretamente atividades e ensino. Assim, as dúvidas permanecem: caso a mantenedora, de fato, somente cuide das atividadesmeio e não mantenha outra entidade que não a recorrente, como poderia ela ser reconhecida como entidade beneficente de assistência social e não seja extensivo esse direito à mantida, aquela que efetivamente desempenha atividadesfim na área de ensino? Em relação à atividade de ensino, como o contribuinte é a entidade que contrata segurados empregados e os remunera e não a entidade mantenedora (considerando que seus segurados desempenham apenas atividadesmeio), comprovada a situação acima, reconhecer a imunidade/isenção apenas para a mantenedora resultaria que os efeitos somente seriam em relação aos segurados das atividadesmeio, ficando de fora justamente o corpo docente da instituição de ensino. Será essa uma discussão de mérito após o esclarecimento principal: abstendose da tese levantada pelo recorrente de que comporiam uma unidade econômica de fato, a entidade mantenedora desenvolve ou não diretamente atividadefim de ensino, ou seja, concorrentemente à atividade da mantida? Retornando, então, ao fundamento adotado pela fiscalização, bastaria que o CEBAS tenha sido emitido em nome da mantenedora e a mantida tenha personalidade jurídica própria para não se admitir a possibilidade de que, na verdade, o CEBAS se refira às atividades da mantida, ou seja, segundo esse entendimento coincidiriam emissão e concessão, ainda que se tratem de entidades dentro de uma relação mantenedora/mantida. Dessa forma, a emissão em nome da mantenedora excluiria qualquer possibilidade de a concessão ser para a mantida, mesmo que na avaliação realizada pelo MEC que levou à concessão do CEBAS tenham sido analisados apenas os requisitos legais cumpridos pela mantida. Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.867 19 Quantos aos requisitos legais previstos na Lei nº 12.101/2009, na página mantida na internet, o MEC os apresenta de forma prática: Documentos Para comprovar o atendimento aos requisitos definidos pela Lei nº 12.101/2009, e suas alterações, a entidade deve apresentar documentos e informações relativos à entidade mantenedora, assim como a todas as suas mantidas. São eles: Entidade mantenedora: comprovante de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ); cópia da ata de eleição dos atuais dirigentes e do instrumento comprobatório de representação legal, quando for o caso; cópia autenticada do ato constitutivo registrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, na forma da lei, com identificação do Cartório em todas as folhas e transcrição dos dados de registro no próprio documento ou em certidão (Art. 3º, III, do Decreto nº 7.237, de 20/7/2010), comprovando que a entidade foi constituída e está em funcionamento há, no mínimo, doze meses. Em se tratando de fundações, deverá ser atendido o art. 62 do Código Civil Brasileiro – escritura pública do ato constitutivo; relatório de atividades desempenhadas no exercício fiscal anterior ao requerimento, destacando informações sobre o público atendido e os recursos envolvidos; plano de atendimento com concessão de bolsas, bem como as ações assistenciais e programas de apoio aos alunos bolsistas; demonstrações contábeis e financeiras do exercício anterior ao do requerimento, compreendendo: Balanço Patrimonial assinado pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no Conselho Regional de Contabilidade (CRC); Demonstração do Resultado do Exercício assinada pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC; Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido assinada pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC; Notas Explicativas do exercício anterior ao requerimento assinadas pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC; Demonstração dos Fluxos de Caixa do exercício anterior ao requerimento assinada pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC. Obs.1: Se a receita bruta anual do exercício anterior ao do requerimento for superior ao limite máximo estabelecido no inciso II, do art. 3º, da Lei Complementar nº 123/2006 , deverá ser encaminhado um parecer de auditoria independente do exercício anterior ao requerimento. Obs.2: Com relação aos demonstrativos contábeis, é importante que se observe as Normas Brasileiras de Contabilidade, em especial a Interpretação Técnica Geral (ITG2002). Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.868 20 Entidade mantida (instituição de educação): ato de credenciamento da instituição de educação regularmente expedido pelo órgão normativo do sistema de ensino; relação de bolsas de estudo e demais ações assistenciais e programas de apoio a alunos bolsistas, com identificação precisa dos beneficiários (documentos protocolados a partir de 2011); documentos relativos ao processo de seleção de bolsistas e à análise do perfil socioeconômico; plano de atendimento, com indicação das bolsas de estudo e ações assistenciais, além dos programas de apoio a alunos bolsistas, durante o período pretendido de vigência da certificação; regimento ou estatuto; identificação dos integrantes do corpo dirigente, destacando a experiência acadêmica e administrativa de cada um; caso a entidade atue concomitantemente na área de assistência social, deve ser também apresentado o comprovante de inscrição das ações assistenciais desenvolvidas junto aos conselhos municipais ou do Distrito Federal e o comprovante de que as referidas ações são realizadas de forma gratuita, continuada e planejada; se o requerimento for de renovação, deverá ser apresentado o relatório de atendimento às metas definidas no plano de atendimento precedente. Como se vê, são exigidos comprovantes de ambos, mantenedora e mantidas, destacandose que os documentos exigidos para as mantidas são justamente relativos à atividadefim e, especialmente, à concessão de bolsas de ensino e gratuidades em geral. Por fim, oportuno mencionar que há acórdãos desse CARF em outros processos do mesmo recorrente que adotou o mesmo entendimento da fiscalização; porém, sem apreciação da questão a que se refere a diligência: Acórdão nº 2301003.537 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária E o CEBAS da mantenedora não é extensivo à mantida, assim como a isenção. Portanto, não há a necessidade de se cancelar o CEBAS da mantenedora. Quanto o argumento de ausência de personalidade jurídica própria, os documentos juntados aos autos contradizem tal afirmação. O próprio estatuto da UCSAL dispõe, no art. 3o, que ela é dotada de autonomia didáticocientífica, financeira, administrativa e disciplinar. Acórdão nº 2401002.884 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DIREITO A ISENÇÃO ENTIDADE MANTENEDORA EXTENSÃO DA ISENÇÃO A MANTIDA APLICAÇÃO APENAS A ENTES DESPERSONALIZADOS. Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 10580.733921/201193 Resolução nº 2301000.632 S2C3T1 Fl. 2.869 21 Existindo personalidade jurídica, não prospera o argumento de que a entidade poderia valerse da condição de isenta de sua mantenedora. Os termos do Parecer 509 do MPAS são aplicados apenas a entes despersonalizados. ... Conforme bem destacado pelo auditor, e reforçado perante a Decisão do CRPS transcrita no relatório fiscal complementar, a UCSAL possui personalidade jurídica, devendo ela própria cumprir os requisitos do art, 55 da lei 8212/91, quanto ao gozo de isenção. Assim, ao não ter requerido a isenção, ou mesmo possuir os documentos que possibilitariam a realização do pedido, não há de fazer jus a isenção pretendida, considerando que também não requereu, perante o INSS o direito a isenção. ... A informação sobre a execução direta de atividades de ensino pode ser obtida dos registros contábeis e os respectivos documentos de caixa da entidade mantenedora. Caso, de fato, ela preste diretamente atividades de ensino, independentemente da entidade mantida, haverá registros das receitas auferidas de seus alunos. Acrescentase nessa diligência um pedido de outra informação: a recorrente seria a única entidade mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia? E quanto à remuneração de dirigentes, que se esclareça sobre a origem dos pagamentos: decorreriam da condição de diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores ou, de outra forma, seria uma contraprestação pela atividade docente, coordenação pedagógica ou outra atividadefim do ensino? Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos acima e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 2874DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.901376/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Ementa:
PER/DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA. O CARF não tem
competência para analisar pedido de cancelamento de PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1301-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA. O CARF não tem competência para analisar pedido de cancelamento de PER/DCOMP.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10384.901376/2008-95
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5650570
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-002.139
nome_arquivo_s : Decisao_10384901376200895.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10384901376200895_5650570.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6547419
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692384071680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 160 1 159 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.901376/200895 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.139 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria Compensação/Restituição Recorrente GRANJAS UNIÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA. O CARF não tem competência para analisar pedido de cancelamento de PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 13 76 /2 00 8- 95 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10384.901376/200895 Acórdão n.º 1301002.139 S1C3T1 Fl. 161 2 Relatório Por bem sintetizar a lide, adoto o relatório do Acórdão nº 0827.323 da 3ª Turma da DRJ/FOR (fls. 69/76): O processo foi digitalizado posteriormente à sua formalização, de sorte que há uma pequena diferença entre a numeração original das folhas e a nova numeração atribuída automaticamente pelo sistema eprocesso, que está sendo adotada na presente decisão. Tratase de manifestação de inconformidade, fls. 02/19, apresentada em decorrência da não homologação do pedido de compensação (DCOMP nº 39875.59797.310304.1.3.030025), conforme despacho decisório emitido eletronicamente, fls. 20. Consta no referido despacho decisório o seguinte motivo para indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 52.483,92 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 45.356,76 O contribuinte foi cientificado do referido despacho em 10/09/2008, fls. 21, tendo apresentado a contestação em 24/09/2008, fls. 02/19, contrapondose ao despacho decisório com base nos argumentos a seguir sintetizados. A requerente ingressou com duas PER/DCOMPs, cópias acostadas nos autos, sendo a primeira apresentada em 31/03/2004, preenchida de forma incorreta, a qual deve ser cancelada, requerendo a compensação do IRPJ código 2430, ajuste anual de 31/12/2003, no valor principal de R$ 16.845,53 (dezesseis mil oitocentos e quarenta e cinco reais e cinqüenta e três centavos). O valor foi objeto de autuação por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil e devidamente quitado, conforme se comprova com cópia de DARF que segue em anexo. A segunda foi apresentada em 03/02/2007, requerendo a compensação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ devido por estimativas nos meses de Junho, Julho, Agosto, Setembro e Outubro de 2005 no valor total de R$ 66.497,36 (sessenta e seis mil quatrocentos e noventa e sete reais e trinta e seis centavos), com saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurada em 31/12/2003 no montante de R$ 45.536,76 (quarenta e cinco mil quinhentos e trinta e seis reais e setenta e seis centavos), desta feita preenchida de forma correta, inclusive com o demonstrativo detalhado do crédito, sendo esta declaração que deve prevalecer para efeito de homologação da compensação requerida. O referido crédito consta da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, apresentada a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cópias acostados nos autos. No fundamento da decisão a autoridade administrativa informa que não foi possível confirmar a apuração do crédito, tendo em vista que o montante do crédito informado na DIPJ não corresponde ao valor do saldo negativo informado nos Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10384.901376/200895 Acórdão n.º 1301002.139 S1C3T1 Fl. 162 3 PER/DCOMPs, afirmação que não corresponde à verdade material dos fatos, conforme comprova a documentação ora acostada nos autos. Não procedem os argumentos apontados pelo autor do despacho decisório para não homologar as compensações declaradas na DCOMP, apresentada em 03/02/2007, sob a alegação de que não foi possível confirmar a apuração do crédito, o que não é verdade. A defesa transcreve os dispositivos legais relacionados à compensação e faz um breve comentário sobre o lançamento tributário para concluir que ficou demonstrado e provado que o lançamento objeto da presente lide não pode prosperar, tendo em vista que a exigência do crédito tributário está embasada em premissas fora dos parâmetros que foram legalmente fixados pela Lei. Assim, requer o seu cancelamento. Conclui afirmando que fica demonstrado e provado que é indevido o crédito tributário exigido através do despacho decisório no valor total de R$ 64.087,68 (sessenta e quatro mil oitenta e sete reais e sessenta e oito centavos), em razão da não homologação dos PER/DCOMPs apresentadas pelo requerente, tendo em vista que a referida cobrança foi objeto de compensação, conforme devidamente comprovado nos autos, e a outra parte foi objeto de lançamento de ofício e devidamente quitado. Assim, requer o seu cancelamento. A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente, não conhecendo do pedido de cancelamento do PER/DCOMP nº 39875.59797.310304.1.3.030025, por se tratar de matéria fora de seu campo de competência e homologando a compensação de que trata o PER/DCOMP nº 29156.58355.030207.1.3.031881 até o limite do saldo negativo da CSLL disponível, relativo ao exercício 2004, anocalendário 2003. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 110/121), alegando, em síntese, que o despacho decisório é improcedente, tendo em vista que o débito compensado não existe, devendo ser desconsiderada a compensação efetuada e cancelada a declaração de compensação. Por não atingir os valores estipulados na Portaria/MF nº 3/2008, não foi interposto Recurso de Ofício. Eis a síntese do necessário. Passase ao voto. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. Cuida o presente processo da não homologação das compensações tratadas nos PER/DCOMPs nº 39875.59797.310304.1.3.030025 e 29156.58355.030207.1.3.031881. O crédito é decorrente de saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2003, exercício de 2004. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10384.901376/200895 Acórdão n.º 1301002.139 S1C3T1 Fl. 163 4 Nos termos do despacho decisório (fl. 20), não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na DIPJ não corresponde ao saldo negativo informado no PER/DCOMP. Em relação ao PER/DCOMP nº 39875.59797.310304.1.3.030025, a DRJ decidiu que não possui competência para apreciar pedido de cancelamento de PER/DCOMP, não havendo como acolher a solicitação da defesa nesse sentido. Já no que tange ao PER/DCOMP nº 29156.58355.030207.1.3.031881, homologou a compensação até o limite do saldo negativo da CSLL disponível, entendendo que os documentos acostados aos autos e as informações registradas nos sistemas da Receita Federal corroboram com o alegado pela defesa. Em sede recursal, o contribuinte alega que o PER/DCOMP ora discutido, que trata de compensação do IRPJ código 2430, ajuste anual de 31/12/2003, no valor principal de R$ 16.845,53, foi preenchido de forma incorreta. Contudo, esse valor foi objeto de autuação por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (processo administrativo nº 10384.005694/200823), sendo devidamente quitado, conforme comprovado por DARF acostado à impugnação. Ocorre que, como bem demonstrou a decisão da DRJ, o cancelamento da PER/DCOMP deve ser requerido pelo contribuinte em procedimento próprio e não por meio do presente processo administrativo. Confirase: De acordo com o art. 62 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, vigente à época da ciência do despacho decisório e da apresentação da manifestação de inconformidade, a desistência do PER/DCOMP deve ser formulada pela interessada a partir do programa PER/DCOMP, nos seguintes termos: “Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação.” O mesmo regramento é mantido no art. 93 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012, atualmente em vigor. Adoto, pois, os fundamentos exarados pela DRJ em decisão de 1ª instância. Logo, este Colegiado não é competente para apreciar pedido de cancelamento de PER/DCOMP devido à inexistência do débito, não devendo ser acolhidas as pretensões do contribuinte neste sentido. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, NEGARlhe provimento. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10384.901376/200895 Acórdão n.º 1301002.139 S1C3T1 Fl. 164 5 É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.016904/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de atividades próprias de pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001.
REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF.
Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
STJ. ISENÇÃO DE COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS.
No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pronunciou-se o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos.
Numero da decisão: 9303-004.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201611
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de atividades próprias de pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF. Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. STJ. ISENÇÃO DE COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pronunciou-se o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.016904/2005-11
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5669471
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.370
nome_arquivo_s : Decisao_10680016904200511.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 10680016904200511_5669471.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6601250
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692388265984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.202 1 1.201 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.016904/200511 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.370 – 3ª Turma Sessão de 08 de novembro de 2016 Matéria COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA ASSEDEF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de atividades próprias de pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF. Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. STJ. ISENÇÃO DE COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pronunciouse o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 69 04 /2 00 5- 11 Fl. 1202DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 330201.121 (fls. 1.028 a 1.033) proferido pela 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, da Terceira Seção de julgamento, em 08 de julho de 2011, provendo o recurso voluntário da Contribuinte, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 ENTIDADES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.203 3 caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção da Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades, relativamente aos serviços prestados que façam parte de seu objeto social. Recurso Voluntário Provido. A controvérsia tem origem na lavratura de auto de infração em face da ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA ASSEDEF (fls. 07 a 16), e respectivo Termo de Verificação Fiscal (fls. 17 a 40), para exigência de crédito tributário de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), em razão da falta de recolhimento quanto aos fatos geradores compreendidos entre janeiro de 2000 e dezembro de 2001. O lançamento decorreu do não oferecimento à tributação pela COFINS das receitas decorrentes de mensalidades, aluguéis e aplicações financeiras. A Fiscalização verificou que a Contribuinte não efetuou o pagamento do tributo por entenderse como isenta da COFINS em relação às receitas acima elencadas, nos termos do art. 195, §7º da Constituição Federal de 1988, do art. 55 da Lei nº 8.212/91, anteriormente às alterações da Lei nº 9.732/98 e do art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Cientificado da autuação em 30/11/2005, o Sujeito Passivo apresentou a respectiva impugnação (fls. 192 a 204), julgada improcedente pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que manteve o crédito tributário lançado, nos termos do Acórdão nº 0217.452 (fls. 298 a 308), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Pelas atividades desempenhadas, as instituições de educação, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as entidades beneficentes de assistência social, não se lhes aplicando o beneficio constitucional a essas restrito. As receitas provenientes da prestação de serviços educacionais, por seu caráter contraprestacional, são tributadas pela Cofins. Lançamento Procedente Contra referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 316 a 333), alegando, em síntese, que (a) somente o CNAS pode atestar a qualidade de entidade beneficente de assistência social, divergindo o entendimento da DRJ do Supremo Tribunal Federal; e (b) atende aos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, sem as alterações da Lei nº 9.732/98, fazendo jus à isenção da COFINS. Fl. 1204DF CARF MF 4 Na sessão de julgamento de 06/06/2009, por meio da Resolução nº 3302.00.002 (fls. 476 a 478), a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteu o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à repartição de origem, sendo instada a Contribuinte a comprovar o atendimento aos requisitos estabelecidos no inciso V e no §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, autorizadores da concessão da isenção da COFINS. Como resultado da diligência, foram anexados aos autos pelo Sujeito Passivo (fls. 482 a 1.026): Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS expedida em 15 de junho de 2010 e com validade por seis meses atestando a inscrição da Requerente no referido conselho, o porte válido do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social até 31/1212009 e o requerimento de renovação do referido certificado formalizado tempestivamente; Relatório de atividades do ano de 2000 entregue ao INSS em 27 de abril de 2001; Relatório de atividades do ano de 2001 entregue e ao INSS em 23 de abril de 2002. Posteriormente, sobreveio julgamento do recurso voluntário, em sessão realizada em 08/07/2011, no sentido de dar provimento ao mesmo nos termos do Acórdão nº 330201.121 (fls. 1.028 a 1.033), ora combatido, para: (a) reconhecer que as receitas vinculadas à prestação de serviços educacionais estão albergadas pela isenção prevista no inciso X, do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835/2001; e (b) excluir da base de cálculo da contribuição os valores decorrentes de demais receitas provenientes de rendas e promoções, recuperações e indenizações, dividendos e descontos recebidos, aluguéis de salão, quadra, etc. e aplicações financeiras, nos termos da decisão prolatada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal nos recursos extraordinários nºs 357.950, 390.480 e 358.273, declarando incidentalmente a inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Nesta oportunidade, por meio de recurso especial de divergência (fls. 1.036 a 1.049), insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão de julgamento do recurso voluntário, requerendo a sua reforma no que tange à isenção da COFINS sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços, prevista no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e à exclusão das receitas de aluguéis da base de cálculo da COFINS, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98. Aponta como paradigmas os acórdãos nºs 20178.812 e 20219.348. No mérito, sustenta que: (a) as receitas decorrentes da prestação de serviços, mesmo se relacionadas às atividades próprias da entidade, devem ser tributadas pela COFINS, pois não qualificadas como "receitas relativas às Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.204 5 atividades próprias", nos termos do §2º, art. 47 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002; (b) pela correta interpretação do art. 195, §7º da Constituição Federal, a Recorrida também não possui imunidade em relação à COFINS, por entender não fazerem parte da assistência social os serviços de educação; (c) por fim, sustentou serem as receitas de aluguel integrantes da base de cálculo da COFINS, pois se referem à atividade operacional da Contribuinte, conforme exige o STF para incidência da referida exação. O recurso especial foi admitido apenas parcialmente por meio do Despacho nº 330000.404, de 17/10/2013 (fls. 1.076 a 1.079), em razão de ter sido demonstrada a divergência jurisprudencial quanto ao conceito de atividades próprias estabelecido no art. 14, inciso X da MP nº 2.15835/2001, tão somente quanto às receitas de caráter contraprestacional. Segundo o juízo de admissibilidade, a Fazenda Nacional não logrou demonstrar a existência nos paradigmas de interpretação divergente referente ao §1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98, concernente à exclusão das receitas de aluguéis da base de cálculo da COFINS. O Sujeito Passivo apresentou contrarrazões (fls. 1.095 a 1.111) sustentando, preliminarmente, a inadmissibilidade do apelo especial e, no mérito, requerendo a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Fl. 1206DF CARF MF 6 Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, devendo portanto ser conhecido na parte em que admitido. Importa referir que à época da interposição do recurso especial, em 02/09/2011, as teses relativas ao enquadramento das instituições de ensino como de assistência social, bem como à isenção de COFINS das receitas decorrentes de atividades contraprestacionais não se encontravam pacificadas. Ainda, conforme se verifica do resultado do acórdão nº 930301.486, a decisão deuse por maioria do Colegiado, demonstrando ainda persistir dissenso na Câmara Superior à época do ingresso do recurso, não havendo de se falar na sua inadmissibilidade com base no §10, do art. 67, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Mérito No mérito, a matéria em discussão restringese à análise da isenção da COFINS sobre as atividades próprias da Contribuinte, prevista no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, mais especificamente sobre as receitas decorrentes da prestação de serviço de ensino (mensalidades escolares e taxas), portanto, com caráter contraprestacional. Conforme se constata do Termo de Verificação Fiscal (fls. 17 a 40), a Fiscalização entendeu não ter a atividade educacional desempenhada pela Contribuinte caráter assistencial, pois é propiciada mediante o pagamento de mensalidades, constituindose em uma contraprestação por vínculo contratual. Além disso, considerou como sendo atividades próprias da Recorrida tão somente aquelas elencadas no art. 47, §2º da Instrução Normativa nº 247/2002, e desde que não tenham caráter contraprestacional direto. Partindo dessa premissa, autuou a Recorrente pelo não recolhimento de COFINS sobre as receitas decorrentes do pagamento de mensalidades, pois estariam excluídas da isenção em razão do seu caráter contraprestacional: [...] 2 No período sob ação fiscal, 2000 e 2001, foi apresentada Declaração de Informações EconômicoFiscais, identificando a entidade como imune do IRPJ e desobrigada de apuração da CSLL. Foram informados valores a titulo da Contribuição para o PIS sobre folha de salários e não foram declarados valores para a COFINS. 3 Verificouse também, no mesmo período retro citado, que não constaram em DCTF — Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais, valores devidos da COFINS, bem como não foram efetuados recolhimentos em DARF, a este titulo. [...] 5 A Associação Educacional Escolápia Feminina — ASSEDEF é composta de unidades, cada uma constituída como filial e algumas com atividade econômica produtiva auferindo receitas de atividades, tais como: prestação de serviço de ensino (mensalidades escolares e taxas), venda de apostilas; aluguéis, aplicações financeiras entre outras, conforme demonstrado Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.205 7 nas planilhas apresentadas em resposta ao Termo de Inicio de Fiscalização. Compõem também as receitas da entidade as contribuições espontâneas da sociedade e dos seus associados. [...] CONSIDERAÇÕES SOBRE OS FATOS CONSTATADOS E LEGISLAÇÃO APLICÁVEL [...] Alternativamente, devemos considerar a imunidade prevista no § 7° do art. 195 da Constituição Federal de 1988, que prevê: "Art. 195. A seguridade social semi financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei. Portanto, neste contexto fazse necessário verificar se estamos tratando, com efeito, no caso da ASSEDEF, de entidade de assistência social, dentro dos contornos definidos para tais entes na Constituição Federal e na legislação especifica. A Constituição Federal de 1988, traçando os contornos da assistência social, informa, em seu artigo 203, que será ela prestada "a quem dela necessitar" e tem por objetivos: [...] Da análise dos objetivos listados acima se conclui que a assistência social tem o caráter de socorro aos desprotegidos. [...] Entretanto, verificouse que no caso da entidade fiscalizada, a educação é propiciada também mediante o pagamento de mensalidades, denotandose, então, uma contraprestação por vinculo contratual, sem nenhum caráter assistencial nestes casos. Nada impede, é verdade, que a atividade educacional faça parte da assistência social, quanto aos serviços gratuitos, porém, disso não se pode deduzir, que a atividade educacional, por si só, configure assistência social, máxime quando se verifica que, no caso concreto, é exercida mediante o pagamento de mensalidade. [...] Retornando à legislação de regência da COFINS, com a publicação da Lei n° 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição foi alterada, determinandose a incidência da contribuição sobre todas as demais receitas. Logo a seguir, foi editada a Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999 (atualmente MP n° 2.15835, de 2001), que, através de seu art. 14, X, isentou dessa contribuição, as receitas decorrentes das atividades próprias das entidades relacionadas no art. 13 do mesmo diploma. Fl. 1208DF CARF MF 8 [...] Tais entidades, dessa forma, têm direito ao beneficio do art. 14, X, da Medida Provisória n° 1.8586/1999, ou seja, são isentas da COFINS as receitas relativas as suas atividades próprias. Concluise, pois, que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, sujeitamse à incidência da Cofins todas as demais receitas que não se enquadrem no conceito de receita típica ou de atividades próprias. A Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, esclarece o alcance da exclusão conferida pela expressão "receitas relativas As atividades próprias", nos termos seguintes: "Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9° desta Instrução Normativa: I não contribuem para o PIS/PASEP incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins em relação as receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1° Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei n2 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais." (grifouse) [...] Concluise serem receitas de atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, isentas da Cofins nos termos do art. 14, X, da Medida Provisória n° 18586, de 1999, (reeditada como Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001), apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. Entendese assim, como atividades próprias aquelas que não ultrapassam a órbita dos objetivos sociais das respectivas entidades. Estas normalmente alcançam as receitas auferidas que são típicas das entidades sem fins lucrativos, tais como: doações, contribuições, inclusive sindical e a assistencial, mensalidade e anuidades recebidas de profissionais inscritos, de associados, de mantenedores e de colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção daquelas entidades e à execução de seus objetivos estatutários. Portanto, a isenção não alcança as receitas que são próprias de atividade de natureza econômicofinanceira ou empresarial. Por isso, sujeitamse à incidência da contribuição, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matriculas e mensalidades, inclusive bolsas de estudos custeadas pelo poder público dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus associados e em seu beneficio, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.206 9 esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade e, receitas de aplicações financeiras, conforme as disposições dos art. 2° da Lei Complementar 70/91 e dos arts. 2° e 3°,§1°, da Lei n° 9.718/98. Pelo exposto, ficou claro que não obstante o preenchimento dos requisitos legais pela ASSEDEF a serem observados pelas entidades beneficentes de assistência social, seja do art. 14 do CTN, (artigo este, que a propósito, nem sequer aplicase às contribuições sociais, mas sim aos impostos sobre o patrimônio, a renda e serviços; portanto, este artigo é lembrado apenas a titulo de ilustração), seja do art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991, a mesma prestou serviços, que pela legislação vigente, se enquadram no campo de incidência da COFINS, ou seja, nada tem haver com a assistência social beneficente. [...] CONCLUSÃO À luz do disposto no presente termo, concluise que o contribuinte fiscalizado, sendo uma instituição sem fins lucrativos, com atividades educacionais e de assistência social, está sujeito ao pagamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, incidente sobre as receitas auferidas pelas atividades econômicas de prestação de serviços (mensalidades escolares, taxas escolares etc) por corresponderem à contraprestação dos serviços prestados pela entidade, venda de produtos e receitas financeiras, entre outras, na forma estabelecida pela legislação aplicável. [...] (grifouse) De início, o entendimento exposto pela Fiscalização e ora defendido pela Procuradoria da Fazenda Nacional não merece prosperar, devendo restar incólume a decisão recorrida. A Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, por seu artigo 1º, instituiu a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas e aquelas a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, estabelecendo como base de cálculo o faturamento mensal. A partir de fevereiro de 1999, com a superveniência da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, nos termos do seu art. 8º, a COFINS passou a incidir sobre a receita bruta à alíquota de 3% (três por cento). Referido diploma legal estabeleceu em seu art. 3º, §1º como sendo receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes a atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Pontuese que o art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal e, posteriormente, revogado pela Lei nº 11.941/2009. Em 24 de agosto de 2001, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835 (em vigor por força da Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001), que tornou isentas da COFINS, a partir de fevereiro de 1999, as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação e de assistência social, nos termos do seu art. 14, inciso X: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 1210DF CARF MF 10 [...] X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Dispõe o art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835/2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (grifouse) Nos termos da legislação, portanto, as instituições de educação e de assistência social referidas no art. 12 da Lei nº 9.532/97, com redação dada pela Lei nº 9.718/98, estão isentas da COFINS quanto às receitas decorrentes de atividades próprias. A isenção está vinculada a dois pontos: à qualidade da pessoa jurídica ("[...] instituição de educação e de assistência social que preste serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado") e à natureza da atividade como sendo própria da entidade e sem fins lucrativos. As associações são pessoas jurídicas de direito privado regidas pelo ordenamento jurídico civil e pelas disposições estatutárias no atinente à sua gestão, nos termos dos artigos 44, 53 e 54, todos do Código Civil de 2002. Assim, estando as associações sujeitas às disposições estatutárias, para enquadramento das atividades por elas exercidas como sendo próprias imprescindível a análise do seu estatuto social. Nessa linha relacional, a Associação Educacional Escolápia Feminina ASSEDEF, é pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de associação de fins Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.207 11 não econômicos, de caráter educacional, cultural, assistencial e beneficente, e tem por finalidade a prestação de serviços educacionais, conforme consta em seu Estatuto Social (fls. 47 a 70), in verbis: Art. 1º A ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA "ASSEDEF", a seguir denominada por "ASSOCIAÇÃO", fundada em 13 de abril de 1973, na Cidade e Comarca de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, é uma pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de uma associação de fins não econômicos, de caráter educacional, cultural, assistencial e beneficente, com inscrição no CNPJ/MF sob o n° 22.985.832/000147, e está organizada de conformidade com a legislação vigente no Brasil e com o presente Estatuto. [...] Art. 2° A ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA "ASSEDEF" tem por finalidade: a) Oferecer e desenvolver o ensino em seus vários graus, a educação moral, cívica e religiosa; b) Dedicarse às obras de promoção humana, beneficente, assistencial e social; c) Assistir, através de convênios com outras instituições, públicas e/ou privadas, outras entidades de educação, cultura e assistência social. Art. 3° A ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA "ASSEDEF", pode firmar convênios ou contratos de prestação de serviços com outras instituições congêneres ou afins, para o melhor atendimento de suas finalidades sociais, mesmo que pertençam a outras pessoas, físicas ou jurídicas, inclusive aos poderes públicos. [...] (grifouse) Partindose do critério segundo o qual se considera própria de uma entidade a atividade desenvolvida por ela que esteja relacionada em seus atos constitutivos, certamente incluída na motivação da sua criação, indubitavelmente as receitas da prestação de serviços educacionais (mensalidades, taxas e etc), glosadas pela Fiscalização, devem ser consideradas como atividades próprias da Recorrida, pois devidamente listadas na alínea "a" do seu Estatuto Social. Por conseguinte, estão devidamente albergadas pela isenção da COFINS estabelecida no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. No caso dos autos, o posicionamento adotado pela Fiscalização, no sentido de não se enquadrarem na norma da isenção da COFINS as receitas decorrentes das atividades de prestação de serviços de educação, embasouse exclusivamente no fato de as mesmas terem caráter contraprestacional, não as descaracterizando, todavia, como sendo atividades próprias da Contribuinte. Estando a atividade desenvolvida pela ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA em harmonia com as disposições constantes do seu Estatuto Social e Fl. 1212DF CARF MF 12 com a finalidade para a qual a mesma foi criada, o fato de a mesma ser contraprestacional não a descaracteriza como atividade própria da entidade, em consonância com o disposto no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, devendo ser mantida a isenção da COFINS sobre as receitas dela decorrentes. Além disso, o art. 997 do Código Civil estabelece como um dos requisitos do contrato social firmado para exploração de negócio que vise o lucro a formalização de cláusula especificando a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. A atividade da associação está em sentido diametralmente oposto, pois mesmo havendo a cobrança pelos serviços assistenciais, próprios da entidade na finalidade a qual se destina, desde que represente receita destinada à manutenção das atividades próprias para as quais a pessoa jurídica foi instituída, não pode descaracterizar a receita como sendo de atividade própria e não empresarial. Nesse sentido são as disposições contidas nos artigos 61 a 64 do Estatuto Social da Contribuinte (fls. 60 a 61): Art. 61 Os recursos econômicos e financeiros da ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLÁPIA FEMININA "ASSEDEF" são os provenientes de: a)Anuidades, contribuições, taxas e emolumentos escolares; b) Rendimentos ou rendas de seus bens ou serviços; C) Receitas decorrentes de contratos ou convênios de prestação de serviços; d) Receitas decorrentes de convênios Assistenciais e filantrópicos; e) Auxílios e Subvenções dos Poderes Públicos; f) Donativos de pessoas físicas e jurídicas; g) Eventuais receitas, rendas ou rendimentos. Art. 62 A totalidade dos recursos EconômicoFinanceiros previstos no artigo anterior serão integralmente aplicados na consecução das finalidades institucionais da Associação, dentro do território Nacional. Art, 63 A ASSOCIAÇÃO aplica o eventual resultado operacional constatado em seus registros contábeis na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, e não distribui lucros, dividendos, bonificações ou parcelas de seu patrimônio a seus associados, a qualquer titulo. Art. 64 A ASSOCIAÇÃO pode, para melhor atender a seus objetivos institucionais, aplicar seus excedentes financeiros em instituições educacionais, culturais e de assistência social que objetivem promover a coletividade, mediante a assinatura de Contratos ou Convênios Filantrópicos. (grifouse) Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.208 13 Portanto, na análise em questão, ponto fundamental é verificar a natureza jurídica das receitas, se decorrentes ou não de atividades próprias da entidades. O fato de terem caráter contraprestacional não tem o condão de descaracterizálas como originárias de atividades próprias da entidade. Ainda, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional, a legislação que disponha sobre a outorga de isenção deve ser interpretada restritivamente. No caso, a interpretação restritiva do art. 14, inciso X, da MP nº 2.15835/2001 conduz à conclusão de que a isenção de COFINS abrange todas as receitas relativas às atividades próprias das entidades, indistintamente, restando excluídas apenas aquelas não relacionadas com a finalidade para a qual a entidade foi constituída. Por esta razão, resta afastada a restrição perpetrada pelo art. 47, §2º da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pois não estabelecida pelo legislador originário. No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pronunciouse o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil de 1973, então vigente), e cuja observância é obrigatória por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016. Transcrevese a ementa do julgado proferido pelo STJ no recurso especial nº 1353111/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, publicado em 18/12/2015 no Diário de Justiça Eletrônico, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158 35/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. Fl. 1214DF CARF MF 14 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Processo n. 19515.002921/200639, Acórdão n. 20312738, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF / DF, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, publicado em 11/03/2008; Processo n. 10580.009928/200461, Acórdão n. 3401 002.233, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, publicado em 16/08/2013; Processo n. 10680.003343/200591, Acórdão n. 3201001.457, 1ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano Damorim, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, publicado em 04/02/2014; Processo n. 13839.001046/200558, Acórdão n. 3202000.904, 2ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF. Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, publicado em 18/11/2013; Processo n. 10183.003953/200414 acórdãos 930301.486 e 9303001.869, 3ª TURMA / CSRF, Rel. Cons. Nanci Gama, julgado em 30.05.2011; Processo n. 15504.019042/201009, Acórdão 3403 002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, publicado em 01/08/2013; Processo: 10384.003726/200775, Acórdão 3302001.935, 2ªTO / 3ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, publicado em 04/03/2013; Processo: 15504.019042/201009, Acórdão 3403002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, julgado em 25.06.2013; Acórdão 9303001.869, Processo: 19515.002662/200484, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos, Sessão de 07/03/2012. 5. Precedentes em sentido contrário: AgRg no REsp 476246/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 12/11/2007, p. 199; AgRg no REsp 1145172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 29/10/2009; Processo: 15504.011242/201013, Acórdão 3401002.021, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Odassi Guerzoin Filho, publicado em 28/11/2012; Súmula n. 107 do CARF: "A receita da atividade própria, objeto de isenção da COFINS prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP n. 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei n. 9.532, da 1997". 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10680.016904/200511 Acórdão n.º 9303004.370 CSRFT3 Fl. 1.209 15 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1353111/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2015, DJe 18/12/2015) (grifouse) Da argumentação expendida, conclusão inarredável é o reconhecimento como decorrentes de atividades próprias da Associação as receitas da prestação de serviços educacionais (mensalidades, taxas, etc), estando, por conseguinte, abrangidas pela isenção da COFINS nos termos do art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, independente do seu caráter contraprestacional. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1216DF CARF MF
score : 1.0
