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Numero do processo: 13808.000423/96-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1991, 1992, 1993, 1994
RECURSO ESPECIAL COM PARADIGMA CONTRÁRIO À SÚMULA CARF.
Não se conhece de recurso especial cujo paradigma é contrário a Súmula do CARF.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO NO TEMPO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância (Súmula CARF nº 103).
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helio Eduardo de Paiva Araújo, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Luís Flávio Neto, Nathalia Correia Pompeu e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1991, 1992, 1993, 1994 RECURSO ESPECIAL COM PARADIGMA CONTRÁRIO À SÚMULA CARF. Não se conhece de recurso especial cujo paradigma é contrário a Súmula do CARF. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO NO TEMPO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância (Súmula CARF nº 103). Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helio Eduardo de Paiva Araújo, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Luís Flávio Neto, Nathalia Correia Pompeu e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1991, 1992, 1993, 1994 RECURSO ESPECIAL COM PARADIGMA CONTRÁRIO À SÚMULA CARF. Não se conhece de recurso especial cujo paradigma é contrário a Súmula do CARF. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO NO TEMPO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância (Súmula CARF nº 103). Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helio Eduardo de Paiva Araújo, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Luís Flávio Neto, Nathalia Correia Pompeu e Marcos Aurélio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 04 23 /9 6- 56 Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 09/08/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 9101002.360 CSRFT1 Fl. 1.222 2 Pereira Valadão (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório A Fazenda Nacional recorre a este Colegiado, por meio de Recurso Especial de Divergência (efls. 1203 e ss.), contra o Acórdão nº 120200.777 (efls. 1187 e ss.), de 09/05/2012, o qual não conheceu do recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1991, 1992, 1993, 1994 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. Não se conhece de recurso de ofício interposto em decisão que exonera o sujeito passivo de crédito tributário (tributo e multa) inferior ao limite de alçada previsto no artigo 34, I, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas por meio da Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 03/2008. IRPJ. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A correção monetária das demonstrações financeiras tem como objetivo traduzir em valores reais os elementos patrimoniais e, por conseqüência, a base de cálculo do Imposto de Renda. A correção monetária dos depósitos judiciais tem por escopo estornar despesa cujo valor, escrituralmente, integra o Patrimônio Líquido. Desnecessária a atualização da conta do Ativo representativa do depósito judicial, quando a contribuinte deixa de corrigir monetariamente a contrapartida passiva representativa da exigibilidade. Súmula nº 58 do CARF. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (efls. 245 e ss.), a contribuinte foi objeto de ação fiscal, na qual foi constatado que realizou apropriação indevida de variações cambiais, que omitiu receitas operacionais e que realizou compensação indevida de prejuízos acumulados. Como consequência, foram lavrados autos de infração (efls. 274 e ss) para exigir IRPJ, IRRF, CSLL e seus encargos moratórios. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 953 e ss) e a decisão de primeira instância deulhe provimento parcial (efls. 896), exonerando parte do crédito tributário exigido. Em razão de o valor exonerado ter superado o limite previsto na Portaria MF nº 375, de 2001, então vigente, o Presidente da Turma Julgadora recorreu de ofício. Por sua vez, o contribuinte apresentou recurso voluntário contra a parte remanescente da exigência. Ao apreciar os dois recursos, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste CARF (efls. 1187 e ss.) verificou que o valor Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 09/08/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 9101002.360 CSRFT1 Fl. 1.223 3 exonerado do crédito tributário era inferior ao limite previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, então vigente. Com isso, o recurso de ofício não foi conhecido. Na mesma decisão, a Turma Julgadora deu provimento ao recurso voluntário. A Fazenda Nacional apresenta o presente recurso especial (efls. 1203) apontando uma única divergência, qual seja, sobre a decisão de qual norma deve ser aplicada para definir o valor exonerado do crédito tributário que autoriza o recurso de ofício, se a norma vigente na data da interposição do recurso ou a norma vigente na data do julgamento do recurso. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls. 1212 e a contribuinte não apresentou contrarrazões (efl. 1219). É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. A decisão de primeira instância deu provimento parcial à impugnação apresentada contra os lançamentos tributários. O montante do valor assim exonerado superou o limite previsto na Portaria MF nº 375, de 2001, então vigente, o que deu ensejo a recurso de ofício, nos seguintes termos (efl. 898): Submetase à apreciação do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com o artigo 34 do Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972 e da Portaria MF n° 375, de 07 de dezembro de 2001, por força do recurso necessário. (Grifei) Todavia, na data em que esse recurso foi apreciado, a supracitada portaria já havia sido revogada, tendo sido substituída pela Portaria MF nº 3, de 2008, cujo limite para o recurso de ofício agora era superior ao valor exonerado. Diante de tal fato, a decisão de segundo grau foi no sentido de aplicar a legislação vigente e não conheceu do recurso de ofício, nos seguintes termos (efls. 1196): Por meio da Portaria nº 03, de 03 de janeiro de 2008, do Ministro de Estado da Fazenda, este limite de alçada foi fixado em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), correspondente ao somatório do tributo e multa liberado. No presente recurso, o montante do tributo e multa exonerado pela Turma Julgadora de Primeira Instância corresponde a valor inferior a R$ 1.000.000,00, conforme fls. 747/748, não se enquadrando nas condições previstas na Portaria MF nº 03/2008, sendo, portanto, inaplicável este regimento ao caso em questão. Assim sendo, voto no sentido de não conhecer do Recurso de Ofício de fls. 725, por inferior ao limite de alçada. (Grifei) A solução da presente lide limitase à decisão de qual norma deve ser aplicada para se encontrar o limite para a admissão do recurso de ofício, se a norma vigente na data da interposição do recurso ou a norma vigente na data do julgamento do mesmo recurso. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 09/08/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000423/9656 Acórdão n.º 9101002.360 CSRFT1 Fl. 1.224 4 Todavia, essa questão já foi pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo, por meio da Súmula CARF nº 103, verbis: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. O §3º do artigo 67 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, impede o seguimento de recurso especial impetrado contra decisão que adotou o entendimento sedimentado em súmula, ainda que a súmula seja posterior a essa decisão, verbis: § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Na espécie, a decisão recorrida está de acordo com a referida Súmula nº 103, de forma que o recurso especial que a combate não atende aos requisitos de admissibilidade. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda. Adriana Gomes Rêgo Relatora Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 09/08/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721412/2015-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE.
São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível. Recurso Voluntário Negado
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PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 14 12 /2 01 5- 24 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10183.721412/201524 Acórdão n.º 2202003.517 S2C2T2 Fl. 89 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10183.721412/201524, em face do acórdão nº 0266.308, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 2014/316838012540321, expedida em 02/02/2015, referente a imposto sobre a renda de pessoa física, exercício 2014, anocalendário 2013, apurando saldo do imposto a restituir ajustado no montante de R$17.965,38 frente à importância pleiteada de R$26.469,48, fls. 41 a 46. O lançamento decorreu da apuração das seguintes infrações: a) Dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$30.624,00, pois, segundo a autoridade lançadora, foi considerada parcialmente a pensão paga a Supriana de Souza Dutra, considerando 02 (dois) salários mínimos (12 x R$724,00) = R$17.376,00. b) Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$300,00, pois, segundo a autoridade lançadora, não foi considerada a despesa médica de Luiz Gustavo Castro Marques, com data de emissão de 07/12/2012. Cientificado da notificação em 12/02/2015, fls. 48, o contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 6 a 7, apresentou impugnação em 10/03/2015, fls. 2 a 4,acompanhada dos documentos de fls. 8 a 23, contestando parcialmente o lançamento. Concorda com a glosa de despesas médicas. Alega que o entendimento do Poder Judiciário é no sentido de que a pensão alimentícia é dedutível da base de cálculo do imposto de renda, seja ela decorrente ou não de decisão judicial, desde que devidamente comprovada. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10183.721412/201524 Acórdão n.º 2202003.517 S2C2T2 Fl. 90 3 Sustenta que comprovou os pagamentos à pensionista no montante de R$48.000,00. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 71/81, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Trata o litígio de glosa da dedução de parte da pensão alimentícia no valor de R$ 48.000,00. Foi considerado dedutível somente R$ 17.376,00, ou seja "12 x (2 x R$ 724,00)". Diante disso, foi glosado o excedente a dois salários mínimos mensais, ou seja, R$ R$ 30.624,00. Alega o recorrente que não haveria a necessidade de decisão judicial ou acordo homologado pela justiça para que os valores pagos que excedem a dois salários mínimos mensais fossem considerados como dedutíveis. Deste modo, argui que o valor pago acima do estabelecido judicialmente (dois salários mínimos), também deve ser dedutível. O Decreto n° 3.000, de 29/03/1999 — RIR/1999 é claro ao permitir somente a dedução das importâncias pagas a título de pensão em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente; in verbis: Decreto n° 3.000, de 29/03/1999 — RIR/1999 Pensão Alimentícia Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n° 9.250, de 1995, art. 4 0, inciso II). No presente caso, o recorrente, não apresentou qualquer prova da existência de sentença judicial, ou acordo judicial, que determine o pagamento de pensão alimentícia maior que o já fixado (de dois salários mínimos). Sem tal comprovação, concluise que os valores entregues pelo recorrente à alimentanda Supriana de Souza Dutra, são oriundos de mera liberalidade, não se constituindo tais valores em pagamentos de pensão alimentícia, pois o valor pago a título de pensão alimentícia é aquele previsto em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10183.721412/201524 Acórdão n.º 2202003.517 S2C2T2 Fl. 91 4 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 23034.000503/2003-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/12/2000 a 28/02/2003
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO.
1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência.
2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial.
3. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observando-se o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/1996.
4. Precedentes do CARF e do STJ.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observandose o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/1996. 4. Precedentes do CARF e do STJ. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 05 03 /2 00 3- 44 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 23034.000503/200344 Acórdão n.º 2402005.442 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase da Notificação de Recolhimento de Débito nº 2003/0000625, lavrada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE em 02/05/2003, que constituiu crédito tributário relativo ao salárioeducação, no período de 31/12/2000 a 28/02/2003, no valor total de R$ 6.083,19 (fl. 20). A autoridade fiscal relatou que a recorrente impetrou Mandado de Segurança pleiteando a compensação do salárioeducação que havia sido recolhido indevidamente no período de 03/1989 a 12/1996. Houve a concessão de liminar, mas ela foi cassada na sentença que denegou a segurança. À época do lançamento, a ação estava aguardando julgamento da apelação. Após tomar ciência da autuação em 08/05/2003 (fl. 21), a recorrente apresentou defesa, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso. O Presidente do FNDE, em consonância com as razões expostas pela Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e do SME, indeferiu a defesa, mantendo o lançamento integralmente. A contribuinte foi intimada da decisão em 24 de novembro de 2003 (fl. 128) e interpôs recurso em 23 de dezembro de 2003 (fls. 129/136), alegando em síntese que: a) As considerações da autoridade administrativa acerca da constitucionalidade da contribuição são irrelevantes, pois essa questão seria matéria da ação ordinária, devendo, portanto, ser analisada na esfera judicial; b) O lançamento não poderia ter sido efetuado, vez que ela estava amparada por tutela antecipada concedida na referida ação; c) A autoridade administrativa não poderia ter efetuado o lançamento com imposição de multa de mora. Diante do advento da Lei 11.457/2007, os autos foram transferidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), conforme despacho de fl. 246. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente será conhecido. 2 Lançamento preventivo de decadência Segundo a recorrente, o lançamento não poderia ter sido efetuado, vez que ela estava amparada por tutela antecipada concedida em ação ordinária. Contudo, este Colegiado tem o entendimento uníssono de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. Vejase: [...] LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual e material para a constituição do crédito tributário. [...] Recurso Voluntário Provido. (Relator(a) RONALDO DE LIMA MACEDO, acórdão 2402 004.749, julgado em 09/12/2015) É sabido que a decadência não se interrompe, nem se suspende, de maneira que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. A existência de tal ato ou procedimento está prevista, inclusive, no art. 63 da Lei 9.430/1996, cuja redação é a seguinte: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de Fl. 296DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 23034.000503/200344 Acórdão n.º 2402005.442 S2C4T2 Fl. 4 5 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. Outro não é o entendimento da doutrina: Assim, promovida a ação declaratória ou impetrado o mandado de segurança, pode e deve a Fazenda Pública fazer o lançamento respectivo. Seus agentes fiscais obterão junto ao contribuinte os elementos materiais necessários à quantificação do tributo, cuja cobrança será feita a final, se a decisão lhe for favorável. (HUGO DE BRITO MACHADO, Revista de Direito Tributário, 68, p. 48) A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. (ALBERTO XAVIER, Do lançamento – Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed, p. 428) A Primeira e a Segunda Turma do C. STJ têm o mesmo entendimento. Veja se: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. [...] 3. A suspensão da exigibilidade do crédito, apesar de impedir o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedentes: REsp 1129450/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 28.2.2011; AgRg no REsp 1183538/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24.8.2010; REsp 1168226/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.5.2010. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 (REsp 1259346/SE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2011, DJe 13/12/2011) RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O art. 151, IV, do CTN, determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos EREsp 572.603/PR, entendeuse que "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar" (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005). 3. Recurso especial desprovido. (REsp 736.040/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 268) A existência do lançamento efetuado para prevenir a decadência está prevista na Súmula CARF nº 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Logo, o recurso deve ser desprovido neste ponto. 3 Multa moratória No entender da recorrente, a autoridade administrativa não poderia ter efetuado o lançamento com imposição de multa de mora. Ocorre que, em memoriais apresentados por ocasião da sessão de julgamento, a recorrente informou ter ajuizado a ação anulatória nº 2004.51.01.0248009, para pleitear o cancelamento da referida multa. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 23034.000503/200344 Acórdão n.º 2402005.442 S2C4T2 Fl. 5 7 Sendo assim, deve ser integralmente aplicada a Súmula CARF nº 1, a qual é de observância obrigatória, ex vi do art. 72 do Regimento Interno desta Corte. Vejase: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Logo, o recurso não deve ser conhecido neste ponto. 4 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 299DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11050.001666/2009-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.930
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido.
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MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 16 66 /2 00 9- 52 Fl. 501DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001666/200952 Acórdão n.º 9303003.930 CSRFT3 Fl. 502 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.285, que deu provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo afastou a exigência da multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada sob o fundamente de que a expressão “imediatamente após”, constante da redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, traduz subjetividade, e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de prestar informações à autoridade aduaneira. Cientificada do acórdão acima indicado a Fazenda Nacional apresentou recurso especial. Foi suscitada divergência quanto ao entendimento de que a exigência da penalidade em foco somente teria aplicação após 15/02/2005, quando entrou em vigor a IN SRF nº 510/2005, que, pela primeira vez, estabeleceu um prazo certo para o cumprimento da obrigação em foco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.914, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10715.002502/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.914): "Quanto à expressão constante da IN SRF 28, de 1994 (imediatamente após), filiome à interpretação dada pelo acórdão paradigma. Esta matéria já foi, por diversas vezes, objeto de apreciação no CARF. O conselheiro José Luís Novo Rossari já enfrentou essa questão. Porém, ouso discordar do ilustre conselheiro. Eis o entendimento do ilustre conselheiro, que constou de vários acórdãos de sua lavra. 'A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1o da IN Fl. 502DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001666/200952 Acórdão n.º 9303003.930 CSRFT3 Fl. 503 3 SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro), verbis: “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações Fl. 503DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001666/200952 Acórdão n.º 9303003.930 CSRFT3 Fl. 504 4 sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)”Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade.' Fl. 504DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001666/200952 Acórdão n.º 9303003.930 CSRFT3 Fl. 505 5 A minha discordância se dá em relação à conclusão exposta no último parágrafo. Não há que se falar em falta de força normativa da IN 28/1994 para a imposição da multa, já que a norma fala em imediatamente após. Não é um prazo certo, porém não se autoriza a entrega da declaração dias após o embarque. A lei não contém palavras inúteis e se fosse a intenção de não se penalizar a conduta prescrita na norma, não haveria razão para a sua existência. Tampouco há que se falar em retroatividade benigna, já que não houve alteração da penalidade. O que ocorreu foi apenas uma mudança no prazo de entrega da declaração o que não altera em nada o fato típico e nem a penalidade. No meu entender, não há que se falar em ausência de penalidade pela falta de um prazo certo. O fato de a norma dizer "imediatamente após" não tem o condão de excluir a multa. Se assim fosse não era para a norma dizer nada. Existe um comando legal e uma penalidade. O descumprimento desse comando obrigação acessória enseja a aplicação da penalidade prevista na norma. Portanto, devese reformar o acórdão recorrido e restabelecer a exigência da penalidade aplicada pela autoridade fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade." Aplicandose a decisão do processo paradigma acima transcrita ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 505DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10820.003473/2008-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003, 2004, 2005
MATÉRIA ARGUIDA EM RECURSO NÃO CONHECIDA PELO ÓRGÃO RECORRIDO. DESCABIMENTO DE SUA ANÁLISE POR ESTA VIA RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. TRIBUTÁRIO. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE.
Descabida a análise do Recurso especial interposto por Frigorífico Baby Beef LTDA EPP, considerando que o recurso voluntário e os embargos de declaração interpostos por esta recorrente não foram conhecidos pelo colegiado recorrido.
A cobrança de juros de mora sobre penalidade pecuniária possui respaldo legal, em havendo atraso no recolhimento do principal: lei n° 9.430/96, em consonância com o art. 552 do Decreto n° 7.212/10 e art. 161 do Código Tributário Nacional.
Recurso especial de Frigorífico Baby Beef LTDA EPP não conhecido e de Marcos Antônio Pompei conhecido, porém negado provimento.
Numero da decisão: 9101-002.386
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial interposto pelo responsável solidário e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Luis Flávio Neto.
Nome do relator: NATHALIA CORREIA POMPEU
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003, 2004, 2005 MATÉRIA ARGUIDA EM RECURSO NÃO CONHECIDA PELO ÓRGÃO RECORRIDO. DESCABIMENTO DE SUA ANÁLISE POR ESTA VIA RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. TRIBUTÁRIO. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. Descabida a análise do Recurso especial interposto por Frigorífico Baby Beef LTDA EPP, considerando que o recurso voluntário e os embargos de declaração interpostos por esta recorrente não foram conhecidos pelo colegiado recorrido. A cobrança de juros de mora sobre penalidade pecuniária possui respaldo legal, em havendo atraso no recolhimento do principal: lei n° 9.430/96, em consonância com o art. 552 do Decreto n° 7.212/10 e art. 161 do Código Tributário Nacional. Recurso especial de Frigorífico Baby Beef LTDA EPP não conhecido e de Marcos Antônio Pompei conhecido, porém negado provimento.
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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU, Assinado digitalmente em 03/10/2 016 por NATHALIA CORREIA POMPEU, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Fl. 12665DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU, Assinado digitalmente em 03/10/2 016 por NATHALIA CORREIA POMPEU, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Fl. 12666DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU, Assinado digitalmente em 03/10/2 016 por NATHALIA CORREIA POMPEU, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Fl. 12667DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - 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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU, Assinado digitalmente em 03/10/2 016 por NATHALIA CORREIA POMPEU, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901405/2014-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.339
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.901405/201484 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.339 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2016 Matéria COFINS. Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 05 /2 01 4- 84 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901405/201484 Acórdão n.º 3402003.339 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901405/201484 Acórdão n.º 3402003.339 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901405/201484 Acórdão n.º 3402003.339 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901405/201484 Acórdão n.º 3402003.339 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013587/2006-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
SÓCIO-ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA.
Nos termos da jurisprudência majoritária do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco, ensejando a aplicação da multa de ofício na forma qualificada, tal como ocorre com aquele que apura valores de receita em seus livros fiscais e contábeis e nada declara.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96.
O não atendimento da intimação para entregar os arquivos magnéticos que o contribuinte deveria possuir justifica o agravamento da multa de ofício.
Recurso Especial negado.
Numero da decisão: 9303-004.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 SÓCIO-ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA. Nos termos da jurisprudência majoritária do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco, ensejando a aplicação da multa de ofício na forma qualificada, tal como ocorre com aquele que apura valores de receita em seus livros fiscais e contábeis e nada declara. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. O não atendimento da intimação para entregar os arquivos magnéticos que o contribuinte deveria possuir justifica o agravamento da multa de ofício. Recurso Especial negado.
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MULTA Recorrente BM COMERCIAL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 SÓCIOADMINISTRADOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA. Nos termos da jurisprudência majoritária do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco, ensejando a aplicação da multa de ofício na forma qualificada, tal como ocorre com aquele que apura valores de receita em seus livros fiscais e contábeis e nada declara. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. ART. 44 DA LEI Nº 9.430/96. O não atendimento da intimação para entregar os arquivos magnéticos que o contribuinte deveria possuir justifica o agravamento da multa de ofício. Recurso Especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 35 87 /2 00 6- 62 Fl. 959DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 340300.527, de 26/08/2010, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2002 SUJEIÇÃO PASSIVA. MODIFICAÇÃO NO QUADRO SOCIETÁRIO DE SÓCIA PESSOA JURÍDICA. INALTERABILIDADE. As modificações societárias havidas na estrutura de pessoa jurídica que participa de outras sociedades, não tem o condão de alterar a sujeição passiva, seja como contribuinte ou responsável, destas últimas quanto aos fatos jurídicos tributários a elas relativos, influenciando apenas a responsabilidade pelo respectivo crédito tributário nas hipóteses estatuídas pelo Código Tributário Nacional. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIOS E MANDATÁRIOS DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. EXISTÊNCIA DE DOLO. NECESSIDADE. A responsabilidade pessoal inserta no art. 135, III do Código Tributário Nacional exige a comprovação do caráter doloso da conduta daqueles agentes quando pratiquem atos com excesso de poder ou que infrinjam a lei, contrato social ou estatutos da pessoa jurídica, qualificandose como tal a prática recorrente de informar em declaração de apresentação obrigatória (DCTF) valores bem inferiores àqueles apurados e escriturados nos registros contábeis e fiscais. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10680.013587/200662 Acórdão n.º 9303004.316 CSRFT3 Fl. 960 3 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIOS E MANDATÁRIOS DA PESSOA JURÍDICA. SOLIDARIEDADE. Consoante art. 124 do Código Tributário Nacional, a solidariedade se subdivide em natural ou de fato (inciso I) e legal ou de direito (inciso II), sendo a primeira decorrente de interesse comum no fato jurídico originário da incidência tributária e a segunda de previsão legal especifica. A qualidade de sócio ou mandatário da pessoa jurídica, genérica e isoladamente considerada não é suficiente para definir solidariedade natural em relação aos tributos devidos por esta, entretanto, uma vez configurada a responsabilidade prevista no art. 135, III do CTN, verificase a solidariedade entre os sócios administradores da pessoa jurídica autuada pelo crédito tributário exigido. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. MANUTENÇÃO E APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A manutenção e apresentação de arquivos magnéticos exigidos por lei configura obrigação acessória, dando lugar a aplicação da penalidade legalmente prevista, pelo simples fato de seu descumprimento, sem necessidade de se perquirir a real intenção do contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2002 PIS/PASEP E COFINS. MODIFICAÇÕES IMPLEMENTADAS PELA LEI 9.718/98. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 10 do art. 3 0 da Lei n° 9.718/98, que modificou o conceito de faturamento e, com isso, ampliou a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, reconhecida como constitucional, no entanto, a majoração da alíquota desta última, o que, nos termos do art. 26A, § 6°, I do Decreto n° 70.235/72, permite a este Conselho Administrativo aplicar tal entendimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar acerca da (in)constitucionalidade de normas, havendo expressa vedação legal neste sentido disposta no art. 26A do Decreto n° 70.235/72, com a redação alterada pela Lei n° 11.941/09. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A aplicação dos juros moratórios a taxa selic encontra amparo na legislação ordinária, defluindo de norma válida e vigente no sistema normativo, falecendo competência a este conselho Fl. 961DF CARF MF 4 administrativo para examinar aspectos de sua legalidade e/ou constitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto às seguintes matérias: a) a responsabilidade tributária dos sócios, b) a qualificação da penalidade, e, por fim, c) o agravamento da mesma penalidade. Visando comprovar as divergências, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 220200.038 e CSRF/0105.054, 10422.414 e 10195.140, cujas cópias de inteiro teor foram juntadas aos autos. As contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional encontramse às fls. 946/955. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 942/944. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Conforme demonstrado na análise de sua admissibilidade, encontrase bem configurada a divergência jurisprudencial com relação à seguinte matéria: enquanto o acórdão recorrido consubstanciou o entendimento de que o procedimento sistemático de declarar, em DCTF, valores a menor do PIS/Cofins representa procedimento enquadrável como sonegação, o paradigma, Acórdão 2ª Seção nº 220200.038, que trata de exigência do PIS lançada em face da própria Recorrente e referente a períodos de apuração anteriores, entendeu que, a despeito da reiteração dessa conduta, como a Recorrente nada escondeu na DIPJ, descaberia a qualificação da multa e, por via de consequência, não haveria de se falar em responsabilidade solidária. O mesmo, contudo, não ocorre com relação ao agravamento da multa de ofício, conforme se demonstrou no exame de admissibilidade do recurso especial, matéria que, portanto, não subiu para apreciação deste Colegiado. Admitido, porém, o recurso especial com fundamento na responsabilidade tributária dos sócios e na qualificação da penalidade, entendemos que a este deve ser negado provimento. É sabido que a jurisprudência deste Colegiado Administrativo, inclusive da CSRF, consolidouse no sentido de que a prática reiterada de infrações afasta a alegação do mero equívoco e qualifica a multa de ofício, uma vez que daí exsurge evidente a intenção de recolher tributos em montantes inferiores aos devidos. Exemplificativamente: MULTA AGRAVADA – CONDUTA REITERADA – Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. (CSRF/1ª Turma, Acórdão nº 910100.140, de 12/05/2009) Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10680.013587/200662 Acórdão n.º 9303004.316 CSRFT3 Fl. 961 5 MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas caracteriza a conduta dolosa, justificando a penalidade agravada. (CSRF/1ª Turma, Acórdão nº 9101001.856, de 28/01/2014) DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA QUALIFICADA. AÇÃO REITERADA. A prática reiterada e injustificada do contribuinte de declarar em DCTF valores inferiores aos que são registrados nos assentamentos con tábeis ou que apurados pela Fiscalização Federal, constitui ato doloso, sujeito à multa de 150% do valor do imposto devido. Recurso de Voluntário Negado e Recurso de Ofício Provido (3ª Seção/2ª Câmara/1ª Turma, Acórdão nº 3102003.101, de 15/03/2016) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. POSSIBILIDADE. Cabível a multa qualificada de 150% quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos que o agente envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo desejado de, reiteradamente, ocultar parte dos tributos devidos, deixando, com isso, de recolhêlos à Fazenda Nacional. (2ª Seção/2ª Câmara/1ª Turma, Acórdão nº 2201002.718, de 09/12/2015) Ora, o fato de os valores terem sido registrados na escrituração contábil e fiscal e também constarem informados na DIPJ (observese que esta declaração não se reveste da natureza confissão de dívida, não servindo como título jurídico hábil a ensejar a execução, daí o lançamento), porém sistematicamente declarados a menor na DCTF, já autoriza, sem maiores considerações, a qualificação da multa. O dolo, a intenção clara de pagar menos que o devido, em face da sistemática declaração a menor, resulta evidente. E, por via de consequência, presente o dolo em face da reiteração da conduta, plenamente configurada está a responsabilidade pessoal dos sóciosgerentes, nos termos do art. 135 do CTN, pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei. Ante o exposto, conheço do recurso especial e negolhe provimento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 963DF CARF MF 6 Fl. 964DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.722242/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/10/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 22 42 /2 01 1- 56 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722242/201156 Acórdão n.º 3302003.459 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722242/201156 Acórdão n.º 3302003.459 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722242/201156 Acórdão n.º 3302003.459 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722242/201156 Acórdão n.º 3302003.459 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722242/201156 Acórdão n.º 3302003.459 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722242/201156 Acórdão n.º 3302003.459 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722242/201156 Acórdão n.º 3302003.459 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722242/201156 Acórdão n.º 3302003.459 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 116DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10980.725451/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. APURAÇÃO POR ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PROVAS OBTIDAS EM AÇÃO POLICIAL DE BUSCA E APREENSÃO. MEIOS DE OBTENÇÃO DAS PROVAS. DESVINCULAÇÃO COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERDIMENTO DE BENS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM A OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECORRENTE DOS RENDIMENTOS OMITIDOS APLICADOS NA AQUISIÇÃO.
A decretação da pena de perdimento de bens não altera o lançamento tributário para constituição de crédito de imposto de renda da pessoa física por omissão de rendimentos apurados em procedimento de identificação do patrimônio a descoberto revertido a favor da União. A tributação não recai sobre a propriedade dos bens apreendidos, mas sobre o rendimento auferido para a sua aquisição e que fora omitido da fiscalização.
A decisão judicial que anula prova obtida anteriormente à busca e apreensão reveladora dos bens e numerários não implica nulidade do lançamento tributário sobre os rendimentos omitidos pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: (a) pelo voto de qualidade, não sobrestar o julgamento do recurso voluntário e não encaminhar os autos à unidade preparadora, para que este órgão acompanhe o desfecho da Ação Penal nº 2006.72.00.011147-5/SC, promovida pelo Ministério Público Federal em face do Recorrente Aldo Hey Neto, até o seu trânsito em julgado, e também de outros procedimentos que possam repercutir no presente processo administrativo fiscal, a exemplo do Habeas Corpus nº 142.045/P; vencidos o relator e as conselheiras Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (b) por unanimidade de votos, rejeitar a alegação de nulidade do levantamento fiscal; (c) pelo voto de qualidade, rejeitar as prejudiciais de mérito de (c.1) não-incidência do imposto de renda sobre recursos de origem ilícita, (c.2) efeitos no auto de infração do decidido no Habeas Corpus nº 142.045/PR, que declarou a nulidade das provas produzidas no processo penal; (d) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à glosa da dedução com dependente, à aquisição de imóvel no edifício Hanover e ao recebimento de doação de moedas estrangeiras. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Acompanhou o julgamento o Dr. Magnus Piber Maciel, OAB/SC 16.849.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 42; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1000 1 999 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.725451/201009 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.814 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2016 Matéria IRPF Recorrente ALDO HEY NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. APURAÇÃO POR ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PROVAS OBTIDAS EM AÇÃO POLICIAL DE BUSCA E APREENSÃO. MEIOS DE OBTENÇÃO DAS PROVAS. DESVINCULAÇÃO COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERDIMENTO DE BENS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM A OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECORRENTE DOS RENDIMENTOS OMITIDOS APLICADOS NA AQUISIÇÃO. A decretação da pena de perdimento de bens não altera o lançamento tributário para constituição de crédito de imposto de renda da pessoa física por omissão de rendimentos apurados em procedimento de identificação do patrimônio a descoberto revertido a favor da União. A tributação não recai sobre a propriedade dos bens apreendidos, mas sobre o rendimento auferido para a sua aquisição e que fora omitido da fiscalização. A decisão judicial que anula prova obtida anteriormente à busca e apreensão reveladora dos bens e numerários não implica nulidade do lançamento tributário sobre os rendimentos omitidos pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: (a) pelo voto de qualidade, não sobrestar o julgamento do recurso voluntário e não encaminhar os autos à unidade preparadora, para que este órgão acompanhe o desfecho da Ação Penal nº 2006.72.00.0111475/SC, promovida pelo Ministério Público Federal em face do Recorrente Aldo Hey Neto, até o seu trânsito em julgado, e também de outros procedimentos que possam repercutir no presente processo administrativo fiscal, a exemplo do Habeas Corpus nº 142.045/P; vencidos o relator e as conselheiras Alice Grecchi e Gisa Barbosa Gambogi Neves; (b) por unanimidade de votos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 54 51 /2 01 0- 09 Fl. 1052DF CARF MF 2 rejeitar a alegação de nulidade do levantamento fiscal; (c) pelo voto de qualidade, rejeitar as prejudiciais de mérito de (c.1) nãoincidência do imposto de renda sobre recursos de origem ilícita, (c.2) efeitos no auto de infração do decidido no Habeas Corpus nº 142.045/PR, que declarou a nulidade das provas produzidas no processo penal; (d) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à glosa da dedução com dependente, à aquisição de imóvel no edifício Hanover e ao recebimento de doação de moedas estrangeiras. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Acompanhou o julgamento o Dr. Magnus Piber Maciel, OAB/SC 16.849. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves. Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1001 3 Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de recurso voluntário apresentado contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Curitiba, que negou provimento à impugnação apresentada. A partir de documentos e de recursos financeiros apreendidos em operação deflagrada pela Polícia Federal, a fiscalização identificou suposto acréscimo patrimonial a descoberto pelo ora Recorrente, passível de tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida (os grifos são nossos): Contra o contribuinte supra identificado foi lavrado o Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF de fls. 293 a 298, do qual fazem parte o demonstrativo de apuração de fl. 288, o demonstrativo de apuração da multa exigida isoladamente (carnêleão) de fls. 289/291, o demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 292, o termo de verificação e de encerramento de ação fiscal, fls. 277 a 284, o termo de encerramento de fl. 299 e os demais documentos e demonstrativos constantes dos autos, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 1.204.548,06, sendo R$ 567.889,17 de imposto, R$ 425.916,87 de multa de ofício de 75% e R$ 225,51 de multa exigida isoladamente por falta de recolhimento do carnêleão, além de R$ 210.516,51 de juros de mora calculados até 30/11/2010. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 277/284 e 295/298, apurou acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 2.053.942,17, dedução indevida de dependente de R$ 1.516,32, dedução indevida de contribuições à previdência privada de R$ 9.593,04 e falta de recolhimento do carnêleão, gerando multas isoladas que totalizaram R$ 225,51 Cientificado do lançamento, em 09/12/2010 (fl. 299), o contribuinte apresentou, em 10/01/2011, a impugnação de fls. 301/349. Em síntese dos fatos, faz demonstrativo dos acréscimos patrimoniais a descoberto apontados pelo auto de infração e informa que não abordará a multa exigida isoladamente, “a qual será recolhida no termo final desta Impugnação”. Em tópico que denomina “Das Questões Jurídicas Relevantes”, aborda o acréscimo patrimonial a descoberto apurado no mês de agosto de 2006, informando, inicialmente, que houve busca e apreensão em sua residência por parte da Polícia Federal e o valor apreendido constitui base para exigência de imposto, Fl. 1054DF CARF MF 4 multa e juros. Acrescenta que é réu em ação penal que tramita na Justiça Federal de Santa Catarina, decorrente da operação da Polícia Federal denominada “Dilúvio”, da qual resultou sentença condenatória e perdimento dos bens que foram apreendidos. Com isso, afirma que o lançamento procura “utilizar o tributo com efeito de confisco, pois o lançamento referente ao fato gerador de 31/08/2006 nada mais significa que a tributação de algo que a própria justiça entendeu como não pertencente ao acusado, como se depreende da denúncia criminal (documento já anexado ao MPF)” Cita trechos da sentença de primeiro grau que demonstrariam isso. Diz que a questão posta, “é mais profunda que a separação de índole processual e administrativa” e a matéria tributável deve sujeitarse aos princípios constitucionais da tributação, que enumera. Contesta a separação de instâncias preconizada pela autoridade lançadora, pois ela “não suprime a questão nuclear do lançamento relativo ao mês de agosto de 2006”, pois “não se pode atribuir à parte Impugnante a sujeição passiva tributária, pois os valores que estavam guardados em suas residências, conforme a decisão judicial de primeira instância ainda pendente de recurso, seriam pertencentes à tal organização criminosa. Não se pode inferir, da decisão judicial, que os valores apreendidos nas residências do requerente constituam acréscimo patrimonial no exercício de 2006”. Acrescenta que o dinheiro apreendido nunca foi seu patrimônio pessoal, mas foram amealhados por organização criminosa, de forma coletiva, e não pode a Receita Federal “ultrapassar os limites da pena de perdimento imposta pela Justiça Federal e tentar abarcar um patrimônio que ultrapassa os limites legais da base de cálculo tributável, pois que, se o dinheiro foi perdido, importa dizer que o imposto, a multa e os juros têm natureza confiscatória, haja vista que se pautam em rubricas que não fazem parte do patrimônio do sujeito passivo”. Diz que o lançamento violou o artigo 3º do Código Tributário Nacional, que estabelece que o tributo não pode se constituir em sanção de ato ilícito, pois a tributação de “numerário que foi objeto de pena de perdimento é utilizar o tributo como sanção de ato ilícito, é infringir o direito de propriedade e o princípio da pessoalidade da pena previsto no art. 5º, incisos XXII e XLV da Constituição da República”. Cita doutrina e repisa o argumento de que os numerários apreendidos não ingressaram em seu patrimônio, pois foram apreendidos e decretados perdidos pela Justiça, logo, não “houve, à moda da doutrina mais tradicional, fato gerador do imposto de renda”. Repete o argumento do efeito confiscatório da exigência e que foram omitidos pontos importantes da realidade objetiva e cita algumas decisões administrativas que versam sobre acusação imprecisa, cerceamento de defesa e nulidade de auto de infração, asseverando que atendeu todas as solicitações da fiscalização e não há justificativa para “as conclusões infundadas que acompanham o auto de infração, assim como a desconsideração da realidade processual penal relevante, citando decisões judicial e administrativa. Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1002 5 Faz uma extensa análise do artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, com fulcro em doutrina, concluindo que no “caso em exame é simples verificar a natureza confiscatória da medida fiscal a partir do arrolamento administrativo dos bens, da renda anual da parte Reclamante e do valor absurdo da autuação (aproximadamente R$ 1.200.000,00). O referido auto de infração é um exemplo extremo e identificável de confisco, pois a Receita Federal do Brasil, não satisfeita com a pena do perdimento judicial, pretende expropriar, à luz da medida fiscal, o restante do patrimônio do sujeito passivo”. Alega a eleição errônea do sujeito passivo, pois o lançamento se deu sobre valores pertencentes a uma organização criminosa, constituída em quadrilha ou bando, havendo uma multiplicidade de sujeitos passivos tributários e “o numerário aprendido não retornou ao patrimônio do agente e nem sequer veio a ingressar o patrimônio do agente”. Discorre sobre os corolários do devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, para dizer que a autoridade fiscal usou o argumento de separação de instâncias e não prestou “atenção em detalhes processuais mais apurados”, e apesar da separação propalada, fez uso de prova emprestada. Aduz que “se numerário inexistia no início de 2006 e igualmente não existia no início de 2007, em função da apreensão, é de presumirse que tal numerário não é rendimento, mas tão somente prova indiciária de suposto crime”. Indaga: dinheiro aprendido, “cuja propriedade não é atribuída ao sujeito passivo, objeto de pena de perdimento, é, para efeitos fiscais, rendimento?”. Requer reparação da medida fiscal, pois “se está a tributar produto de apreensão de numerário como se isto fora rendimento, assim como há imprecisão na determinação exata do sujeito passivo da obrigação tributária”. Em tópico sobre o conceito de rendimento e a pena de perdimento na esfera penal, alega que a exigência tributária depende da decisão a ser dada no processo penal, defendendo que “só integrará o pólo passivo da relação jurídica tributária se o Poder judiciário assim julgar o numerário como sendo de sua propriedade, de forma a concretizar o fato gerador do acréscimo patrimonial”. Cita o Regulamento Aduaneiro e decisão judicial, para defender a aplicação, ao imposto de renda, da mesma sistemática aplicada ao imposto de importação, onde não há a incidência do imposto sobre mercadoria que sofreu pena de perdimento. Aduz que o numerário apreendido não representa aquisição de renda, nos termos do artigo 43 do CTN. Na fixação da base de cálculo, contesta a conversão das moedas apreendidas com base no valor do dólar, afrontando a sistemática do mercado de taxas de câmbio flutuantes. Discorre sobre o mercado de câmbio de taxas flutuantes brasileiro, aduzindo que o lançamento deveria ter respeitado “o valor da moeda estrangeira – convertida para o real – na data da autuação e jamais na data da apreensão, pois não foi dado uso à Fl. 1056DF CARF MF 6 moeda, esta se encontra retida. Ressaltese, mesmo se admitindo tal ‘alienação cogente’, não se pode inferir acerca de sua correção” Cita decisões judiciais sobre apreensão de moeda estrangeira. Argúi que, mesmo “que se entendesse possível a tributação, fica indefinida a questão da mora do contribuinte. Se a moeda estrangeira nem sequer foi utilizada, tendo sido simplesmente apreendida como prova indiciária de crime qualquer, qual seria o dies a quo da mora? Não há mora, pois não houve evento tributável. A tributação do numerário em espécie, que não constitui moeda nacional, só deveria ser realizada por força de ordem judicial e não por ‘alienação cogente da Sra. Auditora”. Fala sobre a forma de tributação dos ganhos obtidos com a alienação de moeda estrangeira. Acrescenta que, “se as circunstâncias da apreensão ainda estão sendo discutidas no Poder Judiciário, assim, como a própria origem do numerário e sua titularidade, falece mérito na fixação de uma base de cálculo que tem por supedâneo o valor histórico da moeda na data de sua apreensão”. Contesta o valor de aquisição do conjunto comercial nº 1404 e da garagem nº 19 do Edifício Empresarial Hanover atribuído pelo lançamento, de R$ 86.000,00, pois declaração de Fernando Aguiar Prates, reconhecida em cartório e a escritura pública averbada no registro de imóveis apontam o valor de R$ 60.000,00. Diz que o documento que deu base ao valor de R$ 86.000,00 usado pelo Fisco, encontrado na casa do impugnante, é proposta de compra e venda que “nem sequer foi assinada pela parte impugnante, não se podendo inferir de sua legitimidade, apesar de assinada pelos proponentes vendedores”. Também contesta a capacidade probante da mensagem eletrônica, apreendida na sua residência, trocada entre a funcionária do vendedor e Julio Costa Barreto, em que há a proposta de venda do imóvel por R$ 86.000,00, aduzindo que não tem conhecimento dela e não é de sua autoria. Diz que é inadmissível o uso, na instância administrativa, dessas provas colhidas em inquérito policial, fazendo extensa exposição teórica sobre isso, com fundamento no direito estrangeiro, acabando por citar trechos de votos e decisões judiciais que sustentariam a sua tese. Conclui que não poderia ter sido usada prova emprestada de inquérito policial para lançar tributo. Com relação ao lançamento de agosto de 2006, diz que “11.800 euros e 600 libras esterlinas são referentes a sobras de numerário de viagens que a parte Impugnante fez à Europa em companhia de amigo inglês, o Sr. James Charles Gillespie”. Diz que declarou esses valores extemporaneamente na DIRPF/2007, esclarecendo que a doação é ato jurídico que não depende de formalidade especial. Informa que está fazendo “prova destas transferências de numerário por amostragem (doc. 5), que diz respeito a transferências de numerário via Western Union, na data de 03/05/2004. Nesta data, a parte Impugnante teria recebido U$ 1.197,57 do Sr. James Charles Gillespie, para acompanhalo em viagem à Europa; o passaporte de James Charles Gillespie (doc. 6) faz prova que o mesmo veio reiteradas vezes ao Brasil”. Acrescenta que James é seu amigo pessoal, pessoa privilegiada por morar num país de moeda Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1003 7 supervalorizada, e patrocinava viagens suas, das quais havia sobras de numerário que foi acumulando, sendo classificadas como doações e isentas do imposto de renda. Apenas estariam sujeitas ao ITCMD, tributo de competência estadual. Diz que a atitude fiscal afronta o artigo 110, do CTN. Discorre sobre a legislação do ITCMD, concluindo que era devedor desse tributo pelos numerários recebidos em doação. Alega que há necessidade de se considerar a renda auferida nos exercícios anteriores para fins do levantamento do acréscimo patrimonial, esclarecendo que os acréscimos patrimoniais a descoberto apurados nos meses de janeiro, abril, maio e julho de 2008, “constituem reservas de caixa dos exercícios anteriores, não houve falta de pagamento do imposto de renda para tais rubricas no exercício de 2006, mas sim, erro formal no preenchimento das declarações anteriores, as quais não consignaram, paulatinamente e ao longo do tempo, tais sobras de caixa”. Concorda com “o lançamento (dezembro/2006) referente à glosa de deduções constante da página 8 de 8 do termo de verificação e encerramento da ação fiscal no que diz respeito à dedução indevida de previdência privada (VGBL). Em relação à dedução indevida no pai do autuado, cumpre observar que a parte Impugnante não tinha conhecimento da DIRPF apresentada em separado pelo seu pai, já em idade avançada, uma vez que o seu pai consta como seu dependente junto ao órgão previdenciário do Governo do Estado do Paraná (Paraná Previdência)”. Contesta a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, aduzindo que o artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não autoriza essa cobrança. Pugna pelo sobrestamento do processo de exigência, para aguardar a decisão definitiva quanto à pena de perdimento dos numerários apreendidos e que fazem parte do lançamento relativo ao fato gerador ocorrido em 08/2006, com o fim de preservar os interesses do Fisco e do contribuinte. Por fim, requer, em relação ao fato gerador ocorrido em agosto de 2006, nulidade, por ilegitimidade passiva; cancelamento da exigência em relação a esse fato gerador, por decretação judicial da pena de perdimento da moeda apreendida que lhe deu suporte; e aplicação correta da taxa de cambio; em relação aos fatos geradores dos meses de 04 e 05/2006, o cancelamento da exigência por uso indevido de prova emprestada; cancelamento da exigência decorrente da apreensão de 11.800 euros e 600 libras esterlinas, por serem valores recebidos por doação; cancelamento das exigências referentes aos acréscimos patrimoniais a descoberto referentes aos meses de janeiro, abril, maio e julho de 2006, acobertados pelos rendimentos dos exercícios anteriores; exclusão dos juros aplicados sobre a multa de ofício; e sobrestamento do feito até julgamento da ação penal. Fl. 1058DF CARF MF 8 Também pede a improcedência do auto de infração, com o seu imediato arquivamento, e a produção genérica de provas. Como já mencionado, a decisão de primeira instância administrativa negou provimento à impugnação, mantendo integralmente a exigência contida no auto de infração. Inconformado, o ora Recorrente apresenta recurso voluntário a este CARF, sustentando o quanto segue: (a) requer seja restabelecida a dedução de dependente referente ao seu genitor, que percebe valores inferiores ao limite mensal e faz declaração em separado dentro desses parâmetros, conforme prevê a lei, tendo em vista o auxílio que lhe presta, inclusive incluindoo como dependente em sua carteira de previdência; (b) aduz que a fiscalização, baseada em prova emprestada, tomou como certo e definitivo a compra de um imóvel comercial, no local denominado Hannover pelo valor total seria de R$ 86 mil, sendo que o negócio foi concretizado por valor menor, por mútuo consentimento conforme foi registrado em cartório, pagos os impostos devidos, e regularmente declarados por todos; (c) afirma que a fiscalização lhe imputou indevidamente, no mês de julho/2006, a aplicação no valor de R$ 3 mil, por conta de aquisição da tela denominada "O Gato", uma vez que a referida tela foi objeto de apreensão pela Polícia Federal, e na sentença houve decretação de perdimento do referido bem; (d) sustenta que não procede a omissão de rendimentos imputada caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto apurado, no mês de agosto/2006, em decorrência da apreensão de numerários em sua residência pela Polícia Federal, pois tais recursos não lhe pertencem, devendo ser de titularidade de suposta organização criminosa, conforme consta da sentença judicial, ou de terceiro que estava morando no local à época; (e) protesta pela anulação de todo e qualquer ato posterior, que tenha emanado das informações extraídas do Termo de Apreensão efetuado pela Polícia Federal, dentro de Inquérito e Processo Criminal, sigilosos, ao menos até que fique esclarecido a forma de acesso, legal, dos mesmos; caso contrário, protesta pela anulação do auto de infração, em vista da suposta e por ora verificada ilegalidade da recepção e utilização de documentos e informações; (f) alega que os recursos foram apreendidos, portanto, não há que se falar em disponibilidade, para aplicação de tese de ocorrência do fato gerador; a disponibilidade se deu pela indisponibilidade; o conhecimento da autoridade foi ocasionado pela indisponibilidade (apreensão); (g) repete os argumentos da impugnação no que se refere ao recebimento da doação de 11.800 euros e 600 libras esterlinas, oriunda do amigo inglês; Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1004 9 (h) com relação aos demais meses, reforça a necessidade de se considerar a renda auferida nos exercícios anteriores para fins do levantamento do acréscimo patrimonial. Conforme Resolução nº 2801000.289, de 18/03/2014 (fls. 421428), o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que fossem prestadas informações sobre como as provas do processo criminal foram transferidas para a Receita Federal e, ainda, sobre o seu andamento. Também se solicitou que fosse informado se, durante o procedimento fiscal, foi examinada a declaração do Contribuinte Júlio Cezar da Costa Barreto, referente ao exercício de 2007, tendo em vista que ele franqueou o acesso aos policiais no imóvel situado em Curitiba quando do cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão que foi objeto do presente lançamento, tendo sido encontrado nesse local expressiva quantidade de dinheiro. Ademais, considerando que o contribuinte afirma que o Contribuinte Júlio Cezar da Costa Barreto residia naquele imóvel à época, solicitouse que fosse informado se o referido endereço consta indicado no cadastro da Receita Federal como seu domicílio tributário. Em decorrência do procedimento de diligência, a autoridade fiscal proferiu a informação constante das fls. 881883, cujo conteúdo reproduzse a seguir (os grifos são nossos): Em Resolução n° 2801000.289 da Ia Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, datada de 18/03/2014, foi determinada a realização de diligências para prestação de informações detalhadas a seguir. 1) Informar como as provas do processo criminal foram transferidas para a Receita Federal. Os Autos de Apreensão que registraram as buscas efetuadas nas residências de Aldo Hey Neto em 16/08/2006 (fls. 22 a 34 do documento intitulado Termo de Intimação Fiscal n° 001(AHN) do PAF) e outros documentos relativos a apreensão fazem parte do IPL n° 009/2006DPF/PGA/PR, Autos n° 2006.70.00.224356. Conforme Ofício n° 1.033/2006DPF/PGA/PR (cópia anexa), em 12/09/2006, foi solicitada autorização para que a Secretaria da Receita Federal tivesse acesso e pudesse extrair cópias dos elementos arrecadados nas buscas e das informações obtidas na investigação para fins de instrução de procedimentos administrativos fiscais de constituição de créditos tributários. Em decisão de 14/09/2006 (cópia anexa), do Juiz Federal Nivaldo Brunoni, foi acolhida a solicitação formulada. 2) Informar se, durante o procedimento fiscal, foi examinada a declaração do contribuinte Julio Cezar da Costa Barreto, referente ao exercício de 2007, tendo em vista que ele franqueou o acesso aos policiais no imóvel situado em Curitiba quando do cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão que foi objeto do presente lançamento. Fl. 1060DF CARF MF 10 No curso da ação fiscal aberta contra o contribuinte Aldo Hey Neto não foi analisada a DIRPF do contribuinte Julio Cezar da Costa Barreto, uma vez que: • O Auto de Apreensão que registrou a busca efetuada pela equipe 55 estava em nome do contribuinte Aldo Hey Neto (fls. 27 a 34 do documento intitulado Termo de Intimação Fiscal n° 001(AHN) do PAF). • Através do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 001(AHN), o contribuinte foi intimado a justificar a insuficiência de recursos apontada no Demonstrativo de Variação Patrimonial anexado, acompanhado dos documentos que embasaram sua elaboração, listados no TIF, inclusive os Autos de Apreensão. Em resposta, o contribuinte não alegou que os recursos pertenciam a Julio Cezar da Costa Barreto. • O contribuinte Aldo Hey Neto não informou Julio Cezar da Costa Barreto como cônjuge/companheiro em sua DIRPF ou alegou ter aquele esta condição no curso da ação fiscal, situação que justificaria a análise da DIRPF e inclusão de rendimentos e dispêndios do cônjuge/companheiro no Demonstrativo de Variação Patrimonial, conforme Solução de Consulta Interna SCI Cosit n° 39/2008. 3) Considerando que o contribuinte afirma que Julio Cezar da Costa Barreto residia naquele imóvel à época, informar se o referido endereço consta indicado no cadastro da Receita Federal como seu domicílio tributário. Em consulta ao sistema CPF, verificamos que, em 09/07/2005, Julio Cezar da Costa Barreto alterou seu domicílio tributário para o endereço constante do Auto de Apreensão realizada em Curitiba, conforme extrato que anexamos. 4) Informar sobre o andamento do processo criminal. Como o processo criminal corre em segredo de justiça, para prestação da informação solicitada, o sujeito passivo foi intimado, através do Termo de Intimação Fiscal TIF n° D001(AHN), a: a) Informar o estágio atual da Ação Penal 2006.72.000111475 do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e da Apelação Criminal n° 001114795.2006.404.7200 do TRF da 4a Região. b) Apresentar cópias de: • Sentença proferida na Ação Penal 2006.72.000111475; • Petição de recurso de apelação apresentada na Apelação Criminal n° 001114795.2006.404.7200; • Decisões de mérito proferidas na Apelação Criminal n° 001114795.2006.404.7200; • Outros documentos ou informações relativos a Ação Penal / Apelação Criminal que julgar relevantes. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1005 11 Em 22/07/2014, o procurador do sujeito passivo, Magnus Piber Maciel, OAB/SC 16.849, apresentou manifestação, acompanhada de cdr com quatro arquivos em PDF. Em sua manifestação, em resposta ao questionamento sobre o estágio atual da ação penal, o sujeito passivo afirma que aquela encontrase no TRF da 4a Região, aguardando pauta pelo Relator, com parecer conclusivo do MPF. Quanto aos documentos solicitados apresenta arquivos relativos a: sentença proferida em 19/04/2010; petição de recurso de apelação apresentada; decisão de mérito sobre escuta proferida em processo diverso; Parecer do MPF de 04/10/2012. Verificamos que do arquivo apontado como da sentença original consta que o sujeito passivo foi condenado a 14 anos, 6 meses e 6 dias de reclusão, 60 diasmultas e perda do cargo de Auditor da Receita Federal do Paraná, pelos crimes de corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de ativos. Do arquivo apontado como referente a Parecer do MPF há propositura de absolvição do sujeito passivo pelo crimes a que foi condenado, devido a ilicitude das provas derivadas de escutas telefônicas, conforme decisão do STJ. Informamos ainda que a 14a Vara Federal de Curitiba, encaminhou a este órgão o Ofício n° 7915937, referente ao Inquérito Policial n° 2006.70.00.0224356/PR, que comunicou que foi proferida decisão pelo Superior Tribunal de Justiça STJ nos autos de Habeas Corpus n° 142.045/PR, onde foi declarada a ilicitude parcial do monitoramento telefônico realizado no bojo dos autos de Inquérito n° 009/2006DPFPGA/PR (Operação Dilúvio). Com o citado Ofício, foi encaminhada cópia da Decisão proferida em 29/11/2013 pelo Juiz Federal Substituto Alexandre Pereira Dutra, nos autos do Inquérito Policial n° 2006.70.00.0224356, referente a pedido de reconsideração da decisão que autorizou o compartilhamento de provas com a Receita Federal, onde foi negada a reconsideração, mas foi determinada a comunicação a este órgão do resultado do julgamento do HC/STJ n° 142.045/PR, que declarou a ilicitude parcial do monitoramento telefônico relacionado a este inquérito policial, para que possa produzir efeitos nos procedimentos administrativos existentes (documentos em anexo). Para melhor instrução processual anexamos também a Decisão proferida nos autos de Habeas Corpus n° 142.045/PR, que declarou a ilicitude parcial do monitoramento telefônico realizado no bojo dos autos de Inquérito n° 009/2006DPFPGA/PR. Em retorno dos autos ao CARF, foi proferida a Resolução nº 2801000.326, de 04/11/2014 (fls. 929940). Considerando que o Superior Tribunal de Justiça, nos autos de Habeas Corpus n° 142.045/PR, declarou a ilicitude parcial das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas na Operação Dilúvio realizada pela Polícia Federal, a turma do CARF determinou à autoridade fiscal a discriminação de todas as situações de lançamento que pudessem ser corroboradas sem que os fundamentos tenham sido baseados nas provas consideradas ilegais e também as situações cujos valores tributários lançados deveriam ser Fl. 1062DF CARF MF 12 anulados por terem dependido exclusivamente das interceptações telefônicas consideradas ilegais. Em resposta, a autoridade fiscal apresentou a informação de fls. 991995, inclusive quadro contendo a localização das provas nos autos e o respectivo modo de obtenção. O processo volta novamente a este CARF para julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1006 13 Voto Vencido Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Do Sobrestamento do Processo Administrativo A autuação fiscal discutida no presente processo administrativo teve início nos esforços conjuntamente empreendidos pela Polícia Federal e pela Secretaria da Receita Federal com o intuito de desbaratar quadrilhas que fraudavam operações de importação de mercadorias, bem como a concessão de benefícios de ICMS no Estado de Santa Catarina (programa COMPEX), inclusive com a participação de servidores públicos federais e estaduais. Foram diversas as investigações originadas deste procedimento, como a Operação Dilúvio, a Operação Carga Pesada, a Operação Mares do Sul. Em comum, elas tiveram o compartilhamento das provas produzidas durante a fase de investigação policial, notadamente as interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial. Tais provas possibilitaram o início da persecução penal pelos crimes de lavagem de capitais, corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha e também a lavratura de autos de infração para exigência de créditos tributários. Normalmente, os destinos dos procedimentos penal e tributário costumam ser autônomos. No caso em apreço, todavia, a interação entre eles poderia ser mais significativa, em virtude do compartilhamento inicial de provas. E assim ocorreu. Durante a fase investigativa, com base nas escutas telefônicas realizadas, foram autorizados procedimentos de busca e apreensão nas residências do ora Recorrente, Sr. Aldo Hey Neto, que culminaram com a apreensão de volumosa quantia de moedas nacional e estrangeira. Para ilustrar o ocorrido, vide nos presentes autos: – a representação da Polícia Federal à Justiça Federal em Paranaguá/PR para realização de busca e apreensão, de 03/08/2006 (fls. 968989); – a representação do Ministério Público Federal à Justiça Federal em Itajaí/SC para realização de busca e apreensão, de 10/08/2006 (fls. 961 965); – a decisão da Justiça Federal em Itajaí/SC autorizando a busca e apreensão, de 11/08/2006 (fls. 952959); – a representação da Polícia Federal à Justiça Federal em Curitiba/PR informando que realizou interceptações e apreensões de farto material e solicitando autorização para que os auditores da Secretaria da Receita Federal continuem acompanhando o procedimento criminal, em virtude da expertise técnica em comércio exterior, e possam utilizar os documentos apreendidos para fins de instrução de procedimentos administrativos para Fl. 1064DF CARF MF 14 constituição de créditos tributários e para fins disciplinares, de 12/09/2006 (fls. 884886); – a decisão da Justiça Federal em Curitiba/PR autorizando a participação da Secretaria da Receita Federal, de 14/09/2006 (fls. 887889). A partir de então, a cronologia dos fatos entre os acontecimentos nas esferas criminal e fiscal passou a ser relevante. Em 15/04/2010, o Superior Tribunal de Justiça julgou o Habeas Corpus nº 142.045PR, impetrado em favor de Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho, réus em processo criminal originado das interceptações telefônicas comuns ao processo do Recorrente, a fim de “reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas” (fls. 895921). Em 16/04/2010, a MM. Juíza da 1ª Vara Federal Criminal de Florianópolis proferiu sentença penal na Ação Penal nº 2006.72.00.0111475/SC, condenando o réu Aldo Hey Neto a 14 anos, 6 meses e 6 dias de reclusão em regime fechado e, após o trânsito em julgado da condenação, ao perdimento dos valores apreendidos em favor da União (fls. 457 635). Em 07/12/2010, a fiscalização vinculada à Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR lavrou o presente auto de infração, fundado principalmente no acréscimo patrimonial a descoberto, verificado a partir dos valores apreendidos pelas operações policiais nas residências do Recorrente. Em 24/09/2012, o Ministério Público Federal opina pela absolvição do Recorrente na ação penal que lhe é intentada, em virtude da decisão do Superior Tribunal de Justiça, no Habeas Corpus nº 142.045PR, de anulação as provas obtidas via interceptação telefônica (fls. 774880) Esses são os principais documentos que constam dos autos do presente processo administrativo fiscal. Em consulta realizada em julho/2016 aos “sites” dos nossos tribunais, a fim de preparar o presente voto, constatei a existência de novas decisões judiciais nas ações criminais referidas, as quais passo a elencar. Em 14/01/2015, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região julga parcialmente procedente a apelação criminal interposta pelo Recorrente Aldo Hey Neto e por outros réus, mantendose parte da condenação constante da sentença. Com relação à pena de perdimento dos bens apreendidos, assevera a sua manutenção, “uma vez que caracterizada a aquisição de bens com o produto da atividade ilícita, sobretudo dos frutos colhidos pela organização criminosa, como autoriza o disposto no art. 91, II, do Código Penal”. O acórdão está ementado do seguinte modo: OPERAÇÃO DILÚVIO. DESMEMBRAMENTO DAS OPERÇÕES CARGA PESADA E DILÚVIO. CORRUPÇÃO ATIVA E PASSIVA. QUADRILHA. LAVAGEM DE DINHEIRO. DESCAMINHO. PROVA DA MATERIALIDADE E AUTORIA. NULIDADES. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. RESOLUÇÃO Nº 20/2003 DO TRF4. CONSTITUCIONALIDADE. MODIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA. VALIDADE DOS ATOS. ESCUTAS Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1007 15 TELEFÔNICA E AMBIENTAL. INTERLOCUTOR. VALIDADE. DENÚNCIA. INÉPCIA. GENERALIDADE. INEXISTÊNCIA. CRIMES COMPLEXOS. EMENDATIO LIBELLI. POSSIBILIDADE. PROVA EMPRESTADA. NULIDADE PARCIAL. HIGIDEZ DO CONJUNTO PROBATÓRIO INDEPENDENTE. AUSÊNCIA DE EFEITOS NO PROCESSO. DOCUMENTO. DEFINIÇÃO PARA FINS PENAIS. DESCAMINHO E FALSIDADE. PORTENCIALIDADE LESIVA. EXAURIMENTO NO CRIME FIM. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. LAVAGEM. CRIME ANTECEDENTE. EXISTÊNCIA. DISSIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA ROBUSTA DA INTENÇÃO. PRODUTO DO ILÍCITO. PERDIMENTO. DOSIMETRIA DA PENA. PERSONALIDADE. AUSÊNCIA DE LAUDO. SÚMULA 444 DO STJ. READEQUAÇÃO DOS REGIMES. ART. 33, § 2º, "B". INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 10 DA LEI Nº 9.034/95. MEDIDA CAUTELAR. 1. Compete à Justiça Federal o processamento e julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, "a", do CPP (Súmula 122 do STJ). A existência de crimes também praticados contra a Administração Pública Estadual ou de réus servidores públicos estaduais não tem o condão de modificar a competência federal em face da conexão. 2. O Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal têm admitido a especialização de Varas Criminais por meio de resolução, visto que a Constituição da República, em seu art. 96, I, "a", estabelece ser atribuição dos Tribunais dispor sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos. 3. É constitucional a Resolução nº 20, de 26 de maio de 2003, deste Tribunal Regional Federal, que fixou a competência da então Vara Federal Criminal de Florianópolis para processos as ações penais por crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro sob a jurisdição da Seção Judiciária de Santa Catarina. 4. Segundo decidiu o Supremo Tribunal Federal no julgamento do HC n 85.060, a especialização estabelecida pela Resolução nº 20/2003, deste Tribunal, não representa ofensa aos princípios do juiz natural e da reserva legal. 5. Inquestionável a competência do Juízo Federal de Itajaí/SC para condução do processo, tendo em vista que, no nascedouro da ação, inexistiam indícios de cometimento de crimes de lavagem de dinheiro que pudessem atrair a competência da Vara Federal Especializada de Florianópolis/SC, o que somente veio a acontecer com o aprofundamento das investigações. 6. A declinação de competência do Juízo de Itajaí/SC para a Vara Especializada, não torna inválidos os atos regularmente praticados pelo juízo que até então era competente. Fl. 1066DF CARF MF 16 7. É assente na jurisprudência que a denúncia não precisa narrar precisamente a função de cada um na organização voltada ao cometimento de ilícitos penais, notadamente quando se tratar de crimes complexos praticados por várias pessoas em comunhão de esforços e vontades. Desnecessário, pois, relatar com exaustão o comportamento de cada um dos agentes e a sua importância na empreitada criminosa. 8. Os crimes coletivos que produzam dificuldades investigativas na definição precisa da participação de cada um dos agentes envolvidos, admitem certo grau de generalidade na denúncia, sem que isso represente violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório. 9. Segundo o art. 383 do Código de Processo Penal, o juiz pode dar aos eventos delituosos descritos na inicial acusatória a classificação legal que entender mais adequada, procedendo à emenda na acusação (emendatio libelli), sem que isso gere surpresa para a defesa. 10. Não se há de falar em inépcia ou deficiência da peça inicial acusatória, porquanto possibilitou aos réus compreender exatamente os fatos que lhe eram imputados, não havendo que se falar em acusação incerta ou que tivesse dificultado ou inviabilizado o exercício da defesa. 11. Estando as condutas adequadamente narradas na inicial e amoldadas à aos tipos penais respectivos, não se há de falar em dificuldades das defesas ou inobservância ao princípio da correlação. 12. Para o recebimento da ação penal não se faz necessária a existência de prova cabal e segura acerca da autoria do delito descrito na inicial, mas apenas prova indiciária, nos limites da razoabilidade, sendo inviável o trancamento da ação penal por ausência de justa causa. 13. A constituição definitiva do crédito tributário e o exaurimento na via administrativa não são pressupostos ou condições objetivas de punibilidade para o início da ação penal com relação ao crime de descaminho. 14. Provas obtidas mediante interceptações telefônicas, buscas e apreensões, quebras de sigilo bancário e fiscal e cooperação internacional em matéria penal, obtidas no curso de um inquérito policial, podem ser validamente transportadas para outros investigatórios, que a partir dele se desdobrem, envolvendo indiciados diversos, sem que isso constitua prova emprestada ou ilícita. Tais provas são admissíveis no processo penal, sendo submetidas ao contraditório e à ampla defesa diferidos, ou seja, ao longo da ação penal instaurada em momento posterior à partilha da prova na fase inquisitorial. 15. Tendo o magistrado analisado de forma pormenorizada o conjunto colhido durante as investigações, não carece de fundamentação a decisão que autoriza a quebra de sigilo e suas prorrogações. Não é genérico o mandado que identifica claramente os destinatários da busca, o endereço e se faz Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1008 17 acompanhar de cópia da decisão que a determinou. Hipótese em que a insurgência limitase exclusivamente ao mérito da medida. 16. O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o HC nº 142.045/PR, relacionado à Operação Dilúvio decidiu pela nulidade de "tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas", entendendo, naquela oportunidade, pela impossibilidade das renovações sucessivas que ultrapassaram o prazo de 60 dias do Estado de Defesa. 17. A anulação da prova emprestada pelo STJ não atinge todo o conjunto probatório, mas somente aquelas provas produzidas a partir das escutas telefônicas invalidadas, cabendo ao magistrado verificar a existência ou não de outros elementos delas não derivados. 18. Se a invalidade das escutas telefônicas atinge um período especifico das interceptações, é fundamental que se verifique se eventual exclusão do período declarado inválido afetaria todo o restante da prova, tendose como premissa que a nulidade depende da comprovação do prejuízo. 19. A existência de outros elementos de prova independentes, advindas do processo administrativo fiscal e posteriormente apresentadas, mantém a higidez da instrução, mesmo se expurgado o período de escuta anulado. 20. Segundo entendimento chancelado pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, admitese, como meio de prova, a escuta ambiental realizada por um dos interlocutores (incidente de repercussão geral no HC nº. 75.3388/RJ). 21. Não se há de falar em dever de sigilo quando a gravação ambiental é realizada por servidor público que atua no uso de suas atribuições. 22. Nos crimes de descaminho, a materialidade e a autoria são comprovadas, em regra, com os documentos elaborados e lavrados pela autoridade fiscal competente. Sendo o fato típico, ilícito e culpável, e comprovada materialidade e a autoria, deve ser mantida a condenação por infração ao art. 334 do Código Penal. Matéria superada em razão do reconhecimento da extinção da punibilidade pela prescrição. 23. Documento é toda a base materialmente disposta a concentrar e expressar um pensamento, uma idéia ou qualquer manifestação de vontade, relativamente a um fato ou acontecimento juridicamente relevante. A definição de documento falso para o crime previsto no art. 299 do Código Penal não se restringe ao meio físico, abrangendo também documentos processados em sistemas informatizados, como as declarações de importação eletrônicas emitidas pelo interessado. 24. Inexistente potencialidade lesiva autônoma no crime de falsidade, os efeitos da conduta de inserir dados em declaração Fl. 1068DF CARF MF 18 de importação, limitamse e se exaurem com a prática do crime de descaminho, impondose, portanto, a absolvição dos réus pela aplicação do princípio da consunção. Absolvição dos réus ANTÔNIO CARLOS LUCCHESI FILHO, MÁRCIO SILVA XAVIER e SANDRO BAJI. 25. Caracterizada a atividade habitual consistente na atuação como intermediários, viabilizando atos de corrupção ativa e passiva, realizados de forma sistemática afim de facilitar a concessão fraudulenta de benefícios fiscais, envolvendo servidor público e particulares, caracterizam estão os crimes de corrupção ativa, passiva e de quadrilha. 26. Atividade ocorria de forma estruturada, por meio de organização criminosa, composto por diversas pessoas que atuavam concretadamente, durante significativo período de tempo, mediante divisão de tarefas, visando obter benefício econômico direto, mediante a prática de infrações penais graves, deve ser mantida a condenação pelos crimes de corrupção ativa, passiva e quadrilha. Superada a matéria com relação ao crime de quadrilha, em face do reconhecimento da extinção da punibilidade pela prescrição com relação aos réus ALDO HEY NETO, ANTÔNIO CARLOS LUCCHESI FILHO, MÁRCIO SILVA XAVIER e SANDRO BAJI. 27. Ante a fragilidade do conjunto probatório, impõese a absolvição dos réus ALAN ABRAM DOWEK e MÁRCIO SILVA XAVIER do crime de corrupção ativa, relativamente ao item 2.4 da denúncia. 28. Revelada a existência de crime de corrupção contra a Administração Pública, notadamente de corrupção ativa e passiva, de descaminho e praticado por organização criminosa, não há se falar em inexistência de crime antecedente para a lavagem de dinheiro (art. 1º, "V" e "VII", da Lei nº 9.613/98, na sua redação original). 29. A aquisição de bens duráveis e de fácil liquidez, como relógios, obras de arte e veículos automotores, em que pese poderem caracterizar o crime de lavagem de ativos, exigese elementos outros complementares, como a clara intenção de dissimular a origem dos recursos ou a aquisição de bens em nome de terceiros ou nome falso. Hipótese em que o conjunto probatório não atesta cabalmente o cometimento do delito. 30. Muito embora não comprovada a prática do delito de lavagem de dinheiro, a prova dos autos revela que a aquisição de bens pessoais se deu com o lucro obtido com crimes de corrupção ativa e passiva, descaminho e organização criminosa, impondose, sobre eles, o perdimento judicial. 31. Fixada a pena em patamar superior a 4 anos e tendo o agente praticado o crime em violação de dever funcional, é adequada a decretação da perda do cargo público, a teor do que estabelece o art. 92, I do Código Penal. 32. A dosimetria da pena é matéria sujeita a certa discricionariedade judicial. O Código Penal não estabelece rígidos esquemas matemáticos ou regras absolutamente Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1009 19 objetivas para a fixação da pena." (HC 107.409/PE, 1.ª Turma do STF, Rel. Min. Rosa Weber, un., j. 10.4.2012, DJe091, 09.5.2012), devendo o ser tomado em conta os princípios da necessidade e eficiência, decompostos nos diferentes elementos previstos no art. 59 do Código penal, principalmente na censurabilidade da conduta. 33. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Súmula 444), a valoração negativa da personalidade e da conduta social deve ser fundamentada em laudo pericial que ateste a despreocupação do réu em relação à gravidade dos crimes praticados. Recurso do réu MÁRCIO SILVA XAVIER provido no ponto. 34. O legislador expressamente assegurou a possibilidade do juiz, mesmo de ofício e desde que fundamentadamente, decidir sobre "a manutenção ou, se for o caso, a imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar" (art. 282 do Código de Processo Penal). 35. Possível a imposição de medidas alternativas à prisão como forma de garantir, de forma secundária, o cumprimento de futuras obrigações. Determinada a proibição de os réus ausentaremse do território nacional, com determinação de entrega dos respectivos passaportes ao juízo de origem. 36. Readequação dos regimes de cumprimento da pena em face da alteração das penas finais cominadas, conforme o art. 33, § 2º, "b", e da declarada inconstitucionalidade do art. 10 da Lei nº 9.034/95 pelo Supremo Tribunal Federal. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, conceder a ordem de habeas corpus para declarar extinta a punibilidade em face da prescrição intercorrente dos réus ALDO HEY NETO, relativamente ao delito tipificado no art. 288, do Código Penal; ANTÔNIO CARLOS LUCCHESI FILHO, relativamente aos delitos tipificados nos arts. 288 e 334, do Código Penal, MÁRCIO SILVA XAVIER, relativamente aos delitos tipificados nos arts. 288 e 334, do Código Penal, SANDRO BAJI, relativamente aos delitos tipificados nos arts. 288 e 334, do Código Penal, dar provimento à apelação de ALAN ABRAM DOWEK, negar provimento às apelações de PAULO YAMAMOTO e GIANCARLO SCHETINI DE ALMEIDA TORRES, e dar parcial provimento às apelações criminais, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 14 de janeiro de 2015. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça analisa o pedido de extensão da decisão proferida no Habeas Corpus nº 142.045 ao réu Aldo Hey Neto. Em um primeiro momento, o pedido é indeferido. Mas, posteriormente, em 07/04/2016, ao julgar o AgRg no Fl. 1070DF CARF MF 20 PExt no Habeas Corpus nº 142.045, a extensão acaba sendo garantida. A ementa do julgado é a seguinte (os grifos são nossos): PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO PEDIDO EXTENSIVO NO HABEAS CORPUS . PLEITO DE EXTENSÃO. INDEFERIMENTO. AGRAVO INTERNO. PRESENTE WRIT SOB O MANTO DO TRÂNSITO EM JULGADO. NOVEL REMÉDIO HEROICO: VIA ADEQUADA. ASPECTOS PECULIARES NA ESPÉCIE. EXCEPCIONAL ANÁLISE DA TEMÁTICA. INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS NULAS. ALICERCE DE DIVERSAS AÇÕES PENAIS. PROCESSO DECLINADO NA PETIÇÃO DE EXTENSÃO CALCADO EM MATERIAL IMPRESTÁVEL. AÇÕES PENAIS ORIGINADAS DA COLHEITA ILÍCITA. EXPURGO DOS DADOS OBTIDOS. NECESSIDADE. SEGURANÇA JURÍDICA EM XEQUE. NÃO OCORRÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DO ALCANCE DO ACÓRDÃO PROLATADO. SIMILITUDE DE SITUAÇÃO PROCESSUAL. INEXISTÊNCIA DE EMPECILHO INERENTE A CIRCUNSTÂNCIA DE CARÁTER EXCLUSIVAMENTE PESSOAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 580 DO CPP. POSSIBILIDADE. CORRÉU EM SEMELHANTE CONTEXTO DO PETICIONÁRIO. AGRAVO PROVIDO. PEDIDO EXTENSIVO DEFERIDO. 1. Manejar pedido de extensão em habeas corpus já albergado pelo trânsito em julgado, em prol de reascender temas já decididos por esta Corte, amofina a segurança jurídica. 2. Almejando que a concessão da ordem, que reconheceu como ilícitas as interceptações telefônicas, alcançasse ação penal diversa, na qual também foi o material obtido utilizado, o ajuizamento de um novo mandamus seria o meio adequado a ser apresentado para o deslinde da tese, vinculando o remédio heroico a uma dada ação penal. 3. Não obstante a impropriedade técnica, a quaestio em voga denota a forçosa análise da temática ainda que por esta via, haja vista a existência de aspectos peculiares na espécie. 4. As comunicações interceptadas alicerçaram diversas ações penais, evidenciandose que o Parquet separou os imputados nas peças acusatórias de acordo com o grupo empresarial ao qual pertenciam, sendo que o Superior Tribunal de Justiça decidiu pela insubsistência do material obtido um dia após a sentença condenatória prolatada no processo declinado na petição de extensão. 5. Em sede de apelação criminal, o Colegiado Federal asseriu que a exclusão dos dados interceptados alcançaria somente as decisões posteriores a 24.7.2005, a contrario sensu do decidido por esta Corte de Justiça, que considerou a malfadada interceptação telefônica integralmente nula, restando tanto o édito condenatório quanto o aresto do apelo escorados em material reputado ilícito. 6. Em sendo a mesma operação policial, que aperfeiçoou idêntica base probatória para os processos criminais, no que tange às interceptações telefônicas lastreadas pela ilicitude, em Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1010 21 franco exercício lógico, alcançase a assertiva de que esses dados devem ser expurgados também das ações penais que se originaram da colheita ilícita. 7. Não é crível que haja limitação do reconhecimento da ilicitude probatória apenas para o processo criminal que a abrigou inicialmente, pois os motivos que lastrearam a ratio decidendi do acórdão outrora prolatado por este Colegiado transcendem o citado julgamento, bem como o processo originário, para atingir também os outros feitos criminais nos quais a medida constritiva fora juntada no arcabouço probatório, sendo que, dado os matizes supracitados, a segurança jurídica não se encontra em xeque, mas sim reafirma se o alcance do acórdão prolatado. 8. Demonstrada a similitude da situação processual do requerente com a dos pacientes, devese estender a ordem, eis que não se verifica a existência de qualquer circunstância de caráter exclusivamente pessoal que a obstaculize, sendo aplicável, pois, o artigo 580 do Código de Processo Penal. 9. Dada a documentação acostada, excepcionalmente, entende se que os efeitos dessa decisão devem ser estendidos também ao corréu Márcio da Silva Xavier, peticionário do outro pedido de extensão, cuja decisão não foi arrostada por agravo interno, pois, evidenciandose o semelhante contexto no que tange à medida constritiva telefônica, o deferimento se lhe alcança. 10. Agravo regimental provido a fim de deferir o pedido de extensão da ordem concedida no presente mandamus ao agravante, bem como ao corréu Márcio da Silva Xavier, nos termos do primeiro voto concessivo, para "reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que 'toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas' seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito". ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA Turma do Superior Tribunal de Justiça: Prosseguindo no julgamento após o votovista do Sr. Ministro Rogerio Schietti Cruz dando provimento ao agravo regimental, e o voto do Sr. Ministro Nefi Cordeiro negando provimento ao agravo regimental, a Sexta Turma, por maioria, deu provimento ao agravo regimental para deferir o pedido de extensão da ordem, com extensão ao corréu Márcio da Silva Xavier, nos termos do voto da Senhora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, que lavrará o acórdão. Vencidos os Srs. Ministros Relator e Nefi Cordeiro. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Antonio Saldanha Palheiro (art. 162, § 4º, do RISTJ). Votaram com a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior e Rogerio Fl. 1072DF CARF MF 22 Schietti Cruz. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Antonio Saldanha Palheiro. Brasília, 07 de abril de 2016 (Data do Julgamento) Também é importante pontuar a seguinte constatação feita pela Min. Maria Thereza de Assis Moura, versando sobre a relação entre a licitude das provas produzidas e a condenação imposta aos réus, constante de seu voto (os grifos são nossos): Da atenta leitura dos trechos reproduzidos, evidenciase que o magistrado sentenciante reputou serem lícitas as interceptações telefônicas n.º 2005.70.08.0004969 advindas de outra ação penal para o Processo n.º 2006.72.00.0111475. A contrario sensu, em dia subsequente, o Superior Tribunal de Justiça decidiu pela insubsistência do material obtido. E, embora o Colegiado Federal, em sede de apelação, asserisse que a exclusão dos dados interceptados alcançaria somente as decisões posteriores a 24.7.2005, esta Sexta Turma assim não decidiu. De fato, constou do voto do memorável Ministro Nilson Naves que se reputava "ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas". Não houve delimitação a fim de excluir da ilicitude um certo período da medida constritiva. (...) Portanto, tanto a sentença condenatória quanto o aresto do apelo foram escorados em material reputado ilícito por esta Corte de Justiça Enfim, de acordo com as informações que pude acessar remotamente, percebo que, no momento de elaboração do presente voto, a ação penal intentada contra o Recorrente ainda não alcançou o respectivo trânsito em julgado, coexistindo condenação criminal, em primeira e segunda instâncias, e uma ordem emanada de tribunal superior declarando ilícita a principal prova que suporta tal condenação. Em vista do exposto, concluo que o deslinde do presente processo administrativo – atinente à autuação fiscal levada a efeito contra o Recorrente e que tem como principal matéria tributável o acréscimo patrimonial a descoberto oriundo dos recursos financeiros, em moedas nacional e estrangeira, apreendidos pela Polícia Federal nas residências do contribuinte – está umbilicalmente vinculado ao destino da ação penal. A principal prova utilizada pela autoridade fiscal para fundamentar o lançamento de ofício é uma prova emprestada (apreensão de dinheiro nas residências do contribuinte), cuja realização só foi possível a partir das diversas interceptações telefônicas ocorridas no bojo do inquérito policial. Não é possível imaginar que uma mesma prova seja imprestável para condenar criminalmente alguém, mas seja válida e eficaz para lhe exigir tributo. Por isso, devese aguardar a derradeira decisão judicial a esse respeito. Também é imperioso aguardar o trânsito em julgado da ação penal promovida contra o Recorrente para se saber, definitivamente, o destino dos bens apreendidos: se a sua perda será decretada em favor da União ou se serão devolvidos ao Recorrente. Da Preliminar de Nulidade do Levantamento Fiscal Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1011 23 Tendo em vista a rejeição, pela maioria da turma julgadora, da proposta de sobrestamento do presente processo administrativo até o julgamento definitivo da ação penal, avanço minha análise sobre o mérito da autuação, considerando o atual estágio das decisões judiciais acima referidas. Preliminarmente, o Recorrente contesta o trabalho fiscal, insistindo na necessidade de se considerar a renda auferida nos exercícios anteriores para fins do levantamento do acréscimo patrimonial. O argumento de defesa não é novo e já foi devidamente enfrentado pelo acórdão recorrido, não havendo outras considerações a serem feitas. Por isso, transcrevo o seguinte trecho: No que tange ao pleito de que é necessário considerar a renda auferida nos exercícios anteriores, para fins do levantamento do acréscimo patrimonial, e que isso justificaria os acréscimos patrimoniais a descoberto apurados nos meses de janeiro, abril, maio e julho de 2006, não tem razão. A afirmação que o impugnante faz é genérica, não se demonstrando a suposta existência das tais “sobras de caixa” que pudessem ter sido usadas no período mencionado para justificar os acréscimos patrimoniais a descoberto apurados pelo lançamento. A apuração da variação patrimonial parte do princípio de que estão corretos os bens declarados pelo contribuinte no dia 31 de dezembro de cada ano e qualquer alteração nisso, seja por iniciativa do Fisco ou do contribuinte, deve ser rigorosamente comprovado por documentação hábil e idônea. No caso de dinheiro em caixa, que o impugnante alega que existia no início do período apurado, 01 de janeiro de 2006, incumbelhe o ônus de demonstrar a sua existência física. No caso, a “sobra de caixa” necessária para anular a variação patrimonial a descoberto, nos meses de janeiro, abril, maio e julho de 2006, remonta a R$ 161.212,07, sendo indefensável que a sua não declaração se deu por erro formal. Rejeito, portanto, a alegação de nulidade dos trabalhos fiscais. Do Mérito Da Glosa da Dedução com Dependente O Recorrente contesta a glosa da dedução com dependente (pai), afirmando seu direito de assim proceder, com base no art. 35, inc. VI da Lei nº 9.250/95. No entanto, penso que a razão está com a fiscalização. A dedução como dependente pressupõe, antes de mais nada, a não entrega de declaração em nome do dependente. Além disso, pressupõe que o dependente não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal. Nenhum desses dois requisitos teriam sido preenchidos, conforme expôs o acórdão recorrido (fls. 383): Fl. 1074DF CARF MF 24 No caso do pai, o exercício do seu direito de se constituir em contribuinte autônomo, exercido mediante a entrega de declaração própria, exclui qualquer possibilidade de ser considerado dependente de outro contribuinte, no caso o filho. Além disso, a fruição da dedução de dependente, referente aos pais, a teor do inciso VI do artigo 35 da Lei nº 9.250, de 1995, deve obedecer a requisito quanto a limite de percepção de rendimentos pelo genitor: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: VI – os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Como se vê, por este dispositivo, o pai, para ser dependente do contribuinte, não pode receber rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite mensal. No documento de fl. 46, embora somente conste rendimentos tributáveis inferiores ao limite, não é possível descartar a existência de rendimentos isentos, que somados podem ultrapassar limite mencionado. Assim, correta a glosa de dependente efetuada pelo lançamento. Portanto, mantenho a glosa da dedução com dependente. Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto Como resultado dos trabalhos empreendidos, a fiscalização apurou acréscimo patrimonial a descoberto nos seguintes períodos: Período Valor do Acréscimo Jan/2006 R$ 11.875,11 Abr/2006 R$ 14.542,77 Mai/2006 R$ 78.794,59 Jul/2006 R$ 55.999,60 Ago/2006 R$ 1.892.730,10 1. Recursos Financeiros Apreendidos nas Operações da Polícia Federal Em decorrência das buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal nas residências do Recorrente em Florianópolis/SC e em Curitiba/PR, diversos bens (recursos financeiros em moeda nacional e estrangeira) e documentos foram apreendidos, inclusive obra de arte. Nesse ponto, entendo que as decisões judiciais proferidas até o momento da prolação deste voto – a saber: (a) no Habeas Corpus nº 142.045/PR (declaração de nulidade das provas que embasaram a persecução penal e o compartilhamento de dados com o Fisco) e (b) na Ação Penal nº 2006.72.00.0111475/SC (condenação do Recorrente e decretação de perdimento dos bens apreendidos em favor da União Federal) – exercem influência direta sobre o destino do auto de infração. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1012 25 1.1. A Nulidade das Provas na Ação Penal e seus Reflexos no Auto de Infração A atuação do Fisco e o desenvolvimento do processo administrativo tributário são iluminados por princípios constitucionais e por direitos e garantias individuais e coletivos. Acerca desses últimos, destacamse os seguintes incisos do art. 5º da Constituição Federal, por pertinentes ao deslinde do caso em apreço: LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; A prova dos fatos no processo judicial ou administrativo fazse por meios considerados idôneos pelo direito. A inadmissibilidade da prova ilícita, ainda que ela possa veicular a verdade dos fatos, deriva da preferência dada pelo Constituinte brasileiro aos direitos fundamentais, tornando inaceitável a violação de uma liberdade pública para obtenção de qualquer prova. Aceitar uma prova ilícita fere a segurança jurídica e causa receio à sociedade por vulnerar o sistema normativo vigente. Nesse sentido, citese a ementa do seguinte acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do HC 103.325, ocorrido em 03/04/2012, Rel. Min. Celso de Mello: FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA – APREENSÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E DOCUMENTOS FISCAIS REALIZADA, EM ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE, POR AGENTES FAZENDÁRIOS E POLICIAIS FEDERAIS, SEM MANDADO JUDICIAL – INADMISSIBILIDADE – ESPAÇO PRIVADO, NÃO ABERTO AO PÚBLICO, SUJEITO À PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL DA INVIOLABILIDADE DOMICILIAR (CF, ART. 5º, XI) – SUBSUNÇÃO AO CONCEITO NORMATIVO DE "CASA" – NECESSIDADE DE ORDEM JUDICIAL – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA – DEVER DE OBSERVÂNCIA, POR PARTE DE SEUS ÓRGÃOS E AGENTES, DOS LIMITES JURÍDICOS IMPOSTOS PELA CONSTITUIÇÃO E PELAS LEIS DA REPÚBLICA – IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO, PELO MINISTÉRIO PÚBLICO, DE PROVA OBTIDA EM TRANSGRESSÃO À GARANTIA DA INVIOLABILIDADE DOMICILIAR – PROVA ILÍCITA – INIDONEIDADE JURÍDICA "HABEAS CORPUS" DEFERIDO. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA – FISCALIZAÇÃO – PODERES – NECESSÁRIO RESPEITO AOS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS DOS CONTRIBUINTES E DE TERCEIROS. Não são absolutos os poderes de que se acham investidos os órgãos e agentes da administração tributária, pois o Estado, em tema de tributação, inclusive em matéria de fiscalização tributária, está sujeito à observância de um complexo de direitos e prerrogativas que Fl. 1076DF CARF MF 26 assistem, constitucionalmente, aos contribuintes e aos cidadãos em geral. Na realidade, os poderes do Estado encontram, nos direitos e garantias individuais, limites intransponíveis, cujo desrespeito pode caracterizar ilícito constitucional. A administração tributária, por isso mesmo, embora podendo muito, não pode tudo. É que, ao Estado, é somente lícito atuar, "respeitados os direitos individuais e nos termos da lei" (CF, art. 145, § 1º), consideradas, sobretudo, e para esse específico efeito, as limitações jurídicas decorrentes do próprio sistema instituído pela Lei Fundamental, cuja eficácia que prepondera sobre todos os órgãos e agentes fazendários restringelhes o alcance do poder de que se acham investidos, especialmente quando exercido em face do contribuinte e dos cidadãos da República, que são titulares de garantias impregnadas de estatura constitucional e que, por tal razão, não podem ser transgredidas por aqueles que exercem a autoridade em nome do Estado. A GARANTIA DA INVIOLABILIDADE DOMICILIAR COMO LIMITAÇÃO CONSTITUCIONAL AO PODER DO ESTADO EM TEMA DE FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA CONCEITO DE "CASA" PARA EFEITO DE PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL AMPLITUDE DESSA NOÇÃO CONCEITUAL, QUE TAMBÉM COMPREENDE OS ESPAÇOS PRIVADOS NÃO ABERTOS AO PÚBLICO, ONDE ALGUÉM EXERCE ATIVIDADE PROFISSIONAL: NECESSIDADE, EM TAL HIPÓTESE, DE MANDADO JUDICIAL (CF, ART. 5º, XI). Para os fins da proteção jurídica a que se refere o art. 5º, XI, da Constituição da República, o conceito normativo de "casa" revelase abrangente e, por estenderse a qualquer compartimento privado não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade (CP, art. 150, § 4º, III), compreende, observada essa específica limitação espacial (área interna não acessível ao público), os escritórios profissionais, inclusive os de contabilidade, "embora sem conexão com a casa de moradia propriamente dita" (NELSON HUNGRIA). Doutrina. Precedentes. Sem que ocorra qualquer das situações excepcionais taxativamente previstas no texto constitucional (art. 5º, XI), nenhum agente público, ainda que vinculado à administração tributária do Estado, poderá, contra a vontade de quem de direito ("invito domino"), ingressar, durante o dia, sem mandado judicial, em espaço privado não aberto ao público, onde alguém exerce sua atividade profissional, sob pena de a prova resultante da diligência de busca e apreensão assim executada reputarse inadmissível, porque impregnada de ilicitude material. Doutrina. Precedentes específicos, em tema de fiscalização tributária, a propósito de escritórios de contabilidade (STF). O atributo da auto executoriedade dos atos administrativos, que traduz expressão concretizadora do "privilège du preálable", não prevalece sobre a garantia constitucional da inviolabilidade domiciliar, ainda que se cuide de atividade exercida pelo Poder Público em sede de fiscalização tributária. Doutrina. Precedentes. ILICITUDE DA PROVA INADMISSIBILIDADE DE SUA PRODUÇÃO EM JUÍZO (OU PERANTE QUALQUER INSTÂNCIA DE PODER) INIDONEIDADE JURÍDICA DA PROVA RESULTANTE DE TRANSGRESSÃO ESTATAL AO REGIME CONSTITUCIONAL DOS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS. A ação persecutória do Estado, qualquer que Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1013 27 seja a instância de poder perante a qual se instaure, para revestirse de legitimidade, não pode apoiarse em elementos probatórios ilicitamente obtidos, sob pena de ofensa à garantia constitucional do "due process of law", que tem, no dogma da inadmissibilidade das provas ilícitas, uma de suas mais expressivas projeções concretizadoras no plano do nosso sistema de direito positivo. A "Exclusionary Rule" consagrada pela jurisprudência da Suprema Corte dos Estados Unidos da América como limitação ao poder do Estado de produzir prova em sede processual penal. A Constituição da República, em norma revestida de conteúdo vedatório (CF, art. 5º, LVI), desautoriza, por incompatível com os postulados que regem uma sociedade fundada em bases democráticas (CF, art. 1º), qualquer prova cuja obtenção, pelo Poder Público, derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional, repelindo, por isso mesmo, quaisquer elementos probatórios que resultem de violação do direito material (ou, até mesmo, do direito processual), não prevalecendo, em conseqüência, no ordenamento normativo brasileiro, em matéria de atividade probatória, a fórmula autoritária do "male captum, bene retentum". Doutrina. Precedentes. A circunstância de a administração estatal acharse investida de poderes excepcionais que lhe permitem exercer a fiscalização em sede tributária não a exonera do dever de observar, para efeito do legítimo desempenho de tais prerrogativas, os limites impostos pela Constituição e pelas leis da República, sob pena de os órgãos governamentais incidirem em frontal desrespeito às garantias constitucionalmente asseguradas aos cidadãos em geral e aos contribuintes em particular. Os procedimentos dos agentes da administração tributária que contrariem os postulados consagrados pela Constituição da República revelamse inaceitáveis e não podem ser corroborados pelo Supremo Tribunal Federal, sob pena de inadmissível subversão dos postulados constitucionais que definem, de modo estrito, os limites inultrapassáveis que restringem os poderes do Estado em suas relações com os contribuintes e com terceiros. As provas ilícitas por derivação, ou seja, aquelas que são lícitas em si, mas oriundas de outra prova obtida ilicitamente, também são vedadas no Brasil. Tratase da aplicação da “teoria dos frutos da árvore envenenada”, desenvolvida pela jurisprudência da Suprema Corte Norte Americana e igualmente adotada pelo nosso Supremo Tribunal Federal (HC 74.299/SP e HC 81.993/MT). Com base nesta teoria, o magistrado deve invalidar a prova derivada, devido à ilicitude da conduta primária, que se estende até onde seus efeitos possam perdurar ou atingir. Desse modo, as buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal – das quais resultaram o confisco de recursos financeiros em moedas nacional e estrangeira e possibilitaram o lançamento tributário de ofício ora discutido – por serem oriundas das interceptações telefônicas declaradas ilegais pela Justiça (Habeas Corpus nº 142.045/PR), não são provas aptas a sustentar a respectiva exigência tributária, motivo pelo qual ela deve ser cancelada. 1.2. NãoIncidência do Imposto de Renda sobre Recursos de Origem Ilícita Fl. 1078DF CARF MF 28 Ao contrário do declarado no acórdão recorrido, a declaração judicial da ilicitude dos recursos apreendidos propaga sim efeitos também no âmbito tributário, atingindo aqueles tributos cuja hipótese de incidência é uma situação jurídica, como é o caso do imposto de renda. A questão demanda a análise do alcance tanto da hipótese de incidência do imposto de renda, quanto do art. 118 do CTN. 1.2.1. Quanto ao imposto de renda, a determinação da respectiva hipótese de incidência está umbilicalmente ligada ao fenômeno do “acréscimo patrimonial” – nos termos do art. 43 do CTN, abaixo transcrito – e, consequentemente, vinculada ao conceito de “patrimônio”: Art. 43 – O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Por seu turno, “patrimônio” constitui conceito jurídico, positivado no art. 91 do Código Civil e definido como uma universalidade de direito (ou universalidade jurídica), composta pelo “complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico”. Em consequência, acréscimos e decréscimos patrimoniais (leiase, auferimento de direitos e assunção de obrigações) ocorrem como resultado das interações jurídicas mantidas pelo titular do patrimônio, notabilizadas por atos e negócios jurídicos. A mera detenção ou posse de bens, em regra, não gera acréscimo patrimonial. Dizse “em regra”, porque excepcionalmente o ingresso no patrimônio poderá ser oriunda de situações de fato, não protegidas e até mesmo contrárias ao direito, como acontece com os ganhos ilícitos. Entretanto, mesmo nesse caso, o efetivo ingresso no patrimônio jurídico do titular dependerá da chancela de uma norma jurídica. Ilustrativamente, citese o acréscimo patrimonial com ganhos ilícitos, o qual ocorre a partir da mudança do “status” jurídico, o qual passam de uma situação meramente de fato para uma situação de direito adquirido, em função da prescrição das ações penais e civis que poderiam levar à perda da respectiva posse. Em todo esse processo, um detalhe é importante e não pode ser esquecido: enquanto não sobrevier a declaração estatal de que os ganhos são ilícitos (p. ex., a sentença penal condenatória que decreta a perda dos bens em favor do Estado), o Fisco atua sob a presunção de que são ganhos lícitos, decorrentes de atos ou negócios jurídicos. A declaração estatal operase com eficácia declaratória retrospectiva. O que não se pode admitir, até por imperativo lógico e moral, é o Estado simultaneamente, de um lado, decretar a indisponibilidade dos ganhos ilícitos do infrator e, de outro lado, exigir tributo sobre esses valores, por supostamente qualificarse como renda. É o que está ocorrendo no presente caso, diante das decisões judiciais em vigor. Colacionase, a seguir, dois exemplos, na tentativa de melhor ilustrar os conceitos já discorridos. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1014 29 Exemplo 1: José atua como funcionário público, depois de ter trabalhado todo o mês, dirigese a uma agência bancária para realizar o saque do seu salário. Na saída da agência, já com o dinheiro no bolso, José é assaltado por Carlos. Não há dúvida de que José obteve acréscimo patrimonial (recebimento do salário), seguido de decréscimo patrimonial (subtração do dinheiro pelo assaltante Carlos). Tratase de dois eventos distintos: o primeiro gera rendimento tributável pelo imposto de renda, ao passo que o segundo gera perda indedutível (simplesmente porque a legislação do IRPF não permite tal dedução fiscal). Agora, vamos mudar o foco de José para o assaltante Carlos. Em virtude da sua atuação criminosa, Carlos passa a deter o salário de José. Se, na sequência do assalto, Carlos for preso pela Polícia com o dinheiro em mãos, faz sentido que ele tenha de devolver o numerário ao legítimo dono e ainda pagar imposto de renda sobre a suposta renda? Obviamente, a resposta é negativa. Exemplo 2: Maria atua como traficante de drogas em um bairro de classe média. Em virtude da atuação policial, Maria é processada, julgada e condenada à prisão, sendo o dinheiro oriundo do tráfico, encontrado no seu apartamento, apreendido e perdido definitivamente em favor da União. Diferentemente do exemplo anterior, não existem dois fatos que geram acréscimo e decréscimo patrimoniais, do ponto de vista jurídico, justamente porque o produto do tráfico não advém de ato ou negócio jurídico. A declaração da ilicitude dos valores pelo Poder Judiciário provoca dois efeitos: positivamente, permite a decretação de perda em favor do Estado e, negativamente, impede que esse mesmo Estado qualifiqueo como renda tributável. Na hipótese de Maria nunca ser presa pela Polícia, eventual lançamento promovido pela fiscalização tributária terá de presumir que o dinheiro a ela vinculado deriva de atividade lícita, constitui rendimento tributável, mas que não foi devidamente oferecido à tributação (omissão de rendimentos). 1.2.2. Quanto ao art. 118 do CTN, é verdade que alguns doutrinadores costumam afirmar que os atos e negócios de Direito Privado não transportariam seus efeitos e contingências para o Direito Tributário e valeriam apenas como fatos juridicamente qualificados, ou meros eventos, por serem objeto da materialidade descrita na hipótese de incidência de uma norma tributária. Para essa parte da doutrina, significa dizer que a circunstância de um ato ou negócio ser juridicamente nulo, ou mesmo ilícito, não impediria que fosse tributado, desde que tivesse produzido efeitos econômicos. Consequentemente, não interessaria ao Fisco verificar a validade e eficácia dos atos e fatos tidos como hipótese para aplicação da norma tributária, em virtude do disposto no art. 118 do CTN. Com a devida vênia, tal afirmação constitui uma “meia verdade” e não capta a fenomenologia do fato gerador em todas as suas possibilidades. O art. 118 do CTN possui a seguinte redação: Fl. 1080DF CARF MF 30 Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Com razão, a correta exegese do art. 118 depende da adequada conciliação com os incisos do art. 116: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I – tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II – tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. A existência, validade ou eficácia do ato ou negócio jurídico somente será irrelevante para o Direito Tributário nos casos em que o legislador tributário tiver vinculado o nascimento da obrigação tributária a uma determinada situação de fato. Neste caso, a hipótese de incidência estará caracterizada “desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios” (art. 116, inc. I, do CTN), não obstante os fatos passíveis de tributação possam eventualmente se encontrar no bojo de atos ou negócios jurídicos. Ao revés, se a hipótese de incidência for composta por uma situação jurídica (como acontece com o imposto de renda), somente será possível falar em ocorrência do fato gerador da obrigação tributária “desde o momento em que esteja [válida e] definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável” (art. 116, II, do CTN). É nessa circunstância que o Direito Tributário atua como “direito de sobreposição” ou “direito de superposição”, já que faz incidir a tributação sobre situação já regulada pelo Direito. E como corolário do exposto, se o ato ou negócio jurídico for inválido, não há que se falar em fato jurídico tributário. Afigurase ilógico e assistemático querer aplicar simultaneamente ambos os incisos do art. 118 a uma mesma situação tratada pela norma de incidência, seja ela uma situação fática, seja uma situação jurídica. Equivaleria afirmar, para determinado tributo que incida sobre a transmissão jurídica da propriedade imobiliária (situação jurídica), como ocorre com o ITBI, ser irrelevante para a determinação da incidência tributária a validade jurídica do ato de transmissão do direito de propriedade, ante a efetiva transferência econômica da propriedade. Isso definitivamente não seria correto. Por outro lado, seria sim irrelevante para a incidência do ITBI conhecer a situação fática do referido imóvel quanto à efetiva desocupação em favor do adquirente. Acontece que a validade jurídica do ato ou negócio é parte integrante da própria norma de incidência, constituindo a situação necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária (art. 114 do CTN). Ora, se o CTN preocupase com a existência (art. 116, inc. II) e com a eficácia (art. 117) da situação jurídica, não faz sentido relevar a validade. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1015 31 Já em outras situações, cuja hipótese de incidência descreve uma situação de fato, o art. 118 é aplicável, independentemente da validade jurídica dos atos efetivamente praticados, desde que a configuração do fato esteja completa. O art. 118 do CTN significa, pois, a consagração dos fatos efetivamente praticados e dos atos ou negócios jurídicos efetivamente ocorridos, pois esta característica, a efetividade, está mencionada tanto no inciso I, quanto no inciso II. Portanto, o art. 118 somente ganha sentido concreto quando dirigido especificamente a esta ou àquela norma de incidência que se queira interpretar. Tratase, em síntese, de mero corolário do art. 116, que apenas esclarece o seu conteúdo normativo. A interpretação sistemática dos art. 116 e 118 do CTN enfatiza a adoção do método da subsunção para regular o nascimento da obrigação tributária. Enquanto o art. 116 cuida da interpretação da hipótese de incidência, o art. 118 voltase para a qualificação do fato. Por todas essas razões, concluise que as decisões proferidas no Habeas Corpus nº 142.045/PR (declaração de nulidade das provas que embasaram a persecução penal e o compartilhamento de dados com o Fisco) e na Ação Penal nº 2006.72.00.0111475/SC (condenação do Recorrente e decretação de perdimento dos bens apreendidos em favor da União Federal) conduzem, cada uma a seu modo, à nulidade da exigência de imposto de renda sobre os bens apreendidos. 2. Aquisição de Imóvel no Edifício Hanover Restando vencido quanto ao acolhimento do item 1 anterior, que constituiria uma prejudicial para a análise deste item, passo a analisar e a julgar a questão relativa à aquisição do imóvel no Edifício Hanover. A fiscalização alega que o Recorrido realizou a compra de conjunto comercial por preço superior ao registrado na respectiva escritura de compra e venda. A conclusão fiscal baseiase na confrontação de documentos apreendidos na residência do Recorrente por ocasião das buscas e apreensões efetuadas nas operações da Polícia Federal e pode ser encontrada no seguinte trecho do relatório de verificação fiscal (fls. 281): Quando da busca e apreensão promovida pelo Departamento de Policia Federal nas residências do fiscalizado, foram apreendidos documentos relativos à aquisição do conjunto comercial n° 1404 e de uma vaga de garagem, como propriedade exclusiva do fiscalizado, tais como Proposta para Compra e Venda de Imóvel/Arras, Recibo, Escritura e Matrículas, além de mensagem eletrônica entre funcionária da empresa intermediadora e Julio Cezar da Costa Barreto. A Proposta de Compra e Venda do conjunto comercial e de uma vaga de garagem pelo valor de R$ 86.000,00, a serem pagos mediante um sinal de R$ 8.600,00 e o valor de R$ 77.400,00 no ato da escritura, foi encontrada na residência do fiscalizado, e está assinada pela Intermediadora, F. Prates Imóveis Ltda. e pela vendedora, Harbor Construções e Empreendimentos Ltda, representada por José Maria Batista da Silva, que tiveram suas firmas reconhecidas em cartório. Também foi apreendido o Fl. 1082DF CARF MF 32 recibo do pagamento do sinal, no valor de R$ 8.600,00. Logo, foram considerados como aplicação de recursos o sinal pago no mês de março e o restante no mês de maio, quando foi lavrada a escritura. O fiscalizado contesta os valores, afirmando que tal proposta não foi levada adiante e que o imóvel foi adquirido pelos valores constantes da escritura, ou seja, R$ 60.000,00, sendo R$ 45.500,00 do conjunto comercial e R$ 14.500,00 da vaga de garagem. E para comprovar suas alegações, apresentou declaração firmada pela empresa intermediadora F. Prates Imóveis de que a venda não foi concluída nos termos da Proposta, já que os compradores não concordaram com seus termos, tendo sido o imóvel negociado diretamente entre as partes pelos valores constantes da escritura, ou seja, em valor equivalente a apenas 70% do proposto. No entanto, a mensagem eletrônica apreendida em sua residência, trocada entre funcionária do F. Prates e Julio Costa Barreto, por não ter conseguido localizar o fiscalizado pelo celular, informava que obteve resposta do vendedor propondo vender o imóvel por R$ 86.000,00, à vista, podendo constar da escritura o valor de R$ 65.000,00, na mesma data da proposta assinada. E o recibo encontrado é justamente de 8.600,00, solicitado na referida proposta como sinal de negócios e arras, equivalente a 10% do total do imóvel, o que denota ser este o valor do negócio e não aquele que constou da escritura pública. Logo, foram mantidos como dispêndio os valores inicialmente incluídos no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal, no valor total de R$ 86.000,00. Os fatos relativos a esta aquisição foram relatados em representação. Ao analisar a autuação e confrontála com as alegações do Recorrente, o acordão recorrido reafirma as conclusões da fiscalização, ao mesmo tempo em que rebate as alegações de defesa constantes da impugnação (os grifos são nossos): Como se vê, o conjunto probatório mencionado pela autoridade fiscal é robusto e consistente e não deixa margem a dúvidas. A conjugação da proposta de venda, assinada pelos vendedores, do recibo de sinal e da mensagem eletrônica encontrada em sua residência, confirma o mesmo valor da transação, de R$ 86.000,00. Esse conjunto não pode ser invalidado por mera alegação de falha formal, como a falta de sua assinatura na proposta de compra e venda, ou pelo fato de a mensagem eletrônica não ser de seu conhecimento e nem de sua autoria. A falta de sua assinatura na via da proposta que detinha em seu poder é normal, pois poderia assinála a qualquer momento e visava assegurar a eventual prova da proposta feita em relação ao outro participante da negociação, razão porque bastava guardar essa via com a assinatura do vendedor, a qual estava, inclusive, com firma reconhecida. Quanto à mensagem eletrônica, é deveras inconsistente a alegação de não ser de seu conhecimento, pois foi apreendida em sua residência. Também a declaração feita pelo corretor não é capaz de invalidar aquelas provas, uma vez que sofre o viés de suas relações comerciais com o impugnante. Salientese que não houve nenhuma contestação quanto ao recibo de sinal de negócio de Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1016 33 R$ 8.600,00, correspondente a 10% do valor da transação e exatamente como estipulado nas condições de pagamento para compra de imóvel (fl. 201). Realmente, a meu ver, os elementos trazidos pela fiscalização formam um conjunto probatório preciso, grave e harmônico, que não pode ser ignorado. Preciso, porque o fato controvertido (pagamento de preço em valor superior ao registrado) tem ligação direta com o fato conhecido (a proposta de venda assinada pelos vendedores, o recibo de sinal e a mensagem eletrônica encontrada em sua residência – fls. 265), podendo dele extrair consequências claras e efetivamente possíveis, a ponto de rechaçar outras possíveis soluções (validade do preço constante na escritura de compra e venda. Grave, porque resultante de uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão. Harmônico, porque com os indícios concordantes entre si e não contraditórios, os quais convergem para a mesma solução, de modo a aumentar o grau de confirmação lógica sobre uma dada ilação. Pelas razões expostas, mantenho a exigência fiscal, nessa parte. 3. Recebimento de Doação de Moedas Estrangeiras Restando vencido quanto ao acolhimento do item 1 anterior, que constituiria uma prejudicial para a análise deste item, passo a analisar e a julgar a questão relativa ao recebimento de doação de moedas estrangeiras. O Recorrente alega que uma parte do dinheiro apreendido na operação de busca e apreensão empreendida pela Polícia Federal (11.800 Euros e 600 Libras Esterlinas) seriam oriundas de sobras de numerário de viagens que o Recorrente fez à Europa em companhia de um amigo inglês. Entretanto, também nesse ponto, adoto como minhas as razões contidas no acórdão recorrido, que bem explica a fragilidade do argumento do Recorrente em face da documentação apresentada para embasálo: Com relação a parte do dinheiro em moeda estrangeira, apreendido em sua residência, correspondente a 11.800 euros e 600 libras esterlinas, que diz ser oriundo de doações de um amigo inglês, Sr. James Charles Gillespie, tratase de mera alegação, sem qualquer suporte documental. O único documento que apresenta ligação entre o impugnante e o tal cidadão inglês é a transferência de fl. 357, de apenas U$ 1.197,57, bem distante do montante dos valores apreendidos, e, ainda, datada de 30/05/2004. A justificativa da posse dos valores referidos é que seriam sobras dessa transferência, de fl. 357, e de outras que teria recebido, mas sem qualquer comprovação, para patrocinar viagens suas pela Europa, junto com o abastado e generoso amigo inglês. Essa história de generosidade é de credibilidade frágil e, enquanto usada para justificar a posse de bens e direitos para com a Fazenda Pública, visando benefício de isenção de Fl. 1084DF CARF MF 34 tributação, é de nenhuma valia. Quanto à doação em si, ao contrário do que afirma o impugnante, não é ato jurídico sem qualquer formalidade, pois, de acordo com o artigo 541 e parágrafo único do Código Civil, é via de regra um ato formal e deve ser feito por escritura pública ou instrumento particular, admitindose a forma verbal somente em caso de bens móveis e de pequeno valor, o que, em absoluto, é a doação de valores que, convertidos à época da apreensão, atingiram o montante de R$ 34.957,66: Art. 541. A doação farseá por escritura pública ou instrumento particular. Parágrafo único. A doação verbal será válida, se, versando sobre bens móveis e de pequeno valor, se lhe seguir incontinenti a tradição. As supostas doações não cumpriram os requisitos da norma civil, além de outras necessárias para que fossem opostas à Fazenda Pública, tais como a declaração desses valores na sua DIRPF/2007, a comprovação do repasse dos valores pelo inglês, e, adicionalmente, como retornou com os tais valores do exterior, após as viagens com seu amigo inglês, deveria ter efetuado o registro junto à alfândega, de forma a oficializar o ingresso da moeda estrangeira. Por isso, mantenho a exigência fiscal, nessa parte. Conclusão Por todo o exposto, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Delegacia da Receita Federal de origem, a fim de que este órgão acompanhe o desfecho da Ação Penal nº 2006.72.00.0111475/SC, promovida pelo Ministério Público Federal em face do Recorrente Aldo Hey Neto, até o seu trânsito em julgado, e também de outros procedimentos derivados que possam repercutir no presente processo administrativo fiscal, a exemplo do Habeas Corpus nº 142.045/PR. Restando vencido na proposta de sobrestamento, conheço o recurso voluntário interposto e (a) preliminarmente, rejeito a alegação de nulidade do levantamento fiscal; no mérito (b) dou parcial provimento ao recurso a fim de (b.1) manter a glosa da dedução com dependente e (b.2) anular o lançamento de ofício incidente sobre os bens e valores apreendidos pela Polícia Federal, em virtude das decisões judiciais vigentes ao tempo do presente julgamento administrativo, que declararam a ilicitude das provas colhidas na ação penal, com efeitos reflexos no lançamento fiscal (Habeas Corpus nº 142.045/PR) e determinaram a perda dos valores apreendidos em favor da União (Ação Penal nº 2006.72.00.0111475/SC). Restando vencido em (b.2), avanço sobre a análise dos argumentos de defesa relativos ao Edifício Hanover e à doação de moeda estrangeira a fim de rejeitálos. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1017 35 Voto Vencedor Julio Cesar Vieira Gomes, redator Com a devida vênia, divirjo do relator. O lançamento tributário decorre da omissão de rendimentos apurados pela fiscalização através da constatação de acréscimo patrimonial do recorrente sem "lastro", ou seja, sem a declaração de rendimentos suficientes para adquirilos é um meio de apuração da omissão de rendimentos conhecido como "acréscimo patrimonial a descoberto", com previsão legal no artigo 43, II do CTN e regulamentação no artigo 55, XIII do RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. ... Art. 55. São também tributáveis ... XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; O relator considerou que seria necessário o sobrestamento do processo até o trânsito em julgado da ação penal e, caso não seja esse o entendimento da turma, votou pela nulidade do lançamento em virtude do acórdão do STJ no sentido da ilicitude das interceptações telefônicas realizadas no curso das investigações policiais; no caso, seria a aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada", seria nulo o lançamento com motivação em bens e numerários apreendidos em operação policial precedida de interceptações telefônicas consideradas provas ilícitas. No mérito, também entendeu o relator pela procedência do recurso voluntário em razão da decisão judicial pelo perdimento em favor da União dos numerários e bens apreendidos na operação policial. Segundo o relator, não mais dispondo dos bens e numerário apreendidos não seria procedente manter o lançamento. Quanto ao sobrestamento e à decisão do STJ pela ilicitude da interceptação telefônica Nessa parte, segue transcrição do voto do relator: Fl. 1086DF CARF MF 36 Enfim, de acordo com as informações que pude acessar remotamente, percebo que, no momento de elaboração do presente voto, a ação penal intentada contra o Recorrente ainda não alcançou o respectivo trânsito em julgado, coexistindo condenação criminal, em primeira e segunda instâncias, e uma ordem emanada de tribunal superior declarando ilícita a principal prova que suporta tal condenação. Em vista do exposto, concluo que o deslinde do presente processo administrativo – atinente à autuação fiscal levada a efeito contra o Recorrente e que tem como principal matéria tributável o acréscimo patrimonial a descoberto oriundo dos recursos financeiros, em moedas nacional e estrangeira, apreendidos pela Polícia Federal nas residências do contribuinte – está umbilicalmente vinculado ao destino da ação penal. A principal prova utilizada pela autoridade fiscal para fundamentar o lançamento de ofício é uma prova emprestada (apreensão de dinheiro nas residências do contribuinte), cuja realização só foi possível a partir das diversas interceptações telefônicas ocorridas no bojo do inquérito policial. Não é possível imaginar que uma mesma prova seja imprestável para condenar criminalmente alguém, mas seja válida e eficaz para lhe exigir tributo. Por isso, devese aguardar a derradeira decisão judicial a esse respeito. Também é imperioso aguardar o trânsito em julgado da ação penal promovida contra o Recorrente para se saber, definitivamente, o destino dos bens apreendidos: se a sua perda será decretada em favor da União ou se serão devolvidos ao Recorrente. ... As provas ilícitas por derivação, ou seja, aquelas que são lícitas em si, mas oriundas de outra prova obtida ilicitamente, também são vedadas no Brasil. Tratase da aplicação da “teoria dos frutos da árvore envenenada”, desenvolvida pela jurisprudência da Suprema Corte Norte Americana e igualmente adotada pelo nosso Supremo Tribunal Federal (HC 74.299/SP e HC 81.993/MT). Com base nesta teoria, o magistrado deve invalidar a prova derivada, devido à ilicitude da conduta primária, que se estende até onde seus efeitos possam perdurar ou atingir. Desse modo, as buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal – das quais resultaram o confisco de recursos financeiros em moedas nacional e estrangeira e possibilitaram o lançamento tributário de ofício ora discutido – por serem oriundas das interceptações telefônicas declaradas ilegais pela Justiça (Habeas Corpus nº 142.045/PR), não são provas aptas a sustentar a respectiva exigência tributária, motivo pelo qual ela deve ser cancelada. Inicialmente, esclarecese que a decisão do STJ não determinou explicitamente que as buscas e apreensões, reflexamente, também seriam nulas. Inclusive, a sentença condenatória do recorrente com a decretação do perdimento de bens, 16/04/2010, foi mantida pelo TRF da 4ª Região em 14/01/2015; portanto, posteriormente à decisão de Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1018 37 15/04/2010 do STJ pela ilicitude das interceptações telefônicas que veio a transitar em julgado em 02/09/2016. Também deve ser considerado que na decisão do STJ que estende efeito a outros réus da ação penal, entendeuse que não seria o caso de repercussão sobre outras ações judiciais que também fizeram uso como prova dos bens e numerários revelados pela busca e apreensão, como a ação civil pública: PET no HABEAS CORPUS Nº 142.045 PR (2009/01377931) RELATORA : MINISTRA MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA REQUERENTE : MÁRCIO SILVA XAVIER ADVOGADO : ELAINE SAYONARA GRACHER MARQUES E OUTRO(S) REQUERIDO : TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4A REGIÃO EMENTA PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO EM HABEAS CORPUS . OPERAÇÃO DILÚVIO. PRESENTE WRIT SOB O MANTO DO TRÂNSITO EM JULGADO. NOVEL REMÉDIO HEROICO: VIA ADEQUADA. ASPECTOS PECULIARES NA ESPÉCIE. EXCEPCIONAL EXTENSÃO OUTRORA DEFERIDA AO PRESENTE PETICIONÁRIO. PEDIDO EXTENSIVO DA EXTENSÃO OUTRORA DEFERIDA. INTENTO DE ALCANCE DA DECISÃO EM AÇÃO PENAL DIVERSA, EM MEDIDA ASSECURATÓRIA E EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. NÃO COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO A AMPARAR O PLEITO. PRETENSA BURLA ÀS ÁREAS DE ESPECIALIZAÇÃO DESTE SUPERIOR TRIBUNAL. PEDIDO INDEFERIDO. 1. Manejar pedido de extensão em habeas corpus já albergado pelo trânsito em julgado, em prol de reascender temas já decididos por esta Corte, amofina a segurança jurídica. 2. Almejando que a concessão da ordem, que reconheceu como ilícitas as interceptações telefônicas, alcançasse ação penal diversa, na qual também foi o material obtido utilizado, o ajuizamento de um novo mandamus seria o meio adequado a ser apresentado para o deslinde da tese, vinculando o remédio heróico a uma dada ação penal. 3. Diante de aspectos peculiares, findou a Egrégia Sexta Turma por dar provimento ao regimental, culminando com o deferimento do pedido de extensão aos requerentes, que alcançou, excepcionalmente, o ora peticionário. E mesmo que existam dúvidas na ação penal, aqui no processo administrativo fiscal não vislumbro qualquer correlação da decisão do STJ. O lançamento, antes de se motivar nos bens e numerários apreendidos, foi precedido de um procedimento fiscal rigorosamente dentro das normas da legislação tributária: emissão de MPF, termo de intimação, ciência do lançamento, abertura de prazo para impugnação etc. Sim, os bens foram revelados ao mundo fenomênico através de uma busca e apreensão, mas também poderia ser por qualquer outro meio. A revelação dos fatos geradores de obrigação tributária não decorre de hipóteses Fl. 1088DF CARF MF 38 taxativas. E no caso de bens e numerários conhecidos de uma busca e apreensão, o fato gerador ainda não está revelado. Somente quando da comparação com resultado deficitário entre os rendimentos (entradas), de um lado, e os numerários e bens apreendidos (saídas), de outro, é que se apura a existência de rendimentos omitidos. Outro fato relevante é que no acórdão do STJ no HC nº 142.045/PR que julgou a ilicitude das interceptações telefônicas e as demais decisões que estenderam seus efeitos a outros réus do processo principal, o recorrente não é parte. Então, processualmente, a decisão ainda não lhe alcança; inclusive, até mesmo por essa razão o relator neste PAF inicialmente encaminha pelo sobrestamento. É oportuna a informação de que o entendimento do relator em sentido contrário ao meu foi adotado em recente julgamento neste CARF com fundamento na mesma decisão do STJ no HC nº 142.045/PR: Processo nº 15165.003460/200840 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.195– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2016 Matéria Aduaneiro Recorrente OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA. e outros Recorrida UNIÃO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/12/2004 a 05/04/2005 Ementa: ACUSAÇÃO DE SIMULAÇÃO EM COMÉRCIO EXTERIOR. PROVAS ILÍCITAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. NULIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL. Exigência fiscal pautada em provas produzidas em processo criminal que, por sua vez, foram reconhecidas com ilícitas no âmbito judicial. Ante a impossibilidade de segregar as provas que seriam lícitas daquelas reconhecidas como ilícitas, todo o acervo probatório é contaminado pela ilicitude, o que se dá por derivação (teoria dos frutos da árvore envenenada). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra declararam que deram provimento com base na informação fiscal prestada em diligência, no sentido da impossibilidade de segregação das provas ilícitas. Esteve presente ao julgamento o Dr. Fernando Luiz da Gama Lobo D' Eça, OAB/SP nº 66.899. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz RibeiroRelator. ... 6. Apesar da dimensão do presente caso, em especial por conta da complexidade das operações que foram objeto de investigações pela Polícia Federal e que redundaram na presente exigência fiscal, tenho para mim que o presente julgamento não demanda maiores digressões, haja vista o teor Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1019 39 da decisão exarada pelo Superior Tribunal de Justiça vis a vis da resposta pertinentemente ofertada pela fiscalização em razão da determinação de diligência emanada deste CARF. 7. Conforme se observa dos autos, o Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do HC n. 142.045/PR, assim decidiu: ... 9. Deferida a citada ordem, referida decisão foi objeto de análise pelo juízo criminal de 1a. instância, onde corria a ação criminal correlata (autos n. 2007.70.00.0197047/ PR). Nesta oportunidade, assim se manifestou o juízo de 1a. instância: ... A esse respeito, colhese da manifestação ministerial: Sem as provas conseguidas através da interceptação, não seria possível a obtenção dos mandados de busca e apreensão; sem as provas carreadas aos autos com o cumprimento destes, não seria possível a apreensão, para dizer o mínimo, de centenas de milhares de notas fiscais/computadores contendo os verdadeiros preços das mercadorias descaminhadas; sem a análise destes, pela Receita Federal, em conjunto com os inúmeros emails interceptados, os laudos que acompanham as denúncias não teriam sido produzidos. Insistindo; a pretendida separação é impossível. Dessa forma, temse que até mesmo naqueles casos em que houve constituição do crédito tributário, esta se deu com suporte em prova eivada pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada" (art. 157, §1°, CPP). ... 10. A conclusão que decorre da diligência determinada por este Tribunal vai no mesmo sentido. É o que se depreende do seguinte trecho da manifestação fiscal (fls.14.025/14.027): (...). No presente caso, a descoberta dos fatos narrados na autuação somente fora possível com base na prova resultante das interceptações telefônicas e nas delas decorrentes, pois sem o empréstimo das investigações criminais, haja vista a extensão e complexidade das organizações, não haveria como descobrilas. Não há conhecimento de outras fontes independentes, ainda que apenas no âmbito fiscal. ... 11. Ora, se o Ministério Público, a Justiça Federal e, até mesmo a fiscalização, entendem ser impossível separar eventuais provas lícitas daquelas declaradas ilícitas (ainda que por derivação) Fl. 1090DF CARF MF 40 pelo STJ, não resta alternativa senão reconhecer a ilicitude de todas as provas produzidas no presente processo administrativo, anulando, por conseguinte, o lançamento perpetrado, o que reconheço em face de todos os autuados, i.e.: (i) OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA; (ii) EBIS EMPRESA BRASILEIRA DE COM. INTEG. E SERV. DE TECNOLOGIA LTDA.; (iii) SILVIO PARADISO; (iv) ROBERTO WAGNER DUS; (v) MARCELO ADORNO; (vi) WILLIAM HADDAD UZUM; (vii) MARCELO RALO; (viii) MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO; (ix) MARCIO BUENO MARIKOSHI; e (x) FERNANDO MAROUES DA COSTA. ... 14. Ex positis, reconheço a ilicitude (por derivação) das provas produzidas no presente processo administrativo e, por conseguinte, anulo o lançamento aqui tratado. 15. É como voto. Mesmo assim mantenho meu entendimento. Para o lançamento tributário é suficiente o conhecimento da existência de bens e numerários reveladores do rendimento e, desde que observado o procedimento administrativo próprio instaurado independentemente do inquérito policial ou da ação penal, não há qualquer nulidade no processo administrativo fiscal. O fato de a busca e apreensão policial também vir a ser considerada nula, relevante é que no momento da instauração do procedimento de fiscalização para a aplicação do tratamento tributário ocorre uma desconexão com fatos e eventos precedentes ao qual não laborou a fiscalização. A licitude ou não dos meios para a obtenção dos bens e numerários que fundamentaram o lançamento tributário não exercem influência sobre a constituição do crédito por acréscimo patrimonial a descoberto; e pela mesma razão, também não guarda relevância a atuação de terceiros que culminou no conhecimento da existência desses mesmos bens e numerários. Nesse sentido nosso CTN: Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. ... Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Diferente seria se o procedimento adotado no cumprimento do artigo 142 do CTN estivesse eivado de algum vício, o que não ocorreu no caso: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10980.725451/201009 Acórdão n.º 2301004.814 S2C3T1 Fl. 1020 41 o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por tudo, entendo que a decisão no sentido da prova ilícita formada pelas escutas telefônicas não tem repercussão sobre o presente processo. Dessa forma, rejeito tanto o sobrestamento quanto a argüição de nulidade. Acréscimo patrimonial a descoberto Nessa parte do mérito, a premissa adotada pelo relator é que os bens e numerários deixaram de pertencer ao recorrente pela decretação do perdimento com a confirmação pelo tribunal. Data vênia, vejo aqui uma contradição. Na parte relativa ao sobrestamento e nulidade do lançamento, adotouse que a ilicitude das interceptações telefônicas poderia resultar a nulidade da busca e apreensão realizada no procedimento policial e por conseqüência a nulidade do lançamento tributário que teve motivação nos bens e numerários apreendidos; no entanto, aqui o fundamento principal é que teria havido perda em favor da União desses mesmos bens e valores. Ora, caso de fato venha a ser considerada nula a busca e apreensão então, por conseqüência, seria reformada a decisão que decretou o perdimento e, ao final, o recorrente manteria a propriedade dos bens e numerários que foram apreendidos. Agora, como já explicitado antes, em nada altera o lançamento tributário para constituição de crédito de imposto de renda da pessoa física por omissão de rendimentos apurados em procedimento de identificação de patrimônio a descoberto. Não são os bens apreendidos que estão sendo tributados, tratase de imposto sobre a renda, e essa renda foi apurada quando se constatou que esses bens ou fração deles não foram adquiridos com os rendimentos conhecidos do recorrente, tributáveis ou não. É uma presunção legal de que o recorrente auferiu rendimentos não oferecidos à tributação. Portanto, os bens e numerários somente se prestaram para a comprovação de um outro fato, a omissão de renda que é exatamente o objeto do lançamento ora examinado. Dessa forma, mantida ou não a decisão de perdimento dos bens eles existem e o recorrente não nega que os possui como proprietário. Tratandose de tributo incidente sobre a renda auferida para a aquisição desses bens e numerário (imóveis, obras de armas, moedas estrangeiras etc) e não sobre a propriedade deles, o que vier a acontecer com eles não repercute sobre o fato gerador: auferiuse rendimentos que foram aplicados na aquisição desses bens. Vêse que o elemento temporal é importante, estão sendo tributados rendimentos auferidos antes da busca e apreensão que revelou a existência desses bens e numerários. Por tudo, não se vislumbra qualquer evento passado ou futuro que vincule esse processo administrativo fiscal. O fato gerador ocorreu e com ele surgiu a obrigação tributária, cujo inadimplemento resultou no presente lançamento de ofício para a constituição do crédito correspondente: Fl. 1092DF CARF MF 42 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Fl. 1093DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.923618/2009-53
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/06/2005
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N° 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3° da Lei n° 9.718/98 que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de receita bruta (REs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando-se o retorno dos autos a instância a quo para fins de apreciação do mérito.
assinado digitalmente
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS- Presidente.
assinado digitalmente
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator ad hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/06/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N° 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3° da Lei n° 9.718/98 que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de receita bruta (REs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando-se o retorno dos autos a instância a quo para fins de apreciação do mérito. assinado digitalmente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS- Presidente. assinado digitalmente PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator ad hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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COMPENSÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente VINICOLA CAMPO LARGO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/06/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N° 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3° da Lei n° 9.718/98 que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de receita bruta (REs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 36 18 /2 00 9- 53 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10980.923618/200953 Acórdão n.º 3802001.960 S3TE02 Fl. 45 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinandose o retorno dos autos a instância a quo para fins de apreciação do mérito. assinado digitalmente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. assinado digitalmente PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator ad hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte VINÍCOLA CAMPO LARGO S/A interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão n° 0633.856, proferido em primeira instância pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba DRJ/CTA, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade, adotase o relatório proferido pela autoridade julgadora de primeira instância: "Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento n° 842574130), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp n° 37345.76450.300506.1.3.042427, transmitido em 30/05/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 53,78, pois o pagamento informado de R$ 642,90, sob o código 8109, efetuado em 15/08/2005, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 06/2005. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.923618/200953 Acórdão n.º 3802001.960 S3TE02 Fl. 46 3 restituição. Ao final, pede a homologação da compensação." Tempestivamente oferecida a manifestação de inconformidade, esta não restou acolhida, conforme consignado na ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 15/06/2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo o entendimento do órgão julgador a quo, diante do fato de que o direito creditório suscitado se baseia na declaração de inconstitucionalidade do STF sobre o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, "as decisões mencionadas foram proferidas apenas em relação a casos específicos envolvendo, também, partes específicas (que não a contribuinte)", arrematando que não compete ao órgão administrativo apreciar arguições de constitucionalidade, nos termos da Súmula 2 do CARF. Cientificada da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual argúi que, diante da prolação de decisão pelo plenário pelo STF, o art. 62A do RICARF faculta a reprodução de seu conteúdo, reconhecendo assim seu direito creditório. Sendo estes as principais considerações relativas ao status do processo sob análise, passese ao voto. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 43, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente Substituto da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF a formalizar o presente acórdão. Ressaltese que o relator original apresentou seu voto, que ficou com pendência, apenas, da sua assinatura. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da decisão destes autos. Desta forma, adotase o voto apresentado pelo relator. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.923618/200953 Acórdão n.º 3802001.960 S3TE02 Fl. 47 4 "Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto n° 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins promovida pela Lei n° 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de lei complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Não obstante não ter ocorrido publicação da decisão quando do oferecimento do PER/DCOMP, meses antes do protocolo o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários n°s 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006) Ainda que a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto "que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal". Ora, não é outra a hipótese do caso ora sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.923618/200953 Acórdão n.º 3802001.960 S3TE02 Fl. 48 5 indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3° da Lei n° 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerasse não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3a Seção, 3a Câmara, 2a Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011 grifouse) Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não apreciou esse aspecto. Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3°, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Assim já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802001.857, de relatoria do i. Conselheiro Solon Sehn: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.923618/200953 Acórdão n.º 3802001.960 S3TE02 Fl. 49 6 Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE n° 346.084/PR e no RE n° 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos a instância a quo, para fins de apreciação do mérito." Com base nestes fundamentos, o relator original deu parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito, sendo acompanhado pelos demais integrantes do Colegiado. assinado digitalmente Paulo Roberto Duarte Moreira redator ad hoc Fl. 49DF CARF MF
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