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Numero do processo: 19515.723108/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2008, 2009, 2010
ERRO NA IMPUTAÇÃO FATICA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Não procede o lançamento tributário quando a Fiscalização comete erro na imputação fática.
RECURSO EX OFFICIO. REEXAME A PEDIDO DA RECORRIDA. DESEQUILÍBRIO DE ARMAS. IMPOSSIBILIDADE.
Não se pode reapreciar a questão referente à homologação expressa acerca dos fatos que originaram o ágio, trazida à baila pela Recorrida em suas contrarrazões com o pedido de reconhecimento da decadência, já que a tese centrada nos efeitos do tempo sobre o direito potestativo do Estado de efetuar o lançamento tributário não constituiu fundamento para a anulação dos autos de infração. Admitir o contrário implicaria autorizar o desequilíbrio de armas entre a Recorrida e a Fazenda Pública, porquanto a posição desta última, no recurso ex officio, não lhe facultava meios objetivos de previamente conhecer teses-surpresa que poderiam surgir nas contrarrazões para, à vista disso, adequadamente compor argumentos contrários.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2008, 2009, 2010
GANHO OU PERDA DE CAPITAL NA VARIAÇÃO DO PERCENTUAL DO CAPITAL. ENTRADA DE SÓCIO NOVO. IMPROCEDÊNCIA DA CAPITULAÇÃO NO ARTIGO 428 DO RIR/99.
O ganho ou a perda de capital a que se refere o artigo 428 do RIR/99 decorre da variação do percentual de participação daquele investidor que, no momento imediatamente anterior à subscrição, já mantinha investimento na pessoa jurídica investida. Portanto, o artigo 428 só é aplicável a acionista que já participava do capital social da investida, no instante imediatamente anterior à subscrição de capital. Ou seja, a regra do artigo 428 do RIR/99 não pode ser aplicada a investidor novo, aquele que subscreve capital pela primeira vez na pessoa jurídica, afinal é intuitivo que, nesse caso, não há que se falar em variação do percentual de participação no capital, pois não havia participação anterior.
PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. COMPROVAÇÃO DA AQUISIÇÃO. Atas de assembléias societárias, registros no Livro de Transferências de Ações Nominativas, previsão contratual e assentos contábeis são elementos suficientes à comprovação de aquisição de participação societária.
Numero da decisão: 1301-002.183
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que davam provimento parcial para restabelecer a infração II, e o Conselheiro Roberto Silva Júnior, que dava provimento parcial para restabelecer a infração I e, parcialmente, também a infração II. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008, 2009, 2010 ERRO NA IMPUTAÇÃO FATICA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Não procede o lançamento tributário quando a Fiscalização comete erro na imputação fática. RECURSO EX OFFICIO. REEXAME A PEDIDO DA RECORRIDA. DESEQUILÍBRIO DE ARMAS. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode reapreciar a questão referente à homologação expressa acerca dos fatos que originaram o ágio, trazida à baila pela Recorrida em suas contrarrazões com o pedido de reconhecimento da decadência, já que a tese centrada nos efeitos do tempo sobre o direito potestativo do Estado de efetuar o lançamento tributário não constituiu fundamento para a anulação dos autos de infração. Admitir o contrário implicaria autorizar o desequilíbrio de armas entre a Recorrida e a Fazenda Pública, porquanto a posição desta última, no recurso ex officio, não lhe facultava meios objetivos de previamente conhecer teses-surpresa que poderiam surgir nas contrarrazões para, à vista disso, adequadamente compor argumentos contrários. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 GANHO OU PERDA DE CAPITAL NA VARIAÇÃO DO PERCENTUAL DO CAPITAL. ENTRADA DE SÓCIO NOVO. IMPROCEDÊNCIA DA CAPITULAÇÃO NO ARTIGO 428 DO RIR/99. O ganho ou a perda de capital a que se refere o artigo 428 do RIR/99 decorre da variação do percentual de participação daquele investidor que, no momento imediatamente anterior à subscrição, já mantinha investimento na pessoa jurídica investida. Portanto, o artigo 428 só é aplicável a acionista que já participava do capital social da investida, no instante imediatamente anterior à subscrição de capital. Ou seja, a regra do artigo 428 do RIR/99 não pode ser aplicada a investidor novo, aquele que subscreve capital pela primeira vez na pessoa jurídica, afinal é intuitivo que, nesse caso, não há que se falar em variação do percentual de participação no capital, pois não havia participação anterior. PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. COMPROVAÇÃO DA AQUISIÇÃO. Atas de assembléias societárias, registros no Livro de Transferências de Ações Nominativas, previsão contratual e assentos contábeis são elementos suficientes à comprovação de aquisição de participação societária.
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Numero do processo: 19515.003484/2004-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA. PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.858-6, DE 30/06/1999.
Antes da MP nº 1.858-6, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.858-6 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual de CSLL - 31/12/1999, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.858-6, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida.
ENTENDIMENTO SUMULAR. MULTA ISOLADA SOBRE INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVA MENSAL. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. FATOS GERADORES ANTERIORES A 2007. APLICAÇÃO DE OFÍCIO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. PRESCINDIBILIDADE DE RETORNO DOS AUTOS PARA A TURMA A QUO.
Considerando que o valor tutelado pelo retorno dos autos para a turma a quo é a supressão de instância, e diante da possibilidade de aplicação de súmula do CARF pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, mostra-se desnecessário o retorno dos autos para a turma a quo apreciar estritamente matéria sumulada. A instância anterior obrigatoriamente teria que aplicar o mesmo entendimento sumular e a decisão não poderia ser objeto de recurso especial. Procedimento de retorno aos autos teria como único efeito o prolongamento desnecessário do processo, em colisão com os princípios da eficiência, celeridade e economicidade. Nesse contexto, mostra-se razoável aplicar de ofício a Súmula nº 105 do CARF para afastar as exações relativas a multa isolada sobre insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais, que tratam de anos-calendário anteriores a 2007.
Numero da decisão: 9101-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento quanto à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio na sessão de 13/12/2016) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por maioria de votos, acordam em aplicar a Súmula CARF nº 105, de ofício, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo (relator), que entendeu pela não aplicação da súmula. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não participou do julgamento. Julgamento iniciado na sessão de 17/08/2016, teve continuidade em 13/12/2016 e foi concluído em 14/03/2017.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA. PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.858-6, DE 30/06/1999. Antes da MP nº 1.858-6, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.858-6 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual de CSLL - 31/12/1999, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.858-6, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida. ENTENDIMENTO SUMULAR. MULTA ISOLADA SOBRE INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVA MENSAL. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. FATOS GERADORES ANTERIORES A 2007. APLICAÇÃO DE OFÍCIO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. PRESCINDIBILIDADE DE RETORNO DOS AUTOS PARA A TURMA A QUO. Considerando que o valor tutelado pelo retorno dos autos para a turma a quo é a supressão de instância, e diante da possibilidade de aplicação de súmula do CARF pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, mostra-se desnecessário o retorno dos autos para a turma a quo apreciar estritamente matéria sumulada. A instância anterior obrigatoriamente teria que aplicar o mesmo entendimento sumular e a decisão não poderia ser objeto de recurso especial. Procedimento de retorno aos autos teria como único efeito o prolongamento desnecessário do processo, em colisão com os princípios da eficiência, celeridade e economicidade. Nesse contexto, mostra-se razoável aplicar de ofício a Súmula nº 105 do CARF para afastar as exações relativas a multa isolada sobre insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais, que tratam de anos-calendário anteriores a 2007.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento quanto à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio na sessão de 13/12/2016) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por maioria de votos, acordam em aplicar a Súmula CARF nº 105, de ofício, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo (relator), que entendeu pela não aplicação da súmula. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não participou do julgamento. Julgamento iniciado na sessão de 17/08/2016, teve continuidade em 13/12/2016 e foi concluído em 14/03/2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.8586, DE 30/06/1999. Antes da MP nº 1.8586, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.8586 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual de CSLL 31/12/1999, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.8586, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida. ENTENDIMENTO SUMULAR. MULTA ISOLADA SOBRE INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVA MENSAL. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. FATOS GERADORES ANTERIORES A 2007. APLICAÇÃO DE OFÍCIO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. PRESCINDIBILIDADE DE RETORNO DOS AUTOS PARA A TURMA A QUO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 84 /2 00 4- 17 Fl. 500DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 501 2 Considerando que o valor tutelado pelo retorno dos autos para a turma a quo é a supressão de instância, e diante da possibilidade de aplicação de súmula do CARF pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, mostrase desnecessário o retorno dos autos para a turma a quo apreciar estritamente matéria sumulada. A instância anterior obrigatoriamente teria que aplicar o mesmo entendimento sumular e a decisão não poderia ser objeto de recurso especial. Procedimento de retorno aos autos teria como único efeito o prolongamento desnecessário do processo, em colisão com os princípios da eficiência, celeridade e economicidade. Nesse contexto, mostrase razoável aplicar de ofício a Súmula nº 105 do CARF para afastar as exações relativas a multa isolada sobre insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais, que tratam de anoscalendário anteriores a 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento quanto à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio na sessão de 13/12/2016) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por maioria de votos, acordam em aplicar a Súmula CARF nº 105, de ofício, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo (relator), que entendeu pela não aplicação da súmula. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não participou do julgamento. Julgamento iniciado na sessão de 17/08/2016, teve continuidade em 13/12/2016 e foi concluído em 14/03/2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Fl. 501DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 502 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre procedimento de compensação de base de cálculo negativa de Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL apurada por empresa sucedida. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1202000.891, de 06/11/2012, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, entre outras coisas, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de admitir procedimento de compensação por ela realizado, utilizando base de cálculo negativa de CSLL apurada por empresa sucedida. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2000 COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO. Até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992. Improcedente a glosa da compensação efetuada naquele sentido. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL em caso análogo, a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes chegou a conclusão inteiramente oposta em relação ao acórdão recorrido: Acórdão nº 10323404 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício: 2001 Ementa: CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. INCORPORAÇÃO. Conforme expressa disposição legal (Medida Provisória n. 18586, de 1999, sucedida pela Medida Provisória n. 2.15825, de 2001), a pessoa jurídica sucessora por incorporação não poderá compensar bases Fl. 502DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 503 4 negativas apuradas pela empresa incorporada. Recurso voluntário não provido. a fim de melhor aclarar a divergência jurisprudencial ora invocada, fazse necessária a transcrição de excertos do paradigma, de forma a demonstrar os pontos semelhantes das questões fáticas analisadas e a interpretação jurídica divergente (transcrição contida no recurso); No mesmo sentido, é o Acórdão nº 140100262, cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE EMPRESA INCORPORADA PELA EMPRESA INCORPORADORA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme a legislação tributária pertinente, somente há previsão legal para deduzir da base de cálculo da CSLL, a base negativa apurada pela própria pessoa jurídica em período anterior. Nos casos de incorporação, a sociedade sucessora não pode compensar a base de cálculo negativa de CSLL apurada pela sucedida. Antes de 1999, a proibição era extraída da análise sistemática da legislação tributária atinente à matéria. A partir de 1999, como é o caso, com o advento da Medida Provisória n° 1.8586, a vedação passou a ser por expressa determinação legal. COMPENSAÇÃO BASE NEGATIVA EMPRESA INCORPORADA. MOMENTO DA VEDAÇÃO ANOCALENDÁRIO DE 1999. O art. 33 do Decretolei 2.341/1987 deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcando ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece. restou plenamente demonstrada a similitude das molduras fáticas dos casos objetos de julgamento pelo acórdão recorrido e os paradigmas; mesmo diante de contexto no qual o autuado promoveu incorporação de outra pessoa jurídica em data anterior ao advento da MP nº 1.8586 de 29/06/1999 e publicada em 30/06/1999 (no caso concreto, a incorporação ocorreu em 04/1999), ainda assim, os órgãos prolatores dos paradigmas entenderam que cabia a proibição de que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela sucedida, pois a compensação ocorreu em momento posterior ao advento da MP citada; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO a regra disposta no artigo 16 da Lei nº 9.065, de 1995, só permite exclusões ou compensações previstas na legislação da Contribuição Social. Como não há previsão legal Fl. 503DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 504 5 para a empresa compensar base de cálculo negativa e/ou prejuízos fiscais de empresa incorporada, referido dispositivo foi indiscutivelmente infringido pelo contribuinte; por força do comando contido no artigo 57 da Lei nº 8.981, de 1995, aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n9 7.689, de 1988), as mesmas normas de apuração de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive, no que se refere ao disposto no artigo 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alteração introduzidas por lei; antes mesmo da edição da Medida Provisória nº 1.8586/99, já existia dispositivo que se reportava ao impedimento de uma pessoa jurídica sucessora por incorporação, de compensar prejuízos fiscais da sucedida (artigo 509 do RIR/94, aprovado pelo Decreto nº. 1.041/91 e 514 do RIR/99, cuja matriz legal é o artigo 33 do DecretoLei nº 2.341/97); ainda sobre a impossibilidade da empresa sucessora por incorporação de compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela empresa sucedida, cabe destacar, por encampar a melhor exegese da matéria, as preciosas considerações da DRJ em Fortaleza nos autos nº 10380.008934/200539, verbis: II Do Mérito. 1. Da Ausência de Normatização da Matéria Até a Edição da MP nº 1.8566, de 1999. Após discorrer sobre o disciplinamento legal da base de cálculo da CSLL, em sua versão original e a posterior autorização para a compensação das bases de cálculo negativas de períodos anteriores, e traçar um paralelo com as regras de compensação dos prejuízos fiscais na determinação da base de cálculo do IRPJ, o autor do feito fez constar do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, a seguinte conclusão: "O acima exposto demonstra ilustrativamente que, em qualquer caso, os ajustes para fins de apuração da base de cálculo da CSLL (adições, exclusões ou compensações) necessitam estar expressamente previstos na lei tributária. Se a lei prevê a base de cálculo da CSLL como sendo o valor do resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda com (os) ajustes expressamente nela indicados, ela impede qualquer ajuste da referida base de cálculo que não esteja previsto de maneira expressa na lei. Diversamente do que ocorre em outros ramos de direito, o mero fato de não existir lei que obste determinado ajuste base de cálculo de um tributo, não implica que este ajuste seja autorizado. Aqui vigora justamente o contrário, a lei tributária é que, ao disciplinar a base de cálculo de determinado tributo, autoriza os ajustes (adições, exclusões ou compensações) que devem ser observados tanto pelos contribuintes, quanto pelo Fisco". O raciocínio desenvolvido pela autoridade autuante nada tem de absurdo, que não mereça ser levada em consideração, no dizer da Impugnante. Ao contrário, é todo ele calcado na legitima interpretação do direito aplicável aos fatos de natureza tributária, o que constitui uma das atividades do Auditor Fiscal, no desenvolvimento de seu mister constitucional de verificar Fl. 504DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 505 6 o cumprimento das obrigações tributárias por parte dos contribuintes administrados. E, nesse sentido, não ocorreu qualquer violação ao comando contido no inciso II, do artigo 5º, da CF/88, posto que não se trata de exigir um comportamento do contribuinte não previsto em lei; no caso, havia no ordenamento jurídico uma norma que conceituava a base de cálculo da CSLL, a qual não previa a compensação de bases negativas apuradas por empresas sucedidas, e que, por principio, obrigava o sujeito passivo à sua observância. Isso explica o fato de que, ate a edição da Lei no 8.383, de 1991, inexistia previsão legal para que as pessoas jurídicas pudessem compensar bases de cálculo negativas de períodos anteriores, na determinação da base de cálculo da CSLL e, ainda que alguns contribuintes tenham buscado este alegado direito nas esferas administrativa e judicial, a jurisprudência é amplamente majoritária no sentido de que tal compensação somente se tornou possível a partir dos períodos de apuração posteriores â publicação do aludido diploma legal, não se acatando a retroatividade de sua aplicação. Uma primeira ilação podese tirar da assertiva acima, qual seja a de que, não obstante inexistir norma que vedasse a compensação de que se cuida, a mesma não era possível, em face de a legislação posta à época não assegurar, expressamente, aquele pretenso direito, embora, já há algum tempo, fosse facultada a compensação de prejuízos fiscais na determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas. Aplicavase, portanto, a base imponível prevista no artigo 2º, da Lei n° 7.689, de 1988, que não admitia compensações de quaisquer espécies. O mesmo dispositivo legal que passou a disciplinar a compensação da base de cálculo negativa da CSLL (artigo 44, da Lei n° 8.383, de 1991), previu em seu "caput", uma regra genérica, já consagrada em diplomas legais editados posteriormente (Leis n° 8.541, de 1992, artigo 38; e 8.981/1995, artigo 57, entre outros), de que "aplicamse a Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988), as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (...)". Poderseia invocar tal regra para concluir que, como o artigo 33, do Decretolei n° 2.341, de 1987, proibia a compensação de prejuízos fiscais da sociedade incorporada, pela pessoa jurídica sucessora, tal vedação alcançaria a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL, ern período anterior à sua extensão, pelo artigo 20, da MP n° 1.8586, de 1999, pela ausência de disciplinamento próprio do instituto. Em razão disso, naquele período, o regramento da base imponível aqui tratada passaria a ser feito pela aplicação do artigo 2Q, da Lei n2 7.689, de 1988, combinado com o disposto no parágrafo único, do artigo 44, da Lei n° 8.383, de 1991, mas com a ressalva da norma contida no artigo 33, do Decretolei n° 2.341, de 1987, aplicável à CSLL por força dos dispositivos legais citados em parágrafo precedente. Assim, a norma contida no artigo 20, da MP n° 1.8586, de 1999, teria apenas o caráter expletivo (como, aliás, lhe qualificou a Defendente, provavelmente por equivoco, considerando o teor da impugnação). Nesse contexto, e relevante trazer â baila o pronunciamento do Ministro Cezar Fl. 505DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 506 7 Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), em seu votovista prolatado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.0846 PARANÁ, em sua assertiva de que "Não é incomum, no âmbito das normas tributárias, a tipificação de condutas de modo detalhado e, às vezes, redundante. 0 propósito é claro: evitar as controvérsias quanto à subsunção ou não de determinadas condutas à norma." Não obstante esse entendimento não se coadunar com a jurisprudência dominante na instância ad quem de acordo com os julgados trazidos à colação na peça impugnatória como bem acentuou a autoridade autuante, constitui fato indiscutível que inexistia na legislação que rege a base de cálculo da CSLL, norma expressa que autorizasse a compensação de bases negativas de sociedade sucedida por parte da incorporadora, que viesse a ser modificada com a edição da MP n° 1.8586, de 1999, como implicitamente alega a Defendente, ao invocar o principio da segurança jurídica e o da anterioridade nonagesimal, aplicável às contribuições para a seguridade social, nos termos do artigo 195, §6°, da CF/88, que passaremos a analisar. 2. Do Principio da Anterioridade Nonagesimal Aplicável à Norma Contida no Artigo 20, da MP nº 1.8586, de 1999. De inicio, é de se esclarecer que a base negativa da CSLL glosada no procedimento fiscal reportouse ao anocalendário de 2000, período para o qual a Autuada optou pela apuração anual do IRPJ e da contribuição social; e que aquela base negativa foi apurada no balanço de encerramento para fins de incorporação da sociedade que a controlava, fato ocorrido em 27/09/1999, tendo sido a Medida Provisória n° 1.8586, editada em 29/06/1999. O argumento da defesa é no sentido de que, aplicandose o prazo nonagesimal previsto no artigo 195, § 6°, da CF/88, a contribuição para a seguridade social somente pode ser exigida após o transcurso de noventa dias da publicação da lei que a houver instituído ou modificado; assim, a eficácia da norma aqui tratada somente se daria a partir do dia 28/09/1999, portanto, em data posterior a transformação societária ocorrida, não obstaculizando, dessa forma, o aproveitamento da base negativa da CSLL apurada pela empresa sucedida, sob pena de violação ao principio da segurança jurídica. Como não se trata de instituição de uma nova contribuição social, resta verificarmos se a norma em comento provocou uma modificação de uma contribuição social preexistente (no caso, a CSLL), para concluirmos pela procedência da alegação. Já foi dito neste voto que, do meu ponto de vista, aquela norma possui natureza expletiva, tendo sido editada apenas para "evitar as controvérsias quanto À subsunção ou não de determinadas condutas à norma", para usar as palavras do Ministro Cezar Peluso, do STF. Ainda que assim não fosse, verifiquemos se a CSLL restou modificada, com a edição da norma, considerandose os elementos constitutivos da correspondente obrigação tributária, a teor do que prescrevem o CTN e a lei instituidora da exação (Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações posteriores). Fl. 506DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 507 8 Compulsandose a legislação citada, concluise, facilmente, que a regra contida no artigo 20, da MP nº 1.8586, de 1999, não modificou quaisquer daqueles elementos, permanecendo inalterados a hipótese de incidência ou o fato gerador da obrigação, o sujeito ativo, o sujeito passivo, a base de cálculo e a alÍquota aplicável; nem ao menos foram alterados os prazos de vencimento da contribuição. Em razão disso tornase forçoso reconhecer que, também sob esse prisma, a regra constitucional não impede a eficácia imediata da norma, mesmo porque, como já vimos, a pretensa modificação na base de cálculo da CSLL que restaria onerada pela vedação motivadora da glosa não se efetivou pelo simples fato de o seu conceito legal jamais haver contemplado compensação de que se cuida, na redação original da sua lei instituidora, quer nas alterações que lhe seguiram. Por todo o exposto, conduzo o meu voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do feito suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito, considerar procedente o lançamento. É o meu voto. em adendo à argumentação acima expendida, notese que, ainda que se entenda pela incidência do art. 20 da Medida Provisória nº 18586/199 somente em relação às incorporações realizadas posteriormente à sua vigência, não assiste razão ao sujeito passivo, pois o sistema de apuração dos impostos e contribuições, mesmo antes da expressa proibição legal, já não comportava a compensação dos prejuízos fiscais, nem das bases negativas da CSLL apurados pela empresa sucedida na incorporação; assim como a empresa incorporada, os seus prejuízos fiscais e bases negativas desaparecem, tendo em vista o ajuste contábil e fiscal realizado durante o processo, quando há absorção do patrimônio de uma empresa pela outra. Logo, durante a operação societária em foco, já há a consideração de toda contabilidade da pessoa jurídica sucedida, pois é o seu patrimônio liquido que é vertido para a incorporadora, não havendo dúvidas quanto à repercussão dos prejuízos fiscais e das bases negativas na formação do acervo patrimonial da empresa resultante da incorporação; noutra linha de argumentação, cabe registrar que merece reforma o acórdão hostilizado, também porque o art. 20 da Medida Provisória nº 18586/1999 disciplina a compensação tributária, fazendo referência à incorporação somente para esclarecer em que hipótese não se pode compensar as bases negativas da CSLL; ainda como acréscimo, cumpre referir que a compensação é regida pela legislação vigente à época de efetivação do encontro de contas; este entendimento está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, confirmada em recurso repetitivo e, por isso, de reprodução obrigatória pelo CARE (art. 62A do RICARF). Sobre a matéria, o STJ confirmou que a compensação deve ser apreciada com base na legislação vigente no momento do encontro de contas. Confira se o acórdão proferido sob a sistemática do art. 543C do CPC: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE À DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 508 9 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08." (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) para o caso em foco, é cediço que a compensação não ocorreu em 04/1999, quando realizada a operação de incorporação, mas sim no anocalendário de 1999, e neste ano o autuado foi tributado pelo Lucro Real anual, tendo 31/12/1999 como a data do fato gerador, tanto do IRPJ, como da CSLL. Assim, quando da apuração de seus resultados pela declaração de ajuste anual, isto é, quando efetivamente realizou o encontro de contas, já estava em vigor a MP nº 1.8586, de 30/06/1999, que passou a produzir efeitos em relação à CSLL em 28/09/1999 (principio da anterioridade nonagesimal para as contribuições); de toda forma, ad argumentandum tantum, ainda que em momento anterior à edição da MP nº 1.8586 pudesse se entender como autorizada a compensação de prejuízos fiscais da sucedida pela incorporadora, cabe lembrar que o eg. STF já decidiu em reiteradas oportunidades que não há direito adquirido a determinado regime jurídico. E, quando da incorporação, somente havia por parte do contribuinte expectativa de direito. Expectativa essa que poderia ser frustrada de forma legitima em momento posterior, quando da efetiva realização da compensação, como de fato ocorreu no presente caso. O ordenamento jurídico, nesse contexto, seja por não existir coisa julgada, ato jurídico perfeito ou mesmo direito adquirido, não agasalha a pretensão do autuado; assim, sob qualquer ótica de argumentação, não merece reparo a autuação realizada pela fiscalização, que considerou indevida a compensação efetivada pela incorporadora em relação às bases negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) apuradas pela empresa incorporada: em resumo: a) inexistia na legislação que regia a base de cálculo da CSLL, à época, norma expressa que autorizasse a compensação de bases negativas de sociedade sucedida por parte da incorporadora; b) o artigo 44 da Lei n° 8.383, de 1991, previu em seu caput, que "aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988), as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (...)". Podese invocar tal regra para concluir que, como o artigo 33 do Decretolei n° 2.341, de 1987, proíbe a compensação de prejuízos fiscais da sociedade incorporada, pela pessoa jurídica sucessora, tal vedação alcança a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL; Fl. 508DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 509 10 c) o art. 20 da Medida Provisória nº 18586/1999 disciplina a compensação tributária fazendo referência à incorporação somente para esclarecer em que hipótese não se pode compensar as bases negativas da CSLL. Logo, a aplicação temporal da referida norma deve se reger pela época da compensação e não da incorporação. No caso dos autos, o autuado realizou a compensação indevida em 31/12/1999, quando já estava em vigor a proibição legal veiculada na aludida Medida Provisória; d) deve ser aplicado ao caso o disposto no art. 62A do RICARF, com a reprodução no caso vertente do entendimento do STJ em sede de julgamento de recurso especial repetitivo (REsp 1164452/MG) no sentido de que "A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte", e não da apuração de possíveis créditos (apuração de prejuízo fiscal pela sucedida). Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 00.035, de 12/05/2014, admitiu o recurso especial, reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: [...] Do cotejo entre as ementas e os votos condutores dos arestos, recorrido e paradigmas, verificase que o tratamento foi diferenciado vez que, no recorrido concluiuse pela improcedência da glosa da compensação efetuada, pois até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992, enquanto que o acórdão paradigma nº 10323404 entendeu que a pessoa jurídica sucessora por incorporação não poderá compensar bases negativas apuradas pela empresa incorporada, conforme disposto na legislação supracitada. Conclusão Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reapreciada a questão discutida nos autos. Em 21/10/2014, a contribuinte foi cientificada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 03/11/2014 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: DAS RAZÕES PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO o acórdão recorrido, acertadamente, acolheu a tese da ora Recorrida sob a ótica da possibilidade de compensação da base negativa de empresas incorporadas antes do advento da MP 18586/1999, seguindo a baila de inúmeras decisões desse Egrégio Conselho; insta destacar, que, o marco inicial para discussão da matéria é a data da incorporação que ensejou o aproveitamento da base negativa de CSLL das empresas Fl. 509DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 510 11 incorporadas. E, conforme documentos colacionados nos autos, o evento especial de incorporação ocorreu em 28 de abril de 1999, ou seja, ANTES do advento da Medida Provisória 1.8586, de 29 de junho de 1999, vigente 90 (noventa) dias após a sua edição, que vedou a compensação de bases de cálculo negativas, geradas a partir de 1992, em casos de sucessão; o que não pode ser ignorado é que até a edição da Medida Provisória n° 185806, de 29 de junho de 1999, inexistia previsão legal que impedisse o aproveitamento, pelas empresas incorporadoras, da base de cálculo negativa da Contribuição Social das companhias incorporadas; somente com a publicação da citada Medida Provisória 18586 é que passou a haver norma jurídica estendendo o tratamento já previsto para o Imposto de Renda; em obediência ao disposto no § 6º do artigo 195 da Constituição Federal, a regra prevista no artigo 20 da MP 18586 somente produziu efeitos a partir de 1º de outubro de 1999. Equivale dizer que todos os atos jurídicos praticados até a entrada em vigor do artigo 20, fez com que as empresas incorporadoras tivessem o direito de promover o aproveitamento da base de cálculo negativa da CSLL da sucedida; entendimento diverso afronta os mais basilares princípios do ordenamento jurídico, tais como (i) o direito adquirido, (ii) a segurança jurídica, (iii) da legalidade, (iv) da irretroatividade da legislação tributária, entre outros postulados e regras; não se pode olvidar que a Lei 6.404/76 (Lei das S/A), em seu art. 227, dispõe que no evento especial de incorporação, a pessoa jurídica incorporadora sucede TODOS os direitos e obrigações da sucedida; ao ser analisado o artigo alhures, ficou mais que comprovado que com o ato de incorporação, a incorporadora assume os direitos e obrigações das empresas incorporadas. Isso leva a crer que se a empresa incorporada tiver direitos, esses passarão para a incorporadora, já se ela tiver deveres, também serão sucedidos pela incorporadora; a Ata de reunião que deliberou sobre a incorporação das citadas empresas foi realizada em 28 de abril de 1999, já a Medida Provisória 18586 somente passou a produzir efeitos a partir de 1º de outubro de 1999, ou seja, os dispositivos da referida MP não poderiam retroagir e prejudicar o direito adquirido; em abril de 1999 a Recorrida adquiriu o direito de utilizar a base de cálculo negativa de CSLL da empresa sucedida, porquanto a norma que extirpou do ordenamento jurídico veio à lume somente em junho de 1999, quando a Recorrida já havia incorporado ao seu acervo patrimonial o lídimo direito à utilização; importante registrar que a matéria prequestionada pelo acórdão paradigma diz respeito apenas e tão somente à inexistência de norma proibitiva para que a contribuinte exercesse esse direito de utilizar a base de cálculo negativa de CSLL de empresa incorporada, sem adentrar na questão suscitada pela I. PGFN de que o caso deve ser apreciado sob a ótica da data da compensação e não a data da incorporação; nada mais equivocado, pois, conforme adiante se demonstrará, o direito à compensação da base negativa de CSLL nasceu com a incorporação da empresa sucedida (IBA Fl. 510DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 511 12 NE), sendo irrelevante para o caso em apreço se no momento da compensação, postergada em razão da trava dos 30% (trinta por cento), havia norma vedando a sua utilização; este o atual posicionamento deste Egrégio Colegiado, inclusive, com posicionamento favorável ao Contribuinte pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PAF. NÃO CONHECIMENTO do Recurso Especial por ausência de paradigma tendo em vista que as razões de decidir do acórdão recorrido e do acórdão paradigma são as mesmas. COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO. Até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992. (CSRF 1ª Turma Proc. 10909.003921/200658 9101001.764 Sessão de 15.10.2013) o acórdão paradigma citado pela PGFN já foi objeto de enfrentamento nesse E. Conselho, sendo prolatada decisão pela 1ª Turma da CSRF, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional perante o Processo n° 10380.008934/200539. Isso significa que a matéria discutida nos autos é a mesma que já foi enfrentada nesta Câmara Superior, pois, como mencionado, o acórdão paradigma utilizado naquele outro caso é o mesmo que está sendo utilizado neste caso; o Processo 10380.008934/200539, distribuído à CSRF, foi de relataria do Conselheiro Dr. Valmir Sandri, e a decisão prolatada, muito bem fundamentada, não encontrou óbices na tese defendida pela Recorrida, mantendose a decisão em sua íntegra, comprovando a identidade da divergência com os presentes autos, conforme se infere do voto do I. Relator: "(...) Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada por outra Câmara, invocando como paradigma o acórdão nº 10323.404 (...) (...) Logo, não encontrei, quer no acórdão paradigma, quer nas considerações da Douta PGFN, qualquer argumento convincente no sentido de alterar a consagrada jurisprudência amplamente dominante deste tribunal administrativo, razão porque, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (...)" aliás, são inúmeros os julgados do antigo Conselho de Contribuintes que asseguram o direito à utilização da base negativa de CSLL de empresa sucedida, apurada a partir de janeiro de 1992, dede que o evento especial de incorporação tenha ocorrido ANTES da MP 1.8588/1999 (ementas transcritas); com acerto o entendimento exarado na atual composição do CARF e do antigo Conselho de Contribuintes, tanto que encontra amparo na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE LUCRO LÍQUIDO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS REFERENTES A BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RECURSO Fl. 511DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 512 13 ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO, PORÉM, NESSA PARTE, DESPROVIDO. (...) Decidiu com acerto o Tribunal de origem ao adotar o seguinte entendimento: "A proibição da compensação dos prejuízos fiscais pela sucessora (por incorporação, cisão ou fusão), existente para o IRPJ (art. 33 do DL 2.341/87), somente deve ser aplicada à CSLL após a edição da MP 1.8586, de 30 de agosto de 1999, que expressamente estende a referida vedação à contribuição. No presente caso, os processos de incorporação e de cisão ocorreram, respectivamente, em abril de 1999 e em 1997, e não foram atingidos pela nova restrição ao aproveitamento dos créditos de base de calado negativa da CSLL que passou a viger em novembro de 1999." Recurso especial parcialmente conhecido, porém, nessa extensão, desprovido. (REsp 949.117/RS, Rei. Min. DENISE ARRUDA, DJe: 11/12/2009) desta forma, em que pese os argumento expostos pelo Ilustre Procurador da Fazenda Nacional, o r. acórdão recorrido não merece reparos, pois se coaduna com a jurisprudência da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça; DA INAPLICABILIDADE DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA AO CASO CONCRETO apesar de a Recorrente ter comprovado a divergência apenas em relação à tese circunscrita ao marco temporal para o aproveitamento da base negativa, isto é se existia vedação mesmo antes do advento da MP 1.858/1999, surpreendente e inauguralmente no presente processo, a PGFN tenta induzir em erro este Egrégio Colegiado, ao tentar a aplicação do quanto decidido pelo STJ no REsp 1164452/MG; isso somente demonstra o desespero da I. PGFN para tentar alterar o foco da discussão dos autos que está (e sempre esteve) em torno da aplicação temporal dos efeitos 1.858/1999; no caso dos autos, conforme será melhor explicitado, o argumento contido quanto ao decidido no REsp 1164452/MG não é aplicável, pois (i) tal fato não foi prequestionado no processo e o paradigma divergente encartado pela PGFN não enfrenta tal controvérsia, impedindo o seu conhecimento nesta Câmara Superior; (ii) ainda que fosse conhecida essa discussão, melhor sorte não teria a I. PGFN, eis que o entendimento firmado pelo STJ simplesmente não se coaduna com o caso em exame; DO NÃO CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO DO REsp 116452/MG a D. PGFN deliberadamente tenta incluir, nesta estreita via do Recurso Especial, uma questão que nunca foi discutida nos autos e que não foi sequer objeto do paradigma; o Recurso Especial somente pode ser conhecido nesta Câmara Superior com o prequestionamento da matéria comprovado através de julgados divergentes deste Colegiado; com a delimitação do acórdão divergente (Acórdão 10323404) à compensação de bases negativas pela edição da Medida Provisória 1.8586/1999, no que foi Fl. 512DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 513 14 aceito pela Presidência da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, o que se depreende é que a Câmara Superior de Recursos Fiscais somente deverá apreciar a temática delimitada no acórdão divergente; isso significa que a única questão a ser discutida em sede de Recurso Especial é que até a edição da MP 1.8566/1999 inexistia qualquer impedimento para o aproveitamento, por parte da sucessora, da base negativa de CSLL verificada pela sucedida a partir de janeiro de 1992; este é o ponto fundamental. A I. PGFN não poderia ter suscitado qualquer outra questão no Recurso Especial, sob pena de não conhecimento da matéria que deixou de ser prequestionada, contudo, ainda assim o fez, conforme se constata dos itens "c" e "d" (fls. 353) da conclusão recursal da ora Recorrente; inferese, assim, o descompasso, nesta parte, do Recurso Especial, sendo manifestamente incabível suscitar a aplicação do disposto no art. 62A do RICARF para pretender julgar, nesta CSRF, matéria não prequestionada e cuja divergência sequer foi articulada pela Recorrente; portanto, a medida que se impõe é o não conhecimento da inovadora questão argüida pela I. PGFN acerca do recurso especial repetitivo (REsp 1164452/MG), pela simples razão de ausência de prequestionamento e paradigma, não se amoldando aos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial elencados no art. 67 do RICARF; contudo, caso este Colegiado entenda pelo enfrentamento desta questão que sequer foi presquestionada, muito menos "demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido", ainda assim, o Recurso Especial não merece provimento, conforme se comprovará; DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO RECURSO REPETITIVO caso a matéria venha a ser conhecida neste Colegiado, o que se não se espera, melhor sorte não assiste à PGFN, pois, apesar de o art. 62A do RICARF prever a aplicação obrigatória dos julgamentos realizados na forma do art. 543B e art. 543C do CPC, o REsp 1164452/MG simplesmente é inaplicável à espécie; não se está negando o comando do Regimento Interno que prevê a obrigatória aplicação dos julgados do STJ e do STF, mas somente dizendo que o referido recurso em nada se amolda ao caso dos autos para ensejar a reforma do v. acórdão; ao contrário do que suscita, o REsp 1164452/MG não pode ser gene ricamente aplicado aos casos neste Egrégio Conselho, devendo o Julgador analisar o caso concreto para a verificação de sua compatibilidade e subseqüente aplicabilidade; o REsp 1164452/MG tratou de créditos decorrentes de controvérsia judicial, para vedar sua utilização após o trânsito em julgado da demanda judicial, por força do superveniente art. 170A do Código Tributário Nacional; o que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça não pode ser ignorado e mesmo omitido pela I. PGFN para pretender alterar o seu alcance. Aliás, o item 2 da própria ementa do julgado é bastante esclarecedor: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 514 15 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. e, para que não paire qualquer sombra de dúvida, o Relator do REsp 1164452/MG, com a maestria que lhe é peculiar, houve por bem esclarecer este importantíssimo ponto, justamente para evitar interpretação destoante daquela atribuída pelo STJ: "(...) 4. Esse esclarecimento é importante para que se tenha a devida compreensão da questão agora em exame, que, pela sua peculiaridade, não pode ser resolvida, simplesmente, à luz da tese de que a lei aplicável é a da data do encontro de contas. Aqui, com efeito, o que se examina é a aplicação intertemporal de uma norma que veio dar tratamento especial a uma peculiar espécie de compensação: aquela em que o crédito do contribuinte, a ser compensado, é objeto de controvérsia judicial. É a essa modalidade de compensação que se aplica o art. 170A do CTN. O que está aqui em questão é o domínio de aplicação, no tempo, de um preceito normativo que acrescentou um elemento qualificador ao crédito que tem o contribuinte contra Fazenda: esse crédito, quando contestado em juízo, somente pode ser apresentado à compensação após ter sua existência confirmada em sentença transitada em julgado. (...)" (Destacouse) como se vê, no próprio julgado proclamado no REsp 1164452/MG, o Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI deixa a expressa advertência de que "para que se tenha a devida compreensão da questão agora em exame, que, pela sua peculiaridade, não pode ser resolvida, simplesmente, à luz da tese de que a lei aplicável é a da data do encontro de contas"; esta justamente a hipótese dos autos, onde não é possível invocar cegamente o REsp 1164452/MG, sem a exata definição da controvérsia; no caso em exame, pouco importa se a Medida Provisória 1.8586, de 29 de junho 1999 vedou o aproveitamento da base negativa de CSLL apurada a partir de janeiro de 1992 para a pessoa jurídica sucessora por incorporação, porquanto antes de sua edição a Recorrida já havia adquirido o direito à utilização da base negativa de CSLL da sucedida; isto é, ao contrário do que invoca cegamente a D. PGFN, o julgado proferido em recurso repetitivo, que tratava da impossibilidade de o art. 170A retroagir para alcançar as ações judiciais distribuídas anteriormente, em nada, repitase, absolutamente nada se assemelha com a discussão aqui tratada; mas não é só! Ainda que fosse aplicar o quanto decidido pelo REsp 1164452/MG, o mesmo seria aplicado favoravelmente à Contribuinte, exatamente como foi realizado em âmbito judicial; ora, grosso modo, o que se decidiu na Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça foi o fato de que a vedação da legislação superveniente (art. 170A do CTN, trazido pela LC 110/2001) "não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001". Ou seja, como o Contribuinte exerceu o seu direito à compensação, mediante a distribuição da ação, à legislação superveniente não é facultada Fl. 514DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 515 16 alterar os fatos jurídicos ocorridos no momento em que este direito fora exercido, sob pena de afronta aos princípios mais comezinhos de direito; e no caso dos autos? A solução a ser dada só pode ser uma. Como o contribuinte exerceu o seu direito à utilização da base negativa de CSLL antes da edição da MP 1.8586/1999 mediante a sucessão por incorporação da IBA NE, não pode a legislação superveniente (MP 1.8586/1999) alterar o fato pretérito já consumado; neste particular, tanto isso é verdade que é amplamente sabido que inexiste prazo prescricional para a utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para as pessoas jurídicas sucessoras por incorporação, sendo limitado apenas e tãosomente o seu aproveitamento escalonado, com a trava dos 30% (trinta por cento); no caso em voga, no momento da incorporação (abril de 1999) a Recorrida (AmBev) incorporou ao seu patrimônio a base de cálculo negativa de CSLL da empresa sucedida (IBA NE), e apenas com a edição da MP 1.8586/1999 é que o exercício deste direito foi obstado, não sendo possível alcançar os fatos anteriores à sua edição; ou seja, quando do advento da MP 1.8586/1999, o crédito legitimamente aproveitado pela Recorrida não era mais base de cálculo negativa de sucedida (IBA NE) e sim crédito da própria sucessora (AmBev), cuja utilização foi apenas escalonada no tempo com o limitador dos 30% (trinta por cento); diante de tais fatos, não restam dúvidas de que (i) a decisão do REsp 1164452/MG, conforme mencionado pelo próprio Relator (Min. TEORI ALBINO ZA VASCKI), "não pode ser resolvida, simplesmente, à luz da tese de que a lei aplicável é a da data do encontro de contas", como faz crer deliberadamente a PGFN; (ii) a questão de fundo do REsp 1164452/MG (aplicação do art. 170A para os créditos objeto de controvérsia judicial) não guarda qualquer compatibilidade com os autos e (iii) ainda que se queria usar a fundamentação jurídica decidida no REsp 1164452/MG, a mesma é favorável à Recorrida, porquanto a Primeira Seção do STJ vedou a aplicação do art. 170A para as demandas já ajuizadas, o que, aplicandose analogicamente seria o mesmo que vedar os efeitos da MP 1.8586, de 29.06.1999 para as incorporações ocorridas anteriormente à sua vigência; deste modo, a Recorrida requer, acaso conhecido o pedido quanto à aplicação da decisão do REsp 1164452/MG, como sua fundamentação "não pode ser resolvida, simplesmente, à luz da tese de que a lei aplicável é a da data do encontro de contas" (Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI), que seja negado provimento, mantendo incólume o acórdão. É o relatório. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 516 17 Voto Vencido Voto Vencido em relação à apreciação de ofício Voto Vencedor quanto ao restante Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. Quanto à controvérsia que remanesceu até essa fase de recurso especial, cabe registrar, conforme já relatado, que a contribuinte promoveu em 31/12/1999 a compensação de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores. Essa base negativa adveio de outras empresas, que foram incorporadas no mês de abril/1999, o que motivou a glosa da compensação pela fiscalização. A glosa da compensação de base negativa resultou na redução do valor do saldo negativo de CSLL apurado pela contribuinte em 31/12/1999, de R$ 6.165.610,06 para R$ 3.926.201,38. O acórdão recorrido admitiu o procedimento de compensação em que se utilizou base de cálculo negativa de CSLL advinda de empresas sucedidas/incorporadas, cancelou a autuação fiscal, e restabeleceu o valor original do saldo negativo de CSLL em 31/12/1999, conforme havia sido apurado pela contribuinte. Em seu recurso especial, a PGFN busca reverter essa decisão, defendendo o trabalho fiscal, no que toca à glosa da referida compensação. Quanto a essa matéria, compartilho do mesmo entendimento manifestado no voto vencido contido no acórdão recorrido, da lavra da conselheira relatora Viviane Vidal Wagner, cujos fundamentos transcrevo: [...] Como relatado, tendo sido verificada a compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL, em 31/12/1999, no valor de R$18.286.248,45, pela sucessora Indústria de Bebidas Antarctica do NorteNordeste S/A, consideradas as base de cálculo negativa de períodos anteriores de pessoas jurídicas sucedidas por incorporação, efetuouse, em procedimento de ofício, a redução do saldo de CSLL a compensar ou a restituir, de R$6.165.610,06 para R$3.926.201,38. Considerandose que a sistemática de tributação adotada pela sucedida no ano calendário de 1999 foi o lucro real anual, por certo que o fato gerador da CSLL denominado "fato gerador complexivo", só se aperfeiçoou em 31 de dezembro do anocalendário de 1999. Na data da apuração da base de cálculo da CSLL vigia a Medida Provisória n.° 1.8586, de 29 de junho de 1999, dispondo: Fl. 516DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 517 18 Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987. O referido decreto, por sua vez, dispõe: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. De fato, como bem observou a DRJ, é indiferente ao deslinde do caso se a incorporação ocorreu antes da edição da MP n° 1.8586/99, pois a legislação apenas explicitou a proibição da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada com a base de cálculo de CSLL apurada pela incorporadora. Embora o ato de incorporação tenha ocorrido em abril de 1999, logo, antes da edição da medida provisória em comento, a compensação ocorreu em dezembro de 1999, quando já vigente a norma proibitiva. Nesse caso, sequer se faz necessário adentrar na discussão a respeito da existência ou não, antes da norma proibitiva, de impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida. Adotase como razão de decidir a fundamentação contida no voto do ilustre conselheiro Antônio Bezerra Neto, proferido no acórdão unânime nº 1401 00262, de 09/07/2010, acompanhadas por esta relatora enquanto no exercício da presidência da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, consoante trecho abaixo transcrito: O argumento principal trazido pela recorrente no argumento empírico de que somente com o advento da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, é que passou a existir impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela sucedida. Entretanto alega que nem mesmo o advento da Medida Provisória que estendeu a vedação prevista no art. 33 do Decretolei n° 2.341/87 à base de cálculo negativa da CSLL, seria óbice para o aproveitamento das bases negativas apuradas pela sociedade incorporada, posto que referida MP somente passou a vigorar em 28/09/1999, sendo que a incorporação da empresa Geral do Comércio Empreendimentos Ltda pela recorrente ocorreu alguns dias antes da entrada em vigor da legislação em comento, 20/09/1999. Por consequência invoca ainda que está sendo ferido o princípio da irretroatividade, uma vez que tal princípio deve ser norteado pelo momento em que as base negativas foram apuradas, época em que a legislação não vedava o seu aproveitamento pela sociedade incorporadora. A referida MP tendo em vista seu caráter prospectivo, aplicase apenas quanto às bases negativas apuradas a partir de sua vigência. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 518 19 Tive oportunidade de analisar essa mesma questão enquanto presidente da 5ª Turma da DRJRecife, através do Acórdão nº 7.709, de 26/04/2002, de minha relatoria, que foi assim ementado: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL Ano calendário: 1995 Ementa: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. CISÃO PARCIAL Inexiste previsão legal que permita à sucessora, no caso de cisão parcial, compensar a base de cálculo negativa apurada pela sucedida." Naquela ocasião constatei que é indiferente ao deslinde de tais casos se a incorporação ocorreu antes da edição da MP n° 1.8586/ 99 ou depois dela, dado que cheguei à conclusão que a legislação apenas explicitou uma proibição apurada pela incorporada que já era ínsita ao ordenamento. É que a necessidade de vedação do art. 33 do Decreto lei nº 2.341/87, no âmbito do IRPJ, só faz sentido se analisada em paralelo com outro permissivo legal do IRPJ que concedia aquele aproveitamento em tais casos. Ora, como para a CSLL nunca foi concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário a sua vedação. Mantenho ainda esse mesmo entendimento, a despeito de jurisprudência contrária, e vou demonstrar agora de forma mais analítica tal raciocínio. Quanto a essa questão, a princípio, cabe esclarecer que a base de cálculo da CSLL é a estabelecida pelo art. 2° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com suas alterações posteriores, que prevêem expressamente seus ajustes para mais ou para menos. O art. 44 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu, in verbis: "Art. 44 — Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.º 7.689, de1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n.º 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único — Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real." O parágrafo único acima transcrito permitiu às pessoas jurídicas compensarem as suas próprias bases negativas e não as de terceiro ou as de empresas por ela incorporadas. Como se observa, não há no dispositivo reproduzido, qualquer autorização para que as sociedades incorporadoras pudessem compensar as bases negativas de CSLL de suas incorporadas, ao contrário do que fez expressamente o Decreto lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, ao tratar de compensação de prejuízos fiscais, corno se observa a seguir : Fl. 518DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 519 20 "Seção VI Compensação de Prejuízos Art. 64 — A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. ........................................ § 5º A sociedade resultante de fusão e a que incorporar outra sucedem as sociedades extintas no seu direito de compensar prejuízos no prazo previsto neste artigo. ....” O parágrafo 5º acima reproduzido foi posteriormente revogado expressamente pelo art. 1°, inciso IX, do Decretolei n° 1.730, de 17 de outubro de 1979, para evitar a evasão ou postergação no pagamento do Imposto sobre a Renda que a cisão e a incorporação ensejavam. A partir de então, por falta de permissão legal, as sociedades resultantes de fusão e as que incorporassem outra pessoa jurídica ou parte do patrimônio de sociedade cindida não tiveram mais o direito de compensar os prejuízos das sociedades extintas, ainda que tal proibição só viesse a constar expressamente no art. 33 do Decretolei n° 1341, de 29 de junho de 1987, para eliminar definitivamente qualquer dúvida em relação à matéria, O que ocorreu com a compensação de prejuízos fiscais é ilustrativo, no sentido de comprovar que os ajustes da base de cálculo da CSLL (adições, exclusões e compensações) têm de estar previstos na lei tributária para que o contribuinte possa efetuálos. Assim, o fato de não existir lei que proíba determinada exclusão da base de cálculo de um tributo não autoriza o contribuinte a fazêla. Ao contrário, se a lei indica como base de cálculo da contribuição o valor do resultado do exercício, antes da provisão do Imposto sobre a Renda, com ajustes expressamente nela previstos, não poderia o contribuinte retirar da base de cálculo determinado valor por compensação sem previsão legal expressa para fazêlo. A permissão legal restringiuse à compensação de base de cálculo negativa apurada pela própria interessada, a partir de 01 de janeiro de 1992, não sendo admissível a dedução da base de cálculo negativa proveniente de outra pessoa jurídica, mesmo que tenha sido por ela incorporada. Da mesma forma que o art. 33 do Decretolei n° 2.341, de 1987, para afastar qualquer dúvida que pudesse existir em relação à matéria, fez constar de modo expresso a proibição em relação à compensação de prejuízos de empresa incorporada ou cindida, também o art. 20 da MP n.° 1.8586, de 1999, e suas reedições fizeram constar expressamente a proibição da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada com a base de cálculo de CSLL apurada pela incorporadora, para afastar qualquer dúvida que pudesse haver em relação à matéria. Novamente, repitase, como para a CSLL nunca foi concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário Fl. 519DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 520 21 a sua vedação, tendo vindo apenas para ficar de forma expressa e assim não pairar qualquer dúvida a respeito dessa proibição. Nessa perspectiva, considero que não havia previsão legal para que a interessada incorporasse a base de cálculo da CSLL oriunda de empresa incorporada. Dessa forma, os argumentos de irretroatividade e de direito adquirido levantados pela recorrente são totalmente impertinentes. De qualquer forma, acrescentese aquilo que a DRJ muito bem colocou e que faço minhas as suas palavras: "De qualquer forma, no anocalendário de 1999, a impugnante foi tributada pelo Lucro Real anual, tendo 31/12/1999 como a data do fato gerador, tanto do IRPJ, como da CSLL. Assim, quando da apuração de seus resultados pela declaração de ajuste anual, já estava em vigor a MP nº 1.8586, de 30/06/1999, que passou a produzir efeitos em relação à CSLL em 28/09/1999 (princípio da anterioridade nonagesimal para as contribuições)." Ainda no contexto do que foi exposto no parágrafo anterior, ou seja, mesmo para aqueles que possam não concordar com a tese aqui sustentada, ou seja, para aqueles que porventura adotam a tese da CSRF, que abraçam o entendimento de que havia previsão legal para o aproveitamento da base negativa da CSLL até o advento da referida MP que trouxe a vedação, os argumentos trazidos à baila pela recorrente em relação à direito adquirido e irretroatividade não se sustentam, é que a referida vedação do Decreto se dá no momento da compensação e não da apuração. É de se ver. Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. (grifei) O art. 33 do Decreto deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcando ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece. No caso dos autos, a situação é exatamente a mesma daquele processo. No momento da compensação, era plenamente vigente a norma proibitiva. Diante disso, a compensação não pode ser homologada e resta prejudicada a apreciação da juntada de documentos após o recurso. Votase por negar provimento ao recurso. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 521 22 Viviane Vidal Wagner Ainda em relação a essa segunda linha de argumentação que está acima transcrita, ou seja, de que a vedação legal se dá no momento da compensação e não da apuração da base negativa pela empresa sucedida (e nem no momento da incorporação desta), e de que no momento da compensação a norma proibitiva era plenamente vigente, transcrevo os fundamentos contidos no voto que orientou o Acórdão nº 180200.750, de 15/12/2010, proferido no processo nº 19515.003268/200463 pelo conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa: [...] A questão a ser examinada é se realmente a restrição introduzida pela MP nº 1.8586, de 30/06/99, proibindo a compensação, na sucessora, da base negativa que veio de empresa sucedida, alcançaria ou não incorporações ocorridas antes da vigência desta MP. O texto legal apresenta o seguinte conteúdo: MP nº 1.8586, de 30 de junho de 1999 Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987. DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987 Art. 32. (...) Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Em relação ao caso concreto, não há dúvidas de que a incorporação ocorreu antes da vigência da referida MP, e que, portanto, a base negativa da sucedida passou a fazer parte do patrimônio da incorporadora antes também da vigência da norma restritiva. Isso não implica dizer, entretanto, que o prejuízo fiscal ou a base negativa acumulados no patrimônio de uma determinada empresa gere direito adquirido à compensação futura destes valores. Tanto é assim, que, ao analisar o estabelecimento da chamada trava de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal entendeu que prejuízos havidos em exercícios anteriores à vigência da Lei 8.981/1995 configuravam meras deduções, cuja projeção para exercícios futuros era autorizada nos termos da lei, a qual poderia, contudo, ampliar ou reduzir a proporção de seu aproveitamento (RE 344.944 e 545.308). Ainda de acordo com o STF, no que toca à compensação de prejuízos de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do imposto de renda, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 522 23 Nestes termos, a limitação introduzida pela Lei 8.981/1995, a chamada trava de 30%, mesmo alcançando prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores à sua vigência, foi considerada constitucional. Nos julgados acima referidos, o STF concluiu que a lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal, e que o abatimento de prejuízos, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Penso que todas essas considerações vêm no sentido de afirmar o princípio da independência entre os exercícios, com o qual me alio, posto que ainda não vi Doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. Retomando ao caso concreto, cabe observar que na data de ocorrência do fato gerador anual da CSLL 31/12/1999, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.8586. Nesta data, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de sucedida. Conclusão diferente eu chegaria se a compensação tivesse ocorrido nos anos anteriores, mas para a compensação realizada em 31/12/1999 não vislumbro qualquer problema atinente à retroatividade, na mesma linha do entendimento firmado pelo STF, conforme acima mencionado. Quanto ao argumento de que a base negativa não era mais da sucedida, porque havia sido incorporada ao patrimônio da sucessora antes da referida MP, considero que a expressão prejuízo fiscal ou base negativa “da sucedida” deve ser compreendida como prejuízo fiscal ou base negativa “advindos da sucedida”, uma vez que no momento da compensação, em quaisquer hipóteses, o prejuízo fiscal ou a base negativa é sempre da incorporadora, e não mais da sucedida. Basta verificar que se a incorporação tivesse ocorrido p/ ex. em 2001 (portanto já na vigência da norma restritiva em questão), com compensações realizadas nos anos subseqüentes, a questão seria exatamente a mesma. Ou seja, no momento da compensação a base negativa não seria mais “da sucedida”, mas sim da incorporadora, e assim a incidência da norma em questão estaria completamente inviabilizada. O que deve ficar claro é que a norma introduzida pela MP 1.8586/1999 não buscou atingir o fenômeno das incorporações, do ponto de vista societário, no sentido de desconstituir/alterar qualquer evento já ocorrido, ou modificar a característica dos eventos dessa natureza a serem realizados no futuro. As incorporações continuaram sendo regulamentadas pela lei societária, e as incorporadoras continuaram sucedendo as incorporadas em todos os direitos e obrigações, havendo da mesma forma a extinção daquelas últimas. Nesse contexto, os prejuízos, como item patrimonial, também continuaram sendo transferidos à sucessora, e não é o fato de terem sido incorporados Fl. 522DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 523 24 antes ou depois da MP que lhes daria ou não o condão de gerar algum direito adquirido. Mais uma vez, como já decidiu o STF, não há direito adquirido à compensação de prejuízos, e o mesmo pode ser dito em relação à base negativa de CSLL. O escopo da MP 1.8586/1999 foi apenas de, no campo tributário, restringir a possibilidade de compensação de base negativa, especificamente quanto esta foi adquirida por sucessão (nos casos lá mencionados), e quanto a isso não vejo qualquer razão para distinguir incorporações ocorridas antes ou depois da MP. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso. José de Oliveira Ferraz Corrêa Em resumo, os fundamentos contidos nos votos acima transcritos levam às seguintes conclusões: 1 antes da MP nº 1.8586, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria; 2 mas ainda que se considere que a MP nº 1.8586 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. São esses os fundamentos que acolho nesse voto. Deixo de examinar a controvérsia suscitada em torno do que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp 1164452/MG, porque lá se tratou de "uma peculiar espécie de compensação: aquela em que o crédito do contribuinte, a ser compensado, é objeto de controvérsia judicial", situação que não se verifica nos presentes autos. Deste modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para fins de restabelecer a glosa da compensação de base de cálculo negativa de CSLL apurada por empresas incorporadas/sucedidas. Quanto a apreciar de ofício concomitância de multa isolada por insuficiência de estimativa mensal e a multa de ofício, tema que surgiu durante as discussões do julgamento e que fiquei vencido sozinho, já que a turma optou por aplicar de ofício a Súmula CARF nº 105, o meu voto é no seguinte sentido: não há necessidade de se fazer essa apreciação porque neste processo não há mais multa isolada, pois a que havia já foi cancelada pelo acórdão da DRJ, sem interposição do recurso de ofício, já que abaixo do valor de alçada. É como voto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 523DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 524 25 Voto Vencedor Voto Vencedor em relação à apreciação de ofício Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado Rendo homenagens ao relator, pelo voto objetivo e preciso. Minha divergência é uma questão de ordem processual. A princípio, a orientação seria no sentido de promover o retorno dos presentes autos à turma a quo, para apreciação, de ofício, da concomitância de multa isolada por insuficiência de estimativa mensal e a multa de ofício. Há, por outro lado, aspecto que considero relevante sobre a matéria. Como se trata de autuação fiscal relativa a anocalendário anterior a 2007, a concomitância da multa de ofício com a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativas mensais já foi tratada na Súmula CARF nº 105, aplicável aos fatos geradores ocorridos até o anocalendário de 2006: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Questiono qual seria a efetividade de se retornar os autos, para que o turma a quo se pronuncie sobre matéria que já se encontra sumulada. Consumarseia um prolongamento injustificado do contencioso administrativo fiscal, com prejuízo evidente para as partes e para a sociedade. Reconheço que, num aspecto estritamente processual, o caminho seria o retorno dos autos para a câmara baixa, até porque se pode dizer que a matéria "concomitância entre multa de ofício e multa isolada sobre estimativas mensais" não teria sido objeto de divergência, requisito necessário para ser devolvida para este Colegiado1. Inclusive, em outras oportunidades no qual a matéria "concomitância entre multa de ofício e multa isolada sobre estimativas mensais" não havia sido apreciada, foi processado o retorno à turma a quo, mas, nesses casos, além da matéria sumulada, haviam outras matérias que deveriam ser julgadas, e que não eram objeto de súmula. Assim, como os 1 RICARF, Anexo II, Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) Fl. 524DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 525 26 autos retornariam, de qualquer maneira, para a câmara baixa, em razão das outras matérias, a aplicação da súmula de ofício não teria efeitos práticos. Por outro lado, diante da situação posta, no qual remanesce exclusivamente matéria sumulada, entendo que a interpretação da norma processual pode ser relativizada. Isso porque o valor tutelado pelo retorno dos autos para a turma a quo é a supressão de instância. E, no presente caso, sendo a matéria sumulada, o valor supressão de instância tornase superado. Isso porque o retorno dos autos para a instância anterior implicaria na obrigatória aplicação do entendimento sumular, e tal decisão não poderia ser objeto de recurso especial, conforme RICARF2 . O retorno dos autos, nesse contexto, só provocaria um prolongamento desnecessário na tramitação dos autos, em colisão com os princípios da eficiência, celeridade e da economicidade. Por isso, entendo que não há óbice para que se possa, de ofício, aplicar a Súmula nº 105, e afastar a exigência relativa a multa isolada sobre insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura 2 Vide Anexo II do RICARF: Seção II Do Recurso Especial Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 19515.003484/200417 Acórdão n.º 9101002.588 CSRFT1 Fl. 526 27 Fl. 526DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.004664/91-99
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - Classificam-se na posição NBM 8442.50-
0200 e NALADI 8442.50.00, as folhas ou chapas metálicas
recortadas em forma própria e perfuradas, para emprego em
clicheira por processo "off set", quando não apresentem face
sensibilizada.
ISENÇÃO OU REDUÇÃO - Não se beneficia do Acordo de
Preferência celebrado na ALADI, mercadoria diversa da
negociada.
INFRAÇÕES FISCAIS E ADMINISTRATIVAS - A desclassificação
da mercadoria implica na multa do art. 524, art. 526, II, do RA,
respectivamente por declaração indevida e importação ao
desabrigo de Guia.
Numero da decisão: CSRF/03-02.627
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os Conselheiros Fausto de Freitas e Castro Neto e Ubaldo Campello Neto, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a multa do art. 526, inciso II do RA, e o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, que excluia as multas dos arts. 526 do RA e 364 do RIPI.
Nome do relator: Moacyr Eloy de Medeiros
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Recorrida : 2a CÂMARA DO 30 C.0 Sessão de : 16 DE JUNHO DE 1997 Acórdão n° : eRRF/03-9.697 CLASSIFICAÇÃO - Classificam-se na posição NBM 8442.50- 0200 e NALADI 8442.50.00, as folhas ou chapas metálicas recortadas em forma própria e perfuradas, para emprego em clicheira por processo "off set", quando não apresentem face sensibilizada. ISENÇÃO OU REDUÇÃO - Não se beneficia do Acordo de Preferência celebrado na ALADI, mercadoria diversa da negociada. INFRAÇÕES FISCAIS E ADMINISTRATIVAS - A desclassificação da mercadoria implica na multa do art. 524, art. 526, U, do RA, respectivamente por declaração indevida e importação ao desabrigo de Guia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ROTAPRINT EQUIPAMENTOS GRÁFICOS LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os Conselheiros Fausto de Freitas e Castro Neto e Ubaldo Campello Neto, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a multa do art. 526, inciso II do RA, e o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, que excluia as multas dos arts. 526 do RA e 364 do RIP! ISON Pp- RA Re IRIGUES PRESIDálTE Processo n° : 10845.004664/91-99 Acórdão if : CSRF/03-2.627 MOCYR ELOY DE MEDEIROS RELATOR FORMALIZADO EM: 4 JUL 1997 Pnfeirípnrnm, inrI ri^ prc,sonf.. ilgnmentr,, rr-rmselhims: Gonçalves Nunes, Henrique Prado Megda e João Holanda Costa Processo ff : 10845.004664/91-99 Acórdão tf : CSRF/03-2.627 Recurso N° : RD/302-0.250 Recorrente : ROTAPRINT EQUIPAMENTOS GRÁFICOS LTDA. RELATÓRIO Recorre a empresa em tela da decisão contida no Acórdão n° 302- Qirn omnntnrin: "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS - Folhas ou chapas metálicas recortadas em forma própria e perfuradas, para emprego em clicheira por processo "off ser, quando não apresentem face fotossensibilizada classificam-se no código 8442.50.0200 da NBM e no código 8442.50.00, da NALADI. ISENÇÃO OU REDUÇÃO - não goza de benefício outorgado por Acordo e Preferência celebrado no âmbito da ~Dl, a mercadoria diferente da que foi objeto de negociação, devidos integralmente os tributos incidentes sobre sua importação. INFRAÇÕES FISCAIS - Constitui infração punível na forma do art. 524, do regulamento Aduaneiro, a declaração indevida de mercadoria. Comina-se com a multa do art. 364, II a falta de lançamento do IN. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA - Considera-se importada ao desabrigo de G. J. a mercadoria distinta da licenciada e guiada, especialmente se a divergência implica perda de 'lus. a beneficio fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Wlademir Clóvis Moreira, que dava provimento parcial para excluir as penalidades dos Arts. 524 e 526, II do RA, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em seu recurso especial alega a defendente: 1. Está em causa a classificação do seguinte produto: "Chapas de Alumínio, sensibilizadas em uma face, para imagens monocromáticas ou em preto e branco, não impressionadas, marca COPYRAPID CRAA, Fabricantes e Exportador AGFA-GEVAERT ARGENTINA S/A, Buenos Aires, Argentina." Processo n° : 10845.004664/91-99 Acórdão n° : CSRF/03-2.627 2. A decisão proferida no presente processo diverge, "data venia", de diversas outras, proferidas pela Primeira Câmara do Egrégio 3° Conselho de Contribuintes a propósito de idêntica mercadoria. Confiram-se estas ementas: "Acórdão n° 301-26.554 de 04/07/1991 CLASSIFICAÇÃO 1. Chapas de Alumínio, sensibilizadas em uma face, para imagem ninnrwynni tirA nu PM preto P2 branco, classifica-se no código TAB 37.01.03.01. Trata-se de chapa anodizada antes de receber a emulsão sensível. Laudo INT de 22/04/91. 2. RECURSO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. "Acórdão n°301-26.555 de 04/07/1991 CLASSIFICAÇÃO Chapas de alumínio sensibilizadas em uma face, para imagem monocrática ou em preto e branco, classifica-se no código TAB 37.01.03.01. Trata-se de chapa anodizada antes de receber a emulsão sensível. Laudo INT de 22/04/91. RECURSO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em ato de revisão aduaneira lavrou-se contra a Recorrente o Auto de Infração de fls. 01 para desclassificar a mercadoria por ela importada - declarada como "chapas de alumínio sensibilizadas em uma face, para uso exclusivo em fotolitografia (OFFSET) para imagens monocromáticas ou em preto e branco, não impressionadas" - do código NBM 3701.30.0201 para o código NBM 8442.50.0200. Em conseqüência da desclassificação da mercadoria, exigiu-se o crédito correspondente ao Imposto de Importação decorrente da perda de benefício ALADI, multas dos Arts. 524 e 526, II do Regulamento Processo n° : 10845.004664/91-99 Acórdão n° : CSRF/03-2.627 Aduaneiro, bem como Imposto Sobre Produtos Industrializados e multa do art. 364, II do RIP!. A autuação fundamentou-se em laudo do LABANA que informava não serem as referidas chapas de alumínio sensibilizadas. A decisão de 1 8 instância manteve a exigência, considerando que o Capítulo 37 da NBM somente abarca os produtos sensíveis à luz ou outras formas de radiação, cabendo as demais chapas de alumínio preparadas para uso em "off set" na posição 84.42." Ouvida, a Procuradoria da Fazenda se pronunciou da seguinte forma: "Trata-se de Recurso contra Acórdão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, negando provimento ao apelo da recorrente afrontando decisão de primeira instância. Foram juntados para tanto, Acórdãos contendo decisões que não contemplam o caso sub exame. Com efeito em que pese a posição adotada por outra Câmara do Conselho, fica evidente, no ilustrado voto prolatado pelo Conselheiro Sérgio de Castro Neves, que o entendimento que melhor corresponde à norma aplicada está exposto no Acórdão acostado aos autos. Considerando que a decisão recorrida deu à espécie solução apropriada e harmônica com o entendimento jurisprudência' e doutrinário a respeito da matéria, a Procuradoria da Fazenda Nacional se reporta aos jurídicos fundamentos da referida decisão como contra- razões da aludida remessa, requerendo, enfim, a confirmação do Acórdão em apreço." É o relatório. Processo n° : 10845.004664/91-99 Acórdão n° : CSRF/03-2 627 VOTO Conselheiro Relator Moacyr Eloy de Medeiros Adoto na íntegra o voto do Conselheiro Sérgio de Castro Neves, no Acórdão recorrido, assim redigido: "A Nomenclatura do Sistema Harmonizado introduzida no Brasil em 1989 guindou à categoria de Nota Legal um conceito já existente como Nota Explicativa na antiga Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira (NCCA), da qual é sucessora. Dito conceito é o de fotografia, e assim se expressa na Nota 2 ao Capítulo 37: "2. No presente Capítulo, o termo fotográfico refere-se a um processo que permite a formação de imagens visíveis, direta ou indiretamente, pela ação da luz ou de outras formas de radiação sobre superfícies sensíveis." Tem-se, portanto, que, para atender à definição de fotográfico, para os efeitos do Capítulo 37 da Nomenclatura, o produto a classificar deve cumprir cumulativamente três propriedades: a) permitir a formação de imagens visíveis; b) que ditas imagens sejam formadas por ação da luz ou de outras formas de radiação; e c) que tais imagens se formem sobre superfícies sensíveis. Ora, o produto objeto do litígio indiscutivelmente atende ao primeiro requisito, já que permite a formação de imagens visíveis em sua superfície. Na verdade, sem apresentar tal característica, seria inútil para a finalidade a que se destina. Isto não obstante, as imagens formadas em sua superfície não surgem por ação da luz ou de qualquer outra forma de radiação (i. e., infravermelho, ultravioleta, raio-X, radiação "alfa", radiação "gamma", etc., para citar as mais comuns), mas sim pela transferência mecânica ou química das partículas existentes na emulsão - esta sim fotossensível - de um negativo fotográfico. Processo n° : 10845.004664/91-99 Acórdão n° : CSRF/03-2.627 O fato, portanto, é que as chapas importadas apresentam uma superfície preparada para receber, por contato, as partículas formadoras de imagens, não significando isto que as imagens surjam por ação da radiação (visível ou invisível), nem que tais superfícies sejam sensibilizadas. O material em questão, aliás, encontra-se descrito nas Notas Explicativas da Nomenclatura do Sistema Harmonizado referentes à posição 84.42 (D.O.0 de 28/01/92, Suplemento, pg. 464), em texto que, logo a seguir, exclui da posição produto similar, mas com as ,-, rne-toríctit-nq crio n rnInnarn no âmbito do Cap. 37 Transcrevo: "13 As folhas e blocos metálicos ou de plástico, para máquinas de impressão por "offset", do tipo utilizado em escritórios. Estas folhas e blocos comportam, geralmente, na sua borda superior, dispositivos que permitem fixá-los sobre o cilindro da máquina. As placas sensibilizadas (por exemplo as constituídas por uma folha metálica ou por uma folha de plástico recoberta por uma emulsão fotográfica sensibilizada, ou as constituídas por uma folha de qualquer outra matéria) classificam-se na posição 37.01" (todos os grifos são do original). Parece-me, portanto, acertada a opinião do Fisco e da r. decisão recorrida, em que possa pesar ao entendimento já prolatado repetidamente pela Egrégia 1 a Câmara deste Conselho, no sentido de que o material objeto do litígio classifica-se no código 8442.50.0200 da NBM e, em consequência, da TAB e da TIPI. Quanto ao Acordo de Preferência da ALADI, creio, igualmente, referir-se exclusivamente a mercadorias classificadas na posição 37.01 da NALADI, tão comuns que chegam a merecer advertência explícita na Notas Explicativas. No que concerne às multas dos arts. 524 e 526, II do RA., é inegável que a Recorrente, em todos os documentos de importação, descreveu a mercadoria importada como consistindo em folhas metálicas sensibilizadas, o que determina diferente classificação e diferente tratamento tarifário daqueles que seriam cabíveis, configurando-se assim a declaração indevida e a importação ao desabrigo de G.I. Por assim considerar, nego provimento ao recurso." Processo tf : 10845.004664/91-99 Acórdão tf : CSRF/03-2.627 Face ao exposto, nego provimento ao recurso de Divergência. Sala das Sessões - DF, em 16 de junho de 1997. MOACYR ELOY DE MEDEIROS „, Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.932846/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (aprovada em 10/12/2012). Tal enunciado é aplicável a compensações pleiteadas tanto antes quanto durante a vigência das INs SRF 460/2004 e 600/2005.
Numero da decisão: 1401-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 06/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (aprovada em 10/12/2012). Tal enunciado é aplicável a compensações pleiteadas tanto antes quanto durante a vigência das INs SRF 460/2004 e 600/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 06/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 28 46 /2 00 9- 07 Fl. 200DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos de IRPJ e CSLL dos meses de março, maio, junho e julho de 2006 com crédito de estimativa de IRPJ supostamente recolhida a maior do mês de setembro de 2006. O pedido foi apresentado em 9 de julho de 2007, na vigência da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Alega a Requerente que, originalmente, apurou a estimativa de IRPJ do mês de setembro de 2006, no montante de R$ 26.813.883,79, tendo recolhido o montante de 6.076.658,01 através de DARF e compensado o valor de R$ 737.225,78 por meio da DCOMP 03178.51484.230307.1.3.041072. Após, a empresa constatou erro na apuração da base de cálculo do IRPJ, tendo apurado uma nova estimativa de IRPJ no valor de R$ 21.661.137,16. Diante disso, retificou DCTF mensal de setembro 2006, o que acabou por gerar o recolhimento indevido de parte do montante anteriormente recolhido no valor de R$ 5.152.746,63, valor este utilizado para compensar os débitos acima mencionados. Anexa aos autos memórias de cálculo e as informações prestadas na DIPJ 2006, bem como DCTF retificadora do período. A DRF, ao analisar o pleito em 07/10/2009, exarou o Despacho Decisório nº 848543895, indeferindo a compensação "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período". Apresentada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA. As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Intimada em 7 de maio de 2010 (uma sextafeira), a empresa apresentou recurso voluntário em 7 de junho de 2010 alegando a nulidade do acórdão recorrido e no mérito razões para a sua reforma. Em 5 de março de 2013 esta Turma verificou que a decisão recorrida absteve se de verificar a existência do suposto pagamento a maior efetuado pela contribuinte a título de recolhimento de estimativa, sob o argumento que as estimativas mensais, ainda que pagas em Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10680.932846/200907 Acórdão n.º 1401001.795 S1C4T1 Fl. 201 3 valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. Diante disso, por meio da Resolução 1401000.207, foi determinado o retorno do processo para que fosse verificado expressamente a ocorrência e o valor efetivamente recolhido a maior. A diligência foi cumprida em 12 de novembro de 2013, tendo a Equipe de Restituição, Compensação e Ressarcimento PJ da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte confirmado a existência do crédito, nos seguintes termos (efls. 181 a 183): "Pesquisa aos sistemas da RFB confirma a existência de pagamento de IRPJ no código 2362 no total de R$ 26.076.658,01. Deste valor, R$ 20.923.911,38 foram vinculados à DCTF e alocados ao débito informado pela mesma. Restou um saldo de R$ 5.152.746,63 no pagamento de nº 30728226911, que, conforme tela anexa ao processo, se encontra disponível. Tal valor não foi utilizado para compor o saldo negativo do anocalendário 2006 na DIRPJ/2007, como demonstra cópia da página da declaração apensa ao processo. Dos R$ 21.661.137,16 de estimativa apurados em setembro de 2006, R$ 737.225,78 foram quitados por compensação." Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a empresa reiterou a existência e a disponibilidade do crédito e ressaltou o teor da Súmula 84 deste CARF. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O indeferimento da compensação declarada pelo sujeito passivo se deu unicamente por se tratar de débitos de estimativa recolhidos a maior, não havendo dúvidas sobre a existência e disponibilidade do crédito então utilizado, conforme atestou a diligência realizada nestes autos (efls. 181 a 183). Realmente, já houve discussão sobre a possibilidade de se compensar débitos de estimativa recolhida a maior. As autoridades fiscais costumavam entender que a opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, pois apenas nesta oportunidade ocorreria a efetiva apuração do imposto devido. Inclusive, proibição expressa neste sentido constou do art. 10 da IN SRF 460/2004 e do art. 10 da IN SRF 600/2005, deixando de constar da regulamentação editada posteriormente pela Receita Federal (isto é a partir da IN RFB 900/2008). Fl. 202DF CARF MF 4 Por sua vez, os contribuintes alegavam que o indébito ocorreria na data do recolhimento a maior da estimativa, que a restrição das INs acima referidas não teria base legal, bem como pleiteavam a eficácia retroativa da IN RFB 900/2008 por se tratar de norma procedimental. Sobre o assunto, a jurisprudência deste CARF se consolidou no seguinte sentido: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (aprovada em 10/12/2012) De se ressaltar que a consulta dos acórdãos referidos como paradigmas para a edição da Súmula CARF 84 revela que estes abordaram casos envolvendo compensações pleiteadas tanto antes quanto durante a vigência das INs SRF 460/2004 e 600/2005. Nos termos do artigo 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015) as súmulas que são enunciados que consubstanciam as decisões reiteradas e uniformes do CARF são de observância obrigatória pelos membros do CARF. Pelo exposto dou provimento ao recurso voluntário. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.003590/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Relatório
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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CARTÕES DE INCENTIVO FLEXCARD Recorrente MAGAZINE LUIZA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .0 03 59 0/ 20 09 -6 0 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13855.003590/200960 Resolução nº 2402000.603 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da Resolução de fls. 313/319: Tratase de Auto de Infração, lavrado em 25/11/2009, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), a empresa deixou de incluir, nas GFIPs, os pagamentos realizados aos segurados empregados a titulo de programa de estímulo ao aumento de produtividade, através de Cartão de premiação "FLEXCARD", considerados remuneração pela autoridade autuante. A autoridade autuante informa que, embora o descumprimento da obrigação acessória descrita tenha ocorrido no período de 01/2005 a 07/2006, o presente auto de infração está sendo lavrado apenas com relação às competências 11/2005 a 04/2006, tendo em vista o Parecer PGFN/CAT n° 433/2009, no sentido de que seja aplicada a penalidade menos severa, em acordo com o contido no art. 106, II, c, do CTN, devendo se proceder à comparação, para a mesma conduta, entre as penalidades da legislação posterior e anterior à MP 449/2008 para os fatos geradores anteriores à publicação dessa. Esclarece que, a fim de incidência da penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparouse o valor da multa aplicada na forma da legislação vigente à época do fato gerador com aquele resultante da aplicação da legislação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, concluindo que, para as competências em que a multa anterior é a mais favorável ao contribuinte, quais sejam, competências 11/2005 a 04/2006, aplicouse a multa de mora de 24% e lavrouse o presente AI (FLD 68). Naquelas competências em que a multa atual é a mais benéfica, lançouse a multa de ofício de 75%. Informa, ainda, que as cópias dos elementos examinados que serviram de base para a constituição deste lançamento e as cópias do Estatuto Social e Atas de Assembléias estão anexadas às folhas 19 a 144 do Auto de Infração DEBCAD n° 37.250.6933, ao qual este se encontra apensado. A autuada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1235.129, da 10ª Turma da DRJ/RJ1, (fls. 272), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13855.003590/200960 Resolução nº 2402000.603 S2C4T2 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 284), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Em seu recurso, a contribuinte suscitou as seguintes teses de defesa: a) não caracterização da conduta como descumprimento de obrigação acessória: as verbas pagas a título de incentivo não podem ser consideradas remuneração; b) inaplicabilidade da multa a ela aplicada: para a específica hipótese de ausência de entrega de GFIP ou entrega com omissões, a Lei 11.941/2009 introduziu o art. 32A na Lei 8.212/1991, que determina a aplicação de multa isolada no importe de R$ 20,00 a cada grupo de dez informações incorretas; c) penalidade benigna que deveria ter sido aplicada: o critério utilizado pela fiscalização, para efeito de aferição da penalidade mais benigna, está equivocado, pois foi realizada a comparação entre a revogada multa aplicável aos lançamentos de multa isolada (art. 32, inc. IV, § 5º, da Lei 8.212/1991, na redação anterior à MP 449/2008) com a atual penalidade imposta nos lançamentos de ofício (redação vigente do art. 35A da Lei 8.212/1991); d) necessidade de imediata aplicação da retroatividade benigna: diferentemente do que decidiu o órgão a quo, a aplicação da multa mais benéfica, se não foi respeitada pelo lançamento, deve ser dar por ocasião do julgamento da lide; e) nulidade da autuação base legal equivocada: a utilização equivocada da base legal para aplicação da multa, quando se trata de lançamento de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória, é suficiente para o cancelamento da presente autuação. f) duplicidade no lançamento da multa: as informações que supostamente a recorrente não declarou em GFIP seriam aquelas decorrentes das acusações objeto dos Autos de Infração 37.250.6941 e 37.250.693e, nos quais já houve a aplicação de multa. Não houve apresentação de contrarrazões. O julgamento foi convertido em diligência, tendo em vista a existência de nítida conexão entre o presente processo e o processo referente à obrigação tributária principal, objeto do Auto de Infração DEBCAD nº 37.250.6933. Na Resolução, ainda se consignou o seguinte (v. fls. 318/319): [...] não é possível saber, pelo que consta dos autos, se já houve o julgamento definitivo dos AIs correlatos que lançaram as contribuições previdenciárias cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do presente Auto de Infração. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13855.003590/200960 Resolução nº 2402000.603 S2C4T2 Fl. 5 4 Referida omissão impossibilita que esta autoridade julgadora tenha conhecimento pleno de todos os fatos, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Nesse caso, resta inexoravelmente configurada a conexão entre os todos esses processos e, para evitar que se tenham decisões contraditórias, devese reunir os autos em uma mesma Câmara, para que se aplique a todos eles a mesma decisão. [...]Dessa forma, entendo que os referidos processos administrativos fiscais devam ser reunidos, a fim de afastar a hipótese de decisões contraditórias, nos termos do artigo 6º do Regimento Interno do CARF, que estabelece: A contribuinte foi devidamente cientificada, mas não apresentou manifestação. Por um equívoco na numeração dos processos que deveriam ter sido apensados, equívoco este constante da citada Resolução, foram apensados os processos de outro sujeito passivo, razão pela qual foi editado o despacho de devolução de fls. 329/330, com os consequentes termos de desapensação do processo principal (fls. 331 e 332). Às fls. 339/340, consta ofício encaminhado pelo Ministério Público Federal, segundo o qual "os Autos de Infração 37.250.6933, 37.250.6941, 37.250.6917 e 37.250.692 5 foram incluídos em regime de parcelamento". Por outro lado, até o presente momento, não foram apensados aos presentes autos os demais autos correlatos, conforme determinado pela Resolução de fls. 313/319. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13855.003590/200960 Resolução nº 2402000.603 S2C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento A Resolução de fls. 313/319 já se pronunciou favoravelmente sobre a admissibilidade do recurso voluntário. Desta forma, a eventual reanálise de tal pronunciamento dependerá do resultado da diligência, conforme se verá adiante. 2 Da necessidade de nova diligência Em primeiro lugar, ainda não foi cumprida a diligência determinada por este Colegiado. Ela é de suma importância, pois como frisado pela então relatora dos autos: [...] não é possível saber, pelo que consta dos autos, se já houve o julgamento definitivo dos AIs correlatos que lançaram as contribuições previdenciárias cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do presente Auto de Infração. Referida omissão impossibilita que esta autoridade julgadora tenha conhecimento pleno de todos os fatos, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Nesse caso, resta inexoravelmente configurada a conexão entre os todos esses processos e, para evitar que se tenham decisões contraditórias, devese reunir os autos em uma mesma Câmara, para que se aplique a todos eles a mesma decisão. [...] Dessa forma, entendo que os referidos processos administrativos fiscais devam ser reunidos, a fim de afastar a hipótese de decisões contraditórias, nos termos do artigo 6º do Regimento Interno do CARF, que estabelece: O atual Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) manteve o espírito condutor das normas de vinculação de processos constantes do Regimento revogado, sobretudo para evitar decisões conflitantes e permitir maior celeridade nos julgamentos, determinando, por consequência, a vinculação dos autos em três hipóteses: conexão, decorrência ou reflexo. O presente processo é apenas reflexo do processo principal, Auto de Infração DEBCAD 37.250.6933, e, nessa toada, depende totalmente da solução a ele atinente. Dizse reflexo porque o Auto de Infração sob análise é oriundo do mesmo procedimento fiscal e tem por base os mesmos elementos de prova, na dicção do inc. III do § 1º do art. 6º do RICARF. Mais ainda, o § 8º do citado artigo, corroborando a assertiva retro Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13855.003590/200960 Resolução nº 2402000.603 S2C4T2 Fl. 7 6 mencionada, preceitua que são reflexos os lançamentos de contribuições previdenciárias realizadas em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias diferentes, entre as quais se incluem os créditos resultantes do descumprimento de obrigações acessórias. Quanto à dependência ou subordinação do processo reflexo ao processo principal, o art. 6º do RICARF dispõe que: (i) os processos serão distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo principal, salvo se já houver sido prolatada decisão (§ 2º); (ii) se o processo principal não estiver localizado no CARF, deverá ser determinada a vinculação dos autos ao processo principal (§ 4º); (iii) se o processo principal e os decorrentes/reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, deverá ser determinada a vinculação dos autos e o seu sobrestamento na Câmara, a fim de aguardar a decisão de mesma instância no processo principal (§ 5º). É indubitável, nesses termos, a importância do processo principal para a solução desta lide. Em sendo assim, cabe apenas reafirmar o que já foi determinado na Resolução de fls. 313/319, muito embora ali tenha constado tratarse de conexão, e não de reflexo. Em segundo lugar, o ofício do Parquet (fls. 339/340) registra a existência de provável parcelamento efetuado pela contribuinte, inclusive do crédito controlado no Auto de Infração relativo à obrigação principal. Como sabido, o § 2º do art. 78 do RICARF preleciona que o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. (destacouse) Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13855.003590/200960 Resolução nº 2402000.603 S2C4T2 Fl. 8 7 Como a tese central do recurso voluntário é justamente a não caracterização da conduta como descumprimento de obrigação acessória, tendo em vista que as verbas pagas a título de incentivo não poderiam ser consideradas remuneração, sendo as demais teses apenas de natureza sucessiva, fazse necessário apurar se realmente houve parcelamento e, em caso afirmativo, informar: (a) quais débitos foram porventura parcelados; e (b) se houve parcelamento com ou sem ressalva de débitos, e quais débitos foram eventualmente ressalvados. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para reafirmar a vinculação do presente processo aos demais processos resultantes do mesmo procedimento fiscal, inclusive daquele relativo ao Auto de Infração DEBCAD 37.250.6933, e para determinar que sejam adotadas as medidas necessárias para apurar se a recorrente parcelou os créditos atinentes ao citado DEBCAD, devendo informar, ainda, quais créditos foram porventura parcelados e se houve parcelamento com ou ressalva. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 348DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901419/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.306
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Relator Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. Recorrente AGROCAFE COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação declarada pelo contribuinte (PER/DCOMP), cujo fundamento indicado seria a integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 14 19 /2 00 9- 48 Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10675.901419/200948 Acórdão n.º 3401003.306 S3C4T1 Fl. 3 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte informou que o crédito estaria em consonância com declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) apresentadas. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação de inconformidade improcedente ao argumento que a compensação pressuporia a certeza e liquidez do direito creditório, tal como evidenciado nas informações prestadas em DCTF anterior ou contemporânea à transmissão da DCOMP respectiva. Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pelo julgamento em conjunto com o PA 10675.901421/200917. No mérito, salientou que o crédito originarase de tributação indevida das contribuições (Cofins e PIS) sobre produtos cujas alíquotas foram reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei nº 10.925/04; demonstrou a forma de apuração do indébito; juntou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado; questionou o excesso de formalismo, citando jurisprudência administrativa; e, por fim, asseverou a procedência do direito de crédito e, por conseqüência, a regularidade da compensação aviada. Na sessão de 24/04/2013, mediante Resolução nº 3802000.111, o julgamento foi convertido em diligência para aferição da procedência do direito creditório invocado. Em 05/08/2014, a SAORT/DRF/UBL/MG confeccionou despacho relatando a diligência realizada e as conclusões extraídas. O contribuinte, devidamente cientificado, não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.296, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10675.901420/200972, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.296): "Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram verificados por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Por oportuno, trago à colação as razões de decidir que nortearam a extinta 2ª Turma Especial/3ª SEJUL a converter o julgamento em diligência: 'Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10675.901419/200948 Acórdão n.º 3401003.306 S3C4T1 Fl. 4 3 Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que 'procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)’. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim (defensivos, adubos, sementes, etc.)”. (...) Ora, o art. 1º da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9º, § 1º, e 15, § 3º), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1º. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10.925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuin te é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo.' Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10675.901419/200948 Acórdão n.º 3401003.306 S3C4T1 Fl. 5 4 Prestigiando a fundamentação do voto condutor, com a qual concordo, entendo que a questão de direito mostrase adequadamente enfrentada e superada, de modo que, sem maiores delongas, passase ao resultado da diligência determinada. Nesta senda, a informação fiscal coligida aos autos atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Por conseguinte, mostrase insubsistente o motivo apresentado como fundamento para não homologação da compensação, consoante despacho decisório eletrônico expedido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto." Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que a informação fiscal coligida nestes autos (fls. 1058/1059), da mesma forma que no caso do paradigma, também atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Também vale ressaltar que a decisão do paradigma, que tratou da Cofins, aplica se igualmente aos processos do PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 1071DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002345/2003-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
Numero da decisão: 2202-003.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa da dedução de despesas lançadas em livro caixa no valor de R$ 6.386,62, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial em maior extensão para afastar também a glosa referente à conta do telefone celular.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa da dedução de despesas lançadas em livro caixa no valor de R$ 6.386,62, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial em maior extensão para afastar também a glosa referente à conta do telefone celular. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 23 45 /2 00 3- 90 Fl. 261DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 1999, ano calendário de 1998, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de contribuição à previdência privada e Fapi, a título de Livro Caixa e imposto de renda retido na fonte. A autuação resultou em IRPF suplementar de R$ 12.473,22 que, acrescido de multa e juros calculados até 11/2003, totalizou R$ 32.076,13. O sujeito passivo teve ciência da autuação 28/11/2003, conforme atesta o documento de fls. 52. A fls. 3 deste processo contém a impugnação ao auto de infração Imposto de Renda pessoa física referente ao exercício de 1999, protocolizada em 19/12/2003, cujo motivo da autuação seria o não esclarecimento das deduções a título de contribuição à previdência privada e Fapi, a título de Livro Caixa e imposto de renda retido na fonte. Na impugnação consta que o contribuinte compareceu à Receita Federal no dia 04/11/2002, dotado de documentos comprobatórios originais e cópias, para análise dos valores, conforme assinatura do auditor, em anexo. Anexa às fls. 05, cópia do auto de infração lavrado em 23/09/2003, relativo ao exercício de 1999, ano calendário 1998 e às fls. 06, o Pedido de Esclarecimentos emitido pela Receita Federal, que seria o documento comprobatório da recepção dos documentos em data anterior ao lançamento. Às fls. 10/11 está um requerimento protocolizado em 08/07/2004, referente ao mesmo auto de infração, em que o interessado peticiona a revisão de ofício do lançamento e novamente junta o pedido de esclarecimentos (fls. 15), para provar que atendeu à intimação e não lhe poderia ser imputada esta infração. Este requerimento foi acolhido como um adendo à impugnação. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), julgou procedente em parte o lançamento, conforme acórdão de fls. 68/74, para não conhecer da impugnação no que diz respeito à infração de dedução indevida a título de contribuição à previdência privada e Fapi, manter integralmente a infração de dedução indevida a título de Livro Caixa, manter em parte a infração de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte e considerar devido o imposto de renda pessoa física suplementar, no valor de R$ 10.963,98, com os acréscimos legais pertinentes. Cientificado dessa decisão por via postal em 10/04/2006, (A.R. de fls. 80), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 10/05/2006 (fls. 81/85), alegando em síntese: · que a decisão da DRJ merece reparos pois considerou não impugnada a exigência relativa à dedução a título de contribuição privada e Fapi enquanto, na impugnação o contribuinte havia requerido a exoneração total do crédito tributário, estando tal dedução impugnada tacitamente; · que a DRJ não aceitou seu livro caixa acostado por fotocópia pois estaria desacompanhado de documentação comprobatória das despesas escrituradas, porém, tais documentos já haviam sido apresentados e acolhidos pelo Auditor Fiscal que o atendeu quando da intimação. Anexa documentos para comprovar o alegado (juntados às fls. 87/203), devendo prevalecer a dedução. Neste ponto destaca que na pior das hipóteses, se ignorada a escrituração do livro caixa e fosse Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10320.002345/200390 Acórdão n.º 2202003.799 S2C2T2 Fl. 262 3 atribuída a tributação por presunção, a base de cálculo corresponderia a 32% da receita auferida, e seriam consideradas despesas equivalentes a 68% de toda a receita, motivo pelo qual não caberia a glosa total das despesas; · acolhe os fundamentos da decisão da DRJ com relação à dedução de IRRF, quase que integralmente reconhecida. Requer, ao final, a revisão do lançamento, restabelecendo os valores deduzidos em sua declaração. Anexa novamente cópia do Pedido de Esclarecimentos (fls. 87/88). Da Diligência O processo foi encaminhado ao então Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e, em resolução unânime de 08/11/2007 (fls. 208/212), a Segunda Turma daquele Conselho converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem: 1) juntasse aos autos a Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1999, ano calendário 1998, apresentada pelo sujeito passivo; 2) analisasse a documentação apresentada e elaborasse parecer quanto às despesas do livro caixa do anocalendário de 1998, tendo em vista que o documento de fls. 03 evidencia o atendimento à intimação fiscal; 3) cientificasse o contribuinte do relatório da diligência, abrindolhe prazo para manifestação e intimandoo a comprovar a dedução a título de contribuição para previdência privada e Fapi no ano calendário de 1998. O contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos de fls. 215/216, a apresentar (1) cópia da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1999, ano calendário 1998, apresentada em formulário e (2) documento comprobatório da dedução a título de contribuição para previdência privada e Fapi no ano calendário de 1998. O Termo foi entregue no endereço do interessado em 09/07/2010 (AR de fls. 217) O Relatório de Diligência está às fls. 236/247 onde o Auditor informa não ter conhecimento se o contribuinte atendeu à intimação e, com relação à solicitação de cópia da DIRPF, afirma que foi apresentada em formulário plano e já incinerada. Que as informações disponíveis sobre a declaração constam às fls. 55 e 56 do processo (fls. 59/60 dos autos digitais). Da análise das despesas constantes às fls. 88 a 198 do processo, resultou a Tabela de fls. 237/245 onde estão indicados a folha em que se encontra o documento, descrição da despesa, valor, glosa e motivo da glosa. Ao final é detalhada a análise feita e informado que do montante R$ 15.413,76 de documentos apresentados, restaram glosados R$ 9.027,14, por se referirem a despesas pessoais do contribuinte, uma vez que o endereço da empresa E Barbosa Representações não era o mesmo da residência (glosadas despesas de telefone, celular, água e luz da residência) ou despesas de outra empresa. As despesas com livro caixa dedutíveis montam R$ 6.386,62. Fl. 263DF CARF MF 4 O contribuinte teve ciência do Relatório de Diligência em 23/09/2010 (AR fls. 248) e em 27/10/2010 foi lavrado o Termo de Encerramento de Diligência (fls. 249). Está juntada às fls. 249 manifestação do contribuinte quanto à diligência e aos documentos solicitados onde expõe: a) que não mais localizou a cópia da Declaração de Ajuste solicitada pois a declaração foi apresentada em tempo hábil e processada pela SRF e após transcorridos cinco anos para guarda obrigatória, admite sua inexistência; b) pelas mesmas razões não mais dispõe do documento comprobatório da dedução a título de contribuição para previdência privada e Fapi no ano calendário de 1998; c) com relação às despesas de livro caixa, entende que a glosa não pode prosperar, considerando o caráter de seu trabalho de representante comercial em firma individual, os contatos com clientes ocorrem muito em nível pessoal e sem limitação de horário, confundindose a empresa individual com a pessoa física do titular, daí constarem despesas como se tivessem ocorrido em nível pessoal que, entretanto, foram ocasionadas por contatos comerciais. Solicita o reconhecimento de todas as despesas como dedutíveis. Tendo em vista que o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos não mais compõe o quadro de Conselheiros do CARF, o processo foi submetido a novo sorteio e a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar, relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca de glosas de despesas declaradas em livro caixa e de dedução a título de contribuição para previdência privada e Fapi no ano calendário de 1998. O auto de infração (fls. 05 e fls. 16, 25/27) foi lavrado em 23/09/2003 e se refere ao exercício de 1999, ano calendário 1998, declaração nº 03/30.161.224. No "Demonstrativo das Infrações" às fls. 17, juntado pelo advogado representante do contribuinte quando da apresentação de adendo à impugnação, constam duas infrações: dedução indevida a título de livro caixa (excluídas devido ao não atendimento de intimação) e dedução indevida de imposto de renda retido na fonte (fontes pagadoras não apresentaram DIRF; o contribuinte não atendeu a intimação. 48.460.745/000160 Roberball Mercantil e Industrial Ltda ...R$ 210,63, com apontamento manuscrito "AC 1997"). Neste Demonstrativo há anotação manuscrita: Cont. previdência privada: R$ 4.259,48 p/ zero > infração lançada, porém ñ descrita. As demais folhas do AI originado da revisão da declaração do ano calendário 1998 (DIRPF 1999), demonstrativos, instruções e mensagens, estão às fls. 25/27. Na fls. 27, consta: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10320.002345/200390 Acórdão n.º 2202003.799 S2C2T2 Fl. 263 5 FORAM ALTERADOS OS VALORES DAS SEGUINTES LINHAS DE SUA DECLARAÇÃO: * DEDUÇÕES / CONTRIB. A PREV. PRIVADA E FAPI PARA R$ 0,00 .(F) * DEDUÇÕES / LIVRO CAIXA PARA R$ 0,00 .(F) * IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PARA R$ 0,00 .(F) 0 RESULTADO DE SUA DECLARAÇÃO FOI MODIFICADO DE IMPOSTO A RESTITUIR DE R$ 1.935,80 PARA IMPOSTO SUPLEMENTAR DE R$ 12.473,22. O Pedido de Esclarecimentos, juntado às fls. 06 e também às fls. 15, dirigido ao mesmo contribuinte e por ele apresentado quando da impugnação e em seu adendo, se refere ao exercício de 1998, ano calendário 1997 e a outra declaração, de nº 13862109. Neste pedido está aposto que "apresentouse em 04/11 ....(ilegível)" e tem uma assinatura. No pedido de esclarecimentos está a relação de documentos a apresentar, onde se lê: comprovantes de rendimentos, livro caixa e comprovantes de despesas nele escrituradas. O contribuinte afirmou na impugnação que atendeu à intimação (item 4, fls. 10), e apresentou os documentos solicitados em 04/11/2002, acrescentando "vide anotação procedida pelo servidor que o atendeu" onde faz referência ao Pedido de Esclarecimentos. Percebese, portanto, uma mistura de documentos da autuação ora questionada com outra, provavelmente referente ao ano calendário 1997. Os documentos de fls. 06, 15, 17, 87 e 88 destes autos não se referem ao auto de infração em que foi lançado IRPF suplementar do exercício 1999, ano calendário 1998. Desta forma, não há prova nos autos de que o contribuinte tenha atendido à intimação prévia ao lançamento. O documento que juntou para comprovar ter atendido à intimação não lhe socorre pois não se refere à revisão da declaração nº 03/30.161.224, do exercício de 1999, ano calendário 1998. Com relação aos documentos anexados ao recurso voluntário e considerados na diligência fiscal, reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Da dedução de despesas lançadas em Livro Caixa No atendimento à diligência solicitada pela então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes a fiscalização examinou todos os documentos apresentados pelo contribuinte acolhendo grande parte como despesas dedutíveis em livro caixa. O recorrente, cientificado do resultado da diligência, solicita o reconhecimento de todas as despesas como dedutíveis, considerando ser representante Fl. 265DF CARF MF 6 comercial e que sua atividade na empresa individual confundese com a pessoa física, o que justificaria a dedução também das despesas pessoais, pois decorrentes de contatos comerciais. Segundo o Relatório de Diligência, dos valores glosados, R$ 9.027,14 se referem a despesas pessoais do declarante, devidamente identificadas na Tabela de fls. 237/245, e o motivo das glosas especificados são conta telefônica pessoal, celular pessoal, telefone de outra empresa, telefone residencial. Ao final do relatório, está descrito que o contribuinte é responsável por duas empresas ativas, a E Barbosa Representações e a Casa Imperial Ltda, ambas com endereço na rua Pantaleão, 165, Centro de São Luis/MA, e o seu endereço residencial era outro. Que sendo o endereço da residência diferente do endereço da empresa E Barbosa Representações, foram glosadas as contas pessoais de telefone, celular, água e luz e também foram glosadas as contas em nome da empresa Casa Imperial Ltda. Restaram acolhidas como dedutíveis as despesas que somaram R$ 6.386,62. A possibilidade de dedução das despesas de livro caixa está disposta no artigo 6º da Lei nº 8.134/1990 e no Decreto nº 1.041/94 (Regulamento para a cobrança e fiscalização do imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza), conforme abaixo: Lei nº 8.134/1990: “Art.6º O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade : I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1º. O disposto neste artigo não se aplica: I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de caixeiros viajantes, quando correrem por conta destes; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9º e 10 da Lei nº 7.713, de 1988. § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. § 3º As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte.” Regulamento do Imposto de Renda/1994, vigente à época dos fatos geradores: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10320.002345/200390 Acórdão n.º 2202003.799 S2C2T2 Fl. 264 7 Art. 81. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Leis n°s 8.134/90, art. 6°, e 8.383/91, art. 10, I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica(Lei n° 8.134/90, art. 6°, § 1°): a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de caixeirosviajantes, quando correrem por conta destes; c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 48 e 49. Art. 82. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções, em Ufir, nos meses seguintes até dezembro (Leis n°s 8.134/90, art. 6°, § 3°, e 8.383/91, art. 9°). § 1° O excesso de deduções, porventura existente no final do anocalendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei n° 8.134/90, art. 6° § 3°). § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro caixa, que será mantido em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei n° 8.134/90, art. 6°, § 2°). § 3° O livro caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. Em relação às despesas de cunho pessoal do declarante, observase que se referem à despesas de luz, telefone, celular, água despendidas para manutenção de sua residência ou de outra empresa, que não a utilizada para a percepção dos rendimentos não assalariados. Tais despesas não são dedutíveis como despesas do livro caixa, por não serem necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Assim, não há como acatar as argumentações do Contribuinte em relação às deduções do livro caixa remanescentes após a diligência fiscal, porque foram corretamente glosadas pela Fiscalização. Da dedução a título de contribuição para previdência privada e Fapi Fl. 267DF CARF MF 8 Muito embora a dedução a título de contribuição para previdência privada e Fapi não tenha sido tratada na Decisão recorrida, que não conheceu da matéria posto que não expressamente contestada, considerando que esta dedução foi objeto da diligência solicitada pela então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao entendimento de que o contribuinte teria atendido à intimação da Receita Federal sem que esta se manifestasse sobre os documentos, ao sabor da discussão, e para que não pairem dúvidas, venho me posicionar. O recorrente admite em sua manifestação de fls. 249, que não mais dispõe da comprovação da despesa ao argumento de que, após cinco anos do processamento de sua declaração pela Receita Federal estaria desobrigado de sua guarda. Ocorre que desde 28/11/2003, data da ciência da autuação, o contribuinte já tinha conhecimento da glosa que lhe foi imputada e, se desejasse afastar a glosa e restabelecer a dedução, deveria apresentar os documentos comprobatórios no prazo de impugnação. Naquela época ainda não haviam decorrido cinco anos dos fatos geradores. Conforme já explicitado neste voto, o contribuinte não comprovou ter atendido à intimação para apresentação de documentos. O Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal, nos artigos 15 e 16 é claro ao dispor sobre o momento da apresentação de provas, e o art. 17 trata da matéria não impugnada, nestes termos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim, não comprovada a despesa por meio de documento hábil e idôneo, mantémse a glosa da dedução a título de contribuição para previdência privada e Fapi . CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa da dedução de despesas lançadas em livro caixa no valor de R$ 6.386,62. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.722487/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 14/04/2017
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 14/04/2017 Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 14/04/2017 Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/11/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa do controle administrativo, multa proporcional ao valor aduaneiro e multa regulamentar do IPI no valor de R$ 3.005.659,01 em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas através das Declarações de Importação arroladas no Relatório Fiscal, em nome da empresa D&A COMERCIO E SERVICOS IMP E EXP LTDA. A empresa operava como interposta pessoa em comércio exterior para a empresa YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 22 48 7/ 20 11 -1 9 Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 3 2 IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, praticando assim infração de ocultação do sujeito passivo, com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Face ao que determina o art. 23, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Foi inda autuado como responsável solidário: • YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA E como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A): • CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF 936.292.65987; e • ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF 919.869.82904. O contribuinte YELLOW MERCANTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BRINQUEDOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA se fez representar nos autos pelo mesmo procurador que os demais contribuintes, o advogado Nelson Antonio Reis Simas Junior, OAB/SC 22.332, conforme procuração juntada às folhas 634 do processo digital. O referido advogado tomou ciência pessoal do Auto de Infração, em nome de TODOS os autuados, inclusive em nome da empresa YELLOW MERCANTIL, conforme folhas 896. Contudo, a empresa YELLOW MERCANTIL não apresentou impugnação, consoante despacho de folhas 1102 do processo digital. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 24/11/2011 (fls. 896 do processo digital), os contribuintes D&A COMERCIO E SERVICOS IMP E EXP LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN, ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram impugnação conjunta, tempestivamente em 26/12/2011, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 900 à 967, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Alegouse que: PRELIMINARMENTE. o ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal, eis que: O compartilhamento dos documentos apreendidos (que jamais foram submetidos ao contraditório e ampla defesa), somente poderia ter sido realizado ao término do Inquérito Policial, o que até hoje não ocorreu; o COMPARTILHAMENTO DE PROVAS INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA INOBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO PARA O COMPARTILHAMENTO NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Para fins de aplicação da pena de perdimento e da e das supostas infrações apontadas no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal se valeu EXCLUSIVAMENTE de provas (invasão domiciliar para apreensão de documentos e quebra de sigilo bancário e telemático) que não merecem respaldo jurídico, vez que ilícitas. Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 4 3 Qualquer prova obtida com violação a essas ou outras garantias ndi duais, constitucionalmente asseguradas, não podem ser admitidas. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: STF, Voto do Rel. Min. Ilmar Galvão na AP 3073DF, DJU 13/10/95. Tais provas, ainda que pudessem ser admitidas para o presente processo fiscal, somente poderiam ter sido utilizadas "após o sucesso das investigações policiais", ou seja, após o trânsito em julgado daquele processo, pois, sem isso, não se pode verificar o "sucesso" das investigações. o APREENSÃO DE DOCUMENTOS EMPRESA DIVERSA DA INVESTIGADA AUSÊNCIA DE MANDADO JUDICIAL ESPECÍFICO ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente procedimento fiscal é que muitas delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões. Todos os documentos referentes à etapa 'préimportação', tais como planilhas de custo de importação, licenciamentos de importação, certificados de conformidade de produtos, laudos, bem como aqueles referentes ao despacho aduaneiro além de CPU's (dentre os itens 1 a 12 do Auto de Apreensão) estavam na posse e propriedade da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior. Ao invés de certificarse de que no andar térreo funcionavam duas empresas distintas, o que fez a autoridade policial foi utilizarse daquela 'ambiguidade' constante da autorização judicial para fazer uma devassa não somente nos computadores da D&A Comércio Exterior, como também da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Aliás, digase de passagem, que o endereço constante no mandado de busca e apreensão não foi informado pela Juíza Federal, mas pela própria autoridade policial. Sendo assim, tudo leva a crer que a autoridade policial, certa de que não obteria um mandado de busca na empresa Debossan Despachos, utilizouse de meios escusos (a informação de endereço não específico), induzindo o magistrado em erro na decretação da medida cautelar. Dessa forma, conseguiria justificar a apreensão de bens e documentos não só na empresa D&A, mas também na Debossan Despachos Aduaneiros. Por esses motivos, imperioso reconhecerse a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, devendose declarar a nulidade de todo o procedimento por mais esse motivo. o APREENSÃO DE DOCUMENTOS INVESTIGAÇÃO CRIMINAL INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS CRIMES INVESTIGADOS E AS INFRAÇÕES APURADAS ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE Para se conseguir que aquela investigação alcançasse a empresa Impugnante, alegouse que a D&A estaria envolvida com o Grupo Roger Tur, efetuando remessas cambiais às margens oficiais com o fim de subfaturamento de mercadorias. Contudo, em que pese toda a devassa realizada contra a Impugnante, com a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, invasão domiciliar através da busca e apreensão de documentos sem mandado de procedimento fiscal, quebra de sigilo de dados, dentre outros, nenhuma prova ou qualquer indício de prova foi encontrado que pudesse ligar a D&A Comércio Exterior com o Grupo Roger Tur originalmente investigado. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 5 4 A excepcional quebra do sigilo bancário da Impugnante foi autorizada com um único fim: comprovar de alguma forma a remessa de divisas ao exterior às margens oficiais. No entanto, a autoridade fiscal utilizou tais extratos para tentar caracterizar infrações de natureza eminentemente administrativa, longe de caracterizar um ilícito penal. No caso em análise, houve verdadeira deturpação da ressalva constitucional para fins escusos. Utilizouse de meras suposições, sem respaldo em qualquer documentação probante, para a concessão das medidas judiciais próprias e exclusivas da investigação criminal. o AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO O procedimento fiscal em comento foi instaurado sem o prévio e necessário Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF, o que causa evidente e manifesta ilegalidade, por inobservância dos arts. 2o e 3o da Portaria RFB 3.014/2011. À época em que a Autoridade Fiscal deu início ao Procedimento de Fiscalização, dispunha apenas e tão somente de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, que, de acordo com a própria legislação que trata da matéria, não se presta para a realização de procedimento fiscal. o EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não existe fiscalização por prazo indeterminado. Quando a autoridade fiscal inicia seu trabalho é obrigado a emitir um termo de início. Nesse termo já deve constar prazo máximo para o término do trabalho. Emitido o MPFD no dia 07/out/2010 a autoridade fiscalizadora detinha o prazo máximo de sessenta dias para sua conclusão, ou seja, deveria necessariamente terminar seu procedimento até o dia 06/Jan/2011 ou, solicitar a prorrogação da fiscalização, desde que devidamente justificada, sob pena de arquivamento do processo. Diante disso, deve ser declarado nulo o AI por vício formal. o DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O lançamento não está individualizado. O Auto de Infração aplicou pena de perdimento às mercadorias importadas sob o argumento de que a empresa YELLOW MERCANTIL seria a real adquirente das mercadorias, apesar de oculta. A conversão do perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias ocorreu porque os produtos já "teriam sido" consumidos. Como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e intransmissibilidade da pena e, por isso mesmo, só pode ser aplicado em face do proprietário da mercadoria, até porque, logicamente, ninguém pode ser condenado a "perder", ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio, bem ou direito que nunca o compôs. o ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ERICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Não há que se confundir as duas empresas, pois distintas não só de Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 6 5 fato, como também de direito. Da mesma forma, não há o que se falar em sociedade oculta, vez que os sócios de cada pessoa jurídica são conhecidos e exercem suas devidas funções. Ora, o fato das duas empresas terem sócios com laços familiares entre si, não tem o condão de desconsiderar suas personalidades jurídicas. Da mesma forma, não se pode presumir que Caio Debossan e Erica Debossan seriam sócios da empresa D&A pelo simples fato de que seus cônjuges é quem figuram no seu quadro societário, quando todos os documentos jurídicolegais da empresa demonstram o contrário. É um total disparate. Por sua vez, a alegação de que Josiane Debossan e Ivan Luiz Reinert seriam sócios "laranja" ou "presta nomes" também não passa de uma suposição descabida de qualquer fundamentação legal. No que tange especificamente o sócio da D&A, o Sr. Ivan Luiz Reinert, é certo que ele é apenas um sócio quotista e não detinha cunho gerencial na empresa. Aliás, possuía, sim, outro emprego em empresa diversa. É uma verdadeira aberração a presunção feita pela autoridade fiscal, de que Josiane Debossan seria uma 'sócia laranja', baseado numa simples conversa, desconsiderando todo o histórico gerencial da empresa realizado sempre pela Josiane Debossan. o ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Ainda que se admitisse como correta a aplicação da pena de perdimento e a multa de conversão dela decorrente, mesmo nessa hipótese o Auto de Infração deve ser anulado, diante da manifesta ilegitimidade passiva da D&A. É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome. Essa é, aliás, a exegese que se extrai da conjugação do art. 33 da Lei 11.488/07 com o art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76. Cita Jurisprudência Administrativa, em relação aos seguintes acórdãos da DRFSP: ACÓRDÃO N° 1728100; ACÓRDÃO N° 1728104 e ACÓRDÃO N° 1724943. o AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. É de fácil percepção, portanto, que a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro pressupõe a prova da impossibilidade de localização das mercadorias ou de que foram consumidas. Acontece que, no caso concreto, a Autoridade Fiscalizadora aplicou a multa em questão por mera presunção pessoal, pois, pelo que consta nos autos, não foram realizadas diligências nem constatações suficientes, conclusivas, que apontassem claramente que as mercadorias não foram encontradas, ou que já foram consumidas. o INOCORRÊNCIA DE SUBFATURAMENTO. A autoridade fiscal faz toda uma digressão acerca de 'preços mínimos' de importação, alegando que a Impugnante mantinha tabelas de controle desses preços, que isso por si só já evidenciaria o intuito de fraude, para concluir que as faturas Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 7 6 comerciais teriam sido forjadas apresentando em alguns casos o superfaturamento das mercadorias. Após idealizar que o motivo para o suposto sub/superfaturamento seria a existência de controle de 'preços mínimos', em um certo parágrafo a autoridade fiscal menciona que "tudo que se disser acerca preço mínimo nesta peça é questão meramente ilustrativa, acessória", como se quisesse dizer: "veja bem, fundamentamos a presente autuação com base nos preços mínimos, mas isso não existe". Um total descaso com o contribuinte. Pois bem. Quanto às alegações de superfaturamento cumpre destacar desde o início que a D&A não possuía qualquer ingerência sobre as negociações com o exportador estrangeiro nas operações que efetuava por conta e ordem da YELLOW. Muito menos, então, no que tange as operações de importação direta da YELLOW, na qual sequer participava da operação. Além disso, no que tange ao frete e os embarques das mercadorias, estes eram sempre gerenciados e controlados pela Yellow e não pela D&A. O contato com os armadores e agentes de carga pela D&A era exclusivamente para receber os documentos finais instrutivos do despacho. Alguns contrapontos às falaciosas argumentações fiscais constantes no seu relatório são imperativos. Alega a autoridade fiscal que a simples manutenção de uma tabela de controle de preços mínimos "por si só, já sinaliza a inequívoca intenção da burla à sistemática do controle do comércio exterior, mormente quanto ao controle do deferimento de LIs (pg. 230 do Relatório Fiscal)". Tais argumentos não merecem o mínimo de consideração. Verificado que no país há, sim, a prática de preços mínimos pela administração pública, assim como seus demais atos, os preços mínimos deveriam obedecer ao princípio da publicidade, principalmente no que tange aos fundamentos para a estipulação de cada valor mínimo. Contudo, como se sabe, tal informação não é publicada. Não existe uma 'pauta de valores mínimos', por exemplo. Assim, resta ao importador fazer seu controle individual. Em havendo preços mínimos para o deferimento de Lis pelo DECEX, nada mais natural que o importador acompanhe tais preços através de uma tabela de controle contendo o histórico de suas Lis deferidas. Em suma, o que se quer dizer é que, em todos os casos em análise, jamais houve a prática de superfaturamento ou subfaturamento, não podendo a simples manutenção de histórico de preços de Lis deferidas pelo DECEX ter o condão de caracterizar tais práticas. Em verdade, pelo que consta nos autos as mercadorias eram negociadas o cada embarque, ao preço certo estipulado entre o comprador (YELLOW) e o fornecedor estrangeiro (ou seu representante no país), justamente ao preço de mercado, que, por sua vez, estavam dentro dos valores mínimos de importação adotados pela administração pública. Prova disso são os Licenciamentos de Importação deferidos para cada embarque das mercadorias constantes em cada DI objeto do presente auto de infração. O documento fiscal que reflete o valor negociado entre as partes no comércio exterior é a Fatura Comercial ou Commercial Invoice. Já a Proforma Invoice ouFatura Proforma, demonstra simplesmente um pedido, uma intenção de compra, onde os Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 8 7 valores e quantidades podem sofrer alterações de acordo com as negociações das partes, ou, até mesmo sequer ser concretizada. A autoridade fiscal embasa suas teses de superfaturamento em planilhas, emails e proformas que não refletem as negociações finais entre o comprador e o vendedor, mas se prestam tão somente como meros indicativos das negociações preliminares que as antecederam. Contudo, pela análise das Faturas Comerciais anexas aos autos (esta sim presentando os valores finais negociados entre as partes), percebese que aqueles documentos refletem perfeitamente os valores apresentados nas Declarações de Importação. Por sua vez, os contratos de câmbio vinculados às DIs, comprovam que aqueles valores constantes nas Declarações de Importação (DIs) e nas Faturas Comerciais, são justamente os preços efetivamente pagos pelas mercadorias. Vejase que o art. 1o, 1 do acordo deixa claro que o valor aduaneiro a ser adotado é o preço efetivamente pago pelas mercadorias. E certo que tal valor pode ser ajustado nos teremos do art. 8o do AVA, contudo, não se encontra presente no caso qualquer das hipóteses ensejadores de tais ajustes, essas elencadas nas alíneas 'a' a 'd' do art. 1.1. Aliás, se assim o fosse, caberia à Autoridade Fiscal demonstrar tal hipótese e comprovála, mas não o fez. Assim, onde a fiscalização enxergou ter ocorrido o superfaturamento das mercadorias nada mais houve senão o acordo comercial entre o Importador e Exportador, estipulando o preço da transação em valores próximos aos 'preços mínimos'. o DA INDEVIDA REJEIÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO (VALOR DA TRANSAÇÃO) Certo é que o processo de valoração aduaneira deve ser pautado em alguns critério, dentre eles, o da preferência pelo valor declarado. Essa preferência pelo valor declarado é extraída do próprio Acordo de Valoração Aduaneira AVA, que, em sua introdução geral, expressa: "1. A base primeira para a valoração aduaneira, em conformidade com este Acordo, é o Valor de transação', tal como definido no Artigo 1o." Assim, o ponto de partida da mensuração da conduta tributável pelos impostos aduaneiros é o valor declarado. Essa quantidade de moeda, consignada nos documentos formalizadores das operações, que deve ser considerada verdadeira, salvo prova em contrário. A prova em contrário, por sua vez, haverá de ser produzida pela autoridade aduaneira, a qual dispõe de informações suficientes para determinar a acuidade ou não do valor aí consignado, contudo, jamais poderá partir de meras presunções ou indícios para descaracterizar o valor declarado. Junta textos da Jurisprudência Administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito do assunto. Assim, a rejeição do método do valor de transação há que estar devidamente fundamentada na comprovação inequívoca de fraude ou falsa declaração do preço. Mas, mesmo nas situações em que este valor pode ser afastado (art. 17 do AVA), ainda assim, é imprescindível a participação do contribuinte no processo de valoração aduaneira, o que, in casu. não aconteceu. Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 9 8 Por todo o exposto, mostramse descabidas as alegações da autoridade fiscal no que tange práticas fraudulentas pelas autuadas, eis que não se evidencia nem se comprova a ocorrência de qualquer fraude, sonegação ou conluio, também não há que se cogitar a ocorrência de subfaturamento ou superfaturamento, razão a mais para se julgar integralmente improcedente o presente auto de infração. o INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. A pena de perdimento das mercadorias é sanção aplicável aos casos de comprovada fraude na operação de importação ou de exportação. O próprio art. 23, V do DL 1.455/1976, no qual a Autoridade Fiscal embasa sua autuação, pressupõe a existência de fraude para que reste caracterizado o dano ao Erário. No caso em apreço, contudo, não houve ação nem omissão dolosa. O que houve foi um mero equívoco operacional, um erro de preenchimento da Dl, que jamais pode ser considerado doloso, até porque esta "conduta" dolosa não traria benefício algum à Impugnante. Além do mais, a conduta dolosa deve, NECESSARIAMENTE, ter por escopo impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou de situações pessoais que sejam capazes de afetar a obrigação ou o crédito tributário, o que evidentemente não ocorreu no caso em tela, porquanto TODOS OS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO FORAM REGULARMENTE RECOLHIDOS! Em outras palavras, se a conduta da D&A não impediu o conhecimento do fato gerador dos tributos, nem afetou a obrigação tributária e o crédito tributário, não há que se falar em sonegação, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal. Aliás, agarrase tal autoridade no frágil argumento de que a conduta em tela visaria à quebra da cadeia do IPI, o que à toda evidência não prospera, consoante restará demonstrado em tópico apartado. Diante disso, não há que subsistir a forçosa alegação de que a D&A teria agido de forma fraudulenta, pois mesmo eventual erro no preenchimento da DI, além de não ser uma conduta deliberada (dolosa), não contribuiu em nada para que tributos deixassem de incidir ou deixassem de ser pagos, ou ainda que incidissem de forma reduzida. E, se não há fraude, também não há que se falar na aplicação da pena de perdimento das mercadorias, razão a mais para se julgar integralmente improcedente este lançamento tributário. o INOCORRÊNCIA DA SUPOSTA 'FORJA' DE DOCUMENTOS. A autoridade fiscalizadora também não demonstra e muito menos comprova que havia faturas idênticas sendo uma 'original' e outra 'forjada'. Da Correta Declaração dos Pesos Líquidos. Jamais houve qualquer irregularidade dos pesos líquidos constantes nos documentos de importação. Tais informações sempre refletiram o real peso líquido dos brinquedos importados. A autoridade fiscal, mais uma vez, baseada em meros indícios (emails, rascunhos e proformas) que não podem ser utilizados como prova fidedigna para a imposição de da mais severa pena aduaneira . Sua tese de ocorrência de forja documental está baseada em planilhas, emails e proformas que não refletem as neaociacões finais entre o comprador e o vendedor, mas se prestam tão somente como meros indicativos das negociações preliminares que as antecederam. Contudo, pelos documentos constantes nos autos (invoice, packing list e BLs originais), verificase que os pesos líquidos declarados guardavam íntima relação com Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 10 9 o que analisado pelo próprio INMETRO quando da Emissão dos Certificados de Conformidade de Brinquedos e também pelo DECEX quando da análise e Deferimento das LIs. Ora, como pode os documentos terem passado ao crivo do INMETRO (que aliás realizou ensaios e testes laboratoriais com os itens importados, não constatando qualquer divergência de pesos), e também pelo crivo do DECEX (que, analisando as informações constantes nas faturas comerciais, packing lists. Se fosse possível se aceitar o argumento de que houve a 'forja' de documentos, ainda assim somente poderseia condenar a impugnante pela efetiva 'forja' de tais documentos, mas nunca pela mera manutenção de carimbos em suas dependências. Da DI 06/10687985 (Ref. 1984) Correta Data do Embarque. A Autoridade fiscal aplica a multa de 30% do valor aduaneiro da mercadoria referente à DI n° 06/10687985, pois, baseado em meros indícios (emails e conversas de MSN), concluiu que a mercadoria teria sido embarcada antes do deferimento da LI. Contudo, mais uma vez equivocase a autoridade fiscal, pois o que houve in casu, foi a simples correção de um erro do armador. Fato é que aquela mercadoria embarcou no exterior exatamente no dia 05/Ago/2006, conforme consta no House BL. Não pode, portanto, ser o importador penalizado por um erro de terceiro (informação incorreta da data do embarque pelo armador no BL), principalmente quando a verificação de tal erro foi feita em tempo e modo para sua correção. o INAPLICABILIDADE DA MULTA POR CONSUMO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS "INTRODUZIDAS FRAUDULENTAMENTE NO PAÍS" ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO VÍCIO MATERIAL ANULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A Autoridade Fiscal, presumindo que a mercadoria objeto do auto de infração anexo havia sido "consumida", autuou a Impugnante duplamente com multa "de 100% do valor da mercadoria". Assim o fez com base nos arts. 631 e no Art. 618, XXII c/c seu §1°, ambos do Antigo Regulamento Aduaneiro, vigente à época dos fatos (Dec. 4.543/02). Contudo, ainda que fosse o caso de aplicação da pena de perdimento da mercadoria (o que se admite apenas para efeitos de argumentação), jamais poderiam ter sido aplicadas ambas as multas conjuntamente. Transcreve o art. 631 do Decreto 4.543/02. Ocorre que a Autoridade Fiscal simplesmente ignorou o disposto no Parágrafo Único do artigo que a multa referida no caput não será exigida quando já tenha sido aplicada a pena de perdimento do bem. o AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boafé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração. Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 11 10 Junta textos da Jurisprudência do jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto: (REsp n° 331548/PR, Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 04/05/06) e (REsp n° 512517/SC, Min. Eliana Calmon, DJ de 19/09/05) Por mais que se insistisse na decretação da pena de perdimento à D&A, acreditandose ter havido a ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mesmo depois de toda a argumentação exposta, não há como se negar que houve o recolhimento de todos os tributos devidos na operação. Noutras palavras, a infração supostamente cometida neste caso, não resultou em falta ou insuficiência de recolhimento de tributo. Diante disso, considerandose que não houve falta de recolhimento de quaisquer tributos, a relevação da pena de perdimento, com fulcro no art. 737 do Regulamento Aduaneiro, é medida de Justiça que se impõe. o NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Caso se entenda que houve irregularidades na importação, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal o que ensejaria a aplicação da multa comumente conhecida como "multa por erro", do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento. Conforme demonstrado, ao se confrontar o a redação do art. 711, III do RA (omitir a identificação do adquirente comprador) com a redação art. art. 23, V do Dec. Lei atacado, notase que as tipificações são idênticas para o caso sob análise, razão pela qual se faria necessária a aplicação da penalidade mais branda, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional. Além do mais, a redação que introduziu a pena de perdimento no caso de "ocultação do real comprador", prevista no art. 23, V do DeL. 1.455/76, veio ao mundo jurídico através da Lei 10.637, de 30/12/2002. Já a redação do art. 711, inciso III, §1°, inciso I do R.A., por seu turno, que aplica multa de 1% do valor aduaneiro no caso da "omissão do real comprador", foi dada pela Lei 10.833 de 29/12/2003, que é mais recente, razão pela qual há de prevalecer, por força do disposto no art. 2°, § 1° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. Dos Pedidos DIANTE DO EXPOSTO, os Impugnantes requerem: O acatamento das preliminares alhures constatadas, para: o Reconhecer a licitude e imprestabilidade das provas emprestadas do Inquérito Policial n° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) e, consequentemente, decretar a integral nulidade do Auto de Infração (tópico 2.1); o Reconhecer a existência de cerceamento de defesa e, consequentemente, anular o Auto de Infração ou oportunizar a juntada posterior de outros argumentos de fato e de direito, além de outros documentos que possam surgir para contrapor a autuação fiscai (tópico 2.2); o Decretar a nulidade do Auto de Infração, por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF (tópico 2.3); o Decretar a nulidade do Auto de Infração, pelo excesso de prazo para a conclusão procedimental e pela ausência de intimação sobre as prorrogações do MPFF (tópico 2.4); Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 12 11 o Decretar a nulidade do Auto de Infração, por conta da ausência de individuaiização do lançamento tributário, em virtude da existência de diversos sujeitos passivos no mesmo Auto de Infração (tópico 2.5); o Reconhecer a ilegitimidade passiva e a responsabilidade solidária de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert, para anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tais Impugnantes (tópico 2.6); o Reconhecer a ilegitimidade passiva da D&A para suportar a pena de perdimento e a multa de conversão eis que tal multa não pode ser aplicada ao importador ostensivo, mas tão somente ao real encomendante/adquirente , para o efeito de anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tal Impugnante, estendendose automaticamente tais efeitos a Caio e Érica (tópico 2.8); mercadorias a serem destinadas ao perdimento No mérito, os Impugnantes ainda requerem: o Seja reconhecida a inocorrência de subfaturamento ou superfaturamento dos preços praticados na importação, com o conseqüente cancelamento das multas de 100% da diferença entre os preços declarados e os efetivamente praticados tópico o Seja reconhecida a inexistência de qualquer fraude, sonegação, conluio e/ou superfaturamento que pudesse ensejar a aplicação de pena de perdimento por suposta interposição fraudulenta, reconhecendose inaplicabilidade da multa de ofício agravada de 150% sobre o valor dos tributos cobrados o Seja reconhecida a ocorrência da decadência do direito de realizar a Revisão Aduaneira das DIs registradas há mais de 5 (cinco) anos e, consequentemente, decretada a nulidade/cancelamento parcial do Auto de Infração o Seja anulado o Auto de Infração, por vício material, consistente no erro de enquadramento legal, por conta da inaplicabilidade da multa prevista no art. 83, I da Lei 4.502/64 c/c art. 631 do Decreto 4.543/02 ao aso concreto, sob pena de ocasionar, ainda, manifesto bis in idem o Seja afastada a hipótese de aplicação da pena de perdimento ao caso concreto, por ausência do elemento danoso; ou, na remota hipótese de se entender realmente aplicável ao caso concreto a pena de perdimento, seja então, relevada tal penalidade, nos termos do art. 737 do R.A. o Por fim, diante da completa ausência de dolo, fraude, sonegação ou dano, reconhecendo por outro lado a boafé, presente nas atividades das Impugnantes, sejam estas isentadas de qualquer tipo de penalidade, ou, alternativamente, seja aplicada apenas a multa de 1% do Valor Aduaneiro por erro, por se tratar de penalidade mais favorável. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/08/2006 Dano ao Erário por infração na importação se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Declarações de Importação submetidas à despacho aduaneiro estavam instruídas com documentação que continha informação falsa para ajustar à razão Valor FOB (US$) / Peso Líquido (kg), de modo a atender o limite mínimo de valores tolerados pelo DECEX. Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 13 12 Insatisfeita com a decisão de primeira instância administrativa, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa As datas de ciência da decisão de primeira instância das pessoas físicas e jurídicas arroladas no processo, conforme Avisos de Recebimento AR carreados aos autos, foram as seguintes: D&A Comércio e Serviços de Importação e Exportação Ltda: 25/10/2013; Érica Debossan Reinert: 19/10/2013; Caio Marcelo Debossan: 18/10/2013; Yellow Mercantil Indústria e Comércio de Brinquedos Importação e Exportação Ltda: 21/10/2013 D&A Comércio e Serviços de Importação e Exportação Ltda; Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan, conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada que precede o Recurso Voluntário por eles apresentado, interpuseram Recurso em 27/11/2013. Contudo, o carimbo aposto ao Recurso informa a data de 25/11/2013. Yellow Mercantil Indústria e Comércio de Brinquedos Importação e Exportação Ltda, conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada que precede o Recurso Voluntário no processo, apresentou Recurso em 20/11/2013. Contudo, o carimbo aposto ao documento informa a data de 19/11/2013. A Portaria MF 527/2010 disciplina os critérios para definição da data de protocolo de impugnação, de recurso ou de qualquer outro documento apresentado eletronicamente, nos seguintes termos. Art. 3º Será considerada como data de protocolo da impugnação, do recurso e dos documentos apresentados eletronicamente a data e hora de recebimento dos dados pelo centro virtual dos órgãos do MF disponível na Internet. § 1º O recebimento pelo centro virtual a que se refere o caput será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Se for levado em consideração a data informada no Termo de Análise de Solicitação de Juntada, apenas o Recurso Voluntário da empresa Yellow Mercantil Indústria e Comércio de Brinquedos Importação e Exportação Ltda é tempestivo. Outrossim, independentemente da data que seja considerada, se a do carimbo ou do Termo, pareceme que a defesa apresentada por Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan seja intempestiva, sem que se tenha feito menção a isso no processo, como de praxe. Uma vez que legislação especifique a data informada pelo Centro Virtual dos Órgãos do Ministério da Fazenda como sendo a data do protocolo do recurso apresentado Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 13971.722487/201119 Resolução nº 3302000.569 S3C3T2 Fl. 14 13 eletronicamente, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para o Delegado da Receita Federal em Porto Alegre confirme se o carimbo foi efetivamente aposto pela Servidora signatária no Recurso apresentado pela empresa D&A Comércio e Serviços de Importação e Exportação Ltda; Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan, e, se assim o foi, que se digne a esclarecer a razão para que tenha sido informada data de recebimento que discrepa das informações contidas no eProcesso. Outrossim, independentemente da questão colocada acima, que se manifeste sobre a tempestividade do Recurso apresentado por Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan. Após abrase prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte. Isto feito, o processo deve retornar a este Conselho para decisão final. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 1426DF CARF MF
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Numero do processo: 12898.001146/2009-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. REGRA DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN.
Inexistindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores e fundamentação legal lançada de ofício, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 173, I do CTN. Os recolhimentos efetuado antecipadamente como entidade isenta não são aproveitados para recolhimentos antecipados de entidades sem esse benefício fiscal.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial e o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deu provimento com retorno dos autos à turma a quo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. REGRA DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. Inexistindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores e fundamentação legal lançada de ofício, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 173, I do CTN. Os recolhimentos efetuado antecipadamente como entidade isenta não são aproveitados para recolhimentos antecipados de entidades sem esse benefício fiscal. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 11 46 /2 00 9- 41 Fl. 421DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial e o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deu provimento com retorno dos autos à turma a quo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.211.5870, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 27/08/2009, no valor de R$ 94.369,88 (noventa e quatro mil e trezentos e sessenta e nove reais e oitenta e oito centavos), acrescidos de juros e multa de mora, por deixar de descontar e arrecadar o desconto de segurado empregado e contribuinte individual, no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme informações contidas no relatório fiscal (fls. 59/70), foram utilizados os seguintes códigos de lançamento: “CON – base lançamento contábil na conta 31201001 – Salário Pessoal Administrativo, relativo a remunerações dos segurados não declarados em GFIP...competência 11/2004”; “CII – remunerações dos segurados contribuintes individuais identificados pela apresentação do documento contábil que originou o lançamento, não declarados em GFIP...período 01/2004 a 12/2004”; “CIN – remunerações dos segurados contribuintes individuais relativos aos lançamentos contábeis, sem a respectiva apresentação do documento que originou o lançamento, não declarados em GFIP...período de 01/2004 a 12/2004”. Ainda, não houve a redução de multa prevista no §4º do artigo 35 da Lei nº 8.212/91; os fatos geradores do presente Auto de Infração foram apurados através de folhas de pagamento, lançamentos contábeis cujas contas se encontram especificadas no item 4 (quatro) do Relatório Fiscal, Recibos e Recibos de Pagamento Autônomo – RPA; e o presente processo teve como objetivo a apuração de créditos previdenciários devido à perda do direito a isenção por parte da Impugnante. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12898.001146/200941 Acórdão n.º 9202005.226 CSRFT2 Fl. 3 3 A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado a impugnação improcedente, mantendo em parte o crédito tributário apurado, no montante originário de R$ 36.896,74, tendo em vista a decadência para as competências 01/2004 a 12/2004. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 13/08/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.197, com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, em preliminar, por maioria de votos, em reconhecer a decadência no período de 05/2004 a 07/2004, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96)”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁKRIO. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, §4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. IMUNIDADE. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI N. 8.212/91. CANCELAMENTO. A imunidade da contribuição previdenciária patronal assegurada às entidades filantrópicas, conforme o art. 195, §7º, da Constituição, tem sua manutenção subordinada ao atendimento das condições previstas na legislação ordinária, art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores. CCONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos, conforme prevê o art. 30, inciso I, alíneas ‘a’ e ‘b’, da Lei nº 8.212/91. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. MULTA. RECÁLCULO. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 35 DA LEI 8.212/91. ALTERAÇÕES DECORRENTES DA LEI 11.941/09. ART. 35A. Fl. 423DF CARF MF 4 COMPARATIVO ENTRE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILDADE. NATUREZA DIVERSA. Impõese o recálculo da multa de mora aplicada para as competências anteriores à 12/2008, na forma do art. 61 da Lei 9.430/96, limitada a 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 11/10/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 18/11/2013, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) decadência, e b) retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 531/2014, da 4ª Câmara, de 14/07/2014. O recorrente traz como alegações, em relação ao item “a” – decadência, que: · no presente feito, tratase de lançamento de contribuições previdenciárias e que seus fatos geradores cingemse ao período de 01/2004 a 12/2004, sendo que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 28/08/2009. · não se operou lançamento por homologação em relação a todos os períodos de apuração objetos do lançamento, afinal o contribuinte não antecipou o pagamento do tributo com referência a todas as competências. Conforme relatório d DRJ, houve antecipação de pagamento apenas em relação às competências de 01/2004 a 04/2004. · por conta disso, se aplica ao lançamento de ofício em questão o disposto no art. 173, inciso I do CTN, que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito q que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento”. · o STJ, ao interpretar a combinação entre os dispositivos dos arts. 150, §4º e 173, I, ambos do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, ou havendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento dos Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12898.001146/200941 Acórdão n.º 9202005.226 CSRFT2 Fl. 4 5 tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único, do CTN. · o cerne da questão debatida aqui reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte das contribuições previdenciárias exigidas, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, §4º, do CTN; e em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN é impositiva. · se determinado fato relevante ao direito tributário gera contribuição previdenciária a cargo da empresa, nos termos da lei, o pagamento parcial antecipado estaria configurado tãosomente se houvesse recolhimento de valores atinentes àquele específico fato, aferindose a regra jurídica aplicável conforme cada lançamento e cada específica competência. · além de permitir a extinção de créditos que, a princípio são inteiramente legítimos, a decisão do acórdão recorrido confere ao contribuinte o poder de beneficiarse da sua própria torpeza, porque, ao deixar, intencionalmente, de recolher determinadas exações referentes a fatos que lhes geram a incidência, e de recolher determinadas competências, com o fim de burlar o Fisco, esse entendimento ainda brinda o inadimplente com a benesse da contagem prevista no art. 150. §4º. Do CTN, cedendo passo à extinção de créditos relativos a diversas competências. · considerando que o contribuinte não efetuou qualquer antecipação de pagamento, ainda que parcial, com relação às específicas competências a partir de 05/2004, é imperativa a aplicação do art. 173, I, do CTN ao caso dos autos, para a contagem da decadência. · Em relação ao item “b” retroatividade benigna obrigação acessória, o recorrente requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2403002.197, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 26/12/2014, o contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões e Recurso Especial da parte que lhe foi desfavorável no acórdão recorrido, em 12/01/2015. Ao Recurso Especial foi negado seguimento, conforme Despachos s/nº do Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, de 14/04/2016, da 4ª Câmara. Em suas contrarrazões, o contribuinte, alega, em relação ao item “a” decadência, que: Fl. 425DF CARF MF 6 · a decadência, forma de extinção do crédito tributário, é a perda do direito de constituir o débito quando o credor, no caso o Fisco Federal, não exerça o direito de lançar (constituir) o crédito tributário dentro do prazo legal; e sendo assim, a decadência ocorre no período subsequente à ocorrência do fato gerador e antecede o lançamento e, após a efetivação do lançamento é que iniciase a contagem do prazo de prescrição, e portanto, o lançamento tributário constitui o marco divisor entre a decadência e a prescrição. · a decadência fulmina o direito ao crédito que possui a Fazenda Pública, impedindo a formação do título executivo e podendo, inclusive, ser reconhecida de ofício pelo magistrado, a qualquer tempo, por ser matéria de ordem pública. · não há dúvida quanto ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos estabelecido no art. 150, §4º do CTN, sendo que no caso em questão, o prazo decadencial de cinco anos para o Fisco constituir o crédito tributário, por meio do lançamento, começa a fluir a partir do fato gerador quando da antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, seja total ou parcial. Expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Em relação ao item “b” retroatividade benigna obrigação acessória, o contribuinte alega que: § da análise dos autos do Processo Administrativo em tela, observase que o débito ora em discussão possui natureza de Contribuições devidas à Seguridade Social, portanto, sujeito à aplicação de multa de mora mais benéfica ao contribuinte, conforme introduzido pela MP 449/2008 que alterou a Lei 8.212/91, que ficou com a seguinte redação: § a novel legislação remete a aplicação da multa, no caso de lançamento de contribuição devida à Seguridade Social, como é o presente caso, ao antigo art. 61 da Lei nº 9.430/96, que dispõe: § em situações como essa, quando a lei nova comine pena menos severa, deverá retroagir para beneficiar o contribuinte, conforme preceitua o art. 106 do CTN: § as normas relativas à multa, introduzidas pela MP 449/2008 e confirmadas pela Lei nº 11.941/2009, se amoldam com precisão ao conceito de lei que estabelece penalidade mais branda, motivo porque há perfeita subsunção ao art. 106 do CTN. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12898.001146/200941 Acórdão n.º 9202005.226 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 319. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Ultrapassado o conhecimento, importante destacar, as matérias objeto do presente recurso especial, quais sejam: aferição da decadência quinquenal, bem como, a retroatividade benigna quanto à natureza das multas aplicadas nos autos de infração de contribuições previdenciárias após a MP 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009. Da decadência Quanto ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD/AIOP, antes mesmo de apreciar a correta aplicação da regra decadencial no acórdão recorrido, passemos a considerações acerca do tema. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas Fl. 427DF CARF MF 8 esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12898.001146/200941 Acórdão n.º 9202005.226 CSRFT2 Fl. 6 9 que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Nesse ponto, entendo totalmente pertinente as colocações trazidas em sede de recurso especial, que traduzem a correta interpretação dos dispositivos para aferição da decadência de contribuições previdenciárias. De pronto, contrapondo totalmente a tese trazida no acórdão recorrido, as contribuições previdenciárias obedecem ao regime de competência, com vencimentos mensais e sucessivos, sendo obrigação da empresa o recolhimento mensal das respectivas contribuições. Dessa forma, não há como aplicar a regra vertida no art. 150, §4ªº do CTN, sem identificar mês a mês o recolhimento antecipado. Apenas para os meses em que demonstrada a existência de recolhimento parcial antecipado, poderseá excluir do lançamento por decadência determinadas competências. Aliás, essa foi a decisão trazida pela Delegacia de julgamento, a qual traduz a correta aplicação da lei. Colacionamos, abaixo, trecho da referida decisão a qual adoto como razões de decidir. 6.4. No presente caso, como o crédito tributário foi constituído em 28/08/2009 com a ciência do contribuinte, relativo aos fatos geradores nas competências 01/2004 a 12/2004 e 13/2004, tem se que: a) Ao verificar os requisitos para que ocorra a incidência do art. 150 § 4o ou do art; 173, inciso I, ambos do CTN, em consulta aos recolhimentos efetuados no conta corrente da impugnante, códigos de recolhimento 2305 e 2100, no período de 01/2004 a 13/2004, observoue que: há recolhimento para as competências 01/2004, 02/2004, 03/2004 e 04/2004. não há recolhimento para as competências 05/2004, 06/2004, 07/2004, 08/2004, 09/2004, 10/2004, 11/2004, 12/2004 e 13/2004. b) Só existem recolhimentos parciais no CNPJ da Matriz, não constando quaisquer recolhimentos na filial CNPJ 33.775.164/000220. 6.5. Desta forma, considerando que a notificação foi feita à empresa em 28/08/2009 verificase que: 6.5.1. No que diz respeito às competência de 08/2004 a 13/2004, estas não foram abrangidas pela decadência seja pelo art. 150 § 4o ou art. 173, I do CTN. 6.5.2. Considerando que o prazo decadencial, referente às competências 01/2004 a 07/2004, se iniciou em 01/01/2005 por força do art. 173 I do CTN, para os casos em que não ocorreram recolhimentos, competências 05/2004 a 07/2004, estas se encontram fora do alcance da decadência. Fl. 429DF CARF MF 10 6.5.3. Quanto às competências 01/2004 a 04/2004, para as quais ocorreram recolhimentos parciais, estas foram alcançadas pela decadência nos termos do art. 150 § 4º do CTN acarretando a extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, V do CTN, motivo pelo qual deixo de analisar as questões suscitadas pela impugnante, para estas competências. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 27/8/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/8/2009. Os fatos geradores sob reapreciação envolvem as competência 05/2004 a 07/2004, excluídos pela aplicação do art. 150, §4º do CTN pelo colegiado a quo. Contudo, inexistindo recolhimento antecipado, conforme expressamente descrito pela decisão da DRJ, o dispositivo correto a ser aplicado é o art. 173, I do CTN, razão pela qual não há decadência a ser declarada. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso da PGFN. Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou o " recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91,com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12898.001146/200941 Acórdão n.º 9202005.226 CSRFT2 Fl. 7 11 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 431DF CARF MF 12 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12898.001146/200941 Acórdão n.º 9202005.226 CSRFT2 Fl. 8 13 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 433DF CARF MF 14 ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 12898.001146/200941 Acórdão n.º 9202005.226 CSRFT2 Fl. 9 15 Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Fl. 435DF CARF MF 16 Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para: (1) seja afastada a decadência das competências 05/2004 a 07/2004 (2) que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 436DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.001352/2004-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/10/1989 a 20/04/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE FOLHA DE ROSTO E VOTO CONDUTOR.
Cabem Embargos de Declaração para sanar contradição entre a folha de rosto do acórdão e o teor de seu voto condutor.
Numero da decisão: 3402-004.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer os Embargos de Declaração para lhes dar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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