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Numero do processo: 16327.720053/2015-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010, 2011
FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº10.426/02, com a redação dada pela Lei nº 11.488/07, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste.
PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CARACTERIZAÇÃO DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
Após o advento da Lei Complementar n° 109, de 2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes à determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio.Integram a remuneração e se sujeitam à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições.
Numero da decisão: 2202-004.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. (Presidente).
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2010, 2011 FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº10.426/02, com a redação dada pela Lei nº 11.488/07, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CARACTERIZAÇÃO DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Após o advento da Lei Complementar n° 109, de 2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes à determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio.Integram a remuneração e se sujeitam à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições.
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MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Encerrado o prazo para entrega da declaração de pessoa física, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº10.426/02, com a redação dada pela Lei nº 11.488/07, tendo ou não os rendimentos sido submetidos à tributação no ajuste. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CARACTERIZAÇÃO DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Após o advento da Lei Complementar n° 109, de 2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. 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(assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. (Presidente). Relatório Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, responsável pelo relatório, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF. Feito o registro. Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário referente a multa isolada pela falta de retenção na fonte do imposto de renda da pessoa física. Intimada, a Contribuinte protocolou Impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional protocolou Contrarrazões. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 19/01/2015 foi lavrado Auto de Infração (fls. 1.226/1.231) para constituir crédito tributário imputando a seguinte infração: 0001 DEMAIS INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO DOS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES MULTA POR FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE DE IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÃO Multa devida em decorrência de falta de retenção na fonte de imposto ou contribuição, conforme relatório fiscal em anexo. Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.648 3 (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 31/01/2010 e 31/12/2011: Art. 9° da Lei n° 10.426/02, com redação dada pelo art. 16 da Lei n° 11.488/07. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 3/26 e docs. anexos fls. 27/1.225), "REMUNERAÇÃO ATRIBUÍDA A EMPREGADOS E DIRETORES ESTATUTÁRIOS COMPLEMENTO SALARIAL APORTES EM PREVIDÊNCIA PRIVADA IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE FALTA DE RETENÇÃO LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA (...) 2. A ação fiscal de que trata o presente Termo de Verificação Fiscal foi determinada pela Administração Tributária Federal e compreendeu a fiscalização do Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte , relacionado aos aportes suplementares realizados pelo contribuinte aos administradores e empregados elegíveis ao Plano PGBL Empresarial , caracterizados como de natureza remuneratória, no período de apuração 2010 e 2011. (...) 4 Do Fato Gerador: A multa isolada aplicada ao contribuinte que faz parte deste Processo, teve origem nos aportes suplementares em contas de previdência complementar relacionados ao 5° Termo Aditivo ao contrato de Previdência Privada, denominado PGBL Empresarial, em que são elegíveis membros do Conselho da CIA, Diretores Estatutários, Superintendentes Executivos, Assessores jurídicos e a partir de 06/2011 Gerentes Regionais. Os valores aportados pelo contribuinte neste contrato se afastam da natureza de previdência complementar caracterizandose como de natureza remuneratória conforme este Termo de Verificação Fiscal (TVF) irá demonstrar nos itens abaixo. (...) 6 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL 6.1 Previdência Privada (...) O artigo 202 da Constituição Federal prevê a regulamentação dos regimes de previdência privada através de lei complementar. A Lei Complementar 109 de 29/05/2001 regulou o assunto. Os artigos 1° e 2° definem os objetivos da previdência privada: (...) O artigo 10 da Lei Complementar obriga que os regulamentos dos planos de benefícios contenham os critérios de elegibilidade, a forma de cálculo dos benefícios: Fl. 1649DF CARF MF 4 O artigo 16 da referida lei Seção II dispõe acerca dos planos de benefícios de entidades fechadas e a seção III dos planos de entidades abertas: (...) O artigo 19 da Lei Complementar define a finalidade das contribuições destinadas ao plano de previdência privada e as classifica de acordo com a sua destinação: (...) O artigo 26 da LC 109 regula acerca dos planos de benefício de entidades abertas: (...) Os artigos 68 e 69 Capítulo VIII Disposições Gerais dispõem sobre a dedutibilidade do IR e não incidência de contribuições sobre os valores aportados pelo empregador: (...) 6.2 Imposto de Renda na Fonte Dispõe o artigo 43 do Código Tributário Nacional acerca da incidência do imposto sobre a renda: (...) O conceito de rendimento bruto consta dos arts. 37, 38 e seu parágrafo único, todos do RIR/99: (...) Os artigos 43 e 624 do RIR/99 tratam especificamente da tributação sobre os rendimentos decorrentes do trabalho assalariado e da obrigação de retenção na fonte: (...) Neste ponto, abrese espaço de destaque para o artigo 9° da MP 16/2001, convalidado pela Lei n° 10.426/2002, que preconiza a cobrança de multa aplicável à fonte pagadora no caso de falta de retenção de Imposto, in verbis: (...) Por sua vez, o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 determina que: (...) 7 Dos Contratos Previdenciários mantidos pelo contribuinte: (...) Os Contratos Previdenciários acima não apresentaram características de incentivo ao trabalho ou premiação e as contribuições da Instituidora não foram objeto deste Auto de Infração. Além dos Contratos Previdenciários acima citados, em que participam empregados , diretores estatutários e membros do Conselho da CIA o contribuinte instituiu um plano de benefícios suplementares na CIA, datado de 30/07/1999, denominado PGBL Empresarial, através do 5° Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.649 5 Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada firmado em 20/06/1985, alterado pelo Termo Aditivo 05 E , datado de 01/06/2011 que modificou alguns artigos do 5°Termo Aditivo. Anexados ao presente Processo: 5° Termo Aditivo PGBLEmpresarial (Doc. 13) ; Termo Aditivo 05 E (Doc.20). (...) 8. Das características remuneratórias do PGBLEmpresarial. 8.1 Análise das Atas e Estatutos do contribuinte: (...) Da análise dos documentos societários da CIA, verificase que o Comitê de Remuneração, composto pela alta direção do Banco Bradesco, propõe ao Conselho de Administração (CA) os valores a serem pagos aos administradores estatutários do contribuinte , incluindo os valores dos aportes suplementares do plano PGBL Empresarial, e estas propostas são submetidas às Assembléias Gerais. O montante da remuneração global aprovada é distribuído pelo Conselho de Administração aos membros do Conselho e da Diretoria , conforme estipula o Estatuto Social da CIA. O PGBLEmpresarial, conforme expresso nos próprios documentos societários da CIA, está inserido dentro da política e diretriz da remuneração atribuída aos administradores pela CIA, não tendo relação com o objetivo da previdência complementar encontrado nos planos previdenciários citados no item 7 deste TVF extensivo a todos os empregados e administradores, que tem como finalidade instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário conforme exposto nas Demonstrações Financeiras publicadas. Os aportes suplementares do PGBLEmpresarial não levam em consideração critérios objetivos de planos previdenciários tais como idade e o tempo de expectativa de vida dos beneficiários e sim vinculados a resultados de negócios da CIA, retenção de talentos e reconhecimento dos serviços prestados. Esta afirmativa pode ser comprovada através dos valores de aportes suplementares do PGBLEmpresarial em comparação com os Contratos Previdenciários extensivos a totalidade dos empregados e administradores incluídos os também participantes do PGBL Empresarial: 8.2 Dos aportes suplementares realizados no PGBL Empresarial e dos resgates realizados pelos beneficiários: No Termo de Intimação Fiscal (TIF) datado de 18/08/2014 o contribuinte foi intimado a apresentar os aportes feitos no plano PGBL EMPRESARIAL de forma individualizada e por competência, bem como qual a metodologia utilizada para os aportes neste plano e a Fl. 1651DF CARF MF 6 memória de cálculo , já que no plano PGBL Empresarial não está estipulado regra geral para as contribuições do instituidor. O contribuinte apresentou planilhas solicitadas dos membros do Conselho e Diretoria Estatutária e outra dos Superintendentes e Gerentes Regionais (empregados) , com os aportes individualizados, por nome, competência e valor . A contribuição básica que aparece na planilha referese as contribuições da Instituidora dos Planos extensivos a totalidade dos administradores e que não faz parte deste AI. Somente a contribuição suplementar é que referese ao PGBL Empresarial. Planilha anexado ao Processo Doc. 10. (...) Em relação a memória de cálculo dos aportes apresentou o seguinte quadro abaixo (Doc. 14): CONTRIBUIÇÕES SUPLEMENTARES (Vigência de Janeiro/2010 a Maio/2011) TEMPO DE CARGO NA ORGANIZAÇÃO PERCENTUAL DO HONORÁRIO Até 1 ano 0,0% 1 a 5 anos 25,0% 5 a 8 anos 50,0% 8 a 10 anos 75,0% acima de 10 anos 100,0% CONTRIBUIÇÕES SUPLEMENTARES (Vigência a partir de Junho/2011) Conselho de Administração e Diretores Estatutários: 02 (dois) Honorários Mensais Superintendente Executivo: Valor Fixo R$ 38.000,00 Mensal Gerente Regional: Valor Fixo R$ 19.000,00 Mensal (...) A natureza remuneratória dos valores aportados ao "plano de previdência privada" PGBL Empresarial fica evidenciada quando se verifica que as "contribuições" eram definidas e alteradas pelo Conselho de Administração, de forma unilateral levando em consideração os resultados apurados nos segmentos de negócios, bem assim a alta qualificação, o tempo de serviço e o desempenho dos beneficiários, como declarou o contribuinte em sua resposta. Ressalte se que o contrato do PGBLEmpresarial é omisso quanto ao valor da contribuição da Instituidora limitandose a afirmar que este fará contribuições mensais ao PGBL conforme Item 3.3.1. do Termo Aditivo 5PGBLEmpresarial. Da análise do material apresentado pelo contribuinte, e a constatação da ordem de grandeza dos aportes suplementares, esta fiscalização entendeu relevante fazer uma comparação entre os valores aportados na previdência complementar supramencionados e os valores recebidos pelos mesmos beneficiários como rendimento do trabalho informados na DIRF (declaração de imposto retido na fonte) do Banco Bradesco nos mesmos períodos e os resgates destes valores sempre em janeiro de cada ano. Das verificações efetivadas por esta fiscalização verificouse que os valores aportados na previdência complementar são substanciais . Segue, a título exemplificativo, quadro comparativo entre Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.650 7 os aportes feitos pelo contribuinte na previdência complementar PGBL Empresarial e os valores recebidos como rendimento do trabalho de alguns elegíveis no período fiscalizado: (...) Em relação ao resgate a Cláusula Quarta estipula que durante o prazo de diferimento o Participante poderá resgatar parte ou a totalidade da Conta reserva do Participante Parte Instituidora e Parte Participante, mediante expressa autorização da Instituidora, observada a legislação pertinente. No item 4.3 o Participante por ocasião do desligamento da empresa poderá resgatar Conta Reserva do Participante Parte Instituidora e Parte Participante. Diferente dos Planos extensivos a totalidade dos empregados e administradores. (...) Evidente que os resgates do PGBLEmpresarial atingem a parte da contribuição do patrocinador. Ao contrário do Contrato Previdenciário extensivo a todos os empregados em que a contribuição do patrocinador e do participante é de 4% do salário de participação , no PGBL Empresarial a contribuição do participante é imensamente menor que a contribuição da instituidora. Exemplificando caso concreto: Determinado administrador recebeu de honorários em 09/2011 R$ 260.000,00. O aporte suplementar do Banco Bradesco é de R$520.000,00, sendo que a contribuição ao plano PGBL Empresarial deste administrador é de R$ 26.000,00. Pela resposta do contribuinte concluise que todos os beneficiários do PGBL Empresarial podem resgatar qualquer valor , em qualquer momento, somente observada a legislação em vigor e prazo de carência. Ou seja, qualquer aporte do Instituidor na Conta do Participante este valor já passa a integrar o patrimônio do beneficiário . Até na hipótese deste beneficiário pedir o desligamento da empresa terá o direito de resgatar o saldo de sua conta Parte Participante e Parte Instituidora. O direito ao resgate no PGBL Empresarial da forma que está estipulada não é uma imposição legal, é uma forma do Banco Bradesco S/A garantir ao beneficiário que o valor aportado pelo contribuinte em sua Conta Reserva imediatamente integre seu patrimônio sem qualquer condição, pois os aportes estão inseridos na política remuneratória do contribuinte. Entendimento contrário, seriam ilegais as cláusulas de resgate estipuladas nos contratos Previdenciários extensivos a todos empregados e administradores, que não é o caso conforme sumulado pelo próprio STJ [súmula 290]. 8.3 Dos resgates realizados em janeiro: Esta fiscalização procurou verificar nos sistemas da Receita Federal do Brasil o motivo dos resgates realizados sempre em janeiro dos aportes suplementares. Constatouse que os administradores do Banco Bradesco, participantes do PGBL Empresarial, compraram de empresas que participam do capital do Banco Bradesco, ações da BBD Participações S/A CNPJ (...), sendo um lote adquirido no ano 2008 Fl. 1653DF CARF MF 8 para pagamento parcelado em 01/2010; 01/2011; 01/2012 e outro lote de ações , também adquirido em 2008 com vencimento em janeiro de 2013. (...) Conforme consta na descrição acima acerca da BBD Participações somente podem deter ações da BBD , membros do Conselho de Administração, Diretoria Estatutária e funcionários qualificados do Bradesco também elegíveis do PGBL Empresarial. As ações são adquiridas pelos administradores e pagas através de parcelas anuais todo mês de janeiro, coincidentemente o mês que os adquirentes resgatam valores substanciais no PGBL Empresarial. Cabe salientar que todo ano essas ações obtêm valorização pela equivalência patrimonial, além dos dividendos e juros sobre capital próprio que o acionista recebe. No ano calendário 2010 o resultado positivo que a BBD obteve nesta participação indireta no Banco Bradesco foi de R$239.430.909,50 ; no ano calendário 2011 o resultado positivo em participações societárias foi de R$291.960.667,50. Anexado ao Processo DIPJ BBD Participações a/c 2010 e 2011 (Doc. 24) 8.4 Dos aportes suplementares de beneficiários em gozo de benefício: (...) Constatouse que vários dirigentes e empregados em gozo de benefício do plano de previdência privada continuaram a receber os aportes suplementares da empresa nas suas contas . Portanto, se o contribuinte continua a aportar valores substanciais nas contas de dirigentes e empregados já em gozo de benefício, e segundo o regulamento do plano, os participantes nesta situação deveriam relacionarse diretamente com a Bradesco Vida e Previdência , concluise que os aportes tem outra finalidade que não a previdenciária. 9. Conclusão: A natureza remuneratória do PGBL Empresarial, conforme demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, fica caracterizada : Pelos aportes suplementares em valores substanciais que estão inseridos na política e diretriz traçada pela CIA em relação a remuneração de seus administradores e altos funcionários. A remuneração dos administradores, incluído o PGBL Empresarial, é recomendado pelo Comitê de Remuneração, Conselho de Administração e ratificadas na Assembléia Geral, de forma antecipada e unilateral, levando em consideração resultados apurados nos segmentos de negócio e a necessidade de reter talentos num mercado competitivo , conforme expresso nos Atos societários da CIA e nas respostas do contribuinte; Pelo regulamento do PGBL Empresarial que não prevê regras claras em relação as contribuições do patrocinador. Conforme Doc. 19 em anexo o Conselho de Administração aprova a forma de distribuição dos aportes extraordinários cujos valores são aprovados em Assembléia da CIA. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.651 9 Pelos resgates significativos autorizados pelo contribuinte sem qualquer finalidade previdenciária como demonstrado neste TVF; Pelo fato das contribuições feitas ao PGBL Empresarial não ter a finalidade de prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, visto que vários participantes estão em gozo de benefícios e continuam a receber os aportes suplementares da instituidora; Dessa forma , o PGBL Empresarial se afasta dos dispositivos da Lei Complementar 109/01 : a) em seu artigo 2° a LC 109/01 que estabelece que o regime de previdência complementar tem por objetivo instituir planos de benefício de caráter previdenciário; b) em seu artigo 10 a LC 109/01 estipula que tanto os requisitos de elegibilidade , como a forma de cálculo dos aportes pela Instituidora devem estar claramente definidos no regulamento do plano, o que não acontece no regulamento do PGBL Empresarial; c) O artigo 69 e parágrafo 1° da LC 109/01 prevê a não incidência de tributação e contribuições de qualquer natureza para custeio dos planos de benefício de natureza previdenciária, que como foi demonstrado, não é o caso do PGBL Empresarial instituído pelo contribuinte. Intimada em 21/01/2015 (fl. 1.234), a Contribuinte protocolou impugnação em 20/02/2015 (fls. 1.247/1.296 e docs. anexos fls. 1.297/1.479). A DRJ, analisando a defesa, proferiu o acórdão n° 0738.596, de 24/06/2016 (fls. 1.483/1.520), que manteve o lançamento e que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CARACTERIZAÇÃO DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Após o advento da Lei Complementar n° 109, de 2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes à determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO SOBRE PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOAS FÍSICAS. MULTA ISOLADA. Fl. 1655DF CARF MF 10 Verificada a falta de retenção do imposto de renda na fonte após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de beneficiário pessoa física, será exigida da fonte pagadora a multa de ofício isolada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada por meio do Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) em 20/07/2016 (fl. 1.525), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.528/1.587 e docs. anexos fls. 1.588/1.622) em 16/08/2016 (fl. 1.527) argumentando, em síntese: • Que a decisão da DRJ de manter o lançamento nos presentes autos diverge daquela alcançada por outra turma da DRJ no processo administrativo n° 16327.720335/201328, tocante à mesma matéria mas apenas a ano calendário diverso; • Que a fiscalização distinguiu equivocadamente o Plano de Previdência Privada da Recorrente em dois, um sendo a "regra geral" e outro "PGBL Empresarial", este restrito a apenas funcionários de cargos mais elevados e com natureza remuneratória que desvirtuaria o plano com descumprimento da legislação; • Que, ao contrário do afirmado pela fiscalização, a Contribuinte mantinha um único Plano de Previdência Privada e, apenas, oferecia benefícios suplementares a determinados funcionários; • Que não há vedação legal, pelo contrário, que no art. 26, § 3°, da Lei Complementar n° 109/2001 há expressa permissão legal para que os planos instituídos em entidades abertas de previdência privada distingam grupos específicos de funcionários; • Que a natureza remuneratória está inferida pela fiscalização em função de fatos que decorrem das próprias normas legais e regulamentadora, as quais permitem contribuições em valores substanciais, direito de regaste etc. e impõem que os valores destinados aos administradores de empresas de capital aberto sejam aprovados em assembléia geral; • Que a CF/1988 permite e incentiva a participação dos particulares nas áreas saúde, previdência e assistência social e educação e que os benefícios oferecidos nesses âmbitos não têm relação com o trabalho prestado, ainda que vinculados a contrato de trabalho, tendo natureza benemerente, de forma que não integram o salário nem a remuneração dos empregados para nenhum efeito; • Que o sistema de previdência privada foi instituído pela Lei n 6.435/1977 e estimulado no DecretoLei n° 2.29/1986, e está atualmente regulado pelo art. 202 da CF/1988 e pela Lei Complementar n° 109/2001; • Que as contribuições à previdência privada não integram a remuneração, não incidindo o IRRF em função do art. 202, § 2°, da CF/1988 e dos arts. 68 e 69, § 1°, da Lei Complementar n° 109/2001, bem como pelo art. 6°, VIII, da Lei n° 7.713/1998, regulamentado pelo art. 39 do RIR/1999; • Sofrem tributação na forma da legislação aplicável, isso sim, os benefícios concedidos e os resgates, cf. art. 43, XI, da Circular SUSEP n° 338/2007; Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.652 11 • Que, tratandose de imunidade ou seja, decorrente da CF deve ser interpretação ampla, não podendo ser limitada por normas de hierarquia inferior; • "No caso concreto, como já dito, todos os fatos invocados pelas autoridades fiscais para justificar a exigência de contribuições previdenciárias, considerados indícios da suposta ilegalidade que teria sido praticada pelo Recorrente, ESTÃO PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO QUE DISCIPLINA A MATÉRIA, NOS CONTRATOS E NO REGULAMENTO DO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, ESTE ÚLTIMO DEVIDAMENTE APROVADO PELA SUSEP" fl. 1.539; • Que não se aplica aos Planos de Previdência Privada Aberta a regra do art. 16 da Lei Complementar n° 109/2001, este voltado aos Planos de Previdência Privada Fechada; • Que, argumentativamente, ainda que o 5° Termo Aditivo fosse considerado um plano autônomo, não padeceria de ilegalidade porque o art. 26, § 3°, da Lei Complementar n° 109/2001 permite a instituição de plano de previdência abrangendo "uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador" • Que não se pode aplicar a regra do art. 28, § 9°, 'p', da Lei n° 8.212/1991, vez que incompatível com a Lei Complementar n° 109/2001, a qual, por ser posterior e por ter regulamentado inteiramente a matéria, revogou a parte final daquele comando, nos termos do art. 2°, § 1°, da LICC, entendimento já ratificado, entre outros, pelo acórdão CSRF n° 9202003.193, de 07/05/2014; • Que o REsp n° 1.468.436/RS, julgado pelo STJ em 01/12/2015, entendeu que o art. 69, § 1°, da Lei Complementar n° 109/2001 criou hipótese de não incidência; • Que conceder contribuições suplementares aos dirigentes visa exatamente o atendimento do objetivo fundamental do plano de previdência, que é garantir na aposentadoria o mesmo padrão alcançado quando na ativa e que as contribuições normais não seriam suficientes para tanto vez que os salários deles são mais altos; • Que, ao questionar as características do Plano PGBL de que os trabalhadores que têm remuneração maior precisam receber contribuições maiores para o plano de previdência o fisco está questionando o próprio mérito das normas constitucionais e legais que instituíram o atual sistema de previdência privada, e isso só poderia ser feito por alteração legislativa; • Que o acórdão 2403002.310, que analisou o mesmo Plano de Previdência Privada ora analisado, já reconheceu não haver violação ao art. 28, § 9°, 'p', da Lei n° 8.212/1001; • Que não existe dispositivo de legislação do IRPF que condicione a isenção dos planos de previdência a que as contribuições sejam em valores idênticos; Fl. 1657DF CARF MF 12 • Que a decisão da DRJ inovou ao invocar suposta violação ao art. 1° da Lei Complementar n° 109/2001, vez que o lançamento se fundou nos arts. 2°, 10 e 69 desse diploma; • Que a DRJ busca criar requisitos não estabelecidos na Lei para a aplicação da isenção; • Que para se aplicar a exigência imposta pela DRJ, seria necessário que a Lei a tivesse estabelecido; • Que, sendo "o resgate uma faculdade do beneficiário cuja observância dos prazos de carência só é controlada pela Entidade Aberta de Previdência Privada, não teria jamais a instituidora, no momento do aporte, como saber se e quando haverá resgate pelo beneficiário" fl. 1.561; • Que, ainda assim, a restrição para o levantamento dos fundos imposta pela DRJ não pode ser extraída do art. 1° da Lei Complementar n° 109/2001, norma genérica e introdutória, mormente quando ela própria faz referência à regulamentação dos demais artigos do seu corpo e o art. 27 expressamente permite o resgate total ou parcial dos fundos da previdência privada; • Que não há ofensa aos arts. 2°, 10 e 69 da Lei Complementar n° 109/2001, vez que "o suposto caráter não previdenciário do plano mantido pelo Recorrente é na verdade premissa da alegada violação" e que devem estar claras as formas de cálculo dos benefícios, e não dos aportes; • Que o Plano de Previdência foi apresentado e aprovado pela SUSEP, o que não ocorreria se estivesse em desacordo com a Regulamentação; • Que é possível afastar os argumentos suscitados pela DRJ para atribuir natureza remuneratória aos aportes: • conforme o art. 3°, 'b', do seu Regulamento, o Comitê de Remuneração trata não apenas da remuneração em sentido previdenciário, mas também de questões como participação nos lucros, planos de opção de aquisição de ações e de previdência complementar; • o fato de os aportes serem próximo ou coincidentes com os valores pagos como remuneração não desnatura, mas antes confirma o caráter previdenciários, vez que os Planos de Previdência têm como objetivo proporcionar aos beneficiários na inatividade o mesmo padrão de vida que tinham na ativa e, para alcançar esse fim, quanto mais alta a remuneração, mais alto também devem ser os aportes; • a própria DRJ toma como premissa que não é necessário dispor do plano para todos os funcionários e, ao mesmo tempo, conclui que é necessário disponibilidade para todos; de qualquer sorte, que já discorreu sobre a desnecessidade de que o plano seja disponível a todos os funcionários; • a DRJ se equivocou na leitura do 5° Termo Aditivo, vez que a Recorrente é a Instituidora e não a Companhia, não sendo permitido à Recorrente recusar a inscrição. Nesse contexto, é a Companhia, ou seja, a entidade seguradora que tem autorização para recusar propostas, e essa autorização decorre não dos termos do contrato, mas sim da expressa determinação Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.653 13 pelo art. 61 da Circular SUSEP n° 338/2007, repetida na Resolução CNSP n° 139/2005. Ainda, que a entidade seguradora só pode recusar os proponentes caso os mesmos não se demonstrem elegíveis, ou seja, não preencham os requisitos. Enfim, que mesmo que venha a ser rompido o vínculo de trabalho entre a Recorrente e o beneficiário da previdência, esta não pode excluílo do Plano, passando ele a ter direito de se relacionar diretamente com a Companhia seguradora nos termos do art. 15 do Regimento; • Que, a despeito de a DRJ afirmar que os profissionais têm o fato de que o dirigente passa a ser beneficiário do Plano de Previdência não é impeditivo para que continue trabalhando e, continuando vinculado à Recorrente, nada impede que continue aportando valores para melhorar a sua previdência privada; • o fato de que houve saques pelos beneficiários em janeiro de cada ano calendário não desnatura o Plano de Previdência pois, como admitido pela própria DRJ, a Lei Complementar n° 109/2001 não deixa dúvidas quanto à possibilidade de resgate total ou parcial pelos beneficiários, o que é ratificado pelo art. 56 da Resolução CNSP n° 139/2005 e pelo art. 19 da Circular SUSEP n° 338/2007. Nesse sentido, que os resgates foram parciais e cumpriram a legislação quanto ao prazo de carência. Ainda, que os resgates feitos em 2010 e 2011 se referem a aportes efetuados dois anos antes, respectivamente. Enfim, que o resgate é feito pelo beneficiário, não tendo a Recorrente nenhuma ingerência sobre o fato; • o fato de o art. 1° do Anexo I à Circular SUSEP n° 183/2002 facultar ao participante o direito de efetuar pagamentos adicionais não implica proibição para que a Instituidora o faça, sobretudo quando ali se estabelece que "poderão" e não que "deverão" se estipulados anteriormente o valor e a periodicidade das contribuições o direito de resgatar os valores sem carência, isso não é verdade já que há prazos de carência previstos na legislação e no contrato previdenciário, os quais foram rigorosamente cumpridos, e que essa questão não foi contestada pela fiscalização; • Que o art. 41, § 4°, da Lei Complementar n° 109/2001 não garante à autoridade fiscal a competência de declarar que um plano de previdência complementar aberto devidamente aprovado pela SUSEP não tem tal natureza; • Que não é possível cobrar multa isolada no presente caso vez que o art. 9° da Lei n° 10.426/2002 faz referência ao inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, o qual depende da constituição do crédito referente ao tributo. Apenas a hipótese do inciso II desse mesmo art. 44 é que admite a constituição da multa isoladamente; e • Que o Parecer Normativo COSIT n° 01/2002 é claro no sentido de que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto da pessoa física, quando se tratar de antecipação, se extingue quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual pela Pessoa Física. Indica os acórdãos CSRF n° 9202001.886, de 29/11/2011. e n° 9209002.288, de 08/08/2012. Fl. 1659DF CARF MF 14 Intimada a PGFN, esta protocolou Contrarrazões (fls. 1.626/1.644), na qual argumentou, em síntese: • Que para serem isentos, os depósitos não poderiam ter natureza de remuneração do trabalho e nem ser em função do exercício da atividade laborativa; • Que o fato de o depósito ser em conta de Previdência Privada não tem o condão de alterar a natureza remuneratória dos recursos; • Que o Plano Suplementar é parte integrante do Plano de Previdência Privada para Empregados e Dirigentes, guardando relação de generalidade especialidade. Este, por sua vez, trata expressamente da cessação das contribuições da Recorrente quando o participante entrar em gozo do benefício. Uma vez que o Plano Suplementar nada dispõe sobre o tema, é possível afirmar que devem ser aplicadas as regras gerais, ou seja, de que cessam as contribuições da Recorrente quando o participante entrar em gozo do benefício. Ainda assim, a Contribuinte continuava a aportar valores em favor dos Participantes do Plano Suplementar. Uma vez que esses aportes não estavam amparados pelo contrato, não podem ter caráter previdenciário, tendo, isso sim, caráter remuneratório; • Que os arts. 10, I, e 28 da Lei Complementar n° 109/2001 impõem a obrigatoriedade de transparência quanto à forma de cálculo dos benefícios e que seja elaborado um plano anual de custeio, os critérios que determinavam os aportes não foram esclarecidos; • Que são critérios levados em consideração para determinar o valor dos pagamentos os "resultados apurados" e a "fidelidade, competência e dedicação" dos dirigentes, ou seja, critérios que são usados para determinar pagamentos em razão do trabalho e, logo, justificam a conclusão de que os aportes são verbas remuneratórias; • Que a fixação dos valores que serão aportados é realizada pelo Comitê de Remuneração, o que ratifica a conclusão de que têm caráter remuneratório; • Que a "indiferença manifestada pelo Contribuinte/Instituidora quanto aos critérios para determinar (i) suas contribuições, (ii) a forma de cálculo dos beneficios e para (iii) elaboração do plano de custeio somente encontra explicação no fato de que o chamado Plano de Previdência Suplementar é mecanismo remuneratório e não para formação de reservas previdenciárias." fl. 1.631; • Que o Plano de Previdência Suplementar continha as cláusulas 4.1 e 4.2, as quais previam a possibilidade de retirada da totalidade dos valores aportados, e que a Fiscalização constatou que os Participantes efetivamente faziam resgates periódicos, anuais, em datas próximas e em valores correspondentes aos montantes aportados no ano antecedente pela Instituidora; • Que a previsão de resgate da totalidade das contribuições aportadas de forma incondicional desnatura o caráter previdenciário, atentando contra o art. 202 da CF/1988, vez que impede a formação da poupança; • Que o art. 14, III, da Lei Complementar n° 109/2001 permite expressamente o resgate das parcelas aportadas pelo próprio Participante, sendo indevida a Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.654 15 ampliação feita pela Recorrente em relação aos aportes feitos por ela, Instituidora; • "35. Ante o exposto, não obstante o resgate constituía direito do Participante, as características que cercam os resgates operados, no caso, denotam o uso da previdência complementar para remuneração indireta. Em que pese a tautologia, temos que (i) os resgates são feitos com habitualidade, a indicar que o padrão de bemestar dos beneficiários deles depende; (ii) os resgates compreendem os valores aportados pela Instituidora, a demonstrar que não se trata de mero cumprimento de Lei, mas de direito pactuado entre as partes e (iii) os resgates correspondem à totalidade dos montantes aportados, o que é incompatível com a constituição de reservas previdenciárias." fls. 1.632/1.633 • Que o fato de os aportes corresponderem muitas vezes ao mesmo valor percebido a título de remuneração corrobora a natureza remuneratória. Se os valores fossem efetivamente mantidos como poupança a ser capitalizada para a previdência, resultariam em quantias muito superiores aos necessários para provar a manutenção do padrão de bemestar correspondente à fase em que o indivíduo trabalhava. Por comparação, no Plano Geral os aportes representam 8% do valor da remuneração dos participantes; • Que "não é o "apelido" conferido a uma parcela que irá definir a sua natureza, sendo relevante aferir se o pagamento segue as regras previstas em lei para neutralizar o efeito remuneratório." fl. 1.634; • Que " a ausência de informações relativas à forma de cálculo das contribuições e dos benefícios evidencia que não há a preocupação com o gerenciamento de riscos para garantir a solvência e o equilíbrio financeiros1 que caracteriza a atuação das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, conforme Manual de Boas Práticas da PREVIC." fl. 1.634; • Que o "cuidado em amparar a estrutura do Plano de Previdência de aspectos de regularidade formal não tem o condão de afastar o caráter remuneratório das verbas, quando confrontado com: a) a habitualidade dos resgates da totalidade dos valores aportados, conforme permissivo contratual b) a ausência de qualquer preocupação com o equilíbrio atuarial do Plano de Previdência." fl. 1.635; • Cita precedente que manteve o lançamento em situações idênticas, especificamente o acórdão CARF n° 2402004.108, ratificado pelo acórdão CSRF n° 9202004.345; • Que, quanto à possibilidade de multa isolada, esclarece que a redação do art. 9° da Lei n° 10.426/2002 foi alterado pela Lei n° 11.488/2007, mas "a única modificação ocorrida foi a exclusão da hipótese de exigência de multa isolada no caso de a fonte pagadora efetuar o recolhimento em atraso sem o acréscimo de multa de mora." fl.. 1.640; • Que a "Lei 10.426/02 não fez nenhuma ressalva quanto à possibilidade de aplicação isolada da multa pela falta de retenção do Imposto de Renda, não sendo dado ao intérprete criar restrições onde nem mesmo a própria lei o fez." fl. 1.641; Fl. 1661DF CARF MF 16 • Que o entendimento em relação à distinção da multa de ofício vinculada ou isolada ao tributo, na forma do art. 9° da Lei n° 10.426/2002, foi exposta no Parecer Normativo Cosit n° 01/2002, aprovado em 24/09/2002, que concluiu que "independentemente de não mais ser exigível da fonte pagadora o tributo, sobre ela deve recair o lançamento da multa de ofício pela falta de retenção, que, em tal hipótese, só podia ser cobrada de forma isolada." fl. 1.643; • Cita precedente o acórdão CSRF n° 9202003.583, de 03/03/2015, que aplica a multa isolada em caso de não retenção na fonte após o final do prazo de declaração pela pessoa física; e • "74. Finalmente, convém ter em mente que, sob pena de se instituir indesejado tratamento desleal para com aqueles que cumprem rigorosamente os seus deveres, a fonte pagadora devese sujeitar à sanção, embora dela não se possa mais exigir o imposto, após o encerramento do prazo para a entrega da declaração de ajuste anual do beneficiário. 75. Se não houver sanção para as fontes pagadoras que não efetuam as retenções e os recolhimentos a que estão obrigadas, o caráter impositivo dessas obrigações ficará seriamente ameaçado." fl. 1.644. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora designada ad hoc para formalização do acórdão Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, responsável pelo voto, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo, integralmente, as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, aproveitando para registrar minha divergência em relação a elas, o que não me vincula aos fundamentos por ele adotados em seu voto. Feito o registro. Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 1. PRELIMINAR Argumenta a Recorrente que a DRJ inovou ao fundamentar a manutenção do lançamento com base no art. 1°, da Lei Complementar n° 109/2001, o qual não teria sido suscitado quando do lançamento. Pelo contrário, esclarece que o lançamento se lastreou nos arts. 2°, 10 e 69 da mesma Lei. Retornando à decisão recorrida, percebese que a DRJ efetivamente citou o art. 1° da Lei Complementar n° 109/2001. Entretanto, não assiste razão à argumentação da Contribuinte, uma vez Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.655 17 que o Relatório Fiscal também se lastreou nesse comando legal. Efetivamente, indicao expressamente quando, no item 6.1 Previdência Privada, discorre sobre a legislação aplicável e esclarece que os seus preceitos gerais estão contidos no art. 202 da CF/1988 e nos arts. 1° e 2° da Lei Complementar n° 109/2001. Nessa senda, não há que se falar em inovação nem em nulidade da decisão recorrida por esse fundamento. 2. MÉRITO Superada a nulidade suscitada pela Recorrente, impende analisar o mérito da lide. Resumemse a dois pontos principais: (1) a possibilidade ou não de impor multa isolada por falta de retenção na fonte dos rendimentos da pessoa física sujeitos ao ajuste anual após o prazo para a apresentação das declarações e (2) a natureza jurídica, se remuneratória ou previdenciária, dos aportes efetuados pela Recorrente no Plano de Previdência Privada. 2.1. Da multa isolada: O lançamento ora sob litígio tem por objeto a constituição de multa isolada, na forma do art. 9° da Lei n° 10.426/2002, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, em função da falta de retenção e recolhimento do imposto de renda quando do pagamento de remuneração a pessoa física. Argumenta a Contribuinte pela impossibilidade de constituição da multa isolada no presente caso, uma vez que a multa do referido comando legal só se poderia impor quando em conjunto com o crédito referente ao tributo. Nesse sentido, esclarece que após o prazo para a apresentação da declaração de ajuste anual a responsabilidade pelo recolhimento do tributo passa a ser da pessoa física que auferiu o rendimento. Nesse sentido, não podendo ser constituído o crédito do tributo propriamente dito, não pode ser constituída a multa de ofício nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, também com redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Em outras palavras, entende ser impossível a aplicação da multa do art. 9° de forma isolada, como fez a autoridade lançadora. Analisando a questão, a DRJ concluiu que "Como vimos, a alteração legislativa [da Lei n° 11.488/2007] após o citado Parecer Cosit n° 1, de 2002, pouco de substancial trouxe no tocante à matéria tratada nos autos. Quando existe previsão de tributação na fonte, a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário dos rendimentos, e a falta de retenção for verificada após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e após o encerramento do período de apuração, no caso de pessoa jurídica, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. Em suma, nesse caso, o rendimento deveria ser tributado pelo beneficiário do rendimento, exigindose da fonte pagadora a multa de ofício de forma isolada, prevista no artigo 9° da Lei n° 10.426, de 2002, e os juros de mora." fl. 1.519 Também a Fazenda Nacional argumenta, em suas Contrarrazões, ser sim possível aplicar a multa isolada no presente caso. Esclarece que, em relação à redação do art. 9° da Lei n° 10.426/2002, alterada pela Lei n° 11.488/2007, "a única modificação ocorrida foi a exclusão da hipótese de exigência de multa isolada no caso de a fonte pagadora efetuar o recolhimento em atraso sem o acréscimo de multa de mora." Fl. 1663DF CARF MF 18 Primeiramente, é importante registrar que tanto a Recorrente quanto a DRJ e a Fazenda Nacional utilizam o mesmo Parecer Normativo Cosit n° 01/2002 para fundamentar as suas respectivas posições. É importante registrar, entretanto, que o Parecer se funda na legislação anterior à Lei n° 11.488/2007, que alterou a legislação referente à penalidade nesses casos de falta de retenção. Seja como for, imperiosa a análise do art. 9° da Lei n° 10.426/2002, especialmente comparando a redação original que lastreou o referido Parecer Normativo com a redação dada em 2007: Redação Original Redação dada pela Lei n° 11.488/2007 Art. 9° Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Medida Provisória n° 351, de 2007) Art. 9° Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) A leitura isolada do art. 9° da Lei n° 10.426/2002 poderia permitir a afirmação efetuada pela Fazenda Nacional. Efetivamente, constatase que a Lei n° 11.488/2007 (1) substituiu a referência ao inciso II pela referência ao § 1°, ambos do art. 44 da Lei n° 9.430/1996; e (2) excluiu a aplicabilidade da multa em caso de recolhimento após o prazo sem o acréscimo da multa de mora. Contudo, é imperioso anotar que a Lei n° 11.488/2007 alterou também o art. 44 da Lei n° 9.430/1996: Redação Original Redação dada pela Lei nº 11.488/2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.656 19 quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Observase que a multa de ofício era estipulada, originalmente, em dois patamares nos incisos do caput, i.e., na forma simples e na forma qualificada. Já no § 1° se determinava que as multas, ou seja, ambas as hipóteses do caput, poderiam ser aplicadas em conjunto com o tributo ou de forma isolada. Já na redação dada pela Lei n° 11.488/2007, a Lei passou a distinguir nos incisos do caput dois tipos diferentes de multas, a multa conjunta com o tributo e a multa isolada. A questão da duplicação da multa passou a ser tratada no § 1°, que expressamente se limitou à hipótese do inciso I do caput. Em outras palavras, no próprio art. 44 da Lei n° 9.430/1996 já se percebe que é possível fazer remissão ao inciso I do caput, sem aplicar as mesmas regras para o inciso II do mesmo caput. Retornando ao art. 9° da Lei n° 10.426/2002, percebese que a redação dada pela Lei n° 11.488/2007 faz referência exclusivamente à hipótese do inciso I do caput do art. 44. Melhor esclarecendo: o legislador restringiu a penalidade do art. 9° à multa do inciso I do art. 44. Isso significa que a penalidade aplicável é apenas aquela da multa conjunta com o tributo. Quisesse o legislador permitir a imposição de multa isolada, teria feito referência aos incisos I e II do caput do art. 44. Ou melhor, simplesmente faria referência às multas do art. 44, sem especificar ou restringir uma de suas hipóteses. Preferiu restringir especificamente à hipótese do inciso I, o que significa que excluiu a multa do inciso II. Fl. 1665DF CARF MF 20 Não se argumente que essa linha de entendimento torna letra morta o comando do art. 9° da Lei n° 10.426/2002. A verdade é que continua aplicável em diversas hipóteses, tais como quando o lançamento é efetuado antes do prazo da entrega das DAA, com seu respectivo pagamento, ou quando a tributação é exclusiva na fonte. Apenas, não é aplicável no caso ora sob julgamento. Seja como for, essa posição encontra amparo em diversos precedentes desse e.CARF, dentre os quais citamse: FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIENCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, "c", do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa. Recurso especial negado. (acórdão CSRF n° 9202 002.288, de 08/08/2012) PRELIMINAR. FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, prevista no art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002, com redação data pela Lei n° 11.488, de 2007, não pode ser aplicada isoladamente nos casos em que o imposto não mais é exigível da fonte pagadora. (acórdão CARF n°2201003.295, de 17/08/2016) AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9° DA LEI N°. 10.426/2002. FATOS GERADORES ANTERIORES À ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI N°. 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. Para os fatos geradores ocorridos anteriormente a alteração da redação do art. 9° da Lei n°. 10.426/2002, promovida pela Lei n°. 11.488/2007, aplicase a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, ante o fato de a referida alteração ter deixado de prever a aplicação da multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei n°. 9.430/96. (acórdão CARFn°2201003.262, de 12/07/2016) AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E/OU RECOLHIMENTO DE IRRF PELA FONTE PAGADORA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA PELO ART. 9° DA LEI N°. 10.426/2002. ALTERAÇÃO PROMOVIDA PELA LEI N°. 11.488/2007. A multa isolada prevista no art. 9° da Lei n°. 10.426/2002, com redação dada pela Lei n°. 11.488/2007, deixou de aplicar a multa isolada do inciso II do art. 44 da Lei n°. 9.430/96 aos casos de ausência de retenção de IRRF com posterior pagamento do tributo, por fazer menção expressa ao inciso I deste artigo, que trata somente da multa aplicada ao lançamento de ofício realizado nos casos de ausência de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata. (acórdão CARFn°2401004.065, de 28/01/2016) Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.657 21 Diante do exposto, é necessário dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração. 2.2. Da natureza dos aportes A par da questão supra atacada, que são suficientes para ferir de morte o lançamento, também se encontra em litígio a discussão acerca da natureza jurídica dos aportes efetuados pela Recorrente no Plano de Previdência PGBLEmpresarial em favor de seus dirigentes. Fiscalizando a empresa, a autoridade fazendária concluiu que os valores aportados pela Recorrente em favor dos seus dirigentes no Plano de Previdência Privada PGBLEmpresarial não tinham natureza jurídica previdenciária. Pelo contrário, concluíram que se tratavam de remuneração e, nesse caminho, estavam sujeitos à tributação do IRPF com retenção na fonte. Seus fundamentos foram resumidos no Relatório Fiscal da seguinte forma: "9. Conclusão: A natureza remuneratória do PGBL Empresarial, conforme demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, fica caracterizada : Pelos aportes suplementares em valores substanciais que estão inseridos na política e diretriz traçada pela CIA em relação a remuneração de seus administradores e altos funcionários. A remuneração dos administradores, incluído o PGBL Empresarial, é recomendado pelo Comitê de Remuneração, Conselho de Administração e ratificadas na Assembléia Geral, de forma antecipada e unilateral, levando em consideração resultados apurados nos segmentos de negócio e a necessidade de reter talentos num mercado competitivo , conforme expresso nos Atos societários da CIA e nas respostas do contribuinte; Pelo regulamento do PGBL Empresarial que não prevê regras claras em relação as contribuições do patrocinador. Conforme Doc. 19 em anexo o Conselho de Administração aprova a forma de distribuição dos aportes extraordinários cujos valores são aprovados em Assembléia da CIA. Pelos resgates significativos autorizados pelo contribuinte sem qualquer finalidade previdenciária como demonstrado neste TVF; Pelo fato das contribuições feitas ao PGBL Empresarial não ter a finalidade de prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, visto que vários participantes estão em gozo de benefícios e continuam a receber os aportes suplementares da instituidora;" fl. 23. Tendo a Recorrente impugnado, a DRJ conclui pela procedência do lançamento, uma vez que (1) os aportes para a previdência eram estabelecidos pelo Comitê de Remuneração; (2) os aportes eram em valores substanciais e, em muitos casos, no mesmo montante do rendimento do trabalho; (3) critérios para elegibilidade eram definidos exclusivamente pela Instituidora, a qual poderia recusar a proposta de inscrição do participante e não haviam regras clara para os aportes do patrocinador; (4) muitos participantes já em gozo do benefício continuaram a receber aportes em seu favor; (5) foram constatados resgates em valores substanciais e geralmente em janeiro; (6) que os participantes têm o direito de resgate sem carência. Em suma, concluiu pela soma de todos esses Fl. 1667DF CARF MF 22 elementos, que o plano não atendia ao objetivo da Lei, que é a constituição de reservas que garantam um benefício futuro. Por fim, em suas Contrarrazões, a Fazenda Nacional ratifica que têm natureza remuneratória, ressaltando que (1) foram feitos aportes em favor de participantes em gozo do benefício e sem previsão contratual; (2) não haviam regras clara para determinar as contribuições a cargo da empresa instituidora, em descumprimento aos arts. 10 e 18 da LC n° 109/2001; (3) o resgate da totalidade dos valores aportados é incompatível com o caráter da previdência; (4) os valores aportados não são condizentes com o caráter previdenciário, especialmente quando a Contribuinte não demonstrou preocupação com o equilíbrio atuarial do Plano. Por sua vez, a Recorrente busca confrontar cada um desses argumentos. Segundo ela, (1) há previsão legal permitindo planos de previdência privados distinguindo grupos específicos; (2) os valores pagos à previdência privada não integram a remuneração cf. art. 202, § 2°, da CF/1988, arts. 68 e 69, § 1°, da LC n° 109/2001, e art. 6°, VIII, da Lei n° 7.713/1988 e regulado pelo art. 39 do RIR/1999; (3) se trata de imunidade, prevista na constituição, e portanto deve ser entendida de forma ampla; (4) o STJ já reconheceu no REsp n° 1.468.436/SP que o art. 69, § 1°, da LC n° 109/2001 instituiu hipótese de não incidência; (5) o plano de previdência foi aprovado pela SUSEP; (6) o art. 16 da LC n° 109/1999 não se aplica in casu, porquanto destinado aos Planos de Previdência Fechados; (7) os aportes complementares aos dirigentes visa exatamente garantir a constituição de reservas previdenciárias, uma vez que eles têm rendimentos superiores aos demais funcionários e necessitam desses aportes para constituir o saldo suficiente no PGBL para que obtenham benefícios condizentes; (8) o lançamento e a decisão recorrida buscam criar requisitos não existentes na Lei para admitir a isenção; (9) o resgate é um direito do participante do Plano, não tendo a Instituidora qualquer ingerência; (10) o plano foi aprovado pela SUSEP, o que não ocorreria se estivesse em desacordo com a legislação e a regulamentação; (11) a despeito de receber o nome de Comitê de Remuneração, esse comitê trata não apenas de remuneração em sentido previdenciário, mas também de outros elementos, como o PLR, os planos de aquisição de ações e, inclusive, da previdência complementar; (12) é a Companhia seguradora, e não a RecorrenteInstituidora, que pode recusar os proponentes e, mesmo nesses casos, só pode fazêlo em situações especificais, tais como o proponente não preencher os requisitos para aderir ao Plano Suplementar; (13) o fato de que o Participante do Plano de Previdência está em gozo do benefício não impede que continue a aportar valores para melhorar a sua previdência; (13) que o art. 1° do Anexo I à Circular SUSEP n° 183/2002 não proíbe a Instituidora de efetuar aportes adicionais; (14) a DRJ se equivocou ao afirmar que os profissionais podem resgatar os valores independente de carência, visto que há prazos estipulados na legislação e no contrato previdenciário, que foram cumpridos, fato jamais contestado pela autoridade lançadora; e (15) o art. 41, § 4°, da LC n° 109/2001 não garante à autoridade fiscalizadora a competência para afastar a natureza previdenciária de um plano privado devidamente aprovado pela SUSEP. Passamos à análise dos argumentos. Sobre a existência de Plano(s) com beneficiários diversos: Argumenta a Recorrente que há um único plano ofertado a todos, e sobretudo que é possível a oferta de benefícios distintos para certos grupos de funcionários. A verdade é que, como bem já esclareceu a DRJ, essa questão não foi fundamento do lançamento: "Em análise dos autos, constatase que as citadas contribuições têm sim natureza remuneratória. Todavia, isso não decorre da alegada inobservância ao disposto na alínea "p" do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212, de 1991, que estabelece que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, deve estar disponível à totalidade dos empregados da empresa." fl. 1.507 Por esse motivo, despiciendo alongar sobre matéria inócua ao deslinde do julgamento. Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.658 23 Quanto ao valor dos aportes e da política de remuneração: A primeira conclusão alcançada pela autoridade lançadora foi que os valores aportados eram substanciais, que estavam inseridos na política de remuneração da Recorrente, sendo recomendado pelo Comitê de Remuneração, levando em consideração os resultados apurados nos seguimentos do negócio e a necessidade de reter talentos. Com relação à resposta da Contribuinte, durante a fiscalização, de que os aportes são feitos em favor dos seus colaboradores como forma de reter talentos, nada mais óbvio. O objetivo de toda atividade empresarial é o lucro e qualquer despesa que tenha outro objetivo foge ao propósito intrínseco da atividade empresária. Nesse sentido, como regra, os dispêndios incorridos terão o objetivo de maximizar o lucro, ainda que de forma indireta, como é o caso do patrocínio esportivo, que se faz não pelo amor ao esporte e sim como forma de propagar a marca. No mesmo sentido, se institui um Plano de Previdência, não o faz por mera liberalidade em favor dos beneficiários, mas sim com o objetivo de reter seus talentos. Não apenas no plano suplementar, mas também no plano geral. Isso porque, ao escolher entre duas possíveis empregadoras em condições idênticas de trabalho, de ambiente de trabalho, de salário etc., se uma delas oferecer esse benefício e a outra não, então é certo que o profissional escolherá ela. Acontece que a Constituição Federal expressamente desvinculou os Planos de Previdência Privada dos contratos de trabalho, estipulando como cláusula constitucional que não serão tidos como remuneração. Em outras palavras, não é tido como contraprestação do trabalho. Fêlo com o objetivo exatamente de incentivar as empresas a instituir tais benefícios aos seus empregados. Diversas rubricas têm o mesmo objetivo de incentivar a retenção de talentos e, ao mesmo tempo, não configuram remuneração para fins do contrato de trabalho. São exemplos a participação nos lucros e resultados, a complementação do auxíliodoença e a prestação de serviços médicos. Tais benefícios não são obrigatórios, podendo ou não ser instituídos pelas empresas; as empresas que os oferecem, fazemno com o objetivo de reter talentos, ou seja, para incentivar seus trabalhadores a permanecerem nos empregos, e não por fundamentos absolutamente altruístas como se poderia querer. Ainda assim, quando pagos em conformidade com a Lei, não configuram remuneração para fins previdenciários. Em suma, o fato de que os aportes ao Plano de Previdência em apreço são feitos para reter talentos não é elemento apto a desnaturálo. Antes, é mera constatação da realidade prática, como são quaisquer aportes feitos a quaisquer Planos de Previdência. Quanto ao fato de que os aportes são sugeridos pelo denominado Comitê de Remuneração, nada de estranho. Conforme o Estatuto Social (fls. 310/335), o Comitê de Remuneração é um entre diversos comitês (e.g. Comitê de Conduta Ética, Comitê de Controles Internos e Compliance), e tem por objetivo propor ao Conselho de Administração as políticas e diretrizes de remuneração dos administradores estatutários. Portanto, o Comitê não tem efetivo poder decisório, mas tão somente consultivo, podendo propor, mas não determinar. Outrossim, do seu Regimento (fls. 336/338) se percebe que esse Comitê tem o objetivo de traçar asdiretrizes gerais para as remunerações fixas e variáveis, as quais incluirão bônus, PLR etc., e nem por isso desnaturarseá tais rubricas. Pelo contrário, o valor dos aportes foi definido pela Assembléia de Acionistas cf. Atas anexadas (fls. 173 e 174). Não poderia ser diferente, vez que os aportes foram feitos em favor dos dirigentes da empresa e, nos termos do art. 152 da Lei das S.A.1, a definição do seu montante se Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, INCLUSIVE BENEFÍCIOS DE QUALQUER NATUREZA e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. Fl. 1669DF CARF MF 24 encontra dentro da competência da Assembléia. Admitir que os próprios administradores estabelecessem o valor dos aportes que serão realizados em seu favor nos Planos de Previdência Privada atentaria contra o direito dos acionistas, mormente daqueles minoritários. Enfim, alcançase a questão central desse ponto: segundo a autoridade lançadora, os valores aportados são substanciais e a Contribuinte não apresentou regras claras para a apuração dos valores a serem aportados. Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que o Plano de Previdência Privada ora sob análise, especificamente na parte suplementar instituída no 5° Aditivo, tenha como beneficiários dirigentes e administradores da Contribuinte. São pessoas físicas que recebiam altíssimas remunerações, muito distantes da remuneração dos beneficiários da regra geral do plano. Como exemplificou a autoridade lançadora, houve dirigente que auferiu rendimento na ordem de R$ 6.240.000,00 no ano calendário de 2011, ou seja, R$ 520.000,00 por mês (em cálculo simplificado, sem considerar a existência de pagamentos do adicional de férias e do décimo terceiro). Por sua vez, é questão pacífica que o objetivo da Previdência Privada é buscar oferecer ao beneficiário um rendimento na aposentadoria similar àquele auferido na ativa. Ou seja, garantir que a renda mensal do trabalhador não sofra uma brusca alteração quando parar de trabalhar, limitandose ao montante pago pela previdência pública. Por certo ninguém há de argumentar que esse objetivo se destina apenas ao trabalhadores com renda baixa ou média. O simples fato de que o indivíduo recebe rendimentos na ordem de centenas de milhares de reais por mês não lhe retira o direito de buscar meios de garantir que continuará auferindo renda nesse patamar após a sua aposentadoria. E um desses meios é a constituição de previdência particular que pague mensalidades nesses valores. A autoridade lançadora, assim como a DRJ e a PGFN questionaram o valor dos aportes, considerados substanciais. Acontece que no Plano de Previdência Privada ora sob análise os benefícios são calculados conforme o valor do saldo da provisão matemática apurado na data da concessão da renda. Isso significa que o valor da renda não é préfixado, mas sim apurado conforme o montante das contribuições feitas ao Plano de Previdência Privada: se o saldo for maior, a renda mensal será maior; se o saldo for menor, a renda mensal também será menor. É o que estabelece o 5° Aditivo (fls. 295/299), "3.2 No PGBL o valor do Benefício será calculado em função dos recursos acumulados na Conta de Reserva de Participante — Parte INSTITUIDORA e Conta de Reserva do Participante — Parte Participante." fl. 295. Para fins de exemplificação, é interessante fazer no sistema online da SUSEP uma simulação do benefício no PGBL instituído no processo n° 10.003048/01232: 2 https://www2.susep.gov.br/safe/menumercado/PVGBL/Plano.aspx/Calcular?planoId=11609&tipoPlanoId=1&mo dalidadeRendaId=3 Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.659 25 Em outras palavras, supondo que um dirigente do sexo masculino tenha nascido em 01/01/1960 e queira se começar a gozar do benefício com exatos 60 anos idade mínima conforme a cláusula 3.3.6 do 5° Aditivo , que tenha auferido rendimento mensal na ordem de R$ 520.000,00 (exemplo de renda retirado do Relatório Fiscal), tenha optado pela modalidade renda vitalícia com prazo mínimo de 30 anos, então ele deverá acumular um saldo de R$ 108.000.000,00 (cento e oito milhões) na sua conta de reservas da previdência. Tomado esse valor em consideração, é realmente admissível que os aportes sejam consideráveis. Fl. 1671DF CARF MF 26 Reafirmase: se a previdência privada tem por objetivo garantir um rendimento no mesmo patamar daquele auferido na atividade, então é necessário que se considere o rendimento do indivíduo in concreto, e não um rendimento médio nacional ou outro que a autoridade fiscalizadora considere suficiente. Não se pode ausente Lei impor que o benefício da Previdência Privada de limite a R$ 1.000,00, R$ 10.000,00 ou mesmo R$ 100.000,00, especialmente quando o indivíduo tem rendimento normal de R$ 520.000,00. Retornando ao Relatório Fiscal, constatase que a Contribuinte aportou em favor do dirigente citado oito parágrafos acima, um total de R$ 5.460.000,00 no anocalendário de 2011. Se também para ele for necessário acumular um saldo de R$ 108.000.000,00 no PGBL para manter o mesmo rendimento de R$ 520.000,00 mensal, então seriam necessários quase vinte anos de aportes por parte da Instituidora. Portanto, percebese que os aportes são substanciais quando analisados isoladamente, porém proporcionais quando tomados em consideração os cálculos apresentados. Enfim, também não pode prevalecer o argumento de que não foram esclarecidos os cálculos para apurar os aportes. Pelo contrário, constatase que a Contribuinte apresentou ainda durante a fiscalização tabela indicando a forma como seriam calculados os aportes, tabela essa que foi transcrita no Relatório Fiscal: CONTRIBUIÇÕES SUPLEMENTARES (Vigência de Janeiro/2010 a Maio/2011) TEMPO DE CARGO NA ORGANIZAÇÃO PERCENTUAL DO HONORÁRIO Até 1 ano 0,0% 1 a 5 anos 25,0% 5 a 8 anos 50,0% 8 a 10 anos 75,0% acima de 10 anos 100,0% CONTRIBUIÇÕES SUPLEMENTARES (Vigência a partir de Junho/2011) Conselho de Administração e Diretores Estatutários: 02 (dois) Honorários Mensais Superintendente Executivo: Valor Fixo R$ 38.000,00 Mensal Gerente Regional: Valor Fixo R$ 19.000,00 Mensal Nesse âmbito, registrase que a autoridade lançadora criticou ainda a alteração dessa tabela pelo Conselho de Administração e não pela Assembléia. Entretanto, conforme as Atas, constata se que a Assembléias de Acionistas aprovou o valor global dos aportes à Previdência Privada, sendo irrelevante a forma de fazêlo desde que não ultrapasse aquele valor global. Ainda que esses cálculos não fossem condizentes, e que a Contribuinte não tivesse apresentado a tabela acima, a verdade é que o Plano de Previdência Privada foi devidamente aprovado pela SUSEP. Em outras palavras, é necessário tomar como premissa que os cálculos atuariais estão corretos. Cabe à autoridade lançadora, isso sim, o ônus de infirmálos, demonstrando que os valores aportados estão inadequados, que levariam a benefícios muito superiores àqueles desejados ou indicados pela Instituidora e pela operadora do PGBL. É que o ônus das provas deve ser bem distribuído. Quando o lançamento se baseia em mera glosa da declaração, o ônus recai sobre o Contribuinte: cabe a ele demonstrar a veracidade das informações declaradas. Quando o lançamento se lastreia em outras infrações, então cabe à autoridade lançadora comprovar a ocorrência da infração. Por exemplo, tratandose de omissão de rendimento por Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.660 27 depósitos bancários, cabe à autoridade lançadora comprovar a ocorrência dos depósitos bancários; quando o lançamento recai sobre a omissão de rendimentos decorrente do ganho de capital, cabe à autoridade lançadora comprovar a ocorrência da alienação. In casu, se o lançamento tem por objeto a desconfiguração da natureza jurídica dos depósitos feitos em Plano de Previdência Privada devidamente constituído, então cabe à autoridade lançadora comprovar que o montante tem natureza jurídica de rendimento e não de contribuição à previdência privada. Se o argumento para comprovar que o depósito tem natureza de rendimento é que o aporte é desproporcional, então deve comproválo, demonstrando o seu excesso, demonstrando que não é condizente com a realidade. Pelo contrário, não apresentou cálculos nem critérios concretos, mas apenas ilações genéricas baseadas no espanto quanto à ordem de grandeza dos valores envolvidos. Efetivamente, se os valores aportados são excessivos, então qual o montante seria admissível? Qual o valor dos aportes que seria aceito como adequado? Com base em qual critério alcançou esse valor? Quais os cálculos desenvolvidos para alcançar o valor que seria suficiente para garantir aos dirigentes um benefício da Previdência Privada compatível com aquele auferido do trabalho? Em suma, seja porque a autoridade lançadora não se desincumbiu do seu ônus de comprovar o montante adequado para os aportes, seja porque a Contribuinte apresentou a sua tabela de cálculos, seja ainda porque, conforme simulação na SUSEP, os valores dos aportes são proporcionais aos benefícios desejados, então esse fundamento não pode subsistir. Quanto aos aportes efetuados em favor de participantes já em gozo do benefício Ainda segundo o lançamento, os aportes têm natureza de remuneração porquanto alguns dos Participantes do Plano Previdenciário Privado já se encontravam em gozo do benefício. Também não pode prevalecer esse fundamento. Em primeiro lugar, porque não atinge todos os depósitos. No máximo, afetaria os aportes específicos feitos em favor dos Participantes já em gozo. Jamais poderia afetar os aportes feitos em favor dos Participantes que ainda não gozavam do benefício. Em segundo lugar, porque, como esclarecido no item anterior, o benefício do PGBL é apurado conforme o saldo previsto na data da concessão da renda. Em outras palavras, o aporte feito em favor de quem já está em gozo do benefício acaba por melhorar a sua situação, de sorte que a aumentar o benefício no mês seguinte. Se o Participante optou por iniciar o gozo dos benefícios assim que preencheu os requisitos, certamente observará rendimento inferior àquele que poderia obter caso tivesse continuado efetuando aportes. Nesse caminho, ao aportar novos valores elevará o seu saldo e obterá rendimento mensal maior. Eis que resta justificável a continuidade dos aportes mesmo após a concessão do gozo do benefício. Em terceiro lugar, é possível observar que o Regulamento do Plano de Previdência Privado Geral efetivamente estabelece que: "3.8 As contribuições mensais, pagas pela INSTITUIDORA e pelos Participantes, cessarão em relação a cada Participante, quando este entrar em gozo de um dos Benefícios previstos no Plano de Benefícios, falecer ou requer o cancelamento de sua inscrição no mesmo." fl. 281; (...) Fl. 1673DF CARF MF 28 "12.4 Os Participantes e/ou Beneficiários em gozo de um dos Benefícios constantes do Plano de Benefícios, previstos neste Contrato, passarão a se relacionar diretamente com a COMPANHIA, e continuarão a recebêlos na forma pactuada, totalmente desvinculados de quaisquer obrigações da INSTITUIDORA." fl. 290. Essas cláusulas servem exatamente para exonerar a Contribuinte de qualquer responsabilidade em relação ao Plano Previdenciário a partir do instante em que é concedido o benefício, mas também exonera o Participante da responsabilidade de continuar efetuando aportes. Desse ponto em diante, apenas a Companhia é que tem responsabilidade de pagar o benefício, e de fazê lo diretamente ao Participante, que, por sua vez, também só poderá cobrar dela, e não da instituidora, o pagamento dos benefícios. Se é verdade que essas cláusulas estabelecem que cessa a obrigação da Instituidora, em nenhum lugar proíbea de continuar efetuando aportes. Pode, isso sim, optar por continuar a fazer aportes em favor dos Participantes, mesmo os que já estão em gozo do benefício. Esses aportes posteriores serão facultativos, mas nem por isso deixarão de ser contribuições para a previdência privada. Eventualmente, implicarão melhoria do benefício em favor do Participante, trazendoo a patamar mais próximo do rendimento auferido na atividade. Enfim, uma vez que não há nenhuma proibição de aportes após a concessão do benefício, mas apenas dispensa, então não há irregularidade que justifique o lançamento. Quanto ao resgate: Enfim, resta a questão dos resgates efetuados pelos Participantes. Segundo desenvolvem a autoridade lançadora, a DRJ e a PGFN, o fato de que os valores aportados pela Contribuinte foram resgatados em sua quase integralidade pelos Participantes é indício de que esses aportes jamais tiveram o objetivo de compor o saldo da previdência privada, sendo antes remuneração. A autoridade lançadora faz comparação dos resgates efetuados com a remuneração auferida no mesmo ano. Por sua vez, a DRJ afirma que os Participantes resgatavam os valores sem respeito a prazos de carência. Enfim, a PGFN argumenta que os resgates da quase integralidade dos valores aportados de forma habitual demonstra que os Participantes dependiam desses valores para manter o seu padrão de vida, que impede a constituição das reservas e isso fere o caráter previdenciário e, enfim, que o levantamento da integralidade dos valores depende da aquiescência da Instituidora. É necessário, primeiro, fazer alguns esclarecimentos. Conforme a Lei Complementar n° 109/2001: Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. (...) Art. 27. Observados os conceitos, a forma, as condições e os critérios fixados pelo órgão regulador, é assegurado aos participantes o direito à portabilidade, inclusive para plano de benefício de entidade fechada, e ao resgate de recursos das reservas técnicas, provisões e fundos, total ou parcialmente. Já a SUSEP, em página dedicada ao esclarecimento de informações ao público em geral3 , anota que: 3 http://www.susep.gov.br/menu/informacoesaopublico/planoseprodutos/previdenciacomplementaraberta Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.661 29 Prazo de diferimento: período de tempo compreendido entre a data da contratação do plano pelo participante e a data escolhida por ele para o início da concessão do benefício, podendo coincidir com o prazo de pagamento das contribuições; (...) Resgate: a restituição ao participante do montante acumulado na provisão matemática de benefícios a conceder relativa ao seu benefício. O Resgate é obrigatório nos planos de benefício por sobrevivência (aposentadoria), sendo concedido ao participante que desistir do plano, no valor correspondente ao montante acumulado em sua provisão matemática de benefícios a conceder. Nos demais planos, deverá ser observado o contrato (regulamento). (... ) * Qual a carência para portabilidade e resgate? Posso efetuálos de forma parcial? R. Para o resgate total, o prazo de carência estará compreendido entre 60 (sessenta) dias e 24 (vinte e quatro) meses, de acordo com o estabelecido no Regulamento. Para os resgates parciais, o prazo de carência estará compreendido entre 60 (sessenta) dias e 6 (seis) meses, de acordo com o estabelecido no regulamento. A portabilidade será pela totalidade dos recursos e o prazo máximo de carência será de 60 (sessenta) dias, de acordo com o estabelecido no regulamento. Em outras palavras, é necessário distinguir o prazo de diferimento do prazo de carência para resgate. No caso ora em análise, o prazo de diferimento é de, no mínimo, dez anos (cláusula 4.5.'b' do Regimento Geral do Plano). O Participante não é, nem poderia ser, obrigado a aguardar o prazo de diferimento para resgatar o seu saldo, uma vez que o prazo de carência para resgate é de, no máximo, vinte e quatro meses, conforme a própria SUSEP. Portanto, não há nenhuma irregularidade no fato de que os Participantes resgatavam os seus respectivos saldos antes do fim do prazo de diferimento, desde que tenham respeitado o prazo de carência para resgate. Em que pese a autoridade lançadora tenha criticado os resgates, e tenha feito comparativo do resgate de 2010 e de 2011 com as remunerações pagas nos mesmos anos, respectivamente, jamais imputou qualquer infração ou desrespeito ao prazo de carência para resgate. Nesse caminho, é necessário concluir que a DRJ equivocouse ao afirmar que os Participantes não respeitavam o prazo de carência; talvez quisesse afirmar que não respeitavam o prazo de diferimento. Enfim, convém resumir as conclusões já alcançadas: • O resgate do saldo é um direito do Participante; • O prazo máximo de carência para o resgate é de dois anos, podendo ser inferior; e • Não há acusação no lançamento de desrespeito ao prazo de carência. Fl. 1675DF CARF MF 30 Tomando essas conclusões como premissas, é necessário concluir que o Participante que resgata o seu saldo antes do prazo de diferimento, mas após o prazo de carência, não comete irregularidade. Efetivamente, a Constituição Federal atribuiu à Lei Complementar a competência para dispor sobre as Previdências Privadas. A Lei Complementar n° 109/2001, que rege a matéria, admite em seu art. 27, supra transcrito, a possibilidade de resgate total dos recursos de reserva técnica, sem fazer nenhuma ressalva. Portanto, ainda que discorde do sentido filosóficomoraleconômico da Lei, não cabe ao aplicador do direito contestála. Não é sem razão, nesse contexto, a que a autoridade lançadora argumenta que os resgates impedem a formação de saldo apto a gerar benefícios previdenciários. Efetivamente, se o Participante não permite que se acumulem depósitos em seu favor, não terá benefícios a gozar. Entretanto, não pode o aplicador do direito alterar o conteúdo expresso da Lei ao argumento de que é ilógico. Se a Fazenda Nacional entende ser pequeno o prazo de dois anos, ou mesmo indevido o direito ao resgate, então deve trabalhar para alterar a legislação; não pode, enquanto vigente a norma, imputar infração ao cidadão que exerce o direito legalmente estabelecido. A título argumentativo, ainda que fosse aplicável o art. 14 da Lei Complementar n° 109/2001, estipulado expressamente para os Planos de Previdência de Entidades Fechadas, também aos Planos de Previdência de Entidades Abertas, em detrimento do art. 27 da mesma Lei, não há ali proibição de resgate dos valores aportados também pela Instituidora. Pelo contrário, há, isso sim, obrigação de que sejam resgatáveis no mínimo os valores aportados pelo próprio Participante. Enfim, a principal questão. Se o resgate é um direito do Participante, se é ato exclusivamente seu, não se pode atribuílo à Recorrente, como se ela é quem tivesse agido. In casu, a autoridade lançadora afirma que o resgate dos valores aportados faz com que perca o caráter previdenciário. Ainda que se desconsidere a expressa permissão legal para o resgate integral, é o Participante, e não a empresa, quem realiza os resgates. Pelo contrário, nem mesmo se pode argumentar que a Contribuinte laborou para facilitar esse levantamento, estabelecendo o prazo mínimo admitido pela SUSEP. A verdade é que o prazo imposto, de dois anos, é exatamente o máximo permitido. Nada mais poderia fazer a Recorrente. No que toca às cláusulas 4.1 e 4.2 do 5° Aditivo, que condicionam o resgate durante o período de diferimento à "expressa autorização da INSTITUIDORA", percebese que são cláusulas inócuas, vez que criam requisitos para um direito garantido por Lei. Enfim, para que se pudesse atribuiu à Recorrente o ato dos Participantes, seria necessário imputar a ocorrência de conluio. I.e., seria necessário reunir em uma mesma conduta ambas as partes, a Instituidora que efetuou o aporte e o Participante que o resgatou. Acontece que tal acusação não existe nos autos. Dispositivo Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.662 31 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator designado Acompanhando o relator quanto à preliminar, passo ao exame das questões de mérito. Da multa isolada. Tenho por pertinente e em conformidade com a legislação de regência, a multa isolada aplicada pela fiscalização, com base no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, situação essa não alterada com o advento da Lei n° 11.488/07. Nesse sentido, vem decidindo a CSRF seguidamente, vide, ilustrativamente, os acórdãos de n° 9202003.834 (j. mar/16) e de n° 9202005.537 (j. ago/17). Concordando plenamente com o entendimento exarado naquela ocasião, peço vênia para transcrever os fundamentos alinhavados voto condutor do primeiro acórdão citado no parágrafo anterior, os quais passo agora a transcrever: "No tocante a aplicação da penalidade, entendo correta sua incidência posta no auto de infração e mantida até o acórdão recorrido. Primeiramente, a penalidade do art. 9° da Lei n° 10.426/2002, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.488/2007 descreve uma infração que é deixar a fonte pagadora de reter ou recolher o imposto ou contribuição, independentemente de ser o tributo pago ou não. Logo, não me parece lógico que a remissão ao artigo 44 da Lei 9.430/1996, também com a redação dada pela mesma lei de 2007, viesse para impossibilitar a penalização da conduta reprovada pelo sistema, que já existia. Entender diferente seria aceitar que a conduta reprovável não fosse sancionada pela mesma norma que impõe a sua sanção. Outrossim, o art. 44 da Lei 9.430/1996, definia fato gerador autônomo de penalidade e a multa por falta de recolhimento do IRRF se lastreava apenas na base de cálculo daquela norma; continuou a fazêlo após a edição da Lei n° 11.488/2007. Adoto ainda as considerações e argumentos sobre a matéria expostos pela i. Conselheira Dra. Maria Helena Cotta Cardozo, tratando da mesma matéria, em voto exarado no acórdão n° 9202003.583, de 03/03/2015, nesta 2a Turma da CSRF: 'Referida multa foi aplicada à fonte pagadora, com fundamento no art. 9°, da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 16, da Lei n° 11.488, de 15/06/2007. De plano, não há que se falar em suposta retroatividade benigna (art. 106, inciso II, "a", do CTN), considerandose que a penalidade em tela teria sido extinta inicialmente pela Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que perdera eficácia, e depois pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Ora, os fatos geradores objeto da autuação ocorreram em novembro e dezembro de 2007, portanto já na vigência da Lei Fl. 1677DF CARF MF 32 n° 11.488, de 15/06/2007, de sorte que se a penalidade ora tratada houvesse efetivamente sido extinta o que aqui não se admite ela haveria de ser afastada pela simples aplicação direta da citada lei, e não por meio do art. 106, II, "a", do CTN. Entretanto, tal nuance não merece ser discutida, tendo em vista que a multa em tela nunca foi extinta, conforme será demonstrado. (...) O que está sendo cobrado, no presente caso, é unicamente a multa pelo não cumprimento, por parte da fonte pagadora, da obrigação de efetuar a retenção e o recolhimento do IRRF, a título de antecipação. A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória n° 16, de 27/12/2001, convertida na Lei n° 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: "Art.9°. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado." O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.663 33 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I. juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)"Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1° se amolda à exigência estabelecida no art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei n° 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1° do art. 44 vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9°, da Lei n° 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1°, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Fl. 1679DF CARF MF 34 Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9°, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei n° 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: "Os arts. 7o a 9° ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9°, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior." (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9°, da Lei n° 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento jurídico muito antes do advento da Medida Provisória n° 16, de 2001. Com a edição da Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo passou a ter a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.664 35 b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)"Assim, o art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1°. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido por estimativa (alíneas "a" e "b"). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, promovida pela Lei n° 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9°, da Lei n° 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9° teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1°). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9°, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9°, promovida pela mesma Lei n° 11.488, de 2007: "Art. 9° Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1°, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de Fl. 1681DF CARF MF 36 retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado." Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9°, da Lei n° 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. As conclusões acima ficam evidenciadas no quadro comparativo a seguir: Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.665 37 Além de todas as razões que conduzem à conclusão de que não ocorreu a alegada extinção da multa de ofício pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, é o fato de que a adoção de tal tese equivaleria a admitirse a instituição de uma obrigação retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora sem o estabelecimento de sanção, o que seria inusitado no Sistema Tributário Nacional. Ademais, ninguém põe em dúvida a manutenção da multa pela falta de recolhimento do carnêleão, que pressupõe relação entre pessoas físicas, que nem sempre possuem estrutura para cumprir com a obrigação, sendo que quem recolhe a antecipação, nesse caso, é o próprio contribuinte que arca com o encargo financeiro do tributo, descartada a possibilidade de apropriação indébita. Nesse passo, causa ainda maior perplexidade a conclusão de que a multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora teria sido extinta, já que as fontes pagadoras, na sua maciça maioria, são pessoas jurídicas, que dispõem de meios adequados ao cumprimento da obrigação. Acrescentese que a retenção na fonte sem o respectivo recolhimento caracteriza apropriação indébita, portanto terse ia ainda a possibilidade do cometimento de crime, sem qualquer previsão de sanção na esfera tributária, o que também seria inédito no Sistema Tributário Nacional. Em síntese, no entender desta Conselheira, há que se diferenciar o imposto devido, cuja obrigação principal é do beneficiário do rendimento, da multa pela falta de retenção/recolhimento do IRRF, cuja obrigação é da fonte pagadora, na qualidade de responsável. Assim, após o prazo final para entrega da declaração de pessoa física, o que cessa é a responsabilidade da fonte pagadora sobre o recolhimento do tributo cuja obrigação passa a ser do beneficiário. Entretanto, a falta de responsabilidade sobre o recolhimento do tributo não exime a fonte pagadora do pagamento da multa pelo descumprimento da obrigação de reter e recolher o imposto, e é exatamente esta a exigência que ora se analisa. Nesse passo, assim estabelece o item 16 do Parecer Normativo COSIT n° 1, de 2002, que deve ser considerado na sua integralidade, e não apenas em parte. Confirase: "16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002, constatandose que o contribuinte: Fl. 1683DF CARF MF 38 a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora." Destarte, tendo ou não os rendimentos sido oferecidos à tributação, remanesce a aplicação da penalidade pela falta de retenção e recolhimento por parte da fonte pagadora. Não há que se falar aqui de aplicação do percentual de 50% à multa, por falta de previsão legal expressa, mas sim a aplicação dos percentuais defnidos em lei (75% ou 150%), conforme acima esclarecido. Assim, é de se negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo também quanto a esta matéria." Portanto, não vejo motivos, sob esse prisma, para que seja afastada a multa isolada questionada. Dos aportes ao plano de previdência PGBL Empresarial. Partilhando este Conselheiro das bem articuladas razões da decisão contestada quanto à matéria, cabe reproduzilas no essencial (fls. 1506 e ss), de modo a que passe a integrar a fundamentação deste voto vencedor. Deve ser alertado ainda que, ao final, serão feitas, adicionalmente, breves considerações acerca da controvérsia. Como veremos a seguir, entendo que as contribuições realizadas pelo autuado ao plano de previdência complementar em favor de membros do Conselho da Companhia, diretores estatutários, superintendentes executivos, assessores jurídicos e gerentes regionais podem, sim, configurar remuneração, se não comprovado o caráter previdenciário dessas contribuições. Ficando caracterizada a natureza remuneratória, cabe a incidência do imposto de renda na fonte, por tratarse de pagamento de rendimentos que foram integrados ao patrimônio dos beneficiários. DA NATUREZA JURÍDICA DAS CONTRIBUIÇÕES Cabe frisar, primeiramente, que a apuração da natureza dos pagamentos questionados deve, necessariamente, levar em conta um cuidadoso exame das circunstâncias fáticas, para que seja apurado se o objetivo visado pelos pagamentos das contribuições era, efetivamente, financiar a concessão de benefícios futuros. Para fins tributários, para que pagamentos de plano de previdência complementar não sejam caracterizados como de natureza remuneratória, deverão, necessariamente, ter por objetivo a formação de reservas garantidoras da implementação de benefícios. Há que se considerar que a Lei Complementar n° 109, de 2001, liberou o resgate em razão de ser a adesão ao plano facultativa. Se o empregado pode, ou não, aderir ao plano, também pode decidirse pelo resgate. Nisso não há nenhuma ilegalidade ou ilicitude. Porém, para fins tributários, há que se levar em conta que o pagamento de plano de previdência privada, pelo empregador, é pagamento habitual sob a forma de utilidade, que foi isentado da tributação. Assim sendo, forçoso apurar o objetivo da isenção concedida, e somente os pagamentos que visem atingir esse objetivo é que farão jus à isenção. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.666 39 Resta claro que o objetivo da concessão da isenção foi incentivar a celebração de planos de previdência privada, por outras palavras, incentivar a formação de reservas que possibilitem a concessão futura de benefício. A formação das reservas garantidoras do benefício é da essência dos planos de previdência privada, conforme se extrai da transcrição abaixo da Lei Complementar n° 109, de 2001: Art. 1° O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Se os pagamentos não se destinam a garantir a concessão de um benefício futuro, não se justifica que sejam os mesmos isentados da tributação. Em análise dos autos, constatase que as citadas contribuições têm sim natureza remuneratória. Todavia, isso não decorre da alegada inobservância ao disposto na alínea "p" do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212, de 1991, que estabelece que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, deve estar disponível à totalidade dos empregados da empresa. Entendo que os valores pagos a título de previdência privada no regime aberto (como é o caso em análise) não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária desde que não sejam caracterizados como instrumento de incentivo ao trabalho, ou seja, desde que não tenham natureza remuneratória. Neste sentido, é a seguinte ementa de julgamento proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso voluntário do Banco Bradesco S/A nos autos do processo administrativo n° 16327.720218/201364: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Após o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições (Ac. 2402004.108, sessão de 14/05/2014) Sobre a matéria, transcrevo em parte o voto condutor do citado Acórdão n° 2402 004.108, de lavra do Conselheiro Julio César Vieira Gomes, proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em sessão de 14/05/2014: Fl. 1685DF CARF MF 40 Previdência Complementar Privada em Regime Aberto O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998). ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Art. 28 (...) §9° (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Incluído pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.667 41 natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1° Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (g.n) Apenas como esclarecimento, meu entendimento sobre a expressão: "desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes" já havia sido manifestado no Acórdão n° 20500.176, de 11/12/2007 quando se apreciou a incidência ou não sobre o benefício Plano Educacional. Naquele caso, não havia disposição legal posterior de natureza tributária silente quanto ao requisito, como neste caso; a CLT, regulando relações de trabalho, é que deixava de considerar como salário o benefício, persistindo com isso a parte final do artigo 28, § 9°, alínea "t" da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: ... Quanto às exigências para o gozo da isenção de que o benefício não substitua parcelas salariais e seja extensivo à totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação. Isto porque é razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo benefício ou mesmo sua disponibilização vinculada à produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. E não se diga que a falta de previsão dessas exigências na lei posterior tenha sido intencional para a revogação de todo o dispositivo legal da Lei n° 8.212/91. Interessa ao Direito do Trabalho a definição de salário e não as regras periféricas voltadas aos efeitos tributários. As exigências da legislação tributária na parte final do artigo 28, §9°, alínea "t" da Lei n° 8.212/91, ao contrário da parte inicial, não integram a caracterização de alguma utilidade como salário ou não, apenas estabelecem o necessário para gozo da isenção. Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar n° 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1° O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4° As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. Fl. 1687DF CARF MF 42 § 1° Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1° O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2° O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3° Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1° Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2 ° Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.668 43 Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9°, "p" da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Incluído pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar,artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos elecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Fl. 1689DF CARF MF 44 Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho,eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e,portanto, gratificação. (g.n.) [...] No caso dos autos, o caráter remuneratório das contribuições feitas pelo autuado fica evidenciado pelas seguintes razões fáticas relacionadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 3 a 25): a) A empresa possui um Comitê de Remuneração, composto por 3 a 5 membros, escolhidos entre os integrantes do Conselho de Administração. Da leitura e interpretação do regimento do Comitê de Remuneração, verificase que sua linha geral de atuação é estabelecer a remuneração dos administradores com base nas metas de desempenho, tanto da empresa como individuais, estabelecidas pelo Conselho de Administração; b) As reuniões do Comitê de Remuneração definiam os valores a serem pagos aos administradores estatutários do Banco Bradesco a título de previdência privada, sendo que eram feitas sempre antes das Assembléias Gerais, ou seja, os valores eram definidos pela direção do Banco e apenas ratificados nas Assembléias. Logo, o Comitê de Remuneração da Organização Bradesco estipulava de forma antecipada e unilateral o valor a ser aportado na previdência complementar a seus dirigentes; c) Verificouse que o montante destinado como remuneração dos administradores no ano calendário de 2010 foi de até R$ 170.000.000,00, e verba de até R$ 170.000.000,00 para custear planos de previdência complementar dos administradores do Banco. Para o ano calendário de 2011, os referidos montantes foram alterados para até R$ 250.000.000,00 para remuneração dos administradores e de até R$ 250.000.000,00 destinada a custear Planos de Previdência Complementar Aberta aos administradores; d) Constatouse que o Banco Bradesco S/A possui um Plano de Previdência Complementar fechado, disponível a totalidade de seus empregados desde junho de 1985, e um outro plano, chamado "PGBL EMPRESARIAL", disponível apenas para o presidente do conselho, os conselheiros, diretores estatutários, diretores técnicos, assessores da diretoria, superintendentes executivos e, a partir de 01/06/2011, também para os gerentes regionais, de acordo com o 5° Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada; e) Para o PGBL EMPRESARIAL os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela Instituidora, que pode recusar a proposta de inscrição do participante, e não prevê regras claras em relação às contribuições do patrocinador; os participantes em gozo de benefícios passarão a se relacionar diretamente com a Bradesco Vida e Previdência S/A, não havendo mais obrigações contratuais para a Instituidora; f) O Impugnante não comprovou o caráter previdenciário/atuarial das contribuições vertidas para a previdência privada complementar. A empresa apresentou os aportes feitos por ela como instituidora para os elegíveis ao plano PGBLEMPRESARIAL. Foi realizada uma comparação entre os valores aportados na previdência complementar e os valores recebidos pelos mesmos beneficiários como rendimento do trabalho, informados na DIRF (Declaração de Imposto Retido na Fonte) do Banco, nos mesmos períodos, e se verificou que Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.669 45 os valores aportados na previdência complementar são substanciais e em vários casos no mesmo montante do rendimento do trabalho, conforme quadro a seguir, a título de exemplo: Ano calendário 2010 Ano calendário 2011 Nome Dirf cód 561 PC Dirf cód 561 PC Antonio Bornia 4.680.000,00 4.680.0000,00 6.240.000,00 5.460.000,00 Domingos F Abreu 3.600.000,00 3.600.000,00 4.800.000,00 4.200.000,00 Marlene M Milan 1.368.000,00 1.368.000,00 1.928.000,00 1.716.000,00 João A. Alvarez 2.880.000,00 2.880.0000,00 4.800.000,00 4.080.000,00 Julio S. C. Araujo 3.600.000,00 3.600.0000,00 4.800.000,00 4.200.000,00 Mario da S. T. Junior 4.680.000,00 4.680.0000,00 6.240.000,00 5.460.000,00 g) Constatouse, também, que vários dirigentes e empregados em gozo de benefício do plano de previdência privada continuaram a receber os aportes da empresa nas suas contas, e se concluiu que estes deveriam ter outra finalidade que não a previdenciária, pois o regulamento do plano prevê que os participantes nesta situação deveriam se relacionar diretamente com a Bradesco Vida e Previdência; h) Verificouse, ainda, nos sistemas da RFB, resgates de previdência privada em valores substanciais realizados pelos participantes do PGBLEMPRESARIAL, via de regra, em janeiro. A título exemplificativo, transcrevese quadro com os valores resgatados da previdência complementar pelos beneficiários citados acima: Ano calendário 2010 Ano calendário 2011 Nome Dirf cód 3223 Dirf cód 3223 Antonio Bornia 9.020.438,78 3.717.642,10 Domingos F Abreu 5.596.200,56 2.730.781,82 Marlene M Milan 1.165.037,70 826.773,23 João A. Alvarez 5.596.200,56 2.287.787,31 Julio S. C. Araujo 6.695.897,62 2.859.729,22 Mario da S. T. Junior 9.020.438,78 3.717.642,10 Esses fatos todos demonstram que o plano não atende ao objetivo fixado no artigo 1° da Lei Complementar 109, de 2001, para o regime de previdência privada de caráter complementar: a constituição de reservas que garantam a constituição de benefício futuro. O fato de o valor das contribuições do autuado para este plano de previdência privada não estar claramente estabelecido no seu próprio contrato, ao contrário do que alega o Impugnante, também demonstra o caráter remuneratório de tais pagamentos, visto que a previsão contida no artigo 1° do Anexo I da Circular SUSEP n° 183, de 2002, de possibilidade de contribuição adicional de qualquer valor, a qualquer tempo, destinase ao participante do plano de previdência privada, e não a seu Instituidor, conforme a seguinte redação: Art. 1° O valor e a periodicidade das contribuições poderão ser estipulados na proposta de inscrição, sendo facultado ao participante efetuar pagamentos adicionais de qualquer valor, a qualquer tempo. É de se ressaltar o fato de o montante total das contribuições ao plano de previdência privada em vários casos igualar à remuneração registrada como recebida nos anos de 2010 e Fl. 1691DF CARF MF 46 2011 pelos administradores do Banco. Contribuições tão elevadas não seriam necessárias para financiar um plano que visa apenas complementar o benefício decorrente da Previdência Social, já que este plano tem por objetivo manter, de forma aproximada, o nível da renda auferida pelo segurado antes da inatividade. Verificase, portanto, que os pagamentos questionados não visaram a constituição de reservas garantidoras de benefícios, restando evidente a sua natureza remuneratória. O efeito prático da formalização do plano de previdência privada foi apenas o de permitir ao autuado, ao invés de depositar os pagamentos diretamente na conta de membros do Conselho da Companhia, diretores estatutários, superintendentes executivos, assessores jurídicos e a gerentes regionais, efetuar o depósito dos valores na conta do plano de previdência privada. Tais profissionais, porém, têm direito ao resgate sem carência, inviabilizando a formação das reservas e auferindo, na prática, uma complementação salarial. Não foi objetivo do legislador conceder isenção a pagamentos dessa natureza. Cabe ressaltar, por fim, que mesmo que tivesse sido comprovada a afirmação de que o plano de previdência privada da Bradesco Vida e Previdência S/A, que segue as regras registradas no documento reproduzido às fls. 295 a 300 (5° Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada) e às fls. 341/342 (Termo Aditivo n° 05E ao convênio de adesão ao Plano I Contrato de Previdência Privada para empregados e dirigentes e empresa firmado em 20 de junho de 1985), foi autorizado pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), tal fato não teria o condão de tornar o lançamento das exigências contidas no presente auto de infração improcedente porque na seara tributária a Receita Federal do Brasil não se encontra vinculada a atos emitidos pela SUSEP. Nesse sentido, cabe citar o disposto no § 4°, do artigo 41, da Lei Complementar n° 109, de 2001: Art. 41. No desempenho das atividades de fiscalização das entidades de previdência complementar, os servidores do órgão regulador e fiscalizador terão livre acesso às respectivas entidades, delas podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e quaisquer documentos, caracterizandose embaraço à fiscalização, sujeito às penalidades previstas em lei, qualquer dificuldade oposta à consecução desse objetivo. § 1° O órgão regulador e fiscalizador das entidades fechadas poderá solicitar dos patrocinadores e instituidores informações relativas aos aspectos específicos que digam respeito aos compromissos assumidos frente aos respectivos planos de benefícios. § 2° A fiscalização a cargo do Estado não exime os patrocinadores e os instituidores da responsabilidade pela supervisão sistemática das atividades das suas respectivas entidades fechadas. § 3° As pessoas físicas ou jurídicas submetidas ao regime desta Lei Complementar ficam obrigadas a prestar quaisquer informações ou esclarecimentos solicitados pelo órgão regulador e fiscalizador. § 4° O disposto neste artigo aplicase, sem prejuízo da competência das autoridades fiscais, relativamente ao pleno exercício das atividades de fiscalização tributária. (destacouse) [...] Entendo, portanto, que as contribuições realizadas pelo autuado ao plano de previdência complementar em favor de membros do Conselho da Companhia, diretores estatutários, superintendentes executivos, assessores jurídicos e gerentes regionais se afastam da natureza de previdência complementar, caracterizandose, assim, como de natureza remuneratória, pois não foi comprovado o caráter previdenciário dessas contribuições. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 16327.720053/201592 Acórdão n.º 2202004.726 S2C2T2 Fl. 1.670 47 Nessa direção foi também a conclusão no julgamento proferido mediante o Acórdão 0737.588 5a. Turma da DRJ/FNS, de 10/07/2015, que julgou improcedente a impugnação do Banco Bradesco S/A (processo administrativo n° 16327.720052/201548) ao lançamento mediante auto de infração de contribuições previdenciárias decorrentes da mesma matéria tratada nos autos. Observese que o Impugnante citou na peça de defesa ementas de acórdãos de uma corrente do CARF manifestando entendimentos favoráveis ao seu pleito. Contudo, a jurisprudência é útil forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, porém sem eficácia normativa para a Administração, pois, quando se referir à ação em que não seja ela participante, não se poderá beneficiar do seu resultado (artigo 472, do CPC). Excetuando a apreciação de inconstitucionalidade dotada de efeitos erga omnes, ou Súmula Vinculante (art 103A, CF/88), as decisões da Justiça produzem efeito apenas inter partes nos processos em que exaradas e, embora úteis para formar o convencimento do julgador administrativo, não vinculam as decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da RFB. A vinculação também não se aplica às lições doutrinárias e, via de regra, somente as decisões do CARF nos processos em que o interessado participe. Ou seja, a doutrina e, via de regra, as decisões do CARF são destituídas de força normativa para vincular as decisões administrativas das DRJ. Nessa linha, citações e transcrições usadas neste voto também objetivam mostrar o entendimento do relator, mas não são vinculantes. Desse modo, constatase como muito bem fundamentada a decisão contestada, valendo dizer que não prospera o argumento recursal no sentido de que a única condição constitucional para que os aportes em referência sejam considerados isentos é que sejam efetuados a empresa de previdência privada regularmente constituída. Ora, não se pode perder de vista que a previdência complementar tem por fito proporcionar ao trabalhador, a despeito do nível hierárquico que tenha em determinada empresa ou instituição, proteção previdenciária adicional àquela proporcionada pelo regime geral. E o que é proteção previdenciária? É garantir a continuidade de benefício financeiro quando da aposentadoria, bem como enfrentar infortúnios como invalidez ou doenças. Assim, não se confunde com poupança ou fundos de investimentos, por exemplo, que possuem regras distintas no que diz respeito à tributação pelas contribuições previdenciárias. Em outras palavras, os aportes em planos de previdência complementar não se constituem em meras aplicações de recursos em investimentos financeiros, mas sim devem se destinar a cobertura de eventos que requerem cobertura previdenciária. E, ainda que a decisão a quo tenha se equivocado pontualmente em relação a interpretação de algum aspeto do regulamento do plano como parece ter ocorrido, aparentemente, com a confusão entre o vocábulo 'companhia' constante do "5a Termo Aditivo", vinculado conforme alegado, ao recorrente e não a instituidora, como compreendeu o acórdão atacado isso não tem dimensão minimamente suficiente para ofuscar as bem construídas e comprovadas conclusões do Fisco no caso sob análise. O caráter remuneratório inerente ao denominado "PGBL EMPRESARIAL" está devidamente circunstanciado, como visto, pelos vários elementos coligidos aos autos pela fiscalização; por exemplo, a já mencionada estipulação antecipada e unilateral, pelo Comitê de Remuneração da Organização Bradesco, das contribuições mensais a serem aportadas ao plano, sendo considerados Fl. 1693DF CARF MF 48 resultados apurados nos segmentos de negócios, tempo de serviço e desempenho dos beneficiários o que as aproxima a prêmio desempenho ou mesmo gratificação e não critérios previdenciários, tais como idade e tempo de expectativa de vida. Acrescentese, em reforço, que diversos documentos societários da companhia Notas Explicativas de Demonstrações Financeiras, Formulários de Referência, revelam, de modo consistente, que os ditos PGBL integravam as "práticas de remuneração" voltada para esses altos dirigentes da instituição. No pertinente à falta de esclarecimento sobre a forma de cálculo dos aportes no regulamento do plano, com razão a fiscalização, pois não há como se estabelecer uma projeção sequer aproximada da forma de cálculo dos benefícios, como requerem os ditames do art. 10 da LC n° 109/01, sem o regramento antecedente dos aportes, por decorrência lógica, merecendo ser anotado que o 5a Termo do Aditivo, mencionado pelo recorrente, define apenas em sentido amplo a composição da carteira de investimentos, e não a aludida forma de cálculo. Também há que se refutar o raciocínio do recorrente, e partilhado em certa medida pelo D. Relator, no sentido de que a existência de resgates livres, inclusive das reservas e provisões técnicas, por serem permitidos pela lei, não poderiam servir de amparo para a autuação. Nesse sentido, particularmente, verificase que o resgate anual periódico de elevados montantes dos PGBL, em valores bastante próximos aos aportes realizados um ou dois anos antes, evidencia, na prática, que os ditos planos constituemse em alocações temporárias de elevadas quantias de caráter inequivocamente remuneratório, sem qualquer vínculo com a formação de reservas que garantam o benefício supostamente contratado, como demonstrado à saciedade tanto pela fiscalização, quanto pelas ponderadas razões da decisão de primeira instância e da PGFN. Sob a escusa de estarse a contribuir para a manutenção do padrão remuneratório dos contemplados, temse então mero trânsito desses elevados valores pelos planos, na busca de conferirlhes um verniz previdenciário e furtarse à tributação a que estariam submetidos, caso não fosse utilizado o expediente em questão. Portanto, não há porque reformar a decisão recorrida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1694DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.723126/2014-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de que o valor da exclusão do lucro líquido se deu de forma devida acarreta inexistência de infração.
Numero da decisão: 1302-003.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de que o valor da exclusão do lucro líquido se deu de forma devida acarreta inexistência de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 31 26 /2 01 4- 09 Fl. 2733DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.734 2 Relatório Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/BEL, complementandoo ao final: Trata o presente processo de Autos de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes aos anoscalendário de 2008 a 2010. A Fiscalização apurou, no curso do procedimento fiscal, as seguintes infrações: a) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS; b) MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA; c) EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL EXCLUSÕES INDEVIDAS; d) MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA. Em decorrência das infrações apuradas, foram constituídos os seguintes créditos tributários: Fl. 2734DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.735 3 Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.736 4 Reproduzo, a seguir, alguns excertos no Termo de Verificação de Infração (fls. 44/49): A) EXCLUSÃO INDEVIDA DA BASE DE CALCULO DO IRPJ A.1) Anocalendário de 2008 O contribuinte excluiu indevidamente da apuração da base de cálculo do IRPJ o valor correspondente à variação cambial liquidada passiva, conta n° 675670, no montante de R$6.760.415,35, conforme balancete e Lalur anexos. A exclusão é indevida tendo em vista que o contribuinte excluiu tal despesa por duas vezes: primeiramente, na apuração do lucro contábil, na DRE; depois, no cálculo do lucro real, no Lalur, infringindo os dispositivos legais constantes do Decreto n° 1.598/77, art. 6o, §3o, alínea "a", a seguir transcrito, que permite o ajuste por exclusão, desde que tal exclusão não tenha sido computada no resultado do exercício. [...] Como se observa no balancete, em anexo, o valor da variação cambial liquidada passiva, conta n° 675670, já havia sido computado, ou seja, excluído na apuração do resultado do exercício, portanto, não poderia ser novamente excluído na apuração do lucro real. Fl. 2736DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.737 5 No Lalur não está evidente tal exclusão. Contudo, o contribuinte, em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 2, demonstrando os valores que compõem as exclusões ao lucro líquido do exercício, no montante de R$49.996.424,59, evidencia claramente que o valor de R$6.760.415,35 faz parte de tal exclusão, conforme planilha apresentada pelo contribuinte, em anexo. [...] Entretanto, apesar de a infração ser de R$6.760.415,35, o valor a ser lançado é R$1.235.636,92, a fim de ajustar o valor do prejuízo fiscal existente no Sapli (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Calculo Negativa da CSLL). Ocorre que o valor do prejuízo fiscal erroneamente declarado na DIPJ/2009, anexa, referente ao anocalendário de 2008, e que alimentou o Sapli, foi de R$2.790.921,92, quando deveria ser de R$8.315.700,35, conforme o livro de apuração do lucro real (Lalur), em anexo. Este valor escriturado no Lalur, após reduzido pela infração de R$6.760.415,35, resulta em R$ 1.555.285,00, saldo de prejuízo fiscal que deve constar no Sapli. Logo, o valor a ser lançado para que o saldo do prejuízo fiscal no Sapli resulte em R$1.555.285,00 é de R$1.235.636,92. A.2) Anocalendário de 2009 Para o ano de 2009, o contribuinte foi intimado a justificar o valor de R$138.249.808,87 excluído do lucro líquido. Em resposta, o contribuinte justificou que desse montante o valor de R$137.529.052,05 era oriundo das variações cambiais e monetárias, restando uma diferença de R$720.756,82 sem comprovação, passível portanto de lançamento. Nos recortes a seguir evidenciamos a exclusão indevida. [...] A.3) Anocalendário de 2010 Para o ano de 2010, no qual o contribuinte teve lucro líquido de R$59.854.927,95, o mesmo foi chamado a justificar o valor de R$123.418.730,96, excluído do lucro líquido para apuração do lucro real, conforme termo de início. Em sua resposta, o contribuinte informou que o valor de R$123.418.730,96 era composto em sua maioria pelo prejuízo acumulado da empresa Rio Tinto Alcan Brasil Ltda (RTAB), CNPJ 07.138.319/000127, no valor de R$98.362.349,76, conforme recorte abaixo: Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.738 6 Contudo, não existe previsão legal para tal exclusão. Pelo contrário, o art. 514 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), Decreto n° 3.000/99, in verbis, reza expressamente o contrário: "Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (Decretolei n° 2.341, de 1987, art. 33). (grifei) Como se vê, pela legislação citada, os prejuízos fiscais das empresas incorporadas não podem ser compensados nas empresas sucessoras. Portanto, tal exclusão é indevida. [...] Cumpre observar que a empresa Rio Tinto Alcan Brasil Ltda., CNPJ 07.138.319/000127, conforme DIPJ/2010RTAB, em anexo, foi incorporada pela Alcan Alumina Ltda., contribuinte fiscalizado, em março de 2010 e alienada no mesmo mês pelo valor de R$188.189.939,61, com custo da ordem de R$68.406.566,54, gerando um ganho de capital de R$119.783.373,07, devidamente lançado como receita nãooperacional, conforme razão (contas 981400, 982400 e grupo 361), balancete, DRE e DIPJ/2011, em anexo. B) EXCLUSÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL Para a contribuição social, vale a descrição das infrações acima, uma vez que por força do disposto no art. 57, da Lei n° 8.981/95 e alterações posteriores, as mesmas normas de apuração estabelecidas para o imposto de renda a ela se aplicam, conforme descrito abaixo: [...] Fl. 2738DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.739 7 Portanto, as exclusões indevidas na base de cálculo do imposto de renda também o são para o cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Resumindo: R$6.760.415,35 para o ano de 2008; R$720.756,82 para o ano de 2009 e R$98.362.349,76 para o ano de 2010. C) MULTA ISOLADA POR FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA DO IRPJ No anocalendário de 2010, o contribuinte fez opção pela tributação com base no lucro real e apuração do imposto de renda e da contribuição social anual, com cálculo da estimativa mensal com base em balanço ou balancete de redução ou suspensão, conforme consignado em sua DIPJ/2011, em anexo. Em março de 2010, contudo, o contribuinte ajustou indevidamente o lucro líquido do período com a utilização de prejuízo fiscal da empresa incorporada, Rio Tinto Alcan Brasil Ltda (RTAB), no valor de R$98.362.349,76, conforme balancete levantado em março e o lucro o lucro real apurado no período, ambos anexos. Como visto anteriormente, o art. 514 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) veda expressamente a compensação de prejuízo de empresa incorporada. Portanto, glosandose o respectivo valor, o contribuinte deveria ter recolhido a estimativa no valor de R$22.865.087,25, incluído o adicional. Não o fez. Desse modo, por força do disposto no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 1996, in verbis, é devida a multa isolada no valor de R$ 11.432.543,62, pela falta do não pagamento da estimativa, conforme planilha de cálculo em anexo: [...] D) MULTA ISOLADA POR FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA DA CSLL Como descrito anteriormente, pelo disposto legal, art. 57, da Lei n° 8.981/95 e alterações, as mesmas normas de apuração estabelecidas para o imposto de renda se aplicam à CSLL. Desse modo, vale o que reza o art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, conforme demonstrado na planilha de cálculo anexa, o contribuinte deveria ter recolhido a CSLL estimada no valor de R$8.233.591,41. Não o fez. Portanto, também, é devida a multa isolada no valor de R$4.116.795,70. [...] Inconformados com a autuação da qual tomaram ciência em 13/10/2014 (fls. 398/400), o contribuinte e os responsáveis apresentaram impugnações em 11/11/2014 (fls. 403/468, fls. 547/843 e fls. 403/468) alegando: ALCAN ALUMINA LTDA a) Que, na resposta ao termo de intimação, a Impugnante teria demonstrado a composição dos valores que foram excluídos na apuração do lucro Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.740 8 real e da base de cálculo da CSLL, e que teria indicado, erroneamente, a exclusão de prejuízos acumulados da RTAB; b) Que nunca teria excluído prejuízos referente à sociedade que incorporou; c) Que, no Lalur, constaria a informação referente à exclusão de “Resultado de incorporação da RTAB”; d) Que o “Resultado de incorporação da RTAB” que teria sido excluído seria fruto de equívoco no procedimento de contabilização da incorporação da RTAB, que teria refletido indevidamente, na Impugnante, o resultado (positivo) da incorporada em sua demonstração do resultado do exercício; e) Que o Lalur da Impugnante indicaria exclusão de “resultado”, e que esse termo poderia significar elemento positivo (lucro) ou negativo (prejuízo), de tal forma que a informação constante desse documento não poderia ser entendida, sem maiores investigações e análises, especialmente documentais, como sendo exclusão de “prejuízo acumulado da empresa RTAB”; f) Que bastaria uma checagem mais atenta da documentação da Impugnante para se concluir que a exclusão diria respeito a valores indevidamente contabilizados e que não representariam acréscimos patrimoniais tributados pelo IRPJ e pela CSLL; g) Que existiria flagrante equívoco na premissa adotada (exclusão de prejuízos fiscais da incorporada), o que teria levado ao lançamento fiscal com base no art. 514 do RIR/99; h) Que, em 31 de março de 2010, a Impugnante teria incorporado a RTAB, momento em que essa sociedade, juridicamente, teria deixado de existir; i) Que a Fiscalização teria feito a afirmação, equivocada e confusa, de que a RTAB teria sido incorporada pela Impugnante, em março de 2010, e que teria sido alienada no mesmo mês; j) Que, quando do evento de incorporação, ao invés de registrar tãosomente os ativos líquidos transferidos via sucessão universal, em contas patrimoniais, a Impugnante teria efetuado lançamentos reflexos do resultado da RTAB em seu próprio resultado; k) Que o resultado positivo (lucro) da RTAB, verificado antes do evento de incorporação, teria sido registrado também na Impugnante, como se resultado dela fosse, o que se trataria de mero equívoco de procedimento; l) Que o ganho na alienação de investimento, no montante de R$119.783.373,07, tal como apontado pela Fiscalização, corresponderia a resultado auferido pela RTAB, indevidamente replicado na escrita contábil da Impugnante; Fl. 2740DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.741 9 m) Que o laudo técnico contábil elaborado pela empresa BDO RCS AUDITORES INDEPENDENTES demonstraria os fatos alegados pela Impugnante; n) Que a incorporação seria a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações; o) Que a expressão “absorvida por outra” significaria a extinção da sociedade incorporada em virtude da sucessão universal (transferência de todos os direitos e obrigações para o conjunto patrimonial da incorporadora); p) Que, na incorporação, seria transferido o “patrimônio” da incorporada à incorporadora; q) Que, no evento de incorporação, seriam transferidos os elementos do ativo e do passivo, ou seja, o patrimônio líquido da sociedade incorporada, e que não deveriam ser transferidas nenhuma conta de resultado; r) Que, neste caso concreto, a Impugnante era controlada pela RTAB; s) Que, de acordo com o balanço patrimonial, a participação da RTAB na Impugnante seria de R$217.399.634,64; t) Que, de acordo com o “Protocolo e Justificação de Incorporação”, as quotas representativas do capital social da Incorporadora detidas pela Incorporada seriam canceladas; u) Que, eliminando o efeito da participação da Incorporada na Incorporadora, o resultado da incorporação teria sido um aumento do patrimônio líquido, mais especificamente na conta capital social, no montante de R$91.291.737,62; v) Que seriam simples e evidentes os efeitos da incorporação envolvendo controladora e controlada, mas que, neste ponto, teria surgido o erro no procedimento de contabilização da operação, o qual estaria devidamente comprovado no laudo técnico; w) Que, para o evento de incorporação, deveriam ser levantados balanços específicos no qual os ativos e passivos são avaliados pelo valor de mercado ou contábil, o que teria sido realizado na database de 03/03/2010 (valor contábil); x) Que, no patrimônio líquido da RTAB, de R$308.691.372,26, já estaria refletido o resultado de R$111.559.632,79, por ela apurado até o dia 03/03/2010; y) Que o resultado da RTAB, no valor de R$111.559.632,79, teria sido registrado também na Impugnante, o que teria alterado o prejuízo apurado de R$13.121.536,62 para um lucro de R$98.362.349,76; Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.742 10 z) Que o resultado da RTAB (R$9.739.343,86), apurado entre 04/03/2010 e 31/03/2010, em respeito à legislação em vigor, teria sido registrado na Impugnante; aa) Que teria sido correta a exclusão de R$98.362.349,76, por erro de contabilização no evento de incorporação, e que a exclusão feita pela Impugnante teria sido menor do que a de direito, tal como teria sido apontado pelo laudo técnico; bb) Que o resultado de R$111.559.632,79, apurado pela RTAB, seria decorrente, principalmente, da alienação de participação societária por ela detida (valor de alienação: R$188.189.939,61; valor contábil: R$68.406.566,54; ganho de capital: R$119.783.373,07); cc) Que, diante de indiscutível erro na contabilização, não se poderia tratar o resultado da RTAB como se fosse da Impugnante, sob pena de distorção da materialidade do IRPJ e da CSLL; dd) Que o erro cometido pela Impugnante não teria o condão de transformar meros lançamentos equivocados em acréscimo patrimonial tributável; ee) Que o lançamento ora combatido não se sustentaria em vista do princípio da verdade material; ff) Que não seria possível a exigência cumulativa de multa isolada e multa de ofício, por representar dupla penalidade sobre o mesmo fato; gg) Que não seria aplicável a multa qualificada de 150%; hh) Que a Fiscalização não teria tecido nenhuma consideração a respeito da aplicação da multa qualificada; ii) Que, diante (i) da absoluta ausência de motivação no lançamento quanto à qualificação da multa, (ii) da inexistência de descrição da conduta dolosa da Impugnante, (iii) da carência de demonstração e comprovação da conduta típica exigida pelo tipo infracional descrito na norma jurídica invocada, seria totalmente improcedente a qualificação da multa de ofício; jj) Que o julgamento deveria ser convertido em diligência, caso a Turma de Julgamento entenda que a robusta prova documental apresentada na impugnação, bem como o laudo técnico, não são suficientes à demonstração total da improcedência do auto de infração. Por fim, o contribuinte apresentou o seguinte pedido: Fl. 2742DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.743 11 RIO TINTO ALCAN INC e RONALDO DEL BUONO RAMOS a) Que a Fiscalização teria atribuído responsabilidade solidária à Impugnante simplesmente pelo fato de ser sócia do contribuinte; b) Que não teria sido escrita nenhuma palavra sequer a respeito da suposta conduta comissiva ou omissiva da Impugnante, nem tampouco a respeito da vinculação de tal conduta com o suposto crédito tributário devido pelo contribuinte; c) Que a atribuição de sujeição passiva solidária careceria dos mínimos requisitos legais essenciais ao lançamento, de modo que se imporia o reconhecimento imediato de sua nulidade por vício material; d) Que ficaria nítida a violação ao direito de ampla defesa e contraditório da Impugnante, a qual estaria impossibilitada de identificar a acusação que sobre si recai; e) Que o mero inadimplemento da obrigação tributária não geraria, por si só, a responsabilidade do sóciogerente; Por fim, os responsáveis apresentaram o seguinte pedido: Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.744 12 Em 21/06/2016, esta Turma de Julgamento determinou a realização de diligência para que fossem juntados aos autos deste processo os arquivos referentes à Escrituração Contábil Digital (ECD) do contribuinte e da sociedade empresária por ele incorporada. Após terem sido tomadas as providências mencionadas, os autos do processo retornaram a esta Turma para julgamento. Após análise das razões de impugnação, a Turma “a quo” considerou como não impugnados os valores referentes às infrações dos anoscalendário de 2008 e 2009, e julgar a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido em relação ao anocalendário 2010, nos termos da ementa do Acórdão 0134.687 – 1ª Turma da DRJ/BEL abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de que o valor da exclusão do lucro líquido se deu de forma devida acarreta inexistência de infração. Devidamente cientificado da decisão, o sujeito passivo não apresentou Recurso Voluntário e não se pronunciou sobre o recurso de ofício; também não houve requisição dos autos para interposição de contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Fl. 2744DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.745 13 Face à exoneração do crédito tributário pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Por não vislumbrar a necessidade de reparos, nos termos do art. 57, § 3º do RICARF, adoto as razões de decidir da DRJ, a seguir transcritas: Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.746 14 Fl. 2746DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.747 15 Fl. 2747DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.748 16 Fl. 2748DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.749 17 Fl. 2749DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.750 18 Fl. 2750DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.751 19 Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.752 20 Fl. 2752DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.753 21 Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.754 22 Fl. 2754DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.755 23 Fl. 2755DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.756 24 Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.757 25 Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.758 26 Conclusão Em face ao exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, mantendo a decisão de 1a instancia em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2758DF CARF MF Processo nº 10320.723126/201409 Acórdão n.º 1302003.031 S1C3T2 Fl. 2.759 27 Fl. 2759DF CARF MF
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Numero do processo: 11845.000478/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA DOS LANÇAMENTOS FISCAIS OBJETO DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS.
Tratando-se de auto de infração para a exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, consubstanciada na apresentação de GFIPs com informações incorretas ou omitidas, o reconhecimento da procedência dos processos relativos à exigência das contribuições previdenciárias (obrigações principais) impõe o reconhecimento da procedência da exigência de multa por descumprimento da obrigação acessória em destaque.
OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. NÃO CORREÇÃO DA INFRAÇÃO (CFL 68)
Determina a lavratura de auto de infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, § 50, da Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 2402-006.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA DOS LANÇAMENTOS FISCAIS OBJETO DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. Tratando-se de auto de infração para a exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, consubstanciada na apresentação de GFIPs com informações incorretas ou omitidas, o reconhecimento da procedência dos processos relativos à exigência das contribuições previdenciárias (obrigações principais) impõe o reconhecimento da procedência da exigência de multa por descumprimento da obrigação acessória em destaque. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. NÃO CORREÇÃO DA INFRAÇÃO (CFL 68) Determina a lavratura de auto de infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, § 50, da Lei nº 8.212/91.
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GFIP. OMISSÃO. Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE AGROPECUARIA COBRAPE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA DOS LANÇAMENTOS FISCAIS OBJETO DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. Tratandose de auto de infração para a exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, consubstanciada na apresentação de GFIP’s com informações incorretas ou omitidas, o reconhecimento da procedência dos processos relativos à exigência das contribuições previdenciárias (obrigações principais) impõe o reconhecimento da procedência da exigência de multa por descumprimento da obrigação acessória em destaque. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. NÃO CORREÇÃO DA INFRAÇÃO (CFL 68) Determina a lavratura de auto de infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, § 50, da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 5. 00 04 78 /2 00 8- 80 Fl. 1767DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior Relatório Tratase de auto de infração constituído em 20/11/2008, para exigência de multa decorrente de apresentação de GFIP com informações incorretas ou omitidas, no período de 10/2003 a 12/2007, conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 05/06). Foi aplicada multa equivalente a cem por cento do valor devido referente à contribuição não declarada, limitado ao multiplicador em função do número de segurados, nos termos do art. 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97 vigente à época. O Recorrente apresentou Impugnação em 29/12/2008 (fls. 111/162), onde basicamente apresenta cópia de protocolo de envio de GFIP’s e requer, diante disso, o cancelamento do auto de infração. A DRJ de Brasília manteve integralmente os valores exigidos, haja vista que: (i) em relação ao período de 10/2003 a 12/2004, apesar de ter havido a retificação de GFIP, os valores declarados como base de cálculo são inferiores aos constantes nas planilhas elaboras durante o período de fiscalização (fls. 15/97), além de não contemplarem os valores referentes à comercialização da produção rural (fls. 98/105); e (ii) não houve entrega de GFIP retificada correspondente ao período de 01/2005 a 12/2007. Consignouse, ainda, na decisão de primeira instância, que, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, a análise do valor das multas para verificação e aplicação da norma mais benéfica deverá ser realizada no momento do pagamento ou parcelamento. Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 11845.000478/200880 Acórdão n.º 2402006.595 S2C4T2 Fl. 3 3 Intimada da decisão em 06/06/2011, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06/07/2011, no qual sustenta a improcedência da autuação, no qual declara estar juntando todas as GFIP’s correspondentes ao período objeto da presente autuação, visando demonstrar que as informações contidas nestas contemplam todos os valores e informações apontadas pela fiscalização como omitidas. Requer, com isso, a realização de nova diligência junto à base de dados do fisco, a fim de que seja verificado as informações prestadas pelos CNPJ’s da Matriz e da Filial e através dos códigos FPAS 604 e 833 (Códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social). Ao final, em observância ao princípio da eventualidade, requer a aplicação do disposto no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/09, por ser regra superveniente mais benéfica. Em 15/06/2012 o Recorrente trouxe aos autos novos documentos, dentre eles a decisão proferida nos autos do PAF nº 13123.720164/201254, visando demonstrar que as adversidades/omissões apontadas pela fiscalização nestes autos decorrem do fato de haver parcelamento de débito, razão pela qual alguns valores declarados não foram identificados pela fiscalização. Na sessão de julgamento realizada em 21 de janeiro de 2015, essa 2ª Turma Ordinária, considerando que a análise da procedência ou não da cobrança de multa nestes autos, por se tratar de obrigação acessória, depende do julgamento da exigência do montante principal, converteu o julgamento do presente feito em diligência para a Unidade de Origem para que fossem prestadas informações relacionadas às demais NFLD’s lavradas neste procedimento fiscal, tais como as nº 37.170.0434, 37.170.0442, 37.170.0418, 37.170.0450 (fl. 13), nos seguintes termos: * dentre as NFLD’s mencionadas acima, devem ser identificadas pela fiscalização aquelas que versam sobre a exigência das contribuições previdenciárias (obrigação principal) que deixaram de ser declaradas e que resultaram na lavratura do presente auto de infração; * após, em relação aos autos das NFLD’s conexas, deve ser verificado: a existência de decisão definitiva proferida no respectivo processo administrativo; a existência de pagamento ou parcelamento das contribuições exigidas; e o atual andamento dos processos administrativos. Às fls. 1.748 / 1.749 consta Relatório de Informação Fiscal, datado de 05/09/2016, por meio do qual a Unidade prestou os seguintes esclarecimentos: Tratase, o presente relatório, de resposta à Resolução nº 2402000.486, da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, constante no processo de nº 11845.000478/200880. Referida Resolução, que converteu o julgamento na presente diligência, solicita informações necessárias para o esclarecimento do processo supracitado, uma vez que Fl. 1769DF CARF MF 4 este trata da multa oriunda dos processos principais, cujas NFLD’s são as de número 37.170.0418, 37.170.0434, 37.170.0442 e 37.170.0450. Dessa forma, abaixo, trataremos NFLD por NFLD, tentando fornecer as informações solicitadas na Resolução nº 2402000.486: NFLD nº 37.170.0418 Este processo foi baixado por liquidação e pagamento no dia 18/12/2008. As telas do Sistema SICOB referentes ao pagamento e status do processo encontramse anexas ao processo nº 11845.000478/200880. O processo físico encontrase arquivado no arquivo da Delegacia da Receita Federal em Palmas/TO e foi escaneado e juntado ao presente processo, conforme solicitado. NFLD nº 37.170.0434 Este processo foi baixado por liquidação e pagamento no dia 18/12/2008. As telas do Sistema SICOB referentes ao pagamento e status do processo encontramse anexas ao processo nº 11845.000478/200880. O processo físico encontrase arquivado no arquivo da Delegacia da Receita Federal em Palmas/TO e foi escaneado e juntado ao presente processo, conforme solicitado. NFLD nº 37.170.0442 (atual eProcesso nº 11845.000474/200800) O processo físico objeto da NFLD nº 37.170.0442 foi transformado no eProcesso nº 11845.000474/200800. Foi incluído em parcelamento e baixado por liquidação e pagamento no dia 02/03/2013. As telas do Sistema SICOB referentes aos pagamentos e status do processo encontramse anexas ao processo nº 11845.000478/200880. Tendo em vista que o referido processo pode ser visualizado no sistema eProcesso, não houve necessidade de anexálo ao processo de nº 11845.000478/200880. NFLD nº 37.170.0450 (atual eProcesso nº 11845.000475/200846) O processo físico objeto da NFLD nº 37.170.0450 foi transformado no eProcesso nº 11845.000475/200846. Foi incluído em parcelamento e resta um saldo a pagar de R$ 3.667,84, aparentemente relacionado à última parcela do parcelamento. As telas do Sistema SICOB referentes aos pagamentos e status do processo encontramse anexas ao processo nº 11845.000478/200880. Tendo em vista que o referido processo pode ser visualizado no sistema eProcesso, não houve necessidade de anexálo ao processo de nº 11845.000478/200880. Cientificado acerca do relatório de diligência fiscal, o contribuinte não apresentou manifestação. É o relatório. Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 11845.000478/200880 Acórdão n.º 2402006.595 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Nos termos da Resolução nº 2402000.486 (fls. 1.608 a 1.611), o recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, tratase o presente processo de lançamento fiscal por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que o contribuinte teria apresentado a GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 10/2003 a 12/2007. Os fatos geradores que deixaram de ser informados em GFIP referemse à remuneração de segurados empregados e segurados contribuintes individuais, bem como à comercialização de produção rural, (campo 31), conforme demonstrado na planilha anexa, por competência (fls. 16/104), sendo que o número de segurados da empresa, para aplicação da multa, variou de 101 a 500 segurados. Dessa forma, conforme já aduzido na Resolução nº 2402000.486, temse que a análise da procedência ou não da cobrança de multa nestes autos, por se tratar de obrigação acessória, depende do julgamento da exigência do montante principal, razão pela qual, inclusive, os presentes autos, foram baixados em diligência para que fossem prestadas informações relacionadas às demais NFLD’s lavradas neste procedimento fiscal, tais como as nº 37.170.0434, 37.170.0442, 37.170.0418, 37.170.0450. Em resposta, a Unidade de Origem informou, em resumo, que as susoditas NFLD’s foram baixadas por liquidação e pagamento, in verbis: NFLD nº 37.170.0418 Este processo foi baixado por liquidação e pagamento no dia 18/12/2008. As telas do Sistema SICOB referentes ao pagamento e status do processo encontramse anexas ao processo nº 11845.000478/200880. NFLD nº 37.170.0434 Este processo foi baixado por liquidação e pagamento no dia 18/12/2008. As telas do Sistema SICOB referentes ao pagamento e status do processo encontramse anexas ao processo nº 11845.000478/200880. NFLD nº 37.170.0442 (atual eProcesso nº 11845.000474/200800) O processo físico objeto da NFLD nº 37.170.0442 foi transformado no eProcesso nº 11845.000474/200800. Foi incluído em parcelamento e baixado por liquidação e pagamento no dia 02/03/2013. As telas do Sistema SICOB referentes aos pagamentos e status do processo encontramse anexas ao processo nº 11845.000478/200880. Fl. 1771DF CARF MF 6 NFLD nº 37.170.0450 (atual eProcesso nº 11845.000475/200846) O processo físico objeto da NFLD nº 37.170.0450 foi transformado no eProcesso nº 11845.000475/200846. Foi incluído em parcelamento e resta um saldo a pagar de R$ 3.667,84, aparentemente relacionado à última parcela do parcelamento. As telas do Sistema SICOB referentes aos pagamentos e status do processo encontramse anexas ao processo nº 11845.000478/200880. Neste contexto, tendo o contribuinte reconhecido a procedência dos lançamentos objeto dos processos principais, cujas NFLD’s são 37.170.0434, 37.170.0442, 37.170.0418, 37.170.0450, com liquidação dos respectivos créditos tributários mediante pagamento / parcelamento, impõese, por conseguinte, o reconhecimento da procedência da exigência da multa decorrente de apresentação de GFIP com informações incorretas ou omitidas, objeto do presente PAF. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo e manteve o crédito tributário, nos termos da fundamentação abaixo transcrita: Do cotejo dos documentos anexados aos autos e, em análise aos sistemas da RFB — GFIPWEB, para as competências relacionadas nesta autuação, de 01/2005 a 12/2007, não houve a entrega de GFIP com data posterior à ação fiscal encerrada em 20/11/2008. E, para as competências de 10/2003 a 12/2004, embora haja a entrega de GFIP no período 17/12/2008 a 27/12/2008, os fatos geradores (base de cálculo) informados são bem inferiores àqueles relacionados na planilha de fl. 14 e na relação nominal dos segurados de fls. 16/95 (Quantidade de segurados MATRIZFILIAL; Remuneração Total da folha de pagamentoMATRIZ — FILIAL; PAGTO Cont. Individual—MATRIZ— FILIA1), bem como não foram declarados os valores concernentes à comercialização da produção rural (fl. 96/104). Salientese que, conforme relacionado nas planilhas de fls. 16/95, o número de segurados da empresa, para aplicação da multa, variou de 101 a 500 segurados, e nas GFIP informadas, o número máximo de segurados declarados não passou de 60. Considerando que, a partir da versão 8.0 da GFIP/SEFIP, as informações contidas nas GFIP posteriormente entregues substituem as da anteriormente apresentadas, e a ausência, por parte da autuada, de apresentação de GFIP que registrem a totalidade dos segurados elencados nos autos (fls. 16/95) e os valores concernentes à comercialização da produção rural (fl. 96/104), consubstanciam a procedência da presente autuação, foi esta lavrada na estrita observância da legislação de regência, discriminada à fl. 01 dos autos e nos relatórios fiscais de fls. 4/5. Desse modo, o auto de infração ora analisado encontrase revestido de todas as formalidades legais pertinentes, tendo sido lavrado de acordo com o artigo 293 do RPS e com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, vigentes à época do lançamento, consoante o disposto no caput do artigo 33 da Lei n° 8.212/91, não tendo sido constatada a existência de vícios que pudessem ensejar sua nulidade. Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 11845.000478/200880 Acórdão n.º 2402006.595 S2C4T2 Fl. 5 7 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso para NEGARLHE PROVIMENTO, devendo ser observada, a multa mais benéfica nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n'14, de 4 de dezembro de 2009, conforme consignado na decisão de primeira instância, ora mantida. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1773DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.900204/2013-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/02/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. O recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 3001-000.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/02/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. O recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1458.555, da 14ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO (efls. 47 a 54), que, em sessão de julgamento realizada em 18.05.2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconheceu o direito creditório e homologou o Per/Dcomp em questão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 02 04 /2 01 3- 74 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10650.900204/201374 Acórdão n.º 3001000.506 S3C0T1 Fl. 86 2 Da decisão de 1ª instância A 14ª Turma da DRJ/RPOSP, ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/02/2008 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Cientificado dos termos do acórdão recorrido, irresignado, o contribuinte interpõe recurso voluntário para, após longa explanação dos seus argumentos de defesa, pleitear a homologação da habilitação de seu crédito, com sua consequente definitividade (e fls. 61 a 81). É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Ofício nº 087/2015/DRF/UBB/SAORT, de 29.07.2015, foi exarado com o objetivo de encaminhar ao sujeito passivo, dentre outros, o Acórdão 1458.555, proferido pela 14ª Turma da DRJ/RPO (efl. 57). O Aviso de Recebimento AVIS CN07 "AR", postado em 29.07.2015, informa que o ofício acima mencionado foi recebido no endereço do sujeito passivo em 31.07.2015 (efls. 58/59). O "Termo de Análise de Solicitação de Juntada", informa que a juntada do recurso voluntário em questão foi solicitada em 23.09.2015, às 08:50 horas (efl. 82). O recurso voluntário traz a informação, em sua "Folha de Rosto", de que foi protocolado, na DRF em Uberaba/MG, em 22.09.2015, bem assim, em sua última folha, que foi elaborado e subscrito pelo representante legal do sujeito passivo, em Uberaba na data de 10.09.2015 (efls. 61 e 81). Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10650.900204/201374 Acórdão n.º 3001000.506 S3C0T1 Fl. 87 3 Analisando a tempestividade da peça recursal, verifico que a ciência ao sujeito passivo do acórdão da 14ª Turma da DRJ/RPO deuse em 31.07.2015 (sextafeira), por via postal AR. O recorrente teria até o dia 01.09.2015 (terçafeira) para apresentar o presente recurso voluntário, nos termos dos artigos 5º e 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir reproduzidos, verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Oportuno salientar que a expressão "prazos contínuos" significa contagem em dias corridos, sem interrupção nos sábados, domingos e feriados. E o prazo recursal de que trata o artigo 33, acima transcrito, começa a fluir no primeiro dia útil subsequente à intimação do sujeito passivo. No caso dos autos, o recurso voluntário foi apresentado, levandose em consideração a data aposta em sua "Folha de Rosto" em 22.09.2015 (terçafeira). Diante disso, e nos termos da Súmula Carf nº 9, cujo verbete expressa que É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário, a presente peça recursal é intempestiva, o que prejudica sua admissibilidade. Da conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10650.900204/201374 Acórdão n.º 3001000.506 S3C0T1 Fl. 88 4 Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721060/2009-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo.
Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização.
Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
Numero da decisão: 9303-007.075
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
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CRÉDITO. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMIELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 60 /2 00 9- 97 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10830.721060/200997 Acórdão n.º 9303007.075 CSRFT3 Fl. 3 2 estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10830.721060/200997 Acórdão n.º 9303007.075 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.968 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo reconheceu o direito de crédito da contribuição sobre o frete pago no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa. A Fazenda Nacional alega divergência com relação ao entendimento adotado no acórdão recorrido de que existe previsão legal para crédito de PIS e COFINS nãocumulativos sobre valores de fretes pagos, pelo transporte entre estabelecimentos do mesmo proprietário, de insumos minérios extraídos de minas e enviados a complexos industriais. Sustenta existir direito ao crédito somente com relação ao frete na operação de venda, e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Foi dado seguimento ao recurso especial mediante despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial postulando a negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10830.721060/200997 Acórdão n.º 9303007.075 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.071, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10830.721056/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.071): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e COFINS não cumulativos os gastos incorridos com o pagamento de frete de insumos (minério e matéria prima) entre seus estabelecimentos industriais. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10830.721060/200997 Acórdão n.º 9303007.075 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10830.721060/200997 Acórdão n.º 9303007.075 CSRFT3 Fl. 7 6 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10830.721060/200997 Acórdão n.º 9303007.075 CSRFT3 Fl. 8 7 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10830.721060/200997 Acórdão n.º 9303007.075 CSRFT3 Fl. 9 8 essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. A controvérsia em exame gravita em torno da possibilidade de ser considerados como insumos os gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa, de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da Contribuinte. Os minerais, principal insumo da produção dos fertilizantes, são extraídos pela Recorrida de minas distantes do complexo industrial, havendo a necessidade de seu transporte, por meio de frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da produção do fertilizante. A Contribuinte sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação do mesmo, como também pela extração dos minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Por isso, defende que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos, bem como para a realização das transferências de matériasprimas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais para o processo produtivo e confecção do produto fertilizantes. No caso dos autos, temse que a extração dos minerais ocorre em minas da própria Contribuinte que é a produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, portanto, necessários e essenciais à atividade da empresa. Para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento onde é produzido o fertilizante, é preciso contratar frete pago a terceira pessoa jurídica. Tal frete, por estar diretamente ligado ao processo produtivo/fabril, deve ser considerado como insumo. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10830.721060/200997 Acórdão n.º 9303007.075 CSRFT3 Fl. 10 9 Conforme se verifica da descrição do processo produtivo efetuada pela Recorrida, a mesma atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável pela fabricação do mesmo e também pela extração e beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Traz como exemplo, o concentrado de fosfático pó, que [...] é gerado e encaminhado de sua unidade de Lagamar, em Minas Gerais, para o Complexo Industrial da Paulínia, em São Paulo, onde, agregado a outros insumos, alguns dos quais adquiridos de terceiros, dá origem ao fertilizante, produto final daquela. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. No mesmo sentido, já se pronunciou essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303005.156, de relatoria da nobre conselheira Tatiana Midori Migiyama: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10830.721060/200997 Acórdão n.º 9303007.075 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Por fim, nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13952.720025/2011-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.528
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
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ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 2. 72 00 25 /2 01 1- 87 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13952.720025/201187 Acórdão n.º 3402005.528 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.738, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13952.720025/201187 Acórdão n.º 3402005.528 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13009.000081/2005-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2000
CONCOMITÂNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial quando as questões fáticas presentes nos acórdãos paradigmas diferem das questões postas no acórdão recorrido.
MATÉRIA SUMULADA.
Aplica-se ao caso a Súmula CARF 81, segundo a qual: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.
Numero da decisão: 9101-003.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à retroatividade da Lei Complementar 123/06, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2000 CONCOMITÂNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial quando as questões fáticas presentes nos acórdãos paradigmas diferem das questões postas no acórdão recorrido. MATÉRIA SUMULADA. Aplica-se ao caso a Súmula CARF 81, segundo a qual: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à retroatividade da Lei Complementar 123/06, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial quando as questões fáticas presentes nos acórdãos paradigmas diferem das questões postas no acórdão recorrido. MATÉRIA SUMULADA. Aplicase ao caso a Súmula CARF 81, segundo a qual: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à retroatividade da Lei Complementar 123/06, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 9. 00 00 81 /2 00 5- 22 Fl. 188DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Cuidase, na origem, de pedido de inclusão no Simples, apresentado pela ora recorrida com fundamento em decisão judicial proferida nos autos de mandado de segurança coletivo impetrado pelo sindicato representativo da categoria patronal (processo n° 99.00094069, que tramitou na 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro). O pedido foi inicialmente indeferido pela Dicat/Derat/RJ, sob o entendimento de que o contribuinte não se encontrava abrangido pelos efeitos da decisão proferida no processo n° 99.00094069, que somente alcançaria os filiados do ente sindical no momento da impetração. Ofertada manifestação de inconformidade pelo contribuinte, o pedido de inclusão findou por , ser denegado pela DRJ/RJ, que se posicionou no sentido de que a sentença Proferida em mandado de segurança coletivo proposto por entidade sindical só produz efeitos em relação aos membros da entidade que estavam filiados à época do ajuizamento da ação. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário. A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, então, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, por entender que a ação coletiva intentada por sindicato da categoria beneficia todos os associados, independentemente da data da associação. Ademais, afirmouse que a atividade desenvolvida pelo contribuinte, ainda que fosse vedada ao Simples pela Lei n° 9.317/96, passou a ser admitida pela LC 123/06, que deve ser aplicada retroativamente, nos termos do art. 106, II, b, do CTN. Seguiramse embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, nos quais se suscitou a existência de concomitância entre as esferas judicial e administrativa, pois a questão acerca do alcance da sentença proferida no MSC n° 99.00094069 ainda se encontrava pendente de análise pelo TRF da 2 Região. Ao julgar referidos embargos, a c. Primeira Câmara, também por unanimidade de votos, decidiu acolhêlos, de modo (i) a excluir do acórdão anteriormente proferido o fundamento relativo aos efeitos de decisão judicial proferida em ação coletiva, (ii) a afastar a concomitância por entender que a Contribuinte em questão não estava amparada pela medida judicial proposta pelo Sindicato; e(iii) manter o provimento dado ao recurso voluntário do contribuinte com base na retroatividade benigna da LC 123/06, em decisão assim ementada: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13009.000081/200522 Acórdão n.º 9101003.673 CSRFT1 Fl. 189 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DÚVIDA. A existência de dúvida acerca do conteúdo jurídico ou dos motivos que implicaram a parte dispositiva da decisão é fato bastante e suficiente para oposição de embargos de declaração. RENÚNCIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL POR CONCOMITÂNCIA COM MEDIDA JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por entidade sindical não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância, pois, ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade sindical, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. FUNDAMENTOS DA DECISÃO. RETIFICAÇÃO DE UM DOS FUNDAMENTOS. INALTERABILIDADE DO "DECISUM". Quando a decisão está fundada em duas razões distintas, ainda que uma seja retirada o decisum mantémse pela outra. SIMPLES. RETROATIVADADE DA LEI NOVA. EFEITOS. JULGAMENTOS PENDENTES. O fato tem repercussão pretérita por força do caráter interpretativo daquelas normas jurídicas impeditivas, revogadas pela nova legislação, devendo seus efeitos se subsumirem a regra da retroatividade prevista no inciso I do artigo 106, do Código Tributário Nacional. A Lei Complementar n°. 123/2006 deve ser aplicada retroativamente por conta da interpretação mais benigna para inclusão das microempresas e empresas de pequeno porte no SIMPLES em face da atividade. EMBARGOS ACOLHIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de declaração, para ex uir do acordão n° 30134.417, o fundamento relativo aos efeitos da decisão judicial proferida na ação coletiva, em face da inexistência de trânsito em julgado, rerratificando o acórdão pelo fundamento da retroatividade benigna da LC n° 123/2006. Cientificada dessa decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresenta recurso especial alegando que a decisão recorrida deu à lei federal interpretação divergente da Fl. 190DF CARF MF 4 que lhes deram outras Turmas relativamente à existência de concomitância pela impetração, por entidade de classe, de mandado de segurança coletivo, bem como sobre a aplicação retroativa da Lei Complementar 123/06. O Recurso da Fazenda foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte apresenta contrarrazões, pugnando pela manutenção do julgado a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo prudente o debate no que concerne à matéria concomitância. Sobre a matéria retroatividade da Lei Complemntar 123/06, não tenho reparos a fazer no despacho de admissibilidade, o qual utilizo como fundamento para conhecer do Recurso da Fazenda nesse ponto. Com relação à concomitância de discussões na seara judicial e administrativa, importante trazer à baila o quanto decidido pela DRJ e pela Turma a quo, no julgamento dos embargos da Fazenda Nacional. A DRJ assim se manifestou sobre o tema: Assim, em face de não ter a interessada trazido à colação prova de filiação à entidade impetrante da ação mandamental, ultrapasso a questão processual existente no presente processo e não considero a interessada como filiada do SINDELIVRE e concluo pela diversidade de objetos existente entre a presente lide administrativa e a ação mandamental, cuja segurança foi concedida através do mencionado "writ". Mais que isso, também pelo fato de a interessada ter se constituído em 22/08/2001 (fls. 48), ela não poderia estar abarcada pela sentença concessiva de tal direito, pelo menos até o desfazimento da controvérsia instaurada acerca do alcance da sentença e do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal, todos transitados em julgado. A Turma a quo, ao analisar a questão em sede de embargos da Fazenda, assim se manifesta: Em primeiro lugar é imprescindível a comprovação da identidade entre o autor da ação judicial e o recorrente no Processo Administrativo, o que neste caso não se verifica. Notese que não é possível atribuir a alguém a manifestação de renúncia sem que este alguém seja o agente do fato que o caracteriza. Ao recorrente não se comprova a ação ou intenção de renunciar a partir do Mandado de Segurança Coletivo do SINDELIVRE. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13009.000081/200522 Acórdão n.º 9101003.673 CSRFT1 Fl. 190 5 Portanto, atribuir ao Recorrente a renuncia sem que seja parte diretamente arrolada no processo judicial é extrapolar os efeitos das relações jurídicas para afetar direitos de terceiros, o que é vedado pelo sistema jurídico vigente. A ação implica apenas autor e réu. Em segundo lugar, a declaração de renúncia requerida não foi acolhida nem mesmo pelo acórdão da DRJ que categoricamente entendeu não aplicável ao Recorrente a ação do SINDELIVRE, ou seja, se a própria administração entende que não se aplica ao caso a ação judicial, como esta poderia ser fundamento para declarar a concomitância e, com isso, não conhecer do Recurso Voluntário? Entendo que a matéria concomitância não foi reconhecida, não por discussão da tese de aplicação ou não no caso de mandado de segurança coletivo, mas sim da comprovação de estar a Contribuinte amparada pela medida ou não, pelo fato de não constar da lide quando de sua propositura. Entenderam as autoridades julgadoras que não houve essa comprovação de o Contribuinte em questão estar amparado pela medida judicial, logo afastaram a concomitância. A Fazenda, em seu Recurso, objetiva discutir a concomitância à luz de ação coletiva, vale dizer, se há ou não concomitância quando o direito está discutido em ação coletiva, da qual o contribuinte é parte. Nenhum dos acórdãos paradigmas trazidos pela Fazenda trata da concomitância na hipótese de ação coletiva, com associação do Contribuinte à entidade autora após o ingresso da ação. No primeiro paradigma (20400997), já no relatório do acórdão fica claro que o contribuinte já era associado quando da propositura da medida, nos seguintes termos: Segundo a fiscalização, o Sindicato dos Corretores de Seguros, Capitalização e Previdência (SincorSP), do qual é associada a impugnante, obteve liminar em mandado de segurança coletivo, em 27/07/1999, posteriormente confirmada em primeira instância, autorizando seus associados a continuar a recolher a contribuição de acordo com a LC n° 7, de 1970, sem os acréscimos previstos na Lei n°9.718, de 1998. Sendo assim, a contribuinte passou a não recolher nem declarar a Cofins até dezembro de 1999 e, a partir de janeiro de 2000, somente a declareiia A fiscalização, por entender que pelo fato de o mandado de segurança coletivo ter sido impetrado contra o Delegado da Receita Federal em São Paulo não atingir os atos do Delegado em da Receita Federal em Ribeirão Preto, lançou a Cofins até dezembro de 1999. Também no segundo acórdão paradigma (20218.975), não se discutiu o ponto de ser o contribuinte associado à entidade autora de ação coletiva após a propositura da medida. Discutiuse apenas a caracterização da concomitância quando entidade representativa ingressa com medida judicial em substituição aos associados, conforme se pode depreender das seguintes passagens do referido acórdão: Fl. 192DF CARF MF 6 O presente processo esteve em julgamento na sessão passada (março/2008), quando solicitei a sua retirada de pauta para melhor análise quanto ao fato de a Cofins sobre as atividades de facotoring estar em discussão no âmbito do Poder Judiciário através do Mandado de Segurança n2 1998.38.0078969, impetrado pelo Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring do Estado de Minas Gerais — SINDISFAC. Naquela ocasião posicioneime no sentido de não conhecer do recurso, em face da opção pela via judicial, no que fui aparteado por alguns de meus pares pelo fato de tratarse de mandado de segurança coletivo, impetrado por sindicato da categoria não impedindo o conhecimento do recurso. O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento sobre a substituição processual prevista no art. 82, III, da Constituição Federal, que assegura a ampla legitimidade ativa ad causam dos sindicatos para a intervenção no processo como substitutos das categorias que representam, conforme se depreende da ementa do acórdão do RE n 2 193.5031/SP, julgado em sessão plenária de 12 de junho de 2006, publicado no DJU de 24/08/2007 (rel. para o acórdão Min. Joaquim Barbosa), verbis: (...) Em face do exposto, mantenho meu posicionamento inicial no sentido de não conhecer em parte do recurso, em razão de estar configurado abandono da via administrativa. Nesse sentido vale ressaltar que, apesar de autônomas as instâncias, a dupla discussão fere o princípio da jurisdição una, estabelecido pelo art. 5 9, inciso XXXV, da CF/88, conforme bem apontam Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Anotado, 2 R ed., São Paulo: Dialética, 2004, pp. 207/208.): (...) "Não se pode admitir a discussão concomitante nas esferas administrativa e judicial também em face da possibilidade de adoção de decisões conflitantes, o que seria contrário ao ordenamento jurídico, em razão da insegurança que decorreria de tal situação. Diante de todo o exposto, entendo que são questões distintas as questões dos autos e as questões trazidas pela Fazenda Nacional nos acórdãos paradigmas. Desse modo, não conheço do Recurso quanto a matéria concomitância e conheço quanto a matéria retroatividade da Lei Complementar 123/06. Passo então à análise do mérito da causa. MÉRITO RETROATIVIDADE A decisão a quo teve como razão de decidir a aplicação retroativa da Lei Complementar 123/06, com base no artigo 106, do CTN. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13009.000081/200522 Acórdão n.º 9101003.673 CSRFT1 Fl. 191 7 Ocorre que este Tribunal, nos últimos tempos, firmou posição pela inaplicabilidade do artigo 106 à casos como o presente. A razão para tal é simples: a Lei 9.137/96 não definia ato como infração, ela simplesmente proibia que determinadas pessoas jurídicas que executassem determinadas atividades pudessem optar pelo SIMPLES nacional. O artigo 106, II, "a" do CTN trata apenas de legislação que trata da infração à legislação tributária, o que não se verifica no presente caso. Diante disso, foi editada a Súmula CARF 81, que possui a seguinte redação: Súmula CARF 81 É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Assim sendo, entendo que é o caso de se alterar a decisão recorrida. Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000037/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 08/08/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO PROTOCOLIZADO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO
Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolizado após o término do prazo legal de trinta dias.
Numero da decisão: 3301-005.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolizado após o término do prazo legal de trinta dias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 00 37 /2 00 7- 19 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Acórdão n.º 3301005.166 S3C3T1 Fl. 134 2 "Do Auto de Infração Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da pessoa jurídica Thot Comércio e Distribuição Ltda, onde é formalizada a exigência de Imposto de Importação, PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação, acrescidos de juros e multa proporcional a tais tributos, além das multas por violação ao controle administrativo das importações e pela classificação da mercadoria em desacordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Consigna a autoridade fiscal que o sujeito passivo promovera a importação de 115 toneladas do produto denominado “prémistura para pão, marca MULTIPLE”, classificandoo na subposição 1901.20.00, da NCM, próprio para “mistura e pastas para preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos”, ao invés do código 1101.00.10, próprio para farinha de trigo. O suporte fático para tal reclassificação, pelo Fisco, teria sido extraído do laudo técnico de análise n° 2024/20061, expedido pelo Centro Tecnológico de Controle da Qualidade L. A. Falcão Bauer, onde foi consignada a conclusão de que o produto importado tratarseia de farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo 2,04 % de cloreto de sódio (sal) e não, conforme declarado pelo Contribuinte, premistura para elaboração de pão. Assim sendo, consigna a Autoridade Aduaneira que o novo produto identificado recebe classificação em outro capítulo da NCM, sob o código 1101.00.10 Farinha de Trigo, diversa daquela adotada na declaração de importação, com alíquota de 12% de Imposto de Importação. Ressaltase que o procedimento fiscal, que culminou com a constituição do presente crédito tributário, encontrase devidamente fundamentado e discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, de fl. 06/08. No Demonstrativo de Apuração, de fl. 09, encontrase o cálculo do IPI apurado, assim como no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, de fl. 10, constatamse os valores de multa e juros (IPI). À fl. 11, dos autos, encontrase o Demonstrativo de Apuração da Multa do Controle Administrativo das Importações, enquanto que, na fl. 12, verificase o Demonstrativo de Apuração da Multa Regulamentar. Quanto às autuações relacionadas com a Cofinsimportação e o Pis/Pasep importação, e consectários legais, as Descrições dos Fatos e Enquadramento Legal, de fl. 14/16 e 18/20 explicitam a forma de apuração e os valores encontrados. Da Impugnação Devidamente cientificado, em 10/01/2007, fl. 01, comparece o sujeito passivo ao processo, para impugnar o lançamento, em 08/02/2007, às fl. 47/63, alegando, em síntese: 1) de início, vem a requerente apresentar defesa consolidada contra os autos de infração referentes à cobrança de Imposto de Importação, Multa por Classificação Incorreta, Multa por Falta de LI, PIS/PASEP Importação e COFINS Importação; 2) ataca a Norma de Execução Coana no 03 de 03 de agosto de 2006, que teria norteado a ação fiscal da qual decorrera o lançamento guerreado, alegando que dita norma retiraria do Ministério da Saúde e da Vigilância Sanitária a competência para coletar amostras e examinar produtos alimentícios. Critica o fato de tal norma Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Acórdão n.º 3301005.166 S3C3T1 Fl. 135 3 estabelecer um único laboratório (vinculado à Alfândega de Santos) para realizar o exame de todos os produtos descritos como prémisturas de trigo. Questiona ainda o fato de tal norma não estabelecer prazos ou valores para a realização dos exames, e não determinar a entrega de amostra para fins de produção de contraprova. Faz crítica aos quesitos e exames indicados na referida norma, e a suposta ausência de fundamentação para tal escolha. Alega que, segundo informações repassadas pelo exportador, caso adotados “métodos de dosagem com alta resolução e alta eficiência, via HPLC”, seriam comprovadas as informações prestadas na declaração de importação e demais documentos que instruem o despacho. Aduz ter obtido liminar judicial para que suas mercadorias fossem liberadas do Pátio Alfandegário de Suape, com conseqüente coleta de amostras e realização dos exames; 3) Argúi a nulidade do auto de infração pelas razões a seguir expostas: O lançamento seria nulo pelo fato de não lhe terem sido fornecidas as contraprovas das amostras colhidas pela RFB. No particular, cita o DL 986 de 21/10/69 e conclui que tais contraprovas deveriam ter sido prontamente entregues à impugnante. Aduz que somente após a conclusão dos exames laboratoriais requeridos pela autoridade fiscal fora a impugnante notificada a solicitar, no prazo de 180 dias, a contraprova retida pela RFB. Reafirma que a competência para submeter produtos alimentícios a análise seria, nos termos do referido DL, do Ministério da Saúde; Seria igualmente nulo o lançamento em razão de a base de cálculo do PIS e da Cofins, instituída nos termos da Lei 10.865/2004, ser inconstitucional. Nesse ponto, argumenta que a EC 42/2003 previu como base de cálculo para contribuições incidentes sobre operações de importação o “valor aduaneiro dos produtos importados”, sendo portanto inconstitucional acrescer a tal montante o valor do ICMS e das próprias contribuições; 4) Requer a entrega das contraprovas e a realização de diligência. Ao final de sua peça impugnatória, o contribuinte solicita o fornecimento, em prazo razoável e condições de conservação, das contraprovas das amostras colhidas pela autoridade fiscal. É o que importa relatar." A DRJ em Recife julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 11 36.619, de 11/04/12, foi assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/08/2006 Farinha de Trigo Fortificada. A mercadoria “Farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo 2,04 % de cloreto de sódio (sal)” classificase no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/08/2006 Nulidade. Cerceamento do Direito de Defesa. Não Caracterização. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Acórdão n.º 3301005.166 S3C3T1 Fl. 136 4 Só se admite a nulidade do auto de infração lavrado por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A competência do AuditorFiscal da RFB para verificar e identificar mercadorias, inclusive alimentos, no âmbito da conferência aduaneira não se confunde com a competência dos agentes do Ministério da Saúde. A disponibilização das amostras colhidas para produção de contraprovas, mesmo que após a conclusão da perícia requerida, garante o exercício do direito de defesa pelo contribuinte. Acesso a Contraprovas. Prazo e Condições de Conservação. Perícia. Constatado que o sujeito passivo foi devidamente cientificado da disponibilidade, por prazo determinado, das amostras coletadas do bem importado, sendolhe franqueada a realização de contraprova e elaboração de laudo pericial, e que o interessado não adotou as medidas pertinentes, incabível a solicitação de complementação da instrução processual, mormente quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador . Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que novamente contesta a reclassificação fiscal, porém, desta feita, exclusivamente com base em Laudo Técnico, até então não apresentado. O processo foi pautado e esse colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução n° 3301000.588. Pairava dúvida acerca das datas de ciência da decisão da DRJ e protocolização do recurso voluntário. A diligência foi realizada e a Informação n° Informação nº 21/2018/SAATA/ALF/REC encontrase nos autos (fls. 128 e 129) e da qual extraio o seguinte trecho: "(. . .) Com efeito, resta evidente que a data de protocolo do recurso aposta pelo servidor Luiz Gustavo do CAC da DRF/REC é 21.02.2013, tendo o interessado sido cientificado em 26.12.2012, com prazo para recorrer escoado em 25.01.2013. (. . .)" É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Acórdão n.º 3301005.166 S3C3T1 Fl. 137 5 Nos termos da Informação n° Informação nº 21/2018/SAATA/ALF/REC (fls. 128 e 129), o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ em 26/12/12 e protocolizou o recurso voluntário em 21/02/13, isto é, após o término do prazo de trintas dias estabelecido pelo art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726383/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/03/2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
articiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/03/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.726383/201178 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.888 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Recorrente COTRANS LOCACAO DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/03/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator articiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 83 /2 01 1- 78 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, ressaltando, inicialmente, cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o lançamento não contém de forma clara a descrição do fato e a indicação legal infringida, dificultando o oferecimento de impugnação consistente. Ressalta que trinta dias não é prazo suficiente para tudo analisar e verificar todas as perícias necessárias, para impugnar especificamente cada ponto. Disserta sobre o princípio do contraditório, citando doutrinadores. Realça que houve erro quanto ao enquadramento legal dos fatos, pois foi omitida a determinação da base de cálculo adotada pelo sistema fiscal, em ofensa ao art. 37, caput, da CF e art. 142, parágrafo único, do CTN. Alega transcurso do prazo decadencial entre parte dos fatos geradores do imposto e à formalização da exigência, já que os créditos considerados como rendimentos foram totalmente quitados, sendo que o lançamento somente foi efetivado após as exigências de cobrança, que, segundo esclarece, depois de transcorrido o prazo de lançados a documentação cobrada. Diz que nem sequer a regra decadencial seria a do 173 do CTN, em razão da multa agravada, eis que inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude. Complementa que o simples fato de se tratar de tributação baseada em presunção da falta de cumprimento de uma obrigação acessória é suficiente, de per se, para afastar a acusada existência de dolo. Observa, ainda sobre o tema, da impossibilidade do agravamento da multa de ofício em matéria de omissão na entrega de documentação acessória pautada em presunção legal, discussão já superada no E. 1° Conselho de Contribuintes. Em um último ponto, pondera que se sobre o lançamento deve incidir acréscimos moratórios, calculados à razão da Taxa Selic, não pode prosperar, pois afrontam o art. 161, § 1°, do CTN, e art. 192, § 3°, da Constituição Federal. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06040.018. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 6 5 · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 7 6 prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.726383/201178 Acórdão n.º 3302005.888 S3C3T2 Fl. 8 7 A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 17460.000411/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DIVERGÊNCIAS. INEXISTÊNCIA. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA OU POR SOLIDARIEDADE. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA.
1. Os anexos "DAD - DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO" e "RADA - RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS" demonstram que o agente fiscal deduziu do lançamento os recolhimentos efetuados, não subsistindo, igualmente, qualquer incorreção nas bases de cálculo das contribuições.
2. Até fevereiro de 2000, a contribuição a cargo da empresa e das pessoas jurídicas era de 15% sobre o total das remunerações pagas ou creditadas em favor de segurados pessoas físicas que lhes prestavam serviços sem vínculo empregatício, nos termos do art. 1º, inc. I, da revogada LC 84/95.
3. Com a entrada em vigência da Lei 9876/99, que incluiu o inc. III ao art. 22 da Lei 8212/91, a alíquota da contribuição a cargo da empresa foi majorada para 20%.
4. Foram lançadas as contribuições a cargo da própria empresa, e não contribuições devidas por responsabilidade ou solidariedade.
Numero da decisão: 2402-006.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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DIVERGÊNCIAS. INEXISTÊNCIA. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA OU POR SOLIDARIEDADE. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. 1. Os anexos "DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO" e "RADA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS" demonstram que o agente fiscal deduziu do lançamento os recolhimentos efetuados, não subsistindo, igualmente, qualquer incorreção nas bases de cálculo das contribuições. 2. Até fevereiro de 2000, a contribuição a cargo da empresa e das pessoas jurídicas era de 15% sobre o total das remunerações pagas ou creditadas em favor de segurados pessoas físicas que lhes prestavam serviços sem vínculo empregatício, nos termos do art. 1º, inc. I, da revogada LC 84/95. 3. Com a entrada em vigência da Lei 9876/99, que incluiu o inc. III ao art. 22 da Lei 8212/91, a alíquota da contribuição a cargo da empresa foi majorada para 20%. 4. Foram lançadas as contribuições a cargo da própria empresa, e não contribuições devidas por responsabilidade ou solidariedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 04 11 /2 00 7- 65 Fl. 249DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A fiscalização lavrou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 5.902.4386 em face do sujeito passivo acima denominado, para a constituição das seguintes contribuições devidas à seguridade social e das contribuições devidas a terceiros: (a) contribuições previdenciárias, parte patronal, inclusive o adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados; (b) contribuições previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais; (c) contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (salárioeducação, INCRA, SESC, SEST, SENAT e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados; (d) contribuições previdenciárias e as destinadas ao SENAR do produtor rural pessoa física, incidentes sobre a comercialização da produção rural, devidas por subrogação. Os fatos geradores seriam os pagamentos de remunerações a segurados empregados e honorários a autônomos (médicos, joalheiros, chaveiros, fotógrafos, engenheiros, designers, advogados, fretistas, etc). O lançamento também seria atinente a diferenças de contribuições verificadas no confronto entre os fatos geradores declarados em guias e aqueles constatados no exame de folhas de pagamentos, recibos, notas fiscais de serviços, tendo sido, ainda, examinada a escrituração contábil. Tais pagamentos foram declarados em DIRF, código 0588 – Fl. 250DF CARF MF Processo nº 17460.000411/200765 Acórdão n.º 2402006.593 S2C4T2 Fl. 3 3 Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício, sem a correspondente declaração em GFIP. A contribuinte apresentou impugnação tempestiva, a qual foi julgada improcedente em decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incide contribuição previdenciária sobre o saláriode contribuição dos segurados empregados correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho, e as destinadas aos terceiros. Devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ou creditada a contribuintes individuais a serviço da empresa. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. SUBROGAÇÃO. PRODUTO RURAL ADQUIRIDO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e é obrigada a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei n° 8.212/91 e as destinadas ao SENAR, até o dia 2 de mês subseqüente ao da aquisição da produção rural. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRAZO DECADENCIAL APLICÁVEL. Às contribuições destinadas à Seguridade Social aplicase o decênio como prazo decadencial, previsto expressamente no art. 45, da Lei n° 8.212/1991. Intimada da decisão em 07 de fevereiro de 2008, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 06/03/2008, no qual reiterou os seguintes termos de sua impugnação: 1. na competência 04/99, o montante fora totalmente recolhido, inexistindo contribuição a pagar; 2. houve diversos equívocos no apontamento das bases de cálculo, notadamente nas competências 07/06 (R$ 16.457,50), 12/99 (R$ 8.163,25), 05/00 (R$ 8.163,25), 03/02 (12.131,68); 3. a alíquota aplicável era de 15%, e não de 20%; 4. a recorrente não tem responsabilidade solidária com o prestador de serviços na falta de recolhimento previdenciário; Fl. 251DF CARF MF 4 5. a falta de fiscalização no prestador de serviço implica cerceamento ao direito de defesa da recorrente; 6. defendeu a inexigibilidade do depósito prévio como condições de procedibilidade do recurso. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Vale esclarecer, apenas, que não será objeto de deliberação e julgamento por este colegiado a tese de inexigibilidade do depósito prévio como condição de procedibilidade do recurso, uma vez que se trata de questão já superada pelo STF (Súmula Vinculante nº 21) e sequer houve negativa de seguimento em sede administrativa. 2 Das divergências apontadas A recorrente afirma que, na competência 04/99, o montante fora totalmente recolhido, inexistindo contribuição a pagar. Todavia, os anexos "DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO" e "RADA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS" demonstram que o agente fiscal deduziu do lançamento os recolhimentos efetuados. Na competência em questão (04/1999), tomese como exemplo o levantamento FP1 FOLHA DE PAGAMENTO: Como se vê no citado levantamento, o lançamento foi apenas pela diferença de contribuição, uma vez que considerados os "CRÉDITOS DIVERSOS". O sujeito passivo, em contrapartida, não demonstrou que, antes da notificação, teria sim efetuado o recolhimento do tributo suplementar apurado em sede de fiscalização. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 17460.000411/200765 Acórdão n.º 2402006.593 S2C4T2 Fl. 4 5 A recorrente ainda assevera que houve diversos equívocos no apontamento das bases de cálculo, notadamente nas competências 07/06 (R$ 16.457,50), 12/99 (R$ 8.163,25), 05/00 (R$ 8.163,25), 03/02 (12.131,68). Todavia, o sujeito passivo não demonstrou a existência dos citados equívocos. Muito pelo contrário, novamente se analisando o levantamento FP1, observa se que as bases de cálculo apuradas para essas competências tomaram em consideração os valores declarados pelo próprio sujeito passivo em GFIP. Exemplificativamente, vejase a competência 12/99: Logo, e como se vê, são improcedentes as alegações de divergências suscitadas pelo sujeito passivo, negandose provimento ao recurso neste ponto. 3 Da alíquota aplicável No entender da recorrente, a alíquota aplicável era de 15%, e não de 20%. Ela contesta, portanto, a alíquota de 20% aplicada em sede de lançamento em algumas competências. Equivocouse a recorrente. Até fevereiro de 2000, a contribuição a cargo da empresa e das pessoas jurídicas era de 15% sobre o total das remunerações pagas ou creditadas em favor de segurados pessoas físicas que lhes prestavam serviços sem vínculo empregatício, nos termos do art. 1º, inc. I, da revogada LC 84/95: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; e Fl. 253DF CARF MF 6 Com a entrada em vigência da Lei 9876/99, que incluiu o inc. III ao art. 22 da Lei 8212/91, a alíquota da contribuição a cargo da empresa foi majorada para 20%. Vejase: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Essa majoração, como dito, passou a produzir efeitos em março de 2000, conforme previsão do art. 8º da Lei 9876. Vejase: Art. 8º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, quanto à majoração de contribuição e ao disposto no§ 4odo art. 30 da Lei no8.212, de 1991, com a redação dada por esta Lei, a partir do dia primeiro do mês seguinte ao nonagésimo dia daquela publicação, sendo mantida, até essa data, a obrigatoriedade dos recolhimentos praticados na forma da legislação anterior. [...] Brasília, 26 de novembro de 1999; [...] Como se vê no DAD, a fiscalização observou as alíquotas aplicáveis, devendo ser desprovido o recurso neste particular. 4 Da inexistência de responsabilidade Por fim, a contribuinte afirma que não tem responsabilidade solidária com o prestador de serviços na falta de recolhimento previdenciário e que a falta de fiscalização no prestador implica cerceamento ao seu direito de defesa. No entanto, à recorrente passou despercebida a circunstância de que ela não sofreu o lançamento das contribuições incidentes sobre os serviços prestados por contribuintes individuais na qualidade de responsável ou solidária. Foram lançadas as contribuições a cargo da própria empresa, como já destacado no tópico anterior. Vejase, no mesmo sentido, o relatório fiscal e os diversos lançamentos que integram esta NFLD. Nesse contexto, é igualmente improcedente a assertiva de que a falta de fiscalização no prestador implicaria cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 254DF CARF MF
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