Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10725.000439/2010-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à Súmula CARF nº 98. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos da Súmula, sem outros condicionantes.
Numero da decisão: 2001-000.502
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à Súmula CARF nº 98. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos da Súmula, sem outros condicionantes.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10725.000439/2010-09
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893849
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.502
nome_arquivo_s : Decisao_10725000439201009.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10725000439201009_5893849.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7399061
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582632103936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 84 1 83 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.000439/201009 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.502 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente LUIZ ADILSON BON Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à Súmula CARF nº 98. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos da Súmula, sem outros condicionantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 04 39 /2 01 0- 09 Fl. 84DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.460,88, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2005. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente não teria comprovado o pagamento da pensão alimentícia aos beneficiários, embora tivesse apresentado o termo de acordo de separação consensual homologado judicialmente. Também entendeu a Autoridade Fiscal ter se caracterizado pagamento por liberalidade e sem direito a dedução em razão da mudança da fonte de recursos do Contribuinte. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à falta de comprovação nos moldes que entende legalmente apropriado, mesmo que com decisão judicial expedida sobre a pensão alimentícia e declaração de recebimento das partes beneficiadas, nos termos que segue: Tratase de impugnação apresentada pelo interessado contra a Notificação de Lançamento de fls. 8/11, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2006 anocalendário de 2005, que implicou apuração de imposto suplementar, no valor de R$ 6.460,88, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação da infração de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial, no valor tributável de R$ 24.691,00. A glosa efetuada corresponde às seguintes deduções, pleiteadas pelo contribuinte na DIRPF revisada: R$ 12.170,00, em nome de Luiz Arthur Moreira Bom; e R$ 12.521,00, em nome de Maria Ângela da Silva Bom, vide fls. 20. (...) Pensão Alimentícia – Luiz A M B Quanto aos pagamentos informados para Luiz Arthur Moreira Bom, a defesa alega o que se segue: (...) Cabendo consignar a essa E. Delegacia de Recursos, que os pagamentos feitos a titulo de Pensão Alimentícia eram efetuados por remessa bancária (DOC) ou por pagamento direto, em espécie, não havendo por parte do Contribuinte/Impugnante maior preocupação em solicitar de imediato os recibos, dado ao bom relacionamento com os beneficiários pensionistas, esclarecendo ainda que tais recibos eram feitos de forma precária, inclusive, com a assinatura do próprio filho, vez que o impugnante não se preocupava em Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10725.000439/201009 Acórdão n.º 2001000.502 S2C0T1 Fl. 85 3 obter quando do pagamento das ditas parcelas, um recibo formal da representante legal do menor, para sua efetiva comprovação. Tanto é verdade, que apresenta desde já, declaração datada de 06 de fevereiro de 2008, representante legal do menor, a Sra. Solange de Fatima Moreira Mariquito, confirmando o adimplemento do débito alimentar nas épocas certas, nada deve a titulo de Pensão Alimentícia.(doc.05) A defesa junta aos autos a declaração de fls. 15, subscrita por que Solange de Fátima Moreira Mariquito, contendo referência a Luiz Arthur Moreira Bom, atestando que o interessado teria pago, nos prazos determinados, os valores devidos a título de pensão alimentícia estipulado no processo nº 5.047 da 12ª Vara de Família da Comarca da Capital. Com efeito, a par do comprovante apresentado não veicular recibo de quitação de pensão alimentícia, por não conter os correspectivos valores, o dever jurídico imposto ao interessado implicava o depósito em conta corrente de Solange de Fátima Moreira, e não pagamento em espécie, diretamente ao filho do contribuinte, beneficiário das pensões. Observese que o próprio admitiu que parte dos pagamentos teria sido efetuado mediante transferência bancária (DOC), não obstante tenha se omitido em apresentar os correspectivos comprovantes bancários. Do exposto, por falta de comprovação, mantémse a glosa efetuada. Pensão Alimentícia – Maria Ângela da Silva Bom Quanto aos pagamentos informados para Maria Ângela da Silva Bom, a defesa alega o que se segue: Com relação a pensionista Maria Ângela da Silva Bon, esposa do Impugnante, a mesma recebeu os valores declarados no período, também por força de acordo homologado judicialmente na 2ª Vara de Família de NiteróiRJ, em 09 de junho de 1986 — processo n° 17.781, quando da separação consensual do casal, cabendo esclarecer a essa E. Delegacia de Recursos, que o valor estipulado pela Justiça, foi de 40% (quarenta por cento) do prólabore do contribuinte/Impugnante na firma GRUA CONSTRUTORA LTDA. Ocorre, que o contribuinte se retirou da sociedade da referida firma no inicio do ano de 1994, e nesta época o valor da pensão alimentícia homologada judicialmente, correspondia ao equivalente a 4,2 salários mínimos, valor este que é corrigido e mantido por força de acordo verbal entre as partes, razão pela qual, não há informação de rendimento desta fonte pagadora. A prova inquestionável do cumprimento da obrigação judicialmente determinada é o fato de que nenhum dos citados pensionistas, em nenhuma oportunidade, questionou o descumprimento da obrigação de cunho eminentemente alimentar, quer seja, propondo ação na Vara de Família pertinente, ou por qualquer outro tipo de denúncia. Com efeito, considerando que o interessado admite que o dever de pagar alimentos referiase a rendimento especificado no título de pensão, qual seja, prólabore recebido da firma Grua Construtora Fl. 86DF CARF MF 4 Ltda, rendimento esses que deixou de ser percebido pelo interessado, verificasse que os pagamentos porventura efetuados, decorrentes de acordo verbal, deixaram de ter fundamento em acordo homologado judicialmente, para constituir mera liberalidade do contribuinte. Dessa forma, não são passíveis de dedução da base de cálculo do imposto, por não se enquadrarem nas disposições do art. 78 do Decreto nº 3.000, de 1999. Em face dos argumentos expendidos, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o imposto suplementar (receita 2904) apurado, de R$ 6.460,88, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 6.460,88, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) No Ano calendário de 2.005, exercício de 2.006, período a que se refere o lançamento, o Recorrente pagou pensões alimentícias judiciais (i) a seu filho – Luiz Arthur Moreira Bom (ii) a sua ex exposa – Maria Ângela da Silva Bom. Ambas as prestações foram estipuladas/acordadas em juízo por decisão judicial na 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e na 2ª Vara de Família de Niterói, referindose a primeira à pensão para o filho do Requerente e a segunda para a exesposa. Os documentos probatórios compõem o anexo nº 01. Portanto as deduções glosadas estavam amparadas por decisão judicial de 1996 e 1986, respectivamente, e nada havia a ser questionado no que tange a sua legalidade e procedência. O Recorrente, tão logo tenha sido intimado, apresentou os documentos que sustentavam a dedutibilidade dos valores efetivamente pagos sob aquela rubrica, os entregou por cópia ao Agente do Estado que, ......, e em colisão com a lei e a jurisprudência, os declarou inábeis para a comprovação ou que haveria falta de previsão legal para sua dedução. (...) O próprio teor da peça impositiva bem demonstra a falta de certeza liquidez do crédito tributário lançado, porquanto a conjunção alternativa ou traz dúvida sobre que tipo de irregularidade o Recorrente teria cometido. Ou o Recorrente não comprovou com documentos hábeis a dedução ou não havia previsão legal para tal redução da base de cálculo, sendo incabível a alegação de ter praticado uma ou outra conduta infratora. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10725.000439/201009 Acórdão n.º 2001000.502 S2C0T1 Fl. 86 5 Na verdade, ele não praticou nem uma e nem outra conduta que tipificasse infração à legislação do imposto de renda. A exigência fundouse em dois aspectos: Não aceitação dos recibos firmados pelo beneficiário Luiz Arthur Moreira Bom, pois os valores mensais da pensão deveriam ter sido depositados na conta bancária de sua genitora Solange Mariquito; Não aceitação dos valores pagos à exesposa – Maria Ângela da Silva Bom – pois o montante acordado equivaleria a percentual de 40% sobre o prólabore que o Recorrente receberia da empresa Grua construtora. Não havendo pagamento de prólabore, indevido ou improvado o dispêndio. A DECISÃO RECORRIDA E RAZÕES DO RECURSO O acordo judicial relativo à pensão paga pelo Recorrente para seu filho foi firmada em 1996, quando o alimentando tinha apenas 7 (sete) anos de idade e, portanto, totalmente incapaz para a prática de atos da vida civil. Não devemos olvidar de que a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil das pessoas naturais na dicção do inciso I do artigo 126 do Código Tributário Nacional – Lei 5.172/66. Assim, ainda que menor, o contribuinte é o beneficiário pensão, no caso o filho menor a quem o Recorrente pagou a pensão. O depósito em conta corrente bancária de sua genitora, revestiuse apenas de elemento facilitador do cumprimento do dever de sustento do, à época, menor. Tratase de prática comum a indicação de conta bancária para o depósito do quantum de pensão devido, especialmente quando não há desconto em folha. Depósito em conta corrente, pagamento em cheque ou em espécie são apenas formas de cumprimento do dever a que estava obrigado o Recorrente, não sendo cabível que, embora tenha cumprido o dever de pagar, seja penalizado por adotar a forma mais conveniente par si, par o beneficiário, seu filho, e par a mãe deste. Ademais disso, não é o depósito na conta corrente da genitora o único elemento que poderia ratificar que os valores a título de pensão judicial foram efetivamente pagos pelo Recorrente. Os recibos firmados pelo beneficiário, a Declaração de Ajuste Anual por sua genitora apresentada ou ainda a declaração de ter recebido no ano de 2.005 o valor ora discutido, caracterizamse como esclarecimentos prestados pelo contribuinte e só podem ser impugnados pelos lançadores com elementos seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão, como preceitua o § 1º do artigo 845 do Decreto 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 88DF CARF MF 6 Os montantes pagos pelo Recorrente para seu filho preenchem, indubitavelmente, as condições do artigo 78 do Regulamento do Imposto, de Renda citado, bem como estão plenamente justificadas e comprovadas a teor do artigo 73 do mesmo diploma legal, a saber: a)Há acordo judicial firmado pelo Recorrente que lhe obriga a pagar a pensão alimentícia e; b)Os valores foram efetivamente pagos como fazem prova os recibos anexados por ocasião da Impugnação, a declaração firmada pelo beneficiário e por sua genitora, com firma reconhecida, que ora anexamos, e protestamos por apresentar posteriormente a cópia da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário. Tais documentos constituem o anexo nº 02. O artigo 332 do Código de Processo Civil preceitua: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa. Em relação à pensão paga à exesposa do Recorrente – Senhora Maria Ângela da Silva Bom – assim se posiciona a Decisão a quo: No lançamento a alegação para a indedutibilidade das veras pagas a Sra. Maria Ângela bom situase na inexistência de rendimentos, informados na declaração de Ajuste Anual do Recorrente, oriundos da firma Grua Construtora Ltda. Entendera o Ilustre Autuante que, como não teriam sido declarados os rendimentos dessa fonte, cessara a obrigação de pagar a pensão determinada pela Justiça, tipificandose o pagamento como mera liberalidade. Além disso, ele não se dera ao cuidado de verificar que a pensão acordada em relação a sua exesposa, embora incidente sobre o pró labore recebido pelo Recorrente da empresa Grua Construtora \Ltda., equivaleria a 3,2 salários mínimos (40% de oito salários mínimos) como consta da cláusula 8ª do acordo judicial, que fora anexado aos autos por ocasião da Impugnação. Tal cuidado tiveram os pactuantes como a antever a possibilidade de, no futuro, o supridor não mais receber rendimentos da fonte pagadora citada. Foi exatamente o que ocorreu em 1.994, quando o Recorrente deixou a sociedade da empresa e passou a pensionar sua exesposa em valor equivalente a 3,2 salários mínimos, quantum que já estava estabelecido no pacto firmado. Ilustres Conselheiros, a Decisão laborou no mesmo erro do Autuante, ao não analisar os termos do acordo pactuado, pois bastaria a simples leitura da cláusula 8ª para inferir que a obrigação de pagar a pensão não se limitava à percepção de prólabore da empresa da qual o Recorrente fazia parte, mas que estava vinculada a um quantum indexado em quantidades de salários mínimos. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10725.000439/201009 Acórdão n.º 2001000.502 S2C0T1 Fl. 87 7 Vale destacar que os valores pagos pelo Recorrente se por um lado representam para ele uma dedução para os beneficiários filho e ex esposa – tipificamse como rendimentos tributáveis, anulando possíveis reduções de tributos. Para ratificar as comprovações já apresentadas por ocasião da Impugnação, juntamos o recibo/declaração firmado pela beneficiária, com firma reconhecida, de que esta recebeu no ano calendário de 2.005 a quantia de R$ 12.521,00 e cópia de sua Declaração de Ajuste Anual, constituindose tais documentos no anexo nº 03. REQUER Seja recebido o presente Recurso Voluntário e provido inteiramente para restabelecer as deduções glosadas, por ser medida de justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência estabelecida na lide se limita a comprovação dos valores levantados pela Fiscalização como referentes à pensão alimentícia da exesposa Maria Ângela da Silva Bom no valor de R$ 12.521,00 e do filho Luiz Arthur Moreira Bom no valor de R$ 12.170,00, fazendo o total de dedução a este título de R$ 24.691,00, no anocalendário de 2005, cuja comprovação não satisfez a fiscalização na oportunidade do lançamento e do julgamento de piso na DRJ. A contenda é que de um lado há o rigor na interpretação restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do direito, pelo Contribuinte, de ver reconhecido o que entende plenamente comprovado mediante declaração dos beneficiários da decisão judicial prolatada e do acordo judicial juntado aos autos. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) Fl. 90DF CARF MF 8 II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor das pensões pagas pelo Recorrente em razão de que não reconhecia suficiente a declaração de recebimento por parte dos interessados, vez que genérica e sem discriminação de valores por períodos e datas correspondentes. Tratase neste caso do direito à dedução do imposto de renda por pagamentos de pensão alimentícia em que a exigência fica condicionada a ter sido objeto de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, conforme inciso II, art. 4º, da Lei nº 9.250/95 e art. 78 do Decreto nº 3.000/99, e prova do efetivo pagamento do valor declarado como pago aos pensionistas. Com efeito, constatase que foram realmente acostadas ao processo, fl. 15, a declaração de recebimento dos valores por parte da exesposa e do filho, na forma que não satisfez a Autoridade Fiscal. Também consta do processo, fl. 10, manifestação fiscal, na Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10725.000439/201009 Acórdão n.º 2001000.502 S2C0T1 Fl. 88 9 Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a informação de que o Acordo Homologado Judicialmente previa que o contribuinte pagaria 40% do prólabore na firma Grua Construtora LTDA. O Recorrente acostou ao processo cópia do acordo homologado judicialmente que define o valor da pensão com base no valor recebido a época pelo obrigado no acordo, como parâmetro do quantitativo a ser pago aos beneficiários. Na cláusula 8ª está fixado percentual de 40% sobre o referido valor que representava o equivalente a oito salários mínimos, sendo que o percentual aplicado sobre o total resulta no valor da pensão correspondente a 3,2 salários mínimos. Ressaltese que a determinação da pesão, por sua finalidade, não poderia ficar somente amparada no prólabore do pagante de vez que poderia este passar a não mais receber tal remuneração da empresa, como de fato aconteceu. Assim que a vinculação ao quantitativo de salários mínimos veio a dar caráter permanente para o valor e para obrigação, independente do vínculo com a empresa citada. Inadmissível seria desobrigar o pagante da pensão de alimentos se este não mais recebesse o referido prólabore que, repitase, foi utilizado somente como parâmetro para a fixação do valor do benefício. Da mesma forma que seria inconcebível obrigar as partes a fazer novo acordo judicial para continuação do pagamento da pensão alimentícia a cada vez que o pagante trocasse de vínculo empregatício ou societário. Assim que a mudança de fonte de recursos do Recorrente não torna a pensão alimentícia ato de liberalidade no pagamento da pensão alimentícia porque a obrigação vem de decisão judicial e tem validade até que ocorram as condições previstas para seu término. A Autoridade Fiscal também recusou a comprovação do efetivo pagamento da pensão alimentícia fixada no documento judicial, valor que foi utilizado como redutor do imposto de renda a pagar por parte do Recorrente Luiz Adilson Bom, não reconhecendo como verdadeira a declaração de recebimento das partes beneficiadas no acordo. Contudo, a legislação não especifica que tipo de comprovação tem força probatória ou qual comprovação é insuficiente para o caso. A Súmula CARF nº 98 determina que seja permitida a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, na condição de que tenha decorrido de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e quando comprovado seu efetivo pagamento. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (grifei) Cabe destacar que o dispositivo que mais se aproxima de uma definição dos condicionantes para obtenção do benefício da dedução diz que o segundo elemento se fará presente “quando comprovado o seu efetivo pagamento”, sem lhe especificar a forma. A legislação não obriga que o pagamento da pensão alimentícia deva ser realizado por uma ou outra forma de meios de pagamento. E mesmo que conste no acordo judicial um determinado meio de pagamento outro pode ser utilizado, de comum acordo com as Fl. 92DF CARF MF 10 partes, para facilitar a quitação da obrigação e satisfação do beneficiário de forma mais simplificada e ágil. Nenhum obstáculo fiscal pode ser considerado para quem paga a pensão alimentícia em espécie mesmo que antes tenha concordado em fazêlo por depósito bancário, se a parte beneficiada estiver de acordo, e para isso, entendese despiciendo mudar o acordo judicial somente por essa particularidade. Se há comprovante de quitação da obrigação a decisão judicial está comprida. Por ocasião deste recurso voluntário foram juntados ao processo dois outros recibos especificando que se tratava de valores recebidos no ano de 2005 e que se referiam ao processo definidor da pensão alimentícia, com firma reconhecida dos assinantes, sendo um em nome de Maria Ângela da Silva Bom no valor de R$ 12.521,00, fl. 73, e outro em nome de Luiz Arthur Moreira Bom no valor de R$ 12.170,00, fl. 71, o que não inova, mas tão somente reafirma ocorrência do pagamento, vez que declarado que o valor foi recebido e, em se tratando das pessoas beneficiarias da pensão alimentícia. Neste sentido, ninguém melhor para atestar o recebimento se não o próprio interessado. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória do acordo judicial e a comprovação do pagamento da pensão a que se comprometeu judicialmente podendo assim se beneficiar da utilização da dedução do imposto a esse título, fazendose imperioso que se conceda o direito pleiteado pelo Recorrente, dando provimento ao recurso no que se refere ao restabelecimento das deduções, conforme pleiteado pelo Contribuinte. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, excluindose o crédito tributário lançado no valor de R$ 6.460,88. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.906230/2012-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação.
Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado.
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação. Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10855.906230/2012-29
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894842
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.258
nome_arquivo_s : Decisao_10855906230201229.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10855906230201229_5894842.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7403859
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582668804096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1533; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.906230/201229 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.258 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO. PAGAMENTO TOTALMENTE UTILIZADO. FUNDAMENTAÇÃO. Considerase fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 62 30 /2 01 2- 29 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10855.906230/201229 Acórdão n.º 1301003.258 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ Ribeirão Preto, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente e manteve o despacho decisório da DRF Sorocaba. No despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o despacho decisório carecia de fundamentação, já que não expunha os motivos que levaram ao indeferimento do direito creditório. Por conseguinte, teriam sido violados os princípios da legalidade e da ampla defesa. Aduziu ainda que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento, e não intimou a interessada a apresentar as razões pelas quais o pagamento seria indevido. Concluiu, portanto, ser nulo o despacho decisório. A contribuinte se manifestou acerca da origem de seu direito nos seguintes termos: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. A DRJ, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. interpôs recurso, afirmando ter feito recolhimento a maior, "considerando as discussões jurídicas de legalidade e conceituação das disposições que regulam os tributos". Aduziu que "em Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10855.906230/201229 Acórdão n.º 1301003.258 S1C3T1 Fl. 4 3 decorrência das diversas legislações, da complexidade do ordenamento jurídico e, ainda, notadamente diante de todas as manifestações acerca da interpretação das normas aplicáveis aos tributos, a Recorrente postulou a restituição de tributos, utilizando o crédito em compensação.". Diversas seriam as "teses jurídicas" aplicáveis ao caso, que ensejariam a restituição ou compensação do valor recolhido, a exemplo do que se dá com a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofíns. Aduziu que o direito de repetir o indébito decorre diretamente da Constituição Federal e também do Código Tributário Nacional CTN, que asseguram ao contribuinte o direito de não pagar tributo ilegal. Portanto, deve ser afastada qualquer limitação ao direito imposta por norma regulamentar. No caso concreto, diz a recorrente, a Administração não apenas condicionou o direito ao crédito ao uso da declaração de compensação, como também exigiu a retificação da DCTF do período a que se refere o indébito. Afirmou que os fundamentos do despacho decisório e da decisão da DRJ não subsistem, e que foram violados os princípios da eficiência administrativa, da motivação, do contraditório e da ampla defesa. No mais, ressaltou que a dcomp não comporta a anexação de provas, as quais devem ser produzidas por iniciativa da autoridade administrativa, antes do despacho decisório. Com essas alegações, pugnou pelo provimento do recurso a fim de converter o julgamento em diligência, com o propósito de demonstrar a legitimidade do crédito. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10855.906230/201229 Acórdão n.º 1301003.258 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.245, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.900721/2012 66, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, apurado no 2º trimestre/2008. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao 4º trimestre/2008. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.245): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De plano, cumpre frisar que não há nulidade no despacho decisório, nem na decisão recorrida. O despacho decisório está devidamente fundamentado. O fundamento consiste no fato de que o valor que a recorrente queria ver restituído estava integralmente utilizado para quitar débito que a própria recorrente havia declarado. Essa circunstância é suficiente para respaldar a decisão denegatória. Não há violação ao direito de defesa, nem ao contraditório. A recorrente poderia, na manifestação de inconformidade e, se fosse o caso, no recurso, demonstrar que, a despeito de ter declarado o débito, este não existia, ou não existia no montante declarado. Na mesma oportunidade, deveriam ser expostas as razões de fato e de direito da pretensão ao crédito, acompanhadas dos respectivos elementos de prova. A recorrente, sem razão, sustenta que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento. A autoridade administrativa explicou o porquê da indisponibilidade: o pagamento estava indisponível porque alocado a um débito que a recorrente confessou. Se o débito não existia e se não deveria ter sido confessado, isso competia à recorrente explicar. Não cabe, ademais, falar em violação do princípio da eficiência, que nunca foi requisito de validade de ato Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10855.906230/201229 Acórdão n.º 1301003.258 S1C3T1 Fl. 6 5 administrativo. A eventual falta de eficiência da Administração Pública não implica a invalidade do ato praticado. Quanto à exigência de apresentar declaração de compensação, é preciso dizer que ela não anula, nem limita o direito à compensação, sendo apenas uma forma estabelecida para o exercício desse direito. A dcomp, ademais, produzindo efeito extinto da obrigação compensada, protege o contribuinte contra eventual morosidade da Administração. Por último, é equivocada a afirmação de que a autoridade administrativa e a DRJ exigiam a retificação da DCTF. O que se exige é a prova do indébito. Com essas razões, afastase a preliminar de nulidade. Foi requerida a realização de diligência, a qual deve ser indeferida, pois a recorrente não delimitou de forma clara e específica o seu objeto. No mérito, cumpre dizer que, nos pedidos de restituição e nas compensações, o ônus da prova do fato constitutivo do direito de crédito cabe àquele que bate às portas do Fisco, pleiteando a devolução de uma quantia que teria sido vertida indevidamente aos cofres públicos. É errôneo acreditar que basta ao contribuinte pedir restituição, para que o simples requerimento transfira ao Fisco o ônus de provar que o direito não existe. O ônus da prova é de quem alega o fato. Por conseguinte, uma vez indeferida a compensação, a recorrente já deveria, na manifestação de inconformidade, ter exibido as provas documentais do suposto direito. No caso em exame, a recorrente falou que o direito estaria ancorado em "teses jurídicas", "discussões" e "teses já decididas pelo STF como inconstitucionais", sem, entretanto, anunciar quais seriam essas teses e como elas afetariam o montante devido do IRPJ. Sobretudo, não foi demonstrado como essas "teses jurídica" interferem no caso concreto. É importante notar que a recorrente pleiteou a integralidade do pagamento, dando a entender que, no período, ela não devia IRPJ, sem explicar a razão, sem demonstrar qual a tese jurídica que prevaleceu no Supremo Tribunal Federal e afastou, no todo, a obrigação de pagar IRPJ. Frisese, por último, que a questão envolvendo a base de cálculo de PIS e Cofins não afeta o IRPJ apurado na sistemática do lucro presumido. Em suma, por todas essas razões, a pretensão da recorrente não pode ser acolhida. Conclusão Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10855.906230/201229 Acórdão n.º 1301003.258 S1C3T1 Fl. 7 6 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir a diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001082/2004-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ
Exercício: 2002, 2003
FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS.
APREENSÃO POR ORDEM DA JUSTIÇA, FALTA DE
APROFUNDAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DO ARBITRAMENTO DOS
LUCROS. Diante das fortes evidências de que os livros obrigatórios estariam em poder da Justiça e/ou da fiscalização do INSS, caberia ao Fisco aprofundar as investigações e diligenciar junto àqueles órgãos para ter acesso aos elementos indispensáveis ao prosseguimento da ação fiscal. Não sendo esse procedimento adotado, é de se entender que a não apresentação dos livros decorreu de causa alheia à vontade do contribuinte. Nessas condições e, ainda, não demonstrado qualquer vicio nas declarações tempestivamente apresentadas, o arbitramento dos lucros não pode subsistir.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1301-000.347
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado,
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS. APREENSÃO POR ORDEM DA JUSTIÇA, FALTA DE APROFUNDAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DO ARBITRAMENTO DOS LUCROS. Diante das fortes evidências de que os livros obrigatórios estariam em poder da Justiça e/ou da fiscalização do INSS, caberia ao Fisco aprofundar as investigações e diligenciar junto àqueles órgãos para ter acesso aos elementos indispensáveis ao prosseguimento da ação fiscal. Não sendo esse procedimento adotado, é de se entender que a não apresentação dos livros decorreu de causa alheia à vontade do contribuinte. Nessas condições e, ainda, não demonstrado qualquer vicio nas declarações tempestivamente apresentadas, o arbitramento dos lucros não pode subsistir. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 11020.001082/2004-20
conteudo_id_s : 5881340
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.347
nome_arquivo_s : Decisao_11020001082200420.pdf
nome_relator_s : Waldir Viega Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 11020001082200420_5881340.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado,
dt_sessao_tdt : Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
id : 7364773
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582685581312
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:04:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:04:40Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:04:41Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:04:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1fbaea2d-647c-40ce-82c6-41950fbdb55b; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:04:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:04:41Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:04:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:04:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:04:40Z; created: 2010-12-21T10:04:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-12-21T10:04:40Z; pdf:charsPerPage: 1438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:04:40Z | Conteúdo => SI-C3T1 Fl. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 11020001082/2004-20 Recurso n° 171.23.3 Voluntário Acórdão n° 1301-00.347 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 08 de julho de 2010 Matéria IRPJ Recorrente BINGPLAY ENTRETENIMENTOS LTDA. Recorrida 10 TURMA/DRJ-SANTA MARIA/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Exercício: 2002, 200.3 FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS„ APREENSÃO POR ORDEM DA JUSTIÇA, FALTA DE APROFUNDAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DO ARBITRAMENTO DOS LUCROS. Diante das fortes evidências de que os livros obrigatórios estariam em poder da Justiça e/ou da fiscalização do INSS, caberia ao Fisco aprofundar as investigações e diligenciar junto àqueles órgãos para ter acesso aos elementos indispensáveis ao prosseguimento da ação fiscal. Não sendo esse procedimento adotado, é de se entender que a não apresentação dos livros decorreu de causa alheia à vontade do contribuinte. Nessas condições e, ainda, não demonstrado qualquer vicio nas declarações tempestivamente apresentadas, o arbitramento dos lucros não pode subsistir. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR VEI ROCHA - Relatar EDITADO EM: 12 NOV 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto, Relatório BINGPLAY ENTRETENIMENTOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 18-9.627, de 18/09/2008, da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de auto de infração de fl. 05, lavrado em 28/05/2004 (ciência em 01/06/2004, cf. fl. 75), para constituição de crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, por fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 2001 e 2002. O total da exação alcançou RS 98.961,08, aí incluídos juros moratórios e multa proporcional de 75%, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo à fl. 04, Segundo a Descrição dos Fatos (fl. 06), o Fisco constatou que os valores de IRPJ calculados a partir das receitas informadas nas DIRIs 2002 e 2003 (respectivamente, anos-calendário 2001 e 2002) não foram declarados e/ou são maiores do que os declarados em DCTF, conforme demonstrado na planilha de fls. 13/14. No primeiro ano referido a opção do contribuinte foi pelo lucro presumido, enquanto no segundo ano sua declaração consignava apuração pelo lucro real trimestral. Informa ainda o autuante que procedeu ao arbitramento do lucro, "tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração (diários, razão e ou livro-caixa), conforme Termo de Inicio de Fiscalização cientificado em 01/04/2004, deixou de apresentá-los, haja vista sua informação constante no item 2 da correspondência expedida em 14/04/2004" Ciente das exigências e com elas irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 76/88, em que aduz argumentos assim resumidos pelo relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância: Após o resumo dos fatos relacionados com a exação, a Defesa, em sede de preliminar, argúi a nulidade do A.I., .por inexistência de segurança . jurídica para sua perfectibilização" (folha 77), na medida em que a Fiscalização preteriu o exame da escrita contábil, arbitrando os valores apurados a partir de análise de elementos insuficientes, Acrescenta que a descrição dos fatos e a apuração da matéria tributária é deficiente, vulnerando as disposições do Processo Administrativo Fiscal. Cita e transcreve Seabra Fagundes e Hely Lopes Menelles. Invoca jurisprudência do antigo TFR. Ainda, segundo a Defesa, "...a imprecisão contida no referido auto de infração quanto à forma de arbitramento procedida pelo Fisco fère, também, o disposto no artigo 37, eaput da Constituição . federal de 1988 e o artigo 142 e seu parágrafo único, do CT1V, porque afasta o ato vinculado da lei..." (folha 80-1). No mérito, rechaça a imputação de existência de diferenças a serem recolhidas a título de IRPJ, na medida em que, de acordo com o artigo 105 do Decreto n2 2.754, de 1998 e artigo 14 do Decreto n2 3,659, de 2000, transcritos às folhas 82 e 83, não são todas as receitas que se submetem à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, devendo- se afastar da tributação aquelas que não ingressam no patrimônio da sociedade. o 2 Processo n" 11020.001082/2004-20 S1-C3T1 Acórdão n.' 1301-00347 Fl 2 Combate, também, o percentual de presunção empregado para a apuração da base de cálculo do imposto. Segundo a Defesa, a Fiscalização tratou a matéria, não como prestação de serviços, mas como venda de carteias, de forma que haveria somente um percentual a ser aplicado sobre o faturamento: 8% (oito por cento). Ilustra o argumento com jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes. Destaca a inconsistência existente entre os critérios de apuração do IRPJ empregados no processo 11020M01018/2004-49, relativo aos anos-calendário de 1999 e 2000, e no presente, salientando que, naquele processo, a Fiscalização houve por bem distinguir as atividades desenvolvidas pelo interessado, entre prestação de serviços de bingo e de vendas de mercadorias em restaurante, estabelecendo bases de cálculo distintas a partir de percentuais de presunção diferentes: 32% e 8%. Considerando que as bases fáticas não se alteraram, denuncia a alteração dos critérios da Fiscalização, o que, no seu entender, ensejaria violação da legislação tributária. Acusa a multa aplicada de ter caráter confiscatório e de escapar ao principio da razoabilidade. Impugna, finalmente, a aplicação da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora, que considera inconstitucional. Conclui, requerendo a procedência de sua reclamação, para o fim de desconstituir-se o Auto de Infiação A P Turma da DR,1 em Santa Maria/RS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 18-9.627, de 18/09/2008 (fls. 111/118), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário .2001, 2002 NULIDADE Demonstrado que o Auto de Infração foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n." 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade formalizado pelo Contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário.- 2001, 2002 ARBITRAMENTO DO LUCRO Sujeita-se ao arbitramento do lucro, o Contribuinte optante pelo lucro presumido que deixar de apresentar a escrituração comercial e .fiscal ou o Livro Caixa devidamente escriturado. RECEITA BRUTA.. JOGO DE BINGO. TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO ARBITRADO No caso da pessoa jurídica explorar o jogo de bingo, a receita bruta, para fins de apuração do lucro arbitrado corresponde a totalidade dos valores arrecadados nesse jogo, sem qualquer dedução. ARBITRAMENTO DO LUCRO JOGO DE BINGO. PERCENTUAL O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, cuja atividade seja a exploração de sorteios do jogo de bingo, quando 3 conhecida a receita bruta, é determinado mediante a aplicação de 38,40% sobre a arrecadação total auferida na distribuição de canelas desse jogo Assunto • Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário, 2001, 2002 PRINCiPIOS CONSTITUCIONAIS DISCUSSÃO Incabível na e,sfera administrativa a discussão de que tuna determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na .forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO Falece a alegação da imposição de multa confiscatória em . face da aplicação da multa de oficio quando o lançamento está de acordo com a legislação vigente. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS TAXA SELIC Os juros nioratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. O órgão preparador buscou cientificar o sujeito passivo da decisão de primeira instância por via postal, em seu domicilio tributário. Entretanto, a correspondência de fL 121 foi devolvida ao remetente pela empresa de Correios Nova tentativa foi feita, desta vez para o endereço da pessoa que consta nos cadastros da RFB como responsável pelo sujeito passivo, tendo sido a correspondência entregue em 21/10/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 123. A contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/11/2008 conforme carimbo de recepção à folha 124. No recurso interposto (fls. 125/138), a interessada repete, com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente aduzidos na impugnação. É o Relatório, Áz_ 4 Processo n ó 11020 001082/2004-20 S1-C3T1 Acórdão n 1301-00.347 F1 3 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA A correspondência entregue por via postal em endereço diverso daquele eleito pelo sujeito passivo e fornecido, para fins cadastrais, à Receita Federal não caracteriza a ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 23 do Decreto n" 70.235/1972. Entretanto, visto que o contribuinte compareceu ao processo para interpor recurso voluntário, tenho que a ciência foi de fato feita, embora não se possa precisar sua data,. Desta forma, o recurso interposto deve ser considerado tempestivo e merece ser conhecido. Preliminarmente, a recorrente repete suas arguições de nulidade, em face do preterimento da escrita e dos documentos e consequente arbitramento dos valores. Sustenta, ainda, ter havido deficiente descrição e apuração da matéria tributária. A imprecisão e a falta de clareza no procedimento adotado pelo Fisco seria capaz de macular todo o procedimento fiscal, tomando-o nulo. Informa o autuante que procedeu ao arbitramento do lucro, "tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração (diários, razão e ou livro-caixa), conforme Termo de Inicio de Fiscalização cientificado em 01/04/2004, deixou de apresentá-los, haja vista sua informação constante no item 2 da correspondência expedida em 14/04/2004". Devem ser examinadas, portanto, as condições em que foi feito o arbitramento, e se atendem aos requisitos estabelecidos em lei para tanto. Compulsando os autos, encontro às fls. 16/17, o Termo de Inicio de Fiscalização, datado de 29/03/2004, segunda-feira, cuja ciência foi feita pessoalmente em 01/04/2004, quinta-feira. Entre outros elementos, são solicitados os livros Diário, Razão, Caixa e Lalur para os penados aqui discutidos. Após um pedido de prorrogação (fl. 18), na resposta do contribuinte (ff 20), datada de 14/04/2004 e recebida na repartição em 15/04/2004, consta que " 2. Os livros diário, razão e caixa estão com a fiscal Andréa no inss, não possuindo todos os anos pedidos na intimação, por inativo de apreenção (sic) de documentos pelo Ministério Público", Diversos outros itens da resposta fazem menção à apreensão de documentos pelo Ministério Público, Esta intimação e respectiva resposta foram os únicos documentos mencionados e acostados aos autos pelo autuante, a justificar o arbitramento do lucro nos anos- calendário 2001 e 2002. No entanto, desde sua impugnação e novamente no recurso voluntário, a interessada junta aos autos outros termos lavrados e respectivas respostas, que passo a apreciar. Às fls. 95/97 encontro o Termo de Intimação Fiscal n° 2, datado de 04/05/2004, terça-feira. Não há indicação quanto à data da ciência, tão somente urna indicação 3/5/4. O item 8 dessa intimação consta como segue: "8. apresentar documentação (termo ou recibo) comprovando a localização (INSS e ou Ministério Público Estadual) dos livros Diário, Razão e Caixa, bem como dos Livros Registro de ICMS e ISSQN, relativos aos anos de 1999 a 5 2002". Em diversos outros itens (3, 4, 5, 10, 11) há também referência a documentos que teriam sido apreendidos pelo Ministério Público Estadual, "consoante Termos de Abertura de Lacre e Relação de Documentos Apreendidos lavrados em 06 e 07/12/2002". O prazo para atendimento foi fixado pelo Fisco em 20 dias. A resposta de fls. 98/102 é datada de 14/05/2004, recebida pelo AFRF encarregado do procedimento fiscal na mesma data, Especificamente com relação ao item 8, acima transcrito, o contribuinte afirma: "8. Temos só cópia dos termos de apreensão, mas estes não dizem documento por documento que foi pego, foi Eles que fizeram assim, O INSS também pediu a mesma coisa e gente disse para ir ver no FOrtIM ou tirar xerox. Acho que eles foram lá ver isso. Se quiserem cópia dos termos a gente tem. Tem o seguinte também, até 2001 tem coisa com INSS. Também tem coisa que o contador não pode imprimir porque os disquetes foram apreendidos também". Em outros itens, o contribuinte afirma que diversos documentos estariam apreendidos pelos Promotores de Justiça e estariam no Fórum de Caxias (do Sul) e, ainda, que os fiscais (supostamente do INSS), para obter as informações de que necessitavam, teriam se dirigido ao Fórum e tirado as cópias necessárias. Finalmente, às fls. 103/104 encontro o Termo de Intimação Fiscal tf 3. Esse termo teria sido lavrado às 11 horas do dia 16/05/2004, domingo, na DRF Caxias do Sul. Em seu rodapé encontro anotação manuscrita de que teria sido remetido, por via postal, com aviso de recebimento. Não há data de ciência. O item 10 da intimação consigna o seguinte: "10. apresentar escrita contábi 1 (diário, razão, balanços e balanceies) relativa aos anos-cakndário de 2001, 2002 e 2003. Caso inexista a contabilidade requisitada, fazer declaração por escrito".. O prazo estabelecido para atendimento foi de 10 dias, Não encontro nos autos resposta a esse termo. Cabe lembrar, conforme consta do relatório que antecede a este voto, que o auto de infração ora discutido é datado de 28/05/2004, com ciência do sujeito passivo por via postal em 01/06/2004. É assente na doutrina e na jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, sucedido funcionalmente por este CARF, que o arbitramento de lucros é medida extrema, a qual só deve ser empregada quando esgotadas todas as possibilidades de apuração do lucro por outra forma (lucro real ou, por opção tempestiva do contribuinte, lucro presumido), e desde que demonstrado o atendimento a alguma das hipóteses de arbitramento estabelecidas em lei. No caso sob análise, o Fisco se escudou no art. 530, inciso III, do RIR/99, verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano- calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n 2 9..430, de 1996, art. l e)- I. 1 III- o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do ah 527; É fato que os livros e documentos solicitados pelo Fisco não foram apresentados. Entretanto, há nos termos lavrados e respectivas respostas fortes evidências de que diversos elementos teriam sido apreendidos por ordem da Justiça em data anterior ao início do procedimento de fiscalização. O contribuinte afirma expressamente que seus livros estariam no Fórum, à disposição do Poder Judiciário e que os fiscais do INSS teriam lá comparecido a Processo n" 11020 001082/2004-20 S1-C3T1 Acórdão n." 1301-011.347 Fi. 4 fim de obter cópias de livros e documentos. Também o AFRFB menciona a apreensão havida, inclusive com menção a um certo Termo de Abertura de Lacre e Relação de Documentos Apreendidos, demonstrando que tinha conhecimento do ocorrido, senão mesmo do conteúdo de tal termo. Talvez por considerá-los desnecessários, o AFRFB deixou de acostar aos autos os Termos de Intimação Fiscal n" 2 e n° .3. Também não se manifestou sobre as cópias dos termos de apreensão que teriam sido colocadas à disposição, conforme resposta ao Termo if 2. A esta altura, cabe uma observação: no voto condutor do acórdão recorrido, encontro a afirmação (fl. 117) de que a apreensão seria "fato que é contraditado pelo autuante que afirma que a contabilidade não foi apreendida". Não encontro essa contradita em parte alguma dos autos. Penso de forma diversa, Tenho que tais termos são esclarecedores sobre as circunstâncias em que se deu a fiscalização e que são fortes em evidenciar que a não apresentação dos livros teve causas alheias à vontade do contribuinte. Nessas condições, caberia ao Fisco dar seqüência aos trabalhos, examinar os termos de apreensão oferecidos e diligenciar junto ao Poder Judiciário e/ou ao INSS, a fim de verificar se os livros indispensáveis ao procedimento fiscal estavam de fato apreendidos, obtendo, então, as cópias que permitissem á fiscalização. Se, ao contrário, das diligências resultasse a comprovação da inexistência dos livros ou de que não teriam sido apreendidos, a hipótese de arbitramento restaria inequivocamente configurada,. Mas nada disso encontro nos autos. De igual forma, não encontro qualquer evidência capaz de levantar dúvidas acerca do conteúdo das DIP.Is tempestivamente apresentadas. Da forma como foi levado a efeito, de forma açodada e sem o perfeito esclarecimento sobre as circunstâncias da falta de apresentação dos livros obrigatórios, o arbitramento dos lucros não pode subsistir. Em situação análoga (embora a causa da não exibição dos livros fosse diversa), a CSRF decidiu pela ilegitimidade do arbitramento em acórdão assim ementado: CASO FORTUITO - Ilegítimo o arbitramento de lucros quando resultar inexistentes livros e documentos da escrituração mercantil, justificada pela ocorrência de caso .fortuito - incêndio superveniente à apresentação das declarações de rendimentos - quando não comprovada culpa da vítima do evento, como também a inexatidão de vícios nas declarações apresentadas.. CSRE - Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/01-03.272 em 20.03,2001. Publicado no D. O. U em: 24.09..2001. Por todo o exposto, em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário e consequente cancelamento da exigência. WALDIR VEICi01 ROCHA - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007993/94-96
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: Ementa PIS — BASE DE CÁLCULO — SEMESTRALIDADE — LC n° 7/70, Art. 6°, PARÁGRAFO ÚNICO — MEDIDA PROVISÓRIA n° 1.212/95. Até a edição da Medida Provisória n 1 212/95, a base de cálculo da Contribuição para o PIS, é o faturamento de sexto mês anterior ao fato gerador.
Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/02-01.016
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos
termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima (Relator) e Otacílio Dantas Cartaxo Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: Marcos Vinicius Neder de Lima
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200102
ementa_s : Ementa PIS — BASE DE CÁLCULO — SEMESTRALIDADE — LC n° 7/70, Art. 6°, PARÁGRAFO ÚNICO — MEDIDA PROVISÓRIA n° 1.212/95. Até a edição da Medida Provisória n 1 212/95, a base de cálculo da Contribuição para o PIS, é o faturamento de sexto mês anterior ao fato gerador. Recurso negado.
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 11080.007993/94-96
conteudo_id_s : 5896320
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : CSRF/02-01.016
nome_arquivo_s : Decisao_110800079939496.pdf
nome_relator_s : Marcos Vinicius Neder de Lima
nome_arquivo_pdf_s : 110800079939496_5896320.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima (Relator) e Otacílio Dantas Cartaxo Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2001
id : 7407005
ano_sessao_s : 2001
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582729621504
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T04:46:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T04:46:13Z; Last-Modified: 2009-07-07T04:46:13Z; dcterms:modified: 2009-07-07T04:46:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T04:46:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T04:46:13Z; meta:save-date: 2009-07-07T04:46:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T04:46:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T04:46:13Z; created: 2009-07-07T04:46:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-07-07T04:46:13Z; pdf:charsPerPage: 1382; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T04:46:13Z | Conteúdo => $‘- • i{ MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS 'f--,'121'%4 SEGUNDA TURMA Processo n° 11080.007993194-S6 Recurso n° RP/201-0 390 Matéria NULIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida PRIMEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo COMPANHIA REAL DE DISTRIBUIÇÃO Sessão de 20 DE FEVEREIRO DE 2001 Acórdão n° CSRF/02-01 016 Ementa PIS — BASE DE CÁLCULO — SEMESTRALIDADE — LC n° 7/70, Art. 6°, PARÁGRAFO ÚNICO — MEDIDA PROVISÓRIA n° 1.212/95. Até a edição da Medida Provisória n 1 212/95, a base de cálculo da Contribuição para o PIS, é o faturamento de sexto mês anterior ao fato gerador Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima (Relator) e Otacílio Dantas Cartaxo Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva ON PEREV" )DRIGU g. PRESIDENT- FRAN18"...*• g ALB ERQUE SILVA RELATOR-DESIGNADO FORMALIZADO EM Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Processo n° : 1180,007993/94-96 Acórdão n° CSRF/02-01 ,016 Recurso n° : RP/201-0.390 Sujeito Passivo : COMPANHIA REAL DE DISTRIBUIÇÃO RELATÓRIO Trata-se de exigência da contribuição ao Programa de Integração Social - PIS, referente aos períodos de apuração de maio e junho de 1994, constituída nos termos da Lei Complementar n 2 07/70 e alterações posteriores. A decisão monocrática posicionou-se pela improcedência do recurso, sob o fundamento de o artigo 6° da Lei Complementar n° 7/70 referir-se apenas prazo de recolhimento, cujo vencimento foi alterado por leis supervenientes. A Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão n° 201-72.357, em 9 de dezembro de 1998, em que decide dar provimento ao recurso voluntário por maioria de votos, nos termos da ementa de fls. 172 que se transcreve: "NULIDADE DE AUTO DE INFRA ÇÃO - As causas de nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no art. 59, incisos I e II, do Decreto n° 70.235/72. Não pode ser inquinado de nulo o lançamento efetuado em acordo com as disposições legais de regência. PIS - Na forma das Leis Complementares n" 07, de 07„09,70, e 17, de 12.12.73, a Contribuição para o PIS/Faturamento tem como fato gerador o faturamento e como base de cálculo o faturamento de seis meses atrás, sendo apurado mediante aplicação da alíquota de 0,75%. Alterações introduzidas pelo Decretos-Leis n" 2.445 e 2.449, de 1988, não acolhidas pelo STF. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL - A suspensão de executoriedade de norma legal pelo Senado Federal terá eficácia ex tunc (§§ 1° e 2° do art. 1° *o Decreto n° 2.346/97). COMPENSAÇÃO - Nos termos do art 66 da Lei n° 8.383/91 e legislação complementar (IN SRF ° 67 e 21/96), a compensação poderá ser efetuada independente = nte de prévia solicitação à Receita Federal, Recurso provido., 44, 2 Processo n° ' 1180.007993/94-96 Acórdão n° CSRF/02-01 016 Insurgindo-se contra a decisão consubstanciada no acórdão em epígrafe, recorre o Sr Procurador da Fazenda Nacional - ao amparo do artigo 32, inciso I, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF n° 55/98 - à Câmara Superior de Recursos Fiscais Em seu recurso de natureza especial, insurge-se contra a decisão recorrida no tange a questão da interpretação do artigo 6° da Lei Complementar n° 7/70 no tocante a base de cálculo do PIS Nesse caso, a Fazenda reporta-se as razões constantes do voto vencido e no Parecer PGFN/CAT n° 437/98 para sustentar que houve contrariedade a lei Ressalta que, a teor da Lei Complementar n° 73/93, tal entendimento é de observância obrigatória pelos órgãos autônomos e vinculados ao Ministério Por fim, pede a manutenção da decisão da instância "a quo", que bem interpretou e aplicou a lei ao caso concreto Pelo Despacho de fls.. 188, a Presidência da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes recebeu o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, vez que devidamente revestido dos requisitos de admissibilidade exigidos pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em tempo hábil, manifesta-se a recorrente trazendo suas contra- razões ao recurso especial apresentado Aduz a contribuinte que o rr, curso não atende os pressupostos para sua admissibilidade e, no mérito, reitera a - -gação de que o parágrafo único do artigo 62 da Lei Complementar n2 07/70 as- - gura seu direito a base de cálculo do sexto mês anterior a ocorrência do fato gera. firI À __.----- É o relatório 3 Processo n° 1180,007993/94-96 Acórdão n° : CSRF/02-01 .016 VOTO VENCIDO Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, Relator: O Recurso Especial do Sr. Procurador da Fazenda Nacional aos pressupostos para a sua admissibilidade. O apelo merece se conhecido A Fazenda discorda da decisão recorrida, porque, seu ver, a base de cálculo prevista na Lei Complementar n° 07/70 é o faturamento do mês anterior à ocorrência do fato gerador e não o do sexto mês anterior, como entende a decisão recorrida. Dispõe o artigo 6° da citada LC n° 07/70: "Art. 6° - A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea b do artigo 30 será processada mensalmente a partir de 1° de julho de 1971 Parágrafo único — A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro, a de agosto, com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente," A interpretação desta norma tem promovido profundos debates no âmbito deste Conselho, eis que não há clareza se sua finalidade é regular o vencimento da Contribuição para o PIS ou sua forma de cálculo. A exegese gramatical deste dispositivo tem levado alguns intérpretes a considerarem a assertiva, contida no parágrafo único, suficiente para justificar a defasagem de seis meses entre o fato gerador e sua respectiva base de cálculo, ou seja, entendem possível que se quantifique a obrigação tributária em janeiro e seu nascimento só aconteça em julho, seis meses depois, com a ocorrência do fato gerador. A Suprema Corte' e o antigo Tribunal Federal de Recursos2 firmaram o entendimento de que o fato gerador' da Contribuição para o PIS é o 1 RE if 100790-7/SP, 1984 4 Processo n° 1180.007993/94-96 Acórdão n° CSRF/02-01 016 exercício da atividade empresarial, ou seja, o conjunto de negócios ou operações que dá ensejo ao faturamento Desse modo, o faturamento é tão-somente a base de cálculo da contribuição, aferida pelo montante de receita obtida pelo empregador, em virtude dos atos negociais aos quais ordinariamente se dedica, sejam estes atos representados por operações mercantis de compra e venda, ou de prestação de serviços (ou ainda permuta etc.) Segundo Geraldo Ataliba, a base de cálculo — chamada por ele de base imponível — é a dimensão do aspecto material da hipótese de incidência Alfredo Augusto Becker a coloca como cerne ou núcleo da hipótese de incidência É, por assim dizer, seu aspecto dimensional, uma ordem de grandeza própria do aspecto material da hipótese de incidência, é propriamente a sua medida Verifica-se, portanto, que a base de cálculo é extremamente importante na definição da hipótese de incidência, devendo o legislador escolher grandeza hábil para medir, mensurar o fato por ele colhido na norma. O ente tributante, pensando na fonte de receita que lhe representa o tributo, deve cuidar para que seja tomado como medida daquele fato, dado compatível para tal, de modo a que não se desfigure a outorga constitucional para criação do tributo Consideradas essas características, parece claro que o art 6° da Lei Complementar n° 07/70 não se refere à base de cálculo, eis que o faturamento de um mês não é grandeza hábil para medir a atividade empresarial de seis meses depois. São vários os exemplos de que esta base não condiz com o fato gerador adotado (exercício da atividade empresarial): 2 AMS ri° 92428-PE, 90628-SP, 92485-RS 5 Processo n° 1180 007993/94-96 Acórdão n° CSRF/02-01 016 - nos seis primeiros e nos seis últimos meses de existência de uma empresa não haveria recolhimento ao PIS, seja pelo fato de, no início, não haver como calcular o tributo, seja porque, com o término das atividades, não ocorreria o fato gerador. Assim, o contribuinte teria garantido 12 meses de atividade sem contribuir para o PIS, apesar da atual Constituição Federal estatuir a universalidade de contribuição para a seguridade social (art 195 da CF188), - existem situações em que, pela natureza do negócio, haveria elevado faturamento em determinado mês e, em contrapartida, pouca ou nenhuma atividade empresarial seis meses depois, não havendo nenhuma proporcionalidade entre a ocorrência do fato gerador e a base de cálculo escolhida para dimensioná-lo Ocorreria o fato gerador sem haver como mensurá-lo ou o faturamento sem ter correspondência com nenhum fato gerador, - em época de recessão econômica e diminuição da atividade empresarial, o contribuinte continuaria obrigado a recolher a contribuição nos níveis de faturamento de seis meses atrás, apesar de ver reduzido seu ingresso de receitas e sua capacidade contributiva Além disso, não há no artigo 6° da Lei Complementar n° 07/70 qualquer referência a fato gerador ou, como quer a Suprema Corte, ao exercício da atividade empresarial. Esta referência não pode ser presumida, em nenhum de seus aspectos (material, temporal, espacial ou quantificativo), há de ser ela integralmente definida pela lei O legislador, a meu ver, é verdade, em precária técnica de redação, quis referir-se a prazo de recolhimento do tributo. O mês do recolhimento jamais foi considerado fato gerador. O fato gerador ocorre no momento em que nasce a obrigação de recolher a contribuição. Em cada um dos dias do mês de janeiro, quando se efetua a venda das mercadorias, ocorre o fato gerador do tributo. Se no primeiro dia do mês a empresa vende uma mercadoria, a obrigação de recolher a Contribuição ao PIS já nasceu e só poderá ser extinta por uma das formas 6 Processo n° 1180007993/94-96 Acórdão n° CSRF/02-01 016 elencadas no CTN Se a lei permite recolher aquela contribuição no mês de julho, trata-se de prazo de recolhimento que pode ser alterado por lei ordinária Não há diferença alguma entre a lei dispor que a contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro ou dizer que a contribuição calculada com base no faturamento de janeiro será recolhida em julho. Ambas as redações dizem respeito a questões de prazo de recolhimento Aliás, este entendimento sempre foi aceito pela Fazenda e pelos contribuintes, como se pode verificar pelos atos que regularam a aplicação da norma, a saber 1 o caput do artigo 6° determina o processamento mensal a partir de 1° de julho de 1971 e o item 3.3 da norma de Serviço CEF/PIS 2/71, exigia o seu recolhimento já a partir do dia 10 de julho Ora, se o fato gerador complementar-se-ia em julho e não em janeiro, como se poderia recolhê-lo já a partir do dia 10 de julho, antes do término do mês 2. o ADN CST 35/75 possibilitava que a Contribuição devida ao PIS, calculada sobre o faturamento bruto, fosse apropriada como custo ou despesa, a critério da empresa, no mês do faturamento (v.g janeiro) ou no mês do recolhimento (v.g julho). 3 O artigo 11 do Decreto-Lei n° 2.445/88 isentava da Contribuição ao PIS os fatos geradores de abril, maio e junho de 1988, para que não houvesse duplicidade de recolhimentos nos meses de outubro, novembro e dezembro daquele ano, respectivamente, decorrentes do vencimento da contribuição devida sob a égide da Lei Complementar n° 07/70, com os fatos geradores de julho, agosto e setembro, fundados naquele Decreto-Lei 4. a Resolução n° 01, do Conselho Diretor do Fundo de Participação PIS-PASEP, de 29 de julho de 1988, ao regulamentar a aplicação dos Decretos-Leis n's 2,445/88 e 2 449/88, estabelece em seu inciso IV que "as contribuições devidas ao PIS e ao PASEP, pertinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente ao mês de julho de 1988, devem ser recolhidas com observância da base de cálculo, aliquotas e prazos constantes da legislação anterior à edição do Decreto-Lei n° 2.445, de 29 de junho de 1998" Tal resolução regula o recolhimento do PIS para fatos geradores anteriores a julho de 1988, eis que, 7 Processo n° 1180.007993/94-96 Acórdão n° : CSRF/02-01.016 como o prazo de recolhimento da Lei Complementar n° 07/70 era de seis meses, os recolhimentos relativos aos fatos geradores de fevereiro, março e abril tinham vencimento após a data de entrada em vigor da nova lei em vigor Este dispositivo não teria sentido se os fatos geradores ocorressem no mesmo mês do recolhimento da Contribuição, porquanto, nesse caso, não haveria recolhimento após a entrada em vigor dos referidos decretos-leis. Ocorre, porém, que a legislação posterior alterou tal prazo para recolhimento da Contribuição ao PIS A Lei n° 7691, de 16/12/88, fixou-o, em seus artigos 3° e 4°, no dia dez do terceiro mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador Posteriormente, foram promulgadas as Medidas Provisórias n°s 134/90 e 147/90, convertidas na Lei n° 8 019/90, ficando como vencimento o dia 05 do terceiro mês subseqüente. Em 1991, foram editadas as Medidas Provisórias n°s 297/91 e 298/91, esta convertida na Lei n° 8 218/91, ficando, a partir de 01/07/91, o vencimento no dia 05 do mês subseqüente Depois disso, a Lei n° 8.383/91 ampliou o prazo de pagamento da contribuição para o PIS para até o dia 20 do mês subsequente ao de ocorrência do fato gerador. O prazo previsto nesse último dispositivo legal é que foi obedecido pelo lançamento ora questionado, o que resulta, nesse aspecto, na integral procedência do presente auto de infração. Nestes termos, dou provimento ao recurso especial Sala das Sessões- o;•- , 20 de fevereiro de 2001 /1 //A, MA' i+ V ICIUS NEDER DE LIMA 8 Processo n°:: 1180.007993/94-96 Acórdão n° .. CSRF/02-01,016 VOTO VENCEDOR Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA: O Recurso Especial, centra-se no fato de ser a base de cálculo do PIS, o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, isto previsto no artigo 6° da Lei Complementar n. 7/70.. Na Sessão de 19,02.2001, vencido o Relator, por sustentar que o dispositivo não trata de base de cálculo e sim de prazo de recolhimento. De início, constato que, exclusivamente, a Lei Complementar n. 7/70 ( parcialmente alterada pela Lei Complementar 17/73) os Decretos — Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1.988 e a Medida Provisória n, 1.212 de 28 de novembro de 1995 convertida na Lei n„ 9.715/98, trataram da base de cálculo do PIS. Todos os demais dispositivos legais, normatizaram prazo de pagamento: Lei n. 7,689/88 - artigo 11; Medida Provisória n. 99/89 — artigo 1° (não foi aprovada pelo Congresso); Lei n. 7.894/89 (trata apenas do aumento de aliquota do FINSOCIAL); Lei n. 7.799/89 — artigo 67; Lei n. 8,019/90 — artigo 5°; Lei n. 8.218/91 — artigo 2°; Lei n. 8.383/91 — artigo 53. Como os Decretos—Leis foram declarados inconstitucionais, inclusive com edição de Resolução Sen- toda! n 49 de 09 de outubro de 1995, tudo retornou ao status quo ante gerando e -itos ex tunc ou seja, subordinando a Contribuição para o PIS aos ditam-s daLei Complementar 7/70, e alterações411 ,levadas a efeito pela Lei Complementar 7/ 9 Processo n° 1180.007993/94-96 Acórdão n° . CSRF/02-01 016 Portanto, a análise do parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar n. 7/70, indica que constitui a base de cálculo da incidência o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, interpretação esta acarretada pela restauração da sistemática dessa Lei que autoriza o Contribuinte a calcular os valores devidos ao PIS, nos moldes nela insculpidos. O E STF nos Embargos de Declaração interpostos no RE 187182/DF, Rel. Min. Moreira Alves, decidiu que o recolhimento para o PIS, uma vez declarada a inconstitucionalidade dos Decretos — Leis 2.445/88 e 2.449/88, voltou a subordinar-se aos ditames da Lei Complementar n 7/70. O E, S.T,J , vem se posicionando favoravelmente ao entendimento de que a base de cálculo da Contribuição para o PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador, como no RE n 311293/DF, Rel., Mm.. Delgado Diante do exposto, considerando que a Lei Complementar n 7/70 vigorou até a edição da Medida Provisória n 1,212/95, quando a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior, nego provimento ao Recurso da Fazend- acionai I Sala das Sessões-1r, 20 d: '-vereire de ,001 1/ FRANCI ' à URICI• RA:,- -% DE A : QUERQUE SILVA. 10 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003702/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. RETENÇÃO DE IR NA FONTE. OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL.
A retenção de imposto de renda na fonte incidente sobre ganhos líquidos em operações de renda variável, regrada pelos arts. 8º da Lei nº 9.959/00, e 2º da Lei nº 11.033/04, reveste-se do caráter de antecipação do pagamento, de modo a atrair a incidência do art. 150, § 4º do CTN, à luz do precedente firmado pela 1ª Seção do STJ no REsp nº 973.733/SC, sob o rito dos recursos repetitivos.
GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. DAY TRADE.
Incide imposto de renda sobre ganhos líquidos apurados no mercado de renda variável em operações de day-trade, as quais, por força das Lei nº 9.959/00 e nº 11.033/04, possuem tratamento tributário distinto frente às operação comuns realizadas nesse mercado.
Numero da decisão: 2202-004.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de reconhecer a decadência do lançamento quanto aos fatos geradores anteriores a setembro de 2005.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. RETENÇÃO DE IR NA FONTE. OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL. A retenção de imposto de renda na fonte incidente sobre ganhos líquidos em operações de renda variável, regrada pelos arts. 8º da Lei nº 9.959/00, e 2º da Lei nº 11.033/04, reveste-se do caráter de antecipação do pagamento, de modo a atrair a incidência do art. 150, § 4º do CTN, à luz do precedente firmado pela 1ª Seção do STJ no REsp nº 973.733/SC, sob o rito dos recursos repetitivos. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. DAY TRADE. Incide imposto de renda sobre ganhos líquidos apurados no mercado de renda variável em operações de day-trade, as quais, por força das Lei nº 9.959/00 e nº 11.033/04, possuem tratamento tributário distinto frente às operação comuns realizadas nesse mercado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10920.003702/2010-05
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888833
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.584
nome_arquivo_s : Decisao_10920003702201005.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10920003702201005_5888833.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de reconhecer a decadência do lançamento quanto aos fatos geradores anteriores a setembro de 2005. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7383847
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582769467392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 877 1 876 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.003702/201005 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.584 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria GANHO DE CAPITAL. DAYTRADE. Recorrente RENATO BREIS PATRUNI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. RETENÇÃO DE IR NA FONTE. OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL. A retenção de imposto de renda na fonte incidente sobre ganhos líquidos em operações de renda variável, regrada pelos arts. 8º da Lei nº 9.959/00, e 2º da Lei nº 11.033/04, revestese do caráter de antecipação do pagamento, de modo a atrair a incidência do art. 150, § 4º do CTN, à luz do precedente firmado pela 1ª Seção do STJ no REsp nº 973.733/SC, sob o rito dos recursos repetitivos. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. DAY TRADE. Incide imposto de renda sobre ganhos líquidos apurados no mercado de renda variável em operações de daytrade, as quais, por força das Lei nº 9.959/00 e nº 11.033/04, possuem tratamento tributário distinto frente às operação comuns realizadas nesse mercado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de reconhecer a decadência do lançamento quanto aos fatos geradores anteriores a setembro de 2005. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 37 02 /2 01 0- 05 Fl. 877DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou parcialmente procedente lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo aos exercícios 2006, 2007 e 2008 (fls. 752 e ss), face à apuração de omissão de ganhos líquidos em renda variável, e de rendimentos decorrentes de depósitos de origem não comprovada. Havendo sido exonerada pela instância de piso a infração relativa aos depósitos bancários, focará este relatório nas questões relativas a autuação subsistente, assim descrita pela instância recorrida (fls. 852/853): A partir dos resultados obtidos pela análise da documentação apresentada (notas de corretagem), o sujeito passivo foi intimado a comprovar o custo do estoque de ações em custódia em 30/12/2004, a saber: 10.200.000 ações BRTO4 e 2.000.000 ações ELET3. Também foi intimado a justificar os estoques negativos dos seguintes ativos: CCPR3, CESP4, CESP5, CYRE3, CYRE3 E KEPL3 O contribuinte respondeu com a explicação de que os saldos negativos dos ativos CCPR3 e CESP4 são possivelmente decorrentes de compras anteriores efetuadas que geraram resíduos de ações ou venda do direito de subscrição, acrescentando não ter identificado saldo negativo no período fiscalizado. Em vista da resposta do contribuinte, a fiscalização trabalhou com os saldos negativos existentes, considerando que o sujeito passivo operou a descoberto no mercado. Conforme relata a autoridade autuante esses eventos não influem nos resultados apurados, pois o sujeito passivo teve prejuízos acumulados nas operações à vista a partir de janeiro de 2005 e eventuais alterações isoladas no custo das ações adquiridas não chegariam nem perto de alterar o resultado. Os demonstrativos mensais do cálculo dos ganhos nas operações em Day Trade assim como das operações à vista encontramse nas planilhas anexas ao Termo de Verificação Fiscal. Do imposto devido foi deduzido o IRRF retido pela Corretora Ágora nas operações à vista. Não obstante impugnada (fls. 829/833), foi mantida a exigência relativa às operações de daytrade no julgamento de primeiro grau (fls. 850/862), o que ensejou a interposição de recurso voluntário em 16/1/2015 (fls. 868/873), no qual foi arguído, em síntese, que: nos termos da IN SRF nº 25/01 daytrade é uma operação com ações em bolsa de valores, onde o investidor adquire ações e as vende no mesmo dia. Por exclusão entende que não são operações dessa natureza, quando as ações são adquiridas em dias anteriores (ações em estoque) e vendidas em outros dias posteriores; a fiscalização considerou assim como daytrade operações que não tem essa feição, trazendo exemplo de negociação referente ao ativo Kepler Weber ON visando demonstrar tal equívoco; Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10920.003702/201005 Acórdão n.º 2202004.584 S2C2T2 Fl. 878 3 os ganhos imputados são decorrentes de um único ativo, ações negociadas em bolsa de valores, com a ocorrência de compra e venda no mesmo dia ou comprando em um dia e vendendo em dias posteriores. Entende que são formas diferentes de aplicação, mas o ativo é o mesmo; nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, o ganho de capital somente poderá existir se, no período de apuração, houver acréscimo patrimonial, ou seja, quando os ganhos forem superiores às perdas no mesmo período em relação a todas as ações negociadas, independente das formas de aplicação do ativo; o lançamento do imposto de renda se dá por homologação e o fato gerador se completa a cada mês e não no ajuste anual, razão pela qual deduz que se operou a decadência com a consequente exclusão dos valores relativos ao período de janeiro a setembro de 2005. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da decadência. A decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário é matéria que foi objeto de apreciação por parte da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 973.733/SC. Julgado em 12/08/2009 em sede de recurso repetitivo, o respectivo acórdão traz a seguinte ementa, parcialmente transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; Fl. 879DF CARF MF 4 AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) Segundo as palavras extraídas do voto do relator, Ministro Luiz Fux: Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.(grifos do original) No que tange aos casos em que há o referido pagamento antecipado, ainda que em montante menor que o devido, a fundamentação do acórdão supra reportase aos precedentes nos quais ele se assenta, citandose naquele, por exemplo, o REsp nº 766.050/PR (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28/11/2007, DJe 25/02/2008): Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170) (grifei) Bem esclarecidas as teses jurídicas de observância obrigatória para este Colegiado, por força do art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343/15), cabe passar à análise do caso concreto. No caso em comento, é inequívoco que o contribuinte realizou diversas operações de venda de ações no anocalendário, sofrendo consequente retenção na fonte, sejam elas consideradas sob a alíquota de 0,005% para as operações comuns, consoante §§ 1º e 7º do art. 2º da Lei nº 11.033/04, ou de 1% para os daytrades, de acordo com o caput do art. 8º da Lei nº 9.959/00 ver demonstrativos às fls. 791/802. Os ganhos líquidos em mercado de renda variável têm a natureza de rendimentos não sujeitos ao ajuste anual da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF), sendo a data de ocorrência do fato gerador variável ao longo do anocalendário. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10920.003702/201005 Acórdão n.º 2202004.584 S2C2T2 Fl. 879 5 E, como cediço, a retenção do imposto de renda na fonte é técnica de arrecadação pela qual se transfere a terceiro vinculado ao fato gerador da obrigação tributária a responsabilidade de arrecadar, antecipadamente, o referido tributo em nome do contribuinte. No caso, a lei discrimina os responsáveis tributários: a instituição intermediadora que receber diretamente a ordem do cliente, a bolsa que registrou as operações ou entidade responsável pela liquidação e compensação das operações. Não obstante a retenção ter sido efetuada por terceiro, ela se traduz para fins legais em pagamento realizado pelo próprio sujeito passivo, tanto que a ele aproveita, podendo ser deduzido do imposto sobre os ganhos líquidos apurados no mês, ou até mesmo compensado na declaração de ajuste, consoante as diversas situações enumeradas nos incisos I a IV do § 7º da Lei nº 11.033/04. Vale anotar que se o responsável legal proceder a retenção e não recolher aos cofres públicos, caracterizarseá não a falta de adimplemento do tributo pelo sujeito passivo da obrigação tributária, mas sim a apropriação indébita por parte do dito responsável. Por conseguinte, temse que nos casos em que se verifica a retenção do imposto de renda na fonte também ocorre o pagamento antecipado do tributo sujeito à sistemática de lançamento por homologação, traduzindose, à míngua da existência de dolo, fraude ou simulação, em hipótese de decadência nos termos preconizados pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, interpretado sob o lume do precedente estabelecido no mencionado julgamento do REsp nº 973.733/SC. Concluise, desse modo, que no dia em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração, 21/09/2010, já haviam se passado mais de cinco anos desde 31/08/2005, data em que se perfectibilizou o fato gerador do imposto de renda incidente nas operações de renda variável ocorridas até agosto de 2005, inclusive, e sobre as quais já havia sido parcialmente antecipado o pagamento do tributo via retenção na fonte, via retenção nas notas de corretagem, por força de disposição legal expressa. Impõese, assim, ser declarada a decadência no que tange ao direito do Fisco de constituir crédito tributário relativamente a tais operações. Das operações de daytrade. Cabe explicar, de pronto, que existem dois tipos de transações em mercado de renda variável: comuns e daytrade. A peculiaridade das operações daytrade é que elas são iniciadas e encerradas no mesmo dia, efetuadas com o mesmo ativo, sendo a liquidação efetuada por diferença e não afetando o estoque desse ativo, caso existente. A diferença de natureza entre esses tipos de operação é reconhecida pelo legislador, que, por exemplo, nos arts. 6º e 8º da Lei nº 9.959/00 estabeleceu alíquotas de imposto de renda e sistemática de compensação de perdas bem distintas para as correspondentes situações: Lei nº 9.959/00 (redação vigente à época dos fatos) Art.6º A alíquota de que trata o art. 721 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, é fixada em percentual igual ao estabelecido 1 Art. 72 da Lei nº 8.981/95, caput: Fl. 881DF CARF MF 6 para os rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa: I a partir do anocalendário de 2001, no caso de ganhos líquidos auferidos em operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros, assemelhadas e no mercado de balcão, ressalvado o disposto no inciso II; II a partir do anocalendário de 2002, no caso de ganhos líquidos auferidos nos mercados à vista de ações negociadas em bolsas de valores e de rendimentos produzidos pelos fundos de investimento previstos no §6º do art. 28 da Lei nº9.532, de 1997, com as alterações introduzidas pelos arts. 1º e 2º da Medida Provisória nº1.99026, de 14 de dezembro de 1999. Parágrafo único. Aos ganhos líquidos a que se refere o inciso I aplicarseá, no anocalendário de 2000, a alíquota de quinze por cento. (...) Art.8º Os rendimentos auferidos em operações de day trade realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de um por cento. §1ºPara efeito do disposto neste artigo: I considerase: a) day trade: a operação ou a conjugação de operações iniciadas e encerradas em um mesmo dia, com o mesmo ativo, em que a quantidade negociada tenha sido liquidada, total ou parcialmente; b)rendimento: o resultado positivo apurado no encerramento das operações de day trade; II não será considerado valor ou quantidade de estoque do ativo existente em data anterior. §2º No caso de operações intermediadas pela mesma instituição, será admitida a compensação de perdas incorridas em operações de day trade realizadas no mesmo dia. §3º O responsável pela retenção e recolhimento do imposto de que trata este artigo é: I a instituição intermediadora da operação de day trade que receber, diretamente, a ordem do cliente; II a pessoa jurídica, vinculada à bolsa, que prestar os serviços de liquidação, compensação e custódia, no caso de operações iniciadas por intermédio de uma instituição e encerradas em outra Art. 72. Os ganhos líquidos auferidos, a partir de 1º de janeiro de 1995, por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, em operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da Legislação vigente, com as alterações introduzidas por esta lei. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10920.003702/201005 Acórdão n.º 2202004.584 S2C2T2 Fl. 880 7 § 4º O valor do imposto retido na fonte sobre operações de day trade poderá ser: I deduzido do imposto incidente sobre ganhos líquidos apurados no mês; II compensado com o imposto incidente sobre ganhos líquidos apurado nos meses subseqüentes, se, após a dedução de que trata o inciso anterior, houver saldo de imposto retido. §5º Se, ao término de cada anocalendário, houver saldo de imposto retido na fonte a compensar, fica facultado à pessoa física ou às pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 8º, pedido de restituição, na forma e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. §6º As perdas incorridas em operações day trade somente poderão ser compensadas com os rendimentos auferidos em operações de mesma espécie (day trade), realizadas no mês, observado o disposto no parágrafo seguinte. §7º O resultado mensal da compensação referida no parágrafo anterior: I se positivo, integrará a base de cálculo do imposto referente aos ganhos líquidos; II se negativo, poderá ser compensado com os resultados positivos de operações de day trade apurados no meses subseqüentes. §8º Sem prejuízo do disposto no § 4º, o imposto de renda retido na fonte em operações de day trade será: I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data de extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II definitivo, no caso de pessoa física e de pessoa jurídica isenta, bem assim a sujeita ao tratamento previsto naLei nº9.317, de 5 de dezembro de 1996. Desnecessário maiores arrazoados para se depreender, da leitura dos artigos supra, que foi o próprio legislador que conferiu tratamento diferenciado às operações de day trade relativamente às operações comuns, definindo seu conceito, e atribuindo a elas alíquota de incidência de imposto de renda superior (20% frente a 15%, respectivamente, ex vi do art. 2º da Lei nº 11.033/04), conforme já abordado no tópico sobre decadência. São, além disso, submetidas a regime de compensação diverso, devendo ser realçado que até mesmo as alíquotas de retenção na fonte diferem, sendo de 0,005% para as operações comuns, consoante §§ 1º e 7º do art. 2º da Lei nº 11.033/04, e de 1% para daytrades, de acordo com o caput do art. 8º da Lei nº 9.959/00, supra transcrito. Em outras palavras, o acréscimo patrimonial oriundo de operações de day trade é gravado mais fortemente, conforme opção do poder competente para assim o estabelecer, não prosperando as ilações do recorrente no sentido de que seriam meras Fl. 883DF CARF MF 8 aplicações diferentes do mesmo ativo, bem como as suas referências ao CTN, face à necessária observância do princípio da legalidade. Evidenciado que as operações de daytrade seguem tratamento diferenciado por força de lei, também deve ser ressaltado não restar comprovado que a fiscalização tenha cometido erros ao considerar como daytrade operações que assim não se caracterizam. Anotese, de pronto, que a colação de solitário exemplo do que seria tal engano, no recurso voluntário, não abala a percepção dos fatos tal como pormenorizadamente demonstrada, em numerosas operações, no levantamento realizado pela fiscalização, às fls. 791 e ss. Ademais, a ilustração do recorrente (fl. 807) não lhe aproveita. Nela, constam compras de 20.000 ações da Kepler Webler ON no dia 19/10/2007, e, em 22/10/2007, é realizado daytrade desse mesmo ativo, com venda inicial de 20.000,00 ações, correspondendo a um financeiro de R$ 7.776,72, e posterior compra dessa quantidade, pelo financeiro de R$ 7.622,68, auferindo se lucro de R$ 154,04. Muito pouco convincente, aliás, a tese da peça recursal, segundo a qual após realizar um prejuízo de R$ 446,37 na venda do ativo em estoque, no mesmo dia resolve comprar a mesma quantidade desse ativo, remontando a posição anteriormente detida. Ao contrário do que parece arguir o contribuinte, é bastante usual que, em operações de daytrade, a venda seja efetuada antes da compra, pois, como mencionado, a liquidação se dá por mera diferença. Havendo perspectiva de queda no preço da ação ao longo do dia, pode o interessado vender o ativo no início do pregão, comprandoo ao final por um preço mais baixo. O que muitas vezes se exige, conforme a corretora com a qual se opere, é que o vendedor possua saldo suficiente dessas ações em custódia, para fins de garantir a operação face a uma superveniente dificuldade, no final do dia, em comprar as ações inicialmente vendidas. E é justamente esse o caso. O contribuinte realizou uma operação de venda e posterior compra do ativo em questão, no mesmo dia, até o limite das posições que dele possuía em custódia, especulando com a possibilidade de queda no seu preço naquele dia específico. Operou daytrade "coberto", e não "a descoberto", desse modo. Não lhe assiste razão, por conseguinte. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para fins de reconhecer a decadência do lançamento quanto aos fatos geradores anteriores a setembro de 2005. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 884DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.721713/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 30/04/2007 a 31/12/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DOBRADIÇAS, RODÍZIOS, FECHOS E OUTRAS GUARNIÇÕES DE ALUMÍNIO PARA JANELAS.
Dobradiças de alumínio classificam-se no código 8302.10.00 da TIPI, com alíquota de 10%, até 4 de outubro de 2007, e de 5%, a partir de 5 de outubro de 2007.
Rodízios de alumínio classificam-se no código 8302.20.00 da TIPI, com alíquota de 10%.
Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes, de alumínio, para construções, classificam-se no código 8302.41.00 da TIPI, com alíquota de 10%.
Numero da decisão: 3302-005.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 30/04/2007 a 31/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DOBRADIÇAS, RODÍZIOS, FECHOS E OUTRAS GUARNIÇÕES DE ALUMÍNIO PARA JANELAS. Dobradiças de alumínio classificam-se no código 8302.10.00 da TIPI, com alíquota de 10%, até 4 de outubro de 2007, e de 5%, a partir de 5 de outubro de 2007. Rodízios de alumínio classificam-se no código 8302.20.00 da TIPI, com alíquota de 10%. Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes, de alumínio, para construções, classificam-se no código 8302.41.00 da TIPI, com alíquota de 10%.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11020.721713/2012-31
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893921
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.694
nome_arquivo_s : Decisao_11020721713201231.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11020721713201231_5893921.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7399957
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582796730368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 360 1 359 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.721713/201231 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.694 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria Classificação Fiscal Recorrente ALUMICONTE COMPONENTES DE ALUMÍNIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 30/04/2007 a 31/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DOBRADIÇAS, RODÍZIOS, FECHOS E OUTRAS GUARNIÇÕES DE ALUMÍNIO PARA JANELAS. Dobradiças de alumínio classificamse no código 8302.10.00 da TIPI, com alíquota de 10%, até 4 de outubro de 2007, e de 5%, a partir de 5 de outubro de 2007. Rodízios de alumínio classificamse no código 8302.20.00 da TIPI, com alíquota de 10%. Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes, de alumínio, para construções, classificamse no código 8302.41.00 da TIPI, com alíquota de 10%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 17 13 /2 01 2- 31 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11020.721713/201231 Acórdão n.º 3302005.694 S3C3T2 Fl. 361 2 Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no período de abril a dezembro de 2007, em razão de erro na classificação fiscal de componentes para janelas como fechos, dobradiças, braços de articulação de janelas "maximar", vedantes, corrediças, fabricados à base de alumínio, classificados pela recorrente no código 7610.90.00, enquanto a autoridade fiscal o reclassificou para 8302.10.00, 8302.20.00 e 8302.41.00, conforme o produto. Em impugnação, a recorrente alegou que classificou os produtos no código 7610.90.00 por aplicação da Regra 2b, ou seja, se o produto for parcialmente fabricado a partir de alumínio, então deve seguir a classificação de alumínio, sendo este o critério fundamental para a classificação: utilização exclusive ou preponderante da matériaprima utilizada na fabricação. Aduziu ainda que a Regra 3a é inaplicável, mas sim a Regra 3b. Quanto à aplicação da Nota 2 da Seção XV da NESH, alegou que o termo "produtos de uso geral" não se confunde com produtos em geral e que seus produtos não são produtos de uso geral, mas de destinação específica e que se todas as partes e acessórios para janelas e portas, de uso geral ou não, tivessem que ser classificados na posição 8302, o código 7610.90.00 seria letra morta. Por sua vez, a Terceira Turma da DRJ em Porto Alegre julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 30/04/2007 a 31/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS. Dobradiças de alumínio classificamse no código 8302.10.00 da TIPI, com alíquota de 10%, até 4 de outubro de 2007, e de 5%, a partir de 5 de outubro de 2007. Rodízios de alumínio classificamseno código 8302.20.00 da TIPI, com alíquota de 10%. Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes, de alumínio, para construções, classificamse no código 8302.41.00 da TIPI, com alíquota de 10%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação. Na forma regimental, o recurso foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11020.721713/201231 Acórdão n.º 3302005.694 S3C3T2 Fl. 362 3 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O litígio está centrado na reclassificação dos produtos dobradiças de alumínio (do código 7610.90.00 para o código 8302.10.00) os rodízios (roldanas)de alumínio (do código 7610.90.00 para o código 8302.20.00) e os demais componentes de alumínio, aplicados em janelas (do código 7610.90.00 para o código 8302.41.00). A classificação de mercadorias é efetuada a partir das regras gerais de interpretação do Sistema Harmonizado, da regra geral complementar relativa à classificação em âmbito regional (Mercosul) e ainda da regra geral complementar da TIPI, abaixo transcritas, conforme artigo 161 do Decreto nº 4.544/2002: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que 1 Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Decretolei nº 1.154, de 1º de março de 1971, art. 3º). Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11020.721713/201231 Acórdão n.º 3302005.694 S3C3T2 Fl. 363 4 uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3"a", classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3"a" e 3"b" não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5"a", as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, "mutatis mutandis", pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC) 1 (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11020.721713/201231 Acórdão n.º 3302005.694 S3C3T2 Fl. 364 5 REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1 (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Destacamse, ainda, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH – que representam a interpretação oficial do Sistema Hamonizado, oriunda da Organização Mundial das Alfândegas – OMA. O parágrafo único do art. 1º do Decreto nº 435, de 1992 dispôs que as NESH “constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. As posições em comento são as seguintes: Capítulo 76 Alumínio e suas obras 76.10 Construções e suas partes (por exemplo, pontes e elementos de pontes, torres, pórticos ou pilones, pilares, colunas, armações, estruturas para telhados portas e janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras, balaustradas), de alumínio, exceto as construções préfabricadas da posição 94.06; chapas, barras, perfis, tubos e semelhantes, de alumínio, próprios para construções. 7610.10.00 Portas e janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 0 7610.90.00 Outros 5 Capítulo 83 Obras diversas de metais comuns 83.02 Guarnições, ferragens e artigos semelhantes, de metais comuns, para móveis, portas, escadas, janelas, persianas, carroçarias, artigos de seleiro, malas, cofres, caixas de segurança e outras obras semelhantes; pateras, portachapéus, cabides e artigos semelhantes, de metais comuns; rodízios com armação, de metais comuns; fechos automáticos para portas, de metais comuns. 8302.10.00 Dobradiças de qualquer tipo (incluídos os gonzos e as charneiras) 10 8302.20.00 Rodízios 10 8302.30.00 Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes, para veículos automóveis 10 8302.4 Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes: 8302.41.00 Para construções 10 8302.42.00 Outros, para móveis 10 8302.49.00 Outros 10 8302.50.00 Pateras, portachapéus, cabides e artigos semelhantes 10 8302.60.00 Fechos automáticos para portas 10 Como dito, a classificação se dá pelos textos das posições e pelas notas da seções e capítulos. As notas da Seção XV METAIS COMUNS E SUAS OBRAS, na qual se inserem os capítulos 76 e 83 dispõem que: 2. Na Nomenclatura, consideramse partes e acessórios de uso geral: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11020.721713/201231 Acórdão n.º 3302005.694 S3C3T2 Fl. 365 6 a) os artefatos das posições 73.07, 73.12, 73.15, 73.17 ou 73.18, bem como os artefatos semelhantes de outros metais comuns; b) as molas e folhas de molas, de metais comuns, exceto molas de relógios (posição 91.14); c) os artefatos das posições 83.01, 83.02, 83.08 ou 83.10, bem como as molduras e espelhos, de metais comuns, da posição 83.06. Nos Capítulos 73 a 76 e 78 a 82 (exceto a posição 73.15), a referência às partes não compreende as partes e acessórios de uso geral acima definidos. Ressalvadas as disposições do parágrafo precedente e da Nota 1 do Capítulo 83, as obras dos Capítulos 82 e 83 estão excluídas dos Capítulos 72 a 76 e 78 a 81. 3. Na Nomenclatura, consideramse metais comuns: o ferro fundido, o ferro e aço, cobre, níquel, alumínio, chumbo, zinco, estanho, tungstênio (volfrâmio), molibdênio, tântalo, magnésio, cobalto, bismuto, cádmio, titânio, zircônio, antimônio, manganês, berílio, cromo, germânio, vanádio, gálio, háfnio (céltio), índio, nióbio (colômbio), rênio e o tálio. A nota 2 "c" da Seção XV considera que os artefatos das posições 8302 são partes e acessórios de uso geral e não se referem às partes mencionadas no capítulo 76, de acordo com o parágrafo seguinte à nota "c" e são expressamente dali excluídas. Assim, as dobradiças, rodízios e demais guarnições e ferragens de metais comuns, incluindo o alumínio, para janelas estão expressamente previstas na posição 83.02 e são expressamente excluídas do Capítulo 76, por aplicação da RG1, ou seja, pelo texto das posições e notas de Seção e Capítulo. Tal classificação é corroborada pela Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, abaixo transcritas: "SEÇÃO XV METAIS COMUNS E SUAS OBRAS [...] CONSIDERAÇÕES GERAIS [...] Os Capítulos 72 a 76 e 78 a 81 abrangem os metais comuns, em bruto ou sob a forma de produtos, tais como barras, fios ou chapas, bem como as obras destes metais, exceto os artefatos metálicos incluídos nos Capítulos 82 ou 83, independentemente do metal que os constitui, sendo estes Capítulos limitados a artefatos bem determinados. Nota Explicativa Posição 76.10 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11020.721713/201231 Acórdão n.º 3302005.694 S3C3T2 Fl. 366 7 As disposições da Nota Explicativa da posição 73.08, respeitantes aos artefatos idênticos de metais ferrosos, são aplicáveis, mutatis mutandis, aos artefatos da presente posição. [...] Notas Explicativas Posição 73.08: Esta posição abrange essencialmente o que se convencionou chamar de construções metálicas, mesmo incompletas, e as respectivas partes. Na acepção da presente posição, as construções caracterizamse por permanecerem, em princípio, fixas depois de montadas. São geralmente fabricadas com chapas, folhas, barras, tubos, perfis variados, de ferro ou aço, ou com elementos de ferro forjado ou ferro fundido moldado, perfurados, ajustados ou reunidos por meio de rebites ou de pernos ou pinos, ou por soldadura autógena ou elétrica, por vezes associados com artefatos incluídos em outras posições, tais como telas, redes, chapas e tiras distendidas, da posição 73.14. Consideramse também partes de construção, as braçadeiras e outros dispositivos especialmente concebidos para reunir elementos de construção de forma tubular ou outra. Essas braçadeiras e dispositivos possuem, em geral, saliências com orifícios roscados em que se introduzem, na ocasião da montagem, os parafusos utilizados para os fixar aos elementos de construção. Independentemente dos artefatos enumerados no próprio texto da posição, nela estão compreendidos: Escoras para poços de minas; espeques, estacas, escoras e pontaletes, ajustáveis ou telescópicos, esteios tubulares, travas extensíveis para armações (cofragens*), andaimes tubulares e material similar; portas de eclusas, diques, molhes e quebra mares (paredões*); superestruturas de faróis; mastros, portalós, amuradas, escotilhas, etc., para navios; portões e portas corrediços; torres de telegrafia sem fio; grades de jazigos; cercas e vedações para jardins, campos de jogos e semelhantes; armações para horticultores e floristas; prateleiras de grandes dimensões para montagem e fixação permanente em estabelecimentos, oficinas, lojas, entrepostos e outros locais para armazenagem de mercadorias; baias e grades para estrebarias, etc.; barreiras de proteção para autoestradas, fabricadas com chapas ou perfis. Também se incluem nesta posição quaisquer elementos, tais como produtos laminados planos, “chapas universais” (placas*), barras, perfis, tubos, etc., trabalhados (por perfuração, arqueamento, chanframento, especialmente), com características de elementos de construção. Esta posição abrange também os ferros denominados “torcidos” constituídos por duas ou mais barras laminadas torcidas conjuntamente, os quais são geralmente utilizados como armadura de concreto (betão) armado ou protendido. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11020.721713/201231 Acórdão n.º 3302005.694 S3C3T2 Fl. 367 8 [...] Capítulo 83 Obras diversas de metais comuns [...] CONSIDERAÇÕES GERAIS Enquanto que os Capítulos 73 a 76 e 78 a 81 reúnem as obras de metais comuns a partir do metal de que são formados, o presente Capítulo, como o Capítulo 82, abrange limitativamente um certo número de artigos sem considerar os metais comuns constitutivos [...] Posição 83.02: Esta posição compreende alguns tipos de guarnições ou de ferragens acessórias de metais comuns, de utilização muito geral, em móveis, portas, janelas, carroçarias, por exemplo. Esses artefatos permanecem aqui mesmo quando destinados a usos especiais, por exemplo, as maçanetas e dobradiças para portas de automóveis. Contudo, esta posição não abrange os artefatos que constituam partes essenciais da estrutura dos artigos a que se destinam, tais como os caixilhos de janelas, os dispositivos de rotação e de elevação de cadeiras giratórias, etc. Esta posição compreende: A) As dobradiças de todos os tipos, incluídos os gonzos e as charneiras. B) Os rodízios, tais como definidos na Nota 2 deste Capítulo. Para serem classificados aqui, os rodízios devem apresentarse com uma armação de metal comum, mas as rodas podem ser de qualquer matéria (exceto metais preciosos). Quando os rodízios são providos de uma banda de rodagem formada por um pneumático, a medida do diâmetro do rodízio deve ser efetuada com o pneu cheio na pressão normal. A presença de raios nas rodas não afeta a classificação dos rodízios nesta posição. Os rodízios que não satisfaçam às disposições do texto desta posição nem da Nota 2 deste Capítulo, excluemse desta posição (Capítulo 87, por exemplo). [...] D) As guarnições, ferragens e artefatos semelhantes empregados em construção civil. Entre esses artefatos podem citarse: Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11020.721713/201231 Acórdão n.º 3302005.694 S3C3T2 Fl. 368 9 1) Os dispositivos de segurança com correntes e outros mecanismos de segurança, os fechos, as cremonas, as carrancas (travas de janelas), os fechos e correntes de portas ou de janelas, os fechos e corrediças de bandeiras e impostas, os ganchos e outras ferragens para janelas de vidros duplos, os ganchos, fechos e travas de contraventos, os cantos das gelosias, os suportes e pontas enroladoras de estores (persianas), as entradas de caixas de correspondência, os batentes, aldrabas e postigos para portas (exceto os postigos com dispositivos ópticos). 2) As fechaduras de molas, sem chave, como as fechaduras denominadas “bicodepato”; os ferrolhos, fechos, trincos e tranquetas (exceto os ferrolhos de chave da posição 83.01), os fechos de lingüeta, de esferas e as molas com ressalto para portas. 3) As ferragens para portas corrediças de vitrines de lojas, de garagens, hangares (por exemplo, corrediças, trilhos (calhas*), rodízios e semelhantes). 4) As entradas de chaves e os espelhos de puxadores, para portas de imóveis. 5) As armações de cortinas e semelhantes e seus acessórios, tais como varões, tubos, rosáceas, suportes, embraces, pinças, argolas (lisas, de rodízio, por exemplo), borlas para cordões, terminais; as guarnições de escadas, tais como bordas de proteção para degraus, varões e outros dispositivos para fixar tapetes e esferas de corrimãos. Os varões, tubos e barras, próprios para cortinas ou tapetes, que consistam em perfis, tubos e barras simplesmente cortados em tamanho determinado, mesmo perfurados, seguem o regime do metal constitutivo. 6) As esquadrias e cantoneiras de reforço para portas, janelas, contraventos, etc. 7) Os portacadeados (ferrolhos) para portas; as maçanetas ou punhos, as argolas, pendentes puxadores e botões para portas, incluídos os artefatos semelhantes para fechaduras ou fechos. 8) Os calços de portas e fechadores de portas (exceto os indicados na letra H), a seguir). (Redação dada pela IN RFB nº 1.072, de 30 de setembro de 2010) [...] Constatase que as notas explicativas da posição 83.02 não deixam dúvidas quanto à classificação na posição 83.02 das dobradiças, rodízios e guarnições, ainda que destinadas a usos especiais, ressaltando que a aplicação em janelas está expressa nos textos da posição 83.02. E, ao contrário, do que entende a recorrente, a classificação no artigo 83 não leva em conta o material constitutivo, mas o artefato em si, conforme a nota explicativa das Considerações Gerais do Capítulo 83, como as dobradiças, roldanas e os fechos para janelas: Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11020.721713/201231 Acórdão n.º 3302005.694 S3C3T2 Fl. 369 10 "Enquanto que os Capítulos 73 a 76 e 78 a 81 reúnem as obras de metais comuns a partir do metal de que são formados, o presente Capítulo, como o Capítulo 82, abrange limitativamente um certo número de artigos sem considerar os metais comuns constitutivos." Por fim, a recorrente alega que a não classificação de seus produtos no código 7610.90.00 implicaria a letra morta do texto da subposição 7610.90.00 Outros. Porém, da leitura do texto da posição resta claro que a maior parte de sua descrição ali se encaixa, a saber: "Construções e suas partes (por exemplo, pontes e elementos de pontes, torres, pórticos ou pilones, pilares, colunas, armações, estruturas para telhados e balaustradas), de alumínio, exceto as construções préfabricadas da posição 94.06; chapas, barras, perfis, tubos e semelhantes, de alumínio, próprios para construções. Apenas as portas e janelas e seus caixilhos, alizares e soleiras foram classificados na posição 7610.10.00. Todos os demais elementos acima descritos (e que não são dobradiças, rodízios ou fechos para janelas de alumínio), estão na posição 7610.90.00. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 369DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.002317/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DE FATO DA CONTA DE DEPÓSITO. LANÇAMENTO.
Estando comprovado pertencerem os valores creditados em conta bancária a terceiro, cabe a esse o ônus de comprovar a origem desses recursos, e, não o fazendo, responder pelo lançamento tributário na condição de titular de fato.
Numero da decisão: 2202-004.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade por vício material, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que a acolhiam. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir da base de cálculo da infração os depósitos associados às contas bancárias de Enio Pedro Loss, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator) e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) não votou com relação à alegação de vício material por estar substituindo a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que já havia votado esse tópico na sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Ronnie Sores Anderson - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DE FATO DA CONTA DE DEPÓSITO. LANÇAMENTO. Estando comprovado pertencerem os valores creditados em conta bancária a terceiro, cabe a esse o ônus de comprovar a origem desses recursos, e, não o fazendo, responder pelo lançamento tributário na condição de titular de fato.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15586.002317/2008-80
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874608
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.499
nome_arquivo_s : Decisao_15586002317200880.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DILSON JATAHY FONSECA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 15586002317200880_5874608.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade por vício material, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que a acolhiam. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir da base de cálculo da infração os depósitos associados às contas bancárias de Enio Pedro Loss, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator) e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) não votou com relação à alegação de vício material por estar substituindo a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que já havia votado esse tópico na sessão anterior. (assinado digitalmente) Ronnie Sores Anderson - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7352403
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582848110592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2101; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.716 1 1.715 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.002317/200880 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.499 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente BELINE JOSÉ SALLES RAMOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DE FATO DA CONTA DE DEPÓSITO. LANÇAMENTO. Estando comprovado pertencerem os valores creditados em conta bancária a terceiro, cabe a esse o ônus de comprovar a origem desses recursos, e, não o fazendo, responder pelo lançamento tributário na condição de titular de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade por vício material, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que a acolhiam. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir da base de cálculo da infração os depósitos associados às contas bancárias de Enio Pedro Loss, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator) e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 23 17 /2 00 8- 80 Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.717 2 o conselheiro Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) não votou com relação à alegação de vício material por estar substituindo a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que já havia votado esse tópico na sessão anterior. (assinado digitalmente) Ronnie Sores Anderson Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado para constituir IRPF em decorrência da identificação de Omissão de Rendimentos por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada em contas de terceiros. Inconformado com a autuação, o Contribuinte apresentou impugnação e, ante a manutenção do crédito tributário pela DRJ, interpôs recurso voluntário, sempre afirmando inexistirem provas de que os recursos são seus e não dos titulares das contas correntes. Retornam os autos para julgamento após realização de diligência determinada pelo CARF em primeira análise. Feito o breve resumo da lide, passamos ao relato pormenorizado dos autos. Aproveitase o relatório já apresentado para a resolução, complementandoo no quanto cabível. Em 08/12/2008 foi lavrado auto de infração (fls. 1.562/1.565) em desfavor do Contribuinte para constituir IRPF no valor de R$ 943.966,23, além de juros e multa de 150%, apontando como infração a ocorrência de “OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA” ao longo dos anoscalendário de 2003 e 2004. Conforme o TVF (fls. 1.501/1.549): “A seleção de BELINE teve como base os procedimentos fiscais sobre DOMINGOS SALIS DE ARAÚJO e ENIO PEDRO LOSS, nos quais constatamos que BELINE utilizavase de contas correntes de titularidade daqueles para movimentar recursos próprios, isto é, Movimentação Financeira em contascorrentes de interpostas pessoas” fl. 1.501 (grifos no original). Ainda, a autoridade lançadora relatou que: Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.718 3 · O Contribuinte já foi fiscalizado em outras oportunidades, nas quais foram constituídos créditos tributários; · Que o valor identificado nas contas das pessoas interpostas, à falta de identificação da origem, foi tributados 50% em cada pessoa (no Contribuinte e no titular da conta); · Que obteve acesso aos dados bancários por RMF, vez que o Contribuinte, preso à época da fiscalização, autorizou a quebra de seu sigilo bancários; · Que o Contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários tendo sido postos à sua disposição, inclusive, os documentos apreendidos em mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal durante inquéritos policiais; · Que os Srs. Domingos Salis de Araújo e Enio Pedro Loss afirmaram à fiscalização que boa parte dos valores depositados em suas contas bancárias pertenciam ao Contribuinte; · Que, apesar de intimado a comprovar a origem dos depósitos realizados em suas contas bancárias e a confirmar ou negar as afirmações feitas pelos Srs. Domingos Salis de Araújo e Enio Pedro Loss, o Contribuinte se esquivou de fazêlo, afirmando que os valores não eram seus mas que, se fossem, possuía caixa suficiente para justificálos; · Que interrogou diversos funcionários e exfuncionários do Contribuinte para averiguar a veracidade da titularidade dos depósitos feitos em conta corrente dos Srs. Domingos e Enio; · Que o presente auto de infração versa sobre os depósitos bancários feitos nas contas dos Srs. Domingos Salis de Araújo e Enio Pedro Loss. · Que a multa foi qualificada nos termos do art. 44, §1º da Lei nº 9.430/1996 e arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, em função de o Contribuinte ter utilizado interpostas pessoas para movimentar recursos próprios com o objetivo de omitir rendimentos; e · Que foi lavrada “representação fiscal para fins penais”. Intimado do lançamento em 16/12/2008 (fl. 1.568), foi apresentada impugnação em 14/01/2009 (fls. 1.570/1.595 e docs. anexos fls. 1.596/1.604). Analisando a defesa do Contribuinte, a DRJ proferiu o acórdão nº 1327.569 (fl. 1.606/1.617), de 18/12/2009, que restou assim ementado: “Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. PRERROGATIVA DA RECEITA FEDERAL. Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.719 4 A abertura de um procedimento de fiscalização das atividades de um determinado sujeito passivo tributário se justifica simplesmente em razão desta condição ser prerrogativa da Secretaria da Receita Federal, pois decorre diretamente da sua finalidade de verificar o cumprimento da legislação tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INTERPOSTA PESSOA. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” – fl. 1.606. Intimado do acórdão de 1º grau em 11/02/2010 (fl. 1.622), e ainda insatisfeito, o Contribuinte interpôs recurso voluntário em 09/03/2010 (fls. 1.626/1.644), argumentando, em síntese: · Que os valores não lhe pertencem; · Que, eventualmente, algum pagamento efetuado nas contas correntes do Sr. Domingos Salis de Araújo poderiam pertencer aos escritórios de advocacia aos quais ele, Contribuinte, pertencia, mas que não eram seus, enquanto pessoa física; · Que um dos escritórios foi intimado a comprovar a origem dos depósitos, mas que o outro não foi intimado; · Que, estando os documentos apreendidos pela Polícia Federal em Mandado de Busca e Apreensão, solicitou à Justiça Federal o acesso aos mesmos, o que lhe foi negado; · Que o Srs. Domingos e Enio armaram contra o Contribuinte e que o Sr. Enio jamais afirmou que os recursos pertenciam ao Contribuinte; Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.720 5 · Que inexistem provas nos autos de que os recursos pertenciam ao Contribuinte; · Que já havia sido autuado por Acréscimo Patrimonial a Descoberto” no valor de R$ 102.858.049,04 referente ao mesmo período, de sorte que, ainda que algum valor lhe pertencesse, já estaria abarcado por essa outra autuação; · Que os titulares das contasbancárias são advogados bemsucedidos e que têm elevado padrão financeiro; dessa forma, os depósitos não destoam do esperado para tais indivíduos; · Que não houve fiscalização – ou ao menos não há provas nos autos – sobre titulares das contas bancárias de sorte a se averiguar, efetivamente, o seu patrimônio e rendimento no período; · Que os próprios titulares das contas bancárias admitem inexistir provas documentais de que os recursos são do Contribuinte; e · Que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 deve ser acompanhado de outros indícios, não sendo a ocorrência de depósitos em conta bancária suficientes para a presunção de omissão de rendimentos. Em 20/01/2011 o Contribuinte protocolou nova petição, anotando que a fiscalização não intimou os cotitulares das contas bancárias objeto do lançamento, durante a fiscalização, para que comprovassem a origem dos recursos. Nesse contexto, indicando a Súmula CARF nº 29, pede a declaração de nulidade do auto de infração. Em primeira análise, o CARF determinou a realização de diligência por meio da resolução nº 2202000.720, de 21/09/2016 (fls. 1.666/1.672), nos seguintes termos: "Enfim, ante a exigência legal e a jurisprudência consolidada, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que: · A autoridade lançadora ateste se as contas bancárias que sustentaram o lançamento tinham ou não cotitulares no período de apuração; · Ateste juntando aos autos provas se intimou os referidos cotitulares a comprovar, individualizadamente, os depósitos feitos em contas das quais eram titulares; · Depois, seja o Contribuinte intimado a se manifestar do relatório de diligência; · Enfim, retornem os autos a este e.CARF para continuidade do julgamento." fl. 1.671/1.672 Foi então formalizado Termo de Diligência Fiscal (fls. 1.675/1.678), no qual a autoridade diligenciadora esclareceu que: Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.721 6 "Esta fiscalização informa que não entrou neste mérito, pois entendeu não ser necessário a intimação para o titular e cotitular das respectivas contas, uma vez que os diversos depósitos de origem não comprovadas pertenciam a terceiras pessoas, Beline Salles Ramos e seu escritório, que foram devidamente intimados a comprovar tais depósitos, isto é, os valores eram de titularidade de fato de Beline Salles Ramos, tendo este se utilizado de interpostas pessoas (“laranjas”) para movimentar valores de sua pessoa física e de seu escritório. Diante do exposto, entendemos que não faz sentido dividir tributação sobre interpostas pessoas, enquanto o titular de fato é uma terceira pessoa." fl. 1.676; (...) "Esta fiscalização informa que não foram realizadas as intimações para os cotitulares das contas pelos motivos já explicitados no item anterior." fl. 1.678. Intimado da diligência em 25/07/2017 (fl. 1.680), o Contribuinte protocolou manifestação em 14/08/2017 (fls. 1.691/1.700 e docs. anexos fls. 1.701/1.712), ressaltando: · Que o lançamento se realizou sem provas concretas, apenas baseandose nas palavras dos titulares de direito das contas bancárias; · Que não foram intimados os cotitulares das contas bancárias para se pronunciar sobre a origem dos depósitos bancários; e · Que após a determinação da realização da diligência pelo CARF, consultou seus documentos que estavam apreendidos em Inquérito Polícial, mas foram disponibilizados somente em 2017 e constatou (1) que a grande maioria dos depósitos realizados nas contas do sr. Domingos Salis de Araújo o foram pela empresa Dismar Comercial Ltda., para a qual apenas este sr. Domingos prestou serviço; e (2) que, conforme informações prestadas pelo sr. Francisco José Gonçalves Pereira, o sr. Ênio Pedro Loss era seu funcionário (do sr. Francisco), e que os valores depositados na conta dele (Ênio) o eram em favor do sr. Francisco. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.722 7 Conforme o relatório, tratase de auto de infração lavrado para constituir crédito tributário referente a IRPF, identificando como infração a "Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada" (fl. 1.564), sendo enquadrado no art. 849 do RIR/1999 (art. 42 da Lei nº 9.430/1996) (fl. 1.565). Convém algumas palavras preliminares sobre essa infração. A Lei nº 9.430/1996 cria, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimento toda vez que o Contribuinte, intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em seu favor perante instituições financeiras, não o faça. Acontece que, como sói ocorrer na prática, muitas pessoas mantêm contas em cotitularidade com outras pessoas, por qualquer motivo que seja. Observando essa realidade, o legislador incluiu o parágrafo sexto no referido artigo, determinando que, nesses casos, os rendimentos deveriam ser divididos entre os titulares, salvo se se provasse a origem dos recursos ou a titularidade dos mesmos. Nessa matéria, o CARF já tem jurisprudência consolidada em relação a um dos problemas mais constantes: a falta de intimação de um dos cotitulares, durante a fiscalização, para comprovar a origem dos recursos. É o que se observa da Súmula CARF nº 29: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Com razão a Súmula: é possível que a pessoa autuada seja incapaz de identificar a origem dos recursos até por não serem seus mas os demais cotitulares possam fazêlo, afastando, portanto, a autuação. Tratase de requisito essencial do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, configurandose vício material a sua falta. E a jurisprudência do CARF continua a aplicar tal entendimento, como se observa dos seguintes precedentes: Acórdão CARF nº 2201004.016, de 08/11/2017: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2000, 2001 PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS OU RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COTITULARIDADE DAS CONTAS MANTIDAS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS COTITULARES. É imprescindível, sob pena de nulidade do lançamento tributário, a intimação, antes do lançamento com base na presunção legal de omissão de rendimentos, de todos os cotitulares de contas bancárias mantidas junto às instituições financeiras. Aplicação da Súmula CARF nº 29. Acórdão CARF nº 2202004.091, de 09/08/2017: Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.723 8 DEPÓSITO BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS CO TITULARES.SÚMULA CARF Nº 29. A análise dos autos permite concluir que a cotitular da conta corrente fiscalizada não foi intimada a esclarecer a origem dos depósitos. De acordo com o disposto da Súmula CARF nº 29 "todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento". Acórdão CARF nº 2202004.088, de 09/08/2017: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29). Acórdão CARF nº 2202003.450, de 14/06/2016: "DEPÓSITO BANCÁRIO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é requisito essencial para a presunção de omissão de rendimento a prévia intimação do titular da conta bancária. A falta de intimação é vício material que gera nulidade do lançamento. Acórdão CARF nº 2202003.131, de 28/01/2016: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. In casu, a autoridade lançadora entendeu que a questão seria afastada ante a imputação de interposição de pessoas. I.e., o lançamento foi formalizado contra o Contribuinte, imputandolhe a titularidade dos recursos creditados em conta bancária alheia. Por essa razão, entendeu ser desnecessária a intimação dos titulares de direito, mas apenas do sujeito passivo a quem imputava a titularidade de fato dos recursos. Tal tese, entretanto, não pode prevalecer. A verdade é que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é claro: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.724 9 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se trata, nesse ponto da análise, quanto às regras da divisão e imputação dos recursos aos cotitulares, tampouco se refere às regras tocantes à identificação do titular de fato dos rendimentos insculpidas nos §§ 5º e 6º. Tratandose de parágrafos, sua aplicação está delimitada pela regra contida no caput do comando legal. Em outras palavras: só se aplicam as normas dos referidos parágrafos caso se observe a regra do caput. Efetivamente, não há que se falar em divisão e em imputação dos valores aos cotitulares caso não haja omissão de rendimentos. Igualmente, não há que se falar em titular "de fato" caso não haja omissão de rendimentos. Voltando ao caput, portanto, observase que a Lei foi clara: há uma presunção de omissão de rendimento caso o titular, devidamente intimado, não seja capaz de comprovar a origem dos recursos e, havendo renda ou receita, a sua tributação. Portanto, estabeleceuse uma presunção em favor do fisco. Essa presunção, entretanto, tal como qualquer outra presunção, tem como requisito a existência de fatos préestabelecidos. Ou seja, é necessária a identificação de determinados fatos (requisitos) para que se opere a presunção. É possível, nesse contexto, reler assim o art. 42: · Requisito: "os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira," · Requisito: "em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado," · Requisito: "não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Então: · Presunção: "Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento" Especificamente quanto ao segundo requisito elencado, este e.CARF já consolidou a Súmula nº 29, supra mencionada: caso a conta bancária tenha mais de um titular, então todos devem ser intimados, na fase anterior à lavratura do auto de infração, sob pena de nulidade. A súmula não se refere à titularidade dos rendimentos, mas sim à titularidade da conta bancária. Novamente: essa regra se justifica porquanto um dos cotitulares pode não ser capaz de comprovar a origem dos recursos, mas o outro sim. Mais: nem sequer há prova de que os recursos configuram rendimento, mas mera presunção. Ausente esse requisito, não se opera a presunção. E sem a presunção, não se pode considerar todos os recursos depositados como rendimentos. Seria necessário ao fisco comprovar a natureza dos depósitos, individualmente. E, somente comprovado que se trata de Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.725 10 rendimento e não empréstimo, por exemplo é que se poderia lavrar a autuação. E, nesse contexto, a infração imputada seria outra, que não a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários. Inclusive, é o que determina o § 2º desse art. 42: comprovada a natureza dos valores, não se deve tributálo de forma genérica, mas sim conforme as normas de tributação específica. No processo ora sub julgamento, a autoridade lançadora intimou tão somente o indivíduo que entendeu ser o titular de fato dos recursos que presumiu ser rendimentos. Contudo, a presunção de que os recursos são rendimentos não se concretizou, uma vez que não foram cumpridos os requisitos legais. Logo, não tem efeitos no mundo jurídico. Por essa razão, não é possível manter o auto de infração. Presunção de omissão de rendimentos art. 42 da Lei nº 9.430/1996 Uma vez que fui vencido em relação ao vício supra apontado, é necessário analisar a questão de fundo, qual seja, da titularidade de fato dos recursos. O Contribuinte argumenta que a presunção criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996 não pode ser observada isoladamente, sendo necessário acumular tal informação com outros elementos, haja vista que se faz necessário comprovar a existência de disponibilidade econômica da renda e dos proventos. Tratase de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Ademais, a redação da Lei é clara: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.726 11 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em outras palavras, identificados depósitos bancários, exigese tão somente que a autoridade fazendária intime o Contribuinte para comprovar a origem dos recursos. A este é que cabe o ônus da prova, não sendo suficiente a apresentação de argumentos ou indícios. Nesse caminho, não pode prevalecer a tese de que cabia à autoridade fazendária aprofundar as investigações quando o Contribuinte, devidamente intimado, não logrou apresentar os documentos requeridos. Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas tratando da matéria, e nenhuma delas questiona a sua legalidade. São os casos das Súmulas CARF nº 26, 30 e 38. Por tudo isso, não é possível dar provimento ao recurso voluntário nesse ponto. Da titularidade dos recursos Tendo em vista a extensão do TVF (fls. 1.501/1.549), e que ali discorreu sobre diversas fiscalizações ocorridas no Contribuinte e nos titulares formais das contas bancárias, a autoridade lançadora entendeu por bem resumir às fls. 1.543/1.545 os fatos apurados e que a convenceram que as contas bancárias de terceiros (sr. Domingos e sr. Ênio) eram utilizadas pelo Recorrente para movimentar recursos seus: · "Que BELINE tinha uma relação estreita com DOMINGOS e ENIO. ENIO era funcionário de confiança, executando diversos serviços para BELINE. DOMINGOS era sócio de fato de BELINE em diversas causas jurídicas e tinha escritório na sala ao lado de BELINE. As declarações de IRPF de DOMINGOS e ENIO foram feitas no escritório de BELINE. · Em análise da declaração do anocalendário de 2003, verificamos que os rendimentos isentos e não tributáveis declarados não existiram (vide fls. 1412 e 1429), de modo que este não pode ser utilizado como sustentação para omissão de rendimentos em análise. No anocalendário de 2004 o contribuinte não entregou declaração de IRPF. · Que BELINE, desde o início do 1° procedimento fiscal sempre se eximiu de apresentar comprovação dos créditos, alegou que os depósitos bancários nas contas de DOMINGOS e ENIO não lhe pertenciam. Alegou ainda que os documentos encontramse apreendidos pela Receita e Polícia Federal; · Que cópias dos extratos bancários das contas de DOMINGOS e ENIO, onde se deram os depósitos bancários atribuídos ao contribuinte, foram enviadas ao mesmo, não podendo alegar falta de acesso a tais documentos; Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.727 12 · Que BELINE, a qualquer momento desde o início da fiscalização do MPF n° 07102002006002422, teria a possibilidade de ter solicitado à Justiça Federal ou à Polícia Federal, cópia dos documentos apreendidos. Poderia alegar que desconhece tal possibilidade, mas sabemos que o mesmo é um advogado bem sucedido na cidade de Vitória. Informado sobre o procedimento necessário para solicitar a documentação apreendida, o mesmo apresentou petição à Justiça Federal. Da solicitação à Justiça, datada de 28/03/2007, já se passaram 18 meses sem que o mesmo apresentasse qualquer resposta ou documento comprobatório dos depósitos bancários. · As justificativas apresentadas por DOMINGOS e por ENIO quanto aos créditos em suas contas correntes foram analisadas nas planilhas anexas “Análise dos Créditos nas Contas Correntes”; · Analisando as planilhas e extratos da conta de ENIO, verificamos que para todos os créditos de valor elevado, possuía um respectivo débito em valor igual ou semelhante com data igual ou aproximada; · A maior parte dos créditos na contacorrente de ENIO, foram realizados por empresas distribuidoras de bebidas (Centro Sul Niteroiense Distribuidora de Bebidas Ltda, Dismar Comercial Ltda, J A Mayer & Cia Ltda e Bella Bebidas Litoral Ltda), empresas estas as quais BELINE prestava serviços (vide depoimento de Beline a Polícia Federal e documentos apreendidos pela Polícia Federal). · DOMINGOS apresentou declaração subscrita pelo próprio BELINE, assumindo que seu escritório SALLES RAMOS ADVOCACIA TRIBUTÁRIA LTDA é proprietário dos créditos movimentados nas contas de DOMINGOS atribuídos a BELINE. Traçando um paralelo, induzimos que os créditos movimentados nas contas de ENIO também são de propriedade de BELINE; · Posteriormente BELINE apresenta resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 450/2008, informando que eventualmente as quantias poderiam ser de propriedade da empresa SALLES RAMOS ADVOGADOS e do próprio BELINE. · Vários depoimentos de funcionários de BELINE e DOMINGOS corroboram o entendimento de que BELINE utilizava as contas de DOMINGOS e ENIO para movimentar recursos seus (item 3.4 deste Termo); · Diante do acima exposto, consideraremos os créditos analisados nas contas correntes de DOMINGOS e ENIO como sendo de propriedade de BELINE e seu Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.728 13 escritório SALLES RAMOS ADVOCACIA TRIBUTÁRIA LTDA. Tais créditos serão considerados como de origem não comprovada, sendo lavrado o respectivo auto de infração, referente aos anos calendário de 2003 e 2004." (grifos no original) A DRJ, por sua vez, manteve a autuação, argumentando que os depoimentos não foram a principal causa, mas sim o ponto de partida de onde se iniciaram as investigações que levaram à conclusão acerca da titularidade de fato das contas correntes. Também, haja vista que todos os créditos de valor elevado efetuados nas constas do sr. Ênio foram seguidos de saques em valor idêntico ou semelhante, na mesma data ou em data próxima, somado aos depoimentos, tais recursos somente poderiam ser de propriedade do impugnante, ora recorrente. Em relação ao sr. Domingos, das 9 contas bancárias que foram auditadas, apenas 4 delas foram consideradas como pertencentes de fato ao recorrente, tendo as demais sido tributadas na pessoa do próprio titular formal. Também, que o próprio recorrente firmou declaração assumindo que movimentava recursos em suas contas bancárias. O recorrente apresenta, em sua defesa, os seguintes argumentos: · Que, tendo sido intimado pela fiscalização, respondeu que os valores depositados nas constas do srs. Ênio e Domingos não lhe pertenciam; · Que, posteriormente, a pedido do sr. Domingos, firmou declaração elaborada por este na qual admitia que os valores creditados nas contas dele poderiam ser do grupo de escritórios aos quais ambos tinham parceria; i.e., que, eventualmente, um ou outro pagamento devido ao escritório fosse feito na conta do sr. Domingos; · Que, diante da declaração acima, foi intimado pela fiscalização para discriminar quais os valores pertencentes à empresa Salles Ramos Advocacia Tributária mas responde que, que devido à apreensão de seus documentos pela justiça, não podia afirmar com certeza se e quais os valores pertencentes à pessoa jurídica; · Que, tendo solicitado tais documentos à justiça, seu pedido fora indeferido; · Que o sr. Ênio não afirmou, em momento algum, que o dinheiro pertencia ao recorrente; afirmou, isso sim, que os recursos eram do escritório Salles Ramos (Salles Ramos Advogados Associados ou Salles Ramos Advocacia Tributária); · Que, a despeito de o sr. Ênio ter afirmado que os recursos pertenciam ao escritório Salles Ramos, eram retirados (cheque nominal e pagamento de contas) em favor do sr. Francisco José Gonçalves Pereira, que não foi autuado; · Que inexistem provas diretas nos autos apontando para a sua titularidade sobre os recursos; Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.729 14 · Que, nos termos do art. 42, §5º, da Lei nº 9.430/1996, o ônus de provar que os recursos eram seus são do Fisco; · Que a própria fiscalização e os titulares formais das contas admitem inexistir provas de que os recursos eram do Recorrente; · Que, se os recursos fossem dele (Recorrente), haveriam inúmeras provas, tais como compras em seu favor ou pagamento de suas contas; · Que, a despeito de a DRJ afirmar que houve autuação e fiscalização em desfavor do sr. Domingos, nenhuma prova há nos autos nesse sentido; · Que a fiscalização não apurou que os srs. Domingos e Ênio realizaram compras vultuosas (casas, terrenos, carros) no período da fiscalização; o que é estranho, sobretudo considerando que o sr. Ênio alegou ter renda mensal de R$ 1.000,00; Pois bem. A. Domingos Salles de Araújo Analisando os autos, percebese que o sr. Domingos efetivamente apresentou petição (fls. 15/21 e docs. anexos fls. 22/101) durante a fiscalização feita contra si, na qual afirma que os recursos movimentados em 4 de suas contas o eram exclusivamente pelo Recorrente. Afirmou, mais, que: "Esclarece ainda o Peticionário que ditos valores foram repassados para Beline José Salles Ramos assim que ingressaram nas já citadas contas bancárias, como destacado nas planilhas anexas, o qual certamente deve ter declarado tidos recebimentos ao Fisco e recolhido os tributos incidentes sobre os mesmos." fl. 18; Às fls. 22/25 junta tabela, elaborada em relação à conta mantida perante o banco Baneste S.A. na qual indica as movimentações que afirma ser feitas pelo Recorrente. Constam, ali, diversos lançamentos com a informação de "Saque em favor Beline de honorários vindos por outros bancos"; também "Rec. transf. Bco. Brasil (ou Bco. Safra ou Bco. Bradesco) mesmo titular". Estas são as quatro instituições financeiras (Baneste, BB, Bradesco e Safra) nas quais o sr. Domingos tinha contas cuja titularidade de fato foram atribuídas ao Contribuinte. Também, consta Termo de Declaração (fl. 102/105), espontaneamente prestadas pelo sr. Domingos à fiscalização, na qual afirma, entre outras coisas: (i) que o recorrente lhe passava ações que não eram do seu interesse; (ii) que as suas DIRPFs eram feitas pelo escritório do sr. Beline e que alguns bens eram incluídos nelas, com seu conhecimento, mas que pertenciam ao recorrente; (iii) que abriu contas bancárias que eram movimentadas pelo recorrente; (iv) que repassava os valores ao recorrente por meio de cheques nominais ao próprio emissor e firmados no verso (endosso), os quais eram posteriormente sacados na boca do caixa; (v) que não tem prova documental dos fatos descritos; (vi) que o sr. Ênio também Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.730 15 movimentava em suas contas bancárias recursos do Recorrente; (vii) que o próprio sr. Beline tinha admitido tais fatos à polícia federal e que ele, sr. Domingos, tinha cópia de tal depoimento. Nesse "Termo de Declaração", a autoridade fiscalizadora intimou o declarante a apresentar cópias do depoimento, as quais não constam nos autos, sem haver informação se o declarante deixou de apresentálas ou se não foram incluídas por outro motivo. Por outro lado, há transcrição de parte desse depoimento no TVF (fl. 1.518); nessa parte transcrita o recorrente alegava que havia substabelecido o sr. Domingos para que acompanhasse uma (ou algumas) ações judiciais, que exigiam cuidados constantes, razão pela qual pagava R$ 15.000,00 por mês ao escritório do sr. Domingos. B. Ênio Pedro Loss Consta nos autos Termo de Declaração (fls. 134/...), espontaneamente prestadas pelo sr. Ênio à fiscalização, na qual afirma, entre outras coisas: (i) que conhecia o recorrente e o sr. Francisco Pereira desde 1999; (ii) que recebia R$ 1.000,00 por mês para resolver problemas operacionais, realizar pagamentos e recebimentos etc., mas que não tinha participação nos negócios da empresa; (iii) que foi colado como sócio de empresa, na qual não recebia lucros e da qual saiu transferindo sua participação a Eduardo Xible Salles Ramos; (iv) que cedeu sua conta para receber recursos do escritório Salles Ramos provenientes de ações judiciais, e que o fez em confiança ao Sr. Beline e ao sr. Xico; (v) que o repasse dos recursos era feito por meio de saques na boca do caixa por si ou por outros funcionários dos srs. Beline e Xico, a quem eram entregues; (vi) que em alguns casos os recursos eram utilizados para pagar contas do escritório Salles Ramos ou do sr. Francisco; (vii) que o sr. Beline e o sr. Francisco não tinham relação formal de sociedade, mas que este assessorava aquele nos seus negócios. C. Das informações prestadas pelo recorrente durante a fiscalização Tendo sido intimado pela fiscalização em dezembro de 2007, o Contribuinte apresentou resposta em 08/01/2008 (fls. 138/139) negando ser titular dos recursos, mas informando também que fora sujeito passivo de duas fiscalizações (nº 07201002006002422 e nº 07201002002007908), nas quais foram apurados acréscimo patrimonial em valor acumulado de mais de R$ 120 milhões, os quais seriam suficientes para fazer frente aos depósitos. Já em 04/08/2008 firmou declaração (fl. 150), com firma reconhecida em cartório na mesma data, afirmando textualmente que: "Declaro para os fins de direito que todos os valores movimentados nas contacorrente ns. 9.830.092, da agência 274, do Banco Baneste S/A; contacorrente n. 0001287, agência 3113 do Bradesco S/A; contacorrente n. 132901, da agência n. 4900 do Branco (sic) Safra S/A, de titularidade de Domingos Salis de Araújo (CPF ...), constantes das planilhas anexas também rubricadas por mim, assim como os valores movimentados na contacorrente nº 192635, da agência 18023, também da mesma titularidade (...) se referem a valores de propriedade e direito de meu escritório Salles Ramos Advocacia, cujo sócioresponsável é o subscritor da presente declaração, sendo que tais valores foram recebidos em ditas contas Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.731 16 bancárias e devidamente e integralmente repassados pelo titular das contas bancárias já citadas para a pessoa jurídica de profissão regulamentada acima mencionada, sendo que referidos valores já foram objeto de lançamento fiscal no processo administrativo nº Auto de Infração: MPF nº 0710200 2006.002422, devidamente tributados, sendo tanto pela pessoa física por ato de ofício no procedimento fiscal acima referido, sendo certo que nenhum compromisso persiste com relação aos titulares das contascorrentes cima declinadas." Retratouse da declaração em 27/08/2008 (fls. 160/162), explicando que somente a firmara em consequência do desespero do sr. Domingos e da amizade que lhe tinha. Frisou, entretanto, que fora paciente de auto de infração lavrado no MPF nº 07201002006 002422, no qual foi apurado acréscimo patrimonial de R$ 19.721.925,09 referente aos anos calendário de 2002 a 2004, valor esse que é suficiente para fazer frente à movimentação bancária indicada nesses autos (à época, na fiscalização). D. Da fiscalização MPF 07102002006002422: Foram juntados aos autos cópia do procedimento fiscal MPF nº 0710200 2006002422 (fls. 169/320), nas quais o Contribuinte é intimado, ainda em 2006 (fl. 186/190) a explicar sua movimentação bancária, apresentando extratos, explicação acerca da natureza da movimentação, documentação comprobatória etc. Tendo explicado que se encontrava preso e que seus documentos foram apreendidos, houve novas intimações para comprovar a origem dos depósitos, dessa vez individualizados em função de acesso aos extratos bancários por via das instituições financeiras. Em maio de 2007 (fls. 174/177) fora intimado, ainda no escopo dessa MPF, a afirmar se concordava com as afirmações do srs. Domingos e Ênio de que os recursos movimentados nas contas destes eram de sua titularidade e qual o volume desses recursos. Enfim, do TVF (fls. 297/308 e docs. anexos fls. 309/319) deste outro MPF, é possível notar que foram lançados autos de infração para constituir IRPF em desfavor do mesmo Contribuinte, também em função de depósitos bancários de origem não comprovada, porém dessa vez em contas de sua titularidade formal. E. Da fiscalização MPF 07102002006002430 Foram juntados aos autos cópia do procedimento fiscal MPF 07102002006 002430 (fls. 321/1.170), na qual foi paciente o sr. Domingos Salis de Araújo. Nesta, é possível observar o "Termo de Encerramento de Fiscalização" (fls. 1.121/1.148 e docs. anexos fls. 1.149/1.170), no qual se registra o lançamento de IRPF em desfavor dessa pessoa referente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004. F. Da fiscalização MPF 07102002006002457 Foram juntados aos autos cópia do procedimento fiscal MPF 07102002006 002457 (fls. 1.171/1.378), na qual foi paciente o sr. Ênio Pedro Loss. Nesta, é possível observa que constam, entre outros documentos (fls. 1.281/1.348), cheques emitidos pelo sr. Ênio nominais a sí próprio e com assinatura no verso (endosso). Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.732 17 Do "Termo de Encerramento da Ação Fiscal" (fls. 1.360/1.375 e docs. anexos fls. 1.376/1.378), é possível anotar que o sr. Francisco José Gonçalves Pereira foi localizado durante a fiscalização, mas que este, intimado da razão pela qual creditava recursos em favor do sr. Ênio, afirmou não se recordar (fl. 1.372). Também, que não era possível tributar os depósitos na pessoa do sr. Ênio, posto que pertencentes ao sr. Beline e ao sr. Francisco, nas pessoas de quem seriam lançados. In litteris: "Considerando as diversas evidências e provas acima descritas, consideramos os créditos atributídos a Beline e Francisco como verdadeiros, de forma que neles serão tributados, retirando da responsabilidade de Ênio Pedro Loss" fl. 1.374 Contraditoriamente, no TVF referente ao auto de infração ora analisado, a autoridade lançadora (mesmo AFRF) atribui os rendimentos exclusivamente ao sr. Beline. In litteris: "Considerando as diversas evidências e provas acima descritas, consideramos os créditos atribuídos a BELINE como verdadeiros, de forma que nele será tributado, retirando da responsabilidade de ÊNIO PEDRO LOSS" fl. 1.530. G. Circularização (fls. 1.379/1.429) Foram circularizadas intimações, ao longo das fiscalizações dos srs. Ênio e Domingos, de forma que diversas pessoas (exfuncionários e pessoas próximas a eles e ao sr. Beline) apresentaram declarações afirmando que o recorrente movimentava recursos nas contas dessas pessoas. H. Conclusões A verdade é que faltam, efetivamente, provas cabais de que os recursos movimentados nas contas bancárias do sr. Domingos e do sr. Ênio são, efetivamente, do recorrente. Como bem chamou atenção a defesa, o sr. Domingos inclusive afirma textualmente não dispor de quaisquer provas de que os recursos eram do recorrente. Também, analisando a declaração do sr. Ênio, percebese que ele atribui os rendimentos ao escritório e não à pessoa física. Também, que inclui um sr. Francisco José Gonçalves Pereira como cotitular dos recursos, pessoa essa que simplesmente é suprimida do lançamento ora analisado. Não se nega que há, efetivamente, diversos fatos não corriqueiros nessas movimentações das contas do sr. Domingos e do sr. Ênio. São exemplos o saque em valor igual ou similar, na mesma data ou em data próxima, de todo grande depósito feito nas contas do sr. Ênio e a emissão de cheques nominais a si próprio com endosso, por ambos, entre outros. Repetese, entretanto, que não há provas nos autos de que os recursos são da pessoa física do sr. Beline Ramos. Há, isso sim, depoimentos. O depoimento do sr. Domingos atribui os recursos ao sr. Beline, é verdade; este, entretanto, nega a titularidade dos recursos. Palavra contra palavra, o ônus da prova é de quem alega e o sr. Domingos admite não ter documentos para provar suas alegações (fl. 1.516). Os demais depoimentos colhidos ao longo da fiscalização (fls. 1.379/1.429 e resumidos no TVF, fls. 1.530/1.538), em sua maioria, afirmam que ocorriam saques em espécie Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.733 18 nas contas do sr. Domingos e do sr. Ênio, mas houve também quem recordasse que também eram realizados saques nas contas do sr. Beline e do sr. Francisco, por meio de cheques emitidos em favor de si mesmos e com endosso; que todos esses recursos eram entregues no escritório de advocacia do sr. Beline. A administradora financeira do escritório (a quem os demais funcionários informavam entregar os recursos) afirmou (fls. 1.532/1.533) que, reunidos os valores sacados, estes eram entregues ao sr. Beline, e que nunca utilizava tais recursos para pagar contas do escritório, bem como que os valores não eram declarados nos relatórios financeiros nem nos controles financeiros do escritório. Por outro lado, também afirmou que o sr. Domingos atuava como gerente do escritório e que o sr. Ênio atuava como autônomo, captando negócios. Logo, com base nesse depoimento, não é possível afirmar que se tratavam de meros laranjas. De qualquer sorte, não apresentou provas de suas alegações. Outra funcionária do setor financeiro (fls. 1.533/1.534) afirmou que o dinheiro que entrava na conta do sr. Domingos era do sr. Beline, proveniente de honorários; mas também afirmou que não sabia se o recorrente movimentava a conta do sr. Domingos. Ainda afirmou que ambos atuavam em parceria e que parte dos valores depositados eram honorários do sr. Domingos e de sua titularidade e que apenas o restante era do sr. Beline. Houve, efetivamente, funcionário que afirmou (fl. 1.535) que o sr. Domingos deixava o seu talão de cheques em poder do escritório do sr. Beline, que os preenchia e enviava para serem assinados pelo sr. Domingos à medida que os recursos eram necessários. Que os valores sempre eram sacados na boca do caixa. Um sócio do sr. Domingos afirmou (fl. 1.537) que tinha conhecimento que o sr. Beline movimentava a conta do sr. Domingos e de outras pessoas, bem como que utilizava terceiros para abrir empresas ou para adquirir bens. Enfim, a cônjuge do sr. Domingos afirmou (fl. 1.538) que o sr. Beline movimentava contas do esposo, mas que o talão ficava no escritório do sr. Beline, que era preenchido por funcionários do escritório e que eram funcionários do escritório que sacavam o dinheiro. De tudo voltamos à questão: inexistem nos autos documentos comprobatórios de que o sr. Beline fosse o efetivo titular dos recursos. Nesse contexto, é importante frisar que o recorrente foi réu em processos criminais e encontrouse preso durante a maior parte da fiscalização. Nem por isso é possível presumirlhe a culpa de todos os malfeitos, como fez a DRJ ao afirmar que: Como se verifica em decisão judicial trazida pelo próprio contribuinte (fl. 1532), ele é apontado pelo Ministério Público como principal figura ou líder de organização criminosa, sendo lhe imputada a prática de crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, descaminho, contrabando, advocacia administrativa, facilitação ao descaminho, corrupção ativa, falsificação de documentos, sonegação fiscal, simulação de domicílio fiscal de diversas empresas em nome de interpostas pessoas como (sic) o intuito de obtençôes (sic) de benefícios fiscais, entre outros. Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.734 19 Diante de tal conjuntura, entendo perfeitamente justificada a abertura de procedimento fiscal..." fl. 1.610 Ainda que se aceite os depoimentos, alguns atribuem os recursos ao Recorrente, outros à empresa. Por via das dúvidas, a autoridade lançadora atribuiu a titularidade a ambos, dividindo os valores. O entendimento, entretanto, é equivocado: o art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/1996 determina a atribuição em partes iguais ao número de cotitulares quando há cotitularidade, isso porque não se sabe quanto é de cada um; in casu, não há dúvida no que toca ao valor que cabe a cada um (pessoa física e pessoa jurídica), há dúvidas, isso sim, sobre quem é o verdadeiro titular dos valores creditados. Ora, se há dúvidas acerca da titularidade dos recursos (do sr. Beline, do sr. Francisco ou ainda do escritório de advocacia?), não se pode aplicar a regra do art. 42, § 5º, da mesma Lei, que exige a prova, e não a mera dúvida. Nesses casos, em que não há certeza, presumese que os rendimentos pertencem ao titular (formal) das contas bancárias. É esse, inclusive, o entendimento consolidado nesse tribunal administrativo: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Assim, ante a inexistência de provas hábeis e idôneas a comprovar o uso da conta bancária por terceiro, mas a mera apresentação de depoimentos, não é possível concluir que houve interposição de pessoas, devendo ser cancelado o auto de infração por ilegitimidade passiva. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração por inexistência de provas hábeis e idôneas a comprova a utilização da conta por terceiros. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Com a devida vênia, tenho entendimento diverso, ao menos em parte, do D. relator acerca da controvérsia posta nos autos. De plano, não vejo como aplicar a Súmula nº 29 do CARF ao caso, como demanda o contribuinte em petição, e acatado pelo relator, pois ao se analisar os precedentes que deram amparo a esse enunciado, mais acima reproduzido, podese constatar nenhum deles terem versado sobre casos em que os titulares formais das contas correntes eram interpostas pessoas, como ocorre no presente. Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.735 20 Cabe explicar ainda que, mesmo que os titulares formais de contas bancárias sejam presumivelmente os titulares reais das movimentações nelas contidas, quando o Fisco reúne provas robustas de que tal situação não corresponde à realidade fática, tal presunção pode e deve ser afastada. Nesse sentido, este órgão já consolidou sua jurisprudência, conforme se afere da leitura da Súmula CARF nº 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Ressalvese que tal enunciado foi exarado ante casos em que o contexto era diametralmente oposto, nos quais os próprios contribuintes alegavam que o titular de fato das contas bancários eram outras pessoas, mas não provavam as suas alegações. Então, prevalecia a presunção de que a movimentação era dos referidos. Tal observação não prejudica a constatação que aqui se destaca: é perfeitamente possível que a fiscalização, ou o contribuinte autuado, dependendo do caso, comprove que a titularidade real das contas bancárias é pertencente à terceiro que não a pessoa indicada nos dados cadastrais. E tal terceiro é que responde, em decorrência, pela movimentação bancária da contacorrente, e pelas consequências tributárias daí advindas. Prevalece, então, a verdade material atestada nos autos, devendo os termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 serem interpretados à luz das nuances do caso concreto, para que os fins pretendidos pela norma sejam efetivamente alcançados, a despeito das formalidades que visam justamente dificultar a atuação do Fisco no sentido de discernir qual é o verdadeiro titular dos rendimentos. Ou seja, quando o caput desse artigo remete à necessidade de intimação do titular da conta de depósito para fins de comprovação da origem desses recursos, referese, evidentemente, ao titular real da conta bancária, não àquele que se oculta por trás dos titulares formais, no linguajar corrente, "laranjas". Não bastasse, o § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 deixa claro que "Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento". Ou seja, o próprio legislador não contemporizou com a prática reprovável da interposição de pessoas para fins de que o efetivo titular escape da incidência tributária, permitindo à fiscalização imputar àquele a devida responsabilidade pelos rendimentos presumidos. Deve ser salientado, ademais, que não se verifica no particular qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, que recorre de seus termos evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.736 21 Diante dessas constatações, não prospera, por conseguinte, a alegação de nulidade por vício material no lançamento. Noutro giro, temse que as circunstâncias do caso concreto foram bem explanadas no encaminhamento de voto da Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, pedindo se a devida vênia para que passe a integrar esta fundamentação: (...) Ademais, a fiscalização informa ter foi aberto procedimento fiscal nas pessoas interpostas, em que elas foram intimadas a apresentar documentos hábeis e idôneos de comprovação da origem dos depósitos nas contas bancárias que tinham seus nomes em cadastro, e após esses procedimentos, a conclusão foi que a titularidade das contas pertencia em realidade ao recorrente. Veja o que relatou a fiscalização (fls. 1501): A seleção de BELINE teve como base os procedimentos fiscais sobre DOMINGOS SALIS DE ARAÚJO e ENIO PEDRO LOSS, nos quais constatamos que BELINE utilizavase de contascorrentes de titularidade daqueles para movimentar recursos próprios, isto é, Movimentação Financeira em contascorrentes de interpostas pessoas. Tais constatações serão discriminadas no decorrer do Termo de Verificação de Infração. [...] 2. Histórico Do período de 06.06.2006 a 18.06.2007, foi executado o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0710200.2006.002422, primeiro procedimento sobre o BELINE JOSÉ SALES RAMOS, no qual foi lavrado auto de infração no valor de R$ R$ 15.385.202,03, conforme processo administrativofiscal n.º 15586.000375/200798, onde foram analisados depósitos bancários nas contas correntes de titularidade do próprio BELINE. Do período de 06.06.2006 a 14.08.2008, foi executado o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0710200.2006.002430, sobre o DOMINGOS SALIS DE ARAÚJO, no qual foi lavrado auto de infração no valor de R$ R$ 772.249,24, conforme processo administrativofiscal n.° 15586.000133/200801, onde foram analisados depósitos bancários nas contas correntes de titularidade de DOMINGOS. Neste procedimento apuramos que R$ 6.325.169,86, movimentados há contas correntes de DOMINGOS, eram de titularidade de fato de BELINE e seu escritório, conforme descrito no decorrer deste Termo. Do período de 06.06.2006 a 14.08.2008, foi executado o Mandado de Procedimento Fiscal nº 0710200.2006.002457, sobre o ENIO PEDRO LOSS, o qual foi encerrado sem resultado. Neste procedimento apuramos que R$ 589.569,50, movimentados nas contas correntes de ENIO, eram de titularidade de fato de BELINE e seu escritório, conforme descrito no decorrer deste Termo. Do período de 17.12.2007 a 12.12.2008, foi executado o Mandado de Procedimento Fiscal nº 0720100.2008.005342, segundo procedimento fiscal sobre o BELINE JOSÉ SALLES RAMOS, encerrado nesta data, no qual foi lavrado auto de infração no valor de R$ 2.814.170,10. Neste procedimento constatamos que os valores movimentados nas contas correntes de DOMINGOS SALIS DE ARAÚJO e ENIO PEDRO LOSS e eram de titularidade de fato de BELINE e seu escritório SALLES RAMOS ADVOGADOS. Consideramos que BELINE e seu escritório tinham várias contascorrentes conjuntas de fato de forma que os depósitos não comprovados serão tributados metade em cada contribuinte. Do período de 19.11.2008 a 15.12.2008, foi executado o Mandado de Procedimento Fiscal nº 0720100.2008.024510, sobre o escritório SALLES RAMOS ADVOCACIA Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.737 22 TRIBUTÁRIA LTDA, de propriedade de BELINE, no qual será lavrado auto de infração referente à metade dos créditos nas contas correntes. Neste procedimento constatamos que os valores movimentados nas contas correntes de DOMINGOS SALIS DE ARAÚJO e ENIO PEDRO LOSS eram de titularidade de fato de BELINE e seu escritório SALLES RAMOS ADVOGADOS. Consideramos que BELINE e seu escritório tinham várias contascorrentes conjuntas de fato, de forma que os depósitos não comprovados serão tributados metade em cada contribuinte. [...] Em 17.12.2007, emitimos o Termo de Intimação Fiscal n° 401/2007, solicitando documentação hábil e idônea comprobatória dos créditos em suas contas correntes ainda não comprovados por DOMINGOS (fis. 587/597). (Grifei) O recorrente também apresentou declaração informando que todas as contas em nome de Domingos e depósitos eram seus e da Pessoa Jurídica. Diante dessas informações, a auditoria faz um resumo das contas de acordo com a real titularidade: As justificativas apresentadas por DOMINGOS quanto aos créditos em suas contas correntes foram analisadas na planilha anexa "Análise dos Créditos nas Contas Correntes"; As transferências, entre contas do mesmo titular, informadas por DOMINGOS foram verificadas e devidamente comprovadas; Os créditos assumidos por BELINE, através de declaração assinada pelo mesmo (fls. 327/341), além dos depoimentos à Polícia Federal (fls. 245/270) e depoimentos de empregados dos escritórios de BELINE e DOMINGOS (fls. 342/391), serão atribuídos a BELINE e seu escritório de Advocacia SALLES RAMOS ADVOGADOS, e conseqüentemente tributados nos mesmos; (Grifos no original) Como se vê a fiscalização excluiu o que seria de Domingos e lançou apenas a parte de Beline e do escritório de Advocacia Salles Ramos Advocacia, conforme declaração do próprio recorrente. Mesma situação ocorreu em relação a Enio: Em 14.08.2008, encerramos o procedimento fiscal em ENIO PEDRO LOSS, sem resultado, sendo verificado que os recursos movimentados em suas contascorrentes são de titularidade de fato de BELINE. [...] • Posteriormente a resposta de BELINE, DOMINGOS apresentou declaração subscrita pelo próprio BELINE, assumindo que seu escritório SALLES RAMOS ADVOCACIA TRIBUTARIA LTDA é proprietário dos créditos movimentados nas contas de DOMINGOS atribuídos a Beline. Traçando um paralelo, induzimos que os créditos movimentados nas contas de ENIO também são de propriedade de fato de BELINE; • Vários depoimentos de funcionários de BELINE e DOMINGOS (item 3.3 deste Termo) corroboram o entendimento de que BELINE utilizava a conta 1.149.319 do Banestes, pertencente a ENIO, para movimentar recursos seus; Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.738 23 • Considerando as diversas evidências e provas acima descritas, consideramos os créditos atribuídos a BELINE como verdadeiros, de forma que nele será tributado, retirando da responsabilidade de ENIO PEDRO LOSS; A auditoria diligenciou várias pessoas físicas e jurídicas citadas pelos fiscalizados Domingos e Enio. Das diligências, a auditoria concluiu: Considerando o exposto encerramos o procedimento fiscal, concluindo que os depósitos são de origem não comprovada e pertencentes de fato a BELINE JOSÉ SALLES RAMOS e seu escritório SALLES RAMOS ADVOCACIA TRIBUTÁRIA LTDA. Como não é possível mensurar qual o montante seria de propriedade da pessoa física e qual o montante seria da pessoa jurídica, entendemos que existem contas conjuntas de fato entre estes, de modo que os depósitos bancários com origem não comprovada serão divididos igualmente entre a pessoa física BELINE JOSÉ SALLES RAMOS e seu escritório SALLES RAMOS ADVOCACIA TRIBUTÁRIA LTDA. Tendo em vista o disposto no parágrafo anterior, em 19.08.2008, foi aberto procedimento fiscal em face da pessoa jurídica SALLES RAMOS ADVOCACIA TRIBUTÁRIA LTDA. Como visto, a auditoria efetuou o lançamento em nome de Beline e da empresa SALLES RAMOS ADVOCACIA TRIBUTÁRIA LTDA, sendo que esta também foi alvo de procedimento fiscal e foi intimada a apresentar documentos hábeis e idôneos de comprovação das origens dos recursos nas contas que estavam em nome de interpostas pessoas: 3.5. Salles Ramos Advocacia Tributária Ltda Em 19.11.2008, deuse início ao MPF 0720100.2008.024510, quando emitimos o Termo de Início de Ação Fiscal n° 150/2008, sendo solicitada comprovação da origem dos créditos individualizados nas contas correntes de Domingos Salis de Araújo e Enio Pedro Loss e esclarecimentos sobre a veracidade das informações prestadas pelos mesmos (fls. 1366/1373). Em anexo ao Termo de Início foram os seguinte documentos: a) Termo de Início de Ação Fiscal n° 403/2007; b) Resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal n° 403/2007; c) Termo de Intimação Fiscal n° 450/2008; d) Resposta de Beline José Salles Ramos ao Termo de Intimação Fiscal n° 450/2008; e) Mandado de Procedimento Fiscal n° 07201002007005342; f) Resposta de Domingos Salis de Araújo ao Termo de Início de Ação Fiscal n° 122/2006, datada de 22/08/2006; g) planilhas das Entradas e Saídas nas contas correntes elaborados por Domingos Salis de Araújo (Banestes, Banco do Brasil, Bradesco e Safra); h) Extratos das contas de Domingos Salis de Araújo, nos Bancos Banestes, Brasil, Bradesco e Safra, nas quais o mesmo informa que os recursos são de honorários de Beline; i) Termo de Depoimento de Domingos Salis de Araújo; j) Resposta de Enio Pedro Loss ao Termo de Intimação Fiscal n° 210/2006, datada de 20/09/2006; k) Planilhas das Entradas e Saídas na conta corrente do Banestes, elaborada por Enio Pedro Loss; I) Extratos bancários de Enio Pedro Loss ( Banestes); e m) Termo de Depoimento de Enio Pedro Loss (fls. xx/xx). Até o presente momento não obtivemos resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal nº 150/2008. Na empresa SALLES RAMOS ADVOCACIA TRIBUTÁRIA LTDA será tributado metade dos depósitos bancários nas contas de DOMINGOS SALIS DE ARAÚJO e ENIO PEDRO LOSS, não comprovados por BELINE e seu escritório. (Grifei) Como reflete a exposição do relatório fiscal supra transcrita, a fiscalização reuniu sim, provas robustas o suficientes para evidenciar que os recursos que transitaram por algumas dentre as contas de titularidade formal de Domingos Sales de Araújo, eram de fato de Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.739 24 titularidade do recorrente, ou de sua empresa ver na tabela mais acima as contas com a observação "Beline De fato", na coluna "Propriedade". Nessa senda, o Termo de Verificação Fiscal bem circunstancia que os vínculos estabelecidos entre os depósitos nas contas de Domingos Sales de Araújo, e o recorrente e de seu escritório de advocacia, se deram tendo em vista "os créditos assumidos por Beline, através de declaração escrita pelo mesmo (fls. 327/341), além dos depoimentos à Polícia Federal (fls. 245/270) e os depoimentos de empregados dos escritórios de Beline e Domingos Sales de Araújo (fls. 342/391)" ver fl. 1523. Ou seja, além dos vários depoimentos uníssonos e convergentes de vários dos empregados dos escritórios investigados, em relatos consistentes que confirmam as constatações da auditoria, há com destaque a prova documental constante às fl. 150/151, na qual o ora recorrente atestou, sob as penas da lei, que as contas de Domingos Sales de Araújo, que deram azo à lavratura do auto de infração ora contestado, eram de titularidade de fato de sua empresa. Cabe destacar que eventual retratação dessa declaração, sob procedimento fiscal, não macula o conteúdo da primeira manifestação, quando este resta corroborado pelos variados depoimentos colhidos nos autos, todos em sentido harmônico com a declaração original. Também deve ser atentado que não procede a assertiva do contribuinte de que não houve fiscalização sobre os terceiros titulares formais das contas analisados, Domingos Sales de Araújo e Enio Pedro Loss. Está documentado nos autos que tais pessoas físicas foram fiscalizadas com a emissão dos respectivos Mandados de Procedimento Fiscal, sendo inclusive o primeiro autuado pela RFB, sob o processo administrativo nº 15586.000133/200801. No tocante ao segundo, restando compreendido pela fiscalização que os recursos das contas daquelas pessoas fisícas pertenciam ao ora recorrente e a seu escritório Salles Ramos Advocacia Tributária, não houve motivo para a lavratura de lançamento em seu nome. Afastada por conseguinte tal alegação, também deve ser rejeitada a adução no sentido de que a constituição do crédito tributário deuse com base em presunção simples. Recordese, por oportuno, que a autuação teve como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Desde o início da vigência desse preceito, a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Com efeito, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada essa omissão. Nesse contexto, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados nas contas formalmente de terceiros mas relativamente às quais constatouse serem de fato de titularidade daquele e de sua empresa devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos. Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.740 25 Notese, então, que é dever da autoridade fiscal, efetivamente, reunir os elementos de prova aptos a evidenciar que a conta é de efetiva/real titularidade do intimado e não de terceiro(s), mas, uma vez satisfeita tal incumbência, o que se verifica no caso dos autos, o ônus de prova da origem dos depósitos não é da fiscalização, mas sim do contribuinte desvelado como real titular/responsável pela movimentação da contacorrente examinada, por força de lei. A análise da movimentação financeira deve ser individualizada por operação, oportunizandose ao contribuinte a identificação, caso a caso, da natureza e origem dos respectivos valores, por meio de documentação hábil e idônea, procedimento que foi escorreitamente realizado pela fiscalização no caso em tela. Tanto o contribuinte quanto o escritório de advocacia foram intimados a comprovar a origem dos depósitos, e, assim não sucedendo, correto o procedimento da fiscalização, ao imputar metade dos depósitos ao recorrente, e a outra metade ao escritório, valendo lembrar que como principal sócio da pessoa jurídica, teria o recorrente, a princípio, todas as condições de especificar a parte a que cabia a cada uma das pessoas envolvidas. A tese de que houve cerceamento de defesa por não ter tido o recorrente acesso aos documentos apreendidos pela Polícia Federal, e que poderiam ser utilizados para amparar sua versão dos fatos, não merece prosperar. Sobre o tema, manifestouse com argúcia a decisão de piso à fl. 1615, no trecho abaixo reproduzido, o qual passa a integrar, com a devida permissão, este tópico da fundamentação: À parte não fica vedado, nestes casos, o acesso a sua documentação para obtenção de cópia, desde que requerido e fundamentado o pedido. Entretanto, ao invés de solicitar cópia dos documentos que amparariam sua defesa no âmbito administrativo, o contribuinte optou por solicitar a restituição de todos os documentos apreendidos, cuja finalidade era subsidiar as investigações relativas às ações penais propostas em face do impugnante. Ora, como operador do direito que é, o contribuinte tinha pleno conhecimento de que o pedido de restituição de coisa apreendida seria negado, ex vi art 118 do Código de Processo Penal, ainda mais que sequer indicou especificamente quais documentos apreendidos relacionavamse com os esclarecimentos solicitados através dos Termos de Intimação e, posteriormente, com a comprovação das infrações apuradas, o que pesou na negativa conforme se verifica em trecho extraído da decisão judicial (fl. 1.532): “Ressaltese, outrossim, que as práticas criminosas em persecução envolvem, entre outras questões, matéria tributária, motivo pelo qual se torna de todo inviável descartar o tipo de elemento probatório ora solicitado, ainda que seja para instruir outro procedimento administrativo fiscal, notadamente porque, no caso presente, já há ações penais em curso. Além disso, a postulação desenvolvida pela defesa de BELINE JOSÉ SALLES RAMOS é bastante genérica, o que obsta a análise da possibilidade de devolução de algum documento especifico que porventura não ofereça mais utilidade aos feitos penais em comento. Neste passo, até mesmo por falta de justificativas plausiveis que fundamentem a pretensão tão abrangente, reaƒirmo a impossibilidade de atender a parte autora". Concluo que o interessado não diligenciou corretamente no sentido de trazer aos autos as provas que deveria e poderia produzir, preferindo sustentar a impossibilidade de fazêlo. Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.741 26 Em adição, o contribuinte dá notícia, em petição juntada aos autos (fls. 1691/1710), de que lhe foram restituídos os documentos apreendidos em referência, conforme certidão (fls. 1702/1705). Daí argui ter efetuado diligências com base nesses documentos que indicariam que "a grande maioria dos valores lançados foram depositados nas contas do Dr. Domingos Sales de Araújo pela Dismar Comercial Ltda. por serviços prestados com exclusividade pelo Dr. Domingos". Com o intuito de corroborar tal assertiva, junta algumas telas de consultas processuais nas quais consta o citado causídico como patrono da mencionada empresa. Ora, tal documentação é sobremaneira incipiente para sustentar as ilações da peça acostada; conforme já referido, a justificativa dos depósitos conforme requerida pelas normas de regência deve ser individualizada, não havendo sido trazido, por exemplo, contratos de prestação de serviços, ou a relação dos créditos que embasaram a autuação os quais estariam, supostamente, associados a essas prestações de serviços, para viabilizar eventual cotejo das justificativas com os depósitos e, porventura, expurgo de parte da infração. Ademais, o momento do iter processual não comporta a realização de diligências adicionais, tanto mais visando a produção de prova para o recorrente, o qual, como denotado pela decisão guerreada, não se desincumbiu de buscar os elementos que necessitava para dar amparo as suas alegações, ao longo do presente contencioso. Noutro giro, há que se reconhecer que o lançamento efetuado com base nos depósitos realizados na conta de Enio Pedro Loss não se reveste da mesma solidez apontada quanto ao efetuado com base na conta de Domingos Sales de Araújo. De pronto, com relação às contas de Enio Pedro Loss não há qualquer tipo de manifestação/declaração nos autos do recorrente acerca de que a titularidade de fato delas lhe pertencia, ou mesmo a sua empresa, diversamente do que ocorreu, como visto, com relação às contas de Domingos Sales de Araújo. Por seu turno, Enio Pedro Loss, em seu depoimento (fls. 1349 e ss), não alude serem as contas de sua titularidade de movimentação exclusiva do autuado, ao contrário, afirma que o dinheiro pertencia ao recorrente e à Francisco José Gonçalves Pereira, o qual teria o papel de "assessorar Beline" nos negócios. Destarte, ainda que haja indícios de que ao menos parte dos recursos que transitaram pelas contas de Enio Pedro Loss sejam de titularidade do autuado, o fato é que as provas são mais frágeis. Além disso, causa espécie que em nenhum momento a autoridade fiscal tenha efetuada diligência junto à Francisco José Gonçalves Pereira, citado pelo titular formal da conta como sendo um dos responsáveis pela movimentação bancária de Enio Pedro Loss. Tal fato assoma como mais surpreendente haja vista que vários empregados dos escritórios envolvidos nas situações em comento foram devidamente intimados a colaborar com o procedimento fiscal. Careceu o procedimento fiscal, sob esse ângulo, de maior aprofundamento. Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 15586.002317/200880 Acórdão n.º 2202004.499 S2C2T2 Fl. 1.742 27 Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade por vício material, e por dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir da base de cálculo da infração os depósitos associados às contas bancárias de Enio Pedro Loss. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1742DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900376/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, vencido o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães (relator), que negou provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16682.900376/2014-38
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878608
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.416
nome_arquivo_s : Decisao_16682900376201438.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 16682900376201438_5878608.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, vencido o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães (relator), que negou provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7360019
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582882713600
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-21T13:18:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2018-06-21T13:18:14Z; dcterms:modified: 2018-06-21T13:18:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2018-06-21T13:18:14Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-21T13:18:14Z; meta:save-date: 2018-06-21T13:18:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-21T13:18:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; pdf:charsPerPage: 1561; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900376/201438 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.416 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de maio de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, vencido o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães (relator), que negou provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 00 37 6/ 20 14 -3 8 Fl. 1508DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1247/1259) interposto contra o Acórdão proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (fls. 1186/1221) que, por unanimidade de votos, deu parcial provimento à manifestação de inconformidade. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, completandoo ao final: Tratase do Despacho Decisório de fl. 1.168, cientificado em 14/04/2014 (fls. 1.176 a 1.177) no qual foi analisado o PER/DCOMP com demonstrativo de crédito nº 30029.90397.211009.1.7.021353, período de apuração do crédito 01/01/2008 a 31/12/2008, tipo de crédito referente a Saldo Negativo de IRPJ, tendo sido concluído o seguinte: O Saldo Negativo de IRPJ reconhecido, no valor de R$ 508.187.502,01, denominado crédito disponível, foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 30029.90397.211009.1.7.021353, e não foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP 39901.65664.211009.1.7.023027, 25674.80001.211009.1.7.023304 e 17848.41180.211009.1.7.026780, sendo o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2014 igual a: R$ 907.034.156,21 de principal, acrescido da multa de mora de 20%, no valor de R$ 181.406.831,21 e dos juros de mora de R$ 419.990.168,39. 2. Às fls. 1.169 a 1.175, foram juntadas as informações complementares da análise do crédito feita pelo Despacho Decisório, as quais fazem parte deste. É também informado que documentos considerados na análise do direito creditório estão arquivados no Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 4 3 processo nº 16682.720804/201106. fls. 35.093 a 35.098, e podem ser consultados na Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do sujeito passivo. 3. Inconformada, a Interessada apresentou, em 09/05/2014 (fl. 04), a Manifestação de Inconformidade de fls. 05 a 22, na qual alega, em síntese: (...) DO DIREITO a) Nulidade Preterição ao Direito de Defesa Conforme se extrai do Despacho Decisório, os fundamentos arguidos para glosar o crédito, na parte pertinente ao IRRF, não apontaram as razões pelas quais as respectivas DIRFs não foram aceitas, fazendose, em muitos casos, afirmações evasivas que, por sua vez, se restringiram a informar a ausência de comprovação das retenções. Todavia, na medida em que todos os comprovantes de retenção foram disponibilizados ou estavam à disposição da fiscalização, perguntase: quais, exatamente, seriam essas inconsistências? A resposta à indagação acima não foi anunciada na decisão administrativa ora impugnada, na parte que não homologou parte do crédito referente ao imposto de renda retido na fonte, o que deixa a Contribuinte à mercê da tentativa de adivinhar quais os fundamentos da não homologação. Isto porque o processo de fiscalização em discussão não foi robusto o bastante para permitir por quais razões que os documentos apresentados pela requerente não teriam sido suficientes à comprovação dos créditos em destaque. O crédito da requerente fora fiscalizado, mas não lhe foram informados, oportunamente, os fatos que teriam motivado a glosa dos créditos correspondentes às retenções na fonte. Tal situação limita o direito de defesa da Contribuinte, posto que ela não tem como saber, com exatidão, quais seriam os fundamentos para a não homologação, o que, por outro lado, a expõe à frágil condição de elaborar sua manifestação fincada em suposições. Por óbvio que, em razão disto, fica exposta à eventual decisão que venha a considerar que outros seriam os fundamentos para a não homologação de seu crédito. Tal situação traz inegável limitação ao direito de ampla defesa da Requerente, o que é vedado pelo ordenamento jurídico nacional, em particular pelo disposto no inciso LV do artigo 5° da Constituição. Em razão de todo o exposto, a decisão deve ser declarada nula, por força do disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto Lei 70.235/72, visto que não se apresentou, de modo cabal, os fundamentos que identifiquem com clareza as razões para a não homologação de parte do crédito pleiteado. b) Do Direito ao crédito no que tange às retenções das fontes pagadoras Apesar da evidente preterição no exercício ao direito de defesa da Requerente, tentará ela apresentar os fundamentos de defesa Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 5 4 contra as razões que supõe sejam aquelas que tenham levado à decisão de não homologação de parte de seu crédito, particularmente no tocante às retenções tributárias de IRRF, embora deixe claro que a apresentação de tal peça de defesa encontrase fragilizada ante a incerteza dos fundamentos que pautaram a r. decisão. Presumindo que a glosa dos créditos provenientes da retenção na fonte do IR se restrinja, apenas, à ausência de documentos comprobatórios, a Contribuinte cuida de relacionálos um a um, conforme documentação anexa, com o que essa DRJ poderá analisálos de forma pormenorizada. Segue, contudo, exposição de motivos que autorizam o reconhecimento do crédito pleiteado: b.l) Retenções que, segundo a Receita, não estariam demonstradas no relatório ou razão ou, ainda, desacompanhadas do DIRF Essa ''justificativa'' pode ser observada em relação aos CNPJ' s abaixo discriminados, para os quais a requerente expõe o que se segue: b.1.1) CNPJs 00.001.180/000126, 00.843.132/000185, 01.387.400/000164, 04.957.650/000180, 15.126.451/00018 95,57.259.392/000397: as retenções sobre as respectivas notas fiscais estão devidamente registradas no razão contábil (DOCUMENTO_COMPROBATORIO 009 e 047); (...) b.1.10) CNPJ 34.274.233/000102 (Petrobras Distribuidora): de acordo com o informe de rendimentos e detalhamento, o crédito foi informado com o código indevido (5706), sendo que o correto é o 3426. Tratase, pois, de retenção informada pela requente com indicação errada do código de receita. No entanto, não se pode negar a existência do crédito, conforme documentação em anexo, sob pena de enriquecimento sem causa da Fazenda Pública (DOCUMENTO _COMPROBATORIO 028 e 029); b.2) Crédito que, segundo a Receita, ostenta valor declarado diverso daquele que fora confirmado Este tópico trata dos casos em que a fiscalização concedeu valores menores que os registrados nas DCOMPs, conforme se segue: b.2.1) CNPJ 33.069.766/013160: as retenções sobre as respectivas notas fiscais estão devidamente registradas no razão contábil (DOCUMENTO _COMPROBATORIO 009 e 047); (...) b.2.7) CNPJ 33.000.118/000179 (Telemar): de acordo com os informes em anexo, as retenções foram feitas nos anos de 2007 e 2008, sendo que, com relação ao ano de 2007, a requerente utilizou como crédito o valor de R$275,84 apenas, restando um remanescente, usado no ano calendário de 2008 (DOCUMENTO_COMPROBATORIO 036 e 037). b.3) Retenções que, segundo a Receita, são provenientes de competências anteriores Essas observações são apresentadas pela Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 6 5 fiscalização no que tange às fontes pagadoras de CNPJ nºs 03.258.983/000159, 04.992713/000130 e 33.479.023/000180. Como bem provam as DIPJs dos anoscalendários de 2005 (ficha 50 DOCUMENTO COMPROBATÓRIO 038 e 039), 2006 (ficha 54 DOCUMENTO COMPROBATÓRIO 040 e 041) e 2007 (ficha 54 DOCUMENTO COMPROBATORIO 042 e 043), a totalidade dos créditos em questão não foram aproveitados naqueles anos calendários, sendo que o remanescente do crédito fora aproveitado no anocalendário de 2008. c) Do Direito ao crédito no que tange às compensações realizadas Com relação às estimativas compensadas no ano de 2008, a decisão ora impugnada destaca 2 DCOMPs com homologação parcial e 57 DCOMPs não homologadas, fato este que, segundo a fiscalização, seria um empecilho legal para a confirmação do saldo negativo declarado pela requerente. Tal procedimento, contudo, afronta o princípio da legalidade, uma vez que não há previsão legal para que se promova a interferência entre processos de compensação tal como realizado pela fiscalização, visto que, na prática, a glosa do crédito pleiteado (saldo negativo) a partir da indicação de PER/DCOMP's utilizadas para pagamento do IR apurado por estimativa, mas que ainda estão pendente de solução definitiva, configura a cobrança, por via oblíqua, do valor do débito que está sendo tratado nos processos arguidos pela fiscalização. Não bastasse, o procedimento da fiscalização em destaque está a configurar cobrança em duplicidade em desfavor desta contribuinte, conforme se passa a demonstrar. Isto porque, quando da análise de crédito em questão, fora omitido pela fiscalização o fato de que, à exceção da DCOMP tratada nos autos do PAF n° 15374.724396/200950, todas as DCOMP's destacadas por ela como não homologadas ou como parcialmente homologadas para estimativas do ano de 2008 ainda estão sendo discutidas administrativamente, nos autos dos respectivos processos de crédito, uma vez que os respectivos despachos decisórios de não homologação ou homologação parcial foram impugnados por esta contribuinte, como bem prova a documentação em anexo (DOCUMENTO_COMPROBATORIO 044 e 045) e o quadro abaixo: (...) Ora, estando os processos de compensação ainda em fase de discussão administrativa, seja em sede de manifestação de inconformidade, seja perante o CARF, não podem as decisões de rejeição a tais créditos surtir quaisquer efeitos, sob pena de se contrariar, cabalmente, o disposto no art. 151, inciso III,do Código Tributário Nacional, bem como no § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, in verbis: Código Tributário Nacional "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 7 6 III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; " Lei n° 9.430/96 "Art. 74. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003)". Assim, estando os respectivos débitos fiscais com sua exigibilidade suspensa, por força dos dispositivos legais supramencionados, não há que se falar em alteração do saldo negativo apurado pela requerente, no tocante às compensações ora tratadas, visto que a manutenção da aludida medida implica na mitigação (ou menosprezo) dos efeitos gerados sobre a suspensão de sua exigibilidade. No entanto, mesmo que assim não fosse, ou melhor, ainda que os processos de crédito já tivessem terminado, com resultado desfavorável a esta contribuinte (com decisão final de não homologação dos créditos pleiteados por meio das DCOMPs em questão), fato que se admite pela necessidade de argumentação, o saldo negativo de IRPJ apurado para o exercício de 2009 não se alteraria, por uma única razão: os débitos fiscais correspondentes seguiriam o procedimento ordinário de cobrança, conforme disposto na Lei nº 6.830/80 e na Lei nº 10.522/2002, sendo que, ao final, o resultado, caso a Contribuinte reste derrotada também na esfera judicial, seria o seu efetivo pagamento. Desta forma, o saldo negativo do IRPJ declarado pela contribuinte, de uma forma ou de outra, sempre existirá, visto que, na hipótese de sair vencedora na discussão que está sendo travada, nada haverá que ser arguido em seu desfavor. Por outro lado, caso o resultado final seja sua derrota, a Contribuinte invariavelmente será compelida a promover o pagamento do débito lá indicado para compensação, através dos meios legais disponibilizados à União, com o que o saldo negativo estará, repisase, resguardado, mais uma vez, em sua integralidade Neste ponto, aliás, vale destacar a particularidade da DCOMP tratada nos autos do PAF n° 15374.724396/200950, excepcionada no início deste tópico. Conforme demonstrado pela documentação em anexo (DOCUMENTO _COMPROBATORIO 046), o débito fiscal correspondente a ela fora inserido no REFIS (Lei n° 12.865/2013), tendo havido o pagamento pela requerente, com a consequente extinção do débito fiscal respectivo, não havendo, pois, qualquer impacto na apuração do resultado do IRPJ, na parte do saldo negativo que é representado pelo aludido PAF. Por outro lado, referida circunstância somente vem a reforçar a ilegalidade do fundamento ora combatido uma vez que além de não existir amparo legal para a medida adotada pela fiscalização, a menção ao débito tratado nos PAF' s para glosa de parte do crédito invariavelmente declinará na a cobrança em duplicidade dos valores que estão sendo tratados nas respectivas DCOMP's, uma vez que, não Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 8 7 obstante, por exemplo, o pagamento do débito tratado no PAF n° 15374.724396/200950 via REFIS, foi ele arguido para glosa de parte do saldo negativo, fato último a caracterizar, repisase, a execução, por via oblíqua (e sem previsão legal para tanto) do aludido valor. De mais a mais, não se pode perder de vista o seguinte problema de ordem prática: como a Contribuinte poderá reverter a glosa que ora está sendo perpetrada em seu desfavor quando, no futuro, ante o desfecho dos PAF' s argüidos para minar seu crédito, se verificar que a questão foi solucionada, seja por meio da vitória da Contribuinte, seja através do pagamento do débito, caso ela seja derrotada em todas as instâncias de discussão? De qualquer sorte, ainda que fosse admitida a existência de dispositivos legais capazes de autorizar o reflexo dessas compensações na análise dos créditos tratados nas DCOMP's ora em discussão (fato que se admite pela necessidade de argumentação), certo é que os respectivos despachos decisórios de não homologação dos créditos só poderiam surtir efeito após decisão final dos processos correspondentes, por força do já mencionado art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional, e do § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, razão pela qual a decisão da fiscalização, nos presentes autos, se mostra, no mínimo, precipitada. Ou seja, caso persista o entendimento sobre a suposta "prejudicialidade" arguida pela fiscalização em razão da não homologação das DCOMP's utilizadas para a quitação do IR apurado por estimativa durante o exercício de 2008, cumprialhe, quando muito, impor a suspensão do presente PAF até que as discussões travadas nas aludidas DCOMP' s fossem efetivamente resolvidas, sob pena de se caracterizar não só a cobrança em duplicidade do débito ali arguido, mas a impossibilidade da Contribuinte ter em retomo o saldo negativo que ora reclama para fins de compensação das DCOMP's 30029.90397.211009.1.7.021353, 39901.65664.211009.1. 7.023027, 25674.80001.211009.1.7.023304 e 17848.41180.211009.1.7.026780, caso, conforme já dito, saia vitoriosa ou sucumbente nos aludidos processos, conforme fundamentos acima expostos. 4. É o Relatório." A DRJ/Rio de Janeiro/RJ proferiu a decisão de primeira instância, por meio do Acórdão nº 1281.024, na sessão de 27/04/2016, dando Provimento Parcial à Manifestação de Inconformidade, nos termos do relatório e voto, para afastar a Preliminar de Preterição do Direito de Defesa, bem como reconhecer o crédito adicional de R$ 858.343.071,74 e que, no limite deste crédito adicional, sejam efetuadas as homologações dos PER/DCOMP mencionados no corpo do Despacho Decisório, devendo ser cobrado débito eventualmente não quitado. A seguir, trago a colação a ementa desse Acórdão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO DE IRRF. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 9 8 jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Para efeito de apuração do IRPJ anual, poderão ser computadas as estimativas que tenham sido objeto de pagamento ou compensação sob condição resolutória de homologação. Na hipótese de não homologação da compensação, os débitos confessados em DCOMP (§ 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) serão cobrados por força do que determinam os § 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do IRPJ a pagar ou do Saldo Negativo apurado na DIPJ, vez que a referida glosa implicaria a dupla cobrança das estimativas, uma diretamente por força do que determina o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e outra, indiretamente, pela glosa das estimativas. Inteligência do Entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil (Cosit) — Solução de Consulta Interna nº 18/2006. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIMITE. Apurase o direito creditório do contribuinte com base nas provas constantes nos autos do processo, para homologar as compensações efetuadas por meio de PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 1247/1259), ora sob apreço, alegando que, conforme exposto no acórdão recorrido, as compensações declaradas pela recorrente não foram homologadas em sua totalidade ante ao entendimento de que, no tocante as retenções na fonte declaradas, não se teriam apresentado provas suficientes de sua comprovação. Afirma a recorrente que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade são suficientes para fazerem prova em seu favor, sendo que, somados aos novos documentos que ora se apresentam, estancase qualquer dúvida que se teria quanto à legitimidade do pleito da recorrente, conforme a seguir demonstrado: Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 10 9 Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 12 11 Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 13 12 Por todo o exposto requer a recorrente: a) o deferimento da juntada de documentos em anexo, bem como pela posterior juntada de documentos complementares que venham contribuir para a apuração da verdade Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 14 13 material, além da produção de outras provas que necessariamente contribuam para o melhor deslinde da questão; b) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas na pessoa do Dr. Hélio Siqueira Júnior, OAB/RJ nº 62.929, procurador devidamente constituído nos autos; c) seja homologada em sua totalidade as compensações declaradas. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto vencido. Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O indeferimento do direito creditório requerido pelo contribuinte soma R$ 20.763.680,08, compondose exclusivamente de IRRF cuja comprovação não foi feita com documentação exigida pela legislação. Antes da análise individual de cada item não reconhecido é preciso pontuar que a retenção na fonte do Imposto de Renda para fins de composição do chamado “saldo negativo” exige sua sustentação em documentação probante regular, o oferecimento à tributação dos rendimentos e que os valores pleiteados encontremse informados em comprovante específico emitido pela fonte pagadora, conforme expressa determinação do RIR/1999: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei n º 4.154, de 1962, art. 13, § 2 º , e Lei n º 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei n º 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei n º 2.124, de 1984, art. 3 º , parágrafo único). § 1 º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei n º 4.154, de 1962, art. 13, § 1 º ). § 2 º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 15 14 física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1 º e 2 º do art. 7 º , e no § 1 º do art. 8 º(Lei n º 7.450, de 1985, art. 55). (Grifamos). Complementarmente, prescrevia a IN (SRF) nº 119, de 28/12/2000 (vigente à época dos fatos), em seu art. 2º: Art. 2º A fonte pagadora deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária, comprovante de retenção do imposto de renda que indique: I o nome empresarial e o número de inscrição completo (com 14 dígitos) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da fonte pagadora e do beneficiário; II o mês da ocorrência do fato gerador e os valores em reais, inclusive centavos, do rendimento bruto e do imposto de renda retido; III o código utilizado no DARF (com 4 dígitos) e a descrição do rendimento. Neste contexto, ainda que outras provas, inclusive a escrituração regular da requerente possam ter cunho probante subsidiário, é inegável a existência de norma cogente (artigos 942/943, do RIR/1999, com seus respectivos fundamentos legais expressos no final de cada um deles) que vincula os julgadores e que dela não podem se afastar sob pena de negar vigência a dispositivo plenamente válido. Deste modo, carece de fundamento a alegação da recorrente em seu recurso voluntário quando assenta que (fls. 1254): A decisão recorrida apresenta uma tabela, reproduzida abaixo, que sintetiza o voto condutor relativamente às glosas de IRRF efetuadas por meio do despacho decisório, denominadas de "valor não confirmado", o crédito adicional e a glosa mantida pela decisão "a quo": Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 16 15 Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 17 16 Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 18 17 Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 19 18 A recorrente questiona em seu voluntário apenas as seguintes linhas da tabela: Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 20 19 A decisão de primeira instância manteve a glosa de R$ 17.593.493,70 do despacho decisório, uma vez que o documento apresentado pela ora recorrente às fls 249 (uma tabela confeccionada pela própria contribuinte) não seria documento hábil para comprovar a retenção. Afirma a recorrente, por sua vez, que os Informes de Rendimentos anexados somente com a apresentação de seu Recurso Voluntário (fls. 1260 a 1273) comprovariam uma retenção de R$22.302.034,57 que foi informada com indicação errada do CNPJ da fonte pagadora. O Decreto Nº 70.235/1972 limita a apresentação de provas em fase posterior à impugnatória, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Grifamos). Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 21 20 Há que se reconhecer que a jurisprudência deste Conselho tem abrandado o rigor dessa regra, em casos excepcionais, e em prestígio ao princípio da verdade material. No entanto, esse abrandamento comporta limites. Não se pode admitir que novos documentos sejam apresentados em sede de recurso, quando isso obstaculiza a apuração da autoridade fiscal. Do contrário, teríamos uma desordem no andamento lógico do processo, prejudicando a sua conclusão. O processo é um caminhar para frente, consubstanciandose em uma sucessão de atos que devem ser ordenados por fases lógicas para que não se transforme em uma querela interminável. No presente caso, porém, temse que caberia ao contribuinte, quando da apresentação da manifestação de inconformidade juntar todos os Informes de Rendimentos Financeiros do anocalendário de 2008 para que a autoridade julgadora fizesse a análise da retenção efetuada comparando com as DIRFs pertinentes. Não caberia, agora, uma reanálise, tendo em vista a preclusão do direito. Dito isso, não obstante a preclusão do direito, observase que os Informes apresentados no recurso voluntário referemse a várias fontes pagadoras e estão em desacordo com o inciso III do artigo 2º Instrução Normativa SRF nº 119, de 28/12/2000 (vigente à época dos fatos), pois não registram o código utilizado no DARF (com 4 dígitos) e a descrição do rendimento. Ante o exposto, mantenho a glosa de R$ 17.593.493,70 do despacho decisório e confirmada na decisão de primeira instância. A decisão de primeira instância manteve a glosa de R$ 1.137.877,10 do despacho decisório, uma vez que entendeu não ser possível o aproveitamento pela interessada da retenção de R$ 1.142.811,66 de IRRF efetuada em nome Consórcio Coral (CNPJ nº 005.348.163/000183). No Voluntário, a recorrente aduz que é parte do aludido consórcio, na proporção de 35%, como prova o contrato escrito em língua inglesa, anexo (fls. 1278/1318). Reproduz o item 3.2 do Contrato com a tradução para o português e transcreve conclusão da Solução de Consulta nº 231/02, da SRRF/9ª RF, de 27/12/2002, no sentido de que os rendimentos de aplicação financeira efetuada pelo consórcio, bem como o correspondente imposto de renda na fonte, quando compensável, pertencem à consorciada na proporção participativa. Mais uma vez, a recorrente junta aos autos, somente na fase recursal, documento (Contrato em língua estrangeira com tradução para o português) a ser apreciado pela primeira vez por este Colegiado, sem demonstrar as condições das alíneas a, b ou c do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72, ao norte reproduzidos. Não obstante, somente se admite, para fins de prova, o documento em língua estrangeira, desde que vertido em vernáculo, por tradutor juramentado e oficialmente registrado em cartório, junto com a tradução, o que não se configura nos autos. Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 22 21 Assim, por todo o exposto, mantenho a glosa do IRRF no valor de R$ 1.137.877,10. A decisão de piso manteve a glosa de R$ 1.043.409,53 do despacho decisório, uma vez que compulsando a DIRF pertinente (a Interessada como beneficiária desta fonte pagadora no anocalendário de 2008), verificou que o valor da retenção informada no código 1708 é igual a R$ 141.215,36. No Voluntário, a recorrente anexa o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, no valor não reconhecido pelo acórdão recorrido no valor de R$ 1.043.409,53, abaixo reproduzido. Ressalta, porém que, embora o documento em questão faça referência ao anocalendário de 2007, a DIPJ do exercício de 2008, que também segue em anexo, evidencia que o valor em questão não foi deduzido em 2007, sendo, segundo o sujeito passivo, legítima a sua dedução em 2008. Entendo, nesse caso, que é defeso à recorrente a postergação da dedução do IRRF para o anocalendário subsequente. Deveria, no caso, proceder a retificação de sua DIPJ acrescentando a dedução do imposto retido, observando o regime de competência. Assim, mantenho a glosa de R$ 1.043.409,53, conforme decisão recorrida. Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 23 22 A decisão de primeira instância manteve a glosa de R$ 33.558,29 do despacho decisório, uma vez que compulsando a DIRF pertinente (a Interessada como beneficiária desta fonte pagadora no anocalendário de 2008), verificou que o valor da retenção informada no código 5706 é igual a R$ 468.941,71. Com relação ao código 3426, a autoridade a quo informou que não encontrou retenção informada para esse código na DIRF. No Voluntário, a recorrente anexa os informes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora nos códigos de retenção 5706 (referente a um crédito não utilizado no ano calendário de 2007 no valor de R$ 502.500,00) e 3426 (referente a um crédito não utilizado no anocalendário de 2005, no valor de R$ 247.740,95). Argui o sujeito passivo que, embora os documentos em questão façam referência aos anoscalendário de 2007 e 2005, as DIPJs da recorrente, referente aos exercícios respectivos, que também seguem em anexo, evidenciam que os valores em questão não foram deduzidos naqueles anos, sendo, pois, legítima a sua dedução em 2008. Entendo, como no caso anterior, que é defeso à recorrente a postergação da dedução do IRRF para o anocalendário subsequente. Deveria, no caso, proceder a retificação de sua DIPJ acrescentando a dedução do imposto retido, observando o regime de competência. Assim, mantenho a glosa de R$ 33.558,29 (código 5706) e R$ 247.740,95 (código 3426), conforme decisão recorrida. A decisão de primeira instância manteve a glosa de R$ 133.200,00 do despacho decisório, com base na DIRF. Na manifestação de inconformidade, a interessada trouxe Informe de Rendimentos Financeiros (doc. de fls. 247/248) que comprovam exatamente o que está na DIRF, R$ 2.177.561,42 (R$ 968.137,71 + R$ 1.209.423,71) de IRRF. No Voluntário, a recorrente alega que a fiscalização (despacho decisório) não reconheceu a parcela de R$133.200,00, sob a justificativa de que a retenção na fonte teria sido confirmada com outro código de receita. Assim, segundo a contribuinte, a DRJ se equivocou ao afirmar que o despacho decisório reconheceu todo o valor de IRRF declarado pela recorrente (R$ 2.177.561,42). Em razão disso, requer seja reconhecido o montante do crédito, correspondente ao valor acima indicado, ainda que o contribuinte o tenha informado com indicação errada do código de receita (página 5 do PER/DCOMP 30029.90397.211009.1.7.021353) . Ao contrário do que diz a recorrente, o despacho decisório, como registrado na "Análise das Parcelas de Crédito" não confirmou o IRRF no valor de R$ 133.200,00. O valor da retenção confirmada com outro código de receita no CNPJ em questão foi de R$ 2.044.361,42, conforme tela abaixo que trago a colação: Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 24 23 Portanto, correta a decisão recorrida que manteve a glosa de R$ 133.200,00. Por todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Voto vencedor. Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Redator designado. Por primeiro, com a devida vênia do i. relator, cumpre esclarecer que, no que tange ao documento necessário para a comprovação do Imposto de Renda retido na fonte, de fato a legislação dispõe sobre comprovante específico emitido pela fonte pagadora, nos termos dos artigos 942 e 943 do RIR/99. No entanto, muito embora tais normas nesse sentido, não se pode olvidar que há outros meios aptos para que se possa considerar ter havido a retenção, com vistas ao aproveitamento do valor retido para fins de, no caso concreto, composição do saldo negativo do IRPJ. Por expressar de forma clara e proficiente o entendimento acima expendido, transcrevo abaixo excerto do voto da i. Cons. Gisele Barra Bossa, condutor do acórdão nº 1201002.084, desta turma: 21 Inicialmente, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Nos termos do artigo, art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. 22 Mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Constam do rol as provas "ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias", incidências que fogem a realidade do presente caso. Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 25 24 23 No mais, em caso de dúvidas quanto à exatidão da informações prestadas, deve a autoridade fiscal: (i) condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios adicionais; (ii) realizar diligência fiscal no estabelecimento do contribuinte; (iii) oficiar aos órgãos da administração pública que efetuaram a retenção; e (iv) buscar informações através de consultas aos sistemas internos SRF SIEF DIRF SINAL, com fundamento no artigo 65, da IN RFB 900/2005 e nos artigos 36 e 37 da Lei nº 9.784/1999, verbis: IN RFB 900/2005 Art. 65. A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 24 Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. 25 O atendimento dos pressupostos constantes do item 20 e 21 garante isonomia aos litigantes, o pleno exercício da boafé, da cooperação processual e do contraditório efetivo. São mecanismos importantes capazes levar a verdade material e trazer satisfatividade às decisões proferidas, conforme prevê os artigos 5º ao 8º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999, verbis: Lei nº 13.105/2015 Art. 5o Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7o É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8o Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 26 25 dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência. Lei nº 9.784/1999 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 26 Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência. 27 De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila1 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 28 Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. 29 Outro aspecto relevante diz respeito à necessária aplicação do artigo 29, da Lei nº 9.784/992. Em que pese o interessado tenha o dever de provar os fatos que alega (artigo 36, da Lei n º 9.784/99), as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício e os atos de instrução que exijam a atuação do interessado devem realizarse de modo menos oneroso para estes. 30 Em termos práticos, as autoridades fiscais dispõem de eficientes meios para obtenção de determinadas provas, compartilham dados e informações entre órgãos da administração pública e possuem plataformas tecnológicas de dados alimentadas pelos órgãos e pelos próprios contribuintes, capazes de viabilizar a segura tomada decisão pelo julgador, reduzir os custos procedimentais e estruturais, bem como garantir que os atos sejam realizados de modo menos oneroso às partes. 1 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 27 26 31 Não foi por acaso que a Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), em seu artigo 373, trouxe a possibilidade de distribuição diversa do ônus da prova diante da impossibilidade ou excessiva dificuldade da parte de cumprir o encargo. Essas medidas cooperativas trazem maior equilíbrio entre as partes, celeridade na condução e assertividade nas decisões. Ainda, quanto à apresentação de provas somente em sede de recurso voluntário, expõe o relator que existe norma que restringe a apreciação delas, quando não comprovadas as condições estabelecidas: impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; referirse a fato ou a direito superveniente e destinarse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Mais uma vez, com a devida vênia do relator, esse rigor tem sido mitigado neste colegiado, ante aos princípios do contraditório, ampla defesa, verdade material e formalismo moderado. Além disso, já há interpretação diversa do dispositivo legal que veicula a restrição, no sentido de que o termo "impugnação" não pode ser tomado de forma literal. Abaixo, transcrição de ementa de acórdão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais que decidiu sobre o assunto: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Acórdão nº 9101003.097 – Câmara Superior de Recursos Fiscais 1ª Turma. Sessão de 14 de setembro de 2017 Relator Cons. André Mendes de Moura). Do voto condutor da referida decisão colhemos o seguinte: Observase que, no exercício que lhe compete, a norma processual estabelece prazos para a apresentação das peças processuais pelas partes. Estabelece a necessária ordem ao processo, e permite a devida estabilidade para o julgamento da lide. Apesar de o texto mencionar apenas "impugnação", entendo que a interpretação mais adequada não impede a apresentação das provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão da matéria em litígio, ou seja, podem ser apresentadas desde que não disponham sobre nenhuma inovação. Foi precisamente o que ocorreu no caso concreto. A Contribuinte, diante da constatação da decisão da DRJ, de que não havia documentação suficiente para comprovar a origem do crédito saldo negativo apurado no anocalendário de 1995 que foi utilizado para compensar o imposto de renda apurado por estimativa mensal do anocalendário de 1996, tratou de acostar, junto ao recurso voluntário, documentos probatórios que considerou aptos para lastrear o direito creditório pleiteado. Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 16682.900376/201438 Resolução nº 1201000.416 S1C2T1 Fl. 28 27 Enfim, vale registrar que a apresentação das provas, em outra fase processual, segue o mesmo rito previsto pelo art. 16 do PAF, que estabelece com clareza prazo para sua apresentação (30 dias da ciência da parte) e discorre sobre a preclusão processual ocorrida em face do descumprimento temporal. E, no caso em tela, os documentos foram acostados por ocasião da interposição do recurso voluntário. Portanto, entendo não haver óbice para se considerar as provas acostadas pela Contribuinte. Feitas essas observações, concluise que, apresentadas provas junto com o recurso voluntário, elas devem ser analisadas, sem prejuízo das diligências que se fizerem necessárias. Conclusão. Em face do exposto, tendose em vista a apresentação de documentos tempestivamente (no prazo do recurso), eles devem ser considerados para fins de comprovação do direito da recorrente. Contudo, uma vez a necessidade de aclaramento quanto a alguns pontos ainda não patentes, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem: a) analise todos os informes de receitas/rendimentos juntados ao recurso voluntário, independentemente do ano da retenção, confrontandoos com as DIRFs correspondentes, levandose em consideração, ainda, o CNPJ da fonte pagadora e, também, o código de arrecadação, mesmo que diferentes daqueles indicados em DIPJ ou PER/Dcomp; b) relativamente aos informes de anoscalendário anteriores, verificando se o tributo retido não foi utilizado em outros períodos; c) apure a composição do Consórcio Coral (CNPJ nº 05.348.163/000183), e se foi observada a devida proporção quanto à dedução do IRRF efetuada em nome desse consórcio; d) confirme o oferecimento à tributação das receitas correspondentes aos IRRFs; e) verifique não haver outros PER/Dcomps que se utilizam dos mesmos créditos da Dcomp a que se refere este processo. A recorrente poderá ser intimada a apresentar livros e documentos pertinentes a comprovar a sua alegação, a critério da autoridade diligenciante. O resultado da diligência deverá constar de despacho circunstanciado do qual se dará ciência à recorrente para que, querendo, manifestese no prazo de trinta dias. Manifestandose ou não a recorrente no prazo ofertado, os autos devem retornar para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1534DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.721188/2017-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 LINDB).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Relatório
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11020.721188/2017-68
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897501
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.591
nome_arquivo_s : Decisao_11020721188201768.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIVIA DE CARLI GERMANO
nome_arquivo_pdf_s : 11020721188201768_5897501.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 LINDB). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7409257
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050582891102208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1090; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 4.391 1 4.390 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.721188/201768 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.591 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 15 de agosto de 2018 Assunto ÁGIO. ART. 24 LINDB Recorrente RIO GRANDE ENERGIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 LINDB). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .7 21 18 8/ 20 17 -6 8 Fl. 4391DF CARF MF Processo nº 11020.721188/201768 Resolução nº 1401000.591 S1C4T1 Fl. 4.392 2 Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2012 e 2013, em razão da amortização de ágio considerada indedutível, acrescidos de multa de 150%. O presente lançamento é complementar ao formulado nos autos do processo 11020.721280/201302, que tratou da glosa de despesas com amortização de ágio referentes aos anoscalendário de 2007 a 2011 originadas da mesma operação societária. Em resumo, a glosa ocorreu porque entendeu a autoridade autuante que "O ágio fundamentado na aquisição da RGE só poderia provocar efeitos fiscais se houvesse incorporação da CPFL Energia pela RGE ou viceversa" (fl. 3.302) e que "a operação de capitalização da CPFL Energia na CPFL Serra foi SIMULADA" (fl 3.304). Vale transcrever o trecho do TVF dedicado à conclusão final (fl. 3.306): Em 19 de fevereiro de 2018 a DRJ em Brasília DF julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 IRPJ/CSLL AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. SIMULAÇÃO. MATÉRIA JÁ JULGADA Matéria fática enfrentada na 1ª instância administrativa não deve ser reexaminada na mesma instância. O enfrentamento deve se dar por meio de recurso voluntário para a 2ª instância administrativa. Em assim sendo, a prática de atos simulados e o abuso de direito para obtenção de vantagem tributária ofendem os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da isonomia tributária e devem ser desconsiderados para fins tributários. É cabível o agravamento da multa de ofício quando os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem identificar o intuito doloso do contribuinte de reduzir ou evitar o pagamento dos tributos devidos pela pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito Fl. 4392DF CARF MF Processo nº 11020.721188/201768 Resolução nº 1401000.591 S1C4T1 Fl. 4.393 3 tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 2 de março de 2018 (fl. 4.266), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 2 de abril de 2018 (fl. 4.268), alegando, dentre outros argumentos, a legitimidade tanto da aquisição da Rio Grande Energia pelo grupo CPFL tanto do posterior aproveitamento da dedutibilidade fiscal do ágio pela Recorrente. Recebi o processo em distribuição realizada em 14 de junho de 2018. Colocado o processo em pauta nesta data, a Recorrente apresentou petição argumentando que a autuação deveria ser cancelada por força da Lei 13.655/2018, já que a decisão pela amortização do ágio ora discutida (anoscalendário 2012 e 2013) se deu com base nas orientações da época, tendo sido pautada na jurisprudência majoritária do CARF, cujas ementas transcreve. É o que cabia relatar no momento. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Em virtude da recente publicação da Lei 13.655, de 25 de abril de 2018, a Recorrente apresenta a este colegiado questão inédita, a qual deve ser admitida a discussão, tendo em vista ser relativa a fato ou direito superveniente. Referida lei incluiu o artigo 24 à Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, de seguinte teor: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Fl. 4393DF CARF MF Processo nº 11020.721188/201768 Resolução nº 1401000.591 S1C4T1 Fl. 4.394 4 Aduz a Recorrente que a autuação decorre de análise de operação de aquisição de ativo com ágio ocorrida no contexto do "Plano de Desverticalização" (Lei 10.848/2004), e que, sobre a matéria, jurisprudência do CARF proferida nos anos de 2012 em diante foi majoritariamente favorável ao contribuinte, citando ementas. Por se tratar de questão nova apresentada nesta data, entendo que é prudente baixar o processo em diligência a fim de oportunizar à Procuradoria da Fazenda Nacional a manifestação sobre a petição de fls. 4.3794.390, garantindose assim a igualdade de tratamento às partes do processo. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 4394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.721765/2011-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
CONCOMITÂNCIA. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 243/2002.
Não é possível o conhecimento da questão da concomitância pelo não estabelecimento de divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, não se avançando, pois, quanto ao seu mérito e, menos ainda, na ilegalidade da IN n. 243/2002, não apreciada pela instância a quo.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO.
Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzi-los como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço-parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que, neste, estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional.
Numero da decisão: 9101-003.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial. No mérito, na parte conhecida, (ii) quanto aos fretes, seguros e imposto de importação, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (iii) quanto aos juros de mora sobre multa de ofício, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator "ad hoc"
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 CONCOMITÂNCIA. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 243/2002. Não é possível o conhecimento da questão da concomitância pelo não estabelecimento de divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, não se avançando, pois, quanto ao seu mérito e, menos ainda, na ilegalidade da IN n. 243/2002, não apreciada pela instância a quo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzi-los como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço-parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que, neste, estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10805.721765/2011-36
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897196
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.511
nome_arquivo_s : Decisao_10805721765201136.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
nome_arquivo_pdf_s : 10805721765201136_5897196.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial. No mérito, na parte conhecida, (ii) quanto aos fretes, seguros e imposto de importação, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (iii) quanto aos juros de mora sobre multa de ofício, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator "ad hoc" (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7409162
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050583108157440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.418 1 1.417 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10805.721765/201136 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.511 – 1ª Turma Sessão de 3 de abril de 2018 Matéria Preço de Transferência Recorrente DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 CONCOMITÂNCIA. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 243/2002. Não é possível o conhecimento da questão da concomitância pelo não estabelecimento de divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, não se avançando, pois, quanto ao seu mérito e, menos ainda, na ilegalidade da IN n. 243/2002, não apreciada pela instância a quo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que, neste, estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 17 65 /2 01 1- 36 Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.419 2 Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial. No mérito, na parte conhecida, (ii) quanto aos fretes, seguros e imposto de importação, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (iii) quanto aos juros de mora sobre multa de ofício, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator "ad hoc" (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Na condição de relator "ad hoc" para formalização do presente acórdão, cumpre observar que os parágrafos que seguem quanto ao "relatório" e ao "voto vencido" foram elaborados pela i. Doutora Daniele Souto Rodrigues Amadio, relatora originária dos autos que não mais integra o Colegiado. Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.420 3 Tratamse de autos de infração (Efls. 671 ss.) formalizados para a exigência de IRPJ e CSLL relativamente ao ano calendário 2006, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, decorrente da acusação fiscal de não adição da totalidade dos custos de insumos importados adquiridos de pessoas vinculadas pela DELPHI DIESEL SYSTEMS DO BRASIL LTDA, antes de sua incorporação pela autuada, nos ajustes de preços de transferência, seguindo as regras da Instrução Normativa n. 243/02, no lugar da IN n. 32/01, que no ver da empresa significaria observar o artigo 18 da Lei n. 9.430/96. Para uma leitura mais detalhada, transcrevese, com a licença da extensão, trecho do Termo de Constatação e Encerramento Parcial (Efls. 659 ss.): "Período fiscalizado 1 Esta fiscalização, sob o amparo do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.85.002011.000499, atevese à verificação do cumprimento das obrigações tributárias decorrentes das regras de preços de transferência dos produtos importados no ano de 2006. Responsabilidade tributária 2 A DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL (DELPHI) incorporou, em 29/12/2007, a DELPHI DIESEL SYSTEMS DO BRASIL (DIESEL), CNPJ n° 49,871.155/000192, tornandose responsável pelas obrigações tributárias decorrentes desse evento, em razão do disposto no artigo 207 do Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99): (...) Cálculos dos preços de transferência 3 Foram adotados os três métodos previstos na legislação para avaliação dos bens importados. 4 Para a maior parte dos produtos, a Contribuinte adotou o Método do Preço de Revenda Menos Lucro com margem de 60% PRL 60%, utilizandose, no entanto, da sistemática prevista na Instrução Normativa SRF n° 32/2001, embora na época da ocorrência do fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, vigesse a metodologia estabelecida pela instrução Normativa SRF n° 243/2002. 5 As razões que levaram a empresa a optar por tal procedimento foram esposadas no Mandados de Segurança n° 2007.61.00.0340487. 6 No mandamus, foi prolatada, em 1a Instância, sentença denegatória da segurança pleiteada, não dando guarida à alegada ilegalidade que teria sido veiculada nas disposições contidas na IN SRF n° 243/2002. A empresa apelou ao Tribunal Regional Federal da 3a Região, obtendo decisão favorável, em acórdão publicado em 14/09/2010, que afasta a aplicação da sistemática de cálculo estabelecida no ato administrativo antes mencionado. 7 Embora o assunto encontrese sub judice, posto que a Fazenda impetrou Recursos e Extraordinário, não podendo o mérito ser discutido pela Contribuinte em sede de contencioso administrativo, em razão da prevalência da decisão judicial, cumprenos fundamentar este lançamento tributário, em relação aos procedimentos que devem ser seguidos para a apuração dos preços de transferência praticados na importação, na hipótese de arbitramento efetuado com a utilização do método do preço de revenda com a dedução da margem de lucro de 60% PRL 60%, lastreado na regulamentação trazida pela Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.421 4 Instrução Normativa SRF n° 243/2002. 8 A redação originai do artigo 18, da Lei 9.430/96, era a seguinte: (...) 9 Notase que tanto o preço parâmetro do PRL, quanto a margem de vinte por cento, constituem parcelas sobre o preço de revenda de mercadoria importada. Utilizar valor distinto do de revenda para fundamentar o cálculo do preço limite implicaria criar um novo método. No PRL somos sempre obrigados a utilizar margens brutas determinadas sobre aquilo que foi importado e revendido logo a seguir. 10 Posteriormente, o legislador estendeu a aplicação do PRL para as empresas industriais que agregam valor às matériasprimas e produtos que importam, dispondo no art. 2o da Lei 9.959/2000, que : (...) 11 O texto legal é bastante claro. Ao prescrever o cálculo da margem bruta de lucro, determina que seja considerado 60% sobre o valor líquido de revenda, portanto, daquela parcela que foi importada e, posteriormente, revendida. É extremamente importante notar que o art. 2° da Lei no 9.959/2000 nunca estabeleceu que fosse considerado "60% sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto menos o valor agregado no País".procedimento distinto do que foi determinado no texto da Lei, ou seja, margem de 60% do preço líquido de revenda da mercadoria ou insumo importado. 12 A sistemática de cálculo pretendida pela Contribuinte foi originariamente definida na IN SRF n° 113/2000 e, posteriormente, reiterada na IN SRF n° 32/2001, e não pela legislação ordinária. 13 É fundamental perceber que a forma de cálculo, baseada na margem de lucro de 60% sobre o valor líquido de venda do produto fabricado, foi estabelecida administrativa pela SRF e é procedimento distinto do que foi determinado no texto da Lei, ou seja, margem de 60% do preço líquido de revenda da mercadoria ou insumo importado. 14 A regulamentação trazida pela IN SRF n° 243/2002 deixou de ir além da lei, como cabe a uma boa norma administrativa. Tratase de uma sistemática de apuração dos preços e margens fundamentada no valor de revenda dos bens importados, conforme o exigido pela Lei. 15 Apuramos, ainda, que alguns produtos importados foram revendidos diretamente e também utilizados na produção de outros bens. Nesses casos, ao refazermos os cálculos, conformandoos aos procedimentos previstos na IN n° 243/2002, obtivemos o preço parâmetro pela ponderação entre os preços parâmetros resultantes da aplicação das metodologias do método PRL com margem de 20% e de 60%. 16 Esse procedimento tem como base a Lei no 9,430, de 1996, cujo art. 18, não deixa margem para dúvidas quanto aos métodos efetivamente aplicáveis às operações que menciona: (...) 17 A simples leitura do dispositivo apresentado conduz o intérprete à conclusão de que são três, e não mais do que três, os métodos aplicáveis às operações de importação entre vinculadas. 18 A própria CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal Cosit, na Solução de Consulta n° 5, de 01 de setembro de 2006, a seguir transcrita, ratificou que existem apenas três métodos, não distinguindo duas modalidades de PRL, mas, sim, apenas duas formas de cálculo: (...) Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.422 5 19 Portanto, como em momento nenhum os dispositivos legais de regência mencionam as expressões PRL Revenda (PLR20) e PRL Produção (PRL6Q), mas apenas o Método do preço de Revenda menos o Lucro (PRL), não há como se defender tal segregação, porque não se pode, especialmente na esfera administrativa, diferençar conceitos que o legislador sequer enumera. 20 As margens de lucro de 20% e 60% não são "métodos", mas apenas componentes do cálculo de um método (PRL), conforme se depreende da expressa redação do artigo 18 da Lei n°. 9.430/96 (alterada pela Lei n°. 9.959/2000) e, dessa forma, têm a mesma relevância e hierarquia que as corretagens, comissões, descontos incondicionais e outros custos que podem ser abatidos do preço de revenda. Do mesmo modo que ninguém proclama a existência do "método das comissões" ou do "método das corretagens", não cabe falar em método PRL20 ou PRL60, que, em verdade, são apenas margens presumidas estabelecidas em lei, no caso de o importador optar pelo método PRL cujo caráter de arbitramento é de rigor em detrimento de métodos que ele próprio pode utilizar, sem margens normativas, como é o caso do PIC (Preços Independentes Comparados). 21 Notese que as referidas margens estão previstas em itens pêndulos à alínea d, do inciso II, do artigo 18, o que lhes confere subordinação, e não independência, em relação ao Método PRL, por expressa determinação da LC 95/98: "Art. 10. (...) 22 A interpretação do dispositivo é clara e incontrastável, pois estabelece a concatenação lógica das construções normativas, nas quais itens são desdobramentos de alíneas e alíneas são desdobramentos de incisos. Portanto, se o método PRL está previsto no inciso II do artigo 18 (como os outros dois métodos), suas alíneas e itens lhe são subservientes, e não o contrário. 23 Ambas metodologias de cálculo para a utilização da margem de 20% ou a de 60% embora pareçam, em um exame perfunctório, díspares, são, na realidade, intrinsecamente idênticas, de tal sorte que poderiam, com pequenos ajustes, ser fundidas em uma única sistemática. Em ambos os casos, o que se busca é identificarse o bem importado foi revendido, tanto diretamente, quanto como parte de outro produto, com uma margem de lucro mínima. 24 Tendo em vista a redação do art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996, podese chegar à interpretação alcançada pelo § 2o do art. 4 o da Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002, de que ao se eleger um método, seja o PIC, o PRL e o CPL, para se calcular a média aritmética ponderada dos preços parâmetros, este deverá ser por todo o período de apuração do imposto de renda. 25 Dessa forma, se o PRL for o método eleito para se apurar o preço parâmetro de determinado insumo importado de empresa vinculada, este método deverá permanentemente ser adotado para efeito do cálculo do preço parâmetro médio ponderado durante todo o período anula de apuração. Da mesma forma se aplica ao PIC e ao CPL Na hipótese de utilização do cálculo do preço parâmetro para um mesmo insumo importado, de mais de um método, cabe a prerrogativa de se considerar dedutível o maior valor apurado. 26 Assim sendo, considerandose que o Método PRL é definido "como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos", decorre a conclusão lógica de que, nos casos em que parte da importação de determinado bem se destinar à produção e parte à revenda direta, há que se proceder à ponderação de acordo com as quantidades revendidas utilizandose a margem de 20%, ou à produção, com a observância da margem de 60%, em atenção à distinção Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.423 6 prevista nos itens 1 e 2 da alínea "d" do inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/96. 27 Idêntica metodologia foi aplicada na apuração do preço médio ponderado do PRL, relatada nos itens anteriores, nos casos em determinado insumo importado é aplicado na produção de diversos bens finais, podendo gerar preços parâmetros distintos para cada bem final envolvido. 28 Notamos, ainda, que a empresa não considerou os valores relativos à quantidade e ao valor do estoque inicial na apuração do preço praticado. 29 A IN SRF n° 243/2002 é clara ao determinar, em seu artigo 12, § 3o , que as mercadorias constantes no estoque no início do período, valorado pelo custo de importação, devem ser adicionadas às compras do ano sob análise para que se chegue ao preço a ser comparado com o preço parâmetro, proveniente das vendas do período. 30 Diferentemente dos outros dois métodos transacionais previstos na legislação de preços de transferência, destinados à avaliação de bens, serviços ou diretos adquiridos de pessoas vinculadas, nos quais os preços parâmetro e praticado devem ser construídos no período da importação ou aquisição, no PRL, a averiguação da ocorrência ou não da transferência de lucro para o exterior, em consonância com os pressupostos da legislação pátria, darseá no momento da revenda dos itens comprados do exterior. 31 Sob o método PRL, os preços parâmetro e praticado estão inextricavelmente ligados, posto que são usualmente obtidos a partir dos mesmos artigos importados. De um modo simples, é a partir do custo que a empresa fixa o preço de venda de seus produtos,. serviços ou direitos, de forma a assegurar margem de lucro bruto que remunere adequadamente todos os fatores de produção. Não ê diferente o que prescreve a legislação de preços de transferência, embora, para efeitos tributários, a margem de lucro encontrese fixada em lei. 32 Toda a quantidade disponível, contida no estoque inicial e a que a ela se junta, proveniente das compras externas efetuadas ao longo do ano, valoradas uma e outras, para efeitos do arbitramento exigido nas normas de preços de transferência, pelo custo de importação do período que respeitam, comporão o preço praticado a ser comparado com o preço parâmetro obtido a partir da revenda desses mesmos itens importados. 33 A DIESEL, ao avaliar alguns bens adquiridos de vinculadas no exterior, utilizou o Método dos Custos de Produção mais Lucro CPL. Durante o procedimento de auditoria, apenas nos foram apresentadas planilhas demonstrativas das rubricas componentes do custo de fabricação de tais bens importados. 34 Apesar de requerida a comprovação dos valores atribuídos aos custos de produção, a empresa não logrou fornecer nenhuma documentação que desse suporte ao preço parâmetro declarado, razão pela qual o método apresentado pela pessoa jurídica foi desconsiderado, adotandose o método PRL. 35 Por último, para os produtos submetidos ao método dos Preços Independentes Comparados PIC, tomamos ambos os preços, praticado e parâmetro, na condição Free On Board (FOB) e ajustamos a quantidade consumida no período. 36 Isto posto, recalculamos os preços de transferência, fazendo uso nesta feitada metodologia estipulada na Instrução Normativa n° 243/2002, apurando os valores constantes das memórias de cálculo integrantes deste termo e cujo resumo apresentamos no Anexo 1 Multa de lançamento de ofício Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.424 7 37 Os valores devidos a titulo de imposto de renda da pessoa jurídica e de contribuição social sobre o lucro líquido, apurados a partir da base de cálculo acima discriminada, foram acrescidos da multa de 75%, prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 11.488/2007, em razão de não estar a empresa, na época de vencimento dos respectivos tributos, protegida por nenhuma condição de suspensão de exigibilidade, posto que o Mandado de Segurança foi impetrado apenas em 12.12.2007. Compensação da base negativa da CSLL 38 No controle do saldo da base negativa da contribuição social sobre o lucro líquido fornecido pela empresa não consta o valor compensado em razão do lançamento efetuado em 2010, decorrente da fiscalização de preços de transferência do ano base d2005. 39 No presente lançamento, referente às operações de importação do ano de 2006, estamos igualmente compensando parte do saldo da base negativa da CSLL, restando o montante demonstrado no quadro abaixo: . (...) ENCERRAMENTO PARCIAL 41 Este Termo de Verificação representa encerramento parcial desta ação fiscal, na medida em que abrange apenas as operações conduzidas pela DELPHI DIESEL SYSTEMS DO BRASIL LTDA. As importações efetuadas diretamente pela DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA serão analisadas em outra oportunidade. (...)" (Sublinhouse) Insurgindose contra o lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação (Efls. 714 ss.), com os argumentos resumidos pela decisão de primeira instância: "1. Anota que ele, Contribuinte, Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda., inscrito no CNPJ sob nº 00.857.758/000140, incorporou a pessoa jurídica Delphi Diesel Systems do Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob nº 49.871.155/000192, isso em 29/12/2007. Ocorre que esta última disputava, e ainda disputa, questão atinente à suposta ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, isso nos autos do Mandado de Segurança sob nº 2007.61.00.0340487. Em tal feito teve a incorporada a emissão de provimento judicial favorável ao seu ponto de vista já em sede de apelação, conforme julgado em Acórdão produzido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (sobre tal aguardase o processamento de recursos especial e extraordinário opostos pela Fazenda Nacional). Isso considerado, e haverseia de obstar a imputação de multa de ofício ao presente feito, certo que suspensa a exigibilidade do crédito tributário já no momento de lavratura da autuação. Esse mesmo argumento seria serviente para determinar a nulidade in totum das exigências correntes, já que, ao se vincularem a dispositivo normativo (a IN SRF nº 243, de 2002, no caso) posto de lado por tutela judicial, errase na capitulação legal da hipótese fática ao se insistir, justamente, no dito dispositivo. 19. Assim, em conclusão, temse que no momento da lavratura dos Autos de Infração os critérios de cálculo relativos ao PRL na forma em que previstos na IN SRF n° 9.430/96 eram (como ainda são até o presente momento) inaplicável à Requerente, por força de decisão judicial, o que implica a suspensão da exigibilidade de eventual débito tributário decorrente da aplicação dos referidos critérios de cálculo. Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.425 8 20. Entretanto, muito embora a exigibilidade do suposto débito tributário exigido por meio dos Autos de Infração em questão estivesse suspensa em virtude de decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança da Diesel, a D. Fiscalização deixou de lavrar as autuações na forma do artigo 63 da Lei n° 9.430/96, e teve por bem exigir da Requerente a multa punitiva de 75% prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, o que é absolutamente descabido. [...] 23. Desse modo, a presente autuação fiscal não poderia subsistir, uma vez que a D. Fiscalização deixou de considerar o afastamento das regras de cálculo para o método PRL previstas na IN SRF n° 243/02 pelo Acórdão prolatado no Mandado de Segurança Diesel [...]. 2. Para efeito de cômputo do preço praticado (preço/custo de aquisição) dos itens então sujeitos ao controle pelo Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL, não se poderia nele incluir as rubricas de despesas com seguros, fretes e tributos incidentes na operação, certo que determinados estes últimos em face de terceiro não vinculado ao Contribuinte. Mais, não poderia a Fiscalização deixar de considerar no cômputo da quantidade de cada item que, enfim, se acreditou merecedor de ajustes em seus custos de importação (para efeito de limitação da respectiva dedutibilidade no cálculo do IRPJ e da CSLL), os estoques finais deles, assim formados em 31/12/2006. 35. Como se vê, o custo levado em consideração pela D. Fiscalização incorpora uma série de valores incorridos pela Requerente no Brasil, com parte não vinculada. Referidos custos jamais poderiam ser considerados pela D. Fiscalização na apuração do preço médio de aquisição, pois são custos incorridos com terceiros e que não poderiam estar sujeitos a qualquer tipo de manipulação de preço. Por essa razão, também não deveriam se sujeitar a ajustes de preços de transferência. 36. Outra inconsistência notada no cálculo da D. Fiscalização para apuração do preço médio de aquisição foi a não desconsideração do saldo final, ou seja, a não subtração dos insumos e produtos que foram importados em 2006, mas não consumidos naquele anocalendário. 3. Pertinente aos cálculos mesmos levados a cabo pela Fiscalização, entende descabida a ponderação havida entre o Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL com margem de lucro de 60% (Lei nº 9.430, de 1996, art. 18, inciso II, mas considerado, entre os itens da sua alínea “d”, o de nº 1 – nomeie se PRL60%) e o Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL com margem de lucro de 20% (mesma Lei, mesmos artigo inciso, mas considerado, entre os itens de sua alínea “d”, o de nº 2; nomeiese PRL20%). 4. Diz que, sobre um ajuste que promovera por conta do Método do Preço de Revenda Menos Lucro – PRL e pertinente à variável “juros praticados pelos fornecedores estrangeiros”, não estaria obrigado a maiores detenças de comprovação. 14. Por último, a D. Fiscalização desconsiderou os ajustes financeiros realizados pela Requerente com relação aos preços, sem qualquer justificativa legal para tanto. [...] (viii) o ajuste do preço parâmetro calculado pelo Método PRL com relação aos juros praticados pelos fornecedores estrangeiros é medida que, no caso do inciso II do § 6º do artigo 12 da IN SRF n° 243/02, não está condicionada a qualquer espécie de comprovação por parte do contribuinte, motivo pelo qual deve ser excluída da autuação a parcela relativa a esses ajustes; Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.426 9 5. Diz d’uma retificação procedida pela Fiscalização, com base art. 11 da IN SRF nº 243, de 2002, nos ajustes feitos por ele, Contribuinte, quando do uso do Método dos Preços Independentes Comparados – PIC (art. 18, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996). Sugere que tal retificação, sobre considerar apenas as importações havidas no curso do ano calendário de 2006, seria descabida. 6. A multa de ofício (a se considerar vencida a argumentação sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário aqui formalizado), no patamar em que exigida, configuraria verdadeira hipótese de confisco, com imediata ofensa ao disposto no art. 150, inciso IV, da Constituição. 7. Inconstitucional seria o uso da taxa Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para efeito de cálculo dos juros de mora. Ainda nesse ponto, sobre eventual má sorte no presente processado, a título de resguardo futuro, já pondera sobre a impossibilidade de incidência de juros de mora (no caso, estimada pela taxa em comento) sobre a multa de ofício, isso quando se vir na circunstância de solver o total do débito aqui constituído. 45. Ainda que os juros de mora incidam apenas sobre o valor dos tributos lançados, a Requerente, para assegurar que diante de um futuro resultado desfavorável a atualização do débito não será feita com a incidência de juros pela taxa SELIC sobre a multa aplicada, vem esclarecer o quanto segue. 46. A multa configura penalidade e não tem natureza tributária. Assim sendo, não há razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC sobre o seu valor. É evidente que a multa de ofício não pode ser aumentada pela aplicação de taxa de juros, sob pena de ser caracterizado o agravamento da sanção, o que é inaceitável!" A autuação, no entanto, foi mantida por decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (Efls. 864 ss.), sintetizada pela seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o Método PRL, devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇOPARÂMETRO. ESTOQUES FINAIS. Na apuração dos preços parâmetro segundo o Método PRL não há previsão de se considerar, como elemento redutor da quantidade do produto adquirido/importado enfim sujeito a ajuste, o importe registrado em estoque final. Tal possibilidade se abre, sem dúvida, com a Normativa SRF nº 243, de 2002, mas apenas sob o viés contábil. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PONDERAÇÃO. Na hipótese de um mesmo bem importado ser aplicado na produção de mais de um produto, o preço parâmetro final será a média ponderada dos valores encontrados mediante a aplicação do PRL com margem 60%. O mesmo caso um bem importado ser parcialmente aplicado em processo produtivo e parcialmente revendido, oportunidade em que a ponderação se dará entre os resultados apurados segundo o PRL com margem de 20% e aqueles outros computados segundo o PRL com margem de 60%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006 Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.427 10 INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. Por outra, em nível administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, não se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60%. AJUSTE, IN SRF nº 243, de 2002. ILEGALIDADE. CONCOMITÂNCIA DA DISCUSSÃO COM A ESFERA JUDICIAL. Se a questão (ponto controvertido) em debate no processo administrativo é levada à apreciação do Poder Judiciário, a Autoridade Tributária, originalmente competente para proferir decisão sobre a contenda, deixa de sêlo: a competência para decidir deslocase da esfera da Administração para a do Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. MULTA DE OFÍCIO. Não caracteriza hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário a colhida de tutela judicial em sede de apelação, certo que o provimento original (formado em instância primeira) fora denegatório seja de medida liminar, seja meritoriamente , e considerado ainda o recebimento do dito recurso tão só sob o efeito devolutivo, bem que inexistente ainda notícia de reversão de tal condição junto ao Tribunal competente por medida processual autônoma que seja. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." Em face dessa decisão que manteve o posicionamento fiscal, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Efls. 900 ss.), deduzindo sua razões, com acréscimo a respeito da tempestividade. A turma a quo então julgou o recurso voluntário com o Acórdão n. 1103 000.835 (Efls. 1074 ss.), que contou com a seguinte ementa, registrandose haver pontos obscuros e contraditórios entre as razão de decidir, o resultado dos tópicos e o que anotado na ementa, que permaneceram não elucidados em decisão seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60%. LEGALIDADE. É licito considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.428 11 produzido, uma interpretação que se coaduna com a melhor leitura da fórmula contemplada na lei e com o controle dos preços de transferência no Brasil. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PRL. Na apuração dos preços praticado, assim, como dos preços parâmetro, devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora são devidos unicamente sobre os tributos, não tendo sua incidência sobre a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos acordam os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." Em face do referido acórdão, primeiramente, a contribuinte opôs embargos de declaração (Efls. 1103 ss.), sustentando as seguintes omissão e contradição: "II. DA OMISSÃO No presente processo administrativo discutese a cobrança do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas ("1RPJ") e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido ("CSL"), decorrente da aplicação das regras de preços de transferência no anocalendário de 2006. O ponto central de discussão é a ilegalidade do artigo 12 da IN SRF 243/02, adotado pela D. Fiscalização para fins do cálculo do "preço parâmetro" segundo o método PRL 60%, em comparação ao previsto na Lei 9.430/96 adotado pela Embargante. Além dessa questão central e de outras subsidiariamente relacionadas, discute se no processo administrativo a suposta concomitância da presente discussão administrativa em relação às discussões judiciais travadas nos Mandados de Segurança n°s 2007.61.00.0315183 (ajuizado pela ora Embargante) e 2007.61.00.0340487 (ajuizado pela empresa Delphi Diesel Systems do Brasil Ltda. "Delphi Diesel"). O. Acórdão embargado entende pela suposta concomitância entre o processo administrativo e as medidas judiciais, pelo que o Recurso Voluntário da Embargante não foi conhecido, no que diz respeito à discussão central dos autos (ilegalidade do artigo 12 da IN SRF 243/02). Em que pese a alegação de concomitância, o v. Acórdão embargado não poderia desconsiderar (se omitir com relação) as circunstâncias fáticas que distinguem a presente discussão administrativa das discussões judiciais mencionadas. Passase a examinar as omissões. No que diz respeito ao Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0315183, o v. Acórdão embargado não poderia desconsiderar que: (i) conforme reconhecido no item 5 do referido Termo de Constatação e Encerramento anexo ao Auto de Infração, a Embargante desistiu do Mandando de Segurança n° Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.429 12 2007.61.00.0315183 (e teve a sua desistência devidamente homologada pela Justiça Federal) em 11.12.2008. data anterior à lavratura do Auto de Infração; e (ii) como também foi reconhecido no item 5 do Termo de Constatação e Encerramento, não foi proferida sentença de mérito nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0315183 inexistindo qualquer espécie de "coisa julgada" formal ou material que pudesse influir ou mesmo prejudicar a análise do Recurso Voluntário na esfera administrativa. Já no que diz respeito ao Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0340487 (da Delphi Diesel), o v. Acórdão embargado não poderia desconsiderar que: (i) não obstante a empresa Delphi Diesel tenha sido incorporada pela Embargante em 29.12.2007 (e que, portanto, a Embargante tenha se tornado sucessora a título universal da Delphi Diesel), a situação de fato e de direito levada ao Poder Judiciário no Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0340487 está relacionada apenas a operações da empresa Delphi Diesel e. assim, não deveriam aproveitar ou prejudicar as operações realizadas pela Embargante no período de 2006 (anteriores à incorporação); (ii) a D. Fiscalização impôs a multa punitiva de 75% nas autuações e também segregou as autuações lavradas contra a Embargante em dois conjuntos de autos de infrações, sendo que as autuações objeto do presente processo administrativo se referem apenas às operações realizadas pela Embargante em 2006, e as operações realizadas pela Diesel em 2006 são objeto de autuações tratadas em outro processo administrativo (n° 10805.721766/201181). Esses, fatos também evidenciam a inexistência de concomitância, pois: (a) se a presente autuação fosse lavrada para evitar decadência do direito de o Fisco formalizar exigência de tributos discutidos em medida judicial, não seria possível a imposição de multa punitiva; e (b) seria desnecessário o desmembramento em autuações distintas; e (iii) em Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região ("TRJF3"), que deu provimento ao Recurso de Apelação interposto pela Delphi Diesel nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0340487/SP, foi expressamente mencionado que devese garantir à demandante a utilização dos critérios de apuração do preço de transferência pelo método PRL, conforme ditames do art. 18 da Lei n° 9.430/1996, afastadas as alterações trazidas pela Instrução Normativa n° 243/2002, da Secretaria da Receita Federal, relativamente aos anoscalendário de 2002 e subseqüentes, até a incorporação da proponente, noticiada a fls. 282/313". A análise conjunta dos itens (i) a (iii) acima é de fundamental importância para constatação da omissão do V. Acórdão embargado e da inexistência de concomitância. Com efeito, resta claro na decisão do TRF3 que o objeto da medida judicial e os efeitos das decisões nela proferidas se limitam aos fatos geradores praticados pela Delphi Diesel até a data de sua incorporação pela ora Embargante. Isto é, foi expressamente reconhecido que o objeto da medida judicial não se estende aos fatos geradores discutidos no presente auto de infração (lembrando que os fatos geradores ocorridos em 2006, no âmbito da Delphi Diesel, são objeto de processo administrativo distinto, de n° 10805.721766/201181). Esse fato é extremamente relevante e não poderia ser desconsiderado pelo v. Acórdão embargado, pois, se prevalecer o entendimento pela concomitância, além de não obter julgamento de mérito na esfera administrativa, a Embargante hão poderá utilizar os efeitos de decisão judicial favorável para suspender ou extinguir o débito discutido no presente processo administrativo. Isso porque o objeto, da medida judicial da Delphi Diesel, como reconhecido expressamente Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.430 13 pelo TRF3, não compreende os fatos geradores da Embargante. mas apenas os da Delphi Diesel até a data de sua incorporação pela Embargante. São gravíssimas as potenciais conseqüências da omissão perpetrada pelo v. Acórdão embargado, principalmente ao deixar de observar que o objeto da medida judicial da Delphi Diesel (e os efeitos de eventual decisão, favorável ou desfavorável") não alcança os fatos geradores da Embargante discutidos no presente Auto de Infração (e são inclusive discutidos em processo administrativo distinto, de n° 10805.721766/201181). Portanto, devem ser sanadas as omissões apontadas, para que: (i) se reconheça no v. Acórdão recorrido que tanto a impetração do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0315183, quanto a impetração pela Diesel do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0340487, não representaram qualquer espécie de renúncia à esfera administrativa com relação ao caso concreto a ser debatido nos autos do presente processo administrativo, e tampouco podem prejudicar o curso normal do mesmo; e (ii) seja conhecido e julgado o Recurso Voluntário em sua integralidade, em vista da inexistência de concomitância coma via judicial. III. DA CONTRADIÇÃO Em que pese ter reconhecido a concomitância entre a discussão administrativa e judicial (com exigibilidade suspensa, em razão de decisão favorável proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0340487), o v. Acórdão embargado manteve a multa punitiva de 75% consubstanciada no auto de infração. Verificase, dessa forma, contradição no v.' Acórdão embargado, pois se reconhecido que o objeto do presente auto de infração é o mesmo da medida judicial (o que se admite apenas para argumentar, em vista de tudo que foi apontado no item II acima não seria possível a manutenção da multa de 75%. sob pena de ofensa ao artigo 63 da Lei 9.430/96: [...] A decisão favorável nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.034048 7 foi proferida em 19.10.2010, suspendendo a exigibilidade dos débitos em discussão a partir de então. O presente auto de infração, por seu turno, foi lavrado em 6.9.2011 (quase 1 ano após ter sido proferida a aludida decisão). Portanto, na absurda hipótese de ser reconhecida a concomitância, ao menos deve ser sanada a contradição relacionada à lavratura de auto de infração para evitar decadência de débito com exigibilidade suspensa por força de decisão em medida judicial, afastandose a exigência da multa de 75%. Esse entendimento, aliás, encontra respaldo na jurisprudência desse E. CARF, [...]. 17.Portanto, na absurda hipótese de ser mantido o entendimento pela concomitância do presente processo administrativo com as medidas judiciais, a contradição apontada deve ser sanada, para que se afaste a cobrança da multa de 75% sobre o valor da exigência discutida no auto de infração. IV. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, a Embargante requer sejam acolhidos os presentes Embargos de Declaração para que: (i) sanandose a omissão apontada, seja reconhecida a inexistência de concomitância do presente processo administrativo com os Mandados de Segurança n°s 2007.61.00.0315183 (em que houve desistência e extinção da ação sem julgamento de mérito, antes da lavratura do auto de infração) e 2007.61.00.0340487 (ajuizado pela Delphi Diesel, em que há decisão expressa do TRF3 apontado que o objeto daquela medida judicial, assim como os efeitos das decisões nela proferidas, alcançam apenas os fatos geradores da Delphi Diesel anteriores à sua incorporação pela Embargante, sendo que há processo Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.431 14 administrativo distinto para discussão dos fatos geradores daquela sociedade). Como conseqüência, o v. Acórdão embargado deve ser retificado e o Recurso Voluntário deve.ser integralmente conhecido, para que esse E. CARF examine todas as questões de fato e de direto apresentadas pela ora Embargante; e (ii) na absurda hipótese de ser mantido o entendimento pela concomitância, o que se admite apenas para fins de argumentação, ao menos deve ser sanada a contradição relacionada à lavratura de auto de infração para evitar decadência de débito com exigibilidade suspensa por força de decisão em medida judicial, afastandose a exigência da multa de 75%." Os embargos foram rejeitados por despacho (Efls. 1168 ss.) que compreendeu não apontadas objetivamente a omissão e contradição alegadas. A contribuinte interpôs, assim, Recurso Especial (Efls. 1183 ss.), enumerando como objeto as questões abaixo, embora tenha discorrido efetivamente em sua peça para demonstrar a divergência sobre os pontos i, iii e iv: O despacho de admissibilidade (Efls. 1370 ss.) deulhe seguimento com relação às três matérias recorridas, aceitandose todos os paradigmas apresentados, manifestandose a Fazenda Nacional em suas contrarrazões (Efls. 1377 ss.) apenas sobre as duas últimas. Passase, então, à apreciação do recurso da contribuinte. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Conhecimento do Recurso Especial Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.432 15 O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, observase que a recorrente enumerou em seu recurso como objeto quatro matérias, não discorrendo especificamente sobre a segunda, a fim de demonstrar divergência: (i) concomitância, (ii) ilegalidade do artigo 12 da Instrução Normativa n. 243/02, (iii) inclusão de seguro, frete e imposto de importação e (iv) não incidência de juros sobre multa. No recorte das divergências apontadas, conheço o recurso quanto aos itens iii e iv, assim como o fez o despacho de admissibilidade. Dele discordo, porém, no que se refere ao primeiro ponto, relativamente à concomitância, quando assim dispôs:. "De fato, verificase que, diante de casos praticamente idênticos, diferente basicamente quanto aos respectivos períodos, tendo como interessada a própria Recorrente, posicionaramse, recorrido e paradigma, de modos opostos. De um lado, no recorrido, entendeuse que, no mandado de segurança cuja autora foi incorporada pela Recorrente, a discussão ali travada resultaria em renúncia à instância administrativa, tanto no que diz respeito às operações de importação da incorporada quanto da Recorrente. Por outro lado, no paradigma, consignouse que os efeitos do mandado de segurança impetrado pela incorporada a ela se limitavam, não alcançando as operações realizadas pela Recorrente. Ante o exposto, constatada a divergência jurisprudencial, o recurso especial deve ter seguimento quanto a este primeiro ponto." Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.433 16 Isso porque, em primeiro lugar, muito embora nos dois acórdãos comparados estivessem em questão autuações decorrentes de acusações ficais semelhantes, envolvendo as mesmas empresas, mas com relação a períodos diversos, como colocado pela recorrente e assumido pelo despacho de admissibilidade, me parece que há um ponto de diferenciação fundamental: enquanto no paradigma consignouse estar se tratando de operações tanto da DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA quanto da DELPHI DIESEL SYSTEMS DO BRASIL LTDA, no Termo de Constatação e Encerramento Parcial do presente processo foi expressamente registrado que só se estaria diante de importações efetuadas pela DIESEL e que as operações da AUTOMOTIVE só seriam analisadas noutra oportunidade. Leiase: "41 Este Termo de Verificação representa encerramento parcial desta ação fiscal, na medida em que abrange apenas as operações conduzidas pela DELPHI DIESEL SYSTEMS DO BRASIL LTDA. As importações efetuadas diretamente pela DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA serão analisadas em outra oportunidade." Daí porque se pode verificar que a análise da concomitância, no presente caso, restringese à renúncia à esfera administrativa neste processo n. 10805.721765/2011 36, pela DIESEL, em função da impetração do Mandado de Segurança n. 2007.61.00.0340487, o qual ainda pendia de julgamento ao tempo da autuação e cujo objeto referiase à ilegalidade do artigo 12 da Instrução Normativa n. 243/2002. De outro turno, no acórdão paradigma n. 1202000.835, levouse em conta não só a referida concomitância, mas também a renúncia administrativa, desta vez pela AUTOMOTIVE, em função da impetração do Mandado de Segurança n. 2007.61.00.0315183, entendendoa inexistente, possivelmente em razão da desistência homologada deste processo judicial, motivo pelo qual permaneceria a discussão administrativa para a AUTOMOTIVE. Vejase: (...) Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.434 17 (...) Nesse sentido, compreendo que a distinção entre as duas situações não pode ser desconsiderada para fins de leitura da alegação de que os acórdãos recorrido e paradigma foram divergentes quanto à análise da concomitância, especialmente porque e aqui vem o segundo ponto no que cuidaram da mesma matéria, qual seja, concomitância em relação às operações da DIESEL, foram coincidentes, ambos confirmandoa. Em terceiro lugar, penso que ainda que se pretendesse defender que a divergência teria se dado porque no acórdão recorrido teria se afirmado, seguindo a decisão da DRJ, que a empresa incorporadora (AUTOMOTIVE) sucederia o patrimônio da incorporada (DIESEL) e a sua legitimidade processual, penso que além de não ter se discutido especificamente se isso alcançaria as operações da AUTOMOTIVE no processo administrativo ou judicial, como já demonstrado, elas expressamente não faziam parte do objeto da presente autuação, de modo que a decisão recorrida porque não tratou explicitamente dessa eventual abordagem não poderia ser interpretada com essa acepção, uma vez que se estaria ultrapassando o seu contexto. Isso demandaria, também, uma inferência do acórdão paradigma no sentido que teria assumido um pressuposto de que não haveria sucessão para a Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.435 18 incorporadora, quando nada disso foi tratado na decisão e se desconsiderou a concomitância porque não havia provimento judicial que abarcasse as suas operações. Por essas razões, entendese que o recurso especial não pode ser conhecido com relação à questão da concomitância, no que se refere ao objeto da presente autuação, vale dizer, as operações realizadas pela DIESEL no ano calendário 2006, apenas no tocante à matéria da ilegalidade do artigo 12 da Instrução Normativa n. 243/2002. Registrase que não se discutiu na primeira instância, pela própria linha de defesa da recorrente, tal ilegalidade e que se estaria se voltando para a AUTOMOTIVE, mas se baseou na concomitância em relação à DIESEL, para se tratar de outros pontos não renunciados, inclusive a imposição de multa de ofício quando se tinha provimento judicial. Assim sendo, VOTASE POR CONHECER PARCIALMENTE o Recurso Especial da contribuinte, com relação aos pontos iii e iv citados. Mérito I. Impossibilidade de inclusão de frete, seguro e imposto A definição da obrigatoriedade de inclusão dos valores relativos a frete, seguro e imposto de importação no cálculo do preço de transferência, assim como toda construção normativa, deve ser realizada dentro do contexto em que inseridas as regras correlatas, ora se ressaltando o escopo de se impedir a possível manipulação financeira a partir de transações processadas entre companhias locais e pessoas vinculadas suas no exterior, no sentido de evadir tributos potencialmente devidos ao Estado brasileiro. Nesse cenário em que se impõe a utilização de preços pautados nas condições de livre mercado, é que o artigo 18 da Lei n. 9.430/96 deve ser interpretado, especificamente com o intuito de limitar a dedutibilidade do custo do bem importado ao valor verificado pela aplicação de um dos métodos previstos para a determinação do parâmetro a ser observado nas operações realizadas com parte relacionada. Por outras palavras, significa dizer que apenas os custos inerentes às transações estabelecidas com pessoas vinculadas que se encontram submetidas ao controle das normas de preço de transferência. Daí porque se compreende, de modo inverso, que os valores relativos a frete, tributo e seguro, quando decorrentes de operações com terceiros – o que é notadamente o caso da relação jurídica fiscal – a elas não estão submetidos. Isso se afirma, registrase, ainda que tais quantias sejam pagas diretamente à pessoa vinculada, com sói de ocorrer nas contratações sob a modalidade CIF, e não Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.436 19 diretamente ao Estado ou seguradoras e transportadoras, como acontece na modalidade FOB, na medida em que a relação subjacente verdadeiramente se estabelece entre partes não relacionadas e, portanto, alheias à aplicação das regras de preço de transferência. Nesse sentido, vêse que o alcance da Lei n. 9.430/96 referese à integração desses valores ao custo, “para efeito de dedutibilidade” no cálculo do lucro real, expressão que se fez constar no parágrafo 6o. do artigo 18 da referida lei, de modo que não se coaduna com a interpretação consignada na Instrução Normativa n. 243/2002. Aliás, anotase que a exclusão desses valores do preço parâmetro foi confirmada pela Medida Provisória n. 563/12, convertida na Lei n. 12.715/12, que alterou a redação do parágrafo 6º do artigo 18 da Lei n. 9430/96, incluindo o parágrafo 6ºA, com exposição quanto ao motivo das modificações, respectivamente: “§ 6º Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) I não vinculadas; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 6ºA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012)” 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: ... c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira;” Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.437 20 As alterações recentes na legislação de preços de transferência e a leitura dos trechos em destaque demonstram de forma incontestável que a interpretação adotada pela Recorrente está correta." Nesse contexto, entendo que merece guarida a pretensão da contribuinte de excluir o valor do frete, seguros e imposto de importação do cálculo dos tributos ora cobrados. II. A não incidência de juros sobre a multa Alcançando o último tópico do presente voto, passase à manifestação sobre a incidência de juros sobre a multa. Inicialmente, se compreende que o artigo 161, parágrafo primeiro, do Código Tributário Nacional concede autorização para que lei ordinária imponha juros sob taxa com percentual diverso da regra geral de 1% ao mês, como se observa de seu texto: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Registrase, primeiramente, que se compreende que a expressão crédito tributário se refira ao objeto da relação jurídica o qual concede um direito de recebimento por parte do Estado, englobando tanto aqueles valores correspondentes aos tributos, como decorrentes da aplicação de penalidades pelo seu não pagamento, em conformidade com a forma que se lê o artigo 113 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, no mencionado artigo 161, não se consegue dar essa alcance ao termo “crédito” como utilizado pelo legislador para alcançar as multas, porque a redação, após mencionar que este pode ser acrescido de juros se não integralmente pago no vencimento, faz a ressalva: sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Neste caso, seria ilógico se compreender, portanto, que as multas então estariam compreendidas na expressão crédito, de modo que a interpretação possível que se consegue alcançar a partir deste enunciado é a de que, muito embora ele autorize a imposição de juros, e num patamar diverso de 1% caso haja previsão legal específica, não alcança as penalidades aplicadas em função do não pagamento integral no vencimento. A partir dessa norma geral, compreendese que se deve entender legítima a fixação de seus índices próprios pela legislação federal e que a leitura das demais regras Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.438 21 que envolvem o tema deve ser feita dentro dessa moldura que estabeleceu, como sói ocorrer com artigo 61 da Lei n. 9.430/96: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” O que, num momento inicial, poderia indicar duas interpretações possíveis, no sentido de a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” abarcar tão somente estes ou também as multas a eles relacionadas, parece restar reduzida apenas à primeira leitura, justamente em face do alcance permitido pela regra geral do artigo 161 do Código Tributário Nacional que não engloba as penalidades. Portanto, por falta de autorização legal do artigo 161 do Código Tributário Nacional, muito embora a legislação federal possa impor suas penalidades pelo não recolhimento de tributos (leiase, impostos e contribuições) e possa fixar seus próprios índices de correção dos valores, como a Taxa Selic, não há autorização para determinar a incidência de juros sobre a multa de ofício, quando exigida juntamente àquele pagamento. Por essas razões, VOTASE POR DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator "ad hoc" Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.439 22 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Redator Designado Em que pesem as razões de decidir da eminente relatora, peço vênia para dela divergir quanto ao mérito das seguintes matérias: a) inclusão de fretes, seguros e tributos no preço praticado; e b) incidência de juros de mora sobre multa de ofício. a) inclusão de fretes, seguros e tributos no preço praticado Ao auditar os cálculos dos preços de transferência segundo o método PRL, a autoridade fiscal verificou que o sujeito passivo deixara de agregar ao preço de aquisição (FOB) de cada produto importado os valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Por entender que tal conduta violava o disposto no art. 4º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, promoveu a inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado. Argumenta a recorrente ser incorreta a interpretação de que o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 estabeleça a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado. Afirma que, como os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não decorrem de operações com pessoas ligadas, não podem ser eles afetados por ajustes relativos a preços de transferência. Quanto a essa alegação, há que se dizer, em primeiro lugar, que a recorrente não logrou êxito em demonstrar adequadamente o papel que, em sua interpretação, desempenha o parágrafo 6º da norma, o qual expressamente estabelece que, no preço praticado, incluemse os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Dito de outro modo, a “interpretação” do art. 18, defendida pela recorrente, a meu ver, não se sustenta como interpretação propriamente dita, nos exatos termos em que esse vocábulo é compreendido no âmbito da Ciência do Direito1. Mas digamos que, de fato, também seja possível interpretarse o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, do modo sustentado pela recorrente, ou seja, no sentido de que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não integram o preço praticado. Nesse hipótese teríamos, então, duas interpretações possíveis da mesma norma e, em sendo assim, haveríamos de verificar qual das duas é a interpretação “correta”. E será considerada “correta” aquela que melhor atender aos métodos de hermenêutica jurídica acolhidos pelo Direito. Passemos então a examinar as duas interpretações quanto à sua correção. No que concerne à interpretação proposta pela recorrente, percebese ser ela fruto de um componente finalístico, qual seja, que as normas de preço de transferência têm 1 Sobre o conceito de interpretação jurídica e seus limites vide, por todos, Karl Larenz in Metodologia da Ciência do Direito, 3ª ed., pg. 439 e ss. Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.440 23 como finalidade regular operações realizadas entre pessoas residentes no país e pessoas a ela ligadas, residentes no exterior. Em assim sendo, não seria finalidade da norma regular operações de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação pois, via de regra, não são elas realizadas entre pessoas vinculadas. Ocorre que, ao contrário do afirmado pela recorrente, a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado não significa que tais operações estejam sendo submetidas às regras de preços de transferência. Mais especificamente, apesar de tais valores integrarem o preço praticado, não são eles objeto de adição ao lucro real. Não é demais lembrar que tanto o preço de aquisição do produto importado, quanto valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, são custos integralmente dedutíveis na apuração do lucro líquido do período. A adição ao lucro real, a título de preços de transferência, limitarseá à diferença positiva verificada entre o preço praticado e o preço parâmetro. Como se verá adiante, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação entram no cálculo do preço praticado apenas para fins de possibilitar sua comparação com o preçoparâmetro calculado segundo o método PRL, pois neste também estão incluídos os mesmos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, a interpretação proposta pela recorrente não se sustenta, pois a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado, de modo algum, significa que tais operações estejam sendo submetidas a controle por preços de transferência. Por outro lado, a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, albergada pelo art. 4º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, e empregada pela autoridade fiscal no caso sob exame, também é fundada em um componente finalístico, qual seja, possibilitar a comparação entre preço praticado e preçoparâmetro, conforme já adiantado acima. A questão da comparabilidade entre o preço praticado na importação de produtos junto a pessoas vinculadas, e aquele que seria praticado em operações entre pessoas não vinculadas, está no cerne do princípio do arm’s lenght. Tanto é assim que o OECD Transfer Pricing Guidelines dedica todo o seu capítulo III ao exame desta matéria. De fato, o objetivo da comparação entre o valor de uma transação realizada entre pessoas vinculadas, e o valor da mesma transação realizada entre pessoas não vinculadas, é a identificação do quanto a vinculação afetou o valor da transação sob exame. Tendo sido inspirado no princípio do arm’s lenght, o art. 18 da Lei nº 9.430,de 1996, não poderia ser corretamente interpretado acaso não fosse dada a devida importância à questão da comparabilidade entre o preço praticado e o preçoparâmetro. No caso do método PRL o preçoparâmetro inclui os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Tomemos, por exemplo, o método PRL aplicado à simples revenda de produtos importados junto a pessoas vinculadas (PRL20). As conclusões a seguir, entretanto, valem igualmente para o caso de o bem importado ser empregado na industrialização de outro produto (PRL60). Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.441 24 Pois bem, o pressuposto para o emprego do PRL20 é que o produto seja revendido a uma pessoa não vinculada, em condições de livre mercado. Em transações entre pessoas não vinculadas e em condições de livre mercado, é lícito pressupor que o revendedor (no caso, a contribuinte) procurará obter uma remuneração por sua atividade, ou seja, procurará obter lucro. O PRL20 estipula que a margem bruta de lucro, em tais condições, é de 20%, o que, em verdade, é uma taxa bastante baixa pois implica uma margem de lucro líquido para o empresário bem inferior a 20%, haja vista a necessidade de dedução de despesas administrativas, despesas com vendas etc. A partir, então, do preço de revenda do produto, deduzido da margem bruta de lucro de 20% prevista em lei, chegase ao custo estimado de aquisição do produto numa operação entre pessoas não vinculadas, ou simplesmente preçoparâmetro PRL20. Notese que, assim calculado, esse custo (o preçoparâmetro PRL20) inclui não só o preço estimado de aquisição do produto (FOB), como também os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação deste produto. Resumindo, preçoparâmetro PRL20 é um preço CIF + Trib. s/ imp. Isso posto, a comparação direta entre o preço de aquisição do produto junto à pessoa vinculada (preço da declaração de importação FOB) e o preçoparâmetro PRL20 (CIF + Trib. s/imp), como quer a recorrente, seria de todo inútil ao fim a que se destina a lei de preços de transferência, qual seja, verificar, mediante comparação entre aqueles preços, se o sujeito passivo está, ou não, reduzindo artificialmente o lucro apurado no Brasil por meio de aquisições de produtos junto a sua vinculada no exterior a preços superiores aos de mercado. Nesse sentido, para corretamente compararse o preço de aquisição com o preçoparâmetro PRL20, é necessário que ambos estejam em pé de igualdade. Para tanto, apenas para efeito dessa comparação, é necessário, adicionarse ao preço de aquisição (preço da declaração de importação FOB), os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Fazendo isso, obteremos o preço praticado de que cuida o parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. O importante é ter em conta que, como dito antes, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não foram glosados pela autoridade. O que o auditor fez foi adicionar ao lucro líquido, para apuração do lucro real, a parcela do preço de aquisição do produto excedente ao preço pelo qual o produto seria adquirido em condições de mercado. Os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação integraram tanto o preço praticado como o preçoparâmetro, com vistas a possibilitar a comparação entre ambos. Poderiam, ainda, não compor nem o preço praticado nem o preço parâmetro, tal como recomendado pelo OECD Transfer Pricing Guidelines, que o resultado da adição ao lucro real seria o mesmo. O que não se admite, nem sob o ponto de vista jurídico, nem sob o ponto de vista lógico, é realizarse uma comparação entre preço praticado e preçoparâmetro em que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação estejam incluídos neste, mas não naquele, ou viceversa. Ou bem são incluídos em ambos (como prevê o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996), ou bem não são incluídos em nenhum dos dois (como sugerido no OECD Transfer Pricing Guidelines). Nego provimento ao recurso. Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.442 25 b) incidência de juros de mora sobre multa de ofício A cobrança de juros de mora sobre os créditos não pagos até a data de vencimento é prevista no art. 161 do CTN, nos seguintes termos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A expressão “crédito”, utilizada no caput do artigo reproduzido, obviamente se refere ao crédito tributário, pela própria natureza do diploma legal que habita. Para se definir o alcance de tal expressão, recorrese a outro dispositivo do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Já a definição de “obrigação principal”, mencionada no art. 139 do CTN, é trazida pelo § 1º do art. 113 do mesmo Código. Tal obrigação tem por objeto o pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. In verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O critério utilizado pelo CTN para enquadrar determinada obrigação tributária como principal é, portanto, seu conteúdo pecuniário. Uma vez que a multa de ofício tem a característica de penalidade pecuniária, fica claro que ela integra a obrigação principal, ao lado dos tributos. Interpretando em conjunto os dispositivos reproduzidos, concluise que incidem juros de mora sobre os créditos tributários não integralmente pagos no vencimento (art. 161) e que tais créditos decorrem da obrigação principal (art. 139), englobando o tributo e a multa de ofício (art. 113, § 1º). Assim, a conclusão construída é a de que o CTN prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional. Os defensores da tese da ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício argumentam que a interpretação literal do caput do art. 161 do CTN impossibilitaria tal incidência em razão da presença da expressão “sem prejuízo da imposição Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.443 26 das penalidades cabíveis”. Se a penalidade referente à multa de ofício já estiver contemplada na expressão “crédito não integralmente pago no vencimento”, a que outras penalidades cabíveis estaria se referindo o legislador? — indagam. Ocorre que, frequentemente, a interpretação de uma norma tributária demanda a consideração da realidade jurídica e fática a que se aplica. Mais do que isso, a norma deve ser interpretada sistematicamente, levandose em conta todo o sistema tributário pátrio. A este respeito, examinese a interessante argumentação da Ilustre Conselheira Viviane Vidal Wagner, designada para redigir o voto vencedor do Acórdão CSRF nº 910100.539, de 11/03/2010: Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p. 70), “interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que, ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados, ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação. (A interpretação sistemática do direito, 3. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. Sendo assim, a melhor interpretação a ser dada ao art. 161 do CTN é, sem dúvida, aquela que guarda harmonia com os demais dispositivos daquele Código que tratam do tema sob análise, quais sejam, os arts. 113 e 139. Além do CTN, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 61, caput e § 3º, também dispõe sobre o cabimento de juros de mora sobre multa de ofício: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...]. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.444 27 mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Depreendese do artigo reproduzido que incidem juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica. A multa de ofício se amolda perfeitamente a tal definição, já que sua cobrança decorre, entre outras hipóteses, da falta de pagamento de imposto ou contribuição, nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Sendo assim, a exemplo do que ocorre com o art. 161 do CTN, também o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, fundamenta a possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Corrobora ainda tal entendimento o art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, que, em seu parágrafo único, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. Assim, vêse que a legislação não enxerga incompatibilidade entre os juros de mora e uma multa pecuniária de caráter punitivo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou a respeito da legalidade da cobrança de juros de mora nos moldes praticados no presente processo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (STJ, 1ª T., AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, dez/2012) Por fim, tanto o § 3º do art. 61 quanto o parágrafo único do art. 43, ambos da Lei nº 9.430, de 1996, fazem alusão à taxa aplicável a título de juros de mora: taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais. Quanto a este ponto, a matéria já foi inclusive pacificada por meio da edição da Súmula CARF nº 4: Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 10805.721765/201136 Acórdão n.º 9101003.511 CSRFT1 Fl. 1.445 28 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nego provimento ao recurso. Do exposto, voto por conhecer, em parte, do Recurso Especial do sujeito passivo e, no mérito, na parte conhecida, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator Designado Fl. 1446DF CARF MF
score : 1.0
