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Numero do processo: 14337.000021/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2006
AUTO DE INFRAÇÃO -APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO CONTENDO INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE
Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira.
AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-002.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes que votaram em dar provimento ao recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Lopes
Ausência momentânea: Mauro Jose Silva
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2006 AUTO DE INFRAÇÃO -APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO CONTENDO INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes que votaram em dar provimento ao recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 00 21 /2 01 0- 18 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Lopes Ausência momentânea: Mauro Jose Silva Fl. 122DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000021/201018 Acórdão n.º 2301002.930 S2C3T1 Fl. 122 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/01/2010, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentar documento ou livro que não atende as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c o artigo 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls.15), a autuada deixou de apresentar à fiscalização, apesar de intimada por meio de TIPF, as Folhas de Pagamento dos segurados, documentações dos salários família e maternidade, livro de inspeção do trabalho e relação de imóveis integrantes do ativo imobiliário. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0123.638, da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 90), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 99), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, faz um relato dos fatos ocorridos desde o início da ação fiscal até a apresentação do recurso, e conclui que não há como concordar com os fundamentos apresentados no Acórdão recorrido, entendendo que permaneceram incólumes as matérias preliminares e de mérito arguidas em sede de impugnação. Em preliminar, alega nulidade do AI por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que não foram analisados os documentos disponibilizados pela recorrente à fiscalização e que inexiste a obrigação de apresentação dos documentos na sede da Receita Federal. Argumenta que falta razão à autoridade julgadora pois, embora ela tenha justificado que a manutenção da multa por descumprimento de obrigação acessória tenha lugar pela redação do art. 92, da Lei 8.212/91, fato é que o referido dispositivo é inaplicável à espécie, sob pena de manifestação de bis in idem. Alega que estes supostos fatos geradores decorrem da não consideração, pela fiscalização, dos documentos que foram disponibilizados pela empresa, sendo que a nulidade a ser destacada representa a total nulidade do presente Auto, pois este é uma decorrência lógica daquele AINF 37.264.4961. Destaca que o fato de a recorrente entender que, de fato, não está obrigada a entregar a documentação na referida repartição, não se deve confundir tal situação como se a recorrente tivesse se furtando a entregar os documentos. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Defende que a situação não é tão simplória como pretendeu a autoridade julgadora desqualificar tal questionamento, e cita os motivos que tornaram inviável o atendimento de todas as requisições do auditor, quais sejam, o grande volume de documentos solicitados e o pedido de apresentação dos livros contábeis numa plataforma digital que o software não permite sua conversão. Observa que a autoridade julgadora, de um lado, afirma que a documentação juntada na impugnação serve para comprovar que o tempo concedido era suficiente para apresentar os documentos e, por outro lado, ao analisar o mérito, assevera que a documentação juntada não tem nenhuma relação como os autos, o que, no seu entendimento, é uma contradição, pois ou a documentação se presta para comprovar o que foi solicitado ou não, não podendo, simplesmente, servir de mote para afastar uma nulidade e, por outro, não servir para reconhecer a procedência do pedido. Sustenta que a recorrente não é obrigada a converter os dados de um software para outro apenas para satisfazer a autoridade julgadora, não apenas por falta de previsão legal para tanto, mas também pelo fato de que essa impossibilidade de conversão serve para própria segurança da guarda das informações. Reitera que a fiscalização, ao exigir a documentação, ao invés de indicar os documentos e determinar que os mesmos ficassem a sua disposição, exigiu que os mesmos lhe fossem entregues na sede da Receita Federal em Belém, ressaltando que a lista enumera nada menos que cinqüenta itens, entre livros contábeis e qualquer recibo emitido pela recorrente, sendo que, ao invés de serem protocolados na Receita Federal, deveriam ser entregues exclusivamente à pessoa do auditor, em sua sala e, conforme primeira intimação, em um prazo exíguo de dez dias, o que não pode ser cumprido tendo em vista o grande volume de documentos exigidos. Relata que, após os representantes da empresa informarem que isso não seria possível e que a documentação estava à disposição do fiscal na sede da empresa, o auditor requisitou os livros contábeis em meio digital, e afirmou que tão logo necessitasse requisitaria outros documentos. Informa que, apesar de a empresa ter se disponibilizado a apresentar os livros em meio magnético, mas no formato do programa que possui, uma vez que não está obrigada a apresentálos no formato solicitado pelo auditor, e de ter apresentado a íntegra dos livros em papel, os lançamentos contábeis que, de alguma forma, estavam amparados em documentos, como os descontos do Salário Família e Maternidade e a não realização de retenção nos pagamentos realizados a autônomos, foram considerados irregulares, tendo sido tributados pela contribuição, e acrescidos de multa e juros. Frisa que a desconsideração da documentação mantida pela recorrente constitui flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade, o que eiva de nulidade o presente lançamento, por desrespeitar o procedimento de fiscalização legalmente previsto, assim como os Princípios Constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. Transcreve o dispositivo legal no qual está embasado o AINF para tentar demonstrar que não há no ordenamento jurídico que rege a matéria qualquer norma que obrigue a empresa a levar sua contabilidade para a Receita Federal, destacando que os normativos vigentes apenas atribuem ao contribuinte a obrigação de manter a documentação contábil necessária, e disponibilizála à fiscalização, garantido à autoridade fiscalizadora amplo acesso às dependências da empresa. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000021/201018 Acórdão n.º 2301002.930 S2C3T1 Fl. 123 5 Reafirma que a recorrente cumpriu absolutamente todas as obrigações que lhe são impostas por lei e, não obstante, o AINF impugnado desconsiderou toda a documentação da recorrente, lavrando o auto de infração como se nenhum documento solicitado, ressalvados os livros contábeis, houvessem sido apresentados. Assevera que a desconsideração da documentação, mesmo tendo sido garantido amplo acesso a todos os documentos à fiscalização, constitui flagrante ofensa ao contraditório e à ampla defesa. No mérito, alega que o suposto fato que deu ensejo à aplicação da multa, qual seja, não apresentação de documentos solicitados pela fiscalização, já foi multado em dois autos distintos, o de DEBCAD 37.264.4961, que trata da obrigação principal, onde foi aplicada multa no percentual de 75%, e o de DEBCAD 37.264.970, que consiste exclusivamente na aplicação de multa pela não apresentação da GFIP. Entende que tal fato configura a ocorrência de bis in idem, pois os três autos decorreram de um mesmo mandado de procedimento fiscal e, se descumprimento houvesse de obrigação acessória, entende que apenas um auto de infração deveria ter sido lavrado, considerando estritamente as normas típicas, e jamais utilizando uma norma penal em branco que diz que, na ausência de penalidade expressamente cominada por infração à lei, enseja a multa prevista no seu art. 92. Ressalta que é um absurdo separar os grupos de documentos em procedimentos distintos tão somente com a finalidade de aplicar severas e diversas penalidade, reiterando que, nada obstante não ter ocorrido o cometimento de qualquer infração por parte da recorrente, haja vista que todos os documentos solicitados foram colocados à inteira disposição do auditor, tais fatos já haveriam sido multados por meio dos dois AINFs em referência, pelo que a presente autuação, além de ser nula por consistir em Bis In Idem, é também improcedente, porque os fatos imputados não se enquadram à previsão do art. 92. Insiste que a verificação dos documentos postos à disposição do fiscal deveria ter sido feita in loco, reafirmando que não houve qualquer recusa por parte da recorrente em apresentar documentos, sendo que foi a fiscalização que jamais compareceu à sede do hospital para analisar a documentação que lhe foi disponibilizada, o que demonstra que tratase de autuação em total desconformidade com a legislação tributária em vigor. Finaliza requerendo que seja reconhecida a nulidade do auto de infração ou, se assim não se entender, que seja julgado improcedente o presente AINF, em razão da inocorrência de qualquer descumprimento de obrigação acessória, o que impõe o provimento do presente recurso. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Em preliminar, alega nulidade do AI por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que não foram analisados os documentos disponibilizados pela recorrente à fiscalização e que inexiste a obrigação de apresentação dos documentos na sede da Receita Federal. Contudo, não há como acolher a alegação da recorrente de ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Sem que fique demonstrado que, após o início do litígio, houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Ressaltese que a fase fiscalizatória, dada sua natureza inquisitorial, não se constitui em requisito essencial que deva preceder o lançamento. Caso a autoridade fiscal disponha de elementos suficientes para realizar o lançamento, nos moldes do art. 142 do CTN, poderá fazêlo sem que qualquer intimação ao contribuinte seja feita. No caso em tela, verificase que a empresa se encontrava sob ação fiscal e, nos termos do art. 33, § 2o, da Lei 8.212/91, ela estava obrigada à exibir ao órgão fiscalizador, todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais, bem como todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse da fiscalização, na forma por ela estabelecida que, no caso, estabeleceu o local para que a documentação listada nos TIFs fosse apresentada. Assim, o lançamento, como ato administrativo, é válido, pois precedido de MPF válido, e o fiscal, a quem compete o lançamento, ao constatar o descumprimento da obrigação acessória, lavrou o AI, em observância aos ditames legais. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000021/201018 Acórdão n.º 2301002.930 S2C3T1 Fl. 124 7 Ademais, conforme o art. 14, do Decreto 70.235/72, é a impugnação da exigência que instaura a fase litigiosa do procedimento. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do AI por cerceamento de defesa, já que foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Não se vislumbra, portanto, motivo para nulidade do lançamento A recorrente afirma que não se furtou a entregar os documentos e elenca os motivos que tornaram inviável o atendimento de todas as requisições do auditor, quais sejam, o grande volume de documentos solicitados e o pedido de apresentação dos livros contábeis numa plataforma digital que o software não permite sua conversão, ressaltando sempre que não é obrigada a converter os dados de um software para outro apenas para satisfazer a autoridade julgadora, por falta de previsão legal. Contudo, a afirmação de que a empresa autuada não apresentou a contabilidade na plataforma digital solicitada pela fiscalização não interfere na análise do presente recurso, pois não é objeto do AI discutido por meio do presente processo administrativo fiscal a não apresentação dos Livros Contábeis em meio digital, e sim a não apresentação das Folhas de Pagamento dos segurados, documentações dos salários família e maternidade, livro de inspeção do trabalho e relação de imóveis integrantes do ativo imobiliário. A recorrente alega que o curto prazo concedido pela fiscalização para entrega da documentação e o grande volume de documentos solicitados tornaram inviável o atendimento da requisição fiscal. Todavia, constatase que a recorrente foi inicialmente intimada a apresentar os documentos por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 05), em 03/04/2009, e posteriormente, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 01 (f.s 07), em 23/11/2009, tendo sido cientificada da lavratura do AI apenas em 29/01/2010. Portanto, não há que se falar em prazo exíguo para apresentação dos documentos e nem em ausência de sua indicação, pois, da análise dos Termos citados acima, verificase que a fiscalização listou todos os documentos que lhe deveriam ser entregues. E, apesar das intimações, segundo relato fiscal, a empresa não apresentou a documentação apontada no Relatório Fiscal, ensejando a lavratura do presente Auto. A autuada alega que a autoridade julgadora, de um lado, afirma que a documentação juntada na impugnação serve para comprovar que o tempo concedido era suficiente para apresentar os documentos e, por outro lado, ao analisar o mérito, assevera que a documentação juntada não tem nenhuma relação como os autos, o que, no seu entendimento, é uma contradição, pois ou a documentação se presta para comprovar o que foi solicitado ou não, não podendo, simplesmente, servir de mote para afastar uma nulidade e, por outro, não servir para reconhecer a procedência do pedido. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Entretanto, não se verifica a contradição alegada, pois a autoridade julgadora de primeira instância apenas afastou os argumentos de nulidade por prazo exíguo para a entrega de documentos, demonstrando que a empresa teve mais de nove meses para sua apresentação, como também, ao analisar o mérito da questão, verificou que os documentos apresentados na impugnação não foram suficientes para afastar a exigência fiscal. Observase que o Acórdão recorrido demonstra a convicção dos julgadores diante dos fatos e argumentos que lhes foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela autuada. A autuada insiste em afirmar que sua documentação foi desconsiderada pela fiscalização. Entretanto, não prova o alegado. Não consta que a documentação solicitada por meio dos TIFs tenha sido desconsiderada pela fiscalização, como também não prova que aquelas listadas no Relatório do AI estavam à disposição da autoridade fiscal. Ademais, todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ser comprovadas por meio da juntada de prova documental, conforme disposto no relatório IPC (fls. 02/03) e ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Porém, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. Apenas alega, mas não prova, que não houve a infração apontada. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. A autuada argumenta que falta razão à autoridade julgadora pois, embora ela tenha justificado que a manutenção da multa por descumprimento de obrigação acessória tenha lugar pela redação do art. 92, da Lei 8.212/91, fato é que o referido dispositivo é inaplicável à espécie, sob pena de manifestação de bis in idem. Contudo, na verdade, é à recorrente que falta a razão, pois, conforme se verifica do voto condutor do acórdão recorrido, a autoridade julgadora deixou claro que o fundamento legal do lançamento está expresso no corpo do Auto de Infração, fl. 01, e transcreve, inclusive, os dispositivos legais infringidos, quais sejam, os §§ 2o e 3o, do art. 33, da Lei 8.212/91. O art. 92, citado pela recorrente, se refere à penalidade aplicada para a infração de deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições sociais. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000021/201018 Acórdão n.º 2301002.930 S2C3T1 Fl. 125 9 A fiscalização, cuja atividade é vinculada às disposições legais, ao constatar que a recorrente infringiu a legislação previdenciária, aplicou a penalidade prevista na Lei para o tipo de infração cometida. Da mesma forma, não há que se falar em bis in idem. Constatase que foram lavrados diversos instrumentos de crédito em uma mesma ação fiscal tendo em vista o descumprimento de vários dispositivos legais, sendo que para cada infração cometida pela recorrente lhe é imputada uma penalidade diferente, prevista nos diplomas legais que tratam da matéria, porque assim a lei determina. E, de fato, o AI de DEBCAD 37.264.4961 foi lavrado por descumprimento da obrigação principal, e o AI de DEBCAD 37.264.970, por descumprimento da obrigação acessória de apresentar GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O primeiro, referente ao descumprimento de obrigação principal, notifica o contribuinte do montante da contribuição devida e não recolhida em época própria, e o segundo, como também o AI discutido por meio do presente processo administrativo, possuem caráter punitivo e se referem ao descumprimento de obrigações acessórias. Ademais, o art 9o, do Decreto 70.235/77, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece que: Art.9oA exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Portanto, como não é facultado ao administrador público eximirse de aplicar uma lei ou decreto, ao se deparar com o descumprimento de obrigações acessórias e principais previdenciárias, o agente fiscal lavrou corretamente, para cada tributo e para cada infração cometida, AIs distintos, trazendo, cada um deles, a descrição da ocorrência do fato gerador e dos dispositivos legais infringidos, de modo a permitir ao autuado o exercício do contraditório e da ampla defesa. No caso presente, constatase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Portanto, todos as informações necessárias para que o autuado exercesse seu direito à ampla defesa se encontram nos relatórios integrantes do AI, não havendo que se falar em nulidade da autuação. O auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de exibir documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, ou por apresentálos sem que atendam as formalidades legais exigidas, consoante à determinação Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 contida no art. 33, § 2°e 3o, da Lei 8.212/91, e nos arts. 232 e 233, parágrafo único, do Decreto 3.048/99: Art.33. (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifei) § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Os artigos 232 e 233, do RPS dispõe que: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (grifei) A penalidade pela infração ao dispositivo transcrito acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de documentos não exibidos. Portanto, basta que a empresa deixe de exibir um documento solicitado por meio de TIF para que fique configurada a infração. Assim, independente do resultado do julgamento dos outros instrumentos de créditos lavrados contra a recorrente, houve infração à legislação previdenciária e, reiterase, como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi Fl. 130DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14337.000021/201018 Acórdão n.º 2301002.930 S2C3T1 Fl. 126 11 praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A recorrente insiste em afirmar que não houve qualquer recusa por sua parte em apresentar documentos. Contudo, não apresentou os documentos apontados pela fiscalização no Relatório Fiscal da Infração, solicitados por meio de TIAD. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. A ilustre relatora sempre nos brinda com votos muito bem fundamentados, trazendo lapidares argumentos que fortalecem o debate perante este colegiado. Todavia, no tocante à arguição de nulidade no lançamento, não posso compartilhar do mesmo entendimento, visto que vislumbro a existência de vício no procedimento adotado pelo Fisco. 2. Ora, não paira dúvida de que na hipótese de o contribuinte deixar de apresentar documentação exigida pela fiscalização, poderá o fiscal atuante promover o lançamento pelo descumprimento da obrigação. Ocorre que, para a adoção de tal procedimento, mister se faz que o fiscal demonstre, cabalmente, a efetiva recusa por parte do contribuinte, bem como a real pertinência da referida documentação com as contribuições previdenciárias questionadas ou, até mesmo, a obrigatoriedade da apresentação de tais documentos pelo contribuinte. 3. A propósito da matéria, destaco o verbete de Súmula n. 439 do Egrégio Supremo Tribunal Federal, o qual limita os poderes de exigência da fiscalização. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Súmula 439 – Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitando o exame aos pontos objeto da investigação. 4. Destarte, não se pode exigir do contribuinte documentos que não esteja obrigado por lei a manter sob sua guarda, ou que não se destine à finalidade da fiscalização. Ademais, a efetiva recusa do contribuinte tem que estar devidamente demonstrada para ensejar o lançamento fiscal. 5. No caso ora em apreço, não logrou êxito a fiscalização em demonstrar a pertinência dos documentos solicitados com o lançamento fiscal efetuado, bem como não restou evidenciado, em nenhum momento, a recusa do contribuinte. Pelo contrário, em sua defesa o contribuinte apresentou indícios suficientes de que a documentação solicitada sempre esteve à disposição da fiscalização para averiguação. 6. Não obstante não me parece crível que a exigência para o contribuinte apresentar toda a documentação na sede da Receita Federal, exatamente na sala do auditor fiscal, esteja pautada no princípio da legalidade. Pelo contrário, soa afronta aos ditames da legislação de regência tal exigência. Além disso, impor penalidade ao contribuinte pela formatação de seus arquivos magnéticos ser incompatível com aquela exigida pelo Fiscal apresenta, a meu ver, desarrazoável. 7. Assim sendo, a autuação, na forma que foi efetuada, encontrase maculada por infração à legislação previdenciária, ensejando o provimento do recurso voluntário do contribuinte ser provido. CONCLUSÃO 8. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, ante acima o delineado. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 132DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 09/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10830.003024/99-79
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992
FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 30/04/1999, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 30/04/1989.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM : 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 30/04/1999, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 30/04/1989. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 30 24 /9 9- 79 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os recursos extraordinários interpostos contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF. O Acórdão no 0306.090. da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 191 a 197) reconheceu o direito do contribuinte pleitear, em 30/04/1999, repetição de FINSOCIAL referente a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 28/02/1992. A Fazenda Nacional apresentou tempestivamente recurso extraordinário (fls. 201 a 212), onde afirma que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido. Para comprovar a divergência, indicou, como paradigma, o Acórdão CSRF/0400.810, da 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10830.003024/9979 Acórdão n.º 9900000.794 CSRFPL Fl. 6 3 extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos 1 e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 214 e verso, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Data do pedido: 30/04/1999. Fatos Geradores: 01/09/1989 a 28/02/1992. O presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, o pedido de repetição do indébito ocorreu antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como o pedido foi feito em 30/04/1999, estava apto a pleitear a restituição de tributos com fatos geradores ocorridos após 30/04/1989. Dessa forma, como o pleito se refere a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 28/02/1992, o direito não estava fulminado pelo transcurso do prazo fatal. Assim, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 239DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10830.003024/9979 Acórdão n.º 9900000.794 CSRFPL Fl. 7 5 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 37313.000295/2005-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2002 a 30/10/2004
PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula n. 1 do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-001.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre de Medeiros.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DISCUSSÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, nos termos da Súmula n. 1 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 31 3. 00 02 95 /2 00 5- 13 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em razão de procedência parcial à Requerimento de Restituição de Valores Indevidos – RRVI, protocolado em 11 de fevereiro de 2005 na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília. No requerimento de fls. 03 e seguintes dos autos, a requerente informa que era empregada da Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central – CODEPLAN e da SDU/Ministério das Cidades, sofrendo retenção de ambas as partes no período de agosto de 2002 a outubro de 2004, conforme constam nos documentos de fls.6/98 e 108/208. DO DESPACHO DECISÓRIO DA CHEFIA DE DIVISÃO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA Mediante o requerimento da contribuinte e das provas acostadas aos autos pela CODEPLAN (cópias das GFIP e GPS referente às competências dos meses de agosto de 2002 a dezembro de 2004), em resposta à intimação n. 441/2009 de fl. 105, a Receita entendeu por dar parcial deferimento ao pleito (fls. 209/221). O direito à restituição foi reconhecido, bem como atestada sua tempestividade na forma da Instrução Normativa RFB n. 900/2008 e art. 253 do Decreto n. 3.048/99 e art. 168 do CTN. Entretanto, fora apenas concedida a restituição das competências de agosto de 2003 a dezembro de 2003, e que a devolução referente a janeiro a outubro de 2004 já haviam sido restituídas pela empresa, cabendo apenas a devolução do equivalente à correção monetária, conforme trecho da decisão nas fls. 215/216, verbis: “Ocorre que a Secretaria de Desenvolvimento Urbano não efetuou nenhum recolhimento de agosto de 2002 a agosto de 2003. Tal fato impede, por expressa determinação legal (art. 89 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941/2009), o deferimento deste pedido de restituição referente a esse período, não podendo ser reconhecido o direito creditório ora pleiteado. Inclusive, nas competências de agosto e setembro de 2002, a Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano sequer informou os valores pagos ou entregou a GFIP (fl.184). (...) Assim, em relação às competências de janeiro a outubro de 2004, os valores devem ser corrigidos mês a mês, na forma da legislação aplicável, até o mês de dezembro, que foi o mês em que a interessada recebeu os valores devidos, sem correção. A partir do valor encontrado farseá a dedução do valor pago pelo Ministério das Cidades (RS 1.063,50). Essa diferença encontrada, no valor de R$ 85,47 (oitenta e cinco reais e quarenta e sete centavos), é o valor originário único, na competência de dezembro de 2004, que deverá ser atualizado a partir do mês de janeiro de 2005, até a data do efetivo pagamento.” DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 281DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 37313.000295/200513 Acórdão n.º 2403001.615 S2C4T3 Fl. 3 3 Em face do despacho decisório, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade de fls. 236/241. Requereu a modificação da decisão para que fosse deferida a restituição dos valores pagos por intermédio de desconto em folha de pagamento, dos meses de agosto de 2002 a agosto de 2003, bem como que a autoridade prestasse informações à CGU a retenção dos valores correspondentes pelo órgão de origem, como forma de viabilizar a apuração de responsabilidade, inclusive penal. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 7a Turma da DRJ/BSB, prolatou, o Acórdão n° 0334.989, de fls. 243/246, mantendo a decisão anteriormente prolatada, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Retenção cumulativa acima do limite do saláriodecontribuição. O direito a restituição está condicionado à comprovação do efetivo recolhimento do valor requerido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” DO RECURSO Inconformada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 252/260, com os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade, acima ventilados. DEMAIS INFORMAÇÕES Consta na fl. 265, Memorando (n. 1850/2011DIDE1/AGM/PRFB/DF), originado da Procuradoria da Fazenda Nacional do Distrito Federal. O ofício informa a existência de processo judicial de n. 001368426.2011.4.01.3400, originado da 25a Vara Federal no Distrito Federal, proposta por Sônia Rodrigues Haddad, requerendo o envio de cópia do processo administrativo de n. 37313.000295/200513, por constar essa informação do petitório da autora. Nas fls. 267/277 fora juntada cópia da petição inicial do processo informado, na qual se constata a coincidência entre o pleito judicial e do administrativo. Despacho de encaminhamento na fl. 278. Sorteio na fl. 279. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 248 e 252, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DA DISCUSSÃO JUDICIAL Conforme afirmação da Procuradoria da Fazenda Nacional na fl. 265, as matérias discutidas no processo em tela são as mesmas debatidas no Processo Judicial de n. 001368426.2011.4.01.3400, em trâmite na 25a Vara Federal da Comarca do Distrito Federal, proposto pela Recorrente. Ao ingressar com a referida ação judicial, a Recorrente abdicou do seu direito de discutir administrativamente, nos termos da Súmula n. 1 do CARF, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifo nosso) Diante da referida Súmula, não há como esta esfera administrativa analisar o pleito da Recorrente. CONCLUSÃO Do exposto, não conheço do Recurso Voluntário. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 283DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 15504.020068/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESCONTO SIMPLIFICADO. OPÇÃO. EFEITOS.
Uma vez feita a opção pelo desconto simplificado perde o contribuinte o direito de pleitear as demais deduções previstas na legislação.
MUDANÇA DE FORMULÁRIO. INADMISSIBILIDADE.
Transcorrido o prazo regulamentar para a entrega da declaração, não se admite mais a retificação que tenha por objetivo a troca de modelo.
Numero da decisão: 2202-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
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OPÇÃO. EFEITOS. Uma vez feita a opção pelo desconto simplificado perde o contribuinte o direito de pleitear as demais deduções previstas na legislação. MUDANÇA DE FORMULÁRIO. INADMISSIBILIDADE. Transcorrido o prazo regulamentar para a entrega da declaração, não se admite mais a retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 00 68 /2 01 0- 91 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15504.020068/201091 Acórdão n.º 2202001.999 S2C2T2 Fl. 101 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 12 a 14, pela qual se exige a importância de R$5.672,11, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2008, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 13, verificase que o lançamento decorre de omissão parcial de rendimentos recebidos do Ministério da Fazenda, no valor de R$20.625,85, conforme DIRF apresentada pela fonte pagadora. Conforme Resultado de Solicitação de Retificação do Lançamento – SRL, de 08/11/2010 (fl. 10), observase que o contribuinte pleiteou alteração do lançamento em discussão, o que foi indeferido pelo seguinte motivo: Não há previsão legal, para dedução, da contribuição previdenciária oficial, no modelo utilizado, visto que o Desconto Simplificado substitui todas as deduções legais cabíveis. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 9, instruída com os documentos de fls. 10 a 43, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 60 e 61): O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento em fls. 01/10, alegando, em síntese, que: 1. O Unafisco Sindical obteve liminar de isenção do imposto de renda sobre o abono de permanência as vésperas do prazo final para a entrega da Declaração de Ajuste 2009, conforme atesta o Anexo 5; 2. Como resultante do fato acima a SRRF06/DIGEP emitiu cinco comprovantes de rendimentos (Anexo 6) sendo uma delas uma Comunicação (Anexo 6.3); 3. Dessa forma, encaminho sua declaração de ajuste anual 2009 (Anexo 7) que teve por base a referida comunicação; 4. Embora tenha estranhado o valor do imposto a pagar apurado não se deteve em maiores análises; 5. Considerou aquele imposto como sendo resultado natural do aumento da renda no anocalendário 2008; 6. Somente ao fazer a Declaração de Ajuste Anual 2010 e vendo que o imposto a pagar apurado foi muito divergente do apurado na Declaração de Ajuste 2009 teve sua atenção voltada para a situação raiz desta impugnação. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15504.020068/201091 Acórdão n.º 2202001.999 S2C2T2 Fl. 102 3 7. Buscando reconstituir os fatos fez consulta ao Siapenet e, surpreso, constatou a existência de novos comprovantes de pagamento emitidos após abril de 2009 que não lhe foram enviadas (Anexos 6.4 e 6.5); 8. Na impossibilidade da mudança de modelo simplificado para o completo e, convencido do fato de ter contribuído para além da sua obrigação para o fisco encaminhou uma retificadora em 09/04/2010 (Anexo 10), onde reduziu do rendimento valor equivalente ao da contribuição para a previdência; 9. O procedimento de apresentar uma declaração retificadora teve por objetivo provocar um melhor esclarecimento dos fatos junto à malha fiscal, seu destino natural; 10. Para sua surpresa e indignação a dita retificadora indo de fato à malha fiscal sofreu ali, rito sumário lhe imputando omissão de rendimentos; 11. A exigência fiscal contrariou o art. 835 e 841 do RIR/99; 12. A seu juízo, em agindo como agiu a decisão melhor seria que fosse invalidada a retificadora visto que, nos termos da decisão, a declaração original não omitia rendimentos se apresentando, nessa hipótese, como normal inclusive com o imposto apurado já pago (Anexo 8). 13. Considerando que o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Anexo 6.5, se utilizado remeteria necessariamente ao modelo completo, lhe cabe apontar as normas legais que dão amparo à correção do fato tratado e que foram relegadas e superadas pelo simplismo na Decisão da DRFBHE (Solicitação de Retificação de Lançamento de fl. 10); 14. O art. 832 do RIR/99 prevê a retificação para mudança de modelo pelos razões expostas em fls. 05/08, citando acórdãos de Delegacias de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e doutrina. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte (MG) julgou improcedente lançamento, proferindo o Acórdão no 0230.428 (fls. 59 a 64), de 14/01/2011, do qual se transcreve a conclusão: Ante o exposto, voto por considerar procedente a impugnação para cancelar a exigência fiscal de fls. 12/14 e restabelecer a Declaração de Ajuste Anual Simplificada apresentada pelo impugnante, em 30/04/2009, na qual foi apurado imposto a pagar no valor de R$6.727,39 (fl. 29), valor este já quitado (fl. 57), contudo não aproveitado integralmente, conforme se verifica nos arquivos da Receita Federal do Brasil (fl. 58). A decisão a quo determinou, ainda, o bloqueio do valor recolhido pelo contribuinte (fl. 59). Fl. 109DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15504.020068/201091 Acórdão n.º 2202001.999 S2C2T2 Fl. 103 4 DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 21/01/2011 (vide “Termo de Vista em Processo” anexado à fl. 66), o contribuinte apresentou, em 10/02/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 67 a 73, acompanhado dos documentos de fls. 74 a 98, no qual reitera os termos de sua impugnação e requer que se apure nova base de cálculo do imposto de renda tendo por base os dados da DIRF (Anexo VII), do comprovante de rendimentos recebidos de pessoa física (Anexo X) e dos comprovantes de despesas apresentados (Anexo XI e XII). Ao final anexa esboço da declaração retificadora pleiteada (Anexo IX). DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 15, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, vindo numerado até à fl. 99 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15504.020068/201091 Acórdão n.º 2202001.999 S2C2T2 Fl. 104 5 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Compulsandose os elementos que compõem os autos, importa destacar que: · em 30/04/2009, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a declaração de ajuste anual para o anocalendário 2008 (DIRPF/2009), no modelo simplificado, informando como rendimentos tributáveis o valor de R$194.488,63 e apurando saldo de imposto a pagar no montante de R$6.727,39 (fls. 22 a 29); · em 09/04/2010, foi entregue declaração retificadora (fls. 35 a 42), reduzindo os rendimentos tributáveis para R$173.862,78 e, conseqüentemente, alterando o saldo de imposto a pagar para R$1.055,28; · em 11/10/2010, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 12 a 14, apurandose omissão de rendimentos no valor R$20.625,85 (diferença entre o valor informado na declaração original e na declaração retificadora), conforme DIRF apresentada pela fonte pagadora, exigindo se o imposto suplementar de R$5.672,11; · a decisão de primeira instância, entendeu por bem cancelar o lançamento de ofício, restabelecendo a declaração original apresentada pelo contribuinte. Em sede recurso, o contribuinte requer, em síntese, que sejam refeitos os cálculos da DIRPF/2009 (fls. 94 e 95 – Anexo IX), considerandose os documentos de fls. 96 a 98. Examinandose os cálculos elaborados pelo contribuinte (fls. 94 e 95), observase que não existe discordância quanto ao total dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica (valor igual ao informado na declaração original e restabelecido pela decisão recorrida) e que a pretensão do contribuinte consiste na trocar de modelo (simplificado para completo) e, por conseguinte, no reconhecimento das deduções relativas à contribuição previdenciária oficial e à despesas médicas. Convém lembrar que a declaração apresentada em modelo simplificado impede o contribuinte de pleitear as demais deduções previstas na legislação, conforme disposto no parágrafo 1o do art. 10 da Lei no 9.250, de 26 de Dezembro de 1995, in verbis (grifos nossos): Fl. 111DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 15504.020068/201091 Acórdão n.º 2202001.999 S2C2T2 Fl. 105 6 § 1o O desconto simplificado a que se refere este artigo substitui todas as deduções admitidas na legislação. Além disso, após o prazo legal de entrega, não pode o interessado pleitear a mudança de formulário, apresentando nova declaração e tão pouco é permitido à autoridade administrativa alterar a forma de tributação (simplificada), tendo em vista o disposto no art. 4o da Instrução Normativa, 165, de 23 de Dezembro de 1999, atualmente reproduzido no art. 57 da Instrução Normativa 15, de 6 de fevereiro de 2001: Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 112DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001833/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO.
Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
Verificado que a parte foi cientificada da autuação em 24/11/2008, quando não havia decorrido mais de cinco anos da ocorrência do primeiro fato gerador, não se opera a decadência do direito a cobrança do IRPJ e da CSLL em relação aos fatos geradores ocorridos em 30/09/2004.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMÓVEL RURAL
A partir do dia 1° de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital , nos termos da legislação do imposto de renda, considera-se custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o valor da terra nua declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação.
No entanto, caso não tenham sido entregues os Documentos de Informação e apuração do ITR (DIAT) relativos aos anos de aquisição ou alienação, ou ambos, deve-se proceder ao cálculo do ganho de capital com base nos valores reais da transação.
CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. .
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO. Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Verificado que a parte foi cientificada da autuação em 24/11/2008, quando não havia decorrido mais de cinco anos da ocorrência do primeiro fato gerador, não se opera a decadência do direito a cobrança do IRPJ e da CSLL em relação aos fatos geradores ocorridos em 30/09/2004. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMÓVEL RURAL A partir do dia 1° de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital , nos termos da legislação do imposto de renda, considera-se custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o valor da terra nua declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. No entanto, caso não tenham sido entregues os Documentos de Informação e apuração do ITR (DIAT) relativos aos anos de aquisição ou alienação, ou ambos, deve-se proceder ao cálculo do ganho de capital com base nos valores reais da transação. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso voluntário desprovido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. . (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO. Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Verificado que a parte foi cientificada da autuação em 24/11/2008, quando não havia decorrido mais de cinco anos da ocorrência do primeiro fato gerador, não se opera a decadência do direito a cobrança do IRPJ e da CSLL em relação aos fatos geradores ocorridos em 30/09/2004. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMÓVEL RURAL A partir do dia 1° de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital , nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o valor da terra nua declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. No entanto, caso não tenham sido entregues os Documentos de Informação e apuração do ITR (DIAT) relativos aos anos de aquisição ou alienação, ou ambos, devese proceder ao cálculo do ganho de capital com base nos valores reais da transação. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 18 33 /2 00 8- 12 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11030.001833/200812 Acórdão n.º 1402001.246 S1C4T2 Fl. 3 2 DEMAIS TRIBUTOS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. . (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11030.001833/200812 Acórdão n.º 1402001.246 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de IRPJ e CSLL (fls. 2/36), cumulados com multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados pela sistemática do Lucro Real trimestral, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004 a 2008. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal constante dos autos, a autuação é decorrente da suposta falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital apurado pela contribuinte na alienação de dois imóveis (primeira gleba de 9.998ha e 1.241,00 m2 e a segunda gleba de 9.987 ha e 4.690,00 m2), ocorrida em 18/08/2003, conforme escritura pública de compra lavrada no Cartório do Registro Civil e Notas de Novo Horizonte do Norte – MT (fls. 90/95). No Acórdão da 1ª Turma da DRJ/STM n°. 1811.652 de 03/12/2009 (fls. 374/386) os lançamentos foram mantidos, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade e da inconstitucionalidade de dispositivos legais, por se tratar de matéria de competência privativa do Poder Judiciário, nos termos da Constituição Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 FATO GERADOR. GANHOS DE CAPITAL. VENDAS A LONGO PRAZO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. O Imposto sobre a Renda é gerado tanto pela disponibilidade econômica quanto pela disponibilidade jurídica de renda, bastando a ocorrência de uma delas para que se configure o fato gerador. Nos casos de ganho de capital decorrentes de vendas a longo prazo em prestações, com o recebimento de cada parcela do valor de venda temse uma disponibilidade financeira, que está diretamente ligada ao conceito de renda. DECADÊNCIA. VENDA PARCELADA A LONGO PRAZO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do prego, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, não havendo recolhimento do tributo relativo ao período de apuração, o termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, referente ao lucro Fl. 405DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11030.001833/200812 Acórdão n.º 1402001.246 S1C4T2 Fl. 5 4 proporcional da parcela do prego recebido, é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. VALORES DE VENDA E CUSTO. A partir do dia 1° de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua (VTN) declarado, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. No entanto, caso não tenham sido entregues os Documentos de Informação e apuração do ITR (DIAT) relativos aos anos de aquisição ou alienação, ou ambos, devese proceder ao cálculo do ganho de capital com base nos valores reais da transação. MULTA DE OFICIO. Estando presentes os pressupostos legais para sua aplicação, não cabe autoridade julgadora declarar indevida a sua exigência. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de oficio efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 390/399), sustentando, preliminarmente, a decadência dos créditos tributários em cobrança, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN, uma vez que a autuação ocorreu em 14/08/2008 e o fato gerador (data da venda do imóvel) em 18/08/2003. No mérito, a contribuinte defende (i) que o resultado tributável não deveria ser apurado com base nos valores de venda e compra, devendo ser apurado a partir da utilização do Valor da Terra Nua VTN, nos termos da Lei nº 9.393/96, que trata do cálculo e recolhimento do ITR. Registra que o VTN deve refletir o preço de mercado das terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir o Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT). Acrescenta que a referida lei estipulou que os custos da aquisição e de alienação de imóvel rural, estipulados para fins de apuração de ganho de capital, deverão observar os valores da terra nua declarados, pelo contribuinte, nos DIAT apresentados nos respectivos anos. Também observa que na hipótese de o contribuinte não ter apresentado esses documentos Fl. 406DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11030.001833/200812 Acórdão n.º 1402001.246 S1C4T2 Fl. 6 5 informativos, a referida lei especifica os critérios que devem ser adotados para apuração do imposto, entre os quais destaca o sistema previsto pela Portaria SRF n° 447/2002; (ii) a inocorrência do ganho de capital, uma vez que o pagamento não ocorreu à vista, mas, sim, parcelado. Nesse contexto, sustenta que o ganho de capital somente poderia ser considerado existente a partir do pagamento completo do preço estabelecido na transação imobiliária, visto que antes disto não houve a disponibilidade econômica ou jurídica de renda; e (iii) a inconstitucionalidade da multa moratória no valor de 75%. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Da preliminar Sustenta a recorrente decadência dos fatos geradores lançados. No entanto, neste ponto, sem razão. O fato gerador da obrigação tributária é o marco inicial do prazo decadencial. Deve ser ressaltada, por oportuno, a diferença em relação aos fatos geradores instantâneos, em que o marco inicial do prazo decadencial se dá na data do evento jurídico eleito pelo legislador e os fatos geradores complexivos, nos quais o evento que interessa à exigência da obrigação tributária só se consuma em determinada data, como ocorre nos casos de pagamentos parcelados, em obediência ao regime de competência. Nesse passo, cabe ainda ressaltar, como exposto na decisão recorrida, que a primeira parcela recebida pela Recorrente em 30/09/2003 a título de entrada, no valor de R$ 100.000,00 (fls.302) foi computada na apuração do Lucro Real referente ao terceiro trimestre de 2003, não tendo sido objeto do lançamento. Tendo em vista que as demais parcelas foram recebidas de 2004 a 2008, conforme a escritura pública de compra e venda de fls. 88/90 e demonstrativo de fl. 302, o ganho de capital mais antigo é de 30/09/2004, que corresponde a lª parcela com vencimento em 16/08/2004, no valor de R$ 592.000,00. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11030.001833/200812 Acórdão n.º 1402001.246 S1C4T2 Fl. 7 6 No caso dos autos, no anocalendário de 2004, o contribuinte optou pela forma de tributação do lucro real trimestral (fl. 219), e não há provas nos autos que tenha recolhido qualquer valor a titulo de IRPJ e CSLL. Assim, conforme decisão do REsp nº 973.733SC, proferida pelo Egrégio STJ em sede de recurso repetitivo (Art. 543C da Lei nº 5.869/1973), vinculando as decisão proferidas por esse Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009), nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o prazo decadencial previsto no artigo 173, I do CTN. Noutras palavras, a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal regese pelo artigo 173, I do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Com efeito, em 30/09/2004, temse a ocorrência do primeiro fato gerador, referente ao terceiro trimestre de 2004 e, conforme art. 173, I do CTN, tal crédito tributário somente seria extinto pela decadência em 01/10/2009. Todavia, antes que tal fato ocorresse deuse o lançamento, com intimação da Recorrente em 24/11/2008 (AR fls.306), razão pela qual não se acolhe a decadência em relação ao IRPJ e a COFINS. Do mérito Da análise dos autos se verifica que a acusação que pesa contra o suplicante é de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Por outro lado, as teses do recorrente, nesta fase, podem ser resumidas nos seguintes pontos: (i) o resultado tributável deveria ter sido apurado a partir da utilização do Valor da Terra Nua VTN, nos termos da Lei nº 9.393/96, refletindo o preço de mercado das terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir o Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT); (ii) não existe ganho de capital a ser tributado, uma vez que o pagamento não ocorreu à vista, mas, sim, parcelado; e (iii) a multa moratória no valor de 75% é inconstitucional. Iniciando a análise do primeiro argumento de defesa, é necessário lembrar que a legislação de regência sobre a matéria se manifesta da seguinte forma: Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Da Declaração Anual Art. 8° O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11030.001833/200812 Acórdão n.º 1402001.246 S1C4T2 Fl. 8 7 § 1° O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2° O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3° O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2° e 3° fica dispensado da apresentação do DIAT. Valores para Apuração de Ganho de Capital Art. 19. A partir do dia 1° de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8°, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Assim, está claro que, quanto ao custo de aquisição de imóveis rurais, temse que a partir do dia 1° de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considera se custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o valor da terra nua declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. No entanto, como bem apontado pela decisão recorrida, o contribuinte não apresentou os DIAT’s, impossibilitando a adoção dos valores ali declarados. Discordo de sua afirmação no sentido de que, na hipótese de o contribuinte não ter apresentado esses documentos informativos, a Lei nº. 9393/96 indicaria os critérios a serem adotados para apuração do imposto, entre os quais destaca o sistema previsto pela Portaria SRF n° 447/2002. O que a Lei indica são os créditos a serem adotados para a apuração do ITR, no caso da falta de tais documentos. Assim, concordo a decisão recorrida no sentido de que, na ausência de tais valores, correto o procedimento da fiscalização, que considerou os valores registrados na contabilidade da Recorrente. No tocante ao segundo argumento de defesa, vale repisar os esclarecimentos preliminares. O fato gerador, no caso do Imposto de Renda, é complexivo, considerandose ocorrido no último dia útil do trimestre, no caso de Imposto de Renda apurado pela sistemática do Lucro Real trimestral, quando o imposto se torna efetivamente devido. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11030.001833/200812 Acórdão n.º 1402001.246 S1C4T2 Fl. 9 8 Além disso, como já afirmado na análise preliminar, nos casos de pagamento parcelado, o fato gerador do imposto de renda considerase ocorrido mês a mês. Assim, in casu, os fatos geradores considerarseão ocorridos na data do recebimento de cada parcela, descabendo falar em falta de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, devendo ser reconhecido o lucro proporcional da parcela recebida em cada período de apuração, nos termos do art. 421 do RIR/99. Destarte, cabe esclarecer, no que toca ao argumento de inconstitucionalidade e confiscatoriedade da multa de ofício de 75%, descabe tal análise pelo julgador administrativo, conforme preconiza o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter integralmente o auto de infração. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 410DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10830.010920/2002-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 10 92 0/ 20 02 -9 7 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório JOSÉ EDUARDO NOGUEIRA PORTO, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 776.117.21887, com domicílio fiscal na cidade de Campinas, Estado de São Paulo, à Alameda das Palmeiras, n.º 650 Bairro Campinas, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 316/331, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 337/348. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 19/12/2002, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 180/188), com ciência pessoal, em 19/12/2002 (fls. 180), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 280.711,18 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2001, correspondente ao anocalendário de 2000. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2001, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de deposito mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme apurado durante procedimento fiscal e descrito no próprio Auto de Infração. Infração capitulada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997; art. 1º da Lei nº 9.887, de 1999 e art. 58 da Lei nº 10.637, de 2002. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do próprio Auto de infração, entre outros, os seguintes aspectos: que quanto à movimentação financeira do Banco Itaú vale mencionar que a mesma não foi apresentada pelo contribuinte, tendo sido solicitada diretamente ao referido banco, através da devida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira; que, por fim, quanto à resposta do contribuinte ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 27/09/2002, quando o mesmo esclarece que em transações imobiliárias os documentos apresentados nem sempre coincidem em datas e valores, alegando, inclusive, que cabe apenas ao contribuinte a comprovação das origens dos depósitos bancários mediante documentação hábil e idônea, não constando da legislação a exigência de serem os mesmos coincidentes em datas e valores, esclareceu que as exigências das devidas comprovações, constantes no Termos acima referido, sempre foram no sentido da apresentação de toda a documentação que amparasse tais origens e pudessem esclarecêlas, sendo que entendemos que quando a legislação se refere a um documento hábil é evidente que está se referindo a um documento que fosse coincidente em datas e valores, portanto, os depósitos acima referidos não tiveram comprovadas suas origens, sendo através do presente Auto de Infração exigido o imposto de renda não recolhido no anocalendário de 2000 a titulo de omissão de rendimentos. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 4 3 Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 17/01/2003, a sua peça impugnatória de fls.189/224, instruído pelos documentos de fls.225/314, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que se analisando o auto de infração, PASMEM, verificamos que o auditor fiscal decidiu proceder ao lançamento com fundamento no fato de que os depósitos e créditos não se deram por comprovados em virtude dos mesmos não terem sido coincidentes em datas e valores com os recursos provenientes da documentação apresentada pelo IMPUGNANTE; que devemos ressaltar que a pessoa física não está, absolutamente, obrigada a ter escrituração contábil na forma determinada para as pessoas jurídicas que devem registrar todos os fatos administrativos, com livros fiscais próprios, contabilizando os eventos por partida diária; que na descrição dos fatos e enquadramento legal o Auditor Fiscal afirma que o IMPUGNANTE "não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termos de Intimação e Constatação Fiscais e de Intimações . Fiscais lavrados em 22.08.2002, 27.09.2002 e 04.10.2002 ,respectivamente, sendo os seguintes os depósitos não comprovados:", Isto, absolutamente, não corresponde a realidade dos fatos; que nas respostas de 12.09.2002, 18.10.2002 e de 30.10.2002 aos Termos acima citados, o IMPUGNANTE teve a oportunidade de apresentar copiosa documentação, na sua maioria, relativa a transações imobiliárias, parte dela referente a operações do próprio IMPUGNANTE e outras onde ele figurou apenas como procurador (representando o grupo de investidores) cuja movimentação financeira circulou por suas contas correntes; que como restou provado e não aceito pelo Auditor Fiscal todos os créditos e depósitos bancários foram regularmente comprovados. Portanto, o termo empregado foi totalmente inapropriado para o caso em tela, porque o vocábulo evidente deve ser empregado para algo cabalmente demonstrado e comprovado, o que não corresponde à realidade do caso vertente; que como se nota, a presunção relativa ou condicional admite prova em contrario, então o digno auditor fiscal não poderia, ao seu bel prazer, ter ignorado referidas provas (documentos idôneos), contratos de compra e venda, escrituras públicas de compra e venda, contrato particular de divisão amigável e atribuição de futuras unidades autônomas e etc.; que cabe destacar que os depósitos de pequena monta incluídos na autuação, sobretudo os relativos ao Banco Hail S/A estão suportados pela renda declarada pelo IMPUGNANTE no valor de R$ 87.180,83; que autoridade fiscal teve acesso ao extrato bancário por meio do art. 11, §2° da Lei n° 9.311/96, para fins de fiscalização, exigência e eventual cobrança de imposto de renda pessoa física do anocalendário de 2000, está dispondo de um meio ilegal e inconstitucional para satisfação de suas pretensões, o que inevitavelmente causa uma insegurança nas relações jurídicas bem como em sua ordem pois, o § 3° VEDA expressamente a utilização das informações pela Secretaria da Receita Federal para fins de constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos; Fl. 370DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 5 4 que mesmo se considerássemos a Lei n° 10.174/01 constitucional, a Lei n° 9.311/96 vigorou até a publicação daquela, que jamais poderia ser aplicada para fatos corridos anteriormente e na vigência de outra Lei, sob pena de prejudicar o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, protegidos e assegurados, inclusive constitucionalmente; que ignorando também este fato da garantia da ordem jurídica assegurada constitucionalmente, se aplicássemos a alteração ao artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, trazida pela Lei n° 10.174/01, segundo a própria Lei, que dispôs expressamente sobre sua aplicação, ou melhor, sobre sua vigência, a aplicação da Nova Redação ou modificação seria licita somente a partir do momento em que a Lei fosse publicada e dali para frente, não prejudicando o ato jurídico perfeito e o direito adquirido, aplicável, portanto, a partir de 10 de janeiro de 2001; que em resumo, o artigo 11, § 3° da Lei n° 9.311/96, vigorou até o dia 09/01/2001 com sua redação original, vedando a Secretaria da Receita Federal a usar dados da CPMF para constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos e, a partir do dia 10/01/2001, passou a vigorar com sua nova redação; que, portanto, não observando este comando legal, a autoridade fazendária veio dar efeito RETROATIVO a Lei n° 10.174/01, causando insegurança no meio jurídico, ignorando o ato jurídico perfeito e o direito adquirido, exigindo do IMPUGNANTE que apresentasse seus extratos bancários do anocalendário de 2000 para procedimentos de fiscalização e constituição de crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Física daquele período (conforme MPF), dados legalmente vedados para esse fim bem como sigilosos, nos termos da Constituição Federal; que sendo assim, a atitude do fisco é ilegal, uma vez que a Lei no 9.311/96, em seu art. 11, § 3°, vigente no ano de 1998, veda expressamente a autoridade fazendária de utilizar tais dados e, inconstitucional porque fere os princípios trazidos no art. 5° da CF/88, considerado cláusula pétrea; que assim, o procedimento adotado pela Receita Federal aplicando retroativamente a Lei n° 10.174/01, com base no § 1° do art. 144 do Código Tributário Nacional, é ilegal e inconstitucional, pois segundo o princípio da capacidade contributiva, trazido pelo disposto no art. 145, § 1°, da Constituição Federal, a administração tem o poder dever de identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas dos contribuintes, desde que respeitando os direitos individuais e nos termos da lei, o que não foi observado; que o mero depósito não representa o fato gerador do imposto de renda em nenhuma de suas espécies, ou seja, o depósito não representa disponibilidade econômica ou jurídica de renda, muito menos de proventos de qualquer natureza; que se os depósitos bancários representam marco inicial da investigação, eles não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da aludida presunção legal, o que vale dizer, que esses depósitos não podem sustentar uma presunção legal, uma vez que, além da ausência de correlação natural exigida na instituição desse artifício legal, tal providência implicaria na transferência integral do ônus da prova para o contribuinte, o que, para pessoa física, quase sempre, no rigor exigido pela Receita Federal, essa prova não poderá ser produzida; Fl. 371DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 6 5 que o alcance do artigo 42 às pessoas físicas, deve restringirse a situações em que os auditores, no âmbito da fiscalização da pessoa jurídica, têm acesso As contas bancárias de seus sócios, gerentes, etc., e comprovam ser esta movimentação das empresas, jamais devendo ser utilizado este dispositivo no âmbito da fiscalização do Imposto de Renda da Pessoa Física, tudo de acordo com a interpretação sistemática deste artigo conforme explicitado; Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Quinta Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que em relação aos argumentos concernentes ao sigilo bancário, é de se dizer que ao solicitar às instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte, a autoridade administrativa valeuse de meios e instrumentos de fiscalização colocados à sua disposição pelo ordenamento jurídico para que a ação fiscal possa ter eficácia; que podese afirmar que o procedimento adotado pelo autuante de solicitar os extratos bancários, quer seja diretamente ao contribuinte, ou – nas condições previstas em lei às instituições financeiras, encontrase plenamente legitimado pelo ordenamento jurídico. Pelas normas vigentes, não ocorre a alegada quebra de sigilo sobre as informações obtidas, mas apenas a sua transferência ao Fisco, que, por força de lei, é obrigado a conserválo; que manifesta inconformidade do impugnante acerca da exigência consubstanciada no Auto de Infração de fls. 180/183, compreendendo a tributação dos rendimentos omitidos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, de origem não comprovada, não é de ser acatada; que a argumentação de que a movimentação bancária não é fato gerador de imposto de renda, carece de sustentação, já que atinente a lançamento realizado sob a égide do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 e MP n° 1.5631/97, convalidada pela Lei n° 9.481, de 13/08/1997 e art. 849, § 2°, inciso II, do RIR/99; que a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não meros indícios de omissão; razão por que não há que estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita; que a presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário; que o impugnante contesta que a expressão “coincidente em datas e valores" utilizada pela autoridade fiscal para desconsiderar as justificativas do contribuinte não encontra guarida na lei nem tampouco na jurisprudência atinente as pessoas físicas; que a legislação exige a comprovação mediante documentação hábil e idônea e se não houver coincidência de datas e valores não há como garantir um vínculo entre os documentos e os depósitos. Mesmo alegando que no mercado imobiliário esta coincidência de datas e valores nem sempre é possível, não afasta a tributação, visto que não foi esclarecida Fl. 372DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 7 6 nem demonstrada a razão desta dificuldade em cada caso, assim como, se houvesse uma justificativa concreta talvez pudesse ser aceita; que destaca que os depósitos de pequena monta incluídos na autuação, sobretudo os relativos ao Banco Itaú, estão suportados pela renda declarada pelo impugnante no valor de R$ 87.180,83. No entanto, mais uma vez não há elementos nos autos para a vinculação dos depósitos considerados como omissão de rendimentos com a renda declarada; que destarte, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do principio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do novo diploma; que inaplicável, portanto, inclusive a Súmula 182, visto que inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei n° 9.430/1996, que tornou licita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos; que a fiscalização aplicou de imediato a faculdade, prevista no art.11, § 3º, da Lei n° 9.311/1996, com a redação que lhe deu a Lei n° 10.174/2001, de utilizar as informações prestadas pelas instituições financeiras para a instauração do procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo ao imposto de renda e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário existente; A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento de oficio instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário. A obtenção de informações junto as instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 8 7 Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente A ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (Art.144, § 10 do CTN) A Lei Complementar n° 105/2001 e a Lei n° 10.174/2001, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, disciplinam o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir do mês de janeiro de 2001, poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. IMPOSSIBILIDADE DE ANALISE SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 09/03/2010, conforme Termo constante às fls. 332/334, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (23/03/2010), o recurso voluntário de fls. 337/348, instruído pelos documentos de fls. 349, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o Relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase no próprio Auto de Infração o seguinte excerto: Quanto à movimentação financeira do Banco Itaú vale mencionar que a mesma não foi apresentada pelo contribuinte, tendo sido solicitada diretamente ao referido banco, através da devida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira. Por fim, quanto à resposta do contribuinte ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 27/09/2002, quando o mesmo esclarece que em transações imobiliárias os documentos apresentados nem sempre coincidem em datas e valores, alegando, inclusive, que cabe apenas ao contribuinte a comprovação das origens dos depósitos bancários mediante documentação hábil e idônea, não constando da legislação a exigência de serem os mesmos coincidentes em datas e valores, esclareceu que as exigências das devidas comprovações, constantes no Termos acima referido, sempre foram no sentido da apresentação de toda a documentação que amparasse tais origens e pudessem esclarecêlas, sendo que entendemos que quando a legislação se refere a um documento hábil é evidente que está se referindo a um documento que fosse coincidente em datas e valores, portanto, os depósitos acima referidos não tiveram comprovadas suas origens, sendo através do presente Auto de Infração exigido o imposto de renda não recolhido no anocalendário de 2000 a titulo de omissão de rendimentos. Com visto, resta claro da análise dos autos, que a autoridade administrativa, através da Requisição de Movimentação Financeira – RMF, solicitou diretamente às instituições financeiras os extratos bancários. Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 10 9 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É de se ressaltar, que a primeira orientação dada era de que se os extratos bancários fossem acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, o processo deveria ser sobrestado até que a repercussão geral fosse julgada. Entretanto, na evolução da discussão sobre o assunto, surgiu a corrente que defende a tese de que somente é possível sobrestar as matérias que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinário – RE. Para pacificar o assunto o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Portaria CARF nº 001, de 03 janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, da qual extraio os seguintes excertos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Resta evidente, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, o fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte foram obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. O Recurso Extraordinário (RE) 601314 chegou ao Supremo contra uma decisão que considerou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite a entrega das informações, por parte dos bancos, a pedido do Fisco. Para o autor do recurso, contudo, este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que permite a entrega de informações de contribuintes, sem autorização judicial, configuraria quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. De acordo com o relator, a matéria discutida no RE 601314, a eventual inconstitucionalidade de quebra de sigilo bancário pelo Poder Executivo (Receita Federal) atinge todos os contribuintes, conforme a ementa, de 20/11/2009, abaixo transcrita: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 11 10 CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.(RE 601314 RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Em data posterior (15/12/2010) a decretação da repercussão geral o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu, por cinco votos a quatro, que a Receita Federal não tem poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, durante julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela GVA Indústria e Comércio contra medida do Fisco (RE 389.808), cuja ementa é a seguinte: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Observase que a discussão girou em torno do respaldo constitucional dos dispositivos da Lei nº 10.174, de 2001, da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, usados pela Receita para acessar dados da movimentação financeira. O relator do caso, ministro Marco Aurélio, destacou em seu voto que o inciso 12 do artigo 5º da Constituição diz que é inviolável o sigilo das pessoas salvo duas exceções: quando a quebra é determinada pelo Poder Judiciário, com ato fundamentado e finalidade única de investigação criminal ou instrução processual penal, e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. “A inviabilidade de se estender essa exceção resguarda o cidadão de atos extravagantes do Poder Público, atos que possam violar a dignidade do cidadão”. Por maioria de votos, o STF entendeu ser indispensável a prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário. E assim o fez em virtude de regra clara e inequívoca, constante do artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, que prescreve que o sigilo de dados somente pode ser afastado mediante prévia autorização judicial. Em seu voto o ministro Celso de Mello, a equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige — para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro — que a determinação de quebra Fl. 377DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 12 11 de sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público. Os efeitos dessa decisão por ora estão limitados ao caso concreto e não vinculam as instâncias inferiores. Porém, ela reafirma entendimento pacificado do Supremo Tribunal Federal. Não se pode esquecer, pois, que se trata de decisão do Pleno da mais alta corte do país e como tal deve ser entendida e respeitada. Isso quer dizer, na prática, que mesmo que o Supremo ainda não tenha julgado definitivamente a matéria (várias ações diretas de inconstitucionalidade contra a lei complementar ainda aguardam para ser julgadas na corte, além do Recurso Extraordinário 601.314), sua decisão em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, poderá ser o argumento para os próximos julgados. Em decisão monocrática publicada em março de 2011, a ministra Cármen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 (…), com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604, verbis: RE 387.604 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o Fl. 378DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 13 12 órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientou se que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário Fl. 379DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 14 13 visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF”. O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Nesta linha de raciocínio, é de se notar, ainda, que nas demais decisões o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de tal matéria, conforme é possível se verificar nos julgados abaixo: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publique se. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente(RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012). DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 15 14 previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe 217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011). Ora, o presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos artigos 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declarados pelo contribuinte. Como visto, anteriormente, o primeiro julgamento de relevância adveio na ação cautelar nº 33 – ajuizada para o fim de atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário – em que, por seis votos a quatro, admitiuse a quebra independentemente de autorização judicial. Votaram a favor do Fisco os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie, enquanto, contrariamente à quebra sem ordem judicial, posicionaramse os ministros Marco Aurélio, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Todavia, poucas semanas após o próprio recurso extraordinário (nº 389.808) veio a ser apreciado, desta vez com resultado diverso. O ministro Gilmar Mendes mudou de posição e, como o ministro Joaquim Barbosa não participou do julgamento, o placar foi favorável aos contribuintes, por cinco a quatro. Apesar da decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia afirmado categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto, entendo, que a questão não está resolvida. Tivesse o ministro Joaquim Barbosa participado do julgamento (no pleno do STF) e mantido sua posição adotada na cautelar, o resultado teria ficado empatado (cinco a cinco). Além disso, existem várias Adins que aguardam julgamento (nºs 2.386, 2.390, 2.397 e 4.010) e o tema já teve sua repercussão geral reconhecida (RE nº 601.314), porém, ainda pendente de julgamento. Por outro lado, existe noticias na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o mesmo tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente, que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. É de se ressaltar, que caso a posição definitiva do Supremo Tribunal Federal STF seja no sentido da possibilidade da quebra sem autorização judicial, os autos de infração em curso deverão ser mantidos pelos órgãos administrativos de julgamento, o mesmo Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 16 15 sucedendo com os processos judiciais, ressalvadas as questões peculiares envolvidas em cada caso. Contudo, se declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que permitem a quebra pelas autoridades administrativas, será preciso verificar com maior critério as consequências nos procedimentos em curso. Isso porque nem sempre o lançamento é motivado apenas na existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Nos casos, por exemplo, de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996) fundamentados exclusivamente na existência de valores em instituições financeiras, não há dúvida de que, declarada a inconstitucionalidade da quebra sem autorização judicial, os lançamentos restarão viciados e deverão assim ser declarados pelo órgão administrativo ou judicial competente. No entanto, há casos em que a existência de recursos financeiros eventualmente não comprovados é apenas um dos indícios que fundamentam a ação fiscal. No caso em questão, resta claro, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É conclusivo, que no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, não aplicável a repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Naquele julgado, o Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições Fl. 382DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.010920/200297 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.295 S2C2T2 Fl. 17 16 financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001). Não há duvidas de que o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, naquela ocasião, declarou, por maioria de votos, a impossibilidade de acesso aos dados bancários dos contribuintes através de procedimento administrativo efetuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil diretamente as instituições financeiras, entretanto a decisão, ainda, não transitou em julgado e não se aplica na solução da repercussão geral em discussão, razão pela qual entendo que se faz necessário sobrestar o presente julgado até a solução final da repercussão geral em questão. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada e parte da discussão se concentra sobre o fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. A vista disso, seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 383DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 16327.904328/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do Fato Gerador: 13/11/2002
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
Sendo apresentado em diligência, os documentos que impediram a homologação do pedido de compensação. Fica comprovada o recolhimento a maior do IOF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do Fato Gerador: 13/11/2002 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência, os documentos que impediram a homologação do pedido de compensação. Fica comprovada o recolhimento a maior do IOF. Recurso Voluntário Provido
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DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência, os documentos que impediram a homologação do pedido de compensação. Fica comprovada o recolhimento a maior do IOF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 43 28 /2 00 8- 10 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação de créditos de pagamento a maior do Imposto Sobre Operações Financeiras – IOF. Em auditoria eletrônica, o pedido de compensação não foi homologado em razão dos créditos informados estarem integralmente alocados a débitos da Recorrente, conforme declarado em DCTF, não restando créditos a serem utilizados. Inconformada, a Recorrente impugnou o despacho, alegando que os créditos teriam origem em valores recolhidos indevidamente do IOF. Para justificar o recolhimento a maior, a empresa apresentou os seguintes esclarecimentos: “A Requerente, Instituição Financeira, efetuou operações de crédito (empréstimo) com diversos clientes (pessoas jurídicas). Para tais operações, o art. 7°, I, "b", 1. do Decreto n°4.494/02 previu a incidência do IOF: "Art. 7° A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do I0F são (Lei n° 8.894, de 1994, art. 1°, parágrafo único, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: (...) b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia;” 0 mesmo Decreto, no art. 7°, § 1º, limitou a incidência do IOF sobre as operações de crédito financiamento ao "valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias" (365 dias x 0,0041%). Tal limitação ocorre, inclusive, quando há prorrogação da operação de crédito. É o que diz o § 7° do art. 7° do Decreto n° 4.494/02: § 7° Na prorrogação, renovação, novação, composição, consolidação, confissão de divida e negócios assemelhados, de operação de crédito em que lido haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor não liquidado da operação anteriormente tributada, sendo essa tributação considerada complementar a anteriormente feita, aplicandose a alíquota em vigor à época da operação inicial. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16327.904328/200810 Acórdão n.º 3102001.592 S3C1T2 Fl. 3 3 Conclusão: nas operações de credito (empréstimos) efetuadas pela Requerente com seus clientes, o IOF devido é aquele relativo ao valor objeto do empréstimo a alíquota diária de 0,0041% (limitada a 365 dias).” Detalhado o funcionamento dos contratos de mútuo a empresa alega que o recolhimento a maior, ocorreu sobre operações de crédito com determinadas empresas, quando, por erro de sistema, considerou novamente o IOF em cada prorrogação do prazo da operação, dessa forma não limitou o cálculo do IOF à alíquota máxima de 0,0041% x 365 dias. Informa ainda na impugnação, que por ser mera responsável pela retenção do IOF, apurou os pagamentos efetuados a maior e providenciou a devolução dos valores indevidamente retidos aos clientes, acrescidos de juros e correção monetária. Demonstrado dessa forma que a empresa assumiu o encargo financeiro, resta comprovado o direito a restituição do IOF. Ao apreciar a impugnação a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, analisou todas as alegações constantes da impugnação e toda a documentação apresentada, concluindo pelo provimento parcial da impugnação. A homologação parcial do pedido de restituição/compensação foi assim descritos no voto da decisão da autoridade a quo: “Já nas operações envolvendo a empresa Danzas Logist, o conjunto probatório ressentese da ausência dos extratos bancários que apresentam o depósito inicial dos recursos que teriam sido emprestados. Com efeito, o extrato que deveria conter tal lançamento, fl. 37, não contém qualquer registro representativo de empréstimo. A ausência desse elemento probatório compromete a força dos demais, uma vez que, sem o respaldo do extrato bancário, ficam sem comprovação a própria efetividade do empréstimo, assim como a renovação que seria o motivo da existência do crédito. Sem a comprovação de que houve um empréstimo, os contratos e os documentos que seriam relativos à devolução feita ao cliente, perdem a coerência e, com isso, a força probatória e o necessário elo com a reivindicação do crédito.” A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Dara do fato gerador: 30/04/2003 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. ALÍQUOTA. LIMITE DE INCIDÊNCIA. EXTRAPOLAÇÃO. CRÉDITO. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 O valor do imposto recolhido sobre operações de crédito que exceder àquele correspondente ao resultante da aplicação da alíquota máxima legalmente estabelecida é considerado como pagamento a maior e passível de restituição/compensação. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. COMPENSAÇÃO. RESPONSÁVEL. TRIBUTO RETIDO. CONDIÇÕES. A compensação de tributo por quem realizou a retenção na condição de responsável tributário depende da comprovação da assunção do encargo financeiro. Comprovada nos autos a devolução aos clientes do imposto cobrado a maior, considera se cumprida a condição legal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o direito ao crédito e que a documentação juntada seria suficiente para comprovar o indébito tributário. No Recurso, discorre sobre o contrato de mutuo e a que a sua prova não necessita de forma escrita, podendo ser feita por outros meios e no caso de mutuo bancário basta provar a ocorrência do crédito dos valores na conta corrente. As alegações sobre a efetividade da operação com base na documentação apresentada, foram assim detalhadas pela Recorrente: “Enfim, a coincidência de datas e valores presentes nos contratos, planilhas, declarações e extratos apresentados, somada aos cálculos que demonstram a incorreção dos recolhimentos de IOF na prorrogação do mútuo, com o consequente surgimento de indébito, formam um conjunto probatório com força suficiente para comprovar a existência e efetividade do empréstimo e renovação. Em outras palavras, a verossimilhança das alegações do Recorrente é robusta o suficiente para provar em seu favor. A falta de extrato com o depósito inicial dos recursos, como visto, não é razão suficiente para a desconsideração de todo o negócio jurídico cuja ocorrência, em datas e valores, se pode extrair e comprovar facilmente a partir da análise dos documentos apresentados.” Fl. 459DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16327.904328/200810 Acórdão n.º 3102001.592 S3C1T2 Fl. 4 5 Ao analisar o Recurso, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara resolveu determinar a baixa dos autos em diligência para que a Unidade Preparadora intimasse a Recorrente à apresentar os extratos bancários comprovando o depósito inicial dos contratos de mutuo referente às operações com a empresa Danzas Logistic. Atendendo a intimação realizada pela Unidade de Origem, a Recorrente apresentou cópias de extratos bancários com os depósitos iniciais dos contratos de mutuo. Os autos retornaram ao CARF para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado o cerne da lide é a discussão sobre as provas apresentadas para comprovação do indébito tributário. A autoridade considerou que parte dos créditos foram comprovados por meio da documentação apresentada, restando não comprovado os depósitos iniciais dos contratos de mutuo. O fato que estamos discutindo na presente lide é se foram apresentadas provas e se estas são suficientes para a comprovação das alegações constantes do Recurso. Diante deste fato, resolveu a Terceira Turma da Quarta Câmara baixar os autos em diligência para unidade preparadora intime a recorrente a apresentar os documentos que segundo a decisão da primeira instância seriam necessários para a comprovação do indébito referente aos contratos de mutuo. Realizada a diligência, foram trazidas cópias dos extratos bancários comprovando o depósito inicial dos contratos de mutuo referente às operações com a empresa Danzas Logistic. Os depósitos apresentados possuem como título de operação "empréstimo" e correspondem exatamente aos valores constantes dos contratos. Portanto, com a documentação apresentada na diligência fica resolvida a questão suscitada no julgamento da primeira instância para a não concessão do indébito tributário. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 460DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 36204.000153/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/04/2005
REVISÃO LANÇAMENTO - ART. 149 CTN - MOTIVAÇÃO -
AUSÊNCIA
A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário
decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já
objeto de auditorias-fiscais anteriores, nas quais a contabilidade foi
verificada, está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149
do CTN, cuja ocorrência deve restar plenamente demonstrada.
PROCESSO ANULADO.
Numero da decisão: 2402-000.009
Decisão: ACORDAM os membros da 4a Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o lançamento. II) por maioria de
votos, em declarar a nulidade por vício formal. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique
Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa que decidiram votar pela anulação por
vício material.
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Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/04/2005 REVISÃO LANÇAMENTO - ART. 149 CTN - MOTIVAÇÃO - AUSÊNCIA A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditorias-fiscais anteriores, nas quais a contabilidade foi verificada, está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN, cuja ocorrência deve restar plenamente demonstrada. PROCESSO ANULADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o lançamento. II) por maioria de votos, em declarar a nulidade por vício formal. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa que decidiram votar pela anulação por vício material. /4,1/ ICE O OLIVEIRA - Presidente, 1 Processo n° 36204.000153/2007-92 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.009 Fl. 1.630 ,tudj.),X) MARIA BAN EIRA — Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente). j(4) 2 Processo n° 36204.000153/2007-92 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.009 Fl. 1.631 Relatório Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (Salário-Educação, SESC, SENAC e SEBRAE). O Relatório Fiscal (fls. 18/24) informa que constituem fatos geradores das contribuições lançadas os valore pagos por meio de cartões de incentivo fornecidos pela empresa Incentive House S/A a segurados caracterizados como empregados. Os segurados caracterizados corno empregados são os responsáveis por empresas constituídas para prestar serviços de vendas/representação, os quais a auditoria fiscal entendeu tratar-se de empregados pelas razões expostas no Relatório Fiscal na NFLD 35.776.038-7 anexado pela auditoria fiscal (fls. 237/251-Vol II). A notificada apresentou defesa (fls. 267/326-Vol II) onde alega que os valores pagos por meio de cartões fornecidos pela Incentive House não se configurar em beneficio concedido em função do trabalho, mas apenas de motivação das pessoas fisicas e jurídicas. Entende que a empresa Incentive House ao divulgar sua carteira de clientes agiu contrariamente ao princípio de boa-fé e cometeu crime de concorrência desleal. Também considera que cometeram crimes de responsabilidade administrativa os agentes públicos que faltaram com a moralidade de boa-fé objetiva na autuação. Por essa razão entende que a notificação seria nula em conseqüência do ato que deu início à fiscalização ser fraudulento. Argumenta impossibilidade de se fiscalizar novamente período já fiscalizado em que teve a contabilidade devidamente analisada. Considera que não há como, sem qualquer motivo comprovado, rever os atos já praticados para constituir novo crédito em desfavor da impugnante. Aduz que não há qualquer comprovação de que tenha ocorrido quaisquer das hipóteses constantes do art. 149 do Código Tributário Nacional. Alega a nulidade da notificação pela falta de indicação da função da autoridade que subscrever o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, o que teria dificultado sua defesa. Entende que o MPF só poderia ser emitido pelo Diretor de Arrecadação, Coordenador-Geral de Fiscalização ou titular da área de fiscalização das Gerências Executivas e que nenhum ocupante desses cargos é reconhecido como autoridade outorgante no MPF 09330094 que, por essa razão, seria nulo. Considera que houve cerceamento de defesa pela existência de um procedimento administrativo prévio, do qual a impugnante não teria participado. Tal 3 Processo n° 36204.000153/2007-92 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.009 Fl. 1.632 procedimento seria a ação fiscal desenvolvida na Incentive House que resultou na conclusão de que tal empresa e todos os seus clientes estariam envolvidos em fraude à legislação. Entende que faltam provas de que os incentivos eram pagos em função do cumprimento de metas pelos beneficiados ou como contraprestação por serviços prestados, bem como de que os pagamentos eram feitos pela notificada. Alega que os beneficiados seriam pessoas jurídicas representantes comerciais e como pessoas jurídicas não são beneficiárias da Seguridade Social. Assim sendo, os serviços por ela prestados não se submeteriam à incidência de contribuições previdenciárias. Afirma que não restou demonstrado que os contribuintes individuais prestaram serviços à impugnante e que inexiste confissão, por parte da notificada, de que pagava os valores aos beneficiados por intermédio da Incentive House. Considera inconstitucional a cobrança da contribuição destinada ao SEBRAE e finaliza afirmando que inexistiu crime de sonegação. Pela Decisão-Notificação n° 07.401/0076/2007 (fls. 1459/1478-Vol VIII), o lançamento foi considerado procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 1482/1553-Vol VIII) onde alega nulidade da decisão recorrida que não teria apreciado os argumentos que levariam à improcedência da autuação, bem como afirma que seria possível o reconhecimento incidental da inconstitucionalidade/ilegalidade de atos normativos, pela autoridade administrativa No mais efetua a repetição das alegações já apresentadas em defesa. O recurso teve seguimento por força de decisão proferida no Mandado de Segurança n°2007.50.01.003703-4. Posteriormente, a notificada junta memorial (fls. 1595/1612-Vol VIII) onde nada inova. É o relatório. 4 Processo n° 36204.000153/2007-92 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.009 Fl. 1.633 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Quanto à alegação de que houve a revisão de lançamento sem a devida motivação, entendo necessário tecer algumas considerações. A auditoria fiscal e a autoridade julgadora de primeira instância não trataram a presente notificação como oriunda de refiscalização ou revisão de lançamento, embora no procedimento fiscal anterior tenha ocorrido a cobertura contábil. Tem sido entendimento desta câmara que refiscalização seria a ação fiscal que abranja período, cuja fiscalização anterior tenha sido efetuada de forma total, ou seja, com a correspondente verificação da escrita contábil. Quanto ao fato das contribuições ora lançadas não terem sido objeto de qualquer lançamento na ação fiscal anterior, este não descaracteriza a revisão verificada, em razão da cobertura contábil representar a homologação efetuada pelo fisco dos procedimentos realizados pelo sujeito passivo. A meu ver, ocorrida ação fiscal com cobertura total, somente nos casos previstos no art. 149 do CTN seria possível efetuar lançamentos abrangendo o período já fiscalizado. Por outro lado, o embasamento legal que autoriza o lançamento, seja decorrente de refiscalização ou não, deve ser informado ao contribuinte em sua totalidade, em razão da vinculação obrigatória da administração ao principio da legalidade. A revisão do lançamento tem amparo no art. 149 do CTN que assim dispõe: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: 1- quando a lei assim o determine; - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha )prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Processo n° 36204.000153/2007-92 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.009 Fl. 1.634 V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI- quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da auffiridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma auto,kde, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Como se vê, existem várias hipóteses para a revisão do lançamento, cujo procedimento deve ser iniciado antes da extinção do direito de lançar do fisco. As normativas da então Secretaria da Receita Previdenciária tratavam da possibilidade da revisão do lançamento, condicionada à ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN. À época do lançamento, vigia a a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária n.° 03, de 14 de julho de 2005, que tratava da questão, conforme se verifica no trecho trazido à colação: "Art. 570 A Auditoria-Fiscal Previdenciária - AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados. §1 A AFP poderá, a critério da autoridade competente, ser determinada com vistas a abranger períodos e fatos já objeto de auditorias-fiscais anteriores. §2 Do procedimento fiscal realizado na forma do §1 0 deste artigo, poderá resultar novo lançamento ou a revisão de lançamento de crédito previdenciário nas hipóteses previstas no art. 149 da Lei n°5.172, de 1966 (C1N)." Por sua vez, o art. 149 do CTN dispõe sobre nove possibilidades ensejadoras da revisão de oficio e, nesse caso, faz-se necessária a subsunção do fato a norma legal. N, 6 Processo n° 36204.000153/2007-92 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.009 Fl. 1.635 In casu, não houve qualquer vinculação do procedimento às possibilidades previstas no CTN por parte da auditoria fiscal e o julgador de primeira instância manifestou entendimento de que não se tratava de lançamento, cujo enquadramento no art. 149 do CTN seria necessário. Pelas razões apresentadas, o entendimento contido na decisão de primeira instância não pode prevalecer. A revisão do lançamento sem o enquadramento nas hipóteses ensejadoras ou seu enquadramento deficiente é vicio relacionado à motivação. O art. 50, inciso VI, § 1°, da Lei n° 9.784/99, assim estabelece: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (.) VI - decorram de reexame de oficio; (.) § .1° A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (g. n.) Entendo que o lançamento não motivado ou com motivação deficiente é lançamento nulo e não lançamento improcedente, razão pela qual não é possível dar provimento ao recurso. Diante de todo o exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de ANULAR o presente lançamento, por vício formal. É como voto. Sala das Sessões, em 9 de julho de 2009 .1 O/ A.P7g? ARIÁBA DEIRA - Relatora 7
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Numero do processo: 15868.000107/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2007
SAT/RAT
O Decreto n.º 6.042, de 12/02/2007, determinou a vigência da nova classificação das atividades econômicas - versão CNAE 2.0, para fins de enquadramento nos graus de risco conforme as disposições da Comissão Nacional de Classificações - CONCLA .
Na DIVISÃO 84; GRUPO 841; CLASSE 8411-6 SUBCLASSE 8411-6/00 consta ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL ALÍQUOTA 2%
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2007 SAT/RAT O Decreto n.º 6.042, de 12/02/2007, determinou a vigência da nova classificação das atividades econômicas - versão CNAE 2.0, para fins de enquadramento nos graus de risco conforme as disposições da Comissão Nacional de Classificações - CONCLA . Na DIVISÃO 84; GRUPO 841; CLASSE 8411-6 SUBCLASSE 8411-6/00 consta ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL ALÍQUOTA 2% Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato.
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Na DIVISÃO 84; GRUPO 841; CLASSE 84116 SUBCLASSE 84116/00 consta ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL ALÍQUOTA 2% Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Adriana Sato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 01 07 /2 01 0- 13 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 07/05/2010, de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a verba paga a título de alimentação em pecúnia, no período de 07/2007 a 12/2007, incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais que prestaram serviço à recorrente como conselheiros tutelares, médicos contratados por meio de cooperativas de trabalho, trabalhadores sem vínculo de emprego e às diferenças de SAT, com base na alíquota de 2%, conforme o CNAE Fiscal 84.116/00, nas competências de 06/2007 a 12/2007. Após impugnação, Acórdão de fls. 284/294, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que sua atividade preponderante é de risco leve; b) que de acordo com o número de segurados em cada atividade, vêse que a atividade preponderante é a de CNAE 86.607/00 Atividades de Apoio à Saúde, com risco leve e alíquota de 1%; c) que a Receita Federal através de respostas a consultas formuladas já se posicionou dizendo que o grau de risco deve ser estipulado pela atividade preponderante. Por fim, requer o provimento do recurso e o cancelamento do débito fiscal, juntando cópias das suas folhas de pagamento para provar o alegado quanto a atividade preponderante. Posteriormente, o contribuinte apresentou Pedido de Parcelamento de Débitos, de forma que foi procedido o desmembramento do auto de infração, transferindose os Levantamentos “CM1 – COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO”, “CT – FOPAG CONSELHO TUTELAR”, “CT1 – CONSELHO TUTELAR”, “PS1 – PROVENTO SUPLEMENTAR”, “RA – REMUNERAÇÃO DE AUTÔNOMOS” e “RA1 – REMUNERAÇÃO DE AUTÔNOMOS” deste Debcad 37.250.3063 para o Debcad nº 37.372.6325 e permanecendo neste AIOP, apenas o Levantamento “DS1 – DIFERENÇA SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO”, relativo às diferenças de SAT , que consideraram a alíquota de 2%, risco médio para o órgão público. É o relatório. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15868.000107/201013 Acórdão n.º 2302002.152 S2C3T2 Fl. 505 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido. Conforme consta dos autos, após o desmembramento, este processo cingese apenas às diferenças no recolhimento da exação relativa ao seguro acidente do trabalho, na alíquota de 1%, conforme enquadramento próprio de município. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. A incidência da contribuição se dá sobre o salário de contribuição apurado através das folhas de pagamento e demais documentos onde conste a remuneração dos segurados empregados que prestam serviço à empresa, ou no caso ao município. Na vigência dos Decretos n.º 356/1991 e n.º 612/1992 o enquadramento nas alíquotas de contribuição ao SAT/RAT se dava por estabelecimento da empresa, com a classificação da matriz e filiais separadamente. A unificação das alíquotas da empresa como um todo foi instituída pelo Decreto n.º 2173/1997 e mantida pelo atual Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, sendo determinada de acordo com a atividade preponderante da Fl. 551DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 sociedade empresária e não mais de seus estabelecimentos assim considerados individualmente, observando sempre o conceito de atividade preponderante, como aquela que abrigar o maior número de empregados na empresa como um todo. Na esteira legal, temos a edição do Decreto nº 6.042 de 12 de fevereiro de 2007, que reclassifica os percentuais do SAT/RAT , disciplinando a aplicação, acompanhamento e avaliação do Fator Acidentário de Prevenção FAP , do Nexo Técnico Epidemiológico e definindo seus prazos de implementação. O enquadramento no grau de risco e sua correspondente alíquota incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e avulsos é de responsabilidade do contribuinte. As atividades são classificadas de acordo com as normas do CONCLA Comitê Nacional de Classificação, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão e adotadas pela Previdência Social a partir do Decreto 2.173/97, atualmente constante do Anexo V do Decreto 3.048/99. Quanto às regras de enquadramento dos órgãos da administração pública, o Decreto n.º 6.042, de 12/02/2007, determinou a vigência da nova classificação das atividades econômicas versão CNAE 2.0 a partir da competência 06/2007 para fins de enquadramento nos graus de risco conforme as disposições da Comissão Nacional de Classificações CONCLA . A referida Comissão expediu pela RESOLUÇÃO CONCLA Nº 1/2006 de 04/09/2006 a versão CNAE 2.0 tendo como órgão gestor o IBGE e vigência a partir de 1º de janeiro de 2007 Na DIVISÃO 84; GRUPO 841; CLASSE 84116 SUBCLASSE 84116/00 encontramos "ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL" com suas regras aqui transcritas: "Esta seção compreende as atividades que, por sua natureza, são normalmente realizadas pela Administração Pública e, como tal, são atividades essencialmente nãomercantis, compreendendo a administração geral (o executivo, o legislativo, a administração tributária, etc., nas três esferas de governo) e a regulamentação e fiscalização das atividades na área social e da vida econômica do país (grupo 84.1); as atividades de defesa, justiça, relações exteriores, etc. (grupo 84.2); e a gestão do sistema de seguridade social obrigatória (grupo 84.3)." "A natureza jurídica não é em si mesma um fator determinante para a classificação de uma unidade nesta seção, e sim o fato de exercer atividade que, por sua natureza especifica, é de prerrogativa do Estado. Assim algumas instituições públicas que exercem atividades compreendidas em outras categorias da CNAE 2.0 são classificadas nas classes correspondentes aos serviços prestados, e não na divisão 84, como é o caso das atividades de ensino e de saúde, que, mesmo quando exercidas pelo Estado, são classificadas nas divisões correspondentes (85 e 86).(grifei) Os órgãos de regulamentação, controle ou coordenação destas atividades, no entanto, são classificados na divisão 84. Da mesma forma, algumas atividades descritas na divisão 84 podem ser exercidas por unidades nãogovernamentais. A terceirização de serviços ou parte de serviços tradicionalmente executados pelo Estado pode levar à presença de entidades empresariais e Fl. 552DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15868.000107/201013 Acórdão n.º 2302002.152 S2C3T2 Fl. 506 5 instituições privadas sem fins lucrativos em atividades compreendidas na divisão 84." "A divisão 84 inclui unidades que são entidades criadas por lei, com personalidade jurídica própria, que realizam atividades de suporte à administração pública com a finalidade de facilitar a gestão de recursos públicos, dando suporte em áreas de função típica do Estado, na execução de ações tais como: compras de bens e serviços, contratação de serviços com a finalidade de desenvolvimento econômico e social, administração e gestão de recursos humanos, etc. Funcionam como apêndice de órgãos da Administração Pública brasileira e devem ser classificados nas classes onde estão enquadrados os órgãos a que se ligam." 84116/00 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL ALÍQUOTA 2% "Esta classe compreende: as atividades executivas e legislativas, exercidas pelos poderes públicos, nas três esferas de governo: federal, estadual e municipal, e em nível de administração direta e indireta ; a administração e supervisão em assuntos fiscais, envolvendo: a administração tributária; a arrecadação de impostos e taxas sobre mercadorias e serviços e a investigação de sonegação; a administração alfandegária; a administração orçamentária, gestão de recursos públicos e da dívida pública; o levantamento e recebimento de dinheiro e controle de seu desembolso; a administração da política civil de P&D e recursos a ela associados; a administração e execução dos serviços de planejamento social e econômico e dos serviços de estatísticas, nos vários níveis do governo; as atividades de autoridades administrativas autônomas do tipo Comissão de Valores Mobiliários as atividades das fundações de apoio à pesquisa e extensão a administração e gestão do patrimônio e gastos gerais as atividades das procuradorias do Estado; as atividades de regulamentação e fiscalização do processo eleitoral; as atividades de auditoria das contas públicas” Como se depreende da leitura acima, a partir de 06/2007, a alíquota do SAT/RAT para a Administração Pública passou a ser de 2%, independentemente dos serviços prestados, como é o caso das atividades de ensino e de saúde, que, quando exercidas pelo Estado, são classificadas nas divisões correspondentes ao CNAE de Administração Pública em Geral, não se aplicando a regra da atividade preponderante. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 553DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10660.720423/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
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Numero da decisão: 3201-000.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos; votando pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, em afastar as preliminares de nulidade, nos termos do voto da relatora, exceto a preliminar argüida por falta de publicação do termo de inidoneidade documental que foi negado por maioria, vencido, neste aspecto o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos; votando pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, em afastar as preliminares de nulidade, nos termos do voto da relatora, exceto a preliminar argüida por falta de publicação do termo de inidoneidade documental que foi negado por maioria, vencido, neste aspecto o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Constitui a exportação dos produtos industrializados pela empresa um dos pressupostos básicos para a apuração do crédito presumido. Como foi fartamente provada, em minucioso procedimento de fiscalização, a simulação de compras, industrialização e exportação e, não tendo a interessada, em nenhum momento, logrado êxito em comprovar a efetividade das operações de exportação, logo, indeferese o direito creditório decorrente do crédito presumido apurado no período. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Tendo em vista, o indeferimento do direito creditório indicado cabe a não homologação das compensações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos; votando pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, em afastar as preliminares de nulidade, nos termos do voto da relatora, exceto a preliminar argüida por falta de publicação do termo de inidoneidade documental que foi negado por maioria, vencido, neste aspecto o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Relator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 04 23 /2 00 8- 95 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase do PER/DCOMP de fls. 12/17, transmitido em 12.12.2003, através do qual foi solicitado ressarcimento de crédito de IPI referente ao terceiro trimestre de 2003, no valor de R$ 1.431.123,72, sendo utilizado parte desse crédito (R$ 292.751,42) para compensação no próprio documento. Além desse, cuidase de analisar o PER/DCOMP de fls. 08/11, transmitido em 15.01.2004, onde a interessada utilizou para compensação outra parte do crédito solicitado no documento anterior (R$ 662.494,43) e o PER/DCOMP de fls. 04/07, onde foi utilizado o restante do crédito requerido (R$ 475.877,87). 2. A DRF Varginha/MG, através do Parecer de fls. 107/108 e Despacho Decisório de fl. 109, indeferiu o pleito e considerou não homologadas as compensações com base no Termo de Verificação Fiscal de fls. 24/27, no qual foi constatado que as exportações que teriam dado origem aos créditos foram fictícias. Segundo a Unidade, a interessada adquiria soja em grãos, contratava outra empresa para efetuar a industrialização dos grãos e depois contratava a CANORP — Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro para realizar a exportação. Depois disso, o nome do exportador nos documentos de exportação era alterado para a Pastificio Santa Amália. gerando os créditos. 3. Cientificada em 11.11.2008 (AR fl. 114) a interessada apresentou, tempestivamente, em 20.11.2008, manifestação de inconformidade (fls. 115/215) na qual, em síntese: a) Descreve as operações realizadas, citando os contratos firmados de aquisição dos grãos de soja, de contratação da empresa Rubi S/A para industrialização dos grãos e da empresa exportadora Canorp para a exportação dos produtos industrializados; b) Tece comentários acerca da impossibilidade do estado desconsiderar o negócio realizado, por haver previsão legal para todo o procedimento, conforme planejamento elaborado pela empresa Lógica, sendo sua intenção realizar um planejamento com verdadeiro objetivo empresarial, para redução da carga tributária; c) "O fato da operação acarretar um beneficio fiscal para o contribuinte não pode justificar a desconsideração pela autoridade fazendária, ainda que esse tipo de contratação tenha sido realizado somente para utilização de beneficio fiscal"; d) Procura afastar o disposto no parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, o qual prevê a inadmissibilidade de desconsideração de atos praticados para dissimular a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; Fl. 825DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720423/200895 Acórdão n.º 3201000.943 S3C2T1 Fl. 825 3 e) Defende não ser possível a desconsideração do negócio jurídico por ferir o principio da legalidade tributária; f) De igual modo, entende ser incabível o uso da analogia no presente caso; g) Lembra a falta de regulamentação da Lei Complementar n° 104/2001, que inseriu no art. 116 do CTN a possibilidade de desconsideração dos atos jurídicos, sem a qual o dispositivo não poderá ser aplicado; h) Cita jurisprudências administrativas que preveem a possibilidade de realização de planejamento tributário; i) Reitera a legalidade dos contratos firmados com as empresas participantes da operação, amparados no Regulamento do ICMS do Estado de Minas Gerais; j) Requer a "nulidade do Auto de Infração por preterição do direito de defesa", em virtude da "não entrega da documentação comprobatória que serviu de base para o lançamento", referindose as notas fiscais citadas pela Unidade; k) Reclama da inexistência de MPF em virtude da ausência de emissão de ordem escrita pelo Delegado da Receita Federal de Varginha para autorizar o agente fiscal a promover o reexame da fiscalização. Argumenta: "0 lançamento foi realizado sem a respectiva autorização da autoridade superior. Assim, não houve ordem escrita emitida por de direito, com o escopo de autorizar o reexame do período fiscalizado"; i) Entende que "o lançamento ora impugnado deverá ser declarado nulo em i decorrência de ausência de fundamentação", uma vez que "o evento escolhido pela .fiscalização foi a cobrança do imposto em virtude da não homologação em decorrência da utilização de crédito inexistente", não havendo fundamentação legal nessa conduta; m) Julga estar errada a fundamentação legal utilizada no indeferimento do pleito — Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 16 § 2° que disciplinaria situação diferente do enunciado no relatório fiscal; n) Argui nulidade também em função da "utilização da prova emprestada, uma vez que às pressas a fiscalização federal de Varginha teve que constituir seu crédito", referindose ao fato do despacho decisório haver sido embasado em ação fiscal anterior; o) Novamente referese ao fato da Unidade não haver fornecido cópia da documentação na qual fundamenta suas alegações, "quando da entrega do auto de infração ao representante da autuada", requerendo a nulidade do ato; p) "Alega o Fisco que não houve industrialização e, portanto glosa o custo que a empresa contabilizou. No entanto, no relatório do auto de infração, não é demonstrada quais fatos e evidencias materiais que levaram a fiscalização a concluir que o processo de industrialização não teria ocorrido" q) Reafirma sua boafé nas operações realizadas, citando dispor de documentação idônea; r) Informa anexar cópias dos documentos que refletem o pagamento das notas fiscais da industrialização ocorrida, demonstrando que o trânsito do numerário ocorreu efetivamente; s) Cita sua boafé ao confiar na autorização do crédito do ICMS pela Administração Fazendária do Estado de Minas Gerais; t) Relaciona as ações cautelares de exibição de documentos interpostas, com as quais pretende esclarecer dúvidas relativas à remessa e destino da soja; Fl. 826DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 u) Ressalta manifestação do Fisco estadual que confirmaria a realização das operações a que se refere o presente caso; v) Mais uma vez pede a "nulidade do auto de infração em virtude do erro na identificação do sujeito passivo em razão da responsabilização pelo pagamento do tributo no caso de inexistência da exportação", entendendo que, caso não tenha existido a exportação, a responsabilidade teria sido da Canorp; w) Aponta ilegalidade na utilização da taxa Selic cimo fator de atualização monetária dos tributos federais; x) Ao final, requer o efeito suspensivo do recurso e a procedência de suas alegações, conforme fl. 214. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BEL nº 0118355, de 06/07/2010, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Os créditos presumidos do IPI somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, de demonstrativo referente fruição do beneficio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ONUS DA PROVA. Diferentemente da hipótese de lançamento de oficio, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento, cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. Assim, ao efetuar o pedido, deve dispor a empresa dos elementos de prova que sustentarão seu pleito.” O julgamento foi no sentido de indeferir a solicitação da manifestação de inconformidade interposta pelo interessado, bem como, o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação das compensações declaradas. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado à Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. O processo foi redistribuído a esta Conselheira ad hoc para formalizar o voto. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 827DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720423/200895 Acórdão n.º 3201000.943 S3C2T1 Fl. 826 5 O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Decorre o presente processo do PER/DCOMP de fls. 12/17, transmitido em 12.12.2003, através do qual foi solicitado ressarcimento de crédito de IPI referente ao terceiro trimestre de 2003, no valor de R$ 1.431.123,72, sendo utilizado parte desse crédito (R$ 292.751,42) para compensação no próprio documento. Além desse, cuidase de analisar o PER/DCOMP de fls. 08/11, transmitido em 15.01.2004, onde a Recorrente utilizou para compensação outra parte do crédito solicitado no documento anterior (R$ 662.494,43) e o PER/DCOMP de fls. 04/07, onde foi utilizado o restante do crédito requerido (R$ 475.877,87). Assim, de início, cabe ressaltar que inexiste no presente processo qualquer espécie de lançamento de oficio realizado pelo Fisco, cujas "nulidades" vêm sendo reiteradamente invocadas pela Recorrente. Aliás, conforme explicitado pela decisão singular “os débitos que são cobrados da empresa decorrem da não homologação de suas compensações e independem de lançamento de oficio por haverem sido objeto de confissão de divida, conforme previsão expressa contida no § 6° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: (...)” A recorrente alega ainda que o auto de infração é nulo, pois a fiscalização se reporta a notas fiscais cuja cópia não acompanhou a intimação que o cientificou da não homologação das compensações. Ocorre que as notas fiscais mencionadas encontramse acostadas aos autos, imediatamente depois do termo de verificação fiscal (fls. 32 a 34) do processo. Assim, não se compreende a irresignação da recorrente, a não ser que quisesse que tais documentos acompanhassem a intimação. Contudo, não existe tal exigência em lei. O art. 9º do Dec. 70.235/72 determina que o auto de infração ou notificação de lançamento seja instruído como todos os documentos necessários à comprovação do ilícito. Mas em momento algum determina que deles seja encaminhada cópia ao autuado. Em assim sendo, a efetividade do direito de defesa se concretiza com a disponibilização dos autos para que a autuada os consulte e deles faça cópia, o que efetivamente ocorreu. De outra sorte, no tocante à discussão passiva de conhecimento por este Colegiado, a Recorrente sustenta que “Na defesa administrativa, foi alegado que o agente era incompetente em razão da matéria e não em razão do território. Portanto, não foi julgado e analisado pela DRJ a incompetência em razão da matéria”. Em que pesem os fundamentos adotados pela Recorrente neste particular, cabe ressaltar o que dispõe a Súmula/CARF nº 08 que vincula a autoridade julgadora deste Colegiado: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Ainda, a Recorrente sustenta que “(...) para que a inidoneidade tenha efeitos para terceiros, como são os adquirentes dos produtos, o ato deve ser divulgado no Diário Oficial, conforme previsão no artigo 6º da Portaria do Ministro da Fazenda n° 187/1993, os artigos 100, inciso I e 103, inciso I do CTN, e artigo 37, caput da Constituição Federal de Fl. 828DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 1988.” requerendo a nulidade do lançamento em decorrência da falta de publicidade dos documentos considerados inidôneos. Neste caso, entendo que a Portaria/MF nº 187/93 é um procedimento administrativo que visa agilizar o trabalho de fiscalização. Porém, não impede de forma alguma que notas fiscais que não tenham sido declaradas inidôneas ou ineficazes não possam ser desconsideradas pela fiscalização. No que tange às demais razões aduzidas pela Recorrente, entendo que se trata de reiterações do que foi levantado quando da apresentação da peça impugnatória e, corretamente, rebatidas pela decisão de primeira instância, cujos fundamentos adoto, em sua integralidade: Das decisões administrativas e judiciais 6. São improfícuos os julgados trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. 7. Nesse sentido, determina o inciso H do art. 100 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN): (...) 8. Vejase também o Parecer Normativo CST n° 390, de 1971: "Entendase ai que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado." Arguições de ilegalidade e inconstitucional idade 9. No que diz respeito às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade, vale lembrar que não cabe à autoridade administrativa, em face de sua vinculação ao texto legal, apreciar questões de ordem constitucional ou doutrinária, competindo lhe tão somente aplicar o direito tributário positivo. (...) 11. Em verdade, de acordo com o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em exame. Compete ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento, cabendo ainda citar que tal entendimento é, inclusive, objeto de súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, conforme segue: "Súmula CARF nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Ônus da prova 12. Antes de se entrar na análise do motivo apontado pela Unidade para o indeferimento do pedido de ressarcimento, cumpre lembrar que, diferentemente da hipótese de lançamento de oficio em que o Fisco deve comprovar a infração Fl. 829DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720423/200895 Acórdão n.º 3201000.943 S3C2T1 Fl. 827 7 cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento, cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. Assim, ao efetuar o pedido, deve dispor a empresa dos elementos de prova que sustentarão seu pleito. Mérito 13. No caso presente, a Unidade da Receita Federal indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos do IPI e, por consequência, considerou não homologadas as compensações vinculadas a esses créditos, sob o argumento de que as exportações que deram origem aos mesmos foram fictícias. Tomou por base diligência efetuada em fiscalização anterior (fls. 70/100) que detectou serem haverem sido fraudados documentos de exportações reais efetuadas pela Canorp para justificar exportações inexistentes de produtos adquiridos da Santa Amália, e assim gerar os créditos requeridos pela interessada. 14. Em sua manifestação a empresa reitera a legalidade de sua operação, decorrente de planejamento elaborado por empresa contratada e amparado por contratos, defendendo que não poderia a fiscalização desconsiderar tais negócios. 15. Percebese que a interessada deixa de rebater o cerne do motivo que levou ao indeferimento, que seriam as exportações fictícias. Anexou as notas de serviços de industrialização prestados pela Rubi, mas, em nenhum momento, procurou juntar as provas da efetividade das operações. Apesar de afirmar haver anexado documentos que comprovam os pagamentos, junta às notas fiscais da Rubi apenas algumas "notas de recebimento de material" que não fazem prova do desembolso. 16. Observase também que a empresa procura imputar ao Fisco de Minas Gerais a comprovação deque as operações teriam ocorrido. Entretanto, a própria empresa anexa nas fls. 353/385 informação feita por Delegacia do Fisco Estadual para o Conselho de Contribuintes de Minas, onde a conclusão é totalmente contrária a seus argumentos, conforme transcrito abaixo (fl. 385): "Ficou demonstrado de maneira cristalina que o Auto de Infração está perfeitamente caracterizado, alicerçado na legislação estadual, baseado em todos os princípios constitucionais e tributários. Não se pode eximir a autuada da responsabilidade pela clonagem/calçamento da documentação que apresentou como comprovantes de operações de exportação que realizou seja ela de autoria de terceiros ou quem quer que seja. A autuada abrigou em sua contabilidade esses documentos: manteve créditos de impostos em sua conta gráfica, enfim praticou todos os atos que a colocam diretamente como responsável pelo ilícito cometido. Se foi com o conluio de terceiros, cabe ao ministério público averiguar. Escusarse de que a entrega desses documentos ao Fisco homologaria esses lançamentos, para cumprir legislação especifica, e que os documentos apresentado não continham sinal grosseiro que pudessem evidenciar a sua falsificação sequer tangencia a solidez, a concretude do feito fiscal." (grifouse) 17. Em que pese não haver sido utilizado pela Unidade, caberia ainda outro argumento para a negativa do ressarcimento. Tratase da não apresentação de demonstrativo do crédito presumido, conforme informado pela empresa em seu PER/DCOMP (fl. 15), contrariando o disposto no § 4° do art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, com redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 323, de 24 de abril de 2003, vigente na época da transmissão dos documentos: Fl. 830DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 "Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrialize os escriturados na forma da legislação especifica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1 Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o Caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subsequentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: 1 — créditos presumidos do IPI como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Colitis), previstos na Lei n" 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei 11Q 10.276, de 10 de setembro de 2001; § 4 Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1° somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem assim serem utilizados na forma prevista no art. 21., após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos do(a): 1 Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestrecalendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestre calendário de 2002: ou 11 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestre calendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados até o terceiro trimestrecalendário de 2002." (grifou se) 18. Idêntica regra constou dos atos seguintes ao citado: Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004 (art. 16, § 5a); Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005 (art. 16, § 5a); e Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008 (art. 21 § 4°). 19. Além disso, observase nas notas de fls. 32/34, que seriam referentes remessa do produto industrializado para a comercial exportadora, a inexistência de destino para a carga. Ou seja, ainda na hipótese de haverem realmente existido as exportações, nos casos de vendas para comerciais exportadoras a mercadoria deveria obrigatoriamente sair do estabelecimento fabricante diretamente para exportação ou para armazém alfandegado, conforme prevê o Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do IPI (RIPI/2002), fato que ainda precisaria ser comprovado no presente caso. Abaixo, transcrevese o trecho do RIPI/2002, vigente na época. que tratava do tema, cuja base legal é o art. 39 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997: "Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § I° Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720423/200895 Acórdão n.º 3201000.943 S3C2T1 Fl. 828 9 § 2° Consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Complementando, ressaltese que a Pastifício Santa Amália celebra contrato de compra e venda de soja em grãos do produtor, do qual consta que o pagamento seria efetuado com as duplicatas de venda dos produtos industrializados. Referida soja seria remetida diretamente pelo vendedor (Centúria ou Santa Cruz) para a RUBI S/A, que, mediante contrato celebrado, efetuaria a industrialização de óleo e farelo de soja. O produto, industrializado, seria remetido diretamente da RUBI para a CANORP, para que fosse exportado, gerando para a autuada o benefício fiscal do IPI presumido decorrente da exportação do produto final. Enfim, a Santa Amália pagaria a compra da soja mediante o endosso das duplicatas que ela emitiria contra a comercial exportadora. Por esse endosso das duplicatas, a autuada se eximia de qualquer obrigação, restando uma relação obrigacional entre as duas empresas do mesmo grupo, que provavelmente jamais seria solvida, dada a inexistência das exportações. Observase que: “A auditada argumenta que tais notas foram quitadas através de duplicatas decorrentes das operações de exportação realizadas pela CANORP. Curiosamente, esses supostos encontro de contas de valores tão expressivos não foi lastreada (sic) em documentos. Não foram nem sequer emitidas ou transferidas as tais ‘duplicatas de venda dos produtos industrializados, destinados ao mercado interno ou externo, as quais o OUTORGANTE VENDEDOR desde já as aceita como boas e valiosas para a devida liquidação’, conforme estabelecem os contratos”. A fiscalização argumenta que: “(...) através de Alfândegas e Portos, obtivemos cópias das verdadeiras notas fiscais que fizeram parte dos processos de exportação que a SANTA AMÁLIA alega terem sido de produtos por ela vendidos. Tais notas têm idêntica numeração, descrevem operações de exportações efetuadas nas mesmas datas, dos mesmos produtos, de idênticos destinos, mas de quantidades e valores diferentes. E comprovam exportações realizadas pela CANORP, de produtos adquiridos, na verdade, da COINBRA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA, CNPJ 61.080.552/000656 e nº 61.080.552/000222, da COINBRA S/A PRIMAVERA DO LESTE, CNPJ 47.067.525/010766, da BIANCHINI S/A INDÚSTRIA COMÉRCIO E AGRICULTURA, CNPJ nº 87.548.020/002042 e da IMCOPA IMP. EXP. E IND. DE ÓLEOS LTDA, CNPJ 78.571.411/000124” As notas fiscais usadas pela recorrente para comprovar as exportações revelam operações fictícias, evidenciadas no confronto com as notas fiscais verdadeiras, Fl. 832DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 obtidas junto às alfândegas e portos. Evidenciouse tratar de outras notas, nas quais se substituíram os verdadeiros vendedores das mercadorias exportadas pelo Pastifício Santa Amália, além de outras quantidades e valores. E, por fim, a recorrente entende que, por força do art. 188 do RIPI e do artigo 9º da Lei 10833/2003, a responsabilidade pela infração seria da exportadora que deixou de realizar a operação. Eis o que dispõem os referidos dispositivos: Art. 188. A empresa comercial exportadora que, no prazo de cento e oitenta dias, contado da data de emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior, fica obrigada ao pagamento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 1970; 8, de 1970; e 70, de 1991, relativamente aos produtos adquiridos e não exportados, bem assim de valor correspondente ao do crédito presumido atribuído à empresa produtoravendedora (Lei nº 9.363, de 1996, art. 2º, § 4º). Art. 9º A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Duas observações devem ser feitas. A primeira, nenhuma delas fala em exclusividade da empresa comercial exportadora pelo pagamento dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Os dispositivos falam que ela “fica obrigada” e “ficará sujeita” ao pagamento, mas em nenhum momento excluem a responsabilidade de quem efetivamente tenha incorrido no fato gerador das obrigações tributárias. Em segundo, que no caso dos autos não se trata de lançamento de tributos devidos em face da nãoexportação dos produtos, mas de pedidos de compensação de outros tributos com os créditos advindos dessas exportações. E nisso reside uma particularidade fundamental. Os débitos informados pelo contribuinte foram reconhecidos e constituídos por ele próprio, quando da apresentação da DCOMP. Pois bem, em se tratando de pedido de compensação, ao tempo em que confessa os débitos, compete ao contribuinte também demonstrar que detém o direito creditório que alega. Uma vez que está comprovado, pelas informações das alfândegas e portos, que as notas fiscais de exportação que ele usou para justificar seu crédito foram outras que não comprovam. Logo, as exportações não ocorreram, não há como se deferir o crédito. Ainda que a culpa pela inexistência das exportações fosse atribuída exclusivamente à CANORP, a fiscalização não poderia aceitar que elas aconteceram e deferir o crédito pleiteado pela autuada. E, por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito do contribuinte, incide na hipótese a Súmula n° 4 deste Conselho de Contribuintes: Fl. 833DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720423/200895 Acórdão n.º 3201000.943 S3C2T1 Fl. 829 11 Súmula 3ºCC nº 4 A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Portanto, a exigência de juros de mora equivalentes à Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia – SELIC tem amparo legal no art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, que determinou sua cobrança a partir de 1º de abril de 1995. É de se concluir, por consequência, que a recorrente, ao insurgirse contra a cobrança dos juros pela taxa SELIC, pretende que a Administração Tributária negue validade à norma que a estatuiu, sob a arguição de inconstitucionalidade e de inaplicabilidade às relações tributárias. Por todo o exposto, voto por afastar as preliminares e no mérito negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 834DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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