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Numero do processo: 10805.720089/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO.
Não demonstradas as retenções do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, com a exibição dos competentes comprovantes de pagamento de
rendimentos, de guarda obrigatória, torna-se impossível o reconhecimento de direito creditório além daquele apurado pelo confronto entre os valores retidos, constantes em DIRF das fontes pagadoras, e aquele relativo ao imposto a pagar, do período de apuração respectivo, registrado em declaração regularmente apresentada.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Em se tratando de pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF o valor passível de restituição é o montante do “saldo negativo” de IRPJ a pagar verificado ao final do período de apuração e não o IRRF recolhido durante o período, que, na hipótese de ser dedutível na apuração anual, nada mais é que mera antecipação do imposto devido.
Numero da decisão: 1402-000.622
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Não demonstradas as retenções do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, com a exibição dos competentes comprovantes de pagamento de rendimentos, de guarda obrigatória, tornase impossível o reconhecimento de direito creditório além daquele apurado pelo confronto entre os valores retidos, constantes em DIRF das fontes pagadoras, e aquele relativo ao imposto a pagar, do período de apuração respectivo, registrado em declaração regularmente apresentada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Em se tratando de pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF o valor passível de restituição é o montante do “saldo negativo” de IRPJ a pagar verificado ao final do período de apuração e não o IRRF recolhido durante o período, que, na hipótese de ser dedutível na apuração anual, nada mais é que mera antecipação do imposto devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Fl. 333DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720089/200888 Acórdão n.º 140200.622 S1C4T2 Fl. 317 2 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Laboratório de Patologia Clínica Dr. Hélio Lima S/C Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de declaração de compensação eletrônica, transmitida pelo programa PER/DCOMP e que tomou o nº 28756.84189.270104.1.3.020324, pela qual pleiteia a contribuinte em epígrafe o reconhecimento do direito creditório relativo a imposto de renda pessoa jurídica, do 4º trimestre do anocalendário de 2000, para utilização em compensação de débitos de períodos de apuração posteriores. Ao apreciar o pleito formulado, a DRF/Santo André, por seu Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT, proferiu o despacho decisório de fls. 44/45, indeferindo o direito creditório, relativo a imposto de renda pessoa jurídica, do anocalendário de 2000, 4º trimestre, com a conseqüente nãohomologação dos débitos compensados. Cientificada em 23/05/2008 (sextafeira), conforme AR de fls. 46verso, da decisão dada à declaração de compensação, a contribuinte, por sua procuradora legalmente habilitada, interpôs, em 24/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 47/48, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 3.1 – faz uma breve explanação de seu ramo de atividades e afirma que a quase totalidade de seu faturamento é para pessoas jurídicas, razão pela qual os pagamentos estão sujeitos à retenção de imposto de renda na fonte, à alíquota de 1,5%; 3.2 – informa, a seguir, que forneceu a relação das retenções na fonte, ocorridas nos anos de 1998 e 1999, indicando as fontes pagadoras e os respectivos CNPJ; 3.3 – prossegue, dizendo que “Considerando que valores expressivos não foram aceitos como crédito e a convicção que temos de que os impostos informados foram efetivamente retidos e recolhidos, manifestamos nossa inconformidade com o critério adotado pelo SEORT na apuração do IRRF objeto do pedido de compensação.”; 3.4 – esclarece que está anexando novamente a relação já referida e solicita a reconsideração da decisão, baseandose no fato de que a Receita Federal do Brasil Fl. 334DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720089/200888 Acórdão n.º 140200.622 S1C4T2 Fl. 318 3 tem condições de confirmar a efetiva retenção de imposto de renda, independentemente do fornecimento, pela contribuinte, das declarações emitidas pelas fontes pagadoras; 3.5 – considerando que as informações solicitadas se referem a 1999 e 2000, há mais de oito anos, portanto, solicita prazo mais dilatado para comprovar as retenções de imposto efetuadas. Em 10/07/2008, a contribuinte endereçou ao Fisco o expediente de fls. 80, encaminhando cópias de Darf da fonte pagadora Unimed ABC Cooperativa de Trabalho Médico, recolhidos no anocalendário 2000, com a composição dos valores retidos dos prestadores de serviço. Junto à correspondência citada foi trazida também uma relação de pagamentos efetuados pela Unimed ABC Cooperativa de Trabalho Médico, à contribuinte, no anocalendário 2000.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 24.341 (fls. 152155v) de 04/12/2008, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A falta de apresentação dos informes de rendimentos, confirmando retenções de imposto na fonte, impossibilita o reconhecimento de qualquer direito creditório, considerandose o fato de que os valores de imposto de renda retido na fonte, comprovados nos sistemas da Receita Federal do Brasil, são de montante inferior ao imposto devido, com a conseqüente apuração de imposto a pagar.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 12/03/2009 (A.R. de fl. 156v), a interessada interpôs recurso voluntário em 13/04/2009 (fls. 182186) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a declaração de compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, sob a justificativa de inexistência de saldo negativo do IRPJ, relativo ao 4º trimestre/2000, que desse suporte à compensação pleiteada. Fl. 335DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720089/200888 Acórdão n.º 140200.622 S1C4T2 Fl. 319 4 Por concordar com seu teor, adoto como razões de decidir os argumentos apresentados na decisão de primeira instância, os quais peço vencia ao autor para reproduzilos conforme abaixo. Na manifestação de inconformidade interposta, afirma a requerente, de maneira genérica, que alguns valores expressivos não teriam sido considerados pela fiscalização, que poderia comprovar as quantias, independentemente de documentos comprobatórios, que teriam de ser exibidos pela contribuinte. Não tem razão a interessada, porquanto a análise procedida pela autoridade administrativa, que examinou a declaração de compensação, foi correta, com base nos valores inscritos em declaração de imposto de renda pessoa jurídica (DIPJ), entregue pela contribuinte, além dos valores apurados em DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos. Vejase o que diz a autoridade fiscal, no despacho de fls. 44/45: “Analisando a linha 18 da Ficha 12 A da DIPJ do 4º trimestre do ano calendário de 2000, verificase que o interessado apurou um saldo negativo de IRPJ no montante de R$39.474,57, que resultou do fato de os valores de IRRF serem maiores que o imposto apurado no trimestre em questão. Analisando a Dcomp em estudo, verificase que o interessado informou como valor do saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2000, o valor relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte na importância de R$44.335,25,(linha 13 da ficha 12 A da DIPJ do 4º trimestre do ano calendário de 2000). É sabido que as retenções na fonte caracterizamse tão somente antecipações do imposto devido sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa no período. Em conseqüência, passível de restituição seria o saldo negativo de IRPJ apurado no trimestre em questão que no caso em análise é o montante de R$35.007,02 (sic). Entretanto, o interessado intimado a apresentar as cópias de Informes de Rendimentos relativas aos 4 (quatro) trimestres do anocalendário de 2000, alegou não mais ter posse de tais documentos e limitouse a juntar a relação de notas fiscais emitidas durante o anocalendário de 1998 (fls. 34/42) com o valor da retenção na fonte. Para minimizar a situação descrita, os documentos de fls. 11/32 emitidos pelos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil serão considerados na análise do presente processo com relação aos valores das retenções na fonte informadas tendo em vista que os mesmos espelham os dados informados em DIRF pelas fontes pagadoras. Os citados documentos confirmam em parte o valor do IRRF informado pelo interessado na linha 13 da Ficha 12 A da DIPJ do 4º trimestre anocalendário de 2000. O interessado informou o valor de R$44.335,25, e os documentos da RFB informam R$1.560,88 (fls. 11/32).” Cabe ainda esclarecer à contribuinte que, em se tratando de pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF quando, ao final do período, se apura saldo negativo de IRPJ, o indébito resultante não se origina isoladamente dessas retenções, as quais poderão ser deduzidas no cálculo do imposto devido, respeitadas as hipóteses e limites legais. Em verdade, o valor passível de restituição é o montante do “saldo negativo” de IRPJ a pagar verificado ao final do período de apuração e não o Imposto de Fl. 336DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720089/200888 Acórdão n.º 140200.622 S1C4T2 Fl. 320 5 Renda Retido na Fonte recolhido durante o período, que, na hipótese de ser dedutível na apuração anual, nada mais é que mera antecipação do imposto devido. É o que dispõe a legislação de regência ora reproduzida: Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 “Art. 40. O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I – pago em quota única até o último dia do mês de janeiro do ano subseqüente, se positivo; II – compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de fevereiro do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternat iva de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a rest i tuição do montante pago a maior”. Posteriormente a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, deu nova redação ao artigo acima, mantendo, porém, o entendimento de que o saldo negativo somente pode ser utilizado em exercícios posteriores à sua apuração: “Art. 40. O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I ... II – compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. No mesmo sentido, dispôs a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 7º Alternativamente ao disposto no art. 40, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, a pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou presumido poderá efetuar o pagamento do saldo do imposto devido, apurado em 31 de dezembro de 1996, em até quatro quotas mensais, iguais e sucessivas, devendo a primeira ser paga até o último dia útil do mês de março de 1997 e as demais no último dia útil dos meses subseqüentes. § 3º Havendo saldo de imposto pago a maior, a pessoa jurídica poderá compensálo com o imposto devido, correspondente aos períodos de apuração subseqüentes, facultado o pedido de restituição. O tema também foi objeto de normatização, no âmbito da administração tributária, conforme se verifica do conteúdo do Ato Declaratório Normativo SRF nº 003, de 7 de janeiro de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser rest i tuídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada Fl. 337DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720089/200888 Acórdão n.º 140200.622 S1C4T2 Fl. 321 6 mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Verificase assim que, ao menos desde 1995, a lei determina que somente é passível de restituição ou compensação, o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL registrado no final de cada período de apuração (ano–calendário ou trimestre civil). Portanto, caso existam recolhimentos a título de antecipação, dentre eles as estimativas mensais e o imposto retido na fonte, o efeito do indébito somente se verifica ao final do período de apuração, em uma destas duas situações: a) contribuintes que obtiveram como resultado final prejuízo fiscal, não apurando IRPJ ou CSLL devidos no exercício e b) embora tenham apurado lucro real e débitos de IRPJ e/ou CSLL, o valor devido desses tributos ao final do período é inferior à somatória dos recolhimentos por estimativa e/ou outras antecipações efetuadas durante o anocalendário. A dirimir possíveis dúvidas transcrevese, abaixo, o teor do artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, que dispõe: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaques acrescidos) A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, substituiu a IN SRF nº 460, de 2004, mas manteve em seu art. 10 a mesma redação da norma revogada, acima transcrita. Decorre das expressas disposições legais acima reproduzidas, que o indébito tributário oriundo das antecipações apenas se configura: (i) se os rendimentos correspondentes integrarem a base de cálculo do imposto (lucro real ou presumido); e (ii) se as retenções forem superiores ao imposto apurado como devido. Com base na legislação citada, o pedido de restituição da contribuinte, integrante da declaração de compensação, foi indeferido, optando a autoridade fiscal por admitir se tratar de solicitação de indébito sob a forma de saldo negativo do IRPJ, que não se verificou, no presente caso, em que se apurou imposto a pagar. Como já esclarecido pela fiscalização, a contribuinte anotou, na declaração de compensação, o valor de R$44.335,25, como saldo negativo de IRPJ (fls. 09), embasando seu pedido com a relação dos valores retidos pelas fontes pagadoras, discriminadas nos relatórios de fls. 03/07, integrantes da declaração de compensação. Na declaração de imposto de renda pessoa jurídica (DIPJ), de fls. 10, na ficha 12 A, que promove o cálculo do imposto, foram anotados os seguintes valores: “IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL À alíquota de 15% ...................................................R$ 4.860,68 Fl. 338DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720089/200888 Acórdão n.º 140200.622 S1C4T2 Fl. 322 7 13. Imposto de Renda Retido na Fonte....................R$44.335,25 18. Imposto de Renda a Pagar............................ – R$39.474,57” Como se percebe, o valor de R$44.335,25, inserido na declaração de compensação foi, de fato, indevido, por corresponder ao imposto retido na fonte e não ao saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica, representado na linha 18, no importe de R$39.474,57. Como informa a autoridade administrativa, que examinou a declaração de compensação, a contribuinte foi intimada a comprovar os valores retidos na fonte, no importe de R$44.335,25, com a exibição dos competentes informes de rendimentos. No entanto, a interessada limitouse a apresentar uma relação de notas fiscais emitidas, com a respectiva retenção na fonte, que não produziram qualquer efeito, pois, além de notas fiscais não servirem de comprovantes da provável retenção na fonte, pois de emissão da própria contribuinte, ainda os documentos se referem ao anocalendário de 1998, enquanto que a pendência se relaciona ao 4º trimestre de 2000. Os relatórios de fls. 11/32 confirmam a retenção na fonte no importe de R$1.560,88, em contraposição ao valor declarado de R$44.335,25, constantes do anexo à declaração de compensação de fls. 03/07. Do confronto dos dois conjuntos de relatórios, podese constatar que diversas fontes pagadoras não constam como empresas que tivessem efetuado retenção de imposto na fonte, sendo necessária, portanto, a exibição dos competentes informes de rendimentos, para comprovação dos valores retidos, o que não foi feito pela contribuinte. Vejase o que prevê o RIR/99, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, a respeito do assunto: “Art. 942 – As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei Nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único – O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86).” Como se vê, é obrigação da fonte pagadora o fornecimento do documento anual comprobatório da retenção do imposto de renda na fonte, competindo aos beneficiários a sua guarda e contabilização. Juntamente com a manifestação de inconformidade, a contribuinte anexa novamente a relação das notas fiscais, bem como documentos que teriam sido emitidos pela Unimed ABC Cooperativa de Trabalho Médico. Quanto à relação das notas fiscais emitidas, já se colocou a sua ineficiência para comprovação de imposto retido na fonte. Fl. 339DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720089/200888 Acórdão n.º 140200.622 S1C4T2 Fl. 323 8 Desta feita, enfatizese que a nova relação entregue, além das notas fiscais de 1998, também abrange os documentos emitidos em 1999, do mesmo modo incoerentes com o litígio instaurado, que se relaciona com os fatos ocorridos no 4º trimestre/2000. Quanto aos documentos da Unimed ABC, não estão eles devidamente chancelados, nem assinados, o que lhes tira qualquer eficácia. As cópias dos Darf recolhidos podem ser comprovadas nos sistemas de controle da arrecadação da Receita Federal do Brasil, mas as relações que as acompanham não se mostram confiáveis, posto que não contam com assinatura da Unimed ABC. Devese destacar, também, que se a contribuinte obteve tais documentos junto à fonte pagadora, deveria ter conseguido, também, o comprovante de rendimentos e retenção na fonte, correspondente aos valores recolhidos e respectivas relações de empresas beneficiadas. Por último, as relações de empresas, que acompanham os Darf recolhidos, informam um total de R$37.481,48 como retidos da contribuinte, enquanto que o relatório de fls. 11 denota a retenção da quantia de R$129,54, com uma diferença expressiva. Ressaltese que no relatório de fls. 04 a contribuinte aponta para uma retenção do valor de R$40.488,14, que teria sido feita pela Unimed ABC Cooperativa de Trabalho Médico, quantia divergente da constante em DIRF entregue por esta última empresa, como também dos documentos acostados aos autos pela interessada. Não comprovadas, portanto, as retenções do imposto de renda na fonte, com a exibição dos competentes comprovantes de pagamento de rendimentos, de guarda obrigatória, não há como se atender o pleito da contribuinte. Em face do exposto, VOTO no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.907550/2009-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento.
IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL.
Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI.
Numero da decisão: 3001-000.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento. IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 75 50 /2 00 9- 38 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10665.907550/200938 Acórdão n.º 3001000.284 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/JFA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte, na data de 20/12/2006, transmitiu PER/DCOMP nº 18208.19899.201206.1.5.017635 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI acumulado do 3º Trimestre de 2004, no valor de R$ 4.714,20. Do Despacho Decisório A DRF de Divinópolis, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.75), pelo não reconhecimento do crédito, tendo por base o que ficou demonstrado no Termo de Verificação Fiscal (efls.68). Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.83), justificando que o não reconhecimento do crédito está embasado em premissas equivocadas, por desconsideração à legislação aplicável, além de vários princípios tributários; que está configurada a decadência, pois a transmissão da PER/DCOMP foi realizada na data de 20/12/2006 e o ciente do despacho decisório só ocorreu na data de 15/02/2012. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/JFA, esta decidiu pelo não reconhecimento do crédito tributário pleiteado e pela não homologação da compensação realizada, cujos fundamentos foram sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de MP, PI e ME aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, pelo que cabe indeferir o pedido de ressarcimento que se funda no citado direito creditório não reconhecido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 1. DECADÊNCIA/ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10665.907550/200938 Acórdão n.º 3001000.284 S3C0T1 Fl. 4 3 Por falta de previsão legal, o prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. 2. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Não cabe à esfera administrativa questionar ou negar aplicação às normas e determinações da legislação tributária que se encontram revestidas validade e eficácia. Sendo assim, as arguições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária válida e eficaz não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Em grau de recurso voluntário a recorrente limitase a repisar todos os argumentos e teses de sua Manifestação de Inconformidade, com o qual espera ver reformada a decisão recorrida em prol do reconhecimento do crédito pretendido e homologadas as compensações requeridas. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Discutese no presente processo preliminar de decadência por inércia do Ente Público de não se manifestar no prazo estabelecido por lei, nos casos de pedidos de compensação. De acordo com o entendimento da Recorrente teria ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos da data de transmissão da PER/DCOMP (20/12/2006) e a data de cientificação do despacho decisório (15/02/2012). Primeiramente cabe aqui destacar que o presente processo trata de PER/DCOMP nº 18208.19899.201206.1.5.017635 referente pedido de ressarcimento de crédito de IPI acumulado do 3º Trimestre de 2004 e não há vinculação de compensação de débito sendo mencionada. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10665.907550/200938 Acórdão n.º 3001000.284 S3C0T1 Fl. 5 4 Sobre esse tema, decadência por homologação tácita, a 3ª Turma da DRJ/JFA vem reproduzindo decisões proferidas em processos da mesma recorrente, das quais destaco o seguinte excerto: O contribuinte apresenta argumento preliminar acusando a decadência do Pedido de Ressarcimento. A interpretação é de que há um paralelo entre o exame do lançamento por homologação e o exame de Pedido de Ressarcimento. Para ambos, foi estipulado o prazo de cinco anos. Para o lançamento por homologação, no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, CTN. Para o pedido de Ressarcimento, no art. 74, §5º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. O ato foi redigido com o seguinte teor: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Da leitura do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é fácil deduzir a confusão feita pelo contribuinte. O prazo de que trata o referido dispositivo é para a homologação da compensação, a que se dá o nome de homologação tácita, isto é, homologação pelo decurso do prazo de cinco anos da apresentação da declaração de compensação, sem que sobre ela tenha havido a oportuna manifestação da autoridade competente. Não trata o dispositivo legal de prazo para o exame do Pedido de Ressarcimento, que obviamente é objetivo distinto da compensação, não obstante a declaração de compensação ser precedida de análise de crédito, no caso presente, saldo credor de IPI. Só se dispensará o exame de Pedido de Ressarcimento, ou melhor, do saldo credor, se coincidirem em seus montantes crédito requerido e débitos a compensar. Contrário senso, o pedido de ressarcimento sempre será examinado, independentemente do momento em que o faça a autoridade competente, o que não ocorre com a declaração de compensação que poderá ser homologada tacitamente. Se o interesse do contribuinte é de que seja declarada a homologação tácita, há de se verificar a ocorrência do instituto previsto na Lei nº 9.430, de 1996, ainda mais porque é questão de ordem pública e deve sempre ser apreciada pela autoridade administrativa, ainda que não mencionada pelo contribuinte. Em não havendo previsão legal para a homologação tácita de pedidos de ressarcimento e provado que não houve homologação tácita em relação a compensação, que neste processo não foi declarada, válido é o Despacho Decisório. DO RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI Em questão de mérito, a discussão gira em torno do direito a manutenção do crédito de IPI incidente nas aquisições de matérias primas (MP), produtos intermediários (PI) e Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10665.907550/200938 Acórdão n.º 3001000.284 S3C0T1 Fl. 6 5 materiais de embalagens (ME), utilizados na produção (beneficiamento) de produtos que possui anotação N/T na TIPI, no caso dos autos “pedra britada” classificada na posição 2517.10.00.00 da TIPI. A recorrente apurou crédito de IPI sobre aquisições de MP, PI e ME ocorridas no 3º trimestre de 2004 e buscou a compensação com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99, cuja redação assim se apresenta: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. Importante destacar que o Ato Declaratório Interpretativo nº 5/2006 veio consignar que: Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei n° 9. 779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." A muito que o entendimento firmado em nível de CARF é no sentido contrário ao interesse do contribuinte, tanto que a matéria veio a ser simulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10665.907550/200938 Acórdão n.º 3001000.284 S3C0T1 Fl. 7 6 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, pelo não reconhecimento do crédito pleiteado na PER/DCOMP (ressarcimento). (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.732044/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.140
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.732044/201231 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.140 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 02 de fevereiro de 2018 Assunto Resolução Recorrente ANICUNS S A ALCOOL E DERIVADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Retornaram os presentes autos a esta Turma de Julgamento, após cumprida a diligência solicitada por meio da Resolução s/nº, de 30/05/2014 (fls. 2.291/2.297). Peço vênia aos meus pares para reproduzir o relatório que integra a referida resolução. Tratase de autos de infração em face da pessoa jurídica ANICUNS S.A. ALCOOL E DERIVADOS, referentes aos meses de janeiro a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 32 04 4/ 20 12 -3 1 Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 3 2 março do ano de 2008, para a exigência de Cofins e de contribuição para o PIS, no valor total (incluídos juros e multa de ofício) de R$ 48.857,31 e R$ 10.585,75, respectivamente, bem como para promover a glosas de créditos de Cofins nos montantes de R$ 217.968,16, R$ 108.668,73 e R$ 213.459,68, respectivamente, e de créditos de contribuição para o PIS nos montantes de R$ 47.322,03, R$ 23.592,55 e R$ 46.343,22, respectivamente. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Informa a autoridade fiscal que a contribuinte deixou de atender à intimação fiscal de que trata o Termo de Intimação Fiscal n° 0008, vazada nos seguintes termos: “(...) Na DACON , linha 2 ficha 06A consta como Bens Utilizados como Insumos os valores de R$1.607.061,67, R$1.050.716,99 e R$467.373,36 para janeiro, fevereiro e março de 2008. Apresentar as notas fiscais correspondentes, separadas por mês, e preencher planilha em excel listando o número de cada nota, data de emissão, valor, nome do emitente e descrição da mercadoria; Na DACON , linha 01 ficha 07B Receitas de Vendas de Bens e Serviços Alíquota de 1,65% consta, para o mês de março de 2008, o valor de R$6.655.616,83 como receita e R$6.361.403,28 como base de cálculo, sendo que no SINTEGRA encontramos o valor de R$6.657.743,11 como vendas sujeitas a alíquota de 1,65%. Justificar e comprovar essa diferença e apresentar as notas fiscais correspondentes, separadas por mês, e preencher planilha em excel listando o número de cada nota, CFOP, data de emissão, valor, nome do emitente e descrição da mercadoria; Na DACON , linha 04 ficha 07B Receitas de Vendas de Bens e Serviços Alíquota de 0,65% constam como receita/base de cálculo os valores de R$7.222.145,01, R$2.977.053,67 e R$1.731.763,96 para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2008. No SINTEGRA encontramos os valores de R$7.919.265,16, R$3.089.204,81 e R$1.746.924,46 para vendas a alíquota de 0,65% para os meses de janeiro , fevereiro e março de 2008 respectivamente. Justificar e comprovar essa diferença e apresentar as notas fiscais correspondentes, separadas por mês, e preencher planilha em excel listando o número de cada nota, CFOP, data de emissão, valor, nome do emitente e descrição da mercadoria; (...)” Informa também o agente fiscal que, durante a auditoria, solicitou ao contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 006, que apresentasse um mapa dos tributos PIS e Cofins nãocumulativos o qual vinculasse as contas dos balancetes mensais com as respectivas fichas e linhas do Dacon, especificando o código e a descrição da conta e os valores que compuseram as respectivas linhas do Dacon relativos aos anoscalendário 2008 e 2009. Aduz que, mesmo reintimado, o contribuinte deixou de atender à solicitação fiscal. Por outro lado, informa a autoridade fiscal que, intimado, o fiscalizado apresentou o arquivo magnético de notas fiscais de entrada/saída, mas Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 4 3 sem atender ao determinado no Anexo Único do ADE Cofis 15/2001, pois contém os seguintes vícios: (1) falta do código NCM e a correspondente descrição deste código; (2) erro do código CFOP e falta da descrição deste código; e (3) incoerências de valores em relação à escrita contábil. Nesse cenário, esclarece o auditorfiscal que, para a apuração dos créditos e débitos declarados no Dacon, a fiscalização utilizou os dados constantes nos arquivos do SINTEGRA disponibilizados pela Secretaria da Fazenda Estadual SEFAZ, de acordo com o Convênio de Cooperação Técnica assinado entre a SRF e o Fisco do Estado de Goiás em novembro de 1988 nos termos do art. 199 da Lei 5.172/66 (CTN). Aduz que, com os dados constantes no SINTEGRA, elaborou as planilhas que são partes integrantes dos autos de infração. Merecem registro também as seguintes informações da autoridade fiscal constantes do auto de infração referente à Cofins (com idêntico conteúdo no auto de infração relativo à contribuição para o PIS): “(...) Com os dados constantes no SINTEGRA e do livro IPI da filial de CNPJ 02.783.009/000494 de BrasíliaDF(fls 520/528) elaboramos as planilhas "Resumo Entradas Notas Fiscais por CFOP" e "Resumo Saídas Notas Fiscais por CFOP" constantes folhas 514/519. Quando comparamos os valores existentes nessas planilhas com os valores declarados pelo contribuinte nas DACON (janeiro a março 2008) encontramos alguns créditos aproveitados indevidamente pelo contribuinte conforme demonstramos nas planilhas das folhas 530/538. As diferenças encontradas geraram glosa de créditos da Cofins em janeiro, fevereiro e março de 2008 conforme planilha na folha 538. Salientamos que anteriormente houve auto de infração da Cofins para o período julho a dezembro de 2007 (Processo n° 10120.726.985/2012 36). Esses valores de créditos glosados da Cofins referentes a 2007 constam na planilha da folha 529. Essas glosas de créditos resultaram em valores de créditos menores do que os valores constantes na DACON2008 apresentada pelo contribuinte. As linhas afetadas foram as dos saldos de créditos de meses anteriores constantes nas fichas de controle dos Créditos de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita Tributada no Mercado Interno, Créditos de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação e Créditos de Aquisição no Mercado Interno Presumido Atividades Agroindustriais referentes aos meses janeiro, fevereiro e março de 2008 . Mesmo com as glosas dos créditos do ano 2008, verificamos que não restou Cofins nãocumulativa a pagar em razão do contribuinte dispor de elevado saldo de créditos no início do período (janeiro de 2008).” São as seguintes as infrações descritas no auto de infração referentes à Cofins: 1. Insuficiência de recolhimento ou declaração, no regime cumulativo, nos montantes de R$ 18.045,20, R$ 3.364,53 e R$ 454,81, relativos ao Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 5 4 fatos geradores ocorridos em janeiro, fevereiro e março de 2008, respectivamente; e 2. Créditos referentes a aquisições no mercado interno constituídos indevidamente, o que resultou na glosa dos seguintes valores declarados a maior nos Dacon dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2008: R$ 217.968,16, R$ 108,668,73 e R$ 213.459,68, respectivamente. Já em relação à contribuição para o PIS, são as seguintes as infrações descritas no auto de infração: 1. Insuficiência de recolhimento ou declaração, no regime cumulativo, nos montantes de R$ 3.909,79, R$ 728,98 e R$ 98,54, relativos ao fatos geradores ocorridos em janeiro, fevereiro e março de 2008, respectivamente; e 2. Créditos referentes a aquisições no mercado interno constituídos indevidamente, o que resultou na glosa dos seguintes valores declarados a maior nos Dacon dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2008: R$ 47.322,03, R$ 23.592,55 e R$ 46.343,22, respectivamente. Consignou, por fim, o agente fiscal (no auto de infração referente à Cofins) que: “Informamos que os trabalhos foram encerrados parcialmente e ainda serão fiscalizados de abril a dezembro de 2008 e o ano de 2009.” II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos autos de infração em 20/12/2012, a contribuinte, irresignada, apresentou, em 21/01/2013, a impugnação de fls. 628/643. 1. Da preliminar de nulidade por exigência de mapa Em preliminar, alegou a suplicante, em síntese, que a exigência de mapas e planilhas não se encontra prevista no ordenamento jurídico, razão pela qual a sua exigência vicia o auto de infração de nulidade, por se tratar de transferência de ônus do trabalho da auditoria fiscal para o fiscalizado. 2. Da preliminar de nulidade por substituição da base de cálculo dos Dacon pelo SINTEGRA Ainda em preliminar, sustentou a impugnante que também vicia de nulidade o auto de infração a fixação de base de cálculo das mencionadas contribuições sociais a partir de dados extraídos do SINTEGRA, pois esses dados seriam imprestáveis para substituir as informações constantes dos Dacon. 3. Da insuficiência de recolhimento ou declaração de Cofins e de contribuição para o PIS, no regime cumulativo Alega a contribuinte que o agente fiscal cometeu equívocos na apuração da base de cálculo, pois nela teria incluído, indevidamente, vendas para entrega futura e saídas de mera remessa. Elabora tabelas comparativas para demonstrar a base de cálculo correta. Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 6 5 Aduz que: “(...) A mera remessa não configura circulação jurídica, mas física, não podendo servir de base de cálculo, sob pena de bis in idem, considerando que os seus valores já estão contabilizados nos movimentos de “venda para entrega futura”. Portanto, ou se considera os valores das notas fiscais de “remessas” ou se considera os valores das notas fiscais de “venda para entrega futura”, de sorte que a única situação que não pode ocorrer é a soma destes valores, pois se tratam de uma única receita.” 4. Dos créditos referentes a aquisições no mercado interno constituídos indevidamente Alega a contribuinte que o agente fiscal cometeu equívocos na apuração dos créditos de Cofins e de contribuição para o PIS. Com relação aos serviços utilizados como insumos, assevera que a empresa não apresentou as cópias das notas fiscais por não ter tido prazo hábil para localizar, separar e copiar 413 notas fiscais em apenas cinco dias (anexou as notas fiscais à peça de defesa). Anexou também notas fiscais referentes às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica e as notas fiscais referentes às devoluções de vendas. Com relação à constatação fiscal de que a fiscalizada incluiu vários fornecedores prestadores de serviços de transporte e de transporte de cana no item “bens utilizados como insumos”, alega a impugnante que caberia ao Fisco uma solicitação de retificação do lançamento. Requer a realização de diligência para fins de juntada das notas fiscais com a devida reclassificação. Requer, ao final, a análise das notas fiscais acostadas e a recomposição das bases de cálculo das contribuições sociais, especialmente com a desconsideração das notas fiscais de “remessas” e a consideração das notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas, tidas como de pessoas físicas. Nesse cenário, naquela oportunidade, este mesmo Relator destacou os seguintes e relevantes aspectos, com vistas a demonstrar que o presente processo não se encontrava devidamente instruído para fins de julgamento: 1) o presente procedimento fiscal é continuação de outros procedimentos instaurados contra a mesma pessoa jurídica; 2) a auditoria consistiu no cotejo entre as informações obtidas a partir do Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços (SINTEGRA) e aquelas prestadas pela contribuinte nos Dacon; 3) desse cotejo foram produzidas as diversas planilhas que subsidiaram o lançamento fiscal, tendo a contribuinte sido intimada a se manifestar sobre as divergências apuradas pela Fiscalização, durante os trabalhos de auditoria; Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 7 6 4) impugnando o feito, a contribuinte anexou diversas notas fiscais, com vistas a contestar o trabalho fiscal tanto no que tange à apuração das bases de cálculo das aludidas contribuições sociais, no regime de incidência cumulativa, como no que se refere à apuração das base de cálculo dos créditos das contribuições, no regime nãocumulativo; 5) não se extrai dos autos quais rubricas foram efetivamente consideradas pela Fiscalização na apuração das mencionadas bases de cálculo no regime cumulativo; 6) no que tange às glosas de créditos das aludidas contribuições sociais, as planilhas produzidas pela Fiscalização permitem apenas identificar quais rubricas foram objeto de glosas, a saber: a) bens utilizados como insumos; b) serviços utilizados como insumos; c) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; e d) devoluções de vendas sujeitas à alíquota de 7,6%; 7) não informou a Fiscalização, para cada uma dessas rubricas, quais valores foram aceitos e quais não o foram, e porque foram e porque não o foram. Nessa conformidade, este Relator propôs, naquela oportunidade (30/05/2014), a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal diligenciante adotasse, dentre outras, as seguintes providências: (1) examinasse as provas carreadas aos autos pela impugnante e os respectivos esclarecimentos; (2) se manifestasse conclusivamente sobre a procedência das referidas alegações de mérito; (3) apresentasse proposta fundamentada para acolhimento (total ou parcial) ou não acolhimento dos créditos pleiteados pela contribuinte, fazendo expressa referência às folhas do presente processo; e (4) no caso de acolhimento (total ou parcial) dos créditos pleiteados pela contribuinte, elaborasse novos demonstrativos analíticos (planilhas), bem como novas planilhas de Controle de Utilização do Créditos, com reflexos nos processos nºs 10120.725916/201396 e 10120.728977/201313, referentes a períodos posteriores (2008 e 2009) que também foram objeto de fiscalização e autuação. Na fase de diligência, a autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar as correspondentes notas fiscais, bem assim as respectivas planilhas com a discriminação das informações relevantes em cada operação. Com base nos elementos apresentados pelo sujeito passivo, o agente fiscal houve por bem elaborar relatório fiscal de diligência específico para cada regime de apuração das mencionadas contribuições sociais. No Relatório Fiscal de Diligência de fls. 2.341/2.342, que trata da acusação de insuficiência de recolhimento das aludidas contribuições sociais no regime de incidência cumulativa, a autoridade fiscal informa que, em face dos documentos apresentados, elaborou demonstrativo (fl. 2.334) das novas bases de cálculo das citadas contribuições sociais, após a exclusão dos valores referentes às notas fiscais de simples remessa de CFOP 5652 e a inclusão dos valores referentes às notas fiscais de simples faturamento de CFOP 5922. Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 8 7 De acordo com o referido demonstrativo, não mais remanesceriam exigências de Cofins e de contribuição para o PIS referentes aos meses de fevereiro e março de 2008, remanescendo, contudo, parte das exigências referentes ao mês de janeiro de 2008. Já no Relatório Fiscal de Diligência de fls. 2.335/2.340, que trata da acusação de aproveitamento indevido de créditos de Cofins e de contribuição para o PIS, a autoridade fiscal consignou que a contribuinte foi intimada a demonstrar, em relação a cada nota fiscal utilizada para apurar a base de cálculo do crédito do Pis/Cofins não cumulativo, qual insumo/serviço foi utilizado na produção; em que etapa da produção o bem/serviço foi utilizado; de que maneira o produto/serviço foi utilizado; em qual conta contábil foi escriturado o valor da nota fiscal; e em qual rubrica do Dacon foi registrado o crédito referente a respectiva nota fiscal. Informou o agente fiscal que, até a data de elaboração do relatório, a contribuinte não apresentou resposta ao Termo de Intimação Fiscal. Nesse cenário, esclarece a autoridade fiscal que, em razão das novas bases de cálculo dos créditos encontradas na diligência fiscal serem menores do que as bases de cálculo encontradas na fase de Fiscalização, não foram acrescidos créditos de Cofins e Pis não cumulativos em janeiro, fevereiro e março de 2008. Cientificado do relatório fiscal, o sujeito passivo apresentou a manifestação de fls. 2.350/2.362, por meio da qual suscita, em síntese, o seguinte: (1) os autos de infração padecem de vício de motivação, pois deixar de fornecer mapa não é infração, nem gera a glosa de créditos; (2) também vicia os autos de infração, por ausência de autorização legal, a fixação da base de cálculo com dados de receitas extraídas do SINTEGRA, razão pela qual estes são imprestáveis a substituir os Dacon; (3) são nulos os cálculos elaborados pelo agente fiscal na fase de diligência, pois, na apuração dos créditos de PIS e Cofins, a Fiscalização considerou as datas de emissão das notas fiscais, em vez de considerar as datas de entrada das notas fiscais, com base no livro de entrada de notas fiscais; (4) na hipótese de não ser reconhecida a nulidade apontada, hão de ser executadas novas diligências, inclusive com a dilação de prazo para apresentação de toda a documentação, em face da impossibilidade de a empresa atender à intimação fiscal no prazo concedido na diligência (30 dias), mormente porque o levantamento envolve outros períodos também objeto de glosa fiscal (outros processos), alcançando, assim, os meses de julho de 2007 a dezembro de 2009; (5) no que se refere à acusação de insuficiência de recolhimento das aludidas contribuições sociais no regime de incidência cumulativa, a autoridade fiscal, por lapso, considerou algumas notas fiscais de simples remessa de álcool anidro como se fossem notas fiscais de venda (juntou documentos); Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 9 8 (6) o conceito de insumo para fins de aproveitamento de créditos de PIS e Cofins deve contemplar todos os custos de produção e despesas operacionais que recaíram sobre o contribuinte na fabricação de seus produtos e na prestação de serviços; (7) tanto o CARF quanto o STJ já se posicionaram no sentido de que a legislação das mencionadas contribuições sociais tem conceito próprio de insumos, diferenciandose daquele previsto na legislação do IPI, bem como daquele adotado na legislação do Imposto de Renda; e (8) a Fiscalização laborou em erro no cálculo da proporção entre as receitas de venda de açúcar (sujeita ao regime nãocumulativo) e álcool (sujeita ao regime cumulativo), para fins de apuração da base de cálculo dos créditos das citadas contribuições, devendo, pois, tal erro ser corrigido “a fim de expurgar do rateio os custos referentes apenas ao produto açúcar”. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasilía/DF, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0369.967, sessão de 19/02/2016, julgou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA CUMULATIVA. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Acolhese, ainda que em parte, o resultado de diligência que examina notas fiscais apresentadas em sede de impugnação e promove a exclusão dos valores referentes às notas fiscais de simples remessa de CFOP 5652 e a inclusão dos valores referentes às notas fiscais de simples faturamento de CFOP 5922, na apuração da base de cálculo da Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. É dever do sujeito passivo manter o controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido a título de Cofins no regime nãocumulativo, bem assim dos respectivos créditos a serem deduzidos, cabendolhe a exibição das notas fiscais de aquisição de bens e serviços que impactaram a apuração dos créditos, sob pena de glosa por parte da Fiscalização. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Para fins de apuração de créditos de Cofins, consideramse insumos as matériasprimas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, bem como os serviços prestados, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 10 9 Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS o decidido em relação à Cofins exigida de ofício a partir da mesma matéria fática. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A parte exonerada referese (1) ao cancelamento das exigências de Cofins e de contribuição para o PIS, no regime de incidência cumulativa, referentes aos meses de fevereiro e março de 2008; e (2) à redução das exigências de Cofins e de contribuição para o PIS, no regime de incidência cumulativa, referentes ao mês de janeiro de 2008, para R$ 905,41 e R$ 196,17, respectivamente. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual consigna suas razões de irresignação. Suscita preliminarmente a nulidade do auto de infração pelos motivos que alega: 1 Exigência de mapa não configura infração; 2 A adoção dos valores de base de cálculo extraídos do SINTEGRA e não dos DACONs; 3 Erro de cálculo decorrente do erro de classificação de competência implica cerceamento de defesa; e 4 Necessidade da dilação do prazo para apresentar toda documentação exigida pela fiscalização. No mérito, repisa alguns argumentos da impugnação não acolhidos na decisão relativos a/ao: 1 Conceito de insumo aplicado na apropriação dos custos e despesas operacionais das agroindústrias, nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2008; 2 Erro da fiscalização do cálculo da proporção entre açúcar e álcool Requer ao final provimento para: (i) Declarar a nulidade do auto de infração em razão da ausência de apresentação de mapa solicitado pela fiscalização não constituir infração, da fixação da base de cálculo com base no SINTEGRA e por cerceamento do direito de defesa; e acaso não atendido o pleito de nulidade; (ii) Julgar improcedente o auto de infração; (iii) Reconhecer a utilização do conceito de insumos nos termos da jurisprudência do CARF e STJ, quanto às despesas com peças de caminhões, máquinas e implementos utilizados na área agrícola; e (iv) Reconhecer a expurgação dos custos referentes apenas ao produto açúcar dos percentuais de proporção entre as receitas de açúcar e álcool produzidos pela contribuinte. Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 11 10 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Entendo que o presente processo não se encontra apto para se proferir uma decisão em relação a determinada matéria, que passarei a discorrer. Requer a recorrente o aproveitamento de créditos das Contribuições decorrentes das despesas com peças e serviços utilizados em caminhões, máquinas e implementos agrícolas. Negoulhe a pretensão a decisão recorrida sob o argumento de que a legislação não concede o direito ao crédito na fase industrial relativamente às despesas incorridas em atividade meio, qual seja, a fase agrícola. Entendem os julgadores da DRJ que a atividade fim da empresa é a fabricação de açúcar e álcool e os serviços de peças utilizadas na área agrícola não fazem parte da fabricação dos produtos. Arremata o voto consignando que o conceito de insumos aproximase daquele prescrito na legislação do IPI, que exige o consumo, desgaste ou a perda de propriedades em razão de sua ação direta sobre o produto elaborado. Como fundamento à proposta que apresentarei a seguir, importa neste ponto tecer considerações acerca do conceito de insumo para fins de tomada de crédito para o PIS e Cofins e, após, a possibilidade de segregação dentro de um processo produtivo das etapas agrícolas e industriais. Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Neste ponto acolho o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, que fora sintetizado pelo Conselheiro relator ALEXANDRE KERN, no acórdão nº 3402002.663, sessão de 24/02/2015, o qual adoto e transcrevo: Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 12 11 insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. (...) Particularmente, entendo ainda mais apropriada a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 13 12 Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; 2. emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; 3. essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola, em que se inicia o processo industrial do agronegócio, como é o caso da contribuinte. Ainda na linha de raciocínio assentada nos excertos do voto reproduzido alhures, para fins de creditamento da Contribuição nãocumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Por outro lado, as despesas de transporte de funcionários não se caracterizam um serviço necessário ao processo produtivo, tampouco à obtenção do produto final, correspondem sim a despesas de caráter geral voltadas à administração da empresa Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 10120.732044/201231 Resolução nº 3201001.140 S3C2T1 Fl. 14 13 Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da recorrente apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com peças e serviços empregados em caminhões, máquinas e implementos utilizados exclusivamente na etapa agrícola do plantio à colheita da cana de açúcar, utilizados no processo industrial da recorrente, atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Diante de tudo ante exposto e considerando que as informações consignadas nas planilhas das notas fiscais em que a fiscalização procedeu à análise do direito creditório não contém informações suficientes para apurar com absoluta certeza as despesas que se enquadram no rol das que permitem o aproveitamento do crédito de PIS e Cofins, proponho a realização de diligência à unidade de origem para que se cumpra as solicitações a seguir: 1. Intimar o contribuinte para que no prazo inicial de 30 (trinta) dias, dilatado uma vez por igual período, e a partir da planilha elaborada pela fiscalização às folhas 2.299 a 2.314, cujo histórico é descrito como " PEÇAS PARA EQUIPAMENTOS/IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS/CAMINHÕES ", cumpra os quesitos: 1.1 Comprovar que a aplicação do insumo bem ou serviço foi em veículo, máquina ou implemento utilizado na atividade (fase/etapa) agrícola; 1.2 Comprovar que no caso de bem, não se trate de item registrado no ativo imobilizado; 1.3 Comprovar que o fornecedor do bem ou o prestador do serviço é pessoa jurídica domiciliada no País 1.4 Relacionar as informações comprobatórias em quadro/planilha editável que permita à autoridade fiscal aferir a veracidade, em especial dos valores consolidados; 1.5. Indicar os documentos e livros (folhas) que sustentam as informações apresentadas; 2. A Unidade de origem elabore Relatório e reproduza o demonstrativo apresentado pela contribuinte incluindo coluna indicando o cumprimento ou não dos quesitos "1.1", "1.2" e "1.3", com as observações que se fizerem pertinentes; 3. Indicar, se houver, as despesas relacionadas que incidem nas vedações ao aproveitamento do crédito das Contribuições previstas nos art. 3º, § 2º, I e II, § 3º, I e II da Lei 10.833/03 e 10.637/02; 4. Dar ciência do relatório de diligência e do demonstrativo com as informações/observações inseridas para que a contribuinte, no prazo de 30 (trinta) dias, improrrogáveis, manifestese exclusivamente acerca do objeto da diligência. 5. Devolvase o processo devidamente instruído. Portanto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade de origem dê prosseguimento no sentido de atender aos quesitos ante elaborados. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 2462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.015392/2008-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - OPÇÃO PELO SIMPLES - INCLUSÃO RETROATIVA - ENTREGA DA DCTF DISPENSADA.
As microempresa e empresa de pequeno por enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, estão desobrigadas da entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais - DCTF, razão pela qual se torna indevida a multa aplicada por atraso na entrega.
Numero da decisão: 1002-000.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
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Recorrente LUCIA DE FATIMA DA SILVA PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA OPÇÃO PELO SIMPLES INCLUSÃO RETROATIVA ENTREGA DA DCTF DISPENSADA. As microempresa e empresa de pequeno por enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, estão desobrigadas da entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF, razão pela qual se torna indevida a multa aplicada por atraso na entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 53 92 /2 00 8- 38 Fl. 32DF CARF MF 2 Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada de 24/09/2009, consubstanciada no Acórdão n.º 0333.412, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 3.º Trimestre do Ano Calendário 2004, deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF na forma em que foi consignada no auto de infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração em espécie foi lavrado em 30/10/2008, na DRF Brasília, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: A falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 113, § 3.º, 115 e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); Art. 7.º, incisos I e II, § 3.º e inciso II, da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. Demonstrativo: 1.º Trimestre/2004, Multa R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, além de reiterar os termos da impugnação, contraargumentou que foi tributada no SIMPLES no ano de 2004, inclusive sendo incluída no referido regime desde 01/03/2000, com efeitos retroativos a referida data, conforme Despacho Decisório DRF/BSA/Dicat s/n.º, na forma do Processo n.º 10166.009711/200442 (fls. 24/25). Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10166.015392/200838 Acórdão n.º 1002000.094 S1C0T2 Fl. 32 3 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito, assiste razão a recorrente. Observase que, realmente, o Despacho Decisório DRF/BSA/Dicat s/n.º, prolatado nos autos do Processo n.º 10166.009711/200442 (fls. 24/25), colacionado aos autos, enquadrou a contribuinte no SIMPLES com data retroativa, sendo a ementa daquele ato, nestes termos: SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. É cabível a inclusão retroativa na forma de tributação do Simples quando a pessoa jurídica se comportou como optante do Simples. INCLUSÃO RETROATIVA DEFERIDA. Nos fundamentos e decisão do sobredito despacho decisório consta: Em face do disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 16, de 02/10/2002, na Solução de Consulta Interna COSIT n.º 21, de 22/07/2003, que autoriza a inclusão retroativa de ofício no SIMPLES quando se comprovar que o contribuinte teve a intenção inequívoca a aderir a esta sistemática de pagamento, por meio da entrega das Declarações Anuais Simplificadas OU a apresentação dos comprovantes de pagamento (DarfSimples) é cabível a inclusão da peticionária a partir de 01/03/2000. DECIDO pelo deferimento da solicitação de inclusão retroativa da contribuinte na forma de tributação do Simples, a partir de 01/03/2000, ressalvado o direito de a Secretaria da Receita Federal SRF efetuar a exclusão retroativa caso constate em verificações futuras a ocorrência de alguma das vedações estabelecidas na Lei n.º 9.317, de 05/12/1996. A decisão impugnada, respeitosamente traz fundamento equivocado quando afirmou que: Por outro lado, analisando as peças processuais constatase que no primeiro trimestre de 2004 a empresa estava obrigada à entrega da DCTF, conforme o disposto no art. 2° da IN SRF n° 126/98. Por conseqüência suas alegações/informações não são suficientes para elidir a infração, apesar da Declaração Simplificada do ano calendário de 2004, folha 05. Isto porque consta nos autos que fora incluída no Simples Federal somente em 23/06/2008. Ver, folha 11. Assim sendo os documentos constantes no processo, por si só não descaracterizam o ilícito fiscal, pois estes documentos não comprovam que no Fl. 34DF CARF MF 4 período da autuação a interessada estava desobrigada da entrega da DCTF. É que buscando a verdade material e analisando as provas de fls. 24/26 vêse que o Despacho Decisório DRF/BSA/Dicat s/n.º, prolatado nos autos do Processo n.º 10166.009711/200442 (fls. 24/25), apontou a inclusão no SIMPLES com efeitos retroativos para 01/03/2000. Logo, a data de 23/06/2008 é, provavelmente, apenas aquela em que se efetivou a inclusão da contribuinte no SIMPLES, cadastrando a informação no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil, cumprindo a ordem do citado Despacho Decisório, contudo, possivelmente, não se cadastrou a observação que o efeito da inclusão era retroativo até 01/03/2000. Observese, ainda, que a intimação da contribuinte acerca do referido Despacho Decisório ocorreu após a data de 23/06/2008 (fl. 26). Demais disto, este Despacho Decisório era de conhecimento da Administração Tributária. Por corolário lógico, se estava inclusa no SIMPLES, aplicase o art. 3.º, inciso I, da IN SRF 255, de 2002, de modo que não há que se admitir a exigência da entrega da DCTF. Além disto, cumprindo seus deveres instrumentais, a contribuinte entregou a Declaração Anual Simplificada do anocalendário de 2004 (fl. 05) PJSI Simples 2005, a tempo e modo. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela reforma do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em darlhe provimento, reformando a decisão recorrida para exonerar o crédito tributário, desconstituindo o auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 35DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.724947/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/08/2007 a 11/12/2007
RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. LIMITE DE ALÇADA. SÚMULA CARF Nº 103. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme disposto na Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve ser aferido na data da análise do recurso de ofício pelo órgão revisor. No caso, tendo em vista que a parcela exonerada do lançamento pela decisão recorrida é inferior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017, vigente no momento atual, não se conhece do recurso de ofício.
Recurso de Ofício não conhecido
Numero da decisão: 3402-004.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/08/2007 a 11/12/2007 RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. LIMITE DE ALÇADA. SÚMULA CARF Nº 103. NÃO CONHECIMENTO. Conforme disposto na Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve ser aferido na data da análise do recurso de ofício pelo órgão revisor. No caso, tendo em vista que a parcela exonerada do lançamento pela decisão recorrida é inferior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017, vigente no momento atual, não se conhece do recurso de ofício. Recurso de Ofício não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/08/2007 a 11/12/2007 RECURSO DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. LIMITE DE ALÇADA. SÚMULA CARF Nº 103. NÃO CONHECIMENTO. Conforme disposto na Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve ser aferido na data da análise do recurso de ofício pelo órgão revisor. No caso, tendo em vista que a parcela exonerada do lançamento pela decisão recorrida é inferior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017, vigente no momento atual, não se conhece do recurso de ofício. Recurso de Ofício não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 49 47 /2 01 2- 31 Fl. 1274DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso de ofício contra Acórdão da Delegacia de Julgamento no Recife, que julgou a impugnação procedente para exonerar integralmente o crédito tributário exigido. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 12/11/2012, no valor total de R$1.351.438,69, para a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas por meio de Declarações de Importação registradas no período de 15/08/2007 a 07/12/2007, com fundamento no art. 23, V e §3º do DecretoLei nº 1.455/76. A autuada foi cientificada pessoalmente em 09/11/2012 e apresentou impugnação tempestiva ao auto de infração. Foi arrolado como sujeito passivo solidário Zart Alimentos Ltda. ME, de CNPJ nº 08.701.226/000121, na condição de real adquirente das mercadorias, que foi cientificado, por edital, em 01/12/2012, mas não apresentou impugnação e foi considerado revel. A DRJRecife exonerou integralmente o crédito tributário sob o entendimento de que "os elementos indiciários apresentados no intuito de demonstrar a infração imputada no presente lançamento se mostraram incipientes e insuficientes ao fim que se prestavam, não restando outro fim que não a improcedência do lançamento". Da sua decisão a Delegacia de Julgamento recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e do art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 03/01/2008 DOU 07/01/2008. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora. A exigência tributária cancelada por meio da decisão recorrida foi de R$1.351.438,69, no valor originário lançado a título de multa, sendo, portanto, inferior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017 (D.O.U de 10/02/2017), abaixo transcrita: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 11128.724947/201231 Acórdão n.º 3402004.993 S3C4T2 Fl. 1.275 3 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Dispõe a Súmula CARF nº 103 que, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Assim, voto no sentido de não conhecer o recurso de ofício. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1276DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720044/2016-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2011
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO EXERCIDA.
Constatado que o real alienante de participação societária eram as acionistas pessoas físicas/jurídicas (acionistas controladores), incorreta a sua descaracterização, para fins fiscais, sendo, assim, indevida a atribuição de sujeição passiva da obrigação tributária à pessoa jurídica (holding).
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA.
Diante das circunstância fático-probatórias, verifica-se que o objetivo central da reestruturação societária adotada era permitir a liberação do preço de venda antes do vencimento das obrigações financeiras pactuadas com os credores e não reduzir o ônus fiscal. Daí se explica a opção pela cisão parcial (em detrimento de capitalização de uma controlada), incorporação do acervo em empresa já existente e sem operação (ao invés de outra que poderia ser criada) e cisões de CAEE e CERRAPAR na mesma data. O curto espaço de tempo entre a cisão parcial e a alienação, por si só não configura planejamento tributário abusivo. No mais, o reinvestimento imediato do valor da alienação não demonstra ilicitude do planejamento.
ILICITUDE DE CISÃO PARCIAL. INOCORRÊNCIA.
Em atos de fusão, cisão ou incorporação, os fins dizem respeito aos propósitos a que servem as operações. Tais reestruturações têm por função possibilitar as alocações de patrimônio em diferentes sociedades, nos termos do artigo 225, I c/c artigo 229, § 3º, da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/As).
A cisão da Recorrida permitiu atribuir àquele que negociou a venda obter o ativo antes de aliená-lo. Por isso, constou da justificação que a cisão visava "racionalizar a estrutura societária'', com a "reorganização dos ativos'', nos "legítimos interesses da Cindida e da Incorporadora, assim como de seus acionistas e administradores''.
Só cabe cogitar inexistência de causa à cisão se, por hipótese, o patrimônio cindido (ou recursos equivalentes) tivesse retornado a Recorrida. Tal fato não ocorreu no presente caso, ela deixou de deter ativos e desobrigou-se de passivos. Houve, portanto, conferência patrimonial.
REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. PROCEDIMENTO LÍCITO.
É vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderando-o, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior, conforme dispõe os artigos 22 e 23, da Lei nº 9.249/1995.
EFETIVO PROPÓSITO NEGOCIAL. VERIFICAÇÃO.
A construção de cenários de impacto fiscal permitiu a averiguação de como a adição do ganho de capital ao resultado tributável de CAEE e CERRAPAR influiria nas base de IRPJ e CSLL de ambas de forma a evidenciar, complementarmente às demais provas dos autos, que o propósito da reestruturação societária praticada não foi a redução do ônus fiscal sobre o ganho de capital.
INCORRETA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NULIDADE.
É nula a imputação de responsabilidade tributária por ausência de termo e falta de motivação, nos termos do artigos 10, incisos III e IV, 31 e 59, II do Decreto nº 70.235/1972 c/c os artigos 12, inciso II, 39, incisos III e IV, do Decreto nº 7.574/2011 c/c artigo 2º, parágrafo único, inciso VII, da Lei nº 9.785/1999.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA.
A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a contribuinte teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2011
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ).
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-002.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencida a conselheira Eva Maria Los que dava provimento ao recurso de ofício. Os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanharam o voto da relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO EXERCIDA. Constatado que o real alienante de participação societária eram as acionistas pessoas físicas/jurídicas (acionistas controladores), incorreta a sua descaracterização, para fins fiscais, sendo, assim, indevida a atribuição de sujeição passiva da obrigação tributária à pessoa jurídica (holding). PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. Diante das circunstância fáticoprobatórias, verificase que o objetivo central da reestruturação societária adotada era permitir a liberação do preço de venda antes do vencimento das obrigações financeiras pactuadas com os credores e não reduzir o ônus fiscal. Daí se explica a opção pela cisão parcial (em detrimento de capitalização de uma controlada), incorporação do acervo em empresa já existente e sem operação (ao invés de outra que poderia ser criada) e cisões de CAEE e CERRAPAR na mesma data. O curto espaço de tempo entre a cisão parcial e a alienação, por si só não configura planejamento tributário abusivo. No mais, o reinvestimento imediato do valor da alienação não demonstra ilicitude do planejamento. ILICITUDE DE CISÃO PARCIAL. INOCORRÊNCIA. Em atos de fusão, cisão ou incorporação, os fins dizem respeito aos propósitos a que servem as operações. Tais reestruturações têm por função possibilitar as alocações de patrimônio em diferentes sociedades, nos termos do artigo 225, I c/c artigo 229, § 3º, da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/As). A cisão da Recorrida permitiu atribuir àquele que negociou a venda obter o ativo antes de alienálo. Por isso, constou da justificação que a cisão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 44 /2 01 6- 18 Fl. 2326DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 3 2 visava "racionalizar a estrutura societária'', com a "reorganização dos ativos'', nos "legítimos interesses da Cindida e da Incorporadora, assim como de seus acionistas e administradores''. Só cabe cogitar inexistência de causa à cisão se, por hipótese, o patrimônio cindido (ou recursos equivalentes) tivesse retornado a Recorrida. Tal fato não ocorreu no presente caso, ela deixou de deter ativos e desobrigouse de passivos. Houve, portanto, conferência patrimonial. REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. PROCEDIMENTO LÍCITO. É vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderandoo, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior, conforme dispõe os artigos 22 e 23, da Lei nº 9.249/1995. EFETIVO PROPÓSITO NEGOCIAL. VERIFICAÇÃO. A construção de cenários de impacto fiscal permitiu a averiguação de como a adição do ganho de capital ao resultado tributável de CAEE e CERRAPAR influiria nas base de IRPJ e CSLL de ambas de forma a evidenciar, complementarmente às demais provas dos autos, que o propósito da reestruturação societária praticada não foi a redução do ônus fiscal sobre o ganho de capital. INCORRETA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NULIDADE. É nula a imputação de responsabilidade tributária por ausência de termo e falta de motivação, nos termos do artigos 10, incisos III e IV, 31 e 59, II do Decreto nº 70.235/1972 c/c os artigos 12, inciso II, 39, incisos III e IV, do Decreto nº 7.574/2011 c/c artigo 2º, parágrafo único, inciso VII, da Lei nº 9.785/1999. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a contribuinte teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 2327DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 31/12/2011 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencida a conselheira Eva Maria Los que dava provimento ao recurso de ofício. Os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanharam o voto da relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado em 16/05/2016 que exige da ora Recorrida supra identificada, o recolhimento da importância de R$ 157.501.435,28 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo a fato (ganho de capital) ocorrido em 20/04/2011, e considerado na apuração anual em 31/12/2011, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora, o que perfaz o montante de R$ 462.140.711,39. Consta no referido Auto de Infração que o lançamento do IRPJ, apurado sob as regras do Lucro Real Anual, decorre de (conf. relatório de fls. 565/575, em especial 570): RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. Omissão de receitas não operacionais caracterizada pela insuficiência de contabilização, conforme relatório fiscal em anexo. Fl. 2328DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 5 4 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 278 e 288 do RIR/99 2. Ainda, como lançamento decorrente da matéria tributável apontada no lançamento de IRPJ, foi lavrado em 16/05/2016, também Auto de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da ordem de R$ 56.528.706,79, acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora, o que perfaz o montante de R$ 165.866.531,45 (conf. relatório de fls. 577/586, em especial fl. 582): RECEITAS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS OMITIDAS Omissão de receitas não operacionais caracterizada pela insuficiência de contabilização, conforme relatório fiscal em anexo. Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95 Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. 3. Dos autos de infração constam também, como responsáveis solidários, nos termos do artigo 124, I do CTN, as pessoas de Neide Sanches Fernandes, Luciano Sanches Fernandes, Andréa Sanches Fernandes, Caio Fernandes Dias, Marcela Fernandes Dias e Brendo Fernandes Dias, acionistas pessoas físicas da fiscalizada. Os pertinentes detalhes encontramse no item 8. (Da Representação Fiscal para fins Penais e Sujeição Tributária Passiva) do Termo de Verificação Fiscal (fls. 588/626). 4. Insta destacar que o processo em questão tem origem nos citados autos de infração de IRPJ e CSLL, anocalendário 2011, sobre o ganho de capital que supostamente Fl. 2329DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 6 5 teria sido obtido pela Cerradinho Participações S/A (CERRAPAR, ora Recorrida e atual denominação da Cerradinho Holding S/A) na alienação da Jarsy Holdings S/A (JARSY, atual NG Bioenergia S/A) à empresa Noble Comercializadora de Energia Ltda. (NOBLE). 5. Segundo a fiscalização a venda da JARSY envolveria ''Planejamento tributário abusivo", pois a alienação das referidas ações se deu por meio das pessoas físicas que eram sócias da Recorrida, do que resultou na incidência de IRPF sobre ganho de capital à alíquota de 15%. 6. Para a autoridade fiscal a venda das ações da JARSY somente poderia ter ocorrido pela verdadeira alienante, a Recorrida, e caberia a ela o recolhimento de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital à alíquota de 34% (25% de IRPJ + 9% de CSLL). Em seus próprios dizeres “Ao invés de realizarem a venda direta dos ativos à interessada, buscaram atingir esse objetivo por caminhos tortuosos e complexos, através de um planejamento tributário abusivo que incluía, nos procedimentos, uma Reorganização Societária composta por duas cisões parciais, que visava, para os Acionistas/Dirigentes, reduzir a carga tributária incidente sobre o ganho de capital obtido com a venda dos ativos para o Grupo Noble" (página 2 do Termo de Verificação Fiscal – TVF, fls. 588/626). 7. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (588/626), as operações classificadas como abusivas compreenderam: 7.1. Cisão parcial da Cerradinho Açúcar, Etanol e Energia S/A CAEE, sociedade, à época, detida pela CERRAPAR, titular das usinas que seriam negociadas, com versão do patrimônio cindido para a NG/JARSY, sociedade holding que já havia sido constituída, porém, ainda não havia entrado em operação, adquirida junto aos assessores legais que conduziram o negócio junto à NOBLE. Com a transação, a CERRAPAR continuou a ser acionista da CAEE e passou também a ser acionista da NG/JARSY. Tal operação foi classificada pela Fiscalização de “cisão operacional” (TVF, p. 12, fls. 599 e segs); e 7.2. Cisão parcial da CERRAPAR, mediante versão das ações NG/JARSY para a própria incorporadora, com redução do capital da cindida. Como a NG/JARSY incorporou as suas próprias ações, tais participações foram canceladas e, em contrapartida, foram emitidas novas ações em nome dos acionistas da CERRAPAR, destinatários das ações emitidas em razão da redução do capital da cindida, com a sua distribuição da mesma forma como constava do quadro daquela. Como consequência, os acionistas da CERRAPAR reduziram seu investimento na cindida e em contrapartida tornaramse acionistas da NG/JARSY. 8. Concretizadas as operações supra, os titulares das ações de NG/JARSY, isto é, os mesmos acionistas de CERRAPAR, venderam, em abril/2011, a participação naquela sociedade à NOBLE, apurando ganho de capital. 9. Esta dinâmica negocial implicou recolhimento de IRPF e também de IRPJ e CSLL, já que parte dos acionistas CERRAPAR e, por extensão, de NG/JARSY eram pessoas jurídicas (cerca de R$ 125 milhões pagos de tributos na transação). 10. Contudo, para a Fiscalização, dois indícios demonstrariam a ausência de “qualquer propósito negocial na cisão parcial da Cerradinho Holding que não seja a mera economia tributária, ocasionada pela tributação do ganho de capital na pessoa física, evidenciando caso clássico de planejamento tributário abusivo”, justificando a sua Fl. 2330DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 7 6 desconsideração e a imputação do ganho de capital à ora Recorrida (TVF, p. 13, fl. 600). São eles, verbis: 1. “O primeiro é o retorno do produto da alienação para a pessoa jurídica, onde os sócios pessoas físicas, membros da Família Fernandes, utilizam os recursos da alienação para aumentar o capital da Cerradinho Holding, como constatado na AGE de 03 de junho de 2011” (TVF, p. 13); e 2. “O segundo é a existência de negócio prévio à cisão parcial da Holding do Grupo Cerradinho, verificada no acordo de venda de ações (SPA), em dezembro de 2010, que indica que a intenção de alienar o bem era da pessoa jurídica, embora a motivação apresentada nos respectivos protocolos de cisões e incorporações relatassem motivação diversa relacionadas com sinergia e performance operacional. Além disso, a mídia especializada já divulgava notícias relacionadas com as mudanças na Cerradinho” (TVF, p. 13). 11. Como resultado das suas conclusões em relação aos fatos, a autoridade fiscal exigiu IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital, por considerálo auferido por CERRAPAR (e não pelos seus acionistas) e aplicou a multa de 150%. 12. Segundo ele, como o objetivo da reestruturação societária era permitir a venda das ações de NG/JARSY pelas pessoas físicas e isso não constou no protocolo das cisões (justificativa à racionalização da estrutura societária), seria possível concluir ter sido indicado motivo falso, a fim de impedir o conhecimento do fato gerador pelo fisco, conduta hábil a caracterizar sonegação e fraude (cf. artigos 71 e 72, da Lei nº 4.504/64). 13. Por fim, atribuiuse responsabilidade solidária aos acionistas pessoas físicas de CERRPAR, por terem subscritos os atos de reestruturação societária descritos. I. Breve Histórico da Operação Societária 14. Em 1973, a sociedade empresária Cerradinho, Açúcar, Etanol e Energia S/A (CAEE) foi constituída, atuando no setor sucroalcooleiro, com a aquisição de uma usina em Catanduva/SP. 15. Em 2007 inaugurouse a segunda unidade em Potirendaba/SP e, em 2009, a terceira unidade, no formato de sociedade empresária, denominada Usina Porto das Águas Ltda., controlada pela CAEE. 16. A família Fernandes detinha 92,8%, originalmente, das ações da CAEE. A referida família constituiu a sociedade empresária Cerradinho Holding S/A (atual Cerradinho Participações S/A), controladora da CAEE. 17. Com o objetivo de alienar as usinas de açúcar e álcool situadas nos municípios de Catanduva/SP e em Potirendaba/SP, ativos da CAEE, os acionistas controladores (membros da família Fernandes) firmaram em 14.12.2010, na qualidade de vendedores, Acordo de Compra e Venda de Ações com a empresa Noble Brasil S/A (compradora), figurando no contrato, ainda, como intervenientes anuentes a Cerradinho Holding S/A, a CAEE e a Usina Porto das Águias Ltda. Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 8 7 18. O referido acordo “compreendeu a venda do controle acionário total de uma empresa a ser constituída pelos vendedores, cuja atribuição no acordo entre as partes foi ‘Operating Newco’, devendo esta vir a ser a única detentora do negócio e dos ativos a serem alienados a Noble Brasil S.A. (compradora)” (TVF, fl. 595). 19. Em 14/12/2010, data do contrato em que foi pactuada a compra e venda do investimento alienado (ações da Jarsy Holdings S/A (JARSY, atual NG Bioenergia S/A)), as ações da CAEE, detentora dos ativos pretendidos pela compradora, pertenciam à Cerradinho Holding S/A (92,8%) e à senhora Neide Sanches Fernandes, sendo que no contrato figuraram como vendedores os acionistas da referida empresa. A Cerradinho Holding S/A figurava como detentora indireta dos ativos almejados (Usinas de Catanduva/SP e Potirendaba/SP, detidos diretamente pela CAEE). 20. Promoveuse, então, uma cisão parcial da CAEE, com a migração dos ativos de interesse (Usinas de Catanduva/SP e Potirendaba/SP) desta para outra empresa, a JARSY. Esta última também passou a ser controlada pela Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR, ora Recorrida e atual denominação da Cerradinho Holding S/A) nas mesmas condições em que controlava a CAEE. A CERRAPAR, portanto, detinha diretamente a participação da JARSY, objeto da alienação ao Grupo Noble. 21. Até este ponto da reestruturação, estava plenamente atendido o que se almejava no contrato de compra e venda quando de sua celebração: a separação dos ativos da CAEE (usinas) e sua concentração em uma outra empresa (JARSY). 22. Contudo, a autoridade fiscal entendeu que no contrato deveria figurar como vendedora ou a própria CAEE, se o objeto da venda tivesse sido as duas usinas de forma direta (antes da segregação dos ativos na nova empresa), ou a CERRAPAR, visto que passou a ser esta última a detentora direta do investimento posteriormente alienado: as ações da nova empresa (JARSY), já com os ativos (usinas) concentrados em sua titularidade. 23. A fiscalização ponderou que não poderia haver disposição de coisa alheia por parte de terceiros e, por essa razão, somente a CAEE, antes da segregação das usinas na nova empresa (JARSY) ou a Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR), detentora das ações da empresa que veio a titularizar os ativos (usinas) após a cisão da CAEE, poderiam, em um momento ou em outro, dispor dos mencionados bens, jamais os próprios acionistas. Os acionistas eram proprietários das ações da Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR), e não diretamente dos bens a essa pertencentes (de início, ações da CAEE e, posteriormente, ações da JARSY). 24. Para a autoridade fiscal, configurou planejamento tributário abusivo a Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR), utilizandose do permissivo previsto no art. 22 da Lei nº 9.249/95, reduzir o seu capital social e, a título de devolução aos acionistas de sua participação, em decorrência dessa redução, entregar a estes as ações da Operating Newco (NG/JARSY) pelo seu valor contábil. 25. A parte remanescente da Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR) permaneceu com a mesma composição societária e com as mesmas participações que possuía antes da cisão. Porém, na JARSY (parte cindida), a composição e participação societária foi alterada com a atribuição das ações da Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR) para os demais sócios pessoas físicas além de outros sócios pessoas físicas e jurídicas que fazem parte da composição societária da Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR). Fl. 2332DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 9 8 26. Com a propriedade das referidas ações, ou seja, com o controle direto dos acionistas sobre o investimento, estes consumaram a alienação para o Grupo Noble. 27. O valor recebido na operação foi de R$ 800 milhões. Desse montante, R$ 275 milhões foram destinados ao pagamento de dívidas bancárias, R$ 150 milhões foram conferidos à CAEE/UPA para quitar obrigações dessas empresas com credores e R$ 125 milhões foram utilizados para pagar tributos sobre o ganho de capital do negócio com a Noble. 28. Disso, remanesceram R$ 250 milhões, dos quais R$ 100 milhões foram destinados a reinvestimento e R$ 150 milhões ficaram com os acionistas. Parte do produto da operação de compra e venda foi utilizada para aumentar o capital social da Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR), conforme constatado na AGE de 03 de junho de 2011. II. Das alegações constantes dos Instrumentos de Defesa 29. Inconformados com a autuação fiscal, a ora Recorrida e os responsáveis solidários apresentaram impugnações (CERRAPAR, fls. 1404/1439; Neide Sanches Fernandes, fls. 2075/2084; Luciano Sanches Fernandes, fls. 2096/2105; Marcela Fernandes Dias, fls. 2116/ 2125; Caio Fernandes Dias, fls. 2137/2146; Breno Fernandes Dias, fls. 2158/2167; e Andréa Sanches Fernandes, fls. 2178/2187), sustentando em síntese: Impugnação CERRAPAR (fls. 1406/1407) "2.1. Inexistência de planejamento fiscal abusivo. 2.1.1. Foram razões extratributárias que motivaram as operações. As duas cisões se explicam por razões dissociadas do imaginado ganho fiscal. Eram necessárias para segregar, dos demais negócios que não fizeram parte da transação, o patrimônio (formado por ativos e passivos) que seria alienado, conforme autorizado pelos credores do grupo. Daí que regular a causa declinada nos atos praticados para implementála (racionalização da estrutura). Não sido praticadas as cisões, não haveria negócio, sendo ambas vinculadas, de modo que é incorreto tratar cada uma isoladamente. Aliás, a própria formação da CERRAPAR para figurar como holding ocorreu no mesmo contexto, tanto que se deu pouco antes da assinatura da promessa de venda (SPA) e unicamente por exigência das instituições financeiras credoras. Desse modo, é equivocado considerála titular do ganho de capital, no lugar de seus acionistas. Tanto que não houve simples retorno do produto da venda à CERRAPAR. 2.1.2. Inexistência de interesse de agir do Fisco. Ausência de vantagem tributária com as operações praticadas. Fosse possível CAEE ou CERRAPAR alienar as ações de NG/JARSY, o que não se deu apenas por razões societárias, o ganho de capital que seria apurado e tributado seria inferior ao efetivamente recolhido pelos acionistas em um cenário (venda por CAEE) e ligeiramente superior em outro (venda por CERRAPAR). Tais verificações só demonstram que a motivação para a prática dos atos não foi economia fiscal, mas permitir a realização do negócio com a NOBLE, que era estratégico e crucial para o grupo no momento. Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 10 9 2.2. Inexistência de planejamento fiscal ilícito (simulação ou qualquer outro vício) com a redução de capital de CERRAPAR por meio da cisão e entrega das ações de NG/JARSY aos acionistas daquela. Opção legal. Tanto a operação realizada, quanto outras que poderiam ser cogitadas (v.g. formação NG/JARSY embaixo de CAEE seguida de reduções do seu capital e de CERRAPAR), eram válidas para possibilitar aos acionistas alienar parte dos ativos e ficar com o produto obtido, de modo a tributar o ganho experimentado em seus nomes. No caso, por razões de cunho societário, optouse por duas cisões e, na última delas, com redução de capital da cindida e transmissão dos ativos ao sócio pelo valor de registro. Tratase de opção válida, posto que assegurada pela legislação (art. 22 da Lei nº 9.249/95), o que impede a sua sujeição a carga tributária diversa da aplicada. 2.3. Iliquidez dos lançamentos. Parte do preço de venda considerado auferido em 2011 estava sujeito a condições suspensivas para que pudesse ser obtido. O implemento do evento que autorizou o pagamento dessa parte se deu apenas em 2012, justificando o reconhecimento da nulidade das autuações ou, quando menos, o dever de exclusão dessas parcelas da base tributável. 2.4. Incongruência da requalificação feita pela Fiscalização por erro de sujeição passiva. Se a reorganização societária era desnecessária como constou da peça fiscal, então, os tributos sobre o ganho de capital teriam que ser exigidos daquela que era a titular dos ativos alienados, o que não foi feito. Ao menos, deveria haver a compensação do IRPJ e da CSLL lançados de ofício com IRPF, IRPJ e CSLL recolhidos pelos acionistas de CAEE. É descabida, por incongruente, a requalificação fiscal feita, no sentido de tratar a CERRAPAR como alienante, na medida em que o alegado planejamento ilícito se deu para alienar ativos de propriedade de CAEE. De outro lado, ainda que aceita a premissa de que foi CERRAPAR e não os seus acionistas que alienaram NG/JARSY, ao menos, os tributos por eles recolhidos, compreendendo IRPF, IRPJ e CSLL devem ser compensados com o IRPJ e a CSLL lançados de ofício, não só por terem sido arrolados como solidários à Autuada, mas também na medida em que, requalificados o tratamento tributário dos fatos, em igual medida devem ser requalificados os pagamentos efetuados. 2.5. Descabimento da multa agravada. No mínimo, é descabida a multa de 150%, uma vez que todos os atos foram praticados à luz do dia, não havendo ocultação de nenhum deles que revele o intuito de fraude, mesmo porque noticiados pela imprensa e levados ao conhecimento das autoridades públicas que exige a legislação. De se notar que a busca de estrutura societária que permitisse a venda de empresa titular de patrimônio vinculado a duas usinas à NOBLE – chamado de “motivo verdadeiro” para as operações de cisão pela Fiscalização e que, por não ter constado assim dos Fl. 2334DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 11 10 protocolos das operações, justificou a penalidade mais severa foi levada ao conhecimento da autoridade fiscal durante a fase de auditoria, a partir de resposta a questionamento específico. Logo, não se escondeu nenhum fato. Em termos técnicos, não se praticou fraude. 2.6. Decadência. Impossibilidade exigir tributos mais de 5 anos após o suposto fato gerador. A Fiscalização afirmou que o negócio de venda já estava concretizado desde dezembro/2010. Nessas circunstâncias, caso a CERRAPAR tivesse obtido ganho de capital como afirmado e que ora se admite para argumentar, já teria transcorrido o prazo decadencial de 5 anos contados do fato gerador para o Fisco rever o procedimento, na forma da legislação (CTN, art. 150, §4º). Mesmo que fosse possível superar o quanto apontado, ainda assim, seria de rigor o reconhecimento da caducidade no caso concreto, na medida em que consta das autuações que a alienação se deu em abril de 2011. Portanto, ainda assim, em data anterior ao quinquênio de ocorrência dos alegados fatos geradores. Impugnação dos demais Sujeitos Passivos (fls. 2222) Os Responsáveis Solidários, citado nos termos do artigo 124, I do CTN, das pessoas de Neide Sanches Fernandes, Luciano Sanches Fernandes, Andréa Sanches Fernandes, Caio Fernandes Dias, Marcela Fernandes Dias e Brendo Fernandes Dias acionistas pessoas físicas da Fiscalizada, apresentaram, todos, a devida impugnação e, todas, d idêntico teor, com os seguintes destaques: No item 2. Nulidade de imputação de responsabilidade tributária por ausência de termo e falta de motivação, destaca a(o) Impugnante (i) que não há sequer um Termo de Responsabilidade Tributária, como exige a Portaria RFB 2.284/2010 e (ii) que a Fiscalização não apresentou qualquer elemento probatório, nem mesmo fez qualquer alegação que permitisse sequer cogitar que tenha procedido dolosamente. No item 3. Inaplicabilidade do art.124, I, do CTN: Inexistência de interesse comum entre a ora Impugnante e a empresa autuada, destaca que para haver solidariedade tributária, as pessoas a que se refere o dispositivo devem efetivamente participa do negócio jurídico que deflagra a incidência tributária (“situação que constitua o fato gerador...”) no mesmo polo da relação jurídica, como os coproprietários de um imóvel no caso o IPTU, trazendo posições doutrinárias e decisões judiciais neste sentido. Assim conclui(em): Consequentemente, para que se pudesse cogitar da responsabilização solidária da Impugnante, deveria ela ter participado diretamente (isto é, ter sido parte) da relação jurídica que constituiu o alegado fato gerador dos tributos exigidos. Tal seria a venda das ações da NG à NOBLE. Sucede que, nos termos da própria acusação feita pela Fiscalização, a Fl. 2335DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 12 11 alienação teria se dado unicamente pela CERRAPAR. Daí, inclusive, porque se exigiu IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital. Logo, para justificar a responsabilidade imputada, a Impugnante deveria ter efetivamente participado dos atos tidos por fraudulentos pela Fiscalização, mediante a prática do fato gerador da obrigação tributária, o que resta demonstrado não ter ocorrido. Em resumo, como não houve interesse comum da Impugnante, nos termos do artigo 124, I, do CTN, impõese o reconhecimento da improcedência da imputação de sujeição passiva solidária em seu nome.” 30. Em sessão de 03 de março de 2017, a 3ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de decadência e, por maioria de votos, considerou procedente a impugnação, para exonerar integralmente o crédito, nos termos do voto do relator, Acórdão nº 0739.334 (fls. 2202/2663), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2011 Alienação de Participação Societária. Ilegitimidade do Sujeito Passivo. Ganho de Capital. Tributação Exercida. Constatado que o real alienante de participação societária eram as acionistas pessoas físicas/jurídicas (acionistas controladores), incorreta a sua descaracterização, para fins fiscais, sendo, assim, indevida a atribuição de sujeição passiva da obrigação tributária à pessoa jurídica (holding).” “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2011 CSLL. Lançamento Decorrente. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado” 31. As principais razões que justificaram a DRJ cancelar as autuações fiscais podem ser vistas nos seguintes trechos do voto condutor (fls. 2227 e seguintes): 31.1.“Os ativos do Negócio pactuado compreendem bens do Imobilizado (plantas, maquinários, equipamentos, plantações, etc), contratos com fornecedores, funcionários, etc, nada mais natural que tais ativos fossem separados e concentrados em uma única empresa, conforme, aliás, foi negociado entre as partes.” Fl. 2336DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 13 12 31.2.“O fato de os acionistas pessoas físicas e jurídicas (acionistas controladores) terem participado como VENDEDORES no Contrato de Compra e Venda de Ações não pode macular, como crê a autoridade autuante, todo o negócio operacional pactuado, sob a alegação de que “...quem tinha, a época dos fatos, poder absoluto de dispor das ações ordinárias que integravam seus ativos, eram a pessoa jurídica acionista, ou seja, Cerradinho Holding S.A., e, em consequência, receber o produto da venda.”” 31.3. “A Cerradinho Holding S/A detinha, sim, indiretamente, os ativos em debate, mas o desejo de vendêlos partiu desde o início de seus acionistas controladores, e esta venda (após a cisão), conforme acordado com a COMPRADORA, poderia se dar de forma direta ou indireta.” 31.4. “Os acionistas controladores não estão utilizando e/ou misturando seu patrimônio pessoal em operações da sociedade, absolutamente, estão simplesmente manifestando sua intenção de alienar certos ativos da sociedade, os quais, por sua complexidade, seriam vertidos, por meio de cisão, para uma empresa (cujo controle societário seria alienado à NOBLE), tudo conforme já relatoriado.” 31.5. “As condições de incorporação, fusão ou cisão com incorporação em sociedade existente devem constar de protocolo firmado pelos órgãos de administração ou sócios das sociedades interessadas (art.224 da Lei da S/A). Este protocolo, conforme artigos 227, 228 e 229 da Lei das S/A, ainda é objeto de aprovação/deliberação em AGE e, evidentemente, quem o aprovaria seriam os sócios controladores, os quais, no caso em questão, participaram desde o início de toda a complexidade da operação (identificação dos ativos a serem alienados, Memorando de Entendimentos com as empresas envolvidas, com os credores bancários, cisão parcial, etc)." 31.6. “A intenção de se alienar os ativos é bem clara e idealizada lá em 2010, e ali constando as etapas e condições necessárias à materialização da alienação das usinas, de propriedade da CAEE, controlada pela CERRAPAR, cujos acionistas pessoas físicas e jurídicas (que controlam a CAEE indiretamente) figuram como VENDEDORES.” 31.7. “Para efetivar a transferência das ações a seus sócios, a contribuinte houve por bem, dentro do que lhe permite a lei, reduzir o capital social, mediante devolução aos sócios de sua participação no capital social, de bens (no caso, as ações da operating newco), pelo seu valor contábil, conforme lhe faculta o artigo 22 da Lei nº 9.249/95 , que dispõe que “Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado.” 31.8. “A questão de mera economia tributária, neste caso, deve ser um tanto quanto relativizada, uma vez que os acionistas controladores pessoas físicas/jurídicas recolheram mais de R$ 126 milhões de imposto de renda, em função do ganho de capital na alienação das ações em debate. Somente uma das pessoas físicas acionistas declarou rendimentos de tributação exclusiva (ganho de capital da alienação das ações), na DIRPF, ano calendário de 2011 (acostada aos autos) a importância de R$ 395.304.199,33 e parte deste valor (da venda) foi direcionado à CAEE para pagamentos de credores bancários, por meio de capitalização nesta empresa, algo que já estava acordado entre os VENDEDORES e a COMPRADORA.” Fl. 2337DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 14 13 31.9. “Isto mostra que não procede a afirmação da autoridade autuante de que os recursos obtidos (devo entender que todos, porque a autoridade não fez qualquer discriminação) na alienação pelas pessoas físicas foram (todos) reinvestidos na Holding. Veja que uma parte do valor da alienação foi, obrigatoriamente, utilizado no abatimento de dívidas bancárias, algo que estava pactuado desde o início das tratativas negociais entre as partes, os acionistas controladores e a NOBLE e outra parte permaneceu com os acionistas, os vendedores.” 31.10. “Quanto à alegada curta duração entre a redução do capital e a alienação do controle societário para a NOBLE, os fatos apontados demonstravam que a conclusão das operações requeria uma certa urgência, notadamente evitar que se concretizasse toda a operação somente após o vencimento das obrigações financeiras com os credores da CAEE.” 32. Como o sujeito passivo foi exonerado integralmente do crédito tributário, em valor superior ao limite de alçada (R$ 2.500.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado, nos termos da Portaria MF 63/2017 e a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou as “Razões ao Recurso de Ofício” (fls. 2285/2305), nas quais pugna pela reforma do r. acórdão da DRJ, afirmando, em síntese que: 32.1. É incoerente a posição dos acionistas na condição de vendedores, porque somente poderiam figurar como tal se ocorresse a terceira opção de reestruturação societária anuída pelos compradores (Cláusula 4 do contrato), que foi exatamente a opção indicada como abusiva pela Fiscalização. “Se era mais confortável para o comprador que os acionistas controladores do grupo estivessem de acordo com os termos do contrato, a posição contratual correta destes deveria ser a de intervenientes anuentes.” (fl. 2295). 32.2. O valor recolhido pelos sócios a título de IRPF sobre o ganho de capital da pessoa física, à alíquota de 15% (R$ 126 milhões) é irrelevante frente ao fundamento da Fiscalização de que deveria ter ocorrido o recolhimento de IRPJ e da CSLL sobre o ganho de capital da pessoa jurídica, às alíquotas somadas de 34%, bem como é irrelevante o fato de parte do produto da venda ter sido destinada para o pagamento de dívidas (fl. 2299). 32.3. A criação da empresa JARSY teve intuito único de "economia tributária". A inexistência de propósito negocial representa “abuso de direito", o que transforma sua criação em ato ilícito e conduz o planejamento tributário à ineficácia (fl. 2301). 32.4. O curto lapso temporal entre a redução de capital (cisão da Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR)) e a alienação, de cerca de três meses, é indício de planejamento abusivo. Configura desvio de finalidade o uso da autorização legal (artigo 22 da Lei nº 9.249) pelos acionistas, visto que não tinham interesse na aquisição e conservação das ações da JARSY em sua esfera patrimonial, como investimento (fl. 2302); 32.5. O abuso praticado está na cisão parcial de Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR), que atribuiu as ações para os demais sócios pessoas físicas, conferindo aos membros da Família Fernandes a pretendida participação societária na JARSY com o único objetivo de tributar o ganho de capital nas pessoas físicas, que passaram a deter o capital social. Sendo este o ponto abusivo do planejamento, é correto considerar a Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR) a verdadeira contribuinte (fl. 2303). É o relatório. Fl. 2338DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 15 14 Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 33. Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 63/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. 34. No caso em tela, o valor exonerado (fls. fls. 2202/2663) superou o limite de 2,5 milhões estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível e dele tomo conhecimento e passo a apreciar. I. Ausência de Decadência 35. Na apreciação da questão, o r. acórdão foi irretorquível. Eis os trechos do voto condutor, que aqui incorporo como razões de decidir: "A Impugnante, inicialmente, pondera que o fato gerador teria se dado com a assinatura do SPA (contrato), em 14/12/2010, pois a autoridade autuante teria desconsiderado a reestruturação societária, e, nesse caso, teria ocorrido a decadência, pois tomou ciência dos lançamentos em maio de 2016. Alega que mesmo que se aceitasse o fato gerador considerado nos Autos, teria ocorrido igualmente a decadência, pois o fato gerador dos Autos se reporta a abril de 2011. Ambas estas datas, entretanto, não se constituem em fatos geradores do imposto de renda pessoa jurídica. Dezembro de 2010 referese ao mês em que foram confeccionadas as operações que, no futuro, acarretariam a transferência (alienação) das ações da Newco, tratavase de um acordo formalizado em Contrato, mas que não havia sido implementado todas as condições que fariam emergir ainda qualquer fato gerador. Em abril de 2011 foi que sucederam as operações societárias que viriam a transferir as ações para o COMPRADOR, sendo esta a data consignada nos Autos de Infração como a data do fato gerador, que a Impugnante entendeu tratarse da data do fato gerador do IRPJ. Fl. 2339DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 16 15 Mas esta data referese a data em que a receita (ganho) teria surgido, assim devese entender que a autoridade autuante considerou, nos Autos de Infração, a data da receita não operacional e não a data do fato do gerador do IRPJ, que se deu em 31/12/2011, conforme acertadamente considerada na feitura do lançamento, uma vez que o regime de tributação da Contribuinte é pelo Lucro Real, de apuração anual, de forma que o ganho de capital é computado na determinação do Lucro Real (art.31 do Decretolei nº 1.598, de 1977 – art.418 do RIR/99). Sendo, portanto, o fato gerador do IRPJ em 31/12/2011, temos que se contarmos cinco anos desta data (ainda que considerando o §4º do art.150 do CTN) iríamos até 31/12/2016, como data limite para constituição do crédito tributário. Uma vez que a Contribuinte tomou ciência dos lançamentos em maio de 2016, não teria ocorrido a decadência." 36. Logo, diante da inocorrência de decadência, alinhome a decisão de piso. II. Dos reais alienantes e da destinação do produto da venda 37. O primeiro e principal argumento da Fazenda Nacional em razões ao Recurso de Ofício reside na suposta impossibilidade dos sócios figurarem como vendedores de parte dos ativos da Cerradinho Açúcar e Etanol (CAEE) à NOBLE. Para a Fiscalização e para a Fazenda Nacional, apenas a Recorrida (CERRAPAR) poderia alienar as Usinas vendidas ou a CAEE diretamente. 38. A Fazenda Nacional faz os seguintes questionamentos: "por que deveriam figurar os acionistas como vendedores, ainda mais quando outras opções foram previstas pelo próprio contrato? E por que não figurou corretamente como vendedora a titular dos ativos (CAEE) e todos os demais (incluindo a CERRAPAR e os acionistas) como intervenientes anuentes?" (fl. 2295). 39. De acordo com os esclarecimentos e vasta documentação probatória apresentada pela ora Recorrida, a intenção de se negociar os ativos de CAEE sempre foi dos sócios pessoas físicas, tendo se mostrado, em termos fáticos, a única opção para quitar as dívidas que assolavam os negócios das empresas que eram sócios. De fato, as avenças quanto à venda dos ativos remonta período anterior à criação da própria Recorrida, o que, por si só, demonstra o desacerto em considerála adquirente do ganho de capital. 40. Conforme relatado, o grupo Cerradinho iniciou as operações no setor sucroalcooleiro em 1973. Nos anos 2000, em razão de um cenário favorável ao crescimento do mercado de etanol, iniciouse no grupo um ciclo de investimentos, fomentado, principalmente, pela tomada de empréstimos bancários. Além da reforma e ampliação da unidade fabril de Catanduva/SP (existente desde a década de 1970), foram instaladas a fábrica de Potirendaba /SP (inaugurada em 2007) e a Usina Porto das Águas, em Chapadão do Céu/GO (esta, controlada pela própria CAEE e que não fez parte do negócio entabulado com a NOBLE). 41. Diante da notória crise econômica em 2008/2009, o setor, assim como muitos outros, entrou em recessão. Ao final do exercício de 2009, o grupo Fl. 2340DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 17 16 Cerradinho somava dívida bancária de R$ 1,16 bilhão, tendo apurado, em contrapartida, prejuízo fiscal de R$ 190 milhões. Este cenário levou à assinatura, em 30/11/2009, do “Contrato de Compartilhamento de Garantias e Outras Avenças" (doc. 02 juntado à Impugnação, fls. 1470/1534). 42. O referido Contrato, na qual a Usina Cerradinho Açúcar e Álcool (CAEE) figurava como ''Tomador'' em financiamentos junto a várias instituições financeiras credoras, possibilitou que fosse estabelecido novo cronograma para quitação das dívidas contraídas junto aos Bancos. Por outro lado, o grupo Cerradinho deveria cumprir as "Condições Precedentes" estabelecidas pelos credores (ver cláusula 8.1 do Contrato doc. 02 juntado à Impugnação, fls. 1492/1493). 43. Diante desse contexto foi criada a Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR). De fato, a Recorrida não existia quando se iniciaram as negociações para saneamento das dívidas do grupo. As ações das unidades fabris eram detidas diretamente, em sua quase totalidade, pelos membros da Família Fernandes, especialmente pela Senhora Neide Fernandes. 44. Portanto, não está alinhada às circunstâncias fáticas a afirmação da autoridade fiscalizadora e da Fazenda Nacional no sentido de que os ativos alienados à NOBLE sempre foram de titularidade da Recorrida. 45. A partir do mencionado contrato, firmado praticamente entre as pessoas físicas e os credores do grupo Cerradinho, deuse a criação da Cerradinho Holding S/A (atual CERRAPAR, ora Recorrida), que passou a deter 92,8% do controle acionário de CAEE. 46. Paralelamente ao cumprimento das condições impostas pelos credores, os acionistas do grupo Cerradinho passaram a procurar potenciais investidores. Conforme demonstrado pela Recorrida, o objetivo inicial era permitir que potenciais interessados se tornassem sócios em até 50% de CAEE, por meio de aporte de capitais (operação não tributada, nos termos do art. 442, I, do RIR/99). 47. No entanto, restou comprovado que as tentativas para captação de recursos por meio do ingresso de novos sócios fracassaram (docs. 03 e 04 da Impugnação, fls. 1536/1633 e 1635/1647), e já havia passado um ano desde a assinatura do Contrato junto aos credores. De fato as dívidas do grupo cresceram e insolvência era iminente. 48. Foi neste momento que surgiu a possibilidade de alienação de parte da operação de CAEE, especificamente das unidades agroindustriais localizadas no interior de São Paulo (Catanduva e Potirendaba) à Noble. A decisão quanto à alienação das referidas usinas, tomada exclusivamente pelos sócios da Recorrida, foi a alternativa encontrada para suportar o passivo bancário, garantir a manutenção dos empregos e adimplir os demais compromissos. 49. Por estas razões que a DRJ consignou de forma acertada que: “O fato de os acionistas pessoas físicas e jurídicas (acionistas controladores) terem participado como VENDEDORES no Contrato de Compra e Venda de Ações não pode macular, como crê a autoridade autuante, todo o negócio operacional pactuado, Fl. 2341DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 18 17 sob a alegação de que “...quem tinha, a época dos fatos, poder absoluto de dispor das ações ordinárias que integravam seus ativos, eram a pessoa jurídica acionista, ou seja, Cerradinho Holding S.A., e, em consequência, receber o produto da venda. A Cerradinho Holding S/A detinha, sim, indiretamente, os ativos em debate, mas o desejo de vendêlos partiu desde o início de seus acionistas controladores”, e que “os sócios controladores, os quais, no caso em questão, participaram desde o início de toda a complexidade da operação." 50. A Cerradinho não tinha outra alternativa viável senão negociar com a Noble. A operação precisava ser implementada de imediato, visando o pagamento das dívidas (vencimentos das obrigações pactuadas com os credores), o que justifica o fato das operações societárias terem sido realizadas em curto espaço de tempo (dezembro/10 com a assinatura SPA e abril/11 com o closing). 51. Logo, não há que se falar em step transaction, vez que os atos decorreram de razões extratributárias claramente relevantes. O objetivo central era permitir a liberação do preço de venda antes do vencimento das obrigações e não reduzir o ônus fiscal. Daí se explica o modelo de reestruturação adotado, com a opção pela cisão parcial (em detrimento de capitalização de uma controlada), incorporação do acervo em empresa já existente e sem operação (ao invés de outra que poderia ser criada) e cisões de CAEE e Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR) na mesma data. Nas palavras de r. decisão da DRJ, verbis: "A autoridade autuante trata, de forma pejorativa, o fato de a operating newco (NG/JARSY) ser uma empresa de prateleira ou de veículo, o que é absolutamente despropositado, uma vez que a utilização de uma empresa assim já constava no Contrato, pouco importando se tem atividade operacional ou quem eram seus sócios iniciais, a qual iria receber os ativos vertidos, dentro de uma reestruturação societária normal, tudo inicialmente previsto e acordado nos instrumentos contratuais já mencionados. Pelo ora exposto, não vejo como possa partilhar das afirmações da autoridade autuante quando referese à operação de cisão parcial da Cerradinho Holding S/A como que sendo parte de um planejamento tributário abusivo (...)" 52. Fica claro o papel negocial da JARSY, qual seja: (i) segregar os ativos a serem alienados (juntamente com as dívidas bancárias que o acompanhavam) das demais atividades de CAEE; e (ii) receber a parcela cindida da operação (ativos e passivos) das referidas usinas de Catanduva e Potirendaba, para atender a exigência da NOBLE, a fim de mitigar, para ela, os riscos relacionados às contingências passadas (sucessão em passivos outros de CAEE). 53. Em vista do contexto apresentado e da notória burocracia que envolve a abertura de empresas no Brasil, a Recorrida optou, para evitar o descumprimento dos compromissos previamente ajustados, por utilizar empresa já constituída (JARSY) e viabilizada pelo assessor legal contratado. Logo, não procedem as alegações da Fiscalização e da Fazenda Nacional no sentido de que JARSY seria "empresa veículo'', constituída com o objetivo de promover economia fiscal. Fl. 2342DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 19 18 54. Em linha com os instrumentos defesa e com a r. decisão da DRJ, considero que a operação em questão teve clara finalidade de segregar o patrimônio, formado por ativos e passivos, que seria transmitido à NOBLE por alienação. 55. No mais, em análise a documentação de fls. 1649/1666 (Relatório dos Auditores sobre o Balanço Patrimonial, doc. 05 da Impugnação), verificase que a ideia inicial era verter à JARSY as duas usinas e a totalidade dos passivos bancários que ficariam a cargo do comprador (passivos vinculados às operações destas unidades de negócios). No entanto, como a soma dos ativos era inferior a dos passivos, seguir tal estratégia implicaria não só em mera redução do ganho de capital, mas em formar sociedade com patrimônio líquido negativo, o que não é legalmente admitido. 56. Com efeito, verificase que foi necessário acordar com os credores que, a despeito de parte da dívida bancária, contingências e outros passivos terem remanescido no balanço da CAEE, as dívidas seriam liquidadas com os recursos disponibilizados pela NOBLE. Tais circunstâncias explicam o aumento de capital feito em CERRAPAR e na CAEE, sem que isso configure planejamento fiscal abusivo. 57. Logo, afasto os argumentos trazidos pela Fazenda Nacional no sentido de que a "criação" da JARSY teve como principal propósito a economia fiscal. São evidentes as razões negociais/operacionais que impulsionaram a reestruturação societária em análise. O curto espaço de tempo entre a cisão parcial e a alienação não configuram planejamento tributário abusivo, mas demonstram a real necessidade da Cerradinho de cumprir com as obrigações pactuadas com seus credores. 58. No mais, em vista das circunstâncias supra, negociouse e implementouse o Memorando de Entendimentos MOU (doc. 06 da Impugnação, fls. 1668/2006), segundo o qual os credores aceitaram que a quantia remanescente em CAEE seria paga pela NOBLE (conforme trechos do waiver e da dívida sujeita à cessão e liquidação na data de fechamento presentes no documento). Para que o valor não ficasse em aberto junto aos acionistas controladores da Recorrida, é que foram implementados os aumentos de capital tanto naquela, quanto na CAEE. Isso explica porque após a venda foi necessário realizar atos societários de aumento de capital, embora os recursos sequer tenham transitado pela Recorrida (ou CAEE). Esta parcela corresponde a aproximadamente R$ 275 milhões do total de R$ 525 milhões aportados na Recorrida, assim como em CAEE, por meio de alterações realizadas em junho/11. 59. Disso decorre ser equivocado supor que este elemento representaria indício de que o ganho de capital obtido junto à NOBLE foi auferido pela Recorrida. Até porque, se alguém que não os acionistas vendedores se beneficiaram dos valores, tal teria sido a CAEE, já que as dívidas liquidadas estavam em seu nome. Ela era o "Tomador" no ''Contrato de Compartilhamento de Garantias e Outras Avenças'' e, ao final, foi capitalizada pela Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR) com recursos advindos dos acionistas que fizeram a venda à NOBLE (doc. 7 da Impugnação, fls. 2008/2053). 60. Notase que, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF já reconheceu que tais tipos de combinações em transações envolvendo a venda de empresas é algo comum, verbis: “EXCLUSÃO DE REVERSÃO DE PROVISÃO. ASSUNÇÃO DE ENCARGOS TRIBUTÁRIOS DE TERCEIRO. ART. 123 DO Fl. 2343DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 20 19 CTN. ART. 344 DO RIR/99. O art. 123 do CTN não se presta a tornar indedutíveis despesas com assunção de encargos tributários de outro contribuinte, a qual é uma convenção particular. Se fosse isso, não haveria necessidade nem sentido para o parágrafo único do art. 116 do CTN. São despesas negociais, que não têm ponto com o art. 344 do RIR/99. Faz todo sentido, na lógica econômica, que o alienante assuma os passivos que se tornem exigíveis, após a transferência do investimento, mas referentes ao período em que a participação societária pertencia ao alienante. São despesas normais e necessárias. Paralelismo com a responsabilização civil por vícios redibitórios pelo vendedor da coisa” (Acórdão 1103 001.143, Rel. Cons. Marcos Shigueo Takata, J: 25/11/2014). 61. Fica claro, à toda evidência, que o negócio foi, desde o início, orquestrado pelos acionistas. A todo tempo, desde antes da criação da Cerradinho Holding S/A (Recorrida), apenas eles poderiam ter tomado as decisões que resultaram na alienação dos ativos de CAEE à NOBLE. Ademais, além de ter que saldar dívidas de CAEE que não puderam ser vertidas à JARSY quando da primeira cisão parcial, os acionistas estavam, outrossim, obrigados a efetuar aumento de capital nas empresas operacionais (CAEE/UPA) no valor de R$ 150 milhões . 62. Tratase de compromisso que foi assumido muito antes da venda à NOBLE, já que constava do ''Contrato de Compartilhamento de Garantias e Outras Avenças'', o qual foi posteriormente renovado (doc. 06 da Impugnação, fls. 1668/2006, quadro obrigação de capitalizar a Cerradinho). 63. Ao montante que já estava obrigada a aportar na Usina Porto das Águas, os acionistas decidiram agregar mais R$ 100 milhões, dada a melhoria em relação às expectativas futuras dos mercados de energia e etanol. Esses recursos tinham por objetivo financiar seus negócios sem ter que recorrer a terceiros, já que os R$ 150 milhões não poderiam servir a tal fim, posto que destinados a atender credores. De fato, tais valores foram depositados diretamente na conta da Usina Porto das Águas, conforme comprovante de transferência (TED), juntado às fl. 2055 (doc. 08 da Impugnação). 64. No mais, com o intuito de manter a estrutura societária que já havia sido montada desde a renegociação das dívidas bancárias, optou, a exemplo do quanto descrito acima, por capitalizar a holding (CERRAPAR, Recorrida), para que esta capitalizasse a CAEE e, por fim, esta aumentasse a sua participação na Usina Porto das Águas (vide instrumentos de aumento de capital, doc. 07 da Impugnação, fls. 2008/2053). 65. Todas essas circunstâncias fáticoprobatórias somadas afastam da alegação da Fazenda Nacional no sentido de que o reinvestimento imediato do valor da alienação demonstraria a ilicitude do planejamento. 66. Conforme já salientado, o valor recebido junto à NOBLE foi aproximadamente R$ 800 milhões (fato incontroverso, já que reconhecido pela própria Fiscalização no TVF). Do montante, R$ 275 milhões foram destinados ao pagamento de dívidas bancárias, R$ 150 milhões tinham que ser conferidos à CAEE/UPA para quitar obrigações dessas empresas com credores e R$ 125 milhões foram utilizados para pagar os tributos sobre o ganho de capital do negócio. Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 21 20 67. Restou, portanto, R$ 250 milhões (R$800R$275R$l50R$125). Do total passível de ser livremente alocado, R$ 100 milhões foram destinados a investimento e R$ 150 milhões ficaram com os acionistas, comprovando que o negócio com a NOBLE foi por eles realizado e, assim, correto considerar que foram eles os alienantes, destinatários do preço de venda e contribuintes sujeitos à tributação por acréscimo patrimonial decorrente de ganho de capital. 68. Diante do exposto, não há que se falar em planejamento abusivo e, portanto, alinhome à decisão da DRJ e afasto as alegações contidas no TVF e nas razões da Fazenda Nacional. III. Da licitude da cisão ocorrida em CERRAPAR 69. Sustenta a Fazenda Nacional à luz do TVF, que o abuso praticado está na cisão parcial de Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR), que atribuiu as ações para os demais sócios pessoas físicas, conferindo aos membros da Família Fernandes a pretendida participação societária na JARSY com o único objetivo de tributar o ganho de capital nas pessoas físicas, que passaram a deter o capital social. Sendo este o ponto abusivo do planejamento, é correto considerar a Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR) a verdadeira contribuinte (fl. 2303). 70. Contudo, é certo que, só caberia cogitar inexistência de causa à cisão de Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR) se, por hipótese, o patrimônio cindido (ou recursos equivalentes) tivesse retornado a ela. Conforme visto acima, tal fato não ocorreu. Ela deixou de deter ativos e desobrigouse de passivos. Houve, portanto, conferência patrimonial. 71. Igualmente, não procede o argumento segundo o qual não haveria qualquer razão, salvo economia fiscal, para a segunda cisão (da Cerradinho Holding S/A, por meio da qual devolveuse aos sócios pessoas físicas o patrimônio vertido anteriormente em JARSY), isso porque consta do artigo 225, I da Lei 6.404/19761 (Lei das S/A) que na justificação serão expostos: "os motivos ou fins da operação, e o interesse da companhia na sua realização". 72. Em atos de fusão, cisão ou incorporação, os fins dizem respeito aos propósitos a que servem as operações. Tais reestruturações têm por função possibilitar as alocações de patrimônio em diferentes sociedades. 73. No caso em análise, não há dúvidas de que a cisão de CAEE permitiu segregar em nova sociedade o patrimônio que seria alienado à NOBLE. Na mesma linha, a cisão da Recorrida permitiu atribuir àquele que negociou a venda obter o ativo antes de alienálo. Por isso, constou da justificação que a cisão visava "racionalizar a estrutura societária'', com a "reorganização dos ativos'', nos "legítimos interesses da Cindida e da Incorporadora, assim como de seus acionistas e administradores''. 74. São, portanto, assertivos os dizeres do voto condutor da DRJ, segundo o qual é "Perfeitamente natural que a COMPRADORA queira que os ativos que 1 "Art. 225. As operações de incorporação, fusão e cisão serão submetidas à deliberação da assembléiageral das companhias interessadas mediante justificação, na qual serão expostos: I os motivos ou fins da operação, e o interesse da companhia na sua realização;" Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 22 21 pretende adquirir sejam desmembrados da CAEE e concentrados em uma outra empresa (a Operating Newco, no caso a Jarsy Holdings S/A), seja pela grandeza e complexidade dos ativos desejados, seja pela existência de várias instituições financeiras credoras da CAEE, então relacionadas em Memorando de Entendimento (MoU), às fls.1.048 a 1.377, firmado em 20/04/2011, as quais, inclusive, tomaram conhecimento das operações e autorizaram a reestruturação societária pactuada entre os envolvidos." 75. Portanto, a cisão de Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR) se justifica na medida em que somente dessa forma era possível transferir aos verdadeiros alienantes a titularidade dos bens a serem alienados, e não há nada de ilegal nas razões declinadas, como reconheceu a própria DRJ. Elas coadunam com os objetivos das cisões parciais que, aliás, devem ser tratadas como incorporações, conforme dispõe o artigo 229, § 3º, da Lei das S/A, verbis: "Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. (...) § 3º A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre incorporação (artigo 227)." 76. Ademais, em se tratando de bem havido pelo sócio em devolução de capital de sociedade investida, a Lei nº 9.249/1995, em seu artigo 222, faculta a tributação da maisvalia: (a) na pessoa jurídica, quando a devolução do bem tenha se realizado pelo valor de mercado, superior ao contábil; ou (b) na pessoa física, quando o bem tenha sido transferido pelo valor contábil, inferior ao de mercado quando de eventual alienação. 77. Ora, a maisvalia originária da alienação de bens será tributada no ato de transmissão do ativo pela sociedade ao sócio, caso a entrega ocorra pelo valor de mercado. Diferentemente, se esta se der pelo valor histórico, a tributação do ganho de capital ficará diferida para o momento em que o sócio transmitir o bem a terceiro. 78. Em função da própria faculdade legal de tributar na sociedade ou no sócio o ganho de capital decorrente da participação societária devolvida ao sócio, a lei só será desrespeitada se nenhum deles for tributado. 79. No caso concreto, a norma especial do artigo 22 da Lei nº 9.249/1995 foi respeitada. Houve ganho de capital aos acionistas da autuada, no momento da alienação das ações de JARSY recebidas em devolução de capital (a valor contábil), na Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR), por conta desta, na condição de controladora daquela, ter sido cindida com versão do acervo composto pelo próprio investimento na investida. 80. Por conseguinte, é vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderandoo, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga 2 "Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado." Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 23 22 tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior. É neste sentido, inclusive, a jurisprudência desta Turma: "REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELOS ARTS. 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os arts. 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico: o art. 23 prevê que a pessoa física transfira à pessoa jurídica, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou de mercado: o art. 22, que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou o sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, também poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. ALIENAÇÃO POSTERIOR DESTES BENS. O fato dos acionistas efetuarem a redução do capital social, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa jurídica situada no exterior, não caracteriza a operação de redução de capital como simulação" (Acórdão 1201001.809, Conselheira Eva Maria Los, unânime, julgado em 25/07/2017). 81. Ademais, tal entendimento tem fundamento na opinião de Marco Aurélio Greco3, para quem as faculdades asseguradas pela legislação tributária não se inserem na temática da elisão fiscal. Segundo o autor, as opções fiscais “estão fora do planejamento, pois correspondem a escolhas que o ordenamento positivamente coloca à disposição do contribuinte, abrindo expressamente a possibilidade de escolha”, podendo um caminho “ser menos oneroso do que o outro”. 82. Da mesma forma, no presente caso, a cisão parcial de Cerradinho Holding S/A (CERRAPAR), com a devolução do controle acionário dos ativos vertidos em JARSY a seus sócios, teve como finalidade viabilizar a posterior alienação, não havendo qualquer abuso na forma adotada. A cisão de Cerradinho Holding S/A não tem o condão de transformar toda a operação em Planejamento Tributário abusivo, como quer fazer crer a Fazenda Nacional tendo em vista ser ela necessária à alienação do controle das operações de CAEE. 83. Não é o caso, mas ainda que motivado pela economia tributária (leia se boa gestão corporativa), são legítimos os atos praticados pelo contribuinte quando estes são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados e sua dinâmica operacional/negocial. 3 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário, 2.ed. São Paulo: Dialética, p. 100. Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 24 23 “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto” (Acórdão 1302001.713, Rel. Cons. Hélio Eduardo de Paiva Araújo, J: 25/03/2015). 84. No processo em tela, não se verifica atipicidade da forma jurídica adotada em relação ao fim, ao intenso prático visado, tampouco adoção de forma jurídica anormal, atípica e inadequada. Definitivamente, não estamos diante de condutas abusivas e/ou simuladas. IV. Da Ausência de efetiva redução do ônus tributário 85. A acusação fiscal é de que foram praticados atos para dar aparência de que os ativos vendidos à NOBLE teriam sido alienados pelos acionistas de CERRAPAR, quando, na realidade, seria esta que o teria feito. Os atos praticados objetivavam a redução artificial da carga tributária. 86. Nessas condições, sendo certo que tudo foi feito para vender dois ativos de CAEE, a requalificação dos fatos conduziria à conclusão de que ela (CAEE) seria a alienante à NOBLE. Demonstrandose graficamente (fls. 1423): Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 25 24 87. A reelaboração do lucro real da CAEE implicaria adicionar o ganho de capital na venda de NG/JARSY ao resultado e, isso feito, aplicar as demais disposições à quantificação do IRPJ/CSLL, de modo a descontar o prejuízo do período (2011/2012, pois parte do pagamento estava condicionado a eventos ocorridos nesse ano) e os resultados negativos acumulados (limitados a 30% dos lucros de 2011/2012). 88. Como resultado, se a venda fosse realizada na pessoa jurídica da CAEE o total devido seria R$ 93.728.634 (sendo R$ 84.455.627 de 2011 e R$ 9.273.007 de 2012), ao passo que o total recolhido foi de R$ 126.812.708. Quer dizer, o procedimento equivocado (aos olhos da Fiscalização/PFN) levaria ao pagamento de R$ 33 milhões a menos ao Erário Público. É o que se vê do demonstrativo abaixo (fls. 1424): 89. Ademais, forçosamente e de forma contrária às próprias premissas fiscais que motivaram a autuação, se a CERRAPAR tivesse alienado NG/JARSY, como sugeriu o auditor fiscal (TVF) e a Fazenda Nacional, estaríamos diante da seguinte ilustração(fls.1424): Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 26 25 90. Semelhante ao que ocorreu em relação à CAEE, seria necessário agregar o ganho tributável ao resultado tributável e, partir daí, aplicar as regras gerais de quantificação do IRPJ e da CSLL. Tais exercícios revelam que a tributação cabível seria de R$ 133.005.103 (R$ 105.065.613 em 2011 e R$ 27.939.490 em 2012), ao passo que o total recolhido foi de R$ 126.812.708. 91. Ou seja, uma diferença de pouco mais de R$ 6 milhões, o que representa menos de 5% do total pago, algo que evidentemente não pode ser tido como causa para arquitetar atos gravíssimos como as condutas impostas pela Fiscalização. 92. Mesmo porque, no que se refere ao ganho de capital auferido em 2011 período auditado , a quantia paga pelos acionistas foi superior (R$ 113.993.347) a que seria devida pela CERRAPAR (R$ 105.065.613). Notese (fls. 1425): Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 27 26 93. Diante dos cenários "desenhados" supra, evidenciase que a Fiscalização e a Fazenda Nacional não se atentaram para o caso concreto. Pelo simples fato de que se deram duas cisões, elas, sem avaliar as razões negociais/empresariais para tanto, assumiram que ambas tiveram o propósito de reduzir o ônus sobre o ganho de capital, esquecendose de averiguar como a adição do ganho de capital ao resultado tributável daquelas que (alegadamente) teriam praticado o fato gerador influiria nas bases de IRPJ e CSLL de ambas (CAEE e CERRAPAR). 94. O trabalho fiscal focou seu raciocínio no sentido de que os atos foram conduzidos de modo a reduzir a tributação sobre o ganho de capital, mediante a sua submissão ao IRPF, em detrimento do IRPJ/CSLL. Contudo, não se atentou ao fato de que parte dos acionistas de CERRAPAR eram pessoas jurídicas, basta ver o quadro de sócios ao final do próprio TVF (fls. 624). 95. Além de pessoas físicas da família Fernandes, LSF Participações Ltda., ASF Participações Ltda. e SSF Participações Ltda. eram acionistas de CERRAPAR, tornaramse sócias de NG/JARSY e, ao alienarem ela à NOBLE, apuraram ganho de capital, tributado no total de 34%, posto que, por serem holding puras, não possuíam dispêndios a reduzir as bases de IRPJ e CSLL. 96. Referidas circunstâncias revelam a manifesta improcedência do raciocínio fiscal quando alicerça sua acusação fiscal na alegação de que tudo foi realizado para recolher IRPF sobre o ganho de capital. Ressaltese que, as três holdings mencionadas realizaram os pagamentos de IRPJ/CSLL. 97. Em linha com a r. decisão de piso, tenho que o fundamento de toda a reestruturação não foi fiscal e as razões negociais foram comprovadamente demonstradas: "A questão de mera economia tributária, neste caso, deve ser um tanto quanto relativizada, uma vez que os acionistas controladores pessoas físicas/jurídicas recolheram mais de R$ 126 milhões de imposto de renda, em função do ganho de capital Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 28 27 na alienação das ações em debate. Somente uma das pessoas físicas acionistas declarou rendimentos de tributação exclusiva (ganho de capital da alienação das ações), na DIRPF, ano calendário de 2011 (acostada aos autos) a importância de R$ 395.304.199,33 e parte deste valor (da venda) foi direcionado à CAEE para pagamentos de credores bancários, por meio de capitalização nesta empresa, algo que já estava acordado entre os VENDEDORES e a COMPRADORA. Parte do valor da venda foi utilizado para abater dívida que permaneceu na cindida CAEE, tudo acordado no Contrato e que fez parte, acertadamente, da base de cálculo do ganho de capital das pessoas físicas (acionistas controladores)." 98. Portanto, ausente efetivo prejuízo no recolhimento de tributos com as condutas imputadas, deve ser mantida a r. decisão proferida pela DRJ dada a patente insubsistência do crédito tributário em análise. IV. Da incorreta sujeição passiva solidária 99. Nos termos do voto condutor da DRJ, "Inexistindo as razões que motivaram o lançamento de IRPJ, nos termos do decidido no Voto, não há que se considerar, como responsáveis solidários, os demais sujeitos passivos arrolados nos Autos de Infração." 100. Embora concorde com o consignado supra, em vista das razões apresentadas no Recurso de Ofício (fls. 2285/2305), opto por registrar minha opinião sobre o tema. 101. Alinhada aos argumentos de defesa, considero nula a imputação de responsabilidade tributária por ausência de termo e falta de motivação, nos termos do artigos 10, incisos III e IV, 31 e 59, II do Decreto nº 70.235/1972 c/c os artigos 12, inciso II, 39, incisos III e IV, do Decreto nº 7.574/2011 c/c artigo 2º, parágrafo único, inciso VII, da Lei nº 9.785/1999. 102. A exigência de adequada motivação dos atos administrativos não é requisito meramente formal. O conhecimento das razões fáticas e jurídicas que ensejaram a realização do ato administrativo, especialmente aqueles que envolvem a imposição de sanções, como no presente caso, é fundamental para viabilizar o regular exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório assegurado pela Constituição (CF, artigo 5º, LIV e LV), bem como pelos já citados dispositivos legais. 103. Isso porque, a Fiscalização limitouse afirmar que: "Serão, igualmente, considerados como CONTRIBUINTES TRIBUTÁRIOS SOLIDÁRIOS", nos termos do artigo 124, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996: (...)". 104. Não indica a razão pela qual os responsáveis solidários, na qualidade de acionistas da CERRAPAR, seriam responsáveis pelos débitos da empresa autuada. Não há termo de responsabilidade tributária no caso concreto, como exige o artigo 2º, §1º, da Portaria RFB 2.284/2010, verbis: Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 29 28 procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. 105. É fato que, em determinadas circunstâncias, pode haver solidariedade entre a pessoa jurídica e o sócio que tenha agido de forma ilegal. Mas, para tanto, a autoridade fiscal deve comprovar que o ato doloso foi praticado no interesse comum de ambos. No presente caso, mal foi indicado em que medida o acionista teria interesse comum com a empresa. 106. A Fiscalização não logrou êxito em apresentar qualquer elemento probatório capaz de demonstrar que os acionistas (pessoas físicas) teriam agido dolosamente para obter algo em benefício próprio. 107. Por essas razões, desde já afasto os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional. 108. Adicionalmente, acerca da aplicabilidade do artigo 124, I, do CTN no caso concreto, vale trazer algumas ponderações de ordem técnicointerpretativas. Determina tal dispositivo legal que: “Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” 109. Para fins da correta aplicação da responsabilidade prevista no artigo 124, I, é imprescindível considerar que o "interesse comum" constante do dispositivo supra não é um interesse qualquer, de fundo econômico, sancionador, monetário ou de cunho inespecífico, mas interesse exclusivamente jurídico, relativo à prática do fato gerador da obrigação tributária. 110. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. 111. Pelo contrário, a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária, é requisito fundamental para fins de aplicação de responsabilidade solidária. 112. Dito de outra forma, para haver solidariedade tributária, as pessoas a que se refere o dispositivo devem efetivamente participar (i.e., ser partes) do negócio jurídico que deflagra a incidência tributária ("situação que constitua o fato gerador...") no Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 30 29 mesmo polo da relação jurídica, como os coproprietários de um imóvel no caso do IPTU ou os herdeiros no caso do ITCMD incidente na sucessão. 113. Tratase, pois, da chamada comunhão de interesses entre duas ou mais pessoas, que tenham relação pessoal e direta com a situação que deflagra a obrigação de pagar o tributo. É nesse caso que se aplica a norma, de modo tal em que seja impossível a identificação de um único contribuinte, pois todos os envolvidos possuem tal qualidade e, consequentemente, obrigamse perante o Fisco. 114. Logo, pessoas que se encontrem em posições diversas da relação jurídica (vendedor vs. comprador, p.ex.) ou pessoas que não tenham qualquer ligação com a "situação que constitui o fato gerador" não possuem a comunhão de interesses jurídicos a que alude o art. 124, I, do CTN. Como tal, não podem ser responsabilizadas, sob pena de permitirse a inclusão de qualquer pessoa no polo passivo da obrigação tributária, o que não se pode admitir senão em virtude de lei, a teor do art. 124, II, do CTN. 115. Nesse sentido, são os ensinamentos de Luciano Amaro a respeito da solidariedade tributária: "Sabendose que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele esteja vinculado ao fato gerador (art. 128), é preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato de ter ele 'interesse comum no fato gerador' (o que dispensa previsão na lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações em que o terceiro tenha algum outro interesse (melhor diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável. Neste segundo caso é que a responsabilidade solidária do terceiro dependerá de a lei expressamente estabelecer. Por outro lado, o só fato de o Código Tributário Nacional dizer que, em determinada operação (p. ex. alienação de imóvel), a lei do tributo pode eleger qualquer das partes como contribuinte não significa dizer que, tendo eleito uma delas, a outra seja solidariamente responsável. Poderá sêlo, mas isso dependerá de expressa previsão da lei (já agora nos termos do item II do art. 124). Até porque nessa hipótese o interesse de cada uma das partes no negócio não é comum, não é o mesmo; o interesse do vendedor é na alienação, o interesse do comprador é na aquisição. Se, porém, houver dois vendedores ou dois compradores (copropriedade), aí sim teremos interesse comum (dos vendedores ou dos compradores, respectivamente), de modo que se a lei definir como contribuinte a figura do comprador, ambos os compradores serão responsáveis solidários, não porque a lei tenha eventualmente vindo a proclamar essa solidariedade, mas sim porque ela decorre do interesse comum de ambos no fato da aquisição. O mesmo se diga em relação ao imposto predial. Havendo copropriedade, ambos os proprietários são devedores solidários". Assim já se posicionou o STJ (REsp nº 884.845/SC): Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 31 30 116. E, também, o entendimento já fixado em definitivo pelas Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça STJ sobre a matéria: "1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (...) Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: (...) Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação... Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato. o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos , a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. E o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed Saraiva, 8ª ed, 1996, p. 220)... Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 32 31 Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 1O. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). (...) 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A" (REsp 884.845/SC, 1ª T., Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ: 18/02/2009). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMPRESA DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do 'interesse comum' previsto no artigo 124 do Código Tributário Nacional. Precedente da Primeira Turma (REsp 859.616/RS, Rei. Min. Luiz Fux, DJU de 15.10.07). Recurso especial não provido" (REsp 1.001.450/RS, 2ª T., Rel. Min. Castro Meira, DJ: 27/03/2008). 117. Portanto, de acordo com a doutrina e a jurisprudência, somente se pode cogitar de interesse comum nas situações em que duas ou mais pessoas concorrem, em pé de igualdade, para a realização do fato descrito em lei como deflagrador da obrigação tributária. 118. Consequentemente, para que se pudesse cogitar da responsabilização solidária dos acionistas pessoas físicas, eles deveriam ter participado diretamente (isto é, terem sido parte) da relação jurídica que constituiu o alegado fato gerador dos tributos exigidos. Tal seria a venda das ações da NG Bioenergia S/A (anteriormente denominada Jarsy Holding S/A) à Noble Comercializadora de Energia Ltda. (NOBLE). 119. Ocorre que, nos termos da própria acusação fiscal, a alienação teria se dado unicamente pela CERRAPAR (real alienante para autoridade fiscal). Daí, inclusive, porque se exigiu IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital. Desse modo, para justificar a responsabilidade imputada, as acionistas pessoas físicas deveriam ter efetivamente participado dos atos tidos por fraudulentos pela fiscalização, mediante a prática do fato gerador da obrigação tributária, o que de fato não ocorreu. Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 33 32 120. O E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, tratando de casos análogos ao presente, tem repetidamente afastado a solidariedade passiva, por indevida, como se verifica dos seguintes julgados, exemplificativamente: "SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. (...) Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do Jato que tem a capacidade de gerar a tributação. Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse" (Acórdão 1402002.143, Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto, J: 05/04/2016). "RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Incabível a responsabilização solidária por interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN quando não se verifica a confusão patrimonial de esferas pessoais típica desse conceito" (Acórdão 1401001.553, Rel. Cons. Ricardo Marozzi Gregório, J: 01/03/2016). "RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS. GRUPO ECONÔMICO. A caracterização da solidariedade por interesse comum na situação que constitui o fato gerador exige a demonstração de que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato jurídico tributário ou desfrutaram de seus resultados, em razão de confusão patrimonial, eventos que a autoridade fiscal não demonstrou, de modo a não permitir a aplicação do art. 124, inc. I, do CTN" (Acórdão 1101001.239, Rei. Cons. Benedicto Celso Benício Júnior, J: 04/02/2015). 121. Diante do exposto, como não restou configurado interesse comum nos termos do artigo 124, I, do CTN, no mérito, também não procedem as imputações de sujeição passiva solidária. V. Do não cabimento da multa qualificada de 150% Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 34 33 122. Sobre o tema em questão, irreparável as razões de decidir da DRJ, as quais acolho integralmente, tal como segue ipsis litteris: "Esta questão estaria superada em face do que já foi decidido quanto ao mérito do lançamento, entretanto, em face da natureza do julgamento colegiado é que, novamente, me inclino a apreciar a alegada questão. Independente do resultado da votação que selará, nesta instância primeira, o destino do mérito do lançamento, certo é que a qualificação da multa de ofício não pode prosperar. Para fundamentar a majoração da multa de ofício, a autoridade autuante concluiu pela existência de sonegação e conluio. Recorrendose à obra de Marco Aurélio Greco in Planejamento Tributário (edição 2004, págs. 230 e seguintes), o renomado tributarista leciona que a imposição de multa mais onerosa supõe a “ocorrência inequívoca de intuito fraudulento”. Conforme o jurista: Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido – que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável , não se trata de caso regulado pelo § 1º do artigo 44, mas de divergência na qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude e da sonegação a que se referem os dispositivos para os quais o § 1º remete. Para que seja aplicada penalidade qualificada, pela ocorrência de fraude, o tipo deve estar devidamente descrito, enquadrado e exaustivamente comprovado. Não consegui identificar a subsunção dos atos praticados pelos envolvidos no processo, caracterizadores do tipo previsto nos art. 71 e 73 da Lei n. 4.502/1964. No que se refere à ocorrência do fato gerador, não restou caracterizada a prática de ação visando impossibilitar a execução, o prosseguimento ou oposição de qualquer forma de obstáculo, ou, ainda, alguma forma de retardamento do fato gerador. Houve publicação dos atos, registro contábil das operações e informação à administração tributária. Tampouco vislumbrei a incidência de alguma forma de exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto, evitar ou diferir seu pagamento, assim como soa inverossímil eventual conluio entre as partes, pois todas as operações foram abertamente expostas, e desde o início os acionistas pessoas físicas e jurídicas foram colocados como os protagonistas das operações, como os Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 16561.720044/201618 Acórdão n.º 1201002.082 S1C2T1 Fl. 35 34 verdadeiros alienantes (VENDEDORES) e expressamente consignado no Contrato que seriam eles (de forma direta ou indireta) os detentores das ações a serem alienadas a NOBLE. Não obstante estes fatos podese perfeitamente aceitar que a Contribuinte, na sua interpretação da legislação tributária/societária, entendeu que pudesse praticar os atos já exaustivamente detalhados e, com esta postura, se beneficiar de eventual redução da carga tributária, nada além disso, ao meu sentir, de modo que, caso meus pares entendam pela manutenção do lançamento, deve ser afastada a qualificação da multa. Nada mais tenho a comentar, de forma que acato os argumentos da Impugnante no sentido de que os alienantes são, de fato e de direito, as pessoas físicas e jurídicas (acionistas controladores), devendose cancelar o lançamento, uma vez que a Impugnante não é o sujeito passivo da operação de alienação que gerou ganho de capital, já tributado, pelo que consta nos autos, nas pessoas físicas e jurídicas dos sócios, os verdadeiros alienantes." 123. Por fim, de forma acertada, quanto aos autos de infração relativos à CSLL, aplicouse o quanto delineado no voto relativo ao IRPJ, o que coaduna com a jurisprudência desse Egrégio Conselho. Conclusão 124. Posto isso e considerando tudo o mais que dos autos consta, acolho as razões constantes da r. decisão da DRJ em conjunto com os fundamentos complementares aqui desenvolvidos, para exonerar integralmente o crédito tributário e, portanto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 2359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010283/2006-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE INIDONEIDADE NA CONDUTA DO CONTRIBUINTE.
Se nos autos há indicação que os pagamentos pelo contribuinte ao plano de saúde foram efetuados, e não há inidoneidade na conduta do contribuinte, erros da empresa emissora dos documentos não afastam a possibilidade de dedução de despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE INIDONEIDADE NA CONDUTA DO CONTRIBUINTE. Se nos autos há indicação que os pagamentos pelo contribuinte ao plano de saúde foram efetuados, e não há inidoneidade na conduta do contribuinte, erros da empresa emissora dos documentos não afastam a possibilidade de dedução de despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE INIDONEIDADE NA CONDUTA DO CONTRIBUINTE. Se nos autos há indicação que os pagamentos pelo contribuinte ao plano de saúde foram efetuados, e não há inidoneidade na conduta do contribuinte, erros da empresa emissora dos documentos não afastam a possibilidade de dedução de despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 02 83 /2 00 6- 69 Fl. 132DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Lançamento Procedente Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os seguintes: No Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10980.010283/200669 Acórdão n.º 2001000.133 S2C0T1 Fl. 3 3 Observese que quanto a dedução indevida de dependentes e despesas com instrução o contribuinte desistiu do litígio já na impugnação. Restaram em discussão os documentos abaixo: Fl. 134DF CARF MF 4 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10980.010283/200669 Acórdão n.º 2001000.133 S2C0T1 Fl. 4 5 Três recibos de dentista, um deles abaixo, totalizando R$ 7.500,00. Fl. 136DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade, ou de conduta inidônea do contribuinte, o que não ocorreu. No caso dos recibos de R$ 7.500,00 de dentista a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, não foi acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. O lançamento limitouse a indicar a falta de carimbo do profissional, problema documental que pode ser contornado, do ponto de vista da prova, por inúmeras maneiras, sendo que nos recibos acostados no processo já consta tal carimbo. No caso da Proclin, tratase de recibos emitidos por empresa de plano de saúde, condição atestada nos autos. Os problemas indicados nos documentos (emissão de recibos por empresa, notas fiscais em datas posteriores, indicação de serviço hospitalar) concernem, em nosso entendimento em problemas documentais da empresa. Na documentação do processo, há indicação que os pagamentos pelo contribuinte ao plano de saúde foram efetuados, apesar da existência de problemas nos documentos. Considerando que a empresa é prestadora de planos de saúde, existe indicação dos pagamentos, não foi demonstrado que o contribuinte agiu de maneira inidônea, entendemos que essa despesa médica deve ser restabelecida, e não há, portanto, aplicação de multa. Assim, na ausência de indicação de conduta inidônea pelo contribuinte é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10980.010283/200669 Acórdão n.º 2001000.133 S2C0T1 Fl. 5 7 Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720165/2014-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2009
GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. REDUÇÃO DE CAPITAL E TRANSFERÊNCIA DAS COTAS AOS ANTIGOS SÓCIOS. IMPOSSIBILIDADE. CASO ESPECÍFICO.Inaceitável quanto aos efeitos fiscais a operação de redução de capital e devolução da participação acionária aos sócios pessoas físicas, para posterior alienação com pagamento do ganho em alíquota inferior.
Impossibilidade de realização da operação diante da existência de cláusula negocial em favor da empresa detentora das cotas no momento da oferta. Caracterização de planejamento fiscal abusivo.
DIFERIMENTO DO IMPOSTO PARA A ÉPOCA DO RECEBIMENTO DO GANHO. DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Caracterizando-se a realização de operação onde o contribuinte buscou a modificação da sujeição passiva para as pessoas físicas dos sócios da companhia, inocorreu opção, por parte da pessoa jurídica, do diferimento do pagamento do ganho de capital. Assim, inaplicável o deferimento ao caso.
JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE.
A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida.
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE TIPO E FUNDAMENTOS DE FATO. IMPROCEDÊNCIA.
Mantém-se a decisão da Delegacia de Julgamento que exonerou a imposição de multa de ofício qualificada ante a inexistência de tipificação da conduta ou de fundamentos a caracterizar a conduta ilícita para fins de penalização qualificada.
RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE CONDUTAS PELOS SÓCIOS. IMPOSSIBILIDADE.
Comprovando-se, na análise do mérito dos autos, a inexistência de condutas tipificadoras da hipótese do art. 124 do CTN de modo a caracterizar o benefício comum responsável pela imputação solidária, deixa-se de analisar as preliminares aventadas para, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e manter a exclusão da responsabilidade solidária dos sócios.
UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE GANHO DE CAPITAL PELOS SÓCIOS NA REDUÇÃO DO LANÇAMENTO DO GANHO NA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE.
Caracterizando-se a existência de operação única de alienação do controle de companhia, o pagamento realizado pelos sócios pessoas físicas a título de ganho de capital deve ser aproveitado para fins de redução do lançamento do imposto devido pela mesma operação, agora lançado na pessoa jurídica. Mantém-se a decisão que julgou neste sentido do aproveitamento.
Numero da decisão: 1401-002.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso voluntário em relação ao mérito da autuação. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Os Conselheiros Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva apresentarão declaração de voto. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário relativamente aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, que lhe dava provimento. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício relativamente à multa de ofício qualificada e à responsabilização solidária dos sócios. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício em relação ao aproveitamento do IRPF pago pelos sócios. Vencido o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Edgar Braganca Bazhuni, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declarou-se impedido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Participou do julgamento o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2009 GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. REDUÇÃO DE CAPITAL E TRANSFERÊNCIA DAS COTAS AOS ANTIGOS SÓCIOS. IMPOSSIBILIDADE. CASO ESPECÍFICO.Inaceitável quanto aos efeitos fiscais a operação de redução de capital e devolução da participação acionária aos sócios pessoas físicas, para posterior alienação com pagamento do ganho em alíquota inferior. Impossibilidade de realização da operação diante da existência de cláusula negocial em favor da empresa detentora das cotas no momento da oferta. Caracterização de planejamento fiscal abusivo. DIFERIMENTO DO IMPOSTO PARA A ÉPOCA DO RECEBIMENTO DO GANHO. DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Caracterizando-se a realização de operação onde o contribuinte buscou a modificação da sujeição passiva para as pessoas físicas dos sócios da companhia, inocorreu opção, por parte da pessoa jurídica, do diferimento do pagamento do ganho de capital. Assim, inaplicável o deferimento ao caso. JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE TIPO E FUNDAMENTOS DE FATO. IMPROCEDÊNCIA. Mantém-se a decisão da Delegacia de Julgamento que exonerou a imposição de multa de ofício qualificada ante a inexistência de tipificação da conduta ou de fundamentos a caracterizar a conduta ilícita para fins de penalização qualificada. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE CONDUTAS PELOS SÓCIOS. IMPOSSIBILIDADE. Comprovando-se, na análise do mérito dos autos, a inexistência de condutas tipificadoras da hipótese do art. 124 do CTN de modo a caracterizar o benefício comum responsável pela imputação solidária, deixa-se de analisar as preliminares aventadas para, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e manter a exclusão da responsabilidade solidária dos sócios. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE GANHO DE CAPITAL PELOS SÓCIOS NA REDUÇÃO DO LANÇAMENTO DO GANHO NA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Caracterizando-se a existência de operação única de alienação do controle de companhia, o pagamento realizado pelos sócios pessoas físicas a título de ganho de capital deve ser aproveitado para fins de redução do lançamento do imposto devido pela mesma operação, agora lançado na pessoa jurídica. Mantém-se a decisão que julgou neste sentido do aproveitamento.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2009 GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. REDUÇÃO DE CAPITAL E TRANSFERÊNCIA DAS COTAS AOS ANTIGOS SÓCIOS. IMPOSSIBILIDADE. CASO ESPECÍFICO.Inaceitável quanto aos efeitos fiscais a operação de redução de capital e devolução da participação acionária aos sócios pessoas físicas, para posterior alienação com pagamento do ganho em alíquota inferior. Impossibilidade de realização da operação diante da existência de cláusula negocial em favor da empresa detentora das cotas no momento da oferta. Caracterização de planejamento fiscal abusivo. DIFERIMENTO DO IMPOSTO PARA A ÉPOCA DO RECEBIMENTO DO GANHO. DA PESSOA JURÍDICA. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Caracterizandose a realização de operação onde o contribuinte buscou a modificação da sujeição passiva para as pessoas físicas dos sócios da companhia, inocorreu opção, por parte da pessoa jurídica, do diferimento do pagamento do ganho de capital. Assim, inaplicável o deferimento ao caso. JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE TIPO E FUNDAMENTOS DE FATO. IMPROCEDÊNCIA. Mantémse a decisão da Delegacia de Julgamento que exonerou a imposição de multa de ofício qualificada ante a inexistência de tipificação da conduta ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 65 /2 01 4- 90 Fl. 2272DF CARF MF 2 de fundamentos a caracterizar a conduta ilícita para fins de penalização qualificada. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA DE CONDUTAS PELOS SÓCIOS. IMPOSSIBILIDADE. Comprovandose, na análise do mérito dos autos, a inexistência de condutas tipificadoras da hipótese do art. 124 do CTN de modo a caracterizar o benefício comum responsável pela imputação solidária, deixase de analisar as preliminares aventadas para, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e manter a exclusão da responsabilidade solidária dos sócios. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE GANHO DE CAPITAL PELOS SÓCIOS NA REDUÇÃO DO LANÇAMENTO DO GANHO NA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Caracterizandose a existência de operação única de alienação do controle de companhia, o pagamento realizado pelos sócios pessoas físicas a título de ganho de capital deve ser aproveitado para fins de redução do lançamento do imposto devido pela mesma operação, agora lançado na pessoa jurídica. Mantémse a decisão que julgou neste sentido do aproveitamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso voluntário em relação ao mérito da autuação. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Os Conselheiros Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva apresentarão declaração de voto. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário relativamente aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, que lhe dava provimento. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício relativamente à multa de ofício qualificada e à responsabilização solidária dos sócios. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício em relação ao aproveitamento do IRPF pago pelos sócios. Vencido o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Edgar Braganca Bazhuni, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declarouse impedido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Participou do julgamento o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.273 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados contra o contribuinte em razão de, conforme alegação da fiscalização, o mesmo ter realizado atos de redução de capital, transferência de ações da Aracruz detidas pela empresa aos sócios e posterior alienação destas mesmas ações por estes sócios, com o objeto exclusivo de reduzir a tributação do ganho de capital, transferindo este da Pessoa Jurídica (34%) para as pessoas físicas dos sócios (15%). Alega a fiscalização que a Votorantim Celulose e Papel S.A. (VCP) em cumprimento à cláusula contratual existente entre os sócios da Aracruz, deveria oferecer as mesmas condições de compra de aquisição de 28% das ações da Aracruz que foram oferecidas à família Lorentzen à Arainvest, vez que esta cláusula existia entre as partes. Cientificada da proposta de compra e detendo um prazo de 90 (noventa) dias para exercer seu direito a Arainvest procedeu a uma redução de capital no montante aproximado em R$ 302.000.000,00 e transferiu todas as ações da Aracruz aos sócios Moise e Joseph Safra. Após este procedimento, que, conforme informa a fiscalização, sequer foi objeto de comunicação ao mercado, foi realizada a venda das ações da Aracruz à VCP, agora ações alienadas pelos sócios da Arainvest. Considerando que a única intenção dos atos de redução de capital e transferência das ações aos sócios foi a de reduzir a imposição tributária, a fiscalização desconsiderou o negócio da forma em que realizado, elencando os diversos motivos de fato e de direito que apontavam pela irregularidade, e realizou a tributação do ganho de capital na pessoa jurídica da própria Arainvest, resultando nos autos de infração do IRPJ e CSLL e, ainda, na imputação da responsalidade solidária dos sócios Moise e Joseph Safra. Cientificada da autuação o recorrente apresentou impugnação que assim foi retratada no acórdão da impugnação; Dos Fatos: após uma descrição/transcrição do relato fiscal, afirma que seu procedimento encontra amparo no art.22 da Lei nº 9.249/95; que, mesmo que de planejamento se tratasse, este caracterizaria elisão fiscal lícita, pois as operações foram reais e ocorreram antes de qualquer fato gerador; alem disto, o procedimento fiscal viola vários princípios constitucionais, tais como livre exercício, liberdade de contratar, etc; que, ainda que houvesse praticado a infração que lhe é imputada, deveria a Fiscalização observar o disposto no art.421 do RIR/99; apenas para argumentar, deveria então o imposto pago por seus sócios ser abatido do lançamento, sob pena de exigência em duplicidade; que não procede a qualificação da multa de ofício, pois não se sabe qual conduta teria incorrido, dentre aquelas dos arts71, 72 ou 73, da Lei Fl. 2274DF CARF MF 4 4.502/64; que a autoridade autuante nem sequer aponta qual ato da Impugnante configuraria alguma das condutas descritas nestes artigos, o que impossibilita seu exercício do direito de defesa; quanto ao (I) Mérito: I.1. O Art.22 da Lei nº 9.249/95 autoriza expressamente a redução de capital com devolução aos sócios pelo valor contábil: alega que não se pode invocar o fato de a venda pelas pessoas físicas ter sujeitado o ganho de capital a carga tributária mais baixa como fundamento para sustentar ter ocorrido no caso planejamento tributário abusivo, posto que inaplicável cogitarse de tal figura quando o que se tem é o mero exercício de uma opção legal; nem se diga que no caso o exercício desta opção seria “abusivo”, se é que isto existe em se tratando de opção legal, ao argumento de que o exercício da opção se deu após o recebimento pela pessoas jurídica de uma oferta firme de compra; que o procedimento adotado pela Impugnante tem amparo no artigo 22 da Lei 9.249/95, e representa apenas a adoção da opção fiscal mais vantajosa expressamente por ele disciplinada, já que se ambos os caminhos apontados pelo legislador são legítimos, o contribuinte não pode ser obrigado a adotar o mais oneroso (transcreve excertos doutrinários neste sentido); em outro item I.2. O Total atendimento ao Acordo de Acionistas e à legislação e o propósito negocial: que a própria VCP, hoje Fíbria, esclarece as razões pelas quais mesmo tendo adquirido as ações das pessoas físicas manteve as condições negociais acordadas com outros acionistas: a correta interpretação das regras do próprio Acordo de Acionistas conduz à conclusão de que estas pessoas físicas (afiliadas) tinham os mesmos direitos da Impugnante (transcreve vários itens do referido Acordo); não bastasse isso, diante da possibilidade de venda conjunta das ações da Aracruz, existia um motivo de ordem societária/negocial para que fossem transferidas para as pessoas físicas e por elas alienadas; a Impugnante é constituída pelos sócios pessoas físicas com única finalidade de administrar participações societárias e a alienação das ações da Aracruz dependeriam (previsto em estatuto social, art.6º, §2º) da aprovação conjunta de ambos os acionistas pessoas físicas; considerando que o objeto social único da impugnante era a administração de participações societárias, em especial o exercício do direito de voto de forma uniforme na Aracruz, com a possível alienação das ações ordinárias não mais se justificaria que permanecessem na Impugnante, sujeitas às restrições do artigo 6º, §2º do Estatuto Social, apenas as ações preferenciais, que não tem direito de voto; assim, de modo a poderem deliberar livremente sobre o destino das ações preferenciais da Aracruz, os acionistas representando a totalidade do capital social deliberaram reduzir o capital da impugnante e restituir aos acionistas a participação societária integral na Aracruz composta por ações ordinárias e preferenciais e não apenas as ordinárias que acabaram sendo alienadas para a VCP, atual Fíbria; Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.274 5 já as ações preferenciais, passaram a ser administradas livremente pelos próprios acionistas e somente foram alienadas muito depois, e em montantes e momentos distintos para cada acionista, conforme documentos anexos (doc.04), o que evidencia a efetividade da redução de capital procedida; com relação a afirmação fiscal de que teria havido descumprimento de disposição contida na Instrução CVM 358/02 (divulgação de negociação de valores mobiliários), de se dizer que tal ato disciplina determinações dirigidas às companhias de capital aberto, que não é o caso da Impugnante, que é uma sociedade anônima de capital fechado; no item I.3. A Redução de Capital com devolução de bens aos sócios além de lícita, foi real, efetiva e se deu antes da ocorrência do Fato gerador – Elisão Fiscal: que o fisco trata a situação como planejamento tributário e não o exercício de uma opção legal, o que jamais poderia ser taxado de ilícito, porque estarseia, quando muito, no campo da elisão fiscal (transcreve excertos doutrinários); ressalta a licitude da operação em causa, levada a efeito antes da ocorrência de qualquer fato gerador; que, não obstante os esforços da fiscalização na tentativa de caracterizar a pessoas jurídica como a real alienante das participações societárias, o certo é que não logrou êxito em demonstrar a ocorrência, anteriormente à redução de capital, de qualquer fato gerador dos tributos que ora pretende exigir; que a redução de capital ainda correspondeu a uma necessidade de negócios dos acionistas sócios da Impugnante que passaram a administrar livremente suas ações preferenciais da Aracruz, não se sustentando a afirmação do Fisco de que “ ...a referida redução teve, claramente, como único propósito, a evasão de parte da tributação sobre o negócio.” no item I.4. Não cabe ao Fisco modificar os atos ou negócios jurídicos praticados pelos contribuintes, alterandolhes a natureza, os sujeitos, a cronologia e outros, mas tão somente afastálos para efeitos tributários mediante a demonstração de que estão viciados: para tanto, porém, será necessário comprovar que referidos atos não produziram os efeitos que lhes são próprios, quer porque nenhum efeito foi produzido, tendo havido o retorno à situação original, quer porque outros efeitos foram produzidos de negócios jurídicos distintos; no caso concreto, houve efetivamente a redução de capital e após houve a alienação das participações societárias pelas pessoas físicas dos sócios, com todas as conseqüências decorrentes de ambas as operações, inclusive o recolhimento de vultosa quantia a título de imposto de renda sobre ganho de capital; não obstante isso, o Fisco pretende que a alienação teria sido feita pela pessoa jurídica, portanto, antes da redução de capital; Fl. 2276DF CARF MF 6 entretanto, para que sua argumentação pudesse ser considerada, o Fisco deveria ter demonstrado que as ações entregues aos sócios de alguma forma teriam retornado para a Impugnante e que esta teria sido, em algum momento ou de alguma forma, beneficiada pelo resultado econômico da alienação da referidas ações; no item I.5. Da Jurisprudência Administrativa, transcreve excertos de decisões administrativas proferidas pelo CARF; No item II. Do vício na apuração da matéria tributável em face da inobservância do disposto no art.421 do RIR/99: que, mesmo que ocorrida a infração apontada, o lançamento não teria como prosperar, pois é absurda a alegação fiscal de que a Impugnante não teria direito ao diferimento da tributação do lucro então previsto no art.421; no item III. Do Direito ao abatimento dos valores pagos pelos sócios:impossibilidade da tributação em duplicidade do mesmo ganho de capital: mantida a exigência, deveriam ser deduzidos os valores pagos pelos sócios pessoas físicas quando ofereceram à tributação do IRPF ganho de capital inclusive superior ao ora autuado (traz excertos de decisões administrativas do CARF); no item IV.1. Da Nulidade do lançamento quanto à exigência de multa qualificada: que o conteúdo do texto que teria motivado a autoridade fiscal à qualificação da multa de ofício, é um texto padrão existente em todo auto de infração, tratase de um texto “coringa”; que em momento algum a autoridade fiscal mencionou qual dispositivo da Lei 4.5002/64 teria a impugnante incorrido; que ocorre no caso concreto uma situação literalmente kafkiana em que a Impugnante, a quem é imposta pena própria das práticas de sonegação, fraude ou conluio, não sabe qual ou quais dessas condutas lhe é ou são imputadas, nem, muito menos, qual ou quais atos por ela praticados na opinião do i.fiscal autuante poderiam caracterizar alguma dessas práticas; enfim, como se defender? no item IV.2. Da Improcedência do lançamento quanto à exigência de multa qualificada: apesar do item anterior, a autoridade autuante resumese a sustentar que a impugnante teria praticado “planejamento fiscal abusivo” o que no entendimento do fiscal autuante seria suficiente não só para exigir tributo mas também para impor multa de 150%; transcreve vários artigos da MP 66/02, não convertida em lei; transcreve excertos doutrinários e julgados administrativos do CARF; no item V. A não incidência de juros de mora sobre multa de ofício: alega que o Fisco certamente exigirá juros sobre multa de ofício e daí porque já vem impugnar a matéria; transcreve ementas de julgados do CARF. Da IMPUGNAÇÃO de Joseph Yacoub Safra e de Moise Yacoub Safra (Espólio), em resumo: que a autoridade autuante não identifica os fatos com os dispositivos legais indicados, os arts.124, I e 135, III ambos do CTN; Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.275 7 que, apesar disto, o art.124, I não aplicase ao presente caso, tratase de solidariedade natural (traz excertos de decisões judiciais e de doutrinadores); sendo evidente que não se pode vislumbrar a existência de um vínculo de solidariedade natural entre a pessoa jurídica e seus sócios administradores, razão pela qual pretender aplicar ao caso concreto o art.124, I do CTN demandaria admitir que o fato de os administradores de uma empresa terem possivelmente “interesse” em que a mesma gere bons resultados os faz, ipso facto, responsáveis tributários pelos tributos e contribuições devidos pela empresa, o que resultaria em uma espécie de “responsabilidade objetiva” dos sócios administradores pelos tributos devidos pela sociedade, que é de todo inadmissível; relativamente ao outro artigo citado, o inc.III do art.135 do CTN, não há como caracterizar a responsabilidade atribuída sem a demonstração cabal de que tais pessoas agiram com “excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”; Analisando a impugnação e as razões da autuação a Delegacia de Julgamento proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2009 Alienação de Participação Societária. Sujeição Passiva. Ganho de Capital. Constatado que o real alienante de participação societária não eram os acionistas pessoas físicas, correta a sua descaracterização, para fins fiscais, sendo atribuída a sujeição passiva da obrigação tributária à pessoa jurídica, sendo imputada a esta a apuração do ganho de capital na alienação. Juros de Mora. Incidência sobre a Multa. Fato não Ocorrido. Conhecimento. Impossibilidade. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento conhecer a impugnação e apreciar a matéria preventivamente. Responsabilidade Solidária. Exclusão. Nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, para a imputação da solidariedade tributária deve restar demonstrado o interesse comum da pessoa natural na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2009 Multa de Ofício Qualificada. Inaplicabilidade. Fl. 2278DF CARF MF 8 Constatado que na conduta da fiscalizada não existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, incabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso §1º do art.44 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2009 CSLL. Lançamento Decorrente. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Nesta mesma decisão a Delegacia de Julgamento recorreu de ofício da parte em que foi julgada procedente a autuação no que se refere a: 1 Exoneração da multa qualificada; 2 Exoneração da responsabilização solidária; 2 Utilização dos pagamentos de ganho de capital das pessoas físicas para a redução do valor devido da pessoa jurídica. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes alegações: Existência de autorização legal do art. 22, da Lei nº 9.249/95 de redução do capital e devolução aos sócios pelo valor contábil. Assim entende que não se pode alegar que a devolução das participações aos sócios e a consequente tributação a menor do ganho da alienação sejam motivo suficiente para a caracterização de planejamento tributário abusivo. Alega que a redução autorizada pela lei não obriga a existência de qualquer propósito negocial para sua ocorrência. Alega que tratouse de uma escolha e que na lição de Marco Aurélio Grecco a adoção de escolhas não implica em ilícito. No contexto do surgimento da norma do art, 22, da lei nº 9.249/95. Que na exposição de motivos constatase que a intenção do legislador era a de não tributar a devolução de capital. O papel da recorrente na autuação. A empresa foi constituída como uma Holding pura e que o único e maior patrimônio era a participação na Aracruz. Alega que desde muito tempo atrás os investimentos eram de propriedade dos sócios, assim como de diversas holgings dos mesmos. Que a fiscalização deixou propositadamente de ver o filme todo, restringindo sua análise apenas ao período. Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.276 9 Do atendimento ao acordo de acionistas, à legislação e o propósito negocial. Alega que não procedem as alegações da acusação de que o direito à realização do negócio era da Arainvest e não dos sócios. Que os sócios sempre foram afiliados e que a própria VCP registra que não houve irregularidade no oferecimento da venda aos sócios. Alega que como a função da sociedade era a administração da participação não faria sentido a manutenção da participação nesta quando se intencionaria sua venda. Da licitude da redução do capital. Alega que a redução de capital e devolução das ações foram atos lícitos e reais e que não podem ser desconsiderados pelo fisco, Que só caberia ao fisco desconsiderar para efeitos tributários os atos que se demonstrarem viciados. Entende que a fiscalização deveria demonstrar que os atos não produziram os efeitos que lhe são próprios. Ou seja, a redução de capital foi legítima. O fisco estaria considerando real algo que efetivamente não existiu, qual seja, a venda pela Arainvest. Apresenta extensa jurisprudência a sustentar a possibilidade da redução de capital. Alega que, mesmo que se sustentasse a acusação, esta teria de ser revista pelo fato de a fiscalização não ter adotado a regra do art. 421, do RIR/99, que estabelece a possibilidade de o contribuinte optar por reconhecer o lucro apenas na proporção em que for efetivamente recebido. Não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Sustenta também pela necessidade de se negar provimento ao recurso de ofício e manter as parcelas excluídas na decisão de primeiro grau. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao recurso nas quais reitera as alegações da acusação requer a negativa de provimento do recurso de ofício, restabelecendo os itens originalmente lançados. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 2280DF CARF MF 10 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Iniciando a análise do presente caso, é mister verificar o que se apresenta no acordo de acionistas firmado entre a recorrente e a Lorentzen Empreendimentos S/A no que tange à necessidade de informação de um acionista ao outro acerca da proposta de venda de ações e preferência de aquisição por parte do outro ou venda conjunta de ações em montante equivalente e nas mesmas condições. Vejamos as cláusulas que constam deste acordo de acionistas lavrado em 2003 e com prazo de duração de 16 (dezesseis anos), fls. 90/106. Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.277 11 Fl. 2282DF CARF MF 12 A Votorantim Celulose e Papel (VCP), por meio de correspondência datada de 19/01/2009, e com base no acordo de acionistas cujas cláusulas acima transcrevemos, realizou proposta de compra das ações nas mesmas condições oferecidas à Lorentzen Empreendimentos. Vejamos trechos da proposta juntada às fls. 108/109. Como se observa, a VCP, ciente da existência do acordo de acionistas que contém a cláusula de direito de preferência e de Tag Along, foi oferecido à recorrente o direito de venda de sua parte de ações em idênticas condições à empresa da família Lorentzen. Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.278 13 A própria VCP, quando da realização de oferta de compra ao grupo Lorentzen, já indicou o conhecimento do acordo de acionistas existente entre este grupo e a Arainvest, conforme abaixo, e se comprometeu a realizar a oferta em iguais condições à Arainvest. Foi juntado ao processo, às fls. 498/504, comunicado de fato relevante pelo qual a VCP comunica a conclusão da compra da participação do Grupo Lorentzen junto à ARACRUZ e, ao mesmo tempo, que está ofertando, nas mesmas condições a possibilidade de compra da participação detida pela ARAINVEST junto à ARACRUZ. Em todo o comunicado é expresso que o direito de venda nas mesmas condições é oferecido à ARAINVEST. Já às fls. 513, no comunicado de fato relevante a ARACRUZ CELULOSE informa ao mercado que a VCP adquiriu da família Safra a participação desta no controle da ARACRUZ. Em 12/02/2009, conforme ata de assembleia geral extraordinária, foi deliberada, na Arainvest, a redução do capital social pelo motivo de ser excessivo para o objeto da companhia no valor de R$ 301.800.000,0, sendo devolvido aos sócios o valor em disponibilidades e bens do ativo permanente. Vejamos o texto da deliberação. Fl. 2284DF CARF MF 14 Em seus argumentos de recurso a recorrente repisa a possibilidade de redução de capital com base no art. 22, da Lei nº 9.249/95, que assim não ocorre vício no ato e que faz parte do direito das pessoas titulares das ações mantêlas em empresa de participação com vistas a administrar esta ou recebêlas de volta a qualquer tempo. Passando à análise de todos os fatos apresentados temos que os seguintes fatos são incontestes: 1 A VCP tinha a intenção expressa de deter integralmente o controle acionário da ARACRUZ CELULOSE; 2 Existia acordo de acionistas firmado entre a ARAPAR, LORENTZEN EMPREENDIMENTOS e ARAINVEST (antes SODEPA) no qual a alienação da participação de um dos sócios somente poderia ser feita com a informação do outro para exercício do direito de preferência ou o direito de vender sob as mesmas condições (Tag Along); 3 A ARAINVEST somente tomou conhecimento da existência de proposta de compra de participação firmada pela VCP a partir do recebimento, em janeiro de 2009, de comunicado desta no sentido de notificála a exercer ou seu direito de preferência ou o de venda nas mesmas condições; 4 Não existe nulidade jurídica no ato de redução de capital e devolução das ações ordinárias aos sócios da ARAINVEST; Ora, partindo destas premissas e reportando à análise realizada já na decisão da Delegacia de Julgamento, havemos de considerar que, no presente caso, ocorreu a realização de planejamento tributário com vistas à redução da incidência tributária. Disto não restam dúvidas. Havemos então, para realizar a análise da manutenção ou não da autuação, de determinar se este planejamento pode ser considerado lícito e oponível ao fisco, ou o contrário. O cerne da questão a ser decidida reside então no fato de o recorrente (ARAINVEST) ao conhecer da proposta de aquisição da participação detida na ARACRUZ poder realizar um rearranjo societário com vistas, única e exclusivamente, a transferir a propriedade das ações aos seus sócios majoritários fazendo com que a tributação sobre o ganho de capital na venda se deslocasse da pessoa jurídica para as pessoas físicas. Uma das alegações a que mais se detém a peça recursal é o fato de o direito pátrio permitir diversas formas de organização societária. Assim, os sócios decidiram criar a Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.279 15 ARAINVEST como sociedade de participação com vistas a administrar a participação detida por estes junto à ARAINVEST. Da mesma forma entende que com base nessa liberdade decidiram estes sócios reduzir o capital e receber de volta as ações já que estas seriam alienadas e não mais seriam objeto de administração pela ARAINVEST. O raciocínio poderia ser considerado perfeito e acabado não fossem alguns dados que não foram considerados. No nosso mundo contábil existem princípios que norteiam a realização dos registros contábeis e suas demonstrações. Dentre estes princípios podemos citar o Princípio da Entidade. Assim se apresenta este princípio conforme análise do próprio Conselho Federal de Contabilidade em sua RESOLUÇÃO CFC Nº 774 de 16 de dezembro de 1994 2.1 O Princípio da Entidade “Art. 4° O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único. O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil.” 2.1.1 A autonomia patrimonial O cerne do Princípio da ENTIDADE está na autonomia do patrimônio a ela pertencente. O Princípio em exame afirma que o patrimônio deve revestirse do atributo de autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a uma Entidade, no sentido de sujeito suscetível à aquisição de direitos e obrigações. A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade jamais pode confundirse com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Por conseqüência, a Entidade poderá ser desde uma pessoa física, ou qualquer tipo de sociedade, instituição ou mesmo conjuntos de pessoas, tais como: famílias; empresas; governos, nas diferentes esferas do poder; sociedades beneficentes, religiosas, culturais, esportivas, de lazer, técnicas; sociedades cooperativas; fundos de investimento e outras modalidades afins. No caso de sociedades, não importa que sejam sociedades de fato ou que estejam revestidas de forma jurídica, embora esta última circunstância seja a mais usual. Fl. 2286DF CARF MF 16 O patrimônio, na sua condição de objeto da Contabilidade, é, no mínimo, aquele juridicamente formalizado como pertencente à Entidade, com ajustes quantitativos e qualitativos realizados em consonância com os princípios da própria Contabilidade. A garantia jurídica da propriedade, embora por vezes suscite interrogações de parte daqueles que não situam a autonomia patrimonial no cerne do Princípio da Entidade, é indissociável desse princípio, pois é a única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo Patrimônio, válida perante terceiros. Cumpre ressaltar que, sem autonomia patrimonial fundada na propriedade, os demais Princípios Fundamentais perdem o seu sentido, pois passariam a referirse a um universo de limites imprecisos. A autonomia patrimonial apresenta sentido unívoco. Por conseqüência, o patrimônio pode ser decomposto em partes segundo os mais variados critérios, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Mas nenhuma classificação, mesmo que dirigida sob ótica setorial, resultará em novas Entidades. Carece, pois de sentido, a idéia de que as divisões ou departamentos de uma Entidade possam constituir novas Entidades, ou “microentidades”, precisamente porque sempre lhes faltará o atributo da autonomia. A única circunstância em que poderá surgir nova Entidade, será aquela em que a propriedade de parte do patrimônio de uma Entidade, for transferida para outra unidade, eventualmente até criada naquele momento. Mas, no caso, teremos um novo patrimônio autônomo, pertencente a outra Entidade. Na contabilidade aplicada, especialmente nas áreas de custos e de orçamento, trabalhase, muitas vezes, com controles divisionais, que podem ser extraordinariamente úteis, porém não significam a criação de novas Entidades, precisamente pela ausência de autonomia patrimonial. A recorrente em diversos trechos de suas peças cita que na verdade a participação societária na ARACRUZ CELULOSE era exercida pelas "famílias" Lorentzen e Safra, assim, realizada a aquisição da participação detida pela família Lorentzen, foi feita a proposta de alienação da participação da família safra. Neste sentido seria indistinto que a oferta fosse realizada em nome da ARAINVEST ou se seus sócios (família Safra). Inobstante a liberdade que possuem os sócios de administrar seus bens da forma que bem lhe aprouverem, em razão do princípio da entidade devemos discordar desta liberdade ilimitada quando estão pressupostos outros elementos. Conforme bem descreveu o fiscal autuante, quando realizada a proposta à ARAINVEST o direito de exercício do Tag Along era deste e não dos sócios, proprietários anteriores das ações. O simples fato de a VCP ter adquirido a participação diretamente dos sócios e não da ARAINVEST não tem o condão de modificar esta situação jurídica existente à época da oferta. A VCP tinha a intenção de adquirir todo o controle da ARACRUZ, assim não lhe importava realizar a aquisição de quem quer que fosse, apenas objetivava ao controle da empresa, até mesmo porque o preço a pagar seria o mesmo. Por isso o contrato de aquisição de Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.280 17 ações firmado entre a VCP e os sócios da ARAINVEST não nos parece um argumento irrefutável do reconhecimento da propriedade da participação dos sócios da ARAINVEST. Na verdade o patrimônio da empresa (ARAINVEST) não pode ser confundido com o patrimônio dos seus sócios. Consoante o princípio da Entidade e as normas do direito civil o patrimônio da empresa é vinculado a suas operações. Foi nesta condição de pertencerem ao patrimônio da ARAINVEST que as ações representativas da participação acionária na ARACRUZ possibilitaram à ARAINVEST a celebração de um acordo de acionistas com o grupo LORENTZEN para prevenir a venda para terceiros unilateralmente e, assim, proteger a sua participação. Neste acordo as deliberações são tomadas pela ARAPAR, LORENTZEN EMPREENDIMENTOS E SODEPA (nome anterior da ARAINVEST). Ora o sujeito das obrigações e direitos do acordo de acionistas, desde o ano de 2003, é a ARAINVEST e não seus sócios. Tal fato é notório posto que somente à sociedade cabe deliberar sobre a assunção de obrigações. Nesta tarefa a ARAINVEST livremente dispôs sobre o seu direito de propriedade e patrimônio específico, assumindo cláusulas limitadoras de seu direito de propriedade e obtendo, em contrapartida, garantias quanto à venda de participação dos outros sócios a terceiros. Em seu benefício a recorrente alega que a ARAINVEST é uma empresa de participações e, assim, após a informação da proposta de compra pela VCP não haveria mais o interesse de que estas ações permanecessem na propriedade da empresa. Por isso, foi realizada a redução do capital e a devolução aos sócios que, nesta qualidade, realizaram a alienação da participação. Acontece que, ao contrário das alegações da recorrente de que a ARAINVEST era empresa criada exclusivamente para a administração da participação dos sócios na ARACRUZ, não é iso o que consta em seu contrato social. Naquele o objeto social da ARAINVEST é o de administração de participações em empresas, não especificamente uma empresa apenas, assim, em tese, poderia operar participações em diversas outras companhias. Ora, em sendo assim, não haveria qualquer problema em realizar a alienação e manter os recurso em posse da ARAINVEST pra ser aplicado em novos empreendimentos. Não havia, em verdade, nenhum motivo outro para a realização da redução do capital e devolução aos sócios das ações da ARACRUZ senão o de transferir a tributação do ganho de capital a ser auferido na alienação da participação da pessoa jurídica para as pessoas físicas dos sócios. Vejase, diante da eminência de uma operação é perfeitamente facultado ao contribuinte realizar a operação da forma menos onerosa fiscalmente falando. O que não é possível se admitir, pelo menos no humilde entendimento deste relator, é que diante de uma situação, qual seja, a oferta do VCP de aquisição da participação da empresa na ARACRUZ, esta realize um planejamento tributário para modificar a titularidade da participação, sem qualquer propósito econômico ou comercial, única e exclusivamente para não submeter os ganhos da operação à tributação que lhe seria típica no caso. Fl. 2288DF CARF MF 18 Representase assim a seguinte situação: Uma empresa de participação é criada para administrar participações de determinados sujeitos, formase a empresa para possibilitar uma gestão profissional, conhecimentos específicos, possibilidade de rentabilidade maior, etc. A empresa é especialista em administrar participações mas de repente, sem maiores explicações, visto que a ata da assembleia que determinou a redução de capital não apresenta nenhum motivo específico, esta resolve reduzir o capital e se desfazer das ações ordinárias da ARACRUZ. Qual o motivo econômico deste ato? Não nos resta nenhuma outra alternativa do que a pura e simples economia tributária. Assim, o ato realizado pela ARAINVEST não implica apenas em uma simples operação econômica, mas sim a alteração indevida do sujeito passivo de uma operação iminente. Este comportamento fugidio é que não pode ser imposto contra o fisco. A operação, assim como ocorrida em relação ao demais sócios ARAPAR e LORENTZEN EMPREENDIMENTOS deveria ter ocorrido pelo sujeito passivo ARAINVEST, vez que este é que estava protegido pelos direitos estabelecidos no acordo de acionistas. A ARAINVEST, e não seus acionistas, é quem detinha o direito de exercer o Tag Along. O problema, rapidamente verificado pelos acionistas desta é que esta operação implicaria numa solução bem mais onerosa do que a decorrente da alienação acaso realizada diretamente pelos sócios da ARINVEST. Assim é que se decidiu, à guisa da inexistência de qualquer outro motivo econômico ou comercial, realizar toda a operação de redução de capital, transferência das ações e posterior alienação para garantir uma redução da imposição tributária. Consoante os precedentes abaixo apresentados deste CARF, a realização de operações sem qualquer interesse econômico que não o de reduzir a imposição tributária, impossibilita a oposição desta contra o fisco. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL.Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica de mesmo grupo, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social. Acórdão nº 1301002.019, de 04/05/2016 GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Inaceitável quanto aos efeitos fiscais a cessão de quotas à empresa alienígena para posterior alienação com tributação favorecida, sem demonstração de razão negocial que não a mera redução tributária. Acórdão nº 1402002.882, de 17/10/2017. GANHOS DE CAPITAL. OMISSÃO DE RECEITAS. ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. PLANEJAMENTO FISCAL ABUSIVO. Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.281 19 Comprovado nos autos que há ausência de propósito negocial na operação de alienação de bens imóveis realizada pelo contribuinte, merece prosperar a glosa fiscal, pois mesmo que tal ato seja lícito, rechaçase seus efeitos diante do planejamento fiscal abusivo perpetrado pelo contribuinte. Acórdão nº 1402002.720, de 15/08/2017. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS PERMUTA VIA OPERAÇÃO SOCIETÁRIA "CASAESEPARA" SIMULAÇÃO. Não há "propósito negocial" na integralização de capital social, por meio de imóveis, em empresa integrante do mesmo grupo econômico, tributada pelo lucro presumido, em sucessivas operações cujo único fim foi a redução da carga tributária incidente sobre operações imobiliárias. Acórdão nº 1402002.685, de 26/07/2017. Desta forma, entende este relator que na situação em que a cláusula Tag Along foi acionada, o único sujeito passivo com possibilidade de dela usufruir era a Arainvest e não os seus sócios, haja vista que a Arainvest era a detentora, de fato e de direito das ações e direitos de acionista, sendo, desta forma a obrigada/beneficiária da cláusula Tag Along, razão pela qual a realização das diversas operações organizadas com vistas a retirar estas ações da propriedade da Arainvest a fim de possibilitar a venda por parte das pessoas físicas anteriores proprietárias destas, implica na realização de negócio sem qualquer propósito econômico com vistas, unicamente, a reduzir a imposição tributária. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso neste item, mantendo a autuação relativa à omissão do ganho de capital na alienação da participação da ARAINVEST na ARACRUZ. Da Possibilidade de Diferimento do IRPJ sobre o ganho Com relação ao argumento de que, mesmo que mantida a autuação, esta deveria ser revista, vez que deve incidir sobre a operação a regra do art. 421, do RIR que permite a postergação da tributação para a época do pagamento dos valores do preço. Quanto a este ponto não há como se acatar este argumento, vez que como a operação não foi realizada da forma normal pela pessoa jurídica, esta em nenhum momento realizou a opção pelo diferimento da tributação e, assim, não se pode, em sede de análise de recurso voluntário, permitir que se faça esse deferimento, haja vista que só agora a operação está sendo tributada no contribuinte correto. Mais ainda, a opção do art. 421 deixou de ser exercida em razão de opção da empresa pelo planejamento tributário acima tratado, deixando de ter direito ao benefício deste artigo. Por isso, nego provimento ao pedido de revisão do auto e diferimento da tributação calcado no art. 421, do RIR. Fl. 2290DF CARF MF 20 Da Incidência de Juros sobre a Multa Com relação à alegação de impossibilidade de incidência de juros calculados pela SELIC sobre a multa de ofício, entendo por bastante elucidativa a argumentação apresentada em voto proferido pela DRJ/Florianópolis no acórdão nº 0738.069 3ª Turma da DRJ/FNS relativo ao assunto. Por isso transcrevo a parte do mesmo o adoto como suficiente para justificar a não aceitação das alegações do recorrente quanto a este ponto. Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.282 21 Corroboram este entendimento os seguintes precedentes do CARF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 9101003.009, de 08 de agosto de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.957, de 03 de julho de 2017) Fl. 2292DF CARF MF 22 JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. (Acórdão 3302004.496, de 25 de julho de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. (Acórdão 1401 001.903, de 20 de junho de 2017) Pelo apresentado acima, entendo estar correta a decisão de Piso na parte em manteve a exigência da aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário relativo à multa de ofício. Assim, voto por negar provimento ao recurso quanto a este ponto. DO RECURSO DE OFÍCIO Quando da análise da impugnação a Delegacia de Julgamento considerou improcedente a autuação em relação aos seguintes aspectos: 1 Exoneração da multa qualificada; 2 Exoneração da responsabilização solidária; 3 Utilização dos pagamentos de ganho de capital das pessoas físicas para a redução do valor devido da pessoa jurídica. Passando à análise da parte exonerada pela Decisão de Piso que foi objeto de recurso de ofício, tenho a seguinte opinião a respeito. Exoneração da Qualificação da Multa Qualificada => Neste ponto, entendo por correta a decisão de piso quanto excluiu a imposição de multa qualificada imputada. Vejamos o que trata a decisão a respeito. “Neste aspecto, de se concordar com a Impugnante, uma vez que não há nos autos a devida motivação para a exasperação da multa de ofício. Eis o que autoridade autuante afirmou, querendo com isto justificar a aplicação da multa qualificada: O patamar de 150% é destinado a apenar as condutas ilícitas intencionalmente praticadas pelos sujeitos passivos tributários. Essa sanção deve ser aplicada em razão do elemento subjetivo da prática delitiva – do querer praticála –, aspecto volitivo do ilícito exaustiva e inequivocamente caracterizado pelos fatos descritos ao longo do presente termo. Veja que o texto supra é genérico e não se dirige, especificamente, à eventual conduta da Impugnante, se ilícita ou não, fraudulenta ou não, simulada ou não, enfim, o que vemos, além disto, são citações esparsas no Termo Fiscal referindose ao procedimento adotado pela Impugnante como sendo um planejamento tributário abusivo e ilícito Apesar de a autoridade autuante não explicitar os detalhes acerca do que é abusivo ou o que é ilícito, e, Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.283 23 considerando que a maioria de meus pares pode entender que houve a devida motivação por parte da Fiscalização, o certo é que a situação enfrentada na lide posta, ao meu juízo, não se enquadra nas hipóteses elencadas nos arts 71, 72 ou 73 da Lei n.4.502/64 e, por conseguinte, não estaria sujeita à qualificação da multa de ofício. Mais ainda, para a imposição da qualificação da multa a acusação deveria ter maneira específica, indicado a conduta realizada pela sujeito passivo que pudesse se enquadrar em uma das hipóteses estabelecidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 a fim de poder restar tipificada a conduta e, assim, a possibilidade de manutenção da punição. Neste sentido entendo pela inexistência de tipificação específica. Passo, ainda, a apresentar maior detalhamento acerca da definição teórica neste sentido. De se explicar. Novamente, procuro a lição de Marco Aurélio Greco, em sua já citada obra Planejamento Tributário, edição 2004, pág.219, onde explicita conceitos acerca do que entende por fraude à lei, que acredito que é o que temos nos autos do presente processo: Fraude à Lei não é Fraude Penal Interessanos neste momento a figura da fraude à lei....Nesta figura, estamos perante duas normas (ou uma norma e uma ausência de previsão expressa) do ordenamento: a) uma norma imperativa de tributação que se considera indesejada à qual o contribuinte não quer se submeter (a norma contornada); e b) uma norma ou uma ausência de previsão expressa, que o contribuinte utiliza para evitar a norma contornada (a norma de contorno). Na fraude à lei o contribuinte monta determinada estrutura negocial que se enquadre na norma de contorno para, desta forma, numa expressão coloquial “driblar” a norma contornada. Com isto pretende fazer com que a situação concreta seja regulada pela norma de contorno, com o que ficaria afastada a aplicação da norma de tributação (ou de tributação mais onerosa) Neste caso, não estamos perante conduta ilícita. Não há violação direta à norma contornada. Ela vê sua aplicação frustrada pela conduta, mas não foi a rigor violada. Na fraude à lei, o contribuinte está coberto pela previsão de uma lei que o protege. Então como é possível detectar a fraude à lei? É preciso olhar para as duas normas e não apenas para os respectivos preceitos, bem como para as respectivas finalidades. Por este exame é possível concluir que houve um drible. Neste caso, o contribuinte agrediu a lei? Não, ele agrediu o conjunto formado pelo ordenamento porque em detrimento dele, manipulou uma regra. Através da manipulação de uma norma, chegou a um resultado que o conjunto não quer; então infringiu o ordenamento e não diretamente a lei. Fl. 2294DF CARF MF 24 [...] Fraudar Norma Imperativa [...] A doutrina distingue com clareza a fraude à lei da figura da conduta contra legem, pois enquanto naquela o comportamento do agente é de usar meios lícitos para contornar uma norma imperativa, nesta há uma direta agressão à norma jurídica. [...] Por isso, podem ser identificadas duas situações distintas às quais a palavra “fraude” pode se referir: 1) a fraude à lei, em que há atos lícitos e violação indireta ao ordenamento como um todo e frustração da sua imperatividade; e 2) a fraude contra o Fisco em que conduta agride diretamente uma norma que assegura um direito ou crédito do Fisco – existente ou em curso de formação – de modo a escondêlo ou impedir seu surgimento. [...] A Questão das Multas por Fraude [...] A exceção da exceção A primeira observação é no sentido de que os casos de aplicação da multa de 150% correspondem à “exceção da exceção.” Esta excepcionalidade provoca algumas conseqüências, dentre as quais ressalto a diretriz no sentido de que a interpretação das normas sancionadoras deve ser estrita, vale dizer, circunscrita àquelas situações e condutas que, inequivocamente, se enquadrem na hipótese legal, reduzindose ao máximo as avaliações subjetivas que possam cercar a hipótese material da conduta. [...] Hipóteses que podem configurar crime tributário Derradeira observação, quanto ao teor do inciso II do art.44 da Lei n. 9.430/96, diz respeito ao tipo de fraude a que ele se refere. Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.284 25 [Nota do Relator: dispositivo este que foi reordenado, passando a figurar atualmente como sendo o §1º do art.44 da Lei n. 9.430/96]. Como exposto acima, o termo “fraude” pode referirse a duas situações distintas: a fraude à lei e a fraude contra o Fisco. Na primeira, o agente busca no ordenamento jurídico uma proteção para sua conduta, portanto, o que está sendo agredido (fraudado) é o ordenamento em seu conjunto. É a chamada fraude civil. Na segunda hipótese, o Fisco, em razão dos fatos ocorridos, tem um interesse a ser protegido (um crédito a haver) que é impedido ou frustrado pela conduta do contribuinte. É o que se poderia chamar de fraude em sentido estrito ou de feição penal. É nítido que o inciso II do artigo 44 (v nota do Relator supra) está se referindo a este segundo tipo de fraude e não ao primeiro. Tanto é assim que a parte final do dispositivo é explícita ao prever que a incidência da multa de 150% darseá independentemente de “outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Ora, se a lei em questão estabelece que tal multa tributária incidirá independente de outras penalidades, inclusive criminais, isto significa que o pressuposto de fato captado pelo dispositivo tributário é um pressuposto de fato que também se enquadra em norma penal. E fraude à lei ou fraude civil, não é hipótese de incidência penal! Portanto, o inciso II do artigo 44 (v nota do Relator supra) não se aplica às hipóteses de fraude civil ou fraude à lei, incidindo apenas nas hipóteses que configurarem fraude ao Fisco ou estiverem revestidas de feição penal. Assim que vejo, não estamos diante de uma fraude a lei, então, seja por não haver nas peças fiscais a devida motivação e tipificação da qualificação da multa de ofício, seja por não ser cabível a sua aplicação em face da situação vista nos autos não se configurar entre as hipóteses dos arts.71, 72 ou 73 da Lei n. 4.502/64, deve ser afastada a qualificação da multa lançada, devendo a mesma ser cobrada em seu patamar típico, normal, de 75%.” Partindo destas convicções é que comungo com o entendimento apresentado pela Delegacia de Julgamento de que deve ser excluída a qualificação da multa de ofício para negar provimento ao recurso de ofício neste ponto. Exoneração da Responsabilização Solidária => Vejamos como se pronunciou a decisão de Piso a respeito do assunto. Fl. 2296DF CARF MF 26 “Dos Responsáveis Solidários Neste tópico, de se acatar a impugnação apresentada pelas pessoas físicas, então arroladas como responsáveis solidários, aliado ao fato de que a ausência de caráter doloso, em face do afastamento da qualificação da multa de ofício aplicada, implica que os fatos não ocorreram na forma que dessem causa à hipótese contida no inciso III do art.135 do CTN. Relativamente ao outro artigo citado no Termo de Sujeição Passiva Solidária, o inc.I do art.124 do CTN, de se dizer que também é inaplicável ao caso, aliado ao fato de que a autoridade autuante não precisou em detalhes o porque de sua citação. Com efeito, diz o artigo 124, inciso I, do CTN: “São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;...” Que interesse comum é esse? Pela vagueza do termo, há de se examinar cada situação que constitui o fato gerador, de modo a se averiguar se existe a comunhão de interesses mencionada, acarretando a solidariedade. O interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico. Interesse que decorre de uma situação jurídica. Ou seja, o interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Na configuração da solidariedade é relevante que haja a participação comum na realização do lucro, e não a mera participação nos resultados representados pelo lucro. Nos autos, como vimos, tratouse de erro na interpretação da legislação, onde provouse, não obstante a empresa tenha entendido que pudesse agir do jeito que fez, que o sujeito passivo da obrigação tributária era a própria Interessada e não os seus sócios (estes recolheram mais de R$ 300 milhões de reais!). Devese afastar do polo passivo as pessoas físicas então arroladas nos Autos de Infração por Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto.” O recorrente alegou, em sua defesa, que em relação ao tema da responsabilização solidária dos sócios não haveria na legislação a possibilidade de manejo de recurso de ofício em razão de exclusão de responsabilidade solidária dos sócios imputados. Alegou, ainda, que à época do julgamento em primeira instância também não haveria a previsão específica deste tipo de recurso de ofício. Inobstante estas alegações, deixo de considerálas em razão de, no mérito, entender favoravelmente ao contribuinte e responsáveis solidários, conforme argumentos e fundamentos abaixo aduzidos. Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.285 27 Esta turma do CARF já tem entendimento consolidado de que para a manutenção da responsabilização solidária fazse necessário a caracterização do ato praticado pelo responsável a fim de possibilitar o enquadramento. No presente caso o simples fato de os responsáveis imputados serem os sócios da empresa, não implica, via de regra a imediata solidarização destes. É de se notar que os atos de redução de capital e devolução da participação aos sócios apontados como ilegais, foram revestidos de legalidade inconteste conforme análise deste relator. Tais atos foram realizados respeitando as normas vigentes e não se constatou a existência de simulação ou atos fraudulentos por parte dos sócios que pudessem se enquadrar na tipificação do art. 124, do CTN de modo hábil a caracterizar o interesse comum. O simples fato de ser sócio da empresa não conduz à solidarização na responsabilidade de pagamento de tributos lançados sem a caracterização de simulação, fraude, etc. Por estes fatos e fundamentos, inexistindo a comprovação de atos ilegais praticados pelos sócios e, mais ainda, existindo até mesmo pagamentos realizados pelos sócios pessoas físicas em montante considerável, espancamse todas as dúvidas quanto à possibilidade de imputação solidária destes na forma do CTN. Pelo exposto, verificandose que, no caso, não entendo estarem constantes os elementos caracterizadores da responsabilização, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício também neste item. Utilização dos pagamentos de ganho de capital das pessoas físicas para a redução do valor devido da pessoa jurídica => Vejamos os argumentos apontados pela Delegacia de Julgamento para possibilitar a utilização dos pagamentos realizados pela pessoa física nos débitos apurados pela pessoa jurídica resultantes dos mesmos fatos. “Do imposto pago pelas pessoas físicas Revendo minha posição (manifestada em outras ocasiões semelhantes) acerca de tal questão, entendo ser possível e legal que se permita deduzir do imposto ora apurado de ofício contra a pessoa jurídica, aquele imposto pago pelas pessoas físicas dos sócios, ambos vinculados ao mesmo fato gerador. Por uma razão simples. A reclassificação do sujeito passivo da operação que gerou ganho de capital, implica que o imposto devido passa a ser atribuído, no caso, à pessoa jurídica, de forma que eventual recolhimento/pagamento de imposto (exclusivo na fonte!) deste mesmo fato gerador, então realizado por pessoas que não o sujeito passivo, deve ser deduzido do IRPJ. Se a Administração Tributária tratou de reclassificar a natureza da sujeição passiva da obrigação tributária do fato gerador em questão (alienação de participação societária), de pessoa física para pessoa jurídica, não faz sentido manter a tributação da pessoa física no que se refere ao valor transferido para a pessoa jurídica. Fl. 2298DF CARF MF 28 Estamos diante de um erro de direito, uma interpretação equivocada da legislação acerca do assunto, entre a Interessada e seus sócios, não tendo havido uma intenção deliberada de fraudar o Fisco, absolutamente, como já me manifestei anteriormente ao analisar a questão da qualificação da multa de ofício. Se a Administração Tributária transferiu o fato gerador para a pessoa jurídica, e neste aspecto concordei com a reclassificação posta, legítima, evidente que o imposto de renda recolhido na pessoa física, sobre o mesmo fato gerador, deveria ser objeto de compensação do IRPJ ora apurado de ofício, sob pena de enriquecimento ilícito da União (afinal, ela estaria recebendo duas vezes pelo mesmo fato gerador). A autoridade autuante constatou que os sócios recolheram imposto em cima do fato gerador em debate nos autos, conforme alertou no seu Termo Fiscal. 75. Cumprenos consignar que os senhores Moise e Joseph recolheram a quantia total de R$ 373.720.002,51 a título de IRPF sobre o ganho relativo à alienação das participações na Aracruz. Tal valor, portanto, deve ser deduzido do IRPJ ora lançado, conforme adiante se mostra: IRPJ DEVIDO R$ 593.392.708,34 IR RECOLHIDO ( 373.720.002,51) IRPJ EXIGÍVEL R$ 219.672.705,83” Acrescento aqui, meu particular entendimento de que, apesar de o pagamento ser uma declaração daquele que paga, informando ao fisco o tributo pago, fato gerador, vencimento etc, quando da existência de ato de ofício a modificar a situação tributária que originou o pagamento realizado, a bem da realização dos princípios de justiça, há de se modificarem todos os fatos jurídicos resultantes daquele fato originalmente alterado para que nenhuma das partes, quer sujeitos passivos, quer o fisco, sejam prejudicados. Se a administração tributária puder alterar apesar a sujeição passiva da obrigação, sem permitir a adequação das situações dela decorrentes, acarretaríamos inegável prejuízo ao sujeitos passivos originários, que, no presente caso, não poderiam aproveitar os pagamentos realizados pela pessoa física sem prejudicarem seu próprio direito de defesa e seus interesses financeiros contra a autuação. Explico. Se acaso as pessoas físicas neste processo desejassem utilizar os pagamentos realizados para reduzir os valores lançados, somente poderiam fazêlo por meio de compensação, na forma do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Assim fazendo, teriam de reconhecer: 1) Que os pagamentos realizados foram indevidos, ou seja, desconsiderariam seus próprios atos; 2) Que os débitos compensados são perfeitos e exigíveis, reconhecendo sua exigibilidade, mesmo que parcial, sem a possibilidade de modificação pelo processo administrativo; 3) seriam penalizados, na compensação, com o acréscimo das multas de ofício que não mais poderiam ser revistas. Caso tentassem evitar tais danos, teriam de aguardar o trâmite de todo o processo administrativo de impugnação e, assim, o dano seria outro, o de ver atingido pela Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.286 29 decadência, em face da demora na solução do litígio, os créditos para com a Fazenda Nacional decorrentes dos pagamentos em questão. Assim, à vista do exposto e visando evitar o desequilíbrio entre direitos e obrigações entre as partes envolvidas, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio, mantendo a possibilidade de dedução, do valor da autuação, do montante pago pelas pessoas físicas a título de ganho de capital decorrente da mesma operação objeto desta autuação. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Declaração de Voto Conselheira Livia De Carli Germano Com a devida vênia ao Conselheiro relator, acabei por divergir de seu voto no mérito, pelas razões que passo a demonstrar. Tratase de operação envolvendo redução de capital e entrega de ações aos sócios pessoas físicas pelo valor contábil, os quais em seguida alienam tais ações a um terceiro apurando ganho de capital tributado pelo IRPF à alíquota de 15%. As autoridades fiscais pretenderam tributar a pessoa jurídica tal como se esta tivesse realizado a venda, ocasião em que a carga tributária efetiva seria de aproximadamente 34%. Os aspectos tributários da operação de redução de capital de pessoa jurídica com entrega de bens aos sócios estão expressamente regulados no artigo 22 da Lei 9.249/1995. Tal dispositivo estabelece que o negócio pode ser realizado por valor contábil ou de mercado, e somente neste último caso é que haverá tributação da pessoa jurídica que tem o capital reduzido. Tratase de nítida hipótese de opção fiscal, em especial quando se observa o contexto legislativo em que está inserido tal dispositivo. De fato, como bem observou a Recorrente, muito antes da vigência da Lei 9.249/1995, a redução de capital de pessoa jurídica mediante entrega de bens avaliados a valor contábil, quando este era notoriamente inferior ao de mercado, autorizava a presunção de distribuição disfarçada de lucros (DDL) nos termos do artigo 60 do DecretoLei 1.598/1977. Operandose tal presunção, a tributação ocorre tal como se o negócio tivesse sido realizado a valor de mercado, já que a legislação determina a adição ao lucro líquido da diferença entre o valor de mercado e o de alienação. De se notar, portando, que a transmissão de bens pela pessoa jurídica a valor contábil, mesmo em sendo este notoriamente inferior ao e mercado, não gera presunção de Fl. 2300DF CARF MF 30 DDL especificamente em razão da regra do artigo 22 da Lei 9.249/1995. Disso ninguém discorda. Na verdade, quando se trata de opções fiscais, as discussões se centram não mais no tipo de negócio celebrado, mas nos resultados obtidos, sendo especialmente importante avaliar se o negócio foi realizado no efetivo e legítimo exercício de tal opção (ou seja, se foram obtidos todos os efeitos que lhe são próprios ausência de simulação) e sem que o resultado se revele um contorno a regra que proíba ou obrigue conduta diversa (ausência de"abuso"1). No caso, fazendo tal análise, entendo que o negócio continua na esfera da lícita e legítima economia de tributos, sendo possível afirmar que não houve simulação nem contorno a uma regra cujo resultado se revele, em seus efeitos, contrário ao ordenamento. Isso porque, por um lado, o negócio não foi primeiramente pactuado pela pessoa jurídica para só então ter havido a redução de capital e entrega da participação societária para as pessoas físicas o que, aí sim, seria simulação. De fato, o que ocorreu foi uma proposta2 por parte da adquirente VCP, que obviamente foi destinada a quem, à época da oferta, era detentor da participação societária que se queria adquirir. Porém, a Arainvest não aceitou tal proposta, pelo contrário, declinou dela quando resolveu entregar as ações da Aracruz às pessoas físicas, de maneira que não se questiona que a VCP, ao mesmo tempo em que não celebrou qualquer negócio com a Arainvest, efetivamente formalizou o contrato de compra e venda das ações da Aracruz com as pessoas físicas. Por outro lado, a inexistência de "abuso" se verifica pela análise (i) da função da Arainvest sociedade holding que exercia especificamente os direitos sobre as ações da Aracruz, e que portanto teia seu papel esvaziado na transmissão de tais ações bem como (ii) do acordo de acionistas o qual estendia o direito ao tag along às pessoas físicas em questão, vejase (grifos nossos): “CLÁUSULA I DEFINIÇÕES 1.1 Salvo se grafadas apenas em letras minúsculas, as expressões abaixo, no singular ou plural, terão o significado que lhes é dado a seguir: (...) (f) ‘Adquirente’ tem o significado que lhe é atribuído no item 4.7.1 abaixo: ‘Afiliada’ é toda e qualquer pessoa física ou jurídica, residente ou com sede no Brasil ou no exterior, que (i) seja, direta ou indiretamente, Controlada por uma Acionista; (ii) detenha o Controle Societário, direto ou indireto, de uma das Acionistas; ou (iii) seja, direta ou indiretamente, Controlada por qualquer pessoa que, direta ou indiretamente, exerça o Controle Societário de uma das Acionistas; ‘Alienar’ é o ato de vender, ceder, colocar sob Gravame, transferir, permutar, mutuar, alienar ou dispor sob qualquer outra forma, 1 Em geral preferimos evitar a utilização do termo "abuso" eis que este não está previsto em nosso ordenamento e costuma trazer mais discussões que respostas. De qualquer forma, referimonos aqui ao que muitos denominam abuso de direito, ausência de substância, falta de propósito negocial, fraude à lei intrínseca ou mesmo elusão fiscal. Juridicamente, tratase de uma espécie de ilícito atípico, ou seja, um negócio que, de maneira geral, não é proibido pelo ordenamento (pelo contrário, é permitido, portanto a princípio lícito) mas que, no caso concreto, especificamente em razão do resultado atingido, tornase vedado e/ou merece ter determinados efeitos desconsiderados para garantia de equilíbrio do próprio ordenamento (por ter se tornado ilegítimo). Fizemos uma análise mais detalhada de tais conceitos em nosso "Planejamento Tributário e Limites para a Desconsideração de Negócios Jurídicos". São Paulo: Saraiva, 2013, p. 81 e segs. 2 Código Civil: (grifamos) Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.287 31 inclusive subscrevendo ações ou quotas de outras sociedades com as Ações, seja de maneira efetiva ou por mera promessa, incluindo – mas não se limitando a – qualquer outro ato que resulte na transferência, disposição ou oneração de Ações, entendendose ‘Alienação’ como o efeito de qualquer de tais atos; (...)” “CLÁUSULA III DA NÃO ALIENAÇÃO DAS AÇÕES 3.1 De forma reconhecida pelas Acionistas ser totalmente compatível com o disposto em outros instrumentos subscritos por estas, que têm por objeto sua respectiva participação no capital da Companhia, cada uma das Acionistas, neste ato, e desde já, se obriga a, enquanto viger o Acordo Original, não Alienar sob qualquer forma suas Ações sem prévia e expressa anuência a exclusivo critério da outra Acionista, excetuadas única e exclusivamente as hipóteses permissivas no item 4.7 e no item 5.2 abaixo, nem permitir – respeitado o disposto no Acordo Original – que sua participação no capital da Companhia representado por Ações reduzase abaixo do Percentual Atual. (...)” “CLÁUSULA IV DO DIREITO DE PREFERÊNCIA 4.1. Observado o disposto na Cláusula XII abaixo no que se refere à eficácia desta obrigação, cada uma das Acionistas, neste ato, se obriga a não Alienar, direta ou indiretamente, suas Ações, sem previamente assegurar o direito de preferência à outra Acionista, na forma da Cláusula IV e item 5.3. (...) 4.7 A obrigação de assegurar o direito de preferência estabelecido nesta Cláusula IV, bem como o direito de Venda Conjunta assegurado às Acionistas na forma da Cláusula VI abaixo, bem como a vedação de que trata o item 4.4, não se aplicarão: (a) à Alienação de 1 (uma) Ação por qualquer das Acionistas aos membros do conselho de administração da Companhia que indicarem; ou (b) à Alienação de Ações por qualquer das Acionistas a qualquer pessoa que seja sua Afiliada. 4.7.1 Observado o disposto no item 4.7.2 abaixo, as Ações que vierem a ser objeto de Alienação por qualquer as Acionistas nas hipóteses estabelecidas nas letras (a) e (b) do item 4.7 acima permanecerão inteiramente vinculadas a este Acordo, que, no caso da letra ‘b’, será estendido ao adquirente das respectivas Ações (doravante referido simplesmente como ‘Adquirente’) através de a assinatura de termo específico, conforme preceitua a Cláusula VII. (...)” “CLÁUSULA VII ADESÃO AO ACORDO 7.1 Sem prejuízo de qualquer disposição contida neste Acordo, será condição prévia de qualquer Alienação contemplada neste instrumento que o respectivo adquirente assuma, por escrito, prévia e integralmente e sem ressalvas, as obrigações da Acionista alienante decorrentes deste Acordo.* 7.2 Não são válidas as Alienações, inclusive a constituição de quaisquer Gravames sobre as Ações, em desacordo com o disposto nesta Cláusula VII ou na Cláusula V, conforme o caso.” (destaques da Recorrente) *A assinatura do termo de “Adesão ao Acordo de Acionistas” ocorreu em 12.02.2009 (fl. 1.796), antes da venda das ações à VCP. O caso é, portanto, peculiar. A redução de capital ocorreu em um contexto específico revelandose eficiente tanto em termos fiscais quanto de negócio. Além disso, a negociação da compra e venda das ações da Aracruz não teria sido de nenhuma forma diferente caso a redução de capital da Arainvest e entrega das ações às pessoas físicas tivesse ocorrido antes de a VCP formalizar a oferta de compra quer o preço, quer qualquer outra condição da oferta, nada se alteraria. A única diferença seria que, em assim sendo, faria (ainda) menos sentido o fisco questionar a operação. Esta é a síntese das razões pelas quais orientei meu voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2302DF CARF MF 32 Declaração de Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Com a devida vênia ao nobre Colega Relator, vou discordar do seu voto e acompanhar a divergência pelas razões já expostas pela Conselheira Lívia de Carli. Além disso, cumpre ressaltar que não obstante o alto grau de subjetividade existente em qualquer discussão relacionada à existência ou inexistência de propósito negocial nas operações, face à mais que concreta objetividade da lei. Isto porque, o conceito de propósito negocial carece de fundamento legal, tornandose absolutamente subjetivo e abrangente. Partindo deste conceito adotado pelo Fisco, a presença de um propósito negocial deve ser precedente e, além, originária na operação. Entretanto, a indefinição dos conceitos no ordenamento jurídico impede a formação de entendimento uniforme, tornando qualquer discussão acerca das operações de ágio como ao menos parcialmente subjetivas, afastandose do princípio da tipicidade cerrada que foi base de formação do direito tributário. É freqüente utilização pelo Fisco da teoria da ausência de propósito negocial por meio do qual defende que a simples inexistência sob sua ótica outros motivadores para a operação que não o alcance do benefício fiscal, tem sido usada como elemento suficiente para invalidar os atos do contribuinte ou o benefício fiscal almejado. Tal lógica ao meu ver se afasta da necessária objetividade da lei tributária, fundada no princípio da tipicidade cerrada, além de afetar a segurança jurídica vez que diversas regras e estruturas criadas pelo legislador brasileiro oferecem um benefício fiscal aos contribuintes como parte integrante de uma política econômica. Nesse sentido entendo ser absolutamente claro o exemplo trazido pelo Conselheiro desta Primeira Seção, Luiz Fabiano Alves Penteado em caso semelhante ao aqui tratado: Usualmente menciono em meu votos, de forma exemplificativa, o regime fiscal da Zona Franca de Manaus, que oferece incentivos fiscais para as empresas que lá se estabelecerem e produzirem, gerando empregos, desenvolvimento econômico/social e, mesmo, arrecadação de tributos para a região. Neste caso, não há qualquer exigência de que as empresas lá estabelecidas tenham propósitos negociais além do gozo do incentivo fiscal em si, para lá se estabelecerem. Isso porque, nenhuma empresa busca a Zona Franca de Manaus em razão da maior proximidade com o mercado consumidor, melhor infraestrutura ou maior oferta de mão de obra qualificada. O objetivo é o gozo do incentivo fiscal, que seja suficiente para compensar os desafios e dificuldades adicionais. Isso é garantido às empresas que cumpram todos os requisito da Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 16561.720165/201490 Acórdão n.º 1401002.196 S1C4T1 Fl. 2.288 33 legislação, independentemente da existência de outras razões. Este é um exemplo do caráter indutor da norma, no sentido de que quando a legislação cria um determinado benefício, acaba por induzir o contribuinte a agir de determinada forma. Ademais, além de tudo o quanto exposto, como bem observado pelo Recorrente e no voto divergente, a operação realizada não era indispensável para se obter a redução tributária contestada. Desta forma, havendo outra forma de se obter o mesmo resultado econômico, não há o que se questionar a operação societária, que foi um claro exercício da liberdade negocial assegurada ao contribuinte. Esse também é entendimento firmado no CARF: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago. A circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. (Acórdão 1102000.982 1° Câmara / 2° Turma Ordinária Sessão de 04/12/2013 Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo) No mesmo sentido foi o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior no Acórdão 1302001.186 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária: Por outro lado, a constituição da NAVPAR teve como propósito possibilitar o aproveitamento do ágio, como afirma a autoridade lançadora? A resposta é irrefragavelmente não, pelas seguintes razões. Primeiro, ninguém discute a existência do ágio e o seu efetivo pagamento pela recorrente aos membros da família Schwec. Logo, mesmo que não existisse a NAVPAR, se a recorrente e a Sogil tivessem adquirido diretamente o controle da Auto Viação Navegantes com ágio, poderiam cindila e passar a deduzir a amortização do ágio das suas bases tributáveis. Logo, fica evidente que esse malabarismo societário se deve a razões meramente empresariais, que os obrigavam a preservar a Auto Viação Navegantes, ou seja, preferindo assim criar uma intermediária. Fl. 2304DF CARF MF 34 Além disso, caso viesse a ser declarado nulo o ato de constituição da NAVPAR, por ser um ato simulado, subsistiria o ato dissimulado, o qual consistiria em uma participação da recorrente na Auto Viação Navegantes com ágio no mesmo valor que fora registrado na aquisição da NAVPAR, sendo que, por óbvio, para que a sua amortização viesse a ser dedutível do IR e da CSLL, bastava que houvesse a mesma operação que foi feita com a NAVPAR. Logo, ainda que se admita a existência de um pacto prévio de constituição da NAVPAR, este não serviu para dissimular ato tributariamente mais oneroso, pois os efeitos tributários seriam os mesmos caso a NAVPAR não viesse a ser constituída, razão pela qual entendo que não houve simulação fiscal. Diante do exposto, complementando as minhas razões à da divergência, entendo assistir razão quanto ao mérito, razão pela qual voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 2305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13628.720355/2013-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2011
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), nos termos da IN 1.110, de 2010, competia, inclusive, nos casos de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a sanção pelo descumprimento de tal obrigação instrumental encontra amparo na Lei n.º 10.426/2002.
Numero da decisão: 1002-000.091
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrente FERREIRA PENNA DISTRIBUIDOR DE MATERIAIS HOSPITALARES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), nos termos da IN 1.110, de 2010, competia, inclusive, nos casos de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista que a sanção pelo descumprimento de tal obrigação instrumental encontra amparo na Lei n.º 10.426/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 8. 72 03 55 /2 01 3- 16 Fl. 63DF CARF MF 2 Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada de 09/02/2017, consubstanciada no Acórdão n.º 0373.104, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de Outubro do AnoCalendário 2011, deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. OBRIGATORIEDADE. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da Declaração ..., na forma em que foi consignada no lançamento de ofício. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O auto de infração em espécie foi lavrado, eletronicamente, em 05/07/2013, na DRF Governador Valadares, homologado por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n.º 11.051, de 2004. Demonstrativo: Outubro/2011, Multa R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, reiterou a impugnação. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13628.720355/201316 Acórdão n.º 1002000.091 S1C0T2 Fl. 64 3 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, suavizando se o requisito no âmbito do processo administrativo fiscal, e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. É que a Instrução Normativa n.º 1.110, de 2010, que disciplina o assunto enuncia que: Art. 1.º As normas disciplinadoras da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas a fatos geradores que ocorrerem a partir de 1.º de janeiro de 2011, são as estabelecidas nesta Instrução Normativa. (...) Art. 5.º As pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15.º (décimo quinto) dia útil do 2.º (segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. § 1.º O disposto no caput aplicase, inclusive, aos casos de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial. Demais disto, o recurso não estabeleceu qualquer dialeticidade para impugnar a decisão recorrida, valendose do pedido para que fosse encaminhada a impugnação para análise da segunda instância. Desta forma, não vejo como reparar a decisão vergastada do juízo a quo. Registrese, por oportuno, que é vedado a este Conselho apreciar questão de constitucionalidade, ou não, da legislação tributária. A Súmula CARF n.º 2 dispõe que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10194876, de 25/02/2005, Acórdão n.º 10321568, de 18/03/2004, Acórdão n.º 105 14586, de 11/08/2004, Acórdão n.º 10806035, de 14/03/2000, Acórdão n.º 10246146, de 15/10/2003, Acórdão n.º 20309298, de 05/11/2003, Acórdão n.º 20177691, de 16/06/2004, Acórdão n.º 20215674, de 06/07/2004, Acórdão n.º 20178180, de 27/01/2005, Acórdão n.º 20400115, de 17/05/2005. Por corolário lógico, não há que se afastar a legislação tributária que rege à espécie, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que impôs a multa, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Observese, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento ao dispor que: "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação Fl. 65DF CARF MF 4 ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Por sua vez, a denúncia espontânea, também está sumulada, nestes termos: "Súmula CARF n.º 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." A mencionada súmula foi lavrada com base nos seguintes paradigmas: Acórdão n.º CSRF/0400.574, de 19/06/2007, Acórdão n.º 19200.096, de 06/10/2008, Acórdão n.º 19200.010, de 08/09/2008, Acórdão n.º 10709.410, de 30/05/2008, Acórdão n.º 10249.353, de 10/10/2008, Acórdão n.º 10196.625, de 07/03/2008, Acórdão n.º 107 09.330, de 06/03/2008, Acórdão n.º 10709.230, de 08/11/2007, Acórdão n.º 10516.674, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.676, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.489, de 23/05/2007, Acórdão n.º 10809.252, de 02/03/2007, Acórdão n.º 10195.964, de 25/01/2007, Acórdão n.º 10809.029, de 22/09/2006, Acórdão n.º 10194.871, de 25/02/2005. Dito isto, asseverese que o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelece a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar (...), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, (...), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13628.720355/201316 Acórdão n.º 1002000.091 S1C0T2 Fl. 65 5 responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida e o crédito tributário lançado na forma constante do auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.000911/2003-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RESULTADO DO JULGAMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a contradição existente no acórdão recorrido, quando contém proposições inconciliáveis no resultado do julgamento.
Numero da decisão: 2401-005.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, para sanar a contradição apontada no Acórdão 303-35.235, retificando a parte dispositiva para: "ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário quanto à área de utilização limitada (reserva legal). Vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Luís Marcelo Guerra de Castro e Celso Lopes Pereira Neto, que negaram provimento; b) por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bártoli, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Anelise Daudt Prieto; c) Por unanimidade de votos de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário quanto ao VTN, às benfeitorias e às áreas de exploração extrativa. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado LEME EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RESULTADO DO JULGAMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar a contradição existente no acórdão recorrido, quando contém proposições inconciliáveis no resultado do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 09 11 /2 00 3- 19 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10240.000911/200319 Acórdão n.º 2401005.311 S2C4T1 Fl. 149 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, para sanar a contradição apontada no Acórdão 30335.235, retificando a parte dispositiva para: "ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário quanto à área de utilização limitada (reserva legal). Vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Luís Marcelo Guerra de Castro e Celso Lopes Pereira Neto, que negaram provimento; b) por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bártoli, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Anelise Daudt Prieto; c) Por unanimidade de votos de votos, negouse provimento ao recurso voluntário quanto ao VTN, às benfeitorias e às áreas de exploração extrativa. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10240.000911/200319 Acórdão n.º 2401005.311 S2C4T1 Fl. 150 3 Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 142, contra o Acórdão nº 30335.235, de 24/04/2008, proferido pela 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, o qual está juntado às fls. 124/138. 2. Alega a embargante a existência de contradição no dispositivo do acórdão recorrido, visto que, inicialmente, deuse provimento ao recurso voluntário em relação à área de preservação permanente para, logo em seguida, negar provimento à exclusão dessa mesma área para efeito de cálculo do imposto. 3. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 19/10/2015, que interpôs os embargos de declaração em 20/10/2015 (fls. 141 e 143). 4. Tendo em vista que se trata de embargos contra decisão proferida por colegiado que não mais tem competência regimental para apreciação de recursos acerca do tributo discutido, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da Seção competente para exame da matéria (fls. 145/146). 4.1 Recebidos os aclaratórios, determinouse a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas à devida apreciação para saneamento do vício apontado pela Fazenda Nacional. É o relatório Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10240.000911/200319 Acórdão n.º 2401005.311 S2C4T1 Fl. 151 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 5. Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 6. Pois bem. A simples leitura do resultado do julgamento constante do Acórdão nº 30335.235 não deixa dúvidas sobre a existência de proposições inconciliáveis entre si no que diz respeito à área de preservação permanente (fls. 125): ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Luís Marcelo Guerra de Castro e Celso Lopes Pereira Neto, que negaram provimento; b) por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Anelise Daudt Prieto; c) por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário quanto ao VTN, às benfeitorias e às áreas de exploração extrativa. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. (DESTAQUEI) 7. Nada obstante, o restante do acórdão embargado, composto por ementa, relatório, voto vencido e voto vencedor, apresenta coerência e permite extirpar a contradição da parte dispositiva do julgado. Senão vejamos. 8. O relator originário do recurso voluntário foi o conselheiro Nilton Luiz Bártoli, o qual, no seu voto vencido, deu provimento parcial para apenas restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal. O voto foi formalizado pelo conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, designado "ad hoc", nesses termos (fls. 131/136): (i) Área de Preservação Permanente e Área de Utilização Limitada (Reserva Legal): dado provimento ao recurso voluntário; 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10240.000911/200319 Acórdão n.º 2401005.311 S2C4T1 Fl. 152 5 (ii) Valor da Terra Nua (VTN): desprovimento do recurso voluntário; (iii) Área Ocupada com Benfeitorias: desprovimento do recurso voluntário; e (iv) Área de Exploração Extrativa: desprovimento do recurso voluntário. 9. Por sua vez, o voto vencedor, igualmente formalizado pelo conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, designado "ad hoc", limitouse a tratar de uma única matéria divergente em relação ao voto proferido pelo relator originário, especificamente quanto à exclusão da área de preservação permanente (fls. 136/138). 9.1 Após a fundamentação, concluiu o voto vencedor que: (...) Por tal razão, por carecer de elementos de prova, há que se negar provimento ao recurso em relação à área de preservação permanente. (...) 10. Como se observa das linhas acima, o relator originário, conselheiro Nilton Luiz Bártoli, restou vencido em um ponto específico, qual seja a exclusão da área de preservação permanente. 11. Á vista disso, para sanar o vício de contradição, o resultado do julgamento deve ser corrigido para: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário quanto à área de utilização limitada (reserva legal). Vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Luís Marcelo Guerra de Castro e Celso Lopes Pereira Neto, que negaram provimento; b) por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bártoli, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Anelise Daudt Prieto; c) por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário quanto ao VTN, às benfeitorias e às áreas de exploração extrativa. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. (DESTAQUEI A PARTE RETIFICADA) Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10240.000911/200319 Acórdão n.º 2401005.311 S2C4T1 Fl. 153 6 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO e ACOLHO os embargos declaratórios para sanar a contradição no Acórdão nº 30335.235, mediante a retificação da redação da parte dispositiva, nesses termos: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário quanto à área de utilização limitada (reserva legal). Vencidos os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Luís Marcelo Guerra de Castro e Celso Lopes Pereira Neto, que negaram provimento; b) por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bártoli, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Anelise Daudt Prieto; c) por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário quanto ao VTN, às benfeitorias e às áreas de exploração extrativa. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 153DF CARF MF
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