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Numero do processo: 19647.004210/2005-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do presente recurso em DILIGÊNCIA, em face da conexão com o processo nº 19647.009690/2006-99, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do presente recurso em DILIGÊNCIA, em face da conexão com o processo nº 19647.009690/2006-99, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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DILIGENCIA/CONEXÃO Recorrente TIM NORDESTE TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do presente recurso em DILIGÊNCIA, em face da conexão com o processo nº 19647.009690/200699, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes – Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 04 21 0/ 20 05 -1 2 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19647.004210/200512 Resolução nº 1301000.187 S1C3T1 Fl. 7 2 Relatório A interessada acima qualificada apresentou Declarações de Compensação – DCOMPs, por meio das quais compensou crédito da CSLL com débitos de estimativas da contribuição apuradas nos meses dos anos calendários 2001, 2002 e 2003. 0 crédito informado, no valor de R$ 1.118.536,65, seria decorrente de saldo negativo da contribuição apurado em 31/12/2000. 2. Em diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal DRF no Recife (relatório de fls. 53/61), concluiuse pela existência de direito creditório no valor de R$ 512.490,87. Por meio do Despacho Decisório de fl. 62, a autoridade a quo, acatando os fundamentos expostos no relatório, homologou parcialmente as compensações, até o limite do crédito reconhecido. 3. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da TELPE CELULAR S/A, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 69/81), alegando, em síntese: a) que o reconhecimento a menor do direito creditório devese ao entendimento, expresso no auto de infração lavrado no processo n° 19647.009690/200699, de ser indedutivel a amortização do ágio e de ter havido exclusão indevida de valores também relacionados ao ágio; b) que a amortização do ágio e as exclusões realizadas pela empresa estão amparadas pela legislação, além de que o lançamento teria sido realizado após o prazo decadencial, e que a solução do litígio depende da decisão a ser proferida nos autos do processo n° 19647.009690/200699; c) que houve a denúncia espontânea da infração, pelo que se eximiria da aplicação da multa de mora, com arrimo no art. 138 do CTN; d) que a imputação proporcional de principal e multa é ilegal e e) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que teria havido, ao que infere, acréscimo no valor dos débitos, o que afrontaria os arts. 145, 146 e 149 do CTN. Ao final, requereu a reforma do despacho decisório, para que sejam homologados os débitos em sua integralidade. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RECIFE), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1128.997, de 28/02/2010 (fls. 188), julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Anocalendário: 2000 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 19647.004210/200512 Resolução nº 1301000.187 S1C3T1 Fl. 8 3 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. CRÉDITO RECONHECIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS. LIMITE. Reconhecido parcialmente o direito credit6rio, homologase a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE JUROS E DE MULTA DE MORA. Na compensação espontânea efetuada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais (multa de mora e juros), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PROCEDIMENTO DE IMPUTAÇÃO. A compensação de tributo ou contribuição será acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2000. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E 1NCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes Tara a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 19647.004210/200512 Resolução nº 1301000.187 S1C3T1 Fl. 9 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Extraise do relatório que o presente processo administrativo tem como objeto a compensação do crédito decorrente de CSLL com débitos de estimativas da contribuição apurados em meses dos anoscalendário 2001, 2002 e 2003. 0 crédito informado, no valor de R$ 1.118.536,65, seria decorrente de saldo negativo da contribuição apurado em 31/12/2000. Na peça recursal, repetindo as argumentações iniciais, discorre a recorrente sobre os seguintes tópicos: I Vinculação deste processo ao processo n° 19647.009690/200699; II A denúncia espontânea afasta a imposição de qualquer tipo de multa; III Ilegalidade na imputação proporcional de principal e multa, e IV Indevida Revisão de Lançamento. Extraise dos autos, em primeiro plano, que em decorrência de ação fiscal de que foi alvo a contribuinte, efetuouse lançamento para exigirlhe crédito tributário, tendo sido formalizado o processo nº 19647.009690/200699. Motivou a lavratura do auto de infração, entre outras infrações, o irregular tratamento fiscal dado pela ora recorrente ao ágio havido sobre operações com empresas do mesmo grupo. O lançamento, no tocante às mencionadas infrações, foi mantido pela Delegacia de Julgamento de Recife (Acórdão nº 21.175, de 13 de dezembro de 2007), encontrandose, nesta data, conforme pesquisa no eprocesso pendente de julgamento por esta Corte Administrativa (2a.TO/4a. CAM/1a.SEJUL, distribuído ao Conselheiro Carlos Pelá). O fato é que refeitos os cálculos do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com o expurgo dos reflexos advindos das infrações, apurouse saldo a pagar ou saldo negativo do imposto ou da contribuição inferior ao declarado em DIPJ, conforme demonstrado em relatório fiscal. Em decorrência as estimativas que deram supedâneo aos créditos declarados nas DCOMPs apresentadas foram parcialmente homologadas e os saldos remanescentes por se constituírem em confissão de dívidas perante a Fazenda Pública estão sendo cobrados a partir do presente processo administrativo. No entanto, ao meu ver, em que pese as argumentações da autoridade julgadora em primeira instância para manter parcialmente a homologação tendo em vista a carência de liquidez e certeza da totalidade dos créditos pleiteados em DCOMPs, entendo que a insuficiência do Saldo Negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Base de Cálculo da CSLL decorreu justamente pela glosa da amortização de despesa com ágio tratada no processo administrativo nº 19647.009690/200699, o que resultou na ausência de pagamentos das estimativas e conseqüente imputação proporcional dos juros e multa de mora. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 19647.004210/200512 Resolução nº 1301000.187 S1C3T1 Fl. 10 5 Neste passo, resta evidente que a análise de mérito tratado no presente processo depende do julgamento administrativo em definitivo do processo conexo (n° 19647.009690/200699), pois, os feitos administrativos se relacionam (composição do SNIRPJ e da Base de Cálculo da CSLL do AC/2003). O C.P.C, cuja disciplina é subsidiária ao PAF, define claramente a conexão, a continência e a identidade de ações, todas causas de prevenção de competência. Comparando se o presente processo com o processo n° 19647.009690/200699, observamse as mesmas partes envolvidas em ambos os processos, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto (pedido). Entre os processos referidos há mais do que conexão, ou mesmo continência, há identidade de ações no âmbito administrativo. Portanto, o apensamento deste processo àquele outro já referido é medida que se impõe pela litispendência evidente. Entendese que a decisão quanto ao pedido de homologação de compensação formalizado nos presentes autos representa matéria dependente da decisão final administrativa a ser dada no outro processo de n° 19647.009690/200699. Finalizando e acolhendo as razões trazidas pela contribuinte em sede de recurso voluntário, qual seja: pendência de decisão administrativa final ao processo principal do auto de infração, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para os fins de apensação do presente processo ao de n°. 19647.009690/200699 para julgamento em conjunto, por absoluta litispendência entre as matérias. Ao final ressalto que, neste caso, não há a necessidade de ciência ao contribuinte e à Fazenda Nacional para o prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000478/2008-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/05/2008
SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES ENTRE O PARADIGMA E O ACÓRDÃO RECORRIDO. DIVERGÊNCIA INEXISTENTE.
Não se conhece do recurso especial quando as situações fáticas do paradigma apontado e do acórdão recorrido são completamente diferentes, não dando a menor chance para o cotejo de divergência na aplicação da lei tributária.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 9303-004.200
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que o conhecia.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/05/2008 SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES ENTRE O PARADIGMA E O ACÓRDÃO RECORRIDO. DIVERGÊNCIA INEXISTENTE. Não se conhece do recurso especial quando as situações fáticas do paradigma apontado e do acórdão recorrido são completamente diferentes, não dando a menor chance para o cotejo de divergência na aplicação da lei tributária. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NÃO CONHECIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que o conhecia. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente Interino Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
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DIVERGÊNCIA INEXISTENTE. Não se conhece do recurso especial quando as situações fáticas do paradigma apontado e do acórdão recorrido são completamente diferentes, não dando a menor chance para o cotejo de divergência na aplicação da lei tributária. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Robson José Bayerl, que o conhecia. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator e Presidente Interino Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 04 78 /2 00 8- 93 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado tempestivamente pelo contribuinte acima, em face do acórdão n° 3401002.357, de 21/08/2013, cuja ementa, na parte pertinente ao exame, se transcreve a seguir: (...) FALTA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. VÁRIOS MANIFESTOS. ÚNICA ESCALA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA CUMULADA POR CADA DOCUMENTO. A multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto nº 37/66 deve incidir sobre cada infração apurada, assim entendida, no caso sub examine, cada manifesto de passagem não vinculado ao porto de escala em território nacional, como exige a legislação de regência, ex vi do art. 37, caput do DecretoLei nº 37/66 e IN RFB 800/07. A recorrente suscitou divergência quanto à aplicação de uma multa para cada manifesto de passagem não vinculado ao porto de escala. Foi admitido o recurso especial. A recorrente trouxe o acórdão 3201000.756 como paradigma (inteiro teor da decisão juntada nos autos), que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: (...) EXPORTAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS O descumprimento da obrigação de informação de dados de embarque de exportação, no prazo previsto na legislação, constitui infração que deve ser penalizada com a multa prevista no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, regulamentada pelo art. 37 da IN SRF n° 28/94, aplicada em relação a cada veiculo transportador, e não em relação a cada despacho de exportação presente nesse mesmo veiculo. A defesa da recorrente adverte que a matéria foi prequestionada e invoca a aplicação da teoria da infração continuada, em que as sete multas advieram de um único evento ausência de vinculação dos manifestos em uma única escala no porto de Suape em Pernambuco. Nas contrarazões, a Fazenda Nacional atenta para a inexistência de divergência, por discrepância de situações fáticas e jurídicas, e requer o desprovimento do recurso especial, com base nos próprios fundamentos da decisão recorrida. É o relatório Fl. 257DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000478/200893 Acórdão n.º 9303004.200 CSRFT3 Fl. 714 3 Voto O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais à admissibilidade ditados pelo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante demonstro a seguir. Da análise cotejada entre o paradigma apontado e o Acórdão recorrido não se verifica a divergência capaz de ensejar a revisão do julgamento em sede de recurso especial, porquanto as situações fáticas entre as lides julgadas são extremamente diversas. Logo em primeiro plano, cumpre observar que o acórdão recorrido trata de auto de infração por ter a recorrida deixado de vincular vários manifestos de passagem ao porto de escala em território nacional, em 18/05/2008, com base na IN SRF 800/2007; ao passo que o paradigma trata de exigência fiscal por ter o contribuinte informado intempestivamente dados de embarque em despacho de exportação, em 29/08/2006, com espeque na IN SRF 28/94. Assim é que apesar de ambos os julgados terem como base legal para a imputação o art 107, IV, "e", do Decretolei nº 37/66, a infração em si perpetrada pelos autuados é totalmente diferente nos dois contenciosos, porque o indigitado tipo penal tributário é múltiplo1 e comporta vários comportamentos infracionais, e por vários sujeitos, tanto na importação como na exportação de mercadorias. De tal modo, que não houve discussão jurídica sobre a mesma matéria, já que a legislação que regulamentava os procedimentos a serem praticados pelos autuados são bem diversas, inclusive sob o prisma temporal. Do exposto, voto pelo não conhecimento do presente recurso. 1 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 259DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 15983.720104/2011-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 01 04 /2 01 1- 56 Fl. 531DF CARF MF Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 9202004.740 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 9202004.740 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 9202004.740 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 534DF CARF MF Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 9202004.740 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 9202004.740 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 536DF CARF MF Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 9202004.740 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 9202004.740 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 538DF CARF MF Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 9202004.740 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 15983.720104/201156 Acórdão n.º 9202004.740 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 540DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.903676/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 02/05/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 76 /2 01 2- 51 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903676/201251 Acórdão n.º 3402003.643 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06046.016, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903676/201251 Acórdão n.º 3402003.643 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903676/201251 Acórdão n.º 3402003.643 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903676/201251 Acórdão n.º 3402003.643 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903676/201251 Acórdão n.º 3402003.643 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.004921/2010-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 49 21 /2 01 0- 35 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 9202004.717 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 9202004.717 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 9202004.717 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 9202004.717 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 9202004.717 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 9202004.717 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 9202004.717 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 9202004.717 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13888.004921/201035 Acórdão n.º 9202004.717 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721047/2013-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PARCELAMENTO DE TODOS OS CRÉDITOS DO PROCESSO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO.
Solicitada a inclusão de todos os créditos discutidos em parcelamento federal, deve-se aplicar o art.78, §§ 2 e 3 do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso voluntário.
Numero da decisão: 3402-003.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela inserção dos créditos tributários em parcelamento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PARCELAMENTO DE TODOS OS CRÉDITOS DO PROCESSO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. Solicitada a inclusão de todos os créditos discutidos em parcelamento federal, devese aplicar o art.78, §§ 2 e 3 do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela inserção dos créditos tributários em parcelamento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 10 47 /2 01 3- 40 Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, fls. 629/662, que constituíram o crédito tributário total de R$ (...), somados o principal, multa de ofício e juros de mora. Por razões de economia, recorrese ao relatório da DRJ: No Termo de Verificação Fiscal, fls. 593/628, a autoridade elenca as infrações detectadas em sua auditoria: a) exclusão indevida de receitas da base de cálculo das contribuições oriundas de comissões sobre intermediação de negócios entre seus clientes e instituições financeiras. A esta infração foi aplicada multa qualificada calcada no que foi entendido como conduta reiterada da contribuinte; b) falta de tributação de bonificações comerciais concedidas por montadoras sob condição de cumprimento de metas; c) falta de tributação de receitas decorrentes de “bônus por adimplência”, mecanismo de fomento estabelecido por montadora para aquisição de veículos pelas concessionárias. Cientificada, a interessada apresentou Impugnação, fls. 670/722, requerendo, em sua própria síntese: (i) Preliminarmente, seja cancelado o lançamento no que diz respeito a Comissões Sobre Financiamentos, tendo em vista carregar vício material sobre a apuração do crédito; (ii) No mérito, sejam canceladas integralmente as exigências referentes ao PIS e à COFINS, referentes às devoluções recebidas pelo Sistema de Fomento Renault e Sistema Hold Back, assim como dos valores recebidos a título de Incentivos de Vendas no Varejo e Comissões Sobre Financiamentos, por não se encontrarem no campo de incidência do PIS e da COFINS; (iii) Subsidiariamente, em sendo mantido o lançamento sobre as Comissões sobre Financiamentos, seja cancelada a multa agravada, uma vez que não praticou qualquer ato de fraude ou simulação, estando devidamente registrados e declarados os valores recebidos. A impugnação foi julgada improcedente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. CONDIÇÕES. A constituição de ofício do crédito tributário por meio de Auto de Infração somente é passível de anulação se efetuada por agente incompetente. A discussão de matéria de mérito não provoca a anulação do lançamento. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.721047/201340 Acórdão n.º 3402003.208 S3C4T2 Fl. 3 3 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. COMISSÕES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Comissões recebidas em remuneração por intervenção no processo de obtenção de financiamentos por clientes constituem receitas por serviços prestados e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições. DECLARAÇÃO INEXATA. REITERAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prática deliberada e inescusável da declaração reiterada de receitas tributáveis como se fossem passíveis de incidência de alíquota zero, representa prática dolosa passível de aplicação da multa qualificada por intuito de fraude. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. BONIFICAÇÕES COMERCIAIS. O faturamento, universo representativo da base de cálculo das contribuições apuradas pela sistemática não cumulativa, engloba os bônus recebidos pelo sujeito passivo em função do cumprimento de metas de comercialização e prestação de serviços. Com efeito, trata se de valores incorporados definitivamente ao patrimônio do sujeito passivo e, portanto, passível de tributação a título de receita bruta. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. FOMENTO. FINANCIAMENTO. O recebimento de valores a título de fomento comercial, proveniente de fundo comum gerido por terceiros, constitui apropriação de receita tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. CONDIÇÕES. A constituição de ofício do crédito tributário por meio de Auto de Infração somente é passível de anulação se efetuada por agente incompetente. A discussão de matéria de mérito não provoca a anulação do lançamento. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. COMISSÕES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Comissões recebidas em remuneração por intervenção no processo de obtenção de financiamentos por clientes constituem receitas por serviços prestados e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 DECLARAÇÃO INEXATA. REITERAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prática deliberada e inescusável da declaração reiterada de receitas tributáveis como se fossem passíveis de incidência de alíquota zero, representa prática dolosa passível de aplicação da multa qualificada por intuito de fraude. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. BONIFICAÇÕES COMERCIAIS. O faturamento, universo representativo da base de cálculo das contribuições apuradas pela sistemática não cumulativa, engloba os bônus recebidos pelo sujeito passivo em função do cumprimento de metas de comercialização e prestação de serviços. Com efeito, trata se de valores incorporados definitivamente ao patrimônio do sujeito passivo e, portanto, passível de tributação a título de receita bruta. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. FOMENTO. FINANCIAMENTO. O recebimento de valores a título de fomento comercial, proveniente de fundo comum gerido por terceiros, constitui apropriação de receita tributável. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os fundamentos de sua impugnação. Posteriormente, o mesmo ingresso em regime de parcelamento de tributos federais, solicitando a desistência do Recurso em relação aos tributos consolidados. Em seguida, apresentou pedido de revisão da consolidação para incluir os demais créditos discutidos nesse processo no parcelamente, no que foi deferido pela autoridade competente. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recorrente solicitou o ingresso no parcelamento da lei nº 12.996/2014, incluindo na consolidação dos débitos a serem parcelados os créditos tributários discutidos no presente processo, relativos ao anoexercício de 2009, conforme telas de fls.17491751. No recibo de consolidação, verificouse que em relação aos créditos deste processo, foram consolidados apenas aqueles referentes aos meses 01 a 05/2009 (fl. 1758). Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.721047/201340 Acórdão n.º 3402003.208 S3C4T2 Fl. 4 5 Todavia, o Recorrente apresentou pedido para incluir na consolidação os demais créditos (fls. 17421765), o que foi deferido pela autoridade competente, em despacho de fls. 18091815, nos seguintes termos: Assim, uso da competência atribuída pelo art. 302, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203 de 14 de maio de 2012, pelo art. 13, I, “b” da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 30 de julho de 2014, pela delegação de competência conforme art. 3º, I, § 4º, Portaria DRF/FNS no 69, de 16 de julho de 2012 para, reconhecendo a procedência do pedido de revisão da consolidação, deferir a inclusão dos débitos relativos à apuração por estimativa de IRPJ e CSLL (códigos de receita 2362 e 2484) e débitos do processo nº 11516.721047/201340. Desse modo, todos os créditos discutidos neste processo foram incluídos no parcelamento federal, o que evoca a aplicação do art.78 e parágrafos do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Desse modo, havendo todo o crédito sido incluído no parcelamento, verifica se a desistência total do Recurso interposto. Nesses termos, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000623/2007-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.400
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que o sujeito passivo seja intimado do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo de trinta (30) dias para manifestação. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que o sujeito passivo seja intimado do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo de trinta (30) dias para manifestação. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto- Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 15889.000623/2007-96 Resolução nº 1402-000.400 S1-C4T2 Fl. 8 2 Relatório: Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela COMPANHIA AGRÍCOLA LUIZ ZILLO E SOBRINHOS com vistas a reformar decisão da DRJ que entendeu por presente abuso no exercício de direito de amortização do ágio na aquisição de debêntures (ano- calendário 2002). A operação foi efetuada com sociedade empresária do mesmo grupo econômico USINA BARRA GRANDE DE LENÇOIS S/A, com identidade de administração e participação acionária, mediante estipulação ao seu alvedrio do montante a título de ágio pago na emissão de debêntures, sem apresentar fundamentação consistente para este ágio. Ante ao detalhado relatório empreendido pela DRJ quando do julgamento do presente feito adoto-o integralmente complementando-o ao final ante ao desdobramento do feito: “1. Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado apurou-se que houve amortização de ágio na aquisição de debêntures emitidas por sociedade do mesmo grupo sem comprovação do seu fundamento. A amortização mencionada alterou o resultado do ano-calendário de 2002, diminuindo o valor apurado a título de IRPJ e de CSLL, razão pela qual as diferenças foram lançadas por meio dos autos de infração de fls. 03-05 (IRPJ) e de fls. 08l0 (CSLL). Também como conseqüência da glosa de amortização referida, foram lavrados os autos de infração de retificação de prejuízo fiscal (fls. 1314) e de redução da base negativa da CSLL (fls. 1617). 2. Conforme descrito no "Termo de Verificação" de fls. 2125, as sociedades COMPANHIA AGRÍCOLA LUIZ ZILLO E SOBRINHOS e USINA BARRA GRANDE DE LENÇÓIS S/A têm por titulares do seu capital social as mesmas pessoas físicas e jurídicas, nas mesmas proporções percentuais. Ademais, a administração das empresas é exercida pelas mesmas pessoas físicas. 2.1. A COMPANHIA AGRÍCOLA LUIZ ZILLO E SOBRINHOS adquiriu, em 1997 e em 2002, debêntures emitidas pela USINA BARRA GRANDE DE LENÇÓIS S/A., com valores de face, respectivamente, de R$ 35.000.000,00 e de R$ 30.000.000,00. Nestas operações, houve incidência de ágio, respectivamente, de R$14.000.000,00 e de R$ 12.000.000,00. Conforme o "Contrato de Subscrição de Debêntures", os títulos garantem ao seu titular: a) juros de 12% ao ano, não capitalizáveis; b) participação nos lucros da emitente, à razão de 50% do valor acumulado entre o mês da emissão e o mês imediatamente anterior ao do resgate, conforme apurado em balanço, considerando- se, para tanto, o resultado antes do cômputo das despesas com CSLL e com IRPJ e após as participações atribuídas às debêntures de emissões precedentes, participação esta que será devida e paga acumuladamente, no resgate, juntamente com o principal. 2.2. Na sociedade emitente das debêntures, o ágio foi contabilizado como reserva de capital, conforme autoriza o art. 442, III, do RIR/99. Na sociedade adquirente, o ágio foi contabilizado em conta do ativo circulante e do realizável a longo prazo e, posteriormente, os valores foram levados a resultado do exercício por meio de amortizações contabilizadas em contas de despesas. Ao assim proceder, a COMPANHIA AGRÍCOLA LUIZ ZILLO E SOBRINHO diminuiu o resultado do exercício sujeito à incidência do IRPJ e da CSLL, sem que fosse alterado o resultado sujeito à incidência destes mesmos tributos na USINA BARRA GRANDE DE LENÇÓIS S/A. 2.3.A amortização do ágio pago em debêntures é admitida pelo art. 325, I, "c", do RIR/99. A autoridade autuante intimou o contribuinte a comprovar o fundamento do ágio Fl. 395DF CARF MF Processo nº 15889.000623/2007-96 Resolução nº 1402-000.400 S1-C4T2 Fl. 9 3 pago. Em resposta, o contribuinte afirmou que, quanto às debêntures emitidas em 1997, o ágio foi fixado com base em expectativas de receitas atípicas, especialmente reversão de passivos contingentes, no período abrangido pela participação das debêntures nos lucros. As receitas extraordinárias para o período de dezembro de 1997 a novembro de 2002 foram estimadas em R$ 46.000.000,00, de modo que, considerando a participação de 50% dos debenturistas nos lucros (R$ 23.000.000,00), resulta num valor presente, descontado a juros de 1% ao mês, de R$ 14.375.000,00, valor este que foi arredondado para R$ 14.000.000,00 para se chegar ao ágio pago. 2.4. Para as debêntures emitidas em 2002, afirma o contribuinte que o ágio foi fixado em montante suficiente para compatibilizar o percentual da participação fixado à contribuição econômica das debêntures para o resultado. Assim, considerando que a relação debêntures/PL [valor das debêntures/(patrimônio líquido + debêntures)] é de 34% e que o percentual fixado para a participação das debêntures no resultado é de 50%, conclui-se que há um excesso de 16%. Partindo-se da estimativa de resultado das atividades, para o período de dezembro de 2002 a novembro de 2007, de R$ 120.000.000,00, conclui-se que o valor do excesso de participação das debêntures no resultado é de R$ 19.200.000,00. Este valor, trazido a valor presente mediante o desconto de juros de 1% ao mês, perfaz o total de R$ 12.000.000,00. 2.5. As debêntures foram colocadas mediante negociação privada, diretamente pela emitente, sem qualquer intermediação, estando deliberado na assembléia que decidiu pela emissão que o ágio não seria inferior a 40% do valor correspondente ao valor de face. Assim, os acionistas comuns das duas empresas decidiram criar uma reserva de capital na USINA BARRA GRANDE LENÇÓIS S/A, tendo como contrapartida um encargo de amortização de ágio para a COMPANHIA AGRÍCOLA LUIZ ZILLO E SOBRINHOS. 2.6. Para a realização desta operação, não houve a produção de qualquer documento por terceiro especializado, desvinculado dos interesses dos contratantes, que corroborasse o fundamento e a legitimidade do ágio estipulado. A emitente dos títulos limitou-se a informar a forma de cálculo do ágio, valor este assumido pela adquirente em negociação privada, sem qualquer intermediação, negociação esta, repita-se, realizada entre empresas que têm os mesmos sócios e os mesmos administradores. 2.7. Diante de todos estes elementos, concluiu a autoridade autuante que o ágio pago na emissão das debêntures não foi devidamente fundamentado, razão pela qual a glosa da respectiva amortização foi efetuada, resultando na lavratura dos autos de infração de que trata o presente processo administrativo. 3. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 29/11/2007, o contribuinte apresentou, em 28/12/2007, a impugnação de fls. 7179, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. A autoridade autuante não desenvolveu qualquer esforço no sentido de apontar as possíveis inconsistências na formulação do valor do ágio cobrado na aquisição das debêntures emitidas pela USINA BARRA GRANDE DE LENÇÓIS S/A, limitando-se a desqualificá-lo porque produzida pelos próprios interessados, sem suporte em documento emitido por terceiro. Ocorre que nem a lei societária, nem a legislação fiscal, exigem a elaboração de laudo técnico de terceiro como elemento de sustentação do ágio na emissão de debêntures. Quem fixa o preço de emissão é a assembléia geral de acionistas da emitente, que é livre para requisitar, ou não, o auxílio de terceiro para este fim. Apenas nas hipóteses passíveis de configuração de distribuição disfarçada de lucros a lei cuida de laudo de terceiro, não como requisito de validade da operação para efeitos fiscais, mas como simples elemento de inversão do ônus da prova (art. 465, § 4o, do RIR/99). A autoridade autuante não concedeu prazo adequado para a obtenção de laudo que justificasse o ágio pago e sequer revelou no curso da ação fiscal que, de acordo com seu entendimento, tal documento é imprescindível. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 15889.000623/2007-96 Resolução nº 1402-000.400 S1-C4T2 Fl. 10 4 De resto, também os laudos elaborados por terceiros independentes podem conter erros ou impropriedades. 3.2.As debêntures, como estruturadas no direito pátrio, constituem um instrumento bastante versátil, na medida em que, a par de propiciar a captação de recursos, permite à empresa tomadora capitalizar-se, via ágio, contabilizando parcela do aporte diretamente no patrimônio líquido ao invés de fazê-lo integralmente no passivo, como se dá com as demais formas de empréstimo. Tal mecanismo é, inclusive, incentivado pelo legislador (art. 442, III, do RIR/99), ao prescrever que não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte receber a título de prêmio na emissão de debêntures. 3.3.A única causa que justifica a cobrança de ágio sobre um título de crédito, sobretudo quando as empresas têm a mesma composição societária, é a sua rentabilidade futura, revelada pelas perspectivas de resultados da investida no período de vigência das debêntures, tendo em vista o percentual a elas atribuído a título de participação nos resultados, mais os juros. As emissões, sob esta perspectiva, pautaram-se por critérios lógicos e razoáveis. Na emissão de debêntures de 1997, o ágio correspondeu a 40% do valor de face e teve como fundamento uma estimativa de receitas extraordinárias (reversão de passivos fiscais em função do final com êxito de demandas que se encontravam em curso), que efetivamente vieram a se concretizar, incrementando a rentabilidade dos títulos sem que o aporte propiciado pelas debêntures houvesse contribuído para tal incremento. A participação foi fixada em 50%, equivalente à relação entre o montante aportado por meio da subscrição das debêntures e o patrimônio líquido da emitente. Na segunda emissão, de 2002, foi mantida a participação de 50% no resultado e estipulado ágio também de 40% do valor de face, suficiente para compatibilizar a rentabilidade dos títulos à sua contribuição para o resultado da empresa. A despeito do risco de as projeções não se concretizarem, no caso concreto as projeções foram superadas, sem se afastar do razoável. Quanto à emissão de 1997, para uma rentabilidade estimada de 144% nos cinco anos de vigência dos títulos (média de 1,5% ao mês), a rentabilidade efetiva foi de 160,09% (média de 1,61% ao mês). No tocante à emissão de 2002, o estimado foi de 179% (média de 1,72% ao mês), tendo o efetivo alcançado 262,67% (média de 2,17% ao mês), graças ao festejado bom desempenho do açúcar e do álcool combustível. A emissão de 1997 praticamente empatou com o CDI, que no período 1997/2002 acumulou 166,73% (média de 1,65% ao mês), e a de 2002 superou-o, á que este acumulou apenas 119,07% (média de 1,32% ao mês). Assim, o ágio está plenamente justificado. 3.4.Por fim, pede o contribuinte que seja cancelado o auto de infração, por improcedente.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 1420.524 (fls. 9198) de 22/09/2008, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento restando assim ementada: “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 ÁGIO NA EMISSÃO DE DEBÊNTURES PROVA DO FUNDAMENTO AMORTIZAÇÃO ABUSO DE DIREITO PESSOAS JURÍDICAS LIGADAS. Deve o contribuinte provar o fundamento do ágio pago na aquisição de debêntures, máxime quando a operação é realizada entre pessoas jurídicas que têm os mesmos acionistas e a mesma diretoria. Na falta de fundamentação adequada do ágio, deve-se afastar a respectiva amortização realizada pela adquirente das debêntures.” Em face da decisão acima ementada a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 103116) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. Acrescenta alegações em relação à legalidade do procedimento adotado, à inexistência de abuso de direito nos atos praticados e à impassibilidade de qualificação das operações como abusivas antes da regulamentação do parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional. Ao final sustenta em Recurso Voluntário que:..."Demonstrada, portanto, por qualquer ângulo que se examine Fl. 397DF CARF MF Processo nº 15889.000623/2007-96 Resolução nº 1402-000.400 S1-C4T2 Fl. 11 5 a questão, a insubsistência da glosa por ausência de consubstanciação de alegado abuso de direito na estipulação do ágio cobrado na emissão de debêntures e conseqüente amortização deste, é o presente para requerer a reforma da r. decisão recorrida (caso antes não se reconheça a sua nulidade, declarando- se a improcedência da autuação e cancelando-se o presente procedimento." Depois de interposto o presente Recurso Voluntário vem aos autos o contribuinte, por meio dos patronos constituídos, acostar laudo de terceiro sustentando em suma que a operação tem fundamento econômico e deu-se em condições de mercado. O feito veio a julgamento perante esta Turma em 20 de janeiro de 2016 quando então o ex-Conselheiro Frederico Augusto bem evidencia, ao retomar trechos da decisão da DRJ, que o objeto do presente feito não é a falta de autorização legal para amortização de ágio pago na aquisição de debêntures (art.325, I, RIR), nem mesmo a ausência de laudo como pretende fazer crer o contribuinte; mas, sim, o abuso no exercício do direito na medida em que trata-se de operação entre o mesmo grupo econômico que estipulou a seu talante montante a título de ágio pago na emissão de debêntures sem fundamento econômico algum. Em voto o Conselheiro de então, alegando ausência da providência do fisco de "recomposição da base tributável da autuada, por conta da aquisição e fruição das aludidas debêntures", propôs a conversão do feito em diligência para que a Unidade de Origem assim procedesse; ao que acompanhado por unanimidade na presente turma. (f.372-377) Em diligência a Unidade de Origem entendeu que (f.382): "O Termo Verificação de fls.22 a 26 revela que no ano-calendário de 2002 a autuada fez computar na base tributável, a título de amortização de ágio na aquisição de debêntures, considerado não dedutível pelas razões expostas neste termo e no termo de encerramento de diligência de fls.27 a 29, o montante de R$2.575.027,40. Referido montante, conforme descrito no referido Termo de Verificação, fls.25, foi rateado, considerados os valores da receita informados em DIPJ, fls.66, em atividade rural R$2.564.212,28 e atividade geral R$10.815,12. Relativamente a atividade rural, o montante de R$2.564.212,28 foi integralmente compensado com prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, apurados pelo sujeito passivo até 31 de dezembro de 2001, conforme demonstrado às fls.20 e 21, resultando nos autos de Retificação de Prejuízo Fiscal, fls.14 e de Redução da Base Negativa da Contribuição Social, fls.17. Em relação a atividade geral concluiu o seguinte (f.383): Quanto ao valor referente a atividade geral, R$10.815,12, compensado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores em 30%, R$3.244,53, restou sujeito á incidência do IRPJ e da CSLL a importância de R$7.570,59, dando origem ao crédito tributário objeto dos autos de infração de fls.4, 5, 9 e 10. É o relatório. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 15889.000623/2007-96 Resolução nº 1402-000.400 S1-C4T2 Fl. 12 6 Voto: Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Da diligência empreendida que retornou com informação fiscal acima reportada não houve intimação do contribuinte, nos termos do prescrito no art.35, parágrafo único, do Decreto n.7574/2014, vejamos: art.35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendê-las necessárias para a apreciação da matéria litigada. Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação. Em respeito ao prescrito na legislação do Processo Administrativo Tributário Federal voto por converter o presente julgamento em diligência a fim de que a parte manifeste- se acerca das Informações Fiscais trazidas aos autos pela Unidade de Origem no prazo de 30 dias. É como voto. Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator Fl. 399DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.903622/2012-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 17/02/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 22 /2 01 2- 96 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903622/201296 Acórdão n.º 3402003.592 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.964, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903622/201296 Acórdão n.º 3402003.592 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903622/201296 Acórdão n.º 3402003.592 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903622/201296 Acórdão n.º 3402003.592 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903622/201296 Acórdão n.º 3402003.592 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720199/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA.
Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial.
MULTA AGRAVADA.
Correto o agravamento da multa em 50%, em razão do não atendimento às intimações, conforme previsto no artigo 14, da Lei nº 11.488/2007, que deu nova redação ao artigo 44, da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124 CTN. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO.
A caracterização da solidariedade taxada no art. 124, I do CTN exige a demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica.
Numero da decisão: 1201-001.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, apenas para excluir a responsabilidade solidária dos Srs. Marco Antônio Alonso Crespo e Hélvio Pires de Oliveira.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 20/11/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. MULTA AGRAVADA. Correto o agravamento da multa em 50%, em razão do não atendimento às intimações, conforme previsto no artigo 14, da Lei nº 11.488/2007, que deu nova redação ao artigo 44, da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124 CTN. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. A caracterização da solidariedade taxada no art. 124, I do CTN exige a demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, apenas para excluir a responsabilidade solidária dos Srs. Marco Antônio Alonso Crespo e Hélvio Pires de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 99 /2 01 4- 28 Fl. 22459DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 20/11/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório Por meio dos Autos, foram constituídos os seguintes créditos tributários: IRPJ, no valor de R$5.376.613,32; CSLL, de R$2.446.836,99; PIS, de R$1.407.984,49; e COFINS, de R$6.499.136,58. Totalizaram, portanto, tais lançamentos, a importância de R$15.730.571,38, aí incluídos os valores dos tributos, das multas de ofício agravada e dos juros de mora (estes calculados até 02/2014). As infrações referemse à presunção de omissão de receitas, tendo em vista a constatação de depósitos bancários/créditos de origem não comprovada. Foi aplicado o arbitramento do lucro, pois não foram apresentados os livros contábeis e documentos, além de no arquivo digital da escrituração contábil, encaminhado ao SPED pela empresa, ter apresentado distorções entre os dados registrados e os apurados nas movimentações bancárias. Termo de Sujeição Passiva Foram destacados os seguintes pontos no TVF: “(...) em razão da diferença entre a receita bruta informada em DIPJ (zero), e as informações contidas na Declaração de Informações sobre a Movimentação Financeira DIMOF, verificouse uma possível divergência para esse período (2009). Por esta razão, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos, para análise e comprovação. 5.6. Foram lavradas intimações ao contribuinte pelo correio solicitando informações e documentos, sendo os avisos Fl. 22460DF CARF MF Processo nº 19515.720199/201428 Acórdão n.º 1201001.515 S1C2T1 Fl. 3 3 retornados com as devidas ciências. Contudo, nenhum contato foi feito pela empresa ou seus representantes legais e nenhuma documentação foi apresentada. (...) 5.8. Foi elaborada Requisição de Movimentação Financeira – RMF expedida para cada um dos bancos em que tal contribuinte movimentou seus recursos, no ano calendário de 2009, a fim de permitir a realização do procedimento fiscal. (...) 5.10. Examinando os extratos bancários foram eliminadas as transferências entre contas e outros créditos que não se caracterizavam como receitas (ANEXO I e II). Como a empresa não respondeu a intimada para comprovar a origem dos créditos levantados, foram os mesmos considerados como base da presunção legal de omissão de receitas. 5.11. Foi arbitrado o lucro com base aos créditos acima mencionados, devido a não apresentação de toda a documentação solicitada, principalmente todo os seus extratos bancários de todas as contas movimentadas no ano calendário de 2009, seus Livros de Registro de Entrada e Saída, suas Notas Fiscais de Entrada e Saída e seu Livro de Inventário, impossibilitando assim a apuração do seu Lucro Real. 5.12. Como a empresa fez a opção em DIPJ pela tributação pelo Lucro Real e estava obrigada a encaminhar a sua Escrituração Contábil Digital – ECD ao SPED – Sistema Público de Escrituração, foram localizados os arquivos disponibilizados no SPED, que após análise, identificamos no balancete do ano de 2009 valores divergentes das informações prestadas a Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio dos documentos declaratórios, DIPJ e DCTFS, e também divergência no registro de sua movimentação financeira bancária. (...) Além disso, foram apuradas inconsistências entre os valores registrados nas contas de estoques, custos das mercadorias vendidas e os apresentados no balancete. (...) 5.16. Conforme verificação efetuada no local, constatamos que realmente o endereço cadastral da matriz da empresa, situada a Rua ABDO AMBUDA Nº. 347 no bairro da Vila Andrade em São Paulo / SP vem a ser um edifício residencial, onde, provavelmente, seus sócios administradores residem e onde foram recebidas todas as intimações citadas anteriormente. (...) 5.18. Em razão da impossibilidade do funcionamento regular da empresa em seu endereço cadastral, como já citado, Fl. 22461DF CARF MF 4 caracterizando sua DISSOLUÇÃO IRREGULAR, configurando assim a prática de atos com a infração de lei ou estatutos, legitimase também a sujeição passiva solidária por responsabilidade pessoal de seus administradores, conforme o Artigo 135, Inciso III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tribut ário Nacional), cabendo aos mesmos provar não terem agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder. 5.19. Lavramos também Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de seus Procuradores e beneficiários de recursos, conforme apurado nessa ação fiscal, de acordo com o artigo 124, inciso I, da já citada Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). (...)” Impugnação Em sede de impugnação o contribuinte trouxe, em suma, os seguintes argumentos de defesa: “(...) 6.4. Em decorrência de questões comerciais que se avultaram exatamente no ano de 2009, os contratos de concessão com a referida montadora foram encerrados, passando então a empresa DVM a enfrentar sérias dificuldades para se manter em atividade naquele mercado, especialmente em razão da forte vinculação até então existente com a Marca Mitsubishi. 6.5. Os seus sócios não conseguiram viabilizar nova operação com nenhuma outra montadora e se viram forçados a encerrar, ainda que faticamente, as suas atividades, tendo transferido o endereço da sede da empresa para um logradouro residencial, conforme destacado pelo próprio AFRF, nos itens 2.38 e 2.39 do Termo de Verificação Fiscal. (...) 6.10. Não obstante a eventual falha no preenchimento de algum informativo fiscal, a exemplo do quanto informado pelo AFRF no Termo de Verificação Fiscal acerca da DIPJ, fato é que a escrituração contábil foi realizada e foi enviada, na forma de Escrituração Contábil Digital ECD ao SPED Sistema Público de Escrituração, conforme também reconheceu o AFRF nos itens 2.41 e 2.42, do referido Termo. (...) 6.13. Efetivamente, as notificações/intimações produzidas pelo AFRF foram enviadas para o endereço constante do cadastro no CNPJ da empresa, porém, não chegaram ao conhecimento de seus sócios, que certamente teriam respondido àquelas solicitações. Fl. 22462DF CARF MF Processo nº 19515.720199/201428 Acórdão n.º 1201001.515 S1C2T1 Fl. 4 5 (...) Da impossibilidade de aplicação da súmula nº 59 do carf e das circunstâncias legais relativas a arbitramento 6.18. A questão posta e certamente ainda não enxergada pelo CARF nos limites aqui objeto de consideração é a de que é exatamente na fase de impugnação administrativa no contencioso administrativo fiscal que se tem o momento oportuno para juntada aos autos de provas e documentos imprescindíveis para elidir eventual lançamento tributário, seja ele arbitrado ou não. 6.19. O Decreto nº 7.574/2011, sucessor do Decreto nº 70.235/1972, define que a prova documental, o que inclui por óbvio a escrita fiscal do contribuinte, seja apresentada na impugnação. (...) Da improcedência da autuação 6.25. A análise da movimentação financeira não consiste em meio idôneo para a verificação da ocorrência do fato gerador do Imposto sobre a Renda, inscrito no art. 43 do Código Tributário Nacional. A movimentação do numerário sob a guarda da instituição financeira não reflete, efetivamente, qualquer acréscimo no patrimônio do contribuinte. 6.26. O motivo que determinaria o ato a desproporção entre declarações e recolhimentos periódicos e a movimentação bancária , todavia, como quedou demonstrado acima, é incapaz de produzir qualquer lançamento tributário de Imposto sobre a Renda. Da mesma forma, não pode ensejar lançamento de CSSL, tão pouco PIS e COFINS. 6.27. Podese afirmar inequivocamente: carece, o ato, não só de motivo, mas de finalidade, o que viola o Princípio da Eficiência, encartado na Constituição Federal em seu art. 37. 6.28. Também incorreu mais uma vez em vício de procedimento o AFRF, porquanto ao realizar o arbitramento do lucro da Empresa Impugnante não solicitou autorização para a autoridade superior da DRF de jurisdição do contribuinte, à qual está lotada. Da ilegalidade do agravamento do percentual de lucro presumido 6.29. O arbitramento do lucro tem caráter punitivo. Porém adota como coeficientes aqueles previstos para o regime de lucro presumido, que foram mensurados pelo legislador de acordo com as especificidades de cada atividade. Fl. 22463DF CARF MF 6 6.30. Todavia, o agravamento em 20% viola diretamente a disposição do CTN, não podendo ser considerado para efeito de cálculo do tributo. Significa uma majoração indireta do tributo, através do aumento de sua base de cálculo de maneira totalmente ilegal. (...)” Petição – Sujeição Passiva Os Srs. Marco Antônio Alonso Crespo e Sr. Hélvio Pires de Oliveira apresentaram Petição “(...) informando que tiveram conhecimento da apresentação de Impugnação em nome da autuada principal DVM Automóveis Ltda e que a mesma faz menção também ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, porém os Impugnante não consentem com os termos expostos na impugnação da DVM que lhe dizem respeito, pois não outorgaram poderes de representação ao advogado signatário da peça. (...)” Impugnação – Sr. Marco Antônio Alonso Crespo O Sr. Marco António Alonso Crespo apresentou impugnação, da qual reproduzo, em síntese, suas principais constatações: “(...) 8. SR. MARCO ANTÔNIO ALONSO CRESPO, cientificado da autuação em 17/02/2014 (fl.22255), apresentou tempestivamente a impugnação em 19/03/2014, alegando resumidamente o seguinte: 8.1. Não será abordado nesta defesa a constituição dos créditos tributários, tratando somente da imputação da responsabilidade solidária e pessoal pela suposta dissolução irregular da DVM. 8.2. Ocorre, que o Impugnante não possui relação com os fatos que ensejaram a autuação (omissão de receitas no ano calendário 2009), nem tampouco com a suposta dissolução irregular da DVM (o que justificou o redirecionamento da exigência fiscal para terceiros). (...) 8.7. Ademais, não foram destacados no relato fatos imprescindíveis ao deslinde da questão, quais sejam: o IMPUGNANTE foi sócio minoritário da DVM, com participação de 10% (dez por cento) do capital social, somente entre 26.01.2007 e 13.01.2010 e sem jamais ter sido investido de qualquer poder de gerência/administração, conforme se observa da ficha cadastral da empresa junto à JUCESP (doc. 2) . Além disso, a dissolução irregular da DVM somente foi presumida Fl. 22464DF CARF MF Processo nº 19515.720199/201428 Acórdão n.º 1201001.515 S1C2T1 Fl. 5 7 com base em fatos que ocorreram no ano de 2011, ou seja, muito após seu desligamento da empresa. (...) 8.9. Já em relação à ALLYSON, empresa citada no Termo de Sujeição Passiva Solidária como beneficiária de recursos da DVM e da qual o IMPUGNANTE foi, de fato, sócio administrador (vide ficha cadastral da empresa junto à JUCESP doc. 4), esta foi criada com o objetivo de vender acessórios para os veículos da marca Mitsubishi, bem como prestar serviços de lavagem, lubrificação e polimento de veículos automotores (vide doc. 4). Vale esclarecer que a DVM era uma revendedora de veículos Mitsubishi. (...) 8.11. Ainda que se admitisse que o Impugnante em algum momento chegou a exercer a gerência da DVM durante sua passagem pela empresa (de 26.01.2007 a 13.01.2010), o que se faz meramente para fins de argumentação, sua responsabilização neste caso continuaria a ser desprovida de qualquer sentido, pois, da leitura do relato da fiscalização autuante, concluise que, no anocalendário 2009 (período autuado), tudo o que se constatou foi o mero inadimplemento de tributos, fato sabidamente insuficiente para se imputar a terceiros a responsabilidade por passivo fiscal de pessoa jurídica, na esteira do que já decidiu o STJ em acórdão submetido ao regime dos Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): (...). (...) 8.13. Destarte, é absolutamente ilegitima a utilização do art. 135, III, do CTN, para responsabilizar o Impugnante no presente caso, pois nenhuma conduta ilícita lhe foi imputada. 8.14. Da mesma forma, não foi demonstrado de fato o suposto "interesse comum" do Impugnante e/ou da ALLYSON "na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", a fim de justificar a aplicação do art. 124, I, do CTN. 8.15. Diante de todo o exposto, concluise que a responsabilização do IMPUGNANTE pelos créditos tributários constituidos contra a DVM é ilegitima, seja com base no art. 135, III, do CTN, seja com base em seu art. 124, I. (...)” Impugnação – Sr. Hélvio Pires de Oliveira Já o sujeito passivo solidário Hélvio Pires de Oliveira trouxe à baila os seguintes argumentos: Fl. 22465DF CARF MF 8 “(...) 9.6. Em resumo, o IMPUGNANTE foi identificado como "beneficiário de recursos" da DVM e, por conseguinte, responsabilizado nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, por ter sido qualificado como pessoa com "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", uma vez que: (a) foi procurador da DVM, "com plenos poderes para gerir e administrar a empresa", entre set/2008 e set/2009; (b) recebeu a quantia de R$10.000,00 (dez mil reais) da DVM em abr/2009, conforme indicado em planilha anexa ao Termo de Intimação Fiscal n° 5 (doc. 4); e (c) foi "ADMINISTRADOR da ALLYSON COMÉRCIO DE ACESSÓRIOS LTDA (...) outra empresa BENEFICIÁRIA DE RECURSOS transferidos pela DVM AUTOMÓVEIS LTDA." No ano calendário 2009, a qual "foi BAIXADA em 05/05/2010, conforme Distrato Social de 15/12/2009". 9.7. Como se vê, nenhuma ilicitude foi imputada ao IMPUGNANTE e/ou à empresa que detinha parceria comercial com a DVM no anocalendário 2009 (ALLYSON). As irregularidades cadastrais cometidas foram verificadas em 2011. 9.8. Ademais, o simples fato de o IMPUGNANTE ter sido beneficiário de um pagamento (R$10.000,00) pela DVM no período autuado não o torna automaticamente pessoa com "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", na acepção conferida pela doutrina e jurisprudência ao disposto no art. 124, inciso I, do CTN, conforme será adiante demonstrado. 9.9. Destaquese: o IMPUGNANTE foi apenas procurador da DVM entre setembro/2008 e setembro/2009 e prestou serviços de consultoria a esta até janeiro/2009 (prestação de serviços que originou o pagamento de R$10.000,00, conforme será detalhado a seguir). Além disso, a dissolução irregular da DVM foi presumida com base em fatos que ocorreram no ano de 2011, muito após seu desligamento da empresa (setembro/2009). (...) 9.12. Ao contrário do afirmado no Termo de Sujeição Passiva o Impugnante não tinha “plenos poderes para gerir e administrar a empresa autuada”. O impugnante agia sempre em conjunto com um sócio ou outro procurador, para efetuar pagamentos, movimentar contas bancárias, assinar cheques, com o objetivo basicamente de pagamentos de contas e cumprimento de obrigações. 9.13. Apenas para não deixar de rebater todos os pontos dessa acusação absurda, o Impugnante informa a sua relação a ALLYSON, empresa com o objetivo social de vender acessórios, prestar serviços de lubrificação e polimento de veículos. Como à época da constituição da ALLYSON (maio/2008) um dos seus Fl. 22466DF CARF MF Processo nº 19515.720199/201428 Acórdão n.º 1201001.515 S1C2T1 Fl. 6 9 sócios, o Sr. Marco Antonio Alonso Crespo, era também sócio da própria DVM e acompanhava a competência com que o Impugnante desempenhava seu papel de consultor por meio da VECTORIAL, o Impugnante foi convidado para ser administrador da ALLYSON. 9.14. Como visto, nenhuma conduta ilícita foi imputada ao IMPUGNANTE e/ou à ALLYSON (empresa da qual foi administrador) durante o período autuado (anocalendário 2009). Da mesma forma, não foi demonstrado de fato o alegado "interesse comum" do IMPUGNANTE e/ou do ALLYSON "na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", a justificar a aplicação do art. 124, I, do CTN. 9.15. Diante de todo o exposto, se conclui que a responsabilização do IMPUGNANTE pelos créditos tributários constituídos contra a DVM é ilegítima, seja com base no art. 124, inciso I, do CTN, seja com base em seu art. 135, inciso III.(...)” Acórdão nº 1663.181 3ª Turma da DRJ/SPO Coube destacar incialmente que considerase feita a intimação por via postal na data do recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, para fins cadastrais à Secretaria da Receita Federal, no termos do art. 23 do Decreto 70.235/72. Firmouse, em seguida, que não tendo a fiscalização sdo atendida nas suas solicitações, como detalhado no Termo de Verificação Fiscal, corretamente considerou os créditos ou depósitos realizados nas contas bancárias sem comprovação como presunção legal de omissão de receitas e arbitrando o resultado da empresa. A presunção legal de omissão de receitas apurada através da movimentação bancária dos contribuintes encontraria previsão legal no 42 da Lei nº 9.430/96 Constatouse que o Contribuinte, ora recorrente, no curso do procedimento fiscal, foi intimado e reintimado a comprovar a origem dos recursos dos ingressos ocorridos em suas contas correntes, mas ele não justificou os valores lançados. Concluiuse que a forma adotada pela Autoridade Fiscal para apurar o resultado da empresa no ano foi o lucro arbitrado, pelas razões apontadas pela Fiscalização de maneira acertada, nos ditames do artigo 530 do RIR/99. Neste sentido, mencionase que que ao contrário do entendimento da Impugnante, o arbitramento do lucro não se caracteriza como uma punição, mas sim como um critério para apuração do resultado tributável da empresa, não sendo uma medida condicional. Prosseguese o entendimento de que não seria necessário haver a aprovação da autoridade da DRF, como mencionou a Impugnante. Cabe unicamente a autoridade lançadora AFRFB a decisão para proceder ao arbitramento do resultado da empresa, nos casos previstos em lei. Fl. 22467DF CARF MF 10 Quanto ao pedido de diligência para que seja analisada a contabilidade da Impugnante, ora recorrente, entendeu a autoridade julgadora ser totalmente desnecessário pois a fiscalização examinou a mencionada contabilidade enviada para o SPED e apurou as divergências apontadas acima, que foram também razão para o arbitramento do resultado, visto que se tornou impossível a apuração do lucro real. Por fim, entendeuse que o agravamento da multa de ofício pelo não atendimento das intimações pela fiscalizada foi corretamente fundamentada e aplicada pela fiscalização, devendo ser mantido. Termo de Sujeição Passiva Solidária De modo geral, quanto ao termo de sujeição passiva solidária, entendeuse que pela razão de os sócios terem encerrado as atividades da empresa de fato, terem transferido seu endereço para o mesmo das suas residências e além disso, não terem comunicado a RFB a alteração do novo endereço, já que os mesmos se mudaram das referidas residências, seria suficiente para caracterização a dissolução irregular. Firmouse que já está pacificada, no âmbito do judiciário, a jurisprudência no sentido de que “Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente”. Logo, reputouse a mantença dos Termos de Sujeição Passiva Solidária dos responsáveis tributários. Especificamente quanto aos Srs. Marco Antônio Alonso Crespo e Hélvio Pires de Oliveira, as razões de decidir se deram em semelhantes argumentos. Em suma, entendeuse que, independentemente do enquadramento no artigo 135, inciso III, do CTN, estes foram enquadrados no artigo 124, inciso I, deste código. Mesmo aceitando que os mesmos não pudessem ser responsabilizados pelo dissolução da DVM ocorrido após o desligamento da sociedade, os sujeitos passivos solidários ainda estariam enquadrados no artigo 124. Existem, segundo a DRJ/SPO, dois requisitos para imputar solidariedade, nos moldes do inciso I, do art. 124, do CTN: (i) a situação em tela tem que ser constituída de um ou mais atos ilegais; (ii) a pessoa com interesse comum tem que ter sido beneficiada pela situação, mas não, única e exclusivamente, obtendo vantagem financeira. No presente caso em discussão, entendeuse que o Sr. Marco Antônio Alonso Crespo tinha relação direta com a DVM, como sócio cotista, assinando cheques juntamente com os outros sócios, tendo com isso influencia direta na parte financeira da empresa, além de ser sócio gerente da empresa Allyson, que prestava serviços a DVM. Da mesma forma, o Sr. Hélvio Pires De Oliveira, também tinha relação direta com a DVM, assinando cheques juntamente com os outros sócios, tendo com isso influencia direta na parte financeira da empresa, além de ser sócio gerente da empresa “Vetorial”, que prestava serviços a DVM e, ainda, ser administrador da empresa “Allynson”. Fl. 22468DF CARF MF Processo nº 19515.720199/201428 Acórdão n.º 1201001.515 S1C2T1 Fl. 7 11 Recurso Voluntário Tanto o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte quanto os Recursos Voluntários apresentados pelos sujeitos passivos solidários foram mantidos em idênticos termos às respectivas impugnações interpostas, reproduzidas, estas últimas, em parte precedente deste voto. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Mérito O cerne da lide nestes autos instaurada norteia a omissão de receitas apurada a partir de inconsistências entre a escrituração fiscal e comercial do ora recorrente e os extratos bancários do mesmo, obtidos pela fiscalização através da utilização de RMFs (Requisição de Movimentações Financeiras). Partindo deste ponto, a discussão pode tomar dois rumos distintos: i) um enviesado na aplicação de uma verdade estritamente formal; e outro ii) respaldado integralmente pelo princípio da verdade material. O recorrente, em sua peça recursal, segue os dois, ora ressaltando as manifestações concretas de um, ora doutro. Quanto à primeira faceta destacada, o alvo de apontamentos e questionamentos por parte do contribuinte circunda o sistema de presunção de omissão de receitas positivado por meio do art. 42 da Lei nº 9430/96. Eis a dicção legal do referido normativo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 22469DF CARF MF 12 Ora não resta dúvida quanto à possibilidade fática de efetivação do referido comando normativo, que em suma, oferece o permissivo de ativação da presunção nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada por meio de documentação hábil e idônea. Vale ressaltar que tal instituto deve preceder intimações e reintimações dirigidas ao contribuinte, concedendolhe as oportunidades de ilidir tal presunção relativa do fisco. No caso concreto tal assertiva legal se materializou, mas restou silente o ora recorrente. Neste sentido essencial o destaque de trecho do TVF (fls. 4753 a 4768): 2.69. Embora regularmente intimada, até a lavratura do Auto de Infração, NENHUM documento foi apresentado pela empresa ou por seus representantes legais e NENHUM contato, verbal ou escrito foi feito pelos mesmos (...) 2.74. Como já citado anteriormente, embora regularmente intimada por meio dos já citados Termos, a empresa não apresentou NENHUM dos documentos solicitados, necessários à apuração de seu Lucro Real, tendo sido efetuado o lançamento de débito por meio desse Auto de Infração, única e exclusivamente com base na Movimentação Financeira do contribuinte no ano calendário de 2009, obtida por meio das Requisições de Movimentação Financeira – RMF. Ademais, o recorrente contesta a falta de individualização dos depósitos bancários reputados pela fiscalização como receitas omitidas. Indiretamente está invocando a condição para a validade desta presunção prevista no §3º do art, 42 da Lei nº Lei nº 9430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Fl. 22470DF CARF MF Processo nº 19515.720199/201428 Acórdão n.º 1201001.515 S1C2T1 Fl. 8 13 Ocorre que restou escancarado e inequívoco no auto de infração a pormenorização de cada depósito bancário autuado como receita omitida, por meio de demonstrativo constante às fls. 4482 a 4748, tendo como base as movimentações financeiras de 2009. Aproveitase o ensejo para registrar que no próprio demonstrativo há o histórico de cada valor, cumprindo a fiscalização registrar que foram excluídos os créditos que não configuraram receitas, por caracterizarem “Liberação Garantida”, “Liberação Financiamento”, “Estornos Diversos”, “Contratos de Mútuo” e “Transferência entre Contas de Mesma Titularidade”. Quanto a este último, resta atendido, portanto o disposto no inciso I, do referido §3º do art. 42. A conclusão que deve se atingir, portanto, deve ser no sentido de que, lançando um olhar literal ao art. 42 da Lei nº 9430/96, não há como se cogitar a sua não aplicação ao caso concreto. Mesmo que se busque uma interpretação sistemática, a afirmativa persiste: não há qualquer óbice no ordenamento jurídico para a aplicação fática, no caso em tela, da presunção relativa de omissão de receitas. O posicionamento do CARF é pacífico e uníssono no tocante a aplicação do art. 42 da Lei nº 9430/96 nos casos de depósitos bancários não comprovados: OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. (Acórdão nº 2202002.629 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 15 de Abril de 2014) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não Fl. 22471DF CARF MF 14 comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. (Acórdão nº 2301004.435 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária – Sessão de 26 de Janeiro de 2016) OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E VALORES EFETIVAMENTE AUFERIDOS. Os valores depositados em conta corrente bancária que tiveram a comprovação por parte do contribuinte, por meio de documentação probatória eficaz apresentada na impugnação, de que não seriam decorrentes de receitas tributáveis, devem ser afastados da base de cálculo dos tributos lançados de ofício. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receitas os valores dos depósitos em conta bancária cuja origem não restar comprovada mediante documentação idônea, por contribuinte intimada a fazêlo, inclusive com relação a alegação de que a conta bancária pertence a terceiro. IRPJ/CSLL. ARBITRAMENTO. ART. 42 DA LEI 9430/96. DESPROPORCIONALIDADE. Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II,"a" e "b") (Acórdão nº 1102001.180 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 26 de agosto de 2012) Restou comprovado, portanto, sob uma ótica formal, voltada especificamente para o atendimento estrito a lei, a total validade jurídica da aplicação de uma presunção de omissão de receitas sob depósitos bancários de origem não comprovada. Aproveitase o contexto, inclusive para indicar que deve falecer a alegação do contribuinte quanto a impossibilidade de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial. Tal formalidade não encontra óbice legal, tampouco jurisprudencial (na competência do CARF, diante de sua incompetência para julgar tais matérias, e na competência do STF, pois superada tal questão por meio do RE nº 601314), capaz de desnaturar o permissivo contido na Lei nº 9430/96. Superado este ponto, a análise a ser feita agora deve ser alagada pela aplicação do princípio da verdade material. Fl. 22472DF CARF MF Processo nº 19515.720199/201428 Acórdão n.º 1201001.515 S1C2T1 Fl. 9 15 Em outros tantos votos o presente julgador já externou seu posicionamento quanto a sistemática prática sobre a qual se instala a presunção relativa de veracidade ofertada pelo legislador e o consequente arbitramento do lucro. Cumpre repisálo. O arbitramento procede um cenário de total insegurança nas atividades da fiscalização, especificamente na apuração da matéria tributável, e, por consequência, na concretização do lançamento. O ato de constituição definitiva do débito tem como pressupostos a certeza e a liquidez do título que o instrumentaliza, no caso o Auto de Infração, de forma que qualquer indefinição precedente contaminao e desnaturao perante o ordenamento jurídicotributário. O instrumento que encerra este quadro de indefinição e, ao menos, minimamente, procura conferir uma proximidade à realidade fática, é o arbitramento, definido nos termos do art. 530 do RIR/99. O processo fiscalizatório encontra razão de surgimento em momento imediatamente posterior ao nascimento da obrigação tributária, quando o contribuinte passa a ter o dever de declarar suas informações fiscais (lançamento por homologação). Adotase como premissa que as informações prestadas pelo contribuinte possuem uma presunção relativa de veracidade, de modo que possam fazer prova a seu favor. Neste passo, o ônus de mitigar tal presunção é compulsionado à fiscalização. Quando esta última enxerga inconsistências e pleiteia a prestação de esclarecimentos, bem como a apresentação de documentações outras, e o contribuinte não concretiza tal almejo, detémse a possibilidade legal de utilização de outros meios eficazes a atingir as informações não prestadas ou inexistentes. No caso concreto, o meio utilizado fora a Requisição de Movimentações Financeiras (RMF), donde apuraramse todos os extratos bancários do ora recorrente. Confrontando as informações declaradas pelo contribuinte em um primeiro momento (através de DIPJ, DCTFs, DIMOF, dentre outras), com as informações colhidas unilateralmente pela Fiscalização, eventuais disparidades e inconsistências criam o permissivo de transferência da presunção relativa de veracidade, de modo que incumbese o contribuinte do ônus probante. A presunção de omissão de receitas, legalmente disposta no art. 42 da Lei nº 9430/96, materializa esta presunção relativa da Fiscalização, conforme já adiantado. Cabe ao contribuinte ilidir tal presunção, caso apresente documentação hábil e idônea, apta a comprovar a origem dos recursos correspondentes. Importante destacar que a Fiscalização, neste momento, carreia inúmeras oportunidades ao contribuinte para que este desnature tal presunção, intimandoo para a apresentação de documentos comprobatórios. Veja, a fiscalização analisa a documentação inicialmente apresentada e instiga o contribuinte a cooperar com o atingimento de uma verdade absoluta. Diante de todo o exposto, então, o arbitramento tornase o instrumento utilizado pela fiscalização como ultimação da atribuição de presunção relativa aos fatos, após Fl. 22473DF CARF MF 16 todas as tentativas vãs e falhas no sentido de busca pelas informações e documentações do contribuinte. Todo o processo deve ser marcado pela aplicação do princípio da verdade material, no intuito de garantir o atendimento ao princípio do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte, e de compor um conjunto probatório robusto à disposição das autoridades julgadoras, caso o crédito tributário venha a ser impugnado. Conquanto, ainda assim, o contribuinte tem oportunidade de apresentar documentação que suporte suas alegações e desnature a autuação, por meio da Impugnação e do Recurso Voluntário, em casos como o que ora se afigura, de arbitramento do lucro. Neste sentido é dominante o entendimento do CARF, inclusive consolidado por meio de Súmula: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Desta feita, durante todo o processo fiscalizatório que precedeu o auto de infração e ainda diante da Impugnação e do Recurso Voluntário seria possível que o contribuinte reunisse esforços para individualizar cada depósito bancário e demonstrasse cabalmente que estes não norteavam, por sua natureza e origem, o conceito de receita. Não foi o que ocorreu. O contribuinte se limitou a construir argumentações e alegações genéricas e dispersas, em suma confrontando a legalidade e constitucionalidade da presunção de omissão de receitas, sem, no entanto, apresentar documentação hábil e idônea apta a comprovar a origem dos depósitos bancários. Assim, das inconsistências levantadas pela fiscalização, demonstradas a seguir, nenhuma fora sequer citada, quanto mais enfrentadas e relativizadas pelo contribuinte: O lançamento efetuado por meio desse Auto de Infração considerou a tributação com base no LUCRO ARBITRADO, pela NÃO APRESENTAÇÃO DE TODA A DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA, principalmente TODOS os seus extratos bancários de TODAS as contas movimentadas no ano calendário de 2009, seus Livros de Registro de Entrada e Saída, suas Notas Fiscais de Entrada e Saída e seu Livro de Inventário, impossibilitando assim a apuração do seu Lucro Real. Tal lançamento está sendo baseado unicamente nas informações de sua movimentação financeira, fornecida pelas instituições financeiras e nas demais constantes de nosso sistema informatizado. (........) Examinando então a contabilidade da empresa, identificamos no balancete do ano de 2009 valores divergentes das informações prestadas a Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio dos documentos declaratórios, DIPJ e DCTFS, e também divergência no registro de sua movimentação financeira bancária. Elaboramos o balancete anexo a esse Processo de Auto de Infração com base nas informações contidas nos citados Fl. 22474DF CARF MF Processo nº 19515.720199/201428 Acórdão n.º 1201001.515 S1C2T1 Fl. 10 17 arquivos digitais, encaminhados ao SPED pela empresa, utilizando programa oficial de Auditoria Fiscal denominado CÓNTÁGIL para leitura e formatação dos dados. Comparamos então os valores registrados na contabilidade da empresa como sendo sua movimentação financeira com os totais apurados na auditoria tendo como base os arquivos encaminhados pelas próprias instituições financeiras, após formalmente solicitados por meio de Requisição de Movimentação Financeira RMF, conforme consta na planilha anexa ao citado processo contendo o Balancete de 2009 da empresa. Na conta contábil do ativo circulante 1.01.01.02.01.02 BANCO REAL AG. 0554C/C 17.4422895 a empresa contabiliza como total a débito no ano, representado o ingresso de recursos nessa conta bancária, o valor de R$99.547.113,97, e como total a crédito no ano, representando a saída de recursos dessa conta bancária, o valor de R$ 99.708.641,68. Ocorre que, conforme informações obtidas dos arquivos encaminhados pela instituição financeira, Banco REAL / SANTANDER, o total movimentado pela empresa nesse banco foi de R$35.029.894,77 a crédito, entrada de recursos, e R$35.191.479,88 a débito, saída de recursos. Na conta contábil do ativo circulante 1.01.01.02.01.01 BANCO SAFRA AG. 21C/C 17.5125 a empresa contabiliza como total a débito no ano, representado o ingresso de recursos nessa conta bancária, o valor de R$55.259.456,61, e como total a crédito no ano, representando a saída de recursos dessa conta bancária, o valor de R$55.537.362,03. Conforme informações obtidas dos arquivos encaminhados pela instituição financeira, Banco SAFRA, o total movimentado pela empresa nesse banco foi de R$51.054.667,60 a crédito, entrada de recursos, e R$47.557.066,37 a débito, saída de recursos. Da mesma forma, na conta contábil do ativo circulante 1.01.01.02.01.08 BANCO DO BRASIL AG. 3266C/C 20052 a empresa contabiliza como total a débito no ano, representado o ingresso de recursos nessa conta bancária, o valor de R$20.813.978,14, e como total a crédito no ano, representando a saída de recursos dessa conta bancária, o mesmo valor de R$20.813.978,14. Conforme as informações obtidas dos arquivos encaminhados pela instituição financeira, Banco do BRASIL, o total movimentado pela empresa nesse banco foi de R$13.623.049,09 a crédito, entrada de recursos, e R$13.669.802,94 a débito, saída de recursos. Ainda examinando a conta contábil do ativo circulante 1.01.01.02.01.12 BANCO ITAÚ – a empresa contabiliza como total a débito no ano, representado o ingresso de recursos nessa conta bancária, o valor de R$300.000,00 e o mesmo valor a Fl. 22475DF CARF MF 18 crédito no ano, representando a saída de recursos dessa conta bancária. Conforme as informações obtidas dos arquivos encaminhados pela instituição financeira, Banco ITAÚ, o total movimentado pela empresa nesse banco foi de R$503.174,53 a crédito, entrada de recursos, e R$503.164,53 a débito, saída de recursos. (..............) Identificamos uma inconsistência também na conta contábil 1.01.03 ESTOQUES, onde, conforme balancete, identificamos um saldo inicial de R$10.111.049,36, tendo sido contabilizado o valor de R$117.911.568,76 a débito, representando as compras efetuadas no período, e um valor de R$123.870.058,71 a crédito, representado o seu Custo de Mercadorias Vendidas, gerando um saldo final de R$4.152.559,41 para ser o saldo inicial do exercício seguinte (2010). Ocorre que a contabilidade registra na sua conta 5.01.01 CUSTO DE MERCADORIAS VENDIDAS o valor de R$99.054.274,73, diferente do levado a crédito da conta de estoques. Da mesma forma localizamos ainda a conta 2.01.01 – FORNECEDORES DE MERCADORIAS PARA REVENDA com o valor de R$77.631.797,81 levado a crédito, diferente também do valor das compras contabilizado na conta de ESTOQUES. Analisando tanto o valor do custo da mercadoria registrado na conta de Estoques como na conta de Custo de Mercadorias Vendidas citadas, verificamos que ambos, que já apresentam grande diferença entre si, são ainda MAIORES que o valor de R$66.181.023,84, contabilizado na conta 3.01.01 RECEITA BRUTA DE MERCADORIAS, significando, de acordo com essa contabilidade, que a empresa vendeu mercadorias abaixo de seu preço de custo. Veja, são elementos básicos da composição da contabilidade de uma entidade, representados por meio do balancete, que não deveriam gerar qualquer contradição ou dúvida, caso fossem colocados à prova. Ora, tais constatações da fiscalização respaldam cabalmente a omissão de receitas e o contribuinte não se deu ao trabalho de enfrentálas pormenorizadamente. Tal fato só fortalece a presunção relativa de veracidade construída, materializando gradativamente seu escopo essencial, qual seja, a busca por uma verdade absoluta. Objetivando a saturação do princípio da verdade material na análise dos autos, cabe uma última constatação, acerca da alegação do ora recorrente de que à época da efetiva omissão de receitas, a empresa estava passando por uma forte crise e que preferenciou se (na figura de seus sócios ou procuradores) a manutenção da atividade comercial da empresa Fl. 22476DF CARF MF Processo nº 19515.720199/201428 Acórdão n.º 1201001.515 S1C2T1 Fl. 11 19 à atenção às suas obrigações fiscais. A passagem do Recurso Voluntário transcrita não deixa dúvidas quanto ao ora relatado: “(...) Com efeito, é fato que nenhum dos sócios ou procuradores da empresa tiveram, tinham ou têm conhecimento de que a situação contábil e fiscal é a que ora está narrada no Termo de Verificação Fiscal, em nada tendo concorrido para tal desdobramento. Durante todo aquele período, envidaram todos os seus esforços para a área comercial da empresa, com o intuito de dar prosseguimento à sua atividadefim, para evitar que o encerramento da relação comercial com a Mitsubishi levasse a empresa à crise financeira que acabou se instalando e à inevitável paralisação de suas atividades. (...)” Dois elementos essenciais da natureza do tributo devem conduzir a análise aqui proposta: i) a obrigatoriedade de seu pagamento, diante da definição contida no art. 3º do CTN, que defineo claramente como uma prestação pecuniária compulsória; ii) a responsabilidade social que os norteia, diante da regulação da vida em sociedade, do financiamento da atividade estatal e, assim, da promoção de direitos sociais perpetrados na Magna Carta, concretizando, assim, o bemestar social. Os efeitos de atitudes como esta praticada pelo contribuinte são nefastos para a vida em sociedade e para a concretização de princípios como o da solidariedade e da igualdade, consagrados pelo pátrio ordenamento jurídico. Nitidamente a entidade deixou de cumprir obrigações que visariam a concretização de referidos princípios para atender ao interesse próprio, particular e individual. É uma opção do contribuinte, que deveras fere princípios constitucionais e também morais e éticos, mas que a Fiscalização e as Autoridades julgadoras, sob hipótese alguma, podem aceitar como justificativa pela omissão de receitas. Permitir tal discricionariedade e arbitrariedade significaria abrir precedentes para que outros o fizessem, instigando a livre inciativa a qualquer custo, sem qualquer óbice. Com certeza o caos seria instalado e as desigualdades sociais acirradas de modo latente. Inclusive coadunando a obrigatoriedade do recolhimento do tributo e a responsabilidade social a este intrínseca, com as inúmeras intimações e reintimações dirigidas ao contribuinte ao longo do processo fiscalizatório, buscando a apresentação de documentos e/ou de esclarecimentos de fatos, e a sua total displicência e descomprometimento com a verdade, voto pela mantença da multa agravada. Ora, a interpretação literal do inciso I, §2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96 não deixa dúvidas que é passível de agravamento a multa ofício, nos casos em que o contribuinte, devidamente intimado, não prestar os devidos esclarecimentos. Fl. 22477DF CARF MF 20 Diante de todo o exposto, a presunção de omissão de receitas no presente caso é totalmente validada pelos princípios da verdade formal e material, de modo que julgo pela procedência dos lançamentos. Cumpre ressaltar, neste albor, a total desnecessidade de diligência, por comporem, os autos, conjunto probatório suficiente para as razões de decidir. Termo de Sujeição Passiva De pronto deve ser afastada a aplicação do art. 135, inciso III, do CTN. As alegações do contribuinte e suas devidas comprovações por meio dos documentos societários apresentados, deixam claro que os motivos pelos quais se caracterizaram a dissolução irregular da entidade se deram em momento posterior à saída dos Srs. Marco Antônio Alonso Crespo e Hélvio Pires de Oliveira da empresa. Veja, tanto o arquivamento na JUCESP, que previu a mudança do endereço da sociedade, quanto a inabilitação da ora recorrente por inaptidão no SINTEGRA/ICMS de SP, que são os fatos propulsores da constatação de dissolução irregular, concretizaramse no ano de 2011. Ocorre que os referidos sujeitos deixaram de exercer poderes perante a sociedade em 2010, posteriormente a ocorrência dos fatos relatados. Conclusão irretorquível que se atinge é no sentido de não haver qualquer relação direta entre os fatos que instigaram a dissolução da sociedade e os Srs. Marco Antônio Alonso Crespo e Hélvio Pires de Oliveira, caindo por terra o enquadramento no art., 135, III do CTN, por patente ausência de infração à lei, portanto. A grande questão, no entanto, cingese a aplicação do art. 124, I, do CTN, suscitado pela fiscalização diante do patente interesse comum dos Srs. Marco Antônio Alonso Crespo e Hélvio Pires de Oliveira na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária alvo da presente autuação. Em suma a fiscalização entendeu que a fundamentação legal por meio do supracitado normativo seria consequente às seguintes constatações: (a) foi procurador da DVM, "com plenos poderes para gerir e administrar a empresa", entre set/2008 e set/2009; (b) recebeu a quantia de R$10.000,00 (dez mil reais) da DVM em abr/2009, conforme indicado em planilha anexa ao Termo de Intimação Fiscal n° 5 (doc. 4); e (c) foi "ADMINISTRADOR da ALLYSON COMÉRCIO DE ACESSÓRIOS LTDA (...) outra empresa BENEFICIÁRIA DE RECURSOS transferidos pela DVM AUTOMÓVEIS LTDA." No ano calendário 2009, a qual "foi BAIXADA em 05/05/2010, conforme Distrato Social de 15/12/2009". Em linha semelhante, o v. acórdão recorrido ratificou a responsabilidade solidária baseada na relação direta que os sujeitos tinham com a recorrente, como sócios/procuradores, assinando cheques juntamente com os outros sócios, tendo com isso Fl. 22478DF CARF MF Processo nº 19515.720199/201428 Acórdão n.º 1201001.515 S1C2T1 Fl. 12 21 influencia direta na parte financeira da empresa, além de terem relação direta de administração/gerência da empresa Allyson, que prestava serviços a ora recorrente. Baseado nestas colocações, e em outros tantos documentos analisados, entendo não haver campo fático para a aplicação do art. 124, I do CTN neste caso concreto. O interesse comum deve perfazer necessariamente um interesse econômico, mas além, um interesse jurídico na situação em que não se observou a devida apuração do lucro tributável. Neste sentido passo a reproduzir algumas das ideias externadas por meio do acórdão nº 1402001.929, de relatoria do Ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. A consolidação do art. 124, I do CTN pressupõe necessariamente um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador: ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. Ainda, é essencial que o interesse comum não seja única e exclusivamente econômico, “mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica da qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse. EM outra palavras, o interesse jurídico se caracteriza quando a situação realizada por uma pessoa [e capaz de gerar os mesmos direitos e obrigações para a outra.” Não vejo, no caso concreto, tal conduta por parte dos Srs. Marco Antônio Alonso Crespo e Hélvio Pires de Oliveira. Não há, nos autos, qualquer comprovação cabal e inequívoca de que teria se concretizado alguma ato ou fato de caráter nitidamente doloso ou mesmo culposo por parte dos referidos sujeitos, ou ainda qualquer indício de confusão patrimonial, capazes de nortear de modo inconteste o interesse comum. Apegase, neste momento, a constatação do recorrente de que a grave situação financeira da empresa impulsionou o não recolhimento devido de tributos, agora a seu favor. Ora, apesar de perfazer total afronta à princípios constitucionais, conforme demonstrado, a atitude dos sócios/procuradores em primar pela saúde financeira da empresa ao invés de dar atenção especial ao recolhimento de tributos revela de pronto a ausência de uma conduta ostensiva do contribuinte. A ausência de recursos destinados a otimização da contabilidade no período de 2009 foi o exercício de uma preferência de interesses pessoais, mas longe de caracterizar dolo, fraude ou qualquer outro elemento que fortifique a alegação de interesse comum. Do exposto, voto por excluir a responsabilização imputada aos Srs. Marco Antônio Alonso Crespo e Hélvio Pires de Oliveira. Fl. 22479DF CARF MF 22 Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO dos RECURSOS VOLUNTÁRIOS, para, no MÉRITO, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO, apenas para determinar a exclusão da responsabilização imputada aos Srs. Marco Antônio Alonso Crespo e Hélvio Pires de Oliveira. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 22480DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901392/2014-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.327
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 13 92 /2 01 4- 43 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901392/201443 Acórdão n.º 3402003.327 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901392/201443 Acórdão n.º 3402003.327 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901392/201443 Acórdão n.º 3402003.327 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901392/201443 Acórdão n.º 3402003.327 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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