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Numero do processo: 13448.000118/2005-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Constatada contradição no
acórdão embargado, que tomou por base data de ciência da decisão de primeira diferente da data da efetiva ciência, concluindo pela
intempestividade do recurso, deve-se solucionar a contradição com o reexame do processo.
DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Comprovadas as relações de dependências
em relação ao Contribuinte das pessoas indicadas como seus dependentes na declaração de ajuste anual, deve-se reconhecer o direito à dedução a esse título.
DEDUÇÃO. DESPESA COM INSTRUÇÃO. A dedução como despesa de
instrução dependente da comprovação da efetividade dos pagamentos, não bastando para tanto a simples comprovação da matrícula na escola.
Embargos acolhidos
Acórdão retificado
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.065
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos para, retificando o acórdão embargado, julgar procedente em parte o lançamento para, além daquilo que já foi considerado pela decisão de primeira instância, reconhecer o direito à
dedução, como dependentes, do valor de R$ 9.720,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Constatada contradição no acórdão embargado, que tomou por base data de ciência da decisão de primeira diferente da data da efetiva ciência, concluindo pela intempestividade do recurso, deve-se solucionar a contradição com o reexame do processo. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Comprovadas as relações de dependências em relação ao Contribuinte das pessoas indicadas como seus dependentes na declaração de ajuste anual, deve-se reconhecer o direito à dedução a esse título. DEDUÇÃO. DESPESA COM INSTRUÇÃO. A dedução como despesa de instrução dependente da comprovação da efetividade dos pagamentos, não bastando para tanto a simples comprovação da matrícula na escola. Embargos acolhidos Acórdão retificado Recurso parcialmente provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos para, retificando o acórdão embargado, julgar procedente em parte o lançamento para, além daquilo que já foi considerado pela decisão de primeira instância, reconhecer o direito à dedução, como dependentes, do valor de R$ 9.720,00.
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Constatada contradição no acórdão embargado, que tomou por base data de ciência da decisão de primeira diferente da data da efetiva ciência, concluindo pela intempestividade do recurso, devese solucionar a contradição com o reexame do processo. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Comprovadas as relações de dependências em relação ao Contribuinte das pessoas indicadas como seus dependentes na declaração de ajuste anual, devese reconhecer o direito à dedução a esse título. DEDUÇÃO. DESPESA COM INSTRUÇÃO. A dedução como despesa de instrução dependente da comprovação da efetividade dos pagamentos, não bastando para tanto a simples comprovação da matrícula na escola. Embargos acolhidos Acórdão retificado Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos para, retificando o acórdão embargado, julgar procedente em parte o lançamento para, além daquilo que já foi considerado pela decisão de primeira instância, reconhecer o direito à dedução, como dependentes, do valor de R$ 9.720,00. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Fl. 87DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 15/04/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Cuidase de embargos declaratórios interpostos pela DRFCampina Grande/PB em face do acórdão nº 220100.842. Afirma a Embargante, em apertada síntese, que o acórdão embargado, que não conheceu do recurso, por intempestivo, considerou a data da ciência do lançamento errada. É que a ciência do lançamento se deu por via postal e a data da efetiva ciência encontrase no envelope acostado ao processo às fls. 65 e não na peça recursal, como se considerou no julgamento anterior. Em exame preliminar de admissibilidade, o presidente da Câmara determinou a inclusão do processo em pauta para seu exame pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, os embargos questionam a data da ciência considerada no acórdão embargado que levou, equivocadamente, a se considerar o recurso como tendo sido interposto tempestivamente. Compulsando os autos, verifico que assiste razão à Embargante. De fato, o acórdão recorrido considerou como data da interposição do recurso 13/11/2008, aposta na peça recursal às fls. 52. Porém, o recurso foi enviado por via postal, tendo sido postado em 05/11/2008, conforme envelope às fls. 65, devendo ser esta a data a ser considerada. Como a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 08/10/2008 (fls. 48), o recurso foi apresentado dentro do prazo legal. Devem ser acolhidos, portanto, os presentes embargos, retificandose o acórdão embargado para considerar tempestivo o recurso. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13448.000118/200543 Acórdão n.º 220101.065 S2C2T1 Fl. 2 3 Isto posto, cabe examinarlhe o mérito. O lançamento decorreu das glosas total ou parcial dos valores declarados como Contribuição Previdenciária Oficial, Dependentes, Despesas com instrução e Imposto Complementar. Mas resta em discussão na fase recursal apenas a dedução com um dos dependentes, de nome Ingrid Faina de Menezes, cuja relação de dependência não fora comprovada, e a glosa de parte da despesa com instrução. Quanto à dedução com dependente, o fundamento para a manutenção da glosa foi o fato de que o Contribuinte não conseguiu comprovar a relação de dependência. No recurso, o Contribuinte apresenta a Certidão de Nascimento de 63, lavrada em 13/02/2006, segundo a qual Ingrid Fayna Lopes Virgulino de Medeiros, nascida em 07/04/1998, é filha do ora Recorrente. Resta comprovada, portanto, a relação de dependência e deve ser restabelecida a dedução. Quanto à despesa com instrução, o Recorrente apresenta como prova apenas as certidões de que seus filhos cursaram ensino médio em determinada escola, mas não apresenta nenhum comprovante de pagamento. Esses documentos, todavia, demonstram apenas que os filhos do recorrente estudaram na tal escola, mas não de que foram feitos pagamento Até porque é possível se estudar em escolas privadas com bolsa de estudos. Assim, os elementos apresentados neste caso não se prestam como prova. Deve ser mantida, portanto a decisão de primeira instância neste ponto. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos para, retificando o acórdão embargado, julgar procedente em parte o lançamento para, além daquilo que já foi considerado pela decisão de primeira instância reconhecer o direito à dedução, como dependentes, do valor de R$ 9.720,00. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 89DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900783/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 15/04/2003
DESPACHO DECISÓRIO. TEMPESTIVIDADE. LITÍGIO.
INSTAURAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE
Provada a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela
recorrente, anulase
a decisão de primeira instância que equivocadamente
dela não conheceu, para que outra seja proferida pela autoridade julgadora de
primeiro grau, enfrentando as questões de mérito, expendidas naquela
manifestação.
Numero da decisão: 3301-000.907
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento
ao recurso para anular o acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de
inconformidade, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a advogada Heloísa
Guarita Souza OAB/PR nº 16.597.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2003 DESPACHO DECISÓRIO. TEMPESTIVIDADE. LITÍGIO. INSTAURAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE Provada a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente, anulase a decisão de primeira instância que equivocadamente dela não conheceu, para que outra seja proferida pela autoridade julgadora de primeiro grau, enfrentando as questões de mérito, expendidas naquela manifestação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a advogada Heloísa Guarita Souza OAB/PR nº 16.597.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2003 DESPACHO DECISÓRIO. TEMPESTIVIDADE. LITÍGIO. INSTAURAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE Provada a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente, anulase a decisão de primeira instância que equivocadamente dela não conheceu, para que outra seja proferida pela autoridade julgadora de primeiro grau, enfrentando as questões de mérito, expendidas naquela manifestação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão da DRJ que não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a advogada Heloísa Guarita Souza OAB/PR nº 16.597. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Curitiba, PR, que não conheceu da manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal vencido, declarado no Per/Dcomp transmitido na data de 13/08/2003, com crédito de PIS decorrente de pagamento a maior efetuado em 15/04/2003. A DRF não homologou a compensação do débito declarado sob o argumento de inexistência do crédito declarado, tendo em vista que o recolhimento alegado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificada do despacho decisório, inconformada, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 11/13, insurgindo contra a nãohomologação da compensação do débito declarado, alegando razões assim sintetizadas por aquela DRJ: “a) argúi que declarou a compensação do débito de R$ 14.152,16 de PIS do mês de março/2003 com crédito oriundo do PAF n° 10950.001228/200392, tendo tal compensação sido homologada por meio de despacho decisório proferido em 20/04/2007; b) contudo, o valor efetivamente devido a título de PIS em março/2003 era de R$ 6.212,17, cuja parcela de R$ 882,13 foi quitada mediante recolhimento por DARF, enquanto o saldo de R$ 5.330,04 o foi por meio de compensação vinculada ao referido PAF 10950.001228/200392; c) daí a razão de ter informado como crédito para compensação nos autos o valor de R$ 14.152,16, que corresponde à importância total passível de restituição, antes de qualquer dedução, inclusive do próprio PIS de março/2003 (R$ 5.330,04); d) assim, o direito creditório de R$ 8.822,12 foi utilizado na DCOMP tratada nos autos (R$ 2.347,19) e na de n o 24392.55566.150703.1.3.047629 (R$ 6.474,93).” Recebida a manifestação de inconformidade, a DRJ Curitiba não a conheceu sob o fundamento de que foi apresentada fora do prazo legal, não se instaurando litígio, conforme acórdão nº 0625.515, datado de 06/05/2010, às fls. 66/67, sob a seguinte ementa: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal é ineficaz para instauração da rase litigiosa do procedimento.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 73/81, requerendo o seu provimento, a fim de que se anule a decisão recorrida e determine à autoridade julgadora de primeira instância que profira nova decisão enfrentando as questões de mérito, expendidas na manifestação de inconformidade, alegando, em síntese que, ao contrário do entendimento daquela autoridade, a manifestação foi interposta tempestivamente, ou seja, dentro dos 30 (trinta) dias contados da ciência da intimação do despacho decisório, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972. Tomou ciência do despacho decisório na data de 03/06/2008 e não na data de 02/06/2008, considerada na decisão recorrida, conforme prova o extrato de rastreamento expedido pela Empresa de Correios e Telégrafos às Fl. 93DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10950.900783/200641 Acórdão n.º 330100.907 S3C3T1 Fl. 86 3 fls. 41. Em 02/06/2008, o carteiro não encontrou ninguém para fazer a entrega, retornando no dia seguinte, 03/06/2008. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão de mérito se restringe à tempestividade ou não da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente contra o despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal declarado no Per/Dcomp nº 35698.80256.130803.1.3.040931 em discussão. A DRJ fundamentou sua decisão na cópia do documento às fls. 09, denominado “Histórico da(s) Comunicações”. Do seu exame, verificamos que nele constam: registros; situação; e data da entrega, respectivamente: a.1) 16/05/2008; a.2) aguardando envio de comunicação; a.3) N/A; b.1) 20/05/2008; b.2) aguardando retorno de AR; b.3) N/A; c.1) 21/05/2008; c.2) aguardando retorno de AR; c.3) N/A; e, d.1) 03/12/2008; d.2) entregue; d.3) 02/06/2008. Com base nesse documento, a DRJ considerou intempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade e não a conheceu. No entanto, a recorrente carreou aos autos as cópias do “AR” de remessa postal do despacho decisório proferido pela DRF, às fls. 83, e do documento às fls. 41, denominado “CORREIOS RF63943098BR – Histórico do Objeto”, correspondente à postagem do despacho decisório proferido pela DRF em Maringá. Do exame deste, constatamos, dentre outros registros, os seguintes: 02/06/2008, destinatário ausente; e, 03/06/2008, entregue; já o “AR” às fls. 83 comprova que o despacho foi entregue em 03/06/2008. A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, que instituiu a compensação de créditos contra a Fazenda Nacional, mediante a entrega de Dcomp e/ ou transmissão de Per/Dcomp, assim dispõe, in verbis: “Art. 74. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . (...). § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...). Fl. 94DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...).” No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, a recorrente foi intimada do despacho decisório proferido pela DRF na data de 03/06/2008 (fls. 83) e postou na data de 03/07/2008, na agência dos Correios em Curitiba, a respectiva manifestação de inconformidade, segundo prova a cópia do envelope Sedex às fls. 10 e também consta da decisão recorrida. Como a recorrente postou a manifestação de inconformidade dentro do prazo de 30 (trinta) dias estabelecidos naquele diploma legal, não há que se falar em intempestividade. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente contra o despacho decisório proferido pela DRF em Maringá, anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para proferir nova decisão enfrentando as questões de mérito expendidas naquela manifestação. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 95DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 11040.000649/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RECUPERAÇÃO DE CUSTOS — LUCRO REAL — As pessoas jurídicas
optantes pela tributação com base no lucro real devem considerar na base de cálculo do tributo além das receitas auferidas, também os custos recuperados no período. A data de denúncia de um contrato é aquela em que uma das partes é cientificada do rompimento do ajuste pela outra contratante.
Numero da decisão: 1101-000.451
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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FRANCI DE SA E RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente SI-C1T2 Fl. 97 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11040.000649/2004-11 Recurso n° 164.361 Voluntário Acórdão n" 1101 - 00.451 — P' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 31 de março de 2011 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente HERBISUL PRODUTOS AGRÍCOLAS ESPECIALIZADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL RECUPERAÇÃO DE CUSTOS — LUCRO REAL — As pessoas jurídicas optantes pela tributação com base no lucro real devem considerar na base de cálculo do tributo além das receitas auferidas, também os custos recuperados no período. A data de denúncia de um contrato é aquela em que uma das partes é cientificada do rompimento do ajuste pela outra contratante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Alexandre Andrade de Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente), José Ricardo da Silva (Relator) e Diniz Raposo e Silva (Suplente Convocado). Processo no 11040.000649/2004-11 S1-C1T2 Acórddo n." 1101-00.451 Fl. 98 Relatório HERBISUL PRODUTOS AGRÍCOLAS ESPECIALIZADOS LTDA., recorre a este Colegiado (fls. 146/156), contra decisão proferida pela 5' Turma da DRJ/Porto Alegre, que julgou procedente o lançamento tributário. Em procedimento fiscal levado a termo (fls. 05 e 15), foi constituído credito tributário em razão da seguinte irregularidade fiscal: RECUPERAÇÃO OU DEVOLUÇÃO DE CUSTOS/DEDUÇÕES — OMISSÃO Falta de contabilização, no ano de 1999, de recuperação de custos, gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito a tributação.0 contribuinte exercia atividade de revenda de produtos agrícolas. Intimar a comprovar a efetiva exigibilidade em 31/12/1999 do saldo da conta do Passivo Circulante, Credores p/Notas Promissórias junto a fornecedora BASE S/A, conforme Escritura Pública de Confissão de Divida. Para quitação da divida junto a BASF, a contribuinte entregou imóveis em dação de pagamento e cedeu créditos, restando saldo de R$ 500.000,00 do débito, que seria pago mediante cessão de parte de comissões que a fiscalizada receberia no futuro. As comissões que a fiscalizada faria jus decorrem do contrato de mediação de vendas firmado entre as partes. A devedora mediaria vendas da credora, recebendo comissão pelos serviços, sendo que esta comissão seria, em parte, utilizada na quitação do saldo devedor de R$ 500.000,00. Entretanto, as próprias partes estabeleceram na confissão de divida que a denúncia imotivada do contrato de mediação de vendas por parte da credora, importaria na quitação automática do saldo devedor então existente e, por outro lado, a denúncia imotivada por parte da devedora, importaria no vencimento imediato do saldo devedor. Em 29 de outubro de 1999, a credora BASF enviou correspondência devedora (fiscalizada), comunicando a denúncia do contrato. A fiscalizada, por seu turno, somente reconheceu contabilmente a quitação automática do saldo devedor no dia 11 de janeiro de 2000. Ate o ano-calendário dc 1999, a contribuinte optou pela tributação com base no lucro real. A partir do ano-calendário de 2000, optou pela tributação com base no SIMPLES. 3 Processo if 11040.000649/2004-11 Sl-C1T1 Acórao n •° 1101-00.451 Fl. 2 A fiscalizada informou que dos R$ 500.000,00 de débito, entregou um veiculo no valor de R$ 5.000,00 e que o registro contábil da quitação do saldo de R$ 495.000,00 somente foi efetuado 60 dias após a ciência da denúncia do contrato de mediação de vendas, ocorrida em 11 de novembro de 1999. Em 2000, tendo optado pelo SIMPLES, o montante da divida quitada pela credora BASF não foi oferecido a tributação. Informa a autoridade autuante que o item 03 do referido contrato prevê seu rompimento mediante pré-aviso de 60 dias (fls. 116). Pela denúncia imotivada da credora, o saldo devedor foi automaticamente quitado conforme disposição expressa no item 4.4 da escritura pública (fls. 107). Assim, o registro contábil desta quitação deveria ter sido efetuado na data da ciência da denúncia, ocorrida em 11/11/1999, e não na data do rompimento, sendo que o respectivo valor deveria ter sido adicionado ao lucro liquido do exercício de 1999, em virtude de a fiscalizada estar, A época, sujeita a tributação pelo lucro real. No entender da fiscalização, a contribuinte registrou equivocadamente a quitação da divida somente em 11/01/2000, restando apurados a menor o 1RPJ e a CSLL relativos ao ano-calendário de 1999. 0 contencioso administrativo foi instaurado tempestivamente pela apresentação de impugnação ao lançamento de oficio pela recorrente (fls. 127/135), com os seguintes argumentos: a) em 11/11/99, a credora da recorrente a enviou correspondência denunciando o Contrato de Mediação de Vendas do Agroquímico Facet PM, celebrado em 17 de julho de 1998, nos termos do item 3 que versava a respeito do prazo do rompimento do contrato, que estipulava que seus efeitos surtiriam após 60 (sessenta) dias após o recebimento da comunicação; b) o subitem 4.4 da Escrituração Pública estipula que a denúncia imotivada pela credora do contrato de mediação de vendas importaria na quitação automática do saldo devedor, e não imediata do saldo devedor, como interpretou o fisco; c) o fisco só teria razão, caso a denúncia do contrato tivesse sido realizada pela recorrente, que estipulava o vencimento imediato do saldo devedor, que, no presente caso, ocorreria no dia 11/11/1999; d) alega que "automático", significa "realização maquinal, inconsciente, involuntária, ato praticado sem intervenção da vontade ou da inteligência, ou pela força do hábito", enquanto "imediato" significa "próximo, rápido, instantâneo, denotando inequivocadamente a idéia de tempo aqui e agora"; e) informa que sua interpretação está correta, pois a credora, ao comunicar a denúncia do contrato, informou, também, que seus efeitos surtiriam após sessenta dias do recebimento do aviso, além de que as vendas realizadas durante o pré-aviso seriam remuneradas pela Credora, implicando, assim retenção de comissões decorrentes dessa mediação de vendas realizadas no interstício; f) é importante ressaltar que as partes contratantes cumpriram exata e fielmente todas as cláusulas que, sob a ótima dos arts. 81, 82, 114, 115, 116, 117, 118 e 119 do Código Civil de 1916, são consideradas licitas; g) afirma que o Fisco poderia aplicar os princípios da analogia e da eficiência estipulados pelo art. 112 de CTN no presente caso; h) ao final pede o cancelamento do Auto de Infração. A Colenda Turma da DREPOA julgou procedente o lançamento, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1999 RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. LUCRO REAL. Empresas optantes pelo Lucro Real devem considerar na base de cálculo do IRPJ e CSLL os custos recuperados no período. A data de denúncia de um contrato é aquela em que uma das partes é cientificada do rompimento do ajuste pela outra contratante. Ciente da decisão de primeira instância em 06/12/2002 (fls. 145), e com ela não se conformando, a Recorrente encaminhou a este Colegiado Recurso Voluntário (fls. 146/156), apresentando, em partes, as mesmas razões de fato e de direito, tendo como novo que: i) com o advento da CF de 1988, podemos inferir do principio contido em seu art. 5° inciso LV, a ampla defesa e o contraditório com os meios e recursos a ela inerentes, além da busca da verdade real dos fatos, para que então alguém possa ser considerado responsável ou não pelo fato imputado; j) a busca da verdade real é necessária no âmbito administrativo-tributário, para se verificar o fato gerador, que não pode ser tido por ocorrido por meros indícios ou suposições, pois o art. 142 do C'TN, ao tratar sobre o lançamento, especifica que o mesmo é "procedimento tendente a 4 Processo n° 11040.000649/2004-11 Si -C1T1 Acórdao n • ° 1101-00.451 Fl. 3 verificar a ocorrência do fato gerador", sento este indispensável para a imputação da obrigação tributária ao sujeito passivo; k) assim, da mesma forma que o processo Judicial busca a verdade real, o processo administrativo também precisa perquiri-lo; 1) dessa forma, acredita-se que para preservar o principio da verdade real, deve-se analisar e considerar a documentação comprobatória anexada aos autos, pois assim o lançamento em questão poderá ser inibido, conforme já foi realizado quando da analise do Recurso 132.865 por este Colegiado; m) que a credora, ao comunicar a denúncia do contrato, informou que a referida avença restaria dissolvida de pleno direito contatos 60 dias do recebimento daquele documento; n) informou também que as vendas eventualmente mediadas pela recorrente, no prazo do pré aviso de 60 dias, seriam remuneradas na forma contratual, deixando claro que a credora, em hipótese alguma, concebeu, pela denúncia imotivada do contrato, a quitação do saldo devedor em 11/11/1999, e nem poderia, pois a palavra chave utilizada na escritura foi "automática", que não é sinônima de "imediata"; o) a retenção de comissões decorrentes de mediação de vendas efetuadas no período de 11/11/1999 (data da ciência de denúncia) a 11/01/2000 (60 dias após), reduziriam o saldo devedor da divida, que, logicamente, não poderia estar quitado antes do transcurso total daquele período; p) ao final, pede provimento do recurso. o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator A matéria sob exame diz respeito a falta de reconhecimento, no ano- calendário de 1999, da redução dos custos decorrente da quitação automática da divida que a recorrente possuía para com sua fornecedora BASF S/A. Devidamente intimada pela autoridade fiscal a comprovar a existência da conta representativa ao passivo circulante ern 31/1211999, constante em Escritura Pública de Confissão de Divida, foi constatado que a empresa, em 29 de outubro de 1999, teve sua divida liquidada em razão da denúncia do contrato por parte da credora. 0 acordo firmado pelas empresas através de escritura pública, após prever que o saldo devedor apurado seria pago com parte das comissões que a devedora viesse a auferir, previu (fls. 107): "A denúncia imotivada do contrato de MEDIAÇÃO DE VENDAS por parte da CREDORA, importará na quitação automática do saldo devedor então existente e que está identificado no item anterior." A credora efetivamente comunicou o rompimento do contrato, assim (fls. "Servimo-nos do presente para comunicar-lhe a denúncia do CONTRATO DE MEDIAÇÃO f..1, de modo que, contados sessenta (60) dias do recebimento da presente, a referida avença estará dissolvida de pleno direito. Por evidente, as vendas eventualmente mediadas pela Herbisul, nos termos do contrato, no prazo do pre aviso de sessenta dias, serão remuneradas na forma contratual." 103): A recorrente somente procedeu ao registro contábil dos ajustes correspondentes em data de 11 de janeiro de 2000. Registre-se que a tributação adotada pela autuada correspondente ao ano-calendário de 1999, foi com base no lucro real, sendo que a partir do ano de 2000, optou pela optou pela tributação com base no SIMPLES. Por ocasião da ação fiscal, a contribuinte comunicou que dos R$ 500.000,00 de divida existente à época, havia efetuado a entrega de um veiculo no valor de R$ 5.000,00 e que o registro contábil da quitação do saldo de R$ 495.000,00 somente foi efetuado 60 dias após a ciência da denúncia do contrato de mediação de vendas, ocorrida em 11 de novembro de 1999. Diante desse quadro, no ano-calendário de 2000, com a opção pela tributação simplificada, o montante da divida quitada pela credora BASF não foi oferecido a tributação, visto que pela sistemática do SIMPLES, somente as receitas auferidas formam a base de calculo do tributo. Consta do item 03 do contrato firmado entre a recorrente e sua fornecedora, que o rompimento do mesmo ocorrerá mediante pré-aviso de 60 dias (fls. 116). Assim, em decorrência da denúncia imotivada por parte da credora, o saldo devedor foi automaticamente quitado conforme disposição expressa no item 4.4 da escritura pública (fls. 107). Tratando-se de tributação com base no lucro real, a condição necessária para a ocorrência do fato gerador do imposto, qual seja, a aquisição da disponibilidade, deve ser cumprida ern cada operação, e o rendimento ou a parcela de ganho auferido pela empresa, durante o período-base, deverá integrar o montante tributável quando os resultados tiveram a sua disponibilidade econômica ou jurídica incorrida em favor da mesma. No caso dos autos, houve por parte da contribuinte inexatidão quanto ao período de reconhecimento da receita auferida em decorrência dos serviços por ela prestados, acima descritos. 6 Processo n°11040.000649/2004-11 51-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.451 Fl. 4 Com efeito, se é certo de que o regime que impõe a determinação do lucro liquido é o regime de competência, não menos certo é de que este pode e deve ser apurado pela aplicação de todos os princípios fundamentais de contabilidade, dentre os quais o próprio principio da competência (ou, mais especificamente, de realização da receita). Aliás, não sem razão que o legislador, na Lei if 6.404/76, na seção relativa Demonstração do Resultado do Exercício, ao se referir à determinação do resultado do exercício, ter dito que serão computados: "as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda", em clara mensagem de que, embora não realizado em moeda, o ganho, desde que efetiva e potencialmente realizável, pode e deve ser escriturado. Acolher o entendimento exposto pela recorrente seria admitir tese contrária ao principio da aplicação do regime de competência estabelecido pela norma legal e adotado pela doutrina brasileira. No presente caso, não lid que se falar em postergação no reconhecimento da recuperação dos custos, visto que no ano-calendário de 2000 — quando foi reconhecido contabilmente referido ganho — a empresa optou pela tributação simplificada, cuja tributação somente incide sobre as receitas auferidas. Nessas condições, entendo que o registro contábil da quitação deveria ter sido efetuado na data da ciência da denúncia, ocorrida em 11/11/1999, e não na data do rompimento, sendo que o respectivo valor deveria ter sido adicionado ao lucro liquido do exercício de 1999, em virtude de a fiscalizada se encontrar, à época, sujeita a tributação pelo lucro real. Concordo com o procedimento fiscal, visto que a denúncia do contrato ocorreu precisamente na data da ciência da correspondência (fls. 103), ou seja, 11/11/1999, pois no referido instrumento foi denunciada a declaração de vontade da BASF A. recorrente, sendo que referido comunicado acarretou, conforme estabelecido na escritura pública, a quitação automática do saldo devedor então existente. Conclusão Face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011
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Numero do processo: 11330.000712/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2005
RETENÇÃO. SERVIÇOS E EMPREITADAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
SUJEIÇÃO.
Os serviços, as empreitadas parciais e as subempreitadas de construção civil sujeitam-se ao regime da retenção de contribuições previdenciárias previsto no art. 31 da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 9.711/98.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão a quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
RETENÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. ÔNUS DA PROVA EM CONTRÁRIO.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua
apresentação deficiente autoriza aos Agentes Fiscais do Fisco Federal a inscrever de ofício importância que reputarem ser devida, cabendo ao
notificado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.830
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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SERVIÇOS E EMPREITADAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. SUJEIÇÃO. Os serviços, as empreitadas parciais e as subempreitadas de construção civil sujeitamse ao regime da retenção de contribuições previdenciárias previsto no art. 31 da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 9.711/98. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. RETENÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. ÔNUS DA PROVA EM CONTRÁRIO. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente autoriza aos Agentes Fiscais do Fisco Federal a inscrever de ofício importância que reputarem ser devida, cabendo ao notificado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Thiago d’Avila Melo Fernandes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000712/200798 Acórdão n.º 230200.830 S2C3T2 Fl. 179 3 Relatório Período de apuração MPF : janeiro/2003 a julho/2005. Período de apuração do débito: 01/12/2003 a 31/05/2005. Data da lavratura da NFLD : 19/04/2007. Data da Ciência da NFLD: 19/04/2007. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em face do Recorrente em referência, tendo por objeto contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, referentes à contratação de serviços executados mediante Cessão de mão de obra, incidentes à alíquota de 11% sobre os valores brutos constantes nas notas fiscais/faturas dos serviços de construção civil prestados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 15/18. Informa o auditor fiscal notificante que os Processos de Empenho e respectivas notas fiscais referentes às ordens de pagamentos para quitação dos serviços prestados mediante cessão de mão de obra não foram apresentados, apesar de solicitação específica através de TIAD, motivo pelo qual foram tomados, como bases de cálculo, os valores de pagamentos constantes das Relações de Ordens de Pagamentos (exaustivas para cada exercício), relativamente aos serviços de Empresas que, por sua natureza, se mostram suscetíveis à retenção. Acrescenta a Autoridade Lançadora que, em decorrência da não apresentação dos documentos mencionados no parágrafo anterior, foi lavrado Auto de Infração código de fundamentação legal 38 em nome do Secretário de Administração. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 30/32. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – Rio de Janeiro I Previdenciária lavrou Decisão Administrativa a fls. 162/, julgando procedente em parte a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário nos termos do Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR, a fls. 167/168. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/10/2007, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 170. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 171/173, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Sustenta ter havido inversão no procedimento, pelo fato de o Município ter sido “condenado” antes de o fato gerador de tal condenação ter sido devidamente apurado, circunstância que configuraria vício insanável. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 • Alega ser injusto e atentador ao patrimônio da municipalidade, que o Município tenha que pagar em duplicidade qualquer valor que seja, uma vez que ele já pagou integralmente pelos serviços prestados. Aduz que existe a possibilidade de o contratado já ter repassado voluntariamente o valor devido ao INSS. Acrescenta ser inevitável a fiscalização das empresas contratadas, pois se elas já houvessem recolhido os valores, a Receita Federal não poderia receber duas vezes pelo mesmo fato gerador. Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000712/200798 Acórdão n.º 230200.830 S2C3T2 Fl. 180 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/10/2007, terçafeira, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na quartafeira seguinte, digase, 17/10/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 13 de novembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Alega o Recorrente ser injusto e atentador ao patrimônio da municipalidade, que o Município tenha que pagar em duplicidade qualquer valor que seja, uma vez que ele já pagou integralmente pelos serviços prestados. Aduz que existe a possibilidade de o contratado já ter repassado voluntariamente o valor devido ao INSS. Acrescenta ser inevitável a fiscalização das empresas contratadas, pois se elas já houvessem recolhido os valores, a Receita Federal não poderia receber duas vezes pelo mesmo fato gerador. Compulsando a peça de impugnação à Notificação Fiscal em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente na NFLD, observadas as condições de contorno assentadas no item 2 do relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte, a fls. 2/3.. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000712/200798 Acórdão n.º 230200.830 S2C3T2 Fl. 181 7 energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão específica precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Por tais razões, a matéria postada no primeiro parágrafo deste tópico não poderá ser conhecida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço parcialmente. Ante à ausência de questões preliminares a serem decididas, passamos diretamente à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre assentar inicialmente que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3.1. DO ITER PROCEDIMENTAL. Sustenta o Recorrente ter havido inversão no procedimento, pelo fato de o Município ter sido “condenado” antes de o fato gerador de tal condenação ter sido devidamente apurado, circunstância que configuraria vício insanável. Em relação ao núcleo da insurgência agora em foco, mostrase necessária a abertura de portas a algumas digressões pertinentes aos fundamentos jurídicos que fornecem esteio à opinio juris que ora se escultura. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, o art. 22 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como encargo da empresa as contribuições sociais incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. De um outro canto, a mesma Constituição Federal de 1988, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, a teor do art. 146, III da CF/88, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000712/200798 Acórdão n.º 230200.830 S2C3T2 Fl. 182 9 performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A coreografia assim pontilhada, quando executada no papel passivo pelo responsável tributário, é distinguida nos palcos jurídicos como substituição tributária e, nessas apresentações, todos os movimentos associados ao ato da arrecadação tributária, que no script originário seriam praticados pelo contribuinte, passam então a ser desempenhados pelo novo personagem – o responsável , que assume toda a responsabilidade pelo recolhimento do tributo associado, afastando por completo qualquer conduta nesse sentido a ser exigida do contribuinte, que é mantido em resguardo nos bastidores do processo. É o que ocorre na hipótese vertida no art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação conferida pela Lei nº 9.711/98, que atribui ao contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra a responsabilidade pela retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas referentes aos serviços prestados naquela condição, e ao subsequente recolhimento do valor assim retido em nome do prestador correspondente. Anotese que o papel do contribuinte continua a ser representado pelo personagem que ostenta relação pessoal e direta com o fato gerador, digase, a pessoa jurídica prestadora dos serviços. Ao responsável tributário, in casu, o município contratante, ora Recorrente, são designadas apenas as atuações pautadas na retenção e no respectivo recolhimento, nada mais. Dessarte, concluída a contento a execução do seu papel, o responsável tributário sai de cena, restandolhe, todavia, a incumbência de manter resguardados, em seu camarim, os documentos comprobatórios da higidez dos passos a seu encargo, enquanto não se operar a decadência das obrigações a eles correspondentes. No caso sob apreciação, relata o auditor fiscal notificante que, apesar de o Município em foco ter sido formalmente intimado, mediante TIAD a fls. 22/23, a exibir os processos de empenho e respectivas notas fiscais referentes às ordens de pagamentos para quitação dos serviços prestados, objeto deste levantamento, estes não foram apresentados à fiscalização. A conduta omissiva assim perpetrada pelo Recorrente autoriza o Auditor Fiscal notificante a inscrever de ofício a importância que reputar ser devida, cabendo ao município notificado o ônus da prova em contrário, a teor das disposições inscritas no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, em excerto rememorado a seguir para a melhor compreensão de seus fundamentos. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) No caso concreto sub oculi, informa a Autoridade Lançadora ter assumido como base de incidência da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, os valores dos pagamentos constantes nas Relações de Ordens de Pagamentos, relativamente aos serviços de construção civil, que por sua natureza se mostram suscetíveis à retenção ora em realce. Merece esclarecimento, neste comenos, que o caso em estudo ostenta uma particularidade que o destaca no cenário da retenção previdenciária em apreço, recebendo do ordenamento jurídico um tratamento diferenciado pela legislação. O art. 31 da Lei nº 8.212/91, após a alteração trazida pela Lei nº 9.711, de 20/11/98 e pela Lei nº 11.488, de 15/06/07, passou a dispor que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida, no prazo legal, em nome da empresa cedente da mão de obra. Os serviços executados mediante cessão de mão de obra que ensejam a incidência da retenção dos 11% encontramse dispostos, de forma exemplificativa, no §4º do Art. 31 supra mencionado, o qual prevê em seu inciso III os serviços prestados mediante empreitada de mão de obra. Lei N° 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 10 (dez) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no §5º do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela lei nº 11.488/07) §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000712/200798 Acórdão n.º 230200.830 S2C3T2 Fl. 183 11 compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98) §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98) §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98) §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711/98) (grifos nossos) I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mão de obra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. §5º O cedente da mão de obra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711/98) Deflui da interpretação sistemática dos §§ 3 e 4º do Art. 31 da Lei 8.212/91 que o legislador ordinário pautouse por estabelecer uma presunção, ao nosso sentir relativa, de cessão de mão de obra nos serviços de limpeza, conservação, zeladoria, vigilância, segurança e empreitada de mão de obra, prestados por pessoa jurídica a outras empresa, mesmo que na forma de trabalho temporário. Além de relacionar de forma não exaustiva diversas categorias de serviços historicamente prestados mediante cessão de mão de obra, o mesmo §4º ainda agora referido, conferiu ao Regulamento a competência legislativa para estabelecer outros serviços os quais também estariam sujeitos à retenção caso fossem prestados mediante cessão de mão de obra. As conclusões externadas no parágrafo anterior são corroboradas pelos preceitos encartados nos §§ 2º e 3º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, o qual, em ádito, sem extrapolar a competência que lhe fora outorgada pela Lei nº 9.711/98, ampliou o rol de serviços que, se prestados mediante cessão de mão de obra, estariam sujeitos à retenção, assim dispondo: REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mão de obra: (grifos nossos) I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; XXV – telefonia, inclusive telemarketing. §3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mão de obra. (grifos nossos) §4º O valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000712/200798 Acórdão n.º 230200.830 S2C3T2 Fl. 184 13 §5º O contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço. §6º A empresa contratante do serviço deverá manter em boa guarda, em ordem cronológica e por contratada, as correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, Guias da Previdência Social e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com comprovante de entrega. §7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. §8º Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos. §9º Na impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subsequentes, inclusive na relativa à gratificação natalina, ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3º do art. 247. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §10º Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. §11º As importâncias retidas não podem ser compensadas com contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social para outras entidades. §12º O percentual previsto no caput será acrescido de quatro, três ou dois pontos percentuais, relativamente aos serviços prestados pelos segurados empregado, cuja atividade permita a concessão de aposentadoria especial, após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) O §3º do art. 219 do RPS não deixa dúvidas de que, nos serviços de construção civil o regime da retenção previdenciária é de observância obrigatória tanto nos serviços prestados mediante cessão de mão de obra quanto naqueles contratados mediante empreitada de mão de obra. Tal imperatividade também se verifica nos serviços de limpeza, conservação e zeladoria, como ainda, nos de vigilância e segurança. Operando em reforço aos dispositivos legais e regulamentares selecionados, os artigos nº 152 e 153 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100, 18 de dezembro de 2003, veio Fl. 13DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 elucidar os conceitos de cessão de mão de obra e de empreitada de mão de obra, para os fins específicos da retenção previdenciária, assim estatuindo ad litteris et verbis: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, 18 de dezembro de 2003 Art. 152. Cessão de mão de obra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. § 1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. § 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. § 3º Por colocação à disposição da empresa contratante entendese a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Art. 153. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido. Avultase auspicioso destacar, entretanto, que, na construção civil, o regime da retenção acima pontilhado convive com o serôdio instituto da solidariedade, de molde que o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem, conforme estabelece o art. 220 do RPS. Regulamento da Previdência Social Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (grifos nossos) §1º Não se considera cessão de mão de obra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa Fl. 14DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000712/200798 Acórdão n.º 230200.830 S2C3T2 Fl. 185 15 construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. (grifos nossos) §2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. §3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. Por outro viés, colimando elucidar o alcance efetivo de cada um dos institutos ora revisitados, a Instrução Normativa INSS/DC nº 69, de 10 de maio de 2002, encerrou em seus artigos 27 e 37 as hipóteses de incidência da solidariedade e da retenção, respectivamente, não sem antes fixar os conceitos de empreitada e de subempreitada para os fins das obrigações dispostas na Lei nº 8.212/91, conforme se vos seguem: INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC N° 69, de 10/05/2002 Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa, considerase: (...) XXIII contrato de empreitada: o contrato celebrado entre o proprietário, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para execução de obra ou serviço de construção civil, podendo ser: (Redação dada pela Instrução Normativa INSS/DC nº 080, de 27.08.2002). a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; (grifos nossos) b) parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para Fl. 15DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; (grifos nossos) XXIV contrato de subempreitada, o contrato celebrado entre a empreiteira interposta e outra empresa, para, na qualidade de subempreiteira, executar obra ou serviços de construção civil, no todo ou em parte, com ou sem fornecimento de material; (grifos nossos) (...) §2º Receberá tratamento de empreitada parcial: I o contrato de empreitada com empresa construtora que contenha cláusula estabelecendo o faturamento de subempreiteira, contratada pela construtora, diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador; Art. 27. Aplicase a responsabilidade solidária de que trata o inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, nos seguintes casos: (grifos nossos) I na contratação de empreitada total; II quando houver repasse integral do contrato celebrado na forma do inciso I deste artigo, nas mesmas condições pactuadas, observado o disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 13. Parágrafo único. Na hipótese prevista no inciso II, aplicarseá a responsabilidade solidária a todas as empresas envolvidas. Art. 37. Na empreitada parcial ou na subempreitada e nos serviços de construção civil, com ou sem fornecimento de material, deverá a contratante efetuar a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em documento de arrecadação identificado com a razão social e o CNPJ da contratada. (grifos nossos) A análise do conceito postado na legislação previdenciária revela que a pedra de toque para tal diferenciação assentase na responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários para a realização da obra, restando tal responsabilidade a cargo da empresa construtora, na empreitada total, e do proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino, no caso da empreitada parcial. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §2º, I do art. 2º da IN INSS/DC nº 69/2002, forte no sentido de que receberá tratamento de empreitada parcial, isto é, sujeitarseá ao regime da retenção, o contrato de empreitada com empresa construtora que contenha cláusula estabelecendo o faturamento de subempreiteira, contratada pela construtora, diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica e sistemática, que, se a contratação de obra de construção civil se der mediante o critério da empreitada global, incidirá o instituto da solidariedade entre a construtora e o município contratante, pelas obrigações talhadas na Lei nº 8.212/91. De outro eito, se a contratação se der mediante empreitada parcial, por subempreitada ou referirse a serviços de construção civil, o município contratante e as empresas contratadas sujeitarseão ao regime da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000712/200798 Acórdão n.º 230200.830 S2C3T2 Fl. 186 17 Dessarte, dessumese do regramento positivado que os serviços prestados na construção civil, sejam mediante cessão de mão de obra sejam por empreitada de mão de obra, encontramse, por determinação legal expressa, sujeitos ao regime da retenção prevista no Art. 31 da Lei 8.212/91. O entendimento acima exarado encontra amparo também nas disposições veiculadas na Instrução Normativa INSS/DC n° 69, de 10 de maio de 2002, cujos artigos 37 e seguintes, publicados no intuito de conferir a nitidez necessária às condições de contorno do instituto da retenção previdenciária na construção civil, estabelecem taxativamente que, na contratação de empreitada parcial ou de subempreitada e de serviços de construção civil, com ou sem fornecimento de material, deve o contratante efetuar a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em documento de arrecadação identificado com a razão social e o CNPJ da empresa contratada. Instrução Normativa INSS/DC n° 69, de 10 de maio de 2002 Art. 37. Na empreitada parcial ou na subempreitada e nos serviços de construção civil, com ou sem fornecimento de material, deverá a contratante efetuar a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em documento de arrecadação identificado com a razão social e o CNPJ da contratada. (grifos nossos) §1º A nota fiscal, a fatura ou o recibo de prestação de serviços emitidos a título de adiantamento estarão sujeitos à retenção. §2º Aplicase o disposto neste artigo às entidades beneficentes de assistência social em gozo de isenção: Art. 38. A retenção sempre se presumirá feita pelo contratante, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pelas importâncias que deixar de reter ou tiver retido em desacordo com a legislação. (grifos nossos) Parágrafo único. Caso o contratante não tenha efetuado o recolhimento do valor correspondente à retenção, será constituído o crédito tomandose como base de cálculo o valor bruto do serviço constante da nota fiscal, da fatura ou do recibo e aplicandose a alíquota de 11%, observado o disposto na Subseção I desta Seção. Não nos afigura exagerado requinte ressaltar que, por se tratar de hipótese legal de substituição tributária, opera em favor da retenção das contribuições previdenciárias ora em destaque a presunção absoluta de que ela tenha sido sempre feita pelo contratante, a este não sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do pagamento, ficando ele diretamente responsável pelo recolhimento das contribuições que eventualmente tenha deixado de reter, ou que houver retido em desacordo com a legislação. Com fulcro no que se coligiu até o momento, se nos antolha estarmos diante de hipótese de município contratante de serviços de construção civil, consoante se dessume da denominação legal das empresas contratadas. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 À vista do que já foi salientado anteriormente, na contratação de serviços e subempreitadas de construção civil do jaez correspondente aos que ora nos deparamos, a legislação previdenciária determina a obediência e sujeição compulsória ao regime da retenção estampada no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Escudado pelo preceito inscrito no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, tendo em consideração que a prestação de serviços de construção civil e a contratação de subempreiteiras sujeitamse ao regime da retenção em realce, foi lavrada a Notificação Fiscal sobre a qual nos debruçamos, tendo como base de incidência da retenção em tela os valores de pagamentos constantes das Relações de Ordens de Pagamentos, relativamente aos serviços de construção civil, pesando sobre os ombros do Recorrente o ônus da prova de que os levantamentos realizados não se sujeitam ao regime da retenção aqui tratado. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social, a disciplina do rito processual em tela restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) Fl. 18DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000712/200798 Acórdão n.º 230200.830 S2C3T2 Fl. 187 19 §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Registrese, a título de mera reflexão, que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 19DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que as provas documentais têm que ser produzidas em juízo de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §1º do art. 9º da Portaria MPS nº 520/2003, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000712/200798 Acórdão n.º 230200.830 S2C3T2 Fl. 188 21 Nessas circunstâncias, foram apresentadas a fls. 33/160, juntamente com a impugnação, diversos documentos supostamente relacionados ao lançamento ora em julgo, os quais foram devidamente apreciados pelo Órgão Julgador a quo, resultando na retificação de oficio da base de cálculo da retenção correspondente ao levantamento AF2, na competência 03/2005, sendo mantidos os demais levantamentos, conforme descrito no item 11 da Decisão Administrativa de 1ª Instância, a fls. 162/165. Conforme expressamente consignado no item 7 da Decisão mencionada no parágrafo precedente, as provas oferecidas na fase processual de defesa foram devidamente analisadas e consideradas na Retificação do débito, não logrando o Recorrente, todavia, desincumbirse integralmente de seu ônus, e, em consequência, fulminar todos os fatos geradores que deram corpo à vertente Notificação Fiscal. Nesse contexto, diante de tudo o quanto se coligiu até o momento, restou visível inexistir qualquer inversão do iter procedimental. 1. A Autoridade Fiscal intimou o Município fiscalizado a exibir documentos, os quais não foram apresentados no tempo hábil. 2. A fiscalização lançou, de ofício, a importância reputada devida, com esteio no art. 33, §3º da Lei nº 8.212/91. 3. Em sede de defesa administrativa, o impugnante ofereceu uma miríade de documentos almejando desconstituir o lançamento tributário levado a efeito pelos agentes do Fisco Federal. 4. Da análise do conjunto probatório pelo órgão de 1ª instância resultou a reforma parcial do lançamento, não logrando, todavia, o impugnante a desconstituir integralmente o crédito tributário constituído em seu desfavor. Como se observa, o rito processual foi cumprido em sintonia com os preceitos fixados na legislação de regência, não merecendo qualquer reparo. Como resultado, subsistem inabaladas todas aquelas demais obrigações tributárias não atingidas pelos petardos da defesa, conforme destacadas no Discriminativo Analítico do Débito Retificado, a fls. 167/168, que não demanda reformas. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 Arlindo da Costa e Silva Fl. 22DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000288/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Deve-se restabelecer as despesas médicas quando o sujeito passivo traz aos autos documento hábil que satisfaz as exigências legais.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.221
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Devese restabelecer as despesas médicas quando o sujeito passivo traz aos autos documento hábil que satisfaz as exigências legais. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, José Evande Carvalho Araujo, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Souza e Alexandre Naoki Nishioka. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 51DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1744.141, proferido pela 11ª Turma da DRJ São Paulo II (fl. 34), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Notificação de Lançamento de fls. 29/32. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Da Notificação Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual com base nos arts. 788, 835 a 839, 841, 844, 871 e 992 do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 (RIR199), foi lavrado, em 02/01/2008 a Notificação de Lançamento As fls. 29 a 32, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, do anocalendário 2004, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário apurado de R$ 9.328,80 dos quais R$ 4.388,79 correspondem ao Imposto de Renda Pessoa FísicaSuplementar; R$ 3.291,59 Multa de Oficio (passível de redução) e R$ 1.648,42 de Juros de Mora (calculados até 28/12/2007). 0 contribuinte em epígrafe foi regularmente intimado para comprovação ou justificação das deduções pleiteadas ,em sua Declaração (DIRPF), conseqüentemente procedeuse ao lançamento de oficio originário da apuração da(s) infração(s) descrita(s) a seguir, identificada(s) nos dispositivos legais constantes do enquadramento legal: Dedução Indevida de Despesas Médicas Em decorrência do não atendimento da referida intimação, foi glosado o valor de R$ 15.959,24, deduzido indevidamente a titulo de despesas médicas, por falta de comprovação. Da Impugnação Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou, em 01/02/2008, a impugnação de fls. 01, alegando que: Recebeu o termo de intimação fiscal e dentro do prazo legal apresentou cópia de toda documentação solicitada. Não se justifica a glosa, tendo em vista que possui todos os comprovantes das despesas médicas e anexa na impugnação. Requer que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau consubstanciou o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Restando comprovados nos autos os pagamentos relativos a despesa médicas parcial, deve ser restabelecida a dedução pleiteada, conforme as cópias dos recibos trazidos na impugnação. Impugnação Procedente em Parte Fl. 52DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13855.000288/200879 Acórdão n.º 2101001.221 S2C1T1 Fl. 50 3 Em seu apelo ao CARF (fl. 42) a recorrente aduz que: 1) A falta de endereço nos recibos é uma mera formalidade. Embora legal, não altera a finalidade da lei, ou seja, a prestação do serviço por profissional habilitado e devidamente comprovado. 2) O requisito legal omitido é passível de correção.Junta aos autos cópia dos recibos com a inclusão do endereço do profissional. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em litígio, tãosomente, as glosas das despesas médicas realizadas com os profissionais Thais de Oliveira Ribeiro Gonçalves e Osvaldo Coimbra Junior, cujos recibos apresentados não estão de acordo com os requisitos legais, pois falta a indicação do endereço do profissional, razão pela qual não foram aceitos. Os fundamentos no voto condutor da decisão recorrida para restabelecimento e manutenção das glosas com despesas médicas estão indicados à fl. 37. Os recibos considerados aptos para comprovar a dedução se diferenciam dos que foram rejeitados unicamente porque nestes não constam o endereço do profissional. Neste passo, entendo que os recibos apresentados juntamente com a peça recursal, às fls. 43/47, com os respectivos endereços dos profissionais, atendem plenamente às exigências legais. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 53DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 37018.001792/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/08/2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. GLOSA
Dever ser glosada a compensação realizada sem amparo em decisão judicial definitiva e que não se sujeitou às limitações impostas pela sentença.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.942
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/08/2004 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. GLOSA Dever ser glosada a compensação realizada sem amparo em decisão judicial definitiva e que não se sujeitou às limitações impostas pela sentença. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/08/2004 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. GLOSA Dever ser glosada a compensação realizada sem amparo em decisão judicial definitiva e que não se sujeitou às limitações impostas pela sentença. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Edgar Silva Vidal. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Relatório Trata a notificação de contribuições previdenciárias correspondentes à glosa de compensação efetuada pela empresa, relativa ao período de 12/2003 a 08/2004. De acordo com o relatório fiscal de fls.50/52, a notificada impetrou Mandado de Segurança n.º 2003.38.00.0334501, para que seja reconhecida a ilegalidade da cobrança da multa moratória sobre recolhimentos extemporâneos, efetuados espontaneamente e à vista e para que seja declarado o direito à compensação. Aduz o relatório que foi concedida a segurança em primeiro grau e interposta apelação por parte do INSS, estando a mesma pendente de julgamento, sendo o débito lançado para prevenir a decadência. Após a impugnação, DecisãoNotificação de fls.231/242, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese: que procedeu à compensação com parcelas vincendas; que a sentença judicial reconheceu seu direto de crédito ; que se utilizou regularmente do instituto da compensação; requer a reforma da decisão e a desconstituição do lançamento. A DRP ofereceu as contrarazões pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37018.001792/200654 Acórdão n.º 230200.942 S2C3T2 Fl. 261 3 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Cingese a questão ao fato de que o recorrente efetuou a compensação de valores relativos a multa moratória de competências recolhidas com atraso, amparado em decisão judicial que ainda não era definitiva, visto a existência de apelação pendente de julgamento. Além da compensação sem o trânsito em julgado da ação, também, não obedeceu ao comando contido na decisão de que a mesma havia de ser feita com parcelas vincendas, realizando a compensação com parcelas vencidas. Não procede a alegação do contribuinte de que compensou períodos de recolhimentos posteriores aos que ocasionaram o indébito tributário, uma vez que a sentença é clara ao expor que a compensação deve ser efetuada com parcelas vincendas (fl.112), sendo impróprio o alcance do conceito de vincendas que quer a recorrente. Por óbvio, parcela vincenda é aquela que ainda não venceu, ou seja a compensação não poderia ter sido efetuada com recolhimentos em atraso. Ressaltase que a compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa e risco do contribuinte. A compensação feita, no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar a glosa da compensação indevida, no todo ou em parte. A fiscalização ao se deparar com a compensação efetuada sem decisão judicial definitiva e de forma diversa do que estabelecido na mesma, acertadamente lançou o crédito previdenciária já que não se pode confundir “suspensão da exigibilidade do crédito tributário” com a impossibilidade de lançamento. A “suspensão” referese tão somente a exigibilidade do crédito previdenciário por via de execução, ou seja, do adimplemento forçado em juízo, impedindo que sejam praticados, contra o sujeito passivo, atos de natureza constritiva, expropriatórios ou assemelhados, ainda que esgotada a fase administrativa. Assim, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não afeta a efetividade do lançamento escorreito, feito por autoridade competente dentro dos moldes definidos em lei. Em regra, quando o contribuinte ajuíza ação para afastar a cobrança de determinada contribuição, não fica a Fazenda Pública impedida de proceder ao lançamento, pois este, segundo o parágrafo único do art. 142 do CTN, constitui atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional. Neste sentido, é a inteligência do Superior Tribunal de Justiça, consolidado em acórdão da lavra da Segunda Turma, cuja ementa é ora transcrita: Fl. 265DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 "TRIBUTÁRIO – MANDADO DE SEGURANÇA – MEDIDA LIMINAR – RECURSO ADMINISTRATIVO – LANÇAMENTO – EFETIVAÇÃO DE NOVOS LANÇAMENTOS – POSSIBILIDADE – CTN, ARTS. 151, I E III E 173 – PRECEDENTES. A concessão da segurança requerida suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não tem o condão de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, paralisando apenas a execução do crédito controvertido."(STJ – Segunda Turma – RESP 75075 – Relator Ministro Francisco Peçanha Martins, DJ 14.04.2003, p.206)." Por outro lado, o lançamento do débito, mesmo estando a Fazenda Pública impossibilitada de cobrar, tem como objetivo resguardar o crédito previdenciário do prazo decadencial. Notese que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei, e, em razão disso, eventual demora na solução do processo judicial poderia acarretar a perda do direito de constituir o crédito pelo lançamento, caso a impugnante fosse vencida no pleito judicial. Desta forma, o ajuizamento de ação pelo contribuinte visando afastar a cobrança de determinada contribuição não impede a Administração de proceder ao lançamento, ainda que haja causa de suspensão da exigibilidade do crédito, ficando, neste caso, suspensos tão somente os atos executórios de cobrança. Assim, verifico que a fiscalização agiu no estrito cumprimento de seu dever legal, eis que o lançamento é ato vinculado e obrigatório, procedendo corretamente ao lançar o crédito previdenciário, o qual ficará com sua exigibilidade suspensa até o final da decisão judicial que lhe possibilite a cobrança. Portanto, não há reparos a fazer no lançamento e na decisão recorrida. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 266DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003404/2005-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Ano-calendário: 2004
Ementa:
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria.
AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO
A mera apresentação de DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado.
Numero da decisão: 1103-000.446
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano-calendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO A mera apresentação de DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO A mera apresentação de DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação. Onus probandi do contribuinte, estando em jogo sua pretensão. Insuficiência e carência de certeza do crédito postulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Fl. 117DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003404/200522 Acórdão n.º 110300.446 S1‐C1T3 Fl. 118 2 (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003404/200522 Acórdão n.º 110300.446 S1‐C1T3 Fl. 119 3 Relatório DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo, protocolado em 22/07/2005, de compensação de tributos, declarada pela recorrente através do PER/DCOMP nº 04516.71046.110204.1.3.04 0418 (fls. 2 a 6), retificado, após o Termo de Intimação nº 205, através do PER/DCOMP nº 18589.19937.210906.1.7.044895 (fls. 17 a 21). A recorrente alega crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 117,58 de IRF, originado através de um DARF no valor de R$ 2.942,63 (fl. 20), e declara a compensação do referido crédito com o débito de IRF, no código 0588, período de apuração 1ª semana de fevereiro de 2004, no valor de R$ 117,58. DO DESPACHO DECISÓRIO A DRF de Belém/PA, por meio do despacho decisório (fls. 31 a 35), acatou o pedido de retificação da PER/DCOMP nº 18589.19937.210906.1.7.044895 de fls. 18 a 21 e indeferiu a solicitação da recorrente, visto que o DARF informado, apesar de devidamente localizado e confirmado, foi totalmente utilizado para quitar o débito de IRF, referente a 4ª semana de janeiro de 2004. A vinculação e utilização do pagamento para a quitação do débito de IRF foram feitas pela própria recorrente na DCTF trimestral referente ao 1º trimestre de 2004, conforme fls. 24 a 30 . DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do despacho em 27/11/2006 e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 37 a 41) em 14/12/2006, requerendo à DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição e a compensação de débitos de IRF, alegando, em síntese, que: a) Houve recolhimento a maior na apuração do IRF referente à 4ª semana de janeiro de 2004; e b) Constatado este recolhimento a maior foi feita a devida PER/DCOMP que compensou tais valores na apuração do IRF da 1ª semana de fevereiro de 2004 e que, portanto, não houve duplicidade no aproveitamento deste crédito. Solicita a prova pericial, considerandose a incompatibilidade entre a sua escrita contábil e as razões de glosa suscitadas pela fiscalização e indicando assistente técnico. Juntou cópia de parte da DCTF retificadora de fls. 91 e 92, entregue em 07/12/2006. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003404/200522 Acórdão n.º 110300.446 S1‐C1T3 Fl. 120 4 DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 09/08/2007, acordaram os membros da 1ª Turma da DRJ/Belém, por unanimidade de votos, julgar a restituição indeferida e a compensação não homologada, pelos motivos abaixo sintetizados: a) A recorrente fundamentou sua argumentação no fato de que houve recolhimento a maior, limitandose a informar qual o DARF, código e valor recolhido e qual a DCOMP utilizada, mas em nenhum momento demonstrou seja argumentando ou com documentos que o débito por ele declarado na DCTF original referente ao IRF da 4ª semana de janeiro de 2004, conforme documentos apresentados (fls. 24 a 30), e que foi informado com valor diferente em DCTF retificadora, somente entregue em 07/12/2006 (após a ciência da decisão que não homologou a compensação), conforme documentos de fls. 91 e 92, estivesse errado, visto que este DARF foi utilizado integralmente para este pagamento, até porque todos os dados informados o vinculam ao débito de janeiro de 2004; b) A simples entrega da DCTF retificadora após a ciência da decisão que não homologou a compensação não pode ser considerada como prova do erro da recorrente; c) Ficou claro na decisão da DRF, que a DCOMP não foi homologada, não pela inexistência do valor recolhido e sim pela inexistência de valor disponível do valor recolhido, pois o DARF foi alocado ao débito correspondente ao seu valor, imposto e período de apuração. A recorrente teria que comprovar que o débito ao qual foi alocado o DARF em questão e que foi por ele confessado em DCTF, foi declarado erroneamente com os respectivos documentos e livros contábeis comprobatórios, mas não o fez; d) No que tange ao pedido de perícia, este restou inepto, visto que a recorrente não motivou seu pedido e nem formulou quesitos, regras estas estabelecidas no art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72 com redação dada pela Lei 8.748/93, em seu art. 1º; Cientificada do acórdão e inconformada com a decisão, a recorrente, em 27/09/2007 apresentou seu recurso voluntário de fls. 100 a 106, reiterando, basicamente, o alegado na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003404/200522 Acórdão n.º 110300.446 S1‐C1T3 Fl. 121 5 Voto Conselheiro Marcos Takata, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Principio com o pedido de perícia da recorrente. Rejeito o pedido de perícia. Primeiro, porque carece de formulação de quesitos aos exames desejados, indispensável ao pedido, conforme o art. 16, IV, do PAF (Decreto 70.235/72). Segundo, porque, no âmbito da distribuição dos ônus das provas no presente feito, entendo ser desnecessária. A perícia, assim como a diligência, não se presta a substituir a atividade que compete ser desenvolvida pela parte (seja pelo fisco, seja pelo contribuinte) e a transformar o órgão julgador em fase de auditoria. A perícia, tal como a diligência, tem cabimento quando, a par dos elementos probatórios colacionados aos autos, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte, conforme a pretensão em jogo seja de um ou de outro e as alegações deduzidas, restem dúvidas saneáveis com a determinação daquela. Isso tudo ficará esclarecido adiante. Como se viu do relatório, a controvérsia se fixa na não homologação da compensação do pretenso crédito de IRF de R$ 117,58 sob o código 0588, com débito de IRF, sob o mesmo código. O débito de IRF objetivado na compensação é referente à 1ª semana de fevereiro de 2004, sendo o pretendido crédito de IRF apurado na 4ª semana de janeiro de 2004, ambos sob o código 0588, conforme a DCOMP retificadora e as DCTF original do 1º trimestre de 2004 (fls. 19 a 21, 24, 26 a 28). Na peça inaugural, a recorrente informa a apresentação de DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, para especificar que o débito de IRF sob o código 0588 referente à 4ª semana de janeiro de 2004 é de R$ 2.825,05 (e não de R$ 2.942,63), gerando o crédito de R$ 117,58, objetivado à compensação conforme a DCOMP. Na peça recursiva, a recorrente alega o seguinte. Do confronto das DCOMP’s 04516.71046.110204.1.3.040418 e 18589.19937.210906.1.7.044895, juntamente com o DARF de R$ 2.942,63, notase que o preenchimento da primeira DCOMP fora equivocada e que a partir da segunda DCOMP (retificadora) verificase a origem do crédito de R$ 117,58. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003404/200522 Acórdão n.º 110300.446 S1‐C1T3 Fl. 122 6 Tal assertiva em nada contribui para pretensão da recorrente. Simplesmente que na DCOMP retificada (04516.71046.110204.1.3.040418) fora declarado DARF de R$ 117,58, sob o código 0588, relativo à 4ª semana de janeiro de 2004 (fl. 4), ao passo que na DCOMP retificadora (18589.19937.210906.1.7.044895) fora declarado DARF correto de R$ 2.942,63, sob o mesmo código e o mesmo período de apuração (fl. 20). Isso nada demonstra quanto a ser o débito devido de IRF relativo à 4ª semana de janeiro de 2004, sob o código 0588, de R$ 2.825,05 (R$ 2.942,63 – R$ 117,58), resultando num indébito tributário de R$ 117,58. Compulsando os autos, vejo que na DCTF original do 1º trimestre de 2004 é declarado débito de R$ 2.942,63, sob o código 0588, relativo à 4ª semana de janeiro de 2004 com vinculação a crédito tributário do mesmo valor, resultando num saldo a pagar igual a zero. Nessa DCTF é indicado o pagamento desse crédito com DARF (código 0588), com o pleno adimplemento do débito declarado, sem saldo positivo ou negativo (fls. 24, 26 e 27) . Como dito, na DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004 é declarado o débito de IRF sob o código 0588, referente à 4ª semana de janeiro de 2004, de R$ 2.825,05, ao invés de R$ 2.942,43, com DARF neste valor, resultando no crédito de R$ 117,58 (fl. 91). Ora, a mera apresentação de DCTF retificadora do 1º trimestre de 2004, após o despacho não homologatório da compensação, desacompanhada de elementos documentais que constatem o erro da DCTF original, é insuficiente para derruir o indeferimento da compensação. A recorrente não carreou aos autos nenhuma documentação que comprove ou no mínimo indicie o erro perpetrado na DCTF original do 1º trimestre de 2004, vale dizer, que o débito de IRF, sob o código 0588, relativo à 4ª semana de janeiro de 2004 não é de R$ 2.942,43, mas de R$ 2.825,05. E, sobremais por se ter apresentado a retificadora da DCTF do 1º trimestre de 2004 só após a não homologação da compensação (a qual se deu justamente com apoio na alocação do débito feito conforme declarado pela recorrente em sua DCTF), à recorrente competiria trazer aos autos os documentos que denunciassem o erro da DCTF original. Estando em jogo a pretensão do contribuinte, deste é o onus probandi. Outrossim, padece de precariedade, de insuficiência e de carência de certeza o crédito postulado pela recorrente. A certeza do crédito é mister para a compensação, além da liquidez daquele, como predica o art. 170 do CTN. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10280.003404/200522 Acórdão n.º 110300.446 S1‐C1T3 Fl. 123 7 Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 (assinado digitalmente) Marcos Takata Fl. 123DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 01/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000294/2005-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2000, 2001, 2002
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO.
O CARF já pacificou entendimento quanto a legalidade da quebra de sigilo bancário nos termos da Lei n. 9.311/96 ainda que relativo a períodos anteriores a Lei Complementar n. 105/01.
IRPJ OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SÚMULA CARF 26.
Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em
instituição financeira, incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96
Numero da decisão: 1802-000.928
Decisão: Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. O CARF já pacificou entendimento quanto a legalidade da quebra de sigilo bancário nos termos da Lei n. 9.311/96 ainda que relativo a períodos anteriores a Lei Complementar n. 105/01. IRPJ OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SÚMULA CARF 26. Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira, incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96
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TAVARES & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. O CARF já pacificou entendimento quanto a legalidade da quebra de sigilo bancário nos termos da Lei n. 9.311/96 ainda que relativo a períodos anteriores a Lei Complementar n. 105/01. IRPJ OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SÚMULA CARF 26. Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira, incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11030.000294/200551 Acórdão n.º 180200.928 S1TE02 Fl. 643 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, André Almeida Blanco, Gilberto Baptista e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11030.000294/200551 Acórdão n.º 180200.928 S1TE02 Fl. 644 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de 1ª instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: “Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração As fls. 11 a 37 para exigência de crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos a partir de agosto de 2000 até dezembro de 2002, adiante especificado: (...) Também foram lavrados o Termo de Verificação Fiscal de fls. 30 a 43; Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a receita bruta (fls. 525 a 526); Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 527 a 539); Demonstrativo de apuração do imposto ou contribuição sobre diferenças apuradas (fls. 540 a 550); Demonstrativo de multa e juros de mora e de apuração dos valores devidos do Imposto ou das Contribuições (fls. 551 a 590) e o Termo de Encerramento (fl. 592). Nos trabalhos da fiscalização foram lavrados ainda: o Termo de Intimação Fiscal (fl. 436) para "comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas corrente conforme relação anexa" (fls. 437 a 456); Demonstrativo dos valores comprovados (fls. 501); Demonstrativo mensal dos valores não comprovados de diversos bancos (fls. 502 a 523); Demonstrativo mensal dos valores não comprovados (Consolidação) (fl. 524); De acordo com a descrição dos fatos, a autuação ocorreu em decorrência de dois motivos: 1) Omissão de receitas caracterizada pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada, apurados conforme "Termo de Verificação Fiscal"; 2) Insuficiência de valor recolhido apurada em face da inclusão, mês a mês, das receitas omitidas, conforme Termo de Verificação Fiscal. A contribuinte optou pela sistemática do Simples a partir de 01/01/1997, conforme Termo de Verificação Fiscal (fl. 30). Consta no Termo de Verificação Fiscal (fl. 30) que a ação fiscal foi motivada por demanda do Ministério Público Federal, através do Oficio n° 718/03.071.01 — DPF.B/PFO/RS expedido pelo Departamento de Policia Federal em Passo Fundo, em 2 de junho de 2003 (fls. 46/48). A autuada impugnou os lançamentos (fls. 597 a 605) e juntou documentos (fls. 606 a 613), alegando, em síntese, o seguinte, sob os seguintes títulos: Fl. 655DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11030.000294/200551 Acórdão n.º 180200.928 S1TE02 Fl. 645 4 Do Relatório” Inicia fazendo referências aos autos de infração e as infrações neles apontadas. Faz referencia a demanda do Ministério Público Federal e diz que as infrações apontadas no auto de infração não teriam sido cometidas, pedindo a anulação do lançamento. Do Lançamento / Infração Diz que o lançamento foi baseado sobre a movimentação financeira da contribuinte. Lembra que é optante pela sistemática do Simples e que apresentou regularmente suas declarações. Deixa expresso que a ação fiscal teria ocorrido por denúncia leviana e infundada feita pela concorrência. Ainda, que foram desconsiderados todos os documentos contábeis regulares para fazer um lançamento fundado em presunção. Argumenta que a auto de infração resultou de procedimento impróprio da fazenda, sendo ilegítimo o lançamento com base apenas em extratos ou depósitos bancários, com inversão do ônus da prova, o que seria atribuir uma prova impossível de se fazer pelo contribuinte. Nesse sentido faz referências a Sumula 182 do extinto TFR. Sustenta que sua movimentação financeira se justificação pelo "Contrato de prestação de serviços correspondente com a Caixa Econômica" considerado pela fiscalização como "lido hábil para comprovação de origens de créditos/depósitos". Acrescenta que a fiscalização presumiu que a movimentação havida pela impugnante na Caixa Econômica Federal como "recursos provenientes da atividade normal, e não originados da atividade correspondente". Entende que tal presunção não pode ser aceita. Diz que a contribuinte já possuía conta corrente na Caixa Econômica Federal, dai porque desnecessária a abertura de nova conta corrente. Sobre presunção cita a doutrina de Ives Gandra da Silva Martins. Diz que movimentação financeira não pode ser considerada renda. Cita o artigo 44 da CTN. Ainda, sustenta que o imposto de renda só incide sobre os rendimentos líquidos. Sobre a presunção de omissão de receita cita a ementa ao Acórdão 10316.435 do 1° CC, 3ª. Camara. Faz referência, novamente, a Súmula 182 do extinto TFR. Também cita os artigos 204, 145 e 149 do CTN para afirmar que o lançamento não pode ser considerado válido. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11030.000294/200551 Acórdão n.º 180200.928 S1TE02 Fl. 646 5 Afirma que a realidade deve ser prestigiada em detrimento das presunções. Segundo a impugnante o lançamento feito exclusivamente com base na movimentação financeira fere princípios do CTN. Cita os artigos 3° e 142 deste Código. Diz, também, que o judiciário não aceita tal tributação. Cita mais uma vez a Súmula 182 do TFR e ementas de decisões judiciais (REO 90.0424132/PR; AC91.051040i/RN; e AC 95.04.54053 8/RS). Argumenta que em períodos de dificuldades financeiras (que corresponderia ao período fiscalizado), "onde se busca o limite do cheque especial e vantagens oferecidas por determinado banco' para colocar em dia ou cobrir saldos negativos de outro banco" estas movimentações financeiras não podem ser consideradas como renda liquida. Sustenta que os trabalhos da fiscalização não poderiam partir de presunções sem antes fazer uma análise na escrituração contábil do contribuinte com o fito de buscar a verdade e não partir de simples presunções. Insiste no sentido de que a movimentação financeira seria decorrente do contrato de correspondente celebrado com a Caixa Econômica Federal. De acordo com os argumentos expostos entende o impugnante que o auto de infração deva ser anulado por ser ilegítimo o lançamento com base em movimentação financeira.” Ato seguinte, a decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte Ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PRELIMINAR. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de dispositivos legais, prerrogativa essa reservada ao Poder Judiciário. PRELIMINAR. NULIDADE Somente a incompetência do agente do ato e a preterição do direito de defesa são vícios insanáveis que conduzem a nulidade. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Data do fato gerador: 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11030.000294/200551 Acórdão n.º 180200.928 S1TE02 Fl. 647 6 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Evidenciam omissão de receita os depósitos realizados em contascorrente bancárias, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ONUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS, e CSSINSS Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Lançamento Procedente.” Restando inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 633/640), alegando, em síntese: a) O lançamento está baseado apenas em movimentações financeiras, extratos e depósitos bancários, o que não pode ser aceito; b) O procedimento de adoção de extratos e depósitos bancários para fazer lançamento por presunção é medida que não pode ser admitida, pois acarreta inversão do ônus da prova; Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório, passo a decidir Fl. 658DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11030.000294/200551 Acórdão n.º 180200.928 S1TE02 Fl. 648 7 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega a impossibilidade da autoridade administrativa utilizar sua movimentação financeira para apurar crédito tributário, bem como tenta afastar a presunção de receita decorrente dessa movimentação. A Recorrente reitera em sua defesa a posição de que o Fisco deve comprovar o acréscimo patrimonial para configurar omissão de receitas e que o auto de infração está baseado apenas em presunções, o que não pode ser aceito para suportar a autuação. No entanto, nos termos do artigo 42 da lei nº 9430/96, “os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, serão considerados receita tributável”. No caso em tela o contribuinte não juntou aos autos nenhuma prova que pudesse afastar a presunção acima, embora seja dele o ônus probatório. De acordo com o artigo supra referido, não cabe à Administração Pública demonstrar que os valores creditados em conta corrente constituem, efetivamente, receita tributável, pois tal a prova deve ser feita pelo contribuinte. Esse entendimento, inclusive, já foi consolidado por esta Corte através da Súmula 26, que ora se transcreve: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto, rejeito as alegações da Recorrente quanto à presunção da omissão de receita, vez que não demonstrada sua insubsistência pelo Recorrente. É absolutamente possível para a Administração Pública utilizar as informações financeiras obtidas para a constituição de crédito tributário, conforme previsto no parágrafo 3º do artigo 11 da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001. Embora a redação do referido parágrafo seja de 2001, ou seja, posterior a determinados fatos geradores que ora se analisam, por ser norma que disciplina processo de fiscalização, como previsto no §1º do artigo 144 do Código Tributário Nacional, pode retroagir. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11030.000294/200551 Acórdão n.º 180200.928 S1TE02 Fl. 649 8 Ademais, no caso em tela, não há o que se falar em qualquer ilegalidade no procedimento, vez que o sigilo bancário foi quebrado por ordem judicial decorrente de pedido do Ministério Público Federal (fls. 46/48). Restam, assim, afastados argumentos suscitados pela Recorrente quanto a impossibilidade de utilização dos dados bancários para constituição do crédito tributário e a respectiva nulidade da lavratura do auto de infração. Dessa forma, não merecem guarida as alegações da Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 660DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000548/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anos calendário: 2000, 2001, 2003
RETENÇÃO NA FONTE REALIZADA POR SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA. A partir de 1/1/2004, as pessoas jurídicas podem compensar a contribuição ao PIS retida na fonte pelas sociedades de economia mista nos pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços.
PIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Os valores retidos na fonte nos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições da mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção.
Recurso Negado Provimento.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1402-000.507
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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A partir de 1/1/2004, as pessoas jurídicas podem compensar a contribuição ao PIS retida na fonte pelas sociedades de economia mista nos pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços. PIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Os valores retidos na fonte nos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições da mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Recurso Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000548/200591 Acórdão n.º 140200.507 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório COGETEC ENGENHARIA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento DRJ/RJ II – RIO DE JANEIRORJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 10 a 17 contra a contribuinte em epígrafe, relativo à diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, referente aos períodos de janeiro a novembro de 2000, janeiro de 2001 e novembro de 2003, no valor de R$5.500,03, incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 29/04/2005. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 10) a autoridade lançadora registra que nos meses de janeiro a novembro de 2000 e janeiro de 2001, o contribuinte deixou de incluir na base de cálculo da contribuição para o PIS declarado em DCTF e pago, o valor das receitas financeiras, conforme demonstrativos de apuração do PIS elaborados pela empresa. No mês de novembro de 2003 o contribuinte declarou a menor em DCTF e recolheu também a menor o PIS devido, conforme demonstrativo elaborado pela empresa. Os lançamentos efetuados através do auto de infração referemse às insuficiências de recolhimento e declaração apuradas. O enquadramento legal citado no Auto de Infração foi: artigo 149 da Lei 5.172/66; artigos 1o e 3º, alínea “b” da Lei Complementar nº 7/70; artigo 1o, parágrafo único, da Lei Complementar 17/73, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF 142/82; artigos 2º, I, 8º, I e 9º da Lei nº 9.715/98; artigos 2º e 3o da Lei nº 9.718/98; arts. 2o, I, alínea “a” e parágrafo único, 3o, 10, 26 e 51 do Decreto 4.524/02. A base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta em fls. 17. Após tomar ciência da autuação em 10/05/2005 (fl. 11), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 24 a 26 e anexos de fls. 27 a 53 em 09/06/2005 alegando em síntese que: O Auditor Fiscal, na apuração do PIS referente a 11/03, deixou de considerar os valores retidos na fonte pagadora, conforme faz prova demonstrativo e documentos em anexo; Os serviços foram realizados pela impugnante em novembro de 2003, com emissão, naquele momento, da DCTF, porém as notas fiscais foram faturadas em 11/02/2004 e as retenções realizadas naquela época, com o devido destaque no corpo da fatura; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000548/200591 Acórdão n.º 140200.507 S1C4T2 Fl. 3 3 Os valores lançados não são de responsabilidade da requerente, conforme dita a Lei 10.833/2003; A Medida Provisória 135/03 criou a figura da retenção na fonte em relação ao PIS, COFINS e CSLL, sendo posteriormente editada a IN/SRF 381/2003. Segundo art. 1o da referida IN e art. 30 da Lei 10.833/2003, estão sujeitas à retenção na fonte, os pagamentos efetuados de pessoas jurídicas para outras pessoas jurídicas de direito privado; O princípio da competência, segundo a Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 750/93, determina que a escrituração dos documentos contábeis deve ser realizado com a data da prestação dos serviços, e não do seu recebimento; No corpo das notas fiscais em anexo se destaca o período da prestação dos serviços; A requerente agiu conforme ditado pela lei. Sendo assim, não pode ser punida com valores já retidos pela tomadora de serviço; Espera a impugnante que seja acolhida a presente impugnação, para o fim específico do cancelamento do débito fiscal referente ao PIS de 11/2003 e o devido recálculo do auto. A decisão recorrida está assim ementada: IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. RETENÇÃO NA FONTE REALIZADA POR SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA. A partir de 1/1/2004, as pessoas jurídicas podem compensar a contribuição ao PIS retida na fonte pelas sociedades de economia mista nos pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços. PIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Os valores retidos na fonte nos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, das contribuições da mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Lançamento procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória no sentido de que é cabível o aproveitamento das retenções na fonte realizadas em Fevereiro/2004. Ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000548/200591 Acórdão n.º 140200.507 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, o contribuinte não contesta as diferenças de PIS, que foram apurados em auditoria do IRPJ e outros tributos federais (fl.1). Todavia insiste na alegação de que devem ser aproveitadas as retenções de PIS na fonte, realizadas em fevereiro de 2004 pela Petrobras, conforme notas fiscais de fls. 50 e seguintes.. Ocorre que tais retenções são de períodos posteriores aos fatos e exigências de que trata o presente processo. Logo, o fundamentos da decisão recorrida, que abaixo transcrevo, não merecem reparos. (...) MP 135/2003: Art.32.Ficam obrigadas a efetuar as retenções na fonte do imposto de renda, da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, a que se refere o art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, as seguintes entidades da administração pública federal: I empresas públicas; II sociedades de economia mista; e III demais entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto, e que dela recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira na modalidade total no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo FederalSIAFI. (..............) Art.34. Os valores retidos na forma dos arts. 28, 31 e 32 serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação ao imposto de renda e às respectivas contribuições. (...) Não há que se discutir acerca da possibilidade prevista em lei de o contribuinte compensar os valores efetivamente retidos na fonte nos pagamentos efetuados pelo serviço por ele prestado com os valores de tributos e contribuições da mesma espécie devidos. Para a solução do litígio, contudo, deve ser analisado se os valores retidos pela Petrobrás em 11/02/2004 a título de PIS, conforme notas fiscais emitidas pela autuada nesta data, poderiam ser utilizados para abater a contribuição devida calculada para o fato gerador ocorrido em novembro de 2003. Em primeiro lugar devemos examinar a aplicação da norma em seu aspecto temporal. As alterações introduzidas pelo artigo 32 da Medida Provisória 135/2003, que incluiu a obrigatoriedade de retenção na fonte também para as sociedades de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000548/200591 Acórdão n.º 140200.507 S1C4T2 Fl. 5 5 economia mista passou a vigorar a partir de 01/01/2004, conforme previsto em seu artigo 68 abaixo reproduzido: “Art.68. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: Iaos arts. 1º a 15 e 23, no primeiro dia do mês seguinte ao em que completar noventa dias da publicação desta Medida Provisória; IIaos arts. 24, 25, 27, 28 e 32 desta Medida Provisória, ao art. 1o da Lei no 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e ao inciso I do art. 52 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelos arts. 40 e 41, a partir de 1º de janeiro de 2004; IIIaos demais artigos, a partir da data da publicação desta Medida Provisória.” Está claro, portanto, que na data da ocorrência do fato gerador contestado (novembro de 2003) vigorava somente o artigo 64 da Lei 9.430/1996 em seu texto original, não havendo a obrigatoriedade ou mesmo a possibilidade da retenção na fonte pela Petrobrás Petróleo Brasileiro S/A nos pagamentos efetuados à empresa autuada pela prestação de serviços. Conseqüentemente, não há que se falar em compensação de valores que viriam a ser retidos na fonte, antes mesmo da entrada em vigor da norma que estabeleceu a obrigatoriedade da referida retenção. Ainda que se tratasse de compensação de valores retidos na fonte por órgão, autarquia ou fundação da administração pública federal, com amparo no artigo 64 da Lei 9.430/1996 há, ainda, outra questão a ser observada que nos leva igualmente a concluir pela improcedência da alegada compensação. Ocorre que, segundo afirma a impugnante, o PIS devido para o período de apuração novembro de 2003 teria sido deduzida do valor retido em data posterior (fevereiro de 2004) a título da mesma contribuição. Na data da ocorrência do fato gerador objeto do lançamento, a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal achavase disciplinada pela IN/SRF 306, de 12/03/2003, que estabelecia em seu artigo 5o o tratamento dado aos valores retidos nos seguintes termos: Art. 5º Os valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor a ser compensado, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor da fatura, da alíquota respectiva, constante das colunas 02, 03, 04 ou 05 da Tabela de Retenção (Anexo I).(Grifei) Como se observa da norma acima, os valores retidos somente podem ser deduzidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês de retenção, isto é, as retenções ocorridas em um mês só podem ser compensados com os recolhimentos a serem realizados, a título de PIS e Cofins, dentro do mês seguinte. De fato, o princípio da competência, invocado pelo contribuinte, deve ser observado para efeitos de reconhecimento de receitas ou despesas, o que não se confunde com o momento a partir do qual o contribuinte pode aproveitar o valor retido para reduzir a contribuição a pagar. Tratandose a retenção na fonte de antecipação do que for Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000548/200591 Acórdão n.º 140200.507 S1C4T2 Fl. 6 6 devido pelo contribuinte, evidentemente os valores retidos só podem ser utilizados a partir da ocorrência da retenção, conforme dispõe o artigo 5o da IN/SRF 306/2003. Assim, os valores efetivamente retidos na fonte em fevereiro de 2004, ainda que se refiram a serviços prestados anteriormente, só poderão ser utilizados para compensar a contribuição devida a partir de março de 2004, o que nos leva mais uma vez a concluir pela improcedência da alegação da autuada. Ressaltese, ainda, que as compensações aqui tratadas devem ser devidamente registradas na contabilidade da empresa e informadas à RFB através das DCTF apresentadas, possibilitando, dessa forma, a comprovação do procedimento adotado pela empresa naquele determinado mês, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o lançamento referese exatamente à diferença entre a contribuição devida apurada e a contribuição declarada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10530.720083/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2004
INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO DE CÁLCULO.
Evidenciado o lapso de cálculo, e sua contradição com a fundamentação da decisão recorrida, deve ser corrigido, saneandose
a contradição existente.
Numero da decisão: 1302-000.530
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o valor de R$2.123,39, relativo à CSLL efetivamente retida.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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LAPSO MANIFESTO DE CÁLCULO. Evidenciado o lapso de cálculo, e sua contradição com a fundamentação da decisão recorrida, deve ser corrigido, saneandose a contradição existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o valor de R$2.123,39, relativo à CSLL efetivamente retida. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Sandra Maria Dias Nunes, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.720083/200616 Acórdão n.º 130200.530 S1C3T2 Fl. 422 2 Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade da Rede Royal de Auto Postos Ltda, ao despacho decisório nº 3.014/2007 (fls. 290 a 300) que deferiu parcialmente as compensações solicitadas com a base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2004, exercício 2005. Os débitos que o contribuinte pretende compensar encontramse discriminados à fl. 291 do presente processo. O pedido do contribuinte foi deferido parcialmente, visto que o mesmo indicou na DIPJ (fl. 269) base negativa da CSLL referente ao anocalendário 2004, no valor de R$ 477.733,94, porém foi reconhecido o direito creditório no aludido despacho decisório no valor de R$ 462.086,81 conforme discriminado na tabela 5 (fl. 297), em decorrência de ajustes realizados quando da análise da solicitação pelo auditor fiscal (fls. 297 e 298). Cientificada em 26/04/2008 (fl. 314) do mencionado despacho decisório, o contribuinte apresentou em 27/05/2008, Manifestação de Inconformidade (fls. 315 a 367) alegando, em síntese, que: a) “inicialmente convém destacar a tempestividade da presente manifestação de inconformidade. A contribuinte foi intimida do referido despacho em 26.04.2008. Logo, o prazo para interposição de manifestação de inconformidade terminarseia em 26.05.2008 (segundafeira). Por ocasião do feriado municipal de comemoração do aniversário de BarreirasBA, não houve expediente nos Órgãos Públicos, o que impossibilitou a interposição da manifestação de inconformidade no dia 26.05.2008 (doc. 2). É, portanto, tempestiva a interposição da manifestação realizada no primeiro dia útil subseqüente (27.05.2008)”; b) “os Despachos Decisórios limitamse a apurar os valores recolhidos a título de estimativa mensal (pagamentos e compensações) para efeito de constituição dos saldos negativos de CSLL e IRPJ”; c) “Apesar do valor dos DARF recolhidos e das compensações realizadas a título de estimativa mensal de CSLL estarem corretos, a d. Autoridade fiscal entendeu ser necessário realizar ajuste na apuração anual da CSLL e do IRPJ, argumentando que na DIPJ 2004/2005 não foram informadas Receitas de Prestações de Serviços, que teriam sido verificadas em relação à DIRF”; d) “ou seja, alega que a contribuinte teria sido beneficiária desse tipo de remuneração, aumentando o valor de suas despesas de prestações de serviços de zero para R$ 148.209,74. A d. Autoridade Fiscal simplesmente adicionou o valor de supostas receitas de prestação de serviços às receitas, alterando o resultado e, conseqüentemente, o valor da CSLL e do IRPJ devidos no ajuste anual”; e) “Ocorre que a contribuinte não recebeu a referida remuneração e justamente por isso não poderia ter declarado esse valor de rendimento!”; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.720083/200616 Acórdão n.º 130200.530 S1C3T2 Fl. 423 3 f) “ a Decisão também afirma que as informações da DIRF relativas aos valores de CSLL e IRPJ retidos na fonte divergem do montante declarado na DIPJ 2004/2005, visto constar a contribuinte como beneficiária de retenção realizada por Órgão Público Federal em valor inferior ao declarado (tais créditos foram reduzidos de R$ 2.181,46 para R$ 126,79 no caso da CSLL e de R$ 2.416,19 para R$ 230,67 no caso do IRPJ)”; g) “Ocorre que os valores declarados na DIPJ representam os valores realmente retidos, como comprovam os comprovantes de retenções anexos (doc. 3). Não há, portanto, justificativa para o Fisco realizar o mencionado ajuste e por conseqüência, não homologar as DCOMPs apresentadas neste processo”. Finaliza a sua defesa, requerendo que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade. A 1ª Turma da DRJ/SDR, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, deferir em parte a solicitação objeto da Manifestação de Inconformidade, reconhecendo a base negativa da CSLL referente ao anocalendário de 2004 no valor de R$ 13.638,02 (treze mil, seiscentos e trinta e oito reais e dois centavos), cabendo o prosseguimento da cobrança dos débitos não compensados. O débito exonerado possui valor inferior ao limite de alçada daquele colegiado. A parcela mantida, é relativa à retenção na fonte de CSLL devida na prestação de serviços a órgãos públicos. A recorrente havia declarado na ficha 17 da DIPJ – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ano 2004 (fl. 269), linha 46, o valor de R$ 2.181,46 a título de CSLL retida na fonte por órgão público federal, ao passo que a autoridade administrativa, após ajustes, considerou o valor de R$ 126,79, conforme detalhado no aludido despacho decisório (fl. 327). O Órgão a quo, cotejando os valores retidos constantes nos documentos anexados pelo contribuinte com as DIRF do sistema SIEF da RFB, verificou que a ora impugnante tinha razão em parte, visto que o auditor fiscal considerou apenas as DIRF da matriz CNPJ 40.462.236/000164 (fls. 249 a 253). Por outro lado, entendeu que do total das retenções realizadas, deveria ser feito o rateio dos valores referentes a cada tributo, IRPJ, CSLL, COFINS dentre outros, conforme percentuais previstos na IN SRF nº 306/3003, não sendo possível considerar a totalidade das retenções para um único tributo, como fora realizado pelo contribuinte quando do cálculo da CSLL, ao abater o valor total de R$ 2.181,46, a título de CSLL retida na fonte por órgão público federal. Além disso, observou que dentre os documentos trazidos pelo impugnante, aquele anexado à fl. 341 referese ao beneficiário de CNPJ 13.289.343/000160 – Royal Diesel Ltda, distinto do CNPJ base do impugnante (40.462.236), e portanto, o desconsiderou. Assim, ao considerar os valores retidos relativos aos CNPJ das filiais, conforme discriminados nas DIRF anexas (fls. 380 a 382), constatou que efetivamente foi retido o valor total de R$ 4.556,27. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.720083/200616 Acórdão n.º 130200.530 S1C3T2 Fl. 424 4 Desta forma, asseverou que para o caso da CSLL, o valor retido deveria ser calculado mediante a aplicação da alíquota de 1% sobre o valor da fatura. Finalizou a análise, concluindo que: No caso em tela, para os valores retidos no anocalendário de 2004 discriminados na tabela acima, no montante de R$ 4.556,27, deve ser reconhecida a CSLL efetivamente retida no valor de R$ 45,56, que adicionada ao valor de R$ 126,79 já reconhecido no despacho decisório, deve ser considerada no montante de R$ 172,35. (grifos meus) Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que embora correta a análise feita no acórdão recorrido, o cálculo encontrase imperfeito, porque a alíquota de 1%, conforme explicitado no próprio voto, deveria ser aplicada ao valor da fatura e não ao valor de tributos retidos, como acabouse procedendo. Desta forma, o valor correto a ser reconhecido seria de R$1.996,60, correspondente a 1% dos valores sujeitos à retenção (R$199.660,61), e não R$45,56, que correspondem a 1% dos valores efetivamente retidos na fonte. Assim, a CSLL efetivamente retida a ser considerada deve ser correspondente à soma de R$1.996,61 ao valor já reconhecido no despacho decisório (R$126,79), alcançando, portanto, o montante de R$2.123,39, e não o valor apurado no acórdão a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Inexatidão material devida a lapso manifesto de cálculo A recorrente denuncia erro de cálculo na decisão recorrida, requerendo sua correção por este colegiado. Alega em sua fundamentação que o acórdão recorrido, a despeito da correção na fundamentação, apresenta cálculo com ela incoerente, fazendo incidir indevidamente a alíquota de 1% sobre os valores retidos ao invés de incidir sobre os valores faturados. De fato, conforme art. 32 do Decreto nº 70.235/72, os lapsos manifestos de cálculo que maculam a decisão com inexatidão material, por não representarem uma tomada de posição, mas uma contradição entre ela e o texto positivado, podem ser corrigidos, inclusive, de ofício pela autoridade a quo, se o verificar. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.720083/200616 Acórdão n.º 130200.530 S1C3T2 Fl. 425 5 No caso vertente, optou o recorrente por deduzir os argumentos no Recurso Voluntário, devolvendo a este colegiado o conhecimento da matéria. Da análise do decisum atacado, verifico que assiste razão ao recorrente. O voto condutor assente que o valor efetivamente retido foi de R$ 4.556,27, e apresenta a tabela abaixo reproduzida, para lhe demonstrar: Valores retidos por órgãos públicos (anocalendário 2004) Cód. Receita Rendimento Total retido CNPJ do beneficiário 8767 186.563,61 4.104,36 40.462.236/001136 8770 7.932,00 387,87 40.462.236/001136 8739 5.165,00 64,04 40.462.236/000830 Total 199.660,61 4.556,27 Dados extraídos das DIRF anexas (fls. 380 a 382). Entretanto, é de fácil visualização nela que o valor faturado, que consta da coluna “Rendimento” totaliza R$199.660,61, e o valor de R$4.556,27 corresponde à soma do valor efetivamente retido (coluna “Total Retido”). Desta forma, afigurase correta a aplicação do percentual de 1%, inconteste, sobre o valor faturado, obtenível da coluna “Rendimento” e não da coluna “Total retido”, fazendo com que o valor retido correspondende à CSLL seja, tal qual alegado pela recorrente, de R$1.996,60. Assim, somado tal valor àquele já reconhecido no despacho decisório (R$126,79), chegase ao valor de CSLL retida equivalente a R$2.123,39. Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o valor de R$2.123,39 relativo à CSLL efetivamente retida. Sala das Sessões, 30 de março de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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