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Numero do processo: 16327.903745/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 01/10/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior
DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas.
VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
Numero da decisão: 2201-004.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau oferecida na tribuna e no mérito em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau oferecida na tribuna e no mérito em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 37 45 /2 00 9- 26 Fl. 147DF CARF MF 2 Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 48/53) por sua precisão: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 23 a 28 (PER/DCOMP nº 09125.95956.220605.1.3.04 3260), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 5286) relativo ao pagamento efetuado em 01/10/2004. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 19 o contribuinte foi cientificado, em 28/04/2009 (fls. 45), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Tendo sido o pagamento vinculado ao débito, no mesmo valor, de IRRF, declarado em DCTF (período de apuração 10/05/2004). 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 33.065,81). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou, em 26/05/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 02 a 09, informando e alegando, em suma, o seguinte: 4.1 O crédito de IRRF decorre de retenção indevida de imposto da empresa “Mellon Global Funds” empresa situada na Irlanda. A retenção ocorreu sobre ganho de capital em operação de compra e venda de ações em bolsa de valores o qual acarretou em IRRF no montante de R$ 29.850,87. Acontece que o Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.903745/200926 Acórdão n.º 2201004.982 S2C2T1 Fl. 148 3 manifestante considerou o cliente como sendo residente em país com tributação favorecida (paraíso fiscal), no entanto, a Irlanda não se encontra na lista da IN 188/02. 4.2 A empresa “Mellon Global Funds” não estaria sujeita à retenção de IR e por isso a requerente devolveu o valor retido a seu cliente (doc. 06) e procedeu à compensação do tributo recolhido indevidamente. 4.2.1 O pagamento indevido de R$ 29.850,87 foi recolhido em conjunto com outras retenções de IR no DARF de R$ 674.615,61. 4.3 O principio da legalidade (150, I da CF) veda a cobrança de tributos sem previsão legal e pelo principio da verdade material a consequencia tributária somente ocorrerá se o evento efetivamente se verificar no plano fenomênico. No presente caso não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a gerar incidência tributária. O que ocorreu foi equívoco no preenchimento da DCTF com a inclusão de débito inexistente, o que já foi prontamente retificado (doc 08). 4.4 A jurisprudência no Conselho de Contribuintes, quanto ao erro de fato, é pacífica neste sentido, conforme ementário colacionado. 2 A manifestação de inconformidade do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 01/10/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 03 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte às fls. 61/76. É o relatório do necessário. Fl. 149DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. 5 Invoca o patrono da recorrente em tribuna de forma preliminar pela nulidade de decisão de primeiro grau por não ter analisado os argumentos quanto ao erro de fato trazido no bojo da defesa e no recurso. 6 Decidindo a respeito, entendo que a decisão recorrida manifestouse acerca do assunto em seu item 6.1 de fls. 50, não havendo que falar em nulidade, posto que todos os elementos trazidos na manifestação de inconformidade foram tratados pela decisão de piso e portanto afasto tal preliminar. 7 Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. 8 No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. 9 A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°)1. Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. 10 Ao apresentar a DCTF retificadora após a emissão do Despacho Decisório, o contribuinte pretende corrigir pretenso erro de preenchimento da DCTF original, conforme expressamente consignado na manifestação de inconformidade e nas razões do recurso. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.903745/200926 Acórdão n.º 2201004.982 S2C2T1 Fl. 149 5 11 A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). 12 A alegação de erro de fato nessa instância recursal, no caso, deve vir acompanhada de documentos incontestes quanto a esse fato, posto que tais oportunidades de esclarecimentos e juntada de novos documentos que comprovam a veracidade das razões recursais, o foram analisadas quando do julgamento de primeiro grau constatando a não comprovação do alegado direito pelo contribuinte. 13 Nesse ponto adoto como razões de decidir o fundamento da decisão de piso que assim decidiu, verbis: 7. Na peça recursal ora em análise, o manifestante alega que o valor de R$ 29.850,87 foi indevidamente retido do cliente “Mellon Global Funds” pelo fato de considerar tal empresa como sendo situada em país com tributação favorecida. Alega que, pelo fato da Irlanda não ser considerada um “paraíso fiscal”, conforme lista da Instrução Normativa SRF 188/02, a retenção foi completamente indevida. 7.1 Ora, o Ofício de fls. 32 não prova que em 01/10/2004, data das operações que geraram o ganho de capital, a “Mellon Global Funds” se encontrava estabelecida na Irlanda, ou que não existia outra pessoa jurídica de igual denominação situada em paraíso fiscal. O manifestante poderia apresentar o contrato de representação pactuado com o referido cliente que viesse a comprovar a localização da empresa noo exterior. Seria também necessária a comprovação, por meio de notas de corretagem, de que as operações que geraram o cálculo da retenção foram mesmo praticadas pelo citado cliente, uma vez que a planilha de fls. 30 é insuficiente para tal feito. Além disso, ainda que fosse comprovada a localização da empresa na Irlanda, o contribuinte teria que trazer a base legal para a alegada isenção de impostos, visto que o artigo 81 da Lei nº 8.981/95, abaixo transcrito, haveria a incidência do imposto à alíquota de 10%, o que ensejaria ao reconhecimento parcial do direito creditório aqui pleiteado. “Art. 81. Ficam sujeitos ao Imposto de Renda na fonte, à alíquota de dez por cento, os rendimentos auferidos: I pelas entidades mencionadas nos arts. 1º e 2º do DecretoLei nº 2.285, de 23 de julho de 1986; II pelas sociedades de investimento a que se refere o art. 49 da Lei nº 4.728, de 1965, de que participem, exclusivamente, investidores estrangeiros; Fl. 151DF CARF MF 6 III pelas carteiras de valores mobiliários, inclusive vinculadas à emissão, no exterior, de certificados representativos de ações, mantidas, exclusivamente, por investidores estrangeiros.” 7.2 A tela de movimentação financeira juntada sem qualquer explicação adicional (fls. 34) também não comprova a retenção indevida. Notase que a suposta devolução do IRRF está descrita com sinal positivo a título de câmbio e com sinal negativo a título de IR. Na mesma página existem outros lançamentos em que os valores positivos se encontram descritos como “liquid. de ações” e os negativos como “câmbio”, de forma que não aparenta estar o lançamento marcado pelo manifestante a se referir a um desconto seguido de devolução, até porque, pelo documento, a alegada devolução teria sido efetuada no mesmo dia da retenção, o que não deixa de ser curioso e enseja algumas questões: Teria o manifestante percebido que o cliente era isento no mesmo dia da retenção? Se fora antes desta data, por qual motivo efetuou a retenção para logo em seguida praticar a devolução? E o que teria levado o mesmo a declarar tais retenções na DCTF posteriormente, uma vez que já teria percebido o equívoco? Ademais, a conta é do “Mellon Bank NA”, o que só reforça a necessidade de comprovar a denominação e a localização do real cliente que teria praticado a operação via manifestante. 7.2.1 Ressaltese que no processo administrativo nº 16327.903744/200981, apreciado nesta mesma sessão de julgamento, o manifestante pretendeu comprovar a devolução do IR com o documento abaixo colacionado. Veja que a data da alegada devolução, naquele caso remonta a maio de 2004. Ora, se o contribuinte já tinha conhecimento da suposta isenção do cliente em maio, menos razão ainda havia para continuar recolhendo o tributo, continuar estornandoo na mesma data do recolhimento e continuar equivocadamente declarando tais valores em DCTF. 14 Outrossim, quanto ao erro e necessidade de comprovação, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201004.437 j. 04/04/18, verbis: Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16327.903745/200926 Acórdão n.º 2201004.982 S2C2T1 Fl. 150 7 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que Fl. 153DF CARF MF 8 demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário provalo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) 15 Quanto a questão da diligência e perquirição de provas e aplicação do princípio da busca da verdade material, tomo como razões de decidir parte do Voto do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001000.545 j. 17/10/2018, verbis: Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16327.903745/200926 Acórdão n.º 2201004.982 S2C2T1 Fl. 151 9 Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. omissis Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplicarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manter se fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº Fl. 155DF CARF MF 10 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Conclusão 16 Diante do exposto, conheço do recurso afasto a preliminar alegada e no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905171/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.734
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 71 /2 01 2- 90 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10675.905171/201290 Acórdão n.º 3201004.734 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09052.857, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Cofins. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09052.857. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10675.905171/201290 Acórdão n.º 3201004.734 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10675.905171/201290 Acórdão n.º 3201004.734 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10675.905171/201290 Acórdão n.º 3201004.734 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.166) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003968/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
PRELIMINARES NÃO ACOLHIDAS. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Mantida a decisão recorrida, quanto à análise das preliminares, pelos seus próprios fundamentos.
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL EM EMPRESA INOPERANTE DO GRUPO SOB A FORMA DE NOTA PROMISSÓRIA NÃO AVALIADA. LANÇAMENTO FUNDADO NA OMISSÃO DE RECEITA. PROVADA A INEXISTÊNCIA DE INGRESSO DE RECURSOS FINANCEIROS, NÃO SE SUSTENTA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO.
A diligência constatou após análise dos livros diários e dos extratos bancários relativos ao ano de 2012, não ter ocorrido o ingresso em dinheiro de R$ 12.296.268,00 nas contas da autuada.
O presente lançamento foi fundado no aporte de recursos não contabilizados e, restando comprovado - através de diligência - que não houve movimentação financeira não há como ser mantida a exigência.
Afastada a presunção de omissão, e restando comprovada a ausência do ingresso dos recursos financeiros tidos por omitidos, o presente lançamento não se sustenta.
Numero da decisão: 1401-003.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e de decadência para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Carlos André Soares Nogueira, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 PRELIMINARES NÃO ACOLHIDAS. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Mantida a decisão recorrida, quanto à análise das preliminares, pelos seus próprios fundamentos. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL EM EMPRESA INOPERANTE DO GRUPO SOB A FORMA DE NOTA PROMISSÓRIA NÃO AVALIADA. LANÇAMENTO FUNDADO NA OMISSÃO DE RECEITA. PROVADA A INEXISTÊNCIA DE INGRESSO DE RECURSOS FINANCEIROS, NÃO SE SUSTENTA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO. A diligência constatou após análise dos livros diários e dos extratos bancários relativos ao ano de 2012, não ter ocorrido o ingresso em dinheiro de R$ 12.296.268,00 nas contas da autuada. O presente lançamento foi fundado no aporte de recursos não contabilizados e, restando comprovado - através de diligência - que não houve movimentação financeira não há como ser mantida a exigência. Afastada a presunção de omissão, e restando comprovada a ausência do ingresso dos recursos financeiros tidos por omitidos, o presente lançamento não se sustenta.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e de decadência para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Carlos André Soares Nogueira, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
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APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Mantida a decisão recorrida, quanto à análise das preliminares, pelos seus próprios fundamentos. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL EM EMPRESA INOPERANTE DO GRUPO SOB A FORMA DE NOTA PROMISSÓRIA NÃO AVALIADA. LANÇAMENTO FUNDADO NA OMISSÃO DE RECEITA. PROVADA A INEXISTÊNCIA DE INGRESSO DE RECURSOS FINANCEIROS, NÃO SE SUSTENTA A PRESUNÇÃO DE OMISSÃO. A diligência constatou após análise dos livros diários e dos extratos bancários relativos ao ano de 2012, não ter ocorrido o ingresso em dinheiro de R$ 12.296.268,00 nas contas da autuada. O presente lançamento foi fundado no aporte de recursos não contabilizados e, restando comprovado através de diligência que não houve movimentação financeira não há como ser mantida a exigência. Afastada a presunção de omissão, e restando comprovada a ausência do ingresso dos recursos financeiros tidos por omitidos, o presente lançamento não se sustenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 68 /2 00 7- 09 Fl. 7784DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e de decadência para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (VicePresidente), Carlos André Soares Nogueira, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP), que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte. A ação fiscal referese aos anoscalendário de 2002, e segundo consta nas informações fiscais extraídas nos autos, "o contribuinte apresentou DIPJ para o período de 01/01/2002 a 28/08/2002, em virtude de incorporação na data, com base no lucro real trimestral, e para o período de 29/08/2002 a 31/12/2002, também com base no lucro real trimestral foi autuado, em 05/12/2007, no IRPJ e reflexos, em conformidade com o Decreto n.° 70.235/72 e suas alterações, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 24.384.375,92, incluindo imposto, contribuições, multas de 150% e juros de mora calculados até 30/11/2007, em razão da apuração, pela fiscalização, de omissão de receitas de R$ 12.296.268,00 e ganho de capital na incorporação de R$ 8.000.000,00 não tributado”. Conforme consta da descrição dos fatos em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, “em 19/07/2002 é distribuído aos sócios o montante de R$ 1.850.000,00 de lucros acumulados os quais resolvem reinvestir este valor no capital da empresa passando, portanto, seu capital de R$ 402.000,00 (quatrocentos e dois mil reais) para R$ 2.252.000,00 (dois milhões duzentos e cinquenta e dois mil reais), conforme décima quinta alteração e consolidação do contrato social da Projectus Consultoria Ltda, datada de 19/07/2002”. Da autuação fiscal, o interessado apresentou IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA em 28/12/2007 (fls.423 /487), na qual alegou: 1. que “a receita derivada do método de equivalência patrimonial não foi oferecida à tributação, conforme determina a legislação de regência, mas, sem maiores explicações, a fiscalização a glosou”; 2. “não há qualquer explicação do porquê uma suposta omissão de receita em uma empresa investidora (EPFOR) teria contaminado uma Fl. 7785DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7784 3 receita de equivalência patrimonial em uma empresa holding (SETERP)”; 3. “as empresas SETERP, VERMENT e EPFOR possuem os livros contábeis e fiscais para suportar os atos societários praticados, muito embora o contribuinte tivesse que providenciar a reconstituição da contabilidade dessas três empresas, pois os livros contábeis das empresas sucedidas tinham desaparecido”; 4. “sendo o lançamento por homologação, em relação aos fatos do período de 22/07/2002 a 28/08/2002 operouse a decadência em 30/09/2007, pois o IRPJ foi apurado em períodos trimestrais”; 5. o lançamento é nulo pois não havia MPF regular para o período fiscalizado e para o prazo de fiscalização; 6. o lançamento é nulo, pois houve violação do art. 142 do CTN e cerceamento do amplo direito de defesa, em face da: a) precariedade das informações (datas incongruentes); b) erro de sujeito passivo; c) erro de momento de ocorrência do fato gerador; d) ausência de intimação para os fins específicos de (I) comprovação da origem e entrega dos recursos e de (II) contestação da tributação das receitas legalmente não tributáveis decorrentes de equivalência patrimonial. 7. “a presunção de omissão de receita por aporte em dinheiro está equivocada, pois os R$ 12.296.268,00 jamais ingressaram em dinheiro, mas, sim, foram suportados por operação de crédito inscrita nos respectivos documentos societários, contábeis e fiscais das empresas envolvidas; ou seja, a EPFOR adquiriu ações da VERMENT com recursos financeiros obtidos mediante a emissão de notapromissória "prósoluto"; as provas constam A. fl. 257 (Passivo da EPFOR) e fl. 302 (Ativo da VERMENT) e também nos livros contábeis apresentados nos doc. 5 a 7; além disso, os lançamentos contábeis antes e após a incorporação das empresas pela PROJECTUS evidenciam a inocorrência de saldo credor de caixa ou a manutenção de passivos fictícios, de forma que o AFRF não se utilizou de um fato conhecido (saldo credor de caixa, por exemplo) cuja existência deveria ser certa para formar a presunção; por fim, desnecessária qualquer prova do trânsito do dinheiro, visto que nenhuma das empresas sucedidas (EPFOR, SETERP ou VERMENT) possuía conta bancária, o que faz prova cabal da inexistência de qualquer trânsito de dinheiro equivalente a R$ 12.296.268,00 em sua conta bancária ou pelo caixa da empresa” 8. o fundamento legal da autuação por omissão de receitas é insuficiente, pois deverseia não só apontar mas justificar a aplicação do art. 281 e o art. 282 (principal dispositivo) é regra de arbitramento do valor omitido; de resto, os vários dispositivos utilizados para justificar o Fl. 7786DF CARF MF 4 enquadramento legal não são hábeis para embasar qualquer exigência relacionada a omissão de receita, neste caso. 9. “o aumento de capital não configura hipótese de omissão de receita, pois, ainda que se considere que o artigo 282 do RIR se refira à hipótese de omissão de receita, devese observar que o mesmo somente seria aplicável se os sócios integralizassem o capital em empresa operativa”. 10. “as regras de omissão de receita não são aplicáveis nas integralizações de capital efetuadas por sócios pessoas jurídicas, pois, ainda que se admita, que a omissão de receita, ocorra no inicio das atividades, devese observar que art. 282 somente é aplicável na hipótese de integralização de capital por pessoa física e não por empresa, de modo que a integralização de capital procedida pela empresa EPFOR não se sujeita à hipótese de omissão de receitas”; 11. a presunção de omissão de receita na integralização inicial de capital é inaplicável, conforme jurisprudência administrativa, pois a VERMENT foi constituída em fevereiro de 2002 e permaneceu com o capital subscrito e não integralizado de R$ 200,00 até 28 de julho de 2002, quando ocorreu o primeiro aumento de capital mediante o aporte de capital pela SETERP com quotas da PROJECTUS; só em 22 de agosto, foi efetuado o segundo aporte de capital, no montante de R$ 12.296.268,00, que por ter ocorrido após 23 dias da integralização inicial de capital da empresa VERMENT também se caracteriza como aporte inicial; portanto, como a integralização de R$ 12.296.268,00 consistiu em integralização de capital inicial na VERMENT, não cabe a presunção de omissão de receita na integralização de capital efetuada pela EPFOR; 12. “quando a empresa EPFOR subscreveu capital na VERMENT, mediante aquisição de ações com ágio, a SETERP (investidora) não exerceu o seu direito de participar na subscrição; em decorrência, a SETERP registrou um resultado positivo de R$ 8.000.000 (oito milhões de reais) decorrente da variação no percentual de participação no Patrimônio Liquido da investida VERMENT, investimento relevante e influente sujeito ao método da equivalência patrimonial; assim, o valor do investimento registrado pela SETERP que era de R$ 2.019.093 passou a ser de R$ 10.019.093; por força do método da equivalência patrimonial, o ajuste a maior do investimento, verificado na diluição de participação societária, deve ter a sua contrapartida contabilizada como resultado positivo de equivalência patrimonial; assim, ainda que por absurdo seja a hipótese de ganho de capital, não atentou o AFRF, para o fato de que, no momento do resgate das ações, o valor do investimento detido pela SETERP na VERMENT era de R$ 10.019.093, inclusive cabendo destacar que o próprio AFRF demonstra que a integralização que deflagrou o aumento do investimento ocorreu antes do resgate das ações; como o valor do investimento detido era de R$ 10.019.093 e o resgate das ações foi de R$ 10.019.093, não houve ganho ou perda, razão pela qual a exigência é incabível; 13. “descabem as presunções utilizadas para concluir que teria havido ingresso de capital "em dinheiro", bem como para considerar viciada Fl. 7787DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7785 5 a reorganização societária levada a efeito em 2002 e para aplicar a multa agravada de 150% sobre o valor do tributo supostamente devido; não há qualquer justificativa ou comprovação, no TCVF, sobre a existência de "fraude" ou de qualquer "evidente intuito de fraude" por parte da impugnante; ao contrário, todos os atos jurídicos relativos à reorganização societária estão devidamente registrados nos órgãos competentes, assim como na escrita contábil e fiscal, conforme a documentação constante nos autos e os documentos ora inclusos; constatase, diante disso, que os procedimentos e operações praticados estão devidamente revestidos na forma legal e não podem, por isso, ser considerados ilícitos” 14. “art. 957, II do RIR99 exige expressamente que o intuito de fraude seja evidente, ou seja, "que aflore com tal clareza que não se possam suscitar dúvidas acerca da má fé nos atos praticados, com o inequívoco propósito de violar a lei" ; assim, não se pode aplicar a multa qualificada do art. 957, II do RIR199, que envolve a existência de dolo por parte do contribuinte”. 15. “que exigir juros de mora com base a taxa SELIC é ilegal e inconstitucional”. 16. Requereu o acolhimento da presente Impugnação Administrativa para julgar improcedente a autuação fiscal. O Acórdão ora Recorrido (1617284 4a Turma da DRJ/SPOI) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 DOLO. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL EM EMPRESA DO GRUPO. NOTA PROMISSÓRIA NÃO AVALIADA. INCORPORAÇÃO. Com a finalidade de aumentar o patrimônio liquido da impugnante sem aumentar diretamente o seu capital e sem pagar os tributos devidos pelo acréscimo A. conta de Lucros Acumulados foram realizadas sob o manto de "reorganização societária" – operações societárias estruturadas em seqüência com empresas inoperantes, finalizadas com as suas incorporações pela impugnante, de forma que as irregularidades fiscais apontadas nesta autuação foram praticadas com dolo. DECADÊNCIA. DATA INICIAL DA CONTAGEM. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial de 5 anos é contado a partir da data do fato gerador quando houve o pagamento antecipado e não houve dolo, fraude ou simulação. Havendo dolo, como neste caso, o prazo é contado a partir do 10 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Preliminar indeferida. Fl. 7788DF CARF MF 6 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A descrição dos fatos é clara e as imputações feitas a. empresa foram bem compreendidas, como demonstra a impugnação, de forma que não há cerceamento do direito de defesa. Preliminar indeferida. NULIDADE. MPF. INOCORRÊNCIA. O MPF é elemento de controle da atividade fiscal e eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Preliminar indeferida. NULIDADE. ERRO DE SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA As empresas incorporadas eram inoperantes, de forma que o sujeito passivo é a incorporadora. Preliminar indeferida. NULIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 142 DO CTN. INOCORRÊNCIA. Tirante a autoridade administrativa como o agente competente para efetuar o lançamento, todos os demais aspectos do dispositivo reportamse ao mérito do lançamento. Sendo o AFRFB o agente competente, a preliminar é indeferida. NULIDADE. INCONGRUÊNCIA DE DATAS.INOCORRÊNCIA. Tratase de alegação genérica. Preliminar indeferida. NULIDADE. ERRO DE MOMENTO DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o IRPJ apurado por períodos trimestrais no anocalendário de 2002, os fatos ocorridos entre julho e setembro têm 30/09/2002 como data do fato gerador. Preliminar indeferida. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. INOCORRÊNCIA. No curso da ação fiscal, cujo caráter é investigativo e probatório, não há litígio instaurado, de forma que não há direito ao contraditório e à ampla defesa. Preliminares indeferidas. PRESUNÇÃO. Nada impede a utilização da presunção humana como meio de prova. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO HUMANA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL EM EMPRESA INOPERANTE DO GRUPO COM RECEITAS OMITIDAS PELA IMPUGNANTE, SOB A FORMA DE NOTA PROMISSÓRIA NÃO AVALIADA, EMITIDA POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO COM LASTRO PATRIMONIAL IRRISÓRIO. INCORPORAÇÃO. A integralização de capital com bens em S/A exige as respectiva avaliação a preços de mercado, nos moldes do artigo 8° da Lei das S/A. Por decorrência, a integralização de capital em S/A com titulo de crédito admitida pela Fl. 7789DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7786 7 doutrina exige a respectiva avaliação a preço de mercado. Portanto, a integralização de capital em S/A inoperante do grupo, sem conta bancária, efetuada sob a forma de uma nota promissória não apresentada e não avaliada, emitida por outra empresa inoperante do grupo, com ínfimo lastro patrimonial, autoriza a presunção humana de que a integralização foi efetuada em dinheiro. A integralização de capital dissimulada como tendo sido efetuada com direitos autoriza a presunção humana de que os recursos em tela eram provenientes de receitas omitidas anteriormente pela própria impugnante. A presunção humana se solidifica quando se constata a irregularidade da escrituração das incorporações associada a não apresentação do Diário de todo o mês em que as incorporações foram escrituradas, bem como dos extratos bancários, tanto os do Ines em que ocorreram as incorporações quanto os do mês em que as mesmas foram escrituradas. Lançamento procedente. ÁGIO GERADO INTERNAMENTE NA INTEGRALIZAÇÃO IRREGULAR DE CAPITAL EM EMPRESA DO GRUPO. GANHO DE CAPITAL NO RESGATE DE AÇÕES EFETUADO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS. EM SEQÜÊNCIA. SIMULAÇÃO. ESCRITURAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Os elementos evidenciam a ocorrência de simulação, pois o objetivo aparente dos atos formais praticados (reorganização societária) era diverso do verdadeiro objetivo (aumento do patrimônio liquido da impugnante), o que torna o método da equivalência patrimonial inaplicável ao caso. Lançamento procedente. MULTAS QUALIFICADAS. Correta a aplicação das multas qualificadas no tocante omissão de receitas e ao ganho de capital pois houve evidente intuito de fraude em ambos os casos. AUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. O voto referente ao IRPJ aplicase aos seus reflexos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A instância administrativa não se manifesta a respeito de argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade. Lançamento Procedente. Isto porque, segundo entendimento da Turma, indeferiuse a preliminar de nulidade por violação do art. 142 do CTN, tendo em vista que “no que diz respeito a autoridade administrativa como agente competente para efetuar o lançamento, todos os demais aspectos do dispositivo dizem respeito apenas ao mérito do lançamento. No caso, o agente AFRFB é competente”. E que, “embora a veracidade do passivo da EPFOR não tenha sido provada, a causa da autuação não foi o seu passivo fictício, capitulado no art. 281 do RIR99, pois a empresa era inoperante. A capitulação principal foi, sim, no artigo seguinte, referente a suprimento de numerário”. Fl. 7790DF CARF MF 8 Aduz ainda que “não tendo havido a necessária avaliação a mercado do valor da nota promissória, como já foi visto, forçoso concluir pela validade da presunção de que a integralização de capital na VERMENT se fez em dinheiro. Por outro lado, a tentativa de ocultação do aporte em dinheiro, um indício de que se trata de receita omitida. A alternativa à presunção de aporte em dinheiro levaria, por decorrência lógica, à hipótese de que não houve a referida integralização de capital na VERMENT, ao contrário do que apontam os atos societários, razão pela qual essa alternativa não será levada em conta, a principio. Afinal, tais atos societários, foram devidamente registrados, ao passo que a nota promissória, é um documento singelo, que só exige registro para a sua execução. Sopesando o valor probante dos documentos, há que se concluir que houve a integralização do capital, e portanto, integralização em dinheiro”. Segue afirmando que “Os extratos bancários das contas bancárias da impugnante especialmente as dos Meses de agosto e setembro não foram apresentadas, de forma que a impugnante, ao contrário do que se propôs a fazer não comprovou que os recursos em tela não transitaram" por suas contas bancarias. Caso as provas apresentadas demonstrassem que não houve o trânsito dos recursos em contas da impugnante, seria, então, o caso de considerar inexistente a omissão de receita (e a própria integralização do capital). Todavia, se as provas apresentadas demonstrassem o trânsito dos recursos por contas da impugnante, caberia então aplicar a presunção legal, exigindo a comprovação da origem dos recursos, por meio de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, nos moldes do art. 282 do RIR/99”. Conclui que “A tributação exigida pela fiscalização decorre exatamente da não aplicação ao caso concreto das regras válidas para os contribuintes em geral, em vista das características de operações societárias estruturadas em sequência acobertadas pelo manto da "reorganização societária", efetuada apenas para aumentar o seu patrimônio líquido”. Ciente da decisão do Acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 12/11/2008 (fls. 1.621/1.709), alegando em linhas gerais as mesmas razões aduzidas em sede de impugnação: 1. DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA OCORRIDA EM 2002: Afirma que “no primeiro semestre de 2002, a Projectus se viu premida pela necessidade de reorganizar sua estrutura corporativa e de negócios a fim de possibilitar sua sobrevivência e indispensável expansão em um mercado altamente competitivo, submetido a uma forte concorrência — não apenas doméstica, mas também estrangeira — de competidores com alta envergadura técnica e elevada capitalização”; 2. DA FISCALIZAÇÃO LEVADA A EFEITO PELA RECEITA FEDERAL: Diz que “junta com o presente recurso e com base no art. 16, §§ 4°, "c", 5 0 e 6° do Decreto n° 70.235/72, cópia autenticada integral de seus LIVROS DIÁRIOS do ano de 2002, bem como os seus EXTRATOS BANCÁRIOS relativos ao mesmo período anual, de forma a escoimar qualquer dúvida quanto à inexistência de qualquer ingresso "em dinheiro" relativamente à reorganização societária entabulada no terceiro trimestre de 2002, demonstrando, assim, o total descabimento da absurda ressunção do Sr. agente fiscal e que as alegações de fls. 351 de que as intimações foram "todas desatendidas" e de fls. 356 no sentido de que as empresas SETERP, VERMENT e EPFOR "não possuem livros contábeis e fiscal:9" a Fl. 7791DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7787 9 suportar os atos societários praticados não correspondem à realidade e nem aos fatos conhecidos pelo próprio Sr. agente fiscal”; 3. DA NULIDADE EM RAZÃO DA INCOMPETÊNCIA DO AGENTE AUTUANTE (ART. 59, I, DO DECRETO NO 70.235/72): MPF irregular: Afirma que “in casu, a irregularidade resultou na incompetência do agente fiscal autuador, gerando a nulidade do ato de acordo com o determinado no inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 7. Que os autos de infração cobrem o período de julho a agosto de 2002, tendo sido lavrados apenas em 05 de dezembro de 2007; ou seja, cobrem o exercício de 2002 — que não era abrangido pelo MPF de fls. 001 — tendose promovido atos da fiscalização após a data limite para a execução, qual seja, 17 de julho de 2007. E que apenas em 4/12/2007, com a ciência do contribuinte em 05/12/2007 (mesma data da lavratura dos Autos de Infração), foi expedido o MPF Complementar (constante de fl. 002), em clara violação ao devido processo legal e aos ditames inequívocos da Portaria RFB no 4.066, de 02/05/2007. E além de inequivocamente extinto o MPF original de fl. 001, também foi mantido o mesmo AFRFB, o que é expressamente proibido pelo artigo 16, par. único, da Portaria RFB no 4.066/07 e importa, igualmente, na nulidade dos autos de infração, nos termos do art. 59, I, do Decreto no 70.235/72, já que foram lavrados por AFRFB manifestamente incompetente ou desautorizado pela autoridade competente”; 4. Em síntese: (i) ao ser promovida a grave acusação de "omissão de receitas", com aporte "em dinheiro", sem apoio em qualquer lastro documental, legal ou factual; (ii) bem como por pretender tributar receitas legalmente "não tributáveis" decorrentes de equivalência patrimonial; (iii) ao não indicar de forma correta e exata quem teria praticado o suposto ilícito de "omissão de receita" que teria aportado o expressivo montante de R$ 12.296.268,00 "em dinheiro"; e, (iv) por toda a ausência de fundamentação legal, documental e factual, não resta qualquer dúvida da evidente nulidade dos lançamentos impugnados, por ausência de fundamentação, motivação precária e conseqüente preterição do direito de defesa da Recorrente, nos termos do art. 59, II, do Decreto no 70.235/72”. 5. DA NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA DA RECORRENTE: ausência de intimação da Recorrente para comprovação da origem e entrega dos recursos: Diz que “a nulidade dos lançamentos de oficio é patente, pois a ausência de intimação do contribuinte para esclarecer o núcleo da acusação fiscal, sem dúvida, representa notável cerceamento de defesa e consuma a insubsistência dos autos de infração, nos termos do art. 59, II, do Decreto no 70.235/72. Esta nulidade atinge igualmente a pretendida tributação de receitas legalmente "não tributáveis" decorrentes de equivalência patrimonial, pois o sr. agente fiscal, como visto, não promoveu qualquer fundamentação minimamente plausível para sua cobrança e nunca intimou o contribuinte a se contrapor a tal matéria. É indiscutível, Fl. 7792DF CARF MF 10 assim, o cerceamento de defesa do contribuinte, a quem não se concedeu oportunidade para responder às equivocadas premissas do Sr. agente fiscal, bem ao contrário do posicionamento adotado pelo acórdão recorrido”. 6. DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO — VIOLAÇÃO DO ART. 142, DO CTN NULIDADE ABSOLUTA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO: Afirma que é nítido o cerceamento de defesa e a precariedade do lançamento de oficio também neste particular, ao não permitir à Recorrente que a defesa se dê com referência a um fato exato e inequívoco — e de cuja autoria a d. Fiscalização não tenha dúvidas e bem a aponte, ou seja, com a indicação plena e suficiente do sujeito passivo — a fim de não dar margem a que seja o próprio contribuinte quem tenha que imaginar todas as inúmeras hipóteses possíveis de acusação e defenderse de todas elas, para os fins de demonstrar, por qualquer perspectiva, a total insubsistência da acusação fiscal”. 7. DA DECADÊNCIA AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO NA ESPÉCIE: Argumenta que “em relação ao fato de que o laudo de avaliação da Padrão Consultoria foi concluído depois de iniciada a reorganização societária da Recorrente, tratase de fundamento nitidamente irrelevante e que nada comprova para fins de caracterização de dolo, fraude ou simulação. Ora, o referido laudo foi necessário tãosomente para fins de precificação das novas ações emitidas pela VERMENT, ou seja, para fundamentar a rentabilidade futura da Projectus de modo a justificar o prego de emissão com ágio das mencionadas ações. Além disso, conforme bem explicado pela empresa Ernst & Young, integral responsável por toda a estruturação e implementação das transações, e reproduzido às fls. 438, apenas em 22/08/2002 a EPFOR foi admitida como sócia na VERMENT, mediante emissão de novas ações com ágio. Tal fato se deu, portanto, após a data de 07/08/2002, quando foi concluído o laudo da Padrão Consultoria (cf. ft 93). Tratase, assim, de fundamento vazio e que nada prova para fins de afastar a incidência da regra do art. 150, § 40, do CTN”. (...) “Outro ponto levantado no acórdão recorrido diz respeito a um suposto "evidente erro na 'Apuração do Acervo Líquido" constatado no laudo de avaliação da empresa EPFOR (fl. 1.445). Primeiramente, fazse importante consignar que o referido laudo foi elaborado por 3 (três) peritos independentes, em conformidade com a legislação de regência, sendo que qualquer eventual equivoco, por fugir completamente do controle da Recorrente, jamais poderia caracterizar qualquer tipo de dolo, fraude ou simulação de sua parte. Ademais, uma suposta imprecisão relativamente a esse ponto em nada dificultou ou prejudicou o trabalho do Sr. agente fiscal, tanto que nem mesmo chegou a ser apontado no decorrer do procedimento de fiscalização, muito menos nos lançamentos de oficio. Ou seja, o Fisco não foi, de forma alguma, prejudicado ou impedido de exercer a atividade de fiscalização”. 8. “Quanto ao titulo de crédito, incabível qualquer entendimento contrário sua validade, haja vista a sua plena e adequada escrituração contábil. Ora o principio da cartularidade já faz prova da sua validade. No caso concreto, tendo em vista que por ocasião do evento Fl. 7793DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7788 11 de incorporação, todos os direitos e obrigações das incorporadas se extinguiram em razão do instituto jurídico da confusão, nos termos do art. 381 do Código Civi1, entre eles a obrigação representada na nota promissória, a qual foi cancelada e regularmente extinta, pois já fruídos os efeitos econômicos e legais correspondentes. Assim, conforme legal e regularmente lançado nos livros contábeis, permanece comprovada a existência da nota promissória à época da reorganização societária e, tendo havido o cancelamento e a extinção do titulo de crédito, a novel investida do acórdão recorrido, objetivando sanear os insubsistentes fundamentos dos autos de infração, por aqui também não prospera”; 9. “Assim, tanto os autos de infração são insubsistentes no mérito substancial quanto a decadência é manifesta, uma vez que efetivamente se aplica à espécie a contagem conforme o disposto no art. 150, § 40, do CTN. Consoante se depreende do Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fl. 351 dos autos), os fatos que teriam dado suporte à obrigação tributária aqui discutida ocorreram no período de 22/07/2002 a 28/08/2002, sendo esta última data, conforme esclarecido acima, a relativa ao evento de incorporação das empresas VERMENT, SETERP e EPFOR pela ora Recorrente”. 10. “Destarte, em sendo o período de apuração, tanto do PIS quanto da COFINS, mensa1, por evidente que o crédito tributário decorrente do suposto nãorecolhimento dessas contribuições também caducou em 31/08/2007, quando se operou a decadência do direito do Fisco de lançálo”. 11. DA IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO HOMINIS NO PRESENTE CASO: Afirma que “as infundadas conclusões do sr. agente fiscal, data venta, não têm a força necessária para elidir a robusta prova da Recorrente, sendo impossível ao Fisco entender positivada a mais grave das infrações fiscais — a sonegação —através de simples indícios e imaginárias suposições pessoais, sem qualquer lastro factual ou documental”. (...) “é completamente descabida a efetivação de um lançamento baseada em um dispositivo legal em que não há determinação de uma hipótese de incidência, mas meramente dispõe sobre como deve ser arbitrado o valor referente a um determinado fato gerador já delineado e que teria efetivamente ocorrido, com base em "suprimentos de caixa" não suportados por documentação hábil. Ou seja, uma hipótese bem diversa dos presentes autos, em que o aumento de capital foi devida e corretamente suportado em titulo de crédito e o Sr. agente fiscal não fez qualquer tipo de prova que desse lastro à gravíssima acusação do vultoso aporte de recursos "em dinheiro" da ordem de R$ 12 milhões”. 12. DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS: Diz que “não ocorreu qualquer "tentativa de ocultação do aporte em dinheiro"(cf. fls. 1.456) capaz de levar à conclusão de que houve omissão de receitas por parte da Recorrente, já que o titulo de crédito, consoante pacificamente aceito pela mais respeitável doutrina pátria, é instrumento válido para a formação do capital de companhias. (...) Fl. 7794DF CARF MF 12 Como inexistiu omissão de receitas seja pela Recorrente, seja paF" — qualquer das empresas por ela incorporadas, ao aplicar a doutrina acima referida ao caso em tela, o entendimento de que inexistiu a integralização de capital importa em reconhecer que inexistem receita, renda ou lucro a ser tributados e, por decorrência, que sio inexistentes os lançamentos de oficio aqui combatidos. Entendimento contrário a esse levaria à violação manifesta do principio da Legalidade e da tipicidade”. 13. DA NÃOTRIBUTAÇÃO DE RECEITAS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL: Diz que “o acórdão recorrido novamente ALTEROU E INOVOU A ACUSAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO, ultrapassando indevidamente os próprios motivos que restaram consignados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 355356) e nos próprios lançamentos em si, para concluir, de forma teratológica, data venha, que houve, na espécie, "simulação". Para tanto, simplesmente "copiou e colou" várias páginas de trechos de um acórdão proferido alhures (de no 104681) que meramente discute o conceito de simulação em uma hipótese totalmente diversa do presente caso, para singela e injustamente adotar suas conclusões como suporte às gravíssimas e infundadas acusações à Recorrente (fls. 1.4691.470). (...) A conclusão do acórdão recorrido apenas demonstra que os lançamentos de oficio, tal como efetuados, constituíram uma verdadeira anomalia jurídica, já que, ao mesmo tempo em que coloca em dúvida a validade do aporte de capital, legitima a tributação de um ganho de capital que, uma vez admitida a inexistência do ingresso de capital em referência, também seria inexistente! “Não tendo restado provada nem caracterizada qualquer fraude penal realizada por parte da Recorrente — já que inexistente na espécie — não há como subsistir a imposição da multa qualificada de 150%, tanto sobre o principal (IRP3 e CSLL) quanto sobre a tributação reflexa (PIS e COFINS), sendo igualmente imperativa a reforma do r. julgado da d. DRJSPOI nesse tocante”. 14. DO DESCABIMENTO DA SELIC: Afirma que “necessária também a reforma do julgado para que seja excluída a SELIC como taxa de juros, ante a sua manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade, uma vez que se trata de taxa de juros criada e cobrada em desacordo com o CTN e sem base legal que indique a sua forma de cálculo, que é baseada em critérios subjetivos e sem qualquer controle externo que possibilite sua correção”. 15. Preliminarmente, requereu a decretação da decadência em relação a todos os períodos abrangidos pelos autos de infração, tendo a decadência ocorrido em 01/10/2007. 16. Requereu também, a nulidade do auto e infração por não identificar a capitulação legal dos fatos. 17. Requereu a conversão do feito em diligência para realização da perícia contábil. Às fls. 4.406/4.424 dos autos – CONTRARRAZÕES, trazendo em seu bojo as seguintes razões: Fl. 7795DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7789 13 1. PRELIMINARMENTE: Afirma que “não há que se falar em violação do devido processo legal, certo que ao recorrente foram e estão sendo asseguradas todas as formas de defesa previstas na legislação”; 2. DO SUPOSTO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO: Diz que “foram consideradas como simuladas as operações apresentadas no papel, a quais tiveram por objetivo criar um lastro falso para receitas operacionais omitidas do Fisco pela PROJECTUS. Portanto, tributada foi a PROJECTUS por omissão de receitas operacionais (fato dissimulado), tendo sido considerada simulada a reorganização societária”. 3. DA DECADÊNCIA ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO: Afirma que “a base do lançamento é a acusação da prática de uma operação simulada. Desse modo, mantida a autuação, o prazo decadencial não tem como se desvencilhar do art. 173, I, do CTN, porque a aplicação do art. 150 do CTN teria como premissa a improcedência da autuação fiscal”. 4. DA ALEGADA IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO HOMINIS NO PRESENTE CASO: Diz que “a despeito de no acórdão recorrido estar assentado que a autuação foi baseada numa presunção, não é isso que se infere pela leitura do TVF. A autuação não decorre de presunção de omissão de receitas. Ela decorre da demonstração, a partir dos documentos trazidos aos autos pelo próprio sujeito passivo, de que as operações societárias apresentadas nada mais são do que fatos simulados que visam a 'dissimular receitas operacionais omitidas ao Fisco pela PROJECTUS”; “A omissão de receita não foi demonstrada por análise especifica da conta caixa, mas pela desconsideração de uma série de operações societárias envolvendo entidades de fachada criadas com o único objetivo de apresentar um lastro legítimo para o ingresso da receita omitida da fiscalização, como se receita omitida não fosse”. 5. DA NÃOTRIBUTAÇÃO DE RECEITAS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL: Afirma que “este item da autuação não decorre de equivalência patrimonial, mas de ganho de capital auferido na alienação de ações, as quais foram adquiridas por R$ 2.019.093,00 e vendidas por R$ 10.019.093,00”; 6. DO ALEGADO DESCABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA DO ART. 957, II, DO RIR/99: AUSÊNCIA DE FRAUDE E, MENOS INDA, DE QUALQUER EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE: Aduz que “a intenção dissimulada era ilícita, qual seja, deixar de pagar tributo. A intenção simulada era a de dar ares de investimento de terceiro a receitas omitidas do Fisco. Ficou evidente a intenção de ludibriar o EstadoFiscal”. 7. DO ALEGADO DESCABIMENTO DA SELIC: Afirma que “tal questão já se encontra sumulada (Súmula 1°CC no 4)”. Fl. 7796DF CARF MF 14 Às fls. 4.455/4.499 dos autos Resolução nº 1202000.229 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária que converteu o julgamento em diligência para que “(i) os dois processos (19515.003936/200886 e 19515.003968/200709) sejam apensados e para que (ii) a unidade de origem se manifeste acerca dos seguintes pontos: Esclarecer, após análise do Livro Diário e dos Extratos Bancários relativos ao ano de 2002 se houve o ingresso em dinheiro de R$ 12.296.268,00 (doze milhões, duzentos e noventa e seis mil, e duzentos e sessenta e oito reais) nas contas da Projectus Consultoria Ltda”. Às fls. 7.704/7.709 (4ª parte) RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA – concluindo que: "com base nos documentos apresentados, e após análise dos livros diários e dos extratos bancários relativos ao ano de 2012, esclareço não se constatar o ingresso em dinheiro de R$ 12.296.268,00 nas contas da Projectus Consultoria LTDA”. Às fls. 7.712/7.717 – MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE – afirmando que “diante do relatório de diligências, fica comprovada a inexistência de trânsito em suas contas ou caixa da expressiva quantia de R$ 12.296.268,00, dessa forma, não houve qualquer omissão de receitas a legitimar os lançamentos de ofício impugnados”. Às fls. 77.24/7.725 (4ª parte) – SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA – para intimação da PFN – manifestação. Às fls. 7728/7740 MANIFESTAÇÃO DA PFN – requerendo que seja negado provimento ao Recurso Voluntário interposto, ao tempo em que reforça “a presunção de omissão de receitas apontada pela autoridade fiscal, sendo relevante frisar que tal presunção não foi afastada, em nenhum momento, pela contribuinte”. Às fls. 7.746 /7.767 – MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE afirmando que: a) Houve DECADÊNCIA INTEGRAL com relação aos supostos fatos geradores abarcados pelos AIIMs de 2007; b) Houve DECADÊNCIA INTEGRAL (se consideradas as datas dos atos societários relevantes, de 2002) com relação aos supostos fatos geradores objetos dos AIIMs de 2008 (PAF em apenso) ou PARCIAL, se consideradas as atas de aproveitamento do ágio em 2003; c) Há NULIDADE INSANÁVEL nos AIIMs: · POR AUSÊNCIA DE INDISPENSÁVEL INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DAS SUPOSTAS RECEITAS “EM DINHEIRO” QUE ENSEJARIAM A ERRÔNEA ACUSAÇÃO DE “OMISSÃO DE RECEITAS EM DINHEIRO”; · POR ERRO SUBSTANCIAL NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO; · POR AUSÊNCIA DE INDISPENSÁVEL INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DAS SUPOSTAS RECEITAS “EM DINHEIRO” QUE ENSEJARIAM A ERRÔNEA ACUSAÇÃO DE “OMISSÃO DE RECEITAS EM DINHEIRO”; · POR AUSÊNCIA DE EMBASAMENTO LEGAL OU FÁTICO A SUPORTAR “OMISSÃO DE RECEITAS EM DINHEIRO” SEM QUALQUER PROVA OU INDÍCIO MATERIAL CORRESPONDENTE; Fl. 7797DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7790 15 · POR PRETENDER TRIBUTAR “GANHO DE CAPITAL” DECORRENTE DE RECEITAS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL, COM LASTRO NA PREMISSA DE “OMISSÃO DE RECEITAS EM DINHEIRO”, SEM QUALQUER PROVA OU INDÍCIO MATERIAL CORRESPONDENTE; d) NO MÉRITO, é manifesta a insubsistência dos AIIMs de 2007 e 2008, uma vez que derrubada a premissa fundamental dos lançamentos de ofício, pois inexistente qualquer “OMISSÃO DE RECEITA EM DINHEIRO”, conforme comprovado pelo próprio Fisco Federal, com base na DILIGÊNCIA FISCAL integralmente favorável à Recorrente (cf. fls. 7.7047.709). Isto porque, conforme comprovado pelos lançamentos contábeis (cf. fls. 350352 e 631 632), a integralização de capital se deu com lastro em NOTA PROMISSÓRIA PRO SOLUTO (ou seja, com base em TÍTULO DE CRÉDITO, na forma correta e legitimamente admitida pela lei brasileira), como bem demonstrou a Ernst & Young em seus Relatórios Técnicos de fls. 597616 e 1.0861.108. e) É manifesto o descabimento de “multa qualificada”, por completa falta de demonstração de seus pressupostos ou antecedentes, conforme exigem a SÚMULA CARF Nº 14 e a SÚMULA VINCULANTE CARF Nº 25; f) Por fim, a MANIFESTAÇÃO da d. PFN de fls. 7.7287.740 sobre o RESULTADO DA DILIGÊNCIA QUE FOI INTEGRALMENTE FAVORÁVEL À RECORRENTE, simplesmente IGNOROU a própria diligência fiscal, navegando por águas distantes e por temas completamente desrelacionados dos AIIMs ora recorridos. A d. PFN simplesmente buscou ALTERAR OS FATOS E O EMBASAMENTO DOS AIIMs, INDEVIDAMENTE INOVANDO NESTE FEITO ADMINISTRATIVO e com considerações COMPLETAMENTE DIVERSAS DA ACUSAÇÃO FISCAL QUE DEU ORIGEM AOS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO. Às fls. 7.772/7.774 PETIÇÃO DO CONTRIBUINTE requererendo sejam os Recursos Voluntários interpostos no presente PAF nº 19515.003968/200709 e no PAF nº 19515.003936/200886, distribuídos ao d. Conselheiro Daniel Ribeiro Silva da C. 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, sem novo sorteio, conforme determina o art. 49, § 5º do Regimento Interno do CARF. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relator Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte constituise em repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação, salvo alguns poucos novos tópicos que, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Fl. 7798DF CARF MF 16 Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Em razão disso, passo a transcrever, na íntegra, a o voto recorrido, o qual passa a ser parte integrante do presente julgado, especialmente no que se refere à análise das preliminares e nas razões de fato: Voto A impugnação, tempestiva, traz as seguintes preliminares: decadência, nulidade por MPF irrregular para o período fiscalizado e para o prazo de fiscalização, nulidade por violação do art. 142 do CTN e por cerceamento do amplo direito de defesa, em face da (I) precariedade das informações (datas incongruentes), (II) erro de sujeito passivo, (III) erro de momento de ocorrência do fato gerador, (IV) ausência de intimação para os fins específicos de (IV.a) comprovação da origem e entrega dos recursos e de (IV.b) contestação da tributação das receitas legalmente não tributáveis decorrentes de equivalência patrimonial. PRELIMINARES. Tendo havido, como neste caso, o pagamento antecipado, a decadência é contada nos moldes do art. 150 do CTN, "salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou Fl. 7799DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7791 17 simulação", do § 4°, caso em que a decadência é contada na forma do art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, "do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". DECADÊNCIA. A boa compreensão dos fatos relacionados à reorganização societária, por meio de operações societárias estruturadas em seqüência, impõe fazer um rápido apanhado dos fatos: três empresas VERMENT, SETERP e EPFOR foram criadas em 02.01.2002, todas tendo os mesmos dois sócios e capital social de R$ 200,00 (duzentos reais), a ser integralizado no prazo de um ano, todas com o mesmo endereço sede e mesmo objeto social (sem relação aparente com o da impugnante), todas sem conta bancária, todas inoperantes, todas adquiridas pelos três sócios da impugnante, em 22/07/2002; entre essa data e 28/08/2002, quando se deu a incorporação das três pela impugnante, foram realizadas operações societárias, cujo resumo é o seguinte: 0 motivo informado, pela fiscalização, para a realização dessas operações societárias finalizadas com a incorporação das três empresas pela impugnante, foi a necessidade de aumentar o patrimônio liquido da mesma para que pudesse "participar de concorrências de maior valor econômico", de forma que essas operações tornaram "possível um aporte de capital ... de R$ 12.296.268,25 ... e a obtenção de um lucro de R$ 8.000.000,00 ... sem que estes valores sofressem ... tributação federal" (fl. 2 do processo n.° 19515.003968/200709). (negritouse) Para atingir seu objetivo a impugnante aceitou proposta, datada de 23/07/2002 (um dia após os seus sócios se tornarem quotistas das três empresas), da Padrão Consultoria, para que esta realizasse uma avaliação para a database de 30/06/2002, que apurou, em 07/08/2002, que o valor de 100% dos seus negócios, calculados pelo método Fl. 7800DF CARF MF 18 do fluxo de caixa descontado, seria de R$ 14.575.663,00 (fls. 93 a 129). Antes da conclusão da avaliação da Padrão Consultoria, a impugnante já havia efetuado a 15a alteração no contrato social, em 19/07/2002, para realizar uma "distribuição irregular" (sic) de lucros/dividendos "em caráter extraordinário" aos sócios que "decidiram reinvestir o valor", conforme fls. 131 a 136. Também antes da conclusão da avaliação, pela 16a alteração no contrato social (fls. 138 a 141), em 31/07/2002, a VERMENT tornouse quotista controladora da impugnante com o aporte de capital feito pelos sócios com quotas da impugnante, transformandose, a VERMENT na mesma data, em S/A, com base em laudo de avaliação da Ernst & Young, datado do dia anterior (fls. 311 a 326). 0 motivo informado, pela fiscalização, para a realização dessas operações societárias finalizadas com a incorporação das três empresas pela impugnante, foi a necessidade de aumentar o patrimônio liquido da mesma para que pudesse "participar de concorrências de maior valor econômico", de forma que essas operações tornaram "possível um aporte de capital ... de R$ 12.296.268,25 ... e a obtenção de um lucro de R$ 8.000.000,00 ... sem que estes valores sofressem ... tributação federal" (fl. 2 do processo n.° 19515.003968/200709). (negritouse) Para atingir seu objetivo a impugnante aceitou proposta, datada de 23/07/2002 (um dia após os seus sócios se tornarem quotistas das três empresas), da Padrão Consultoria, para que esta realizasse uma avaliação para a database de 30/06/2002, que apurou, em 07/08/2002, que o valor de 100% dos seus negócios, calculados pelo método do fluxo de caixa descontado, seria de R$ 14.575.663,00 (fls. 93 a 129). Antes da conclusão da avaliação da Padrão Consultoria, a impugnante já havia efetuado a 15a alteração no contrato social, em 19/07/2002, para realizar uma "distribuição irregular" (sic) de lucros/dividendos "em caráter extraordinário" aos sócios que "decidiram reinvestir o valor", conforme fls. 131 a 136. Também antes da conclusão da avaliação, pela 16a alteração no contrato social (fls. 138 a 141), em 31/07/2002, a VERMENT tornouse quotista controladora da impugnante com o aporte de capital feito pelos sócios com quotas da impugnante, transformandose, a VERMENT na mesma data, em S/A, com base em laudo de avaliação da Ernst & Young, datado do dia anterior (fls. 311 a 326). 10.019.093,00 (fls.161 e 162); todavia, em sua DIPJ, declarou ativo circulante (outras contas) de R$12.296.093,00 e outros investimentos de R$ Fl. 7801DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7792 19 2.019.093,00, totalizando seu ativo em R$ 14.315.361,00 contra passivo circulante (outras contas) de R$ 10.019.093,00, capital de R$ 2.884.418,00 e reservas de capital de R$ 1.411.850,00, perfazendo o seu patrimônio líquido R$ 4.296.268,00 (fls. 302 e 303); também nada declarou a titulo de participação permanente em coligadas ou controladas (fl. 307). Assim, os acervos liqüidos totais seriam de R$ 18.611.629,00 ou R$ 14.315.361,00, muito embora tenham sido incorporados por R$ 8.000.000,00, como já foi visto A par disso, vejase que não foi provada a validade perante terceiros (o que inclui a SRF) do titulo de crédito ou sequer a sua existência, pois este não foi apresentado. Além disso, a Lei das S/A (Lei n.° 6.404 de 15/12/1976) diz que: "Art. 7° O capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro. Art. 8° A avaliação dos bens será feita por 3 (três) peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembléia geral dos subscritores, convocada pela imprensa e presidida por um dos fundadores, instalandose em primeira convocação com a presença de subscritores que representem metade, pelo menos, do capital social, e em segunda convocação com qualquer número. § 1° Os peritos ou a empresa avaliadora deverão apresentar laudo fundamentado, com a indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados e instruído com os documentos relativos aos bens avaliados, e estarão presentes à assembléia que conhecer do laudo, a fim de prestarem as informações que lhes forem solicitadas. § 2° Se o subscritor aceitar o valor aprovado pela assembléia, os bens incorporados ao patrimônio da companhia, competindo aos primeiros diretores cumprir as formalidades necessárias A. respectiva transmissão. § 3° Se a assembléia não aprovar a avaliação, ou o subscritor não aceitar a avaliação aprovada, ficar á sem efeito o projeto de constituição da companhia. § 4° Os bens não poderão ser incorporados ao patrimônio da companhia por valor acima do que lhes tiver dado o subscritor. § 5° Aplicase A. assembléia referida neste artigo o disposto nos §§ 1° e 2° do artigo 115. § 6° Os avaliadores e o subscritor responderão perante a companhia, os acionistas e terceiros, pelos danos que lhes causarem por culpa ou dolo na avaliação dos bens, sem prejuízo da responsabilidade penal em que tenham Fl. 7802DF CARF MF 20 incorrido; no caso de bens em condomínio, a responsabilidade dos subscritores é solidária." (grifouse e negritouse) Embora a doutrina reconheça que direitos, inclusive títulos de crédito como notas promissórias, possam ser utilizados para integralizar capital, é certo que tais direitos devem ser objeto de uma avaliação a mercado, pois se bens exigem avaliação, quanto mais títulos de crédito, a respeito dos quais a lei é omissa, não havendo lógica na interpretação abrangente do art. 7 e restritiva do art. 8, sendo este um dispositivo disciplinador daquele. Não há, todavia, qualquer notícia a respeito da avaliação da referida nota promissória. Quanto valeria a nota promissória emitida pela EPFOR no mercado? Provavelmente muito pouco ou quase nada, pois a empresa não possuía ativos, não operava e, segundo a impugnante, sequer possuía conta bancária. Essa falta de avaliação seria um mero esquecimento? Seria razoável essa suposição em operação estruturada com assessoria de renomada empresa de assessoria nesse campo? Por certo que não. Portanto, ou a integralização foi feita em dinheiro, como diz a fiscalização, e não em nota promissória, como diz a impugnante, ou foi feita de forma contrária à lei, e portanto, sem qualquer validade, inclusive perante o Fisco, o que vale dizer que, nesta segunda hipótese, simplesmente não teria havido essa integralização de capital. Em ambas as hipóteses, houve intencionalidade no procedimento da impugnante, que não providenciou a avaliação da nota promissória, se é que ela existe, pois essa obscuridade em relação ao meio de integralização do capital com ágio é o elemento essencial para a seqüência de operações societárias estruturadas especialmente para o resgate de parte das ações por outra empresa do grupo, que auferiu, assim um ganho de capital realizada para alcançar o objetivo de aumentar o patrimônio líquido da impugnante, sem aumentar diretamente o seu capital e sem pagar os tributos devidos pelo acrérciso à conta de lucros acumulados, tudo isso sob o manto de uma aparente reorganização societária, o que configura o dolo. Além disso, há que se deixar consignado a irregularidade na escrituração das incorporações, que deveria ter sido efetuada em 22/08/2002, e não em setembro: Fl. 7803DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7793 21 NULIDADES. Quanto à preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa em face da precariedade das informações, há que se dizer que a nulidade do auto de infração é regulada pelos artigos 59 a 61 do Decreto n.° 70.235/72, com as alterações do art. 1° da Lei n.° 8.748/93: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em Fl. 7804DF CARF MF 22 prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influirem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade." (grifouse) E a jurisprudência administrativa: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRELIMINAR DE NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não ocorrendo as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, descabe falarse em nulidade do auto de infração. Somente estaria caracterizado o cerceamento do direito de defesa se ficasse comprovado que o recorrente não conseguiu se defender dos fatos que lhe foram imputados, em razão da retenção das DCTFs originais, o que não ocorreu. 0 desconhecimento do processo de Representação Fiscal para Fins Penais também não importa cerceamento do direito de defesa do crédito tributário exigido por meio de lançamento de oficio. 2° Conselho de Contribuintes / la. Camara / ACÓRDÃO 20177.560 em 17.03.2004. Publicado no DOU em: 29.10.2004. A nulidade por cerceamento do direito de defesa somente pode ocorrer se houver vicio insanável na descrição do fato e de tal forma que impeça o autuado de se defender plenamente. Isso não ocorreu neste caso, como demonstra a própria impugnação. Preliminar indeferida. As preliminares de nulidade ligadas a supostas irregularidades do MPF não serão acolhidas, pois eventuais falhas no MPF não são causa de nulidade do lançamento. Eis a jurisprudência administrativa: "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração, porquanto, sua função é de dar ao sujeito passivo da obrigação tributária, conhecimento da realização de procedimento fiscal contra si intentado, como também, de planejamento e controle interno das atividades e procedimentos fiscais, tendo em vista que o Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, devidamente investido em suas funções, é competente para o exercício da atividade administrativa de lançamento.Recurso de oficio a que se da provimento." (Ac. 10194574) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. 0 Mandado de Procedimento Fiscal constituise em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Fl. 7805DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7794 23 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO NÃO CARACTERIZADA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA ANULADA. Não caracterizada a nulidade do lançamento, anulase o processo desde a decisão de primeira instância, inclusive, com devolução instância a quo para que aprecie a impugnação. Recurso de oficio provido." (Ac. 20309785) preliminar de nulidade por erro de sujeito passivo deve ser indeferida, pois VERMENT, SETERP e EPFOR eram inoperantes exceto no tocante a realização das operações societárias quando foram incorporadas pela PROJECTUS (fl. 354), de forma que a receita omitida somente poderia ser desta proveniente, ao passo que o ganho de capital foi apontado em relação ao resgate de ações realizado pela SETERP (fl. 359). A preliminar de nulidade por violação do art. 142 do CTN deve ser indeferida pois, exceto no que diz respeito a autoridade administrativa como agente competente para efetuar o lançamento, todos os demais aspectos do dispositivo dizem respeito apenas ao mérito do lançamento. No caso, o agente AFRFB é competente. Preliminar indeferida. Quanto as incongruências de datas, tratase de alegação genérica, verificandose, todavia, que há inúmeras discrepâncias de datas nos documentos apresentados. Preliminar indeferida. Quanto a alegada nulidade por erro erro de momento de ocorrência do fato gerador, ha que se dizer que tendo sido o IRPJ apurado por períodos trimestrais no anocalendário de 2002, os fatos ocorrridos entre julho e setembro têm 30/09/2002 como data do fato gerador, conforme consta no AI, a fl. 364. Preliminar indeferida. Sao indeferidas as preliminares de nulidade por falta de intimação para os fins específicos de comprovação da origem e entrega dos recursos e de contestação da tributação das receitas legalmente não tributáveis decorrentes de equivalência patrimonial feridas, pois não há ampla defesa no curso da ação fiscal, visto que não há litígio instaurado, nos termos do Decreto n.° 70.235/72 e suas alterações: "Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento." (grifouse) MÉRITO. PRESUNÇÃO. Antes de adentrar o exame do mérito, propriamente dito, cabem algumas considerações a respeito de presunção, pois ao contrário do que diz a impugnante, nada impede a utilização da presunção humana ou simples como meio de Fl. 7806DF CARF MF 24 prova, pois é um dos meios de prova admitidos em direito, a teor do CPC, instituído pela Lei n.° 5.869, de 11 de janeiro de 1973: "Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa." 0 antigo CC (Lei n.° 3.071, de 1° de janeiro de 1916) era explicito: "Art. 136. Os atos jurídicos, a que se não impõe forma especial, poderão provarse mediante: I confissão; II atos processados em juizo; III documentos públicos ou particulares; IV testemunhas; V presunção; VI exames e vistorias; VII arbitramento." (grifouse) Assim como o novo Código Civil, instituído pela Lei n.° 10.406, de 10/01/2002, que entrou em vigor em 10/01/2003: "Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I confissão; II documento; III testemunha; IV presunção; V perícia." (grifouse) Ou seja: a presunção é um meio válido de prova, pois prova, por definição, e a "demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta" (apud De Plácido e Silva Vocabulário jurídico). A presunção, de acordo com o Código Civil, é um dos meios de prova, e portanto, por sua vez, admite prova em contrário, que pode se dar, também, por todos os meios admitidos em Direito. Gilberto de Ulhõa Canto, em "Presunções no Direito Tributário", ensina: i "Na presunção tomase como sendo a verdade de todos os casos aquilo que é a verdade da generalidade dos casos iguais, em virtude de uma lei de freqüência ou de resultados conhecidos, ou em decorrência da previsão lógica do desfecho. Porque na grande maioria das hipóteses análogas determinada situação se retrata ou define de um certo modo, passase a entender que desse Fl. 7807DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7795 25 mesmo modo serão retratadas e definidas todas as situações de igual natureza. Assim, o pressuposto lógico da formulação preventiva consiste na redução, a partir de um fato conhecido, da conseqüência já conhecida em situações verificadas no passado; dada a existência de elementos comuns, concluise que o resultado conhecido se repetirá. Ou, ainda, inferese o acontecimento a partir do nexo causal lógico que o liga aos dados antecedentes." (grifou se) Paulo Celso B. Bonilha, em seu livro "Da Prova no Processo Administrativo Tributário" Ed. Dialética, 2" ed., 1997, pág. 82, 92 e 106, ensina que no direito administrativo tributário é permitido, em principio, todo meio de prova, uma vez que não há limitação expressa, ressaltando que predominam a prova documental, a pericial e a indiciária. Pois é exatamente a associação da primeira com a última que permite concluir a respeito da existência ou não de omissão de receita: "Com vistas aos meios de prova admitidos no ordenamento jurídico, a questão que exsurge, desde logo, no estudo do tema do processo administrativo tributário, consubstancia se na indagação sobre se todos os meios de prova são admitidos na fase contenciosa administrativa. Esclareçase, inicialmente, com relação aos meios de prova do processo administrativo, que traço predominante é o da amplitude da utilização desses meios. Eis o magistério de Augustin A. Godillo: 'No processo administrativo tributário também não existe limitação expressa, nem há razão para adotarse posição discrepante: positiva, assim, a resposta à indagação inicial. E de se observar, todavia, que, no processo administrativo tributário, por sua feição peculiar, predominam, substancialmente, a prova documental, a prova pericial e a prova indiciária, não se utilizando, sendo acidentalmente, a prova testemunhal e a inspeção ocular da autoridade julgadora. Limitada também é a função probatória da confissão." Alberto Xavier, em "Do lançamento. Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário", Ed. Forense, 2a ed., 1998, pág. 133, ao tratar das PRESUNÇÕES E DA VERDADE MATERIAL, assim se pronuncia: "A questão está em saber se os métodos probatórios indiciários, ai aonde são autorizados a intervir, são, em si mesmo, compatíveis com o principio da verdade material. Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta préconstituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. E certo que ela Fl. 7808DF CARF MF 26 não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxilio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou a prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indicio e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substituta) prevista na lei: só que a verdade material se obtém de modo direto e nos quadros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções e juizos de probabilidade ou de normalidade. Tais juizos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade." (grifouse) Nesse sentido, transcrevese lição de Moacyr Amaral Santos, que assim leciona, em "Primeiras Linhas de Direito Processual Civil": " ... Conquanto seja o juiz livre na formação de seu convencimento, fundado nas presunções que extrair, andará sempre com elogiável prudência se considerálas nos seus caracteres de gravidade, precisão e concordância antes de darse por convencido. A delicadeza da prova por suas presunções de homem recomenda ao juiz valerse do critério, aconselhado pela doutrina, acolhida por várias legislações e calcado em experiência milenária de estabelecer convicção quando as presunções sejam graves, precisas, concordantes: graves, isto é, geradoras de probabilidade com eficácia de criar convicção; precisas, no sentido de se não prestarem a dúvidas ou contradições lógicas; concordantes, ou seja, convergentes para o mesmo resultado." (grifouse) Vejase a jurisprudência administrativa: MEIOS DE PROVA (EX.86/7) A omissão de receitas, quando sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador (Ac. 1° CC 1054.032/90 DO 14/09/90). OMISSÃO DE RECEITAS (MEIOS DE PROVA) (EX. 85/6) A ausência de contabilização de receitas caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de oficio sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto. A omissão de receitas, quando a sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos no Direito, inclusive presuntiva com base em Fl. 7809DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7796 27 indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador (Ac. 1° CC 1054.152/90 DO 14/09/90). VENDAS OMITIDAS (EX. 88) A prova da omissão de receitas, quando não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos no Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador (Ac. 1° CC 1053.350/89 Resenha Tributária, IR Jurisprudência Administrativa 12.7, pág. 245). OMISSÃO DE RECEITAS Para a sua apuração, o Fisco não sofre qualquer restrição (art. 174 do RIR/80); detectada a omissão, dever á ser adicionada ao lucro liquido do exercício (art. 387, II, do RIR/80). Até prova em contrário, presumese que os custos da receita omitida foram imputados receita contabilizada; em conseqüência, a receita bruta no caso é igual ao lucro (Ac. 1° CC 102 24.027 e 24.028/89 DO 06/06/90)." (grifouse) Portanto, nada impede a utilização da presunção humana como meio de prova. MEIOS DE PROVA (EX.86/7) A omissão de receitas, quando sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador (Ac. 1° CC 1054.032/90 DO 14/09/90). OMISSÃO DE RECEITAS (MEIOS DE PROVA) (EX. 85/6) A ausência de contabilização de receitas caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de oficio sobre as parcelas subtraidas ao crivo do imposto. A omissão de receitas, quando a sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos no Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador (Ac. 1° CC 1054.152/90 DO 14/09/90). VENDAS OMITIDAS (EX. 88) A prova da omissão de receitas, quando não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos no Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador (Ac. 1° CC 1053.350/89 Resenha Tributária, IR Jurisprudência Administrativa 12.7, pág. 245). OMISSÃO DE RECEITAS Para a sua apuração, o Fisco não sofre qualquer restrição (art. 174 do RIR/80); detectada a omissão, dever á ser adicionada ao lucro liquido do exercício (art. 387, II, do RIR/80). Até prova em contrário, presumese que os custos da receita omitida foram imputados receita contabilizada; em conseqüência, a Fl. 7810DF CARF MF 28 receita bruta no caso é igual ao lucro (Ac. 1° CC 102 24.027 e 24.028/89 DO 06/06/90)." (grifouse) Portanto, nada impede a utilização da presunção humana como meio de prova. Assim, nos termos da faculdade permitida pelo RICARF, no que se referem as preliminares aduzidas em sede recursal, as quais são meras repetições dos argumentos colacionados em sede de Impugnação, entendo que a decisão recorrida deva ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Não há que se falar em violação do devido processo legal, certo que ao recorrente foram e estão sendo asseguradas todas as formas de defesa previstas na legislação. Ademais, nos termos do TVF, foram consideradas como simuladas as operações apresentadas no papel, as quais tiveram por objetivo criar um lastro falso para receitas operacionais omitidas do Fisco pela PROJECTUS. Portanto, tributada foi a PROJECTUS por omissão de receitas operacionais (fato dissimulado), tendo sido considerada simulada a reorganização societária. Não haveria o que se falar em ilegitimidade passiva. No que se refere à alegação de decadência, estando clara a ocorrência de uma seqüência de operações simuladas dolosamente, face à complexidade e ordem lógica das operações, o prazo decadencial não tem como se desvencilhar do art. 173, I, do CTN. Por sua vez, quanto à alegada impossibilidade de presunção, a existência de previsão legal, impede o acolhimento da alegação recursal, mormente em razão de não caber ao CARF apreciar alegações de inconstitucionalidade. Assim, no que se referem às alegações preliminares, nego provimento ao Recurso, razão pela qual proponho a confirmação e adoção da decisão recorrida neste particular. Passo à análise de mérito. Inicialmente cumpre ressaltar que quanto às razões de decidir, acompanho integralmente a decisão recorrida. No meu ponto de vista, está absolutamente claro o intuito doloso na realização de uma série orquestrada de operações societárias sem qualquer substrato material. Tratamse de operações milionárias, realizadas com empresas não operacionais. Os sócios da empresa acima qualificada promoveram, no espaço de tempo que vai de 22/07/2002 a 28/08/2002, um "planejamento tributário" para que houvesse significativo incremento no Patrimônio Liquido da INCORPORADORA sem que o dito incremento sofresse incidência da tributação federal. Assim, usando três empresas por eles adquiridas em 22/07/2002 fizeram sucessivas alterações contratuais que lhes permitiram fazer um aporte de capital no montante R$ 12.296.268,25 (doze milhões duzentos e noventa e seis mil duzentos e sessenta e oito reais e vinte e cinco centavos). A SERTEP DO BRASIL LTDA, VERMENT DO BRASIL LTDA e a EPFOR DO BRASIL LTDA iniciaram suas atividades em 02.01.2002, todas tendo como sócios Carlos Eduardo Fracolla de Miranda e Elaine Serra Melo Fernandes da Silva e capital social de R$ 200,00 (duzentos reais), a ser integralizado no prazo de um ano, tendo idêntico objeto social, e mesmo endereço. Fl. 7811DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7797 29 Ressaltese ainda que as empresas nunca foram ativas ou tiveram faturamento, não possuíam bens de ativo e, sequer, conta bancária. Em 22.07.2002, foi feita alteração contratual, em todas as empresas, para retirada dos sócios, todas tendo como sócios Carlos Eduardo Fracolla de Miranda e Elaine Serra Melo Fernandes da Silva com a transferência de suas quotas para os sócios da Projectus Consultoria Ltda.: Alexandre Grain de Carvalho, Marcio Alberto Cancellara, Marcio Vaz Ferreira Ramos, sem qualquer modificação no capital social. Em 19/07/2002 é distribuído aos sócios o montante de R$ 1.850.000,00 de lucros acumulados os quais resolvem reinvestir este valor no capital da empresa passando, portanto, seu capital de R$ 402.000,00 (quatrocentos e dois mil reais) para R$ 2.252.000,00 (dois milhões duzentos e cinqüenta e dois mil reais), conforme décima quinta alteração e consolidação do contrato social da Projectus Consultoria Ltda, datada de 19/07/2002. Conforme ata da assembléia geral extraordinária, datada de 31/07/2007,os sócios da empresa resolveram: (i) aumentar o capital em valor equivalente a. R$ 2.019.093,00 sendo o aporte de capital representado pela totalidade das quotas representativas do capital social da Projectus Consultoria Ltda; (ii) transformar a sociedade empresária Verment do Brasil de sociedade por quotas de responsabilidade limitada em sociedade ações, passando a se denominar VERMENT DO BRASIL S/A. Em 15/08/2002, os sócios da Sertep resolvem elevar seu capital de R$200,00 para "R$ 2.019.093,00. O capital, neste ato, foi totalmente subscrito e integralizado pelos quotistas com bens representados por 2.019.093 ações ordinárias nominativas representativas do capital social da Verment do Brasil S/A. Apenas 7 dias depois, conforme ata da assembléia geral extraordinária da Verment do Brasil S/A, datada de 22/08/2002, os acionistas resolvem: (i) criar classes diferenciadas de ações ordinárias, isto é, classes "A" e "B"; (ii) aprovar aumento de capital da sociedade; (iii) deliberar sobre alteração do valor nominal das ações da companhia. Restou aprovado o aumento do capital social mediante a emissão de 865.325 (oitocentas e sessenta e cinco mil trezentas e vinte e cinco), novas ações classe "B", com valor nominal de R$ 1,00 (um real), cada uma, pelo preço de emissão de R$ 14,21 (quatorze reais e vinte e um centavos), valor este fundamentado em laudo próprio de lavra da Padrão Consultoria Ltda. com base em expectativa dos resultados futuros da sociedade empresária Projectus Consultoria Ltda. A acionista Sertep do Brasil Ltda. renuncia ao direito de preferência na subscrição das novas ações emitidas e o aumento de capital foi inteiramente subscrito e integralizado, inclusive quanto ao ágio no valor de R$ 13,21 (treze reais e vinte e um centavos), por ação, pela sociedade empresária EPFOR DO BRASIL LTDA, que adquiriu as ações através de promissória. Assim, o total do aporte de capital feito pela EPFOR do Brasil Ltda., em 22/08/2002, foi de R$ 12.296.268,00 (doze milhões duzentos e noventa e seis mil duzentos e sessenta e oito reais), conforme consta na ata citada. Em seguida, conforme ata da assembléia geral extraordinária datada de 26/08/2002, os sócios da VERMENT decidem: (i) resgatar a totalidade das ações classe "A" de titularidade da acionista SERTEP DO BRASIL LIDA mediante a redução da conta sob a rubrica "Reserva de Capital", no valor de R$ 10.019.093,00 (dez milhões dezenove mil e noventa e três reais); (ii) o valor do resgate foi creditado pela companhia à acionista Sertep Fl. 7812DF CARF MF 30 que, conforme consta na nesta ata deu "ampla geral e irrevogável quitação para nada mais reclamar a qualquer tempo, seja a que titulo for". Formulado 2 dias depois, protocolo e justificação de Motivos de Incorporação, datado de28/08/2002, informa que a Projectus Consultoria Ltda. irá incorporar as sociedades empresárias: (i) SERTEP DO BRASIL LTDA; (ii) EPFOR DO BRASIL LTDA; (iii) VERMENT DO BRASIL S/A. Os peritos que verificaram e avaliaram o patrimônio liquido das incorporadas a ser vertido e elaboraram os competentes laudos de avaliação constatando como acervo liquido a ser incorporado tem os seguintes valores: SERTEP DO BRASIL LTDA. – R$ 10.019.093,00; EPFOR DO BRASIL LTDA R$ 0,00 VERMENT DO BRASIL S/A. – R$ 4.296.268,00. De todo o exposto constatase que o aporte de capital, formado com nota promissória no montante de R$ 12.296.268,00 (doze milhões duzentos e noventa e seis mil duzentos e sessenta e oito reais), em 22/08/2002, tido como feito pela sociedade empresária EPFOR DO BRASIL LTDA. sociedade esta com capital a integralizar de R$ 200,00 (duzentos reais), sem que fosse tomado qualquer empréstimo ou financiamento, provado com documentação válida perante terceiros bem como sem que fosse devidamente comprovada a efetividade da entrega e a origem do numerário através de documentação hábil. Ora, concordo inteiramente com os argumentos aduzidos pela decisão recorrida no sentido de que toda a operação foi absolutamente simulada, entretanto, divirjo das suas conclusões, vez que, no meu entender, toda essa operação aritmeticamente simulada, foi engendrada com a finalidade de gerar o aproveitamento indevido de ágio, cujo lançamento é objeto de outro lançamento fiscal. De fato, diante da insuficiência da documentação apresentada perante a fiscalização, bem como sequer a existência física da "notável" nota promissória, não teria o autuante outro caminho senão o de presumir a omissão de receitas e conseqüente ganho de capital. Ademais, a própria irregularidade da avaliação levada a termo pela Padrão Consultoria também invalidaria materialmente a operação, vez que ela se iniciou antes mesmo da seqüência de atos societários antes mesmo da sua conclusão. Ainda, por mais que uma nota promissória se constitua em título de crédito que corresponda a quantia em dinheiro, muito pertinente foi a interpretação da DRJ sobre a necessidade de avaliar o seu valor de mercado, ainda mais tendo sito emitida por empresa sem qualquer lastro financeiro, e diante de toda a confusão empresarial levada a cabo pelo grupo econômico. Ressaltese novamente que, das empresas que foram parte da operação societária apenas a Projectus era operacional. Nesse sentido, muito bem expôs a decisão recorrida: Portanto, ou a integralização foi feita em dinheiro, como diz a fiscalização, e não em nota promissória, como diz a impugnante, ou foi feita de forma contrária à lei, e portanto, sem qualquer validade, inclusive perante o Fisco, o que vale dizer que, nesta segunda hipótese, simplesmente não teria havido essa integralização de capital. E segue: Fl. 7813DF CARF MF Processo nº 19515.003968/200709 Acórdão n.º 1401003.123 S1C4T1 Fl. 7798 31 quanto ao motivo sério e importante para a simulação ou seja, qual foi a causa do engano, qual foi o interesse que levou as partes a mascarar um negócio (aumento do patrimônio liquido) sob uma forma diferente ("reorganização societária")? a própria impugnante diz que precisava de um patrimônio liquido maior para poder participar de certas licitações; ora, o aumento de capital feito diretamente com receitas omitidas constitui procedimento arriscado que pode resultar em elevado débito tributário; não se questiona aqui a vontade das partes de transferir participações societárias e nem a de aumentar o capital, mas, sim, a de aumentar o capital com receitas omitidas, disfarçando o referido aumento em nota promissória, para dar, assim, uma aparência de legitimidade a esse aumento, com vistas ao não questionamento da origem e da efetividade da entrega dos recursos; o disfarce está caracterizado pelo fato de a nota promissória não ter sido avaliada, procedimento que configura fraude a lei; a simulação deve ser entendida como a ocorrência de ato jurídico em que a vontade nele manifestada não corresponde A. real vontade das partes; em outras palavras: a vontade de efetuar uma reorganização societária não era real, mas, sim, a de aumentar o patrimônio liquido, contornando a necessidade de um aporte de recursos legítimos e aproveitandose dos dispositivos de equivalência patrimonial para evitar a tributação; 3 quanto à. conduta das partes, resta claro que as incorporações ao final da "reorganização societária", pela própria impugnante, mostram que as posições nas participações societárias anteriores às incorporações representavam apenas jogos de formas jurídicas, pois ao final do processo de "reorganização societária" tudo estava exatamente como antes, salvo pelo aumento de R$ 8.000.000,00 no ativo diferido com aumento idêntico no patrimônio líquido da impugnante; ou seja: o final do processo mostra que não houve consonância entre os acordos anteriores e o acordo final, havendo, portanto, tal discrepância que é indicio do grave descompasso entre a vontade real (aumento de patrimônio liqüido) e a vontade manifestada ("reorganização societária"); Assim, como se vê, o presente lançamento se funda na simulação dolosa das operações societárias para mascarar o real interesse da Recorrente, qual seja, o de aumentar o seu patrimônio líquido com o aporte de recursos em dinheiro de origem não contabilizada, o que gerou o lançamento relativo à omissão de receitas e conseqüente ganho de capital. Fl. 7814DF CARF MF 32 Ocorre que, após a diligência às fls. 7.704/7.709 (4ª parte), o agente fiscal diligente concluiu que: "com base nos documentos apresentados, e após análise dos livros diários e dos extratos bancários relativos ao ano de 2012, esclareço não se constatar o ingresso em dinheiro de R$ 12.296.268,00 nas contas da Projectus Consultoria LTDA”. Assim, afastada a presunção de omissão, e restando comprovada a ausência do ingresso dos recursos financeiros tidos por omitidos, o presente lançamento não se sustenta. Isto não significa validar as operações realizadas pela Recorrente, pelo contrário, estou convicto de que toda a sucessão de operações não se passou de uma simulação, não possuem validade jurídica perante o Fisco e, por conseguinte, deverão ter conseqüências fiscais em relação ao indevido ágio gerado. Entretanto, o presente lançamento foi fundado no aporte de recursos não contabilizados e, restando comprovado que não houve movimentação financeira não há como ser mantido. Assim, a suposta integralização foi feita de forma contrária à lei, e portanto, sem qualquer validade, inclusive perante o Fisco, o que vale dizer que simplesmente não ocorreu essa integralização de capital. Por sua vez, não havendo pagamento, também não há o que se falar em conseqüente ganho de capital, tratase de decorrência lógica. Assim, dou provimento ao Recurso Voluntário para julgar insubsistente o presente lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 7815DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.659736/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
A comprovação da retenção do imposto na fonte pagadora é prova exigida pela lei para que o contribuinte possa pleitear a compensação do saldo negativo de IRPJ apurado. Apresentadas provas pelo contribuinte dessa retenção, é de se reconhecer o direito ao crédito.
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 1301-003.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito pleiteado. Em relação ao item 2 do voto, os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanharam o voto do relator por suas conclusões, entendimento que será reproduzido pelo próprio relator em seu voto. Declarou-se impedida a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A comprovação da retenção do imposto na fonte pagadora é prova exigida pela lei para que o contribuinte possa pleitear a compensação do saldo negativo de IRPJ apurado. Apresentadas provas pelo contribuinte dessa retenção, é de se reconhecer o direito ao crédito. COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito pleiteado. Em relação ao item 2 do voto, os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanharam o voto do relator por suas conclusões, entendimento que será reproduzido pelo próprio relator em seu voto. Declarouse impedida a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 97 36 /2 01 1- 45 Fl. 181DF CARF MF 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação Eletrônica (Dcomp), apresentadas por meio do Programa PER/DCOMP, na qual declara a interessada a utilização de direito creditório, com origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006, valor de R$ 4.650.801,43, para a compensação de débitos próprios declarados em Dcomp. Houve o reconhecimento parcial do direito creditório (R$ 2.135.451,45), nos termos do Despacho Decisório Eletrônico (DDE). a) Em relação ao IRRF, para composição do saldo negativo, entendeu que não houve comprovação das retenções de duas fontes pagadoras: b) Em relação às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, entendeu a fiscalização que duas das compensações não foram homologadas, razão pela qual não reconheceu o saldo negativo decorrente dessa compensação: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.659736/201145 Acórdão n.º 1301003.744 S1C3T1 Fl. 3 3 Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que possuía o referido saldo negativo, conforme informações declaradas em sua DIPJ referente ao anocalendário 2006, razão pela qual as compensações declaradas deveriam ter sido homologadas. A DRJ julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A legislação tributária que rege as hipóteses de compensação de tributos ou contribuições federais atribui à interessada o ônus de comprovar a disponibilidade de seu crédito junto à Fazenda Pública, bem como o cumprimento dos requisitos estabelecidos para que seu direito creditório possa ser reconhecido pela Administração Tributária, depois de constatado que o crédito pleiteado se reveste das necessárias certeza e liquidez. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 SALDO NEGATIVO. IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. RETENÇÃO NA FONTE. O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo do IRPJ condicionase à demonstração da Fl. 183DF CARF MF 4 existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, preenchidos nos termos da legislação aplicável, bem como a certeza e a liquidez das demais compensações e recolhimentos efetuados, visando a extinção das estimativas ou aproveitadas no encerramento do período. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÃO. A estimativa é antecipação do tributo devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, quando comprovada a sua extinção mediante pagamento e/ou compensação. Os débitos de estimativa serão glosados na composição do saldo negativo, quando a respectiva declaração de compensação restar não homologada, diante da falta de certeza e liquidez. Em vista da ausência de comprovação das retenções do imposto na fonte, não confirmadas pelo Despacho Decisório, bem como da não compensação de parte das estimativas, não há direito creditório adicional a ser reconhecido, nem se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade. Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual: I) Junta comprovação das retenções de IRPJ que compõe o saldo negativo apurado pela Recorrente. Em relação às retenções efetuadas pelo Banco Pactual S.A. (R$ 15.303,20), explica que informou equivocadamente o CNPJ da fonte pagadora, pois apesar dos informes terem sido expedidos pelo mesmo, as fontes pagadoras foram outras sociedades daquele grupo financeiro a saber, a Pactual Asset Management S/A DTVM (CNPJ nº 29.650.082/000100) e a UBS Pactual Serviços Financeiros S/A DTVM (CNPJ nº 59.281.253/000123). II) Aduz que as estimativas compensadas deverão ser consideradas na composição do saldo negativo, pois mesmo sendo julgadas improcedentes, o montante relativo a elas será recolhido espontaneamente ou através de cobrança judicial, já que o débito se encontra confessado nas referidas DCOMPs. III) Subsidiariamente, requer o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo dos processos relativos às compensações de estimativas. É o relatório. Voto Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.659736/201145 Acórdão n.º 1301003.744 S1C3T1 Fl. 4 5 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. O mérito da presente discussão diz respeito à composição do saldo negativo de IRPJ utilizado na compensação que originou este processo administrativo. Como apresentado no relatório, há duas questões distintas que afetam este crédito, e que serão tratadas separadamente. I) Da comprovação das retenções na fonte. Diferentemente do auto de infração, no qual cabe ao Fisco a prova dos fatos geradores imputados ao contribuinte, nos pedidos de restituição e compensação a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. Assim, o exercício da livre escolha de como aproveitar o saldo disponível de imposto é manifestado nas declarações de rendimentos apresentadas em períodos subseqüentes ou em Declaração específica da contribuinte, mas o crédito, em qualquer das hipóteses, deve ser devidamente comprovado por documentos hábeis. Enfim, a legislação tributária que rege as hipóteses de compensação de tributos ou contribuições federais atribui à peticionaria o ônus de comprovar a disponibilidade de seu crédito junto à Fazenda Pública, bem como o cumprimento dos requisitos estabelecidos para que seu direito creditório possa ser reconhecido pela Administração Tributária, depois de constatado que o crédito pleiteado se reveste das necessárias certeza e liquidez. Via de regra, entendo que se deve guardar rigor com o sistema de preclusões estabelecido na legislação do processo administrativo tributário federal, mormente em razão de disposição específica no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Entretanto, com o advento da Lei nº 9.784/99, que trouxe um regime geral para os processos administrativos federais, uma série de princípios e critérios foram estabelecidos, impactando na interpretação e aplicação das regras procedimentais vigentes. Menciono, pela relevância, o art. 2º, p.u., incisos VIII e IX dessa lei: Fl. 185DF CARF MF 6 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; Como se vê nos referidos dispositivos, um dos pilares do processo administrativo federal, atualmente, é o seu caráter instrumental tratase de um meio para a atuação conforme à lei e ao Direito (art. 2º, p.u., I), buscando atender ao interesse público nessa atuação, mas com a ressalva expressa de que as formalidades adotadas deverão o ser em função da garantia dos direitos dos administrados. Não se trata mais, portanto, do procedimento pelo procedimento, ou do formalismo pelo simples fetiche da forma. A lei nº 9.784/99 estabelece expressamente o dever de observar as formalidades na medida em que elas garantam os direitos dos administrados, bem como propiciem certeza, segurança e respeito a eles tratase de um instrumento de inclusão, e não de exclusão, dos direitos garantidos pela lei aos administrados. Tanto é assim, que em seu art. 3º, III, a Lei nº 9.784/99 determinou expressamente que a formulação de alegações e a apresentação de documentos pode se dar até o momento da decisão, submetendo isso ao juízo do órgão competente: Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; E prossegue, ao tratar das provas: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.659736/201145 Acórdão n.º 1301003.744 S1C3T1 Fl. 5 7 § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. O juízo do órgão competente, mais do que simplesmente examinar o momento da juntada da prova, deverá verificar a sua licitude, pertinência e necessidade ao deslinde do feito, sem, contudo, que se prescinda absolutamente da observância do rito legal. É preciso ao julgador que justifique, caso a caso, a presença dessas características na prova apresentada tardiamente, para justificar a exceção concreta ao art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. No presente caso, tenho que as provas não apenas são necessárias e absolutamente pertinentes ao presente litígio, como também seria absolutamente desproporcional negar admissão às mesmas, haja vista que, com a demora no processamento do litígio, o direito de crédito do contribuinte restaria definitivamente perdido, por força da decadência. O contribuinte juntou às fls. 138 o comprovante de retenção na fonte do IRPJ sobre o pagamento de JCP pela Ultragaz Participações S/A, no valor de R$ 2.158.863,08: Esses valores, inclusive, foram declarados na DIPJ 2007 pela Recorrente, indicando a retenção dos mesmos (fl. 172): Fl. 187DF CARF MF 8 Em relações às retenções feitas pelo Banco Pactual S/A, no valor de R$ 15.303,20, igualmente declarados na DIPJ 2007 (fl. 171), o contribuinte apresenta os informes de rendimentos em fls. 175 e 176, referentes a Maio e Novembro/2006, respectivamente: Como informado pelo Recorrente, ela informou equivocadamente o CNPJ da fonte pagadora, pois apesar dos informes terem sido expedidos pelo Banco Pactual S/A, as fontes pagadoras foram outras sociedades daquele grupo financeiro: a Pactual Asset Management S/A DTVM (CNPJ nº 29.650.082/000100) e a UBS Pactual Serviços Financeiros S/A DTVM (CNPJ nº 59.281.253/000123). A comprovação apresentada pelo Contribuinte coincide exatamente com os valores não comprovados, conforme a análise do crédito feita pela unidade de origem e juntada no relatório. Vejase, ademais, que a prova da retenção, nesse caso, não tem uma função estritamente processual, de convencimento do julgador, mas é condição sine qua non do próprio direito material do contribuinte à compensação, por força do art .55 da Lei nº 7.450/85, verbis: Art. 55 – O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Nesse ponto, o documento acostado tem uma função eminentemente constitutiva sobre o direito ao crédito pleiteado, possuindo, neste caso , uma relevância ímpar que justifica a sua admissibilidade neste processo. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.659736/201145 Acórdão n.º 1301003.744 S1C3T1 Fl. 6 9 Desse modo, entendo comprovadas as retenções do imposto em nome das fontes pagadoras informadas, nos CNPJ nºs 30.306.293/000145 (R$ 15.303,20) e 57.651.960/000139 (R$ 2.158.663,08), devendo ser homologada a compensação nesse ponto. II) Saldo negativo das estimativas objeto de compensação não homologada. Sobre este tema, venho há muito sustentando que, uma vez confessados os créditos tributários que serão objeto da compensação, os mesmos já gozam de liquidez e certeza suficientes para comporem o saldo negativo de IRPJ do exercício, de modo que mesmo que as compensações sejam julgadas improcedentes, o montante do crédito não será alterado, restando apenas o adimplemento espontâneo ou mediante cobrança judicial. Entendo que a exigência de homologação da compensação só faria sentido diante de um pedido de restituição, que o art. 165 do Código Tributário Nacional exige expressamente a ocorrência de pagamento na forma do art. 162 da mesma lei: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No presente caso, entretanto, tratase de compensação, cujo tratamento jurídico está delineado no art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Da mesma forma, no âmbito federal, dispõe o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que APURAR CRÉDITO, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 189DF CARF MF 10 Como se vê da literalidade dos dispositivos, o que a lei exige, para fins de compensação, é que o crédito seja apurado e goze de liquidez e certeza, atributos que restaram efetivamente verificados uma vez que a discussão no âmbito administrativo se tornou definitiva, inclusive com a inclusão dos mesmos em CDAs, tornandoos exequíveis. Portanto, reconheço que a geração de saldo negativo de IRPJ não está condicionado ao efetivo e terminal adimplemento das estimativas, mas ao reconhecimento delas enquanto crédito tributário líquido e certo, não havendo que se confundir fases distintas do fenômeno tributário, quais sejam, o reconhecimento/nascimento do crédito e o seu adimplemento. Um argumento que me parece reforçar a desnecessidade de pagamento ou compensação para que se reconheça o crédito correspondente à estimativa consiste na possibilidade desse crédito tributário declarado e não pago ser extinto por diversas formas, como decadência, prescrição ou remissão, nos termos do art. 156 do CTN, ou mesmo por prescrição intercorrente, no âmbito da execução fiscal, sem que essa ausência de pagamento impeça o aproveitamento da estimativa extinta na composição de saldo negativo compensável. Assim, estou convicto de que o adimplemento ou garantia deste não é condição do reconhecimento do crédito compensável, mas sim a sua liquidez e certeza, hauridas da consolidação administrativa da discussão e da ausência de discussão do montante declarado pelo contribuinte. Além disso, caso o crédito de saldo negativo seja desconsiderado pelo simples fato da quitação das antecipações que compõem o pedido de compensação não terem sido homologados, estará configurada uma cobrança em duplicidade do tributo cobrase numa ponta o débito aberto da estimativa, e cobrase na outra ponta a diferença decorrente do saldo negativo glosado pela fiscalização. Ademais, a própria RFB, através da Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006, traça a diferença no tratamento das compensações consideradas não declaradas e as não homologadas, para fins de glosa do saldo negativo apurado na DIPJ, cuja ementa é expressa: Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Replico, abaixo, os fundamentos do entendimento da RFB: 10 .A questão em pauta diz respeito aos casos em que o sujeito passivo efetua a compensação das estimativas devidas no decorrer do anocalendário e, após exame da autoridade competente, essa compensação é considerada não homologada ou não declarada. 11. Portanto, tratandose de compensação, para a solução da questão, devese seguir o disposto nos dispositivos que tratam da compensação. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.659736/201145 Acórdão n.º 1301003.744 S1C3T1 Fl. 7 11 12. No que se refere à compensação não homologada, inicialmente cabe ressaltar que o crédito tributário concernente à estimativa é extinto, sob condição resolutória, por ocasião da declaração da compensação, nos termos do disposto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e, nesse sentido, não cabe o lançamento da multa isolada pela falta do pagamento de estimativa. (...) 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada. 13. Por sua vez, no que diz respeito à compensação considerada não declarada, nos termos do § 12, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, primeiramente, é mister observar que deverá ser aplicada multa isolada de acordo com o disposto no art. 18 da Lei n º 10.833, de 2003. 13.1 Outrossim, considerando o disposto no art. 74, § 13 da Lei nº 9.430, de 1996, no sentido de que a compensação considerada não declarada não extingue o crédito tributário, deve ser aplicado ao caso o tratamento dado às estimativas não pagas, ou seja, na apuração do ajuste anual do Imposto sobre a Renda, as estimativas porventura deduzidas devem ser glosadas. 13.2 Assim sendo, e para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, após a glosa das estimativas, havendo: 13.2.1 IRPJ a pagar, devese efetuar o lançamento do imposto com a multa de ofício prevista no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996; 13.2.2 redução do saldo negativo, esse valor pode ser restituído ou compensado; 13.3 Neste caso, deve ser aplicada multa isolada pela falta do pagamento de estimativa. Pontuese, ademais, que a referida solução de consulta estava vigente e eficaz no período de transmissão dos PER/DCOMPs. Por fim, há que se frisar que se trata de uma posição reiteradamente adotada no âmbito deste CARF, inclusive com decisão recente da CSRF, conforme a ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). (Acórdão n. 9101002.489. Dj 06/12/2016). No mesmo sentido, por exemplo, é o Acórdão CARF nº 1201001.984: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Fl. 191DF CARF MF 12 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS PARCELADAS. Estimativas que tenham sido objeto de parcelamento podem ser aproveitadas na composição do saldo negativo do ano calendário a que correspondem, mormente quando se demonstra que o parcelamento vem sendo regularmente pago. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS ANTERIORMENTE. POSSIBILIDADE. É ilegítima a negativa, para fins de apuração de saldo negativo de IRPJ, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrar o contribuinte em duplicidade. Em que pese a minha posição externada acima, o entendimento majoritário deste Colegiado tem se pautada de acordo com o entendimento exarado pelo Ilustre Conselheiro Roberto Silva Júnior, em declaração de voto anexada ao Acórdão CARF nº 1301 003.719, a qual reproduzo como fundamento determinante da presente decisão: "No âmbito da legislação tributária federal, a compensação está prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. O texto legal indica que o direito à compensação tem por pressuposto a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda. O crédito há de ser relativo a tributo administrado pela Receita Federal, ou seja, a origem deve estar vinculada a recolhimento de tributo. Portanto, se o tributo é uma obrigação do contribuinte para com o Fisco, só poderá existir crédito relativo a tributo ou contribuição nos casos de pagamento indevido; ou nos casos de recolhimento a título de antecipação em montante superior ao débito apurado no final do respectivo período, como ocorre com o ajuste do Imposto de Renda da pessoa física, e com o chamado saldo negativo de IRPJ e de CSLL. Seja num caso ou no outro, o que se tem é uma situação de desequilíbrio na relação jurídica entre Fisco e contribuinte, caracterizado pelo enriquecimento sem causa ou injusto de um, às expensas do empobrecimento injustificado do outro. O ordenamento jurídico pátrio repudia o enriquecimento sem justa causa e o seu reflexo, o empobrecimento também sem causa. Vem daí a obrigação daquele que recebeu pagamento indevido de restituir aquilo que lhe foi entregue sem fundamento jurídico, restabelecendo, dessa forma, a situação anterior. A esse princípio estão jungidos tanto os particulares, quanto o Poder Público. A obrigação do Fisco de restituir quantias recebidas indevidamente, embora prevista no Código Tributário Nacional CTN, tem origem no Direito Civil. A propósito, vale reproduzir a lição de Bernardo Ribeiro de Moraes: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.659736/201145 Acórdão n.º 1301003.744 S1C3T1 Fl. 8 13 Desde o direito romano admitese o princípio de que quem paga na suposição de que deve tem o direito de repetir o que pagou, isto é, de obter a restituição da importância indevidamente paga. Em linhas gerais, o pagamento indevido supõe a existência de três elementos, a saber: a) o solvens paga por erro ou em dúvida quanto ao seu dever de pagar; b) o accipiens recebe o indébito por erro ou em dúvida quanto ao seu direito de receber; c) o erro do solvens seja escusável. Uma vez reunidos esses elementos, o solvens (suposto devedor) poderá reclamar, mediante a condictio in debiti, que se lhe entregue o enriquecimento do accipiens, ocasionado pelo pagamento indevido, até o importe de tal enriquecimento, que se encontra em poder do suposto credor. Quem pagou indevidamente tem, para protegêlo, a ação de enriquecimento sem causa, isto é, a actio in rem verso. O princípio acima achase fundamentado na regra de que não deve haver locupletamento sem causa, isto é, não deve haver "enriquecimento ilegítimo ou "enriquecimento sem causa". Ninguém pode enriquecerse sem causa legítima a custa de outro. Tratase de um fundamento de direito e não de fato. (g.n.) No direito civil admitese o princípio da vedação do enriquecimento sem causa, consagrado nos seguintes termos: "todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir (art. 964). Tratase de uma obrigação imposta por lei ao accipiens, originada de recebimento do indébito (a causa é o pagamento indevido). Esta obrigação do accipiens somente se extingue com a restituição do indevido (retorno ao statu quo ante). (...) O pagamento indevido, portanto, constitui fonte autônoma de obrigação. Basta a pessoa receber o que não tem direito (enriquecimento sem causa) para que a pessoa que efetuou o pagamento fique com o direito à restituição respectiva. (...) O Código Tributário Nacional regulou a matéria nos artigos 165 a 169. Regra geral, acolheu o princípio contido no Código Civil, segundo o qual todo aquele que recebe o que não lhe é devido fica obrigado a restituir. Dispõe o Código: "o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo" (art. 165). Havendo pagamento indevido de tributo, o seu valor deverá ser restituído ao sujeito passivo tributário. Essa repetição do indébito significa a restituição de quantias relativas a tributo indevido, satisfeitas sem causa jurídica. Tratase de um fenômeno contrário ao da pretensão tributária. Quem restitui devolve o que não é seu, mas sim, da parte supostamente devedora. (Compêndio de Direito Tributário. 2. ed. rev. aumentada e atualizada. Volume 2. Rio de Janeiro: Forense, 1994, pp 482, 483 e 487) O repúdio ao enriquecimento ilícito e ao consequente empobrecimento sem causa também permeia a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de tributo. Isso fica evidente quando o CTN cuida da restituição de tributos que, pela sua natureza, comportam a transferência do ônus financeiro para terceiro. É o que dispõe o art. 166: Fl. 193DF CARF MF 14 Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Subjacente a esse dispositivo está a noção de que o valor vertido, de forma indevida, aos cofres públicos só pode ser restituído a quem tenha suportado economicamente o empobrecimento injustificado, ainda que o pagamento tenha sido efetuado por outra pessoa. Nessa linha, o E. Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 546, com o seguinte enunciado: Súmula 546. Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo. Desse entendimento não discrepa o E. Superior Tribunal de Justiça. DIREITO TRIBUTÁRIO. IPTU. REPETIÇÃO DE INDÉBITO REQUERIDA POR NOVO PROPRIETÁRIO DE IMÓVEL. ENCARGO SUPORTADO PELO PROPRIETÁRIO ANTERIOR. ART. 165 DO CTN. INOCORRÊNCIA DE CESSÃO DO CRÉDITO. TITULARIDADE EXCLUSIVA DO ANTIGO PROPRIETÁRIO. 1. O direito à repetição de IPTU pago indevidamente é do sujeito passivo que efetivou o pagamento (CTN, art. 165). Ocorrendo transferência de titularidade do imóvel, não se transfere tacitamente ao novo proprietário o crédito referente ao pagamento indevido. 2. Sistema que veda o locupletamento daquele que, mesmo tendo efetivado o recolhimento do tributo, não arcou com o seu ônus financeiro (CTN, art. 166). Com mais razão, vedada é a repetição em favor do novo proprietário que não pagou o tributo e nem suportou, direta ou indiretamente, o ônus financeiro correspondente. 3. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 593.356/RJ, Relator para o Acórdão Min. Teori Albino Zavascki, DJ 12/09/2005) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ICMS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO INDIRETO. TRANSFERÊNCIA DO ENCARGO FINANCEIRO. ART. 166 DO CTN. APLICABILIDADE. PROVA DA REPERCUSSÃO FINANCEIRA. QUESTÃO ATRELADA A MATÉRIA FÁTICA. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Tratandose de tributo indireto, a exemplo do ICMS, a legitimidade ativa para a ação de repetição de indébito pertence, em regra, ao contribuinte de fato. Permitir o ressarcimento do imposto por aquele que não arcou com o respectivo ônus financeiro caracteriza enriquecimento ilícito desse último. Para que a empresa possa pleitear a restituição, deve preencher os requisitos do art. 166 do CTN, quais sejam, comprovar que assumiu o encargo financeiro do tributo ou que, transferindoo a terceiro, possua autorização expressa para tanto. 2. No caso, a Corte de origem concluiu que não houve a comprovação de que o autor da demanda arcou com o encargo financeiro do tributo, o que impossibilita o pedido de restituição. Rever esse posicionamento da instância ordinária requer a análise do contexto fáticoprobatório da lide. o que está obstado pela Súmula 07/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.237.418/RS, Relator Min. Mauro Campbell Marques, DJ 12/02/2015) A lógica que orienta essa jurisprudência conduz à conclusão de que a estimativa que não tenha sido liquidada mediante pagamento, assim considerada a entrega de Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10880.659736/201145 Acórdão n.º 1301003.744 S1C3T1 Fl. 9 15 dinheiro ao Erário, ou mediante compensação já homologada, poderia compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Isso porque, também no tocante às estimativas e ao saldo negativo, há de se aplicar a regra que exige a verificação de aumento de disponibilidade de uma parte (Fisco) correspondendo a um decréscimo de patrimônio da outra (contribuinte ou responsável). Em suma, o que rende ensejo à restituição é o enriquecimento sem causa atrelado ao empobrecimento igualmente injusto. Na ausência desses dois elementos fáticos, não haverá direito a crédito. Orientada por tal entendimento, esta 1ª Turma Ordinária já sobrestou julgamentos até decisão final nos processos de compensação de estimativas. O exame do problema poderia parar nesse ponto, determinandose que o julgamento fosse sobrestado. Todavia, a Receita Federal, a despeito da discussão que se travava no CARF, editou o Parecer Normativo Cosit RFB nº 2, de 3 de dezembro de 2018, a fim de explicitar o entendimento de que: e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do anocalendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança; (g.n.) Considerando o entendimento externado na forma de parecer normativo pela própria Receita Federal, e tendo em conta que fora admitido pela Administração o parcelamento de algumas estimativas, há de se reconhecer que tais valores (compensados e parcelados) podem compor o saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Tal reconhecimento, porém, deve se dar nos estritos limites do Parecer, de modo a impedir que se considere na composição do saldo negativo qualquer débito de estimativa extinto por outro meio que não seja o pagamento ou a compensação." Nesses termos, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de créditos feita pela fiscalização. III) Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o crédito pleiteado. Prejudicado o pedido de sobrestamento do feito. Fl. 195DF CARF MF 16 É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000547/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 05 47 /2 01 0- 17 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 16045.000547/201017 Acórdão n.º 2402007.020 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16045.000547/201017 Acórdão n.º 2402007.020 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 16045.000547/201017 Acórdão n.º 2402007.020 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000347/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira.
SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa.
SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida.
PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-005.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
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CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 03 47 /2 01 0- 47 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 219 2 VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e Fl. 219DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 220 3 de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O interessado transmitiu a Dcomp nº 21165.47522.280706.1.1.080370, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de PIS/Pasep não cumulativo, referente ao 2º trimestre de 2006; A DRFPonta Grossa/PR emitiu Despacho Decisório nº 016 2011, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) A ORIGEM DO CRÉDITO: a.1) Previsão legal sobre o conceito de "insumo". Possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; a.2) Locação de mãodeobra e a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS; a.3) Crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado; a.4) Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Pedágio; Fl. 220DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 221 4 a.5) Locação de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica; b) DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO; c) DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA; d) PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL; É o breve relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0956.989, sessão de 04/03/2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PIS/PASEP E COFINS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITO. VALEPEDÁGIO. O valor do valepedágio não integra o valor do frete, portanto, não pode compor a base de cálculo dos créditos das contribuições. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento, em menor extensão em relação à manifestação de conformidade, versando quanto: (i) à possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; (ii) aos créditos nas despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda e valepedágio; e (iii) ao crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 222 5 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, reflorestamento e industrialização da madeira colhida beneficiandoa com fins à obtenção de produto final (laminados, compensados, aglomerados e plastificados) destinado principalmente à exportação. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Passemos às matérias em litígio. Glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 223 6 Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos Fl. 223DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 224 7 elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 225 8 Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; Fl. 225DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 226 9 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no reflorestamento e cultivo de madeira guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo em suas variadas formas (aglomerados, compensados e laminados, e outros) e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com peças e serviços empregados em caminhões, máquinas e implementos utilizados exclusivamente na etapa agrícola, do plantio à colheita da madeira, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Análise das glosas O processo produtivo, inclusive com a indicação de bens e serviços que a contribuinte entende trataremse de insumos, foi descrito às folhas 13/14. A fiscalização, por amostragem de apenas alguns exemplares de notas fiscais, glosou créditos apropriados em relação a determinados bens e serviços por entender que são despesas gerais e não se tratam de itens que sofrem alterações, ou são aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos da pessoa jurídica. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 227 10 A DRJ corroborou integralmente o procedimento de glosa, validando os argumentos da fiscalização no tocante aos bens e serviços que não os consideram insumos. A seguir o resumo que se encontra no despacho decisório (fls. 21/22) dos itens não considerados insumos: Constatase que, além da análise restringirse a amostras, os bens e serviços agrupados em contas contábeis contêm rubricas de dispêndios associados à máquinas ou equipamentos de etapa do processo produtivo (fase agrícola ou de fabricação), mormente quando se depara com descrições de materiais ou serviços de "manutenção de veículo", "combustíveis e lubrificantes", "material de consumo", "material de embalagem". Fl. 227DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 228 11 A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados na processo produtivo e fabril e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a demonstração pela interessada. Por um lado, a contribuinte descreveu as etapas de plantio à fabricação de seus produtos, indicando os dispêndios com bens e serviços; de outro, a fiscalização não suscitou qualquer insuficiência probatória, vez que fundamentou seu despacho decisório de glosas na impossibilidade de conceder crédito quando bem ou serviço não integrar o processo de fabricação. Da análise conjunta da relação dos itens glosados e da síntese das contas contábeis que relacionam os dispêndios, apresentadas pela recorrente em atendimento à intimação fiscal, evidenciamse os itens que segundo as balizas assentadas neste voto são considerados insumos do processo produtivo e de fabricação do produto destinado a venda, ou empregados em veículos, máquinas e equipamentos do processo produtivo e/ou industrial. Dessa forma revertemse as glosas de créditos com despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor do encargo de depreciação (e não de despesas na aquisição), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: 1. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 4. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 5. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 6. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); Fl. 228DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 229 12 7. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). De outra banda, itens de manutenção não relacionados a veículos, máquinas e equipamentos das etapas de produção e fabricação, por ausência de previsão legal e/ou não essenciais ou relevantes à produção/fabricação, não admitem o crédito de seus dispêndios. As despesas efetuadas com serviços relacionados à manutenção e construções de estradas, edificações e instalações prediais são custos necessários e inerentes ao exercício da atividade do Contribuinte, mas que de acordo com a legislação não permitem o aproveitamento do crédito decorrente destas despesas, mas sim relativas aos encargos com a depreciação do ativo imobilizado, quando comprovados e na forma prevista na legislação. Dessa forma, não há como a empresa creditarse diretamente da contribuição incidente sobre tais gastos, devendo ser observada a legislação vigente quanto às regras atinentes à depreciação. Assim, não se permite crédito com dispêndios de (i) material de uso geral, manutenção de instalações prediais, conservação e limpeza; e (ii) bens e serviços da etapa de reflorestamento/colheita (abertura de estradas com tratores e maquinários específicos, construção de bueiros, pontilhões para acesso dos veículos). Os créditos provenientes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado foram glosados no tocante àqueles da etapa de plantio, reflorestamento e colheita. Revertemse tais glosas, pois que tal etapa inseremse na atividade industrial, assim considerada em seu todo, com assentado alhures. Exceção aos bens não efetivamente utilizados no plantio, reflorestamento e corte (como é o caso, por exemplo, de veículos que não se destinam ao corte e transporte de madeira) e os que não atendam aos demais requisitos da legislação, concernentes às Contribuições e às regras de depreciação. Por fim, em relação ao valepedágio, com razão a decisão recorrida. As despesas com o pagamento de pedágios não são insumos, serviços e nem se configura frete na operação de venda. Tratase de mera retribuição, pelo direito de passagem, mediante taxa ou tarifa (preço público), a uma autarquia ou uma concessionária de bem público. São ainda desprovidas de autorização em dispositivos legais para o creditamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; Fl. 229DF CARF MF Processo nº 12571.000347/201047 Acórdão n.º 3201005.012 S3C2T1 Fl. 230 13 b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.005248/2001-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1997, 1998
NULIDADE DO LANÇAMENTO — DOCUMENTOS — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — PROCEDIMENTO FISCAL — O direito à ampla defesa e o contraditório na exigência de crédito tributário é garantido
com a formalização por meio de ato administrativo, a ciência ao sujeito passivo, a concessão de prazo para impugnação e o acesso ao correspondente processo.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU — SIGILO BANCÁRIO — PROVA ILÍCITA — À autoridade administrativa e julgadora é autorizado
decidir de acordo com a construção dos fatos por ela entendida adequada à situação. A validade do processo judicial para obtenção da prova deve ser contestada nessa esfera de poder.
INCONSTITUCIONALIDADE — SÚMULA n° 2 do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS — O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS — PRESUNÇÃO LEGAL — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Presume-se a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — São tributáveis as
quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial a descoberto, decorrentes de excesso de aplicação de recursos em relação às origens.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-000.529
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir do lançamento a exigência a titulo de acréscimo patrimonial a descoberto
no ano-calendário de 1997 e excluir o montante de R$ 80.193,91 da base de cálculo dos depósitos bancários sem origem comprovada.
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1997, 1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO — DOCUMENTOS — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — PROCEDIMENTO FISCAL — O direito à ampla defesa e o contraditório na exigência de crédito tributário é garantido com a formalização por meio de ato administrativo, a ciência ao sujeito passivo, a concessão de prazo para impugnação e o acesso ao correspondente processo. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU — SIGILO BANCÁRIO — PROVA ILÍCITA — À autoridade administrativa e julgadora é autorizado decidir de acordo com a construção dos fatos por ela entendida adequada à situação. A validade do processo judicial para obtenção da prova deve ser contestada nessa esfera de poder. INCONSTITUCIONALIDADE — SÚMULA n° 2 do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS — O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — PRESUNÇÃO LEGAL — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Presume-se a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial a descoberto, decorrentes de excesso de aplicação de recursos em relação às origens. Recurso provido em parte.
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU — SIGILO BANCÁRIO — PROVA ILÍCITA — À autoridade administrativa e julgadora é autorizado decidir de acordo com a construção dos fatos por ela entendida adequada à situação. A validade do processo judicial para obtenção da prova deve ser contestada nessa esfera de poder. INCONSTITUCIONALIDADE — SÚMULA n° 2 do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS — O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — PRESUNÇÃO LEGAL — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Presume-se a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial a descoberto, decorrentes de excesso de aplicação de recursos em relação às origens. Recurso provido em parte. -2..'n ._ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao 4\--1 recurso para excluir do lançamento a exigência a titulo de acréscimo patrimonial a descoberto no ano-calendário de 1997 e excluir o montante de R$ 80.193,91 da base de cálculo dos depósitos bancários sem origem comprovada. 40 CATO MARCOS PO - Presidente - ,•. JOSÉ RA *STA SANTOS - Relator EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage e Odmir Fernandes. - Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto para reforma do Acórdão DRJ/RJO II n° 2.543, de 29/04/2003 (fls. 785/803), que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do auto de infração, e, no mérito, julgou procedente o lançamento de fls. 522/568. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados pelo contribuinte foram sumariados pelo Órgão julgador a quo, nos seguintes termos: 1)ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, em que verificou-se excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, nos meses de março a dezembro de 1996 e dezembro de 1997, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 525 a 530 e nos Fluxos Financeiros Mensais dos anos-calendário de 1996 e 1997, às fls. 531, 532, 547 e 548. Enquadramento legal: artigos 1°, 2° e 3°, e §§, e art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988, arts. 1° e 2° da Lei n° 8.134, de 1990, e arts. 3° e 11, da Lei n° 9.250, de 1995; 2)DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTES - glosa de deduções com dependentes pleiteadas indevidamente no ano-calendário 1996, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal às fls. 525 a 530. Enquadramento legal: art. 11, §3°, do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, art. 8°, inciso II, alínea "c", e art. 35, §3°, da Lei n° 9.250, de 1995, arts. 83, § 4° e 84, §1°, do RER/1994, e art. 38, §3° e § 4° e art. 49 da IN SRF 15, de 2001; 3) PENSÃO JUDICIAL DEDUZIDA INDEVIDAMENTE - glosa de parte da dedução com pensão alimentícia, pleiteada a maior, no ano-calendário 1996, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal às fls. 525 a 530. Enquadramento legal: art. 11, §3°, do Decreto- lei n° 5.844, de 1943, art. 8°, inciso II, alínea "f', e art. 35, §3°, da Lei n° 9.250, de 1995, art. 84, §1°, do RI1R/1994, e art. 49 da IN SRF n° 15, de 2001; 4) DESPESA COM INSTRUÇÃO DEDUZIDA INDEVIDAMENTE- glosa de despesas, pleiteadas indevidamente, com instrução de filhos, no ano-calendário 1996, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal às fls. 525 a 530. Enquadramento legal: art. 11, §3°, do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, art. 8°, inciso II, alínea "b", §3°, e art. 35, §3°, da Lei n° 9.250, de 1995, art. 11, inciso "V", da Lei n° 8.383, de +991, e art. 86 do R1R11994; 2 - - Processo n° 15374.005248/2001-85 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.529 Fl. 335 5) OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS - omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada pelo contribuinte mediante documentação hábil e idônea, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 525 a 530. Enquadramento Legal: art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, art. 3° e 11 da Lei n° 9.250, de 1995. Sobre o imposto apurado, no total de R$ 135.841,98, foram aplicados multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 568, perfazendo um montante global de R$ 351.206,52. Após cientificado do auto de infração em referência em 13/12/2001 (fl. 522), o interessado, tempestivamente em 14/01/2002, apresentou a impugnação de fls. 600 a 654, valendo-se, em síntese, dos seguintes argumentos: a) a negativa no fornecimento de dados e documentos pela Fiscalização ao interessado ao longo de boa parte da auditoria impossibilitou que ele prestasse os esclarecimentos solicitados, configurando claro cerceamento do direito de defesa do contribuinte; b) as infoi inações bancárias do interessado foram obtidas ilicitamente pelo Fisco, tornando insubsistente o lançamento; c) o sigilo bancário do autuado foi quebrado sem respeito aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da publicidade, constituindo verdadeira devassa à vida financeira do contribuinte, tomando a prova inaceitável e a presunção viciada, com base na "teoria dos frutos da árvore envenenada"; d) o lançamento com base em depósitos bancários afronta a legislação de regência, assim como a jurisprudência administrativa e judicial que há décadas consagra o entendimento de que depósitos bancários, por si sós, não constituem fato gerador do imposto de renda; .:--)X e) a Súmula n° 182 do extinto TFR espelha o entendimento do Judiciário, preconizando que seria ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; f) depósitos bancários não seriam sinais exteriores de riqueza, mas apenas elementos indiciários que necessitam de outros mais importantes para demonstrar a relação de causalidade entre as movimentações bancárias e a suposta omissão de receitas; g) lei alguma exige que as pessoas façam uma contabilidade bancária para provar a ) origem e o destino dos lançamentos em suas contas nos estabelecimentos de crédito o que torna compreensível a dificuldade em comprovar a procedência e a destinação de todos os recursos movimentados, ainda mais considerando-se que a fiscalização requer informações referentes a movimentações no ano de 1996, ou seja, especificamente, informações de cinco anos atrás; h) caberia à Administração demonstrar que os depósitos bancários em questão realmente constituíam rendimentos tributáveis, como exige o princípio da verdade material, e não simplesmente presumir que o eram; i) embora reconheça as infrações relativas às deduções com dependentes, de instrução de dependentes e da pensão alimentícia paga à sua ex-esposa, o impupiante discorda da cobrança do tributo, haja vista que o interessado, por um equívoco, teria recolhido imposto de renda sobre valores recebidos como dividendos da empresa Malva Defensivos e Equipamentos Fito e Domissanitários Ltda, em 1996; ri "" 3 - j) se o impugnante não teve rendimentos tributáveis no ano de 1996, não há que se falar em deduções indevidas, devendo o imposto incorretamente apurado nesse ano ser restituído; k) o interessado envidou todos os esforços para tentar cumprir as exigências da Fiscalização, algumas delas, inclusive, desnecessárias; 1) o informe de rendimentos e as cópias do livro razão da empresa Malva, apresentados oportunamente, são as provas que o agente fiscal precisava para confirmar as informações prestadas pelo contribuinte; m) várias despesas de responsabilidade da empresa Malva Defensivos e Equipamentos Fitodomissanitários Ltda. eram custeadas pelo impugnante, sendo posteriormente reembolsadas, não podendo, portanto, ser imputadas no fluxo financeiro como despesas pessoais do interessado; n) o Fisco tem o ônus de provar a existência de despesa como gasto pessoal do impugnante, não podendo autuar o contribuinte com base em indícios ou presunções simples, sob pena de se estar violando o Princípio da Legalidade previsto pelo art. 150, I, da Constituição Federal; o) o impugnante não apresentou os extratos dos investimentos pois não os dispunha, conforme reiteradamente informado à Fiscalização; p) o pedido de comprovação da transferência de recursos não tem qualquer fundamento legal, pois as declarações de ajuste anual do mutuário e do mutuante e a quitação da dívida dada pelo Sr. Salvatore Alberto Cacciola em 1999 já provam a realização do empréstimo; q) apesar das provas apresentadas, a Fiscalização incorretamente desconsiderou o ingresso de recursos oriundos do empréstimo contraído com o Sr. Salvatore Alberto Cacciola, merecendo tal procedimento ser revisado pelo julgamento administrativo; r) o interessado recebeu no ano-calendário 1997 recursos oriundos de pro labore de sua empresa, dividendos, doações, transferência entre contas-correntes do próprio interessado e reembolsos de despesas feitas em nome da sociedade, contudo, apenas o valor mensal de R$ 900,00 de pro labore foi devidamente registrado no Fluxo Financeiro Mensal pela fiscal autuante, sendo os demais valores sumariamente descartados; s) em razão do extravio da quase totalidade dos documentos da sociedade é impossível para o impugnante comprovar todas as despesas pagas pelo contribuinte e posteriormente reembolsadas pela empresa Malva Defensivos e Equipamentos Fitodomissanitários Ltda; t) o informe de rendimentos da empresa Malva Defensivos e Equipamentos Fitodomis sanitários Ltda. de 1997 e as cópias do livro razão na conta "Lucros a Distribuir" comprovam o recebimento dos dividendos desconsiderados pela Fiscalização; u) incorretamente a Fiscalização teria desconsiderado a doação recebida da mãe do interessado, Sra. Adylia Leite Costa, no valor de R$ 35.340,00, pois tal doação foi devidamente informada na declaração de ajuste anual do ano-calendário 1996 da doadora; v) o valor de R$ 36.000,00 que ingressou na conta-corrente do interessado em 26 de novembro de 1997 corresponde a transferência efetuada entre sua conta-corrente no Banco Marka, onde mantinha investimentos em fundos, para fazer frente a gastos efetuados por meio de sua conta-corrente no Banco liará, não podendo o ingresso desses recursos ser considerado rendimento omitido; w) a aplicação de multa com percentual de 75% violaria o Princípio Constitucional que veda o uso de tributo com efeito confiscatório (inciso IV do art. 150 da Constituição Federal); 4 • Processo n° 15374.005248/2001-85 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.529 Fl. 336 x) a taxa SELIC seria imprópria para a cobrança de juros moratórios. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente a exigência tributária em exame, pelos motivos constantes do Acórdão de fls. 785/803, assim resumidos na ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1996, 1997 Ementa: PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA Concedido ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR DE NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. PROVA ILÍCITA Os documentos bancários obtidos pela Fiscalização junto às instituições bancárias, mediante autorização judicial, são provas lícitas para demonstrar a ocorrência de infração à legislação tributária, inocorrendo nulidade na sua produção. NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1996, 1997 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n°9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO O acréscimo do patrimônio da pessoa física submete-se à tributação quando não corresponder aos rendimentos declarados e o contribuinte não provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados. DOAÇÃO. PROVA A alegação de recebimento de valor significativo, em forma de doação, quando não tenha sido "-r- 5 comprovada a efetiva transferência do valor doado por meio de provas inequívocas, não é suficiente para justificar acréscimo patrimonial. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de dispositivos legais, prerrogativa essa reservada ao Poder Judiciário. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscató rio é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. TAXA SELIC. APLICABILIDADE A partir de 01/04/1995, sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. Lançamento Procedente Em sua peça recursal (fls. 810/846), o recorrente, repisa as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo, e acrescenta pedido pela nulidade desta, sob o argumento de que esse ato deveria conter análise da verificação da legalidade do processo judicial para obtenção dos extratos bancários. A legalidade da prova seria obrigatória pela conformação do fisco aos princípios da moralidade pública e do devido processo legal. A ausência de inclusão desse aspecto na referida decisão implicaria em sua nulidade. Arrolamento de bens controlado no Processo de n° 18471.000892/2002-38. Foi realizada diligência, nos termos da Resolução de n° 102-02.310 (fls. 868/878. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Segundo o recorrente, o direito à ampla defesa teria sido prejudicado pela negativa do fisco à requisição de cópias de documentos durante a fase procedimental. Essa atitude também constituiria ofensa ao princípio da publicidade. O contencioso administrativo se reporta à infração fiscal imputada ao sujeito passivo e às provas que lhe dão suporte. A fiscalização tributária tem por objetivo verificar o cumprimento da legislação fiscal, inclusive com a intimação de terceiros para prestar informações sobre os fatos que pretende esclarecer, o que se reflete no teor dos dispositivos legais que conferem tal poder aos órgãos do Fisco, consolidados nos artigos 927 e 928 do Decreto n° 3000, de 1999 — RIR/1999. Na fase investigatória, a fiscalização deve buscar os esclarecimentos que - entender serem necessários à condução do seu trabalho, juntando aos autos os elementos de prova necessários à formulação da acusação. Se estes são insuficientes para comprovar o fato jurídico tributário indicado no lançamento, caberá ao Órgão julgador se manifestar nesse fli Processo n° 15374.005248/2001-85 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.529 Fl. 337 sentido, e não declarar a nulidade do lançamento, por desobediência aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, inexistente na fase investigativa. Sem auto de infração não há que se falar em processo administrativo, pois o lançamento tributário é o ato administrativo que concretiza a aplicação da norma geral e abstrata, impondo ao sujeito passivo uma relação jurídica inexistente até aquele momento. Não é outro o entendimento de James Marins, in Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), São Paulo, Dialética, 2001, p. 180, que, ao dissertar sobre os princípios informativos do procedimento fiscal, reporta-se ao princípio da inquisitoriedade e diz do caráter inquisitório do procedimento administrativo que decorre da relativa liberdade que concedida à autoridade tributária em sua tarefa de fiscalização e apuração dos eventos de interesse tributário, e demarca a diferença entre o procedimento administrativo de lançamento e o processo administrativo tributário, dizendo ser o primeiro procedimento preparatório que pode vir a se tornar um processo, e releva a inquisitoriedade que preside o procedimento de lançamento, nos seguintes termos: Enquanto que a inquisitoriedade que preside o procedimento permite — dentro da lei — uma atuação mais célere e eficaz por parte da Administração, as garantias do processo enfeixam o atuar administrativo, criando para o contribuinte poderes de participação no iter do julgamento (contraditório, ampla defesa, recursos...). Então, o procedimento fiscal é informado pelo principio da inquisitoriedade no sentido de que os poderes legais investigatórios (principio do dever de investigação) da autoridade administrativa devem ser suportados pelos particulares (princípio do dever de colaboração) que não atuam como parte, já que na etapa averiguató ria sequer existe, tecnicamente, pretensão fiscal. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa estão preservadas quando o contribuinte é notificado do lançamento, e lhe é garantido o prazo de • trinta dias para impugnar o feito (Decreto n° 70.235, de1972, artigo 15), ocasião em que pode alegar as razões de fato e direito a seu favor e produzir provas do alegado, requerendo inclusive diligências e perícias. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento com fundamento no cerceamento do direito de defesa. Em relação à quebra do sigilo bancário do autuado, objeto do pedido de nulidade do lançamento por prova ilícita, a decisão recorrida se manifestou nos seguintes termos (fl. 795): Quanto aos questionamentos do impugnante à quebra de seu sigilo bancário, é imperativo esclarecer que a quebra do sigilo bancário do interessado foi determinada por decisão da MM Juíza de Direito da 6" Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, em 23/08/2000, com cópia às fls. 569 a 581. Portanto, descarta-se de plano qualquer dúvida em relação à licitude das provas obtidas, tendo o Fisco agido amparado por decisão judicial que decretou a quebra do sigilo bancário do -contribuinte, inexistindo qualquer ressalva a ser feita acerca de todo o procedimento fiscalizatório. 7 • Não cabem, igualmente, os demais questionamentos do contribuinte a respeito da validade do procedimento fiscal. Ao contrário do entendimento do impugnante, o auto de infração em epígrafe se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, com alterações introduzidas pela Lei n°8.748, de 1993. Acrescente-se ainda, relativamente a tais argüições de nulidade, que o artigo 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, preconiza apenas dois vícios insanáveis, conducentes à nulidade: a incompetência do agente do ato e a preterição do direito de defesa. No presente caso nada há a argüir objetivamente quanto a esses aspectos. O recorrente argúi a nulidade da decisão de primeiro grau por entender que esta deixou de apreciar questão das mais delicadas e importantes para a defesa, no que tange à legalidade do processo judicial para obtenção dos extratos bancários. O julgamento anterior conteve análise do acesso aos dados bancários, e afastou a pretensão de ilegalidade, em razão destes virem ao processo por determinação da Justiça Federal, fls. 569 a 581. A afirmativa posta no referido voto sobre a determinação da Justiça para a vinda dos ditos documentos bancários ao fisco, constitui posicionamento do julgador sobre a matéria. E, porque a decisão deve conter a compreensão e decisão do julgador sobre o assunto em lide, não houve omissão como quer a recorrente, mas raciocínio deliberativo no sentido de que a determinação da Justiça não deve ser combatida administrativamente. Assim, o ato não é nulo. Pretende também a recorrente a nulidade do feito em razão da falta de notificação da Administração Tributária Federal ao sujeito passivo a respeito do processo judicial de quebra do seu sigilo bancário. -- Esse entendimento da defesa é inadequado por força dos princípios da separação de poderes e da legalidade. Dispõe a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, CF188, no artigo 5°, II, que somente podem ser exigidas obrigações das pessoas deste País quando estas decorrerem de lei'; conforma, também, no artigo 2°, como independente e harmônica2 a atuação dos poderes. A decisão de uma autoridade judicial constitui norma individual e concreta a ser cumprida pelas partes. Vinda essa ordem à Administração Tributária, via Ministério Público Federal, não cabe a esta questioná-la, quanto aos aspectos de publicidade, cerceamento do direito de defesa, entre outros. Se o sujeito passivo sente-se prejudicado pelo andamento do processo judicial sem o seu conhecimento, deveria sanar a pretensa ilegalidade junto ao . Poder Judiciário, esfera competente para o fim desejado. Nessa linha de raciocínio, o protesto neste processo administrativo contra eventual ilegalidade havida no processo judicial de quebra de 1 CF188 - Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (y II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; 2 CF/88 - Art. 2° São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. ?I\ 8 Processo n° 15374.005248/2001-85 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.529 Fl. 338 sigilo bancário do sujeito passivo é inútil e impertinente, pois vige no sistema brasileiro o princípio da unicidade da jurisdição. Se a Sexta Vara Criminal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro analisou os argumentos do parquet e afastou o sigilo bancário do autuado (fls. 578/580), somente manifestação judicial poderá revogar ou cassar referida medida. No mérito, o item 001 do Auto de Infração (fl. 523) trata de omissão de rendimentos caracterizado pela variação patrimonial a descoberto nos meses de março a dezembro do ano-calendário de 1996 e dezembro do ano-calendário de 1997. Examinando-se o fluxo financeiro mensal elaborado pela fiscalização, a fim de evidenciar a infração em comento, verifica-se que rendimentos tributáveis declarados, em valores mensais de R$900,00 (R$10.800,00 — D1RPF à fl. 33) e rendimentos omitidos (depósitos bancários não comprovados, no montante anual de R$116.193,91), estes tributados no item 005 do Auto de Infração foram indicados nos demonstrativos às fls. 547/548, mas não foram incluídos no cômputo de recursos disponíveis. Penso que tal falha deve ser saneada neste julgamento, tendo em vista que a fiscalização somente incluiu no cômputo os recursos que considerou devidamente comprovados (fl. 529). Empréstimos e demais valores não comprovados foram excluídos da apuração, e não constam dos referidos fluxos financeiros. Por outro lado, é mansa e pacífica a jurisprudência deste Conselho no sentido de que rendimentos omitidos e apurados e tributados pela fiscalização devem ser incluídos no fluxo financeiro como origem de recursos. O recorrente requer ainda a inclusão, como origem de recursos, no fluxo financeiro mensal no ano-calendário 1997, da doação que teria sido recebida de sua mãe Sra. Adylia Leite Costa, no valor de R$ 35.340,00. "-YX O recorrente alega que recebeu recursos de herança de sua mãe Adylia Leite da Costa, que foram inicialmente concentrados na conta-corrente da irmã, no Unibanco e Banco Marka SA, advogada, e que cuidou da herança. Assim, os recursos teriam origem na herança da mãe, mas vieram para o sujeito passivo por meio da irmã. Esse fato teria constado da declaração da doadora (fl. 741/743). A doação para ser aceita na análise da evolução patrimonial deve estar consignada nas respectivas declarações de ajuste anual e ser comprovada por meio de documentação hábil e idônea a transferência dos recursos emprestados ou doados. Quando se trata de doação de pais para filho a jurisprudência deste Conselho tem sido mais tolerante, considerando a relação de confiança, as infonnações tempestiva nas respectivas declarações do imposto de renda de ambos e a compatibilidade da doação com os rendimentos e disponibilidades financeiras declaradas pelo doador. No caso em exame, na Declaração de Ajuste Anual de Adília, exercício de 1998, ano-calendário de 1997, foi informado o recebimento da herança de Antonio Paciello, por direito de representação de Antonieta Paciello Leite e Álvaro Penna Leite (fl. 742) e a doação aos filhos, dentre eles o autuado, no valor de R$35.340,00 (fl. 741), valor que este também havia informado em sua DAA do mesmo período. Sobre a existência da herança não resta qualquer dúvida (fls. 745/753 e 913/981), os elementos de prova nos autos (petições, acordo, sentença, alvará etc), bem assim o crédito efetuado em conta bancária da ilmã do contribuinte (fl. 764), militam em favor do contribuinte. Penso que nestas circunstâncias, havendo o doador demonstrado a capacidade financeira pelo recebimento de parte da herança e diante do conjunto probatório dos fatos alegados, deve-se acolher no fluxo financeiro a quantia de R$35.340,00 como origem de recursos no mês de dezembro de 1997. Desta foinia, o APD apurado no ano de 1997 resta integralmente justificado. \ 9 No que tange à apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, no ano de 1996, verifica-se que os Demonstrativos às fls. 531/532 indicam precisamente todas as origens de recursos informadas pelo autuado em sua DIPF às fls. 28/31 — os rendimentos tributáveis declarados, de tributação exclusivamente na fonte e os saldos de aplicações fmanceiras no início e no final do período. O recorrente argumenta que não foram considerados pela fiscalização, como origem de recursos no demonstrativo à fl. 531, os valores relativos ao empréstimo contraído junto ao Sr. Salvatore Alberto Cacciola durante o ano-calendário de 1996, no montante de R$ 200.000,00. Sem razão o recorrente. Um empréstimo, para poder ser levado em conta na evolução patrimonial do contribuinte, necessita estar amparado em provas que atestem a materialidade do mútuo e demonstrem a transferência dos recursos cedidos, ainda mais quando se trata de quantia tão vultosa, facilmente identificável na movimentação bancária de credor e devedor. Neste sentido, a decisão recorrida perfilhou vários acórdãos deste Conselho. Com efeito, o interessado foi intimado por duas vezes (fls. 22 e 48) a informar as datas das parcelas de pagamento do empréstimo que teria sido contraído com o Sr. Salvatore Alberto Cacciola, bem como comprovar a efetiva entrada dos valores referentes a tal operação. Tal comprovação torna-se indispensável inclusive para permitir à fiscalização alocar o recurso no fluxo financeiro, no mês em que recebidos. Em resposta, o contribuinte afirmou que não poderia precisar as datas em que o empréstimo teria sido recebido e pago, nem, tampouco, poderia comprovar a entrada e saída dos valores da operação, mediante extratos bancários ou cópias de cheques. Nestas circunstâncias, referido empréstimo não pode servir para justificar o acréscimo patrimonial a descoberto apurado no ano-calendário 1996. O impugiante também se insurge contra a desconsideração de valores que teriam sido recebidos a título de lucros e dividendos distribuídos pela empresa Malva Defensivos e Equipamentos Fito Domissanitários Ltda, durante os anos-calendário de 1996 e 1997. É mister salientar que o interessado foi reiteradamente intimado a apresentar documentos que comprovassem o efetivo recebimento dos dividendos em questão, e nada trouxe que pudesse atestar tal operação. Ainda assim, a Fiscalização diligenciou junto à referida empresa, em busca de informações acerca da distribuição de dividendos, mas a documentação contábil não foi localizada, vindo, posteriormente, o contribuinte a informar que a documentação solicitada teria sido furtada juntamente com o carro onde teria sido çleixada durante a noite, na rua. Diante desse quadro, não há como considerar como origem no fluxo financeiro mensal os valores pleiteados pelo interessado, haja vista não ter sido demonstrada, por documentação hábil e idônea, o recebimento de dividendos nos anos-calendário de 1996 e 1997. Cumpre ainda salientar que a distribuição de lucro da Malva não trará qualquer repercussão na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto do ano de 1997, já que este se encontra totalmente justificado por recursos disponíveis, conforme consignado neste voto. Quanto a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto do ano de 1996, todos os rendimentos tributáveis deste período foram incluídos pela fiscalização no fluxo de caixa à fl. 531/532, e segundo alega o recorrente os lucros foram "indevidamente" tributados juntamente com o pró-labore. No que tange às despesas incorridas através de cheques emitidos de conta- _ corrente ou cartões de crédito, o recorrente legkque muitas dessas despesas não eram suas, já que representativos de pagamentos a fornecedores de sua empresa, que lhe eram posteriormente reembolsados. Contudo, penso que a existência de recursos para efetivação de 10 Processo n° 15374.005248/2001-85 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.529 Fl. 339 tais empréstimos à pessoa jurídica, quando não tiverem suporte em rendimentos declarados e comprovados, evidenciam a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto, sujeito à incidência do imposto de renda. No momento em que esses empréstimos forem pagos pela empresa, deve-se incluir tais valores como origem de recursos. Pelo principio contábil da identidade, deve haver total separação entre a sociedade e a pessoa do sócio. Quanto aos itens 002 a 004 do Auto de Infração, o recorrente admite como indevidas as deduções dos dependentes Leonardo Rufino da Costa e Valentim Rufino da Costa, seus filhos, que ficaram sob a guarda de sua ex-mulher, conforme decisão judicial transitada em julgado em 26/11/1987, na Vara Cível de Dourados/MS, para os quais pagou pensão alimentícia no ano de 1996, em montante inferior ao informado na DIPF do exercício de 1997, havendo excedido em R$600,00 o valor devido de R$7.200,00. Como conseqüência, também inadmissível a dedução de despesas com instrução destes dependentes, devido à inexistência de deliberação judicial neste sentido. Entretanto, o autuado discorda que seja devido qualquer cobrança a esse respeito, tendo em vista que teria recolhido imposto de renda sobre valores isentos recebidos como dividendos da empresa Malva Defensivos e Equipamentos Fitodomissanitários Ltda, durante o ano-calendário 1996. Segundo o impugnante, se não existiram rendimentos tributáveis no ano-calendário de 1996, tampouco teriam ocorrido deduções indevidas, devendo o imposto incorretamente apurado nesse ano ser restituído. Sem razão o recorrente. Para comprovar o erro em relação à natureza dos rendimentos pagos pela referida empresa, necessário que o interessado apresentasse os livros diário e razão desta, o que não ocorreu, conforme Termo de Constatação às fls. 520/521. Com efeito, sem comprovação do erro em que se funda a retificação da natureza dos rendimentos declarados, consoante dispõe o § 1 0 do artigo 147 do CTN, nenhuma alteração deve ser, procedida no lançamento. Quanto ao item 005 do lançamento, a tributação com base em depósitos • . - bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei ri' 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confira-se: .Art.42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituiçã o financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: ,S/ 11 I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; II -no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei n°9.481, de 13.8.97). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de -depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002). § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Para Pontes de Miranda3, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de jure (absolutas) e iuris tanttun (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tufam; cabe a prova em contrário. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os - depósitos bancários, de origem c_ _não comprovada, analisados individualizadamente, 3 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. 12 Processo n° 15374.005248/2001-85 S2-C1T1 Acórdão n." 2101-00329 Fl. 340 caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratar-se de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, confoime prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), confoime interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (confoirne arestos colacionados no recurso) e artigo 9°, inciso VII, do Decreto-Lei n° 2.471/88, que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. A propósito de presunções legais cabe aqui reproduzir o que diz José Luiz Bulhões Pedreira, (JUSTEC-RJ-1979 - pag. 806), que muito bem representa a doutrina predominante sobre a matéria: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que o negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa), provar que o fato presumido não existe no caso. 13 Este também é o entendimento manifestado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como fica evidenciado no Acórdão CSRF n° 01-0.071, de 23/05/1980, da lavra do Conselheiro Urgel Pereira Lopes, do qual se destaca o seguinte trecho: O certo é que, cabendo ao Fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindo-se esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao fisco infirmar a presunção, pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o Fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao Fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Parece elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte. (Grifou-se) Os julgamentos do Conselho de Contribuintes passaram a refletir a determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - SITUAÇÃO POSTERIOR À LEI N° 9.430/96 - Com o advento da Lei n° 9.430/96 caracteriza-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3 0, do art. 42, do citado diploma legal. (Ac 106-13329). TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPRO VADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é .;?ç do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. (Ac 106-13188 e 106-13086). A presunção representa uma prova indireta, partindo-se de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, necessariamente desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido. Nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Assim dispõe o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334: Art. 333. O ônus da prova incumbe: - - - - - I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; ir- • 14 Processo n° 15374.005248/2001-85 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.529 Fl. 341 — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (-) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (-) IV — em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Na tributação em exame o legislador entendeu que há lógica, concordância e certeza entre o fato presuntivo (depósito bancário sem origem comprovada) e o fato presumido (omissão de rendimentos), na esteira dos argumentos expostos por Hugo de Brito Machado (Imposto de Renda — Estudos, Editora Resenha Tributária, pág. 123), que convém trazermos à baila: 5.6. Realmente, a existência de depósito bancário em nome do contribuinte, ... é indício que autoriza a presunção de auferimento de renda. Cabe então ao contribuinte provar que os depósitos tiveram origem outra, que não seja tributável. Pode ser que decorra de transferências patrimoniais (doações e - heranças), por exemplo, de rendimentos não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, ou mesmo de rendimentos tributáveis auferidos Há muito tempo, relativamente aos quais extinto já esteja, pela decadência, o direito de a Fazenda Pública fazer o lançamento do tributo, nos termos do art. 173 do Código Tributário Nacional. Ao contribuinte cabe o ônus da prova, que pode ser produzida antes ou durante o procedimento do lançamento, impedindo que este se consume, e pode até ser produzida depois, em ação anulatória. 5.7. Isto não significa considerar rendimentos os depósitos bancários. Tais depósitos são indícios, isto é, são fatos conhecidos que autorizam a presunção de existência de rendimentos, fatos sobre cuja existência se questiona. - Ordinariamente a disponibilidade de dinheiro decorre de auferimento de renda. Por isso a existência de disponibilidade de dinheiro autoriza a presunção de auferimento de renda. Tudo de pleno acordo coma teoria das provas. Na presunção, a lei tem como verdadeiro um fato que provavelmente é verdadeiro. Não se pode desconsiderar, entretanto, que este fato que a lei tem como verdadeiro também pode ser falso, dai porque se diz que na presunção relativa a questão diz respeito à avaliação da prova apresentada por quem tem contra si algo que o legislador presume como tal, mas que na vida real pode ser diferente. Assim, impugnado fato em relação ao qual milita presunção relativa cabe ao julgador, avaliando as provas que lhes são apresentadas, fointar convencimento para, diante do caso concreto, com mais dados do que o legislador, decidir se a presunção estabelecida por este, o legislador, corresponde à realidade dos fatos que estão sob julgamento. Quanto à análise detalhada dos depósitos e créditos foi efetivada tanto pela fiscalização quanto pelo Órgão julgador de primeiro grau de acordo com os dados apresentados 15 pelo sujeito passivo, forma de agir adequada à exigência com fundamento em presunção legal. Prevalece, portanto, a aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, tal como lançado, até por que referida norma impõe que os créditos sejam analisados individualizadamente, pois os valores cuja origem houver sido comprovada mediante apresentação de documento hábil e idôneo, e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos. Com o propósito de demonstrar a improcedência da exigência tributária com fundamento em depósito bancário sem origem comprovada, o recorrente, exemplificativamente, afirma que a Fiscalização teria incluído o valor de R$ 36.000,00 no rol dos depósitos bancários tributáveis, quando tal montante corresponderia à transferência efetuada, em 26/11/1997, oriunda da sua conta-corrente mantida no Banco Marka. À mingua de qualquer elemento de prova de que este crédito teve por origem transferência entre contas da mesma titularidade, nenhum reparo a fazer na decisão recorrida. Por outro lado, entendo comprovada a origem dos créditos nos valores de R$ 254,51 e R$ 175,99, datados respectivamente de 18/03/1997 e 22/09/1997. Trata-se de reembolsos de despesas efetuados pela empresa Malva Defensivos e Equipamentos Fito e Domissanitários Ltda, conforme relatórios às fls. 767 e 777. O histórico do lançamento bancário, transcrito pela fiscalização, às fls. 327/328, evidencia tal ocorrência. Neste passo, conforme dispõe o § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados, no caso de pessoa fisica, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. O somatório dos valores nestas circunstâncias alcança o montante de R$79.763,41, razão pela qual não devem compor a base de cálculo desta omissão. Por fim, o percentual mínimo de aplicação da multa de oficio é de 75% (setenta e cinco por cento), consoante determina o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. A única previsão legal de abrandamento da multa está contida no artigo 6° da Lei n° 8.218, de 1991, que prevê a redução de cinqüenta por cento da multa de lançamento de oficio, ao contribuinte que, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Se houver impugnação tempestiva, a redução será de trinta por cento, se o pagamento do débito for efetuado dentro de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Em relação à imposição dos juros de mora, a mesma encontra respaldo nas determinações do artigo 161, do Código Tributário Nacional, in litteris: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A cobrança dos juros de mora não tem caráter punitivo, a sua incidência visa compensar o período de tempo em que o crédito tributário deixou de ser pago. Por ter o sujeito passivo ficado com a disponibilidade dos recursos, sem tê-los repassados aos cofres públicos. Aqui, impende observar que o § 1 o do artigo 161 do CTN, supra citado, tem o percentual de 1% ao mês como obrigatório apenas se não houver determinação legal dispondo em contrário. Atualmente, os juros são cobrados em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC — por força dos dispositivos do art. 13 da Lei n.° 9.065, de 1995 e § 3° do art. 61 da Lei n.° 9.430, de 1996 — não havendo reparos a fazer quanto • 16 Processo n°15374.005248/2001-85 S2-C11 T1 Acórdão n.° 2101-00.529 Fl. 342 aos juros cobrados no Auto de Infração. Neste sentido tem decidido reiteradamente este Primeiro Conselho de Contribuintes. Paulo de Barros Carvalho, eminente tratadista do Direito Tributário, (Curso de Direito Tributário, 9a edição, Editora Saraiva: São Paulo, 1997, p. 337), discorre sobre as características dos juros moratórios, imprimindo-lhes um caráter remuneratório pelo tempo em que o capital ficou com o administrado a mais que o permitido: " (.) Sobre os mesmos fundamentos, os juros de mora, cobrados na base de 1% ao mês, quando a lei não dispuser outra taxa, são tidos por acréscimo de cunho civil, à semelhança daqueles usuais nas avenças de direito privado. Igualmente aqui não se lhes pode negar feição administrativa. Instituídos em lei e cobrados mediante atividade administrativa plenamente vinculada, distam de ser equiparados aos juros de mora convencionados pelas partes, debaixo do regime da autonomia da vontade. Sua cobrança pela Administração não tem fins punitivos, que atemorizem o retardatário ou o desestimule na prática da dilação do pagamento. Para isso atuam as multas moratórias. Os juros adquirem um traço remuneratório do capital que permanece em mãos do administrado por tempo excedente ao permitido. Essa particularidade ganha realce, na medida em que o valor monetário da dívida se vai corrigindo, o que presume manter-se constante com o passar do tempo. Ainda que cobrados em taxas diminutas (1% do montante devido, quando a lei não dispuser sobre outro valor percentual), os juros de mora são adicionais à quantia do débito, e exibem, então, sua essência remunerató ria, motivada pela circunstância de o contribuinte reter consigo importância que não lhe pertence." (grifos nossos) Por oportuno, convém relembrar que falece competência à administração pública para negar vigência a leis editadas pelo Congresso Nacional e sancionadas pelo presidente da República, até porque a sua missão é atuar conforme a lei (executá-la). O exame da constitucionalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário (art.102 da Constituição Federal, de 1988). Assim, pressupõe-se que os princípios constitucionais estão nelas contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis. Não cabe, portanto, à fiscalização se posicionar acerca das questões suscitadas pelo recorrente, no que tange à inconstitucionalidade da exigência dos acréscimos p legais em montantes que entende serem excessivos, com ofensa à vedação constitucional ao confisco e ao princípio da capacidade contributiva. No sentido desta limitação de competência tem se firmado tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; cite-se, entre estes, o de n° 106- 07.303, de 05/06/95: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é,- - e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. 17 LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS - Não compete ao Conselho de Contribuintes, como Tribunal Administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da legalidade das leis e normas administrativas. Acrescento ainda aos fundamentos já declinados a recente consolidação das súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, através do Anexo III da Portaria CARF n° 106, de 21/12/2009: Súmula GARE n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros morató rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF n° 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Em face ao exposto, rejeito as preliminares de nulidade do lançamento e nulidade da decisão de primeiro grau, e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso, para excluir do lançamento a exigência a titulo de acréscimo patrimonial a descoberto do ano- calendário de 1997 e excluir o montante de R$80.193,91 da base de cálculo dos depósitos bancários sem origem comprovada. Sala das Se t es DF em 14 de maio de 2010. José Raimuno t Tosta antos - - _ 18
score : 1.0
Numero do processo: 11831.007175/2002-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1997
ALEGAÇÃO. PROVA.
Se o recurso voluntário não traz nenhum argumento e nem é juntado nenhum elemento favorável à tese do contribuinte, resta inconteste o ato administrativo objeto do recurso.
Numero da decisão: 1101-000.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntario
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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Recorrida 4' Turma da DRJ I ern São Paulo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997 ALEGAÇÃO. PROVA. Se o recurso voluntário não traz nenhum argumento e nem é juntado nenhum elemento favorável à tese do contribuinte, resta inconteste o ato administrativo objeto do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voly drio. VALMAR FO E A DE MENEZES - Presidente. - ------ CARLOS EDUARDO Í)E ALMEIDA GUERREIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Junior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, Joao Carlos de Figueiredo Neto, José Ricardo da Silva (vice-presidente), e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Processo n° 11831.007175/2002-51 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.647 Fl. 233 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de despacho decisório que reconhece parcialmente crédito pleiteado e que homologa declaração de compensação até o limite do crédito reconhecido. Em 11/12/2002, o contribuinte apresentou pedido de restituição de R$ 272.645,58 (proc. fl. 1). No seu pedido informa que seu crédito decorre de "valores retidos e não compensados sobre aplicações financeiras, no ano-calendário de 1997" e junta cópia de informes de rendimentos (proc. fls. 2 a 5). Em 25/09/2007, o contribuinte peticiona solicitando que seu pedido de restituição de imposto de renda seja analisado (proc. 11. 31). Em 11/11/2008, despacho decisório defere parcialmente o pedido de restituição e homologa compensações até o limite do direito creditório reconhecido (proc. fls. 36 a 40). No despacho, a autoridade analisa o pedido e afirma que foi tempestivo, que não versa sobre pagamento indevido ou a maior de IRRF, mas sim sobre saldo negativo de IRPJ de 1997, e que assim será tratado. Diz que a DIPJ/1998 (ano-calendário 1997) informa prejuízo fiscal e que a única dedução indicada na ficha 08 é o IRRF no montante de R$ 402.669,54. Diz que o contribuinte juntou informes de rendimento3 de folhas de 2 a 5, para comprovar o IRRF. Mas, afirma que aquele constante na folha 5 não pode ser considerado porque em desacordo com a IN SRF n° 92, de 1997. Conclui que "considerando os in/brines juntados, o interessado tem comprovada unia retenção no valor de RS 2.316,02, correspondentes a um rendimento de RS 15.444,66". Sintetiza esta análise no quadro abaixo: Declarante Rendimento IRRF Comprovação Fl. 02 00.000.000/0018-30 19,68 2,93 00.000.000/0385-98 25,82 3,83 Fl. 03 43.073.394/0380-02 15.399.69 2.309,63 Fl. 04 e fl. 35 TOTAIS 15.445,19 2.316,39 A autoridade continua o estudo informando que foi oferecida a totalidade dos rendimentos e, portanto, o IRRF de R$ 2.316.39 é dedutivel: Considerando-se que as receitas correspondentes ao IRRF compuseram a base de cálculo do imposto, conforme se verifica na linha 07 da FICHA 06 (outras receitas financeiras -11. 33), há que se considerar o valor das retenções comprovadas como dedução do imposto devido. Deste modo, propõe o reconhecimento de credito, de saldo negativo de IRPJ. no montante de R$ 2.316,39. Também, propõe a homologação de diversas compensações, declaradas em Dcomps. até o montante do crédito. Processo n° 11831.007175/2002-51 SI-CIT1 Acórdao n.° 1101-00.647 Fl. 234 Em 27/02/2009, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 60 a 63). Diz que: Os documentos apresentados no processo administrativo foram fornecidos pelas empresas e órgãos competentes para a Recorrente de acordo com as normas Cíveis e de Direito Comercial na época, não cabe a legislação tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Privado, utilizados expressa e implicitamente para definir ou limitar compeiências tributaria, conforme preceitua o art. 110 do CTN. Ora, tais documentos obedeciam aos Institutos do Di;-eito Civil e Direito Comercial, timilmam validade Jurídica pw.a fcclos os atos de mercado e de direito, logo, estesdevem serrent aceitos no il..inzbito do direito tributário. Explica que os documentos são de 1997 e, portanto, foram bastante manuseados. Diz que a legislação apEcavel á a vigente á época dos fatos e que não se aplica a IN SRF n° 92, de 24/12/1997. Afinal, só surgiu ao fim de dezembro. Em 28/07/2009, a 4' Turma da DRJ em São Paulo considera improcedente a manifestação de inconformidade (proc. fis. 88 a 92). Explica que a materia sujeita ao litígio administrativo e A decisão da DRJ é apenas a relativa a não admissão da integralidade do crédito e a não homologação. Quanta a alegação de que a IN SRF ri° 92, de 1997, não se aplica aos fatos ocorridos em 1997, explica que: Ora, a debatida Instrução Normativa regulamenta apresentação de Declaração do lmposto de Renda Retido na Fonte — D1RF, inclusive a obrigato:'.iedade de sua entrega pela fonte pagadora. Em se tratando de obrigação ace:.sória a set. exercida após a vigência da Instrução Normativa utilizada C01710 base legal para indef. i?rimento, tem-se que não assiste a razão a Manifestame. Isso pois a DIRE relativa ao ano-calendário de 1997 só pode ser preenchida após o término do período (01/01/1998), quando todas as operai3es do alto tivessem ocorrido. Assim, ao se fakir de obrigação acessória a ser aplicada no ano de 1998, válida é a norma vigente no final do ano de 1997. Também, informa que "10o a que se falar em outro ramo do direito, nem da aplicação do art. 110 do CT?!", posto que o informe de rendimento é matéria disciplinada e especifica do direito tributário. Afirma que a decisão da Dal' foi correta ao afastar o documento constante da folha 5 porque tal documento "traz infbrmações relativas a Imposto de Renda, quando na verdade, não foi retido Imposto de Renda". Esclarece que: Isso se dez! C7121 razão de mmi preenciiimemo indevidd do suposto informe de rendimentos, uma vez que não houve inibrmação do 3 Processo n° 11831.007175/2002-51 SI-CIT1 Fl. 235 Acórdão n.° 1101-00.647 rendimento bruto e o valor do inmost° de renda e cio rendimento líquido .sao Chega-se a concluso que os valores constantes da coluna Imposto de Renda deveri 111 estar colocados na linha Rendimento Bruto e que nclo houve relenVio alguma na operaçõo em apreço ('Depósito a Prazo Fixo), o que coincide com a ausência de infOrmação em DIRE para esse CNP.I. Em 19108/2009, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 93 v.). Em 14/09/2009, o contribuinte apresenta recurso voluntário (proc. fls. 96 a 99). Conforme constata- se nos autos, o recurso juntado versa sobre glosa de saldo negativo de IRPJ de 1999 e não sobre o saldo negativo dc 1997, que é o objeto deste processo. Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. 0 recurso é tempestivo e dele torno conhecimento. Conforme mencionado no relatório, o recurso voluntário versou sobre litígio diverso do tratado neste processo. Assim, não há qualquer argumento do contribuinte que ataque as razões de decidir da DIU'. Ou seja, não há nenhum contra argumento enfrentando a não aceitação pela DRF do documento constante na folha 5. Também, não foi juntado qualquer elemento que corrobore o pleito apresentado pelo contribuinte. Ou seja, além do recurso versar sobre outra questão, não foi juntado nenhum elemento novo no processo que demonstrasse a exatidão do saldo negativo pleiteado ou a existência de IRRF nos montantes pleiteados. Dessarte, não há qualquer fato para o CARF apreciar em julgamento de 2a instância. Assim, apenas por isso, cabe negar provirnento so recurso. Não obstante, é preciso destacar, como já frisado pela DRJ, que o comprovante re rendimento constante na folha 5 apresenta grave defeito, pois não informa o rendimento bruto mensal. mas apenas o 1RRF. Além disso, declara como rendimento liquido o mesmo valor do IRRF, o que sugere que contenha algum erro. Por estas razões foi considerado inapto pela DRF para confirmar o 1RRF. Além disso, a DRF juntou extrato de sistema que resume as DIRFs apresentadas para o contribuinte (pro. Fl. 35) e neste extrato não consta as retenções mencionadas na folha 5. verdade que a DR T'' não fundamentou sua decisão no documento que juntou mas sim em uma alegada inadequação do comprovante de rendimento ern tela coin a IN _31{F n° 92, de 1997. Mas, de qualquer modo, o comprovante juntado com o pleito original do contribuinte foi infirmado pela DRF e, salvo urna tentativa do contribuinte na sua manifestação de inconformidade de tentar impor a valielade do documento em questão, nenhum outro argumento a seu favor foi veicula(lo nos autos. No. entanto, seria bastante simples ao contribuinte demonstrar corn base ern outros elementos a proced:-.'ncia do IRRF pleiteado e o oferecimento à tributação do rendimento a ele vinculado. Como não existe nenhuma tentativa do contribuinte neste sentido, res ta inconteste a afirmação da DRF. 4 Processo n° 11831.007175/2002-51 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.647 Fl. 236 Dessarte, se o recurso voluntário ndo traz nenhum argumento e nem é juntado nenhum elemento favorável à tese do contribuinte, resta inconteste o ato administrativo objeto do recurso. Por estas razões voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 16 de janeiro de 2012. Carlos Eduardo d - meida Guerreiro - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10783.906114/2015-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2013
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito do Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.498
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Jorge Lima Abud que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões por entender necessária a retificação da DCTF antes do despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito do Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Jorge Lima Abud que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões por entender necessária a retificação da DCTF antes do despacho decisório. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 61 14 /2 01 5- 43 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10783.906114/201543 Acórdão n.º 3302006.498 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, alegando que aufere receita de venda de massas alimentícias classificadas na posição 19.02, com alíquota reduzida a zero pelo inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004 e receita de venda de águas, cerveja de malte, cerveja sem álcool e refrigerantes, sujeita à alíquota zero pela Lei nº 10.833/2003 e que, por alguma falha, não retificou a DCTF antes do despacho decisório, fazendoa apenas após a ciência do referido e juntandoa na impugnação. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14065.015, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando a nulidade do PAF por violação do devido processo legal, ante a ausência de diligência fiscal para se comprovar o direito creditório. No mérito, reiterou que auferiu receitas de venda de massas alimentícias sujeitas à alíquota zero, requerendo diligência, ao final, para análise da documentação juntada aos autos. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.493, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10783.906110/201565, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.493): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pede a nulidade do PAF pelo fato de a autoridade julgadora não ter determinado, de ofício, a realização de diligências, conforme artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10783.906114/201543 Acórdão n.º 3302006.498 S3C3T2 Fl. 4 3 Todavia, não assiste razão à recorrente. O Decreto nº 70.235/72 dispôs sobre as nulidades em seu artigo 59, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso, o despacho decisório foi fundamentado na utilização integral do crédito para extinguir débitos espontaneamente declarados, cuja retificação ocorreu apenas posteriormente à ciência do despacho decisório. Já quanto à não realização da diligência, não há obrigatoriedade por parte do julgador em determinálas, mas, sim, faculdade, quando entender necessárias. O artigo 29 do referido decreto esclarece: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, a faculdade está inserta dentro da livre convicção do julgador na apreciação da prova, ou, no caso, de sua ausência, já que a retificação da DCTF pressupõe a prova inequívoca da ocorrência de erro de fato, conforme §3º1 do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, mencionada na decisão atacada, ônus do qual a recorrente não se desincumbiu, pois nada apresentou em manifestação de inconformidade. Salientase, inclusive, que nem a própria recorrente requereu a realização de diligência. Assim, afasto a preliminar arguida. (...) Em relação à possibilidade de retificação da DCTF, o CARF, por diversas oportunidades já manifestouse no sentido de que é possível a retificação da DCTF mesmo após o despacho decisório, desde que juntamente com a retificação sejam trazidos aos autos os documentos comprobatórios da veracidade das informações prestadas na referida declaração. "Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF." (Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo 1 § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10783.906114/201543 Acórdão n.º 3302006.498 S3C3T2 Fl. 5 4 Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifou se)http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArq uivoBinario=0 Aliás, este foi o teor da Solução de Consulta n.02/2015, cujo fragmento abaixo transcrevese. "2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação." No caso concreto a Manifestação de Inconformidade da Recorrente limitouse a afirmar que "Não concordamos com a cobrança do saldo devedor no valor de (...) mais multa e juros por considerar que o débito já fora totalmente quitado, bem como, a compensação efetivamente correta por tudo já exposto acima. Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: Cópia da última alteração contratual consolidada, despacho decisório (...), Recibo da PER DCOMP, DCTF refiticadora, cópia da procuração e cópia da identificação do procurador." Como se percebe pelo afirmado na própria Manifestação de Inconformidade e pela análise das peças processuais, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de, no momento processual adequado e legalmente previsto para tanto, trazer aos autos provas do crédito alegado. Como bem salientou o Acórdão proferido pela DRJ, a alteração da DCTF ocorreu após a ciência do despacho decisório, sem que, contudo, houvessem sido trazidos aos autos as notas fiscais e os lançamentos contábeis que comprovassem os fundamentos fáticos para a alteração da DCTF. "Deste modo, a retificação pretendida, conforme somente poderia ser aceita se o recorrente tivesse apresentado a documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, para que se pudesse conhecer o valor do tributo devido e para que fosse comparado ao recolhimento efetuado. Ressalto que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo; tratando o presente caso de declaração de compensação, de interesse do contribuinte, cabe a ele o ônus comprobatório. Contudo, o interessado limitouse a retificar a DCTF, sem apresentar qualquer documento que lastreasse sua argumentação, restando impedida a convalidação Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10783.906114/201543 Acórdão n.º 3302006.498 S3C3T2 Fl. 6 5 da declaração retificadora apresentada pelo contribuinte e, conseqüentemente, prejudicada a análise da liquidez e certeza do direito creditório." Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitirse deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10783.906114/201543 Acórdão n.º 3302006.498 S3C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006329/2008-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO.
Ao contribuinte com idade igual ou superior a 60 anos é assegurado o direito de prioridade na tramitação dos processos e procedimentos, bem como na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância (Lei nº 10.741/2003, art. 71 - Estatuto do Idoso).
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. IRRF. COMPENSAÇÃO.
Para a compensação do IRRF no ajuste anual, os rendimentos sobre os quais ele incidiu terão de ter sido incluídos na base de cálculo do imposto a ser deduzido.
PREENCHIMENTO DA DIRPF. ERRO DE FATO. VERDADE MATERIAL. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.
Provado erro material decorrente de lapso manifesto no preenchimento da Declaração, razoável sua retificação de ofício pela autoridade administrativa, privilegiando o princípio da Verdade Material.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
Numero da decisão: 2003-000.003
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso, para que a Unidade preparadora retifique a DIRPF/2003, ano-calendário 2002, considerando as seguintes quantias originárias: 1. rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelo titular no valor de R$ 36.268,88; 2. rendimentos tributados exclusivamente na fonte no valor de R$ 2.462,03 - 13º salário; 3. IRRF a compensar no ajuste de R$ 6.004,43; e 4. IRRF incidente sobre o 13º salário de R$ 408,00.
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Ao contribuinte com idade igual ou superior a 60 anos é assegurado o direito de prioridade na tramitação dos processos e procedimentos, bem como na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância (Lei nº 10.741/2003, art. 71 - Estatuto do Idoso). IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. IRRF. COMPENSAÇÃO. Para a compensação do IRRF no ajuste anual, os rendimentos sobre os quais ele incidiu terão de ter sido incluídos na base de cálculo do imposto a ser deduzido. PREENCHIMENTO DA DIRPF. ERRO DE FATO. VERDADE MATERIAL. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Provado erro material decorrente de lapso manifesto no preenchimento da Declaração, razoável sua retificação de ofício pela autoridade administrativa, privilegiando o princípio da Verdade Material. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
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PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Ao contribuinte com idade igual ou superior a 60 anos é assegurado o direito de prioridade na tramitação dos processos e procedimentos, bem como na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância (Lei nº 10.741/2003, art. 71 Estatuto do Idoso). IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. IRRF. COMPENSAÇÃO. Para a compensação do IRRF no ajuste anual, os rendimentos sobre os quais ele incidiu terão de ter sido incluídos na base de cálculo do imposto a ser deduzido. PREENCHIMENTO DA DIRPF. ERRO DE FATO. VERDADE MATERIAL. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Provado erro material decorrente de lapso manifesto no preenchimento da Declaração, razoável sua retificação de ofício pela autoridade administrativa, privilegiando o princípio da Verdade Material. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 63 29 /2 00 8- 15 Fl. 85DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso, para que a Unidade preparadora retifique a DIRPF/2003, ano calendário 2002, considerando as seguintes quantias originárias: 1. rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelo titular no valor de R$ 36.268,88; 2. rendimentos tributados exclusivamente na fonte no valor de R$ 2.462,03 13º salário; 3. IRRF a compensar no ajuste de R$ 6.004,43; e 4. IRRF incidente sobre o 13º salário de R$ 408,00. Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, a qual julgou improcedente a impugnação que o Contribuinte apresentou pretendendo afastar glosa do Imposto de Renda Retido na Fonte, efetuada mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento O valor da restituição do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, apurado no exercício de 2004, anobase de 2003, foi reduzido de R$ 12.329,18 para R$ 40,14, em face de glosa da compensação do Imposto Retido na Fonte IRRF de R$ 12.289,05, não constante em Declaração do Imposto de Renda na Fonte DIRF da fonte pagadora (fls. 06/09). Impugnação Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, indicando a juntada de documentação comprobatória e alegando fazer jus à citada compensação, cujas razões seguem sumarizadas (fls. 02/04 e 28): 1. o IRRF no valor de R$ 12.289,05, apurado em face do processo trabalhista n° 013 RT 28205/1996, foi recolhido pela fonte pagadora em 11/12/2003 com o código 0561, 2. tem direito à restituição do valor apurado na Declaração retificadora do anobase 2003; 3. não foi intimado para prestar esclarecimentos, sendo o único prejudicado pela falha no preenchimento da Declaração original; 4. solicita que o débito tributário no valor original de R$ 3.443,90, apurado na Declaração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física DIRPF do exercício 2003, anobase 2002, seja compensado com o IRRF, cuja restituição está sendo pleiteada; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.006329/200815 Acórdão n.º 2003000.003 S2C0T3 Fl. 86 3 5. requer prioridade na tramitação do citado processo com base no Estatuto do Idoso, pois tem mais de 60 (sessenta) anos. Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, por maioria de votos, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, nestes termos (fls. 43/47): 1. não procede a alegação do Contribuinte no sentido de que não foi intimado a prestar esclarecimentos, porque a Intimação foi postada para o seu domicílio tributário; 2. não há documentação nos autos comprovando que os rendimentos originários da retenção discutida foram recebidos no anocalendário a que pertence a declaração retificadora (2003); 3. o Contribuinte pretendeu compensar IRRF de R$ 12.289,05 na DIRPF/2004, embora os rendimentos que lhes deram causa se referissem ao anobase 2002, conforme reconhece o próprio Impugnante; 4. realmente, na DIRPF/2003, foram oferecidos à tributação R$ 38.730,91 dessa fonte pagadora, que reteve e recolheu mencionado IRRF, sem haver qualquer compensação a tal título; 5. na declaração de ajuste anual, somente poderá ser compensado o IRRF decorrente dos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto devido; 6. deveria ter sido retificada a DIRPF/2003 anobase 2002 e não a DIRPF/2004 anobase 2003, já que ditos rendimentos foram recebidos e tributados naquele anocalendário (2002); 7. ainda que algum crédito fosse reconhecido, a DRJ não tem competência para analisar pedido de compensação. . Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, argumentando, em síntese, que (fls. 50/52): 1. tem mais de 60 (sessenta) anos de idade, razão por que requer prioridade na tramitação do citado processo com base no Estatuto do Idoso; 2. as divergências nas DIRPF/2003 e 2004 ocorreram devido a verbas recebidas de ação trabalhista; 3. em 16/12/2012, teve retirada líquida de R$ 57.061,26, cujo saldobase era de R$ 74.227,09; 4. do referido saldobase, ofereceu à tributação a quantia de R$ 38.730,91, correspondendo o valor remanescente, de R$ 35.496,18, a honorários pagos aos advogados (74.227,09 = R$ 38.730,91 + R$ 35.496,18); Fl. 87DF CARF MF 4 5. a guia de retirada, em 15/05/2003, corresponde ao recolhimento, em 11/12/2003, do IRRF código 0561; 6. em 2002, não poderia declarar um valor retido na fonte, que ainda não havia sido recolhido nem informado em DIRF. Assim, ofereceu os rendimentos recebidos naquele ano à tributação e, somente na Declaração do anobase 2003, buscou a restituição da mencionada retenção; 7. tivesse declarado mencionada compensação na DIRPF/2003, teria resultado imposto a restituir na ordem de R$ 10.119,93, e não a pagar no valor de R$ 3.443,90, como ocorreu. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 18/02/2010 (fls. 49), e a Peça recursal foi recebida em 19/03/2010 (fls. 50), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Estatuto do Idoso O Recorrente comprovou possuir mais de 60 (sessenta) anos de idade, razão por que lhe é assegurado o direito previsto no artigo 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), conferindolhe prioridade na tramitação dos processos e procedimentos, como também na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância. Logo, reconhecido e provido o direito requerido. Mérito Consoante visto no Relatório, houve retenção de IRRF no valor de R$ 12.289,05, incidente sobre rendimento recebido pelo Recorrente no anocalendário de 2002, mas seu recolhimento ocorreu somente no final do períodobase seguinte. Em virtude disso, mencionado direito deixou de ser deduzido na respectiva Declaração de ajuste, que apurou imposto devido, decorrente dos rendimentos que lhe deram causa. Dessa maneira, no descrito anocalendário, restou imposto a pagar de R$ 3.443,90, e não a restituir na ordem de R$ 8.845,15 (12.289,05 3.443,90). Nesse contexto, o Contribuinte retificou a DIRPF/2004, objetivando efetivar a dedução que imaginava ter direito, mediante a declaração do valor retido, desvinculada dos rendimentos sobre os quais houve dita incidência, e já haviam sido tributados no ano anterior. Assim sendo, ausentes esclarecimentos por parte do Autuado, como também comprovação de aludida retenção em DIRF da fonte pagadora, restou glosada mencionada pretensão por meio da reportada Notificação de Lançamento. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.006329/200815 Acórdão n.º 2003000.003 S2C0T3 Fl. 87 5 Convém ressaltar que a decisão de origem reconheceu ter ocorrido a retenção e o consequente recolhimento do IRRF no valor originário de R$ 12.289,05, bem como que os rendimentos do anocalendário 2002 foram oferecidos à tributação, sem que houvesse qualquer compensação do IRRF ora em questão. Contudo, fundamentou sua negativa de procedência da impugnação no fato do impugnante ter retificado a DIRPF/2004, e não a anterior, onde ditos rendimentos foram oferecidos à tributação. Do exposto, a questão a se debruçar remete para a compreensão do alcance da Lei nº 9.250, de 1995, art. 12, inciso V, frente ao caso concreto. Inicialmente, pertinente registrar ser razoável a admissão de documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal. Com efeito, tratase de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao qual me filio, pois, como se há verificar, aplicáveis ao feito os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, “...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; (grifo nosso) 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, devese trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operarse a preclusão; 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatamse aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Posta assim a questão, é de se verificar que, conforme a Lei nº 9.250, de 1995, arts. 12, inciso V, e 13, há uma condição para que o IRRF possa ser deduzido na apuração do ajuste anual, qual seja, os rendimentos sobre os quais ele incidiu terão de ter sido incluídos na base de cálculo do imposto a ser deduzido. Confirmase: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos [...] V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; Fl. 89DF CARF MF 6 Art. 13. O montante determinado na forma do artigo anterior constituirá, se positivo, saldo do imposto a pagar e, se negativo, valor a ser restituído. Admitida a dedução, porque atendido o requisito acima mencionando, caso a antecipação na fonte (IRRF) supere o imposto devido apurado no ajuste anual aí incluídos os rendimentos tributáveis, suas deduções e demais compensações permitidas em lei ao contribuinte será restituída a diferença apurada. Melhor esclarecendo, segundo a sistemática adotada na tributação da pessoa física, regra geral, o fato gerador do mencionado tributo ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, data referencial para apuração do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. Portanto, afastadas as exceções a exemplo, a da tributação definitiva no 13ª salário as despesas dedutíveis efetivamente pagas e os rendimentos tributáveis recebidos, juntamente com as antecipações do IRRF sobre estes incidentes ocorridos, exclusivamente, durante o recorte temporal anual, compreendido entre primeiro de janeiro e trinta e um de dezembro do correspondente anocalendário, serão levados a ajuste. Haja vista o acima mostrado, o IRRF traduz antecipação do imposto devido supostamente apurado no ajuste anual, motivo pelo qual somente dele poderá ser deduzido, porque decorrentes de rendimentos assemelhados. Ademais, não há se falar em levar rendimento tributável, despesa dedutível ou antecipação de IRRF de um anocalendário para outro, por estrita proibição legal. Visto o entendimento legal, vale consignar que, na documentação acostada aos autos, constam fatos relevantes para a solução do pressente litígio, quais sejam: 1. o valor do acordo homologado judicialmente foi de R$ 71.475,42, com correspondente retenção de INSS e IRRF nas quantias de R$ 2.178,00 e R$ 12.289,05 respectivamente, restando ao Recorrente o valor líquido de R$ 57.008,37 (fls. 75); 2. referido saldo líquido (acordo diminuído da Previdência e do IRRF) foi retirado, em 16/12/2002, mediante Guia de Retirada de R$ 57.008,37 (fls. 65); 3. a importância correspondente ao IRRF foi retirada em 15/05/2003, por meio da Guia de Retirada de R$ 12.289,05, cujo recolhimento se deu, em 11/12/2003, perfazendo a soma de R$ 13.563,83 em face dos acréscimos legais (fls.73/74); 4. ao escritório de advocacia, coube a quantia de R$ 35.496,18 25% de honorários: R$ 23.825,15; 05% de contrato de honorários: R$ 4.765,03; custas de diligência ref. contrato de honorário: 5.000,00 e 02% de custas de cálculos periciais: R$ 1.906,61 (fls. 50 e 77); 5. o Recorrente declarou R$ 38.730,91, valor correspondente à diferença entre o total de retiradas do valor depositado de R$ 74.227,09 e os honorários com advogados, na ordem de R$ 35.496,18 (fls. 40, 50, 77, 79 e 80); 6. a DIRPF/2003, anocalendário 2002 recibo nº 35.51.65.82.6012 foi transmitida às 15:14:16 segundos do dia 25/06/2007, nela sendo declarados os rendimentos tributáveis de R$ 38.730,91, sem a compensação do supracitado IRRF de R$ 12.289,05, o que resultou imposto a pagar no valor de R$ 3.443,90 (fls. 40 e 80); Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.006329/200815 Acórdão n.º 2003000.003 S2C0T3 Fl. 88 7 7. a DIRPF/2004 retificadora, anocalendário 2003 recibo nº 14.50.69.43.3686 foi transmitida às 15:14:41 segundos do mesmo dia 25/06/2007, nela sendo declarado o IRRF de R$ 13.425,97 (fls. 19 e 81), a qual foi novamente retificada em 28/06/2007, reduzindo a fonte declarada para o valor originalmente retido de R$ 12.329,18 (fls. 19, 81 e 82). Outrossim, significativo registrar que a documentação apresentada nada se refere ao âmago do fundamento da decisão de piso, caracterizado pela impossibilidade de ser declarado IRRF em ano subsequente àquele da tributação dos rendimentos que lhes deram origem. Entretanto, tanto na impugnação como no recurso, o Contribuinte argumenta e prova ter recebido rendimento tributável no anocalendário de 2002, o qual foi oferecido à tributação sem a respectiva compensação do IRRF sobre ele incidente, sucedendo imposto a pagar, e não a restituir. Fato reconhecido, inclusive, na decisão de origem. Assim sendo, concordamos com o argumento da decisão de primeira instância, no sentido de que a retificação da DIRPF/2004, anocalendário 2003, não se apresenta razoável para apurar restituição correspondente a IRRF no anobase de 2002. Por conseguinte, mencionada retenção teria de ter sido compensada na DIRPF/2003, correlata ao período de ocorrência dos fatos geradores do rendimento tributável e respectiva tributação na fonte. Não obstante isso, razoável compreender se tratar de erro material devido a lapso manifesto tocante à escolha do "formulário" apropriado para a declaração do imposto que se pretendia compensar, supostamente motivado pelo fato do Juiz somente ter determinado a liberação da importância correspondente a referido IRRF no dia 15/05/2003, o qual foi recolhido em 11/12/2003 (fls. 73/74). Entendido dessa maneira, ponderado compreender a alegação do Recorrente de que a escolha da Declaração onde se daria referenciada compensação teve por pressuposto o ano da liberação judicial dos recursos e do recolhimento de reportado imposto, não se levando em conta a presunção legal de retenção materializada no ato do recebimento, ocorrido em 16/12/2002, dos declarados rendimentos. Nessa ótica, como se pode notar, as Declarações atinentes aos anosbase 2002 e 2003 foram apresentadas na mesma data, inclusive, com espaço temporal de apenas 25 segundos entre uma e outra. Mais uma vez narrando, a primeira, oferecendo o rendimento à tributação, a outra, buscando a compensação do IRRF em discussão. Por conseguinte, não fosse revelado erro material, reportada Fonte teria sido informada juntamente com o rendimento que lhe deu causa na DIRPF/2003, onde se daria a pretendida compensação, o que afastaria o objeto da retificação em litígio, porque somente a isso se convinha. A propósito, o entendimento de modo diverso traduzirá injusto enriquecimento sem causa para o Estado, porquanto seguirá cobrando imposto apurado indevidamente no valor originário de R$ 3.443,90, como também impedindo a restituição da quantia remanescente a que o Recorrente supostamente tem direito. Por conseguinte, seguramente, esse não é o rumo que se espera da administração tributária, sujeita, especialmente, aos princípios da verdade material, do interesse público e do formalismo moderado. Por conseguinte, a autoridade judicante administrativa deverá prolatar sua decisão com base na versão mais legítima dos fatos, como tal, buscando, de ofício, alcançar as respostas mais apropriadas para o interesse público tutelado. Afinal, assim agindo, atendendo está aos princípios constitucionais próprios da administração pública legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (CF, de 1988, art. 37). Fl. 91DF CARF MF 8 Nessa concepção, os documentos acostados aos autos fazem prova de que o Recorrente foi injustamente tributado, razão pela qual citada antecipação do imposto não pode ser completamente desconsiderada tanto, pela negativa da compensação em debate, como pela preclusão do direito do Recorrente retificar sua DIRPF/2003. Desse modo, pertinente dita retificação ser efetivada de ofício pela própria autoridade administrativa, para sanar o erro material comprovado, fato justificável à luz do entendimento da administração tributária e do STJ. Confirmase: Parecer Normativo COSIT nº 8, de 2014 Retificação de ofício de débito confessado em declaração 41. As declarações entregues para comunicar a existência de crédito tributário, representando confissão de dívida nos termos do §1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, tais como DCTF, DIRPF, DITR e GFIP, podem ser retificadas espontaneamente pelo sujeito passivo, com espeque no art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, atendidos os limites temporais estabelecidos em normas específicas (§ 2º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 – DCTF, art. 5º da IN RFB nº 958, de 15 de julho de 2009 – DIRPF e DITR; art. 463 da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 – GFIP), respeitado o prazo de cinco anos para retificação (conforme Parecer Cosit nº 48, de 07 de julho de 1999). 42. Não mais sendo possível retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Conclusão 81. Em face do exposto, concluise que: [...] b) a retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração; Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.006329/200815 Acórdão n.º 2003000.003 S2C0T3 Fl. 89 9 PGFN/CAT/Nº 591, de 17/04/2014 22. Desse modo, respondendo a consulta formulada pelas Procuradorias Regionais da 3ª e 4ª Regiões, quanto a necessidade de correção do lançamento, entendemos que a melhor interpretação quanto à correção do erro no lançamento previsto no Art. 149, Inciso VIII do CTN, em função de fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, é de que esse erro deve ser entendido em sua concepção mais ampla, relativa ao fato como um todo que ensejou a incidência, incluindo aquele decorrente da não apresentação tempestiva de documentos legítimos que alterem o montante devido, devendo a administração promover a correção do erro, ainda que tenha sido ocasionado pelo administrado. CARF Segunda Seção. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Acórdão nº 2201003.582. Sessão de 06 de abril de 2017 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. CONTRIBUINTE NÃO PROVEDOR DOS ALIMENTOS. DIRPF. PREENCHIMENTO. ERRO DE FATO. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. APLICAÇÃO. RETIFICAÇÃO Constatado erro de fato no preenchimento da DIRPF, deve ser determinada sua retificação de ofício, em homenagem ao primado da Verdade Material. STJ REsp 1.133.027/SP Rel. Min. LUIZ FUX, Rel. p/ Acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Primeira Seção, julgado em 13/10/2010, DJe 16/03/201 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (ART. 543C, § 1º, DO CPC). AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO COM BASE EM DECLARAÇÃO EMITIDA COM ERRO DE FATO NOTICIADO AO FISCO E NÃO CORRIGIDO. VÍCIO QUE MACULA A POSTERIOR CONFISSÃO DE DÉBITOS PARA EFEITO DE PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE DE REVISÃO JUDICIAL. 1. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o lançamento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (art. 145, III, c/c art. 149, IV, do CTN). 2. A este poder/dever corresponde o direito do contribuinte de retificar e ver retificada pelo Fisco a informação fornecida com erro de fato, quando dessa retificação resultar a redução do tributo devido. Fl. 93DF CARF MF 10 Cumpre salientar que, segundo o inciso III do art. 638 do Decreto nº 3.000, de 1999 (vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018), a tributação do 13º salário é exclusiva na fonte e separada dos demais rendimentos, aí se considerando o rendimento tributável e as respectivas deduções, nestes termos: Art. 638. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário (CF, art. 7º, inciso VIII) estão sujeitos à incidência do imposto na fonte com base na tabela progressiva (art. 620), observadas as seguintes normas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 26, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 16): [...] III a tributação ocorrerá exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário; Nesse pressuposto, as despesas dedutíveis são abatidas do montante tributável referente ao 13º salário que lhes deu origem (tributação definitiva, porque não vai no cômputo do ajuste anual), separadamente dos demais rendimentos tributáveis e respectivas deduções apurados na Declaração de Ajuste Anual. Exemplificando o acima mostrado, considerando um salário no valor de R$ 10.000,00, que supostamente terá IRRF de R$ 1.500,00 no mês de dezembro e, igualmente, no 13º salário, afastados os demais eventos, há de se apurar: 1. no mês de dezembro, restam R$ 8.500,00 de salário e IRRF de R$ 1.500,00, ambos levados a ajuste anual; 2. no 13º salário, restam R$ 8.500,00 de salário e IRRF de R$ 1.500,00 tributados definitivamente, porque nem o rendimento tributável nem a Fonte entrarão no montante a ser ajustado anualmente. Visto tais considerações, os autos indicam que o IRRF de R$ 12.289,05 teve por base de cálculo o montante tributável apurado na avença, nele consideradas as parcelas do Recorrente, aí incluído o 13º salário, e a dos honorários advocatícios. Por conseguinte, há se ratear aludido IRRF proporcionalmente a tais quantias, já que somente a parcela originária dos rendimentos do Recorrente sujeita ao ajuste anual poderá ser compensada com o imposto devido apurado na declaração retificada de ofício. Assim definido, destacase tais parcelas: 1. rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelo titular R$ 36.268,88, decorrente da diferença entre o valor global pertencente ao Contribuinte e a parcela representativa do 13º salário (R$ 38.730,91 R$ 2.462,03) = 48,86%; 2. rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva R$ 2.462,03, correspondente à soma das verbas "Reflexos das HE + RSR em 13º salário" no valor de R$ 2.216,66 e "Rescisórias 13º salário" de R$ 245,37 (fls. 75) = 3,32%; 3. honorários advocatícios na quantia de R$ 35.496,18 = 47,82% 4. montante global R$ 74.227,09 (R$ 36.268,88 + R$ 2.462,03 + R$ 35.496,18) = 100%; Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.006329/200815 Acórdão n.º 2003000.003 S2C0T3 Fl. 90 11 Do exposto, há se considerar as quantias originárias de R$ 6.004,43 (48,86% de R$ 12.289,05 ), referente ao IRRF a compensar no ajuste, e de R$ 408,00 (3,32% de 12.289,05), correspondente à parcela tributada definitivamente sobre o 13º salário. Naturalmente, conforme já se explanou, incabível a compensação do IRRF incidente sobre a parcela dos honorários, visto tais rendimentos não integrarem a base de cálculo do imposto a ser deduzido. Por fim, dada a robusta comprovação da ocorrência de erro material decorrente de lapso manifesto, com vistas nos princípios e demais fundamentos retrocitados, razoável a DIRPF/2003, anocalendário 2002, ser retificada pela Unidade preparadora, ali se considerando as seguintes quantias originárias: 1. rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelo titular no valor de R$ 36.268,88; 2. rendimentos tributados exclusivamente na fonte no valor de R$ 2.462,03 13º salário; 3. IRRF a compensar no ajuste de R$ 6.004,43; 4. IRRF incidente sobre o 13º salário de R$ 408,00. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos dispostos no parágrafo precedente. Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 95DF CARF MF
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