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Numero do processo: 19515.000760/2002-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS
Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Lei nº 9.430/96, art. 42.
INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS LEGAIS OU REGULAMENTARES
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária ou de seus regulamentos. Inteligência do caput do art. 26-A do Decreto nº 70.235 e da da Súmula CARF nº 2.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Lei nº 9.430/96, art. 42. INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS LEGAIS OU REGULAMENTARES O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária ou de seus regulamentos. Inteligência do caput do art. 26A do Decreto nº 70.235 e da da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 60 /2 00 2- 15 Fl. 172DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 19515.000760/200215 Acórdão n.º 2402005.667 S2C4T2 Fl. 173 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II – DRJ/SPII (fls. 138/148), que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, relativo ao ano calendário 1998 / exercício 1999, o qual resultou na exigência de crédito tributário no valor de R$ 441.561,59, montante que inclui valor principal (R$ 190.821,78), multa de ofício de 75% (R$ 143.116,33) e juros de mora calculados até 30/8/2002 (R$ 107.623,48). Consta do Auto de Infração (fls. 86/88) que o procedimento teve origem na apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por bem retratar as razões aduzidas pela fiscalização para a efetivação do lançamento e as alegações trazidas pelo contribuinte na peça impugnatória, reproduzemse os trechos correspondente do Acórdão nº 1727.151 da 9ª Turma da DRJ/SPII: Cientificado do Auto de Infração em 17/09/2002, pessoalmente, conforme sua assinatura (fl. 81), o contribuinte apresentou, em 17/10/2002, a impugnação de fls. 88/105, acompanhada de documentos de fls. 106/130, alegando, em síntese, que: 1) a estrita legalidade no campo do direito tributário não pode dar lugar a presunções e suposições; a. é legítima a declaração dada pelo contribuinte ao fisco de que, como administrador de bens de terceiros, os valores movimentados em suas contas bancárias não lhe pertenciam, pois apenas transitavam pelas mesmas para que fossem remetidas aos seus reais destinatários e proprietários; b. embora toda receita corresponda a uma entrada financeira, é cediço que nem toda entrada financeira constitua uma receita, obter receita significa auferir acréscimo patrimonial; c. não pode ficar ao arbítrio da Administração ampliar ou restringir o conceito de disponibilidade econômica; d. obrigatório ao Fisco identificar a materialidade do acréscimo econômico comprovando sua verdadeira existência, sob pena de desrespeito ao contraditório e ampla defesa do contribuinte; Fl. 174DF CARF MF 4 e. a autuação, na maneira como se constituiu compromete a validade e eficácia do lançamento tributário tal como delimitado no CTN, art. 142; 2) a presente autuação parece consistir em verdadeira volúpia arrecadatória do ente tributante, visto que o procedimento do autuado sempre se pautou pela mais estrita obediência às regras tributárias e fiscais; 3) a quebra do sigilo bancário do contribuinte é vedada pela Constituição da República; a. a CF, art. 5º, X assegura a inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas; b. a CF, arts. 5°, XII e 93, IX garantem que a inviolabilidade, no presente caso, só pode ser quebrada por determinação judicial; c. a jurisprudência dos nossos Tribunais admite a afronta aos direitos individuais quando preexistentes elementos mínimos de prova de autoria do delito. A quebra do sigilo bancário é um complemento de prova, nunca um ponto de partida como aqui ocorre; d. o lançamento fiscal desrespeita o devido processo legal (CF, art. 5°, LIV) e as garantias ratificadas no art. 145 § 1º da CF; 4) o procedimento do Fisco Federal ao valerse do cruzamento da CPMF para supor disponibilidade econômica promoveu a produção de prova ilícita; 5) ao enfrentar o tema dos depósitos bancários, o extinto TRF terminou por editar a conhecida Súmula 182, estabelecendo que a movimentação bancária, por si só, não constitui fato gerador de imposto; 6) traz aos autos jurisprudência dos Tribunais e do Conselho de Contribuintes favoráveis às teses por ele aqui levantadas; Pelos motivos expostos, requer a nulidade do lançamento. A DRJ/SPII, por seu turno, julgou a impugnação improcedente em razão dos entendimentos expostos a seguir: a) lançamentos com base em movimentação financeira fatos geradores após 01/01/1997: o art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; tal presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 19515.000760/200215 Acórdão n.º 2402005.667 S2C4T2 Fl. 174 5 Constituise, assim, de uma presunção relativa, passível de prova em contrário; o contribuinte não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem da totalidade dos valores creditados em suas contas bancárias. Por este motivo, os valores cuja origem não foi comprovada integraram os fatos geradores do regular lançamento fiscal ora em lide; b) constitucionalidade/legalidade do lançamento fiscal: em sede administrativa não cabe o exame desta questão; a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, sendo inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois a autoridade encontrase vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais limites para examinar questões outras como as suscitadas na contestação em exame; c) decisões administrativas e judiciais: as decisões judiciais citadas pelo interessado não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose às partes envolvidas naquele litígio, observandose o disposto nos arts. 102, § 2°, e 103A da Constituição Federal, com redação dada pela Emenda Constitucional n.° 45, de 08/12/2004, além do art. 8º desta Emenda; é improfícua a jurisprudência administrativa trazida pelo contribuinte, porque relativa a lançamentos respaldados em leis anteriores à edição da Lei n° 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos; A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos não é parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundamentados em lei superveniente Lei n° 9.430, de 1996; d) excesso de exação: descabida a arguição do contribuinte visto que a autuação em pauta foi efetuada em estrita observância à legislação de regência, quer na definição do fato gerador e do montante tributável, quer na imposição dos acréscimos legais; e) utilização de prova ilícita pelo Fisco: a obtenção pela autoridade fiscal de informações junto às instituições financeiras está amparada legalmente. Em seu Recurso Voluntário (fls. 154/166) o sujeito passivo argumenta, em síntese, que: a) era imperioso que a Administração lhe permitisse a demonstração de forma cabal das receitas então obtidas por força de sua atividade profissional, nunca, jamais e em tempo algum, presumisse a omissão de rendimentos, nada autorizando a presunção de que teria havido acréscimo patrimonial a descoberto; Fl. 176DF CARF MF 6 b) a estrita legalidade não pode dar lugar a presunções e suposições sem o necessário respaldo jurídicolegal; c) conquanto se esteja no caso sob apreciação na esfera da presunção, não fica ao exclusivo talante da Administração Pública ampliar ou restringir o conceito de disponibilidade econômica ou jurídica de renda; d) o fato gerador do Imposto de Renda consiste na aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (CTN, art. 43, inc. I), em sua feição de renda presumida (CTN, art. 44), cuja expressão econômica imponível se dogmatiza claramente na legislação ordinária em vigor; d) a decisão recorrida não consegue destruir lição exemplar no campo das finanças: “Receita é quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do seu resultado”. Cita doutrina a respeito do conceito de receita; e) o acórdão da Delegacia de Julgamento ignora que o recorrente foi atingido pela volúpia arrecadatória do ente tributante, que deseja enxergar, sempre, a supressão ou a redução no pagamento de impostos, nesse Brasil já por demais acostumado a estrangular o empresariado e comprometer o próprio tecido social com uma carga tributária das mais vorazes, draconianas e, francamente, descompassadas da capacidade contributiva dos cidadãos; f) a fundamentação do acórdão recorrido a respeito da quebra de sigilo bancário não tem o poder de afastar a força da tese defendida pelo Recorrente. O sigilo bancário jamais poderia ter sido quebrado, sem nenhum outro elemento indiciário, para daí aferirse o cometimento de falta fiscal pelo cidadão; g) em decisão singular sobre a matéria, o Ministro do STF Marco Aurélio concedeu liminar em ação cautelar para sustar os efeitos da quebra do sigilo até o julgamento do respectivo recurso extraordinário (AC 33/03). Isso revela, por si só, o incrível desacerto do acórdão que, no âmbito fiscal, afastou os sólidos e robustos argumentos do contribuinte. Além das alegações reproduzidas acima, o sujeito passivo repisa as razões trazidas na peça impugnatória e requer o cancelamento integral do aludido auto de infração, ou, alternativamente, o refazimento do lançamento tributário, dele expurgandose os vícios e defeitos que o maculam, inapelavelmente, mas com restituição do direito de defesa, constitucionalmente assegurado. O processo foi sobrestado forma do art. 62 A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF. Revogado o dispositivo regimental, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 19515.000760/200215 Acórdão n.º 2402005.667 S2C4T2 Fl. 175 7 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em sede de normas gerais, o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estabelece como fato gerador do imposto de renda a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda). Vejamos: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No mesmo sentido, a o § 1º do art. Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dispõe: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] De se observar que, além dos valores compreendidos no conceito de renda, o imposto alcança ainda os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. No caso sob análise, têmse que a Fiscalização constatou a ocorrência de acréscimos patrimoniais decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. Com relação essa modalidade de depósitos, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prescreve: Fl. 178DF CARF MF 8 Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. [...] Consoante abordado no acórdão recorrido, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Referida presunção impõe o lançamento do imposto correspondente quando o titular de conta bancária não comprove, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos que lhe tenham sido creditados. Na hipótese referida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos revertese em desfavor do contribuinte, o qual necessita comprovar a origem jurídica dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se elidir da tributação. Tratase, pois, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção. No presente caso, embora o Recorrente assegure que os depósitos feitos em suas contas bancárias decorreriam da atividade profissional de administrador de bens de terceiros por ele exercida e que os valores movimentados nessas contas não lhe pertenciam, pois apenas transitavam pelas mesmas para que fossem remetidas aos seus reais destinatários e proprietários, o fato é que, a despeito do que dispõe a lei, nas diversas oportunidades que lhe foram ofertadas (na fase anterior ao lançamento, por meio das solicitações de esclarecimentos por parte da autoridade autuante e na impugnação do lançamento), o sujeito passivo não logrou Fl. 179DF CARF MF Processo nº 19515.000760/200215 Acórdão n.º 2402005.667 S2C4T2 Fl. 176 9 comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que circularam nas contas bancárias de sua titularidade. Vejase que, de acordo com o Termo de Constatação de fls. 79/83, foram considerados pela Fiscalização todos os documentos acostados aos autos que se prestaram a comprovar a origem dos depósitos bancários investigados: 13. Desta forma, do total solicitado de R$794.072,49, o contribuinte conseguiu comprovar R$ 86.466,00, sendo portanto considerado como omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários não comprovados o valor de R$709.606,49 (setecentos e nove mil, seiscentos e seis reais e quarenta e nove centavos), distribuído por todos os meses do ano calendário de 1998, conforme discriminação abaixo: (Grifo do original) Asseverese que a presunção legal de omissão de rendimentos somente pode ser afastada quando são trazidos aos autos elementos de prova que permitam a identificação da fonte do crédito, de seu valor e a data, além, principalmente, da demonstração inequívoca da causa pela qual os créditos foram efetuados na conta mantida em instituição financeira pelo autuado. Nesse sentido, para cada crédito em conta corrente, o contribuinte deveria ter apresentado documento apto a revelar sua estrita relação com a fonte dos recursos que desejasse comprovar. Há de se reiterar que, nos casos de depósitos bancários de origem não identificada, o ônus da prova recai exclusivamente sobre o autuado, não bastando para tal mister a simples apresentação de negativa geral ou afirmações genéricas acerca da origem dos recursos. Por todo o exposto, verificase que, diferentemente do que fora alegado, não houve vício de legalidade no lançamento, haja vista que a autoridade autuante, tendo constatado a existência de depósitos não identificados em contas bancárias de titularidade do contribuinte, solicitou a comprovação da origem dos recursos respectivos e, não tendo sido apresentados os documentos que pudessem atestar a procedência desses recursos, efetuou o lançamento do crédito tributário, nos estritos termos do § 4º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e em consonância com o inciso II do art. 43 CTN e com o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713/88, não ampliando e nem restringido quaisquer dos conceitos de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, consoante aduzido na peça recursal. Assim, completamente desarrazoada a assertiva do contribuinte de que a DRJ/SPII teria ignorado que o Recorrente foi atingido pelo que ele denomina “volúpia arrecadatória do ente tributante”. Ora, se o lançamento foi efetuado em estrita observância aos contornos estabelecidos na legislação de regência, não é razoável considerar a ocorrência de excessos por parte da administração tributária no que se refere à autuação contestada. Além disso, não há aqui nenhum conflito com o art. 43 do CTN ao se tributar rendimentos omitidos com base em presunção legalmente estabelecida, cabendo reproduzir o artigo seguinte da mesma norma legal (art. 44 do CTN) que estabelece a hipótese de que seja considerado como base de cálculo do imposto o montante regularmente presumido pela autoridade fiscal: Fl. 180DF CARF MF 10 Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. (grifei) Quanto à decisão administrativa trazida à colação pelo contribuinte, importa esclarecer que essa foi adotada em razão de fatos geradores ocorridos em períodos muito anteriores à edição da Lei nº 9.430/1996. Tratase de acórdão prolatado em face do inciso VII do art. 9º do DecretoLei nº 2.471/1988, o qual determinou o cancelamento ou o arquivamento de processos relativos a imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Vejamos: Art. 9° Ficam cancelados, arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: [...] VII do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Em vista disso, constatase que o acórdão suscitado no recurso voluntário em nada acode o sujeito passivo. É que referida decisão, muito embora prolatada depois da edição da Lei n° 9.430/96, se refere justamente a fatos geradores ocorridos no período anterior. De tal sorte, esse acórdão, por seu anacronismo, está aqui descontextualizado, e nada traz que possa macular o feito fiscal. O mesmo se pode dizer da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos que, por ter sido editada sob a égide de normas completamente diversa daquelas vigentes à época da ocorrência do fato gerador do tributo objeto do lançamento ora analisado, também não serve de esteio para as asserções do Recorrente. Quanto à arguição sobre a pretensa imprestabilidade do trabalho fiscal em razão de suposta quebra do sigilo bancário do autuado, o que eivaria o lançamento de inconstitucionalidade por afronta ao inciso LIV do art. 5º e ao § 1º do art. 145 da Constituição e relativamente à hipotética ilicitude das provas que deram suporte à autuação, o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 dispõe: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. O Decreto nº 3.724/2001, por seu turno, regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, estabelecendo critérios para o acesso a informações acerca de operações financeiras de posse de instituições financeiras, bem assim sobre a preservação do sigilo das informações obtidas. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 19515.000760/200215 Acórdão n.º 2402005.667 S2C4T2 Fl. 177 11 Convém mencionar que o procedimento fiscal que deu origem ao auto de infração que ora se discute foi realizado sob a égide o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001 e que as informações que deram origem ao lançamento foram obtidas pela fiscalização com base nas citadas normas. Assim, a asserção de que o lançamento seria inconstitucional e de que as provas que deram suporte à constituição do crédito tributário foram obtidas por meios ilícitos equivale a afirmar que o dispositivo da Lei Complementar e o Decreto referenciados acima seriam inconstitucionais ou ilegal (no caso específico do Decreto). Ocorre que, a teor do disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, recepcionado pela ordem constitucional vigente com força de lei, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos relacionados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido, é o art. 62 do RICARF, em relação à segunda instância administrativa: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; Fl. 182DF CARF MF 12 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desse modo, não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de normativos legais e regulamentares, mediante afastamento de sua aplicação. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei. In verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem lançamento de crédito tributário sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Não obstante, a respeito dessas matérias (quebra de sigilo bancário e ilicitude das provas), importa reproduzir trechos de decisão do Supremo Tribunal Federal STF, entalhados nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 2.859 Distrito Federal: 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19515.000760/200215 Acórdão n.º 2402005.667 S2C4T2 Fl. 178 13 intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa. [...] 9. Ação direta de inconstitucionalidade nº 2.859/DF conhecida parcialmente e, na parte conhecida, julgada improcedente. Ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, 2397, e 2386 conhecidas e julgadas improcedentes. Ressalva em relação aos Estados e Municípios, que somente poderão obter as informações de que trata o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de maneira análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, de modo a resguardar as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários. (Grifos do orignal) No mesmo sentido temse também decisão do STF, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário RE 601.314 São Paulo: 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. De se ressalvar que, mesmo que fosse possível a análise constitucionalidade ou legalidade de leis ou decretos pelos órgãos de julgamento administrativo, a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001 foi Fl. 184DF CARF MF 14 confirmada pelo STF, o que sepulta a premissa suscitada pelo recorrente acerca da ilicitude das provas que deram suporte à constituição do crédito tributário ou da inconstitucionalidade do lançamento. Acrescentese a isso que a decisão singular proferida no âmbito do STF nos autos da Ação Cautelar nº 33/03, e que revelaria o desacerto do acórdão recorrido, também sucumbiu diante das sentenças proferidas em face da ADI 2.859 e do RE 601.314. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007112/2006-52
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2000 EXCLUSÃO. DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA. Será excluída do Simples a pessoa jurídica que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Numero da decisão: 1803-001.249
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2000 EXCLUSÃO. DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA. Será excluída do Simples a pessoa jurídica que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cuja exigibilidade não esteja suspensa. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.007112/200652 Acórdão n.º 180301.249 S1TE03 Fl. 449 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.007112/200652 Acórdão n.º 180301.249 S1TE03 Fl. 450 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 427verso): A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo Nº 17, de 14/02/2007, de emissão do Delegado da Receita Federal em CuritibaPR, tendo por fundamentação o Despacho Decisório de fl. 38/40, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), informando, como causa, a existência de débitos inscritos na Dívida Ativa da União, com exigibilidade não suspensa, em afronta ao disposto no inciso XV do artigo 9º da Lei nº 9.317, de 1996. 2. A ação que culminou com a exclusão da contribuinte ao Simples teve origem na análise do Requerimento de fl. 02, onde a interessada pede a inclusão de ofício no Simples, com efeitos desde 01/01/1999, além de pedir permissão para retificar a Declaração Anual do ano de 1999, exercício 2000, que havia sido entregue no formulário do Lucro Presumido. O referido requerimento foi instruído com os documentos de fls. 03 a 34. 3. Cientificada do ato de exclusão, a reclamante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 47/51, para afirmar que é pessoa jurídica de direito privado, inscrita no Simples desde 01/01/2000, sendo que havia feito a opção pelo referido regime desde 01/01/1999, conforme pagamentos efetuados e, ao perceber que o enquadramento ocorreu para o anocalendário de 2000, protocolou o pedido para que o mesmo fosse estendido também para 1999; que, quando da análise do pedido, foi constatada a existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, o que acarretou a edição do Ato Declaratório de Exclusão que ora ataca; que a exclusão não deve prosperar, pois o referido débito é objeto de discussão judicial no processo nº 96.00194114, em trâmite perante a 1ª Vara de Execuções Fiscais de Curitiba. 4. Relata o trâmite do processo e reconhece a existência de Embargos à Execução sob o nº 2004.70.00.0021679, ainda sem julgamento final. Anexa cópia integral dos processos judiciais para comprovar suas alegações e sustenta que inexiste razão para sua exclusão do Simples, posto que, desde maio de 1998, procurou, por todos os meios, provar a quitação da suposta dívida. 5. Pede que sejam acatados seus argumentos, para permitir a permanência no Simples, bem como seja autorizada a retificação da declaração apresentada para o anocalendário de 1999, no formulário do Lucro Presumido e lhe seja autorizado o Recurso ao Conselho de Contribuintes. 6. Juntou os documentos de fls. 52/200, 201/400 e 401/418. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 427): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.007112/200652 Acórdão n.º 180301.249 S1TE03 Fl. 451 4 EXCLUSÃO AO SIMPLES POR EXISTÊNCIA DE DÉBITOS SUBMETIDOS AO JUDICIÁRIO. A existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não se encontra suspensa, constitui hipótese de exclusão ao benefício do Simples. Solicitação Indeferida. 3. Cientificada da referida decisão em 06/08/2009 (fls. 432), a tempo, em 27/08/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 435 a 438, instruído com os documentos de fls. 439 a 445, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.007112/200652 Acórdão n.º 180301.249 S1TE03 Fl. 452 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Título 4. Dispõe o art. 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...]; XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; 5. Afirma a Recorrente que a exclusão não deve prosperar, pois o referido débito é objeto de discussão judicial no processo nº 96.00194114, em trâmite perante a 1ª Vara de Execuções Fiscais de Curitiba. Informa, ainda, a existência de Embargos à Execução sob o nº 2004.70.00.0021679, ainda sem julgamento final. 6. Acerca dessa ação judicial, é a seguinte a decisão final nele prolatada (grifouse): APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0021679/PR RELATOR-:-Des. Federal ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA APELANTE-:-LEBLON TURISMO LTDA ADVOGADO-:-Marcos Wengerkiewicz e outros APELADO-:-UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO-:-ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional DECISÃO Leblon Turismo Ltda opôs embargos à execução fiscal promovida pela Fazenda Nacional. Sustenta, em síntese, existência de coisa julgada material a impedir a execução dos valores pretendidos pela Fazenda Nacional. Atribuiu à causa, em 07/01/2004, o valor de R$ 7.339,00. A sentença proferida julgou improcedentes os presentes embargos. Deixou de condenar a embargante em honorários Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.007112/200652 Acórdão n.º 180301.249 S1TE03 Fl. 453 6 advocatícios face à incidência, na execução fiscal, do encargo de 20% previsto no DecretoLei nº 1.025/69. Irresignada, apelou a embargante reiterando os argumentos lançados na petição inicial. Com contrarrazões, vieram os autos a esta Corte. Antes do julgamento da apelação, informou a Fazenda Nacional a extinção da execução fiscal embargada pela remissão (fl. 303). Daí evidenciase que os presentes embargos à execução fiscal perderam seu objeto, pois extinto o crédito tributário executado. Frente ao exposto, julgo os presentes embargos extintos sem julgamento do mérito, prejudicada a apelação, forte no art. 267, VI, do CPC. Intimemse. Publiquese. Após, dêse baixa na SRIP e remetamse os autos ao Juízo de origem, com as cautelas de estilo. Porto Alegre, 08 de julho de 2011. Juiz Federal ARTUR CÉSAR DE SOUZA Relator 7. Por outro lado, enquadrandose a Recorrente, à época da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), no disposto no art. 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317, de 1996 (débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa), é cabível a exclusão procedida. 8. Destacase, ainda, o contido no item 11 da decisão recorrida (fls. 428 e verso) (destacouse): 11. Pois bem, conforme consta do artigo 151 acima transcrito, constituem hipóteses de suspensão de exigência do crédito tributário o depósito do seu montante integral ou a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. Nenhuma destas hipóteses foi preenchida pela contribuinte e, desta forma, sua exclusão ao Simples não merece reparos. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.007112/200652 Acórdão n.º 180301.249 S1TE03 Fl. 454 7 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13888.723796/2014-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. AFRFB. JURISDIÇÃO
É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN.
O artigo 135 encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. No caso em tela, tal circunstância restou caracterizada pelo desvio de recursos da pessoa jurídica para operações fora do objeto social da empresa e beneficiando terceiros estranhos a ela, em violação inclusive ao contrato social
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO.
Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhes deram origem.
MULTA DE OFÍCIO, NATUREZA CONFISCATÓRIA.
A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
CUSTOS OU DESPESAS INEXISTENTES. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo deduz, na base de cálculo dos tributos, custos ou despesas referentes a operações inexistentes.
MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
CSLL. AUTUAÇÃO REFLEXA.
Por se tratar de lançamento reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
Numero da decisão: 1402-002.460
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conhecer do recurso quanto à natureza confiscatória do percentual da multa de ofício e rejeitar a arguiçao de decadência. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. AFRFB. JURISDIÇÃO É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. No caso em tela, tal circunstância restou caracterizada pelo desvio de recursos da pessoa jurídica para operações fora do objeto social da empresa e beneficiando terceiros estranhos a ela, em violação inclusive ao contrato social Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhes deram origem. MULTA DE OFÍCIO, NATUREZA CONFISCATÓRIA. A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). CUSTOS OU DESPESAS INEXISTENTES. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo deduz, na base de cálculo dos tributos, custos ou despesas referentes a operações inexistentes. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 CSLL. AUTUAÇÃO REFLEXA. Por se tratar de lançamento reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
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AFRFB. JURISDIÇÃO É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. No caso em tela, tal circunstância restou caracterizada pelo desvio de recursos da pessoa jurídica para operações fora do objeto social da empresa e beneficiando terceiros estranhos a ela, em violação inclusive ao contrato social ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhes deram origem. MULTA DE OFÍCIO, NATUREZA CONFISCATÓRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 37 96 /2 01 4- 90 Fl. 2296DF CARF MF 2 A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). CUSTOS OU DESPESAS INEXISTENTES. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo deduz, na base de cálculo dos tributos, custos ou despesas referentes a operações inexistentes. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL. AUTUAÇÃO REFLEXA. Por se tratar de lançamento reflexo, aplicase a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conhecer do recurso quanto à natureza confiscatória do percentual da multa de ofício e rejeitar a arguiçao de decadência. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 13888.723796/201490 Acórdão n.º 1402002.460 S1C4T2 Fl. 2.297 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Conforme descrito no Relatório Fiscal, lavrado em 19/12/2014 (fls. 1995 a 2059), a contribuinte Master Móveis Ltda. foi fiscalizada em relação ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, que abrangeu o anocalendário de 2009. Informa a autoridade fiscal que incluiu indevidamente valores no custo de produção e apropriouse indevidamente de Créditos do PIS e COFINS, do Regime Não Cumulativo, oriundos de insumos adquiridos através de notas fiscais inidôneas das seguintes empresas: Comercial Firenze Indústria e Comércio de Plásticos, Jotal Industria e Comércio de Plásticos, Prisma Indústria e Comércio de Plásticos e grampos e Fortgram Industria e Comércio de Plásticos e Grampos. Com evidências de que se tratam de empresas fictícias, as aquisições de mercadorias seriam simuladas, com finalidade de contabilizar despesas inexistentes e apropriar créditos de tributos através de notas fiscais frias. Sobre a Comercial Firenze, afirma que os fatos evidenciam que é composta por interpostas pessoas, já que foi considerada inapta na mesma data de sua inscrição, 01/02/2009, e começou a emitir notas fiscais para a fiscalizada em 05/03/2009, após o início da inaptidão. Para o fiscal, tal procedimento é típico de empresa noteira ou de fachada, aberta somente para esse fim, sem o devido acompanhamento das mercadorias e com a finalidade de aumentar os custos e os créditos para a empresa que está recebendo as notas. Em relação à Jotal, informa que a alteração contratual de 22/10/2008 teve a razão social alterada para Jotal Comércio de Placas Ltda, com alteração do objeto social para comércio atacadista de produtos da extração mineral, exceto combustíveis, serviços de| gravação de carimbos, exceto confecção. No período da emissão das notas fiscais para a Firenze, de 05/01/2009 a 28/02/2009, o objeto social da empresa já havia sido alterado, concluindo a autoridade fiscal por procedimentos típicos de empresa noteira, mais uma vez. Sobre a Prisma, afirma que foi considerada inapta na mesma data de sua inscrição, 06/11/2006, foi constituída por sócios sem condições financeiras (interpostas pessoas), não consegue ser localizada e não cumpre com as obrigações tributárias inclusive não apurou e nem recolheu os tributos que seriam devidos no caso das transações comerciais terem sido efetivamente realizadas caracterizando se com uma empresa noteira. Informa o Auditor Fiscal que a Master foi intimada a comprovar que operações com as empresas acima realmente aconteceram, comprovando o recebimento e utilização das mercadorias e a efetivação do pagamento, com valor envolvido de R$ 36.189.167,71. E que, como resposta, a empresa informa, de modo recorrente, "que ocorreu incêndio em seu estabelecimento", segundo a autoridade, “por conveniência e para não se comprometer, quando considera vantajoso não entregar os documentos ou não prestar informações”. Fl. 2298DF CARF MF 4 Para o incêndio ocorrido, a fiscalização explicitou o seu entendimento a respeito do assunto através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 16, com a citação da legislação pertinente, que prevê as providências que a empresa deveria ter tomado, e solicitou as justificativas. Porém, conforme a autoridade fiscal, a empresa não se manifestou a respeito da constatação e não apresentou os documentos previstos no art. 264, § 1º, do RIR/99, continuando a justificar que não possui os documentos em consequência do incêndio ocorrido. O mesmo ocorreu com as Intimações de n° 21 a 36 e Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 38, que trata da apresentação de documentos para demonstrar que houve efetivamente transações comerciais com as empresas citadas no início do relatório, que apresentam todas as características de serem fictícias. Continua o fiscal resumindo que a Master adquiriu, ou pelo menos houve a emissão de notas fiscais por 16 fornecedores no período de 2009 a 2012, no valor de R$ 108.397.613,32. Porém, quando intimada a comprovar a efetividade das operações, alega que não possui os documentos e que enviou correspondência para estas empresas enviarem a documentação solicitada, mas que as correspondências retornam por não ter sido encontrado o destinatário. Tal fato era perfeitamente previsível, por serem empresas fictícias, constituídas para funcionarem como empresas noteiras. Para a autoridade fiscal, não há como aceitar que uma empresa que tem este volume de transações com os fornecedores não possua os dados cadastrais completo, tendo de recorrer ao cadastro da JUCESP para enviar correspondências. Isto demonstra que a intenção é embaraçar a fiscalização e não esclarecer os fatos, corroborando com a conclusão de que as referidas empresas eram realmente de fachada, com a finalidade de emissão de notas fiscais inidôneas. Adiciona a autoridade que, através do Termo de Intimação Fiscal n° 03, a Master foi intimada e informou que os pagamentos efetuados através da conta Caixa foram pagos com dinheiro em espécie, através de saques realizados. Após análise da conta, informa que somente para o ano de 2009 e para o banco Itau constam transferências no valor de R$ 35.935.301,08. Conclui o fiscal que, neste caso e de acordo com a empresa, ela emite um cheque para ela própria, vai ao banco, pega o dinheiro, leva para a empresa e paga o fornecedor em espécie. Com isso, alguns pagamentos exigiriam quantidade de notas discutíveis em termos de possibilidade e razoabilidade (saques com 32.246 e 32.212 notas de R$ 100,00, para citar exemplos da tabela de fl. 2014). Com os fatos acima, conclui que as empresas Comercial Firenze, Jotal, Prisma e Fortgram são empresas de fachada, que não houve a aquisição das mercadorias e que as notas fiscais são inidôneas. Em uma análise sobre os gastos da fiscalizada com material de embalagem, através de diversas planilhas, afirma o fiscal que a empresa não poderia gastar 38,40% do seu faturamento somente para aquisição de material de embalagem(plástico e grampos, totalizando R$ 40.244.830,07 em 2009), quando o percentual normal seria de 4,68%, conforme comparativos em outros anos. A insubsistência desses valores e a diferença é exatamente em consequência das notas fiscais adquiridas de empresas fictícias. Para o ano de 2010, o valor gasto em embalagem chega a 19,85% do faturamento, quando o normal seria de 4,68%. Considera que estes produtos de embalagem não poderiam estar nos estoques, analisando a situação de 2010 e 2011, Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 13888.723796/201490 Acórdão n.º 1402002.460 S1C4T2 Fl. 2.298 5 estendendo a análise para 2009, já que a empresa não apresentou o Livro Registro de Inventário de 2009, apesar de intimada para tanto. Prossegue a autoridade fiscal quanto às informações bancárias: a Master apresentou somente os protocolos de solicitação dos documentos junto aos bancos, não apresentando os extratos e demais documentos. Por este motivo a fiscalização emitiu a Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), solicitando as informações e documentos não fornecidos pela empresa. Para o Banco do Brasil, de acordo com o informado pela Master, os pagamentos para determinadas empresas (as que a fiscalização considera que emitiram notas inidôneas) são feitos praticamente na totalidade através da conta Caixa, ou seja, lançamentos com transferência do banco (saída de dinheiro) para a conta Caixa (entrada do dinheiro), para posterior pagamento em dinheiro. Constatou o fiscal que os cheques não foram sacados e nem transferidos para o Caixa, mas sim depositados em contas de outras empresas, como por exemplo os beneficiários MTA Moveis e MTB Confecções (fl. 2027 e 2028). A autoridade fiscal fez a mesma análise para demais valores constantes do Anexo V, com mesma conclusão. Observa as empresas CL Eq Transp Carga e MTB Confecções não constam da contabilidade da Master, e que a MTA Móveis possui adiantamentos realizados a partir de 19/11/2009, portanto sem qualquer relação com os lançamentos constantes do Anexo V, cuja última data foi de 21/09/2009. Para o Banco Itaú, a fiscalização analisou cópia dos cheques emitidos pela Master que, na maioria, constam como beneficiário a própria empresa, com posterior endosso para usos diversos. Alguns cheques possuem como beneficiários pessoas físicas ou jurídicas (que não constam da contabilidade da Master) e outros a própria Master, com depósito em outra contacorrente da empresa cujos valores não estão contabilizados. Com isso, conclui o Auditor Fiscal que a Master emite cheques que contabiliza como saque em espécie para compor a conta Caixa, para pagamentos das notas fiscais inidôneas, mas na realidade não saca estes valores e utilizaos para pagamento a pessoas físicas e jurídicas a margem da contabilidade. Acrescenta que existem 139 cheques com valores acima de R$ 100.000,00, nos quais consta como beneficiário a empresa Master e com depósito não identificado. Com a obrigatoriedade por lei de comunicação por parte dos bancos sobre os saques acima de R$ 100 mil e em consulta à COPEI, verificouse que não houve qualquer saque acima desse valor em 2009. Com isso, não há como justificar a composição da conta Caixa e, se não existe a entrada do dinheiro, não pode haver o pagamento com a utilização deste dinheiro. Com a constatação acima de não aquisição de mercadorias e de inidoneidade das notas fiscais das empresas Comercial Firenze, Jotal, Prisma e Fortgram, conclui a autoridade fiscal pela glosa dos valores a que se referem as notas emitidas por estas empresas, pelos seus valores líquidos (descontados ICMS, PIS e COFINS) e que compõem a base de cálculo do IRPJ e CSLL no ano de 2009. Em seguida, foi efetuada a reconstituição da apuração do IRPJ e da CSLL com base em estimativas mensais e aplicada multa isolada no valor de 50% das estimativas de IRPJ e de CSLL que deixaram de ser recolhidas. Além disso, foi efetuada a glosa de créditos do PIS e da COFINS apurados sobre insumos adquiridos através destas notas fiscais pelo regime não cumulativo e aplicação da multa qualificada de 150% por fraude e sonegação, com responsabilização solidária do sócio gerente da empresa, Sr. Abrahao Zacarias Monfrinato. Fl. 2300DF CARF MF 6 Em consequência das divergências acima, o contribuinte foi intimado a pagar as diferenças dos tributos apurados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), juros, multa isolada e multa de ofício qualificada, totalizando R$ 35.723.997,82 (fls. 2 e 3). Por oportuno, cabe ressaltar que o Auto de Infração e o Relatório Fiscal foram entregues à empresa fiscalizada através de Termo de Recusa (fls. 1993 a 1994). Relatam o dois Auditores Fiscais signatários que estiveram na empresa no dia 22/12/2014, às 15h:30, e foram recepcionados na portaria pelo Sr. Ricardo Eugênio Mastrodi. Informam que a empresa estava operando normalmente, conforme constatado pelo movimento de caminhões e pessoas, e não conseguiram contatar o sócio, Sr Abrahão, ou qualquer outro responsável pela empresa. Foi então chamado o Sr. Fábio Mendes, advogado e procurador da empresa (até o momento, tinha tomado ciência pessoal das intimações enviadas para a empresa e tinha apresentado todas as respostas), inclusive com procuração para tomar ciência de Autos de Infração. Conforme os Auditores, “Houve a recusa por parte do Sr. Fábio Mendes em assinar os Relatórios Fiscais e os Autos de Infração, justificando que estava seguindo determinação do proprietário da empresa.” Com isso, os fiscais anotaram, nas vias que deveriam constar as assinaturas do sujeito passivo, o motivo da recusa e o nome de quem estava se recusando a tomar ciência dos Autos de Infração, dos Relatórios Fiscais e do Termo de Ciência. Foram entregues as vias destes documentos ao Sr. Fabio, considerando a empresa devidamente intimada da autuação, nos termos do art. 23 I do Decreto nº 70.235/72. Inconformados com a autuação, a contribuinte Master Móveis Ltda. e o sujeito passivo solidário Abrahão Zacarias apresentaram impugnação única (fls. 2121 a 2154) e juntaram documentos (fls. 2155 a 2158). Alegam os impugnantes que o crédito tributário cobrado no presente processo encontrase fulminado pela decadência, pois entre o período de apuração do tributo (01/2009 a 12/2009) e a data de ciência do auto de infração (06/01/2015) fluíram mais de 5 anos. Consideram que a data de ciência é de 06/01/2015, face correspondência com aviso AR encaminhada para a sede da fiscalizada. Afirmam que a ciência do lançamento contra a Master em 22/12/2014, através de termo de recusa assinado pelo próprio Auditor Fiscal, foi elaborado de forma unilateral, e que o advogado não mais possuía poderes de representação da empresa Máster, em razão da expiração do documento de conferência de poderes. Complementam que, nos termos do art. 10, §2° I e art. 11, II, do Decreto n.° 7.574/2011, a intimação postal tinha que se realizar no endereço postal fornecido à Administração Tributaria para fins cadastrais, ou seja, São Paulo – Capital. Em Piracicaba, estado de São Paulo, está localizado apenas o estabelecimento fabril da empresa. Quanto ao sujeito passivo solidário Abrahão Zacarias, afirmam que o fiscal enviou via postal a documentação para seu endereço, tendo o AR retornado com a informação de que o destinatário "mudouse". Então , o Auditor Fiscal se dirigiu pessoalmente ao local, tendo lá obtido a confirmação de que o contribuinte não mais residia naquele local. Justificam que o Sr. Abrahão encontravase em processo de mudança, de modo que somente após a conclusão desta é que iria providenciar a alteração de seu endereço nos órgãos públicos. Afirmam que a intimação deveria ser feita pessoalmente ao sócio, e que jamais o porteiro ou terceiros poderiam receber a intimação em seu lugar, que nem Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 13888.723796/201490 Acórdão n.º 1402002.460 S1C4T2 Fl. 2.299 7 ao menos se identificou (o porteiro) com CPF ou RG, tendo apresentado apenas o NIT, documento não hábil para identificação pessoal. Ademais, afirmam que o endereço onde o auto foi entregue não era o de sua residência, muito menos o domicílio do contribuinte. Era apenas o de um apartamento adquirido pelo contribuinte e declarado em sua DIRPF, diferente do endereço cadastrado na Receita Federal como domicilio do contribuinte. Continuam os impugnantes alegando inobservância dos limites de jurisdição, já que o MPF foi expedido para desempenho das atividades na sede da empresa, em São Paulo, e o responsável pela fiscalização praticou todos os atos na unidade fabril, em Piracicaba, sem apresentação de qualquer Portaria ou Ato que comprovasse habilitação legal para atuar neste local. Sobre a inidoneidade das operações com empresas inexistentes, alegam que a empresa sempre consultou dados de seus fornecedores junto SINTEGRA, do Governo do Estado de São Paulo, e que, entre outras situações: Não tinham conhecimento sobre a entrega de DIRPF por parte dos sócios das fornecedoras nem sobre alterações de contrato social realizadas por tais empresas ou se entregaram tempestivamente a DIPJ, DCTF e demais obrigações perante o fisco; Se as empresas estavam e, acreditam, ainda estão inscritas no CNPJ e seus respectivos sócios no CPF, não há dúvida que a existência de tais cadastros as credenciavam como legalmente habilitadas; Em pesquisas na internet (copiadas), por amostragem, verificase que somente em 2013 houve a baixa por inatividade, o que significa que até aquela data as mesmas operavam normalmente. Na mesma linha, a Firenze foi baixada apenas em 05/12/2012 e a Jotal foi considerada inexistente somente em 03/04/2013; Neste ponto, os impugnantes concluem que as empresas que forneciam para a Master não estavam inativas, que os materiais fornecidos eram acompanhados das respectivas notas fiscais e que efetuavam os devidos pagamentos sem questionar. Sobre a entrega da documentação fiscal solicitada, fato que culminou com o entendimento por parte da fiscalização de que inexistiam as aquisições das mercadorias relativa àquelas notas fiscais, foi realizada a prova da ocorrência de incêndio de grande escala nas dependências da empresa, atingindo o escritório de contabilidade e destruindo a documentação fiscal ali existente. Ademais, não pode a empresa ser atuada por não ter um backup digital de toda a sua documentação fiscal, mesmo porque não estava obrigada legalmente. Complementam os impugnantes que a empresa entregou/cumpriu, a tempo, todos os tramites determinados pela legislação, como entrega de declarações e arquivos magnéticos, e não pode ser penalizada por embaraço à fiscalização. Em relação à aplicação de multa isolada de 50%, alegam a impossibilidade, já que o exercício já tinha sido encerrado e se demonstrou a ocorrência de prejuízos fiscais, além de decisões do Conselho de Contribuintes no mesmo sentido colacionadas à impugnação. Também contestam a utilização do tributo com efeito de confisco, em relação à multa de 150%. Continuam os impugnantes ao combater as alegações do Auditor Fiscal acerca dos custos de produção da empresa, mediante a apresentação de cálculos e planilhas que entende (o Auditor) seriam razoáveis para a fabricação dos produtos, como se Fl. 2302DF CARF MF 8 possuísse conhecimento para tanto. Acrescentam que o Auditor Fiscal ultrapassou limites ao tentar calcular o número de cédulas necessárias para pagamento de títulos, “...pois imbuído em devaneios e ilações, nem sequer poderia considerar que a empresa contribuinte pudesse realizar o pagamento de diversos títulos através de um único cheque, podendo, inclusive, incluir transferências para terceiros de valores desse mesmo cheque.” Por fim, contestam a representação para fins penais elaborada pelo Auditor Fiscal, dizendo não haver no presente caso a prática do crime imputado, e a responsabilidade solidária do sócio Abrahão Zacarias Monfrinato, por suposto crédito tributário existente em face da empresa, já que ausentes os requisitos de que trata o caput do art. 135 do CTN, quais sejam, o excesso de poderes ou infração de lei. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP prolatou o Acórdão 1460.132 considerando a impugnação improcedente e mantendo o crédito tributário na integralidade. Devidamente cientificados, a pessoa jurídica autuada e o coobrigado apresentaram recurso voluntário de mesmo teor a este colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 13888.723796/201490 Acórdão n.º 1402002.460 S1C4T2 Fl. 2.300 9 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator A pessoa jurídica autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 04/05/2016 e apresentou recurso voluntário tempestivamente em 02/06/2016. Já o coobrigado foi tido como intimado daquela decisão em 31/05/2016 e interpôs recurso voluntário em 28/06/2016, também dentro do trintídio legal. 1)Tempestividade da impugnação da pessoa jurídica autuada: O recurso do coobrigado preenche as condições de conhecimento. Quanto ao recurso da pessoa jurídica autuada, cabe análise específica tendo em vista o não conhecimento da impugnação apresentada. Importa ressaltar que foi apresentada impugnação única, subscrita pela pessoa jurídica autuada e pelo coobrigado. Pelo fato de ter sido considerada tempestiva em relação a este último, as razões de defesa lá expostas foram devidamente analisadas daí porque, quanto ao mérito da exigência, não houve qualquer prejuízo à defesa. Tal situação se repete em sede de recurso voluntário. Ainda que tenham sido apresentados dois recursos, ambos têm o mesmo teor e o conhecimento do recurso voluntário do coobrigado supre o direito de defesa quanto ao mérito. Sob essa ótica, pelo fato das razões de defesa terem sido conhecidas, a questão da data da ciência da autuação não tem relevância no que se refere à tempestividade da impugnação mas, em tese, pode influenciar a contagem do prazo decadencial. Na análise fática, as circunstâncias relatadas pela Fiscalização indicam um procedimento orquestrado pela empresa voltado à não tomar ciência do auto de infração. Ainda que não existam provas cabais de que o distrato tenha sido preenchido com data anterior à sua real formalização, tal documento deveria ter sido entregue à Fiscalização no momento em o lançamento estava sendo apresentado e não, convenientemente, apresentado na impugnação. Tal prática, além do fato de o mandatário ter atendido o Fisco durante todo o procedimento fiscal, induz à aplicação da teoria da aparência e a presunção de que Sr. Fábio Mendes era representante da pessoa jurídica quando da lavratura do Termo de Recusa. A jurisprudência do STJ corrobora essa tese: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. PRECEDENTES. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência do STJ, no que concerne a citações de pessoas jurídicas, adota a teoria da aparência, segundo a qual considerase válida a citação feita na pessoa de quem, sem nenhuma reserva, identificase como representante da sociedade empresária, mesmo sem ter poderes expressos de representação, Fl. 2304DF CARF MF 10 e assina o documento de recebimento. (AgRg no Ag 1363632 / PR Relator(a) Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO) Pelo exposto entendo, na mesma linha que a decisão recorrida, que a data de ciência da autuação para a pessoa jurídica autuada deve ser aquela na qual os agentes fiscais compareceram no estabelecimento da empresa onde sempre foram atendidos e constataram a recusa, ou seja, 22/12/2014. Assim a impugnação deve ser tida como intempestiva Ratificase que, em se tratando de impugnação única, as razões lá expostas foram apreciadas e não há que se falar em prejuízo à defesa ou supressão de instância. No que se refere à decadência, será analisada após definição da multa de ofício. 2) Inobservância do limite de jurisdição: à inobservância do limite de jurisdição da autoridade lançadora, tratase de matéria definitivamente dirimida nesta Corte através da Súmula CARF nº 27, de obediência compulsória pelos integrantes do colegiado: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. 3) Mérito: No mérito, importa ressaltar que as conclusões do Fisco quanto á inexistência das operações questionadas de aquisição de material de embalagem tiveram como base um conjunto fático probatório e não apenas uma circunstância isolada. Em primeiro lugar, sob a alegação de destruição de documentos por incêndio, não foram apresentados quaisquer elementos de provas que demonstrassem a realização das operações. Além disso, temse a inexistência dos fornecedores que teriam vendido as mercadorias à interessada. Não foram localizadas nos endereços cadastrados e quase todas essas empresas foram consideradas inaptas pela Secretaria de Fazenda já na data de inscrição. Nem mesmo a interessada conseguiu localizálas eis que a correspondência enviada retornou pela inexistência do destinatário. Mais ainda, todos os pagamentos foram feitos em dinheiro com registro de saída da conta Caixa. Isso significa, descontando impostos, mais de R$ 30 milhões em espécie, para pagamento dos fornecedores. Numa comparação com aquisições dos mesmos produtos em operações tidas como regulares, a Fiscalização apurou um percentual de menos de cinco por cento (5%) entre o custo dos bens adquiridos e o faturamento da pessoa jurídica no mesmo período. Já no que e refere às aquisições questionadas esse percentual chega a ficar acima de quarenta por cento (40%). Outro ponto ressaltado pela Fiscalização é ausência de indicação no Registro de Estoques de valores compatíveis com as aquisições efetuadas. Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 13888.723796/201490 Acórdão n.º 1402002.460 S1C4T2 Fl. 2.301 11 Por fim, através de circularização bancária, o Fisco constatou que os valores supostamente utilizados para pagamento dos fornecedores tidos como inidôneos tiveram outros fins. Quitaram obrigações com outras empresas sem vínculo com a interessada, beneficiaram pessoas físicas ligadas à empresa e, ainda que registrados a débito no Caixa, foram transferidos para outras contas correntes da interessada sem contabilização. Em defesa, a recorrente tece longo arrazoado para justificar que não poderia ser responsabilizada por irregularidades nos seus fornecedores e mais ainda sustenta que, ao contrário do afirmado pelo Fisco, as empresas existiam de fato. Insiste também no argumento de que a ocorrência do incêndio teria destruído todos os documentos que comprovariam as operações. Importa ressaltar que o indicativo da inexistência dos fornecedores é um forte indício de irregularidade nas operações sob exame. Entretanto, não é isoladamente um fator decisivo para a desconsideração das aquisições DESDE QUE o sujeito passivo demonstre por outros meios que as operações foram realizadas. Isso não ocorreu no presente caso. Em relação à inidoneidade dos fornecedores, conforme dito acima, nem mesmo a recorrente conseguiu localizálos. É difícil acreditar que a interessada tenha efetuado transações comercias acima de R$ 40 milhões e não disponha de mecanismos para contatar os fornecedores, independentemente de estarem ou não em funcionamento. Com relação aos pagamentos, a defesa manifestouse de forma vaga no sentido de que poderia realizar o pagamento de diversos títulos através de um único cheque. A alegação não tem qualquer fundamento. Mesmo que se considere que a utilização da conta Caixa não implique necessariamente na circulação física de moeda, fato é que a autoridade lançadora demonstrou que os valores sacados tiveram outros fins, inclusive depósitos em outras contas da interessada estranhas à contabilidade. A recorrente não se manifestou sobre essa questão. Do exposto, tendo em vista e inexistência de qualquer indício de realização das operações questionadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário 4) Multa qualificada: Quanto à multa qualificada, a imputação pareceme justificada. O sujeito passivo beneficiouse da redução na base de cálculo dos tributos pela dedução de um custo decorrente de operações que se mostraram inexistentes. Não há como negar a intenção de fraudar a administração tributária. No que se refere à suposta natureza de confisco do percentual de multa, trata se de arguição de inconstitucionalidade das normas que estabelecem a incidência dessa penalidade, tema esse ao qual falece competência a esta Corte para apreciação, nos termos da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária 5) Decadência: Fl. 2306DF CARF MF 12 Nos termos da legislação de regência, mantida a imputação da multa qualificada, a contagem do prazo decadencial deve ocorrer com base no inciso I, do art. 173, do CTN, ou seja, com termo inicial no primeiro dia seguinte do exercício em que o lançamento poderia ser realizado. Em relação ao IRPJ e à CSLL, com apuração anual, considerase ocorrido o fato gerador para o anocalendário de 2009 em 31/12/2009, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é 02/01/2011 e o termo final seria 02/01/2016. Com ciência da autuação em data anterior (22/12/2014) não ocorreu a caducidade. Quanto ao PIS, à Cofins e à multa isolada, com apuração mensal, para os fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro, inclusive, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é 02/01/2010 e o termo final seria 02/01/2015. Com ciência da autuação em data anterior (22/12/2014) não ocorreu a caducidade. 6) Multa isolada Concomitância com a multa exigida junto com o tributo: O pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 13888.723796/201490 Acórdão n.º 1402002.460 S1C4T2 Fl. 2.302 13 § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Fl. 2308DF CARF MF 14 Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui expostoa, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 13888.723796/201490 Acórdão n.º 1402002.460 S1C4T2 Fl. 2.303 15 Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 2 Idem, Idem Fl. 2310DF CARF MF 16 Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual votaria por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. Importa ressaltar que a Súmula CARF nº 101 NÃO SE APLICA A FATOS GERADORES POSTERIORES À MP Nº 351/2007, eis que todas as decisões que serviram de base à edição da Súmula não levaram em consideração a mudança legislativa. Sendo assim, deve ser mantida integralmente a multa isolada. 7) Responsabilidade solidária: No que se refere à imputação da responsabilidade importa preliminarmente definir o alcance dos dispositivos que regem a matéria. Sob esse prisma, esclareçase que a solidariedade prevista no art. 124, do CTN, não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 3 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. 3 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 13888.723796/201490 Acórdão n.º 1402002.460 S1C4T2 Fl. 2.304 17 Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Por outro lado, definida a responsabilidade com base no enquadramento em alguns dos dispositivos do art. 135, do CTN (normalmente o inciso III) é cabível a aplicação em conjunto com o art. 124, II do mesmo diploma legal, para definir que essa responsabilidade é solidária ainda que, reconheço, o tema não é pacífico na doutrina. Entretanto, conforme entendimento sobre o qual não há qualquer divergência na doutrina ou na jurisprudência, o inciso III, do Art. 135 é direcionado àquelas pessoas que exercem de fato a administração da pessoa jurídica e nesse exercício pratiquem o ato infracional previsto do dispositivo em comento. No caso sob exame, a autoridade lançadora fez elogiável procedimento de auditoria para analisar a real destinação dos valores correspondentes às operações de compra que restaram não comprovadas. Em relação ao cobrigado Abrahão Zacarias Monfrinato, por ser sócio administrador da pessoa jurídica autuada, em tese pode ser enquadrado no inciso III, do art. 135, do CTN. Quanto à análise da conduta, pareceme clara a prática de atos infracionais subsumidos no dispositivo em referência, a partir do momento em que o fato tributável foi decorrente do desvio de recursos da pessoa jurídica para operações fora do objeto social da empresa e beneficiando terceiros estranhos a ela, em violação inclusive ao contrato social. Sendo assim, voto por manter a responsabilidade tributária do coobrigado Abrahão Zacarias Monfrinato. 8) Descabimento da Representação Fiscal para fins penais: Não cabe a esta Corte analisar razões contra a Representação Fiscal para fins penais, conforme Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. 9) Resumo Em resumo do meu posicionamento, voto por não conhecer do recurso quanto à natureza confiscatória do percentual da multa de ofício, rejeitar a arguiçao de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 2312DF CARF MF 18 Fl. 2313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.000138/00-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE.
Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
O reconhecimento da certeza e liquidez do total ou de parte do crédito declarado em pedido de compensação, implica homologação da compensação dos débitos tributários declarados até o limite do valor apurado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-003.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Giovani Vieira e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Voluntário Acórdão nº 3301003.063 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria PIS Restituição e Compensação Semestralidade Recorrente SUVESA SUPER VEÍCULOS INDÚSTRIA, COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento da certeza e liquidez do total ou de parte do crédito declarado em pedido de compensação, implica homologação da compensação dos débitos tributários declarados até o limite do valor apurado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 01 38 /0 0- 69 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13002.000138/0069 Acórdão n.º 3301003.063 S3C3T1 Fl. 324 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Giovani Vieira e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 195/205, vol. I) contra o Acórdão DRJ/POA nº 2.355, de 24/04/2003, constante de fls. 179/190, intimado por via postal em 15/05/2003 e exarado pela 22ª Turma da DRJ em Porto Alegre RS, que, por unanimidade de votos, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade de fls. 132/144, deixando de homologar tanto o pedido de restituição do PIS de fls. 01/02 no valor de R$ 2.320.782,32, protocolado em 08/07/2000, como os pedidos de compensação constantes de fls. 03/10 e 57/84, respectivamente, indeferidos por Despacho Decisório da DRF em Porto Alegre RS em 24/07/2001 (fls. 124/129) e através dos quais a ora recorrente pretendia ver compensados supostos créditos contra a Fazenda de PIS em razão de recolhimentos indevidos no valor de R$ 2.320.782,32, efetuados no período de 07/88 a 12/95 (conforme Darfs de fls. 36/84 e demonstrativos de fls. 30/35), com base nos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, julgados inconstitucionais pelo STF, com débitos vincendos de tributos administrados pela SRF. Por seu turno, a Decisão de fls. 179/190, exarada pela 2 ª Turma da DRJ em Porto Alegre RS, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade de fls. 132/144, deixando de homologar tanto o pedido de restituição do PIS de fls. 01/02 no valor de R$ 2.320.782,32, protocolado em 08/07/2000, corno os pedidos de compensação constantes de fls. 03/10 e 57/84, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição ou a compensação de valores pagos a maior/indevidamente, extinguese em 5 anos, contados a partir da data de efetivação do suposto indébito, posição corroborada pelos PGFN/CAT 678/99 e PGFN/CAT 1538/99. Decadência do direito de pleitear a restituição dos pagamentos realizados em período anterior a 28/07/1995. BASE DE CÁLCULO SEMESTRALIDADE A base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/PASEP é o faturamento mensal. No cômputo dos valores devidos a titulo de PIS com base na Lei Complementar 07/1970 devese levar em conta, obrigatoriamente, as alterações dos prazos de recolhimentos estabelecidas pela legislação (Leis n"s 7.691/1988, 7.799/1989, 8.019/1990, 8.218/1991, 8.383/1991, 8.850/1994, 9.069/1995 e 8.981/1995). FALTA DE COMPROVAÇÃO Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13002.000138/0069 Acórdão n.º 3301003.063 S3C3T1 Fl. 325 3 Somente poderá ser operacionalizada a quantificação da restituição mediante a comprovação, por parte da contribuinte, da liquidez e certeza dos seus créditos em relação Fazenda Pública, em consonância com a legislação (art. 165 do CTN). Inexeqüível a restituição quando não apresentados os elementos que demonstrariam o valor a ser restituído. FALTA DE ESPONTANEIDADE A apresentação do pedido de compensação em momento posterior ao do inicio da ação .fiscal relativa aos débitos que a interessada pretendia extinguir, retira da contribuinte a espontaneidade para a formulação do pedido. Solicitação Indeferida. Nas razões de recurso voluntário (fls. 195/205, vol. 1) oportunamente apresentadas a ora recorrente sustenta a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do credito compensando, tendo em vista: a) a inocorrência de decadência, nos termos dos arts. 150, § 4º, 156, inciso VII, e 168, do CTN, e da jurisprudência citada; b) que os prazos de recolhimento e as alíquotas do PIS para os períodos em questão são os fixados pela Lei Complementar 7/70, como tem decidido a jurisprudência, assim como a correção monetária é aplicável sobre os valores pagos indevidamente, sendo certo que o valor pago a maior, apurado em razão da nova base de cálculo, a ser restituído, deve ser atualizado; e c) o direito de efetuar a compensação, nos termos do art. 66 da Lei 10.833, de 30/12/91. Primeiramente, em 14 de abril de 2005 o CARF por meio da resolução nº 20100.511, solicitou diligência para que o contribuinte apresentasse: (...) a) cópia da petição inicial da ação judicial relativa aos depósitos judiciais sobre os quais se fundamenta o pedido de restituição de 11. 01; b) cópia da decisão transitada em julgado; e c) certidão do trânsito em julgado da ação. Determinou também que a Delegacia de origem: (...) Outrossim, determino que a instância a quo verifique se os depósitos judiciais em comento foram mesmo convertidos renda da União. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13002.000138/0069 Acórdão n.º 3301003.063 S3C3T1 Fl. 326 4 A diligência foi realizada e, em 21 de junho de 2007, o CARF julgou o processo e publicou o acórdão nº 20180.386, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN, para pedidos de restituição do PIS recolhido a maior com base nos DecretosLeis n ºs 2.445/88 e 2.449/88, e devido com base na Lei Complementar nº 7/70, contase a partir da data do ato que definitivamente reconheceu ao contribuinte direito a restituição, assim entendida a data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, de 09/10/95, extinguindose, portanto, em 10/10/2000. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. Os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados com base nos Decretos Leis n 2s 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. A atualização monetária dos valores recolhidos indevidamente, até, 31/12/95, deve ser calculada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução conjunta SRF/Cosit/Cosar n2 8, de 27/06/97, devendo incidir a taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos art. 39, § 4 º, da Lei nº 9.250/95. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA NÃO EXTINTOS PELA DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO DEVIDA. Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), a lei somente desautoriza a homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda cujo direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN), o que inocorre no caso. Recurso negado. Entretanto, em 10 de agosto de 2011, o acórdão foi anulado via embargos declaratórios propostos pelo contribuinte, por meio do acórdão 3402001.452, cuja ementa e decisão transcrevo: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO INVENCÍVEL ENTRE A FUNDAMENTAÇÃO E CONCLUSÃO DO VOTO DO RELATOR COM A SÚMULA DA DECISÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL DOS EMBARGOS PARA ANULAR O ACÓRDÃO EMBARGADO. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13002.000138/0069 Acórdão n.º 3301003.063 S3C3T1 Fl. 327 5 Diante contradição invencível entre a fundamentação do voto do Relator com a súmula da decisão, impõese o conhecimento e acolhimento parcial dos Embargos Declaratórios, para anular o acórdão embargado, para que nova decisão seja prolatada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e providos parcialmente, com efeitos infringentes, para anular a decisão proferida, nos termos do voto do Relator. A anulação do acórdão ocorreu pois o CARF entendeu que havia contradição invencível, já que na ementa e no resultado do julgamento constou que o recurso voluntário foi negado, enquanto no voto condutor constou que havia sido dado provimento, como vemos: (...) voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário (fls. 195/205, vol. I) para reformar a r. Decisão de fls. 179/190, exarada pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre RS, (...) O processo foi a mim sorteado para novo julgamento. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13002.000138/0069 Acórdão n.º 3301003.063 S3C3T1 Fl. 328 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Como dito no relatório, o processo aqui consta para julgamento pela inconsistência entre a ementa e o resultado do julgamento que negaram provimento ao recurso voluntário, enquanto no voto condutor constou, literalmente: (...) voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário (fls. 195/205, vol. I) para reformar a r. Decisão de fls. 179/190, exarada pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre RS, (...) Adentrando ao mérito, o prazo decadencial para pleitear a restituição do PIS recolhido a maior com base nos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 e devido com base na Lei Complementar nº 7/70, contase a partir da data do fato gerador e com prazo prescricional de 10 anos. A conclusão da decisão recorrida efetivamente destoa da jurisprudência do CARF, que, inclusive, está sumulada: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso concreto verificase que, através do pedido de restituição do PIS de fls. 01/02 no valor de R$ 2.320.782,32, protocolado em 08/07/2000, a ora recorrente pretendia ver compensados supostos créditos contra a Fazenda, de PIS em razão de recolhimentos indevidos o valor de R$ 2.320.782,32, efetuados no período de 07/88 a 12/95 (cf. Darfs de fls. 36/84 e demonstrativos de fls. 30/35) com base nos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, julgados inconstitucionais pelo STF. Por outro lado, a jurisprudência deste Conselho já assentou que "os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, tendo em vista a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça bem como, no âmbito administrativo da Câmara Superior de Recursos Fiscais, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13002.000138/0069 Acórdão n.º 3301003.063 S3C3T1 Fl. 329 7 Essa base de cálculo também está sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. A mesma jurisprudência também já assentou ser devida a atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, que deve ser calculada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução conjunta SRF/Cosit/Cosar nº 8, de 27/06/97, devendo incidir a taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4 2, c1401 Lei n2 9.250/95 Portanto, o pedido de restituição do PIS indevidamente recolhido foi formulado dentro do prazo decadencial e a recorrente fazia jus aos indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, atualizados monetariamente, que, por sua vez, poderiam ser utilizados para a compensação com débitos próprios, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para: a) reconhecer a inocorrência da decadência do direito de pleitear a repetição do indébito do PIS oriundo de recolhimentos efetuados com base nos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pela Resolução do Senado Federal nº 49, de 09/10/95, tal como pleiteada no pedido de restituição do PIS de fls. 01/02, no valor de RS 2.320.782,32, protocolado em 08/07/2000; b) determinar que as importâncias de PIS indevidamente recolhidas sejam recalculadas e corrigidas de acordo com os critérios retromencionados; e c) após conferidos os cálculos dos créditos líquidos contra a Fazenda, sejam estes compensados até o seu limite, com os débitos vencidos objetos dos pedidos de compensação constantes de fls. 03/10 e 57/84, e homologada a compensação pela autoridade administrativa, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011565/2008-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO.
A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.
Numero da decisão: 9202-004.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
Fez sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Heloisa Guarita Souza, OAB-PR 16597, escritório Augusto Prolik Advogados Associados.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Fez sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Heloisa Guarita Souza, OAB-PR 16597, escritório Augusto Prolik Advogados Associados. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Fez sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Heloisa Guarita Souza, OABPR 16597, escritório Augusto Prolik Advogados Associados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 15 65 /2 00 8- 45 Fl. 246DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 210101.121, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF de fls. 119/122, do qual fazem parte o demonstrativo de apuração de fls. 115/116, o demonstrativo de compensação de valores de fl. 117, o demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 118, o termo de verificação fiscal, fls. 104/114, o termo de encerramento de fl. 123 e os demais documentos e demonstrativos constantes dos autos, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 9.111.909,05, sendo R$ 3.783.859,80 de imposto e R$ 2.837.894,85 de multa de oficio de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além de R$ 2.490.154,40 de juros de mora calculados até 31/07/2008. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, fls. 153/158, por unanimidade de votos, julgou não impugnada a glosa de despesas médicas e procedente a parte impugnada do auto de infração de fls. 116/119, lavrado em 08 de agosto de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos provenientes de ganhos de capital na alienação de quotas não negociadas em bolsa e de dedução indevida de despesas médicas, verificadas no anocalendário de 2003. O Recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 164/184, aduzindo em breve síntese que: a) que a previsão da alínea “d” do art. 4º do Decreto lei n.º 1.510/76 trata de regra de não incidência tributária, instituto esse que difere da isenção, exarando o legislador um juízo negativo para hipótese de incidência, manifestando claramente que não incide imposto sobre a renda nos resultados obtidos na venda de participações societárias pelas pessoas físicas, caso permaneçam no seu patrimônio por mais de cinco anos, contados da data da sua subscrição ou aquisição; cumprido o referido requisito, assegurado está o direito à não incidência do imposto, independentemente da data da alienação e do respectivo ganho de capital havido, constituindo direito adquirido do contribuinte; b) que ainda que se entenda tratar de uma regra isentiva, o IRPF não seria devido, incidindo o preceito da Súmula n.º 544 do STF, que veda a supressão de isenção que tenha sido outorgada sob condição onerosa; c) ser improcedente o cálculo dos juros de mora sobre a multa de ofício, na linha do entendimento consignado em julgados dos Conselhos de Contribuintes, hoje CARF. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10980.011565/200845 Acórdão n.º 9202004.507 CSRFT2 Fl. 10 3 A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 186/193, deu provimento ao Recurso Ordinário, para reconhecer a isenção do ato de alienação da participação societária, entendendo que se configura hipótese de direito adquirido do contribuinte ao disposto no DecretoLei nº 1.510/1976, artigo 4º, alínea “d”, ainda que a alienação tenha ocorrido sob a vigência de nova lei revogadora do benefício. Às fls. 198/208, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo que o acórdão paradigma teve entendimento em sentido diametralmente oposto ao do Acórdão recorrido, no sentido de que o ganho de capital apurado nas alienações de participações societárias efetuadas após 01/01/89 estaria sujeito ao imposto de renda, mesmo que a participação societária já contasse com mais de cinco anos naquela data, posto que a Lei nº 7.713/1988 revogou a isenção concedida pelo artigo 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510/1976. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 224/225, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, deu seguimento do recurso, por entender que ser possível caracterizar a divergência, haja vista que as matérias discutidas são coincidentes, e as decisões divergem. Isso porque o recorrente anexou paradigma cuja decisão, em situação semelhante, reconheceu o ganho de capital apurado nas alienações de participações societárias efetuadas após 01/01/89 está sujeito ao imposto de renda, mesmo que a participação societária já contasse com mais de cinco anos naquela data, posto que a Lei nº 7.713/1988 revogou a isenção concedida pelo artigo 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510/1976. Às fl. 231/239, o Contribuinte apresentou contrarrazões, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, decorrente de omissão de rendimentos provenientes de ganhos de capital na alienação de quotas não negociadas em bolsa e de dedução indevida de despesas médicas, verificadas no anocalendário de 2003, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 9.111.909,05, sendo R$ 3.783.859,80 de imposto e R$ 2.837.894,85 de multa de oficio de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além de R$ 2.490.154,40 de juros de mora calculados até 31/07/2008. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário, para reconhecer a isenção do ato de alienação da participação societária, entendendo que se configura hipótese de direito adquirido do contribuinte ao disposto no DecretoLei nº 1.510/1976, artigo 4º, alínea “d”, ainda que a alienação tenha ocorrido sob a vigência de nova lei revogadora do benefício. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Pública trouxe para análise a divergência entre o Acórdão paradigma, com entendimento em sentido diametralmente oposto Fl. 248DF CARF MF 4 ao do Acórdão recorrido, no sentido de que o ganho de capital apurado nas alienações de participações societárias efetuadas após 01/01/89 estaria sujeito ao imposto de renda, mesmo que a participação societária já contasse com mais de cinco anos naquela data, posto que a Lei nº 7.713/1988 revogou a isenção concedida pelo artigo 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510/1976. O acórdão recorrido deu razão ao contribuinte que defende que muito antes da edição da Lei n° 7.713, de 1988, que veio revogando a isenção do IRPF, já possuiria direito adquirido por ter cumprido a única condição imposta para o gozo do benefício fiscal, que seria a manutenção da participação societária por cinco anos. Assim, conforme defende o contribuinte o direito a não incidência já estava consagrado e fazia parte de seu patrimônio e de sua personalidade. A garantia desse direito lhe seria advindo do transcurso do tempo protegido indiscutivelmente pelo texto constitucional pátrio. Entretanto, analisando a legislação que rege a matéria observo que tais considerações não merecem prosperar, devendo ser reformado nesse ponto o acórdão recorrido, pois não se verifica no lançamento qualquer ofensa ao direito adquirido, já que houve revogação expressa da isenção pela Lei nº 7.713/1988. Mantendo coerência com posicionamento adotado por mim em outros julgados cito aqui o mesmo a fundamentação do acórdão 2201002.450– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, nos seguintes termos: “De acordo com o art. 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ou seja, surgindo uma lei nova, ela deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos durante sua vigência. Não podem prevalecer à lei nova os dispositivos expressamente revogados à época da concretização do fato gerador. No caso específico, o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital ocorreu no momento da alienação, ou seja, em 31 de outubro de 2003. Portanto, na vigência da Lei n° 7.713, de 1988. Cabe informar que a isenção, conforme a doutrina clássica, adotada pelo Supremo Tribunal Federal, é a dispensa legal de determinado tributo devido, podendo ser concedida de forma geral ou específica, mediante lei. No que tange, especificamente, à sua revogação ou modificação, o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975). O inciso III do artigo 104 diz expressamente que a isenção pode ser revogada ou modificada por lei, entrando em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação, quando se refere a impostos sobre o patrimônio ou a renda, conforme se vê a seguir: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10980.011565/200845 Acórdão n.º 9202004.507 CSRFT2 Fl. 11 5 Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: III – que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Isso quer dizer que, em se tratando de isenção, prevalece a regra da revogabilidade a qualquer tempo, salvo nos casos de isenção condicional e concedida a prazo certo, que não é a situação em análise. Por fim, citase a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, especifica em relação à matéria com o advento da Lei nº 7.713, de 1988, conforme reproduzida na ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO. REQUISITOS PARA IRREVOGABILIDADE. ART. 178 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. LEI 7.713/1988. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. A irrevogabilidade da isenção concedida, nos termos do art. 178 do CTN, só ocorrerá se atendidos os requisitos de prazo certo e condições determinadas. Situação não configurada nos autos. 2. O art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76 fixa o termo inicial do benefício fiscal (após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), não determinando o termo final, ou seja, é isenção por prazo indeterminado, revogável, portanto, por lei posterior. 3. Com o advento da Lei 7.713/88 operouse a revogação da isenção. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental não provido. (Agravo Regimental no Recurso Especial n° 1.164.494/RS 09 de fevereiro de 2010) Assim sendo, considerando que o DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogado, deve ser aplicada a Lei nº 7.713, de 1988, aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Nesse sentido, faço a ressalva de que é importante ainda dar o devido destaque para essa parte final, na qual o acórdão recorrido ressalva que a isenção pode ser revogada a qualquer tempo, com exceção da isenção condicional e concedida a prazo certo, que não é a situação em análise. Assim, o benefício ora tratado não constitui, em absoluto, uma isenção condicionada, já que não foram atendidos, cumulativamente, os dois requisitos para tal – prazo certo e determinadas condições – como requer expressamente o artigo 178 do CTN. Ainda importa salientar que os Tribunais Superiores já firmaram entendimento de que não há direito adquirido a regime jurídico. E que a discussão em tela não possui ainda decisão em sede de repetitivo de controvérsia que vincule este órgão. Fl. 250DF CARF MF 6 Diante do exposto, não há como manter o benefício ora tratado para além da edição da Lei nº 7.713, de 1988, uma vez que esta o revogou expressamente, sendo que não se tratava de isenção condicionada, já que não foram atendidos os dois requisitos para tal, repise se – prazo certo e determinadas condições – como requer o artigo 178 do CTN e assim voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento, É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720212/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 31/07/2002
Ementa:
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO DE CIDE-COMBUSTÍVEL. DIVERGÊNCIA DE VALOR. RECONHECIMENTO ULTERIOR POR PARTE DO CONTRIBUINTE EM RELAÇÃO À EXATIDÃO DA GLOSA. PERDA DE OBJETO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Em sede de diligência fiscal o contribuinte reconheceu, expressamente, a exatidão de parte da glosa fiscal perpetrada pela fiscalização o que, por seu turno, implica a perda de objeto do seu recurso voluntário e impossibilidade do seu conhecimento neste item em particular.
COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO DE CIDE-COMBUSTÍVEL. DILIGÊNCIA FISCAL QUE REFUTA A MOTIVAÇÃO PARA A NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO.
O motivo para a não homologação do crédito vindicado pelo contribuinte decorreria do fato da fiscalização não considerar como dedutíveis na apuração da CIDE (vendas efetuadas ao mercado interno em julho de 2002) os pagamentos realizados pela recorrente, a este mesmo título, em importações consumadas em meses anteriores. Todavia, em sede de diligência fiscal, a unidade preparadora apurou que todos os créditos utilizados na compensação diziam respeito exatamente ao mesmo mês da apuração da CIDE, o que retira da decisão questionada qualquer suporte fático a lhe motivar. Logo, o crédito pleiteado deve ser reconhecido.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, nesta parte, provido.
Numero da decisão: 3402-003.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário interposto em relação à glosa do montante de R$ 180.784,20, haja vista que o contribuinte reconheceu expressamente a exatidão desta exigência fiscal e, na parte conhecida, em dar provimento para reconhecer o crédito compensado nos termos da diligência fiscal (fls. 284/290), cabendo à RFB apenas homologar o quantum. Sustentou pela recorrente o Dr André Luiz Falcão Tanabe, OAB/RJ 95.452.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 31/07/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO DE CIDE-COMBUSTÍVEL. DIVERGÊNCIA DE VALOR. RECONHECIMENTO ULTERIOR POR PARTE DO CONTRIBUINTE EM RELAÇÃO À EXATIDÃO DA GLOSA. PERDA DE OBJETO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Em sede de diligência fiscal o contribuinte reconheceu, expressamente, a exatidão de parte da glosa fiscal perpetrada pela fiscalização o que, por seu turno, implica a perda de objeto do seu recurso voluntário e impossibilidade do seu conhecimento neste item em particular. COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO DE CIDE-COMBUSTÍVEL. DILIGÊNCIA FISCAL QUE REFUTA A MOTIVAÇÃO PARA A NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. O motivo para a não homologação do crédito vindicado pelo contribuinte decorreria do fato da fiscalização não considerar como dedutíveis na apuração da CIDE (vendas efetuadas ao mercado interno em julho de 2002) os pagamentos realizados pela recorrente, a este mesmo título, em importações consumadas em meses anteriores. Todavia, em sede de diligência fiscal, a unidade preparadora apurou que todos os créditos utilizados na compensação diziam respeito exatamente ao mesmo mês da apuração da CIDE, o que retira da decisão questionada qualquer suporte fático a lhe motivar. Logo, o crédito pleiteado deve ser reconhecido. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, nesta parte, provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário interposto em relação à glosa do montante de R$ 180.784,20, haja vista que o contribuinte reconheceu expressamente a exatidão desta exigência fiscal e, na parte conhecida, em dar provimento para reconhecer o crédito compensado nos termos da diligência fiscal (fls. 284/290), cabendo à RFB apenas homologar o quantum. Sustentou pela recorrente o Dr André Luiz Falcão Tanabe, OAB/RJ 95.452. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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PETROBRÁS Recorrida UNIÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 31/07/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO DE CIDE COMBUSTÍVEL. DIVERGÊNCIA DE VALOR. RECONHECIMENTO ULTERIOR POR PARTE DO CONTRIBUINTE EM RELAÇÃO À EXATIDÃO DA GLOSA. PERDA DE OBJETO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Em sede de diligência fiscal o contribuinte reconheceu, expressamente, a exatidão de parte da glosa fiscal perpetrada pela fiscalização o que, por seu turno, implica a perda de objeto do seu recurso voluntário e impossibilidade do seu conhecimento neste item em particular. COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO DE CIDE COMBUSTÍVEL. DILIGÊNCIA FISCAL QUE REFUTA A MOTIVAÇÃO PARA A NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. O motivo para a não homologação do crédito vindicado pelo contribuinte decorreria do fato da fiscalização não considerar como dedutíveis na apuração da CIDE (vendas efetuadas ao mercado interno em julho de 2002) os pagamentos realizados pela recorrente, a este mesmo título, em importações consumadas em meses anteriores. Todavia, em sede de diligência fiscal, a unidade preparadora apurou que todos os créditos utilizados na compensação diziam respeito exatamente ao mesmo mês da apuração da CIDE, o que retira da decisão questionada qualquer suporte fático a lhe motivar. Logo, o crédito pleiteado deve ser reconhecido. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, nesta parte, provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 02 12 /2 00 7- 73 Fl. 352DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário interposto em relação à glosa do montante de R$ 180.784,20, haja vista que o contribuinte reconheceu expressamente a exatidão desta exigência fiscal e, na parte conhecida, em dar provimento para reconhecer o crédito compensado nos termos da diligência fiscal (fls. 284/290), cabendo à RFB apenas homologar o quantum. Sustentou pela recorrente o Dr André Luiz Falcão Tanabe, OAB/RJ 95.452. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos debatidos neste processo, emprego aqui o relatório desenvolvido pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, na resolução n. 3403000.323 (fls. 233/236), o que passo a fazer nos seguintes termos: O feito em julgamento versa declaração de compensação por meio da qual a ora recorrente extinguiu obrigações relativas à COFINS empregando créditos resultantes de pagamentos supostamente a maior da CIDEcombustíveis (Lei no. 10.336/01) com correspondência ao fato gerador consumado em 31.07.2002. Por meio do despacho decisório de fls. 57/61, a Derat/RJO recusou a homologação do procedimento. De acordo com o artigo 7o da Lei no. 10.336/01, o contribuinte que promova a comercialização de combustíveis no mercado interno pode abater do tributo incidente sobre estas operações a CIDE recolhida (i) por terceiros, de quem o sujeito passivo haja adquirido o produto e (ii) pelo próprio obrigado, relativamente à exação devida por ocasião da importação do produto. Apegandose à literalidade do dispositivo, o órgão de origem considerou indedutíveis na apuração da CIDE sobre vendas efetuadas ao mercado interno em julho de 2002 os pagamentos realizados pela recorrente, a este mesmo título, em importações consumadas antes disso, em meses anteriores. No entender da fiscalização, portanto, somente seriam compensáveis com o tributo aplicável às vendas no mercado interno os pagamentos correspondentes a importações ocorridas naquele mesmo mês de apuração. Procedeu, pois, a fiscalização, à soma dos recolhimentos efetuados pela recorrente sobre importações realizadas em julho de 2002, extraindo as informações do sistema SINAL da SRF. Esta adição totalizou R$ Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10768.720212/200773 Acórdão n.º 3402003.987 S3C4T2 Fl. 3 3 85.743.705,91, número R$ 7.309.857,27 inferior ao utilizado pela recorrente para a apuração do alegado indébito. Demais disso, a fiscalização afirma ter identificado uma segunda inconsistência nos cálculos de restituição, esta aparentemente resultante da redução inexplicada da CIDE sobre as vendas de combustíveis naquele mês em R$ 180.784,20. Fato é que refeita a apuração da CIDE devida em 31.07.2002 com base nos cálculos da fiscalização, a recorrente não apenas não teria tributo a restituir como, pior, teria saldo inadimplido a pagar. Confirase: (...). Na manifestação de inconformidade, a recorrente sustentou, em primeiro lugar, que no que concernia ao crédito sobre as aquisições de combustíveis no mercado interno, a diferença entre seus cálculos e o do órgão de origem decorriam de um equívoco cometido por este último: ao invés de acrescer as deduções com o valor da CIDE incidente sobre a aquisição realizada junto a um de seus fornecedores, a Petroquímica União, a fiscalização teria incorrido no erro de subtraílas com tal quantia (R$ 90.392,10), de forma tal a inadvertidamente reduzir no dobro disso o crédito passível de abatimento na apuração do tributo sobre as vendas. Ainda na manifestação de inconformidade, argumentou a recorrente pelo direito de abater da contribuição devida no mercado interno os pagamentos efetuados por ocasião de quaisquer importações pretéritas, inclusive daquelas objeto de declarações de importação registradas nos meses anteriores ao de apuração. Ocorre que, acostada à manifestação de inconformidade, a recorrente trouxe aos autos da planilha de fls. 83. O inusitado a respeito do documento é que, ao identificar a origem da diferença de R$ 7.309.857,27 entre seus cálculos e os da fiscalização, no que concerne à CIDE sobre importações, a recorrente atribui somente uma parcela pequena do valor à glosa de pagamentos vinculados à DI’s de meses anteriores (R$ 370.450,69). Todo o mais, montando R$ 6.943.200,00, a recorrente indica provir de importações realizadas no próprio mês de julho, associadas a pagamentos que, todavia, não foram localizados pela DRF fiscalizadora. O debate, aí, passou a envolver outra sorte de análise. Não se trata de saber apenas sobre a dedutibilidade do tributo associado a declarações de importação registradas noutros períodos de apuração mas de compreender os motivos pelos quais o aludido pagamento – de R$ 6.943.200,00 – não foi localizado pela própria auditoria da Derat/RJO quando do levantamento dos recolhimentos realizados pela empresa naquele julho de 2002 (fls. 60). Fl. 354DF CARF MF 4 É verdade que, ao ensejo do recurso voluntário, a recorrente chegou a trazer aos autos a cópia da guia DARF com que teria realizado o pagamento em questão (fls. 138). Ao mesmo tempo, porém, trouxe também cópia da respectiva DI onde se lê que o seu registro se deu em julho de 2002, o que, mais uma vez, desperta dúvida acerca das razões pelas quais o pagamento não foi identificado na instância de piso. Chamo atenção, nesse passo, para a declaração de voto acostada ao aresto a quo (fls. 112/113). Divergindo do relator quanto aos fundamentos para rejeitar a inconformidade, o julgador afirma o direito do contribuinte à dedutibilidade não apenas da CIDE paga sobre as importações praticadas no mesmo mês de apuração do tributo no mercado interno, mas acaba por acompanhar as conclusões o julgado justamente por vislumbrar não demonstrado que a diferença de cálculos – no valor de R$ 7.309.857,27 – adviesse deste debate. (...). 2. Uma vez distribuído o processo neste Tribunal, o então relator do caso, acompanhado pela antiga turma julgadora, baixou o presente em diligência (resolução n. 3403 000.323 fls. 233/236) com o seguinte escopo: (...). Em virtude dos motivos expostos, proponho ao Colegiado a conversão do julgamento em diligência, a fim de que o órgão preparador elabore relatório conclusivo acerca das seguintes questões controvertidas pelo recurso: (a) qual a origem da diferença de R$ 180.784,20, encontrável no cálculo do crédito relativo à CIDE sobre aquisições no mercado interno? Pedese seja analisada, especificamente, a afirmação de erro material contida na manifestação de inconformidade, de acordo com a qual a fiscalização teria inadvertidamente subtraído da dedução o tributo incidente na(s) aquisição(ões) junto à Petroquímica União ao invés de acrescentálo (fls. 66); e (b) quanto ao pagamento documentado às fls. 138, pedese: (b1) confirmar sua efetiva realização; (b2) informar se o valor está compreendido no montante de R$ 85.743.705,91 que o despacho decisório de fls. 57/61 reconheceu ter sido realizado em julho de 2002 com relação às importações praticadas no período; (b3) sendo negativa a resposta ao quesito anterior, justificar o motivo pelo qual referido pagamento não foi localizado no sistema SINAL da RFB. (...). 3. Referida diligência foi cumprida pela instância fiscalizadora, resultando no relatório de diligência fiscal de fls. 284/290, a respeito do qual a recorrente se manifestou tempestivamente (fls. 298/301). 4. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10768.720212/200773 Acórdão n.º 3402003.987 S3C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 5. Conforme se desenvolverá melhor a seguir, o recurso voluntário interposto preenche apenas parcialmente os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento de apenas parte dele. 6. Em tópico próprio restará claro que parte da insurgência externada em recurso voluntário perdeu seu objeto ante o reconhecimento pelo contribuinte quanto à exatidão da exigência fiscal. Tal fato, todavia, será ulteriormente detalhado no presente voto. I. Do Direito 7. Como já mencionado no relatório deste voto, a presente contenda fiscal diz respeito à declaração de compensação apresentada pelo contribuinte para fins de extinção de obrigações relativas à COFINS. Segundo consta dos autos, a recorrente empregou créditos resultantes de pagamentos supostamente a maior da CIDEcombustíveis (lei no 10.336/01) com correspondência ao fato gerador consumado em 31.07.2002. 8. Anda segundo consta dos autos, os motivos que redundaram na presente exigência fiscal são dois, quais sejam: (i) uma inconsistência nos cálculos de restituição aparentemente resultante da redução indevida da CIDE sobre as vendas de combustíveis em julho de 2002 no valor de R$ 180.784,20; e, ainda (ii) pelo fato da fiscalização não considerar como dedutíveis na apuração da CIDE (vendas efetuadas ao mercado interno em julho de 2002) os pagamentos realizados pela recorrente, a este mesmo título, em importações consumadas antes disso, i.e., em meses anteriores. 9. Por seu turno, o resultado da diligência perpetrada é bastante esclarecedor para a resolução de ambos os problemas, conforme se demonstrará a seguir. (i.i) Da inconsistência do valor de R$ 180.784,20 10. Em relação a presente insurgência do contribuinte, este alega que o valor apontado decorreria de uma diferença entre os seus cálculos e aqueles desenvolvidos pela fiscalização. Ainda segundo o recorrente o cálculo realizado pela fiscalização estaria equivocado na medida em que, em vez de acrescentar às deduções o valor da CIDE incidente sobre a aquisição junto a um de seus fornecedores – Petroquímica União – a fiscalização teria subtraído tal quantia (R$ 90.392,10), o que, por sua vez, causaria uma redução em dobro (R$ 180.784,20) no crédito passível de abatimento na apuração do tributo. 11. Diante de tais assertivas, a antiga turma julgadora resolveu baixar o presente processo em diligência para apurar o que segue: (...). Fl. 356DF CARF MF 6 a) qual a origem da diferença de R$ 180.784,20, encontrável no cálculo do crédito relativo à CIDE sobre aquisições no mercado interno? Pedese seja analisada, especificamente, a afirmação de erro material contida na manifestação de inconformidade, de acordo com a qual a fiscalização teria inadvertidamente subtraído da dedução o tributo incidente na(s) aquisição(ões) junto à Petroquímica União ao invés de acrescentálo (fls. 66); e (...). 12. Para cumprir com tal mister, a unidade preparadora intimou o contribuinte a apresentar documentos, os quais não foram entregues e culminaram com o reconhecimento expresso por parte da recorrente quanto à exatidão desta exigência fiscal em específico. É o que se depreende do seguinte excerto do relatório de diligência fiscal abaixo transcrito (fl. 288): (...). Para a pergunta a) acima reproduzida, intimamos o contribuinte a partir do Termo de Intimação nº 905/2014 (fls. 266/267) a apresentar os registros contábeis referentes aos lançamentos de CIDE paga na aquisição de produtos do MI. Após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, foi dado um prazo limite para apresentação dos documentos em 16/03/2015, a partir do Termo de Reintimação nº 411/2015. Ao final, o contribuinte admitiu estar correto o valor de R$ 3.224.247,73 apontados pela fiscalização, “não subsistindo, portanto, a diferença anteriormente arguida pela Contribuinte para a rubrica ora versada” (fls. 282/283). (...) (grifos constantes no original). 13. Percebese, pois, que em relação à tal exigência fiscal o contribuinte expressamente a reconhece. Tal reconhecimento, inclusive, é reiterado quando da manifestação da recorrente acerca do resultado da diligência de fls. 298/301. Nesta oportunidade e em relação a tal tópico, o contribuinte se limita a transcrever o excerto do relatório de diligência fiscal alhures indicado sem, todavia, articular qualquer contraposição. Aquiesce, pois, mais uma vez com seu conteúdo. 14. Havendo, portanto, o reconhecimento quanto à exatidão desta exigência fiscal por parte do contribuinte, a sua insurgência, externada em sede de recurso voluntário, resta prejudicada, o que, por conseguinte, impede seu conhecimento. É o que prevê, por analogia, o disposto no art. 1.000, parágrafo único do CPC/2015. 15. Assim, deixo de conhecer o presente recurso voluntário exclusivamente em relação ao tópico aqui tratado. (i.ii) Da compensação com créditos decorrentes do pagamento a maior a título de CIDE combustíveis 16. Não obstante, a outra exigência fiscal externada no presente processo administrativo decorre do fato da fiscalização não considerar como dedutíveis na apuração da CIDE (vendas efetuadas ao mercado interno em julho de 2002) os pagamentos realizados pela recorrente, a este mesmo título, em importações consumadas em meses anteriores. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10768.720212/200773 Acórdão n.º 3402003.987 S3C4T2 Fl. 5 7 17. Acontece que, segundo alegação da recorrente, além da injuridicidade de tal fundamentação fiscal, a recorrente teria, no presente caso, utilizado créditos de importações realizadas no próprio mês de julho, associadas a pagamentos que, todavia, não foram localizados pela DRF fiscalizadora. Daí a motivação para segunda parte da citada diligência fiscal e que restou assim externada: (...). (b) quanto ao pagamento documentado às fls. 138, pedese: (b1) confirmar sua efetiva realização; (b2) informar se o valor está compreendido no montante de R$ 85.743.705,91 que o despacho decisório de fls. 57/61 reconheceu ter sido realizado em julho de 2002 com relação às importações praticadas no período; (b3) sendo negativa a resposta ao quesito anterior, justificar o motivo pelo qual referido pagamento não foi localizado no sistema SINAL da RFB. (...). 18. Em resposta a tais questionamentos o relatório de diligência fiscal é esclarecedor, consoante se observa dos seguintes trechos: Fl. 358DF CARF MF 8 19. Percebese, portanto, que a diligência fiscal reconhece que todos os créditos empregados pelo recorrente referemse ao mês de julho de 2002, fato este que, por conseguinte, refuta o pressuposto fático adotado como fundamentação para a não homologação da referida compensação. 20. Assim, não mais subsistindo o fundamento empregado para rechaçar o crédito em questão, a única alternativa possível é o seu reconhecimento. Dispositivo 21. Diante do exposto, voto para: (i) não conhecer o recurso voluntário interposto em relação à glosa do montante de R$ 180.784,20, haja vista que o contribuinte reconheceu expressamente a exatidão desta exigência fiscal; e, ainda (ii) conhecer a parte remanescente do recurso voluntário para, no mérito, provêlo, tendo em vista o reconhecimento do crédito compensado em sede de diligência fiscal (fls. 284/290), cabendo à RFB apenas homologar o quantum. 22. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10768.720212/200773 Acórdão n.º 3402003.987 S3C4T2 Fl. 6 9 Fl. 360DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.014592/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório OZYX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 6.402.090,97, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 04. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo diligente relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância, abaixo transcrito: Lavraramse contra a epigrafada autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos aos exercícios de 2001 e 2002 (anos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 14 59 2/ 20 06 -1 6 Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Resolução nº 1301000.394 S1C3T1 Fl. 721 2 calendário de 2000 e 2001), conforme se vê de fls. 5 a 11 (IRPJ), 12 a 18 (Pis), 19 a 25 (Cofins) e 26 a 32 (CSLL) , respectivamente. Decorreram esses procedimentos da constatação de ter havido, naqueles períodos: b) omissão de receitas – suprimento de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega; e c) omissão de receitas – passivo fictício. Segundo consta do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal, de fls. 33 a 38, tratase de reexame de períodos já fiscalizados, por solicitação da Justiça Federal, devidamente autorizado pelo Delegado da Receita Federal em CuritibaPR. É dito, ali, que, com relação aos mútuos recebidos pela empresa, foram comprovados os ingressos dos recursos somente das sócias Karina Rozenblum e Noemi Elpern K. Rozenblum, mas não os da Rostany Trading S.A. Por outro lado, teria ficado faltando comprovar a origem de todos os empréstimos. Dessa forma, foram tributados, a título de suprimento de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega, os valores supostamente provenientes das referidas sócias e, a título de passivo fictício, os valores registrados contabilmente como empréstimos da empresa uruguaia, nos quais não foi comprovada a entrada do dinheiro no País. Além disso, confrontandose os livros Diário e Razão de 2000 e 2001 com a base das Declarações de Operações Imobiliárias (DOI), foram encontradas seis vendas à margem da contabilidade – receitas não contabilizadas de imóveis também ausentes do Ativo Imobilizado, todas elas realizadas à vista, segundo informações prestadas pelos cartórios nos quais essas operações foram realizadas. Especificamente quanto a esse último item, foi aplicada a multa de 150 % (cento e cinqüenta por cento), por entender a fiscalização se tratar de infração qualificada. Os enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração, correspondendo os créditos constituídos a R$ 1.519.571,00 (IRPJ), R$ 44.350,25 (Pis), R$ 204.693,50 (Cofins) e R$ 565.122,10 (CSLL). Instruem o feito Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF), Mandado de Procedimento Fiscal – Complementar (MPFC), Autorização para Reexame de Período já Fiscalizado, Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal, Termo de Início de Fiscalização, e respectiva resposta, cópias de documentos societários, Termo de Intimação nº 002, e correspondentes respostas, Termo de Intimação Fiscal nº 003, e resposta, cópias de folhas do livro Razão Geral, de Dossiê Integrado e de folhas do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), e Termo de Intimação Fiscal nº 004 (fls. 1 a 4, e 33 a 212). Cientificada da pretensão fazendária em 22/01/2007 (fls. 5, 12, 19 e 26), a tempo, em 16/02/2007, apresenta a autuada impugnações de fls. 244 a 267, 316 a 345, 364 a 393 e 412 a 441, nelas argumentando, em síntese: a) que, preliminarmente, está decaído o direito do Fisco de efetuar o lançamento do imposto cujos fatos geradores ocorreram antes de janeiro de 2003, já que tomou ciência do presente auto de infração somente em 22/01/2007; Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Resolução nº 1301000.394 S1C3T1 Fl. 722 3 b) que, com relação ao Pis, à Cofins e à CSLL, não se aplica a Lei nº 8.212, de 1991, porque matéria de decadência e prescrição é de competência de lei complementar, segundo preceitua o art. 146, III, “b”, da Constituição Federal; c) que, no mérito, com relação à suposta falta ou insuficiência de contabilização de receitas oriundas da venda de imóveis, essas vendas foram contabilizadas nos anos de 1999 e 2002; d) que, como a fiscalização adotou como meio de apoio apenas as Declarações de Operações Imobiliárias (DOI) dos anos de 2000 e 2001 e os livros Diário e Razão do mesmo período, concluiu, de modo equivocado, que não houve contabilização das compras e das vendas dos imóveis; e) que o fato de a empresa ter contabilizado a venda dos imóveis em anos distintos aos lançados nas DOI decorre de a venda ter ocorrido em uma determinada data e a transferência dos imóveis realizada posteriormente; f) que, no preenchimento da DOI é considerada a data em que se efetuou o registro ou averbação na matrícula; g) que, com relação aos suprimentos de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega, a justificativa para a desconsideração do mútuo decorre do fato de não ter sido comprovado que os recursos que adentraram a conta corrente da empresa foram, de fato, oriundos das sócias Karina Rozenblum e Noemi Elpern Rozenblum; h) que o nãopreenchimento dos requisitos acima citados não possui o condão de descaracterizar os contratos de mútuos realizados; i) que a mutuária obrigouse ao pagamento do valor do principal e dos respectivos encargos em certo tempo, nos termos e condições estabelecidos nos instrumentos contratuais; j) que, em face dos contratos celebrados, efetuou operações bancárias com o fito de transferir os valores consignados; k) que grande parte das quantias em questão está lastreada por documentos comprobatórios dos depósitos bancários; l) que, pelos documentos anexados nos autos, há efetiva comprovação da transferência dos valores para a mutuária; m) que, diante da existência dos contratos e da comprovação da entrada dos valores na contabilidade da empresa e das transferências dos recursos nos exatos moldes estabelecidos entre as partes, não há razão para invalidar a operação de mútuo em tela; n) que esses elementos analisados são deveras suficientes para o fim de se constatar a realização do negócio jurídico; o) que, caso persista a presente autuação, a tributação representaria presunção simples, com base em indícios e mero julgamento subjetivo da fiscalização; Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Resolução nº 1301000.394 S1C3T1 Fl. 723 4 p) que o contrato particular, assinado pelas partes e por duas testemunhas, e a comprovação do fluxo financeiro são elementos suficientes para comprovar a operação de mútuo; q) que não há qualquer norma que determine a necessidade de ser comprovado que o mutuante possui lastro para dar suporte ao mútuo acordado; r) que os recursos supridos pela sócia Karina Rozenblum foram originários de empréstimos obtidos por ela junto a seu irmão Rolando Rozenblum; s) que, também no que se refere ao mútuo com a sócia Noemi Rozenblum, no valor de R$ 23.300,00, a declaração de imposto de renda é meio idôneo e hábil para comprovar que a mutuante possuía condições para assumir o mútuo com a impugnante; t) que, pelas informações colhidas da contabilidade é possível averiguar que os montantes transacionados nos contratos de mútuo com a empresa uruguaia Rostany foram empregados para a realização de pagamentos devidos pela impugnante; u) que a multa exigida ofende ao princípio constitucional do não confisco, não devendo ser superior a vinte por cento; e que é ilegal e inconstitucional a exigência da taxa de juros Selic, devendo, esta, ser substituída pelos juros estipulados pelo Código Tributário Nacional (CTN). Foram anexadas às impugnações procurações, cópias de documentos já constantes do processo, de folhas de livros contábeis, de extratos bancários, de declarações de imposto de renda de pessoa física, e planilhas (fls. 268 a 315, 346 a 363, 394 a 411 e 442 a 472). Para uma melhor instrução dos presentes autos, foram juntados os demonstrativos de fls. 556 a 568. A 1ª Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0616.319, de 06 de dezembro de 2007 (fls. 569/584), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001 IRPJ. LUCRO REAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. TERMO INICIAL DE DECADÊNCIA. Tratandose de imposto de renda de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, e não tendo havido o pagamento do imposto em determinado período, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos, relativo a esse período, tem início na forma do art. 173 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER SUPOSTAMENTE CONFISCATÓRIO. DESCABIMENTO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório referese a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Resolução nº 1301000.394 S1C3T1 Fl. 724 5 IMPUGNAÇÃO. TAXA DE JUROS SELIC. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, ILEGALIDADE, ARBITRARIEDADE OU INJUSTIÇA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 2000, 2001 SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA. Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindose, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração. SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM DOS RECURSOS. São insuficientes para comprovação da origem dos recursos supridos elementos produzidos pela própria interessada, como contratos de mútuo, declarações escritas, ou recibos, e a simples alegação de capacidade econômica ou financeira dos sócios. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001 LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CSLL. DESCABIMENTO. O direito de a Fazenda Pública constituir os créditos relativos ao Pis, à Cofins e à CSLL decai após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os respectivos créditos poderiam ter sido constituídos. PIS. COFINS. CSLL. Dada a identidade existente entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos à do Pis, da Cofins e da CSLL, estendemse, a estas últimas, a decisão adotada naquela. Por pertinente, esclareço que: Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Resolução nº 1301000.394 S1C3T1 Fl. 725 6 (i) foram afastadas as exigências do IRPJ correspondentes aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2000, em face do reconhecimento da decadência; (ii) foi afastada a exigência correspondente à alienação do apartamento nº 403 do Edifício Philadelphia Tower, diante da constatação de que referida operação havia sido contabilizada e oferecida à tributação no anocalendário 1999; (iii) as multas de 150% aplicadas à infração de omissão de receitas na venda de imóveis foram reduzidas para 75%; (iv) no mais, o lançamento foi mantido. Ciente da decisão de primeira instância em 17/01/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 590, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/02/2008 conforme carimbo de recepção à folha 591. No recurso interposto (fls. 591/620), a interessada alega, preliminarmente, que teria ocorrido a decadência do direito de constituir créditos tributários por fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 2002, tendo em vista que a ciência do auto de infração somente ocorreu em 22/01/2007 e, ainda, considerandose as disposições do art. 150, § 4º, do CTN. Argúi, também, a inaplicabilidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Colaciona jurisprudência administrativa e judicial em favor de sua tese. No mérito, a recorrente reitera os argumentos trazidos na impugnação, dos quais segue apertada síntese: Acerca da infração de omissão de receitas na vendas de imóveis, a recorrente afirma que todas as aquisições teriam sido contabilizadas no ano de 1999 e que as vendas dos cinco imóveis sobre os quais persiste o litígio teriam sido contabilizadas no ano de 2002. Pede, então, o afastamento integral desta exigência. Sobre os contratos de mútuos com as sócias Karina Rozenblum e Noemi Elpern Rozenblum, os quais conduziram à autuação por omissão de receitas, afirma que o não preenchimento dos requisitos do art. 282 do RIR/99 não teria o condão de descaracterizar os contratos de mútuo realizados e juntados por cópia aos autos. Os documentos acostados aos autos, especialmente extratos bancários, comprovariam, por sua ótica, que houve a transferência dos valores para a mutuaria. Seria, então, improcedente a exação fiscal a qual, a persistir, consistiria em presunção simples, com base em indícios e mero julgamento subjetivo da fiscalização. Colaciona jurisprudência administrativa que entende suportar seus argumentos. Ainda sobre essa matéria, apesar de considerar desnecessária, diante da legislação aplicável, a comprovação de que o mutuante possui lastro para dar suporte ao mútuo acordado, a recorrente apresenta documentos que, afirma, atestam que a sócia mutuante Karina possuía recursos suficientes para suportar o empréstimo. Tais recursos adviriam de empréstimos por ela obtidos junto a seu irmão Rolando Rozenblum, devidamente registrados nas declarações de rendimentos apresentadas ao Fisco. Também a sócia Noemi Rozenblum teria recursos para suportar os mútuos contratados, conforme consta de sua DIRPF. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Resolução nº 1301000.394 S1C3T1 Fl. 726 7 Com referência aos mútuos entre a recorrente e a empresa uruguaia Rostany, a recorrente insiste em que haveria, nos autos, contratos firmados entre as partes, assinados por duas testemunhas, e que o ingresso das quantias consignadas teriam sido registrados na contabilidade. Os montantes transacionados nos contratos de mútuo teriam sido empregados para a realização de pagamentos devidos pela recorrente. Diante disso, entende comprovada a origem dos recursos e afirma que não deve vingar o lançamento, nesta parte. A interessada questiona a multa de 75% aplicada, a qual entende ofensiva ao princípio constitucional do nãoconfisco. Finalmente, a recorrente se insurge contra a utilização da taxa Selic, a qual entende ilegal, inconstitucional e inaplicável para o cálculo de juros moratórios incidentes sobre débitos de natureza fiscal, seja porque carente de legislação que a institua, seja porque não se coaduna com o art. 192, § 3º, da Constituição Federal, seja, ainda, porque sua natureza é de juros remuneratórios e não moratórios. Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (R$ 500.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 375/2001. O processo foi trazido a julgamento perante esta 1ª Turma Ordinária em 16/12/2010, oportunidade em que foi prolatado o acórdão nº 130100.457 (fls. 640/652). O Colegiado negou provimento ao recurso de ofício e, no que respeita ao recurso voluntário, reconheceu a decadência sobre a integralidade dos créditos tributários do processo. O julgado foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. GANHO DE CAPITAL. OMISSÃO. PROVA. Restando comprovado nos autos que o contribuinte registrou contabilmente tanto a aquisição quanto a alienação de imóvel, e que o ganho de capital apurado foi oferecido à tributação na data da alienação, correta a decisão de primeira instância que afastou a exigência tributária. MULTA QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. INOCORRÊNCIA. Desde que o fundamento fático para a qualificação da multa foi a imputação, ao sujeito passivo, da prática de seis operações de compra e venda de imóveis à margem da contabilidade e da tributação, a evidenciar o intuito doloso de ocultar o fato gerador tributário, correta a decisão de reduzir a multa para 75%, ao restar comprovado nos Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Resolução nº 1301000.394 S1C3T1 Fl. 727 8 autos que as operações imobiliárias foram contabilizadas e que, em um caso, o resultado tributável foi oferecido à tributação. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, o qual foi admitido e levado a julgamento perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). O objeto do recurso foi a aplicação, por este Colegiado, do art. 150, § 4º, do CTN para aferição da decadência, o que estaria a contrariar decisão vinculante do Superior Tribunal de Justiça. A 1ª Turma da CSRF, mediante o Acórdão nº 9101002.157 (fls. 702/712), de 08/12/2015, deu provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando também o retorno dos autos à turma ordinária de origem. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2001 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. 1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2. Não havendo pagamento e nem confissão dos débitos de IRPJ e CSLL com fato gerador em 31/12/2001, resta afastada a decadência, e o autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. 3. Quanto ao PIS e à COFINS, também com fatos geradores em 31/12/2001, sendo afastados os fundamentos do acórdão recorrido, os autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que seja reexaminada a questão da decadência, levandose em conta a existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais), e havendo reversão da decadência, para que se dê continuidade ao exame das demais questões relativas ao cometimento das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. Do voto condutor, extraio os seguintes excertos: 5.4. Quanto ao IRPJ e à CSLL, ficou evidenciado que a contribuinte apurou prejuízo fiscal no anocalendário de 2001, não havendo, portanto, apuração de tributo Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Resolução nº 1301000.394 S1C3T1 Fl. 728 9 devido, e nem pagamento. Os demonstrativos dos autos de infração também evidenciam que não houve pagamento destes tributos para o anocalendário de 2001, com fato gerador anual em 31/12/2001. 5.5. Nesse caso, não havendo pagamento e nem confissão de débitos de IRPJ e CSLL, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, de modo que não há decadência para o crédito tributário de IRPJ e CSLL com fato gerador em 31/12/2001. 5.6. Revertendose a decadência, os autos devem retornar à Turma Ordinária do CARF para que se dê continuidade ao exame das questões acerca das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. 5.7. Quanto ao PIS e à COFINS, é importante registrar que estão sendo exigidos débitos relativamente ao mês de dezembro/2001. 5.8. Conforme já mencionado, para fatos geradores ocorridos em 31/12/2001, considerando que o lançamento ocorreu em 22/01/2007, há diferentes resultados para a decadência conforme se aplica o prazo previsto no art. 150, §4º, ou no art. 173, I, ambos do CTN. 5.9. Nesse contexto, sendo afastados os fundamentos do acórdão recorrido, é preciso que a Turma Ordinária do CARF reexamine a questão da decadência levando em conta a existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para os fatos geradores de PIS/COFINS ocorridos em 31/12/2001, e havendo reversão da decadência, dê continuidade ao exame das questões acerca das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. 6. Nestes termos, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da PGFN, para: em relação ao IRPJ/CSLL, afastar a decadência para o anocalendário de 2001, e devolver os autos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento das infrações propriamente ditas; em relação ao PIS/COFINS, devolver os autos à Turma Ordinária do CARF para que seja reexaminada a questão da decadência levandose em conta a existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para os fatos geradores ocorridos em 31/12/2001, e havendo reversão da decadência, para que se dê continuidade ao exame das questões acerca das infrações propriamente ditas. O processo retorna, agora, a esta 1ª Turma Ordinária, para cumprimento do quanto decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Do exame dos autos, constato que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Para que se possa definir corretamente a decadência, o acórdão nº 9101002.157 da CSRF estabelece, para este Colegiado, o dever de perquirir a existência ou não de Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Resolução nº 1301000.394 S1C3T1 Fl. 729 10 pagamento ou declaração/confissão, ainda que parciais, de PIS e de COFINS para os fatos geradores ocorridos em dez/2001. Isso faz sentido. Para PIS e COFINS (fatos geradores ocorridos no mês de dez/2001), se aplicável o art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial para contagem do prazo decadencial será em 01/01/2003 e o termo final será em 31/12/2007. Como a ciência do lançamento se deu em 22/01/2007, não se terá operado a decadência. Por outro lado, se aplicável o art. 150, § 4º, do CTN, o termo inicial será em 01/01/2002 e o termo final será em 31/12/2006. Nessa hipótese estarão decaídos os fatos geradores ocorridos nesse período. Compulsando os autos, não encontro nenhum elemento que permita a formação de convicção acerca desse ponto. Sendo ele indispensável para a tomada de decisão, resta claro que o processo não reúne condições de julgamento. Voto, então, pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade preparadora consulte os sistemas de processamentos de dados da Receita Federal do Brasil informe e/ou adote as seguintes providências: a) Existe algum pagamento de PIS ou de COFINS para a competência de dezembro de 2001? Caso a resposta seja afirmativa, juntar aos autos a respectiva comprovação. b) O contribuinte declarou em DCTF (ou em algum outro instrumento declaratório com caráter de confissão de dívida) algum valor de PIS ou de COFINS para a competência de dezembro de 2001? Caso a resposta seja afirmativa, juntar aos autos a respectiva comprovação. O resultado da diligência deve constar de relatório conclusivo, do qual deve ser dada ciência à interessada, facultandolhe prazo para manifestação nos autos, nos termos do art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011. Após, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Relator independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 729DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.910494/2012-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.669
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 04 94 /2 01 2- 82 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10480.910494/201282 Acórdão n.º 3302003.669 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11040.570. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10480.910494/201282 Acórdão n.º 3302003.669 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 25/06/2013, apresentação do RV em 01/07/2013). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10480.910494/201282 Acórdão n.º 3302003.669 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.728772/2011-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente.
No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido quanto ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Numero da decisão: 9101-002.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em não reconhecer concomitância com o objeto da Ação Anulatória 73621-88.2016.4.01.3400 e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento quanto à multa isolada, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano calendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido quanto ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em não reconhecer concomitância com o objeto da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 87 72 /2 01 1- 31 Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.295 2 Ação Anulatória 7362188.2016.4.01.3400 e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento quanto à multa isolada, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial de efls. 1.769/1.785, contra o Acórdão nº 1103001.121 (de 21/10/2014, efls. 427/433), que, no mérito e por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência de multa isolada. O Recurso Especial ora apreciado foi admitido por meio do Despacho de e fls. 1.788/1.791. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 GLOSA DE DESPESAS. ATOS EM DESACORDO COM REGULAÇÃO DA COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). INDEDUTIBILIDADE. Despesas decorrentes de atos ilícitos não se revestem dos pressupostos da normalidade, usualidade e necessidade à atividade operacional, sendo indedutíveis na apuração das bases de cálculo. Na hipótese, constatouse, a partir de farto acervo probatório, que o procedimento adotado pelo sujeito passivo foi reiterada e deliberadamente contrário às normas editadas pela Comissão de Valores Mobiliários quanto à administração de fundos de investimento. IRRF E ESTIMATIVAS MENSAIS. BASE DE CÁLCULO. Ao lavrar autuação fiscal em decorrência da glosa de despesa considerada dedutível pelo contribuinte, a fiscalização deve recompor a base de cálculo, deduzindo, do valor apurado a título de IRPJ devido, o IRRF retido pelas fontes pagadoras e as estimativas mensais recolhidas ao longo do anocalendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.296 3 CSLL RETIDA NA FONTE E ESTIMATIVAS MENSAIS. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Ao lavrar autuação fiscal em decorrência da glosa de despesa considerada dedutível pelo contribuinte, a fiscalização deve recompor a base de cálculo, deduzindo, do valor apurado a título de CSLL devida, a CSLL retida pelas fontes pagadoras e as estimativas mensais recolhidas ao longo do anocalendário. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Sendo a exigência reflexa decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. Implica bis in idem a exigência concomitante de multa isolada nos termos do art. 44, II, "b" da Lei 9.430/96 e de multa de ofício sobre o saldo de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual quando tanto a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais como a insuficiência de recolhimento dos tributos devidos no ajuste decorreram da glosa de uma mesma despesa. Jurisprudência remansosa da CSRF no sentido de repelir a aplicação concomitante de tais penalidades quando decorrem da mesma conduta e incidem sobre a mesma base de cálculo (no caso dos autos, o valor da despesa considerada indedutível). Os recolhimentos por estimativa têm natureza de antecipação do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorre no final do exercício. Dessa forma, e considerandose que o dever de antecipar apenas existe enquanto houver uma obrigação a ser antecipada (isto é, enquanto ainda não tiver ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL), é forçoso concluir que a base imponível da multa isolada desaparece após o final do exercício (momento da ocorrência do fato gerador), deixando de ser possível, portanto, a aplicação dessa penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial para determinar (i) o cômputo dos pagamentos de IRRF e de estimativas mensais na apuração anual do IRPJ e da CSLL, por unanimidade, e (ii) excluir a multa isolada, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e Luiz Tadeu Matosinho Machado. A manutenção da glosa da despesa se deu por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos (Relator) e Marcos Shigueo Takata. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. Declarouse impedido o Conselheiro André Mendes de Moura. O Cons. Eduardo Martins Neiva Monteiro foi designado para redigir os votos vencedor e vencido, como Relator/Redator Ad hoc, pois os Cons. Breno Ferreira Martins Vasconcelos (relator originário) e Fábio Nieves Barreira (redator designado) renunciaram aos respectivos mandatos. O Presidente da Primeira Seção de Julgamento assina o acórdão em substituição ao Presidente do colegiado à época, Cons. Aloysio José Percínio da Silva, que deixou de ser membro do CARF. A Procuradoria aponta divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: concomitância da multa isolada, decorrente da falta/insuficiência de recolhimento de estimativas, com a multa de ofício. Com relação à divergência suscitada, transcrevese as ementas dos acórdãos indicados como paradigmas, na parte que interessa à análise da matéria: Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.297 4 Acórdão nº 1202000.964 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, por observarem previsões legais específicas. Acórdão nº 1302001.080 MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário. As alegações de mérito da Procuradoria, são, em síntese, as seguintes: a) que não se aplica a Súmula CARF nº 105 ao caso sob análise, uma vez que a cumulação entre as multas só é vedada pela referida súmula em relação às autuações relativas a períodos anteriores a 22/1/2007, data da entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou o art. 44 da Lei nº 9.430/96; b) que não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades distintas, uma vez que a proibição do bis in idem pretende evitar a dupla penalização por um mesmo ato ilícito; c) que no caso dos autos a aplicação de multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, resultou de infrações às regras de determinação do lucro real praticadas pelo sujeito passivo, relativo ao anocalendário de 2007 (falta de recolhimento do tributo e/ou declaração inexata). Por outro lado, a denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento do modo de pagamento da IRPJ sobre base de cálculo estimada, tratandose de infrações diferentes; d) que na sistemática de pagamento do IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada o Contribuinte auxilia a União a fazer frente às despesas incorridas durante o ano calendário, o que não ocorreria se a exação fosse paga apenas no exercício seguinte; e) que a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do Ajuste Anual, ao passo que a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.298 5 simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto; f) que a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. A primeira deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o ajuste anual, ao passo que a segunda deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas, sendo que essas antecipações não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada do CARF, são meros adiantamentos do tributo; g) acrescenta que se infere que o acórdão recorrido procurou atenuar o suposto rigor do art. 44, II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96, mas que esse raciocínio não deve prevalecer à medida que cria nova hipótese de dispensa de multa isolada, inovando no ordenamento jurídico. Menciona que o juízo de eqüidade tem de estar expressamente autorizado por lei, o que aqui não ocorre. Assinala que o art. 108, IV, § 2º do CTN estatui que o emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do tributo devido; h) que após o advento da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há sequer espaço para discussão do assunto, em face da clareza do texto legal. Conclui a PFN que (i) é possível a cumulação entre multa de ofício e multa isolada, pois são penalidades distintas que incidem sobre bases de cálculo diversas; (ii) a autoridade autuante agiu de acordo com as normas aplicáveis ao caso, realizando o seu dever de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ao final, requer seja conhecido e provido o recurso especial, restabelecendose a multa isolada. A contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 1.870/1.882), aduzindo, em essência, o que se segue: a) preliminarmente, sustenta que o recurso especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido, por ausência do pressuposto recursal do prequestionamento, quanto à alteração legislativa promovida na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Assim, entende que ao alegar que a cumulação da multa de ofício e multa isolada passou a ser possível a partir da vigência da referida MP, a recorrente traz clara e indevida inovação argumentativa; b) quanto às razões recursais, que a alteração na redação do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, não afasta o raciocínio pacificado na Súmula nº 105 do CARF, de que não pode haver cumulação da multa de ofício e da multa isolada; c) que, durante o anocalendário de 2008, apurou o IRPJ e CSLL devidos estimativamente, e os recolheu, tanto que lhe foi permitido deduzir esse montante do crédito apurado, não havendo que se falar em descumprimento ao art. 2º da Lei nº 9.430/96; d) que o recolhimento por estimativa é apenas uma opção de pagamento dos tributos IRPJ e CSLL, de forma que encerrado o ano, eventual infração à opção de pagamento resta abrangida pela ocorrência do fato gerador, e eventual lançamento que constate a prática de infração tributária somente poderá exigir do contribuinte a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, sob pena de bis in idem e afronta ao princípio da consunção; Fl. 2298DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.299 6 e) que a orientação jurisprudencial firmada pelo CARF e fixada na Súmula nº 105 não teve em mira a base de cálculo das penalidades, mas a existência de dupla pena para uma única infração, o que invalida o argumento da recorrente de que por ter a multa de ofício e a multa isolada bases de cálculo distintas não haveria que se falar em bis in idem; f) que o objetivo da alteração legislativa promovida pela MP nº 351/2007 era reduzir o percentual de multa isolada de 15% para 50%, nada mencionando quanto à possibilidade de aplicação cumulada das penalidades em discussão. Ao final, requer seja negado conhecimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em razão da ausência de prequestionamento, ou negado provimento ao recurso. Em face do acórdão de recurso voluntário, a contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados (efls. 1.885/1.900). Em seguida, foi interposto recurso especial, ao qual foi negado seguimento por meio do despacho de efls. 2.086/2.092. Em sede de agravo, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais confirmou a negativa de seguimento ao recurso especial da contribuinte (cf. efls. 2.137/2.144). Por oportuno, registro que no dia 23 de março de 2017 foi juntado aos autos do processo administrativo em análise, à efl. 2.223, memorando da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional 1ª Região que comunica a concessão de tutela provisória de urgência, nos autos da Ação Anulatória 7362188.2016.4.01.3400, proposta pela autuada, para suspender a exigibilidade do crédito tributário consubstanciado nesse PAF e no de nº 10166.720151/2017 03. O último processo é resultante da formação de novos autos, apartados para a cobrança do crédito tributário, cuja discussão na esfera administrativa encerrouse. Às efls. 2.256/2.293 foi juntado aos autos despacho da DRF/Brasília noticiando a mesma decisão judicial, para que o CARF verifique a possibilidade de concomitância entre a esfera administrativa e judicial. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Preliminarmente O recurso é tempestivo porém, como em suas contrarrazões, a interessada defende que o Recurso Especial da PFN não seja conhecido em face da ausência do pressuposto recursal do prequestionamento em relação à matéria referente à "alteração legislativa promovida na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007", inicio por apreciar esse conhecimento. De fato não se verifica no acórdão recorrido qualquer referência expressa sobre a alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007, embora o fundamento legal para a aplicação da multa isolada tenha sido o art. 44, II, alínea "b", da Lei nº Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.300 7 9.430/96, já com a alteração promovida pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Ocorre que tal requisito não é exigido pelo Regimento Interno no caso de Recurso Especial da Fazenda Nacional. Conforme se verifica a partir da redação do art. 67, §5º, o prequestionamento é requisito essencial à admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo contribuinte: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Além disso, a discussão a respeito da alteração legislativa, como se observará na análise de mérito da presente lide, toma lugar quando da aprovação da Súmula CARF nº 105, o que só ocorreu em 8 de dezembro de 2014. É que tal súmula traz em seu verbete que a multa isolada lançada sob o fundamento no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício. Assim, para defender a não aplicação da súmula, que só surgiu após o julgamento do acórdão recorrido, ocorrido em outubro de 2014, é que se fez necessário à Fazenda Nacional tecer comentários a respeito da alteração legislativa. Em face do exposto, e estando devidamente demonstrada a divergência jurisprudencial, rejeito a preliminar suscitada pela contribuinte. Em relação à ação anulatória ajuizada pela contribuinte, entendo não haver concomitância com a matéria objeto do recurso especial da Procuradoria, não representando óbice ao julgamento do presente processo. É que, no âmbito do processo judicial, discutese a dedutibilidade da despesa glosada pela Fiscalização. O objeto da presente discussão, por sua vez, limitase à possibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício. Por ora, o que se tem é um provimento judicial determinando a suspensão da exigibilidade da presente multa, mas não há determinação de sobrestamento do julgamento, até porque, naquele processo, não se discute a multa isolada. Aplicação simultânea da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais com a multa de ofício No mérito, a questão a ser dirimida no presente recurso diz respeito à possibilidade de serem aplicadas, simultaneamente, a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. A lei determina que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real, apurem seus resultados trimestralmente. Como alternativa, facultou, o legislador, a possibilidade de a pessoa jurídica, obrigada ao lucro real, apurar seus resultados anualmente, Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.301 8 desde que antecipe pagamentos mensais, a título de estimativa, que devem ser calculados com base na receita bruta mensal, ou com base em balanço/balancete de suspensão e/ou redução. Observese: Lei nº 9.430, de 1996 (redação original): Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Vêse, então, que a pessoa jurídica, obrigada a apurar seus resultados de acordo com as regras do lucro real trimestral, tem a opção de fazêlo com a periodicidade anual, desde que, efetue pagamentos mensais a título de estimativa. Essa é a regra do sistema. No presente caso, a pessoa jurídica fez a opção por apurar o lucro real anualmente, sujeitandose, assim, e de forma obrigatória, aos recolhimentos mensais a título de estimativas. Como se vê nos autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 955 e ss), a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento das estimativas mensais desses tributos teve fulcro Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.302 9 no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, mais precisamente em seu inciso II, alínea "b", com as modificações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007. A exigência da multa isolada foi mantida pela autoridade julgadora de 1ª Instância, mas, no julgamento do Recurso Voluntário, o colegiado a quo, por maioria de votos, acatou as alegações da autuada e exonerou a multa isolada exigida nestes autos por entender que (i) "em razão de uma mesma conduta (recolhimento a menor do IRPJ e da CSLL no ano calendário de 2008 em razão de dedução indevida), foram aplicadas duas penalidades distintas contra a recorrente (multa isolada e multa de ofício)"; (ii) "o dever de antecipar apenas existe enquanto houver uma obrigação a ser antecipada (isto é, enquanto ainda não tiver ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL), é forçoso concluir que a base imponível da multa isolada desaparece após o final do exercício (momento da ocorrência do fato gerador), deixando de ser possível, portanto, a aplicação dessa penalidade". Todavia, discordo de tal entendimento porque vislumbro que as penalidades exigidas são autônomas e incidem sobre infrações distintas. A exemplo do que argumenta a Contribuinte em suas contrarrazões, há aqueles que alegam que as alterações promovidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, não teriam afetado, substancialmente, a infração sujeita à aplicação da multa isolada, apenas reduzindo o seu percentual de cálculo e mantendo a vinculação da base imponível ao tributo devido no ajuste anual. Nesse sentido invocam que a própria Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 351, de 2007, limitouse a esclarecer que a alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. E, ainda que se entenda que a identidade de bases de cálculo foi superada pela nova redação do dispositivo legal, para essas pessoas subsistiria o fato de as duas penalidades decorrerem de falta de recolhimento de tributo, o que imporia o afastamento da penalidade menos gravosa. Ora, a vinculação entre os recolhimentos antecipados e a apuração do ajuste anual é inconteste, até porque a antecipação só é devida porque o sujeito passivo opta por postergar para o final do anocalendário a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Contudo, a sistemática de apuração anual demanda uma punição diferenciada em face de infrações das quais resulta falta de recolhimento de tributo pois, na apuração anual, o fluxo de arrecadação da União está prejudicado desde o momento em que a estimativa é devida, e se a exigência do tributo com encargos ficar limitada ao devido por ocasião do ajuste anual, além de não se conseguir reparar todo o prejuízo experimentado à União, há um desestímulo à opção pela apuração trimestral do lucro tributável, hipótese na qual o sujeito passivo responderia pela infração com encargos desde o trimestre de sua ocorrência. Na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, esta penalidade foi prevista nos mesmos termos daquela aplicável ao tributo não recolhido no ajuste anual, ou seja, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, inclusive no mesmo percentual de 75%, e passível de agravamento ou qualificação se presentes as circunstâncias indicadas naquele dispositivo legal. Vejase: Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.303 10 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) [...] A redação original do dispositivo legal resultou, assim, em punições equivalentes para a falta de recolhimento de estimativas e do ajuste anual. E, decidindo sobre este conflito, a jurisprudência administrativa posicionouse majoritariamente contra a subsistência da multa isolada, porque calculada a partir da mesma base de cálculo punida com a multa proporcional, e ainda no mesmo percentual desta. Frente a tais circunstâncias, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, foi alterado pela Medida Provisória nº 351, de 2007, para prever duas penalidades distintas: a primeira de 75% calculada sobre o imposto ou contribuição que deixasse de ser recolhido e declarado, e exigida conjuntamente com o principal (inciso I do art. 44), e a segunda de 50% calculada sobre o pagamento mensal que deixasse de ser efetuado, ainda que apurado prejuízo fiscal ou base negativa ao final do anocalendário, e exigida isoladamente (inciso II do art. 44). Além disso, as hipóteses de qualificação (§1º do art. 44) e agravamento (2º do art. 44) ficaram restritas à penalidade aplicável à falta de pagamento e declaração do imposto ou contribuição. Observese: Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.304 11 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). As conseqüências desta alteração foram apropriadamente expostas pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: Logo, tendo sido alterada a base de cálculo eleita pelo legislador para a multa isolada de totalidade ou diferença de tributo ou contribuição para valor do pagamento mensal, não há mais qualquer vínculo, ou dependência, da multa isolada com a apuração de tributo devido. Perfilhando o entendimento de que não se confunde a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição com o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, é vasta a jurisprudência desta CSRF, valendo mencionar dos últimos cinco anos, entre outros, os acórdãos nºs 910100577, de 18 de maio de 2010, 910100.685, de 31 de agosto de 2010, 910100.879, de 23 de fevereiro de 2011, nº 9101001.265, de 23 de novembro de 2011, nº 9101001.336, de 26 de abril de 2012, nº 9101001.547, de 22 de janeiro de 2013, nº 9101001.771, de 16 de outubro de 2013, e nº 9101002.126, de 26 de fevereiro de 2015, todos assim ementados (destaquei): O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.305 12 Daí porque despropositada a decisão recorrida que, após reconhecer expressamente a modificação da redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 pela Lei nº 11.488, de 2007, e transcrever os mesmos dispositivos legais acima, abruptamente conclui no sentido de que (efls. 236): Portanto, cabe excluir a exigência da multa de ofício isolada concomitante à multa proporcional. Em despacho de admissibilidade de embargos de declaração por omissão, interpostos pela Fazenda Nacional contra aquela decisão, e rejeitados, foi dito o seguinte (efls. 247): Por fim, reafirmo a impossibilidade da aplicação cumulativa dessas multas. Isso porque é sabido que um dos fatores que levou à mudança da redação do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os julgados deste Conselho, sendo que à época da edição da Lei 11.488/2007 já predominava esse entendimento. Vejamos novamente a redação de parte [das] disposições do art. 44 da Lei 9.430/1996 alteradas/incluídas pela Lei 11.488/2007: [...]. Ora, o legislador tinha conhecimento da jurisprudência deste Conselho quanto à impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste anual. Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas. E não se diga que seria esquecimento, pois, logo a seguir, no parágrafo § 1º, excetuou a cumulatividade de penalidades quando a ensejar a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Bastava ter acrescentado mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996, estabelecendo expressamente essa hipótese, que aliás é a questão de maior incidência. Ao deixar de fazer isso, uma das conclusões factíveis é que essa cumulatividade é mesmo indevida. Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.306 13 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) Destaquese, ainda, que a penalidade agora prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430, de 1996, é exigida isoladamente e mesmo se não apurado lucro tributável ao final do anocalendário. A conduta reprimida, portanto, é a inobservância do dever de antecipar, mora que prejudica a União durante o período verificado entre a data em que a estimativa deveria ser paga e o encerramento do anocalendário. A falta de recolhimento do tributo em si, que se perfaz a partir da ocorrência do fato gerador ao final do anocalendário, sujeitase a outra penalidade e a juros de mora incorridos apenas a partir de 1º de fevereiro do ano subseqüente1. Diferentes, portanto, são os bens jurídicos tutelados, e limitar a penalidade àquela aplicada em razão da falta de recolhimento do ajuste anual é um incentivo ao descumprimento do dever de antecipação ao qual o sujeito passivo voluntariamente se vinculou, ao optar pelas vantagens decorrentes da apuração do lucro tributável apenas ao final do anocalendário. E foi, justamente, a alteração legislativa acima que motivou a edição da referida Súmula CARF nº 105. Explico. 1 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.307 14 O enunciado de súmula em referência foi aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 08 de dezembro de 2014. Antes, enunciado semelhante foi, por sucessivas vezes, rejeitado pelo Pleno da CSRF, e mesmo pela 1ª Turma da CSRF. Vejase, abaixo, os verbetes submetidos a votação de 2009 a 2014: PORTARIA Nº 97, DE 24 DE NOVEMBRO DE 20092 [...] ANEXO I I ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DO PLENO: [...] 12. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº : Até a vigência da Medida Provisória nº 351/2007, a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência de antecipações não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado no ajuste anual. [...] PORTARIA Nº 27, DE 19 DE NOVEMBRO DE 20123 [...] ANEXO ÚNICO [...] II ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 1ª TURMA DA CSRF: [...] 17. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnêleão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 3401 00078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/ 10/ 2011. [...] III ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 2ª TURMA DA CSRF: [...] 22. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnêleão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. 2 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 112, em 27 de novembro de 2009. 3 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 19, em 27 de novembro de 2012. Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.308 15 Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 3401 00078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/ 10/ 2011. [...] PORTARIA Nº 18, DE 20 DE NOVEMBRO DE 20134 [...] ANEXO I I Enunciados a serem submetidos ao Pleno da CSRF: [...] 9ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA Até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001261, de 22/11/11; 9101 001203, de 22/11/11; 9101001238, de 21/11/11; 9101001307, de 24/04/12; 1402001.217, de 04/10/12; 110200748, de 09/05/12; 1803001263, de 10/04/12. [...] PORTARIA Nº 23, DE 21 DE NOVEMBRO DE 20145 [...] ANEXO I [...] II Enunciados a serem submetidos à 1ª Turma da CSRF: [...] 13ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101 001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; 9101 001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 1102 00.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012. [...] É de se destacar que os enunciados assim propostos de 2009 a 2013 exsurgem da jurisprudência firme, contrária à aplicação concomitante das penalidades antes da alteração promovida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007. Jurisprudência esta, aliás, que motivou a alteração legislativa. 4 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 71, de 27 de novembro de 2013. 5 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 12, de 25 de novembro de 2014. Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.309 16 De outro lado, a discussão acerca dos lançamentos formalizados em razão de infrações cometidas a partir do novo contexto legislativo ainda não apresentava densidade suficiente para indicar qual entendimento deveria ser sumulado. Considerando tais circunstâncias, o Pleno da CSRF, e também a 1ª Turma da CSRF, rejeitou, por três vezes, nos anos de 2009, 2012 e 2013, o enunciado contrário à concomitância das penalidades até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007. As discussões nestas votações motivaram alterações posteriores com o objetivo de alcançar redação que fosse acolhida pela maioria qualificada, na forma regimental. Com a rejeição do enunciado de 2009, a primeira alteração consistiu na supressão da vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, substituindoa, como marco temporal, pela referência à data de sua publicação. Também foram separadas as hipóteses pertinentes ao IRPJ/CSLL e ao IRPF, submetendose à 1ª Turma e à 2ª Turma da CSRF os enunciados correspondentes. Seguindose nova rejeição em 2012, o enunciado de 2009 foi reiterado em 2013 e, mais uma vez, rejeitado. Este cenário deixou patente a imprestabilidade de enunciado distinguindo as ocorrências alcançadas a partir da expressão "até a vigência da Medida Provisória nº 351", de 2007, ou até a data de sua publicação. E isto porque a partir da redação proposta havia o risco de a súmula ser invocada para declarar o cabimento da exigência concomitante das penalidades a partir das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, apesar de a jurisprudência ainda não estar consolidada neste sentido. Para afastar esta interpretação, o enunciado aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 2014 foi redigido de forma direta, de modo a abarcar, apenas, a jurisprudência firme daquele Colegiado: a impossibilidade de cumulação, com a multa de ofício proporcional aplicada sobre os tributos devidos no ajuste anual, das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas exigidas com fundamento na legislação antes de sua alteração pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Omitiuse, intencionalmente, qualquer referência às situações verificadas depois da alteração legislativa em tela, em razão da qual a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas passou a estar prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", e não mais no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, sempre com vistas a atribuir os efeitos sumulares6 à parcela do litígio já pacificada. 6 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010: [...] Anexo II [...] Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: [...] XXI negar, de ofício ou por proposta do relator, seguimento ao recurso que contrarie enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso; [...] Art. 53. A sessão de julgamento será pública, salvo decisão justificada da turma para exame de matéria sigilosa, facultada a presença das partes ou de seus procuradores. [...] § 4° Serão julgados em sessões não presenciais os recursos em processos de valor inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) ou, independentemente do valor, forem objeto de súmula ou resolução do CARF ou de decisões do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. [...] Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.310 17 Assim, a Súmula CARF nº 105 tem aplicação, apenas, em face de multas lançadas com fundamento na redação original do art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, tendo por referência infrações cometidas antes da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, publicada em 22 de janeiro de 2007, e ainda que a exigência tenha sido formalizada já com o percentual reduzido de 50%, dado que tal providência não decorre de nova fundamentação do lançamento, mas sim da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. Neste sentido, vale observar que os precedentes indicados para aprovação da súmula reportamse, todos, a infrações cometidas antes de 2007: Acórdão nº 9101001.261: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 9101001.203: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. [...] Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.311 18 Acórdão nº 9101001.238: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 [...] MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Acórdão nº 9101001.307: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 [...] MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 1402001.217: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 [...] MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). [...] Acórdão nº 1102000.748: Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.312 19 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: [...] LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. [...] Acórdão nº 1803001.263: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 [...] APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Frente a tais circunstâncias, ainda que precedentes da súmula veiculem fundamentos autorizadores do cancelamento de exigências formalizadas a partir da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, não são eles, propriamente, que vinculam o julgador administrativo, mas sim o enunciado da súmula, no qual está sintetizada a questão pacificada. Digo isso porque esses precedentes têm sido utilizados para se tentar aplicar outra tese no sentido de afastar a multa, qual seja a do princípio da consunção. Ora se o princípio da consunção fosse fundamento suficiente para inexigibilidade concomitante das multas em debate, o enunciado seria genérico, sem qualquer referência ao fundamento legal dos lançamentos alcançados. A citação expressa do texto legal prestase a firmar esta circunstância como razão de decidir relevante extraída dos paradigmas, cuja presença é essencial para aplicação das consequências do entendimento sumulado. Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.313 20 Da mesma forma que faz a Contribuinte em suas contrarrazões, há quem argumente que o princípio da consunção veda a cumulação das penalidades. Sustentam os adeptos dessa tese que o não recolhimento da estimativa mensal seria etapa preparatória da infração cometida no ajuste anual e, em tais circunstâncias o princípio da consunção autorizaria a subsistência, apenas, da penalidade aplicada sobre o tributo devido ao final do ano calendário, prestigiando o bem jurídico mais relevante, no caso, a arrecadação tributária, em confronto com a antecipação de fluxo de caixa assegurada pelas estimativas. Ademais, como a base fática para imposição das penalidades seria a mesma, a exigência concomitante das multas representaria bis in idem, até porque, embora a lei tenha previsto ambas penalidades, não determinou a sua aplicação simultânea. E acrescentam que, em se tratando de matéria de penalidades, seria aplicável o art. 112 do CTN. Entretanto, com a devida vênia, discordo desse entendimento. Para tanto, aproveitome, inicialmente do voto proferido pela Conselheira Karem Jureidini Dias na condução do Acórdão nº 9101001.135, para trazer sua abordagem conceitual acerca das sanções em matéria tributária: [...] A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em obrigação principal. Vale destacar que, mesmo ocorrendo tal Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.314 21 conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.315 22 A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia Fl. 2315DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.316 23 prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Frente a estas considerações, releva destacar que a penalidade em debate é exigida isoladamente, sem qualquer hipótese de agravamento ou qualificação e, embora seu cálculo tenha por referência a antecipação não realizada, sua exigência não se dá por falta de "pagamento de tributo", dado o fato gerador do tributo sequer ter ocorrido. De forma semelhante, outras penalidades reconhecidas como decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias são calculadas em razão do valor dos tributos devidos7 e exigidas de forma isolada. Sob esta ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração 7 Lei nº 10.426, de 2002: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.317 24 anual do lucro tributável, e a obrigação acessória, nos termos do art. 113, §2º do CTN, é medida prevista não só no interesse da fiscalização, mas também da arrecadação dos tributos. Vejase, aliás, que as manifestações do Superior Tribunal de Justiça acima citadas expressamente reconhecem este ônus como decorrente de uma opção, e distinguem a antecipação do pagamento do pagamento em si, isto para negar a aplicação de juros a partir de seu recolhimento no confronto com o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário. É certo que a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça já consolidou seu entendimento contrariamente à aplicação concomitante das penalidades em razão do princípio da consunção, conforme evidencia a ementa de julgado recente proferido no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.576.289/RS: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. 1. A Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/3/2015). 2. Agravo Regimental não provido. As contrarrazões oferecidas pela Contribuinte, aliás, fazem referência ao REsp 1.496.354/PR, mencionado na ementa acima. Todavia, referidos julgados não são de observância obrigatória na forma do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Além disso, a interpretação de que a falta de recolhimento da antecipação mensal é infração abrangida pela falta de recolhimento do ajuste anual, sob o pressuposto da existência de dependência entre elas, sendo a primeira infração preparatória da segunda, desconsidera o prejuízo experimentado pela União com a mora subsistente em razão de o tributo devido no ajuste anual sofrer encargos somente a partir do encerramento do ano calendário. Favorece, assim, o sujeito passivo que se obrigou às antecipações para apurar o lucro tributável apenas ao final do anocalendário, conferindolhe significativa vantagem econômica em relação a outro sujeito passivo que, cometendo a mesma infração, mas optando pela regra geral de apuração trimestral dos lucros, suportaria, além do ônus da escrituração trimestral dos resultados, os encargos pela falta de recolhimento do tributo calculados desde o encerramento do período trimestral. Quanto à transposição do princípio da consunção para o Direito Tributário, vale a transcrição da oposição manifestada pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no voto condutor do Acórdão nº 1302001.823: Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.318 25 penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Oportuna, também, a citação da abordagem exposta em artigo publicado por Heraldo Garcia Vitta8: O Direito Penal é especial, contém princípios, critérios, fundamentos e normas particulares, próprios desse ramo jurídico; por isso, a rigor, as regras dele não podem ser estendidas além dos casos para os quais foram instituídas. De fato, não se aplica norma jurídica senão à ordem de coisas para a qual foi estabelecida; não se pode pôr de lado a natureza da lei, nem o ramo do Direito a que pertence a regra tomada por base do processo analógico.[15 Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, p.212] Na hipótese de concurso de crimes, o legislador escolheu critérios específicos, próprios desse ramo de Direito. Logo, não se justifica a analogia das normas do Direito Penal no tema concurso real de infrações administrativas. A ‘forma de sancionar’ é instituída pelo legislador, segundo critérios de conveniência/oportunidade, isto é, discricionariedade. Competelhe elaborar, ou não, regras a respeito da concorrência de infrações administrativas. No silêncio, ocorre cúmulo material. Aliás, no Direito Administrativo brasileiro, o legislador tem procurado determinar o cúmulo material de infrações, conforme se observa, por exemplo, no artigo 266, da Lei nº 9.503, de 23.12.1997 (Código de Trânsito Brasileiro), segundo o qual 8 http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=2644 Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.319 26 “quando o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, serlheão aplicadas, cumulativamente, as respectivas penalidades”. Igualmente o artigo 72, §1º, da Lei 9.605, de 12.2.1998, que dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente: “Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações [administrativas, pois o disposto está inserido no Capítulo VI – Da Infração Administrativa] serlheão aplicadas, cumulativamente, as sanções a elas cominadas”. E também o parágrafo único, do artigo 56, da Lei nº 8.078, de 11.9.1990, que regula a proteção do consumidor: “As sanções [administrativas] previstas neste artigo serão aplicadas pela autoridade administrativa, no âmbito de sua atribuição, podendo ser aplicadas cumulativamente, inclusive por medida cautelar antecedente ou incidente de procedimento administrativo”.[16 Evidentemente, se ocorrer, devido ao acúmulo de sanções, perante a hipótese concreta, pena exacerbada, mesmo quando observada imposição do mínimo legal, isto é, quando a autoridade administrativa tenha imposto cominação mínima, estabelecida na lei, ocorrerá invalidação do ato administrativo, devido ao princípio da proporcionalidade.] No Direito Penal são exemplos de aplicação do princípio da consunção a absorção da tentativa pela consumação, da lesão corporal pelo homicídio e da violação de domicílio pelo furto em residência. Característica destas ocorrências é a sua previsão em normas diferentes, ou seja, a punição concebida de forma autônoma, dada a possibilidade fática de o agente ter a intenção, apenas, de cometer o crime que figura como delitomeio ou delito fim. Já no caso em debate, a norma tributária prevê expressamente a aplicação das duas penalidades em face da conduta de sujeito passivo que motive lançamento de ofício, como bem observado pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no já citado voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: [...] Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.320 27 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação alterada não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.321 28 receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem. Neste sentido, aliás, são as considerações do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior no voto condutor do Acórdão nº 1302001.823: Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. [...] Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos de que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.322 29 físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Tais circunstâncias são totalmente distintas das que ensejam a aplicação de multa moratória ou multa de ofício sobre tributo não recolhido. Nesta segunda hipótese, sim, a base fática é idêntica, porque a infração de não recolher o tributo no vencimento foi praticada e, para compensar a União o sujeito passivo poderá, caso não demande a atuação de um agente fiscal para constituição do crédito tributário por lançamento de ofício, sujeitarse a uma penalidade menor9. Se o recolhimento não for promovido depois do vencimento e o lançamento de ofício se fizer necessário, a multa de ofício fixada em maior percentual incorpora, por certo, a reparação que antes poderia ser promovida pelo sujeito passivo sem a atuação de um Auditor Fiscal. Imprópria, portanto, a ampliação do conteúdo expresso no enunciado da súmula a partir do que consignado no voto condutor de alguns dos paradigmas. É importante repisar, assim, que as decisões acerca das infrações cometidas depois das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não devem observância à Súmula CARF nº 105 e os Conselheiros têm plena liberdade de convicção. 9 Lei nº 9.430, de 1996, art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.323 30 Somente a essência extraída dos paradigmas, integrada ao enunciado no caso, mediante expressa referência ao fundamento legal aplicável antes da edição da Medida Provisória nº 351, de 2007 (art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) , representa o entendimento acolhido pela 1ª Turma da CSRF a ser observado, obrigatoriamente, pelos integrantes da 1ª Seção de Julgamento. Nada além disso. De outro lado, releva ainda destacar que a aprovação de um enunciado não impõe ao julgador a sua aplicação cega. As circunstâncias do caso concreto devem ser analisadas e, caso identificado algum aspecto antes desconsiderado, é possível afastar a aplicação da súmula. Vejase, por exemplo, que o enunciado da Súmula CARF nº 105 é omisso acerca de outro ponto que permite interpretação favorável à manutenção parcial de exigências formalizadas ainda que com fundamento no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Neste sentido é a declaração de voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa no Acórdão nº 1302 001.753: A multa isolada teve em conta falta de recolhimento de estimativa de CSLL no valor de R$ 94.130,67, ao passo que a multa de ofício foi aplicada sobre a CSLL apurada no ajuste anual no valor de R$ 31.595,78. Discutese, no caso, a aplicação da Súmula CARF nº 105 de seguinte teor: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Os períodos de apuração autuados estariam alcançados pelo dispositivo legal apontado na Súmula CARF nº 105. Todavia, como evidenciam as bases de cálculo das penalidades, a concomitância se verificou apenas sobre parte da multa isolada exigida por falta de recolhimento da estimativa de CSLL devida em dezembro/2002. Importa, assim, avaliar se o entendimento sumulado determinaria a exoneração de toda a multa isolada aqui aplicada. A referência à exigência ao mesmo tempo das duas penalidades não possui uma única interpretação. É possível concluir, a partir do disposto, que não subsiste a multa isolada aplicada no mesmo lançamento em que formalizada a exigência do ajuste anual com acréscimo da multa de ofício proporcional, ou então que a multa isolada deve ser exonerada quando exigida em face de antecipação contida no ajuste anual que ensejou a exigência do principal e correspondente multa de ofício. Além disso, podese interpretar que deve subsistir apenas uma penalidade quando a causa de sua aplicação é a mesma. Os precedentes que orientaram a edição da Súmula CARF nº 105 auxiliam nesta interpretação. São eles: [...] Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.324 31 Observase nas ementas dos Acórdãos nº 9101001.261, 9101 001.307 e 1803001.263 a abordagem genérica da infração de falta de recolhimento de estimativas como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano, e que por esta razão é absorvida pela segunda infração, devendo subsistir apenas a punição aplicada sobre esta. Sob esta vertente interpretativa, qualquer multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas sucumbiria frente à exigência do ajuste anual com acréscimo de multa de ofício. Porém, os Acórdãos nº 9101001.203 e 9101001.238, reportam se à identidade entre a infração que, constatada pela Fiscalização, enseja a apuração da falta de recolhimento de estimativas e da falta de recolhimento do ajuste anual, assim como os Acórdãos nº 1402001.217 e 1102000.748 fazem referência a aplicação de penalidades sobre a mesma base, ou ao fato de a base de cálculo das multas isoladas estar contida na base de cálculo da multa de ofício. Tais referências permitem concluir que, para identificação da concomitância, deve ser avaliada a causa da aplicação da penalidade ou, ao menos, o seu reflexo na apuração do ajuste anual e nas bases estimativas. A adoção de tais referenciais para edição da Súmula CARF nº 105 evidencia que não se pretendeu atribuir um conteúdo único à concomitância, permitindose a livre interpretação acerca de seu alcance. Considerando que, no presente caso, as infrações foram apuradas de forma independente estimativa não recolhida em razão de seu parcelamento parcial e ajuste anual não recolhido em razão da compensação de bases negativas acima do limite legal e assim resultaram em distintas bases para aplicação das penalidades, é válido concluir que não há concomitância em relação à multa isolada aplicada sobre a parcela de R$ 62.534,89 (= R$ 94.130,67 R$ 31.595,78), correspondente à estimativa de CSLL em dezembro/2002 que excede a falta de recolhimento apurada no ajuste anual. Divergência neste sentido, aliás, já estava consubstanciada antes da aprovação da súmula, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 120100.235, de lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes: [...] O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.325 32 Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 – R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Abaixo, segue a discriminação dos valores: Base estimada remanescente: R$ 3.826.453,79 Estimativa remanescente (R$ 3.826.453,79 x 25%): R$ 956.613,45 Multa isolada mantida (R$ 956.613,45 x 50%): R$ 478.306,72 Multa isolada excluída (R$ 1.109.844,27 – R$ 478.306,72: R$ 631.537,55 [...] A observância do entendimento sumulado, portanto, pressupõe a identificação dos requisitos expressos no enunciado e a análise das circunstâncias do caso concreto, a fim de conferir eficácia à súmula, mas não aplicála a casos distintos. Assim, a referência expressa ao fundamento legal das exigências às quais se aplica o entendimento sumulado limita a sua abrangência, mas a adoção de expressões cujo significado não pode ser identificado a partir dos paradigmas da súmula confere liberdade interpretativa ao julgador. Como visto, no caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida para fatos ocorridos após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo ambas as multas devidas. Entendeu o Colegiado a quo, ainda, que "a base imponível da multa isolada desaparece após o final do exercício (momento da ocorrência do fato gerador), deixando de ser possível, portanto, a aplicação dessa penalidade". Divirjo, no entanto, de tal entendimento, uma vez que evidência suficiente de que a multa isolada pode ser aplicada depois do encerramento do anocalendário permanece constando na redação atual do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no sentido do cabimento da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Nestes termos, a lei afirma a aplicação da multa ainda que a apuração final revele a inexistência de tributo devido sobre o lucro apurado. Ademais, a utilização da expressão "ainda que" deixa patente o cabimento da multa isolada mesmo se houver tributo devido ao final do anocalendário, hipótese na qual seria devida, também, a multa proporcional estipulada na nova redação do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 2325DF CARF MF Processo nº 10166.728772/201131 Acórdão n.º 9101002.750 CSRFT1 Fl. 2.326 33 Consoante antes observado, o tributo apurado ao final do anocalendário somente se sujeita a encargos a partir de seu vencimento10. Logo, para desconstituir a infração de falta de recolhimento de estimativas, o sujeito passivo deve recolher as antecipações em atraso com os encargos pertinentes desde seu vencimento mensal. O recolhimento do tributo devido no ajuste anual, mesmo acrescido dos correspondentes encargos, não repara o prejuízo causado ao fluxo de caixa da União que, na regra geral de tributação, receberia trimestralmente o ingresso dos tributos incidentes sobre o lucro. Assim, irrelevante o argumento da recorrida de que "durante o ano calendário de 2008, apurou o IRPJ e CSLL devidos estimativamente, e os recolheu" ou de que não teria infringido ao art. 2º da Lei nº 9.430/96. Ao deduzir despesa considerada não necessária, comum ou usual, fez o recolhimento a menor das estimativas mensais, implicando no descumprimento da obrigação acessória. Assinalese, por fim, que a conjugação dos argumentos contrário à aplicação da multa isolada depois do encerramento do anocalendário e favorável à adoção do princípio da consunção resultaria em cenário no qual a falta de recolhimento de estimativas somente seria punida se a infração fosse constatada antes do encerramento do anocalendário, interpretação que praticamente nega eficácia ao dispositivo legal11 e confere significativa vantagem à opção pelo lucro real anual em detrimento à regra geral de apuração trimestral do lucro tributável. Deve, portanto, o recurso fazendário ser acolhido, reformandose o acórdão recorrido para reconhecer a possibilidade de aplicação simultânea (ou concomitante) da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados ao final do anocalendário e das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais desses tributos. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo 10 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. 11 Neste sentido também é a abordagem desenvolvida pelo Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, no voto condutor do Acórdão nº 1402002.245. Fl. 2326DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.901696/2006-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96.
Numero da decisão: 9303-004.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Marcio Canuto Natal - Relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal Relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 16 96 /2 00 6- 81 Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10783.901696/200681 Acórdão n.º 9303004.692 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Fl. 758DF CARF MF Processo nº 10783.901696/200681 Acórdão n.º 9303004.692 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pelo contribuinte em face do Acórdão nº 330201.683, de 27/06/2012, o qual possui a seguinte ementa transcrita somente na parte que interessa ao presente exame: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 (...) CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS COM SERVIÇO DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INCLUSÃO NO CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluído em sua base de cálculo, prevista na Lei nº 9.363/96, o valor do serviço de industrialização por encomenda. (...) Cuida o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 32531.49315.310703.1.5.019476, no qual a interessada acima qualificada pleiteia ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), previsto no art. 1º da Lei nº 9.363/96, no valor de 195.376,96, apurado no1º trimestre do ano de 2003, para posterior compensação. A controvérsia suscitada se refere à possibilidade de inclusão dos serviços de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou os seguintes paradigmas: CSRF nº 0202.320 e nº 930301.619. Reportando ao relatório do acórdão recorrido, constatase que as razões para o indeferimento tiveram as seguintes motivações em relação à parte ora controvertida: (...) h) no tocante aos insumos adquiridos no período de apuração, foram glosados os valores constantes das notas fiscais de entradas com os códigos CFOP 5.124, 5.125, 6.124 e 6.125, pois se referem à industrialização/beneficiamento efetuados por terceiros em matériasprimas remetidas pela empresa (tais como serragem e polimento de chapas de granito) e também ao valor cobrado pelos serviços realizados em produtos intermediários (como serras diamantadas e produtos enviados para manutenção); Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10783.901696/200681 Acórdão n.º 9303004.692 CSRFT3 Fl. 5 4 i) assim, quanto às industrializações por encomenda, ficou claro que se trata de prestação de serviço, não se enquadrando no conceito de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), mencionado na legislação; (...) Em apertada síntese, o contribuinte defende o seu direito à inclusão da industrialização por encomenda no cálculo do crédito presumido do IPI afirmando que esta é apenas uma das fases de industrialização do produto final e que não pode ser tratada como uma mera prestação de serviços. Cita doutrina e excertos da jurisprudência do CARF, bem como posicionamento do STJ sobre o assunto. Para uma melhor visão de sua defesa transcrevo resumo contido do relatório do acórdão recorrido: (...) g) quanto à industrialização por encomenda, as operações desenvolvidas sobre blocos/lâminas exportados não se limitaram à agregação de mãodeobra, consistiram industrialização consignada em beneficiamento; h) sustenta que a referida industrialização por encomenda equivale à aquisição de MP, PI e ME, suficientes para integrar a base de calculo do crédito presumido do IPI, na forma da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996; i) pondera que remeteu blocos de granito para industrialização por encomenda, tendo recebido chapas brutas serradas. Após, promoveu industrialização sobre tais produtos, consubstanciada em beneficiamento, polimento e acondicionamento para exportação, o que faculta a usufruir do beneficio em comento; (...) O recurso especial do contribuinte foi admitido por meio do Despacho de e fls. 748/750. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais pede a manutenção do entendimento exarado no acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10783.901696/200681 Acórdão n.º 9303004.692 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial apresentada pelo contribuinte é tempestivo e atende aos requisitos legais para o seu conhecimento. Mérito Como visto, a controvérsia estabelecida referese à possibilidade de inclusão dos serviços de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. Esta matéria não é nova no CARF e eu me filio à corrente de que no regime da Lei nº 9.363/96 tal apropriação está desamparada de previsão legal. Inicialmente partilho do entendimento de que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Não creio que está correta a conclusão de que as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no art. 175 do CTN. Na minha opinião o art. 175 do CTN somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não são as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, penso que a redação do art. 111 do CTN seria muito infeliz em prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Veja como é a redação do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto entendo que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe o art. 111 do CTN. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10783.901696/200681 Acórdão n.º 9303004.692 CSRFT3 Fl. 7 6 Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido esta premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10783.901696/200681 Acórdão n.º 9303004.692 CSRFT3 Fl. 8 7 citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto mesmo que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, entendo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto é verdade, que posteriormente à edição do referido benefício fiscal, sobreveio por meio da Lei nº 10.276/2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Ora, na minha opinião, evidente que se o contribuinte quiser se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda é obrigatório que ele faça a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei nº 10.276/2001. Ou seja, ao optar pela fórmula de cálculo da Lei nº 9.363/96 não há possibilidade desse aproveitamento por absoluta falta de previsão legal. Por todo o exposto voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10783.901696/200681 Acórdão n.º 9303004.692 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Discordamos do il. Relator. Imaginemse as seguintes situações: uma primeira, em que a matériaprima sai do estabelecimento vendedor já definitivamente acabado e pronto para aplicação no processo produtivo do adquirente, ou seja, quando nela já se encontra aplicado aquele serviço que, se assim não fosse, o adquirente teria de encomendar a um terceiro a sua realização para o posterior emprego no seu processo produtivo. Neste caso, não se questiona que todo o valor do custo de aquisição da matériaprima gera o direito ao crédito pleiteado. Agora, uma segunda situação, na qual a matériaprima é adquirida do estabelecimento vendedor sem que nele tenha sido aplicado o serviço que se afigura necessário à sua utilização no processo produtivo do adquirente, que, por isso mesmo, o encomenda a um terceiro. Embora o gasto assim dispendido seja incorporado ao custo da matériaprima, a tese vencida o exclui da determinação do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996. Todavia, a Lei nº 9.363, de 1996, autoriza o direito ao crédito sobre todas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. Não havendo óbice legal, todos os gastos empregados na matériaprima a fim de permitir a sua utilização devem ser a ela incorporados, ainda que só empregados, por encomenda, por um terceiro, de modo que devem ser considerados na determinação do crédito presumido pelo encomedante. Adotando o nosso entendimento, confiramse os seguintes acórdãos desta mesma Turma e do Superior Tribunal de Justiça STJ: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. (Acórdão nº 9303001.721, de 07/11/2011). Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10783.901696/200681 Acórdão n.º 9303004.692 CSRFT3 Fl. 10 9 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtorexportador. (...) (Acórdão nº 930301.623, de 29/09/2011). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento o insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. 2. A respeito do pleito de cômputo dos valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, o recurso especial não foi conhecido em face da ausência de prequestionamento. Nesta feita, a agravante limitouse a repetir as teses jurídicas apresentadas no recurso especial, deixando de impugnar o fundamento específico da decisão hostilizada quanto ao ponto. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 3. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10783.901696/200681 Acórdão n.º 9303004.692 CSRFT3 Fl. 11 10 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/11/2011) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 766DF CARF MF
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