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Numero do processo: 11610.016602/2002-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3803-000.114
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] HÉLCIO LAFETÁ REIS Relator. EDITADO EM: 10/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Andréa Medrado Darzé, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Em 12 de agosto de 2002, o contribuinte supra identificado protocolizou junto à Receita Federal Pedido de Ressarcimento do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/1997, referente ao 3º trimestre de 1997 (fl. 1), bem como Pedido de Compensação, com vistas a extinguir débito de sua titularidade com o saldo creditório requerido (fl. 2). A repartição de origem decidiu por indeferir o ressarcimento e por não homologar a compensação, por falta de elemento imprescindível à análise do pedido (fls. 118 a 122). Consignou a autoridade administrativa de origem que o não cumprimento integral da intimação formulada prejudicou a análise do processo, visto que a não apresentação Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/08/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 da planilha indicando a receita operacional bruta acumulada até o mês de setembro de 1997 impediria o cálculo do crédito presumido. Ainda segundo a autoridade, na memória de cálculo que havia sido apresentada pelo contribuinte considerouse apenas a receita operacional bruta acumulada a partir de maio de 1997. Não satisfeito com a decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 126 a 137), informou que apresentara toda a documentação solicitada e requereu a reforma da decisão, arguindo, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) “quando do cálculo de seu crédito relativo ao 3° trimestre de 1997, considerou as informacões acumuladas a partir do mês de maio, contudo, tal procedimento veio a prejudicála, uma vez que reduziu o valor do crédito a que teria direito” (fl. 133); b) “o cálculo do crédito presumido deve considerar os valores acumulados do ano inteiro, devendose abater apenas os valores utilizados para compensação com o IPI devido, ressarcidos ou com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal” (fl. 134); c) “o valor da receita operacional bruta constante na DIPJ do ano de 1997 pode ser corroborada pelo Livro Complementar do Diário Geral n° 494 (DOC .06), pelas informações trimestrais (relativas ao 4º trimestre de 1997) entregues à época à Comissão de Valores Mobiliários (ambos já anexados aos autos do processo administrativo, vide item 5.1v e 5.v) assim como pelo balancete anexado à presente” (fl. 135). A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório (fls. 153 a 156), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APURAÇÃO. O crédito presumido deve ser apurado por trimestrecalendário, devendo ser consideradas de maneira acumulada no ano as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, a receita de exportação e a receita operacional bruta. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 162 a 174) e reitera seu pedido, alegando que o fato de “ter originalmente calculado seus créditos considerando a acumulação a partir de Maio/97 (ao invés de Janeiro/97) não impõe, por si só, a anulação do aproveitamento do beneficio fiscal, mormente quando as provas juntadas aos autos conduzem inequivocamente à demonstração de que o contribuinte na verdade tem direito a um crédito ainda superior àquele postulado” (fl. 165). Alega, ainda, que se comprova “que seu crédito é superior ao pleiteado, na hipótese de ser considerada a devida acumulação anual, não pode o fisco ignorar os documentos juntados aos autos e se apegar a uma inútil formalidade” (fl. 166), e que uma leitura atenta de toda a Portaria MF nº 38/1997 demonstraria que “em nenhum momento foi Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/08/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.016602/200297 Resolução n.º 380300.114 S3TE03 Fl. 181 3 instituída sequer obrigação acessória que imponha ao contribuinte o dever de apresentar ao fisco alguma declaração ou documento com as formalidades exigidas no seu art. 3º” (fl. 167). Argumenta, também, que “nada impede que o contribuinte se beneficie — como no caso dos autos — de apenas parte do crédito presumido a que faria jus no anocalendário. Só não é possível adotar critério de apuração do montante da receita bruta, da receita de exportação e do valor das aquisições de insumos que englobe periodicidade inferior (diária, semanal ou quinzenal, por exemplo) àquela prevista nas normas de regência das contribuições em testilha (que inequivocamente é mensal). Mas nada proíbe que o contribuinte aproveite apenas parte do crédito a que tem direito no anocalendário” (fl. 167). Ao final, amparandose em decisões deste Conselho, alega que “é forçoso admitir que, no caso em tela, ainda que o contribuinte não houvesse apresentado a documentação apta a demonstrar cabalmente seu direito quando da interposição de manifestação de inconformidade — como sabidamente o fez — poderia até mesmo, consoante entendimento pacífico deste órgão superior e com respaldo no princípio da verdade material, apresentála no presente momento, a fim de que fosse o feito convertido em diligência para que se procedesse à competente análise” (fl. 169). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, cumulado com declaração de compensação, que foi denegado pela repartição de origem pela falta de apresentação de planilha, por parte do contribuinte, apontando a receita operacional bruta acumulada de janeiro a setembro de 1997, nos termos exigidos pelo art. 3º da Portaria MF nº 38/1997, dado que os valores informados seriam relativos aos meses de maio a setembro e não compreensivo de todo o período. O contribuinte se contrapõe a essa decisão, mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP, arguindo que os documentos por ele apresentados à Fiscalização conteriam os dados necessários à apuração da receita operacional bruta, não obstante concordar que, efetivamente, houvera erro no cálculo do crédito presumido inicialmente formulado, em razão do que estaria pleiteando a realização de diligência à repartição de origem para a apuração necessária. Da análise dos autos é possível inferir que, em resposta ao termo de intimação formulado pela Fiscalização, o contribuinte havia informado que “quando da apuração do crédito relativo a este ano, não foram considerados os meses de janeiro a abril” (fl. 82), mas que “este descompasso não causou nenhum dano ao erário, muito pelo contrário, veio a diminuir o crédito a que esta empresa faria jus, uma vez que a receita operacional bruta apontada no respectivo DCP é menor que aquela oficial constante na DIPJ” (fl. 83). De início, registrese que essa última alegação do contribuinte acima transcrita não procede pelo fato de que a Receita Operacional Bruta (ROB) consta do denominador da fórmula de apuração do crédito presumido de IPI, de forma que, quanto menor o seu valor, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/08/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 maior será o crédito apurado, e não o contrário. Dessa forma, considerandose o valor correto da ROB, abrangendo todo o período – janeiro a setembro de 1997 –, apurarseia um crédito presumido, no caso de mantidos todos os demais dados utilizados na fórmula, inferior ao requerido pela pessoa jurídica. Contudo, não obstante o erro apontado constante do Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido, assumido pelo interessado, é possível concluir que a repartição de origem, no momento da prolação do despacho decisório, já dispunha da informação acerca desse erro cometido quanto à apuração da ROB, o que lhe permitiria, considerando os novos valores informados, refazer os cálculos para apuração do valor devido, tendo decidido, no entanto, por negar o direito pleiteado por falta de apresentação de planilha constando o cálculo da ROB nos termos requeridos. No Demonstrativo de Origens e Aplicações de Recursos, presente à fl. 88, apresentado pelo contribuinte em resposta à intimação, e, portanto, antes do despacho decisório, consta o valor da ROB que o contribuinte alega ser o correto e que corresponderia ao acumulado no ano de 1997, que poderia ter servido de referência para a apuração da ROB do período sob análise. Nesse contexto, verificase que o contribuinte havia, desde o início de sua manifestação nos autos, denunciado o próprio erro cometido na apuração do crédito presumido e informado o valor da ROB acumulado no ano de 1997, ainda que tal valor dependa de confirmação a par da escrituração da pessoa jurídica. Diante do exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se proceda ao recálculo do crédito presumido pleiteado, considerandose as informações prestadas pelo interessado desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, sem prejuízo de outras providências necessárias à apuração dos valores devidos. Os resultados dessa nova apuração deverão ser submetidos à oitiva do requerente. Ao final, os autos deverão ser devolvidos a esta 3a TE/3a S / CARF, para julgamento. É como voto. Sala de sessões, em 9 de agosto de 2011 [assinado digitalmente] Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/08/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11610.016602/200297 Resolução n.º 380300.114 S3TE03 Fl. 182 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11610.016602/200297 Interessada: SÃO PAULO ALPARGATAS S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor da Resolução no 380300.114, de 9 de agosto de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 9 de agosto de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 15/08/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/08/2011 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 18471.001933/2002-11
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1301-000.001
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • • t*.k PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18471.001933/2002-11 Recurso n° 154.492 Resolução n° 1301-00.001 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Data 11/03/2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MARCHON BRASIL LTDA. Recorrida 4* TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3' Câmara / 1* Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. bl° 1 • ' CLÓ VIS ALVES / Presidente i•-•-•-e-C7Cta".A. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Formalizado em: '1 5 15/1 A 1 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, José Carlos Passuello, e José Clovis Alves Processo n°18471.001933/2002-11 SI-C3T1 Resolução n.° 1301-00.001 Fl. 2 RELATÓRIO Tratam os autos de recurso contra a decisão da DRF Rio de Janeiro I que julgou parcialmente procedente o lançamento de IRPJ e reflexos. Os fatos que motivaram a autuação encontram-se descritos no termo de constatação de fls. 236/343, conforme segue: "Omissão de Receita: • Depósitos de numerário em instituição financeira: falta de comprovação dos recursos utilizados nessas operações. Em termo de intimação lavrado em 20/06/2001 (fls. 144), o contribuinte foi instado a comprovar, por meio de apresentação de documentação hábil e idônea, saldo da conta do Passivo exigível a Longo Prazo — Financiamentos a curto prazo no montante de R$ 3.856.750,16, conforme constante do Balanço Patrimonial levantado em 31/12/98 e informado em sua declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, exercício 1999, ano- base 1998 (dipj 99/98) (FLS. 96). Em resposta o contribuinte esclareceu, informalmente, que o saldo do passivo se originou de contratos de mútuo de títulos norte-americanos denominados T-bills e de transferências de contratos de mútuo da empresa FC 18 Com. e Representações acrescido das respectivas parcelas passivas de juros e variações cambiais. Nas operações de mútuos, o mutuante foi seu sócio e principal fornecedor Marchon Eyewear Inc. (empresa constituída e estabelecida nos Estados Unidos da América). Em seguida, o contribuinte apresentou os elementos e informações que se seguem:: - Livro razão (fls. 212/218) onde indicou a escrituração dos lançamentos que constituíram o passivo a saber: conta do passivo Marchn Eyewear Inc. — T Bill (número 20 129- 4). As contrapartidas contábeis destes lançamentos estão registradas a débito, respectivamente, das contas Bancos c/ movimento — Banco Safra S/A (conta 10020-0) e passivo circulante FC 18 Com. e Rep. (número 20142-1) em 31/12/1997 no montante de R$ 898.000,00. As primeiras representadas por depósitos bancários e as últimas registram transferências de contrato de mútuo entre a fiscalizada e a empresa PC 18 Com. Rep., cadastrada no CNPJ 31.910.664/0001-11. - Cópias de contratos de compra e venda de notas do Tesouro americano, celebrados na República Oriental do Uruguai, por meio dos quais, segundo informações do contribuinte, seu sócio Marchon Eyewear Inc. adquiriu os referidos titulos.Estes contratos, no entanto, foram consignados em língua inglesa e o contribuinte não logrou apresentar tradução juramentada para os mesmos, não sendo aceitos pela fiscalização, nos termos dos artigos 140 do Código Civil e 157 do Código de Processo Civil. -Cópias de contrato de mútuo de notas do tesouro americano, apresentadas como documentação comprobatória do passivo em tela. A empresa Marchon Inc. que teria adquirido os títulos nas operações acobertadas pelos contratos lo item anterior, figura como mutuante. 2 Processo n°18471.001933/2002-11 5I-C3T1 Resolução n.° 1301-00.001 Fl. 3 Como mutuaria consta o recorrente, salvo em três contratos nos quais figura a empresa FC Com. E Rep. - Declaração consularizada e traduzida de crédito do sócio Marchon Brl, LTD, na qual este afirma ser credor do contribuinte de US$ 3.009.618,00, representados por notas do tesouro americano. - Cópias de Contratos de Compra e Venda de Notas do Tesouro americano e respectivos extratos bancários. Nestes contratos o recorrente figura como vendedor de títulos públicos americanos. As cópias cós contratos foram apresentadas como origem de seis depósitos bancários efetuados em conta-corrente mantida junto ao Banco Safra, conforme constante dos respectivos extratos bancários apresentados e de sua escrituração contábil. - Extratos bancários referentes aos depósitos bancários acima mencionados e efetuados em conta-corrente mantida no Banco Safra - Dos 06 (seis) depósitos bancários efetuados diretamente pelo contribuinte e registrado em extratos bancários apresentados, cinco deles guardam correspondência com um par de contratos de mútuo e de compra e venda de títulos. Estes, por seu turno, apresentam datas de assinatura semelhantes, denotando que teriam sido celebrados no mesmo dia. A fiscalização, em análise dos dados acima expostos observa: O contribuinte não logrou apresentar documentação que comprovasse a constituição do passivo relativo ao contrato de mútuo de títulos denominados T-Bills no montante de R$ 832.650,00 em 13/10/98, conforme registrado na sua contabilidade nas contas de passivo circulante "Marchon Eyewear Inc. (T-Bill), n° 20128-6, e de ativo circulante bancos c/ movimento — Banco Safra S/A (n° 10020-0), apesar de ter sido intimado e reintimado para tal, conforme termos de intimação e reintimação lavrados em 20/06/01, 06/09/01, 24/09/01, 03/10,01, 22/10,01 e 31/05/02; O contribuinte não apresentou originais dos contratos de mútuo de notas do Tesouro americano, apesar de intimado e reintimado, conforme termos lavrados em 06/09/01, 24/09/01, 03/10/01, 22/10/01 e 31/05/02; O contribuinte não apresentou a transcrição para o registro público dos contratos mencionados, embora intimado e reintimado nas mesmas datas citadas acima; Os contratos de mútuo de notas do tesouro americano citados no item 3 de fls. 238 não apresentam qualificação dos representantes dos mutuantes; A declaração aludida no item 5 (fls.238) não esclarece em que tipo de operação e em que datas e valores parciais o referido crédito foi formado.. Quanto aos contratos de compra e venda de títulos a fiscalização observa: O contribuinte não apresentou qualquer documentação que amparasse o ingresso de R$ 832.650,00 em 13/10/98; O contribuinte,* apresentou os originais dos contratos de compra e venda de T-Bills (item acima); 3 Processo n°184710133/202-li Sl-C3T1 Resolução n. 1301-00.001 Fl. 4 O contribuinte não apresentou transcrição para o registro público dos contratos acima; Os contratos não apresentam qualificação dos representantes das pessoas jurídicas compradoras dos títulos; O valor registrado na cópia do contrato de compra e venda de T-Bills datado de 08/06/98, registra como preço de compra e venda o valor de R$ 450.750,00, que difere do valor depositado em conta-corrente bancária, conforme extrato apresentado, no qual encontra- se registrado o valor de R$ 400.750,00. Tendo sido o contribuinte intimado a se manifestar, não o fez. Conclui a fiscalização: Os fatos acima exposto evidenciam créditos em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a fiscalizada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, situação que caracteriza omissão de receita, em conformidade com o disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96. Na impugnação, a recorrente alega: - que a matéria tratada já foi objeto de autuação anterior relativa ao IPI, requisitando que sejam apensados; - que a fiscalização tributou como receitas omitidas diversos depósitos efetuados em sua conta bancária, por haver entendido que os empréstimos que deram origem aos referidos depósitos careciam de comprovação; - que recebeu de sua controladora no exterior, T-Bills e que os vendeu, com o objetivo de utilizar o produto da venda em suas atividades; - que como a venda foi realizada de imediato optou por contabilizar os valores ingressados em sua conta bancária diretamente em conta de mútulo; - que, mesmo considerando que os títulos já foram vendidos, é certo que deverá restituir à sua controladora no exterior iguais quantidades dos referidos ativos; - que o empréstimo contratado em 04/09/97, no valor de R$ 107.000,00, pode ser comprovado pelos seguintes documentos: cópia autenticada do contrato de mútuo de T-Bills, em 04/09/97, com a Marchon Eyewear (doc. 442/443); cópia autenticada do contrato de compra e venda das referidas notas, firmado na mesma data, com a empresa Labotron Laboratórios Farmacêuticos (fls. 445/446); e cópia do livro diário (fls. 448); - que o empréstimo contratado em 03/810/97. no valor de R$ 395.020,00, pode ser comprovado pelos seguintes documentos: cópia do contrato de mútuo de T-Bills, celebrado em 02/10/97, com a Marchon Eyewear Inc (fls. 452/453); cópia do contrato de compra e venda, firmado na mesma data, com a empresa Padamaq Mercantil Importação e Exportação (fls. 455/456); e cópia do livro diário (fls. 458). Que. Embora a via do contrato de compra e venda não contenha a assinatura dos representantes da empresa Padamaq, a efetividade da operação está provada pela existência de um cheque, no valor da operação, compensado em 03/10/97, conforme extrato bancário»_ 4 Processo n°18471.001933/2002-11 SI-C3T1 Resolução n.° 1301-00.001 Fl. 5 - que o empréstimo contratado em 12/05/98, no valor de R$ 395.010,00, pode ser comprovado pelos seguintes documentos; cópia autenticada da tradução juramentada do contrato de mútuo de T-Bills, em 12/05/98, com a Marchon Eyewear Inc. (fls. 460/465); cópia autenticada do contrato de compra e venda das referidas notas, na mesma data, com a empresa Crescente Construtora (fls. 467/468); cópias dos livros diário e razão (fls. 470/472); e cópia do extrato bancário. (fls. 474); - que o empréstimo contratado em 14/05/98, no valor de R$ 452.430,00, pode ser comprovado por meio dos seguintes documentos: cópia do contrato de mútuo de fls. 476/477); cópia do contrato de compra e venda de T-Bills firmado na mesma data com a empresa Wells do Brasil (fl. 479/480); e cópias do diário e razão (fls. 470/472 e 483); - que o empréstimo contratado em 08/06/98, no valor de R$ 400.750,00, pode ser comprovado pelos seguintes documentos; cópia da tradução do contrato de mútuo, de T-Bills, celebrado em 08/06/98, com a Marchon Eyewear Inc. (fls. 485/490); cópia do contrato de compra e venda das referidas notas firmado, na mesma data, com a empresa Wells do Brasil (fls. 492/493; cópias do diário e razão (fls. 495, 497 e 498) e cópia do extrato bancário (fls. 500). Que a divergência entre o valor indicado no contrato de compra e venda (R$ 450.750,00) e a importância efetivamente recebida (R$ 400.750,00), deve-se apenas a erro de digitação; - que em relação ao empréstimo contraído em 13/10/98, no valor de R$832.650,00, não conseguiu localizar a via original do contrato de mútuo celebrado com a controladora, mas a efetividade da operação pode ser demonstrada através dos seguintes documentos:cópia do contrato de compra e venda de quotas da Queluz Brasil Funds Ltd., celebrado em 13/10/898, com a empresa Rhytimus Comunicações (fls. 502/506); cópias do diário e razão (fls. 508, 510 e 511); e cópia de extrato bancário comprovando o ingresso de R$ 832.650,00, na data de 13/10/98 (fls. 513); - que a veracidade do passivo existente em 31/12/98 encontra-se respaldada em declaração firmada pela empresa credora, dando conta de que constam inscritos nos registros contábeis da Marchon Eyewear Inc., referentes aos exercícios encerrados em 31/12/97 e 31/12/98, créditos a serem recebidos da Marchon Brasil Ltda., no valor de US$ 3.009.618,00, representados por notas do tesouro dos EUA (fls. 517/520); - que suas demonstrações financeiras comprovam, da mesma maneira, que a dívida existente junto à Marchion Eyewear Inc, em 31/12/2000, montava US$ 3.009.618,00; - que o fato dos mútuos ainda não terem sido liquidados não é sinal indicativo de falsidade ideológica nem material, - que, na eventualidade de ser julgada procedente a acusação de omissão de receitas, faz-se necessário retificar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que a fisclaização não deduziu das mesmas os valores de IPI, PIS e COFINS exigidos em decorrência da referida infração; Insurge-se também contra a multa agravada de 112,5% e contra a taxa Selic; A DRJ deu provimento parcial à impugnação, deduzindo da base de cálculo do IRPJ da CSLL os valores lançados de PIS e COFINS decorrentes e reduziu a multa para 75%. 5 Processo n° 18471.001933/2002-11 SI-C3TI Resoluçào n.° 1301-00.001 Fl. 6 O recorrente foi cientificado da decisão DRJ em 16/05/2006 e apresentou recurso em 14/06/2006. Em seu recurso alega que a fiscalização não definiu a base de cálculo para o lançamento, pois deveria ter utilizado a média dos lucros que a empresa costuma ter em suas operaçõ es.e que a fiscalização teria tributado a receita e não o lucro. Que sua controladora lhe concedeu empréstimos através da entrega de T-Bills que a recorrente vendeu no mercado brasileiro. Repete os argumentos e provas da impugnação. Que a substância deve prevalecer sobre a forma; Que o lucro deveria ter sido arbitrado; Que os registros contábeis fazem prova em favor da recorrente. É o Relatório. 6 • . Processo n° 18471.001933/2002-11 SI-C3T1 Resolução n.° 1301-00.001 Fl. 7 VOTO Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Relator O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O processo não está em condições de ser decidido. Inicialmente trato do contrato de compra e venda celebrado entre a recorrente e a empresa Rhythmus Comunicações Ltda, cujo CNPJ no contrato consta como sendo 64.083.639/0001-46. Este CNPJ não existe. Nos sistemas da RFB, em consulta por nome, consta o CNPJ 64.082.639/0001-46. No entanto , a empresa está extinta desde 1999 e em 1998 e 1999 esteve inativa. Acresça-se a isso o fato da recorrente não ter localizado o original do contrato e trazer como prova o depósito em conta que é, justamente, o que leva à presunção de omissão de receita. Quanto ao contrato entre a recorrente e a empresa Labotron, CNPJ 01.948.947/0001-91, foi considerada inapta pela RFB por ser omissa não localizada, desde 17/07/2004. Também não existem declarações de IRPJ entregues pela empresa. Em relação à empresa Padamaq, CNPJ 59.301.754/0001-24, apresenta declaração em branco referente ao exercício da operação declarada pela recorrente. Também foi baixada em 31/12/1997, por liquidação voluntária. Em relação à empresa Crescente Construtora, esta apresenta declaração sem movimento em 1998, referente à 1997. Em relação à empresa Wells do Brasil CNPJ 02.471.612/0001-98, também apresentou declaração de inatividade em 1999, referente a 1998. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que autoridade preparadora intime os supostos compradores ou seus responsáveis, sócios ou quem detenha sua documentação contábil para que demonstre se manifeste sobre as operações de compra de T-Bills alegada pela recorrente, instruindo suas respostas com documentação hábil para demonstrar tais operações, inclusive cheque, transferência bancária ou outro meio utilizado para pagamento Após,dê-se ciência à recorrente para que se manifeste sobre as diligências. Sala das Sessões, em 11 de março de 2009. MARCOS RODRIGUES DE MELLO 7 Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1
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Numero do processo: 13603.720126/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.171
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaração interpostos pelo Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, para anular o Acórdão 3803- 02.426, de 14 de fevereiro de 2012, e converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Kern e Belchior Melo de Sousa, que rejeitaram os Embargos de Declaração. O Conselheiro Alexandre Kern fará declaração de voto.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaração interpostos pelo Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, para anular o Acórdão 3803 02.426, de 14 de fevereiro de 2012, e converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Kern e Belchior Melo de Sousa, que rejeitaram os Embargos de Declaração. O Conselheiro Alexandre Kern fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Ausente o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pelo conselheiro Hélcio Lafetá Reis (fls. 176 a 184) em face do acórdão nº 3803002.426, em que o Recurso Voluntário apresentado por MG PARAFUSOS LTDA. restou não conhecido por esta Turma, em 14 de fevereiro de 2012, pelo voto de qualidade, em razão da alegada concomitância da discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa. O contribuinte acima identificado apresentou, em 15/07/2003 e 12/08/2003, Declarações de Compensação (fls. 21 a 28), pleiteando crédito oriundo de ação judicial, cujo processo, de n° 1998.39.00.0246733/MG, transitou em julgado em 21/03/2002, tendo sido afastada pelo Tribunal Regional Federal a aplicação dos Decretoslei n° 2.445 e 2.449, ambos Documento nato-digital 2 de 1988, e admitida a compensação, com débitos do mesmo tributo, dos valores da contribuição para o PIS recolhidos indevidamente, observandose a regra da prescrição decenal do direito repetitório e a incidência de juros de mora à taxa Selic, nos termos do artigo 39, § 4º, da Lei n° 9.250/1995, além dos denominados "expurgos inflacionários" nas contas de liquidação. Ao apreciar o pleito, a repartição de origem consignou que as compensações declaradas relativamente aos débitos de Cofins, IRPJ e CSLL conflitariam com a decisão judicial, que, expressamente, admitira a compensação apenas de débitos do próprio PIS, em razão do que não se homologaram as compensações (fls. 41 a 44). Não satisfeito, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 50 a 56), alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a decisão judicial foi proferida sob a égide da legislação vigente à época, sem levar em conta disposições de leis posteriores, em especial as Leis n° 10.637, de 2002, 10.833, de 2003, e 11.051, de 2004, por intermédio das quais passouse a admitir a compensação de indébitos com quaisquer dos tributos administrados pela SRF; b) o despacho decisório não guarda consonância com as hipóteses restritivas previstas na legislação que entraram em vigor após a prolação da decisão judicial, transitada em julgado; c) há inúmeras decisões judiciais que, afastando entendimentos como o consignado no despacho decisório, consideram que a legislação que deu nova redação ao artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, na verdade, apenas trouxe novos, amplos e favoráveis esclarecimentos aos contribuintes para efetivação de compensações; d) disciplinando o artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, a Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 210/2002; e) o despacho decisório desatende ao princípio da segurança jurídica. A DRJ Juiz de Fora/MG deferiu em parte a solicitação (fls. 76 a 79), homologandose as compensações de débitos da contribuição para o PIS até o limite do direito creditório assegurado, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 28/02/1995 Ementa:As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem dar cumprimento às decisões judiciais nos exatos termos em que foram proferidas. Solicitação Deferida em Parte Registrou o relator a quo que, na esfera administrativa, “consolidouse o entendimento de que as unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem dar cumprimento às decisões judiciais em vigor, que disponham sobre a compensação de débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, relativamente aos tributos e contribuições administrados pelo órgão, em seus exatos termos, quando a norma vigente à data em que foi proferida a decisão judicial e que regia a matéria não foi alterada por legislação superveniente, ainda que a interpretação da norma dada pelo Poder Judiciário tenha sido menos favorável ao sujeito passivo do que a adotada pela Administração Fazendária” (fl. 78). Documento nato-digital Processo nº 13603.720126/200812 Resolução n.º 3803000.171 S3TE03 Fl. 187 3 Ainda segundo ele, no presente caso, “observase que, quando proferida a decisão que declarou o direito da manifestante à compensação, já estava vigente norma autorizativa da compensação entre créditos e débitos tributários de espécies diferentes, como se verifica da redação originária do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996” (fl. 78). Inconformado, o contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 161 a 169) e requereu a homologação das compensações “procedidas no exercício de direito subjetivo assegurado pelo art. 74, da Lei nº 9.430, de 27.12.1996, com redação imposta pela Medida Provisória nº 66, de 29.08.2002, com tributos e contribuições administrados pela SRF, guardando, assim, perfeita sintonia com o Princípio da Razoabilidade” (fl. 169). Em 14 de fevereiro de 2012, esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 3803002.426, decidiu, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso, com fundamento na ocorrência de concomitância da discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa (fls. 173 a 175). Após a prolação da referida decisão, o conselheiro Hélcio Lafetá Reis interpôs Embargos de Declaração, cujo teor é reproduzido a seguir: ILUSTRÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA 3ª TURMA ESPECIAL DA 3ª SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Eu, HÉLCIO LAFETÁ REIS, Conselheiro da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, venho por meio desta, com fulcro no no art. 65, caput, e § 1º, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF –, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, interpor os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em razão da ocorrência de CONTRADIÇÃO no acórdão nº 3803 002.426, relativo ao processo administrativo nº 13603.720126/2008 12, cujo Recurso Voluntário interposto por MG PARAFUSOS LTDA. restou não conhecido pela Turma em 14 de fevereiro de 2012, pelo voto de qualidade, em razão da concomitância da discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa. I. OS FATOS E A CONTRADIÇÃO Na condição de relator, ao proceder à formalização do acórdão para ajustálo aos ditames da Ordem de Serviço do CARF nº 02, de 13 de julho de 2010, constatei que o fundamento da decisão ora embargada não condizia, efetivamente, com a realidade dos autos, ou seja, inexistia a alegada concomitância. O equívoco decorrera do fato de que ambos os processos, o judicial e o administrativo, tratavam de compensação de débitos tributários da titularidade do contribuinte com crédito oriundo do reconhecimento da inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, de 1988, mas que, conforme se demonstrará na sequência, tinham como objeto pretensões distintas, tanto no que tange ao procedimento, quanto no que se refere à fundamentação legal. Documento nato-digital 4 Na ação judicial n° 1998.39.00.0246733/MG, transitada em julgado em 21/03/2002, MG PARAFUSOS LTDA. havia pleiteado a compensação, com fundamento nos dispositivos da Lei nº 8.383/1991, de indébitos da contribuição para o PIS com débitos de PIS e de Cofins, partindo da premissa, nessa segunda hipótese, da similitude das contribuições que as tornariam de mesma espécie. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em 15 de fevereiro de 2004, manteve a decisão de primeiro grau, afastando a aplicação dos Decretoslei n° 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e autorizou a compensação, com débitos do mesmo tributo, dos valores da contribuição para o PIS recolhidos indevidamente, observandose a regra da prescrição decenal do direito repetitório e a incidência de juros de mora à taxa Selic, nos termos do artigo 39, § 4º, da Lei n° 9.250/1995, além dos denominados "expurgos inflacionários" nas contas de liquidação. Desde o momento do ajuizamento da ação, já vigia o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que autorizava a compensação de indébitos com débitos de quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, mas o contribuinte restringiu o seu pedido à compensação disciplinada pela Lei nº 8.383/1991. Tanto na apelação, quanto nas contrarazões à apelação da Fazenda Nacional, o contribuinte não buscou estender seu pleito aos ditames da Lei nº 9.430/1996, persistindo no pedido de compensação com base na Lei nº 8.383/1991. Constatase, portanto, que o objeto da ação judicial era a compensação de indébitos da contribuição para o PIS, decorrentes da inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, com débitos da mesma contribuição e de Cofins, tendo sido assegurado pelo Poder Judiciário, em decisão transitada em julgado, o direito à pretendida compensação, mas apenas com débitos da mesma contribuição. Por outro lado, no presente processo administrativo de nº 13603.720126/200812, o contribuinte pretende compensar débitos de Cofins, IRPJ e CSLL com o crédito já assegurado pelo Poder Judiciário na referida ação, com fundamento no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Verificase que a compensação pleiteada nos presentes autos, com base na Lei nº 9.430/1996, é diversa daquela levada à apreciação do Poder Judiciário, cujo fundamento foi a Lei nº 8.383/1991, não obstante o ponto comum referente aos indébitos da contribuição para o PIS, estes não controvertidos neste processo, pois que já assegurados, de forma definitiva, na ação judicial. Controvertese aqui, tão somente, quanto ao aproveitamento do direito creditório na compensação com outros tributos, matéria essa que não constou da referida ação judicial. O quadro a seguir ilustra a inocorrência de concomitância: Pedido Na ação judicial, compensação, na própria escrituração do sujeito passivo, de indébitos de PIS com débitos de PIS e de outras Documento nato-digital Processo nº 13603.720126/200812 Resolução n.º 3803000.171 S3TE03 Fl. 188 5 contribuições de mesma natureza, com base no art. 66 da Lei nº 8.383/1991 Pedido No processo administrativo, Compensação, via Declaração de Compensação (DCOMP), de direito creditório já assegurado judicialmente com débitos de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL, com base no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. A súmula CARF n° 1 estipula que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, mas desde que com o mesmo objeto do processo administrativo, cabendo ao órgão de julgamento administrativo o julgamento de matéria distinta da constante do processo judicial. Como não há coincidência de objeto entre os processos judicial e administrativo, conforme acima demonstrado, concluise que, em verdade, inexiste a alegada concomitância da discussão da matéria nas instâncias judicial e administrativa, concomitância essa que serviu de fundamento à decisão ora embargada. II. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS INFRINGENTES Ressalto que não desconheço o fato de que os embargos de declaração, em regra, destinamse à sanear a prestação jurisdicional diante da ocorrência de obscuridade, contradição ou omissão, conforme prevê o art. 535 do Código Processo Civil (CPC), assim como o art. 65 do Anexo II do RICARF e o art. 48 da Lei nº 9.099/95, não se destinando a provocar um novo julgamento da causa, mas apenas o aperfeiçoamento da decisão. Contudo, em algumas situações, o vício ocorrido contamina de tal forma a decisão, que o seu acolhimento implica, necessariamente, a alteração do julgamento, mitigandose, em certo sentido, as exigências processuais, no sentido de se possibilitar a alteração parcial, ou até mesmo total, da sentença ou do acórdão atacado. Conforme nos ensina Humberto Theodoro Júnior1, há casos em que o suprimento da lacuna ou a eliminação da contradição leva à anulação do julgamento anterior para que nova decisão da causa seja proferida, situação em que, em respeito ao princípio do contraditório, deve se dar no sentido de se “ordenar que o novo julgamento seja retomado com a plena participação da outra parte, segundo as regras aplicáveis ao recurso principal”. O Supremo Tribunal Federal (STF), em inúmeras decisões, já se pronunciou acerca da possibilidade de se aplicarem efeitos infringentes aos embargos de declaração, conforme se verifica nas ementas a seguir reproduzidas: RE 478410 ED / SP SÃO PAULO EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 40. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 552. Documento nato-digital 6 Relator(a): Min. LUIZ FUX Julgamento: 15/12/2011. Órgão Julgador: Tribunal Pleno Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. ART. 4º DA LEI Nº 7.418/85 E ART. 5º DO DECRETO Nº 95.247/87. (...) CARÁTER INFRINGENTE. EXPRESSA REJEIÇÃO DA POSSIBILIDADE DE INSTITUIÇÃO DA INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA PARA COMBATER A BURLA À “VERDADE SALARIAL”. (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. 1. (...) 2. Manifestase o caráter infringente de embargos de declaração quando interpostos de modo a questionar a firmeza das premissas que embasaram o acórdão embargado, mormente quando adotada expressamente tese jurídica contrária à pretendida descaracterização da natureza jurídica do valetransporte pelo só fato de ser pago em pecúnia, sem que a incidência tributária possa ser instituída como modalidade de sanção política a fim de combater eventual burla ao princípio da verdade salarial. (grifei) ARE 650148 AgRED / RN RIO GRANDE DO NORTE EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 06/12/2011. Órgão Julgador: Segunda Turma Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO . ANULAÇÃO DE QUESTÕES. CRITÉRIO DE CORREÇÃO DE PROVAS PELA BANCA EXAMINADORA. CONTROLE JURISDICIONAL DO ATO ADMINSTRATIVO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. EMBARGOS ACOLHIDOS. I – (...) II – Embargos de declaração acolhidos para, atribuindolhes efeitos infringentes, tornar sem efeito o acórdão, bem como a decisão agravada, e assim, dar provimento ao agravo para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determinar a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC. (grifei) RE 598182 AgREDEDED / MG MINAS GERAIS EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 02/08/2011. Órgão Julgador: Segunda Turma CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ICMS. ESTORNO PROPORCIONAL. REDUÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL: RECONHECIMENTO. EFEITOS Documento nato-digital Processo nº 13603.720126/200812 Resolução n.º 3803000.171 S3TE03 Fl. 189 7 INFRINGENTES. EMBARGOS ACOLHIDOS. 1. É possível a aplicação de efeitos infringentes aos embargos de declaração, desde que presente situação que assim o justifique. 2. Possibilidade de aproveitamento integral dos créditos relativos ao ICMS pago na operação antecedente, nas hipóteses em que a operação subsequente é beneficiada pela redução da base de cálculo. Reconhecimento da repercussão geral da matéria pelo Supremo Tribunal Federal no AI 768.491RG/RS, de rel. Min. Gilmar Mendes, DJe 23.11.2010. 3. Embargos de declaração acolhidos para, atribuindolhes excepcionais efeitos modificativos, anular os acórdãos que julgaram os dois primeiros embargos de declaração e o agravo regimental, tornar sem efeito a decisão agravada e determinar a devolução dos presentes autos ao Tribunal de origem, bem como a observância das disposições do art. 543B do Código de Processo Civil ao recurso extraordinário. (grifei) Também o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou acerca da possibilidade de se dotarem de efeito infringente os embargos de declaração nas hipóteses de ocorrência de erro material na decisão embargada, conforme se constata dos excertos reproduzidos a seguir: EDcl no REsp 1232232 / RS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2011/00158396 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 16/08/2011 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. EFEITOS INFRINGENTES. RECURSO ESPECIAL. REJULGAMENTO. ADESÃO À REMISSÃO DA LEI 11.941/09. EXTINÇÃO DA AÇÃO CAUTELAR PROPOSTA PARA GARANTIR A EXPEDIÇÃO DE CND. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. PRECEDENTE DA CORTE ESPECIAL. 1. O aresto impugnado baseouse em premissa inexistente, já que, em momento algum, a Corte regional afastou os honorários por força do princípio da equidade e da existência de encargo legal já incluído no montante objeto da execução fiscal. 2. Constatado erro material que levou ao não conhecimento do recurso especial, devem ser acolhidos os embargos de declaração, com efeitos infringentes, e reexaminado o apelo. (...) 5. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso especial. (grifei) Documento nato-digital 8 EDcl no AgRg no REsp 1052101 / MA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/00908421 Relator(a) Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA (1128) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 01/12/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2011 Ementa TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO DE IPI. ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. EMBARGOS ACOLHIDOS COM ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS MODIFICATIVOS. 1. O acórdão embargado encontrase fundado no entendimento pacificado pela Primeira Seção no sentido de que "direito ao crédito de IPI, fundado no princípio da nãocumulatividade, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos isentos ou sujeitos ao regime de alíquota zero, exsurgiu apenas com a vigência da Lei 9.779/99" (REsp 860.369/PE, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, Dje 1º/7/10). 2. Embargos de declaração acolhidos, com atribuição de efeitos infringentes, de modo a assegurar à parte autora o direito de creditar se do IPI com efeitos a partir da vigência da Lei 9.779/99. (grifei) Verificase que aos embargos de declaração podem ser atribuídos efeitos infringentes ou modificativos nas hipóteses de ocorrência de (i) vícios insanáveis, (ii) premissas da decisão inexistentes ou contrárias ao direito ou à realidade dos fatos, bem como de (iii) erro material que torna a decisão recorrida desprovida de fundamentação e, por conseguinte, passível de anulação. III. PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO Uma vez acolhidos os presentes embargos, exponho a seguir o encaminhamento que considero mais consentâneo com o direito e a realidade dos autos. Em relação à possibilidade de se proceder à compensação garantida judicialmente com base em direito superveniente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial nº 488.922/MG, ocorrido em 26 de maio de 2004, reproduzida pelo contribuinte em sua peça recursal, decidiu nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. PIS .E TRIBUTOS DE DIFERENTE ESPÉCIE. SUCESSIVOS REGIMES DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DO DIREITO SUPERVENIENTE. INVIABILIDADE EM RAZÃO DA INCOMPATIBILIDADE COM A CAUSA DE PEDIR. 1. A compensação, modalidade excepcional de extinção do crédito tributário, foi introduzida no ordenamento pelo art. 66 da Lei 8.383/91, limitada a tributos e contribuições da mesma espécie. Documento nato-digital Processo nº 13603.720126/200812 Resolução n.º 3803000.171 S3TE03 Fl. 190 9 2. A Lei 9.430/96 trouxe a possibilidade de compensação entre tributos de espécies distintas, a ser autorizada e realizada pela,Secretaria dak Receita Federal, após a análise de cada caso, a requerimento do contribuinte ou de ofício (Decreto 2.138/97), com relação aos ,tributos sob administração daquele órgão. 3. Essa situação somente foi modificada com a edição da Lei 10.637/02, que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/96, autorizando, para os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a compensação de iniciativa do contribuinte, mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 4. Além disso, desde 10.01.2001, com o advento da Lei Complementar 104, que introduziu no Código Tributário o art. 170A, segundo oqual “é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", agregouse novo requisito para a realização da compensação tributária: a inexistência de discussão judicial sobre os créditos a serem utilizados pelo contribuinte na compensação. 5. Atualmente, portanto, a compensação será viável apenas após o trânsito em julgado da decisão, devendo ocorrer, de acordo com o regime previsto na Lei 10.637/02, isto é, (a) por iniciativa do contribuinte, (b) entre quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, (c) mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos tilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 6. É inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. 7. Assim, tendo em vista a causa de pedir posta na inicial e o regime normativo vigente à época da postulação (1995), é de se julgar improcedente o pedido, o que não impede que a compensação seja realizada nos termos atualmente admitidos, desde que presentes os requisitos próprios. (grifei) Conforme se constata da decisão supra, o STJ restringe sua atuação, ao proferir a decisão, ao que restou posto na petição inicial, não ampliando a causa de pedir às normas de direito superveniente, com a ressalva de que inexistiria impedimento à compensação nos termos da nova legislação, “desde que presentes os requisitos próprios”. No presente caso, o Recorrente, em conformidade com os termos de sua petição inicial (fl. 20 do volume anexo), obteve a prestação jurisdicional para dois pedidos distintos, sendolhe assegurado o direito à repetição dos valores da contribuição para o PIS pagos indevidamente, bem como o direito à compensação com débitos do Documento nato-digital 10 mesmo tributo. Repitase que se trata de dois pedidos: o primeiro relativo ao indébito decorrente da inconstitucionalidade dos decretos lei e o segundo referente ao direito à compensação. No meu entendimento, não obstante o Recorrente ter obtido a tutela jurisdicional assegurandolhe ambos os pedidos, nada impede que dela se valha, na concretização do seu direito, observandose a coisa julgada e a legislação superveniente, da forma que lhe garanta maior efetividade. Não resta dúvida que, da decisão judicial definitiva, restou assegurado ao Recorrente o direito de repetir os pagamentos efetuados a maior. É com base nesse direito que ele, nesta relação processual, busca realizar a compensação em conformidade com as normas vigentes, independentemente de ter obtido uma decisão judicial assegurandolhe, também, o direito à compensação nos termos da Lei nº 8.383/1991. Conforme destacou o STJ na decisão reproduzida em parte acima, apesar de a decisão judicial se restringir aos limites da causa de pedir posta na petição inicial, não há impedimento que a compensação se realize nos termos posteriormente admitidos, desde que presentes os requisitos próprios. O fato de ter obtido uma decisão judicial favorável à sua tese não impede que a pessoa se valha do direito no sentido de fruílo em conformidade com a lei. A decisão judicial sob comento não afasta a aplicação da Lei nº 9.430/1996; muito pelo contrário, a ela não faz qualquer referência, restringindose sua extensão ao que restou pedido na inicial. Logo, o teor da coisa julgada não invalida o direito superveniente assegurado por lei. No presente processo, o Recorrente formulou seu pedido de compensação observando as regras impostas pela Lei nº 9.430/1996, tendo transmitido à Receita Federal os PER/DCOMPs (fls. 21 a 28), conforme exigência da legislação tributária. Vêse, portanto, que o Recorrente se encontra embasado em decisão judicial definitiva que lhe assegura o direito creditório pleiteado, pendente de apuração, e em lei que lhe garante a faculdade de compensar seus indébitos com débitos de qualquer tributo administrado pela Receita Federal. Não se pode ignorar que o Senado Federal, por meio da Resolução nº 49, de 1995, dotou de efeito erga omnes a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 148.754/RJ. Nos presentes autos, conforme destacou a autoridade administrativa, ao apreciar os pedidos do ora Recorrente, rejeitaramse as compensações pleiteadas não alcançadas pela decisão judicial sem que tivesse havido “qualquer procedimento administrativo de apuração da liquidez e certeza dos créditos suscitados pelo contribuinte” (fl. 43). Dessa forma, ainda que o direito creditório esteja assegurado, em tese, o seu deferimento depende da apuração do quantum de indébito existente, bem como da verificação de uma possível utilização já efetivada, seja no âmbito de outros processos ou procedimentos Documento nato-digital Processo nº 13603.720126/200812 Resolução n.º 3803000.171 S3TE03 Fl. 191 11 administrativos, seja diretamente na escrita fiscal da pessoa jurídica, já que a Lei nº 8.383/1991 permitia a compensação nesses termos. Nesse contexto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, a minha proposta de encaminhamento é no sentido de se converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que se apurem as parcelas da contribuição para o PIS recolhidas com base nos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, que superem os valores devidos com base na Lei Complementar nº 7/1970, observada a regra da semestralidade, bem como se verifique se já houve aproveitamento dessas mesmas parcelas, via compensação ou restituição, em outros processos ou procedimentos administrativos, ou, ainda, na própria escrita contábilfiscal da pessoa jurídica, repassandose todas as informações que envolvam a matéria sob exame que possam influenciar o novo julgamento. IV. OS PEDIDOS Em face do acima exposto, requerse: a) o acolhimento dos presentes embargos, com efetios infringentes, em face da ocorrência inequívoca de CONTRADIÇÃO entre a decisão contida no acórdão embargado e a realidade dos autos, bem como das regras de direito que a fundamentaram; b) a anulação do acórdão nº 3803002.426, de 14 de fevereiro de 2012, para que outro seja proferido, em razão da inocorrência da premissa que serviu de base à decisão embargada, o que tornou esta desprovida de fundamentação e, portanto, anulável. Belo Horizonte/MG, 2 de março de 2012 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Conselheiro 3ª TE da 3ª Seção do CARF É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Os embargos são tempestivos, atendem as demais condições de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Conforme acima relatado, pretende o Embargante a anulação do acórdão nº 3803002.426, de 14 de fevereiro de 2012, em que se decidiu, pelo voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Voluntário interposto por MG Parafusos Ltda., com fundamento na ocorrência de concomitância da discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, para que outro seja proferido com observância da real facticidade dos autos. Documento nato-digital 12 Tendose em conta o teor da súmula CARF nº 1, é possível concluir que a concomitância da discussão de matéria nas esferas judicial e administrativa se dá quando ambos os processos têm o mesmo objeto, cabendo ao órgão de julgamento administrativo o julgamento de matéria distinta da constante do processo judicial. Compulsando os autos, bem como os dados apontados pelo Embargante, é possível constatar que, efetivamente, inocorreu a concomitância que serviu de fundamento à decisão ora embargada. Como bem apontado pelo Embargante, enquanto que no processo judicial, já transitado em julgado, se pleiteou a compensação de indébitos do PIS com débitos da mesma contribuição ou de outras de mesma natureza, com base no art. 66 da Lei nº 8.383/1991, no presente processo administrativo, controvertese sobre a possibilidade de se valer do direito creditório, já assegurado pelo Poder Judiciário, em outro procedimento de compensação, com débitos de diferentes tributos da titularidade do sujeito passivo, cuja base legal é o art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Neste processo administrativo, diferentemente do processo judicial, não se questiona acerca do direito ao crédito decorrente da inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, de 1988, mas se pretende, tão somente, utilizálo na compensação de débitos relativos a outros tributos, situação essa que não foi objeto do pedido levado ao Poder Judiciário. Não se pretende aqui compensar débitos de PIS com créditos da mesma contribuição, diretamente na escrita fiscal da pessoa jurídica, nos termos formulados na ação judicial e autorizados pela Lei nº 8.383/1991, mas, sim, compensar, a partir da formulação de uma Declaração de Compensação (DCOMP), um indébito, aqui inquestionável, com débitos de IRPJ, CSLL e Cofins, de acordo com o preceito constante do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Dessa forma, uma vez que o acórdão embargado foi prolatado com base numa premissa inexistente, todo o seu conteúdo se tornou infundamentado e, portanto, sem base firme ou razão sólida que o sustente, evidenciandose a contradição apontada pelo Embargante. Nas situações da espécie, para o bem da realização do bom direito, urge que se busque o saneamento do vício que macula a prestação juridicional, enquanto houver remédios processuais que possibilitem tal intervenção. Conforme apontado nos embargos, não se ignora que os embargos de declaração, em regra, destinamse a sanear a prestação jurisdicional diante da ocorrência de obscuridade, contradição ou omissão, conforme prevê o art. 535 do Código Processo Civil (CPC), assim como o art. 65 do Anexo II do RICARF e o art. 48 da Lei nº 9.099/95, não se destinando a provocar um novo julgamento da causa, mas apenas o aperfeiçoamento da decisão. Contudo, ainda se valendo dos termos utilizados nos embargos, “em algumas situações, o vício ocorrido contamina de tal forma a decisão, que o seu acolhimento implica, necessariamente, a alteração do julgamento, mitigandose, em certo sentido, as exigências processuais, no sentido de se possibilitar a alteração parcial, ou até mesmo total, da sentença ou do acórdão atacado”. Documento nato-digital Processo nº 13603.720126/200812 Resolução n.º 3803000.171 S3TE03 Fl. 192 13 De acordo com os ensinamentos de Humberto Theodoro Júnior2, há casos em que a eliminação da contradição leva à necessária anulação da decisão anterior para que outra seja proferida, situação em que, em respeito ao princípio do contraditório, deve se dar no sentido de se “ordenar que o novo julgamento seja retomado com a plena participação da outra parte, segundo as regras aplicáveis ao recurso principal”. A possibilidade de aplicação de efeitos infringentes ou modificativos aos embargos de declaração, conforme registrado no relatório supra, encontra respaldo na doutrina e na jurisprudência dos Tribunais Superiores, principalmente do Supremo Tribunal Federal (STF), nos casos em que ocorrerem vícios insanáveis, inexistirem as premissas da decisão ou houver erro material que torne a decisão recorrida desprovida de fundamentação e, por conseguinte, passível de anulação. Diante do exposto, acolhendose os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, devese anular o acórdão embargado, em razão da ocorrência de contradição entre a decisão e a realidade dos autos, determinandose que outra decisão seja proferida, com fundamento na facticidade dos autos, o que se faz na sequência. Conforme acima relatado, pretende o Recorrente se valer da regra prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, quanto à compensação de débitos e créditos relativos a quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, inobstante haver decisão judicial transitada em julgado assegurandolhe apenas a compensação de indébitos da contribuição para o PIS com débitos do mesmo tributo. Conforme consta do volume anexo aos presentes autos, contendo informação fiscal relativa à ação judicial n° 1998.38.00.0246733, promovida pelo Recorrente, este ajuizou a ação declaratória em 5 de junho de 1998 (conforme fls. 4 a 21 do volume anexo), quando já vigia a redação original do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Contudo o pedido do contribuinte, fundado nos dispositivos da Lei nº 8.383/1981, se restringiu à compensação de PIS com PIS ou de PIS com Cofins, partindo da premissa, nessa segunda hipótese, da similitude das contribuições que as tornariam de mesma espécie, conforme constou expressamente da petição inicial (fls. 14 e seguintes do volume anexo). Na sentença, prolatada em 14 de março de 2000, após, portanto, a vigência da Lei nº 9.430/1996, decidiu o Juiz Federal Substituto nos seguintes temos (fl. 155 do volume anexo): Sob esses fundamentos, JULGASE PROCEDENTE o pedido veiculadc na Ação de Talvegue Parafusos Comércio e Indústria Ltda. E MG Parafusos Comércio e Indústria ajuizada em face da União (Fazenda Nacional), declarando a inexistência de relação jurídicotributária 2 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 40. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 552. Documento nato-digital 14 fora das balizas da LC nº 7/70, reconhecendo às Autoras o direito dever de recolhimento da contribuição ao PIS somente sobre o faturamento do sexto mês anterior, até a vigência da Medida Provisória n.° 1.212/95 e reedições, assim como assegurar às Autoras o direito de compensar os valores (a que aludem as peças documentais entranhadas nos autos) indevidamente recolhidos (por força dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88) com as contribuições do próprio PIS, monetariamente corrigidos, com estrita observância ao comando da fundamentação retro e obediência aos limites materiais da Lei n.° 8.383/91 com as subseqüentes alterações (Leis n.'s 9.069/95 e 9.250/95), bem como os limites percentuais posteriormente estabelecidos pelas Leis n.'s 9.032/95 e 9.129/95. (grifei) Constatase do excerto supra que o Juízo de 1º grau estipulou, de forma expressa, que o direito à compensação deveria observar, estritamente, os limites materiais da Lei nº 8.383/1996. Posteriormente, em acórdão prolatado em 15 de fevereiro de 2004, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu, conforme consta da fl. 213 do volume anexo, que a compensação deveria se dar em conformidade com o disposto no art. 66 da Lei nº 8.383/1996. Nesse momento, já vigia a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada ela Lei nº 10.637, de 2002). Constatase que em sua apelação, bem como nas contrarazões à apelação da Fazenda Nacional, o contribuinte não buscou estender seu pleito aos ditames da Lei nº 9.430/1996, persistindo no pedido de compensação com base na Lei nº 8.383/1991. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial nº 488.922/MG, ocorrido em 26 de maio de 2004, reproduzida pelo contribuinte em sua peça recursal, decidiu nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. PIS .E TRIBUTOS DE DIFERENTE ESPÉCIE. SUCESSIVOS REGIMES DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DO DIREITO SUPERVENIENTE. INVIABILIDADE EM RAZÃO DA INCOMPATIBILIDADE COM A CAUSA DE PEDIR. 1. A compensação, modalidade excepcional de extinção do crédito tributário, foi introduzida no ordenamento pelo art. 66 da Lei 8.383/91, limitada a tributos e contribuições da mesma espécie. 2. A Lei 9.430/96 trouxe a possibilidade de compensação entre tributos de espécies distintas, a ser autorizada e realizada pela,Secretaria dak Receita Federal, após a análise de cada caso, a requerimento do contribuinte ou de ofício (Decreto 2.138/97), com relação aos ,tributos sob administração daquele órgão. 3. Essa situação somente foi modificada com a edição da Lei 10.637/02, que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/96, autorizando, para os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, a compensação de iniciativa do contribuinte, mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e Documento nato-digital Processo nº 13603.720126/200812 Resolução n.º 3803000.171 S3TE03 Fl. 193 15 débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 4. Além disso, desde 10.01.2001, com o advento da Lei Complementar 104, que introduziu no Código Tributário o art. 170A, segundo oqual “é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", agregouse novo requisito para a realização da compensação tributária: a inexistência de discussão judicial sobre os créditos a serem utilizados pelo contribuinte na compensação. 5. Atualmente, portanto, a compensação será viável apenas após o trânsito em julgado da decisão, devendo ocorrer, de acordo com o regime previsto na Lei 10.637/02, isto é, (a) por iniciativa do contribuinte, (b) entre quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, (c) mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos tilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 6. É inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. 7. Assim, tendo em vista a causa de pedir posta na inicial e o regime normativo vigente à época da postulação (1995), é de se julgar improcedente o pedido, o que não impede que a compensação seja realizada nos termos atualmente admitidos, desde que presentes os requisitos próprios. (grifei) Conforme se constata da decisão supra, o STJ restringe sua atuação, ao proferir a decisão, ao que restou posto na petição inicial, não ampliando a causa de pedir às normas de direito superveniente, com a ressalva de que inexistiria impedimento à compensação nos termos da nova legislação, “desde que presentes os requisitos próprios”. No presente caso, o Recorrente, em conformidade com os termos de sua petição inicial (fl. 20 do volume anexo), obteve a prestação jurisdicional para dois pedidos distintos, sendolhe assegurado o direito à repetição dos valores da contribuição para o PIS pagos indevidamente, bem como o direito à compensação com débitos do mesmo tributo. Repitase que se trata de dois pedidos: o primeiro relativo ao indébito decorrente da inconstitucionalidade dos decretoslei e o segundo referente ao direito à compensação. No nosso entendimento, não obstante o Recorrente ter obtido a tutela jurisdicional assegurandolhe ambos os pedidos, nada impede que dela se valha, na concretização do seu direito, observandose a coisa julgada e a legislação superveniente, da forma que lhe garanta maior efetividade. Não resta dúvida que, da decisão judicial definitiva, restou assegurado ao Recorrente o direito de repetir os pagamentos efetuados a maior. É com base nesse direito que ele, nesta relação processual, busca realizar a compensação em conformidade com as normas Documento nato-digital 16 vigentes, independentemente de ter obtido uma decisão judicial assegurandolhe, também, o direito à compensação nos termos da Lei nº 8.383/1991. Conforme destacou o STJ na decisão reproduzida em parte acima, apesar de a decisão judicial se restringir aos limites da causa de pedir posta na petição inicial, não há impedimento que a compensação se realize nos termos posteriormente admitidos, desde que presentes os requisitos próprios. O fato de ter obtido uma decisão judicial favorável à sua tese não impede que a pessoa se valha do direito no sentido de fruílo em conformidade com a lei. A decisão judicial sob comento não afasta a aplicação da Lei nº 9.430/1996; muito pelo contrário, a ela não faz qualquer referência, restringindose sua extensão ao que restou pedido na inicial. Logo, o teor da coisa julgada não invalida o direito assegurado por outra lei. No presente processo, o Recorrente formulou seu pedido de compensação observando as regras impostas pela Lei nº 9.430/1996, tendo transmitido à Receita Federal os PER/DCOMPs (fls. 21 a 28), conforme exigência da legislação tributária. Vêse, portanto, que o Recorrente se encontra embasado em decisão judicial definitiva que lhe assegura o direito creditório pleiteado, pendente de apuração, e em lei que lhe garante a faculdade de compensar seus indébitos com débitos de qualquer tributo administrado pela Receita Federal. Não se pode ignorar que o Senado Federal, por meio da Resolução nº 49, de 1995, dotou de efeito erga omnes a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 148.754/RJ. Nos presentes autos, conforme destacou a autoridade administrativa, ao apreciar os pedidos do ora Recorrente, rejeitaramse as compensações pleiteadas não alcançadas pela decisão judicial sem que tivesse havido “qualquer procedimento administrativo de apuração da liquidez e certeza dos créditos suscitados pelo contribuinte” (fl. 43). Dessa forma, ainda que o direito creditório esteja assegurado, em tese, o seu deferimento depende da apuração do quantum de indébito existente, bem como da verificação de uma possível utilização já efetivada, seja no âmbito de outros processos ou procedimentos administrativos, seja diretamente na escrita fiscal da pessoa jurídica, já que a Lei nº 8.383/1991 permitia a compensação nesses termos. Nesse contexto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se apurem as parcelas da contribuição para o PIS recolhidas com base nos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, que superem os valores devidos com base na Lei Complementar nº 7/1970, observada a regra da semestralidade, bem como se verifique se já houve aproveitamento dessas mesmas parcelas, via compensação ou restituição, em outros processos ou procedimentos administrativos, ou, ainda, na própria escrita contábil fiscal da pessoa jurídica, repassando a este Colegiado todas as informações que envolvam a matéria sob exame que possam influenciar o julgamento neste Colegiado. Documento nato-digital Processo nº 13603.720126/200812 Resolução n.º 3803000.171 S3TE03 Fl. 194 17 O interessado deverá ser cientificado dos resultados da diligência, oportunizandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos serem devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Documento nato-digital 18 Declaração de Voto Teratologia Processual: inexistência de pressuposto de admissibilidade recursal O Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, representante da Fazenda Nacional, embargou o próprio voto, condutor do Acórdão 380302.426, de 14 de fevereiro de 2012. Por alguma razão que desconheço, o Conselheiro Hélcio decidiu mudar seu voto depois de concluído o julgamento do recurso voluntário e resolveu fazêlo por meio destes Declaratórios. Para tanto, alegou a “...ocorrência inequívoca de CONTRADIÇÃO entre a decisão contida no acórdão embargado e a realidade dos autos...”, pretendendo com isso emprestarlhes efeitos infringentes e anular a decisão recorrida. Mestre em Direito Público pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, o Conselheiro Hélcio não desconhece que o pressuposto específico de admissibilidade do embargo de declaração é a existência no acórdão de um dos seguintes defeitos: obscuridade, contradição ou omissão de ponto sobre que deviam pronunciarse os julgadores do julgado embargado e que a regra geral é no sentido de não se admitir que os declaratórios possuam caráter modificativo do julgado, uma vez que somente visam a explicitar, esclarecer ou aclarar as decisões embargadas. De minha parte, sei que, excepcionalmente, vemse se admitindo o efeito modificativo quando, para eliminar contradição, esclarecer obscuridade ou suprir omissão, a decisão que for modificada não puder continuar com a sua intenção inicial, em virtude da modificação que sofreu. Mas o que deve ficar claro é que o efeito modificativo, nesses casos, se dá em razão do esclarecimento do conteúdo da decisão, que em razão de omissão, obscuridade ou contradição parecia ser em outro sentido. Proceder de outra forma é admitir o manejo dos Embargos como sucedâneo recursal, o que é repelido, unanimemente, na doutrina e na jurisprudência. Nesse contexto, o vício de contradição que enseja a abertura da via recursal dos declaratórios referese a diferença entre premissa e conclusão existente entre a motivação e a conclusão do julgado e deve a contradição ser sempre constatável da própria decisão embargada. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração por contradição é que haja concomitância de idéias inconciliáveis que influa na intelecção da decisão. Em síntese, é a interna ao decisum, isso é, entre o seu fundamento e o resultado do julgamento, pois o saneamento de eventuais contradições externas (entre a decisão e as alegações das partes, pareceres jurídicos, documentos constantes dos autos etc. etc.) implicaria a rediscussão da matéria, o que, repito, não se admite por essa via. Peço escusas por esses prolegômenos comezinhos e enfadonhos. Eles não precisariam ser ditos. Até as pedras que jazem indolentes sob o sol do meu quintal os conhecem. E o Conselheiro Hélcio junto delas. Mas, por alguma razão, o Conselheiro Hélcio resolveu mudar seu voto. Interpôs os presentes Embargos e, desabrida e despudoradamente, nem se preocupou em disfarçar a inexistência de contradição hábil a ensejar sua admissibilidade3. Foi logo avisando que pretendia a anulação do acórdão porque mudou de idéia e queria rediscutir a matéria de fundo. 3 O acórdão embargado é hígido. Adotou como fundamento a ocorrência de concomitância de processos administrativo e judicial e, coerentemente, decidiu pela aplicação da Súmula CARF nº 1, não conhecendo do recurso. Nada a reparar em tal decisão. Documento nato-digital Processo nº 13603.720126/200812 Resolução n.º 3803000.171 S3TE03 Fl. 195 19 Nas suas próprias palavras (Item I. OS FATOS E A CONTRADIÇÃO, fls. 176 do presente processo): “Na condição de relator, ao proceder à formalização do acórdão para ajustálo aos ditames da Ordem de Serviço do CARF nº 02, de 13 de julho de 2010, constatei que o fundamento da decisão ora embargada não condizia, efetivamente, com a realidade dos autos, ou seja, inexistia a alegada concomitância.” Não há portanto qualquer vício – ou, se há, o embargante não demonstrou – a ser sanado, e os presentes Embargos não merecem admissão. Darlhes seguimento, teratologicamente, produzirá o presente monstro sem cabeça, fácil de manipular – o embargante foi rapidamente seguido pelos conselheiros representantes dos contribuinte – mas difícil de orientar. Mérito – a concomitância entre o presente processo e Ação no 1998.39.00.0246733/MG Torno a dizer: não sei o que move o Conselheiro Hélcio. Se foi o “peso na consciência”, histrionicamente bradado durante o julgamento, só posso lamentar. O peso agora estará (pelo menos) dobrado. Não bastasse o imperdoável erro na admissibilidade dos Embargos, o Conselheiro Hélcio terá a partir de agora de suportar o equívoco da mudança de seu voto, no que pertine à conclusão de ocorrência de concomitância entre o presente processo administrativo e ação judicial. O Conselheiro Hélcio esforçouse em demonstrar a inocorrência da concomitância (fls. 187 e 188, acima). Valhome do mesmo quadro para demonstrar o contrário: “Pedido Na ação judicial, compensação, na própria escrituração do sujeito passivo, de indébitos de PIS com débitos de PIS e de outras contribuições de mesma natureza, com base no art. 66 da Lei nº 8.383/1991 Pedido No processo administrativo, Compensação, via Declaração de Compensação (DCOMP), de direito creditório já assegurado judicialmente com débitos de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL, com base no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. A súmula CARF n° 1 estipula que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, mas desde que com o mesmo objeto do processo administrativo, cabendo ao órgão de julgamento administrativo o julgamento de matéria distinta da constante do processo judicial.” Por objeto a que se refere Súmula CARF nº 1, entendese o poder de agir, aquilo que se pede (petitum), o que imediatamente se requer; é a atuação da lei, a qual, nas diferentes ações, se apresenta individuada em determinado ato (seja condenação, rescisão, declaração). Ora, na Ação 1998.39.00.0246733/MG, o que o contribuinte pediu foi o reconhecimento de direito creditório e a autorização para a sua compensação. No presente processo administrativo, o contribuinte pretende também compensar o mesmo direito creditório, agora de forma diferente da autorizada pelo provimento judicial. Como negar a coincidência de objeto? É inadmissível, por ser ilógica e injurídica, a existência paralela de Documento nato-digital 20 duas iniciativas, dois procedimentos, com idêntico objeto e para o mesmo fim. Nenhum dispositivo legal ou princípio processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. São recorrentes os recursos em que os contribuintes pretendem ver aplicado um critério mais amplo do que lhes foi reconhecido no Judiciário sob o argumento de que o direito foi posteriormente ampliado. Isso se aplica especialmente às ações judiciais que visavam ao reconhecimento da inconstitucionalidade dos decretosleis alteradores do PIS. Nestas — a maioria proposta antes da edição da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, ainda sob as determinações da Lei nº 8.383, de 1991 — os contribuintes pedem subsidiariamente a declaração de que o indébito dai surgido possa ser compensado sem as restrições criadas pelo art. 66 da Lei nº 8.383, com a redação que lhe deram as Leis nos 9.069 e 9.250, ambas de 1995. Na imensa maioria desses casos, a última decisão nesses processos é proferida após a alteração introduzida pela Lei nº 9.430, de 1996. Em alguns, mesmo após a edição da Lei nº 10.637, de 2002. E em muitos deles, tal decisão, ainda assim, não faz qualquer referência a essas alterações, limitandose a deferir o que foi pedido e nos termos possíveis à época do pedido. Mesmo nesses casos, tenho o entendimento de que a decisão tem de ser cumprida nos seus estritos termos. Isto é, se ela afirma que o PIS somente pode ser compensado com o PIS mesmo já havendo disposição legal (Lei nº 9.430) que permitiria sua compensação com outros tributos, não se pode autorizar essa segunda possibilidade sob pena de ofensa à coisa julgada. No presente caso, no entanto, a situação é bem mais precária: a Ação no 1998.39.00.0246733/MG foi intentada em 1998, já na vigência do novo regramento das compensações. Como falar em "legislação superveniente" neste caso? Tal adjetivação só é possível quando a decisão seja, de fato, proferida antes da edição da norma nova. Somente assim se pode considerar que o magistrado não se pronunciou sobre ela porque ela ainda não existia. E que não se configura, portanto, descumprimento da ordem, emitida porque ela não tratou da questão. No presente caso, não se pode presumir que a decisão judicial foi omissa sobre a lei que ingressou no ordenamento antes da entrada da petição inicial. Ao contrário, há de se presumir que foi observada efetivamente pelo magistrado em sua decisão, pois esse é o seu dever. Havendo fundada dúvida quanto a isso, deve o demandante manejar o competente recurso processual para vêla esclarecida. Se não o faz é de se supor também que a aceitou e, se ela o restringe, não pode pretender alargála. Ressalto novamente a precariedade do caso em discussão: a petição inicial foi protocolada já sob a vigência da Lei no 9.430, de 1996, e a decisão judicial não só foi posterior às alterações legais como expressamente as analisou e ainda assim manteve a restrição do aproveitamento do indébito, ao declinar que (fl. 14): “Por outro lado, não se pode ignorar a circunstância de que os valores recolhidos indevidamente a titulo de PIS só devem ser compensados com aqueles devidos dessa mesma contribuição ou,seja, a título do próprio PIS, não sendo, juridicamente admissível a compensação com parcelas.devidas.de FINSOCIAL, Imposto de Renda, CSLL ou COFINS.” Não há, assim, qualquer fundamento jurídico pelo qual se possa ampliar o alcance da compensação deferida judicialmente. Documento nato-digital Processo nº 13603.720126/200812 Resolução n.º 3803000.171 S3TE03 Fl. 196 21 Sob esse quadro factual, impõese a aplicação da Súmula CARF no 1, já que o recorrente, ao buscar a tutela hegemônica do Poder Judiciário, abriu mão da discussão administrativa. Reitero: o recurso voluntário não merece conhecimento. É como voto. Sala de sessões, em 24 de maio de 2012 Alexandre Kern Documento nato-digital 22 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13603.720126/200812 Interessada: MG PARAFUSOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803000.171, de 24 de maio de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Documento nato-digital
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Numero do processo: 10660.905822/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Então, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
COMBUSTÍVEIS. FROTA PRÓPRIA. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
O combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados gera crédito da não-cumulatividade da COFINS, por subsunção ao conceito de frete na operação de venda, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003.
INSUMO. FRETE DE LEITE IN NATURA. POSSIBILIDADE.
Os fretes de aquisição de matérias-primas são essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003.
Numero da decisão: 3301-011.462
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de leite in natura. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas referentes ao combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário nesse tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.454, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.905814/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques dOliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Então, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. COMBUSTÍVEIS. FROTA PRÓPRIA. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. O combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados gera crédito da não-cumulatividade da COFINS, por subsunção ao conceito de frete na operação de venda, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. INSUMO. FRETE DE LEITE IN NATURA. POSSIBILIDADE. Os fretes de aquisição de matérias-primas são essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de leite in natura. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas referentes ao combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário nesse tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.454, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.905814/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques dOliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
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INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Então, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. COMBUSTÍVEIS. FROTA PRÓPRIA. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. O combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados gera crédito da não-cumulatividade da COFINS, por subsunção ao conceito de “frete na operação de venda”, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. INSUMO. FRETE DE LEITE IN NATURA. POSSIBILIDADE. Os fretes de aquisição de matérias-primas são essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de leite in natura. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas referentes ao combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário nesse tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.454, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.905814/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 22 /2 01 2- 19 Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.462 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905822/2012-19 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d’Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de COFINS. Para análise do feito, a fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Varginha (MG) foi solicitado a contribuinte apresentar livros, documentos e memórias de cálculo que possibilitassem aferir o montante dos créditos requeridos, sendo constatadas glosas, conforme Termo de Verificação Fiscal, em síntese: (...) Da Glosa dos Créditos Presumidos COFINS - Agroindústria Por consequência dessa verificação preliminar, constatamos que o contribuinte solicitou no PER em questão parte dos Créditos Presumidos de COFINS referentes à agroindústria vinculados à Receita não tributada no mercado interno. No entanto, esse Crédito Presumido apurado conforme a Lei 10.925/2004 não é passível de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, somente podendo ser utilizado no desconto/dedução da COFINS Apurada no próprio DACON, portanto, efetuamos a GLOSA TOTAL desses créditos pleiteados pela empresa (...) Cabe destacar, que embora essa parte dos créditos relativa ao Crédito Presumido COFINS-Agroindústria tenha sido integralmente glosada no PER COFINS-Mercado Interno, foi considerada como saldo de meses anteriores desses créditos no Recálculo do Dacon da empresa constante do Anexo I que é parte integrante desse Termo de Verificação Fiscal. (...) Da Glosa dos Créditos Básicos COFINS – Art. 3º da Lei n° 10.833/2003 (...) Em relação aos créditos Básicos de COFINS apurados pela empresa, ocorreram três tipos de glosa: Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.462 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905822/2012-19 Glosa em relação ao incorreto rateio das receitas vinculadas demonstrada no Anexo II, resultando na reapuração dos valores de créditos a descontar de COFINS Aquisição Mercado Interno retificados no Anexo I nas linhas 15 das colunas D e E, uma vez que os créditos auferidos com base na receita obtida no mercado interno devem ser proporcionalizados a partir dos tipos de receita que compõem a Receita Bruta total. Glosa proporcional às notas fiscais glosadas discriminadas no Anexo III que sofreram também rateio na proporção das receitas vinculadas – receitas tributadas no mercado interno e receitas não tributadas no mercado interno. Glosa Crédito Básico correspondente ao Frete do Leite in Natura, uma vez que esse tipo de crédito corresponde a um Crédito Presumido. (...) Dos Motivos de Glosa dos Créditos Básicos referentes às linhas 01,02 e 12 do Dacon (...) Combustível Não Enquadrado como Insumo A despesa com combustível utilizado em frota própria ou utilizado indiretamente na produção, não se enquadra no conceito de insumo, levando em consideração o inciso II do Art. 3º da Lei n° 10.833/2003 c/c a alínea “b” do inciso I e o parágrafo 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF 404/2004, uma vez que não são diretamente consumidos ou aplicados no processo produtivo, mesmo que constituam uma necessidade operacional da empresa. Assim sobre tais dispêndios não é permitida a apuração de crédito a ser descontado da COFINS no regime não cumulativo. (...) Serviço Não Enquadrado Conceito Insumo O serviço de contratação de contabilidade junto a terceiros, ainda que de pessoa jurídica, por se destinar a atividade-meio da empresa e não se enquadrar no conceito de Insumo, nos termos do inciso II do Art. 3º da Lei n° 10.833/2003 e na alínea “b” do inciso I e o parágrafo 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF 404/2004, e ainda por não estar expressamente previsto na legislação, não dá direito a crédito da(o) COFINS. (...) Dos Motivos de Glosa dos Créditos Básicos correspondentes ao Frete do Leite in Natura Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.462 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905822/2012-19 O crédito relativo ao frete acompanha o tipo de crédito a ele vinculado, como o tipo de crédito em relação à aquisição do Leite in Natura é o presumido, o frete acompanha o crédito principal, sendo, portanto, também crédito presumido e não básico como calculado pela empresa. Por isso, esse crédito relativo ao frete do Leite in Natura calculado como básico, pela alíquota 7,6%, nas planilhas apresentadas pela empresa foi glosado integralmente do PER em análise. No entanto, foi incluído como crédito presumido na linha 25 do Dacon, recalculado pela alíquota correta de 4,56%, ou seja, refletindo em um aumento de valor do crédito Presumido, conforme discriminado na reapuração do Crédito Presumido na retificação da Ficha 24 no Anexo I. Diante do contido na Informação Fiscal, fora expedido o Despacho Decisório deferindo parcialmente o crédito solicitado, assim como homologando parcialmente as DComp apresentadas. Cientificada do referido Despacho Decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, tecendo seus argumentos. Inicialmente, a interessada faz breve relato dos acontecimentos, resumindo seu pleito e as razões da redução do valor inicialmente solicitado. Em seguida, expõe seu entendimento, em síntese: DIREITO (...)Glosa de créditos básicos referentes à aquisição de insumos – Combustível não enquadrado como insumo pela RFB. Conforme se depreende dos autos administrativos, o entendimento que fundamentou a glosa de créditos na aquisição de combustível se deve ao fato de que este foi adquirido para utilização em frota própria além de não ser diretamente consumido ou aplicado no processo produtivo, ainda que constitua necessidade operacional da empresa. (...) Sobre a aquisição de combustível para ser utilizado na frota própria, a questão merece algumas considerações. Nesse aspecto, cumpre salientar que os combustíveis, que geram crédito passível de compensação, são utilizados no abastecimento dos veículos transportadores das mercadorias fabricadas. (...) Assim, é possível concluir que, em se tratando de transporte próprio os custos da operação não são reconhecidos como passíveis de creditamento, por sua vez, caso a empresa optasse por contratar empresa interposta para realização da operação poderia descontar os créditos relativos ao custo da operação (frete) realizada. Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.462 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905822/2012-19 (...) Desta forma, o direito ao credito gerado pelos custos do frete devem ser estendidos, também, à aquisição de combustíveis para abastecimento de veículos próprios utilizados no transporte dos produtos. De outro norte, também para fins de creditamento dos custos de aquisição de combustível pela contribuinte, importante se faz o reconhecimento deste combustível como insumo, na cadeia de produção da contribuinte. (...) Destarte, tem-se pacificado que o restritivo conceito de insumo, presente nas Instruções Normativas n° 267/02 e 404/04, não deve ser considerado na sistemática de creditamento do PIS e da COFINS, devendo ser considerado a essencialidade dos produtos no processo produtivo. Diante disso, é notório que o combustível utilizado no abastecimento da frota própria destinada ao transporte dos produtos é insumo essencial na cadeia de produção da contribuinte. A distribuição faz parte, efetivamente, da cadeia de produção e se a contribuinte não transportasse os produtos por si mesma com certeza deveria contratar uma transportadora terceirizada para o fazer. Nesse aspecto, tornaria a questão de que, se a transportadora fosse terceirizada esses custos seriam creditados. Conforme demonstrado é direito da contribuinte a apuração dos créditos referentes à despesa com combustível, seja pelo princípio da isonomia em relação aos custos da terceirização do transporte, seja pelo fato do combustível da frota dos veículos destinados à distribuição dos produtos consistir em insumo essencial na cadeia de produção da contribuinte, não devendo o crédito apurado em relação a esse custo sofrer qualquer tipo de glosa. (...) Glosa dos créditos correspondentes ao frete do leite in natura – correta classificação efetuada pela contribuinte Em relação ao crédito do frete do leite in natura apurado pela contribuinte entendeu a RFB que "o crédito relativo ao frete acompanha o tipo de crédito a ele vinculado, como o tipo de crédito em relação à aquisição do leite in natura é o presumido, o frete acompanha o crédito principal, sendo, portanto, também crédito presumido e não básico como calculado pela empresa." Diante disso, a RFB procedeu com a glosa do crédito em questão, calculado como básico pela alíquota 7,6% e incluído como presumido, recalculado pela alíquota de 4,56%. Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.462 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905822/2012-19 Contudo, a apuração do crédito da maneira como procedeu a contribuinte encontra-se correta. Isto porque no caso sob análise, o valor do frete relativo ao transporte dos insumos do fornecedor para indústria não foi deduzido na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS com base no artigo 3o, inciso IX, das Leis 10.637 e 10.833 - que, de fato, não abarca tal hipótese. (...) Desse modo, considerando a interpretação extensiva que o CARF vem conferindo ao artigo 3°, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, verifica-se o desacerto do despacho decisório, na parte em que deixou de homologar os créditos relativos ao frete na aquisição de leite in natura, mormente por se tratar de serviço essencial à fabricação dos produtos comercializados. Entendimento contrário acabará por, mais uma vez, afrontar diretamente o princípio da não cumulatividade, sendo imperioso considerar-se que o frete foi inclusive tributado pelo PIS e COFINS. Desta forma, assim como já argumentado supra, tendo havido recolhimento, exsurge o inegável direito ao crédito, sob pena de afronta ao consagrado princípio em apreço. Desta forma, imperioso seja acatada a classificação dos créditos na forma como apresentada pelo contribuinte, restando reformada a decisão no que tange à sua classificação como crédito presumido. Por fim, a Interessada solicita que a presente manifestação de inconformidade seja procedente. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada, em síntese: AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. CRÉDITO PRESUMIDO. Não existe previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição. Esse é permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, e na mesma proporção em que se der esse creditamento, já que o frete compõe o custo de aquisição devidamente comprovado, integra o valor de aquisição dos insumos e deve seguir o Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.462 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905822/2012-19 regime de crédito desses, que é o crédito presumido passível de ser deduzido das contribuições devidas em cada período de apuração. Em recurso voluntário, a empresa reitera os argumentos de sua defesa anterior, sustenta o conceito de insumo como aquele essencial e relevante ao processo produtivo, para requerer o crédito a esse título dos combustíveis utilizados em frota própria para transporte de produtos acabados e fretes de leite in natura. Ao final, requer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A controvérsia dos autos é o aproveitamento de créditos, no regime não cumulativo da COFINS, dos combustíveis utilizados em frota própria para transporte de produtos acabados e do frete de aquisição do leite in natura. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não- cumulatividade do PIS e da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, logo são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa que, no caso, é a fabricação de produtos lácteos. Créditos de combustíveis utilizados em frota própria para transporte de produtos acabados A autoridade fiscal motivou a glosa nos seguintes termos: Combustível Não Enquadrado como Insumo 19. A despesa com combustível utilizado em frota própria ou utilizado indiretamente na produção, não se enquadra no conceito de insumo, levando em consideração o inciso II do Art.3º da Lei 10.833/2003 c/c a alínea “b” do inciso I e o parágrafo 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF 404/2004, uma vez que não são diretamente consumidos ou aplicados no processo produtivo, mesmo que constituam uma necessidade operacional da empresa. Assim sobre tais dispêndios não é permitida a apuração de crédito a ser descontado da COFINS no regime não cumulativo A Recorrente aduz que o combustível adquirido é para o transporte em frota própria de produtos acabados. O crédito pleiteado tem suporte no IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003. Nesse sentido, o acórdão n° 3201-008.745, j. 24/06/2021, Relator Conselheiro Hélcio Lafetá Reis: Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.462 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905822/2012-19 CRÉDITO. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS. OPERAÇÕES DE VENDA. POSSIBILIDADE. Considerando que o transporte de produtos acabados tem como destino final a venda, já contratada ou a contratar, ainda que dependente de passagem por estabelecimento comercial da pessoa jurídica, os gastos de manutenção e funcionamento da frota própria do Recorrente, incluindo combustíveis e lubrificantes, revestem-se da natureza de despesas de transporte na venda, equiparando-se, portanto, aos dispêndios com frete. Assim, o combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados gera crédito da não-cumulatividade da COFINS, por subsunção ao conceito de “frete na operação de venda”, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. Frete na aquisição do leite in natura Apontou a fiscalização que: II.2.2 – Dos Motivos de Glosa dos Créditos Básicos correspondentes ao Frete do Leite in Natura 23. O crédito relativo ao frete acompanha o tipo de crédito a ele vinculado, como o tipo de crédito em relação à aquisição do Leite in Natura é o presumido, o frete acompanha o crédito principal, sendo, portanto, também crédito presumido e não básico como calculado pela empresa. 24. Por isso, esse crédito relativo ao frete do Leite in Natura calculado como básico, pela alíquota 7,6%, nas planilhas apresentadas pela empresa foi glosado integralmente do PER em análise. No entanto, foi incluído como crédito presumido na linha 25 do Dacon, recalculado pela alíquota correta de 4,56%, ou seja, refletindo em um aumento de valor do crédito Presumido, conforme discriminado na reapuração do Crédito Presumido na retificação da Ficha 24 no Anexo I. Sustenta a Recorrente que esse dispêndio é insumo, pois “sem que haja o deslocamento do leite in natura para a fábrica, a produção simplesmente não ocorrerá; ou seja, trata-se de serviço necessário à consecução da atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte”. São passíveis de creditamento os fretes nas aquisições de leite in natura, mas desde que tenham sido tributados pela COFINS, suportados pelo adquirente e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País. No caso em comento, observa-se nos autos que os fretes foram contratados de pessoas jurídicas que não se confundem com os fornecedores do leite in natura. Além disso, (i) é incontroverso que o leite in natura é matéria-prima dos produtos lácteos produzidos pela Recorrente; (ii) os fretes foram prestados por empresas de transporte e (iii) os CFOP das operações são 1352 e 2352, referentes à aquisição de transporte por estabelecimento industrial. Por isso, a essencialidade e relevância estão comprovadas, bem como cumpridos os requisitos legais, logo se admite o crédito a título de insumo com suporte no inciso II, do art. 3°, da Lei n° 10.833/2003. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de leite in natura e para reverter as glosas referentes ao combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados. Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.462 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.905822/2012-19 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas: dos fretes de leite in natura e referentes ao combustível adquirido para o transporte em frota própria de produtos acabados. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19515.001705/2007-57
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1202-000.197
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONÇALVES BUENO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 7 1 6 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001705/200757 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1202000.197 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de junho de 2013 Assunto IRPJ E OUTROS Recorrente EVERIS BRASIL CONSULT NEG TECNOL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assina do digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Gilberto Baptista e Orlando Jose Gonçalves Bueno RELATÓRIO Versam os presentes autos sobre lançamento de ofício formalizado em decorrência de ação fiscal procedida nos livros e documentos fiscais da Recorrente, relativamente aos anos calendários de 2002 e 2003, iniciada após revisão de ofício das respectivas DIPJ’s, entregues pelo sistema denominado “Lucro Real Anual”. No curso da ação fiscal a autoridade administrativa intimou a Recorrente a comprovar, mediante documentação hábil idônea, bem como a demonstrar a efetividade da prestação dos serviços e sua necessidade face aos objetivos da empresa, em relação as (i) despesas contabilizadas no ano calendário de 2002; além de comprovar a autenticidade de (ii) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 70 5/ 20 07 -5 7 Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 19515.001705/200757 Resolução nº 1202000.197 S1C2T2 Fl. 8 2 contratos de câmbios; (iii) pagamentos de IRRF, (iv) CIDE das despesas objeto das referidas intimações fiscais; e apresentar os contratos de prestação de serviços de assistência técnica, registrado junto ao Banco Central, celebrados com as pessoas envolvidas nas respectivas despesas.1 Após resposta a intimação fiscal, a autoridade administrativa entendeu que a Recorrente não comprovou os valores passíveis de dedução do lucro real a titulo de pagamento por assistência técnica pagas ao exterior2, e procedeu a glosa desses valores submetendoos a tributação pelo lançamento de ofício em foco, ressaltando que, considerando resposta a intimação fiscal na qual a Recorrente afirma ter procedido a estornos em razão da devolução de valores relativos a horas de consultoria prestada por empresas do Chile e da Espanha, deduzidas na apuração de resultados declarados em DIPJ, subtraiu estes valores da base de calculo do lançamento.3 Ademais, a autoridade fiscal procedeu a compensação dos prejuízos fiscais apurados durante os anoscalendários de 2001 e 2002.4 Em decorrência do aproveitamento integral, tanto dos prejuízos fiscais quanto das bases de calculo negativas da CSLL, tendo em vista a glosa realizada no ano calendário de 2002, as compensações com o lucro líquido ajustado e com a base de calculo da CSLL declarada no ano calendário de 2003 tornaramse indevidas. De tal sorte, foi apurado lucro em relação ao mencionado período fiscal, também levado a tributação pelo lançamento em foco. Cientificada da autuação, a Recorrente apresentou tempestiva impugnação requerendo a anulação do lançamento ante a ausência de motivação da autuação haja vista que não se procedeu a busca da verdade material no curso da fiscalização. Para fundamentar tal alegação, a impugnação menciona que a limitação à compensação aduzida pela autoridade fiscal somente se aplicam nos casos em que há efetiva transferência de tecnologia, situação que não foi mencionada e tampouco comprovada durante o curso da ação fiscal. Prossegue asseverando que a fiscalização limitase a partir da premissa de que as despesas deduzidas referemse a prestação de serviços de assistência técnica, sem justificar tal assertiva em relação aos fatos e documentos disponibilizados, sendo que, todavia, tais despesas correspondiam a necessidade que a Recorrente teve de contratar outras empresas do grupo para prestar serviços no Brasil, tendo em vista que no início de suas atividades o seu quadro de funcionários no país era bastante reduzido. Assim, considerando que as despesas deduzidas eram necessárias e não meramente assistência técnica, justifica a não apresentação de contratos registrados no BACEN, que são obrigatórios somente nas prestações de serviços de assistência técnica provenientes do exterior. 1 Fls 499 2 De acordo com a autoridade fiscal tratamse de "pagamentos por serviços prestados por profissionais especializados, oriundos da matriz na Espanha e filiais no Chile e Argentina, sujeitas à incidência quando da remessa dos pagamentos, pelos serviços prestados no Brasil ao exterior, ao Imposto de Renda na Fonte sobre Royalties e Assistência Técnica, códigos 0422, ficando caracterizado, no caso em questão tratarse de prestação de serviços de assistência técnica pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior". 3 Fls 505 4 Fls. 507 Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 19515.001705/200757 Resolução nº 1202000.197 S1C2T2 Fl. 9 3 Ademais, aduz que o fato de a autoridade fiscal ter constatado a existência de pagamentos feitos sob código de receita 0422, referente a prestação de serviços de assistência técnica, isoladamente, não é suficiente para comprovar que tais despesas são decorrentes da prestação de serviços de assistência técnica, tendo em vista que tais recolhimentos correspondem a pequena parcela dos valores objetos da autuação, asseverando que a grande maioria dos recolhimentos a título de IRRF foram efetuados mediante o código 0473, referente a rendimentos do trabalho, aluguéis e arrendamentos. Outro princípio invocado pela impugnação é o do dever da investigação, pelo o qual o Fisco tem o dever de apurar, verificar e certificarse acerca da existência de determinada conduta. Assim, uma vez inexistente qualquer evidência de que os serviços contratados referiamse a assistência técnica, e que, tampouco, consistiam transferência de tecnologia, não se pode aplicar as limitações impostas pela autoridade fiscal. Além disso, a impugnação traz os conceitos de “assistência técnica” e “transferência de tecnologia”, no intuito de descaracterizar as infrações constatadas. De acordo com a Recorrente, o contrato de transferência de tecnologia constitui uma autorização do detentor de determinada tecnologia para outra pessoa utilizar em seu processo produtivo, trazendo o conceito de tecnologia. 5 Quanto a assistência técnica, salienta tratarse de pressuposto para a transferência de tecnologia, ou seja, a comunicação de informações relativas ao fornecimento de conhecimento, knowhow. Assim, aduz que inexiste, nas despesas glosadas, tanto a prestação de serviços de assistência técnica quanto transferência de tecnologia, tratandose tais despesas apenas de prestação de serviço que requer o emprego de conhecimentos especializados. Além disso, quanto a base de calculo da CSLL, aduz a impugnação, ainda que admitida a hipótese de que as despesas referemse a assistência técnica e transferência de tecnologia, é inaplicável a limitação da dedução de tais despesas da base de calculo da CSLL. Tal situação decorreria da inexistência de qualquer previsão legal que determine a adição de despesas com prestação de serviços de assistência técnica para determinação da base de calculo da CSLL. Por fim, na hipótese de prevalecer a autuação, apenas a título de argumentação, pugna pela inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício aplicada. Após a apresentação da peça impugnatória, a Recorrente trouxe ao conhecimento da autoridade de primeira instância fato superveniente, no intuito de reforçar os argumentos defensórios. Tais fatos consistem no requerimento de juntada de cópia integral do Processo de Consulta INPI/DIRTEC/Nº 076269 no qual o INPI se manifestou pela ausência de transferência de tecnologia nos serviços tomados pela Recorrente, quando da análise de contrato de prestação de serviços da mesma natureza dos apreciados pela autoridade fiscal. 5 Para o impugnante, “Entendese por tecnologia as informações técnicas gerais ou especializadas, conhecimentos, knowhow, habilidades e experiências corporificadas em pessoas, documentos ou equipamentos, com aplicação em todos os setores formais e informais da economia para a produção de bens e prestação de serviços, dos mais simples aos mais complexos, bem como para propiciar o desenvolvimento econômico como um todo” Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 19515.001705/200757 Resolução nº 1202000.197 S1C2T2 Fl. 10 4 A decisão de primeira instância considerou parcialmente procedente a impugnação apresentada, recorrendo de ofício de tal decisão, consoante ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002, 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. Não se acata a argüição de nulidade se o lançamento foi efetuado por agente competente, com a observância dos requisitos exigidos pela legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS OU ASSISTÊNCIA TÉCNICA. REMESSAS A EMPRESAS DOMICILADAS NO EXTERIOR. Não são dedutíveis do lucro líquido, na apuração do lucro real, as importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quer fixas, quer como percentagem da receita ou do lucro, se os contratos firmados não forem registrados no INPI e no BACEN. A dedução somente seria admitida se satisfeitos todos os limites e requisitos estipulados por lei. DEDUTIBILIDADE. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. Se não há averbação do contrato em razão de as importâncias pagas a domiciliados no exterior não envolverem transferência de tecnologia, tratase de assistência técnica ou serviços genuínos, não dedutíveis, para efeito de apuração do lucro real. PREJUÍZO FISCAL DE ANOS ANTERIORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Procede a constatação fiscal de saldo de prejuízo fiscal insuficiente para compensação com lucro real do anocalendário de 2003, uma vez utilizado para compensar lucro real apurado de infração referente ao ano anterior. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996. No caso em pauta, o crédito tributário constituído pelo lançamento abrange tributo e multa de oficio, portanto, incidem juros de mora sobre o montante total do débito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 2002, 2003 Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 19515.001705/200757 Resolução nº 1202000.197 S1C2T2 Fl. 11 5 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Uma vez que a glosa das despesas não foi motivada pela falta de comprovação e/ou suposta inexistência das despesas deduzidas, mas em razão da impossibilidade de dedução prevista na legislação do Imposto sobre a Renda, a base de cálculo da CSLL não é afetada, pois esta corresponde ao resultado do exercício, submetido a ajustes entre os quais não estão contempladas expressamente as despesas com assistência técnica pagas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE ANOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. Não subsiste a glosa fiscal da compensação da base de cálculo negativa efetuada na DIPJ/2004, pois decorrente da exigência da contribuição do anocalendário de 2002, considerada improcedente nesta instância julgadora. Lançamento Procedente em Parte Destarte, de acordo com a decisão a quo, o lançamento não padece de qualquer nulidade, pois foi constituído de acordo com o artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Além disso, inexiste qualquer das hipóteses de nulidade positivadas pelo artigo 59 do referido diploma legal. Quanto as deduções, a autoridade julgadora a quo enfatiza que a fiscalização, mediante os documentos de fls. 212/490, comprovou trataremse de despesas com assistência técnica, asseverando que tais serviços nem sempre pressupõem transferência de tecnologia, Neste sentido, traz à baila o ADN (COSIT) nº 01, de 05 de janeiro de 2000, o qual impõe a tributação do IRRF aos contratos de prestação de serviços técnicos sem transferência de tecnologia, contrapondose a alegação de que a limitação da dedução só se aplicaria nos casos em que houvesse transferência de tecnologia. Além disso, esclarece a autoridade a quo, ainda que houvesse a possibilidade de deduzir tais despesas, haveria de se adicionar ao lucro real o valor correspondente à diferença entre o montante dos pagamentos anuais e o limite legal. Quanto ao fato superveniente, sustenta que tal documentação contraproduz os efeitos buscados pela Recorrente, uma vez que ela equivocase ao aduzir que o regime fiscal invocado pela autoridade fiscal somente se aplica quando houver transferência de tecnologia. No tocante aos prejuízos fiscais compensados no exercício de 2004 a decisão recorrida assevera que a procedência do lançamento do IRPJ do ano calendário de 2002 se aplica, igualmente, ao ano calendário seguinte, uma vez que o saldo de prejuízos utilizados na DIPJ/2004 foi consumido pela compensação do lucro real de 2002 apurado de infrações. A respeito da base de calculo da CSLL, a decisão recorrida considerou insubsistente a glosa, porquanto, diferentemente do IRPJ, inexiste qualquer disposição legal Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 19515.001705/200757 Resolução nº 1202000.197 S1C2T2 Fl. 12 6 quanto a vedação ou a existência de limites específicos para a dedução da base de cálculo da referida contribuição. No que tange a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, a autoridade julgadora a quo sustenta que tal previsão encontrase positivada nos artigos 43 e 61,§3º da Lei 9.430/1996. Por fim, quanto a base negativa da CSLL de anos anteriores, compensada indevidamente no exercício de 2004, aponta que, uma vez reconhecida a improcedência do lançamento relativo ao ano calendário de 2002, o mesmo se aplica ao ano calendário seguinte. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário contra a decisão que manteve o lançamento correspondente ao IRPJ, alegando, em síntese, que a autoridade julgadora a quo adotou premissa equivocada ao classificar como assistência técnica os serviços correspondentes aos pagamentos deduzidos, modificando a acusação fiscal ao sustentar que é possível existir prestação de serviços de assistência técnica sem transferência de tecnologia, numa tentativa de esquivarse da discussão sobre o conceito de assistência técnica, trazendo o conceito de assistência técnica extraído da IN 252/02, concluindo que os serviços relativos as despesas deduzidas ratavamse disponibilização de mãodeobra qualificada e apta a aplicar conhecimentos especializados, tanto para trabalhos que beneficiariam diretamente a Recorrente quanto para atender a demanda de clientes locais desta, que haviam a contratado para prestar tais serviços. Ademais, assevera a Recorrente que, não obstante a ausência de qualquer diligência no sentido de verificar se os serviços tomados pela Recorrente referiamse a assistência técnica, ela mesmo tomou a iniciativa de formular consulta ao INPI, que ao analisar o mesmo contrato de prestação de serviço entregue a autoridade fiscal, concluiu que tais serviços não são caracterizados como de assistência técnica, nos termos do artigo 211, da Lei 9279/96. Ainda, salienta que a efetividade das despesas deduzidas restaram amplamente demonstradas no curso da fiscalização, uma vez que foram apresentados os contratos de prestação de serviços firmados entre a Recorrente e empresas do grupo localizadas em outros países; relatórios de atividades desenvolvidas, contratos de câmbios das remessas de valores, dentre outras evidências.6 Por fim, pugna a Recorrente pela inaplicabilidade do juro de mora sobre a multa de ofício aplicada, uma vez que se admitida, tal providencia implicaria no enriquecimento ilícito do Erário público. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. 6 Fls. 243 a 355 Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 19515.001705/200757 Resolução nº 1202000.197 S1C2T2 Fl. 13 7 Antes de apreciar a questão sob o critério meritório, quanto a glosa realizada sobre as despesas deduzidas do IRPJ cabe tecer algumas considerações; A autoridade fiscal considerou que os serviços cujos pagamentos foram deduzidos da base de calculo referiamse a prestação de serviços de assistência técnica e, portanto, tais deduções eram indevidas; Em sua Impugnação, a Recorrente assevera não se tratar de assistência os serviços prestados, cujos pagamentos foram deduzidos da base de calculo, uma vez que tais serviços não consistiam em transferência de tecnologia, alegando que tais serviços eram despesas necessárias, ou seja, de natureza eminentemente operacional; A decisão recorrida, por sua vez, sustenta que, ainda que não exista transferência de tecnologia, as prestações de serviços relativas a assistência técnica não podem ser totalmente deduzidos da base de calculo do IRPJ; A Recorrente reitera a alegação de que tais serviços não referemse a assistência técnica trazendo resposta a consulta realizada junto ao INPI, que analisou o mesmo contrato analisado pela autoridade fiscal, e conclui não se tratar de prestação de serviços de assistência. Assim, é crucial para o esclarecimento fático do presente litígio, a descrição real e verdadeira sobre a natureza das despesas glosadas pela autoridade fiscal. Neste sentido, considerando que a Recorrente já se manifestou sobre tal situação, e considerando a necessidade real verificação sobre a natureza de tais serviços, uma vez que a decisão recorrida apenas se manifesta sobre a impossibilidade de dedução dos serviços prestados sem transferência de tecnologia, remanesce a dúvida concreta se realmente são serviços de assistência técnica, ou se são despesas operacionais, em confronto com o contrato de prestação de serviços e com a efetividade dos serviços prestados, sejam, ou não, de assistência técnica. Diante tal questão fática, apresentase necessária, considerando a busca da verdade material sobre os fatos que embasam a autuação fiscal, propor a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade de origem constate, mediante análise dos contratos de prestações de serviços da Recorrente, por amostragem, e seus clientes no território nacional,intimandoos para tanto, a fim de descrever, efetivamente, os serviços realizados decorrentes dos contratos indigitados, após o que, colher a manifestação, no prazo de 30(trinta) dias da Recorrente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/06/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
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Numero do processo: 10783.902169/2008-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3803-000.130
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Kern (presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que não havia nos autos prova de que houve pagamento a maior no período de março de 2001. A ora recorrente apresentou pedido eletrônico de ressarcimento e declaração de compensação (PER/Dcomp) para compensar débito da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (código 8109), do período de apuração dezembro de 2002, com créditos da mesma Contribuição, recolhidos a maior no período de apuração de março de 2001, no valor original de R$ 803,57. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10783.902169/200855 Despacho n.º 3803000.130 S3TE03 Fl. 153 2 A DRF de Vitória emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação. Contra esta decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, devidamente acompanhada de cópia da DCTF retificadora, fls. 05/18; DCTF original, fls.19/31; DIPJ/2002, fls. 32/85; PER/Dcomp, fls. 86/90, "objetivando esclarecer eventuais diferenças apuradas pela Secretaria da Receita Federal". A DRJ Rio de Janeiro II julgou improcedente a Manifestação de por entender que a DIPJ e a DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório não se prestam para demonstrar o pagamento indevido, vez que se trata de documento não espontâneo. Afirmou que, em situações como a presente, “somente a apresentação de documentos, integrantes da escrituração contábil e fiscal do interessado, poderiam atestar ou comprovar que o PIS devido no PA 03/01 seria de R$ 375,92, e, que, desta forma, o pagamento em DARF arrecadado pela empresa, no valor de R$ 1.179,49, daria ao sujeito passivo crédito passível de ser compensado com outros débitos e contribuições federais, no valor de R$ 803,57. Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho, alegando, em apertada síntese, que a circunstância a DCTF retificadora ter sido apresentada após o despacho decisório não a torna imprestável, na medida em que não se está diante de procedimento de cobrança de tributo, mas de restituição. Afirma, ainda, que a Instrução Normativa SRF nº 255/02, não estabelece qualquer óbice nesse sentido. Por outro lado, defende que os documentos apresentados com a Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para demonstrar o recolhimento a maior da Contribuição ao PIS no período de apuração de março de 2001. Entretanto, para que não remanescesse qualquer dúvida a respeito do valor a compensar, trazia aos autos os documentos indicados pela decisão recorrida como necessários: (i) Livro Diário; (ii) Livro nº 02 Registro de Saída e (iii) Livro Registro de Apuração de ICMS. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito de Contribuição ao PIS relativo ao período de apuração de janeiro de 2001 no valor de R$ 2.433,03. Para demonstrar o seu direito, instruiu sua Manifestação de Inconformidade com DIPJ do período e DCTF retificadora, a qual teria sida transmitida após o Despacho Decisório. A autoridade recorrida entendeu que esses dois documentos fiscais não seriam suficientes para demonstrar o pagamento a maior, em especial em se tratando de DCTF não espontânea. Neste ponto, entendo que tem razão a Recorrente ao alegar que não seria possível igualar os procedimentos de constituição e exigência do crédito tributário aos pedidos de compensação. É certo que o art. 74, § 11º, da Lei 9.430/96, prescreve que a Manifestação de Inconformidade obedecerá ao rito processual do PAF – Decreto nº 70.235/72. Todavia, isso Fl. 178DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10783.902169/200855 Despacho n.º 3803000.130 S3TE03 Fl. 154 3 não é suficiente para equiparar esses procedimentos, a ponto de considerar que a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório a tornaria sem efeito, vez que não espontânea. Ora, nos termos do art. 138 do CTN, a espontaneidade é relevante apenas para excluir a responsabilidade pela infração. Por conta disso, e tendo em vista que não estamos falando de ausência de pagamento de tributo, mas, pelo contrário, de pagamento a maior, não há que se obstar a análise de documento fiscal, pela simples razão de ter sido transmitido após o início do procedimento de restituição. Por outro lado, também o art. 9º, § 1º, II, da IN 255/02 não se presta para fundamentar a conclusão de que a DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório não poderia ser analisada. Com efeito, o texto deste enunciado normativo é muito claro ao prescrever que não será aceita a retificação da DCTF que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do inicio de procedimento fiscal. Ou seja, o que se veda é a entrega de DCTF para retificar débito sob procedimento fiscal e não crédito, como o fez a Recorrente. Tecidos estes comentários, resta evidente que a documentação trazida pela Recorrente deveria ter sido analisada. Além disso, verificase que, muito provavelmente por conta de ter entendido a autoridade recorrida que a DCTF retificadora e a DIPJ não são documentos hábeis para demonstrar o indébito e para demonstrar a sua boa fé, a Recorrente trouxe aos autos novas provas, quais sejam: (i) Livro Diário; (ii) Livro nº 02 Registro de Saída e (iii) Livro Registro de Apuração de ICMS. Provas estas indicadas pela DRJ Rio de Janeiro II como idôneas para comprovar o pagamento a maior. Neste contexto e sem entrar no mérito a respeito da possibilidade de considerar DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, mas com informações idênticas à DIPJ do período pleiteado, como documento suficiente para demonstrar o indébito, verifico que há nos autos outros elementos neste sentido. Por conta disso e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que verifique se está correto o valor indicado pela Recorrente como pagamento a maior (R$ 803,57), bem como se ele não está alocado a outro débito. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 179DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10880.690791/2009-98
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.326
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado – Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório Cuidase de declaração de compensação formalizada em 24/06/2009, com o propósito de extinguir débitos no valor de R$ 34.653,93, com créditos no valor de R$ 25.419,15 proveniente do recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 516.124,90, recolhido em 15/05/2006, código 5856. O despacho decisório anexo à fl. 05 não homologou a compensação pleiteada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação Fl. 354DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690791/200998 Resolução nº 3803000.325 S3TE03 Fl. 284 2 de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cumpre informar de que o contribuinte não retificou DCTF e nem DACON, sob o argumento de que tal procedimento não seria necessário para reconhecer o crédito. Em sua Manifestação de Inconformidade às fls. 09/29, o contribuinte se limita a apresentar planilhas para provar o seu direito creditório e afirma ter ocorrido erro material no preenchimento da DCTF. Sustenta que o crédito tem origem no pagamento indevido da COFINS em relação as operações de “vendas destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora”, bem como “vendas para empresas comerciais fabricantes”. Afirma que deixou de anexar as notas fiscais de venda de mercadorias em razão da enorme quantidade de documentos e por conta disso requer a realização de diligência na sede da empresa. Às fls. 290/299 a DRJ de São Paulo apreciou a Manifestação de Inconformidade e se manifestou por meio do Acórdão n.º 1632.907 13 ª Turma da DRJ/SP1, mas ratificou o entendimento antes exarado no despacho decisório, no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar a existência de seu crédito, bem como em razão da DCTF constituirse em confissão de dívida. Os julgadores de piso, ainda negaram o pedido de apresentação de provas após a Manifestação de Inconformidade, bem como o pedido de diligência, principalmente em razão de que o contribuinte não apresentou contratos comerciais, notas fiscais, ainda que fosse por amostragem, nem teria demonstrado se as empresas “RassiniNHK – Autopeças” e “Magneti Marelli Cofap Autopeças Ltda”, fabricam veículos e máquinas relacionados no art. 1º da Lei nº 10.485/02, ou as autopeças constantes dos Anexos I e II desta mesma Lei. Destacam ainda que a recorrente não juntou aos autos CNPJs destas empresas para que a fiscalização apurasse suas atividades. Em seu recurso voluntário, o contribuinte insiste na necessidade da realização de diligência na sede da empresa com a finalidade de se apurar a existência do crédito, que por sua vez tem origem na apuração errônea da COFINS no período de janeiro/2003 e dezembro/2007. Renova seus argumentos em relação a tributação indevida de suas receitas no que se refere as operações de venda destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora e vendas a empresas comerciais fabricantes. Neste contexto, sustenta que as empresas para as quais vendeu mercadorias têm por objeto a atividade de comercial fabricante, por isso deveriam ter sido aplicadas as alíquotas “comuns” do PIS e da COFINS de 1,65% e 7,6%, respectivamente, e não as alíquotas “diferenciadas” de 2,3% e 10,8%, conforme dispõe o artigo 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.485/02. Em relação as receitas resultantes de operações de “exportação indireta”, ou seja, vendas realizadas por empresa comercial exportadora, afirma que não incide PIS e COFINS, nos termos dos artigos 5º, III, da Lei nº 10.637/02 e 6º, III, da Lei nº 10.833/03. Faz questão de destacar ter preenchido equivocadamente o CFOP n.º 5101, enquanto que o correto era CFOP n.º 5501, no tocante as operações de exportação. Juntamente com o Recurso Voluntário, anexa aos autos (Doc. 03), 2 (duas) notas fiscais emitidas para as empresas RassiniNHK – Autopeças e Magneti Marelli Cofap Fl. 355DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690791/200998 Resolução nº 3803000.325 S3TE03 Fl. 285 3 Autopeças Ltda, com o propósito de demonstrar que possui relação comercial com tais empresas. Já em relação as saídas para à exportação, anexou memorandos de exportação (Doc. 04). Por fim, colaciona julgados deste colegiado com o fito de demonstrar que deve prevalecer o princípio da verdade material diante da forma. Requisita a conversão do julgamento em diligência e indica perita, inclusive já formulando quesitos. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani Tratase de recurso voluntário tempestivo e por isso merece ser conhecido, uma vez que atende aos requisitos de admissibilidade. Analisando o Acórdão exarado pela DRJ, observo que esta fundamentou adequadamente o indeferimento da compensação do PER/DCOMP em análise e aplicou com rigor as regras processuais existentes no Decreto n.º 70.235/72, bem como no artigo 74 da Lei n.º 9.430/96. É evidente que o PER/DCOMP apresentado tem por finalidade realizar o encontro de contas entre os débitos pertencentes ao sujeito passivo e os créditos fazendários, cabendo ao Fisco homologálo ou não. Também é verdade que a DCTF tem efeito de confissão de dívida, motivo pelo qual perfaz ônus do contribuinte constituir prova da inexistência do débito confessado por meio da apresentação de documentos idôneos. Assim, uma vez não trazidos aos autos, até a decisão de primeiro grau, as nota fiscais por amostragem e principalmente provas da exportação das mercadorias, agiu corretamente os julgadores quando negaram o pedido de diligência formulado pelo recorrente. Deste modo, o contribuinte concorreu com a decisão denegatória, na medida em que deixou de anexar aos autos provas robustas em seu favor e optou por juntar apenas planilhas por ele elaboradas, as quais em nada auxiliaram no convencimento da autoridade julgadora. Em outras palavras, o que pretendo dizer é que não há reparos a fazer na decisão da DRJ, pois no momento em que esta foi proferida não haviam provas capazes de socorrer o contribuinte, seja em relação a homologação da compensação, seja em relação a realização de diligência. Logo, sob o enfoque do princípio da ampla defesa, não houve qualquer prejuízo à ampla defesa. Entretanto, com a interposição do Recurso Voluntária a situação é outra. Pois, se antes o contribuinte não havia colacionado qualquer prova capaz de garantir robustez ao seu direito, agora quero crer que isso não acontece mais. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690791/200998 Resolução nº 3803000.325 S3TE03 Fl. 286 4 Contudo, antes de ingressar ao mérito das provas acostadas, primeiro é necessário compreender os fundamentos que sustentam o direito creditório alegado. Inicialmente, o contribuinte argumentou que não configura hipótese de incidência do PIS e COFINS as receitas provenientes de exportação indireta não incide, nos termos dos artigos 5º, III, da Lei nº 10.637/02 e 6º, III, da Lei nº 10.833/03. Lei n.º 10.637/2002: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I (...) II (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Já a Lei n.º 10.833/2003 apregoa regra semelhante: Lei n.º 10.833/2003: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I (...) II (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Com efeito, uma vez constatada receita advinda de vendas a empresa comercial exportadora e cuja operação tenha por objetivo colocar o produto no mercado consumidor de outro país, por certo que não há que se falar em nascimento da obrigação tributária das contribuições. Ora, aqui se está diante de uma questão objetiva que não admite juízo de valor. Assim, uma vez que o contribuinte agora trouxe em seu Recurso Voluntário, “Memorando de Exportação”, por meio do qual faz prova de que praticou operações indiretas de exportação para a Argentina no ano de 2005, por certo que, fortalece sobremaneira o seu direito a realização da diligência pleiteada, uma vez que demonstrou a verossimilhança do seu direito creditório. Todavia, evidentemente que será necessário reabrir a instrução processual a fim de que se apure se efetivamente se foram recolhidas as contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas a empresa comercial exportadora, pois não sendo constatado o recolhimento indevido, evidentemente que o PER/DCOMP apresentado não deve ser homologado. Cabe aqui o comentário de que estou convencido não se tratar da transferência de ônus tributário para o Fisco na verificação da inexistência do fato imponível das contribuições, e conseqüentemente do direito ao crédito, mas tão somente oportunizar que o contribuinte disponibilize a Fazenda Nacional outros Memorandos de Exportação para comprovar ter ocorrido vendas de mercadorias a empresa comercial exportadora com o fim de exportação. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690791/200998 Resolução nº 3803000.325 S3TE03 Fl. 287 5 Quanto a segunda parcela do direito creditório, o contribuinte afirma que se origina de vendas realizadas às empresas RassiniNHK – Autopeças e Magneti Marelli Cofap Autopeças Ltda. Ora, é verdade que somente com o Recurso Voluntário o contribuinte anexou aos autos prova de que tais empresas tem por finalidade a fabricação de peças e acessórios para veículos. Entretanto, ainda assim, manifesto entendimento de que está adequadamente comprovado que a recorrente vendeu mercadorias para ambas as empresas, pois anexou notas fiscais datadas de 2005, por intermédio das quais se confirma o nome daquelas empresas. Além do que, é importante mencionar que os CNPJs agora juntados também comprovam se tratarem de empresas que possuem como objeto a fabricação de peças. Neste contexto, a Lei n.º 10.485/2002 prevê que as contribuições terão alíquotas reduzidas, quando ocorrer operações de vendas para empresas fabricantes de peças, conforme definidos nos Anexos I e II desta lei, nos seguintes termos: Lei nº 10.485/02: Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1o desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, uma vez demonstrado que a recorrente vendeu mercadorias para empresas fabricantes de peças, por meio das notas fiscais anexadas, por certo que as alíquotas incidentes sobre as contribuições sofrem redução, conforme se verifica acima, ou seja, 1,65 % e 7,6 %, respectivamente para o PIS e COFINS. Por fim, rejeito o pedido de perícia em face da sua desnecessidade, principalmente em razão de que a lide repousa sobre a inércia do contribuinte em relação as provas de seu direito, deficiência esta que será solucionada por meio da diligência. Lembro ainda que caso o contribuinte tivesse apresentado livros contábeis, todas as notas fiscais de venda, bem como todos os memorandos de exportação, por certo que não seria o caso de converter o julgamento em diligência, mas talvez reconhecer o direito creditório, desde que as provas fossem claras como a luz solar. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690791/200998 Resolução nº 3803000.325 S3TE03 Fl. 288 6 Contudo, justamente em razão de que há apenas fortes indícios de que o contribuinte possui o direito que alega ter, opto por converter o julgamento em diligência com a finalidade de que a repartição de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado, bem como que seja intimado o contribuinte a se manifestar após a realização da diligência. É o voto. Sala das sessões, 20 de agosto de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 359DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732404/2018-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 23/09/2013
MULTA ISOLADA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA.
Tendo em vista que a multa isolada por compensação não homologada somente subsiste se o principal for mantido, deve ser cancelada a multa quando homologada a compensação.
Numero da decisão: 1301-005.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Taranto Malheiros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Taranto Malheiros, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Lucas Esteves Borges, substituído pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: Rafael Taranto Malheiros
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Taranto Malheiros, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Lucas Esteves Borges, substituído pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/09/2013 MULTA ISOLADA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. Tendo em vista que a multa isolada por compensação não homologada somente subsiste se o principal for mantido, deve ser cancelada a multa quando homologada a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Taranto Malheiros, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Lucas Esteves Borges, substituído pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 24 04 /2 01 8- 77 Fl. 319DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-005.986 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732404/2018-77 Trata o presente de análise de Recurso de Ofício interposto face a Acórdão de 1ª instância, que considerou a “Impugnação Procedente”, tendo por resultado “Crédito Tributário Exonerado”. 2. Foi lavrado notificação de lançamento de multa por compensação não homologada (e-fls. 2/3), tratada no processo administrativo nº 16682.902970/2017-14. A multa foi lavrada com base no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. A multa foi exigida mediante a aplicação do percentual de 50% sobre a base de cálculo (valor não homologado), resultando no crédito tributário no valor de R$ 10.017.780,17. O Contribuinte foi cientificado em 04/12/2018 (e-fls. 6). 3. Irresignado, em 24/01/2019 (e-fls. 9), o Contribuinte apresentou Impugnação (e- fls. 15/20), alegando, em síntese: (i) tempestividade da impugnação, esclarecendo tê-la apresentado dentro do prazo, porém equivocadamente registrada nos autos do processo de crédito; e (ii) que já houve decisão final no sentido da admissibilidade do crédito por meio de Acórdão de DRJ e reclama a repercussão daquela decisão no presente processo para exonerar totalmente a multa aplicada. 4. Sobreveio deliberação da Autoridade Julgadora de 1ª instância, consubstanciada no Acórdão nº 14-105.279 - 10ª TURMA DA DRJ/RPO, proferido em sessão de 28/02/2020 (e- fls. 305/307), de que se deu ciência ao Contribuinte em 15/09/2020 (e-fls. 312), cuja ementa e razões de decidir são as seguintes: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/09/2013 MULTA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. NOTIFICAÇÃO ELETRÔNICA. VEDAÇÃO DE EMENTA. Ementa vedada, nos termos da Portaria RFB nº 2724, de 2017. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado (...) Preliminarmente, necessário apreciar a arguição de tempestividade, considerando que a impugnação registrada nos autos apresentada data de juntada de 24/01/2019, logo formalmente fora do prazo de 30 dias a partir da data da ciência do lançamento, em 04/12/2018. Compulsando os autos de ambos os processos (do presente processo de lançamento da multa e do processo de análise do crédito, do qual resultou referida multa), resta evidente que a apresentação da impugnação nos autos daquele processo se deve a erro escusável e não resta dúvidas de que a vontade do contribuinte era impugnar o lançamento da multa cujo feito está formalizado no presente processo. [...] Fl. 320DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-005.986 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732404/2018-77 (...) Vinculação ao processo de crédito Cabe ressaltar que, em relação à vinculação do presente processo ao processo nº 16682.902970/2017-14, tendo em vista que o processo de crédito que originou a presente multa teve decisão definitiva na esfera administrativa totalmente favorável ao contribuinte, o crédito lançado no presente processo se encontra sujeito a repercussões daquela decisão definitiva e deve ser exonerado” (grifou-se). Voto Conselheiro Rafael Taranto Malheiros, Relator. 5. O Recurso de Ofício atendes às formalidades previstas no art. 70 do Dec. nº 7.574, de 2011, pelo que dele conheço. MÉRITO: CARÁTER ACESSÓRIO DA MULTA ISOLADA 6. O processo principal, de nº 16682.902970/2017-14, teve acórdão prolatado pela 1ª instância, que decidiu, por “[...] unanimidade, JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, reconhecer o direito creditório a favor do contribuinte, no valor de R$ 19.708.414,99 [que foi todo o quanto solicitado], e autorizar o processamento das compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido”. Como, neste caso, a multa aplicada é acessória ao principal, conforme § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não há qualquer razão para que subsista esse débito para com a Fazenda. CONCLUSÃO 7. Por todo o exposto, conheço o Recurso de Ofício e, no mérito, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros Fl. 321DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-005.986 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732404/2018-77 Fl. 322DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13931.000936/2008-37
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.211
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS – mercado externo e que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno, referente ao 2º trimestre de 2004, no valor total de R$ 533.305,81. Com fulcro no crédito informado no Pedido de Ressarcimento, a contribuinte transmitiu Declaração de Compensação. A DRF em Ponta Grossa não homologou a compensação pois, da análise da documentação apresentada pela contribuinte, constatouse a inexistência de créditos vinculados ao mercado externo. Segundo o despacho decisório recorrido, os créditos do período em Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 questão foram apropriados somente na rubrica “Outros Valores com Direito a Crédito”, em virtude das aquisições de grãos (milho, soja e trigo) de pessoas físicas e com a aplicação da alíquota da contribuição sobre o valor das exportações realizadas. A autoridade fiscalizadora entendeu que a Interessada não era uma empresa agroindustrial, e portanto, não poderia fazer jus ao aproveitamento do crédito pleiteado. A atividade desenvolvida pela empresa é a de comercialização de adubos, defensivos agrícolas e sementes, na matriz, e de cerealista na filial. Entendeuse, ainda, que faltava o cumprimento de outro requisito legal: “que os produtos sejam destinados à alimentação humana ou animal”. Como o crédito indicado é relativo à exportação e todos os produtos foram comercializados para empresas comerciais exportadoras, não ocorreu a destinação dos produtos à alimentação humana ou animal. A autoridade fiscal consignou que a contribuinte não faz jus ao crédito das cerealistas, tendo em vista que a partir de 01/08/2004 o crédito presumido das cerealistas está vedado pelo § 4º, do art. 8º da Lei 10.925/2004. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo o seguinte: "por tratarse de pedido eletrônico de ressarcimento de crédito, o contribuinte RATIFICA as suas razões em conteúdo na defesa dos autos processuais de n. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000". Assim, pretende que lhe seja assegurado o direito às retificações sem a incidência de penalidade, além de requerer a desclassificação do despacho decisório em virtude de manifesta nulidade das diligências em face do vício insanável do MPFF. A DRF em Curitiba reconheceu a conexão entre as demandas e apreciou todas as razões constantes nas impugnações dos processos ns. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 que, ao seu ver, guardassem relação com os motivos para o indeferimento do pedido de ressarcimento pela autoridade fiscal. A título de esclarecimento, os processos mencionados alhures dizem respeito aos Autos de Infração lavrados para a exigência de PIS e COFINS, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Verificouse, ainda, que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição, o que motivou o lançamento. Desta feita, foi analisado pelos julgadores de piso, a contestação das glosas do crédito, a nulidade alegada e o direito à retificação sem a incidência de penalidades, consubstanciada nos seguintes tópicos: “decadência”, “hermenêutica”, “créditos sobre bens para revendas”, “créditos utilizados como insumos”, “serviços utilizados como insumos”, “bens do ativo imobilizado”, “débitos apurados” , “grãos”, “das sementes” e “posição 2710 da NCM”. Por unanimidade de votos, acordaram os membros daquela DRJ, em considerar não formulado o pedido de diligência, não acatar as argüições de nulidade do procedimento fiscal e não acolher as razões de inconformidade, negando a solicitação de Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13931.000936/200837 Acórdão n.º 3803000.211 S3TE03 Fl. 2 3 reforma do Despacho Decisório recorrido, de modo a manter a não homologação da compensação pleiteada. A ementa do julgado transcrevemos a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPRAS DE BENS DE PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. No sistema da não cumulatividade da Cofins, não gera direito a crédito básico as compras efetuadas de pessoas físicas. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. No período de vigência do §11 do. Art .3° da Lei n.° 10.833,de2003, as empresas cerealistas somente podiam apurar crédito presumido da Cofins e do PIS em relação aos produtos in natura de origem vegetal indicados nesse dispositivo, adquirido diretamente de pessoas físicas, quando eles fossem revendidos a agroindústrias que os utilizassem como insumos na produção dos produtos especificados na lei, e , como decorrência, os produtos adquiridos de pessoas físicas exportados por cerealista não dão direito a crédito presumido das citadas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. AGROINDÚSTRIA. Somente a pessoa jurídica que produza mercadorias de origem animal ou vegetal., classificadas na legislação de regência, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculados sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas residentes no País. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NULIDADE.PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares e razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. COMPENSAÇÃO.HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Somente o corre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de transmissão da Dcomp. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetente s para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DILIGÊNCIA.PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência que não indica os quesitos referentes aos exames desejados. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Declarouse impedido o servidor José Ricardo Zilli, Auditor Fiscal responsável pelo despacho decisório em questão. Cientificada, apresentou recurso voluntário por meio do qual defende, em sede de preliminar, a nulidade do despacho decisório que culminou com o indeferimento do crédito, a nulidade da decisão de primeira instância por não ter autorizado o pedido de diligência fiscal bem como, quanto a impossibilidade de retificação pela autoridade fiscal de créditos e débitos anteriores a junho de 2005, tomando por vista que a glosa dos créditos e lançamento de débitos ocorreu em julho de 2010 (prescrição/decadência). No mérito, argumenta sobre a equiparação à empresa agroindustrial tendo em vista que a interessada realiza atividade de acondicionamento de grãos previamente selecionados e padronizados, após rigorosa limpeza e secagem. Defende, ainda, que o fato de a Recorrente adotar critério de apropriação do crédito presumido de PIS/COFINS baseado no valor das exportações realizadas, não retira o direito da correta apropriação dos créditos relativos às aquisições de grãos, tarefa que incumbi a à autoridade fiscal. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13931.000936/200837 Acórdão n.º 3803000.211 S3TE03 Fl. 3 5 Caso sejam superadas as alegações de prescrição/decadência, requer o direito ao crédito presumido das contribuições pela venda de grãos no período entre fevereiro e julho de 2004, argumentando seu reconhecimento pela delegacia de origem e pela DRJ. Por fim, argumenta a Recorrente que, considerando a inexistência de sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, devem ser considerados e atribuídos às receitas decorrentes das exportações, os créditos decorrentes dos outros custos ou insumos atribuídos a estas receitas pelo sistema de rateio proporcional, conforme a legislação de regência do PIS/COFINS. Reitera a observâncias dos argumentos expendidos nas impugnações constantes nos processos n. 12571.000200/201057e12571.000201/201000 e requer o acolhimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto O presente recuso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme relatado acima, trata o feito de pedido de ressarcimento e declaração de compensação de créditos da COFINS – mercado externo que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno. A Delegacia de origem manifestouse pelo indeferimento total do crédito e a DRJ manteve o decisum. Contudo, a ora Recorrente em sua manifestação de inconformidade faz referência a defesa de outros 2 processos, os quais versam sobre a lavratura de autos de infração para a exigência de PIS e COFINS lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Ademais disso, foi verificado que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte. Da leitura do relatório do acórdão hostilizado que explicita o teor das impugnações a qual a contribuinte faz referência, observase que a ora Recorrente alegou uma série de ilegalidade e irregularidades com vistas a defender a nulidade do procedimento fiscal adotado o qual ensejou o lançamento, e portanto, a nulidade do próprio auto de infração. Observase, também, que o contribuinte se defendeu da glosa efetuada sobre a entrada de mercadorias adquiridas de pessoas físicas e dos bens e serviços utilizados como insumos, por ter o Fisco separado as atividades da matriz e da filial, sustentando que somente a cerealista poderia se creditar dos insumos. Defendeuse a ora Recorrente das glosas concernentes aos encargos com a depreciação dos bens do ativo imobilizado, crédito presumido das cerealistas, bem como a tributação dos produtos classificados na posição 2710 da NCM. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Naqueles processos, pugnou a Autuada pela reforma do indeferimento dos pedidos de ressarcimento e não homologação da declaração de compensação; de forma subsidiária requereu a desclassificação da autuação para infração formal de obrigação acessória, assegurado o direito à denúncia espontânea, bem como, a improcedência do auto de infração. Consoante preceitua o art. 103 do Código de Processo Civil, reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Neste caso, o julgador originário se torna prevento em relação a todos os processos relacionados com a matéria. Sabendose que de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal aplicamse as normas processuais civis, diligenciou este relator junto ao sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e verificou que os processos outrora mencionados foram julgados em 23 de maio de 2012, pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção, cuja relatoria se atribuiu ao conselheiro Antônio Lisboa. Sabendose que as causas são conexas, e que aquele colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, cujo acórdão recebeu o nº 3301001.472 e que a decisão pode assistir aos interesses da ora Recorrente, voto no sentido de que o presente feito seja baixado em diligência a fim de que se informe o inteiro teor da decisão supracitada bem como possa verificar em que extensão os autos de infração e o decisum influenciam nos Per/Dcomps que ora se aprecia. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 15868.720093/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA.
Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
null
CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA.
Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
Numero da decisão: 3301-011.223
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.217, de 25 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 15868.720082/2012-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP null CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
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INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 93 /2 01 1- 21 Fl. 979DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.217, de 25 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 15868.720082/2012-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 980DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Por bem relatar os fatos, adota-se o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração de PIS e de COFINS não cumulativos. Segundo o relatório na análise dos créditos de PIS e COFINS informados pelo sujeito passivo em seus Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais - DACON que foram objeto de pedidos de ressarcimento foi apurado o que se segue: a) Bens e serviços utilizados como insumos A fiscalizada produz açúcar bruto e álcool. São considerados insumos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo de fabricação dos bens destinados à venda. Foram glosados bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo, por não serem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação dos bens destinados à venda, tais como: - partes, peças e/ou serviços para manutenção de caminhões, tratores, máquinas/equipamentos agrícolas, ônibus, veículos, reboques, aquisição/reforma de pneus; - gastos com imobilizações, tais como serviços de construção civil, serviços de montagens industriais, elaboração de projetos industriais/engenharia, com materiais destinados à construção civil e/ou manutenção de edifícios (areia, cimento, tinta, etc.); - despesas com serviços agrícolas diversos: com terraplanagem, análise de solo, colheita mecanizada de cana, com fornecedores cuja atividade principal, conforme CNPJ, é a prestação de serviços agrícolas de preparação de terreno, cultivo e colheita, cujas notas fiscais examinadas tem como descrição genérica serviços prestados, e outros; - transporte de pessoas; Fl. 981DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 - despesas diversas, referentes a serviços de conservação de estradas, a roupas de uso profissional, serviços de despachantes/documentos de exportação, serviços de assessoria, fornecedores cuja atividade principal é a locação de outros meios de transporte (a Nota Fiscal tem a descrição genérica de serviços prestados) a manutenção rede radio, a locação de equipamentos diversos e outras; - despesas com óleo diesel utilizado em atividades agrícolas de cultivo e colheita de cana-de-açúcar; Tais gastos não atendem ao critério para caracterização como insumos, pois eles não se dão no âmbito do processo produtivo do açúcar e do álcool, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção do produto final. Além disso, o sujeito passivo considerou como insumos, alguns produtos químicos sujeitos a alíquota zero, classificados no capitulo 31 da NCM e na posição 38.08 da NCM o que não gera direito a crédito. b) Método de apropriação de crédito Não foi aceito o método de determinação eleito pelo contribuinte: “Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados”, pelas razões a seguir expostas. O contribuinte produz açúcar e álcool que estão sujeitos à incidência não cumulativa. Informou que o rateio dos custos aplicados aos produtos fabricados foi de 95% açúcar e 5% etanol. Analisando os arquivos digitais apresentados, os valores informados no DACON não correspondem a valores apurados com base no método da apropriação direta ou rateio, pois o sujeito passivo considerou todos os custos como sendo vinculados à receita da exportação, apesar de realizar vendas no mercado interno. Aplicou-se o método de rateio proporcional da receita bruta aos insumos, à energia elétrica. c) Base de Cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado à interessada utilizou o critério dos créditos acelerados para a apuração das bases de cálculo dos créditos referentes ao ativo imobilizado. A legislação prevê o direito de desconto de créditos referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados no processo de fabricação dos bens destinados à venda calculados com base na depreciação mensal. Em relação a máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos bens destinados à venda é permitido o cálculo com base em 1/48 do valor de aquisição. A lei 11.051/2004 permitiu o cálculo com base em 1/24 do custo de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, empregados em processo industrial do adquirente. Foram apuradas as seguintes irregularidades: - foi apurado crédito de bens diferentes de maquinas e equipamentos (tais como veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc.); - apurou-se crédito de bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádios, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira etc. Fl. 982DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 Foi aplicado o percentual de rateio nos valores da base de cálculo dos bens do ativo imobilizado. d) Créditos presumidos - Atividades agroindustriais Foi apurado crédito presumido decorrentes da aquisição de cana-de-açúcar. O contribuinte apurou crédito sobre frete pago às pessoas físicas que não gera crédito. O art. 11 da Lei 11.727/2008 está suspensa a incidência das contribuições na venda de cana-de-açúcar para pessoas jurídicas produtoras de álcool. Portanto, o sujeito passivo não tem direito ao cálculo dos créditos sobre aquisição de cana destinada à produção do álcool. Considerando que a cana é insumo comum, aplicou-se o rateio. A interessada foi cientificada e apresentou a impugnação alegando em síntese: Inicialmente faz exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Continua, dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornam-se cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo, pois glosou grande parte dos créditos levantados pelo contribuinte, de modo a deixar a descoberto uma enorme quantidade de receitas da pessoa jurídica a ser tributada a uma alíquota de 9,25%, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente. Cita decisão do CARF no sentido de reconhecer como insumo todo e qualquer custo ou despesa necessária a atividade da empresa. Alega que a sua atividade se estende desde a lavoura até a comercialização de seus produtos e subprodutos no mercado interno e externo. Que no processo produtivo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que deve ser aplicada a legislação do IRPJ para fins de reconhecer os insumos que autorizam a apropriação dos créditos de PIS/COFINS, considerando todos os custos e despesas vinculadas ao processo produtivo da defendente. Material Intermediário - Serviço de Manutenção Industrial Alega que no decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como: serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são Fl. 983DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que , sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a defendente. Do direito ao crédito do frete Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Requer o afastamento das glosas no tocante às notas de transporte e que originaram o crédito, em especial as de remessas de mercadorias cujo ônus foi suportado pela Defendente. Do método de apuração dos créditos A fiscalização ao arrepio da lei desconsiderou o método de apropriação dos créditos elaborados pelo contribuinte e optou pelo meio mais oneroso para quem paga o imposto e que lhe era mais benéfico, sob o argumento de que todos os custos da cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar. Quanto à alegação de que todos os custos referentes à cana foram destinados ao açúcar e que os únicos custos que foram apropriados para a produção do álcool foram os referentes à fábrica de álcool e depósito de álcool, a interessada informa que o sistema de custo integrado serve exatamente para separar os custos destinados à fabricação do açúcar e do álcool, etc. de modo que os insumos destinados a cada processo sejam efetivamente direcionados aos seus respectivos centros através das requisições contábeis. Todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial, são exatamente custos da fabricação de açúcar, vez que cem por cento do caldo resultante desse processo é destinado à fabrica de açúcar para produção do VHP que é exportado e submetido à incidência não cumulativa do imposto. Para a fábrica do álcool somente é encaminhado o mel final que resulta do processo de fabricação de açúcar o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial. A fiscalização argumenta que toda a cana foi apropriada no processo de fabricação do açúcar, independente se dela foi elaborado álcool, entretanto, não houve fabricação de álcool direto da cana, já que as condições de mercado levaram as destilarias a tornarem-se usinas e, nesse processo, enfatizarem a produção de açúcar por ser economicamente mais rentável. O segundo argumento fiscal é no sentido de que os razões não permitem identificar quais são os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, pois só informam o número da requisição do material, ora, e qual a ilegalidade ou irregularidade existente em tal procedimento. A fiscalização alega que há razões apresentados e informados, cujos produtos, notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, nem nas planilhas com a descrição dos insumos informados. Os livros auxiliares não são livros Fl. 984DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 obrigatórios e não possuem regramento específico para seu preenchimento de modo que a defendente adota os procedimentos que melhor atendam seu gerenciamento. Inexistem custos comuns que são apropriados somente à receita não cumulativa, conforme trabalho em anexo que demonstra o processo de fabricação do açúcar e o de fabricação do álcool, sendo ambos independentes e partindo de pontos totalmente distintos. O início do processo de fabricação de álcool é o mel pobre resultante como resíduo industrial do processo de fabricação do açúcar o qual possui seu custo que é efetivamente considerado. Da energia elétrica Reitera os argumentos do item anterior. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados à venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto à limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maio e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito pré-constituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial pela designação de perícia técnica para definição do processo produtivo da interessada, sendo que ao final, deve ser feita a aplicação do direito à realidade fática, cancelando as glosas realizadas e respeitando-se o procedimento de apuração do crédito adotado pela defendente, uma vez que previsto na lei, com as justificativas apresentadas no decorrer da presente, por ser medida de direito e da mais lídima Justiça. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERICIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a interessada fazê-lo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, Fl. 985DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refira- se a fato ou direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do COFINS não-cumulativo, entende-se como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas as máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, isto é, diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não-cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do COFINS não-cumulativo, entende-se como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de Fl. 986DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas as máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, isto é, diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA E EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência não-cumulativa e receitas comuns, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade, para pleitear o reconhecimento dos créditos. Ademais, defende o método direto de apropriação dos créditos, que fora desqualificado pela fiscalização para o método do rateio proporcional. Por meio da Resolução, esta Turma converteu o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: (i) intimasse a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3- intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. A empresa apresentou Laudo técnico e planilhas elaboradas pela PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes Ltda. Fl. 987DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 Realizada a diligência, a autoridade fiscal concluiu que no período das glosas a Recorrente não produziu a cana de açúcar. Em manifestação à diligência, o contribuinte critica o trabalho fiscal, ratificando o seu direito à reversão das glosas, conforme informações do Laudo técnico. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltou-se à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte no DACON, que foram objeto de pedidos de ressarcimento/compensação. Foram efetuadas glosas relativas a insumos; depreciação de ativos; rateio direto utilizado pela empresa, fretes e etc. Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa das contribuições. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade. Declara como atividade o processo verticalizado da produção do açúcar e álcool, desde o plantio da cana-de-açúcar até a industrialização desses dois principais produtos. O conceito de insumo que norteou a autuação é o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade: Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas da Receita Federal, as matérias-primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Ressalte-se que a DRJ seguiu a mesma linha da auditoria dos créditos. Esta 1ª Turma de Julgamento já adotava a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento, no regime da não-cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Fl. 988DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170-PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. As glosas são analisadas a seguir. Produção de cana-de-açúcar Sustenta a Recorrente que a cana-de-açúcar é utilizada como matéria-prima pelas plantas industriais e é oriunda de (i) produção própria e (ii) aquisições de produtores rurais pessoas físicas e pessoas jurídicas. Esclarece que as aquisições de terceiros se deram mediante contratos de fornecimento de cana-de-açúcar com CCT, pelos quais a Fl. 989DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 Clealco assume o corte, carregamento e transporte do produto até suas plantas industriais. Por isso, na diligência determinada, buscou-se identificar a existência de créditos relacionados ao cultivo da cana-de-açúcar, solicitando que o contribuinte esclarecesse se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. Sobre isso, o relatório fiscal afirmou: 35. A informação foi apresentada pelo próprio interessado, e está devidamente juntada aos correspondentes processos. Constata-se que apenas em 2009 (a partir do 2ª trimestre) e 2010 o interessado produziu parcela significativa de cana-de- açúcar. Nos anos de 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 1º/trimestre/2009 a parcela de cana própria é INSIGNIFICANTE ou ZERO. A partir do 2º/trimestre/2009 a proporção da cana própria aumentou, mas não foram expedidos os documentos adequados e nem realizados os rateios, conforme dispõe a legislação (LEI, não IN). 36. Saliente-se que, mesmo para o período em que o interessado produziu sua matéria prima, ele deveria realizar os devidos rateios. (...) 37. O interessado produziu no período sob análise, 2º trimestre de 2009, 39,7% do total da cana-de-açúcar utilizada no processo de industrialização. (...) E concluiu: (...) Especificamente no 2º trimestre de 2009 o interessado ADQUIRIU de PF 1.486.207,00 toneladas (53,2%), ADQUIRIU de PJ 226.530,00 toneladas (7,1%), e PRODUZIU 816.681,00 toneladas (39,7%). Entretanto, não foram realizados os competentes registros e rateios 64. Finalizando, o interessado incorreu em erro ao não realizar o rateio proporcional que segrega os créditos vinculados ao ME/MINT/MIT (não realizou nos DACON nem nos PERDCOMP), conforme esclarecimentos prestados no TÓPICO IX – DO RATEIO PROPORCIONAL – ME/MINT/MIT, vindo a fazê-lo apenas agora, conforme esclarecimentos prestados no TÓPICO V – DAS PLANILHAS APRESENTADAS PELO INTERESSADO. Entretanto, o interessado também deveria realizar o rateio mencionado no TÓPICO X – DA NECESSIDADE DE DOIS TIPOS DE RATEIOS, rateio este que não foi realizado. PORTANTO, CONSIDERANDO QUE OS CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA PÚBLICA TÊM DE SER LÍQUIDOS E CERTOS E AMPARADOS EM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, E EM PROCEDIMENTOS FISCAIS E CONTÁBEIS ADEQUADOS AO PROCESSO INDUSTRIAL CONCLUI-SE QUE, QUANTO AOS MENCIONADOS CRÉDITOS, NÃO DEVE SER DEFERIDO AO INTERESSADO NADA MAIS DE QUE JÁ O FOI, POIS: - Sobre 60,3% do insumo cana-de-açúcar do período (gastos correlacionados), não se aplica o NOVO CONCEITO DE INSUMO, mas sim, os conceitos já definidos pela legislação, quanto aos documentos e escrituração fiscal e contábil. Dessa forma, entendemos que não há direito ao correspondente crédito, conforme disposto na legislação, e, legislação esta que não sofreu alteração pelo NOVO CONCEITO DE INSUMO definido pelo STJ; Fl. 990DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 - Sobre 39,7% do insumo cana-de-açúcar do período (gastos correlacionados), que em teoria haveria a aplicação do NOVO CONCEITO DE INSUMO, não houve a elaboração da correta documentação competente, e nem a realização do adequado rateio, portanto entendemos que a documentação e a escrituração fiscal e contábil não cumprem os requisitos para conferir direito a esta parcela de crédito. Entretanto, no tocante ao CCT - COLHEITA, TRANSBORDO E TRANSPORTE (dispêndios relacionados a cana adquirida de terceiros), a autoridade afirmou que: VIII – DOS INSUMOS RELACIONADOS À CANA DE AÇÚCAR – COLHEITA, TRANSBORDO E TRANSPORTE (CTT) 37. O interessado produziu no período sob análise, 2º trimestre de 2009, 39,7% do total da cana-de-açúcar utilizada no processo de industrialização. Constata-se que ele operou muito mais como uma indústria de que como uma agroindústria. 38. Nas operações de aquisição da cana-de-açúcar, via de regra, o interessado é responsável pela CTT, colheita, transbordo e transporte. Por pertinente, sobre este ponto faremos alguns esclarecimentos a seguir. 39. Quanto à aquisição de matéria prima, já há ampla definição a respeito da correta técnica fiscal e contábil, em especial definida nos procedimentos aplicados na contabilidade de custos, controles de estoques e incoterms (CIF, FOB etc). A definição de ser o gasto conceituado como custo incorrido no processo de produção, ou como despesa, sempre levou em consideração o fato de que o gasto deve ser identificado com a mercadoria adquirida. (...) 44. De fato é um aspecto importantíssimo da NÃO CUMULATIVIDADE, pois já é consagrado pela sistemática que o crédito é permitido quando o bem é para revenda ou utilizado como insumo, e que em operações finalísticas, do tipo, venda a consumidor final e compra de material para uso e consumo não há direito ao crédito, pois não haverá a incidência em cascata. 45. Segue, apenas para visualização, parte de uma NF. Nota-se o campo "VALOR DO FRETE" e "OUTRAS DESPESAS": 46. O CTT, se realizado pelo próprio vendedor da cana-de-açúcar, e destacado nos campos "VALOR DO FRETE" e "OUTRAS DESPESAS" estaria devidamente identificado ao insumo adquirido. NÃO FOI REALIZADO. Fl. 991DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 47. O CTT, se realizado por terceiro prestador de serviço, e acobertado pelo competente conhecimento de transporte devidamente preenchido, com a vinculação à NF do insumo adquirido, e com os registros na contabilidade de custos e controles de estoques, estaria devidamente identificado ao insumo adquirido. NÃO FOI REALIZADO. 48. O CTT, se realizado pelo interessado, e acobertado pelo competente manifesto de carga devidamente preenchido, com a vinculação à NF do insumo adquirido, e com os competentes registros e vinculações feitos na contabilidade de custos e controles de estoques, estaria devidamente identificado ao insumo adquirido. NÃO FOI REALIZADO. Dessa forma, adotando-se as razões expostas acima, não cabe o creditamento do denominado CCT, pois os dispêndios CCT não foram identificados na escrituração. Segundo a autoridade diligenciante, não cabe o crédito dos custos apontados como relacionados à aquisição de insumo cana de açúcar (corte, carregamento e transporte do produto até suas plantas industriais), pois como visto acima no relatório fiscal, não há liquidez e certeza desses valores, já que não tem suporte em documentação (art. 373, do CPC/15). Já o Laudo e a Planilha da PWC permitem a identificação entre os dispêndios relacionados a fase agrícola, fase industrial, administrativa e outros. O fluxograma da cana-de-açúcar é o seguinte: Dessa forma, entendo ser possível analisar a essencialidade e relevância dos dispêndios empregados em etapa agrícola, desde o preparo do solo até a colheita, em relação aos 39,7% da cana utilizada no trimestre que decorreu de plantação própria. Dentre tais bens e/ou serviços que se enquadram no conceito de insumo: manutenção de maquinário agrícola; despesas com plantio e colheita de cana de açúcar; peças para trator; peças para caminhões; peças para máquinas agrícolas; terraplanagem; análise de solo; colheita mecanizada de cana; preparação de terreno; serviços de conservação de estradas; EPI; manutenção da rede de rádio; serviço hidráulico; implementos agrícolas; serviços agrícolas. Então, devem ser mantidas as glosas relacionadas a parte administrativa, refeitório, produção agrícola de terceiros e demais setores. Assim, dou parcial provimento ao recurso voluntário neste tópico. Bens utilizados como insumos na fase industrial Informou a fiscalização que, em analise às informações constantes nos relatórios e arquivos digitais com a descrição de bens e serviços que serviram de base para cálculo Fl. 992DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 de créditos das contribuições, em consulta ao CNPJ dos fornecedores e no exame por amostragem das notas fiscais, constatou que há bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo previsto na legislação, pois não teriam sido utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar e álcool. Considerando o conceito de insumo fixado pelo STJ, há despesas que permitem creditamento no processo produtivo industrial, são as que se referem ao parque industrial; à segurança e eficiência do processo industrial; manutenção de máquinas e equipamentos ligados às fases da produção industrial e os materiais EPI. No Laudo, verifica-se que as operações envolvidas na produção industrial são (cf. item 10 e 11 do Laudo): Em cotejo do Laudo com a Planilha de “NF glosadas Insumos” elaborada pela PWC, devem ser revertidas as glosas estritamente relacionados à indústria - serviço industrial; acessórios industriais; bomba injetora/bicos; conjunto de ferramentais; serviços de mecânica industrial; adesivos e abrasivos; automação/instrumentação; carregadeira/balança, construção civil; correias, elétrico/eletrônico; mecânica industrial; óleos e lubrificantes, metais, ferramentas p/ manut. industrial; bens necessários para a Fl. 993DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 execução de manutenções - perfeitamente identificáveis na planilha como utilizados na planta industrial. Então, devem ser mantidas as glosas relacionadas a parte administrativa, refeitório, automóveis, produção industrial de terceiros e demais setores. Assim, dou parcial provimento ao recurso voluntário neste tópico. Frete O frete para a entrega de insumos compõe a base de cálculo dos créditos a serem descontados, quando correrem por conta do adquirente e desde que pagos a pessoa jurídica, por integrarem os custos, conforme disposto no art. 3°, § 3° da Lei 10.833/03. Com base nas informações constantes das planilhas e relatórios com a descrição dos gastos, apresentadas pelo contribuinte em meio magnético, a fiscalização glosou os fretes relacionados ao transporte de pessoal, à remessa de mercadorias, a frete pagos a pessoas físicas e outros que não se referem à aquisição de insumos, nem integram custos. Entendo que não são insumos os fretes relacionados ao transporte de pessoal para o setor industrial e administrativo. O art. 3°, § 3° da Lei n° 10.833/03 afasta o direito ao crédito dos fretes de pessoa física. Por falta de comprovação, deve ser mantida a glosa dos fretes cujas notas fiscais não foram apresentadas (art. 373, do CPC/15). Por sua vez, o serviço de transporte de açúcar para remessa de armazenagem de produto para posterior exportação e os fretes de produtos acabados e inacabados entre estabelecimentos da empresa podem ser objeto de creditamento com suporte no inciso IX do art. 3° e art. 15, II e, no caso de produtos inacabados, com suporte no inciso II da Lei n° 10.833/2003. Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado Relatou a fiscalização que o contribuinte apresentou, em meio magnético, planilha contendo a discriminação, mês a mês, dos bens de seu Ativo Imobilizado, respectivos valores e datas de aquisição, que serviram para apuração mensal das bases de cálculo dos créditos. Então, a autoridade fiscal constatou que o contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: - valores referentes a bens diferentes de máquinas e equipamentos (veículos, motos, micro-ônibus, caminhões, etc.), contrariando o art. 31 da Lei n° 10.865/04 e o art. 3°, §14, da Lei n° 10.833/03; - bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, pulverizadores, reboques etc., contrariando o disposto no art. 3°; VI, e §1°, III, da Lei n° 10.837/2002, e art. 15, da Lei n°10.833/2003, e art. 2° da Lei 11.051/2004; O Laudo técnico, no Quadro 13-4, identifica os principais bens do ativo imobilizado da empresa e suas respectivas utilizações e quantidades no processo produtivo. Da leitura em conjunto com as Planilhas “Glosados Imobilizados”, é passível a tomada de crédito dos dispêndios relacionados nas planilhas estritamente como “produção industrial”, tais como FILTRO ROTATIVO VACUO, 10" X 20"; BOMBA DE ALTA Fl. 994DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 PRESSAO LEMASA L-1; PONTE ROLANTE ZANINI 20 TON.; MOTOR WEG TRIFASICO 50 CV; BIG BAG; BOMBA PARA AFERIR MANOMETRO etc. No tocante à fase agrícola, são passíveis de creditamento, os implementos agrícolas que sevem para a preparação do solo; prevenção de pragas na lavoura e conservação de estradas. Deve ser mantida a glosa dos dispêndios relacionados ao local para refeição dos colaboradores, manutenção de pátio, jardim, bebedouro e CCT. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional: PIS – COFINS – ATIVO IMOBILIZADO – CREDITAMENTO –LIMITAÇÃO – LEI Nº 10.865/2004. Surge inconstitucional, por ofensa aos princípios da não cumulatividade e da isonomia, o artigo 31, cabeça, da Lei nº 10.865/2004, no que vedou o creditamento do PIS e da COFINS, relativamente ao ativo imobilizado adquirido até 30 de abril de 2004. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. LIMITAÇÃO TEMPORAL. ART. 31 DA LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A limitação temporal do aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de bens para o ativo imobilizado realizadas até 30 de abril de 2004, no regime não-cumulativo do PIS e COFINS, ofende os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária, da segurança jurídica e da não-surpresa. Declarada a inconstitucionalidade o art. 31 da Lei nº 10.865/05 pela Corte Especial deste Tribunal. Deve ser afastada a trava do limite temporal. E, aproveitamento de parte dos créditos mediante a apuração pelo método de rateio proporcional, pois referentes a encargos de bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes de não-cumulatividade e exportação. Inexistência de rateio Dispõem os §§ 7º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 995DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 § 9º O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o ano calendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. Correto, o procedimento fiscal de desqualificação do método de apropriação direta utilizado pela empresa, pela inadequação do sistema adotado à vista do processo fabril da empresa, que tem uma única matéria-prima (cana), que passa por procedimentos também únicos, para gerar, ao final, dois produtos. Cabe também o rateio em relação ao mercado interno, mercado interno não tributo e mercado externo, nos exatos termos da informação fiscal: IX – DO RATEIO PROPORCIONAL – ME/MINT/MIT 50. Já foi mencionado que, até 30/09/2008 o interessado deveria fazer e não fez o rateio proporcional com base na receita, conforme determina o inciso II do § 8º do artigo 3º da Lei 10.833/2003 (mesmo dispositivo da Lei 10.637/2002), pois produzia produto tributado pela cumulatividade (álcool) e produto tributado pela não cumulatividade (açúcar). 51. A partir de 01/10/2008 o álcool passou a ser tributado pela não cumulatividade (conforme MP 413/08, Lei 11.727/08 e Decreto 6.573/08), entretanto persiste a necessidade do rateio proporcional com base na receita, não mais para cumprimento dos §§ 7º e 8º do artigo 3º da Lei 10.833/2003 (mesmo dispositivo da Lei 10.637/2002), mas sim para a distinção dos créditos vinculados ao ME (passíveis de ressarcimento e/ou compensação, conforme §§ 1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, e, §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002), dos créditos vinculados ao MINT (passíveis de ressarcimento e/ou compensação, conforme § 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, e, § 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002, combinados com os incisos I e II do artigo 16 da Lei nº 11.116/2005), e dos créditos vinculados ao MIT (passíveis apenas de abatimento dos débitos das próprias contribuições, conforme § 3º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003). 52. Observe-se também, que os valores dos créditos da atividade agroindustrial não são passíveis de ressarcimento ou compensação, conforme disposições contidas art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004, podendo ser utilizados apenas na dedução da própria contribuição. 53. O interessado não realizou o rateio proporcional com base na receita, não segregando os créditos vinculados ao ME/MINT/MIT, nem nos DACON nem nos PERDCOMP. X – DA NECESSIDADE DE DOIS TIPOS DE RATEIOS 54. Para o processo produtivo do interessado seriam necessários dois tipos de rateio. Um seria o rateio mencionado no tópico anterior, para segregar o que é ME, MINT e MIT. 55. O outro rateio seria o rateio dos “BENS E SERVIÇOS, UTILIZADOS COMO INSUMOS”. Ou seja, considerar apenas o bem ou serviço que foi efetivamente utilizado como insumo na produção do produto final, e, na devida proporção da utilização. Seriam os custos correlacionados ao setor agrícola (cana própria), ao CTT (corte, transbordo e transporte), ao setor industrial, ao setor administrativo e ao setor comercial. Por exemplo: segregação do óleo diesel aplicado no setor agrícola, no CTT, no setor industrial, no setor administrativo e no setor comercial; segregação dos gastos com oficina correlacionados ao setor agrícola, ao CTT, ao setor industrial, ao setor administrativo e ao setor comercial; segregação dos gastos com pneus correlacionados ao setor agrícola, Fl. 996DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-011.223 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.720093/2011-21 ao CTT, ao setor industrial, ao setor administrativo e ao setor comercial; segregação dos gastos com terceirização correlacionados ao setor agrícola, ao CTT, ao setor industrial, ao setor administrativo e ao setor comercial; e assim por diante. Deveria existir o devido controle, o devido rateio. NÃO HOUVE. O mencionado rateio além de fazer parte da essência da NÃO CUMULATIVIDADE (exclusão da incidência na cadeia subsequente, daquilo que já foi objeto de tributação na cadeia anterior) tem embasamento em LEI, mais especificamente no art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003 (mesmo dispositivo da Lei 10.637/2002). Segue dispositivo legal: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 997DF CARF MF Documento nato-digital
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