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Numero do processo: 10830.000381/2007-92
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.077
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em dilige^ncia a` ca^mara recorrida, para saneamento da ana´lise de admissibilidade do Recurso Especial, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Arau´jo, Demetrius Nichele Macei, Jose´ Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em dilige^ncia a` ca^mara recorrida, para saneamento da ana´lise de admissibilidade do Recurso Especial, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Arau´jo, Demetrius Nichele Macei, Jose´ Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1197; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 878 1 877 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.000381/200792 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9101000.077 – 1ª Turma Data 3 de outubro de 2018 Assunto Saneamento processual Recorrente AEI AMERICA DO SUL HOLDING LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligen̂cia a ̀ cam̂ara recorrida, para saneamento da anaĺise de admissibilidade do Recurso Especial, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Correâ, Luis Flav́io Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 00 38 1/ 20 07 -9 2 Fl. 575DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 879 ___________ Relatório e voto Tratase de recurso especial interposto por AEI AMERICA DO SUL HOLDING LTDA. Ao analisar o admissibilidade do recurso especial, o despacho de admissibilidade “A recorrente apresenta os seguintes arestos paradigmas: Acórdão no CSRF/0105.629 CSLL – MULTA ISOLADA – FALTA DE PAGAMENTO DA CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO – A regra é o pagamento com base no lucro real no trimestre, a excecã̧o é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento da CSLL e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o pagamento da CSLL devida a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro líquido do período em curso (Lei no 8.981/95, art. 35 c/c art. 2o Lei no 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor da CSLL do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei no 9.430/96 44 § 1o inciso IV c/c art. 2o). A base de cálculo da multa é o valor da CSLL calculada sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido ate ́ a apuração do imposto anual. A partir da apuração da CSLL anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a CSLL devida com base nesse lucro (Lei no 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1o inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1o letra “b”). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Indevida a multa quando lanca̧da após o ano relativo aos fatos geradores quando a empresa não tenha apurado imposto ou contribuicã̧o na apuração anual. Recurso especial negado. Acórdão no 10516388 IRPJ E CSLL MULTA ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E OU CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A regra é o pagamento com base no lucro real apurado no trimestre, a exceçaõ é a opçaõ feita pelo contribuinte de recolhimento do imposto e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o imposto devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro real do período em curso. ( Lei no 8.981/95, art. 35 c/c art. 2o Lei no 9.430/96). A falta de recolhimento ou recolhimento a menor, está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJ do mês em virtude de recolhimento excedentes em períodos anteriores. (Lei no 9.430/96 44 § 1o inciso IV c/c art. 2o). A base de cálculo da multa é o valor do imposto calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuraçaõ do lucro real anual. A Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10830.000381/200792 Resolução nº 9101000.077 CSRFT1 Fl. 880 3 partir da apuração do lucro real anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a diferença entre o imposto anual devido e a estimativa obrigatória, se menor. (Lei no 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1o inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1o letra “b”). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Se aplicada depois do levantamento do balanco̧ a base de cálculo da multa isolada é a diferenca̧ entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida. Notese que os arestos paradigmas apresentados se referem a julgamentos de auto de infração lanca̧dos com base no art. 44, § 1o, IV, da Lei no 9.430/96 (redação original), o que atende o critério da similitude jurídica, pois a questão relativa a retroatividade benigna da Lei no 11.488/07, trazida na ementa do acórdão recorrido é irrelevante para a demonstraçaõ da divergência jurisprudencial sub examine. Por sua vez, há similitude fática entre os julgados recorrido e paradigmas e resta demonstrada a divergência jurisprudencial entre eles, a qual reside em saber se, após o balanço anual, a base de caĺculo da multa isolada é o tributo estimado não recolhido ou o valor do imposto ou da contribuição social devida ao final do período. Uma vez que a recorrente demonstrou a divergen̂cia jurisprudencial que desafia a interposição de recurso especial, opino pela sua ADMISSIBILIDADE. No entanto, verificase que o despacho de admissibilidade analisou apenas a primeira das divergências apresentadas pela recorrente. Compreendo necessário o retorno dos autos para o i. Presidente de Câmara, a fim de realize a análise da admissibilidade atinente à matéria ventilada pelo contribuinte em seu recurso especial, nos seguintes termos: Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10830.000381/200792 Resolução nº 9101000.077 CSRFT1 Fl. 881 4 Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10830.000381/200792 Resolução nº 9101000.077 CSRFT1 Fl. 882 5 Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10830.000381/200792 Resolução nº 9101000.077 CSRFT1 Fl. 883 6 Voto, portanto, para converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para saneamento da análise de admissibilidade do Recurso Especial, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 580DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723218/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
CFL 68. FALTA DE DECLARAÇÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP.
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Com inconstitucionalidade da norma exacional, inexiste a obrigação principal, portanto, reflexamente, não há que se falar em obrigação assessória decorrente.
Numero da decisão: 2402-006.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelado o crédito tributário exigido, uma vez que se trata da contribuição de 15%, que era devida na contratação de cooperativas de trabalho e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
(assinado digitalmente)
DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 CFL 68. FALTA DE DECLARAÇÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Com inconstitucionalidade da norma exacional, inexiste a obrigação principal, portanto, reflexamente, não há que se falar em obrigação assessória decorrente.
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FALTA DE DECLARAÇÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Com inconstitucionalidade da norma exacional, inexiste a obrigação principal, portanto, reflexamente, não há que se falar em obrigação assessória decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelado o crédito tributário exigido, uma vez que se trata da contribuição de 15%, que era devida na contratação de cooperativas de trabalho e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 32 18 /2 01 2- 12 Fl. 270DF CARF MF 2 JAMED ABDUL NASSER FEITOZA Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração – AI Debcad nº 37.366.4729 lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, no valor de R$ 169.797,60, por infringência ao que dispõe a Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso IV (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 68), lavrado em razão do contribuinte ter deixado de apresentar GFIP contendo informações relativas ao pagamento realizado em beneficio de cooperativas de trabalho nas competências 08/2008, 09/2008 e 11/2008. O contribuinte impetrou Mandado de Segurança Preventivo, processo nº 2000.81.00.0099450 (atualmente em tramitação no Tribunal Regional Federal da 5ª Região Fiscal – TRF), com pedido de liminar em 15/5/2000, tendo sido concedida a segurança liminarmente, em 2/6/2000. Contudo, no julgamento do mérito em 30/7/2001, foi negada a segurança, cassandose a liminar inicialmente deferida. O autuado apresentou, ainda, Embargos de Declaração, em relação ao qual foi negado o provimento no dia 17/10/2003 e interpôs apelação, em 9/2/2006, que também não teve decisão em seu favor. O sujeito passivo ingressou então, com Recurso Especial – REsp no STJ e Recurso Extraordinário – RE no STF, tendo sido, ambos, inaadmitidos em 24/8/2006. Contudo, em 2/6/2009 foi reconhecido, pelo STF, a repercussão geral da controvérsia objeto da lide, motivo pelo qual o processo restou sobrestado, estando pendente de decisão definitiva. Assim, o crédito não estaria com exigibilidade suspensa, pois a sentença foi favorável à Fazenda Nacional e o recurso em Mandado de Segurança não possui efeito suspensivo. O contribuinte realizou depósitos judiciais da contribuição discutida em Juízo em relação a algumas competências. Contudo, em relação às competências consideradas na autuação não foram realizados os depósitos em montante integral conforme consta do REFISC, e diante dessas circunstâncias a fiscalização entendeu que não houve suspensão da exigibilidade do crédito, conforme o que dispõe o CTN, artigo 151, inciso II. A penalidade aplicada considerou as modificações levadas e efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, para as GFIP referentes às competências até 11/2008 tendo efetuado o comparativo das multas aplicáveis antes e após as modificações introduzidas com referida MP, com vistas a aplicar a multa mais favorável ao contribuinte, em atenção ao que dispõe o CTN, artigo 106, inciso II (conforme quadro à fl. 9). Concluiuse, conforme demonstrativo incluído no relatório fiscal, que a multa menos severa ao contribuinte, nas competências 08/2008, 09/2008 e 11/2008, é a apurada de acordo com a legislação antes das modificações MP nº 449/2008. Assim, de acordo com as informações do relatório fiscal, em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa de R$ 169.797,60, calculada de acordo com a Lei nº Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10380.723218/201212 Acórdão n.º 2402006.764 S2C4T2 Fl. 271 3 8.212/1991, artigo 32, § 5º, combinado com Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 284, inciso II. Relatório com o detalhamento dos depósitos judiciais/extrajudiciais realizados, que contém dentre outras informações a data de realização do depósito, a competência a que se refere e o valor depositado (fl. 12). Cópia das Guias de Depósitos Judiciais e Extrajudiciais relativos à competência 09/2008 e 11/2008 (fls. 13/14). O sujeito passivo foi cientificado da autuação em 21/3/2012, conforme assinatura à fl. 3 e apresentou impugnação (fls. 129/144) no dia 20/4/2012, conforme carimbo de protocolo à fl. 129. Alegou que os depósitos impediriam o lançamento, que o tributo cobrado é ilegal, apresentando questões relacionadas as discussões judiciais relatadas. Acórdão recorrido, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação e o recurso voluntário interposto articulando essencialmente os mesmos argumentos já registrados por ordem da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual votamos por seu conhecimento. 2. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO Tratase de lançamento por descumprimento de obrigações acessórias CFL68, eis que a Recorrente deixou de declarar em GFIP nas competências 08/2008, 09/2008 e 11/2008. Ocorre que a obrigação previdenciária principal estava lastreada no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, dispositivo que previa a obrigação de recolhimento de 15% devidos a titulo de contribuição previdenciária devida sobre em razão da contratação de sociedades cooperativas de trabalho e calculados sobre o total da nota fiscal ou fatura. A rubrica foi mantida tendo em conta a vigência do dispositivo à época dos fatos e por ausência de comprovação de realização, nos autos da ação judicial, de deposito do montante integral do devido relativo as competências em foco. Fl. 272DF CARF MF 4 Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99 ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. A inconstitucionalidade foi declarada sem modulação dos efeitos, com tal premissa seus efeitos retroagem a origem, não subsistindo obrigação alguma tendo por base Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10380.723218/201212 Acórdão n.º 2402006.764 S2C4T2 Fl. 272 5 norma retirada do ordenamento jurídico, o que, neste caso abrange as obrigações principais e seus reflexos, razão pela qual votamos por dar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO. Por todo exposto votamos por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito darlhe provimento. (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 274DF CARF MF
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Numero do processo: 13338.000103/2004-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 33 38 .0 00 10 3/ 20 04 -4 1 Fl. 1992DF CARF MF Processo nº 13338.000103/200441 Resolução nº 3201001.453 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 13338.000103/200441 Resolução nº 3201001.453 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 1994DF CARF MF Processo nº 13338.000103/200441 Resolução nº 3201001.453 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 13338.000103/200441 Resolução nº 3201001.453 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 1996DF CARF MF Processo nº 13338.000103/200441 Resolução nº 3201001.453 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 13338.000103/200441 Resolução nº 3201001.453 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 1998DF CARF MF Processo nº 13338.000103/200441 Resolução nº 3201001.453 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 13338.000103/200441 Resolução nº 3201001.453 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 2000DF CARF MF Processo nº 13338.000103/200441 Resolução nº 3201001.453 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 2001DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007576/2007-17
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Considera-se intimado o Contribuinte por via postal na data do recebimento da intimação, no seu domicílio fiscal. Constatado o esgotamento do prazo legal antes da data do protocolo do Recurso Voluntário, tal apelo não deve ser conhecido. Aplicação das Súmulas CARF nº 9 e nº 110.
Numero da decisão: 1003-000.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente); Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. Considera-se intimado o Contribuinte por via postal na data do recebimento da intimação, no seu domicílio fiscal. Constatado o esgotamento do prazo legal antes da data do protocolo do Recurso Voluntário, tal apelo não deve ser conhecido. Aplicação das Súmulas CARF nº 9 e nº 110.
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INTIMAÇÃO REGULAR VIA POSTAL. DOMICÍLIO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. Considerase intimado o Contribuinte por via postal na data do recebimento da intimação, no seu domicílio fiscal. Constatado o esgotamento do prazo legal antes da data do protocolo do Recurso Voluntário, tal apelo não deve ser conhecido. Aplicação das Súmulas CARF nº 9 e nº 110. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente); Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 75 76 /2 00 7- 17 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10380.007576/200717 Acórdão n.º 1003000.330 S1C0T3 Fl. 51 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão n. 0817.738, (fls. 13/17), que julgou procedente o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração, fls. 08, relativo à multa por atraso na entrega de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, relativa ao anocalendário de 2004, no valor de R$ 1.916,40, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRF. A obrigatoriedade de entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF abrange todos os órgãos da Administração Pública, vinculadas às pessoas jurídicas de direito público, que incorram nas situações previstas na legislação como determinantes para a apresentação do documento junto à Administração Tributária. COMPARECIMENTO DO SUJEITO PASSIVO AOS AUTOS. DATA DA CIÊNCIA. Embora não havendo constado de modo explícito a data da ciência dos autos, como o Interessado apresentou a Impugnação, concluise que o Sujeito Passivo tomou ciência do Lançamento, devendose admitir a Impugnação como tempestiva. INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. O lançamento de ofício poderá ser feito independentemente de intimação prévia ao contribuinte quando o Fisco dispuser dos elementos necessários para apuração do crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com tal decisão, a Recorrente, às folhas 34/40, apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: a) preliminarmente: a tempestividade o Recurso Voluntário sob o argumento de que a certificação da decisão da DRJ/FOR fora encaminhada para endereço no qual ela não encontravase instalada, e que, como não houve a regular notificação da Procuradoria Geral do Estado representante legal do Estado do Ceará e de todos os seu órgãos, inclusive; da Recorrente; os autos devem ser devolvidos ao julgador singular a fim de que seja reaberto o prazo para interposição de recurso; b) no mérito: a improcedência do lançamento por tratarse apenas de um equívoco de interpretação da Administração Fazendária Federal, vez que o Estado do Ceará vinha apresentando as DIRF´s de forma consolidada, englobando todos os seus órgãos, e que, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10380.007576/200717 Acórdão n.º 1003000.330 S1C0T3 Fl. 52 3 quando verificou que sua declaração fora retida "na malha fina", por desconformidade de informações, transmitiu outra DIRF tão somente reafirmando as informações outrora encaminhadas pelo Estado do Ceará. É o relatório Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. PRELIMINARMENTE O recurso voluntário apresentado pela Recorrente não atende aos requisitos de admissibilidade elencados nas normas de regência, especialmente no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, no tocante ao prazo, para interposição de recurso voluntário, previsto no art. 33 do citado diploma normativo, in verbis : Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Isso porque, conforme se verifica às fls. 21, a Recorrente foi cientificada, do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, na data de 19/07/2010, mas, somente apresentou o competente recurso voluntário em 19/11/2010. Logo, resta flagrante a intempestividade do recurso. Há se ressaltar que, ao contrário do afirmado pela Recorrente, a intimação do sujeito passivo foi devidamente realizada na forma dos arts. 10 e 11 do Decreto n.º 7.574/2011, no endereço postal do contribuinte fornecido à Administração Tributária, no cadastro da Receita Federal com a prova de recebimento: "Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: (...) II por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23,inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67);(...) § 2o Para fins de intimação por meio das formas previstas nos incisos II e III, considerase domicílio tributário do sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67): I o endereço postal fornecido à administração tributária, para fins cadastrais; e (...) ,Inclusive, o endereço constante no Aviso de Recebimento (AR), às fls. 21, "Av. Barão de Studart, 505 FortalezaCE", é o mesmo veiculado no sitio institucional da Recorrente (www. casamil.ce.gov.br), circunstância que só comprova a regularidade de sua cientificação, ainda que esta não tenha se dado na pessoa de seu representante legal ou encaminhada para o endereço do mesmo. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10380.007576/200717 Acórdão n.º 1003000.330 S1C0T3 Fl. 53 4 Referido entendimento está consolidado pelas Súmula CARF nº 9 e 110, respectivamente: Súmula CARF 9: "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Súmula CARF 110: "No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". Ademais, mesmo que de fato tivesse havido alteração do endereço da Recorrente, ainda assim não lhe assistiria razão quanto à tempestividade do recurso, pois é de responsabilidade do contribuinte, e obrigatória, a comunicação de toda alteração referente aos seus dados cadastrais, para manter suas informações atualizadas junto à Receita Federal. Assim, o Recurso Voluntário é intempestivo, conforme certidão de fls. 42, e não merece ser conhecido. MÉRITO Quanto ao mérito, aplicase ao caso o art. 28 do Decreto nº 70.235/72 o qual prevê que na decisão em que a preliminar for incompatível com o mérito, este não é julgado: "Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso". Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em virtude de sua apresentação intempestiva e deixar de apreciar o mérito com fulcro no art. 28 do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720083/2014-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
LEGITIMIDADE DO ÁGIO. PARTES INDEPENDENTES.
Do ponto de vista negocial - que é o enfoque relevante para fins de verificação da legitimidade de ágio -, mesmo que combinem a estruturação de um negócio, as partes permanecem ocupando polos de interesses antagônicos, desde que não submetidas a um comando único. Em outras palavras, o fato de as partes interessadas conjuntamente definirem a estruturação do negócio não retira delas o atributo de independência, caso se verifique que não se encontrem submetidas a um único polo de interesses.
AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO SOBRE O GANHO DE CAPITAL.
O fato de a parte vendedora ter obtido, artificialmente, o efeito de impedir a ocorrência do fato gerador relativo ao ganho de capital deveria ensejar a exigência do respectivo tributo da parte vendedora, e não justificar a recusa no reconhecimento dos efeitos do correspondente ágio, efetivamente suportado pela parte compradora. Por essa razão, há que se afastar a ausência de pagamento do Imposto sobre o ganho de capital como motivo para considerar ilegítimo o ágio correspondente.
EMPRESA VEÍCULO. COMPRA ALAVANCADA. PROPÓSITO NEGOCIAL.
Na hipótese em que restar evidenciada a presença de outra finalidade - além da economia tributária produzida - que justifica a existência, ainda que efêmera, de sociedade investidora que venha a ser incorporada pela sociedade na qual possuía participação societária adquirida anteriormente com ágio, como no caso da chamada compra alavancada, é legítimo o aproveitamento das amortizações do referido ágio pela incorporadora, à luz do que dispõe o inciso III do art. 386 do RIR/99.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estende-se ao lançamento decorrente (CSLL) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ).
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 1301-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe dar provimento. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou o voto do relator por suas conclusões e manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Bianca Felícia Rothschild e Giovana Pereira de Paiva Leite.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 LEGITIMIDADE DO ÁGIO. PARTES INDEPENDENTES. Do ponto de vista negocial - que é o enfoque relevante para fins de verificação da legitimidade de ágio -, mesmo que combinem a estruturação de um negócio, as partes permanecem ocupando polos de interesses antagônicos, desde que não submetidas a um comando único. Em outras palavras, o fato de as partes interessadas conjuntamente definirem a estruturação do negócio não retira delas o atributo de independência, caso se verifique que não se encontrem submetidas a um único polo de interesses. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO SOBRE O GANHO DE CAPITAL. O fato de a parte vendedora ter obtido, artificialmente, o efeito de impedir a ocorrência do fato gerador relativo ao ganho de capital deveria ensejar a exigência do respectivo tributo da parte vendedora, e não justificar a recusa no reconhecimento dos efeitos do correspondente ágio, efetivamente suportado pela parte compradora. Por essa razão, há que se afastar a ausência de pagamento do Imposto sobre o ganho de capital como motivo para considerar ilegítimo o ágio correspondente. EMPRESA VEÍCULO. COMPRA ALAVANCADA. PROPÓSITO NEGOCIAL. Na hipótese em que restar evidenciada a presença de outra finalidade - além da economia tributária produzida - que justifica a existência, ainda que efêmera, de sociedade investidora que venha a ser incorporada pela sociedade na qual possuía participação societária adquirida anteriormente com ágio, como no caso da chamada compra alavancada, é legítimo o aproveitamento das amortizações do referido ágio pela incorporadora, à luz do que dispõe o inciso III do art. 386 do RIR/99. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estende-se ao lançamento decorrente (CSLL) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ). Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720083/201445 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1301003.469 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria IRPJ/CSLL ÁGIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CVC BRASIL OPERADORA E AGÊNCIA DE VIAGENS S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 LEGITIMIDADE DO ÁGIO. PARTES INDEPENDENTES. Do ponto de vista negocial que é o enfoque relevante para fins de verificação da legitimidade de ágio , mesmo que combinem a estruturação de um negócio, as partes permanecem ocupando polos de interesses antagônicos, desde que não submetidas a um comando único. Em outras palavras, o fato de as partes interessadas conjuntamente definirem a estruturação do negócio não retira delas o atributo de independência, caso se verifique que não se encontrem submetidas a um único polo de interesses. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO SOBRE O GANHO DE CAPITAL. O fato de a parte vendedora ter obtido, artificialmente, o efeito de impedir a ocorrência do fato gerador relativo ao ganho de capital deveria ensejar a exigência do respectivo tributo da parte vendedora, e não justificar a recusa no reconhecimento dos efeitos do correspondente ágio, efetivamente suportado pela parte compradora. Por essa razão, há que se afastar a ausência de pagamento do Imposto sobre o ganho de capital como motivo para considerar ilegítimo o ágio correspondente. EMPRESA VEÍCULO. COMPRA ALAVANCADA. PROPÓSITO NEGOCIAL. Na hipótese em que restar evidenciada a presença de outra finalidade além da economia tributária produzida que justifica a existência, ainda que efêmera, de sociedade investidora que venha a ser incorporada pela sociedade na qual possuía participação societária adquirida anteriormente com ágio, como no caso da chamada “compra alavancada”, é legítimo o aproveitamento das amortizações do referido ágio pela incorporadora, à luz do que dispõe o inciso III do art. 386 do RIR/99. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 83 /2 01 4- 45 Fl. 3234DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 3 2 LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estendese ao lançamento decorrente (CSLL) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ). Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Nelso Kichel e Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe dar provimento. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou o voto do relator por suas conclusões e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Bianca Felícia Rothschild e Giovana Pereira de Paiva Leite. Relatório Tratase de auto de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL, referente aos anoscalendário 2010 a 2013, acrescido de multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora, decorrente da glosa de despesas de amortização de ágio na aquisição da interessada (CVC BRASIL) pela pessoa jurídica CBTC PARTICIPAÇÕES S.A., em dezembro de 2009. Notificado, o Contribuinte apresentou Impugnação aduzindo: Preliminarmente, a tempestividade da Impugnação e a decadência em relação a todos os valores constantes da exigência fiscal, uma vez que as despesas de ágio em tela decorreram de fatos ocorridos ainda no anocalendário de 2009. No mérito, a Impugnante defende a legitimidade do ágio gerado na aquisição de participação societária nela própria (CVC BRASIL) pela CBTC, bem como a existência de autorização legal para o aproveitamento das despesas com amortização desse ágio, à razão máxima de um sessenta avos ao mês. Contesta, também, a qualificação da multa de ofício. Segundo a Impugnante, “ainda que se entenda que as operações praticadas pela Requerente não Fl. 3235DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 4 3 lhe davam o direito de proceder como procedeu, o que se coloca apenas para argumentar, não se pode falar em qualquer tipo de fraude”. Quanto aos juros de mora, a Impugnante alega que “a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários e, se admitida a sua aplicação, só poderá incidir sobre o crédito tributário principal, não podendo recair sobre o valor da multa de ofício”. Protesta pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. A 3ª Turma da DRJ/FNS julgou a impugnação inteiramente procedente através do acórdão nº 0738.597, de fls. 2397 e seguintes, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 LEGITIMIDADE DO ÁGIO. PARTES INDEPENDENTES. Do ponto de vista negocial – que é o enfoque relevante para fins de verificação da legitimidade de ágio –, mesmo que combinem a estruturação de um negócio, as partes permanecem ocupando polos de interesses antagônicos, desde que não submetidas a um comando único. Em outras palavras, o fato de as partes interessadas conjuntamente definirem a estruturação do negócio não retira delas o atributo de independência, caso se verifique que não se encontrem submetidas a um único polo de interesses. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO SOBRE O GANHO DE CAPITAL. O fato de a parte vendedora ter obtido, artificialmente, o efeito de impedir a ocorrência do fato gerador relativo ao ganho de capital deveria ensejar a exigência do respectivo tributo da parte vendedora, e não justificar a recusa no reconhecimento dos efeitos do correspondente ágio, efetivamente suportado pela parte compradora. Por essa razão, há que se afastar a ausência de pagamento do Imposto sobre o ganho de capital como motivo para considerar ilegítimo o ágio correspondente. EMPRESA VEÍCULO. COMPRA ALAVANCADA. PROPÓSITO NEGOCIAL. Na hipótese em que restar evidenciada a presença de outra finalidade além da economia tributária produzida que justifica a existência, ainda que efêmera, de sociedade investidora que venha a ser incorporada pela sociedade na qual possuía participação societária adquirida anteriormente com ágio, como no caso da chamada “compra alavancada”, é legítimo o aproveitamento das amortizações do referido ágio Fl. 3236DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 5 4 pela incorporadora, à luz do que dispõe o inciso III do art. 386 do RIR/99. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 FATOS PASSADOS. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. PRAZO PARA A GUARDA DOS DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE DE VERIFICAÇÃO POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FATOS GERADORES DISTINTOS. A origem do ágio não corresponde a fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício reportase a cada fato gerador impactado pela amortização do ágio, e não ao seu registro original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estendese ao lançamento decorrente (CSLL) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ). Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão do valor exonerado, o Colegiado interpôs recurso de ofício para o CARF, o qual foi acompanhado de razões da Procuradoria da Fazenda Nacional, de fls. 2466 e ss., que aduziu: a) que haveria uma interdependência "de fato" entre as partes envolvidas na operação que gerou o ágio; b) que a CVC BRASIL foi utilizada como empresa veículo, se considerada a expressão não no sentido da empresa veículo do ágio, mas como "aquela que serve para fins alheios ao seu objeto social"; c) necessidade de interpretar restritivamente a norma que dá o benefício fiscal de amortização das despesas de ágio; d) pugna pela manutenção da multa qualificada de 150%. O Contribuinte interessado juntou manifestação de fls. 2512 e ss., refutando os pontos suscitados pela PFN em suas razões e trazendo esclarecimentos acerca da operação, pugnando pela manutenção do acórdão da DRJ. Fl. 3237DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 6 5 Posto o caso sob julgamento, este Colegiado, em sua composição pretérita, ficou em dúvida quanto quem seriam os reais investidores e adquirentes do investimento, razão pela qual entendeu por converter o julgamento em diligência para que os seguintes pontos fossem esclarecidos: a) A autoridade fiscal designada para realização da diligência deverá intimar o contribuinte a apresentar os comprovantes sobre o ingresso de recursos no Brasil utilizados na operação, demonstrando quem são os reais investidores e adquirentes do investimento (ingresso de recursos no FIP); b) A autoridade Fiscal poderá solicitar documentos adicionais e esclarecimentos que entender pertinentes ao melhor deslinde do litígio; c) Ao final, a Fiscalização deverá elaborar termo circunstanciado, concluindo, inclusive, se os esclarecimentos obtidos na diligência seriam suficientes a alterar a conclusão sobre o lançamento, quer por cancelálo, quer por alterar seus fundamentos em razão dos documentos obtidos em diligência; d) Nos termos do parágrafo do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado dessa diligência, concedendose o prazo de trinta dias para sua manifestação; e) No retorno dos autos ao CARF, deve ser dada vista à PGFN para que, querendo, se manifeste, no prazo de trinta dias, a respeito das conclusões da diligência; f) Havendo manifestação da PGFN, e considerandose que o contribuinte é a parte recorrida, os autos deverão retornar à unidade de origem para que o contribuinte seja cientificado das alegações da PGFN, abrindose prazo de 30 dias para que esse apresente suas contrarrazões. A diligência foi cumprida e o relatório consta às fls. 2907/2924. O Contribuinte apresentou manifestação de fls. 3037, aduzindo que o escopo da diligência foi específico, e que o relatório da diligência teria extrapolado a determinação do CARF, visando reforçar e inovar os argumentos trazidos inicialmente pela fiscalização, e refuta diversos argumentos carreados pela fiscalização no relatório juntado. A PFN apresentou manifestação de fls. 3143, manifestando concordância com o teor do relatório de diligência. O Contribuinte apresentou nova manifestação, repisando o teor da sua manifestação anterior sobre o relatório de fls. 2907/2924. Em razão do então Conselheiro Relator não pertencer mais ao quadro de julgadores do CARF, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Fl. 3238DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso de Ofício ultrapassa o valor de alçada e atende aos requisitos de admissibilidade previstos na Portaria/MF nº 63/2017, devendo ser conhecido por este Colegiado. Em síntese, o fundamento da autuação é a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL através da amortização fiscal de despesas de ágio na aquisição da CVC BRASIL pela CBTC, operação esta que a Contribuinte aduz estar amparada pelo art. 386 do RIR/99. I) DESCRIÇÃO DAS OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS E DA GERAÇÃO DO ÁGIO AMORTIZADO. O ágio em questão foi originado na aquisição da CVC BRASIL pela CBTC, em 23/12/2009 (data do fechamento da transação celebrada em 01/12/2009). Em 29/12/2009, a investidora CBTC foi incorporada pela investida CVC BRASIL, passando esta empresa a computar as amortizações do ágio para fins de reduzir seu resultado tributável. O acórdão recorrido traz uma didática exposição da operação que gerou o ágio, esclarecendo o seu desenvolvimento sob dois pontos de vista distintos: a ponta "vendedora" da operação e a ponta "compradora". Quanto à ponta vendedora da operação, em ordem cronológica, esclarece o seguinte: (i) em 25/03/2009, duas pessoas físicas (Sueli Ferreti e Cleber Fernandes) criaram a empresa HNDSPE EMPREENDIMENTOS S/A (HNDSPE), com capital social de R$ 500,00, dividido em 500 ações (fls. 497 a 502); (ii) em 05/06/2009, todas as ações da HNDSPE foram cedidas para o Sr. Guilherme de Jesus Paulus (499 ações) e para seu filho Gustavo Baptista Paulus (1 ação), conforme doc. de fls. 472 a 475. Nesta mesma data, o capital social foi aumentado para R$ 60 mil, dividido em 60.000 ações (das quais 59.500 eram novas ações), e a sociedade passou a ser denominada CVC BRASIL OPERADORA E AGÊNCIA DE VIAGENS S/A (CVC BRASIL), que é a Contribuinte autuada; (iii) em 11/08/2009, o Fundo de Investimento em Renda Fixa Juruá, administrado pelo Citibank Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliário S.A., que havia sido constituído em 23/06/2009, passou a ser denominado GJP Fundo de Investimento em Participações (GJP FIP), conforme documento acostado às fls. 1672 e 1673); (iv) em 13/10/2009, restou formalizada a informação de que o Sr. Guilherme de Jesus Paulus realizou o aporte de R$ 59.950,00 a título de integralização do capital da CVC BRASIL (fl. 468); (v) em 26/10/2009, foi aprovada a cessão de ativos e passivos para a CVC BRASIL, oriundos de nove outras pessoas jurídicas do grupo CVC, notadamente, da Fl. 3239DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 8 7 Operadora e Agência de Viagens CVC Tur Ltda. (CNPJ n° 44.191.666/000140). Os ativos recebidos totalizaram R$ 879.814.674,78, e os passivos totalizaram R$ 816.826.402,93 (fls. 738 a 741). Dessa operação não decorreu qualquer alteração no valor do patrimônio líquido da CVC BRASIL, que se manteve nos mesmos R$ 60 mil, haja vista que foi registrada, a crédito, uma obrigação no valor da diferença dos ativos e passivos recebidos (R$ 62.988.271,85); (vi) em 01/12/2009, foi firmado contrato de compra e venda de ações, por meio do qual o Sr. Guilherme de Jesus Paulus se comprometeu a vender 45.730 ações da CVC BRASIL, representativas de 76,2% de seu capital, para a adquirente CBTC Participações S/A (fls. 141 a 186), empresa controlada pela acionista TCG FBIE MANAGER DELAWARE (TCG), pelo valor de R$ 705 milhões, pagos na forma da cláusula 2.3 (fl.149); No contrato consta no item 5.5 a obrigação de "Incorporação", nos seguintes termos (fl. 165): (vii) em 22/12/2009, ocorre a primeira emissão de quotas do GJP FIP, no valor de R$ 100 milhões, totalmente subscritas pelo Sr. Guilherme de Jesus Paulus e, em grande parte (72,176%) integralizadas com ações da CVC Participações S/A e o restante em moeda corrente (fl. 799); (viii) também em 22/12/2009, o Sr. Guilherme de Jesus Paulus alienou 60.000 ações CVC BRASIL para o GJP FIP. A cessão se deu pelo valor do patrimônio líquido da CVC BRASIL, de R$ 60.000,00 (fl. 795). Com isso, o GJP FIP passou a ser o único acionista da CVC BRASIL; (ix) em 23/12/2009, ocorreu o fechamento da transação celebrada em 01/12/2009 pelo Sr. Guilherme de Jesus Paulus com a CBTC (fls. 188 a 195). Como as ações da CVC BRASIL foram cedidas no dia anterior, neste ato de fechamento constou como parte vendedora o GJP FIP. Fl. 3240DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 9 8 Na ponta compradora da operação que deu origem ao ágio, os eventos se deram da seguinte forma: (i) em 01/06/2009, duas pessoas físicas (Laerte Garcia dos Santos e João Gabriel Ferrari Xavier) criaram a empresa COLQUITT Participações Ltda., com capital social de apenas R$ 100,00 dividido em 100 quotas (fls. 1442 a 1460); (ii) em 29/09/2009, ocorreu a transformação do tipo societário, de Ltda. para S/A, e a sociedade passou a se denominar CBTC Participações S/A, com o mesmo capital social de R$ 100,00, agora representado por 100 ações (fls. 1524 a 1530); (iii) em 09/11/2009 os sócios Laerte e João Gabriel cedem a totalidade de suas ações da CBTC (50 ações de cada um) para TCG FBIE MANAGER (sociedade sediada nos EUA – Grupo Carlyle), conforme Termo de Transferência de Ações de fl. 725; (iv) em alguma data que não foi possível identificar, ocorre a aprovação de aumento no capital social na CBTC para o valor de R$ 391.659.697,50, sem emissão de novas ações. Esse valor consta em documento acostado à fl. 443, bem como na DIPJ apresentada em razão do evento especial ocorrido em 28/12/2009 (fl. 1415); (v) em 01/12/2009, foi firmado contrato de compra e venda de ações, por meio do qual o Sr. Guilherme de Jesus Paulus se comprometeu a vender 45.730 ações da CVC BRASIL, representativas de 76,2% de seu capital, para a adquirente CBTC Participações S/A. Nesse contrato, assinou pela adquirente CBTC o representante da TCG FBIE MANAGER, acionista controladora da adquirente (fls. 141 a 186); (vi) em 23/12/2009, TCG FBIE MANAGER aportou recursos na CBTC a título de integralização do aumento de capital, no valor de R$ 391.659.697,50, comprovado pelo extrato da conta corrente da CBTC (fl. 1574); (vii) em 23/12/2009, ocorreu o fechamento da transação celebrada em 01/12/2009 pelo Sr. Guilherme de Jesus Paulus com a CBTC (fls. 188 a 195). Também neste ato, assinou pela adquirente CBTC o representante da TCG FBIE MANAGER; (viii) em 24/12/2009, a CBTC pagou ao GJP FIP a quantia de R$ 257.011.651,80, referente à parcela à vista devida pela aquisição das ações da CVC BRASIL (fl. 1574). Pois bem, em decorrência da operação de compra da CVC Brasil pela CBTC originouse o ágio à partir do desdobramento do custo de aquisição, que passou a ser amortizado pela CVC Brasil à partir do ano de 2010, após a incorporação da CBTC. Esses eventos foram reproduzidos graficamente pela DRJ da seguinte forma: Fl. 3241DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 10 9 Como mencionado anteriormente, o contrato de compra e venda das ações da CVC Brasil envolveu o pagamento do valor total de R$ 705 milhões por 45.730 ações (com valor nominal de R$ 45.730,00), representativas de 76,2% do capital da CVC Brasil, a serem pagos da seguinte forma (fl. 149) (sem prejuízo da previsão de pagamento futuro a depender da performance da CVC Brasil, previsto em outra cláusula contratual): 1) R$ 385 milhões seriam pagos à vista, na Data de Fechamento, mediante transferência das ações pelo Vendedor à CBTC; 2) R$ 160 milhões seriam pagos pela CBTC de acordo com a tabela de amortização e pagamento de juros constante do Anexo 2.3(a)(ii) do Contrato de Compra e Venda (“Preço a Prazo Classe A”); 3) R$ 100 milhões seriam pagos de acordo com a tabela de amortização e pagamento de juros constante do Anexo 2.3(a)(iii) do Contrato de Compra e Venda (“Preço a Prazo Classe B”); 4) R$ 60 milhões seriam pagos de acordo com a tabela de amortização e pagamento de juros constante do Anexo 2.3(a)(iii) do Contrato de Compra e Venda (“Preço a Prazo Classe C”). Se verifica que parte substancial do preço (R$ 320 milhões) seria objeto de financiamento concedido pelo GJP FIP ao CBTC, dando como garantia o montante de 20.757 ações da própria CVC Brasil, em alienação fiduciária ao vendedor. No fechamento do negócio, em 23/12/2009, as partes reconheceram a seguinte operação (fl. 193): Fl. 3242DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 11 10 Como se verifica, houve um ajuste no valor pago à vista (de R$ 385 milhões para o valor lá indicado), em razão de retiradas ou distribuições ao vendedor e partes relacionadas, e uma retenção pela CTBC no valor de R$ 123.742.888,73, referente ao valor de obrigações de terceiros garantidas pela CVC Brasil na data do fechamento do negócio, de modo que, no dia seguinte, em 24/12/2009, foi efetivamente paga ao GJB FIP, via transferência bancária, a quantia de R$ 257.011.651,80 (fl. 1574). Levando em consideração os valores acima indicados, a composição do custo de aquisição foi assim discriminado pelo comprador: Após o fechamento da transação, em 23/12/2009, a estrutura societária era a seguinte: Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 12 11 Em 28/12/2009, a CTBC é incorporada pela CVC Brasil, conforme avençado no contrato de compra e venda e consubstanciado no "Protocolo e Justificação de Incorporação" de fls. 442 e ss. (no protocolo, consta a BTC FIP, que é um fundo controlado pela TCG, que recebeu as ações da CBTC em alguma data entre 23/12/2009 e 28/12/2009, ponto este esclarecido pela decisão recorrida). Na incorporação determinouse: a) a incorporação de todo o patrimônio da CBTC pela CVC Brasil, correspondente a um capital subscrito e integralizado de R$ 391.659.697,50; b) extinção das ações nominais da CBTC, e as ações representativas do capital da CVC Brasil detidas pela CBTC serão entregues ao único sócio dela, em substituição à sua participação no capital da CBTC. c) a relação de troca entre as ações da CVC Brasil e da CBTC deve ser de 249,73 ações da CVC Brasil para cada ação da CBTC que vier a ser extinta em decorrência da Incorporação. Assim sendo, em decorrência da incorporação da CBTC pela CVC Brasil: (i) serão canceladas as 45.730 ações de emissão da CVC Brasil detidas pela CBTC; (ii) serão emitidas 24.973 novas ações da CVC Brasil, representativas de 63,6% (sessenta e três vírgula seis por cento) de seu capital social votante e total, que serão entregues ao único sócio da CBTC, BTC Fundo de Investimento em Participações; (iii) as 14.270 (quatorze mil duzentas e setenta) ações de emissão da CVC Brasil detidas pelo GJP FIP passarão a representar 36,4% da totalidade das ações representativas do capital social votante e total da CVC Brasil (ainda que eventualmente oneradas); e (iv) o capital social da CVC Brasil será aumentado de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) para R$ 391.673.917,20 (trezentos e noventa e um milhões, seiscentos e setenta e três mil, novecentos e dezessete reais e vinte centavos). Após a incorporação, a estrutura societária ficou da seguinte forma: Após a incorporação, a CVC Brasil passou a aproveitar a amortização do ágio gerado na aquisição de suas ações pela CBTC, para fins de redução da base de cálculo do IRPJ. Essa é, de forma resumida, a operação ocorrida. II) FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO FISCAL Os fundamentos que nortearam o auto de infração estão aduzidos no Termo de Encerramento de Fiscalização de fls. 1941/1973, especialmente à partir da fl. 1964. Aduz a fiscalização que: Fl. 3244DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 13 12 (i) a CVC BRASIL seria uma empresa veículo; (ii) a CBTC também seria uma empresa veículo; (iii) a aquisição da participação societária na CVC BRASIL pelo Grupo Carlyle (TCG) não teria envolvido partes independentes; (iv) como não houve pagamento de Imposto de Renda em razão do ganho de capital percebido, e como houve aproveitamento do ágio, a Fazenda Pública foi duplamente prejudicada; (v) como a operação não teve propósito negocial, ou teve propósito negocial prejudicado, a despesa com amortização do ágio deve ser considerada como desnecessária, nos termos do art. 299 do RIR. (vi) Adicionalmente, a fiscalização aplicou a multa de 150%, por entender ter sido caracterizado o intuito fraudulento, sob o fundamento da ocorrência de fraude e conluio. O Contribuinte, por sua vez, inicia sua impugnação contestando o argumento fiscal de que toda a transação teve como finalidade apenas a geração de ágio amortizável, ao apontar a notória relevância econômica do Grupo CVC no mercado de turismo no âmbito da América Latina, o que atraiu o interesse do Grupo Carlyle em investir na empresa, por diversas razões que indicavam um crescimento no futuro (expansão da classe média, Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil etc.). Frisese que a narrativa do Contribuinte é corroborada pelos fatos que se sucederam à aquisição, a exemplo da abertura de capital da CVC Brasil em 2013, que captou R$ 621 milhões e uma pública e notória expansão da franquia CVC. Aduz o Contribuinte que a cessão de ativos e passivos da CVC Tur para a CVC Brasil, bem como a cessão do controle da CVC Brasil para o GJP FIP, tinha como objetivo econômico preparar a empresa para receber novos investidores, otimizando as atividades operacionais, recebendo assim todos os ativos relacionados à atividade de intermediação de serviços turísticos restando na CVC Tur outros ativos não relacionados a esta atividade. Dois pontos devem ser assinalados aqui: a) Essa segregação de atividades de intermediação de serviços turísticos foi uma reorganização societária implementada pelo Grupo CVC, sem qualquer participação do Grupo Carlyle; b) Essa operação não trouxe qualquer economia tributária, mas simplesmente reuniu uma parcela significativa do business (intermediação de serviços turísticos) em uma única estrutura empresarial. Com base na estrutura societária da CVC Brasil e da CBTC resta claro que não há qualquer relação de interdependência entre as empresas ou entre seus acionistas, partes absolutamente desconectadas, tanto que o negócio foi feito sob condições estritamente mercadológicas, após uma longa transação que culminou no Contrato de Compra e Venda de Ações de fls.141/186. Nesse ponto, é preciso ressaltar que a fiscalização aduziu de forma equivocada que houve uma "liberalidade" na operação, pois a CBTC teria pago pela aquisição de 76,2% das ações da CVC, mas teria se contentado em receber 63,6% (fl. 1961): A resposta não é efetivamente satisfatória na medida em que é incompreensível alguém pagar o preço que foi pago (cerca de R$ Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 14 13 700 milhões) por certo percentual (76,2%) e depois ficar satisfeito em receber percentual inferior (63,6%) lembrando que a distribuição dos lucros é em função de percentual de participação. Como já foi elucidado anteriormente, o contrato abrangia a aquisição de ações e posteriormente a incorporação (cláusula 5.5), com reestruturação da estrutura acionária na forma já mencionada anteriormente (fl. 10 deste voto), que resultaria no percentual de 63,6% da CVC Brasil, após a incorporação da CBTC. Além disso, aduz o Contribuinte que a existência da CBTC seria essencial à realização do negócio, haja vista que parcela do pagamento foi feito através do endividamento da CBTC o investimento só foi viabilizado em razão dessa forma de adimplemento a prazo. Com a conclusão da aquisição, a CBTC foi obrigada pelo art. 385 do RIR/99 a avaliar o seu investimento segundo o MEP, desdobrando o custo total em i) valor do patrimônio líquido da adquirida e ii) o ágio da operação. Aduz também que a aquisição se deu com base em Laudo de Avaliação, com registro do fundamento econômico do ágio, os quais não foram questionados pela fiscalização, mormente por se tratar de uma transação entre partes independentes e não relacionadas, com base em sólidas projeções de retorno do investimento. Retomando o que foi dito anteriormente, o Contribuinte explica que a diluição na participação sofrida pelo BTC FIP em relação à participação que detinha na extinta CBTC (de 76,2% para 63,6%) devese ao fato de que, com a incorporação, a parcela da dívida contraída pela adquirente (decorrente do preço de aquisição financiado pela CVC Brasil), no valor de R$ 320 milhões, foi também transferido ao patrimônio do Contribuinte, em conjunto com o ágio reconhecido na transação. Quando da incorporação, o ágio registrado pela CBTC foi convertido em ativo diferido da CVC Brasil para fins fiscais, amortizável nos termos do art. 386, III do RIR/99. Da mesma forma, a dívida assumida pela incorporada passou a ser amortizada pela incorporadora, nos valores constantes no Laudo de Avaliação, a partir de suas receitas operacionais. Sobre isto, aponta o Contribuinte que a essencialidade da CBTC para a estrutura da aquisição se dava pela possibilidade de que parcela do endividamento tomado pelo grupo Carlyle pudesse ser transferido para a CVC Brasil, para que o financiamento fosse amortizado diretamente pelas atividades operacionais da investida. III) DO TRATAMENTO FISCAL DO ÁGIO A utilização das expressões "ágio" e "deságio" dizem respeito à existência de uma diferença de preço, a maior ou a menor, respectivamente, em relação a uma determinada referência de valor. Para os fins desse processo administrativo, o ágio a que se refere decorre de um sobrepreço pago na aquisição de investimento, decorrente da diferença entre o custo de aquisição pago e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição, nos termos do art. 385 do RIR/99. Como aduz Bulhões Pedreira, o ágio é "parte do custo de aquisição do investimento que corresponde ao direito de participar em valores que não se acham registrados Fl. 3246DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 15 14 na escrituração de controlada ou coligada" 1. Essa falta de registro decorre do fato de que o conceito de ágio na aquisição de participações societárias sempre esteve ligado à capacidade de geração de lucros anormais em razão de uma série de elementos que compõem a empresa (clientela, imagem, reputação, monopólio etc.), e que geram uma sinergia que potencializa a rentabilidade do investimento não se trata de um ativo identificável da empresa. Por razões óbvias, dada a subjetividade na avaliação dos lucros futuros, a contabilidade somente permite o reconhecimento do goodwill objetivo, decorrente de uma transação no mercado no qual se pagou um valor maior pela empresa do que a soma dos valores contábeis dos elementos de seu patrimônio líquido. Apenas com o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77 que a diferença entre o valor de aquisição e o valor contábil passou a ser relevante, e denominado de forma genérica de "ágio", abarcando três caracterizações diferentes: a) valor de mercado dos bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na contabilidade; b) expectativa de rentabilidade futura; e c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Passouse a exigir que na aquisição de investimento relevante em outra empresa caracterizandose a relação de coligada ou controlada a investidora deveria desdobrar o custo de aquisição em i) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e b) o ágio na operação. É o que dispõe o art. 20 e 21 do DecretoLei 1.598/77: Decretolei n. 1.598/77 Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Avaliação do Investimento no Balanço 1 BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. Finanças e Demonstrações financeiras da companhia. Rio de Janeiro: Forense, 1989, p.704. Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 16 15 Art 21 Em cada balanço o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no artigo 248 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e as seguintes normas: I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até 2 meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda. II se os critérios contábeis adotados pela coligada ou controlada e pelo contribuinte não forem uniformes, o contribuinte deverá fazer no balanço ou balancete da coligada ou controlada os ajustes necessários para eliminar as diferenças relevantes decorrentes da diversidade de critérios; III o balanço ou balancete da coligada ou controlada levantado em data anterior à do balanço do contribuinte deverá ser ajustado para registrar os efeitos relevantes de fatos extraordinários ocorridos no período; IV o prazo de 2 meses de que trata o item I aplicase aos balanços ou balancetes de verificação das sociedades, de que trata o § 4º do artigo 20, de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente. V o valor do investimento do contribuinte será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido ajustado de acordo com os números anteriores, da porcentagem da participação do contribuinte na coligada ou controlada. Nesse momento, entretanto, o registro segregado do ágio tinha finalidade meramente contábil, sem qualquer efeito tributário na investidora, com sua amortização feita contra conta de investimento, através de débitos ou créditos no seu lucro líquido, enquanto na investida o ágio era lançado como reserva de capital, não sujeito a amortização e sem afetar o resultado do exercício. As consequências tributárias, até então, somente se manifestavam na realização do investimento, com a sua alienação ou sua baixa, com apuração de ganho ou perda de capital, com base no art. 33 do DecretoLei 1.598/77. Com a Lei nº 9.532/97, especificamente em seu art. 7º (atual art. 386 do RIR/99) veio a possibilidade de amortização fiscal do ágio pago em razão de expectativa de rentabilidade futura, à razão de um sessenta avos por mês, nos casos em que a PJ investidora absorver o patrimônio da investida em virtude de incorporação: Art.386.A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): Fl. 3248DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 17 16 Ideverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; IIdeverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; IIIpoderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IVdeverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1ºO valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2ºSe o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): Io ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; IIo deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3ºO valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. §4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 18 17 de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). § 5ºO valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). § 6ºO disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Além disso, o art. 8º, "b" da Lei nº 9.532/97 previu expressamente a possibilidade da amortização fiscal do ágio nos casos da chamada "incorporação reversa", no qual a investida incorpora a investidora: Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Como exemplarmente explicado pelo Ilustre Conselheiro Luís Flávio Neto, a Lei nº 9.532/97 instaurou uma "fórmula operacional básica" para a amortização do ágio, assim descrita no Acórdão CSRF nº 9101003.395: A possibilidade de amortização das despesas de ágio por expectativa de rentabilidade futura, da forma prescrita pela Lei n. 9.532/97, depende do cumprimento de uma fórmula operacional básica, que pressupõe o fenômeno societário da absorção patrimonial, com a reunião (por incorporação, fusão ou cisão) do patrimônio da pessoa jurídica investidora com a pessoa jurídica investida, a fim de que o aludido ágio registrado naquela seja emparelhado com os lucros gerados por esta. Concretizada a absorção patrimonial exigida pelo legislador, o ágio apurado em aquisição precedente pode ser amortizado nos balanços levantados após a ocorrência de um desses eventos, ainda que a incorporada ou cindida seja a investidora (incorporação reversa). (...) Há quem aponte que os arts. 7o e 8o da Lei n. 9.532/97 veiculariam beneficio fiscal7. Para LUCIANO AMARO, tratarseia de “estímulo a investimento na aquisição de empresas privadas com perspectivas de crescimento de rentabilidade, como incentivo à geração de riqueza, de empregos e, como consequência, de incrementar a própria arrecadação tributária”. Fl. 3250DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 19 18 Ainda que tais efeitos indutores possam ser observados em alguns casos, parece mais correto compreender que os arts. 7º e 8º da Lei n. 9.532/97 enunciam mera norma de dedutibilidade para apuração fiscal, que inclusive limita quantitativamente a amortização do ágio em questão à fração 1/60 ao mês (ao contrário de “ampliar”, ao que seria um benefício), antes consumada em um único ato8. De benefício fiscal não se trata. O legislador simplesmente impõe que o sobrepreço em questão seja processado contra os lucros da empresa investida, cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição. Tratase de norma que regula a amortização fiscal de despesas com ágio por meio de uma fórmula operacional básica, bem como limita quantitativamente o exercício de tal direito à fração 1/60 ao mês. Portanto, cumprida a fórmula operacional básica, faz jus o contribuinte à amortização da fração de 1/60 por mês do ágio por expectativa de rentabilidade futura contra receitas futuras da empresa investida. São os elementos juridicamente relevantes para o teste de legitimidade da amortização os seguintes: a) Aquisição de investimento relevante com contraprestação de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura; b) Fluxo financeiro ou sacrifícios econômicos envolvidos na operação de aquisição; c) Desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial da investida e ágio ou deságio incorrido; d) A amortização do ágio deve se processar contra os lucros da empresa investida (cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição); e) Absorção da pessoa jurídica a que se refira o ágio ou deságio (investida) pela pessoa jurídica investidora (ou viceversa). IV) ANÁLISE DO CASO CONCRETO a) Um dos primeiros fundamentos invocados pela fiscalização é o de que a operação não teria se dado entre partes independentes, mas sim com um conluio entre elas para uma economia tributária: “conluio entre as partes a fim de obter a vantagem tributária pois se de um lado havia a necessidade de conceber uma empresa veículo (CBTC) do outro lado para complementar o planejamento haveria necessidade de construir uma empresa ao feitio para incorporar a primeira, como pode ser observada na resposta a nossa intimação sobre a motivação da criação da CVC BRASIL. (...)" A própria discussão sobre a exigência ou não da operação se dar entre partes não relacionadas já é objeto de discussões, visto que apenas com a Lei nº 12.973/2014 que a vedação ao "ágio interno" foi expressamente posta. A despeito disso, mesmo que se considere o conceito de partes não dependentes do art. 25 da Lei nº 12.973/2014, não há como prosperar a acusação fiscal, senão vejamos: Art. 25. Para fins do disposto nos arts. 20 e 22, consideramse partes dependentes quando: (Vigência) Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 20 19 I o adquirente e o alienante são controlados, direta ou indiretamente, pela mesma parte ou partes; II existir relação de controle entre o adquirente e o alienante; III o alienante for sócio, titular, conselheiro ou administrador da pessoa jurídica adquirente; IV o alienante for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge ou companheiro das pessoas relacionadas no inciso III; ou V em decorrência de outras relações não descritas nos incisos I a IV, em que fique comprovada a dependência societária. Não consta nos autos absolutamente nada que indique controle das partes envolvidas por uma mesma entidade ou controle de uma pela outra, ou mesmo qualquer espécie de relação entre os envolvidos que sirva como fundamento para questionar a observância do "arm's lenght" na operação. Inclusive, há que se frisar que o julgamento foi convertido em diligência em razão da acusação da PFN de que "as operações não teriam envolvido partes independentes", razão pela qual se exigiu a comprovação do ingresso de recursos no Brasil, utilizados na operação, demonstrando quem são os reais investidores e adquirentes do investimento. Questionada no bojo da diligência sobre os contrários de câmbio relativos ao ingresso de R$ 391.659.697,50, utilizados na capitalização da CBTC, respondeu o Contribuinte: Resposta: A Intimada obteve junto ao BTC FIP os contratos de câmbio de ingresso de recursos no país, em nome de cada um dos cotistas não residentes (Doc. nº 02). O valor total dos contratos de câmbio soma o montante de R$ 403.984.854,08. O valor líquido integralizado no FIP, deduzido do IOF de 2% aplicável à época, soma o montante de R$ 395.905.157,00. 018 Posteriormente, o BTC FIP utilizou parte do caixa recebido para aumentar o capital da CBTC no montante de R$ 391.659.697,50. A capitalização do BTC FIP com o capital estrangeiro restou absolutamente comprovado com os documentos de fls. 2.691 e seguintes. Os recursos utilizados para a capitalização da CBTC foram transferidos por 10 investidores no exterior para uma conta de depósito aberta junto ao Santander, para integralização e subscrição do capital da BTC FIP, no valor líquido consolidado de R$ 395.905.157,00, após a dedução do IOF. A participação de cada um dos investidores é sumarizada na seguinte tabela, elaborada pelo Contribuinte: Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 21 20 O relatório de fls. 2698/2699 aponta com precisão os valores indicados acima, segregados por investidor:, com o total do capital aplicado no fundo: Em seguida, nas fls. 2702 e seguintes, o contribuinte juntou o boletim de subscrição de cotas para todas as investidoras estrangeiras, o que comprova definitivamente a origem dos recursos integralizados na CBTC, e em fls. 2772 e seguintes juntou ata de assembleia geral de quotistas do BTC FIP, no qual todos são representados por uma única pessoa, demonstrando se tratarem de partes ligadas, em um investimento substancial conjunto. Ademais, juntou o Contribuinte os seguintes documentos: Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 22 21 Resposta ao TIF nº 1: foram apresentados documentos e informações acerca da composição do BTC FIP e da aquisição das cotas da CBTC: (A) contratos de câmbio de ingresso de recursos no país, em nome de cada um dos cotistas não residentes. De acordo com os contratos, foi demonstrado que o montante líquido integralizado no FIP foi de R$ 395.905.157,00; (B) documentos societários que comprovam a aquisição das cotas da CBTC pelo BTC FIP; (C) Balanço do BTC FIP demonstrando que o patrimônio líquido da entidade refletia o investimentos e aportes realizados em dezembro de 2009. • Resposta ao TIF nº 2: a Recorrida esclareceu como foi feito o investimento pelos cotistas não residentes e o fluxo financeiro dos recursos para a aquisição de participação societária relevante na CVC. A Recorrida também demonstrou que a CBTC, além de centralizar os recursos dos investidores não residentes, foi revestida de propósitos negociais e tornou possível a aquisição em si do novo investimento pelos fundos administrados pelo Grupo Carlyle; • 2ª Resposta ao TIF nº 2: mesmo já tendo apresentado vasta documentação comprovando a origem dos recursos aportados na CBTC e a existência de vários cotistas não residentes, a Recorrida solicitou prazo adicional de 15 dias para o levantamento dos comprovantes de transferência bancária dos recursos. Como tais documentos pertencem a terceiros (instituição financeira administradora do FIP), a Recorrida precisou solicitar autorização e aprovação para obter as informações, motivo pelo qual pediu prazo adicional à Fiscalização. No entanto, a Fiscalização decidiu encerrar o processo de diligência e lavrar o presente Relatório Conclusivo. A própria fiscalização, no relatório da diligência, entendeu estar comprovados os verdadeiros investidores e a origem dos recursos (fls. 2908/2909), mas afirmou que "não há vinculação entre os entes que contribuíram para o capital o a private equity Carlyle". Com a devida vênia, não há prova porque, de fato, não foi pedido ao contribuinte que juntasse os atos constitutivos de todas as empresas investidoras o que se demandou, para afastar a suspeita sobre relação entre as partes, foi a demonstração de que todos os recursos vieram de empresas do exterior, corroborando a narrativa apresentada pelo Contribuinte. A diligência, ademais, teve a vantagem de afastar uma confusão do TVF, que afirmava que o fluxo financeiro dos recursos utilizados para a compra teria origem em uma remessa feita pela TCG FBIE MANAGER (Delaware) diretamente para a CBTC fica claro, portanto, que os recursos não têm origem na sociedade TCG FBIE MANAGER, mas sim em diversos investidores não residentes que, por questões negociais e procedimentais, precisaram centralizar o investimento em uma entidade brasileira (CBTC) que efetuaria a aquisição da CVC no Brasil. Tratase de um caso que guarda alguma semelhança ao julgado através Acórdão CARF nº 1402001.954, no qual consta declaração de voto do Ilustre Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, onde reconhece na concentração de investimentos de diversos investidores um propósito negocial para a utilização de uma holding: Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 23 22 No que tange ao propósito negocial na constituição de ALNILAN, convencime de que havia diversas justificativas para que assim se procedesse, em especial em razão da participação de inúmeros investidores (muitos deles estrangeiros) e as dificuldades, algumas talvez intransponíveis, na obtenção de empréstimos necessários às aquisições realizadas (quer em razão da aprovação do financiamento, quer pela impossibilidade de concessão de empréstimos a estrangeiros e a fundos de participação). Há uma finalidade da CTBC de consolidação dos recursos carreados pelos investidores estrangeiros, como forma de viabilizar a compra da CVC Brasil. A decisão recorrida, inclusive, é absolutamente clara na sua análise: Ora, com a devida vênia, não se pode concordar com esse entendimento. Conforme bem observa a Impugnante, o fato de as partes interessadas conjuntamente definirem os contornos do negócio não retira delas o atributo de independência. Independência que, para fins de verificação da legitimidade de ágio, deve ser entendida como a ausência de submissão a um comando único, de ligações societárias preexistentes. Isso porque, caso esteja presente um comando único, restaria maculada a própria natureza bilateral do negócio e, por consequência, não haveria a possibilidade de o valor ajustado ser reconhecido como ‘preço’ e não se poderia falar em ágio. No raciocínio da Autoridade Fiscal, percebese claramente a ideia de que, com as partes teriam tramado para lesar o Fisco, passaram a estabelecer uma relação de interdependência. E nesse ponto, eu acredito que tenha havido uma confusão entre ‘cumplicidade’ e ‘interdependência’. Se, de fato, atuaram em conjunto para moldar um negócio que prejudicasse o Fisco, são cúmplices. Mas, ainda que se enquadrassem nessa condição de cúmplices, do ponto de vista negocial (que é o enfoque relevante para fins de verificação da legitimidade de ágio), permaneceriam ocupando polos de interesses antagônicos, haja vista a ausência de comando único. É tão evidente a possibilidade de partes distintas se manterem independentes mesmo que combinem a estruturação de um negócio, que creio ser desnecessário me alongar nesse ponto. Diante das circunstâncias postas, parecenos que não há como se caracterizar qualquer relação de dependência ou influência entre as partes envolvidas, não havendo que prosperar esse fundamento. b) Um segundo argumento é o da falta de propósito negocial e desnecessidade da CBTC para a operação acusação de que ela seria uma empresa veículo. A fiscalização aduz que a CVC Brasil poderia ter sido diretamente comprada pela BTC FIP, e que portanto a CTBC seria despicienda. Não nos parece que esse argumento possa prosperar. Isso se dá porque a aquisição não envolveu simplesmente o desembolso de recursos, mas também a contração de dívidas em relação à investida, como já demonstrado anteriormente, na análise do contrato de compra e venda. A estrutura de aquisição do controle societário do Contribuinte pela CBTC, com a captação de recursos obtidos por meio de dívida, sendo o valor do financiamento Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 24 23 relevante em relação ao preço total pago aos vendedores, é comum e normal no contexto de investimentos e aquisições de empresas. Essa prática ficou conhecida no mercado como "compra alavancada", ou, no inglês, "leveraged buyout" (LBO), e se tornou popular a partir da década de 1980. A compra alavancada consiste em transação em que o investidor adquire o controle societário de determinada empresa e uma parcela significativa do preço incorrido é financiada por meio de dívida tomada pelo comprador. A estratégia da compra alavancada geralmente consiste na criação de empresa específica que, com determinada parcela de capital próprio, capta recursos via dívida em valor relevante para realizar o investimento e, após a aquisição, o veículo e a empresaalvo são fundidas em uma só empresa, de forma que a empresa adquirida acaba por assumir a dívida tomada pelo investidor, com o seu pagamento através das receitas operacionais que serão geradas à partir daí. A única forma que o adquirente tinha de arcar com o montante pago na transação foi através de uma compra alavancada, o que já evidencia que o papel da CTBC na transação a sua incorporação pela CVC Brasil, como etapa da compra, tinha a função de garantir o adimplemento da pesada dívida assumida com as receitas futuras da investida, o que não poderia ter sido feito da mesma forma em relaçaõ ao BTC FIP. Independente da vantagem fiscal da amortização do ágio, a estrutura da operação de um compra alavancada da CVC Brasil, nas condições descritas, seria sempre a mesma, não haveria uma outra opção, pela necessidade de incorporar as dívidas contraídas na investida. E sequer se pode suspeitar de que a aquisição da dívida pela CVC Brasil fosse algum tipo de ardil, pois consta no autos planilhas comprovando os pagamentos dessa dívida, periodicamente, da forma como estipulado no momento da compra e venda. Tal fato também foi corretamente observado pela decisão recorrida: De qualquer forma, num primeiro momento, depois de absorver o conceito, considerei que seria um problema o fato de que, no presente caso, a dívida para a compra de ações da CVC BRASIL ter sido contraída pelo Grupo Carlyle junto ao próprio alienante, e não junto a terceiro, como uma instituição financeira, por exemplo. No entanto, analisando bem o caso, pude constatar que a dívida foi efetivamente contraída e suportada pelo Grupo adquirente. Ao longo de quatro anos, conforme reportado pela própria Autoridade Fiscal (jan/2010 a dez/2013), grande parte da dívida foi paga em prestações mensais que sempre estiveram na casa dos milhões de reais. Mais especificamente, da dívida de R$ 443.742.888,70 assumida pelo Grupo Comprador, até o dia 24/12/2013 foram pagos R$ 299.742.888,70 em parcelas mensais, restando em aberto, no dia 31/12/2013, o montante de R$ 144 milhões, conforme demonstrado na planilha de fl. 694, juntada pela Autoridade Fiscal. A estratégia assumida pelo Grupo Carlyle para adquirir o investimento na CVC Brasil demonstra que a dívida assumida era necessária à operação, e apresenta uma coerente racionalidade econômica e financeira, que confere um propósito negocial à CBTC, a despeito de sua existência efêmera. Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 25 24 Na pior das hipóteses, é inequívoco que a CBTC teve papel essencial à compra alavancada da CVC Brasil, afastando assim a tese fazendária de que não teria qualquer razão de ser. c) Aduz a fiscalização também que a CVC Brasil seria uma empresa veículo. Com a devida vênia, a fiscalização está utilizando a expressão "empresa veículo" em um sentido absolutamente diferente daquele usual nas discussões de amortização de ágio, visto que é característica típica da empresa veículo o seu desaparecimento, em razão do requisito da confusão patrimonial para que se possa amortizar o ágio contra o lucro dos exercícios seguintes. A CVC BRASIL não é uma empresa veículo. Na operação de aquisição de participação societária que se tem sob exame, ela não figurou como adquirente, e nem abrigou temporariamente o ágio até ser extinta. Na verdade, conforme ressalta o Contribuinte, a CVC BRASIL ainda existe, e encontrase em plena operação. Inclusive, após os eventos aqui analisados, foi submetida a um processo de abertura de capital, e ações de sua emissão são negociadas diariamente na BM&F/Bovespa. O fato dessa empresa ter recebido um aporte de ativos e passivos em um montante elevadíssimo, por parte da CVC Tur, não tem o condão de tornar ilegítimo o ágio gerado na sua alienação posterior. No máximo, como muito bem pontuado pelo relator a quo, poderiase discutir o montante do ágio gerado, em razão de um redimensionamento do capital social da CVC Brasil, que acabou "inflando" o valor gerado pela manutenção do capital social de R$ 60 mil, quando tinha um patrimônio líquido milionário. Mas esse ponto não foi suscitado pela fiscalização em sua autuação, não cabendo ao CARF fazêlo. d) Aduz a fiscalização que o GJF FIP não efetuou o pagamento do Imposto de Renda em razão do ganho de capital percebido. Novamente, não procede o argumento da fiscalização. A cessão das ações da CVC Brasil para o GJP FIP foi feito alguns dias antes do fechamento da transação, de modo que o acréscimo patrimonial decorrente da realização do investimento foi auferido pelo Fundo, e não pela pessoa física do Sr. Guilherme Paulus. Desse modo, o seu acréscimo patrimonial se deu apenas indiretamente, através da valorização das cotas do fundo, mas com a vantagem tributária do diferimento da incidência do Imposto de Renda, no caso dos Fundos de Investimentos em Participações, para o momento do resgate das quotas, conforme o art. 32 da IN SRF nº 1585/2015: Art. 32. Os rendimentos auferidos no resgate de cotas de FIP, FIF FIP e FIEE, inclusive quando decorrentes da liquidação do fundo, ficam sujeitos ao imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento) incidente sobre a diferença positiva entre o valor de resgate e o custo de aquisição das cotas. Desse modo, a despeito do ganho de capital verificado na operação, não há incidência do IR neste momento. Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 26 25 O fato de não haver o pagamento do IR não impede a amortização fiscal do ágio tratase aqui da incidência de regras distintas, ou melhor, no caso do IR sobre a valorização das quotas do FIP, tratase de não incidência. A fórmula operacional da amortização do ágio exige que a parte compradora arque com o ágio na aquisição, sem nada dispor sobre o ganho de capital da vendedora, que decorre de outras regras. Se a transferência da CVC Brasil para o GJF FIP é uma operação artificial para gerar um efeito lockout sobre a tributação da renda decorrente do negócio, isso é matéria que escapa aos lindes da discussão deste processo, mas nos parece fora de discussão que essa circunstância não tem o efeito jurídico de obstar a fruição do ágio pela compradora. Pois bem. Diante das considerações acima, entendemos que todos os fundamentos da autuação foram devidamente rechaçados, não havendo como subsistir a glosa da amortização do ágio. Para que não restem dúvidas, basta que se confira o atendimento à fórmula operacional: a) Aquisição de investimento relevante com contraprestação de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura: aquisição de parte da CVC Brasil pela CTBC, com desdobramento do custo de aquisição para evidenciar o ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura no valor de R$ 700 milhões, com base em Laudo de Avaliação (fls. 506 e seguintes) elaborado antes do fechamento do negócio. b) Fluxo financeiro ou sacrifícios econômicos envolvidos na operação de aquisição: Comprovação do dispêndio de caixa da CBTC no montante de R$ 257.011.651,80, conforme documentação bancária presente nos autos, bem como o endividamento da investidora perante a investida, relativamente o restante do custo, o qual vem sendo pago após a incorporação, com as receitas da CVC Brasil. c) Desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial da investida e ágio ou deságio incorrido desdobramento confirmado pela contabilidade da CTBC, com reconhecimento do ágio com suporte no Laudo de Avaliação; d) A amortização do ágio deve se processar contra os lucros da empresa investida (cuja expectativa de lucratividade tenha dado causa ao ágio quando de sua aquisição): as DIPJs do Contribuinte demonstram que o ágio era amortizado contra o lucro líquido apurado, no percentual de um sessenta avos do total. e) Absorção da pessoa jurídica a que se refira o ágio ou deságio (investida) pela pessoa jurídica investidora (ou viceversa): houve a confusão patrimonial com a incorporação da CTBC pela CVC Brasil, no contexto da compra alavancada. Portanto, não apenas os argumentos suscitados pela fiscalização não procedem, como também todos os elementos necessários para o atendimento à fórmula operacional da amortização fiscal do ágio estão atendidos, no presente caso. V) CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 27 26 É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Declaração de Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Analisando o voto do ilustre Relator, Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, em realidade, não possuo qualquer divergência em relação aos seus fundamentos, portanto, a bem da verdade, aproveito a presente declaração de voto para declarar meu total alinhamento com o voto condutor do aresto. Conforme bem elucidado pelo M.D. Conselheiro Relator, no Termo de Encerramento de Fiscalização, a partir da fl. 1964 dos autos, constam as razões da autoridade fiscal para não acatar a amortização do ágio objeto da controvérsia: (i) a CVC BRASIL seria uma empresa veículo; (ii) a CBTC também seria uma empresa veículo; (iii) a aquisição da participação societária na CVC BRASIL pelo Grupo Carlyle (TCG) não teria envolvido partes independentes; (iv) como não houve pagamento de Imposto de Renda em razão do ganho de capital percebido, e como houve aproveitamento do ágio, a Fazenda Pública foi duplamente prejudicada; (v) como a operação não teve propósito negocial, ou teve propósito negocial prejudicado, a despesa com amortização do ágio deve ser considerada como desnecessária, nos termos do art. 299 do RIR. Como muito bem abordado pelo voto do Ilustre Relator, não há que se falar em CVC BRASIL ser uma empresa veículo, entendimento sequer agasalhado pela PGFN em suas sustentações orais. Quanto à CTBC, restou evidente que sua utilização foi primordial para o próprio desenho da operação levada a efeito mediante alavancagem operacional, não sendo possível realizar a operação sem sua utilização, pois BTC FIP não poderia, por vedação legal, ser devedora na operação de aquisição do investimento. No que diz respeito à operação de aquisição envolver não ter envolvido partes independentes, novamente demonstrouse, à exaustão, que os recursos foram internalizados no Brasil tendo origem em diversos investidores, entre eles o Grupo Carlyle, todos sem qualquer vínculo, de qualquer espécie, com os alienantes do investimento. Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 28 27 A propósito, nem mesmo a tese defendida pela PGFN em sua primeira sustentação oral (que deu ensejo à Resolução nº 1301000.434, da qual foi redator do voto vencedor), de que o ágio teria se formado no exterior, foi confirmada, pelo contrário, pois a diligência realizada demonstrou que os recursos vieram de inúmeros investidores estrangeiros, sendo absolutamente necessária a criação de uma empresa no Brasil, no caso, BTC FIP, a fim de que a operação pudesse ser concretizada. Nesse mesmo sentido já me pronunciei no Acórdão CARF nº 1402001.954: No que tange ao propósito negocial na constituição de ALNILAN, convencime de que havia diversas justificativas para que assim se procedesse, em especial em razão da participação de inúmeros investidores (muitos deles estrangeiros) e as dificuldades, algumas talvez intransponíveis, na obtenção de empréstimos necessários às aquisições realizadas (quer em razão da aprovação do financiamento, quer pela impossibilidade de concessão de empréstimos a estrangeiros e a fundos de participação). [grifos nossos] Resta, portanto, justificado a estrutura utilizada na operação, tanto em relação à BTC FIP quando à CTBC, uma vez que ambas as empresas foram criadas com propósitos negociais extratributários. Em casos desse jaez, entendo que não se deve se apegar única e exclusivamente à capacidade operacional das sociedades de propósito específico, mas sim em seus propósitos negociais, em especial, o porquê de suas constituições e utilizações na operação. Conforme já tive a oportunidade de me pronunciar em inúmeros casos atinentes à amortização de ágio mediante utilização de “empresas de passagem” ou “empresas veículos”, há se analisar, em cada caso, se o único propósito de assim se proceder foi a economia tributária, ou, de modo diverso, se há outros propósitos negociais que justifiquem a constituição de tal empresa2. Houve um período em que este Tribunal Administrativo havia firmado entendimento no sentido de que, a amortização do ágio pago com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, com fulcro no art. 7º, inciso III da Lei nº 9.532/97, deve atender, inicialmente, a 3 (três) premissas básicas, quais sejam: o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Posteriormente, alterouse esse panorama, fixandose o entendimento de que, em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em 2 Nesse sentido, no Acórdão 1402001.954 votei por dar provimento ao recurso do contribuinte por entender justificada a utilização de uma empresa enquadrada como “veículo” pela autoridade fiscal lançadora, mas que restou configurada, em realidade, como sociedade de propósito específico, e não constituída com o fim único de angariar vantagem tributária de forma artificial. Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 29 28 laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Por decorrência, incluiuse nova premissa para que a amortização do ágio por rentabilidade futura fosse possível, qual seja, a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, ou viceversa, conforme prevê o art. 386, e seu inciso III, do RIR/99. No presente caso, não há dúvidas que a real investida (Autuada) e investidora (CTBC, em razão da operação de crédito) passaram a ser uma única pessoa jurídica (mediante incorporação reversa). No que diz respeito à ausência de recolhimento de ganho de capital pelos alienantes, não se tratando de pessoas ligadas, conforme já salientado, e não havendo restando controvertido o preço entabulado e pago (ainda que parcela do preço tenha sido pago a prazo na operação de alavancagem), deveria o Fisco ter cobrado os tributos devidos pelos alienantes, não podendo eventual omissão desses repercutir em aspectos fiscais dos adquirentes do investimento. Por fim, no que diz respeito aos argumentos levantados nos debates deste colegiado, lembro que, ainda que fossem procedentes, não foram alvo da fundamentação e descrição dos fatos por parte da autoridade fiscal autuante, sendo vedado aos órgãos julgadores alterar o critério jurídico utilizado no lançamento. A esse respeito, assim dispõe o §3º do art. 18 do Decreto nº 70235, de1972: Art. 18. [...] § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Conforme se observa, se houver agravamento da exigência inicial, ou ainda inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, deverá ser lavrado auto de infração complementar, ou seja, a autoridade que detém competência para alteração da fundamentação legal da exigência é aquela descrita no art. 142 do CTN, qual seja, a autoridade administrativa (Auditor Fiscal da Receita Federal), não podendo os órgãos julgadores fazerem o papel de autoridade lançadora. Marcos Vinícius Neder assim se manifestou sobre o tema: O segundo limite [para alteração do lançamento] referese à substância da alteração, pois impede a mudança do critério jurídico adotado pela autoridade administrativa na feitura do lançamento. O legislador protege o contribuinte das variações opinativas dos órgãos fazendários [art. 146 do CTN], vedando a revisão do lançamento em decorrência de mudanças supervenientes nos critérios jurídicos adotados pelo agente fiscal na expedição do lançamento anterior. Com efeito, o ato de Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 30 29 lançamento aplica a norma geral e abstrata aos fatos e, embora seja ato plenamento vinculado, admite certa margem de escolha quanto à adoção do critério jurídico na apuração do tributo. Ao fixarse determinado critério no exercício do lançamento ou da decisão administrativa, é defeso a autoridade administrativa, em revisão, alterálo para permitir a cobrança do tributo. (NEDER, Marcos Vinicius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3 ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 322) No mesmo sentido, assim leciona Luiz Henrique Barros de Arruda: O termo agravar, na acepção do Decreto n.º 70.235/72, não significa apenas tornar a exigência mais onerosa, mas compreende também modificar os argumentos que a suportam ou seus fundamentos, a exemplo do que requer a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento suplementar, nos termos do artigo 18, § 3.º (Arruda, Luiz Henrique Barros de. “Processo Administrativo Fiscal”, Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1994, 2.ª ed., p. 55) Corroborando tal entendimento há inúmeros precedentes do CARF, entre os quais destaco os seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que o lançamento está fundamentado em pressupostos outros que sequer foram ou puderam ser cogitados pela autoridade autuante, correspondente à verdadeira inovação no que pertine à valoração jurídica dos fatos, descabe à autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. Recurso provido em parte. (acórdão 20219174, sessão de 03/07/2008) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2001 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA INOVAÇÃO MOTIVAÇÃO – IMPOSSIBILIDADE. As razões que motivaram o lançamento não podem ser modificadas no decorrer do contencioso administrativo fiscal. É nula a decisão que inova na motivação do lançamento. (acórdão 2401000.197, sessão de 07/05/2009) Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 20/12/1997 a 31/03/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. SEGURANÇA JURÍDICA. PROTEÇÃO DA CONFIANÇA. A modificação de critério jurídico adotado pela autoridade tributária no exercício do lançamento, pela autoridade julgadora de primeira instância não é possível, ainda que se resulte em valores inferiores àquele originalmente lançado. A utilização de Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201445 Acórdão n.º 1301003.469 S1C3T1 Fl. 31 30 outro critério, diferente daquele originalmente utilizado, para a apuração do valor tributável mínimo do IPI, efetuado após diligência solicitada pela autoridade julgadora, configurase como mudança de critério jurídico, que somente produzirá efeitos para fatos futuros, conforme disposto no artigo 146 do CTN. Recurso Especial do Procurador Negado. (acórdão 9303 004.627, sessão 14/02/2017) Desse modo, encaminho meu voto no sentido confirmar a decisão recorrida e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 3263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901858/2014-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Relatório
A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais.
O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional.
Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.811.
Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior.
Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa:
* Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios.
* Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ.
* Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003.
* Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma:
"O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência).
Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)."
* Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS.
* Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei.
* As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico.
É o relatório.
Voto
Conselheiro Waldir Navarro Bezerra
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402-001.475):
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.811. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402-001.475):
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 85 8/ 20 14 -9 6 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.901858/201496 Resolução nº 3402001.487 S3C4T2 Fl. 3 2 O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08038.811. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PISCOFINS: artigos 149, 195, I "b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regramatriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13839.901858/201496 Resolução nº 3402001.487 S3C4T2 Fl. 4 3 de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/201427, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.475): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Como observado pela 5ª Turma da DRJ/FOR em decisão recorrida, a análise da questão está relacionada à classificação das comissões pagas a representantes comerciais como insumos, que geram direito ao crédito das contribuições, ou como despesas necessárias à atividade da empresa, sem vinculação ao processo produtivo e incapazes de gerar crédito na sistemática nãocumulativa. Assim alega a Contribuinte: i) Que é pessoa jurídica de direito privado e, na consecução de suas atividades comerciais, procede à contratação de representantes comerciais para escoamento de sua produção própria, sendo que tal modalidade de venda representa aproximadamente 87% do faturamento. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.901858/201496 Resolução nº 3402001.487 S3C4T2 Fl. 5 4 ii) Que a função desempenhada por tais representantes é notadamente imprescindível para sua cadeia produtiva, na medida em que estes são responsáveis pela intermediação dos negócios, com a prospecção de clientes e desenvolvimento do mercado, assim como participam diretamente no processo negocial, lançando os pedidos aceitos no sistema e formatando as cargas. Além do mais, frequentemente efetua a contratação do transporte das mercadorias vendidas. iii) Em razão do critério da essencialidade, é incontestável que os valores desembolsados quanto à atividade realizada pelos representantes comerciais devem ser entendidos como insumo na cadeia de produção e vendas dos produtos que fabrica, conformando base de cálculo para a assunção de créditos escriturais relativos às contribuições destinadas ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), já que está sujeita à sistemática de apuração nãocumulativa das referidas contribuições. Outrossim, a Recorrente apresenta em razões de recurso, o seguinte comparativo entre empresas que não possuem representantes comerciais, em especial no tocante ao direito de crédito: (i) – as pessoas jurídicas sem representante comercial terão 100% da receita para si; (ii) – já aquelas que se utilizam dos representantes não terão 100% das receitas para si, uma vez que uma parte ficará com eles a título de comissão, sendo de total plausibilidade assim o crédito par a bater PIS e COFINS. Constatase que o fundamento pelo qual a DRJ/FOR julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade se atém ao critério estabelecido pelo artigos 2º e 3º, II da Lei nº 10.637/2002, bem como da INSRF nº 247/2002. Vejamos: No presente caso, as comissões pagas aos representantes comerciais não podem ser consideradas como aplicadas ou consumidas diretamente na fabricação de bens destinados à venda. Tampouco podem ser considerados serviços adquiridos de pessoas jurídicas para a consecução das atividades principais da empresa. Assim, as comissões pagas aos representantes comerciais são despesas que não se caracterizam como insumos, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Este também é o entendimento da Solução de Consulta nº 98, da SRRF07/Disit, transcrito abaixo: (...) 17. Dessa forma, os bens e serviços que forem necessários ou essenciais para o desempenho da atividade da empresa mas que não puderem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços não se caracterizam como “insumos”, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.901858/201496 Resolução nº 3402001.487 S3C4T2 Fl. 6 5 18. Isso distingue os “insumos” das despesas dedutíveis para efeitos de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, que, de acordo com o art. 299 do Decreto nº. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), são todas aquelas despesas necessárias, usuais e normais para as operações da empresa. (...) Isso posto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade. Inicialmente, consignase que o contribuinte do PIS e da COFINS nãocumulativos, segundo as Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, tem direito de tomar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como “insumos” na fabricação de produtos destinados à venda. De fato havia divergências quanto ao conceito de insumos aplicável às contribuições sociais. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça concluiu através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma dos artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Por este precedente, o STJ declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, invocada para fundamentar a decisão recorrida, bem como declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, as quais restringiam o direito de crédito aos insumos que fossem diretamente agregados ao produto final, ou que se desgastassem com o contato físico com o produto ou serviço final. Outrossim, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em data de 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aceitando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo transcrita: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13839.901858/201496 Resolução nº 3402001.487 S3C4T2 Fl. 7 6 Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Em síntese, "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, são "todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes". Os critérios em referência devem ser aplicados casuisticamente, utilizandose do chamado “teste de subtração” do insumo, de modo a verificar a imprescindibilidade e a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Neste sentido, transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara m a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele i tem – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste d e subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13839.901858/201496 Resolução nº 3402001.487 S3C4T2 Fl. 8 7 Superada a discussão em referência, cabe a análise quanto à configuração da essencialidade ou relevância do representante comercial às atividades desenvolvidas pela empresa. Através do atos constitutivos, é possível verificar que a Recorrente tem por objeto social as seguintes atividades: Constatase, ainda, como atividade econômica principal a fabricação de artefatos de cimento para uso na construção (CNAE 23 30302) e, por atividade econômica secundária a seguinte descrição: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 52.11799 Depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis 46.79604 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente 23.49401 Fabricação de material sanitário de cerâmica 47.44001 Comércio varejista de ferragens e ferramentas 28.13500 Fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios Por sua vez, a Contribuinte argumenta desde a Manifestação de Inconformidade que mais de 80% (oitenta por cento) das vendas de produtos que comercializa ocorre por meio de representantes comerciais autônomos, que assumem papel imprescindível na consecução da atividade comercial da empresa, representando esta modalidade de venda em aproximadamente 87% (oitenta e sete por cento) do seu faturamento. Não obstante os fundamentos que embasam as razões recursais, o fato é que neste processo administrativo não há nenhuma prova que ateste a essencialidade da representação comercial na atividade da empresa Recorrente. Todavia, considerando a recente decisão proferida em sede de repercussão geral pelo Superior Tribunal de Justiça, resultando na incidência do artigo 62, § 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, em atenção à busca pela verdade material, fazse necessária a realização de diligência para uma melhor compreensão sobre as características da atividade desenvolvida pela empresa, possibilitando identificar se as despesas em análise configuram insumos que permitam o direito ao crédito em análise. Por tais motivos, nos termos previstos pelo artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13839.901858/201496 Resolução nº 3402001.487 S3C4T2 Fl. 9 8 Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722512/2014-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 25/11/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722512/201446 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.118 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO Recorrente MULTIMEX S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 25/11/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 25 12 /2 01 4- 46 Fl. 36106DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 36107DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.900, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 36108DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 36109DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 36110DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 36111DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 36112DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 36113DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 36114DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 36115DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 36116DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 36117DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 36118DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 36119DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 36120DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 36121DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 36122DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 36123DF CARF MF Processo nº 12466.722512/201446 Acórdão n.º 3301005.118 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 36124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720761/2009-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar o direito ao ressarcimento pedido e à compensação declarada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3002-000.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar o direito ao ressarcimento pedido e à compensação declarada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar o direito ao ressarcimento pedido e à compensação declarada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 07 61 /2 00 9- 16 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10660.720761/200916 Acórdão n.º 3002000.446 S3C0T2 Fl. 116 2 Trata este processo de Pedido de Ressarcimento de IPI, PER nº 15620.48350 310106.1.1.011050, referente ao 3º trimestre de 2002, no valor de R$ 1.800,25, cumulado com Declaração de Compensação com débitos de IRPJ de mesmo valor, Dcomp nº 17206.28516 310106.1.3.010820 (fls. 4 a 9). A Delegacia da Receita Federal em Varginha fundamentou a decisão denegatória no Parecer DRFB/VAR/Saort nº 652/2009 (fls. 33 a 35), onde consta que o crédito presumido de IPI do 3º trimestre/2002 já fora objeto de análise no processo nº 13660.000065/200384, do qual foram juntados a estes autos o Despacho Decisório e o Acórdão DRJ nº 0918.553 (fls. 12 a 27). Extraise desses documentos que, do pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI no valor de R$ 30.896,98, protocolizado em 28.01.2003, reconheceuse o direito a apenas R$ 5.567,37, em decorrência da glosa aos valores que não se enquadravam no conceito de matériaprima ou produto intermediário adotados pela Lei nº 9.363/1996. A compensação vinculada a este PER, protocolizada em 19.03.2003 (processo nº 13660 000115/200323), foi então homologada parcialmente. O contribuinte recorreu, mas a decisão foi mantida pela DRJ. Como consequência da utilização do crédito reconhecido em compensação no próprio processo nº 13660.000065/200384, além de negar o ressarcimento destes autos, a DRF Varginha não homologou a compensação. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 38 a 58), na qual alegou que transmitiu dois pedidos de ressarcimento de IPI, ambos relativos ao 3º trimestre/2002, sendo o primeiro, que consta do processo nº 13660.000065/200384, com fundamento na Lei nº 9.363/1996 e o segundo, destes autos, com fundamento na Lei nº 9.779/1999, e solicitou que fossem analisados separadamente. Requereu novamente a correção pela Selic. A Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 09 034.527 (fls. 79 a 82), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Ratificou a decisão tomada no processo nº 13660.000065/200384 e concluiu que, como o crédito reconhecido no outro processo foi lá mesmo totalmente aproveitado, nada restou para ser decidido no presente processo, nem quanto à taxa Selic, já que não sobrou crédito para ressarcir ou compensar. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada a insuficiência de crédito para a realização da compensação declarada, cumpre apenas ratificar a sua não homologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10660.720761/200916 Acórdão n.º 3002000.446 S3C0T2 Fl. 117 3 Crédito Tributário Mantido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 27.05.2011, conforme AR constante à fl. 87, e protocolizou o Recurso Voluntário em 14.06.2011, conforme carimbo aposto à primeira página da peça recursal à fl. 88. Em seu Recurso Voluntário (fls. 88 a 95), o contribuinte repisa os mesmos argumentos, sobre a existência de dois pedidos distintos, e reitera a correção do ressarcimento pela taxa Selic. Juntou ato de constituição e representação da empresa (fls. 96 a 112). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. O ponto central da defesa da recorrente repousa na afirmação de que há pedidos de ressarcimento distintos para o mesmo período e que tanto a Unidade de Origem quanto a Delegacia de Julgamento teriam decidido sobre um pedido de ressarcimento de créditos básicos a partir de uma análise sobre o pedido de ressarcimento de crédito presumido. Do PER nº 15620.48350.310106.1.1.011050 e da Dcomp nº 17206.28516 310106.1.3.010820, que iniciam o presente processo, extraímos que ambos são pedidos eletrônicos, transmitidos na mesma data, 31.01.2006, no valor de R$ 1.800,25 – apenas a capa dos pedidos foi juntada ao processo. Já do Despacho Decisório DRF/VAR/Saort proferido no processo nº 13660.000065/200384, retiramos que o contribuinte protocolizou um pedido de ressarcimento de R$ 14.176,17 em 28.01.2003 na Agência de São Lourenço e que mais tarde, em 19.03.2003, protocolizou duas declarações de compensação que vinculou ao pedido, dando a entender tratarse de solicitação feita em formulário (fl. 12). Na decisão da DRJ decorrente desse pedido vêse que é a análise de um ressarcimento de crédito presumido de IPI. Com os dados de que dispomos, sabemos que o pedido do processo nº 13660.000065/200384 referese a crédito presumido, mas não se sabe a que tipo de crédito de IPI se refere o pedido deste processo. Entretanto, o pedido destes autos foi analisado pela DRF Varginha, que afirmou tratarse de pedido em duplicidade, decisão essa confirmada pela DRJ de Juiz de Fora. Em tese, até poderia proceder a alegação, mas o que trouxe a recorrente aos autos para derrubar as duas decisões administrativas? Nada. Não dedica mais que cinco parágrafos, em um recurso de oito folhas, para combater o fundamento de denegação de seu pedido. E nenhum documento. Seria muito simples demonstrar o direito neste caso. Bastaria que a recorrente juntasse o PER nº 15620.48350.310106.1.1.011050 integral aos autos, pois, a depender do Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10660.720761/200916 Acórdão n.º 3002000.446 S3C0T2 Fl. 118 4 tipo de crédito solicitado, há seções distintas no pedido, que mostram de forma inquestionável a que se refere. Em um pedido de ressarcimento de crédito presumido podemos ter, por exemplo, a ficha “Notas Fiscais de Venda para Empresa Comercial Exportadora” ou “Crédito Presumido de Matriz Não Contribuinte do IPI”, ao passo que em um pedido de crédito básico devemos ter a ficha “Livro Registro de Apuração do IPI no Período do Ressarcimento Entradas”, por meio da qual vamos ver qual a classificação CFOP das compras realizadas, seus valores e quais delas foram classificadas como entrada de mercado nacional, entrada de mercado externo, crédito presumido, crédito extemporâneos ou outros créditos, ou a ficha “Notas Fiscais de Entrada/Aquisição” na qual consta o valor do IPI destacado em cada nota de entrada e o valor creditado no RAIPI. Dessa forma, a mera apresentação do pedido de ressarcimento, formulado e transmitido pelo próprio contribuinte, documento de fácil acesso, tornaria inafastável a sua reclamação e determinaria outro curso a este processo. Segundo a legislação relativa ao processo administrativo fiscal, em um processo de ressarcimento a produção da prova cabe ao requerente, que deve produzila, por meio de alegações e documentos, no momento da interposição da manifestação de inconformidade. A verse o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) E o Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifado) Portanto, na ausência de demonstração mínima da existência de erro, entendo que não cabe a adoção de providências que venham a estender este julgamento por tempo indeterminado sem um fundamento consistente para essa decisão. É de se ressaltar que a busca da verdade material é um princípio caro ao direito tributário, que norteia as decisões tomadas neste Colegiado, mas, ao mesmo tempo, não se pode olvidar que não é o único a reger o processo administrativo. Devemos também zelar pela eficiência e pelo tempo razoável do processo. Assim, o sobrestamento de um julgamento ou a sua conversão em diligência devem estar necessariamente amparados em dúvida Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10660.720761/200916 Acórdão n.º 3002000.446 S3C0T2 Fl. 119 5 minimamente demonstrada nos autos. E a demonstração do erro cabe a quem entende ter sido lesado por uma decisão equivocada. Uma vez não demonstrada a existência de crédito passível de ressarcimento, não há que se falar em sua correção pela taxa Selic (não há mais objeto para a correção) ou em compensação, que somente é possível para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Concluo que a recorrente não logrou fazer prova de seu direito creditório, ficando prejudicada a análise sobre a aplicação da taxa Selic sobre eventual crédito de IPI. Como não há crédito passível de ressarcimento, não há possibilidade de homologação da declaração de compensação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000108/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2002
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, DESCUMPRIMENTO.
Deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, através de GFIP, os dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, constitui infração punível na forma da Lei.
Numero da decisão: 2301-005.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, não reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário, vencido o conselheiro Wesley Rocha, que entendia decaídos os períodos de 04/1999 a 06/1999; (b) por unanimidade de votos, nas demais matérias, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, DESCUMPRIMENTO. Deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, através de GFIP, os dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, constitui infração punível na forma da Lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, não reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário, vencido o conselheiro Wesley Rocha, que entendia decaídos os períodos de 04/1999 a 06/1999; (b) por unanimidade de votos, nas demais matérias, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, DESCUMPRIMENTO. Deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, através de GFIP, os dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, constitui infração punível na forma da Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, não reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário, vencido o conselheiro Wesley Rocha, que entendia decaídos os períodos de 04/1999 a 06/1999; (b) por unanimidade de votos, nas demais matérias, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 01 08 /2 00 7- 12 Fl. 606DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Campinas / SP, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 002, a autuação referese a recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. O descumprimento ocorreu, segundo o Fisco, devido análise das demonstrações ambientais — Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA, Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional — PCMSO e Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho LTCAT, onde se concluiu que os dados lançados nesses documentos foram insuficientes para comprovar que os empregados não estão expostos a agentes nocivos â saúde ou a integridade física, que dão ensejo à aposentadoria especial, nos termos do artigo 57 e 58 da Lei 8.213/91, mas, ao contrário, evidenciam a existência de condições especiais de trabalho, notadamente em relação ao agente nocivo RUIDO, conforme medições acima dos limites de tolerância (NR 15 MTE), apresentadas pela empresa, relativamente ao estabelecimento matriz, no período de 04/1999 a 04/2002. Considerando que os trabalhadores expostos não foram informados em GFIP com o código 4 no campo ocorrência, e que a partir da competência 04/1999 esta infração passou a ter multa graduada na forma do artigo 284, inciso II do Decreto 3048/99, com a redação dada pelo Decreto n°4.729 de 9/06/2003, foi lavrada a autuação com fundamento no artigo 32, IV, § 5° da Lei 8212/91, na redação dada pela Lei 9.528/97. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos da autuação. Em 13/07/2004 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a partir das fls. 024, acompanhada de anexos, onde alegou, em síntese, que: 1. Está patente o bis in idem, diante da dupla autuação da empresa, instituto este repudiado no ordenamento jurídico pátrio; 2. Destarte, deve ser reconhecida a autuação em duplicidade, para que seja julgado insubsistente o vertente auto de infração; 3. A exigência do adicional de SAT é inconstitucional; 4. A empresa está autorizada judicialmente a não recolher o adicional ao SAT, estando a autoridade fiscal impedida de praticar qualquer ato tendente a exigir a contribuição em comento; 5. O julgamento deste auto de infração depende do julgamento dos lançamentos referentes às obrigações principais; 6. Já que a empresa foi autuada em decorrência do recolhimento do SAT majorado, somente se determinar que efetivamente as atividades de TODOS os empregados da Fl. 607DF CARF MF Processo nº 17546.000108/200712 Acórdão n.º 2301005.597 S2C3T1 Fl. 3 3 área de produção devem ser consideradas insalubres e as respectivas remunerações devem compor a base de cálculo da contribuição é que a empresa estaria supostamente infringindo ou deixando de informar a GFIP; 7. A autuada junta à presente uma listagem de CADASTRO DE EM onde consta a vida útil de cada equipamento de proteção individual, a quantidade consumida por mês e os dois fornecedores cadastrados pela empresa (os quais atendem às exigências previstas na respectiva NR); 8. Assim, não há que se falar na existência de condições insalubres que determinem o recolhimento do SAT majorado. Em assim sendo, como decorrência lógica, não haveria que se falar do lançamento desta informação na GFIP, objeto da autuação ora impugnada; 9. Solicita realização de perícia; e Face ao exposto, o Auto de Infração deverá ser julgado insubsistente e a defendente deverá ser liberada de qualquer penalidade. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, a partir das fls. 0121. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, a partir das fls. 0133, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. O não atendimento de seu pedido de perícia cerceia seu amplo direito à defesa; 2. O processo deve ser sobrestado, pois há medida judicial que discute a exigência de adicional de SAT; 3. O arbitramento levado a efeito não respeita os parâmetros legais, ao contrário do alardeado na decisãonotificação, razão pela qual não merece vingar; 4. Considerando a interpretação gramatical e sistemática da lei, bem como das frágeis argumentações lançadas no relatório fiscal (elaborado com base exclusiva nos documentos analisados e que já foram objeto de imposição de multa), e acolhidos pela decisão ora impugnada, não se poderia concluir que todos os empregados da empresa estariam sujeitos às condições especiais de trabalho, ainda mais por presunção; 5. O uso de EPI é válido e surte efeito na neutralização da nocividade do ruído; 6. Também para corroborar a documentação produzida unilateralmente pela empresa é que a perícia seria viável: este meio de prova seria apto para corroborar o efeito do uso do EPI como informado pela recorrente; 7. Não poderia o nobre julgador ter baseado sua decisão em alegação de não preenchimento das formalidades e materialização do PPRA; 8. Mister a realização de perícia in loco; 9. Face ao exposto, o vertente recurso deve ser conhecido, acatandose as preliminares de cerceamento de defesa, para determinar seja feita a prova pericial essencial aos Fl. 608DF CARF MF 4 esclarecimentos dos fatos e sobrestamento do feito diante da existência de ação judicial questionando a constitucionalidade da lei instituidora do SAT majorado. A Quarta Câmara (CAJ), do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), analisou os autos e converteu o julgamento em diligência, a fim de sobrestar a análise, devido os lançamentos referentes à obrigação acessória terem sido anulados por vício formal, fls. 0172. A Delegacia enviou novamente o processo, devido os lançamentos terem sido refeitos e enviados ao Conselho, fls. 0178. A Segunda Turma, da Quarta Câmara, do CARF analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, para que fosse informado, por Parecer Fiscal, a atual situação do processo por descumprimento de obrigação principal, anexando cópia de suas respectivas decisões. Também foi destacado, na solicitação de diligência, que após a emissão do Parecer o Fisco deveria dar ciência da decisão e do Parecer citado à recorrente, para, caso desejasse, apresentasse novos argumentos, no prazo de trinta dias de sua ciência. Em 15 de maio de 2014, foi emitida a Resolução n. 9202000.457 (Fls. 375 e ss), pela qual o julgamento foi convertido em diligência para ciência do sujeito passivo, abertura de prazo para apresentação de suas razões e elaboração de parecer fiscal conclusivo. Em Informação Fiscal (fls. 383 e ss), a fiscalização informa que 2. Atendendo ao solicitado pelo CARF temos a informar que a Notificação Fiscal referente à obrigação principal e relacionada aos mesmos fatos geradores do presente auto de infração (35.639.6681), portanto conexos, encontrase sob o nº de processo 35601.004434/200698, correspondente ao DEBCAD nº 35.957.3380. 3. Através de consulta no sistema eprocesso, verificamos que os fatos geradores e os valores das contribuições devidas na NFLD nº 35.957.3380 ~(vide DADDiscriminativo Analítico de Débito, em fls. 510 a 516 desta NFLD) são os mesmos lançados no AI nº35.639.6681, conforme respectiva planilha constante no item 2 do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (vide fls.279/280 deste AI). 4. Para a NFLD nº 35.957.3380, houve apresentação de impugnação, para a qual a DRJ julgou improcedente, mantendo se o débito. 4.1. Contra o julgamento de 1ª instância, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, para o qual a 1ª Turma Ordinária /3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF através de seu Acórdão nº2301004.086 de 17/07/2014, decidiu pelo provimento parcial quanto a decadência das competências anteriores à 11/2001 e recálculo da multa se mais benéfica ao contribuinte, com base na alteração da Lei 8.212/91pela Lei 11.941/2009, remetendo ao Art. 61, da Lei nº 9.430/96. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 17546.000108/200712 Acórdão n.º 2301005.597 S2C3T1 Fl. 4 5 4.2. Em 17/09/2014 a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração contra a Decisão do CARF, ainda em andamento no próprio CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da Decadência Tendo em vista que o presente processo trata de obrigação acessória, não há que se falar em aplicação da regra decadencial do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, que exige pagamento parcial. Como conseqüência, a regra decadencial aplicável é a do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, de modo que no presente processo não há períodos decaídos no tocante às obrigações acessórias. Da Questão do Arbitramento da Base de Cálculo do SAT Para a Recorrente partiu a Fiscalização do pressuposto que todos os funcionários que trabalham na linha produtiva da empresa estão sujeitos à contribuição previdenciária especial para aposentadoria, mas que é um equívoco. Isto porque lançou e incluiu no cálculo o valor total da remuneração destes funcionários. Entretanto, diferentemente do que argúi a Recorrente, tenho que a Fiscalização não colheu de forma alheatória os valores para exercer a autuação, eis que fulcrouse em peças existentes nos autos e fornecidas pela Recorrente, ou seja, na remuneração dos empregados da linha de produção. Sem razão. Da Presunção Utilizada pela Fiscalização e da Descaracterização das Condições que Ensejam a Aposentadoria Especial Diz que sempre cumpriu as regras relativas ao ambiente de trabalho, mas que a presunção indevida da Fiscalização levou à presente autuação. Alega que, referente à exposição aos ruídos no local do trabalho, nas áreas de produção, não se pode incluir todos os empregados do setor, como vez a Fiscalização, com base no fato de ela, anteriormente assim proceder, ou seja, onde contribuía como se todos estivessem expostos. Isto porque, hodiernamente, efetua um gerenciamento do ambiente de trabalho e controla os riscos ocupacionais neutralizando ou reduzindo o agente físico ruído a índices aceitos pela legislação. Fl. 610DF CARF MF 6 A legislação não deixa margem de dúvida de que a aposentadoria especial não se confunde com o seguro de acidente de trabalho, já que este, enquanto medida de proteção de caráter geral, visa a tutela ampla e irrestrita do trabalhador, sendo custeado a partir de adicional de contribuição incidente sobre a folha de pagamento, abrangendo, como base de cálculo, a totalidade da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados. A aposentadoria especial, ao contrário, pressupõe uma situação de risco maior e mais específica do que o seguro de acidente de trabalho, de forma a incidir tão somente sobre a remuneração do segurado que, além de estar sujeito aos riscos normais do acidente de trabalho, desenvolve suas atividades em um regime de risco mais agravado, que permitirá aposentarse mais cedo. Assim, em relação à contribuição à aposentadoria especial, a incidência pressupõe a demonstração de dois elementos específicos: a) situação de exposição a agentes nocivos em limites e período acima do tolerado; e, cumulativamente, b) não eliminação e/ou neutralização da exposição por equipamentos de proteção coletiva e individual. A Fiscalização e a Recorrente não divergem quanto a exposição a agentes nocivos em limites e período acima do tolerado, admitindo que os segurados empregados que atuam nos setores de montagem, transformação, pintura a pó, esmaltação, ferramentaria e manutenção estão expostos a agente nocivo ruído, estando tal agente presente em níveis superiores ao permitido, conforme laudos ambientais constantes dos autos. A questão toda está na divergência quanto a manutenção ou não da exposição, diante do adequado ou não gerenciamento dos riscos ambientais patrocinado pela Recorrente, capaz de neutralizar os efeitos dela (exposição) à saúde de todos dos setores, exigindo aposentadoria especial. E para deslinde da questão, socorrome da decisão de piso que muito bem transcreveu a situação, concluindo pela improcedência do gerenciamento anunciado, eis que não é assaz para determinar a não contribuição para aposentadoria especial, fazendo dela minhas palavras: DA NEUTRALIZAÇÃO DA EXPOSIÇÃO AO AGENTE NOCIVO O lançamento se fundamenta, basicamente, a partir de confirmada a exposição – sobre a qual não há discordância entre a fiscalização e o contribuinte –, em verificar se as medidas de controle adotadas pelo contribuinte foram suficientes à neutralização da exposição. Neste ponto situamse as questões relativas ao rodízio de atividades entre segurados que atuam nos setores de montagem, transformação, pintura a pó, esmaltação, ferramentaria e manutenção, bem assim, o fornecimento e utilização de Equipamentos de Proteção Individual – EPI, e, por fim, os resultados anormais constantes dos relatórios do PCMSO. No tocante ao rodízio de segurados, mesmo que se entenda que o rodízio seria capaz de minimizar a exposição dos segurados ao agente nocivo, não há prova nos autos de que o rodízio se operou efetivamente, tampouco de que os segurados tiveram a exposição ao agente ruído minimizada por algum tempo em sua jornada pelo fato de estarem em local físico diverso daquele onde originalmente trabalham. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 17546.000108/200712 Acórdão n.º 2301005.597 S2C3T1 Fl. 5 7 À fl. 885 dos autos o contribuinte junta planilha não preenchida relativamente ao programa mensal de rodízio de atividades, em formulário próprio à GE Dako. Todavia, não consta dos autos qualquer demonstração de efetivação deste rodízio em relação ao período de 04/1999 a 04/2002. Outrossim, o PPRA datado de 12/09/2002 informa, em relação aos setores considerados pela fiscalização que os funcionários a estes relativos permanecem de forma habitual e permanente, não ocasional nem intermitente, movimentandose por seus postos durante toda a jornada de trabalho (item 01 do campo “OBS”), de forma que não considera a existência de rodízio; antes, afirma que a circulação se dá no mesmo ambiente onde se concentra a exposição. Conclusão diversa consta do PPRA relativo ao ano de 2003, datado de 21/11/2003. Neste documento, o mesmo item 01 da “OBS” traz a seguinte afirmação: “Os funcionários realizam rodízio trabalhando em vários postos de trabalho durante toda a jornada de trabalho.” (setores de transformação, manutenção; pintura a pó, esmaltação, montagem – item 03 da “OBS”). Dessa forma, embora não haja planilha ou outro documento interno que comprove a efetividade do sistema de rodízio, pelos PPRAs constantes dos autos, não há demonstração de que tenha havido rodízio. Portanto, tenho como solucionado este questionamento nestes termos, projetandose este entendimento ao final deste voto. Este fator, ou seja, a não configuração e comprovação do rodízio de funcionários no setor de produção já me convence da necessidade de se exigir o adicional da contribuição especial. Mas, não é só, eis que, como dito alhures, os EPI’s, não substituem a aposentadoria especial. De mais a mais os resultados dos Programas de Controle Médico e Saúde Ocupacional – PCMSO, existentes nos autos demonstram altos índices de anomalias. Assim, rejeito a tese recursiva. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, não reconhecer a decadência e negarlhe provimento. É como voto. Alexandre Evaristo Pinto Fl. 612DF CARF MF 8 Fl. 613DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000668/2007-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/08/2004
LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Quando a fiscalização deixa de consignar no relatório fiscal, juntamente com os seus anexos, todas as informações de fato e de direito necessários a plena compreensão dos fundamentos do lançamento, bem como aptas a demonstrar de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas, deve ser acatado o pedido para o reconhecimento da insubsistência do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos restou consignado vício formal.
Numero da decisão: 9202-007.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para considerar a natureza do vício como formal. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para considerar a natureza do vício como formal. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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NULIDADE. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Quando a fiscalização deixa de consignar no relatório fiscal, juntamente com os seus anexos, todas as informações de fato e de direito necessários a plena compreensão dos fundamentos do lançamento, bem como aptas a demonstrar de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas, deve ser acatado o pedido para o reconhecimento da insubsistência do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos restou consignado vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para considerar a natureza do vício como formal. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 06 68 /2 00 7- 16 Fl. 510DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 230101.559, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.694.9834, consolidado em 29/09/2004), relativo a contribuições sociais devidas ao INSS que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 88/90) deixaram de ser recolhidas em virtude de compensação realizada pela empresa. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 122/136. A DRJ/SDR, às fls. 401/405, julgou, preliminarmente, pela nulidade do lançamento por defeito nos requisitos essenciais de sua constituição, vez que o crédito foi efetuada na rubrica “19 – Glosa de Compensação”, código este que não deve ser usado, por omitir a fundamentação legal da própria contribuição que deixou de ser recolhida. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 406/409, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/03 a 31/08/2004 AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Um dos princípios da administração pública é a motivação dos atos administrativos, sua ausência acarreta a nulidade do lançamento por vício formal. Às fls. 413/414, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, alegando contradição do julgado, porém, restaram os mesmos rejeitados, à fl. 415. Às fls. 420/424, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Nulidade. Inexistência de vício/vício formal versus vício material. Informa o Contribuinte que a jurisprudência do CSRF firmou orientação no sentido de que “não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo”. Arguiu, ainda, que a descrição dos fatos, bem assim a metodologia utilizada para cálculo do crédito tributário encontramse satisfatoriamente postas nos autos. Todos os elementos essenciais à autuação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Porém, o acórdão recorrido decidiu por anular o auto de infração sob o argumento de que a imprecisão da capitulação legal da infração praticada pelo contribuinte é Fl. 511DF CARF MF Processo nº 11330.000668/200716 Acórdão n.º 9202007.319 CSRFT2 Fl. 10 3 causa de vício insanável do lançamento. O Contribuinte requereu ao final que, na hipótese de não reformar a sentença que anulou o lançamento, seja anulado o Auto de Infração, porém, por vício formal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 425/427, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Nulidade. Inexistência de vício/vício formal versus vício material. Cientificado à fl. 434, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 437/445, requerendo a manutenção da decisão. Às fls. 468/469, o Contribuinte requereu a regularização da representação processual, com a juntada dos documentos pertinentes já entregues anteriormente. Vieram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.694.9834, consolidado em 29/09/2004), relativo a contribuições sociais devidas ao INSS que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 88/90) deixaram de ser recolhidas em virtude de compensação realizada pela empresa. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso de Ofício. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Nulidade. Inexistência de vício/vício formal versus vício material. O Contribuinte alega que Para o melhor deslinde da questão é importante observar a questão de prova bem delimitada e decidida pelo acórdão do colegiado a quo: Fl. 512DF CARF MF 4 " A Fazenda Nacional argumenta que o correto seria, nos mesmo termos do paradigma, anular o lançamento em face de deficiência na atividade da autoridade fiscal, conceituando, entretanto, tal vício como formal, permitirá o reinício do prazo para lançamento, nos termos do art. 173, II, do CTN (relançamento). Tratase de valores glosados de compensações originadas na transação de cessão de crédito tributário. A mera indicação de "glosa de compensação" não demonstra a ocorrência do fato gerador, vez que do auto de infração não se pode depreender o motivo da glosa. Assim, em que pese o argumento da Fazenda Nacional, entendo que o auto de infração padece de deficiência oriunda da ausência de êxito da fiscalização em demonstrar a correta comprovação do fato gerador, identificando as competências e valores nas quais houve a ocorrência do fato gerador, bem como o motivo da glosa do procedimento de compensação tributária, motivo pelo qual deve ser cancelado o Auto de Infração de obrigação principal, por vício formal o qual consiste em vício irreparável ao lançamento, eis que materialmente este não se sustenta. Isso por que como bem apontado pelo Conselheiro Julio César Vieira Gomes CARF, Processo nº 19994.000022/201032. 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, a descrição do fato precisa demonstrar claramente a ocorrência do fato gerador: No caso do ato administrativo de lançamento, o auto de infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11330.000668/200716 Acórdão n.º 9202007.319 CSRFT2 Fl. 11 5 ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material. (...)” () Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito dar parcial provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 514DF CARF MF
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