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Numero do processo: 10283.721293/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais há comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações não são caracterizados como omissão de receitas.
Numero da decisão: 1401-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais há comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações não são caracterizados como omissão de receitas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais há comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações não são caracterizados como omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 93 /2 00 8- 52 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10283.721293/200852 Acórdão n.º 1401001.343 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório constante da decisão de piso, fls. 98: Versa o presente processo sobre auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Programa de Integração Social PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor total de R$ 1.220.792,55, incluídos os acréscimos legais, referente ao anocalendário de 2004. A autuação fiscal arbitrou o lucro com base na receita bruta conhecida e fundamentouse em depósitos bancários efetuados em moeda corrente, não comprovados, embora tendo sido o contribuinte devidamente intimado. Cientificado do lançamento em 23/12/2008 apresenta impugnação em 21/01/2009 onde alega em síntese que: 1. o fisco intimou a autuada a comprovar com documentação hábil e idônea, a efetividade da entrega do numerário ao caixa da PJ, a título de integralização de aumento de capital, o que foi feito com recibo interno; 2. em seguida, o fisco aceitou como caracterizado que a efetiva entrega do numerário somente ocorreu, por ocasião dos depósitos em dinheiro nos Bancos Rural e Bradesco; 3. se os depósitos têm origem na integralização de capital do sócio, não há que se falar em depósito de origem não comprovada, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96; A 1ª Turma da DRJ Belém, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 97: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais há comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações não são caracterizados como omissão de receitas. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10283.721293/200852 Acórdão n.º 1401001.343 S1C4T1 Fl. 4 3 A referida decisão foi submetida à apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10283.721293/200852 Acórdão n.º 1401001.343 S1C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Tratase de autuação efetuada com base em depósitos bancários para o ano calendário de 2004. Em sua defesa, a contribuinte sustentou que os depósitos em questão tiveram origem na integralização de capital do sócio, portanto, não haveria que se falar em depósito de origem não comprovada, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96. A decisão de piso, com base nos elementos constantes dos autos, constatou ser incabível o arbitramento com base em omissão de receitas detectada por intermédio da movimentação bancária para o citado anocalendário de 2004. Para maior clareza, transcrevo o seguinte trecho da decisão de piso, 99: Na descrição dos fatos o fiscal autuante afirma que ficou caracterizado que a efetiva entrega dos numerários somente ocorreu por ocasião dos depósitos em dinheiro nos Bancos Rural e Bradesco, configurando omissão de receita em igual valor, nos termos do artigo 287 do RIR/99. O enquadramento legal foi capitulado nos artigos 25 e 42 da Lei n° 9.430/96. A fim de explicitar o argüido pela impugnante, passase à análise da autuação efetuada com base em depósitos bancários para o anocalendário de 2004. No processo verificase, às fls. 48/49, que foi escriturado no Livro Diário, a integralização de capital, pelo sócio José Lopes Júnior, do valor de R$ 6.200.000,00, em 29/03/2003 e em 27/03/2003 consta escrituração de empréstimo ao mesmo sócio, no mesmo valor. Em auditoria, a autoridade fiscal identifica que o retorno do empréstimo à empresa só ocorreu efetivamente no ano calendário de 2004, portanto, está devidamente comprovado, conforme sua própria afirmação, que os depósitos bancários referemse à integralização de capital do sócio, no valor de R$ 6.200.000,00. Ora, se a devolução do empréstimo ocorreu em 2004, está claro que não houve a integralização do capital em 29/03/2003, como escriturado no Livro Diário, tendo provavelmente a omissão de receita ocorrido no anocalendário de 2003. Assim, no caso presente caso, não cabe o arbitramento com base em omissão de receitas detectada por intermédio da movimentação bancária para o anocalendário de 2004. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10283.721293/200852 Acórdão n.º 1401001.343 S1C4T1 Fl. 6 5 Concordo inteiramente com a conclusão exposta na decisão de piso. De fato, é fato patente que não ocorreu a integralização de capital em 29/03/2003, ao contrário do que foi escriturado no Livro Diário. Conseqüentemente, é forçosa a conclusão de que a omissão de receita provavelmente ocorreu no anocalendário de 2003, e não no anocalendário de 2004, conforme consta do presente lançamento. Conclusão Diante do exposto, considero que o presente recurso de ofício não merece ser provido. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10814.009677/2005-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 25/02/2003
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-000.982
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 25/02/2003 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado
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RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 30/04/2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Helder Massaaki Kanamaru. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/01601989, em 25/02/2003 (fls. 6/9), no valor de R$ 2.096,29 (Dois mil e noventa e seis reais e vinte e nove centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 50 das Medidas Provisórias n's. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40% (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1° I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF), o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 41/42), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI – INDEFERIMENTO Em 25/02/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/01601989, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 28/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 2.096,29 (dois mil e noventa e seis reais e vinte e nove centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 21 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009677/200513 Acórdão n.º 310200.982 S3‐C1T2 Fl. 163 3 O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Divida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 a Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 45). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 45). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º, art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Noticia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito. O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 46/47 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITORIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 48/51). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 55/69, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos, para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do benefício. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 55/69 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009677/200513 Acórdão n.º 310200.982 S3‐C1T2 Fl. 164 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° 5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO. REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009677/200513 Acórdão n.º 310200.982 S3‐C1T2 Fl. 165 7 I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 07 de abril de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 30/04/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10916.000199/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/01/2006
MULTA INGRESSO DE PESSOA NÃO AUTORIZADA NO RECINTO DE CONTROLE ALFANDEGÁRIO
Uma vez comprovado que houve o ingresso de pessoa não autorizada na área de controle aduaneiro do Porto, incide a multa do artigo 107, inciso VIII, alínea “a”, do Decreto-Lei n° 37/1966.
Recurso Voluntário Desprovido.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3102-00.854
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/01/2006 MULTA INGRESSO DE PESSOA NÃO AUTORIZADA NO RECINTO DE CONTROLE ALFANDEGÁRIO Uma vez comprovado que houve o ingresso de pessoa não autorizada na área de controle aduaneiro do Porto, incide a multa do artigo 107, inciso VIII, alínea “a”, do Decreto-Lei n° 37/1966. Recurso Voluntário Desprovido. Crédito Tributário Mantido
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Recurso Voluntário Desprovido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA Relatora Fl. 54DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10916.000199/200619 Acórdão n.º 310200.854 S3‐C1T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Pontes Maya Gomes. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para lançamento de multa por ingresso de pessoa no recinto sob controle aduaneiro sem a regular autorização da Inspetoria da Receita Federal, com fulcro na alínea "a" do inciso VIII do art. 107 do DecretoLei n.° 37 de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833 de 2003. Em sua impugnação, o autuado argumentou que o Porto de Imbituba conta com um Plano de Segurança Pública Portuária — PSPP, aprovado pela Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos e Terminais — CONPORTOS, do Ministério da Justiça, da qual também faz parte representação da Receita Federal. O ingresso da pessoa apontada pela fiscalização na área de controle aduaneiro teria ocorrido de acordo com o mencionado PSPP. Ademais, relativamente ao controle aduaneiro, a administração do porto estaria seguindo as disposições estabelecidas pela Receita Federal de Imbituba via correio eletrônico, em 24/06/2005. Alega, ainda, que o indivíduo que adentrou a área aduaneira, em nenhum instante, passou por áreas nas quais se autorize carga e descarga de mercadorias, ou embarque e desembarque de passageiros, procedentes do exterior ou a ele destinados e, portanto, não ocorreu qualquer risco aos interesses da Fazenda Nacional. A DRJ julgou procedente o lançamento, por entender que as instruções estabelecidas via correio eletrônico não teriam identificação de seu emissor nem numeração, tampouco teria sido publicada, condições imprescindíveis para sua validade. Ademais, de acordo com a DRJ, estaria comprovado que pessoa não autorizada (Jéferson Dias de Azambuja) efetivamente ingressou na área de controle aduaneiro. Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual requer a reforma da decisão proferida pela DRJ reiterando os argumentos já expostos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Entendo que deva ser mantido o acórdão a quo. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10916.000199/200619 Acórdão n.º 310200.854 S3‐C1T2 Fl. 3 3 Observo que, de fato, não se pode depreender dos autos que a portaria apontada pelo Recorrente tenha sido expedida, de maneira válida, por órgão da Receita Federal do Brasil. Por outro lado, é incontroverso que pessoa estranha, não autorizada (Jéferson Dias de Azambuja), realmente ingressou na área sob controle aduaneiro. Não prospera o argumento de que o mencionado cidadão não teria trafegado por locais destinados a carga e descarga de mercadoria nem de embarque ou desembarque de passageiros, pois a multa aplicada pelo simples fato de ter havido o ingresso de pessoas em local sob controle aduaneiro sem que existisse, todavia, a regular autorização da autoridade que detém a competência para o exercício desse controle. Por isso, incide a multa do art. 107, inciso VIII, alínea “a”, do Decreto Lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (..) VIII de RS 500,00 (quinhentos reais): (...) a) por ingresso de pessoa em local ou recinto sob controle aduaneiro sem a regular autorização, aplicada ao administrador do local ou recinto; Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 56DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 10916.000199/200619 Acórdão n.º 310200.854 S3‐C1T2 Fl. 4 4 Fl. 57DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000159/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 05/04/2010
NORMAS GERAIS. AÇÃO JUDICIAL. EXISTÊNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA, RECURSO VOLUNHTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Como demonstrado no presente caso, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 2301-004.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: José Manuel Brito. OAB: 130.113/RJ.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, BRUNO RODRIGUES PENA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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AÇÃO JUDICIAL. EXISTÊNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA, RECURSO VOLUNHTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Como demonstrado no presente caso, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: José Manuel Brito. OAB: 130.113/RJ. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 01 59 /2 01 0- 65 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, BRUNO RODRIGUES PENA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15983.000159/201065 Acórdão n.º 2301004.337 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), 0133, que julgou procedente a autuação, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/04/2010 PREVIDENCIÁRIO. FATO GERADOR. DECLARAÇÃO. GFIP. OBRIGATORIEDADE. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa deixar de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, todas as contribuições previdenciárias incidentes sobre fatos geradores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 005, a autuação referese à contribuinte ter deixado de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, todas as contribuições devidas em relação as remunerações pagas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais conforme Quadros Demonstrativos (Planilhas I, II e III em anexo), nos quais discriminamos em cada competência em que ficou comprovada a omissão, as respectivas bases de cálculo e as contribuições devidas ( parte patronal — 20% empresa e 1% GILRAT), por matriz e filiais. A origem das contribuições devidas é proveniente de importâncias declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações Previdência (GFIP) com FPAS 639 indevido, ou seja, o contribuinte informou como se fosse Entidade Beneficente de Assistência Social com isenção requerida e concedida pela Receita Federal do Brasil. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 05/04/2010 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 048, onde alegou, em síntese: 1. Além do consagrado direito adquirido, com decisões judiciais favoráveis (TRF1, Proc. 2004.34.00.023016 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 8), não pairam dúvidas que o impugnante cumpre todas as determinações para usufruto da imunidade; 2. O Supremo Tribunal Federal STF, na ADIN 2.028/DF, entendeu que, para efeito da imunidade prevista no § 7° do art. 195 da CF, estão compreendidos os serviços de saúde e educação; 3. A questão foi pacificada com a instituição do Programa Universidade para Todos PROUNI, conforme Medida Provisória n° 213, convertida na Lei n° 11.096/2005; 4. Possui Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, deferido em janeiro de 2008, na forma da Resolução n° 07/2008; 5. Com a publicação da Medida Provisória MP n° 446, de 10/11/2008, os recursos interpostos em razão de pedidos de renovação indeferidos, são automaticamente deferidos, sendo totalmente insubsistente a autuação por perda do reconhecimento como entidade beneficente de assistência social; 6. Embora essa MP tenha sido rejeitada, o fato é que durante a sua vigência foram editadas as Resoluções n° 3, 7 e 11, que resultou no Parecer n° 0192/2009, que concluiu que os atos praticados nessa vigência produziram efeitos, restando clara a manutenção do deferimento dos certificados do CNAS, com efeito, o presente Auto de Infração não pode ser oponível à Impugnante; 7. A fiscalização deveria analisar a situação sob a égide da Lei n° 12.101, mediante aplicação do art. 29, ante a flagrante isenção; 8. O presente não poderia ter sido lavrado, uma vez que o recurso apresentado em face do Ato Cancelatório n° 21.033/01/2006, possui efeito suspensivo; 9. Houve desrespeito ao principio da legalidade, uma vez que a multa exigida está respaldada em decreto do executivo; 10. A multa aplicada possui caráter confiscatório, visto que revelase desproporcional à infração alegada; e 11. Protesta, finalmente, pela produção de provas e juntada de novos documentos. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15983.000159/201065 Acórdão n.º 2301004.337 S2C3T1 Fl. 4 5 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0143, acompanhado de anexos, onde alega as razões já expressas na sua impugnação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. Já no Conselho, o contribuinte protocolou petição, onde alega: 1. Há processo, no Supremo Tribunal Federal (STF), em que se discute a repercussão geral sobre o tema, motivo para sobrestamento do processo; 2. Sobreveio em relação a sentença proferida nos autos do processo 2004.34.00.0230168/DF, o acórdão em anexo, solidificando o direito adquirido à isenção da recorrente nos moldes do parágrafo primeiro do artigo 55 da lei 8.212/91; 3. Por fim., solicita o sobrestamento e/ou provimento de seu recurso. É o Relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso quanto à tempestividade e passo à análise dos demais requisitos obrigatórios para o conhecimento do recurso. Nesse sentido, há questão a ser analisada. Verificando os autos, encontramos petição da contribuinte, que afirma, de forma literal, que há discussão judicial (2004.34.00.0230168/DF) sobre a única matéria constante em suas alegações: a contribuinte possui, ou não, direito à isenção. Na análise da decisão proferida, precária, pois recorrível, há, no relatório, o cerne do pleito: "Cuidam os autos de remessa oficial e apelações interpostas por Sociedade Visconde de São Leopoldo e pelo INSS, em face da sentença de fls. 8284, proferida pelo Juizo da 7" Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. Em referida peça decisória, o Magistrado a quo julgou procedente a pretensão vestibular, declarando a isenção da sociedade autora em relação ao recolhimento de contribuição previdenciária, independentemente do cumprimento dos requisitos previstos em lei posterior ao DecretoLei 1.572/77. Em suas razões (fls. 8794), a sociedade apelante sustenta, basicamente, a necessidade de reforma dos honorários advocatícios que entende terem sido arbitrados em valores infimos. Agravo retido do INSS às fls. 9799, requerendo a redução do valor da causa para R$1.000,00 (mil reais), eis que atribuido de modo exorbitante e aleatório na peça vestibular. Por sua vez, em sua apelação (fls. 101123), o INSS alega, basicamente, o seguinte: a) preliminarmente, requer a apreciação do agravo retido interposto; b) no cerne, a constitucionalidade da legislação que prevê os requisitos necessários à fruição da imunidade prevista no artigo 195, S 7°, da Constituição Federal; c) a sociedade autora deixou de atender às condições necessárias para continuar com o CEBAS, deixando de atender aos requisitos de fruição da imunidade; d) obrigatoriedade do cumprimento das obrigações acessórias por entidades que gozem de isenção ou imunidade; e) incompatibilidade do direito adquirido à isenção, em face da nova ordem constitucional e ao regime juridico." Fl. 225DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15983.000159/201065 Acórdão n.º 2301004.337 S2C3T1 Fl. 5 7 Ora, como está claro, há identidade de objetos, na esfera administrativa e na judicial. Nesse sentido, há Súmula do CARF, de aplicação obrigatória: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, como determinado na Súmula, voto em não conhecer do recurso. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 226DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.721600/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência a fim de que sejam adotadas as providências necessárias ao encaminhamento para esta Turma julgadora do processo nº 10.380.901897/2006-11, anteriormente distribuído à 4ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o presente recurso tendo em vista a relação de causa e efeito entre eles. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrente CONSTRUTORA MARQUISE S A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência a fim de que sejam adotadas as providências necessárias ao encaminhamento para esta Turma julgadora do processo nº 10.380.901897/200611, anteriormente distribuído à 4ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o presente recurso tendo em vista a relação de causa e efeito entre eles. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 21 60 0/ 20 10 -1 1 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10380.721600/201011 Resolução nº 1402000.165 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório CONSTRUTORA MARQUISE SA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência cuja notificação deuse em 24102010 e diz respeito à multa isolada por compensação indevida realizada em 08062005, nos seguintes montantes: A controvérsia do presente processo consiste em saber se a empresa recorrente, sucessora da empresa FIBRA, tinha conhecimento dos fatos que resultaram na formação do saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 1999, que a recorrente indicou para compensações realizadas em 08062005. Dos registros existentes a partir da fl. 57 dos autos, colho os seguintes dados para compor este relatório: 1º) Em 26.06.1998, por Escritura Pública, a empresa RCA International Commodities S/A vende imóvel para a IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA, que posteriormente é sucedida por MAXIMAR FOMENTO MERCANTIL LTDA, em operação Imobiliária cujo registro se assentara em 03.08.1998, sob o n° R9/1148, no Cartório Manoel Barbosa e Silva de registro de Imóvel da Comarca de Canto do Buriti (PI); 2º) A empresa MAXIMAR FOMENTO MERCANTIL LTDA (sucessora da empresa IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA.), sob ação fiscal, apresenta ao Fisco cópia — em papel oficio — de um CONTRATO PARTICULAR DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL, datado de 28.12.1998, por meio do qual a empresa IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA, "vende" para a empresa ligada RCA International Commodities S/A, o imóvel GLEBA CARAÍBA, objeto da Matricula R9/1148. O negócio é totalmente a prazo, sem qualquer fluxo de recursos financeiros (fl. 58); 2.a) Essa alegada venda (supostamente ocorrida em 28.12.1998) seria, na verdade o desfazimento do negócio real registrado em Cartório na data de 03.08.1998, onde a IRACEMA adquire da RCA (fl. 58); 2.b) Esse fato é de tal importância para se compreender que venda nenhuma houve da empresa IRACEMA para a empresa RCA, dado que, em 1999, aquela titular do imóvel (Iracema Florestamento) promove ato de disposição do bem, com o seu desmembramento em 03 (três) subglebas contíguas (Gleba A, com 500 Ha, Matricula 4417; Gleba B, com 300 Ha, Matrícula 4418 e Gleba C, com 2200 ha, matrícula 4419); 2.c) O valor da "venda" do imóvel alcança a cifra de R$ 20.650.000,00; 2.d) O Contrato, evidentemente, traz cláusula previsora de MULTA aplicável à parte alienante (1RACEMA) em beneficio da parte adquirente (RCA), se aquele não transferir a posse e a propriedade para esta anima. Esta multa, de valor praticamente igual ao "valor da venda" do imóvel constitui, na visão das partes, fato gerador de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10380.721600/201011 Resolução nº 1402000.165 S1C4T2 Fl. 4 3 2.e) A multa se fez incidida (com o conseqüente IRFonte) mesmo que a parte adquirente (beneficiária da multa) não tenha cumprido a sua obrigação de pagar o valor da "entrada" a que se obrigara pelo Contrato. 2.f) Fato curioso neste contexto é que, perdida no emaranhado de atos simulados, a empresa MAX1MAR, sucessora da IRACEMA, apresenta ao Fisco cópias de recibos nos quais a RCA teria feito alguns pagamentos para a 1RACEMA entre janeiro a agosto de 2004. Mas cabem duas observações sobre esses supostos pagamento: são eles todos simulados porque os recursos vêm da empresa CAPITALIZE (Grupo Marquise) e a ela fossem eles verdadeiros, desmenteriam a hipótese de rescisão do contrato, a qual é o fato gerador da pretensa , multa e do IRRF dela pretensamente decorrente; (fls. 59 e 60) 2.g) Observando as condutas que foram direcionadas ao Fisco, praticadas pelas empresas alienante (IRACEMA) e adquirente (RCA) constatamos a presença de fortes indícios do uso de documentos antedatados (os Contratos de Promessa de Compra e Venda). 0 respaldo fático para essa conclusão reside na concentração de atos realizados anocalendário de 2003 e 2004, quando as DRFs foram entregues em bloco e as D1PJs retificadas dessa mesma forma. Notar que os Srs. ANTONIO EUGENIO CARNEIRO PORTO, SEBASTIÃO OLIVEIRA SOUSA E MARIA DO SOCORRO VASCONCELOS OLIVEIRA são titulares comuns de ambas as empresas envolvidas (IRACEMA e RCA) (fl. 60); 2.h) diante dessas constatações, fácil ficou para o Fisco visualizar o motivo mesmo desta PRIMEIRA VENDA do imóvel GLEBA CARAÍBA. 0 mote do planejamento tributário era criar créditos fictícios do tributo IRRF, desde tempos remotos até o anocalendário de 2002 (dai a concentração de atos no ano de 2003 e 2004). 0 instrumento (meio) para tal seriam os Contratos de Promessa de Compra e Venda antedatados para o ano de 1998 (fl. 60). ... 2.i) Em data de 31.08.2004 a empresa MAXIMAR (na qualidade de sucessora da IRACEMA, titular de direito da Gleba Caraíba com área total) vende, conforme mera informação em DOI, mas sem a devida transcrição no Registro Imobiliário, a porção "B" da Gleba Caraíba desmembrada (também denominada Gleba Caraíba 2), com 300 ha, objeto da Matricula n° 4418, para a mesma empresa RCA INTERNATIONAL COMMODITIES, pelo valor de R$ 20.650.000,00. 2.j) A constatação do fato desta SEGUNDA ,VENDA da Gleba Caraíba constitui um verdadeiro acinte à inteligência do Fisco. Nesta transação há evidências grosseiras da presença de fraude e simulação, além de incompatibilidades lógicas entre as condutas quando observadas panoramicamente. Vejamos as principais aberrações e o objetivo dissimulado desta SEGUNDA VENDA. i) em primeiro lugar, a inconsistência mesma do negócio como legitima operação de Compra e Venda do imóvel. É que a Gleba Caraíba (total com 3000 ha) já tinha sido "alienada" na PRIMEIRA VENDA em operação envolvendo as mesmas partes. O Contrato respectivo não fora rescindido, o que constitui fato impeditivo da concepção de uma segunda venda. Dentro daquele primeiro negócio simulado (dado que,, só serviu para gerar o 1RRF formatado para transferência ao GrupoMarquise) as partes uma vez perdida em seus próprios atos fraudulentas promove o absurdo de apresentar ao Fisco recibos igualmente simulados de "pagamento" parciais feitos em 2004, pela primeira aquisição. Se assim fosse, como justificar essa SEGUNDA AQUISIÇÃO?; ii) mas outro objetivo (dissimulado, escondido) movia os Grupos Empresariais envolvidos para entabular essa nova venda. Esse motivo é que, pela "aquisição" da Gleba Caraíba "B", a RCA se creditou de PIS e COF1NS Não Cumulativo, almejando o repasse, em ato continuo, para o Grupo Marquise; ... Com estas observações o Fisco põe a nu a real finalidade das operações de Compra e Venda do imóvel Gleba Caraíba, envolvendo diretamente as empresas IRACEMA/MAXIMAR e RCA, com efeitos e reflexos diretos e preordenados nas empresas do Grupo Marquise. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10380.721600/201011 Resolução nº 1402000.165 S1C4T2 Fl. 5 4 Além da transação comercial envolvendo a recorrente, outras transações foram realizadas com frações da área de terras de 3.000 ha, tendo por objetivo, segundo a autoridade fiscal, transferir créditos de IRRF, não recolhidos, gerados a partir de pretensas multas respondidas pela vendedora integrante do mesmo grupo da adquirente do imóvel. Partindo da premissa de que "a ninguém é dado transferir mais Direitos do que os tenha", a autoridade destacou que os eventos de sucessão de empresas, por si só, não garantem ao sucessor, automaticamente, um suposto direito a créditos fiscais alegados como pertencentes à sucedida e que no caso "não seria razoável supor — porque agride a inteligência do homem médio — que um Grupo Empresarial do porte do Grupo Marquise adquirisse créditos tributários de terceiros (Grupo CEC), ignorando ou permanecendo absolutamente alheio à certificação de sua origem lícita. Por fim, convém enxergar que ao compensar débitos próprios com créditos tributários sabidamente fictícios, porque adquiridos em negócio privado junto a terceiro, onde a origem dos créditos exigia a pesquisa de sua integridade fática, material e legal, o agente titular do Pedido de Compensação (Grupo Marquise) pretendeu, com sua ação pautada pelo dolo (no mínimo, do tipo eventual), modificar uma característica essencial da obrigação tributária, que é a sua forma ordinária de extinção. Incabível aqui a alegação de que não tinha conhecimento da ilegitimidade (geração fraudulenta) dos créditos tributários adquiridos do Grupo CEC. Por esta razão, alem de não homologar a compensação, foi exigida multa de 150% de que trata o artigo 18 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007 e a Medida Provisória nº 472, de 2009. Notificada, a parte interessada apresentou a impugnação de fls. 115 e seguintes alegando: a) que a recorrente, na condição de incorporadora, jamais poderia supor que o crédito que utilizou para compensação pudesse ser oriundo de fraude cometida pela incorporada. Desta fora, na condição de sucessora, é responsável pelos tributos devidos pela incorporada, mas não pelas multas decorrentes de eventuais fraudes; b) Houvesse a pretensa multa sido constituída em data anterior à cisão, ai sim se poderia falar em sucessão da responsabilidade da incorporadora, o que não é caso na presente lide. c) Quando da incorporação dos ativos da empresa que surgiu, a partir da cisão parcial da RCA, ativos estes da qual fazia parte o saldo negativo do IRPJ, a Impugnante, contrariamente ao que diz a fiscalização, entendeu, com base nos relatórios de avaliação no processo de cisão, que o referido imposto a recuperar era legal, liquido e certo, portanto, passível para ser utilizado como crédito em compensações de seus débitos junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil. d) Vale dizer que a própria fiscalização, no Relatório de Análise Tributária, confirma que o IRRF, que originou o saldo negativo do IRPJ, foi ou está sendo pago pela empresa retentora do imposto, quando afirma às fls. 71/72 deste PAF: " ... como tentativa de extinguir este débito de IRRF. Para tal utilizouse de PER/DCOMP alegando a posse de crédito de IPI." e continuou: "Essa última saída foi a adesão ao parcelamento especial em prazo de 180 meses." e) se o IRRF foi ou está sendo pago pela empresa que fez a retenção, então o saldo negativo do IRPJ é liquido e certo. f) mesmo que se admita que há fundamentos para aplicação da multa prevista no artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003, a sua majoração é inaplicável no presente caso, pois no corpo deste processo não se identifica uma única prova de qualquer conduta fraudulenta por parte da recorrente. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10380.721600/201011 Resolução nº 1402000.165 S1C4T2 Fl. 6 5 A DRJ, por meio do acórdão de fls.226 e seguintes, julgou procedente o lançamento, sendo que a decisão recorrida está assim ementada: Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. PRELIMINAR DE NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESCABIMENTO. 0 sujeito ativo da conduta ilícita tipificada no artigo 18, capuz', e no inciso II, do seu § 2°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é o sujeito passivo das obrigações tributárias cujos respectivos débitos estão declarados nas DCOMP em que se deram as compensações indevidas. Descabe a atribuição de responsabilidade pela multa à pessoa jurídica sucedida, detentora original do direito creditório utilizado nas DCOMP inquinadas de falsidade. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. ÂMBITO PROCESSUAL DE DISCUSSÃO. Havendo processo administrativo instaurado para discutir a certeza e liquidez do direito creditório postulado nas DCOMP cuja falsidade ensejou a aplicação de multa h declarante, descabe (re)discutir essa matéria no âmbito do processo administrativo que cuida da aplicação da multa. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia produção de provas diretas da infração. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO. PROVA. Cada ato ilícito contem uma determinada carga de lesão à ordem tributária, de modo que determinadas condutas são tão graves a ponto de, por si sós, imediatamente consubstanciarem o intuito doloso. Outros procedimentos, de menor poder ofensivo, se analisados individualmente, não caracterizam a ação premeditada, no entanto, podem evidenciar o dolo pela forma como foram executados, de onde emergem os subterfúgios utilizados pelo contribuinte para lesar o Fisco. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO EVENTUAL. Age com dolo no mínimo, eventual a pessoa jurídica que transmite DCOMP para extinguir débitos próprios, a despeito dos indícios graves, precisos e concordantes que apontam para a inexistência do direito creditório reclamado, havido por sucessão empresarial. Nesse Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10380.721600/201011 Resolução nº 1402000.165 S1C4T2 Fl. 7 6 caso, a Declarante assumiu o risco de produzir o resultado delituoso (compensar débitos próprios com créditos inexistentes), circunstância suficiente para a configuração do dolo. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. DOLO. EXISTÊNCIA DE RELATÓRIO DE TERCEIRO QUE ATESTA A MATERIALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. INAPTIDÃO PARA AFASTAR A CULPABILIDADE. É ineficaz, para atuar como excludente do dolo da pessoa jurídica que transmitiu DCOMPs inquinadas de falsidade, o fato de existir relatório elaborado por terceiro, atestando a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado na Declaração. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10380.721600/201011 Resolução nº 1402000.165 S1C4T2 Fl. 8 7 Voto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Porém, o presente feito trata de multa isolada em face de declarações de compensação consideradas não declaradas, constantes do processo administrativo nº 10.380.901897/200611, distribuído à Quarta Turma Especial da Quarta Câmara, da Primeira Sessão. Em sendo a multa isolada decorrente da não homologação de declaração de compensação feita nos autos do processo 10380.901897/200611, o processo referente à multa isolada deve ser decidido em conjunto. Não se pode apreciar a questão da multa isolada sem considerar a decisão em relação ao processo que considerou não declarada as compensações. O processo nº 10380.901897/200611 foi distribuído ao relator Walter Adolfo Maresch em 14/09/2012, isto é, em data posterior à distribuição do processo aqui analisado (10380.721600/201011), a prevenção, nos termos do artigo 6º do Regimento Interno do Carf, a seguir transcrito, é de quem primeiro recebeu os autos. Art. 6º. Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Ademais, nos casos dos autos, como a exigência do crédito tributário ultrapassa a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), à luz do artigo 8º, do Regimento Interno do Carf, a Turma Especial não tem competência, em razão do valor, para examinar a controvérsia aqui posta em litígio. ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que sejam adotadas as providências necessárias ao encaminhamento para esta Turma julgadora do processo nº 10.380.901897/200611, anteriormente distribuído à 4ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o presente recurso tendo em vista a É o voto. assinado digitalmente Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 15374.722488/2008-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003,2004
PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A partir de 1º de outubro de 2002 para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a legislação fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica.
Numero da decisão: 1803-001.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 2 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.722488/200814 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.890 – 3ª Turma Especial Sessão de 08 de outubro de 2013 Matéria NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente O BICHO COMEU BIJOUTERIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003,2004 PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A partir de 1º de outubro de 2002 para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a legislação fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 24 88 /2 00 8- 14 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722488/200814 Acórdão n.º 1803001.890 S1TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Em 11/08/2003, a Interessada transmitiu a Declaração de Compensação n° 03394.82493.110803.1.3.041924 (fls. 02/06), na qual é informado: crédito referente a pagamento indevido, em 31/10/2002 (DARF com período de apuração em 30/09/2002, código de receita 5993, vencimento em 31/10/2002, valor do principal R$ 3.472,24 e de zero o valor da multa e dos juros, sendo que a data de arrecadação se deu em 31/10/2002), de Estimativa mensal de IRPJ (código 59931), no valor de R$ 3.472,24 em 30/09/2002, tendo sido utilizado nesta DCOMP parte do crédito, no valor de R$ 1.608,86, para compensar débito informado de Estimativa mensal de IRPJ (código 59931), período de apuração de maio de 2003, vencimento em 30/06/2003, no valor de R$ 5.163,72. Em 25/08/2008 (fls. 07/08 e 10), a Interessada foi cientificada do Despacho Decisório de n° de rastreamento 781153198 (fl. 09), emitido em 12/08/2008, no qual a DERAT RJO, com fulcro no que dispõem os arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172/1966 (CTN) e o art. 74 da Lei n° 9.430/1996, não homologou a referida compensação declarada diante da inexistência do crédito, uma vez que, a partir das características do DARF discriminado na Declaração de Compensação, foi localizado o pagamento n° 0596504689, arrecadado em 31/10/2002, no valor de R$ 3.472,24, integralmente utilizado para pagamento da Estimativa mensal de IRPJ apurada em setembro de 2002, com vencimento em 31/10/2002, tendo sido, portanto, indevidamente compensado o débito de Estimativa mensal de IRPJ de maio de 2003, com vencimento em 30/06/2003, no valor de R$ 5.163,72, o qual deverá ser pago até 29/08/2008, acrescido da multa de mora de R$ 1.032,74 e dos juros de mora de R$ 3.890,34 (calculado até 29/08/2008). Inconformada, a Interessada apresentou Manifestação de Inconformidade na qual insiste ter o crédito a compensar. Em sede de cognição ampla a DRJ manteve o despacho impugnado, resultando na interposição de Recurso Voluntário interposto pela empresa contribuinte, oportunidade em que reitera os argumentos quanto a insistência do crédito apontado. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722488/200814 Acórdão n.º 1803001.890 S1TE03 Fl. 4 3 Aos oito dias do mês de outubro do ano de dois mil e treze, às quatorze horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente), MARCOS ANTONIO PIRES, MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 15374.722488/200814 Recorrente: O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA EPP e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.890 Decisão: Por unanimidade de votos deram provimento ao recurso para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes. Ausência momentânea: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido Outros Valores Controlados É o Relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722488/200814 Acórdão n.º 1803001.890 S1TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. Comungo com os fundamentos da r. decisão no sentido de que a Recorrente utilizou o crédito informado no valor de R$ 1.608,86, para compensar débito informado de Estimativa mensal de IRPJ (código 59931), período de apuração de maio de 2003, vencimento em 30/06/2003, no valor de R$ 5.163,72. Destarte, a partir das características do DARF discriminado na Declaração de Compensação, foi localizado o pagamento n° 0596504689, arrecadado em 31/10/2002, no valor de R$ 3.472,24, integralmente utilizado para pagamento da Estimativa mensal de IRPJ apurada em setembro de 2002, com vencimento em 31/10/2002, tendo sido, portanto, indevidamente compensado o débito de Estimativa mensal de IRPJ de maio de 2003, com vencimento em 30/06/2003, no valor de R$ 5.163,72, o qual deverá ser pago até 29/08/2008, acrescido da multa de mora de R$ 1.032,74 e dos juros de mora de R$ 3.890,34 (calculado até 29/08/2008). Entrementes, a Recorrente se insurge apontando que há débito ainda a ser compensado. Pois bem, no momento do pedido de compensação houve a inequívoca confissão do débito, iniciandose assim, o prazo prescricional. Desse modo, considerando que decorreu o prazo legal para a exigência do crédito tributário (débito) é de ser reconhecido de ofício a prescrição. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 1º de outubro de 2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722488/200814 Acórdão n.º 1803001.890 S1TE03 Fl. 6 5 Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30 de dezembro de 2003, ficou estabelecido que a PERDCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação também fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica, embora não se possa inferir que este instituto tenha o efeito de fazer nascer qualquer direito creditório1. No presente caso verificase que o pedido formalizado pendente de apreciação se converteu em declaração de sorte que foi abrangido pelo efeito temporal da homologação tácita. A pretensão da defendente, por esta razão, tem cabimento. Em assim sucedendo voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000202/99-56
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
TAXA SELIC.
Não há previsão legal para atualização dos valores ressarcidos a título de crédito presumido de IPI pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Relator
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Não há previsão legal para atualização dos valores ressarcidos a título de crédito presumido de IPI pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI a que se refere a Lei nº 9.363/1996. A matéria devolvida a este Colegiado cingese à questão da incidência da taxa Selic sobre eventual valor a ressarcir. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 02 02 /9 9- 56 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13052.000202/9956 Acórdão n.º 9303000.755 CSRFT3 Fl. 405 2 O julgamento deste recurso tem como paradigma o do Recurso nº 228.964, julgado na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicada a mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos regimentais de admissibilidade. Este voto segue as disposições do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, adoto a tese prevalente no julgamento do Recurso nº 228.964. A questão da possibilidade de incidência da taxa Selic no ressarcimento de IPI passa necessariamente pela diferenciação dos institutos do ressarcimento da restituição. A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: a) restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e b) ressarcimento, previsto em lei concessiva. É certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição. Noutro giro, não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o Legislador aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13052.000202/9956 Acórdão n.º 9303000.755 CSRFT3 Fl. 406 3 de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda. A taxa Selic é, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos – na forma de taxa Selic, vale dizer, de juros – sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) é, ele próprio, dependente de lei concessiva. A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4º), é claro que o dispositivo referese aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei nº 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. Neste sentido devese dizer que o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, inclusive não estabeleceu a atualização de valores restituídos ao contribuinte com base na taxa Selic. Isto porque, simplesmente, tal taxa expressa juros, não correção ou atualização monetária. O que foi previsto para casos de restituição foi a aplicação de juros, calculados com base na taxa Selic. Depois, o dispositivo trata de restituição, nada falando de ressarcimento. Por fim, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Nos termos do voto paradigma transcrito linhas acima, negase provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.002532/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002
LICENÇA DE USO. AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. CONTRATOS QUE IMPLIQUEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO. CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e royallies. A transferência de tecnologia ou de conhecimento tecnológico não é condição sine qua non à incidência da Contribuição.
LICENÇAS DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. EXCLUSÃO DAS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. VIGÊNCIA.
A exclusão das hipóteses de incidência da CIDE da remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador determinada pela Lei 11.452/07 não é disposição de natureza interpretativa. Não há menção expressa na norma a essa condição e seu artigo 21 determinou que a desoneração entrasse em vigor a partir do dia 1º de janeiro de 2006.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTARIA.
Ao órgão administrativo não compete apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da súmula n° 2 do CARF.
Negado Provimento aos Recursos de Oficio e Voluntário.
Numero da decisão: 3102-02.008
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator) e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2002 LICENÇA DE USO. AQUISIÇÃO DE CON El ECI M ENTO TECNOLÓGICO. CONTRATOS QUE IMPLIQUEM TRANSFERENCIA DE TECNOLOGIA. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO. CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e royallies. A transferência de tecnologia ou de conhecimento tecnológico não é condição sine qua non à incidência da Contribuição. LICENÇAS DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. EXCLUSÃO DAS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. VIGÊNCIA. A exclusão das hipóteses de incidência da CIDE da remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador determinada pela Lei 11.452/07 não é disposição de natureza interpretativa. Não há menção expressa na norma a essa condição e seu artigo 21 determinou que a desoneração entrasse em vigor a partir do dia I" de janeiro de 2006. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTARIA. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA 0 ROSA - Presidente em exercício Ao órgão administrativo não compete apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da súmula n° 2 do CARF. Negado Provimento aos Recursos de Oficio e Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, oficio, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso c voluntário. Vencidos os ) Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator) e Andréa Medrado Darzé,I que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselh' ir.6 Ricardo Paulo Rosa \ RICAR 0 ? iLaMr• JJf ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator I I \ RICARDO;P\ OSA - Redator Designado. EDITADO EM: 18/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente), Nanci Gama (vice-presidente), Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa. Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Trata-se de recurso voluntário com o objetivo de reformar o acórdão n°. 16- 21.848 - 7" Turma da DRJ/SPOL que julgou procedente o lançamento do crédito tributário. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: "O presente processo versa acerca de auto de infração, lavrado em 16/11/2006 (11s. 81/86), atinente a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico — Remessa ao Exterior (CIDE — Remessa de Valores ao Exterior), relativo a fato gerador ocorrido no níes de janeiro do ano-calendário de 2002, com crédito tributário total de RS 4.469.815,60 (quatro milhões, quatrocentos e sessenta e nove mil, oitocentos e quinze reais e sessenta centavos), composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados. até 31/10/2006. O referido auto de infração decorreu de ilícitos caracterizados em procedimento de verificacilo do cumprimento das obrigações tributarias perante o sujeito passivo em epígrafe, segundo o qual 2 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 19515.002532/2006-11 Acórdilo n.° 3102-002.008 S3-C1T2 I I. 2 restou configurada a ocorrência falta de recolhimentos da ('IDE incidentes sobre remessa de royalties assoe/ciclos ao contrato celebrado coin a EDS WORLD CORPORATION, para this convencionar a outorga do direito de uso de programas e sistemas de computador (software) de propriedade da sociedade americana, cuja descrição dos .fatos/infrações e enquadramentos legais encontram-se pormenorizados no corpo do mencionado auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal (fis. 77/80). ora integrante e indissociável do lançamento. Cientificado pessoalmente do lançamento, em 21/11/2006, (j1. 88), o contribuinte apresentou a impugnação em 20/12/2006 (lis. 93/114), acompanhado da documentação de fls. 115/188, na qual requer que o lanomento seja julgado totalmente improcedente e seja levada a efeito o cancelamento integral tia exigência formulada por intermédio do referido auto de infração, em síntese, apoiando-se nas seguintes alegações de fito e de direito: I) Preambularmente, após breve relato da autuação em questão apresenta ulna introdução aos argumentos de mérito, iniciando- se pela descrição das atividades previstas em seus cl/os societários e assegurar que o contralti firmado com a matriz /10 exterior visou obter licença de uso de programas e sistemas e computador (software) no próprio estabelecimento da empresa 170 Brasil, devendo preservar sua confidencialidade e vedando a sub licença, venda, aluguel, cessão, transferência, publicação, exibição, autorização de uso, clisponibilização, ou qualquer outra comunicação dos softwares perante terceiros; 2) Nesse ponto, dando ênfase ao teor da cláusula 5.2 do contrato comento, salienta que a pessoa jurídica estrangeira licencia os programas de computadores exclusivamente para utilização da própria empresa, sem, 170 entanto, acessar os conhecimentos técnicos ou transferência de tecnologia; 3) Entende, portanto, que mestizo após a atimissão da Lei n° 10.168, de 2000, não esta sujeita ao recolhimento da C1DE sobre as importâncias pagas ern decorrência da licença de uso, tendo em conta que a 1101711a é direcionada tão somente ás pessoas que efetuam pagamentos ao exterior em decorrência de contratos que envolvem licenças para utilização ou transferência de tecnologia, em sentido estrito; • Assevera que, mull° embora posso se depreentkr da leitura dos dispositivos previsto 170 art. 20 da Lei n° 10.168, de 2000, alieratki pelo art. 60 cia Lei n° 10.332, de 2001, a admissibilidade de onerar cia remuneração referente a todo e qualquer serviço técnico, de assistência administrativa, licença de uso, ainda que não vinculadas coin contratos que integrem previsão contratuctl de transferência de tecnologia, tal conclusão neste,v moldes não é pertinente; 5) Concluída (Oise inaugural da defesa, dá inicio as discussões de mérito subinetendo suas arguições de direito na qual Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA questiona Os Hittites constitucionais ligadas el instituição da CIDE, em especial, no tocante ao fato de que a interpretação a ser aidicado para fins de determinação da circa de intervenção do Estado e da definição do sujeito passivo da contribuição, finda por extrapolar o grupo de beneficiários direitos ou indiretos da atuação estatal. Neste campo, sustenta suas argumentações mediante jurisprudência forense e doutrina tributcirict; Seqüencialmente, aduz suas alegações visando debater a compatibilidade da incidência da CIDE-ROYALTIES, hem como analisar o atendimento dos requisitos de legitimidade constitucionalmente previstos, cujas conclusões apontam pela consideração de que a CIDE tem por objetivo o desenvolvimento tecnológico, razão pela qual entende que não se aplica em eventos que não se aplicam á produção ou aquisição de tecnologia, sob pena de inconstitucionalidade; 7) Sob este enfb que, enfatize que a fiscalização desconsiderou completamente as peculiaridades do contrato de licença de software firmado entre a impugnante e a sua matriz estrangeira, bent como o objetivo das normas que 'ratan! a CIDE, impondo a exigência contribuição sobre uma remessa ao exterior que não detém qualquer vinculação com contrato de transferência de tecnologia, mas tão somente um contrato que envolve licença para uso de software para uso próprio; - Completa, ainda, que o Termo ck Constatação Fiscal e o auto de Infração fundamentou a autuação com filler° no art. 20 e 30 da Lei n° 10.168/2000, alterada pela Lei n° 10.332, de 2001, entretanto, sem a especifica cão exata cio enquadramento de imputação da contribuição sobre a remessa para exterior ocorrida no inicio de 2002: 9)Assint, infere que para a incidência da CIDE não é suficiente que haja • um contraio regulando licença de uso ou a identificação de pagamento de royalty ao exterior, mas sim, imprescindível que se constate que o contrato e o desembolso referem-se à transferência de tecnologia, a luz do objetivo fixado pela Lei n° 10.168, de 2000 e dos arts. 149, 218 e 219 da CF/88; 10) Encerra suas contra-razões, fundamentando as inferências anteriores que visam atestar: (I) a distinção das conceitos de tecnologia e software no intuito de demonstrar que somente compete tributação sobre negócios jurídicos que efetivamente envolvam tecnologia estrangeira e não meras obras intelectuais; (I1) o equívoco na pretensão de tributar por intermédio da (]IDE qualquer remuneração atrelada a licença de uso de software, sent a ocorrência de transferência de tecnologia; (til) e, finalmente, o equivoco da pretensão c/c tributar as remessas ao exterior, atinentes importância de royalties vinculadas ao contrato de licença de uso de spftware, mediante aplicação da COE, nos termos do art. 2°, caput e §2° cla Lei n° 10.168, de 2000, com a redação dada peia Lei n010332, de 2001, defronte a clareza de seus argumentos que evidenciam que a transferência ou o emprego de tecnologia, assim t entendidos os direitos de propriedade industrial, são indispensáveis para incidência c/a contribuição. Embasa suas teses mediante citação de doutrina e jurisprudência forense. 4 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo ri 0 19515.002532/2006-11 Acórd5o n.° 3102-002.008 S3-C1T2 Fl. 3 Ato continuo, a autoridade preparadora encaminha os autos a DRI/SPOI para julgamento da impugnação." Após analisar a impugnação da Contribuinte, decidiu a DR.1 por manter o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÁO NO DOAIINIO ECONÓMICO - C IDE Allo-calelidario: 2002 CIDE REMESSAS AO EXTERIOR. DA ADAHSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE ROYALTIES. CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). VERDADE MATERIAL. A empresa signatária de contrcno de cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de eslarent carelados a transferência (le tecnologia, caracterizava- se na condição de sujeito passivo da CIDE, no que concerne as remessas *Macias ao exterior, sob a firma de remuneração ou royalties, independentemente da terminologia adolcida nas cláusulas contratuais firmadas entre as parks. DOS ARGUMENTOS DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. NO° cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constinicionalidade cie leis ou mesmo de violação a qualquer principio constitucioncd de naturef.a tributária. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, excetuando-se as súmulas e/ou sentenças prolatadas pelo STF sobre a inconstitucionaliduck cias 1101711US legais, não vincula'', as instáncias julgadoras, restringindo-se as matérias e as partes envolvidas no litígio. Lançamento Procedente Em sede recursal, a contribuinte, após apresentar um breve resumo lïttico, tece comentários sobre os "limites constitucionais para a instilukcio da CIDE - , arguindo com fundamento no art. 149 da Constituição Federal a inconstitucionalidade da lei que a instituiu. Alega ainda que, a Receita Federal, equivocadamente, parte do principio de que todo e qualquer contrato que tenha por objeto a licença de uso de software, ou ainda, que envolva o pagamento de royalties ao exterior, deve sofrer incidência da CIDE, mesmo que fora de um contexto em que haja transferência de tecnologia, sustentado que seria o caso dos autos. Procura defender tal alegação, ao demonstrar que para que haja a incidência da CIDE prevista na Lei n° 10.168/2000 não é suficiente a existência de um contrato regulando licença de uso ou um pagamento de royalties ao exterior e sim que se demonstra se tal contrato e pagamento se referem, de alguma forma, à transferência de tecnologia, visto que 6. esse o objetivo da Lei n° 10.168/2000 e da Constituição Federal. Ainda dentro deste tópico, esclarece a requerente o significado dos "conceitos de tecnologia e de software", e em seu entendimento, impõe-se considerar que não Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA necessariamente a licença de uso de um software implica em transferência de tecnologia. Isto porque podem existir contratos que têm por objeto a obra (no caso, o software) e outros que têm por objeto a tecnologia, sendo que quando se adquire o primeiro, não necessariamente se adquire o segundo. Para a recorrente, quem adquire a tecnologia passa a poder produzir determinada obra, já quem adquire a obra pode se utilizar das qualidades da obra em si e não tem, em principio , acesso á tecnologia que levou A. sua produção, seguindo esta linha de raciocínio, sustenta, que o software é um obra e, corno tal, protegida pelas normas de direitos autorais, enquanto que a sua criação envolve uma tecnologia, que pode ou não ser transferida a outrem. mediante contrato estabelecido entre as partes. Assim, demonstra que adquirir o direito de uso de um software é apenas adquirir o direito de utilizá-lo da forma em que foi concebido, enquanto adquirir o direito à respectiva tecnologia para a sua criação seria absolutamente diferente, urna vez que isso implica em ter acesso aos conhecimentos técnicos (código-fonte, formulas etc.) que foram utilizados para concebê-lo. Segundo a recorrente a lei n° 11.452/2007 em seu art. 20, determinou que o art. 2° da lei n° 10.168/00 passaria a vigorar acrescido do art. 1°- A, o qual estabelece que a CIDE apenas deve incidir sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. No caso dos autos por não existir previsão nos contratos celebrados entre a Recorrente e as empresas estrangeiras para a transmissão do código-fonte, diagramas, iluxogramas etc, dos softwares objeto das licenças de uso, não há que se falar em transferência de tecnologia. Por fim, afirma que o Decreto n° 4.195/2002, editado com o objetivo de regulamentar a Lei n° 10.168/2000, não prevê que a simples licença de uso de softwares seja hipótese para a incidência da CIDE. o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Inicialmente, com a Recorrente expõe alegações de inconstitucionalidade da Lei n° 10.168/00, basta frisar que este Conselho esta impedido de apreciar a constitucionalidade de lei, em atenção à súmula n°. 2 1 do CARF. Superada a presente questão, volta-se a atenção para Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. A CIDE é de competência exclusiva da União, nos termos do art. 149 da CF. deve ser analisada observando os princípios gerais da atividade econômica insculpidos no art. Súmula CARF no 2: 0 CARF no é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 6 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 19515.002532/2006-11 Acórdão n.° 3102-002.008 83-C1 . 1 . 2 I I. 4 170, I a IX da Constituição, já seu objetivo e incentivar a economia, demonstrando assim seu caráter extrafiscal. Segundo o professor José Eduardo Soares de Melo 2 : As contribuições interventivas por ambit° O dominio econômico, cujo o conceit() não é de flied compreensão e delimitação, devendo ser examinadas na Constituição Federal as intinteras ingerências do Es/ciclo na esfera econóniica, abrangendo: serviços páhlico, h) poder de policia; c) obras públicas; atividades monopolizadas; e) a excepcional exploração direta da atividade econômica; I)a regulação da atividade econômica — contrapostas as siwações cm que se outorga liberdade para a atuação dos particulares. No caso dos autos, como explicitado no relato acima, o auto de infração ora questionado visa a cobrança de CIDE (Remessa ao Exterior) ao ser detectada a suposta Ulu de recolhimento da contribuição incidente sobre a remessa de royalties decorrentes do contrato para direito de uso de programa e sistema de computador, formalizado entre a proprietária do produto Eds Word Corporation e a recorrente. De acordo com o termo de constatação fiscal(fls. 79) Os aplicativos e software cedidos foram utilizados pela recorrente em 2000 e 2001, entretanto -ao remeter estes valores ao exterior, em 09/01/2002, o contribuinte deixo de recolher a CIDE — Contribuioio de Intervenção ao Domínio Econômico nos termos da Lei n" 10.168 de Dezembro 2000, com as alterações introduzidas pela Lei n°10.332 de 19 de Dezembro de 2001... - . Destaca-se ainda que a recorrente recolheu apenas os valores relativos ao imposto de renda decorrente da referida operação, pois defende que essas remessas não constituem fato gerador da CI DE. A Lei IV 10.168/2000 estabeleceu a contribuição devida por pessoa juridica que possua licença de uso ou adquira conhecimentos tecnológicos, também é devida a CIDE quando houver a celebração de contratos que disciplinem a transferência de tecnoloija , quando firmados com residentes ou domiciliados no exterior, relativos ã exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. oportuno citar o que prescreve o art. 2° da refida lei: Art. 20 Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, flea instituída contribuição de intervenção no dominio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bent conio aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados COM residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória n° 510, de 2010) ssç' 1 ° Consideram-se, para fins desk! Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de ',wellies ou de uso de marcas e os de .fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. 2 MELO, José Eduardo Soares de. "Contribuições Sociais no Sistema Tributario", 6" ed. Editora Melheiros. São Paulo 2010. p 135 7 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA § l'-A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei 11 ° 11.452, de 2007) ,sç 2 A partir de 1' de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer titulo, a beneficiários residentes ou donliciliados no exterior. ('Redação da pela Lei n°10.332, de 19.12.2001) § 3' A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada 111L, a residentes ou domiciliados no exterior, a titulo de. remuneração decorrente das obrigações indicadas no Caput e no § 2 deste artigo. (Redação da pela Lei n° 10.332, de 19.12.2001) ,sç 4' A aliquota da contribuição será de 10% (dez por cento,). (Redação da pela Lei n°10.332, de 19.12.2001) ,sç 5' O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao 111êS de ocorrência do fato gerador. (Parágrafo incluído pela Lei n° 10.332, de 19.12.2001) Observa-se que a contribuição incidirá sobre os valores, pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no Exterior a titulo de remuneração decorrente das mencionadas obrigações, a aliquota de 10% (dez por cento). De acordo com a norma acima, cabe analisar se os contratos firmados entre a autuada e a empresa Eds Word Corporation para utilização de software, consiste em licença de uso ou aquisição de conhecimentos tecnológicos, com também se há a transferência de tecnologia. 0 contrato firmado pela autuada de fls. 163 tem com objeto a autorização para uso de Sotware assim descrito " a licença não exclusiva e intransferível de uso de programas e sistemas de computador de propriedade reservada da Licenciante", já em seu capitulo IV disciplina as regras sobre a propriedade intelectual vedando qualquer forma de violação ao Sotware fornecido. Já ao dispor sobre o uso dos equipamentos estabelece o capitulo V que o software apenas poderá ser utilizado pela licenciada sendo vedada a autuada "sublicenciar, vender, alugar, ceder, transferir, publicar, divulga, exibir, autorizar o uso, di.sponibilizar nem de outra forma comunicar os Soft wares a quaisquer terceiros - Percebe-se inicialmente que no caso dos autos não há aquisição de conhecimentos tecnológicos nem a transferência de tecnologia, e sim apenas autorização para utilização do software, resta saber se é hipótese de uso de conhecimentos tecnológicos. Ora, percebe-se que a Recorrente é mera usuária do software cedido, sendo comercializada apenas a licença para uso do programa, ou seja, os conhecimentos tecnológicos expressos no código fonte não são disponibilizados. A própria legislação pátria protege os direitos autorais dos softwares, definindo ainda, nos termos da Lei 9.610/98, que sua k exploração sera por contrato de licença e que quando houver transferência de tecnologia sera realizado o registro no INPI para proteção contrata terceiros. 8 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo IV 19515.002532/2006-11 AcórclAo n." 3102-002.008 83-C1 . 11 11.5 Vê-se, portanto que apesar de restar caracterizada a licença de uso do programa pela licenciada, a essa em nenhum momento foram repassados os conhecimentos tecnológicos. Por fim, para evitar maiores questionamentos, vale destacar que o § 1" - A do art. 2 da Lei n° 10.168 incluído pela lei n° 11.452, é um norma interpretativa, e assim nos termos do art. 106, inciso I do CTN de ser aplicado retroativamente, assim resta evidenciado que a CIDE é devida quando caracterizada a transferência de tecnologia o que não é o caso dos autos. Por todo exposto dou provimento ao recurso voluntário para afastar exigência do crédito tributário. Sala de sessões 24 de setembro de 2013. Lvt.,-,e) A vi--A)AiL a ' Alv ) ro. Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado A divergência que deu azo à minha designação para redação do Voto Vencedor recai sobre a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE na aquisição de programas de computador sem que ocorra a transferência de tecnologia. Segundo entendimento do i. Conselheiro Relator do Processo. a Contribuição só incide sobre valores pagos na aquisição de software se houver transferência de tecnologia. Para adequada interpretação do comando normativo que regulamenta a incidência da Contribuição neste tipo de operação, necessário reler o texto legal vigente época da ocorrência dos fatos geradores objeto do presente litígio. Lei 10.168/00. Art. 22 Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, .fica instiluida contribuição de intervenção no domínio económico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de C011fralOS que impliquem transferência de tecnologia, firmados coin residentes ou domiciliados no exterior. ssS 12 Consideram-se, para fins desta Lei, COntralOS de frall.s.Prc311Cia tecnologia os relativos à exploração de pa/en/es ou de uso de marcav e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 22 A partir de /2 c/c janeiro de 2002, a contribuição que trot(' o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas .vignatórias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de casiSleliCia o Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bent assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer titulo, a beneficicirios residentes ou domiciliados no exterior.(Redaceio da pela Lei n° 10.332, de 19.12.2001) Depreende-se do texto legal, que o art. 2° da Lei n° 10.168/00, em sua redação original, constituiu três hipóteses de incidência da Contribuição. Onerou os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a titulo de remuneração decorrente das obrigações de pessoa jurídica quando ela (1) detivesse licença de uso de conhecimentos tecnológicos, (h) adquirisse conhecimentos tecnológicos ou (iii) fosse signatária de contratos que implicassem transferência de tecnologia. Mais tarde, mas ainda antes da ocorrência dos fatos que deram azo ao lançamento neste controvertido, a Lei n° 10.332/01 introduziu alterações no § 2° do precitado artigo 2° da Lei, criando hipótese de incidência também para (iv) as pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços'técnicos e de assiStência administrativa e semelhantes e (v) valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos como royalties, a qualquer titulo, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. ik luz das disposições legais aplicáveis à matéria, tome-se por base o texto original da Lei n° 10.168/00 ou o texto introduzido pela Lei n° 10.332/01, o fato é não vejo nenhuma possibilidade de se considerar que a transferência de tecnologia tenha sido em algum momento condição para incidência da Contribuição sobre os valores pagos em operações da espécie. Como se lê , o caput do artigo 2°, desde o inicio, trouxe menção inclusiva (bem como) às pessoas jurídicas (aquela) signatárias de contratos que implicassem transferência de tecnologia, de tal forma a introduzi-las na relação dos contribuintes alcançados pela Contribuição. Disso sobressai, insofismável, a interpretação de que já estavam compreendidas no contexto geral as outras transações, quais sejam, as de pessoas que não fossem signatárias de contratos que implicassem transferência de tecnologia. Por seu turno, a Lei n° 10.332/01, ao acrescentar a hipótese de incidência sobre valores atrelados a contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e os pagamentos a titulo de royalties, o fez sem em nenhum momento vincular tais operações à transferência de tecnologia, em harmonia com as disposições legais precedentes. Com efeito, percebo até mesmo um conflito lógico na interpretação sugerida. Quando, nas disposições normativas originais, o campo de incidência era restrito, existiam três hipóteses. A primeira delas fazia menção a pessoa jurídica adquirente de conhecimentos tecnológicos; a segunda, aos signatária de contratos que implicassem transferência de tecnologia e a terceira referia apenas pessoa jurídica detentora de licença de uso. Então, qual haveria de ser a distinção existente entre as duas primeiras e a terceira? Parece-me que, se numa das situações foi prevista a aquisição de conhecimentos tecnológicos e noutra a transferência de tecnologia, a situação descrita como licença de uso por certo não requer a ocorrência nem de um nem de outro evento. 10 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 19515.002532/2006-11 Acórdito 11. 0 3102-002.008 83-C 112 1:1. (, A tudo isso deve-se acrescentar o comando legal insculpido no parágrafo 1°A3 da Lei 11.452/07. Ele trata, justamente, da hipótese de não incidência da Contribuição no caso de remuneração sobre a licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador. A esse respeito, que se diga que a previsão excepcional dc retroação de lei nova requer menção textual a essa condição, conforme preceitua o artigo 106 do Código Tributário Nacional. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: - qualquer caso, quctnclo seja expressamente interprelativa. excluída ci aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; ('grifos mew) II - tratcmclo-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo C01170 contrário a qualquer exigência dc ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em . fitha de pagamento de tributo; c) quando lhe confine penalidade menos severa que ct prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica. E, no caso especifico do parágrafo 1°A introduzido pela Lei 11.452/07, a Lei, além de não ter feito qualquer menção expressa a sua natureza interpretativa, ainda definiu taxativamente a data a partir da qual essa regra haveria de entrar em vigor. Observe-se. Art. 20. 0 art. 2 o da Lei 17 o 10.168, c/c 29 de dezembro de 2000 . alterado pela Lei n° 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte ssç 1°-A: • "Art. 70 § 1° -A. A contribuição de que 'ada este artigo não incide sobre ci remuneração pela licença cie uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador„ salvo gnomic) envolverem a trauslerencia eia correspondente tecnologia. "(N1?) Art. 21. Esta Lei entra en/ vigor na data de sua publicação. produzindo efeitos ein relação ao disposto no art. 20 a Ku-11r cie 1' de *cinch?) de 2006. (os grifos não estão no original) 3 § l o-A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferacia da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei n° 11.452, de 2007) Fl. 415DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Sendo assim, não vejo nenhuma razão para que este Colegiado decidisse afastar disposição legal válida na data em que se processa o julgamento da lide. Em outras palavras, na data da ocorrência dos fatos geradores de que aqui se trata, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE neste controvertida incidia sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computacr, r, independentemente da ocorrência de transferência de tecnologia. 1 ,-) E como VOTO. V 1 Ric - o Raul() 1ôsa - redator do voto vencedor 12 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA
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Numero do processo: 36624.003044/2005-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jul 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2003
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação.
DECADÊNCIA. PARCIAL. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de que não houve pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 27/05/2004, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 11/1998 a 12/2003. Com isso, as competências 12/1998 e 01/1999 a 12/2003 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal e somente as competências11/1998 e 13/1998 foram abarcadas pela decadência.
Essa conclusão é confirmada pelo fato de que, nos termos da legislação que rege os depósitos judiciais, os valores depositados não são caracterizados como pagamento.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-003.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso da Fazenda, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo, Redator-Designado AD HOC para formalização do acórdão.
EDITADO EM: 06/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação. DECADÊNCIA. PARCIAL. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de que não houve pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 27/05/2004, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 11/1998 a 12/2003. 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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso da Fazenda, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do acórdão. EDITADO EM: 06/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 23/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBER TO FREITAS BARRETO Processo nº 36624.003044/200514 Acórdão n.º 9202003.588 CSRFT2 Fl. 879 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 771/782), em face do Acórdão n° 230101.950 (efls. 761/767), que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 30/12/2003 ... DECADÊNCIA PARCIAL De acordo cem a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicase, ao caso, o prazo previsto no § 4o. do art. 150 do CTN, já que restou comprovada a antecipação do pagamento da contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (efl. 761). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso especial, apontando como paradigma o Acórdão 20180.517, que restou assim ementado: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/04/1999, 30/06/1999 Ementa: PIS. DECADÊNCIA. O depósito judicial não se equipara ao pagamento antecipado, em cuja ausência a regra para determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial, relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deslocase para o previsto no art. 173, I, do CTN. DEPÓSITOS JUDICIAIS. INTEGRALIDADE SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE A realização de depósitos judiciais no montante integral do lançamento implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e impede a aplicação de multa de ofício. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 23/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBER TO FREITAS BARRETO Processo nº 36624.003044/200514 Acórdão n.º 9202003.588 CSRFT2 Fl. 880 4 Recurso provido em parte.” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 794/795, tendo apresentado a Recorrida as contrarrazões de efls. 814/823. É o relatório. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 23/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBER TO FREITAS BARRETO Processo nº 36624.003044/200514 Acórdão n.º 9202003.588 CSRFT2 Fl. 881 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do acórdão. Pelo fato de o ConselheiroRelator Alexandre Naoki Nishioka ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Ronaldo de Lima Macedo, nomeado para formalização reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. Considerando que eu (Ronaldo de Lima Macedo), como redator adhoc, fui designado apenas para a formalização do voto, deixo consignado que o entendimento do colegiado não corresponde, necessariamente, com o entendimento do Conselheiro Redator Designado adhoc. Com isso, este conselheiro não se vinculará às razões fáticas nem jurídicas registradas no presente acórdão. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 794/795. Discutese, quanto a este aspecto, se, para efeitos de contagem da decadência com base no disposto no artigo 150, §4o, do CTN, os depósitos judiciais podem ser considerados antecipação de pagamento. Em relação à matéria, entendese que o depósito judicial, com questionamento do tributo devido, não pode ser equiparado ao pagamento para fins de aplicação do instituto da decadência, prevista no artigo 150, §4o do Código Tributário Nacional, pois o próprio CTN disciplina o pagamento como forma de extinção do crédito tributário e o depósito como forma de suspensão do crédito tributário e em capítulos distintos (Capítulo III e Capítulo IV do CTN, respectivamente), sendo, portanto, regimes diferenciados. Nesse caminhar, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 23/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBER TO FREITAS BARRETO Processo nº 36624.003044/200514 Acórdão n.º 9202003.588 CSRFT2 Fl. 882 6 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 23/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBER TO FREITAS BARRETO Processo nº 36624.003044/200514 Acórdão n.º 9202003.588 CSRFT2 Fl. 883 7 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ, Primeira Seção, REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim, como julgador administrativo adotarei, nos termos do aludido art. 62 A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte infraconstitucional. À luz de referido entendimento, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual não houve pagamento, verificase que o prazo de lançamento é o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. No presente caso, tratase de crédito tributário constituído em 27/05/2004 relativamente a fatos geradores ocorridos nas competências 11/1998 a 12/2003, tendo o acórdão recorrido declarado a decadência em relação às competências 11/1998 a 04/1999, a teor do artigo 150, §4o, do CTN. Há o entendimento de que a efetivação de depósito judicial não caracteriza o pagamento do tributo, conferindo apenas o efeito da suspensão da exigibilidade do débito. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a decadência somente será declarada para as competências 11/1998 e 13/1998, eis que as competências 12/1998 e 01/1999 a 12/2003 não foram abarcadas pela decadência, a teor do art. 173, inciso I, do CTN. Esse entendimento está em consonância com a tese do STJ ao afirmar que não havendo pagamento justifica a aplicação do referido dispositivo legal (art. 173, inciso I, do CTN). Isso é confirmado pelo fato de que, nos termos da legislação que rege os depósitos Fl. 900DF CARF MF Impresso em 23/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBER TO FREITAS BARRETO Processo nº 36624.003044/200514 Acórdão n.º 9202003.588 CSRFT2 Fl. 884 8 judiciais, os valores depositados não são caracterizados como forma de pagamento nem de extinção do crédito tributário. Cumpre esclarecer que a remuneração da competência 12/1998 somente será exigida para fins tributários no mês seguinte à ocorrência do período aquisitivo. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, dou provimento ao recurso especial da PGFN para a aplicação da regra decadencial contida no art. 173, inciso I, do CTN, e, com isso, somente as competências 11/1998 e 13/1998 foram abarcadas pela decadência, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do acórdão. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 23/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBER TO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008353/00-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1990 a 30/11/1991
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
O prazo estabelecido na Lei Complementar nº 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplica-se a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral.
DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Devolve-se o processo para apreciação das demais questões de mérito pelo órgão responsável pelo exame da matéria, quando superados, no órgão julgador ad quem, os pressupostos que fundamentavam o julgamento na referida instância.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3801-001.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar
provimento parcial no sentido de afastar a decadência para os períodos de apuração a partir de 17/07/1990 e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para que o mérito seja apreciado, aplicando-se o rito do PAF, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 30/11/1991 PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O prazo estabelecido na Lei Complementar nº 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Devolvese o processo para apreciação das demais questões de mérito pelo órgão responsável pelo exame da matéria, quando superados, no órgão julgador ad quem, os pressupostos que fundamentavam o julgamento na referida instância. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial no sentido de afastar a decadência para os períodos de apuração a partir de 17/07/1990 e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para que o mérito seja apreciado, aplicandose o rito do PAF, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 11/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sergio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e José Luiz Bordignon. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.008353/0019 Acórdão n.º 380101.045 S3TE01 Fl. 215 3 Relatório Tratao presente processo administrativo de pedido de restituição apresentado em 13 de julho de 2000 a partir de recolhimentos a maior a título de FINSOCIAL (majoração de alíquota), dos períodos de apuração de janeiro de 1990 a novembro de 1991, dos quais se objetivou a compensação com débitos de PIS, COFINS, IRPJ e CSSL de diversos períodos de apuração constantes do exercício de 2000, através das competentes PER/DCOMPs, que, por sua vez, restaram não homologadas pela Delegacia da Receita Federal de Origem, sob o entendimento da ocorrência do transcurso do prazo de cinco anos para a restituição do indébito tributário. Após a apresentação de Manifestação de Conformidade pelo contribuinte contra a decisão acima mencionada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte houve por manter o entendimento acima esposado e julgar improcedente a defesa do contribuinte através do acórdão de fls. 188/191, cujo relatório segue adiante transcrito em sua integralidade: “A contribuinte acima qualificada apresentou, em 13/07/2000 (fl. 01), pedido de restituição de créditos, no montante de R$ 187.383,39, relativos a pagamentos indevidos Finsocial (fl. 01 ). Como motivo do pedido, alegou pagamento a maior proveniente da majoração de alíquota do Finsocial. O crédito requerido foi utilizado nas declarações de compensação eletrônicas n° 26151.99748.150604.1.7.045207 e 1855.77007.151204.1.7.045404, autuadas às fls. 123/133 e 141/147. O direito creditório não foi reconhecido e as compensações declaradas não foram homologadas pela autoridade jurisdicionante, que concluiu pela extinção do direito à restituição com fundamento nos artigos 165 e 168 do CTN (fls. 148/150). Cientificada da decisão em 12/06/2009 (fl. 175), a contribuinte manifestou, em 14/07/2009 (fl. 176), sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 176/181): . é pacífico no STJ que se aplica o prazo de 10 anos (cinco mais cinco) aos tributos recolhidos antes da edição da Lei Complementar n° 118, de 2005; . segundo a jurisprudência e a doutrina, a extinção do crédito do sujeito passivo somente se extingue cinco anos após ter ocorrido a homologação tácita do crédito tributário; . os artigos 165 e 168 do CTN, em que se fundamenta o despacho decisório, tratam de restituição de créditos tributários 'e não de compensação, tratada no artigo 170 do CTN.” Fl. 260DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 O acórdão acima relatado restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 30/11/1991 Ementa: O direito à restituição/compensação de crédito tributário pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data do pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, insurgese a contribuinte contra o aludido acórdão através do presente Recurso Voluntário apresentado às fls. 197/205, e cujas razões são essencialmente as constantes da manifestação de inconformidade inicialmente ofertada. É o relatório Fl. 261DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.008353/0019 Acórdão n.º 380101.045 S3TE01 Fl. 216 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. O litígio tem como controvérsia o prazo que o sujeito passivo tem para pleitear a restituição total ou parcial de contribuição paga indevidamente ou a maior que o devido. A propósito, o art. 165, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN estabelece as hipóteses em que o sujeito passivo tem direito à repetição do indébito: “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...)” Por seu turno, na hipótese do inciso I, o art. 168 c/c com o 156 do Código Tributário Nacional fixa esse prazo em cinco anos, in verbis: “Art. 156. Extinguem o crédito Tributário: I – o pagamento; (...).” “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;” Tenhase presente que a Lei Complementar nº 118, de 2005 dispôs no art. 3º que, em se tratando de lançamento por homologação, o termo inicial do prazo para pedido de restituição é a data do pagamento e estabeleceu no art. 4º, por se tratar de lei meramente interpretativa, aplicase a fato pretérito, conforme previsto no art. 106, I do CTN: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Ocorre que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621 (transitado em julgado em 27/02/2012), submetido a sistemática da repercussão geral, Relatora Min. Ellen Gracie, pacificou o entendimento de que o prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação era de dez anos contados de seu fato gerador. O aludido acórdão foi assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.008353/0019 Acórdão n.º 380101.045 S3TE01 Fl. 217 7 aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre o prazo que o contribuinte tem para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Destarte, o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, caso da contribuição ao FINSOCIAL, é de 10 (dez) anos, ou seja, cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita, tese dos “cinco mais cinco”. Pelas razões expostas acima, a interessada somente tem direito à restituição dos pagamentos efetuados a maior a partir do período de apuração de agosto de 1990, visto que o pedido de restituição foi protocolizado em 13/07/2000. Devese observar que o último período de apuração que dá direito à repetição do indébito é o relativo a 13 de setembro de 1990, conforme documentos acostados (fls. 03/04). Vale apontar, ainda, que a DRF de origem sequer chegou a examinar o mérito das compensações e si, fixandose somente na questão referente à decadência. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição ao FINSOCIAL cujos pagamentos foram realizados a partir de 17/07/1990, com fundamento na jurisprudência assente do Supremo Tribunal Federal (RE 566.621/RS) e em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição voto por devolver o processo à DRF de origem para apreciação do mérito do pedido, aplicando a ele o rito do PAF. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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