Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,163)
- Segunda Câmara (27,788)
- Primeira Câmara (25,081)
- Segunda Turma Ordinária d (17,076)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,917)
- Primeira Turma Ordinária (15,633)
- Segunda Turma Ordinária d (15,570)
- Primeira Turma Ordinária (15,424)
- Primeira Turma Ordinária (15,364)
- Segunda Turma Ordinária d (14,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,855)
- Segunda Turma Ordinária d (12,110)
- Primeira Turma Ordinária (12,091)
- Quarta Câmara (11,512)
- 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (11,186)
- Quarta Câmara (83,129)
- Terceira Câmara (64,792)
- Segunda Câmara (53,333)
- Primeira Câmara (17,991)
- 3ª SEÇÃO (15,917)
- 2ª SEÇÃO (11,186)
- 1ª SEÇÃO (6,736)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (119,455)
- Segunda Seção de Julgamen (111,340)
- Primeira Seção de Julgame (73,849)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,858)
- Câmara Superior de Recurs (37,435)
- Terceiro Conselho de Cont (25,941)
- IPI- processos NT - ressa (4,994)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,054)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,858)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,236)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,744)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,113)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,481)
- HELCIO LAFETA REIS (3,274)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,194)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,823)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,597)
- WILDERSON BOTTO (2,539)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,397)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,803)
- 2019 (30,949)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,880)
- 2012 (23,621)
- 2023 (22,462)
- 2014 (22,374)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2010 (18,058)
- 2025 (17,368)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,017)
Numero do processo: 13671.000131/2003-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998
DECADÊNCIA PARA LANÇAR.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social PIS-Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 9303-001.532
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda, que negavam provimento.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998 DECADÊNCIA PARA LANÇAR. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social PIS-Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13671.000131/2003-97
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4817173
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.532
nome_arquivo_s : 930301532_13671000131200397_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Henrique Pinheiro Torres
nome_arquivo_pdf_s : 13671000131200397_4817173.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda, que negavam provimento.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
id : 4746779
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233168879616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2048; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 198 1 197 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13671.000131/200397 Recurso nº 252.875 Especial do Procurador Acórdão nº 930301.532 – 3ª Turma Sessão de 5 de julho de 2011 Matéria PIS AI decadência CTN 150, § 4º x 173, I Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VIDROMAT COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998 DECADÊNCIA PARA LANÇAR. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social PISPasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda, que negavam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio Fl. 219DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Os fatos foram assim narrados pelo Acórdão recorrido: O Recurso Voluntário se insurgiu contra os termos do Acórdão nº 0216.349, de 26 de novembro de 2007, proferido pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que manteve o lançamento consubstanciado pelo Auto de Infração cientificado ao sujeito passivo em 02/07/2003, relativo ao Pis/Pasep dos períodos de apuração de janeiro, fevereiro, março, abril e maio de 1998, cujo crédito tributário, nele incluídos o principal, juros de mora e multa de ofício de 75%, montou a R$ 27.373,86. No Recurso Voluntário, em resumo, pediu a Recorrente que fosse considerada nula a decisão da DRJ por não ter se detido sobre uma das causas de indeferimento de seu pedido de compensação dos débitos que acabaram sendo lançados por meio do auto de infração que ora se discute, qual seja, de que teria ocorrido a prescrição do direito de opor créditos do Finsocial. Alegou ainda que suas compensações foram realizadas sob o amparo de decisão judicial transitada em julgado em data anterior à do presente lançamento, o que caracterizaria a figura do abuso de poder do Fisco. Julgando o feito, a Câmara recorrida assim decidiu: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação é a do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador. No caso, a ciência do auto de infração ocorreu em 02/07/2003, razão pela qual, de ofício, reconheceuse a decadência de todo o lançamento. Recurso Provido. Irresignada, a Fazenda recorreu a este Colegiado pugnando pela reforma do acórdão vergastado, vez que, em seu entender, o prazo decadencial é o previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13671.000131/200397 Acórdão n.º 930301.532 CSRFT3 Fl. 199 3 Por meio do despacho de fl. 163, o recurso foi admitido. Regularmente cientificada, a autuada apresentou contrarrazões, fls. 165 a 171. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cingese à questão do prazo e do termo inicial para contagem da decadência do direito de a Fazenda Publicar lançar crédito tributário relativo ao PIS/Pasep. A Câmara recorrida entendeu que o prazo é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, enquanto a Fazenda Nacional, em seu apelo, defende o prazo de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, como previsto no art. 45 da Lei 8.212/1991. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. No tocante ao prazo, o meu posicionamento era no sentido de que predita contribuição estava sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Todavia, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, e da remansosa jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, adoto o prazo limite de cinco anos estabelecido no CTN. Afastado a incidência do do art. 45 da Lei 8.212/1991, resta decidir o termo inicial dos 5 anos previstos no CTN. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento. No caso dos autos, a teor do relatado, não houve antecipação de pagamento, daí, aplicarse ao caso a regra inserta no inciso I do art. 173 do CTN. Com isso, o termo inicial Fl. 221DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 é primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. Aplicando essa regra ao caso concreto, vêse que, dos créditos lançados, a decadência não alcançou qualquer dos períodos auditados, posto que, o mais remoto diz respeito a janeiro de 1998, cujo termo de inicio da contagem do prazo é 1º de janeiro de 1999, e o final, 31 de dezembro de 2003, enquanto o lançamento foi efetuado em 16 de junho de 2003. Esclareçase, por oportuno, que a compensação feita pelo sujeito passivo não pode ser equiparada a pagamento, pois o objeto destes autos é, justamente, a glosa do encontro de contas realizado pela autuada. Demais disso, como bem asseverou a Fiscalização, fl. 119, (...) as compensações efetuadas unilateralmente pela autuada e informadas na DCTF do 1º ao 4º trimestre de 1998, não têm amparo na decisão judicial nº 2000.01.00.0695219 (Apelação Cível), posto que efetuadas no período de fevereiro/98 a junho/98 enquanto a ação somente foi ajuizada em 17/12/98. No mesmo sentido, o processo administrativo nº 13671.000009/9865 ao qual foram vinculadas as compensações nas DCTF não lhes dá respaldo posto que a autuada renunciou o seu deslinde no âmbito administrativo com a propositura da ação judicial sobre a mesma matéria. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência declarada no acórdão recorrido, e determinar o retorno dos autos à instância a quo para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Fl. 222DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15885.000198/2008-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA PROMOVER O ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA DOS FATOS QUE EVIDENCIAM A CONFIGURAÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A falta de fundamentação descrevendo a justa causa para promover o
lançamento por arbitramento, impedindo o exercício do direito de defesa em sua plenitude é causa de nulidade por vício insanável.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.380
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201104
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA PROMOVER O ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA DOS FATOS QUE EVIDENCIAM A CONFIGURAÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. A falta de fundamentação descrevendo a justa causa para promover o lançamento por arbitramento, impedindo o exercício do direito de defesa em sua plenitude é causa de nulidade por vício insanável. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 15885.000198/2008-56
anomes_publicacao_s : 201104
conteudo_id_s : 4834840
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.380
nome_arquivo_s : 920201380_15885000198200856_201104.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Francisco Assis de Oliveira Junior
nome_arquivo_pdf_s : 15885000198200856_4834840.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
id : 4746504
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233177268224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15885.000198/200856 Recurso nº 259.058 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.380 – 2ª Turma Sessão de 11 de abril de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUIÇÃO TOLEDO DE ENSINO Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA PROMOVER O ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA DOS FATOS QUE EVIDENCIAM A CONFIGURAÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. A falta de fundamentação descrevendo a justa causa para promover o lançamento por arbitramento, impedindo o exercício do direito de defesa em sua plenitude é causa de nulidade por vício insanável. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 18/04/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Eivanice Canário da Silva (Conselheira convocada), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado pela autoridade fiscal cujo sujeito passivo é a empresa em epígrafe., conforme Relatório Fiscal de fls. 29/36, a notificação tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa e a parte dos empregados, arbitradas com base nas notas fiscais de serviços emitidas pela cooperativa de trabalho. O lançamento compreende competências entre o período de 01/2001 a 12/2005. O lançamento é decorrente da perda da isenção da entidade, conforme Ato Cancelatório nº 006/2002, de 30/07/2002, posteriormente confirmado pelo Acórdão nº 1.278/2005, proferido pela 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recurso da Previdência Social. O crédito foi constituído, DEBCAD: 35.902.9914, e consolidado em 15/12/2006, tendo sido cientificado em 19/12/2006, fl. 60. Apresentada a impugnação e analisada pela autoridade competente, o lançamento foi julgado procedente conforme DECISÃONOTIFICAÇÃO N°21.423.4/0176/2007, exarada pela Secretaria da Receita Previdenciária Delegacia em BauruSP MG, fls. 66/69. Irresignado, o sujeito passivou interpôs recurso voluntário, fls. 81/105 que, após apreciação pela 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, anulou o lançamento, conforme acórdão nº 240100.066, fls. 148/160 , cuja ementa transcrevo : CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. – CERCEAMENTO DE DEFESA DECADÊNCIA SÚMULA VINCULANTE. No presente caso, os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/2001 a 12/2005, o lançamento foi realizado em 15/12/2006, tendo a cientificação ocorrido em 19/1212006, dessa forma, não há que se falar em aplicação do instituto da decadência, em aplicandose o art. 173 do CTN. Como os valores objeto desta NFLD foram apurados sobre a notas fiscais de prestação de serviços, tendo indicado o valor da mão de obra sobre 30% da nota fiscal, deveria ter sido indicado os fundamentos legais para dita base A ausência de fimdamento legal enseja cerceamento do direito de defesa causa de nulidade da NFLD. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15885.000198/200856 Acórdão n.º 920201.380 CSRFT2 Fl. 2 3 PROCESSO ANULADO. Tendo tomado ciência do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra a decisão alegando divergência, tempestivamente, fls. 164/201. No entendimento da Fazenda Nacional, conforme paradigmas da Primeira e da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a capitulação errônea ou imprecisa dos autos de infração, bem como a ausência de enquadramento legal não são causas suficientes para provocar a nulidade do lançamento, ainda mais quando o direito à ampla defesa foi exercido. Outro ponto destacado que também distoa da jurisprudência de outros colegiados deste Conselho, referese à declaração de nulidade desacompanhada da comprovação do prejuízo, pois patente que o contribuinte exerceu plenamente sua defesa. O recurso foi admitido por meio de despacho apenas em relação à declaração de nulidade por ausência de enquadramento legal, não tendo sido dado seguimento no tocante à demonstração do prejuízo. Em contrarazões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls.202/204. Efetuado o exame de admissibildiade, entendo que o recurso especial preenche os requisitos formais e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão controvertida posta à apreciação deste colegiado diz respeito à declaração de nulidade do lançamento em decorrência da ausência da fundamentação legal do arbitramento procedido. Faço coro aos que, no passado, por diversas vezes manifestaram o entendimento de que haveria nulidade de lançamentos fiscais que não apresentassem a expressa menção ao dispositivo específico que indicasse o fundamento legal do arbitramento. Aliás, conforme bem salientado pelo conselheiro Dr. Elias Sampaio Freire em voto de sua lavra, Acórdão 920201.052, de 21/09/2010, este entendimento encontravase consolidado no âmbito das câmaras com competência para julgar os processos administrativos fiscais referentes às contribuições previdenciárias, desde que esta competência era exercida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS, que aprovou o enunciado n° 29: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 "Nos casos de levantamento por arbitramento, a existência do fundamento legal que ampara tal procedimento, seja no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD ou no Relatório Fiscal REFISC garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento" Após vários anos de debate e atividade judicante, convencime de que a mera ausência da indicação do dispositivo legal para o arbitramento do tributo, por si só, não gera a nulidade do lançamento quando a descrição do fato é detalhadamente suficiente para assegurar a plenitude do exercício do direito de defesa do contribuinte, conforme também já deliberado neste colegiado na oportunidade em que foi exarado o Acórdão 920200.799, de 10/05/2010, da lavra do Dr. Júlio César Vieira Gomes. Contudo, compulsando os autos verifico que o presente processo foi anulado não apenas pela ausência de indicação do fundamento legal, isto é, não houve a simples omissão de dispositivo de lei que ampare o procedimento, mas verdadeiramente ausência de fundamentação para elaboração do lançamento por aferição indireta. Em um exame mais acurado, percebo que o vício declarado pela autoridade a quo representa efetivamente uma vulnerabilidade de tal monta que não permite à autoridade administrativa manter o presente lançamento no mundo jurídico. A notificação referese às contribuições sociais destinadas à seguridade social referentes ao valor bruto das faturas de prestações de serviço relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, nos termos do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212, de 1991. Nos termos da legislação a empresa deve recolher 15% sobre o valor bruto da nota fiscal. Da análise dos autos, verificase que não há qualquer menção ao arbitramento e seus fundamentos legais no conjunto de relatório que compõem o lançamento, embora a empresa autuada tenha indagado quais as razões para a aferição indireta, demonstrando o cerceamento defesa, pois o procedimento fiscal é de difícil compreensão. Demonstrando, tanscrevo trecho do relatório fiscal, fl. 29: “Constituem fatos geradores das contribuições lançadas a remuneração paga pelos serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme contrato e notas fiscais faturas (....) Como base de cálculo da contribuição foi utilizado o percentual de 30% em razão do Contrato com a Cooperativa de Trabalho ser de grande risco.” (??) Ora a legislação determina apenas a cobrança de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal, mas no procedimento sob análise a autoridade autuante reduziu em 30% o valor bruto das notas fiscais sob argumento de grande risco e, sobre esse valor reduzido, aplicou os 15%. Contudo não há previsão legal para tanto. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15885.000198/200856 Acórdão n.º 920201.380 CSRFT2 Fl. 3 5 Nesse sentido, não obstante já haver evoluído em meu entendimento acerca das questões relacionadas à nulidade, entendo que a presente notificação está eivada de vícios de tal monta que não nos permite restaurarlhe os efeitos pela via recursal, razão pela qual voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto pela Fazenda Nacional por entender que os vícios identificados pela autoridade a quo são consistentes para declaração de nulidade. Francisco Assis de Oliveira Júnior (Assinado digitalmente) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000884/2005-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao sujeito passivo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 14041.000884/2005-43
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4839937
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.587
nome_arquivo_s : 920201587_14041000884200543_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Gonçalo Bonet Allage
nome_arquivo_pdf_s : 14041000884200543_4839937.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao sujeito passivo.
dt_sessao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
id : 4746559
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233191948288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 259 1 258 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14041.000884/200543 Recurso nº 153.811 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920201.587 – 2ª Turma Sessão de 10 de maio de 2011 Matéria IRPF Recorrente MAURO HENRIQUE DE MIRANDA SIQUEIRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao sujeito passivo. Fl. 261DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14041.000884/200543 Acórdão n.º 920201.587 CSRFT2 Fl. 260 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Mauro Henrique de Miranda Siqueira foi lavrado o auto de infração de fls. 4856, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 2003, em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Além da multa de ofício de 75%, a autoridade fiscal também lançou a multa isolada de 75%, pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) manteve integralmente o crédito tributário (fls. 7078). Por sua vez, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10422.461, que se encontra às fls. 121136, cuja ementa é a seguinte: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS UNESCO ISENÇÃO ALCANCE A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA No caso de rendimentos Fl. 262DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14041.000884/200543 Acórdão n.º 920201.587 CSRFT2 Fl. 261 3 recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO — Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Intimada do acórdão em 19/09/2007 (fls. 137), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 139146, acompanhado dos documentos de fls. 147148, para pleitear o restabelecimento da multa isolada, invocando como paradigma o acórdão n° 10194.858. Através do Despacho n° 104418/2007 (fls. 150152), a então Presidente da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou seguimento ao recurso. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs agravo às fls. 153159, mas por intermédio do Despacho n° DAG104153811_073 (fls. 163165), restou confirmada a decisão que negou seguimento ao recurso especial. Já o contribuinte, quando cientificado do acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes, interpôs recurso especial de divergência às fls. 171190, acompanhado dos documentos de fls. 191245, no qual alegou, fundamentalmente, que os rendimentos em apreço são isentos do imposto de renda, suscitando como paradigmas os acórdãos 10610.563 e 102 43.659. Este recurso foi admitido (fls. 247) e, em sede de contrarrazões (fls. 249 2589), a Fazenda Nacional pugnou, basicamente, pelo não conhecimento do recurso em razão da Súmula n° 39 do CARF ou, no mérito, pela improcedência da pretensão do contribuinte. É o Relatório. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14041.000884/200543 Acórdão n.º 920201.587 CSRFT2 Fl. 262 4 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. O recorrente sustentou, sob vários enfoques, que os rendimentos em apreço não estão sujeitos à incidência do imposto de renda pessoa física. A questão que chega à apreciação deste Colegiado envolve a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO). Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre o tema, cuja jurisprudência já foi favorável ao contribuinte e também à Fazenda Nacional. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a questão não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 39 tem o seguinte conteúdo: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada quanto à incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pelo recorrente como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 14041.000884/200543 Acórdão n.º 920201.587 CSRFT2 Fl. 263 5 Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Gonçalo Bonet Allage (Assinado digitalmente) Fl. 265DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003467/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
São nulos os atos em que presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelos incisos I e II do art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Em não se dando, não há que se falar em nulidade. Preliminar rejeitada.
DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL INOCORRÊNCIA.
O fato gerador referente à DIPJ entregue tendo como forma de tributação o lucro real, apuração anual, somente ocorre em 31 de dezembro. Como a ciência dos Autos de Infração ocorreu em 18/09/2009, tem-se que não ocorreu a decadência em relação as DIPJ/2005 e DIPJ/2006.
OMISSÃO DE RECEITAS. CIRCULARIZAÇÃO.
A circularização junto a clientes é uma das formas de provar a omissão de receitas.
Numero da decisão: 1301-000.773
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos
do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São nulos os atos em que presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelos incisos I e II do art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Em não se dando, não há que se falar em nulidade. Preliminar rejeitada. DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL INOCORRÊNCIA. O fato gerador referente à DIPJ entregue tendo como forma de tributação o lucro real, apuração anual, somente ocorre em 31 de dezembro. Como a ciência dos Autos de Infração ocorreu em 18/09/2009, tem-se que não ocorreu a decadência em relação as DIPJ/2005 e DIPJ/2006. OMISSÃO DE RECEITAS. CIRCULARIZAÇÃO. A circularização junto a clientes é uma das formas de provar a omissão de receitas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 19515.003467/2009-86
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4863344
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.773
nome_arquivo_s : 130100773_19515003467200986_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515003467200986_4863344.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
dt_sessao_tdt : Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
id : 4747751
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233229697024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1868; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003467/200986 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.773 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 Matéria IRPJ. Recorrente CONSTRUTORA ROY LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São nulos os atos em que presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelos incisos I e II do art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Em não se dando, não há que se falar em nulidade. Preliminar rejeitada. DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL INOCORRÊNCIA. O fato gerador referente à DIPJ entregue tendo como forma de tributação o lucro real, apuração anual, somente ocorre em 31 de dezembro. Como a ciência dos Autos de Infração ocorreu em 18/09/2009, temse que não ocorreu a decadência em relação as DIPJ/2005 e DIPJ/2006. OMISSÃO DE RECEITAS. CIRCULARIZAÇÃO. A circularização junto a clientes é uma das formas de provar a omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ de São Paulo/SP. Observase pela análise do presente processo que em decorrência de ação fiscal levada a efeito perante o contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas, foram lavrados Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, por meio dos quais constituiuse crédito tributário orginalmente no importe de R$ 6.900.612,23 (seis milhões, novecentos mil, seiscentos e doze reais, e vinte e três centavos), incluídos os valores do imposto, contribuição, multa de oficio e dos juros de mora calculados até a data do lançamento. Consta dos autos que em 13/08/2009 a Fiscalização lavrou Termo de Verificação Fiscal — TVF (fls. 173 a 177), sede na qual se constatou que foram fiscalizados o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) da recorrente no tocante à omissão de receita, sendo verificadas irregularidades que determinaram a constituição do crédito tributário do IRPJ e seus reflexos, por infração à legislação tributária eis que a recorrente apresentou Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) dos anoscalendário 2004 e 2005 pelo lucro real sem qualquer valor declarado a título de receita. Informou a Fiscalização que fora expedido Termo de Início do Procedimento Fiscal enviado pelo Correio (com AR), assinado pelo contribuinte em 15/08/2008 e a data estabelecida para a apresentação dos documentos foi 30/09/2008, sendo que a recorrente apresentou apenas os contratos sociais e seu procurador (Sr. Luiz Vicente Giamarini) justificou o atraso declarando que a empresa teve toda a sua documentação apreendida pela Polícia Civil do Estado de São Paulo em cumprimento a Mandado de Busca e Apreensão. Menciona que foram lavrados 03 Termos de Reintimação Fiscal para a apresentação dos documentos, enviados pelo Correio (com AR), assinados pelo contribuinte em 10/10/2008, 17/11/2008 e 18/11/2008, respectivamente, ocorrendo que sequência dos trabalhos intimouse a SECRETARIA DE ESPORTE LAZER E TURISMO — SÃO PAULO SECRETARIA, MUNICIPAL DE FINANÇAS, PREFEITURA MUNICIPAL DE CAPIVARI e EMAE — EMPRESA METROPOLITANA DE ÁGUAS E ENERGIA S.A, para que informassem os valores que foram pagos à Construtora Roy Ltda durante os AC 2004 e 2005 e encaminhassem as respectivas Notas Fiscais. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 19515.003467/200986 Acórdão n.º 130100.773 S1C3T1 Fl. 2 3 Assenta a Fiscalização que em 18/02/2009 o Sr. Luiz Vicente Giamarini apresentou documento informando que apenas parte dos documentos apreendidos foi devolvida e requereu prazo de mais 60 dias para a apresentação da documentação solicitada e naquela ocasião, apresentou cópia de documento fornecido pela Polícia Civil (Ofício n° 003/08 — Ref. IP 184/07), que menciona a apreensão de documentos na Construtora Roy Ltda, sem, no entanto, discriminálos e destacase que ao ser intimado a exibir o Auto de Apreensão, o procurador esclareceu que aquele é o único documento que a Polícia Civil lhe entregou. Destacouse na sequência, que de posse dos documentos enviados pelas empresas tomadoras dos serviços da Construtora Roy Ltda. constatouse a existência de receitas (documentos comprobatórios da omissão de receita encaminhados pelas empresas estão anexos, bem como detalhamento da planilha fls. 217 a 221). Em decorrência de tais constatações, destaca a Fiscalização que foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, enviado pelo Correio (com AR), assinado pelo contribuinte em 05/08/2009, para a apresentação, em 05 dias úteis, dos documentos que foram devolvidos pela Polícia Civil, conforme mencionado no documento apresentado em 18/02/2009 e tal prazo expirou em 12/08/2009 sem atendimento às solicitações. Diante dessas constatações e considerando que dos documentos solicitados o Contribuinte apresentou apenas o Contrato Social, não tendo informado as receitas auferidas nas DIPJ dos anos fiscalizados, constituiuse os correspondentes créditos tributários, com apuração do IRPJ e reflexos de receitas omitidas conforme relação de Notas Fiscais anexas ao citado Termo de Verificação Fiscal. Por ocasião da lavratura do Termo de Verificação Fiscal foi citada toda a capitulação legal que embasa a autuação e a recorrente foi devidamente notificada em 18/09/2009 (fls. 177, 182, 192, 204, 212 e 215), e manifestando seu inconformismo, em 20/10/2009, apresentou Impugnação (fls. 223 a 253), acostando documentos (fls. 224 a 646) e alegando em síntese que o procedimento impugnado iniciouse em 15 de Agosto de 2008, data de entrega do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, intimando o contribuinte a entregar documentação solicitada relacionada aos anoscalendário de 2004 e 2005. Mencionou que ao final de setembro de 2008, o Sr. Auditor Fiscal foi informado que a documentação solicitada encontravase em posse da Polícia Civil (doc. 3) e após várias intimações, em 18/02/2009, a recorrente solicitou dilação de prazo de 60 dias para que conseguisse obter os documentos e que após esta data, somente em 27/07/2009 a Fiscalização informou que havia esquecido de entregar as prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), solicitando que os estes fossem datados de 15/01/2009, 12/03/2009, 11/05/2009 e 08/07/2009 (doc. 4). Ressaltou que a Polícia Civil em sua diligência à sede da Construtora Roy Ltda., e no escritório de contabilidade que presta serviço para a construtora, apreendeu documentos gerais da empresa e de seus sócios, sendo parte destes, a documentação exigida pela Fiscalização. Argumentou que estaria cercada de nulidades as exigências fiscais, porquanto a Autoridade Administrativa sequer consultou o próprio Sistema de Arrecadação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para verificar que independentemente de a empresa estar sob Investigação Policial, manteve suas obrigações acessórias e principais em dia. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 Argumentou que houve para estes fatos geradores, descrição incorreta do fato motivador do lançamento o que ofendeu o artigo 10, inciso II, do Decreto n° 70.235/72 e que proceder desta maneira, a Fiscalização deixou também de especificar corretamente a matéria tributável, de onde se extrairia o motivo do lançamento. Citou precedentes administrativos e afirmou que deve ser anulado o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004 e 2005, por erro de motivação. Passou a aduzir que a Autoridade Administrativa deveria ter verificado as apurações da recorrente via sistema eletrônico de dados que a Receita Federal possui, pelo qual poderia ter tido acesso às Declarações de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), quando verificaria que a empresa apurou os tributos e cumpriu as obrigações acessórias a que estava obrigada, mencionando que a DIPJ somente foi entregue em branco de modo a cumprir o prazo, pois a empresa estava sob investigação policial, impossibilitando a correta apuração dos tributos, pois não estava em posse de seus documentos contábeis e fiscais e que novamente estaria ausente o fator determinante do Auto de Infração, qual seja, a descrição do fato. Argumentou ainda, que todos os requisitos do lançamento devem estar presentes na elaboração do auto de infração sob pena de ser declarado nulo e que bastaria uma simples verificação da autuação para que se constate que o Sr. Fiscal limitouse a indicar um emaranhado de supostos fatos geradores, sem qualquer comprovação, além de apontar como infração, operações legitimamente realizadas pela recorrente. Destacou que o procedimento adotado pelo Sr. Agente Fiscal foi meramente eletrônico, não podendo analisar quaisquer documentos da recorrente, pelo fato de estarem sob verificação da Polícia Civil, com intuito de aferir se ela realizou ou não o pagamento dos supostos créditos tributários, se o não pagamento estava ou não lastreado com decisão judicial, etc. Seguiu arrazoando que seria necessária a presença do agente fiscal nas dependências da Empresa para a fiscalização e lavratura do Auto de Infração e Imposição de Multa, o que não ocorreu no presente caso e que considerando ainda que o Sr. Agente Fiscal não trouxe aos autos qualquer fundamentação ou meio de prova capaz de configurar a existência do suposto crédito tributário, deveria ser declarada a NULIDADE do presente auto de infração, porquanto estaria presente falha de natureza formal grave que do ponto de vista do artigo 142 do CTN macula o lançamento de vício insanável, sendo o auto de infração nulo de pleno direito, devendo ser totalmente cancelada a autuação, a fim de que não gere nenhum efeito. Argumentou que a Fiscalização retirou as informações perante os clientes da recorrente, porém, não demonstrou se se tratavam de "Faturamentos" ou "Pagamentos" realizados, de modo que o auto de infração lavrado careceria de liquidez e certeza, sendo, portanto, nulo. Seguiu dando conta que a empresa não foi notificada e intimada a comprovar os rendimentos/faturamentos demonstrados por estas empresas, ou seja, tratase de autuação sem nenhum fundamento documental, sendo que estas informações sequer foram confrontadas por representantes da Empresa. Mencionou que a todo o momento o digno Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil foi informado que a empresa passava por procedimento investigativo por parte da Polícia Civil do Estado de São Paulo investigação que afirmou ter sido considerada ineficaz, Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 19515.003467/200986 Acórdão n.º 130100.773 S1C3T1 Fl. 3 5 uma vez que foi erroneamente confundida com outra empresa, e sofreu a abrupta apreensão de documentos, livros e arquivos magnéticos, conforme Ofício 003/08. Insiste que para efetuar um lançamento cumpria ao órgão administrativo analisar toda a documentação que envolva operação com suspeita de ato infracionário praticado pelo contribuinte, concluindose que a partir do momento que inexiste relação entre o fato apontado pela fiscalização e o ato praticado pelo contribuinte, deve ser o Auto de Infração considerado absolutamente nulo. Afirmou ainda, que a Fiscalização não prestigiou a busca pela verdade material, eis que processo administrativo fiscal tem como um de seus corolários o princípio da verdade material, segundo o qual é um dever da Administração Pública investigar, com base na realidade dos fatos, a existência dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Destacou que se teria operado a decadência e teceuse outras tantas considerações pugnando pela improcedência da autuação. A 4ª Turma da DRJ de São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 652 a 680, julgou procedente as autuações, mantendo as exigências fiscais, afastando de início as alegadas nulidade, porquanto ausente qualquer dos permissivos contido no artigo 59 d Decreto 70.235/72, verificando não haver qualquer decadência e firmando entendimento que a circularização entre os clientes da contribuinte foi suficiente a demonstrar a omissão de receitas e por decorrer dos mesmos fatos, mantevese igualmente os lançamentos reflexos. Devidamente cientificada (fl. 681), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 692 – 722), reiterando os fatos e as preliminares de nulidade insistindo na ausência de busca pela verdade material no caso concreto, situação que também acarretaria a nulidade. Tornou a mencionar ocorrência da decadência e reiterou os demais argumentos já relatados, pugnando ao fim pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Com bem descrito no Termo de Verificação Fiscal de folhas 173 a 177, a recorrente apresentou DIPJ “zerada” para os anoscalendário 2004 e 2005, foi intimada diversas vezes para apresentar a documentação comprobatória de suas receitas, como não o fez, a Fiscalização valeuse de circularização em seus clientes para que apresentassem os valores pagos à recorrente, surgindo daí a inarredável constatação de omissão de receitas. O panorama acima mencionado, retrata com fidelidade e bastante singeleza a situação fática enfrentada nos autos, sendo certo que ao contemplar os argumentos manuseados pelo sujeito passivo, entre as tantas arguições de nulidade, nada há que indique de forma clara e induvidosa algum equívoco cometido pela Fiscalização ou pela decisão recorrida. Diante disso, já adianto que ao meu sentir a decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ de São Paulo/SP, não está a merecer qualquer censura e o crédito tributário lançado deve prosperar sem qualquer reparo. Registro para tanto, tal qual o fez a decisão recorrida, que na espécie não se acha presente qualquer vício capaz de acarretar nulidade, não se cogita de incompetência da autoridade lançadora, tampouco há como sugerir ter havido algum tipo de cerceamento ao direito de defesa da recorrente. Com efeito, todos os atos foram cientificados à recorrente, que dispôs de amplo prazo para atender as tantas intimações realizadas pela Fiscalização, que resguardando a lisura do feito, por diversas vezes prorrogou os prazos para apresentação de documentos e a despeito disso, nada lhe foi apresentado que justificasse a apresentação de DIPJ “zerada” a despeito de ter havido substanciosos pagamentos à recorrente. Não vislumbro nem palidamente algum argumento capaz de sugerir ter ocorrido alguma nulidade no caso concreto, ademais, se a recorrente tivesse algum documento esclarecedor para apresentar, que comprovasse a origem de suas receitas e sua natureza não tributável ou dedutível, poderia têlo apresentado com a Impugnação ou Recurso Voluntário, oportunidade na qual, sua pertinência seria avaliada à luz da verdade material. Aliás, contrariamente ao que sustenta a recorrente, a Fiscalização valeuse sim da busca pela verdade material, tanto o é, que não apresentados os documentos pela Fiscalizada, cuidou de circularizar os seus clientes. Ora, o dito princípio foi levado a efeito, a revelar que a recorrente, a despeito de não declarar qualquer parcela tributável, obteve receitas, situação que cotejada com a ausência de justificativas plausíveis da recorrente, indicou a ocorrência de omissão de receitas. Sendo assim, não vislumbro qualquer nulidade que possa ser decretada, razão pela qual, ausente qualquer das hipóteses do artigo 59 do decreto nº 70.235/72, rejeito as preliminares de nulidade. No que toca à decadência, tal como fez a decisão recorrida, importa registrar que somente em 31/12/2004 e em 31/12/2005 ocorreram os fatos geradores do IRPJ e da CSLL referentes aos AC de 2004 e de 2005. Como a ciência dos Autos de Infração ocorreu em 18/09/2009, temse que não ocorreu a decadência. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 19515.003467/200986 Acórdão n.º 130100.773 S1C3T1 Fl. 4 7 Quanto ao mérito, no mesmo o sentido daquilo que afirmado no cotejo das preliminares, registrese que a recorrente não apresentou sua escrita fiscal e/ou comercial, identificado as receitas tributáveis e as não tributáveis, razão pela qual, considerase hígido o arbitramento realizado pela Fiscalização. Com essas razões voto no sentido de REJEITAR as preliminares e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 24 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 10510.006937/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS – CONFRONTO COM AS DIRF DAS
FONTES PAGADORAS – FUNÇÃO DO FISCO.
Para a exigência do tributo é necessário que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo. Tratando-se
de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, artigos 3º e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. No
caso, a simples constatação de divergências entre as declarações em questão não permite concluir, pela ocorrência da infração apontada, em face de todos os documentos e informações apresentados pela Recorrente.
PIS E COFINS – DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais, sujeitos a lançamento por homologação, enquadrados na modalidade do art. 150, §4º do CTN.
OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. CONTABILIZAÇÃO.
Cabível a tributação sobre o valor da omissão de receitas apurada pela falta de contabilização de juros auferidos sobre o capital próprio, devendo ser afastada a tributação sobre os valores que, no decorrer da diligência, foi constatada a efetiva contabilização e o oferecimento à tributação.
ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO.
É cabível a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, em concomitância com a aplicação da multa de ofício pela falta de pagamento/declaração das diferenças do imposto e contribuição apurados em procedimento fiscal, face a expressa disposição legal e face à incidência ocorrer em situações fáticas distintas.
IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO.
Em se tratando de matéria idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS e COFINS em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
Numero da decisão: 1202-000.644
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade dos autos de infração e acolher a preliminar de decadência do PIS e da COFINS para os fatos geradores acontecidos até outubro de 2003 e, no mérito, em relação à matéria Omissão de Receitas de Aplicação Financeira, também por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar as exigências do IRPJ, CSLL, PIS e
COFINS. Quanto à matéria Omissão de Receitas dos Juros sobre o Capital Próprio, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para excluir da tributação os
valores indicados nos quadros de fls. 588/593. Em relação à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas incidentes sobre Omissão de Receitas dos Juros sobre o Capital Próprio, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Geraldo Valentim Neto (relator), Nereida de Miranda Finamore Horte e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento quanto a essa matéria. Designado para redigir o
voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS – CONFRONTO COM AS DIRF DAS FONTES PAGADORAS – FUNÇÃO DO FISCO. Para a exigência do tributo é necessário que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo. Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, artigos 3º e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. No caso, a simples constatação de divergências entre as declarações em questão não permite concluir, pela ocorrência da infração apontada, em face de todos os documentos e informações apresentados pela Recorrente. PIS E COFINS – DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais, sujeitos a lançamento por homologação, enquadrados na modalidade do art. 150, §4º do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. CONTABILIZAÇÃO. Cabível a tributação sobre o valor da omissão de receitas apurada pela falta de contabilização de juros auferidos sobre o capital próprio, devendo ser afastada a tributação sobre os valores que, no decorrer da diligência, foi constatada a efetiva contabilização e o oferecimento à tributação. ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, em concomitância com a aplicação da multa de ofício pela falta de pagamento/declaração das diferenças do imposto e contribuição apurados em procedimento fiscal, face a expressa disposição legal e face à incidência ocorrer em situações fáticas distintas. IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS e COFINS em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10510.006937/2008-58
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 5048620
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1202-000.644
nome_arquivo_s : 1202000644_10510006937200858_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : GERALDO VALENTIM NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10510006937200858_5048620.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade dos autos de infração e acolher a preliminar de decadência do PIS e da COFINS para os fatos geradores acontecidos até outubro de 2003 e, no mérito, em relação à matéria Omissão de Receitas de Aplicação Financeira, também por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar as exigências do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Quanto à matéria Omissão de Receitas dos Juros sobre o Capital Próprio, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para excluir da tributação os valores indicados nos quadros de fls. 588/593. Em relação à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas incidentes sobre Omissão de Receitas dos Juros sobre o Capital Próprio, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Geraldo Valentim Neto (relator), Nereida de Miranda Finamore Horte e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento quanto a essa matéria. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
id : 4748259
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233262202880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1.105 1 1.104 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.006937/200858 Recurso nº 883.812 Voluntário Acórdão nº 1202000.644 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente CONSTRUTORA CELI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS – CONFRONTO COM AS DIRF DAS FONTES PAGADORAS – FUNÇÃO DO FISCO. Para a exigência do tributo é necessário que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, artigos 3º e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. No caso, a simples constatação de divergências entre as declarações em questão não permite concluir, pela ocorrência da infração apontada, em face de todos os documentos e informações apresentados pela Recorrente. PIS E COFINS – DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais, sujeitos a lançamento por homologação, enquadrados na modalidade do art. 150, §4º do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. CONTABILIZAÇÃO. Cabível a tributação sobre o valor da omissão de receitas apurada pela falta de contabilização de juros auferidos sobre o capital próprio, devendo ser afastada a tributação sobre os valores que, no decorrer da diligência, foi constatada a efetiva contabilização e o oferecimento à tributação. ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, em concomitância com a aplicação Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.106 2 da multa de ofício pela falta de pagamento/declaração das diferenças do imposto e contribuição apurados em procedimento fiscal, face a expressa disposição legal e face à incidência ocorrer em situações fáticas distintas. IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS e COFINS em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade dos autos de infração e acolher a preliminar de decadência do PIS e da COFINS para os fatos geradores acontecidos até outubro de 2003 e, no mérito, em relação à matéria Omissão de Receitas de Aplicação Financeira, também por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar as exigências do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Quanto à matéria Omissão de Receitas dos Juros sobre o Capital Próprio, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para excluir da tributação os valores indicados nos quadros de fls. 588/593. Em relação à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas incidentes sobre Omissão de Receitas dos Juros sobre o Capital Próprio, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Geraldo Valentim Neto (relator), Nereida de Miranda Finamore Horte e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento quanto a essa matéria. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – Relator (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vida Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.107 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (“DRJ/SDR”), que julgou parcialmente procedente a Impugnação da Contribuinte, ora Recorrente. Verificase dos autos (26/26v) que em 22/02/2008 foi lavrado Termo de Início de Ação Fiscal, intimando a Recorrente a apresentar os seguintes documentos: a) Livros Diários, Razão e LALUR do período compreendido entre outubro/2006 e dezembro/2007; b) Atos constitutivos e alterações ocorridas a partir de outubro/2007; c) Demonstrativo de Juros sobre o Capital Próprio (“JCP”) recebidos e pagos nos anoscalendário de 2003 e 2004, bem como a comprovação das formalidades pertinentes; d) Demonstrativo das receitas financeiras nos anoscalendário 2003 e 2004, com base em documentos comprobatórios; e) DARF referentes ao pagamento por estimativa de IRPJ e CSLL em determinados meses de 2003; f) Comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores declarados nos anoscalendário de 2003 e 2004 a título de “Outras Despesas Financeiras” (linha 36 – Ficha 06A) e “Outras Exclusões” (linha 36 – Ficha 09A); g) Comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores de IRRF declarados na ficha 53 do anocalendário de 2004, conforme relação de CNPJ então informada. Às folhas 27/42 dos autos encontramse documentos comprobatórios dos itens “d” e as Fichas 06A dos anoscalendário de 2003 e 2004, sem indicação da data em que fornecidos e informações sobre os demais itens requisitados. Às folhas 43/44 foi juntado o Termo de Intimação Fiscal (“TIF”) nº 02, que requisita os seguintes documentos: a) Plano de Contas utilizado nos anoscalendário 2003 a 2007; b) Demonstrativo, apoiado em documentos hábeis e idôneos, dos resultados obtidos em aplicações em renda variável entre 2003 e 2007; c) Demonstrativo das compensações de débitos tributários federais, realizadas no período entre 2003 e 2007; A seguir (fls. 45), encontrase o TIF nº 04, que requisita as seguintes informações: Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.108 4 a) Indicação das linhas/fichas da DIPJ onde foram oferecidas à tributação as receitas de aplicações financeiras, receitas de JCP e demais rendimentos relativos aos anos calendário de 2003 e 2004; b) Explicação quanto ao “desaparecimento” das contas de clientes 1.1.2.01.01.00000001 (Mercado Simão Dias) e 1.1.2.01.01.00403006 (P.M. Jaboatão) existentes em 2003 e ausentes em 2004, segundo o razão eletrônico fornecido; c) Explicação quanto ao “aparecimento” da conta 1.1.2.01.01.00402005 (Projeto Cura Camaçari) em 2004 com saldo anterior, sendo que a referida conta não existia em 2003, segundo o razão eletrônico fornecido; d) Índice de correção adotado para as contas acima referenciadas, exceto a conta relativa ao cliente Canais Camaçari. Às folhas 46/291 estão juntados diversos documentos relativos às requisições efetuadas pela Fiscalização desde o Termo de Início de Ação Fiscal, como folhas do Livro Razão relativas aos rendimentos obtidos em aplicações financeiras, planilhas de demonstração dos rendimentos auferidos, Declarações de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, DIPJ e DCTF. Às folhas 292/295 encontrase o Termo de Verificação Fiscal, que expõe as razões da lavratura do Auto de Infração, que promoveu o lançamento do IRPJ e CSLL por omissão de receitas advindas de aplicações financeiras, bem como de JCP, com a aplicação da multa de ofício de 75%. Aplicou, ainda, multa isolada de 50% pelo recolhimento insuficiente de estimativas no decorrer do anocalendário de 2003 e 2004. Além disso, promoveu o lançamento de PIS e COFINS sobre as receitas supostamente omitidas. Regularmente intimada da lavratura do AI, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 299/325) em 23/12/2008, na qual alega que a omissão de receitas supostamente averiguada decorre da divergência no reconhecimento dos rendimentos existente entre os informativos fornecidos pelas instituições bancárias e a escrituração da Recorrente. Isto porque, segundo a defesa ofertada, a Recorrente reconhece os rendimentos por competência, enquanto os informativos em questão adotam o regime de caixa. A Recorrente apresenta, em comprovação de que os rendimentos foram devidamente tributados, planilhas e folhas do Livro Razão com a contabilização destes rendimentos desde o anocalendário de 2000, bem como os comprovantes de retenção na fonte. Alega o efetivo oferecimento à tributação e apresenta planilhas relativas à contabilização das receitas de JCP. Ademais, alega a impossibilidade de cobrança concomitante da multa de ofício e da multa isolada. Por fim, a Recorrente defende que, em relação ao PIS e à COFINS, o lançamento das competências de Janeiro a Novembro de 2003 foi fulminado pela decadência. Em 17/03/2009, a DRJ/SDR determinou a realização de diligência para a verificação da efetiva contabilização dos rendimentos nos anoscalendário anteriores (fls. 456/458). Para a realização da diligência determinada, a Fiscalização intimou a Recorrente a apresentar o seguinte: “1 – Quanto ao item 1 da peça impugnatória, isto é, Omissão de Receitas Financeiras: 1.1 – Para cada valor de receita informada em DIRFs de fls. 88/97 e registrada em planilhas de fls. 117/123, apresentar demonstrativo detalhado das correspondentes aplicações financeiras que produziram tais rendimentos, Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.109 5 informando mêsamês a apropriação das receitas financeiras auferidas. No demonstrativo, identificar a aplicação, bem como registrar mensalmente, o saldo inicial, valores aplicados e resgatados, valor das cotas (se houver), quantidade de cotas, valor das receitas auferidas e do IR retido na fonte e saldo final, além de outros de interesse que o sujeito passivo julgar necessário; 1.2 – Apresentar registros contábeis das apropriações mencionadas; 1.3 – Apresentar documentação hábil e idônea capaz de comprovar as informações prestadas. 2 – Ainda no tema omissão de receitas financeiras, observase que nas planilhas aduzidas na impugnação e referentes aos Bancos Panamericano, Unibanco, Banese, Bradesco, Santos, Caixa Econômica Federal e Itaú houve contabilização de receitas financeiras, via de regra, somente em meses para os quais houve informação de receitas e retenção de IR por parte das instituições. Desta forma o sujeito passivo fica intimado também a esclarecer a sistemática de apropriação das receitas. 3 – Com relação à Omissão de Juros sobre o Capital Próprio (item 2 da impugnação), identificar nas fichas do razão correspondentes, a contabilização dos valores a que se referem os códigos (1), (2), (3) e (5), registrados nas planilhas de fls. 326/327 e explicitados em fls. 315. (...) 4 – Disponibilizar também a escrituração contábil (livros razão e diário) do período 2000 a 2002, preferencialmente em meio magnético de acordo com as instruções expressas no Termo de Intimação Fiscal nº 02 de fls. 43.” Em atenção ao solicitado, a Recorrente apresentou esclarecimentos e documentos, juntados às fls. 465 a 593. O Relatório de Diligência (fls. 594/598) concluiu pela necessidade de manutenção parcial da autuação, excluindo valores mencionados, conforme as fls. 588/593. Em manifestação sobre o Relatório de Diligência (fls. 606/613), a Recorrente reiterou a correção de seus procedimentos, com a devida tributação dos valores, requerendo o cancelamento da autuação, juntando, ainda, novos documentos (fls. 614/949). A 1ª Turma da DRJ/SDR julgou (fls. 956/964v) a Impugnação parcialmente procedente, em decisão com a seguinte ementa: “Assunto: Procedimento Administrativo Fiscal AnoCalendário: 2003, 2004 LANÇAMENTO. NULIDADE. Para que seja aceita a arguição de nulidade de lançamento é necessário que se comprove que foi o mesmo efetuado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário AnoCalendário: 2003 DECADÊNCIA. PRAZO. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.110 6 Na ausência de recolhimentos, o direito da Fazenda Pública proceder ao lançamento extinguese no prazo de cinco anos contados do primeiro dia subsequente ao dia em que o lançamento poderia ter sido efetivado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CONTABILIZAÇÃO E COMPROVAÇÃO. Os rendimentos relativos a aplicações financeiras devem ser reconhecidos mensalmente em conformidade o regime de competência de tais receitas, devendo a pessoa jurídica, quando questionada pelo Fisco, demonstrar de forma incontestável tal procedimento e o respectivo oferecimento à tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. CONTABILIZAÇÃO. Cabível a tributação sobre o valor da omissão de receitas apurada pela falta de contabilização de juros auferidos sobre o capital próprio, devendo ser afastada a tributação sobre os valores que, no decorrer da diligência, foi constatada a efetiva contabilização e o oferecimento à tributação. IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Deve ser mantido o lançamento da multa isolada incidente sobre a falta de recolhimento do IRPJ calculado, mensalmente, sobre base de cálculo estimada, ainda que tenha havido outra autuação relativa à falta de recolhimento do imposto sobre a renda devido anualmente, por expressa previsão legal nesse sentido. IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS e COFINS em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Ciente da decisão em 10/02/2010, a Recorrente protocolou Recurso Voluntário em 09/03/2010, em que repete os argumentos trazidos na Impugnação, e solicitou a realização de perícia contábil às fls. 1038. Ademais, a Recorrente renunciou às alegações efetuadas na peça impugnatória conforme cópia do “Requerimento de Desistência de Impugnação do Recurso Administrativo” com relação à parcela de valores inseridos no parcelamento da Lei 11.941/09 (Refis) (fls. 974). Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.111 7 Por fim, a Recorrente argumenta pela impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada e da multa de ofício. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.112 8 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicio pela análise das preliminares suscitadas pela Recorrente. I – PRELIMINARES DE NULIDADE a) Lavratura de autos distintos A Recorrente alega, em sede preliminar, a nulidade dos autos de infração devido à falta de lavratura de autos distintos para a exigência dos tributos e da multa de ofício isolada, em suposta contrariedade ao disposto no artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: “Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2008 – DOU DE 4/12/2008 Alterado pela LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 DOU DE 28/5/2009.) § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 DOU DE 28/5/2009) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93)” (não grifado no original) Segundo a Recorrente, a autoridade administrativa não deveria ter incluído nos autos de infração de IRPJ e da CSLL a imposição de multa de ofício isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas do IRPJ e da CSLL, por suposta afronta ao disposto no artigo acima transcrito. Neste aspecto e diante do que dispõe o parágrafo primeiro do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito, concordo com a decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ/SDR no sentido de que houve uma interpretação equivocada da Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.113 9 Recorrente ao requerer que fosse lavrado um auto de infração para cada tipo de infração de um mesmo tributo, como bem esclarecido no texto que segue: “A interpretação da Impugnante de que deverá ser lavrado um auto de infração para cada espécie de infração do mesmo imposto, ou seja, autos separados para IRPJ e multa isolada por falta de recolhimento de estimativa do IRPJ, não tem o menor sentido. A luz do que emana do referido artigo agiu o fisco com absoluta perfeição quanto à exigência, em um só auto de infração, do crédito apurado pela omissão de receita e da multa isolada pelo pagamento a menor de estimativas, tanto no que tange ao IRPJ quanto a CSLL.” Este também é o entendimento deste E. Conselho. Vejamos: “RECURSO EX OFFICIO CSL ART. 9º DO PAF ALTERAÇÕES DA LEI Nº 8.748/93 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO DE FORMA MULTA ISOLADA RESTABELECIMENTO Quando constatadas infrações que impliquem tanto na exigência de tributo quanto na de multa isolada, o lançamento deve ser efetuado em um só instrumento, englobando todas as ocorrências verificadas. A segregação de infrações em autos distintos, só é necessária quando descumpridas as normas referentes a mais de um tributo, até mesmo por causa das diversidades de competência para julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal. MULTA ISOLADA RECOMPOSIÇÃO DE VALORES REFLEXO DO DECIDIDO QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO Os valores das multas isoladas, por falta de recolhimento das estimativas mensais da CSL, devem ser recalculados após a recomposição dos valores das infrações remanescentes e da compensação de bases negativas anteriores. Recurso de ofício parcialmente provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10807779, Data 15/04/2004) (não grifado no original) Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade dos autos de infração suscitada pela Recorrente no que diz respeito à necessidade de lavratura de autos distintos. b) Revogação da base legal (Multa de Ofício Isolada) A Recorrente alega ainda, em sede preliminar, a nulidade dos autos de infração em razão de suposta revogação da base legal que ensejou a aplicação da multa isolada. Neste aspecto, em que pese o dispositivo em questão (artigo 44, parágrafo 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96) tenha de fato sido revogado com a edição da Lei nº 11.488/2007, entendo que não se trata de caso de nulidade da autuação haja vista que referida exigência encontrase prevista na atual redação do artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96. Por tais razões, rejeito também a preliminar de nulidade da autuação suscitada pela Recorrente no tocante à revogação da base legal que ensejou a exigência da multa isolada. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.114 10 II – MÉRITO: OMISSÃO DE RECEITAS a) Falta de contabilização de rendimentos de aplicações financeiras A Recorrente foi autuada pela suposta omissão de receitas caracterizada pela falta de contabilização de rendimentos de aplicações financeiras recebidos nos anos calendários de 2003 e 2004, tendo por enquadramento legal os artigos 247, 248, 251 (e seu parágrafo único), 277, 288 e 373 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), que adiante passo a analisar. A partir do Termo de Verificação Fiscal (fls. 292/295), percebese que para mensurar a suposta omissão de rendimentos decorrentes de ganhos de capital oriundos das aplicações financeiras nos anos calendários de 2003 e 2004 a autoridade fiscal simplesmente confrontou os valores informados nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRFs) emitidas pelas instituições financeiras com aqueles informados nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e registros contábeis da Recorrente, o que no entendimento da autoridade fiscal justificaria o lançamento, ao concluir que “foi constatado descompasso entre o valor contabilizado e o valor pago ou creditado por estas instituições”. Além disso, ao apurar os rendimentos de aplicações financeiras da Recorrente com base apenas nas DIRFs – que informam os rendimentos e o imposto de renda por ocasião de cada resgate ou liquidação (regime de caixa) –, a autoridade fiscal deixou de verificar o procedimento utilizado pela Recorrente, que de acordo com a legislação e jurisprudência (adiante indicados) determinam que as receitas financeiras devem ser apropriadas de acordo com o regime de competência (e não caixa). Referido procedimento de apropriação dos rendimentos oriundos de aplicações financeiras encontrase previsto no Regulamento do Imposto de Renda (artigo 373) e também na Instrução Normativa SRF nº 334/03 vigente à época dos fatos (artigo 2º). Vejamos: (i) Regulamento do Imposto de Renda Artigo 373: Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 17 e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, §3º) (não grifado no original) (ii) Instrução Normativa SRF nº 334/03 “Artigo 2º: Na apuração dos impostos e contribuições previsto no art. 1º, os rendimentos produzidos por título ou valor imobiliário de renda fixa, bem assim as com cláusula de variação cambial, serão apropriados pelo regime de competência.” (não grifado no original) Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.115 11 Este também é o entendimento da Receita Federal do Brasil e deste E. Conselho. Vejamos: (i) Receita Federal do Brasil Processo de Consulta nº 206/02 (Publicação do DOU 10/02/2003) – Sexta Região Fiscal “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA – APROPRIAÇÃO DE RECEITAS – Os títulos de crédito com vencimento posterior ao encerramento do período devem ter os seus rendimentos apropriados segundo o regime de competência, em função da forma pactuada na aplicação e, desse modo, integrarão as bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS mensalmente, se esse é o regime de tributação a que se submete a pessoa jurídica. Dispositivos Legais: Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; Artigo 187 e §1º; Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 300, de 26 de março de 1999, Artigos 274 e 373; Parecer Normativo CST nº 18, de 27 de agosto de 1984; Lei nº 7.689, de 1988, Artigo 2º, Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, Artigo 2º.” (Vide, no mesmo sentido, Processo de Consulta nº 019/99, publicado no DOU em 16/08/1999 – Terceira Região Fiscal) (não grifado no original) (ii) Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 RENDIMENTO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. Correto o procedimento do sujeito passivo que apropriou os rendimentos das aplicações financeiras pelo regime de competência, a medida em que foram auferidos, ainda que a tributação desses ganhos tenha ocorrido apenas no vencimento da aplicação.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10323059, Data 13/06/2007) (não grifado no original) (Vide, no mesmo sentido, Acórdão nº 10707498, de 28/01/2004, do Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária) (não grifado no original) “REGISTRO DE RECEITAS. REGIME DE COMPETÊNCIA POSTERGAÇÃO As receitas financeiras e as variações monetárias dos direitos de crédito devem ser apropriadas no períodobase em que forem fluindo, de acordo com o regime de competência ou econômico que a Lei comercial (Lei n° 6.404/76, arts. 177 e 187, § 1°) e a Lei fiscal (Dec.Lei n° 1.598/77, arts. 7°, § 4°, e 67 , XI) mandam adotar na determinação do resultado do exercício.” (Acórdão nº 10513.639, de 17/10/2001, do Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária) (não grifado no original) Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.116 12 Como se sabe, o regime de competência é definido como aquele em que as receitas são computadas a partir do momento em que nasce o direito de recebêlas, independentemente do efetivo recebimento, o que também se aplica aos custos e despesas, escriturados no período respectivo, ainda que não tenha ocorrido desembolso financeiro pela pessoa jurídica. Contrapõese, assim, ao regime de caixa, no qual as receitas e despesas somente serão computadas quando efetivamente recebidas e/ou pagas. De acordo com o que se depreende dos autos, a Recorrente contabilizou devidamente pelo regime de competência os rendimentos e ganhos de suas aplicações financeiras, independentemente dos mesmos terem sido resgatados e/ou liquidados junto às instituições financeiras. Verificase, da análise dos diversos documentos e informações apresentados pela Recorrente e anexados aos autos (vide, a título exemplificativo, as planilhas e explicações apresentadas às fls. 304 a 308), que (i) o montante dos rendimentos auferidos com as aplicações financeiras obtidas junto aos Bancos Panamericano, Unibanco, Banese, Bradesco, Banco Santos, Caixa Econômica Federal e Itaú que foram oferecidos à tributação correspondem aos montantes informados nas DIRFs, como também que (ii) o total do imposto de renda retido na fonte corresponde aquele informado nas DIRFs, comprovando que não houve omissão de rendimentos. Assim, em observância ao regime de competência, o reconhecimento contábil dos rendimentos auferidos pela Recorrente ocorreu no mês de encerramento do período base de apuração, ou seja, em dezembro de cada ano calendário, conforme se depreende das planilhas trazida pela Recorrente de demonstrativo das aplicações (fls. 358/360). A Recorrente ainda trouxe aos autos diversos outros documentos, como os demonstrativos das receitas financeiras nos períodos mencionados (fls. 27, 28, 36 e 37) e o Razão Analítico (fls. 29/34 e 38/41), cujos saldos no final do período de apuração confirmam os valores informados nas DIPJs e demonstrativos de receitas financeiras. Ademais, e de forma a comprovar o devido oferecimento à tributação dos rendimentos de aplicações financeiras, a Recorrente anexou aos autos diversos documentos que ratificam os valores dos rendimentos e do imposto de renda retido informados nas planilhas apresentadas (vide, a título exemplificativo, os anexos 1 a 16 citados às fls. 310 a 312), ao passo que a autoridade fiscal permeou sua análise apenas com base nas DIRFs sem se aprofundar na análise das mesmas em confronto com o regime de competência adotado pela Recorrente, a que estava obrigada nos exatos termos da legislação. Assim, não se atentando à forma pela qual a Recorrente contabilizou seus rendimentos, nos termos da legislação aplicável, a autoridade fiscal acabou por lavrar autos de infração em que exigiu crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sob a alegação de suposta omissão de receitas a partir do mero confronto entre as informações fornecidas pelas instituições financeiras (DIRFs) e a escrituração comercial da Recorrente. Verificase que ao efetuar o lançamento com base em tal confronto, a Autoridade fiscal não realizou o procedimento correto de averiguação de eventuais quantias não tributadas, pois para apurar as receitas financeiras dos anoscalendário de 2003 e 2004 deveria, primeiramente, ter tomado como ponto de partida o valor do saldo dessas aplicações no final do ano de 2002 para então apropriar, sobre tal saldo, os rendimentos auferidos mensalmente pela Recorrente com tais aplicações financeiras. Todavia, ao invés de proceder Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.117 13 dessa forma, a Autoridade Fiscal simplesmente comparou e levou em consideração o valor constante nas DIRFs, procedimento incorreto e insuficiente para efetuar o lançamento, ao passo que a Recorrente apresentou, por meio de documentos e planilhas anexadas aos autos, comprovantes da correta tributação dos rendimentos auferidos com as aplicações financeiras. Além disso, e conforme se depreende dos autos, a Autoridade Fiscal também não diligenciou para checar se os valores informados nas DIRFs estavam ou não corretos, o que deveria ter sido feito, intimando a Recorrente a esclarecer eventuais divergências de valores. Cumpre ressaltar ainda que a Autoridade Fiscal deixou de excluir da tributação, em contrariedade ao disposto no artigo 837 do RIR/99, o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte identificado e citado às fls. 309 (que foi inclusive objeto de Declaração de Voto na decisão de primeira instância), o que demonstra a inexatidão do procedimento realizado pela Autoridade Fiscal. Assim, considerando a precariedade do procedimento da autoridade fiscal e, considerando ainda, que a Recorrente comprovou todo o alegado através de diversos documentos e planilhas anexados aos autos, individualizados por instituição bancária e com o detalhamento dos rendimentos e do imposto de renda retido na fonte que foram contabilizados nos exercícios, comparandoos ainda com os valores informados nas DIRFs (fls. 304/309), entendo que não pode subsistir o lançamento. Vejam que este também é o entendimento deste E. Conselho, conforme pode se observar da leitura da ementa de acórdão da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que em sede de julgamento determinou, por unanimidade de votos, que é dever do Fisco examinar e auditar a escrita do contribuinte, como também os dados constantes das fontes pagadoras de rendimentos para então verificar se possui ou não subsídios suficientes que permitam a conclusão de que eventuais divergências ensejam ou não a tipificação de omissão de receitas. Vejamos: “IRPJ E CSL – OMISSÃO DE RECEITAS – CONFRONTO COM AS DIRF DAS FONTES PAGADORAS – FUNÇÃO DO FISCO – Havendo divergência de informações (DIRFXDIPJ) deve o Fisco auditar a escrita do contribuinte, intimandoo a esclarecer as divergências de valores encontrados e, sendo o caso, verificar também os dados constantes das fontes pagadoras dos rendimentos. A simples constatação de divergências entre as declarações em questão não permite concluir, com segurança, pela ocorrência da infração apontada. Recurso Provido.” (Processo nº 13364.00076/200317, 8ª Câmara, 1º Conselho de Contribuintes, Julgado em 07/12/2005) (não grifado no original) No presente caso, vale lembrar, a Recorrente demonstrou e comprovou que recolheu devidamente os tributos incidentes sobre os rendimentos de suas aplicações financeiras; apresentou ainda demonstrativos das receitas financeiras nos anos de 2003 e 2004 (fls. 27, 28, 36 e 37) e enviou à fiscalização cópias do “Razão Analítico” (fls. 29/34 e 38/41) referentes a tais períodos, cujos saldos no final do período de apuração confirmam os valores informados nas DIPJs e demonstrativos de receitas financeiras. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.118 14 Cumpre transcrever, a esse respeito, trecho do voto do Conselheiro Relator Marcos Vinicius Neder de Lima proferido em caso análogo ao presente, conforme extraído dos autos do Acórdão nº 10708.128, de 15 de junho de 2005, da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que muito bem elucida a questão. Vejamos: “(...), verificase que a constatação de um pagamento na DIRF deve ser apenas o ponto de partida para novas investigações, pois, em geral, são necessários mais elementos de convicção para que se possa concluir de forma segura a ocorrência do fato gerador do tributo. A obtenção de uma pluralidade de indícios, nesses casos, é importante. Vários indícios considerados isoladamente podem não alcançar a certeza, mas, ao serem examinados em conjunto, podem levar a uma presunção relativamente confiável. No presente processo, a acusação está lastreada apenas na declaração da DIRF, enquanto a recorrente apresenta uma série de evidências que impede o julgador de alcançar certeza necessária para que prevaleça a exigência fiscal. Os fiscais não deram o trabalho de aprofundar a investigação a partir das suspeitas iniciais, diligenciando na empresa declarante da DIRF de modo a afastar possibilidades em contrário.” (não grifado no original) Portanto, ao invés de limitarse à utilização dos valores constantes nos extratos das DIRFs, a autoridade fiscal deveria ter iniciado a análise pelo confronto dos rendimentos mensais das aplicações financeiras a partir do saldo apurado ao final do ano calendário de 2002. Não o tendo feito e sem qualquer aprofundamento no exame/auditoria de todos os documentos e informações prestados pela Recorrente, a autoridade fiscal não cumpriu os preceitos contidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, o que invalida a exigência. Este E. Conselho também já se posicionou neste sentido, conforme se verifica da leitura da ementa a seguir transcrita: “IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – PRESUNÇÃO – Para a exigência do tributo é necessário que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, artigos 3º e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. No caso, a autoridade autuante limitouse a confrontar as informações prestadas nas DIRF das fontes pagadores a DIPJ da recorrente, sem qualquer aprofundamento na ação fiscal.” (Acórdão nº 10195.472, de 26/4/2006, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) (Vide, no mesmo sentido, Acórdão nº 10195.366, de 26/1/2006, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) (não grifado no original) Como muito bem apontou o Conselheiro Relator Paulo Roberto Cortez nos autos de referido Acórdão nº 10195.472,“não é lícito formular acusação de omissão de receitas sob o simples fato de que o contribuinte não comprovou a tributação do valor citado pelo simples exame interno da declaração de rendimentos. É inadmissível a realização de um Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.119 15 trabalho um pouco mais profundo em busca da prova da receita omitida, utilizando os poderes que detém sob pena de estar renunciando ao seu ofício.”. Esclarece ainda o seguinte: “Como é sabido, o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no artigo 112 do CTN. O imposto, por definição (CTN, art 3º), não pode ser usado como sanção. Para lavratura do auto de infração, sob a acusação de omissão de receitas, referida circunstância deve ser conhecida e devidamente comprovada pois, caso contrário, estaria lançando tributo de forma presuntiva e não prevista em lei. O próprio diploma legal estabelece os limites da presunção. Fora disso, a autuação por omissão de receita deve ser assentada em dados concretos, objetivos e não em circunstâncias não suficientemente provadas, que se mostrem incapazes de estabelecer fonte segura para o convencimento do julgador.” (não grifado no original) Assim, não deve subsistir o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS promovido pela autoridade fiscal diante dos argumentos acima expostos e do comprovado equívoco do procedimento realizado pela Fiscalização tendo por base a comparação das DIRFs com as escriturações da Recorrente. Por tal razão, entendo prescindível o pedido da Recorrente de realização de perícia, visto que os diversos documentos e informações por ela trazidos aos autos demonstram a fragilidade do procedimento utilizado pela autoridade fiscal para proceder ao lançamento. b) Falta de Contabilização de Juros sobre Capital Próprio A Recorrente foi ainda autuada pela suposta omissão de receitas financeiras caracterizada pela falta de contabilização de juros sobre o capital próprio recebidos nos anos calendário de 2003 e 2004, tendo por enquadramento o disposto no Artigo 78 da Lei nº 9.430/96. Cumpre mencionar, inicialmente, que a Recorrente reconheceu em seu Recurso Voluntário a procedência de parte da exigência lançada nos autos de Infração (conforme discriminados às fls. 974 dos autos) e incluiu as referidas parcelas no programa de parcelamento de débitos tributários (REFIS) previsto na Lei nº 11.941/2009. Desta forma, renunciou parcialmente às alegações efetuadas na peça impugnatória conforme cópia do “Requerimento de Desistência de Impugnação de Recurso Administrativo”, razão pela qual tal parcela (fls. 974) não será objeto de análise neste voto. Com relação aos demais aspectos suscitados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário no tocante a este item, entendo que merece ser mantida a decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ/SDR, com alguns reparos, a seguir discriminados. Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.120 16 b.1) Comprovação da contabilização Cumpre mencionar, a esse respeito, que após o relatório da diligência fiscal foi apurado que parte da receita relativa a Juros Sobre o Capital Próprio havia sido efetivamente registrada na contabilidade da Recorrente. É o que se verifica do relatório de diligência (fls. 594 a 598), que ao final determina: “Isto posto e seguindose a mesma sistemática adotada e exemplificada anteriormente, foram reproduzidas as planilhas I e II de fls 326/327, agora juntadas às fls 588/593 e, de acordo com a codificação adotada pelo mesmo e indicada em fls 315, ao se considerar os rendimentos de JSCP registrados nas contas 5.3.1.01.02 — Juros Ativos, ora pelo valor correto (2), ora pelo liquido (1), 5.4.2.02 — Dividendos e Outras Participações (3) e 5.3.1.01.02 — Juros diversos pelo valor liquido (5), foi registrada a parcela a ser mantida no auto de infração, para cada valor de JSCP considerado como omitido.” (não grifado no original) A decisão recorrida, por sua vez, a despeito de mencionar em sua ementa (fls. 956) que deveria ser “afastada a tributação sobre os valores que no decorrer da diligência, foi constatada a efetiva contabilização e o oferecimento à tributação”, acabou não excluindo os valores indicados nos quadros de fls. 588/593, acima mencionados. Deste modo, a decisão recorrida deve ser reformada para que sejam excluídos tais valores indicados nos quadros de fls. 588/593, nos termos do relatório de diligência e planilhas correlatas. b.2) Decadência de parte do lançamento de PIS e COFINS Quanto à alegação de decadência da exigência do PIS e da COFINS, cujos fatos geradores ocorreram no período de janeiro a novembro de 2003, assiste razão à Recorrente no tocante ao período de janeiro a outubro de 2003, haja vista que a ciência dos Autos de Infração ocorreu apenas em 24 de novembro de 2008, ou seja, após o decurso do prazo que possibilitava as autoridades fiscais constituírem referida parcela do crédito tributário, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional e do posicionamento jurisprudencial sobre a matéria (Recurso Especial nº 973.733/SC do STJ e Acórdão nº 9101 000.946, de 29/3/2011, da Câmara Superior de Recursos Fiscais). Cumpre transcrever, a esse respeito, o entendimento deste E. Conselho, que esclarece a questão. Vejamos: “LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. COFINS. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação, como no caso de Cofins. Inexistência de pagamento, ou descumprimento do dever de apresentar declarações, não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10322981, Data da Sessão 25/04/2007) Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.121 17 Assim, tratandose de suposta omissão de receitas da Recorrente com relação a tributos sujeitos ao lançamento por homologação como é o caso do PIS e da COFINS , aplicase o disposto no artigo 150, parágrafo 4º do CTN, de maneira que ficam fulminadas pela decadência os fatos geradores que ocorreram no período de janeiro a outubro de 2003, a exemplo do que já definiu este E. Conselho. b.3) Exclusão das receitas financeiras da base de cálculo do PIS e da COFINS Tendo em vista que a base legal utilizada pela D. Autoridade Fiscal para lavrar a autuação neste item foi a Lei 10634/2002 (artigos 1º, 3º e 4º), com relação à exigência do PIS, e a Lei 10833/03 (artigos 1º, 3º e 5º) com relação à COFINS – e não a Lei nº 9718/98 , entendo que deve ser mantida a decisão de primeira instância, haja vista que as receitas financeiras estavam sujeitas à incidência de tais tributos, não se aplicando – no caso – a decisão de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal quanto ao parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9718/98, que não foi a base legal para tal exigência. Vejam, neste sentido, que o próprio CARF já se manifestou quanto à incidência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras nos termos das Leis 10637/02 e 10833/03, conforme ementa a seguir transcrita: “Contribuição para o PIS/PASEP. Período de Apuração: 31/12/2002 a 31/03/2004. PIS/PASEP Sistemática da NãoCumulatividade, Base de Cálculo. Receita Bruta. As receitas financeiras, na sistemática da não – cumulatividade, compõem a base de cálculo do PIS e COFINS, nos termos das leis n° 10.637, de 2002, e 10.883, de 2003, que determinam, expressamente, os acontecimentos negociais que não compõem a base de cálculo da COFINS e PIS. Inexiste previsão de exclusão das receitas financeiras da referida base de cálculo. Juros de mora aplicabilidade da Taxa Selic sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazo previstos em lei, aplicamse juros de mora, calculados com base na taxa Selic, (Súmula n° 4 do CARF). Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.” (Acórdão nº 330100522, 30/4/2010 – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, 3ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária. Vide, no mesmo sentido, Acórdão nº 330100482 de 28/4/2010, do CARF, mesma Câmara e Turma). III MULTA DE OFÍCIO ISOLADA Por fim, com relação à multa de ofício exigida de forma isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, entendo que a fundamentação utilizada pelo julgador de primeira instância deve ser reformada, cancelandose a exigência, uma vez que a aplicação de multa de ofício prevista no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 (com redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.480/07) afasta, por si só, a possibilidade da sua aplicação concomitante com a multa de ofício isolada, prevista no inciso II do mencionado dispositivo legal, sendo, portanto, inadmissível a imposição das duas penalidades sobre a mesma base apurada em procedimento Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.122 18 fiscal, nos termos do que já definiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais e este E. Conselho. Vejamos: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado”. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 4ª Turma, Recurso nº 10215160, Data 04/03/2008. Vide, no mesmo sentido, Acórdão nº 40104987, Data 15/06/2004) (não grifado no original) “MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO – Pacífica a jurisprudência deste Conselho de Contribuintes no sentido de que não é cabível a aplicação concomitante da multa isolada prevista no artigo 44, §1º, inciso III da Lei nº 9.430/96 com multa de ofício, tendo em vista dupla penalização sobre a mesma base de incidência”. (Acórdão nº 10613.651 Sessão 03/05/04) “PENALIDADE – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO – PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmo valores apurados em procedimento fiscal.” (Acórdão nº 10707.190) (não grifado no original) Ante o tudo quanto exposto, rejeito as preliminares de nulidade dos Autos de Infração e voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (i) cancelar o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, multa e juros nos anos calendários de 2003 e 2004 em razão da não caracterização da omissão de receitas financeiras; (ii) reformar a decisão de primeira instância no tocante à falta de contabilização de juros sobre o capital próprio para excluir da tributação os valores indicados nos quadros de fls. 588/593, decretar a decadência dos fatos geradores que ocorreram no período de janeiro a outubro de 2003, mantendo os demais valores exigidos a título de PIS e de COFINS sobre juros sobre capital próprio; e também para (iii) excluir a aplicação da multa de ofício aplicada isoladamente por falta de recolhimento de estimativas mensais. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.123 19 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Redator Designado. Tratase de examinar a aplicação da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL sobre a omissão de receitas dos juros sobre o capital próprio, em que, pelo voto de qualidade, ficou vencido o relator do acórdão. Em que pese os valiosos argumentos apresentados pelo ilustre relator, peço vênia para discordar do seu entendimento em relação à aplicação da multa de ofício isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, referente aos anos calendário de 2003 e 2004. Em seu recurso, a recorrente argumenta que a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa mensal do IRPJ é incabível diante da impossibilidade de aplicação da referida multa concomitantemente com a multa de ofício. A respeito do pagamento das estimativas mensais do IRPJ ao longo do ano calendário, cabe dizer que o mesmo deve ser feito obrigatoriamente pelo contribuinte que optou pela forma de tributação com base no lucro real, sem demonstrar que não era devido, por meio de balancetes de suspensão ou de redução (art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995), nos termos do art. 2º da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcrito para melhor clareza: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Uma vez que a obrigação de pagamento das estimativas não foi cumprida de acordo com o que determina o dispositivo legal acima transcrito, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, nos seus artigos 43 e 44 e alterações, estabelece a imposição de uma penalidade isolada, no percentual de 50%, para coibir a prática do não pagamento dessa estimativa, conforme redação dos dispositivos que se transcreve: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Multas de Lançamento de Oficio Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.124 20 declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei na 11.488, de 15 de junho de 2007) (Grifei). Dessa forma, estando o contribuinte sujeito à apuração com base no lucro real e tendo optado pelo pagamento do IRPJ, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada e deixando de recolher o imposto de renda, sem demonstrar que não era devido, por meio de balancetes de suspensão ou de redução, ocorre a subsunção do fato à norma legal estabelecida nos arts. 43 e 44 acima transcritos, que deve ser aplicada e cumprida integralmente pelas autoridades administrativas. Não cabe à autoridade fiscal usar do poder discricionário para aplicação da norma regulamente inserida no ordenamento jurídico. Ocorrido o fato e estando ele perfeitamente enquadrado no dispositivo legal, a autoridade deve obrigatoriamente aplicar a lei ao caso concreto. Já a multa de ofício, no percentual de 75%, tem enquadramento legal distinto da multa isolada e é aplicada também em situação distinta, qual seja, à diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata apurados em procedimento fiscal. As multas tem hipóteses de incidência de distintas e, por isso, são tratadas diferentemente pela legislação tributária, podendo dessa maneira, serem aplicadas concomitantemente. Sobre esse último aspecto, cabe dizer que a atividade do lançamento tributário é vinculada ao texto da lei, e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional pelo seu descumprimento, nos termos no art. 142 do Código Tributário Nacional. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade. Os dispositivos da lei que exigem a cobrança da multa isolada (penalidade) não podem ser ignorados nem negados pelo Tribunal Administrativo, a quem não cabe substituir o legislador. Ademais, registrese que é mais do que razoável se admitir a existência de uma penalidade para desencorajar os contribuintes no descumprimento da obrigação de pagar corretamente os seus tributos, sob pena de se estabelecer uma desigualdade com aqueles contribuintes que cumprem suas obrigações tributárias nos prazos legais, cujos recursos Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.006937/200858 Acórdão n.º 1202000.644 S1C2T2 Fl. 1.125 21 financeiros depende o Estado para poder desempenhar as suas funções e que os aguarda, no momento certo, para poder cumprir seus compromissos orçamentários. Por oportuno, salientese que o art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995, dispôs que aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, nos termos da seguinte transcrição: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Em face do exposto, é de se manter a exigência da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário nessa parte. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/12/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720108/2006-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL-ITR
Exercício: 2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COMPARADOS. DISSÍDIO JURISIPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO.
Não havendo similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, não se deve conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 9202-001.812
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL-ITR Exercício: 2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COMPARADOS. DISSÍDIO JURISIPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. Não havendo similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, não se deve conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10183.720108/2006-79
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4884822
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.812
nome_arquivo_s : 920201812_10183720108200679_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Susy Gomes Hoffmann
nome_arquivo_pdf_s : 10183720108200679_4884822.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4747067
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233283174400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.720108/200679 Recurso nº 342.229 Especial do Procurador Acórdão nº 9202001.812 – 2ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2011 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MINERAÇÃO SANTA SÍLVIA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURALITR Exercício: 2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COMPARADOS. DISSÍDIO JURISIPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. Não havendo similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, não se deve conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Fl. 156DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10183.720108/200679 Acórdão n.º 9202001.812 CSRFT2 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, por falta de recolhimento de ITR, decorrente da glosa total das áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, por falta de comprovação do cumprimento dos requisitos legais. Alterouse o valor da terra nua, conforme os valores constantes do SIPT. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 14/34 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 70/75) julgou procedente em parte o lançamento, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. VALOR DA TERRA NUA O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 80/89). A Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento, por unanimidade, ao recurso do contribuinte (fls. 96/98). Eis a ementa do julgado: Fl. 157DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10183.720108/200679 Acórdão n.º 9202001.812 CSRFT2 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. CARACTERIZAÇÃO. O Parque Estadual Igarapés do Juruena está situado em área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas de que trata o art. 10, §1°., II, "b", da Lei n.° 9.393/96. O decreto que o criou amplia as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que no presente caso foi reconhecido inclusive mediante ato especifico do órgão competente. Recurso provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial. A recorrente, em síntese, sustentou a tese de que: “Assim, para efeito da exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração.” O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 131/135 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Todavia, não preenche os demais requisitos de admissibilidade, pois a divergência não restou caracterizada. O objeto do recurso foi trazer a necessidade do ADA para que pudesse ser afastada a exigência do ITR sobre as áreas de interesse ecológico. A Douta Procuradoria trouxe dois acórdãos paradigmas para fundamentar o seu Recurso Especial. O segundo acórdão paradigma citado no corpo de seu Recurso, Acórdão 302.36783, não pode servir como paradigma pelos seguintes fundamentos: a) não foi trazido Fl. 158DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10183.720108/200679 Acórdão n.º 9202001.812 CSRFT2 Fl. 4 4 aos autos cópia do julgado, visto que o Acórdão trazido ao processo é diverso do apontado no referido recurso; b) ainda que se ultrapasse este requisito, nos termos no artigo 67, § 9o., temse que pela ementa a divergência não foi estabelecida, uma vez que pelo que se depreende da referida ementa, o que levou ao julgamento contrário aos interesses do contribuinte foi a ausência de ato específico a determinar que a área objeto da autuação teria sido declarada de interesse ecológico; c) não há similitude fática entre os julgados, pois este acórdão ao analisar a prova dos autos verifica que toda a documentação referese a fatos posteriores ao do lançamento, anotese parte do julgado: “Na hipótese dos autos, o Ato Declaratório Ambiental de fls. 52 reconheceu as áreas sub judice como de Preservação Permanente, a partir de setembro de 1997. (grifei)Ocorre que o ITR objeto da demanda referese ao exercício de 1995, anobase 1994. Paralelamente, não há como questionar que, em 31/12/94 (database pára a apuração do ITR/95) era o ora Recorrente o proprietário do imóvel denominado "Seringal e outros, Papagaio, Santo Antonio, etc.". A função deste Colegiado é verificar se a exigência tributária foi efetuada nos termos da lei.A atividade lançadora, por outro lado, é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, § único, CTN). Quanto ao primeiro paradigma também melhor sorte não lhe cabe porque só trata da exigência do ADA para área de preservação permanente, ou seja, situação diversa da tratada neste caso. Assim, resta evidente que os dois acórdãos paradigmas têm situações fáticas diversos ao do acórdão ora recorrido. Ora, o caso dos autos trata de Área de Interesse Ecológico assim determinado por Decreto Estadual. O julgamento da Turma “a quo” foi fundamentada apenas nas provas acerca da inserção da referida área no Parque Estadual Igarapés do Juruena. Em momento algum do voto, foi trazida a questão do ADA como fundamento da decisão.. Anotese parte do Acórdão recorrido: Analisandose os autos, verificase que a controvérsia reside na questão de a área do imóvel objeto da autuação ser ou não de interesse ecológico. Em sendo de interesse ecológico, preencheria os requisitos para fruição da isenção do ITR, tal qual prevista no artigo 10, §1°, inciso II, alínea "b", acima transcrito. Desta forma, ainda que houvesse paradigma, ainda assim o recurso não poderia ser conhecido, pois o que se verifica é que para ser tratada a questão do ADA, tal tema deveria ter sido prequestionado, o que não ocorreu e, por outro lado, nenhum dos acórdãos paradigmas traz situação fática similiar, isto é, julgamento de ITR incidente sobre áreas declaradas de interesse ecológico e a exigência do ADA para eventual caracterização das referidas áreas. Assim, tratandose o recurso especial de divergência um recurso de fundamentação vinculada, a tese defendida pelo recorrente deve estar ligada, deve ser aquela Fl. 159DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10183.720108/200679 Acórdão n.º 9202001.812 CSRFT2 Fl. 5 5 estabelecida nos acórdãos paradigmas. Caso contrário, se outra for a fundamentação externada pelo recorrente, sendo esta adotada, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não estaria a desempenhar a sua função essencial, que consiste em dirimir as divergências jurisprudenciais existentes no âmbito do CARF. Assim, não demonstrada a divergência não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das sessões, 24 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 160DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10972.000086/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/04/2008
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO
PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO COMPENSAÇÃO
PREVISTA EM DECISÃO JUDICIAL EXATOS TERMOS DA SENTENÇA GLOSA
DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE.
A decisão judicial facultou a autoridade administrativa competente à fiscalização dos valores compensados pelas associadas da impetrante, verificando, por ocasião da homologação do lançamento, se a compensação está sendo feita de acordo com as diretrizes indicadas em lei e especificadas na presente sentença, sem prejuízo de apuração de débito remanescente, se
houver, e autuação em caso de irregularidade.
Em havendo decisão transitada em julgado, quanto a inconstitucionalidade de dispositivo legal, ensejando o direito líquido e certo do recorrente a realizar a compensação não compete a autoridade lançadora discutir os termos em que
o direito foi garantido, devendo limitar-se tão somente aos exatos termos da decisão proferida.
O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias nos termos do art. 253 do Decreto 3.048/99, extingue-se em cinco anos contados da data: em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a sentença judicial que tenha reformado, anulado ou revogado a decisão condenatória."
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.039
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/04/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO COMPENSAÇÃO PREVISTA EM DECISÃO JUDICIAL EXATOS TERMOS DA SENTENÇA GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. A decisão judicial facultou a autoridade administrativa competente à fiscalização dos valores compensados pelas associadas da impetrante, verificando, por ocasião da homologação do lançamento, se a compensação está sendo feita de acordo com as diretrizes indicadas em lei e especificadas na presente sentença, sem prejuízo de apuração de débito remanescente, se houver, e autuação em caso de irregularidade. Em havendo decisão transitada em julgado, quanto a inconstitucionalidade de dispositivo legal, ensejando o direito líquido e certo do recorrente a realizar a compensação não compete a autoridade lançadora discutir os termos em que o direito foi garantido, devendo limitar-se tão somente aos exatos termos da decisão proferida. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias nos termos do art. 253 do Decreto 3.048/99, extingue-se em cinco anos contados da data: em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a sentença judicial que tenha reformado, anulado ou revogado a decisão condenatória." Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10972.000086/2008-01
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4802556
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 21 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.039
nome_arquivo_s : 2401002039_10972000086200801_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10972000086200801_4802556.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4744865
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233296805888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2134; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 295 1 294 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10972.000086/200801 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.039 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria GLOSA DE COMPENSAÇÃO Recorrente TRANSPORTADORA 7 B LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/04/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO COMPENSAÇÃO PREVISTA EM DECISÃO JUDICIAL EXATOS TERMOS DA SENTENÇA GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. A decisão judicial facultou a autoridade administrativa competente à fiscalização dos valores compensados pelas associadas da impetrante, verificando, por ocasião da homologação do lançamento, se a compensação está sendo feita de acordo com as diretrizes indicadas em lei e especificadas na presente sentença, sem prejuízo de apuração de débito remanescente, se houver, e autuação em caso de irregularidade. Em havendo decisão transitada em julgado, quanto a inconstitucionalidade de dispositivo legal, ensejando o direito líquido e certo do recorrente a realizar a compensação não compete a autoridade lançadora discutir os termos em que o direito foi garantido, devendo limitarse tão somente aos exatos termos da decisão proferida. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias nos termos do art. 253 do Decreto 3.048/99, extinguese em cinco anos contados da data: em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a sentença judicial que tenha reformado, anulado ou revogado a decisão condenatória." Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10972.000086/200801 Acórdão n.º 240102.039 S2C4T1 Fl. 296 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob n. 37.158.4221, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, tendo o crédito sido constituído por meio da glosa de compensação efetuadas pela empresa, excedentes aos valores a que tinha direito. O lançamento compreende competências entre o período de 09/2005 a 04/2008, sendo que as bases de calculo do lançamento são constituídas pelas diferenças compensadas a maior discriminadas nos anexos do relatório fiscal. A empresa obteve o direito de compensar os valores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre pagamentos a título de "PróLabore" e "Autônomos", recolhidas no período de 09/1989 a 11/1995 (vide "Relação de Guias de Recolhimento: DARP/GRPS, pagas no período de 09/1989 a 11/1995, com as respectivas Bases de Cálculo e Valores Recolhidos, com Acréscimos, a Título de Contribuição sobre Pro Labore/Autemomos", em anexo), com contribuições previdenciárias da mesma espécie, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3 0, inciso I, da Lei n o. 7.787, de 30/06/1989, e artigo 22, inciso I da lei n o . 8.212, de 24/07/1991, pelo Supremo Tribunal Federal, cuja decisão passou a ter eficácia "erga omnes" com a publicação da Resolução de n o. 14/95 do Senado Federal, conforme processo judicial em Mandado de Segurança de n o. 1998.38.02.0016040, impetrado pela ACIU Associação Comercial e Industrial de Uberaba (cópias em anexo). Conforme descrito no relatório a empresa realizou as compensações acima do limite de 30%, envolvendo competências superiores a 5 anos, o que ensejou o lançamento em questão referente aos valores compensados a maior. Elaborou o auditor uma série de planilhas no intuito de demonstrar o montante do valores glosados. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 23/06/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/08/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 231 a 236. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 254 a 257. Discordando dos termos da Decisão a empresa apresentou recurso, onde argumenta em síntese: 1. Preliminarmente aduz que planilha do Setor de Cálculos Judiciais da Procuradoria local do INSS foi utilizada como suporte para o lançamento, e não há, nos autos, os parâmetros utilizados, com o uso de "critérios absolutamente subjetivos unilaterais" (folha 232), cerceando seu direito de defesa. Portanto, tais critérios deveriam ser juntados, reabrindo se o prazo de impugnação. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 2. Entende que a sentença proferida não determina o limite de 30% no momento da compensação. 3. Que não pode ser deixado de aplicar a taxa Selic na correção do indébito, quer pela lei 9.250/1995, quer pela súmula administrativa AGU 14/2002. 4. A utilização da taxa Selic não poderia ser vedada à empresa pelo simples fato de ela ter decisão judicial de associação do qual faz parte posto que o benefício do art. 66 da Lei 8.383/1991 seria para qualquer empresa. 5. Não haveria prescrição no direito à compensação posto que a sentença judicial só transitou em julgado em 1/2002 e a empresa teria, então, até 12/2006 para começar a efetuar as compensações. Dado o vulto do direito creditório, não é razoável que seja todo compensado dentro do prazo de 5 anos, nos limites legais mensais. 6. Diante do exposto, fica comprovado que inexistiram as infrações por descumprimento de obrigações no que diz respeito as compensações realizadas. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10972.000086/200801 Acórdão n.º 240102.039 S2C4T1 Fl. 297 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 294. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Com base nos argumentos trazidos na fase da impugnação e ratificados na esfera recursal, 3 são o pontos a serem apreciados para a determinação da procedência do lançamento, indicando se a compensação seguiu o trâmites devido. DO ALCANCE DA COMPENSAÇÃO. Em primeiro lugar, entendo que em havendo decisão transitada em julgado, quanto a inconstitucionalidade de dispositivo legal, ensejando o direito líquido e certo do recorrente a realizar a compensação não compete a autoridade lançadora discutir os termos em que o direito foi garantido, devendo limitarse tão somente aos exatos termos da decisão proferida. Assim, compete a fiscalização, conforme descrito na própria decisão, proceder a averiguação dos termos da compensação, podendo inclusive lançar contribuições porventura devidas, caso identifique erro no cumprimento do termos da decisão por parte do requerente. Faculto a autoridade administrativa competente a fiscalização ,dos valores compensados pelas associadas da ! impetrante,' 'verificando,' 'por ocasião' da homologação do lançamento, se a compensação está sendo feita de acordo com as diretrizes indicadas em lei e especificadas na presente sentença, sem prejuízo de apuração de débito remanescente, se houver, e autuação em caso de irregularidade. DO CÁLCULO DOS VALORES COMPENSADOS Quanto ao montante do valor a ser compensado, assim como descrito acima, tanto o recorrente, quanto a autoridade fiscal devem se ater aos exatos termos da decisão judicial. Assim, apesar de refutar não apresentou o recorrente, qualquer prova de que os valores apurados pelo auditor por meio do Sistema Compensa, apresenta divergência com o termos da decisão proferida. Vejamos trecho do relatório fiscal, onde o auditor descreve os índices aplicados para atualização. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Na sentença proferida, são determinados os índices de correção monetária a serem aplicados, e juros de 12% ao ano, estes devidos somente a partir do trânsito em julgado da decisão (18/01/2002). 4.2.1 Os índices determinados na sentença judicial, foram: • 09/1989 a 02/1991: IPC / IBGE • 03/1991 a 12/1991: INPC / IBGE • • a partir de 01/1992: UFIR • com a reposição dos expurgos inflacionários de 03/1990 (84,32%), 04/1990 (44,80%), 05/1990 (7,87%) e 02/1991 (21,87%) 4.3 No parágrafo 38 da referida sentença, fica facultado, à autoridade administrativa competente, a fiscalização dos valores compensados, sem prejuízo de apuração de débito remanescente, se houver, e autuação em caso de irregularidade. 4.4 Foi elaborado um demonstrativo através do Sistema "Compensa" (do INSS), onde os valores pagos no período de 09/1989 a 11/1995 (vide cópia e relação das GRPS/DARP, em anexo), a título de contribuição sobre Pro Labore/Autõnomos, foram atualizados com os índices estabelecidos na sentença judicial, tendo sido lançados também os valores corretos das compensações que poderiam ser efetuadas, conforme Anexos III e III (a), respeitandose o limite de 30% por competência, e a prescrição (05 anos). Assim, ao contrário do pretendido pelo recorrente, entendo correto o posicionamento adotado pela autoridade fiscal, que obedeceu a sentença quanto a aplicação de juros, não aplicando ao vertente caso a taxa SELIC Não pode o recorrente, entender pela aplicabilidade da legislação previdenciária, em detrimento aos termos da decisão, quando assim, lhe for mais favorável. Nesse caso, entendo acertado o posicionamento tanto do auditor, quando da autoridade julgadora. DO PERÍODO A SER COMPENSADO, APLICAÇÃO DA PRESCRIÇÃO. Argumenta o recorrente, que a autoridade fiscal desobedeceu os termos da decisão quando estabeleceu o prazo de 5 anos para que se procedesse a compensação. Neste ponto, entendo que razão também não assiste ao recorrente. A sentença proferida, deixa claro o alcance das contribuições recolhidas e declaradas inconstitucionais, senão vejamos: Por fim, deixo consignado que os valores recolhidos indevidamente deverão observar, para efeito de extinção, 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais 05 (cinco) anos, contados da homologação tácita (CTN art. 150, § 4°). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10972.000086/200801 Acórdão n.º 240102.039 S2C4T1 Fl. 298 7 Contudo ao contrário do que entendeu o recorrente, o auditor não desobedeceu a decisão judicial, posto que a aplicação dos 5 mais 5 referese a data da ocorrência dos fatos geradores. Assim, todos os valores recolhidos sobre as contribuições de autônomos, foram devidamente incluídos no montante a ser compensado. O que fez a autoridade julgadora, foi determinar, em cumprimento a legislação, o período limite para realização da compensação, ou seja, tornarem indevidas as compensações em sua totalidade, a partir de janeiro de 2007. Assim, bem esclareceu a autoridade fiscal no próprio relatório fiscal, conforme descrito abaixo. Dessa forma, novamente, entendo acertado o posicionamento fiscal, vez que a sentença judicial nada determinou de diferente a esse respeito, devendo nesse caso a empresa observar o disposto na lei. Obs. 2: Da prescricão: Também, de acordo com o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, temos: "Art. 253. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos contados da data: I do pagamento ou recolhimento indevido; ou II em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a sentença judicial que tenha reformado, anulado ou revogado a decisão condenatória." • Como o trânsito em julgado ocorreu em janeiro/2002, concluise que a empresa poderia compensar os recolhimentos ocorridos até dezembro/2006, com vencimento das contribuições em janeiro/2007 (05 anos), ou seja, a partir da competência janeiro/2007 (recolhimento das contribuições em fevereiro/2007), a empresa já não poderia fazer mais a compensação (vide anexos III e III(a)). Desta forma, a partir da competência janeiro/2007, as compensações foram glosadas. DA APLICAÇÃO DO LIMITE DE 30% POR COMPETÊNCIA Por fim, o último ponto a ser apreciado referese a obediência dos limite de compensação de 30%. Neste caso, ao contrário do que entende o recorrente a sentença não afastou o dispositivo legal que limita a 30% o direito a compensação. Talvez a confusão foi gerada, porque em medida liminar, afastou o magistrado dito limite. Contudo ao observamos o teor da decisão que transitou em julgado, podese concluir que o juiz, considerando o período em que houve a compensação, determina a aplicação do limite descrito na Lei 9.129/95, senão vejamos: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 O limite de compensação, de acordo com o artigo 89, da Lei 9.129/95, efetuamos a glosa dos valores excedentes a que a empresa tinha direito, observandose o limite de 30% por competência, conforme demonstrado nos Anexos III e III(a), e apropriados nos diversos levantamentos: FME, FMC, FMN: Matriz, e FFE: Filial, através dos Anexos IV e IV(a). De outra sorte, cumpre ressaltar que a limitação aos valores compensáveis, estabelecida pelas Leis 9032/95 e 9129/95, não se aplica aos fatos anteriores à data de sua publicação, somente repercutindo os limites nelas estabelecidos nos créditos vencidos posteriormente, conforme orientação do Colendo Superior Tribunal de Justiça: Ementa: TRIBUTÁRIO. REMUNERAÇÃO DE AUTÔNOMOS, ADMINISTRADORES E AVULSOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPENSAÇÃO. LIMITES PERCENTUAIS. LEIS N° 7.787/89 (ART. 30, I). LEI N° 8.212/91 (ART. 22, I). LEI N° 8.383/91 (ART. 66) CTN, ART. 170. LEIS N°S. 9.032/95 E 9.129/95. 1. Reconhecido o direito à compensação, os valores compensáveis até a data das publicações (Leis 9.032/95 e 9.129/95) estão resguardados dos limites percentuais fixados (art. 89, § 3°), enquanto que os créditos remanescentes, cujos débitos venceramse posteriormente, sujeitamse àquelas limitações. (grifo nosso) 2. Precedentes jurisprudenciais iterativos. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ 1' Turma, Relator: Min. MILTON LUIZ PEREIRA, Resp 190530/SP, DJ, 10/05/99, pag. 112). Isto posto, e tudo mais que consta dos autos, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, considerando que o recorrente ao efetivar a compensação acabou por extrapolar os limites que lhe foram assegurados. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10972.000086/200801 Acórdão n.º 240102.039 S2C4T1 Fl. 299 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11618.002098/2003-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
ITR. ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA. RECONHECIMENTO VIA DECRETO MUNICIPAL. DESNECESSIDADE HOMOLOGAÇÃO DO GOVERNO ESTADUAL OU FEDERAL.
Com fulcro no artigo 10, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.393/1996, somente presumir-se-á o grau de utilização do imóvel rural ao percentual de 100% (cem por cento), para fins da determinação da alíquota do cálculo do imposto devido, quando devidamente comprovada a decretação de estado de calamidade pública, c/c a frustração de safras ou pastagens. A validade do reconhecimento do estado de calamidade pública por Decreto Municipal não
está condicionada à homologação por parte do Governo Estadual ou Federal, sobretudo em razão do dispositivo legal retro não estabelecer aludida condição.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.864
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ITR. ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA. RECONHECIMENTO VIA DECRETO MUNICIPAL. DESNECESSIDADE HOMOLOGAÇÃO DO GOVERNO ESTADUAL OU FEDERAL. Com fulcro no artigo 10, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.393/1996, somente presumir-se-á o grau de utilização do imóvel rural ao percentual de 100% (cem por cento), para fins da determinação da alíquota do cálculo do imposto devido, quando devidamente comprovada a decretação de estado de calamidade pública, c/c a frustração de safras ou pastagens. A validade do reconhecimento do estado de calamidade pública por Decreto Municipal não está condicionada à homologação por parte do Governo Estadual ou Federal, sobretudo em razão do dispositivo legal retro não estabelecer aludida condição. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11618.002098/2003-59
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4813392
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.864
nome_arquivo_s : 920201864_11618002098200359_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11618002098200359_4813392.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4747862
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233317777408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 129 1 128 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11618.002098/200359 Recurso nº 338.567 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.864 – 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2011 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FAZENDA REUNIDAS MARI SA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ITR. ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA. RECONHECIMENTO VIA DECRETO MUNICIPAL. DESNECESSIDADE HOMOLOGAÇÃO DO GOVERNO ESTADUAL OU FEDERAL. Com fulcro no artigo 10, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.393/1996, somente presumirseá o grau de utilização do imóvel rural ao percentual de 100% (cem por cento), para fins da determinação da alíquota do cálculo do imposto devido, quando devidamente comprovada a decretação de estado de calamidade pública, c/c a frustração de safras ou pastagens. A validade do reconhecimento do estado de calamidade pública por Decreto Municipal não está condicionada à homologação por parte do Governo Estadual ou Federal, sobretudo em razão do dispositivo legal retro não estabelecer aludida condição. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório FAZENDA REUNIDAS MARI SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 19/08/2003, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1999, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Mari SA” localizado no município de Mamanguape/PB, cadastrado na RFB sob o nº 16085868, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/07, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 11 16.738/2006, às fls. 46/49, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Especial, em 23/09/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 39200.002, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1999 ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA A redução do imposto devido ao estado de calamidade pública decorre de Decreto Municipal de data anterior à ocorrência do Fato Gerador do ITR. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 96/103, com arrimo no artigo 7°, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 11618.002098/200359 Acórdão n.º 920201.864 CSRFT2 Fl. 130 3 Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 30239.477 e 20207.659, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, uma vez imporem que o reconhecimento do Estado de Calamidade Pública, para fins de apuração do ITR devido, depende de edição de ato do Poder Público Municipal, homologado pelo Governo Federal, nos termos dos artigos 3°, inciso IV, 7°, inciso XIV, e 12, do Decreto n° 895/1993. Em defesa de sua pretensão, infere que o conceito de “calamidade pública”, mormente em se tratando de questão relativa à apuração de tributo, não pode estar sujeito a nenhum grau de discricionariedade ou subjetivismo, seja do agente público, seja do contribuinte.” Contrapõese ao Acórdão guerreado, aduzindo para tanto que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, corroborando o entendimento da Fazenda Nacional, no sentido da exigência do reconhecimento do Estado de Calamidade por parte do Governo Federal, como se verifica do “Manual de Perguntas e Respostas – ITR”, transcrito em parte na peça recursal. Sustenta que a contribuinte colacionou aos autos o Decreto n° 374/1998, editado pela Prefeitura Municipal de Mamanguape, publicado no Diário Oficial da Municipalidade em 22/05/1998, decretando o estado de calamidade pública, deixando, porém, de comprovar a homologação de referido ato por parte do Governo Federal, na forma que a legislação de regência estabelece, razão pela qual a contribuinte não pode se beneficiar da redução do ITR decorrente de estado de calamidade pública que tenha provocado destruição de safra e pastagens. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, conforme Despacho nº 140100.200/2009, às fls. 108. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 117/127, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que o Decreto Municipal n° 374/1998, exarado pela Prefeitura de Mamanguape/PB, isoladamente, não se presta a comprovar o estado de calamidade pública pretendido pela contribuinte, uma vez não haver sido homologado pelo Governo Estadual e/ou Federal, na forma que estabelecem os artigos 3°, inciso IV, 7°, inciso XIV, e 12, do Decreto n° 895/1993. Em defesa de sua pretensão, assevera que o decisum recorrido, ao acolher o estado de calamidade pública reconhecido exclusivamente via Decreto Municipal, malferiu flagrantemente os Acórdãos n°s 30239.207 e 20207.659, ora adotados como paradigmas, impondo seja acolhido pleito da Fazenda Nacional, restabelecendo a exigência fiscal em sua plenitude. Como se observa, em síntese, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de homologação por parte do Governo Estadual ou Federal de Decreto Municipal que reconheceu estado de calamidade pública, para fins de apuração do ITR incidente sobre o imóvel rural em epígrafe. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Destarte, o artigo 10, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.393/1996, ao contemplar o grau de utilização do imóvel rural, determinante à apuração do ITR, estabelece os requisitos para o reconhecimento do estado de Calamidade Pública, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...] § 6º Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: I comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens;” (grifamos) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 11618.002098/200359 Acórdão n.º 920201.864 CSRFT2 Fl. 131 5 Extraise do dispositivo legal encimado, que o legislador em nenhum momento condicionou o reconhecimento do estado de calamidade pública à homologação de Decreto Municipal por parte do Governo Estadual ou Federal, prescrevendo tão somente que referida condição deverá ser decretada via ato do Poder Público, o que se vislumbra na hipótese dos autos. Aliás, inexiste controvérsia quanto ao reconhecimento do estado de calamidade pública pela Prefeitura Municipal de Mamanguape/PB, mediante edição do Decreto n° 374/1998, publicado no Diário Oficial da Municipalidade em 22/05/1998, às fls. 19/20, comprovando que resultou na frustração de safras ou destruição de pastagens”. Por sua vez, quanto ao Decreto n° 895/1993, que dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Defesa Civil, esteio da pretensão da Fazenda Nacional, vários são os motivos que afastam a sua aplicabilidade no caso dos autos. De início, ressaltase que a Lei n° 9.393/96, específica ao tratar do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, fora publicada/editada posteriormente ao Decreto n° 895/93, o que, nos termos do artigo 2o, § 1°, da Lei de Introdução do Código Civil, aprovado pelo DecretoLei n° 4.657/42, derroga os preceitos de aludido Decreto, em razão da existência de conflito entre as normas, senão vejamos: “Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. [...]” Verificase, que o caso dos autos se enquadra perfeitamente na disposição legal encimada. Além do Decreto n° 895/1993, especialmente em seu artigo 3°, ser incompatível com os preceitos da Lei n° 9.393/1996, em relação aos pressupostos para o reconhecimento do estado de calamidade, este último Diploma Legal se apresenta em caráter específico ao regular o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, devendo prevalecer ao tratar da matéria. De outra banda, com o fito de rechaçar de uma vez por todas o pleito da Procuradoria da Fazenda Nacional, a fazer prevalecer o entendimento manifestado alhures, mister destacar os ditames do artigo 30, inciso I, da Constituição Federal, como segue: “Art. 30. Compete aos Municípios: I legislar sobre assuntos de interesse local;” Consoante se infere de tão incisivo dispositivo constitucional retro, é de competência dos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local, hipótese que se amolda perfeitamente ao caso sob análise, conferindo validade ao reconhecimento do estado de calamidade pública exclusivamente pela Municipalidade, relativamente aos imóveis rurais ali inseridos. Não é demais lembrar que nada impede que o Governo Estadual e/ou Federal homologue ou, igualmente, reconheça o estado de calamidade pública de determinada região, tendo em vista que o artigo 10, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.393/1996, não restringe tais hipóteses, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO 6 somente exigindo Ato do Poder Público para tanto, não sendo viável, no entanto, condicionar tal condição à homologação por parte daqueles Governos, quando procedido por Decreto Municipal. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 2ª Turma Especial do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/01/2012 por OTACILIO DANTAS CART AXO
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000298/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
LUCRO ARBITRADO.
O transporte de pacientes em ambulâncias com acompanhamento médico tem a natureza de prestação de serviço hospitalar para fins do disposto no art. 15 da Lei nº 9.249/95.
Numero da decisão: 1201-000.619
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 LUCRO ARBITRADO. O transporte de pacientes em ambulâncias com acompanhamento médico tem a natureza de prestação de serviço hospitalar para fins do disposto no art. 15 da Lei nº 9.249/95.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 15983.000298/2006-11
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4845452
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.619
nome_arquivo_s : 1201000619_15983000298200611_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Marcelo Cuba Netto
nome_arquivo_pdf_s : 15983000298200611_4845452.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4747616
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233320923136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1725; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 317 1 316 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000298/200611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 120100.619 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente MEDICALLINE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LUCRO ARBITRADO. O transporte de pacientes em ambulâncias com acompanhamento médico tem a natureza de prestação de serviço hospitalar para fins do disposto no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares Queiroz e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15983.000298/200611 Acórdão n.º 120100.619 S1C2T1 Fl. 318 2 Por bem descrever os fatos litigiosos de que cuida o presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeira instância: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido —CSLL, da Contribuição para o Programa de Integração social — PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cotins, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados no valor total R$ 573.504,67, inclusive encargos legais, conforme Demonstrativo Consolidado de Crédito Tributário do Processo (fl. 04). Conforme Relatado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fl. 279), a contribuinte, por exercer atividade de transporte de pacientes em ambulâncias com acompanhamento médico, que é impeditiva a opção pelo Simples, foi dessa sistemática de tributação excluída, e, como declarou que não tinha possibilidade de fazer a escrituração, teve seu lucro arbitrado nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, nos termos do artigo 530, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 RIR/99. O arbitramento deuse com base na receita bruta conhecida, levantada nos Livros de registro de Prestação de Serviços e nas Declarações pelo Simples, anteriormente apresentadas pela contribuinte, lançandose o maior valor nos períodos em que foram constatadas pequenas divergência e dos quais foram abatidos os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras, conforme apurado nas respectivas DIRF constantes dos sistemas da SRF. (...) Inconformada com as exigências das quais tomou ciência pessoal em 04/09/2006 (fls. 05, 17, 33 e 50), a contribuinte apresentou impugnação em 04/10/2006 (fls. 264/267), fundamentando sua defesa nos argumentos abaixo elencados: a empresa, de acordo com seu contrato social, é prestadora de serviços efetuando a remoção de pacientes em ambulâncias (simples e UTI) e requereu, no ano de 2002, sua inclusão no Simples, passando a estar tributação por essa sistemática da forma como estabelece a lei; em 28/04/2006, a contribuinte foi surpreendida ao receber intimação declarando que havia sido excluída do Simples por Ato Declaratório da Receita Federal, com efeitos a partir de 01/01/2002; assim, entende que não deu causa ao não recolhimento dos tributos, não podendo serlhe aplicada a multa e os juros de mora sobre os valores ora cobrados, tendo em vista que não deu ensejo à mora, observandose que esteve regularmente incluída no Simples por diversos anos, desde 2002 até 2006; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15983.000298/200611 Acórdão n.º 120100.619 S1C2T1 Fl. 319 3 salienta que as empresas prestadoras de serviços médicos de sociedade civil não estão obrigadas a recolher a Cofins, considerada essa cobrança inconstitucional pelo Superior Tribunal de Justiça — STJ, que inclusive editou a Súmula n° 276, em 14/05/2003; mesmo que sejam devidos o PIS e a Cofins, a empresa tem sua receita pela prestação de serviços médicos e hospitalares, cujo percentual para determinação do lucro presumido é de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) cujo enquadramento está previsto na Instruções Normativa SRF nos 306/2003 (art. 23), 480/2004 (art. 27) e 539/2005 (art. 27); não está correto o enquadramento da empresa em relação à CSLL, eis que se está sendo utilizada a base de cálculo para incidir o tributo na alíquota de 32%, pois essa majoração ocorreu em 1° de setembro de 2003, por meio da Lei n° 10.684/03; a empresa está incluída na exceção da letra "a" da referida lei, pois é prestadora de serviços médicos e hospitalares, onde se manteve a alíquota de 12%, que foi estabelecida pela Lei n° 9.430/96. Diante do exposto, requer a impugnante que seja recebida a defesa para se adequar os tributos da forma solicitada na impugnação. Examinadas as razões aduzidas pela impugnante, a DRJ de origem decidiu pela procedência do lançamento (fls. 284/299). Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob a alegação de que as ambulâncias por meio das quais presta os serviços de transporte são do tipo de emergência em UTI, razão pela qual sujeitase ao coeficiente de presunção de 8%, e não de 32% (fls. 309/310). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Natureza da Atividade Exercida pelo Sujeito Passivo De acordo com o termo de verificação de fl. 270, a contribuinte foi submetida a arbitramento em razão de não possuir a documentação necessária à apuração do lucro real. Uma vez que a empresa dedicavase ao exercício da atividade de transporte de pacientes em ambulâncias com acompanhamento médico, entendeu a autoridade tributária Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15983.000298/200611 Acórdão n.º 120100.619 S1C2T1 Fl. 320 4 que a base de cálculo do IRPJ deveria ser determinada mediante a aplicação, sobre a receita bruta conhecida, do coeficiente de 32%, acrescido de 20%, conforme art. 532 do RIR/99. Já a recorrente entende que a atividade por ela exercida deve ser qualificada como serviço hospitalar, estando sujeita, portanto, ao coeficiente de presunção de 8%. A questão controversa, portanto, é a identificação da natureza do serviço prestado pela autuada. Pois bem, ao debruçarse sobre o tema, a Primeira Seção do STJ, no âmbito do Resp nº 1.116.399/BA, o qual foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), assim decidiu: 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15983.000298/200611 Acórdão n.º 120100.619 S1C2T1 Fl. 321 5 na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). Em síntese, segundo o STJ, qualificamse como hospitalares, para fins do disposto no art. 15 da Lei nº 9.249/95, os serviços vinculados às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltadas diretamente à promoção da saúde, ainda que a pessoa jurídica prestadora não se constitua em hospital. Não se caracterizam como serviços hospitalares, todavia, as simples consultas médicas, ainda que realizadas no interior de estabelecimentos hospitalares. Por sua vez, o art. 62A do Regimento Interno do CARF estabelece o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Em assim sendo, estabelecida pelo STJ, em sede de recurso especial submetido ao regime de que trata o art. 543C do CPC, a interpretação que se deve emprestar ao art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, deverá este órgão administrativo adotála em seus julgados. No caso sob exame, e de acordo com a orientação acima aludida, não há dúvida de que a prestação de serviços de transporte de pacientes em ambulâncias com acompanhamento médico tem a natureza de serviço hospitalar para fins do disposto no art. 15 da Lei nº 9.249/95. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para REDUZIR a exigência do IRPJ mediante a adoção do coeficiente de arbitramento de 9,6% (8% acrescido de 20%). (documento assinado digitalmente) Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15983.000298/200611 Acórdão n.º 120100.619 S1C2T1 Fl. 322 6 Marcelo Cuba Netto Fl. 322DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 27/01/2012 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.001487/2003-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL.
0 fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si só, não autoriza sua exclusão, mormente quando ha prova nos autos do exercício de atividades permitidas.
Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9101-000.990
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL. 0 fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si só, não autoriza sua exclusão, mormente quando ha prova nos autos do exercício de atividades permitidas. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10073.001487/2003-07
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 4855504
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-000.990
nome_arquivo_s : 9101000990_10073001487200307_05_2011.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Antonio Carlos Guidoni Filho
nome_arquivo_pdf_s : 10073001487200307_4855504.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4746676
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233350283264
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-19T13:33:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-19T13:33:22Z; Last-Modified: 2011-09-19T13:33:22Z; dcterms:modified: 2011-09-19T13:33:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b5c95f7c-126e-4ef2-ae42-2812cee52121; Last-Save-Date: 2011-09-19T13:33:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-19T13:33:22Z; meta:save-date: 2011-09-19T13:33:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-19T13:33:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-19T13:33:22Z; created: 2011-09-19T13:33:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-09-19T13:33:22Z; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-19T13:33:22Z | Conteúdo => Otacilio Da as Antonio Carlo e' ' Filho - Relator. CSRF-T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10073.001487/2003-07 Recurso n° 336.565 Especial do Procurador Acórdão IV 9101-00.990 — V Tun= Sessão de 24 de maio de 2011 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LANCE VÍDEO DE VOLTA REDONDA LTDA. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL. 0 fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si só, não autoriza sua exclusão, mormente quando ha prova nos autos do exercício de atividades permitidas. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Editado em: 1°,1,0? C.13 Z 61 2 SET --)2,1 Lu Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003 SIMPLES. ATIVIDADE IMPEDITIVA CONSTANTE EM CONTRATO SOCIAL. PRODUÇÃO DE ESPEDICULOS. A simples menção de atividade impeditiva no objeto do contrato social da Recorrente não é, por si só, motivo de exclusão do SIMPLES. Acostadas aos autos prova de que as atividades exercidas pela Recorrente são perfeitamente permitidas pela legislação vigente, impõe-se a revogação do Ato Declaratório de Exclusão. RECURSO VOLUNTAIO PROVIDO" 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: Trata-se de exclusão da sistemática de pagamento de tributos e contribuições de que trata o artigo 30 da Lei n°. 9.317/96, denominada SIMPLES, formalizada através do Ato Declaratório Executivo DRENRA n°445.986 (f1.15), de 07 de agosto de 2003, tendo em vista que o contribuinte exerce atividade impeditiva a op cão do aludido Sistema. 0 interessado, ora Recorrente, ingressou com a Solicitação de Revisão da exclusão da opção pelo SIMPLES — SRS (fl. 04), argumentando, brevemente, que "na falta de um código que discriminasse fielmente a atividade económica da empresa, utilizou-se equivocadamente o 9211-8 -- Produção de Filmes cinematográficos e fitas de video, o que se refere a grandes produtoras de video, atividades de grande porte e complexas, o que não é o caso da empresa recorrente". Inobstante argumentação trazida pelo contribuinte, o mesmo teve sua solicitação indeferida. Inconformado com o despacho denegatório, a empresa interessada apresentou a Impugnação de fls. 01 a 02, aduzindo, em síntese, que: "0 objeto social da empresa recorrente registrado junto a JUCERJ tem por definição: gravações, distribuições e revenda de filmes, videos tapes e fitas cassetes; fonografia ou gravação de sons e ruídos, inclusive trucagem, dublagem e mixagem sonora; filmagens, locação e locadora de equipamentos de ciudio e video, sonorização; 2 Processo n° 10073.001487/2003-07 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.990 Fl. 2 fotografia e cinematografia, inclusive revelação, ampliação, cópia, reprodução e trucagem; produção para terceiros mediante ou sem encomenda prévia, de espetáculos, entrevistas e congêneres; A empresa recorrente foi enquadrada como microempresa em 19.10.95, sendo utilizado, na ocasião, conforme CNAE fornecido pela SRF/MF, o código 5575 — serviços auxiliares a produção de películas cinematográficas e fitas para video e som (revenda de filme); No entanto, com a inclusão no SIMPLES em 02.09.97, ante a falta de um código que traduzisse fielmente a atividade econômica da empresa, utilizou-se, conforme CNAE fornecido pela SRF/MF, o código 9211-8 — Produção de filmes cinematográficos e fitas de video, por se tratar a atividade descrita como aquela que mais se aproximava; Foi através de presunção, e não de comprovação efetiva, que o Fisco Federal motivou-se a equivocada exclusão do SIMPLES, posto que o Recorrente não se trata de empresa produtora de espetáculos. Afinal, não é por constar no contrato social que essas atividades são efetivamente realizadas; Afirma nunca ter produzido espetáculos, e sequer possui condições capacidade econômica para faze-1o, isto é, não presta os serviços elencados no art. 90, inc. XIII, da Lei n°. 9 . 317/96. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro - R1, através do acórdão n°. 9851, de 16.03.06 (fls. 19 a 22), indeferiu sua impugnação, argüindo, em síntese que, "se está descrito no contrato social que o interessado, dentre outros objetivos sociais, produz espetáculos, presume-se que o faça. Esta presunção é suficiente para excluir o interessado do SIMPLES, salvo se o interessado produzir prova em contrário, comprovando, com documentação hábil e idônea, que não realiza a referida atividade, apesar de prevista em seu contrato social". Face a improcedência de seu pleito inicial, o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 23 a 66, insistindo nos pontos impugnados, através do qual solicita sua manutenção na sistemática do SIMPLES, sob a justificativa de que jamais praticou serviços de produção de espetáculos, mas sim a de filmagens e colocação de som em festas, juntando ainda notas fiscais comprobatórias das prestações das atividades que realiza. É o relatório." O acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o ato declaratório de exclusão do Contribuinte no SIMPLES. Segundo o acórdão, (i) a 3 pessoa jurídica que tenha por objeto social o exercício de uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9°, inciso XIII, desse diploma legal, como é o caso de produção de espetáculos, ou atividade assemelhada à última, ou, ainda, qualquer atividade que para o exercício haja exigência legal de habilitação profissional, está impedida de optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (ii) todavia, analisando a documentação trazida aos autos pelo contribuinte, isto 6, cópias das notas fiscais de serviços n°5. 287, 393, 457, 563 e 588, verifica- se que o mesmo não presta serviços de produção de eventos, atividade que vedaria a sua inclusão no regime simplificado de tributação; (iii) apesar do contrato social de constituição do contribuinte prever atividade que impede a sua inclusão na sistemática do SIMPLES, restou amplamente demonstrado que referida atividade — produção de eventos — não foi desenvolvida pela empresa, não podendo, por conseguinte, ensejar a sua exclusão do regime simplificado de tributação. Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido a aresto proferido pela extinta 2a Camara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes (Ac. 202-12.341), o qual assenta o entendimento de que: "a previsão no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda, ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 90, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, constituem impedimento a op cão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microernpresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES". 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 202/2008 (fls.92/94)), ante a alegada configuração de dissenso jurisprudencial. A Contribuinte não apresentou contra-razões. o relatório. 4 Processo n° 10073.001487/2003-07 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.990 Fl. 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. 0 recurso não merece provimento. Com a devida vênia ao asseverado pelo acórdão paradigma, tenho assente que eventual (e mera) previsão de atividade vedada A. opção pelo SIMPLES nos atos constitutivos do contribuinte tem o condão de inverter o ônus da prova quanto ao exercício (ou não) da atividade vedada pela empresa perante a Fiscalização; mas não, como pretende a Fazenda Nacional neste recurso, impedir instantaneamente a adesão da pessoa jurídica ao sistema simplificado de tributação. Conforme já me manifestei em sessões anteriores deste Colegiado, entendo que, via de regra, incumbe à Fazenda Nacional demonstrar que o Contribuinte exerce atividade vedada pela lei para justificar ato de exclusão (ou indeferimento de opção) pelo SIMPLES. Cabe A. Fazenda Nacional demonstrar a legitimidade de eventual ato declaratório de exclusão ou o indeferimento da opção da pessoa jurídica pelo Simples. Contudo, quando o Contribuinte insere voluntariamente entre seus objetivos sociais atividades que sabidamente são proibitivas da opção pelo regime de tributação simplificado e, mesmo assim, simultaneamente, mantém-se vinculado ao SIMPLES, incumbe a ele (contribuinte) demonstrar a Fiscalização a origem de suas receitas de sorte a comprovar que elas não decorreram de atividades impeditivas de opção ao citado regime de tributação. Em outros termos, a inserção pelo contribuinte de atividade vedada entre seus objetivos sociais implica presunção relativa de que a pessoa jurídica não poderia optar validamente pelo SIMPLES. Tal se 6, a meu ver, pelo fato de a lei vigente A época não impedir a opção pelo Simples de empresas que arrolem determinadas atividades em seu objeto social, mas sim e tão-somente daquelas que efetivamente "realizem operações" (Lei n. 9.317/96, art. 9 °, XII) ou "prestem serviços profissionais de" (Lei n. 9.317/96, art. 9 °, XIII). Nesse sentido, é a jurisprudência desta Corte Administrativa, verbis: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano- calendário: 2000 EMENTA EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA, INOCORRÊNCIA. Provado que a pessoa jurídica, desde a data de sua opção pelo SIMPLES, efetivamente exerceu apenas a atividade de hotelaria, incorreta é a sua exclusão desse regime de pagamento de tributos e contribuições, ainda que em seu contrato social constem, também, as atividades de construção civil e terraplenagem. 5 Por tais fundamen voto interposto pela Fazenda Nacional o sentido de conhecer do recurso especial , negar-lhe provimento. Antonio CarlO ilho - Relator Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e não conhecer da preliminar de nulidade por ausência do ADE nos autos. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (CARF la. Seção / la. Turma da 2a. Câmara / ACÓRDÃO 1201-00.239 em 07/04/2010) No mesmo sentido: EXCLUSÃ 0 DO SIMPLES, ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL. 0 fato de constar no contrato social da empresa atividade vedada ao Simples, por si Só, não autoriza sua exclusão, mormente quando há prova nos autos do exercício de atividades permitidas. (Processo n" 11080.100988/200,3-31 - Acórdão n° 1402-00.146 - 4a Câmara / 2' Turma Ordinária - Sessão de 06 de abril de 2010) No caso, a vista das provas produzidas nos autos, cujo reexame é vedado nesta instância especial, restou incontroversa a assertiva do acórdão recorrido de que a Contribuinte não exerce atividades relativas à produção de eventos e espetáculos, razão pela qual é de se manter o cancelamento do ato de exclusão da Contribuinte do SIMPLES. 6
score : 1.0
