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Numero do processo: 13807.000831/2003-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1999
Ementa: EXAME DO DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA.
INAPLICABILIDADE.
O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
DECLARAÇÃO DIPJ/DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS EXAME DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. EFEITOS.
Não produzem nenhum efeito as declarações DIPJ/DCTFs retificadoras entregues após o exame do pedido de restituição feito pela autoridade administrativa, que foi analisado adequadamente com a situação fática que se apresentava no momento desse exame.
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO. PRECLUSÃO.
Não demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972 e alterações, não há como se examinar os documentos trazidos na fase recursal, face à ocorrência da preclusão.
SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF.
RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO
A parcela do IRRF que compõe o saldo negativo do IRPJ apurado na
declaração DIPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser aproveitada no montante consignado pelos comprovantes de retenção emitidos em nome do beneficiário pelas fontes pagadoras.
O valor do IRRF somente poderá ser aproveitado na declaração DIPJ se os respectivos rendimentos forem, comprovadamente, oferecidos à tributação.
Numero da decisão: 1202-000.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DIPJ/DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS EXAME DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Não produzem nenhum efeito as declarações DIPJ/DCTFs retificadoras entregues após o exame do pedido de restituição feito pela autoridade administrativa, que foi analisado adequadamente com a situação fática que se apresentava no momento desse exame. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO. PRECLUSÃO. Não demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972 e alterações, não há como se examinar os documentos trazidos na fase recursal, face à ocorrência da preclusão. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF. RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO A parcela do IRRF que compõe o saldo negativo do IRPJ apurado na declaração DIPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser aproveitada no montante consignado pelos comprovantes de retenção emitidos em nome do beneficiário pelas fontes pagadoras. O valor do IRRF somente poderá ser aproveitado na declaração DIPJ se os respectivos rendimentos forem, comprovadamente, oferecidos à tributação. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 622 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação de Saldo Negativo de Imposto de Renda relativo ao anocalendário de 1999 objetivando a quitação de débitos, tendo sido anexados ao presente os processos e DCOMP listados as fls. 285, e que se encontram vinculados ao crédito de saldo negativo pleiteado. Verificase às fls. 284/292 despacho decisório deferindo em parte o pedido da contribuinte com fundamento de não ter esta logrado êxito em comprovar integralmente o direito líquido e certo consoante o disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional. Não obstante, não teria a contribuinte oferecido à tributação os rendimentos auferidos em operações de SWAP, razão pela qual o Imposto de Renda Retido na Fonte foi glosado das deduções do Imposto de Renda devido. Foi reconhecido, após o resultado da correção dos valores efetuados pela autoridade fiscal, o montante de R$ 1.059.843,23, após as compensações sem processo. Houve ajuste de campo da DIPJ/2000, qual seja: o IRRF (linha 13 da ficha 13 A) foi alterado de R$ 5.728.796,10 para R$ 5.194.257,91. Notificada do referido despacho decisório a contribuinte, com ele não se conformando, recorreu a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento alegando em síntese que: Fl. 622DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 623 3 A Secretaria da Receita Federal do Brasil não poderia ter efetuado as glosas dos valores de R$ 337.013,72 e R$ 197.524,47 de Imposto de Renda Retido na Fonte referentes ao anocalendário de 1999 em razão da decadência do direito de exame da DIPJ pela autoridade fiscal; O valor das operações de SWAP foi oferecido à tributação na Ficha 07 A, linha 24, da DIPJ/2000 a título de “outras receitas financeiras”; No tocante à glosa de compensação efetuada em duplicidade, a contribuinte admitiu erro no preenchimento das DCTFs em relação às datas de apuração dos débitos, sendo a data correta 31/12/1997 e 31/12/1998, e não 31/12/1999; Afirmou que apresentaria oportunamente a documentação comprobatória da integralidade de seu direito creditório; Requereu ao final a procedência de sua manifestação de inconformidade. Diante das razões apresentadas a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 IRRF. COMPOSIÇÃO. O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no períodobase. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. O IRRF somente será dedutível do imposto devido caso haja a tributação das respectivas receitas financeiras. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. IRPJ. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. Solicitação Indeferida Tal decisão, inicialmente verificando a decadência arguida pela contribuinte, esclarece que o presente caso trata de reconhecimento de direito creditório para fins de compensação de tributos, sendo imprescindível a comprovação de direito líquido e certo para que a compensação seja deferida, não se confundindo com o direito de o Fisco efetuar lançamento tributário, este sim sujeito ao prazo decadencial. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 624 4 No presente caso não houve lançamento tributário na decisão proferida pena autoridade fiscal, mas sim aferição de direito creditório da contribuinte diante dos elementos contidos nos autos, afastando, assim, a alegação de decadência. No mérito, destacou a autoridade julgadora a quo que o IRRF não pode ser compensado com outros tributos ou contribuições, nem objeto de restituição. Ressalta que consoante o artigo 2º da Instrução Normativa nº 210/2002, vigente à época dos fatos, somente poderiam ser utilizados para compensação com débitos da contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado , os créditos de que tratavam os artigos 2º e 3º do referido diploma. O IRRF não se enquadraria em nenhuma das hipóteses, posto que a retenção na fonte é devida por lei, não constituindo, a priori, indébito ou recolhimento a maior. Assevera ainda que, consoante o artigo 770, do Decreto nº 3.000/1999, os rendimentos de aplicações financeiras estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte, integrando o lucro real, presumido ou arbitrado. Desta feita, o IRRF é considerado antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração e, consequentemente, a contribuinte deve deduzir o imposto retido do imposto de renda devido com base no lucro real do período base. Desta sistemática, apenas o saldo negativo de imposto a pagar, que decorra desse confronto na declaração, constituí crédito passível de compensação ou restituição. Pontua que a Lei nº 9.430/96 facultou às empresas optantes pelo lucro real a deduzir do valor devido do imposto o montante recolhido a título de Imposto de Renda na fonte e utilizálo para restituição ou compensação, havendo apuração de saldo negativo. Permite, assim, a legislação federal que a pessoa jurídica deduza do imposto apurado no mês o imposto de renda retido na fonte, com a finalidade de liquidação do débito, desta feita, disciplina o artigo 34 da Lei nº 8.981/1995, que “para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir, o imposto apurado no mês, o Imposto de Renda pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente, bem como os incentivos de dedução do imposto, relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, ValeTransporte, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente e Atividade Audiovisual, observados os limites e prazos previstos na legislação vigente”. O recolhimento do IRRF para fins de dedução do Imposto de Renda devido deverá ser comprovado mediante documentação dos valores dos rendimentos auferidos em aplicações financeiras e o oferecimento de tais valores à tributação. O despacho decisório de fls. 284/292 reconhecera como dedutível os totais informados pela contribuinte em DIRF. Quanto ao argumento de que o valor das operações de SWAP fora oferecido à tributação à título de “outras receitas financeiras”, entendeu a autoridade julgadora a quo que não há, nos autos, qualquer documentação capaz de comprovar tal fato, como, por exemplo, a escrituração da referida operação ou demonstrativo de composição das receitas tributadas. Desta feita, não houve comprovação do direito ao crédito liquido e certo, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, prevalecendose o apurado pela autoridade fiscal. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 625 5 No tocante à glosa de compensação efetuada em duplicidade, a contribuinte admitiu erro no preenchimento das DCTF em relação às datas de apuração dos débitos, não trazendo, novamente aos autos, qualquer documentação comprobatória dos referidos equívocos. (grifo próprio) Ainda, quanto ao requerimento de posterior juntada de documentos afirma não ter sido efetuada até a data do julgamento, devendo tal procedimento obedecer o disposto nos §§ 4º e 5º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Postos tais argumentos, indeferiu a solicitação da contribuinte e não homologou as DCOMP relacionadas ao valor do crédito indeferido. A contribuinte fora intimada da decisão em 9 de abril de 2008, e com ela não se conformando interpôs Recurso Voluntário a este Conselho em 9 de maio de 2008, alegando em síntese que: Não houve manifestação quanto a ponto destacado em sua manifestação de inconformidade; Sustenta preliminar de decadência, alegando que a SRFB não poderia, no ano de 2008, ter reduzido o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, quando da glosa de parcelas do IRRF declarado, diante de ter ocorrido decadência do direito de exame da DIPJ do exercício de 2000, consoante o artigo 899, do RIR/99, sendo este o entendimento deste Conselho, devendo a decisão proferida ser reformada e a glosa de ofício ser declarada nula; No tocante a juntada de documentos, requer sua juntada diante da existência de motivo de força maior, posto que encontrou dificuldade para localizar a documentação pertinente diante de “volumoso arquivo morto”, distribuído em locais diversos, sendo que tal documentação, de volume significativo, referese a períodos de 10 ou mais anos, bem como a existência de fato superveniente, diante de buscar corrigir os erros materiais de preenchimento das DCTF dos 1º, 2º e 4º trimestres de 2000, e do 2º trimestre de 2001, bem como DIPJ do exercício de 2000, procedera em 6 de maio de 2008 retificação de tais DCTF e DIPJ; No mérito, combate a glosa de parte do IRRF declarado, em razão da existência de rendimentos oriundos de operação de SWAP, tendo sido declarados como “outras despesas financeiras” e incluídos no valor total de rendimentos na base de cálculo do IRPJ, e consequentemente, o IRRF respectivo poderia ter sido deduzido na apuração de IRPJ a pagar, como procedera; Destaca que procedeu a Retificação da DIPJ do exercício de 2000, demonstrando os rendimentos oriundos de operações de SWAP, na Ficha 07A, Linha 21, ao invés da Ficha 07A, Linha 24, sendo tal retificação respaldada pela jurisprudência deste Conselho; Aduz ainda que, quanto aos informes de rendimentos do IRRF, reitera os argumentos contidos em sua manifestação de inconformidade, destacando que enfrentou grande dificuldade em localizar a prova documental, apresentando nesta oportunidade cópias autenticadas do rendimentos, demonstrando divergências com as DCTF apresentadas, destacando exemplos das inconsistências; Fl. 625DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 626 6 Quanto à glosa relativa à compensação parcial, alegada em duplicidade pela SRFB, relativa ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, reconhece terem ocorridos erros materiais de preenchimento de parte das páginas das DCTF, fls. 187/240, apontando que cometera erros quando informou como origem dos créditos o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999, ao invés da origem correta de tais créditos, qual seja, saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 1997 e 1998; Aponta a origem e valores dos créditos do saldo negativo de IRPJ dos anos calendário de 1997, 1998 e 1999, indicando a incorporação de empresa detentora de saldo negativo de IRPJ no ano de 1997, acrescidos pelos juros SELIC nos anos de 1998 e 1999, chegandose ao valor total do saldo negativo de IRPJ em 21 de dezembro de 1999; Destaca que houve compensação de tais saldos negativos, consoante demonstração trazida em seu recurso; No tocante à compensação do saldo negativo do anocalendário de 1997, feita em 2000 e 2001, informou incorretamente nas DCTFs correspondentes que a data de apuração do saldo negativo foi 31/12/1999, ao invés de 31/12/1997, anexando aos autos cópias de folhas dos livros diário geral nºs. 10, 11 e 12, do anocalendário 2000, onde constam as compensações realizadas, relativas ao saldo negativo do anocalendário de 1997, bem como as declarações equivocadas e demonstrativo comparativo entre os dados do Diário Geral e das DCTF; Destaca que no anocalendário 2001 informou equivocadamente nas DCTF correspondentes que a data da apuração do saldo negativo era 31/12/1999 ao invés de 31/12/1997, anexando folhas dos livros diário geral nºs 13 e 14, do anocalendário 2001 onde constam as compensações realizadas devidamente contabilizadas, relativamente ao saldo negativo do anocalendário de 1997, bem como cópias das DCTF e demonstrativo comparativo entre os dados do diário geral e das DCTF; Aponta compensação do saldo negativo do anocalendário de 1998, realizada em 2001 e 2002, sendo que no anocalendário de 2001 informou incorretamente nas DCTF que a data da apuração do saldo negativo era 31/12/1999, ao invés de 31/12/1998, o mesmo ocorrendo no ano de 2002, anexando cópias dos livro diário geral, bem como das DCTF e demonstrativo comparativo entre os dados do diário e das DCTF; Ressalta ter demonstrado e comprovado que as compensações sem processo constantes de uma parte das DCTF de fls. 187/240 dos autos, relativas ao período de março de 2000 a julho de 2001, foram realizadas com uma parte do saldo negativo de IRPJ dos anos calendário de 1997 e 1998, e não com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, e por consequência, as compensações realizadas com o saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 1999 são devidas e sem duplicidade; Esclarece que com vistas a corrigir os erros materiais de preenchimento procedeu em 6 de maio de 2008 retificação das DCTF dos anoscalendário de 2000 e 2001, informando as datas corretas de apuração dos créditos oriundos do saldo negativo do IRPJ dos anoscalendário de 1997 e 1998. Assim, carece de sustentação legal e é incorreta e indevida a glosa das compensações realizadas no anocalendário de 2003, relativa ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, devendo a decisão a quo ser integralmente reformada e a glosa de ofício ser declarada nula; Fl. 626DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 627 7 Ao final requer a reforma da decisão combatida e a declaração da nulidade das cobranças de ofício, por trem se processado ao arrepio da legislação de regência e da jurisprudência deste Conselho; Protesta pela juntada posterior de novas provas, documentos e demonstrativos bem como outros elementos que se façam necessários à comprovação de suas alegações. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno, Relator O recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, sustenta a contribuinte ter ocorrido a decadência do direito de o Fisco proceder a exame da DIPJ do exercício de 2000, anocalendário de 1999, uma vez que tal exame se deu no ano de 2008, se impondo assim a nulidade da glosa efetuada pela autoridade fiscal referente as parcelas do IRRF declarado, com fulcro no artigo 899, do RIR/99. Uma análise das sucessivas alterações legislativas na sistemática da compensação, a qual passou a extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, prevendo, inclusive, à semelhança da regra veiculada no art. 150, §4° do CTN, o instituto da homologação tácita. Pois bem. Por meio da Lei n° 10.637/02, foram introduzidas as seguintes alterações no art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de Fl. 627DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 628 8 compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Da leitura do dispositivo legal retro transcrito, inferese que o legislador estabeleceu para a compensação a sistemática do "lançamento por homologação", segundo a qual cumpre ao contribuinte apurar o imposto devido, por meio de Declaração de Compensação. De outro lado, dispõe o artigo 150 do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Dispõe ainda o Decreto nº 3.000/99: Art. 898. O direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1º O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória, indispensável ao lançamento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). Fl. 628DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 629 9 § 2º A faculdade de proceder a novo lançamento ou a lançamento suplementar, à revisão do lançamento e ao exame nos livros e documentos dos contribuintes, para os fins deste artigo, decai no prazo de cinco anos, contados da notificação do lançamento primitivo (Lei nº 2.862, de 1956, art. 29). Art. 899. Nos casos de lançamento do imposto por homologação, o disposto no artigo anterior extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, se a lei não fixar prazo para homologação, observado o disposto no art. 902 (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, § 4º). (...) Art. 903. Não correrão os prazos estabelecidos em lei para o lançamento ou a cobrança do imposto, a revisão da declaração e o exame da escrituração do contribuinte ou a da fonte pagadora do rendimento, até decisão na esfera judiciária, nos casos em que a ação das repartições da Secretaria da Receita Federal for suspensa por medida judicial contra a Fazenda Nacional (Lei nº 3.470, de 1958, art. 23). Dos dispositivos transcritos inferese que o Fisco tem o dever de efetuar o lançamento, ou de proceder à revisão da declaração (lançamento) feita pelo contribuinte em determinado prazo legal. Em não o fazendo em tempo oportuno operase a decadência, não mais podendo agir contra tal limite temporal. Como se verifica do despacho decisório, as fls. 289, a autoridade fiscal apurou “em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte deduzido à linha 13, observouse que o valor de R$ 5.728.796,10, somado ao total de R$ 4.570.986,95 deduzido ao longo do anocalendário, representa um total de R$ 10.299.783,05. Por outro lado, as DIRF entregues pelas fontes pagadoras (fls. 143 a 170) demonstram apenas R$ 10.102.258,58 de imposto retido na fonte.”, emergindo daí uma diferença de R$ 197.524,47. Não obstante, verificou que as DIRFs apresentadas pela contribuinte demonstra que teria sido auferido rendimento oriundo de operações de SWAP no valor de R$ 1.685.070,92, e que tais rendimentos não teriam sido incluídos na base de cálculo do imposto de renda, posto não ter havido o preenchimento linha 21 da Ficha 07A, não podendo o respectivo IRRF ser deduzido na apuração do IR a pagar. Desta feita, subtraiu o IRRF relativo a operações de SWAP do total confirmado em DIRF, ou seja, o importe de R$ 337.013,72, para então chegar ao valor compensável. Evidente que no presente caso procedeuse a revisão extemporânea das declarações apresentadas, já atingidas pela decadência. O não reconhecimento do prazo de decadência implicaria em possibilidade de revisão sem limite temporal a ser realizada pelo Fisco, o que pela sistemática da legislação tributária seria inadmissível, criandose situação de extrema insegurança jurídica. Desta feita é de se reconhecer a decadência suscitada quanto à glosa de IRRF efetuada reformandose a decisão proferida pela autoridade julgadora a quo. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 630 10 Por outro lado, as (03) retificadoras recepcionadas em 06/05/2008, indicadas nos anexos XVIII, XIX e XX, juntadas ao recurso voluntário, que descrevem os erros descritos pela Recorrente, informadas somente após a prolação da decisão de primeira instância, que foi feita em 10 de abril de 2008, tanto assim porque a própria autoridade julgadora, quanto a glosa de compensação efetuada em duplicidade diz que a contribuinte admite erro no preenchimento das DCTFs, em relação às datas de apuração dos débitos, sem, no entanto, mais uma vez não trazer aos autos qualquer documentação que comprove os referidos equívocos cometidos em sua declaração (fls. 370) e que apontam erros na declarações de 2000 e 2001, por esse mesmo motivo de ordem temporal, ou seja, o limite de cinco anos, como acima comentado, não podem ser considerados, em observância à lógica do raciocínio acima fundamentado e também por supressão de instância, em relação ao que tais retificadoras. Desta feita, nesse sentido não há igualmente como acolher a pretensão da Recorrente, ao proceder juntada de retificadoras extemporaneamente a justificar a alegada compensação efetuada em duplicidade. Diante de todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência, a fim de anular a glosa do IRRF nos montantes de R$ 337.013,72 e R$ 197.524,47, referente ao ano calendário de 1999 e dar provimento parcial ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Redator Designado. Em que pese os valiosos argumentos apresentados pelo ilustre relator, peço vênia para discordar do seu entendimento em relação à acolhida da preliminar de decadência do direito do Fisco proceder ao exame, em 2007, da DIPJ do anocalendário de 1999, o que invalidaria a glosa do IRRF procedida pela autoridade fiscal. Conforme já abordado no acórdão recorrido, a compensação, no âmbito do direito tributário, somente pode ocorrer com créditos líquidos e certos, a teor do art. 170 do Código Tributário Nacional. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. No presente caso, o exame do direito creditório relativo ao saldo negativo do IRPJ informado na DIPJ, do anocalendário de 1999, continha a dedução do IRRF retido ao Fl. 630DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 631 11 longo desse ano (além de parcelas relativas à estimativas mensais do IRPJ recolhidas nesse mesmo ano). Já a Fazenda pública, agindo na posição de devedora, tem a obrigação de proceder na verificação do crédito pleiteado pelo contribuinte, devendo examinar todas as parcelas que compõe esse crédito, a fim de confirmar a sua certeza e a liquidez. Entende a defesa que os valores informados na declaração DIPJ/2000, já estariam homologados tacitamente, não mais passíveis de revisão pela autoridade fiscal, face o transcurso do prazo decadencial. Entretanto, tal argumento não pode subsistir. O prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º e 173, parágrafo único, do CTN, referese ao prazo que o fisco tem para efetuar o lançamento/constituição do crédito tributário, conforme claramente se verifica na transcrição dos dispositivos que se segue: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (grifei) No presente caso, não ocorreu lançamento nem constituição do crédito tributário. A autoridade fiscal competente para reconhecimento do direito creditório, informado pelo contribuinte, restringiuse a conferir os valores pleiteados, atestando a sua certeza e liquidez, nos exatos termos do determinado pelo art. 170 do CTN. Também não se trata de revisão de lançamento como quer fazer crer a defesa, porque nada foi “lançado” pelo fisco. O que de fato ocorreu é que o valor do saldo negativo do IRPJ informado pelo contribuinte em Fl. 631DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 632 12 sua DIPJ, passível de restituição/compensação, foi conferido pelo fisco antes de proceder na sua devolução, porque este agora se encontra na posição de devedor e não na posição de credor quando procede no lançamento do crédito tributário. Portanto, são situações fáticas distintas, não se podendo querer aplicar o instituto da decadência para uma situação jurídica estranha para o qual foi criado. No caso em exame, o direito creditório se origina da declaração DIPJ/2000. Já a declaração de compensação (DCOMP), que oferece dito direito creditório em compensação, foi entregue em 2003. Pela tese da recorrente, o fisco teria o prazo de 5 anos a contar do fato gerador para examinar a certeza e liquidez do direito creditório, ou seja, até 31/12/2004. Supondo que o contribuinte entregasse a DCOMP com o referido direito creditório, em 30/12/2004, chegaríamos à hipótese absurda de que o exame desse direito, pela Fazenda pública, teria que ser realizado em apenas 1 dia, sob pena da ocorrência da decadência. Como se vê, não há como prosperar a tese do recorrente, seja ela por uma decorrência lógica ou , ainda, porque, no caso de compensação, o prazo para a homologação tácita ocorre após o prazo de cinco anos da entrega da declaração de compensação (§ 5º do art. 74, Lei 9.430, de 1996 e alterações)) e não da ocorrência do fato gerador. Não obstante a controvérsia estabelecida, pareceme claro que não existe na legislação tributária expressa disposição legal a respeito do prazo para o fisco examinar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. O que existe, e deve ser fielmente respeitado, é o prazo de 5 anos para o fisco proceder ao lançamento/constituição do crédito tributário, hipótese definitivamente não verificada nos presentes autos. Assim, face a inexistência de previsão legal, concluo pela não ocorrência da decadência do fisco proceder na conferência das parcelas que compõem o saldo negativo do IRPJ informadas pelo contribuinte na declaração DIPJ/2000, devendo ser mantidas as glosas referentes ao IRRF. Quanto ao mérito, cabe dizer que o acórdão recorrido fundamentou muito bem a sua decisão. No caso em tela, os valores do IRRF glosados são oriundos da: i) não comprovação do oferecimento à tributação na declaração DIPJ de rendimentos em operações de “swap”, no montante de R$1.685.070,92, IRRF de R$ 337.013,72; e ii) diferença entre o IRRF aproveitado na declaração DIPJ e daquele constante das respectivas DIRFs, IRRF de R$ 197.524,47. A defesa não trouxe aos autos os documentos comprobatórios da integralidade do IRRF retido informado na respectiva DIPJ (comprovantes de retenção emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras), como exige o art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985. A insuficiência de IRRF nos comprovantes de retenção foi inclusive admitida pela própria recorrente, fls. 383, fato que evidencia a correção da glosa perpetrada pela autoridade fiscal. Em relação à falta de comprovação do oferecimento à tributação dos rendimentos em operações de “swap”, acarretando a glosa do IRRF correspondente, o acórdão recorrido assim fundamentou sua decisão: “Apesar de a requerente alegar que o valor das operações de SWAP, no montante de R$ 1.685.070,92, foi oferecido à tributação na Ficha 07 A, Linha 24 da DIPJ/2000, a título de "outras receitas financeiras", não traz aos autos qualquer documentação capaz de comprovar o fato aventado tais como a escrituração da referida operação, demonstrativo de composição das receitas tributadas.” Fl. 632DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 633 13 Por ocasião do recurso apresentado, informa o recorrente que após a emissão/ciência do despacho decisório, visando corrigir erro material de preenchimento da DIPJ, procedeu, na data de 06/05/2008, à retificação da DIPJ/2000, anocalendário de 1999, demonstrando o registro dos rendimentos oriundos de operações de “swap” na Ficha 07A, Linha 21, ao invés da Ficha 07A, Linha 24. No entanto, esse fato vem a confirmar o acerto da decisão prolatada pela autoridade fiscal em seu despacho decisório. O despacho decisório foi exarado com as informações/documentos constantes dos autos na época do exame do direito creditório, sem a retificação da DIPJ providenciada a posteriori pelo recorrente. Não há como alterar o despacho decisório baseado em erros reconhecidos pela própria defesa. Ademais, o exame do pedido de restituição/compensação deve se ater aos documentos e à realidade fática existentes na época da apreciação do pedido pela unidade de origem (DeratSP), realizado em 20/12/2007, e é sobre essa realidade que versa o presente julgamento. Não bastasse isso, a recorrente não trouxe no momento processual adequado (fase impugnatória) as provas que respaldassem a retificação pretendida. Resta claro que a comprovação do oferecimento à tributação na DIPJ dos rendimentos das operações de “swap” não foi trazida pela defesa por ocasião da apresentação de sua manifestação de inconformidade. Com efeito, o § 4º do art. 16, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, estabelece que as provas deverão ser trazidas na fase impugnatória, precluindo o direito em trazêlas em outro momento processual. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se Fl. 633DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 634 14 demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifei) Assim, não demonstrado a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972 e alterações, não há como se examinar os documentos trazidos na fase recursal (livro Diário) devendose, também por esse motivo (preclusão), serem rejeitadas as razões trazidas pela recorrente sobre essa matéria. Por fim, reforço a posição do ilustre relator deste acórdão que não acolheu a pretensão da recorrente em considerar os valores de declarações retificadoras DCTFs, que também foram entregues após a ciência do despacho decisório, a justificar a alegada compensação de créditos do IRPJ efetuada em duplicidade. O contribuinte, inicialmente, havia informado em DCTF a utilização de parte do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1999, ora examinado, na compensação/quitação de tributos federais sem processo (compensação administrativa efetuada na contabilidade, como era permitido à época). Portanto, parte desse saldo negativo do IRPJ já havia sido utilizado na compensação sem processo, razão pela qual o despacho decisório deduziu esse valor ao reconhecer o direito creditório. Já a recorrente alega que errou no preenchimento das DCTFs e que os saldos negativos do IRPJ informados nas DCTFs (em compensação) não se referiam ao anocalendário de 1999 e sim aos anoscalendário de 1997 e 1998, procedendo, após a ciência do despacho decisório em exame, na retificação das respectivas DCTFs. Como já abordado neste voto, pretende a interessada, de forma equivocada, a reforma do despacho decisório alterando uma situação fática após a emissão desse mesmo despacho. Não bastasse isso, quer trazer pretensos créditos do IRPJ (anoscalendário de 1997 e 1998) que sequer foram examinados pela autoridade fiscal, fora dos limites da lide, o que definitivamente não pode ser admitido. No caso da Declaração de Compensação, em que se pretende ver reconhecido um crédito contra a Fazenda, ao mesmo tempo que se pleiteia a extinção de um ou mais débitos, a retificação pretendida somente pode ocorrer antes de qualquer procedimento de ofício. Isso ocorre, antes de tudo, em decorrência da forma como o rito processual se desenvolve. Uma vez efetuado o pedido de restituição, com a informação da origem do crédito e, comprovado que esse crédito não existe, não se poderia agora, após o exame da autoridade administrativa, querer modificar o pedido original, já que as informações contidas da Declaração de Compensação foram corretamente analisadas pelo Despacho Decisório. Em outras palavras, não se pode querer alterar uma situação fática que existiu no momento da entrega da Declaração de Compensação após o exame dessa situação pela autoridade administrativa, que foi efetuado de forma correta com os fatos que se apresentavam no momento desse exame. Assim, não resta dúvida de que no momento da análise da Declaração de Compensação em tela, o valor do crédito do IRPJ, no montante informado pelo interessado, efetivamente não existia, de modo que está correta a decisão proferida no despacho decisório combatido. Em face dos motivos acima expostos, é de se manter a decisão proferida no acórdão recorrido, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 1202000.699 S1C2T2 Fl. 635 15 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 635DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 01/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10240.001379/2006-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2001
IRRF IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE PRÊMIOS DISTRIBUÍDOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ.
OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impõe-se a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da
importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.076
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, com retorno dos autos à câmara “a quo” para apreciação das demais questões.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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NEVES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 IRRF IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE PRÊMIOS DISTRIBUÍDOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, inexistindo a ocorrência de pagamento, impõese a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, nos termos do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à câmara “a quo” para apreciação das demais questões. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por 87862719115 - NI não encont rado. 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 23/03/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório L. B. NEVES, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 27/10/2006, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, incidente sobre distribuição de prêmios, com base no artigo 677 do RIR/1999, mais precisamente, kit de móveis, eletrodomésticos e utilidades para o lar mediante sorteios, em relação ao anocalendário 2001, conforme peça inaugural do feito, às fls. 25/32, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então 1o Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Belém/PA, consubstanciada no Acórdão nº 017.423/2006, às fls. 59/62, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2a Turma Especial, em 08/09/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 192 00.018, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE (IRF). MODALIDADE DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. 0 Imposto de Renda na Fonte, é tributo sujeito a lançamento por homologação, razão pela qual, o prazo decadencial de cinco anos deve ser contado a partir da data da ocorrência do fato jurídico tributário. DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por 87862719115 - NI não encont rado. Processo nº 10240.001379/200608 Acórdão n.º 920202.076 CSRFT2 Fl. 157 3 A distribuição de prêmios sob a forma de bens, mediante sorteio, está sujeita à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte. Preliminar acolhida. Recurso negado.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 91/96, com arrimo no artigo 7o, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o decisum atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº CSRF/0103.103, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento, não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, para o fato gerador ocorrido em 2001, o lançamento somente poderia ser efetuado em 2002, fazendo com que o inicio do prazo decadencial fosse para o dia 1º de janeiro de 2002. Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31/12/2006. Na hipótese dos autos, constituído o crédito tributário em 27/10/2006, dentro do prazo decadencial inserido no artigo 173, inciso I, do CTN, não há se falar em decadência da exigência fiscal, sobretudo por não ter havido antecipação do pagamento, mediante lançamento por homologação. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre então Presidente da 2ª Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, entendeu por bem não admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente não logrou comprovar que o Acórdão Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por 87862719115 - NI não encont rado. 4 recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão nº CSRF/01 03.103, conforme Despacho nº 079/2009, às fls. 130/132. Ainda inconformada, a Fazenda Nacional opôs Agravo, de fls. 134/140, repisando os argumentos suscitados em sede de Recurso Especial, reiterando a tese no sentido da existência de divergência entre os julgados confrontados, tendo obtido êxito em sua empreitada, como se verifica do Despacho nº 22010/2009, às fls. 142/144, da lavra do Presidente da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, a contribuinte não ofereceu suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, em sede de Agravo, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada, com arrimo no artigo 677 do RIR/1999, em virtude da falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda Retido na FonteIRRF, incidente sobre a distribuição de prêmios, mais precisamente, kit de móveis, eletrodomésticos e utilidades para o lar. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar em parte a pretensão fiscal, aplicando, por conseguinte, o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, restando parcialmente decaído o crédito tributário lançado (anocalendário 2001). Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado e, bem assim, do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento, para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do autuado, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional merece acolhimento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido, inobstante as sempre bem fundamentadas razões de direito do ilustre Conselheiro relator, apresentase em descompasso com o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, especialmente nos autos de Recurso Repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, como passaremos a demonstrar. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por 87862719115 - NI não encont rado. Processo nº 10240.001379/200608 Acórdão n.º 920202.076 CSRFT2 Fl. 158 5 Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por 87862719115 - NI não encont rado. 6 Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que o IRRF deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por 87862719115 - NI não encont rado. Processo nº 10240.001379/200608 Acórdão n.º 920202.076 CSRFT2 Fl. 159 7 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por 87862719115 - NI não encont rado. 8 In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, tendo em vista que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela inexistência de antecipação de pagamento relativamente ao anocalendário 2001, uma vez não se constatar qualquer documento demonstrando a ocorrência de recolhimentos parciais do tributo sob análise. Na esteira dessas considerações, não se vislumbra a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 27/10/2006, com a devida ciência da contribuinte constante do Aviso de RecebimentoAR, de fl. 33, a exigência fiscal não se encontra fulminada pela decadência, impondo a manutenção do feito, na forma pleiteada pela recorrente, eis que os fatos geradores ocorreram no período de 02/07/2001, 02/09/2001 e 24/12/2001, começando o prazo a fluir em 01/01/2002, com encerramento previsto para 31/12/2006. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com a jurisprudência consolidada nos Tribunais Superiores e de observância obrigatória por este Colegiado, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, determinando o retorno dos autos à Câmara recorrida para análise das demais questões de mérito, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por 87862719115 - NI não encont rado.
score : 1.0
Numero do processo: 35011.004054/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 18/12/2006
Ementa:
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CONTRIBUINTE NÃO
TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA - A ciência ao
contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendo-lhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação.
Numero da decisão: 2302-000.365
Decisão: ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em anular a decisão de primeir ainstância. Vencido o relator. Apresentará voto divergente vencedor o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 18/12/2006 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA - A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendo-lhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação.
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Recorrente CONSTRUTORA ALIANÇA LTDA Recorrida DRP MANAUS / AM Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 18/12/2006 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância. Vencido o relator. Apresentará voto divergente vencedor o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente e Relator MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Redator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ADRIANA SATO, LEÔNCIO NOBRE DE MEDEIROS (SUPLENTE), MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, (PRESIDENTE). Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de prestar ao INSS as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme relatório fiscal às fls. 08 e 09. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 16 a 18. Foi comandada diligência fiscal, fl. 83, para verificação da correção da falta. A fiscalização prestou informação à fl. 86 A unidade descentralizada da SRP emitiu a DecisãoNotificação (DN), fls. 92 a 95, mantendo a autuação em sua integralidade. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário interpôs recurso, fls. 100 a 103. Não foram apresentadas contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 118; pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Tendo em vista a discussão acerca da nulidade ou não da Decisão Notificação pela ausência da intimação de informações juntadas às fls. 86, há que ser analisada tal preliminar por este Colegiado. Entendo que não há vício na falta de intimação das informações juntadas, pois no presente caso não foram juntados documentos novos pela fiscalização. As informações tiveram natureza de simples réplica na forma prevista nos artigos 326 e 327 do CPC – Código de Processo Civil. De acordo com o CPC, haverá réplica quando na impugnação o autuado tiver alegado alguma questão preliminar, ou tiver aduzido fato constitutivo, impeditivo ou extintivo do direito do Fisco. No caso, a fiscalização apenas foi instada a se manifestar acerca das argumentações apresentadas e documentos juntados em fase de impugnação pelas notificadas. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 35011.004054/200601 Acórdão n.º 230200365 S2C3T2 Fl. 2 3 Se não há documento novo, a falta da intimação da manifestação não causa cerceamento de defesa, tampouco fere o princípio do contraditório. Assim sendo, uma vez que no processo civil não é aberto prazo para contra razões de réplica, e considerando que o CPC aplicase subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, não há necessidade, in casu, de se abrir prazo para manifestação após as informações prestadas pela fiscalização. Mesmo porquê se fosse aberto prazo para manifestação de réplica, deveria ser aberto prazo para manifestação da manifestação, e desse modo, o processo nunca findaria, pois entraria em um círculo vicioso. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade da DecisãoNotificação. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2010 MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Voto Vencedor Compulsando os autos verifico que foi realizada diligência fiscal, para responder as alegações constantes da peça de defesa e documentos colacionados pela pessoa jurídica Interessada, resultando relatório conclusivo sobre a matéria. Entretanto, à recorrente não foi oferecida oportunidade de resposta sobre o resultado da diligência que rebateu as suas alegações com argumentos que lhe eram desconhecidos e, ato contínuo, foi proferida DecisãoNotificação. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, voto pela anulação DecisãoNotificação, por violação ao princípio da ampla defesa, devendo, por conseqüência ser a pessoa jurídica Interessada intimada para, querendo, manifestarse em face do resultado da diligência. CONCLUSÃO Em razão do exposto, VOTO PELA ANULAÇÃO DA DECISÃONOTIFICAÇÃO. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Conselheiro Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009039/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/03/1996
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.040
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/03/1996 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T23:57:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T23:57:46Z; Last-Modified: 2010-03-30T23:57:46Z; dcterms:modified: 2010-03-30T23:57:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T23:57:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T23:57:46Z; meta:save-date: 2010-03-30T23:57:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T23:57:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T23:57:46Z; created: 2010-03-30T23:57:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-03-30T23:57:46Z; pdf:charsPerPage: 1597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T23:57:46Z | Conteúdo => S2-01T1 FL 152 - MINISTÉRIO DA FAZENDA ^- - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980009039/2007-34 Recurso n° 163.706 Voluntário Acórdão n° 2401-01.040 — 4° Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS NATURAIS BELASQUE LTDA. Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENC/ÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/03/1996 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4" Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ELIAS SA PAIO FREIRE - Presidente JOON/1.. RYCÃRD et ENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator Participaram, do present- julg ento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, deusa Vieira de za, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 • Processo n° 10980.009039/2007-34 S2-C4T1 • Acórdão n.° 2401-01.040 Fl. /53 • Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. • No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n°35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência dá totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. • DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista • a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, 4' ou 173, do CTN). • É o relatório. 3 • Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2 0 Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. II,Sala das Sessõ: ' em 24 de fevereiro de 2010 a. a la. IA I ett:: _ RYCAKDO •-18,. • IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA - Relator l . K_ 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA 'ir.» CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS -;:'ff--!,> QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10980.009039/2007-34 Recurso n°: 163706 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial ri") 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda I Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.040 Brasili, G março de 2010 11. ELIAS SA I0 FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observaçâo abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência- / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001328/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO
DESTINADA A TERCEIROS SALÁRIOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA
LEI 8212/91.
Cumpre observar que fiscalização da DRFB possui competência para
arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94
da Lei 8.212/91.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias,
para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de
afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
SALÁRIO INDIRETO ABONO ÚNICO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO NATUREZA
SALARIAL AÇÃO JUDICIAL ANTERIOR AO LANÇAMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito
passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois
do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PERIOCIDADE PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA
DE ACORDO PRÉVIO QUE POSSIBILITE OS EMPREGADOS CONHECIMENTO DOS RESULTADOS.
O pagamento de PLR com base de dois acordos concomitantemente,
encontra-se em desacordo com os preceitos da lei 10.101/2000, devendo
incidir contribuição previdenciária, sobre a totalidade dos pagamentos
realizados.
Não há que e falar em regular negociação coletiva, quando o acordo é
firmado, no final do exercício, ou mesmo após o término deste.
SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS DIRETORES ALIMENTAÇÃO
IN NATURA
Nos termos do parecer n. 03/2001 da PGFN fica autorizada a dispensa de
apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a
desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante:
nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in
natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição
previdenciária.
SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE VEÍCULO PRÓPRIO PARA OS DIRETORES PREVISÃO
LEGAL DE EXCLUSÃO
O fato de o carro fornecido aos diretores ser de propriedade da empresa não
determina, por si só, a natureza salarial da utilidade, face a precisão contida
no art. 28, § 9º, “r” da lei 8212/91.
SALÁRIO INDIRETO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E PERMANÊNCIA
A natureza atribuída pela autoridade fiscal, nomeando a verba Bõnus de
Contratação e Permanência, com uma espécie de prêmio, para atrair bons
funcionários para a recorrente, encontra-se, sem dúvida, dentro do conceito
do salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho fornecido
como resultante de uma contraprestação.
A mera alegação de que as despesas contabilizadas, são apenas provisões,
não merece prosperar, quando não demonstrada reversão das mesmas.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ADICIONAL de 2,5% INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PREVISÃO
LEGAL IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
Tendo a empresa do ramo financeiro remunerado seus segurados com verbas
integrantes do salário de contribuição previdenciário, torna-se obrigada ao
recolhimento da contribuição adicional incidente sobre tais valores, conforme
determina o art. 22, § 1°, da Lei 8.212/91.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT SALÁRIO INDIRETO BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÃO.
A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos
em razão do grau de incidência de incapacidade é prevista no art. 22, II da
Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1999.
Em sendo julgado procedente a inclusão em base de cálculo de valores pagos
à título de salário indireto, devida é também a contribuição para o SAT.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES VALE TRANSPORTE NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o
pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no
DAD, bem como no relatório fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE
DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder
Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra
importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de
imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa
dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se
referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
AÇÃO JUDICIAL VERBAS DISCUTIDAS EM JUÍZO LANÇAMENTO PARA EVITAR DECADÊNCIA DEPÓSITO JUDICIAL.
Em existindo depósito judicial sobre verbas discutidas em juízo não deve
incidir juros e multa.
PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN.
Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos,
não há como a se concluir sobre essa questão, deve-se aferir o prazo
decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.251
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a)
conhecer parcialmente do recurso; e b) rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa. II) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 09/2005. Vencida a
Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que não acolhia a decadência. III) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial para excluir do lançamento:
a) as contribuições decorrentes da alimentação fornecida aos diretores; b) as contribuições decorrentes dos veículos fornecidos aos diretores; e c) a multa e os juros decorrentes do
pagamento de vale transporte. Com relação ao PLR os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira votaram pelas conclusões, por entenderem que o fato de os acordos terem sido firmados no final do exercício a que se referem, por si só não descaracterizaria a PLR. Designado para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PERIOCIDADE PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO QUE POSSIBILITE OS EMPREGADOS CONHECIMENTO DOS RESULTADOS. O pagamento de PLR com base de dois acordos concomitantemente, encontra-se em desacordo com os preceitos da lei 10.101/2000, devendo incidir contribuição previdenciária, sobre a totalidade dos pagamentos realizados. Não há que e falar em regular negociação coletiva, quando o acordo é firmado, no final do exercício, ou mesmo após o término deste. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS DIRETORES ALIMENTAÇÃO IN NATURA Nos termos do parecer n. 03/2001 da PGFN fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE VEÍCULO PRÓPRIO PARA OS DIRETORES PREVISÃO LEGAL DE EXCLUSÃO O fato de o carro fornecido aos diretores ser de propriedade da empresa não determina, por si só, a natureza salarial da utilidade, face a precisão contida no art. 28, § 9º, “r” da lei 8212/91. SALÁRIO INDIRETO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E PERMANÊNCIA A natureza atribuída pela autoridade fiscal, nomeando a verba Bõnus de Contratação e Permanência, com uma espécie de prêmio, para atrair bons funcionários para a recorrente, encontra-se, sem dúvida, dentro do conceito do salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho fornecido como resultante de uma contraprestação. A mera alegação de que as despesas contabilizadas, são apenas provisões, não merece prosperar, quando não demonstrada reversão das mesmas. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ADICIONAL de 2,5% INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PREVISÃO LEGAL IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Tendo a empresa do ramo financeiro remunerado seus segurados com verbas integrantes do salário de contribuição previdenciário, torna-se obrigada ao recolhimento da contribuição adicional incidente sobre tais valores, conforme determina o art. 22, § 1°, da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT SALÁRIO INDIRETO BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÃO. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1999. Em sendo julgado procedente a inclusão em base de cálculo de valores pagos à título de salário indireto, devida é também a contribuição para o SAT. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES VALE TRANSPORTE NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. AÇÃO JUDICIAL VERBAS DISCUTIDAS EM JUÍZO LANÇAMENTO PARA EVITAR DECADÊNCIA DEPÓSITO JUDICIAL. Em existindo depósito judicial sobre verbas discutidas em juízo não deve incidir juros e multa. PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, deve-se aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Cumpre observar que fiscalização da DRFB possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. SALÁRIO INDIRETO ABONO ÚNICO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO NATUREZA SALARIAL AÇÃO JUDICIAL ANTERIOR AO LANÇAMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PERIOCIDADE PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO QUE POSSIBILITE OS EMPREGADOS CONHECIMENTO DOS RESULTADOS. O pagamento de PLR com base de dois acordos concomitantemente, encontrase em desacordo com os preceitos da lei 10.101/2000, devendo incidir contribuição previdenciária, sobre a totalidade dos pagamentos realizados. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Não há que e falar em regular negociação coletiva, quando o acordo é firmado, no final do exercício, ou mesmo após o término deste. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS DIRETORES ALIMENTAÇÃO IN NATURA Nos termos do parecer n. 03/2001 da PGFN fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE VEÍCULO PRÓPRIO PARA OS DIRETORES PREVISÃO LEGAL DE EXCLUSÃO O fato de o carro fornecido aos diretores ser de propriedade da empresa não determina, por si só, a natureza salarial da utilidade, face a precisão contida no art. 28, § 9º, “r” da lei 8212/91. SALÁRIO INDIRETO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E PERMANÊNCIA A natureza atribuída pela autoridade fiscal, nomeando a verba Bõnus de Contratação e Permanência, com uma espécie de prêmio, para atrair bons funcionários para a recorrente, encontrase, sem dúvida, dentro do conceito do salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho fornecido como resultante de uma contraprestação. A mera alegação de que as despesas contabilizadas, são apenas provisões, não merece prosperar, quando não demonstrada reversão das mesmas. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ADICIONAL de 2,5% INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PREVISÃO LEGAL IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Tendo a empresa do ramo financeiro remunerado seus segurados com verbas integrantes do saláriodecontribuição previdenciário, tornase obrigada ao recolhimento da contribuição adicional incidente sobre tais valores, conforme determina o art. 22, § 1°, da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT SALÁRIO INDIRETO BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÃO. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1999. Em sendo julgado procedente a inclusão em base de cálculo de valores pagos à título de salário indireto, devida é também a contribuição para o SAT. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES VALE TRANSPORTE NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 2 3 Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. AÇÃO JUDICIAL VERBAS DISCUTIDAS EM JUÍZO LANÇAMENTO PARA EVITAR DECADÊNCIA DEPÓSITO JUDICIAL. Em existindo depósito judicial sobre verbas discutidas em juízo não deve incidir juros e multa. PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) conhecer parcialmente do recurso; e b) rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa. II) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 09/2005. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que não acolhia a decadência. III) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento parcial para excluir do lançamento: a) as contribuições decorrentes da alimentação fornecida aos diretores; b) as contribuições decorrentes dos veículos fornecidos aos diretores; e c) a multa e os juros decorrentes do pagamento de vale transporte. Com relação ao PLR os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira votaram pelas conclusões, por entenderem que o fato de os acordos terem sido firmados no final do exercício a que se referem, por si só não descaracterizaria a PLR. Designado para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 561DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 3 5 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob o n. 37.298.5222, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa destinada a terceiros, no período de 03/2005 a 12/2006. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 58 a 75, os fatos geradores apurados durante o procedimento fiscal, consistem: a. Remunerou seus segurados empregados sob a forma de vale transporte pago em dinheiro; b. Remunerou seus segurados empregados sob a forma de "Abono Único"; c. Remunerou seus segurados empregados através de "Participação nos Lucros ou Resultados"; d. Remunerou indiretamente seus segurados contribuintes individuais (Diretores) através da utilização de veículos e da concessão de alimentação/restaurantes; e. Remunerou seus segurados empregados sob a forma de "Bônus de Contratação" e de "Bônus de Permanência"; Descreveu ainda, o referido relatório de forma pormenorizada os elementos de convicção para considerar os valores como salário de contribuição. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO – PERÍODO DE 03/2005 A 12/2006 Foi constatado nesta Auditoria Fiscal que a empresa remunerava seus segurados empregados em Folha de Pagamento, a titulo de Vale transporte, contrariando os dispositivos legais pertinentes, sendo os valores apurados em contas contábeis. Considerando que a empresa possuía liminar (ação 2001.03.99.0000062 – Processo de origem 96.00065080), fl. 115 a 119, para que não sofresse autuações à título de reembolsotransporte, importante destacar que em 30 de setembro de 2008 a ação foi julgada pelo Tribunal Regional Federal da 3 a Região, tendo sido proferido acórdão dando provimento A apelação do Instituto Nacional do Seguro Nacional, com remessa oficial para reformar a sentença, CASSANDO A LIMINAR, nos seguintes termos: "Nenhum fundamento jurídico válido revela a generosa sentença de fls. 333/336, a qual chancelou a liminar que livrou a impetrante para todo o sempre de recolher a contribuição questionada (fls. 304), quando na verdade nem isso foi pedido pela autora (l1s. 17/15, n° 1). Conforme o exposto, dou provimento à apelação do Instituto Nacional do Seguro Social bem como a remessa oficial para reformar a sentença, cassando a liminar." Fl. 563DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Uma vez que a liminar foi cassada, o crédito tributário referente ao vale transporte encontrase exigível, não havendo óbice A constituição do presente crédito previdencidrio que tem por fato gerador o pagamento aos segurados empregados de remuneração sob a forma de vale transporte em pecúnia. ABONO ÚNICO – PERÍODO DE 10/2005 A 08/2006 Foi constatado nesta Auditoria Fiscal, por meio das Folhas de Pagamento e dos Registros Contábeis, apoio financeiro a empregados sob a forma de concessão de "Abono Único". Podese observar que a concessão dessa verba decorre de obrigação prevista em Convenção Coletiva de Trabalho, que nada mais é do que a junção de vontades, cuja vigência restringese As partes que a subscreveram, não produzindo qualquer efeito perante o fisco. Portanto apenas a lei poderia determinar se os abonos são ou não desvinculados do salário. Aquele que advir de outra fonte obrigacional, como a Convenção Coletiva de Trabalho, sera saláriodecontribuição. A natureza do abono, conforme previsto no § 1 ° do artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho — CLT, é de ser parte integrante do salário. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS – PERÍODO DE 03/2005 A 12/2006 Na auditoriafiscal realizada foi constatado o pagamento de incentivos aos segurados empregados sob a forma de Participação nos Lucros ou Resultados. Os pagamentos das participações foram realizados com base tanto nas Convenções Coletivas de Trabalho — CCT quanto nos Planos Próprios mantidos pelo contribuinte. 31. Foram utilizadas as seguintes rubricas da folha de pagamentos para remunerar os segurados empregados: a. 005003 — Adiant.Part.C.Result.; b. 005028 — Dit. PR/PB Credicard; c. 005030 — Part. Res. Qto. Custa; d. 005158 — Antecip.Part.C.Result; e. 005958 — Antecipação PLR CCT; f. 005974 — PLR Cony Coletiva; g. 005993 — Particip. Resultados; h. 006430 — Compl. PR; e i. 006431 — Compl. PLR. Das Convenções Coletivas de Trabalho — CCT Foram utilizados os seguintes parâmetros para os pagamentos da participação nos lucros ou resultados com base nas CCT's, que foram pactuados com os Sindicatos dos Empregados em Estabelecimentos Bancários: a. Convenção PLR 2005/2006: i. Pagamento, até 03/03/2006, limitado ao valor individual de R$ 5.310,00 (Cinco mil trezentos e dez reais); ii. Se o total da participação for inferior a 5% (cinco por cento) do Lucro Liquido do exercício de 2005, há uma majoração do valor, limitado individualmente a R$ 10.620,00 (Dez mil seiscentos e vinte reais); iii. Antecipação, em 10/2005, do valor individual máximo de R$ 2.655,00 (Dois mil e seiscentos e sessenta e cinco reais). b. Convenção PLR 2006/2007: i. Antecipação, em 10/2006, do valor individual máximo de R$ 5.496,00 (Cinco mil quatrocentos e noventa e seis reais). Fl. 564DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 4 7 c. Acordo Coletivo celebrado em 21 de dezembro de 2005 com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Instituições Financeiras —CNTIF que prevê um adiantamento em dezembro de 2005; d. Acordo Coletivo celebrado em 08 de fevereiro de 2007 com a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro — CONTRAF que prevê uma antecipação em 08/2006 do valor de R$ 360,00 (Trezentos e sessenta reais); Dos Planos Próprios Mantidos pelo Contribuinte – Foram ainda apresentados à fiscalização programas de participação nos resultados mantidos pelo contribuinte: a. Documento elaborado pela Superintendência de Remuneração, denominado Programas de Participação dos Resultados 2005; b. Documento elaborado pela Superintendência de Remuneração, denominado Programas de Participação dos Resultados 2006; Ressalta que os programas elaborados pela Superintendência de Remuneração, descumprindo a legislação aplicável, não demonstram a participação dos funcionários na sua elaboração, tampouco a participação de representante sindical da categoria. Os programas são apresentados como "Sistemas de Remuneração Variável", conforme se verifica em seus indices: "Parte 1 — Sistemas de Remuneração Variável". Tanto no programa de 2005 como no de 2006 não há aposição de assinaturas, sejam elas da comissão de empregados, do representante sindical, e até mesmo dos representantes legais da autuada. Também não se faz menção a datas dos acordos. Os programas elaborados pela Superintendência de Remuneração prevêem a participação dos empregados nos resultados; sendo assim, é prudente pensarmos que anteriormente A vigência dos programas de participação nos resultados todos os critérios que regem essa participação devam estar estabelecidos a fim de que o empregado conheça aquilo que deve ser atingido e como deve proceder para fazer jus A participação. Não constam protocolos de arquivamento dos programas no sindicato representativo da categoria. A partir dos documentos apresentados não foram observados os seguintes requisitos legais: a. Participação dos empregados na elaboração dos planos; b. Participação do representante sindical na elaboração dos planos; c. Metas pactuadas previamente entre as partes; d. Arquivamento dos programas no sindicato representativo da categoria. Transcreveu uma série de dispositivos legais, que descrevem a possibilidade de pagar PLR, sendo que os dispositivos legais reproduzem a previsão constitucional de que a participação nos lucros ou resultados da empresa é desvinculada de caráter remuneratório, não integrando, portanto, o salário de contribuição, desde que observe os ditames da lei especifica. Esse dispositivo estabelece que a participação nos lucros ou resultados, quando pautado em programa de metas, será objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, negociação na qual deve ter participação um representante sindical. 0 instrumento resultante da negociação, no qual constarão as reg as sobre a participação, deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. O pagamento de participação nos lucros ou resultados tem como essência a retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou na realização de um Fl. 565DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 resultado previamente pactuado. 0 seu objetivo é estimular o empenho dos trabalhadores para a geração de resultados previamente estabelecidos. Assim, deve haver um acordo entre as partes — empresa e trabalhadores —, no qual cada um se propõe a cumprir uma obrigação. A empresa deve conceder o pagamento a titulo de participação nos lucros ou resultados se os trabalhadores atingirem uma meta pré estabelecida. No caso concreto, comparativamente com os ditames legais, ocorreram as seguintes violações da Lei n° 10.101/200: O artigo 2° dispõe que as partes, de comum acordo, devem escolher um dos instrumentos previstos para o pagamento da participação, ou seja, devem optar entre a convenção coletiva de trabalho e o plano próprio mantido pela empresa. A autuada efetuou os pagamentos segundo os dois instrumentos. Art. 2 ° da lei 10.101 dispõe que a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. b. No inciso I do artigo 2 ° acima transcrito, há a obrigatoriedade da participação de uma comissão escolhida pelas partes, com a participação de um integrante do sindicato na negociação da participação nos lucros ou resultados. No plano mantido pela autuada inexistem registros dessas participações. c. O § 1 ° do artigo 2° dispõe que, sendo utilizado os critérios e condições atinentes a programas de metas, resultados e prazos, devem eles ser pactuados previamente, ou seja, pretendese que o empregado esteja ciente daquilo que deve produzir para fazer jus à participação. 0 plano mantido pela autuada, claramente baseado em cumprimento de metas, não respeitou essa condição, vez que não foi possível a verificação de um pacto, muito menos previamente estabelecido. Art. 2 ° s S' I 2 Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto afixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I indices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifo nosso) d. O § 2° do artigo 2° dispõe que o instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Dos programas apresentados a fiscalização não fazem parte protocolos de arquivamento no sindicato. O § 2° do artigo 3 impede o pagamento a titulo de participação nos lucros ou resultados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A autuada efetuou pagamentos três vezes no mesmo ano civil conforme descrito abaixo: Fl. 566DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 5 9 i. 2005: fevereiro (rubricas 5030 e 5974), agosto (rubrica 5993) e outubro (rubrica 5958) e dezembro (rubrica 5158); ii. 2006: fevereiro (rubricas 5974 e 5993), agosto (rubricas 5003 e 5993) e outubro (rubrica 5958). Portanto, está clara a caracterização da participação nos lucros ou resultados como parcela integrante do salário de contribuição, haja vista o não atendimento dos requisitos legais. Sendo assim, o pagamento de parcela referente A. participação nos lucros ou resultados que não observe os ditames da legislação especifica, seja através de convenção coletiva de trabalho seja através de plano próprio mantido pelo contribuinte, como é o presente caso concreto, integra o salário de contribuição, devendo sobre esses valores incidir as contribuições previdenciárias. BENEFÍCIOS INDIRETOS A DIRETORES E CONSELHEIROS – PERÍODO DE 03/2005 A 12/2006 Durante o curso da ação fiscal verificouse que o contribuinte ora autuado remunerou indiretamente seus Diretores Estatutários e membros do Conselho de Administração através das seguintes condutas: a. Custeio das despesas referentes à utilização do Restaurante Social/VIP; b. Custeio das despesas referentes à utilização de veículos. Os fatos mencionados no item anterior passam a ser tratados individualmente a seguir. RESTAURANTE SOCIAL/VIP (ALIMENTAÇÃO) Na auditoriafiscal realizada foi constatado o pagamento de salário utilidade (salário indireto) referente à alimentação dos diretores estatutários e membros do conselho de administração (administradores) ofertada in natura através de refeições nos seus restaurantes custeados pela empresa, denominados Restaurante VIP e Restaurante Social. O uso dos restaurantes é exclusivo para as pessoas ocupantes dos cargos mencionados no item anterior, conforme política interna do contribuinte. Todas as despesas do Restaurante VIP são custeadas pelo contribuinte, não ocorrendo nenhum desconto ou pagamento por parte dos segurados. As despesas são registradas na conta contábil 8255.001/3 — Despesa Alimentação Diretoria/Conselho/Indedutiveis — Restaurante VIP/Copa VIP. Os Diretores e membros do conselho que desejarem utilizar os serviços do Restaurante Social podem fazêlo normalmente, visto que todas as despesas também serão custeadas pela empresa, contabilizando os gastos na conta 8255.002/1 —Despesas Alimentação Diretoria/Conselho Conselho/Indedutíveis — Restaurante Social. VEÍCULOS Foi constatado nesta Auditoria Fiscal, por meio dos Registros Contábeis e Fiscais, apoio financeiro indireto a diretores estatutários e membros do conselho de administração (administradores) sob a forma utilização de veículos da frota do contribuinte. O contribuinte custeia a utilização dos veículos nos seguintes aspectos: a. concessão do veiculo propriamente dita; b. combustíveis; c. manutenção de. seguros; e. lPVA; f. outras despesas diversas. A partir da leitura dos dispositivos legais citados verificase que somente não se sujeitam à. incidência das contribuições previdenciárias os ressarcimentos de despesas pelo uso do veiculo do segurado, quando comprovadas, o que não se aplica ao presente autuação pois: a. Os veículos fazem parte do ativo do contribuinte, não são de propriedade dos Fl. 567DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 empregados; b. Não houve ressarcimento de despesas pelo contribuinte, mas sim custeio das despesas incorridas pela utilização de seus próprios veículos. Dessa forma, é forçoso convir que a concessão desses veículos, que permaneciam com os segurados por tempo integral, sem que estes tivessem despesa com sua manutenção, configura espécie de salário e está relacionada A existência de ganho econômico para o segurado. Por essa razão, os valores relativos A. concessão de veículos se revestem de caráter remuneratório, motivo pelo qual sobre os mesmos devem incidir as contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento. BÔNUS DE PERMANÊNCIA – PERÍODO DE 03/2005 A 12/2006/BÖNUS DE CONTRATAÇÃO – PERÍODO DE 06/2005 A 12/2006 Foi constatado nesta Auditoria Fiscal, por meio dos Registros Contábeis e Fiscais, que a empresa remunerava seus segurados empregados a titulo de Bônus de Contratação e de Bônu de Permanência. O Bônus de Contratação, também conhecido por hiring bônus, revelase como um "prêmio", previamente pactuado, pela transferência do empregado de uma outra empresa para compor o quadro de funcionários da autuada, representando um acréscimo patrimonial para o beneficiário do seu pagamento. Já o Bônus de Permanência, também conhecido por Bônus de Retenção, revelase como um "prêmio" pela permanência do empregado na empresa durante determinado período de tempo, passado ou futuro, previamente pactuado, representando um acréscimo patrimonial para o beneficiário do seu pagamento. A verba paga aos segurados empregados, seja a titulo de Bônus de Contratação, seja a titulo de Bônus de Permanência, devem integrar o salário de contribuição devido ao seu caráter contraprestacional, pois a primeira corresponde, claramente, a um bônus antecipado, que visa remunerar o empregado recémcontratado pelos serviços que prestará ao longo do contrato de trabalho, enquanto que a segunda visa a manutenção de determinado profissional nos quadros do contribuinte, pela sua importância nos serviços já prestados ou nos projetos futuros. A base de calculo, utilizada para o cálculo do crédito previdenciário, é composta pelos levantamentos "05 — Bônus de Permanência" e "14 — Bônus de Contratação". O montante lançado como base de cálculo neste Auto de Infração a titulo de Bônus de Permanência referese aos valores lançados na conta contábil 8392.9612 —Outras Despesas Operacionais — Bônus de Permanência. Já o montante lançado como base de cálculo neste Auto de Infração a titulo de Bônus de Contratação referese aos valores lançados na conta contábil 8262.0956 — Despesas de Pessoal Proventos — Bônus/Novos Funcionários. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/09/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 04/10/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 116 a 136. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 441 a 460. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 6 11 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Ê legitimo o lançamento fiscal efetuado com supedâneo em documentação idônea e de acordo com as premissas legais de ocorrência do fato gerador das contribuições. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula n° 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social, na hipótese de lançamento de oficio, utilizase a regra geral do art. 173, I, do CTN. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Considerase salário de contribuição do empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, I, da Lei 8.212/91 e art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o salário decontribuição as verbas a titulo de participação nos lucros ou resultados, quando pagas em desacordo com a legislação correlata, recebendo a incidência das contribuições sociais previdenciárias e das destinadas a outras entidades (terceiros). Art. 28, § 9 0, "j", da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 90, X, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. MINUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA. 0 pagamento de bônus de contratação a profissional, destinado a atrailo para trabalhar na empresa, corresponde, por seu caráter contraprestacional, a remuneração antecipada, integrando, por isso, o saláriodecontribuição previdenciário. Art. 28, I, da Lei 8.212/91 e art. 214, I, do Decreto 3.048/99. PROVISÃO. INCIDÊNCIA. A provisão corresponde a uma reserva d valor lançada na contabilidade para atender a uma despesa provável que não tendo sido estornada ou revertida ao final do exercício, configurase como obrigação ocorrida, independentemente de quando paga, pelo principio contábil da competência; quando constituise em parcela integrante do saláriodecontribuição, sobre a provisão incide a contribuição previdenciária na competência em que tenha sido registrada na contabilidade. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Conforme disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 11.457/2007, são legitimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário decontribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3°, da Lei n ° 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. 0 julgamento administrativo limitarseá A. matéria impugnada, distinta da constante do processo judicial. 0 processo administrativo terá prosseguimento regular em relação à matéria diferenciada. INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE MULTA. No lançamento de oficio, não há previsão legal de aplicação, sobre a multa, de juros de mora, os quais incidem somente sobre o valor originário atualizado da contribuição. Lei 8.212/91, art. 34; Decreto 3.048/99, art. 239, II, e art.242, § 2°. Impugnação Improcedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 483 a 522, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: 1. A Fiscalização lavrou o presente ATOP sem motivação, já que lançou a contribuição previdenciária referente as refeições dos diretores ignorando disposição expressa do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, que prevê isenção da parcela in natura recebida de acordo com programas de alimentação; imotivada também a exigência tributária sobre o bônus de permanência, que sequer foi paga nos anos objeto de autuação, constando apenas de provisão; foram, assim, descumpridos os requisitos exigidos pelo art. 142 do CTN, prejudicando o direito de ampla defesa e contraditório da Impugnante; 2. Sendo certo que o auto de infração abarca o ato de lançamento denominado "de oficio", ele deveria conter todos os elementos necessários à identificação precisa da obrigação tributaria, de acordo com o que determina o artigo 142 do CTN. No entanto, não foi o que correu no caso em tela! 3. No que tange à parte da autuação referente aos benefícios indiretos para diretores e conselheiros, a fiscalização entendeu que as despesas contabilizadas como alimentação ofertada in natura para os diretores e membros do conselho, servidas no Restaurante VIP e Restaurante Social, seriam base de cálculo da contribuição previdenciária. 4. Em conformidade com o artigo 142 do CTN, o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e determinar a matéria tributável atividade vinculada e obrigatória. Assim, somente após a verificação de todos os elementos que dão causa ao nascimento da obrigação tributária caberia à administração efetuar o lançamento para fins de constituição do crédito tributário, observados os princípios pertinentes à atividade da administração. Da decadência Fl. 570DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 7 13 5. Com a edição recente da Súmula Vinculante n° 8, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91, impondo As contribuições previdencidrias o prazo decadencial de 5 anos previsto no CTN, de modo que, tendo a ciência da autuação fiscal ocorrido em 04/10/2010, foi alcançado pela decadência o período até 09/2005, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, já que houve o recolhimento antecipado, no período autuado, das contribuições sobre as verbas consideradas "salariais" pela Impugnante; Dos créditos com exigibilidade suspensas 6. O lançamento deveria ter sido lavrado com exigibilidade suspensa para os fatos geradores referentes ao VT e ao Abono Único, pois, no primeiro caso, embora tenha sido cassada a liminar concedida em MS, a autuada procedeu ao depósito judicial das contribuições do período de 05/2004 a 12/2009 (anexada a respectiva guia e planilha de composição As fls. 563/564), e, no segundo caso, a Impugnante questiona a incidência de contribuição sobre tal abono na ação judicial n° 2003.61.00.0047043, com sentença procedente no período autuado (documentos As fls. 567/571); Da Participação no Lucros ou Resultados 7. Os pagamentos a titulo de participação nos lucros ou resultados, por sua natureza não contraprestativa e nãohabitual, estão excluídos do conceito de remuneração, além de constarem expressamente do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, que retira do campo de incidência previdenciária as verbas lá elencadas, entre elas a participação paga de acordo com a legislação especifica, no caso, a Lei 10.101/2000, cujas determinações foram todas atendidas; 8. Contrariamente ao argumentado pela Fiscalização, a citada Lei não exige, na negociação da participação nos lucros ou resultados, a opção entre a CCT e o plano próprio mantido pela empresa, sendo que na autuação ora impugnada, os planos próprios foram validados em acordo coletivo entre a Autuada e o sindicato dos empregados, no qual está devidamente arquivado (fls. 587/592), ou seja, tanto a PLR, estipulada em CCT, como o denominado PR (plano próprio) estão inseridos no inciso II do art. 2° da Lei 10.101/2000, não se aplicando o disposto no inciso I, de modo que prescindese da exigência de uma comissão de empregados com participação sindical; 9. Deve o presente lançamento ser anulado, nos termos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235/72, visto ter sido lavrado, entre outros motivos alegados pelo Auditor Fiscal autuante, por não haver sido previamente pactuado o plano próprio (PR) mantido pela Autuada, quando esta, de fato, em nenhum momento da fiscalização foi intimada a apresentar os contratos de metas elaborados pelos funcionários, incorrendo em inaceitável inversão do ônus da prova; de todo modo, tais documentos foram anexados aos autos (fls. 629/829), para demonstrar que os contratos de metas e os programas de PR, dos quais os empregados tomaram ciência, foram previamente estabelecidos e subseqüentemente aplicados para fins de pagamento dessa verba; 10. Tendose valido de dois programas de participação nos lucros ou resultados, o plano próprio (PR) e o plano estipulado em CCT (PLR), entende a Impugnante não haver violado a periodicidade de pagamentos de até duas vezes ao ano, exigida pela Lei 10.101/2000, pois cada um desses programas, individualmente, contempla apenas duas parcelas anuais; ocorre que a PLR, obrigatória e extensiva a todos os empregados, é Fl. 571DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 definida em CCT para toda a categoria bancária, em longas e complexas negociações entre sindicatos patronais e profissionais, que fogem ao controle direto da Impugnante, tendo como único balizador o alcance de determinado lucro global, sendo que a PR, validada pelo sindicato profissional, visa estimular gerentes e executivoschave da organização a buscarem resultados diferenciados nas suas áreas de atuação, pactuados em contratos de metas, oferecendolhes recompensa bem mais vantajosa que a PLR, de modo que o cronograma de pagamentos de ambas pode ou não coincidir; reconhece a Autuada que esse descompasso de cronogramas resultou, em 2005, em mais de dois pagamentos anuais para 30% dos seus empregados, o que, entrementes, não permite caracterizálos como salário indireto, com base em um rigor excessivo no atendimento a formalidades legais, por ter buscado dar aos seus empregados a possibilidade, através da PR, de exercício mais efetivo do seu direito à participação nos lucros ou resultados, trazendolhes uma negociação mais vantajosa que a PLR pactuada entre sindicatos através de CCT; na pior das hipóteses, deveria a Fiscalização ter exigido as contribuições somente sobre aqueles pagamentos que superaram a periodicidadelimite de duas vezes ao ano, excluindo as parcelas pagas dentro do intervalo correto; Dos gastos com veículos 11. A disponibilização de veículos da empresa para utilização em atividades necessárias ao negócio não configura salárioutilidade, pois não possui natureza remuneratória, tratandose de valor despendido pelo empregador para a viabilização do trabalho e não a titulo de contraprestação pelo trabalho, não tendo sido aos diretores pagos ou creditados valores com este propósito; súmulas do Tribunal Superior do Trabalho — TST firmaram o entendimento de que a utilização de veiculo concedido pela empresa para o trabalho não constitui salárioutilidade, ainda que seja o mesmo atividades particulares; 12. Das despesas com alimentação também aplicado em 2.9. a Impugnante está regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, inclusive em relação aos diretores não empregados e conselheiros (fls. 830/831), o que a credencia à isenção previdenciária prevista na alínea "c" do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91; além disso, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça — STJ pacificou o entendimento de que quando a própria alimentação é fornecida in natura pela empresa, não sofre incidência de contribuição previdenciária, esteja ou não o empregador inscrito no PAT; Dos bônus de contratação e de permanência 13. O bônus não deve sofrer incidência de contribuição previdenciária, pois não se enquadra no conceito de remuneração, já que não é pago como contraprestação ao serviço prestado pelo empregado, como reconhece a própria Fiscalização ao classificálo como "prêmio. O bônus de contratação é uma verba prévia ao contrato de trabalho, que não pode ser entendida como remuneração antecipada, visto que o beneficiário sequer é empregado da empresa pagadora. 14. Conforme já demonstrado no item 2.3, o bônus de permanência sequer foi pago no período autuado, conforme documentos às fls. 832/837, o que demonstra a inocorrência do fato gerador. Do Seguro de Acidente do Trabalho 15. Demonstrada a impossibilidade de todas as verbas ora discutidas integrarem a base de cálculo da contribuição previdenciária, não pode ser exigida a alíquota de 1% a titulo de Fl. 572DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 8 15 financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. Do adicional de 2,5% 16. É inconstitucional a exigência da alíquota adicional de 2,5% na contribuição previdenciária das instituições financeiras, pois fere os princípios da igualdade e da isonomia, já que não há diferença entre a folha de salários de uma instituição financeira e de uma empresa de outro ramo de atividade, assim como não se vislumbra correlação lógica e nem previsão constitucional dessa distinção em função de perspectiva de rentabilidade, que, por óbvio, depende do ambiente sócioeconómico do Pais, fator que foge ao controle das instituições financeiras; ao contrário, é facilmente perceptível que a atividade financeira enseja menor demanda de serviços da Seguridade Social, em função de condições de trabalho freqüentemente mais salubres que as verificadas, por exemplo, em ambiente industrial; Da incidência de juros sobre a multa de oficio. 17. No lançamento de oficio, tanto a multa, que tem caráter de penalidade, como os juros de mora, que indenizam o Fisco pelo pagamento fora do prazo estipulado, aplicamse isoladamente sobre a obrigação principal, não havendo previsão legal incidência dos juros sobre a multa, conforme ocorrido no presente ATOP. DO PEDIDO 18. Requer o recorrente seja acolhida a preliminar de cerceamento de defesa para reconhecer a nulidade do presente AIOP, ou, se assim não for, seja reconhecida a decadência parcial dos valores autuados e, no mérito, seja o auto julgado totalmente improcedente. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 892. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA O LANÇAMENTO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alegando ainda nulidade, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, independente da causa, legal ou contratual, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação, ou mesmo fundamentação para que se apurasse determinadas verbas como salário de contribuição. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Observase anexo ao relatório fiscal e mencionado no corpo do próprio relatório as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 45 a 46, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Foi realizada a devida intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação Fiscal, fl. 47 a 72, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento quanto a não contabilização de valores. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. 73, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, entendo que razão não assiste ao recorrente. Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria, destacase que ao autoridade fical possui competência para verificar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Ademais, o próprio conceito de auditoria descrito na IN 03/2005 esclarece seu objetivo. Art. 570. A AuditoriaFiscal Previdenciária AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva Fl. 574DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 9 17 orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados. Simplesmente alegar, sem demonstrar o cumprimento da legislação, ou mesmo quais os vícios contidos no lançamento não servem como meio para anular o lançamento. Notese que o relatório fiscal, encontrase detalhado, por rubrica, permitindo ao recorrente o exercício do amplo direito de defesa, razão porque correto foi o procedimento adotado. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a auência de contabilização do movimento real da empresa, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DA DECADÊNCIA Quanto a decadência, entendo que razão não assiste ao recorrente para que se determine a decadência a luz do art. 150, § 4º do CTN, conforme se demonstra a seguir. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento, quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Fl. 575DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º Fl. 576DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 10 19 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Fl. 577DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito Fl. 578DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 11 21 de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento Fl. 579DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 12 23 No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciária definindo remuneração como algo global, é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiarse pelo seu “desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa” para sempre escusarse ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (ABONO, VALE TRANSPORTE EM DINHEIRO, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, PRÊMIOS, PLR). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente porque não houve reconhecimento do fato gerador pelo recorrente e caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Ou seja, houve o efetivo recolhimento, mesmo que parcial, apenas sobre as verbas descritas em GFIP, que nada mais são do que os fatos geradores reconhecidos pelo recorrente. Quando não há o reconhecimento de verbas como salário de contribuição, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal, terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poderseia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera como contribuição devida. No caso ora em análise, identificamos diversos “pagamentos indiretos”, ou seja salários indiretos, nos quais o próprio recorrente entende não existir contribuição, posto se tratar de verbas sem natureza salarial. Afastase, aqui a aplicação do art, 150, § 4º, pois como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar, chegar antes de; anteceder. Ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laboral. Não há como engajarse em tal Fl. 581DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 24 raciocínio em relação às contribuições previdenciárias, visto que existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 28/09/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 04/10/2010. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 03/2005 a 12/2006, sendo assim, não há reparo a ser feito na Decisão de 1 instância, posto que a luz do art. 173, I a decadência só alcançaria períodos anteriores a 11/2004, período esse não incluído na AIOP em tela. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO No mérito, foram atacados os salários indiretos considerados pela auditoria fiscal, como salário de contribuição para efeitos previdenciários. Em primeiro lugar, cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Como o lançamento envolve ainda contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais fazse conveniente apreciar o salário de contribuição e também em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por Fl. 582DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 13 25 conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; Fl. 583DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 26 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do Fl. 584DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 14 27 trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão dos benefícios, assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Não há de se argumentar que existia previsão em acordos ou convenções coletivas de trabalho, posto que esses instrumentos de negociação coletiva são válidos para normatizar direitos trabalhistas e não os reflexos desses nas parcelas que compõem a base de cálculo de contribuições previdenciárias. DO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO No caso do lançamento de contribuições à título de Vale Transporte pago em Dinheiro relevante informar que a impugnante questiona a incidência de contribuição sobre tal verba na ação judicial n° ação 2001.03.99.0000062 – Processo de origem 96.00065080, fls. 115 a 119. Dessa forma, considerando que a base de cálculo que fundamenta o lançamento é a mesma, a discussão acerca da natureza salarial da verba, também deve observar a decisão na esfera judicial, não podendo ser seu mérito apreciado na esfera administrativa. No mesmo sentido, posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA NO 1 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 28 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Face o exposto deixo de apreciar o mérito com relação a incidência de contribuições sobre a verba “vale transporte pago em dinheiro”. DO ABONO No caso do lançamento de contribuições à título de Abono Único, relevante informar que a impugnante questiona a incidência de contribuição sobre tal verba (abono) na ação judicial n° 2003.61.00.0047043, com sentença procedente no período autuado (documentos às fls. 567/571). Dessa forma, considerando que a base de cálculo que fundamenta o lançamento é a mesma, a discussão acerca da natureza salarial da verba, também deve observar a decisão na esfera judicial, não podendo ser seu mérito apreciado na esfera administrativa. No mesmo sentido, posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA NO 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Face o exposto deixo de apreciar o mérito com relação a incidência de contribuições sobre a verba “abono”. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA AOS DIRETORES Quanto a este ponto argumentou em síntese o recorrente que há isenção previdenciária para referida verba prevista na alínea "c" do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91; além disso, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça — STJ pacificou o entendimento de que quando a própria alimentação é fornecida in natura pela empresa, não sofre incidência de contribuição previdenciária, esteja ou não o empregador inscrito no PAT. Neste ponto, embora entenda que a decisão de 1 instância encontrase em perfeita consonância com os dispositivos legais, entendo existir uma questão nova que deve ser levado em consideração para o julgamento da referida verba, qual seja a publicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, abaixo trancrito? ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro Fl. 586DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 15 29 de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Face o exposto, considerando tratarse de fornecimento de alimentação in natura, por fornecer a empresa alimentação em restaurante diferenciado aos diretores, entendo aplicável o dito parecer, excluindo do lançamento as contribuições sobre a verba “alimentação fornecida aos diretores”. DOS VEÍCULOS FORNECIDOS AOS DIRETORES Em seu recurso destaca o recorrente que diversamente do alegado pela fiscalização, a disponibilização de veículos da empresa para utilização em atividades necessárias ao negócio, não configura "salário utilidade", não se sujeitando incidência da contribuição previdenciária em questão, pois não possui natureza remuneratória. Segundo o recorrente, tratase de um valor despendido pelo empregador para a viabilização do trabalho, e não pelo trabalho a titulo de contraprestação do serviço prestado. Não teria cabimento, naturalmente, que o próprio prestador do serviço arcasse com o desgaste de veiculo próprio para realização de atividades da empresa, salvo se fosse reembolsado para tanto. Em razão disso, o recorrente concedeu veiculo para a utilização nas atividades da empresa. Quanto a essa matéria, entendo que razão assiste em parte ao recorrente. O auditor apurou contribuições, por entender que apenas o reembolso de despesas do empregado poderia estar excluído do conceito de salário de contribuição, o que venho a discordar, posto que existe outro dispositivo legal que também referese ao assunto e oferta guarida a tese exposta pelo recorrente. Para o caso concreto, entendo que o automóvel fornecido pelo empregador, só não será considerado salário de contribuição, quando fornecidos nos exatos termos do § 9º do art. 28, “r” da lei, ou seja: “r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; O argumento da empresa de que os veículos eram fornecidos para o desempenho do trabalho, razão porque arcava com todas as despesas se coaduna com o Fl. 587DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 30 disposto na legislação, na medida que foram trazidos argumentos de que o carro era utilizado para o trabalho. Neste ponto, também entendo aplicável, mesmo que por exceção a regra, o disposto na súmula 367 do TST, para demonstrar que o relevante é definir a natureza da utilidade fornecida. A Súmula 367 do TST afirma: "A habitação, a energia elétrica e veiculo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veiculo, seja utilizado pelo empregado também em atividades particulares." Assim sendo, entendo que não há como manter dito levantamento, posto que o argumento trazido basicamente pelo auditor é: por ser carro da empresa, já estaria excluído do previsões do art. § 9º do art. 28. Não estou com isso afirmando que o valor da utilidade veículo aqui descrita, não possa ser configurado como salário de contribuição, mas neste caso, competiria a autoridade fiscal demonstrar que o veículo não era utilizado “para” o trabalho, ou que simplesmente era uma vantagem oferecida ”pelo” trabalho, como já demonstrado por outros auditores em lançamento da mesma espécie. Dessa forma, entendo que deva ser excluído do lançamento os fatos geradores descritos nesse levantamento. DO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E DO BÔNUS DE PERMANÊNCIA Especificamente com relação ao bônus de contratação, ressalta o recorrente que a própria fiscalização, ao afirmar que o bônus de contratação é um "prêmio", previamente pactuado, pela transferência do empregado de outra empresa para compor o quadro de funcionários do Impugnante, reconhece que não se trata de pagamento como contraprestação do serviço realizado. Quanto a esse fato gerador, entendo que razão não assiste ao recorrente, posto que não apresentou argumentos suficientes para desconstituir o lançamento. Entendo que a natureza atribuída pela autoridade fiscal, nomeando a verba com uma espécie de prêmio, para atrair bons funcionários para a recorrente, encontrase, sem dúvida, dentro do conceito do salário de contribuição, posto que nada mais é do que um ganho fornecido como resultante de uma constraprestação, ou mesmo expectativa desta. Atribuindolhe a natureza de prêmio, bônus, ou mesmo estimula à contratação ou permanência na empresa, entendo que os pagamentos feitos à título de premiação constituem sim, salário de contribuição, portanto não assiste razão ao recorrente quanto a inexigência de contribuições sobre os valores pagos à esse título. O ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Conforme já amplamente discutido acima para, o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, seja em que momento da contratação esses pagamentos ocorram, posto que pagamentos em contratos prévios, com a conotação de estímulo para um trabalho ou mesmo vínculo que logo a seguir irá se concretizar, acabar por estar incluído no conceito de remuneração. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 16 31 A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades que ocorreram ou que venham a ocorrer. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: (...) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de constraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...) Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados, ou como no caso em questão pela manutenção na empresa, ou pela escolha da mesma para trabalhar Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Marcaro Nascimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos .” Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Entendo que o conceito de “habitual”, suscitado pelo recorrente para afastar a incidência de contribuições não se coaduna, com a regra descrita na lei 8212/91. O termo eventual não está relacionado ao número de vezes, mas a correlação direta entre o fornecimento da verba e a prestação de serviços. Ou seja, caso o pagamento não possua qualquer correlação com o trabalho prestado, não sofrerá a incidência de contribuição por tratarse de uma verba eventual. Porém o conceito de prêmio, como o fornecimento pela empresa recorrente, possui relação direta com o contraprestação de serviços, já que o pagamento nada mais é do que um incentivo, seja para contratação, ou mesmo para que se evite o desligamento do empregado da empresa. Por isso a referida verba, independente do número de vezes possui natureza salarial, e por consequência, constitui base de cálculo de contribuição previdenciária. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 32 Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que não existe nenhuma exclusão quanto aos bônus concedidos, seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. Assim, não estando entre as exclusões prevista na legislação não há como excluir da base de cálculo de contribuições previdenciárias os pagamentos feitos à título de “Bônus”. Dessa forma, razão não assiste ao recorrente. Com relação ao bônus de permanência, cabe trazer os argumentos do recorrente: “devese lembrar que, conforme demonstrado no tópico das nulidades, sequer houve o pagamento dessas verbas no período autuado, caracterizandose como provisões, o que demonstra a não ocorrência do fato gerador”. Quanto a esse argumento entendo que o assunto foi devidamente enfrentado pela autoridade julgadora, não tendo o recorrente apresentado qualquer fato novo, capaz de modificar o raciocínio ali disposto, razão porque adoto o trecho do voto da dita decisão, como razões de decidir: 12.2. O conceito de provisão é exposto com clareza por Júlio César Zanluca, no texto "PROVISÃO X RESERVAS — DIFERENCIAÇÃO CONTABIL", disponível no endereço eletrônico. "Provisão é uma reserva de um valor para atender a despesas que se esperam. A provisão visa à cobertura de um gasto já considerado certo ou de grande possibilidade de ocorrência. As provisões representam expectativas de perdas de ativos ou estimativas de valores a desembolsar que, apesar de financeiramente ainda não efetivadas, derivam de fatos geradores contábeis já ocorridos. A partir do momento que essas perdas de ativos ou obrigações se tornam totalmente definidas, deixam de ser consideradas como provisões, como por exemplo: a provisão para férias se transforma em salários a pagar, a provisão para Imposto de Renda passa a ser Impostos de Renda apagar. Além das citadas provisões de férias e do imposto de renda, temos outras provisões bastante comuns, como: para pagamento do 13° salário, participações dos empregados nos resultados da empresa, contribuição social sobre o lucro, etc. Tratamse de despesas que, ainda que não pagas, configuramse como ocorridas, pelo principio de competência contábil." (grifos nossos) 12.3. A provisão se faz para passivo de prazo e/ou valor incerto, não para obrigação inexistente; se a previsão de gasto não aconteceu, deveria ter sido baixada a respectiva provisão. Não há registro de aproveitamento das referidas provisões, nem do estorno ou reversão delas, nem da sua transferência para resultado do exercício com o efeito de receita ou como Fl. 590DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 17 33 abatimento do passivo no balanço; um desses registros indicaria que as mesmas perderam a razão de seu lançamento. Tendo permanecido como tais ao final do exercício, sem aproveitamento ou reversão, indicam o reconhecimento da obrigação — eram remunerações efetivamente devidas aos segurados da Impugnante. 12.4. As obrigações previdenciárias obedecem ao regime de competência, tenham os direitos remuneratórios sido pagos ou não. Os bônus apontados como provisionados, não sendo benefícios previstos pela legislação como devidos em época própria (como, por exemplo, o 13° salário e as férias), geram obrigações previdenciárias nas competências em que se constituem como direitos dos beneficiários, independentemente de quando pagos. 12.5. Desta forma, incontestável o lançamento de oficio das contribuições correspondentes ao citado bônus, efetuado pelo AuditorFiscal autuante. Notese que o recorrente nada contestou nesse ponto em relação a Decisão de 1 instância, razão porque deve ser mantido o posicionamento ali disposto, não assistindo razão ao recorrente. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS O primeiro argumento trazido pelo recorrente é de que os pagamentos a titulo de participação nos lucros ou resultados, por sua natureza não contraprestativa e nãohabitual, estão excluídos do conceito de remuneração, além de constarem expressamente do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, que retira do campo de incidência previdenciária as verbas lá elencadas, entre elas a participação paga de acordo com a legislação especifica, no caso, a Lei 10.101/2000, cujas determinações foram todas atendidas. Quanto a este primeiro argumento entendo que não assiste razão ao recorrente. No que pertine a verba participação nos lucros e resultados, devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, convém transcrever, apenas para esclarecimento, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Fl. 591DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 34 Vale ressaltar também, o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, que traz informações relevantes a respeito do assunto. EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a Fl. 592DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 18 35 ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 36 A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 19 37 (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Assim, totalmente descabida a alegação de que a natureza da PLR, por si só, demonstra, atrelada a falta de habitualidade, que a verba não integra o conceito de remuneração e por conseguinte o de salário de contribuição. A única forma, de desvincular os pagamentos de PLR do conceito de remuneração é observando o cumprimento dos preceitos da lei 10.101/2000. O primeiro ponto trazido pela autoridade fiscal diz respeito a existência de dois planos concomitantes pelos quais a empresa pautouse para realizar pagamentos aos seus empregados. Quanto a este ponto existe o próprio reconhecimento do recorrente de que existem dois planos, que avaliados individualmente tornamse válidos desde que cumpridos os preceitos de lei. Dessa forma, entende que não existe impedimento para que o banco realize pagamentos pautado nos 2 planos. Vejamos trecho do recurso: Nessa medida, fica claro que, individualmente, tanto o Programa de PR quanto a PLR atendem ao propósito de recompensar os empregados pelos lucros e resultados da empresa e atendem as condições da Lei 10.101/00. Os programas são validados em Acordo Coletivo (o caso dos Programas de Participação em Resultados Próprios PR) ou pactuados em Convenção Coletiva (o caso dos Programas de Participação em Lucros PLR). No caso da PR, os pagamentos contam com metas previamente pactuadas com o colaborador, conforme demonstrado. Além disso, cada um dos programas prevê o pagamento vinculado ao lucro da empresa (PR e PLR). Ambos os programas (PR e PLR) prevêem no máximo dois pagamentos anuais. Os cronogramas e valores de pagamento da PR e da PLR dependem essencialmente do acordado nos Fl. 595DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 38 Programas e validado com o Sindicato, não sendo manipuláveis unilateralmente pelo Impugnante. Neste primeiro ponto, não tenho como concordar com o recorrente. A lei 10.101 descreve expressamente que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante UM dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo. Ou seja, ao contrário do entendimento do recorrente, para estar de acordo com a lei, e portanto desvinculado do salário as partes de comum acordo devem escolher apenas um dos instrumentos. Nos termos do art. 2º da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: Ø Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifo nosso) Ø Convenção ou acordo coletivo de trabalho. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto. Portanto, entendo que não se encontra em consonância com a lei, o pagamento baseado em dois acordos, independente de estarem os dois acordos nos estritos limites da lei (questão que será apreciada a seguir). Dessa forma, nesse ponto já houve o descumprimento da lei o que autorizaria o lançamento das contribuições, conforme realizado e trazido pelo auditor em seu relatório, posto que a empresa deveria escolher ou a comissão, com participação de um representante do sindicato, ou um dos instrumentos de negociação coletiva. Apenas para rechaçar os argumentos de que a empresa não poderia deixar de cumprir os termos da CCT, extensível a todos os empregados da categoria, mas também tinha a intenção de valorizar e estimular o trabalho de seus funcionários, principalmente nos cargos de chefia, entendo que é possível atender as duas questões, sem estar em dissonância com a lei. Entendo como o próprio contribuinte descreveu em seu recurso, no seu estudo acerca das negociações coletivas, não existe óbice a que uma empresa firme convenção coletiva (que é mais abrangente), e ao mesmo tempo acordo coletivo (que é mais específico). Tanto que, se existirem dois instrumentos normativos vigente ao mesmo tempo, sobre a mesma matéria, prevalecerá o que for na sua totalidade mais favorável ao empregado, descrito como “teoria do Conglobamento”. (digase não obrigando o empregador a cumprir os dois instrumentos, desde que abranjam os mesmos institutos). Inclusive para corroborar dita assertiva, transcrevo o art. 620 da CLT. Art. 620 A condições estabelecidas em Convenção, quando mais favoráveis, prevalecerão sobre as estipuladas em Acordo. No caso, a próprio lei 10.101/2000, já vislumbrou a possibilidade de em existindo plano de PLR na empresa, o mesmo poderia ser compensado com as obrigações decorrentes dos instrumentos coletivos de negociação. Assim, caso desejasse efetuar PLR em melhores condições aos seus empregados a empresa, utilizando seja da comissão escolhida pelas partes, seja do acordo coletivo, poderia estabelecer programa de PLR, compensando os valores estabelecidos na convenção, o que entendo estaria dentro dos limites descritos na legislação aplicável. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 20 39 Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Ao contrário do que tentou demonstrar o recorrente, não entendo que o os programas próprios denominados “sistemas de Remuneração Variável”, estejam inseridos dentro das possibilidades legais, para exclusão do PLR da base de cálculo de contribuições sejam elas: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. Os planos e metas foram elaborados pela empresa unilateralmente, sem a pactuação conjunta e prévia, não houve participação do membro do sindicato, muito menos arquivamento do plano no sindicato da categoria. Da mesma forma, indicou o auditor a inexistência de datas de vigência e assinatura dos mesmos, o que em conjunto fere os ditames legais quanto ao objetivo do plano. Da mesma forma, não acato o argumento de que o contribuinte não fora intimado a apresentar o controle de metas, tendo dessa forma se invertido o ônus da prova. Nesse sentido, já se manifestou a autoridade julgadora, inclusive indicando no Termo de Intimação para apresentação de documentos, as solicitações quanto aos planos de PLR planos próprios e CCT. Vejamos trecho da Decisão de 1 instância que aprecia a questão: Finalmente, não procede a alegação da Impugnante de que não foi intimada pela Fiscalização a apresentar os contratos de metas elaborados pelos funcionários, como parte do seu plano próprio (PR), conforme as intimações abaixo, cujas cópias integram o presentes autos: • Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, de 15/10/2009, as fls. 43/44: "Regulamento da participação nos lucros ou resultados —PLR", entregue pela Autuada em 30/10/2009 (fls. 45/46); • Termo de Intimação Fiscal no 01, de 21/12/2009, As fls. 49/50: "Plano próprio da empresa para pagamento de Participação nos Resultados", entregue pela Autuada em 05/02/2010 (fls. 51/52). 8.14.1. Entendese, por óbvio, que tais contratos de metas deveriam ter sido apresentados no curso da ação fiscal juntamente com o plano próprio, porém este, conforme esclarece o AuditorFiscal autuante no Relatório do AIOP (fls. 79), mostrouse suficiente para a compreensão das regras dos planos de PLR da Impugnante, sendo para tanto dispensáveis os contratos de metas e avaliações individuais de alguns empregados trazidos aos autos na impugnação (fls. 629/829), pelo que não há que se falar na "inversão do ônus da prova" pugnada pela Autuada. Notese que ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente, pelos argumentos trazidos pela autoridade fiscal, pelo recorrente em sua impugnação, pela autoridade Fl. 597DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 40 julgadora, e pela análise dos documentos constantes nos autos, não vislumbro que o objetivo da PLR tenha sido cumprido nos pagamentos realizados pela empresa. O objetivo da CF/88 de desvincular o pagamento de PLR do salário, foi no intuito de abrir ao empregador, possibilidades dos empregados participarem do capital das empresas, estimulandoos a alcançarem metas e resultados, e distribuindo com eles o fruto de todo esse esforço. Não quis o legislador naquele momento, ou mesmo hoje, abrir uma brecha para que empresas realizem pagamentos indiretos aos empregados, sem que os mesmos sejam computados no conceito de remuneração, ou mesmo reflitam nos demais direitos do empregados. Com base nesse pensamento, entendo que as metas a serem cumpridas, devem ser previamente pactuadas, para que o empregado tenha conhecimento prévio de quanto o seu esforço poderá lhe trazer de retorno. Formalizar acordos, quase ao término do exercício para os quais serão pagos valores a título de PRL, nada mais é do que tentar desnaturar pagamentos indiretos aos empregados, dandolhes uma maquiagem de PLR, para que sejam excluídos da base para o pagamento de outros direitos. Nessa seara, bastanos apreciar o disposto no § 1º do art. 2 da Lei 8212/91: § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Contudo, existe outro ponto trazido pelo recorrente, que deve ser melhor apreciado. O mesmo alega que o Plano próprio “Sistemas de Remuneração Variável” revestiuse das formalidades legais descritas na lei 10.101, na medida que foi convalidado em Acordo Coletivo. Quanto a este ponto, destaca o recorrente a existência de acordos coletivos, que legitimam a distribuição dos lucros. Para tanto, anexa, às fls. 281 a 282, cópia do então Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação Complementar nos Resultados (PCR), disciplinado pela Lei 10.101/2000. De pronto, entendo que o então acordo firmado para legitimar o pagamento da PLR complementar, na verdade já nasceu descumprindo os objetivos básicos da lei. Conforme podemos vislumbrar na própria cópia apresentada, o acordo referente a PRL complementar de 2005, foi realizado em 21 de dezembro de 2005. Oras, não posso vislumbrar outra intenção que não a de criar um instrumento, no intuito de encobrir um pagamento indireto feito ao empregado pelo trabalho no ano de 2005. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 21 41 Não há nem que se discutir o cumprimento do requisito de que: “Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições (...). Notese que a cláusula quinta, descreve “que ficam fazendo parte deste acordo, os Programas de Participação nos Lucros ou Resultados próprios mantidos pelos bancos (...). Assim, não entendo que essa mera menção tenha satisfeito o objetivo da lei, que é a negociação das metas entre empregados e empregadores e posterior aprovação em Assembléia Geral dos Empregados. Assim, entendo que firmar o acordo 9 dias antes de concluir o ano, para o qual o acordo foi direcionado, não atende aos ditames legais. Outro não pode ser o raciocínio aplicável ao acordo apresentado para legitimar o Plano Próprio para o ano de 2006. Neste segundo caso, a realização do acordo, deu se em 08 de fevereiro de 2007, ou seja, após o encerramento do exercício para o qual a Participação nos Lucros seria realizada. Novamente, como se pode aceitar que o esse pagamento esteja relacionado a participação do empregado no capital e resultados da empresa, se o acordo que descreveria as metas, os estímulos, foi firmado dois meses após o encerramento do exercício. Novamente, entendo serem os valores meros pagamentos indiretos feitos aos empregados. Outra sorte, não teve a empresa em relação as Convenções Coletivas de Trabalho que pretenderam legitimar o pagamento de PLR a totalidade de empregados da categoria profissional alcançada pelos sindicatos ali mencionados. CONVENÇÃO COLETIVA 2005 – fls. 264 a 266 – firmado em 17/10/2005, com pagamento da primeira parcela em 10 dias após o acordado. CLAUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2004, em efetivo exercício em 31.12.2005, convencionase o pagamento, pelo banco, até 03.03.2006, de 80% (oitenta por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2005, acrescido do valor fixo de R$ 800,00 (oitocentos reais), limitado ao valor de R$ 5.310,00 (cinco mil, trezentos e dez reais). PARÁGRAFO PRIMEIRO O percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionados no "caput" desta Cláusula, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, observarão, em face do exercício de 2005, como teto, o percentual de 15% (quinze por cento) e, como minimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco. Quando o total de Participação nos Lucros ou Resultados calculado pela regra básica do "caput" desta Cláusula for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco, no exercício de 2005, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2 (dois) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.620,00 (dez mil, seiscentos e vinte reais), Fl. 599DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 42 ou até que o total da Participação nos Lucros ou Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro liquido, o que ocorrer primeiro. PARÁGRAFO SEGUNDO No pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse titulo, referentes ao exercício de 2005. CLÁUSULA SEGUNDA ANTECIPAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS — P.L.R. Excepcionalmente, e respeitados os termos do "caput" e dos parágrafos da Cláusula Primeira, o banco efetuará até 10 (dez) dias úteis da data da assinatura desta Convenção Coletiva de Trabalho, o pagamento de antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados de valor correspondente a 40% (quarenta por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, acrescido do valor fixo de R$ 400,00 (quatrocentos reais), observandose as seguintes condições: a) percentual máximo de 15% (quinze por cento) do lucro liquido correspondente ao resultado do 1° semestre de 2005. b) o valor individual máximo a ser pago a titulo de antecipação será de R$ 2.655,00 (dois mil, seiscentos e cinqüenta e cinco reais). c) no pagamento desta antecipação, o banco poderá compensar os valores já pagos a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, referentes ao exercício de 2005. d) o empregado admitido até 31.12.2004 e que se afastou a partir de 1°.01.2005, por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, faz jus ao pagamento integral da antecipação se pertencente ao quadro funcional na data da assinatura desta Convenção. e) ao empregado admitido a partir de 1 0.01.2005, em efetivo exercício na data da assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no caput desta cláusula, por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Para efeito de cálculo da proporcionalidade deve ser considerado como trabalhado o período até 31.12.2005. Aos afastados por doença, acidente do trabalho ou licença maternidade fica vedada a dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade. 0 o empregado que tenha sido dispensado sem justa causa, entre 02.08.2005 e a data da assinatura desta convenção coletiva de trabalho, será efetuado o pagamento desta antecipação, no prazo de 10 (dez) dias Ateis da data de recebimento, pelo banco, de sua solicitação, por escrito, respeitada a proporcionalidade prevista no item "e" desta Clausula. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 22 43 g) o banco que apresentou prejuízo no 10 semestre de 2005 (balanço de 30.06.2005), está isento do pagamento da antecipação. São Paulo (SP), 17 de outubro de 2005 Assim, não há como se admitir que a convecção acima descrita, tenha cumprido os preceitos legais para que os pagamentos ali descritos estejam excluídos do conceito de salário de contribuição. O acordo foi firmado em meados de outubro, para vigorar em relação aos 10 meses anteriores. Como podese aceitar que um empregado sintase estimulado a participar de algo que nem mesmo existe. Ademais, não existe o estabelecimento de qualquer meta, resultado, política, seja o que for, razão porque legitimo o lançamento de contribuições também nesse ponto. CONVENÇÃO COLETIVA 2006 – fls. 275 a 276 – firmado em 18/10/2006, com pagamento da primeira parcela em 10 dias após o acordado. CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2005, ern efetivo exercício em 31.12.2006, convencionase o pagamento, pelo banco, até 02.03.2007, de 80% (oitenta por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2006, acrescido do valor fixo de R$ 828,00 (oitocentos e vinte e oito reais), limitado ao valor de R$ 5.496,00 (cinco mil, quatrocentos e noventa e seis reais). PARÁGRAFO PRIMEIRO 0 percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionados no "caput" desta Cláusula, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, observarão, em face do exercício de 2006, como teto, o percentual de 15% (quinze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco. Quando o total de Participação nos Lucros ou Resultados calculado pela regra básica do "caput" desta Cláusula for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro liquido do banco, no exercício de 2006, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2 (dois) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.992,00 (dez mil, novecentos e noventa e dois reais), ou até que o total da Participação nos Lucros ou Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro liquido, o que ocorrer primeiro. PARÁGRAFO SEGUNDO No pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse titulo, referentes ao exercício de 2006. CLÁUSULA SEGUNDA ANTECIPAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS — P.L.R. Excepcionalmente, e respeitados os termos do "caput" e dos parágrafos da Cláusula Primeira, o banco efetuará até 10 (dez) dias Ateis da data da assinatura desta Convenção Coletiva de Trabalho, o pagamento de antecipação da Participação nos Fl. 601DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 44 Lucros ou Resultados de valor correspondente a 80% (oitenta por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, acrescido do valor fixo de R$ 828,00 (oitocentos e vinte e oito), observandose as seguintes condições: a) percentual máximo de 15% (quinze por cento) do lucro liquido correspondente ao resultado do 10 semestre de 2006. b) o valor individual máximo a ser pago a titulo de antecipação será de R$ 5.496,00 (cinco mil quatrocentos e noventa e seis reais). pagamento desta antecipação, o banco poderá compensar os valores já pagos a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, referentes ao exercício de 2006. d) o empregado admitido até 31.12.2005 e que se afastou a partir de 1°.01.2006, por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, faz jus ao pagamento integral da antecipação se pertencente ao quadro funcional na data da assinatura desta Convenção. e) ao empregado admitido a partir de 1°.01.2006, em efetivo exercício na data da assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no caput desta cláusula, por Ines trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Para efeito de cálculo da proporcionalidade deve ser considerado como trabalhado o período até 31.12.2006. Aos afastados por doença, acidente do trabalho ou licença maternidade fica vedada a dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade. ao empregado que tenha sido dispensado sem justa causa, entre 02.08.2006 e a data da assinatura desta convenção coletiva de trabalho, será efetuado o pagamento desta antecipação, no prazo de 10 (dez) dias úteis da data de recebimento, pelo banco, de sua solicitação, por escrito, respeitada a proporcionalidade prevista no item "e" desta Cláusula. g) o banco que apresentou prejuízo no 10 semestre de 2006 (balanço de 30.06.2006), está isento do pagamento da antecipação. CLÁUSULA TERCEIRA ADICIONAL DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Os bancos pagarão, independente dos valores estabelecidos na Clausula Primeira desta Convenção Coletiva de Trabalho, o Adicional de Participação nos Lucros ou Resultados que corresponde a 8% (oito por cento) da variação em valor absoluto do crescimento do lucro liquido do exercício de 2006, em relação ao lucro liquido do exercício de 2005, dividido entre os seus empregados em parcelas iguais, com limite individual de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), observandose as seguintes condições: 41) a) Se o lucro liquido de 2006 for pelo menos 15% maior do que o lucro liquido de 2005, a parcela adicional não sera inferior a R$ 1.000,00 (um mil reais) para cada empregado. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 23 45 b) Esta parcela adicional não será compensável com valores devidos em razão de planos próprios. c) A parcela adicional paga não sera computada para calculo do mínimo de 5% (cinco por cento) e do teto de 15% (quinze por cento) de distribuição da PLR. A parcela adicional não está sujeita, também, aos tetos estabelecidos, em valor, no "caput" e no parágrafo primeiro da cláusula primeira. d) 0 banco pagará, até o dia 02.03.2007, a parcela adicional de que trata a presente cláusula. e) 0 empregado admitido até 31.12.2005 e que se afastou a partir de 1°.01.2006, por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, faz jus ao pagamento integral do valor decorrente de aplicação da presente cláusula. Ao empregado admitido a partir de 1°.01.2006, em efetivo exercício em 31.12.2006, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido, por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Ao afastado por doença, acidente do trabalho ou auxilio maternidade fica vedada a dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade. São Paulo (SP), 18 de outubro de 2006 Novamente, temos um acordo firmado entre dois os mais sindicatos, que no meu entender, não cumpriu os preceitos legais para que os pagamentos ali descritos estejam excluídos do conceito de salário de contribuição. O acordo também foi firmado em meados de outubro, para vigorar em relação aos 10 meses anteriores. Como se pode aceitar que um empregado sintase estimulado a participar de algo que nem mesmo existe. Ademais, não existe o estabelecimento de qualquer meta, resultado, política, seja o que for, razão porque legitimo o lançamento de contribuições também nesse ponto. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. NATUREZA SALARIAL DAS UTILIDADES Após a apreciação individual de cada uma das utilidades fornecidas, entendo importante firmar entendimento do papel das utilidades dentro do conceito de salário de contribuição. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Fl. 603DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 46 Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de vale transporte em dinheiro, alimentação, bônus (prêmios), PLR, não representam alguma espécie de ganho para seus empregados Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Ademais, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei, por mais que se vislumbre a boa intenção do empregador, estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. ALÍQUOTA SAT (RAT) Em sendo julgadas procedentes as bases de cálculo pagas na forma de utilidades, conforme descrito acima, legitima é a cobrança de contribuições à título de seguro contra Acidentes do Trabalho, atual RAT. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) Fl. 604DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 24 47 II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 48 § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA ALÍQUOTA DE 2,5% PARA OS BANCOS No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a exigência da alíquota de 2,5% por se tratar de instituições financeiras, frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as exigências previstas na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da referida alíquota, assim como da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 25 49 No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Alega o recorrente que ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício, contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente neste ponto. Conforme já apreciado pela autoridade julgadora, no caso em questão não existe a cobrança de juros em relação a multa aplicada, sendo as duas aplicadas em relação ao montante do débito apurado. Os juros de mora são aplicáveis sobre o valor original da contribuição devida, conforme descrito no relatório fiscal fl. 91 e 92, item 100 e seguintes. Na aplicação da multa, a autoridade fiscal procedeu a análise da situação mais favorável, não havendo a aplicação da multa de ofício, posto que implicaria situação mais gravosa para o recorrente. Notese que a autoridade julgadora na decisão de 1 instância já refutou os argumentos do recorrente, não havendo reparo a ser feito na referida decisão. Transcrevo trecho pertinente: 16. Finalmente, não procede a alegação da Autuada de que teriam sido aplicados juros de mora sobre a multa no presente lançamento de oficio. 16.1. Agisse a Impugnante com a necessária diligência, teria encontrado, as fls. 23 dos autos, no anexo "Fundamentos Legais do Débito — FLD", item 602, a forma de "Cálculo dos juros: juros calculados sobre o valor originário, mediante a aplicação dos seguintes percentuais:...".; verificase, portanto, que os juros não incidem sobre a multa, mas somente sobre o valor da contribuição. 16.2. Nesse mesmo item, estão indicados os dispositivos legais que disciplinam esta matéria, a seguir transcritos: "Lei 8.212/91.. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevciveL" "Decreto 3.048/99: Art. 239. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, incluídas Fl. 607DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 50 ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a: II juros de mora, de caráter irrelevcivel, incidentes sobre o valor atualizado, equivalentes a: a) um por cento no mês do vencimento; b) taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia nos intermediários; e c) um por cento no mês do pagamento; Art. 242. Os valores das contribuições incluídos em notificação fiscal de lançamento e os acréscimos legais, observada a legislação de regência, serão expressos em moeda corrente. § 22 Os juros e a multa serão calculados com base no valor da contribuição. "(grifos nossos) 16.3. Como se vê, em nenhum momento a legislação pertinente menciona a alegada cobrança de juros sobre a multa, ao contrário, deixa claro que os juros e a multa serão sempre exigidos individualmente sobre o valor principal atualizado. 16.4. Caso estivesse convicta da sua argumentação, deveria a Autuada ter apresentado demonstrativo de cálculo exemplificativo para ao menos uma competência do caso concreto aqui discutido, provando sua afirmativa, ao invés de lançar ilações genéricas sobre o tema, sem apontar qualquer erro de fato. DA APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA SOBRE AS VERBAS DISCUTIDAS EM JUÍZO. Contudo, com relação aos valores depositados em juízo para o fato gerador vale transporte, onde houve o depósito do montante integral, entendo inaplicável juros e multa, seja a aplicação de multa moratória, como já vinha sendo aplicado por parte deste colegiado. Para a multa de ofício, como existiu por parte do recorrente o depósito, tendo o lançamento como fundamento evitar a decadência entendo deva ser afastada a multa de ofício nos termos do art. 63 da lei 9430. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da Fl. 608DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16327.001328/201081 Acórdão n.º 240102.251 S2C4T1 Fl. 26 51 publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Já para a rubrica abono único, embora haja ação judicial, não houve por parte do recorrente a comprovação do depósito, nem mesmo foram trazidas pela autoridade fiscal informações nesse sentido, razão porque inaplicável os termos da referida lei, devendo ser mantido a aplicação dos juros e multa Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente em sua maioria são insuficientes para refutar a totalidade lançamento. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas (conforme apreciado individualmente acima), no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade, rejeitar a preliminar de decadência e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para excluir as contribuições atinentes ao lançamento de veículos e alimentação fornecida in natura para os diretores. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 609DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 52 Voto Vencedor Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto esse Conselheiro quanto a Ilustre Relatora entendemos que, havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4. do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, para os casos em que, embora existam recolhimentos efetuados pela empresa, esta não reconhece a incidência de contribuição sob determinada rubrica. Nesses casos, a Conselheira Elaine Cristina pondera que as guias de recolhimento embora existentes, dizem respeito a outras rubricas, haja vista que, para as parcelas sobre as quais não se considerou a incidência tributária, não há o que se falar em antecipação de pagamento. Ouso divergir dessa tese. É cediço que na Guia da Previdência Social – GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único – “Valor do INSS” – todas as contribuições previdenciárias e, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar as parcelas reconhecidas pela empresa, daquelas que não tenham sido tratadas como saláriodecontribuição. Verificase na espécie, que há fortes índicos da existência de recolhimentos posto que, embora não exista nos autos o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, na ação fiscal, de acordo com o item 78 do relato do fisco (fl. 72), somente houve lançamento sobre os ditos ganhos indiretos (PLR, abono e outros benefícios), fato que nos leva a supor que houve recolhimentos para as contribuições decorrentes de outros fatos geradores. Nesses casos, o entendimento que tem prevalecido nessa Turma de Julgamento é que se aplique o § 4.º do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial. Assim, considerandose que a ciência do lançamento deuse em 04/10/2010, voto pela declaração de decadência para o período de 03/2005 a 09/2005. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 610DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 19515.003458/2005-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2001
AUTO DE INFRAÇÃO. INCENTIVOS FISCAIS. NÃO IDENTIFICAÇÃO
DE DÉBITOS FISCAIS. IMPROCEDÊNCIA.
Não tendo sido identificadas, no auto de infração ou em qualquer documento que o integre, as supostas pendências e os pretensos débitos dos quais se acusa a Recorrente, alegadamente impeditivos de aplicação em incentivos fiscais, não procede a exigência fiscal correspondente.
Numero da decisão: 1803-001.365
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman e Meigan
Sack Rodrigues.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. INCENTIVOS FISCAIS. NÃO IDENTIFICAÇÃO DE DÉBITOS FISCAIS. IMPROCEDÊNCIA. Não tendo sido identificadas, no auto de infração ou em qualquer documento que o integre, as supostas pendências e os pretensos débitos dos quais se acusa a Recorrente, alegadamente impeditivos de aplicação em incentivos fiscais, não procede a exigência fiscal correspondente.
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INCENTIVOS FISCAIS. NÃO IDENTIFICAÇÃO DE DÉBITOS FISCAIS. IMPROCEDÊNCIA. Não tendo sido identificadas, no auto de infração ou em qualquer documento que o integre, as supostas pendências e os pretensos débitos dos quais se acusa a Recorrente, alegadamente impeditivos de aplicação em incentivos fiscais, não procede a exigência fiscal correspondente. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003458/200561 Acórdão n.º 180301.365 S1TE03 Fl. 297 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman e Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003458/200561 Acórdão n.º 180301.365 S1TE03 Fl. 298 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 206 e 207): O interessado foi autuado no IRPJ, em 16/12/2005, em conformidade com o Decreto nº 70.235/72 e suas alterações, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 785.246,70, composto pela soma de (I) R$ 609.371,70, a título de IRPJ, multa de 75% e juros de mora calculados até 30/11/2005, por excesso de aplicação em fundo de investimento incentivado em detrimento do imposto, com base no art. 60 da Lei nº 9.069/95, art. 44 da Lei nº 9.430/96, art. 7º, §§ 6º e 7º, da Lei nº 9.532/97, art. 13, § 7º, da MP nº 2.058/2000 e reedições, art. 601, § 7º, do RIR/99, por ter sido considerado subscrição voluntária o total de R$ 234.500,00 recolhido por meio de DARF’s específicos para fundo de investimento regional previsto legalmente, e de (II) R$ 175.875,00, a título de multa isolada de 75% sobre estimativas não recolhidas, com base nos arts. 222, 843 e 957, parágrafo único, inciso IV, todos do RIR/99 e Solução de Consulta Interna nº 26, de 26/09/2004, totalizando a exigência R$ 785.246,70 (fls. 1 a 108, em especial, fls. 6 a 9). A autuação se originou do processo de revisão de declaração de nº 13807.007170/200502, em apenso (fls. 1 a 25). A empresa apresentou impugnação, em 13/01/2006 (fls. 111 a 117), por meio de seus advogados (fls. 117 a 123 e 191 a 199), acostando documentos e alegando, em resumo, que: 1 não foi possível obter acesso à Solução de Consulta Interna nº 26, de 26/09/2004, item 2.1.1 Lucro Real Anual, que teria embasado a autuação por recolhimento a menor de imposto em decorrência de excesso de aplicação no FINAM ; 2 os valores recolhidos ao FINAM estavam dentro do limite legal de 18%, conforme planilha (doc. 02), Ficha 29 da DIPJ (doc. 03) e DCTF’s dos quatro trimestres (doc. 04); 3 a IN SRF nº 90, de 31/07/98 (doc. 05), art. 1º, inciso II, letra “b”, estabeleceu “o código 6696, para o caso de opção pelo FINAM” (sic), no regime de estimativa mensal, de forma que “os recolhimentos de parte das estimativas mensais do IRPJ para o FINAM, no anocalendário de 2000, foram efetuados com o código 6692 em vigor no período” (sic), razão pela qual os recolhimentos ao FINAM devem ser considerados para a liquidação das estimativas mensais do IRPJ, inexistindo débitos; 4 portanto, como descabe considerar não ter havido o regular recolhimento das estimativas, a multa isolada é inaplicável; 5 a multa isolada é inconstitucional, conforme doutrina transcrita. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 205): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003458/200561 Acórdão n.º 180301.365 S1TE03 Fl. 299 4 INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO POR MEIO DE DARF ESPECÍFICO. DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. CLASSIFICAÇÃO COMO SUBSCRIÇÃO VOLUNTÁRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE PERC. EXCESSO DE APLICAÇÃO EM DETRIMENTO DO IMPOSTO. A existência de débitos de tributos e contribuições federais impede a concessão de incentivos fiscais, resultando em classificação do seu valor como subscrição voluntária, discutível apenas em PERC, que não foi apresentado. Em decorrência, o total das estimativas recolhidas foi inferior ao valor declarado, restando imposto a pagar. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA ISOLADA DE 75% PARA 50%. Os valores classificados como subscrição voluntária não integram as estimativas mensais, de forma que a multa isolada é cabível, reduzida, entretanto, a 50%, por aplicação retroativa da Lei nº 11.488/2007, mais benéfica. Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 02/10/2008 (fls. 224), a tempo, em 03/11/2011 (segundafeira), apresenta a interessada Recurso de fls. 225 a 233, instruído com os documentos de fls. 234 a 257, nele argumentando, em síntese: a) que, munida de todos os documentos que comprovavam que a opção feita obedeceu à limitação legal, a Recorrente ofertou impugnação que foi julgada improcedente em acórdão da Delegacia de Julgamento que, muito embora tenha reconhecido que houve observância do limite legal, apontou a situação fiscal da Recorrente como impedimento à opção por investimentos regionais; b) que, desse modo, ao mesmo tempo em que reconhece que a opção por investimentos regionais, feita pela Recorrente, obedeceu ao limite legal de 18% do IRPJ apurado no anocalendário de 2000, a decisão recorrida suscita um impedimento, fundado na alegação de que, à época, a Recorrente teria débitos em aberto, incorrendo na vedação de que trata o art. 60 da Lei nº 9.069/95; c) que não há, nos mencionados extratos, nenhuma comprovação da existência de débitos ou pendências fiscais em nome da Recorrente; d) que a mera informação da existência de débitos, sem qualquer indicação quanto à sua natureza, período, valores e origem não pode servir de fundamento para a caracterização de violação à vedação ao art. 60 da Lei nº 9.069/95, sob pena de flagrante violação ao princípio da legalidade, bem como ao da ampla defesa, pela falta de indicação clara e objetiva das restrições existentes; e) que não há qualquer demonstrativo ou comprovação de quais seriam as referidas pendências que culminaram na autuação da Recorrente, identificando o tributo devido, ou seu valor e competência; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003458/200561 Acórdão n.º 180301.365 S1TE03 Fl. 300 5 f) que a mera alegação de que existem pendências da Recorrente junto à RFB ou perante o FGTS não produz prova suficiente para embasar a autuação em tela, uma vez que inexiste nos autos documento comprobatório da efetiva situação da Recorrente à época; g) que, desse modo, a lavratura de auto de infração com fundamento legal no art. 60 da Lei nº 9.069/95 exige que haja cabal comprovação de sua infringência, não se prestando, para tanto, a alegação genérica de existência de débitos; h) que se observa que a mera alegação de que a Recorrente possuía débitos em aberto no ano de 2000 não se coaduna com a patente comprovação de que, naquele mesmo ano, a Recorrente aderiu a programa de parcelamento que exigia sua plena regularidade fiscal, e que foi regularmente cumprido no início daquele ano (2000); i) que, se a Recorrente efetivamente tivesse débitos em aberto, seu pleito de adesão ao REFIS teria sido indeferido de plano ou se, nas competências seguintes, houvesse débitos em aberto, a Recorrente teria sido excluída do REFIS, o que comprovadamente não ocorreu; e j) que, uma vez que a decisão recorrida manteve a autuação tão somente com base na alegação genérica de que havia débitos obstando a opção da Recorrente pela destinação de seu IRPJ a incentivos fiscais regionais, desprovida de qualquer documento comprobatório, e levandose em consideração que a Recorrente era optante pelo REFIS, que exigia sua regularidade fiscal naquele período, deve ser reconhecida a improcedência da presente autuação. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003458/200561 Acórdão n.º 180301.365 S1TE03 Fl. 301 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. Da decisão recorrida extraise o seguinte (destaques do original fls. 209): Os extratos de fls. 17 a 19 dos sistemas da RFB mostram a existência de débitos registrados no sistema PROFISC e de pendências no FGTS, que inviabilizam o aproveitamento do incentivo fiscal, de forma que todos os DARF’s específicos recolhidos ao fundo de investimento regional foram corretamente considerados subscrição voluntária, nos moldes do § 6º, inciso II, do art. 601 do RIR/99, no valor total de R$ 234.500,00, embora a diferença recolhida a menor em relação ao limite legal, neste caso, seja de R$ 53.188,32. Tais débitos e pendências inviabilizam o aproveitamento do incentivo fiscal, de forma que todos os DARF’s específicos, recolhidos a título de incentivo fiscal, foram considerados subscrição voluntária, no valor total de R$ 234.500,00. 6. Constam abaixo os mencionados extratos (fls. 17 a 19): Fl. 301DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003458/200561 Acórdão n.º 180301.365 S1TE03 Fl. 302 7 7. Como se sabe, nos casos de aplicação em incentivos fiscais, a exigência de comprovação de regularidade fiscal “deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo”, conforme a Súmula CARF nº 37. 8. Ora, se não são identificadas no auto de infração ou em qualquer documento que o integre as supostas pendências e os pretensos débitos dos quais se acusa a Recorrente, alegadamente impeditivos de aplicação em incentivos fiscais, impossível se torna verificar se Fl. 302DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003458/200561 Acórdão n.º 180301.365 S1TE03 Fl. 303 8 aquela exigência de comprovação de regularidade fiscal se ateve, realmente, ao período da DIPJ, ou seja, no caso, ao exercício de 2001. 9. Há que se observar que, em situação análoga, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a seguinte Súmula (grifei): Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. 10. Por outro lado, dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. 11. Mencionase, por fim, o seguinte precedente administrativo, unânime: Acórdão nº 10195.362, de 26/01/2006 REDUÇÃO DE INCENTIVO FISCAL FINAM EXISTÊNCIA DE DÉBITOS FISCAIS FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DOS DÉBITOS A simples indicação genérica da existência de débitos de tributos e contribuições federais não impede a fruição de incentivos e benefícios fiscais relativos a tributos e contribuições federai,s na forma do artigo 60 da Lei nº 9.069/1995, sendo necessário, para tanto, a indicação, pormenorizada, dos débitos indicados como existentes (tributo, período de apuração, vencimento, etc.). Recurso voluntário provido. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 303DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003458/200561 Acórdão n.º 180301.365 S1TE03 Fl. 304 9 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006525/2001-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF
DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA COMPETÊNCIA LEGAL PARA ESTABELECER PRAZO
A IN SRF n° 4, de 1998, não extrapolou o comando legal. Isso porque não criou obrigação nova, somente complementou a lei fixando o prazo para o cumprimento da obrigação tributário — entrega da DOI.
Não há criação de uma nova obrigação tributária acessória, via Instrução Normativa, mas determinação do prazo para o cumprimento daquela já prevista na lei.
Tem respaldo legal para estabelecer prazo para apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias -DOI, a autoridade da Receita Federal competente para aprovar meio magnético mediante o qual deve ser feita a comunicação ao fisco.
Precedentes CSRF.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS DENÚNCIA ESPONTÂNEA INAPLICABILIDADE.
As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Destarte, o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração
sobre operações imobiliárias — DOI.
Precedentes CSRF e STJ.
Súmula nº 49 do CARF.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.126
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA COMPETÊNCIA LEGAL PARA ESTABELECER PRAZO A IN SRF n° 4, de 1998, não extrapolou o comando legal. Isso porque não criou obrigação nova, somente complementou a lei fixando o prazo para o cumprimento da obrigação tributário — entrega da DOI. Não há criação de uma nova obrigação tributária acessória, via Instrução Normativa, mas determinação do prazo para o cumprimento daquela já prevista na lei. Tem respaldo legal para estabelecer prazo para apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias -DOI, a autoridade da Receita Federal competente para aprovar meio magnético mediante o qual deve ser feita a comunicação ao fisco. Precedentes CSRF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS DENÚNCIA ESPONTÂNEA INAPLICABILIDADE. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Destarte, o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração sobre operações imobiliárias — DOI. Precedentes CSRF e STJ. Súmula nº 49 do CARF. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 612 1 611 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.006525/200113 Recurso nº 135.326 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920202.126 – 2ª Turma Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria IRPF Recorrente DALTRON VILAS BOAS ROCHA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA. COMPETÊNCIA LEGAL PARA ESTABELECER PRAZO A IN SRF n° 4, de 1998, não extrapolou o comando legal. Isso porque não criou obrigação nova, somente complementou a lei fixando o prazo para o cumprimento da obrigação tributário — entrega da DOI. Não há criação de uma nova obrigação tributária acessória, via Instrução Normativa, mas determinação do prazo para o cumprimento daquela já prevista na lei. Tem respaldo legal para estabelecer prazo para apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias DOI, a autoridade da Receita Federal competente para aprovar meio magnético mediante o qual deve ser feita a comunicação ao fisco. Precedentes CSRF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Destarte, o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração sobre operações imobiliárias — DOI. Precedentes CSRF e STJ. Súmula nº 49 do CARF. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido nos Acórdãos nº 10246.438 e 10248.755, proferidos pela antiga 2ª Câmara do 1º CC em 11/08/2004 e 17/10/2007 (fls. 340/374 e 529/542), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 381/460). O Acórdão n.º 10246.438, por unanimidade de votos, afastou as preliminares de nulidade, cerceamento do direito de defesa e falta de competência para fixação do prazo para entrega das DOI´s, rejeitou a preliminar de comportamento antiético e, no mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A falta de indicação de norma complementar àquela que serve de suporte ao lançamento não inibe a ampla defesa se a descrição dos fatos permite a compreensão da exigência. NULIDADE PROCEDIMENTO FISCAL OBJETOS DISTINTOS Franqueado o acesso às informações sobre o procedimento investigatório, inclusive com indicação do nome e endereço do funcionário de hierarquia superior ao autor do feito no Mandado de Procedimento FiscalMPF, descabe argüição sobre nulidade da imposição em razão de direcionamento a objetos distintos. NORMAS PROCESSUAIS PRECLUSÃO É defeso ao pólo negativo da relação jurídica tributária exercer, em momento posterior ao fixado em lei, o direito de contestar o lançamento. IRPF EXS. 1998,1999 e 2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA DOI A denúncia espontânea prevista no artigo 138, do CTN, observadas as demais condições exigidas para o seu exercício, pode beneficiar o responsável pelas infrações tributárias nas quais presente o elemento volitivo e, conseqüentemente, subsumidas, também, às sanções do Direito Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.006525/200113 Acórdão n.º 920202.126 CSRFT2 Fl. 613 3 Penal. IRPF — EXS. 2000 e 2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIASDOI FALTA OU ATRASO NA ENTREGA A entrega a destempo da Declaração sobre Operação ImobiliáriaDOI constitui ofensa à conduta prevista na norma contida no artigo n.° 15, do Decreto lei n.° 1510, de 1976, e no artigo 20 da IN SRF n.° 4, de 1998. IRPF — EX. 1998 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIASDOI FALTA OU ATRASO NA ENTREGA Comprovado que o cumprimento da obrigação acessória de entregar a Declaração sobre Operação Imobiliária —DOI ocorreu em formulário e no prazo previsto na norma contida na IN SRF n.° 50, de 1995, artigo 8.°, em momento anterior à vigência da IN SRF n.° 4, de 1998, inocorre infração à dita norma e a penalidade pela mora deve ser afastada. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.” Após ciência do Acórdão nº. 10246.438, a recorrente apresentou Embargos de Declaração do às fls. 461/471, admitidos nos termos dos Despachos n.º 1020.072/2006 e 1020.132/2007 (fls. 522/528). Além disso, na mesma ocasião apresentou o recurso especial de fls. 381/460. O Acórdão n.º 10248.755, por unanimidade de votos, acolheu os embargos para rerratificar o Acórdão n.º 10246.438 e, assim, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 3.450,00, no ano calendário de 1997, por correção de erro material e R$ 26.222,69, no ano calendário de 1998; R$ 13.618,57, no ano calendário de 2001, por redução da multa aplicada em face à edição de legislação superveniente mais benéfica. Segue abaixo sua ementa: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA — DOI A denúncia espontânea prevista no artigo 138, do CTN, observadas as demais condições exigidas para o seu. exercício, pode beneficiar o responsável pelas infrações tributárias nas quais presente o elemento volitivo e, conseqüentemente, subsumidas, também, às sanções do Direito Penal. DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA FALTA OU ATRASO NA ENTREGA — A entrega a destempo da Declaração sobre Operação Imobiliária — DOI constitui ofensa à conduta prevista na norma contida no artigo n.° 15, do Decretolei n.° 1510, de 1976, e no artigo 20 da IN SRF n.° 4, de 1998. DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA POR ATRASO — A entrega da declaração de operações imobiliárias após o prazo legal estabelecido pela Administração Tributária constitui descumprimento da conduta a que obrigada a pessoa titular do cartório, do que decorre o fato gerador da correspondente penalidade, ainda que cumprida a obrigação antes de iniciado o procedimento de oficio. PENALIDADE RETROATIVIDADE BENIGNA —A legislação mais recente, portadora de penalidade de menor ônus financeiro, aplicase aos fatos futuros e aos pendentes. Embargos acolhidos. Recurso provido.” Após ciência do Acórdão n.º 10248.755, apresentou Embargos de Declaração às fls. 550/559, negados nos termos do Despacho n.º 502 (fls. 569/570). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Às fls. 576/577, apresentou “Pedido de Reconsideração”, negado nos termos do Despacho n.º 150 (fls. 580/585). Finalmente, às fls. 589/593, apresentou “Pedido de Reconsideração em Face de Erro Grosseiro e Conseqüente Ilegalidade ou Recurso Hierárquico”. Após a interposição desse pedido, os autos forma encaminhados para análise no Conselho, ocasião em que se realizou o exame de admissibilidade do recurso especial de divergência interposto às fls. 381/460. Passo a descrever, a seguir, o teor do recurso especial em tela: Inicialmente, quanto ao DOI, a recorrente entende que a maioria das decisões é no sentido da inaplicabilidade da multa "nos casos em que a administração tributária não tenha observado as orientações determinadas pelas normas de execução pertinentes" (CSRF/0103.554), notadamente da Norma de Execução SRF N° 02, de 15 de janeiro de 1986 e Norma de Execução CIEF/CSF N° 027, de 14 de setembro de 1990 e 0103.597), em função da manifestação dessa Superior Câmara de Recursos Fiscais. Destaca o voto da Conselheira Efigênia Mendes de Brito, no processo 10980.006440/200127 — Acórdão 10613.302, às fls. 10, para argumentar que, por se tratar de matéria de direito, inovou a argumentação e, em respeito ao principio constitucional do contraditório e ampla defesa, deve ser superada a preliminar de preclusão. Em seguida, pondera que quem entregou a Declaração de Operação Imobiliária a qualquer tempo, antes de findar o prazo de 30 (trinta) dias da notificação para a sua apresentação (se houve), está absolutamente em dia com sua suas obrigações, sem qualquer possibilidade jurídica de ser atingido por ato da autoridade pública tendente a enquadrar como infração por atraso. Nesse ponto, apresenta paradigmas que, no seu entendimento, divergem da posição adotada pelo acórdão recorrido. Pondera ter alegado que não cabia a multa porque, em alguns casos, entregou as DOI antes do pedido de informações da Receita Federal. Lembra ainda que a intimação foi no sentido de apresentar os recibos de entregas e não no sentido de apresentar as declarações. Essa intimação — para apresentar as declarações — não houve. Salienta que, em casos semelhantes, os paradigmas exigiram providências preliminares que não foram tomadas pela Receita Federal no presente caso: “" ... a multa somente poderia ser exigida depois de tomadas as providências contidas no referido ato normativo, inclusive com a concessão de novo prazo para entrega das DOls; pelo que consta do processo tal providências não foram efetivadas." (Ac 10242.364 — fls 7) " ... Entretanto, precedente a penalidade a ser aplicada ao contribuinte, fazse necessário uma série de procedimentos que deverão ser adotados pela autoridade administrativa, mais especificamente aqueles codntidos na NE SRF n° 02/86, e mantidos integralmente pela NE CIEF/CSF n° 027/90.” Cita paradigma segundo o qual, antes de qualquer procedimento de ofício e cumprindo a obrigação no prazo, após regularmente intimado, não há que se falar em aplicação de multa. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.006525/200113 Acórdão n.º 920202.126 CSRFT2 Fl. 614 5 Argumenta que a Norma de Execução CIEF/CSF n°27, de 1990 não perdeu sua eficácia e continua a vincular a atuação da administração pública, e não a Instrução Normativa SRF n° 50 de 1995, que pretensiosamente e de forma desvinculada, estabelece prazo de 20 dias para entregas das Declarações de Operações Imobiliárias. Destaca paradigma que afirma não ser possível aplicar a multa pela falta de competência do Secretario da Receita Federal, entendendo não haver na época agente que pudesse estabelecer termo para a apresentação das DOI's. Frisa que a multa não pode prevalecer, pois há nulidade do lançamento quando o ato administrativo não respeita a lei. Ao final, requer o provimento de seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 220000320 (fls. 600/603), foi dado seguimento ao recurso especial interposto. A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, contrarazões às fls. 606/611. Afirma que, segundo o art. 15 do Decretolei n. 1.510, de 1976, quaisquer operações imobiliárias das quais resultarem transferência de domínio, domínio útil ou posse de imóvel deve ser objeto de comunicação à Secretaria da Receita Federal, sob pena de aplicação de multa. Dessa forma, considera inquestionável que a não apresentação do DOI autoriza a autoridade administrativa a aplicar a multa prevista no mencionado dispositivo legal. Explica que a controvérsia reside em saber se o art. 20 da IN SRF nº 4, de 1998, está dentro dos limites determinados pelo princípio da legalidade. Pondera que a fixação do prazo de vencimento das obrigações tributárias não é matéria reservada à lei. Diz que não há violação ao principio da legalidade quando o regulamento —Portaria, Decreto, Instrução Normativa, entre outros — estabelece o prazo para o cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido, lista jurisprudência do STF e STJ. Entende que a IN SRF n° 4, de 1998, não criou obrigação nova, somente complementou a lei fixando o prazo para o cumprimento da obrigação tributário — entrega da DOI. Nessa perspectiva, conclui que não houve qualquer violação ao principio da legalidade. Sustenta que a definição do prazo de vencimento das obrigações tributárias não exige lei em sentido estrito, podendo ser fixado pela Administração Pública. Ao final, requer seja negado provimento ao recurso especial. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial do contribuinte. A controvérsia a ser apreciada por este colegiado diz respeito à tese da incompetência da Secretaria da Receita Federal para aplicar a multa pelo atraso na entrega da DOI no período de 4/11/1997 a 19/01/99, tendo em vista a incompetência do órgão para fixar o prazo para a entrega da declaração. É o que foi decidido nos julgados indicados como paradigma. E essas decisões divergem frontalmente do acórdão objeto do presente recurso que reconheceu a validade da exigência, apesar de a questão ter sido argüida pelo Recorrente Um dos questionamentos a enfrentar neste voto é o que diz respeito à ofensa ao princípio da legalidade em razão do artigo 15, do Decretolei n.° 1510, de 1976, ter sido alterado pela lei n.° 9532, de 1997, artigo 72, que deu nova redação ao parágrafo primeiro promovendo a extração dos poderes para a Administração Tributária fixar o prazo de entrega. Melhor clareando a questão, a redação anterior continha determinação para que a Secretaria da Receita Federal fixasse o prazo para o cumprimento: “§ 1° A comunicação deve ser efetivada em formulário padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal", enquanto a nova redação deixou de conter essa outorga de poderes para fixação do prazo de entrega: "§1.° A comunicação deve ser efetuada em meio magnético aprovado pela Secretaria da Receita Federal". A propósito, esclarecese que a legislação tributária, segundo o art. 96 do CTN, compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Por sua vez, o art. 100 do CTN informa quais são as normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, relacionando expressamente entre elas os atos normativos expedidos pelas autoridades competentes (inc. I). No caso das DOI, a obrigação acessória e a penalidade por seu descumprimento, foram estabelecidas pelo DecretoLei n° 1.510/76, que dispôs que o prazo para apresentação seria fixado pela Secretaria da Receita Federal, que assim o fez (IN SRF n° 050, de 30/10/95). O fato de a nova redação do § 1 0 , do art. 15, do Decretolei n° 1.510/76, dada pelo art. 72 da Lei n° 9532/97, não conter a disposição expressa de que o prazo para a entrega da DOI seria fixado pela SRF, não invalida o prazo estabelecido pela IN SRF n° 04, de 12/01/98. Isto porque, a IN SRF n° 04/98, além de integrar as normas complementares da legislação tributária (CTN, arts. 96, 100, I, e 115), tem amparo legal, tendo em vista que o art. 5° do DecretoLei n°2.124, de 13/06/1984, adiante transcrito, delegou competência ao Ministro da Fazenda para eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, que por sua vez, com a Portaria MF n° 371, de 29/07/85, publicada no DOU de 30/07/85, também a seguir transcrita, subdelegoua ao Secretário da Receita Federal, que então baixou as IN SRF n°s 050/95 e 04/98: DecretoLei n°2.124, de 13/06/1984 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.006525/200113 Acórdão n.º 920202.126 CSRFT2 Fl. 615 7 "Art. 5° O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal." Portaria MF n° 371, de 29/07/85 "O Ministro de Estado da Fazenda ( ..) resolve: Delegar competência ao Secretário da Receita Federal para, no âmbito daquela Secretaria, exarar despachos, emitir decisões, e baixar atos normativos, que originariamente competem a esta autoridade.” Assim, nítida é a competência do Secretário da Receita Federal para prever prazo para o cumprimento da referida obrigação acessória, pois não se admite a instituição de obrigação de fazer sem a fixação do respectivo prazo, porque essa determinação seria inócua, tornando inútil a mencionada delegação e subdelegação de competência, fato esse inadmissível no ordenamento jurídico nacional. Salientese que, nesta situação, não há criação de uma nova obrigação tributária acessória, via Instrução Normativa, mas determinação do prazo para o cumprimento daquela já prevista na lei anterior, ou seja, a hipótese de incidência encontrase perfeitamente delineada pela norma contida no artigo 15 do DL n.° 1.510, de 1.976, permanecendo omisso na norma, um dos requisitos componentes do conseqüente normativo (conduta): o prazo para cumprimento da conduta fixada. Esse requisito foi fixado pela Administração Tributária, com os poderes advindos do DL n.° 2.124, de 1.984. Por último, ressaltase a Lei n° 9.779, de 19/01/99, art. 16, abaixo reproduzido, atribui diretamente à Secretaria da Receita Federal competência para dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados e estabelecer forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável, tornando estéril o debate a partir da sua vigência: “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável” Dessa maneira, resta evidente que a IN SRF n° 4, de 1998, não extrapolou o comando legal. Isso porque não criou obrigação nova, somente complementou a lei fixando o prazo para o cumprimento da obrigação tributário — entrega da DOI. Nessa perspectiva, também não houve qualquer violação ao principio da legalidade. Com efeito, conforme demonstrado acima, a definição do prazo de vencimento das obrigações tributárias não exige lei em sentido estrito, podendo ser fixado pela Administração Pública. Assim, correta a decisão recorrida. Precedentes CSRF: “DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA. COMPETÊNCIA LEGAL PARA ESTABELECER PRAZO Tem respaldo legal para estabelecer prazo para apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias DOI, a autoridade da Receita Federal competente para aprovar meio magnético mediante o qual deve ser feita a comunicação ao fisco.” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (Acórdão : CSRF/0400.246, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado na sessão de 14 de março de 2006) Outra questão a ser enfrentada é a concernente ao beneficio da espontaneidade, com suporte no artigo 138, do CTN, e no fato de que as DOI foram entregues antes do início do procedimento fiscal. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Destarte, o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração sobre operações imobiliárias — DOI. Precedentes da CSRF: “MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS — DOI — O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração sobre operações imobiliárias — DOI, porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. (Acórdão n° CSRF/0105.008, Relatora Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, julgado na sessão de 09 de agosto de 2004)” Precedentes do STJ: “PROCESSO CIVIL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ADMINISTRATIVA. PRETENSÃO JÁ ACOLHIDA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. 1. Na origem, cuidase de mandado de segurança impetrado contra ato do Delegado da Receita Federal do Brasil, no qual se pleiteia o não pagamento das penalidades pecuniárias (multas), em razão da não entrega das Declarações de Imposto Retido na Fonte (DIRF's) dos anos de 1994 e 1997. 2. Segundo orientação firmada nesta Corte, "a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas" (AgRg no AREsp 11340/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.9.2011, DJe 27.9.2011). 3. A Corte de origem reconheceu que é "legítima a exigência da multa administrativa", afastando a aplicação da denúncia espontânea. Assim, as alegações no sentido que não ocorreu denúncia espontânea em relação à multa administrativa é infundada, pois tal pretensão já foi acolhida pela Corte Regional, revelandose, portanto, a falta de interesse recursal da recorrente. Agravo regimental improvido.” Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.006525/200113 Acórdão n.º 920202.126 CSRFT2 Fl. 616 9 (AgRg no REsp 1279038/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/02/2012, DJe 09/02/2012) “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg no AREsp 11.340/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/09/2011, DJe 27/09/2011) Neste contexto foi editada a Súmula nº 49 do CARF: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial e negar lhe provimento. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 9DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13888.002355/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
SOBRESTAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 62A
DO RICARF.
Sempre que em relação a uma matéria houver recurso extraordinário no STF
com repercussão geral reconhecida, teremos uma situação que enseja o
sobrestamento do recurso em relação à matéria que justificou a repercussão
geral.
DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173,
INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade
por descumprimento de obrigação acessória submete-se
à regra decadencial
do art. 173, inciso I, considerando-se,
para a aplicação do referido
dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para
cumprimento do respectivo dever instrumental.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES
ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO
DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de
lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a
aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às
penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o
novo regime - aplicação
do art. 32-A
para as infrações relacionadas com a
GFIP - e
o regime vigente à data do fato gerador - aplicação
dos parágrafos
do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao
contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO
LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE
PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido
ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a
capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco.
Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la.
Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da
infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade
pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto
no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-02.448
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em sobrestar
o recurso somente na questão da contribuição prevista no IV (cooperativas de trabalho), do
artigo 22, da Lei 8.212/1991, devendo esta matéria e sua penalidade serem desmembradas dos
autos e retornarem ao Conselho com cópia integral do processo, nos termos do voto do Relator.
Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa e Marcelo Oliveira que votaram
em sobrestar integralmente o processo; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito,
para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A,
da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à
Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de
Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no
mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º
9.430/1996, como determina o Art. 35-A
da Lei 8.212/1991, deduzindo-se
as multas aplicadas
nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente;
II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para
excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos que
motivaram a autuação, assim como as suas penalidades, até a competência 11/2001, anteriores
a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento às demais alegações
apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 SOBRESTAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. Sempre que em relação a uma matéria houver recurso extraordinário no STF com repercussão geral reconhecida, teremos uma situação que enseja o sobrestamento do recurso em relação à matéria que justificou a repercussão geral. DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submete-se à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerando-se, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la. Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente EXPERT SERVICE SOCIEDADE SIMPLES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 SOBRESTAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. Sempre que em relação a uma matéria houver recurso extraordinário no STF com repercussão geral reconhecida, teremos uma situação que enseja o sobrestamento do recurso em relação à matéria que justificou a repercussão geral. DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em sobrestar o recurso somente na questão da contribuição prevista no IV (cooperativas de trabalho), do artigo 22, da Lei 8.212/1991, devendo esta matéria e sua penalidade serem desmembradas dos autos e retornarem ao Conselho com cópia integral do processo, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa e Marcelo Oliveira que votaram em sobrestar integralmente o processo; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos que motivaram a autuação, assim como as suas penalidades, até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002355/200721 Acórdão n.º 230102.448 S2C3T1 Fl. 197 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) nº 37.071.0916, lavrado em 26/07/2007, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 13/26, apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 11/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 104.441,91, fls. 01. A fiscalização apontou que o contribuinte deixou de declarar em GFIP as seguintes bases de cálculo: hora rejeição, remuneração paga a cooperativa de trabalho médico, remuneração paga a contribuinte individual, remuneração paga a sóciosgerentes, remunerações pagas em decorrente de acordo trabalhista. Após tomar ciência pessoal da autuação em 27/07/2007 fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 38/48, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 83/91, julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 23/07/2008, fls. 94. O recurso voluntário, apresentado em 06/08/2008, fls. 100,138/, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Argumenta que a cobrança da multa ofende a capacidade contributiva e a razoabilidade, posto que multas e juros Selic já estão sendo cobrados na NFLD. Teriam faltado alguns requisitos do auto de infração em ofensa à legalidade. Não teria o fisco demonstrado a ocorrência da infração , em ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 333 do CPC. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 173, inciso I do CTN. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Sobrestamento de Recurso Voluntário. Art. 62A, § 1º do RICARF. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), a partir da modificação feita pela Portaria MF 586 de 21 de dezembro de 2010, passou a prever o sobrestamento de Recursos em seu art. 62A conforme veremos a seguir: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento de recursos extraordinários pelo STF é conseqüência do reconhecimento de existência de repercussão geral, conforme já admitiu o STJ em alguns julgados: AERESP AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGENCIA EM RECURSO ESPECIAL – 1142490 ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PRECATÓRIO COMPLEMENTAR. JUROS DE MORA. PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE A HOMOLOGAÇÃO DO CÁLCULO E A EXPEDIÇÃO DO PRECATÓRIO OU RPV. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 168/STJ. SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. DESCABIMENTO. 1. Os juros moratórios não incidem entre a Fl. 203DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002355/200721 Acórdão n.º 230102.448 S2C3T1 Fl. 198 5 data da elaboração da conta de liquidação e a expedição da requisição de pequeno valorRPV. Precedente da Corte Especial: REsp 1.143.677/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 04.02.10. 2. Conforme a Súmula 168/STJ, "não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 3. O reconhecimento pelo Pretório Excelso de que o tema possui repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, acarreta, unicamente, o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido por esta Corte ou por outros tribunais, cujo exame deverá ser realizado no momento do juízo de admissibilidade. 4. Agravo regimental não provido. ADRESP AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL – 1139986 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. ENERGIA ELÉTRICA. DEMANDA CONTRATADA. SÚMULA 391/STJ. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "O ICMS incide sobre o valor da tarifa de energia elétrica correspondente à demanda de potência efetivamente utilizada" (Súmula 391/STJ). 2. "O reconhecimento pelo Pretório Excelso de que o tema possui repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, acarreta, unicamente, o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido por esta Corte ou por outros tribunais, cujo exame deverá ser realizado no momento do juízo de admissibilidade" (AgRg no EDcl no REsp 760.494/RJ, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJe 28/06/10). 3. Agravo regimental não provido. Adotando idêntica premissa, sempre que em relação a uma matéria houver recurso extraordinário no STF com repercussão geral reconhecida, teremos uma situação que enseja o sobrestamento do recurso em relação à matéria que justificou a repercussão geral. Com relação à contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, temos o RE 595.838 com repercussão geral reconhecida em 15/05/2009. Logo, a parte do recurso voluntário que trata dessa matéria deve permanecer sobrestada até a o trânsito em julgado da referido RE no STF. Quando houver o trânsito em julgado da matéria no STF, o Recurso Voluntário deverá voltar a ser julgado. Entendemos que caso o Recurso Voluntário ou de Ofício refirase a outras matérias que sejam independentes da questão que provocou o sobrestamento, de modo que possamos construir a regramatriz de incidência do tributo cobrado sem fazer referência à matéria sobrestada e de modo que seja possível a separação do processo e a inscrição em dívida ativa, o julgamento das partes do recurso não sobrestadas terão prosseguimento normal. Nesse caso, a autoridade preparadora, após a definitividade da decisão em relação às matérias não Fl. 204DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 sobrestadas, irá providenciar a separação dos processos. Um deles tratará da matéria julgada e poderá seguir para a cobrança e , se for o caso, inscrição em dívida ativa. O outro processo tratará da matéria sobrestada e ficará aguardando o trânsito em julgado do RE que teve a repercussão geral reconhecida. Obviamente que, até que o sobrestamento seja regulamentado, a avaliação da possibilidade de sobrestamento parcial deve ser feita pela turma julgadora e constar do respectivo Acórdão, de modo a permitir a parte interessada exercer sua defesa. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002355/200721 Acórdão n.º 230102.448 S2C3T1 Fl. 199 7 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). Fl. 207DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002355/200721 Acórdão n.º 230102.448 S2C3T1 Fl. 200 9 “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao Fl. 209DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002355/200721 Acórdão n.º 230102.448 S2C3T1 Fl. 201 11 período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002355/200721 Acórdão n.º 230102.448 S2C3T1 Fl. 202 13 Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Tratamos de lançamos de ofício motivado por descumprimento de obrigação acessória, o que, segundo nosso entendimento anteriormente apresentado, levanos a aplicar a regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, observando que tal situação não está abrangida pelo conteúdo do Resp 973.733SC. O lançamento foi cientificado em 27/07/2007, assim, o fisco não poderia efetuar o lançamento que atingisse até a competência 11/2001. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002355/200721 Acórdão n.º 230102.448 S2C3T1 Fl. 203 15 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, seja aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: 1 lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; 2 lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002355/200721 Acórdão n.º 230102.448 S2C3T1 Fl. 204 17 seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável às outras duas situações. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, Fl. 216DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13888.002355/200721 Acórdão n.º 230102.448 S2C3T1 Fl. 205 19 A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Efeito confiscatório da multa de ofício Em relação ao argumento despendido pela recorrente em relação ao elevado valor da multa, que no seu entender configuraria agressão ao princípio constitucional da vedação ao confisco (artigo 150, inciso IV, da Constituição Federa), devese esclarecer que, sendo o Conselho de Contribuintes órgãos do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por fim, sabendose que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado e que o assunto é objeto da Súmula CARF nº 2 a seguir transcrita, não é possível apreciarmos o pedido da recorrente referente ao efeito confiscatório da multa de ofício que está prevista em diploma legal que está validamente surtindo efeitos no ordenamento jurídico pátrio. “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC” Fl. 218DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (a) afastar os fatos geradores até 11/2001; (b) sobrestar o julgamento do recurso na parte que envolve o art. 22, inciso IV da Lei 8.12/91 (contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho); (c) manter a multa mais benéfica quando comparada a penalidade prevista nos parágrafos do art. 32 com aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.007872/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. DEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE.
Não sendo as despesas médicas exageradas e havendo rendimento declarado para suportá-las, é ônus da fiscalização aprofundar a investigação fiscal em face dos prestadores de serviço, para aí poder eventualmente descaracterizar os recibos médicos utilizados como meio de prova para dedução das despesas da base de cálculo do imposto de renda. Não havendo tal investigação, devese
reconhecer o recibo médico, em si mesmo, como instrumento hábil a
comprovar as despesas.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.930
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, para restabelecer as despesas médicas no importe de R$ 22.800,00.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. DEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. Não sendo as despesas médicas exageradas e havendo rendimento declarado para suportálas, é ônus da fiscalização aprofundar a investigação fiscal em face dos prestadores de serviço, para aí poder eventualmente descaracterizar os recibos médicos utilizados como meio de prova para dedução das despesas da base de cálculo do imposto de renda. Não havendo tal investigação, deve se reconhecer o recibo médico, em si mesmo, como instrumento hábil a comprovar as despesas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para restabelecer as despesas médicas no importe de R$ 22.800,00. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte JOSÉ MARLENO ARRUDA CAMPOS, CPF/MF nº 004.819.63553, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 09/12/2008, auto de infração, decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2006. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 10.840,51 MULTA DE OFÍCIO R$ 8.130,38 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: § uma glosa de despesa médica, no montante de R$ 23.056,46, com os profissionais Ana Cláudia Carvalho Campos (R$ 14.000,00) e Jane Alves Oliveira Neto (R$ 8.800,00), pois o contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar o efetivo pagamento, simplesmente alegando que pagou a despesa em espécie; § omissão de rendimentos percebidos do Banco do Brasil, no importe de R$ 18.367,22 (IRRF de R$ 551,01), conforme informação da DIRF. Compulsando os autos, vêse que o contribuinte ofereceu à tributação os montantes de R$ 160.732,63 e R$ 6.456,17, a título de rendimentos tributáveis e sujeitos à tributação exclusiva, respectivamente, no anocalendário 2006. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma de Julgamento da DRJSalvador (BA), por maioria de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1525.916, de 26 de janeiro de 2011. A decisão acima declarou que a omissão de rendimentos não foi controvertida. No tocante às despesas médicas, asseverou que os recibos juntados referentes à profissional Jane Alves montam apenas R$ 5.445,00, decorrente de sessões domiciliares fisioterapêuticas, sem datas e nem indicação do paciente. Já os recibos da profissional Ana Cláudia, um para cada mês do anocalendário, no montante de R$ 14.000,00, referemse a sessões de RPG e/ou fisioterápicas domiciliares e não indicam o beneficiário do tratamento. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 15/03/2011. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 07/04/2011. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que foi submetido a tratamento fisioterapêutico por solicitação do médico ortopedista Sérgio Cavalcanti, Cremese nº 1822, e desde o início juntou os recibos da profissional Jane Alves, no importe total de R$ 8.800,00, sendo certo que pagou os honorários das fisioterapeutas em espécie, como comprovou com os Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10510.007872/200868 Acórdão n.º 210201.930 S2C1T2 Fl. 2 3 saques em sua conta de depósito, que excedem mais de três vezes tais pagamentos. Agora junta os seguintes documentos: § encaminhamento fornecido pelo médico Sérgio Cavalcanti, para atendimento fisioterapêutico; § cópias de exames e raiosX (de 2000 a 2006) que comprovam as patologias e a necessidade da intervenção fisioterapêutico; § declaração ratificadora da prestação de serviço emitida pela profissional Ana Cláudia Carvalho Campos, asseverando que percebeu os honorários em espécie, tudo acompanhado de novos recibos suprindo a omissão apontada; § cópias dos recibos emitidos pela profissional Jane Alves. A parcela do imposto não controvertida nesta instância foi apartada para outro processo, para prosseguimento da cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 15/03/2011, terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 07/04/2011, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 14/04/2011, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, aqui no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie; 6. houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Nas hipóteses acima, a autoridade fiscal pode e deve intimar o contribuinte a comprovar o pagamento da despesa, com documentação bancária, ou mesmo a efetiva prestação do serviço com documentário médico (receitas, cópias de exames etc.). Especificamente, no caso de profissionais para os quais tenha sido emitida a súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, a jurisprudência administrativa, inclusive, autoriza a glosa e a exasperação da multa de ofício para o percentual de 150% sobre o imposto lançado (Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício). Entretanto, no caso destes autos, pareceme que o contribuinte não se enquadra em quaisquer das hipóteses acima, autorizadoras do afastamento dos recibos médicos, em si mesmos, como meio de comprovação das despesas médicas, pelos motivos abaixo discriminados: § primeiramente, as despesas médicas informadas na declaração auditada (R$ 30.937,44, com glosa em debate nesta instância que monta R$ 22.800,00) são compatíveis com os rendimentos declarados e colacionados de ofício (R$ 179.099,85 e R$ 6.456,17, a título de rendimentos tributáveis e sujeitos à tributação exclusiva/definitiva, respectivamente), ou seja, as despesas médicas totais não excedem 17% dos rendimentos globais declarados, não se podendo assim dizer que são despesas exageradas a justificar uma prova adicional além dos próprios recibos; § em segundo lugar, apesar do repetitivo argumento de que as despesas foram pagas em espécie, observase que o montante despendido para as duas profissionais, em valores mensais, são razoavelmente modestos, quando considerado o número de sessões, com pagamento fracionado dentro do mês; § em terceiro lugar, o contribuinte não utilizou documentário médico de profissionais sumulados, não tendo também havido a negativa da prestação do serviço por qualquer dos prestadores, ao revés, um deles, inclusive, ratificou a prestação do serviço, acostando até relatório (fisioterapeuta Ana Cláudia Carvalho Campos); Fl. 156DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10510.007872/200868 Acórdão n.º 210201.930 S2C1T2 Fl. 3 5 § em quarto lugar, trouxe aos autos exames e solicitação médicos que indicam ser portador de moléstia ortopédica, necessitando de serviços fisioterapêuticos; § e, para concluir, apesar de o contribuinte ter incorrido em uma infração de omissão de rendimentos de uma fonte pagadora, vêse que se trata de profissional com múltiplas fontes pagadoras (declarou 09 delas), não sendo desarrazoado imaginar algum equívoco na adição da décima, quer por erro do próprio contribuinte, quer por ausência de percepção do comprovante de rendimentos. Devese ainda evidenciar que no recurso voluntário foram juntados os recibos médicos da profissional Jane Alves, no importe total de R$ 8.800,00. Por tudo, parece claro que, no caso aqui em debate, para os recibos serem descaracterizados, seria necessário que a fiscalização aprofundasse a investigação em torno dos prestadores, trazendo indícios veementes de que os serviços não foram prestados, o que não se viu nestes autos, pois sequer os prestadores foram intimados a confirmar a prestação dos serviços. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para restabelecer as despesas médicas no importe de R$ 22.800,00. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 157DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10768.015971/2002-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2002
PRAZO DECADENCIAL PARA O LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
INAPLICABILIDADE.
O prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, diz respeito ao prazo
limite para a Fazenda Pública efetuar lançamentos de ofício, não se
comunicando este prazo com aquele que ela tem para proceder a prevista
homologação da Declaração de Compensação entregue pelo contribuinte, na
qual será examinada a certeza e liquidez do crédito pleiteado.
HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Homologa-se a compensação declarada pelo contribuinte, no limite do direito
creditório reconhecido pelo julgador como certo e líquido, com base na sua
convicção acerca das provas apresentadas.
RECEITAS FINANCEIRAS FASE PRÉOPERACIONAL
As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no
ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras,
quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo
positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais
registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido
do exercício.
Numero da decisão: 1103-000.596
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório da contribuinte nos valores de R$ 2.133,31 em 1998, R$ 16.693,22 em 1999 e R$ 274.920,42 em 2000.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2002 PRAZO DECADENCIAL PARA O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. O prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, diz respeito ao prazo limite para a Fazenda Pública efetuar lançamentos de ofício, não se comunicando este prazo com aquele que ela tem para proceder a prevista homologação da Declaração de Compensação entregue pelo contribuinte, na qual será examinada a certeza e liquidez do crédito pleiteado. HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Homologase a compensação declarada pelo contribuinte, no limite do direito creditório reconhecido pelo julgador como certo e líquido, com base na sua convicção acerca das provas apresentadas. RECEITAS FINANCEIRAS FASE PRÉOPERACIONAL As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório da contribuinte nos valores de R$ 2.133,31 em 1998, R$ 16.693,22 em 1999 e R$ 274.920,42 em 2000. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Trata se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ do Rio de Janeiro I/RJ que deu parcial provimento a manifestação de inconformidade da contribuinte. Tratase de 18 (dezoito) Declarações de Compensação, uma delas informada neste processo principal, e as outras 17 (dezessete) nos 15 (quinze) processos a ele apensos. No Despacho Decisório de fl. 128, o qual tem por fundamento o Parecer Conclusivo nº 204/2007 de fls. 118/127, do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 403.612,19, foi reconhecida parte dele, no valor de R$ 41.018,67, relativo ao saldo credor de IRPJ do exercício de 2002, anocalendário de 2001, para fins de homologação das compensações declaradas, conforme tabela acima, até o limite do crédito reconhecido. O Parecer Conclusivo nº 204/2007, de fls. 118/127, em síntese, assim fundamentou o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado: Exercício de 1999, AnoCalendário de 1998 a Interessada declarou, na Ficha 13, Linha 17, Imposto de Renda a Pagar, um saldo negativo de R$ 2.133,31, e, na Linha 13, Imposto de Renda Retido na Fonte, o valor de R$ 2.133,31; no sistema IRF consulta (fl. 99), verificase que, no código 6800, Aplicações Financeiras em Fundos de Investimentos, foi retido o valor de R$ 2.757,28; entretanto, na Ficha 07, Linha 23, Outras Receitas Financeiras, foi declarado valor igual a zero, o que significa que nada foi oferecido à tributação, o que inviabiliza o pedido em relação a este ano; dessa forma, a Interessada não faz jus ao reconhecimento do direito creditório pleiteado, por falta de fundamentação legal, não estando revestido o mesmo de certeza e liquidez como preceitua o art. 170 do CTN; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10768.015971/200214 Acórdão n.º 110300.596 S1C1T3 Fl. 2 3 além dos valores de IRF se encontrarem divergentes, a Interessada não fez a juntada dos comprovantes de retenção do IRF emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras, conforme determina o § 2º do art. 943 do RIR/1999; Exercício de 2000, Anocalendário de 1999 a Interessada declarou, na Ficha 13A, Linha 18, Imposto de Renda a Pagar, um saldo negativo de R$ 20.918,05, e, na Linha 13, Imposto de Renda Retido na Fonte, o valor de R$ 20.918,05 (fl. 68); no sistema SIEF/DIRF (fls. 104/106), verificase que, nos código 3426, 5273, 6800 e 8045, todos referentes a aplicações financeiras, exceto o último, que se denomina “outros rendimentos”, foi retido o valor total de R$ 16.693,22; além da divergência entre os valores de IRF (declarado pela Interessada e o constante no sistema da Receita Federal), verificase pela Ficha 07A, Linha 24, Outras Receitas Financeiras, que o valor nela declarado é zero (fl. 64), demonstrando que nada foi oferecido à tributação, o que também invalida o pedido neste ano, pela mesma fundamentação do ano anterior; Exercício de 2001, AnoCalendário de 2000 a Interessada declarou, na Ficha 12A, Linha 18, Imposto de Renda a Pagar, um saldo negativo de R$ 326.432,99, e, na Linha 13, Imposto de Renda Retido na Fonte, o valor de R$ 326.432,99 (fl. 78); no sistema SIEF/DIRF (fls. 107/111), verificase que, nos código 3426, 5273, 6800 e 8045, todos referentes a aplicações financeiras, exceto o último, que se denomina “outros rendimentos”, foi retido o valor total de R$ 307.082,80; entretanto, na Ficha 06A, Linha 24, Outras Receitas Financeiras, o valor declarado é igual a R$ 160.693,62 (fl. 73), o qual é menor do que o Rendimento Bruto de R$ 1.582.712,16 que consta no sistema SIEF/DIRF (fls. 107/111), sendo, assim, divergentes, o que também prejudica o pedido para este ano, pela mesma fundamentação apresentada para os dois anos anteriores; Exercício de 2002, AnoCalendário de 2001 a Interessada declarou, na Ficha 12A, Linha 18, Imposto de Renda a Pagar, um saldo negativo de R$ 41.018,67, e, na Linha 13, Imposto de Renda Retido na Fonte, o valor de R$ 41.018,67 (fl. 88); no sistema SIEF/DIRF (fls. 112/113), verificase que, nos códigos 5273 e 6800, todos referentes a aplicações financeiras, foi retido o valor total de R$ 41.018,69; na Ficha 06A, Linha 24, Outras Receitas Financeiras, o valor declarado é igual a R$ 361.249,82 (fl. 83), o qual é maior do que o Rendimento Bruto de R$ 205.094,28 que consta no sistema SIEF/DIRF (fls. 112/113); Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 dessa forma, pode ser reconhecido como existente o saldo credor de R$ 41.018,67 neste ano, procedendo o pedido de restituição/compensação com base no que dispõe a IN SRF nº 600, de 28/12/2005, no art. 2º, inc. I, e no art. 5º; Exercício de 2003, AnoCalendário de 2002 este período deixou de ser apreciado porque a Interessada foi autuada no IRPJ e na CSLL neste período, conforme consta na informação de fls. 115/116 e assim, conforme o artigo único da OS nº 01, da SRF, 7ª RF, de 10/12/2004, a existência de Auto de Infração lavrado no período objeto de pleito é fator impeditivo de apreciação de restituição/compensação; 4.Conforme Despacho de fl. 151, o Delegado da Derat/RJO, com base no Despacho Decisório de fl. 128 e nos demonstrativos de compensação de fls. 129/149, não homologou as Declarações de Compensação dos processos apensos e homologou parcialmente a Declaração de Compensação deste processo principal, na qual restou um saldo devedor de R$ 50.269,99, conforme quadro de fl. 150. 5.Em 06/11/2007, por meio do Termo de Ciência de fl. 229, a Interessada tomou ciência do Parecer Conclusivo e Despacho Decisório de fls. 118/128, dos demonstrativos de compensação de fls. 129/149, do Despacho de Homologação de fls. 150/151 e das cartas de cobrança do sistema PROFISC (fls. 152/228) dos processos relacionados no despacho de fl. 151. 6.Inconformada, a Interessada, por meio de seus procuradores (procuração de fl. 236 e fls. 257/276), apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 240/255, com anexos de fls. 256/305, na qual alega, em síntese, para ao final pedir: Dos Fatos que se trata de compensação de créditos tributários decorrentes de saldos negativos do IRPJ nos anosbase de 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, no valor total de R$ 403.612,19, conforme quadro abaixo: AnoCalendário Saldo Negativo 1998 2.133,31 1999 20.918,05 2000 326.432,99 2001 41.018,67 2002 13.109,17 Total 403.612,19 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10768.015971/200214 Acórdão n.º 110300.596 S1C1T3 Fl. 3 5 que, em relação aos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, entendeu a autoridade fiscal que a Interessada não possuía saldo negativo do IRPJ por não ter oferecido à tributação as receitas decorrentes de aplicações financeiras, o que está completamente equivocado, uma vez que em tais anos ela encontravase em fase préoperacional, e, portanto, obrigatoriamente diferia suas receitas e despesas financeiras; que, em relação ao anocalendário de 2002, a autoridade fiscal furtouse a verificar a existência do saldo negativo sob o argumento de que a Interessada recebera Auto de Infração em matéria de IRPJ e CSLL, medida esta que não possui qualquer amparo legal, especialmente porque o referido Auto implicou ajuste de prejuízo fiscal, sem qualquer efeito sobre os saldos negativos; que, portanto, a decisão do fisco revelouse equivocada, na medida em que a autoridade fiscal se limitou às informações prestadas em DIPJ e ao confronto dessas informações com as prestadas em DIRF, sem atentar para a legislação que vigorava na época da constituição dos saldos negativos, nem solicitar da Interessada os esclarecimentos que poderiam dirimir as questões levantadas; Da Decadência da Glosa dos Saldos Negativos que o Despacho Decisório foi proferido em 10/10/2007 (fl. 128), quando já havia decaído o direito do Fisco de revisar, não só os saldos negativos de 1998 a 2001, mas todas as informações prestadas pela Interessada acerca de tributos e créditos tributários apurados antes de 2002, como dispõe o art. 173, I, do CTN; que, com efeito, para negar o direito creditório da Interessada e, conseqüentemente, não homologar as compensações realizadas em 2002 e 2003, a fiscalização artificiosamente analisou períodos já alcançados pela decadência; que tal procedimento é amplamente combatido no Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o qual entende pela impossibilidade de se franquear à autoridade fiscal a análise de períodos atingidos pela decadência, conforme senternciado em reiterados acórdãos do 1º Conselho trazidos à colação; que, ora, independentemente da existência do saldo negativo do IRPJ, o fato de a Interessada ter efetuado a compensação de créditos oriundos de períodos anteriores não dá a Fiscalização o poder de sujeitála à ação fiscal eternamente; que, tendo em vista que a própria legislação não estabeleceu prazo para a utilização dos saldos negativos, não seria lógico, nem razoável, que o saldo negativo utilizado em 2010 sujeitasse o contribuinte à fiscalização retroativa de 1995, como pretende a Fiscalização; Do Direito à Compensação dos Saldos Negativos Apurados nos Anos Calendário de 1998 e 1999 que a Autoridade Fiscal não atentou para o fato de que a Interessada, até setembro de 2000, encontravase em fase préoperacional, razão pela qual não tinha resultado nesse período e todas as despesas por ela incorridas até o início de suas atividades foram classificadas no Ativo Diferido, conforme determina o art. 179, V, da Lei nº 6.404, de 1976; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 que a regra geral é que os direitos classificados no ativo diferido sejam serviços já recebidos pela empresa, cujos benefícios serão aproveitados em períodos futuros, sendo que tais despesas devem apresentar uma relação direta com as receitas a serem obtidas, isto é, o conceito de “diferimento” de despesas nasce com a esperança de se obter, em períodos futuros, receitas que não seriam auferidas se a empresa não houvesse incorrido nas despesas diferidas; que, da mesma forma, é possível que a empresa em fase préoperacional, mesmo sem ter resultado, venha a auferir ganho eventual, seja decorrente de aplicação financeira, seja decorrente da venda de algum ativo utilizado ou mantido para emprego no empreendimento em andamento, sendo que, nesses casos, recomenda a boa prática contábil que tais ganhos sejam também classificados no Ativo Diferido, em conta específica, redutora das despesas préoperacionais; que a orientação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), contida no Parecer de Orientação CVM nº 17, de 15/02/1989, que se fundamenta no princípio contábil da confrontação das receitas com as despesas, conduz à mesma conclusão; que, assim, a empresa deverá classificar no Ativo Diferido todas as despesas incorridas na fase préoperacional e os ganhos eventuais a elas correspondentes e, em seguida, apurar o saldo líquido da conta, o qual, se devedor, deverá ser acrescido ao Ativo Diferido para amortização futura, se credor, deverá ser classificado como Resultado de Exercícios Futuros; que embora esse procedimento não seja atualmente aceito pela Receita Federal do Brasil, à época da apuração do saldo negativo, ainda estava em vigor a IN SRF nº 54, de 05/04/1988, segundo a qual as receitas financeiras auferidas na fase préoperacional eram classificadas em conta do Ativo Diferido; que, assim, as receitas financeiras auferidas pela Interessada na fase pré operacional foram necessariamente classificadas em conta do Ativo Diferido; que se frise que embora a IN SRF nº 54/1988 tenha sido revogada, essa revogação só ocorreu com a edição da IN SRF nº 79, de 01/08/2000, o que significa que o procedimento adotado pela Interessada está em absoluta consonância com as regras editadas pela Receita Federal do Brasil em vigor naquela época; que, ora, se as regras editadas pela Receita Federal do Brasil determinavam que as receitas financeiras auferidas em fase préoperacional seriam classificadas no Ativo Diferido, a Interessada não poderia têlas informado na DIPJ na linha referente às receitas financeiras auferidas no período, como afirma o Parecer Conclusivo; que, seguindo a orientação da IN SRF nº 54/1988, o Conselho de Contribuintes também se manifestou favoravelmente ao contribuinte em reação a essa matéria, conforme ementa trazida à colação; que, entretanto, a IN SRF nº 54/1988, nada mencionava quanto ao tratamento que deveria ser atribuído ao IRRF incidente sobre as aplicações financeiras classificadas no Ativo Diferido; que, quanto ao IRRF, adotavase para as empresas em fase préoperacional o mesmo tratamento atribuído às empresas que já haviam iniciado as suas operações, isto é, o IRRF era lançado em conta de Ativo e compunha o saldo negativo para compensação com débitos de outros tributos da empresa no período seguinte; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10768.015971/200214 Acórdão n.º 110300.596 S1C1T3 Fl. 4 7 que, assim sendo, está absolutamente equivocado o Parecer Conclusivo em relação ao indeferimento do crédito em relação aos anoscalendário 1998, 1999 e 2000, uma vez que a ausência da indicação de receitas financeiras não poderia gerar a presunção de sua inexistência, sendo que, no caso em tela, não houve a indicação de receitas financeiras na DIPJ pelo fato de tais receitas terem sido diferidas, conforme a própria orientação da SRF, à época; Do Confronto entre a DIPJ e a DIRF que, além da ausência de informações das receitas financeiras na DIPJ, afirma a autoridade fiscal que o IRRF informado na DIPJ não está de acordo com as informações prestadas pelas fontes pagadoras na DIRF, a saber: anocalendário 1998 que, na DIPJ, a Interessada informou que apurou o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 2.133,31, mas na DIRF este valor é de R$ 2.757,28; que, ora, se o próprio sistema da RFB acusa valor de imposto retido superior ao informado pela Interessada, não pode a autoridade fiscal negarlhe o direito de crédito em razão de o valor não ser exatamente o mesmo, pois, como se sabe, as informações que constam no sistema da RFB são fornecidas pelas instituições financeiras e não pela Interessada; que, por outro lado, ainda que conste outro valor no sistema da RFB, o valor do saldo negativo desse período é de R$ 2.133,31, o que pode ser constatado pelos informes de rendimentos em anexo (doc. 2, fls. 271/273), bem como pelo valor escriturado no Livro Razão (doc. 3, fl. 274); anocalendário 1999 que a Interessada informou na DIPJ que possuía o saldo negativo de R$ 20.918,05, mas a autoridade fiscal informa no Parecer Conclusivo que verificou na DIRF que o valor era R$ 16.693,22; que, sendo assim, a autoridade fiscal deveria ter reconhecido, ao menos, o valor incontroverso de R$ 16.693,22; que, não obstante, como já aduzido, a diferença entre o valor constante na DIPJ e o que consta na DIRF deve, certamente, decorrer de equívoco cometido pela fonte pagadora dos rendimentos, pois como se pode constatar dos documentos em anexo, o valor do saldo negativo do IRPJ é, inclusive, superior ao de R$ 20.918,05 (doc. 4, fls. 275/276); Do Direito à Compensação do Saldo Negativo Apurado no AnoCalendário 2000 que o argumento utilizado pela autoridade fiscal para negar o direito de crédito da Interessada no anocalendário de 2000 foi o mesmo dos períodos anteriores, qual seja, o de que a Interessada não ofereceu à tributação a totalidade dos rendimentos auferidos; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 que, de fato, a Interessada só informou na Ficha 06A, Linha 24, Outras Receitas financeiras, o valor de R$ 160.693,62, não tendo informado todos os rendimentos decorrentes de aplicação financeira por ela auferidos nesse período; que isso se deu, como já esclarecido, porque até setembro de 2000, a Interessada encontravase em fase préoperacional, ou seja, as suas receitas financeiras eram classificadas no Ativo Diferido, seguindo a orientação da IN SRF nº 54/1988; que, assim, antes do início de suas atividades, a receita financeira de R$ 1.045.630,54 (doc. 5, fl. 277) foi classificada no Ativo Diferido, tendo o IRRF incidente sobre tais receitas, no valor de R$ 299.691,01 (doc. 6, fls. 278/;279); que, após o início de suas atividades, a Interessada passou a classificar as receitas financeiras em conta de Resultado, e, em decorrência, a informálas na DIPJ; que, vale notar que a receita financeira de R$ 160.693,62, informada na DIPJ/2001, corresponde exatamente à receita financeira auferida pela Interessada após o início de suas atividades (doc. 7, fl. 279); que o valor de IRRF sobre aplicações financeiras no período corresponde, portanto, à soma dos IRRF acima, portanto, R$ 326.432,29 (doc. 6, fls. 278/279); que, tendo em vista que a Interessada teve prejuízo fiscal nesse período, o que está claramente demonstrado na Ficha 11, Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, e na Ficha 9 A, Demonstração do Lucro Real da DIPJ 2001, o IRRF sobre as aplicações financeiras do anocalendário em questão, no montante de R$ 326.432,99, passou a compor o saldo negativo a ser compensado com débitos de outros tributos devidos nos períodos subseqüentes; que, assim sendo, também em relação a esse período não se justifica o indeferimento do crédito; AnoCalendário 2002 que, em relação ao anocalendário em questão, o Parecer Conclusivo nº 204/2007 não apreciou as Declarações de Compensação visando à compensação do saldo negativo desse período, por entender que o fato de a Interessada ter sofrido uma ação fiscal que gerou sua autuação impediria essa análise; que, para fundamentar o seu entendimento, a autoridade fiscal aponta o artigo único da OS nº 1, de 10/12/2004, da SRRF, 7ª Região Fiscal, segundo o qual a existência de Auto de Infração lavrado no período objeto do pleito é fator impeditivo de apreciação de restituição ou compensação; que, todavia, o referido ato normativo não passa de uma Ordem de Serviço que nem ao menos possui qualquer artigo, mas, apenas, orientações denominadas “passos” (doc. 8, fls. 281/283), não tendo, portanto, o condão legal de produzir, sem amparo em lei ou em ato normativo prolatado pela Receita Federal do Brasil, os efeitos pretendidos pela autoridade fiscal; que, ademais, a referida OS foi editada em 10/12/2004, data em que o saldo negativo já havia sido apurado, assim como sua compensação com débitos da própria Interessada já havia sido declarada à RFB, de modo que sua aplicação não pode retroagir Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10768.015971/200214 Acórdão n.º 110300.596 S1C1T3 Fl. 5 9 àquela data, pois, como se sabe, a legislação tributária só retroage nos casos expressamente previstos no CTN, entre os quais não se encontra prevista a hipótese em questão; que, de fato, nesse período, a Interessada sofreu uma ação fiscal que culminou na lavratura de auto de infração referente ao anocalendário de 2002 (doc. 9, fls. 284/300), o qual glosou o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL da Interessada, determinandolhe que procedesse ao ajuste no LALUR, o que foi por ela realizado; que, assim, além de o Auto de Infração lavrado contra a Interessada não produzir nenhum reflexo no saldo negativo por ela apurado no anocalendário de 2002, ela procedeu ao ajuste do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa; que, portanto, não se justifica que a compensação não seja sequer analisada pelo Fisco; que, por fim, como se pode ver nos documentos anexados, a Interessada detinha, ao final do anocalendário de 2002, o saldo negativo de R$ 13.109,17 (doc. 10, fl. 301/302); Conclusão e Pedido que, por todo o exposto, requer sejam homologadas as compensações efetuadas, pela insubsistência da glosa dos saldos negativos, com base nos argumentos de fato e de direito acima apresentados, ou com base em quaisquer outros fundamentos considerados pertinentes de ofício por essa autoridade, no controle da legalidade do ato ora impugnado e que, caso esse órgão julgador entenda necessário, requer a Interessada seja convertido o julgamento em diligência para a verificação dos fatos aqui alegados. A DRJ decidiu (ementa): “HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO DECLARADA PELO SUJEITO PASSIVO. O prazo para homologação expressa da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Passado este prazo sem que o Fisco tenha se pronunciado, considerase homologada tacitamente a compensação na data limite para a homologação expressa. PRAZO DECADENCIAL PARA O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. O prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, diz respeito ao prazo limite para a Fazenda Pública efetuar lançamentos de ofício, não se comunicando este prazo com aquele que ela tem para proceder a prevista homologação da Declaração de Compensação entregue pelo contribuinte, na qual será examinada a certeza e liquidez do crédito pleiteado. HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 10 Homologase a compensação declarada pelo contribuinte, no limite do direito creditório reconhecido pelo julgador como certo e líquido, com base na sua convicção acerca das provas apresentadas. PROCEDIMENTO HOMOLOGATÓRIO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO E AUTO DE INFRAÇÃO. O procedimento homologatório de Declaração de Compensação entregue pelo contribuinte deve ser efetuado mesmo que, no período examinado, exista auto de infração que não traga incerteza acerca do direito creditório em questão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 PESSOAS JURÍDICAS EM FASE PRÉOPERACIONAL APÓS 1º DE JANEIRO DE 1996. RECEITAS E DESPESAS FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL DO PERÍODO EM QUE INCORRIDAS. O disposto na IN 54/1988, que cuidava da apuração, tratamento e respectivo diferimento aplicáveis ao lucro inflacionário das empresas em fase préoperacional, perdeu a eficácia com a extinção, a partir de 1º de janeiro de 1996, da correção monetária do balanço. A partir daí, as receitas e despesas financeiras de tais pessoas jurídicas devem compor o resultado tributável do período em que incorridas, sem qualquer diferimento, isto é, sem a possibilidade de confrontação com as despesas préoperacionais do mesmo período, as quais se integram ao ativo diferido para posterior amortização.” A contribuinte, recorre (resumo): DA DECADÊNCIA DA GLOSA DOS SALDOS NEGATIVOS O Despacho Decisório foi proferido em 10.10.2007, quando já havia decaído o direito do Fisco de reapurar os exercícios de 1998 a 2001, bem como todas as informações prestadas pela RECORRENTE acerca de tributos e créditos tributários apurados antes de 2002, como dispõe o art. 173, I, do CTN. Com efeito, para negar o direito creditório da RECORRENTE e, conseqüentemente, não homologar as compensações realizadas em 2002 e 2003, a Fiscalização artificiosamente analisou períodos já alcançados pela decadência. Vejase que a i. autoridade reconheceu que houve o recolhimento do IRRF informado pela RECORRENTE, como também encontrase devidamente lançado nos sistemas da RFB (fls.99, 104/106, 107/111 e 112/113). Portanto, em nenhum momento alegouse ausência do recolhimento; o que se utilizou como fundamento para a glosa do saldo negativo foi o fato de que a RECORRENTE não informou qualquer receita tributável no referido exercício, o que ocorreu em razão de estar em fase préoperacional. Antes mesmo de entrar no mérito quanto à legalidade ou não do diferimento, é imperioso reconhecer que a i. autoridade, para considerar que o saldo negativo Fl. 10DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10768.015971/200214 Acórdão n.º 110300.596 S1C1T3 Fl. 6 11 seria inexistente, assumiu que teriam havido receitas não informadas nos períodos de 1998 a 2000. Nesse sentido, vale frisar que a i. autoridade realizou juízo de valor sobre fatos já atingidos pela decadência, quais sejam, a validade ou não do diferimento realizado pela RECORRENTE, que se encontrava em fase préoperacional. Por tal motivo e tendo em vista que a questão do diferimento foi o único, fundamento para a glosa dos saldos negativos, a decisão merecer ser reformada com a conseqüente homologação da compensação e cancelamento da exigência. `DO CORRETO DIFERIMENTO DAS RECEITAS DOS ANO: CALENDÁRIO 1998 A 2000 Admitida a possibilidade de reabertura dos períodos de 1998 a 2000 em relação à correção do procedimento adotado pela RECORRENTE quanto ao diferimento de suas receitas, financeiras, cabe esclarecer que tal procedimento obedeceu à rigorosamente a legislação contábil e fiscal. Com efeito, o saldo negativo apurado pela RECORRENTE nos anos calendário 1998 a 2000 tem origem no Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de aplicações financeiras auferidos durante a fase préoperacional. Como restou esclarecido na Manifestação de Inconformidade, a RECORRENTE não informou tais rendimentos em DIPJ exatamente por se encontrar em fase préoperacional. Em decorrência, a RECORRENTE não tinha resultado nesse período e todas as receitas e despesas por ela incorridas até o início de suas atividades foram classificadas no Ativo Diferido, conforme determina o art. 179 da Lei n° 6.404, de 15.12.1976 (Lei da S.A.). A regra geral é de que os direitos classificados no Ativo Diferido são serviços já recebidos pela empresa, cujos benefícios serão aproveitados em períodos futuros. Tais despesas devem apresentar uma relação direta com as receitas a serem obtidas. O conceito de "diferimento" de despesas nasce com a esperança de se obter, em períodos futuros, receitas que não seriam auferidas se a empresa não houvesse incorrido nas despesas diferidas. Da mesma forma, é possível que a empresa em fase préoperacional, mesmo sem ter resultado, venha auferir ganho eventual, seja decorrente de aplicação financeira, seja decorrente da venda de algum ativo utilizado ou mantido para emprego no empreendimento em andamento. Nesses casos, recomenda a boa prática contábil que tais ganhos sejam também classificados no Ativo Diferido, em conta específica, redutora das despesas préoperacionais. A orientação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contida no Parecer de Orientação CVM n° 17, de 15.02.1989, que se fundamenta no princípio contábil da confrontação das receitas com as despesas, conduz à mesma conclusão: “c) devem ser agregados ao ativo diferido todos os efeitos das receitas e despesas financeiras, de atualizações monetárias ativas e passivas e correção monetária do ativo permanente e do patrimônio líquido atribuíveis a empreendimentos em fase de implantação;” Fl. 11DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 12 No mesmo sentido, o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil IBRACON, visando harmonizar o tratamento atribuível à mutação do patrimônio das sociedades em fase préoperacional ao Regime de Competência, através da Norma e Procedimento de Contabilidade n° VII/79 DIFERIDO, de assim manifestouse: "Um empreendimento em fase préoperacional ou com projetos em implantação, como regra geral, não deve gerar resultado enquanto não estiver concluído ou em operação". Com base nas mesmas premissas, a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras FIPECAFI manifestouse da seguinte forma: "Faz parte do Ativo Diferido qualquer resultado eventual obtido com uso de ativos, sendo utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento. Por exemplo, se a empresa aplica seus recursos financeiros ainda não utilizados e obtém receitas financeiras (ou de variações monetárias), deve considerar essas receitas como dedução das despesas financeiras lançadas no próprio diferido; se suplantálas deve deduzilas das outras despesas pré operacionais. De qualquer forma, tais receitas devem estar em conta específica à parte, classificada como redução das despesas pré operacionais. (...) Portanto, uma empresa em fase préoperacional não deveria ter uma Demonstração de Resultado nesse período; no máximo teria uma Demonstração de Transações Eventuais ou Demonstração de Resultados Préoperacionais, que serviria mais como evidenciação de valores acrescidos ao (ou deduzidos do) ativo diferido e da razão dessas alterações". (Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações: aplicável às demais sociedades. 6 a Ed. São Paulo: Atlas, 2003) Assim sendo, as empresas deverão classificar no Ativo Diferido todas as despesas incorridas na fase pré operacional e os ganhos eventuais a elas correspondentes e, em seguida apurar o saldo líquido da conta. Caso esse saldo líquido seja devedor, deverá ser acrescido ao Ativo Diferido para amortização futura, quando tiverem início as operações da empresa. Ora, se tais receitas devem ser classificadas no Ativo Diferido, serão informadas em DIPJ somente quando a RECORRENTE entrar em operação. Logo, está absolutamente correto o procedimento adotado pela RECORRENTE. Ademais, à época da apuração do saldo negativo, ainda estava em vigor a Instrução Normativa SRF n° 54, de 05.04.1988, segundo a qual: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10768.015971/200214 Acórdão n.º 110300.596 S1C1T3 Fl. 7 13 "2 EMPRESA EM FASE PRÉOPERACIONAL 2.1. Durante o período que anteceder o início das operações sociais ou a implantação do empreendimento inicial a pessoa jurídica deverá apurar o saldo conjunto das despesas e receitas financeiras, das variações monetárias ativas e passivas e do resultado líquido da correção monetária do balanço, o qual terá o seguinte tratamento:a) se devedor, será acrescido ao saldo da conta de gastos a amortizar, do ativo diferido; b) se credor, será diminuído do total das despesas pré operacionais incorridas no próprio período base." (grifamos) Se a Lei das S.A. determina a observância das normas contábeis editadas por tais entidades na escrituração contábil das empresas e tais entidades determinam que as receitas financeiras auferidas por empresas em fase préoperacional devem ser classificadas no Ativo Diferido, a Receita Federal não pode simplesmente ignorar essa regra sob o argumento de que a norma por ela editada que segundo o acórdão ora recorrido, sequer diz respeito ao caso em tela teria sido revogada. Ademais, própria Receita Federal vem julgando correto o procedimento adotado pela RECORRENTE, como quer demonstrar recente Solução de Consulta proferida pela 8a Região Fiscal, que vem admitindo, inclusive a compensação do saldo negativo do IRPJ: "ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ No caso de empresa em fase de préoperação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas pré operacionais incorridas no período de apuração e, eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício em questão. Na existência de saldo negativo de IRPJ, decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas pré operacionais, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. Ora, oferecer tais rendimentos à tributação seria grave afronta ao princípio da competência, eis que não é razoável que as despesas incorridas em fase préoperacional sejam diferidas e as receitas reconhecidas no mesmo período. Pretende o acórdão ora recorrido que haja um descasamento entre as receitas e as despesas para justificar a não homologação da compensação efetuada pela RECORRENTE. DO CONFRONTO ENTRE A DIPJ E A DIRF. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 14 Além da ausência de informação das receitas financeiras na DIPJ, afirma a autoridade julgadora que o IRRF informado na DIPJ não está de acordo com as informações prestadas pelas fontes pagadoras na DIRF. Anocalendário 1998 Exercício 1999 A RECORRENTE informou na DCOMP que apurou o saldo negativo de R$ 2.133,31 nesse período. Todavia, de acordo com a informação obtida pela no sistema do IRF CONSULTA o valor do IR retido sobre os rendimentos de aplicações financeiras é de R$ 2.757,28. Ora, se o próprio sistema da RFB acusa valor de imposto retido superior àquele que a RECORRENTE informou possuir, não pode a autoridade julgadora negarlhe o direito de crédito em razão de o valor não ser exatamente o mesmo e em razão de a receita correspondente a tal retenção não tersido informada na DIPJ. Por outro lado, ainda que conste outro valor no sistema da RFB, o valor do saldo negativo desse período é de R$ 2.133,31, o que pode ser constatado pelos informes de rendimento anexados à Manifestação de Inconformidade (doc.2), bem como pelo valor escriturado no Livro Razão (doc. 3 da Manifestação de Inconformidade). Anocalendário 1999 Exercício 2000. Também em relação a esse período, afirma a autoridade julgadora que as informações prestadas pela RECORRENTE na DIPJ/2000 não batem com aquelas prestadas pelas instituições financeiras na DIRF. RECORRENTE informou na DIPJ que possuía o saldo negativo de R$ 20.918,05. A autoridade julgadora informa no Parecer Conclusivo que o verificou como retido o valor de R$ 16.693,22. Ainda que o valor informado pela RECORRENTE seja inferior àquele que consta no sistema da RFB, a autoridade julgadora deveria ter reconhecido, ao menos, o valor incontroverso de R$ 16.693,22. Não obstante, como já aduzido, a diferença entre o valor constante da DIPJ e o que consta na DIRF deve, certamente, decorrer de equívoco cometido pela fonte pagadora dos rendimentos, pois como se pode constatar dos documentos em anexo, o valor do saldo negativo detido pela RECORRENTE nesse período é, inclusive, superior ao de R$ 20.918,05 (doc. 4 da Manifestação de Inconformidade). Anocalendário 2000 Exercício 2001 O argumento utilizado pelo acórdão ora recorrido para negar o direito de crédito à RECORRENTE foi o mesmo dos períodos anteriores, qual seja, não foram oferecidos à tributação a totalidade dos rendimentos auferidos. A RECORRENTE informou na ficha 06A da Linha 24 "Outras Receitas Financeiras" da DIPJ/2001 o valor de R$ 160.693,62. Tal valor referese às receitas financeiras auferidas após a data de sua entrada em operação (setembro de 2000). O crédito referente ao IRRF incidente sobre tais receitas, no valor de R$ 32.138,72 foi devidamente reconhecido pelo acórdão ora recorrido. Todavia, o IRRF de R$ 299.691,01 incidente sobre a receita de R$ 1.045.630,54 auferida no período anterior à entrada Fl. 14DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10768.015971/200214 Acórdão n.º 110300.596 S1C1T3 Fl. 8 15 em operação da RECORRENTE foi indeferido, apesar de ter sido cabalmente demonstrado, através da documentação contábil anexada à Manifestação de Inconformidade (docs. 5 e 6). Casso esse i. órgão julgador entenda necessário, requer a RECORRENTE seja convertido o julgamento em diligência para a verificação dos fatos aqui alegados. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA DA GLOSA DOS SALDOS NEGATIVOS A propalada decadência não ocorreu, pois, não estamos tratando de lançamento, mas sim de apuração de créditos que a recorrente alegara que tinha, assim, cabe a autoridade fiscal à verificação da certeza e liquidez dos créditos. `DO CORRETO DIFERIMENTO DAS RECEITAS DOS ANO: CALENDÁRIO 1998 A 2000 De acordo com a Lei nº 6.404/76 e o art. 327 do RIR/99, a amortização dos valores registrados no Ativo Diferido deveria ser feita em prazo não inferior a cinco anos e não superior a dez anos, a partir do início da operação normal ou do exercício em que passem a ser usufruídos os benefícios delas decorrentes. O problema, vem da questão, se as receitas financeiras devem ou não ser classificadas no ativo diferido, quando a empresa está na fase pré operacional. O acórdão recorrido se baseou na revogação da IN SRF nº 54, de 1988 que estabeleceu normas de correção monetária para os empreendimentos em fase de préoperação para, fundamentalmente, negarem às pessoas jurídicas na situação em tela o tratamento normativo ali previsto. Tal revogação é inquestionável no que se refere à extinção da sistemática de indexação perpetrada pela Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Contudo a apuração do imposto sobre a renda com base no lucro real deve partir do lucro líquido contabilmente apurado em conformidade com o disposto na legislação comercial. A legislação prevê a observância do princípio da competência, inclusive no que se refere ao confronto de receitas e despesas na fase préoperacional. A IN SRF nº 54, de 1988, não poderia ferir o princípio da reserva legal, restringindose a esclarecer como deveriam ser aplicados os atos que lhe eram superiores A referida Instrução Normativa nada mais fez do que dispor acerca dos mecanismos instituídos pela legislação comercial, dos quais se serve, inclusive, a legislação Fl. 15DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 16 tributária, pois tais mecanismos não foram banidos do universo jurídico tal como ocorrera com as disposições acerca da indexação por meio da Lei nº 9.249, de 1995. Não obstante a revogação da IN SRF 54/88, as regras aplicáveis à escrituração comercial e ao tratamento tributário conferido a mutação do patrimônio das Sociedades em fase pré operacional mantémse inalteradas, de forma que inconcebível deduzir que antes de iniciar suas atividades pode a sociedade apurar resultado. Assim, a fim de que o regime de competência seja observado, as receitas financeiras percebidas durante a fase préoperacional devem ser classificadas no ativo diferido, e levadas à resultado via amortização a partir do início das atividades da sociedade. Isto porque, durante a fase préoperacional o regime de competência afasta a idéia de apuração de resultado. A Receita Federal do Brasil RFB por meio da solução de consulta COSIT nº 32, de 2008, dispôs: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício.” Assim, se não pelos motivos supracitados, até a Coordenação de Tributação – COSIT, que traduz “o pensamento” da RFB, entende que tais receitas financeiras da fase pré operacional devem ser contabilizadas no ativo diferido. Em vista do exposto, concluise que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positivo, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício, a partir do início das atividades. Dos Saldos Negativos de IRPJ nos AnosCalendário de 1998 e 1999 Um vez superado a questão do ativo diferido, consta, de acordo com a decisão da DRF fl. 124, como retido para aplicações financeiras no IRF CONSULTA R$ 2.757,28, a recorrente informou na DCOMP que apurou o saldo negativo de R$ 2.133,31 nesse período. Assim, reconhecese como existente o saldo credor de R$ 2.133,31 neste ano, reconhecendo o pedido de restituição/compensação neste valor. Anocalendário 1999 Exercício 2000. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10768.015971/200214 Acórdão n.º 110300.596 S1C1T3 Fl. 9 17 A recorrente informou na DIPJ que possuía o saldo negativo de R$ 20.918,05. Na decisão da DRF fl. 125 autoridade julgadora informa no Parecer Conclusivo que o verificou como retido o valor de R$ 16.693,22, referente a aplicações financeiras. Assim, reconheço este valor de saldo credor R$ 16.693,22, reconhecendo o pedido de restituição/compensação neste valor. Anocalendário 2000 Exercício 2001 Como o próprio acórdão recorrido reconheceu, as receitas financeiras do ano de 2000, conforme DIRFs de fls. 107/111, tem valores de R$ 1.527.135,12 (1.528.712,16 – 1.577,04) e o IRRF de R$ 307.059,14 (307.082,80 – 23,66). O referido acórdão também asseverou: “Como ela ofereceu à tributação a receita financeira de R$ 160.693,62, penso que pode ser aceito do IRRF por ela declarado de R$ 326.432,99, e do IRRF informado pelas fontes pagadoras, no valor de R$ 307.059,14, o valor de R$ 32.138,72, correspondente a 20% de R$ 160.693,62.” . Sobra de crédito pleiteado R$ 294.294,27 (R$ 326.432,99 R$ 32.138,72) Assim, reconheço o restante, ou seja, R$ 274.920,42 (R$ 307.059,14 – R$ 32.138,72). Quanto a diligência solicitada pela recorrente, como visto acima, é totalmente desnecessária, por isso negoa. Em face do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer, neste voto, o direito creditório no valor conforme tabela abaixo: AnoCalendário Direito Creditório Pleiteado em R$ Direito Creditório Reconhecido em R$ 1998 2.133,31 2.133,31 1999 20.918,05 16.693,22 Fl. 17DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 18 2000 294.294,27 (326.432,99 R$ 32.138,72) (remanescente) 274.920,42 Total 317.345,63 293.746,65 Sala das Sessões, em 16 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 18DF CARF MF Impresso em 20/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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