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Numero do processo: 10855.901987/2008-40
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/04/2004
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 1802-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/04/2004 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Por considerar pertinente, transcrevo o Relatório da decisão recorrida (fl.64) a seguir: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 19 87 /2 00 8- 40 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2372). Por intermédio do despacho decisório de fls. 03/04, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada compensação declarada no PER/Dcomp de n° 22090.19603.270904.1.3.041414, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.06/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/55, na qual alega erro de cálculo na DCTF, relativa ao 1° trimestre de 2004. A contribuinte apresentou quadros demonstrativos para comprovar o seu direito ao crédito, atinente ao pagamento da CSLL (cód: 2372), período de apuração: 1° trimestre de 2004, efetuado em 30/04/2004, bem como retificou a informação constante de sua DCTF, de forma a demonstrar os pontos de discordância apontados na impugnação. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1431.727, de 26 de novembro de 2010 (fls.65/68), cientificado ao interessado em 17/12/2010 (fl.72). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.65): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/04/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 24/01/2011, fls.73/74, no qual argúi, em síntese, que: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901987/200840 Acórdão n.º 1802001.722 S1TE02 Fl. 3 3 Quando na apuração da CSLL, a partir de 01/09/2003, por força do art. 22 da lei 10.684/2003, a base de cálculo, devida pela pessoa jurídica optante pelo lucro presumido foi interpretada de maneira errônea: 0 correto para receita bruta nas atividades comerciais, industriais e industrialização por encomenda é de 12%; Sendo que para receita bruta na atividade de industrialização por encomenda foi de 32%. Para demonstrar o erro no cálculo de apuração da CSLL do 1º trimestre de 2004, apresenta planilhas de cálculo, DARFs e Registro de Saídas dos meses de 01/2004, 02/2004 e 03/2004 (fls.76/104). Finalmente, requer seja homologada a compensação em lide. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado acima, a pessoa jurídica foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 1431.727, de 26 de novembro de 2010 (fls.65/68), em 17/12/2010 (sexta feira) conforme o Aviso de Recebimento (AR) juntado à fl.72, e, interpôs recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, somente em 24/01/2011, segundafeira) fls.73/74, portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo inicial o dia 20/12/2010(segunda feira) e final o dia 18/01/2011 (terça feira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto para não conhecêlo. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720022/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
DILIGÊNCIAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE FRETE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das despesas de frete, visto que o ônus da prova do direito creditório é do sujeito passivo e não da Fazenda Nacional.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às glosas decorrentes de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas. II - Pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação aos serviços não especificados (CFOP 1.949 e 2.949). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). DILIGÊNCIAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE FRETE. INDEFERIMENTO. Indefere-se a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das despesas de frete, visto que o ônus da prova do direito creditório é do sujeito passivo e não da Fazenda Nacional. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. Recurso Voluntário Negado.
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). DILIGÊNCIAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE FRETE. INDEFERIMENTO. Indeferese a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das despesas de frete, visto que o ônus da prova do direito creditório é do sujeito passivo e não da Fazenda Nacional. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às glosas decorrentes de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas. II Pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação aos serviços não especificados (CFOP 1.949 e 2.949). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 22 /2 00 8- 10 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, nãocumulativa, que remanesceram ao final do segundo trimestre de 2006. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: a) devolução de produtos que seriam utilizados como insumo: relata, a autoridade fiscal, que constatou por meio da análise do arquivo digital das notas fiscais de saída e da memória de cálculo (fl. 63), na qual a contribuinte declara os CFOP utilizados para a quantificação dos créditos da linha dois do DACON, que a mesmo não excluiu, da base de cálculo do crédito apurado, a totalidade das devoluções de bens que seriam utilizados no processo produtivo. Conclui que a diferença de R$ 17.033,23, apurada em relação aos valores dos registros com CFOP 5.201 e 6.201, foi reduzida da base de cálculo. b) referentes a serviços utilizados como insumo: b.1) serviços de transporte rodoviário de cargas na aquisição de insumos: relata a autoridade fiscal que o preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não foi efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Aponta como principais irregularidades: a emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço; o valor da nota fiscal informada no CTRC inferior ao nele informado; notas fiscais informadas nos CTRC não registradas no Livro de Registro de Entrada. Acrescenta que os “serviços de transporte muitas vezes superam o valor da própria mercadoria transportada e que as distâncias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios de frete praticados no mercado”. Conclui que “em função das deficiências encontradas a aferição da idoneidade dos documentos fica completamente prejudicada” b.2) serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessa, instada a apresentar a memória de cálculo para os créditos referente a linha três (Serviços Utilizados com Insumo), informou utilizar os CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Observa que enquanto o montante informado das operações com esse CFOP, para fins de creditamento, é de R$ 402.283,66, no RAIP e no RLE é de apenas R$ 18.125,72, sendo que “nenhuma das entradas do LRE solicita crédito de PIS e/ou COFINS". Acrescenta que efetuouse a glosa da totalidade do valor solicitado considerando que 95% deste não encontra respaldo na escrita fiscal e que entradas com o CFOP 1.949, “por referirse a outras entradas não previstas nos demais códigos, a princípio, não correspondem a bens e serviços utilizados como insumo”; Fl. 798DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 13 4 c) energia elétrica: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes às doações ao Hospital Annegret Neitzke e ao pagamento de juros e multa de mora e correção monetária decorrentes de pagamentos extemporâneos; d) alugueis de prédios: foi glosado o valor indicado no contrato de locação como despesa de energia elétrica, por não integrar tal despesa o valor do aluguel contratado; e) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores referentes às despesas com locação de caminhões e carrocerias reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda., pois, de acordo com a NCM, “caminhão é espécie do gênero veículo e não do gênero máquina”; Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade com as alegações que seguem. Inicialmente, a contribuinte contesta a glosa dos valores referentes às devoluções de bens que seriam utilizados como insumo, alegando que “está habilitada a comprar insumos com suspensão – e estes não geram direito de crédito – a eventual devolução não pode ser deduzida da base de cálculo, como ocorreu no caso”. Explica que considerou na devolução apenas o que não era suspensão, conforme fazem prova as notas fiscais de aquisição de números 210, 298042 e as respectivas notas de devolução números 19722 e 20403. Quanto aos serviços de transporte rodoviário de cargas na aquisição de insumos, a contribuinte alega que não existem os supostos “vícios formais” a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. Explica: que diariamente contratava fretes de terceiras pessoas as quais transportavam madeira bruta das florestas até seu estabelecimento; que tais serviços eram realizados por pessoas humildes que, muitas vezes, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período. Argumenta que a referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes e não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores. Ao final pugna que “caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito”. Por fim, a contribuinte manifestase contra as glosas das aquisições de serviços não especificados, argumentando que os valores das entradas com CFOP 1.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3o, II, da Lei 10.637/2002. Alega que, com o mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem, e que a Autoridade Administrativa, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 799DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 14 5 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que merece reforma a decisão recorrida. Com relação ao ônus da prova, entende a recorrente que a regra de quem alega deve provar não é absoluta, pois vige para o Fisco o princípio da busca pela verdade material buscando a satisfação do interesse público, que é corolário do princípio da legalidade. Sustenta que se falhou na comprovação dos fatos que a autoridade reputa pertinente, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruílo, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado. Conclui este tópico com a afirmação de que a autoridade administrativa não pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na comprovação de seu direito. No que tange a glosa da despesa com frete na aquisição de insumos (CFOP 1352), argumenta que nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, o serviço que for utilizado como insumo possibilita à pessoa jurídica a realização de um desconto tributável. Neste sentido, o frete, como elemento necessário a chegada do insumo no estabelecimento fabril, também pode ser enquadrado como insumo. Alega que o frete encaixase facilmente no conceito de insumo, haja vista que o mesmo é necessário a chegada da matériaprima ao estabelecimento fabril, ou seja, este item configura um serviço aplicado na fabricação do bem destinado a venda. Cita Solução de Consulta. Defende a tese de que se os conhecimentos se prestaram para o reconhecimento da dívida de PIS e Cofins, cujo valor foi recolhido, é evidente que os mesmos se prestarão para o reconhecimento dos créditos. Afirma que não é cabível o entendimento de que os elementos intrínsecos aos conhecimentos de transporte não estavam postos a evidência no presente caso. Se a autoridade Fl. 800DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 15 6 julgadora sente falta de elementos probatórios nos autos, deve instruir o feito, de modo a sanar suas dúvidas. Destaca que o fato de os transportes se referirem, em parte, a produtos adquiridos de pessoas físicas, não tem o condão de limitar ou excluir a possibilidade da percepção de créditos. Esclarece que não são as pessoas físicas que fazem o transporte e sim as pessoas jurídicas, situação que é apta a ensejar o crédito. Menciona que a situação de parte da mercadoria ter sido remetida com referência “a pagar” em nada altera a relação jurídica existente, pois quem sofreu o ônus da exação tributária merece ter o crédito repetido. No que se refere as glosas dos serviços não especificados (CFOP 1949 e 2949) por não se enquadrem no conceito de insumos, argumenta, com base em doutrina, que o conceito legal de insumos é muito mais amplo que o de matériasprimas, de produtos intermediários ou de materiais de embalagem. Defende a tese de que caracteriza insumo toda e qualquer despesa e investimento que contribui para um resultado ou para a obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final, ou seja, insumo é o conjunto de fatores necessários para que a empresa desenvolva sua atividade. Discorda da tese do acórdão recorrido de que o serviço de extração de madeira é etapa anterior ao processo produtivo, pois o corte da madeira é efetuado com base nas exigências feitas pela recorrente. Alega que a matériaprima não é encontrada em qualquer lugar, uma vez que precisa ser tratada como exige a fabricação dos artefatos de madeira. Assim, a partir do momento em que a árvore está sendo cortada já se iniciou o processo produtivo da empresa. Afirma que a empresa não adquire seu produto de madeireiras ou similares, visto que compra diretamente na terra, de forma que não há intermediação entre o momento em que a árvore é extraída da terra e a hora em que é cortada na serraria da recorrente. Seu processo industrial começa já no momento em que seus prestadores de serviços se dirigem até a localidade onde estão as árvores e realizam o corte da forma exigida pela recorrente. A recorrente discorda das glosas relativas às despesas com serviços de reparos de máquinas, pois essas despesas se enquadram no conceito de insumo. Alega que os bens adquiridos pela recorrente não fazem parte de seu ativo imobilizado, mas apenas são utilizados para reposição e manutenção de seus veículos e maquinário utilizados na produção. Cita Soluções de Consulta sobre o tema. Por fim, requer o recebimento e apreciação de seu recurso voluntário para o efeito de reconhecer o direito da recorrente de ressarcirse dos créditos da contribuição para o PIS, relativos ao 3º trimestre do ano de 2006, no que toca as despesas realizadas com (i) frete na aquisição (ii) serviços de exploração de florestas e manutenção de máquinas. É o relatório. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 16 7 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. As matérias serão enfrentadas em tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 – Glosa de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas (CFOP 1.352) A recorrente insurgiuse parcialmente contra a glosa dos créditos decorrentes de despesas de fretes nas aquisições de produtos (CFOP 1.352). Ao contrário do alegado, a decisão de primeira instância reconheceu que a recorrente pode descontar créditos em relação as despesas de fretes nas aquisições de produtos, todavia tem que comprovar a natureza das operações e a sua efetiva realização. Assim, a discussão limitase a aferição da força probante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC), como bem colocado pela decisão de primeira instância. Sobre essa matéria, a autoridade fiscal após exame dos CTRC relatou: Evidenciouse, por meio da análise dos arquivos digitais e da conferência física das notas fiscais, que a grande maioria dos CTRC (Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas) padece dos requisitos formais exigidos pelo regulamento do ICMS a que se sujeita a requerente (RICMS/SC 2001, Anexo V, artigos 63 a 71). Dentre as principais irregularidades destacamse: a) A emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço de transporte o que é expressamente vedado pelo art. 65 do RICMS/SC e que a nota fiscal informada no CTRC é de valor inferior ao nele informado. São alguns exemplos desses fatos as cópias dos CTRC anexas aos autos às fls. 385 a 390; b) Muitas das notas fiscais informadas nos CRTC não estão registradas no Livro Registro de Entrada, ou seja, a nota fiscal informada no CTRC não figura nos registros fiscais e/ou contábeis da requerente. São exemplos os CTRC juntados ao processo às fls. 408 a 410 e 412 a 415; Constatouse que os problemas no preenchimento dos CRTC ocorreram exclusivamente com os transportadores locais ou de cidades limítrofes à sede da requerente. Importante nesse momento o registro de que tais serviços de transporte muitas vezes superam o valor da própria mercadoria transportada e que as distâncias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios de frete praticados no Fl. 802DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 17 8 mercado. Tomemos como exemplo o CTRC juntado aos autos à fl. 385 que percorreu uma distância inferior a 50km entre a origem no município de Otacílio Costa e o destino no município de Pouso Redondo, segundo o sítio http://wvvrw.mapainterativo.ciasc.gov.br/tabeladistancias.php, e custou à requerente R$ 6.209,49 (seis mil duzentos e nove reais e quarenta e nove centavos). A tese da recorrente, de que se falhou na comprovação dos fatos, a autoridade julgadora deverá converter o processo em diligência para novamente instruílo, não merece prosperar. O § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 803DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 18 9 processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Por seu turno, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetivamente as despesas de frete foram realizadas e pagas, a recorrente tinha por obrigação legal de juntar aos autos administrativos os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Assim sendo, os CTRC questionados não são hábeis e idôneos para o reconhecimento da legitimidade dos créditos da Cofins. De modo que é inaceitável a forma suscitada pela recorrente de conversão em diligência para a comprovação dos pretensos créditos. Nessa esteira, é sobremodo assinalar que deve ser indeferida a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das demais despesas de frete, uma vez, como visto, o ônus da prova do direito creditório é da requerente e não da Fazenda Nacional. Além disso, a recorrente não apresentou quaisquer elementos probatórios que invalidasse as glosas feitas pela fiscalização. De fato, as irregularidades apontadas pela fiscalização impedem o direito de descontar créditos com despesas de fretes, a exemplo de notas fiscais que não foram registradas no Livro Registro de Entrada, em outras não há a descrição satisfatória dos produtos adquiridos. Além do mais, existem CTRC com data de emissão posterior a data registrada como de entrada da mercadoria transportada. Diferentemente do alegado, não é viável o reconhecimento dos créditos sem a efetiva comprovação dos serviços prestados, pois o direito ao crédito requer exame minucioso dos serviços prestados e do processo produtivo. Como visto não se trata de simples falhas no sistema de emissão dos conhecimentos de frete, mas a falta de comprovação da efetiva realização e pagamentos dos serviços. Ademais, não há provas de que os transportadores recolheram as contribuições PIS e Cofins sobre esses fretes. Em suma, a autoridade fiscal acertadamente glosou os créditos, pois os aludidos CRTC não contêm os elementos comprobatórios necessários para caracterizar uma operação de transporte de insumos adquiridos. 2 – glosas dos serviços não especificados (CFOP 1949) Esta controvérsia tem por objeto o direito de descontar créditos sobre serviços prestados por pessoa jurídica na extração de madeira e manutenção de máquinas. Como visto, a recorrente defende uma interpretação extensiva do conceito de insumo. Sustenta que insumo é o conjunto de fatores necessários para que a empresa desenvolva sua atividade. Com efeito, a solução deste tópico envolve o conceito de insumo. Segundo o art. 3º, inciso II, Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, disciplina, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços, utilizados Fl. 804DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 19 10 como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (...) (grifouse) Fl. 805DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 20 11 Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição PIS. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa (IN) nº 247/2002 (redação dada pela IN SRF nº 358/03), regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 806DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 21 12 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)(grifouse) Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade da Cofins. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade da Cofins especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos Fl. 807DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 22 13 passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na 247/2002. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direto tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumos corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Consignese, por oportuno, que a autoridade fiscal no Despacho Decisório manifestou expressamente no sentido de que créditos mencionados no CFOP 1.949 não corresponde a serviço utilizado como insumo suscetível de creditamento no regime não cumulativo do PIS/Pasep e Cofins. Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços prestados por pessoas jurídicas de extração de madeira (empreiteiras de mão de obra) não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. Neste caso, a produção iniciase com a transformação da matériaprima (madeira), de sorte que a extração é uma etapa prévia do processo produtivo. É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo, todavia tais serviços não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Do exame dos elementos probatórios, é forçoso concluir que são serviços preliminares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Em relação ao direito de descontar créditos com a manutenção de máquinas é importante consignar que antes de discutir o direito, é preciso examinar os elementos probatórios que susteriam esse direito. A recorrente não apresentou os documentos fiscais que sustentariam seu direito. As notas fiscais colacionadas em seus recursos não se referem a serviços de manutenção de máquinas, como bem assentado pela decisão “a quo”, de tal modo que não são documentos hábeis e idôneos para gerar eventuais créditos. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 23 14 Destarte, a autoridade fiscal acertadamente glosou os créditos, pois os documentos fiscais apresentados não contêm os elementos necessários para configurar uma operação de aquisição de insumos. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 809DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10830.008164/2001-55
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. PRODUTOS IMPORTADOS DESTINADOS À INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DO IPI. LEI Nº 9.826/99, ART. 5º. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. EFEITOS.
Tendo sido reconhecido em processo administrativo com decisão transitada em julgado, que o contribuinte realizou operações de industrialização de produtos importados sob a modalidade de reacondicionamento, com posterior venda destinada a montadoras de veículos, fazendo jus a suspensão do IPI prevista no art. 5º, da Lei nº 9.826/99, pode ser mantido o crédito de IPI decorrente das respectivas aquisições, e, consequentemente, haverá direito ao ressarcimento, ou compensação com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74, da Lei nº 9.420/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-002.067
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Guilherme Augusto Abdalla Rosinha OAB/SP 306482.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Caros Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. PRODUTOS IMPORTADOS DESTINADOS À INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DO IPI. LEI Nº 9.826/99, ART. 5º. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Tendo sido reconhecido em processo administrativo com decisão transitada em julgado, que o contribuinte realizou operações de industrialização de produtos importados sob a modalidade de reacondicionamento, com posterior venda destinada a montadoras de veículos, fazendo jus a suspensão do IPI prevista no art. 5º, da Lei nº 9.826/99, pode ser mantido o crédito de IPI decorrente das respectivas aquisições, e, consequentemente, haverá direito ao ressarcimento, ou compensação com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74, da Lei nº 9.420/96. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Guilherme Augusto Abdalla Rosinha OAB/SP 306482. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 81 64 /2 00 1- 55 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Caros Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10830.008164/200155 Acórdão n.º 3402002.067 S3C4T2 Fl. 1.335 3 Relatório Versam estes autos de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao 3º Trimestre do anocalendário de 2001, no montante de R$ 59.549,74 (cinquenta e nove mil, quinhentos e quarenta e nove reais e setenta e quatro centavos), vinculado a Pedidos de Compensações nesses próprios autos e nos autos apensados de nº 10830.003134/200314. A DRF de Campinas houve por bem indeferir o ressarcimento e consequentemente a compensação pleiteada ao fundamento da inexistência de saldo credor, após ter procedido à recomposição da escrita fiscal do sujeito passivo, por entender que as operações de importação e subsequente revenda, no mercado interno, de clips de metal e plásticos destinados à montadoras de veículos, não poderiam sair ao abrigo da suspensão do IPI, nos termos do art. 5º, da Lei nº 9.826/99, sendolhe portanto vedada a manutenção dos respectivos créditos, pois que se tratava de uma simples revenda sem submissão a processo industrial. Ao proceder a recomposição da escrita, a Administração ainda lavrou o Auto de Infração nº 10830.006348/200512. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 20/12/2005 (fl. 132) o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, pela qual, em apertada síntese, defendeu que somente com a alteração introduzida pela Lei n° 10.485/2002 restaram afastados do beneficio da suspensão os estabelecimentos que importassem as peças e não as empregassem na produção de veículos ou de peças a serem a eles destinadas, bem como, que com a IN n° 235/02, que regulou o citado dispositivo legal, não teria vedado expressamente a hipótese de suspensão, de modo que conclui que é somente a Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT que definiu tal impossibilidade, acabando por contrariar as disposições dos art. 153, da Constituição Federal e arts. 46 e 51, do CTN. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de inconformidade, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), proferiu o Acórdão nº 1413.941, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa constou do seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Extinguindose o saldo credor de IPI do trimestrecalendário, em virtude do lançamento de imposto e reconstituição da escrita fiscal, indeferese o pedido de ressarcimento. REVENDA DE MATERIAS IMPORTADOS DESTINADOS À FABRICAÇÃO DE VEÍCULOS. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Não há previsão legal que ampare a suspensão do IPI na revenda de materiais importados destinados à fabricação de veículos.” Em apertada síntese, a DRJ/RPO aplicou a decisão proferida nos autos do Processo nº 10830.006348/200512, que versava sobre o Auto de Infração proveniente da reconstituição da escrita do sujeito passivo, e, considerando que o mesmo fora concomitantemente julgado de modo desfavorável ao contribuinte, restara reconhecida a inexistência de saldo credor passível de ressarcimento e correlatas compensações. Aplicou, em síntese, o mesmo desfecho e entendimento de mérito extraído dos autos que julgou o auto de infração proveniente da reconstituição da escrita fiscal, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o indeferimento dos pedidos de ressarcimento e compensação. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de 1ª Instância em 09/04/2007, conforme AR de fls. 198 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 09/05/2007, Recurso Voluntário a este Conselho, que além de repisar os argumentos já apresentados em sua manifestação de inconformidade, aduz relação deste feito com o relativo ao auto de infração (Processo nº 10830.006348/200512), noticiando ter nele igualmente apresentado recurso voluntário que aguardaria julgamento que viria a interferir diretamente no caso sob exame, sendo que requer, ao final, o provimento do Recurso Voluntário. DO JULMENTO EM 2ª INSTÂNCIA Distribuído à 4ª Câmara do extinto 2º Conselho de Contribuintes, o processo foi a julgamento em sessão datada de 07/08/2008, tendo sido convertido em diligência no sentido de que “devem os autos retomar à repartição preparadora para juntar a cópia da decisão final proferida nos autos do Processo n° 10830.006348/200512 de que depende o julgamento deste.” DA DILIGÊNCIA Após baixar à origem, que constatou não haver decisão no citado Processo n° 10830.006348/200512, devolvendo ao Conselho pois que o mesmo alí se encontrava, o processo foi novamente posto em pauta de julgamento, e este, por sua vez, em novo julgamento proferido em 09/06/2009, foi novamente convertido em diligência, para que o processo ora sob análise ficasse com o processamento sobrestado até que se tivesse decisão definitiva naquele feito, sendo que, às fls. 320 – numeração eletrônica, foi expedido Despacho de Encaminhamento ao CARF, informando que houvera a juntada da decisão proferida naqueles autos, dando conta, ainda, que o processo em questão já se encontraria arquivado após ciência da PFN. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes e demais folhas eletronicamente anexadas, numerados até a folha 320 (trezentos e vinte), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10830.008164/200155 Acórdão n.º 3402002.067 S3C4T2 Fl. 1.336 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelas manifestações proferidas anteriormente, seja do extinto 2º Conselho de Contribuintes, seja já da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que após veio a ser convertida nesta 4ª Câmara, 2ª Turma, o caso sob exame encerra uma relação de “causa e efeito” em relação ao Processo n° 10830.006348/200512, que tratou de julgar o mérito da recomposição da escrita fiscal do sujeito passivo. Naquele feito, discutiuse se o contribuinte fazia jus em promover às saídas de materiais por ele importados (clips de metal e plásticos destinados à empresas montadoras de veículos), ao abrigo da suspensão do IPI prevista no art. 5º, da Lei nº 9.826/99, e, consequentemente, se poderia manter os créditos das respectivas entradas. Como consequência, se era possível ao sujeito passivo assim agir, teria ele direito ao ressarcimento do saldo credor; se, por outro lado, não poderia valerse da suspensão do IPI por não lhe favorecer o tratamento legal respectivo, deveriam referidas operações serem tributadas pelo imposto, o que acabaria por “consumir” os créditos oriundos das aquisições/entradas dos produtos, e, consequentemente, estaria exaurido o saldo credor passível de ressarcimento e compensação, estes sim, objeto de análise nestes autos. Portanto, o julgamento deste feito está atrelado ao julgamento do processo que definiu a recomposição da escrita, e, conforme consta dos autos, às folhas 302 a 317 – numeração eletrônica, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste Conselho, proferiu em 03/02/2001 o Acórdão nº 340300.805, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01 /07/2000 a 30/09/2001 PROCEDIMENTO FISCAL DE LANÇAMENTO. EMINENTEMENTE INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO DEFESA. INEXISTÊNCIA. O procedimento fiscal que antecede o lançamento, onde a autoridade administrativa certifica o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo, é regido pelo sistema inquisitorial, não se verificando nesta etapa a existência de litígio a deflagrar o contraditório e a ampla defesa nos moldes definidos, pelo art. 5º, LV da CF/88, não havendo, portanto, que se falar em cerceamento do direito de defesa neste momento. DILIGÊNCIAS/PERICIAS. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A realização de diligências e/ou perícias tem por escopo espancar dúvidas surgidas no íntimo do julgador, que se as Fl. 329DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 entender impertinentes ou desnecessárias poderá indeferilas fundamentadamente, ainda que com isso não concorde o requerente, não se qualificando esta situação como hipótese de cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DEDIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2001 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. O Imposto sobre Produtos Industrializados IPI é tributo submetido ao regime do lançamento por homologação, art. 150 do Código Tributário Nacional, de tal sorte que a apuração e o recolhimento do tributo são cometidas ao contribuinte e sujeito à homologação por parte da autoridade administrativa, o que, em não se concretizando de forma expressa e desde que tenha havido a “antecipação” do pagamento, nos termos da legislação de regência, ocorre tacitamente em 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2001 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. REACONDICIONAMENTO. Para a incidência do IPI se considera como industrialização inclusive a alteração na apresentação do produto, ou seja, o seu reacondicionamento, excepcionandose exclusivamente a hipótese de acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto (Lei n° 4.502/64, art. 3º, p.u.). Por isso o Regulamento é estruturado de tal modo que a falta de atendimento de qualquer uma das condições para configurar acondicionamento para mero transporte implica na caracterização de acondicionamento de apresentação, fazendo incidir o IPI. Não é necessário que na embalagem haja apelo de propaganda ou valorização do produto, bastando que ocorra a mudança de apresentação, com alteração do tamanho, rotulagem de identificação do produtor e a etiquetagem descrevendo o conteúdo. Recurso Voluntário Provido.” Em síntese, entendeu a Colenda 3ª Turma Ordinária desta 4ª Câmara, em sua Douta maioria, que a Recorrente não realizava operações de simples revenda dos materiais por ela importados, mas antes submetiaos a processo de reacondicionamento, caracterizando uma das modalidades de “industrialização”, e como tal, faria jus ao beneplácito da suspensão do IPI nas operações de venda desses produtos as empresas montadoras de veículos. Considerando que a Fazenda Nacional foi devidamente intimada (fls. 318, n.e.), e há informação fiscal de que o referido Processo n° 10830.006348/200512, inclusive já Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10830.008164/200155 Acórdão n.º 3402002.067 S3C4T2 Fl. 1.337 7 se encontraria arquivado (fl. 320 – n.e.), houvera o trânsito em julgado da decisão administrativa, formandose a chamada “coisa julgada administrativa”, que reconhecera de modo definitivo entre o sujeito passivo em questão e a Administração, a inexistência de relação jurídica que permitisse à administração reconstituir a sua escrita para considerar o IPI como custo de importação, já que restara reconhecido que havia operação de industrialização sob a modalidade de reacondicionamento. Consequentemente, tenho que resta apenas aplicar aqui nestes autos, a interpretação que foi proferida no Processo n° 10830.006348/200512, eis que o julgamento daquele processo, deste é precedente e determinante. Tendo havido o cancelamento do auto de infração que fora constituído justamente pelo fundamento de que o contribuinte promoveria “simples revenda” e na condição de “equiparado a industrial” não faria jus à suspensão do IPI (já que seria necessário, no seu entendimento, que fosse concretamente realizado processo industrial não bastando a equiparação), resta claro que, promovendo operação de industrialização sob a modalidade de reacondicionamento, lhe assistia o direito a suspensão e à manutenção do IPI. Deve, portanto, ficar consignado que embora tenham sido apresentados documentos e livros pelo sujeito passivo, ainda na fase de fiscalização instaurada em face do pedido de ressarcimento, o motivo que levou ao indeferimento do pedido decorreu exclusivamente da interpretação de que a suspensão do IPI não se aplicaria aos “estabelecimentos comerciais equiparados a industriais”. Portanto, embora neste voto esteja havendo o reconhecimento do direito à suspensão do IPI em tais operações, o efetivo ressarcimento e respectivas homologações serão decorrência da análise que a autoridade preparadora deverá promover à vista dos documentos e registros do sujeito passivo. Consequentemente, o provimento que aqui se dá não é integral, pois que entendo que não há elementos suficientes para que seja de pronto deferido por esta Turma o ressarcimento e homologadas as compensações, de modo que neste particular não é viável atender ao contido no recurso, pois que dependerá das análises a cargo da autoridade executora deste julgado. Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 15586.000615/2007-54
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. TERMO A QUO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08,
declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de
24/07/91. Tratando-se
de tributo sujeito ao lançamento por homologação,
que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as
regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Assim, comprovado nos
autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário,
aplica-se
o disposto no artigo 173, I.
Encontram-se
atingidos pela decadência os fatos geradores referentes
competência 02/1999.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGATORIEDADE DE
RETENÇÃO.
Consoante art. 31 da lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços
executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de
trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da
nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da
empresa cedente da mão de obra, a importância retida.
Apenas os fatos geradores devidamente demonstrados pela fiscalização
caracterizam a hipótese de incidência legal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a
decadência referente a competência 02/1999, julgar totalmente improcedente o
levantamento FRE-FREE
FAST RETENCAO e parcialmente procedente o levantamento
ZEX-ZARAS
EXPRESS RETENCAO, mantendo, nesse caso, apenas a competência
06/2005, valor de base cálculo R$ 2.900,00.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Encontramse atingidos pela decadência os fatos geradores referentes competência 02/1999. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO. Consoante art. 31 da lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Apenas os fatos geradores devidamente demonstrados pela fiscalização caracterizam a hipótese de incidência legal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência referente a competência 02/1999, julgar totalmente improcedente o levantamento FRE FREE FAST RETENCAO e parcialmente procedente o levantamento ZEX ZARAS EXPRESS RETENCAO, mantendo, nesse caso, apenas a competência 06/2005, valor de base cálculo R$ 2.900,00. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Nome do Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Leôncio Nobre de Medeiros. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a falta de retenção de 11% incidentes sobre o valor dos serviços contidos nas Notas Fiscais de Serviços emitidas pelas empresas Free Fast Express LTDA, RCA, Scorpions Segurança e Vigilância LTDA e Zaras Expressw LTDA. A DecisãoNotificação – fls 164 e ss, conclui, por maioria, pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : 1 Presunção Relativa na identificação do Fato Gerador Ausência de Diligência Fiscal para elaboração de Relatório Fiscal Complementar Nulidade dos Lançamentos. o Entenderam os ilustres julgadores Leonairdo Martins Soares e José Calp Neto, tratarse de vícios que ensejaram a propositura de diligencia fiscal poderiam ser plenamente sanáveis pela autoridade lançadora através do• Relatório Fiscal Complementar, logo, há de ser considerado o voto dos ilustres julgadores, afim de que se exclua do presente auto de infração os valores relativos à prestação de serviços efetuados pelas empresas Free Fast Express Ltda serviços com motoboys, Scorpions Segurança e Vigilância Ltda serviços de vigilância e RCA Vigilância serviços com vigilância e Zaras Express Ltda serviços de entregas com motocicletas. o Conforme exposto pelos ilustres julgadores, da leitura do REFISC pôdese constatar, que o AFRFB não enquadrou os serviços de entrega realizados pelas empresas Free Fast e Zaras Express dentre aqueles contidos nos incisos do parágrafo 4°, do art. 31c/c parágrafo 2° do art. 219 do RPS, enquadramento suficiente e necessário para que a autoridade fiscal procedesse aos levantamentos FRE e ZEX efetuados. o Embora possase imaginar que os serviços constantes dos levantamentos FRE e ZEX tenham sido prestados na área de "entrega de contas e documentos" (inciso XIII do Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR parágrafo 2°, do art. 219 do Decreto 3.048/99 fls. 173 do presente decisório), foi ressaltado pelo ilustre julgador que, pela leitura do Relatório Fiscal da NFLD e dos demais documentos constitutivos do presente crédito, não há como inferir, de forma clara e inequívoca, que os serviços prestados pelas contratadas referentes a "serviços de entregas com motoboys" e serviços de entrega com motociclistas apontados pelo AFRFB notificante no Relatório de Lançamentos de fls 18/22 sejam referentes ao enquadramento ora proposto, uma vez que as descrições acima podem abranger inúmeros tipos de serviços executados mediante cessão de mãodeObra que não se enquadram nas hipóteses de incidência do art. 219 do RPS. 2 Os serviços prestados pelas empresas acima, apesar terem sido enquadrados pela ilustre julgadora como insertos no inciso II do parágrafo 4°, do art. 31 da Lei 8.212 c/c incisos I, II e XIII do parágrafo 2°, do art. 219 RPS, sendo que os elementos caracterizadores dos fatos geradores da obrigação previdenciária atinentes aos serviços prestados pelas empresas de entregas não permite concluir no sentido do referido enquadramento. 3 Decadência ao período exigido anterior a 2002 4 Não responsabilidade da fonte pagadora pelo recolhimento de contribuições previdenciárias em virtude desta não ter retido tais contribuições. o A fonte pagadora, no caso a impugnante, não é contribuinte, nem responsável por substituição ou por transferência e nem tem responsabilidade solidária ou subsidiária relativamente ao imposto que deve reter e recolher, independentemente de se tratar de antecipação ou tributação definitiva. o A obrigação da fonte pagadora de reter e recolher a antecipação ou o imposto definitivo, ainda que não retidos, é apenas acessória, por ter a sua disposição os valores a serem pagos a terceiros, em razão de relações extra tributárias, sendo, portanto, mera retentora e repassadora do tributo, tanto na hipótese de antecipação como de tributação definitiva. É isso que devemos relevar para o caso em tela, em que a impugnante repassou totalmente os valores a serem pagos tanto a terceiros como aos produtores rurais. Por não ser a obrigação da fonte qualificada como principal, ou seja, Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR por não ser contribuinte ou responsável, é que a fonte não tem legitimidade para impugnar a exigência ou pedir restituição e, no caso de não recolhimento do valor retido, lhe é imputado crime de apropriação indébita, diversamente do contribuinte ou responsável, em que o não recolhimento caracteriza apenas inadimplência. o Assim sendo, se não houver lei designando expressamente a fonte como contribuinte, responsável ou substituto tributário, o contribuinte é sempre o beneficiário do rendimento, quer a tributação seja definitiva ou por antecipação, razão pela qual compete ao beneficiário e não A fonte pagadora incluir na declaração anual a antecipação e o respectivo rendimento, bem assim os rendimentos tributados exclusivamente na fonte 5 Requer o acolhimento e a decretação da procedência deste recurso voluntário, determinandose, a reforma do decisório de primeira instância, para o fim de decretar a total improcedência da autuação em relação aos valores tributados anteriores a 2002, tendo em vista terse operado a decadência do Fisco de lançá los, bem como a improcedência total do presente auto de infração lavrado, face As atuações relativamente presumidas, bem como da ausência de responsabilidade da fonte pagadora, tendo a vista a mesma não ter retidos tais contribuições, repassando o valor integral das notas fiscais ao prestador de serviços. É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Aplicandose as regras dos arts. 150 ou 173, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 07/2002, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 22/08/2007. Com o período reconhecido, apenas a competência 02/1999 encontrase atingida pela decadência, pois as demais competências lavradas estão fora do período decadencial. DA RETENÇÃO OBRIGATÓRIA Dentre a legislação aplicável ao tema, temos o art. 219 do Regulamento Fl. 262DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3048/99: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãode obra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; ... XIII entrega de contas e documentos; O Relatório de lançamentos, em relação a prestadora FREE FAST, indica como fato gerador a nota fiscal examinada, com o seguinte histórico: Nf [...] Serviços de entrega Motoboy . O relatório fiscal não traz maiores esclarecimentos acerca do serviço prestado. No levantamento ZEX o quadro se repete, constando do relatório de lançamentos o histórico: Serviços de entregas com Motociclistas/motoboys. Apenas na competência 06/2005 há expressa menção “NF 576 Serviços de entregas de documentos com Motociclistas. A legislação retro determina que apenas os serviços de entrega de contas e documentos sujeitamse a retenção obrigatória, dessa feita, como consta apenas no relatório de lançamentos serviços de entrega com motoboy/motociclista, não vejo como enquadrar o fato descrito à norma posta, uma vez que há várias modalidades de serviços de entrega que não se referem a contas e documentos. Nesse caso, deveria o Auditor notificante ter solicitado esclarecimentos a empresa fiscalizada e, somente na falta destes, poderseia admitir o devido arbitramento, o que não ocorreu. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Ressalvamos a competência 06/2005 do levantamento ZEX, onde o fato gerador foi corretamente demonstrado, evidenciando o valor, competência, serviço prestado e nota fiscal examinada. Apesar de todas as informações necessárias a defesa, tal fato não foi expressamente impugnado pelo contribuinte, na linha dos arts. 16 e 17 do decreto 70.235/72, restando assim incontroverso, devendo este lançamento ser mantido. O mesmo ocorre com o levantamento RCA VIGILANCIA E SEG, em 04/2005, que igualmente deve ser mantido. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, DOUlhe parcial provimento para reconhecer a decadência referente a competência 02/1999, julgar totalmente improcedente o levantamento FRE FREE FAST e parcialmente procedente o levantamento ZEX ZARAS EXPRESS, mantendo, nesse caso, apenas a competência 06/2005, valor de base cálculo R$ 2.900,00. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10840.003584/2004-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.367
Decisão: RESOLUÇÃO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral recorrente Dr. Ralph Melles Sticca- OAB/SP 236.471
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, José Luiz Bordignon, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral recorrente Dr. Ralph Melles Sticca- OAB/SP 236.471 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, José Luiz Bordignon, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral recorrente Dr. Ralph Melles Sticca OAB/SP 236.471 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, José Luiz Bordignon, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 03 58 4/ 20 04 -7 9 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003584/200479 Resolução nº 3801000.367 S3TE01 Fl. 112 2 Tratase de Recurso Voluntário proposto pela Recorrente, CRYSTALSERV COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, em face da decisão proferida pela douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que entendeu por bem manter a decisão da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto que não homologou a compensação apresentada pela Recorrente por insuficiência de créditos passíveis de compensação. Pelo o que se depreende dos autos, a Recorrente apresentou, perante a Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), declaração de compensação, indicando créditos de COFINS. Ocorre que, em procedimento administrativo fiscal anterior à análise do presente pedido de compensação, foi constado que a Recorrente, ao invés de possuir créditos da referida contribuição, em verdade, possuía débitos passíveis de pagamento, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração de nº 15956.000314/200856 para constituição e cobrança do crédito tributário. Neste sentido, foi o relato do acórdão recorrido. Confirase: “Na informação fiscal (fls. 116/118), que acompanha o despacho denegatorio, foi relatado, em breve resumo, que do cálculo do crédito da Cofins demonstrado na ficha 06 do DACON, referentes do Io ao 4o trimestre de 2004, foram glosados valores relativos a pagamentos com fretes e armazenagem anexo IV e glosa do excesso de crédito presumido calculado sobre operações de Hedge anexo III. Igualmente, efetuou ajustes na ficha 07 do DACON, referente a receitas que não podem ser consideradas como de exportação, resultando num novo valor de Cofins devida, apurada após esgotados os créditos já ajustados, resultando no saldo devedor, no mês, de R$ 516.070,66. Assim, no mês de junho de 2004, inexistia valor de créditos de Cofins a serem compensados.”. (fls. 238 e seguintes) O referido Auto de Infração encontrase pendente de julgamento junto à 4ª Câmara, da 2º Turma da 3ª. Seção do CARF. Analisando o litígio, a DRJRibeirão Preto/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 238), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/05/2006 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO. DE PREÇO. SISCOMEX. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para fins de gozo de benefício fiscal, obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no Siscomex. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003584/200479 Resolução nº 3801000.367 S3TE01 Fl. 113 3 CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA A aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação por empresas comerciais exportadoras goza do benefício da nãoincidência, que, por conseqüência natural do regime da nãocumulatividade da contribuição, resulta na inexistência do direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins nãocumulativa. HEDGE. CRÉDITOS SOBRE PERDAS. O crédito presumido relativo a perdas com hedge verificase quando, em determinado período de apuração mensal, as perdas superam os ganhos totais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/05/2006 DECORRÊNCIA. REVISÃO DE CRÉDITO DA COFINS. Tendo a apuração do crédito da Cofins sido objeto de análise e revisão em procedimento fiscal anterior, a decisão ali adotada, deve ser igualmente aplicada neste processo, pois foi baseada nas mesmas razões de direito e nos mesmos elementos de prova. Às fls. 257 e seguintes, consta recurso voluntário apresentado tempestivamente pela Recorrente que, após fazer relato dos fatos, traz as seguintes alegações, em resumo: · Que faz jus aos créditos de PIS e COFINS oriundos de gastos com frete e armazenagem, mesmo sendo uma empresa comercial exportadora, uma vez que, caso não lhe seja concedido este direito de creditamento, restará violado o princípio da nãocumulatividade das referidas contribuições. · Que a fiscalização se equivocou ao não reconhecer os créditos presumidos calculados sobre as perdas financeiras nas operações de HEDGE e que a sistemática de apuração dos referidos créditos, que foi adotada pela Recorrente, é a prevista na legislação em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003584/200479 Resolução nº 3801000.367 S3TE01 Fl. 114 4 VOTO Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como se depreende do relatório acima, a Recorrente sofreu procedimento de fiscalização instaurado pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), que culminou na lavratura do Auto de Infração de nº 15956.000314/200856. No Auto de Infração lavrado, além de não reconhecer os créditos tributários indicados pelo Recorrente no pedido de compensação objeto do presente procedimento administrativo, a fiscalização constituiu créditos tributários em desfavor do Recorrente. Ademais, pela simples leitura do relatório da fiscalização anexo aos autos, que, inclusive, foi utilizado pela Delegacia de Ribeirão Preto como balizamento para o indeferimento da compensação pleiteada, naquele Auto de Infração discutese a mesma matéria invocada pelo Recorrente em suas razões recursais. Ou seja, como os procedimentos – o Auto de Infração e o presente pedido de compensação – estão afetados por julgadores distintos, correse o risco de haver decisões conflituosas, que trarão grande insegurança jurídica às partes envolvidas, tanto para o Recorrente como para a Fazenda Nacional. Como a própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto alegou, o certo, in casu, seria o julgamento em conjunto destes processos. Confirase as alegações do eminente relator neste sentido: De fato, o procedimento fiscal de que trata o processo de lançamento fiscal da Cofins, revisou os créditos da contribuição informados no Dacon, correspondentes ao ano de 2004. O presente processo trata de PER/DCOMP encaminhada pela interessada tratando do aproveitamento dos citados créditos, que teriam sido apurados no mês de junho de 2004. Ora, como conseqüência daquele procedimento, a pretensão perdeu o objeto, pois foi constatada a inexistência do saldo credor que seria passível de compensação. A Manifestação de Inconformidade ora apresentada apenas ratifica as razões de defesa que foram analisadas na decisão de 2009 e, nas palavras da interessada: exauriu toda a sua dilação probatória (fl. 132), portanto, o que foi decidido naquele processo, que analisou as mesmas questões de direito e de fato concernentes a existência do crédito da Cofins. aqui aplicase integralmente. De fato, nesses casos, como ambos processos possuem o mesmo objeto, em relação à existência do crédito compensável, é preferível que os julgamentos da impugnação ao lançamento e da manifestação de inconformidade ao despacho denegatório sejam realizados na mesma sessão de julgamento.. (fl. 240) Naquela oportunidade, quando do julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, já havia sido proferida decisão pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, em face da impugnação apresentada pela Recorrente no Auto de Infração. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003584/200479 Resolução nº 3801000.367 S3TE01 Fl. 115 5 Assim, tendo em vista a impossibilidade de apensamento dos autos, no julgamento da Manifestação de Inconformidade, aquela Delegacia, justamente para evitar a existência de decisões conflitantes, em sua decisão, baseouse no voto proferido nos autos do Auto de Infração lavrado em desfavor do Recorrente. Este egrégio Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do julgado abaixo colacionado, já se manifestou pela necessidade de apensamento dos autos, para que não haja risco de decisões conflituosas com relação à mesma matéria. Vejase: Naquela oportunidade, quando do julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, já havia sido proferida decisão pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, em face da impugnação apresentada pela Recorrente no Auto de Infração. Assim, tendo em vista a impossibilidade de apensamento dos autos, no julgamento da Manifestação de Inconformidade, aquela Delegacia, justamente para evitar a existência de decisões conflitantes, em sua decisão, baseouse no voto proferido nos autos do Auto de Infração lavrado em desfavor do Recorrente. Este egrégio Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do julgado abaixo colacionado, já se manifestou pela necessidade de apensamento dos autos, para que não haja risco de decisões conflituosas com relação à mesma matéria. Vejase: 3º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 30334.677 em 12.09.2007 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS COM CRÉDITO DE TERCEIROS Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/03/2001, 10/04/2001 Ementa: LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. O C.P.C, cuja disciplina é subsidiária ao PAF, define claramente a conexão, a continência e a identidade de ações, todas causas de prevenção de competência. Comparando o presente processo com o processo nº 13886.000820/9975, observamse as mesmas partes envolvidas em ambos os processos, a mesma causa de pedir e mesmo o objeto (pedido). As partes, em ambos os processos considerados, este e o outro, de nº 13886.000820/9975, que abrange o primeiro pedido de compensação, protocolado em 10.01.2000, são de um lado, a União, e de outro lado, GALMAR MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS (alegada credora da União) e METALÚRGICA GALMAR (devedora de IPI à União); a causa de pedir é a mesma, isto é, a existência de crédito decorrente de indébito de Finsocial; e o objeto nos dois processos também é o mesmo, ou seja, pedido de compensação de crédito decorrente de indébito de Finsocial, de titularidade da GALMAR MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, com débito de IPI da METALÚRGICA GALMAR. Entre os processos referidos há mais do que conexão, ou mesmo continência, há identidade de ações no âmbito administrativo. O apensamento deste processo àquele outro é medida que se impõe pela litispendência evidente, e poderia ter evitado os equívocos explicitados. Entendese que a decisão quanto ao pedido de homologação de compensação formalizado nos presentes autos representa matéria dependente da decisão final administrativa a ser dada no outro processo de nº 13886.000820/9975. (...) Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003584/200479 Resolução nº 3801000.367 S3TE01 Fl. 116 6 Decisao: Por maioria de votos, decidiuse apensar o processo ao de número 13886.008820/9975, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto. O Conselheiro Marciel Eder Costa votou pela conclusão. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente da Câmara. Publicado no DOU em: 03.06.2008 Relator: ZENALDO LOIBMAN Recorrente: METALÚRGICA GALMAR LTDA. Recorrida: DRJRIBEIRAO PRETO/SP Em consulta realizada na movimentação processual do Auto de Infração nº 15956.000314/200856 perante este egrégio Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, verificase que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente foi distribuído para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF e ainda não foi julgado. Desta forma, para que não haja decisões conflituosas no presente caso, uma vez que poderá haver ou não o reconhecimento do crédito tributário invocado pela Recorrente, é imperioso que o presente processo seja remetido para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF, para que o julgador do Auto de Infração profira o seu voto em ambos os processos, garantindose, assim, a integridade do princípio da segurança jurídica, que deve ser o Norte de todos os julgamentos, sejam eles administrativos ou judiciais. Por tudo, voto pela remessa dos presentes autos para 3ª seção, da 2º Turma da 4º Câmara do CARF, para que seja apensado ao Auto de Infração de nº 15956.000314/200856. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003584/200479 Resolução nº 3801000.367 S3TE01 Fl. 117 7 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13857.000402/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI Nº. 9.250/95.
É de se reconhecer a força probante de recibos, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas às exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 938,00 (novecentos e trinta e oito reais), nos termos do voto da relatora.
(assinatura digital)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinatura digital)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 14/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI Nº. 9.250/95. É de se reconhecer a força probante de recibos, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas às exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99). Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 938,00 (novecentos e trinta e oito reais), nos termos do voto da relatora. (assinatura digital) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinatura digital) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 14/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.
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RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI Nº. 9.250/95. É de se reconhecer a força probante de recibos, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas às exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 938,00 (novecentos e trinta e oito reais), nos termos do voto da relatora. (assinatura digital) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinatura digital) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 14/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 00 04 02 /2 00 8- 41 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento por meio do qual exigese do recorrente, IRPF suplementar relativo ao anocalendário, 2005, em virtude glosa de dedução da base tributável para deduções indevidas de despesas médicas, no valor de R$ 17.250,29. A 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1742.181, de 28 de junho de 2010, que se encontra às fls. 253/278, que por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação apresentada, para manter a glosa das despesas médicas. Ao tomar ciência do acórdão de primeira instância , o contribuinte interpôs o recurso de fls. 260 acatando as glosas relativas a Notre Dame Seguros Saúde, Dra. Regiane Patricia Cardoso. Quanto Dra. Marisa Ribeiro Garcia Gullo o recorrente alega que fez um tratamento odontológico e pagou com um cheque do Banco Bradesco Prime de n° 011475 no valor de R$ 938,00 de 12/04/2005. Informa que está reapresentando os recibos emitidos pela profissional, sendo 2 recibos no valor de R$ 469,00, cada. É o relatório Voto O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Dedução com despesas médicas Vejamos: O artigo 8°, § 2°, III, da Lei n° 9.250, de 1995, disciplina a forma através da qual se comprovam as despesas dos valores pagos pelo contribuinte aos profissionais da área da saúde, devendo apresentar recibo com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebe. O documento hábil comprovar o pagamento, segundo entendo, é o recibo ou a nota fiscal, sendo que, na falta do recibo, o legislador admitiu como prova a indicação do cheque nominativo por meio do qual foi efetuado o pagamento. Quanto aos requisitos essenciais que devem constar do recibo, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, o valor, a natureza da prestação dos serviços, o nome de quem pagou e a assinatura identificando quem recebeu, são pressupostos essenciais à sua validade. O endereço, o CPF do profissional e a identificação do beneficiário dos serviços, caso ausentes, poderiam ser completados posteriormente pelo tomador dos serviços, adotandose procedimento semelhante ao do pagamento com cheque nominal, cabendo ao Fl. 298DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13857.000402/200841 Acórdão n.º 2802002.357 S2TE02 Fl. 3 3 contribuinte, quando de sua declaração de ajuste anual, informar o n° do CPF de quem recebeu o respectivo pagamento. Em primeira instância a glosa da despesa médica foi mantida sob o seguinte fundamento: “ ... Pelo exposto, não tendo o interessado carreado aos autos elementos de prova que demonstrassem, inequivocamente, que os serviços profissionais foram prestados e que os correspondentes pagamentos de honorários foram efetuados, mantémse a glosa das despesas médicas relativas aos profissionais. Mesmo se assim não fosse, cabe ressaltar que entre os valores glosados de despesa médica, além daquele indicado no relatório referente ao Plano Notre Dame.foram de R$5.000,00 com a Dra. Regiane Patrícia Cardoso, recibos de fls. 65/67, e de R$938,00 com a Dra. Marisa Ribeiro Garcia Gullo (recibos de fl. 64). Os recibos não indicam quem teria sido atendido, sendo certo que para fazer jus à dedução pleiteada, teria que ter como tal o próprio defendente, na forma da legislação transcrita. Acrescentese que os recibos emitidos pela fisioterapeuta Regiane Patrícia Cardoso não indicam o endereço, requisito formal exigido para o documento, conforme a legislação de regência indicada anteriormente.” No recurso voluntário o recorrente concorda com a glosa de R$ 16.312,30. Assim, o litígio gira em torno da glosa do valor de R$ 938,00, relativo a profissional Dra. Marisa Ribeiro Garcia Gullo . O recorrente reapresenta, fls. 264/265, os recibos emitidos pela profissional, assim como o cheque emitido em favor da mesma, no valor de R$ 938,00. Destarte, entendo cumpridas às exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei nº. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99). Face o acima exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas, no valor de R$ 938,00. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 299DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 14/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10825.900178/2008-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - CRÉDITO JÁ RECONHECIDO EM OUTROS PROCESSOS - MATÉRIA CONEXA Reconhecido o saldo negativo da CSLL relativa ao ano calendário de 2003, nos autos dos processos 10825.900263/2008-36, 10825.900710/2008-57, 10825.900759/2008-18 e 10825.900232/2008-85, cabe homologar a compen- sação vinculada a esse mesmo crédito, no limite do valor reconhecido.
Numero da decisão: 1802-001.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - CRÉDITO JÁ RECONHECIDO EM OUTROS PROCESSOS - MATÉRIA CONEXA Reconhecido o saldo negativo da CSLL relativa ao ano calendário de 2003, nos autos dos processos 10825.900263/2008-36, 10825.900710/2008-57, 10825.900759/2008-18 e 10825.900232/2008-85, cabe homologar a compen- sação vinculada a esse mesmo crédito, no limite do valor reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO JÁ RECONHECIDO EM OUTROS PROCESSOS MATÉRIA CONEXA Reconhecido o saldo negativo da CSLL relativa ao ano calendário de 2003, nos autos dos processos 10825.900263/200836, 10825.900710/200857, 10825.900759/200818 e 10825.900232/200885, cabe homologar a compen sação vinculada a esse mesmo crédito, no limite do valor reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900178/200878 Acórdão n.º 180201.232 S1TE02 Fl. 102 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação à Declaração de Compensação DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a unidade de origem da Receita Federal. Por meio da DCOMP de fls. 01/05, a Contribuinte pretende compensar débito de IRPJ com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL no código 2484. O processamento desta declaração de compensação e os demais fatos que antecederam o recurso sob exame estão assim relatados na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1424.186, às fls. 54 a 60: (...) Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, em 04/06/2008, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/18, na qual alega, em síntese: a) que compensou IRPJ devido por estimativa, do mês de dezembro de 2003, com saldo negativo de CSLL decorrente do anocalendário de 2003; b) juntamente com a PER/Dcomp sob exame apresentou outras PER/Dcomp tendo como origem de crédito saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2003; c) que a presente PER/Dcomp não foi homologada sob argumento de inexistência de crédito, vez que o mesmo já se encontrava vinculado à quitação de débito da requerente; d) no ano calendário de 2003, consoante demonstrado em sua DIPJ, foi gerado um saldo negativo de CSLL, no montante de R$ 67.587,56, passível de compensação com tributos federais a partir do anocalendário subseqüente; e) que é legal a atualização do saldo negativo de CSLL pela taxa Selic; I) que ao preencher a PER/Dcomp ocorreu um equívoco, pois informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL ao invés de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003; g) ressalta que o crédito existe e pode ser identificado na DIPJ/2004, ano base 2003; h) que em decorrência do preenchimento equivocado efetuou compensação a maior no valor de R$ 36.843,49, que será recolhido, acrescido de multa e juros na forma da lei; i) que as demais PER/Dcomps vinculadas ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003 devem ser apensadas em um único processo administrativo. Ao final, requer que seja concedido Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900178/200878 Acórdão n.º 180201.232 S1TE02 Fl. 103 3 total provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de se anular o despacho decisório que não homologou a PER/Dcomp de n° 01828.74603.300604.1.3.040970, extinguindose o saldo devedor objeto da compensação. Como mencionado, a DRJ Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/09/2003 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar a contribuição social sobre o lucro líquido devida nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Solicitação Indeferida Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 06/07/2009, a Contribuinte apresentou em 05/08/2009 o recurso voluntário de fls. 65 a 73, alegando: que o crédito realmente existe, como pode ser comprovado na DIPJ e razão da conta de CSLL; que no anocalendário 2003, consoante demonstrado em sua DIPJ, foi gerado um saldo negativo de CSLL no montante de R$ 67.587,56, passível de compensação com débitos de tributos federais, a partir do anocalendário subseqüente ao de que foi apurado; que ao preencher a Per/Dcomp ocorreu um equívoco, quando ao completar a ficha de origem do crédito, informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, vinculando o Darf recolhido a título de estimativa de CSLL devida em agosto de 2003, com Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900178/200878 Acórdão n.º 180201.232 S1TE02 Fl. 104 4 vencimento em 30/09/2003, ao invés de informar saldo negativo total de CSLL do ano calendário 2003; que o crédito para satisfazer a compensação existe, e pode ser identificado na DIPJ do exercício 2004, anobase 2003, tendo ocorrido apenas um mero engano no preenchimento da Per/Dcomp; que se pode observar também a existência do crédito no LALUR (doc. 02) e no Livro RAZÃO (doc. 03), anexados ao recurso; que em decorrência do preenchimento equivocado do crédito, descrevendo pagamento indevido ou a maior, o crédito foi atualizado como tal, gerando assim um saldo de compensação a descoberto no montante de R$ 5.381,75, consoante já demonstrado; que a Requerente, agindo sempre com a boafé, reconhece que parte dos débitos foram indevidamente compensados. Este é o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900178/200878 Acórdão n.º 180201.232 S1TE02 Fl. 105 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, este processo tem por objeto a DCOMP de n° 01828.74603.300604.1.3.040970 (fls. 01 a 05), transmitida em 30/06/2004, pela qual a Contribuinte pretende compensar débito de IRPJEstimativa de dezembro/2003, no valor total de R$ 933,73 (incluindo multa de mora e juros), com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLLEstimativa do mês de agosto/2003 DARF no valor total de R$ 16.536,89. Desde o início, a Contribuinte alega que cometeu um equívoco ao preencher a ficha de origem do crédito na DCOMP, tendo informado crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, vinculando o Darf recolhido a título de estimativa de CSLL de agosto/2003, com vencimento em 30/09/2003, em vez de informar o saldo negativo total de CSLL do ano calendário 2003. Além deste caso sob exame, a Contribuinte realizou outras compensações semelhantes, nas quais também indicou como crédito DARF de estimativas de CSLL de outros meses de 2003, em vez do saldo negativo daquele ano. A matéria já foi examinada no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos processos nºs 10825.900263/200836, 10825.900710/200857, 10825.900759/200818 e 10825.900232/200885, para os quais foram expedidos os Acórdãos nºs 1803000.746, 1803000.747, 1803000.750 e 1802001.189, respectivamente, proferidos nas sessões de 16/12/2010 e 12/04/2012. A conclusão do voto condutor nos mencionados acórdãos foi no sentido de reconhecer o saldo negativo da CSLL relativa ao ano calendário de 2003 no valor original de R$ 67.587,56, e, por conseqüência, homologar as DCOMP a ele vinculados, no limite do mencionado crédito. Oportuno transcrever os fundamentos do voto condutor do Acórdão nº 1803 000.746, proferido em 16/12/2010: (...) O contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ em 06/07/2009, conforme AR constante às fls. 65, e interpôs recurso voluntário em 05/08/2009, desta forma, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade. Dele conheço. Conforme descrito no relatório, o contribuinte foi notificado, através de Despacho Decisório, da não homologação de compensação na qual pretendia compensar débito de COFINS, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900178/200878 Acórdão n.º 180201.232 S1TE02 Fl. 106 6 PA 03/2004, R$ 13.358,29, com crédito decorrente de saldo negativo CSLL anocalendário 2003, declarado na DIPJ/2004, sob a alegação de inexistência de crédito. Muito embora o crédito decorrente de saldo negativo CSLL esteja corretamente descrito em DIPJ conforme afirma o contribuinte, e conforme é perfeitamente possível verificar nos documentos trazidos aos autos (fl 48), este foi erroneamente declarado em DCOMP, visto que referido valor foi declarado na DCOMP n° 32993.57382.110504.1.3.041459, como “pagamento indevido ou a maior” relativo a abril/2003, quando o correto seria “saldo negativo de CSLL”. Neste sentido, em que pese haver evidências suficientes no processo para demonstrar a existência de crédito suficiente a compensação pleiteada por meio da DCOMP, bem como todos as explicações do contribuinte, quando da apresentação da impugnação, optou a DRJ por não homologar referida DCOMP quando do julgamento da manifestação de inconformidade apresentada, sob a alegação de que o crédito pleiteado não teve sua liquidez e certeza devidamente comprovada, até mesmo porque deixou de juntar no processo administrativo o Termo de Abertura e o Termo de Encerramento do Razão Analítico em Real e o respectivo LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real). Entendo que os documentos apresentados juntamente com a impugnação já eram suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito que se pleiteia o reconhecimento (saldo negativo de CSLL no montante de R$ 67.587,56). Em complemento aos documentos apresentados juntamente com a impugnação, o contribuinte apresentou quando da interposição do recurso voluntário sob julgamento, os documentos citados pela DRJ como necessários a comprovação da certeza e liquidez do crédito, a saber: Termo de Abertura e o Termo de Encerramento do Razão Analítico em Real e o respectivo LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real). Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da própria Delegacia de Julgamentos da Receita Federal é farta em afirmar que constatado o erro de fato no preenchimento da DCOMP e também a existência de crédito em favor da empresa, a compensação deve ser homologada. A ementa abaixo reproduzida de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujo relator foi Afonso Celso Mattos Lourenço, é extremamente didática ao dizer que a verdade material deve prevalecer sobre a formal: “LANÇAMENTO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Deve a verdade material prevalecer sobre a formal, pelo que se demonstrado que o erro pelo preenchimento da declaração provocou o lançamento, deve ser reconhecida a sua invalidade. (CSRF, rel. Afonso Celso Mattos Lourenço, sessão de 15 de maio de 1995 acórdão n° 011854, processo n° 10920.000.270/9111).” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900178/200878 Acórdão n.º 180201.232 S1TE02 Fl. 107 7 Desta forma, uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração de compensação (DCOMP) e a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, sendo o crédito reconhecido e a compensação homologada. Com relação ao pedido de apensamento dos processos n° 10825 900.725/200815, 10825900.759/200818, 10825900.710/2008 57, 10825900.705/200844, 10825900/200847, 10825 900.206/200857, 10825900.232/200885, 10825900.178/2008 78, 10825900.248/200898, 10825900.177/200823, 10825 900.732/200817 em razão de todos decorrerem do mesmo crédito, ou seja, de compensação utilizando o saldo negativo de CSLL originado no anocalendário 2003, tendo em vista que o não julgamento conjunto dos demais processos não prejudica o julgamento do processo sob análise, o apensamento pedido não é concedido, sendo que os demais processos serão julgados quando indicados para a pauta de julgamento. Ante todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer o crédito de R$ 67.587,56 decorrente de saldo negativo de CSLL/2003, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. As outras decisões do CARF que estão citadas acima reproduzem estes mesmos fundamentos e a mesma conclusão. Nesse contexto, uma vez reconhecido o saldo negativo da CSLL relativa ao ano calendário de 2003, acolho como razão de decidir os argumentos acima transcritos, por se tratar de matéria conexa, e voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação pleiteada nos presentes autos, no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16004.720435/2011-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/03/2011
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se no recurso houver matéria distinta da constante do processo judicial.
COMPENSAÇÃO
Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição previdenciária na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada.
Numero da decisão: 2403-001.881
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por unanimidade de votos não conhecer do recurso na questão da tributação do terço constitucional de férias e por Voto de Qualidade, negar provimento ao recurso quanto a questão da multa isolada. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se no recurso houver matéria distinta da constante do processo judicial. COMPENSAÇÃO Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição previdenciária na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 04 35 /2 01 1- 35 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por unanimidade de votos não conhecer do recurso na questão da tributação do terço constitucional de férias e por Voto de Qualidade, negar provimento ao recurso quanto a questão da multa isolada. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720435/201135 Acórdão n.º 2403001.881 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1436.924 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração a obrigação principal – AIOP/DEBCAD nº 50.010.0578– lavrado em face do contribuinte acima identificado que constitui contribuições devidas à Seguridade Social, parcela patronal, decorrente de glosas de compensações indevidamente levadas a efeito pela empresa e da multa isolada decorrente de falsidade na declaração, importando o feito em crédito tributário na monta de R$ 1.813.267,96 (Um milhão, oitocentos e treze mil, duzentos e sessenta e sete reais e noventa e seis centavos), valor consolidado em 28/09/2011. Segundo o relato fiscal, o contribuinte declarou compensações nas Guias de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIPs, nas competências de 10/2010 a 03/2011, de valores supostamente recolhidos indevidamente a título de ‘terço constitucional de férias’, verba esta integrante do salário de contribuição dos segurados empregados, passível de tributação. Informa ainda que “as compensações efetivaramse com fulcro na ação judicial relativa ao Mandado de Segurança com pedido de Liminar, de nº 004541.86.2011.403.6106, no qual a Prefeitura requereu declaração de inexistência de relação jurídica decorrente de contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas a seus segurados empregados a título de horas extras, terço constitucional de férias e outras verbas de natureza indenizatória, remontando ao período de 10/2005 a 05/2010, bem como a subseqüente suspensão de exigibilidade de débito relativo e abstenção da prática de atos tendentes à autuação fiscal”. No entanto, o pedido de liminar foi INDEFERIDO e o processo ainda aguarda decisão de mérito, de maneira que o órgão público não possui crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, com o que efetuou a glosa dos valores indevidamente compensados. Aduz a aplicação da multa isolada de 150% tendo por base de cálculo o valor total do débito efetivamente compensado, por competência, uma vez identificada a ocorrência de fraude, nos Fl. 225DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64, já que o contribuinte deveria esperar a manifestação do judiciário deferindo o pleito para então buscar a habilitação de seus créditos decorrentes de decisão judicial junto à RFB, citando, especificamente, comando normativo ínsito no art. 71 da Instrução Normativa/RFB nº 900/2008 nesse sentido. Assim, considera falsa a informação prestada em GFIP de que seria detentor de créditos contra a Fazenda Pública, uma vez que não estava legal e judicialmente amparado para tal entendimento, reduzindo indevidamente o valor das contribuições previdenciária em detrimento do erário público. Informa ainda, de relevante para o julgamento, a emissão de representação fiscal para fins penais pela ocorrência, em tese, do ilícito de sonegação fiscal. O contribuinte interessado apresentou impugnação reputada tempestiva pelo órgão preparador, na qual contesta o lançamento fiscal estribado nos seguintes argumentos, em síntese: · que o Supremo Tribunal Federal, a partir do RE nº 345.458/RS e iterativos julgamentos, fixou entendimento de que é ilegítima a incidência de contribuição previdenciária sobre adicionais de férias, horas extras e demais adicionais eventuais, por se tratarem de verbas indenizatórias/compensatórias, razão pela qual, por ser matéria pacifica e com jurisprudência uniformizada no âmbito dos tribunais superiores, a autuação lavrada deve ser declarada nula ou inexistente; · discute o fato gerador das contribuições da empresa destinadas à seguridade social e suas hipóteses de não incidência, conforme comandos extraídos da Lei nº 8.212/91, bem com o conceito de ‘remuneração’, para concluir que as contribuições em testilha incidem unicamente sobre o salário (cita doutrinas), estando fora desse contexto os valores recebidos pelos empregados com natureza indenizatória bem como os encargos sociais; cita jurisprudências em apoio à tese de que a contribuição previdenciária incidiria sobre o salário (espécie) e não sobre a remuneração (gênero) e de que as parcelas que tenham caráter indenizatório e não habitual estariam fora dessa incidência; menciona especificamente as verbas pagas a título de horas extras e férias, com o seu adicional constitucional, como exemplo dessas espécies; · noutra linha argumentativa, postula que o § 11 do art. 201 da Constituição Federal/88 determina que somente os ganhos habituais percebidos de forma permanente sofrem a incidência da contribuição previdenciária, de maneira que as parcelas remuneratórias de natureza compensatória/indenizatória recebidas de forma eventual e não habitual não incidem na contribuição previdenciária (novamente cita vasta jurisprudência); especificamente no tocante ao terço constitucional de férias, cita o realinhamento da jurisprudência do STJ Fl. 226DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720435/201135 Acórdão n.º 2403001.881 S2C4T3 Fl. 4 5 adequandose a posição sedimentada no pretório excelso, no sentido de sua não incidência; reproduz, ao final, recentes decisões regionais de 1ª instância da justiça federal, em apoio a essa tese; · posto nesses argumentos, defende que a recorrente não prestou informação falsa nem efetuou a compensação de créditos inexistentes, argüindo a legitimidade da compensação haja vista a interposição do mandado de segurança preventivo em trâmite junto à 2ª Vara da Justiça Federal de São José do Rio Preto (SP), encontrandose os autos conclusos para sentença, pelo que requer a declaração da nulidade do Auto de Infração em debate, reconhecendo como legítimas as compensações efetuadas sobre os recolhimentos tributários incidentes sobre remunerações pagas a título de terço constitucional de férias. No recurso voluntário, reapresenta as teses apresentadas na impugnação. É o relatório Fl. 227DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O lançamento decorre de glosa de compensação mais multa isolada por compensação indevida. A compensação referese ao ‘terço constitucional de férias’. TRIBUTAÇÃO DO TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS COMPENSAÇÃO O relatório indica a existência de ação judicial. Informa ainda que “as compensações efetivaramse com fulcro na ação judicial relativa ao Mandado de Segurança com pedido de Liminar, de nº 004541.86.2011.403.6106, no qual a Prefeitura requereu declaração de inexistência de relação jurídica decorrente de contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas a seus segurados empregados a título de horas extras, terço constitucional de férias e outras verbas de natureza indenizatória, remontando ao período de 10/2005 a 05/2010, bem como a subseqüente suspensão de exigibilidade de débito relativo e abstenção da prática de atos tendentes à autuação fiscal”. O Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Nesse sentido, ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver “mesmo objeto” sobre o qual versa o processo administrativo. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720435/201135 Acórdão n.º 2403001.881 S2C4T3 Fl. 5 7 Esse procedimento está padronizado pela Súmula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COMPENSAÇÃO O instituto da compensação tributária, modalidade de extinção do crédito tributário, está previsto no art. 156, II, e 170, e 170A do CTN, e constitui um dos mecanismos legais utilizados face à apuração de crédito pelo sujeito passivo. Segundo o CTN, a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Para o caso de ação judicial, o CTN impôs a vedação da compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) STJ Súmula nº 212 11/05/2005 DJ 23.05.2005 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Compensação de Créditos Tributários Medida Liminar A compensação de créditos tributários não pode ser deferida por medida liminar. A compensação tributária depende de autorização legal específica e, em princípio, se opera automaticamente, entre créditos líquidos e certos apurados pelo sujeito passivo, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, cujo prazo para a homologação da compensação será de cinco anos. No ordenamento legal, encontramos o artigo 66 da Lei 8383/91, que trata de compensação de tributos federais e o artigo 89 da Lei 8.212/91 que trata especificamente de compensação de contribuições previdenciárias. LEI 8383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995)(grifei) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (grifei) LEI 8.212/91 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). § 1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720435/201135 Acórdão n.º 2403001.881 S2C4T3 Fl. 6 9 § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. § 7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios. Constatase no processo a inexistência dos requisitos para a compensação. Portanto, correta a glosa. MULTA ISOLADA A recorrente questiona a multa isolada por compensação indevida alegando que jamais prestou informação falsa e que a compensação é correta. Para o caso de ação judicial, o CTN impôs a vedação da compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Esse requisito não foi atendido. O lançamento está fundamentado no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Resta analisar a questão da falsidade da declaração. A tese apresentada pela recorrente é que a questão da não incidência sobre o terço constitucional está pacificada nos tribunais superiores. Para dar suporte à sua tese apresenta jurisprudência sobre o regime próprio dos servidores públicos. É óbvio que neste processo tratamos do Regime Geral de Previdência Social, com regras distintas do Regime Próprio dos Servidores Públicos. Entendo que declarar crédito inexistente a compensar é prestar declaração falsa. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso na questão da tributação do terço constitucional de férias e nego provimento na questão da multa isolada. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 232DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11020.906198/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligências. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negou provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Leonardo Marques Mendonça deu provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligências. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que negou provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Leonardo Marques Mendonça deu provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 06 19 8/ 20 09 -6 1 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 11/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 100 ___________ RELATÓRIO. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 36859.48160.220906.1.7.021278, em 22.09.2006, fls. 02 11, utilizandose do saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$636.916,67 do anocalendário de 2003 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos ali confessados no Per/DComp nº 38425.44330.260906.1.7.027065, fls. 5358. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 12, acompanhado da Planilha, fls. 1314, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse Parc. Crédito Retenções Fonte Pagamentos Dem. Estim. Comp. Soma Parc. Crédito Per/DComp 140.937,16 1.868.099,55 183.846,97 2.192.883,68 Confirmadas 104.224,37 1.868.099,55 183.846,97 2.156.170,89 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$636.916,67 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$2.192.883,71 IRPJ devido: R$1.555.967,63 Valor do saldo negativo disponível. (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) Valor do saldo negativo disponível: R$600.203,26 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 38425.44330.250935.1.7.027065. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 15.06.2009, fl. 73, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 24.06.2009, fls. 1622, com os argumentos a seguir resumidos. Tece esclarecimentos sobre os valores extintos de IRPJ determinados sobre a base de cálculo estimada. Suscita 2.1 Como já destacado [...] a Requerente utilizou créditos relativos ao IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras auferidos por ela entre os anos de 2001 e Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 11/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 11020.906198/200961 Resolução nº 1801000.220 S1TE01 Fl. 101 3 2003, no valor de R$140.937,16, para compensar o débito de IRPJ apurado como devido no mês de abril de 2004. 2.2 Ao se analisar o Despacho Decisório objeto da presente manifestação de inconformidade, é possível constatar que o fisco reconheceu apenas parte desses créditos, ou seja, R$104.224,37, restando uma diferença, no valor nominal de R$36.712,79. [...] 2.5 Essa diferença foi apurada, porque, ao confrontar as informações contidas nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) das Instituições Financeiras, relativamente às retenções efetuadas no anocalendário de 2003, com as informações prestadas pela Requerente, relativamente às retenções efetuadas no mesmo período, os Agentes Fiscais não levaram em consideração que a Requerente possuía saldos de créditos decorrentes de retenções efetuadas em anoscalendário anteriores, no caso, em 2001 e 2002. 2.6 Para comprovar a origem desses créditos a Requerente está anexando, a esta manifestação de inconformidade, cópia dos Informes de Rendimentos Financeiros fornecidos pelos Bancos Mercantil Brasil (Doc. 4), BMC (Doc. 5), Safra (Doc. 6), Bradesco (Doc. 7) e Santander (Doc. 8), relativamente ao IRRF incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras, auferidos nos anoscalendário de 2001 e 2002, junto a essas Instituições Financeiras [...] 2.7 Além desses documentos, a Requerente também está anexando, à presente, cópia do Razão Contábil da Conta "IRRF sobre Aplicações Financeiras 2003", compreendendo o período de janeiro a dezembro de 2003 (Doc. 9), através do qual resta comprovado que, do total do IRRF lançado na contabilidade no ano de 2003 (R$140.937,16), R$37.267,53 referemse às retenções efetuadas nos anos de 2001 e 2002, e que foram contabilizadas pela Requerente nos meses de junho e julho de 2003 para fins de compensação. 2.8 Como se vê, é flagrante o equívoco do Fisco para justificar a glosa de R$36.712,79. Com efeito, bastaria um simples pedido de esclarecimento à empresa, ou, a solicitação de documentos complementares, para que fosse totalmente sanada a questão da origem da apontada diferença [art. 9º do DecretoLei n. 1.598/77]. [...] 2.12 De tudo o quanto até aqui foi exposto, de forma clara e objetiva, e comprovado por robusta prova documental, não pode restar dúvida quanto ao fato de que o montante total dos créditos informados pela Requerente a título de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras, e compensados com o IRPJ devido no mês de abril de 2004, foram aqueles apurados pela Requerente (ou seja, R$140.937,16) e não o alegado pelo Fisco em seu Despacho Decisório (R$104.224,37), sendo, portanto, improcedente a cobrança da diferença por ele apontada (no valor original de R$36.712,79). Conclui Pelas razões supraexpostas, requer seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, para o fim de afastar a glosa e, por conseqüência, declarar regular e correta a compensação do IRPJ realizada pela Requerente. Requer provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente através de diligências, se assim entenderem os eminentes integrantes da Turma julgadora desta Delegacia de Julgamento. São os termos em que Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 11/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 11020.906198/200961 Resolução nº 1801000.220 S1TE01 Fl. 102 4 pede e espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJOI/RJ nº 12 36.893, de 28.04.2011, fls. 77: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta no Voto condutor Enfatizese, portanto, que o IRPJ retido na fonte enquanto permanecer com essa natureza, o que acontece durante todo o curso do ano calendário somente poderá ser utilizado para dedução do valor do IRPJ devido nos meses subsequentes. Ao final do ano calendário, caso existam valores remanescentes deverão ser informados no ajuste anual, abatendo o débito apurado no ano e, eventualmente, resultando em saldo negativo de IRPJ. [...] O interessado não poderia utilizar "crédito" decorrente de retenções efetuadas em anos calendários anteriores (2001 e 2002) para compor o saldo negativo do ano calendário de 2003, para fins de compensação. Restou ementado Assunto: Outros Tributos e Contribuições Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não apresentado elemento de prova ou de direito capaz de elidilo. Notificada em 23.05.2011, fl. 88, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.06.2011, fls. 9097, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera alguns argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que a Carta Cobrança é nula, pois ofende o princípio do devido processo legal. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, a Recorrente requer que seja dado provimento a este recurso, acolhendo o pedido posto em preliminar, para declarar nula e de nenhum efeito a Carta Cobrança n. 079/2011/ARF/Sorac BGS, e, no mérito, para o fim de considerar como correta a compensação efetuada através da PER/DCOMP 38425.44330.260906.1.7.02 7065, homologandoa, na sua totalidade. São os termos em que pede e espera deferimento. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Dílson Gerent OAB/RS nº 22.484. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 11/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 11020.906198/200961 Resolução nº 1801000.220 S1TE01 Fl. 103 5 VOTO. Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada. O Recurso é tempestivo. Como se depreende do relatório a interessada apresentou PERDCOMP para compensar débitos próprios com direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003 no valor de R$ 636.916,67. A DRF de jurisdição analisou as parcelas que compõem o saldo negativo e confirmou apenas o valor de R$ 104.224,37, do total do IRRF deduzido na apuração anual, de R$ 140.937,16. A seu turno a recorrente alega que se utilizou de créditos relativos ao IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras auferidos entre os anos de 2001 e 2003, no valor total de R$ 140.937,16, para compensar o débito de IRPJ apurado como devido no mês de abril de 2004. No caso de rendimentos de aplicações financeiras é comum haver um descompasso entre o momento em que a instituição financeira efetua o pagamento ou o crédito dos rendimentos, e o momento em que é efetuada a retenção do imposto incidente sobre as aplicações financeiras. Essa variação pode ocorrer, inclusive, em intervalos de um ou mais anoscalendário. O contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, apresentou cópias dos informes de rendimentos de diversas instituições financeiras com as quais teria aplicações financeiras, além das cópias do Livro Razão com a Conta Contábil “IRRF sobre aplicação financeira/2003”, fazendo, assim, início de prova. Em vista do exposto, voto pela conversão do presente julgamento na realização de diligência, encaminhandose o presente processo ao órgão de origem para que a autoridade administrativa, em diligência fiscal: (i) intime a empresa interessada a apresentar demonstrativo com a decomposição de todas as receitas financeiras auferidas e os valores de IRRF, identificadas por tipo de receita e por código de tributo, respectivamente, demonstrando, ainda, se todas foram oferecidas à tributação na DIPJ do exercício, ainda que tenham sido informadas em linha diversa ou equivocada da DIPJ, cujas informações deverão estar apoiadas em elementos de sua escrituração contábil e fiscal, a serem também apresentados; (ii) se necessário, também deverá o agente fiscal encarregado dos trabalhos, intimar as fontes pagadoras a informar os valores dos rendimentos pagos à empresa interessada e os respectivos valores retidos na fonte, identificando o período de pagamento dos rendimentos e o período de retenção do imposto. Ao final o agente encarregado deverá elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos trabalhos, no sentido de atender a esta solicitação, intimando a interessada do resultado para que ofereça, no prazo legal de 30 dias a contar de sua intimação, suas Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 11/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 11020.906198/200961 Resolução nº 1801000.220 S1TE01 Fl. 104 6 considerações, se assim o desejar. Após a conclusão deverão os autos retornar a este Colegiado para prosseguimento da análise do litígio. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, As sinado digitalmente em 11/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Numero do processo: 14367.000019/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
VICIO MATERIAL. NULIDADE.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.548
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 00 19 /2 00 9- 58 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000019/200958 Acórdão n.º 2402003.548 S2C4T2 Fl. 170 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento para constituição de crédito tributário sobre valores repassados a atletas, na condição de contribuintes individuais, pela recorrente. O lançamento foi realizado em 12/03/2009, tendo sido excluídas por decadência as contribuições relativas aos meses de 01 e 02/2009. Seguem transcrições do relatório fiscal e da decisão recorrida: Relatório Fiscal O sujeito passivo é uma associação de fins não econômico e não lucrativos, de caráter desportivo, que tem como fim, dentre outras, o seguinte: a) administrar, dirigir, controlar, difundir e incentivar, no país a pratica do atletismo, em todos os níveis; b) representar o atletismo brasileiro no exterior, em competições amistosas ou oficiais, observada a competência do COB; c) promover ou permitir a realização de competições interestaduais, regionais, nacionais e internacionais no país. ... BASE DE CÁLCULO/SALÁRIODECONTRIBUIÇAO 2.1 Por questões técnicas e didáticas foram criados dois códigos de levantamentos para centralizarem todos os lançamentos de débito e crédito com relação às rubricas incluídas nesses códigos, que a seguir relatamos cada um deles. 2.2. "AJL AJUDA DE CUSTO A ATLETAS" 2.2.1. Neste levantamento constam os lançamentos das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos atletas que participam de competições, em forma de ajuda de custo, no período fiscalizado. Essas contribuições não foram descontadas das remunerações pagas ou creditadas, não foram declaradas nas GFIP's, como também não foram recolhidas, nas épocas próprias, à seguridade social. 2.2.2. As contribuições apuradas neste levantamento foram calculadas através da aplicação do percentual de 11% (onze por cento) sobre as vantagens pagas aos atletas que participam de competições, sob a forma de ajuda de custo em treinamento ou participação em campeonato. Essas vantagens foram pesquisadas em planilhas apresentadas pelo sujeito passivo, bem como nos lançamentos nas contas que identificam tais registros, nos livros contábeis "Diário" e "Razão". 2.3. "ATL ATLETAS PROGRAMAS DE NIVELAMENTO" 2.3.1. No presente levantamento constam os lançamentos das Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 contribuições dos segurados contribuintes individuais incidentes sobre as vantagens pagas aos atletas que participaram de competições, no período fiscalizado. Essas contribuições não foram descontadas das remunerações pagas ou creditadas aos segurados, não foram declaradas nas GFIP's, bem como não foram recolhidas, nas épocas próprias, à¿ seguridade social. 2.2.2. As contribuições apuradas neste levantamento foram apuradas através da aplicação do percentual de 11% (onze por cento) sobre as vantagens pagas aos atletas que disputaram competições nacional e internacional, denominada "programa de nivelamento". Essas vantagens foram pesquisadas em planilhas apresentadas pelo sujeito passivo, bem como nos lançamentos, nas contas que identificam tais registros, nos livros contábeis "Diário" e "Razão". (crifo não existe no original) Decisão recorrida Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. O direito de constituir o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da Súmula Vinculante n° 08 de 12/06/2008, publicada no DJ de 20/06/2008, de observância obrigatória por força do disposto no art. 103A da Constituição Federal de 1988, regulamentado pelo art. 2o da Lei n° 11.417/2006, extinguese em 5 (cinco) anos. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. É segurado obrigatório da Previdência Social, como contribuinte individual, quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego (art. 12, V, alínea "g", da Lei n° 8.212/91). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi baixado em diligência para que a fiscalização explicasse se os atletas seriam profissionais ou não, para fins do artigo 6º, §8º da IN SRP nº 03/2005: Toda a análise efetuada se prestou para demonstrar a importância da distinção, entre o atleta considerado profissional e o nãoprofissional quanto ao seu correto enquadramento como segurado da Previdência Social. Para formação de convicção desta julgadora quanto a procedência ou não do presente lançamento, necessário se faz que a Autoridade Fiscal se pronuncie quanto à formação profissional ou não dos atletas discriminados no Relatório de Lançamentos RL. Em resposta, assim se pronunciou a fiscalização: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000019/200958 Acórdão n.º 2402003.548 S2C4T2 Fl. 171 5 1.1. Ao analisarmos os documentos que nos foram apresentados durante a auditoria fiscal concluímos que os atletas que constam nominalmente do Relatório de Lançamentos RL dos processos em epígrafe têm a formação profissional; 1.2. Tivemos esse entendimento através de uma conclusão obvia, uma vez que como brasileiro não poderíamos desconhecer os nomes que constam do RL que são conhecidos na história do esporte brasileiro e porque não dizer na história do mundo dos esportes. Os nomes a qual me refiro são, por exemplo: Claudinei Quirino da Silva, Joaquim Carvalho Cruz, Robson Caetano da Silva, Jadel Gregório, Vanderlei Cordeiro de Lima, etc; Contra a decisão, a recorrente reitera suas alegações iniciais, ora transcritas: 1 O termo do presente auto de infração é insubsistente, pois não incide a contribuição para terceiros exigida sobre valores repassados e autorizados por lei, a título de incentivo material", a atletas nãoprofissionais, de resto sendo indevido, portanto, o valor do principal e acréscimos perseguidos nestes autos; 2 A visão estreita e fiscalista denotada pela estrutura do presente auto de infração não se conforma com o standard ou o modelo de política pública adotado para o desporto nacional, por imposição constitucional (art. 217), a partir da compreensão de que é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um; 3 A Carta Política do país, como sabido, deve ser entendida de acordo com a mensagem ideológica que a envolve, que não se confunde com a vontade do legislador e muito menos com a vontade ou interpretação do agente público. 4 De todos os modos, a interpretação da Primeira Norma Posta e da legislação que a ela está subordinada há de ser, por óbvio, dinâmica, para que possa adaptarse à realidade social vivenciada no momento da aplicação dos princípios e comandos estabelecidos pelo ordenamento jurídico do qual elas fazem parte. 5 Dai a necessária adesão a ideologia dinâmica da interpretação e a visualização do direito como instrumento de mudança social, até o ponto em que o direito passa, ele próprio, a ser concebido como uma política pública. 6 Nessa perspectiva, não há o beneficio da dúvida, que deve ser compreendida, em toda a sua multifacetada histórica forma, a política pública voltada particularmente para o desporto nacional não profissional. 7 Compreendido no conceito determinado e finalístico de política pública, vale dizer, sem fim econômico ou lucrativo, senão com largo alcance sóciocultural integrativo educacional, é que a Constitucional aponta o "tratamento diferenciado" como instrumento e força matriz e motriz necessários ao Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 desenvolvimento do desporto nacional, fomentado e praticado de modo não profissional. 8 Para a adequada interpretação deontológica da legislação reguladora do desporto, com as vênias de estilo, se mostra irrelevante a fiscalização "codificar" ou conferir conceitos indeterminados para tentar transmudar a natureza jurídica, para fins de incidência da contribuição previdenciária, do incentivo material outorgado, por força de lei, a atleta não profissional. 9 De efeito, entende a impugnante que, independentemente do nomen júris que se empreste ao incentivo material conferido ao atleta não profissional, o valor financeiro repassado pela Confederação Brasileira de Atletismo não poderá ser considerado legitimamente como fato gerador e base de calculo da contribuição previdenciária. 10 Salta aos olhos o tratamento diferenciado, fundado no discrímem positivo contido no inciso III do art. 217 da Constituiçãocidadã, que a Lei n° 9.615/98 conferiu ao desporto praticado de modo profissional e o exercitado de modo não profissional, a exemplo do atletismo na lei não se contém palavras ou expressões inúteis, e que se não a cumpre reverenciandolhe a forma senão atendendo a finalidade para a qual fora promulgada: ... 11 No contexto da autuação impugnada, não há pagamento de remuneração ou salário que dê nascimento a obrigação e recolhimento de contribuição previdenciária e, por via de efeito, de preenchimento de GFIP e recolhimento de FGTS. 12 O que, no fundo há, entre a CBAt e os atletas não profissionais, é um termo de compromisso por meio do qual a entidade desportiva que administra o desporto não profissional e os atletas nãoprofissionais somam esforços e se comprometem mutuamente a preparar atletas para participar de disputas olímpicas e nãoolímpicas em sede nacional e internacional. Aliás, como previsto estatutariamente e com o seu caráter público e notório a independer de prova (CPC art. 334,1). 13 Na hipótese em debate, sequer existe a figura do contrato de prestação de serviços regulado pelo Novo Código Civil, de resto a não poder o valor dos incentivos materiais, por lei, repassado a atleta não profissional, constituir legítimo fato gerador da debatida contribuição previdenciária. 14 Ora, se é elemento essencial do fato gerador da contribuição social em discussão, que o serviço seja prestado, mediante pagamento, ao sujeito passivo da obrigação "incidentes sobre remunerações pagas creditadas aos atletas que participam de competições...", indevida é a exação porque, no caso, não há obrigação recíproca de prestação de serviço e da consequente contraprestação financeira. 15 0 que há é um recíproco compromissoesforço maior, impessoal e republicano, todo voltado para, superadas as dificuldades ainda presentes no desporto nacional não Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000019/200958 Acórdão n.º 2402003.548 S2C4T2 Fl. 172 7 profissional, sem investimentos privados e parcos incentivos governamentais, aumentar a autoestima nacional com a busca de resultados especialmente olímpicos. 16 Nesse contexto, o propósito fiscalista de tentar caracterizar o incentivo financeiro como "remuneração paga" pela CBAt, ora impugnante, por serviços a ela prestados pelos atletas que exercitam livre prática desportiva de modo nãoprofissional, mais do que ofender o comando da finalidade ínsito e expresso no texto constitucional que autoriza a destinação de recursos públicos para fomentar o desporto realizado de modo não profissional, frustra a possibilidade de se conferir, também como ordena a Lei Maior, "tratamento diferenciado para o desporto profissional e o nãoprofissional". 17 Sob a perspectiva da leitura estritamente técnica do Direito Tributário, data vênia, também agredido restaria o princípio da tipicidade fechada, pois pretender dar ao atleta nãoprofissional incentivado por lei, e sem relação de trabalho ou emprego, o mesmo tratamento jurídico dado ao atleta profissional regulado por relação formal de contrato de trabalho, além de ofender o princípio da razoabilidade/proporcionalidade afasta a possibilidade concreta de se dar efetividade ao tratamento jurídico diferenciado ditado pela CF entre o desporto praticado de modo profissional, caracterizado pela remuneração pactuada em contrato formal de trabalho entre o atleta e a entidade de prática desportiva, e o exercitado de modo não profissional, identificado pela liberdade de prática e pela inexistência de contrato de trabalho, sendo permitido o recebimento de incentivos materiais e de patrocínio (redação dada pela Lei n° 9.981, de 2000). 18 A evidência, por isso, que a pretensão de atribuir a incidência da contribuição previdenciária na hipótese dos autos decerto constituiria inaceitável anomalia injusta, porque se estaria criando um tributo por analogia, o que é inadmissível na seara do Direito Tributário. Seria o mesmo que invadir a tipicidade fechada do Direito Penal. 19 De fato, na medida em que a fiscalização equipara por analogia "incentivo material" outorgado por lei a atleta que pratica o atletismo de modo não profissional, sem relação de contrato formal e sem contraprestação financeira correspondente, está a exercitar mais do que equivocada interpretação, pois assume imprópria função de legislador positivo porque estaria criando hipótese de incidência tributária inexistente no sistema jurídico posto. 20 Diante de eventual antinomia jurídica, a aplicação de regra de lei especial, no particular a Lei 9.615,98 (art. 3o , com a redação dada pela Lei n° 9.981, de 2000), bloqueia a incidência de regra disposta em lei geral (Lei n° 8212/91), tanto mais porque, no caso estudado, aquela (lei especial) expressamente excepciona esta (a lei geral) com fundamento no art. 217, III, da CF), a outra conclusão lógicojurídica não se pode chegar senão Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 a de que a insubsistência do auto de infração impugnado deve ser decretada. 21 Sobre não haver contrato formal de trabalho ou relação de emprego entre a CBAt e o atleta nãoprofissional, na forma da legislação de regência, o atleta de que se trata não pode ser considerado trabalhador autônomo, temporário ou avulso (i) porque não presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, (ii) porque não exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não, (iii) porque não tem vínculo de trabalho temporário regulado em lei especifica. 22 Na linha de coerência exposta, digase, ainda, que o atleta não profissional em debate e muito menos a CBAt estariam enquadrados no regime jurídico prescrito no art. 28, c/c os artigos 41 e 94 da Lei n° 9.615/98, posto como regime jurídico reservado e aplicável apenas a atletas profissionais, assim entendidos aqueles que possuem contrato de trabalho a prazo determinado com entidade de prática desportiva profissional (v.g., clube de futebol), nunca com entidade de administração do desporto não profissional sem fim econômico ou sem fim lucrativo. 23 0 incentivo material repassado pela CBAt como natureza de estímulo a atleta nãoprofissional está afastado do conceito técnicojurídicoeconômico de caráter remuneratório, para fins de incidência, também, de contribuição previdenciária. 24 E que, como sabido, cada espécie de obrigação (principal ou acessória) identifica um fato gerador, apontando o momento de sua ocorrência. Expressa ou representa a subsunção da norma legal ao fato empiricamente implementado, que reflete a hipótese de incidência prevista na norma. Por isso que todos os direitos e deveres jurídicos são conseqüência da incidência de uma determinada norma, que atua quando ocorre concretamente a situação que descreve. Decorre do principio constitucional inscrito no art. 5o , II: "ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". 25 Decorre disso, como corolário da legalidade, que o principio da tipicidade, especialmente da tipicidade fechada ínsita ao Direito Tributário, demanda a descrição pormenorizada do fato capaz de atrair o vincula jurídico, exigindo a previsão de cada um de seus elementos configuradores, tais como o próprio fato gerador, o momento em que se considera implementado, o lugar de sua ocorrência, entre outros. No caso, como já demonstrado, pretender equiparar o atleta que, estimulado e incentivado por lei à prática do desporto de modo nãoprofissional, a trabalhador autônomo, temporário ou avulso, leva a inevitabilidade de duas conclusões, ambas ao desamparado do modelo normativo posto, pois, data venia, cuidase de interpretação forçada ou forma obliqua e imprópria Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000019/200958 Acórdão n.º 2402003.548 S2C4T2 Fl. 173 9 de instituir tributação com flagrante ofensa ao princípio da reserva legal. 26 Decerto, porque como ensinam os doutos, só é típico o fato que se ajusta rigorosamente a hipótese descrita, com todos os seus elementos, pelo legislador, que desengañadamente não é a hipótese dos autos. 27 Em razão de cada um e por todos as argumentos juntos, evidenciados os fatos e fundamentos que sustentam a presente defesa, requer se digne Vossa Senhoria de determinar o recebimento e seu respectivo processamento, para efeito de reconhecer a insubsistência do termo do Auto de Infração impugnado, porque não incide a contribuição para terceiros exigida sobre valores repassados e autorizados por lei, a titulo de "incentivo material", a atletas nãoprofissionais, de resto sendo indevido, portanto, a valor do principal e acréscimos perseguidos nestes autos. É o Relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, dele conheço e passo ao seu exame. Pagamentos a atletas Examinando as provas trazidas aos autos pela fiscalização, em especial o relatório fiscal, e as alegações da recorrente, não é possível, independentemente do nome atribuído pela fiscalização aos valores pagos, compreenderse a natureza jurídica desses pagamentos. Embora não tenha a fiscalização considerado esses pagamentos como salários, já que não caracterizou os atletas como segurados empregados mas como contribuintes individuais, é importante que se não ignore a finalidade da recorrente como entidade responsável pelo desenvolvimento do atletismo no país, o que para tanto é necessária a realização de competições em todas as regiões do país e no exterior. A entidade arrecada recursos para o custeio dessas competições, sem fins lucrativos. Dentre essas despesas, também são necessários pagamentos para atender às viagens dos atletas, treinamento, alimentação especial e tudo mais que torna o atletismo brasileiro um esporte reconhecido nacional e internacionalmente. Independentemente do exame da relação jurídica dos atletas com o Confederação Brasileira de Atletismo, ora recorrente, devem ser examinadas as finalidades dessas despesas. A fiscalização inclusive as denomina de AJUDA DE CUSTO A ATLETAS e ATLETAS PROGRAMAS DE NIVELAMENTO. De qualquer forma, não trouxe no relatório explicações sobre esses pagamentos, de forma que se constate uma remuneração pelo exercício das atividades desportivas ou para participação nas competições, viabilizandoa. Daí, entendo que o lançamento contém vício insanável de nulidade em seus fundamentos que culmina na exclusão dos levantamentos que o integram. Vício material Quanto à natureza do vício insanável, no Código Tributário Nacional há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal. Daí a relevância e finalidade da qualificação dos vícios que sejam identificados nos processos administrativos fiscais: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ... II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000019/200958 Acórdão n.º 2402003.548 S2C4T2 Fl. 174 11 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; do que me leva a crer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, para a finalidade deste trabalho, é mais razoável que se identifique o conceito de vício formal, e assim por exclusão se reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos, do que procurar dissecálos, um por um, ou mesmo conceituar o que se entenda por vício material. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador (vício material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a Fl. 180DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000019/200958 Acórdão n.º 2402003.548 S2C4T2 Fl. 175 13 elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vício é formal. O rigor da forma como requisito de validade gera um cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Códex Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, o vício está na própria verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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