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Numero do processo: 10469.902092/2009-67
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 02 09 2/ 20 09 -6 7 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902092/200967 Resolução nº 1802000.163 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1135.073, às fls. 53 a 59: A interessada acima qualificada formalizou pedido de compensação relativo a suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484, referente ao fato gerador ocorrido em 31/08/2005, com débitos do IRPJ pago por estimativa — fevereiro/2006 e da CSLL paga por estimativa — fevereiro/2006. 0 valor originário do DARF postulado importa em R$ 7.292,29. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, às fls. 01, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de ter sido constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo da CSLL do período. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 03, alegando que: houve um erro de preenchimento do PER/DCOMP, referente ao tipo de crédito, ou seja, a empresa lançou no campo de tipo de créditos, o pedido como pagamento indevido ou a maior, o que na realidade seria Saldo Negativo de Contribuição Social do ano de 2005, como destacado em DIPJ 2006/2005; na DCTF do 2º semestre de 2005, podese verificar que houve o recolhimento a maior da contribuição social, referente ao período de apuração do mês de Agosto/2005, que no final do ano, após apuração do Lucro Real, transformouse em Saldo Negativo, para posterior compensação; Por fim, pediu o deferimento do pedido de compensação, pelas razões acima expostas. Como já mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902092/200967 Resolução nº 1802000.163 S1TE02 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MENSAL IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a maior de IR ou de CSLL a título de estimativa mensal não pode ser compensado com débitos dos meses subseqüentes, em sendo o regime de tributação pelo lucro real anual. O valor pago a maior só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. AUTORIDADE COMPETENTE. RITO PROCEDIMENTAL. Retificação de um PER/Dcomp não pode ser manuseada por via da manifestação de inconformidade. O PER/Dcomp somente pode ser retificado antes de adoção de decisão administrativa em torno do pleito dele constante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 28/12/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/01/2012, com os seguintes argumentos: a Contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, optante do pagamento mensal do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL por estimativa, nos termos do art. 57 da Lei n° 8.981/1995 e dos arts. 2º e 30 da Lei n° 9.430/1996; em relação à CSLL do exercício de 2005, a empresa contribuinte apurou no balanço de 31/12/2005 um saldo negativo de R$ 13.155,00 (treze mil, cento e cinqüenta e cinco reais) (doc. 01), que foram utilizados para compensar o pagamento da CSLL e do IRPJ, ambos referentes ao mês de fevereiro de 2006, portanto, no exercício subseqüente à apuração do saldo negativo; todavia, ao preencher a presente PER/DCOMP, entregue em março/2006, a Recorrente cometeu apenas uma inexatidão material, informando que teria Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, quando deveria ter informado Saldo negativo de CSLL do ano de 2005; a Recorrente tomou conhecimento da decisão da Delegacia de Julgamento em 28/12/2011 mais de 05 anos após a apresentação da PER/DCOMP quando os valores recolhidos a maior em favor da União não poderão mais ser objeto de restituição, não poderá mais haver retificação ou mesmo desistência do pedido de compensação; entretanto, os dados aqui presentes comprovam que houve um pagamento a maior no recolhimento da CSLL que serve, efetivamente, para quitar os débitos de CSLL e Fl. 90DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902092/200967 Resolução nº 1802000.163 S1TE02 Fl. 5 4 IRPJ referentes a Fevereiro/2006. Analisandose os documentos apresentados, verificase que houve apenas erro material no preenchimento da obrigação acessória; o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/1996 atribui efeito suspensivo à exigibilidade do crédito tributário, enquanto pendente o julgamento do recurso. Todavia, o indeferimento da compensação não permite ao contribuinte apresentar um pedido de restituição, embora este seja detentor de um crédito relativo ao pagamento efetuado a maior; considerando, também, que o prazo para apresentar pedido de desistência da compensação já se esgotou, posto que ultrapassado mais de cinco anos da apresentação da PER/DCOMP, a empresa recorrente solicita o julgamento do presente recurso com base no princípio da razoabilidade; para tanto, requer que o pedido de compensação seja homologado, por se tratar de medida justa e em obediência ao princípio que veda o enriquecimento ilícito, até mesmo da Fazenda Nacional, que pôde usufruir do numerário recolhido a maior desde a efetivação do recolhimento. Este é o Relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902092/200967 Resolução nº 1802000.163 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação – DCOMP por ela apresentada em 31/03/2006, na qual utiliza crédito decorrente de um alegado pagamento a maior referente à CSLL/estimativa do mês de agosto/2005. A DCTF referente ao segundo semestre de 2005 (fls. 15) discrimina débito de CSLL/estimativa do mês de agosto/2005 no valor de R$ 2.181,53. Para quitar este débito, a Contribuinte realizou pagamento no valor de R$ 7.292,29, conforme informado na mesma DCTF (no processo nº 10469.902089/200943 da mesma empresa, que também foi examinado nesta sessão do CARF, o recurso voluntário está acompanhado do comprovante do referido pagamento). Esta seria a origem do pagamento a maior, no valor excedente de R$ 5.110,76, do qual a Contribuinte utilizou R$ 1.746,52 na DCOMP ora examinada. Os débitos objeto da referida compensação correspondem à estimativa de IRPJ de fevereiro/2006, no valor de R$ 476,52, e à estimativa de CSLL de fevereiro/2006, no valor de R$ 1.406,75. A negativa tanto da Delegacia de origem, quanto da Delegacia de Julgamento, está amparada no art. 10 da IN SRF nº 600/2005, onde foi estabelecido que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativas mensais de IRPJ/CSLL somente poderiam ser utilizados na dedução de IRPJ/CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor saldos negativos de IRPJ/CSLL do período. O voto que orientou a decisão da DRJ traz a seguinte observação: O que ocorre é que as estimativas mensais não são passíveis de restituição, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Sendo mera antecipação, não extinguem o crédito tributário, não havendo que se falar em pagamento indevido ou a maior. Quando, ao final do anocalendário, apurase saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, aí sim passível de restituição ou compensação. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte pretende que seja desconsiderada a inexatidão material no preenchimento da DCOMP, de modo que a compensação seja homologada a partir de crédito a título de saldo negativo de CSLL em 2005, e não de pagamento a maior da estimativa de agosto/2005. É importante registrar que a regra contida no art. 10 da IN SRF nº 600/2005, que limitava a utilização de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, não foi Fl. 92DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902092/200967 Resolução nº 1802000.163 S1TE02 Fl. 7 6 repetida nas instruções normativas posteriores que tratam do mesmo assunto (IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012). Nestes outros atos normativos, a Receita Federal manteve a referida restrição apenas para o aproveitamento de retenções na fonte indevidas ou a maior, e não mais para os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa. Registro também que a IN SRF nº 600/2005 foi expressamente revogada pela IN RFB nº 900/2008. Este colegiado tem admitido compensação com pagamento indevido ou a maior de estimativa desde que reste comprovado que o pagamento efetivamente superou o valor mensal que seria devido (seja com base na receita bruta, seja a partir de balancete de suspensão/redução), e que ele não tenha sido incluído no saldo negativo do período. A incidência de juros Selic sobre crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal é diferente da incidência sobre crédito decorrente de saldo negativo anual. Mas a indicação é de que todo o pagamento da estimativa de CSLL de agosto/2005 restou incluído no saldo negativo daquele ano, porque consta da ficha 17 da DIPJ (ajuste anual da contribuição), às fls. 34, uma dedução anual a título de “CSLL mensal paga por estimativa” no valor de R$ 45.380,81, que é resultante do somatório de todos os pagamentos de estimativa, incluindo o acima referido. O fato de a contribuinte ter indicado crédito decorrente de pagamento a maior e não como saldo negativo não prejudica o pleito, porque o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado, mas somente a partir do ajuste. É importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), guardando uma correspondência direta com eventual saldo negativo passível de restituição/compensação. Deste modo, o fato de a Contribuinte reivindicar a repetição de pagamento feito ao longo de um anocalendário, por entender que esse pagamento foi feito indevidamente ou a maior, não pode ser obstáculo ao seu pleito. O saldo negativo não deixa de ser um pagamento a maior referente ao mesmo tributo e ao mesmo ano das estimativas. O importante é averiguar a repercussão das estimativas no ajuste final. Mas os elementos constantes dos autos não permitem verificar nem o regime e nem a composição das estimativas mensais de CSLL ao longo de 2005. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.902092/200967 Resolução nº 1802000.163 S1TE02 Fl. 8 7 Não há cópia completa da DIPJ do anocalendário de 2005, mas apenas cópia de sua Ficha 17 (fls. 34), e o balancete apresentado pela Recorrente não atende ao disposto no art. 35 da Lei 8.981/1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Além disso, há outros aspectos a serem verificados em relação à composição do saldo negativo de CSLL, porque ele não decorreu apenas das estimativas ao longo de 2005, mas também de retenções na fonte ocorridas no período. Estes pontos não foram examinados porque a DRF de origem pautou sua decisão na mencionada restrição de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa, fundamento que agora está sendo afastado. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. É necessário que a Delegacia de origem (DRF Natal/RN): junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2005; intime a Contribuinte a apresentar os balancetes de suspensão/redução que tenha elaborado relativamente ao anocalendário de 2005, e que atendam à finalidade determinada no art. 35 da Lei 8.981/1995, conforme o texto anteriormente destacado; verifique e elabore relatório circunstanciado sobre o valor do saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2005, analisando não só os pagamentos feitos a título de estimativa mensal, mas também as retenções na fonte que foram computadas como dedução na DIPJ; intime a Contribuinte a se manifestar sobre as conclusões da diligência, antes de o processo retornar ao CARF. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência fiscal, para realização das providências determinadas acima. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 94DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13409.000224/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA. TRINTÍDIO LEGAL CONTADO DA DATA REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO OU, SE OMITIDA, CONTADO DE QUINZE DIAS APÓS A DATA DA EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO
CONHECIMENTO.
Na forma dos arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. No caso de intimação postal, esta será considerada ocorrida na data do recebimento colocada no AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.143
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois perempto.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA. TRINTÍDIO LEGAL CONTADO DA DATA REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO OU, SE OMITIDA, CONTADO DE QUINZE DIAS APÓS A DATA DA EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Na forma dos arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. No caso de intimação postal, esta será considerada ocorrida na data do recebimento colocada no AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois perempto. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/07/2012 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Francisco Marconi de Oliveira. Relatório Em face do contribuinte JOÃO PAULO FALCÃO DE SOUZA, CPF/MF nº 029.440.26402, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 31/10/2006, notificação de lançamento, decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2004. Ao contribuinte foram imputadas uma omissão de rendimentos percebidos do município de Calçado – PE (rendimentos de R$ 2.545,07 e IRRF de R$ 223,06) e uma glosa de IRRF de R$ 1.713,85, oriundo de rendimentos percebidos da empresa LOPES LOCAÇÃO E SERVIÇOS LTDA ME, para os quais não havia informação em DIRF. O contribuinte somente confessou um recebimento de rendimentos de R$ 23.496,00 da empresa Lopes Locação e Serviços Ltda.ME, com o IRRF de R$ 1.713,85, em sua DIRPFexercício 2005 (fl. 08). Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, alegando que executava serviço de transporte de passageiros, devendo oferecer à tributação apenas 60% dos rendimentos da atividade. Juntou aos autos uma cópia do comprovante de rendimentos recebidos da empresa acima, no qual consta o montante de R$ 7.639,84 como rendimentos tributáveis e R$ 5.093,22 como rendimentos isentos (40% do Rendimento da Prestação de Serviços é Transporte de passageiros), datado de 29/09/2006, sem indicação do anocalendário a que se refere e sem qualquer IRRF (fl. 05). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 1ª Turma da DRJRecife (PE), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1125.440, de 26 de janeiro de 2009. A decisão acima considerou definitiva a imputação dos rendimentos recebidos do Município de Calçado (PE), pois o impugnante não se insurgiu expressamente contra eles, e manteve a glosa do IRRF referente aos rendimentos percebidos da empresa Lopes Locação e Serviços Ltda.ME, pois o contribuinte não conseguiu comprovar o desacerto da glosa. O contribuinte foi intimado da decisão a quo, via postal, como se vê pelo AR de fl. 25, no qual não há data de recebimento manual, havendo o carimbo com data de entrega de 16/06/2009 e postagem de 09/06/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 29/07/2009 (fl. 26). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que a tempestividade do recurso voluntário deve ser contada a partir da juntada do AR aos autos, na forma do art. 241, I, do CPC, implicando no necessário conhecimento do recurso, e, no mérito, alega que tem um contrato de prestação de serviço de transporte de passageiro com o município de Calçado (PE), Fl. 48DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13409.000224/200674 Acórdão n.º 210202.143 S2C1T2 Fl. 2 3 no qual já há a retenção dos tributos federais e municipais, nada havendo, assim, a tributar adicionalmente, como se tentou nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator O contribuinte foi intimado da decisão a quo no prazo quinze dias após a data da postagem (09/06/2009) da intimação de fls. 23 a 25, pois o intimado ou seu proposto não colocou a data do recebimento no AR de fl. 25, e interpôs o recurso voluntário em 29/07/2009 (fl. 26), quando já fluíra o trintídio legal, que teve seu termo final em 27/07/2009, segundafeira, como se demonstrará a seguir. Para aclarar a afirmação acima, transcrevemse os arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, que dispõem sobre as formas e prazos de intimação no rito do Processo Administrativo Fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o , I a III – omissis; § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 49DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III e IV – omissis; § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o a §9º omissis. (...) SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifouse) Pelo acima destacado, vêse que o trintídio legal para interposição do recurso voluntário contase da data de ciência anotada no aviso de recebimento AR ou, se omitida (caso destes autos), quinze dias após a data da expedição da intimação. Ainda, os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Pelo que consta dos autos, o contribuinte foi intimado da decisão a quo no prazo de quinze dias contado da expedição do AR de fl. 25 (a intimação foi expedida no dia 09/06/2009), pois não anotou no AR a data que recebeu a correspondência, ou seja, devese considerar o contribuinte intimado da decisão da Turma de julgamento em 24/06/2009, quarta feira, ou 25/06/2009, quintafeira, aqui considerando que o dia 24 de junho é feriado em grande parte dos municípios do nordeste do Brasil, inclusive no Estado de Pernambuco, onde se encontra o domicílio do fiscalizado (Calçado – PE). E interpôs o recurso voluntário em 29/07/2009 (fl. 26), quartafeira. Assim, aqui se toma a data da ciência da decisão da Turma de Julgamento da DRJ como 25/06/2009, por ser mais favorável ao fiscalizado, implicando que o prazo para interposição do recurso voluntário encerrouse no dia 27/07/2009, segundafeira. Dessa forma, quando interposto o recurso voluntário em 29/07/2009, já tinha fluído o prazo legal. Patente, assim, a intempestividade do recurso voluntário, sendo definitiva Fl. 50DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13409.000224/200674 Acórdão n.º 210202.143 S2C1T2 Fl. 3 5 a decisão da Turma de Julgamento da DRJ que aqui se recorre, como se vê pelo art. 42 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) À guisa de conclusão, devese ressaltar que os prazos do processo administrativo fiscal são contados na forma da legislação acima transcrita (Decreto nº 70.235/72 PAF), não se aplicando as normas do Código de Processo Civil CPC, como pugnado pelo recorrente, pois as normas do Decreto nº 70.235/72, que tem força de lei ordinária, são específicas, não sendo superadas pelas normas gerais do CPC. Dessa forma, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário interposto, pois perempto. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 51DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000863/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 14/01/2004 a 09/12/2004 NULIDADE POR VÍCIO DO MPF. AUSÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Eventuais falhas em sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento. HIERARQUIA ENTRE MEIOS DE PROVA. AUSÊNCIA A análise das provas, nos termos do direito processual pátrio, segue o método do livre convencimento motivado, não estabelecendo hierarquia entre os meios de prova, admitindo, por conseguinte, que o julgador forme sua convicção a partir da soma de indícios, principalmente quando, por meio de tais indícios, conclui-se que o fato probando é alvo de simulação. Outrossim, diante de robusto quadro indiciário, capaz de afastar dúvidas acerca da matéria fática, não há espaço para aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/01/2004 a 09/12/2004 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.
A imposição de penalidade prevista em lei e cuja onstitucionalidade não foi alvo de questionamento perante o Poder Judiciário não pode ser afastada em face da aplicação de princípios abstratamente citados na Lei nº 9.784, de 1999, só aplicável ao processo administrativo fiscal de maneira subsidiária. Pelo mesmo motivo, não se pode mitigar a incidência da lei vigente em face de suposta violação de princípios constitucionais. Tal medida demandaria exame da constitucionalidade, procedimento vedado a este Colegiado,
segundo o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI
Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA.
O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência.
Recurso de Ofício Provido em Parte e Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.239
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer a fração do lançamento fundada nas declarações de importação nº 04/0253545-8, 04/0804956-6, 04/0908200-1 e negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, que dava parcial provimento aos recursos voluntário e de ofício para reduzir a multa a 10% do valor aduaneiro, além dos conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho, que negavam provimento ao recurso de ofício, davam provimento integral ao recurso voluntário e, em segunda manifestação, suscitavam a aplicação da multa de 10% do valor aduaneiro. Fez sustentação oral o advogado Henry Gonçalves Lummertz. A Conselheira Nanci Gama fará declaração de voto.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 14/01/2004 a 09/12/2004 NULIDADE POR VÍCIO DO MPF. AUSÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Eventuais falhas em sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento. HIERARQUIA ENTRE MEIOS DE PROVA. AUSÊNCIA A análise das provas, nos termos do direito processual pátrio, segue o método do livre convencimento motivado, não estabelecendo hierarquia entre os meios de prova, admitindo, por conseguinte, que o julgador forme sua convicção a partir da soma de indícios, principalmente quando, por meio de tais indícios, conclui-se que o fato probando é alvo de simulação. Outrossim, diante de robusto quadro indiciário, capaz de afastar dúvidas acerca da matéria fática, não há espaço para aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/01/2004 a 09/12/2004 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. A imposição de penalidade prevista em lei e cuja onstitucionalidade não foi alvo de questionamento perante o Poder Judiciário não pode ser afastada em face da aplicação de princípios abstratamente citados na Lei nº 9.784, de 1999, só aplicável ao processo administrativo fiscal de maneira subsidiária. Pelo mesmo motivo, não se pode mitigar a incidência da lei vigente em face de suposta violação de princípios constitucionais. Tal medida demandaria exame da constitucionalidade, procedimento vedado a este Colegiado, segundo o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. Recurso de Ofício Provido em Parte e Recurso Voluntário Negado
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AUSÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Eventuais falhas em sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento. HIERARQUIA ENTRE MEIOS DE PROVA. AUSÊNCIA A análise das provas, nos termos do direito processual pátrio, segue o método do livre convencimento motivado, não estabelecendo hierarquia entre os meios de prova, admitindo, por conseguinte, que o julgador forme sua convicção a partir da soma de indícios, principalmente quando, por meio de tais indícios, concluise que o fato probando é alvo de simulação. Outrossim, diante de robusto quadro indiciário, capaz de afastar dúvidas acerca da matéria fática, não há espaço para aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/01/2004 a 09/12/2004 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.327 2 A imposição de penalidade prevista em lei e cuja constitucionalidade não foi alvo de questionamento perante o Poder Judiciário não pode ser afastada em face da aplicação de princípios abstratamente citados na Lei nº 9.784, de 1999, só aplicável ao processo administrativo fiscal de maneira subsidiária. Pelo mesmo motivo, não se pode mitigar a incidência da lei vigente em face de suposta violação de princípios constitucionais. Tal medida demandaria exame da constitucionalidade, procedimento vedado a este Colegiado, segundo o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. Recurso de Ofício Provido em Parte e Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer a fração do lançamento fundada nas declarações de importação nº 04/02535458, 04/08049566, 04/09082001 e negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, que dava parcial provimento aos recursos voluntário e de ofício para reduzir a multa a 10% do valor aduaneiro, além dos conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho, que negavam provimento ao recurso de ofício, davam provimento integral ao recurso voluntário e, em segunda manifestação, suscitavam a aplicação da multa de 10% do valor aduaneiro. Fez sustentação oral o advogado Henry Gonçalves Lummertz. A Conselheira Nanci Gama fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de recursos voluntário e de ofício apresentados em face do Acórdão 0718.210, da 2ª Tuma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis. Conforme consignado na Descrição dos Fatos às fls. 03 a 60, os despachos de importação relacionados às fls. 03 a 11 encontrarseiam maculados de simulação, em razão de que foram formulados pela pessoa jurídica Viamax Comercio, Importação e Exportação Ltda. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.328 3 (Viamax), em seu próprio nome, mediante a apresentação de faturas comerciais que externariam a aquisição desta importadora a pessoas jurídicas ligadas a empresas do grupo Nokia sediadas na Alemanha, Finlândia, República da Coréia, República da Hungria, República Popular da China, Austria e EUA, mas que, de fato, representariam aquisições da pessoa jurídica Nokia do Brasil Tecnologia Ltda.(Nokia), apontada como responsável solidária pelo crédito tributário alvo do presente litígio. Tratarseia de uma operação realizada por conta e ordem de terceiros, mas que fora declarada como realizada por conta própria. Aduzse, ainda, falsidade ideológica dos documentos apresentados para instrução do despacho. Sustentase, nessa linha, que, restando caracterizadas duas infrações punidas com o perdimento da mercadoria, no caso a ocultação do real adquirente e responsável pela operação e a apresentação de documento falso para instrução do despacho, e face à impossibilidade de se promover a apreensão das mercadorias, lavrouse o auto de infração alvo do presente processo para cobrança da multa substitutiva da pena de perdimento. Ainda segundo consta do relatório fiscal, tais infrações foram demonstradas a partir do cotejamento entre documentos apresentados para despacho pela pessoa jurídica Viamax, especialmente os conhecimentos de transporte e faturas comerciais, e os documentos que deram apoio à escrituração da pessoa jurídica Nokia, além de outros, intitulados “delivery notes” e das respostas prestadas às intimações formuladas no curso da ação fiscal. Registra, finalmente, a autoridade autuante que a motivação para a simulação seria, por parte da Viamax, a obtenção indevida de benefícios do Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap) e, por parte da Nokia, o afastamento da incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) quando da comercialização da mercadorias, além de imposição de prejuízo ao controles próprios da legislação do IRPJ, inerentes às operações de compra e de venda com pessoa jurídica vinculada estabelecida no exterior (preços de transferência). Quanto ao prejuízo ao pagamento do IPI, relata o autuante que, após a intimação para apresentação de esclarecimentos acerca da forma de apuração do imposto, declarara a Nokia que não se creditara no momento da aquisição nem registrara o débito no momento da venda, e que, para a regularização completa do processo, emitira notas fiscais complementares, em Janeiro de 2007, promovendo o recolhimento do imposto. Não teriam sido apresentados documentos que comprovassem tal regularização Devidamente cientificadas, compareceram a autuada e a apontada como solidária ao processo para impugnar o lançamento nos termos expostos separadamente a seguir: 1 Pessoa Jurídica Viamax 1.1 Nulidade do procedimento em face de vício do Mandado de Procedimento Fiscal Segundo aduz, não foi observado o rito fixado na Portaria RFB n.º 11.371, de 2007, que determinou o encerramento de todos os procedimentos fiscais pendentes até 31/12/2007, mediante a competente ciência do sujeito passivo. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.329 4 Alega, nessa esteira, que o MPF de diligência fora emitido em 19/03/2007, mas somente se aperfeiçoara em 22/10/2008, restando demonstrado, consequentemente, o descumprimento do prazo fixado para sua extinção. Expõe ainda sua convicção acerca do papel do MPF, como elemento que formaliza e valida a ação fiscal. 1.2. Decadência Na medida em que o auto de infração alvo do presente processo somente se aperfeiçoara em 02/04/2009, operase a decadência do direito de promover o lançamento que tivesse como objeto as operações realizadas antes de 02/04/2004. Transcreve o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional e ementa de julgados proferidos pelo extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. 1.3. Ilegitimidade passiva Após trazer considerações acerca da função do lançamento e transcrever citação doutrinária sobre o tema, argui que a penalidade aplicada à Viamax estaria fundada em presunções carregadas de subjetividade e que sob o mesmo manto do “provável” deveriam ser analisados seus argumentos, em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Sustenta, ademais, que ação fiscal não poderia basearse em premissas sem demonstrar o caminho percorrido para tanto. Aduz, ainda, que a característica essencial da importação seria a transferência de titularidade. Se, conforme alegado, não importara ou não adquirira, não poderia ser eleito sujeito passivo, nem alvo da aplicação da pena de perdimento. Ataca a aplicação do critério econômico de interpretação, alegadamente o fundamento para a imposição da exigência fiscal. Sustenta, por outro lado, que o Fisco a desqualificara como importadora, acusandoa de simular operações, mas não aponta qual teria sido sua motivação ou economia fiscal alcançada. Reforça, em outro item da impugnação, que o alegado ganho inerente ao Fundap seria auferido independentemente da operação se realizar na modalidade “por conta e ordem” ou “por conta própria”. 1.4. Legalidade das operações Argumenta que os princípios da liberdade fiscal e da capacidade contributiva estão alinhados ao princípio da dignidade humana e da liberdade. Assim, em nome da liberdade fiscal, dever fundamental do Estado e direito fundamental do Contribuinte, caberia ao Estado aceitar a opção fiscal adotada pelo Contribuinte no limite da sua liberdade contributiva e negocial. Cita obras dos juristas José Casalta Nabais, Helenilson Cunha Pontes e Heleno Taveira Torres. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.330 5 Cita, ademais, trecho do relatório fiscal que demonstraria o histórico regular e lícito da pessoa jurídica, beneficiária do Fundap e devidamente habilitada a atuar no comercio exterior. Sustenta, nessa linha, que o próprio Fisco comprovara a conformidade da sua atuação com as regras que regem sua atividade, não apontando nenhuma conduta ilegal, nessa e nem em qualquer outra operação. 1.5 Ausência de caracterização da intenção deliberada de simular Aduz que, se houvesse intenção de ocultar a pessoa jurídica Nokia, apontada como responsável solidária, não teria apresentado documentos que, de alguma forma, a identificariam. Argumenta que todas as declarações de importação alvo de autuação foram registradas em 2004, época em que as operações seriam usualmente registradas na modalidade “em conta própria” e que a modalidade “por conta e ordem” estaria apenas “engatinhando”, já que teria sido instituída no ano de 2001 e somente regulamentada no ano de 2002, época em que as interpretações acerca da escolha da modalidade de operação ainda seria alvo de divergências por parte da própria Administração Pública. Para comprovar tal divergência, afirma que Declaração de Importação registrada em 27/07/2004, onde foram apresentados documentos com as características que deram ensejo à autuação, foi parametrizada para o canal vermelho de conferência, objeto de verificação física e documental, retificada, e, finalmente, desembaraçada sem que fosse apontada inconsistência acerca da modalidade de importação. Contesta, nessa linha, a alegada clareza da legislação e afirma a ausência de propósito para a prática de irregularidade que colocaria seu empreendimento em risco. Em face desses argumentos, invoca a aplicação do princípio da presunção de inocência, gizado no art. 5º, LVII, da Constituição Federal. Transcreve citação do jurista Roque Carazza acerca do princípio invocado. 1.6 Inexistência de Falsidade Ideológica Afirma que a imputação de falsidade seria desprovida de fundamento, pois a fatura seria autêntica e idônea, na medida em que tal falsidade seria oriunda de presunção de simulação que não restara comprovada, afastandose, como conseqüência, o alegado Dano ao Erário. Ademais, se tal conduta restasse comprovada, a penalidade não poderia recair sobre a Viamax, responsável exclusivamente pela apresentação dos documentos à autoridade aduaneira. Não sendo responsável pela emissão dos documentos, não poderia responder pelas penalidades decorrentes da sua falsificação. 1.7 Ausência de Dano ao Erário. Restando caracterizado que, no presente processo, demonstrouse exclusivamente discordância acerca da qualificação da modalidade de operação, desprovida de elementos que comprovassem o dolo, afastada estaria a conduta típica exposta no inciso V do art. 23 do Decreto Lei nº 1.455, de 1976. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.331 6 Após transcrever o dispositivo, afirma que a conduta ali tipificada só se aperfeiçoa na hipótese de fraude ou simulação e que a única possibilidade de se presumir uma dessas figuras seria a não comprovação da origem dos recursos empregados. Ademais, para que se caracterizasse a fraude seria imperioso que se revelasse o dano ou ânimo de subtrair tributos. Afirma que todos os tributos foram pagos, não há irregularidade documental e as mercadorias estão de acordo com o que foi declarado. Argumenta que a manutenção da autuação, no seu sentir absurda, a condenaria a incertezas e ao término de suas atividades. 2. Pessoa Jurídica Nokia 2.1 Inobservância do Prazo para Revisão Aduaneira Após transcrever a atual redação do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966 e do art. 570 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4543, de 2002, afirma que não foi observado o prazo de 5 anos, contados do registro da DI, para a realização da revisão aduaneira. Cita precedentes do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Assim, dado que a revisão das declarações registradas até 02/04/2004 só foi concluída em data posterior ao limite legal, caberia afastar a fração do lançamento fundada em tais declarações. 2.2 Violação ao Princípio da Verdade Material Afirma que o lançamento litigioso se baseara em presunções, suposições e ilações, em violação ao princípio da verdade material. Faz considerações acerca do alcance desse princípio, traz citações doutrinárias sobre o tema e cita jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes. Argumenta que, se restara imputada à impugnante e à pessoa jurídica Viamax a prática de fraude, caberia fazer prova do dolo, elemento essencial à sua caracterização. Transcreve o art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964 e cita jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. Questiona a imputação de penalidade em face do art. 136 do Código Tributário Nacional, na medida em que a conduta apenada exige o dolo para sua prática, o que atrairia a aplicação do art. 137 do mesmo código, que trata da responsabilidade pessoal. Afirma, nessa linha, que a ausência de participação da pessoa jurídica Viamax na transação comercial não foi alvo de comprovação. Defende que, em relação a algumas das declarações de importação, como se verificaria com as de nº 04/05235458 (fls. 10381041), 04/08049566 (fls. 17631765) e 04/06735543 (fls. 13721374), não teriam sido trazidos ao processo elementos diversos dos extratos e das notas fiscais de compra, sem que tenha sido apontado qualquer elemento que possa ser tomado como falso. Registra que, em outros casos, onde são identificadas declarações instruídas com faturas comerciais em que a Nokia seria citada, a exemplo das DI n.ºs 04/02791007 (fls. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.332 7 575/577), 04/04135409 (fls. 856/858), 04/04136006 (fls. 941/943), 04/04602163 (fls. 951/953) e 04/07341450 (fls. 1538/1541), não haveriam elementos para atribuirlhe a condição de adquirente das mercadorias importadas. Aduz reiteradamente que não haveria elementos para considerar que a Viamax, que poderia perfeitamente adquirir produtos da marca Nokia e comercializálos, não seria a responsável pela aquisição das mercadorias, especialmente quando existente no mercado interno empresa do próprio grupo NOKIA que poderia adquirir essas mercadorias, assim como diversas companhias telefônicas que as vendem. Contesta a imputação de falsidade material de faturas fundada na diferença entre o formato dos documentos, destacando a ausência de norma que obrigue a adoção de um padrão único. Tratandose de emitentes diferentes, sediadas em diferentes países, não haveria como arguir vício dos documentos baseado nesse critério. Ademais, caberia à fiscalização demonstrar qual seria o formato verdadeiro. Conclui, assim, que, além de falho, o critério empregado seria parcial e conveniente para as acusações, pois sustentaria que o formato verdadeiro seria o que informa a participação da Nokia e o falso, o que não indicaria tal participação. Contesta, ainda o poder probante do documento denominado “delivery note”, que não teria o poder de formalizar a operação de compra e venda entabulada nos termos da fatura comercial, verdadeiro documento apto a comprovar essa operação. Em caso de divergência entre os dois documentos, deveria prevalecer o segundo. Por outro lado, ainda que tal documento ou a fatura comercial consigne a expressão “sold to: Nokia do Brasil Tecnologia Ltda.”, ou qualquer outra análoga, caberia considerar a possibilidade de erro. A Nokia do Brasil não poderia figurar como adquirente das mercadorias na medida em que não foi a responsável pelos pagamentos efetuados a empresas no exterior. Pleiteia a realização de diligência junto ao Banco Central do Brasil no intuito de confirmar tal alegação. Contesta a afirmação de que os conhecimentos de transporte seriam ideologicamente falsos na medida em que tais títulos não indicariam a pessoa jurídica Viamax como adquirente das mas como consignatária. Ademais, se admitisse que as importações ocorreram na modalidade “por conta e ordem de terceiros”, não caberia imputarlhes a condição de ideologicamente falsos, na medida em que esta exigência estaria expressamente fixada na IN SRF 225, de 2002. Sustenta, por outro lado, que as faturas relativas às declarações de importação 04/04602180 (fls. 968/970) e 04/09082001 (fls. 1976/1978), foram expedidas por exportadoras que não fazem parte do grupo econômico Nokia, no caso as pessoas jurídicas FOXCONN e PHILLIPS, afastando, pelo menos com relação a essas duas operações, as acusações do Fisco. Insurgese contra a acusação de falsidade da fatura comercial que instruiu a DI n.º 04/04602180 (fls. 968/970) em face de eventuais erros de grafia. Tal acusação seria tão falaciosa quanto a de que a Viamax não poderia importar e comercializar no mercado interno produtos da marca Nokia. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.333 8 Contesta, ainda, o argumento de que fizera uma opção questionável ao importar mercadorias por meio de recinto alfandegado no Espírito Santo, quando seu estabelecimento fabril estaria situado na Zona Franca de Manaus. Pondera, quanto a tal acusação, que as notas fiscais de saída emitidas pela Viamax evidenciam que os produtos não eram vendidos para o estabelecimento em Manaus, mas para o situado em BarueriSP. Por outro lado, tratandose, na maioria dos casos, de produtos acabados, que não recebem os benefícios fiscais relativos à Zona Franca de Manaus, não haveria motivo para importálos por meio de recinto próximo de seu estabelecimento fabril. A acusação de que teria procurado obter benefícios semelhantes àqueles assegurados pela Zona Franca de Manaus, sem no entanto, sujeitarse à legislação que disciplina esse regime aduaneiro, seria mera ilação. Ademais, o estabelecimento industrial da Nokia do Brasil se encontraria plenamente adequado à legislação que disciplina o regime da Zona Franca de Manaus. Considera igualmente infundada a alegação de que pretenderia se furtar ao controle do preço de transferência: nos termos do § 5º do art. 2º da IN SRF n.º 243, de 2002, esse controle seria igualmente aplicado em aquisições no mercado interno de produtos importados por sua conta e ordem ou por meio de uma importação por encomenda. Restando demonstrado, em face da soma desses argumentos, que o auto de infração litigioso valeuse de indícios e presunções para imputar infrações, caberia aplicar o disposto no art. 112 do CTN, que trata da interpretação mais favorável ao acusado quando houver dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato. Consequentemente, ausente a comprovação de que a Nokia seria a adquirente das mercadorias no exterior, não haveria que se falar em interposição fraudulenta ou utilização de documentos falsos no desembaraço aduaneiro de importação, não havendo, em conseqüência, como se pretender aplicar a pena de perdimento ou a multa substitutiva. Defende, em outro giro, que a interposição fraudulenta de terceiros deixara de ser punida com a pena de perdimento, mas com a multa de 10% do valor da operação acobertada. Cita o art. 33 da Lei n.º 11.488, de 2007, aplicável ao presente litígio em face da retroatividade benigna, prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. Argumenta, ainda, que não haveria como aplicar, no presente processo, o parágrafo único do art. 116 do CTN, em face da ausência de regulamentação. Os artigos da Medida Provisória n.º 66 de 2002 que trataram do tem não foram alvo de conversão. Finalmente, informa que a imputação relatada pelo autuante e consignada na Ficha nº 06/00306070 do Sistema Radar, no sentido de que a Nokia utilizaria fatura comercial confeccionada no Brasil teria sido afastada em julgamento administrativo promovido pela Delegacia de Julgamento e confirmado pelo Conselho de Contribuintes. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão julgador a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 14/01/2004 a 09/12/2004 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.334 9 DILIGÊNCIA. CONTRATOS DE CÂMBIO. DESNECESSIDADE. Na modalidade de importação por conta e ordem de terceiro tanto o importador quanto o adquirente podem figurar no contrato de câmbio, sem que isso a desnature, sendo portanto, irrelevante, para a caracterização, ou não, dessas operações a comprovação de quem figurou nos referidos contratos. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 14/01/2004 a 09/12/2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimento de auditoria fiscal. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 06/04/2004 a 09/12/2004 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. TRADING. LEGITIMIDADE PASSIVA. Nos termos da legislação aduaneira, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. OCULTAÇÃO DO COMPRADOR. SIMULAÇÃO. A importação realizada por conta e ordem de terceiro pode ser comprovada pelo Fisco tanto pela demonstração de que a operação de comércio exterior não foi realizada com recursos do próprio importador quanto pela demonstração de que a fatura comercial ou qualquer outro documento, emitido pelo exportador, identifica outro adquirente que não aquele que figura na DI, a um só tempo, como importador e adquirente da mercadoria importada, cabendo ao impugnante apresentar prova em contrário. FALSIDADE DOCUMENTAL. FALTA DE CONTESTAÇÃO ESPECÍFICA. A falta de esclarecimento ou de contestação específica acerca dos pressupostos adotados pelo Fisco para amparar a imputação, torna incontroversa, na espécie, a infração de falsidade documental. FALSIDADE MATERIAL. FATURA. A imputação de falsidade material da fatura comercial fundada em aspectos da grafia do documento impõe à fiscalização o encargo de juntar ao processo a pretensa fatura comercial verdadeira, de molde a se poder verificar se os elementos apontados pela fiscalização são, ou não, indicativos da aludida falsidade material. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.335 10 DANO AO ERÁRIO. PROVA. A infração caracterizadora do dano ao Erário deve ser demonstrada pelo Fisco com a juntada aos autos dos documentos hábeis à sua comprovação. IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL COMPRADOR. SIMULAÇÃO. Convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que foram importadas mediante interposição fraudulenta que não sejam localizadas ou que tenham sido consumidas. Período apuração: 14/01/2004 a 02/04/2004 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. DECADÊNCIA. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração. Impugnação Procedente em Parte Regularmente cientificadas, comparecem as pessoas jurídicas para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, repisar os pontos de inconformidade manejados por ocasião da instauração da fase litigiosa, acrescentando, com relação ao julgamento recorrido, o que se segue: 1 Pessoa jurídica Viamax; 1.1 Quanto à nulidade do procedimento por vício do MPF: Seria inaceitável o entendimento de que o MPF seria um mero ato de controle da fiscalização. Estarseia diante de ato vinculado e, como tal, não se poderia admitir que normas a ele atreladas não seriam dotadas de poder de coerção, cujo descumprimento não vicie o ato administrativo. 1.2 Documentação apontada como ideológica ou materialmente falsa. Esclarece que a alegada inconsistência entre as faturas comerciais e os conhecimentos de transporte, que consignaram como exportador a pessoa jurídica NOKIA MOBILE PHONES, quando deveria ter informado a pessoa jurídica NOKIA INC seria fruto de desatualização de dados cadastrais da transportadora. Junta, na oportunidade, declaração da pessoa jurídica DHL Logistics ratificando tal informação. Cita jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes admitindo a juntada de prova na fase recursal. 1.3 Divergência na Administração acerca da qualificação da operação de comercio exterior. A fim de demonstrar a procedência de seus argumentos acerca da controvérsia afeta à definição da modalidade de operação correta, ou seja, se a importação deveria ser declarada como “por conta própria” ou “por conta e ordem”, aduz que o próprio Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.336 11 relator admitira o equívoco quando da qualificação dos sujeitos passivos. Transcreve trecho do voto condutor. 1.4. Ausência de Dano ao Erário Sustenta que o órgão de primeira instância não logrou êxito em demonstrar o dano perpetrado pela conduta atribuída ao sujeito passivo. Argumenta que o perdimento só se justifica nas hipóteses em que a mercadoria se encontra em situação irregular ou que seu proprietário deixou de atender aos preceitos legais, hipóteses não verificadas no presente processo. Cita jurisprudência dos Tribunais Superiores acerca da inaplicabilidade da pena de perdimento a mercadorias adquiridas de boafé. 1.5. Excesso de Exação Desobediência dos Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade Faz considerações acerca do princípio da proporcionalidade e sua aplicação como um limitador à discricionariedade administrativa. Sustenta que a aplicação da lei deve ser congruente com os fins por ela visados. Transcreve doutrina. Aduz que, apesar da Lei nº 9.784, de 1999, fazer menção aos princípios da razoabilidade de proporcionalidade separadamente, na realidade, a proporcionalidade constituiria um dos aspectos da razoabilidade. Sustenta, que essa proporcionalidade deve ser medida diante do caso concreto, fator que igualmente reduziria a liberdade para decisão. Esclarece que o princípio da razoabilidade, sob a feição da proporcionalidade entre meios e fins, estaria contido implicitamente no art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784/99, que impõe à Administração Pública, em seu inciso V, a adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público . 1.6 Retroatividade Benigna Considerando que a penalidade prevista no art.33 da Lei n° 11.488/2007, posteriormente editado, é menos severa que a sanção originalmente imposta pela ocultação do real adquirente, se restasse caracterizada irregularidade apontada, a multa a ser aplicada seria a capitulada no dispositivo novel. 2 Pessoa Jurídica Nokia 2.1 Impossibilidade de se formalizar o lançamento sem a comprovação das irregularidades Inicialmente, tece considerações acerca do ônus da prova e traz à colação excertos da obra de Alberto Xavier e de Leandro Paulsen e René Bergman Ávila e transcreve o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. Reitera, em seguida, suas considerações relativas à aplicação do princípio da verdade material, além de sua convicção acerca da impossibilidade de se fundamentar a Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.337 12 exigência com base em presunções e ilações. Cita jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes. Argumenta que a acusação de interposição fraudulenta de terceiros ou utilização de documento falso não pode ser formulada em razão do conjunto de operações. Tal infração diz respeito a cada importação, Na mesma linha, os meios de prova deveriam ser apresentados e avaliados em relação a cada uma dessas operações. Assim, ainda que se admitisse a utilização de prova indiciária, tal quadro estaria adstrito às importações em relação às quais a Fiscalização produzira algum elemento material. Em relação às demais, só existiriam suspeitas ou presunções, insuficientes para embasar o lançamento. 2.2 Elementos que deveriam ter sido provados Entende a recorrente que, para a caracterização das infrações indicadas, interposição fraudulenta e uso de documento falso caberia trazer ao processo elementos que dessem respaldo a tal acusação. Aduz, nessa esteira, que as conclusões do Fisco partiriam da premissa de que a Recorrente deveria ter sido indicada nas declarações de importação como adquirente das mercadorias importadas no exterior. Apenas em tal hipótese restaria caracterizada a interposição fraudulenta de terceiro e, consequentemente, tornarseiam as declarações ideologicamente falsas. Transcreve o art. 23, V do DL nº 1.455, de 1976. Como consequência, para a caracterização da infração, não seria suficiente demonstrar que a recorrente participou da operação. Seria necessário comprovar que, à época dos despachos esta participação deveria ser consignada nas declarações. Ocorre que, à época dos despachos, ainda não haveria preceito que determinasse a identificação do encomendante. Essa indicação só se tornou obrigatória quando do início da vigência da IN 634, de 24 de março de 2006, ou pelo menos do art. 13 da Lei nº 11.281, de 20 de fevereiro de 2006. Traça as características da importação por encomenda e as justificativas para sua criação e, em seguida, expõe sua convicção no sentido de que, segundo o autuante, as operações realizadas por conta do importador, mas por ordem do adquirente se enquadrariam no conceito de “por encomenda”. Assim, ainda que se admitisse que as operações objeto do presente processo se realizaram nessa modalidade, não haveria como impor penalidades à recorrente pela omissão de sua indicação nas declarações, a menos que restasse demonstrado que as operações enquadrariam na modalidade “por conta e ordem de terceiro”. Para tanto, deveria provar que a operação, além de se realizar “por ordem”, teria igualmente se realizado “por conta” do importador. Sustenta, nessa linha, que a característica fundamental que demarca a operação como “por conta e ordem de terceiros” seria a origem dos recursos empregados. Cita o art. 1º da IN 225, de 2002. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.338 13 Em face de todos esses argumentos, sem a comprovação de que a Viamax não disporia de recursos próprios para fazer face às operações, cairiam por terra os fundamentos da exigência. Posteriormente, após reiterar os argumentos acerca da não caracterização do dolo, passa à exposição pormenorizada dos elementos que, no seu sentir, demonstrariam os equívocos do julgamento alvo de recurso. Após expor que, para efeito do julgamento da lide, seria incontroverso que fechamento do contrato de câmbio teria sido efetuado pela pessoa jurídica Viamax, que também arcara com o pagamento das despesas relativas à importação, reitera seus argumentos acerca da fragilidade dos elementos de prova carreados. Afirma que adquirente é aquele que promove o pagamento e contesta a conclusão de que as faturas informariam quem seria o adquirente da mercadoria, aduzindo que tais documentos identificariam exclusivamente o comprador, enquanto partícipe da operação de compra e venda internacional, não contendo, nessa senda, informação acerca da origem dos recursos aplicados na operação. Ausente tal indicação, não haveria como excluir a possibilidade de erro nesse documento. O acórdão recorrido reconheceria que a indicação da pessoa jurídica na fatura não seria a prova cabal da condição de adquirente. Enumera as operações em que a fatura comercial indica a pessoa jurídica Viamax como adquirente, mas que a exigência foi mantida com base nas informações colhidas nas export notes e, mais uma vez, argumenta que, na discrepância entre os documentos, prevaleceria a fatura, a rigor o único apto a comprovar as características da operação. Aponta contradição no raciocínio, sustentando que, nas hipóteses em que a recorrente figurou na fatura, este documento seria suficiente para comprovar que esta seria a verdadeira adquirente e, quando não constou, atribuise valor probante ao “export note”. Defende que a circunstância da nota de compra identificar a Nokia como compradora (customer) das mercadorias e a fatura comercial não identificar a Viamax como adquirente, mas exclusivamente como importadora, não possuem a relevância assumida pelo acórdão recorrido. No seu sentir, a circunstância de a Viamax ser indicada como “importer" e não como "customer" não indica que tal pessoa jurídica não seja a adquirente da mercadoria. Tal indicação decorreria do formato da fatura comercial utilizada pelo exportador, Nokia GMbh, que emitiu as faturas que instruíram as declarações listadas. As operações da Nokia OYJ, da Nokia TMC LTD, da Beijing Nokia Mobile Telecommunication Ltd., da Dongguan Nokia Mobile Phones Co Ltd., da Philips e da Foxconn identificam o destinatário da mercadoria. importada como, "importer", enquanto outros exportadores o identificam como "customer". Registra que a expressão “customer” não poderia ser traduzida como “adquirente”, mas como “cliente”. Assim, se for empregado o significado literal, chegarseia à conclusão de que nenhum dos documentos constaria a informação de que a Nokia seria a adquirente das mercadorias. Aduz que o acórdão recorrido teria mais uma vez empregado “dois pesos e duas medidas” para valoração da prova, pois traduzira a expressão “customer” como Fl. 13DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.339 14 adquirente, mesmo quando esse não seria o seu significado literal, mas se negou a empregar esse critério para a tradição da expressão “importer”, emprestandolhe uma tradução literal e afirmando que se trataria de “importador”. Não haveria, portanto, para tratar de maneira diversa as faturas comerciais em que é indicada a Viamax apenas porque ela teria sido indicada como “importer” e não como “customer”. Em seguida, após transcrever trecho do relatório fiscal, aponta equívoco por parte do acórdão recorrido ao afirmar que o perdimento não estaria fundado na falha na qualificação da Viamax nos conhecimentos de transporte. Da mesma forma, contesta a conclusão do aresto recorrido no sentido de que a acusação de falsidade das faturas não estaria escorada na diferença de formato. Aduz, com relação a este ponto, que um dos elementos em que o autuante se fundou para a lavratura teria sido, sim, tal diferença de formato. Transcreve trecho que encerraria tal informação. Reafirma os argumentos acerca da validade dos conhecimentos, transcrevendo trecho da instrução normativa que disciplina a importação por conta e ordem e reforça a fragilidade da acusação de falsidade com base nas características extrínsecas das faturas. Esclarece que "Nokia Mobile Phones Inc." seria a antiga denominação da empresa "Nokia Inc.", conforme documentos que anexou aos autos, justificando a divergência entre as faturas comerciais e os conhecimentos de transporte, afastando, ademais, a alegação de que as pessoas jurídicas seriam empresas diferentes. Tratamse de denominações diferentes da mesma empresa. Consigna, assim, que as alegadas divergências, insuficientes para que se considere o documento falsificado, seriam fruto de erro de preenchimento. Aduz equívoco do acórdão recorrido em considerar que a alegação de falsidade da declaração de importação nº 04/06735543 tornarase incontroversa, em face da ausência de esclarecimento ou contestação específica. Transcreve trechos da impugnação onde acusa a ausência de provas da alegada falsidade e indica que tal declaração se enquadra nessa hipótese. Reitera que os documentos acostados (nota fiscal de saída, packing list e conhecimento de transporte) indicam a Viamax como adquirente da mercadoria. Aponta que o documento acostado a tal declaração (fls. 1376) não corresponderia a uma invoice, mas a um packing list, fato que se comprovaria por meio de comparação com faturas acostadas às fls. 1287 e 1386, por exemplo. Assim, não haveria elementos para afirmar que a operação ocorrera por conta e ordem de terceiros. Para tanto, seria necessário acostar uma fatura comercial ou a nota de entrega. Também não haveria como afirmar a falsidade dos documentos necessários ao desembaraço, hipótese em que, segundo restaria consignado no acórdão recorrido, deveriam ser apresentados, além dos documentos indicados, o conhecimento de transporte. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.340 15 Arremata arguindo que, na linha desenvolvida pelo acórdão recorrido, o lançamento deveria ser igualmente considerado como prejudicado por falta de provas. Após reiterar que a acusação da não participação da pessoa jurídica Viamax estaria desprovida de provas, aponta suposta divergência entre as planilhas de fls. 42, onde são listadas 57 declarações alegadamente instruídas com documentos falsos, e o total de declarações consideradas maculadas, 270. Se somente 57 estariam escoradas em meios de prova, não haveria qualquer indício em relação às demais. Reitera a sua convicção acerca do poder probante das faturas comerciais. 2.3 Ausência de Prova do Dolo Sustenta que o acórdão recorrido não lograra demonstrar que haveria nos autos prova de que a Viamax e a Recorrente agiram dolosamente, preferindo sustentar que tal prova não seria necessária. Contesta tal conclusão arguindo que, como restara demonstrado à saciedade, a prova do dolo específico seria essencial, para que o auto de infração pudesse prevalecer. Contesta igualmente a afirmação consignada no acórdão recorrido no sentido de que a comprovação da ocultação somente possível em sede de procedimento de revisão aduaneira, o que justificaria o desembaraço de diversas declarações de importação parametrizadas para os canais vermelho e amarelo sem que a correta identificação das partes fosse questionada. Segundo aduz, se o Acórdão recorrido fixou o entendimento no sentido de que o exame das faturas e dos AWB seria suficiente para a prova do ilícito e tais documentos instruem a declaração de importação. Consequentemente, tais infrações poderiam ser sido identificadas no curso do despacho de importação. Assim, afirma, mais uma vez, que, em face de tais desembaraços, poderia assumir o entendimento de que não estaria cometendo alguma irregularidade. 2.4 Retroatividade Benigna Após reiterar as alegações acerca da aplicação retroativa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, traz à colação entendimento assentado em julgados da DRJ São Paulo II, no sentido de que o dispositivo novel teria como agente apenas o importador ou exportador ostensivo, aquele que cede o nome, em face da aplicação do princípio que veda o bis in idem. Indica o número dos acórdãos e a data em que foram prolatados. Argui, ademais, que a aplicação do § 3º do art. 727 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 2009, expressamente citado pelo acórdão recorrido, estaria restrita às hipóteses em que multa de 10% seria aplicada em conjunto com o perdimento. Ou seja, quando se configurassem infrações distintas ou sujeitos passivos distintos. No presente processo, segundo aduz, as penalidades seriam aplicadas ao mesmo sujeito passivo e em razão da mesma infração. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.341 16 Foi apresentado recurso de ofício relativo ao montante exonerado em razão do reconhecimento da decadência relativamente às declarações de importação registradas em data anterior a 5 anos, contados da data da formalização da exigência. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Em nome da clareza, analiso separadamente cada um dos pontos sobre os quais se formou o presente litígio. 1 Preliminarmente Vício do Mandado de Procedimento Fiscal. Sustenta o sujeito passivo a nulidade do auto de infração em razão de vício do MPF que o teria dado suporte. Segundo aduz, a norma disciplinadora da sua expedição determinaria seu encerramento e conversão até determinada data. Descumprida tal determinação, restara viciada a exigência fundada no referido mandado. Peço vênia para não acatar tal pedido. Como é cediço, o art.59 do Decreto nº 70.235, de 1972 é suficientemente claro quando enumera as hipóteses de nulidade do procedimento: cerceamento do direito de defesa e incompetência do agente, hipóteses que não guardam relação com suposta falha na emissão do MPF. Inegável, ademais, que o dever de promover o lançamento de ofício encontra se gizado no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional1 e o seu descumprimento caracterizaria violação, sujeita a responsabilização do agente legalmente competente, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 6º, I, “a” 2, da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Nesse ponto, penso que a remansosa jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes andou bem quando firmou norte jurisprudencial semelhante ao adotado. Confirase: Acórdão 10423228, da 4ª Turma do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 29/05/2008 1 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 2 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) I em caráter privativo: (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário; (Vide Medida Provisória nº 258, de 2005) Fl. 16DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.342 17 “MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO CIÊNCIA O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Ademais, o suposto vício estaria em processo estranho aos presentes autos. Acórdão 10516427, da 5ª Turma do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 26/04/2007: IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF AUSÊNCIA DE NULIDADE O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Acórdão 10516209, da 5ª Turma do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 07/12/2006: IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF AUSÊNCIA DE NULIDADE O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Acórdão 10195760 da 1ª Turma do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 21/09/2006: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração, porquanto, sua função é de dar ao sujeito passivo da obrigação tributária conhecimento da realização de procedimento fiscal contra si intentado, como também, de planejamento e controle interno das atividades e procedimentos fiscais, tendo em vista que o Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, devidamente investido em suas funções, é competente para o exercício da atividade administrativa de lançamento. Acórdão 10515854, da 5ª Turma do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 26/07/2006: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração, porquanto, sua função é de dar ao sujeito passivo da obrigação tributária Fl. 17DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.343 18 conhecimento da realização de procedimento fiscal contra si intentado, como também, de planejamento e controle interno das atividades e procedimentos fiscais, tendo em vista que o Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, devidamente investido em suas funções, é competente para o exercício da atividade administrativa de lançamento. NULIDADE DO LANÇAMENTO Não há o que se falar em nulidade do lançamento, quando obedecidos os pressupostos contidos no Decreto nº 70.235/72. Afasto, consequentemente, a preliminar de nulidade fundada na alegação de vício do Mandado de Procedimento Fiscal. 2 Mérito 2.1 Prejudicial de Decadência Decidiu o órgão julgador de primeira instância que a fração do lançamento fundada nas declarações registradas até 02/04/2004 deveria ser afastada, em face da decadência. Considerouse, assim, que as infrações litigiosas se aperfeiçoaram na data do registro da DI, quando se iniciaria a contagem do prazo decadencial de cinco anos. Tomouse como referência, para tanto, a combinação dos comandos fixados nos artigos 138 e 139 do Decretolei n.º 37, de 1966, assim redigidos: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Assim, tendo em vista que a ciência do lançamento ocorreu em 02/04/2009, a possibilidade de se impor multa sobre as operações registradas entre 14/01/2004 e 02/04/2004 encontrarseia fulminada. Em que pese a aparente inconstitucionalidade formal do dispositivo, que avança sobre matéria afeta à lei complementar, como se manifestou o Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 8, não há como negar a higidez do acórdão submetido a reexame. Aliás, o chefe do Poder Executivo, em pelo menos duas oportunidades, reforçou a aplicabilidade do dispositivo, na medida em que o fez reproduzir no art. 669 do Fl. 18DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.344 19 Regulamento Aduaneiro de 2002, aprovado pelo Decreto nº 4.543/20023, e no art. 753 do Regulamento Aduaneiro de 20094, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009. Tratandose de ato, vigente e com status de lei, ou de decreto presidencial que não foram alvo de medida judicial tendente a questionar sua constitucionalidade, em observância ao art. 26A do Decreto nº 70.235, de 19725, não há como deixar de aplicála. Consequentemente, nego provimento ao recurso de ofício quanto a esta fração do lançamento. A fração do lançamento afastada por motivo diverso, relativa às declarações de importação nº 04/04602180 (fls. 967 a 975), 04/02535458 (fls. 1038/1041), 04/08049566 (fls. 1763/1765) e 04/09082001 (fls. 1976/1978), igualmente alvo de recurso de ofício, será analisada adiante, em conjunto com os argumentos atrelados ao recurso voluntário. 2.2 Ilegitimidade Passiva Não vejo como afastar, de plano, a responsabilidade das pessoas jurídicas indicadas como solidárias, e o principal elemento que leva a tal convicção é a natureza da acusação imputada. De fato, no presente processo, não se discute hipótese de responsabilidade solidária pelo pagamento de tributos, prevista no art. 124, I do CTN, cognominada “solidariedade de fato”, assim definida por Marcos Vinicius Neder6: No inc. I do art. 124, do CTN, foram definidos como devedores solidários aqueles que tenham interesse comum “na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Assim, o antecedente da norma individual e concreta de responsabilidade descreve um fato não tributário interesse comum, cuja efeito jurídico será a inclusão de terceiro interessado no pólo passivo da obrigação principal de forma solidária aos demais devedores, sem necessidade de outra previsão legal. Aqui, discutese a aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Ou seja, obrigação tributária consubstanciada nos autos decorre da “conversão” instituída no § 3º do art. 1137 do mesmo CTN. Assim, todo debate acerca da apuração da responsabilidade não se situa no plano da avaliação do interesse comum ou da condição de contribuinte dos impostos, mas exclusivamente na investigação da coautoria. 3 Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139). 4 Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 139). 5 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 6 Solidariedade de Direito e de Fato Reflexões acerca do seu Conceito, in Responsabilidade Tributária. Coordenadores Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder. São Paulo. Dialética, 2007, p. 36. 7 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.345 20 No intuito de melhor explicitar meu ponto de vista, recorro mais uma vez à Doutrina, no caso, de Luciano Amaro8 (original não destacado): “Com certeza, ninguém duvidará de que o contribuinte seja pessoa que recolhe tributo, mas é inconcebível a idéia de contribuinte referida a alguém não na condição de pagador de tributos, mas na de pagador de multas pecuniárias [..]Aproveitando a linguagem do Código, se alguém que tem ‘relação pessoal e direta’ com o fato gerador é contribuinte, quem tem a ‘relação pessoal e direta’ com uma infração é infrator, nunca contribuinte” (...) Fica evidente que as categorias de ‘contribuinte’ e de ‘responsável’ foram estruturadas a partir do fato gerador do tributo (e não ‘fato gerador da penalidade pecuniária’, qualificação que o Código acaba, pelo menos implicitamente, dando à infração tributária) (...) A questão do vínculo entre o infrator (agente) e a infração (ação ou omissão) não se põe em termos de ‘relação pessoal e direta’ ou relação oblíqua com o ‘fato gerador’. O problema é de autoria, tout court. É infrator (agente) quem tenha o dever legal de adotar certa conduta (comissiva ou omissiva) e descumpre esse dever, sujeitandose, por via de consequência, à sanção que a lei comine. [...]Responsável, no que tange à responsabilidade por infrações, é a pessoa (não necessariamente o contribuinte de algum tributo) que, por ter praticado uma infração, deve responder por ela, vale dizer, deve submeterse às consequências legais do seu ato ilícito. Nesse contexto, a análise da solidariedade deve levar em consideração o comando do art. 603, I do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002, que reproduz o art. 95, I do Decretolei nº 37, de 1966. Diz o dispositivo (original não destacado): Art. 603. Respondem pela infração (Decretolei nº 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; Dito isto, cabe analisar a conduta imputada às partes e de que forma estas concorreram para a prática das infrações apontadas pelo Fisco. A principal acusação, encontrase capitulada no art. 23, V do Decreto nº 1.455, de 1976, incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002, posteriormente convertida pela Lei nº 10637, de 2002. Vejase o que diz o dispositivo: 8 Direito Tributário Brasileiro. São Paulo. 2010. Saraiva, 16ª ed. p.332 Fl. 20DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.346 21 Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros; Analisando a peça fiscal, chegase à conclusão de que restou claramente exposto o papel de cada uma das pessoa jurídicas na conduta: a Viamax se apresentara como importador ostensivo e se atribuíra falsamente a condição de adquirente da mercadoria, enquanto a Nokia, embora tenha adquirido as mercadorias no exterior, permanecera oculta, pela interposição de um terceiro entre tal pessoa jurídica e o exportador. Resta evidente, a meu ver, que sem a atuação coordenada dessas duas pessoas jurídicas não haveria como perpetrar a conduta tipificada. Com efeito, se a lei pune a interposição de pessoas, evidentemente, todos que colaboraram na perpetração dessa conduta devem responder conjuntamente pela penalidade que lhe é imputada: tanto quem ocultou quanto quem foi ocultado. Igualmente descabida, a meu ver, é a pretensão de anular o lançamento em razão da qualificação atribuída às pessoas jurídicas Viamax e Nokia (a primeira como importadora e a segunda como responsável solidária). Impende recordar que a acusação formalizada pelo Fisco é a de que se verificou, na espécie, operações por conta e ordem sem que fossem cumpridas as obrigações inerentes a tal modalidade. Assim, a imposição da responsabilidade solidária ao adquirente estaria alinhada com o parágrafo único, III, do art. 32 do Decretolei 37, de 1966, conforme a redação que lhe foi fornecida pelo art. 77 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que diz: "Parágrafo único.É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." Ora, se o Fisco entendeu que a Viamax atuou como importadora e a Nokia como adquirente, ainda que oculta, nada mais coerente do que atribuirlhes a qualificação fixada no auto de infração. Finalmente, entendo igualmente descabida a pretensão de excluir uma das partes do rol dos responsáveis pela prática da segunda conduta alegadamente perpetrada, assim descrita pela legislação que a apenou: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) Fl. 21DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.347 22 VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Com efeito, conforme expôs a autoridade autuante, os documentos de instrução do despacho seriam ideologicamente falsos em razão de que aparentariam a realização de uma operação comercial em termos diversos daqueles efetivamente praticados. Ora, se esse vício, relembrese, decorre da interposição de pessoas, que, conforme já se expôs, teria se perpetrado por meio da atuação duas pessoas jurídicas, no caso a Viamax e a Nokia, evidentemente, se confirmada a infração principal, fato que será melhor analisado a seguir, essas duas pessoas seriam igualmente responsáveis por esta segunda infração. 2.3 Materialidade da Conduta 2.3.1 Interposição Fraudulenta de Pessoas 2.3.1.1 Caracterização Antes de adentrar na análise das condutas imputadas e, evidentemente, da comprovação da sua prática, deixo registrado que a indicação de duas infrações, igualmente puníveis com a pena de perdimento, ou a exclusão de uma delas, em princípio, não traria qualquer conseqüência para o julgamento do litígio, bastaria que se configurasse a infração principal, a interposição de pessoas, para que a penalidade fosse mantida em sua integralidade. De outra banda, se afastada essa infração principal, não haveria que se falar em falsidade ideológica dos documentos de instrução do despacho, na medida em que estaria confirmada a higidez das informações constantes desses documentos. Daí porque, esta análise se concentrará na acusação de interposição de pessoas. Sustentase em sede de recurso, relembrese, que o aperfeiçoamento de tal infração capitulada no art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 1976, já transcrito acima, exigiria o dolo específico, representado pela intenção de burlar o pagamento de impostos. Consequentemente, a caracterização da coautoria também exigiria tal elemento psicológico. Com a devida licença, não acompanho tal raciocínio. A conduta apenada é, como se viu, “ocultar o sujeito passivo, o real vendedor, comprador ou o responsável pela operação”, mediante (e não com a finalidade de) fraude ou simulação. De fato, ante à impossibilidade de prever, elencar e combater todas as conseqüências da ocultação das partes envolvidas na operação, o Legislador Pátrio, a exemplo de outros países, optou por combater esse meio de execução. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.348 23 Nessa linha, não vejo como condicionar a caracterização da infração ou da coautoria à demonstração da circunstância elencada no art. 72 da Lei nº 4.502, de 19649. Basta, portanto, que se demonstre a presença de simulação, conceituada no § 1º do art. 166 da Lei nº 10.406, de 2002 (Novo Código Civil): §1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; Comentando tais conceitos, que, à época da edição da obra, encontravamse gizados no art. 102 do Código Civil de 1917, expôs Alberto Xavier10: Compreendese, ainda, nas hipóteses de presunção relativa o caso da simulação subjetiva ou interposição fictícia de pessoas, prevista no art. 102 do Código Civil, quando os atos jurídicos que aparentam conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das quem, realmente, se conferem ou transmitem. Nestes casos, existem dois atos jurídicos (o simulado e o dissimulado) pertencentes ao mesmo tipo negocial, pelo que a simulação não incide sob a natureza do negócio ou sobre seu valor, mas sobre o elemento subjetivo, visto que a pessoa a quem realmente interessa o negócio dissimulado, correspondente à vontade real, não ser a que figura de modo ostensivo no negócio simulado. A avaliação da conduta (e a intenção de praticála), portanto, não estaria focada na busca de subtrair o pagamento do imposto, mas na intenção de ocultar a participação da pessoa jurídica apontada como adquirente da mercadoria. Igualmente descabida, a meu ver é a pretensão de vincular a caracterização da condição de adquirente à comprovação do fechamento do câmbio das operações. Ora, adquirente, como é de conhecimento geral, é aquele que adquire o domínio ou, nos termos do Dicionário Houaiss11, que se torna proprietário, de um bem, móvel ou imóvel, através de venda, troca, herança, doação ou qualquer outro meio legal. No caso dos autos, a aquisição do domínio, segundo informado ao Fisco, decorreria de contrato de compra e venda, onde sabidamente, o pagamento do preço não é elemento da formação do vínculo contratual. Quanto a esse ponto, esclarece Orlando Gomes Orlando Gomes12: Três são os elementos essenciais da compra e venda: res, pretium et consensus. Quer significar com isso que está perfeito 9 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 10Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo, 2001, Dialética, p. 55. 11 Edição eletrônica, disponível em http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=adquirente&stype=k 12 Contratos. Rio de Janeiro. Forense. 1994, 4ª ed., atualizada por Humberto Theodoro Júnior, p. 227. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.349 24 e acabado quando se verifica, quanto à coisa e ao preço, o consentimento. Os dois primeiros constituem o objeto do contrato. A compra e venda se forma obviamente pelo consentimento das partes, mas ao enfatizar o consensus como um dos elementos essenciais do contrato, querse acentuar sua natureza simplesmente consensual, para deixar claro que a entrega da coisa vendida não é necessária à sua perfeição. Basta, com efeito, o simples consentimento, do qual para o vendedor a obrigação de entregar a coisa e para o comprador a de pagar o preço. Ora, se comprador (e adquirente, no caso do contrato de compra e venda) é aquele que estipula o negócio jurídico, que se forma independentemente do pagamento do preço, a responsabilidade pela remessa de divisas não tem qualquer relevância para a definição das partes. Quando esta última foi formalizada, o contrato de compra e venda já se encontrava aperfeiçoado. Nesse aspecto, destaca Roosevelt B. Sosa13, outrora Conselheiro do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes: A bem da verdade, importador de fato é o adquirente, embora o faça por via de interposta pessoa. É o adquirente que em última análise, pactua a compra internacional e paga, pela via cambial, a importação. Embora essa condição nem seja essencial para caracterizar a importação de fato, bastando o interessado depositar a quantia correspondente na conta da interposta pessoa, que, a exemplo da importação, titularia a operação cambial. Prova de tal assertiva, a meu ver é flexibilidade do Regulamento de Câmbio de Importação, foi instituído por meio da Circular 3.231 do Banco Central do Brasil, de 03/04/2004 que, para evitar a necessidade de transferência de recursos, permite livremente que adquirente ou importador ostensivo promovam a remessa de divisas, como, aliás, já ressaltou o acórdão recorrido. Com efeito, não se pode pretender que o enquadramento da operação ficasse condicionado ao fechamento do câmbio ou quitação das despesas inerentes à importação, até porque, como já expôs o especialista em direito aduaneiro, bastaria que o verdadeiro detentor dos recursos, antes ou depois do fechamento, transferisse os valores necessários para tais pagamentos. Nessa linha, resta claro, a meu ver, que a identificação do responsável pelo fechamento de câmbio, com efeito, não tem qualquer importância para a definição da condição de adquirente. Ademais, em face do que já foi exposto, não vejo como reconhecer a alegada dubiedade ou novidade da legislação que disciplinava a atuação de pessoa jurídica por conta e ordem quando da realização das operações, registradas entre janeiro e dezembro de 2004. 13 Importação por Conta e Ordem de Terceiros. Disponível em http://www.contadorperito.com/index.php?tp=3&ag=8834 Fl. 24DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.350 25 Em primeiro lugar, já é mais do que consolidado perante o ordenamento jurídico pátrio o princípio de que a alegação de desconhecimento da lei não exime o infrator de cumprila. Em outras palavras, fixou a Lei de Introdução ao Código Civil (DL nº 4657, de 1942), em seu artigo 3º: Art.3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Em segundo, é igualmente de conhecimento dos atores do comércio exterior que, desde 22/10/2002, data em que foi publicada a Instrução Normativa nº 225, de 2002, o Secretário da Receita Federal fez uso da delegação contida no art. 80, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 200114, definindo, no parágrafo único do seu art. 1º, a figura do importador por conta e ordem nos seguintes termos: Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Mais adiante, o art. 3º da IN 225, tratando da instrução do despacho de importação, exige (original não destacado): Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. Se a mercadoria foi adquirida por um terceiro, independentemente da responsabilidade pelo fechamento do câmbio, o importador ostensivo, para efeito da legislação, estará agindo como importador por conta e ordem e deverá, sob pena de se sujeitar a penalidades, instruir o despacho de importação nos moldes do que definiu o art. 3º da mesma Instrução Normativa. Noutro giro, não merece guarida o argumento de que, em verdade, as operações em análise se enquadrariam em modalidade que passou a ser disciplinada posteriormente, a importação por encomenda, disciplinada no art. 11 da Lei nº 11.281, de 2006 (original não destacado): 14 Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e Fl. 25DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.351 26 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. Ora, o traço característico dessa modalidade de operação não é, como se pretendeu argumentar, o pagamento do câmbio. Na modalidade “importação por encomenda”, o importador contratado não apenas participa da negociação, mas adquire a mercadoria e revende ao contratante, emitindo uma nota fiscal própria para tanto. Diferentemente, tratando se de uma importação por conta e ordem, poderá até participar da negociação, por meio da realização da cotação de preços e pesquisas de mercado, mas não revenderá a mercadoria, emitirá exclusivamente uma nota fiscal de transferência. Em suma, na importação por encomenda, o importador recebe uma encomenda de um terceiro entabula compra e venda com o exportador e, em seguida, revende a mercadoria importada ao encomendante. Ou seja, se, como se argumenta, a Nokia adquiriu a mercadoria do exterior, não haveria como se considerála importador por encomenda, ainda que a lei que disciplinou essa modalidade já estivesse em vigor. Finalmente, não vejo como vislumbrar a alegada violação à liberdade negocial. A legislação exige, com efeito, que as operações sejam detalhadamente declaradas e esclarece, inclusive, de que forma deve se processar essa declaração. Evidentemente tal controle não limita a liberdade para negociar, apenas impõe transparência à descrição da forma como tal negociação tenha ocorrido, das partes envolvidas e papel exercido. 2.3.1.2 Poder Probante das Provas Indiciárias Como é possível extrair da leitura do relatório que antecede o presente voto outro argumento esgrimido de maneira recorrente é a ausência de prova cabal das infrações e, diante de tal ausência, a aplicabilidade do art. 112 do CTN15. Não acompanho tal raciocínio. Há que se ter em mente, em primeiro lugar, que o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 não traz qualquer restrição aos meios pelos quais o julgador poderá formar sua convicção. Confirase: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Igualmente. não se pode falar em hierarquia entre os meios de prova, como se pretendeu arguir nas hipóteses em que, no presente processo, documentos internos da pessoa jurídica Nokia, denominados “export notes”, apresentariam um conteúdo diverso da fatura. 15 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; Fl. 26DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.352 27 Lembro aqui a lição de Humberto Theodoro Junior16, acerca da sistemática de avaliação da prova que vige no País, doutrinariamente denominada de “persuasão racional” ou “livre convencimento motivado”, onde o julgador, exceto nas hipóteses expressamente previstas, não deve observar critérios prédeterminados na avaliação da prova. Deve, pois, em nosso sistema de julgamento, verificar o juiz se existe uma norma jurídica sobre a prova produzida. Se houver, será ela aplicada. Adotou o Código, como se vê, o sistema da persuasão racional, ou “livre convencimento motivado”, pois: a) embora livre o convencimento, este não pode ser arbitrário, pois fica condicionado às alegações das partes e às provas dos autos; b) a observância de certos critérios legais sobre provas e sua validade não pode ser desprezada pelo juiz (arts. 335 e 366) nem as regras sobre presunções legais; c) o juiz fica adstrito às regras de experiência, quando faltam normas legais sobre as provas, isto é, os dados científicos e culturais do alcance do magistrado são úteis e não podem ser desprezados na decisão da lide; d) as sentenças devem ser sempre fundamentadas, o que impede julgamentos arbitrários ou divorciados da prova dos autos. Não há que se falar, portanto, em hierarquia das provas, em razão do maior ou menor grau de formalismo empregado quando da elaboração do documento que supostamente lhe dá guarida: todo e qualquer meio de prova é válido e deve ser ponderado, exceto os expressamente ilegais. Feitas tais considerações, é extreme de dúvidas que a prova da simulação, principalmente a relativa, ou seja, onde há um negócio jurídico verdadeiro, mas aspectos relevantes para a aplicação da legislação são informados de forma distorcida, só é possível mediante a ponderação de indícios convergentes. Nesse ponto, reportome à esclarecedora lição da Profa. Maria Rita Ferragut17 (original não destacado): “A prova indiciária tem por fim sanar as dificuldades que o caso concreto suscita ao conhecimento dos fatos juridicamente relevantes, alterados para os fins de se evitar a incidência normativa. Ocorre que, como muitos desses atos artificiosos são realizados de maneira a conferirlhes uma aparência lícita, se a fiscalização tiver que se restringir à forma das provas que lhes são apresentadas não terá como saber se o evento descrito no fato realmente ocorreu. A perfeição formal de que o ato é revestido não tem o condão de afastar o deverpoder de buscar a verdade material”. 16 Curso de Direito Processual Civil. Rio de Janeiro, Forense, 9ª ed., volume II, p.p. 416/417 17 Presunções no Direito Tributário. Dialética. São Paulo, 2001, pág. 106. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.353 28 Nessa mesma linha advoga Alberto Xavier, citando Galvão Telles18 (original não destacado): “Em regra, porém, dado que os simuladores procuram furtarse a olhares indiscretos e dado que as contradeclarações são entre nós pouco utilizadas, não existe prova direta da simulação. Esta terá que provarse indiretamente, através de presunções. A simulação deixa quase sempre vestígios que a denunciam: há fatos, circunstâncias que a experiência aponta como sintomas ou índices do caráter fictício ou imaginário de um ato jurídico.... Os indícios que fazem presumir a simulação serão particularmente convincentes se se tornar aparente um motivo simulatório ” Com efeito, como bem destacou o Tributarista, afora a convergência dos indícios, relevante para a formação da convicção é a identificação dos benefícios auferidos com a simulação, fatores que serão explorados a seguir. Finalmente, justamente em razão de que as provas da infração decorrem da soma da indícios apurados, não vejo como pretender atribuir ao ato de desembaraço aduaneiro o pretendido caráter homologatório das declarações prestadas, até porque, nos termos do art. 54 do DecretoLei nº 37, de 1966, a conclusão definitiva do despacho e, consequentemente, sua homologação, só se opera após a competente revisão aduaneira, Confirase: Seção II Conclusão do Despacho Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) 2.3.1.3 Indícios Carreados ao Processo Tomando por base a definição de Paulo Celso Bonilha19, a prova indiciária é formada por meio do raciocínio: partese de um fato conhecido, provado (factum probatum), e alcançase a percepção de um outro fato desconhecido, por provar (factum probandum). Trata se, essencialmente, da assimilação, por meio do método indutivo. Dito isto, passo a expor os elementos narrados pela autoridade Fiscal. 2.3.1.3.1 Infrações consignadas no sistema Radar pela Alfândega do Porto de Manaus e Representação Consubstanciada no Processo Administrativo Fiscal nº 10283.007371/200641. Informa a Autoridade Fiscal que a Ficha de Auditoria e Outros Procedimentos Fiscais à fl. 254, registrou a acusação de que a pessoa jurídica Nokia teria apresentado no despacho faturas comerciais elaboradas sem a assinatura de próprio punho do exportador, infração processada e julgada nos autos do processo nº 10283.006524/200632. 18 Manual dos Contratos em Geral, apud, Xavier, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo, 2001, Dialética, p. 76. 19 Da Prova no Processo Administrativo Tributário. São Paulo. 1992. Livraria dos Tribunais, p. 112. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.354 29 Quanto à tal ocorrência, aduz o sujeito passivo, relembrese, que tal acusação fora afastada pela DRJ Belém e que tal afastamento foi referendado pelo extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Embora a autoridade fiscal não tenha deixado clara sua convicção acerca de que as faturas comerciais objeto do presente processo se subsumiriam a essa mesma conduta, considero relevante registrar, até porque tive a oportunidade de relatar o recurso de ofício que tratou da matéria, que o fundamento para afastamento da penalidade não foi ausência de comprovação dos fatos narrados, quais sejam: que o exportador outorgaria poderes para a terceira pessoa jurídica situada no Brasil para assinar suas faturas comerciais. A penalidade foi afastada, com efeito, em razão de ausência de subsunção da conduta descrita à norma que impõe a penalidade aplicada. Confirase a ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2006 IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. Tipicidade. O Ordenamento Jurídico Nacional não admite que o recurso à analogia por extensão resulte na fixação de penalidade à hipótese que não tenha sido expressamente prevista em lei. Inteligência do parágrafo 1º, do art. 108 do Código Tributário Nacional. Retroatividade Benéfica. Aplicabilidade Ato normativo, de caráter interpretativo, que confirma a legalidade da conduta até então considerada como infração, deve ser aplicado na solução de litígio pendente de julgamento. Inteligência do art. 106, I e II do Código Tributário Nacional. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO Feitos tais esclarecimentos, passase às acusações que, de acordo com o relatório fiscal, manteriam relação com a infração apontada no presente processo Apontou a Alfândega do Porto de Manaus que, após a realização de auditoria de estoque no estabelecimento da pessoa jurídica Nokia, recolhera indícios de que mercadorias registradas nos livros de controle como oriundas do exterior estariam sendo importadas pela pessoa jurídica Viamax e repassadas à pessoa jurídica auditada por um preço muito semelhante ao da importação e em um prazo reduzido de tempo, o que poderia denotar a atuação como importadora por conta e ordem. Os elementos acostados a tal representação formaram o processo nº 10283.007371/200641 e foram considerados como meios de prova da infração. 2.3.1.3.2 Indícios Colhidos das Faturas Comerciais e Divergência entre as Faturas e Outros Documentos Afetos à Operação Aponta a autoridade fiscal que as faturas comerciais que instruíram as declarações listadas às fls. 40 a 42 permitiriam chegar à conclusão de que a pessoa jurídica Nokia seria o verdadeiro adquirente das mercadorias, na medida em que, em todos os documentos, tal pessoa jurídica estaria identificada, na Fatura Internacional ou na Delivery note, como compradora das mercadorias. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.355 30 Em todas, constam as expressão “bill to/ordered by” (faturado para/pedido por, em uma tradução livre); “sold to (vendido para, em uma tradução livre)/ “ordered by” ou "customer" (que poderia ser traduzido como cliente ou comprador, igualmente em uma tradução livre). Tais documentos deixam claro que a pessoa jurídica Nokia é, de fato, a adquirente das mercadorias fornecidas por pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico, sendo descabida, a meu ver as alegações de dubiedade dessas expressões, principalmente se considerarmos tal informação juntamente com os demais indícios que serão apresentados a seguir. Ademais, na esteira do que já foi exposto, não se pode reduzir o poder probante dos delivery notes, que apresentaram informações em descompasso com as faturas comerciais. Aponta, finalmente, o relatório fiscal, com relação aos indícios extraídos dos documentos de instrução do despacho, um padrão numérico que identificaria o pedido de compra e sua autoria. Conforme consignado, seria possível identificar nos conhecimentos como “P.O. NBR:", e na fatura internacional como "Your Reference" ou "P.O. Number", um número de controle que seguiria um padrão constante e que discriminaria as mercadorias e as condições reais da compra. Com efeito, segundo a tabela de fls. 40 os pedidos de compra precedidos pelas letras “TOR” teriam sido formulados pelo estabelecimentos identificado como “Nokia Torquato”. De se registrar que a pessoa jurídica Nokia está estabelecida na Av. Torquato Tapajós, conforme consignado na folha de rosto do auto de infração, à fl. 02. 2.3.1.3.3 Irregularidade no Pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados Segundo narrado no relatório fiscal, após regularmente intimado a esclarecer em que termos se processaria o recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados nas operações envolvendo as mercadorias importadas, respondera a pessoa jurídica Nokia20, por meio seu procurador21: Item 4. Esclarecer como foi feita a Apuração do IPI referente às operações representadas pelas notas fiscais de compra e de venda das mercadorias em questão. R Inicialmente as notas fiscais de compra tiveram sua escrituração fiscal no período sem apropriação como crédito, do IPI destacado nos documentos fiscais. Também inicialmente as notas fiscais de venda ref. aos itens relacionados nas notas fiscais de compra tiveram sua, escrituração fiscal no período sem débito do IPI. Em janeiro de 2007, através de uma auditoria interna, apurou se a ausência de recolhimento do IPI em diversas notas fiscais de saídas cujos produtos eram oriundos das aquisições objeto deste termo de intimação (item 1). Para regularização completa do processo, a intimada emitiu notas fiscais complementares e o 20 Doc. às fls. 99 e 100. 21 Instrumento público às fls. 113 a 115. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.356 31 recolhimento do imposto através da regularização da Apuração do IPI do período de Outubro/02 a Dezembro/06, considerando se respectivamente os créditos e os débitos de cada período, bem como, o valor efetivamente devido de cada período de apuração, os quais foram objeto de novo recolhimento através de DARFs. Tal informação, mais do que mostrar o prejuízo tributário associado à conduta perpetrada, alegadamente saneado, acrescenta mais um elemento ao quadro indiciário trazido aos autos. Ou seja, a “supressão” da pessoa jurídica Nokia da cadeia comercial, efetivamente, provocou prejuízo ao recolhimento do IPI de saída sobre os bens adquiridos. Com efeito, cabe recordar que, para fins de incidência desse imposto, o art. 79 da Medida Provisória nº 2.15835, de 200122, equipara a industrial o estabelecimento atacadista ou varejista que adquirir produtos importados por sua conta e ordem. Assim, quando se deixou de informar essa participação, evitouse o pagamento do imposto quando da saída dos produtos importados. Finalmente, a alegada “regularização”, a meu ver, demonstra que, se o contribuinte passou a contabilizar os créditos e apurar os débitos, nos termos da legislação que rege a importação por conta e ordem, acabou por reconhecer que, de fato, sua condição seria a de adquirente de mercadoria importada naquela modalidade. Também não se pode deixar de considerar que a inclusão de um elo entre os estabelecimentos da pessoa jurídica Nokia (o brasileiro, importador, e o estrangeiro, exportador), representaria, com efeito, um ganho para a pessoa jurídica Viamax, que além de prestar o serviço de importar por conta e ordem, auferiu benefícios do Fundap. Ou seja, se, em princípio, como será novamente tratado a seguir, não haveria porque a Nokia contratar (e remunerar) um terceiro para aparentar intermediar operações com mercadorias que poderia adquirir diretamente a pessoa jurídicas do mesmo grupo econômico, o benefício da Viamax, a meu ver está claramente delineado. Se não fosse para ocultar a Nokia, não haveria porque contratála e sem tal contratação, evidentemente, sua receita, com a prestação de serviços e com os benefícios do Fundap, seria reduzida. 2.3.1.3.4 Conclusão Independentemente dos elementos analisados anteriormente, suficientemente robustos para formação da convicção acerca da ocultação, por meio de artifício simulatório, da condição de adquirente da pessoa jurídica Nokia, não se pode deixar de considerar, para a análise desse quadro indiciário, a aparentemente injustificável inclusão de um elo entre operações realizadas por empresas de um mesmo grupo econômico. 22 Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.357 32 Com efeito, não se consegue vislumbrar, e não foi alvo de esclarecimento, qual seria a justificativa para incluir um elo em uma operação em que consta como exportador e destinatário final pessoas jurídicas do mesmo grupo. Ora, salvo prova robusta em contrário, seria pouco crível que um terceiro, posto que estranho ao grupo econômico do qual exportador e importador fazem parte, tivesse condições de negociar preços e prazos em termos diferenciados. Consequentemente, não se encontra, a meu ver justificativa para a atipicidade das operações declaradas. Outro ponto que considero relevante esclarecer é a improficuidade da alegação no sentido de que não restara caracterizado prejuízo ao controle do cognominado “preço de transferência”, em razão de que, tanto na modalidade de operação “por conta e ordem”, quanto na denominada “por encomenda” seriam aplicadas as mesmas regras. De fato, o que se detectou no presente processo é que a participação da pessoa jurídica Nokia foi alvo de ocultação e não que tal participação foi erroneamente informada. Consequentemente, as operações envolvendo pessoas jurídicas relacionadas deixaram, efetivamente, de ser alvo do devido controle sob a ótica do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Nessa senda, somandose todos esses elementos, não vejo como pretender isolar esse quadro indiciário às operações relacionadas na lista de fls. 40 a 42, na medida em que os elementos carreados, a meu ver permitem que se considerem maculadas todas as operações envolvendo exportadores vinculados ao grupo Nokia, Viamax e Nokia do Brasil. Assim, considero que a únicas operações que devem ser excluídas da exigência, por insuficiência de provas, são as que tiveram como documento base as declarações de importação nº DI n.º 04/04602180 (fls. 967 a 975) e 04/09082001 (fls. 1976/1978), por tratarem de operação com empresas exportadoras não vinculadas ao grupo Nokia (FOXCONN BEIJING TRADING CO. LTD e PHILIPS AUSTRIA GMBH) e não ter sido apresentado outro elemento contundente que demonstrasse a ocultação da pessoa jurídica Nokia do Brasil. Não acompanho o raciocínio do acórdão de primeira instância, portanto, no que se refere à exclusão das DI n.ºs 04/02535458 (fls. 1038/1041) e 04/0804956 (fls. 1763/1765), uma vez que ambas estampam, na qualidade de exportador, pessoas jurídicas do “Grupo” Nokia. A meu ver, em face dos demais indícios, a ausência de juntada da fatura comercial, por si só, não é suficiente para afastar a convicção acerca da efetividade da infração. Com efeito, diante do quadro indiciário, não há como, na esteira do que pleiteou a recorrente, pretender isolar as operações e avaliálas caso a caso, máxime em razão da natureza dos indícios apresentados. 2.3.2 Falsidade Ideológica Conforme já antecipado, o presente voto se concentrou da infração principal, qual seja, de interposição fraudulenta de pessoas em razão de que a alegada falsidade dos documentos tem como questão prejudicial essa constatação. Reafirmese que, sem a caracterização da interposição de pessoas não haveria que se falar em falsidade dos documentos. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.358 33 Ademais, cabe esclarecer, a listas de declarações maculadas pela interposição de pessoas abrange as operações onde se apontou falsidade documental. Ou seja, restando demonstrado, como exposto acima, que as operações estariam maculadas de infração igualmente apenada com a perda de perdimento, não há qualquer conseqüência jurídica que se possa extrair da alegada falsidade ideológica. Não há margem para que se imponham seguidos perdimentos à mesma mercadoria, nem consequentemente, seguidas multas por conversão do perdimento, como, de fato, não foram aplicadas. Limitome, assim, a esclarecer que, a meu ver, a alegada disparidade entre os conhecimentos de transporte que consignaram como exportador a pessoa jurídica NOKIA MOBILE PHONES, quando deveria ter informado a pessoa jurídica NOKIA INC, restou justificada. 3 Retroatividade Benigna Reflexo do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 sobre o inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.475, de 1976 Matéria que recentemente tem sido trazida à consideração deste Colegiado é o cabimento da aplicação retroativa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 que, segundo defendido, teria derrogado tacitamente o inciso V do art. 23 do DL nº 1.455, de 1976, e, impondo penalidade mais branda à conduta descrita no ato derrogado, atrairia a aplicação do art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional23. Sustentase, equivocadamente, a meu ver, que, a partir da vigência do dispositivo novel, não mais seria possível aplicar a pena de perdimento às mercadorias alvo de operação maculadas pela ocultação das partes envolvidas. Tais conclusões, sinteticamente, estariam apoiadas na convicção de que, interpretandose tal dispositivo à luz do critério da mens legislatoris, chegarseia ao reconhecimento de que a infração tipificada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, corresponderia materialmente à capitulada no 23, V do Decretolei nº 1.455, de 1976, diferenciandose exclusivamente no que se refere à individualização do infrator, já que a contida no dispositivo mais recente teria como agente apenas o importador ou exportador ostensivo. A se configurar tal identidade, a aplicação concomitante de duas penalidades implicaria violação ao princípio constitucional do non bis in idem, dogmatizado no art. 99 Decretolei nº 37, de 1966. Penso, entretanto, que apesar da convicção com que essa conclusão foi defendida, inclusive em acórdãos de primeira instância alvo de recurso de ofício, a pena instituída no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 surgiu, efetivamente, como alternativa à declaração de inaptidão, nas hipóteses anteriormente previstas nas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que disciplinavam a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). 23 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.359 34 Para se chegar a tal convicção, fazse necessário realizar uma análise da legislação que dispõe sobre a inaptidão da inscrição no (CNPJ), especialmente na hipótese em que se configura sua inexistência de fato. Diz o art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. (grifei) Como se pode observar, a legislação tributária, na esteira do consignado no novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002), em seu art. 96624, que distingue a pessoa jurídica da empresa, atribui consequências à inscrição da contribuinte que, apesar de regularmente constituída junto aos órgãos de registro e da obtenção de número de cadastro junto ao Fisco, não preenche as condições para seu enquadramento como “existente de fato”, ou seja, que detenha os meios para a realização das operações comerciais que declarou ter realizado. Importante relembrar os contornos desse elemento distintivo da empresa, assim sintetizado pela professora Rachel Sztajn25: Organização parece ser o elemento central, essencial, necessário e suficiente, para determinar a existência da empresa, porque gera o aparato produtivo estável, estruturado por pessoas, bens e recursos, coordena os meios para atingir o resultado visado. Nessa esteira, diferenciando empresa de pessoa jurídica, esclarece o Des. Sérgio Campinho26: Da inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis resulta a presunção de se ter alguém dedicado a exercer atividade própria de empresário. É uma prova prima facie, mas que pode ser elidida por prova mais robusta em sentido contrário. Desse modo, se determinadas pessoas celebram contrato de sociedade, tendo por objeto o exercício de atividade própria de empresário, promovendo o arquivamento do respectivo instrumento na Junta Comercial, estará a sociedade, enquanto pessoa jurídica, constituída. Todavia, somente passará a ostentar a condição de empresária se efetivamente iniciar a exploração de seu objeto, abdicando da inatividade. Enquanto não entrar em operação o seu objeto, teremos a pessoa jurídica, a sociedade constituída, mas não uma sociedade empresária. Por outro lado, acerca dos efeitos da verificação da inexistência de fato, fixa o art. 82 da Lei 9.430, de 1996, responsável pela instituição desse status cadastral: 24 Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. 25 Teoria Jurídica da Empresa : Atividade Empresária e Mercados. São Paulo. Atlas, 2004, p. 129. 26O Direito de Empresa à Luz do Novo Código Civil. Rio de Janeiro. Renovar, 2004, 4ª ed., pp.. 28 e 29. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.360 35 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. (grifei) Ou seja, da mesma forma em que, se verificado que a sociedade não reúne os elementos caracterizadores da empresa, perde a sua escrituração comercial a presunção estabelecida no art. 226 do mesmo Código Civil27, se não apresentadas condições mínimas de funcionamento, seus documentos fiscais perdem o poder de provar, por si só, a realização de um serviço ou a comercialização da mercadoria. Evidentemente, a atribuição de tal status à inscrição impõe um ônus significativo para o sujeito passivo, de sorte que a sua aplicação em dissonância com o que preceitua a norma que a instituiu, mais do que ilegal, afronta os princípios, implícitos e explícitos, norteadores da atuação da administração pública, gizados na Constituição Federal de 1988. De fato, a pretexto de fazer uso da delegação contida no caput do já transcrito art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, fixou o Fisco no art. 37, III da Instrução Normativa SRF nº 200, de 13 de setembro de 200228: Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: (...) III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; Seguindose tal ato ao pé da letra, bastaria que a pessoa jurídica cedesse seu nome uma única vez para que, apesar de possuir todos os meios para a realização de suas atividades, lhe ser atribuído o mesmo tratamento dispensado à pessoa jurídica que não reunia condições para enquadramento nos contornos do que a Lei Civil classificou de sociedade empresária. Além de desproporcional, tal dispositivo encontravase maculado de vício formal, pois foise muito além da delegação contida na lei que instituiu a inaptidão da inscrição, violando, por consequência, o princípio da legalidade, gizado no art. 3729 da Carta Política de 1988. 27 Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. 28 Redação idêntica à do art. 41, III da IN RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005. 29 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte Fl. 35DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.361 36 Com efeito, o já transcrito art. 81 somente autorizou o Ministro da Fazenda a disciplinar os termos e condições em que se dará a declaração de inaptidão, jamais a apenar a cessão do nome, “equiparandoa” à inexistência de fato. Sabidamente, a instituição de penalidade, por meio de ficção jurídica exigiria lei em sentido formal. Tal explicação é fundamental para que se estabeleça a verdadeira mens legislatoris que orientou a redação do recente art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, mais facilmente compreendida após sua leitura: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como se vê, a hipótese descrita no art. 33 da Lei nº 11.488 é exatamente a mesma do inciso III art. 37 da IN SRF nº 200, de 2002: ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações, com vistas ao acobertamento de determinada pessoa. Por outro lado, a conseqüência imposta pela IN, como já se viu, era o reconhecimento da condição de “inexistente de fato” e, consequentemente, a decretação da sua inaptidão. Tanto é assim, que o parágrafo único do art. 33 consigna ressalva no sentido de que, nas hipóteses descritas no caput, seria inaplicável o art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, já transcrito anteriormente, e que, como se viu, trata da decretação da inaptidão em face da inexistência de fato. Ou seja, a única leitura possível do dispositivo é que a pessoa jurídica que praticar a conduta descrita no caput, mas reunir elementos que a delineiem como “existente de fato”, não estará sujeita à decretação da inaptidão da sua inscrição. Tal convicção é reforçada com a leitura do parecer que encaminha o projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória nº 351/2007 (PLV 13/2007), do qual resultou a Lei nº 11.488, de 2007, seu relator, que também responde pela autoria do dispositivo, faz a seguinte observação à proposta de redação do art. 35, posteriormente renumerado para 33, quando da conversão definitiva30: “Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei no 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros.”(grifo nosso) 30 Disponível em http://www.camara.gov.br/sileg/integras/.pdf Fl. 36DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.362 37 Nesse ponto, convém registrar pronunciamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região nos autos da AMS nº 2005.72.08.005166631: Tenho, no entanto, que a disposição acima citada não tem o condão de afastar a pena de perdimento, ou seja, não revogou o art. 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, no caso a HBB, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. Quanto à declaração de inaptidão do CNPJ, o parágrafo único do aludido artigo estatui que "à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996", e que consiste, exatamente, na declaração de inaptidão do CNPJ. É dizer, realmente, quanto a essa declaração houve a vedação de aplicação dessa sanção na hipótese de importação em favor de terceiro oculto. Não obstante, tal penalidade não foi aplicada pelo auto de infração objeto desta impetração, tanto que está sendo objeto de apreciação em outro mandado de segurança, que tramita na 1ª Região, em decorrência de outro ato de outra autoridade fiscal, de modo que, no particular, a questão é de ser tratada no seio da aludida ação mandamental. Aliás, o explicitação constante do parágrafo único do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, vem ao encontro do se que disse anteriormente, no sentido de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Ao contrário, confirma a assertiva, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal. (os destaques não constam do original) Admitindo que a exegese baseada na mens legislatoris não fosse suficiente para demonstrar a ausência de sobreposição de infrações, não se poderia falar, no presente, de violação do princípio do non bis in idem, implícito no subsistema jurídicopenal norteado pela Constituição de 1988. Trazendo tal sobrenorma para o plano das regras jurídicas, diz o art. 99 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. Duas ou mais infrações, portanto, devem dar ensejo a duas ou mais penalidades, salvo se tais infrações se revelarem idênticas. Tal identidade, como é cediço, não se revela exclusivamente pela aparente semelhança na descrição da conduta. 31 2ª Turma, Relator Des. Otávio Roberto Pamplona, publicado em 01/08/2007 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.363 38 Ou seja, pelo menos no plano do direito aduaneiro, é legalmente possível que uma única ação viole mais de uma regra e seja apenada com mais de uma sanção. Para demonstrar esse raciocínio, relembro hipótese constantemente trazida a este Colegiado, materializada nas circunstâncias em que o sujeito passivo, ao se equivocar na informação do código da NCM comete duas infrações, uma que tutela a exatidão do recolhimento dos tributos incidentes na importação, capitulada no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996 e outra que zela pela exatidão das informações prestadas na declaração, com vistas à efetividade do controle aduaneiro, capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº 2.158, de 2001. Com efeito, a declaração inexata, quando o item declarado é a classificação fiscal, impõe a aplicação de duas penalidades diversas, eis que a mesma ação infringe mais de uma norma. Ou seja, assim como ocorre no plano do direito penal, é possível que, com uma única conduta, sejam violadas duas ou mais regras. No âmbito daquele ramo, aplicase a cláusula de aumento da pena prevista no art. 70 do Código Penal (Decretolei no 2.848, de 1940)32; no direito aduaneiro, cada uma das penalidades correspondentes à cada norma infringida, nos termos do já transcrito art. 99 do DL nº 37/66. Finalmente, tal convicção é reforçada quando se observa a regulamentação do art. 33 no recente Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Vejase o que diz o seu art. 727: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) §3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Não custa destacar que o parágrafo 3º acima transcrito possui conteúdo evidentemente interpretativo, a reclamar a aplicação do inciso I, do art. 106 do Código 32 Art. 70 Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicaselhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicamse, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Fl. 38DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.364 39 Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966)33, máxime em função de que, no presente processo, não se discute a inclusão da multa recéminstituída. Ademais, na esteira do que já foi debatido, não vejo como extrair do dispositivo regulamentar a interpretação defendida pela Recorrente. A meu ver, o parágrafo ressalta a possibilidade da aplicação concomitante das duas penalidades a uma mesma operação e, se for o caso, aos coresponsáveis pela prática de ambas as infrações. Qualquer interpretação diferente seria decretar a inutilidade do dispositivo. De fato, se não fosse para deixar claro que a multa em discussão conviveria com a decorrente com o perdimento, ou a sua conversão, não haveria porque incluir tal dispositivo no Regulamento Aduaneiro. A possibilidade de penalizar pessoas diferentes por infrações diferentes já estaria estampada no art. 679 do mesmo Regulamento34, que, esclareça se, reproduz o art. 608, do Regulamento de 2002. Forçoso é concluir, portanto, que as infrações não são idênticas e, nessa condição, poderiam ser aplicadas, concomitantemente, as penas a elas correspondentes a fatos que, a partir da entrada em vigor da lei nº 11.488, incidirem na hipótese descrita no seu art. 33. Concluindo, não há que se falar, no caso concreto, em derrogação tácita. Nesse ponto, precisa é a lição de Carlos Maximiliano35 que, analisando tal modalidade de antinomia, conclui: “442 — Pode ser promulgada nova lei, sobre o mesmo assunto, sem ficar tacitamente abrogada a anterior: ou a última restringe apenas o campo de aplicação da antiga; ou, ao contrário, dilatao, estendeo a casos novos; é possível até transformar a determinação especial em regra geral. Em suma: a incompatibilidade implícita entre duas expressões de direito não se presume; na dúvida, se considerará uma norma conciliável com a outra. O jurisconsulto Paulo ensinara que as leis posteriores se ligam às anteriores, se lhes não são contrárias; e esta última circunstância precisa ser provada com argumentos sólidos...” Com efeito, com base no pressuposto de que o ponto de partida para uma interpretação sistemática é a presunção de coerência do Ordenamento Jurídico, somente se afasta a aplicação da norma anterior após a demonstração inequívoca da incompatibilidade entre os dispositivos, conforme sintetizou o renomado hermeneuta36: Em resumo: sempre se começará pelo Processo Sistemático; e só depois de verificar a inaplicabilidade ocasional deste, se proclamará abrogada, ou derrogada, a norma, o ato, ou a cláusula.(destaquei) 33 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 34 Art. 679. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações diferentes, pela mesma pessoa física ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penalidades a elas cominadas (DecretoLei no 37, de 1966, art. 99, caput). 35 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro. Forense, 2009, 19ª ed., p. 292. 36 op. cit. p. 291. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.365 40 Ou seja, o esforço hermenêutico próprio da interpretação sistemática pressupõe a coerência do ordenamento e somente em situações excepcionais pode conduzir à conclusão da derrogação tácita da norma. 4 Violação aos Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade Pleiteia ainda o recorrente que se reconheça a afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Mais uma vez, não vejo como acatar tal pleito. Em primeiro lugar, conforme consignou o art. 69 da Lei nº 9784, de 199937, diploma onde tais princípios estariam expressamente consignados, a aplicação dessa lei não se estende aos processos regidos por legislação própria, como é o caso do PAF, disciplinado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. No máximo, poderseia se falar em aplicação subsidiária, relativamente a aspecto procedimental não previsto naquele Decreto. Incabível, a meu ver, a pretensão de afastar a lei vigente, mediante a aplicação de princípios estampados em norma procedimental estranha ao âmbito do Processo Administrativo Fiscal. Igualmente descabida é a pretensão de afastar a lei vigente sob o argumento de que os princípios supostamente violados estariam implicitamente previstos na Constituição Federal de 1988. Com efeito, após a edição da Súmula Vinculante nº 1038, do e. Supremo Tribunal Federal, restou claramente identificado o limite dos critérios de que se pode socorrer o julgador administrativo. Diz o dispositivo: VIOLA A CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (CF, ARTIGO 97) A DECISÃO DE ÓRGÃO FRACIONÁRIO DE TRIBUNAL QUE, EMBORA NÃO DECLARE EXPRESSAMENTE A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO DO PODER PÚBLICO, AFASTA SUA INCIDÊNCIA, NO TODO OU EM PARTE. Igualmente esclarecedora é a manifestação da mesma corte nos autos do RE 432.597AgR39: "Controle de constitucionalidade de normas: reserva de plenário (CF, art. 97): reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição." (destaquei) 37 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 38 DJe nº 117/2008, p. 1, em 27/6/2008. DO de 27/6/2008, p. 1. 39 Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 141204, DJ de 18205. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.366 41 Por óbvio, mais relevante do que fixar a as hipóteses em que o art. 97 da Constituição Federal deve ser observado, a manifestação do Pretório Excelso delimita o que se entende por controle da constitucionalidade de lei ou ato normativo, fixando, por via indireta, os limites de atuação deste Colegiado. Sabidamente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) está impedido impedido de exercer tal controle em razão do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 200840, transcrito no art. 62 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, responsável pela aprovação do Regimento Interno deste Colegiado Nesse contexto, demonstrada a incidência da norma ao fato, não se poderia afastar a sua aplicação face ao critério da lex superior constitucional, máxime quando tal norma se situa no plano dos princípios, sabidamente normas de eficácia contida. 5 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a exigência fundada nas declarações de importação nºs 04/02535458 (fls. 1038/1041) e 04/08049566 (fls. 1763/1765), e nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro 40 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Declaração de Voto Em que pese o posicionamento claro e fundamentado do ilustre Conselheiro Relator acerca da caracterização da infração relativa a importação mediante interposição fraudulenta de terceiros no presente processo, tal como apontada pela fiscalização no auto de infração que lhe é objeto, ouso, com o devido respeito, discordar de referido entendimento. Examinando os autos, não verifiquei, especialmente na descrição dos fatos dito infratores pela fiscalização, a razão da aplicação da pena de perdimento, convertida em multa pecuniária, de que trata o artigo 618, inciso XXII, § 5º, do Decreto nº 4.543/2002, em decorrência da acusação de ocultação do real importador mediante fraude/simulação, eis que a suposta ocultação, mediante, frisese, fraude ou simulação, foi percebida pela análise dos documentos que acompanharam as operações de importação. Explico: minha discordância com Fl. 41DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA Processo nº 12466.000863/200935 Acórdão n.º 310201.239 S3C1T2 Fl. 3.367 42 a aplicação de referida penalidade no presente caso resumese na seguinte indagação: destina se referida penalidade punir por acusação de ocultação mediante fraude aqueles que importam em nome próprio e revelam, de alguma forma, a quem se destina internamente o produto importado, especialmente quando este destinatário, dito real adquirente, como também o importador, ostentam atender todas as condições para realizar referida operação? A meu ver, a aplicação de rigorosa penalidade, somente se justifica quando a ocultação não se revela somente pela ausência no documento de importação da indicação do real adquirente, como entendo que ocorreu no presente processo, mas na intenção deliberada de impedir o conhecimento do real adquirente, que, por sua vez, visando acobertar uma grave ilicitude, não pode se apresentar como importador, o que evidentemente não é o caso da Nokia do Brasil. Simplesmente a alegação de possível vantagem fiscal no recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação de importação ou mesmo na saída promovida dos bens importados, a meu ver, não justifica a aplicação de extrema penalidade, eis que há mecanismos suficientes na legislação fiscal que permitem ao fisco exigir o tributo que deixou indevidamente de ser pago e ainda penalizar como penas agravadas aqueles que assim agiram dolosamente para evitar o pagamento de respectiva exação. A meu sentir, considerando a descrição dos fatos dito infratores pela fiscalização, em conjunto com as razões apresentadas pelos contribuintes, poderseia cogitar da aplicação da multa de que trata o art. 11 da Lei nº 11.488/2003, mas não na acusação de importação mediante interposição fraudulenta de terceiros e aplicação da pena de perdimento, que se traduz o lançamento em causa Por essas razões, sinteticamente expostas, meu voto é por dar provimento ao recurso do contribuinte, com a exclusão da pena de perdimento, convertida em multa pecuniária. Nanci Gama Fl. 42DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 10166.911278/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 08/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 08/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 08/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, , Paulo Antonio Caliendo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 12 78 /2 00 9- 11 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911278/200911 Acórdão n.º 3801001.648 S3TE01 Fl. 128 3 Relatório Adoto, por entender suficiente, o relatório da DRJ de Brasília, assim expresso: Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 22, emitido eletronicamente em 07/10/2009, a autoridade competente homologou parcialmente a compensação efetuada pela contribuinte acima identificada por meio do PER/DCOMP nº. 15728.29980.151008.1.3.040441, transmitido em 15/10/2008, tendo em vista que não foi totalmente confirmado o crédito utilizado, no valor original de R$ 24.599,76, atribuído a pagamento a maior relativo ao período de apuração de 31/03/2005, efetuado através de DARF no importe de R$ 150.779,15, recolhido em 1/04/2005, sob o código de receita 2172 (Cofins), do qual o valor de R$ 148.597,96 foi utilizado para extinguir débito equivalente confessado em DCTF, restando disponível o valor original de R$ 2.181,19. Cientificada do despacho denegatório por via postal em 20/10/2009 (fl. 25), a interessada apresentou em 18/11/2009 a manifestação de inconformidade acostada às fls. 01/04, alegando, em síntese, que, de acordo com a legislação que rege a compensação tributária, tratada no art. 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº. 10.637, de 2002, cujos dispositivos reproduz, tem o direito de aproveitar o pagamento efetuado indevidamente a maior, bastando apenas proceder a retificação da DCTF. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2005 PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo sido trazida na manifestação de inconformidade nenhuma prova documental que dê suporte à alegada ocorrência de pagamento a maior, não há reparos a fazer no despacho decisório recorrido. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a Recorrente o presente recurso voluntário alegando em síntese que a DRJ deveria aceitar a DCTF retificadora “uma vez que o programa ao período mencionado no DARF de origem do crédito não permitiu a transmissão via internet, e por Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 conseqüência glosar inadvertidamente a Declaração de Compensação – PER/DCOMP apurada pela recorrente...”. Junta com a sua defesa cópia de segurança da DCTF retificadora, DIPJ equivalente e outros documentos. Requer, por fim, seja aceita a retificação da DCTF e homologada a compensação apresentada. É o relatório, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911278/200911 Acórdão n.º 3801001.648 S3TE01 Fl. 129 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Conforme relatado a Recorrente apresentou PER/DCOMP cujo crédito não foi reconhecido pelo sistema da Receita em decorrência de já ter sido alocado com outro débito em DCTF. A recorrente alega que tal fato decorreu de erro no preenchimento da DCTF e que não pode corrigila tendo em vista que não lhe foi permitida a transmissão pela internet. Na realidade a Recorrente não pode retificar a DCTF porque já havia se esgotado o qüinqüênio relativo ao período informado. Mesmo assim não o fosse, do exame desse litígio administrativo verificase que a Recorrente não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não pode prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, sendo imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos. Não sendo apresentadas provas das alegações, nem sequer a origem do crédito pleiteado, há que se negar o pedido realizado. Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15956.000004/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que o conjunto probatório existente nos autos não é suficiente para confirmar o pagamento, ou mesmo a prestação dos serviços apontados pela contribuinte.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.603
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que o conjunto probatório existente nos autos não é suficiente para confirmar o pagamento, ou mesmo a prestação dos serviços apontados pela contribuinte. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15956.000004/200831 Acórdão n.º 210101.603 S2C1T1 Fl. 278 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, José Evande Carvalho Araujo e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 266/275) interposto em 20 de junho de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 254/262), do qual a Recorrente teve ciência em 02 de junho de 2008 (fl. 264, verso), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 219/222, lavrado em 26 de dezembro de 2007, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, verificada nos anoscalendário de 2003 e 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2005 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de recibos como elementos de prova de despesas médicas, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros documentos probatórios complementares que demonstrem a efetiva prestação dos serviços e o correspondente pagamento. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Mantidas as glosas de despesas médicas, quando não comprovada a efetividade dos serviços prestados e do seu pagamento. Lançamento Procedente” (fl. 254). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 266/275), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No tocante ao meritum causae, verificase que os valores apurados no auto de infração combatido se referem à glosa de despesas médicas, especificamente em relação (i) aos Fl. 302DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15956.000004/200831 Acórdão n.º 210101.603 S2C1T1 Fl. 279 3 valores supostamente pagos à profissional Rosemary Gomes, cujos recibos foram objeto da edição de “Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz”, (ii) à diferença apurada em relação ao valor apontado em DIRPF e aquele efetivamente pago à Unimed Ribeirão Preto e, por fim (iii) ao montante transferido, supostamente, à Dra. Sarah de Oliveira Lollato. Em relação aos citados pontos, objeto do auto de infração guerreado, cumpre pontuar que a Recorrente (i) admitiu, expressamente, a ocorrência de divergências em relação ao valor efetivamente pago à Unimed, e, bem assim, (ii) também desistiu de recorrer em relação à glosa do valor correspondente às despesas médicas declaradas com base em recibos emitidos pela Dra. Rosemary Gomes, razão pela qual referidos aspectos não serão objeto de análise nesta fase recursal. Feitas as breves ressalvas destacadas no parágrafo precedente, fazse mister aferir, assim, a correção da glosa das despesas médicas em relação à Dra. Sarah Lollato. Antes de ingressar, propriamente, nos fatos objeto de apuração in casu, cumpre trazer à baila o quanto disposto pelo art. 8º da Lei n.º 9.250/95, aplicável ao mérito da demanda, in verbis: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: Fl. 303DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15956.000004/200831 Acórdão n.º 210101.603 S2C1T1 Fl. 280 4 “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionase alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Fl. 304DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15956.000004/200831 Acórdão n.º 210101.603 S2C1T1 Fl. 281 5 No presente caso, muito embora não se esteja a tratar, especificamente, da hipótese de dedução de despesas médicas relativas a profissional, em face do qual houve investigação específica e edição de súmula administrativa de documentação ineficaz, para fins tributários, acredito que o arcabouço probatório existente in casu não permite conclusão diversa daquela apontada pela fiscalização. Nesse sentido, como se sabe, o processo administrativo fiscal, regrado pelo Decreto n.º 70.235/72, com natureza de lei ordinária, estabeleceu, de forma inconteste, em relação à aferição do conjunto probatório, o princípio do livre convencimento motivado, estampado pelo art. 29 do referido diploma legal, vazado nos seguintes termos: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” À luz do referido princípio, pois, entendo ser escorreita a conclusão alçada pela decisão a quo, na medida em que as provas produzidas apontam, expressamente, para a inexistência das despesas, tal como declaradas pela contribuinte. De fato, compulsandose os autos, verificase que, muito embora a Dra. Sarah Lollato não tivesse contra si a edição de súmula de documentação tributariamente ineficaz, a contribuinte não logrou comprovar a efetiva prestação dos serviços pela referida psicóloga, e, bem assim, especialmente, os pagamentos feitos na importância indicada. Compulsandose os autos do presente processo, notase, com clareza, que além dos recibos, pela qualidade do material empregado (modelo de recibo que pode ser facilmente encontrado em estabelecimentos comerciais), não se mostrarem compatíveis com a importância alegadamente paga pela contribuinte (fls. 64/67), o que, por si só, não poderia sufragar a glosa dos valores, também se verifica a inexistência de comprovação, por qualquer meio hábil, dos serviços prestados, seja por declaração do próprio profissional, seja por demonstração do comparecimento do contribuinte ao consultório da referida psicóloga. Nada obstante, também o pagamento não restou comprovado pela contribuinte, na medida em que, à luz dos documentos apresentados, a Recorrente demonstrou a transferência à Dra. Sarah Lollato apenas do valor de R$ 750,00 (fl. 06), montante em muito discrepante do quanto, alegadamente, teria pago à citada profissional, sendo improvável supor que o restante da verba tenha sido desembolsado em espécie. Além disso, verificase que, em 2003, os rendimentos da contribuinte, somandose o valor líquido das pensões (fls. 68/69) percebidas, atinge o valor de R$ 80.000,00 no ano, não sendo razoável supor que tenha, de fato, gasto boa parte desse valor (R$ 10.000,00) apenas com o pagamento de valores à psicóloga (fora outras despesas apontadas nos próprios autos). Os referidos indícios, outrossim, devem ser acrescidos do fato, também relevante para o fim de formar a convicção do julgador, de que a contribuinte, nesse mesmo anocalendário, se apropriou de despesas médicas notoriamente inidôneas, em relação a profissional que teve contra si a edição de súmula de documentação tributariamente ineficaz (fls. 41/56), profissional este que, residente na cidade de Bebedouro (município diverso do que reside a Recorrente), inclusive chegou a afirmar que desconhecia a contribuinte in casu. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15956.000004/200831 Acórdão n.º 210101.603 S2C1T1 Fl. 282 6 Por todas essas razões, e, especialmente, à luz do conjunto probatório existente nos autos, entendo cabível a glosa em relação às despesas declaradas pela contribuinte, razão pela qual não merece prosperar a sua irresignação. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 306DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002433/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2102-002.060
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
ACOLHER os embargos de declaração, para rerratificar o Acórdão nº 210200.396, de 02/12/2009 e alterar a redação do dispositivo da decisão que passa a ter o seguinte teor: "ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir dos rendimentos tributáveis a quantia de R$ 33.046,25 (R$ 140.176,91 R$ 107.130,66) e alterar o imposto de renda retido
na fonte de R$ 19.557,84 para R$ 14.992,02".
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, para rerratificar o Acórdão nº 210200.396, de 02/12/2009 e alterar a redação do dispositivo da decisão que passa a ter o seguinte teor: "ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir dos rendimentos tributáveis a quantia de R$ 33.046,25 (R$ 140.176,91 R$ 107.130,66) e alterar o imposto de renda retido na fonte de R$ 19.557,84 para R$ 14.992,02". Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 292DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002433/200450 Acórdão n.º 210202.060 S2C1T2 Fl. 2 2 EDITADO EM: 25/06/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Relatório Em sessão plenária realizada em 2 de dezembro de 2009 esta Turma julgou o recurso apresentado pela contribuinte SANDRA ELISA PIMENTA DE SOUZA, Acórdão nº 210200.396, fls. 196/199, sendo proferida a seguinte decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir os montantes de R$ 23.904,65 dos rendimento tributáveis, de R$ 4.565,82 do IRRF declarado e de R$ 1.286,87 da despesa dedutível da contribuição previdenciária, nos termos do voto da Relatora. Ao tomar conhecimento do acórdão acima mencionado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG apresentou Embargos de Declaração, fls. 204, onde aponta a existência de contradição no acórdão embargado, conforme a seguir transcrito: No demonstrativo de fl. 06 do Acórdão (ou fl. 198, verso, do processo) a Relatora corrigiu os cálculos elaborados pela Autoridade Fiscal e apurou novo valor de R$ 105.200,66 para o Total de Rendimentos Tributáveis da DIRPF/2001. À fl. 7 do Acórdão (ou fl. 199 do processo), a Relatora deu provimento parcial ao recurso da contribuinte para excluir o montante de R$ 23.904,65 dos rendimentos tributáveis. No Auto de Infração o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica foi revisto para R$ 138.246,91. Excluindose deste valor a parcela de R$ 23.904,65, conforme determinado pela Relatora, temse: R$ 138.246,91 R$ 23.904,65 = R$ 114.342,30. Sendo assim, proponho encaminhar o presente processo ao CARF para esclarecer qual o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica a ser considerado: R$ 105.200,66 ou R$ 114.342,30. É o Relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002433/200450 Acórdão n.º 210202.060 S2C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Os Embargos de Declaração apresentados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG preenchem os requisitos legais para sua admissibilidade e devem ser conhecidos. Cuidase de Auto de Infração que imputou à contribuinte a infração de omissão de rendimentos, no valor total de R$ 67.512,02, sendo R$ 47.054,90 da União Federal, em processo trabalhista e R$ 20.457,12 do Ministério da Saúde. Em decorrência da omissão de rendimentos, a autoridade fiscal alterou o imposto de renda retido na fonte de R$ 11.007,95 para R$ 19.557,84. No acórdão embargado esclareceuse que a infração de omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Saúde não fazia parte da lide e que, no que se refere aos rendimentos recebidos em decorrência da ação trabalhista, restou assentado que o rendimento recebido pela contribuinte foi de R$ 94.159,49 e que houve o pagamento de honorários advocatícios de R$ 9.415,95, de modo que o rendimento tributável passou para R$ 84.734,54. E mais, restou também assentado que o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos recebidos em decorrência da ação trabalhista foi de R$ 13.480,00. Para ilustrar tais conclusões fezse constar no voto condutor do acórdão embargado os seguintes demonstrativos: Rendimentos Tributáveis na DAA (Ex. 2001): Rendimento Tributável Ação Trabalhista: ........................... R$ 84.743,54 Rendimento Tributável Min. da Saúde (mat. ñ litigiosa) .... R$ 20.457,12 Total dos Rendimentos Tributáveis: ................................. R$ 105.200,66 Imposto de Renda na Fonte a Compensar: I.R.R FONTE (Proc. Trabalhista) ........................... R$ 13.480,00 I.R.R FONTE (Rend. Minist. Da Saúde) .................... R$ 1.512,02 (=)I.R.R FONTE (a compensar) .............................. R$ 14.992,02 No demonstrativo acima transcrito consta uma pequena impropriedade, pois deixouse de incluir os rendimentos recebidos de pessoas físicas que a contribuinte ofereceu à tributação em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), no valor de R$ 1.930,00. Ou seja, o valor de R$ 105.200,66 corresponde aos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e os rendimentos tributáveis seriam, na verdade, de R$ 107.130,66 (R$ 105.200,66 + R$ 1.930,00). Contudo, a redação do último parágrafo do voto condutor do acórdão embargado, assim como o dispositivo do acórdão (...por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir os montantes de R$ 23.904,65 dos rendimento Fl. 294DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002433/200450 Acórdão n.º 210202.060 S2C1T2 Fl. 4 4 tributáveis, de R$ 4.565,82 do IRRF declarado e de R$ 1.286,87 da despesa dedutível da contribuição previdenciária, nos termos do voto Relatora) não refletem as conclusões a que se chegou no voto do acórdão, assim como não refletem a verdade material demonstrada nos autos, sendo certo que para apurar o imposto suplementar devido pela contribuinte devem ser promovidas as seguintes alterações: rendimentos tributáveis de R$ 140.176,91 para R$ 107.130,66 e imposto de renda retido na fonte de R$ 19.557,84 para R$ 14.992,02. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, rerratificar o Acórdão nº 210200.396, de 02/12/2009 e alterar a redação do dispositivo da decisão que passa a ter o seguinte teor: ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir dos rendimentos tributáveis a quantia de R$ 33.046,25 (R$ 140.176,91 – R$ 107.130,66) e alterar o imposto de renda retido na fonte de R$ 19.557,84 para R$ 14.992,02. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910405/2006-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IRPJ. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
O indeferimento dos pedidos de compensação por integral utilização dos
créditos indicados em procedimentos de compensação anteriores somente
pode ser infirmado mediante prova ou demonstração de que as compensações
anteriores não importaram em exaustão do crédito.
Tendo o contribuinte se limitado a defender a existência do saldo crédito
indicado à compensação, quedando silente quanto ao fundamento específico
do Despacho Decisório de indeferimento das compensações – utilização
integral do saldo credor indicado – não merece provimento o recurso
voluntário.
Numero da decisão: 1103-000.754
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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materia_s : CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IRPJ. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O indeferimento dos pedidos de compensação por integral utilização dos créditos indicados em procedimentos de compensação anteriores somente pode ser infirmado mediante prova ou demonstração de que as compensações anteriores não importaram em exaustão do crédito. Tendo o contribuinte se limitado a defender a existência do saldo crédito indicado à compensação, quedando silente quanto ao fundamento específico do Despacho Decisório de indeferimento das compensações – utilização integral do saldo credor indicado – não merece provimento o recurso voluntário.
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. O indeferimento dos pedidos de compensação por integral utilização dos créditos indicados em procedimentos de compensação anteriores somente pode ser infirmado mediante prova ou demonstração de que as compensações anteriores não importaram em exaustão do crédito. Tendo o contribuinte se limitado a defender a existência do saldo crédito indicado à compensação, quedando silente quanto ao fundamento específico do Despacho Decisório de indeferimento das compensações – utilização integral do saldo credor indicado – não merece provimento o recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. HUGO CORREIA SOTERO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/11/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.910405/200647 Acórdão n.º 110300.754 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de indeferimento de pedido de compensação formalizado pelo contribuinte, indicando o Despacho Decisório de fl. 7, exarado pela Delegacia da Receita Federal de São Paulo (SP) a inexistência do crédito apontado na declaração de compensação, nestes termos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Contra a decisão apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade (fl. 13), arguindo ter declarado em DCTF o valor de R$ 78.500,06, ter recolhido R$ 84.847,60, de sorte a dispor, no exercício de 2003, de crédito no valor de R$ 6.347,54, pelo que requeria a reforma do Despacho Decisório e a homologação das compensações requeridas. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (SP) por acórdão assim ementado: “COMPENSACÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Compensação não Homologada” Da decisão se extrai: “A lide gira, portanto, em torno da existência ou não do direito creditório da interessada. Quanto a esta questão, a pleiteante nada apresentou para comprovar a existência, liquidez e certeza do crédito utilizado para a compensação dos débitos informados em DCOMP. Para qualquer reconhecimento de direito creditório, a requerente deverá fazer prova inequívoca da existência e veracidade do direito creditório (art.170 do CTN) sem a qual nada pode ser deferido de ofício pela autoridade fiscal. No mínimo deveria ter sido apresentado planilha demonstrativa de conciliação entre débitos e créditos respaldados em documentos comprobatórios da existência do alegado direito creditório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/11/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.910405/200647 Acórdão n.º 110300.754 S1C1T3 Fl. 3 3 Em não tendo sido comprovado pela interessada a veracidade de suas alegações quanto à existência de direito creditório (falta de liquidez e certeza), fica mantido o despacho decisório proferido nos presentes autos.” Recurso voluntário de fl. 41, indicando o contribuinte a forma de obtenção do saldo credor utilizado para fins de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Hugo Correia Sotero Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. No recurso interposto (fl. 41), limitouse o contribuinte a indicar os DARF pagos e os valores declarados em DCTF, afirmando que os pagamentos foram superiores aos valores efetivamente devidos, o que teria gerado crédito no valor de R$ 6.347,54. Nada obstante, a não homologação das compensações pleiteadas não se deu por questionamentos atinentes à composição do saldo credor e sim, e é expresso o Despacho Decisório neste sentido, por terem sido “localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em resumo, a não homologação das compensações decorreu da utilização integral do crédito para quitação de outros débitos. Nesse contexto, tendo o Despacho Decisório, inclusive, indicado as compensações anteriormente realizadas pelo contribuinte, caberia a este, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário interposto, demonstrar que as compensações realizadas anteriormente (indicadas no Despacho Decisório) não importaram em consumo integral do crédito, o que garantiria a homologação das compensações. À míngua de comprovação da incorreção do Despacho Decisório, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. Hugo Correia Sotero Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/11/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.910405/200647 Acórdão n.º 110300.754 S1C1T3 Fl. 4 4 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/11/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10380.019960/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Adriana Sato - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo Da Costa E Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos De Carvalho Cruz, Paulo Roberto Lara Dos Santos
Nome do relator: ADRIANA SATO
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RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 99 60 /2 00 8- 35 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi – Presidente Adriana Sato Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo Da Costa E Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos De Carvalho Cruz, Paulo Roberto Lara Dos Santos Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.019960/200835 Acórdão n.º 2302002.186 S2C3T2 Fl. 256 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD n°37.206.7743 emitido em 31/12/2008 no valor total de R$18.698,59, referente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, apuradas através de folhas de pagamento entregues pelo Recorrente e não declaradas em Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa, bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação e Débito DATAPREV, abrangendo competências entre 10/2004 a 11/2006. Conforme Relatório Fiscal, fls. 40/46 dos autos, referese à contribuição patronal, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais; às destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalhador / financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). O ITS Instituto Terra Social é uma associação qualificada pelo Ministério da Justiça como OSCIP Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, figura jurídica introduzida pela Lei n° 9.790/99 (Resultado de pesquisa junto ao Ministério da Justiça em anexo). As OSCIPs devem estar voltadas para o alcance de objetivos sociais que tenham pelo menos uma das finalidades arroladas no art. 3 o da Lei n° 9.790/99. À luz da legislação previdenciária, as OSCIPs não gozam de nenhum tipo de renúncia ou benefício fiscal. A qualificação como OSCIP, conforme Lei n° 9.790/99, não substitui a Declaração de Utilidade Pública Federal, fornecida pelo Ministério da Justiça, e o Certificado de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social/CNAS. A empresa em questão não possui Certificado de Fins Filantrópicos, sujeitandose normalmente às obrigações principais e acessórias previstas na Lei n° 8.212/91 e que. para a execução dos objetivos previstos em lei e em seu Estatuto, contrata trabalhadores, tanto segurados empregados como contribuintes individuais, conforme declarado em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e demais documentos analisados. Foi entregue a fiscalização, exceto pelo Livro de Inspeção do Trabalho, apenas cópias dos documentos, abaixo relacionados e uma declaração, onde estão citados documentos que não seriam entregues por não serem pertinentes às atividades da empresa. RAIS 2004 negativa; Livro de Inspeção do Trabalho (original); GFIP incompleta para o período fiscalizado em meio papel; Guias de Previdência Social GPS; Registros de Empregados (01, 02, 03, 31 e 34); Folhas de Pagamento em meio papel das competências 01 a 12/2005, I a parcela do 13° Sal/2005 e 01 a 12/2006, I a e 2 a parcelas 13° Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 sal/2006 (referente apenas à administração e às instituições tomadoras de serviço SECON Secretaria da Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado do Ceará e DNOCS). Ao questionar sobre os Livros contábeis de 2004 a 2006, folhas de pagamento de 2004 e os demais documentos solicitados, a auditoria fiscal foi informada que não existia mais nada relacionado à empresa. Até a data da emissão do presente auto, apesar das intimações, nada mais foi entregue. Por não ter a empresa apresentado todos os documentos solicitados, a fiscalização, no intuito de verificar a correção dos dados declarados em GFIP, utilizou além das cópias de documentos acima relacionados, as informações sobre a empresa nas seguintes fontes: DIRF existente no sistema da RFB (anocalendário 2005 e 2006); Estatuto Social e alterações (6o Ofício de Notas — Cartório Melo Júnior); Relatórios do Sistema de Informações Municipais — SIM, enviados pelo Tribunal de Contas dos Municípios — TCM por solicitação desta fiscalização; GFIP e GPS existentes no sistema da RFB e Relatórios gerados pelo sistema DATAPREV. Da análise desses documentos constatouse fatos geradores não declarados^em GFIP, abaixo descritos Contribuição de segurados não declarados em GFIP: Foi constatada a existência de valores pagos a contribuintes individuais declarados em GFIP sem que as contribuições dos segurados estivessem declaradas. Devido à empresa não ter apresentado a documentação solicitada e prevista na legislação, a fiscalização entendeu que a obrigação de realizar os descontos dos segurados era devida e, de acordo com a legislação, presumese que tenha sido realizada oportuna e regularmente pela empresa; a obrigação de declarar tais descontos em GFIP não foi cumprida pela empresa; o recolhimento dos valores relativos aos descontos é obrigação da empresa fiscalizada. Assim, foram calculados os valores das contribuições dos segurados devidas e não declaradas em GFIP, sendo lançados em levantamento, denominado DNG Desconto das contribuições dos segurados contribuintes individuais não declaradas em GFIP. Valores pagos a segurados empregados (folha de pagamento): Constatouse que as folhas de pagamento entregues não abrangem todo o período fiscalizado, nem todas as competências em que auferiu receita por serviços prestados e existência de segurados empregados que não constam em GFIP. Devido a empresa não ter apresentado a documentação prevista na legislação referente ao benefício do pagamento do salário família, foi considerado tal rubrica salário de contribuição dos segurados. Os valores do salário família declarados em GFIP e utilizados para a compensação das contribuições previdenciárias devidas pela empresa foram glosados. Os fatos geradores foram lançados nos levantamentos denominado DPT Diferença da remuneração em folha de pagamento não declarada em GFIP e RSF – Diferença da remuneração paga a título de salário família não declarada em GFIP. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.019960/200835 Acórdão n.º 2302002.186 S2C3T2 Fl. 257 5 Esclarece que através de pesquisa no sistema DATAPREV, não ficou comprovado o benefício de salário maternidade que a empresa declara em GFIP ter sido pago a segurada empregada com NIT que identifica. Assim, os valores declarados em GFIP como deduções pelo pagamento de salário maternidade foram glosados. Elabora demonstrativos anexo I e II. Observa que para o correto cálculo do débito, foi realizada apropriação dos valores recolhidos pela empresa em GPS frente aos valores declarados em GFIP. O saldo restante foi apropriado frente aos levantamentos DNG, DRP e RSF. Toda a fundamentação legal referente ao crédito apurado encontrase no relatório "Fundamentos Legais do Débito FLD". Sobre o crédito apurado incidiram juros e multa nos valores demonstrados no anexo '"Discriminativo Sintético de Débito — DSD, que encontram amparo legal detalhado no relatório "Fundamentos Legais do Débito FLD. A relação de representantes legais foram apresentados no "Relatório de Representantes Legais — REPLEG. Relaciona os diversos relatórios deste auto de infração e os diversos documentos lavrados durante a ação fiscal. O recorrente interpôs impugnação e a 5ª Turma da DRFBJ de Juiz de Fora julgou procedente o lançamento, e, inconformado, interpôs recurso voluntário, alegando em sintese: que o Auto de Infração n° 37.206.7743 é insubsistente, por absoluta falta de fundamentação, de vez que inexistiu o detalhamento devido e necessário no relatório fiscal, com prejuízo ao oferecimento da defesa; acaso não se acolha a pretensão anterior, reconheçase, a absoluta impossibilidade de incidência de contribuição previdenciárias sobre os contratos de parcerias com as empresas e órgãos públicos, excluindoos do lançamento entelado; excluir a taxa SELIC da composição da dívida, fazendose substituir pelo INPC mais j u r o s de 1 % ; que sejam compensados os valores recolhidos, incidentes sobre as remunerações relativas aos primeiros quinze dias de auxílio doença; que sejam excluídas as deduções legais das bases de cálculo aferidas; requer, por f i m , a produção no decorrer processual de todas as demais provas possíveis e permitidas em direito, inclusive juntadas de documentos novos e, principalmente, perícia, no sentido de aferir se os cálculos estão corretos. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas. O Recorrente não trouxe argumentos suficientes para a nulidade ou alteração da autuação como requer, como também não apresentou documentos que comprovassem o que alega. Quanto ao procedimento realizado pela fiscalização de formalização do lançamento não observo qualquer vício que venha causar lesão ao contribuinte, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, notadamente a correta descrição do fato gerador da contribuição previdenciária. A notificação das partes interessadas foi devidamente realizada, de modo que não se verifica quaisquer vícios. A fiscalização especificou no Relatório Fiscal (fls. 40/46) com elaboração de anexos, de forma clara, os fatos geradores da obrigação principal, a técnica utilizada na apuração da base de cálculo, os fundamentos legais da exação exigida, bem como documentos comprobatórios da ocorrência do fato gerador, juntamente com os anexos que fazem parte do Auto de Infração, que, de acordo com as orientações normativas vigentes, são necessários e suficientes para apresentar ao sujeito passivo as informações pertinentes aos procedimentos realizados no decorrer da ação fiscal, bem como sobre a origem das contribuições previdenciárias lançadas e fundamentação legal.. Assim vêse nestes relatórios e discriminativos anexos, informações dos dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado (FLD Fundamentos Legais do Débito); demonstrações como os recolhimentos foram apropriados em procedimento fiscal (RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados); relação das parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, os valores das GPS Guias de Previdência Social pagas (RDA Relatório de Documentos Apresentados); relação dos lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, permitindo ao contribuinte compreender o lançamento efetuado pela fiscalização, vislumbrando os fatos geradores discriminados (RL — Relatório de Lançamentos); competências, levantamentos, as bases de cálculo, as rubricas, os valores das contribuições apuradas (DAD Discriminativo Analítico de Débito); discriminação sintética das contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos (DSD Discriminativo Sintético de Débito); e, a relação de representantes legais (REPLEG Relatório de Representantes Legais). Nesse sentido, verificase que a auditoria fiscal executou os procedimentos fiscais de maneira a assegurar ao sujeito passivo o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.019960/200835 Acórdão n.º 2302002.186 S2C3T2 Fl. 258 7 Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Quanto às alegações da contribuição incidente sobre valor relativo ao pagamento dos primeiros quinze dias de afastamento de seus empregados, por doença ou acidente, mesmo não constando dos autos elementos/documentos que comprovem a sua ocorrência, cabe destacar que, nos termos dos arts. 59 e 60 da Lei n° 8.213/91, o direito ao auxílio doença surge quando da incapacidade para o trabalho por mais de 15 dias consecutivos, sendo devido a partir do 16° dia. Até então, tem a empresa a obrigação de prosseguir pagamento ao salário do empregado. Notese, de fato, que o montante pago pela empresa não o é a título de benefício previdenciário, mas de salário, ainda que o empregado não tenha trabalhado efetivamente. Aliás, na relação empregatícia, há, de fato, a garantia ao pagamento do salário em várias situações específicas de repouso e de licenças sem que reste descaracterizada tal verba. Basta, aliás, atentar para as férias remuneradas e para o décimo terceiro salário. Neste sentido, podem ser observados vários precedentes. Art. 60. O uxíliodoença será devido ao segurado empregado a contar do décimo sexto dia do afastamento da atividade, e, no caso dos demais segurados, a contar da data do inicio da incapacidade e enquanto ele permanecer incapaz. (Redação dada pela Lei n°9.876, de 26.11.99) § 3a Durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) Assim, considerando que nos primeiros quinze dias da incapacidade o empregador é obrigado a manter o pagamento do salário e que não tem ele a natureza previdenciária própria do benefício de auxílio doença concedido posteriormente pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, não vislumbro a procedência da pretensão do Recorrente de compensação do valor relativo ao pagamento dos primeiros quinze dias de afastamento de seus empregados por doença ou acidente. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.019960/200835 Acórdão n.º 2302002.186 S2C3T2 Fl. 259 9 § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) Fl. 263DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 A necessidade de o requerimento da perícia ter que constar na peça de impugnação não fere a ampla defesa, pois no processo judicial, rito sumário, os quesitos da perícia tem que constar na petição inicial, bem como na contestação. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Adriana Sato Relator Fl. 264DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 18471.003156/2008-27
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Não compete à esfera administrativa apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei vigente, conforme dispõe a legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória, portanto, passível de incidência de multa, a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Não há o que se falar em realização de diligência para se averiguar parcelas integrantes do lançamento, exigidas com base em legislação supostamente inconstitucional, por ser o CARF incompetente para apreciar a matéria, nos termos da Súmula nº. 2, expedida pelo referido órgão.
Ainda, não se vislumbra a necessidade de diligência quando os autos trazem dados suficientes para a convicção do julgador, podendo este indeferir quando entendê-la desnecessária.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório quando a autoridade fiscal realiza o lançamento com observância ao art. 142 do CTN, demonstrando os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, portanto, a decadência das contribuições previdenciárias deve-se operar em cinco anos, de acordo com as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
No presente caso aplica-se a regra do artigo 173, I, do CTN, por se tratar do não cumprimento de obrigações acessórias exigíveis pela legislação previdenciária.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE AO MOMENTO DA INFRAÇÃO.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não compete à esfera administrativa apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei vigente, conforme dispõe a legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória, portanto, passível de incidência de multa, a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não há o que se falar em realização de diligência para se averiguar parcelas integrantes do lançamento, exigidas com base em legislação supostamente inconstitucional, por ser o CARF incompetente para apreciar a matéria, nos termos da Súmula nº. 2, expedida pelo referido órgão. Ainda, não se vislumbra a necessidade de diligência quando os autos trazem dados suficientes para a convicção do julgador, podendo este indeferir quando entendêla desnecessária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório quando a autoridade fiscal realiza o lançamento com observância ao art. 142 do CTN, demonstrando os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 31 56 /2 00 8- 27 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 198 2 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, portanto, a decadência das contribuições previdenciárias devese operar em cinco anos, de acordo com as regras do Código Tributário Nacional CTN. No presente caso aplicase a regra do artigo 173, I, do CTN, por se tratar do não cumprimento de obrigações acessórias exigíveis pela legislação previdenciária. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE AO MOMENTO DA INFRAÇÃO. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 199 3 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa LUAU DA PRAIA BIQUINIS LTDA., por ter deixado esta de cumprir obrigação acessória prevista no art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei n° 8.212/1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, ou que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, para as competências 01/2003 a 12/2004 (DEBCAD nº. 37.176.8330). 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, a empresa, embora devidamente intimada, deixou de apresentar a autoridade fiscal Livro Diário, Livro Razão, folha de pagamento, Guia de Recolhimento de FGTS e declaração a Previdência Social GFIP (fls. 8/13). 3. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 13) informa que, além de ter ficado configurada a circunstância agravante de reincidência, prevista no art. 290, V, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99, foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei nº. 8.212/1991, c/c o art. 283, inciso I, alínea "b" e art. 373, prevista no artigo 283, inciso I, alínea "g", do RPS, no valor de R$12.548,77 e atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF nº. 77, de 12 de março de 2008. 4. A autuada tomou ciência do lançamento fiscal, em 06/11/2008, conforme consignado no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF e correspondência postal com Aviso de Recebimento AR SX620872604BR (fl. 16/17). 5. Após devidamente intimada, a contribuinte, apresentou impugnação tempestiva as fls. 19/37, e ao julgar a peça impugnatória apresentada, o Colegiado de primeira instância considerou a impugnação improcedente, e, por conseqüência, manteve o crédito tributário em sua totalidade. 6. A decisão a quo restou ementada nos termos que hora transcrevo: “INFRAÇÃO. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS E LIVROS RELACIONADOS A CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA QUINQUENAL. INOCORRÊNCIA. Sendo o auto de infração um lançamento de ofício por verificação do descumprimento de obrigação acessória, a contagem do período decadencial de cinco anos declarado pelo Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 200 4 STF deverá ser iniciada nos termos do art. 173, I do Código Tributário Nacional, inocorrendo a decadência se a exigência consubstanciada no auto de infração está dentro dos cinco anos previsto na legislação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). EMISSÃO REVOGADA. TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL (TIAF). CIÊNCIA E INTIMAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO DO PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. O TIAF emitido privativamente pelo AFPS, no pleno exercício de suas funções, tem por finalidades cientificar o sujeito passivo de que ele se encontra sob ação fiscal e intimálo a apresentar os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a nulidade pela alegação de cerceamento de defesa quando o crédito tributário apurado foi devidamente motivado, apresentandose o documento lavrado dentro das determinações legais vigentes. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. Cabe a mesma a aplicação da legislação vigente em função do previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. (fls.118/125). 7. Cientificada em 15/07/2011 (fl.129) da decisão proferida em primeira instância e demonstrando seu inconformismo com o julgamento a contribuinte, basicamente, com os mesmos argumentos constantes na impugnação, apresentou recurso voluntário (fls. 155/174), no qual, em síntese, aduz que: a) é inconstitucional a Lei nº. 8.212/1991, no que tange ao conceito de salário, ao ampliar a base de cálculo da contribuição afronta o previsto no inciso I, art. 195, da Constituição Federal de 1988, e, que também a cobrança relativa aos riscos ambientais do trabalho é ilegal, bem como é inconstitucional a cobrança da contribuição para o SEBRAE; b) há ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório cerceamento de defesa haja vista ausência de descrição minuciosa dos valores integrantes da base de cálculo das contribuições; c) os pretensos créditos relativos ao exercício de 2003 foram atingidos pela decadência porque a eles se aplicam a regra inserta no art. 150, § 4º do CTN; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 201 5 d) pugna pela realização de diligências, com a finalidade de identificar os percentuais não sujeitos à incidência, uma vez que se trata de inconstitucional a legislação em que se fundamenta tal exigência; e) deve ser aplicada a lei mais benéfica, como preconiza o art. 106, II, “c”, do CTN; 8. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 202 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS 2. Em relação à alegação de que é ilegal ou inconstitucional a legislação que deu suporte à cobrança relativa aos riscos ambientais do trabalho e a cobrança da contribuição para o SEBRAE, ou mesmo a que tenha definido determinadas verbas como fatos geradores da contribuição previdenciária, estou de acordo com a posição do julgador de primeira instância, no sentido de que, no presente caso, por se tratar o lançamento de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do CTN, coube a autoridade administrativa apenas observar o que determina a lei, sem adentrar ao mérito quanto a sua validade. 3. De igual modo, o Dec. nº. 70.235/72 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, determina que: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” 4. Assim, os eventuais aspectos relativos à ilegalidade ou inconstitucional da legislação que tenha instituído as cobranças referentes aos riscos ambientais, contribuição para o SEBRAE ou definido a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, não tem competência este Colegiado para apreciar tal matéria, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, a seguir transcrita: “Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 5. Narra o Relatório Fiscal da Infração (fl. 9) que, de acordo com o Termo de Início de Ação Fiscal, datado de 12/09/2008, a empresa foi notificada por duas ocasiões, para apresentar documentação, prestar esclarecimentos e informações a Receita Federal do Brasil, não tendo, contudo, a contribuinte exibido os documentos solicitados Livro Diário, Livro Razão, folha de pagamento, GFIP (Guia de Recolhimento de FGTS e declaração a Previdência Social), tendo motivado a presente autuação. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 203 7 6. A recorrente em sede recursal, basicamente, traz os mesmos argumentos apresentados na impugnação, onde reitera que os créditos lançados, correspondentes ao exercício de 2003, estão extintos pela decadência e que devem ser excluídos da dívida previdenciária os valores calculados sobre o montante que não integra a noção de salário, inclusive, a contribuição relativa aos riscos ambientais de trabalho, por serem inconstitucionais. 7. Salientese que as alegações acima são irrelevantes e sem pertinência, portanto, com o presente lançamento, até porque a autoridade fiscal, no caso, apenas fez cumprir a legislação de regência, impondo a penalidade cabível a Recorrente por esta ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessórias, nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei n° 8.212/1991, in verbis: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº. 11.941, de 2009). (...). § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). (g.n.) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009)” . O Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, dispõe no mesmo sentido, conforme transcrito a seguir: “Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 204 8 Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(g.n).” 8. Assim, de acordo com os dispositivos acima transcritos, fica evidente de que a contribuinte, ao não apresentar ao Fisco os documentos solicitados Livro Diário, Livro Razão, folha de pagamento, GFIP (Guia de Recolhimento de FGTS e declaração a Previdência Social), incorreu na infração disposta no art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº. 8.212/1991, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS). 9. Temse, portanto, como correta a autuação fiscal, visto que houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme estabelece os dispositivos acima transcritos, resultando, assim, na imposição de multa pela fiscalização por descumprimento de obrigação acessória da exibição de documentos e livros, relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, obrigação acessórias esta que independe da existência ou cumprimento da obrigação principal. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA 10. A contribuinte requer que se determine diligência, objetivando a eventual exclusão de valores que serviram de base para o lançamento tributário, por entender que parte dos valores lançados tem por fundamento legislação inconstitucional, notadamente no que diz respeito à contribuição destinada ao SEBRAE. 11. No entanto, na fase de impugnação, nos termos do art. 16, IV, do Dec. nº. 70.235/72, deve o impugnante expor os motivos que justifiquem o pedido de diligência, o que foi feito pela contribuinte no recurso sob análise, tendo o pleito como fundamento a inconstitucionalidade de leis, e, por esta razão, peremptoriamente, rechaço essa pretensão, haja vista incompetência deste Colegiado para o exame da matéria, conforme já exposto, e, por ter firme o entendimento de ser desnecessária essa diligência para a convicção acerca da regularidade do lançamento. DO CERCEAMENTO DE DEFESA 12. Neste ponto nenhuma razão tem a contribuinte, inclusive ela mesma alega que “não obstante ter sido apresentado discriminativo analítico e sintético de débito, não restou detalhado o valor do débito previdenciário, motivo pelo qual nulo é o lançamento efetuado na Notificação Fiscal objeto do presente recurso”, haja vista a impossibilidade do seu exercício do direito a ampla defesa e do contraditório, constitucionalmente assegurados. 13. Ocorre que a própria contribuinte é taxativa quando menciona existir “discriminativo analítico e sintético de débito” no auto de infração, para em seguida, indevidamente, apontar que “não restou detalhado o valor do débito previdenciário” (fl. 158). 14. Nesse ponto nenhuma razão tem a recorrente, primeiro porque ela mesma afirma quanto à existência de discriminativo analítico do débito, segundo por se referir o presente lançamento à imputação de pena por descumprimento de obrigação acessória que independente de ocorrência do fato gerador de obrigação principal, qual seja multa por não exibição de documentos e livros relacionados com a contribuição social previdenciária, nos Fl. 204DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 205 9 termos já delineados, de modo que a infração se caracteriza, no caso, apenas pela não entrega do solicitado pelo Fisco. 15. Esclareçase que a autuada, ao longo de seu recurso, em nenhum momento faz menção ou justifica o não fornecimento dos documentos e livros solicitados pela fiscalização, como não fez na impugnação, considerado assim como ponto incontroverso, o que justifica plenamente a autuação lavrada pela autoridade fiscal. 16. Portanto, verificase que o lançamento foi realizado com observância da legislação, bem como foi a infração capitulada e descrita com precisão pela fiscalização, não procedendo, assim, as alegações da autuada de que foi cerceada no seu direito a ampla defesa e ao contraditório, pois, permitiuse a ela averiguar as motivações e os fundamentos da presente autuação, de sorte que não se detecta qualquer transgressão a norma legal em vigor e por essa razão não há o que se falar em nulidade do lançamento. DA DECADÊNCIA 17. Considerados os argumentos trazidos aos autos, primeiramente é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pela contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontraria decaída, segundo o prazo qüinqüenal, previsto no Código Tributário Nacional, para só a partir dessas reflexões verificar se o referido instituto repercute no lançamento sob análise. 18. Sobre essa questão, cumpre ressaltar que, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº. 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 206 10 “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 19. A instituição da denominada Súmula Vinculante e seus efeitos estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 20. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 21. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 22. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem Fl. 206DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 207 11 do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 207DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 208 12 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 23. No caso dos autos em questão, no entanto, devido à natureza jurídica da constituição desse tipo de crédito (Inc.IV, do art. 225, combinados com o Inc. II, do art. 284 e art. 373, do Dec. nº. 3.048/99) – Multa por descumprimento de obrigação acessória regra geral, a definição do termo inicial do prazo de decadência há de ser o artigo 173, inciso I, do CTN. 24. A NOTA de no PGFN/CAT nº. 856, de 2008, editada para explicitação do Parecer PGFNC/CAT nº. 1617 de 2008, em seu item 10, concluiu nos seguintes termos: “Ipso facto, nada obstante tenhase determinação legal para que a documentação seja disponibilizada ao longo de uma década, a decisão da Suprema Corte fora clara, no sentido de que os prazos de prescrição e decadência se esgotam ao longo de um lustro. Por isso, às obrigações acessórias exigíveis pela legislação previdenciária aplicase a regra do inciso I, do art. 173, do CTN, para fins de sua constituição. Em outras palavras, o fato de que lei ainda constitucional (ainda, porque até o presente não explicitamente fulminada) determine que documentos sejam mantidos por 10 anos não é substancialmente necessário e suficiente para que não se aplique a determinação do Supremo Tribunal Federal, quanto aos prazos de prescrição e decadência. A Corte determina a aplicação do CTN. Na hipótese, e objetivamente, reportase ao inciso I, do art. 173, com o objetivo de fixação de dies a quo do prazo de decadência”. 25. Isso posto, o dispositivo legal a ser aplicado no presente caso, no tocante à decadência, não é o que estabelece o art. 150, § 4º, como sustentado pela contribuinte, e sim o previsto no artigo 173, inciso I, ambos do CTN. Neste ponto assiste razão ao julgador a quo ao concluir que: “Os fatos geradores relativos à infração capitulada nesta autuação são verificados por competência. No caso concreto, o crédito tributário foi constituído em 03/11/2008, data da lavratura da autuação, com ciência do contribuinte em 08/11/2008, relativo aos fatos geradores do período de 01/2003 a 12/2004. Portanto, considerandose o prazo previsto no art. 173, I do CTN, para o presente crédito não se aplica o instituto da decadência.” Assim, não há como prosperar as alegações (fls. 174 e ss.) da contribuinte no sentido de que parte do lançamento teria sido atingido pela decadência qüinqüenal. DA RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL A MULTA 26. A retroatividade da Lei, quando benigna, se constitui em direito da recorrente, assegurado pelo inciso II, do art. 106, do CTN, em relação a ato não definitivamente julgado, de sorte que deve ser aplicada a lei mais favorável ao agente no Fl. 208DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 209 13 tocante à definição da infração tributária, bem como à cominação da respectiva penalidade pecuniária, nos expressos termos do mencionado dispositivo, pois, a retroatividade é a regra. 27. Assim, no que tange à multa aplicada na presente autuação fiscal, considerando a legislação superveniente à época dos fatos, em regra, deve ser observada a retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, do CTN, o qual determina que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado e quando imputada ao infrator penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 28. No entanto, a penalidade imposta no presente caso, tratase de valor fixo que independe da quantidade irregularidade praticada, e por essa razão não há o que se falar em aplicação de legislação mais benigna, não se aplicando o previsto no art. 106, inciso II do CTN. CONCLUSÃO 29. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo inalterado o valor da multa em razão desta não variar em função do número de irregularidade. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos – Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº. 18471.003156/200827 Acórdão n.º 2803002.046 S2TE03 Fl. 210 14 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 13687.000536/2008-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.147
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a Secretaria da 3ª Câmara da 2ª. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Julgamento o fornecimento de cópia (digital) do Acórdão n. 1302-000.581 com declaração de andamento do respectivo processo.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a Secretaria da 3a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Julgamento o fornecimento de cópia (digital) do Acórdão n. 1302-000.581 com declaração de andamento do respectivo processo. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato , André Luis Marisco Lombardi, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O GE RA DA N O PG D- CA RF PR OC ES SO 13 68 7.0 00 53 6/2 00 8- 61 RE SO LU ÇÃ O GE RA DA N O PG D- CA RF PR OC ES SO 13 68 7.0 00 53 6/2 00 8- 61 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 13.687.000536200861Voluntário 13.687.000536200861Voluntário 3ª Turma Especial3ª Turma Especial 21 de novembro de 2012 21 de novembro de 2012 SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA TERMO ELETRO LTDA EPP. TERMO ELETRO LTDA EPP. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a Secretaria da 3a. julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a Secretaria da 3a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Câmara da 2a. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Julgamento o fornecimento de cópia (digital) do Acórdão n. 1302-000.581 com declaração de Fl. 309DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13687.000536/2008-61 Resolução nº 2803-000.147 S2-TE03 Fl. 308 2 Relatório Trata Recurso Voluntário que busca reforma da decisão da DRJ que manteve a negativa ao pedido do Requerimento de Reembolso (RR) de salário-família pagos entre 08/2004 e 11/2007, nas competências identificadas em epígrafe, protocolado em 03/09/2008. A negativa deu-se em razão da alteração do Regime de Apuração da recorrente, que teria sido excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES FEDERAL), a partir 01/01/2004, e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL), a partir de 01/07/2007, mediante Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n° 002/2009, de 28 de janeiro de 2009 e Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n° 004, de 02 de fevereiro de 2009, respectivamente, em virtude de ter desempenhado atividades vedadas pelo inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e pelo inciso XI do art. 17 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. Logo, o pedido de reembolso deveria enquadrar-se no regime de apuração e tributação ao qual a requerente deveria estar enquadrada. E mesmo que ela estivesse impugnando ou recorrendo das decisões de exclusão, estas não teriam efeito suspensivo, tendo sido mantidas em julgamento da mesma DRJ (Processo nº 10970.000610/2008-55, Acórdão n° 09-26-064 de 09/09/2009 da 2 a. Turma de Julgamento). Inconformada com a manutenção da negativa, apresentou Recurso Voluntário, reforçando o dever de suspensão dos efeitos das decisões de exclusão em razão da Recorrente ainda estar questionando administrativamente as mesmas, bem como outros argumentos. Os autos vieram para apreciação desta Turma Especial do CARF. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13687.000536/2008-61 Resolução nº 2803-000.147 S2-TE03 Fl. 309 3 Voto O recurso voluntário da Recorrente é tempestivo, devendo ser conhecido. Em que pese a orientação da presente turma especial de que as decisões de exclusão do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, quando objetos de impugnação ou recurso administrativos, não suspendem os seus efeitos, o presente contém um elemento de diverso. As indicadas decisões de exclusões que haviam sido mantidas na primeira instância do contencioso administrativo foram objeto de Recurso Voluntário da contribuinte, que recebera provimento da Segunda Turma, da Terceira Câmara, Primeira Seção de Julgamento do CARF, em 25.05.2012, Acórdão n. 1302-000.581, conforme extrato do andamento processual consultado pelo sitio do CARF/MF, no dia 20.11.2012, anexo a este voto. Contudo, o sitio não forneceu acesso ao inteiro teor da decisão. Considerando as competências das respectivas Turmas e Sessões de Julgamento do CARF, conforme o art. do RICARF, a decisão tomada naquela turma sobre a não exclusão da Recorrente do Simples afetará diretamente o resultado da presente decisão, pois definirá novo pressuposto de análise. Assim, em nome da celeridade e economia processual, faz-se necessário o conhecimento daquela decisão da 1ª Seção de Julgamento do CARF/MF. Isso posto, voto por converter o presente julgamento em solicitação de diligência à Secretaria da 3a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento solicite à Secretaria 3ª Câmara da 1ª Primeira Seção de Julgamento o fornecimento de cópia (digital) do Acórdão n. 1302-000.581 com declaração de andamento do respectivo processo. Sala de Sessões, 21 de novembro de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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