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Numero do processo: 10410.901855/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE.
No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
Concede-se direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete contratado relacionado a operações de venda, desde que amparado em documentos fiscal e o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País.
Numero da decisão: 3201-005.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I - Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros-Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupas-herbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II - Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da cana-de-açúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III - Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") - transporte de resíduos industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações das atividades produtivas; produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; e produtos químicos específicos para tratamento de águas; IV - Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e V - Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 18 55 /2 01 3- 12 Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.827 2 Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Concedese direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete contratado relacionado a operações de venda, desde que amparado em documentos fiscal e o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupasherbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") transporte de resíduos industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações das atividades produtivas; produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; e produtos químicos específicos para tratamento de águas; IV Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e V Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício e Relator Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.828 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 1464.827: Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa do 4º Trimestre de 2010, no importe de R$ 782.637,22, formalizado por meio do PER/DCOMP nº 16925.76527.191011.1.1.092805 (fls. 34/41), ao qual a contribuinte vinculou declarações de compensação nas quais procurou extinguir débitos próprios, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Analisada a pretensão, foi emitido o Despacho Decisório nº de Rastreamento 095447391 (fl. 42), no qual o direito creditório foi reconhecido parcialmente, disso resultando declaração de compensação homologada parcialmente e declarações de compensação não homologadas, além de inexistência de saldo a ser ressarcido. Os fundamentos da decisão estão no Relatório Fiscal de fls. 1069/1103, no qual a autoridade fiscal se manifestou pelo deferimento parcial do pedido, e expôs os motivos de seu entendimento, conforme segue. Inicia esclarecendo que: a empresa dedicase à produção e comercialização de açúcar e álcool utilizando como matéria prima básica a canadeaçúcar obtida mediante produção própria ou adquirida de terceiros; como a maioria das empresas deste ramo, tem produção sazonal, normalmente ocorrendo o período de safra/produção entre os meses de setembro a março; a comercialização é feita tanto no mercado interno como no externo, sendo que o açúcar é predominantemente exportado e o álcool é majoritariamente comercializado no mercado interno. Passa a tratar dos créditos glosados informando inicialmente que o conceito de insumo, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins está regido em legislação própria e não pode ser confundido nem interpretado à luz da legislação do IRPJ. Relata que em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal, a contribuinte apresentou planilhas detalhadas em que demonstrava a memória de cálculo dos valores de crédito que informou no DACON e que embasaram seus Pedidos de Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.829 4 Ressarcimento. Informa ainda que estas planilhas apresentavam os insumos “que foram utilizados para compor os créditos discriminados por utilização em AGRICULTURA ou INDÚSTRIA”. Diz ainda que, na AGRICULTURA, a contribuinte incluiu também “as despesas (serviços, fretes, peças de veículos...) com o transporte e movimentação de canade açúcar, tanto a cana adquirida de terceiros como também a cana produzida em suas diversas fazendas até a unidade fabril”. Ressalta (os destaques são do original): Ora, em relação aos gastos ocorridos na Agricultura, tais aquisições não poderiam gerar direito aos créditos pleiteados por tratarse de ciclos produtivos diferentes: um, a atividade rural de cultivo da canadeaçúcar e outro, a produção de álcool e açúcar. A contribuinte fabrica açúcar e álcool, e além disso, cultiva parte da canadeaçúcar que utiliza na própria atividade industrial. Entende a Receita Federal que a fabricação de açúcar e álcool e a produção de canadeaçúcar são dois processos diferentes e que não se confundem para fins de apuração de PIS e Cofins no regime nãocumulativo. Além disso, não representam gastos com insumos utilizados na produção de produtos destinados à venda e sim gastos/insumos utilizados na obtenção de matérias prima para o próprio consumo. Notese que a empresa não vende cana e sim açúcar e álcool e a legislação do PIS/COFINS é clara quando restringe o direito ao crédito apenas a insumos utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. Registra que este entendimento está expresso em diversas Soluções de Consulta, das quais transcreve trechos, e ainda, que o mesmo entendimento se aplica a outras atividades do segmento agroindustrial como, por exemplo, siderúrgicas com produção própria de carvão vegetal, indústria de papel com produção própria de eucaliptos, e acrescenta: E não é só. Mesmo na absurda hipótese de creditamento de bens e serviços aplicados na área agrícola, nem assim os supostos créditos seriam integrais, uma vez que a maioria das atividades agrícolas (entre as quais se inclui a produção de cana...), está sujeita a que parte dos seus custos com preparo e plantio seja imobilizada através da EXAUSTÃO e, ao contrário da depreciação e da amortização, não existe qualquer previsão legal para o creditamento de quotas de exaustão. (...) (destaques no original) Apresenta, em nota de rodapé, a seguinte observação: A empresa apresentou uma planilha denominada Serviços de TerceirosAgrícola na qual relacionava todos os serviços de manutenção, frete de cana, solda, diversos,....efetuados na área agrícola. Para fins de melhor visualização, a ação fiscal "quebrou" esta planilha em várias outras de acordo com o tipo do serviço prestado: Frete de Cana, Serviços de Terceiros manutenção e solda de equipamentos agrícolas, Serviços Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.830 5 Diversos e Serviços de Terceirosmanutenção e solda de veículos e equipamentos de transporte. A mesma "quebra" foi efetuada na Planilha Manutenção e Reparos, que foi dividida em Equipamentos Agrícolas e Transporte. Convém acrescentar que a "quebra" não implicou alteração nos valores totais, que, de qualquer forma e independentemente da divisão adotada, seriam glosados, uma vez que referemse a atividades que não ensejam creditamento. Passa então a informar as glosas efetuadas, relativas a aquisições para a área agrícola: 1.1 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA Do valor total de Serviços Utilizados como Insumos foram glosados os seguintes créditos referentes a agricultura: • Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação; • Serviços Diversos: outros créditos de serviços na área agrícola, de natureza indireta e administrativa, tais como Consultoria Agrícola, Consultoria em Meio Ambiente, Lavagem de Roupa Herbicidas e Manutenção de Programas de Computador. • Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação. Os valores glosados estão demonstrados abaixo e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços utilizados como Insumos” e “Serviços de Terceiros Prestados na Agricultura Creditamentos Glosados”, Anexo 04. (...) 1. 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA Conforme exposto anteriormente, em suas planilhas apresentadas a empresa englobou como “Agricultura” as despesas referentes à aquisição de bens utilizados em automóveis e veículos para a movimentação e transporte da cana de açúcar. Além disso, apresentou todas as aquisições em uma única planilha (“Bens Insumos”), sem separação por tipo ou natureza do bem. Com o objetivo de melhor apresentação e visualização dos créditos glosados, a ação fiscal separou os bens nas planilhas da empresa, utilizando a mesma classificação existente na Contabilidade (SPED ContábilReq. 1dffe5fa2f9348db9308 3175c5a3a827, Anexo 01), ou seja, Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção. A seguir, a empresa foi intimada a identificar centros de custos (item 2 do Termo de Intimação n° 03) e, com base nas informações recebidas (Respostas Apresentadas pela Empresa Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.831 6 Anexo 03) e com base nas informações contábeis que identificavam o centro de custo para o qual o material foi requisitado, foram separados aqueles gastos específicos da agricultura ( bens utilizados em tratores, colheitadeiras, equipamentos de irrigação,...) daqueles mais específicos do transporte (caminhões, automóveis, motos,..). Em Agricultura foram considerados centros de custos tais como, Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas,.... Em Transportes foram classificados os centros de custos Toyota Hillux, Fiat Uno, Ford Cargo, Caminhão MBB, Moto Honda, Pajero TR4, Reboques,... Os valores contábeis foram separados por Agricultura e Transporte e os percentuais obtidos aplicados sobre as aquisições constantes nas planilhas da empresa: Óleo Diesel, Lubrificantes, Pneus e Câmaras e Material de Manutenção. Os valores glosados estão relacionados abaixo e também nas Planilhas da Ação Fiscal “Apuração do Rateio entre Bens Utilizados na Área Agrícola e no Transporte de Cana” e “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” (Anexo 05). 1. 3 OUTRAS GLOSAS DE CRÉDITOS EFETUADAS NA ÁREA AGRÍCOLA Outros créditos também foram glosados na área Agrícola, tais como o Frete de Compras, Transporte de Cana, Transporte de Pessoal e Aluguéis de Veículos, os quais se encontram apresentados em tópicos específicos, a seguir. Discorre então sobre os fretes de compras, salientando a inexistência de previsão legal para a apuração de créditos sobre tais despesas. Depois, justifica as glosas relativas a “Frete de Compras na Aquisição de Bens” e, a seguir, as glosas relativas a “Frete de Compras na Aquisição de CanadeAçúcar de Terceiros”. Na sequência, trata dos créditos glosados no transporte de cana: A empresa possui diversas fazendas onde planta canadeaçúcar que é utilizada para consumo próprio em sua unidade fabril. Uma vez colhida esta cana é transportada de seus estabelecimentos agrícolas até a sua unidade fabril. Neste processo de movimentação da matériaprima, a empresa tanto utiliza sua frota própria de caminhões e reboques como também pode utilizar serviços de terceiros. Nos dois casos tratase da mesma situação, que é o comumente chamado “frete interno”, ou seja, o transporte de matériaprima, produto em elaboração ou produtos acabados entre estabelecimentos de uma mesma empresa. E o crédito para tal tipo de transporte é totalmente vedado pela legislação e por Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.832 7 inúmeras Soluções de Consulta e Julgamento. Confiramse algumas: Cita soluções de consulta, bem como acórdãos de diversas DRJ, e conclui: Abaixo e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” (Anexo 05) e “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos”, “Serviços com Creditamento Glosado” e “Detalhamento da Apuração das Glosas em Frete de Cana: Própria e Adquirida de Terceiros” (Anexo 04) estão demonstrados os valores glosados. Prossegue (destaques no original): Em Bens Aplicados em Equipamentos e Veículos de Transporte de Cana: Óleo Diesel, Lubrificantes, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, Os critérios utilizados na segregação destes créditos foram os já expostos no item 1.2 – Bens utilizados como Insumos – Área Agrícola. (...) Em Serviços Aplicados em Equipamentos e Veículos para o Transporte de Cana: Serviços de TerceirosCaminhões, Motos e Automóveis, Manutenção e Reparo de Veículos e Equipamentos de Transporte e Frete de Cana. (...) A seguir, o AuditorFiscal discorre sobre os créditos glosados na indústria. Sustenta (os destaques são do original): Como já exposto anteriormente, enseja o creditamento a utilização de insumos na atividade de “prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (lei 10.833/03, art. 3o, II), que, no caso da empresa, é a fabricação de açúcar e álcool. No entanto, no processo de análise dos bens e serviços que a empresa considerou em sua apuração, foram identificados diversos grupos de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo da legislação do PIS/COFINS. São eles: 4.1 SERVIÇOS DE DEDETIZAÇÃO E TRANSPORTE DE RESÍDUOS Foram glosados dispêndios com Dedetização e Transporte de Resíduos, abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos” e “Serviços com Creditamento Glosado” (Anexo 04). (...) 4.2 DESINCRUSTANTES E PRODUTOS DE LIMPEZA E TRATAMENTO DE ÁGUAS Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.833 8 A empresa utiliza diversos produtos químicos na limpeza de suas instalações, com o objetivo de remover incrustações tais como a soda cáustica (desincrustante geral) e dispersolubizante (desincrustante para sistema de geração de vapor). São também utilizados produtos químicos específicos para tratamento de águas, tais como P70 e algicidas. Seguem abaixo trechos de algumas Soluções de Consulta sobre o assunto: (...) Os valores glosados estão abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05). (...) 4.3 – BENS E SERVIÇOS C/NATUREZA DE ATIVO FIXO É praxe nas Usinas de Açúcar, como também na maioria das indústrias sujeitas à sazonalidade, aproveitar o período de entressafra para a reforma e recuperação de máquinas e equipamentos. Estas reformas envolvem tanto a substituição de partes e peças como também serviços gerais de recuperação, ambos objetivando o aumento da vida útil destes bens, evitando novas aquisições. Neste processo de recuperação e na análise dos bens que compuseram o crédito pleiteado pela empresa, foi constatada a existência de partes e peças utilizadas no processo de recuperação, de alto valor unitário e com nítida natureza de ativo fixo, principalmente partes e peças de uso nas moendas, como foi o caso das bagaceiras, camisas de moedas, buchas, casquilhos e outros. A bagaceira, por exemplo, é uma peça enorme, de metros de comprimento, geralmente em ferro fundido, preço em torno de R$ 6.000,00 e vida útil bem superior a uma safra. De acordo com o art. 346 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR), deverão ser capitalizadas partes e peças, cuja substituição resultar aumento de vida útil superior a um ano da máquina ou equipamento ao qual serão integrados: “Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único).” Sobre o assunto convém destacar parte da Solução de Consulta 204: Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.834 9 (...) Ora, é evidente que, se tratando de partes e peças significativas em um equipamento, a sua substituição irá aumentar a vida útil deste equipamento. É o caso, por exemplo, da substituição ou retífica de um bloco de motor de automóvel ou de um rotor em uma bomba. Desta forma a ação fiscal buscou identificar bens de alto valor unitário, significativos e relevantes na máquina ou equipamento e que não tenham sido novamente requisitados pelo menos nos dois anos seguintes. Os valores glosados estão abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05). (...) 4.4 OUTROS BENS DIVERSOS Foram também glosadas aquisições diversas, tais como lâmpadas, fechaduras para porta, peças para arcondicionado, ferramentas, graxa e outros. Em relação ao material de construção glosado, convém ressaltar que a legislação não veda seu creditamento desde que incorporado ao bem ou instalação, onde passa a ter seu credito efetuado indiretamente através da depreciação. Sobre a graxa, que representou a glosa mais significativa, segue abaixo parte do Acórdão DRJ 02 42.382 sobre o assunto: Acórdão DRJ N° 0242.382 de 04 de fevereiro de 2013. GASTOS COM GRAXA Assim, não procede a alegação de que estaria revisto o entendimento contido na Solução de Divergência COSIT n° 12/2007, com a publicação da Solução de Divergência COSIT nº 15/2008, uma vez que, conforme acima demonstrado, ambas tratam de questões específicas diversas e, portanto, convivem perfeitamente, sem nenhuma contradição entre si. Por conseguinte, a justificativa para enquadramento da graxa como insumo, para efeito de aproveitamento de crédito por se constituir produto indispensável à realização de suas atividades cai por terra, uma vez que a citada Solução de Divergência COSIT n° 12/2007 já abordou profundamente essa questão, conforme transcrito abaixo: 18.3) Em termos técnicos, as graxas são diferentes dos óleos lubrificantes, visto que elas são tidas como uma combinação de um fluido com um espessante, resultando em um produto homogêneo com qualidades lubrificantes. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), enquanto lubrificante ou óleo lubrificante é líquido obtido por destilação do petróleo bruto, utilizados para reduzir o atrito e o desgaste de engrenagens e peças, desde o delicado mecanismo de relógio até os pesados mancais de navios e máquinas industriais, a graxa é lubrificante fluido espessado por adição de outros Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.835 10 agentes, formando uma consistência de 'gel' e tem a mesma função do óleo lubrificante, mas com consistência semisólida para reduzir a tendência do lubrificante a fluir ou vazar. Não fosse a disposição literal que se encontra no art. 3° Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003 (“bens utilizados como insumo ... na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...”), as graxas com certeza poderiam ser aqui incluídas. Entretanto, o referido artigo não contém o termo graxa e, por isso, não se pode desonerar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins. Tal ocorre porque: 18.3.1) Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre a exclusão do crédito tributário (art. 111 do CTN), de forma que o termo graxa deverá estar contemplado na lei; 18.5) Os combustíveis e lubrificantes geram direito ao creditamento não porque sejam insumos diretos de produção, mas apenas por disposição legal. (...) 19.2) Graxas. Tratase, mesmo no contexto produtivo da interessada, de insumo indireto de produção. Embora seja uma mercadoria com propriedades lubrificantes, difere dos lubrificantes, também ditos óleos lubrificantes e, por isso, deveriam constar literalmente da legislação em tela. Como tal não ocorre, também aqui se constata que não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; Os valores glosados estão abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05). O Auditor Fiscal abre então um tópico intitulado “OUTROS VALORES GLOSADOS”, que divide em vários subitens, conforme segue: 5.1 – SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE PESSOAL A empresa contrata serviços de transporte tanto para os funcionários de sua área agrícola como também para funcionários da indústria. Apesar de ser um gasto de inegável alcance social e ser aceito na legislação do imposto de renda (evidentemente se não se revestir de liberalidade...), tal dispêndio não é considerado insumo para a legislação do PIS/COFINS, pelo fato de não se aplicar diretamente ao processo produtivo. Pese ainda o fato da maior parte deste dispêndio estar relacionada à área agrícola. Sobre o assunto convém destacar as seguintes Soluções de Divergência: (...) Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.836 11 Foram os seguintes os valores glosados, também demonstrados nas Planilhas e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos” e “Serviços com Creditamento Glosado” (Anexo 4): (...) 5.2 – SERVIÇOS DE ALUGUEL DE VEÍCULOS A legislação permite o creditamento de Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, conforme Lei 10.833/03, art. 3º, IV: (...) Notese que neste caso a própria Lei usa o termo “atividades da empresa” ao contrário de outras disposições em que vincula o crédito à prestação de serviços e à produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desta forma a ação fiscal aceitou todos os valores apresentados pela empresa em sua Planilha de Serviços/Aluguel de Máquinas e Equipamentos. Inclusive aqueles relacionados à Agricultura, uma vez que, repetimos, para este tipo de dispêndio a Lei não restringiu o creditamento à produção ou fabricação de produtos destinados à venda. No entanto, e embora tivesse sido englobado no valor dos Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos informado no DACON, foram glosados os dispêndios com aluguel de automóveis e aeronaves, os quais, a própria empresa separou e discriminou em planilhas próprias e separadas das planilhas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos. Foram os seguintes os valores glosados, também demonstrados nas Planilhas “Apuração dos Valores de Aluguéis de Máquinas e Despesas de Armazenagem e Frete de Vendas” e Relatório Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, Anexo 06: (...) 5.3 –DEPRECIAÇÃO A legislação do PIS/COFINS vincula o direito ao creditamento de encargos de depreciação à utilização dos bens na prestação de serviços ou na produção de bens destinados à venda. Confirase o art. 3o da lei 10.833/03: (...) Desta forma encargos de depreciação de bens não utilizados na fabricação de produtos destinados à venda não ensejam aproveitamento de crédito. É o caso de tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana, conforme já exposto em itens anteriores. Sobre o assunto, vejamos trechos de alguns Acórdãos e Soluções de Consulta: Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.837 12 (...) Convém ressaltar que, mesmo na absurda hipótese de concessão de crédito para agricultura e transporte de cana, nem assim os valores apresentados pela empresa poderiam ser integralmente acatados, uma vez que a empresa incluiu bens do tipo “Nissan Livina”, “Mitsubshi L 200”, “Pajero TR 4” e outros, que nem com muita boa vontade, poderiam ser considerados integrantes de um processo produtivo de fabricação de açúcar e álcool. Mesmo no processo de fabricação do açúcar e do álcool também foram encontrados bens que, que embora alocados fisicamente na área industrial, não se enquadram no conceito de utilização na fabricação de bens destinados à venda, como por exemplo, bomba centrífuga na casa de hóspedes, quadro de distribuição de energia do banheiro industrial, roupeiro em aço, águas residuais, betoneira, ferramentas manuais, splits, ar condicionado, escadas, e outros. (...)O detalhamento dos itens glosados está demonstrado na Planilha “Apuração das Glosas em Depreciação” e “Apuração dos Valores de Encargos de Depreciação e Ajustes Negativos”, Anexo 06. 5.4. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE DE VENDAS A maior parte da produção de açúcar da empresa é destinada e transferida para os armazéns da CRPAAALCooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas, onde fica armazenada aguardando uma futura venda. Esta situação ficou evidenciada através da Diligência efetuada na CRPAAAL, em que esta foi intimada a apresentar os recebimentos de açúcar da Usina Triunfo (Anexo 1 Termos da Ação Fiscal). Na resposta apresentada (Anexo 3 Cartas e Respostas da Empresa e Diligências) , vêse claramente que a maior parte do açúcar foi destinada aos armazéns da Cooperativa. Mesmo boa parte do açúcar destinado à exportação também não foi transferida diretamente ao Porto de Maceió, mas sim a um armazém da Cooperativa em Marechal Deodoro, onde ficou armazenada até o seu transporte ao Porto. Para confirmar esta situação, o Porto de Maceió, através da EMPATEmpresa Alagoana de Terminais Ltda, também foi diligenciado no sentido de informar os recebimentos de açúcar para exportação da Usina Triunfo. Na resposta apresentada (Anexo 3 Cartas e Respostas da Empresa e Diligências), a EMPAT discriminou todos os recebimentos de açúcar, datas, quantidades e transportadora. Constatouse que a maior parte do açúcar foi transportado através da “Transportadora Padre Cícero” que nem sequer foi relacionada dentre os Fretes de Venda com direito a crédito informados na Planilha apresentada pela Usina Triunfo (Anexo 2 Planilhas Apresentadas pela Empresa Serviços). Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.838 13 Ou seja, açúcar transportado dos armazéns da Cooperativa para o Terminal da EMPAT. Nesta situação fica claro que não existe nenhuma vinculação entre o frete e a venda. Tanto assim, que não há, no Conhecimento de Transporte, nenhuma indicação de quem seja o cliente da mercadoria. Na realidade tratase de “frete interno” ou “frete logístico”, ou ainda “frete para formação de estoque”, o qual não apresenta qualquer relação com a efetiva operação de venda. Sobre o assunto já foram emanadas diversas Soluções de Consulta, cujos trechos de maior interesse abaixo transcrevemos: (...) E mesmo para os demais fretes de vendas, ao cotejar a Planilha de Fretes de Venda apresentada pela empresa com as informações recebidas nas Diligências, constatouse ainda que: • A Usina Triunfo se creditou de fretes de transportadoras que não foram relacionadas dentre as transportadoras que entregaram o açúcar no Terminal da EMPAT, como por exemplo, A J B Transportes e Sandoval F de Moraes. • E mesmo dentre as transportadoras relacionadas, foram verificadas discrepâncias, como por exemplo o fato de a Usina Triunfo ter se creditado de fretes da “R de Oliveira Transportes” desde início de 2009 quando, de acordo com informações da EMPAT, tal empresa só começou a realizar entregas no Porto a partir de Setembro de 2009. Também foram verificados alguns fretes de transportadoras dos quais a Usina Triunfo se apropriou de créditos, não compatíveis com as informações de datas e quantidades fornecidas pela EMPAT/CRPAAA. Foram os seguintes os valores glosados, também demonstrados nas Planilhas “Apuração dos Valores de Aluguéis de Máquinas e Despesas de Armazenagem e Frete de Vendas” e Relatório Despesas de Armazenagem e Frete de Vendas Creditamentos Glosados, Anexo 06: (...) O AuditorFiscal apresenta então um tópico intitulado “APURAÇÃO DOS VALORES DO CRÉDITO”, no qual esclarece: Como resultado das glosas efetuadas foram apurados novos valores de crédito, demonstrados na Planilha “Resumo da Apuração dos Créditos” e “Apuração dos Valores dos Créditos Passíveis de Ressarcimento”, Anexo 07. (...) O valor correto apurado para o Pedido de Ressarcimento em questão totalizou R$ 282.425,34 (duzentos e oitenta e dois mil quatrocentos e vinte e cinco reais e trinta e quatro centavos). As glosas de crédito totalizaram R$ 500.211,88 (quinhentos mil Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.839 14 duzentos e onze reais e oitenta e oito centavos) correspondente ao somatório dos valores indevidamente solicitados. Por fim, apresenta uma “Relação de Anexos”. Cientificada do Despacho Decisório por via postal em 15/12/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 48, no dia 09/01/2015 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/07. Após breve resumo do objeto da manifestação de inconformidade, a contribuinte passa a contestar as glosas efetuadas alegando, inicialmente, que a autoridade fiscal teria se equivocado na glosa dos créditos. Transcreve o caput e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e sustenta: É claro o dispositivo em comento ao prever a possibilidade de utilização pelo contribuinte de créditos calculados sobre os bens e serviços utilizados como insumos da produção de bens. No caso em questão, resta incontroverso que a Manifestante exerce atividade agroindustrial, consistente no cultivo da cana de açúcar e sua transformação em açúcar e álcool. Assim, os gastos com a aquisição de bens e as despesas incorridas no processo produtivo da Manifestante geram o direito à apropriação do crédito a título de COFINS não cumulativa. Analisandose o despacho decisório ora combatido, observase que a decisão combatida, ao glosar diversos créditos utilizados pela Manifestante, ignorou as especificidades da atividade agroindustrial por ela desenvolvidas, cindindo, de forma absurda, as atividades agrícolas e industriais, com o único propósito de impedir a plena fruição dos créditos que a legislação tributária assegura ao contribuinte. Com efeito, a grande controvérsia estabelecida no Despacho Decisório está em saber se a Manifestante poderia apropriarse de créditos a título de COFINS não cumulativa pelas despesas relacionadas a insumos pertinentes à etapa de cultivo da cana de açúcar que será utilizada como matéria prima no processo de industrialização. A resposta, por óbvio, só pode ser positiva. Mas não se consegue chegar à resposta sem a exata compreensão do que seja atividade agroindustrial. E foi esse o equívoco em que incorreu o despacho decisório aqui impugnado. Passa então a discorrer sobre “atividade agroindustrial”. Além de invocar, neste sentido, o art. 22A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho 2006, salienta que “a própria Receita Federal, em seus atos normativos, reconhece que a atividade desenvolvida pela Manifestante se enquadra na categoria de ‘agroindustrial’, não se confundindo com a Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.840 15 atividade agropecuária nem com a atividade industrial em sentido estrito”. Prossegue (os destaques são do original): Resta demonstrado, portanto, que a pessoa jurídica, como sucede com a Manifestante, "cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros" enquadrase no conceito de agroindústria. Essa premissa é fundamental para que se compreenda o direito creditório da Manifestante, que foi absurdamente glosado no despacho decisório aqui impugnado. A atividade agroindustrial, por imposição da definição dada pelo art. 22A, caput, da Lei n° 8.212/91, abrange a industrialização da produção própria ou de terceiros. Portanto, tratandose de produção própria, as despesas incorridas na lavoura, plantio, conservação, aplicação de herbicidas, adubação, além de outras geram direito ao crédito da COFINS não cumulativa, de que trata o art. 3o da Lei n. 10.833/03. Alega que o entendimento adotado pela fiscalização criaria uma situação antiisonômica, pois a aquisição de matéria prima, no caso, canadeaçúcar, de terceiros daria origem ao crédito presumido da Cofins, enquanto a produção da matériaprima pela própria industrializadora não seria beneficiada com o creditamento. Acrescenta: Assim, usinas de açúcar que predominantemente adquirissem canas de açúcar através de terceiros (fornecedores) gozariam de uma situação fiscal muito mais favorecida (em razão do crédito presumido gerado nessa aquisição) em relação às usinas que optassem por investir na produção própria da matériaprima (as quais não teriam direito ao crédito de insumos, segundo o despacho decisório ora questionado). Revelase, também por esse motivo, inaceitável a glosa efetuada no despacho decisório ora questionado. A subdivisão ilegal (porque colide frontalmente com o disposto no art. 22A, caput, da Lei n. 8.212/91) promovida pelo despacho decisório entre a fase agrícola e a fase industrial de uma agroindústria, como se pudessem ser seccionadas para fins de apropriação das despesas da Manifestante, gerou a glosa equivocada. Todas as despesas que integram a fase agrícola, envolvendo aí, mas não somente: o tratamento do solo, plantio, manejo e colheita representam insumos para o processo fabril do açúcar e do álcool. Não há como a empresa Manifestante produzir açúcar e álcool sem promover os tratos culturais, plantio e demais trabalhos sobre a lavoura da canadeaçúcar, que é sua matéria prima fundamental. Essas etapas integram o seu processo produtivo e não poderiam ser seccionadas, como equivocadamente o fizera o Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.841 16 despacho decisório em questão, exclusivamente com o propósito de glosar os créditos fiscais que a Lei n. 10.833/03, em seu art. 3o, já assegura ao contribuinte. Depois a contribuinte passa a alegar o direito à apuração de créditos sobre todas as suas despesas incorridas na área agrícola, bem como com transporte de pessoal, transporte de matériaprima, etc, uma vez que se trata de atividades essenciais ao seu processo produtivo: O mesmo sucede em relação aos custos com frete, serviços de transporte de pessoal, serviços de dedetização, transporte de resíduos, serviços de manutenção e reparo dos equipamentos agrícolas, e todos os demais serviços utilizados como insumos na área agrícola pela empresa. De fato, seria inimaginável que a Manifestante cultivasse a matériaprima fundamental por ela produzida (canadeaçúcar) e deixasse de realizar o transporte do que foi colhido para as suas caldeiras, a fim de iniciar o processamento fabril. As diversas despesas com transporte (aí incluindo o transporte dos trabalhadores que precisam ser deslocados entre as diversas fazendas onde se situam os canaviais, assim como o transporte do produto colhido do campo para a indústria) são essenciais ao processo produtivo e integram a base de cálculo do crédito previsto no art. 3o da Lei n. 10.833/03. Não se pode supor que esses custos seriam supostamente "indiretos", isto é, não integrariam o processo produtivo, pois, como visto, a premissa equivocada de que se partiu no despacho decisório para glosa dos créditos informados nas declarações de compensação foi a de que os custos incorridos na fase agrícola seriam desprezíveis. Afirma ainda: Como se demonstrou, o despacho decisório partiu da premissa de que a Manifestante exerceria atividade industrial, quando, na verdade, exerce atividade agroindustrial! A atividade do contribuinte deve ser vista como um todo único e indivisível, segundo a própria definição extraída do art. 22A, caput, da Lei n. 8.212/91. Notese que uma simples interpretação literal do art. 3o, II, da Lei n° 10.833/03, que alude a insumos aplicados na “produção ou fabricação” de bens e serviços destinados à venda, fica claro que a lei contemplou com o direito de crédito tanto a “produção” quanto a “fabricação”. Por fim, a contribuinte conclui: Diante das considerações acima aduzidas, vem a Manifestante, respeitosamente, à presença de V. Exa, requerer seja reformado o despacho decisório exarado nos autos do processo n° Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.842 17 10410.901.855/201312, reconhecendo em favor da Manifestante a totalidade dos créditos informados no PER 16925.76527.191011.1.1.092805 e nas DCOMP’s a ele correspondentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP por intermédio da 11ª Turma, no Acórdão nº 1464.827, sessão de 23/03/2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da Cofins nãocumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e de álcool produzidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os mesmos argumentos para pleitear o deferimento integral dos valores que constam do pedido de ressarcimento e homologação de todas as declarações de compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.843 18 Considerações Iniciais No mérito, consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento da integralidade de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, cultivo e colheita de canadeaçúcar com fins à produção de álcool e açúcar, este destinado principalmente à exportação. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. A autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que a contribuinte limitouse apenas à contestação das glosas como um todo, sem apresentar nenhum questionamento quanto aos cálculos apresentados pela autoridade fiscal. De fato, na manifestação de inconformidade e agora em recurso voluntário, a contribuinte, no mérito, insurgese quanto ao procedimento fiscal que glosou os créditos apropriados com os dispêndios relacionados aos insumos da fase agrícola, e mais; para a recorrente, todas as despesas incorridas e sua atividade econômica geram crédito a serem descontados das contribuições. Não se trata de uma contestação genérica. A recorrente pretende o reconhecimento dos créditos de insumos na fase agrícola, tal como a fiscalização concedera na atividade de produção de açúcar/álcool (desde que obedecidos os requisitos legais). Outrossim, resta claro nos autos que se pretende créditos com todas as despesas incorridas no âmbito de sua atividade econômica. Assim, incumbe a este Colegiado decidir acerca da possibilidade da recorrente apropriarse dos créditos nas aquisições de bens e serviços vinculados à atividade agrícola plantio, cultivo e colheita da principal matériaprima (canadeaçúcar) dos produtos fabricados e destinados à venda. De outra banda, devese decidir no tocante à extensão dos dispêndios que a legislação de regência permite a apropriação dos créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Os dispositivos dos incisos e parágrafos do art. 3º da Lei nºs 10.637/03 (PIS/Pasep) e da Lei 10.833/03 (Cofins) são suficientes para decidir o litígio. De ressaltar, contudo, que este voto devese ater apenas aos elementos que constam nos autos com fins à confrontação da descrição do dispêndio, sua correlação com o Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.844 19 centro de custo relacionado à natureza da atividade e o motivo da glosa efetuada pela autoridade fiscal. Passemos às matérias em litígio. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.845 20 ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.846 21 [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.847 22 Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Créditos com insumos na fase agrícola Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.848 23 Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, cultivo e colheita da canadeaçúcar guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo do açúcar e do álcool e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com bens e serviços utilizados como insumos na etapa agrícola, do plantio à colheita da canadeaçúcar, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Análise das glosas na fase agrícola A fabricação de açúcar e álcool e a produção de canadeaçúcar são processos indissociáveis de forma que os custos e despesas com a cultura de canadeaçúcar e seu transporte até a unidade de fabricação do açúcar e do álcool enquadramse no conceito legal de insumo desta fabricação. A autoridade fiscal glosou créditos lançados pela contribuinte e relacionados ao cultivo da canadeaçúcar que, posteriormente, serviria à produção própria de açúcar e álcool. Segundo a autoridade fiscal, tais créditos foram apurados indevidamente por não terem sido, os bens e serviços, diretamente empregados na fabricação do açúcar e do álcool. Nenhum outro fundamento foi assentado para glosa. A posição adotada por este Colegiado para considerar custos e despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo (fase agrícola) de forma essencial e necessária implica reconhecer os dispêndios com aquisições de bens e serviços, com a observação a seguir. Dessa forma revertemse as glosas de créditos com custos e/ou despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor da depreciação (e não de despesas), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: Tópico "1.1 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA" Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação. Serviços de Lavagem de RoupaHerbicidas Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação. Tópico "1. 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA" Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.849 24 Aquisição de bens (Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção) utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas Fretes na fase agrícola Na atividade industrial, conquanto não haja expressa previsão legal à tomada de crédito nas despesas com frete na aquisição de insumos, a interpretação que se dá ao art. 3º, I e § 1º, I das Leis 10.637/02 e 10.833/03 cumulada com o art. 290 do RIR/1999 possibilita o entendimento de que é legítima a apropriação dos créditos do PIS e das Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de bens a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Os textos legais: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...); (...) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; (...) De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, sendo o bem transportado um insumo com direito a credito, também o será o gasto com transporte, se suportado pelo adquirente e pago à pessoa jurídica. Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.850 25 Portanto, revertemse as glosas do Tópico "1. 3 OUTRAS GLOSAS DE CRÉDITOS EFETUADAS NA ÁREA AGRÍCOLA" relacionadas: Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana) Análise das glosas na fase industrial (produção de açúcar e álcool) As glosas de gastos com bens e serviços descritos a partir do item "4.1" a "4.4" do Relatório Fiscal tiveram fundamento na ausência de enquadramento no conceito de insumo. Como relatado linhas acima, a contribuinte não questiona o conceito de insumo empregado pelo Fisco e tampouco asseverou seu próprio entendimento, apenas pretende crédito de todos os gastos incorridos em sua atividade empresarial. Nada obstante, a descrição de alguns dos dispêndios permite concluir pela sua essencialidade ou relevância face à atividade industrial desenvolvida. Dessa forma revertemse as glosas relativas a: Transporte de resíduo industriais Serviço de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; Produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; Produtos químicos específicos para tratamento de águas. Outros bens e serviços pretensamente utilizados nas atividades industriais carecem de comprovação, ônus do qual não se desincumbiu a recorrente. Glosas de Despesas Os dispêndios com serviços de transporte de pessoal carecem de previsão legal para o aproveitamento do crédito. Quanto aos automóveis e aeronaves alugados não se tem comprovação de uso como equipamento nas atividades da empresa, mantendose a glosa com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03. Encargos de depreciação Os mesmos fundamentos para a reversão das glosas de gastos com bens utilizados na etapa agrícola são válidos para a manutenção do crédito com encargos de Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.851 26 depreciação de tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana. Mantémse as glosas de créditos dos demais encargos de depreciação de veículos e bens não utilizados nas etapas produtivas e de fabricação. Produtos acabados Armazenagem e frete na venda A fiscalização glosou os créditos com despesas de armazenagem e frete pois entendeu restar descaracterizada a operação de venda a cliente. Segundo a autoridade fiscal, a inexistência de informação do clienteadquirente nos documentos fiscais bem como a entrega do açúcar fabricado em locais que não identificam a venda/exportação, no caso o porto de embarque, revelam uma mera operação de “frete interno” ou “frete logístico”, ou ainda “frete para formação de estoque”, o qual não apresenta qualquer relação com a efetiva operação de venda. Discordo do entendimento fiscal. A legislação referente ao PIS/PASEP (Lei nº 10.637/2004) e a COFINS (Lei nº 10.833/2003) tratam da possibilidade de creditamento do frete como insumo no processo produtivo e na operação de venda (suas etapas) quando o ônus for suportado pelo vendedor, como dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A operação de venda não se revela simplesmente pela saída do produto acabado do estabelecimento industrial diretamente ao adquirente ou embarque para exportação. No caso, a operação de venda comporta uma logística de transporte e armazenagem do açúcar fabricado, caracterizandose necessários à atividade final de venda. Dessa forma, não se pode admitir que as transferências do produto fabricado restringemse a uma mera opção de logística ou comercial, mas essencial e necessários à preservação dos produtos até que se complete a atividade final de venda. Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.852 27 Neste sentido é o entendimento deste Colegiado no Acórdão nº 3201 004.279, sessão de 23/10/2018, cujo voto vencedor na matéria é de lavra do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que transcrevo na parte que interessa a este julgamento: [...] No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda.. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. Outrossim, as discrepâncias entre quantidades e datas nos conhecimentos de transporte ou documentos do armazenador não desnaturam a operação como de armazenagem e frete de venda, com direito ao aproveitamento do crédito a teor do inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Com essas considerações, concedese o creditamento dos fretes de produtos acabados, em que o ônus é suportado pelo vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País à vista de documento fiscal hábil e idôneo. Por fim, a ausência de refutação específica as todas os demais dispêndios (insumos ou despesas) glosados e diante da não apresentação de documentação comprobatória, mantémse as glosas efetivadas pela autoridade fiscal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria, exclusivamente quanto a: 1. Serviços utilizados como insumos na fase agrícola (itens "1.1" e "1.3") 1.1 Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de lavagem “roupasHerbicidas”; 1.2 Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; 1.3 Fretes de compras (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); 1.4 Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana) Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10410.901855/201312 Acórdão n.º 3201005.298 S3C2T1 Fl. 1.853 28 2. Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2") 2.1 Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas. 3. Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") 3.1 Transporte de resíduos industriais; 3.2 Serviços de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; 3.3 Produtos químicos, desde que utilizados na limpeza de instalações industriais; e 3.4 Produtos químicos específicos para tratamento de águas. 4. Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e 5. Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas (à vista de documento fiscal hábil e idôneo). (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1853DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720212/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-000.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 21 2/ 20 08 -3 7 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13971.720212/200837 Resolução nº 2401000.729 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório KARSTEN S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente da glosa da área de preservação permanente por não restar comprovada e arbitramento do valor da terra nua VTN. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, motivo pelo qual adoto o relatório da DRJ, vejamos: 9.1. Em A — Nulidade da Notificação Fiscal, alegou cerceamento do direito de defesa com o argumento de ausência de base legal na NL e de elementos indispensáveis exata compreensão da exigência, bem como questionou a alteração do VTN com base no SIPT, por se tratar de sistema de acesso restrito apenas a servidores da Receita Federal, e que nem a base de cálculo foi indicada pela fiscalização, pois, a NL apontou apenas o VTN já calculado, não sendo informado qual seria o valor por hectare arbitrado para o imóvel, bem como observou que o lançamento deve necessariamente determinar a matéria tributável. 9.2. B — Caberia ao Fisco comprovar que seria incorreta a declaração de ITR apresentada pela impugnante. Discordou de que a contribuinte deveria ter comprovado os dados glosados, afirmando que, na realidade, a fiscalização é quem deveria ter comprovado eventual incorreção das declarações. Alongouse nesta questão destacando, inclusive, a base legal que dispensa a prévia comprovação das áreas isentas declaradas e finalizou este item afirmando que a NL deve ser cancelada, haja vista que o Fisco não comprovou a ocorrência de qualquer fato gerador em relação à impugnante. 9.3. C — A declaração do ITR não depende de comprovação. Neste item, praticamente, reiterou as razões constantes do item anterior. 9.4. Na seqüência dos 10 itens, reproduzindo pareceres doutrinários e jurisprudência que tratam de assunto similar, a impugnante prosseguiu em sua discordância afirmando que não houve questionamento, por parte do Fisco, da existência da APP e AUL ou VTN do imóvel, resumindose o lançamento na ausência de comprovação por parte da interessada, não sendo nem mesmo alegado que seriam improcedentes Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13971.720212/200837 Resolução nº 2401000.729 S2C4T1 Fl. 4 3 as informações constantes na declaração, sendo flagrante a insubsistência da NL. (...) 9.6. E — A averbação no Registro de Imóveis não é condição à isenção. Como o titulo indica, questionou a exigência da averbação da ARL e, entre outros argumentos, reiterou a não necessidade de prévia comprovação da declaração. 9.7. F — A Area de Reserva Legal é aquela indicada no laudo técnico. Aqui tratou das areas atestadas no laudo e que, independentemente de qualquer averbação, toda a ARL existente no imóvel deve ser considerada isenta do ITR e, sob este aspecto, a NL merece ser cancelada. (...) 9.9. H — O VTN é aquele declarado pela contribuinte. Acrescentou que o VTN do imóvel é exatamente aquele declarado e que não sabe como foi apurado o VTN arbitrado, exageradamente elevado, e que, seguramente, não é compatível com as características e particularidades do imóvel da impugnante, que, além de se localizar na área rural de uma pequena cidade do interior de Santa Catarina, apresenta uma série de restrições ao seu efetivo aproveitamento, como consta do laudo técnico. 9.10. Na seqiiencia, sob títulos específicos, alegando, entre outros, inconstitucionalidade, questionou Da progressividade das aliquotas, Inconstitucionalidade da multa e, a utilização da Taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) para cálculo dos juros de mora. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13971.720212/200837 Resolução nº 2401000.729 S2C4T1 Fl. 5 4 Com efeito, dentre outras alegações, a contribuinte pretende seja decretada a nulidade do lançamento, uma vez que não foram fornecidas informações indispensáveis referentes aos critérios utilizados no arbitramento do VTN. Pois bem! De fato, verificase que apesar de constar dos autos as informações disponíveis no SIPT, foi vislumbrado divergência entre o valor do vtn arbitrado e o constante da "tela SIPT" anexa e, em relação a localização do imóvel. Existe a informação acerca do SIPT utilizado no Termo de Intimação Fiscal, constando apenas o valor considerado pela autoridade lançadora, o qual, como já dito, diferente do constante do documento anexado. De fato, restando clara a divergência nos autos sobre as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, que foram utilizadas pela autoridade fiscal para proceder o arbitramento contestado pela recorrente. Dessa forma, dada a argumentação da contribuinte e, ainda que as informações do SIPT são indispensáveis para o deslinde da questão, devem os autos serem baixados em diligência para: I. A autoridade competente anexe aos autos as informações do SIPT para o exercício em análise que embasaram o procedimento fiscal em apreço, assim como junte também a declaração de ITR (DITR). II) A autoridade competente explicite a origem do valor utilizado para arbitramento do VTN, bem como explicite a divergência entre o valor arbitrado e o constante da tela sipt; III) Confirme se o municipio da localização do imóvel que consta da localização é o mesmo dos documentos de registro/matrícula, assim como o municipio que serviu de parametro para o VTN arbitrado; IV) se existe o sipt para o período em questão para o município de localização do imóvel e, caso existente, anexe aos autos a tela do SIPT; Após tais providências e ciência ao contribuinte, devem os autos retornar a este colegiado, devidamente instruídos com as peças que confirmam as informações prestadas, para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos encimados, devendo ser oportunizado ao contribuinte se manifestar a respeito do resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias, se assim entender por bem. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001571/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS COM RECIBOS ACOSTADOS AOS AUTOS CABIMENTO DA DEDUÇÃO O único óbice aventado pela fiscalização para rejeitar os recibos das despesas
médicas foi a ausência de identificação do beneficiário dos serviços e/ou o endereço dos profissionais emitentes. Na via recursal, o recorrente trouxe declarações dos prestadores contendo as citadas informações. Superado o óbice, é de se deferir a dedução das despesas médicas na declaração de renda do recorrente.
Numero da decisão: 2101-001.887
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Na via recursal, o recorrente trouxe declarações dos prestadores contendo as citadas informações. Superado o óbice, é de se deferir a dedução das despesas médicas na declaração de renda do recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 55/58) interposto em 09 de fevereiro de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), (fls. 46/48), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de janeiro de 2010 (fls.53), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 05/11, lavrado em 27 de fevereiro de 2007, em decorrência de dedução indevida a título de despesas médicas, no valor de R$ 5.531,58, mais acréscimos legais, no exercício de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS Restabelecemse as deduções glosadas quando demonstrado nos autos, por meio de documentos hábeis e idôneos, que o contribuinte faz jus ao benefício. Não são aceitos como prova recibos que não identificam os beneficiários dos serviços médicos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 55/58), onde faz anexar novos recibos contendo declaração dos profissionais prestadores e, por fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 61, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.001571/200741 Acórdão n.º 2101001.887 S2C1T1 Fl. 2 3 O contribuinte apresentou a declaração de ajuste de ajuste do exercício de 2003, com irregularidades, e foi autuada sofrendo glosas relativas às despesas médicas. O julgador a quo manteve glosas relativas à determinadas despesas entendidas como não comprovadas. No voluntário, o recorrente requer homologação das despesas pagas à Maria Verli M. Eyer de Araújo e de Maria Eleonora Erthal Perecmanis, no montante de R$ 16.620,00, carreando aos autos declarações dos citados profissionais, onde é identificado o beneficiário e o endereço dos prestadores. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. No voluntário, o recorrente requer homologação das despesas pagas à Maria Verli M. Eyer de Araújo e de Maria Eleonora Erthal Perecmanis, carreando aos autos declarações dos citados profissionais, onde é identificado o beneficiário e o endereço dos prestadores(fls. 57/58). Considero que as provas apresentadas superam os limites levantados pelo julgador de 1a instância, pelo que considero comprovadas essas despesas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer deduções de despesas médicas no valor de R$16.620,00. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000997/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N° 01.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF n° 1).
Numero da decisão: 2401-006.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N° 01. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF n° 1).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N° 01. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF n° 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 09 97 /2 01 0- 14 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13827.000997/201014 Acórdão n.º 2401006.576 S2C4T1 Fl. 75 2 Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 41/47). Pois bem. O contribuinte acima identificado insurgiuse contra a Notificação de Lançamento de fls. 18 a 21, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2.007 (anocalendário 2.006). Foi solicitada SRL e emitida nova Notificação de Lançamento, fls. 24 a 27, face à qual o interessado apresentou a impugnação de fl. 03 em 17/12/2010. O lançamento em foco, resultante da SRL, apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, no valor de R$ 85.118,40, cuja fonte pagadora foi o INSS, e foi apurado crédito tributário no valor de R$ 44.984,51 (fl. 24). O impugnante admitiu a omissão de rendimentos, mas pediu que os rendimentos fossem tributados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, com cálculo mensal e não anual (fl. 03). Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), por meio do Acórdão nº 1660.057 (fls. 41/47), de 06/08/2014, cujo dispositivo considerou a impugnação improcedente, excluindo, porém, de ofício, parte dos rendimentos incluídos no lançamento, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 MAJORAÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. DA DETERMINAÇÃO DO RENDIMENTO TRIBUTÁVEL DECORRENTE DA INTERPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL DE REVISÃO DE APOSENTADORIA. DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. O rendimento recebido em função de interposição de ação judicial de revisão de aposentadoria, que deve ser objeto de tributação na declaração de ajuste anual, é aquele obtido antes da exclusão do imposto de renda retido na fonte, cuja dedução, informada em campo próprio da declaração de ajuste anual, só será efetuada após o cálculo do imposto devido. Face aos elementos constantes dos autos, excluise, de ofício, parte dos rendimentos tributáveis incluídos no lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13827.000997/201014 Acórdão n.º 2401006.576 S2C4T1 Fl. 76 3 1. Em relação à omissão de rendimentos apurada pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, o contribuinte concorda expressamente, mas pede que os rendimentos sejam tributados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, com cálculo mensal e não anual (fl. 03). 2. Às fls. 12 e 34 encontramse um demonstrativo e o espelho da DIRF que confirmam o valor bruto e o do imposto retido na fonte, bem como discriminam os valores do 13º salário. 3. O rendimento bruto que deve ser submetido à tributação na declaração de ajuste anual é aquele obtido antes da exclusão do valor do imposto retido na fonte, cuja dedução deve ser informada em campo próprio da declaração de ajuste anual e só será efetuada após o cálculo do imposto, conforme disposto no artigo 12, V, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. 4. Em se tratando de rendimentos percebidos em função de ação judicial, é preciso observar o art. 12 da Lei nº 7.713/1988. 5. Os documentos comprovam que o valor efetivamente recebido pelo interessado do INSS foi R$ 90.739,36 e o imposto retido na fonte foi de R$ 103,41. A omissão de rendimentos foi, portanto, de R$ 75.566,00 (R$ 90.739,36 – R$ 15.173,36, este último valor já declarado – fl. 14). Ressaltese que a tributação do 13º salário é exclusiva na fonte e que a consignação não é despesa dedutível do imposto de renda, por falta de previsão legal. 6. Chama a atenção o valor do imposto retido na fonte, muito baixo frente ao rendimento recebido no mês de junho, de quase oitenta mil reais. Talvez tenha havido erro por parte do INSS ao calcular o valor do imposto retido na fonte ou parte do valor tenha sido considerada isenta do imposto de renda. Porém, com os documentos constantes dos autos, não é possível saber ao certo. Ao contrário, de acordo com a DIRF de fl. 34, a totalidade dos rendimentos informados no mês de junho é sujeita ao imposto de renda. Caso o interessado disponha de documentos em sentido diverso, pode apresentálos em recurso ao CARF. 7. Os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento, com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com a ação judicial, necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. 8. Assim sendo, o cálculo do imposto deve ser revisto, de acordo com o demonstrativo de cálculo do imposto à fl. 47. 9. Desta feita, por todo o exposto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, excluindo, porém, de ofício, parte dos Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13827.000997/201014 Acórdão n.º 2401006.576 S2C4T1 Fl. 77 4 rendimentos incluídos no lançamento, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido, conforme demonstrativo de crédito tributário à fl. 47. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 52/53), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. Em 18/01/2011, o contribuinte ingressou com ação perante a justiça especializada com base nos mesmos fatos e direitos apresentados na referida impugnação, pleiteando, em apertada síntese, não incidência de imposto de renda sobre as parcelas do benefício previdenciário pago acumuladamente com atraso. b. Assim sendo e pelo todo exposto, objetivando a não ocorrência de atos desnecessários, principalmente em relação ao encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva, pois, advindo decisão judicial transitada em julgado, somente esta persistirá, em face da prevalência da coisa julgada e da jurisdição única; requer seja aguardado o trânsito em julgado, para que se proceda à revisão/retificação das declarações de imposto de renda pessoa física, de modo a alocar as prestações previdenciárias relativas a cada um dos meses abrangidos pelo pagamento acumulado, adicionandoas aos demais rendimentos do trabalho percebidos pela parte autora nos respectivos anoscalendário, refazendo toda a situação patrimonial do contribuinte e se apure eventualmente, em cada um dos respectivos anoscalendário, a existência de imposto a restituir. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo. Sobre os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72, é preciso pontuar o que segue. Conforme pontuado pelo próprio recorrente, “em 18/01/2011, o contribuinte ingressou com ação perante a justiça especializada com base nos mesmos fatos e direitos apresentados na referida impugnação, pleiteando, em apertada síntese, não incidência de imposto de renda sobre as parcelas do benefício previdenciário pago acumuladamente com atraso”. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13827.000997/201014 Acórdão n.º 2401006.576 S2C4T1 Fl. 78 5 Consta nos autos (fls. 54/66), o acompanhamento processual e cópias da sentença e do acórdão. Cabe pontuar que a existência de ação judicial implica na renúncia da discussão no âmbito do contencioso administrativo, quando a ação judicial tiver por objeto “idêntico pedido”, sobre o qual verse o processo administrativo (art. 126, § 3°, da Lei n° 8.213/91). É ver o que diz a Súmula CARF n° 01, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Se a impugnação tratar de matéria diversa da ação judicial, o sujeito passivo terá direito a contencioso administrativo para apreciação da matéria diferenciada. Contudo, não é essa a hipótese dos autos, eis que, pela análise da petição inicial da Ação Anulatória (fls. 41/51) e da Impugnação/Recurso apresentados pelo contribuinte, não vislumbro matéria diferenciada no âmbito do presente processo administrativo. Por fim, esclareço que a observância de eventual decisão favorável ao contribuinte, transitada em julgado, é de responsabilidade da Unidade da Receita Federal do Brasil, com competência funcional para a execução do presente Acórdão. Conclusão Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão de concomitância com ação judicial. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902415/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 15 /2 01 4- 01 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10580.902415/201401 Acórdão n.º 3401005.849 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10580.902415/201401 Acórdão n.º 3401005.849 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.523. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10580.902415/201401 Acórdão n.º 3401005.849 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10580.902415/201401 Acórdão n.º 3401005.849 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10580.902415/201401 Acórdão n.º 3401005.849 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10580.902415/201401 Acórdão n.º 3401005.849 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10580.902415/201401 Acórdão n.º 3401005.849 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10580.902415/201401 Acórdão n.º 3401005.849 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 13956.720213/2013-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-001.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 16.200,00, excluindo-se, por consequência, o crédito tributário correspondente, e mantendo-se a glosa das despesas no valor de R$ 3.000,00 pelas razões explicitadas no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 16.200,00, excluindose, por consequência, o crédito tributário correspondente, e mantendose a glosa das despesas no valor de R$ 3.000,00 pelas razões explicitadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 72 02 13 /2 01 3- 37 Fl. 116DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual DAA. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.280,00, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido apresentado comprovação suplementar aos recibos de prestação de serviços profissionais de despesas médicas. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação outra e além dos recibos apresentados no momento da verificação fiscal e juntados aos autos, como segue: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2011, por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/Maringá. Após a revisão da declaração, foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 5.280,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A glosa do valor de R$ 19.200,00, corresponde à dedução indevida a título de despesas médicas. Registrese que no quadro da NL aparece no lugar do nome de Andreia Sefrian Martins o nome de Aline Moreno de Camargo (em duplicidade). Isso porque a contribuinte inseriu o CPF de Aline no lugar do CPF de Andréa. Todavia, em fls. 03 da NL, consta a descrição detalhada da glosa com o nome correto das prestadoras de serviço e respectivos valores glosados. Tratase de lançamento decorrente Dedução Indevida de Despesas Médicas. A contribuinte impugna as glosas motivadas pela falta de comprovação do efetivo pagamento, alega que já havia apresentado a documentação comprobatória e que pagou a maioria das despesas em dinheiro. Em que pese não faça menção à glosa com a nutricionista em sua impugnação, como a contribuinte junta documentação comprobatória referente a essa despesa, a glosa não foi considerada matéria não impugnada. O direito à dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está previsto no art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda/99 (RIR/99), que assim dispõe: (...) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13956.720213/201337 Acórdão n.º 2001001.280 S2C0T1 Fl. 117 3 Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. O primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal, é exatamente o pagamento das despesas médicas. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. No entanto, é licito à autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. Dessa forma, fundamentado o lançamento na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, não basta ao contribuinte apresentar os recibos e as declarações dos profissionais, pois é preciso comprovar a relação entre a prestação do serviço e o pagamento (desembolso) efetivamente realizado. A contribuinte havia sido intimada a comprovar a efetividade dos serviços e o efetivo pagamento das despesas com Meire Aparecida Gonçalves, Josiane Danezi Gonçalves Andreia Sefrian Martins e Aline Moreno de Camargo, conforme Termo de Intimação de fls. 25. Porém, a fiscalização entendeu que não havia correspondência entre as datas e valores dos recibos com as datas e valores dos documentos apresentados para comprovar o efetivo pagamento e glosou as despesas. Por ocasião da impugnação, a contribuinte afirma que os documentos apresentados eram suficientes para comprovar as despesas, as declarações comprovariam o serviço e os extratos (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, fls. 53/70) os pagamentos. Afirma que a maioria das despesas foram pagas em dinheiro. A análise da documentação será realizada por meio da planilha a seguir: (...) Registrese que, para fins de comprovação do efetivo pagamento, adotouse o seguinte critério: saques realizados com até três dias antes da data dos recibos e com valores maiores ou iguais aos dos recibos. Não foram levados em conta os cheques compensados, pois a contribuinte não faz qualquer menção a esse tipo de pagamento em sua impugnação, nem junta cópia de cheques aos autos. Dessa forma, será restabelecida a despesa médica total de R$ 4.800,00. (...) Diante do exposto, julgo pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 4.800,00, que resultou na manutenção do imposto suplementar de R$ Fl. 118DF CARF MF 4 3.960,00, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados nos termos da legislação vigente. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela procedência em parte da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 3.960,00, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Deduções de despesas médicas utilizadas na declaração, as quais foram glosadas por auditor fiscal em revisão na declaração, pelo motivo de falta de provisão legal e comprovação do efetivo pagamento, tais como cópias de cheques, extratos bancários, transferências ordem bancária. Que a comprovação apresentada tais como os extratos que tínhamos CEF e B.Brasil, e declaração que a maior parte dos pagamentos foi feito em dinheiro, os recibos dos profissionais e declaração dos mesmos, afirmando a realização dos serviços, e da necessidade do tratamento não foi suficiente para manter a dedução. Informo que em 11/03/2013 recebi via correio a notificação de lançamento de imposto sob o nº 2011/705921235218718, para pagamento no prazo de trinta dias, ou caso não concordasse, solicita impugnação, como não concordei solicitei impugnação em tempo hábil a qual foi julgada no acórdão nº 0367369 6ª turma da DRJ/BSB sessão de 07/04/2015/ processo nº 13956.720213/201337, julgado como procedente em parte a impugnação, mantido o imposto suplementar acrescido de multa e juros de mora para pagamento em 30 dias. Diante dos fatos acima relatados, apelo aos senhores conselheiros que analisem o acontecido, a onde ficou claramente demonstrado, que a declarante informou em sua declaração a título de despesa médica o que está previsto no art. 80 do decreto nº 3.000 de 1999, acho que para mim, e para maioria das pessoas, as despesas médicas se comprovaria com os recibos dos profissionais, em momento algum houve má fé, e sim falta de conhecimento no tocante da necessidade de comprovação dos pagamentos, e da efetiva execução dos tratamentos, achava eu que tão somente os recibos serviriam, pois ninguém dá recibo do que não fez, e do que não recebeu. Sendo assim peço espero que seja atendida a minha solicitação de cancelamento do auto de infração, uma vez que não fraudei e nem fiz algo que não estivesse previsto em lei para deduções de despesas médicas para receber tal punição. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13956.720213/201337 Acórdão n.º 2001001.280 S2C0T1 Fl. 118 5 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 120DF CARF MF 6 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13956.720213/201337 Acórdão n.º 2001001.280 S2C0T1 Fl. 119 7 quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de Fl. 122DF CARF MF 8 defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. A decisão do Acórdão da DRJ contestado na defesa da Recorrente é de que somente restariam aceitos como pagamento em espécie, e como efetivo pagamento, aqueles valores constantes nos extratos e resultante de saques bancários em datas correspondentes aos valores pagos aos profissionais e constantes dos recibos emitidos na mesma oportunidade. Ou seja, a decisão do Acórdão aceita em parte os comprovantes emitidos pelos prestadores de serviços médicos pela adoção do critério subjetivo que considera válidos o recibo com data de emissão com até três dias depois de algum saque bancário no mesmo valor ou semelhante. A Recorrente apresentou os seguintes documentos: declaração de Meire Aparecida Gonçalves, fl. 28, e recibos no valor de R$ 5.200,00, fls. 29/30; declaração de Josiane Danezi Gonçalves, fl. 31, e recibos no valor de R$ 5.000,00, fls. 32/34; declaração de Andreia Sefrian Martins, fl. 35, e recibos no valor de R$ 3.000,00, fls. 36/38; declaração de Aline Moreno de Camargo, fl. 43, e recibos no valor de R$ 3.000,00, totalizando R$ 16.200,00 de despesas médicas, dedutíveis do imposto sobre a renda de pessoa física. A Recorrente também apresentou declaração de Tatiana Cipriano Nishtani, fl. 39, e recibos no valor de R$ 3.000,00, fls. 40/42, contudo, as despesas de tratamento e acompanhamento nutricional não são dedutíveis do imposto, sendo que o referido valor deve permanecer com glosado conforme lançamento fiscal. Os comprovantes apresentados pela Recorrente sobre despesas médicas, não incluídos os gastos com tratamento nutricional, preenchem os requisitos legais para efeito de abatimento do imposto de renda e por isso constam devidamente como despesas dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual da Contribuinte. Deve ser considerando, ainda, que a Contribuinte apresentou extratos bancários, fls. 53/70, em que se permite perceber a disponibilidade financeira compatível com os desembolsos para cobrir despesas médicas, situação em que fica provada a sua capacidade Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13956.720213/201337 Acórdão n.º 2001001.280 S2C0T1 Fl. 120 9 financeira de pagamento, podendo fazêlo em espécie, assim como constatada a providência de atendimento da exigência da validade dos comprovantes apresentados, ficando legitimada a dedução do imposto efetuada na DAA no valor total informado na Declaração do Imposto de Renda a título de despesa médica. Do processo, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas da beneficiária, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante documentos assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declarações, assinados por profissionais habilitados, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. Assim, verificase que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa realizada, correspondendo à comprovação do pagamento de profissionais habilitados e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas correspondentes. Contudo, conforme explicitado no Acórdão da DRJ a despesa com recibo fornecido pela profissional Tatiana Cipriano Nishtani no valor de R$ 3.000,00, referente a tratamento e/ou acompanhamento nutricional, especialidade que não está abrangida no que dispõe o inciso II, art. 8º da Lei nº 9.250/95, devendo ser mantida a glosa da referida despesa porque não dedutível legalmente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 16.200,00, excluindose, por consequência, o crédito tributário correspondente, e mantendose a glosa das despesas no valor de R$ 3.000,00 pelas razões explicitadas. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720800/2017-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2015 a 30/04/2016
EXECUÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
COMPENSAÇÃO EM GFIP. CRÉDITO ORIUNDO DE PAGAMENTO INDEVIDO. PARCELAMENTO EM CONSOLIDAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP
Sendo o crédito pleiteado supostamente oriundo de pagamento a maior no âmbito do parcelamento da Lei 11.941/2009 e estando o referido parcelamento na fase de consolidação, não se pode concluir que houve pagamento indevido ou a maior.
É defeso ao contribuinte pleitear restituição de um crédito e utilizá-lo em compensações.
Numero da decisão: 2402-007.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, que diz respeito às competências de 12/2015 a 04/2016, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), que conheceram integralmente do recurso voluntário e deram provimento parcial, reconhecendo a procedência das compensações declaradas em GFIP, referentes às competências de 01/2015 a 11/2015. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
(assinado digitalmente)
Maurício Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Recorrente USINA CANSANCAO DE SINIMBU SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 30/04/2016 EXECUÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COMPENSAÇÃO EM GFIP. CRÉDITO ORIUNDO DE PAGAMENTO INDEVIDO. PARCELAMENTO EM CONSOLIDAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP Sendo o crédito pleiteado supostamente oriundo de pagamento a maior no âmbito do parcelamento da Lei 11.941/2009 e estando o referido parcelamento na fase de consolidação, não se pode concluir que houve pagamento indevido ou a maior. É defeso ao contribuinte pleitear restituição de um crédito e utilizálo em compensações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 08 00 /2 01 7- 29 Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.520 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, que diz respeito às competências de 12/2015 a 04/2016, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), que conheceram integralmente do recurso voluntário e deram provimento parcial, reconhecendo a procedência das compensações declaradas em GFIP, referentes às competências de 01/2015 a 11/2015. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator (assinado digitalmente) Maurício Nogueira Righetti Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 451 interposto em face do Acórdão da DRJ nº 0741.413 (fls. 437) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do sujeito passivo. Nos termos do relatório da recorrida decisão, temse que: Tratase de manifestação de inconformidade decorrente da não homologação da compensação informada pela interessada em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) nas competências 01/2015 a 04/2016, cujo total glosado corresponde a R$ 3.867.122,25, conforme Despacho Decisório nº 119/2017 de fls. 386396. Pelo que consta dos autos, a interessada foi intimada a esclarecer a origem dos créditos declarados em GFIP, e informou que a) para as competências 01/2015 a 11/2015 teriam os créditos se originado na ação judicial nº 0003411 78.1993.4.05.8000; e b) os créditos utilizados nas competências 12/2015 a 04/2016 "decorrem de saldos de pagamentos indevidos (formalizados em PER/DCOMP) efetuados pela Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.521 3 empresa para quitação das parcelas referentes ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, nas modalidades 1165 e 1136". Foi solicitado à Procuradoria da Fazenda Nacional manifestação sobre o andamento do processo judicial, tendo esta oficiado que a ação judicial encontrase em fase de pendência de julgamento de embargos de declaração interposto pela Fazenda Nacional, ainda não tendo, portanto, transitado em julgado na ocasião das compensações. As compensações foram consideradas indevidas, uma vez que não houve trânsito em julgado da ação judicial, conforme art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN), art. 70 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e art. 81 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012. O despacho decisório relata que o contribuinte já argumentou, em processo anterior (10410.721654/201678) que os créditos utilizados nas compensações das GFIP de 04/2012 a 13/2014 originaramse na já mencionada ação judicial nº 0003411 78.1993.4.05.8000. Também no âmbito daquele processo a PFN se pronunciou acerca da ausência de trânsito em julgado dos embargos e, com tal fulcro, foram as compensações glosadas. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/Florianópolis, no Acórdão 0738.886. Por não ter ocorrido o trânsito em julgado, as compensações efetuadas em GFIP nas competências 01/2015 a 11/2015 foram consideradas indevidas e os respectivos valores foram glosados. Quanto às competências 12/2015 a 04/2016, o despacho decisório pontua que, apesar da alegação da empresa de que se trata de pagamento indevido, os pagamentos efetuados encontramse atualmente na situação "Em Consolidação da PGFN", ou seja, não há como afirmar se houve pagamento indevido ou a maior. Além disso, tais valores foram objeto de pedido de restituição formalizado em PerDcomp e não podem ser simultaneamente restituídos e compensados. Cientificado do despacho decisório em 30 de março de 2017, por via postal, conforme AR de fls. 399, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02 de maio de 2017. Discorda da conclusão da autoridade originária, por entender que o crédito preenche os requisitos do art. 170A do CTN. Aduz que a empresa obteve provimento judicial por meio da Ação Ordinária nº 000341178.1993.4.05.8000, com o trânsito em julgado em 12 de agosto de 2005, tendo sido proposta a execução da sentença. Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.522 4 Relata que a Fazenda Nacional opôs Embargos à Execução, sob o fundamento da iliquidez da sentença executada; posteriormente, com a alteração da representação judicial do INSS para a Procuradoria da Fazenda Nacional, esta ingressou com ação rescisória, que ao final foi julgada improcedente, seguindo o processo de execução. Tem que a decisão que reconheceu o direito na ação ordinária ocorreu em agosto de 2005, portanto, em conformidade com art. 170A do CTN. Afirma ainda que a possibilidade de utilização dos créditos por meio de compensações com débitos previdenciários correntes foi expressamente autorizada pelo juiz federal que preside a execução do julgado, de forma que não haveria qualquer dúvida sobre a legitimidade dos créditos ou dos procedimentos adotados pela empresa para sua compensação. Quanto às compensações efetuadas com créditos decorrentes de pagamentos indevidos, no âmbito do parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, alega que aderiu ao programa de parcelamento e iniciou a efetuar os pagamentos. No entanto, com a demora na consolidação do parcelamento, iniciou, por conta própria, a apurar a natureza de cada um dos débitos incluídos em suas opções de parcelamento, a fim de identificar o valor correto devido a título de parcelas mensais. Constatou inclusão de débitos em duplicidade, débitos decorrentes de períodos superpostos e inclusive débitos já quitados, em decorrência de amortizações realizadas em parcelamentos anteriores. Ressalta que essas situações estão devidamente descritas nos PerDcomps e que os pagamentos mensais excessivos passaram a ameaçar a própria capacidade econômica da empresa. Por fim, pede que sejam homologadas as compensações das competências 01/2015 a 04/2016. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 30/04/2016 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA EM GFIP. CRÉDITO DE AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Créditos tributários decorrentes de ações judiciais somente poderão ser compensados, após o trânsito em julgado do processo judicial. Considerase indevida a compensação efetivada antes do esgotamento em definitivo da ação judicial. Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.523 5 COMPENSAÇÃO EM GFIP. CRÉDITO ORIUNDO DE PAGAMENTO INDEVIDO. PARCELAMENTO EM CONSOLIDAÇÃO. Sendo o crédito pleiteado supostamente oriundo de pagamento a maior no âmbito do parcelamento da Lei 11.941/2009 e estando o referido parcelamento na fase de consolidação, não se pode concluir que houve pagamento indevido ou a maior. COMPENSAÇÃO EM GFIP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERDCOMP. É defeso ao contribuinte pleitear restituição de um crédito e utilizálo em compensações. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O sujeito passivo foi intimado da decisão da DRJ em 04/04/2018, por ciência eletrônica por decurso de prazo (fls. 446) e interpôs recurso voluntário em 04/05/2018 (fls. 448 e seguintes), por meio do qual, basicamente, reiterou os termos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior – Relator Do Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Da Glosa de Compensação Conforme relatado, tratase, o presente caso, de glosa de compensações declaradas pelos sujeito passivo em GFIP, nas competências de 01/2015 a 04/2016. O sujeito passivo esclareceu, em síntese, que: a) em relação às competências de 01/2015 a 11/2015, os créditos objeto das compensações declaradas teriam origem na ação judicial nº 0003411 78.1993.4.05.8000; e b) para as competências de 12/2015 a 04/2016, os créditos utilizados decorrem de saldos de pagamentos indevidos (formalizados em PER/DCOMP) efetuados pela empresa para quitação das parcelas referentes ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, nas modalidades 1165 e 1136. Passemos, então, à análise individualizada de cada uma das origens dos créditos objeto das compensações declaradas em GFIP e glosadas pela fiscalização. Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.524 6 Da Glosa de Compensação – Crédito com Origem em Ação Judicial Conforme visto linhas acima, para as competências de 01/2015 a 11/2015, o contribuinte informou que os créditos, utilizados nas compensações, tiveram origem na ação judicial nº 000341178.1993.4.05.8000. No entender da fiscalização, o contribuinte não teria decisão transitada em julgado que legitimasse o encontro de contas para efeito de extinção das obrigações tributárias, sendo indevidas, portanto, as respectivas compensações. Neste espeque, antes de adentrar na análise do caso concreto, impõese uma breve reflexão sobre o instituto da compensação, sendo certo que, para tano, socorrese aos escólios do Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, consubstanciado no Acórdão 2402 006.704, referente ao julgamento do PAF 10073.721893/201515 na sessão de 05/10/2018, in verbis: A compensação é amplamente reconhecida no direito público e no direito privado. Ela ocorre quando duas pessoas são ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra. Vejase, inicialmente, o que dispõem os arts. 368 e 369 do Código Civil: Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem. Art. 369. A compensação efetuase entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. Como se vê acima, no direito privado a compensação independe da vontade das partes e basta que estejam presentes os pressupostos dos arts. 368 e 369 retro mencionados. Se duas pessoas forem credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse até o limite no qual se compensarem. Já no regime tributário, a compensação depende de lei autorizadora (vide abaixo), a qual deve regular as suas condições e as suas garantias. O art. 170 do CTN atribui à lei a possibilidade de compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Aliás, aí reside outra diferença em relação ao direito privado, pois neste a compensação ocorre somente "entre dívidas líquidas e vencidas" (art. 369 do CC), ao passo que naquele a compensação também ocorre em relação a créditos vincendos. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.525 7 apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Tanto inexiste a compensação legal a que alude o Código Civil, e tanto há necessidade de lei autorizadora por parte de cada ente federado, que a doutrina identifica "diversos Municípios" que "não preveem a compensação"1, e que "se não foi prevista a compensação, não há como exigila"2. Da leitura do art. 170 do CTN, depreendese que ele realmente não é autoaplicável, porque é expresso ao determinar que a lei poderá autorizar a compensação tributária. Ademais, a Constituição não tem nenhuma cláusula geral ou específica que trate realmente da compensação como forma de extinção do crédito tributário. No âmbito federal, é relativamente ampla a regulação da compensação como meio de extinção da obrigação tributária. Dos dispositivos legais a serem transcritos logo abaixo, vêse que a União editou diversos diplomas legais a respeito da matéria e há inclusive a hipótese de compensação de ofício3, que ocorre quando a própria SRFB compensa o valor da restituição ou do ressarcimento devido ao sujeito passivo com os débitos em seu nome. Depois da edição da Lei 13670/18, de maio do referido ano, a União parece ter unificado os regimes tributário e previdenciário, tendo promovido ampla alteração no art. 74 da Lei 9430/96, sobretudo para admitir a compensação de contribuições previdenciárias com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Para traçar um panorama legal dessa questão, vale transcrever os seguintes dispositivos legais: Lei 8383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 682. 2 Obra citada, p. 682. 3 Arts. 73 e 74 da Lei 9430/96, art. 7º do DecretoLei 2287/86 e Decreto 2138/97. Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.526 8 subseqüente.(Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995)(Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie.(Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição.(Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR.(Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Lei 9250/95 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º(VETADO) § 2°(VETADO) § 3°(VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(Vide Lei nº 9.532, de 1997) Lei 8212/91 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.527 9 § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 7o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). §8oVerificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, ainda que parcelado sob qualquer modalidade, inscritos ou não em dívida ativa do INSS, de natureza tributária ou não, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação em procedimento de ofício.(Incluído pela Medida Provisória nº 252, de 2005).Sem eficácia § 8oVerificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). §9oOs valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei.(Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) §10.Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I docaputdoart. 44 da Lei no9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) §11.Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e saláriomaternidade o rito doDecreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.(Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.528 10 indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e saláriomaternidade o rito previsto no Decreto no70.235, de 6 de março de 1972.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 12. O disposto no § 10 deste artigo não se aplica à compensação efetuada nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pelo Lei nº 13.670, de 2018) Lei 9430/96 Art.74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Art.74.O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) §1ºA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §2ºA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.529 11 § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §3ºAlém das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) a)o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluída pela Medida Provisória nº 66, de 2002) b)os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação.(Incluída pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 3oAlém das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação:(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §3oAlém das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º:(Redação dada pela Medida Provisória nº 135, de 2003) § 3oAlém das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) IIIos débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União;(Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União;(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IVos créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.530 12 FiscalRefis, ou do parcelamento a ele alternativo; e(Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IVos créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido por essa Secretaria;(Redação dada pela Medida Provisória nº 219, de 2004) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF;(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Vos débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal.(Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa;(Redação dada pelo Lei nº 13.670, de 2018) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa;(Redação dada pelo Lei nº 13.670, de 2018) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) VII o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.531 13 sob procedimento fiscal;(Redação dada pelo Lei nº 13.670, de 2018) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8oda Lei no7.713, de 1988; e(Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) VIII os valores de quotas de saláriofamília e salário maternidade; e(Redação dada pelo Lei nº 13.670, de 2018) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei.(Redação dada pelo Lei nº 13.670, de 2018) §4ºOs pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 4oOs pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.(Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 5oA Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §5oO prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Medida Provisória nº 135, de 2003) § 5oO prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §6º Para os fins do disposto neste artigo, é vedada a exigência do atendimento das condições a que se referem oart. 195, §3º, da Constituição Federal,art. 27, alínea "a", da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990,art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e quaisquer outras que sejam aplicáveis tãosomente às hipóteses de reconhecimento de Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.532 14 isenções e de concessão de incentivo ou benefício fiscal.(Vide Medida Provisória nº 66, de 2002) §6oA declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003) § 6oA declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §7oNão homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003) § 7oNão homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §8oNão efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o.(Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003) § 8oNão efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §9oÉ facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação.(Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003) § 9oÉ facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §10.Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003) Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.533 15 § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §11.A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9oe 10 obedecerão ao rito processual doDecreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto noinciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966Código Tributário Nacional,relativamente ao débito objeto da compensação.(Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9oe 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §12.A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição.(Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003) § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3odeste artigo;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1odo DecretoLei no491, de 5 de março de 1969;(Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou(Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.534 16 e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) f)tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade, nem tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 13. O disposto nos §§ 2oe 5oa 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) §15.Aplicase o disposto no §6onos casos em que a compensação seja considerada não declarada. (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014)(Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Revogado pela Medida Provisória nº 668, de 2015) (Revogado pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) §16.Nos casos previstos no §12, o pedido será analisado em caráter definitivo pela autoridade administrativa. (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.535 17 § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)(Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Revogado pela Medida Provisória nº 668, de 2015) (Revogado pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) §17.O valor de que trata o inciso VII do §3opoderá ser reduzido ou restabelecido por ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Medida Provisória nº 656, de 2014) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Ocorre que o art. 170A do CTN é claro ao vedar a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão. A vedação faz todo sentido, porque as leis têm presunção de constitucionalidade (princípio da presunção da constitucionalidade das normas infraconstitucionais) e a doutrina já identificava, antes mesmo da nova redação dos itens 1 a 4 da alínea "f" do § 12 do art. 74 da Lei 9430/1996, que seria dispensável o trânsito em julgado apenas nas hipóteses de compensação efetuada com fundamento na invalidade de dispositivo da legislação tributária já declarado inconstitucional pelo STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade ou de Resolução do Senado Federal suspendendo a eficácia da norma inconstitucional. Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.536 18 Para o professor e magistrado Leandro Paulsen, "sempre que a compensação é efetuada com fundamento na invalidade de dispositivo da legislação tributária que estabelece determinada exação já paga mas entendida como indevida, como, e.g., na inconstitucionalidade da lei instituidora, fazse necessário que o contribuinte obtenha o reconhecimento judicial de que a exigência era feita sem suporte válido, de forma que se crie a certeza de que realmente pagou tributo indevido e que, portanto, possui crédito oponível ao Fisco, certeza esta indispensável à realização da compensação, nos termos do art. 170 do CTN"4. Como exceção a essa regra, Leo Krakowiak mencionava os "casos em que o crédito do contribuinte decorra de pagamento de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou mesmo da edição de resolução do Senado Federal"5. Diante da necessidade de ação judicial e de trânsito em julgado, a Súmula STJ 212 preleciona que "a compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória". Vigente à época do procedimento levado a cabo pelo contribuinte, o art. 81 da IN RFB 1300/2012, de conformidade com o art. 170A do CTN, previa ser "vedada a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". [...] Sobre a necessidade de decisão judicial transitada em julgado, eis o entendimento deste Conselho: [...] Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966. (Número do Processo 10882.901034/200854, Data da Sessão 19/04/2018, Relator(a) JOSE HENRIQUE MAURI, Acórdão 3301004.614) xxx COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. A compensação de crédito decorrente de decisão judicial somente pode ser efetivada após o trânsito em julgado de 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 1148. 5 Citado por Leandro Paulsen, obra citada, p. 1149. Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.537 19 decisão que beneficiar o contribuinte, exceto se existente determinação judicial em contrário. (Número do Processo 11080.006198/200611, Data da Sessão 22/05/2018, Relator(a) CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Acórdão 3402005.235) xxx DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial (CTN, art. 170A). xxx CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170A DO CTN. Nos termos do art. 170A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Número do Processo 10166.731302/201406, Data da Sessão 03/10/2017, Relator(a) DILSON JATAHY FONSECA NETO, Acórdão 2202004.309) Pois bem! No caso, em análise, entendeu a fiscalização e a DRJ que o contribuinte não possuía, à época do encontro de contas realizado em GFIP (de janeiro a novembro de 2015), decisão judicial transitada em julgado. De fato, assim se manifestou a DRJ: Pelo que consta dos autos e oficiado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o direito da interessada ainda não é líquido, sendo ainda objeto de discussão judicial, cujo processo ainda não chegou ao seu desfecho final, na situação em que não restaria qualquer óbice de recurso, isto é, afastadas quaisquer possibilidades de demandas, tornandoo líquido e certo, o que não ocorre, tanto que ainda pendente em embargos de declaração, conforme constam dos autos às fls. 345357. Nestes termos, quando houve a informação da compensação em GFIP o crédito ainda não era líquido, pelo que não se pode reconhecer e validar o seu procedimento, considerandose, portanto, exigível o crédito indevidamente compensado. Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.538 20 O Recorrente, por seu turno, sustenta, desde da manifestação de inconformidade apresentada, que possuía sim decisão judicial transitada e julgado e que o crédito compensado, oriundo da ação judicial, diz respeito a parcela incontroversa já reconhecida na própria ação judicial. De fato, aduz o Recorrente que: Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.539 21 Com vistas a comprovar o quanto alegado, o Contribuinte trouxe aos autos, dentre outros, os seguintes documentos: Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.540 22 * 22/05/1995 Sentença Proferida nos Autos da Ação Declaratória nº 93.00034111 – atual 000341178.1993.4.05.8000 (fls. 30), julgando procedente a ação, dentre outras coisas, declarar o direito à devolução das contribuições compulsoriamente recolhidas; * 14/06/1995 Sentença que julgou os Embargos de Declaração opostos pela Usina Cansanção (fls. 38), reconhecendo que, ao deferir o pedido de declaração do direito à devolução das contribuições compulsoriamente pagas (no período de 1986 a 1991), consignou período a menor, tendo excluído, equivocadamente, os pagamentos realizados indevidamente no período de 1971 a 1985. * 17/08/1995 Acórdão do TRF na Apelação Cível (fls. 42), dando parcial provimento à apelação, para reconhecer a prescrição parcial do direito à devolução das contribuições compulsoriamente pagas, limitandoa (a devolução) aos valores indevidamente recolhidos antes de cinco anos contados retroativamente a partir da data da propositura da ação, ocorrida em 22/07/1993; * 21/11/2007 – Parecer do Assistente Técnico do INSS (fls. 491), reconhecendo como crédito mínimo da Embargada (Processo de Embargos à Execução Fundada em Sentença nº 2006.80.00.0028960, relativo ao processo de Ação Declaratória / Execução de Sentença nº 93.00034111) o montante de R$ 4.116.375,68: * 15/08/2012 – Decisão, proferida nos autos do Processo de Embargos à Execução (fls. 478), deferindo o requerimento de fls. 393, para determinar o prosseguimento do feito, com a compensação dos valores incontroversos admitidos pela Fazenda Nacional às fls. 216/245, no valor de R$ 4.116375,68; Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.541 23 * 14/02/2013 – Petição da PGFN, nos autos do Processo de Embargos à Execução (fls. 511), reconhecendo como devido o montante de R$ 6.447.479,23, atualizado até dezembro de 2012: * 26/04/2013 – Sentença dos Embargos à Execução (fls. 453), julgando improcedente os Embargos à Execução opostos pelo INSS. No que tange à referida sentença, cumpre destacar os seguintes excertos: (...) Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.542 24 Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.543 25 * 09/08/2013 – Sentença dos Embargos à Execução modificada por Embargos de Declaração (fls. 537), negando provimento aos EDs interpostos pela Usina Cansanção e dando parcial provimento aos ED interpostos pela Fazenda Nacional, passando o dispositivo da decisão embargada a ter a seguinte redação: * 02/09/2014 – Acórdão do TRF na Apelação Cível (fls. 63), negando provimento ao recurso da Fazenda Nacional; * 14/10/2014 – Acórdão do TRF em face dos Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 529), negando provimento aos embargos; Destaquese, pela sua importância que, conforme consignado no Relatório da decisão em destaque, a Embargante alega a ocorrência de omissão. Para tanto, sustenta que houve a utilização indevida do IGPDI, o que gerou excesso de execução de mais de oito milhões de reais. Sustenta, ainda, que os critérios de atualização do crédito encontramse acobertados pela preclusão; * 26/03/2015 – Decisão do STJ, em sede de Recurso Especial (fls. 550), anulando o Acórdão do TRF proferido em sede de Embargos de Declaração, determinando o retorno dos autos para o referido tribunal, para que proferisse novo julgamento, abordando a matéria omitida; * 02/05/2015 – Acórdão do STJ (fls. 556), negando provimento ao AGRG em REsp; Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.544 26 Neste ponto, impõese, pela sua relevância, transcrever excertos do Relatório da referida decisão do STJ, notoriamente na parte que esta reproduz argumentos sustentados pela então Agravante – Fazenda Nacional: A agravante sustenta: 3. Ocorre, porém, que a fundamentação adotada para justificar a r. decisão, ora agravada, data venia, ignora o fato de que a adoção dos critérios contábeis citados pela Fazenda Nacional dentre eles, o índice Geral de Preços/Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas não ocorreu no âmbito do processo de embargos à execução fundada em sentença, mas sim no processo de conhecimento, através do qual foi constituído o título executivo judicial, e estão, por este motivo, albergados pelo manto da coisa julgada material. 4.Com efeito, o título executivo judicial, consubstanciado pela decisão, transitada em julgado, proferida nos autos do processo nº 000341178.1993.4.05.8000, é explícito ao consignar o valor líquido da condenação, obtido a partir do laudo pericial contábil realizado no processo de conhecimento cujas conclusões foram integralmente acatadas, e que não está mais sujeito a rediscussões, por força da coisa julgada material. In verbis: * 21/06/2016 – Acórdão do TRF (fls. 503) referente ao julgamento dos EDs interpostos pela Fazenda Nacional em face da decisão do STJ que anulou o primeiro julgamento dos referidos EDs, determinando o retorno dos autos para aquele tribunal, para que proferisse novo julgamento, abordando a matéria omitida – acolhendo os embargos de declaração para reconhecer a existência de omissão, sem, contudo, emprestarlhe efeitos modificativos. Registrese que, neste ponto, mais uma vez é reconhecida a existência de decisão judicial transitada em julgado, in verbis: A Usina Cansanção de Sinimbu S/A é detentora de título executivo judicial, decorrente de decisão transitada em julgado exarada nos Autos da Ação Ordinária nº 93.00034111. A douta sentença no que importa no examine aqui realizado manifestou se no sentido, de: "c) declarar o direito à devolução das contribuições' compulsoriamente recolhidas, nos valores apurados pelos Sr. Perito Oficial às fls. 334/340, pertinente ao perío.do de 1986 a 1991, ainda que esses valores tenham sido apurados em cruzeiros reais e às fls 437, referente ao período de 1971 a 1985, estando estas parcelas convertidas ao padrão monetário atual” (fl. 58/60). Por sua vez, esta eg Corte deu parcial provimento à apelação do INSS determinando que deveria ser aplicada ao caso a prescrição quinquenal (f1s. 62/71). * 11/10/2016 – Acórdão do TRF – referente ao julgamento de embargos de declaração intentados pela Fazenda Nacional contra acórdão acolheu os embargos de declaração para reconhecer a existência de omissão sem, contudo, emprestarlhe efeitos modificativos – rejeitando os EDs. Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.545 27 Como se vê, dos documentos juntados aos autos e do histórico cronológico dos eventos acima narrados, resta incontroverso, no entendimento deste relator, que: · A Recorrente, ao contrário do quanto afirmado tanto pela fiscalização, quanto pela DRJ, era, à época das compensações declaradas em GFIP, detentora de decisão judicial transitada em julgado; e · Conforme decisão proferida em 15/08/2012 nos autos do Processo de Embargos à Execução (fls. 478), restou deferido à ora Recorrente o direito à compensação dos valores incontroversos admitidos pela Fazenda Nacional, no valor de R$ 4.116375,68, sendo certo que, contra referida decisão, não foi interposto qualquer espécie de recurso pela Fazenda Nacional. · As compensações declaradas em GFIP, referentes às competências 01/2015 a 11/2015, cujos créditos tem origem na ação judicial detalhada linhas acima, totalizam R$ 2.364.684,89, conforme somatório dos respectivos valores mensais detalhados no extrato de Compensações Declaradas em GFIP constante às fls. 375. Neste espeque, em face do quanto exposto, deve ser provido o recurso voluntário neste particular, reconhecendose a idoneidade das compensações declaradas em GFIP referentes às competência de 01/2015 a 11/2015. Da Glosa de Compensação Créditos decorrentes de Pagamentos Indevidos, no âmbito do Parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009 No que tange às compensações declaradas em GFIP referente às competências de 12/2015 a 04/2016, esclareceu o contribuinte que os respectivos créditos correspondem a valores recolhidos a maior quando da sua adesão ao parcelamento previsto na Lei de nº 11.941/09, correspondente a débitos lançados em duplicidade (em mais de uma opção do parcelamento), à inclusão indevida de débitos decorrentes de períodos superpostos e até mesmo a débitos já quitados em decorrência de amortizações realizadas no âmbito de parcelamentos anteriores. A DRJ, sobre a matéria, concluiu que: No que se refere a compensação das competências 12/2015 a 04/2016, o contribuinte alega serem decorrentes de crédito por pagamento a maior no âmbito do parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009. Como o referido parcelamento não foi consolidado, não há que se falar em pagamento indevido. Ademais, o contribuinte não comprovou a inclusão de débitos duplicados ou já quitados no referido parcelamento. Além disso, não poderia o contribuinte simultaneamente pleitear a restituição do crédito que considerou fruto do pagamento indevido e utilizar o mesmo crédito para compensar seus débitos em GFIP. O contribuinte tem a opção de rever valores recolhidos indevidamente a título de contribuições previdenciárias por meio de pedido de restituição ou de compensação. Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.546 28 O que não pode ocorrer é pleitear a repetição e a compensação do indébito concomitantemente na seara administrativa. A restituição dos valores pagos a maior a título de tributos encontra sua fundamentação legal no art. 165 do Código Tributário Nacional, o qual estabelece que o contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento. Destarte, no tocante a compensação, a legislação a ser observada no âmbito do pleito administrativo é clara, denotando que tratase de uma opção do contribuinte, que pode preferir compensarse a restituir o montante recolhido indevidamente. Assim, em sede administrativa, o contribuinte não poderia ter pleiteado novamente o reconhecimento do direito creditório, uma vez que optou pelo pedido de restituição. Ademais disso, no caso de pagamento efetuado incorretamente no âmbito de parcelamento, o pagamento indevido deve ser pleiteado por meio de restituição, conforme orientações do Manual de Perguntas e Respostas da Secretaria da Receita Federal, acerca do Parcelamento especial. Não há reparos a serem feitos na decisão de piso neste particular. De fato, o próprio Recorrente reconhece, em sua peça recursal, que além de declarar as compensações em GFIP, formalizou PER/DCOMPs, isto é, a subsequente compensação dos créditos informados que foram originados de pagamentos indevidos, realizados com base em termos de opção de parcelamentos eivados por erros óbvios que, a rigor, deveriam ter sido constatados pela própria Receita Federal do Brasil, na fase de consolidação do referido parcelamento, instituído pela Lei de nº 11.941/2009. Neste espeque, estando o entendimento perfilhado por este relator em consonância com aquele exposto na decisão recorrida, mantémse este neste particular, por seus próprios fundamentos. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendose as compensações declaradas em GFIP referentes às competência de 01/2015 a 11/2015. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.547 29 Voto Vencedor Conselheiro Maurício Nogueira Righetti Redator Designado Não obstante as bem lançadas razões de decidir do relator, peço venia para delas parcialmente discordar. O ponto em dissídio diz respeito às compensações efetuadas em GFIP nas competências de 01/2015 a 11/2015, supostamente ao amparo da Ação Ordinária nº 0003411 78.1993.4.05.8000. Como noticiou o Relator, foi garantido ao requerente a devolução das contribuições compulsoriamente recolhidas nos últimos 5 (cinco) anos a contar de 22/7/93, relativas à Previdência Social Urbana, alusiva aos trabalhadores rurais relacionados no item 12 de sua inicial, com trânsito em julgado em 12/8/05. A rigor, a decisão judicial transitada em julgada, proferida nos autos daquela ação de conhecimento, não autorizava ao contribuinte, textualmente, a compensação administrativa de seu crédito, mas sim a sua restituição. Não obstante, tal fato, por si só, não traz óbice a que o contribuinte, de posse de seu título judicial, promova compensações no âmbito administrativo, desde que observadas algumas exigências. Vejamos: Como bem dispõe o artigo 170 do CTN, a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Notese a partir daí pelo menos duas determinações a serem observadas: i) a compensação deverá ser autorizada por lei, que poderá inclusive atribuir à autoridade administrativa a prerrogativa para estipular condições e garantias para a sua realização; e ii) a necessidade de que o crédito do sujeito passivo ostente os requisitos de liquidez e certeza. Como se não bastasse, o legislador fez questão de positivar no artigo 170A, que é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Com isso, penso que o que se procurou enfatizar, e isso me afigura bem razoável, na medida em que compensação é modalidade de extinção do crédito tributário6, foi que somente com o transito em julgado da respectiva decisão judicial que lhe teria autorizado o aproveitamento de tributo judicialmente contestado é que estariam revelados aqueles requisitos de liquidez e certeza, e não partir de uma decisão ainda precária. 6 Artigo 156 do CTN Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.548 30 Por sua vez, a Lei 9.430/96, em seu artigo 74, procurou disciplinar a compensação na circunstância em que o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, pretenda utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Já em no parágrafo 14 daquele artigo, estabeleceu que a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinaria o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação E assim foi feito. Desde, pelo menos, a edição da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, há rigorosa restrição administrativa a que se compense crédito oriundo de titulo judicial que esteja em fase de execução. Confirase: Art. 70. São vedados o ressarcimento, a restituição, o reembolso e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação da desistência da execução do título judicial pelo Poder Judiciário, ou a renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento, de reembolso e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. Nesse mesmo sentido, caminhou a Instrução Normativa RFB nº 1300/12, ao determinar, em seu artigo 82, que na hipótese de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação será recepcionada pela RFB somente depois de prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat, Demac/RJ ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Na sequência, no mesmo dispositivo, especificou que o Pedido de Habilitação deveria ser instruído com, dentre outros, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial, pelo Poder Judiciário, e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou cópia da declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a ateste, na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução. Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 10410.720800/201729 Acórdão n.º 2402007.209 S2C4T2 Fl. 1.549 31 No caso em tela, temse que a decisão que autorizou a compensação do débito deuse em sede de Embargos à Execução ainda não transitado em julgado, consoante informou a Fazenda Nacional por meio do expediente de fl. 345. Há notícias nos autos, à fls. 511/512, consubstanciada em cota da PGFN nos Embargos à Execução por ela propostos, no sentido de reconhecer como devido ao contribuinte o montante de R$ 6.447.479,23, atualizado até 12/2012. Por mais que haja o reconhecimento expresso da Fazenda Nacional quanto a determinado valor de crédito do contribuinte, noto que a decisão que autorizou a compensação administrativa ainda não se encontra definitiva. De outro giro, noticiou a autoridade fiscal que o contribuinte, nos autos do processo administrativo 10410.721654/201678 pretendeu compensar débitos de outra competências, a saber, de 04/2012 a 13/2014, com créditos provenientes dessa mesma ação. E mais, consta ainda às fls. 596/598, informação acerca da pretensão do recorrente deduzida na execução de seu título em ver compensado débitos previdenciários lançados em dívida ativa, elencando, ainda, as NFLDs 006040, 31.584.8553, 35.262.0650 e 35.262.0781, bem como débitos de obrigação correntes. Em seguida, informou que acabara parcelando aqueles débitos inscritos em DAU. Notese deste cenário, que não há qualquer discussão, neste autos, acerca do direito creditório do contribuinte, mas sim no que toca ao seu aproveitamento em compensação administrativa, ao mesmo tempo em que executa, em juízo, seu então título judicial. Do breve relato acima, depreendese que referida matéria, vale dizer, a compensação administrativa do crédito cujo titulo se executa judicialmente, foi levada às raias da justiça. Nesse rumo, não vejo outra conclusão a ser dada neste contencioso que não a de reconhecer, quanto a essas compensações, a concomitância de instância a reclamar o não conhecimento do recurso nesse ponto, a teor da sumula CARF nº 1, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por oportuno, vale destacar que a unidade de origem, no âmbito do acompanhamento do Crédito Tributário Sub Judice, deverá verificar a correspondência dessas compensações ao que foi judicialmente decidido, inclusive no que diz respeito à suficiência do crédito ao final determinado frente à totalidade dos débitos que pretendeu compensar com lastro nessa ação judicial, neste e em outros processos. Forte no exposto, VOTO por conhecer o recurso voluntário apenas em relação às competências de 12/2015 a 04/2016 para, nesta parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maurício Nogueira Righetti Fl. 1549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000630/2004-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Física - IRPF
Exercício: 2002
RECLAMATÓRIA TRABALHISTA - NÃO RETENÇA0 DO IMPOSTO POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL
A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o
contribuinte, beneficiário dos rendimentos, da obrigação de inclui-los, para tributação, na declaração de ajuste anual, sem compensação do imposto não ictido por determinação judicial
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - COMPROVAÇÃO
O imposto de renda retido na fonte que não consta em DIRF deve ser comprovado pelo contribuinte através de documentos emitidos pela fonte pagadora
FERIAS NÃO GOZADAS INDENIZADAS EM DOBRO.
0 Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 27/04/2005, reconheceu que não incide do imposto de renda sobre as verbas recebidas pela conversão em pecúnia de licença premio e das ferias não gozadas por necessidade do serviço, ao feridas por trabalhadores em geral ao servidores públicos.
MULTA DE OFÍCIO - APLICAÇÃO.
A declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da I ei nº9,430, de 1996, é causa para a aplicação da multa de oficio. A responsabilidade por inflações a legislação tributaria independe da intenção do agente
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2101-000.874
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de calculo o montante de R$ 7.532,74, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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RI JENC:A0 DO IM POSTO POR DETERMINAÇÃO ;JUDICIAL A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o contribuinte, beneficihrio dos rendimentos, da obrigação de inelui-los, para tributação, na declaração dc ajuste anual, sem compensação do imposto não ictido por determinação judicial IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - COMPROVAÇÃO O imposto de renda retido na fonte que não consta em DIRE deve ser comprovado pelo contribuinte através de documentos emitidos pela fonte pagadora FiklAS NÃO GOZADAS INDENIZADAS EM DOBRO.. 0 Ain Deelaratório Interpretativo SRF n" 5, de 27/04/2005, reconheceu que não incide do imposto de renda sobre as verbas recebidas pela conversão em pecúnia de licença premio e das ferias não gozadas por necessidade do serviço, au feridas por trabalhadores em geral au servidores públicos. MULTA DE OFÍCIO - APLICAÇÃO. A declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da I ei n" 9,430, de 1996, é causa para a aplicação da multa de °rick). A responsabilidade por inflações ã legislação tributdria independe da intenção do agente Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados c discutidos os presentes autos. Jose Rail:miff -di Santos - Relator Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de calculo o montante de R$ 7.532,74, nos termos do voto do Relator. Caio Marcos Cindido sidente EDITADO 1 - I , :FEV. •2 11 Participaram do presente .julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Jose Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka , Gonçalo Bonet /Wage, Odmit Fernandes e Ana .Neyle Olímpio Holanda. Relatório O recurso voluntario cm exame pretende a reforma do Acórdão n" 06-1 8. 882 (11. 75), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração à ti 65/72, que contém a seguinte descrição dos latos e enquadramento legal: 0 presente auto de infração originou-se da revisão de sua declaraçáo de ajuste anual referente ao exercício de 2002, ano-calendário de 2001, efetuada coin base tios artigos 788, 835 a 839, 841, 844, 871, 926 e 992, do regulamento do imposto de renda, decreto 3 000, de 26 de .ruaryo de 1999. foi constatada a existência deirregularidades na declaraçáo, conforme descrito e capitulado cu I anexo. 1:drarri alterados os valores das seguintes linhas de sua declaração: * Rendimentos recebidos pessoas :juridicas para R$ 150.421,05 (R813.593,78 recebidos do INSS; R$ 1.440,00 da Centuryt011ierlil) Mercantil Ltda e R$ 135.387,27 do Banco Santander Meridional S/A) 0 valor tributável , recebido do Banco Santander Meridional obtido conforme a seguir: 1.6.166.156,45 ( intormado pa D1RF pela fonte pagadora ) subtraído de R$14 131,18 relativos a rend imentos isentos ( FGIS e juros sobre ) e de R$16.638,00 de honorár ins advocaticios. * .Rendimentos isentos e não-tributáveis para R$ 50.744,26 (R$ 32.317,38 de lucios e dividendos recebidos, rnais .R$ 3.943,42 de rendimentos de cadernetas de poupança, mais R$ 352,28 de CPM F/Restituição 1R, mais R$ 14. I 31 ,18 de RI * Impost() de renda retido na Conte para R$ 419,04. Dedução indevida de imposto de renda retido na tbrite -no valor de R$58,230,73 o declarante considerou liquido o valor recebido do Banco Santander Meridional ( processo 01099.511/96-8 ), calculando o imposto de renda de acordo com o artigo 725 do RIR/99. Porem, não apresentou nenhum documento que comprovasse a assunção do Onus do imposto pela fonte pa.gad.ora.. Ademais, segundo declaração da rOnte pagadora (DIRF), não houve retenção de impost() de renda do declarante. Enquadramento legal: art, 12, inciso V, da lei 9..250/95.. Parecer normativo n" 1, de 24 de setembro de 2002.. Foi apurado imposto suplementar no valor de -R$31.828,51 após a revisão de sua declaração Em seu apelo ao CARE, as lis. 55/56, o recorrente 2 Process° 11' 11020.000630/2004-02 52-C1 Ti Ac.6nRio n.° 2101-00.874 Fl. 2 - Diante da _sentença judicial prolaiada na reclaniatória trabalhista que o recorrente promoveu contra seu ex- empregador, a responsabilidade pelo recolhimento do imposto devido era deste, urna vez que a norma individual e concreta enunciada pelt) órgão do Poder judiciário reconheceu serem indevidos os descontos fiscais em juizo, estabelecendo corno liquido o valor da condenação (R$ 166.269,02); - Maplicabilidade de multa ao contribuinte: pois a situação fática não permite o entendimento de que houve prática dejáto punível por parte do recorrente, especialmente ern razão da boa- fé com que :se comportou; - Subsidiariamente„ exclusão da base de cálculo, das verbas indenizatórias «árias ---- no valor original de R$ 4,976,48 e MI'S no valor original de R$ 10.256,77), assim como . juros de mora, 170 valor original de .55,74.5,31, totalizando R$ 70,980,56. o relatório.. Voto Conselheiro Jose Raimundo Tosta Santos, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade, O contribuinte recebeu readimentos em reclamatória trabalhista, sem que houvesse retenção na fonte sobre os valores pagos.. Diferentemente do que aduz o recorrente, não houve determinação judicial de que a reclamada arcasse com o ônus do imposto de renda na fonte que seria calculado sobre as verbas tributáveis, cujo ônus legal é do reclamante. Coin efeito, ao enfocar o contribuinte, pessoa fisica, beneficiário de rendimentos, o art. 85 do RIR/99 assim disp6e: "Art. 8.5, Sem prejuízo do disposto no 2" do art, 1" deste Regulamento, a pessoa fisica devera apresentar anualmente declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, na qual se determinará o saldo do imposto pagar ou o valor a ser restituído (Lei n°8383/91, art. 12)." O art. 11 da Lei n" 8.981/1.995 observa que, a partir de 1" de janeiro de 1,995, a pessoa fisica deverá apurar o saldo em reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário, e apresentar anualmente declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal., Conclui-se, de firma inequívoca, que a responsabilidade tributária da fonte pagadora quanto à retenção na fonte e ao recolhimento do imposto, na condição de sujeito passivo responsável, não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, na condição de contribuinte, em oferece-lo à tributação, mormente quando não o fez por determinação Nesse sentido, dispõe corn propriedade o Acórdão do 1" Conselho dc Contribuintes, n" 104-16924, de 26/02/1999: Ementa. RESPONSAB1LIDADE TRIBUTÁRIA- Em se tratando de imposto em que a incidencia na Pine se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração de ajuste anual, não existe responsabilidade tributária concentrada, exclu.sivamente, na pessoa da fbnte.: pagadora. Examinando a documentação existente no presente processo verifica-se que a &Lisa) judicial , mencionado na impugnação e recurso voluntário, diz que "o crédito do empregado não está sujeito à retenção em juizo".. Sc não houve a retenção do imposto de renda pela fiynte pagadora, por expressa determinação judicial, é forçoso concluir que o beneficiário recebeu o rendimento bruto. Não há. portanto, como implementar-se, na declaração de ajuste anual, a compensação a titulo de imposto retido. Quando o beneficiário dos rendimentos recebe o valor descontado o imposto, oferece à tributação na Declaração de Ajuste Anual o valor bruto e compensa a importância retida corn o imposto devido apurado. Ocorrendo retenção na fonte, haverá compensação com o imposto apurado na declaração; não tendo havido retenção, obviamente, nada há a compensar. Portanto, não há que se falar em nulidade para O lançamento que excluiu o imposto de renda indevidamente compensado na DIPF do exercício de 2002. Nesse sentido, é vasta a jurisprudência deste Colegiado e também a das demais Câmaras deste Conselho, competentes para julgar a matéria, podendo-se citar os seguintes Acórdãos 10243.925, 104-12.238 e .106-11135. Em relação a este terna, a Camara Superior de Recursos Fiscais, na Sessão de 12 de abril de 2004, ao analisar o Recurso Especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, proferiu decisão unânime (Acórdão CSR F/01-04.927): IMPOSTO DE RENDA NA FOYLE - ANTECIPAÇÃO FALTA DE RETENÇÃO •- LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO A NO-C A ENDÁ RIO EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO I?ECOLIIIMENTO DO IMPOSTO DEV1DO - Previsão da tributação nu . fonte por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual de rendimentos„ e ação fiscal após 31 de dezembro do ano do lino gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na . firnte, pessoa jurídica pagadora do.s rendimentos. RENDIMENTOS DO TRABALHO AÇÃO TRABALHISTA - OMISSÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGA.A -0 Constatada pelo Fisco a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto na declaração de ajuste anual, legitima a autuação na pessoa do beneliciário. A . falta de retenção do imposto pela fimte pagadora não exonera o contribuinte, beneficiário dos rendimentos, da obrigação de inclui-los, para tributação, na declaração de ajuste anual. No Judiciário, à unanimidade, decidiu a Quarta Turma do Tribunal Regional -Federal da la Regido, tendo como Relatora a Exma. Sra. Juiza Diana Calmon, quanto à. matéria em julgamento, conforme a seguinte ementa: "Tributário - Imposto de Renda - responsabilidade... contribuinte ou responsável - Incidência .sobre correção monetária. 4 Processo n' 11020.000630/2004-02 52-Cl Ti Acórdiio n 2101-00.874 H. 3 I 0 pagamento do tributo deve ser feito pelo contribuinte e só na hipótese de não set- o mesmo encontrado, é que ,se impõe exigibilidade ao responsável.. Do voto, excerta-se: "Os impetrantes, ora recorrentes, afirmam que efetuaram as .suas declarações pautando-se nas informações .fornecidas pela fonte pagadora, sem nada omitirem ou .sonegarem Portanto, entendem que se houver omissão, equivoco ou retenção na fonte "a menor" do Imposto de Renda, não podem ser responsabilizados pelo erro. Ademais ponderam que a parcela paga a mais e sobre a qual não houve a retenção .... O primeiro dos' argumentos não pode prosperar, porque responsabilidade primeira quanto ao pagamento é do contribuinte, ,Só na hipótese de não ser possível a cobrança do mesmo é que é chamado o responsável tributário, o qual fiinciona como uma espécie de garante." (AAIS 93.01.34 ,1466-1- MT) Por fim, cumpre assinalar que a jurisprudência mansa e pacifica em relação matéria ern discussão deu suporte à edição da Simula CARP n° 12, verbis: Súmula CARP le 12. - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.. Por sua vez, é bastante cristalina a orientação contida no Parecer Normativo n° 1, de 2002, que trata dessa matéria: JUDKI/II,. IV A- 0 RETEN00 DO IMPOST O . RESPONSABILIDADE Estando a .fonte pagadora impossibilitada de efetuar a retenção do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade desloca-se, tanto na incidência exclusivamente na . fonte quanto na por antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuando-se o lançamento, no caso de procedimento de oficio, em nome deste.." Conforme descrição dos fatos, as parcelas indenizatórias e os honorários advocaticios já tbram excluídos da base de cálculo do lançamento em exame. Incide o imposto de renda em relação à parcela dos juros calculados sobre as verbas tributáveis, consoante determina o artigo 56 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto IV 3,000, de 1999: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos eh 5 rendimento.s, inclusive juros e atualização monetária (Lei re 7.713, de 1988, art. 12). (grifc!i) Quando a exclusão da multa, falta previsão legal para acatar este pleito do recorrente, porquanto os rendimentos por ele classificados como isentos e não hibutáveis são tributados na deciaração de ajuste anual . Esta obrigação tem. amparo legal, conforme muito bem argumentado no voto condutor do acórdão recorrido. Não há dúvidas, portanto, a reclamar a regência do artigo 112 do CTN.. A fonte pagadora não é a contribuinte do imposto, na medida em que, a ela cabe tão-somente reter o imposto do verdadeiro contribuinte, o beneficiário do rendimento, e repassa-lo à Fazenda Nacional.. A exclus-ão do beneficiário do rendimento da relação jurídico-tributaria só ocorre nos casos de tributação exclusivamente na fonte, se não houver medida judicial que impeça a. fonte pagadora de efetuar a retenção do imposto devido. A falta de retenção do imposto pela fbnte pagadora ado exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferece-los à tributação em sua declaração de ajuste anual, A diferença é clue, em havendo retenção, o contribuinte recebera um rendimento liquido menor, mas o imposto sera aproveitado na declaração de ajuste anual . A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora, quando detectada após o ano calendário, (5 infração sobre a qual se impõe multa especifica, além da cobrança dos juros de mora devidos do mês do efetivo pagamento até a data prevista para a apresentação da declaração de ajuste anual peio beneficiário do rendimento, mom.ento a partir do qual a mora deve ser imputada a este, por omissão ou declaração inexata. A. responsabilidade por in frações à legislação tributária independe da intenção do agente ou cio responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato — 6 o que dispõe o artigo 136 do CTN.. A declaração inexata (dedução de imposto não retido pela fonte pagadora), nos termos do inciso 1 do artigo 44 da Lei IV 9„430, de 1996, é causa para a aplicação da =ha dc oficio cm seu percentual mínimo dc 75% (setenta e cinco por cento): Art. 44. -1V -o.s casos de lançamento de qficio . Sera() aplicadas as .seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo OU Conti ibuição.. - de setenta e cinco por cento, nos easos de laity de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, .sem o acré.scimo de multa moratória, de falia de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso .seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, mm casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos' 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de .30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis'. I"As multas de que trata este artigo serão exigidas, - juntamente coin o tributo ou a contribuição, quando não houverem .vido anteriormente pagos; Com relação as férias indenizadas no Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho ã if 38, verifica-se que a Secretaria da Receita Federal reconheceu ser indevida a incidência tributária sobre este rendimento, para os trabalhadores em geral, através do Ato .Declaratório Interpretativo SRF n° 5, de 27/04/2005, publicada em 28/04/2005, para os valores pagos (em pecúnia) a titulo de licença-prêmio e férias não gozadas, por necessidade do serviço, aos trabalhadores cm geral ou a servidor público. Todo trabalhador tern direito ao gozo de ferias, que deve ocorrer dentro dos doze meses subseqüentes a sua aquisição.. Como punição ao empregador que viola tal norma, a CLT impõe o pagamento em dobro das ferias não gozadas . É óbvio que somente por 4 '1 6 Processo n° 1[020.000630/2004-02 52-C1TI Ackirchio n .° 2101-00.874 Fl 4 necessidade do serviço tal fato pode owner . No caso em exame, a sentença trabalhista é clara ao determinar o pagamento ern dobro das férias nab gozadas pelo reclamante,. As decisões deste Conselho têm manifestado o mesmo entendimento, conforme ementa do Acórdão CSRF/01-03,256, de 20 de março de 2001: 1RPF FÉRIAS - Os valores recebidos a titulo de lê rias, quando indenizadas, fulo que constitui presunção no sentido de que houve necessidade de serviço, assumem natureza indenizató ria e, consequentemente, não são alcançados pela incidência do imposto de renda Os mesmos fundamentos que conduziram o voto na Câmara Superior fbram colacionados pelo ilustre Conselheiro Rernis Almeida Estol, no Acórdão de n' 104-19..832, sessão realizada em 19/02/2004: A investigação da natureza jurídica dos rendimentos remote-nos à conclusão dc que se trata de efetiva indenização.. Ora, á luz do art, 43 do Código Tributário Nacional, o imposto de renda incidirá sobre acréscimos patrimoniais, decorrentes do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, As indenizações, por sua vez, não representam urn acréscimo patrimonial, pelo contrario, destinam-se a reparar um dano e restabelecer uma situação anterior. No caso presente, a percepção de valores vem reparar urn dano sofrido pelo funcionário, em razão da impossibilidade de fruição de direitos. Mesmo no conceito de proventos de qualquer natureza, acaso o contribuinte utilize o eventual ressarcimento financeiro de ferias ou licença prêmio, não gozadas, para a aquisição de bens e/ou direitos consignáveis em sua declaração de bens, tal incremento patrimonial estar á. amplamente acobertado por rendimentos dc origem conhecida e declarada, sobre os quais não ha hipótese de incidência tributária. Não sem razão, o Poder Judiciário firmou jurisprudência a respeito da matéria, retratada nas súmulas 125 e 136 do Superior Tribunal de justiça, vejamos: "Stimuli! 125 - O pagamento de . lêrlas não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito a incidência do imposto dc renda (D.J.U. de 15,12,94, página 34.815). Súmula 136 - O pagamento de licença prêmio não gozada por necessidade de serviço não esta sujeito ao impost() dc renda (Li. U. de 17.05.95, página 13 740)." A própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através do ilustre Subprocurador Geral da Fazenda Nacional Doutor Luiz Fernando Oliveira de Moraes, afirma que "a convergência entre os atos da Administração e as decisões judiciais, constitui um objetivo a ser sempre perseguido." Pela mesma motivação, este Conselho de Contribuintes, na mesma linha do Poder Judiciário, tern se posicionado no sentido de afastar campo da incidência tributária os valores recebidos a titulo de ferias indenizadas.. 71Ï 7 Ademais, tenho plena convicção de que o fato das férias não haverem sido gozadas constitui presunção no sentido de que houve necessidade de serviço, tuna vez que a concessão depende, exclusivamente, do empregador.. Desta :forma, as férias indenizadas em dobro, no valor de 4..976,48, acrescida dos juros de 51,367% (R$2.556,26), conforme planilha considerada pela fiscalização na apuração da matéria tributável do lançamento em exame (fl. 34), totalizando R$7.532,74, deve ser excluída da tributação. Em face ao exposto, dou parcial provimento ao recurso para excluir da base de calculo o montante de R$7,532 74.. Jose cila Santos
score : 1.0
Numero do processo: 10730.731199/2012-72
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Numero da decisão: 2002-000.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
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DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 73 11 99 /2 01 2- 72 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10730.731199/201272 Acórdão n.º 2002000.979 S2C0T2 Fl. 48 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 07/12) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011, onde se apurou a Dedução Indevida de Despesas Médicas de R$ 13.380,80 referente à Amil Assistência Médica Internacional. A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02/04), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 29): Cientificada da exigência em 05/09/2012 (fl. 24), a contribuinte apresentou, em 26/09/2012, impugnação acostada às fls. 2/4, em que discorda da glosa efetuada, sob a alegação de que se trata de despesa própria. Por fim, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. Protesta, acaso necessário, pela realização de diligência dirigida à empresa Amil Assistência Médica Internacional. A Impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/BSB em decisão assim ementada (efls. 28/31): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa efetuada quando os valores deduzidos na Declaração de Ajuste Anual não são comprovados por documentação hábil e idônea. Cientificada do acórdão de primeira instância em 14/09/2015 (efls. 34), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 07/10/2015 (efls. 37/39) reapresentando os argumentos de sua Impugnação com os seguintes acréscimos: Entende que a recorrida deveria intimar a Amil para que corroborasse a declaração firmada pela recorrente, aplicandose assim o ônus que lhe cabe, a teor do disposto no artigo 333 incisos I e II do Código de Processo Civil, que determina que ao autor cabe o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Afirma que a instância a quo não observou o contido nos artigos 31 e 32 do Decreto 70.235/72, deixando de proferir decisão sobre alguns pontos da defesa, e requer a reapreciação de toda a matéria de defesa por essa instância superior. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10730.731199/201272 Acórdão n.º 2002000.979 S2C0T2 Fl. 49 3 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame da Notificação de Lançamento verificase que a autoridade fiscal considerou indevida a dedução de R$ 13.380,80 declarada para a Amil Assistência Médica Internacional por falta de comprovação de seu pagamento (efls. 09/10). A decisão recorrida considerou improcedente a Impugnação apresentada por não ter a contribuinte apresentado documento com a discriminação dos valores pagos por beneficiário do plano de saúde, conforme trecho a seguir reproduzido (efls. 30/31): Em sua peça de defesa, a contribuinte discorda da glosa efetuada e consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes. Entretanto, o demonstrativo acostado à fl. 13, emitido pelo Clube Militar, não é suficiente para comprovar a dedutibilidade da despesa contestada, pois não discrimina os valores pagos por beneficiário (titular e dependentes) do plano de saúde contratado, como solicitado no Termo de Intimação à fl. 20. Acrescentese que tal documento informa valores pagos por Maria Thereza L V de Almeida, mas não esclarece se ela é a única beneficiária do plano contratado. Em consequência, a glosa efetuada deve ser mantida. Com efeito, verificase que o comprovante emitido pelo Clube Militar (efls. 13) aponta os valores pagos pela recorrente à Amil, mas não indica quem são os beneficiários do plano e que parcela do valor pago referese a cada um deles. Tendo em vista que nenhum elemento de prova foi anexado ao Recurso Voluntário para contrapor as razões trazidas pela instância a quo, não merece reforma a decisão recorrida. Vale lembrar que apenas podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes, nos termos do art. 80, §1º, II do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, e as despesas médicas de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, conforme art. 80, §5º, do RIR/99. Por esse motivo, tornase indispensável para fins de dedução a discriminação dos valores pagos por beneficiário do plano de saúde. Cumpre esclarecer que, ao contrário do que consta do Recurso Voluntário, não cabia à autoridade fiscal intimar a Amil para que esta corroborasse as alegações apresentadas pela recorrente. Todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas a comprovação por documentação hábil e idônea, nos termos do art. 73 do RIR/99, e, havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10730.731199/201272 Acórdão n.º 2002000.979 S2C0T2 Fl. 50 4 ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. A finalidade da realização de diligências é elucidar questões comprometidas e não produzir provas em favor do contribuinte. Importa salientar, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância é livre para formar sua convicção na apreciação de provas, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, ciente das razões expostas na decisão de piso, poderia a interessada ter solicitado junto à Amil um documento contendo os valores discriminados por beneficiário do plano ou uma declaração indicando que ela era a única beneficiária à época. No entanto, nenhum elemento de prova foi anexado ao Recurso Voluntário. Quanto à alegação de que a instância a quo teria deixado de proferir decisão sobre alguns pontos da defesa, impõese observar que a recorrente não indicou quais foram as omissões por ela constatadas, não cabendo a este Colegiado proceder a essa análise. Cabe registrar nesse ponto que o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os argumentos apresentados pelo sujeito passivo quando no voto há fundamentos suficientes para legitimar a conclusão por ele abraçada. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000598/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO.
O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública.
O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.
É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o Auditor-Fiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA.
A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial.
Numero da decisão: 3302-006.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o Auditor-Fiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o AuditorFiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 05 98 /2 01 0- 31 Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.214 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). Relatório Por bem transcrever e retratar a realidade dos fatos, adoto parte do relatório da decisão de piso de fls. 1.0181.039: Tratase de autos infração relativos à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 705 a 726) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 705 a 713 e 727 a 738), dos períodos de apuração de janeiro de 2006 a novembro de 2007, com crédito tributário constituído no total de R$ 7.637.269,45, (somados o principal e juros de mora calculados até 30/11/2010), lançado com a exigibilidade suspensa por medida judicial das Acões Judiciais nº 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905 da 13ª Vara de São Paulo, impetradas pela concessionária de veículos ABC Motors Ltda. CNPJ 01.979.916/000106, que foi incluída como sujeito passivo solidário da obrigação tributária constituída nestes Autos de Infração. No Termo de Verificação fiscal a autoridade lançadora explicita: (...) 11. Este procedimento fiscal visa o lançamento do crédito tributário de PIS e COFINS do período de Janeiro de 2006 a Novembro de 2007 com exigibilidade suspensa por medida judicial até o trânsito em julgado, em razão da Ação Ordinária nº 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905 com pedido de tutela antecipada (processo de acompanhamento judicial nº 10880.001158/200343) impetrada pela concessionária de veículos ABC Motors Ltda (...) com o objetivo de impedir aplicação das alíquotas majoradas de Pis e Cofins – Regime Monofásico (art. 1º da Lei 10485/02) pela montadora Honda Automóveis do Brasil Ltda, (...). No Mérito da Sentença Judicial obtida pela ABC Motors, da alíquota de PIS/COFINS no regime monofásico de 11,60% (2% e 9,6%) deverá ser aplicada pela montadora Honda 6,47% (1,11% e 5,36%) que deverá se abster de recolher o percentual de 5,13% (0,89% e 4,24%). 12. Ao analisar todos os elementos, principalmente a composição dos valores de PIS/COFINS informado pela Honda, referente a vendas efetuadas para a ABC Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.215 3 Motors Ltda no período de Janeiro de 2006 a Novembro de 2007, verificouse que a alíquota aplicada para (...) PIS e COFINS foi de 1,11% e 5,36% respectivamente (...), a diferença de 0,89% mais 4,24% (5,13%), não foi recolhido face a Sentença Judicial.(...) (...) 13. Portanto, para prevenir a decadência foram constituídos os créditos com exigibilidade suspensa (...). 14. Os veículos automotores (...) mencionados nos anexos I e II da lei 10485/02, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica (...), arts. 1º e 3º com as alterações introduzidas pela lei 10865/2004, trazem a seguinte redação. Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) 15. (...) São responsáveis solidários a Honda Automóveis do Brasil Ltda (...) e a ABC Motors Ltda (...) tendo em vista a Ação Ordinária nº 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905(...). Ainda no Termo de Verificação há a seguinte síntese das ações judiciais responsáveis pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.216 4 Em 19 de outubro de 2002 a empresa ABC Motors Ltda. ajuizou a ação ordinária n° 2002.61.00.0296324 junto à 13ª Vara Federal de São Paulo, com pedido de antecipação da tutela, objetivando o afastamento do regime monofásico na tributação do PIS e COFINS, instituído pela Lei n° 10.485/2002, incidentes na venda de veículos pelos fabricantes e importadores. Em 11/02/2003 foi deferido o pedido pelo Juiz Federal da 13º Vara de São Paulo para: “a) Afastar o regime de antecipação tributária tributária, estabelecido pela Lei n. 10.485/2002, intitulado de regime "monofásico" de recolhimento tributário, pela aparente incompatibilidade com a eleição constitucional do sujeito passivo da obrigação tributária, no tocante aos tributos de natureza pessoal, a saber o PIS e a COFINS e, de conseguinte; b) Determinar às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 3,65% sobre o valor total do veículo, afastandose, por conseqüência, toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário, em razão do aqui decidido, até a solução final do feito; bem como c) Autorizar às autoras que realizem o cálculo e o recolhimento dos tributos PIS e COFINS considerando a diferença entre o valor de venda do concedente e o valor de venda ao consumidor final, dos veículos novos, a exemplo do regime conferido aos veículos usados. Oficiese aos fabricantes e importadores relacionados nos autos, comunicandose a presente decisão, cientificandoos de que, doravante, o recolhimento tributário do PIS e da COFINS será realizado nos termos dessa decisão, devendo proceder ao desconto do percentual de 3,65% sobre o valor das notas fiscais emitidas em nome da autora e suas coligadas, referente a aquisição de veículos novos (zero quilômetros), ficando expressamente afastada a responsabilidade dos respectivos fabricantes e importadores, pelos valores devidos pelas concessionárias referente aos tributos mencionados” Em 17 de março de 2005, a ABC Motors Ltda ajuizou outra ação ordinária, de n.o 2005.61.00.00055905, junto à 13ª Vara Federal de São Paulo, com pedido de antecipação de tutela, para que a dedução da montadora do preço total da nota fiscal emitida contra a autora fosse o percentual de 5,13%, referente ao valor de PIS e COFINS embutido na cobrança monofásica, dada a alteração da alíquota introduzida pela Lei n° 10.864/2004. Autos apensados ao de n.o 2002.61.00.0296324. Em 11 de novembro de 2005 foi publicada a sentença de 1ª Instância que julgou procedente o pedido da ABC Motors para: “(a) DECLARAR, em caráter incidental, a inconstitucionalidade da sistemática de recolhimento imposta pela Lei n.° 10.485, de 3 de julho de 2002, com a redação da pela Lei n.° 10.865, de 30 de abril de 2.004, bem como pela Lei n.° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, intitulada de incidência monofásica de tributação, e, de conseguinte; (b) DECLARAR a não existência de relação jurídicotributária que obrigue a autora a submeterse a esse regime de tributação e; (c) DETERMINAR às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 5,13% sobre o valor total do veículo, promovendo a entrega dos veículos objeto do contrato de concessão sem a dedução antecipada da Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.217 5 mencionada parcela quando da emissão das respectivas notas, afastandose, por conseqüência, toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário das contribuições do PIS e da COFINS, bem como; (d) DECLARAR o direito de a autora compensarse de todos os valores indevidamente recolhidos pela montadora, em obediência às leis declaradas inconstitucionais pela presente decisão, atualizados tais valores pela variação da TAXA SELIC, desde a data da retenção até o efetivo exercício da compensação.” Em 12/11/2010, em julgamento da Apelação Cível n.o 2002.61.00.0296324, o TRF 3.a Região deu provimento ao apelo da Fazenda Nacional nos autos de Ação Declaratória aforada por concessionárias de veículos novos, no sentido de considerar constitucional o regime monofásico instituído pela Lei 10.485/2002, mediante o qual apenas as fabricantes e importadoras são sujeitos passivos da obrigação tributária de recolher o PIS e a COFINS sobre suas receitas, afastando, ademais, a pretensão das autoras de efetuar o recolhimento dessas contribuições apenas sobre a diferença entre o valor de venda do fabricante/importador e o valor de revenda ao consumidor final. A contribuinte teve ciência dos Autos de Infração em 23/12/2010, e em 21/01/2011 apresentou impugnação argüindo em síntese o que segue. A autuação se deu em razão de a impugnante ter deixado de recolher PIS e COFINS segundo o regime monofásico instituído pela Lei 10.485/02 e alterado pela Lei 10.865/04, em cumprimento a ordem judicial que determinou que a contribuinte se abstivesse de recolher o percentual de 3,65%, posteriormente alterado para 5,13% sobre a receita de venda de veículos à ABC Motors Ltda, referente a PIS e COFINS. No período de janeiro de 2006 a novembro de 2007, a impugnante recolheu o PIS e a COFINS com alíquota inferior à prevista legalmente, “tendo em vista que restou afastada pela decisão judicial a substituição tributária decorrente do regime monofásico de recolhimento dessas contribuições”. (Grifei) Em questão preliminar afirma a impugnante que o Auto de Infração é nulo em decorrência da iliquidez do crédito tributário nele exigido, uma vez que a fiscalização não averiguou se a ABC Motors Ltda havia recolhido os valores que a Honda Automóveis do Brasil Ltda foi obrigada a se abster de recolher, por determinação judicial. Afirma que, para lançar tributo, bem como cobrálo efetivamente, a Administração Pública deve provar a ocorrência do fato gerador, e fazer constar do Auto de Infração sua correta descrição, o valor e origem do crédito lançado, o prazo para recolhimento ou defesa, sendo que a inadequada descrição dos fatos ou a ausência dos requisitos citados, não apenas acarreta o cerceamento do direito de defesa do contribuinte mas dá causa à nulidade do lançamento por vício material. Que é o que acontece nestes Autos de Infração em que a exigência do PIS e da COFINS é ilíquida e incerta, em decorrência da falta de comprovação pela autoridade fiscal de que os valores exigidos da Honda não foram recolhidos pela ABC Motors. (...) Quanto ao mérito, alega a impugnante que o regime jurídico da apuração monofásica é igual ao da substituição tributária e semelhante ao regime de retenção Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.218 6 na fonte do IR, e que por conta disso, deveria aplicarse ao caso em tela o mesmo entendimento manifestado no Parecer Normativo CST n.o 1 de 2002, quanto à hipótese de impossibilidade de retenção/recolhimento de tributo por força de ordem judicial. (...) Sendo que a aplicação do entendimento do Parecer Normativo CST n.º 1 de 2002, a eximiria da responsabilidade pelos tributos lançados nos Autos de Infração. (...) A impugnante conclui sua argumentação pedindo que: a) os autos de infração sejam declarados nulos por vício material, com fundamento nos art. 142, 149 do CTN e 10 e 11 do Dec 70235/72; b) caso não seja esse o entendimento, que os autos de infração sejam julgados improcedentes diante da ausência de responsabilidade da impugnante pelas contribuições devidas pelo contribuinte de fato, não recolhidas em razão de determinação judicial, com fundamento no Parecer Normativo n.o 01/2002 e arts. 121 e 128 do CTN; c) ou que seja afastada a responsabilidade da impugnante pelo recolhimento do tributo que, por ordem judicial, cabia unicamente a ABC Motors. A ABC Motors Ltda, incluída como sujeito passivo solidário da obrigação tributária constituída nestes autos de infração, apresentou sua própria impugnação, que também será tratada no presente voto. Em 08 de outubro de 2012, a DRJ julgou improcedentes as impugnações nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA X INCIDÊNCIA CONCENTRADA OU MONOFÁSICA. Substituição Tributária e Incidência Concentrada têm desenhos jurídicos diferentes, ainda que possam ter o mesmo resultado econômico. Na substituição tributária temos dois sujeitos passivos da mesma obrigação, o substituídocontribuinte e o substitutoresponsável. Temos tributos devidos pelo contribuinte e recolhidos pelo responsável. Tributase a presunção de fatos geradores futuros. Existe ressarcimento de tributos incidentes sobre fatos geradores presumidos não ocorridos. Na incidência concentrada temos apenas um único sujeito passivo para cada etapa da comercialização do produto. O contribuinte deve e recolhe tributos sobre fatos geradores ocorridos em suas próprias operações comerciais. Não há nem substituto nem substituído, nem fato gerador presumido. O que há é a tributação concentrada, que consiste em aplicar alíquotas diferenciadas, mais elevadas, em pontos estratégicos da cadeia econômica e em exonerar os demais pontos. Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.219 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA X INCIDÊNCIA CONCENTRADA OU MONOFÁSICA. Substituição Tributária e Incidência Concentrada têm desenhos jurídicos diferentes, ainda que possam ter o mesmo resultado econômico. Na substituição tributária temos dois sujeitos passivos da mesma obrigação, o substituídocontribuinte e o substitutoresponsável. Temos tributos devidos pelo contribuinte e recolhidos pelo responsável. Tributase a presunção de fatos geradores futuros. Existe ressarcimento de tributos incidentes sobre fatos geradores presumidos não ocorridos. Na incidência concentrada temos apenas um único sujeito passivo para cada etapa da comercialização do produto. O contribuinte deve e recolhe tributos sobre fatos geradores ocorridos em suas próprias operações comerciais. Não há nem substituto nem substituído, nem fato gerador presumido. O que há é a tributação concentrada, que consiste em aplicar alíquotas diferenciadas, mais elevadas, em pontos estratégicos da cadeia econômica e em exonerar os demais pontos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 CONCOMITÂNCIA Se as questões a serem decididas no processo administrativo já foram levadas ao Poder Judiciário, então fica configurada a concomitância entre as esferas administrativa e judicial, devendo, assim, ser encerrada, sem análise do mérito, a discussão administrativa, em função do princípio constitucional da unidade de jurisdição, do qual decorre a regra da prevalência das decisões judiciais sobre aquelas prolatadas pelas autoridades administrativas. Intimada da decisão em 16.11.2012 (fls.1.050), a Recorrente Honda Automóveis protocolou recurso voluntário em 17.12.2012 (fls.1.0531.085), requerendo a reforma da decisão de primeira instância e o cancelamento do Auto de Infração, cujos argumentos estão representados pelos seguintes tópicos: (i) da inexistência de concomitância entre a ação judicial da empresa ABC Motors e o presente processo administrativo da ora Recorrente; (ii) nulidade do auto de infração por iliquidez; (iii) ausência de responsabilidade da montadora Honda Automóveis, ora Recorrente, violação ao inciso I, do artigo 121, c/c artigo 128, do CTN, interpretados pelo Parecer Normativo CST nº 01, de 2002; (iv) os limites da responsabilidade no regime da substituição tributária: encerramento do período de apuração do tributo enseja a transferência do dever de pagar o tributo ao contribuinte (substituído); e (v) da ausência de responsabilidade diante da determinação judicial de recolhimento de parte do tributo pela concessionária ABC Motors. A Recorrente ABC Motors foi cientificada em 07.08.2017 (fls.1.156), e protocolou recurso voluntário em 06.09.2017 (fls.1.1581.186), alegando, em síntese: i. A fiscalização utilizouse de processo administrativo de acompanhamento de medida judicial incorreto, eis que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF foi aberto exclusivamente em face da montadora Honda Automóveis; Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.220 8 ii. Não houve abertura de MPF em face da concessionária ABC Motors Ltda.; iii. A concessionária ABC Motors não foi intimada do procedimento de fiscalização e a fornecer informação para consolidação do crédito tributário; iv. Os elementos para composição do crédito exigido foram os fornecidos exclusivamente pela montadora Honda Automóveis em ofensa a ampla defesa, contraditório e princípio da publicidade administrativa, ainda que se considere o princípio do inquisitório no procedimento fiscal adotado; v. Ambas as sentenças proferidas nas ações ordinárias foram expressas ao afastar a responsabilidade da montadora, como consequência e meio de operacionalizar a declaração de inconstitucionalidade do regime monofásico instituído pela Lei n. 10.485/2002, atribuindo a responsabilidade (sujeição passiva) por eventual passivo tributário às concessionárias e coligadas, como informado por Ofício aos Ilmos. Delegados da Receita Federal em São Paulo e em Contagem/MG; vi. O lançamento afrontou expressa determinação judicial quanto ao sujeito passivo pelo crédito tributário, que não é a montadora Honda Automóveis; vii. O termo de sujeição passiva não precisa o inciso do art. 124 do CTN aplicável à conduta da Recorrente, tratandose de responsabilização genérica e que sequer observou as peculiaridades do caso, já que, por determinação judicial, seria caso de sujeição passiva e não responsabilidade solidária; e viii. A incorreta indicação do Sujeito Passivo implica em vício material, insanável, que eiva de nulidade absoluta o lançamento tributário. É relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os recursos interpostos pelos Recorrentes são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, as Recorrentes pleitearam o afastamento da concomitância aplicada na decisão de piso e o cancelamento do Auto de Infração por vícios no lançamento fiscal. Todos os argumentos trazidos pelas Recorrentes já foram devidamente analisadas por este relator nos autos do PA 10830.724511/201162, caso idêntico ao presente processo. Pois bem. Dispõe os artigos 50, §1º, e 64, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.221 9 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. *** Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Com base nas normas anteriormente citadas, adoto como razões de decidir a decisão proferida pela i. Julgadora Maria do Socorro Ferreira Aguiar, nos autos do PA 10830.724511/201162 (acórdão 3302004.498), a saber: PRELIMINARES Dos efeitos da Ação Judicial Impetrada Observase das duas peças recursais que há um argumento comum pela inexistência de concomitância, seja pela ausência dos pressupostos necessários para a alegada concomitância, seja pela diferenciação dos objetos nas diferentes instâncias. Repisese, por oportuno, a informação já consignada no relatório do presente voto de que o procedimento fiscal sub examine, conforme item 2, fl.30 do Termo de Verificação Fiscal, doravante TVF, se ateve unicamente aos efeitos das Ações Ordinárias n°s 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905 ajuizadas contra a União, junto à 13ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, pela concessionária ABC Motors Ltda (...), revendedora de automóveis fabricados pela Honda Automóveis do Brasil Ltda. Estando precisamente delimitado o contexto fático e jurídico da ação fiscal, uma vez que a tutela antecipatória afastou o regime de antecipação tributária, estabelecido pela Lei nº 10.485, de 2002, que instituiu o regime monofásico na tributação do setor automotivo, analisarseá a seguir os efeitos das referidas ações judiciais ao caso concreto em face da legislação de regência da matéria, com as respectivas alterações pertinentes. · CF de 1988, art. 149, § 4º: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez.(grifei). · Lei nº 10.485, de 2002, artigos 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela Lei n.º 10.865, de 2004: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.222 10 Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente.(grifei). (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(grifei). (...) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(grifei). I o caput deste artigo;e II o caput do art. 1o deste artigo, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. · Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, deu nova redação ao inciso II acima: II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Com escopo na legislação acima foi instituído o regime de incidência monofásica que estabelece a tributação das contribuições do PIS e da COFINS, de forma concentrada, através da aplicação de alíquotas maiores nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Inferese portanto que pela sistemática de incidência monofásica ocorre o fato gerador nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo incidência das referidas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. Estabeleceu portanto a lei o regime de incidência monofásica na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, conforme autorizado pela norma constitucional. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.223 11 Essa é portanto a matéria nuclear da lide, cuja apreciação requer a análise do texto legal, enquanto norma abstrata e a determinação judicial, como norma individual aplicável à espécie dos autos. Nesse sentido, é importante assinalar que conforme destacado no TVF, a empresa Honda, é uma sociedade empresária limitada que tem por objeto a importação, comercialização e exportação de automóveis e peças para automóveis; serviços (treinamento, comissão e intermediação); prestação de serviços de assistência técnica, cadastrada no CNPJ sob o CNAE fiscal 2910701 Fabricação de automóveis, camionetes e utilitários, enquanto que a empresa ABC Motors Ltda é concessionária de veículos automotores fabricados pela Honda Automóveis do Brasil Ltda. Examinase a seguir a tutela judicial: AÇÃO ORDINÁRIA N° 2002.61.00.0296324, (documentos de fls.37/68): · TUTELA ANTECIPATÓRIA, fl.40: Face ao exposto, verificando a presença dos pressupostos que autorizam a antecipação da tutela (art. 273 do CPC), defiro a tutela postulada para o efeito de (a) afastar o regime de antecipação tributária, estabelecido pela Lei n. 10.485/2002, intitulado de regime "monofásico" de recolhimento tributário, pela aparente incompatibilidade com a eleição constitucional do sujeito passivo da obrigação tributária, no tocante aos tributos de natureza pessoal, a saber o PIS e a COFINS e, de conseguinte, (b) determinar às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 3,65% sobre o valor total do veículo, afastandose, por conseqüência, toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário, em razão do aqui decidido, até a solução final do feito, bem como (c) autorizar às autoras que realizem o cálculo e o recolhimento dos tributos PIS e COFINS considerando a diferença entre o valor de venda do concedente e o valor de venda ao consumidor final, dos veículos novos, a exemplo do regime conferido aos veículos usados. Oficiese aos fabricantes e importadores relacionados nos autos, comunicandose a presente decisão, cientificandoos de que, doravante, o recolhimento tributário do PIS e da COFINS será realizado nos termos dessa decisão, devendo proceder ao desconto do percentual de 3,65% sobre o valor das notas fiscais emitidas em nome da autora e suas coligadas, referente a aquisição de veículos novos (zero quilômetros), ficando expressamente afastada a responsabilidade dos respectivos fabricantes e importadores, pelos valores devidos pelas concessionárias referente aos tributos mencionados. · ACÓRDÃO DO TRF3 http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?Numer oProcesso=200261000296324 (consulta efetuada em 08/02/2016, às 11:21): APELAÇÃO CÍVEL Nº 002963217.2002.4.03.6100/ SP EMENTA MANDADO DE SEGURANÇA. LITISPENDÊNCIA. INEXISTÊNCIA. TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS. LEI Nº 10.485/02. HIGIDEZ RECONHECIDA. LITISPENDÊNCIA AFASTADA. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.224 12 Verificase a inexistência de litispendência, pois as ações apontadas não possuem o mesmo objeto da presente ação, por discutirem legislação anterior a vigência da Lei n. 10.485/02. Preliminar de ilegitimidade ativa das autoras rejeitada. As empresas concessionárias, que compram veículos automotores das montadoras e os revendem a consumidores finais, devem recolher as contribuições sobre sua receita bruta, não sendo viável o desconto do preço de aquisição pago à montadora. Precedentes do STJ.(grifei). O que fez a Lei 10.485/02 foi concentrar a tributação devida ao PIS e ao COFINS no início da cadeia produtiva, estabelecendo alíquota mais elevada para esta etapa de comercialização (artigos 1º e 3º, II), desonerando a fase da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero para as concessionárias (artigo 3º, § 2º). Preliminar de ilegitimidade ativa rejeitada. Apelação das autoras parcialmente provida para afastar a litispendência. Remessa oficial, tida por interposta, e às apelações da Honda e da União Federal providas para reformar a sentença de Primeiro Grau e julgar improcedente o pedido formulado, invertendo se os ônus da sucumbência.(grifei). RELATÓRIO A HONDA AUTOMÓVEIS S/A, terceira interessada, interpôs recurso de apelação (fls. 507/509), pugnando pela reforma da sentença de Primeiro Grau, para que seja mantida a aplicação do disposto na Lei nº 10.485/02 no que se refere à aplicação do PIS e da COFINS incidente nas suas operações de comercialização de veículos automotores novos e desobrigandoa de efetuar a dedução de 3,65% no valor dos veículos faturados às apeladas, como determinado pela r. sentença.(grifei). VOTO A apelação da Honda, da União Federal e a remessa oficial, que se tem por interposta, comportam provimento. (...) Quanto ao mérito, pretendem as autoras concessionárias de veículos o afastamento do artigo 1º da Lei nº 10.485/02, possibilitando o recolhimento do PIS e da COFINS nas operações de veículo zero quilômetro com base na diferença do valor da alienação do veículo ao consumidor e do valor repassado à montadora. No entanto, não lhes assiste razão. É entendimento tranquilo, sedimentado na jurisprudência que as empresas concessionárias, que compram veículos automotores das montadoras e os revendem a consumidores finais, devem recolher as contribuições sobre sua receita bruta, não sendo viável o desconto do preço de aquisição pago à montadora.(grifei). Isto porque, no que se refere a veículos novos, o que fez a Lei 10.485/02 foi concentrar a tributação devida ao PIS e ao COFINS no início da cadeia produtiva, estabelecendo alíquota mais elevada para esta etapa (artigos 1º e 3º, II),desonerando a fase da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero para as concessionárias (artigo 3º, § 2º). Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.225 13 Nesta senda, concluise que o fato gerador ocorre apenas no momento das vendas realizadas pelas montadoras, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. Há inúmeros precedentes do STJ onde afastada a tese defendida pelas autoras, a saber:(grifei). AÇÃO ORDINÁRIA N° 2005.61.00.0055905 (documentos de fls.69/103): · TUTELA ANTECIPATÓRIA, fl.88: Assim, o que se colhe é a não observância por parte do legislador do postulado constitucional da isonomia, ao indicar como único agente sujeito ao regime de tributação monofásico as concessionárias de veículos automotores, situação da empresa autora. Face ao exposto, ANTECIPO PARCIALMENTE aos efeitos da tutela para determinar à montadora de veículos referida pela autora que deduza das notas fiscais emitidas o percentual de 5,13%, referente ao valor das contribuições ao PIS e à COFINS. · SENTENÇA DE 1A INSTÂNCIA, fl.93 Face ao exposto, JULGO PROCEDENTE os pedidos para o efeito de (a) DECLARAR, em caráter incidental, a inconstitucionalidade da sistemática de recolhimento imposto pela Lei n.º 10.485, de 3 de julho de 2002, com a redação da pela Lei n.º 10.865, de 30 de abril de 2.004, bem como pela Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002, intitulada de incidência monofásica de tributação, e, de conseguinte, (b) DECLARAR a não existência de relação jurídicotributária que obrigue a autora a submeterse a esse regime de tributação e (c) DETERMINAR às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 5,13% sobre o valor total do veículo, promovendo a entrega dos veículos objeto do contrato de concessão sem a dedução antecipada da mencionada parcela quando da emissão das respectivas notas, afastandose, por conseqüência, toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário das contribuições do PIS e da COFINS, bem como a (d) DECLARAR o direito de a autora compensarse de todos os valores indevidamente recolhidos pela montadora, em obediência às leis declaradas inconstitucionais pela presente decisão, atualizados tais valores pela variação da TAXA SELIC, desde a data da retenção até o efetivo exercício da compensação. (...) .Oficiese à fabricante (montadora) identificada nos autos, comunicando se a presente decisão, cientificandoa de que, doravante, o recolhimento tributário do PIS e COFINS será realizado nos termos dessa decisão, não devendo ser efetuado o destaque e o recolhimento do percentual de 5,13% sobre o valor das notas fiscais emitidas em nome da autora, referente a aquisição de veículos novos (zero quilômetros).P.R.I. · ACÓRDÃO DO TRF3, fls.99/103: ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia TURMA D do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.226 14 dar provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Os excertos acima têm o condão de demonstrar que está sob o crivo do Poder Judiciário, a quem competirá a decisão final sobre a lide, a matéria tributável, núcleo principal da presente discussão administrativa, que consiste na tributação das contribuições do PIS e da COFINS no âmbito do regime de incidência monofásica, na origem, estabelecido pela Lei nº 10.485, de 2002, sendo indissociável no âmbito do que está posto à decisão do Poder Judiciário, por fazer parte inerente à própria interpretação da referida legislação, não apenas a sujeição passiva, seja enquanto fabricantes e montadoras, seja enquanto concessionária; como a própria sistemática de tributação, no regime monofásico, haja vista a divergência até então demonstrada nas peças judiciais decisórias. É mister salientar à luz das Normas Gerais de Direito Tributário que ao efinir a lei a hipótese de incidência tributária, ocorrido o pressuposto fático temse a ocorrência do fato gerador que dá origem à obrigação tributária nos termos do art. 114 do CTN. Com efeito, o excerto a seguir transcrito do Acórdão TRF3, embora já acima demonstrado deixa antever o nível de abrangência da matéria submetida ao Poder Judiciário, haja vista que perpassa na exegese judicial, da legislação de regência do referido regime desde a definição do momento da ocorrência do fato gerador no âmbito do regime de incidência monofásico até a definição quanto à sujeição passiva no caso concreto, uma vez que está inequivocamente vinculada à matéria em discussão judicial e pendente portanto de definição pelo Poder Judiciário. "concluise que o fato gerador ocorre apenas no momento das vendas realizadas pelas montadoras, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. É mister também salientar que a empresa Honda, como ficou sobejamente demonstrado é terceira interessada na ação, nos termos do 1art. 499 do CPC, então vigente, tendo sido oficiada, na condição de fabricante/montadora pelo Poder Judiciário para cumprimento da tutela antecipatória como já consignado. Nesse sentido após a publicação do acórdão do TRF3 que deu provimento à remessa oficial e à apelação da União para julgar improcedente o pedido inicial como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e nos excertos acima transcritos, onde consta expressamente na decisão meritória do referido acórdão que [...o fato gerador ocorre apenas no momento das vendas realizadas pelas montadoras, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica], a empresa Honda ficou sujeita ao recolhimento das contribuições nos termos dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, com as respectivas alterações. Notese que sabedora de sua condição ante a legislação de regência do citado regime a empresa Honda, conforme documento de fl.56, ao invocar na Ação Ordinária n° 2002.61.00.0296324 junto à 13ª Vara Federal de São Paulo, a condição de terceira interessada (CPC, art. 499), justificou o "interesse" na reforma da decisão, arguindo: [Todavia, o cumprimento da determinação constante na respeitável decisão, causará prejuízos à Apelante bem como proporcionará a quebra da igualdade de concorrência, (i) porque terá de reprogramar o sistema de faturamento, a fim de viabilizar o faturamento diferenciado para a Apelada ABC MOTORS LTDA; (II) passivo tributário imensurável à Apelante, pois, a respeitável Sentença poderá ser reformada pelo E.Tribunal Regional Federal. Ocorrendo a Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.227 15 reforma da respeitável decisão, a Receita Federal exigirá da Apelante o pagamento do PIS e da COFINS com os acréscimos legais (multa, juros e correção), na medida em que, a respeitável decisão, EM NENHUM MOMENTO, RESSALVOU QUE, NO CASO DE CESSAÇÃO DOS SEUS EFEITOS, A RESPONSABILIDADE PELA QUITAÇÃO DOS VALORES NÃO RECOLHIDOS SERIAM DE TOTAL RESPONSABILIDADE DA AUTORA.] Ante o exposto, depreendese que no caso dos autos, entre as questões postas na lide administrativa nas duas peças recursais estão a sujeição passiva e a própria sistemática de tributação no âmbito das contribuições em destaque no regime de incidência monofásica, matérias que pela própria natureza de suas concepções legais são indissociáveis e estão submetidas ao crivo do Poder Judiciário, uma vez que estão expressamente analisadas nas peças decisórias já demonstradas, visto que compõem a própria decisão meritória sobre o assunto, de modo que terão ao final da lide no âmbito do referido poder a definição definitiva no caso concreto. Nesse mister, verificase quanto a essas matérias a concomitância de pedidos, nas esferas administrativas e judicial, estando portanto afastadas do âmbito decisório na via administrativa, sendo importante ressaltar que, pela sistemática constitucional temse que o princípio da unicidade de jurisdição, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal de 1988, confere exclusividade ao Poder Judiciário para a prestação jurisdicional (“a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito”), estabelecendo, deste modo, uma importante regra limitadora do processo administrativo, qual seja a de que as decisões administrativas não são definitivas e seu cumprimento depende de sua não invalidação por algum provimento judicial. Com efeito, a matéria objeto do processo administrativo pode, a qualquer tempo (antes, durante ou depois do processo administrativo), ser levada à apreciação do Poder Judiciário. Assim, do ponto de vista jurídico, a propositura pelo contribuinte, de ação judicial, amparado pela garantia constitucional da inafastabilidade do controle judicial, contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, em face da concomitância dos pedidos. Essa questão está disciplinada pelo 2art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já sumulou a questão, nos seguintes termos: "SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a matéria estava à época da apresentação das impugnações normatizada pelo Ato Declaratório Normativo (Cosit) nº 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/1996), in verbis: "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.228 16 objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de calculo etc.); c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151 do CTN;” Atualmente referida matéria está normatizada pelo Parecer Normativo RFB nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27.8.2014, cuja conclusão a seguir se transcreve apenas como reforço argumentativo sobre o alcance e consequências da concomitância de pedidos: 55. Desse modo, considerando que os arts. 1º, § 2º, do Decreto nº 1.737/1979, e 38, § único, da Lei nº 6.830/80, tem como único objetivo conferir eficácia ao princípio da economia processual, concluise que o não reconhecimento da concomitância pelo CARF resultará numa decisão administrativa prejudicada, redundante e inútil, após a prolação da sentença contrária de mérito no processo judicial que trate da mesma relação jurídica. 56. Repetindo: o não reconhecimento da concomitância tornará o julgamento administrativo desnecessário e inútil naquilo que for contrário à decisão de mérito do Poder Judiciário, simplesmente porque a coisa julgada judicial faz lei entre as partes em caráter definitivo e sua eficácia (ex tunc) não está condicionada ao resultado do julgamento do processo administrativo (arts. 467 e 468 do CPC). A decisão judicial de mérito passada em julgado tem como atributos especiais a indiscutibilidade, a imutabilidade e a coercibilidade, o que obriga o seu cumprimento pela autoridade administrativa, ainda que exista acórdão do CARF em sentido contrário.(gn) Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Dos efeitos da concomitância Pelo que está posto verificase que no caso dos autos, houve renúncia apenas parcial à instância administrativa, porém no que se refere à matéria objeto de demanda judicial, tornouse definitivo e insuscetível de discussão na esfera Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.229 17 administrativa, no entanto a renúncia em tela não tem o condão de tornar nulo o ato, tampouco suspender o curso do processo administrativo, podendo tão somente sobrestálo quanto aos atos executórios até pronunciamento final da justiça, se for o caso. Assim, diante do desprovimento judicial quanto ao pleito inicial, agiu com acerto a autoridade administrativa a quem cumpre aplicar a norma tributária e tem o dever de exigir o crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, ex vi do parágrafo único do art. 142 do CTN, o que foi feito através do lançamento que ora se examina. Nesse mister arrolou ao pólo passivo a empresa Honda, por força das disposições expressas dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, bem como a empresa ABC, como responsável solidária, nos termos do art. 124, visto que o interesse comum, está ampla e sobejamente demonstrado ao longo do presente voto pelas várias transcrições dos excertos das decisões judiciais, cujo fundamento maior amparase justamente na divergência do próprio provimento judicial ao longo da tramitação das referidas ações, se amoldando exatamente à definição do art. 124, sendo irrelevante nesse caso ter deixado a fiscalização de indicar o inciso do art. 124, visto que demonstrou no Termo de Verificação a fundamentação para incluíla no pólo passivo. Portanto para a formalização do lançamento a fiscalização escudouse na decisão judicial, Acórdão do TRF3, fls.99/103, proferido na Ação Ordinária n° 2005.61.00.00055905, junto à 13ª Vara Federal de São Paulo publicado em 29/04/2011, que deu provimento à apelação e à remessa oficial e nas disposições dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002 que possibilitou a identificação dos elementos exigidos pelo art. 142 do CTN para a feitura do lançamento. No caso dos autos, no que se refere à matéria objeto de demanda judicial, tornouse definitiva e insuscetível de discussão na esfera administrativa, no entanto estando pendente de decisão, se esta ao final for favorável à Fazenda e inexistir o lançamento do crédito tributário pertinente e à época da decisão definitiva tiver transcorrido o prazo decadencial, não poderá a Fazenda constituílo, tampouco converter em renda o crédito cujo provimento adveio de decisão judicial definitiva. Nesse sentido fundamentou a decisão de piso: Em todo esse contexto, o lançamento acerta em constituir o crédito contra a montadora, única passível de exigência das contribuições sobre o faturamento no regime monofásico, alistando a concessionária como responsável solidária em função da existência da ação judicial que visa, ao fim, que o Poder Judiciário afaste o regime monofásico e faça incidir a contribuição sobre a diferença de preços.(grifei). Caso se confirme o insucesso da ABC Motors em sua demanda judicial e venham a ser mantidos os termos da legislação atacada, o crédito há de ser cobrado daquele a quem o Poder Judiciário definir como responsável. Em qualquer dos casos, o Auto de Infração se prestará para resguardar o interesse público. Superada a questão quanto a identificação de matérias diferenciadas nas instâncias administrativa e judicial, analisarseá a seguir referidas matérias arguídas pelas duas empresas que compõem o pólo passivo da autuação em exame. Da liquidez do crédito tributário lançado Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.230 18 Destaquese que no tocante ao questionamento da matéria diferenciada, cujo exame não foi contemplado pela decisão judicial, até porque esta é anterior ao lançamento em epígrafe fazse mister, portanto nesse caso o pronunciamento dos órgãos julgadores administrativos. Nesse sentido e em continuidade aos fundamentos já expostos com relação ao acerto do lançamento pela fiscalização, verificase que em conformidade ao decidido pelo acórdão do TRF3 que deu provimento à remessa oficial e à apelação da União para julgar improcedente o pedido inicial, cuja consequência, como já amplamente demonstrado no presente voto, implicou na sujeição da empresa Honda ao recolhimento das contribuições nos termos dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, com as respectivas alterações, consequência aliás reconhecida pela própria recorrente, não ação judicial já destacada, tomou a fiscalização as providências cabíveis ante a constatação do não recolhimento das citadas contribuições nem a declaração em DCTF, conforme detalhadamente expõe no TVF de fls.30/36, notadamente nos itens 18/21 do citado termo. Acrescentese que a metodologia e a especificação do quantum a ser lançado estão demonstrados nos itens 23/25, cujos dados foram fornecidos pela própria empresa Honda, estando o crédito tributário apurado quanto à cada contribuição e período de apuração respectivos demonstrados na planilha, item 25 do TVF, parte integrante dos Autos de Infração de fls.4/16 e 17/29. Em 21 de junho de 2011, o contribuinte tomou ciência do Termo de Inicio de Fiscalização n°01, vinculado ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização N° 08104002011006545, no qual foi intimado a apresentar: Cópia do Contrato Social Consolidado ou equivalente e suas alterações posteriores; Livro Diário dos meses dezembro/2007 a dezembro/2010, revestido das formalidades legais; Livro Razão dos meses dezembro/2007 a dezembro/2010; Quanto ao cálculo do PIS e COFINS, informar por escrito qual o tratamento dado às vendas efetuadas no período de dezembro/2007 a dezembro/2010 à empresa ABC MOTORS LTDA., CNPJ n° 01.979.916/000106, tendo em vista as ações judiciais n°s 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905, por esta ajuizadas junto a 13a Vara da Justiça Federal em São Paulo; Planilha em papel (assinada pelo representante legal) e meio digital (.xis), por mês de competência, contendo os valores das contribuições ao PIS e COFINS dos meses de dezembro/2007 a dezembro/2010 que foram excluídos dos montantes declarados em DCTF e dos valores recolhidos aos cofres da Fazenda Nacional, em virtude das ações judiciais mencionadas no item anterior. Em 14 de julho de 2011 a fiscalizada apresentou os elementos solicitados no termo de início,bem como esclareceu: "01No período de 10/09/2003 à 07/01/2004 em cumprimento a ação judicial n" 2002.61.00.0296324 mantemos o preço total de venda e através de desconto de 3,65% na duplicata, sendo 0,65% referente ao Pis e 3,00% da Cofins atendemos a determinação judicial sendo que o valor deste desconto foi abatido na mesma proporção das referidas contribuições. No período de 11/07/2005 até 29/04/2011 data em cumprimento a ação judicial n° 2005.61.00.0055905 procedemos da mesma forma mencionada no item 01 acima, porém com a alteração dos percentuais sendo 0,89% para o Pis e 4,24% Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.231 19 para a Cofins totalizando um desconto de 5,13% e desta forma atender a determinação judicial. O abatimento é efetuado na duplicata, a fim de evitarmos questionamentos por parte de outros tributos (Ex: ICMS...)". Em 09 de agosto de 2011 a fiscalizada foi intimada apresentar cópia das notas fiscais de saída emitidas contra a concessionária ABC Motors Ltda, conforme relação constante no Termo de Intimação Fiscal n° 02. Em 16 de agosto de 2011 o contribuinte apresentou as cópias das notas fiscais solicitadas. Demonstrase portanto que não se vislumbra a iliquidez arguída uma vez que o crédito tributário lançado corresponde exatamente aos valores não recolhidos e não declarados após a ausência do provimento jurisdicional anteriormente concedido como ratifica a fiscalização. Do ônus probatório Além da iliquidez alegada pela empresa Honda a empresa ABC entre os argumentos de defesa argui a falta de intimação para a fornecer informação para consolidação do crédito tributário. Observase da tramitação processual que as empresas arroladas ao pólo passivo foram regularmente cientificadas dos atos processuais, inclusive sendo acolhida a preliminar arguída pela empresa ABC de cerceamento do direito de defesa que oportunizou o contraditório e ampla defesa, restando assim no presente processo plenamente assegurados às duas recorrentes, no entanto a fase de procedimento fiscal, se constituindo em uma fase inquisitorial, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, como será abordado no item posterior. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, então vigente, verificase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. A impugnação da empresa Honda, fl.587/609 se fez acompanhar de cópias do TVF, fl.643/651, cópias do auto de infração e 2(duas) notas fiscais, fls. 657/658. Ao Recurso Voluntário de fls.1020 está acostado apenas a cópia do acórdão de primeira instância, fls.1.061/1.089. Inferese que as notas fiscais visam demonstrar o percentual de desconto destacado nas referidas notas em função da observância ao provimento judicial anterior ao acórdão do TRF3, situação fática contemplada no TVF, parte integrante dos autos de infração onde restou demonstrado o quantum apurado do crédito tributário, não de forma simplista como apregoa a defesa, mas de forma consentânea Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.232 20 com a legislação aplicável ao caso em face de não estar mais a empresa Honda amparada pelo provimento judicial anteriormente concedido. A empresa ABC apresentou a impugnação de fls.693/719 e à exceção dos documentos de identificação na representação processual não foi anexado qualquer outro documento que vise modificar/extinguir as provas trazidas pela fiscalização ou qualquer outra prova que demonstre recolhimentos efetuados pela referida empresa no período compreendido na autuação e ao Recurso Voluntário de fls. 1.093/1.123 anexou somente cópia do decisão de piso fls. 1.139/1154. Verificase assim que no presente caso a defesa além de não atender as prescrições do inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 que estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir], tampouco se utilizou da faculdade prevista no § 4º do art. 16 do mesmo diploma legal, acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997, que permite ao impugnante apresentar provas documentais em outro momento processual, quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente ou, ainda, se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, o que não ocorreu até o presente momento, sendo portando incabível a arguição na peça recursal da empresa ABC de que [...não foi intimada do procedimento de fiscalização e a fornecer informação para consolidação do crédito tributário], haja vista que a lide administrativa é deflagrada pela impugnação tempestivamente apresentada, momento processual para apresentação das razões e provas que possuir, como já destacado na norma de regência. Embora o Decreto nº 70.235, de 1972 disponha no § 6.º do art. 16 que [Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.], não se constata nos autos documentos apresentados pela Recorrente a serem apreciados por essa colenda turma recursal. Ressalvese que o sistema de apreciação das provas adotado no processo administrativo fiscal, consubstanciado no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 é o sistema de valoração adotado pelo sistema processual brasileiro que é o da persuasão racional, também conhecido pelo princípio do livre convencimento motivado. Como pontua Daniel Amorim, em consequência do livre convencimento motivado o julgador é livre para formar seu convencimento, dando portanto às provas o peso que entender cabível em cada processo, sem existir hierarquia entre os meios de prova. Assim restando demonstrado que as Recorrentes permaneceram silentes quando da oportunidade processual de trazer a prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da exigência sub examine subsiste a prova trazida aos autos pela fiscalização, notadamente quanto à apuração do crédito tributário, colhida vale ressaltar, da própria escrituração dos livros/documentos da empresa Honda disponibilizados à fiscalização, como já referido, visto que a autuação oferece os elementos factíveis com a motivação que deflagrou a ação fiscal cujas provas foram referenciadas no TVF. Da alegada inexistência de vínculo Quanto à exclusão da responsabilidade da recorrente pelas contribuições sociais devidas pelo contribuinte de fato (ABC Motors), segundo a recorrente Honda, não recolhidas em razão de determinação judicial, com fundamento no Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.233 21 Parecer Normativo nº 01/2002 e com escopo nos artigos 121 e 128 do CTN, não há como acolher os argumentos da defesa, primeiro porque a sujeição passiva nos termos emanados dos artigos do CTN já identificados está submetida ao Poder Judiciário, não comportando ao julgador administrativo a exegese dos citados artigos para aplicálos ao caso concreto porque lhe falta competência em virtude da já discutida concomitância. Segundo, ainda que fosse a matéria passível de discussão administrativa, o Parecer Normativo nº 01/2002 não se aplica ao caso dos autos, visto tratar de matérias atinentes ao IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF, entre as quais quanto à atribuição de responsabilidade em caso de impossibilidade de recolhimento decorrente de decisão judicial. O mesmo raciocino se aplica ao pedido da empresa Honda quanto à declaração de inexistência de vínculo de responsabilidade por entender que o recolhimento do tributo por ordem judicial, cabia unicamente à concessionária ABC Motors. Natureza do procedimento fiscal Nas questões específicas trazidas pela empresa ABC, quanto a não intimação para o fornecimento de informações, nem a lavratura de Mandado de Procedimento Fiscal ( MPF) específico, nomenclatura vigente à época, atualmente, Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF) é de se destacar que a fiscalização age em seus procedimentos fiscais segundo as normas pertinentes, haja vista que seus atos se configuram como atos administrativos, assim, no caso que ora se examina há disposição expressa no 5§ 2º do art. 2º da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, de dispensa de MPF quanto aos responsáveis, além de estar disposto no art. 2º, caput da referida portaria que os AuditoresFiscais, [...na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado]. Também não há na legislação imposição para intimação do sujeito passivo se a fiscalização já dispõe dos elementos necessários à formalização do crédito tributário, haja vista que o procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, de natureza inquisitorial, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública, notadamente no caso em espécie como já tratado minudentemente, que a fiscalização balizada nos contornos da decisão judicial que negou provimento ao pleito inicial e nas disposições artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, ao iniciar o procedimento fiscal contra a empresa Honda colheu os dados necessários para a lavratura do auto de infração com a sujeição passiva solidária, sendo portanto prescindível, por força das circunstâncias fáticas e por estar amparada nas disposições do art. 2º da Portaria RFB nº 2.284, de 2010, a intimação à referida empresa ABC . Também não podem ser acolhidas as alegações quanto ao Termo de Sujeição Passiva. Notese que além de ter sido lavrado o referido termo, a citada empresa está identificada expressamente do TVF e nos respectivos autos de infração de fls.4/16 e 17/29 com intimação aos sujeitos passivos para extinguir o crédito tributário constituído pelo lançamento de ofício, por meio do pagamento ou outra forma de extinção prevista em lei ou impugnálo no prazo de 30 (trinta) é textual. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.234 22 Inexistência de nulidade Entre os argumentos aduzidos nas peças recursais pelas empresas Honda e ABC estão a preliminar de nulidade, por vício material do Auto de Infração por iliquidez e incerteza do crédito tributário nele exigido, em decorrência da falta de comprovação, pelo AuditorFiscal, de que os valores ora exigidos não foram recolhidos pela concessionária ABC Motors bem como por indicação equivocada da sujeição passiva face a não aplicação da monofasidade. Restou demonstrado no presente voto as circunstâncias fáticas que motivaram a autuação, a metodologia de apuração do quantum devido, bem como as matérias que não estão sob a apreciação do julgador administrativo, entre as quais como explicitamente fundamentado, a sujeição passiva, logo a arguída indicação errônea da sujeição passiva face a não aplicação da monofasidade é matéria indissociável da lide judicial. Desse modo os fundamentos da autuação, consignados no Termo de Verificação Fiscal, expõem com precisão a motivação da exigência tributária e a indicação da sujeição passiva plural do presente processo, de forma explícita, clara e congruente, consentâneos com a situação jurídica após o não provimento do pleito inicial, já bastante assinalado no presente voto. No presente caso os recorrentes foram regularmente cientificados, o que lhes oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, princípios constitucionais, corolários do devido processo legal, que possibilitam aos interessados arguir suas razões de defesa bem como lhe facultam a contraprova, por todos os meios de prova admitidos em direito, ex vi do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, assim, garantidos pela norma constitucional compareceram aos autos com alentadas peças de defesa, com vasta linha argumentativa, nas quais os já identificados sujeitos passivos rebateram os fundamentos da autuação, no entanto, deixaram de carrear aos autos qualquer elemento probatório com vistas a desconstituir/modificar as provas trazidas pela fiscalização, conforme determina o art. 15 e 16, inciso III do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, os Autos de Infração de fls.4/16 e 17/29 estão formalizados com observância das normas legais, tanto do ponto de vista material e processual, cumprindo portanto a fiscalização o seu mister visto que atendeu às disposições do artigos 69º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e os requisitos do 7artigo 142 do CTN, não se vislumbrando qualquer vício que comprometa a validade dos lançamentos, uma vez que foram atendidas todas as garantias processuais, nos termos do 8art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, além das disposições específicas dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante os fundamentos expostos, depreende se que o cerceamento de defesa alegado na peça recursal não pode ser acolhido, uma vez que aos sujeitos passivos foi assegurada a ampla defesa através da ciência do auto de infração que lhes possibilitou assim exercêla através da peça impugnatória, peça processual que tem o condão de instaurar a fase litigiosa do procedimento, permitindo aos autuados oferecerem ao fisco por todos os meios de prova admitidos em direito, elementos que comprovem suas alegações. Diante dos fundamentos acima constatase que não há reparos no feito fiscal, tampouco na decisão de piso. Ante o exposto, VOTO: Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 15758.000598/201031 Acórdão n.º 3302006.777 S3C3T2 Fl. 1.235 23 I) por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO quanto às matérias eferentes à sujeição passiva e a própria sistemática de tributação no âmbito das contribuições em destaque no regime de incidência monofásica, matérias portanto de cunho meritório e DECLARAR DEFINITIVO na esfera administrativa o lançamento formalizado nos Autos de Infração de fls.4/16 e 17/29; II) por CONHECER as demais matérias não incluídas no pleito judicial, nos exatos termos dos fundamentos aduzidos no voto, para negarlhes provimento. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, nego provimento aos recursos voluntários. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 1235DF CARF MF
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