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Numero do processo: 13971.004437/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2201-002.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 44 37 /2 00 8- 42 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, consubstanciado na Notificação de lançamento, fls. 48/51, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 12.459,38, calculados até 08/2008. A fiscalização apurou omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de Mega Help Informática Ltda. ME, no valor de R$ 17.605,02, com IRRF de R$ 577,38 e Transmagna Transportes Ltda., no valor de R$ 10.713,54, com IRRF de R$ 1.062,91. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Em relação aos aluguéis pagos por Transmagna Transportes Ltda., argúi que o valor informado, de R$57.119,30, está incorreto, que a locatária reconheceu o equívoco e apresentou DIRF retificadora, com o rendimento efetivamente recebido que foi de R$51.561,95. Desta forma, reconhece a omissão de R$5.156,19 (R$51.561,95 – R$46.405,76) desta fonte pagadora e informa que efetuou o pagamento do imposto de renda correspondente, conforme comprovante que anexa. Quanto aos aluguéis recebidos de Mega Help Informática Ltda. ME, argúi que a fonte pagadora declarou de forma equivocada, que a locadora do imóvel situado na Rua Sete de Setembro, nº 1992, em Blumenau, é sua filha Cláudia Regina Silveira, verdadeira beneficiária dos rendimentos. Tais informações se confirmariam na DIMOB apresentada pela administradora do imóvel. Diz que o valor do aluguel é de R$17.455,19, do qual deve ser abatida a comissão pelos serviços prestados paga à imobiliária, no valor de R$872,77, restando efetivamente recebido o montante de R$16.582,42, conforme declarado por Cláudia Silveira. Aduz que fica evidente que inexistiu qualquer omissão, que a renda já foi declarada e tributada por terceira pessoa, sendo assim, infundados os argumentos da Notificação de Lançamento, devendo a mesma ser cancelada. Caso assim não se entenda, requer (fls. 5 a 7) que seja restituído à Claúdia Silveira o pagamento indevido efetuado pela mesma a título de imposto de renda sobre o rendimento de aluguel no valor de R$ R$16.582,42. Invoca o artigo 165, I, do CTN, o artigo 2º, I, da IN SRF nº 210/2002, o artigo 43 do CTN, argumentando, em síntese, que sobre um mesmo rendimento não pode incidir imposto de renda para duas pessoas distintas. Prossegue, citando Luciano Amaro e Ives Gandra da Silva Martins e invocando o princípio constitucional da moralidade, argüindo que impõe ao Fisco devolver, sem demora, toda quantia recebida indevidamente a título de tributo. Requer, ao final, o cancelamento da Notificação de Lançamento, repetindo que: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13971.004437/200842 Acórdão n.º 2201002.018 S2C2T1 Fl. 3 3 ocorreu equívoco por parte da Transmagna Transportes Ltda. ao informar o rendimento, já foi apresentada DIRF retificadora e o imposto referente à parcela omitida já foi recolhido, mediante DARF; inexistiu qualquer omissão, no que se refere a rendimentos pagos por Mega Help Informática Ltda., o que ocorreu foi equívoco por parte da fonte pagadora no preenchimento de informações à Receita Federal, que a DIMOB comprova que ela (a impugnante) não foi a destinatária da receita e que a real beneficiária foi Cláudia Regina da Silveira, que declarou o rendimento. Caso não seja este o entendimento, que se restitua à Cláudia Silveira o pagamento indevido efetuado sobre o rendimento de aluguel da Mega Help Informática Ltda. ME. A 5ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme se extrai da transcrição de parte do voto condutor do julgamento singular: 1. Limites do litígio Antes de qualquer coisa, cumpre precisar os limites do litígio posto a esta Delegacia de Julgamento. Como do relatório se viu, a contribuinte reconhece a omissão da parcela de R$5.156,19 dos rendimentos de aluguel recebidos da Transmagna Transportes Ltda.. 3. Rendimentos recebidos de Mega Help Informática Ltda. ME Como do relatório se viu, a autoridade revisora apurou omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de Mega Help Informática Ltda. ME, no montante de R$17.605,02, com IRRF de R$577,38. A contribuinte alega que a locadora, verdadeira beneficiária do aluguel pago por Mega Help Informática Ltda. ME, locatária do imóvel situado na Rua Sete de Setembro, nº 1992, em Blumenau, é sua filha Cláudia Regina Silveira, que, inclusive, apresentou declaração oferecendo os rendimentos à tributação. Argúi que o valor do aluguel foi de R$17.455,19, do qual deve ser abatida a comissão pelos serviços prestados paga à imobiliária, no valor de R$872,77, restando efetivamente recebido o montante de R$16.582,42, conforme declarado por Cláudia Silveira. A contribuinte junta, em defesa de seus argumentos, os documentos de fls. 27 a 36. Da Escritura do 1º Tabelionato de Notas e Protesto Margarida, à fl. 27, temse que o imóvel da Rua Sete de Setembro, nº 1992, foi adquirido em março de 1992, por Moisés e Tereza da Silveira para a filha Cláudia Regina da Silveira. Contudo, da referida escritura (v. fl. 27/v.) consta: Pelos outorgados compradores foi dito ainda, que compraram o imóvel retro descrito para sua filha, Cláudia Regina da Silveira, gravando porém dito imóvel com as cláusulas de inalienabilidade e impenhorabilidade enquanto ambos viverem, declarando ainda, que ditos bens poderão ser alienados durante Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 a vida dos outorgados compradores com o expresso consentimento dos mesmos, e, ficando ditos bens, completamente livres e desembaraçados destas cláusulas após a morte dos outorgados, mediante apresentação de requerimento ao Registro de Imóveis com as respectivas certidões de óbito, bem como gravam ainda ditos bens, com a cláusula de incomunicabilidade, isto é, mesmo que Cláudia Regina da Silveira venha a casar pelo regime da comunhão universal de bens, o imóvel não se comunicará ao cônjuge. Como se vê, mesmo que a transmissão da propriedade estivesse devidamente averbada no Registro de Imóveis, o que não se comprova nos autos, os compradores reservaram para si todos os direitos sobre o imóvel, restando caracterizado o usufruto. O usufrutuário, consoante art. 1394 da Lei nº 10.406, de 10/01/2002, tem direito à posse, uso, administração e percepção dos frutos. (...) Por sua vez, a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, – Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 121, a seguir transcrito, estabelece que o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, dizendose contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. (...) Em relação ao Imposto de Renda, combinandose o artigo mencionado com ao art. 45 do mesmo diploma legal, o contribuinte é a pessoa física ou jurídica que detenha a posse, a qualquer título, dos bens produtores da renda ou dos proventos tributáveis. Assim, estando caracterizada a constituição do usufruto em favor dos adquirentes, os rendimentos do aluguel em pauta devem mesmo ser incluídos na declaração da contribuinte, usufrutuária do imóvel locado. Nada obsta que a contribuinte faça a doação dos valores recebidos à sua filha, informando em sua declaração que os rendimentos foram doados e a filha, para a qual os rendimentos são nãotributáveis, declarandoos como doação em espécie. Por outro lado, a contribuinte argúi que o valor do aluguel foi de R$17.455,19, e não de R$17.605,02, como lançado, devendo dele, ainda, ser abatida a comissão paga à imobiliária, no valor de R$872,77. (...) Assim, à vista da legislação transcrita e do documento anexado à fl. 26, confirmados os valores na DIMOB nos sistemas informatizados da RFB, há que se dar razão à contribuinte, deduzindose do rendimento de aluguel, no valor de R$17.455,19, a comissão paga à imobiliária pelo recebimento, Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13971.004437/200842 Acórdão n.º 2201002.018 S2C2T1 Fl. 4 5 no valor de R$872,77. Desta forma, alterase o rendimento tributável de R$17.605,02 para R$16.582,42. 4. Restituição de pagamentos indevidos efetuados por Cláudia Silveira A contribuinte requer, ainda, que sejam restituídos à Cláudia Silveira, valores pagos indevidamente a título de imposto sobre os rendimentos de aluguel. Com efeito, a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, em seu artigo 165, I, assegura ao sujeito passivo o direito à restituição de pagamento a maior ou indevido de tributo. Entretanto, eventual restituição apurada por Cláudia Silveira deve ser por ela requerida junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil–DRF da jurisdição de seu domicílio fiscal, em procedimento próprio, específico, atualmente regrado pela Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, e suas alterações, sendo da autoridade administrativa da DRF a competência para a apreciação. (...) Isto posto, manifestome no sentido de considerar: 1) não impugnado o IRPF – Suplementar de R$1.257,96, conforme mencionado no item”1” deste voto; 2) procedente o IRPF – Suplementar de R$4.720,17 (R$5.978,13 – R$1.257,96); 3) improcedente o IRPF – Suplementar de R$169,19 (R$6.147,32 – R$5.978,13). Intimada da decisão de primeira instância em 14/02/2011 (fl. 107), Teresa da Silveira apresenta Recurso Voluntário em 21/03/2011 (fls. 111/121), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Consta nos autos que a recorrente foi cientificada da decisão recorrida em 14/02/2011, uma segundafeira, conforme fl. 107. O Recurso Voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deveria ser apresentado no prazo máximo de trinta (30) dias, conforme prevê o artigo 33 do Decreto n° 70.235/1972. Considerando 14/02/2011 foi uma segundafeira, dia de expediente normal na repartição de origem, o início da contagem do prazo começou a fluir a partir de 15/02/2011, Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 uma terçafeira, primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, sendo que neste caso, o último dia para a apresentação do recurso seria 16/03/2011, uma quartafeira. Contudo, o Recurso Voluntário somente foi apresentado em 21/03/2011 (fls. 111/121), uma segundafeira, ou seja, trinta e cinco (35) dias após a ciência da decisão do julgamento de primeira instância. Portanto, se o sujeito passivo, no prazo de trinta dias da intimação da ciência da decisão de primeira instância, não se apresentar ao processo para interpor Recurso Voluntário para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, automaticamente, independente de qualquer ato, no trigésimo primeiro (31º) dia da data da intimação, ocorre a perempção. Por todo exposto, o Recurso Voluntário apresentado foi intempestivo. Nestes termos, não conheço do recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13863.000309/99-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. PRESSUPOSTOS.
As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 1202-000.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, acolher os embargos opostos para alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1202-00.657, prolatado na sessão de 23 de novembro de 2011, para considerar como montantes a restituir os constantes do quadro substituto anexado aos autos pela unidade local da Receita Federal do Brasil.
(Documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Luis Tadeu Matosinho Machado, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. PRESSUPOSTOS. As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, acolher os embargos opostos para alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1202-00.657, prolatado na sessão de 23 de novembro de 2011, para considerar como montantes a restituir os constantes do quadro substituto anexado aos autos pela unidade local da Receita Federal do Brasil. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Luis Tadeu Matosinho Machado, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. PRESSUPOSTOS. As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, acolher os embargos opostos para alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 120200.657, prolatado na sessão de 23 de novembro de 2011, para considerar como montantes a restituir os constantes do quadro substituto anexado aos autos pela unidade local da Receita Federal do Brasil. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Luis Tadeu Matosinho Machado, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 3. 00 03 09 /9 9- 87 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 1202000.937 S1C2T2 Fl. 315 2 Retornam os autos para exame do pedido formulado pela embargante, com base no § 2º do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, denominado de “Embargos de Declaração”, por entender o peticionário existir erro de fato no Acórdão nº 120200.657, fls. 257/264, prolatado na sessão de 23 de novembro de 2011, apresentando em seu arrazoado o seguinte: “Trata o presente processo de Pedido de Restituição/ Compensação conforme fls. 01/03. O presente processo encontrase neste SEORT para cumprimento do Acórdão 1202 00.657 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fls. 257/264. Conforme consta de fls. 264 a decisão acatou o direito creditório nos montantes apresentados no quadro de fls. 210, resultado da diligência fiscal de fls. 209. Ocorre, entretanto que de acordo com as informações constantes do demonstrativo de fls. 04/05 , apresentado pelo contribuinte junto ao pedido de restituição/compensação bem como das informações extraídas dos sistemas da Receita Federal do Brasil constante de fls.294/301, os valores solicitados pelo contribuinte e passíveis de restituição e compensação são os constantes do demonstrativo substituto de fls. 210 volume 02 (nome do documento no eprocesso). Face o acima exposto proponho o retorno do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que proceda a retificação do Acórdão 120200.657, fls. 257/264, reconhecendo o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, nos valores passíveis de restituição constante do demonstrativo substituto de fls. 210 volume 02 (nome do documento no e processo) e homologando as compensações constantes do Pedido de Compensação fls. 02/03 até o limite do direito creditório reconhecido.” No julgamento do mérito, deliberou a Turma “por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.”, como consta registrado naquela ata de julgamento, traduzida na folha de rosto do acórdão embargado, fls. 257. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho Vieramme os autos para que seja examinado o pedido manifestado pelo embargante, que vislumbrou ter ocorrido erro de fato no voto no que diz respeito aos valores a restituir a que tem direito a recorrente, conforme consta do Relatório. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 1202000.937 S1C2T2 Fl. 316 3 Acolho os embargos para corrigir o lapso manifesto apontado. Vejo que o posicionamento adotado pela decisão do acórdão embargado foi resumido pela seguinte ementa: “Ementa: IRPJ. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. Deve ser reconhecido o direito creditório apurado em diligência fiscal quando comprovado os recolhimentos indevidos do IRPJ, com base em elementos constantes dos DARFs e da DIRPJ. Recurso Voluntário Provido.” No corpo do voto, fls. 263/264, os fundamentos apresentados estão assim descritos: “O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito ao indeferimento do pedido de restituição e compensação de créditos do IRPJ referentes a meses do anocalendário de 1995, fundamentado na falta de apresentação pela empresa das notas fiscais e livros Diário do período em voga, para a comprovação da base de cálculo do IRPJ. O fundamento do acórdão de primeira instância a esse respeito foi no sentido de que a empresa, com base no art. 264 do RIR/99, deveria conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. A pessoa jurídica alega em seu recurso que o Fisco, para a verificação do pedido de restituição/compensação referentes a períodos do anocalendário de 1995, não mais poderia no ano de 2004 exigir a apresentação de notasfiscais e livros Diários e demais documentos para confirmar a base de cálculo do Lucro Presumido, bem como o IRPJ lançado, como se fosse uma verdadeira fiscalização. Entendo assistir razão à recorrente. O procedimento de verificação de livros e documentos contábeis e fiscais é atividade típica de lançamento, que o Fisco deveria ter exercido dentro do prazo de cinco anos, a partir da ocorrência do fato gerador. Com efeito, aqui o que está sendo tratado é o recolhimento indevido ou a maior de tributo em comparação com àquele lançado na DIRPJ. Essa constatação pelo Fisco não pode, passados mais de cinco anos do fato gerador, ano de 2004, abranger uma verdadeira fiscalização para conferência da base de cálculo do lucro presumido de período já decaído, 1995, além Fl. 535DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 1202000.937 S1C2T2 Fl. 317 4 de a empresa ter informado a ocorrência de fato fortuito, com a destruição de livros e documentos fiscais desse período. Decorridos mais de cinco anos do fato gerador, a auditoria se esgota na confirmação do valor recolhido a maior, pelo confronto entre os dados da DIRPJ versus os DARFs. Na situação descrita, em virtude dos fatos ocorridos, destruição de livros e documentos, essa era a prova necessária que a pessoa jurídica deveria guardar para justificar seu direito creditório. No caso específico, mesmo que fossem apresentados os documentos e livros solicitados, não mais poderia a autoridade fiscal lançar novo débito para reduzir o valor a restituir, em virtude de esgotado o lapso decadencial. Não sendo admitido, assim, que o Fisco, caso encontrasse divergências no valor a pagar do tributo, reduzisse a restituição pela exigência de débito não lançado. Após o cumprimento da diligência, com a produção do relatório de fls. 209 e o quadro de fls. 210, verifico que tem razão o pedido efetuado pela recorrente, confirmandose o recolhimento a maior de IRPJ referente ao ano de 1995, tendo o fiscal diligenciante levantado esse pagamento indevido. Assim, devem ser acatados como recolhimentos indevidos, com direito a restituição e compensação, as diferenças informadas pelo auditor no quadro demonstrativo de fls. 210. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para acatar como direito creditório os montantes constantes do quadro de fls. 210, anexo ao resultado da diligência fiscal de fls. 209.” Alega a embargante a existência de incorreção nos valores a que a empresa teria direito a receber, informando os derradeiros montantes em planilha substituta anexada aos autos. Com efeito, quando da elaboração do relatório de diligencia sobre o qual o voto se sustentou foi cometido um erro no quadro de fls. 210, que não levou em conta os valores solicitados pelo contribuinte em seu pedido de restituição de fls. 04/05. A embargante juntou aos autos planilha substituta que indica os montantes a restituir a que a empresa tem direito, que a seguir transcrevo: DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO E PAGAMENTO DE IMPOSTO DO ANOCALENDÁRIO DE 1.995 E DO SALDO DISPONÍVEL DE RESTITUIÇÃO: PERÍODO RECEITA BRUTA DIPJ IRPJ APURADO NA DIPJ IRPJ PAGO SALDO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO 01/1995 45.929,22 114,82 139,39 24,57 02/1995 61.934,69 154,83 399,19 244,36 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13863.000309/9987 Acórdão n.º 1202000.937 S1C2T2 Fl. 318 5 03/1995 80.404,70 201,01 201,01 0,00 04/1995 80.732,74 201,83 634,16 432,33 05/1995 74.007,23 185,01 650,11 465,10 06/1995 75.274,58 188,18 606,25 418,07 07/1995 70.414,67 176,03 505,19 329,16 08/1995 64.416,35 161,04 430,21 269,17 09/1995 58.876,83 147,19 377,99 230,80 10/1995 62.862,42 157,15 410,78 253,63 11/1995 62.192,63 155,48 402,41 246,93 12/1995 63.469,15 158,74 435,99 277,25 Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de acolher os embargos para alterar a decisão consubstanciada no acórdão nº 120200.657, prolatado na sessão de 23 de novembro de 2011, e considerar como montantes a restituir os constantes da última coluna do quadro acima, intitulada Saldo Passível de Restituição. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 537DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720006/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007
NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. RELAÇÃO DE ESTÁGIO. REMUNERAÇÃO ISENTA.
OBRIGAÇÃO DA EMPRESA DE MANUTENÇÃO DE DOCUMENTOS PELO PRAZO DE PRESCRIÇÃO.
Ainda que isenta de contribuição previdenciária a remuneração paga aos estagiários, deve a empresa manter e guardar os documentos que comprovem o enquadramento no benefício pelo prazo de prescrição, bem como apresentá-los à fiscalização assim que solicitado.
CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS.
Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à
constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder
Judiciário.
RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA
FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS SÓCIOS.
Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir
responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ.
É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN.
Numero da decisão: 2301-002.975
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007 NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. RELAÇÃO DE ESTÁGIO. REMUNERAÇÃO ISENTA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA DE MANUTENÇÃO DE DOCUMENTOS PELO PRAZO DE PRESCRIÇÃO. Ainda que isenta de contribuição previdenciária a remuneração paga aos estagiários, deve a empresa manter e guardar os documentos que comprovem o enquadramento no benefício pelo prazo de prescrição, bem como apresentá-los à fiscalização assim que solicitado. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS SÓCIOS. Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ. É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN.
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Não Apresentação de Documentos Solicitados Pela Fiscalização Recorrente CAPITAL ADMINISTRADORA DE CREDITO E COBRANÇA S/S LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007 NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO. RELAÇÃO DE ESTÁGIO. REMUNERAÇÃO ISENTA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA DE MANUTENÇÃO DE DOCUMENTOS PELO PRAZO DE PRESCRIÇÃO. Ainda que isenta de contribuição previdenciária a remuneração paga aos estagiários, deve a empresa manter e guardar os documentos que comprovem o enquadramento no benefício pelo prazo de prescrição, bem como apresentá los à fiscalização assim que solicitado. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS SÓCIOS. Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ. É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN. Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.720006/201044 Acórdão n.º 2301002.975 S2C3T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face de CAPITAL ADMINISTRADORA DE CREDITO E COBRANÇA S/S LTDA., no valor de R$ 28.215,54 (vinte e oito mil, duzentos e quinze reais e cinquenta e quatro centavos), por ter esta empresa, quando intimada, deixado de apresentar documentos relacionados às contribuições sociais previdenciárias, tais como relação dos nomes dos supervisores do quadro de pessoal da empresa, em cada filial, encarregado de acompanhar e orientar os estagiários; termos de compromisso de estágio e folhas de pagamento; esclarecimentos sobre lançamentos contábeis, da conta despesa com estagiários; comprovantes de pagamento dos valestransportes pagos aos trabalhadores relacionados; esclarecimentos sobre os empregados da filial Porto Alegre que receberam bolsa extra em 12/2006 e demais valores pagos a esses empregados, comprovantes do fornecimento de refeição aos estagiários, lançamentos parciais dos valores pagos aos estagiários, etc., conforme se infere do Relatório Fiscal. Diante disso, foilhe aplicada multa de ofício por infração aos §§ 2º e 3º do art. 33, da Lei nº 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Ademais, o Relatório de Multa informou que houve, no presente caso, a reincidência genérica, em razão do Auto de Infração DEBCAD 37.087.5117, lavrado em 31/05/2007, e com decisão definitiva de relevação de multa. Este fato elevou a multa em duas vezes, conforme o art. 292, IV do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.720006/201044 Acórdão n.º 2301002.975 S2C3T1 Fl. 3 3 Após tomar ciência da autuação contra ele lavrada, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DOCUMENTOS OU LIVROS. NÃO EXIBIR. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de exibir documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. COMPROVAÇÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO A SEGURADO EMPREGADO. Os fatos geradores de contribuições incidentes sobre remunerações a segurados empregados, via de regra, são conhecidos pela Autoridade Fiscal depois de ocorridos, através de elementos de prova que indiretamente com eles se relacionam, como por exemplo, através de folhas de pagamentos, recibos, rescisões, termos, contratos, anotações, escrita contábil. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. RECONHECIMENTO DO SEGURADO EMPREGADO. O reconhecimento da figura de “segurado empregado”, para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento de contribuições previdenciárias, se insere nas atribuições legais do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e independente do exame pela Justiça Trabalhista. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, interpôs, no dia 25/04/2012, o Recurso Voluntário, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Preliminarmente, alega que o Auto de Infração lavrado contém manifesta ilegalidade formal, à luz das exigências contidas no caput do art. 10, do Decreto nº 70.235/72; 2) Ainda em sede de preliminar, diz que a prestação de serviços na modalidade de estágio em desacordo com a Lei vigente à época não poderia ser constatada apenas através de análise de documentos fiscais, isto é, a mera inspeção dos referidos documentos não é suficiente para a identificação de vícios, desvirtuamentos ou irregularidades, tais como a ausência de supervisão, a realização de mesmas atividades de funcionários, incompatibilidade de horários, inexistência de correlação com o curso técnico, etc; 3) No mérito, afirma que a penalidade aplicada é incabível, tendo em vista que inexiste obrigação tributária acessória exigível, já que a relação fática existente entre as partes (Recorrente e estagiários) se amolda Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.720006/201044 Acórdão n.º 2301002.975 S2C3T1 Fl. 4 4 integralmente aos ditames da Lei do Estágio nº 6.494/77, tornando, portanto, a Recorrente livre de incidência de contribuições previdenciárias, não sendo necessária a manutenção de qualquer documentação para fins de fiscalização; 4) Aduz que não possuía obrigação legal de manter em sua posse documentos alusivos aos contratos de estágio, vez que, não incide qualquer crédito tributário sobre tal relação jurídica, não sendo necessário, portanto, falarse na observância do prazo prescricional de 5 anos, como sustentado pelo acórdão recorrido; 5) Informou que, o pagamento da contraprestação dos estagiários se deu através do CIEE, que, por sua vez, emitia um único boleto referente à totalidade da remuneração paga aos estagiários, independentemente da unidade da federação em que o estagiário estava lotado, não havendo o que se falar na aplicação de multa em razão da não apresentação de folhas de pagamento, comprovantes de pagamento de valesalimentação e vales transporte, vez que a relação mantida foi de estágio; 6) Sustenta que o montante da multa cobrada não é devido porque a pena base aplicada e sua dosimetria ferem os princípios constitucionais do não confisco e da capacidade contributiva; 7) Argumenta que a Portaria Interministerial nº 350 de 31/12/2009, que reajustou a multa disposta no art. 283, II do RPS, fixandoa em R$ 14.107,77, não se aplica, porque esbarra na limitação constitucional do pode de tributar e porque não pode retroagir para fatos anteriores à sua vigência, em obediência ao Princípio da Anterioridade; 8) Afirma que inexiste responsabilidade solidária do sócio da empresa autuada, uma vez que não existiu crédito tributário, nem provas de ato praticado com excesso de poder, nem infração à lei, estatuto ou contrato; 9) Defende que não deve o sócio da empresa ser incluído na autuação, em respeito aos direitos fundamentais. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.720006/201044 Acórdão n.º 2301002.975 S2C3T1 Fl. 5 5 Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Preliminares Primeiramente, em suas razões recursais, alega a Recorrente que o lançamento fiscal é nulo, uma vez que viola o requisito formal previsto no art. 10, II, do Decreto nº 70.235/72 , in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: II o local, a data e a hora da lavratura; Contudo, não quis o legislador, com a redação do dispositivo transcrito acima, restringir a lavratura do auto ao local do estabelecimento do contribuinte, mas sim, especificar que o local constante no auto deve ser aquele onde foi constata a falta praticada pela empresa, verificada pela fiscalização. Diante do que foi explicado, percebese que não há qualquer irregularidade na lavratura do auto, pois o Auditor Fiscal teve todos os elementos necessários para a apuração da infração. Para corroborar com o que foi dito acima, trago à baila o precedente já apresentado no acórdão ora recorrido: Acórdão Conselhos Nº 20218831 de 2008 Contribuição para o PIS/Pasep AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. O local da verificação da falta não se confunde, necessariamente com aquele em que a mesma ocorreu. PASEP. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO JUDICIAL. LANÇAMENTO FISCAL. CABIMENTO. Não há vedação judicial à constituição do crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 151 e 142 do CTN. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revelase prescindível para o deslinde da questão. NULIDADE. VÍCIOS DO MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do procedimento fiscal a emissão e trâmite desse instrumento. DECADÊNCIA. Os lançamentos efetuados no prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN não estão alcançados pela decadência. BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. A contribuição para oPasep devida pelas pessoas jurídicas de direito público interno é calculada com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, não se referindo a legislação aplicável ao termo “receitas próprias”. BASE DE CÁLCULO. PROVAS. As contestações relativas à composição da base de cálculo devem estar arrimadas em provas. JUROS DE MORA. Tratandose de exigência de crédito tributário, cobram se juros de mora, nos termos da legislação específica. Recurso negado. – sem grifo no original. Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.720006/201044 Acórdão n.º 2301002.975 S2C3T1 Fl. 6 6 No mesmo sentido, temos as Súmulas nºs 6 e 7 deste Conselho, que rezam: Súmula CARF Nº 6 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Súmula CARF Nº 7 A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Isto posto, resta clarividente que a lavratura do auto de infração no local de sua verificação, e não no local em que foi praticada a infração, não o tornam inválido. Da obrigação da empresa de apresentar documentos relativos à relação de estágio Diz ainda a ora Recorrente, que em virtude da aplicação do princípio da primazia da realidade para validação, ou não, de uma relação jus laborativa, não poderia o Auditor Fiscal rotular fatos que não foram identificados no local como sendo ilegais, isto é, concluir pela caracterização de segurado empregado apenas examinando documentos existentes na matriz da empresa Recorrente, pois os contratos de estágio que foram desconsiderados foram realizados nas 14 filiais, localizadas em outras cidades. De início, cumpre esclarecer que não trata o auto de infração de lançamento das contribuições previdenciárias devidas em face da desconsideração do contrato de estágio firmado entre prestadores de serviços à recorrente, mas sim da não apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, obrigação que independe da existência ou não de irregularidade na prestação dos serviços. Assim, descabida a alegação da Recorrente de que o auto de infração foi lavrado sem a desconsideração da relação de estágio, uma vez que tal apuração é irrelevante para a conduta infracional apontada no caso dos autos, de não apresentação de documentos apresentados. Contudo, ainda que isenta determinada remuneração, o que é o caso dos valores pagos aos estagiários, a empresa permanece na obrigação de comprovar o direito à fruição do benefício. A Lei nº 8.212/91 diz, em seu art. 28, IV, §9º, “i”, que a importância recebida a título de bolsa complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494/77, não integram o saláriodecontribuição. Isso quer dizer que, para que o contribuinte não possua a obrigação de recolher as contribuições previdenciárias dos estagiários, necessário é que ele comprove que preenche todos os requisitos previstos na Lei nº 6.494/77, o que somente poderá ser feito através de documentos à relação contratante estagiário. Como se verifica, a empresa é contribuinte do tributo, não sendo dela exigido apenas por expressa previsão legal isentiva. Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.720006/201044 Acórdão n.º 2301002.975 S2C3T1 Fl. 7 7 O art. 175 do CTN deixa claro que “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. Sendo a isenção uma das hipóteses de exclusão do crédito tributário, as obrigações acessórias dela decorrentes não estariam afastadas, salvo, por uma norma legal também expressa (art. 111, III do CTN), que não existe no caso. A obrigação de manter à disposição da fiscalização os documentos comprobatórios da relação de estágio é decorrência lógica da própria manutenção do benefício. Se a isenção existe apenas enquanto estiverem preenchidos os requisitos legais, a empresa tem que manter tais documentos e apresentálos assim que solicitado, sob pena de se esvaziarem as exigências quanto às formalidades previstas por lei. Evidentemente que a guarda dos documentos deve observar o prazo prescricional, conforme previsão expressa do CTN e da Lei nº 8.212/1991: Art. 195 do CTN Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32, § 11 da Lei nº 8.212/1991 Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) A partir da leitura desses dispositivos, verificase que a Recorrente deveria ter mantido e guardado os todos os documentos que pudessem comprovar sua regularidade nas relações entre empresa e estagiários até que ocorresse a prescrição, sendo esta a quinquenal, prevista no Código Tributário Nacional. O doutrinador Hugo de Brito Machado explica que: Pode parecer que há uma impropriedade na referência à prescrição. Correto seria falar de decadência, pois esta é que extingue o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento. Extinto, pela decadência, o direito de lançar, os livros e documentos não teriam mais nenhuma utilidade. Não é assim, todavia. Sobre o assunto já escrevemos: Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.720006/201044 Acórdão n.º 2301002.975 S2C3T1 Fl. 8 8 Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (CTN, art. 195, parágrafo único). Terminando o prazo de decadência do direito de a Fazenda pública constituir o crédito tributário, já poderiam ser dispensados os livros e documentos, sem qualquer prejuízo para o fisco, em princípio, desde que na cobrança dispõe este da certidão de inscrição do crédito como dívida ativa, que lhe garante a presunção de liquidez e certeza. Todavia, existem situações nas quais, mesmo dispondo do título executivo extrajudicial, necessita o fisco de produzir contraprova. Assim, preferiu o CTN exigir a conservação dos livros e documentos pelo prazo que termina por último, vale dizer, o prazo de prescrição. Essa regra, porém, somente se aplica se tiver havido lançamento e ainda não estiver extinto o respectivo crédito tributário, que por isto mesmo poderá ser cobrado, ensejando discussão judicial e seu respeito. Se está consumada a decadência, e nenhum crédito tributário subsiste a ensejar disputa, certamente o contribuinte não terá o dever de conservar livros e documentos. Dito isso, verificase que existia a obrigação do contribuinte de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização nos moldes do art. 32, III da Lei nº 8.212/1991, sendo o descumprimento punido com o disposto no arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/1991 e arts. 283, II, “j” do Regulamento da Previdência Social. Da impossibilidade de analisar inconstitucionalidade de norma Alega a Recorrente que a multa aplicada estaria afrontando a razoabilidade e os princípios constitucionais da capacidade contributiva e vedação ao confisco, bem como que a penalidade aplicada nos moldes do RPS extrapolaria as limitações do poder de tributar. Entendo, contudo, que ambas as alegações possuem como fundo argumento de inconstitucionalidade, quando este Conselho somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.720006/201044 Acórdão n.º 2301002.975 S2C3T1 Fl. 9 9 Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Deste modo, não podem ser acolhidas as alegações da Recorrente. Da Exclusão dos Corresponsáveis Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.720006/201044 Acórdão n.º 2301002.975 S2C3T1 Fl. 10 10 Quanto à solicitada exclusão dos sócios gerentes, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.720006/201044 Acórdão n.º 2301002.975 S2C3T1 Fl. 11 11 No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Da Conclusão Ante ao exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja excluído do auto de infração o rol de corresponsáveis. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 3/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10875.003427/2001-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992
Embargos de Declaração. Omissão
Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado.
Ausente tal defeito, há que se rejeitar os embargos.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3102-001.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Melo, Helder Massaaki Kanamaru Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Melo, Helder Massaaki Kanamaru Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992 Embargos de Declaração. Omissão Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado. Ausente tal defeito, há que se rejeitar os embargos. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Melo, Helder Massaaki Kanamaru Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Tratamse de embargos de declaração manejados pela Fazenda Nacional, em desfavor do Acórdão 310200.608, de 17/03/2010, assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 34 27 /2 00 1- 13 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.003427/200113 Acórdão n.º 3102001.538 S3C1T2 Fl. 261 2 Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992 Ementa DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. Reconhecido judicialmente o direito restituição/compensação da parcela da contribuição para o Finsocial, recolhida indevidamente, deve o contribuinte apresentar seu pedido administrativo no prazo de cinco anos, contados da data em que transitou em julgado a decisão judicial favorável a sua pretensão. Recurso Voluntário Provido. Segundo sustenta, o acórdão estaria vazado de omissão, pois deixara de se manifestar acerca de elemento que, no sentir da agravante, deveria ter sido enfrentado pelo Colegiado. Sustenta, nessa linha, que quando do ajuizamento do Mandado de Segurança que daria respaldo à compensação litigiosa, já teriam transcorrido mais de 5 anos de parte dos pagamentos para os quais se solicita repetição. Consequentemente, a possibilidade de pleitear repetição de tais tributos encontrarseia fulminada pela decadência. Partindo do pressuposto de que o Mandado de Segurança teria sido ajuizado em 10/05/1996, não poderia ter sido reconhecida a procedência da repetição relativa aos fatos geradores anteriores a maio de 1991. Em face do encerramento do mandato do relator original, o então Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, me autodesignei para a análise dos embargos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Como é cediço, a avaliação da admissibilidade dos embargos de declaração, até certo ponto, confundese com o seu mérito. Vejase o que diz o art. 65 do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. De fato, se não se revela omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada, não há porque admitir o recurso que, regra geral, não tem o condão de alterar o mérito do decisum, apenas garantirlhe a integração. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.003427/200113 Acórdão n.º 3102001.538 S3C1T2 Fl. 262 3 Não se pode, portanto olvidar dessa finalidade, assim demarcada por Tereza Arruda Alvim Wambier1, para quem os embargos: Prestamse a garantir o direito que tem o jurisdicionado a ver seus conflitos (lato sensu) apreciados pelo Poder Judiciário. As tendências contemporaneamente predominantes só permitiriam entender que este direito estaria satisfeito sendo efetivamente garantida ao jurisdicionado a prestação jurisdicional feita por meio de decisões claras, completas e coerentes interna corporis”. Tomando tais conceitos como referência, analisando as razões de embargo, juntamente com o acórdão embargado, forçoso é concluir que o recurso deve ser rejeitado. A meu ver, não se vislumbra contradição entre a decisão e os seus fundamentos, omissão ou obscuridade. Com efeito, analisando o voto condutor, podese perceber que o relator partiu do pressuposto de que o contribuinte obteve pronunciamento judicial favorável à compensação da integralidade dos créditos litigiosos, independentemente da data do ajuizamento da ação. Certa ou errada, essa é a decisão que foi adotada. Confirase excerto: Em decisão de primeira instância (fls. 114/118), foi concedida a segurança, "para garantir os efeitos da compensação mencionados na inicial, devendo tal compensação ser feita entre tributos da mesma espécie, observadas as restrições legais. Dita compensação farseá perante a repartição competente, ou diretamente pelo contribuinte sujeito a controle posterior, observada paridade de critério na correção monetária integral de créditos e débitos a serem compensados. Ressalvada a autoridade competente plena fiscaliza cão sobre os demais aspectos não objeto desta sentença, inclusive números que instruem os autos." Observase que o crédito não foi quantificado na sentença judicial, mas apenas o reconhecimento de sua existência, conforme se extrai do seguinte trecho da decisão:"Está a ressumbrar da reportada jurisprudência, conjugada ao fato de se tratar de empresa em operação com recolhimentos tributários comprovados nos autos (arts. 334, 335, CPC), que crédito existe, embora não quantificado judicialmente. "(grifo original) (...) Uma vez que houve decisão judicial socorrendo a pretensão da recorrente e ela transitou em julgado em 08/06/1999 e, considerando que a empresa deu entrada aos seus pedidos de restituição e compensação em 17/10/2001, entendo que não se operou a extinção de seu direito. 1 Apud Luiz Rodrigues Wambier, Flávio Renato de Almeida e Eduardo Talamini Curso Avançado de Processo Civil, volume 1 : teoria geral do processo de conhecimento; coordenação Luiz Rodrigues Wambier. São Paulo. 2007, Revista dos Tribunais, 9ª ed. p. 595 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.003427/200113 Acórdão n.º 3102001.538 S3C1T2 Fl. 263 4 Como é possível perceber, o votocondutor partiu do pressuposto de que o Poder Judiciário reconheceu os créditos pleiteados em juízo, cabendo à autoridade administrativa exclusivamente a tarefa de liquidálos. De qualquer forma, ainda que se considerase que se deveria levar em consideração o transcurso do prazo entre o pagamento dos tributos e o ajuizamento da ação, a melhor sorte não socorreria à Fazenda Nacional. Como é cediço, após a decretação da inconstitucionalidade da parte final do art. 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, em observância ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e à orientação jurisprudencial assentada no REsp. REsp 1002932 / SP, o prazo para pleitear a compensação ou restituição de tributos declarados inconstitucionais se extingue após o prazo de cinco anos, contados da homologação do lançamento e esta, só ocorre 5 anos após o pagamento. Sala das Sessões, em 28 de junho de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901581/2009-66
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário:2004
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.263
Decisão: Por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário:2004 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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decisao_txt : Por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva e Ana de Barros Fernandes.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 15 81 /2 00 9- 66 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva e Ana de Barros Fernandes. Relatório A ora Recorrente transmitiu a DCOMP nº 41313.54589.310106.1.3.047747, em 31/01/2006, de débito de CSLL, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, no valor original de R$938,68, referente a recolhimento de IRPJ efetuado por meio do DARF recolhido em 31/03/2005, relativo ao período de apuração de 31/07/2004, no valor de R$1.223,28. O despacho decisório eletrônico não reconheceu o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que afirmou, em síntese, que o direito creditório afirmado teria como origem erro na declaração, que qualificou o crédito como sendo de “pagamento indevido ou a maior”, quando deveria ser declarado como “saldo negativo de IRPJ” no ano calendário 2004, no valor de R$3.689,22 (DIPJ). Teria ocorrido um erro material na DCOMP que especificou um valor de debito de R$ 1.379,45 (referente dezembro/2005) sendo que o correto seria de R$ 684,22, em virtude da competência do mês de novembro de 2005, com vencimento em 30/12/2005, por ter sido pago um valor de R$ 1.687,50, em que o debito deste mês é R$ 992,27 que se encontra lançado na DIPJ 2006/2005 ficando um valor a maior de R$ 695,23. Foram juntadas cópia da DIPJ (retificada em 23/04/2009 conforme recibo de entrega n. 34.45.36.84.80.18), DARFS, planilha, aonde consolidando o crédito. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora, através do Acórdão 0938.155 julgou improcedente o pedido da Recorrente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 PER/DCOMP. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. A análise de pedido de retificação de PER/DCOMP não se inclui entre as competências das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, estabelecidas no Regimento Interno da RFB. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.901581/200966 Acórdão n.º 1801001.263 S1TE01 Fl. 3 3 Na decisão ora recorrida, entendeuse que sob a égide da Instrução Normativa nº 600, de 2005, vigente à época da transmissão da DCOMP “A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período”. Finalmente, entendeu que a pretensão da Recorrente era a de retificar o PER/DCOMP, o que seria vedado pelo art. 229 da Portaria MF 587/2010 , o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, acrescentando que a retificação da DCOMP apenas poderia ser efetuada antes de qualquer decisão administrativa, com fulcro nos arts. 77 e 78 da IN SRF 900/2008, em vigor, quando da emissão do Despacho Decisório, Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente limitouse a reafirmar os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo pago a maior ou indevidamente, conforme constante do despacho decisório. A decisão da Delegacia de Julgamento, por sua vez, ratificou o despacho decisório, com fulcro na vedação constante na INSRF 600/2005, de compensação/restituição de valores recolhidos indevidamente a título de estimativas, antes do término do período de apuração. Ademais, entendeu que não poderia reconhecer o erro formal no preenchimento das declarações de compensação, uma vez que não seria da sua competência regimental. Nesse contexto, inferese que o cerne da questão, e motivo da não homologação do direito creditório, foi se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Observese que o fato de a declaração consignar “pagamento indevido” seria secundária no caso concreto, pois em se tratando de erro meramente formal, a jurisprudência dessa Corte é torrencial no sentido de sua superação, em homenagem ao Princípio da Verdade Material. Portanto, a questão relevante a ser abordada, é sobre a existência ou não do direito creditório afirmado, pois esta não chegou a ser analisada, em virtude da prejudicial de impossibilidade de compensação, pelas razões apontadas. Contudo, em relação à referida prejudicial, esta turma julgadora já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: “A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada ano calendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.901581/200966 Acórdão n.º 1801001.263 S1TE01 Fl. 4 5 essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.901581/200966 Acórdão n.º 1801001.263 S1TE01 Fl. 5 7 anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2008, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.901581/200966 Acórdão n.º 1801001.263 S1TE01 Fl. 6 9 III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, conclui se que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.901581/200966 Acórdão n.º 1801001.263 S1TE01 Fl. 7 11 § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 12 As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assim, superada a questão da possibilidade da compensação de pagamento a maior ou indevida das estimativas, a autoridade administrativa de jurisdição do contribuinte, deve confirmar a existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado e, por conseguinte, a existência do erro cometido, na apuração da estimativa e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.901581/200966 Acórdão n.º 1801001.263 S1TE01 Fl. 8 13 Portanto, impõese o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio. Observo que a empresa tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas durante o mesmo anocalendário, devendo ser analisados conjuntamente pela autoridade a quo. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 31/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10380.005738/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2006
Ementa:
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA.
RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11941/2009.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN.
Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2302-001.725
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a retroatividade benigna da Medida Provisória nº 449 de 2008, excluindo a responsabilidade do dirigente de órgão público.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2006 Ementa: RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido.
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REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a retroatividade benigna da Medida Provisória n º 449 de 2008, excluindo a responsabilidade do dirigente de órgão público. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu, Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005738/200774 Acórdão n.º 230201.725 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O AutodeInfração, foi lavrado em 07/12/2006 e cientificado ao sujeito passivo acima identificado, em 13/12/2006, em virtude do descumprimento da obrigação acessória descrita no art. 30, I, “a” da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 283, I, “g” do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. De acordo com o relatório fiscal de fls. 29/20, a recorrente, deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas aos segurados, as contribuições previdenciárias sobre os valores pagos na rubrica “Resíduo do FUNDEF”, no período fiscalizado de 08/2003 a 08/2006. A autuação foi lavrada na pessoa do Prefeito Municipal de Cascavel, a teor do disposto pelo artigo 41, da Lei n.º 8.212/91. Após a impugnação, Acórdão de fls. 45/50, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, onde alega: a) cerceamento de defesa, porque o relatório fiscal não trouxe com riqueza de detalhes o inteiro teor da acusação; b) omissão do Fisco por indeferir pedido de perícia; e c) requer a insubsistência do lançamento e a exclusão da multa imposta. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, documento de fls. 60, conheço do recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente, há que ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449 de 2008. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplicase o art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b” do CTN. A Medida Provisória n º 449, ao revogar o art. 41 da Lei n º 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar a Diretora na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazêlo em função da MP n º 449. Assim, em relação ao dirigente a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005738/200774 Acórdão n.º 230201.725 S2C3T2 Fl. 3 5 Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001774/2009-97
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
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CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de PIS referente ao segundo trimestre/2006. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 74 /2 00 9- 97 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 221/222 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pela legislação. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 224/226, sob os seguintes argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 234/236 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.3752ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de Fl. 309DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001774/200997 Acórdão n.º 3803003.690 S3TE03 Fl. 238 3 ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade do PIS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade de lei que tenha vedado a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001774/200997 Acórdão n.º 3803003.690 S3TE03 Fl. 239 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10510.004206/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO.
IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA
CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91.
A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91.
A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao auto enquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.729
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao autoenquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007. Data da lavratura do AIOP: 20/11/2009. Data da Ciência do AIOP: 25/11/2009. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da Entidade em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinadas a outras entidades e fundos, a saber, FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados, consoante declarações prestadas pelo contribuinte em GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 19/22. Informa a Autoridade Lançadora que o sujeito passivo apresentou GFIP registrando código FPAS 639, específica para entidades isentas, embora a entidade notificada não fosse titular do direito a tal benefício fiscal. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 27/34. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvado/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 72/75 julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 14/04/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 78. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 79/87, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: § Que a autuação foi resultante da Decisão Judicial nº 70/2009 que havia indeferido pedido de isenção, a qual foi revogada em 2ª instância; § Que as razões para o indeferimento da isenção garantida à Recorrente pela CF/88 deixaram de existir, tendo em vista que a entidade atende todos os requisitos do CTN; § Que a lei 9.732/98 é inconstitucional eis que estabeleceu uma série de restrições para a fruição da imunidade de que trata o art. 195, §7º da CF/88, as quais praticamente inviabilizam o benefício constitucional; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004206/200959 Acórdão n.º 230201.729 S2C3T2 Fl. 113 3 § Que o acórdão recorrido, ao afirmar que o Recorrente não é abraçado pelo art. 203 da CF/88, apresenta uma interpretação que restringe as determinações constitucionais; § Que os requisitos a serem obedecidos pela entidade Recorrente para ter direito à imunidade tributária são aqueles determinados pelo art. 14 do CTN; § Que é reconhecida pelos órgãos certificadores como Entidade Beneficente de Assistência Social, tendo direito à imunidade tributária; § Que a lei nº 12.101/2009 revogou todos os artigos das leis anteriores relacionados à matéria. Aduz que o citado diploma legal, ao estabelecer critérios para a concessão de isenção para as entidades reconhecidas como beneficentes de assistência social não mais exige o pedido de reconhecimento de isenção perante o INSS. Entende o Recorrente que a lei nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, aplicase a ato ou fato pretérito, em razão do princípio da retroatividade benigna fixado no art. 106, ‘c’ do CTN, haja vista que no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova; § Que os juros e as multas aplicadas caracterizam verdadeiro confisco das receitas da entidade recorrente; Ao fim, requer a reforma da decisão recorrida. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 14/04/2001. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 29 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Afirma o Recorrente que a lei 9.732/98 é inconstitucional eis que estabeleceu uma série de restrições para a fruição da imunidade de que trata o art. 195, §7º da CF/88, as quais praticamente inviabilizam o benefício constitucional. Argumenta, também, que a lei nº 12.101/2009 revogou todos os artigos das leis anteriores relacionados à matéria. Aduz que o citado diploma legal, ao estabelecer critérios para a concessão de isenção para as entidades reconhecidas como beneficentes de assistência social não mais exige o pedido de reconhecimento de isenção perante o INSS. Entende o Recorrente que a lei nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, aplicase a ato ou fato pretérito, em razão do princípio da retroatividade benigna fixado no art. 106, ‘c’ do CTN, haja vista que no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova. Pondera, igualmente, que os requisitos a serem obedecidos pela entidade Recorrente para ter direito à imunidade tributária são aqueles determinados pelo art. 14 do CTN. Aduz que as razões para o indeferimento da isenção garantida à Recorrente pela CF/88 deixaram de existir, tendo em vista que a entidade atende todos os requisitos do CTN. Por derradeiro, entende o Recorrente que os juros e as multas aplicadas caracterizam verdadeiro confisco das receitas da entidade recorrente; Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, suscitadas pelo impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004206/200959 Acórdão n.º 230201.729 S2C3T2 Fl. 114 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de Fl. 115DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Não se mostra despiciendo frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, não poderão ser conhecidas por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as questões já decididas pelo órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004206/200959 Acórdão n.º 230201.729 S2C3T2 Fl. 115 7 3.1. DA ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Por definição legal, constituise tributo toda prestação pecuniária compulsória, expressa em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Originariamente, o CTN elencou como tributos os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria. Com o advento da publicação da nova Carta Constitucional, tanto a mais balizada doutrina, como também, os tribunais superiores, máxime o STF, passaram a acomodar no conceito de Tributo também as contribuições sociais bem como os empréstimos compulsórios, em virtude de essas exações ostentarem igualmente os elementos objetivos caracterizadores fixados no art. 3º do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. A Constituição da República estabeleceu no §7º do seu art. 195 serem isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) §7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifos nossos) Cabe inicialmente trazer à tona que a matéria relativa ao estabelecimento de parâmetros e condições para concessão de isenção de contribuições previdenciárias às entidades beneficentes de assistência social não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o documento legislativo com vocação para o atendimento de tais afazeres é a lei ordinária federal. A questão ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional nº 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Sintonizado na mesma frequência da Suprema Corte, o Senado Federal entrou com cerol fino na questão em relevo, fazendo expedir o Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991, o qual cortou na mão qualquer dúvida ainda renitente a respeito do Instrumento Normativo com aptidão para a delimitação das condições de contorno da hipótese de não incidência em debate, ad litteris et verbis: SENADO FEDERAL – SM nº 805/91 Em 12 de agosto de 1991. Senhor Ministro. Com referência ao oficio n° 543/P, de 7 de agosto corrente, desse Tribunal, cumpreme comunicar a Vossa Excelência que o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no Diário Oficial da União do dia seguinte. Aproveito a oportunidade para apresentar a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. Senador MAURO BENEVIDES Presidente Diante desse cenário, não restam mais dúvidas de que a matéria atinente à isenção ora em abordagem houve por confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 55 estabeleceu Fl. 118DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004206/200959 Acórdão n.º 230201.729 S2C3T2 Fl. 116 9 expressamente serem isentas de contribuições previdenciárias a entidade beneficente de assistência social que atendesse, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) Ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) Ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, o qual deve ser renovado a cada três anos; c) Promover gratuitamente e em caráter exclusivo a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) Não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) Aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. §3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). §4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998. §5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). §6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no §3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Assim emoldurado o quadro normativo legal e constitucional, fulgura que, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Nessa prumada, não basta à entidade beneficente de assistência social ser assim reconhecida pelos órgãos certificadores, nem mesmo ser detentora dos certificados de entidade beneficente de assistência social, ou possuir certificados de utilidade pública municipal, estadual e federal, para poder usufruir do direito à isenção em foco. De acordo com o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, fulgura como condição sine qua non que a entidade, atendendo a todos os requisitos elencados na lei, requeira o reconhecimento à isenção ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, o qual terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido. As provas constantes nos autos não contêm qualquer indício de prova material, o mínimo que seja, de que o Recorrente tenha formulado perante a autarquia previdenciária federal o indispensável requerimento de isenção a que alude o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Ao contrário: O próprio Recorrente admite que “no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova”. No caso em apreciação, o lançamento tributário houvese por formalizado em razão de a entidade recorrente não ter efetuado tempestivamente o recolhimento das contribuições previdenciárias por ela devidas, consoante exigência fiscal inscrita na Lei nº 8.212/91. Constatou o agente fiscal notificante que, mesmo sem ser titular do direito de isenção em realce, a entidade informava nas GFIP o código FPAS 639, que é específico para as Entidades Beneficentes de Assistência Social reconhecidas pela autarquia previdenciária, Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004206/200959 Acórdão n.º 230201.729 S2C3T2 Fl. 117 11 mediante Ato Declaratório, como detentoras do direito a isenção de contribuições previdenciárias. Noticiese que a carência do direito formal à isenção se mostra ainda mais evidenciada pelo fato de a entidade em voga ter o pedido de isenção em realce indeferido mediante Decisão Judicial. Não procedem as alegações recursais de que a autuação foi resultante da Decisão Judicial nº 70/2009 que havia indeferido pedido de isenção. Muito menos em virtude da tese de que a entidade de saúde não estaria abraçada pelo art. 203 da CF/88. O acórdão recorrido, a fl. 63, é de clareza solar ao dispor, ipsis litteris: “Logo, as entidades de saúde não gozam da imunidade prevista no §7º do art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Não obstante, elas podem se subsumir às regras de isenção previstas no legislação infraconstitucional. E assim será tratada a entidade sujeito passivo do Auto de Infração (AI), ora sob julgamento, sob a ótica jurídica da isenção. [...] Seguindo, os lançamentos se referem ao período de 01/01/2006 a 31/12/2007 e a isenção que o sujeito passivo deseja ver reconhecida tinha assento normativo na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. O sujeito passivo adotou durante o período de lançamento a conduta de se autoenquadrar como entidade isenta, ainda que não tenha protocolado pedido de reconhecimento de isenção. [...] Assim, a ausência do pedido formal de reconhecimento de isenção e do despacho concessivo desautoriza o sujeito passivo ao auto enquadramento e ao gozo da isenção. Por seu turno, não é a decisão judicial em sede de ação civil pública que impõe o lançamento tributário e sim o dever legal em função da ausência de reconhecimento da isenção pela administração tributária por omissão de pedido do contribuinte e da falta de recolhimento das contribuições sociais previdenciárias do empregador. Afastado o argumento de desnecessidade de ato declaratório de reconhecimento de isenção, sem questões adicionais, não há nos autos motivos para reparos à autuação” Cabenos enfatizar que, por se tratar de hipótese de renúncia fiscal, há que se lhe emprestar interpretação restritiva, a teor das disposições plasmadas no art. 111, II do CTN. Código Tributário Nacional CTN Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Por tais razões, se nos afiguram totalmente improcedentes as alegações ora defendidas pelo Recorrente. Nesse cenário, sendo devidas as contribuições previdenciárias, nos termos da lei, devidas são, igualmente, as contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16707.000536/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 06/02/2008
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – ARTIGO 32,
IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – OMISSÃO EM GFIP –
DIRIGENTE PÚBLICO AUTUAÇÃO PESSOAL LEI 11.941/2009
Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontra-se revogado pela lei 11.941/2009, passando o próprio ente público a responder pela mesma.
Não há como ser mantido auto de infração, considerando que o autuado, face a mudança da lei , não mais responde pela obrigação que lhe foi imposta.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.588
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontrase revogado pela lei 11.941/2009, passando o próprio ente público a responder pela mesma. Não há como ser mantido auto de infração, considerando que o autuado, face a mudança da lei , não mais responde pela obrigação que lhe foi imposta. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 310DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16707.000536/200873 Acórdão n.º 2401002.588 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente autodeinfração, lavrado sob o n. 37.130.9476, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o Município de Nisia Floresta — Prefeitura Municipal, relativamente às competências 07/2003 e 08/2003, 10/2003 a 0912004 e 11/2004 e 12/2004, apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas, conforme se constata dos anexos I a XXII, todos eles anexados ao auto de infração. Segundo o relatório fiscal o sr. João Lourenço Neto, prefeito do município no período acima mencionado, responde pessoalmente pela multa aplicada, conforme dispõe o artigo 41 da Lei 8.212/91. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 06/02/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 13/07/2008. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 244. Foi emitida Decisão, fls. 294 a 297, mantendo procedente a autuação. O recorrente não concordando com a referida decisão. interpôs recurso, fl. 300 a 301. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 303. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Primeiramente, importante destacar que para a legislação previdenciária não havia responsabilidade por descumprimento de obrigação acessória imposta à pessoa jurídica de direito público. Havendo o descumprimento da obrigação, a aplicação da penalidade pecuniária, auto de infração, será imposta pessoalmente ao dirigente do órgão ou entidade, conforme dispõe o art. 41 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.41.O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Contudo a procedência ou não do lançamento em questão encontrase prejudicada, tendo em vista que o dispositivo legal que determinava a autuação pessoal do dirigente público foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, passando a responsabilidade pelo descumprimento de obrigações acessórias aos próprios entes públicos. Dessa forma, não há como manter a autuação, considerando que norma posterior deixou de considerar o autuado como responsável pela obrigação descumprida, razão porque deve ser dado provimento ao recurso, exonerandose o crédito constituído por meio do presente AI. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para DARLHE PROVIMENTO nos termos da pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que afastou do polo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 313DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 06/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 10410.002685/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO.
É na impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do
procedimento. Não havendo contestação específica na impugnação sobre um ou mais pontos, tal como ocorreu na hipótese, quanto a esses pontos não se instaura a controvérsia.
RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que o imposto sobre a renda foi retido pela fonte pagadora quando do pagamento do rendimento ao interessado, há que se autorizar a sua compensação na declaração de rendimentos do ano-calendário correspondente.
Numero da decisão: 2101-001.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para: (i) reconhecer a definitividade do crédito em relação aos itens 002 e 003 do lançamento, não impugnados, e, (ii) com relação ao item 001, determinar a compensação do imposto retido na fonte no valor de R$ 14.530,55, com o montante devido.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO. É na impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Não havendo contestação específica na impugnação sobre um ou mais pontos, tal como ocorreu na hipótese, quanto a esses pontos não se instaura a controvérsia. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que o imposto sobre a renda foi retido pela fonte pagadora quando do pagamento do rendimento ao interessado, há que se autorizar a sua compensação na declaração de rendimentos do anocalendário correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para: (i) reconhecer a definitividade do crédito em relação aos itens 002 e 003 do lançamento, não impugnados, e, (ii) com relação ao item 001, determinar a compensação do imposto retido na fonte no valor de R$ 14.530,55, com o montante devido. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra a pessoa física em epígrafe, no qual foi apurada omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica e de pessoa física, além de multa isolada por falta de recolhimento do IRPF a título de CarnêLeão. Em 25.6.2009, o interessado apresentou Impugnação (fls. 59 a 61), na qual sustenta que o Auto de Infração deveria ter sido lavrado contra o Banco Itaú S/A. Esclarece que, antes da lavratura do referido Auto, já havia dito que o montante de R$ 40.000,00 teve origem em acordo judicial realizado entre as partes em processo trabalhista, em cuja Cláusula 4 constou, expressamente, que o Banco reclamado ficaria responsável pelo pagamento do Imposto sobre a Renda sem nada descontar do montante dos seus honorários de advogado, mas o Banco Itaú S/A negouse a juntar o comprovante de recolhimento do tributo, só recolhido alguns meses depois, sem acréscimo de juros, multa, “correção monetária” etc. Requer, ao final, a revogação/cancelamento do Auto de Infração e a lavratura de outro, agora contra o Banco Itaú S/A ou, alternativamente, seja requerido nos próprios autos processuais (juízo que homologou o acordo judicial) o prosseguimento da execução contra aquela instituição financeira, visando o recebimento das diferenças pecuniárias. A 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1133.971, de 31 de maio de 2011, que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Consequentemente, tornase definitiva no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA INICIAL. VEDAÇÃO. Descabe a reformulação do lançamento quando esta resulte em agravamento da exigência inicial, procedimento vedado a esta instância julgadora do Processo Administrativo Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETENÇÃO NA FONTE. Na ausência de retenção na fonte, após o prazo para a entrega da Declaração de Ajuste Anual, a exigência do imposto recai Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10410.002685/200905 Acórdão n.º 2101001.903 S2C1T1 Fl. 2 3 sobre o contribuinte, que possui a obrigação de oferecer à tributação todos os rendimentos sujeitos ao ajuste anual efetivamente recebidos, observandose o regime de caixa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual, insurgindose contra a decisão administrativa de primeira instância, argumenta que já havia contestado especificamente e expressamente todas as verbas arbitradas, inclusive a multa isolada. Alega que não poderia ter oferecido à tributação os honorários recebidos do Banco Itaú S/A naquele momento, porque o Banco não havia emitido a “Declaração de Rendimento Anual” demonstrando, com clareza, os valores corretos. A fim de fornecer subsídios à Receita Federal, informa ter juntado Despacho judicial determinando a notificação daquela instituição para informar, em juízo, os valores devidos e atualizados. Esclarece que o Banco já fez o recolhimento de mais de R$ 11.000,00 conforme comprovado nos autos. Pede, ao final, o provimento do recurso e o cancelamento do Auto de Infração. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da matéria não impugnada O relator do voto condutor da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ao apreciar a impugnação do interessado, entendeu que não tinha havido contestação específica de toda a matéria integrante do Auto de Infração, assim se pronunciando, verbis: “De inicio, ressaltase que o contribuinte não contesta a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas nos valores de R$ 14.836,95 em fevereiro e de 31.452,66 em julho, assim como não argumenta contra a cobrança da multa exigida isoladamente por falta de recolhimento mensal do imposto incidente sobre tais valores (CarnêLeão).” Em seu recurso voluntário, o interessado insurgese contra a decisão da Turma que, no sentido do voto do Relator, entendeu não ter sido instaurado o litígio no tocante aos pontos não expressamente impugnados. Alega que já havia contestado especificamente e expressamente todas as verbas arbitradas, inclusive a multa isolada. A Fiscalização procedeu ao lançamento em três itens: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 001. Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica; 002. Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoa física; 003. Multa isolada por falta de recolhimento do IRPF a título de Carnê Leão. No bojo de sua peça impugnatória, o interessado desenvolve seus argumentos apenas contra o item 001. Sustenta ter sido equivocada a lavratura do Auto de Infração em face da apuração de diferenças de valores pecuniários tendo em vista que, na verdade, o referido ato administrativo deveria ter sido lavrado contra o Banco Itaú S/A, no seu entender, o verdadeiro devedor. Ainda na impugnação, alega já ter esclarecido os fatos concernentes ao recebimento do valor de R$ 40.000,00 na defesa apresentada ao Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil, antes mesmo da lavratura do Auto de Infração e, ao final, requer a revogação/cancelamento do Auto de Infração e a lavratura de outro, agora contra o Banco Itaú S/A. A seguir, a transcrição, ipsis litteris, de seu pedido na impugnação: “Em face de tudo o quanto exposto, e como de direito, REQUER o peticionante, que seja acatada a sua DEFESA / IMPUGNAÇÃO, nos termos acima, julgandoa totalmente PROCEDENTE, e revogando/cancelando o AUTO de INFRAÇÃO aqui impugnado, determinando de logo, a lavratura de outro ‘Auto de Infração’, desta feita corretamente, contra o verdadeiro devedor, que é o BANCO ITA0 S/A, ou, ALTERNATIVAMENTE, seja requerido nos próprios autos processuais (juízo que homologou o ACORDO judicial), o prosseguimento da execução contra o Banco Itaú S/A, visando o RECEBIMENTO destas diferenças pecuniárias.” (destaques no original) Na impugnação anexada às fls. 59 a 61, observase que o interessado não se deteve a analisar qualquer outro ponto que não o item 001 do Auto de Infração lavrado. Não se dignou discorrer especificamente sobre os itens 002 e 003, de modo a construir uma defesa fundamentada contra eles, rebatendo de forma clara os aspectos dos quais discordava. O Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, estipula, em seu artigo 14, que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. É, portanto, na impugnação que ficam estabelecidos os limites da controvérsia, com a instauração do litígio. Não se permite, a partir desse momento, a apresentação de novas teses de defesa ou de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. As alegações de defesa, assim como as provas que as sustentam, devem ser apresentadas no momento adequado, dentro do prazo previsto na lei que regula o processo administrativo fiscal, sob pena de preclusão. Na sua impugnação, o interessado não manifestou expressa discordância quanto aos itens: (002) Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoa física; e (003) Multa isolada por falta de recolhimento do IRPF a título de CarnêLeão, constantes do Auto de Infração integrante deste processo. Como conseqüência, não se instaurou, o litígio quanto a esses pontos. Com razão, portanto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Definitivo, na esfera administrativa, o lançamento do imposto sobre a renda pela Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10410.002685/200905 Acórdão n.º 2101001.903 S2C1T1 Fl. 3 5 omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoa física e da multa isolada por falta de recolhimento do IRPF a título de CarnêLeão. Ante esse entendimento, passo a analisar os argumentos suscitados pelo interessado no tocante ao lançamento do imposto sobre a renda decorrente de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica (Banco Itaú S/A). 2. Da omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica O presente litígio teve origem na discordância do interessado no tocante ao lançamento do imposto sobre a renda apurado sobre a omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos do Banco Itaú S/A. A Fiscalização procedeu ao lançamento de imposto suplementar tendo em vista a omissão de rendimentos da ordem de R$ 14.530,55, em decorrência do ajuste do montante dos honorários advocatícios declarados pelo interessado, de R$ 40.000,00, líquidos, para R$ 54.530,55, brutos. Em sede de recurso voluntário, repisando os argumentos de impugnação, o interessado alega ser o Banco Itaú S/A o devedor do tributo, haja vista ter ficado essa instituição com o encargo de recolhêlo aos cofres públicos. Além disso, o Banco já teria feito pagamento de valor “superior a R$ 11.000,00”, não podendo ele, pessoa física, ser obrigado a pagar também o encargo. Em decorrência do Acordo homologado perante a 5.ª Vara do Trabalho de Maceió (AL), nos autos do processo n.º 01107200300519004, o contribuinte recebeu o valor dos honorários advocatícios líquidos do imposto sobre a renda, no montante de R$ 40.000,00, tal como consta da Cláusula 4 do Acordo homologado entre o exeqüente, Manoel Augusto Barbosa Sobrinho e o executado, Banco Itaú S/A, nos seguintes termos: “CLAUSULA 04 0(A) executado(a) fica responsável pelo pagamento das Contribuições Previdenciárias e Imposto de Renda, sem nada descontar do(a) exequente. Tais pagamentos deverão ser comprovados, na Secretaria da Vara do Trabalho, em duas guias distintas, sendo sobre o valor de R$ 80.000,00 em nome do reclamante e outra sobre o valor de R$ 40.000,00 do seu advogado, no prazo legal.” Conforme se constata, como conseqüência do acordo homologado em juízo, o Banco Itaú S/A deveria pagar ao contribuinte o rendimento líquido no valor de R$ 40.000,00, já descontado do imposto sobre a renda correspondente, o que significa dizer que o contribuinte, ao receber o rendimento, pago por aquela instituição financeira, não recebeu o valor de imposto sobre a renda na fonte incidente sobre o valor do rendimento bruto, eis que não recebeu R$ 54.530,55, mas somente R$ 40.000,00. O valor do rendimento bruto recebido pelo contribuinte, de R$ 54.530,55, foi assim calculado pela Fiscalização: RR = RP – D . , em que: 1 – (T/100) Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 RR = Rendimento Reajustado RP = Rendimento Pago (corresponde à base de cálculo antes do reajustamento) D = Parcela a deduzir da classe de rendimento a que pertence a RP T = alíquota da classe de rendimento a que pertence o RP. Sendo assim: RR = 40.000,00 – 465,35 = 54.530,55 1 – 27,5 / 100 O valor de imposto na fonte retido do contribuinte, quando do pagamento de seus honorários foi, então, R$ 54.530,55 – R$ 40.000,00 = R$ 14.530,55. Estes os valores que deveriam ter sido declarados pelo contribuinte, em sua declaração de ajuste anual do exercício 2006: R$ 54.530,55 de rendimento bruto recebido de Itaú S/A e R$ 14.530,55 de imposto retido na fonte correspondente a esse rendimento. Mas não foi isso o que se verificou. Em sua declaração de ajuste anual do exercício 2006, o contribuinte ofereceu à tributação somente o valor líquido de R$ 40.000,00 e não compensou o imposto ao qual tinha direito (vide fls. 52), isto é, que já havia sido retido na fonte quando do efetivo recebimento dos rendimentos (R$ 14.530,55). A Fiscalização procedeu então ao lançamento do imposto suplementar sobre a diferença do rendimento bruto não declarada, qual seja, de R$ 14.530,55. No entanto, como visto, tal diferença, assim como o valor líquido recebido, de R$ 40.000,00, já tinha sido objeto de tributação, quando houve a retenção do tributo, no instante em que ocorreu o pagamento do valor líquido do rendimento ao contribuinte. Todavia, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife (PE) julgou improcedente a impugnação. O Relator do voto condutor da decisão assim justificou seu posicionamento: “8.1 Dessa forma, visto não haver retenção por parte da fonte pagadora, observase os itens 12 a 14 do Parecer Normativo COSIT n.º 1, de 2002, ao determinar que, até o encerramento do prazo fixado para a entrega da Declaração de Ajusta Anual, o imposto deve ser exigido da fonte pagadora, levandose em conta o reajustamento da base de cálculo previsto no art. 725 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999. De outro lado, após o prazo para a entrega da Declaração de Ajuste Anual, a exigência recai sobre o contribuinte, que deve oferecer i tributação todos os rendimentos efetivamente recebidos. Assim, no presente caso, na hipótese de saldo de imposto a pagar apurado, a responsabilidade seria do impugnante. 8.2 Compulsando os autos, notase que o valor de R$ 11.899,10 constante da Guia de Retenção de IRRF (fl. 50), em nome do impugnante e referente ao acordo judicial mencionado, foi recolhido pela fonte pagadora apenas em 8 de maio de 2009, data expressa no comprovante de pagamento (fl. 50). Assim, o recolhimento ocorreu em anocalendário posterior ao do recebimento dos honorários advocatícios ora analisados.” Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10410.002685/200905 Acórdão n.º 2101001.903 S2C1T1 Fl. 4 7 Depreendese, da leitura do texto transcrito, que a decisão exarada baseouse na data e no valor do imposto efetivamente recolhido pela fonte pagadora. No entanto, entendo que, independentemente do montante que veio a ser recolhido pela fonte pagadora dos rendimentos, o que deve ser considerado, para fins de compensação na declaração de ajuste do exercício, é o valor efetivamente retido do interessado. Conforme se constatou, o rendimento pago ao interessado já estava líquido de imposto sobre a renda, não sendo possível responsabilizálo por eventual recolhimento tardio ou a menor pela pessoa jurídica responsável pela retenção e recolhimento do tributo. Neste ponto, portanto, entendo que a decisão de primeira instância merece reparo, porque o lançamento deveria ter levado em conta a retenção do imposto na fonte, que se efetivou quando do pagamento do rendimento líquido ao interessado. Se, por um lado, o recorrente declarou o rendimento a menor, em sua declaração anual de ajuste, por outro, o tributo correspondente ao montante integral já havia sido retido antecipadamente dos rendimentos que lhe foram pagos. Sendo assim, entendo corretas as infrações imputadas ao interessado no lançamento, haja vista ter havido erro na declaração de ajuste anual, que resultou na omissão de rendimentos. Contudo, o imposto retido de R$ 14.530,55, decorrente do reajuste do rendimento líquido para bruto deve ser considerado no cálculo do tributo devido, tendo em vista que o contribuinte recebeu, efetivamente, o valor de seus honorários já líquidos de imposto sobre a renda. Impende, por fim, ressaltar que, se houve diferença entre o valor de imposto retido e o efetivamente recolhido pela fonte pagadora, esta é a responsável pela eventual diferença, haja vista que, conforme exaustivamente demonstrado, o interessado recebeu, efetivamente, o valor líquido de tributos. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, para: (i) reconhecer a definitividade do crédito em relação aos itens 002 e 003 do lançamento, não impugnados, e (ii) com relação ao item 001, determinar a compensação do Imposto Retido na Fonte de R$ 14.530,55 com o montante devido. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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