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Numero do processo: 13161.000211/2006-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
AREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO Declaratório AMBIENTAL (ADA), ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA AREA TRIBUTÁVEL
PELO ITR, A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agraria, quer para a preservação das areas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da Lea de reserva legal,
condição especial para sua proteção ambiental, Havendo tempestiva
averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal.
AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO.
Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-000.624
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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AVERBAÇÃO DA AREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECIARATóRIO AMBIENTAL (ADA), ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA AREA DE RESERVA LEGAL DA AREA TRIBUTÁVEL PELO ITR, A averbação cartorária da álea de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agraria, quer para a preservação das areas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da Lea de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental, Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da Lea de preservação permanente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. lator Maurício ACORDAM os provimento ao recurso, nos term ros do voto o Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR Relator. z Giovan Cluistia Presidente EDITADO EM: 30/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Nirbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Mauricio Carvalho e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de oficio. Os valores declarados, retificados de oficio e julgados na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) seguiram o seguinte histórico: ITR 2002 - Declarado, fl. 39 Retificação de oficio Acórdão DRJ Area de Preservação Permanente 1.472,4 ha 0,0 ha 0,0 ha Área de Utilização Limitada 723,4 ha 0,0 ha 0,0 ha Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na DRJ, adoto o relatório do acórdão de fls. 127 a 132 da instância a quo, in verbis: Esta 1' Turma de julgamento formalizou o acórdão 14J05/2008 de 6 de junho de 2008, fls.83 a 85, julgando a impugnação não conhecida por intempestiva, em razão do prazo previsto no artigo 15 do decreto 70,235/72. A Delegacia da Receita Federal em Dourados - MS devolveu o processo a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento informando em fls. 126 da existência de uma impugnação entregue em duplicidade, fls, 101 a 124, em 07.06,2008, encaminhando o processo a esta DIU, apesar da tempestividade do recurso voluntário ao Conselho de contribuintes, para apreciação, em razão de haver sido encontrada a impugnação tempestiva, além da intempestiva que foi apreciada quando do julgamento original deste processo. Foi lavrado contra o contribuinte acima identificado, auto de infração sobre o Imposto territorial rural do exercício de 2002, no valor total de R$ 174.301,26 (cento e setenta. e quatro mil, trezentos e um reais e vinte e seis centavos), relativo ao imóvel denominado Fazenda Boa União, situado no município de Juti — MS, inscrito nri Receita Federal sob o número 2.790.186-6, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal fls, 35 a 42. O contribuinte preliminarmente intimado a apresentar comprovação dos elementos constantes de sua DITR não apresentou o requerimento tempestivo do ADA ao IBAMA em relação às areas de preservação permanente e erva legal. 2 Processo n" 13161.000211/2006-45 S2-C1T2 Fl. 163 Acórd5o n ° 2102-00,624 A vista da falta de apresentação do requerimento do ADA conforme intimação preliminar, a autoridade fiscal efetuou o lançamento de oficio desconsiderando a totalidade das Areas de preservação permanente e reserva legal para efeito de redução do ITR. Com a exclusão das Areas de preservação permanente e reserva legal como Areas isentas de tributação do ITR houve a redução conseqüente do grau de utilização, aumento da aliquota do 1TR e aumento do VTNT. O contribuinte apresenta sua impugnação alegando em síntese o seguinte: a) Que o auto de infração merece anulação, pois, inexiste amparo legal para a constituição do crédito tributário, considerando que as Areas de preservação permanente e reserva legal foram declaradas na D1TR; b) Que a lei 9393/96 excluiu da tributação do ITR essas Areas, de preservação permanente e de reserva legal; c) Afirma que a existência da reserva legal não pode estar vinculada , averbação na matricula do imóvel, pelo fato de existir na realidade fisica do imóvel; d) Transcreve decisões do conselho de contribuintes e decisão judicial tentando trazer para o seu caso especifico os entendimentos ali esposados; e) Que, mesmo que as Areas de reserva legal e preservação permanente, não possam ser excluidas da tributação do 1TR por . falta de documentos exigidos, também essas Areas não perdem a características de não aproveitáveis, e, portanto, não podem constar nessa condição na apuração do grau de utilização, quando não incidirá a regra matriz do ITR; f) Que a cobrança de multa e juros é descabida, pois, os juros s6 podem começar a fluir a partir da interpelação por ser ela necessária constituição do devedor em mora e que o contribuinte não pode arcar com as conseqüências da demora no julgamento, voltando a transcrever decisão judicial e do conselho de contribuintes alem de doutrina relacionada ao assunto, considerando ainda a multa cobrada como multa de mora. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime,' julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a ausência do ADA tempestivo, impedem a reforma do lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício. 2002 REVISÃO DE ACÔRDÃO. 3 Constatado que o Acórdão 14”105/2008 da I" Turma de Julgamento desta DRJ coin os respectivos relatório e voto que o integram foram emitidos sem a juntada da impugnação apresentada tempestivamente, tendo sido apresentada impugnação em duplicidade, intempestiva, que foi a utilizada no julgamento, acolhido o embargo de declaração proposto, deve ser proferido novo acórdão, ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. Por expressa determinação legal as áreas de preservação permanente e de reserva legal, pare efeito de exclusão da tributação do ITR, devem ser tempestivamente declaradas ao órgão ambiental MAMA através de requerimento do ADA - Ato Declaratório Ambiental, além das areas de reserva legal estarem averbadas a margem da matricula no registro imobiliário na data da ocorrência do fato gerador. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 138 a 148, alegando em síntese que a ausência do ADA tempestivo não pode ser óbice para o reconhecimento das Areas isentas pela comprovação prévia destas mesmas Areas e que a Areas estão sim averbadas em Cartório ou com utilização vedada por lei, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o para julgamento de segunda instancia administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBIL IDADE 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Da análise da descrição dos fatos da autuação, fls, 37/38, verificamos que a motivação das glosas que culminaram no lançamento, foi exclusivamente a ausência de ADA tempestivo para as Area de preservação permanente e Area de utilização limitada. A descrição dos fatos atesta que a Area de Reserva Legal está averbada 'e a Area de Preservação Permanente está comprovada em Laudo Técnico.. A questão do ADA já foi objeto de julgamento recente nessa Turma, v.g., o Acórdão no 2102-00.528, de 14 de abril de 2010, tendo como relator do voto o Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos , cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, seguimos o seus fundamentos para nossa decisão, verbis: A controvérsia centra-se na necessidade, ou não, da apresentação do ADA como condição para fruição de redução no calculo do ITR a pagar em areas de preservação permanente e de reserva legal, bem como na necessidade de averbação cartorária dessa última Inicialmente, deve-se ressaltar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil exige a apresentação do ADA tempestivo para todas as Areas de proteção ambiental (areas de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico para prote • dos ecossistemas Nev 4 I Vide o site da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Perguntas e Respostas do ITR2009. Dis http://www.receita.fazenda ,gov.br/Publico/itr/2009/PerguntasITR2009 pdf. ivel ern 5 Processo n' 13161000211/2006-45 S2-C1T2 Ac6id5o n ° 2101-00.624 17.) 164 ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN e cobertas por floresta nativa) e também exige a averbação à margem da matricula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis das areas de reserva legal, de servidão florestal e ambiental e de RPPN, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR 1 , Aqui, centralizaremos a discussão sobre a apresentação do ADA para as Areas de preservação permanente e reserva legal, bem como a averbação cartorária para esta última, porem o debate se põe da mesma forma para a apresentação do ADA e para a averbação cartorária das demais Areas de interesse ambiental (áreas de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN e cobertas por floresta nativa). Especificamente, a area de preservação permanente é aquela coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hidricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo génico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas (art. 1 0, § 2°, II, do Código Florestal), incluindo aqui as florestas e denials formas de vegetação natural ao longo das margens dos rios e cursos d'águas, ao redor de reservatórios naturais ou artificiais d'água, nas nascentes, no topo de morros, montes, montanhas e serras, nas restingas, nas bordas dos tabuleiros ou chapadas e em altitude superior a L800 metros (art. 2°, "a" a "h", do Código Florestal). IA a reserva legal é a Area localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiver sidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1°, § 2°, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser afetados à reserva legal, nas diversas regiões do pais, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, § 8°, do Código Florestal). Ainda, na legislação tributária ambiental se vê a utilização do termo "área de utilização limitada", que se refere as demais Areas de proteção ambiental, que não a Area de preservação permanente. Assim, as Areas de utilização limitada são as Areas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN e cobertas por floresta nativa. A necessidade, ou não, da apresentação do ADA para as areas de preservação permanente e de reserva legal, bem como a necessidade, ou não, da averbação cartorária desta última, corno condição para fruição de redução do ITR é uma controvérsia tormentosa no âmbito da jurisdição administrativa e no seio judicial, corn decisões ora exigindo os aspectos formais citados (ADA' e averbação cartorária), ora afastando-os, em alguns momentos suprindo-os com laudos técnicos e outras provas, e até, na Lea de reserva legal, nada exigindo, simplesmente utilizando, na redução do 1TR devido, os percentuais abstratos de Areas de reserva legal previstos no Código Florestal (Lei n°4.771/65). . Primeiramente, aprecia-se a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Começa-se pelo REsp 1.125,632/PR (STJ, 2010), da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, no qual há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. woidiclio DO ART 535 DO CPC WO OCORRÊNCIA. 1TR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA AREA DE PRESERVACÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBACATO OU DE ATO DECLARA TÓRIO DO MAMA. INCLUSÃO DA AEA DE RESERVA LEGAL ANTE A A USÊNCIA DE AVERBACÃO. I. Arlo viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a. prestação .jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia, 2. 0 art 2 0 do Clidigo Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal it incidência do tributo sobre áreas tL_ff,nEewrvatioermgfigag„.2e, comprovação da averba cão destas na matricula do imóvel ou a existência de ato declaratário do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por hontologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação perntanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rei MM. Eliana Calmon, Di de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averba cão na matricula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada a reserva legal. Assim, somente com a averba cão da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber; com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art 16, § 8", do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise, 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de ,fis 139-145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (grifou-se) Acima se entendeu que seriam desnecessários a averbação cartorária ou o ADA para o reconhecimento da área de preservação permanente. Na jurisprudência do STJ transparece claramente a desnecessidade do ADA para fazer frente a qualquer beneficio no âmbito do ITR. De outra banda, exigiu-se a averbação da Area de reserva legal na matrícula do imóvel, como condição para fruição da redução do FIR devido., No caso do ADA, no leading case acima referido na ementa do voto do Ministro Benedito Gonçalves (FtEsp 665.123/PR, relatora a Ministra Eliana Calmon), vê-se que se trata da exigência do ADA instituído pela Instrução Normativa SU' n° 67/97, não se fazendo menção à exigência do ADA trazida pelo att. 17-O, § 1°, da Lei n° 6.938/81, na redação dada pela Lei n° 10.165/2000, verbis: "A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória". Entretanto, deve-se anotar que o REsp 665.123/PR também utilizou corno fundamento para rechaçar a necessidade do ADA o art. 10, § 7 0, da Lei n° 9.393/96, na redação dada pela MP 2.166/67-2001, assim vazado: 6 Processo n° 13161.000211/2006-45 S2-C1T2 Fl. 165 Acórdão n ° 2102-00.624 7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas 'a' e 'd' do inciso 11; sç 1, deste artigo, não está sujeito à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, semprejuizo de outras sanções Assim, considerando que o STJ apreciou a exigência do ADA instituída pela IN SRF no 67/97, não se fazendo menção ao art. 17-0, § 1 0, da Lei n° 6 938/81, tem-se fundada dúvida se essa jurisprudência tem higidez para ser aplicada para períodos posteriores a 2001, quando incidiu a regra da Lei n° 10.165/2000, já que o art. 10, § 70, da Lei n° 9.393/96, acima, não afasta a apresentação do ADA, mas apenas assevera que o contribuinte pode declarar as Areas de preservação permanente e de utilização limitada sem qualquer comprovação prévia, como sucede com qualquer declaração de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como o próprio ITR. Porém, intimado o contribuinte a fazer a prova da existência das Areas isentas, deve faze-1o, sob pena de glosa, como ocorre com qualquer revisão de declaração, sendo certo que há um comando legal expresso no art 17-0, § 1 0, da Lei n° 6938/81 que exige a utilização do ADA para fruição de beneficio no âmbito do ITR, sendo desarrazoado imaginar que a redação do art. 10, § 7 0, da Lei no 9.393/96, dada pela posterior MP 2.166-67/2001 em face da Lei n° 10.165/2000, que versa sobre a natureza homologatária da informação das Areas isentas, passível de comprovação a partir de intimação da autoridade fiscal, possa ter revogado o comando expresso da Lei n° 6.938/81. Entretanto, ainda no âmbito do SIT, a dúvida aumenta corn a controvérsia referente A averbação da reserva legal a margem da matricula do imóvel rural no cartório de registro de imóveis. A mesma Primeira Turma do ST.1 julgou o Resp n° 1.060.886/PR (STJ, 2010), na sessão de 1°/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matricula do imóvel ou a averbação a destempo, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto corn o REsp 1.125.632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do beneficio no âmbito do 1TR, como antes aqui se viu, ressaltando que a decisão de dezembro de 2009 nap faz qualquer menção a decisão pretérita da mesma Turina. Para tanto, veja-se o excerto da ementa do Resp IV 1.060.886/PR, verbis: Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averba cão fella após a data de ocorrência do fato gerador, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do 1TR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei n" 4.771/1965. Reconhece-se o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n°4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato colistitutivo, mas meramente declaratório, já havia a protect-10 legal sobre tal área ' Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do SD, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, corno abaLa se demonstrará. 7 A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR até março de 2009, era oscilante nos pontos acima discutidos, ora exigindo a averbação da reserva legal e o ADA para as Areas de utilização limitada e preservação permanente, ora afastando-os (averbação e ADA), As vezes se contentando com laudos técnicos e outros documentos para comprovarem as Areas isentas, em votações com diversos votos vencidos ou decididas pot . voto de qualidade (votação em que hit empate entre os Conselheiros e o voto do Presidente determina a tese vencedora), a demonstrar a vacilação jurisprudencial e a fundada controvérsia que cerca a matéria. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do 'Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercicios posteriores ao exercício 2001, em que este Conselheiro compulsou as ementas de aproximadamente 300 julgados, em decisões prolatadas no ano de 2008, no site do CARF (http://www.carLfazenda. gov.br ): 1. Area de reserva legal averbada no cartório de registro de imóveis, sem necessidade do ADA - Acórdão n° 301-34,779, sessão de 15110/2008, por voto de qualidade; 2. exigência de averbação da Area de reserva legal somente a partir do Decreto n° 4382/2002 (Regulamento do ITR) Acórdão IV 301-34459, sessão de 20/05/2008, unânime; 3. Area de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material - Acórdão n° 301-34475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão n° 302-39586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão n° 391-00031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de Area de preservação permanente); 4. Area de reserva legal averbada no cartório de registro de imóveis e desnecessidade do ADA para comprovar a Area de preservação permanente - Acórdão no 303- 35543, sessão de 13/08/2008, por maioria; 5. falta do .ADA, por si so, não afasta a redução do Irk no tocante As Areas de preservação permanente e reserva legal; ausência de averbação cartorária da reserva legal, por. si só, também não afasta a benesse legal - Acórdão no 303-35421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 6. pela desnecessidade do ADA para comprovação das Areas de reserva legal e de preservação permanente - Acórdão n° 303-35546, sessão de 13/08/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35351, sessão de 20/05/2008, por maioria; 7. comprovação das Areas de utilização limitada e de preservação permanente sem depender . de ADA tempestivo - Acórdão if 302-39391, sessão de 24/04/2008, por maioria; Acórdão no 303-35736, sessão de 16/10/2008, por maioria; 8. Areas de reserva legal e de preservação permanente competentemente averbadas e ADA extemporâneo reconhecidas para reduzir o ITR devido - Acórdão n° 301- 34686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão n° 301-34632, sessão de 10/08/2008, unânime (somente Area de reserva legal); Acórdão n° 303-35540, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade (decidiu-se pela exigência de averbação par a a Area de reserva legal e ADA a qualquer tempo para a area de preservação permanente - dissídio apenas no tocante à averbação da Area de reserva legal); 9. Area de reserva legal averbada extemporaneamente e Area de preservação permanente reconhecida por laudo técnico Acórdão n° 301-34788, sessão de 15/10/2008, pox voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); 10 , exigência de ADA para reconhecimento das Areas de preservação permanente e de reserva legal - Acórdão n° 301-34354, sessão de 26/03/2008, p maioria; 8 Processo n° 13161 000211/2006-45 S2-C1T2 Acendrio n ° 2102-00.624 FL 166 Acórdão n° 302-40049, sessão de 10/12/2008, por voto de qualidade (somente Area de reserva legal); Acórdão n° 302-39865, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 302- 39728, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 391-00001, sessão de 23/09/2008, unânime (ainda a averbação da reserva legal não supre a ausência do ADA); 11. comprovação das Areas de utilização limitada (reserva legal) e de preservação permanente a depender de ADA e de averbação cartorária tempestivos — Acórdão n° 302-39244, sessão de 29/01/2008, por maioria; Acórdão n° 302-39866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 303-35538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 303-35645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 393-00083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima, separando as Areas de reserva legal e de preservação permanente, tem-se: • Area de reserva legal — necessidade de averbação cartorária, sem ADA (precedentes da 1° e 3' Câmara do Terceiro Conselheiro de Contribuintes); averbação após a publicação do Decreto n° 4.38212002 (1° Câmara); reconhecimento da Area por laudos técnicos (1°, 2', 3° Câmaras e 3° TE); desnecessidade de ADA (3° Câmara); aceitação de ADA intempestivo (2" e 3° Câmaras); averbação cartorária e ADA intempestivos (1 e 3° Câmaras); averbação cartoraria intempestiva (1° Câmara); necessidade de ADA (1°, 2° e 1° TE); averbação e ADA tempestivos (2°, 3' e 3° TE); • Area de preservação permanente — Sem necessidade do ADA (precedente da 3° Camara); ADA intempestivo (precedentes la, 2' e 3° Câmaras); comprovação com laudos (1° Câmara) e necessidade de ADA tempestivo (1°, 2° e 1° TE). Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada, quer no tocante à averbação cartorária da Area de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras com reconhecimento da Area de reserva legal a partir de laudos técnicos), quer no tocante à exigência do ADA para comprovação das Areas de preservação permanente e de reserva legal, sendo certo que as posigaes mais formais, com exigência do ADA, para ambas as Areas, e corn a averbação para a Area de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 11, acima), tudo a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer criticas à jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante As exigências do ADA e da averbação cartorária para reconhecimento dos beneficios isentivos no âmbito do 1TR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessas controvérsias, a uma afastando a exigência do ADA a partir de legislação infralegal já superada pelo art, 17-0, § 1°, da Lei n° 6,938/81, na redação dada pela Lei no 10.165/2000; a duas, pela controvérsia no tocante à averbação cartorária da reserva legal, corn a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando de,ciseies divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva A posição pretérita. Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceira Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passa-se aqui a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente As Areas de reserva legal e de preservação permanente. Da Area tributável para fins do 1TR se excluem as Areas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por res r atórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1°, 11, "a" a "f", da Lei n° 9.393/ 9 Claramente vê-se que as Areas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as Areas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista, 0 nó górdio é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma area seja considerada de reserva legal ou de preservação permanente para fins de fruição da isenção mio âmbito do 1TR. Partindo do principio que o UR incide sobre a Area aproveitável da propriedade (Area tributável menos a area de benfeitorias), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, parece-me claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas Areas de utilização limitada, ou seja, caso as Areas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastar-se-ia a isenção legal. De outra banda, existindo tais Areas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal. Entretanto, para a fiuição da isenção, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias Areas ambientalmente protegidas). Como exempla de requisito isentivo de ordem formal, para isenção do IRPF, não basta o contribuinte portar alguma das moléstias constantes no art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713/88, mas deve comprová-las mediante um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, na forma do art. 30 da Lei n" 9,250/95. Nessa mesma linha, o art. 4°, V, da Lei no 8 661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial - PDII pode ter um crédito de 50% do IRRI; incidente sobre as remessas para o exterior, a titulo de royalties, de assistência técnica ou cientifica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferencia de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbá-lo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial - 1NPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei n° 9.279/96), para fruição do beneficio legal. Agora, passa-se a verificar a existência de requisitos formais para fruição do beneficio no âmbito do ITR para as áreas de preservação permanente e reserva legal. Em relação A área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1°, II, "a", da Lei n" 9.393/96, verbis: Art. la. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologaçâo posteriOr § 1" Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 1 - Oinissis; II - circa tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a Area de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), pode ser excluída da Area tributável. Já no art. 16 da Lei n° 4.771/65 definem-se os percentuais de cobertura florestal a titulo de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regilies do pais e determina que a Area de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, 10 Processo n° 13161..000211/2006-45 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00624 Fl. 167 sendo vedada a alteração de sua destinagão, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da Area. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do beneficio no âmbito do ITR, já que a Lei n° 9393/96 assevera a exclusão da Area de reserva legal, porém remetendo-a ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da área de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da area de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive ha norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei n° 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art, 55 do Decreto n° 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927,979 — MG, julgado pela Primeira Turma ern 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unanime, assim ementado: DIREITO AMBIE1VTAL, ARTS. 16 E 44 DA LEI N" 4.771/65. MATRICULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL NECESSIDADE. I - A questão controvertida refere-se à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n, 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matricula do II - "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserve z,florestal resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem • limites pelo homem, Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados coin equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS n" 18301/MG, Rel. Milt JOAO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III - Inviável o afastanzento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvazimento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, a margem da inscrição da matricula da_propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV - Recurso Especial provido. (grifou-se) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis if 9.393/96 e 4771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a desa3lo meio ambiente um dos princípios da ordem econômica,. 11 Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa especifica, parece desanazoado deferir o beneficio tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei n° 9.393/96 defere a exclusão da area de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece-me que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima esta alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Banos Carvalho 2 : Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinam-se mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributciria que se possa dizer pura, no sentido de realizar' tão-só a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma figura impositiva, sendo apenas licito verificar que, par vezes, um predomina sobre o outro, No dizer de José Marcos Domingues Oliveira3 (1999, p, 37) a "Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captação de dinheiro para o Erário, tais coma a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do desenvolvimento regional ou setorial etc,", sendo certo que é do conhecimento geral que o ITR é urn imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agrária e gravando de forma mais vertical os latifúndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/64) e corn as alterações perpetradas pela Lei n° 6,746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei n° 9393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei n° 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das áreas de interesse ambiental, já que tais áreas não compõem as areas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio area total do imóvel/grau de utilização . Apenas para se ter uma idéia da irrelevância do aspecto fiscal, arrecadatório, do 1TR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do IIR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado 4, isso no pais que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes Areas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundaria. De outra banda, o aspecto extrafiscal do IIR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: • imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; • progressividade das aliquotas, como se vê no anexo da Lei n° 9.393/96, no qual urna propriedade corn o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a aliquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; • tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito 'tributário — Linguagem e Método, 2' ed., Sao Paulo: Noeses, p. 241, 3 OLIVEIRA, Jose Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente: proporcionalidade, tipicidade aberta, afetação de receita 2' ed. (rev, e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 37. 4 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da internet da Secretaria da Receita Fed 1 do Brasil, no endereço: littp://wi,vw.receita fazendagov.br/Publico/arre/2009/Analisernensaldez09.pdf, 12 Processo n° 13161 000211/2006-45 S2-C1T2 Fl. 168 Ac6td5o fl . 0 2102-00.624 • exclusão da Area de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (Areas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente . Em um cenário dessa natureza, deve-se privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do 1TR e, dentre esses, avulta a relevância das Areas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da Area de reserva legal 6 um importante requisito para a conservação da Area protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do 1TR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da Area de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei if 9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1°,11, "a", da Lei n° 9.393/96 permite a exclusão da Area de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei n° 4.771/65) da Area tributável pelo 1TR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8°, exige que a area de reserva legal deve ser averbada A margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da Area, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da area de reserva legal no Cartório de Registro de imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insiste-se que afastar a necessidade de averbação da Area de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro h essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da Area de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do 1TR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da area de reserva legal, aqui ado me filio Aqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma Area de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao inicio da ação fiscal, não me parece razoável arrostar o beneficio tributário, quando se sabe que Areas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma Area averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da Area total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do rrR Agora, passa-se a apreciar a necessidade do ADA para fruição do beneficio tributário para as Areas de preservação permanente e utilização limitada (reserva legal e outras). Essa questão não oferece qualquer dúvida, já que o art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR obrigatória) é expresso quanta à exigência do ADA para fruição de beneficio no âmbito do ITR, com vigência em relação aos exercícios posteriores a 2001, e não se compreende como o art, 10, § 7°, da Lei no 9.393/96 (na redação dada pela MP no 2.166-67/2001), que versa sabre aspectos homologatórios da declaração das áreas de utilização limitada, poderia ter revogado tacitamente o art, 17-0, § 1°, da Lei no 6.938/81, como aqui se- discutiu anteriormente. 13 Mais urna vez, entretanto, como a Lei ri° 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das Areas de preservação permanente e de utilização limitada. Explanada a posição deste relator sobre as controvérsias referentes ao ADA para as Areas de utilização limitada (reserva legal e outras) e de preservação permanente e sobre a averbação cartoriria da Area de reserva legal, nassa-se a apreciar o caso concreto aqui em discussão. Diante da posição acima, concluímos que embora a utilização do ADA para reconhecimentos das Areas isentas par a efeito de redução do valor a pagar do ITR seja obrigatória, não há prazo fixo para a sua entrega. Este processo está sendo julgado em conjunto com o processo 13161.720165/2007-85 do mesmo imóvel, onde está acostado à fl. 77, copia do ADA de 2005, entregue ao [bania, assumindo a responsabilidade sobre as mesmas Areas declaradas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Assim, afastada a única motivação exposta pela autoridade fiscal,deve-se deferir a isenção no tocante à Area de Reserva Legal e Preservação Permanente.. Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, reconduzindo na DITR objeto do lançamento, 1.472,4 ha corno Area de Preservação Permanente e 723,4 ha como Area de Utilização Limitada (Reserva Legal). Ru b9 Mauricio Carvalho - Relator 14
score : 1.0
Numero do processo: 10242.000341/2010-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF.
Numero da decisão: 3001-000.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do apelo, rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ENTREGA FORA DO PRAZO. MULTA. Recorrente M. GIROLDO & CIA. LTDA.ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do apelo, rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 03 41 /2 01 0- 76 Fl. 79DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Este processo foi primitivamente distribuído à 1ª Turma Especial da 1ª Seção deste Conselho, oportunidade em que declinouse da competência para a 3ª Seção por se tratar de matéria atinente à entrega de DACON com atraso, ocasião em que já foi assim relatado (fls. 93), verbis. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA (DRJ/BEL), que julgou improcedente impugnação apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão recorrido, verbis: 1. Trata o presente processo de multas expedidas através das Notificações de Lançamento de fls. 08,10, 12, 14, 16 e 18, decorrentes dos atrasos nas entregas dos Dacons referentes aos meses de janeiro a junho de 2010, no valor de R$ 3.000,00 (valores mínimos de R$ 500,00 por lançamento). 2. Sendo a data do vencimento da exigência em 19.10.2010, considerase tempestiva a impugnação apresentada em 08.09.2010 (fls.01/07), na qual a interessada, em síntese: a) Reclama de dificuldades criadas pela Receita Federal relativas a questões técnicas e de informação, relatadas em mensagem da Fenacon; b) Entende que uma instrução normativa não pode criar uma obrigação acessória, devendo limitarse a regular aquela definida em lei, respeitando o princípio constitucional da legalidade; c) Aponta caracterizar confisco o valor da multa aplicada; d) Afirma haver constado informação errada no sítio da Receita Federal na internet, quando havia a previsão de prazos para apresentação dos demonstrativos mensal e semestral; e) Requer a revisão do lançamento.” Em sua decisão, a DRJ/BEL houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 0121.495, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10242.000341/201076 Acórdão n.º 3001000.797 S3C0T1 Fl. 3 3 O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIRITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 INCNSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade dos atos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese, os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, requerendo, ao final, a insubsistência total dos Autos de Infração. Finalmente, reportase o recorrente à IN/RFB nº 1.178, de 01 de agosto de 2011, que prorrogou para o 5º dia útil do mês de outub ro de 2011 o prazo de entrega do DACON relativo a fatos geradores ocorridos nos meses de abril a julho de 2011, para questionar que como prorrogouse por 05, indagável porque não se prorrogou por 01, 03, 05, 10, 15, 20 ou mesmo até o final do mês, e arremata (fls. 60), verbis. Vejam como é INJUSTO, quando a receita federal não cumpre com o que a IN determina, ela simplesmente altera o prazo para entrega do DACON, como faz por meio da Instrução Normativa nº 1.160/2011, publicada no Diário Oficial de 30/05, prorrogou para o 5º dia útil do mês de agosto de 2011 o prazo entrega do DACON Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais relativo a fatos geradores ocorridos nos meses de ABRIL e MAIO 2011, inclusive nos casos da extinção, inorporação, fusão, cisão que ocorrerem nesses meses, e até a data de hoje 1q5/07/2011 não está disponível no site da RFB a nova versão do programa 2.5 e desde o dia 30/05/2011, foi publicada a presente IN 1.160/2011 (sic). Assim as inúmeras Instruões Normativas divergentes, vem causando prejuízos as empresas e aos profissionais da área contábil, bem como, a falta de informação concreta e corrta ocasional a multa que ora requerer sua anulação/cancelamento (sic). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. A tempestividade do apelo do contribuinte já foi aferida pelo ilustre Rlator da Resolução nº 1802000.113 2ª Turma Especial (fls. 92). Fl. 81DF CARF MF 4 A preliminar de inconstitucionalidade já foi afastada pela decisão recorrida, inclusive com expressa citação da Súmula CARF nº 2, segundo a qual "O CARF não é cvompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". E, no apelo da empresa, referida preliminar não foi renovada, tornandose definitiva a decisão recorrida no particular. Sobre o mérito, os fundamentos do recurso praticamente são os mesmos constantes da impugnação do contribuinte para insurgirse contra a aplicação da multa, tentando culpar os órgãos da receita como os reais causadores do atraso, seja pelo excessivo número de normas sobre o assunto, seja pela falta de orientação e esclarecimento, e afirma (fls. 66), verbis. Houve negligência administrativa quanto a definir com antecipação adequada o critério de distribuição diária da transmissão e recepção da demanda esperada de declarações, bem como o prazo geral prospectivo que deveria ser concedido, em igualdade de condições, a todos os contribuintes que foram impedidos de entregar suas DACON eletronicamente no prazo legal. Prova disso é que a FENACON emitiu nota publicada informando a todo empresariado que em razão da dificuldade em adquirir a Certificação Digital na entrega do DACON e da DCTJ às empresas que optaram pelo regime tributáro do lucro presumido, conforme informou a FENACON, o programa vinha exigindo erroneamente a utilização de assinatura digital para empresa do regime de lucro presumido. Cabe ressaltar que, desde o dia 23 de fevereiro, a FENACON vinha alertando a Receita Federal do Brasil sobre a irregularidade da exigência referida, já que entra em contradição com o previsto na Instrução Normativa IN nº 969, alterada pela IN nº 995 para entrega do DACON. A decisão recorrida, todavia, é totalmente esclarecedora sobre os pontos levantados pela recorrente (fls. 41/42), verbis 6. Quanto aos atos que regulam a multa em questão, de início, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão interna da declaração, permitido pela legislação. 7. Nos termos da Instrução Normativa RFB n° 940, de 19 de maio de 2009, até 31/12/2009 somente as pessoas jurídicas obrigadas ou optantes pela entrega mensal da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF deveriam apresentar o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON mensal. 8. Ocorre que com a edição da Instrução Normativa RFB n° 974, de 27 de novembro de 2009, a periodicidade da DCTF passou a ser mensal. Desta feita, como a periodicidade de entrega do DACON era vinculada à apresentação da DCTF, a partir de I o de janeiro de 2010 este também passou a ser entregue de forma mensal. De outro lado, o respectivo prazo de entrega desse Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10242.000341/201076 Acórdão n.º 3001000.797 S3C0T1 Fl. 4 5 demonstrativo mensal já estava previsto na citada IN 940, de 2009: 5 o (quinto) dia útil do 2 o (segundo) mês subseqüente ao mês de referência. 9. Enfim, o Dacon semestral, em face da IN RFB n° 974, de 2009, foi tacitamente extinto a partir de 01/01/2010, vindo a Instrução Normativa RFB n° n° 1.015, de 5 de março de 2010 apenas consolidar a nova disciplina de obrigatoriedade mensal imposta pela referida LN RFB n° 974, de 2009: "Art. 1ºo As normas disciplinadoras do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), aplicáveis a partir de Io de janeiro de 2010, são as estabelecidas nesta Instrução Normativa. CAPÍTULO I DA APRESENTAÇÃO DO DACON Seção I Da Periodicidade de Apresentação do Dacon Art. 2o As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas e as que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon mensalmente de forma centralizada pelo estabelecimento matriz. 10. Com relação à alegada dificuldade criada pela alteração na legislação sem adequação dos programas da Receita Federal, a mesma LN dispôs: Art. 13. Enquanto não disponibilizado novo programa gerador, o Dacon deverá ser elaborado mediante a utilização do programa Dacon MensalSemestral. Parágrafo único. O Dacon será considerado apresentado na periodicidade mensal, qualquer que seja a marcação no quadro 'Periodicidade de Entrega' da ficha ' Novo Demonstrativo'. Relevante também ser frisado que o Dacon semestral, em face da IN RFB n° 974, de 2009, foi tacitamente extinto a partir de 01/01/2010, vindo a Instrução Normativa RFB n° n° 1.015, de 5 de março de 2010 apenas consolidar a nova disciplina de obrigatoriedade mensal imposta pela referida LN RFB n° 974/2009, verbis. "Art. 1º. As normas disciplinadoras do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), aplicáveis a partir de Io de janeiro de 2010, são as estabelecidas nesta Instrução Normativa. CAPÍTULO I DA APRESENTAÇÃO DO DACON Seção I Da Periodicidade de Apresentação do Dacon Art. 2º As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas e as que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon mensalmente de forma centralizada pelo estabelecimento matriz. Fl. 83DF CARF MF 6 Ademais, é firme a jurisprudência deste Colegiado no sentido de ser mantida a aplicação de multa por atraso na entrega do DACON, merecendo sejam transcritas algumas ementas de Acórdãos mais recentes, quanto segue. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/08/2007 .......................................(omissis).......................................... DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória.(Acórdão nº 3201003.943 2ª Câmara/1ª Turma, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferido em 21 de junho de 2018). (Destaque nosso). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente.(Acórdão nº 3302 005.848 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferdo em 25.09.2018). (Destaque nosso). .......................................(omissis)......................................... ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/03/2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. (Acórdão nº 3402006.097 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, proferido em 30 de janeiro de 2019). (Destaque nosso). Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10242.000341/201076 Acórdão n.º 3001000.797 S3C0T1 Fl. 5 7 Diante do exposto, coerente com a jurisprudência deste Conselho sobre a entrega do DACON com atraso, e ainda tendo em mira que, na hipótese, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, VOTO no sentido de tomar conhecimento do apelo, rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.733119/2013-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
ITR. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Sendo, o lançamento, por homologação, e ocorrendo a antecipação do pagamento do tributo, a regra decadencial é a estabelecida no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN).
ITR. ÁREA UTILIZADA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Para efeito de comprovar a área utilizada, o contribuinte do ITR poderá valer-se dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado em regime de arrendamento ou parceria. Cabe ao contribuinte fazer prova, com documentação hábil e idônea, das áreas utilizadas pelos arrendatários e parceiros.
Numero da decisão: 2301-006.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, rejeitar o pedido de diligência e DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo como área utilizada do imóvel, para os exercícios de 2009, 2010, 2011 e 2012, respectivamente 2.924,9 ha., 4.857,2 ha., 4.226,3 ha. e 4.266,1 ha.
João Maurício Vital Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ITR. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Sendo, o lançamento, por homologação, e ocorrendo a antecipação do pagamento do tributo, a regra decadencial é a estabelecida no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). ITR. ÁREA UTILIZADA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Para efeito de comprovar a área utilizada, o contribuinte do ITR poderá valer-se dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado em regime de arrendamento ou parceria. Cabe ao contribuinte fazer prova, com documentação hábil e idônea, das áreas utilizadas pelos arrendatários e parceiros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, rejeitar o pedido de diligência e DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo como área utilizada do imóvel, para os exercícios de 2009, 2010, 2011 e 2012, respectivamente 2.924,9 ha., 4.857,2 ha., 4.226,3 ha. e 4.266,1 ha. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-18T13:43:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-18T13:43:37Z; Last-Modified: 2019-06-18T13:43:37Z; dcterms:modified: 2019-06-18T13:43:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-18T13:43:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-18T13:43:37Z; meta:save-date: 2019-06-18T13:43:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-18T13:43:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-18T13:43:37Z; created: 2019-06-18T13:43:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2019-06-18T13:43:37Z; pdf:charsPerPage: 2360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-18T13:43:37Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.733119/2013-69 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2301-006.083 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2019 Recorrentes MANOEL MARQUES DE SOUZA ALVARES DA CUNHA ESPÓLIO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ITR. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Sendo, o lançamento, por homologação, e ocorrendo a antecipação do pagamento do tributo, a regra decadencial é a estabelecida no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). ITR. ÁREA UTILIZADA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Para efeito de comprovar a área utilizada, o contribuinte do ITR poderá valer- se dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado em regime de arrendamento ou parceria. Cabe ao contribuinte fazer prova, com documentação hábil e idônea, das áreas utilizadas pelos arrendatários e parceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, rejeitar o pedido de diligência e DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo como área utilizada do imóvel, para os exercícios de 2009, 2010, 2011 e 2012, respectivamente 2.924,9 ha., 4.857,2 ha., 4.226,3 ha. e 4.266,1 ha. João Maurício Vital – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 31 19 /2 01 3- 69 Fl. 2129DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.083 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733119/2013-69 Relatório Trata-se de lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR) dos exercícios de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, relativo ao imóvel Estância Conceição do Piraju, Nirf 0.519.438- 5, em face dos seguintes procedimentos adotados pela Autoridade Fiscal: a)a glosa integral da área declarada de preservação permanente de 553,0 ha (em 2009 e 2010) e de 1.248,0 ha (em 2011 e 2012); b)a glosa integral da área declarada de florestas nativas de 217,0 ha (em 2009, 2010, 2011 e 2012); c)a glosa integral da área de produtos vegetais de 1.800,0 ha (em 2008), de 1.300,0 ha (em 2009), de 1.564,0 ha (em 2010) e de 1.481,0 ha (em 2011 e 2012); d)a glosa integral da área declarada de pastagens de 4.467,9 ha (em 2008), de 4.190,0 ha (em 2009), de 3.879,9 ha (em 2010) e de 3.310,0 ha (em 2011 e 2012); e)a alteração do VTN do imóvel que passou de R$4.840.005,00 (R$761,26/ha), nos exercícios de 2008 e 2009, e de R$6.357.000,00 (R$999,86/ha), nos exercícios de 2010, 2011 e 2012, para R$9.267.465,78 (R$1.457,63/ha), em 2008, para R$R$10.819.238,43 (R$1.701,70/ha), em 2009, para R$13.399.210,67 (R$2.107,49/ha), em 2010, para R$14.962.491,12 (R$2.353,37/ha), em 2011, e para R$16.397.024,10 (R$2.579,00/ha), em 2012, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT); f)o aumento da área tributável e aproveitável, em 2009, 2010, 2011 e 2012; g)a redução do Grau de Utilização (GU) nos cinco exercícios, aplicando-se a alíquota máxima (20,0%) sobre os novos VTN tributados. O lançamento foi impugnado sob as seguintes alegações, aqui sumarizadas: a)a ilicitude do procedimento de revisão das DITRs; b)parte do imóvel teria sido irregularmente arrendada e os arrendatários mantiveram a posse do imóvel, sob resistência da família que legava que o proprietário não estava apto a manifestar livremente sua vontade, o que resultou em ação de interdição; c)a área total do imóvel (6.357,9 ha.) teria sido arrendada à empresa Pinvest, que teria sub-arrendado 300,0 ha. a Mauro Bonotto e 750,0 ha. a Rhafael Trombetta e Lédio Trombetta, mas que a Pinvest não teria tomado posse integral da área porque 1.182,7 ha. já se encontravam arrendados a Luiz Nemitz e 431,9 ha., a Carla Nemitz; d)as DITRs eram elaboradas e apresentadas pelo arrendatário, ou sub- arrendatários, e que o contribuinte não teria acesso às informações e documentos sobre a utilização da terra, cabendo à Fiscalização obter os documentos e informações diretamente de quem possuía; Fl. 2130DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.083 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733119/2013-69 e)apresentou documentos que comprovariam a utilização da área arrendada à Pinvest; f)as áreas arrendadas a Luiz e Carla Nemitz teriam sido integralmente aproveitadas; g)não obteve documentos comprobatórios de utilização das áreas arrendadas a Mauro Bonotto e Rhafael Trombetta e que caberia ao Fisco obtê-los diretamente dos arrendatários; h)todas as áreas utilizadas por Pinvest, Luiz Nemitz e Carla Nemitz informadas nas DITRs do período teriam sido comprovadas; i)da área total do imóvel, somente não se obteve documentos comprobatórios da utilização em relação aos 300,0 ha. sub-arrendados a Mauro Bonotto e aos 750,0 ha. sub- arrendados a Rhafael Trombetta e Lédio Trombetta, para o quê solicita diligência a fim de que o Fisco obtenha, diretamente dos sub-arrendatários, os documentos relativos à utilização. O colegiado a quo julgou a impugnação parcialmente procedente nos seguintes termos: Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada procedente em parte a impugnação apresentada pelo Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 89/112, dos exercícios de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, para reconhecer de ofício a decadência do lançamento referente ao exercício de 2008, no valor de R$1.831.713,14 de ITR suplementar, com a extinção do crédito tributário correspondente; acatar uma área de produtos vegetais de 143,6 ha, no exercício 2009; uma área de produtos vegetais de 428,6 ha, no exercício 2010; uma área de produtos vegetais de 166,3 ha, no exercício 2011 e uma área de produtos vegetais de 206,1 ha, no exercício 2012; acatar uma área de pastagens de 1.805,7 ha, no exercício 2009; uma área de pastagens de 3.678,6 ha, no exercício 2010; restabelecer integralmente as áreas de pastagens declaradas de 3.310,0 ha, igualmente, nos exercícios de 2011 e 2012, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$2.144.707,41 para R$1.279.168,33, em 2009; de R$2.654.702,74 para R$376.836,93, em 2010; de R$2.970.485,52 para R$935.586,73, em 2011, e de R$3.257.392,12 para R$1.027.396,84, em 2012, acarretando uma redução total do ITR suplementar de R$12.859.000,93 para R$3.618.988,84, a ser acrescido de multa proporcional de 75,0% e juros de mora na forma da legislação vigente. (Grifos do original.) Em razão do valor desonerado, foi interposto recurso de ofício da decisão. O contribuinte interpôs recurso voluntário no qual expôs questões familiares que não guardam relação com a presente lide, mas que evidenciam extrema dificuldade de obter documentos dos arrendatários e sub-arrendatários. Em síntese, alegou: a)que o Fisco deveria intimar os arrendatários e sub-arrendatários, reais possuidores da propriedade, para que prestassem as informações sobre o imóvel, uma vez que o contribuinte não tinha como obrigá-los a lhe fornecer os documentos suficientes para afastar a acusação fiscal; Fl. 2131DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.083 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733119/2013-69 b)que a Autoridade Fiscal desconsiderou as informações contidas nas DITRs e tributou toda a área (6.357,9 ha.) como se não houvesse nenhuma utilização, resultando na alíquota de 20%; c)que, em relação à área de posse de Mauro Bonotto, não obteve os documentos junto ao arrendatário, mas que estaria propondo ação judicial de exibição de documentos para obtê-los; d)que, em relação às áreas de posse de Pinvest, Luiz Nemitz e Lilian Nemitz, restou comprovada a efetiva utilização, nos termos declarados nas DITRs; e)que os documentos juntados em 29/04/2014 comprovam a utilização das terras de posse de Rhafael Trombeta e Lédio Trombeta; f)que, diante da documentação apresentada, restaria não comprovada a utilização de uma área de 300,0 ha. sub-arrendada a Mauro Bonotto; Ao fim do apelo, o recorrente: a)pleiteou a admissão e análise dos documentos juntados após a impugnação, pois somente obteve acesso a eles tardiamente; b)solicitou a realização de novo cálculo do ITR, considerando os documentos juntados em 29/04/2014, relativos aos arrendatários Rhafael Trombeta e Lédio Trombeta; c)solicitou diligências para que a Receita Federal junto Mauro Bonotto e à Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul para obtenção dos documentos comprobatórios da efetiva utilização da área de 300,0 ha. arrendada de posse de Mauro Bonotto, mantendo-se o processo suspenso até a conclusão das diligências; d)caso a diligência não seja deferida, solicitou a suspensão do processo até o desfecho da ação de exibição de documentos movida contra Mauro Bonotto; e)solicitou que seja julgado improcedente o lançamento. O processo foi apreciado por esta turma, que o baixou em diligência (e-fls. 2050 a 2059) para que a autoridade lançadora verificasse se a documentação apresentada após a impugnação é suficiente para comprovar a utilização da propriedade, de modo a restabelecer áreas de produtos vegetais e de pastagens glosadas pela fiscalização. A diligência foi concluída e, conforme consta do Relatório de Diligência Fiscal (e-fls. 2099 a 2110), a análise dos documentos resultou nas seguintes constatações: a)para o exercício de 2009, aumentou-se, em 225,6 ha., a área de produção vegetal comprovada, com consequente incremento do grau de utilização de 31,1% para 34,7%, o que não seria suficiente para alterar a alíquota do ITR (12%) recalculada pelo acórdão a quo; b)para o exercício de 2010, aumentou-se, em 1.065,8 ha., a área de produção vegetal comprovada, com consequente incremento do grau de utilização de 65,5% para 77,5%, o que não seria suficiente para alterar a alíquota do ITR (3%) recalculada pelo acórdão a quo; Fl. 2132DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.083 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733119/2013-69 c)para o exercício de 2011, aumentou-se, em 779,0 ha., a área de produção vegetal comprovada, com consequente incremento do grau de utilização de 55,5% para 67,4%, resultando na redução da alíquota do ITR recalculada pelo acórdão a quo de 6,4% para 3%; d)para o exercício de 2012, aumentou-se, em 854,7 ha., a área de produção vegetal comprovada, com consequente incremento do grau de utilização de 56,1% para 68,1%, resultando na redução da alíquota do ITR recalculada pelo acórdão a quo de 6,4% para 3%; e)a comprovação da utilização da área de posse de Mauro Bonotto (300,0 ha.) resultaria em redução da alíquota de 3% para 0,45% para o exercício de 2010, mas não teria efeito de modificar a alíquota nos demais exercícios. Intimada, a viúva do recorrente, Maria Marques da Cunha, não se manifestou sobre os termos da diligência, limitando-se a juntar documentos relativos aos processos de separação judicial e de inventário (e-fls. 2067 a 2070). Intimado, o recorrente, por seu inventariante, assim se manifestou (e-fls. 2113 a 2121): a)na diligência considerou-se comprovada a utilização da área de 750,0 ha. arrendada para Rhafael Trombeta e Lédio Trombeta apenas para os exercícios de 2010, 2011 e 2012, não sendo considerada para o exercício de 2009, mas no ano de 2008 teria ocorrido o plantio da soja que foi colhida no primeiro semestre de 2009, no total de 1.070.416 kg., e, portanto, a terra teria sido utilizada naquele ano; b)não foi possível obter, até o momento, os documentos relativos à área sub- arrendada a Mauro Bonotto, cuja apresentação é objeto da Ação de Exibição de Documentos nº 064/1.14.0001553-0, e repisa o pedido de diligência manifestado no recurso. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Recurso de ofício O colegiado a quo julgou parcialmente procedente o lançamento, reconhecendo a decadência do exercício de 2008 e admitindo a comprovação de áreas de produção vegetal e de pastagens. Em face da decisão, o valor do lançamento foi reduzido de R$ 12.859.000,93 para R$ 3.618.988,83. Em relação à decadência do exercício de 2008, correta está a decisão recorrida. Trata-se de tributo constituído por homologação e para o qual houve a antecipação do pagamento (e-fls. 81 e 82). O fato gerador do ITR ocorre no dia 1º de janeiro de cada exercício, como dispõe o art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996; assim, para o exercício de 2008, o fato gerador ocorreu em Fl. 2133DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.083 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733119/2013-69 01/01/2008. Nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, a homologação do crédito tributário se deu em 01/01/2013. Dado que o lançamento se consumou em 17/12/2013, o crédito tributário já se encontrava definitivamente extinto, uma vez que não há, nos autos, prova da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto aos demais exercícios, reproduzo trechos da decisão recorrida, os quais assumo como minhas próprias razões de decidir: Da Área Utilizada com Produtos Vegetais Da análise das peças do presente processo, verifica-se que as glosas das áreas utilizadas com produtos vegetais declaradas de 1.300,0 ha (em 2009), de 1.564,0 ha (em 2010) e de 1.481,0 ha (em 2011 e 2012), ocorreu por falta de apresentação de documentos hábeis de prova, conforme consta da “Descrição dos Fatos” de fls. 106/109. Nesta fase, foram juntados aos autos Notas Fiscais de venda de soja produzidas por Carla Lílian Antolini Nemitz, na área arrendada de 431,9 ha do imóvel do presente Processo, conforme Contrato de Arrendamento Rural, às fls. 595/596, com vigência de 30.01.2005 a 30.05.2015. Conforme essas Notas Fiscais, no ano de 2008 (exercício 2009) foram vendidos 201.000 kg de soja, às fls. 131/135 e 220/221; no ano de 2009 (exercício 2010) foram vendidos 600.000 kg de soja, às fls. 136; no ano de 2010 (exercício 2011) foram vendidos 232.880 kg de soja, às fls. 138/143 e 162, e no ano de 2011 (exercício 2011) foram vendidos 288.500 kg de soja, às fls. 144/153, conforme, inclusive, consta do quadro demonstrativo elaborado pelo impugnante, às fls. 759. Considerando que não consta dos autos Laudo Técnico circunstanciado, elaborado por profissional habilitado, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), que discrimine as culturas e as atividades desenvolvidas e, principalmente, as dimensões das áreas utilizadas com produtos vegetais, é adotado o critério descrito pela Autoridade Fiscal, às fls. 108, para se determinar a dimensão efetiva da produção vegetal, tendo em vista que as citadas Notas Fiscais comprovam que existe área plantada no imóvel, contudo, não comprova a efetiva dimensão usada na produção. O citado critério está disposto na Instrução Normativa INCRA nº 11/2003, que considera como produtiva a área na qual haja produção mínima de 1.400 kg de soja por hectare, assim, é possível concluir que no ano 2008 (exercício 2009) a área efetiva utilizada na produção vegetal foi de 143,6 ha; no ano 2009 (exercício 2010) a área efetiva utilizada na produção vegetal foi de 428,6 ha; no ano 2010 (exercício 2011) a área efetiva utilizada na produção vegetal foi de 166,3 ha e no ano 2011 (exercício 2012) a área efetiva utilizada na produção vegetal foi de 206,1 ha, que cabem ser acatadas, para efeito de apuração do Grau de Utilização do imóvel. Dessa forma, cabe acatar uma área de produtos vegetais de 143,6 ha, no exercício 2009; acatar uma área de produtos vegetais de 428,6 ha, no exercício 2010; uma área de produtos vegetais de 166,3 ha, no exercício 2011 e uma área de produtos vegetais de 206,1 ha, no exercício 2012, comprovadas com documentos hábeis. Das Áreas de Pastagens – Rebanho As glosas das áreas servidas de pastagens de 4.190,0 ha (em 2009), de 3.879,9 ha (em 2010) e de 3.310,0 ha (em 2011 e 2012) ocorreu pelo fato de a fiscalização ter considerado não comprovada a quantidade de animais de grande e de médio porte existentes no imóvel nos anos de 2008 (exercício 2009) a 2011 (exercício 2012), para efeito de aplicação do índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP), no caso, 0,70 (zero setenta) cabeça de animais de grande porte por hectare (0,70 cab/hec), fixado Fl. 2134DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.083 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733119/2013-69 para a região onde se situa o imóvel, nos termos da Instrução Especial INCRA nº 019, de 28.05.1980, observada o art. 25 da IN/SRF nº 256/2002 e seu Anexo I, conforme previsto na alínea “b”, inciso V, § 1º, do art. 10 da Lei nº 9.393/96. Nos termos da legislação citada anteriormente, a área efetivamente utilizada com Atividade Pecuária, a ser considerada para efeito de apuração do Grau de Utilização do imóvel, será a menor entre a declarada pelo contribuinte e a área calculada, obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada, desde que comprovada, e o índice de lotação mínima. No caso, constitui documento hábil para comprovação do rebanho apascentado no imóvel, no decorrer dos anos de 2008 (exercício 2009) a 2011 (exercício 2012), por exemplo: ficha registro de vacinação e movimentação de gados e/ou ficha do serviço de erradicação da sarna e piolheira dos ovinos, fornecidas pelos escritórios vinculados à Secretaria de Agricultura; notas fiscais de aquisição de vacinas; declaração/certidão firmada por órgão vinculado à respectiva Secretaria Estadual de Agricultura; laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais; declaração anual de produtor rural contendo informação sobre pecuária, dentre outros. Inicialmente, cabe esclarecer que, não obstante constarem dos autos todos os Contratos de Arrendamento Rural e Parceria Rural referentes ao imóvel, como narrados na impugnação, somente serão analisados neste Voto aqueles que possuem documentos comprobatórios da quantidade de cabeças de animais apascentados no imóvel, conforme inclusive explicado pela fiscalização na “Descrição dos Fatos”, às fls. 106/107, pois tais Contratos, por si sós, não comprovam o rebanho existente no imóvel. Para a obtenção da quantidade média de cabeças de animais é observado o disposto no art. 25 da IN SRF nº 256/2002, in verbis: Art. 25 . Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considera-se área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, observando-se que: I a quantidade de cabeças do rebanho ajustada é obtida pela soma da quantidade média de cabeças de animais de grande porte e da quarta parte da quantidade média de cabeças de animais de médio porte existentes no imóvel; II a quantidade média de cabeças de animais é o somatório da quantidade de cabeças existente a cada mês dividido por doze, independentemente do número de meses em que tenham existido animais no imóvel § 1º Consideram-se, dentre outros, animais de médio porte os ovinos e caprinos e animais de grande porte os bovinos, bufalinos, eqüinos, asininos e muares, independentemente de idade ou sexo. [...] (grifo nosso) Pois bem, constam dos autos os seguintes documentos hábeis de prova de animais de médio e grande porte apascentados no imóvel nos anos de 2008 (exercício 2009), de 2009 (exercício 2010), 2010 (exercício 2011) e 2011 (exercício 2012): a) Contrato de Arrendamento Rural firmado com a sociedade empresária Pinvest Pinheirais Gaúchos e Investimentos S.A, às fls. 805/812, para o arrendamento da área total do imóvel de 6.357,9 ha, com vigência de 17.04.2008 a 16.04.2013; b) Contrato de Arrendamento Rural firmado com Luiz Carlos Antolini Nemitz, às fls. 593/594, para o arrendamento da área total do imóvel de 1.182,7 ha, com vigência de 15.05.2008 a 15.05.2013; c) Contrato de Arrendamento Rural firmado com Carla Lílian Antolini Nemitz, às fls. 595/596, para o arrendamento da área total do imóvel de 431,9 ha, com vigência de 30.01.2005 a 30.05.2015; Fl. 2135DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.083 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733119/2013-69 d) Demonstrativo contábil/fiscal do estoque mensal, com entradas e saídas dos semoventes pertencentes a sociedade empresária Pinvest Pinheirais Gaúchos e Investimentos S.A, e apascentados no imóvel, referentes aos meses de junho de 2008 a dezembro de 2011, às fls. 482/521 e 598/643, período de abrangência do lançamento dos exercícios de 2009 a 2012, nos quais ficaram comprovadas as seguintes médias anuais de cabeças de animais, conforme quadro demonstrativo de fls. 853, no qual consta mês a mês e ano a ano o estoque final de bovinos, eqüinos e ovinos (cebeça ajustada), para a obtenção da média anual, nos termos definidos nos artigo 25 da IN/256/2002, transcrito anteriormente:1.264 cabeças no ano de 2008 (exercício 2009); 1.945 cabeças no ano de 2009 (exercício 2010); 2.791 cabeças no ano de 2010 (exercício 2011) e 3.276 cabeças no anos de 2011 (exercício 2012); e) Ficha Registro de Vacinações e Movimentações de Bovinos ou Bubalinos em nome de Carla Lílian Antolini Nemitz, às fls. 201/206, referente aos anos de 2009 (exercício 2010) e de 2010 (exercício 2011), na qual respectivamente, foi constatada uma média de 341 cabeças no ano de 2009 e de 911 cabeças no ano de 2010; f) Ficha Registro de Vacinações e Movimentações de Bovinos ou Bubalinos em nome de Luiz Carlos Antolini Nemitz, às fls. 215/218, referente aos anos de 2009 (exercício 2010) e de 2010 (exercício 2011), na qual respectivamente, foi constatada uma média de 289 cabeças no ano de 2009 e de 234 cabeças no ano de 2010. Dessa forma, respeitado o disposto no art. 25, caput, da IN SRF nº 256/2002, observado o índice de lotação pecuária do imóvel, tendo em vista a legislação de regência da matéria, para o ano de 2008 (exercício 2009) foi comprovada a quantidade média total no imóvel de 1.264 cabeças, suficiente para o acatamento de uma área de pastagem de 1.805,7 ha; para o ano de 2009 (exercício 2010) foi comprovada a quantidade média total no imóvel de 2.575 cabeças, suficiente para o acatamento de uma área de pastagem de 3.678,6 ha; para o ano de 2010 (exercício 2011) foi comprovada a quantidade média total no imóvel de 3.936 cabeças, suficiente para o restabelecimento integral da área declarada de pastagem de 3.310,0 ha e para o ano de 2011 (exercício 2012) foi comprovada a quantidade média total no imóvel de 3.276 cabeças, suficiente para o restabelecimento integral da área declarada de pastagem de 3.310,0 ha. Assim, cabe acatar uma área de pastagens de 1.805,7 ha, no exercício 2009; acatar uma área de pastagens de 3.678,6 ha, no exercício 2010; restabelecer integralmente as áreas de pastagens declaradas de 3.310,0 ha, igualmente, no exercício 2011 e no exercício 2012, com base em documentação hábil. (...) De todo o exposto, com base em documentação hábil, cabe extinguir o crédito tributário, pela decadência, referente ao exercício de 2008; cabe acatar uma área de produtos vegetais de 143,6 ha, no exercício 2009; acatar uma área de produtos vegetais de 428,6 ha, no exercício 2010; uma área de produtos vegetais de 166,3 ha, no exercício 2011 e uma área de produtos vegetais de 206,1 ha, no exercício 2012; acatar uma área de pastagens de 1.805,7 ha, no exercício 2009; acatar uma área de pastagens de 3.678,6 ha, no exercício 2010; restabelecer integralmente as áreas de pastagens declaradas de 3.310,0 ha, igualmente, nos exercícios de 2011 e 2012, aumentando o Grau de Utilização do imóvel de 0,0%, apurado nos quatro exercícios, para 31,1% (2009), 65,5% (2010), 55,4% (2011) e 56,1% (2012), por isso, reduzindo a alíquota aplicada de 20,0%, nos quatro exercícios, para 12,0% (2009), 3,00% (2010) e 6,40% (2011 e 2012) e, consequentemente, reduzindo o valor do imposto suplementar apurado pela Autoridade Fiscal (...). Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada procedente em parte a impugnação apresentada pelo Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 89/112, dos exercícios de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, para reconhecer de ofício a decadência Fl. 2136DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.083 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733119/2013-69 do lançamento referente ao exercício de 2008, no valor de R$1.831.713,14 de ITR suplementar, com a extinção do crédito tributário correspondente; acatar uma área de produtos vegetais de 143,6 ha, no exercício 2009; uma área de produtos vegetais de 428,6 ha, no exercício 2010; uma área de produtos vegetais de 166,3 ha, no exercício 2011 e uma área de produtos vegetais de 206,1 ha, no exercício 2012; acatar uma área de pastagens de 1.805,7 ha, no exercício 2009; uma área de pastagens de 3.678,6 ha, no exercício 2010; restabelecer integralmente as áreas de pastagens declaradas de 3.310,0 ha, igualmente, nos exercícios de 2011 e 2012, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$2.144.707,41 para R$1.279.168,33, em 2009; de R$2.654.702,74 para R$376.836,93, em 2010; de R$2.970.485,52 para R$935.586,73, em 2011, e de R$3.257.392,12 para R$1.027.396,84, em 2012, acarretando uma redução total do ITR suplementar de R$12.859.000,93 para R$3.618.988,84, a ser acrescido de multa proporcional de 75,0% e juros de mora na forma da legislação vigente. Nego, pois, provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário O recurso é tempestivo e dele conheço. Destaque-se que não houve questionamento quanto à base de cálculo. Também não foi impugnada a glosa das áreas de preservação permanente e de florestas nativas. O recurso tratou apenas da área utilizada do imóvel, que influencia no grau de utilização e, por conseguinte, na alíquota aplicável. Em relação aos 300,0 ha. sub-arrendados a Mauro Bonotto, cujos documentos comprobatórios da efetiva utilização não foram apresentados pelo recorrente sob alegação de não ter obtido acesso a eles, destaco que, a despeito de todo o drama familiar sobejamente exposto nos autos, cabe ao contribuinte a apresentação das provas do que alega. Não havendo juntado documentos que comprovassem a utilização da gleba, correta foi a atitude do Fisco em efetuar a glosa. A propósito, indefiro o pedido de diligências para que a Receita Federal intime Mauro Bonotto a apresentar os documentos porque, a rigor, o ônus probante é do contribuinte. Registre-se que a eventual comprovação da utilização da área de posse de Mauro Bonotto (300,0 ha.) resultaria em redução da alíquota de 3% para 0,45% para o exercício de 2010, mas não teria efeito de modificar a alíquota nos demais exercícios. Ao contrário do que afirmou o recorrente (e-fl. 2031), a área aproveitável do imóvel foi de 6.267,90 em todos os exercícios, pois da área total de 6.357,9 ha. foram excluídos apenas 90,0 ha. de benfeitorias. O recorrente não apresentou laudo técnico para comprovar as áreas de preservação permanente e de florestas nativas, que foram glosadas pela Fiscalização, e essa matéria também não compõe a lide porque não foi suscitada na impugnação. A decisão recorrida considerou como área utilizada 1.949,3 ha. em 2009, 4.107,2 ha. em 2010, 3.476,3 ha. em 2011 e 3.516,1 ha. em 2012. Após a diligência, que analisou toda a documentação juntada pelo recorrente, concluiu-se que as áreas utilizadas do imóvel nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012 foram, respectivamente, 2.174,9 ha., 4.857,2 ha., 4.226,3 ha. e 4.266,1 ha. Considerando que a área Fl. 2137DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.083 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733119/2013-69 aproveitável do imóvel, em todos os exercícios, foi de 6.267,9 ha., a diligência concluiu que os graus de utilização foram, para aqueles períodos, respectivamente, 34,7%, 77,5%, 67,4% e 68,1%. Assim, as alíquotas aplicáveis, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.393, de 1996, seriam, respectivamente, 12%, 3%, 3% e 3%. Quanto à alegação de que a comprovação da colheita da soja no primeiro semestre de 2009 implicaria, por dedução, que a área sub-arrendada aos Trombetta, de 750,0 ha., estivesse plantada no segundo semestre de 2008, entendo que assiste razão ao recorrente. As notas fiscais apresentadas (e-fls. 1530 a 1539) são de abril de 2009. Considerando que o ciclo da soja, semeando-se cultivares precoces, é de 115 a 135 1 dias, o plantio teria se dado, no mais tardar, em torno do dia 25/12/2008. O Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002 - Regulamento do Imposto Territorial Rural (RITR) estabelece que se considera utilizada a área plantada no ano anterior ao fato gerador: Art.18. Área efetivamente utilizada pela atividade rural é a porção da área aproveitável do imóvel rural que, no ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, tenha (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso V, e § 6º): I-sido plantada com produtos vegetais; (...) Percebo, pois, que a área teria sido plantada em 2008 para que a soja pudesse ser colhida e vendida no dia 19/04/2009. Portanto, para o exercício de 2009 deverá ser considerada utilizada a área de 750,0 ha. sub-arrendada aos Trombetta. Entretanto, registre-se que, mesmo considerando a utilização da área de 750,0 ha., a alíquota de 12% aplicável para o exercício de 2009 não sofrerá alteração em relação ao que se estabeleceu após a conclusão da diligência, pois o grau de utilização permanece na faixa de 30% a 50%. Desse modo, entendo que o lançamento deverá ser alterado, mantendo-se o valor do ITR complementar nos termos da tabela abaixo: Exercício Área Total (ha.) Área Aproveitável (ha.) Área Utilizada (ha.) Grau de Utilização Alíquota Base de Cálculo (R$) ITR calculado (R$) ITR declarado (R$) ITR complementar (R$) 2009 6.357,9 6.267,9 2.924,9 46,7% 12% 10.819.238,43 1.298.308,61 19.140,28 1.279.168,33 2010 6.357,9 6.267,9 4.857,2 77,5% 3% 13.399.210,67 401.976,32 25.139,39 376.836,93 2011 6.357,9 6.267,9 4.226,3 67,4% 3% 14.962.491,12 448.874,73 22.012,70 426.862,03 2012 6.357,9 6.267,9 4.266,1 68,1% 3% 16.397.024,10 491.910,72 22.012,70 469.898,02 Conclusões Voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, rejeitar o pedido de diligência e DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo como área utilizada do imóvel, para os exercícios de 2009, 2010, 2011 e 2012, respectivamente 2.924,9 ha., 4.857,2 ha., 4.226,3 ha. e 4.266,1 ha. 1 http://www.tmg.agr.br/noticia/cultivares-precoces-de-soja-estao-entre-as-mais-produtivas-no-rs Fl. 2138DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.083 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.733119/2013-69 (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Fl. 2139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.921016/2012-20
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO.
A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva, que votou por converter o julgamento em diligência.
Marcos Antonio Borges Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Recurso Voluntário Negado.
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DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação darse na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 92 10 16 /2 01 2- 20 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 12448.921016/201220 Acórdão n.º 3003000.296 S3C0T3 Fl. 3 2 das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva, que votou por converter o julgamento em diligência. Marcos Antonio Borges – Presidente. Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Reproduzo o relatório da DRJ por traduzir bem os fatos e alegações da recorrente. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 40153764 emitido eletronicamente em 05/11/2012, referente ao PER/DCOMP nº 23315.52216.150711.1.3.046315. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$ 48.216,14, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/12/2007. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 434DF CARF MF Processo nº 12448.921016/201220 Acórdão n.º 3003000.296 S3C0T3 Fl. 4 3 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, em fevereiro de 2011, tomou conhecimento de que estava tributando a Cofins de forma incorreta, ou seja, com alíquota superior a zero dos seus produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04, contrariando a Lei 10.147/2000, por se tratar de produtos manipulados; que imediatamente apurou o montante do crédito que teria direito e começou a compensar este crédito com os débitos de IRPJ apurados no meses subsequentes, através do DACON; que entretanto se equivocou em não efetuar também a retificação da DCTF do mesmo período de apuração, ocasionado o não reconhecimento do crédito. Solicita o direito de retificar a DCTF para que possa compensar o recolhimento efetuado indevidamente. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), no acórdão n° 0250.438, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto a origem do direito creditório e a relativização da confissão de dívida dos débitos declarados em DCTF, apresentando documentação que entende hábil a comprovar o seu direito e pleiteando ainda a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Voto Fl. 435DF CARF MF Processo nº 12448.921016/201220 Acórdão n.º 3003000.296 S3C0T3 Fl. 5 4 Conselheiro Márcio Robson Costa Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, período de apuração de 31/03/2008, no valor histórico de R$ 48.216,14, decorrente da tributação equivocada dos seus produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04, os quais estariam sujeitos ao benefício fiscal previsto no art. 2º da Lei 10.147/2000, e, portanto, deveriam sofrer aplicação da alíquota zero, não obstante a ausência de retificação em DCTF. Sem embargo, antes de tratarse dos temas aos quais o litígio se restringe, importa registrar que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não ao seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Quanto a ausência de retificação da respectiva DCTF, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Quanto ao mérito, a Recorrente informa que exerce as atividades de "manipulação, dispensação e comercialização de fórmulas farmacêuticas e produtos nutricionais e a exportação e importação de produtos farmacêuticos, correlatos, alimentos e suplementos alimentares...". alegando que, por realizar as atividades de comercialização varejista de medicamentos não importados e a manipulação de medicamentos para a venda direta a consumidores finais, não estaria enquadrada no conceito de industrialização pela legislação pátria, fazendo jus ao benefício fiscal concedido pelo artigo 2o da Lei n° 10.147/2000, que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS sobre a venda dos produtos classificados nos códigos especificados. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 12448.921016/201220 Acórdão n.º 3003000.296 S3C0T3 Fl. 6 5 Os arts. 1º e 2º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, assim dispõe: Art. 1º A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1º Para os fins desta Lei, aplicase o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. [...] Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. [...] (grifouse) Para verificar o enquadramento no conceito de industrialização, no caso, devemos nos socorrer do disposto no inciso VI do art. 5º do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010: Art. 5º Não se considera industrialização: [...]VI a manipulação em farmácia, para venda direta a consumidor, de medicamentos oficinais e magistrais, mediante receita médica (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, Fl. 437DF CARF MF Processo nº 12448.921016/201220 Acórdão n.º 3003000.296 S3C0T3 Fl. 7 6 inciso III, e DecretoLei nº 1.199, de 27 de dezembro de 1971, art. 5º, alteração 2ª); [...] (grifouse) A Recorrente trouxe aos autos como documentação comprobatória para embasar o seu direito amostras de Notas Fiscais em que verificase a venda de medicamentos por ela manipulados basicamente para clínicas e hospitais. Nos termos do inciso VI do art. 5º do Decreto nº 7.212, para não ser industrialização, a manipulação deve ser para venda direta ao consumidor com receita médica. Nesse caso, entendo “consumidor” como o consumidor final da medicação, o cliente em tratamento que fará uso da(s) substância(s) contida(s) no produto manipulado. Logo, em sentido contrário, se a venda não se dá para o consumidor final, mas para clínicas ou hospitais, como no caso, está caracterizada a industrialização. Assim, a atividade do contribuinte na venda de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 é considerada industrial na aludida situação e enquadrase no art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, sendo tributado pela Cofins com alíquotas positivas e não com alíquota zero prevista no art. 2º do referido dispositivo legal. Nesse sentido, segue ementa da Solução de Consulta nº 48 Cosit: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CRÉDITO PRESUMIDO. A manipulação de medicamentos oficinais e magistrais para a venda a clínicas, hospitais e médicos é considerada industrialização, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, que apenas alcança os produtos nele citados, estão submetidos ao regime concentrado de tributação da Cofins e, consequentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Desde que atendidas as condições previstas no art. 3º, I e II, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, a manipulação de medicamentos oficinais e magistrais para a venda a clínicas, hospitais e médicos gera direito ao crédito presumido ali previsto. Dispositivos Legais: Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, arts. 1º, 2º e 3º; Decreto nº 7.212, de 2010, art. 5º, VI. No mais, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou a prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 12448.921016/201220 Acórdão n.º 3003000.296 S3C0T3 Fl. 8 7 Se limitou, tãosomente, a apresentar o DACON retificador e amostras de Notas Fiscais, porém sem nenhum documento hábil, idôneo e suficiente que os embasassem. As declarações retificadas, bem como, provas apresentadas por amostragem desacompanhadas dos livros e documentos exigidos pela legislação são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Quanto ao pedido de diligência da requerente, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, reproduzido no art. 373 do Novo CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. É o meu entendimento. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 12448.921016/201220 Acórdão n.º 3003000.296 S3C0T3 Fl. 9 8 Márcio Robson Costa Fl. 440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.723859/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS.
Na forma do contido na previsão do Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional CTN, a Autoridade Administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.
Numero da decisão: 2301-005.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em admitir os embargos e, sem efeitos infringentes, retificar o Acórdão nº 2403-002.706, de 10/09/2014, para alterar a sua ementa, nos termos do voto do relator.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. Na forma do contido na previsão do Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional CTN, a Autoridade Administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em admitir os embargos e, sem efeitos infringentes, retificar o Acórdão nº 2403002.706, de 10/09/2014, para alterar a sua ementa, nos termos do voto do relator. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratamse de embargos interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2403002.706, de 10/09/2014. Segundo a embargante, o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 38 59 /2 01 2- 02 Fl. 1462DF CARF MF 2 julgado estaria acometido de omissão porque o colegiado teria afastado as preliminares e não teria apreciado as razões de mérito. A autoridade admissora dos embargos não enxergou a omissão, mas vislumbrou a contradição entre a ementa do acórdão e o resultado do julgamento. Admitiu, pois, os embargos para saneamento da contradição apontada. De fato, a ementa registrou a tese, reconhecida de ofício, da nulidade do lançamento porque o agente concorrente da infração não foi autuado, nem considerado solidário e sequer foi intimado. De modo contraditório, a decisão registrou a negativa de provimento à preliminar de nulidade, tendo sido vencido o relator. Não consta voto vencedor. É o relatório suficiente. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Os embargos, como se sabe, não se prestam à rediscussão do mérito, mas a sanear omissões, contradições e obscuridades que possam impedir a correta execução do acórdão embargado. Portanto, a colmatação da decisão embargada deve, sempre que possível, privilegiar o que foi objeto de deliberação pelo colegiado a quo, de modo a se evitar efeitos infringentes que constituam verdadeira reanálise das matérias recursais. Dito isso, sem apreciar as razões do recurso voluntário e atendose às partes do acórdão embargado, percebo que existe a contradição apontada; porém, pareceme claro qual foi o posicionamento do colegiado quanto ao deslinde do recurso. Os embargos foram admitidos para saneamento de contradição entre a ementa e o dispositivo da decisão, nos seguintes termos: Mediante análise dos autos, verificase a existência de contradição entre a ementa do acórdão e o resultado do julgamento. A ementa traz todo o descritivo de preliminar de nulidade por falta de intimação da pessoa jurídica interposta juntamente com a impossibilidade de autuação por desconsideração de atos ou negócios jurídicos, sem que haja uma separação entre a matéria referente à preliminar – que restou afastada – e o mérito da questão. ......................................................................................................... Da forma como consta na ementa não há como se distinguir qual a matéria refere à preliminar e qual ao mérito. A contradição, que também vislumbro, pode ser sanada com a informação dada pelo relator na sua análise dos embargos (efls. 1443 a 1451). Ali, o relator esclareceu: Discordando do i. Embargante trago os tópicos que foram abordados na preliminar de nulidade em que eu fora vencido bem como os abordados no enfrentamento do mérito quando entendi que os pontos centrais foram enfrentados dispensando atacar os demais alegados na longa peça recursal. Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 11065.723859/201202 Acórdão n.º 2301005.985 S2C3T1 Fl. 1.458 3 Como abaixo se vê, não existem elementos comuns entre s (sic) argumentos de nulidade eos (sic) de mérito enfrentados na condução do voto, senão vejamos : tópicos enfrentados na apreciação da PRELIMINAR DE NULIDADE: procedimento fiscal: fiscalização; cessão de mão de obra; retenção; período anterior ao crédito constituído; solidariedade; ausência de autuação da interposta pessoa; e recolhimentos da empresa não autuada; Tópicos enfrentados na apreciação do MÉRITO: resposta da diligência; e artigo 116 do código tributário nacional – ctn. Vêse que o relator abordou a nulidade nas preliminares e, no mérito, entendeu ser improcedente o lançamento porque a Autoridade Lançadora não poderia ter aplicado o parágrafo único do art. 116 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996 Código Tributário Nacional (CTN)1, pois sua eficácia dependeria de norma específica ainda a ser estabelecida (efl. 1433). A ementa ficou assim redigida: PREVIDENCIÁRIO. CONCURSO DE AGENTES. COMUNHÃO DE DESÍGNIOS.SOLIDARIEDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUTUAÇÃO. LANÇAMENTO. ATOS DESCONSIDERADOS. Se houver convencimento de que a conduta dos agentes, em concurso, configura materialidade delitiva, a comunhão de desígnios impõe autuar ambos contribuintes infratores. Cumpre, no mínimo, intimar por solidariedade o partícipe sob pena de caracterizar cerceamento de defesa para o único autuado na medida em que, nos autos, não se tenha sido oportunizado a devida manifestação do segundo, mormente na hipótese em que sobre este ,majoritariamente, recaia os argumentos que motivarem o lançamento. Na forma do contido na previsão do Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional CTN, a Autoridade 1 Art. 116 (...) (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Fl. 1464DF CARF MF 4 Administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Disso se conclui que a ementa, indevidamente, registrou a preliminar rejeitada pela turma, gerando a contradição. A ementa deve registrar as teses decididas pela turma, e não foi o que ocorreu em relação às palavraschaves e ao primeiro parágrafo, cuja tese ali descrita foi afastada pelo voto de qualidade, vencido o relator. Assim, a ementa deverá ser fiel ao que consta do dispositivo e do voto, razão pela qual sua redação precisa ser modificada para sanar a contradição, nos termos seguintes: PREVIDENCIÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. Na forma do contido na previsão do Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional CTN, a Autoridade Administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. O colegiado decidiu não apreciar as demais alegações de mérito por haver decidido favoravelmente ao recorrente na aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN. Embora eu não concorde com as conclusões do colegiado acerca da aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN e da desnecessidade de se apreciar as demais questões de mérito, tenho que admitir que a estreita via dos embargos não se presta a promover novo julgamento, senão em tornar exequível a decisão embargada. Assim, a contradição apontada precisa ser sanada com os elementos que o acórdão possui. Portanto, por todo o exposto, para sanar a contradição, a ementa da decisão deverá refletir o que consta do dispositivo e do voto. Conclusão Voto por admitir os embargos e, sem efeitos infringentes, retificar o Acórdão nº 2403002.706, de 10/09/2014, para alterar a sua ementa, nos termos deste voto. João Maurício Vital Relator Fl. 1465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912408/2016-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.988
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 08 /2 01 6- 80 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.988 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912408/2016-80 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.988 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912408/2016-80 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.988 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912408/2016-80 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-006.988 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912408/2016-80 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-006.988 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912408/2016-80 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13816.000360/00-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168, I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO CORRESPONDENTE A IMPOSTO RETIDO SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS.
O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras é considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração.
Implementada a retenção do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, a contribuinte já goza do permissivo legal para a sua dedução na DIRPJ/DIPJ, a título de antecipação do devido no encerramento do período de apuração, desde que possua os respectivos Comprovantes de Rendimentos e demonstre corresponder, os valores deduzidos, aos rendimentos tributados no período, nos termos da legislação de vigência.
Somente o saldo negativo de IRPJ é passível de restituição/compensação.
Indeferido o direito creditório, não se homologa a compensação declarada correspondente.
Numero da decisão: 2301-006.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168, I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO CORRESPONDENTE A IMPOSTO RETIDO SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras é considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração. Implementada a retenção do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, a contribuinte já goza do permissivo legal para a sua dedução na DIRPJ/DIPJ, a título de antecipação do devido no encerramento do período de apuração, desde que possua os respectivos Comprovantes de Rendimentos e demonstre corresponder, os valores deduzidos, aos rendimentos tributados no período, nos termos da legislação de vigência. Somente o saldo negativo de IRPJ é passível de restituição/compensação. Indeferido o direito creditório, não se homologa a compensação declarada correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-28T00:44:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-28T00:44:01Z; Last-Modified: 2019-06-28T00:44:01Z; dcterms:modified: 2019-06-28T00:44:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-28T00:44:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-28T00:44:01Z; meta:save-date: 2019-06-28T00:44:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-28T00:44:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-28T00:44:01Z; created: 2019-06-28T00:44:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2019-06-28T00:44:01Z; pdf:charsPerPage: 2110; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-28T00:44:01Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13816.000360/00-79 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-006.064 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2019 Recorrente KRONES S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168, I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO CORRESPONDENTE A IMPOSTO RETIDO SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras é considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração. Implementada a retenção do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, a contribuinte já goza do permissivo legal para a sua dedução na DIRPJ/DIPJ, a título de antecipação do devido no encerramento do período de apuração, desde que possua os respectivos Comprovantes de Rendimentos e demonstre corresponder, os valores deduzidos, aos rendimentos tributados no período, nos termos da legislação de vigência. Somente o saldo negativo de IRPJ é passível de restituição/compensação. Indeferido o direito creditório, não se homologa a compensação declarada correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 6. 00 03 60 /0 0- 79 Fl. 821DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 767/783) interposto em face do Acórdão nº 05-27.210 (e-fls 749/763) prolatado pela DRJ Campinas em sessão de julgamento realizada em 09 de novembro de 2009, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (e-fls 720/723) apresentada contra os termos do Despacho Decisório (e-fls 622/626). 2. Para a compreensão do litígio em julgamento, faz-se a transcrição do relatório contido na decisão recorrida: Início da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 05-27.210 Trata o presente processo de Pedidos de Restituição protocolizados em 10/08/2000 (fls. 01/02), seguidos de Pedidos de Compensação (fls. 03/05), protocolizados em 14/08/2000, todos apresentados em formulários aprovados pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, para extinção de débitos tributários com crédito de IRRF incidente sobre aplicação financeira, no valor originário total de R$ 5.548.605,78, recolhido sob códigos de arrecadação 2103, 5598, 3674, 5600, 3426, 5232, 5273 e 3251, nos anos-calendário de 1994 a 2000, nos termos dos demonstrativos de fls. 06/08. Foi, ainda, constatada Declaração de Compensação eletrônica ativa, com a utilização do mesmo direito creditório, transmitida em 15/06/2004 (fls. 133/140). Conforme Despacho Decisório DRF/SBC nº 52, de 27/02/2009, foi indeferido o direito creditório com a homologação parcial das compensações, mediante o seguinte fundamento (fls. 619/623): “(...). Pelo Regulamento do Imposto de Renda, o IRRF é deduzido do apurado no encerramento do período de apuração, trimestral ou anual. Portanto, não há previsão legal para uso isolado para compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Verifica-se que, o contribuinte solicitou a restituição/compensação do IRRF em desacordo com a formalidade exigida pela legislação tributária, isto é, o fez como se fosse pagamento indevido ou a maior, inclusive, segregando-o das declarações de rendimentos dos anos calendários respectivos. Não havendo o contribuinte, registrado os valores do IRRF nas declarações de rendimentos, e, quando o fez, não confere com os valores constantes nos registros da Secretaria da Receita Federal, conforme cópia das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF (fls. 591 a 617) demonstrativo abaixo: Fl. 822DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 EM REAIS ANO CALENDÁRIO DIRF - REND. TOTAL DIRF - IRRF DIRPJ/DIPJ 1.994 713.463,92 39.874,00 0,00 1.995 910.790,72 86.454,03 0,00 1.996 1.006.176,47 137.940,41 289.164,88 1.997 3.992.428,55 533.273,06 1.024.900,55 1.998 1.898.723,52 325.749,97 0,00 1.999 20.066.040,83 3.989.062,52 2.659.552,68 2.000 3.100.179,85 593.736,17 3.289.706,16 TOTAIS 31.687.803,86 5.706.090,16 7.263.324,27 De acordo com o demonstrativo acima, não há possibilidade em reconhecer os valores pleiteados pelo contribuinte. Comparados, ano a ano, nos anos calendário, 1994, 1995 e 1998 a declaração apresenta valor “zero”. Já nos anos calendário, 1996, 1997 e 2000, a declaração apresenta valor maior que a DIRF. Na soma dos sete anos, o montante apurado ultrapassa o valor registrado no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal em R$ 1.557.234,11, sem qualquer esclarecimento. Vale lembrar que, o IRRF do ano calendário 1.994 já se encontra prescrito, conforme dispõe o art. 168 do CTN – Código Tributário Nacional, lei nº 5.172/66, por ter decorrido o prazo prescricional de 5 anos da data da retenção, em razão disso, a perda do direito à restituição. Para regularização das divergências acima, foi solicitado ao contribuinte a retificação das declarações de rendimentos, através de Intimação, 434/2006, com (AR-Aviso de Recebimento- Correio) datado em 26/05/06 (fls. 589), porém até a data da decisão, nenhuma providência foi tomada (fls. 590). Conclui-se daí que o contribuinte demonstrou pouco interesse. Cumpre destacar que, em relação ao IRRF, a legislação do Imposto de Renda (RIR/99 – Regulamento do Imposto de Renda) dispõe o seguinte: [transcrição dos artigos 770, § 2º, inciso I, e 773, inciso I] Portanto, em primeiro lugar, o IRRF deve ser aproveitado para dedução dos tributos ou contribuições devidos na declaração de rendimentos. Em havendo excesso, poderá ser utilizado para compensação de débitos próprios. Os pedidos de compensação, acostados aos autos (fls. 03 a 05), tornaram-se declarações de compensação, conforme dispõe o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pela Lei nº 10.637/02). As homologações das declarações de compensação foram consumadas, conforme dispõe o § 5º do mesmo artigo, (redação dada pela Lei nº 10.833/03). Já o PER/DCOMP, fls. 133 a 140, não foi abarcado pela homologação tácita relatada no parágrafo anterior, portanto, os débitos, nele constante, compensados indevidamente deverão ser cobrados na forma da legislação vigente. Diante do exposto e, por não atender às formalidades legais, proponho pelo indeferimento do Pedido de Restituição. Em consequência disso, afora as compensações homologadas por disposição legal, a não homologação das compensações às fls. 133/140 e sua cobrança na forma da legislação vigente.” Foi formalizada a representação de fls. 624 para transferência dos débitos objeto de homologação tácita. Cientificada do Despacho Decisório em 23/03/2009 (AR de fls. 632), a interessada apresentou, em 06/04/2009, manifestação de inconformidade de fls. 635/650, acompanhada de documentos de fls. 651/714. Fl. 823DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 Após breve resumo dos fatos, salienta, preliminarmente, que inexiste qualquer declaração de rendimentos não registrada ou com valores incompatíveis com os constantes dos registros da Secretaria da Receita Federal, nos termos da planilha explicativa em anexo. Relativamente à prescrição do IRRF do ano-calendário 1994, contrapõe-se ao arguido, fundamentando-se no próprio art. 168 do CTN, bem como nos arts. 142, 150 e 156, VII, do mesmo diploma legal, de cuja inteligência extrai a tese do prazo de dez anos para a repetição de indébito tributário, adotada pela jurisprudência citada. Também se contrapõe quanto à impossibilidade de se aproveitar os créditos de IRRF para compensação de outros tributos, por força do contido no RIR/99. Nesse sentido, busca os dizeres do art. 30, § 10, da Instrução Normativa SRF nº 123, de 1999. Em suas palavras: “Note-se que pela análise de todas as normas atinentes ao caso, o que se conclui é que o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos perpetrados pela peticionaria, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos antes de deduzir-se os valores devidos a tal título no encerramento do período de apuração. No entanto, após a contribuinte perpetrar a referida dedução prevista no artigo 773 do RIR/99, aplicando-se agora a regra contida na Instrução Normativa nº 123/99, poderá a mesma, por ausência absoluta de Lei proibitiva, compensar o crédito restante com seus débitos próprios de outra natureza tributária. Ressalta-se ainda que, se por um lado inexiste norma proibitiva da compensação perpetrada pela peticionaria, por outro, com base no artigo 66 da Lei nº 8.383/91, combinado com os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, todo e qualquer crédito apurado pelo sujeito passivo que seja passível de restituição ou ressarcimento, também o é passível de compensação. Assim, inobstante a preferência de utilização dos créditos havidos a título de IRRF na dedução de tal tributo ao final do período de apuração, indubitável é que, restando saldo negativo de tal natureza, poderá a contribuinte compensá-los com débitos de outros tributos, inexistindo, portanto, qualquer óbice no pedido formulado pela peticionaria.” E ainda que assim não se entenda, alega inexistir qualquer valor a ser compensado nestes autos, passíveis de serem cobrados conforme a legislação vigente. Fundamenta-se na perda do direito de a Fazenda constituir, pelo lançamento, os respectivos créditos tributários, nos termos dos artigos 156, V, e 173 do CTN. Em suas palavras: “Pois bem, conforme a própria decisão administrativa assevera, o débito cuja compensação não foi homologada remonta ao ano de 1999, sendo certo que o peticionário tomou conhecimento do indeferimento da compensação/pagamento por ele efetivado tão somente no dia 23 de março do corrente ano, ou seja quase dez anos após o exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetivado, estando portanto o crédito não compensado pelo fisco indubitavelmente extinto em razão da decadência. (...) Ora, como restou constatado pela própria documentação acostada aos autos pelo Fisco, sendo os créditos pleiteados por tal órgão relativos à competência de 1999, os mesmos poderiam ser lançados já a partir de janeiro de 2000, tendo assim, a partir do início de 2001, iniciado o prazo para que a Fazenda Pública constituísse o crédito tributário. Fl. 824DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 No entanto, a mesma quedou-se inerte pelo longo período de 5 anos, tendo decidido após também passados cinco anos pela não homologação de compensação perpetrada em 2004 pela peticionaria. Note-se, que o que se discute aqui não é a prescrição do direito de ação, e sim a decadência do direito da exeqüente em operar o lançamento de seus créditos em razão do decurso do tempo fixado no Código Tributário Nacional. Apenas para um melhor esclarecimento, a regra incursa no citado artigo 173 do CTN determina que o sujeito passivo somente pode lançar o tributo no período compreendido entre o exercício em que ocorreu o fato gerador e o último dia do qüinqüênio posterior, ou seja, tendo o fisco apurado saldo devedor referente o ano de 1999, tal órgão somente poderia efetuar a cobrança na forma da legislação vigente de tais tributos até o dia 31 de dezembro de 2005, o que, como restou comprovado, não fez, operando-se, portanto, a decadência de todos os créditos pleiteados na presente exação.” (grifos e negritos do original) Cita jurisprudência e conclui que o tributo objeto das compensações não homologadas, em razão da mora da própria Receita Federal na apuração da validade da compensação, não pode ser objeto de cobrança e lançamento tributário em decorrência da decadência do crédito pleiteado. Quanto à impossibilidade de apresentação de novas Declarações de Compensação relativas ao crédito tributário ora indeferido, informa, caso não sejam acolhidas as razões supra, que a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, sequer estava em vigor quando do protocolo da Declaração de Compensação em apreço. Por tal razão, julga que a disposição contida no artigo 35 da referida norma não deve ser aplicada, eis que, à época, vigorava a Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002, a qual “não restringia a aplicação de tais créditos pelo simples indeferimento administrativo da compensação”. Encerra requerendo a insubsistência do Despacho Decisório recorrido, acolhendo-se a presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar a decisão. Protesta, ainda, pela juntada dos documentos anexos. Em 17/04/2009 a interessada apresenta aditamento à manifestação de inconformidade, às fls. 716/719, acompanhado de documentos de fls. 720/740, cujo argumento central é o seguinte: “Ocorre que, inobstante a Receita Federal após nove longos anos se pronunciar a respeito da compensação perpetrada em 2000, silenciou-se em relação ao pedido, também formalizado em 2000, sob o nº 13816.000360/00-79, conforme comprova o documento em anexo. Neste ponto, importante esclarecer que, muito embora a peticionaria tenha requerido em data posterior ao pedido de restituição a compensação dos valores pagos a maior relativo ao IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras obtidos nos anos calendários de 1.994 a 2.000, conforme demonstra os pedidos em apreço, o valor da compensação solicitada não abarca o montante total da restituição requerida. Pois bem, conforme demonstra o documento protocolado em 10 de agosto de 2000, o valor do pedido de restituição formulado pela peticionaria sem atualização monetária era de originalmente R$ 6.823.457,90 (...). Por outro lado, o pedido de compensação formulado pela requerente em 14 de agosto de 2000 relativo aos créditos em apreço fora de tão somente R$ 4.505.073,43 (...), Fl. 825DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 restando, portanto, um valor a ser restituído em moeda corrente de R$ 2.318.384,47 (...), mais a correção sobre o montante em questão. Assim, tendo em vista que até o presente momento não houve manifestação contrária ao pedido de restituição em apreço, restando tão somente decisão com relação às compensações, precluindo o prazo para que a Fazenda Nacional pudesse impugnar tal pedido de restituição, é a presente para requerer a homologação do pedido formulado e consequente restituição dos valores indevidamente recolhidos pela peticionaria a título de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras obtidos nos anos calendário de 1.994 a 2.000, conforme demonstrativos já anexados aos autos.” Final da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 05-27.210 2.1. Ao julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação, o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Pedido de Restituição. Prazo. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168, I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) (AD SRF nº 096/99, item I). Pedido de Restituição. PER/DCOMP. Crédito correspondente a Imposto Retido sobre Aplicações Financeiras. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras é considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração. Implementada a retenção do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, a contribuinte já goza do permissivo legal para a sua dedução na DIRPJ/DIPJ, a título de antecipação do devido no encerramento do período de apuração, desde que possua os respectivos Comprovantes de Rendimentos e demonstre corresponder, os valores deduzidos, aos rendimentos tributados no período, nos termos da legislação de vigência. Somente o saldo negativo de IRPJ é passível de restituição/compensação. Indeferido o direito creditório, não se homologa a compensação declarada correspondente. 3. Interposto recurso voluntário (e-fls 767/783) repisa as mesmas alegações deduzidas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. Fl. 826DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 5. O recorrente manifesta inconformismo com a decisão prolatada no acórdão, que não reconheceu o direito creditório a título de IRRF e não homologou compensações se insurge contra os termos da decisão de primeira instância, assim como pretenso equívoco quanto à prescrição relacionada ao IRRF do ano-calendário de 1994. 6. Não obstante o inconformismo, deduz em sede recursal, razões coincidentes com as alegações ofertadas ao tempo da manifestação de inconformidade; e por concordar com a análise e o desfecho da decisão de primeira instância, adoto como razões de decidir os mesmos fundamentos consignados no voto da decisão recorrida. Passa-se à transcrição: Início da transcrição do voto inserto no Acórdão nº 05-27.210 Deveras, segundo o Despacho Decisório recorrido, a restituição foi indeferida pelo seu valor total por não ter sido observado o regime de tributação ao qual se submete o IRRF incidente sobre rendimentos de aplicação financeira; bem como pelo fato de a interessada ter informado na DIRPJ/DIPJ valores de IRRF divergentes daqueles constantes dos registros da Receita Federal do Brasil; e, particularmente em relação ao ano-calendário 1994, por restar transcorrido o prazo legal para a repetição do correspondente indébito tributário. Assim, não há de se falar em homologação do Pedido de Restituição por decurso do prazo legal. Ademais, na apreciação do reconhecimento de direito creditório não corre prazo extintivo para a Fazenda Nacional. Somente nos casos de pedido/declaração de compensação é que a autoridade administrativa deve observar prazo quinquenal, a contar da protocolização/transmissão do documento correspondente, sob pena da homologação tácita da extinção do crédito tributário compensado, consoante expressamente previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Prosseguindo, no que diz respeito à decadência do direito de o sujeito passivo requerer o reconhecimento administrativo do indébito tributário e, conseqüentemente, do direito de repetição ou de compensação, prende-se este órgão administrativo de julgamento às literais disposições do art. 168 c/c art. 165, ambos do CTN, prestigiando-se, em linhas gerais, a decisão recorrida. É a seguinte a redação da Lei Complementar in verbis: “Pagamento Indevido Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 827DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. .................................................................................................................. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados : I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tr ibutário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória” [grifos acrescidos]. Decorre das expressas disposições legais que o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Tratando-se de tributo sujeito a lançamento por homologação, para que se verifique o disciplinamento a respeito da data da extinção do crédito tributário, cumpre transcrever as disposições do art. 150 também do CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antec ipado pelo obrigado nos termos deste art igo extingue o créd ito , sob condição reso lutór ia da ulter ior homologação ao lançamento . ................................................................................................................. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” [grifos acrescidos]. Nos exatos termos da Lei Complementar, o pagamento antecipado extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento, operando-se, portanto, a extinção no momento em que efetuado o pagamento. No direito posto, a homologação apenas vem confirmar a definitividade da extinção do crédito ocorrida com o pagamento antecipado, em observância à condição expressamente resolutiva prevista na Lei. Essa questão está uniformizada no âmbito desta Secretaria, haja vista que o Secretário da Receita Federal editou o Ato Declaratório 96, de 26 de novembro de 1999, a cuja observância estão todos os seus servidores obrigados. Este ato alinha-se à interpretação dada à matéria pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que, por sua vez, ancora-se na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, de que a declaração de inconstitucionalidade não faz nascer novo Fl. 828DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 prazo de repetição e de que tal prazo, para efeito de restituição de tributos, finda com o decurso de cinco anos contados da data do pagamento. De fato, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 1.538, de 1999, já se pronunciou nesse sentido, estribando-se em julgado do Supremo Tribunal Federal, no RE 57.310-PB, de 09 de outubro de 1964. Outrossim, sobreleva anotar que o Supremo Tribunal Federal já externou, em pelo menos duas oportunidades, Agravos 64.773-SP e 69.363-SP, a correta inteligência dos artigos do Código Tributário Nacional que tratam de prazo para pleitear restituição, artigos 165, inciso I, e 168, inciso I, tendo deixado expresso que: “A cláusula subordinada e condicional de ulterior homologação do pagamento em nada influiu no raciocínio, porque ela funciona como ressalva em garantia dos interesses Fazendários; em segundo lugar, porque, tratando-se de condição resolutiva, a relação jurídica está formada e perdura, até que se realize a condição ( v. Clóvis, com. art. 119). No caso, a condição não se verificou e o direito resultante do pagamento se tornou definitivamente invulnerável: o negócio não se resolveu e sua eficácia não cessou.... Segue-se do exposto que não é da homologação do pagamento, expresso ou tácito, que flui o prazo prescricional de cinco anos, senão do pagamento mesmo, que, no caso, ocorreu em 1967...” Frise-se que a PGFN, por força da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, e do Regimento do Ministério da Fazenda, Decreto nº 3.366, de 16 de fevereiro de 2.000, desempenha as atividades de consultoria e assessoria no âmbito do Ministério da Fazenda, fixando a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos, a ser uniformemente seguida. Nestes termos, como dito já de início, o Secretário da Receita Federal editou o Ato Declaratório 96, de 26 de novembro de 1999, fixando a interpretação no âmbito desta Secretaria, a cuja observância estão todos os seus servidores obrigados. Destaque-se ainda que o Ato Declaratório 96, de 1999, veio apenas afastar quaisquer dúvidas que porventura remanescessem com relação ao prazo para ingressar com o pedido de restituição do indébito, pois os artigos 168 e 165, do CTN, que prevêem o prazo de 5 (cinco) anos, já eram aplicáveis à matéria. Quanto a entendimentos exarados em decisões prolatadas pelo Judiciário, vale lembrar que o posicionamento nelas expresso sobre a matéria fica restrito às partes integrantes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso. (...) Assim, à vista do pedido de restituição formulado em 10/08/2000, impõe-se reconhecer decaído o direito para repetição de indébitos do ano-calendário de 1994. Quanto ao mérito do pedido, propriamente dito, deve-se observar o regime de tributação do IRRF incidente sobre rendimentos de aplicação financeira, na apreciação do pleito. A partir de 1º de janeiro de 1995, o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais é considerado antecipação do devido no encerramento de Fl. 829DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 cada período de apuração ou na data da extinção, devendo os rendimentos integrar, portanto, o lucro tributável correspondente (art. 76, § 2º, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995). Assim, sem o confronto do imposto retido com o imposto apurado após computados os correspondentes rendimentos na DIRPJ/DIPJ apresentada não há de se falar em pagamento indevido ou a maior que o devido. Desta forma, quando, na declaração de rendimentos, o valor do IRRF compensado for superior ao devido no respectivo período de apuração, a diferença poderá ser objeto de pedido de restituição ou ser compensada com o imposto apurado em períodos futuros. Portanto, somente o saldo negativo de imposto de renda apurado na declaração de rendimentos é passível de restituição. Partindo desse pressuposto, a autoridade recorrida intimou a interessada a retificar as declarações de rendimentos, a fim de ser computado corretamente o IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras, o que não logrou ser atendido pela contribuinte. Quando da análise das declarações de rendimentos, a fiscalização ainda concluiu pela dedução do IRRF em valores não confirmados nos registros da Receita Federal do Brasil, baseada nas informações presentes nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Ressalte-se que a comprovação da retenção do imposto não se baseia, exclusivamente, na apresentação da DIRF pelas fontes pagadoras, podendo a interessada se valer dos competentes Comprovantes de Rendimentos, de fornecimento obrigatório pelas empresas pagadoras. De fato, no que se refere à dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte, na apuração do IRPJ devido ao final do período de apuração, ou de eventual saldo negativo, compulsando-se a Lei n.º 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, verifica-se que esta foi condicionada à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção: “Art. 55 – O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.” De outro giro, o Código Tributário Nacional – CTN, aprovado pela Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966, prescreveu a observância da guarda dos documentos que acobertam a escrituração, nos seguintes termos: “Art. 195 – (omissis) Parágrafo único – os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” Nesse mesmo diapasão são as disposições constantes do art. 4º do Decreto-lei n.º 486, de 3 de março de 1969, tomado como base legal do artigo 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Fl. 830DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 “Art. 4º. O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.” Portanto, cumpre ao sujeito passivo a guarda da documentação a qual acoberta o resultado (seja positivo ou negativo) que venha a repercutir em exercícios futuros, enquanto não prescritas eventuais ações relativamente aos anos-calendário afetados por aquele resultado. Assim, a existência dos comprovantes de retenção, cuja guarda é obrigatória à pessoa jurídica, é condição sine qua non para a dedutibilidade do imposto retido incidente sobre rendimentos computados na declaração. De outro giro, ressalte-se que na verificação da apuração do saldo negativo, deve restar demonstrado que as receitas financeiras oriundas de aplicação financeira, sobre as quais incidiu referido IRRF, foram oferecidas à tributação. Até o ano-calendário de 1997, o imposto devia ser retido no ato do pagamento ou crédito dos rendimentos ou da alienação do título ou da aplicação e, no caso de fundos de aplicações financeiras de renda fixa e variável, no resgate, conforme Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e alterações posteriores. A partir do ano-calendário de 1998, estabeleceram-se prazos para a retenção e recolhimento do imposto, incidente sobre rendimentos de fundos de investimento de renda fixa e assemelhados, conforme Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e alterações posteriores. Pois, se anteriormente, o fato gerador estava condicionado ao resgate das quotas, sem prazo definido, postergando-se a arrecadação do tributo, passou-se a ter como parâmetro períodos de carência para resgate de quotas com rendimento, podendo ser no último dia útil de cada trimestre-calendário, no caso de fundos com carência superior a noventa dias, ou no último dia útil de cada mês, no resgate, se ocorrido em outra data, no caso de fundos sem prazo de carência. Portanto, optou-se por fixar épocas de vencimento obrigacional para fins próprios de incidência do tributo. No caso de fundos de investimento de renda variável, o imposto continuou a incidir no momento do resgate das quotas, abrangendo os rendimentos e ganhos totais do patrimônio do fundo. Assim, quando implementada a retenção do imposto, surge à fonte pagadora o dever de fornecer à beneficiária o respectivo comprovante de retenção e à contribuinte o direito à dedução do imposto retido na correspondente DIPJ, desde que munida do comprovante de retenção obtido da fonte pagadora, bem como desde que tributados os rendimentos correspondentes na declaração. A legislação do imposto de renda adota o regime de competência quando se refere ao reconhecimento das receitas, de acordo com as disposições da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 - LSA (§ 1º do art. 274 do RIR/99). Contudo, o artigo 373 do RIR/99 dispõe que os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pela contribuinte, devem ser incluídos no lucro operacional e, quando derivados de Fl. 831DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, podem ser rateados pelos períodos a que competirem. É certo, portanto, que o imposto retido sobre aplicações financeiras somente pode ser deduzido do imposto apurado no período de sua respectiva competência, devendo a pessoa jurídica apresentar o correspondente comprovante de rendimentos e demonstrar, mediante apresentação da escrituração contábil e fiscal, a efetiva tributação dos rendimentos correspondentes na declaração do ano-calendário e também na do(s) ano(s)-calendário anterior(es), quando ratear os rendimentos de aplicações financeira de renda fixa pelos períodos a que competirem, no caso de títulos com vencimento posterior ao período de apuração, conforme faculdade prevista na legislação citada. A interessada não apresentou em sua defesa documentos hábeis e necessários a confirmar/infirmar os valores constantes das DIRF, bem como a demonstrar a tributação dos rendimentos correspondentes na declaração. Pretende justificar o IRRF considerado apenas mediante planilha anexa, de fls. 681/684, na qual apresenta a seguinte explicação: “Situação na DIPJ referente aos períodos de retenção dos Impostos: DIPJ de 1994 Os valores retidos de IRRF não foram informados na DIPJ do período Anexo 3-Q.04- linha 14, porque a Krones neste período compensou os valores a pagar com 100% dos prejuízos fiscais. DIPJ de 1995 Os valores retidos IRRF não foram informados na DIPJ do período FICHA 08- PÁGINA 07 – LINHA 14, porque a Krones neste período apurou prejuízo fiscal. DIPJ de 1996 A Empresa informou na FICHA 8 – PÁGINA 07 – LINHA 15 os valores retidos no ano de 1996 no montante de R$ 289.164,88. A Empresa informou FICHA 09 – PÁGINA 08 A 13 – LINHA 05 os valores retidos no ano de 1996 no montante de R$ 289.164,88 não os utilizou, porque neste período ela compensou resultado tributável com 100% dos prejuízos fiscais DIPJ de 1997 A empresa apresentou no período prejuízo fiscal no período de R$ 31.754,73. A Empresa informou na FICHA 8 – PÁGINA 08 – LINHA 15 o saldo contábil acumulado de IRRF retido no montante de R$ 1.024.900,55. A Empresa informou FICHA 09 – PÁGINA 09 A 20 – LINHA 06 os valores retidos no ano de 1997 no montante de R$ 538.058,33 DIPJ de 1998 A empresa apresentou no período lucro tributável de R$ 165.530,15. Apurou saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 23.836,34 recolhido com juros e multa em 04092001 pelo valor de R$ 40.159,45 e conseqüentemente não foi compensado com IRRF retido. A empresa não informou os valores de impostos retidos na FICHA 12 – PÁGINAS 10 A 15 – LINHA 07 e FICHA 13 – LINHA 13. Fl. 832DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 DIPJ de 1999 A empresa apresentou no período lucro tributável de R$ 11.271.550,86. Apurou saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 2.659.552,68 que foi compensado em 14 de agosto de 2000 com o pedido de restituição nº 13816.000360/00-79. A Empresa informou na FICHA 13A – LINHA 13 o valor de IRRF retido no montante para cobrir o valor a pagar de R$ 2.659.552,68. A empresa não informou na FICHA 12 PÁGINAS 7 A 12 – LINHA 07 os valores do IRRF retidos no ano de 1999. DIPJ de 2000 A empresa apresentou no período lucro tributável de R$ 4.626.588,53, mas compensou o imposto devido com Liminar para compensação de 100% dos prejuízos fiscais. A Empresa não informou na FICHA 11 – PÁGINA 07 A 10 – LINHA 7 os valores do IRRF retido no ano de 2000. A Empresa informou na FICHA 12A- PÁGINA 11- LINHA 13 o saldo contábil acumulado de IRRF retido no montante de R$ 3.289.706,16 e informou na FICHA 43- PÁGINA 142 A 146 os valores retidos no ano de 2000 no montante de R$ 594.498,30. A Ficha 43 não existia nos anos anteriores.” (negrejou-se) Como visto, a interessada não logrou demonstrar em sua defesa a observância dos requisitos legais antes mencionados na apuração do IRPJ, limitando-se a apresentar a planilha supra transcrita, a qual não tem qualquer valor probatório, e a insistir na tese da restituição do IRRF não aproveitado na declaração, o que, como já enfatizado neste voto, não é permitido, nos termos da legislação de vigência, simplesmente porque não há como se apurar recolhimento indevido ou a maior que o devido sem o confronto do valor do imposto retido com o imposto calculado, após computados os correspondentes rendimentos na declaração. Ademais, registre-se que a legislação do imposto de renda proíbe, a partir de 1º de janeiro de 1995, a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30% do lucro líquido ajustado (art. 42 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995), o que, como se observa da planilha acima citada, teria sido implementado pela contribuinte no ano- calendário de 1995 (DIPJ/1996), ao que tudo indica, sem supedâneo em autorização judicial. Registre-se, ainda, que a interessada reconhece ter informado na DIRPJ/1997 e na DIPJ/2000 o valor do IRRF no montante contábil acumulado e não no montante correspondente à retenção dos respectivos períodos. As conclusões acima, extraídas da planilha apresentada, importam, portanto, em indícios de outras irregularidades cometidas nas declarações de rendimentos mencionadas, além daquela correspondente ao próprio valor do IRRF aproveitado em montante diferente do da respectiva competência. Esclareça-se que equivocado é o entendimento esposado na defesa, de que a legislação citada acoberta a pretensão da contribuinte em ver restituídos/compensados valores do IRRF incidente sobre rendimentos de aplicação financeira que não tenham sido deduzidos na declaração. Fl. 833DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 Assim dispõe o artigo 30 da Instrução Normativa SRF nº 123, de 14 de outubro de 1999, invocado pela contribuinte: “Art. 30. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I - deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II - definitivo, no caso de pessoa física e de pessoa jurídica optante pela inscrição no "SIMPLES" ou isenta. § 1º Os rendimentos e os ganhos líquidos de que trata este artigo integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado. § 2º Os rendimentos e ganhos líquidos previstos neste artigo, auferidos nos meses em que forem levantados os balanços ou balancetes de suspensão de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995, serão neles computados, e o imposto de que trata o art. 22 será pago com o apurado no referido balanço, hipótese em que fica dispensado o seu pagamento em separado. § 3º Nos balanços ou balancetes de suspensão será observado o limite de compensação de perdas previsto no § 7º. § 4º As perdas incorridas em operações iniciadas e encerradas no mesmo dia ("day- trade"), realizadas em mercados de renda fixa ou de renda variável, não serão dedutíveis na apuração do lucro real. § 5º Excluem-se do disposto no § 4º as perdas apuradas pelas entidades de que trata o art. 32, inciso I, em operações "day-trade" realizadas nos mercados de renda fixa, de renda variável e de câmbio. § 6º Para efeito de apuração e pagamento do imposto mensal sobre ganhos líquidos, as perdas em operações "day-trade" poderão ser compensadas com os ganhos auferidos em operações da mesma espécie, conforme previsto no art. 28. § 7º Ressalvado o disposto nos §§ 4º e 5º, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 8º, 23 a 27 e 29 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos nas operações previstas nesses mesmos dispositivos. § 8º As perdas não deduzidas em um período de apuração poderão sê-lo nos períodos subseqüentes, observado o limite a que se refere o parágrafo anterior. § 9º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado: I - o imposto de que trata o art. 22 será pago em separado nos dois meses anteriores ao do encerramento do período de apuração; II - os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa); III - as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 23 a 27 somente podem ser compensadas com os ganhos auferidos nas mesmas operações, observado o disposto no art. 28. Fl. 834DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 § 10. A compensação do imposto de renda retido em aplicações financeiras da pessoa jurídica deverá ser feita de acordo com o comprovante de rendimentos, mensal ou anual, fornecido pela instituição financeira.” (negrejou-se e grifou-se) Como visto, o normativo enfatiza que o imposto retido é considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. E que os correspondentes rendimentos devem integrar a apuração do lucro da pessoa jurídica. A compensação citada no § 10 do dispositivo corresponde, em verdade, à própria dedução do imposto autorizada, no inciso I do artigo, a título de antecipação. A vedação legal para a pretensão arguida, de outro giro, ao contrário do que alega a contribuinte, existe e consiste na própria inobservância do caráter de antecipação ao qual se submete o imposto em questão, bem como do regime de competência ao qual se submetem as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real. O ônus probatório do indébito tributário, bem como da disponibilidade do direito creditório apurado, compete à contribuinte, pois é necessária a comprovação da certeza e liquidez do crédito oponível à Fazenda, com observância da legislação de regência, o que não se logrou comprovar nestes autos. Por tais razões, correto o indeferimento do direito creditório requerido e, por consequência, correta a não homologação da compensação declarada, nada havendo que reformar na decisão recorrida, nesse sentido. De outro lado, cuida esclarecer à interessada que a exigência implementada por meio do presente processo decorre, simplesmente, da cobrança dos débitos confessados pela interessada em PER/DCOMP transmitida em 15/06/2004, cuja compensação não foi homologada pela autoridade fiscal, não havendo de se falar em lançamento, tão pouco em prazo extintivo do direito de a Fazenda constituir o correspondente crédito tributário (decadência). Com efeito, a Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, determinou à Autoridade Administrativa a adoção de procedimentos tendentes à verificação da pertinência da extinção do crédito tributário informado em declaração de compensação, mediante ato de homologação expressa ou tácita, homologação esta que, se não atestada, deve resultar na exigência dos débitos confessados e indevidamente compensados (art. 74, §§ 2º e 6º): “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...). Fl. 835DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-006.064 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13816.000360/00-79 § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...).” (negrejou-se e grifou-se) Por fim, quanto à impossibilidade de apresentação de novas Declarações de Compensação relativas ao crédito tributário ora indeferido, é matéria que foge à discussão do presente processo, o qual versa sobre o indeferimento do Pedido de Restituição de fls. 01/02 e a não-homologação dos débitos compensados por meio da PER/DCOMP transmitida em 15/06/2004 (fls. 133/140). Final da transcrição do voto inserto no Acórdão nº 05-27.210 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 7. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 836DF CARF MF
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Numero do processo: 13710.000618/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. AUSÊNCIA DE DIRF. RETENÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovada a retenção de imposto de renda, é procedente o lançamento de ofício com fundamento na glosa de IRRF.
Numero da decisão: 2402-007.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 187 1 186 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13710.000618/200617 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.385 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2019 Matéria IRPF Recorrente MARIA CRISTINA AGUIEIRAS DE LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. AUSÊNCIA DE DIRF. RETENÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovada a retenção de imposto de renda, é procedente o lançamento de ofício com fundamento na glosa de IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 140/142) em face do Acórdão n. 13 27.118 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) DRJ/RJ2 (efls. 129/133), que julgou parcialmente procedente a impugnação (efls. 03/06), apresentada em 02/03/2006, mantendo em parte o crédito tributário consignado no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 06 18 /2 00 6- 17 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13710.000618/200617 Acórdão n.º 2402007.385 S2C4T2 Fl. 188 2 lançamento constituído em 06/02/2006 (efl. 63) mediante o Auto de Infração Imposto de Renda Pessoa Física no total de R$ 8.772,75 (efls. 23/27) com fulcro em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Cientificada do teor da decisão de piso em 22/02/2010 (efl. 136), a impugnante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário em 15/03/2010, alegando, em linhas gerais: [...] O cônjuge da requerente teve a sua defesa julgada em Belo Horizonte e a alteração realizada pelo órgão fiscalizador de lá foi mínima. Será que o entendimento do fisco carioca é puramente exegeta, é incapaz de vislumbrar as dificuldades e os acontecimentos que fogem do nosso controle. A empresa COOPMIEF COOP. DOS TEC. EM TRABALHOS COM. EQUIPAMENTOS EM GERAL LTDA, simplesmente abandonou a propriedade da requerente e sumiu a empresa RODALEX PEÇAS E SERVIÇOS LTDA, recolheu os DARFS corretamente pelo valor declarado só que informou a DIRF a menor. Não estou aqui a falar frases soltas, está no sistema da Receita os pagamentos realizados pelas empresas. Vale ressaltar, que os DARF foram confirmados pela delegacia de Belo horizonte. Não estou aqui, para querer ensinar ninguém. Porém, se o fisco carioca é tão exegeta. Por que não obriga as referidas empresas a apresentarem a DIRF de acordo com os DARFS? Uma vez, que as mesmas recolheram DARF no código 3208. Código este de retenção. O cerne da questão, e que é inquestionável, está no fato de que os DARFS apresentados comprovam tacitamente de forma irretocável, que o Imposto de Renda Retido, foi recolhido aos cofres da União, cabendo enfatizar que o documento DIRF, onde apenas é informada a comprovação dos recolhimentos dos impostos, tornase irrelevante, no presente caso, diante dos DARF'S do recolhimento do imposto, documentos esses revestidos de todas as suas formalidades intrínsecas e extrínsecas e confirmados no banco de dados da Receita Federal do Brasil pelo fisco de Belo Horizonte. Quanto ao fato de a requerente querer que fosse considerada a comissão paga ao administrador não me parece ilógico. Uma vez, que se o valor recolhido foi além daquele efetivamente devido, nada mais justo que seja restituído, na forma apurada em sua declaração apresentada na época, até porque, caso contrário, estaria plenamente configurado uma apropriação indébita por parte da Receita federal. Cabe ainda enfatizar que, como já dito nas justificativas apresentadas na época (juntada), os alugueis recebidos são declarados 50% na declaração da Impugnante e 50% na Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13710.000618/200617 Acórdão n.º 2402007.385 S2C4T2 Fl. 189 3 declaração do seu cônjuge JOÃO MARTINS PIMENTA DE LIMA, inscrito no CPF sob o n° 006.493.09715. Dentro de todo contexto aqui retratado resta claro_que o ponto básico que deu origem ao Auto de Infração foram problemas referentes a DIRF que ocorreram independentemente da vontade ou de qualquer ação da Impugnante, e não seria justo a mesma arcar com tão pesada penalidade que lhe é imposta. Assim por todo o exposto, juntamente com os documentos apresentados, que corroboram de modo claro e cristalino o correto procedimento da Impugnante, confia a mesma no elevado espírito de justiça do digno julgador, esperando ver acolhidas suas razões, sendo cancelado o Auto de Infração ora impugnado na certeza de que assim procedendo, estará praticando a mais lídima e salutar [...] Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos no Decreto n. 70.235/1972, e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. Passo à análise. Ao apreciar a impugnação, a instância de piso assim concluiu: [...] Alega a impugnante que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil ARFB não entrou em contato para solicitar elementos complementares. Ocorre que tal procedimento não é obrigatório. O pedido de esclarecimento ao contribuinte, na fase que antecede o lançamento, é um dos meios de que se vale o Fisco quando da revisão da declaração de imposto de renda, sendo uma faculdade na forma do art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Acrescenta o art. 844 do mesmo diploma legal, que a intimação ao contribuinte somente é feita, quando a autoridade lançadora entender necessária. Se os fatos geradores estiverem claramente demonstrados, inexiste a obrigatoriedade de intimação prévia do contribuinte, podendo a autoridade lançadora dispensála e efetuar o lançamento, dando ciência diretamente ao sujeito passivo. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13710.000618/200617 Acórdão n.º 2402007.385 S2C4T2 Fl. 190 4 Dessa forma, o lançamento respeitou as normas que regem a matéria. No lançamento fiscal, foi considerada indevida toda a dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF informada pela contribuinte na Declaração de Ajuste Anual. Isto porque a autoridade fiscal não identificou documento comprovando a retenção. No "Demonstrativo das Infrações", de fls. 20, do Auto de Infração, o auditor fiscal autuante informa que utilizou como enquadramento legal para a exclusão do IRRF declarado, o artigo 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95. O referido dispositivo legal estabelece que: [...] Da legislação acima se extrai que a condição para a dedutibilidade do Imposto de Renda Retido na Fonte é a posse pela contribuinte de comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora, para apresentação à Fiscalização quando intimada a fazêlo. Na hipótese dos autos, o sujeito passivo não trouxe os comprovantes de rendimentos acima referidos que devem ser preenchidos de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 120/2000. Juntou a interessada ao processo documentos emitidos pelo Sistema de Administração de Imóveis, fls. 27/31, nos quais estão consignados os rendimentos de aluguel das fontes pagadoras RODALEX PEÇAS E SERVIÇOS DE VEÍCULO LTDA (fls. 26), COOPMIEF COOP. TEC. EM TRABALHO COM EQ GERAL (fls. 27/28), FLOREST CAR VEÍCULOS LTDA (FLS. 29), COOP DOS TRANSP REFRIGERANTES E CERVEJA RJ (fls. 30) e COOP. TRAB. E PRESTADORES DE SERVIÇO (fls. 31). Ocorre que em nenhum destes documentos consta qualquer parcela retida a título de Imposto de Renda, não servindo como prova da existência da retenção. Trouxe, ainda, a contribuinte aos autos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais Darfs, de fls. 32/47, recolhidos no código 3208 Aluguéis Pagos a Pessoas Físicas, da COOPMIEF COOP. TEC. EM TRABALHO COM EQ GERAL, RODALEX PEÇAS E SERVIÇOS DE VEÍCULO LTDA e FLOREST CAR VEÍCULOS LTDA . Todavia, não é possível vincular tais pagamento aos rendimentos de aluguel específicos da contribuinte, visto que os Darf s não trazem qualquer identificação. Não cabe também discutir se houve recolhimento a maior de IRRF, como alega a contribuinte em sua defesa, posto que não é está a matéria dos autos. O que se busca é a comprovação de que ocorreu a retenção na fonte indicada pela própria contribuinte na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13710.000618/200617 Acórdão n.º 2402007.385 S2C4T2 Fl. 191 5 Como já esclarecido, a comprovação da existência de retenção deve ser feita pelo comprovante de rendimentos preenchido de acordo com as normas legais. Na inexistência dos comprovantes, considerase o valor expresso na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf, documento no qual a fonte pagadora tem que informar os rendimentos pagos sujeitos à incidência do imposto na fonte. Alega a interessada que os aluguéis recebidos são informados 50% em sua declaração e 50% na declaração de seu cônjuge João Martins Pimenta de Lima, CPF 006.493.09715. No que se refere aos aluguéis, o tratamento tributário a ser dispensado aos valores recebidos na constância da sociedade conjugal está previsto no art. 6°. do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), que assim determina: [...] Em consulta ao sistema informatizado da RFB, observase em nome da contribuinte a existência de apenas uma Dirf, que foi emitida pela fonte pagadora FLOREST CAR VEÍCULOS LTDA, apontando rendimentos de R$ 3.900,00 e IRRF de R$ 180,00. Entre as fontes pagadoras relacionadas nas Dirf s emitidas em nome do cônjuge da contribuinte, João Martins Pimenta de Lima, constam as seguintes fontes que também foram relacionadas pela contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, quais sejam: FLOREST CAR VEÍCULOS LTDA e RODALEX PEÇAS E SERVIÇOS LTDA. Quanto à primeira delas, a fonte pagadora emitiu uma Dirf em nome da contribuinte e outra em nome do seu cônjuge, cada uma delas apresentando rendimentos de R$ 3.900,00 com IRRF R$ 180,00. Assim, no caso da Florest Car Veículo LTDA, temse que a fonte pagadora dividiu os valores do aluguel pelos dois contribuintes, sendo correta a tributação da parcela atribuída à autuada, com o acatamento do IRRF de R$ 180,00. No que se refere à fonte pagadora RODALEX PEÇAS E SERVIÇOS LTDA, não existe Dirf para a interessada, mas apenas para o seu cônjuge no valor de R$ 22.760,00 com IRRF de R$ 3.030,44. A contribuinte declarou rendimentos de R$ 17.957,34 com IRRF, que foi glosado, de R$ 2.817,94, mesmos valores declarados pelo seu cônjuge. Como a única Dirf emitida pela fonte pagadora traz IRRF de R$ 3.030,44, a metade deste valor R$ 1515,22 será considerada no presente lançamento, conforme art. 6°., inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Afirma, ainda, a interessada que o valor de rendimentos de R$ 12.420,00 foi relacionado, por um erro material, à fonte pagadora COOPERATIVA DOS TRANSPORTADORES DE REFRIGERANTES E CERVEJA_DO_ ESTADO_DO_RIO_DE JANEIRO, CNPJ 01.855.599/000108, quando o correto seria a Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13710.000618/200617 Acórdão n.º 2402007.385 S2C4T2 Fl. 192 6 fonte pagadora COOPMIEFCOOP. DOS TEC. EM TRABALHOS COM. EQUIPAMENTOS EM GERAL LTDA, CNPJ 03.941.254/000100. Necessário esclarecer que o Auto de Infração não é o meio próprio para o acerto do erro citado, uma vez a competência do contencioso administrativo está adstrita à matéria em litígio, que no caso é a dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. De qualquer forma, cabe esclarecer que nenhuma das duas fontes pagadoras emitiu Dirf em nome da contribuinte ou de seu cônjuge João Martins Pimenta de Lima. [...] Por todo exposto, voto pela procedência em parte da impugnação, sendo mantido o imposto de renda suplementar de R$ 1.953,71 a ser acrescido de multa de oficio e juros legais. Deve, no entanto, ser observada a possibilidade de remissão prevista na MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009 se preenchidos os requisitos legais. [...] Isto posto, resta evidenciado que a instância de piso procedeu à minuciosa e detalhada análise dos fundamentos de fato e de direito da impugnação, inclusive apreciação dos elementos acostados aos autos. Desta forma, considerandose que a Recorrente não aduz novas razões de defesa perante à segunda instância, confirmo e adoto as razões de decidir do Acórdão n. 1327.118, nos termos do art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 9 de junho de 2015, e alterações posteriores. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.732386/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA.
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.
Comprovados nos autos fundamentos para a razão de decidir, afastado o vício de obscuridade suscitado.
DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN.
Deve ser reconhecida a decadência apenas se decorrerem 5 (cinco) anos entre a tramitação e o despacho decisório.
Embargos Providos sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3201-005.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(documento assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente
(documento assinado digitalmente)
LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Comprovados nos autos fundamentos para a razão de decidir, afastado o vício de obscuridade suscitado. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. Deve ser reconhecida a decadência apenas se decorrerem 5 (cinco) anos entre a tramitação e o despacho decisório. Embargos Providos sem efeitos infringentes.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Comprovados nos autos fundamentos para a razão de decidir, afastado o vício de obscuridade suscitado. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. Deve ser reconhecida a decadência apenas se decorrerem 5 (cinco) anos entre a tramitação e o despacho decisório. Embargos Providos sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 23 86 /2 01 5- 13 Fl. 4364DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.468 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.732386/2015-13 Trata-se de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3201-004.184 que restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A busca da tutela do Poder Judiciário não impede a formalização do crédito tributário por meio do lançamento, ainda que houvesse qualquer causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário [o que não é o caso dos autos], não havendo de se falar, portanto, em nulidade do auto de infração lavrado. Constatada a falta de destaque/declaração/pagamento do imposto, cabe ao Fisco a iniciativa de efetuar o lançamento de ofício, constituindo o crédito tributário e prevenindo a decadência. MATÉRIAS NÃO ABORDADAS NA IMPUGNAÇÃO. ABORDAGEM EM MOMENTO POSTERIOR. PRECLUSÃO. Questões não trazidas a debate na petição impugnativa inicial, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, constituem matérias preclusas das quais não pode o Julgador administrativo tomar conhecimento quando abordadas em momento posterior, por afrontar o rito processual. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. ERRO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A motivação do ato lançamento tributário, formalizado por meio de auto de infração, é a descrição dos eventos tributários concretizados no mundo fenomênico (ou fatos geradores, segundo o CTN), que se subsumem à hipótese de incidência do tributo descrita na norma geral e abstrata. RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO Nega-se provimento ao recurso de ofício quando a autoridade julgadora aprecia o feito nos termos da legislação de regência e das provas constantes dos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 I- CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa renúncia ao litígio administrativo, em caráter definitivo - independentemente de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação - e, resulta daí o não conhecimento da impugnação apresentada, quanto à incidência do IPI nas saídas de produtos importados posteriores ao desembaraço aduaneiro, em razão da discussão judicial da matéria, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matérias distintas daquelas constantes do processo judicial, ressalvando-se, quanto à cobrança, a verificação de eventuais hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. II- AUTO DE INFRAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTARIO SUSPENSO. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Incabível a imposição da multa de ofício quando na data da ciência do auto de infração o crédito tributário estiver suspenso, na forma do artigo 151 do CTN. Já os juros de mora independem de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral. SAÍDA PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INTERNAÇÃO. PROVA. Fl. 4365DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.468 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.732386/2015-13 O lançamento da nota fiscal e o registro do pagamento na escrituração do destinatário não prova a internação na Zona Franca de Manaus do produto objeto da venda, especialmente quando a Superintendência não tem registro da referida nota fiscal. Em despacho que admitiu parcialmente ambos os Embargos, o Presidente desta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF assim resumiu a controvérsia: Compulsando o voto condutor da decisão, constata-se que houve expresso reconhecimento da emissão de Mandado de Procedimento Fiscal para amparar o procedimento. Nada obstante, para fim de excluir a aplicação da multa de lançamento de ofício, a decisão invocou, não a data da ciência do MPF, que demarcou o início do procedimento de ofício, mas a data da ciência do auto de infração. A obscuridade evidencia-se quando a decisão proclama: Aplica-se o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pois a exigibilidade estava suspensa antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (e-fl. 4363) Os Embargos, de igual teor, foram admitidos para fins de saneamento das seguintes alegações: Com essas considerações, e para os fins do § 7° do art. 65 do RI-CARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os embargos interpostos, para que o Colegiado esclareça qual o marco temporal do início do procedimento fiscal: se a data da ciência do MPF ou a data de ciência do auto de infração. (e-fl. 4363) Os autos foram a mim remetidos para julgamento na condição de Relator originária do feito. É o relatorio. Voto Conselheiro LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO, Relator. Trata-se de Recurso de Embargos de Declaração manejado pela Fazenda Nacional, alegando, que houve omissão quanto ao marco temporal do início do procedimento fiscal: se a data da ciência do MPF ou a data de ciência do auto de infração. Nesse ponto, esclareço que o entendimento da turma foi de que a expedição do MPF não foi suficiente para sustentar a cobrança da multa de ofício tendo em vista a obtenção de medida judicial suspensiva antes da lavratura do auto de infração, garantindo assim a Recorrente o direito de recolhimento ou pagamento dos tributos com os acréscimos legais aplicáveis ao procedimento espontâneo. Em outras palavras, a data do ato de ofício considerada válida no julgamento foi aquela correspondente a ciência do auto de infração. Por outro lado, a alegação de vigência da medida judicial quando da data da ciência dos lançamento fiscal é procedente. Em outras, palavras, compulsando-se os autos, chega-se à conclusão de que a medida estava vigente quando a recorrente tomou ciência do lançamento. Assim, na data de ciência do auto de infração no dia 21/12/2015, constante do Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal, e-fls. 1735/1736 a recorrente possuía medida judicial e o credito tributário estava suspenso na forma do artigo 151 do CTN. Assim, de forma conclusiva, é descabida a aplicação da multa de ofício. Fl. 4366DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.468 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.732386/2015-13 Aplica-se o disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pois a exigibilidade estava suspensa antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (e-fl. 4342) O MPF é instrumento de controle criado pela Administração com o objetivo de assegurar ao sujeito passivo que o fiscal identificado está autorizado a fiscalizá-lo. Ocorre que o MPF não pode ser considerado como suficiente para impedir a eficácia da medida judicial suspensiva anterior ao lançamento. Nessa linha de raciocínio, no caso concreto, a data de ciência do auto de infração ocorreu no dia 21/12/2015, data em que a Recorrente possuía medida judicial para suspender o crédito tributário na forma do art. 151 do CTN. Assim, restou prejudicada a multa de ofício. Sobre o assunto elenco jurisprudência do CARF corroborando o entendimento da turma. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA. ESPONTANEIDADE. A mera ciência do Mandado de Procedimento Fiscal não configura o início da ação fiscal e ao sujeito passivo da obrigação tributária é facultado o recolhimento ou pagamento dos tributos com os acréscimos legais aplicáveis no procedimento espontâneo enquanto não emitido ato de ofício, com intimação ao sujeito passivo, pelo servidor competente para a execução da ação fiscal. PAGAMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. INCABÍVEL. Deve ser cancelada a parte do crédito tributário extinto por pagamento efetuado anteriormente à ciência do primeiro ato de ofício praticado por servidos competente para execução da ação fiscal. (CARF, Acórdão nº 3402-001.765 do Processo 13808.001255/2001-35, de 26/04/2012) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. VALIDADE. CIÊNCIA CONTRIBUINTE. PRAZO DECADENCIAL. TERMO FINAL. 1. Existência de peculiaridade nos autos, referente ao início do procedimento fiscal, com o recebimento do MPF, TIAF, TIAD e TEAF pelo contribuinte, tendo em vista o que dispõe o artigo 7º, inciso I, do Decreto 70.235/72: “o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto.” 3. A legislação e a jurisprudência tributária entendem que a constituição do crédito tributário, a partir da lavratura do auto de infração e/ou notificação fiscal, ocorrerá somente com a ciência válida do contribuinte da respectiva autuação, nas formas do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido. (CARF, Acórdão nº 206-00851 do Processo 36624.014251/2006-85, de 09/05/2008) Diante do exposto, resta reafirmado e entendimento da turma quanto a data do ato de ofício como sendo a data da ciência do auto de infração. Pelo exposto, voto por NÃO ACOLHER os Embargos de Declaração. É como voto. (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO Fl. 4367DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.468 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.732386/2015-13 Fl. 4368DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.720250/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010
PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS
FINANCEIRAS.
As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e
encargos comuns.
As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas.
A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros.
A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo.
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações.
No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País.
INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas são de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Destarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 3201-005.411
Decisão:
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I - Por unanimidade de votos, para: (a) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (b) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (c) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (d) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; II - Por maioria de votos: (a) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (a.1) às tarifas aeroportuárias, (a.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de "handling", serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; e (a.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que negava provimento quanto aos serviços de comunicação de rádio entre funcionários e com os gastos com atendimento ao passageiro; (b) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, davam provimento ao Recurso; III - Por voto de qualidade: a) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, quanto a tais matérias, deram provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 02 50 /2 01 2- 67 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 2 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas são de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Destarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I Por unanimidade de votos, para: (a) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (b) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (c) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (d) reverter a glosa Fl. 395DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 3 para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; II Por maioria de votos: (a) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (a.1) às tarifas aeroportuárias, (a.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de "handling", serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; e (a.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que negava provimento quanto aos serviços de comunicação de rádio entre funcionários e com os gastos com atendimento ao passageiro; (b) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, davam provimento ao Recurso; III Por voto de qualidade: a) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, quanto a tais matérias, deram provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06054.502, que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada, homologando parcialmente as compensações declaradas. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I Dos Fatos A Recorrente explica que com base em estudos da legislação vigente, reanalisou suas receitas declaradas desde janeiro de 2007 a março de 2011 e verificou que parte dessas receitas teriam sido inseridas no regime cumulativo do PIS/COFINS, quando, na verdade, deveriam ter sido declaradas como pertencentes ao regime não cumulativo. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 4 Nesse sentido, retificou seus Demonstrativos de Apuração de Contribuição Social (DACON) e, respectivamente, suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.407, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 12585.720252/201256, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.407): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Em apertada síntese, tratase de processo relativo a glosa de insumos passíveis de gerar créditos de PIS/COFINS. A fiscalização aplicou o conceito restritivo de insumo para glosar créditos e negou a utilização de créditos extemporâneos, dentre outros tópicos. De forma geral, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, tratase de analisar se os insumos atendem ou não aos Fl. 397DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 5 requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Para fins de se tomar créditos de PIS/COFINS, no regime nãocumulativo por meio dos chamados insumos não se torna necessário que os bens sejam consumidos ou desgastados no contato direto com o processo produtivo, mas que tenham uma relação direta com o mesmo. Da Conexão A Recorrente alega que existe conexão deste processo com o processo nº 10888.722355/201452, relativo ao Auto de Infração lavrado para cobrança do saldo devedor do Pis e da Cofins decorrente da glosa de créditos discutida neste caso. De fato, existe conexão, sendo que é impossível fazer a reunião dos processos tendo em vista que o processo nº 10888.722355/201452 encontrase julgado. Na verdade, a conexão abrange um número maior de processos, conforme planilha trazida aos autos pela própria Recorrente e aqui reproduzida. Processo Tributo Período Natureza Localização Situação 16692.720719/201463 PIS/COFINS jan/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720720/201498 PIS/COFINS Feb07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720721/201432 PIS/COFINS mar/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720722/201487 PIS/COFINS Apr07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720723/201421 PIS/COFINS May07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16349.720144/201227 PIS/COFINS jun/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720724/201476 PIS/COFINS jul/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720725/201411 PIS/COFINS Aug07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.722141/201486 PIS/COFINS nov/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720038/201314 PIS 2º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 16692.720037/201370 COFINS 2º TRIM 2008 Ressarciment o 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720729/201407 PIS/COFINS Apr08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído Fl. 398DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 6 16692.720730/201423 PIS/COFINS May08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720731/201478 PIS/COFINS jun/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720022/201297 PIS 3º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720009/201238 COFINS 3º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720229/201261 PIS/COFINS jul/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720230/201296 PIS/COFINS Aug08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720231/201231 PIS/COFINS Sep08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720023/201231 PIS 4º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720010/201262 COFINS 4º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720232/201285 PIS/COFINS Oct08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720233/201220 PIS/COFINS nov/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720234/201274 PIS/COFINS Dec08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720024/201286 PIS 1º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720011/201215 COFINS 1º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720235/201219 PIS/COFINS jan/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720236/201263 PIS/COFINS Feb09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720237/201216 PIS/COFINS mar/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720025/201221 PIS 2º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720012/201251 COFINS 2º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720238/201252 PIS/COFINS Apr09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720239/201205 PIS/COFINS May09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720240/201221 PIS/COFINS jun/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.722355/201452 PIS/COFINS 3º TRIM 2009 a 1º TRIM 2011 Auto de Infração 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720026/201275 PIS 3º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado Fl. 399DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 7 12585.720013/201204 COFINS 3º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720241/201276 PIS/COFINS jul/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720027/201210 PIS 4º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720014/201241 COFINS 4º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720243/201265 PIS/COFINS Dec09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720028/201264 PIS 1º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720015/201295 COFINS 1º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720244/201218 PIS/COFINS jan/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720245/201254 PIS/COFINS Feb10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720246/201207 PIS/COFINS mar/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720029/201217 PIS 2º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720016/201230 COFINS 2º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720247/201243 PIS/COFINS Apr10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720248/201298 PIS/COFINS May10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720249/201232 PIS/COFINS jun/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720030/201233 PIS 3º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720017/201284 COFINS 3º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720250/201267 PIS/COFINS jul/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720251/201210 PIS/COFINS Aug10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720252/201256 PIS/COFINS Sep10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720031/201288 PIS 4º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720018/201229 COFINS 4º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720253/201209 PIS/COFINS Oct10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720255/201290 PIS/COFINS Dec10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720032/201222 PIS 1º TRIM 2011 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado Fl. 400DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 8 12585.720019/201273 COFINS 1º TRIM 2011 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720256/201234 PIS/COFINS jan/11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720257/201289 PIS/COFINS Feb11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720258/201223 PIS/COFINS mar/11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.938833/201363 PIS 2º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938832/201319 COFINS 2º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938835/201352 PIS 3º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938834/201316 COFINS 3º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938836/201305 PIS 4º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938837/201341 COFINS 4º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 16692.721933/201780 PIS/COFINS 1º TRIM a 4º TRIM 2012 Auto de Infração 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Distribuído 10880.938839/201331 PIS 1º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938838/201396 COFINS 1º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938840/201365 PIS 2º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938841/201318 COFINS 2º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938843/201307 PIS 3º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938842/201354 COFINS 3º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938845/201398 PIS 4º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938844/201343 COFINS 4º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa Fonte: Planilha elaborada pela Recorrente No particular, notase que o processo ora em julgamento cujo período de apuração é setembro/2010 está relacionado aos processos nº 12585.720030/201233 e nº 12585.720017/201284, ambos do 3º. Trimestre de 2010. Do Voto para o Presente Processo Tendo em vista a constatação quanto a conexão com outros processos da Recorrente que já forma julgados, bem como buscando atender o pedido da Recorrente no seu Recurso Voluntário para evitar divergências no julgamento de processos conexos, entendo como correto colher o voto proferido nos processos nº 12585.720030/201233 e nº 12585.720017/201284, como votos condutores para o presente processo de restituição. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 9 Nesse sentido colho a seguir o voto da i. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, bem como o voto vencedor da i. Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz constantes do processo nº 12585.720017/201284, Acórdão nº 3402005.326 como se meu fosse como razão de decidir do presente processo. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 26, §5º da Lei nº 9.784/99, a falta de intimação é considerada suprida pelo comparecimento do administrado. Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. I Rateio Proporcional Receitas Financeiras Como se sabe, os créditos das contribuições do PIS e da Cofins podem somente ser apropriados pela contribuinte em relação à receita bruta não cumulativa, sendo que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes (cumulativo e não cumulativo), o crédito da contribuição deverá ser apurado em conformidade com o disposto nos arts. 3º, §§7º a 9º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep): Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [negritei] Fl. 402DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 10 § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) No caso, a recorrente adota o método do rateio proporcional, sendo o crédito da contribuição determinado pela multiplicação do valor integral do crédito por um percentual obtido pela razão entre a receita bruta não cumulativa e a receita bruta total auferida pela empresa no mês. Sustenta a fiscalização que as receitas financeiras, por não serem relacionadas aos insumos sobre os quais são apurados os créditos, não deveriam ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada à apropriação dos créditos. No entanto, as receitas financeiras integram, sim, a receita bruta não cumulativa, inclusive, posteriormente aos períodos de apuração sob análise, mediante o Decreto nº 8.426/2015, foram restabelecidas as alíquotas das contribuições de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. Nessa linha também é a orientação da própria Cosit órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15, V. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Fl. 403DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 11 (...) Ademais, como se vê nos §§8º dos arts. 3º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep) não há qualquer ressalva a respeito das receitas sujeitas à alíquota zero das contribuições ou da necessidade de ter havido pagamento das contribuições para o cômputo nas receitas brutas. Temse como princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). Dessa forma, no cálculo do rateio proporcional entre a receita auferida sob o regime não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, devem ser consideradas as receitas financeiras como integrantes dessas outras duas receitas, ainda que tributadas à alíquota zero nos períodos de apuração. Nesse mesmo sentido já decidiu este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão cuja ementa se transcreve abaixo, relativamente a consideração das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional das receitas de exportação não cumulativas: Processo nº 16366.000413/200689 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.312– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada a omissão sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 12 RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA TOTAL. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Cofins vinculados à exportação consiste na aplicação, sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação não cumulativa e a Receita Bruta Total no regime não Cumulativo. Não há permissivo legal para a exclusão de qualquer valor, inclusive receitas financeiras, da Receita Bruta da Exportação não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime não cumulativo. Embargos acolhidos Também no Acórdão nº 3201002.235– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, foi assim decidido: (...) Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). Fl. 405DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 13 De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. (...) Assim, cabe reforma na decisão recorrida para que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total e efetuado o correspondente ressarcimento/compensação no montante adicional. II Receitas de Transporte Internacional de Passageiros A matéria controvertida neste tópico envolve a interpretação do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep2, que assim dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária (...) VII as receitas decorrentes das operações: (...) XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; (...) Fl. 406DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 14 XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [negritei] (...) Sustenta a autoridade administrativa no item 5.2 do Despacho Decisório que: "O contribuinte, na qualidade de “empresa aérea regular de passageiros”, deve, no entanto, observar o disposto nos incisos XVI do art. 10° e V do art. 15º da Lei N° 10.833/2003, que manteve regime cumulativo as receitas do transporte aéreo de passageiros, tenham elas sido obtidas no mercado doméstico ou no mercado internacional". O julgador a quo, com esteio na Solução de Consulta Interna nº 12 Cosit, de 11 de junho de 2014, interpreta a questão da seguinte forma: No caso ora debatido, interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. Deveras, se o legislador não estabeleceu expressamente, nem implicitamente, diferenciação de tratamento entre as duas modalidades de transporte aéreo citadas, não cabe ao intérprete fazêlo. Se o legislador almejasse estabelecer essa distinção, teria feito de forma clara, como fez no art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao isentar das contribuições em tela apenas as receitas decorrentes do “transporte internacional de cargas ou passageiros”. Por outro lado, o segundo requisito estabelecido na primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, para aplicação da cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, versa sobre as pessoas jurídicas que devem auferir as receitas contempladas pela norma: segundo o texto legal, tais receitas devem ser auferidas por “empresas regulares de linhas aéreas domésticas”. É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais Fl. 407DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 15 empresas sejam brasileiras, uma vez que, pela legislação atual, apenas essas podem prestar serviços de transporte aéreo público doméstico. Quanto à menção legal a “empresas regulares”, como condição a ser cumprida pela pessoa jurídica, é de se ressaltar que a legislação estabelece que a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora. Daí porque imperioso concluir que, conquanto se refira a “empresas regulares”, o dispositivo legal em comento quis alcançar as empresas que operam linhas aéreas regulares. Afinal, é ilógica a interpretação de que a qualidade “regular” atribuída ao vocábulo “empresa” tenha objetivado restringir a permanência na cumulatividade das contribuições em estudo às receitas auferidas pela empresa que esteja em situação regular. Apesar da atecnia, o legislador pretendeu apenas estabelecer paralelismo redacional no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, referindose em sua primeira parte às “empresas regulares de linhas aéreas”, para versar sobre o transporte aéreo regular, e às “empresas de táxi aéreo”, para versar sobre o transporte aéreo não regular (conforme art. 220 do CBA, “os serviços de táxiaéreo constituem modalidade de transporte público aéreo não regular”). Diante do exposto, concluise que a primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, determina que permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo aéreo de passageiros, nacional (doméstico) ou internacional, efetuado por empresa que opera linhas aéreas domésticas e regulares. Por tal razão, a pessoa jurídica que opera linhas aéreas domésticas regulares de transporte coletivo não pode apurar créditos previstos na legislação da apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins em relação a custos, despesas e encargos vinculados à prestação de serviços de transporte aéreo internacional de passageiros. [negritei] Como se vê, a estratégia hermenêutica utilizada pela DRJ foi a seguinte: separou a primeira parte do inciso em dois requisitos, quais sejam, “receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” e “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” e conectou as duas com o vocábulo "auferidas", no lugar do vocábulo original "efetuado" do dispositivo legal. Daí, interpretou os dois requisitos de forma independente para juntálos, ao final, com o vocábulo "auferidas". Ocorreu que os pressupostos adotados pelo intérprete da DRJ já direcionaram a interpretação no sentido desejado Fl. 408DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 16 previamente. Em verdade, no esforço interpretativo, partiuse da hipótese de que os dois requisitos seriam independentes para concluir que eles realmente são independentes, como se depreende do seguinte trecho do Acórdão recorrido: "O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. [negritei] Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. (...)". Ora, não se pode separar a primeira parte do inciso em dois requisitos independentes quando eles estão interligados! Os "dois requisitos" estão justamente ligados no pelo vocábulo "efetuado", que concorda em gênero e número com o substantivo "serviço", certamente com a função de restringilo. O dispositivo de interesse poderia ser reescrito com o termo omitido na construção linguística da redação original na seguinte forma: Art. 10 (...) [Lei nº 10.833/2003] (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, [quando o serviço for] efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, (...); Ademais, como dito no próprio acórdão recorrido, "a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora", o que é mais um elemento que corrobora no sentido de que o "segundo requisito" (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”) consta na redação do dispositivo para restringir o alcance do termo "serviço de transporte coletivo de passageiros" constante no "primeiro requisito". Seria até um contrassenso entender, no fim das contas, que “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” [negritei] limitaria somente a "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” no que concerne à modalidade de transporte regular aéreo e não quanto ao percurso doméstico, também expressamente referido no dispositivo. Aliás, tratase de mais elemento que corrobora o quanto os dois "requisitos" separados pela DRJ são interdependentes. Segundo o entendimento da fiscalização e da DRJ, a recorrente teria sido alcançada quanto à exclusão do regime não cumulativo porque opera no transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares, sejam elas domésticas ou internacionais, o que se contrapõe à ideia expressa no dispositivo de restringir tanto a Fl. 409DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 17 modalidade de transporte aéreo regular quanto o percurso doméstico (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas). Também não se coaduna com a boa regra hermenêutica substituir o vocábulo "efetuado", ligado por concordância com o substantivo "serviço", pela palavra "auferidas", que estaria relacionada ao termo "as receitas", como feito no acórdão recorrido. Oportuno, neste ponto, transcrever algumas lições de Carlos Maximiliano: 114 O processo gramatical exige a posse dos seguintes requisitos: (...) 4) certeza da autenticidade do texto, tanto em conjunto como em cada uma das partes (1). (...) 116 Merecem especial menção alguns preceitos, orientadores da exegese literal: a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase, em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem com idéia inserta no dispositivo" (1). (...) f) Presumese que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva (6). (...) i) Pode haver, não simples impropriedade de termos, ou obscuridade de linguagem, mas também engando, lapso, na redação. Este não se presume: Precisa ser demonstrado claramente. Cumpre patentear, não só a exatidão, mas também a causa da mesma, a fim de ficar plenamente provado o erro, ou o simples descuido (9). (...) Commodissimum est, id accipi, quo res de qua agitur, magis valeat quam pereat: "Prefirase a inteligência dos Fl. 410DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 18 textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade" (3). 304 (...) (...) 343. Não pode o intérprete alimentar a pretensão de melhorar a lei com desobedecer às suas prescrições explícitas. (...) Pelo que se depreende da leitura da Lei nº 10.833/2003, como regra geral, todas as pessoas jurídicas estão sujeitas a não cumulatividade da Cofins e do PIS/Pasep, excepcionandose dessa regra aquelas pessoas expressamente referidas nos incisos I a VI do seu art. 10, as quais permanecem sob o anterior regime cumulativo. De outra parte, cuida também o art. 10 da Lei nº 10.833/2003 de excepcionar algumas receitas da incidência não cumulativa, mesmo que a pessoa jurídica esteja sujeita ao regime não cumulativo. Esse entendimento veio depois ser confirmado na referida Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, nestes termos: (...) 12. A primeira forma de exceção à apuração não cumulativa exclui desse regime determinadas pessoas jurídicas. Assim, em função do objeto social ou de aspectos específicos (por exemplo, imunidade a impostos ou tributação pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido), certas pessoas jurídicas permanecem sujeitas às normas da legislação anterior à instituição da não cumulatividade. 13. A segunda forma de exceção à apuração não cumulativa não se relaciona com nenhuma propriedade das pessoas jurídicas, mas decorre de uma característica do fato gerador das contribuições em questão. Assim, receitas específicas foram excluídas do regime de apuração não cumulativa, devendo, portanto, submeterse ao regime de apuração préexistente à instituição da não cumulatividade. 14. Dessa forma, o sujeito passivo que não se enquadra na primeira exceção, está sujeito ao regime de apuração não cumulativa. A pessoa jurídica não se submete ao regime de apuração cumulativa por auferir alguma das denominadas receitas cumulativas (excluídas do regime de apuração não cumulativa), ainda que essa seja a única receita por ela percebida. (...) Fl. 411DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 19 Dessa forma, tendo em vista que a recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses gerais de exclusão do regime, temse, inicialmente, que ela, como pessoa jurídica, está sujeita ao regime não cumulativo das contribuições de PIS/Cofins, sem prejuízo, como dito, de algumas de suas receitas, por disposição legal expressa, serem eventualmente excluídas da incidência não cumulativa. No caso, as receitas excluídas pela primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 dizem respeito às "receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", mas somente quando esse serviço seja "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas". Como já delineado acima, esta última expressão tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, de forma que somente estariam excluídos do regime não cumulativo "as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", assim considerado aquele operado em "linhas aéreas regulares domésticas". Há que se observar que no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 foram excluídas "as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros" para as quais não houve qualquer ressalva quanto ao percurso, se nacional ou internacional, a se supor que aqui, diferentemente do inciso XVI sob análise, pretendeuse excluir do regime não cumulativo todos os serviços de transporte coletivo de passageiros, seja dentro ou fora do território nacional. Importante consignar, por fim, que a exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção comporta interpretação restritiva, de forma que, ainda que fosse possível a interpretação sugerida pela DRJ, deveria prevalecer a interpretação mais restritiva da exceção, adotada neste Voto. A interpretação restritiva das regras de exceção foi bem explicada no Recurso Especial do STJ, com apoio também nos ensinamentos de Carlos Maximiliano: RECURSO ESPECIAL Nº 853.086 RS (2006/01380157) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA EMENTA RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM. COMPETÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 20 ENFERMEIROS MILITARES. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS REGRAS DE EXCEÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. (...) 9. Ademais, relativamente à Lei 6.681/79, a qual estabeleceu ressalva à fiscalização dos médicos, cirurgiõesdentistas e farmacêuticos militares pelas Forças Armadas, salientese que, em se tratando de regra de exceção, tornase inviável a utilização de exegese ampliativa ou analógica. É inadequada a interpretação extensiva e a aplicação da analogia em relação a dispositivos infraconstitucionais que regulam situações excepcionais, porquanto enseja privilégio não previsto em lei. 10. "As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente " (MAXIMILIANO, Carlos. ob. cit., pp. 225/227). (...) A EXMA. SRA. MINISTRA DENISE ARRUDA (Relatora): (...) Nesse contexto, cabe mencionar a lição de Carlos Maximiliano acerca do "Direito Excepcional " (ob. cit., pp. 225/227), in verbis: "Em regra, as normas jurídicas aplicamse aos casos que, embora não designados pela expressão literal do texto, se acham no mesmo virtualmente compreendidos, por se enquadrarem no espírito das disposições: baseiase neste postulado a exegese extensiva. Quando se dá o contrário, isto é, quando a letra de um artigo de repositório parece adaptarse a uma hipótese determinada, porém se verifica estar esta em desacordo com o espírito do referido preceito legal, não se coadunar com o fim, nem com os motivos do mesmo, presume se tratarse de um fato da esfera do Direito Excepcional, interpretável de modo estrito. Estribase a regra numa razão geral, a exceção, numa particular; aquela baseiase mais na justiça, esta, na utilidade social, local, ou particular. As duas proposições devem abranger coisas da mesma natureza; a que mais abarca, há de constituir a regra; a outra, a exceção. (...) Fl. 413DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 21 O Código Civil explicitamente consolidou o preceito clássico Exceptiones sunt strictissimoe interpretationis ('interpretamse as exceções estritissimamente') no art. 6.º da antiga Introdução, assim concebido: 'A lei que abre exceção a regras gerais, ·ou restringe direitos, só abrange os casos que especifica'. O princípio entronca nos institutos jurídicos de Roma, que proibiam estender disposições excepcionais, e assim denominavam as do Direito exorbitante, anormal ou anômalo, isto é, os preceitos estabelecidos contra a razão de Direito; limitavalhes o alcance, por serem um mal, embora mal necessário. (...) Os sábios elaboradores do Codex Juris Canonci (Código de Direito Canônico) prestigiaram a doutrina do brocardo com inserir no Livro I, título I, cânon 19, este preceito translúcido: 'Leges quoe poenam statuunt, aut liberum jurium exercitium coarctant, aut exceptionem a lege continent, strictae subsunt interpretationi' ('As normas positivas que estabelecem pena restringem o livre exercício dos direitos, ou contêm exceção a lei, submetemse a interpretação estrita'). (...) A fonte mediata do art. 6.° da antiga Lei de Introdução, do repositório brasileiro, deve ser o art. 4.º do Título Preliminar do Código italiano de 1865, cujo preceito decorria das leis civis de Nápoles e era assim formulado: 'As leis penais e as que restringem o livre exercício dos direitos, ou formam exceções a regras gerais ou a outras leis, não se estendem além dos casos e tempos que especificam'. As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente. Os contemporâneos preferem encontrar o fundamento desse preceito no fato de se acharem preponderantemente do lado do princípio geral as forças sociais que influem na aplicação de toda regra positiva, como sejam os fatores sociológicos, a Werturteil dos tudescos, e outras. O art. 6º da antiga Lei de Introdução abrange, em seu conjunto, as disposições derrogatórias do Direito comum; as que confinam a sua operação a determinada pessoa, ou a um grupo de homens à parte; atuam excepcionalmente, em proveito, ou prejuízo, do menor número. Não se confunda com as de alcance geral, aplicáveis a todos, porém suscetíveis de afetar duramente alguns indivíduos por causa da sua condição particular. Referese o preceito àquelas que, executadas na íntegra, só atingem a poucos, Fl. 414DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 22 ao passo que o resto da comunidade fica isenta." (grifouse) Dessa forma, neste tópico, está com razão a recorrente, no sentido de que as "receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo", sendo cabível a apropriação de créditos do PIS/Pasep e da Cofins que por ventura enquadremse no conceito de insumo, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/20044. III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a Cofins Filiome ao entendimento deste CARF quanto ao cabimento de creditamento de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e Fl. 415DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 23 despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/995. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. No caso, entendeu a fiscalização e não discordou a DRJ, que a empresa possuiria receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros (doméstico e internacional), e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). Como visto acima neste Voto, no caso do transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares internacionais, a incidência das contribuições deve se dar Fl. 416DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 24 de forma não cumulativa, como pretendido pela recorrente, não sendo cabível a exclusão desse regime veiculada pelo inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Assim, para fins deste Voto, sobre as receitas da recorrente a incidência das contribuições de PIS/Cofins dáse na seguinte forma: regime cumulativo transporte aéreo doméstico de passageiros regime não cumulativo transporte aéreo internacional de passageiros; transporte aéreo de cargas nacional e internacional e demais atividades. Dentro desses parâmetros, passase a analisar a glosas especificamente contestadas no recurso voluntário. 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias Quanto a glosa sobre as tarifas aeroportuárias, decidiu a DRJ que se enquadrariam no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os serviços prestados pela Infraero e cobrados por tarifas que são devidas pelas companhias aéreas, eis que fazem parte do processo produtivo da TAM Linhas Aéreas, afinal, sem a realização de tais serviços não seria possível fazer o transporte aéreo de cargas e passageiros, contudo determinou a aplicação do percentual de rateio para a reversão da glosa somente em relação ao transporte internacional de cargas. Considerando o conceito de insumo adotado neste Voto, a essencialidade/imprescindibilidade dos referidos serviços na prestação de serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros pela recorrente, é cabível o creditamento correspondente. Assim, além da reversão da glosa das tarifas aeroportuárias proporcionalmente ao transporte internacional de cargas efetuada pela DRJ, cabe reverter neste Voto a parcela da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros. 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte A autoridade administrativa glosou o crédito de combustível consumido no transporte aéreo internacional sob os fundamentos abaixo, o que foi mantido pela DRJ: 9.2.1. A impossibilidade de apuração de créditos do COFINS sobre o valor do combustível consumido no transporte aéreo internacional deuse a partir de 26/09/2008, com a edição, da Lei N° 11.787, de Fl. 417DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 25 25/09/2008 – DOU 26.09.2008 – que deu nova redação ao artigo 3° da Lei N° 10.560, de 13/11/2002 – DOU 14.11.2002: Dispõem os artigos 2° e 3° da Lei 10.560, de 13/11/2002 (DOU 14.11.2002): Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, relativamente à receita bruta decorrente da venda de querosene de aviação, incidirá uma única vez, nas vendas realizadas pelo produtor ou importador, às alíquotas de 5% (cinco por cento) e 23,2% (vinte e três inteiros e dois décimos por cento), respectivamente.(redação dada pela lei 10.865/2004) Art. 3° A Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não incidirão sobre a receita auferida pelo produtor ou importador na venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional. (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) Dispõe o parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10833/2003 § 2o Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. 9.2.2. A empresa sem observar os dispositivos citados – particularmente a redação dada pela Lei 11.787, de 25/09/2008, ao artigo 3° da Lei N° 10.560/2002 – manteve a apuração de créditos sobre a COFINS em relação ao consumo de combustível em suas rotas internacionais. 9.2.3. Os valores relativos ao consumo de combustível no transporte internacional foram identificados – na memória de cálculo da apuração do crédito – com o código “NOP E2.02: compra de insumos para utilização na prestação de serviço – combustível para voo internacional”. De outra parte alega a recorrente que não há na Constituição Federal qualquer proibição que diga respeito à vedação da apropriação de créditos relacionados a operações sujeitas à isenção ou qualquer outra hipótese desonerativa. Ocorre que a não cumulatividade das contribuições de PIS/Cofins é instituída por lei ordinária, diferentemente do que ocorre com o IPI e ICMS, cuja não cumulatividade tem previsão constitucional, conforme esclarece Nasrallah: Fl. 418DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 26 Muito embora o ICMS e o IPI e o PIS e a Cofins sejam tributos sujeitos à sistemática não cumulativa, existem diferenças muito relevantes entre as duas espécies de não cumulatividade. A não cumulatividade do ICMS e IPI é obrigatória e tem suas principais diretrizes oriundas da Constituição Federal, que enuncia que estes impostos são não cumulativos, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Vale dizer, a não cumulatividade destes impostos ocorre com o creditamento na escrita fiscal do montante do imposto pago e destacado nas notas fiscais de entrada e que sofre nova incidência em etapa posterior da cadeia. Por outro lado, a não cumulatividade da COFINS e do PIS não é obrigatória, pois somente existirá ser for instituída por lei ordinária e pode coexistir com o sistema cumulativo. É tratada pela legislação ordinária, com regras de deduções e estornos próprios, que podem ser alteradas livremente pela lei comum. No caso da recorrente, não há a incidência das contribuições na "venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional", nos termos 3° da Lei 10.560/2002, razão pela qual incabível o correspondente creditamento, conforme determinação expressa do §§2°s, incisos II dos artigos 3°s das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. 3. Da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro Os créditos pleiteados sob a rubrica gastos com atendimento ao passageiro foram glosados pela fiscalização sob o seguinte fundamento: "9.3.1. Não dão direito ao crédito, por estarem vinculadas ao regime cumulativo, nos termos do disposto no inciso XVI do artigo 10° da Lei N° 10.833/2003, as despesas ligadas exclusivamente à receita do transporte aéreo de passageiros, tais como gastos com o serviço de bordo, atendimento em área de embarque (VIP), hospedagem e alimentação de passageiros". Tal entendimento foi mantido parcialmente pela DRJ, que rebateu os argumentos da manifestante item a item dessa rubrica, abaixo discutidos. a) Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos Segundo a recorrente tratamse de gastos incorridos para disponibilizar uma estrutura física e de pessoal para atender os seus passageiros antes de embarcarem no voo a que se destinam, razão pela qual não há dúvida acerca que são pertinentes e essenciais para o serviço prestado pela recorrente de transporte aéreo de passageiros, e, portanto, Fl. 419DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 27 geram direito a crédito das contribuições de PIS/Cofins no que concerne ao montante relativo ao transporte internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido neste Voto. b) Serviços auxiliares aeroportuários Alegou a então manifestante que os "serviços auxiliares aeroportuários” seriam aqueles regulamentados pelo art. 1° da Resolução n° 116, de 20009, da ANAC, constantes no Anexo da aludida Resolução, o que foi rechaçado pela DRJ nestes termos: A contribuinte, porém, não tem razão. Isso porque, analisandose os itens das notas fiscais glosados pela fiscalização (“Anexo 9.3 – Gastos com atendimento ao passageiro”) constatase que os valores desconsiderados na conta “Serviços Auxiliares Aeroportuários” dizem respeito unicamente ao transporte de passageiro, como, por exemplo, “prestação de serviços de atendimento ao passageiro no checkin” e “movimentação de passageiros”, os quais, como já se viu, não geram direito a crédito. A recorrente não apresentou a comprovação em sentido contrário à constatação da DRJ de que tais serviços estão efetivamente vinculados apenas ao transporte de passageiros, apenas repisando que tais serviços seriam aqueles referidos na Resolução nº 116/2009 da Anac, também relacionados ao transporte de cargas. Diante da ausência de demonstração de vinculação das despesas glosadas ao transporte de cargas é de ser mantido o entendimento de que elas estão associadas efetivamente ao transporte de passageiros. Dessa forma, entendo que deve ser revertida a glosa de serviços auxiliares aeroportuários no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. c) Serviços de handling Os serviços de handling são procedimentos em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio, os quais podem ser prestados pelos próprios aeroportos ou por empresas externas, sendo que, quando tal atividade é realizada pelas próprias companhias aéreas, denominase "autohandling”. Entendeu a DRJ que é uma despesa que pode estar vinculada tanto à movimentação de passageiros quanto de cargas, de forma que tais gastos gerariam direito ao crédito da não cumulatividade apenas em relação à parte relacionada ao transporte de cargas. Assim, como nos casos precedentes, deve ser revertida também a parcela da glosa de serviços de handling relativa ao transporte internacional de passageiros. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 28 d) Serviços de Comissaria Conforme informado pela recorrente, tratase de serviço de preparo e ou aquisição, transporte por veículo apropriado e colocação no espaço designado na cabine da aeronave de alimentos e bebidas para consumo dos aeronautas, mecânicos e passageiros embarcados. A DRJ manteve tais glosas sob o fundamento de que tais despesas são vinculadas ao sistema cumulativo, ou seja, ao transporte de passageiros. De outra parte, alega a recorrente que tais serviços, além de atenderem os critérios de custo referido no art. 290 do RIR/99, também são pertinentes e essenciais para a prestação do serviço da Recorrente, e, sendo reconhecido o direito da recorrente de incluir as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros no sistema não cumulativo, haverá de se reconhecer também que os serviços de comissaria enquadramse no conceito de insumo para a legislação do PIS e da Cofins. Assim, deve ser revertida a parcela da glosa de serviços de comissaria no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. e) Gastos com equipamentos terrestres Sobre tais gastos assim decidiu a DRJ: Em relação aos “gastos com equipamentos terrestres”, diz que são gastos com equipamentos terrestres de apoio ao embarque e desembarque de pessoas e cargas consistem na concretização do serviço de transporte aéreo, através da utilização da rampa de apoio, equipamento indispensável para que se tenha acesso e saída da aeronave. Explica que dispõe de rampas de apoio em solo, mas que, em situações de necessidade, pode também solicitálas de empresas especializadas para complementar sua capacidade operacional (doc. 03) e, neste caso, enquadramse como insumo ou geram direito a crédito com base nos incisos IV dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 (aluguel). A primeira dificuldade, neste ponto, é identificar o denominado “doc. 03”, pois embora a interessada tenha anexado alguns contratos ao recurso, não os relacionou ao nome pelo qual se refere na manifestação de inconformidade. Por outro lado, a glosa realizada, no mês de 10/2008, conforme planilha de glosas anexada pela fiscalização, tem como fornecedor a empresa “SERVECOM CATERING REFEICOES LTDA EPP”. Não parece haver, entretanto, nenhum contrato nos autos entre a TAM e esta empresa. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 29 Enfim, a contribuinte não logrou provar que tal serviço diz respeito ao transporte internacional de cargas e que possui docomentação hábil a comprovar o crédito. No recurso voluntário a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto à ausência de provas do direito creditório pleiteado apurada pelo julgador a quo, apenas insistindo no enquadramento de tais gastos no conceito de insumo vinculado ao transporte internacional de passageiros, razão pela qual há de ser mantida a glosa relativa aos gastos com equipamentos terrestres. f) Serviços de transportes de pessoas e cargas Alegou a então manifestante que se trataria de despesas relativas à movimentação de pessoas e cargas para embarque e desembarque; entretanto, apurou a DRJ que as despesas glosadas seriam relativas à contratação de serviços de vans de passageiros, razão pela qual não haveria direito ao crédito. No que concerne à ausência de comprovação de vinculação dos gastos ao transporte de cargas, a recorrente nada contrapôs à decisão recorrida, apenas reafirmando seu direito ao crédito com relação ao transporte internacional de passageiros. Assim, revertese a glosa de "serviços de transporte de pessoas e cargas" no montante desses gastos relativo ao transporte internacional de passageiros. g) Gastos com voos interrompidos Em relação a “gastos com voos cancelados, atrasados ou interrompidos”, esclareceu a então manifestante que a ANAC impõe, por meio da Resolução de n° 141/2010, a responsabilidade da companhia aérea em relação à assistência devida aos seus passageiros quando os voos forem interrompidos, cancelados ou estiverem atrasados, de forma que tais gastos seriam essenciais à prestação dos serviços de transporte aéreo, especialmente por serem imposição da ANAC, anexando contrato (doc. 02) que comprovaria a contratação de serviços a fim de cumprir suas obrigações regulamentadas pela ANAC. Tendo a DRJ apurado que se tratam de despesas vinculadas exclusivamente ao transporte aéreo de passageiros, manteve tais glosas. Assim, da mesma forma que nos itens anteriores, revertese a glosa de gastos com voos interrompidos no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. h) Demais glosas Alega a recorrente que o "acórdão recorrido traz ainda um item específico no qual analisa os serviços de aeroporto, Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 30 despesas com veículos, aluguel e condomínios e luz e força, entendendo não gerarem direito ao crédito por serem despesas vinculadas exclusivamente a gastos com passageiros". Entende que pela "simples análise das glosas é possível verificar que se relacionam com ambos os tipos de transporte, seja de cargas ou de passageiros, motivo pelo qual, ainda que parcialmente, seguindo o raciocínio desenvolvido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deveria ter sido reconhecido o direito creditório da Recorrente". No entanto, especificamente neste trimestre não constam tais glosas. Dessa forma, em resumo deste tópico, da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro devem ser revertidas, no montante relativo ao transporte internacional de passageiros, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido mais acima neste Voto, as seguintes parcelas: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos". 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria assim decidiu a DRJ: No caso do 4º trimestre de 2008, os bens glosados dizem respeito a quatro contas: “Variação de Custos Estoques”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Vestuários e acessórios profissionais”. Relativamente às despesas com “Vestuários e acessórios profissionais”, obviamente elas não estão relacionadas com a manutenção de aeronaves e nem, tampouco, com a prestação de serviços aéreos de cargas, razão pela qual não geram direito a crédito. Por sua vez, há a apenas uma despesa na rubrica “Materiais de manutenção em equipamentos”, que diz respeito à aquisição de uma “Câmera Digital Sony DSC T70”. Obviamente, tal despesa não é insumo no processo produtivo da empresa em epígrafe. Quanto às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebese que se tratam, em verdade, de peças e partes de manutenção de equipamentos. Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso Fl. 423DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 31 IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. De outra parte, no recurso voluntário, a recorrente manifestou concordância com relação às contas “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e também não se contrapôs ao óbice colocado pelo julgador a quo ao creditamento de bens e serviços de manutenção. Ademais, nada foi mencionado no recurso voluntário acerca das contas “Variação de Custos Estoques”, e “Vestuários e acessórios profissionais” desta rubrica, razão pela qual não cabe reforma na decisão recorrida. 5. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos O legislador ordinário realmente previu a possibilidade de o contribuinte descontar nos meses subsequentes eventuais créditos oriundos de meses anteriores, nos termos dos §§4° dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003: Art. 3º (...) (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [grifos da relatora] Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 32 (...) Decorre diretamente desse dispositivo que o aproveitamento posterior ao mês em que os bens ou serviços foram adquiridos (ou as despesas foram incorridas) depende da comprovação por parte da requerente de não aproveitamento anterior pelo contribuinte (entre o mês da aquisição do bem ou serviço e o mês de aproveitamento extemporâneo). Assim, por exemplo, se a aquisição do insumo é do mês março e a requerente pretende apropriálo em setembro do mesmo ano, terá de comprovar que não o fez nos meses de março a agosto. Nesse sentido estão as orientações da Receita Federal quanto à necessidade de retificação dos DACONs e DCTFs originais, como instrumentos próprios para tal comprovação, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento de créditos. Há precedentes desta Seção de Julgamento do Carf, conforme trechos extraídos abaixo dos Votos dos Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, no sentido de que pode ser admitida a relevação da formalidade de retificação das declarações e demonstrativos desde que demonstrada pela interessada a ausência de utilização do crédito extemporâneo em outros períodos: Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n° 3402002.603 4a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Aproveitamento de Créditos Extemporâneos (...) A matéria no entanto já tem entendimento em sentido contrário, plasmado, por exemplo, no Acórdão n° 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 33 Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, devese manter a glosa. (...) Processo nº 10380.733020/201158 Acórdão n° 3403002.717 4a Câmara / 3a Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Cabe destacar de início, que, por óbvio, a ausência de retificação a que se refere o fisco, é referente aos períodos anteriores, pois o que se busca é evitar o aproveitamento indevido, ou até em duplicidade. As retificações, como destaca o fisco, trazem uma série de consequências tributárias, no sentido de regularizar o aproveitamento e tornálo inequívoco. Quanto à afirmação de que a recorrente cumpriu em demonstrar a ausência de utilização anterior dos referidos créditos, indicando genericamente todos os documentos entregues à fiscalização e/ou acostados na impugnação, não logra instaurar apresentar elementos concretos que ao menos instaurem dúvida no julgador, demandando diligência ou perícia. Aliás, a perícia solicitada ao final do recurso voluntário considerase não formulada pela ausência dos requisitos do art. 16, IV do Decreto no 70.235/1972, na forma do § 1o do mesmo artigo. No mais, acordase com o julgador de piso sobre a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. E, ainda que se relevasse a formalidade de retificação das declarações, não restou no presente processo demonstrada conclusivamente, como exposto, ausência de utilização anterior dos referidos créditos. Sobre a afirmação de que a autuação "funda seu entendimento tão somente em uma solução de consulta, formulada por outro contribuinte", é de se reiterar de que forma o fisco utilizou soluções de consulta na autuação (fl. 35 do Termo de Verificação Fiscal): "O segundo requisito diz respeito à necessária retificação, em todos os períodos pertinentes, de todas as declarações (DACONs, DCTFs e DIPJs) cujos valores são alterados pelo recálculo e refazimento da apropriação de créditos de PIS e COFINS. Isto porque este procedimento implica Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 34 também o recálculo de todos os tributos devidos em cada período de apuração, especialmente o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. É que na sistemática da nãocumulatividade, qualquer apropriação de créditos de PIS e de COFINS, resulta, necessariamente na redução, em cada período de apuração, de custos ou despesas incorridas e, por consequência, na elevação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Há diversas soluções de consulta no âmbito da RFB, que exprimem o entendimento acima, dentre elas citaremos a Solução de Consulta no 14 SRRF/6aRF/DISIT, de 17/02/2011, a Solução de Consulta no 335 SRRF/9aRF/DISIT, de 28/11/2008, e a Solução de Consulta no 40 SRRF/9aRF/DISIT, de 13/02/2009." Assim, patente que as soluções de consulta não são (e sequer constam no campo correspondente) a fundamentação da autuação. (...) Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de, na ausência das retificações, haver comprovação inequívoca do alegado por outros meios, o que não se visualiza no caso dos presentes autos. É de se reconhecer, contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações. (...) Nesse sentido também foi decidido por este Colegiado, em outra composição, no Acórdão nº 3402002.809, de 10/12/2015, sob minha relatoria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 (...) CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Assim, no caso presente, não obstante se pudesse relevar a formalidade de retificação das declarações e demonstrativos, diante da ausência de demonstração inequívoca, a cargo da recorrente, de que os créditos extemporâneos, referentes à aquisições dos anos de 2005 e Fl. 427DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 35 2006, não foram aproveitados em outros períodos, não há como reformar a decisão recorrida. 6. Da glosa relacionada aos gastos com importação Trata este tópico das glosas relativas aos gastos com despachante aduaneiro na importação de bens e o correspondente transporte até o estabelecimento da recorrente. Segundo a recorrente seriam os bens importados máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, os quais não estariam disponíveis no mercado nacional. A DRJ manteve a glosa dos gastos com despachante aduaneiro, com esteio no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4/2012 e na Solução de Divergência Cosit nº 7/2012, abaixo transcritos, tendo em vista que não é permitido o desconto de créditos sobre tais dispêndios, os quais não compõem a base de cálculo das referidas contribuições incidentes na importação de mercadorias: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 26 de junho de 2012 DOU de 27.6.2012 “Dispõe sobre a impossibilidade do desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 273 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 a 18 Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 24 de maio de 2012, declara: Artigo único. Os gastos com desembaraço aduaneiro na importação de mercadorias não geram direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por falta de amparo legal. Solução de Divergência nº 7, Cosit, de 24/05/2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, relativos a serviços prestados por Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 36 pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, I e art. 15 (...) 19. Portanto, considerandose que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratados como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostrase absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observase que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. 22. Exatamente por isso, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e seu homólogo na Lei nº 10.833, de 2003, limitam o direito de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita exclusivamente “aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”, e “aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. 23. Verificase, portanto, que a análise da possibilidade de se apurar créditos com relação aos gastos com desembaraço aduaneiro deve se basear exclusivamente na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços. 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada referese às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das Fl. 429DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 37 contribuições incidentes na importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do § 1º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: 25. De fato, há que se verificar se os gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada estão incluídos na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação, pois, caso não estejam, não há que se falar em apuração de crédito para ulterior abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar incidentes sobre a receita bruta, visto que o crédito só existe em relação às contribuições efetivamente pagas. Em outras palavras, o crédito na importação não pode ser maior do que a Contribuição para o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação pagas pelo contribuinte. ...... 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep– Importação e da Cofins–Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, possível a apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. 33. Assim, considerandose as hipóteses de creditamento previstas no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, combinado com o inciso I do art. 7º do referido diploma legal, não há autorização para apuração de crédito em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada. Isto porque, conforme o § 1º do art. 15, o direito ao crédito aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação, pagamento que não ocorre em relação a tais gastos, visto que eles não compõem a base de cálculo das aludidas contribuições. Conclusão 34. Diante do exposto, solucionase a presente divergência afirmandose que: a) os gastos com desembaraço aduaneiro devem ser considerados como integrantes do custo de aquisição de mercadoria importada; b) em se tratando de operação de importação de mercadoria, utilizada como insumo ou destinada à revenda, devese analisar a Lei nº 10.865, de 2004, para fins de verificação do direito ao desconto de crédito para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 38 c) os gastos com desembaraço aduaneiro decorrentes de importação de mercadoria não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, por força do disposto no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004; d) não é permitido às pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins descontar créditos em relação a gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada, utilizada como insumo ou destinada à revenda, por falta de amparo legal, consoante disposto no § 1º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. De outra parte, os argumentos apresentados no recurso voluntário não convencem. Alega a recorrente que os gastos com despachantes aduaneiros seriam qualificados como custos dos produtos importados, o que, a seu ver, já justificaria a permissão para apropriar os respectivos créditos. Ora, o que poderia justificar o reconhecimento de um direito creditório é a sua previsão legal, o que inexiste para tais gastos, mormente quando esses valores sequer integram a base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins na importação. Também não se poderia dizer que os gastos com despachantes aduaneiros seriam "imprescindíveis para a importação dos mencionados bens pela ora Recorrente", vez que as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias também podem ser efetuadas por outras pessoas, inclusive empregado com vínculo empregatício exclusivo, nos termos do art. 5º, §1º do Decretolei nº 2.472/887, atualmente consolidado no art. 809 do Regulamento Aduaneiro/2009. A decisão recorrida deve ser mantida em relação aos gastos com despachantes aduaneiros pelos seus próprios fundamentos. Quanto ao frete nacional dos bens importados, melhor sorte não assiste à recorrente. Os créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, no que concerne aos bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo da contribuinte, estão previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/20048, sendo que, em seu §3º, está definida a base de cálculo do crédito como "o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição". Por sua vez, o art. 7º da Lei nº 10.865/2004 estabelece que a base de cálculo das contribuições será o valor aduaneiro. Nos termos do art. 77 do Regulamento Aduaneiro/2002 ou 2009, integram o valor aduaneiro o custo de transporte e os gastos relativos à carga, descarga e manuseio da mercadoria importada até o ponto de desembaraço no Fl. 431DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 39 território aduaneiro, bem como o custo do seguro da mercadoria nessas operações. Dessa forma, não há possibilidade de, com fundamento no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, se autorizar o creditamento das despesas com frete e armazenagem incorridas após o desembaraço aduaneiro, que não integram a base de cálculo definida na Lei para o desconto dos créditos. De outra parte, também o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, obviamente, não poderia socorrer a recorrente relativamente a despesas em operações referentes à entrada do insumo, eis que se refere a despesas de frete e armazenagem relativas à operação de venda com o ônus suportado pelo vendedor. Analisemos agora a eventual aplicação do art. 3º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 (ou o correspondente da Lei nº 10.637/2002), o qual dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 40 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) [negritei] Como se sabe, o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou da Lei nº 10.637/2002 trata do creditamento relativo a um bem ou a um serviço que seja utilizado como insumo na processo produtivo, no caso, na prestação de serviços de transporte de passageiros ou cargas. Vejamos primeiro a hipótese de "serviço utilizado como insumo". Poderia o frete dos bens importados (máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves) ser considerado como "serviço utilizado como insumo" na prestação dos serviços de transporte pela ora recorrente? Entendo que não. Em que pese o CARF não adotar a interpretação restritiva das Instruções Normativas no conceito de insumo, é certo que o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não abriga o creditamento de serviços utilizados em etapas anteriores, que não possam ser consideradas como a prestação do serviço em si (resultado do processo produtivo), no caso, o transporte de pessoas e cargas. Os referidos serviços (frete) são aplicados somente nos próprios insumos, que já foram importados na condição de insumos, de forma que também não se poderia considerar como algo relacionado à produção ou à fabricação anterior desses insumos. O dispositivo legal exige que o serviço (no caso, o frete) seja utilizado como insumo na própria prestação do serviço (transporte de pessoas e cargas), o que não é o caso. Tampouco haveria possibilidade de creditamento dessas despesas com frete em relação ao "bem utilizado como insumo", embora haja construção jurisprudencial no CARF9 no sentido de admitir o desconto de créditos, no que concerne ao frete relativos aos insumos, em relação aos bens utilizados como insumo e aos bens para revenda, relativamente às despesas de fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou 10.637/2002) ou de um bem para revenda (inciso I). Em relação ao bem adquirido de pessoa jurídica no exterior não se vislumbra hipótese de creditamento com base nos arts. 3ºs das Leis nºs 10.833/2003 ou 10.637/2002, em face da restrição contida no §3º, I desse Fl. 433DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 41 dispositivo ("§ 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;") e, em consequência, também não seria possível o creditamento de gastos com o frete nacional vinculados ao creditamento desses bens (apropriado ao custo de aquisição do bem utilizado como insumo). Mais importante é que, como visto, no caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial aplicável ao caso, a qual não prevê a inclusão dos gastos com frete. Assim, sob qualquer ponto de vista, não há que se falar em creditamento das despesas relativas a frete realizadas após o desembaraço aduaneiro, sendo o mesmo raciocínio aplicável aos gastos com despachantes aduaneiros. Em situação semelhante ao presente caso, foi decidido no mesmo sentido do proposto acima por unanimidade de votos daquele Colegiado, sob a relatoria do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, conforme ementa abaixo: Acórdão nº 3302003.212– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2016 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Relator: José Fernandes do Nascimento ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito Fl. 434DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 42 previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. (...) 6. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes Com relação aos gastos com estadia de tripulantes alega a recorrente que: "Não há como desconsiderar a indispensabilidade do gasto com estadia dos tripulantes para que a empresa aérea possa desenvolver suas atividades. Afinal, na atividade de transporte aéreo se pressupõe que os tripulantes percorram longas distâncias para efetivarem a prestação do serviço a que se propõem. E, não raro, por conta da imperiosa necessidade de respeitar a duração da jornada de trabalho do aeronauta, para que este tenha condições de desempenhar seu trabalho, a estadia do tripulante é indispensável à continuidade da prestação do serviço pela companhia". No entanto, os serviços relativos à hospedagem de tripulantes não são utilizados como insumo na prestação de serviços de transporte pela recorrente em si, sendo usufruídos pelos tripulantes em face dos deslocamentos decorrentes da modalidade de trabalho que exercem. Tratamse de despesas que atendem a uma necessidade operacional da empresa, não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins. Nesse sentido está a Solução de Divergência nº 15, de 30 de Maio de 2008: “Os gastos com passagem e hospedagem de empregados e funcionários, não são considerados “insumos” na prestação de serviços, não podendo ser considerados para fins de desconto de crédito na apuração da contribuição para a Cofins e o PIS nãocumulativo". 7. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos Neste tópico assim decidiu a DRJ: No caso do 4º trimestre de 2008, os bens glosados (“Planilha 9.8 – Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção”) dizem respeito a três contas: “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Handling” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Tais contas já foram analisadas no item “II.5.4 DA GLOSA RELACIONADA ÀS AQUISIÇÕES DE BENS PATRIMONIAIS”, tendo o crédito glosado sido indeferido à contribuinte. Pelas mesmas razões lá aduzidas, entendese serem corretas as glosas realizadas. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 43 Como dito no tópico 4. a recorrente manifestou concordância com relação às contas "Gastos com equipamentos terrestres" e "Serviços de manutenção em equipamentos", e relativamente à conta "handling" deste tópico a recorrente nada mencionou no recurso voluntário, razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida. 9. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo Tratase de glosas relativas aos gastos decorrentes da (i) contratação de serviços de comunicação por rádio, (ii) serviços de despachantes, (iii) serviços de segurança patrimonial, (iv) serviços gráficos, (v) serviços gerais de limpeza, (vi) gastos com treinamentos, (vii) serviços de telefonia e banda larga, (viii) serviços de lavagem, (ix) abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), (x) manutenção de instalações, (xi) aparelhos telefônicos e (xii) de ar condicionado, (xiii) manutenção de extintores e (xiv) de aparelhos de raio X, (xv) cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, (xvi) rede de dados e voz. Entendeu a autoridade administrativa que: "Tais serviços, por mais necessários às atividades desenvolvidas pela contratante, não estão diretamente ligados à atividade de transporte aéreo de cargas, fato que os afasta da conceituação de insumo". Os gastos com comunicação de rádio entre a companhia aérea e a torre de comando são remuneradas por tarifa e já estão incluídos no tópico "tarifas aeroportuárias". Quanto aos serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas, bem como para contato entre as áreas aeroportuárias, entendeu a DRJ que eles são empregados diretamente na prestação dos serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros, concedendo o respectivo crédito no que concerne ao transporte de cargas. Dessa forma, como neste Voto foi considerado que o transporte internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo, deve ser aqui revertida a parcela da glosa sobre "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros. Com relação à aquisição de “aparelhos de raio X”, como dito pelo julgador a quo, só poderia gerar créditos de depreciação. Como a recorrente não apresentou qualquer argumento que afastasse tal constatação, a glosa deve ser mantida nessa parte. No entanto, quanto “serviços de operação de equipamentos de raio X”, eles podem estar Fl. 436DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 44 vinculados tanto ao transporte de passageiros como de carga, devendo a parcela da glosa de tais serviços aplicada no transporte internacional de cargas ou no transporte internacional de passageiros ser revertida. No tocante à segurança patrimonial e aos gastos com aquisição de extintores de incêndio, alega a interessada que ambos estão vinculados à segurança dos passageiros e das cargas transportadas. Tendo em vista a não demonstração pela recorrente de que os extintores de incêndio seriam bens não ativáveis, não se pode reverter essa parcela da glosa, entretanto, os serviços relativos à segurança dos passageiros e das cargas enquadramse no conceito de insumo adotado neste voto, eis que são essenciais e imprescindíveis ao transporte de passageiros e de cargas, devendo a parcela da glosa relativa à "segurança patrimonial" ser revertida relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. A glosa dos créditos relacionados ao fornecimento de energia às aeronaves (GPU: equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), que se refere, na verdade, a gastos com a locação destes equipamentos e não com suas aquisições, foi mantida pela DRJ nos seguintes termos: "Ocorre, todavia, que a empresa não conseguiu demonstrar dois aspectos essenciais para ter direito ao crédito em discussão. Primeiro, provar que também a atividade aérea de transporte de cargas necessita deste tipo de equipamento. Pelo recurso apresentado, parece que tais equipamentos são utilizados apenas no transporte de passageiros que, como já se viu, está sujeito ao regime cumulativo. Além disso, o contrato apresentado pela manifestante (doc. 5), fls. 1.441/1.444, foi assinado em 04/11/2013 e o prazo de vigência, conforme cláusula 2.1 só se iniciou a partir da assinatura do contrato. Portanto, como o crédito é do 4º trimestre de 2008, tal contrato não tem o condão de gerar o crédito pretendido". Assim, como a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto a não vigência do contrato no período analisado, não restou comprovado o direito creditório relativo à locação do equipamento GPU, não cabendo reforma na decisão recorrida. Quanto aos gastos com treinamento de tripulantes, decidiu a DRJ no sentido de que "não há previsão legal expressa que autorize o creditamento com tal gasto. Por outro lado, tais despesas não se subsumem no conceito de “insumos”, pois não se caracterizam como “bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços” ou “serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço”. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 45 De outra parte, alega a recorrente que "as despesas com treinamento de tripulantes são indispensáveis para a aludida execução do serviço de transporte aéreo e estão diretamente relacionadas ao objeto social da Recorrente, razão pela qual as glosas devem ser revertidas por este E. CARF". No entanto, as despesas com treinamento de empregados embora sejam essenciais em qualquer ramo empresarial, não são se tratam de serviços aplicados na prestação de serviços de transporte, objeto social da recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida nesta parte. Quanto aos demais itens deste tópico, em que pesem os argumentos da recorrente, deve ser mantida a decisão recorrida, nos seguintes termos: "é facilmente observável que diversos bens glosados não dizem respeito diretamente ao serviço prestado pela manifestante, sendo apenas despesas operacionais da empresa. Obviamente, serviços gerais de limpeza, serviços de telefonia e banda larga, serviços de lavagem, gastos com cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas entre diversos outros, não têm correspondência direta com os serviços prestados pela empresa, não podendo gerar o direito ao crédito. São bens de uso e consumo da empresa, que não geram o direito ao crédito". No que diz respeito a "rede de dados e voz", conforme já decidido por este CARF no Acórdão nº 3401002.857, de 27 de janeiro de 2015, em relação a uma transportadora de cargas, não há o direito ao creditamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2009, 2010, 2011 (...) DESPESAS COM TELEFONEVOZ E TELEFONEDADOS. VINCULAÇÃO A ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS. NÃO ENQUADRAMENTO COMO INSUMOS. As despesas com telefonevoz e telefonedados, por sua natureza, não se vinculam à prestação de serviço de transporte de cargas e não são indispensáveis a sua execução. Ademais, sua utilização está principalmente vinculada à realização das atividades administrativas da empresa, o que permitiria enquadrálas como necessária nos termos da legislação do IRPJ. Considerando a definição de insumos adotada, que não se confunde com o de despesa necessária do art. 299 do Decreto nº 3000/99, tais despesas não preenchem os requisitos para caracterização como insumo. Deve ser mantida a glosa em relação a estas despesas. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 46 Assim, em resumo, devem ser revertidas neste tópico, relativamente à glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo, somente as seguintes parcelas: a) "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e b) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. 11. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos – Bens de uso e consumo No tocante a estas glosas, assim decidiu a DRJ: Observase com as glosas levadas a cabo pela fiscalização (Anexo 9.11 – Outros gastos não classificáveis como insumos) que a interessada pretendeu se creditar de todos os gastos que possui. No referido anexo, percebese a glosa de, entre outros, dispêndios com lixas, thinner, fita crepe, rolo de espuma, aplicador de massa, estopa, bobinas, etc. Todavia, não é todo e qualquer custo que gera o crédito da não cumulatividade do PIS/Cofins. Bens de uso e consumo não podem gerar o crédito da não cumulatividade das referidas contribuições, razão pela qual correta as glosas efetividas pela fiscalização. Tais bens são de uso e consumo, não havendo previsão legal para este tipo de creditamento. Além do mais, como a própria interessada consignou em seu recurso, “os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99”. Especificamente, a interessada se insurge contra as glosas de despesas com vestuários e acessórios profissionais, entendidos como os uniformes utilizados pelos funcionários de rampa, aeroporto, os tripulantes, etc. Quanto a estas despesas em específico, vale observar que a Lei n° 11.898, de 08/01/2009, incluiu nos artigos 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 o inciso X, prevendo tal direito a crédito, in verbis: X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Observase, portanto, que as despesas constantes do inciso acima transcrito não proporcionam o crédito indiscriminadamente a qualquer pessoa jurídica. Tais Fl. 439DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 47 despesas possibilitam o crédito apenas a pessoas jurídicas que explorem a prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como este não é o caso da manifestante, não há que se falar em direito a crédito em relação a essas despesas. Por fim, a manifestante reclama especificamente sobre as glosas de gastos com materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticas, que são utilizados para a conservação e para a segurança das partes e peças que serão destinadas ou à manutenção ou à própria aplicação nas aeronaves. Tais bens, entretanto, por razões já exaustivamente debatidas neste voto, não se enquadram no conceito de insumo para a empresa em epígrafe, dado o seu objeto social. Afinal, não têm vinculação direta com a prestação de seus serviços. Alega a recorrente que as "despesas com vestuários e acessórios profissionais" seriam custeadas pelo empregador, conforme determinação legal, não havendo como dissociar esse gasto ao conceito de insumo. Não obstante o conceito mais amplo de insumo no âmbito deste CARF, entendo que tais despesas não se enquadram no conceito de insumo, vez que não são aplicadas no transporte de pessoas e cargas, tratandose de despesas operacionais da empresa. No caso de fardamento e uniforme, o legislador ordinário optou por conceder o creditamento somente às atividades de "prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção", nos termos do art. 3º, IX das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Com relação aos "Materiais de Acondicionamento e Embalagens", embora afirme a recorrente que se tratariam de "materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticos", não se tem prova nos autos de que natureza seriam tais materiais e embalagens ou se seriam não ativáveis, devendo a decisão recorrida ser mantida também nesta parte. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário na seguinte forma: a) Determinar à autoridade administrativa que efetue novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total, bem como a inclusão das receitas originadas do transporte internacional de passageiros no regime não cumulativo; e b) Reverter somente as seguintes parcelas das glosas abaixo: Fl. 440DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 48 i) glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no valor relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; ii) glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos", no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; iii) gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo: iii.1)"serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e iii.2) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir da ilustre Relatora no que tange a glosa de despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) Embora não seja essa premissa o objeto da minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora mas sim a sua aplicação sobre uma específica glosa , vale repisar a evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para Fl. 441DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 49 sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.10 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: Fl. 442DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 50 (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. A Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros. Tendo em vista o citado objeto social, a Recorrente trouxe aos autos prova de seus dispêndios com vestuários e acessórios profissionais de seus funcionários. O custeio dessas vestimentas para os aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984 (com a redação mantida pela Lei n. 13.475/2017, a qual dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta; e revoga a Lei no 7.183/1984), in verbis: Art. 46 O aeronauta receberá gratuitamente da empresa, quando não forem de uso comum, as peças de uniforme e os equipamentos exigidos para o exercício de sua atividade profissional, estabelecidos por ato da autoridade competente”. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade da Recorrente, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo de produção dos serviços prestados pela Recorrente, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 51 Assim tem se manifestado esse Conselho em casos análogos, à medida que o fornecimento de uniformes decorre de imposição de lei específica do setor econômico da empresa. Citamos como exemplo o caso dos uniformes utilizados pelos funcionários em redes de supermercado, conferindo direito ao crédito das Contribuições, haja vista que para cada setor específico das lojas a legislação trabalhista brasileira prevê a obrigatoriedade do fornecimento de equipamentos de proteção individual bem como de uniformes para os seus funcionários (Acórdão n. 3301004.483). Por tudo quanto exposto, voto pela reversão das glosas de créditos pautados em "despesas com vestuário e acessórios profissionais" dos aeronautas, relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário utilizando como paradigma o processo nº 12585.720010/201262, Acórdão nº 3402005.316 e em resumo: (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres por ausência de comprovação; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e Fl. 444DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 52 cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"); (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; (c) manter as glosas das despesas de frete pagas após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros; Ressaltar que na hipótese de se tratar de bem ativado, este deixa de ser considerado insumo, passando a gerar crédito com base na depreciação. Voto ainda para que todos esses processos permaneçam reunidos por conexão." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: (a.1) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres por ausência de comprovação; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de Fl. 445DF CARF MF Processo nº 12585.720250/201267 Acórdão n.º 3201005.411 S3C2T1 Fl. 0 53 comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"); (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; (c) manter as glosas das despesas de frete pagas após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros; Ressaltar que na hipótese de se tratar de bem ativado, este deixa de ser considerado insumo, passando a gerar crédito com base na depreciação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 446DF CARF MF
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