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Numero do processo: 10880.006573/2002-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 LUCRO REAL. DESPESAS. CONDIÇÕES PARA DEDUÇÃO. Despesas dedutíveis são aquelas necessárias à atividade da pessoa jurídica, relativas à efetiva contraprestação de algo recebido, corroboradas por documentação própria e devidamente registradas na contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS. Cabe à fiscalização descrever precisamente os fatos relativos à omissão de receitas atribuída à contribuinte e reunir os elementos de prova suficientes para a caracterização da infração. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Prejuízos fiscais de exercícios anteriores devem ser compensados na apuração do crédito tributário realizada de ofício.
Numero da decisão: 1103-000.637
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial para determinar (i) a exclusão da infração descrita como omissão de receitas/permuta de imóveis e (ii) as compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL de exercícios anteriores com observância do limite legal de 30%.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 LUCRO REAL. DESPESAS. CONDIÇÕES PARA DEDUÇÃO. Despesas dedutíveis são aquelas necessárias à atividade da pessoa jurídica, relativas à efetiva contraprestação de algo recebido, corroboradas por documentação própria e devidamente registradas na contabilidade. OMISSÃO DE RECEITAS. Cabe à fiscalização descrever precisamente os fatos relativos à omissão de receitas atribuída à contribuinte e reunir os elementos de prova suficientes para a caracterização da infração. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Prejuízos fiscais de exercícios anteriores devem ser compensados na apuração do crédito tributário realizada de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial para determinar (i) a exclusão da infração descrita como omissão de receitas/permuta de imóveis e (ii) as compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL de exercícios anteriores com observância do limite legal de 30%. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.006573/200211 Acórdão n.º 110300.637 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1613.381/2007 (fls. 316), da 1ª Turma da DRJ/São Paulo ISP, relativo a autos de infração de IRPJ – imposto de renda pessoa jurídica (fls. 93) e, como tributação reflexa, de CSLL – contribuição social sobre o lucro líquido (fls. 98), com imposição de multa de ofício no percentual de 75% previsto no art. 44, I, da Lei 9.430/96. As infrações motivadoras do lançamento tributário, relativo ao ano calendário 1997, e as razões de impugnação mereceram a seguinte descrição no relatório da decisão contestada: “2. Estorno de lançamento, registrado na conta de despesa no mês de dezembro de 1997, no valor de R$ 600.000,00. A fiscalização apurou origem do lançamento como sendo valor contabilizado em 1996 como receita de variação monetária, tendo contrapartida o débito na conta de “Faturas Outros Serviços – Assuntos Corporativos – Schahin Cury Engenharia e Comércio Ltda.” A fiscalização informa que a contribuinte foi intimada para justificar o lançamento em 20/03/2002, porém, não se pronunciou; 3. A contribuinte não considerou na base de cálculo dos meses de agosto e setembro de 1997, para efeito de imposto de renda, os valores de duas operações de permuta de imóveis, conforme registro contábil. Os valores apurados são R$ 2.206.000,00 e R$ 1.846.750,00. A fiscalização informa que a contribuinte intimada em 28/03/2001 não apresentou os documentos das operações citadas. 4. Em decorrência do apurado a fiscalização tributou o estorno realizado na conta de despesas como “Custos ou Despesas não Comprovadas – Glosas de Despesas” e como “Omissão de Receita” os valores das permutas. (...) 6. A Empresa, tempestivamente, apresentou impugnação protocolada em 11/07/2002 (fls.104 a 118), alegando basicamente o seguinte: OMISSÃO DE RECEITA 6.1. Informa que se dedica ao ramo imobiliário, realizando, entre outras atividades, permutas de bens imóveis. Porém, se enganou a fiscalização, pois, no presente caso não celebrou negócio jurídico de permuta; 6.2. Informa que adquiriu, da Construtora Boghosian Ltda., dois imóveis de matrículas nºs: 129.454 e 129.455, situados na Rua Tuim, Lote 3, Moema, São PauloSP. Informa, ainda, que “como a “Boghosian” era devedora de diversos credores, relativamente a outros negócios jurídicos por ela travados, a Impugnante ao celebrar o contrato de compra e venda, avençou que parte do pagamento seria destinada à quitação do montante remanescente de crédito a ser pago aos credores da vendedora, mediante subrogação”; 6.3. Alega que foi celebrada uma escritura de “Confissão de Dívida com Promessa de Dação em Pagamento”, onde foi acordado que a Impugnante entregaria aos credores, unidades autônomas do imóvel (apartamento), no Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.006573/200211 Acórdão n.º 110300.637 S1C1T3 Fl. 3 3 valor previamente ajustado de R$ 2.700.000,00. Foi firmada tal escritura com o Sr. José Ferreira de Paula Filho e outros credores (outorgados); 6.4. Alega que a fiscalização, ao proceder à revisão da declaração do imposto de renda, lançou os valores mencionados na conta de Lucros e Perdas e calculou diretamente IRPJ, como se referisse a lucro tributável. Destaca que a fiscalização considerou erroneamente como renda o que era custo, pois, os apartamentos foram entregues a título de pagamento da aquisição do imóvel (terreno); 6.5. Alega, ainda, que se houvesse na operação algum acréscimo patrimonial, teria que ser levado em conta os prejuízos fiscais existentes. Para demonstrar o impacto fiscal sobre a operação efetuada, anexa planilha descritiva, tomando por base o valor dos imóveis adquiridos, o custo das unidades autônomas de sua titularidade, o prejuízo fiscal acumulado e todas as outras receitas e despesas existentes no período. Destaca que a fiscalização lançou o IRPJ sobre o valor do imóvel adquirido, fazendo incidir o imposto sobre o custo, “que se encontra fora da regramatriz de incidência tributária do tributo”; 6.6. Quanto ao direito a Impugnante aborda detalhadamente os tópicos: “Do Fato Imponível do Imposto de Renda”; “A Apuração da Base de Cálculo Complexiva do Imposto de Renda”. GLOSA DE DESPESAS 6.7. No caso do estorno no valor de R$ 600.000,00 efetuado na conta de despesas, informa que “houve a contabilização equivocada de uma importância que, de fato, não correspondeu a receita alguma”. Informa que houve um erro contábil no exercício de 1996, anobase de 1995, quando foi registrada uma receita neste valor, sendo que não houve efetivamente a aquisição de receita, não houve ingresso de numerário; 6.8. Alega que no período em que foi contabilizada a receita, detinha prejuízos fiscais acumulados, que certamente deveriam ter sido levados em consideração para a apuração de eventual tributo devido.” A contribuinte apresentou os mesmos argumentos quanto à CSLL e se insurgiu também contra a utilização da taxa Selic para cálculo dos juros de mora. O TVE – termo de verificação e esclarecimento (fls. 89) contém detalhado relato do procedimento fiscal e das infrações identificadas. O órgão de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, assim resumindo a decisão: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 OMISSÃO DE RECEITA Valores de Imóveis dados em pagamento de dívida e que não foram demonstrados os devidos registros contábeis da liquidação, acarreta o reconhecimento da receita para contrapor aos custos considerados no resultado. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.006573/200211 Acórdão n.º 110300.637 S1C1T3 Fl. 4 4 GLOSA DE DESPESAS Estorno de lançamento de receita de variação monetária referente a anocalendário anterior não pode reduzir o resultado do ano subseqüente. Cabe no caso a retificação da declaração do ano em que foi considerada a receita indevidamente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREJUÍZOS DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a compensação de prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores com lucro tributável apurado em lançamento de ofício, por referida compensação ser benefício fiscal que pode ser usufruído pelo contribuinte na apuração do lucro tributável antes de qualquer procedimento de ofício. TAXA SELIC. Efetuada a cobrança de juros de mora em perfeita consonância com a legislação vigente, não há base para retificar ou elidir os acréscimos legais lançados.” O acórdão adotado por maioria de votos determinou a dedução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL do exercício. O relator também concedeu as compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL de exercícios anteriores na apuração dos valores exigidos nos autos de infração, mas foi vencido nesta parte. Cientificada da decisão em 11/07/2007 (fls. 322), a contribuinte interpôs o recurso no dia 10 do mês seguinte (fls. 347). Renovou as alegações expendidas na impugnação e destacou o seu direito à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. Juntou documentação. A declaração de rendimentos do exercício 1998 foi apresentada com apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro real anual (fls. 14). É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso foi tempestivamente apresentado por parte legítima além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Afirmou a autoridade fiscal no TVE que a contribuinte se dedica à exploração do ramo imobiliário em geral, obtendo a maior parte das suas receitas da incorporação e venda de apartamentos em edifícios residenciais. A primeira irregularidade relacionada no auto de infração trata de omissão de receitas caracterizada pela ausência de inclusão na base tributável de valores contabilizados como permuta de imóveis. A recorrente alegou, em síntese, não ter realizado negócio jurídico de permuta, informando que os apartamentos foram entregues a título de pagamento do imóvel, Fl. 9DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.006573/200211 Acórdão n.º 110300.637 S1C1T3 Fl. 5 5 compondo, desta, forma, o seu custo de aquisição. A autoridade fiscal teria tributado erroneamente como renda o que seria custo. Constam dos autos, juntadas pela autoridade fiscal, escrituras lavradas pelo 3º Tabelionato de Notas de São Paulo relativas a confissão de dívida com promessa de dação em pagamento (fls. 131, 149 e 172), quitação de obrigação (fls. 159 e 168), hipoteca (fls. 163 e 182) e venda e compra, dação em pagamento e outras avenças (fls. 187). Os documentos mencionados no parágrafo anterior são suficientes para caracterizar a inexistência de receita auferida em relação à dação em pagamento, nada havendo a tributar nas operações descritas, envolvendo apenas itens do ativo da contribuinte, ao menos pelo que relatou a autoridade fiscal. Quanto à segunda infração, relativa a estorno de lançamento de receita de variação monetária realizado no ano anterior (1996) registrado em conta de despesa, vêse que a contribuinte não respondeu à intimação para comprovar a regularidade do lançamento contábil correspondente (fls. 83), segundo informado no TVE. Limitouse a afirmar, na impugnação e no recurso, não ter deduzido o valor como despesa sem comprovação, tendo em vista que o lançamento original caracterizaria um erro contábil, não correspondendo a ingresso de numerário. A longa e consolidada jurisprudência administrativa acolhe o entendimento de que custos e despesas são dedutíveis quando necessários à atividade da pessoa jurídica, relativos à contraprestação de algo recebido (efetividade), corroborados por documentação adequada (idônea) e regularmente registrados na contabilidade. Tratandose de itens redutores da base de cálculo tributável, cabe ao sujeito passivo comprovar a legitimidade do seu lançamento contábil. Segundo a prestigiosa orientação de Antônio da Silva Cabral1, “em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte.” A contribuinte não logrou comprovar o suposto erro contábil, deve, portanto, ser mantida esta parcela do lançamento. Ademais, conforme bem lembrado na decisão contestada: “17. Mesmo que devidamente demonstrado o engano, deveria ser registrado contabilmente o estorno em conta de resultados acumulados e não no resultado do anocalendário de 1997. Quanto ao aspecto fiscal, deveria ter sido feito declaração retificadora, corrigindo o lucro real ou o prejuízo fiscal apurado. No caso de pagamento de imposto a maior deveria ser feita solicitação da restituição do imposto. Logo correto a glosa processada pela fiscalização.” A compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculos negativas de CSLL de exercícios anteriores, observado o limite legal de 30%, é matéria pacífica neste 1 “Processo Administrativo Fiscal”, São Paulo, Saraiva, 1993, pág. 298. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.006573/200211 Acórdão n.º 110300.637 S1C1T3 Fl. 6 6 Conselho e decorre de aplicação direta do comando do art. 142 do CTN, sendo atualmente já adotada pela própria fiscalização na lavratura do auto de infração. O entendimento referido acima se encontra bem representado na ementa do Acórdão nº 10194.386/2003, com o seguinte teor: “IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Em procedimento de fiscalização, ao se constatar a existência de prejuízos fiscais acumulados a compensar, eles devem ser considerados, de ofício, limitados a trinta por cento do lucro real.” Conforme relatado, o processo também abrange auto de infração do tipo reflexo (CSLL). Nesse caso, a decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Conclusão Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para determinar (i) a exclusão da infração descrita como omissão de receitas/permuta de imóveis e (ii) a realização das compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL de exercícios anteriores com observância do limite legal de 30%. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 11DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003244/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO DE NOVOS BENS IMÓVEIS PELO CONTRIBUINTE MEDIANTE PERMUTA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS ACRESCIDA DO PAGAMENTO, PELO CONTRIBUINTE, DE TORNA . INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL.
Sendo certo que a alienação dos bens imóveis pelo contribuinte foram feitas mediante permuta por fração ideal de novo imóvel, sem o recebimento, de sua parte, de qualquer valor em espécie, mas, ao contrário, havendo pagamento de valor adicional para a aquisição dos novos bens, não há que se falar em ganho de capital. Havendo sido atribuída à fração ideal da nova
unidade imobiliária custo de aquisição idêntico àquele relativo ao bem permutado, eventual ganho de capital será aferido futuramente, quando da alienação do novo bem.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.751
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF. GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO DE NOVOS BENS IMÓVEIS PELO CONTRIBUINTE MEDIANTE PERMUTA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS ACRESCIDA DO PAGAMENTO, PELO CONTRIBUINTE, DE TORNA . INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Sendo certo que a alienação dos bens imóveis pelo contribuinte foram feitas mediante permuta por fração ideal de novo imóvel, sem o recebimento, de sua parte, de qualquer valor em espécie, mas, ao contrário, havendo pagamento de valor adicional para a aquisição dos novos bens, não há que se falar em ganho de capital. Havendo sido atribuída à fração ideal da nova unidade imobiliária custo de aquisição idêntico àquele relativo ao bem permutado, eventual ganho de capital será aferido futuramente, quando da alienação do novo bem. Recurso provido.
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GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO DE NOVOS BENS IMÓVEIS PELO CONTRIBUINTE MEDIANTE PERMUTA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS ACRESCIDA DO PAGAMENTO, PELO CONTRIBUINTE, DE TORNA . INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Sendo certo que a alienação dos bens imóveis pelo contribuinte foram feitas mediante permuta por fração ideal de novo imóvel, sem o recebimento, de sua parte, de qualquer valor em espécie, mas, ao contrário, havendo pagamento de valor adicional para a aquisição dos novos bens, não há que se falar em ganho de capital. Havendo sido atribuída à fração ideal da nova unidade imobiliária custo de aquisição idêntico àquele relativo ao bem permutado, eventual ganho de capital será aferido futuramente, quando da alienação do novo bem. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 70DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 68 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 51/61) interposto em 11 de maio de 2010 contra o acórdão de fls. 38/43, do qual o Recorrente teve ciência em 12 de abril de 2010 (fl. 46), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/06, lavrado em 28 de abril de 2005, em decorrência de omissão de ganhos de capital na alienação de bens imóveis, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 2002 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Tributase, à alíquota de quinze por cento, o ganho de capital correspondente à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor do custo de aquisição do imóvel. PROVA DE ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS – ESCRITURA PÚBLICA A escritura pública de compra e venda é o instrumento formal previsto para a transmissão da propriedade de bem imóvel. GANHO DE CAPITAL — EXCLUSÃO — PERMUTA Sao excluídas da apuração do ganho de capital a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias urbanas, objeto de escritura pública de permuta, sem recebimento de torna. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 38). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 51/61, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 69 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No que toca, propriamente, ao mérito recursal, verificase que o cerne da questão se volta a aferir, no caso concreto, a natureza das operações de alienação realizadas pelo contribuinte em relação a dois imóveis cedidos como parte no pagamento de preço na aquisição de unidades imobiliárias junto a terceiros, e, bem assim, dos efeitos tributários das operações em relação à apuração do imposto de renda. Em brevíssima síntese, discutese, nos presentes autos, (i) a natureza dos contratos celebrados pelo contribuinte na hipótese, por meio dos quais os imóveis teriam sido alienados, (ii) o conflito de provas existente nos autos em relação a um dos contratos, posteriormente objeto de escritura pública em favor de terceiro, e, por fim, (iii) a existência, ou não, de incidência de imposto de renda nas operações aferidas in casu. Quanto ao primeiro ponto referido, podese extrair, dos termos do relatório fiscal acostado às fls. 09/10, que aparentemente o Ilmo. Sr. auditor fiscal buscou dar uma conotação distinta do entendimento do contribuinte em relação à natureza das operações realizadas, afirmando que a cessão dos imóveis seria espécie de dação em pagamento, distinta do caso de permuta de unidades imobiliárias. No que atine a este primeiro aspecto, em que pese ao entendimento formalizado pela fiscalização, quernos parecer que houve uma confusão terminológica entre uma hipótese de adimplemento de obrigação, a saber, a dação em pagamento, e uma espécie típica de contrato, capitulada pelo Código Civil. De fato, compulsandose os termos do Código Civil, verificase que a dação em pagamento é hipótese prevista no Título III, do Livro I do codex (Parte Especial), denominada “Do Adimplemento e Extinção das Obrigações”. É dizer, tratase de genuína forma de extinção de obrigações existentes, mais especificamente do caso em que, de acordo com o art. 356 do CC/02, o credor “consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida.” Ora, não é isto que ocorre in casu. Na realidade, a discussão existente concerne, precipuamente, à aferição da natureza jurídica dos contratos de promessa de compra e venda, celebrados junto a terceiros e acostados às fls. 14/15 e 17/25, não havendo qualquer informação de que referidos contratos seriam novações, ou, muito menos, que os imóveis tivessem sido oferecidos como forma de quitação de obrigação preexistente. Nesse diapasão, portanto, não há que se falar em dação em pagamento na hipótese, na medida em que a alienação não se amolda à referida espécie de adimplemento de obrigações. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 70 4 Feitas as precedentes ressalvas, cumpre perquirir se poderiam, os aludidos contratos, se enquadrar como hipótese genuína de negócio jurídico preliminar de compra e venda, tal como, aparentemente, teriam sido nomeados por comprador e vendedor. Também em relação a esse aspecto, verificase que o contrato não se amolda, perfeitamente, à figura de compra e venda, tal como capitulada no Código Civil, na medida em que referido negócio jurídico exige a formação de consenso mediante a assunção de obrigação, por um dos contratantes, de entregar o domínio de certa coisa mediante contraprestação em dinheiro. Nesse sentido, aliás, é o comando expresso do art. 481 do CC/02, in verbis: “Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro.” Com efeito, sendo certo que, em ambas as hipóteses, o contrato previu, desde o princípio, além da entrega de quantia em dinheiro, a conferência de imóveis como parte integrante do preço, em troca de fração ideal do imóvel adquirido, verificase que, quanto a esta parte, houve prestação e contraprestação típicas do contrato de permuta, também tipificado pelo Código Civil. De fato, como se sabe, a permuta é a troca de posições patrimoniais equivalentes. Como bem observam, à luz do direito italiano, Mariano D’Amelio e Enrico Finzi, tratase do contrato mais antigo e difundido no mundo, que tem por objeto a transferência recíproca de propriedade de bem ou direito, de um contratante a outro (“La permuta è il contratto che ha per oggetto il reciproco transferimento della proprietà di cose, o di altri diritti, da un contraente all’altro.” D’AMELIO, Mariano; FINZI, Enrico. Codice Civile: Livro delle Obbligazioni. v. II, parte I. Firenze: G. Barbèra. p. 142 e 145). De igual modo, Ludwig Enneccerus, que foi Conselheiro de Justiça e Professor da Universidade de Marburg, na Alemanha, identifica a permuta como a troca de um bem ou direito por outra contraprestação não pecuniária, também consistente em um bem ou direito. (“También en la permuta se promete una cosa o un derecho a cambio de una contraprestación, pero ésta no consiste en dinero, sino en otra cosa o en un derecho.” ENNECCERUS, Ludwig. Derecho de obligaciones. 2. ed. v. II, tomo II. Barcelona: Casa Editorial Bosch, 1966. p. 109). No direito brasileiro, Clóvis Beviláqua qualifica a troca ou permuta como “o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra, que não seja dinheiro.” (BEVILÁQUA, Clóvis. Código Civil dos Estados Unidos do Brasil comentado. 10. ed. v. IV. São Paulo: Editora Paulo de Azevedo Ltda., 1955. p. 269). Outra não é a lição de Arnoldo Wald, para quem a troca ou permuta é “a transferência da propriedade do bem de um permutante ao outro e a simultânea transferência de outro bem do segundo ao primeiro” (WALD, Arnoldo. Direito civil: contratos em espécie, v. 3. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 47). Como se vê, a permuta é a mera troca de patrimônio, sendolhe a reciprocidade elemento essencial, por meio da qual cada contratante se obriga a entregar ao outro o bem ou direito que lhe pertence, alterandose as posições patrimoniais. Havendo uma permuta sem torna, o que há, na realidade, é a substituição de uma posição patrimonial por outra que se equivale, não havendo que se falar, nesse sentido, em acréscimo patrimonial. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 71 5 A configuração do ganho de capital, fato gerador do tributo em exame, dáse com a aquisição da disponibilidade jurídica da renda, sem que esta esteja relacionada à realização de uma condição posterior. Sobre o tema, vale transcrever o disposto pelo art. 128, §4º, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/1999): “Art. 128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, § 4º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). (...) § 4º Nas operações de permuta com ou sem pagamento de torna, considerase custo de aquisição o valor do bem dado em permuta acrescido da torna paga, se for o caso. (...).” Da simples leitura do aludido dispositivo, depreendese que, em uma operação de permuta sem torna, deve ser mantido como custo de aquisição do bem recebido aquele a que correspondia o bem dado em permuta, o que demonstra não ter ocorrido ganho de capital com a celebração do contrato de permuta, sem torna. Nesse diapasão, o art. 121 do mesmo regulamento determina que, em uma operação de permuta, a incidência do imposto de renda se dará com relação ao ganho de capital apurado em decorrência da torna. Vejase: “Art. 121. Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, inciso III): I as transferências causa mortis e as doações em adiantamento da legítima, observado o disposto no art. 119; II a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias. § 1º Equiparamse a permuta as operações quitadas de compra e venda de terreno, seguidas de confissão de dívida e escritura pública de dação em pagamento de unidades imobiliárias construídas ou a construir. § 2º No caso de permuta com recebimento de torna, deverá ser apurado o ganho de capital apenas em relação à torna.” Sobre a matéria, há que se registrar, ainda, a Instrução Normativa n.º 107/88, a qual, ao dispor sobre permuta de imóveis, determina que a permuta sem torna não é operação apta à geração de acréscimo patrimonial. É o que se verifica do item 2.1.1 do referido ato normativo: “2. Permuta entre pessoas jurídicas 2.1 Na permuta entre pessoas jurídicas, tendo por objeto unidades imobiliárias prontas, serão observadas as normas constantes das divisões do presente subitem. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 72 6 2.1.1 No caso de permuta sem pagamento de torna, as permutantes não terão resultado a apurar, uma vez que cada pessoa jurídica atribuirá ao bem que receber o mesmo valor contábil do bem baixado em sua escrituração. 2.1.2 No caso de permuta com pagamento de torna, a permutante que receber a torna procederá pela forma indicada no subitem 1.5, devendo considerar como custo do bem recebido o valor contábil do bem dado em permuta, deduzido do custo atribuído a torna recebida ou a receber. Para a permutante que pagar ou prometer pagar a torna, o custo do bem adquirido será a soma do valor contábil do bem dado em permuta com o valor da torna. (...).” Nesse sentido, como se viu, a permuta pode ter por objeto tanto bens como direitos, não havendo que se falar, em qualquer dos casos, em acréscimo patrimonial, eis que não se verifica a realização do critério material da regra matriz do imposto sobre a renda. Em outras palavras, não se dá, com a permuta, a aquisição da disponibilidade jurídica de renda. Referido entendimento é também corroborado por outro Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, de n.º 452/92, no qual se reconheceu que “a desoneração tributária na permuta não é um privilégio, e sim o reconhecimento de não incidência da regra de tributação.” E mais adiante, ao se tratar do momento de incidência da regramatriz do imposto sobre a renda, é contundente a conclusão de aludido parecer acerca da não incidência do tributo na permuta, sob pena de violação do próprio patrimônio do contribuinte: “O momento do fato gerador do imposto sobre maisvalia é o da alienação do bem por um preço que ultrapasse a reposição do capital, realizandose só neste momento o ganho de capital. Ora, como bem acentuou Pontes de Miranda na troca há correspectividade sem preço, porque os figurantes da relação jurídica não entram com dinheiro, conseqüentemente inexiste fato gerador do tributo. Poderseia dizer, no caso da permuta, sem torna de dinheiro, que o momento da incidência seria diferido no tempo. Criarse, fictamente, na permuta de bens, um ganho de capital é violar o próprio patrimônio. A sua tributação configuraria, por conseguinte, imposto sobre a propriedade e não sobre a renda e proventos de qualquer natureza.” Também esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem acolhendo o entendimento acerca da inexistência de ganho de capital nos casos de permuta entre bens ou direitos sem torna, independentemente da natureza desses. É o que se depreende de trecho do Acórdão n.º 10247.844, da então 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: “Essa Câmara firmou entendimento majoritário que não incide ganho de capital na permuta de bens, seja qual for a natureza desses (terrenos, participações societárias, veículos, etc.), conforme Acórdão n.º 10247.681, proferido na sessão de 22/06/2006. Entendeu o Colegiado que na operação de permuta não há acréscimo patrimonial do contribuinte; logo a não incidência do ganho de capital não poderia ser restrita às operações entre imóveis mediante escritura pública de permuta.” (1º Conselho de Contribuinte, 2ª Câmara, RV 141.114, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de 17/08/2006) Como se vê, não se está a tratar de um incentivo instituído pelo legislador, mas da própria não incidência da regra de tributação em decorrência da sistemática estabelecida pelo legislador constitucional e infraconstitucional em relação ao imposto sobre a Fl. 75DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 73 7 renda. Por essa razão específica, portanto, podese inferir, desde já, que a exigência de escritura pública definitiva não constitui requisito sine qua non para a verificação da não incidência do imposto. De fato, muito embora alguns dispositivos legais colacionados versem a respeito da comprovação das operações mediante apresentação de escritura pública definitiva, fato é que referida prova, ainda que seja a mais comum no âmbito cível, não é a única que poderia ser produzida para fins de comprovação da alienação ocorrida, bem como de seus regulares efeitos tributários. Semelhantemente, aliás, vale ressaltar que este egrégio órgão judicante vem conferindo temperamentos à exigência de apresentação da escritura pública para comprovar a veracidade de contrato particular, mormente nas hipóteses em que as informações contidas no negócio jurídico estejam respaldadas nas declarações de ajuste apresentadas, conforme se pode inferir do seguinte julgado: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DE BENS IMÓVEIS. CONTRATO PARTICULAR. O contrato particular é suficiente para comprovar o custo de aquisição de bens imóveis, ainda que na escritura pública, conste valor divergente, mormente se tal valor encontrase consignado na Declaração de Ajuste Anual, apresentada tempestivamente pelo adquirente, e na documentação contábil do alienante. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. "DINHEIRO EM CAIXA". Os valores declarados como "dinheiro em caixa" e outras rubricas semelhantes não servem para justificar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua existência no término do anocalendário. Recurso parcialmente provido. “ (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão n.º 10249.250, relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 10/09/2008) Nesse esteio, sendo certo que a fiscalização considerou as informações contidas nos contratos para a lavratura do auto de infração, especialmente em relação ao valor atribuído ao imóvel alienado como parte integrante na aquisição dos novos bens imobiliários, entendo que os demais aspectos apresentados no negócio jurídico deveriam ter sido admitidos in casu, independentemente da existência ou não de escritura pública em sentido idêntico. De mais a mais, todas as informações contidas no instrumento particular foram respaldadas na declaração de ajuste entregue à Receita Federal do Brasil, não havendo motivo para negar fé ao documento, ainda que, em relação ao imóvel localizado em Imbé tenha sido, em escritura pública, conferido a terceiro beneficiário por procurador (Sr. Nivaldo) representante de ambas as partes, comprador e vendedor. Em síntese, verificandose que a aquisição de fração ideal das novas unidades imobiliárias, devidamente declaradas pelo contribuinte, in casu, foi feita mediante permuta com bens imóveis declarados pelo Recorrente, sem o recebimento, por parte deste, de qualquer valor adicional, mas, ao contrário, mediante o complemento do pagamento dos novos bens em dinheiro (torna), verificase a total correção do entendimento do contribuinte, não havendo que se falar em incidência do imposto de renda. Quanto a este aspecto, é válido frisar que o Recorrente atribuiu, corretamente, o custo de aquisição dos novos bens imobiliários, registrando na DIRPF a fração ideal Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 74 8 adquirida por permuta pelo mesmo valor em que previsto, nos anoscalendários anteriores, o custo do bem permutado, valor este acrescido da torna paga em relação a ambos os contratos questionados. Há que se notar, no tocante a este ponto, que o valor atribuído ao imóvel alienado em permuta, tal como consta no contrato, em nada influi para a apuração do ganho de capital, como parece ter entendido a fiscalização. De fato, compulsandose os termos da legislação relativa à apuração do ganho de capital, o ganho de capital incide, apenas, sobre o valor da torna recebida (no caso do outro alienante, não do contribuinte), de modo que os custos de aquisição dos imóveis cedidos em permuta deverão contemplar, no caso do contribuinte, o custo originário do bem cedido acrescido da torna, e, no caso do outro contratante, o custo originário do seu bem (também cedido em permuta) diminuído da diferença entre a torna recebida e o valor do ganho de capital sobre ela incidente. Nesse sentido, cumpre colacionar o disposto pela IN 84/01, in verbis: “Art. 12.Considerase custo de aquisição de imóvel adquirido por permuta com outro imóvel, o valor do imóvel dado em permuta: I acrescido da torna paga, se for o caso; II diminuído do valor correspondente à diferença entre a torna recebida e o ganho de capital relativo a essa torna, apurado na forma do art. 23.” Em outras palavras, mesmo que o contribuinte tenha obtido valorização dos seus imóveis na troca, cedendoos com valor econômico superior àquele registrado em sua DIRPF (no 1º caso cedeu pelo valor de R$ 80.000,00 bem registrado com custo de aquisição de R$ 39,628,70, e no 2º caso cedeu imóveis pelo montante de R$ 270.000,00, anteriormente avaliados em R$ 157.323,23), em nada influi no custo de aquisição do outro contratante, na medida em que este avaliará os imóveis adquiridos do contribuinte pelo valor dos seus bens permutados, decrescidos da diferença entre a torna recebida e o ganho de capital. Apenas para ilustrar o exposto, muito embora não tenhamos dados acerca do custo de aquisição (“C.A.”) dos imóveis adquiridos pelo contribuinte, junto ao outro contratante, podemos imaginar que, no primeiro caso, o bem permutado por este possuísse um custo de aquisição de R$ 100.000,00. Neste caso, teríamos a seguinte situação: Recorrente C.A. do seu imóvel: R$ 39.628,70 C.A. do imóvel adquirido: 39.628,70 + 112.500,00 (torna) Novo custo de aquisição: R$ 152.128,70 Outro contratante C.A. do seu imóvel: R$ 100.000,00 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.003244/200531 Acórdão n.º 210101.751 S2C1T1 Fl. 75 9 C.A. do imóvel adquirido: 100.000 (C.A. do seu imóvel) – (112.500 – ganho de capital [vide art. 23 da IN 84/01]) = 100.000 – (112.500 – 59.625) = 47.125 Novo custo de aquisição: R$ 47.125,00 Como se verifica, portanto, a forma de cálculo do custo de aquisição, bem como do próprio ganho de capital, leva em consideração o valor da torna (paga ou recebida) e o custo de aquisição dos respectivos imóveis cedidos. Por esta razão precípua, quer parecer a este julgador que a fiscalização andou mal ao lavrar o auto de infração, na medida em que, tratando se de permuta, deveria ter observado o regime específico existente na legislação. Desta forma, verificandose que não houve, na hipótese, qualquer acréscimo patrimonial, na medida em que os bens alienados foram objeto de permuta por parte do contribuinte por fração ideal de novas unidades imobiliárias, sem o recebimento de qualquer outro valor adicional em espécie, não há que se falar em ganho de capital. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/08/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10469.903107/2008-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2005, 2006
Ementa: IRPJ. CSLL. SALDOS NEGATIVOS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO FORMULADO VIA PER/DCOMP. INCORREÇÃO MATERIAL. INTIMAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO. RETIFICAÇÃO INCORRETA. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS PERTINENTES.
Tendo em vista que o indeferimento do pedido de compensação formalizado pela Recorrente pelo sistema PER/DCOMP se deu por deficiência no preenchimento do pedido (indicação incorreta do saldo negativo a compensar) e, tendo sido intimado pela Secretaria da Receita Federal para retificar o pedido, fê-lo
de forma incorreta, acrescentando novos débitos a
compensar, inobservando a existência de norma expressa em sentido
contrário, não há amparo para acolhimento da pretensão de reforma da
decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento.
Recurso voluntário conhecido e desprovido.
Numero da decisão: 1103-000.687
Decisão: Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento por unanimidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005, 2006 Ementa: IRPJ. CSLL. SALDOS NEGATIVOS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO FORMULADO VIA PER/DCOMP. INCORREÇÃO MATERIAL. INTIMAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO. RETIFICAÇÃO INCORRETA. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS PERTINENTES. Tendo em vista que o indeferimento do pedido de compensação formalizado pela Recorrente pelo sistema PER/DCOMP se deu por deficiência no preenchimento do pedido (indicação incorreta do saldo negativo a compensar) e, tendo sido intimado pela Secretaria da Receita Federal para retificar o pedido, fê-lo de forma incorreta, acrescentando novos débitos a compensar, inobservando a existência de norma expressa em sentido contrário, não há amparo para acolhimento da pretensão de reforma da decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento. Recurso voluntário conhecido e desprovido.
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CSLL. SALDOS NEGATIVOS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO FORMULADO VIA PER/DCOMP. INCORREÇÃO MATERIAL. INTIMAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO. RETIFICAÇÃO INCORRETA. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS PERTINENTES. Tendo em vista que o indeferimento do pedido de compensação formalizado pela Recorrente pelo sistema PER/DCOMP se deu por deficiência no preenchimento do pedido (indicação incorreta do saldo negativo a compensar) e, tendo sido intimado pela Secretaria da Receita Federal para retificar o pedido, fêlo de forma incorreta, acrescentando novos débitos a compensar, inobservando a existência de norma expressa em sentido contrário, não há amparo para acolhimento da pretensão de reforma da decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento. Recurso voluntário conhecido e desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento por unanimidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. HUGO CORREIA SOTERO Relator. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 EDITADO EM: 08/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório A Recorrente apresentou declaração de compensação (PER/DCOMP nº. 30145.95960.190307.1.7.033512) com vistas à quitação de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, indicando, para tanto, a existência de crédito pertinente a saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), apurado no exercício de 2006, anocalendário 2005. A compensação foi indeferida (nãohomologada) pela Delegacia da Receita Federal de Natal (RN) sob o argumento de ser impossível confirmar a existência do crédito indicado, dado que o valor do saldo negativo de CSLL informado na DIPJ (R$ 30.283,43) não correspondia ao valor indicado na declaração de compensação (R$ 39.200,16). O Despacho Decisório de indeferimento da compensação (fl. 1) tem o seguinte teor: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), não correspondia ao valor do saldo negativo informado em PER/DCOMP.” Em face do Despacho Decisório apresentou a contribuinte manifestação de inconformidade (fls. 4/5), alegando ter feito PER/DCOMP retificadora (5801) em 24/09/2007, conforme recibo de fl. 9, cujo valor do crédito declarado foi de R$ 30.283,43, coincidente com aquele informado na DIPJ. Alega ainda ter feito três outros PER/DCOMP retificadores, a de número 9906, que foi retificada pela de número 3512, esta última retificada pela de número 5801, sendo que, ao fazer a retificação através da PER/DCOMP nº. 3512, houve mensagem de erro porque o programa somente aceitaria retificação do PER/DCOMP original (9906) e ao tentar o cancelamento do PER/DCOMP nº. 3512 o programa não aceitou o cancelamento. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela Delegacia de Julgamento de Recife (PE) por decisão assim ementada: “Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.903107/200823 Acórdão n.º 110300.687 S1C1T3 Fl. 2 3 Direito Creditório não Reconhecido.” Da decisão se extrai: “O contribuinte, por sua vez, alega ter cometido um erro no preenchimento do PER/DCOMP quanto ao valor do crédito e ter feito PER/DCOMP retificador informando como crédito o valor do saldo negativo de CSLL declarado na DIPJ anocalendário 2005. O PER/DCOMP de nº. 12469.64891.240907.1.7.035801 apresentado para retificar o PER/DCOMP que originou o Despacho Decisório questionado, não foi admitido em razão de constar novo débito na retificadora, documento à fl. 80. Portanto, não surtiu o efeito desejado de alterar o saldo negativo de CSLL, crédito constante da DCOMP. ... A retificação de DCOMP só tem cabimento nos casos de inexatidão material, e enquanto pendente de decisão administrativa, com base nos artigos retrotranscritos. A retificadora apresentada não foi aceita em razão do contribuinte ter declarado novo valor de débito, em desacordo o art. 59 acima referido. Na hipótese de compensação de novo débito cabe ao sujeito passivo apresentar à Receita Federal nova Declaração de Compensação. Consta ainda dos autos que houve intimação prévia ao ato de não homologação, alertando à contribuinte sobre a inconsistência encontrada e orientandoa a proceder à retificação da DIPJ ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando o valor correto do saldo negativo da CSLL apurado no período. ... Registrese que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo.” Contra a decisão interpôs a contribuinte o recurso voluntário de fls. 114/115, reproduzindo as razões expendidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 368DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 4 Hugo Correia Sotero Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. A questão submetida à apreciação deste Conselho versa sobre a admissibilidade do reconhecimento de declaração de compensação, através do sistema PER/DCOMP, que contenha inconsistência não sanada pelo contribuinte. Como se observa, o contribuinte apresentou declaração de compensação da qual constava valor de saldo negativo de CSLL incompatível com aquele lançado na DIPJ, divergência esta que redundou no indeferimento do pedido de compensação. Defende a Recorrente ter efetuado a retificação da declaração de compensação para fins de compatibilização das informações com aquelas lançadas na DIPJ, sendo que a retificação não foi aceita pelo sistema eletrônico (PER/DCOMP) da Receita Federal. Como ressalta a decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento, “o PER/DCOMP de nº. 12469.64891.240907.1.7.035801 apresentado para retificar o PER/DCOMP que originou o Despacho Decisório questionado, não foi admitido em razão de constar novo débito na retificadora”, não surtindo, portanto “o efeito desejado de alterar o saldo negativo de CSLL, crédito constante da DCOMP”. Para além, consigna a decisão vergastada constar dos autos “que houve intimação prévia ao ato de não homologação, alertando à contribuinte sobre a inconsistência encontrada e orientandoa a proceder à retificação da DIPJ ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando o valor correto do saldo negativo da CSLL apurado no período”. Ainda que me incline, em todas as oportunidades, a prestigiar o princípio da verdade real, no caso o indeferimento do pedido de compensação formalizado pela Recorrente pelo sistema PER/DCOMP se deu por deficiência no preenchimento do pedido (indicação incorreta do valor do saldo negativo a compensar) e, tendo sido intimado pela Secretaria da Receita Federal para retificar o pedido, fêlo de forma incorreta, acrescentando novos débitos a compensar, inobservando a existência de norma expressa em sentido contrário (Instrução Normativa nº. 600/2008, art. 59). Nesse sentido, considerando que o indeferimento do pedido de compensação decorreu de falha exclusiva do contribuinte, que mesmo intimado a retificar o pedido o fez de forma incorreta e inobservando a legislação pertinente, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. Hugo Correia Sotero Relator Fl. 369DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.903107/200823 Acórdão n.º 110300.687 S1C1T3 Fl. 3 5 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000005/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE 1 A. INSTANCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão de 1 a. instancia que enfrenta todas as matérias impugnadas e indefere justificadamente pedido de perícia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados na operação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. TRIBUTOS NÃO CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFICIO. Verificada insuficiência de recolhimentos, diferenças essas que também não foram confessadas em DCTF, correto o Lançamento de Ofício com a respectiva multa pela infração. MULTA QUALIFICADA. Incabível a exigência de multa qualificada caso não consubstanciada a fraude, mormente quando a exigência é calcada unicamente em presunção legal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.982
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE 1 A. INSTANCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão de 1 a. instancia que enfrenta todas as matérias impugnadas e indefere justificadamente pedido de perícia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados na operação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. TRIBUTOS NÃO CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFICIO. Verificada insuficiência de recolhimentos, diferenças essas que também não foram confessadas em DCTF, correto o Lançamento de Ofício com a respectiva multa pela infração. MULTA QUALIFICADA. Incabível a exigência de multa qualificada caso não consubstanciada a fraude, mormente quando a exigência é calcada unicamente em presunção legal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTANCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão de 1a. instancia que enfrenta todas as matérias impugnadas e indefere justificadamente pedido de perícia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados na operação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. TRIBUTOS NÃO CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFICIO. Verificada insuficiência de recolhimentos, diferenças essas que também não foram confessadas em DCTF, correto o Lançamento de Ofício com a respectiva multa pela infração. MULTA QUALIFICADA. Incabível a exigência de multa qualificada caso não consubstanciada a fraude, mormente quando a exigência é calcada unicamente em presunção legal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório COBRAR ASSESSORIA EM COBRANCA LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói/RJ (fls. 01/546), o qual foi cientificado ao interessado em 28/01/2009 (fl. 546), optante pelo Simples, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) de R$ 25.072,11, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de R$ 25.072,11, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 41.292,72, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 82.675,42, Contribuição para Seguridade Social (INSS) de R$ 163.873,40 e acréscimos legais, totalizando o crédito tributário de R$ 1.025.601,18 (fls. 2 e 546). 2 O interessado foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização em 06/09/2007 (fl. 198). No curso do procedimento fiscal, a autoridade administrativa lançadora, conforme relatado no Termo de Esclarecimentos e de Conclusão Parcial de Auditoria Fiscal (fls. 13/21) e na descrição dos fatos do auto de infração, apurou as seguintes irregularidades: 3 I – Omissão de Receitas – Receitas não escrituradas: decorrente de depósitos efetuados em contacorrente cuja origem não foi comprovada. 4 II – Insuficiência de Recolhimento: decorrente da mudança de percentual aplicado sobre a receita bruta acumulada, base de cálculo do Simples, em razão da Fl. 660DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 3 omissão de receita apurada na infração I, conforme consta no “Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta” (fl. 56/57) e “Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos” (fls. 58/63). 5 Período de apuração: anocalendário 2004. 6 Em decorrência das infrações acima, foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS. 7 O enquadramento legal encontrase descrito no auto de infração e no Termo de Esclarecimentos e de Conclusão Parcial de Auditoria Fiscal (fls. 13/21). 8 No sobredito termo, a autoridade lançadora, depois de relatar dificuldades iniciais em localizar o interessado no endereço constante no CNPJ, informou que, devidamente intimado, o interessado não apresentou qualquer documentação (demonstrativo, contratos, recibos, duplicatas, notas fiscais) que justificasse o fato de ter registrado valores correspondentes à receita de prestação de serviço, no valor declarado de R$ 190.449,67, abaixo do total de créditos movimentados em conta corrente mantida no Bradesco, no montante de R$ 3.640.226,16, já expurgados todos os valores referentes a empréstimo contraídos, estornos, devoluções de CPMF, transferências de mesma titularidade (fl. 18). 9 Afirma, também, que os débitos constantes dos extratos bancários não mantém correlação com os créditos em magnitude embora o interessado tenha alegado que os valores dos recebimentos, deduzidos dos honorários da prestação de serviços de cobrança, tenham sido repassados aos seus clientes e, desta forma, não permitem concluir que os créditos não representam receitas operacionais ou valores de origem não comprovada. 10 A autoridade lançadora assevera, ainda, que o interessado não apresentou quaisquer documentos referentes aos serviços supostamente prestados, que no livro Diário não há registros de clientes, fornecedores, número de documentação fiscal e que os registros de movimentação bancária não contém identificação do serviço prestado ou da despesa incorrida. 11 Registra, no termo em comento, que foi procedida a exclusão do interessado do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 04, de 27 de janeiro de 2009, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005, em face de a receita bruta ter ultrapassado o limite permitido para permanência nesse sistema, conforme processo administrativo n º 15540.000005/200949 em anexo. 12 Por fim, esclarece a autoridade lançadora que foi exigida multa de 150% “em razão de o contribuinte ter mantido à margem da base de cálculo do IRPJ devido, bem como das contribuições, expressivos valores, o que deixa clara a intenção dolosa da Autuada, caracterizada por sonegação fiscal”, além de manter o “registro cadastral de domicílio fiscal, ..., em endereço meramente de fachada, o que demonstra a clara e inequívoca intenção em dificultar a ação da Fiscalização, com fito de não ver descoberta a burla à legislação tributária.”. 13 O interessado, cientificado em 28/01/2009, apresentou impugnação tempestivamente, em 26/02/2009, cujos principais argumentos estão sintetizados a seguir (fls. 552/556): 14 o lançamento identificou os depósitos bancários “não só com a receita, mas com o resultado e lançou sobre eles os tributos devidos”; Fl. 661DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 4 15 deve ser excluído o auto relativo à cobrança das contribuições previdenciárias; 16 “É impossível data vênia, considerar que a empresa está sujeita ao regime SIMPLES (e, portanto, tem as contribuições previdenciárias calculadas sobre o faturamento) e adicionalmente que deve ser excluída deste enquadramento por auferir receita superior ao limite global.”; 17 as contribuições previdenciárias não são calculadas sobre o faturamento, e sim, sobre a folha de pagamento, quando “a empresa não é considerada como enquadrada no regime SIMPLES”; 18 a empresa opera na atividade de cobrança, isto é, recebe títulos de crédito por conta e ordem de terceiros e procede as providências necessárias para sua liquidação; 19 há diferenças entre o total do depósito bancário realizado pelo devedor em pagamento do crédito de terceiros, a receita auferida pelo interessado e o lucro; 20 a autoridade lançadora considerou estes três itens como equivalentes “e identificou os depósitos bancários com receita e com o lucro, prática que evidentemente não pode substituir, até porque existem práticas de “reapresentação” de cheques que neste caso foram considerados duas ou mesmo três vezes.”; 21 “A suplicante junta a presente os demonstrativos, que de modo inequívoco atestam esta diferença e provam a improcedência do auto”; 22 “Tendo o lançamento desconsiderado os dados da contabilidade e resultado impõese que se realize a perícia contraditória indispensável para apuração da matéria de fato.”; 23 “A prova é indispensável para que não exista dúvida sobre a matéria de fato e se apure o valor efetivo da receita e do lucro”; 24 o auto “deixou de lado os valores lançados na contabilidade por considerálos imprestáveis para apuração do resultado”, mesmo desta forma, “não se poderia identificar a receita bruta com lucro”, “caberia arbitrar o resultado, usando a regra do art. 532 do RIR"; 25 o lucro deve ser recomposto por perícia (resultado real considerando de custos e despesas) ou por arbitramento (9,6% da receita, base de cálculo adotada para o lançamento) e não a totalidade dos ingressos financeiros; 26 os lançamentos de PIS e de COFINS têm amparo na Lei 9.718, de 1998, que alterou a base de cálculo para incluir nela a totalidade das receitas e não apenas o faturamento, foi julgada inconstitucional em reiterada jurisprudência do E. STF, por ter sido editada antes da Emenda Constitucional nº 20; 27 “A aplicação desta regra exclui no caso a incidência e por conseguinte por estes motivos o auto deve ser neste caso cancelado.”. 28 Encerra requerendo a realização da perícia, cujos quesitos foram formulados em sua impugnação (fls. 554/555), e a improcedência do lançamento em comento. 29 Acosta ao processo documentos às fls. 557/585. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 5 A decisão recorrida está assim ementada: PERÍCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS. A perícia se reserva à elucidação de dúvidas sobre assuntos técnicos que requeiram conhecimentos de profissional especializado, cuja manifestação tornase necessária à solução do litígio. Sua realização não se justifica quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados na operação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Aplicase à insuficiência de recolhimento o mesmo tratamento dispensado à omissão de receita, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): É o relatório. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de auto de infração lavrado para exigência de impostos e contribuições, cujo recolhimento ocorre de forma unificada no Simples (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, INSS), bem como os respectivos acréscimos legais, decorrentes de: I – Omissão de receitas decorrente de depósitos efetuados em contacorrente cuja origem não foi comprovada. II – Insuficiência de Recolhimento decorrente da mudança de percentual aplicado sobre a receita bruta acumulada, base de cálculo do Simples, em razão da omissão de receita apurada na infração I. Foi procedida a exclusão do interessado do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 04, de 27 de janeiro de 2009, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005, conforme processo administrativo n º 15540.000005/200949, em anexo, por ter a receita bruta acumulada ultrapassado o limite permitido para permanência no sistema, em decorrência do montante apurado a título de omissão de receita (infração I). No recurso voluntário a contribuinte alega em preliminar que: (grifos do original). Pois bem, nos termos do art. 29 do decreto 70.235/1972 (PAF), na apreciação das provas a autoridade julgadora pode forma livremente sua convicção, solicitando as perícias e diligencias que entender necessárias. Por sua vez, o art. 16 do mesmo PAF estabelece que essa mesma autoridade pode indeferir, justificadamente os pedidos de diligência ou perícias. No presente caso a decisão de primeira instância justiçou a desnecessidade da perícia, haja vista que a exigência fiscal está calcada em omissão de receitas por presunção legal, em face da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários no ano de 2004, que atingiram montante de R$ 3.640.226,16, já expurgados todos os valores referentes a empréstimo contraídos, estornos, devoluções de CPMF, transferências de mesma Fl. 664DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 7 titularidade (fl. 18), enquanto registrado valores correspondentes à receita de prestação de serviço, no valor declarado de R$ 190.449,67. Ao invés de apresentar os elementos de prova ou justificativa da origem desse montante de recursos, ainda que na face recursal, a recorrente busca anular a decisão de primeira instância alegando estar sendo cerceada em sua defesa. Ora, o ônus da prova nesse caso é da contribuinte, que não foi feita, sendo descabido o pleito para suprila com pericia, pelo que rejeito a preliminar de nulidade, bem como o pedido de pericia. Frisese que a autuação foi fundamentada, entre outros dispositivos legais, no 42 da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art. 42 – Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com essa previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder o lançamento do imposto correspondente. Cabe evidenciar que este entendimento é reiterado por todas as turma deste Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Frisese que não se está tributando o depósito bancário ou que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal o ônus da prova se inverte e passa à autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. No que tange às demais alegações da recorrente, vejamos a transcrição dos fundamentos da decisão recorrida: Perícia e produção de provas Inicialmente, cabe esclarecer que a perícia se reserva à elucidação de dúvidas sobre assuntos técnicos que requeiram conhecimentos de profissional especializado, cuja manifestação tornase necessária à solução do litígio. Nesse sentido, o esclarecimento sobre a composição química de determinado produto, a classificação fiscal de mercadoria para aplicação da alíquota do IPI, a identificação ou não de falsidade documental, entre outros, são exemplos de contribuições fornecidas pela perícia. Como se percebe, a perícia não se justifica quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos, como ocorre no presente caso, em que o interessado, para afastar a presunção de omissão de receita, poderia apresentar Fl. 665DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 8 documentos comprobatórios de que a origem dos recursos depositados em conta corrente não se refere a receitas de sua atividade, como ele o fez, no curso do procedimento fiscal, em relação a parte dos depósitos bancários, os quais não foram incluídos pela autoridade lançadora na apuração da base de cálculo. Em outras palavras, o interessado não pode se eximir do ônus probante mediante solicitação de prova pericial. Nesse contexto, cabe observar que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente, conforme dispõe o § 4o. do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972. Por essas razões, indefiro a solicitação de perícia feita pelo interessado. Depósito bancário. Omissão de receita. O interessado foi optante pelo Simples no anocalendário 2004. Nessa sistemática de pagamento de impostos e contribuições, instituída para dar tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às microempresas e as empresas de pequeno porte, em conformidade com o disposto no art. 179 da Constituição, evidenciase, entre seus benefícios, a simplificação do cálculo e a unificação do recolhimento dos imposto e contribuições por ela abrangidos (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, IPI, INSS e, por intermédio de convênios, ICMS e ISS). O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, é calculado mediante a aplicação de percentuais favorecidos sobre a receita bruta mensal auferida, que aumentam progressivamente em função da receita bruta acumulada. Dispõe a Lei nº 9.317, de 1996, em seu artigo 18, que todas as presunções de omissão de receita, existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abarcados pelo Simples, aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 impõe que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações caracterizamse omissão de receita ou de rendimento. No curso do procedimento fiscal, a autoridade lançadora identificou depósitos em contacorrente do interessado, cuja origem não foi comprovada, em montante substancialmente superior a receita bruta declarada. Como se vê, a autoridade lançadora ao determinar a base tributável não desconsiderou os dados da contabilidade, como alegado pelo interessado; muito menos os considerou imprestáveis para apuração do resultado, tampouco identificou a receita bruta como lucro. No Simples, como já exposto, não se apura resultado ou lucro para fins de cálculo do valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte. A base de cálculo é a receita bruta. Portanto, para fins de tributação nessa sistemática, os custos e despesas incorridos na geração de receitas da pessoa jurídica são irrelevantes, já que os impostos e contribuições são calculados sobre a receita bruta mensal auferida. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 9 Nessa concepção, descabe o arbitramento do lucro, tal qual pleiteado pelo interessado. Além disso, importa frisar que as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (não optantes pelo Simples), entre elas a apuração da base de cálculo do Imposto de Renda pelo lucro arbitrado, aplicamse a pessoa jurídica excluída do Simples a partir do período em que se processam os seus efeitos (art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996). No presente caso, a exclusão do Simples imposta ao interessado produziu efeito a partir de 1º de janeiro de 2005, conforme Ato Declaratório Executivo nº 4, de 27 de janeiro de 2009 (fl. 4 do processo nº 15540.000005/200949, em anexo), isto é, no anocalendário seguinte ao período de autuação. Por essa mesma razão, descabe a argumentação do interessado quanto a improcedência do auto de infração da Contribuição para Seguridade Social (INSS). Como a exclusão do Simples só produziu efeitos a partir de 2005, a referida contribuição, no anocalendário 2004 (período sob exame), integra o recolhimento unificado dos imposto e contribuições abrangidos pelo Simples e, pelas razões já expostas, a omissão de receitas apurada afeta o montante devido a título desta contribuição social. No que toca aos julgamentos do Superior Tribunal Federal – STF, que consideraram inconstitucional a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS mencionados pelo interessado, convém observar que seus efeitos não se aplicam ao presente caso, seja porque os julgados do STF tratam de matéria distinta da que versa o auto de infração sob exame (omissão de receita compõe a receita bruta), seja porque os efeitos dos julgados são inter partes e, portanto, não se estendem a terceiros que não sejam partes nas ações judiciais, seja porque a revogação do § 1o. do art. 3o. da Lei nº 9.718, de 1998 pela Lei nº 11.941, de 2009 não produziu efeitos retroativos. Depósito Bancário. Omissão de Receitas. Demonstrativos. Aduz o interessado que o montante dos depósitos bancários realizados pelo devedor, em pagamento de crédito de terceiros, é diferente da receita por ele auferida e que, além disso, os referidos depósitos contemplam “reapresentações” de cheques que foram considerados duas ou mesmo três vezes. A fim de comprovar sua alegação, o interessado junta aos autos demonstrativos de recebimentos (fls. 557/578) e de cheques devolvidos (fls. 579/585). Embora alegue, o interessado não traz aos autos documentos capazes de elidir as infrações, vejamos. Demonstrativo de recebimentos. Em relação aos valores constantes no demonstrativo de recebimentos (fls. 557/578), o interessado nomeou as operações de créditos com os seguintes históricos: “crédito ref. a recebimento de Cobrança”; “crédito ref. a reapresentação de cheque”; “crédito ref a devoluçao de "TED" e “crédito ref a devoluçao de "DOC". Convém observar, antes de passar a análise, que os históricos acima não correspondem a mesma descrição que consta no extrato bancário. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 10 Crédito referente a recebimento de cobrança Este é o histórico que mais se repete no demonstrativo elaborado pelo interessado: “crédito ref. a recebimento de Cobrança”. Informa o interessado que opera na atividade de cobrança, que compreende o recebimento de títulos de crédito por conta e ordem de terceiros e a adoção de providências necessárias para sua liquidação. No Termo de Esclarecimentos e de Conclusão Parcial de Auditoria Fiscal (fls. 13/21), a autoridade lançadora informa que o interessado não apresentou quaisquer documentos referentes aos serviços supostamente prestados e que no livro Diário não há registros de clientes, fornecedores, número de documentação fiscal, além disso, os registros de movimentação bancária não contém identificação do serviço prestado ou da despesa incorrida. Em sede de impugnação, o interessado também não juntou contratos ou outros documentos que pudessem comprovar que os referidos depósitos se referem a recebimentos de títulos de crédito por conta e ordem de terceiros, evidenciando a sua prestação de serviços, sobre a qual fundase sua defesa. Também não demonstrou qual seria a parcela que lhe caberia a título de receita pela prestação dos serviços de cobrança. Além disso, embora o interessado alegue que os valores dos recebimentos, deduzidos dos honorários da prestação de serviços de cobrança, tenham sido repassados aos seus clientes, não há nenhuma demonstração desses repasses e, conforme descrito pela autoridade autuante, os débitos constantes dos extratos bancários não mantém correlação com os créditos em magnitude. Crédito referente à reapresentação de cheque. Em relação aos valores intitulados pelo interessado como “Crédito ref. a reapresentação de cheque”, verificase, com base nos correspondentes históricos no extrato bancário (assim designados: “Depósito em cheque”, “Depos cc autoat”, “Depos transf autoat” e “Deposito em dinheiro”), que os referidos valores se referem a depósitos. Deste modo, não é possível constatar pela simples análise do histórico dos extratos bancários que tais valores foram considerados em duplicidade como reapresentação, conforme alegado pelo interessado. Para a referida comprovação, fazse necessário a apresentação de outros elementos de prova, tais como cópias dos cheques devolvidos e dos comprovantes de depósitos efetuados. Crédito referente a devolução de "TED" e de "DOC" No que tange aos valores relacionados pelo interessado com o histórico “crédito ref a devoluçao de "TED" e “crédito ref a devoluçao de "DOC" no demonstrativo de recebimentos (fls. 557/578), convém observar que esses valores não foram incluídos na base de cálculo apurada pela autoridade fiscal em seu demonstrativo de créditos bancários acostado às fls. 22/54. Demonstrativo de cheques devolvidos. Em relação ao demonstrativo de cheques devolvidos (fls. 579/585), cumpre esclarecer que o interessado não demonstrou a conexão existente entre os valores relacionados no referido demonstrativo e os créditos considerados na base de cálculo Fl. 668DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 140200.982 S1C4T2 Fl. 0 11 apurada pela autoridade lançadora (fls. 22/53), cujos valores foram extraídos dos extratos bancários acostados às fls. 132/197. Deste modo, não havendo comprovação de que tais valores compuseram a base de cálculo, não há razão para excluílos. Insuficiência de recolhimento A insuficiência de recolhimento decorre da mudança de percentual aplicado sobre a base de cálculo do Simples, em razão da omissão de receita apurada (infrações I) que modificou a receita bruta acumulada declarada inicialmente pelo interessado, conforme “Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta” e “Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos”. Tendo em vista que a infração I foi integralmente mantida, não há razões para serem alterados os valores apurados a título de insuficiência de recolhimento (infração II). Multa qualificada de 150% Consoante entendimento pacificado nesta Turma, não é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando a exigência é calcada exclusivamente em presunção fiscal, no caso de omissão de Receitas com base em depósitos bancários. Isso porque, a fraude não se presume, deve ser provada o que não ocorreu no presente caso. Constatase, pois, a inocorrência de qualquer das hipóteses previstas nos art. 71 a 73 da 4.502/1964. Portanto a multa de oficio deve ser reduzida ao percentual de 75%. Conclusão Em verdade, na peça recursal, o contribuinte limitouse a repisar as alegações veiculadas na impugnação que a meu ver foram corretamente enfrentadas na decisão recorrida, pelo que entendo não merecer reparo os fundamentos acima transcritos. Pelas razões expostas, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 669DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13804.000846/00-55
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/02/1990 a 31/12/1991
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração:01/02/1990 a 31/12/1991 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/02/1990 a 31/12/1991 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 08 46 /0 0- 55 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 21/03/2000, relativo ao período de apuração de :01/02/1990 a 31/12/1991. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13804.000846/0055 Acórdão n.º 9900000.686 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, houve a perda parcial do direito a se pleitear a restituição em relação à uma parcela do período objeto da solicitação. Assim, está prescrito o direito em relação ao período de 01/02/1990 a 28/02/1990. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora, para a análise do mérito do período não prescrito.. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13804.002245/00-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995
PRAZO PRESCRICIONAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é e 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS - com repercussão geral. Art. 62-A do RICARF
Recurso da Fazenda Nacional provido parcialmente.
Numero da decisão: 9303-002.070
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de 1º/1/1990 a 30/9/1990, resguardado o direto de a Administração Tributária verificar a liquidez dos créditos alegados.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Marcos Aurélio Pereira Valadão
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995 PRAZO PRESCRICIONAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é e 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar n º 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF Recurso da Fazenda Nacional provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de 1º/1/1990 a 30/9/1990, resguardado o direto de a Administração Tributária verificar a liquidez dos créditos alegados. Otacílio Dantas Cartaxo _ Presidente da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, com devidas alterações para maior clareza: Cuidase de Recurso Voluntário em que se pleiteia a modificação da decisão singular que manteve o indeferimento do pedido que visava a restituição/compensação de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior para a Contribuição do Programa de Integração Social PIS, referente ao período de 01/01/1990 a 30/09/1995, com pedido protocolizado em 03/10/2000 (fls.0102). O pedido de restituição se refere a créditos oriundos de pagamentos considerados indevidos ou a maior para o PIS decorrentes dos Decretos Leis nºs 2.445 e 2.449 ambos de 1988. Sustenta a Recorrente que o Decreto n. 2.346, de 10 de outubro de 1997, encerrou a polêmica sobre a questão, impondo, com força vinculante para a Administração Federal, o efeito "ex tunc” ao Ato Senatorial que suspendeu a execução dos Decretos Leis 2.445 e 2449/88. Assevera, também, que a Medida Provisória n. 1244, de 14.12.95, art. 17, caput e inciso VIII (sic) "Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decretolei n. 2.445, de 29 de junho de 1.988 e do Decretolei n. 2.449, de 21 de julho de 1.988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar n. 7, de setembro de 1970, e alterações posteriores. Parágrafo 2° O disposto neste artigo não implicará em restituição de quantias pagas.” Entende a Recorrente que o prazo decadencial só iniciou com a edição da Medida Provisória n. 1.621/36, publicada cm 12.06.98, que modificou a redação do parágrafo segundo da Medida Provisória 1.244/95. Assim sendo, o parágrafo segundo passou ater a seguinte redação: "2° O disposto neste artigo não implicará a restituição ex officio de quantias pagas”. No mais reprisa os argumentos articulados na Manifestação de Inconformidade. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13804.002245/0096 Acórdão n.º 930302.070 CSRFT3 Fl. 297 3 A decisão a quo recebeu a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995 DECADÊNCIA. EFEITO DA RESOLUÇÃO N. 49/95 DO SENADO FEDERAL. PRAZO DECADENCIAL. Pedido de restituição o Compensação de indébitos referentes à contribuição para o PIS formulado antes do prazo de cinco anos contados da data da publicação da Resolução n. 49, do Senado Federal, há de se manter afastada a decadência. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS, até advento da MP n. 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar n° 7/70, conforme entendimento da CSRF e do STJ. Assegurado o direito de compensação ou restituição conforme Súmula n° 11 do Segundo Conselho de Contribuintes. Devendo o indébito ser corrigido pelos índices oficiais da norma de execução conjunta Cosit/Cosar n° 08/97 até 31/12/95 e pela taxa Selic a partir do mês de janeiro de 1996. Recurso Provido em Parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial por divergência jurisprudencial, às fls. 197/210, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. A controvérsia suscitada cingese à questão do critério da contagem do prazo prescricional para o pedido restituição do PIS, face à declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° s 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Na decisão recorrida decidiuse pela contagem do prazo a partir da publicação da Resolução do Senado n° 49/95; enquanto no paradigma, em situação fática semelhante, contouse o prazo qüinqüenal a partir da data de cada pagamento indevido. O recurso foi admitido pelo presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 258. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 262/284. É o Relatório. Voto Fl. 329DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, admitido conforme acima mencionado, em boa forma. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à questão do critério da contagem do prazo prescricional , sendo que na decisão recorrida decidiuse pela contagem do prazo a partir da publicação da Resolução do Senado n°. 49/95; enquanto no paradigma, em situação fática semelhante, contouse o prazo quinquenal a partir da data de cada pagamento indevido. Passemos à análise do mérito. A decisão da 3ª TO da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF entendeu que o prazo prescricional é de cinco anos contados da Resolução nº. 49/95 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/9. A posição da PGFN, demonstrada em seu Recurso Especial é de que o prazo prescricional é de cinco anos contados do pagamento. Ambas as posições devem ser afastadas. A segunda, no que diz respeito ao período em discussão e a primeira de maneira geral, em virtude de que é inadmissível a imprescritibilidade ad infinitum para trás, a partir de uma declaração de inconstitucionalidade. A posição que deve ser aceita atualmente decorre da jurisprudência do STJ conforme estabelecida no julgamento do RE 566.621/RS (Relatora: Ministra Ellen Gracie, decidido em 04/08/2010), com repercussão geral, em que o STF reconheceu a aplicabilidade do prazo prescricional de 10 anos contados da data do fato gerador para os pedidos de restituição protocolizados antes da data da vigência da LC 118/2005. O que se deu no caso presente, para os débitos referentes aos fatos geradores ocorridos a partir de outubro/1990 (visto que o pedido foi protocolizado em 03/10/2000). Aplicado ao caso presente, é o que se conclui a partir da decisão do STF, conforme o voto da Ministra Ellen Gracie que foi ementado da seguinte forma: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de Fl. 330DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13804.002245/0096 Acórdão n.º 930302.070 CSRFT3 Fl. 298 5 ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Assim, a decisão é no sentido de reconhecer o direito do contribuinte em relação ao período referente aos fato geradores ocorridos entre outubro/1990 a 30/09/1995 (em virtude do pedido protocolizado em 03/10/2000 (fls.0102). Portanto, os indébitos referentes aos fatos geradores ocorridos no período que vai de 01/01/1990 a 30/09/1990 restaram atingidos pela prescrição, sendo insuscetíveis de restituição. Pelo exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda, negando o direito em relação aos fatos geradores ocorridos no período que de 01/01/1990 a 30/09/1990, e reconhecendo o direito em relação aos fato geradores ocorridos entre outubro/1990 a 30/09/1995, resguardado o direto da Administração Tributária verificar a liquidez dos créditos alegados. Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 331DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.005639/2008-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. RITO ESPECIAL. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples não prescinde de ser processada em procedimento especial, uma vez que o indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submete-se ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. IMPRESCINDIBILIDADE DE ENTREGA DA DCTF. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.105
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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RITO ESPECIAL. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples não prescinde de ser processada em procedimento especial, uma vez que o indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submetese ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. IMPRESCINDIBILIDADE DE ENTREGA DA DCTF. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005639/200817 Acórdão n.º 180101.105 S1TE01 Fl. 92 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 06, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por falta na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) referente ao quarto trimestre do anocalendário de 2003, cujo prazo final era 13.02.2004. Ela foi intimada a apresentála em 02.09.2009. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 3º do art. 113, art. 115 e art. 160 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) e incido II do art. 3º e incisos I e II do art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. Inconformada com a exigência fiscal, da qual teve ciência em 14.11.2008, fl. 66, a Recorrente apresentou a impugnação em 12.12.2008, fls. 0105, com as alegações a seguir sintetizadas. Suscita que foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a partir de 01.01.2002, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/NHO n° 453.441 de 07.08.2003. Este procedimento tem como motivo a ocorrência da situação excludente, qual seja, “sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano calendário de 2001 ultrapassou o limite legal. CPF 492.917.93000. CNPJ 72.353.618/000146”. Argui que a referida sócia Raquel Cristina Schierholt, CPF 492.917.93000, retirouse da pessoa jurídica Usefibra Indústria Comércio de Fibras de Vidro Ltda, CNPJ 72.353.618/000146, em 14.02.2000, cuja alteração contratual foi arquivada em 21.08.2001 na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul. Defende que não exerceu a atividade de representante comercial, tampouco qualquer outra atividade impeditiva e que cumpriu suas obrigações tributárias com regularidade inclusive procedendo aos recolhimentos mediante DarfSimples e à entrega das Declarações Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ Simples). Aduz, assim, que a exclusão foi imotivada. Neste sentido formaliza o Pedido de Inclusão Retroativa no Simples. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005639/200817 Acórdão n.º 180101.105 S1TE01 Fl. 93 3 Entende que não incorreu em circunstância que vedasse a opção pelo Simples e que por este motivo estava dispensada legalmente de apresentar DCTF. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, reativando a empresa no simples. Termos em que Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1021.517, de 22.10.2009, fls. 6872: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 DCTF MULTA POR FALTA DE ENTREGA SIMPLES EXCLUSÃO OBRIGATORIEDADE. O contribuinte que foi excluído retroativamente do Simples, esta obrigado a apresentar a DCTF, sendo o inadimplemento desta obrigação passível de multa, na forma da lei. Notificada em 23.11.2009, fl. 76, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.12.2009, fls. 7783, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado e incluída no SIMPLES. Termos em que, Pede deferimento É o Relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005639/200817 Acórdão n.º 180101.105 S1TE01 Fl. 94 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente discorda de sua exclusão de ofício do Simples. Esta matéria não é objeto do presente processo administrativo fiscal em que está formalizada a exigência de multa de ofício isolada por falta na entrega da DCTF. Consta no Voto condutor do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 21.517, de 22.10.2009, fls. 6872 O contribuinte, em 26/08/2003, foi cientificada do Ato Declaratório Executivo n° 0453441 emitido em 17/08/2003, que o excluía do Simples, tendo como situação excludente o fato de ter "sócio com mais de 10% e receita global acima do limite legal". A empresa ingressou com pedido de Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS) em 23/09/2003, que levou o n° 10107000073 e suspendeu temporariamente a exclusão. Porém, após análise da SRS, a exclusão foi mantida com efeitos retroativos a 01/01/2002. A SRS foi declarada improcedente em 23/07/2004 e o contribuinte foi cientificado do fato, por AR, em 04/08/2004, conforme informação da DRF/Novo Hamburgo. Poderia o contribuinte, dentro do prazo, ter recorrido à. Delegacia da Receita Federal de Julgamento e, em última instância, ao Conselho de Contribuintes. Não localizamos nenhum desses procedimentos por parte dele, logo está sujeito aos efeitos da exclusão. A partir destas informações, não expressamente contestadas pela Recorrente, verificase que o procedimento de exclusão de ofício está findo na esfera administrativa, de sorte que esta questão não pode ser reexaminada nos presentes autos. A Recorrente afirma que pode ser incluída de ofício no Simples, nos termos legais. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação legal expressa. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. Comprovada a ocorrência de erro de fato, a autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão com efeito retroativo no Simples de pessoa jurídica inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ). Para tanto é imprescindível identificar sua intenção inequívoca de aderir ao Simples, cujos instrumentos hábeis os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada (DSPJ) e ainda não incorra em circunstância objeto de vedação legal expressa. O indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submetese ao rito do processo Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005639/200817 Acórdão n.º 180101.105 S1TE01 Fl. 95 5 administrativo fiscal1. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples, todavia, não prescinde de ser processado no rito especial previsto no § 6º do art. 8º da Lei nº 9.317, de 1996 e em autos apartados. Logo, esta questão não pode ser examinada no presente processo. Assim, superadas as matérias prejudiciais referentes à exclusão de ofício e ao pedido de inclusão retroativa, ambas referentes ao Simples, tem cabimento a análise dos demais argumentos constantes na peça recursal. A Recorrente discorda, no mérito, da aplicação da multa de ofício isolada por falta na entrega da DCTF. A obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela RFB. Neste caso a pessoa jurídica fica sujeita multa de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento). Por via de regra, a multa mínima a ser aplicada é de R$500,00 ( quinhentos reais). Será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, deverão apresentar trimestralmente a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica excluída do Simples, a partir, inclusive, do trimestre que compreender o mês em que a exclusão surtir seus efeitos. A DCTF deve ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos2. Na presente situação fática, a Recorrente foi excluída do Simples a partir de 01.01.2002. O prazo final para entrega da DCTF relativa ao quarto trimestre do anocalendário de 2003 era 13.02.2004. A Recorrente foi intimada a apresentála em 02.09.2009. Por esta razão não cabem reparos ao crédito tributário constituído pelo lançamento de ofício. 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 2 de outubro de 2002. 2 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional, art.7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e art. 2º, art. 3º e art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005639/200817 Acórdão n.º 180101.105 S1TE01 Fl. 96 6 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso3. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade4. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face de o exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11080.012835/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS. ÔNUS DA PROVA.
Restando configurado, através de documentação hábil e idônea, que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo. Cabe ao interessado, não ao Fisco, provar a sua suposta condição de não contribuinte para que possa se eximir do pagamento do imposto de renda pessoa física, tendo em vista que são contribuintes todas as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão. CARNÊ-LEÃO. RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO. A falta comprovação do recolhimento do valor informado na declaração de ajuste anual a titulo de carne-leão e imposto complementar, determina a manutenção do lançamento de crédito tributário. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, de rendimentos isentos e não tributáveis lançados na Declaração de Ajuste Anual, é dever da autoridade fiscal efetuar a sua reclassificação para rendimentos tributáveis e proceder a respectiva tributação de ofício. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever
da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.920
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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ÔNUS DA PROVA. Restando configurado, através de documentação hábil e idônea, que o contribuinte omitiu rendimentos recebidos, há que se manter a infração tributária imputada ao sujeito passivo. Cabe ao interessado, não ao Fisco, provar a sua suposta condição de não contribuinte para que possa se eximir do pagamento do imposto de renda pessoa física, tendo em vista que são contribuintes todas as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão. CARNÊLEÃO. RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO. A falta comprovação do recolhimento do valor informado na declaração de ajuste anual a titulo de carneleão e imposto complementar, determina a manutenção do lançamento de crédito tributário. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, de rendimentos isentos e não tributáveis lançados na Declaração de Ajuste Anual, é dever da autoridade fiscal efetuar a sua reclassificação para rendimentos tributáveis e proceder a respectiva tributação de ofício. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 2 RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório MARCELO DELLA GIUSTINA, contribuinte inscrito no CPF/MF 442.682.62091, com domicílio fiscal na cidade de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, à Rua José Kanan Aranha, nº 173 – Bairro Ipanema, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre RS, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 112/116, prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 120/127. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 20/08/2007, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 81/85), com ciência, através de AR, em 23/10/2007 (fls. 87), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 12.433,91 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão da Declaração de Ajuste Anual relativo ao exercício de 2005, onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CARNÊLEÃO: Glosa do valor de R$ 684,68 pleiteado indevidamente a titulo de CarnêLeão, correspondente à diferença entre o valor declarado R$ 684,68 e os valores efetivamente recolhidos com o código de receita 0190 R$ 0,00, conforme informações constantes dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Infração capitulada no art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95; arts. 7°, §§ 1° e 2° e 87, inciso IV do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99 e art. 21 da Instrução Normativa SRF no 15/2001. 2 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 27.492,97, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 824,78. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, 8° e 9°, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 5°, 6º e 33, da Lei n° 9.250, de 1995 e arts. 1° e 15, da Lei n° 10.451, de 2002. Em sua peça impugnatória de fls. 01/06, instruída pelos documentos de fls. 07/80, apresentada, tempestivamente, em 22/11/2007, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o contribuinte, na condição de advogado militante e atuante perante a Justiça Federal, patrocina, há vários anos, uma série de demandas em favor de ex funcionários Fl. 135DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 4 da extinta Caixa Econômica Estadual contra a União Federal. Nessa demandas, é questionada a incidência de Imposto de Renda em decorrência da liquidação do patrimônio da igualmente extinta FUCAE Fundação dos Funcionários da Caixa Econômica Estadual, espécie de pecúlio mantido pelos ex funcionários da indigitada instituição financeira; que, com efeito, tendo logrado sucesso em muitas demandas de repetição de indébito tributário, o contribuinte viu reconhecido aos seus constituintes o direito de receberem da União, a devolução do imposto indevidamente retido na fonte. Tais valores, pagos pela União, na realidade eram recebidos mediante o levantamento de alvará judicial sacado pelo contribuinte junto à Caixa Econômica Federal, que figurava como entidade pagadora para todos os efeitos; que o alegado rendimento omitido, pois, que montava época em R$ 27.492,97, nada mais era do que o montante sacado pelo contribuinte em razão de o recebimento de um alvará judicial fruto do êxito de ação de repetição de indébito tributário movida contra a União; que, tais valores, importante, riçar, não tocaram ao contribuinte. Pelo contrário, foram alcançados aos verdadeiros titulares, seus constituintes, mediante oportuna prestação de contas. O contribuinte, na verdade, foi apenas o agente do saque, porém jamais o destinatário dos valores; que, em resumo, o contribuinte não percebeu quaisquer proventos, não teve qualquer acréscimo patrimonial em razão do recebimento de tais valores, porquanto não lhe pertenciam; que examinando a inteligência da indigitada decisão, verificase que o ônus que recai sobre o profissional é o de comprovar apenas o repasse aos efetivos titulares dos valores, agraciados com os proventos sacados. Desincumbindose desse ônus, como o faz o contribuinte através do documental em anexo, impende seja revisado o lançamento equivocado, a teor do que determina o artigo 149, do CTN; que, assim, demonstrado o efetivo repasse dos valores a terceiros, temse que improcede o lançamento efetuado, pois fruto de equivoco do agente fiscal, pelo que merece ser revisado por essa autoridade; que o montante de R$ 3.710,00 foi na verdade retido pela Caixa Econômica Federal no AnoCalendário de 2003, e é decorrente de incidência de IR sobre valores sacados a titulo de honorários advocatícios através de alvará judicial. Tal retenção, efetuada pela instituição financeira decorre de obrigação legal prevista na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; que, de forma equivocada, o contribuinte lançou tais valores como frutos de retenção do CarneLeão, presumindose, por conta desse erro material, que pretendia a compensação desse valor na verdade, o próprio IR retido com o imposto devido no exercício. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Oitava Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: que o notificado alega que os valores informados pela Caixa Econômica Federal por intermédio de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF são Fl. 136DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 4 5 decorrentes de levantamento por alvará judicial fruto de ações diversas interpostas contra a União em favor de seus representados, ex funcionários da extinta Caixa Econômica Estadual; que do exame desses documentos, constatase que grande parte é de ano calendário diverso do lançado pela fiscalização qual seja, 2004. Os de fls. 09/18 e 62/65, são relativos aos anoscalendário 2005 e 2006; que quanto aos demais documentos, verificase que não há relação direta entre os valores constantes nos alvarás judiciais com as transferências e depósitos bancários efetuados pelo escritório de advocacia no qual o notificado participa — Della, Giustina, Hoffmann & Vianna de Souza — em favor de pessoas apontadas como seus clientes; que na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF emitida pela Caixa Econômica Federal consta que foram feitos os seguintespagamentos: Maio/2004 — R$ 4.342,82; Junho/2004 — R$ 7.503,02 e Outubro/2004 — 15.647,13; que às fls. 19/23 consta cópia de transferências bancárias efetuadas em 01/07/2004 que superam o valor informado pela CEF como pago nas competências maio e junho/2004. A CEF informou R$ 4.342,82 e R$ 7.503,02, relativamente a maio e junho de 2004, respectivamente, totalizando R$ 11.845,84, e o notificado apresentou cinco TED 's os quais totalizam R$ 16.026,25; que às fls. 24/41, foram anexadas cópias de 18 alvarás judiciais, emitidos em Maio/2004, autorizando levantamento dos valores depositados, totalizando R$ 107.007,05; que as cópias de TED's de fls. 42/50 são relativas A. movimentação no mês dezembro de 2004; que os recibos de quitação, de fls. 51 e 59, TED's de fls. 52/56 e comprovantes de depósitos bancários de fls. 57/58 e 61 são relativos 04/2004 (anteriores ao crédito informado pela CEF na DIRF); que o TED de fls. 66, efetuado em 01/06/2004, em favor de Rose Mari Mardini, corresponde ao valor de R$ 11.680,24; que os TED's de fls. 67/72, efetuados em Maio/2004, totalizam R$ 35.736,03; que as cópias dos depósitos bancários de fls. 73 e parte das folhas 74/79, não tem identificação da data. Partes das cópias das folhas 74/78 são do ano de 2003; que verificase que em nenhum momento há qualquer correspondência entre os valores levantados mediante alvará judicial ou transferidos mediante depósito ou transferência bancária com os valores informados pela CEF como pagos ao notificado; que em vista disso, e em razão da falta de prova efetiva do alegado pelo notificado no sentido de que os valores informados pela CEF foram por ele recebidos como fruto das ações judiciais interpostas em favor de seus representados, deve ser mantida a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 6 que melhor sorte não assiste ao notificado em relação à glosa do valor informado como pago a titulo carneledo. A fiscalização glosou o valor informado pelo notificado na declaração de ajuste anual — R$ 684,68 — e, para fins de cálculo do imposto devido, aproveitou o valor informado pela CEF na DIRF — R$ 824,78; que considerando que os argumentos apresentados pelo notificado são insuficientes para elidir o lançamento, deve ser mantido integralmente o crédito tributário apurado. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Exercício: 2005 RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE TRABALHO ASSALARIADO. Estando demonstrada a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada através de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora, deve ser mantido o lançamento. CARNÊLEÃO. RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO. A falta comprovação do recolhimento do valor informado na declaração de juste anual a titulo de carneleão e imposto complementar, determina a manutenção do lançamento de crédito tributário. Impugnação Improcedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 30/08/2010, conforme Termo constante às fls. 117/119, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (29/09/2010), o recurso voluntário de fls. 120/127, instruído pelos documentos de fls. 128/129, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que impende ponderar, que a pouco significativa divergência entre os valores sacados (informados como pagos pela CEF) e aqueles comprovadamente repassados aos seus constituintes, é fruto de pagamento, com o corolário abatimento, de honorários advocatícios, eventuais despesas periciais ou custas adiantadas pelo profissional, sendo impossível haver expressa correspondência entre valores. Tal fato não invalida a tese, notadamente quando comprovada; que a, assim, na pior hipótese, deve ser provido o recurso e determinada a revisão do lançamento ao efeito de se limitar o valor do crédito tributário ao montante da divergência entre o comprovadamente sacado e repassado a terceiros, clientes e constituintes do contribuinte; que no que tange A alegada compensação indevida de CarnêLeão, novamente, fazse necessário destacar o equivoco da autoridade fiscal; que o montante de R$ 3.710,00 foi na verdade retido pela Caixa Econômica Federal no AnoCalendário de 2003, e é decorrente de incidência de IR sobre valores sacados a Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 5 7 titulo de honorários advocatícios através de alvará judicial. Tal retenção, efetuada pela instituição financeira decorre de obrigação legal prevista na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; que, de forma equivocada, o contribuinte lançou tais valores como frutos de retenção do CarneLeão, restando presumido pela Receita, por conta desse erro material, que pretendia a compensação desse valor — na verdade, o próprio IR retido com o imposto devido no exercício. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 8 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o recorrente apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada em Primeira Instância, sendo que para tanto suscita, tãosomente, matéria de mérito. Da análise dos autos, observase que a exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade lançadora procedeu a glosa do valor de R$ 684,68 pleiteado indevidamente a titulo de CarnêLeão, correspondente à diferença entre o valor declarado R$ 684,68 e os valores efetivamente recolhidos com o código de receita 0190 R$ 0,00, conforme informações constantes dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Infração capitulada no art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95; arts. 7°, §§ 1° e 2° e 87, inciso IV do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99 e art. 21 da Instrução Normativa SRF no 15/2001. Da mesma forma, a autoridade fiscal lançadora, confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 27.492,97, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 824,78. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, 8° e 9°, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 5°, 6º e 33, da Lei n° 9.250, de 1995 e arts. 1° e 15, da Lei n° 10.451, de 2002. Resta claro, nos autos, que a fonte pagadora, declarou em sua Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF) como sendo rendimentos tributáveis pagos o valor de R$ 27.492,97, bem como que houve a glosa do valor de R$ 684,68 pleiteados indevidamente a título de carnêleão. Como se vê a questão em discussão é eminentemente de matéria de prova. Ou seja, à questão está restrita em se saber se o recorrente, à época do fato gerador, ostentava a condição de ter ou não recebido tais valores. Observase, que a autoridade julgadora de primeira instância concluiu, mediante a análise das provas apresentadas pelo recorrente, que os valores em discussão não foram em momento algum tributados, razão pela qual julgou improcedente a impugnação apresentada, cujo voto, com a devida vênia do relator, adoto e transcrevo como justificativa do presente voto: O notificado alega que os valores informados pela Caixa Econômica Federal por intermédio de Declaração do Imposto de Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 6 9 Renda Retido na Fonte — DIRF são decorrentes de levantamento por alvará judicial fruto de ações diversas interpostas contra a União em favor de seus representados, ex funcionários da extinta Caixa Econômica Estadual. Do exame desses documentos, constatase que grande parte é de anocalendário diverso do lançado pela fiscalização qual seja, 2004. Os de fls. 09/18 e 62/65, são relativos aos anoscalendário 2005 e 2006. Quanto aos demais documentos, verificase que não há relação direta entre os valores constantes nos alvarás judiciais com as transferências e depósitos bancários efetuados pelo escritório de advocacia no qual o notificado participa — Della, Giustina, Hoffmann & Vianna de Souza — em favor de pessoas apontadas como seus clientes. Na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF emitida pela Caixa Econômica Federal consta que foram feitos os seguintespagamentos: Maio/2004 — R$ 4.342,82; Junho/2004 — R$ 7.503,02 e Outubro/2004 — 15.647,13. Às fls. 19/23 consta cópia de transferências bancárias efetuadas em 01/07/2004 que superam o valor informado pela CEF como pago nas competências maio e junho/2004. A CEF informou R$ 4.342,82 e R$ 7.503,02, relativamente a maio e junho de 2004, respectivamente, totalizando R$ 11.845,84, e o notificado apresentou cinco TED 's os quais totalizam R$ 16.026,25. Às fls. 24/41, foram anexadas cópias de 18 alvarás judiciais, emitidos em Maio/2004, autorizando levantamento dos valores depositados, totalizando R$ 107.007,05. As cópias de TED's de fls. 42/50 são relativas A. movimentação no mês dezembro de 2004. Os recibos de quitação, de fls. 51 e 59, TED's de fls. 52/56 e comprovantes de depósitos bancários de fls. 57/58 e 61 são relativos 04/2004 (anteriores ao crédito informado pela CEF na DIRF). O TED de fls. 66, efetuado em 01/06/2004, em favor de Rose Mari Mardini, corresponde ao valor de R$ 11.680,24. Os TED's de fls. 67/72, efetuados em Maio/2004, totalizam R$ 35.736,03. As cópias dos depósitos bancários de fls. 73 e parte das folhas 74/79, não tem identificação da data. Partes das cópias das folhas 74/78 são do ano de 2003. Verificase que em nenhum momento há qualquer correspondência entre os valores levantados mediante alvará judicial ou transferidos mediante depósito ou transferência bancária com os valores informados pela CEF como pagos ao notificado. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 10 Em vista disso, e em razão da falta de prova efetiva do alegado pelo notificado no sentido de que os valores informados pela CEF foram por ele recebidos como fruto das ações judiciais interpostas em favor de seus representados, deve ser mantida a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização. Melhor sorte não assiste ao notificado em relação à glosa do valor informado como pago a titulo carneledo. A fiscalização glosou o valor informado pelo notificado na declaração de ajuste anual — R$ 684,68 — e, para fins de cálculo do imposto devido, aproveitou o valor informado pela CEF na DIRF — R$ 824,78. Considerando que os argumentos apresentados pelo notificado são insuficientes para elidir o lançamento, deve ser mantido integralmente o crédito tributário apurado. Ora, nesta fase recursal, não foi acostado nenhum documento comprobatório que confrontasse a decisão de primeira instância. O que se vê são meras alegações reprisando a peça impugnatória. Não existe prova irrefutável de que o recorrente tem razão em suas alegações, nada foi apresentado que comprovasse que a fonte pagadora tivesse cometido algum erro na DIRF apresentada. Não é crível, que o recorrente não pudesse apresentar uma declaração da fonte pagadora assumido que houve um erro material na DIRF por ela apresentada, limitase a alegações vagas, sem a devida comprovação, de que todos os valores recebidos por ele foram tributados e informado em sua Declaração de Ajuste Anual, quando a própria fonte pagadora informa que o recorrente recebeu de fato os R$ 27.492,97 de rendimentos tributáveis. É bem verdade, mesmo que a autoridade lançadora não tivesse comprovado com total certeza, ainda, sim cabia a recorrente, que recebeu as quantias demonstrar e comprovar que tais rendimentos já foram tributados ou que são rendimentos isentos e não tributáveis. Assim, é de se deixar claro, que os agentes do Fisco têm, mais que direito, o dever de recorrer, quando for o caso, às declarações de rendimentos apresentadas pelos contribuintes, para analisar os rendimentos isentos e não tributáveis declarados, sempre que, por motivos mais diversos, entender que tais rendimentos são componentes da base de cálculo do imposto anual e as informações do contribuinte não se estribem em documentação hábil e idônea demonstrando o contrário. Por isso mesmo, as ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real intenção, e assim se beneficiar indevidamente do tratamento diferenciado, deve merecer a ação saneadora contrária, por parte da autoridade fiscal, em defesa até dos legítimos beneficiários daquele tratamento. Dessa forma, não podia e não pode o fisco permanecer inerte diante de procedimentos dos contribuintes cujos objetivos são exclusivamente o de ocultar ou impedir o surgimento das obrigações tributárias definidas em lei. Detectado esse procedimento irregular, como no presente caso compete ao fisco proceder como fez. É óbvio, que o autuado tem que ter uma prova de que já submeteu estes rendimentos a tributação ou que não era passível de tributação por não ter recebido tais rendimentos. Assim, vêse o quão acertado foi o procedimento do Fisco, ao submeter os rendimentos questionados a tributação. Não haveria outra forma de se proceder senão essa, já que o contribuinte não apresentou nenhuma prova contundente que invalidasse o feito fiscal. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 7 11 A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação. Sendo assim, entendo que cabia ao recorrente comprovar o alegado, porque somente ele tinha condições de fazêlo, razão pela qual mantenho a decisão da autoridade julgadora de Primeira Instância. Por fim, cabe tecer alguns comentários sobre a aplicação da penalidade. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 12 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 11080.012835/200761 Acórdão n.º 220201.920 S2C2T2 Fl. 8 13 princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto de Renda Pessoa Física é um tributo é calculado levandose em consideração os rendimentos auferidos, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ainda, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN 14 Declaração de Voto Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 11516.002719/2006-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 16/07/2004 a 28/02/2005
IPI. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. ISENÇÃO. NÃO TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. DECISÃO JUDICIAL.
A impossibilidade de creditamento de IPI no caso de aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero restou pacificada judicial e administrativamente. Não bastasse isso, a decisão definitiva exarada no processo impetrado pela recorrente segue o mesmo caminho.
IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONCEITO.
O conceito de industrialização abarca as operações de transformação de polietileno granulado em plástico.
JURISPRUDÊNCIA. VINCULAÇÃO. HIPÓTESES.
São expressamente previstas na legislação as hipóteses em que a jurisprudência vincula o julgador administrativo (v.g. as tratadas no § 6o do art. 26-A do Decreto no 70.235/1972, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009; e no art. 62-A do Regimento Interno do CARF). Mesmo diante de tais hipóteses, só há vinculação se as características do caso concreto permitirem enquadrá-lo estritamente no precedente.
Numero da decisão: 3403-001.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 16/07/2004 a 28/02/2005 IPI. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. ISENÇÃO. NÃO TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. DECISÃO JUDICIAL. A impossibilidade de creditamento de IPI no caso de aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero restou pacificada judicial e administrativamente. Não bastasse isso, a decisão definitiva exarada no processo impetrado pela recorrente segue o mesmo caminho. IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONCEITO. O conceito de industrialização abarca as operações de transformação de polietileno granulado em plástico. JURISPRUDÊNCIA. VINCULAÇÃO. HIPÓTESES. São expressamente previstas na legislação as hipóteses em que a jurisprudência vincula o julgador administrativo (v.g. as tratadas no § 6o do art. 26-A do Decreto no 70.235/1972, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009; e no art. 62-A do Regimento Interno do CARF). Mesmo diante de tais hipóteses, só há vinculação se as características do caso concreto permitirem enquadrá-lo estritamente no precedente.
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INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. ISENÇÃO. NÃO TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. DECISÃO JUDICIAL. A impossibilidade de creditamento de IPI no caso de aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero restou pacificada judicial e administrativamente. Não bastasse isso, a decisão definitiva exarada no processo impetrado pela recorrente segue o mesmo caminho. IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONCEITO. O conceito de industrialização abarca as operações de transformação de polietileno granulado em plástico. JURISPRUDÊNCIA. VINCULAÇÃO. HIPÓTESES. São expressamente previstas na legislação as hipóteses em que a jurisprudência vincula o julgador administrativo (v.g. as tratadas no § 6o do art. 26A do Decreto no 70.235/1972, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009; e no art. 62A do Regimento Interno do CARF). Mesmo diante de tais hipóteses, só há vinculação se as características do caso concreto permitirem enquadrálo estritamente no precedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 19 /2 00 6- 95 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 160 a 1651) lavrado em 16/11/2006 contra a recorrente, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (períodos de apuração de 07/2004 a 02/2005), acrescido de juros de mora, no valor consolidado de R$ 2.569.266,79, indicando estar o crédito com exigibilidade suspensa, em virtude de decisão proferida no Mandado de Segurança no 2004.72.00.0109083. No Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 166 a 169), narrase que o estabelecimento da empresa, dedicado à fabricação de embalagens de plástico (tributadas à alíquota de 15% a título de IPI), creditouse indevidamente, no Livro de Registro de Apuração do IPI, dos valores referentes à aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero especificados à fl. 168 (pela mesma alíquota do produto final), o que foi objeto de glosa, originando a autuação de que trata o presente processo. Assim, e tendo em vista o citado processo judicial, no qual foi concedida a segurança, reconhecendo o direito ao crédito do IPI referente à aquisição de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero com a mesma alíquota utilizada na operação de saída, o lançamento efetuado se refere a créditos com exigibilidade suspensa (cf. art. 151, IV do CTN), não se aplicando multa de ofício. O crédito tributário foi exigido em autuações distintas por estabelecimento (sendo o presente processo referente à filial, e o processo no 11516.002718/200641 relativo à matriz). Cientificada da autuação em 24/11/2006 (fl. 164), a empresa apresentou impugnação em 21/12/2006 (fls. 179 197), alegando que não pretende discutir na via administrativa a glosa dos créditos mencionados, pois a matéria se encontra sub judice, inclusive com deferimento de liminar no Mandado de Segurança no 2004.72.000109083, mas pretende sim discutir a não incidência do IPI sobre o resultado de sua atividade, que se enquadra no conceito de prestação de serviços (confecção sob encomenda de rótulos e embalagens personalizados), mais especificamente no item 13.05 da lista de serviços Anexa à Lei Complementar no 116/2003 (item 77 da lista do DecretoLei no 406/1968). Informa que confecciona: (a) rótulos para utilização em produtos (v.g. garrafas de “CocaCola”) cuja embalagem não fabrica nem fornece, limitandose a adquirir de terceiros o substrato em bobinas, e sobre ele executar os serviços de composição gráfica, entregando ao cliente o produto final, que são os rótulos; (b) embalagens com serviço de composição gráfica (em sua maior parte sacos plásticos), sendo que em alguns casos tais sacos são obtidos por extrusão pela própria recorrente, e em outros adquiridos de terceiros em forma de bobinas, sobre as quais executa a composição gráfica; e (c) embalagens sem composição gráfica, que constituem pequena parcela de seu faturamento, e se destinam em regra ao acondicionamento de bebidas (com características que fazem com que não tenha serventia para nais ninguém a não ser o próprio encomendante). Ascrescenta ainda jurisprudência (inclusive administrativa) em favor 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11516.002719/200695 Acórdão n.º 3403001.982 S3C4T3 Fl. 441 3 de seu entendimento de que a atividade de composição gráfica (que é efetivamente a atividade fim da recorrente) não se sujeita ao IPI, afirmando que procedeu ao lançamento do IPI por erro, e deve prevalecer no processo a verdade real (exigência exclusivamente de ISS). Anexa, por fim, Laudo (fls. 198 a 247) no qual se afirma que a atividade da impugnante consiste na elaboração de rótulos e embalagens “mediante prévia encomenda, mediante processo de composição gráfica, e são personalizados, à medida que se destinam apenas ao uso do encomendante”, protestando pela juntada posterior de laudo técnico complementar (que foi apresentado em 8/3/2007, pelo documento de fls. 265 a 268, passando a constar do presente processo fls. 269 a 348). A informação sobre o trânsito em julgado da ação judicial (Mandado de Segurança no 2004.72.00.0109083) chega ao processo em 28/4/2008, pelo documento de fl. 353, acompanhado de excertos das peças processuais às fls. 354 a 311. Em 4/10/2011 (fls. 379 a 393), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela improcedência da impugnação, decidindose que: (a) as decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1a instância nas situações expressamente previstas na legislação; e (b) os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no art. 8o, § 1o do DecretoLei no 406/1968 estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS, não havendo norma que exclua tal incidência. A questão referida à medida judicial não foi objeto de análise pela DRJ. Cientificada da decisão em 10/11/2011 (AR à fl. 396), a empresa apresenta recurso voluntário em 7/12/2011 (fls. 397 a 417), basicamente reiterando a argumentação exposta na impugnação, cabendo destacar de seu texto considerações no sentdo de que: (a) o IPI foi destacado nas Notas Fiscais emitidas e escriturado no Livro de Registro de Apuração do IPI, onde também foram escriturados os créditos “presumidos” relativos a insumos não tributados, isentos e tributados à alíquota zero, enquanto a empresa discutia o tributo em quatro ações judiciais: processos no 1999.61.00.0580943 (crédito de IPI relativo a matériaprima adquirida com alíquota zero), no 2002.61.00.0197589 (créditoprêmio à exportação), no 2004.72.00.0109083 (crédito de IPI relativo a insumos não tributados) e no 2004.61.00.0012033 (crédito do IPI relativo a diferenças entre a alíquota do insumo e a alíquota do produto final); (b) a recorrente recolheu, no período em referência, apenas a diferença entre débitos e créditos (nestes incluídos os “presumidos”), o que foi considerado irregular pelo Fisco, que glosou os créditos, gerando a autuação aqui discutida; (c) ao impugnar a exigência, a recorrente não questionou a glosa dos créditos presumidos, haja vista que o direito a eles estava sub judice, em processos agora encerrados, na linha do que restou decidido pelo STF: não há direito a créditos “presumidos” de tal natureza; (d) limitouse a impugnação a discutir a não incidência do IPI sobre as operações realizadas, entendendo que sobre tais operações incidiria somente o ISS, conforme jurisprudência carreada aos autos; (e) o julgador a quo entendeu que a incidência do ISS não afasta o IPI, visto que uma das etapas de confecção envolve típica industrialização (“extrusão” transformação do propileno em plástico); (f) a tese do julgador a quo é lógica e coerente, mas esbarra em decisões do STF, do STJ e do próprio CARF; (g) a matéria já foi decidida na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.092.206/SP), vinculando o julgador do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno do tribunal administrativo; e (h) também já houve decisão com efeito erga omnes sobre a matéria no RE no 106.173 e na ADI no 4389. É o relatório. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O presente processo acabou por seguir curso sui generis, pois a motivação da autuação (glosa de crédito de IPI referente a produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero) sequer foi impugnada, em função de acesso à via judicial (acesso esse que teve como resultado definitivo a denegação do pleito da recorrente, antes mesmo da decisão administrativa de primeira instância), passandose no processo a discutir se as operações efetuadas pela recorrente estão sujeitas ao IPI. Na impugnação administrativa, a recorrente afirma que apesar de ter, durante todo o período fiscalizado, escriturado o IPI e efetuado os correspondentes destaques, entende não ser a operação que executa tributada pelo IPI. Nas palavras da recorrente (fl. 184): “No caso presente, a Impugnante, por erro, procedeu ao lançamento do IPI. Agora, tendo constatado o seu erro, pretende desonerarse desse imposto, visto que o imposto devido é o ISS.” Assim, enquanto discutia na via judicial o cabimento do creditamento do IPI, solicitando aplicação aos insumos “da mesma alíquota empregada no respectivo produto final industrializado” (grifo nosso), obtendo provimento inicial para “compensar os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados referentes aos insumos isentos ou não tributados, utilizados no processo de industrialização nos últimos dez anos, com débitos do mesmo tributo” (fl. 362 grifo nosso), na via administrativa optava por não discutir a matéria, alegando que as operações que realizava não estavam sujeitas ao IPI, mas sim ao ISS, porque se tratavam de serviços de composição gráfica. Da matéria discutida judicialmente transitada em julgado A impossibilidade de creditamento de IPI no caso de aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero restou pacificada judicial (como expresso nos autos) e administrativamente (v.g. Súmula CARF no 18, para o caso de alíquota zero). E a decisão definitiva exarada no processo impetrado pela recorrente segue o mesmo caminho. Recordese que a matéria discutida em juízo abarca a plenitude do lançamento, pois tudo o que se está imputando à recorrente na autuação é a glosa do IPI em relação a tais créditos, cuja impossibilidade restou judicialmente sedimentada. Na própria autuação (fl. 160), alertase: “O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança – processo judicial no 2004.72.000109083 (art. 151, incisos II e IV do CTN). Afastada a suspensão da exigibilidade, seja por falta ou insuficiência do depósito, caducidade ou cassação desfavorável Fl. 443DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11516.002719/200695 Acórdão n.º 3403001.982 S3C4T3 Fl. 442 5 ao sujeito passivo, este deverá (conforme teor e extensão do julgado) recolher total ou parcialmente o crédito lançado, com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição da dívida ativa, compensados, se for o caso, eventuais depósitos judiciais efetuados e a serem convertidos em renda da União.” Assim, resta indiscutivelmente hígido o lançamento efetuado. Da matéria discutida administrativamente incidência de IPI Como exposto de início, a argumentação da recorrente em sede administrativa, diametralmente distinta da empregada em juízo, foi no sentido de que não era contribuinte do IPI, mas do ISS. É certo que tal argumentação implicaria concordância com o fato de que toda a escrituração da empresa estava incorreta (como ela própria assume), de que suas ações judiciais em relação ao pagamento do IPI eram despropositadas, e de que desde o início ela deveria ter recolhido o ISS (o que não é matéria afeta ao presente processo, mas tema de interesse do fisco municipal). Mas isso não obstou a apreciação inaugural da matéria em primeira instância. Desafiante apreciar em sede de julgamento tal matéria, pois sobre isso não se versa na autuação. A fiscalização não teve por objeto demonstrar se a empresa efetuava ou não operações de industrialização. Ao tempo da autuação, o tema era incontroverso. A ausência de informações sobre o tema na autuação leva o julgador a quo a apreciar a matéria exclusivamente com base nos documentos colacionados pela recorrente (então impugnante). Na impugnação, a empresa apresenta um laudo técnico, no qual se afirma que a atividade da “PLASCPlásticos Santa Catarina LTDA” é “a produção de embalagens feitas exclusivamente sob encomenda e personalizada” (fl. 246). Contudo, informa a então impugnante que o laudo já havia sido produzido há algum tempo, e que “não destaca que a composição gráfica é a atividade fim e que a utilização de máquina extrusora para processar substrato de polietileno, em forma de bobina, visando darlhe a forma de saco ou outro tipo de embalagem, constitui apenas uma das etapas dessa atividade” (fl. 196). Nesse sentido, apresentase posteriormente laudo técnico complementar (de lavra do mesmo perito contratado), que atesta que a “PLASC está direcionada à IMPRESSÃO GRÁFICA” (fl. 340). Como já exposto no relatório, e afirmado em diversas ocasiões pela recorrente, sua atividade é a confecção de rótulos e embalagens (estas com ou sem serviço de composição gráfica). É, contudo, incontroverso que em tal “confecção” a empresa transforma o polietileno granulado em plástico (a DRJ destaca ainda outras formas pelas quais conclui que houve industrialização). Acrescentese o argumento do julgador de primeira instância, na forma trazida pela empresa em seu Recurso Voluntário (fl. 401): “A respeitável autoridade julgadora, no entanto, entendeu que o fato de incidir o ISS não afasta a incidência do IPI, haja vista que uma das etapas de confecção das embalagens envolve atividade típica de industrialização, que é a transformação do Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 polietileno granulado em plástico, denominada de ‘extrusão’. Em que pese o laudo técnico comprovar que a produção do plástico representou apenas 13,4% do custo final de uma embalagem com composição gráfica (...)” Em que pese a argumentação da recorrente, temse que é possível, a partir dos elementos por ela própria agregados ao processo, concluir que a empresa executa processo de industrialização. Como não se apresenta impugnação específica aos tópicos objetos da glosa (em decorrência de a matéria estar sendo discutida em juízo), inviável a vinculação à autuação por produto, para que se pudesse especificamente discutir em relação a um caso concreto se houve ou não subsunção aos precedentes narrados. Improcedente, assim, a argumentação da recorrente nesse aspecto. Dos precedentes administrativos e judiciais Como destacou o julgador de primeira instância, as decisões judiciais e administrativas não vinculam o julgador administrativo. São expressamente previstas na legislação as hipóteses em que a jurisprudência vincula o julgador administrativo (v.g. as tratadas no § 6o do art. 26A do Decreto no 70.235/1972, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009; e no art. 62A do Regimento Interno do CARF). Mesmo diante de tais hipóteses, só há vinculação se as características do caso concreto permitirem enquadrálo estritamente no precedente. E é exatamente ao art. 62A do RICARF que a recorrente remete ao afirmar que a decisão exarada no REsp no 1.092.206/SP, na sistemática dos recursos repetitivos, seria de cumprimento obrigatório por este tribunal. Tal julgado trata da delimitação da competência tributária entre Estados e Municípios, aclarando que as operações de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, estão sujeitas ao ISS(QN), e não ao ICMS: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DELIMITAÇÃO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA ENTRE ESTADOS E MUNICÍPIOS. ICMS E ISSQN. CRITÉRIOS. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. SÚMULA 156 DO STJ. 1. Segundo decorre do sistema normativo específico (art. 155, II, § 2º, IX, b e 156, III da CF, art. 2º, IV, da LC 87/96 e art. 1º, § 2º, da LC 116/03), a delimitação dos campos de competência tributária entre Estados e Municípios, relativamente à incidência de ICMS e de ISSQN, está submetida aos seguintes critérios: (a) sobre operações de circulação de mercadoria e sobre serviços de transporte interestadual e internacional e de comunicações incide ICMS; (b) sobre operações de prestação de serviços compreendidos na lista de que trata a LC 116/03 (que sucedeu ao DL 406/68), incide ISSQN; e (c) sobre operações mistas, assim entendidas as que agregam mercadorias e serviços, incide o ISSQN sempre que o serviço agregado estiver compreendido na lista de que trata a LC 116/03 e incide ICMS sempre que o serviço agregado não estiver previsto na referida lista. 2. As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item Fl. 445DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11516.002719/200695 Acórdão n.º 3403001.982 S3C4T3 Fl. 443 7 13.05). Consequentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção. 3. Recurso especial provido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (grifo nosso) 2 A decisão exarada pela DRJ não apresenta relação antagônica com o exposto no precedente, seja pelo fato de não versarem sobre os mesmos tributos, ou ainda por tratarem de situações fáticas distintas. Vejase que a decisão do STJ não trata de industrialização, mas simplesmente de composição gráfica, o que, como já se esclareceu aqui, não corresponde ao caso narrado nestes autos. Igualmente, os demais precedentes administrativos e judiciais apresentados pela recorrente, como já avaliou o julgador de primeira instância (o que se endossa), não guardam relação lógica com o caso analisado no presente processo, seja porque se referem à distinção entre mercadoria e serviço para efeito de ICMS/ISS(QN), porque versam sobre diplomas à luz da ordem constitucional anterior, ou mesmo porque tratam de situações de fato distintas da aqui apresentada. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan 2 STJ, Primeira Seção, REsp n. 1.092.206/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, unânime, j. 11/03/2009, p. DJe 23/03/2009. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 15504.000213/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA TÁCITA. NÃO CONHECIMENTO.
O acordo Judicial celebrado entre as partes ativa e passiva da relação jurídica tributária, em sede de Recurso Especial, devidamente homologado por Ministro do STJ, seguido por parcelamento administrativo do crédito tributário correspondente, implica desistência tácita do Recurso interposto, em decorrência da perda do objeto, circunstância que importa no não conhecimento do Recurso Voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-002.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Voluntário pela perda de seu objeto, em vista de acordo judicial.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrentes ESTADO DE MG SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DRJ BELO HORIZONTE MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA TÁCITA. NÃO CONHECIMENTO. O acordo Judicial celebrado entre as partes ativa e passiva da relação jurídica tributária, em sede de Recurso Especial, devidamente homologado por Ministro do STJ, seguido por parcelamento administrativo do crédito tributário correspondente, implica desistência tácita do Recurso interposto, em decorrência da perda do objeto, circunstância que importa no não conhecimento do Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Voluntário pela perda de seu objeto, em vista de acordo judicial. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva – Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 02 13 /2 00 8- 01 Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2002 Data da lavratura da NFLD: 20/12/2007. Data de ciência da NFLD: 02/01/2008. Tratase de Lançamento Tributário formalizado mediante a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, constituído em desfavor do Estado de Minas Gerais – Secretaria de Estado de Educação, consistente em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, bem como as contribuições patronais destinadas ao financiamento da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados não efetivos vinculados ao RGPS Regime Geral de Previdência Social – no período de 12/1998 a 12/2002, conforme descrito no relatório fiscal a fls. 171/176. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado apresentou impugnação a fls. 182/212. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou o feito em diligência para que fossem analisados os pontos abordados pelo impugnante e a listagem de servidores apresentada, e elaboração de parecer conclusivo quanto às alegações do impugnante, principalmente, no que tange às inconsistências relatadas e às questões suscitadas no pedido de perícia, conforme despacho a fls. 1125/1130. A fiscalização manifestouse a fls. 1.200 a 1.212, sugerindo a retificação do lançamento. O Estado de Minas Gerais manifestouse a fls. 1.223. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte exarou a decisão a fls. 1.280/1.304, julgando procedente em parte o lançamento fiscal, para dele fazer excluir os valores referentes às aposentadorias concedidas e pagas pelo Estado de Minas Gerais – Secretaria de Estado de Educação, retificando o crédito tributário na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR a fls. 1312/1340, recorrendo de ofício de sua decisão. Inconformado com a decisão prolatada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1347/1361, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Decadência quinquenal do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário; · Que a produção de prova pericial é indispensável para se verificar os valores lançados; Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.000213/200801 Acórdão n.º 2302002.437 S2C3T2 Fl. 2.396 3 · Que os servidores objeto do presente lançamento são vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, estando excluídos do Regime Geral de Previdência Social. Aduz que, por tal razão, “falece competência ao INSS para cobrar contribuições previdenciárias dos servidores estaduais cedidos de outros órgãos, detentores de função pública e contratados administrativamente, máxime quando se encontram em vigor as leis e Constituição Estaduais tratando sobre a vinculação destes servidores a regime próprio estadual”; Ao fim, requer extinção do processo com seu arquivamento, em razão da transação havida entre as partes, ou, alternativamente, a reforma da decisão recorrida, para anular o lançamento efetuado e reconhecer a inexistência do débito nele representado. O Julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2302000.127, de 01 de dezembro de 2011, a fls. 1402/1403, para que fosse juntada cópia da petição inicial do mandado de segurança impetrado pelo Recorrente, bem como do acordo judicial, e que fosse informado, ainda, se o crédito tributário aviado na presente NFLD estaria incluído em Parcelamento Especial. Fruto do incidente processual mencionado no parágrafo anterior, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG emitiu Informação Fiscal a fl. 2385, em que consta, verbis: 1. Em cumprimento à diligência determinada pela 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Resolução nº 2302000.127, relativa à NFLD nº 37.062+8411, juntamos ao presente cópia do Mandado de Segurança – Proc. Nº 1999.38.00.0178182 e do Acordo Judicial celebrado entre a União e o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e o Estado de Minas Gerais. 2. Conforme planilha encaminhada pelo Estado, através do oficio nº101/2011, também juntada ao presente, a NFLD em referência, foi apenas parcialmente incluída no parcelamento. 3. Cópia deste despacho está sendo encaminhada ao contribuinte para ciência e manifestação no prazo de 30 dias a contar da data do recebimento. Promovida a ciência do sujeito passivo a respeito da Resolução acima referida, bem como da Informação Fiscal dela decorrente, conforme Termo de Intimação e Aviso de Recebimento a fls. 2386/2391, o Recorrente deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora assinalado, sem se manifestar nos autos do vertente Processo Administrativo Fiscal. Relatados, sumariamente, os fatos relevantes. Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc 1. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Devidamente intimado da decisão de 1ª Instância Administrativa, o Ente Federativo em tela ofereceu Recurso Voluntário requerendo, preliminarmente, a extinção do processo com seu arquivamento, nos termos do art. 52 da Lei Federal nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, tendo em vista a transação havida entre as partes. Com efeito, visando a por fim ao litígio, a União e o Instituto Social do Seguro Social – INSS e o Estado de Minas Gerais celebraram Acordo Judicial, nos autos do Recurso Especial nº 1.135.162/MG, a fls. 2373/2379, em que as partes acima identificadas renunciam a prazos recursais, uma vez integralmente homologado o acordo, a qual se deu aos 18 dias do mês de agosto de 2010, conforme decisão a fls. 2380/2381. Em consequência do Acordo firmado, o Estado de Minas Gerais aderiu ao parcelamento a que se refere a Lei nº 11.941/2009, conforme Ofício nº 101/2011 da AdvocaciaGeral do Estado de Minas Gerais a fl. 2383, nele estando incluídos o crédito tributário objeto na NFLD nº 37.062.8411, ora em julgamento, relativo, exclusivamente, às obrigações tributárias não alcançadas pelo decurso do prazo decadencial, nos termos do Ofício GS 001728/2010 do gabinete do Secretário de Estado de Educação do Estado de Minas Gerais, a fls. 2296/2301 e do Requerimento de Consolidação de Parcelamento da Secretaria de Estado de Educação do Estado de Minas Gerais, a fls. 2291/2294, de 30 de agosto de 2010. Nesse cenário, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário oferecido pelo Estado de Minas Gerais – Secretaria de Estado de Educação, em razão de desistência tácita decorrente do acordo judicial celebrado entre o Estado de Minas Gerais, a União e o INSS, nos autos do Recurso Especial nº 1.135.162/MG, a fls. 2373/2379, com parecer favorável do Ministério Público Federal e Homologado pelo Min. Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça. 2. DO RECURSO DE OFÍCIO Conforme consignado na Informação Fiscal a fls. 1200/1212, a Fiscalização verificou que, na época do levantamento do crédito tributário, havia indicação de servidores afastados e aguardando solução de pedidos de aposentadoria, na sua maioria por invalidez, feitos judicialmente. Tais pedidos, em sua maioria, tiveram como desfecho, principalmente a partir de meados de 2006, a concessão da aposentadoria e cujos pagamentos deveriam ser realizados pelos cofres do Estado de Minas Gerais. Concluiu a fiscalização que, nesses casos de aposentadorias de servidores não detentores de cargos efetivos, concedida judicialmente e cujo beneficio é arcado pelo Estado de Minas Gerais, os valores pagos pelo Ente Federativo não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e, por tal razão, deveriam ser excluídos do lançamento. Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.000213/200801 Acórdão n.º 2302002.437 S2C3T2 Fl. 2.397 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, corroborando o entendimento da Fiscalização, promoveu a exclusão dos valores ora em realce do lançamento em debate e recorreu de ofício de sua decisão. Não merece reparo, contudo, a decisão do Órgão Julgador de 1ª Instância. Com efeito, ao determinar a concessão da aposentadoria, e cujos pagamentos deveriam ser realizados pelos cofres do Estado de Minas Gerais, o Poder Judiciário reconheceu a vinculação dos servidores beneficiários ao RPPS do ente federativo em relevo. Tal circunstância exclui do campo de incidência das contribuições previdenciárias os montantes pagos pelo Estado em foco a seus servidores aposentados. Por tais razões, pautamos pela negativa de provimento ao recurso de ofício. 3. CONCLUSÃO Nesse contexto, pugnamos pelo não conhecimento do recurso voluntário formulado a fls. 1347/1361, em razão da perda de seu objeto. Outrossim, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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