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Numero do processo: 10120.006665/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO.
A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, intimado, não comprove a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Havendo procedimento administrativo instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos da fiscalização, dos informes sobre a movimentação bancária do contribuinte.
Numero da decisão: 2201-002.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, intimado, não comprove a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Havendo procedimento administrativo instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos da fiscalização, dos informes sobre a movimentação bancária do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 66 65 /2 00 7- 07 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRF de Brasília/DF que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF (fls.65/72) do exercício 2003, anocalendário 2002 sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, conta mantida no Banco Bradesco S/A. Autuação a fls. 65 a 72 Impugnação a fls. 75 a 81. A decisão recorrida manteve a autuação e possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. AUSÊNCIA. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. No Recurso Voluntário sustenta preliminar de cerceamento de defesa, por não ter obtido cópia do procedimento administrativo e quebra do sigilo bancário. No mérito, diz que os depósitos bancários tem origem nas receitas da administração dos bens de seu pai – João Ribas – de usufruto de imóvel rural e na venda do rebanho bovino. Obteve receita e Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120.006665/200707 Acórdão n.º 2201002.364 S2C2T1 Fl. 3 3 despesas de custeio na atividade de seu pai. Faz diversas considerações de renda e rendimento tributável. Anoto, o recurso foi admitido e sobrestado na forma dos Par. 1º e 2º, do art.62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, acrescentado pela Portaria n° 586 de 21.12.2010, do Ministro da Fazenda. Com a revogação dos Par. 1º e 2º, do art.62A, pela Portaria n° 545, de 18.11.2013, os autos retornam a julgamento. É o relatório Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O Recurso foi admitido e sobrestado. Com a revogação dos Par. 1º e 2º, do art.62A, do Regimento Interno deste Conselho, pela Portaria n° 545, de 18.11.2013, os autos retornam a julgamento. Cuidase de autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF sobre omissão de rendimento apurada por meio de depósitos bancários de origem não comprovada. Nas razões de recurso pede a nulidade do processo administrativo por cerceamento do direito de defesa e do contraditório porque requereu cópia do procedimento administrativo para poder deduzir sua defesa e não foi atendido. Afirma que os pedidos foram efetuados diversas vezes de forma verbal, sem obter êxito, o que culminou com a formalização do pedido por escrito e também não foi atendido. Pede ainda a nulidade do procedimento administrativo por vício formal porque a ação fiscal se fez com a quebra de sigilo bancário e fiscal, com ofensa constitucional a garantia. Sem razão. Este Conselho reconhece como legitima a requisição e obtenção dos extratos bancários do contribuinte, seja por meio requisição via RMF, seja pelas informações existentes na CPMF, conforme cristalizado na Súmula 35, deste Conselho. Súmula CARF nº 35 (VINCULANTE): O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Se não bastasse a Súmula 2 deste Conselho impede a apreciação de matérias de indole constituicional. Confirase: Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES 4 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, afasto essa prejudicial da quebra do sigilo bancário. A segunda prejudicial diz respeito ao cerceamento do direito de defesa porque o autuado não teria recebido cópia deste procedimento administrativo para poder se defender adequadamente. Não há qualquer comprovação desses diversos pedidos de copia que teriam sido efetuados conforme sustenta o Recorrente. Vemos apneas que houve um pedido formal de cópias em 05.09.1997, a fls. 82 e 83, dos autos, sem comprovação de atendimento. Observo que antes desse pedido formal o autuado apresentou Impugnação com cerca de 400 documentos, sem alegar, apontar ou demonstrar a existência de qualquer prejuízo processual para realizar sua defesa, feita por advogado constituído nos autos. Ora, não há qualquer cerceamento do direito de defesa se o autuado não demonstrar o prejuízo processual sofrido com a possível falta dos documentos requeridos para a realização da sua defesa. Os documentos essenciais, a autuação e o relatório de fiscalização foram entregues ao autuado na notificação do lançamento, de foram que, sem demonstração do prejuízo processual não há como acolher o reclamo recursal. Rejeito assim a prejudicial do cerceamento do direito de defesa. No mérito, diz que a movimentação financeira na sua contacorrente decorre do fato de administrar, por meio de procuração, os bens e direitos de seu pai, João Ribas Diz que fez declaração compatível com a movimentação financeira e assim há qualquer de omissão de rendimentos. Continua o Recorrente, na Declaração de Ajuste de João Ribas CPF 060.144.888.04, comprovase o usufruto de imóvel rural de propriedade de João Ribas Filho (bens e direitos), administrado pelo Recorrente, por procuração. Além disso, sustenta, administrava parte de rebanho bovino de seu pai, também por procuração, e que foi declarado por ele na Declaração de Ajuste Anual. Para administrar, continua, era necessário fazer investimentos com a compra e venda de gado, por vezes feito em seu nome, porém, as notas fiscais, em anexo, demonstram tratarse de investimento (insumos, impostos, taxas, salários, máquinas e equipamentos) da Fazenda objeto do usufruto vitalício de João Ribas e Edna Benett. Finaliza, explicando que a sua declaração de rendimentos dá notícia de ter auferido receita bruta anual de R$ 1.942.823,38 e ter feito despesas de custeio e investimentos de R$ 3.672.671,08, que justifica a movimentação havida na sua conta corrente. Também não lhe assiste razão no mérito. A autuação é sobre de depósitos bancários omitidos e não justificados. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120.006665/200707 Acórdão n.º 2201002.364 S2C2T1 Fl. 4 5 Constatado o depósito bancário, na conta do autuado, cabe a ele comprovar a origem de cada depósito, sob pena de, não o fazendo, prevalecer a presunção legal da omissão de rendimentos. Aqui são alagações e alegações genéricas, sem nada de prova do fato alegado; prova especifica da justificativa de cada depósito bancário. A multa de 75% foi imposta no mínimo legal e não possui reparo. Ante o exposto, pelo meu voto, nego provimento ao recurso. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.729943/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE.
A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária.
PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõe-se a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado.
É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE.
O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária.
Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE OU SONEGAÇÃO. MAJORAÇÃO.
Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas a, b e c do Parágrafo Único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, a qual será duplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.
FRAUDE.
Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.
SONEGAÇÃO
Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Quanto ao mérito, o Conselheiro Leo Meirelles do Amaral acompanhou pelas conclusões.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Quanto ao mérito, o Conselheiro Leo Meirelles do Amaral acompanhou pelas conclusões. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõe-se a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE OU SONEGAÇÃO. MAJORAÇÃO. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas a, b e c do Parágrafo Único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, a qual será duplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Recurso Voluntário Negado
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DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõese a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 99 43 /2 01 2- 66 Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE OU SONEGAÇÃO. MAJORAÇÃO. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do Parágrafo Único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, a qual será duplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. FRAUDE. Configurase fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualificase como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.248 3 pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Quanto ao mérito, o Conselheiro Leo Meirelles do Amaral acompanhou pelas conclusões. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Data de lavratura dos Autos de Infração: 21/12/2012 Data da ciência dos Autos de Infração: 21/12/2012 Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.312.8649 e 37.312.8657, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, porém, indevidamente tidos pela empresa como contratos civis com pessoas jurídicas, conforme descrito no relatório fiscal de fls. 1832/1915. De acordo com a Resenha Fiscal, restou apurado que a Fundação Dom Cabral, doravante FDC, nos anos calendários de 2008 e 2009, mantinha em seus quadros técnicos e administrativos centenas de trabalhadores laborando na instituição com todas as características e pressupostos fáticos habitualmente existentes nas relações entre empregadores e segurados empregados, embora acobertados sob o manto de contratações celebradas entre pessoas jurídicas. Os segurados caracterizados como empregados foram identificados através da relação dos representantes legais das pessoas jurídicas supostamente contratadas pela FDC e informadas pela própria Autuada, das pessoas físicas prestadoras de serviços designadas nos registros contábeis da FDC (Conta de despesas n° 4102 – Rec. Humanos Externos PJ), dos responsáveis pelas assinaturas dos contratos de prestação de serviço celebrados com a FDC, e informações prestadas pelas próprias pessoas físicas em depoimentos e diligências fiscais realizadas pela fiscalização. Estas identificações foram ainda objeto de confronto e confirmação com dados extraídos dos sistemas do banco de dados da Receita Federal do Brasil. Os saláriosdecontribuição dos segurados empregados, cuja contratação irregular ocorreu como pessoas jurídicas, foram apurados por aferição indireta, e são equivalentes às importâncias mensais constantes nas notas fiscais emitidas para justificar as remunerações auferidas pelo seu trabalho, cujos valores encontramse registrados nos lançamentos contábeis da escrituração da FDC e confirmados nas declarações à RFB através da DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte). O crédito tributário apurado decorre de valores pagos a segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, cujas contribuições previdenciárias não foram devidamente recolhidas em suas épocas próprias. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa a fls. 1917/1966. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0244.773 6ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 2111/2127, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito tributário em sua integralidade. Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.249 5 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/06/2013, conforme Termo de Abertura de Documento a fl. 2134. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário a fls. 2136/2197, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o Acórdão é nulo, pois não foi apreciado requerimento de produção de provas; · Impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica pela Fiscalização; · Ausência de requisitos da relação de emprego; · Ausência de fraude a atrair a incidência de multa de ofício em duplicidade; Ao fim, requer a declaração de nulidade da Decisão de Primeira Instância Administrativa e autuação fiscal. Contrarrazões a fls. 2203/2244. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 18/06/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17/07/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DAS ALEGAÇÕES DE NULIDADE Alega o Recorrente ser nulo o Acórdão de 1ª Instância, pois não teria apreciado requerimento de produção de provas. Não ! A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.250 7 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Nos termos expressos da lei, a juntada de novos documentos no Processo Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se refiram a fato ou a direito superveniente, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Diante de tal panorama, após o oferecimento da impugnação, a juntada de novos documentos há que ser requerida não ao Órgão Julgador de 1ª Instância, como assim procedeu o Recorrente, mas, sim, ao Órgão que irá apreciar e julgar o recurso eventualmente interposto, in casu, ao CARF, se se tratar de Recurso Voluntário, ou à CSRF, nas hipóteses de Recurso Especial, repousando aos ombros do Peticionante o encargo processual de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo quarto do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, o que não foi demonstrado pelo Sujeito Passivo. Nesse contexto, na hipótese de o Autuado não lograr comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §4º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como oficiosa ou não contenciosa, a autoridade administrativa procede à coleta de informações, dados e elementos de prova, à audita de testemunhas, ao exame de documentos, à auditagem dos registros contábeis e fiscais, tendentes ao apuro de eventual ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária principal e/ou acessória. Sublinhese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.251 9 Tal compreensão é corroborada pelos termos consignados no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal que assegura aos litigantes, nos processos judiciais e administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é instaurada a fase contraditória) ou, exercendo o direito de defesa e do exercício do contraditório, poderá impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos) Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, os fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, bem como a assinatura da Autoridade Lançadora e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Conforme demonstrado, inexiste qualquer vício na formalização do débito a amparar as alegações de cerceamento de defesa ou de nulidade erguidas pelo Recorrente, motivo pelo qual rejeitamos a preliminar de mérito interposta. 2.2. DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Defende o Recorrente a impossibilidade de se desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços intelectuais pela Fiscalização. Sem razão. Não há no presente lançamento qualquer procedimento de desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. De maneira alguma. A personalidade jurídica de tais empresas permanece hígida, produzindo todos os efeitos que lhe são de estilo, tal como no momento de sua constituição. O que há, de fato, no presente caso, é a caracterização da condição de segurado empregado de pessoas físicas laborando para a empresa autuada sob condições reais de não Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 eventualidade, pessoalidade, subordinação jurídica e onerosidade, disfarçada e encoberta por um falacioso formalismo de Pessoa Jurídica. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma Jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente levadas a efeito numa determinada relação jurídica e as forma dos atos jurídicos hipoteticamente concebidos em seus registros e idealizados para a sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalecerá a realidade dos fatos. A pedra de toque não é a qualificação contratual ou a concepção idealizada dos atos, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual – na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana a empresa, em caráter intuitu personae, de natureza não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração pelos serviços prestados. Nessa esteira, uma vez constatada prestação remunerada de serviços à empresa por pessoa física na condição de segurado empregado, a Fiscalização, por força da natureza plenamente vinculada do seu dever de ofício, e com fulcro no art. 37 da Lei de Custeio da Seguridade Social, verificado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições previdenciárias decorrentes de tal prestação laboral, lavrou o competente auto de infração ora em debate. Assim, com fundamento no permissivo encartado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, e mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, procederam os Auditores Fiscais à desconsideração substancial dos atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica das empresas prestadoras. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos, os quais permanecem produzindo os seus efeitos típicos no mundo jurídico. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas desconsiderou, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.252 11 Em outras palavras: Apesar de os contratos de prestação de serviços haverem sido FORMALMENTE celebrados com pessoas jurídicas, a prestação dos serviços contratados se deu MATERIALMENTE sob os mantos caracterizadores da relação de segurado empregado. Diante desse quadro, a norma tributária que aflui do Parágrafo Único do art. 116 do CTN opera como se, juridicamente, tais contratos formais não produzissem os efeitos que lhes são típicos, exclusivamente, para os fins da tributação previdenciária ora em debate, porém, mantendose hígidos, todavia, para todos os demais fins, inclusive para os fins da Lei nº 11.196/05. Registrese, por relevante, que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços intelectuais. A situação jurídica de tais empresas perante o Ordenamento Jurídico permanece inalterada, malgrado o lançamento ora em debate. O fundamento do lançamento em questão, reiterese, assentase na efetiva existência de vínculo de segurado empregado (Instituto de Direito Previdenciário), revelado pela constatação da presença de todos os elementos caracterizadores de tal qualificação jurídica previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, circunstância que sujeita a Autuada e os segurados em apreço às obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Não se deve olvidar que inexiste impedimento legal para que uma mesma pessoa física seja sócia de uma empresa prestadora de serviços intelectuais e, concomitantemente, mantenha múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas outras empresas. Decerto, a condição de segurado empregado não exige exclusividade do trabalhador com a empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, e ser segurado contribuinte individual em relação a uma outra empresa distinta da primeira, e assim por diante ... No caso, com fulcro no princípio da primazia da realidade sobre a forma, a Fiscalização constatou a existência de vínculo material de segurado empregado entre os trabalhadores em tela e a Autuada, bem como a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias decorrentes desse vínculo previdenciário, tudo em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, sem promover qualquer vínculo trabalhista (Instituto de Direito do Trabalho) entre os trabalhadores em tela e a Autuada, ora Recorrente. Fl. 2257DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Por tais razões, rejeitamos a preliminar de suposta desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO O Recorrente alega ausência dos requisitos da relação de emprego, bem como a ausência de fraude a atrair a incidência de multa de ofício em duplicidade. Sem razão, contudo. Em primeiro lugar, há que se deixar claro que o presente caso não trata da caracterização de vínculo empregatício (instituto de Direito do Trabalho), mas, sim, da caracterização da condição de segurado empregado (instituto de Direito Previdenciário) e do lançamento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa autuada em decorrência da prestação remunerada de serviços por tais trabalhadores. Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.253 13 Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647/93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887/2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação jurídica e mediante remuneração. Conforme já salientado anteriormente, vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana ao Recorrente, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. O episódio em pauta é um caso típico de relação jurídica conhecida no mercado pelo neologismo “pejotização”, em que profissionais especializados são levados a constituir pessoas jurídicas para prestar serviços a empresas, não numa relação formal de pessoa jurídica x pessoa jurídica, mas substancialmente mediante uma relação fática em que figuram ostensivamente presentes a pessoalidade, a não eventualidade do serviço, a subordinação jurídica e, obviamente, a onerosidade. Na estrutura de tal mecanismo, formalmente a empresa contrata uma outra pessoa jurídica, porém, na realidade dos fatos, quem efetivamente presta o serviço remunerado é o “pejotizado” (sem qualquer viés pejorativo, por favor), isto é, a pessoa física do sócio da pessoa jurídica artificialmente contratada, de maneira não eventual, sob subordinação jurídica e em caráter intuitu personae. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao Recorrente, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa Autuada. Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.254 15 Podese perceber a não eventualidade do serviço, ainda, no elevado volume de operações contínuas e de rotina, originárias desta relação entre a FDC e seus contratados PJ, comprovadas às centenas no período de apuração, conforme arrolados no Anexo 04 a fls. 1795/1817. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do serviço do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa contratante, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado. No caso em litígio, a não eventualidade diz espeito à contratação de serviços relacionados com a atividade fim da Autuada e à natureza do trabalho desenvolvido pelo profissional em relação à natureza do trabalho a que a Contratante se propõe executar em favor de seus clientes, bem como à necessidade permanente dessas categorias de profissionais especializados para a realização de seu objeto social. Tomandose os contratos apresentados pela FDC, após estratificados e classificados em grupos quatro distintos conforme seus objetos, ficaram assim distribuídos: 1. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Gerenciar projetos internos e externos e/ou outras atividades em sua especialidade; 2. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Gerenciamento de projetos, Ministrar aulas, Realizar conferências, palestras e assemelhados; 3. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Ministrar aulas, Realizar conferências, palestras e assemelhados; 4. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Ministrar aulas; É importante destacar que os objetivos sociais consignados nos contratos sociais das diversas pessoas jurídicas que celebraram contratos com a FDC referemse exatamente às atividades previstas no Estatuto Social Consolidado da Autuada, como objetivos desta instituição, dentre as quais se podemos destacar, a título meramente exemplificativo: II Promover a pesquisa e ensino, sob diversas formas, especialmente no campo da administração empresarial, desenvolvendo atividades educativas e programas de aperfeiçoamento técnico e gerencial; III Desenvolver atividades científicas, técnicas e culturais; IV Pesquisar e gerar tecnologia gerencial; V Desenvolver pesquisa e estudos objetivando competência para empreender e gerenciar, prestando serviços a isso relativo; IX Criar, difundir e ministrar cursos ou programas técnicos e de gerenciamento nas áreas de sua atuação; Tal constatação permite afirmar que as pessoas jurídicas em tela eram contratadas exatamente para executar serviços e tarefas vinculadas aos objetivos e atividades fins da instituição autuada, tendo por conseguinte caráter nitidamente habitual e nãoeventual. As empresas jurídicas contratadas para a prestação de serviços pelos sócios são classificadas na CNAE em atividades idênticas ou afins com o objeto social da Autuada (CNAE 85.33 Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 3/00 Educação superior – pósgraduação e extensão), circunstância que demonstra que os contratados PJ, caracterizados como segurados empregados pela Fiscalização, inseremse na dinâmica regular da FDC, que necessita do trabalho por eles desempenhado para atender às múltiplas demandas inerentes ao seu objetivo social e aos contratos de serviços celebrados com os seus clientes, de onde se extrai que os profissionais contratados eram imprescindíveis ao funcionamento regular da Autuada, contingência que denota a natureza não eventual dos serviços contratados. A Fiscalização constatou que os contratos de prestação de serviços são padronizados, no estilo Contrato de Adesão, em geral, firmados por período de 12 meses, podendo ser renovados mediante termo aditivo, alguns com mais de uma dezena de renovações anuais. “Além de serem contratados para executar serviços contidos na própria atividade da FDC, a não eventualidade está configurada pela habitualidade da prestação dos serviços, o que se comprova através da emissão de notas fiscais de serviços sequenciais, em praticamente todos os meses. Comprovase também pela remuneração ajustada, não havendo retificação ou acerto, visto encontrarse incorporada a serviços, programas ou projetos predeterminados. Os resultados, produção ou produtividade não eram conferidos, medidos ou avaliados posteriormente, pois já contratados e dimensionados com ajuste do quantum a ser pago. Os contratos, firmados por períodos de 1 ano, eram constante e regularmente prorrogados, com assinatura de aditivos mantendose os mesmos termos, eventualmente alterandose valores. Alguns eram prorrogados/aditivados por diversas vezes, demonstrando a necessidade permanente da contratação dos serviços efetuados por estes profissionais, evidenciando sua inconteste habitualidade”. Esta necessidade permanente da contratação destes profissionais comprova, com contundência, a não eventualidade do serviço contratado. A pessoalidade tem sua caracterização realçada no fato de as pessoas jurídicas contratadas atuarem, unicamente, por intermédio das pessoas físicas dos seus sócios. A Fiscalização apurou que a FDC, por meio de sua Gerente de RH responsável pela seleção dos profissionais em tela, exigia que estes apresentassem uma pessoa jurídica para a emissão de notas fiscais de serviço. Como muitos já eram sócios de pessoas jurídicas existentes, obviamente, não precisavam constituir uma nova. Outros, no entanto, que ainda não possuíam uma pessoa jurídica constituída ou não eram sócios de nenhuma, precisaram constituir pessoas jurídicas adrede, ou entrar como sócios de outra já existente, para atender à exigência da FDC. A confirmar a exigência por parte da FDC de que os profissionais contratados para os cargos de professores, coordenadores, gerentes, etc., deveriam apresentarse como pessoa jurídica interposta de forma a emitir notas fiscais para justificar o recebimento de seus salários e remunerações, a Fiscalização elaborou discriminativo a fls. 1874/1875 (quadro 04), onde constam as datas em que mais de 40 pessoas jurídicas foram constituídas, conforme cadastros da RFB, sendo os referidos profissionais, logo em seguida, contratados pela FDC, sob as vestes de pessoa jurídica prestadora de serviços, sendo demonstrado, em diversos casos, que o contrato firmado com a pessoa jurídica se deu antes mesmo de a sua constituição formal, isto é, a FDC firmou contratos com pessoa jurídica inexistente, de onde deflui a ilação de que o contrato era firmado com a pessoa física (esta existente) do sócio da futura pessoa jurídica (esta então inexistente). Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.255 17 A Fiscalização constatou que, “não por coincidência, os 33 (trinta e três) primeiros profissionais relacionados no quadro 04 (do 1° a 33°) constituíram as pessoas jurídicas das quais são sócios, majoritários na maioria dos casos, com a interposição do contador Sr. William Giovanni Barros, com as sedes na pequena sala da Alameda da Serra, 420, sala 405, Vale do Sereno, Nova Lima, Minas Gerais, cuja única e exclusiva destinação foi servir de endereço para constituição das mesmas, nos termos do subitem 4.5.1. anterior (DAS PESSOAS JURÍDICAS COM MESMO ENDEREÇO E CONTADOR)”. Quadro 03, a fl. 1872. Em sede de Diligência Fiscal, o contador acima referido, Sr. William Giovanni Barros, confirmou, em Termo de Constatação Fiscal, que esses clientes que prestavam serviço para a FDC lhe foram encaminhados pela Sra. Rijane de Mont’Alverne Neto, que o contratara anteriormente para constituição de sua própria pessoa jurídica Perez e Mont'Alverne Consultoria Organizacional Ltda, CNPJ 04.231.853/000195 , através da qual emitia notas fiscais de prestação de serviços à FDC, mas na realidade exercia, como pessoa física, o cargo de Gerente de RH. A Fiscalização apurou e demonstrou que diversos profissionais “Pejotizados” exercem funções na estrutura hierárquica da FDC, conforme ilustrado no quadro 06, a fls. 1895/1897, que elenca quase uma centena de “Pejotizados” exercendo cargos típicos de empregados, tais como Gerente de Recursos Humanos, Gerente de Marketing, Gerente Administrativo, Gerente de projetos, Gerente Financeiro, Gerente de Tecnologia, Professor, Líder, Assessor da Presidência, Assessor de Editoração, Coordenador Executivo, Diretor Executivo, Gerente Coordenador, Supervisor de Edição, Assistente de Ensino, etc. Salta aos olhos que essa quase centena de profissionais “Pejotizados”, ocupantes de cargo de chefia, foram cadastrados nas folhas de pagamento da Autuada como Estagiários, “no entanto, seguramente, não fora nenhum erro, tampouco simples coincidência. Explicase: como a remuneração dessa categoria não sofre incidência de contribuições previdenciárias e os aplicativos utilizados na elaboração de Folhas de Pagamentos obviamente não geram o cálculo das mesmas, incluílos como estagiários no cadastro tornouse conveniente para os objetivos desejados. Não deixaria de ser uma forma eficaz de tratálos, ainda que internamente, como empregados — como de fato o eram —, com direito a registro em Folha de Pagamento em seus respectivos cargos, contracheques, rubricas remuneratórias e direitos típicos, possibilitando inclusive que fossem gerenciados e subordinados como os outros empregados, sem que se efetuasse, contudo, o devido pagamento dos tributos (contribuições previdenciárias) devidos”. Tal procedimento demonstra, insofismavelmente, a intenção consciente de fraude e sonegação, mediante ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou modificando as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. A pessoalidade se revela incontestável na medida em que tais pessoas jurídicas não mantêm empregados na área técnica empresarial, evidenciando que a prestação de serviços era realizada, exclusivamente, pelas pessoas físicas dos sócios. As provas colhidas pela Fiscalização revelam que a prestação dos serviços pelos “Pejotizados” à Autuada ostenta natureza intuitu personae, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais trabalhadores, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência da empresa autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora contratado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação. No caso em tela, observase que as Pessoas Jurídicas Prestadoras de Serviços foram constituídas sem empregados na área técnica, com capital social irrisório e sem estrutura operacional, muitas delas estando sediadas no mesmo endereço, e contratadas pela Autuada exclusivamente para atender, por intermédio exclusivo dos próprios sócios e de acordo com as suas especialidades técnicas, às necessidades específicas dos serviços contratados pela FDC perante seus clientes, circunstância que caracteriza a pessoalidade na relação entre os “Pejotizados” e a Recorrente. As provas dos autos não deixam dúvida de que os serviços executados pelos “Pejotizados” não são prestados em favor direto da Autuada, mas, sim, aos clientes da Autuada, no cumprimento dos contratos com terceiros por ela pactuados, contingência que revela a alteralidade na prestação de tais serviços prestados pelos “Pejotizados”, quintessência supralegal dos atributos caracterizadores da relação jurídica de segurado empregado. Os Contratados Pessoa Jurídica, ao prestarem seus serviços aos clientes da Recorrente, não o fazem em nome próprio, mas em obséquio do pavilhão da Autuada. Avulta das circunstâncias do caso que o risco da atividade econômica é integral da FDC que, além do encargo de captar no mercado propostas para a prestação dos seus serviços, contrata e remunera trabalhadores “Pejotizados” para a prestação de tais serviços aos seus clientes, e assume toda a responsabilidade perante estes terceiros pelos serviços prestados, respondendo tais trabalhadores, quando muito, de maneira regressiva, e tão somente nas hipóteses em que atuarem com dolo ou culpa, como sói ocorrer nas típicas relações jurídicas patrãoempregado. E diga o Contrato: “Na eventualidade de ocorrerem danos materiais ou morais à FDC, causados pela contratada, em cuja ação se identifique dolo ou culpa, haverá ressarcimento pela mesma dos prejuízos, em sua totalidade, além de imediata rescisão do contratado”. “Na hipótese de eventual condenação da FDC pela inobservância no cumprimento das obrigações fiscais decorrentes do presente contrato, fica garantido a esta o direito de reembolso dos valores pagos, ou o direito de regresso para se ressarcir dos prejuízos que vier a suportar”. Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da FDC se revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual ou coletiva que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.256 19 De acordo as informações contidas no Manual de Benefícios da APASS (Associação dos Empregados e Prestadores de Serviço da FDC), a instituição disponibilizava aos prestadores de serviço pessoas jurídicas benefícios idênticos aos disponibilizados a seus funcionários empregados. Dentre os benefícios disponibilizados, todos típicos de empregados, incluemse SeguroSaúde, Empréstimos Emergenciais, Complementação do AuxílioDoença, Reembolsos de Medicamentos, Tratamento Psicoterápico, Fonoaudiólogo, Ambulatorial, Lentes de Correção Visual, Tratamento Odontológico, Acupuntura, Escleroterapia, Ligadura de Trompas e Vasectomia, bem como Assistência ao Desenvolvimento e Educação desde a Creche e Jardim da Infância até cursos de pósgraduação. Me pergunto ... Ligadura de trompas e Vasectomia para pessoa jurídica ???? Talvez para impedir o nascimento de filiais !!! Tais benefícios são previstos expressamente nos contratos PJ firmados entre a Recorrente e os “Pejotizados”: “Caso seja do interesse da CONTRATADA, poderá, a seu exclusivo critério e nas mesmas condições, aderir aos benefícios que a FDC disponibiliza para seus empregados”. Os benefícios disponibilizados pela FDC aos seus empregados pelo regime da CLT e aos contratados PJ são suportados, em sua maior parte, pela própria FDC, que destina 3% de seu faturamento à APASS, sendo que cada beneficiário, empregado ou “Pejotizado”, contribui com 1%. O Manual de Benefícios da APASS informa que a inscrição do funcionário e prestador de serviço se faz por adesão a partir do registro da contratação; e os dependentes, a partir da comprovação da dependência e, em todos os casos, com autorização para desconto da contribuição em folha. (pessoa jurídica na folha de pagamento ???) A disponibilização de benefícios típicos de empregados, tais como a Assistência ao Desenvolvimento e Educação desde a Creche e Jardim da Infância até cursos de pósgraduação, para “Pejotizados” também descortina a viés de não eventualidade dos serviços contratados. No que pertine à subordinação, esta tem que ser averiguada em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico ou técnico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levandose em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade livre das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado. Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: De um lado, figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado pessoa física como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar, em contrapartida à remuneração que irá auferir. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, se o ProcuradorGeral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Sr. Paulo Schmitt, celebrar contrato de prestação de serviço de pintura artística com o pintor de fama internacional Romero Britto para a confecção de um quadro representativo do time do Fluminense F. C. , mas este renomado pintor, em honra de suposta autonomia funcional e de ausência de subordinação, decidir, ao seu único e exclusivo arbítrio, retratar em pop art o time da Portuguesa de Desportos, com certeza o contrato será imediatamente rescindido, com fundamento em justa causa decorrente de insubordinação consistente no descumprimento, por parte do oblato, das determinações contidas no liame ajustado. No caso ora em apreciação, os profissionais “Pejotizados” são contratados pela Autuada para a prestação de serviços de sua especialidade diretamente aos clientes da FDC e em nome desta, devendo cumprir rigorosamente os termos pactuados no contrato celebrado entre a Autuada e o Cliente da vez, sujeitandose aos comandos e objetivos da instituição empregadora, a quem competia a definição de quais as tarefas e projetos atividades fins da instituição precisavam ser realizadas, quando tais tarefas e projetos deviam executados e como tais atividades deveriam ser executadas e concluídas. Assim se revela o modus operandi do empreendimento. A FDC oferece um produto no mercado e capta clientes na sociedade. Em seguida, sendo o produto bem aceito pelo público consumidor, identifica e seleciona no mercado de trabalho o profissional melhor graduado e qualificado para a execução do serviço oferecido pela Autuada perante seus clientes, mas só o contrata se for por intermédio de pessoa jurídica. Se o profissional selecionado não tiver a cobertura de nenhuma pessoa jurídica, a Gerente de RH o encaminha ao contador Sr. William Giovanni Barros, para que este providencie a constituição da pessoa jurídica requerida. Ultrapassadas as formalidades legais, o profissional, agora sócio da pessoa jurídica contratada, passa a executar perante os clientes da FDC, e em nome desta, os serviços para o qual foi selecionado, obedecendo estritamente as condições de contorno previamente fixadas entre a FDC e seus clientes. Diante de tal quadro, ou o profissional se ajusta ao requerido e cria sua própria pessoa jurídica, atuando sozinho ou em conjunto com algum sócio na mesma condição, ou se sujeita a permanecer no ostracismo no mercado de trabalho. “Guess that’s the name of the game” (Elton John/Bernie Taupin – Sweet painted lady) Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.257 21 E diga o Relatório Fiscal: “De acordo com as circunstâncias amplamente expostas ao longo do Relatório Fiscal, os profissionais (sócios das pessoas jurídicas contratadas) se encontravam inquestionavelmente à disposição da instituição, se não cumprindo ordens, cumprindo suas determinações para a realização de sua atividadefim, de forma contínua e por conta e risco da contratante FDC. Caracterizase, nessa situação, a interferência do poder jurídico do empregador (FDC) no procedimento de seus empregados (sócios das pessoas jurídicas), visando à manutenção e adequação de suas atividades em favor do empreendimento da instituição FDC”. Exsurge da situação exposta nos autos que o profissional contratado deve observância estrita àquilo que a FDC pactuou com os seus clientes, consumidores dos serviços por ela oferecidos no mercado. Nessa vertente, mesmo que eventualmente possa existir alguma flexibilidade na realização do serviço, este já se encontra delimitado pelas condições de contorno pactuadas pela Autuada e seus clientes, circunstância que denota, insofismavelmente, a subordinação do Contratado PJ às determinações e vontade da FDC. Dessarte, ainda que o “Pejotizado” venha a propor modificações no projeto ou no serviço a ser prestado ao cliente da Autuada e que tais modificações sejam efetivamente acatadas, estas dependem da anuência prévia da Recorrente e de seu respectivo cliente, como assim se extrai das cláusulas contratuais: “Parágrafo Único: Todas as informações, elementos, dados necessários ao bom desempenho dos serviços a serem prestados, bem como o seu cronograma de implementação e/ou execução, serão decididos em comum acordo entre as partes, ouvindo, se necessário, as empresas e/ou instituições contratantes da FDC”. O poder de controle sobre os “Pejotizados” se mostra flagrante na medida em que estes tem, por força dos contratos, que apresentar mensalmente, até o último dia de cada mês, relatório técnico com o número de horas trabalhadas, identificando os projetos a que se relacionam, tendo a FDC o prazo até o segundo dia útil do mês subsequente para aprovalo e efetuar o pagamento. O poder de controle é tão pronunciado que os contratos preveem a designação de representante da Autuada para acompanhar o andamento dos trabalhos, competindolhe aprovar os relatórios mencionados no parágrafo anterior, e autorizar as parcelas do pagamento correspondente. Dessai dos contratos firmados com os “Pejotizados” que caso os projetos e/ou trabalhos desenvolvidos pelos contratados venham a significar um ganho de qualidade para os serviços prestados pela FDC, esta, a seu exclusivo critério, poderá gratificar a contratada mediante a elaboração de Termo Aditivo específico para tal fim. De tal cláusula aflora que quem se beneficia diretamente dos bons resultados produzidos pelos Contratados Pessoas Jurídicas é a FDC, que, a seu exclusivo critério, pode ou não gratificar o “Pejotizado”. Revelase assim, uma vez mais, o atributo da alteralidade, na medida em que, na realidade dos fatos, o Contratado Pessoa Jurídica não atua em nome próprio, mas, sim, como longa manus da Recorrente. Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Na prestação dos serviços, toda a infraestrutura técnica e operacional é disponibilizada pela FDC, que também arca com todas as passagens aéreas ou terrestres, deslocamentos, despesas com hospedagem e alimentação fora do domicilio da contratada, relacionadas ao objeto do contrato, mediante reembolso ou custeio direto, como é de estilo na relação jurídica patrão x empregado. De tais circunstâncias também aflora a noção de que quem suporta o risco da atividade econômica é, de fato, a FDC. Na prestação dos serviços, o “Pejotizado” tem que observar as normas e diretrizes internas da FDC, cumprir o horário estabelecido pela FDC com seus clientes ou de acordo com a conveniência dos serviços a serem prestados, atendendo ao cronograma de implantação e execução fixados, emitir relatórios técnicos mensais, com o número de horas trabalhadas em cada projeto, sujeitandose à Fiscalização por representante da Contratante, circunstâncias que revelam o poder de controle e hierárquico da Contratante sobre os trabalhadores em foco. O “Pejotizado” se obriga a manter sigilo em relação a qualquer informação, criação, especificação técnica e comercial, segredo comercial ou marca recebida em decorrência da consecução do objeto de cada contrato, obrigandose a não revelar, por qualquer meio, os dados a que teve acesso e conhecimento, respondendo, em caso de quebra de sigilo, a arcar com as penalidades que estiver sujeita a FDC por força do descumprimento da cláusula contratual nas relações desta última com terceiros. Tal cláusula contratual deixa bem clara a existência de subordinação técnica, dela se extraindo que quem detém o know how é a contratante. A Fiscalização apurou que, no período fiscalizado, nada menos que 68 (sessenta e oito) profissionais que prestavam serviços como pessoas jurídicas trabalhavam unicamente, de forma exclusiva, para a FDC, conforme arrolamento apresentado no quadro 05, a fls. 1876/1879, circunstância que revela a total subordinação econômica dessas empresas ao Contratante em questão. A existência da relação jurídica de fato típica de patrão vs empregado avulta de maneira insofismável dos termos contidos na cláusula rescisória, que possui os atributos do aviso prévio trabalhista, tais como prazo de trinta dias, verbas rescisórias, etc. Como visto, a subordinação se revela às escancaras com o tomador em foco, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o quê, quando, onde e quanto do serviço será executado, além do poder de controle sobre o serviço realizado. A Fiscalização apurou que os ”Profissionais PJ” possuem em comum características que deixam claro que as respectivas pessoas jurídicas foram criadas, ou adaptadas mediante alterações contratuais, para atender ao modelo de contratação de empregados implementado pela FDC. A noção de que tais pessoas jurídicas atuam simplesmente como intermediadoras de mão de obra é reforçada pelo resultado de diversas diligências fiscais empreendidas pela Fiscalização no endereço das pessoas jurídicas contratadas. Nas tentativas empreendidas para localização dos responsáveis pelas pessoas jurídicas que, como tal, prestavam serviços à FDC, em simplesmente todas os resultados foram frustrados. Embora os requisitos legais que obriguem pessoas jurídicas a manter um endereço para sede da empresa não sejam rigorosas a ponto de exigirem a montagem de escritórios ou coisas do tipo, não houve um caso sequer em que se constatasse a existência de um local físico onde se pudesse afirmar que ali funcionasse uma pessoa jurídica. Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.258 23 Na maioria dos casos os endereços dessas pessoas jurídicas levou a fiscalização a apartamentos e casas residenciais na cidade e em condomínios residenciais fechados onde, segundo informações obtidas junto a empregados ou outros moradores do mesmo imóvel, o responsável pelo prestador de serviço não exercia suas atividades. Houve também, em diversos casos, a constatação in loco de mudanças de endereços dessas pessoas jurídicas sem a devida alteração do respectivo cadastro na RFB. Em pelo menos 7 (sete) casos, pessoas jurídicas foram constituídas ou tiveram seus endereços mantidos no mesmo local da sede da Prefeitura Municipal de Rio Acima (Rua Antônio Carlos, 38, Centro), município localizado nas proximidades de Belo Horizonte, em singelos e minúsculos boxes numerados, cujos moldes de funcionamento, num sistema promovido pela própria prefeitura, que foi posteriormente impedido de continuar em consequência de uma ação judicial movida pelo Ministério Público Federal em rumoroso caso de dimensão nacional. Todo o conjunto probatório leva à indicação da existência de dependência jurídica dos sócios das pessoas jurídicas contratadas com a instituição FDC, uma vez que as pessoas físicas dos sócios encontravamse à disposição desta para a realização de serviços contínuos e necessários à sua atividade, mesmo que aqueles tivessem liberdade na execução dos mesmos, situação tipicamente comum em serviços especialíssimos, como era o caso. Os contratados como ”Profissionais PJ” são, na verdade, profissionais pessoas físicas que, em caráter não eventual, executam pessoalmente os trabalhos contratados, visando a atender as atividades normais da Autuada, relacionadas diretamente com os fins do empreendimento econômico desta. A onerosidade, por derradeiro, foi apurada diretamente dos valores pagos através de notas fiscais de prestação de serviços, emitidas pelas pessoas jurídicas nas quais figuravam como sócios os profissionais pessoas físicas contratados pela Autuada, corroborados pelos respectivos lançamentos contábeis. Em regra, a remuneração das pessoas físicas, contratadas sob o factoide de pessoa jurídica, é mensal e encontrase pactuada em cláusula contratual específica, em valor fixo, a ser paga em prazo certo, mediante depósito em conta corrente. Pelo exame dos blocos de notas fiscais a Fiscalização constatouse que, além das notas fiscais emitidas em obediência aos contratos, pelo menos uma vez ao ano eram emitidas duas notas fiscais dentro de um mesmo mês, sendo uma delas com o valor contratado e a uma outra com valor bastante aproximado. Tal fato indica que a instituição efetuava pagamentos com características de remuneração de 13º salário a estes prestadores de serviço, sendo que, em alguns casos, usando abertamente esse título, conforme evidenciado em 4.6 (DA FOLHA DE PAGAMENTO DAS PESSOAS JURÍDICAS). A Fiscalização comparou a Folha de Pagamento normal dos empregados registrados da FDC de 2008 com a Folha de Pagamento dos profissionais contratados como pessoas jurídicas, e constatou que esta última era quase 3 (três) vezes superior à dos empregados registrados. A Fiscalização verificou que na Folha de Pagamento dos “Pejotizados” o registro de suas remunerações era efetuado mediante exatamente as mesmas rubricas utilizadas normalmente nas Folhas de Pagamento dos empregados contratados no regime da CLT. Como exemplo, citamse as seguintes rubricas de proventos: 13° SALARIO (0048), 1/3 DE FERIAS RESCISAO (0063), ALUGUEL DE NOTEBOOK (0541), FERIAS INDENIZADAS (0024), FERIAS PROPORCIONAIS (0025), Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 HORAS NORMAIS – PJ1 (901); assim como as de descontos: INSS (0003), INSS 13° SALARIO (0011). Além disso, constatouse que os reembolsos efetuados aos profissionais “Pejotizados” eram efetuados, igualmente, sob as mesmas rubricas dos celetistas: REEMB. CONSULTA MÉDICA P/ DEPEND (0401), REEMB. FACULDADE P/ DEPEND (0402), REEMB. FONOAUDIOLOGIA P/ DEPEND (0410), REEMB. LENTES P/ DEPEND (0406), REEMB. MATERIAL ESCOLAR P/ DEPEND (0403), REEMB. MEDICAMENTOS P/ DEPEND (0404), REEMB. ODONTOLÓGICO P/ DEPEND (0405), REEMB. TERAPIA/ PSICOTERAPIA P/ DEPEND (0407), REEMBOLSO ACUPUNTURA (0276), REEMB. ENSINO MÉDIO (0280), REEMB. FACULDADE (0281), REEMB. MATERIAL ESCOLAR (0282), REEMB. MEDICAMENTOS (0284), REEMB. ÓTICA/LENTES (0285), REEMB. AMBULATORIAL (0286), REEMB. CONSULTA MÉDICA (0277), REEMB. DE PILATES (0411), REEMB. ENSINO FUNDAMENTAL (0279), REEMB. ENSINO INFANTIL (0278), REEMB. ESPANHOL (0296), REEMB. FONOAUDIOLOGIA (0294), REEMB. INGLÊS (0295), REEMB. ODONTOLÓGICO (0293), REEMB. TERAPIA/PSICOTERAPIA (0288). A apuração da base de cálculo das contribuições patronais previstas no art. 22 da Lei de Custeio da Seguridade Social se deu por aferição indireta, com base nos valores das Notas Fiscais de prestação de serviços, arroladas no Anexo 04, a fls. 1795/1817, com esteio no preceito inscrito nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Nas últimas duas décadas, passouse a observar neste País, uma tendência, capitaneada por grandes empresas, máxime as de comunicação e as de consultoria técnica, de se exigir que seus empregados se transformem em empresa individual ou pessoa jurídica para contratálos como prestadores de serviços, com o fito de esquivarse do recolhimento de encargos trabalhistas e previdenciários, sob o rótulo de “planejamento tributário”. Nessa nova arquitetura, o ex empregado, ao constituir sua própria empresa individual ou pessoa jurídica e, nessa condição, assim ser contratado, deixa de ser empregado da contratante e passa a ser um mero prestador de serviços, mas continua cumprindo horário, recebendo ordens e exercendo as mesmas atividades de antes, nas dependências do contratante ou nas de terceiros. O mesmo ocorre com os demais trabalhadores disponíveis no mercado. Como consequência imediata dessa mudança de status (de pessoa física e empregado para pessoa jurídica e prestador de serviços), o trabalhador assim contratado perde os direitos trabalhistas e previdenciários assentados na CLT e na Lei nº 8.213/91, respectivamente, enquanto que a empresa contratante, por seu turno, além de poder contar com a prestação ininterrupta de serviços pelos 12 meses do ano pessoa jurídica não tem direito a férias , se exclui dos encargos trabalhistas e previdenciários inerentes à relação de emprego e à condição de segurado empregado. A fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurandose o statu quo ante. De forma semelhante, mas vinho de outra pipa, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, desconsiderando, para fins meramente tributários, o contrato formal celebrado pelo contratante com a pessoa jurídica prestadora de serviços, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente previdenciários, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.259 25 O desvirtuamento dos direitos trabalhistas e previdenciários tratado nos parágrafos precedentes ganhou notoriedade na mídia com a celeuma que cercou a, assim denominada, Emenda 3, a qual, se aprovada, impediria a fiscalização do Trabalho de coibir situações fraudulentas desse jaez, na medida em que tal atribuição passaria a ser da competência exclusiva da Justiça do Trabalho, a qual, por seu turno, exige como condição sine qua non a provocação do prejudicado, digase, o trabalhador. Nesse contexto, o trabalhador, agora prestador de serviço pessoa jurídica, dificilmente irá questionar semelhante transgressão nos Tribunais Trabalhistas, eis que, ao buscar o acessório, incorre no risco de perder o principal o trabalho. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93). A atuação fiscal empreendida no presente caso encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais formais apontem para a celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da citada condição de segurado empregados existente entre o Recorrente e as pessoas físicas dos sócios das pessoas jurídicas contratadas, importando na submissão de contratante e prestador de serviços, estes na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na aludida Lei de Custeio da Seguridade Social. Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no art. 9º do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratamse de normas antielisivas, visando ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma. A desconsideração do ato ou do negócio jurídico praticado visa apenas a reaproximar a qualificação jurídica do verdadeiro conteúdo material do ato decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendoa coincidir com a realidade substancial. Investido em tal poder, o Fisco pode prescindir das aparências do ato simulado e determinar a obrigação tributária segundo a realidade oculta, sem necessidade de declarar a nulidade do ato jurídico aparente. Merece ser destacado que a jurisprudência do STJ não nega auto aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir: “AREsp 323.808SC Rel. Min. Humberto Martins DJe: 27/05/2013 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. AUTOAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. NÃO ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. [...] O caso da empresa de vigilância é perfeitamente análogo: as câmaras são parte do equipamento que é utilizado pela sociedade Patrimonial Segurança Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.260 27 Ltda. para a prestação do serviço de segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do contratante sem que este as adquira integram o custo do serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso). Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que dispõe: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Com razão, assim, a Procuradoria do Município, ao afirmar que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação de 'locação de equipamento eletrônico' dada pela apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação do serviço" (fl. 217). Nesse contexto, merece acolhida o recurso para se julgar improcedente a demanda. [...]" No mesmo sentido, o Agravo Regimental no RECURSO ESPECIAL Nº 1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins: AgRg no REsp 1.070.292 RS Rel. Min. Humberto Martins DJe: 23/11/2010 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA VINCENDA. PERCEPÇÃO PAGA MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA. VERBA DE NATUREZA NÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. [...] Notese que o montante pago teve por fim o cumprimento de prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve ser frisado para que não se invoque a isenção anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando a natureza indenizatória do montante pago, nenhum efeito opera para o fisco. O reconhecimento da natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando for possível constatar que aquela visava à recomposição de uma perda patrimonial, e não pela mera denominação de Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 indenizatória (parágrafo único do artigo 116 do CTN: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária). Tratase, no caso, de aplicação da Teoria da Interpretação Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a aquisição de disponibilidade de renda, assim entendido o produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda. [...] Ainda, nesse sentido, REsp nº 1.363.920 SC Rel. Min. Og Fernandes, DJe: 24/10/2013. Por outro viés, ainda que se admita que o preceito instalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária, nada impede que se recorra a procedimentos já previstos em leis ordinárias já integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Tratase da realização de um princípio jurídico consistente na recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só podem ser revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza. A realização do princípio da Recepção das Leis permite a convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual são por este Direito recepcionadas, eliminandose, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica, tivessem que ser recriadas para continuarem a estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade. Pela ótica de tal princípio, quando se cria uma nova estrutura normativa, o conjunto de normas jurídicas préexistente, no que não conflite materialmente com o Direito Anterior, permanece em vigor e produzindo os efeitos que lhe são típicos, sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro. A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp nº 1.427.949 SC Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe: 02/04/2014 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. PARCELAMENTO. REFIS. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI N. 9.964/2000. FUNDAMENTO Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.261 29 SUFICIENTE INATACADO (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO (SÚMULA N. 282/STF). IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. DECISÃO [...] Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por força do art. 81 da Lei nº 9.964/2000, in verbis (eSTJ fls.9734/9739): Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996, diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão também na existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco: não somente na simulação. [...] Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária, tais procedimentos (relativos à declaração de inaptidão) já se encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005. [...] (grifos nossos) No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014. No caso em estudo, mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios jurídicos praticados pelos atores do esquema fraudulento acima descortinado, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica das empresas prestadoras. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas autoriza que se desconsidere, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Reiterese que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a declaração judicial de nulidade dos atos simulados. No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui que a relação jurídica real existente entre o Recorrente e os segurados apurados pela fiscalização é a de segurado empregado, circunstância que impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado. Dessarte, conforme determinado no art. 37 do mesmo Pergaminho Legal aludido no parágrafo precedente, constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização tem por dever de ofício, plenamente vinculado, que lavrar o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, como assim sucedeuse no caso presente. As constatações empreendidas in loco pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil não deixam dúvidas: Efetiva ocorrência de contratação fraudulenta de profissionais especializados pela FDC para a execução, em nome desta, das obrigações pactuadas em contrato perante os clientes da Contratante, no desenvolvimento da atividade fim desta. A fraude se deu pela criação de Pessoas Jurídicas (PJ) pelos trabalhadores, de maneira a mascarar a relação previdenciária de segurado empregado, mediante a celebração de contratos civis de prestação de serviços técnicos pelos sócios das citadas pessoas jurídicas, restando presentes, todavia, todos os pressupostos de fato e de Direito caracterizadores do vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, com a execução de trabalho de natureza não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação e onerosidade. Encontramse presentes, portanto, todos os elementos essenciais caracterizadores da condição de segurado empregado insculpidos no art. 12, I, da Lei nº 8.212/91, fato que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Nesse cenário, dúvidas não mais existem de que o Recorrente se utilizou de formas irregulares de contratação de profissionais, quiçá para esquivarse dos rigores dos encargos tributários e trabalhistas. Com efeito, nada impede que um trabalhador mantenha, concomitantemente, múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas empresas, sem que isso represente qualquer irregularidade. A condição de segurado empregado não exige exclusividade com o empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, ou ser operar como segurado contribuinte individual em relação a outra distinta da primeira, e assim por diante ... Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício entre os trabalhadores em destaque e a empresa recorrente. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da empresa notificada. Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.262 31 A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e o Recorrente. A contratação de empregados de forma irregular nessa empresa houvese também por constatada e levantada pelo Ministério Público do Trabalho – MPT, que através da Procuradoria Regional do Trabalho da 3ª Região celebrou com a Autuada o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC nº 884/2010, assinado em 29 de julho de 2009, mediante o qual a FDC se compromete a absterse de efetuar contratações irregulares de trabalhadores tanto na atividadefim quanto na atividademeio, salvo nos casos especificamente ali fixados. Coincidentemente, a contar da data da celebração do TAC acima mencionado (29 de julho de 2009), um contingente expressivo de 65 “Pejotizados”, que prestavam serviços por intermédio das respectivas pessoas jurídicas, foram novamente contratados como empregados da FDC, para exercer as mesmas funções que antes exerciam como pessoas jurídicas, conforme ilustrado no quadro 07, a fls. 1899/1900. Assentado que os serviços prestados à Autuada pelos profissionais “Pejotizados” ora em debate se deu com a presença ostensiva de todos os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, revelase obrigatória, em relação a tais segurados, a observância de todas as obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, tanto pela empresa como pelos segurados em questão. Nessa vertente, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Impôs também ao sujeito passivo o dever instrumental de elaborar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação tributária. Além disso, determinou que o contribuinte informasse, mensamente, mediante GFIP, todos os dados relacionados a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, e outras informações do interesse do INSS. Mas não parou por aqui. A lei impôs à empresa a obrigação de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições devidas pelos segurados obrigatórios do RGPS e a recolher o valor assim arrecado no prazo normativo, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) I a empresa é obrigada a: Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea “a”, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia vinte do mês subseqüente ao da competência; (Redação dada pela Medida Provisória nº 447/2008). Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Lei no 10.666, de 8 de maio de 2003. Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. (...) No que pertine à elaboração das folhas de pagamento, ouvimos em alto e bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, que a folha de pagamento deve ser elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, devendo, necessariamente, discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; destacar as Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.263 33 parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais e indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. No que toca à GFIP, exige a lei que em tal documento sejam declarados mensamente pelo empregador, dentre outras informações, os dados cadastrais do empregador/contribuinte, dos trabalhadores e tomadores/obras; as Bases de incidência do FGTS e das contribuições previdenciárias, compreendendo o total das remunerações dos trabalhadores, a comercialização da produção, a receita de espetáculos desportivos/patrocínio, o pagamento a cooperativa de trabalho, a movimentação de trabalhadores (afastamentos e retornos), saláriofamília e saláriomaternidade, compensação de contribuições previdenciárias, assim como retenção de 11% sobre nota fiscal/fatura, exposição a agentes nocivos/múltiplos vínculos, valor da contribuição do segurado, nas situações em que não for calculado pelo SEFIP (múltiplos vínculos/múltiplas fontes, trabalhador avulso), valor das faturas emitidas para o tomador, dentre tantas outras previstas no Manual da GFIP. De outro canto, mas ária de outra ópera, a lei ordena que sejam lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mostrase auspicioso destacar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Enganase aquele que acredita serem os livros contábeis exigíveis apenas pela legislação comercial. A legislação Tributária é aquela que mais impõe modulações e padrões aos lançamentos contábeis e à estruturação e formalização dos livros, não sendo por outro motivo também conhecidos como “Livros Fiscais”. No tocante à escrituração contábil, a não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária sujeita o contribuinte ao pagamento de penalidades pecuniárias a lhe serem impostas mediante o competente Auto de Infração. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais. Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.264 35 a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência. b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias. c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida. d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não é demasia enaltecer que a elaboração de folha de pagamento nos moldes acima descritos, a declaração em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e o registro dessas informações na contabilidade não se configuram faculdades da empresa, mas, sim, obrigações tributárias acessórias a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que as folhas de pagamento, a GFIP e os livros contábeis equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Para tanto, no caso das contribuições previdenciárias, exige o art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social que a empresa, mensalmente, elabore folhas de pagamento, lance em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, informe ao Fisco Federal, mediante GFIP, todos os citados fatos geradores e outras informações de interesse do INSS, etc. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos fatos geradores ocorridos na empresa, pelo exame dos documentos acima referidos, não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego meios indiretos para a apuração da base de cálculo das contribuições sociais devidas. No caso em exame, dentre muitas outras irregularidades apontadas, a Fiscalização constatou que a empresa autuada não incluiu nas suas folhas de pagamento todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço; não lançou, mês a mês, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, tampouco declarou nas GFIP correspondentes todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária ocorridos sob sua responsabilidade tributária, porquanto não se houveram por considerados os segurados empregados da Recorrente, por esta irregularmente contratadas sob o manto formal de pessoa jurídica. De outro canto, pelas mesmas razões, as provas e circunstâncias do caso em tela revelam que a contabilidade da Autuada não registrava o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. A não observância das obrigações tributárias exigidas pela legislação de regência frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do Fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como Recibos de Pagamento a Autônomos, notas fiscais de prestação de serviços, contratos, etc. Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.265 37 Nessas circunstâncias, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registrou o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, configuramse motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Figuram presentes, portanto, os pressupostos legais para a apuração, por aferição indireta, da base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas. Diante desse quadro, o convencimento do auditor fiscal acerca da existência dissimulada da relação previdenciária em litígio decorreu dos elementos de convicção elucidativamente descritos no Relatório Fiscal, corroborados pelos elementos de prova acostados aos autos, de onde dimana a persuasão de que os sócios das pessoas jurídicas em apreço prestavam serviços na empresa autuada na condição de segurado empregados, nos termos do art. 12, I, ‘a’, in fine, a Lei nº 8.212/91. Na sequência, ante a inexistência de documentos específicos de onde pudesse ser extraída, diretamente e com confiabilidade, a matéria tributável, houvese a base de cálculo das contribuições em realce apuradas por arbitramento, com fulcro dos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 8.212/91, a partir das informações contidas nas Notas Fiscais de serviço, contratos de prestação de serviços, folhas de medição de serviços. No procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos. Alguns dos critérios de aferição indireta a serem empregados pela Fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos Contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, como se deu ocorrer no presente, a Fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição, os mais diversos e imagináveis possíveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muitas vezes, tão somente, o princípio da razoabilidade. No caso em apreciação, considerando que os serviços são prestados à Recorrente unicamente pela pessoa física dos sócios e não pela pessoa jurídica correspondente; considerando que tais serviços foram prestados sob o manto da condição de segurado empregado, e considerando que os valores consignados nas notas fiscais de prestação de serviços em tela são representativos da contraprestação remuneratória pelos serviços prestados à Recorrente pelas pessoas físicas caracterizadas pela Fiscalização como segurados empregados da Autuada, se nos afigura correta a parametrização adotada pelos Agentes Fiscais no dimensionamento da base de cálculo do lançamento em questão, cabendo ao Sujeito Passivo o ônus da prova em contrário, a teor do §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Reiterese que inexiste qualquer óbice a que sócios de pessoas jurídicas prestem serviços a outras empresas na condição de segurados empregados. Nessa relação jurídica específica, a tributação previdenciária irá incidir sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título pela empresa contratante, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91. Envolta em tal singularidade, observadas as considerações acima expendidas, a Fiscalização dimensionou, por arbitramento, a matéria tributável, lançando de ofício como salário de contribuição dos segurados empregados, os valores extraídos das notas fiscais emitidas em face da FDC pelos sócios das pessoas jurídicas contratadas, caracterizados pela Fiscalização como segurados empregados da Recorrente. Tais notas fiscais encontramse analiticamente arroladas por competência e individualizadas por emitente no Anexo 04, a fls. 1795/1817, de molde que sua correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo, favorecendo, dessarte, o contraditório e a ampla defesa do Autuado. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tais montantes não são condizentes com a realidade. Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.266 39 Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP ou na escrituração contábil. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. Diante da pletora probatória acostada aos autos, firmase a convicção de que os fatos trazidos pela fiscalização não deixaram dúvida quanto à real situação dos trabalhadores mencionados, os quais se ajustam taylor made na categoria de segurados empregados, visto que presentes todos os pressupostos elencados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Como resultado, nesse específico particular, subsistem inabaladas as obrigações tributárias destacadas no AIOP em apreço, o qual não demanda reparos. 3.2. DA FRAUDE E SONEGAÇÃO A Recorrente alega ausência de fraude a atrair a incidência de multa de ofício em duplicidade. O contrário extraise dos autos. Repisese que os fatos geradores ora em trato houveramse por apurados mediante procedimento de caracterização de segurados empregados, contratados irregularmente sob o manto falacioso de pessoa jurídica, com fundamento no princípio da primazia da realidade sobre a forma, uma vez que se mostraram presentes, entre os trabalhadores e a Autuada, todos os elementos da condição de segurado empregado previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Exsurge das provas dos autos que a FDC oferecia um produto no mercado e captava clientes na sociedade. Em seguida, sendo o produto bem aceito pelo público consumidor, identificava e selecionava no mercado de trabalho o profissional melhor graduado e qualificado para a execução do serviço oferecido pela Autuada perante seus clientes, mas só o contratava se fosse por intermédio de pessoa jurídica. Se o profissional selecionado não tivesse a cobertura de nenhuma pessoa jurídica, a Gerente de RH o encaminhava ao contador Sr. William Giovanni Barros, para que este providenciasse a constituição da pessoa jurídica requerida. Ultrapassadas as formalidades legais, o profissional, agora sócio da pessoa jurídica contratada, passava a executar perante os clientes da FDC, e em nome desta, os serviços para o qual fora selecionado, obedecendo estritamente às condições de contorno previamente fixadas entre a FDC e seus clientes. Diante de tal quadro, ou o profissional se ajustava ao requerido e criava sua própria pessoa jurídica, atuando sozinho ou em conjunto com algum sócio na mesma condição, ou se sujeitava a permanecer no ostracismo no mercado de trabalho. Mediante tal artificio, a FDC, conscientemente, se utilizava de profissionais especializados, contratados mediante interposta pessoa jurídica constituída adrede para tal propósito, para Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 a execução de serviços e projetos técnicos especializados típicos do seu objeto social, perante seus clientes e em seu nome. Dessarte, valeuse a Autuada das interpostas pessoas jurídicas para contratar e, ardilosamente, acobertar sob falso manto de legalidade a mão de obra utilizada na execução de sua atividade fim, com redução de encargos previdenciários e trabalhistas, circunstância que demonstra e comprova o elemento volitivo e consciente do Recorrente de suprimir/reduzir tributo, mediante a omissão de informações à administração fazendária, fraudando assim a fiscalização tributária mediante a omissão dessas operações nas GFIP, nas folhas de pagamento e na contabilidade. Deflui das provas dos autos a presença insofismável e ostensiva de todos os elementos caracterizadores da relação jurídica de segurado empregados assentados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, uma vez que os serviços prestados pelos “Pejotizados” eram de natureza não eventual, e eram prestados com pessoalidade, mediante remuneração e sob subordinação jurídica à empresa contratante, e ainda com alteralidade, uma vez que tais serviços eram prestados diretamente aos clientes da FDC, e em nome desta. Integram os presentes autos, potes de provas e evidências que a Autuada utilizouse ardilosamente do mecanismo de contratação de profissionais altamente especializados, mediante interpostas pessoas, com o sinistro intuito de suprimir tributos consubstanciados em contribuições sociais. A fraude se manifesta na volitiva e consciente contratação de trabalhadores especializados, mediante contrato civil com pessoas jurídicas formalmente constituídas para tal propósito, aliás, constituídas sob a orientação e exigência da Autuada, com vistas a impedir, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar o seu pagamento. Estivessem tais trabalhadores formalmente vinculados à Autuada, como assim determina o Ordenamento Jurídico, ela teria que arcar com os encargos previdenciários e trabalhistas incidentes sobre a folha de salários de tais obreiros. De outro canto, sendo o trabalho realizado por tais profissionais, prestados sob o signo da não eventualidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação, mas camuflados sob um simulacro de contrato civil celebrado entre duas pessoas jurídicas, conferindo à operação a aparência enganosa de legalidade, ocultase da Administração Tributária não somente a ocorrência do fato gerador do tributo, como também sua natureza e circunstâncias materiais, na medida em que tais Fatos Jurígenos Tributários deixaram de ser registrados como tais nas folhas de pagamento e na contabilidade da empresa, além de terem sido omitidos nas respectivas GFIP, resultando na efetiva redução da carga tributária da Contratante. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729943/201266 Acórdão n.º 2302003.200 S2C3T2 Fl. 2.267 41 Reforça a compreensão acerca da existência de fraude e da sonegação o fato de a Gerente de RH da FDC, ao se deparar com um profissional de interesse que não era sócio de nenhuma pessoa jurídica, encaminhálo ao contador William Giovanni Barros, para que este providenciasse a constituição da pessoa jurídica requerida (sem qualquer estrutura administrativa, técnica, patrimonial e operacional), para só então celebrar o contrato civil de prestação de serviços ora em debate. Corrobora o entendimento acima esposado o fato de a Autuada cadastrar em suas folhas de pagamento os profissionais “Pejotizados”, ocupantes de cargo de chefia, como Estagiários, uma vez que a remuneração dessa categoria de trabalhadores não sofre incidência de contribuições previdenciárias e os aplicativos utilizados na elaboração de Folhas de Pagamentos obviamente não geram o cálculo de tais tributos, de modo que a inclusão como estagiários no cadastro tornouse conveniente para os objetivos desejados, evitando, assim, que naufragasse todo o esquema fraudulento. Tal procedimento demonstra, insofismavelmente, a intenção consciente de fraude e sonegação, mediante ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou modificando as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar dos serviços de interpostas pessoas jurídicas para a contratação de profissionais especializados para a execução das tarefas inerentes à sua atividade econômica, a Autuada não efetua a declaração de tais segurados e suas respectivas remunerações em suas GFIP, excluindo dessarte da Administração Fazendária o conhecimento a respeito da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Não procede, portanto, a alegação de inexistência de causa para a qualificação da multa de ofício. Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da fraude e da sonegação, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, circunstância que implica a majoração da multa de ofício, em atenção à regra disposta no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 Em reforço a tal assertiva, atentese que, em razão das irregularidades constatadas durante os procedimentos de Fiscalização nas empresas ora em trato, houvese por formalizada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, constituída em apartado nos autos do Processo Administrativo Fiscal COMPROT n° 15504729.948/201299, representando ao órgão competente para a persecução criminal, fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária tipificado no art. 337A, inciso III, do Código Penal (DecretoLei 2848, de 07/12/40, redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/00), por omitir, total ou parcialmente, fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias e crime Contra a Ordem Tributaria, previsto no inciso I do artigo 1° da Lei nº 8.137 de 27/12/1990, por suprimir ou reduzir contribuição social, mediante omissão de informação as autoridades fazendárias. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11128.001029/2009-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/02/2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 10 29 /2 00 9- 35 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3801003.269 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3801003.269 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3801003.269 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3801003.269 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3801003.269 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3801003.269 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3801003.269 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.001029/200935 Acórdão n.º 3801003.269 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10830.005792/2003-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/07/1998
JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE DA COBRANÇA. POSSIBILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LEI VIGENTE. AFASTAMENTO POR INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF). IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, rejeitar a prejudicial de decadência do crédito tributário, vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, e, por unanimidade, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/07/1998 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS COM CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nos termos do caput do artigo 170 do CTN, a compensação de débito tributários do sujeito passivo somente pode ser realizada com créditos próprios perante à Fazenda Pública que se revestirem dos atributos da certeza e liquidez. 2. Em face da ausência de tais atributos, é vedada a compensação de crédito reconhecido por decisão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE. INOCORRÊNCIA. Nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial quinquenal para a fiscalização constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1998 a 31/07/1998 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. ASSEGURADO O CONTRADITÓRIO E O PLENO EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 57 92 /2 00 3- 41 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Não é passível de nulidade, o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu o contraditório e o direito de defesa na forma da legislação vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 31/07/1998 JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE DA COBRANÇA. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LEI VIGENTE. AFASTAMENTO POR INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF). IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, rejeitar a prejudicial de decadência do crédito tributário, vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, e, por unanimidade, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 45/49), em que formalizada a cobrança do crédito tributário no valor total de R$ 1.411.402,54, sendo R$ 517.284,85 do IPI dos meses de abril a julho de 1998, R$ 387.963,64 de multa de ofício e R$ 506.154,05 de juros moratórios, calculados até 30/6/2003, em razão da puração de falta de recolhimento Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.005792/200341 Acórdão n.º 3102002.177 S3‐C1T2 Fl. 101 3 De acordo com a Descrição dos Fatos que integra (fl. 46), a autuação foi motivada por irregularidade nos valores dos créditos vinculados aos respectivos débitos do IPI informados nas DCTF do 2º e 3º trimestres de 1998, o que resultou na falta de recolhimento ou pagamento dos valores lançados. Cientificada do lançamento, tempestivamente, a interessada apresentou a impugnação de fls. 3/42, na qual alegou: 1) em preliminar: a) nulidade autuação, (i) por cerceamento do dieito do defesa, porque o Auto de Infração era genérico e não lhe permitira saber o motivo ou dispositivo que restou violado, (ii) por falta de fundamentação e de Mandado de Procedimento Fiscal, (iii) impossibilidade da autuação, em função de expressa determinação judicial, (iv) impossibilidade de se discutir decisão judicial em processo administrativo, (v) falta de indicação correta da capitulação legal e (vi) impossibilidade de aplicação retroativa das normas que serviram de base à autuação; e b) decadência do crédito tributário, pois a notificação do lançamento ocorrera apenas em 7/7/2003, o que impossibilitava a exigência dos débitos anteriores a 7/7/1998, a teor dos arts. 156, V, 173 e 150, § 4º, todos do CTN; 2) no mérito: a) a improcedente da autuação, por ter havido comunicação espontânea dos débitos; b) obtivera provimento judicial para ter restituído o créditoprêmio do IPI, tendo optado pela sua compensação, com os débitos ora exigidos; e b) a exigência de juros de mora com base variação da taxa Selic era inconstitucional. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 195/200), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente em parte e determinado o cancelamento da multa de ofício e a suspensão da exigibilidade do crédito, com base nos fundamentos resumido no enunciado da ementa que segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI ANOCALENDÁRIO: 1998 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO. A medida judicial, embora suspenda a exigibilidade do crédito tributário, apenas impede que a Fazenda Pública pratique atos executórios tendentes a cobrar o seu crédito, mas não tem o condão de impedir a sua constituição. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Em 7/11/2008, a autuada foi cientifica da referida decisão. Inconformada, em 28/11/2008, a recorrente apresentou o recurso voluntário de fls. 215/257, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, em preliminar, alegou impossibilidade de prosseguimento da cobrança dos débitos, em face da contradição entre a decisão recorrida, que determinara a suspensão da cobrança, e a intimação da referida decisão, que determinava o prosseguimento da cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser parcialmente conhecido, pelas razões a seguir aduzidas. A controtrovérsia, como delineado no relatório precedente, cingese a questões de natureza preliminar e de mérito, que serão a seguir analisadas. I – DAS QUESTÕES PRELIMINARES Em sede de preliminar, a recorrente suscita questões atinentes à impossibilidade do prosseguimento da cobrança, nulidade da autuação e decadência do crédito tributário lançado. I.1 Da Impossibilidade do Prosseguimento da Cobrança. Segundo a recorrente, a intimação expedida pela unidade da Receita Federal de origem, com a previsão do prosseguimento da cobrança dos débitos lançados, caso não apresentado recurso a este Conselho ou não efetuado o pagamento no prazo estabelecido, contrariava a decisão de primeira instância, que determinara a suspensão da exigibilidade dos débitos em apreço, e decisão judicial que, expressamente, proibira o prosseguimento da cobrança. A questão suscitada pela recorrente diz respeito ao procedimento de intimação, matéria de natureza meramente procedimental da alçada da unidade da Receita Federal de origem, que, embora se refira à cobrança dos débitos objeto da autuação, mas por se tratar de ato administrativo, não cabe a este Colegiado se pronunciar a respeito da sua legalidade, mas apenas enfatizar que tanto as decisões das Delegacias da Receita Federal de Julgamento quanto às decisões judiciais devem ser prontamente acatadas e cumpridas pelo referido Órgão. Além disso, com a apresentação do recurso voluntário em tela, a cobrança do crédito tributário lançado encontrase suspensa, senão por força das referidas decisões, certamente em razão da aplicação do disposto no art. 151, III, do CTN, até que seja prolatada a decisão final administrativa por este Conselho. Dessa forma, por falta de objeto e por se tratar de matéria estranha a lide, deixase de tomar conhecimento da referida alegação. I.2 Da Nulidade do Auto de Infração. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.005792/200341 Acórdão n.º 3102002.177 S3‐C1T2 Fl. 102 5 A recorrente alegou nulidade da autuação sob o argumento de que (i) houve equívoco na fundamentação, (ii) cerceamento do dieito de defesa (iii) impossibilidade da autuação, em função de expressa determinação judicial, (iv) impossibilidade de se discutir decisão judicial em processo administrativo, (v) falta de indicação correta da capitulação legal e (vi) impossibilidade de aplicação retroativa das normas que serviram de base à autuação. Do cerceamento do direito de defesa por falta de fundamentação. A recorrente alegou que era equivocada a fundamentação da autuação na “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”, porque reconhecera o imposto como devido e, por meio do procedimento de compensação, havia extinto os débitos lançados, logo, não se tratava de falta de pagamento, mas de uma eventual irregularidade na operação de compensação. No excerto a seguir transcrito, concluiu a autuada que: Conforme demonstrado na impugnação, o Auto de infração é tão genérico, que a única coisa que a empresa sabe, é que foi constituído crédito tributário em função de realização de "Auditoria Interna nas DCTFS discriminadas no quadro 3 (três)", e que em razão desta auditoria foram "constatadas irregularidades nos créditos vinculados". Nada mais. O auto de infração não dá o número (se é que há) do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), nem os motivos, os fundamentos, a descrição, isto é, se foram constituídos em função de compensação indevida, ou se esta compensação não foi realizada nos limites e condições do processo judicial ou por outro motivo qualquer por falta de observância de normas legais ou formalidades, porque o fiscal assim o quis, mesmo sem motivo aparente. A empresa só sabe que foi autuada! Só isso e nada mais! (grifos não originais). Da simples leitura do texto transcrito, verificase que a recorrente comete evidente contradição, a afirmar que em razão da auditoria foram “constatadas irregularidades nos créditos vinculados”, para logo em seguida afirmar que não houve motivo ou fundamento da autuação. Diferentemente do alegado pela recorrente, verificase que se encontra expressamente consignado na Descrição dos Fatos (item 9), integrante do questionado Auto de Infração, que o motivo da autuação fora a constação de “ireguladdade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Creditas Vinculados não Confirmados (Anexo I). E de acordo com o referido Anexo I (Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados), que faz parte do referido Auto de Infração (fls. 47/48), constatase que o motivo da autuação fora a falta de confirmação do crédito vinculado a “Comp s/ Darf – outros – PJU [Processo Judicial]”. Com base nos referidos Demonstrativos, fica devidamente esclarecido que o motivo do lançamento em apreço fora a não confirmação dos valores dos créditos originários do processo judicial nº I564/87, instaurado perante a 1ª Vara Federal de Brasília/DF, informados nas DCTF de fls. 54/69, como “CRÉDITOS VINCULADOS – COMPENSAÇÕES SEM DARF”. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Assim, diante da confirmação de que as referidas compensações foram indevidas, em face da inexistência da comprovação dos créditos informados, era obrigatória a realização do lançamento, por força do disposto no art. 90 da Medida Provisória 2.158 35/2001, a seguir transcrito: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e as contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (grifos não originais) Além disso, o fato do Auto de Infração não mencionar o nº MPF também não macula a legitimidade do lançamento, haja vista que, nos termos art. 111, IV, da Portaria SRF 1.265/99, para esse tipo de lançamento, era expressamente dispensável a emissão do referido documento. Portanto, ao contrário do alegado, não há qualquer equívoco no enquadramento da autuação, em decorrência de infração caracterizada por “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA”, pois, conforme explicitado nos referidos Demonstrativos, a falta de recolhimento ou pagamento dos débitos lançados decorreu de informação, não confirmada pela fiscalização, da existência do crédito proveniente de decisão judicial utilizado na compensação dos débitos lançados. Com essas considerações, fica evidenciado que o questionado Auto de Infração atende plenamente os requisitos fixados no art. 10 do Decreto 70.235/72, doravante denominado de PAF, especialmente, os requisitos da descrição dos fatos e do enquadramento legal da infração. Além disso, da leitura da robusta peça recursal em apreço, extraise que a recorrente teve pleno conhecimento do motivo da autuação, o que infirma o alegado cerceamento do direito de defesa e a consequente impossibilidade de declaração da nulidade da autuação, com respaldo no art. 59, II, do PAF. Da falta do enquadramento legal da infração. A recorrente alegou que se o ponto fulcral da autuação fora a compensação irregular do crédito obtido num processo judicial, o fundamento legal dessa conduta deveria constar no auto de infração e não os artigos de lei que sequer têm aplicação com o caso em discussão. Não procede a alegação da recorrente. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (item 10), os dispositivos legais citados tratam dos fundamentos da cobrança dos débitos do IPI, da cominação da penalidade por declaração inexata e do cálculo dos juros moratórios. Aliás, diferentemente do alegado pela recorrente, o art. 44, I, da Lei 9.430/96, na época dos fatos vigente e citado no referido enquadramento legal, dispõe expressamente sobre a infração por declaração inexata, nos termos a seguir reproduzidos: 1 "Art. 11. Os MPF de que trata esta Portaria não serão exigidos nas hipóteses de procedimento fiscal: [...] IV de que trata a Instrução Normativa SRF n° 94, de 24 de dezembro de 1997." Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.005792/200341 Acórdão n.º 3102002.177 S3‐C1T2 Fl. 103 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] (grifos não originais) Dessa forma, fica demonstrado que o enquadramento legal da infração foi realizado em consonância com o disposto no art. 10, IV, do PAF, e corresponde ao tipo da infração cometida pela recorrente, portanto inexiste o alegado vício de nulidade suscitado pela recorrente. Da aplicação retroativa da legislação. A recorrente alegou nulidade do auto de infração, sob o argumento de que o mesmo havia se embasado e aplicado legislação posterior à ocorrência dos fatos restabelecidos pela decisão judicial transitada em julgado. Segundo a recorrente, a legislação que serviu de fundamento para autuação fora editada após os anos de 1987 e 1988, em que, respectivamente, fora ajuizada a ação e proferida a sentença judicial. Não assiste razão a recorrente, pois, nos termos do art. 105 do CTN, a legislação que rege o lançamento é aquela vigente na data da ocorrência do fato gerador. Da mesma forma, em consonância com disposto no art. 170 do CTN, a legislação que se aplica ao procedimento de compensação é aquela vigente na data da sua realização. Com base nessas considerações, fica demonstrado que não tem o menor fundamento o argumento da recorrente de que a legislação editada posteriormente a data da propositura da ação ou da prolação da decisão judicial, relativas ao reconhecimento do direito creditório, era que se aplicaria ao caso em tela. Da impossibilidade da autuação na vigência do art. 62 do PAF. A recorrente alegou que era ilegal a lavratura do questionado auto de infração, com base no argumento de que não podia ser instaurado nenhum procedimento contra a recorrente, pois, em conformidado com o disposto no art. 62 do PAF, vigente na data da autuação, ela estava ampara por decisão judicial que determinava a suspensão do feito e decisão proibindo a autuação. Diferentemente do alegado pela recorrente, não há provas nos autos de que de havia decisão judicial proibindo a fiscalização da Receita Federal de lançar os débitos tributários objeto de compensação com créditos decorrentes da referida Ação Judicial. Os elementos probatórios colacionados aos autos (fls. 258/273) comprovam que há apenas notificação ao Delegado da Receita Federal em Campinas/SP e o Procurador Regional Fazenda Nacional em Brasília/DF determinado que se obstenham de negar a expedição de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa em favor da autuada, relativamente Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 aos débitos objeto da compensação em tela, com créditos objeto do Processo de Execução Fiscal nº 8700061166, originário da referida Ação Judicial. Assim, se na data do lançamento, nem posteriormente a lavratura do vergastado auto de infração, não havia e nem há ordem judicial proibindo o lançamento do crédito tributário em discussão, evidentemente, por força do disposto no art. 142 do CTN, combinado com estatuído no art. 90 da Medida Provisória 2.15835/2001, ao contrário do alegado pela recorrente, a autoridade fiscal tinha o poderdever de proceder ao lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Por essas razões, rejeitase a presente alegação de nulidade da autuação e todas as demais suscitadas pela recorrente, anteriormente analisadas. I.3 – Da Decadência do Crédito Tributário Lançado. A recorrente alegou que o art. 150, § 4º, era a regra geral e a exceção prevista no art. 173, I, do CTN e se aplicaria somente aos casos de dolo, fraude ou simulação, conforme prevê a parte final do mencionado artigo; ademais, nada havia no referido dispositivo, que justificasse a aplicação da exceção aos casos de inexistência de pagamento antecipado. É incontroverso que o IPI é tributo submetido a lançamento por homologação e que, em regra, o termo inicial do prazo de decadência tem início na data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4o do art. 150 do CTN, que segue transcrito: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Porém, essa regra geral somente se aplica se houver o pagamento antecipado do tributo. Em outras palavras, sem pagamento prévio do tributo, o termo a quo do prazo decadencial do lançamento passa a ser regido pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), desde o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 973.733/SC, sob regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), conforme exposto no enunciado da ementa que segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.005792/200341 Acórdão n.º 3102002.177 S3‐C1T2 Fl. 104 9 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Desse modo, em cumprimento ao disposto no art. 62A2 do Regimento Interno deste Conselho, no caso em tela, aplicase o entendimento explicitado no âmbito do referido REsp, de que sem a realização do pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, e passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Também não procede a alegação da recorrente de que a compensação teria o mesmo efeito do pagamento, sob o argumento de que a homologação era a atividade procedimental equiparável ao pagamento antecipado. A uma, porque a compensação, no caso em tela, fora indevidamente realizada, logo não se consumou a alegada extinção do crédito tributário, o que deu causa a autuação em apreço. A duas, porque a compensação, embora seja uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, evidentemente, ela não se equipara ao pagamento, que tem natureza própria, definida no art. 162 do CTN. No caso, como o fato gerador do débito mais antigo ocorreu em 10/4/1998 (débito do IPI do 1º decêndio de abril de 1998), o primeiro dia do exercício em que o lançamento poderia ser efetuado aconteceu em 1/1/1999, consumandose o quinquídio decadencial em 31/12/2004. Como o lançamento fora concluído em 7/7/2003, com ciência da autuada do auto de infração, inequivocamente, resta demonstrado que, no caso em tela, não ocorreu a alegada decadência. II – DAS QUESTÕES DE MÉRITO No mérito, a recorrente alegou que o procedimento de compensação em comento era legítimo, logo não podia dar ensejo as autuação nem cobrança dos tributos compensados, uma vez que a autuada estava amparada em lei, em decisão judicial e em jurisprudência firme sobre a matéria, sendo a exigência completamente divorciada da realidade de fato e de direito, com argumentos frágeis e que não tinha o menor respaldo jurídico, razão pela qual, havia de ser reformada a decisão e cancelado o lançamento. Alegou ainda a inconstitucionalidade da exigência do tributo com a inclusão da taxa Selic. II.1 Do Procedimento Compensatório. Em relação ao procedimento compensatório, alegou a recorrente que ele foi realizado em conformidade com o disposto no Decretolei 491/69, na referida decisão judicial e jurisprudência firme sobre a matéria. Segundo a recorrente, uma vez que a setença exequenda reportavase ao Decretolei 491/69 e ao Decreto 64.833/69, restava claro e induvidoso, que a referida decisão acolhera o pedido de ser efetuado o ressarcimento por todas as formas previstas nos citados diplomas legais, incluindo a dedução com o IPI e a compensação com outros tributos federais, como efetivamente procedera após o trânsito em julgado da decisão judicial, tendo a recorrente optado por escriturar (no caso dos autos) e de compensar com outros tributos federais no caso de outros processos que não estão em discussão. 2 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.005792/200341 Acórdão n.º 3102002.177 S3‐C1T2 Fl. 105 11 Não procede a alegação da recorrente, pois, embora, incialmente, a unidade da Receita Federal de origem tenha sido comunicada (fl. 92) pela Juíza que a autuada poderia compensar o valor do créditoprêmio com os tributos federais, de acordo com o Decrelei 491/69 e o Decreto 64.833/69, em seguida, esse despacho fora reconsiderado. No que tange ao referido despacho de reconsideração, embora a recorrente tenha informado que interpôs Agravo de Instrumento (fls. 147/168), perante o TRF da 1ª Região, para que fosse declarada a nulidade do despacho agravado e determinado o cancelamento do ofício enviado ao Secretário da Receita Federal, não foi acostado aos autos qualquer decisão proferida no âmbito do referido processo de Agravo de Instrumento deferindo tal pretensão, por conseguinte, temse como válido o teor do referido despacho de reconsideração, que rejeitou o pedido da recorrente de realização da compensação de acordo com os referenciados diplomas normativos. Além disso, os Ofícios de fls. 272/273, expedidos pelo TRF da 1ª Região, asseguraram à recorrente apenas o direito à certidão positiva com efeitos de negativa, o que, indiretamente, implica suspensão da exigibilidade dos débitos compensados, conforme fora corretamente reconhecido pela decisão de primeiro grau. Dessa forma, se afastada a aplicação do procedimento compensatório previsto nos citados diplomas normativos, a compensação em tela deve ser submetida às normas da compenção previstas no art. 170 do CTN, que exige que os atributos da certeza e liquidez como requisitos imprescindíveis para fim de realização do procedimento compensatório em comento. No caso em tela, embora o crédito informado pela recorrente, na data da realização da compensação, atendesse ao disposto no § 6º do art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, a compensação realizada não atendeu os requisitos do art. 17 do dito ato normativo, especialmente, a desistência, perante, o Poder Judiciário, da execução do título judicial, conforme se infere do texto a seguir transcrito: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 ou sem emissão de precatório. (Incluído pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) Tais procedimentos, obviamente, têm por objetivo o controle da devolução do crédito reconhecido por meio de decisão judicial e, dessa forma, evitar que o contribuinte receba em duplicidade o mesmo valor, no âmbito do processo de execução fiscal, por meio de precatório ou requisição de pequeno valor, e também na esfera administrativa, mediante o procedimento de compensação. No caso em tela, além de ter realizado a compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial exequenda, condição suficiente para que seja reputada indevida a compensação em referência, a recorrente ainda não comprovou a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial, referente à mencionada ação judicial, conforme exige os referidos preceitos normativos, medida de controle indispensável. Com base nessas considerações, também fica demonstrado que não se aplica ao caso em tela, o entendimento exarado na farta jurisprudência colacionada à peça recursal, relacionada à aplicação dos procedimentos de compensação instituídos no Decretolei 491/69 e no Decreto 64.833/69, bem como da legislação vigente na data da propositura da ação. Dessa forma, fica demonstrado que a autuação em questão foi feita em consonância com a legislação vigente na data da efetivação do procedimento compensatório em apreço, logo, não merece reparo a decisão recorrida. II.2 Da Incidência da Taxa Selic. Por fim, a recorrente alegou a inconstitucionalidade da exigência do tributo com o acréscimo de juros moratórios calculados com base na variação da taxa Selic. A cobrança dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, está em perfeita consonância com o disposto no § 1º do art. 161 do CTN, que estabelece o seguinte, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...). (grifos não originais) Assim, em conformidade com o transcrito preceito legal, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu o seguinte regramento, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.005792/200341 Acórdão n.º 3102002.177 S3‐C1T2 Fl. 106 13 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação ao assunto, cabe esclarecer que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou a respeito, reconhecendo a constitucionalidade da cobrança do referido gravame, conforme exposto na enunciado da ementa do Acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 803.707/PR (Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 14.08.2006), a seguir reproduzida: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. BASE DE CÁLCULO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ART. 161, § 1º, DO CTN. 1. Constitui a base de cálculo da multa de mora prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996 o valor principal da dívida atualizado pela taxa Selic. 2. É lícita, por força do comando contido na Lei n. 9.065/1995, a aplicação da taxa Selic nos casos em que há parcelamento do débito tributário ou em que há quitação total, mas com atraso. Precedentes. 3. Nas ações que tenham por fim a repetição de pagamentos indevidos efetuados antes de 1º.1.96 e cujo trânsito em julgado ainda não tenha ocorrido, incide, na atualização do indébito, a partir dessa data, exclusivamente, a taxa Selic. Desde aquela data, não tem mais aplicação o mandamento inscrito no art. 167, parágrafo único, do CTN, o qual, diante da incompatibilidade com o disposto no art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, restou derrogado. 4. Recurso especial improvido. No mesmo sentido, firmouse a jurisprudência deste Conselho, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 4, a seguir transcrito: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, resta demonstrado que o cálculo dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, tem suporte em preceito legal vigente, o que impõe a obrigação desse Colegiado de aplicar a legislação de regência, conforme expressamente dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, pela Lei nº 11.941, de 2009, verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” As arguições feitas pela recorrente não se enquadram em nenhuma das hipóteses de exceção anteriormente citadas. Enfim, no âmbito deste Conselho, consolidouse o entendimento de que as instâncias administrativas, de 1º ou 2º grau, carecem de competência para afasta a aplicação de lei por inconstitucionalidade, conforme explicitado na Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Por todas essas razões, deve ser mantida cobrança dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic. III – DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, votase por rejeitar as preliminares de nulidade do Auto de Infração e de decadência do crédito tributáro e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 293DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000197/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
EFICÁCIA DA COISA JULGADA. CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS DISTINTAS DA MATÉRIA DECIDIDA NA SISTEMÁTICA DO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Declarada a inconstitucionalidade da lei que instituiu a CSLL em razão de sua concomitante exigência com a Contribuição ao FINSOCIAL, cessa a eficácia da coisa julgada a partir do momento em que deixa de ser exigida esta contribuição. Inaplicabilidade do entendimento fixado no REsp nº 1.118.893/MG, se não houve declaração de inconstitucionalidade formal e material da lei que instituiu a CSLL.
MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - IRREGULARIDADE DA EXIGÊNCIA SIMULTÂNEA COM MULTA DE OFÍCIO - A exigência simultânea de multa de ofício e multa isolada caracteriza a dupla penalização do contrib uinte, sendo, assim, considerada irregular. Precedentes.
Numero da decisão: 1101-000.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em, relativamente à exigência da CSLL devida no ajuste anual, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Relator José Ricardo da Silva, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e, relativamente à exigência de multa isolada, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente para efeito de formalização de acórdão.
JOSÉ RICARDO DA SILVA - Relator.
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE - Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS DISTINTAS DA MATÉRIA DECIDIDA NA SISTEMÁTICA DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Declarada a inconstitucionalidade da lei que instituiu a CSLL em razão de sua concomitante exigência com a Contribuição ao FINSOCIAL, cessa a eficácia da coisa julgada a partir do momento em que deixa de ser exigida esta contribuição. Inaplicabilidade do entendimento fixado no REsp nº 1.118.893/MG, se não houve declaração de inconstitucionalidade formal e material da lei que instituiu a CSLL. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE IRREGULARIDADE DA EXIGÊNCIA SIMULTÂNEA COM MULTA DE OFÍCIO A exigência simultânea de multa de ofício e multa isolada caracteriza a dupla penalização do contrib uinte, sendo, assim, considerada irregular. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, relativamente à exigência da CSLL devida no ajuste anual, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Relator José Ricardo da Silva, acompanhado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e, relativamente à exigência de multa isolada, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 97 /2 00 9- 65Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 33 2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para efeito de formalização de acórdão. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator. EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 34 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela BHP BILLITON METAIS S/A (fls. 12/37, v. 6), contra decisão da 9ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro, consubstanciada no Acórdão nº 1226.045, de 04 de setembro de 2009 (fl. 200/220, v. 5), que manteve o lançamento tributário relativo a CSLL, anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, juntamente com a multa de ofício, juros de mora e multa isolada, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro de 2004 a novembro de 2007. Conforme Termo de Constatação (fls. 48/53, v. 5), o início da ação fiscal se deu após a apresentação, por parte da Recorrente, de Declaração de Informações Econômico Fiscais dos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, apuradas com base no lucro real, que demonstraram inconsistência com os valores informados na DIPJ de CSLL. Assim, foi lavrado, no dia 17/11/2008, Termo de Intimação Fiscal, a fim de que a Recorrente apresentasse os Livros e Documentos, fiscais e comerciais, além de esclarecimento a respeito dos fatos. Em resposta às intimações, consta que a recorrente, em 25/11/2008, se limitou a afirmar que possuía decisão judicial com trânsito em julgado que suspendia a exigibilidade do crédito tributário referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sem apresentar a referida decisão judicial, ou qualquer outro documento, ensejando, assim, a lavratura de novo termo de intimação fiscal, em 01/12/2008, a fim de que sua existência fosse comprovada. No dia 08/12/2008 foi apresentado resposta a intimação, tendo sido juntada decisão diversa. Em 21/01/2009, lavraramse Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, e em 10/02/2009 procederamse a reintimação da Recorrente para que apresentasse a alegada ação judicial. Em 12/02/2009, a Recorrente efetuou a entrega de decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, fls. 188/193, v. 5, transitado em julgado, que declarou inconstitucional a exigibilidade da CSLL por ter considerado sua base de cálculo idêntica com a do FINSOCIAL, o que impediu sua cobrança, tendo como “base de cálculo o balanço do ano de 1988”. Diante da decisão apresentada, foi realizado, no dia 18/02/2009, novo Termo de Intimação Fiscal para que a Recorrente apresentasse decisão a ela favorável que afastava a obrigatoriedade do recolhimento da CSLL. Contudo, ao apresentar resposta à intimação no dia 20/02/2009, reafirmou a validade da ação judicial apresentada, como se ainda fosse devido o recolhimento do FINSOCIAL. No dia 03/03/2009, conforme termo de constatação fiscal, a Recorrente foi intimada para apresentar documentos referentes aos cálculos dos recolhimentos da CSLL devidos e não recolhidos, cujo atendimento se deu no dia 09/03/2009. Assim, foi encaminhado Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 35 4 documentos (balancetes) e fichas de cálculos da CSLL devida, mensal e anualmente, que pela Recorrente foram confeccionados, tendo como base sua escrita comercial e fiscal. Como o objeto da ação judicial apresentada pela Recorrente havia ligação com o pagamento da contribuição do FINSOCIAL, que foi extinto em 1992, através da Lei Complementar 70/91, o objeto da decisão judicial apresentada se perdeu, nascendo, assim, a obrigação de recolhimento da CSLL, referente aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, o que não ocorreu. Desta forma, foi lavrado o auto de infração (fls. 54/55, v. 5), para constituir o crédito tributário da CSLL, nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, além das multas de ofício e isolada de 50%, referentes aos valores mensais não recolhidos, com o seguinte enquadramento legal: Lei Complementar 70/91; Art. 2° da Lei 7.689/88; Art. 37 da Lei 10.637/02; Arts. 38 e 39 da Lei 8.541/92; Art. 2° da Lei 9.430/96; Art. 469 do CPC; Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Lei 11.488/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei 5.172/66; Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória 351/07; Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Lei 11.488, de 15 de junho de 2007; O contencioso administrativo foi instaurado em 24 de abril de 2009, com a apresentação de Manifestação de Inconformidade Fiscal (fls. 89/126), cujos argumentos se seguem: a) por intermédio do mandado de segurança 89.00059882, impetrado perante a Justiça Federal no Rio de Janeiro, em 25 de abril de 1989, requereu que fosse afastada a exigência da contribuição social instituída pela Lei 7.689/88, enquanto a mesma subsistisse ou, em assim não entendendo, exclusivamente com relação ao resultado apurado no exercício social de 1988; b) o juízo da 1º Vara Federal do Rio de Janeiro julgou improcedente a ação de mandado de segurança, tendo a Recorrente apresentado recurso de apelação, autuado no TRF2 sob o nº 90.02.072481; c) que seu recurso foi julgado em 28 de março de 1990 pela 2º Turma daquele Tribunal, que decidiu o prover, nos termos do pedido inicial e principal, na forma do Relatório e do Voto do Sr. Desembargador Federal designado para a lavratura do acórdão; d) a decisão foi tomada por maioria, já que a relatora votou no sentido de dar provimento apenas para tornar inexigível a CSLL quanto aos lucro de 1988, enquanto os demais desembargadores o proveu para tornalo inexigível sem qualquer limitação temporal; e) o acórdão não foi objeto de qualquer recurso por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional, tendo transitado em julgado em 18/02/1992, ganhando status de coisa julgada material, nos termos do art. 467 do CPC; Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 36 5 f) não foi proposta ação rescisória no prazo fixado pelo art. 495 do CPC, razão pela qual a decisão se tornou, definitivamente, “blindada”; g) por se tratar de decisão judicial com eficácia de coisa julgada material, cuja garantia é esculpida no art. 5º, XXXVI, a Recorrente confiou que o Fisco obedeceria o seu comando, sem a compelir em seu recolhimento, como já vinha obedecendo por 18 anos; h) uma vez desobrigada do pagamento da CSLL, no âmbito de uma ação com eficácia declaratória, seja por que fundamento for, a Recorrente poderá sempre opor o julgado ao Fisco, mesmo em ações futuras em relação às quais essa declaração seja um pressuposto lógico, não cabendo ao Fisco perquirir acerca da subsistência ou não dos motivos que levaram o Tribunal a proferir a decisão como condição de sua aplicação válida, como faz o auto de infração; i) por se tratar a CSLL de uma obrigação continuativa, somente poderia o fisco suscitar, judicialmente, se o “estado de direito” que vigorou ao tempo em que a decisão transitada em julgado foi proferida deixasse de persistir, nos termos do art. 471, I, do CPC; j) assim, a competência para apreciar a questão é privativa do Poder Judiciário, que deve ser instado a pronunciarse sobre a mesma em sede de ação de revisão ou de modificação; k) fortalecendo seu argumento, cita Pontes de Miranda, Humberto Theodoro Júnior e Antônio Carlos de Araújo Cintra; l) ao lavrar o auto de infração em desfavor da Recorrente, alega que o Fisco invadiu competência privativa do Poder Judiciário, violando o princípio da separação dos poderes, esculpido no art. 2º da CF/88, já que somente a ele cabe conhecer e julgar as ações de revisão ou modificação de decisões transitadas em julgado, atinentes a relações continuativas, nos termos do art. 471, I, do CPC; m) é nula a autuação do fisco por incompetência absoluta do órgão de lançamento para se pronunciar sobre a subsistência da decisão judicial transitada em julgado que desobriga a Recorrente do pagamento da CSLL; n) a expressão alteração do estado de direito não significa toda e qualquer modificação na regulamentação jurídica em causa, mas tão somente as modificações que respeitam ao fundamento essencial da decisão, ou seja, aquelas modificações na ordem jurídica que pudessem ter levado o juiz a adotar decisão diversa daquela que adotou, caso tais modificações já tivessem ocorrido à época em que a decisão foi proferida; o) a revisão da decisão transitada em julgado é uma medida excepcional e somente está autorizada se, no futuro, houver modificações que conduzam a uma alteração da identidade da ação apreciada no contexto de uma relação continuativa; Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 37 6 p) assim, de alteração de estado de direito somente podese entender quando se tem uma evolução legislativa em matéria de CSLL que cria, ex novo, uma relação jurídica tributária não apreciada pela decisão transitada em julgado por não estar abrangida no objeto da ação em que a decisão foi proferida; q) somente uma alteração do fato gerador e base de cálculo é que poderia ser arvorada como alteração do estado de direito, nos termos do art. 4º, do CTN; r) isto porque, o critério definidor da identidade dos tributos reside na “situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência”, nos termos do art. 114 do CTN; s) a análise da evolução legislativa em matéria de CSLL permite classificar as normas que operaram tais modificações da seguinte forma: (a) normas relativas aos mecanismos e procedimentos de recolhimento (Lei n° 7.787/89, Lei n° 8.383/91, Lei n° 8.981/95, Lei n° 9.249/95, Lei n° 10.833/03); (b) normas relativas a alteração de alíquota (Lei n° 7.856/89, Lei n° 8.114/90, Lei Complementar n° 70/91, Lei n° 9.249/95, Lei n° 10.637/02); e (c) normas relativas A composição da base de cálculo (Lei no 8.034/90, Lei n° 9.249/95, Lei n° 9.316/96, Lei n° 9.710/98, Medida Provisória n°2.15835/01, Lei n° 10.637/02). t) as normas relativas à alteração de alíquota e aos mecanismos de recolhimento não afetam a essência e a identidade do tributo em causa, configurando uma alteração do estado de direito; u) as normas relativas à modificação da composição da base de cálculo podem ser classificadas em normas i) que determinam ajustes por exclusão ou adição, ii) limitação de compensação de bases negativas, iii) vedação ou autorização de deduções e iv) alargamento do âmbito de aplicação territorial; v) assim, na grande maioria dos casos, de meros reflexos, em matéria de CSLL, de modificações ocorridas em matéria de imposto de renda das pessoas jurídicas que a lei quis explicitar abrangerem também aquela contribuição w) e que assim, são meras alterações na composição interna da base de cálculo que em nada afetam a identidade da mesma, que se mantém desde a origem inalterada, como sendo o valor do resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda; x) da mesma forma que ninguém sustenta que alterações similares, que com grande freqüência ocorrem em matéria do imposto de renda de pessoas jurídicas, significam uma ruptura na identidade da mesma, não se vislumbra como modificações na simples determinação legal do resultado do exercício possam significar uma alteração da base de cálculo do tributo em causa em termos de configurar uma alteração do Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 38 7 estado de direito, suscetível de ensejar a cessação de vigência do caso julgado; y) seu pensamento é o que tem sido adotado pela 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, para quem “as leis supervenientes à Lei 7.689/88 (Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.383/91, 8.541/92 e a LC 70/91), em matéria de CSLL, apenas modificaram a alíquota e sua base de cálculo, ou dispuseram sobre a forma de pagamento”, não criando nova relação jurídicotributária, estando, pois, impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992, em respeito a coisa julgada material, conforme se extrai do RESP 731.250 e RESP 885.763; z) não havendo mudança na identidade da CSLL, podese afirmar, com segurança, que a CSLL, objeto do auto de infração, é a mesma transitada em julgado, pela qual ficou desobrigada de pagar; aa) como a base de cálculo do FINSOCIAL era a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, e a base de cálculo da COFINS, definido pelo art. 2º da LC 70/91, é o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, base esta ampliada pelos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/98, não deixou, pois, de existir uma contribuição social sobre o faturamento, seja ela denominada FINOSICAL ou COFINS, coexistência essa considerada pelo Poder Judiciário, em decisão com força de coisa julgada material, como fundamento de inconstitucionalidade da CSLL; bb) o Acórdão 10191.707, de 12/12/1997, examinou exatamente um caso de exigência de CSLL de um contribuinte que dispunha de decisão judicial transitada em julgado proferida pela mesma 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, sob o mesmo fundamento, violação do art. 194, VI, e que recebeu a seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL EFICÁCIA DA COISA JULGADA Consoante o disposto no inciso I, do artigo 471 do Código de Processo Civil, somente ocorrendo modificação no estado de fato ou de direito de relações jurídicas continuativas, pode a Fazenda Pública pedir a revisão do que foi estatuído em sentença que transitou em julgado." cc) Desta forma, alega poder afirmar, com segurança, a não ocorrência de uma alteração do estado de direito, em nenhum dos parâmetros que estiveram na base da formulação do juízo de identidade dos fatos gerados, alteração essa que pudesse por em causa a cessação da vigência da coisa julgada; dd) a só extinção do FINSOCIAL não possui o condão de retirar o objeto da decisão retro mencionada, nascendo, então, a obrigação de recolhimento Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 39 8 da CSLL, pois somente a alteração do estado de direito que teria este poder, o que não ocorreu; ee) pondera que, para além da exigência da de CSLL, relativamente aos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, o auto de infração também procedeu o lançamento de multa isolada, pretensamente devida em razão da falta de recolhimento da CSLL, sobre a base mensal estimada nos referidos períodos de apuração; ff) contudo, alega que este Egrégio Conselho tem jurisprudência pacífica, no sentido de ser incabível a aplicação de multa isolada quando já exigida a penalidade específica incidente sobre o tributo apurado através de lançamento de ofício, por caracterizar dupla penalização do contribuinte; gg) cita os acórdãos CSRF/0105.511, 10809802, 10517066, 0809735, 10809290 e 10809552, onde é afastada a aplicação cumulada de multa isolada com a multa de ofício; A 9ª Turma da DRJ/RJ1, ao apreciar o mérito, manteve o lançamento tributário, conforme se extrai de sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE. COISA JULGADA. ALCANCE. LANÇAMENTO. VIABILIDADE. Não se perpetuam os efeitos da decisão transitada em julgado que afasta a incidência da Lei n° 7.689, de 1988, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, principalmente, considerando a superveniência de fatos que modificam o estado de direito que ensejou o julgado, a exemplo: a) da superveniência de leis posteriores regulando a incidência, e não abrangidas pela decisão judicial; b) da cessação dos motivos que embasavam a coisa julgada; e c) do pronunciamento posterior e definitivo do STF declarando, pelas vias incidental e direta, que a Lei n° 7.689, de 1988, é, sim, constitucional. • ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PADRÃO. CONCOMITÂNCIA. As estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Não há previsão legal de afastamento da multa Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 40 9 isolada em razão da aplicação da multa de oficio vinculada ao tributo anual que deixou de ser recolhido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de primeira instância em 09 de outubro de 2009 (fls. 8, v. 6), e com ela não se conformando, apresentou Recurso Voluntário (fls. 12/37, v. 6), no qual, em apertada síntese, argumenta que: hh) não basta a mera afirmação unilateral da existência de modificação das circunstâncias de fato ou de direito, tal como o fez o auto de infração, em entendimento mantido pela 9ª Turma da DRJ/RJOI, para afastar a aplicação de referida decisão; ii) diferente do que sustenta o Acórdão recorrido, devese ter em mente que ao prescindir do recurso à ação de revisão ou modificação, o Fisco invadiu competência privativa do Poder Judiciário, violando o princípio da separação dos poderes, elevado à dignidade máxima de cláusula pétrea em nossa Constituição, eis que submetido à chamada reserva de Constituição originária (art. 60, §4º, III); jj) como a ordem constitucional repugna que uma emenda constitucional retire atribuições privativas do Poder Judiciário para atribuílas a um dos demais poderes, jamais um agente fiscal poderia julgar se existiu, ou não, uma alteração das circunstâncias jurídicas, suscetíveis de retirar a eficácia de coisa julgada de uma decisão judicial transitada em julgado; kk) agindo dessa forma, constatase, com facilidade, uma abusiva invasão da esfera de competência do Poder Judiciário, a quem a lei atribuiu a competência exclusiva para conhecer e julgar as ações de revisão ou modificação de decisões transitadas em julgado, atinente às relações continuativas, ex vi art. 471, I, do CPC; ll) não foram afastados os argumentos expostos, por ocasião da impugnação, quanto à impossibilidade da autuação fiscal, devendo a mesma ser reconhecida como nula por incompetência absoluta do órgão de lançamento para se pronunciar sobre a subsistência da decisão judicial transitada em julgado, que desobriga a Recorrente do pagamento da CSLL; mm) que o acórdão recorrido reconhece o posicionamento da 2ª Turma do STJ, no entanto, suscita decisões mais antigas, proferidas pela 1ª Turma daquele Colendo Tribunal, para tentar fazer crer que esse entendimento “somente surte efeitos em relação a período determinado, mencionado no bojo da ação mandamental”; Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 41 10 nn) o acórdão proferido no julgamento do RESP 731.250 é mais recente que o acórdão citado pela decisão recorrida; além de ser paradigmático quanto ao entendimento daquele Tribunal sobre a questão; oo) que o mesmo entendimento se manteve em recentíssima decisão proferida por ocasião do julgado do ARESP 839/049, de 12 de maio de 2009; pp) o acórdão recorrido manteve o entendimento do auto de infração impugnado, suscitando a perda de eficácia da decisão judicial sob a alegação de que, sendo o fundamento do acórdão transitado em julgado a identidade do fato gerador entre a CSLL e o FINSOCIAL, poderia alegarse alteração no estado de direito, ainda que a identidade da CSLL se mantivesse inalterada, em razão da extinção do FINSOCIAL, termo de comparação que o Tribunal tomou em conta para formular um juízo de identidade entre as duas contribuições; qq) contudo, não deixou de existir uma contribuição social sobre o faturamento (chamase FINSOCIAL ou chamese COFINS), coexistência essa considerada pelo Poder Judiciário em decisão com força de coisa julgada material, como fundamento de inconstitucionalidade da CSLL; rr) não está em discussão, como fez parecer o acórdão Recorrido, a constitucionalidade, ou não, da Lei 7.689/88, matéria essa já pacificada na jurisprudência, mas, sim a eficácia ou não da coisa julgada material; ss) contudo, ao enfrentar tema similar ao digladiado nestes autos, foi consignado no acórdão 10191.707 que, consoanteo disposto no inciso I, do art. 471 do CPC, somente ocorrendo modificação no estado de fato ou de direito de relações jurídicas continuativas, pode a Fazenda Pública pedir a revisão do que foi estatuído em sentença que transitou em julgado; tt) afirma que, diferente do que alega o acórdão recorrido, a vasta e pacífica jurisprudência do CARF é no sentido de ser incabível a aplicação da multa isolada quando já exigida a penalidade específica incidente sobre o tributo apurado através de lançamento de ofício, por caracterizar dupla penalização do contribuinte; uu) para tanto, cita os acórdãos 10322.564, 10517066, 10809735, 108 09802, 10809290, 10809552, 10194255 e 10322219; vv) dessa forma, pede a anulação do acórdão proferido pela 9ª Turma da DJR/RJOI, em face ao reconhecimento de que a decisão judicial em questão não deixou de revestir a natureza de coisa julgada material, pelo que persiste seus efeitos até os dias de hoje, ou, não entendendo desta forma, afastar a multa isolada, por ser incabível sua aplicação quando já exigida a penalidade específica incidente sobre o tributo apurado através de lançamento de ofício, por caracterizar penalidade dupla do contribuinte. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 42 11 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo da Silva O recurso apresentado pela Recorrente é tempestivo e dele tomo conhecimento. A questão colocada para a apreciação desta Egrégia Turma, conforme se depreende do relatório, diz respeito ao auto de infração (fls. 54/55, v. 5), que constituiu os créditos tributários de CSLL, anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, com a cominação de multa de ofício e isolada, referente a valores mensais não recolhidos. Por ocasião de atendimento a intimação durante a ação fiscal, a contribuinte apresentou os documentos solicitados pelo fisco (fls. 147/193, v. 5), dentre os quais se encontra a decisão judicial, proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, publicada em 07/03/1991, transitada em julgado no dia 18/02/1992, que teria reconhecido seu direito “de não ter contra si exigida a tributação de contribuição social instituída pela Lei 7.689”. A turma de julgamento de primeiro grau rejeitou o pleito da recorrente, ao argumento de que não se perpetuariam “os efeitos da decisão transitada em julgado que afasta a incidência da Lei nº 7.689, de 1988, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, principalmente, considerando a superveniência de fatos que modificam o estado de direito que ensejou o julgado, a exemplo: a) da superveniência de leis posteriores regulando a incidência, e não abrangidas pela decisão judicial; b) da cessação dos motivos que embasavam a coisa julgada; e c) do pronunciamento posterior e definitivo do STF declarando, pelas vias incidental e direta, que a lei n° 7.689, de 1988, é, sim, constitucional.” Na presente instância a recorrente repisa no argumento de que a decisão proferida pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, transitada em julgado, possuiria o status de coisa julgada material, o que a tornaria imutável e indiscutível, acrescentandose, à baila, o fato de ainda estar em vigor o mesmo “estado de direito” da época em que se foi proferida a decisão que a afastou da incidência da Lei 7.689/88. Ou seja, não tendo deixado de existir uma contribuição social sobre o faturamento, o “estado de direito” permaneceria o mesmo da época em que transitou em julgado a decisão judicial que impossibilitou o fisco de constituir e cobrar o crédito tributário. A decisão judicial em tela possui a seguinte redação (fls. 187, v.5): A turma, por maioria, deu provimento ao recurso, para deferir o pedido nos termos iniciais e principal, vencida a Desembargadora Federal que deferia a ordem quanto ao pedido alternativo. Por maioria, rejeitada a argüição de inconstitucionalidade. Votaram na ocasião os Desembargadores Federais: Julieta Lídia Lunz, Alberto Nogueira e D’Andréia Ferreira. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 43 12 Por sua vez, seu pedido tinha como escopo o julgamento procedente da ação, para (fls. 175, v. 5): “reconhecer o direito da autora de não ter contra si exigida a tributação da contribuição social, instituída pela Lei 7.689/88, conforme item 2.1 ou, em assim não entendendo V. Exa., exclusivamente com relação ao resultado apurado no exercício social de 1988” O item 2.1 mencionado em seu pedido, considerava que a “exigência da contribuição social antes da edição da Lei Complementar que disponha sobre as matérias referidas acima viola inexoravelmente a Constituição de 1988 (art. 146), sendo, portanto, inconstitucionais a Lei 7.689/88 e a Instrução Normativa 198/88 retro mencionadas” (fls. 174, v. 5). Entretanto, para a solução da lide, necessário se faz saber quais seriam os limites da coisa julgada na presente hipótese, e se a superveniência das Leis 7.856/89 e 8.034/90 teriam modificado a relação jurídicotributária criada pela Lei 7.689/88. Como por nós é sabido, tratase a coisa julgada, que pelo Constituinte de 1988 foi elevado a direito e garantia fundamental, devidamente esculpido em seu inciso XXXVI, do art. 5º, de verdadeiro bastião do cidadão contra o poder do Estado, podendo ser conceituado como a indiscutibilidade, dentro e fora do processo, do comando normativo contido em uma decisão judicial, nos termos dos arts. 468, 471, inciso I e 472, todos do Código de Processo Civil. Portanto, enquanto a coisa julgada formal seriam as decisões terminativas, ou seja, decisões em que o mérito não é examinado, também conceituada por boa parte da doutrina brasileira como sinônimo de preclusão, na coisa julgada material temos uma decisão de mérito fundada em cognição exauriente. Desta forma, como a decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2º Região, da qual não houve recurso por parte da Fazenda Nacional, teria adentrado no mérito submetido ao seu crivo, houve, em verdade, coisa julgada material, restando, assim, somente analisar se as Leis 7.856/89 e 8.034/90 possuiriam o condão de criar nova relação jurídicotributária, que obrigaria a submissão da Recorrente à sua incidência. Nesse sentido, destacase que o Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o Recurso Especial 1.118.893 – MG, este submetido ao rito estabelecido pelo art. 543C do CPC, com redação determinada pela Lei 11.672/08, entendeu que as Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 “apenas modificam a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributário”. Vale aqui transcrever a seguinte ementa, verbis: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 44 13 JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 45 14 inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídico tributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. Logo, por determinação expressa no art. 62A, do RICARF, somente cabe a esta Egrégia Turma proceder a sua reprodução as decisões proferidas sob o rito do art. 543C do CPC nos julgamentos no âmbito deste Conselho, assistindo razão à Recorrente. Com relação à exigência de multa isolada cumulada com multa de ofício, também merece provimento as alegações do contribuinte, pois a provisoriedade das estimativas merece observação cautelosa, pois encerrado o período, há de ser fundada ou ter a sua incidência o tributo em definitivo. Portanto, havendo exigência da apuração do tributo em ação fiscal, com a aplicação da multa de ofício, não se justifica a incidência concomitante de multa isolada, sob pena de dupla incidência sobre uma mesma infração. Desta forma, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Ressalto que não estou vinculada ao entendimento desta decisão. Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Em procedimento fiscal de revisão interna, constatouse que a contribuinte em epígrafe nada havia informado, em DIPJ, acerca da apuração da CSLL devida no ajuste anual e em estimativas mensais nos períodos de 2004 a 2007. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 46 15 Intimada, a contribuinte informou que possuía decisão favorável transitada em julgado, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, situação não contemplada pelo programa de preenchimento da DIPJ. Para comprovar esta afirmação, a interessada apresentou cópia de sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 90.0012619, por ela impetrado juntamente com Shell Brasil S/A, na qual suas razões são assim sintetizadas: Na inicial, as impetrantes, em síntese, alegam: a) que, por força da Lei nº 7.689, de 151288, ficaram elas sujeitas A contribuição social incidente sobre seus lucros destinada ao financiamento da seguridade social e devida a partir do resultado apurado no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1988; b) que, todavia, considerada a natureza de tal contribuição, fica a mesma sujeita ao principio da anterioridade especial, afrontado pelo art. 7o da Lei nº 7.856, de 241089, por implicar em cálculo de forma majorada. Culminam elas por pleitear medida liminar, a ser confirmada por sentença, para que se mande eximilas da tributação calculada com base na Lei nº 7.856/89, quanto ao fato gerador ocorrido em 31 de dezembro de 1989. Os diplomas legais mencionados assim determinaram, no que tange à apuração da CSLL: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: [...] § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. Art. 3º A alíquota da contribuição é de oito por cento. [...] Art. 4º São contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária. [...] Art. 8º A contribuição social será devida a partir do resultado apurado no período base a ser encerrado em 31 de dezembro de 1988. [...] Lei nº 7.856, de 24 de outubro de 1989. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 47 16 Art. 2º A partir do exercício financeiro de 1990, correspondente ao períodobase de 1989, a alíquota da contribuição social de que se trata o artigo 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passará a ser de dez por cento. Parágrafo único. No exercício financeiro de 1990, as instituição referidas no art. 1º do DecretoLei nº 2.426, de 7 de abril de 1988, pagarão a contribuição à alíquota de quatorze por cento. Na sentença proferida em 18/10/90, o Exmo. Juiz Federal da 10a Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro assim expressou: EX POSITIS, concedo a segurança impetrada, para o efeito de, confirmando a medida liminar, mandar que a autoridade impetrada se abstenha de exigir a contribuição social instituída pela Lei nº 7.689/88, relativamente ao fato gerador ocorrido em 31 de dezembro de 1989, com o cálculo majorado na forma da Lei nº 7.856/89, de Shell Brasil S.A. e de Billiton Metais S. A. A contribuinte não apresentou o acórdão que teria reexaminado a questão, em razão do recurso de ofício a que se sujeitava esta decisão. Apresentou, apenas, julgamento proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região, nos autos da Apelação Cível nº 90.02.239475, também Mandado de Segurança, impetrado por Shell Brasil S/A Petróleo e Outro, mas decidido originalmente pelo Juízo Federal da 16a Vara Federal do Rio de Janeiro. Na transcrição fonográfica do debate que existiu antes do julgamento da referida apelação, observase que houve grande discussão quanto à possibilidade de extinção do processo em relação à autuada, por perda do objeto, dado que em outro Mandado de Segurança por ela impetrado já havia sido declarada a inconstitucionalidade da CSLL. Ao final, prevaleceu o entendimento de que ali não se discutia a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, mas sim das antecipações determinadas pela Lei nº 7.787/89, dandose provimento à apelação e à remessa oficial, para desconstituir a sentença que havia concedido a segurança pleiteada pelas impetrantes. O Acórdão, proferido em 28/09/93 e publicado em 30/08/94, restou assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. PRELIMINAR REJEITADA. MANTIDO O ENTENDIMENTO ANTERIOR, NA OPORTUNIDADE DO JULGAMENTO DO AGRAVO. SÃO PROCESSOS QUE CORRERAM TRÂMITES PRÓPRIOS E ESPECÍFICOS. NÃO PODE UM SUPRIR O OUTRO. AINDA QUE TIVESSE HAVIDO UMA DUPLICIDADE. TERÍAMOS, NA PIOR DAS HIPÓTESES, PROBLEMA DE EFEITO OU EFICÁCIA DA COISA JULGADA.. O QUE DEVE SER CONSIDERADO NO MOMENTO DA EXECUÇÃO E NÃO NO JULGAMENTO DA APELAÇÃO E DA REMESSA. DECISÃO POR MAIORIA A mencionada Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989, alterou a legislação de custeio da Previdência Social, e assim fixou relativamente à CSLL: Art. 8º A contribuição instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será paga, juntamente com as parcelas do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sob a forma de antecipações, duodécimos ou cotas, observadas, no que couber, as demais condições estabelecidas nos arts. 2º a 7º do DecretoLei nº 2.354, de 24 de agosto de 1987. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 48 17 Posteriormente, a fiscalizada apresentou documento ao qual se reportou como Decisão transitada em julgado, em favor do contribuinte em questão, que suspende a exigibilidade da CSLL acompanhada de esclarecimento fornecido pelo escritório contratado Xavier, Bernardes, Bragança Sociedade de Advogados. Consta dos autos cópia de julgamento do Tribunal Regional Federal da 2a Região em face da Apelação em Mandado de Segurança nº 90.02.072481, interposta por Billiton Metais S/A. A matéria sub judice está assim relatada: Tratam os autos de recurso contra a decisão que recusou pretensão autora de não recolhimento da contribuição social, instituída pela Lei n° 7.689/88. Recorre a empresa autora, sob a argumento de inconstitucionahdade do artigo 8° da lei referida, por não ter sido respeitados os princípios constitucionais tributários, com alternativa pretensão de ser apreciada a total inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88. A seu turno argumenta a União Federal, quanto à constitucionalidade da cobrança do encargo respaldada no artigo 195, inciso I da Constituição Federal, sendo o lapso da vacância observado, e a via legal adequada, posto que a lei ordinária, veio ratificar medida provisória anterior. O pedido veiculado na petição inicial do Mandado de Segurança, como bem observado pelo I. Relator, estava assim redigido (fl. 955): [...] reconhecer o direito da autora de não ter contra si exigida a tributação da contribuição social, instituída pela Lei 7.689/88, conforme item 2.1 ou, em assim não entendendo V. Exa., exclusivamente com relação ao resultado apurado no exercício social de 1988. O acórdão proferido em 28/03/90 foi assim ementado: CONSTITUCIONAL. Contribuição Social instituída pela Medida Provisória nº 22, de 6 de dezembro de 1988, convertida na Lei nº 7.689/88. Identidade com a hipótese de incidência (fato gerador) da Contribuição para o FINSOCIAL, em ofensa ao princípio da diversidade de fontes de custeio (Constituição Federal, Artigo 194, VI). Inconstitucionalidade. Apelação Provida. Restou vencida a Desembargador Relatora da apelação, que lhe deu provimento para que não se proceda a cobrança da Contribuição Social questionada nestes autos, tendo como base de cálculo o balanço do ano de 1988. Prevaleceu o entendimento externado pelo Desembargador designado para redigir o voto vencedor, o qual aparenta estar incompleto nos autos, assemelhandose a transcrição fonográfica, mas expressando entendimento de que seria indevida a cobrança da CSLL juntamente com a contribuição ao FINSOCIAL, porque ambas seriam contribuições para a Seguridade Social. Nos esclarecimentos que acompanharam esta decisão, informouse que o Mandado de Segurança que originou a Apelação nº 90.02.072481 foi impetrado sob nº 89.00059882, e nele denegouse a segurança. Já na referida Apelação, foi deferido o pedido principal para declarar a inconstitucionalidade da contribuição instituída pela Lei nº 7689/88, ante o expresso provimento da apelação e a afirmação de inconstitucionalidade constantes da ementa, destacandose, também, trechos que seriam do voto vencedor, nos seguintes termos: Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 49 18 "De tal sorte, a contribuição indigitada nestes autos, criada na Constituição de outubro de 1988, não estando obrigada a observar o exercício financeiro vindouro, ainda assim não se legitima, posto haver considerado a lei 7.689/88, o período de balanço de dezembro daquele mesmo ano, o que de certo protraiu sua eficácia. Houvesse a lei ordinária, estabelecido marco temporal diverso para base de cálculo, e a solução seria outra, mas dai a considerar o integral exercício financeiro do ano de sua criação, é ferir situações jurídicas, já constituídas e acabadas. Por tudo que foi visto, discutido e examinado. Conheço o recurso e lhe dou provimento para que não se proceda a cobrança da contribuição social, questionada nestes autos, tendo como base de cálculo o balanço do ano de 1988." (grifos nossos) Observese, porém, que estes termos foram extraídos do voto da Desembargadora Relatora, que restou vencida. Quanto ao voto vencedor, como já dito, ele aparenta estar incompleto e, inclusive, é idêntico às imagens que se obtém em consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 2a Região. A fiscalizada acrescentou, ainda, que a decisão em comento transitou em julgado em 18 de fevereiro de 1992, sendo, portanto, definitivamente reconhecida a inconstitucionalidade da CSL em razão da identidade de seu fato gerador com o da Contribuição ao Fundo de Investimento Social ("FINSOCIAL"). Frisouse, por fim, que em 19 de fevereiro de 1994 decorreu o prazo para Ação Rescisória que poderia, eventualmente, ser proposta pela União Federal com o objetivo de desconstituir o acórdão proferido. Naquela ocasião a contribuinte também juntou Termo de encerramento de fiscalização de 1995, ratificando a suspensão da exigibilidade da CSLL, lavrado nos seguintes termos: Fiscalizando a empresa BILLITON METAIS S/A, inscrita no CGC sob o No 42.105.890/000146, constatamos que a mesma deixou de recolher a CONTRIBUICAO SOCIAL, referente aos anosbase de 1988, 1989 e 1991, conforme demonstrado no auto de infração em anexo, em virtude da DECISAO JUDICIAL que ora anexamos. Pelo mesmo motivo deixamos de cobrar a CONTRIBUICAO SOCIAL, reflexa do respectivo auto de IRPJ. Face ao exposto, propomos que seja solicitado a PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, que emita um parecer sobre como devemos proceder com relação ao fato. Seguese cópia de despacho encaminhando a referida solicitação à Procuradoria da Fazenda Nacional, a qual orientou os interessados no sentido de que fosse cumprida a decisão, dado seu trânsito em julgado em 18/02/92 e o arquivamento dos autos do processo judicial. Consulta à movimentação processual, possivelmente realizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, confirma a data do trânsito em julgado, bem como que a Apelação nº 90.02.072481 teria se originado do Mandado de Segurança nº 89.00059882. Dos elementos até aqui examinados concluise que a interessada, embora reportandose a decisão favorável obtida no Mandado de Segurança nº 90.0012619 (mas sem prova se sua confirmação em reexame necessário) e a decisão desfavorável obtida na Apelação nº 90.02.239475, vinculou a falta de recolhimento de CSLL questionada pela Fiscalização ao Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 50 19 julgamento da Apelação nº 90.02.072481, a qual, segundo informações da Procuradoria da Fazenda Nacional, teria origem no Mandado de Segurança nº 89.00059882. Intimouse a empresa a comprovar a existência de ação judicial que afastasse a obrigação de recolher a CSLL no anocalendário 2005, e a interessada novamente reportouse ao Mandado de Segurança nº 89.00059882 e concluiu que a partir de 18 de fevereiro de 1992 data do transito em julgado da decisão que reconheceu a inconstitucionalidade da CSLL em razão da identidade de seu fato gerador com o da FINSOCIAL a BHP está desobrigada a efetuar o recolhimento da contribuição em comento. No Termo de Constatação de Infração Fiscal, observou a autoridade lançadora que a Contribuição ao FINSOCIAL deixou de ser cobrada em 01/04/92, sendo substituída pela COFINS, e que o Supremo Tribunal Federal decidiu que não é constitucional a instituição, por lei ordinária, da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, cuja natureza é tributária, apenas declarando inconstitucional o art. 8o da Lei nº 7.689/88. Ressaltou que nos termos do art. 469 do Código de Processo Civil, a imutabilidade, portanto, da coisa julgada protege a declaração judicial apenas enquanto as circunstâncias fáticas e jurídicas da causa permanecerem as mesmas, inseridas que estão na causa de pedir da ação; sempre que houver a modificação das circunstâncias de fato ou de direito surgirá ensejo a nova ação totalmente diferente da ação anterior, e. por essa razão. não preocupada com a coisa julgada imposta sobre a primeira decisão. Citou, ainda, a Súmula nº 239 do Supremo Tribunal Federal. Concluindo que a decisão judicial invocada pela interessada ficou sem objeto a partir da extinção da Contribuição ao FINSOCIAL, a autoridade fiscal exigiu a CSLL devida no ajuste anual dos anoscalendário de 2004 a 2007, bem como aplicou multa isolada de 50% sobre as estimativas que deixaram de ser recolhidas nestes períodos. O voto condutor que orientou a manutenção da exigência pela 9a Turma da DRJ/Rio de JaneiroI expressou, inicialmente, o prestígio que ali se reconhecia à coisa julgada, rejeitando a possibilidade de desconstituíla, mediante rescisória ou ação anulatória, relativamente a seus efeitos pretéritos à implementação da clausula rebus sic stantibus, mesmo sendo essa mudança fruto de pronúncia pelo STF sobre a (in)constitucionalidade da mesma norma que foi fruto de discussão no provimento judicial julgado em definitivo inter partes. Ressaltou, assim, que outra seria a situação na qual a coisa julgada simplesmente cessa seu curso no tempo, tendo em vista o que se chama de mudança de estado de direito, a dispensar ações específicas para desconstituir ex tunc as relações jurídicas continuativas por ela antes albergadas, na linha do que defendido pelo Ministro Teori Albino Zavascki. Reconhecendo a existência de entendimentos contrários, o voto condutor da decisão recorrida adotou como fundamento votos unânimes da 1a Turma do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que a alteração do quadro normativo fez cessar a eficácia vinculante do julgado em favor da impugnante, o que se verificou por meio das Leis nº 7.856/89, 8.034/90 e 8.212/91, além da Lei Complementar nº 70/91. Reportouse, ainda, a entendimentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Primeiro Conselho de Contribuintes, neste sentido. Registrou, também, que o único fundamento adotado pelo Desembargador Alberto Nogueira para declarar a inconstitucionalidade da CSLL no julgamento da Apelação nº 90.072481 foi o fato de a Lei nº 7.689/88 ter criado a CSLL e mantido a cobrança da Contribuição ao FINSOCIAL, mantendo duas contribuições sociais sendo cobradas com base Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 51 20 em fatos geradores idênticos e de mesma finalidade social. A decisão rejeitou todas as argüições de inconstitucionalidade deduzidas na inicial, a exemplo de: ser matéria que demanda promulgação de lei e não de medida provisória, inobservância da exigência de lei complementar e descumprimento do prazo de 90 dias para que a lei passasse a incidir. Assim, analisada a questão apenas sob este último enfoque, a eficácia vinculante do julgado cessaria em 01/04/92, com o início da vigência da Lei Complementar nº 70/91. De toda sorte, mesmo subsistindo a exigência da COFINS a partir daquele momento, necessário seria observar: 1) a declaração de constitucionalidade da exigência desta contribuição, por meio da ADC nº 1 (julgada em 01/12/93 e publicada em 16/06/95) – que expressamente reconheceu sua convivência com as demais formas de custeio da Seguridade Social –; 2) a alteração da sistemática jurídica da COFINS, que passou a ser determinada em bases não cumulativas, desde a vigência da Lei nº 10.833/2003, em 01/02/2004; 3) a declaração de constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 (com exceção de seu art. 8o) pelo Supremo Tribunal Federal em diversos julgamentos de recursos extraordinários – alguns deles publicados em meados de 1992 –, inclusive ensejando a Resolução do Senado Federal nº 11/95, publicada em 12/04/95, a suspender a eficácia do art. 8o daquela lei, o que teria como reflexo a limitação temporal da coisa julgada, até o advento da situação jurídica nova com a mudança jurisprudencial do Pretório Excelso. Finalizando, a autoridade julgadora de 1a instância também destacou que a Lei nº 7.689, de 1988, foi, por meio da ADIn nº 152 Distrito Federal (14/06/2007), dita, na sua essência, constitucional. O Supremo Tribunal Federal analisou, ali, todos os aspectos possíveis quanto aos supostos conflitos da norma com a CF/88, confirmando o entendimento esposado no voto condutor da decisão recorrida, de que a coisa julgada da impugnante já de há muito não mais produzia eficácia. No mais, manteve a aplicação da multa de ofício isolada, por entender que houve o cometimento de infração para a qual a legislação prevê penalidade específica. A recorrente, em sua defesa, invoca a necessária obediência à coisa julgada, repudiando a argumentação de que teria havido modificação no estado de fato ou de direito, pois se assim fosse, necessário seria que o Poder Judiciário fosse instado a pronunciarse sobre a mesma em sede de ação de revisão ou de modificação, nos termos do art. 471, inciso I do Código de Processo Civil. Haveria, aqui, abusiva invasão da esfera de competência do Poder Judiciário a quem a lei atribuiu a competência exclusiva para conhecer e julgar as ações antes referidas. De toda sorte, defende também que nenhuma alteração sucedeu na normatividade da CSLL que permitisse considerar haver alegada modificação, pois tal somente ocorre quando presentes modificações na ordem jurídica que pudessem ter levado o juiz a adotar decisão diversa daquela que adotou, caso tais modificações já tivessem ocorrido à época em que a decisão foi proferida. Necessário seria um novo quadronormativo que exigisse a propositura de uma nova ação judicial, com distintos pedidos e causas de pedir, embora entre as mesmas partes. A CSLL, porém, permaneceu incidindo sobre o lucro das pessoas jurídicas, e as normas que se sucederam à Lei nº 7.689/88 apenas alteraram mecanismos e procedimentos de recolhimento, alíquota ou composição interna da base de cálculo. Invoca o entendimento da 2a Turma do Superior Tribunal de Justiça, neste sentido, e reportase especificamente às decisões do REsp nº 731.250 e do Agravo Regimental em REsp nº 839.049. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 52 21 Ainda, observou que: 1) entre FINSOCIAL e COFINS se manteve a identidade da base de cálculo, inclusive na vigência da Lei nº 10.833/2003; e 2) a declaração de constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 é irrelevante, pois a discussão, nestes autos, cingese a determinar a eficácia ou não da coisa julgada material. Ao final, reportandose às razões de decidir expressas no Acórdão nº 101 91.707, pediu a anulação do lançamento por ilegal violação de coisa julgada material, e subsidiariamente opôsse, também, à exigência de multa isolada cumulada com a multa de ofício aplicada sobre a CSLL devida no ajuste anual. O I. Relator deu provimento ao recurso voluntário, aplicando o que decidido pelo Superior Tribunal de Justiça ao apreciar o Recurso Especial 1.118.893 – MG, no qual restou firmado que o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. Invocouse, naquele julgado, entendimento anterior da 2a Turma do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que as Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. O referido acórdão foi publicado em 06/04/2011 e transitou em julgado em 09/05/2011. Em conseqüência, o I. Relator submeteuse ao seu entendimento em razão da determinação expressa no art. 62A, do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Necessário observar, porém, que as circunstâncias fáticas enfrentadas pelo Superior Tribunal de Justiça são distintas daquelas presentes no caso concreto sob análise. De fato, extraise do voto condutor do acórdão que decidiu o REsp nº 1.118.893MG: A decisão transitada em julgado, oriunda de ação declaratória, foi proferida, em última análise, conforme narram os autos (fl. 39e), com base no julgamento proferido pelo Plenário do Tribunal Regional Federal da 1ª Região nos autos da AMS 89.01.136147/MG, Rel. Juiz TOURINHO NETO, que declarou a inconstitucionalidade tanto formal quanto material desse diploma legal. A ementa foi assim publicada: CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAIS. LEI Nº 7.689, DE 15.12.88. INCONSTITUCIONALIDADE. 1 – Ante o disposto no art. 149, da Constituição de 1988, que manda observar o art. 146, inc. III, só lei complementar pode instituir contribuição social. 2 – As contribuições sociais, que, em face dos arts. 149 e 146, inc. III, da CF/88, são tributos, não se aplica o disposto no art. 150, inc. III, tendo em vista o estabelecido no § 6º, do art. 195, da CF/88. 3 – As contribuições sociais novas não podem ter fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos e contribuições já existentes (CF/88, art. 195, § 4º, c/c o art. 154, inc. I). A lei 7.689/88, no entanto, elege como base de cálculo da contribuição o Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 53 22 lucro das pessoas jurídicas (arts. 1º e 2º), que já é próprio do imposto de renda (arts. 44 do CTN, e 153, do RIR/80), além de assemelhar o seu fato gerador ao deste imposto – aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica (art. 43 CTN). 4 – A lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988, por outro lado, não poderia instituir contribuição social, pois o novo sistema tributária ainda não estava em vigor, ex vi do art. 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que estabeleceu que o sistema tributário entraria em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição – 1º de março de 1989. Infringência, por conseguinte, ao princípio da irretroatividade. 5 – Violou, outrossim, a lei 7.689/88 o art. 165, § 5º, inc. II, da CF/88, ao determinar, em seu art. 6º, que a contribuição social será administrada e fiscalizada pela Secretaria da Receita Federal, quando diante do preceito constitucional (art. 165, § 5º, inc. III), a sua arrecadação deveria integrar o orçamento da seguridade social. 6 – A lei 7.689/88 é inconstitucional, em razão de ter infringido os arts. 146, inc. III; 154, inc. I; 165, § 5º, inc. III; e 195, §§ 4º e 5º, da Constituição Federal de 1988. 7 – Incidente de inconstitucionalidade procedente. (DJ 2/12/91) Diversos acórdãos, que foram proferidos com fundamento nesse precedente, transitaram em julgado. Logo, muitos contribuintes encontramse albergados pela coisa julgada, em vários tipos de ações. Não obstante, a Fazenda Nacional insiste na cobrança da exação. Daí a multiplicidade de recursos especiais a respeito dessa questão de direito. [...] No caso, em se tratando, ainda, de ação declaratória, impõese a transcrição do ensinamento do Prof. Celso Agrícola Barbi (Ação Declaratória Principal e Incidente . Rio de Janeiro: Forense, 1976, pp. 17/18), que, após discorrer a respeito das ações existentes, consignou, com a agudez de sempre, sobre a certeza que se busca nesse tipo de ação: Chegase, assim, à conclusão de que a sentença declaratória é aquela que apenas dá a certeza oficial sobre a relação deduzida em juízo; nenhum outro efeito específico tem ela, salvo o de acabar com a incerteza, declarando a existência ou a inexistência de uma relação jurídica e, excepcionalmente, de um fato. E a ação declaratória é a que visa à obtenção dessa espécie de sentença. [...] (negrejouse) A ementa do REsp nº 1.118.893MG também destaca o contexto no qual a questão foi apreciada: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 54 23 concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias –ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. (negrejouse) No caso presente, a decisão que favoreceu a autuada declarou, tão só, a inconstitucionalidade da CSLL ante sua exigência, naquele momento, concomitante com a Contribuição ao FINSOCIAL. Já a decisão defendida no REsp nº 1.118.893/MG declarou a inconstitucionalidade formal da Lei nº 7.689/88, por entender que só lei complementar poderia instituíla, e também atacou aspectos materiais de sua instituição, como a identidade de base de cálculo com o IRPJ e a administração da contribuição pela Receita Federal. Daí a conclusão de subsistência dos efeitos da coisa julgada, se a Lei nº 7.689/88 permanece vigente. Frisese: a decisão que favoreceu a autuada no presente caso concreto não teve por referência o julgamento proferido pelo Plenário do Tribunal Regional Federal da 1ª Região nos autos da AMS 89.01.136147/MG, Rel. Juiz TOURINHO NETO, nem qualquer Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 55 24 outro semelhante que tenha declarado a inconstitucionalidade tanto formal quanto material da Lei nº 7.689/88, o que dispensa a aplicação do art. 62A do RICARF no presente caso. A aplicação do art. 62A do RICARF somente impede a discussão, no âmbito administrativo, dos efeitos das leis posteriores que teriam alterado o fundamento legal para exigência da CSLL, e do reconhecimento da constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 pelo Supremo Tribunal Federal. A necessária observância daquilo que o Superior Tribunal de Justiça decidiu sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil não impede outra interpretação do alcance dos efeitos da coisa julgada frente a decisão que declara a inconstitucionalidade da lei em razão de aspectos materiais específicos e temporários, mais precisamente o disposto, relativamente à Contribuição para o FINSOCIAL, no art. 9o da Lei nº 7.689/88: Art. 9º Ficam mantidas as contribuições previstas na legislação em vigor, incidentes sobre a folha de salários e a de que trata o DecretoLei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, e alterações posteriores, incidente sobre o faturamento das empresas, com fundamento no art. 195, I, da Constituição Federal. Tal contextualização já se mostra suficiente para negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência principal. Todavia, caso se entenda de forma diferente, a abordagem seguinte prestase a: 1) descartar o debate acerca dos efeitos dos Pareceres PGFN/CRF nº 492/2011 e 975/2011; 2) demonstrar a evolução do que decidido nos Embargos de Divergência em REsp nº 841.818DF; 3) ressaltar a confirmação da inconstitucionalidade do art. 9o da Lei nº 7.689/88, embora sob outro viés, na ADI nº 152 (em 14/06/2007); 4) firmar a distinção entre o paradigma julgado pelo Superior Tribunal de Justiça e o caso concreto, no âmbito da eficácia das decisões, dado a pretensão da interessada, aqui, ter sido veiculada em Mandado de Segurança; e 5) afastar a necessidade de prévia propositura de ação de revisão ou modificação para desconstituição do julgado aqui questionado. Como acima adiantado, ante as especificidades da decisão que favoreceu a autuada em relação à exigência de CSLL, é desnecessário definir a prevalência entre as disposições do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterado pela Portaria MF nº 586/2010, e do Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, também aprovado pelo Ministro de Fazenda por meio de Despacho publicado em 26/05/2011, posterior ao trânsito em julgado do acórdão proferido no REsp nº 1.118.893MG (09/05/2011), mas expressando conclusões que poderiam conflitar com o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, como se infere de sua ementa: DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO QUE DISCIPLINA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. MODIFICAÇÃO DOS SUPORTES FÁTICO/JURÍDICO. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. SUPERVENIÊNCIA DE PRECEDENTE OBJETIVO/DEFINITIVO DO STF. CESSAÇÃO AUTOMÁTICA DA EFICÁCIA VINCULANTE DA DECISÃO TRIBUTÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE DE VOLTAR A COBRAR O TRBUTO, OU DE DEIXAR DE PAGÁLO, EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES FUTUROS. 1.A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 56 25 deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. 2.Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. 3.Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. 4.A cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado operase automaticamente, de modo que: (i) quando se der a favor do Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional na anterior decisão, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; (ii) quando se der a favor do contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional na decisão anterior, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido. 5.Face aos princípios da segurança jurídica, da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do art. 146 do CTN, nas hipóteses em que o advento do precedente objetivo e definitivo do STF e a conseqüente cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado sejam pretéritos ao presente Parecer, a publicação deste configura o marco inicial a partir do qual o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores praticados pelo contribuinte autor. Desnecessária, também, a apreciação da análise jurídica do REsp nº 1.118.893MG, exteriorizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CRJ nº 975/2011, para concluir pelo não prejuízo da tese defendida no Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011. Como se viu, a situação de fato aqui tratada é distinta da apreciada naqueles autos, possibilidade inclusive destacada neste segundo Parecer, o qual também ressalta não ter sido enfrentado, naqueles autos, a possibilidade de precedente objetivo e definitivo do STF constituir instrumento hábil a fazer cessar, prospectivamente, a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. Neste ponto, é pertinente registrar que em 16/11/2011 foi publicada decisão monocrática proferida pelo Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, em face de Embargos de Divergência em REsp nº 841.818DF, assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 (CSSL). RES JUDICATA FORMADA EM CONTROLE DIFUSO. REO 89.01.161516DF. TRF DA 1a. REGIÃO. SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO OPOSTA DO STF. RE 138.284CE. PRONTA PREVALÊNCIA. EXIGIBILIDADE IMEDIATA DO TRIBUTO. DESNECESSIDADE DE RESCISÃO/ANULAÇÃO DO JULGADO. RESSALVA DOS EFEITOS JURÍDICOS JÁ PRODUZIDOS. SIMILITUDE COM A TEORIA REBUS SIC STANTIBUS. ACEITAÇÃO DA TESE DA FAZENDA Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 57 26 PÚBLICA NACIONAL POSTA NO PARECER PFN 492, DE 24.05.2011 (DOU 26.05.2011). PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. 1. Não se submete aos ditames da Súmula 239 do Supremo Tribunal Federal (limitação da eficácia da coisa julgada ao exercício em que proferida a decisão) a res judicata que declara a inconstitucionalidade material de Lei Tributária, em sede de controle difuso (STJ, AgRg no AgRg nos EREsp. 885.763GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe 24.02.10; REsp. 1.118.893MG, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 06.04.11). 2. A eficácia da coisa julgada tributária cessa automática e imediatamente (sem a necessidade de sua rescisão ou de sua anulação), se lhe sobrevém decisão adversa do STF, ressalvandose, porém, os efeitos jurídicos produzidos até então; a partir desse pronunciamento, o tributo pode ser exigido; aplicase, por similaridade, a teoria rebus sic stantibus, para preservar e igualmente assegurar a supremacia das decisões do STF, quando contrapostas a pronunciamentos das instâncias judiciais anteriores. 3. O instituto da coisa julgada conservase como pilastra irremovível do sistema normativo (art. 5º., XXXVI da Carta Magna), mas é imperativo ajustar os seus efeitos às mudanças jurídicas e fáticas que lhe são posteriores, quando se trata de relação obrigacional que se distende no tempo (qual a exigência da CSSL, Lei 7.689/88), dado o seu trato sucessivo, e sobre a qual o STF expendeu interpretação definitiva. 4. Embargos de Divergência parcialmente acolhidos, para proclamar a cessação ad futurum da eficácia da coisa julgada tributária a que se refere o Acórdão na REO 89.01.161516DF, do TRF da 1a. Região, a partir do julgamento do RE 138.284 CE (Rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJU 28.08.92), com a preservação dos efeitos consolidados, acolhendose a tese da Fazenda Pública Nacional, exposta no Parecer PFN 492, de 24 de maio de 2011 (DOU 26.05.2011). Como se vê, embora em decisão monocrática, houve manifestação do Superior Tribunal de Justiça posterior à publicação da decisão do REsp nº 1.118.893MG, acolhendo expressamente a tese expressa no Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011 na parte em que, como destacado no Parecer PGFN/CRJ nº 975/2011, é exposto fundamento que não teria sido enfrentado naqueles autos: a possibilidade de precedente objetivo e definitivo do STF constituir instrumento hábil a fazer cessar, prospectivamente, a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. Em conseqüência, foram afastados os efeitos da coisa julgada naquele caso concreto a partir de 28/08/92, quando tornouse definitiva a decisão proferida pelo, Supremo Tribunal Federal, em face do Recurso Extraordinário nº 138.284CE. Para maior clareza, transcrevese a ementa deste julgado proferido pelo Supremo Tribunal Federal: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. .LEI nº 7.689, DE 15.12.88. I – Contribuições parafiscais: contribuições sociais, contribuições de intervenção e contribuições corporativas. C.F., art. 149. Contribuições sociais de seguridade social. C.F., arts. 149 e 195. As diversas espécies de contribuições sociais. II. – A contribuição da Lei 7.689, de 15.12.88, é uma contribuição social instituída com base no art. 195, I, da Constituição. As contribuições do art. 195, I, II, III, da Constituição, não exigem, para a sua instituição, lei complementar. Apenas a Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 58 27 contribuição do parág. 4o do mesmo art. 195 é que exige, para a sua instituição, lei complementar, dado que essa instituição deverá observar a técnica de competência residual da União (C.F., art. 195, parág. 4o; CF, art. 154, I). Posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, da Constituição, porque não são impostos, não há necessidade de que a lei complementar defina o seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes (C.F., art. 146, III, “a”). III. – Adicional ao imposto de renda: classificação desarrazoada. IV – Irrelevância do fato de a receita integrar o orçamento fiscal da União. O que importa é que ela se destina ao financiamento da seguridade social (Lei 7.689/88, art. 1o). V. – Inconstitucionalidade do art. 8o, da Lei 7.689/88, por ofender o princípio da irretroatividade (C.F., art. 150, III, “a”) qualificado pela inexigibilidade da contribuição dentro do prazo de noventa dias da publicação da lei (C.F., art. 195, parág. 6o). Vigência e eficácia da lei: distinção. VI. – Recurso Extraordinário conhecido, mas improvido, declarada a inconstitucionalidade apenas do artigo 8o da Lei 7.689, de 1988. Na elaboração deste voto, trazido na sessão anterior, a movimentação processual dos Embargos de Divergência em REsp nº 841.818DF indicava a interposição de embargos de declaração por Banco de Brasília S/A e Outros, e a concessão de vistas à Fazenda Nacional, que os impugnou. O último registro em 21/12/2001 acusava: DECISÃO DO MINISTRO RELATOR ACOLHENDO OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EMENDANDO A DECISÃO EMBARGADA AGUARDANDO PUBLICAÇÃO (PREVISTA PARA 02/02/2012). E, de fato, em 02/02/2012 foi publicada decisão do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho acolhendo os embargos de declaração como agravo regimental, reconhecendo que o Recurso Extraordinário nº 138.284CE não tem o alcance que lhe foi emprestado na decisão anterior, para aplicar o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, preservando os efeitos da coisa julgada difusa até que a sua eficácia seja eliminada por decisão do STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade. A ementa da decisão é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DA CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA COISA JULGADA FORMADA EM CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE, EM FACE DA SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO ADVERSA DO STF EM SEDE CONCENTRADA. EFEITO AUTOMÁTICO E IMEDIATO. APLICAÇÃO ERGA OMNES. DOUTRINA DA COISA JULGADA E DAS DECISÕES DO STF EM JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PARCIALMENTE ACOLHIDOS. 1. Somente as decisões proferidas pelo STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade dos atos normativos (art. 102, I, a da Carta Magna), dotadas de definitividade, força vinculante e aplicabilidade erga omnes, possume a extraordinária eficácia de paralisar, pronta e automaticamente, a produção de efeitos jurídicos de coisa julgada anterior, com elas inconciliável, que decidira relação obrigacional de trato sucessivo (ou de natureza continuativa). 2. As decisões recursais extraordinárias do STF, quando adotadas no regime de recursos múltiplos fundados em idêntica controvérsia (art. 543B do CPC), têm a aptidão de vincular obrigatoriamente os julgamentos pendentes e futuros da mesma Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 59 28 espécie, mas não ostentam, contudo, a força excepcional de paralisar a eficácia de coisas julgadas que lhes são anteriores. 3. As decisões do STF, adotadas em sede de controle difuso de constitucionalidade, têm eficácia inter partes, não vinculando, pelo menos obrigatoriamente, os julgamentos pendentes ou futuros, mas representem precedentes reverenciandos, dada a superior autoridade da Corte Suprema. 4. Sobrevindo à coisa julgada difusa, que dantes solucionara relação de trato sucessivo, decisão do STF dotada de vinculação geral e eficácia erga omnes, cessa, tão logo transite em julgado, independentemente de ação rescisória ou anulatória, a eficácia da res judicata precedente com ela incompatível. A força jurídica da decisão suprema concentrada subordina, aliás, todos os órgãos do Poder Judiciário (ADC 1, Rel. Min. MOREIRA ALVES, RTJ 157, p. 377). 5. Lições da doutrina jurídica mais autorizada e da jurisprudência do STJ, em recurso repetitivo (REsp. 1.118.893MG, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 6.4.2011). 6. A coisa julgada tributária referente ao REO 89.01.161516DF, do TRF1 (Rel. Des. Federal FERNANDO GONÇALVES, DJU 05.12.1991), perdeu pronta e automaticamente a sua eficácia, na data do trânsito em julgado do venerando Acórdão proferido pelo STF na ADIN 15 (Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 01.08.2007), veiculante de diretriz que lhe é adversa. 7. Manutenção dos fundamentos da decisão embargada que deu parcial provimento aos Embargos de Divergência, apenas com a redemarcação do termo inicial da cessação da eficácia do REO 89.01.161516DF, fixandoa na data do trânsito em julgado do acórdão do STF na ADIN 15. (destaques do original). Nestes termos, a coisa julgada no Recurso de Ofício nº 89.01.161516DF, ali tratada, subsistiria até a decisão da ADIn nº 152 DF, publicada em 14/06/2007, como já antes mencionado. Devese frisar, porém, que à semelhança do caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.118.893/MG, a situação analisada no REsp nº 841.818/DF também tinha por referência decisão favorável à contribuinte proferida em sede de Ação Ordinária nº 89.00047450, na qual houve declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, embora não tenha sido possível ter acesso aos fundamentos da referida decisão. De toda sorte, como exposto antes deste aparte relativo aos Embargos de Divergência em REsp nº 841.818DF, a questão aqui deve ser apreciada em suas particularidades, e, neste âmbito, ela é resolvida confirmandose o entendimento expresso pela Fiscalização, e cuidadosamente defendido na decisão recorrida, nos seguintes termos: 3.Do fim da contribuição para o Finsocial Analisemos aqui mais um evento que inequivocadamente muda o estado direito que se conhecia quando do provimento judicial que declarou a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988. Para tanto, analisemos a referida decisão, a qual foi proferida pelo Tribunal Regional Federal 2ª Região nos autos da apelação em mandado de segurança de nº 90.072481 (fls. 964 e ss), em sessão de 28/03/1990, decisão por maioria (vencida a relatora). Eis sua ementa: CONSTITUCIONAL. Contribuição social instituída pela Medida Provisória nº 22, de 6 de dezembro de 1988, convertida na Lei nº 7.689/88. Identidade com hipótese de incidência (fato gerador) da contribuição para o Finsocial, em ofensa ao princípio da diversidade de fontes de custeio (Constituição Federal, artigo 194, VI). Inconstitucionalidade. Apelação provida. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 60 29 Sem entrar em análise acerca das impropriedades jurídicas que podem ser ali observadas – do tipo faturamento ser o mesmo que lucro , o fundamento jurídico que alicerça a decisão pode ser visto no voto (fls. 968/973) do relator designado para o acórdão, Des. Alberto Nogueira, e em outros julgados de mesmo relator (Apelação em MS nº 90.02.071386 e Apelação em MS nº 90.02.071388). Seria ele: é indevida a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) com base na Lei nº 7.689, de 1988, dado que essa lei ao mesmo tempo em que criou CSLL manteve a cobrança do Finsocial instituído pelo Decretolei nº 1.940 (art. 9º), logo, terseia duas contribuições sociais sendo cobradas com base em fatos geradores idênticos e de mesma finalidade social. Ressalto ainda que a decisão pela inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, se deu apenas sob esse aspecto, pois foram rejeitadas pelo relator todas as argüições de inconstitucionalidade deduzidas na inicial, a exemplo de: ser matéria que demanda promulgação de lei e não de medida provisória, inobservância da exigência de lei complementar e descumprimento do prazo de 90 dias para que a lei passasse a incidir. Pois bem, como argüiu o fiscal autuante, o Finsocial foi extinto a partir da vigência da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991 (art. 13), norma instituidora da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Portanto, essa suposta superposição de contribuições (CSLL e Finsocial) cessa de existir a partir daquele momento. Vale dizer, com a superveniência da norma que extinguiu o motivo fundamental do provimento judicial, cessa “... a partir daí a eficácia vinculativa do julgado, independentemente de novo pronunciamento judicial ou de qualquer outra formalidade.”[ZAVASCKI, Teori Albino, Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2001. p. 89]. Em suma, também esse evento afeta a situação de direito que antes consubstanciava a coisa julgada, o que faz com que os efeitos dessa não mais perdurem. Portanto, analisando só sobre esse prisma acima, desde 1º de abril de 1992, quando começou a vigência da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991 (art. 13), cessou a eficácia da decisão transitada em julgado da impugnante. Relevante acrescentar, ainda, que o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 152, em 14/06/2007, reafirmou a inconstitucionalidade do art. 9o da Lei nº 7.689/88, já antes declarada em controle difuso, como se vê em excerto de sua ementa: IV. ADIn: L. 7.689/88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, resultante da transformação em lei da Medida Provisória 22, de 1988. [...] 2. Procedência da arguição de inconstituionalidade do artigo 9o, por incompatibilidade com os artigos 195 da Constituição e 56, do ADCT/88, que, não obstante já declarada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 150.764, 16.12.92, M. Aurélio (DJ 2.4.93), teve o processo de suspensão do dispositivo arquivado, no Senado Federal, que assim, se negou a emprestar efeitos erga omnes à decisão proferida na via difusa do controle de normas. A decisão do Recurso Extraordinário nº 150.764 foi assim ementada: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PARÂMETROS – NORMAS DE REGÊNCIA – FINSOCIAL – BALIZAMENTO TEMPORAL. A teor do disposto no art. 195 da Constituição Federal, incumbe à sociedade, como um todo, financiar, de forma Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 61 30 direta e indireta, nos termos da lei, a seguridade social, atribuindose aos empregadores a participação mediante bases de incidência próprias – folha de salários, o faturamento e o lucro. Em norma de natureza constitucional transitória, emprestouse ao FINSOCIAL característica de contribuição, jungindose a imperatividade das regras insertas no DecretoLei nº 1940/82, com as alterações ocorridas até a promulgação da Carta de 1988, ao espaço de tempo relativo á edição da lei prevista no referido artigo. Conflita com as disposições constitucionais – artigo 195 do corpo permanente da Carta e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – preceito de lei que, a título de viabilizar o texto constitucional, toma de empréstimo, por simples remissão, a disciplina do FINSOCIAL. Incompatibilidade manifesta do artigo 9o da Lei nº 7689/88 com o Diploma Fundamental, no que discrepa do contexto constitucional. Assim, sob outro viés, a inconstitucionalidade que exsurgia do art. 9o da Lei nº 7.689/88 foi reconhecida, embora em momento no qual a Contribuição para o FINSOCIAL já havia sido extinta. E este fato, como antes dito, foi suficiente para alterar o cenário no qual foi proferida a decisão que amparava a contribuinte, fazendo cessar seus efeitos a partir dali. Subsidiariamente cabe também destacar que a pretensão da recorrente de não recolher CSLL foi veiculada em Mandado de Segurança, no qual ela questionou a inconstitucionalidade do art. 8o da Lei nº 7.689/88, mas veio a ser beneficiada com decisão que afastou a exigência de CSLL porque incompatível com a cobrança de Contribuição ao FINSOCIAL no mesmo período. E ao apreciar a eficácia das decisões proferidas em sede de Mandado de Segurança, o Superior Tribunal de Justiça assim se manifestou nos autos do REsp nº 599.764/GO, em acórdão que transitou em julgado em 26/11/2004: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535, DO CPC. NÃO CONFIGURADA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE TOTAL DA LEI 7.689/88. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. SÚMULA 239 DO STF. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do Código de processo Civil quando o Tribunal aprecia as questões fundamentais ao deslinde da controvérsia posta, não sendo exigido que o julgador exaura os argumentos expendidos pelas partes, posto incompatíveis com a solução alvitrada. 2. A sentença proferida em Mandado de Segurança, desonerando o contribuinte impetrante do adimplemento de obrigação tributária prevista em lei, somente surte efeitos em relação a período determinado, mencionado no bojo da ação mandamental. Súmula 239/STF: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". 3. Deveras, a declaração incidental de inconstitucionalidade da Lei que institui a cobrança de tributo, proferida em sede de ação mandamental, não integra o dispositivo da sentença, não sendo alcançada pelo efeito preclusivo da coisa julgada. 4. Conseqüentemente, a despeito de declarada inconstitucional a Lei 7698/88 outras advieram, a saber: Lei 7.856/89 (art. 2º); Lei 8.034 (art. 2º); Lei 8.212/91 (art. 23, I) e Lei Complementar 70/91 (art. 11) legitimando a exação. [...] Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 62 31 6. Desta sorte, considerandose a relação tributária e sua dinâmica no tempo, pode haver cobrança de tributo após cada fato gerador nos períodos supervenientes à coisa julgada pela presença de relações jurídicas de trato sucessivo. 7. Recurso especial improvido. O Ministro Arnaldo Esteves de Lima também aborda este aspecto no voto proferido em face do REsp nº 1.118.893/MG, nos seguintes termos: Consoante se verifica, segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela. Com efeito, uma interpretação literal da Súmula 239/STF pode conduzir ao entendimento precipitado de que aquilo que for assegurado por decisão judicial ao contribuinte, em matéria tributária, deve ser sempre limitado a determinando exercício, razão pela qual o sujeito ativo estaria livre para cobrar tributos no tocante aos subsequentes. Essa equivocada compreensão limita sobremaneira a jurisdição. É como se o contribuinte, ao ingressar em juízo, independentemente da relação de direito material em discussão, do meio processual escolhido e da natureza do pedido formulado, já soubesse que, com o início do novo exercício, aquilo que lhe for assegurado perderá sua eficácia. Hipótese em que o ente tributante estaria permanentemente seguro de que a sucumbência estaria restrita ao exercício no qual proposta a ação judicial, o que não se mostra razoável, tampouco consentâneo com a garantia da segurança jurídica. No caso, em se tratando, ainda, de ação declaratória, impõese a transcrição do ensinamento do Prof. Celso Agrícola Barbi (Ação Declaratória Principal e Incidente . Rio de Janeiro: Forense, 1976, pp. 17/18), que, após discorrer a respeito das ações existentes, consignou, com a agudez de sempre, sobre a certeza que se busca nesse tipo de ação: Chegase, assim, à conclusão de que a sentença declaratória é aquela que apenas dá a certeza oficial sobre a relação deduzida em juízo; nenhum outro efeito específico tem ela, salvo o de acabar com a incerteza, declarando a existência ou a inexistência de uma relação jurídica e, excepcionalmente, de um fato. E a ação declaratória é a que visa à obtenção dessa espécie de sentença. (negrejouse) Como se vê, não foi apreciada a repercussão do entendimento ali esposado ante uma decisão judicial proferida em sede de Mandado de Segurança, evidenciandose, portanto, mais uma distinção entre a questão aqui tratada e aquela apreciada pelo Superior Tribunal de Justiça sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil. Ainda, antes de declarar a validade da interpretação adotada pela autoridade lançadora, cabe refutar a alegação da recorrente de que, para firmarse o entendimento que fundamenta a exigência, necessário seria que o Poder Judiciário fosse instado a pronunciarse sobre a mesma em sede de ação de revisão ou de modificação, nos termos do art. 471, inciso I do Código de Processo Civil: Art.471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12897.000197/200965 Acórdão n.º 1101000.675 S1C1T1 Fl. 63 32 I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. Se assim fosse, desnecessário seria todo o embate judicial acima exposto. Bastaria ao Poder Judiciário declarar a nulidade das execuções fiscais por abusiva invasão da esfera de competência do Poder Judiciário a quem a lei atribuiu a competência exclusiva para conhecer e julgar as ações de revisão acima mencionadas, e firmar a necessidade de que ações judiciais fossem antes propostas para desconstituição das decisões anteriores, proferidas em outro contexto de fato ou de direito. Ao contrário, as manifestações do Superior Tribunal de Justiça em momento algum negam o direito ao Fisco, ou à Procuradoria da Fazenda Nacional, de questionar administrativamente, ou mediante execução judicial, a eficácia da coisa julgada, e apenas fixam os parâmetros para interpretar se extintos estão seus efeitos. Por estas razões, divergese aqui do entendimento esposado pelo I. Relator, ante as evidências de que as características do caso concreto sob análise não foram contempladas no julgamento do REsp nº 1.118.893/MG. E, considerando que a concomitância entre as exigências de CSLL e Contribuição ao FINSOCIAL deixou de existir a partir de 01/04/92, concluise que naquele momento deixou de ter efeito a decisão judicial transitada em julgado que favorecia a recorrente, reputandose correta a exigência aqui formalizada relativamente aos anoscalendário 2004 a 2007. Assim, o presente voto expressa o entendimento desta Turma Julgadora de, relativamente à exigência da CSLL devida no ajuste anual, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 30/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 11618.001486/2005-84
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.134
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A,
§§1º e 2º do Regimento do CARF, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 40.239,31, referente ao exercício de 2003. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos do Governo do Estado da Paraíba, relativos a trabalho com vínculo empregatício, decorrentes de ação trabalhista, conforme certidão apresentada pelo contribuinte. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11618.001486/200584 Resolução n.º 2801000.134 S2TE01 Fl. 191 2 • os rendimentos foram declarados como isentos e não tributáveis e são oriundos de ação trabalhista, resultante de rescisão do seu contrato celetista junto ao Estado da Paraíba; • o IRRF é exemplo típico de substituição tributária, conforme doutrina, sendo de responsabilidade da fonte pagadora, não subsistindo obrigação para o contribuinte, porque jamais esteve na relação jurídica; • recebeu a verba em decorrência da sentença trabalhista, abrangendo longo período, com incidência do IR acumuladamente; • todo o seu ganho advém da condição de funcionário público estadual e, como tal, o seu rendimento esteve, sempre, dentro do limite de isenção; • o lançamento não faz qualquer distinção entre verbas com ou sem incidência do IR, restando prejudicada a defesa, pelo que pede diligência para respeitar a ampla defesa; • a multa é reflexo de punição em decorrência da legislação tributária, não sendo aplicável se não se pode atribuir culpa ao impugnante, por comportamento reprovável da fonte; • protesta pela produção de provas e juntada de documentos a posteriori, especialmente para fim de perícia contábil que ateste a remuneração mês a mês com vistas a declarar a sua isenção, indicandose depois o perito responsável pelo trabalho. O processo foi objeto de Diligência, conforme fls. 39 a 41, por meio da qual se solicitou demonstrativo de verbas recebidas pelo contribuinte em decorrência da ação trabalhista que foram consideradas como tributáveis, o que resultou na juntada aos autos dos documentos de fls. 55/63. Em decorrência do procedimento de diligência, o contribuinte informou que não incorreu em omissão de rendimentos, pois a sentença se referia ao valor bruto de R$ 136.784,76 e que o valor sem juros de mora seria apenas de R$ 46.769,06, dos quais subtraindose os honorários advocatícios no valor de R$ 13.678,48, encontrase a base de cálculo do INSS de R$ 33.090,59, que descontado de R$ 2.647,25 de INSS recolhido chegase à base de cálculo do IRPF no valor de R$ 30.443,34, sendo retido IRPF no valor de R$ 7.948,84 e um valor líquido de R$ 112.510,20, mas que ao se corrigir os honorários advocatícios para R$ 14.323,59, o INSS para R$ 2.787,28 e IRRF para R$ 8.373,96, chegou se, de acordo com a ação trabalhista ao valor líquido de R$ 118.465,04 para o contribuinte, sendo tributável o rendimento que serviu de base para a retenção na fonte e a quantia que excedeu tal valor é rendimento isento e não tributável, sendo considerado líquido nos termos do art. 725 do RIR/99, observando que de acordo com o teor da certidão acostada (doc. 02) O cálculo elaborado pela Justiça do Trabalho está correto, já que a incidência IRPF considerará, como base de cálculo, o valor corrigido, mas sem juros e sem os títulos indenizatórios. Afirmou, ainda, que o entendimento do Fisco no sentido de que a isenção tratada no art. 46, §1°, inciso I, da Lei 8.541/92, referese a lucros cessantes e que os rendimentos percebidos pelo interessado tem natureza salarial afronta dois aspectos fundamentais: a) não seria de bom senso que um trabalhador recebesse indenização trabalhista após dezena de anos Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11618.001486/200584 Resolução n.º 2801000.134 S2TE01 Fl. 192 3 por culpa exclusiva do empregador e ao final tivesse diminuído o montante recebido a destempo com o desconto de parcela relativa ao imposto de renda incidente sobre juros; e b) a jurisprudência tem entendido que os juros de mora têm natureza indenizatória. Reclamou que, nos autos, há provas concretas de que a cobrança do imposto de renda incidiu, inclusive, sobre as parcelas relativas ao FGTS e demais de caráter nitidamente indenizatório. Argumentou que o auto de infração afronta o ato declaratório do procurador geral da Fazenda Nacional PGFN nº 1 de 23/03/2009, publicado no DOU de 14/05/2009, que diz que "( ...) no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refere tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global" e também não se levou em conta o Parecer PGFN/CRJ/N° 287/2009. A 1ª Turma da DRJ/REC/PE considerou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 139/163. Regularmente cientificado daquele acórdão em 22/03/2011 (AR, fl. 166), o interessado, representado por seu advogado, interpôs recurso voluntário de fls. 171/183, em 25/04/2011. Em sua defesa, sustenta que: § não incide Imposto de Renda sobre juros de mora, por não existir natureza remuneratória em tal verba; § os documentos constantes dos autos comprovam que o IRPF retido na fonte mediante cálculo da Justiça do Trabalho foi coerente e em conformidade com a Lei 8.541/92, art. 46, que estabelece que os juros de mora são devidos em razão da expropriação temporária de montante devido ao empregado. Neste sentido, cita doutrina e jurisprudência judicial; § a multa de ofício imposta é ato extremo, eis que não houve dolo ou culpa por parte do contribuinte na situação fática exposta, pois obedeceu à risca os ditames decisórios da Justiça do Trabalho. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, em 2005, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2002. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11618.001486/200584 Resolução n.º 2801000.134 S2TE01 Fl. 193 4 Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11618.001486/200584 Resolução n.º 2801000.134 S2TE01 Fl. 194 5 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
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Numero do processo: 10909.003028/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PASSIVO FICTÍCIO.
A manutenção no passivo da pessoa jurídica de não comprovadas, ou a manutenção de obrigações já pagas, após regular intimação pelo fisco para sua comprovação, caracteriza a presunção legal de omissão de receitas.
Numero da decisão: 1301-001.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção no passivo da pessoa jurídica de não comprovadas, ou a manutenção de obrigações já pagas, após regular intimação pelo fisco para sua comprovação, caracteriza a presunção legal de omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 30 28 /2 00 5- 41 Fl. 895DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 234 a 249). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 251 a 256), a autuação deuse em vista de constatado Passivo Fictício, sendo a contribuinte intimada a comprovar os valores constantes do passivo exigível, conta 2.1.1.01 — Ford Brasil Ltda. (Veículos), em 31.12.2002, no valor de R$ 3.343.615,72 (fl. 227), e tendo ela, contribuinte, apresentado resposta (fls. 64 a 68) juntando relação de todas as NFs que constavam das exigibilidades (estavam em aberto) em 31.12.2002, às folhas 71 a 90 (matriz de Itajaí) e às folhas 91 a 105 (filial de Joinville), totalizando R$ 3.369.277,22. Analisados os documentos apresentados, a Fiscalização elaborou relação das NFs, que entendeu sendo aquelas que, efetivamente, constavam do passivo circulante — conta Ford 2.1.1.01, em 31.12.2002, no valor total de R$ 2.509.741,89 (fls. 186 a 188) e às folhas 185 a relação de NFs, que no entendimento da Fiscalização não compunham o passivo da contribuinte para com a FORD, totalizando R$ 859.535,33. O procedimento fiscal adotado pela Fiscalização foi o de efetuar o lançamento de oficio, no valor de R$ 833.873,83, obtido pela diferença entre o valor das exigibilidades em 31.12.2002, no valor de R$ 3.343.615,72 menos o valor da planilha elaborada (fls. 186 a 188) no valor de R$ 2.509.741,89, tendo a Fiscalização considerado esta diferença (R$ 833.873,83) como PASSIVO FICTÍCIO, pela manutenção no passivo de obrigações já pagas (fl. 54). Devidamente cientifica das exigências, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 258 a 283 e demais documentos anexos às fls. 284 a 352), explicando no que consiste o sistema "FLOOR PLAN" e o sistema FUNDO DE CAPITALIZAÇÃO (fls. 264/265), bem como explicando o funcionamento dos sistemas na relação da montadora com suas concessionárias, para então alegar que o saldo de suas exigibilidades para com a FORD em 31.12.2002, depois de efetuado o ajuste dos veículos em trânsito, era na verdade de R$ 3.152.005,27, que se comprovou por meio dos relatórios emitidos pela montadora (FORD), com os ajustes decorrentes de veículos não recepcionados no estabelecimento da concessionária no ano de 2002, visto que, faturados pela montadora em dezembro de 2002, mas ainda em trânsito no dia 31.12.2002 e deram entrada no estabelecimento da impugnante em 2003. Alegou ainda, que a diferença de R$ 191.610,45 entre o valor das exigibilidades com a FORD na contabilidade no valor de R$ 3.343.615,72 e o real valor conforme os relatórios da montadora no valor de R$ 3.152.005,27 resultam do lançamento de encargos financeiros dos débitos do sistema "FLOOR PLAN", ficando claro que os R$ Fl. 896DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10909.003028/200541 Acórdão n.º 1301001.401 S1C3T1 Fl. 3 3 191.610,45, resultam de contabilização a maior de encargos financeiros de financiamento de veículos e se originaram das diferença entre as exigências da montadora FORD e a forma de contabilização, e não de eventual omissão de receitas. No mais, reputou ser incorreta a relação das NF que a Fiscalização entendeu como as que efetivamente constavam do passivo circulante — conta Ford 2.1.1.01, no valor total de R$ 2.509.741,89 (fls. 186 a 188) em 31.12.2002, alegando que não houve omissão de receita nos termos do art. 281 e 288 do RIR/99 e que um mero equívoco contábil, no caso da contabilização a maior de encargos financeiros no valor de R$ 191.610,45, não caracterizaria omissão de receitas. Citou acórdão que entende aplicável como precedente e defendeu que do mesmo modo não há que se falar em lançamento de PIS e COFINS, pois não houve omissão de receitas, alegando que a Fiscalização não demonstrou quais foram as receitas omitidas, fazendo apenas comparação numérica de contas contábeis, inconsistências técnicas e erros materiais, justificando que não ficou comprovado nos autos a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou não exigíveis, situações ensejadoras de omissão de receitas, sendo que se lançou o PIS utilizandose de alíquota e dispositivo legal equivocados, pois os art. 1º, 3º e 4º da Lei n° 10.637/02 que não vigorava na época da ocorrência dos fatos geradores, já que a citada lei é de 30.12.2002. Suscitou como argumento alternativo que acaso fosse correto o lançamento, a autuação sobre o PIS deveria ser anulada e sobre as demais (COFINS E CSLL), deveriam se dar com base na parte das receitas não comprovadas documentalmente, ou seja, aproximadamente em cinquenta por cento (50%) do valor do auto de infração. A 3ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, nos termos do acórdão e voto de folhas 354 em diante, julgou o lançamento parcialmente procedente, assentando para tanto que a infração descrita no Termo de Verificação Fiscal de fls. 251/256, se deu pela verificação de passivo fictício, prevista, nos art. 281 a 288 do Regulamento do Imposto de Renda, como presunção legal de omissão de receitas, de sorte que seria ônus do contribuinte provar a inexistência da omissão de receitas. No que toca à efetiva caracterização do passivo fictício, assentou a decisão recorrida que o TVF, em seu item 4.1, descreve que a recorrente manteve em seu passivo exigível em 31.12.2002, obrigações a pagar de valores que já haviam sido pagos, conforme pode ser verificado às fls. 254. Concluiu, destarte, que o dispositivo legal infringido apontado pelo procedimento fiscal é o art. 40 da Lei 9.430/96 e o art. 281, inciso II, do RIR/99, sendo que estes dispositivos indicam que a falta de contabilização de pagamentos, bem como, a existência de exigibilidades que não foram comprovadas, e que por presunção legal, configuram a ocorrência de omissão de receitas, caracterizadas por Passivo Fictício, assentando que durante o procedimento fiscal foi elaborado uma planilha (fls. 186 a 188) contendo as notas fiscais que a fiscalização entendeu como exigíveis em 31.12.2002, que totalizou em R$ 2.509.741,89, enquanto as exigibilidades constantes na escrituração em 31.12.2002, com a FORD montavam em R$ 3.343.615,72, resultando daí a conclusão da existência de passivo fictício no valor de R$ 833.873,83, que vem a ser a diferença entre os dois valores (R$ 3.343.615,72 R$ 2.509.741,89 = R$ 833.873,83). Fl. 897DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 4 Atestou a decisão recorrida que às fls. 185 o autuante relaciona as notas fiscais que no seu entender não compõem o passivo da fiscalizada para com a FORD por não estarem contabilizadas na conta 2.1.1.01 e que, portanto, não poderiam ser consideradas para se chegar ao real valor da dívida, sendo que o montante apurado foi de R$ 859.535,33, verificando uma diferença no valor de R$ 25.661,50 entre o valor de R$ 859.535,33 apontado pelo procedimento fiscal às fls. 185 como não pertencentes as exigibilidades da fiscalizada para com a montadora FORD e o efetivamente lançado no valor de R$ 833.873,83 e esta mesma diferença R$ 25.661,50 ocorre, também, entre o valor apontado pela fiscalizada para comprovar as exigibilidades para com a FORD no valor de R$ 3.369.277,22 (fls. 109) e o valor constante no balanço em 31.12.2002 no valor de R$ 3.343.615,72 (fls.227), verificando, entretanto, que várias notas fiscais apontadas às fls. 185 como obrigações já pagas em 31.12.2002, na verdade foram pagas a partir de 02.01.2003, ou seja, no exercício seguinte, portanto, exigibilidades existentes em 31.12.2002, o que comprovaria em parte o passivo com a Ford, descaracterizando, desta forma, parte do passivo fictício apontado pela Fiscalização. Segundo a decisão recorrida, mereceria destaque o fato de que todas as notas fiscais que efetivamente se encontravam em aberto em 31.12.2002 e que foram relacionadas as fls. 185 pela autoridade fiscal, referemse a notas fiscais emitidas pela FORD, ou seja, são exigibilidades da concessionária para com a FORD, elaborando tabela indicativa. Diante disso, concluiu que deveria ser excluído do total de R$ 544.796,02 o valor de R$ 60.101,13, correspondente, a NF n° 89090, no valor de R$ 86.895,54 e que foi paga em 05/02/2003 (fls. 151) pelo valor de R$ 26.794,41, assentando que não existem documentos nos autos que comprovem se a diferença apontada de R$ 60.101,13, também foi paga em 2003, aduzindo que a impugnante não traz aos autos nenhuma prova documental com relação a esta diferença, não sendo possível saber pelos documentos constantes deste processo se este valor da diferença foi pago em 2002 ou 2003. Seguiuse dando conta de que o ônus da prova é da contribuinte, para entender que estaria comprovada a inexistência de omissão de receitas, caracterizada por passivo fictício, com relação aos valores constantes da tabela citada, após o ajuste efetuado em função da NF n° 89090, e que o valor comprovado corresponde a R$ 484.694,89 (R$ 544.796,02 — R$ 60.101,13) e quanto aos demais valores a contribuinte não comprovou a inocorrência do passivo fictício, deixando de apresentar os documentos que poderiam comprovar a sua exigibilidade, assim como, a data dos pagamentos das mesmas. Quanto ao PIS registrouse que as alegações da contribuinte não devem ser acatadas, pois o sistema da nãocomulatividade do PIS foi instituído no pais pela Medida Provisória n° 66, vigente desde 29.18.2002, sendo que tal Medida Provisória foi convertida em lei em 30.12.2002, sob o n° 10.637/2002. Por fim, mantevese os lançamentos reflexos, julgando PROCEDENTE EM PARTE o crédito tributário exigido pelos autos de infração do IRPJ e seus reflexos, para excluir do valor tributável de R$ 833.873,83 o valor de R$ 484.694,89. Devidamente cientificada do conteúdo decisório acima relatado (fl. 365), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 366 em diante), reiterando seus argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10909.003028/200541 Acórdão n.º 1301001.401 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Como assinalado no relatório acima, a autuação deuse em vista de constatado Passivo Fictício, sendo a contribuinte intimada a comprovar os valores constantes do passivo exigível, conta 2.1.1.01 — Ford Brasil Ltda. (Veículos), em 31.12.2002, no valor de R$ 3.343.615,72 (fl. 227), consideradas pela Fiscalização, as tais despesas, como pagas em data anterior, a revelar a manutenção de passivo fictício, hipótese desencadeadora de presunção legal de omissão de receitas. Como também consignado acima, a decisão recorrida cancelou parcela da autuação ao verificar que determinadas notas fiscais, vide planilha demonstrativa de folhas 359 e 360, foram na verdade pagas em data posterior e, portanto, não representavam passivo fictício, frisando que em relação aos demais valores não haveriam provas de que o passivo era exigível no ano de 2002. Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte insiste que em relação ao valor não considerado de R$ 60.101,13, como correspondente à NF 89090, no valor de R$ 86.090,00, temse que o pagamento ocorreu em 3 (três) parcelas, todas no ano de 2003, e que os demais valores não considerados na decisão recorrida para fins de reduzir o valor tido como omissão de receita no balanço de 31 de dezembro de 2002, são os referentes aos fornecimentos da FORD BRASIL de mercadorias com as notas fiscais de n°s 123373 a 123384, de 15/06/2000, 124627 a 124644, de 29/10/2001, no valor total de R$ 314.739,31 (trezentos e quatorze mil, setecentos e trinta e nove reais e trinta e um centavos), sendo que tais valores foram contabilizados indevidamente, por erro contábil, na conta n° 2.1.1.01 do passivo circulante como obrigação a pagar a FORD BRASIL, quando na realidade ocorreu fornecimento da FORD BRASIL com recursos próprios da Recorrente, mantidos em conta especifica. Insistiu que em vez de contabilizar a crédito da conta 2.1.1.01 no passivo circulante, o lançamento deveria ter sido a crédito de conta do ativo circulante representativa dos recursos próprios do PLANO DE CAPITALIZAÇÃO, tendo corrigido o apontado erro no ano de 2005 e que pelo sistema do Plano de Capitalização, tais valores deveriam ser futuramente repostos no mesmo Plano de Capitalização, como recursos próprios, motivo da confusão. Justifica ainda, que em face de acordo com a FORD BRASIL, não houve necessidade de reposição dos valores ao Plano de Capitalização, assim tais valores ficaram em aberto até 2005, quando houve a correção contábil e que os detalhes de cada nota estão na planilha identificada como recurso ANEXO 1. Vejase que em sede de Impugnação a contribuinte propagava que não havia omissão de receitas fundada em passivo fictício, eis que o saldo de suas exigibilidades para Fl. 899DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 6 com a FORD em 31.12.2002, após efetuado o ajuste dos veículos em trânsito, era na verdade de R$ 3.152.005,27, juntando relatórios emitidos pela montadora (FORD), com os ajustes decorrentes de veículos não recepcionados no estabelecimento da concessionária no ano de 2002, porquanto faturados pela montadora em dezembro de 2002, e ainda em trânsito no dia 31.12.2002, com entrada no seu estabelecimento 2003, de sorte que a diferença de R$ 191.610,45 entre o valor das exigibilidades com a FORD na contabilidade no valor de R$ 3.343.615,72 e o real valor conforme os relatórios da montadora no valor de R$ 3.152.005,27, resultariam, segundo defendeu em sede de Impugnação, do lançamento de encargos financeiros dos débitos do sistema "FLOOR PLAN", de sorte que os R$ 191.610,45, resultariam de contabilização a maior de encargos financeiros de financiamento de veículos e se originaram das diferença entre as exigências da montadora FORD e a forma de contabilização e não de eventual omissão de receitas. Em sede de Recurso Voluntário, a contribuinte inova sua defesa para aduzir que houve equívoco na informação prestada na Impugnação, eis que naquela via, foi afirmado que a FORD BRASIL fornecia produtos com financiamento sem encargos (juros), no "FUNDO DE CAPITALIZAÇÃO", quando na realidade tratase do PLANO DE CAPITALIZAÇÃO, com recursos pertencentes aos próprios concessionários mantidos individualmente com FORD BRASIL para utilizálos nos fornecimentos dos veículos, que na espécie teria havido mero erro contábil por ocasião do fornecimento, já que em vez de creditar a conta no ativo circulante do Plano de Capitalização, creditou a conta no passivo circulante de obrigações para com a FORD BRASIL. Diante de qualquer dos dois argumentos o que se vê é que a autuação foi fundada em presunção legal de omissão de receitas, cuja caracterização se deu pela verificação de passivo fictício no encerramento do anocalendário. A contribuinte não nega a ocorrência dos fatos apurados pela Fiscalização, antes, porém, atribui a erro de escrituração a existência do passivo fictício encontrado. Ocorre, que a legislação que fixa a presunção legal, ao que me é dado observar, não condiciona o desencadeamento da presunção legal à ação dolosa da contribuinte no mister de omitir receitas, tanto é assim que não houve na espécie a aplicação de multa qualificada, fruto da constatação fiscal de que não houve evidente intuito de fraude. Ou seja, considerada a hipótese de presunção legal de omissão de receita, cumpria à recorrente, por corolário da inversão do ônus da prova, demonstrar que tais obrigações ou não foram pagas antes do encerramento do anocalendário em questão, ou nem mesmo se revestiam da qualificação passivo. Conquanto seja isso que a contribuinte pretenda demonstrar com seu arrazoado, consagrador de que o valor tido como omissão de receita no balanço de 31 de dezembro de 2002 referese ao fornecimentos da FORD BRASIL de mercadorias com as notas fiscais de n°s 123373 a 123384, de 15/06/2000 e 124627 a 124644, de 29/10/2001, no valor total de R$ 314.739,31, sendo tais valores contabilizados indevidamente, por erro contábil, na conta n°2.1.1.01 do passivo circulante como obrigação a pagar a FORD BRASIL, quando na realidade ocorreu fornecimento da FORD BRASIL com recursos próprio da aqui Recorrente, mantidos em conta especifica com a fornecedora, a revelar que não espelharia obrigação para com a FORD BRASIL, quer me parecer ausente a segurança necessária para qualificar como mero erro contábil o procedimento adotado. A mera alteração posterior da escrituração, nestes casos de omissão de receitas fundadas em presunção legal por manutenção de passivo fictício, não me parece Fl. 900DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10909.003028/200541 Acórdão n.º 1301001.401 S1C3T1 Fl. 5 7 suficiente a elidir a presunção, fosse assim, a mera retirada da obrigação escriturada como pendente levaria à improcedência da glosa. Igualmente não me parece suficiente a declaração de que nas planilhas de 31 de dezembro de 2002, da FORD BRASIL, com quem a recorrente detém relação aproximada, revelem provas de que os valores escriturados não seriam obrigações da recorrente. No mais, assiste razão à decisão recorrida ao dispor que não existem documentos nos autos que comprovem se a diferença apontada de R$ 60.101,13, também foi paga em 2003, as alegações trazidas pela contribuinte carecem de identidade de valor e não me parecem aptas a afastar a presunção legal, ou seja, não é mesmo possível saber pelos documentos constantes deste processo se este valor da diferença foi pago em 2002 ou 2003. Sendo assim, afora os valores já exonerados pela decisão recorrida, a contribuinte não comprovou a inocorrência do passivo fictício, deixando de apresentar os documentos que poderiam comprovar a sua exigibilidade, assim como, a data dos pagamentos, devendo ser mantida a decisão sob ataque. Diante disso, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/04/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 14098.000053/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
VENDA PARA ENTREGA FUTURA. RECONHECIMENTO DA RECEITA. ÔNUS DA PROVA.
Nas vendas para entrega futura, quando o produto vendido ainda não tiver sido produzido ou adquirido, o reconhecimento da receita deve se dar apenas na entrega da mercadoria.
Entretanto, caso o produto vendido já esteja em estoque, a receita de venda deve ser apropriada com a emissão da nota fiscal, pois o vendedor restará como mero depositário da mercadoria vendida.
Por se tratar de lançamento relativo à contabilização de receitas, o ônus da prova é de quem acusa, nos termos do inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil.
Assim, deveria a fiscalização ter averiguado quais vendas se relacionavam a produtos já constantes do estoque, e só delas alterar o período de contabilização. Não o fazendo, inválido é o procedimento de cálculo e, por consequência, todo o lançamento.
LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA
Aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1102-000.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 VENDA PARA ENTREGA FUTURA. RECONHECIMENTO DA RECEITA. ÔNUS DA PROVA. Nas vendas para entrega futura, quando o produto vendido ainda não tiver sido produzido ou adquirido, o reconhecimento da receita deve se dar apenas na entrega da mercadoria. Entretanto, caso o produto vendido já esteja em estoque, a receita de venda deve ser apropriada com a emissão da nota fiscal, pois o vendedor restará como mero depositário da mercadoria vendida. Por se tratar de lançamento relativo à contabilização de receitas, o ônus da prova é de quem acusa, nos termos do inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Assim, deveria a fiscalização ter averiguado quais vendas se relacionavam a produtos já constantes do estoque, e só delas alterar o período de contabilização. Não o fazendo, inválido é o procedimento de cálculo e, por consequência, todo o lançamento. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática. Recurso de Ofício Negado.
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RECONHECIMENTO DA RECEITA. ÔNUS DA PROVA. Nas vendas para entrega futura, quando o produto vendido ainda não tiver sido produzido ou adquirido, o reconhecimento da receita deve se dar apenas na entrega da mercadoria. Entretanto, caso o produto vendido já esteja em estoque, a receita de venda deve ser apropriada com a emissão da nota fiscal, pois o vendedor restará como mero depositário da mercadoria vendida. Por se tratar de lançamento relativo à contabilização de receitas, o ônus da prova é de quem acusa, nos termos do inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Assim, deveria a fiscalização ter averiguado quais vendas se relacionavam a produtos já constantes do estoque, e só delas alterar o período de contabilização. Não o fazendo, inválido é o procedimento de cálculo e, por consequência, todo o lançamento. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 00 53 /2 01 0- 83 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 14098.000053/201083 Acórdão n.º 1102000.962 S1C1T2 Fl. 170 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foram lavrados o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, que exigiu o imposto suplementar no valor de R$ 3.534.982,01, e o Auto de Infração decorrente de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que lançou contribuição no valor de R$ 1.275.514,07, tendo os valores principais sido acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora (fls. 2 a 22). Foram lançadas as seguintes infrações: a) redução indevida do lucro líquido devido à contabilização de venda para entrega futura em período posterior à emissão das notas fiscais; b) erro no registro das perdas relativas a créditos a receber, evidenciado pela divergência entre os valores escriturados e os apurados nos livros de controle auxiliar. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 29 a 66), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 153 a 154): A contribuinte, não resignada, apresentou impugnação, alegando que o procedimento fiscal, confuso e distorcido, trouxe para o momento da celebração do negócio jurídico o reconhecimento das receitas, deixando de considerar os custos incorridos na sua formação. Destarte, a Fiscalização contrariou o entendimento manifestado pela própria Receita Federal, que já teria afirmado que a receita somente pode ser reconhecida quando há disponibilidade jurídica do objeto da operação. Além disso, a prática comercial, no que tange às vendas para entrega futura, aponta que o reconhecimento da receita deve ocorrer no momento em que a venda se concretiza pela efetiva entrega da mercadoria vendida, o qual coincide com o da Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 14098.000053/201083 Acórdão n.º 1102000.962 S1C1T2 Fl. 171 3 apropriação do custo correlato. Tudo de acordo com o regime de competência, ignorado pela Fiscalização, que dissociou, sem amparo na lei, o reconhecimento contábil das receitas e a apropriação dos custos, afrontando princípios e normas contábeis. Esclareceu a impugnante que o acordo comercial era concluído, em um determinado instante, com a emissão da nota fiscal de simples faturamento para entrega futura, a ocorrer em trimestre não fixado. A venda, porém, apenas se concretizava com a efetiva entrega da mercadoria ao comprador. A nota fiscal de simples faturamento, portanto, representa tãosomente um compromisso entre as partes a respeito de urna futura operação de compra e venda, que dependia de outras condições para se concretizar. Observou a impugnante que, das notas fiscais, não constava a data em que a mercadoria seria entregue, havendo mera expectativa de direito. O compromisso poderia ou não se materializar, dependendo de certas condições, tal como a disponibilidade futura da mercadoria, a qual, na maioria das vezes, a impugnante não havia ainda adquirido, não existindo mercadorias em estoque. Essa circunstância impossibilitava o conhecimento dos custos e a respectiva apropriação contábil. A simples emissão da nota fiscal não consistia em ato jurídico perfeito, não tendo o condão de gerar direitos e obrigações entre as partes. Ademais, não havia, muitas vezes, qualquer tipo de antecipação de pagamento. A contraprestação só vinha a ser recebida após a entrega do bem ao cliente. Portanto, até que se concretizasse a venda, nenhuma das partes poderia exigir da outra a respectiva prestação. Por tudo isso se pode afirmar que a nota fiscal de simples faturamento equivalia a um mero pedido. Teria havido, por outro lado, violação do conceito jurídico de renda, já que esta só poderia ser reconhecida pelo confronto das receitas com as respectivas despesas. O lançamento teria feito o IPPJ e a CSLL incidirem não sobre o acréscimo patrimonial, mas sim sobre o faturamento bruto. Com esses fundamentos, pugnou pela anulação do crédito tributário e, sucessivamente, pela recomposição da base de cálculo, a fim de que se possa simultaneamente reconhecer as receitas e as despesas. Requereu, por fim, a realização de perícia para comprovar o alegado. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou procedente em parte a impugnação, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 151 a 157): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005 PROVA PERICIAL. REQUISITOS DO ART. 16 DO DECRETO N° 70.235/1972. AUSÊNCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 14098.000053/201083 Acórdão n.º 1102000.962 S1C1T2 Fl. 172 4 O deferimento de prova pericial depende da presença dos requisitos previstos no art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/1972. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. RECONHECIMENTO DA RECEITA. IMPUTAÇÃO DE CUSTOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. Nas vendas para entrega futura, o reconhecimento da receita, por força do regime de competência, deve ocorrer quando for possível a imputação do custo respectivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 PROVA PERICIAL. REQUISITOS DO ART. 16 DO DECRETO N° 70.235/1972. AUSÊNCIA. INDEFERIMENTO. O deferimento de prova pericial depende da presença dos requisitos previstos no art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/1972. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. RECONHECIMENTO DA RECEITA. IMPUTAÇÃO DE CUSTOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. Nas vendas para entrega futura, o reconhecimento da receita, por força do regime de competência, deve ocorrer quando for possível a imputação do custo respectivo. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) foi indeferido o pedido de perícia, por não estar acompanhado da exposição dos motivos que o justifique, bem como da formulação dos quesitos e da indicação do perito; b) a infração relativa ao erro no registro das perdas no recebimento de créditos não foi impugnada e portanto não compõe a lide; c) tanto a lei quanto a doutrina contábil preceituam que a contabilização das receitas e das despesas deve ser feita com observância do regime de competência, de onde se conclui que, enquanto não for possível determinar os custos e despesas necessárias à obtenção das receitas, estas não podem ser reconhecidas. Assim, nas vendas para entrega futura, enquanto o vendedor não tiver produzido ou adquirido as mercadorias objeto do negócio jurídico, a receita, do ponto de vista contábil, não pode ser considerada como auferida. Se já tiver havido o recebimento do numerário, a quantia há de ser registrada no passivo, classificada contabilmente como obrigação. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 14098.000053/201083 Acórdão n.º 1102000.962 S1C1T2 Fl. 173 5 RECURSO DE OFÍCIO AO CARF Pela decisão ter exonerado valor superior ao limite de alçada, definido pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o Presidente da Turma de Julgamento da DRJ recorreu de ofício a este Conselho, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em agosto de 2013, numerado digitalmente até a fl. 168. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso de ofício foi interposto corretamente, pois a decisão exonerou valor superior ao limite de alçada, e portanto merece ser conhecido. A discussão cingese ao momento de contabilização de receitas decorrentes de vendas para entrega futura. Enquanto a autoridade fiscal entende que o resultado deve ser reconhecido no momento da celebração da venda, com a emissão da nota fiscal, o contribuinte defende que só deve ocorrer com a entrega do produto vendido. Nos termos do § 1o do art. 247 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, a determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais. E será na lei comercial que se encontrará a definição do momento de escrituração das receitas, o que comumente se denomina princípio da competência, expressamente previsto na Lei da n° 6.404 de 15 de dezembro de 1976 (Lei das S.A), como abaixo transcrito Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência (...) Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1° Na determinação do resultado do exercício serão computados: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 14098.000053/201083 Acórdão n.º 1102000.962 S1C1T2 Fl. 174 6 a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Dessa forma, as receitas devem ser reconhecidas quando efetivamente auferidas, independentemente do recebimento do preço ou da entrega do produto. Em concomitância, devem ser apropriados os custos e despesas incorridos correspondentes a essas receitas e rendimentos, mesmo que ainda não pagos. A autoridade fiscal aplica o princípio da competência às vendas para entrega futura sem qualquer tempero, como demonstra o trecho a seguir transcrito do Termo de Verificação Fiscal (fl. 20): A Fiscalização não acata os argumentos do sujeito passivo no sentido de que a venda para entrega futura só traduz receita sujeita à tributação com a tradição das mercadorias vendidas. A receita bruta, início para a apuração do lucro líquido, eventualmente ajustado para o lucro real para fins de IRPJ e para demonstração da base de cálculo da CSLL, configurase pela venda, a que título ou condição for, a teor do art. 279 do RIR/99. Portanto, condições de entrega, custos, riscos, etc., não importam para aplicação do regime de competência no reconhecimento da receita. Tal reconhecimento e oferta à tributação ocorrem na formalização da venda, no caso presente, com a emissão da nota fiscal de simples faturamento de venda para entrega futura. Da mesma maneira, os eventuais cancelamentos, anulações, devoluções, também são considerados no período de apuração de sua ocorrência, quando se configura a perda. E aprofunda o raciocínio quando descreve a infração fiscal cometida (fl. 21): IV.2 Redução Indevida do Lucro Real. A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita resultou redução indevida do lucro líquido, e conseqüentemente do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a medida que receitas de vendas faturadas em um trimestre não foram escrituradas em conta de resultado, mas sim em conta do passivo circulante, sendo a transferência para conta de resultado postergada para o momento da entrega das mercadorias aos compradores. Não ocorreu postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL, ao passo que os valores das receitas, postergados de um período de apuração para outro seguinte, não resultaram pagamento dos referidos tributos nos períodos em que foram apropriados ao resultado. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 14098.000053/201083 Acórdão n.º 1102000.962 S1C1T2 Fl. 175 7 Contudo, penso que o reconhecimento de receitas decorrentes de vendas para entrega futura demanda um regramento diverso. Isso porque muitas vezes ela se dá em uma modalidade onde a venda ocorre antes da produção ou da compra da mercadoria vendida, não podendo se reconhecer a receita se ainda não se incorreu no custo. Esse fato é bem explicado por de Hiromi Higuchi1, em sua feliz distinção entre faturamento antecipado e venda para entrega futura: Na verdade, há certa distinção entre faturamento antecipado e venda para entrega futura. No primeiro caso o bem ainda não foi produzido, enquanto que no segundo o bem já se encontra produzido. No faturamento antecipado o valor correspondente é contabilizado como receita de exercícios futuros, porque a empresa não tem custo incorrido. Na venda para entrega futura a receita deverá ser computada na apuração do lucro líquido do períodobase da operação, porque o bem já foi produzido e a vendedora passa a ser mera depositária. Sem nos atermos à distinção terminológica, há que se reconhecer que, quando a venda se dá ainda sem a produção ou compra do bem vendido, não se deve ainda reconhecer a receita. Esse entendimento decorre dos próprios conceitos relativos ao contrato de compra e venda existentes do Código Civil de 2002 (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), abaixo transcritos: Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. Art. 483. A compra e venda pode ter por objeto coisa atual ou futura. Neste caso, ficará sem efeito o contrato se esta não vier a existir, salvo se a intenção das partes era de concluir contrato aleatório. Assim, se a mercadoria vendida já estiver em estoque, incide o art. 482 acima transcrito, considerandose a compra e venda obrigatória e perfeita, com a definição do objeto e do preço. Contudo, se o bem ainda tiver que ser adquirido ou produzido, estáse diante da hipótese do art. 483, onde a venda será de coisa futura, ficando sem efeito o contrato se ela não vier a existir. Tratase de negócio sujeito à condição, passível de desfazimento. Nesses casos, a contabilização deve se dar apenas com a entrega da mercadoria, conforme jurisprudência do CARF, apesar de conhecer o entendimento da 1 HIGUCHI, Hiromi. Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática. 38ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2013. pp. 230231. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 14098.000053/201083 Acórdão n.º 1102000.962 S1C1T2 Fl. 176 8 Secretaria da Receita Federal do Brasil de que o rendimento deveria ser tributado quando o produto entrar no estoque, na esteira do Parecer CST nº 2.838, de 1984. De qualquer modo, se não é possível se admitir o entendimento da Fiscalização de que qualquer venda para entrega futura deve ser contabilizada no momento da emissão da nota fiscal, também não nos parece correto a interpretação da defesa de que o reconhecimento da receita sempre deve se dar com a entrega da mercadoria. Assim, julgo perfeito o raciocínio da decisão recorrida de que, nas vendas para entrega futura, enquanto o vendedor não tiver produzido ou adquirido as mercadorias objeto do negócio jurídico, a receita, do ponto de vista contábil, não pode ser considerada como auferida, porque ainda não é possível determinar os custos e despesas necessários a sua obtenção. Entretanto, penso que o julgador de primeira instância deixou de enfrentar questão fundamental para a solução da lide: a quem cabia a prova de que as vendas lançadas se relacionavam a produtos já adquiridos ou fabricados. Se é verdade que a autoridade fiscal não se preocupou com o assunto, também é fato que o contribuinte reconhece, em sua impugnação, que a maioria de suas vendas se dá antes da aquisição dos produtos, mas que uma pequena parte se refere a bens já em estoque. No caso, por se tratar de lançamento relativo à contabilização de receitas, entendo que o ônus da prova é de quem acusa, nos termos do inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Deveria a fiscalização ter averiguado quais vendas se relacionavam a produtos já constantes do estoque, e só delas alterar o período de contabilização. Não o fazendo, inválido é o procedimento de cálculo e, por consequência, todo o lançamento. Ressaltese que não é possível se baixar o processo em diligência para apuração do resultado nos termos propostos no voto, pois, além da questão do ônus da prova, a acusação fiscal se deu em bases diversas. Diante do exposto, com esse pequeno acréscimo aos fundamentos da decisão recorrida, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 176DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 14098.000053/201083 Acórdão n.º 1102000.962 S1C1T2 Fl. 177 9 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 11/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 11968.000861/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/10/2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 61 /2 00 8- 41 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 3801003.292 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 3801003.292 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 3801003.292 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 3801003.292 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 3801003.292 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 3801003.292 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 3801003.292 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11968.000861/200841 Acórdão n.º 3801003.292 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10074.001034/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 21/03/2007 a 05/08/2008
IMPORTAÇÕES PARA REVENDA A ENCOMENDANTE PREDETERMINADO. COMPROVAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS BAIXADAS PELA RFB. INFRAÇÃO AO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/2007. CONFIGURAÇÃO.
Uma vez demonstrado e provado que as operações de importação realizadas se qualificavam como destinadas a revenda a encomendante predeterminado, plenamente cabível a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.484/2007, quando não observadas as normas baixadas pela RFB (IN SRF 634/2006), por força do art. 11, § 2º da Lei nº 11.281/2006.
Recurso de ofício provido em parte.
Numero da decisão: 3401-002.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte Jean Cleuter e Ângela Sartori, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Robson José Bayerl Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 21/03/2007 a 05/08/2008 IMPORTAÇÕES PARA REVENDA A ENCOMENDANTE PREDETERMINADO. COMPROVAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS BAIXADAS PELA RFB. INFRAÇÃO AO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/2007. CONFIGURAÇÃO. Uma vez demonstrado e provado que as operações de importação realizadas se qualificavam como destinadas a revenda a encomendante predeterminado, plenamente cabível a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.484/2007, quando não observadas as normas baixadas pela RFB (IN SRF 634/2006), por força do art. 11, § 2º da Lei nº 11.281/2006. Recurso de ofício provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte Jean Cleuter e Ângela Sartori, que negavam provimento. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Júlio César Alves Ramos Presidente. Fernando Marques Cleto Duarte Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 10 34 /2 01 0- 91Fl. 11725DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Robson José Bayerl – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte Praiamar Indústria, Comércio e Distribuição Ltda. no valor de R$ 11.931.014,07, referente a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. A interessada foi submetida ao procedimento especial de fiscalização da IN nº 228/2002 que resultou no relatório de folhas 11210 a 11232, parte integrante do auto de infração e do qual se extraem as seguintes informações: a) Foram analisadas importações registradas no período compreendido entre julho de 2006 e fevereiro de 2009. As Declarações de importação foram registradas em nome e conta próprios da Praiamar, por meio da matriz ou de suas filiais; b) Em resposta à intimação, a interessada entregou parcialmente a documentação solicitada alegando que houve destruição em função de evento danoso (chuvas), conforme registro perante autoridade policial. Informou também que as pessoas que atualmente controlam e realizam negócios de comércio exterior da Praiamar são o administrador Sr. José Roberto, os despachantes da SGL (System Global Logistics Ltda., ME) e os despachantes Sr. José Carlos Nascimento de Carvalho e Luiz Ernani Oriente da Silva. c) O Sr. José afirma que passou a administrador da empresa em data posterior a janeiro de 2009, depois do período de interesse da ação fiscal. Declara que a empresa tem entre suas atividades a importação e exportação, todavia não possui unidades fabris e que correntemente contrata fábricas de bebidas (refrigerantes) com a empresa Atibaiense e com esta somente há uso de máquinas, os insumos são enviados pela Praiamar. d) Foram apresentados contratos de locação de equipamentos industriais e industrialização por encomenda e envase de refrigerantes, celebrados com a Atibaiense, que não são de interesse da auditoria por não utilizarem o malte, mercadoria predominante nas importações examinadas. e) Fora indeferida a solicitação da interessada de “cópia do dossiê capeado pelo memo nº 956/2009/Sepel/IRFRJO”, com base na CRFB/88 e na Lei nº 5.172/1996. Em resposta à nova solicitação foi encaminhada à interessada cópia do memo nº 44 Sefia 1/IRF/RJO. A Solicitação se referia a documento interno que não estava em seu exclusivo nome, pois Fl. 11726DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10074.001034/201091 Acórdão n.º 3401002.313 S3C4T1 Fl. 3 3 continha informações sobre doze outros contribuintes e que não veio a integrar o presente processo. f) Os dados sobre a ação fiscal estavam disponíveis à interessada desde 12.3.2010 quando teve ciência do código que permitiria seu acesso, no sítio da SRFB na internet. g) Foram apresentadas cópias de DI’s e de notas fiscais; h) Em depoimento, o Sr. Roberto Lopes, administrador da recorrente no período de interesse, afirmou que controlava os negócios de comércio exterior da Praiamar. i) Afirmou que 90% das importações de malte foram destinadas à Cervejaria Petrópolis; as notas fiscais de saída apresentadas pela contribuinte no decorrer do procedimento demonstram que todas importações de malte foram encaminhadas à Cervejaria Petrópolis; Devidamente cientificada da autuação, a contribuinte protocolou Impugnação, alegando, em síntese: a) Houve preterição de seu direito de defesa; b) Exerceu a atividade empresarial de importação, cumprindo fielmente todos os requisitos e regras exigidos pela legislação brasileira para atuar no comércio exterior; c) No curso da ação fiscal, demonstrou sua idoneidade financeira, capacidade técnica e disponibilidade de recursos para efetivar, como fez, as operações de importação em nome próprio. d) Adimpliu com as obrigações cambiais e tributárias inerentes às importações, cumprindo, também, com os deveres instrumentais impostos pelo Siscomex; e) Os auditores fiscais não demonstraram a alegada simulação nas operações de importação, formalizando, portanto, o auto de infração com base apenas em presunção comum, sem previsão legal; f) Não há, com relação às operações informadas no Relatório Fiscal, pré encomendante ou importador oculto, sendo totalmente descabido o enquadramento das operações para “importação por encomenda”; g) Houve invasão indevida de atos e negócios privados da impugnante, celebrados estes em total consonância à Lei Civil e às formas jurídicas ali estabelecidas. h) Não se verifica a infração tipificada no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, nem se observa a ocorrência de interposição fraudulenta, cessão de nome, dado ao erário ou qualquer espécie de ilícito ligado ao comércio exterior, mesmo porque a finalidade da lei busca coibir o empréstimo de nome e Fl. 11727DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 não a regular atividade da empresa com dimensão de negócios como a Impugnante; i) Assumiu por conta e risco os negócios atinentes ao novo nicho de mercado que estava explorando, qual seja, o comércio de malte nacional, mesmo porque mantinha estoque regular do produto em quantidade demonstrada de comércio do produto; as operações se verificam tanto com lucro como com prejuízo. Numa clara assunção de risco, houve deterioração e perda de produtos em estoque assumido pela impugnante, numa clara demonstração de que era a efetiva proprietária dos produtos dados em comércio e que aguardavam apresentação dos pedidos para saída do estoque. j) Caso houvesse simulação aventada pelo auto de infração com base na legislação civil, ela não se caracterizaria por inexistir prejuízo ao fisco, terceiro ou infração à lei. Em 11.3.2011, a DRJ/FNS julgou a impugnação apresentada procedente, tendo em vista a ementa abaixo transcrita: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando, necessariamente, ao contraditório os atos lavrados nessa fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência ao ditames do principio do contraditório e da ampla defesa. IMPORTAÇÕES PRÓPRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPORTAÇÕES PARA REVENDA A ENCOMENDANTE PREDETERMINADO. CESSÃO DE NOME. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE OU BENEFICIÁRIO. INFRAÇÃO. A infração prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 por “cessão do nome da pessoa jurídica, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes”, não se caracteriza no caso de ausência de comprovação de que as importações declaradas como sendo “por conta própria” foram realizadas na modalidade “para revenda e encomendante predeterminado”. Nessa ocasião, a Procuradoria da Fazenda Nacional protocolou Recurso de Ofício contestando a decisão proferida. É o relatório. Voto Vencido Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Fl. 11728DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10074.001034/201091 Acórdão n.º 3401002.313 S3C4T1 Fl. 4 5 Este recurso apresenta os requisitos de tempestividade e cumpre os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em resumo, trata de um Recurso de Ofício interposto à luz do art. 34 do Decreto nº 70.235/72, com alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e art. 1º da Portaria MF nº 03/2008, por força do recurso necessário. Desta forma, a decisão proferida pela DRJ tornarseá definitiva apenas depois de o recurso ser julgado por este juízo “ad quem”. Em Sessão de 11.3.2011, a DRJ/Florianópolis – SC – deu procedência ao pedido de impugnação apresentado pela contribuinte. Transcrevo a seguir a ementa da decisão: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de Apuração: 21/03/2007 a 05/08/2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando, necessariamente, ao contraditório os atos lavrados nessa fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência ao ditames do principio do contraditório e da ampla defesa. IMPORTAÇÕES PRÓPRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPORTAÇÕES PARA REVENDA A ENCOMENDANTE PREDETERMINADO. CESSÃO DE NOME. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE OU BENEFICIÁRIO. INFRAÇÃO. A infração prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 por “cessão do nome da pessoa jurídica, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes”, não se caracteriza no caso de ausência de comprovação de que as importações declaradas como sendo “por conta própria” foram realizadas na modalidade “para revenda e encomendante predeterminado”. Quanto à apresentação do Recurso de Ofício pela Procuradoria da Fazenda Nacional, não vislumbro alterações do “decisum” da DRJ, visto que a recorrente não traz, em sede recursal, novas teses de argumentação, tampouco acosta aos autos novas provas documentais. Desta forma, à vista do exposto, voto por manter integralmente a decisão prolatada pela DRJ, negando, assim, provimento ao Recurso de Ofício. É como voto! Fl. 11729DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Fernando Marques Cleto Duarte – Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Com todo o respeito ao entendimento externado pela decisão recorrida e pelo voto vencido nesta assentada, divirjo quanto à conclusão que o lançamento tenha se baseado em meros indícios para requalificar as importações realizadas pela autuada. Distintamente, entendo que todos os elementos colacionados ao processo conduzEm, sim, à situação fática e jurídica relatada pela autoridade fiscal. Consoante a acusação fiscal, a operação engendrada consistia em importação de malte a encomendante predeterminado, conforme previsão do art. 11 da Lei nº 11.281/2006: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) O texto legal não traz qualquer requisito para a configuração da importação a encomendante predeterminado, da mesma forma a IN SRF 634/2006, que, ao normatizar o instituto, apenas estabelece o procedimento a ser observado, excetuando apenas que os recursos financeiros não podem ser provenientes do encomendante. Desta maneira, a meu sentir, qualquer operação de importação onde o importador atenda a demanda expressa do seu cliente, caracterizado como encomendante, incorre na figura prevista no aludido dispositivo e, como tal, deve ser tratado. Os documentos carreados aos autos dão conta que, durante o período de julho/2006 a fevereiro/2009, o contribuinte autuado importou malte quase exclusivamente para a Cervejaria Petrópolis Ltda., atendendo a pedidos por ela formalizados, sem, no entanto, enquadrála como importação a encomendante predeterminado e, em consequência, omitindo o nome desta última nas operações realizadas. Fl. 11730DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10074.001034/201091 Acórdão n.º 3401002.313 S3C4T1 Fl. 5 7 A bem da verdade, todas as importações realizadas tiveram como destinatária a Cervejaria Petrópolis, porquanto a única operação realizada a outro cliente, tal como indicado no voto ora rebatido, especificamente a nota fiscal nº 015076, fls. 11535 e 11536 (emitida pelo estabelecimento 00.851.567/003278 em favor da Cooperativa Agrária Mista Entre Rios Ltda.), não é possível afirmar que se tratava do mesmo produto entregue à cervejaria, ao passo que tanto a descrição do produto (“malte argentino de 2 fileiras”), como o seu código (0330), não eram os mesmos do malte enviado àquela (“Malte”, código 7097). Portanto, a exceção apontada pela decisão sob reexame, a meu sentir, apenas confirma que as operações de importação eram específicas e atendiam a determinações de cada encomendante, o que, aliás, se destaca do próprio trecho citado pelo voto condutor, onde o responsável pela administração da pessoa jurídica autuada afirma que as importações só se realizavam mediante pedido da Cervejaria Petrópolis Ltda. Mais uma vez destoando da decisão de primeiro grau, tenho que tal afirmação permite sim a inferência que as operações somente se realizavam a partir de pedidos formalizados pela aludida cervejaria, o que claramente se amolda à importação a encomendante predeterminado. Por outro lado, a existência do contrato firmado entre a autuada e a cervejaria não milita em seu favor, mormente a cláusula que dispunha ser possível a utilização subsidiária do mercado externo para aquisição do malte, mesmo porque, vale o que efetivamente ocorrido e não apenas o que acertado, principalmente quando se verifica que a suposta eventualidade da importação prevista no aludido contrato, na verdade, foi a regra adotada. Destarte, no período alcançado pela fiscalização, do que se depreende da decisão reexaminada, houve apenas operações de compra no mercado exterior, não servindo de parâmetro a existência de aquisições no mercado interno no ano de 2005, uma vez que este período não foi objeto de fiscalização. Assim, o quadro descortinado é um só: a Praiamar Ind., Com. e Distribuição LTDA., atendendo a pedidos específicos e prévios da Cervejaria Petrópolis Ltda., adquiria malte importado exclusivamente para este último, como relatado e devidamente provado nos autos deste processo. As operações, a concatenação dos fatos e as infrações imputadas estão devidamente descritas e comprovadas no processo, através da juntada de depoimentos, termos fiscais, contratos, declarações de importação, notas fiscais de venda, contratos de câmbio, dentre outros documentos, tudo a demonstrar que houve importação a encomendante predeterminado sem a observância das regras baixadas pela IN SRF 634/2006. Valendome da citação doutrinária coligida pelo voto vencido, entendo que no caso vertente a autoridade administrativa se desincumbiu plenamente de trazer ao processo o acervo probatório necessário à configuração da infração, não faltando fundamentação ao lançamento, pois das premissas adotadas (e provadas), forçosa a conclusão estampada. Uma vez emoldurada a operação como importação a encomendante predeterminado, temse que realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos pela IN SRF 634/2006, presumese feita por conta e ordem de terceiros, nos termos do art. 11, § 2º da Lei 11.281/06. Fl. 11731DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Na linha do que parece ser a compreensão do voto sob reexame, uma vez ultrapassada o enquadramento da operação e, desde que se entenda pela importação a encomendante predeterminado, aplicável a multa estatuída no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. No entanto, devese observar as ressalvas feitas quanto à incidência da pena na forma dada pela autuação. De fato, não há como aplicar a retroatividade benigna do art. 106, II, “c” do CTN, porque, para tanto, terseia que adotar a premissa que a multa equivalente ao valor aduaneiro – substitutiva da pena de perdimento – prevista no art. 23 do DL 1.455/76 teria sido revogada pela multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07, no valor de 10% (dez por cento) do valor da operação, o que não é o caso. Da análise do contexto legal, concluise que ambas as penalidades continuam a vigorar e se prestando a sancionar situações específicas, de modo que, nesta parte, a decisão de piso não merece qualquer reparo, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Assim, a multa do indigitado art. 33 da Lei nº 11.484/2007 somente incide sobre os fatos ensejadores ocorridos a partir de sua vigência, que se concretizou com a publicação do instrumento legal, ocorrida em 15/06/2007. Com estas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso de ofício para manter o lançamento da multa do art. 33 da Lei nº 11.484/2007 para os fatos ocorridos a partir de 15/06/2007, inclusive, nos termos do voto. Robson José Bayerl Fl. 11732DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assina do digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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