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Numero do processo: 13609.903761/2009-64
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da PER/DCOMP restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/BHE.
Numero da decisão: 1003-000.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRJ/BHE para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da PER/DCOMP restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/BHE.
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DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da PER/DCOMP restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ/BHE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRJ/BHE para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 37 61 /2 00 9- 64 Fl. 136DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.849 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.903761/2009-64 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão 02-36.547, de 06 de dezembro de 2011, da 2ª Turma da DRJ/BHE, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 32089.29022.290705.1.3.04-4406, em 29/07/2005, e-fls. 110-114, utilizando-se de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), código 2484, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês de março do ano-calendário de 2004, para compensação dos débitos ali confessados. O Despacho Decisório Eletrônico, e-fl. 7, concluiu pelo indeferimento do pedido nos seguintes termos: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 1.498,94. A partir das caracteristicas do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponivel inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos debitos informados no PER/DCOMP. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170 do CTN, e art. 74 da Lei n° 9.430/96. Irresignada a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ/FNS, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Contribuinte, ora Recorrente, tomou ciência do acórdão em 03/02/2012 (e-fl. 125). Inconformada com a decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário em 05/03/2012 (e-fls. 127- 133), onde alega: Fl. 137DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.849 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.903761/2009-64 - Que a DRJ/BHE não reconheceu o direito creditório da Recorrente ao argumento de que por se tratar de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o pagamento indevido ou a maior do Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente poderia ter utilizado o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida, ao final do período de apuração ou para compor saldo negativo do período; - Que tem direito ao indébito tributário e cita o art. 165 e 170 do CTN; - Que, de acordo com o art. 74 da Lei n° 9.46/96, como apurou crédito relativo a imposto ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer outros tributos e contribuições administrados por aquele Órgão; - Quanto a retificação da DCTF, que não se pode olvidar que eventual erro no preenchimento de DCTF não tenha o condão de afastar o direito da Recorrente; -Que entende que não está inserido em uma das situações de vedação de retificação de DCTF, quais sejam a) quando os saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União e b) em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início do procedimento fiscal. Requer ao final a reforma do acórdão recorrido, por conseguinte extinguindo-se os débitos tidos como indevidamente compensados. É o relatório no essencial. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp ao argumento de que se trata de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Contudo, a Súmula CARF nº 84, que é de observância obrigatória por seus membros 1 2 , determina que “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou 1 Tem-se que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). 2 (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015) Fl. 138DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.849 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.903761/2009-64 compensação, na data do recolhimento de estimativa”. Logo, como o pedido inicial da Recorrente refere-se ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, entendo que ele pode e deve ser analisado. A reforma do acórdão a quo, não implica o reconhecimento implícito do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Dessa forma, o acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento do PER/DCOMP, impõe, pois, o retorno dos autos a DRJ/BHE para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB, nos termos da Súmula CARF nº 84. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Quanto a possibilidade de retificação da DCTF após a transmissão do PER/DCOMP e da ciência do Despacho Decisório, o Parecer Normativo Cosit n° 2, de 28 de agosto de 2015, prevê: Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF - original ou retificadora - que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB n°1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação,respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n° 1.110, de 2010;(grifei) c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9°-A da IN RFB n° 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se Fl. 139DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.849 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.903761/2009-64 encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB n° 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo n° 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. (grifos acrescentados). Dessa forma, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ/BHE para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.689967/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/05/2006
COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO.
A compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes.
Numero da decisão: 3301-006.337
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/05/2006 COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes.
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CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata-se de pedido de formalizado por meio de PER/DCOMP, visando a compensar o valor do seu pretenso crédito de COFINS com outros débitos do contribuinte. A DCOMP foi analisada eletronicamente pelos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que emitiu Despacho Decisório, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. O Despacho Decisório atesta que o a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 67 /2 00 9- 69 Fl. 2462DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.337 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689967/2009-69 integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, de maneira repetitiva e mencionando diversas informações alheias ao presente processo administrativo, discorda do despacho decisório, alegando, em apertada síntese, que: a) ao revisar sua escrita fiscal, constatou haver recolhido indevidamente contribuições a título de PIS e COFINS sobre diversos produtos que comercializa, os quais tiveram suas alíquotas incidentes sobre a venda reduzidas a zero, em 2004, 2006 e 2007 ; b) o valor do ICMS incluído no preço de venda, objeto de julgamento em curso no STF, não é receita da empresa, mas sim do Estado, devendo ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS; c) tendo recalculado seus valores devidos de PIS e COFINS com a exclusão das parcelas acima mencionadas, compensou os com seus créditos decorrentes de FINSOCIAL (ação judicial transitada em julgado), de IRPJ e CSLL (recolhimento a maior por não haver incluído os créditos de PIS e COFINS no seu custo) e dos próprios PIS e COFINS recolhidos indevidamente em 2004, 2006 e 2007; os seus Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – DACON do período abrangido, quando exigíveis, foram retificados, sendo impedido de efetuar o mesmo procedimento quanto às correspondentes Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, por estar sob fiscalização; d) não haveria óbice à compensação declarada no caso em tela e) Por fim, entende demonstrada a insubsistência e a improcedência do Despacho Decisório, requerendo o acolhimento da Manifestação de Inconformidade e a homologação da compensação conforme pleiteada. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base no entendimento de que a compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Na decisão, foi ainda registrado que consideram-se confessados os débitos declarados na DCTF, pelo que qualquer retificação posterior deve-se fundar em documentação idônea, em especial a escrituração contábil, que justifique as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade, aos quais adicionou o seguinte: houve cerceamento do direito de defesa, porque a DRJ julgou improcedente sua manifestação de inconformidade, sem determinar que fosse realizada diligência para confirmar a legitimidade do crédito. Após a protocolização do recurso voluntário, o contribuinte carreou aos autos petição em que relata que possuía créditos derivados de pagamentos indevidos de PIS e COFINS, realizados sobre vendas de produtos cuja tributação pelas contribuições estava com a alíquota reduzida a zero ou que teriam sido tributadas em etapas anteriores da cadeia produtiva, sob o regime de substituição tributária. Estes créditos foram utilizadas em diversas compensações, instruídas por PER/DCOMP. Fl. 2463DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.337 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689967/2009-69 Tal petição foi acompanhada de Laudo Técnico, referente a pesquisa sobre a legislação e aplicação de testes em registros contábeis e fiscais e cuja conclusão foi a seguinte: "1. Há fundamentação legal para os casos de créditos de PIS e da Cofins, pleiteados pela CALVO, decorrentes de vendas de mercadorias com redução de tributação desses encargos a 0% (zero por cento) ou com substituição tributária, para o período de janeiro de 2004 a janeiro de 2007; 2. As transações comerciais da CALVO são realizadas em grande volume diário, como é de praxe em operações de atacado e varejo de mercadorias de consumo alimentício, bebidas, higiene, cigarros, etc.; 3. Mesmo considerando o elevado o número de operações comerciais diárias, foi possível apurar que há consistência nos registros contábeis e fiscais nesse mencionado período, para determinação de bases de cálculo do PIS e da Cofins, bem como do cumprimento das obrigações acessórias tributárias pertinentes; 4. Há elementos de comprovação das operações comerciais realizadas, incluindo aquelas que foram objeto de pleito de créditos de PIS e da Cofins pela Administração da CALVO, no período de janeiro de 2004 a janeiro de 2007;" Reiterou o pedido de homologação da compensação ou, no mínimo, que fosse realizada diligência. Mencionou, ainda, decisão judicial, que teria determinado que todos os recursos administrativos teriam de ser decididos em 360 dias, nos termos do art. 24 da lei n° 11.457/07. Posteriormente, juntou-se aos autos nova petição no intuito de complementar a anterior, trazendo fatos novos, quais sejam: i) decisão do STF, em sede de repercussão geral, sobre a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; e ii) Laudo Técnico Complementar, referente à análises dos créditos de PIS e COFINS derivados de pagamentos indevidos sobre vendas tributadas à alíquota zero ou sob regime de substituição tributária e referentes à inclusão do ICMS nas bases de cálculo. Tais análises, aplicaram teses sobre os valores de ICMS excluídos das bases de cálculo e sobre a documentação relativa às vendas cujas alíquotas estavam reduzidas a zero e sob o regime de substituição tributária. O referido laudo traz dois anexos. No primeiro, as apurações de PIS e COFINS retificadas. E, no segundo, planilhas com as informações contidas em algumas notas fiscais, citadas de forma exemplificativa, cujas vendas teriam sido equivocadamente submetidas à tributação regular pelas contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 2464DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.337 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689967/2009-69 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 325, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.689955/2009-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.325): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar Alegou que a decisão da DRJ seria nula, pois, ao não determinar a realização de diligência para confirmar a legitimidade dos créditos da recorrente, teria cerceado seu direito à ampla defesa e ao contraditório. O ônus de comprovar a existência do direito creditório - pagamentos a maior de PIS e COFINS - é de quem alega detê-lo (inciso I do art. 373 da Lei n° 13.105/15 - Código de Processo Civil). E minha interpretação sistemática do Decreto n° 70.235/72 e da Lei n° 9.784/99 é a de que a diligência não se presta para produzir provas, porém esclarecer dúvidas. Assim, cumpria à recorrente o dever de juntar aos autos a documentação suporte dos créditos. Se não o fez, não cabe às instâncias julgadoras solicitar diligências para que seja então trazida a documentação capaz de legitimar os créditos. Nego provimento. Mérito Trata-se de pagamento supostamente a maior de PIS relativo ao mês de setembro de 2006. A recorrente alegou que o pagamento indevido foi resultado da inobservância das legislações fiscais aplicáveis. E trouxe extensos relatórios de auditoria, cujos trabalhos serviriam de prova da legitimidade dos créditos ou, pelo menos, de motivo para que esta turma converta o julgamento em diligência. Os trabalhos de auditoria consistiram em pesquisas nas legislações e aplicação de testes sobre registros contábeis e fiscais. O objetivo foi o de verificar se os procedimentos de cálculo dos créditos de PIS e COFINS estavam de acordo com as legislações aplicáveis e se tinham suporte em registros contábeis e livros, declarações e notas fiscais. Nos relatórios, consignaram que os resultados foram plenamente satisfatórios, isto é, em princípio, poder-se-ia acreditar que a recorrente realmente detinha o direito creditório. Não obstante, meu voto é por negar provimento ao recurso voluntário, por ausência de provas, isto é, pelo mesmo motivo alegado pela DRJ. E por que assim concluí? Em relação ao período de apuração em comento, setembro de 2006, há apenas aquela que seria a "nova" apuração do PIS e por meio do qual não se apura contribuição a pagar - inferir-se-ia, em princípio, que o valor total recolhido de R$ 14.907,60 seria indevido e, portanto, compensável. Contudo, não foram juntados aos autos: o balancete contábil do mês de setembro de 2006, devidamente conciliado com a nova base de cálculo e, notadamente, com as exclusões do ICMS e das vendas supostamente não tributáveis; conciliação da "nova" base de cálculo com DCTF e DACON Retificadores; e as notas fiscais das vendas não tributáveis ou pelo mesmo uma amostra, devidamente acompanhada de conciliações com os livros contábeis e fiscais e a "nova" apuração. E, em virtude da a ausência de tais documentos, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 2465DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.337 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689967/2009-69 Não obstante, cumpre consignar que os conteúdos dos Laudos Técnicos constantes dos autos parecem-me robustos. E que, de forma alguma, este relator deixou de conferir- lhes o devido valor. Contudo, para que reconheçamos um direito creditório, há de existir provas nos autos. Também tenho o dever de mencionar que esta turma privilegia, sempre que admissível, os Princípios da Verdade Material e do Formalismo Moderado. Por diversas vezes, converteu julgamentos em diligências, quando verificou que havia nos autos, senão a totalidade, porém substancial parcela dos documentos que davam suporte ao direito creditório pleiteado. Contudo, reitero que, no caso em tela, sobre o período de apuração de setembro de 2006, há, apenas, a "nova" apuração, o que é definitivamente insuficiente como prova da legitimidade do crédito, bem como para motivar a conversão do julgamento em diligência. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 2466DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000878/2007-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula360/STJ).
DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplica-se a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Não transcorreu o prazo de cinco anos, na forma do artigo.
Numero da decisão: 3302-007.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à falta de legitimidade do Auto de Infração, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula360/STJ). DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplica-se a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Não transcorreu o prazo de cinco anos, na forma do artigo.
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RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO. Recorrente DISTRIBUIDORA MULLER COM. E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula360/STJ). DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Não transcorreu o prazo de cinco anos, na forma do artigo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à falta de legitimidade do Auto de Infração, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 08 78 /2 00 7- 50 Fl. 83DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação. Por meio do auto de infração às folhas 11 a 20, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 38.948,66, a título de multa de mora (devida esta em razão da falta de pagamento da penalidade em relação a recolhimentos efetuados a destempo). Tal valor foi apurado em face dos procedimentos de auditoria interna efetuados sobre a DCTF relativa aos primeiro, terceiro e quatro trimestres de 2003. Em consulta ao auto de infração, verificase que a autuação se deu em razão do "pagamento de tributo ou contribuição após o vencimento, com falta ou insuficiência de acréscimos legais (multa de mora e/ou juros de mora parcial ou total)". Irresignada com o feito fiscal, interpôs a contribuinte a impugnação constante das folhas 01 a 09, na qual não discorda que tenha efetuado os recolhimentos a destempo sem a adição da multa de mora. Entretanto, insurgese contra o lançamentos, a partir das seguintes alegações: · a exigência da multa de mora é descabida, pois houve o recolhimento do tributo acrescido dos juros de mora, e estes juros "tem efeito reparador de todo e qualquer dano causado ao Erário Público"; · traz Acórdão do Conselho de Contribuintes que se alinha à sua tese, e defende, com base no inciso II do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN, que as decisões daquele órgão colegiado têm força de lei; · pede a aplicação da eqüidade, prevista no inciso IV do artigo 108 do CTN, em razão dos pequenos atrasos nos recolhimentos a destempo; · faz referência a princípios jurídicos, como tais os da proporcionalidade e da razoabilidade, com o fim de demonstrar a discrepância entre a penalidade exigida e o pretenso ilícito constatado. Junta excertos jurisprudenciais tendentes à defesa de seu entendimento. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10909.000878/200750 Acórdão n.º 3302007.238 S3C3T2 Fl. 3 3 Em 29 de janeiro de 2010, através do Acórdão n° 0718.716, a 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Florianópolis/SC, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. Entendeu a Turma que: Como no relatório deste acórdão se viu, a contribuinte se insurge inicialmente contra a imposição da multa de mora por meio da alegação de que a exigência da multa de mora é descabida, pois houve o recolhimento do tributo acrescido dos juros de mora, e estes juros "tem efeito reparador de todo e qualquer dano causado ao Erário Público". Quanto a esta questão inicial, não há mais o que possa ser dito por parte desta instância julgadora administrativa que não seja que a multa de mora está devidamente prevista na legislação tributária (artigo 61 da Lei n.° 9.430/1996 dispositivo este constante do auto de infração, à folha 12), e que sua aplicação é obrigatória por parte dos agentes públicos fazendários que, como se sabe, têm atuação administrativa vinculada. É importante ter em conta que os agentes públicos, no exercício de suas atividades legais, não podem deixar de exigir, sob pena de responsabilidade funcional, quaisquer imposições fiscais que estejam regularmente previstas em lei. Assim dispõe o artigo 141 do Código Tributário Nacional – CTN. De tal sorte, se a multa de mora ou os juros de mora têm, isolada ou conjuntamente, efeito reparador suficiente ou não em face do atraso no cumprimento da obrigação tributária, isto não é questão colocada à disposição dos mencionados agentes públicos. O certo é que a aplicação cumulativa da multa de mora e dos juros de mora está expressamente posta na legislação e não há como afastála sem que se afaste também as disposições literais de lei que a preveem, o que não é possível de ser feito nesta instância. A segunda alegação da contribuinte está associada ao conteúdo de um Acórdão do Conselho de Contribuintes que transcreve em sua impugnação e que se alinha à sua tese. Com base neste exemplo da jurisprudência administrativa, defende então, com base no inciso II do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN, que as decisões daquele órgão colegiado têm força de lei e que, portanto, devem ser aqui acatadas. A evidência, pouco precisa ser dito para demonstrar a improcedência da alegação. E que como está expresso no caput e inciso II do artigo 100 do CTN, conformamse como normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, "as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa". Como se vê, para que uma decisão de um órgão singular ou coletivo se conforme como norma complementar na legislação tributária, é necessário que exista lei que lhe atribua eficácia normativa. Ora, as decisões dos Fl. 85DF CARF MF 4 antigos Conselhos de Contribuintes (hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) nunca tiveram este caráter normativo determinado por qualquer ato legal. São, sim, decisões que têm validade inter partes, mas não se aplicam al quaisquer litígios que estejam para além da controvérsia concreta que dirimem. Deste modo, despropositada mostrase o entendimento da contribuinte de que a decisão que transcreve teria "força de lei". Em outro segmento de sua impugnação, pede a contribuinte a aplicação da eqüidade, prevista no inciso IV do artigo 108 do CTN, em razão dos pequenos atrasos nos recolhimentos a destempo. Também aqui não cabe razão à contribuinte. Como se pode inferir do conteúdo literal do artigo 108 do CTN, a aplicação da eqüidade depende, antes de qualquer outra coisa, da "ausência de disposição expressa" acerca da matéria em questão. Ora, como acima já se viu, há disposição legal expressa determinando a aplicação da multa de mora (artigo 61 da Lei n.° 9.430/1996), razão pela qual, como se disse, não tem razão a contribuinte em mais esta sua alegação. Por fim, quanto às pretensas afrontas aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, só se pode aqui reafirmar aquilo que já se disse ao início deste voto com base no artigo 141 do CTN: os agentes públicos, no exercício de suas atividades legais, não podem deixar de exigir, nem atenuar, sob pena de responsabilidade funcional, quaisquer imposições fiscais que estejam regularmente previstas em lei. Deste modo, como não há no CTN e nem em qualquer outro diploma legal previsão expressa de cancelamento ou atenuação de exigências fiscais em face de juízos de razoabilidade ou proporcionalidade a serem feitos pelos agentes públicos que compõem a Administração Tributária, nada pode este juízo administrativo fazer além de declarar a regularidade do lançamento. A empresa DISTRIBUIDORA MULLER COM. E REPRESENTAÇÕES LTDA foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 19 de março de 2010, às efolhas 46. A empresa DISTRIBUIDORA MULLER COM. E REPRESENTAÇÕES LTDA ingressou com Recurso Voluntário, em 30 de março de 2010, de efolhas 64 à 81. Foi alegado: A Recorrente recolheu a Cofins fora do prazo estabelecido na legislação de regência, conforme constatado pelas Autoridades competentes, o que é verdade, o que nao é verdade é que ela tenha cometido infração à lei, pois tratase de mera inadimplência, sendo as multas de mora aplicadas ao caso, insubsistentes, pois o valor original recolhido devidamente corrigido pela Taxa SELIC, embora com pequenos atrasos: vencimento 13/09/2002, pagamento 17/10/2002, 40 dias de. atraso; vencimento 15/10/2002, Pagamento 18/10/2002, 03 dias de atraso; vencimento 15/01/2003, pagamento 18/03/2003, 63 dias e atraso; vencimento 14/02/2003, pagamento 25/03/2003, 38 dias de atraso; 14/03 2003 pagamento 16/04/2003, 32 dias de atraso; vencimento 15/09/2003, pagamento 30/09/2003, 15 dias de atraso; vencimento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10909.000878/200750 Acórdão n.º 3302007.238 S3C3T2 Fl. 4 5 15/10/2003, pagamento 17/10/2003, 02 dias de atraso; 15/12/2003, pagamento 16/12/2003, 01 dia de atraso. A lavratura de auto de infração e, o suposto crédito tributário decorrente das multas, conforme se demonstrará, é inexistente, uma vez que a Receita Federal ignorou que o referido tributo é de lançamento por homologação, além do mais, ele foi declarado em DCTF o que afasta outros lançamentos, já que a Secretaria da Receita Federal entende que as declarações prestadas em DCTF, pelo sujeito passivo, é autolançamento. A melhor compreensão, neste caso, é que o tributo foi duplamente autodenunciado, uma pela entrega da regular DCTF, e outra, pelo seu recolhimento espontâneo, ou seja, antes de qualquer ação fiscalizadora do credor. A Taxa SELIC tem efeito reparador de todo e qualquer dano causado ao Erário público, por outro lado, pois ela é um misto, englobando juros de mora, correção monetária e juros remuneratórios de capital. As reiteradas decisões do Conselho de Contribuintes da União, é no sentido . de afastar as multas de ofício e de mora, em caso de confissão de dívida e seu recolhimento espontâneo à vista devidamente corrigida pela Taxa SELIC, ou seja, antes de qualquer ação fiscalizatória. As multas fiscais, como visto decorrem da pratica de ilícitos tributários cometidos pelo contribuinte contra o Erário Público, porém, há que se admitir a sua exclusão em caso de confissão de dívida, quando o sujeito passivo da obrigação tributaria, espontaneamente a realiza, que tem entre outros efeitos não só a de poupar a açao fiscalizatória e a lavratura de auto de infração, mais a principal delas, que e a de poder o contribuinte se livrar da sanção penal pecuniária administrativa (multa(s). A exclusão da(s) multa(s), é um favor legal e tem abrigo no CTN, arts. 138 e 148, no CPC, art. 348 e, no CPB, art. 15. As três modalidades de lançamentos, suas causas e seus efeitos iurídicos/tributários. O CTN prevê três modalidades de lançamentos. Um descrito no art. 147: o lançamento com base em declaração; o art. 150 prevê o lançamento por homologação, e; o lançamento de ofício, este descrito no art. 149. O lançamento de ofício a ser utilizado pelo Fisco, nos casos previstos no art. 44,1, da Lei n° 9.430/96, deve ser interpretado à luz dos arts. 148 e 149, ambos do Código Tributário Nacional. A simples constatação da falta de pagamento ou recolhimento, ou o pagamento a menor, ou sua inexatidão, ou, ainda, o erro contábil, entre outras, faltas ou erros, não são casos de lançamento de ofício, já que não se. desnatura o lançamento por homologação. O lançamento por homologação não se desnaturar uma vez que o Fisco homologa é o lançamento, o pagamento ou o recolhimento do tributo, portanto, nada diz. Ora, com todo o respeito, a tese da aplicação cumulativa dos artigos 150, § 4o e 149, ambos do CTN, nos casos de ausência do pagamento antecipado, enaltece essa manifesta ilegalidade, já que as referidas normas não se cumulativas ou concorrentes, antes são reciprocamênte excludentes. ' Fl. 87DF CARF MF 6 No presente caso, é por óbvio que dado o transcurso de tempo de cinco anos entre a apuração e o lançamento ex officio da autoridade fiscal é certo que operouse a decadência, portqnto, o fisco não pode mais reclamar seu crédito via cobrança executiva judicial, pois não há como se negar a eficácia preclusiva pelo reexame da matéria tributável, até porque tratase de compensação de crédito do contribuinte com crédito do ' Fisco. Face à falta de inscrição do crédito tributário em dívida ativa da Fazenda Pública, em tempo hábil e de forma regular, que seja decretada a decadência e a decorrente prescrição ex officio, por decurso de prazo. As referidas multas, além de uma excluir a outra e viciar o lançamento em dívida ativa da União, são de elevado percentual, multas aplicadas pelo credor contra o devedor, ela desborda dos princípios constitucional da proporcionalidade e razoabilidade, razão pela qual as multas são inconstitucionais, já que a desporporcionalidade e a irrazoabilidade são vedas pela Constituição Federal e, com ela não guardam nenhuma relação, em toda e qualquer situação, o que não deve escapar ao pronunciamento do Poder Judiciário. Falta de descrição de conduta especifica delituosa do sujeito passivo. Reconheceuse que as acusações vagas e genéricas não devem fazer parte de nenhum processo, já que elas devem ser detalhadas (motivadas) e fundamentadas a quanto conduta delituosa do acusado. Não há apuração da, ocorrência especifica e detalhada do fato delituoso, em todos os seus pormenores, exigência do Estado de Direito, como direito fundamental do acusado, do devido processo legal, para o do contraditório pleno e amplo. A culpa, o dolo, a máfé, a fraude e a simulação, entre outros fatos delituosos, que somente são possíveis, juridicamente, em matéria criminal, apurados em processo de cognição exauriente, jamais em processo de cognição sumária, até por que se há culpa ou • dolo, fraude ou simulação contra credores, estes é que devem, obrigatoriamente, provarem através de ato descritivo fundamentado os fato delituosos do ou dos acusados. Esses fatos, aliás, não se presumem provados, por simples alegações, devem, isto, sim, serem provados de forma robusta e inequívoca, por quem os alega, a nulidade é inafastável, o que deve ser reconhecida de ofício, por serem crimes de tipo. Do Pedido. · que seja recebido, conhecido e provido o presente recurso e julgado insubsistente os Autos de Infração, pela inexistência de causas legais e legítimas que lhes dê embasamento, o irregular lançamento, por se tratar de lançamento por homologação, impossível, portanto, lançamento de ofício, pena de afronta as Normas Gerais dè Direito Tributário e, a exclusão das multas, como foi amplamente demonstrado nos itens precedentes. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10909.000878/200750 Acórdão n.º 3302007.238 S3C3T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 19 de março de 2010, às efolhas 46. A empresa DISTRIBUIDORA MULLER COM. E REPRESENTAÇÕES LTDA ingressou com Recurso Voluntário, em 30 de março de 2010, de efolhas 59. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da controvérsia. · A falta de legitimidade do Auto de Infração; · A insubsistência da aplicação de multa de mora; · A decadência do lançamento. Passase à análise. A Recorrente recolheu a Cofins fora do prazo estabelecido na legislação de regência. Isso é tido por fato incontroverso. A falta de legitimidade do Auto de Infração” Tratase de argumento novo, não apresentado pela defesa em sede de manifestação de inconformidade, o que não é admissível no processo contencioso administrativo, implicando a ocorrência da preclusão consumativa. Nos termos dos arts. 16, III e 17, ambos do Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa deverão ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas, verbis: (grifos não constam do original) “Art. 16. A impugnação mencionará: a autoridade julgadora a quem é dirigida: a qualificação do impugnante; os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) Fl. 89DF CARF MF 8 as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei n0 8.748, de 1993) se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei n0 11.196, de 2005) £ 1O Considerarseá não formulado O pedido de diligência OU perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei no 8.748, de 1993) £ 2o É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei no 8.748, de 1993) £ 3o Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei no 8.748, de 1993) £ 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) £ 5o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) £ 6o Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei no 9.532, de 1997).” (destacado) Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10909.000878/200750 Acórdão n.º 3302007.238 S3C3T2 Fl. 6 9 A preclusão se verifica pela não dedução de todos os argumentos de defesa no recurso inaugural, isto é, as matérias de direito que pretendia questionar, decorrendo daí a perda da oportunidade processual de contestação, valendo acentuar que o recurso voluntário, como dito, é totalmente distinto da impugnação, chegando mesmo, em alguns pontos, a serem mutuamente contraditórios. Na lição de Fredie Didier Júnior (Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 11a edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. JusPodium, Salvador: 2009. Pág. 283.), a preclusão consumativa consiste na perda da faculdade processual, por já haver sido exercida, pouco importando se bem ou mal. Uma vez praticado o ato processual, não mais é possível corrigilo, melhorálo ou repetilo, eis que já consumado. No caso dos autos, a discussão administrativa foi delineada pela manifestação de inconformidade, restando rechaçadas quaisquer outras teses defensivas eventualmente não expostas, por aplicação do princípio eventualidade, ressalva feita ao direito ou fato supervenientes, o que não é a hipótese. Quanto à concessão do efeito suspensivo, tratase de aplicação do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Desta forma, sob pena de inovação recursal, entendo que não é mais possível conhecer destas alegações nesta fase processual. A insubsistência da aplicação de multa de mora É alegado às folhas 02 do Recurso Voluntário, a essência da linha argumentativa esposada pelo Recorrente: A lavratura de auto de infração e, o suposto crédito tributário decorrente das multas, conforme se demonstrará, é inexistente, uma vez que a Receita Federal ignorou que o referido tributo é de lançamento por homologação, além do mais, ele foi declarado em DCTF o que afasta outros lançamentos, já que a Secretaria da Receita Federal entende que as declarações prestadas em DCTF, pelo sujeito passivo, é autolançamento. A melhor compreensão, neste caso, é que o tributo foi duplamente autodenunciado, uma pela entrega da regular DCTF, e outra, pelo seu recolhimento espontâneo, ou seja, antes de qualquer ação fiscalizadora do credor. A Taxa SELIC tem efeito reparador de todo e qualquer dano causado ao Erário público, por outro lado, pois ela é um misto, englobando juros de mora, correção monetária e juros remuneratórios de capital. O STJ, em sede de recurso repetitivo, confirma que a denúncia espontânea não se opera nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação declarados e não pagos no vencimento, conforme o julgado: Fl. 91DF CARF MF 10 RECURSO ESPECIAL N° 1.149.022 SP RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, 'Red. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): ‘No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional'. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10909.000878/200750 Acórdão n.º 3302007.238 S3C3T2 Fl. 7 11 Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Destarte, diante de uma confissão de dívida e com o pagamento extemporâneo do débito, entendo aplicável o enunciado da Súmula n° 360 do STJ no sentido de que o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. A decadência do lançamento. A data de início da contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é questão controversa no direito tributário. Há, basicamente, dois entendimentos sobre a questão. O primeiro, defendido principalmente pelos contribuintes, é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento de ofício deve obedecer ao prazo decadencial estabelecido pelo art. 150, § 4º, da Lei nº 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, contado a partir da data de ocorrência do fato gerador, independentemente de haver ou não pagamento, salvo se constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipótese em que a regra a ser aplicada é a do art. 173, I, do mesmo diploma legal, ou seja, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Argumentase que o importante é que a modalidade de lançamento seja por homologação, ou seja, aquela na qual a lei atribui ao sujeito passivo o dever de pagar sem prévio exame da autoridade administrativa. Segundo esse entendimento, se a modalidade do lançamento é por homologação, não interessa se houve algum pagamento, ou mesmo se o sujeito passivo descumpriu algum outro dever. Alegase que o artigo 150, § 4º, do CTN, estabelece norma de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação e que cabe ao contribuinte identificar o fato gerador, apurar o montante devido e efetuar o “autolançamento”. Entendese que o pagamento, realizado ou não pelo sujeito passivo, não integra a constituição do crédito tributário, mas sim a extinção, e que não se homologa pagamento, que é causa de extinção do crédito tributário, mas a atividade exercida pelo sujeito passivo, regra esta que expressamente decorre da segunda parte do artigo 150, na qual se encontram as expressões “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Interpretase que a atividade a que se refere a lei são os atos realizados pelo sujeito passivo para o “autolançamento”. Assim, nos casos em que a autoridade fiscal mantémse inerte em relação às ações ou omissões do sujeito passivo, decorridos cinco anos a contar do fato gerador, temse a decadência. Ainda, entendese que o artigo 173, I, do CTN, ao prever que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, trata dos casos de lançamento por declaração, que ocorre quando a lei atribui ao sujeito passivo ou a terceiro a obrigação de prestar informações para que a Fazenda, com base nas informações Fl. 93DF CARF MF 12 prestadas, constitua o crédito tributário. É por esta razão que, nesse caso, o prazo decadencial começaria a contar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em outras palavras: nos tributos por declaração, uma vez prestadas as informações, cabe ao sujeito ativo, no exercício de seupoder/dever, constituir o crédito tributário pelo lançamento. Decorrido o exercício em que as informações foram prestadas, sem que o lançamento tenha sido efetuado, iniciase o prazo decadencial. Por outro lado, a interpretação da Receita Federal do Brasil (RFB) sobre o art. 150 do CTN é a de que o lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo antecipa o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Não havendo pagamento, não se cumpre o requisito básico disposto no mencionado artigo, verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifouse) Dessa forma, conforme se observa na transcrição acima, entendese que a lei atribuiu requisito ao lançamento por homologação, qual seja, a antecipação do pagamento. Assim, não basta que a legislação determine o pagamento antecipado do tributo para que se caracterize o lançamento por homologação, mas sim, que haja efetivamente o pagamento. Não atendida a condição, não se pode configurar o lançamento por homologação e, neste caso, aplicase a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, a contagem do prazo tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A interpretação da RFB foi manifestada pela Cosit nas Soluções de Consulta Interna nº 16, de 5 de junho de 2003; 23, de 24 de agosto de 2004; e 26, de 1º de novembro de 2005. Em suma, havendo pagamento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150 do CTN; não havendo pagamento, aplicase a regra do art. 173 do mesmo Código. Nesse mesmo sentido concluiu a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, ao analisar a decadência das contribuições previdenciárias. No referido parecer, a PGFN registra entendimentos dos então Conselhos de Contribuintes no sentido de que “se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldase à sistemática Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10909.000878/200750 Acórdão n.º 3302007.238 S3C3T2 Fl. 8 13 de lançamento denominada homologação, onde a contagem do prazo decadencial dáse com a ocorrência do fato gerador, na forma disciplinada pelo § 4º do art. 150 do CTN (...)”. Ressaltase que consta do item 36 desse parecer, a seguir transcrito, que os Conselhos estariam começando a mudar o entendimento: (...) 36. Os Conselhos de Contribuintes, no entanto, começam a mudar o entendimento. Aplicouse recentemente o art. 173, I, do CTN, em caso de lançamento de ofício, no qual não houve pagamento. Refirome ao Recurso RP/ 203123287. Entendeu o Conselho que deve se verificar se o contribuinte recolheu valores no período fiscalizado. Na existência do recolhimento, deve se aplicar o § 4º do art. 150 do CTN. Na inexistência de recolhimentos, deve ser aplicado o art. 173, I, do mesmo CTN. De igual modo, decidiuse no Recurso RD/204130232, bem como no RD/203115797. (...) Ao final conclui o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008: (...) d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (...) Coincide com o entendimento da RFB e o da PGFN, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), reiterado recentemente nos autos do Recurso Especial (REsp) nº 973.733/SC, julgado como representativo da controvérsia, sob o rito do art. 543C, do CPC ("recurso repetitivo"[2]), no qual a Primeira Seção decidiu que "o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. De acordo com o STJ, a regra jurídica da decadência aplicável nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, é aquela regida pelo disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Fl. 95DF CARF MF 14 Para a situação em comento, visualizase o quadro de efolhas 19: O contribuinte foi intimado do Auto de Infração em 19/03/2007, via Aviso de Recebimento, conforme efolhas 30. Uma vez que não transcorreu o prazo de cinco anos, na forma do artigo 150, §4o do Código Tributário Nacional, uma vez que ocorreram recolhimentos, consoante efolhas 14 à 18, o lançamento não está eivado pela decadência. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário em parte para não conhecer da matéria referente à falta de legitimidade do Auto de Infração e na parte conhecida negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.722266/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 09/11/2007 a 30/05/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3302-007.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 09/11/2007 a 30/05/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem contudo, atribuirlhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 22 66 /2 01 2- 89 Fl. 5539DF CARF MF Processo nº 10909.722266/201289 Acórdão n.º 3302007.239 S3C3T2 Fl. 5.540 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte, ora Embargante contra o Acórdão nº 3302004.616 que, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir para excluir do lançamento os valores relativos à industrialização de 11.269 motores de arranque, conforme laudo efls. 4179/4185 e para reduzir a multa qualificada ao percentual de 75%, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 09/11/2007 a 30/05/2011 ARTIGO 5º DA LEI N. 10.182/01. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS. INDISPENSÁVEL APRECIAÇÃO SOBRE A DEFINIÇÃO DE PROCESSO PRODUTIVO. Dentre os vários requisitos para a fruição do benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei n. 10.182/2001 está a destinação dos produtos importados para o processos produtivos de automóveis (§ 1º e incisos). A adição de reles em motores de arranque configura processo produtivo, na modalidade de beneficiamento, autorizando, assim, a utilização do benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei n. 10.182/2001. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/11/2007 a 30/05/2011 MULTA REGULAMENTAR POR INFORMAÇÃO INEXATA SOBRE A DESTINAÇÃO DA MERCADORIA. CARACTERIZADA A INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. POSSIBILIDADE. Fica sujeita a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, o importador ou beneficiário de regime aduaneiro que prestar de forma inexata informação sobre destinação da mercadoria importada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO COMPROVADO O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AFASTAMENTO DA QUALIFICADORA. POSSIBILIDADE. Se a autuada apenas prestou informações divergentes das que foram obtidas pela fiscalização, no curso do procedimento fiscal, resta descaracterizado o evidente intuito de fraude e a circunstância qualificadora necessária para imposição da multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento) do valor do imposto devido. JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A mudança de critério jurídico vedada pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional pressupõe a existência de dois ou mais lançamentos fundados em premissas distintas.Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Segundo a Embargante (fls.5.5225.530) há omissão e contradição no v. acórdão embargado que merecem ser sanadas nos seguintes termos: (i) seja explicitado o fundamento pelo qual a operação de acondicionamento de mercadorias, reconhecida como processo de industrialização pelo art. 4º, IV, do Fl. 5540DF CARF MF Processo nº 10909.722266/201289 Acórdão n.º 3302007.239 S3C3T2 Fl. 5.541 3 RIPI, não poderia ser considerada como “processo produtivo” para fins de fruição de isenção; e (ii) seja apreciado o argumento consistente no fato de que a isenção de II concedida pela Lei nº 10.182/2001 era objetiva, vinculada às mercadorias importadas (peças do setor automotivo), destinadas a processo produtivo desenvolvido em território nacional, como ocorreu em relação à maior parte dos motores de partida objeto do auto de infração, que foram destinados à produção das empresas montadoras de veículos, conforme prova juntada aos autos do processo administrativo. Em 09 de novembro de 2018, foi proferido o despacho de fls. 5.5355.538 no sentido de admitir parcialmente os Embargos de Declaração para para sanar a omissão quanto às razões para a consideração que o processo de acondicionamento não seria processo de industrialização, nos termos do artigo 4º do RIPI/2002. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Conforme noticiado anteriormente, os Embargos de Declaração foram admitidos para sanar a omissão quanto às razões para a consideração que o processo de acondicionamento não seria processo de industrialização, nos termos do artigo 4º do RIPI/2002. Neste ponto, a Embargante alegou o quanto segue: 8. A Embargante alegou, em seu recurso voluntário, que a expressão “processo produtivo”, utilizada pelo § 1º do art. 5º da Lei nº 10.182/2001, equivaleria à expressão “processo de industrialização”, cujos conceitos são definidos pela legislação do IPI, em especial o artigo 4º do Decreto nº 7.212/10 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – “RIPI”). 9. No que tange aos argumentos relacionados ao mérito das acusações fiscais, prevaleceu o voto do Conselheiro Walker Araújo, que determinou a exclusão, dos cálculos da autuação, dos valores relativos a 11.269 motores de partida, que foram submetidos ao processo de beneficiamento (aposição de relé), conforme constou da decisão embargada: “De proêmio, insta tecer que este relator concorda com o entendimento apresentado pela i. Relatora no item ‘2.2.1. Sobre o Processo de Beneficiamento’, que considerou o processo de beneficiamento em relação aos 11.269 motores de arranque importados pela contribuinte e afastou a cobrança do Imposto sobre a Importação sobre esse montante, a saber: (...)”. 10. Com relação ao argumento de que os demais produtos importados foram submetidos ao processo de industrialização consistente no acondicionamento, prevaleceu o entendimento no sentido de que o acondicionamento “não Fl. 5541DF CARF MF Processo nº 10909.722266/201289 Acórdão n.º 3302007.239 S3C3T2 Fl. 5.542 4 configuraria processo produtivo”, conforme se extrai do seguinte trecho do voto vencedor: “Já em relação ao acondicionamento, tratase de operação de industrialização definida no art. 4º, IV, do RIPI/2010, que não configura processo produtivo, para fins de benefício fiscal. Neste ponto, a recorrente não se dignou a apresentar contraprova adequada e idônea que infirmasse a conclusão do desvio de finalidade demonstrada pela autoridade fiscal. De fato, em vez de apresentar provas, a recorrente dedicou parte substanciosa da sua defesa na descrição do processo produtivo que realizava, quando a questão de fundo seria a apresentação de provas de que os produtos importados foram destinados ao seu processo produtivo, ou seja, submetido ao processo de montagem por ela alegado.” 11. Ocorre, entretanto, que não constou do voto condutor do v. acórdão embargado o fundamento legal que permitiria, no entender dessa Eg. Turma, considerar que o processo de acondicionamento, embora expressamente definido como processo de industrialização (art. 4º, IV, do RIPI), não seja considerado como “processo produtivo” para fins de fruição da isenção prevista no art. 5º da Lei nº 10.182/2001. 12. De fato, entende a Embargante que essa Turma julgadora deixou de explicitar qual seria o critério de discrímen que permitiria concluir que a atividade de beneficiamento (art. 4º, inciso II, do RIPI) pode ser considerada como “processo produtivo” para fins de benefício fiscal, ao passo que o acondicionamento de mercadorias, igualmente definido pela legislação de regência como atividade de industrialização (art. 4º, inciso IV, do RIPI), “não configura processo produtivo, para fins de benefício fiscal”. 13. Deve, portanto, ser sanada a omissão apontada, a fim de que sejam explicitados os fundamentos legais da r. decisão embargada, ou, caso assim não se entenda, seja então reconhecida a contradição entre os termos do voto condutor, que, de um lado, reconheceu a procedência do recurso voluntário da Embargante com relação aos motores de arranque submetidos a processo de beneficiamento, e, de outro lado, afastou o mesmo argumento em relação a todos os demais produtos que foram submetidos à atividade de acondicionamento, igualmente definida pela legislação de regência (art. 4º do RIPI), como processo de industrialização. Entendo não assistir razão a Embargante. Isto porque, o direito pleiteado pela Embargante foi afastado por ausência de prova de que os produtos importados foram destinados ao seu processo produtivo. É o que se extraí do voto vencedor: Assim, com exceção dos 11.269 anteriormente citados, a fiscalização demonstrou que os demais produtos não foram submetidos a processo produtivo algum, mas revendidos no mercado interno, sem ser submetido a qualquer processo de produção. De outra parte, na peça recursal em apreço a recorrente alegou que era indevida a cobrança dos tributos lançados, sob o argumento de que todos os produtos importados com a redução do II passaram, basicamente, por dois processos produtivos, a saber: “(i) a adição de relés e porcas; ou (ii) o acondicionamento.” Fl. 5542DF CARF MF Processo nº 10909.722266/201289 Acórdão n.º 3302007.239 S3C3T2 Fl. 5.543 5 Em relação a adição de relés, insta tecer que este relator já apresentou suas considerações sobre o tema, concluindo pelo cancelamento da autuação em relação ao beneficiamento de 11.269 motores de arranque. Já em relação ao acondicionamento, tratase de operação de industrialização, definida no art. 4º, IV, do RIPI/2010, que não configura processo produtivo, para fins de benefício de fiscal. Neste ponto, a recorrente não se dignou apresentar contraprova adequada e idônea que infirmasse a conclusão do desvio de finalidade demonstrada pela autoridade fiscal. De fato, em vez de apresentar provas, a recorrente dedicou parte substanciosa da sua defesa na descrição do processo produtivo que realizava, quando a questão de fundo seria a apresentação de provas de que os produtos importados foram destinados ao seu processo produtivo, ou seja, submetido ao processo de montagem por ela alegado. Ou seja, a questão quanto ao fato do acondicionamento de mercadorias, configurar ou não processo produtivo, para fins de benefício fiscal só seria relevante caso restasse comprovado a destinação ao processo produtivo da Recorrente. Com efeito, o fundamento principal da autuação referese a destinação dada aos produtos importados constatado através dos registros e documentos fiscais analisados pela fiscalização, onde restou apurado que os produtos importados com o benefício sob análise foram destinados diretamente à comercialização. A própria Recorrente afirma em sua defesa que a questão envolvendo o conceito de processo produtivo não restou definido pela fiscalização quando da formalização do relatório fiscal. É o que se extrai do primeiro item do parágrafo décimo terceiro: "13. Com efeito, conforme se verá adiante,o auto de infração ora combatido fora lavrado sob dois pilares estranhos à aplicação do benefício de redução de I.I previsto na Lei nº 10.182/01, quais sejam: (i) que o conceito de processo produtivo (não definido na r. autuação, digase) seria, no entender da D. Fiscalização algo alheio àquele conhecido e expresso na legislação vigente (i.e. art. 4º, do Decreto nº 7.212/10 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados "RIPI"); O voto vencedor proferido pelo antigo Conselheiro José Fernandes do Nascimento foi no sentido de inexistir provas nos autos para amparar o direito da Recorrente e, que a questão quanto ao conceito de industrialização era desnecessária: Porém, de acordo com o voto condutor julgado recorrido, também não houve alteração da fundamentação da autuação no âmbito do referido julgamento, mas a clara manifestação da convicção do Colegiado julgador de que, a discussão sobre o processo produtivo era desnecessária, uma vez que havia elementos seguros nos autos que comprovavam que os produtos importados pela recorrente foram destinados diretamente à comercialização no mercado interno sem passar pelo processo produtivo alegado pela recorrente. Para afastar qualquer dúvida a respeito, transcrevese a seguir seguintes trechos relevantes extraído do citado voto: Em resumo, o direito da Embargante foi afastado por ausência de provas quanto a destinação dada aos produtos importados. Fl. 5543DF CARF MF Processo nº 10909.722266/201289 Acórdão n.º 3302007.239 S3C3T2 Fl. 5.544 6 Por outro lado, entendo que houve lapso manifesto no voto vencedor em relação a afirmação de que o acondicionamento, embora tratarse de operação de industrialização, definida no art. 4º, IV, do RIPI/2010, não configura processo produtivo, para fins de benefício de fiscal, posto que esta discussão se torna irrelEvante diante da ausência de prova da destinação do produto importado ao processo produtivo da Recorrente. Neste necessário, proponho a seguinte alteração: Onde constou: Já em relação ao acondicionamento, tratase de operação de industrialização, definida no art. 4º, IV, do RIPI/2010, que não configura processo produtivo, para fins de benefício de fiscal. Neste ponto, a recorrente não se dignou apresentar contraprova adequada e idônea que infirmasse a conclusão do desvio de finalidade demonstrada pela autoridade fiscal. (...) Deve constar: Já em relação as questões quanto ao acondicionamento, insta tecer que a recorrente não se dignou apresentar contraprova adequada e idônea que infirmasse a conclusão do desvio de finalidade demonstrada pela autoridade fiscal. (...) Diante do exposto, voto por acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem contudo, atribuirlhes efeitos infringentes. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 5544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.661890/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO.
A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação.
Numero da decisão: 3401-006.314
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO. A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR. PERDA DE OBJETO. A homologação de declaração de compensação faz perder o objeto o pedido de restituição anteriormente formulado que pretendia o reconhecimento do direito à restituição do crédito aproveitado na compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 18 90 /2 01 2- 68 Fl. 82DF CARF MF 2 CRÉDITO DISPONÍVEL PARA RESTITUIÇÃO. O crédito disponível para restituição é o valor comprovado do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizado em compensações ou pedido de restituição anterior. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou o Recurso Voluntário para repisar os argumentos da Manifestação de Inconformidade, sustentando que a decisão recorrida seria contraditória, uma vez que a compensação, já homologada, teria origem no pedido de restituição, o qual não poderia ser indeferido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.308, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.661882/201211. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.308): "A controvérsia posta nos autos diz respeito à análise do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP. O crédito pleiteado decorre de recolhimento a maior de PIS/COFINS e foi utilizado para compensar débitos de PIS/COFINS por meio do PER/DCOMP, transmitido antes da análise do pedido de restituição.. A decisão recorrida manteve a denegação do pedido de restituição por entender que só é passível de restituição o saldo remanescente de pagamento indevido ou a maior que não tenha sido utilizado em compensações anteriores, ao que a Recorrente sustenta que o deferimento do pedido de restituição é pressuposto da efetivação da compensação, devendo ser deferida a restituição do crédito no presente processo como imperativo lógico da homologação da compensação em que foi empregado este mesmo crédito. O direito à compensação decorre da existência de duas relações obrigacionais, em que o credor de uma é devedor de outra e viceversa. Significa dizer que a compensação tributária exige a prévia existência de um direito de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, o que ocorre quando este tem direito à restituição de tributo pago a maior ou indevidamente. O atual regime de compensação de tributos e contribuições, previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996, após as modificações introduzidas pela Lei n° 10.637/2002, passou a permitir que o contribuinte efetuasse a compensação independentemente de Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.661890/201268 Acórdão n.º 3401006.314 S3C4T1 Fl. 3 3 prévia autorização administrativa, apresentando uma declaração de compensação em que são registrados o crédito a ser aproveitado e o débito a ser quitado pelo encontro de contas, extinguindose este sob condição resolutória da ulterior homologação. A Recorrente afirma que ao registrar o segundo PER/DCOMP, convertera o pedido de restituição em “pedido de compensação”. Este instrumento não encontra previsão na sistemática instituída pela legislação em vigor. Em verdade, ao registrar o segundo PER/DCOMP, transmitiu uma declaração de compensação, com a qual se operou a compensação pretendida pela Recorrente, extinguindose o débito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação, a qual já ocorreu. Isto significa que o direito de crédito discutido nos presentes autos já foi plenamente reconhecido quando da análise da declaração de compensação. Não faria sentido a administração ter homologado uma compensação que pretendia aproveitar crédito ainda pendente de reconhecimento. A análise fiscal da declaração de compensação abrangeu a análise do direito creditório. Perdeu objeto o presente pedido de restituição, pois o direito à restituição do valor pago a maior já foi reconhecido e satisfeito através da compensação. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 84DF CARF MF 4 Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000005/99-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1998
IRPJ. DEDUTIBILIDADE DE PERDAS INCORRIDAS EM CONTRATOS DE SWAP. DEDUTIBILIDADE, VINCULADA AO PRÉVIO REGISTRO DO CONTRATO DO BACEN. INTELIGÊNCIA DA REGRA DO ART. 74, §3°, DA LEI N°. 8.981/95.
Em contratos que consubstanciem operação de swap - "operações consistentes na troca dos resultados financeiros decorrentes da aplicação de taxas ou índices sobre ativos ou passivos utilizados como referenciais" - a dedutibilidade das perdas incorridas quando da liquidação contrato depende do prévio registro da contratação na CETIP, por força da aplicação combinada do art. 74, § 3º, da Lei nº 8.981/95 e do art. 3º da Resolução Bacen nº. 2.138/94.
Numero da decisão: 1103-000.398
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O conselheiro Marcos Shigueo Takata apresentará declaração de voto. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Eric Moraes de Castro da Silva.
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
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Numero do processo: 19740.720010/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONFIGURAÇÃO.
Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõe-se a análise da matéria com vistas a sanar a omissão.
NORMAS COMPLEMENTARES. OBSERVÂNCIA DE ATO NORMATIVO EXPEDIDO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA E JUROS. EXCLUSÃO.
A observância pelo sujeito passivo de ato normativo expedido pela autoridade administrativa competente que, equivocadamente, ampliava o escopo de beneficiários da isenção fiscal, não impede a constituição do crédito tributário devido, mas impõe a exclusão das penalidades e juros de mora constituídos de ofício no lançamento, nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN.
Numero da decisão: 1302-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos em não conhecer da alegação trazida da tribuna pelo patrono, no sentido da existência de fato superveniente quanto à concessão do certificado CEBAS à recorrente, em 31/10/2018, nos estritos termos do Despacho de admissibilidade dos embargos, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias que votou por conhecer da matéria e, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para suprir a omissão apontada e, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a cobrança de multa e juros de mora sobre os créditos de CSLL constituídos no lançamento, nos termos do relatório e voto do relator. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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OMISSÃO. CONFIGURAÇÃO. Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõe-se a análise da matéria com vistas a sanar a omissão. NORMAS COMPLEMENTARES. OBSERVÂNCIA DE ATO NORMATIVO EXPEDIDO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA E JUROS. EXCLUSÃO. A observância pelo sujeito passivo de ato normativo expedido pela autoridade administrativa competente que, equivocadamente, ampliava o escopo de beneficiários da isenção fiscal, não impede a constituição do crédito tributário devido, mas impõe a exclusão das penalidades e juros de mora constituídos de ofício no lançamento, nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos em não conhecer da alegação trazida da tribuna pelo patrono, no sentido da existência de fato superveniente quanto à concessão do certificado CEBAS à recorrente, em 31/10/2018, nos estritos termos do Despacho de admissibilidade dos embargos, vencido o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias que votou por conhecer da matéria e, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para suprir a omissão apontada e, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a cobrança de multa e juros de mora sobre os créditos de CSLL constituídos no lançamento, nos termos do relatório e voto do relator. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 00 10 /2 01 0- 18 Fl. 1172DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.621 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.720010/2010-18 Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo em face do Acórdão nº 1302-003.231 (fls. 1025/1032), proferido no sentido de não conhecer das alegações apresentadas na tribuna e, quanto às matérias apreciadas, negar provimento ao recurso. A decisão consubstanciou-se na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da CSLL apurada pelas Entidades de Previdência Privada é o resultado positivo (superávit), ajustado na forma da legislação de regência. Os repasses a terceiros, total ou parcial, de receitas cobradas a título de adicional filantrópico, por se caracterizarem mera liberalidade, devem ser tratados como doações indedutíveis, por não atenderem as condições legais de dedutibilidade. LANÇAMENTO. JUROS DE MORA E MULTA DE OFICIO. ART. 100 DO CTN. INAPLICABILIDADE. Descabido o pleito pela exclusão da multa de ofício e juros de mora sob o argumento de que teriam sido observadas normas complementares emanadas da administração, se a interpretação invocada estava prejudicada pela posterior alteração do quadro normativo legal, seja pela entrada em vigor de novo regramento legal, uma vez que a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei. A recorrente apontou a existência de omissões no acórdão embargado, tendo sido admitido parcialmente, apenas quanto ao terceiro ponto questionado, nos termos do despacho que examinou sua admissibilidade, verbis: Item 3: No recurso voluntário o sujeito passivo suscita textualmente que, além do ADN nº 17/90; o art. 17, da IN/SRF nº 588/2005, na redação original em vigor à época dos fatos geradores aqui tratados, estabelecia a isenção da CSLL para as entidades de previdência complementar sem fins lucrativos, de forma geral. Assim, com base no Parágrafo Único do art, 100, do CTN, não caberia a incidência de multa e juros no lançamento. A decisão recorrida assim enfrentou a questão: [...] Por último, também, descabido o pleito pela exclusão da multa de ofício e juros de mora, sob o argumento de que a recorrente teria observado normas complementares, in casu, o Ato Declaratório Normativo 17/90, pois, como já salientado anteriormente, tal interpretação administrativa da legislação estava prejudicada pela posterior alteração do quadro normativo legal, seja pela entrada em vigor do § 1º do art. 22 da Lei 8.212/91, da Lei Complementar 109/2001 e da Lei nº 10.426/2002. Logo, como a ninguém é dado desconhecer a lei, não pode a recorrente agora alegar que desconhecia tais diplomas Fl. 1173DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.621 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.720010/2010-18 legais, para justificar a sua conduta infracional, pela aplicação do Ato Declaratório Normativo expedido sob um outro contexto normativo legal. [...] Ressaltando que neste momento processual cabe apenas analisar se houve ou não a omissão, constata-se que, de fato, a decisão recorrida não analisou o art. 17, da IN/SRF nº 588/2005, sob a ótica do art. 100, do CTN. Cabe à turma julgadora suprir a falta. Admitido parcialmente, o processo foi devolvido a este relator para apreciação. É o relatório. Fl. 1174DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.621 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.720010/2010-18 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. Os embargos opostos são tempestivos e atendem aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecidos. Antes de adentrar ao exame dos embargos, no ponto em que foi admitido pelo competente despacho de admissibilidade (fls. 1144/1148), registro que, no julgamento dos embargos, os membros do colegiado, por maioria de votos, acordaram em não conhecer da alegação trazida da tribuna pelo patrono, no sentido da existência de fato superveniente quanto à concessão do certificado CEBAS à recorrente, em 31/10/2018, nos estritos termos do Despacho de admissibilidade dos embargos. Com efeito a embargante suscitou a omissão do acórdão embargado quanto a esta matéria, tendo sido rejeitada a sua admissibilidade, nos termos do despacho de admissibilidade que se posicionou, verbis: [..] 1) Omissão pela não apreciação de fato superveniente representado pela obtenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) bem com da matéria de ordem pública relativa à inexistência de notificação fiscal prévia suspendendo a isenção imunidade da embargante; [...] Item 1: Aqui, a embargante suscita que "não corresponde à realidade" o registro do voto condutor no sentido de que as matérias tratadas nesse item foram trazidas exclusivamente na sustentação oral. A decisão questionada ao afirmar que as razões de defesa teriam sido trazidas na tribuna quis dizer que não constavam das peças recursais, o que é fato. A petição mencionada pelo sujeito passivo constitui-se em memorial, que tem como objeto principal realçar os pontos da impugnação/ recurso voluntário tidos como relevantes pelo sujeito passivo. Não se trata de uma peça recursal nos termos da legislação processual e, por esse motivo, não pode servir de azo a novas razões de defesa como deseja a recorrente. Não tendo sido trazidas no recurso voluntário, não haveria como o acórdão recorrido ter se omitido ao não enfrentar tais matérias. Ainda assim, registre-se que a turma julgadora discutiu os temas em sessão e decidiu pelo não conhecimento das matérias: [...] Registro que, por ocasião do julgamento, os membros do colegiado, por maioria de votos, acordaram em não conhecer das alegações trazidas da tribuna pelo patrono, no sentido da existência de fato superveniente quanto à concessão do certificado CEBAS à recorrente, em 31/10/2018, e quanto à existência de nulidade da autuação por questão de ordem pública, em face da ausência de ato declaratório de suspensão da isenção. Fl. 1175DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.621 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.720010/2010-18 [...] Inexiste, portanto, a omissão suscitada. Desta feita, o colegiado, em sua maioria, entendeu que tal matéria, que já havia sido objeto de discussão e não conhecimento por ocasião da prolação do acórdão embargado e não admitida pelo despacho de admissibilidade, não deveria ser conhecida. Passo ao exame do ponto em que os embargos foram admitidos. A embargante aponta a existência de omissão no acórdão quanto à alegação de que a observância do art. 17 da IN.SRF 588/2005 por parte da interessada exigiria, ao menos, a aplicação do disposto no art. 100, parágrafo único do CTN, excluindo-se a aplicação das penalidades. Com efeito, como bem apontado no despacho de admissibilidade, o acórdão foi omisso quanto a este ponto, cumprindo sanar tal omissão. A embargante pleiteou expressamente a aplicação do art. 100 do CTN em face da observância da IN.SRF 588/2005, conforme se extrai do relatório do acórdão embargado, verbis: [...] o) que, outrossim, caso não seja provido integralmente o recurso, requer sejam excluídos a multa e os juros de mora com base no parágrafo único do art. 100 do CTN, uma vez que a recorrente está amparada por normas complementares das leis Ato Declaratório Normativo nº 17/1990 e da Instrução Normativa nº 588/2005. Registro, ainda, que o colegiado limitou-se à apreciar matérias subsidiárias trazidas no recurso voluntário, que não tinham sido apreciadas pelo colegiado no primeiro julgamento, realizado na sessão de 12 de setembro de 2013, este colegiado proferiu o Acórdão nº 1302-001.175 e decidiu, por maioria, por dar provimento ao recurso. Ocorre que, em recurso especial interposto pela Fazenda Nacional os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, por meio do Acordão nº 9101- 002.972, de 05 de julho de 2017, acordaram, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, conforme se extrai da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 ENTIDADE ABERTA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR SEM FINS LUCRATIVOS. SUJEITO PASSIVO. A inclusão das "entidades de previdência privada abertas e fechadas" como contribuintes da CSLL está expressa não só na Lei 8.212/1991, mas também na própria Constituição. Não havendo norma de isenção no período de apuração, incluem-se no campo de incidência da CSLL as entidades abertas de previdência complementar sem fins lucrativos. Uma vez afastados os fundamentos que motivaram o cancelamento da exigência na fase processual anterior, os autos devem retornar ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. Fl. 1176DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.621 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.720010/2010-18 O voto condutor do acórdão da CSRF, foi no sentido de restabelecer a exigência e determinar que fossem apreciadas por este colegiado as matérias que deixaram de ser enfrentadas pela turma em face do provimento integral do recurso voluntário, quando do julgamento deste. Tendo a embargante suscitado expressamente a questão em seu recurso, cumpre a este colegiado suprir a omissão. O voto vencedor do Acórdão nº 9101-002.972 da 1ª Turma da CSRF, da lavra do i. conselheiro Rafael Vidal de Araújo, transcreve e adota como fundamento de decidir o voto proferido pelo i. Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira, no Processo nº 9740.000056/2008-94 (Acórdão nº 1402-001.476), no qual se analisou a mesma matéria de mérito (exigência de CSLL das entidades abertas de previdência complementar, sem fins lucrativos). Naquele outro processo, o questionamento do contribuinte acerca da observância das norma infra-legais, que indicariam que a entidade estaria isenta da referida contribuição, e, em consequência, imporia a aplicação do art. 100, parágrafo único do CTN, foi examinada no mencionado Acórdão nº 1402-001.476, pelo i. conselheiro Fernando Brasil, verbis: [...] DAS NORMAS APLICÁVEIS E ATOS INFRALEGAIS SOBRE O TEMA Alega a recorrente que o Ato Declaratório (Normativo) CST nº 17 daria guarida a sua tese de não incidência de CSLL aos superávits apurados por entidades sem fins lucrativos. Discordo de tal entendimento. Ainda que se entenda que esse ato pudesse se aplicar às entidades de previdência complementar, em relação às entidades de previdência aberta e fechada tal entendimento teria perdurado somente até o advento da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, uma que vez que seu artigo 23, combinado com o § 1º do art. 22 do mesmo diploma legal, passou expressamente a prever a incidência de CSLL sobre os resultados apurados por tais entidades, ainda que sem fins lucrativos, conforme já analisado. Assim, considerando o acima exposto, resta claro que, com a edição da Lei nº 8.212/91, combinada com a Lei nº 9.732/98, são imunes apenas as entidades beneficentes de assistência social, não sendo o caso das entidades de previdência complementar, abertas ou fechadas. E a alegação da Recorrente de que o §1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 aplicase somente às contribuições previdenciárias merece ser rechaçada, pois, nos termos já expostos, o art. 23 deste dispositivo legal é que prevê a incidência da CSLL sobre os resultados das entidades de previdência. Ainda a respeito da alegação de que se trataria de não incidência, impende esclarecer que o art. 5º da Lei nº 10.426, de 2002 (conversão da Medida Provisória nº 16), concedeu isenção única e exclusivamente às entidades fechadas de previdência complementar. Tais entidades também não auferem lucro. Portanto, ao isentar da CSLL os superávits das entidades fechadas de previdência complementar, automaticamente esvaziou-se a tese de que sobre tais valores não poderia incidir a contribuição sobre o lucro, pois a isenção é uma das modalidades de exclusão do Fl. 1177DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.621 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.720010/2010-18 crédito tributário, ou seja, considera-se ocorrido o fato gerador, o que, repita-se, demonstra cabalmente que os superávits estão sujeitos à incidência de CSLL. Cumpre ainda destacar que, tratando-se de isenção, a legislação deve ser interpretada literalmente (art. 111, II, do CTN), e como não há dispositivo prevendo que as entidades abertas de previdência, ainda que sem fins lucrativos, usufruam de tal benefício, correta a exigência da contribuição sobre o lucro. Tratar norma de isenção como atecnia legislativa parece querer afirmar-se que há leis inúteis. Ora, se o brocardo de que “ lei não utiliza palavras inúteis” é considerado válido, dar guarida ao argumento da Recorrente equivaleria a concluir que a lei utilizou-se não somente de uma palavra inútil, e sim de um artigo integralmente inútil, o que não me parece razoável. Contudo, a IN SRF nº 588, de 21 de dezembro de 2005 ao dispor que “As entidades de previdência complementar sem fins lucrativos estão isentas do imposto de renda sobre a renda devido pela pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido.”, desbordou da norma legal, que não previa tal elasticidade à isenção, em especial às entidades abertas. Embora não cite explicitamente as entidades de previdência abertas, ao não delimitar sua aplicação, acabou por induzir os contribuintes que, de boa-fé, seguiram o entendimento desta norma complementar. Tal situação fica ainda mais evidente com a recente alteração em tal dispositivo, passando a prever a correta aplicação da norma legal, conforme se observa abaixo: Art.17. As entidades de previdência complementar sem fins lucrativos estão isentas do imposto sobre a renda devido pela pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 17. As entidades fechadas de previdência complementar estão isentas do imposto sobre a renda devido pela pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.315, de 3 de janeiro de 2013) Parágrafo único. O disposto no caput aplica-se às entidades abertas sem fins lucrativos em relação ao imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.315, de 3 de janeiro de 2013) Embora a presente autuação refira-se aos anos-calendário de 2004 e 2005, e a IN 585/2005 tenha sido editada somente em dezembro de 2005, a ciência do lançamento somente se deu em 2008. Nesse cenário, não se pode deixar de levar em consideração que o contribuinte pode ter sido influenciado pela erronia na redação da instrução normativa em tela. Nesse cenário, em homenagem ao princípio da boa-fé, e com escopo no disposto no art. 100, parágrafo único, do CTN, entendo que se deva exonerar a exigência de multa e juros constituída, mantendo-se única e exclusivamente o valor da CSLL lançada. (grifos e destaques não constam do original) Fl. 1178DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-003.621 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.720010/2010-18 No meu entender, são irretocáveis as conclusões do ilustre conselheiro Fernando Brasil e se amoldam integralmente ao presente processo, no qual se exigem as contribuições dos anos-calendário 2007 e 2008, quando estava em vigor a redação original do art. 17 da IN.SRF nº 585/2005. Com efeito, o art. 100, parágrafo único do CTN, dispõe, verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. No presente caso, a disposição da instrução normativa, conquanto colida com o disposto na lei, indica que a interessada estaria isenta da contribuição, situação que só veio a ser corrigida no ano de 2013, por meio da IN.RFB nº 1315. Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos, com efeitos infringentes, para suprir a omissão apontada e, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a cobrança de multa e juros de mora sobre os créditos de CSLL constituídos no lançamento. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias No presente processo, como se depreende do Auto de Infração de fls. 664 e seguintes, foram constituídos, em face do Recorrente, créditos tributários de CSSL, como restou demonstrado pelo ilustre relator, em especial no voto consubstanciado no acórdão de nº 1302- 003.231 (fls. 1025/1032). Fl. 1179DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-003.621 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.720010/2010-18 Contudo, este Conselheiro, desde o julgamento do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, tem se manifestado pela necessidade de conversão em diligência do feito, uma vez que, a princípio, foi reconhecida, quando ainda não encerrada a discussão do presente processo, a imunidade do Recorrente, por ter lhe sido deferido o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Desta feita, como o reconhecimento da imunidade retira, em última análise, a competência do ente federado – no caso a União Federal - para cobrar a CSSL (artigo 195, § 7º da Constituição Federal de 1988), não haveria motivos para que o lançamento do crédito tributário em questão fosse mantido no âmbito administrativo, forçando o contribuinte a ingressar no Poder Judiciário com, por exemplo, uma ação anulatória, que teria decisão certa: cancelamento do crédito tributário em discussão. Assim, desde o julgamento daquele Recurso Voluntário, entendeu, este Conselheiro, que os autos fossem baixados em diligência, para que fosse verificada a condição do contribuinte à época dos fatos geradores em questão, já que o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento sumulado no sentido de que a concessão do CEBAS tem efeitos declaratórios, retroagindo à data em que os requisitos estabelecidos em lei estivessem cumpridos. Este é o teor do verbete da Súmula 612. Confira-se: Súmula 612 - O certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. Em que pese o equívoco do contribuinte de não ter juntado o comprovante da concessão daquele certificado nos autos de forma correta (o comprovante foi apresentado junto com os memoriais de julgamento), este Conselheiro tem a convicção de que a concessão da imunidade trata-se de matéria de ordem pública e, por isso, poderia (ou deveria) ser reconhecida de ofício pelos julgadores administrativos, independentemente do momento e da forma em que esta matéria foi noticiada nos autos. O Superior Tribunal de Justiça, inclusive, tem posicionamento consolidado na mesma linha, ou seja, no sentido de que a imunidade é matéria de ordem pública. Veja-se, como exemplo, os seguintes julgados, que tratam das possibilidades de apresentação da exceção de pré-executividade: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. POSSIBILIDADE. PARTICULARIDADES DO CASO QUE APONTAM NO SENTIDO DA NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. REVOLVIMENTO DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Quanto à aplicação da Lei nº 8742/93 e do Decreto nº 2536/98, vê-se que tal questão não foi levantada no recurso especial, tratando-se, portanto, de inovação recursal. Fl. 1180DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-003.621 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.720010/2010-18 2. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de ser cabível a exceção de pré-executividade para discutir matérias de ordem pública na execução fiscal, tais como as condições da ação, verificáveis, de plano, pelo juiz. 3. O rol das matérias suscitáveis por meio da exceção de pré-executividade tem sido ampliado por força da jurisprudência mais recente, admitindo-se a argüição de imunidade desde que não demande dilação probatória. 4. No presente caso, à vista das declarações constantes do voto colhido no acórdão do Tribunal de origem, verifica-se que a conclusão adotada foi no sentido de que a análise da imunidade alegada demandaria dilação probatória. Assim, não é possível a esta Corte revolver o contexto fático-probatório dos autos para infirmar o acórdão proferido na origem, o qual reputou por descabida a exceção de pré-executividade na hipótese em razão da necessidade de análise mais profunda das alegações apresentadas, visto que tal procedimento encontra óbice na orientação consagrada na Súmula n. 7/STJ. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 18.579/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 24/10/2011) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ- EXECUTIVIDADE. IPTU. IMUNIDADE. POSSIBILIDADE. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. 1. A recorrente demonstra mero inconformismo em seu agravo regimental que não se mostra capaz de alterar os fundamentos da decisão agravada. 2. A exceção de pré-executividade é cabível para discutir matérias de ordem pública na execução fiscal, tais como as condições da ação, verificáveis, de plano, pelo juiz. 3. O rol das matérias suscitáveis por meio da exceção de pré-executividade tem sido ampliado por força da jurisprudência mais recente, admitindo-se a argüição de imunidade desde que não demande dilação probatória. 4. "A imunidade tributária, comprovada de plano, pode ser suscitada em exceção de pré-executividade, por não exigir para a verificação do direito do executado a dilação probatória" (REsp 909.886/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 1.12.2008). 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 764.072/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/04/2009, DJe 15/05/2009) Fl. 1181DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-003.621 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.720010/2010-18 Não custa lembrar que o Superior Tribunal de Justiça também tem entendimento quanto a importância das matérias de ordem pública para o saneamento processual e a composição satisfatória da lide, tendo consolidado a tese de que a sua tratativa, mesmo quando não suscitada pelas partes, não configura julgamento extra-petita. Veja-se: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ALTERAÇÃO JUROS MORATÓRIOS FIXADOS NA SENTENÇA. JULGAMENTO EXTRA PETITA. REFORMATIO IN PEJUS. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRECEDENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO NOS MOLDES DO ARTIGO 541 DO CPC. NECESSIDADE. AFRONTA A SÚMULA. CONCEITO DE LEI FEDERAL. INADEQUAÇÃO. 1. Por se tratar de matéria de ordem pública previsto no art. 293 do CPC, pode o Tribunal alterar o percentual de juros moratórios impostos na sentença, ainda que inexista recurso da parte com esse objetivo, sem que se constitua em julgamento extra-petita ou infringência ao princípio do non reformatio in pejus. Precedentes. 2. A alegação de divergência jurisprudencial entre acórdão recorrido e súmula não dispensa as formalidades exigidas pelo art. 541. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 1144272/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 30/06/2010) Assim, nos julgamento em âmbito administrativo, deve-se reconhecer a natureza extraordinária das matérias de ordem pública, que, por assumirem uma tônica de especial interesse para toda a sociedade, podem ser alegadas e apreciadas, inclusive de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, não estando sujeitas ao manto impeditivo da preclusão 1 . Portanto, independentemente da forma em que foi noticiada nos autos a concessão da imunidade, entende-se que os julgadores poderiam (e deveriam) ter apreciado aquela concessão e, se fosse o caso, afastado a cobrança da CSSL, já em âmbito administrativo, sem que houvesse a necessidade de se movimentar a máquina do Poder Judiciário, já tão assoberbada por inúmeros processos em andamento. Há que se ressaltar que a lide no processo administrativo é diferente da judicial, na medida em que o próprio Poder Executivo revisa os seus atos. Assim, a dilação probatória, expressamente mencionada pelo Superior Tribunal de Justiça nos julgados colacionados alhures, deve ser vista com temperamentos, já que tratavam-se de casos de exceção de pré-executividade, que tem limites processuais específicos. 1 Este Conselheiro, em artigo publicado em coautoria com Danilo Maciel de Castro, tem o entendimento, inclusive, que, no caso de intempestividade da Impugnação ou Recurso Voluntário, as matérias de ordem pública podem e devem ser conhecidas pela instância julgadora. Veja-se, neste sentido, "A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na hipótese de impugnação ou recurso intempestivo e as questões que poderiam ser conhecidas de ofício", in Processo administrativo tributário. Belo Horizonte: Editora D'Plácido, 2018. Fl. 1182DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-003.621 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.720010/2010-18 Por este motivo que a proposta deste Conselheiro foi em baixar os autos em diligência, para que restasse averiguada a data a partir do qual o contribuinte faria jus à imunidade que foi reconhecida pelo Poder Público. E este entendimento não pode ser alterado neste momento, mesmo se tratando de julgamento de Embargos de Declaração. É que, em que pese a omissão arguida pelo Recorrente não ter sido acatada no despacho de admissibilidade daqueles ED’s (fls. 1144 a 1148), a questão de ordem pública (concessão da imunidade) não se alterou. Assim, não haveria óbices para que essa fosse reconhecida e apreciada pelo julgadores integrantes desta Turma de Julgamento Administrativo. Portanto, no presente caso, com todas as vênias e respeito aos demais conselheiros, diverge-se frontalmente do colegiado, votando-se, mais uma vez, pela conversão em julgamento em diligência, para que se possa verificar desde quando a imunidade irradia seus efeitos e, assim, se possa decidir quanto à manutenção ou não da cobrança dos créditos tributários da CSLL, que foram constituídos via Auto de Infração. (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 1183DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.901496/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/10/2005
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO.
No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.953
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/10/2005 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-12T15:07:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-12T15:07:36Z; Last-Modified: 2019-07-12T15:07:36Z; dcterms:modified: 2019-07-12T15:07:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-12T15:07:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-12T15:07:36Z; meta:save-date: 2019-07-12T15:07:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-12T15:07:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-12T15:07:36Z; created: 2019-07-12T15:07:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-07-12T15:07:36Z; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-12T15:07:36Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13227.901496/2012-70 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-006.953 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente LATICINIOS CEREJEIRAS MULTIBOM LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/10/2005 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 14 96 /2 01 2- 70 Fl. 68DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.953 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901496/2012-70 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, transmitido por meio de PER/Dcomp. A DRF de origem indeferiu o pedido, por meio do despacho decisório eletrônico, no qual aponta-se que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito do contribuinte. Devidamente cientificado, o recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade para alegar que teria refeito a apuração do PIS e a Cofins, tendo percebido que teria deixado de apropriar créditos autorizados em lei: Alega que a empresa, adquiriu insumos para revenda com incidência de PIS e Cofins, e promoveu a saída do produtos sujeitos à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins, mas, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das mesmas contribuições que lhe são autorizados conforme determinação do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente para PIS e Cofins, de forma que o registro destes créditos em DACON retifícadora resultou em pagamento indevido ou a maior de PIS e Cofins. Teria retificado o Dacon, mas não a DCTF, com o intuito de evidenciar o valor do pagamento efetuado, quando houvesse o cruzamento dos valores das duas declarações. Concluiu, para requerer a reforma do despacho decisório, com reconhecimento integral do direito creditório. A unidade de origem suscitou a intempestividade da manifestação de inconformidade. Contudo, como o dia 24/12/2012 não seria dia de expediente normal, para a contagem do prazo, a data da ciência deveria constar como 26/12/2012. Deste modo, a manifestação foi considerada tempestiva. Por seu turno, a DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade pelo fato de não haver identificado qualquer documentação contábil que provasse o alegado. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando o direito ao crédito, contudo deixou de juntar qualquer documento que pudesse comprovar o alegado. Fl. 69DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.953 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901496/2012-70 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.936, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13227.901478/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.936): Trata-se de pedido de compensação de créditos tributários desacompanhado de documentos contábeis que sirvam de prova para as alegações. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento contábil ou nota fiscal que pudesse provar ou ao menos trouxesse indícios da veracidade dos argumentos nela trazidos. O Recurso Voluntário também veio desacompanhado de qualquer documento. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. O Recurso Voluntário limitou-se a afirmar que o recolhimento a maior teria decorrido de um "equívoco contábil", elaborando uma planilha das diferenças sem, todavia, provar as alegações. Assim, pelo fato da Recorrente não haver se desincumbido do ônus de produzir em momento oportuno as provas do direito creditório alegado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Isto porque no processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido, sendo que o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 70DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.953 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901496/2012-70 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.726414/2018-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. NÃO CABIMENTO.
É incabível a aplicação de multa qualificada, com percentual de 150%, quando não restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo, em especial nos casos de planejamento tributário acerca do qual haja divergência na doutrina e na jurisprudência.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Aplicação da Súmula CARF 108. - Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1301-003.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em relação à parte que lhe foi devolvida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para 75%, vencidos o Conselheiro Nelso Kichel e a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite que votaram por lhe negar provimento. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. NÃO CABIMENTO. É incabível a aplicação de multa qualificada, com percentual de 150%, quando não restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo, em especial nos casos de planejamento tributário acerca do qual haja divergência na doutrina e na jurisprudência. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Operase a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Aplicação da Súmula CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 64 14 /2 01 8- 81 Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.561 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Fl. 2561DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.562 3 Relatório EMS S/A., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP1, que, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, para reduzir a multa de ofício de 150% para 75%, exclusivamente sobre os tributos incidentes sobre a receita omitida decorrente do contrato de prestação de serviços bancários. Tratamse de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos períodos relativos aos anoscalendários de outubro 2007 a maio de 2010, com aplicação de multa qualificada e multa isolada de IRPJ e CSLL, decorrente da dedução de amortização de ágio na aquisição de investimentos e omissão de receitas não operacional, bem como a glosa de prejuízos fiscais e bases negativas de IRPJ e CSLL. Conforme relatório da decisão recorrida e TVF de fls. 730/776, as razões do lançamento foram: Do Lançamento 1 A autoridade fiscal inicia por discorrer sobre estruturação das empresas EMS S/A. e EMS Investimentos S/A., como a seguir sintetizo para conhecimento dos meus pares: 1.1 A empresa EMS S/A. (“EMS”), sociedade por ações de capital fechado, iniciou suas atividades em 17/12/2002, tendo por sócios Carlos Eduardo Sanchez e Nanci Sanchez. 1.2 Em 04/05/2004 foi constituída a empresa Sol Collection Assessoria Empresarial Ltda. Em 15/12/2004 essa empresa foi adquirida pelas empresas Salmont Empreendimentos e Participações Ltda., através de seu sócio Carlos Eduardo Sanchez e Saltriver Empreendimentos e Participações Ltda., através de sua sócia Nanci Sanchez, tendo sido alterado sua razão social para EMS Investimentos S/A. (EMS Investimentos), e seu objeto para holdings de instituições não financeiras. Suas atividades foram encerradas em 13 de setembro de 2005, por ter sido incorporada pela EMS S/A. (durou aproximadamente oito meses). 1.4 As fichas cadastrais da JUCESP informam que Carlos Eduardo Sanchez e Nanci Sanchez figuraram como diretores nas duas empresas, EMS S/A. e EMS Investimentos, nos períodos de 2004 e 2005. 1.5 A EMS Investimentos S/A. aprovou, em assembléia geral extraordinária realizada em 29 de dezembro de 2004 (fls. 233/236), a incorporação da totalidade das ações da EMS S/A. pelo valor de R$ 926.642.000,00, fixado com base num potencial de lucratividade futura (metodologia de fluxo de caixa futuro descontado), segundo valores de mercado em 30 de novembro de 2004, conforme laudo elaborado por empresa de consultoria (fls. 168/228); 1.6 Incorporadas as ações da EMS S/A., a EMS Investimentos S/A teve seu patrimônio aumentado em R$ 926.642.000,00, mediante a emissão de 140.000.000 novas ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal, ao preço de emissão total de R$ 926.642.000,00, sendo R$ 140.000.000,00 o valor do aumento do capital e R$ 786.642.000,00 o valor da Reserva de Capital — Ágio na emissão de ações decorrente da incorporação das ações da EMS pelo valor de mercado, conferindose aos acionistas novas ações ordinárias nominativas e sem valor nominal, sendo que uma ação da EMS passou a corresponder a sete ações da EMS Investimentos, Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.563 4 ficando assim distribuídas: Carlos Eduardo Sanchez — recebeu sete novas ações, Nanci Sanchez — recebeu sete novas ações e EMS Sigma Pharma Participações S/A. – recebeu 139.999.986 ações; 1.7A contribuinte apresentou o Razão de novembro/2004 e o Livro Diário n° 2 de 2005 da EMS Investimentos S/A., constando naquele os registros nas contas de investimento na EMS S/A. (R$ 145.281.215,03) e, do ágio correspondente (R$ 781.360.784,97), embora o investimento na EMS tenha sido efetuado apenas em dezembro/2004, como atestam a Ata da Assembléia Geral, de 15 de dezembro de 2004, em que ocorreu a compra da empresa Sol Collection e a sua transformação na EMS Investimentos S/A. (fl. 93), e a Ata da Assembléia Geral Extraordinária da EMS Investimentos S/A., de 29 de dezembro de 2004 (fls. 233 a 236); 1.8 A empresa não apresentou quaisquer motivos ou benefícios sobre a constituição da EMS Investimentos S/A., apresentando praticamente zerados todos os campos das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ da EMS Investimentos S/A., de 2004 e 2005 (fls. 529 a 571), registrando apenas as movimentações relativas à participação societária da EMS S/A., demonstrando a ausência de operações e empregados; 1.9 O ágio registrado quando da incorporação de ações da EMS não foi pago, conforme se observa da contabilização desse ágio na EMS Investimentos S/A: 1.10 Em julho de 2005, com a incorporação da controladora EMS Investimentos S/A. pela então controlada EMS S/A., o referido ágio passou a ser amortizado por esta; 1.11 A EMS S/A. informou, na linha 47 — Demais Aplicações em Despesas Amortizáveis, no Ativo (ficha 36A) da DIPJ 2006, ano calendário 2005, o valor de R$788.477.711,19 (superior ao ágio surgido na incorporação, de R$ 781.360.784,97), tendo explicado que esse valor se tratava de ágio na incorporação da EMS Investimentos e que essa contabilização se dera de acordo com o inc. II, do art. 385 do RIR/99 (fls. 13 e 14); 1.12. Pelos registros dos Razões apresentados e juntados às fls. 122 a 126, as seguintes contas do ativo diferido compuseram o valor informado na DIPJ/2006: 1.13 Depois de analisar as respostas dadas a intimações para explicar inconsistência nos valores informados em suas DIPJ’s, concluiuse que os reais valores referentes à amortização do ágio foram os seguintes: Fl. 2563DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.564 5 1.14 Quanto à incorporação da EMS Investimentos S/A. pela EMS S/A., foram observados os seguintes aspectos Ø O valor total do Patrimônio Líquido da sociedade é de R$1.143.389.474,00; Ø Em razão de ser a EMS Investimentos detentora da totalidade das ações da EMS, a incorporação acarretou aumento de capital da EMS, sem emissão de novas ações, no valor de R$ 3.360,61; Ø O valor do Patrimônio Líquido da EMS Investimentos a ser vertido para EMS representou R$ 781.364.145,58, tendo sido deliberada a constituição de Reserva de Capital de Ágio na incorporação pelo valor de R$ 781.360.784,97; Ø Acionistas: EMS Sigma Pharma Participações S/A. (19.999.284 ações), Saltmont Empreendimentos e Participações Ltda. (500 ações), Saltriver Empreendimentos e Participações Ltda. (214 ações), Carlos Eduardo Sanchez (01 ação), Nanci Sanchez (01 ação). 1.15 Embora a possibilidade de amortização do ágio antes de ocorrida a alienação ou liquidação do investimento caracterize beneficio fiscal outorgado pela Lei n° 9.532/97, ele se aplica às hipóteses reais de aquisição de investimento com ágio, não àquelas em que tenha havido uma artificial estruturação para possibilitar o aparecimento do ágio a ser amortizado em futura incorporação, com o único objetivo de criar despesas dedutíveis; 1.16 A incorporação às avessas demanda uma razão específica relevante que afaste a estranheza da operação e que mostre sua perfeita adequação à realidade fática, sendo que a contribuinte não apresentou razões para as operações societárias que não fossem a evidente finalidade de reduzir o montante de tributos devidos; 1.17 A EMS Investimentos S/A. foi introduzida ao grupo econômico para servir de veículo para "adquirir" a EMS S/A. — empresa operacional — pela incorporação da totalidade de suas ações, gerando um ágio de R$ 781.360.784,97, para, na seqüência, ser incorporada pela sua subsidiária (EMS S/A.), transmitindolhe o ágio e as suas próprias quotas, sendo que não houve qualquer saída de caixa (pagamento) nessa operação da qual se originou o ágio; 1.19 O surgimento de ágio com fundamento em potencial lucratividade futura, numa operação "não caixa", entre empresas do mesmo grupo, é rejeitado pela jurisprudência, pelo Conselho Federal de Contabilidade (Resolução nº 1.157/2009), pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – Ibracon, não podendo sua amortização, a luz da legislação contábil e tributária, reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; 2 Em seguida, a autoridade fiscal aponta que o contribuinte também omitiu a obtenção de receita pela cessão do direito de processamento da sua folha de pagamentos de salários, com exclusividade, ao Banco Santander por um período de 5 anos, no valor de R$6.830.585,38, sendo que, ao ser intimada em 02/09/2010 a apresentar o correspondente contrato (fls. 392 e 393) apresentou "Termo de Parceria Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.565 6 Comercial" (fls. 409 a 417), lavrado em 21 de setembro de 2010, configurando contrato pósdatado e em plena vigência da fiscalização, para justificar o mencionado valor incluso na linha 22, ficha 37A, Passivo, da DIPJ/2009AC 2008 "outras contas"; 3 A autoridade fiscal aponta que, em conseqüência das infrações apuradas, o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL apurados originalmente para o ano calendário 2008, converteramse em valores positivos (R$ 103.874.696,75), restando indevidas as compensações, com sua utilização, dos resultados positivos apurados pelo sujeito passivo no ano calendário de 2009 e em maio de 2010; 4 O autuante apontou os seguintes procedimentos como enquadrados na hipótese de fraude prevista no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964: o registro de ágio gerado internamente, sem propósito negocial, sem pagamento, utilização de empresa veículo, com o exclusivo propósito de reduzir os tributos devidos, e o contrato com o Banco Santander, pósdatado, lavrado quando já se encontrava sob ação fiscal, e qualificou a multa, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996; 5 Em razão da adição da receita omitida oriunda do contrato com o Banco Santander às bases de cálculo das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, verificouse um recolhimento a menor dessas antecipações no período, fundamentando a aplicação da multa isolada de 50% sobre os valores das diferenças apuradas. Da Impugnação Inconformada, com a autuação, a Interessada apresentou impugnação tempestiva, acompanhada dos documentos de efls. 866 e ss, alegando em síntese o seguinte: Quanto à reorganização societária da qual se originou o ágio, explicou, em síntese, o seguinte: O Grupo EMS, líder do setor de medicamentos genéricos no Brasil, e cujo planejamento estratégico desenvolvido passava pela necessidade de investimento na aquisição de outras empresas do setor no Brasil e no exterior, foi convidado a desenvolver o mesmo negócio no mercado europeu, em especial em Portugal, onde o Governo demonstrou interesse em implementar uma legislação semelhante à lei brasileira (Lei n° 9.787/99), que culminou com o DecretoLei n.° 242/2000 em Portugal; Neste sentido, em 24 de maio de 2004, a EMS S/A. e a GERMED FARMACÊUTICA LDA., pessoa jurídica de direito internacional, com sede em Portugal, firmaram um Memorando de Entendimentos (DOC.06), com vistas a detalhar as negociações e trocas de informações para a elaboração dos termos de um contrato definitivo para a determinação de suas respectivas responsabilidades, participações e obrigações no Projeto de Fabricação e Distribuição de Medicamentos; Considerando o bom resultado das negociações entre as partes e identificado o interesse mútuo, resolveram formar uma Joint Venture, em 05 de julho de 2004 (DOC. 08 e 08A), com a finalidade de fabricar e distribuir no território português medicamentos, cujos registros e marcas são de propriedade da EMS; A perspectiva de constituir a 'joint venture' com a empresa portuguesa GERMED passava pela estratégia adotada de, previamente, avaliar as duas empresas pelo valor de mercado; A constituição da Joint Venture culminou com a troca de participação acionária nas empresas EMS S/A. e GERMED, transferindose 9% (nove por cento) das ações da GERMED para o Grupo EMS e, 1% (um por cento) das ações da EMS S/A., para a GERMED, sendo que a razão de 9 para 1 se deveu à avaliação das duas empresas pelo valor de mercado (Laudos Anexos emitidos pela PROINVEST Consultores Fl. 2565DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.566 7 Associados S/C Ltda. (DOC.09), e pela GEPICONSULT Gabinete de Estudos, Investimentos e Consultoria LDA (DOC.10); Assim, a constituição da EMS Investimentos S/A. foi uma das etapas do processo de Joint Venture, objetivando a valoração a mercado das ações da EMS S/A., e a conseqüente formalização da Joint Venture entre a EMS e a GERMED; Ao ser realizada a avaliação das ações da EMS S/A., conforme Laudo de Avaliação a Valor de Mercado emitido pela empresa PROINVEST Consultores Associados S/C Ltda. (fls. 168 a 228), a EMS Investimentos S/A. recebeu a integralidade das ações que compunham o capital da EMS S/A., através do instituto jurídico da incorporação de ações (art. 252 da Lei das S/A), momento em que a EMS Investimentos S/A. foi obrigada a reconhecer, contabilmente, os efeitos da operação, observado, em especial, o disposto no art.385 do RIR/99 (desdobramento do custo de aquisição); Aduziu não haver, no TVF, qualquer menção a irregularidades no Laudo de Avaliação, ou até mesmo na forma de contabilização e reconhecimento do ágio decorrente da operação prevista na lei societária de incorporação de ações, onde a EMS S/A. teve a totalidade de suas ações, a valor de mercado, incorporadas ao patrimônio da EMS Investimentos S/A. Neste momento a EMS S/A. passou a ser subsidiária integral da EMS Investimentos S/A., e a contabilização do Investimento no Ativo Permanente da EMS Investimentos S/A. foi: Investimento em 100% das ações da EMS S/A. R$ 145.281.215,03 Ágio decorrente de Rentabilidade Futura R$ 781.360.784,97 Asseverou que, de acordo com o Protocolo e Justificação da operação de incorporação da EMS Investimentos S/A. pela EMS S/A. (fls. 133 a 135), está claro que um dos propósitos da operação seria a transferência do ágio da incorporada para a incorporadora (item 42 do TVF), procedimento este devidamente amparado pela legislação societária e tributária; Ponderou que o então Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como a Câmara Superior de Recursos Fiscais, através de vários acórdãos endossam o entendimento de que é lícito ao contribuinte estruturar os negócios mediante fórmulas lícitas, que atendam a propósitos negociais que resultem em menor carga tributária, sendo que nos Acórdãos 10184.191, de 14.10.92, e 10195.028, de 16.06.2005, foi reconhecida a dedutibilidade de amortização de ágio, com fundamentação econômica baseada na rentabilidade futura do investimento, mesmo quando se trate de operações realizadas entre empresas ligadas entre si; Alegou que não haveria propósito negocial mais autêntico e legítimo para justificar a JOINT VENTURE com a empresa portuguesa GERMED do que o desenvolvimento dos negócios da EMS no Brasil e no exterior, bem como a reestruturação societária do Grupo EMS, nos moldes como foi desenvolvida, conforme relatado; Informou que o objetivo negocial e empresarial foi plenamente alcançado com a efetiva realização da operação planejada, bastando algumas poucas referências para se ter idéia do desenvolvimento extraordinário que tiveram as empresas do Grupo EMS, tais como: a) a EMS S/A. vem revezandose, nos últimos anos, como líder no mercado de medicamentos genéricos no Brasil (DOC. 12); b) a GERMED integrouse em definitivo como acionista da EMS S/A., conforme ato societário já acostado; c) a EMS Participações S/A., atual controladora da EMS S/A., integrouse em definitivo como acionista da GERMED em Portugal (DOC.13); d) Conforme farta documentação anexa, houve publicação, pela imprensa nacional, dos movimentos do Grupo EMS e suas aquisições e parcerias no mercado europeu, o que demonstra que a decisão empresarial tomada, foi profundamente acertada, trazendo resultados concretos para a EMS; Fl. 2566DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.567 8 Refutou a exasperação da multa, alegando que ela só tem sentido nos casos de documentos ideologicamente falsos, materialmente falsos ou adulterados, o que não ocorreu e, mesmo que se entendesse indedutível a amortização do ágio, não estaria pervertido de falsidade ou ocultação de informações. Ressaltou que todos os elementos da operação foram exibidos ao auditor fiscal, não se escondendo do Fisco, nem do público em geral, quaisquer informações, uma vez que a operação foi registrada na Junta Comercial, seus resultados foram declarados nas DIPJ, seus números informados no Balanço da Impugnante devidamente publicado no Diário Oficial, afastandose a suspeita de que a amortização do ágio tenha sido planejada e executada com o intuito de prejudicar terceiros, pois se assim o fosse, a operação haveria de ter sido camuflada; A título de argumentação, afirma que o máximo que se poderia admitir é o cometimento de algum "erro" de interpretação quanto à dedutibilidade do ágio, mas jamais "dolo"; Afirmou que, no caso em tela, nem a lei, nem outra razão qualquer proibiam ou inviabilizavam a amortização do ágio, nem mesmo a incorporação da EMS Investimentos S/A., de tal forma que se tornasse necessário ou conveniente dissimular a operação; Lembrou ser praticamente unânime a Doutrina, nacional e estrangeira, e abundante a Jurisprudência, no entendimento de que é lícito ao contribuinte escolher, no planejamento de seus negócios e do seu patrimônio, o caminho que lhe proporcione menor ônus fiscal; Disse ter efetuado seus movimentos societários observando Opinião Legal formulada pelo escritório de advocacia ARAÚJO FONTES Advocacia e Consultoria Empresarial (DOC. 15), com base nas discussões com o escritório BRAGA & MARAFON CONSULTORES JURÍDICOS E ADVOGADOS, que culminaram com a emissão a posteriori do parecer deste último (DOC.16), bem como no projeto de estruturação da Joint Venture formulado por Szymonowicz Oliveira & Associados Advocacia e Consultoria Empresarial (DOC.17); Postulou pela impossibilidade de manter as multas isoladas relativas às estimativas do IRPJ e da CSLL, caso mantida a infração de omissão de receitas decorrente do "Termo de Parceria" firmado entre a Impugnante e o Banco Santander, alegando que haveria sobreposição com a multa incidente sobre os mesmos tributos apurados anualmente, configurando confisco. Estendeu aos lançamentos da CSLL, do PIS e da Cofins os argumentos apresentados para o IRPJ, por decorrerem dos mesmos elementos de provas constantes do lançamento do imposto de renda pessoa jurídica. Da decisão da DRJ Em julgamento realizado em 27 de abril de 2011, a 1ª Turma da DRJ/SP1, rejeitou a arguição de decadência e considerou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1631.189, (efls. 1248 e ss), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Fl. 2567DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.568 9 O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. A contagem do prazo decadencial em desfavor do Fisco, na hipótese de existência de pagamento antecipado, ainda que parcial, iniciase a partir da data da ocorrência do fato gerador, conforme preceito contido no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo na ocorrência de dolo, fraude, simulação ou de inexistência de pagamento antecipado, situação em que o marco inicial é deslocado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I do Codex. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A operação consistente em constituir pessoa jurídica desprovida de atividade operacional, por breve período de tempo, sem propósito negocial justificado a não ser o de servir de veículo para a geração de ágio e sua posterior transferência para àquela que lhe deu causa, caracteriza fraude, qualificando a conduta infracional e motivando o agravamento da multa de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. EMPRESAS DO MESMO GRUPO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ÁGIO. RENTABILIDADE FUTURA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO. O registro do custo de incorporação de ações de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico da incorporadora deve ser feito pelo valor do patrimônio líquido, sendo vedado o reconhecimento de ágio com base em rentabilidade futura nessa operação, por faltar, à luz da Teoria da Contabilidade, a necessária independência entre as partes envolvidas. INCORPORAÇÃO PATRIMONIAL ÀS AVESSAS. EMPRESA CONTROLADA INCORPORANDO A EMPRESA CONTROLADORA. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO FORMADO POR INCORPORAÇÃO DE AÇÕES DE OUTRA EMPRESA DO MESMO GRUPO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Na operação de incorporação às avessas, na qual a controlada incorpora a sua controladora, o ágio registrado na contabilidade desta, decorrente de anterior incorporação de ações de outra empresa do mesmo grupo econômico e que é absorvido pela controlada, não será reconhecido como ativo diferido, nem sua amortização será dedutível para fins fiscais, por faltar os pressupostos contábeis para qualificar tal valor como ágio. Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.569 10 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. FATOS IMPONÍVEIS DISTINTOS. É cabível a aplicação da multa isolada decorrente da falta de pagamento das estimativas mensais concomitantemente com a multa proporcional referentes ao IRPJ devido e não pago ao final do período de apuração anual, haja vista cuidarem as respectivas hipóteses de incidência de situações distintas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário (efls. 5808 e ss), onde sustenta os argumentos apresentados em sede de impugnação, principalmente nos seguintes tópicos: Nas preliminares, inicia por discorrer sobre as reestruturações societárias, falando das principais operações ocorridas (que chama de “fotografias”), para transmitir o que chama de “filme completo”, que corresponderia à reestruturação realizada, tudo para demonstrar a existência de propósito negocial, conforme doutrina de Greco. Diz ser imprescindível analisar a totalidade das operações realizadas pelo Grupo EMS (Grupo) ao longo dos anos de 2004 a 2007, que visavam, ao final, a valorização das ações da Recorrente, que foram posteriormente permutadas, a valor de mercado, por ações da Germed Farmacêutica Lda (Germed), sociedade estabelecida em Portugal, favorecendo, dessa forma, o ingresso do Grupo no competitivo mercado de medicamentos europeu. Organiza a cronologia dos fatos em sete momentos, descrevendo os correspondentes eventos a seguir resumidos: i) 04/05/2004: Constituída a empresa Sol Collection Assessoria Empresarial Ltda, que teve sua denominação social alterada para EMS Investimentos S/A. em 15/12/2004. Destaca que, ao contrário do que afirmou a Fiscalização, a EMS Investimentos não foi constituída em 15/12/2004; ii) 24/05/2004: A EMS S/A., por intermédio de sua controladora (EMS Sigma Pharma Participações S/A. EMS Participações) firma com a Germed um “Memorando de Entendimentos”, com a proposta de criação de uma Joint Venture para “a fabricação e distribuição dos produtos do Anexo I, no território de Portugal e demais países da União Européia, cujo registro e marca são de propriedade da EMS...”(fls. 98 a 101 dos autos). iii) 05/07/2005: A EMS Participações, na qualidade de sócia controladora da Recorrente, e a Germed, constituem uma Joint Venture (fls. 102 a 113 dos autos). A contribuição inicial das empresas (99% por parte da EMS Participações e 1% para a Germed) seria realizada mediante permuta de ações de suas controladoras (fls. 114 a 117 dos autos), observado o valor de mercado das respectivas ações e a respectiva participação indicada, sem qualquer prazo definido no contrato. (iv) 29/12/2994: A EMS Investimentos, em Assembléia Geral Extraordinária aprova a incorporação da totalidade das ações da Recorrente (EMS S/A.), originalmente de propriedade da EMS Participações (controladora integral), para convertêla em subsidiária integral, bem como aprova o laudo de avaliação das ações da recorrente (R$926.642.200,00). Fl. 2569DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.570 11 Como decorrência, o patrimônio da EMS Investimentos foi aumentado em R$ 926.642.200,00, sendo R$ 140.000.000,00 o aumento de capital e R$ 786.642.000,00 o valor da Reserva de Capital – Ágio na emissão de ações. (v) 25/07/2005: Realizada Reunião de Diretoria da Recorrente, na qual foi apreciada a “Proposta de Justificativa de incorporação da EMS Investimentos”, em decorrência de “um amplo processo de reestruturação societária, que tem como empresa mais importante a própria EMS, Objetivase com essa operação: (i) a maximização de sinergias operacionais; (ii) redução de custos administrativos na incorporada; (iii) maior transparência ao mercado, mediante a implantação de uma estrutura societária e de capital mais eficiente.” (vi) 25/07/2005: Realizada AGE que aprova a proposta de incorporação, sendo a EMS Investimentos incorporada pela recorrente, que passou a registrar no seu ativo permanente o ágio apurado. (vii) 23/07/2007; Celebrado contrato de permuta de ações entre EMS Participações e Germed pelo qual são permutadas 200.000 ações nominativas, sem valor nominal, da EMS S/A. (a Recorrente) por uma quota da Germed, após ambas as empresas terem sido regularmente avaliadas por empresas especializadas, de acordo com os laudos a valor de mercado (fls. 114 a 117 dos autos). Quanto ao mérito, inicia por delimitar a aplicação da Ciência Contábil pelo Direito. Diz que o objeto específico da Ciência Contábil é a descrição do patrimônio de uma entidade e sua mutação no tempo, e que o Direito juridiciza os conceitos estabelecidos por essa ciência para criação de normas jurídicas que regulamentam os interesses dos diversos usuários. Discorre sobre a divisão do Direito Contábil nos subramos Direito Contábil Societário e Direito Contábil Fiscal. Faz referência ao art. 177 da Lei nº 6.404/76, para indicar que a proximidade do Direito Contábil Societário com a Ciência Contábil, os quais não se confundem. Destaca que, embora o Decretolei nº 1.598/77 tenha purificado a contabilidade societária dos efeitos da contabilidade fiscal, com a criação do LALUR, a legislação tributária continuou influenciando a elaboração das demonstrações contábeis no Brasil. Aduz que, embora haja muitos pontos de intersecção entre Ciência Contábil, Direito Contábil Societário e Direito Contábil Fiscal, como reconheceu a Turma Julgadora, isso não permite concluir que todas as regras são coincidentes, diferentemente do afirmado pela decisão recorrida. Alega que, tendo restado demonstrada, nos termos dos pareceres em questão, a legalidade do ágio gerado na operação de incorporação de ações da Recorrente pela EMS Investimentos, face à ausência de norma proibitiva, deve ser reformada a decisão recorrida. No segundo tópico de suas razões de mérito, discorre sobre a natureza jurídica do ágio para o Direito Contábil Societário, sobre as diversas formas de aquisição e sobre a desnecessidade do pagamento para a aquisição de bens. Argumenta (i) que o ágio resulta do desmembramento, do custo de aquisição do investimento, do seu o valor avaliado pela equivalência patrimonial, (ii) que a aquisição de uma participação societária pode se dar sem a existência de pagamento, conforme a operação escolhida, (iii) que o Grupo EMS considerou adequado o negócio jurídico de incorporação de ações, o qual se assemelha a um aumento de capital com bens, apesar de resguardar algumas diferenças em relação a este instituto, (iv) que na incorporação de ações não há pagamento, pois entregase ações da incorporada e temse como contraprestação recebimento de ações da incorporadora, (v) que a própria CVM, no Ofício Circular nº 01/2007, reconhece a legalidade do ágio interno para o direito societário. Labora em demonstrar que a Decisão se equivocou ao afirmar que: (i) o custo de aquisição das ações incorporadas não poderia ser o correspondente ao capital Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.571 12 aumentado da EMS Investimentos e entregue aos titulares das ações incorporadas, uma vez que não foi validado por uma operação de mercado e (ii) o pagamento é condição para o reconhecimento do ágio. Critica a Decisão quando se reporta ao art. 299 do RIR/99 para dizer que as despesas com a amortização do ágio são indedutíveis porque não foram pagas nem incorridas, argumentando que a norma que permite a dedução, art. 386, inciso III, § 2º do RR/99, é norma especial, que se sobrepõe à norma geral. Finalmente, invoca a isonomia com o tratamento fiscal do deságio gerado em operações societárias dentro do mesmo grupo. Faz referência ao inciso IV do art. 386 do RIR/99, e diz que a Receita Federal já manifestou entendimento de que esse deságio deveria ser tributado, tendo sido objeto do Acórdão 10807.684. Argumenta que esse aspecto é comentado pelos Professores Eliseu Martins e Nelson Carvalho, nos seus pareceres dados para o presente processo. Discorre sobre a existência do propósito negocial, nas operações realizadas, para demonstrar que o real objetivo teria sido a simplificação da estrutura societária, valoração das ações e ingresso/consolidação no mercado europeu. Contesta a aplicação da multa qualificada, afirmando que seria necessário que a autoridade fiscal comprovasse, por provas diretas, e não presuntivas, que houve o intuito doloso de retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária, o que não teria ocorrido. Destaca que as operações realizadas são lícitas e foram realizadas com evidente propósito negocial, que foram devidamente registradas contabilmente, auditadas e amplamente divulgadas em suas demonstrações financeiras, bem como levadas ao conhecimento dos órgãos competentes, a Jucesp e a Receita Federal, e foram analisadas por juristas de renome, que emitiram pareceres favoráveis sobre a legalidade da dedutibilidade da despesa com amortização do ágio (escritório Araujo Fontes, Advocacia e Consultora Empresarial, fl. 1119). Diz que o procedimento adotado decorreu de interpretação da lei, e não de ato ilícito, e menciona o Acórdão CSRF nº 0202896. Contesta a adição da amortização para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, por falta de previsão legal. Quanto à segunda infração apontada (omissão de receitas relacionada com o “prêmio por preferência bancária” recebido do Banco Santander), repete as explicações dadas na impugnação, acerca do registro contábil do valor recebido como receita diferida, e, ad argumentandum, da caracterização de mera postergação. Nesse caso, invoca julgado da antiga Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, para postular a impossibilidade de aplicação da multa por lançamento de ofício. Na sequência, defende a impossibilidade de cobrança da multa isolada em razão da suposta falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, invocando jurisprudência reiterada do Conselho. Prosseguindo, requer a improcedência da glosa das compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL dos anos calendário de 2009 e 2010, pela inexistência de saldo, em razão da conversão, em positivos, dos resultados fiscais negativos do anocalendário de 2008. Diz que, provado que as operações societárias tiveram propósito negocial e que o prêmio recebido não deveria ser registrado em conta de resultado no momento da celebração do contrato de exclusividade, impõe se reverter a computação das supostas infrações no Sapli. Finalmente, contesta a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, alegando, em síntese, que esta não se enquadra no conceito de débito, conforme disposto no art. 61 da Lei n 8.981/95. Fl. 2571DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.572 13 A PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário e razões ao recurso de ofício, às fls. 6082/6141, cujos argumentos, sinteticamente são: Do Acórdão de Recurso Voluntário e de Ofício: O processo chegou ao CARF e em 09/10/2013, pelo teor do Acórdão 1301 001.299, o Colegiado decidiu da seguinte forma: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência a título de omissão de receitas do ano calendário de 2010 (R$ 569.215,45). Por maioria de votos, cancelar a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. Pelo voto de qualidade cancelar a glosa de ágio. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Do Acórdão de Recurso Especial A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando a existência de divergências jurisprudenciais, a saber: (1) impossibilidade de deducã̧o, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de despesas com amortização de ágio criado internamente; (2) qualificação da multa de ofício para 150% e; (3) incidência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Vale observar que não foi interposto recurso quanto ao tema da omissão de receitas. O recurso especial foi admitido por despacho (efls. 1.749 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 1.885 e seg.), pugnando pelo não conhecimento do recurso especial e, no mérito, sustentando a legitimidade do ágio amortizado, bem como, caso restabelecida a glosa, a impossibilidade de qualificação da multa em 150% e a exigência cumulada da multa isolada de estimativas com a multa de ofício. O contribuinte também interpôs recurso especial (efls. 1.838 e seg.), o qual, contudo, não foi admitido por despacho (efls. 2.054 e seg.; efls. 2.059 e seg.). Foram juntados aos autos pareceres jurídicos, emitidos por variados juristas, anteriores e posteriores às operações, que corroborariam à validade dos atos praticados pelo contribuinte. Assim, foi proferido Acórdão de Recurso Especial 9101003.077, cuja decisão foi a seguinte: Acordam os membros do colegiado, quanto (i) à amortizacã̧o fiscal das despesas de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Leonardo de Andrade Couto (Suplente Convocado), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.573 14 Guerra, que não conheceram do recurso, quanto à esta matéria. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; quanto (ii) à qualificaç̧ão de multa de ofício, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciacã̧o dessas e das demais questões constantes do recurso voluntário, que restaram prejudicadas pela decisão recorrida e quanto (iii) à exigência de multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em não conhecer do Recurso Especial quanto aos anos calendários de 2005 a 2006 e, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, quanto aos anos calendários de 2007 a 2010, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso, quanto à esta matéria. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões, quanto à amortizaçaõ fiscal das despesas de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra. Votou pelas conclusões, quanto à qualificação de multa de ofício, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor no conhecimento e no mérito, quanto à amortizacã̧o fiscal das despesas de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura e quanto à exigência de multa isolada, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Este acórdão restabeleceu a glosa relacionada à amortização de ágio, então canceladas, de tal forma que foi decidido pela devolução dos autos para que esta Turma analisasse as seguintes matérias que foram abordadas no Recurso Voluntário, mas não analisadas diante do seu provimento: (i) inexistência de fraude/inaplicabilidade da multa agravada; (ii) inexistência de previsão legal para a adição de despesas coma amortização de ágio considerada indedutível à base de cálculo da CSLL; (iii) ilegalidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Houve a interposição de embargos de declaração do contribuinte, que conforme despacho de fls. 2374 e ss foram rejeitados. Assim, recebi os autos por sorteio em 22/01/2019. É o relatório. Fl. 2573DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.574 15 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora Bem, conforme relatado, estes autos retornam a esta Turma, após decisão da Câmara Superior, Acórdão 9101003.077, que se reformou o Acórdão De Recurso de Ofício e Voluntário 1301000.399. De acordo com a última decisão, restabeleceuse, por voto de qualidade, que o procedimento adotado pela recorrente EMS S.A. de deduzir, ao longo dos anoscalendários de 2005 a 2010, do lucro real e da Contribuição Social despesas relacionadas à amortização de ágio não era correto. Segue excertos da decisão: No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que o ágio cujas despesas de amortização a contribuinte EMS S.A. pretende dedutíveis teve origem no momento em que a totalidade de suas ações foi incorporada pela EMS INVESTIMENTOS, empresa submetida ao controle dos mesmos sócios indiretos da contribuinte. O valor pelo qual as ações foram recebidas contemplou uma parte relacionada ao valor original do investimento (R$145.281.215,03) e o ágio quantificado com base em laudo que avaliou o valor de mercado da participação societária incorporada com fundamento na expectativa de sua rentabilidade futura (R$ 781.360.784,97). Alguns meses depois, a EMS INVESTIMENTOS foi incorporada pela contribuinte, em um processo de incorporação reversa, o que fez com que o ágio antes contabilizado na primeira empresa ingressasse no patrimônio da segunda. De posse de tal ágio, a contribuinte EMS S.A. passou a deduzir de seu lucro líquido, entre os anos de 2005 e 2010, as despesas decorrentes da sua amortização, sob o argumento de que sua situação amoldavase à previsão legal abrigada nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e nos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Ocorre que o entendimento defendido pela contribuinte não tem amparo nos mencionados dispositivos legais ou em quaisquer outros. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. A configuração do aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999 requer, como foi visto, que a pessoa jurídica que vier a absorver o patrimônio da outra em que detenha participação societária (ou a ser absorvida por ela, no caso da incorporação "às avessas") tenha acreditado na "mais valia", feito estudos de rentabilidade futura e efetivamente desembolsado os recursos para a aquisição do investimento. Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.575 16 Assim, entendeuse que tais amortizações de ágio foram criadas em operações internas e atípicas e integrantes de um planejamento tributário criado artificialmente, de tal forma que foi restabelecida a glosa. Resta agora analisar a questão da multa qualificada, aplicada em 150%. Segundo o TVF, fls. 777 e ss, estariam presentes os elementos caracterizadores da fraude e do dolo. A DRJ, de igual forma, manteve a qualificação da multa. Os atos praticados pelo Grupo EMS, como o reconhecimento contábil de um custo de aquisição inflado indevidamente, a falta de propósito negocial na incorporação de ações, a dedução indevida de despesas de amortização do ágio para fins fiscais não podem ser aceitos porque estão contaminados por uma primeira constatação, qual seja, a formação ilegítima de um valor a título de “ágio”. Podese observar, portanto, que o fundamento basilar da autuação é a constatação de que o ágio gerado é ilegítimo e ilegal. De fato, caso a EMS Investimentos S/A tivesse incorporado as ações da EMS S/A por seu valor patrimonial, provavelmente esta infração não subsistiria. Todavia, não foi isso o que sucedeu, não existindo dúvida de que houve a ocorrência desse ilícito tributário. Já a caracterização da circunstância qualificadora do ilícito passa pela demonstração da seguinte conduta dolosa: a de que a fiscalizada tinha conhecimento de que o ágio formado e registrado em sua escrituração contábil era ilegítimo e que assim procedeu com a finalidade de escapar indevidamente da tributação. Caso evidenciado essa situação, restará demonstrado que a contribuinte reduziu, fraudulentamente, a base de cálculo dos tributos, incorrendo na hipótese dolosa prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Ao contrário, isto é, se não restar demonstrado que a fiscalizada Fl. 2575DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.576 17 tinha consciência da ilicitude das circunstâncias da geração do ágio, por força da do art. 136 da Lei nº 5.172/1966, remanescerá apenas sua responsabilidade objetiva pela infração, sendo devidos os tributos, juros de mora e a multa de ofício, mas sem o agravamento decorrente da circunstância qualificadora “fraude”. Os autuantes apontam a ausência de um elemento essencial à operação que qualifica a conduta da autuada, qual seja, o propósito negocial subjacente à constituição da EMS Investimentos S/A. Ora, esse Colegiado já votou algumas vezes acerca da multa qualificada nos casos de ágio, envolvendo o chamado "ágio interno", como classificado este caso, embora entenda que seja mais um caso de utilização de empresa veículo, à qual entendo que seja possível. Não haveria que se falar em ação dolosa. Os atos foram praticados a partir de 2005. Período esse em que as decisões, inclusive, eram muito mais favoráveis aos contribuintes, como ocorreu no caso em destaque. Assim, não há que se falar em ação dolosa do contribuinte em se criar uma situação tributariamente mais vantajosa. Há que se levar em conta que o recorrente ao proceder na dedução da amortização do ágio atendeu aos requisitos exigidos legalmente, fiscalmente e societariamente. Suas demonstrações financeiras foram publicadas, assim como seus documentos, levados à registro junto à JUCESP, CVM, BACEN e a própria Receita Federal. Dessa forma, trago à colação excertos do acórdão 1301002.670, do ilustre Conselheiro Roberto Silva Junior, em que se tratou da multa qualificada em fatos semelhantes: Se é verdade que nos dias atuais a controvérsia envolvendo a figura do ágio interno caminha para a pacificação, pelo menos no âmbito da CSRF; é também verdade que, no tempo dos fatos colhidos no lançamento, havia aberto dissenso doutrinário e jurisprudencial acerca da legitimidade e da validade do ágio resultante dessas operações de reestruturação societária, inclusive as que envolviam empresas do mesmo grupo econômico. Decisões emanadas do CARF davam pela legitimidade do ágio interno. Ora, se essa figura, aos olhos de alguns conselheiros e de alguns juristas, parecia compatível com o direito, é impossível afirmar que agiu de máfé o contribuinte que se comportou segundo esse entendimento, ainda que o tempo viesse a mostrar a falta de juridicidade dessa posição. Por essas razões, não se afigura correto exacerbar a multa, supondo ter havido dolo e intuito de fraude, quando o assunto ainda suscitava discussão. O contribuinte, diante da controvérsia e da existência de dois caminhos, optou pelo que lhe parecia mais conveniente. Em suma, a falta de clareza e a controvérsia doutrinária e jurisprudencial sobre a matéria, afastam a possibilidade de aplicação de multa qualificada. A presunção deve ser a de que o contribuinte agiu de boafé. Dito isto, não vejo fraude, dolo ou simulação nas ações praticadas pelo contribuinte que o levassem à ciência de alguma ilicitude praticada, de tal forma que reduzo a multa ao patamar de 75%. Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.577 18 Inexistência de previsão legal para a adição de despesas coma amortização de ágio considerada indedutível à base de cálculo da CSLL; Com relação a este tópico levantado pela recorrente em sede recursal, entendo que o mesmo se encontra precluso, nos termos do art. 16, III do Decreto 70.235/72. Na impugnação não houve este tópico da forma como colocada em sede recursal. Foi apenas tratado um tópico dos lançamentos decorrentes: E assim foi julgado pela DRJ: Assim, diante das novas alegações trazidas em sede recursal, e que não foi objeto de impugnação, e, consequentemente sem manifestação da DRJ/SP1, nos termos do inciso III do art. 16 do Decreto 70.235/72, verificase a ocorrência da preclusão, não devendo tais alegações quanto a este item serem conhecidos. Impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Há requerimento por parte da recorrente de se afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício, entretanto, diante da edição da recente Súmula deste CARF 108, a aplico. Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.578 19 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa qualificada para o patamar de 75%. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.579 20 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Primeiramente, gostaria de aduzir minha concordância às razões postas pela I. Conselheira Amélia Yamamoto, e pontuar que optei por apresentar a presente declaração de voto apenas para complementar com razões adicionais e que em nada se incompatibilizam com aquelas postas acima. Pois bem, inicio a análise da questão posta pela legislação de regência, marcadamente o art. 44, I, §1º da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como condição qualificadora da multa, mencionou os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.580 21 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Pela descrição fática constante do TVF, a conduta imputada ao contribuinte foi a de "modificar característica essencial do fato gerador, a sua base de cálculo, (...), de modo a reduzir o montante do imposto devido", correspondente à fraude do art. 72 da Lei nº 4.502/64, bem como o conluio (art. 73), pela participação de diversas pessoas jurídicas. De início, vislumbramos um claro problema terminológico que deságua em uma impropriedade técnica: a fraude qualificadora da multa do art. 44, I da Lei nº 9.430/96 é sempre uma conduta referente ao fato gerador do tributo que não foi declarado ou deixou de ser pago as condutas podem ser impedilo ou retardálo, ou excluir/modificar uma de suas características essenciais, e a finalidade é a redução do seu montante ou o diferimento do pagamento. O fato gerador a que se refere o art. 72 não é a descrição hipotética e abstrata que somente a lei pode construir e que se põe como condição da incidência tributária (denominada usualmente na doutrina como Hipótese de Incidência), mas sim aquele fato gerador a que se refere o art. 114 do Código Tributário Nacional ("Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência."). Na acatada lição de Geraldo Ataliba, o fato gerador (imponível) é o fato concreto, localizado no tempo e no espaço, acontecido efetivamente e que, por corresponder rigorosamente à descrição prévia, hipoteticamente formulada pela hipótese de incidência legal, dá nascimento à obrigação tributária (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ªed. São paulo: Malheiros, 2009, p.68). Em se tratando do Imposto de Renda, o CTN exerceu a sua função de estabelecimento de normas gerais, impondose hierarquicamente como Lei Complementar nos termos do art. 34, §5º das ADCT da CF/88, dispondo sobre a hipótese de incidência em seu art. 43, que assim prescreveu as condições de fato para a incidência do referido imposto: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Portanto, de forma singela, a incidência do IRPJ se dará em razão da aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza fórmula singela, mas de reconhecida complexidade na doutrina e jurisprudência. Não cabe a nós, aqui, desvelála, mas simplesmente pôr em evidência o seu conteúdo, para fins de delimitação do alcance das qualificadoras da multa. Nesse sentido, recorrendome novamente às lições de Ataliba, a configuração do fato (aspecto material), sua conexão com alguém (aspecto pessoal), sua localização Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.581 22 (aspecto espacial) e sua consumação num momento fático determinado (aspecto temporal), reunidos unitariamente determinam o efeito jurídico desejado pela lei: a criação da obrigação jurídica concreta (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ªed. São paulo: Malheiros, 2009, p.69). De uma forma mais analítica e estruturada, Paulo de Barros Carvalho pontuou que a regra matriz de incidência dos tributos é dividida entre uma hipótese, composta por critérios materiais, espaciais e temporais, e uma consequência, composta pelos critérios pessoal, base de cálculo e alíquota (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário Fundamentos Jurídicos da Incidência, 8ªed. São Paulo: Saraiva, 2010, p.133). Não se trata de uma questão fradesca ou meramente acadêmica, sobretudo em razão da estruturação científica do CTN, mas sim nuclear para o deslinde do alcance do art. 72 da Lei nº 4.502/64. Como se vê, a base de cálculo, a despeito de ser uma perspectiva dimensível do aspecto material, não compõe a hipótese de incidência do tributo descrição hipotética do fato gerador , mas sim a estrutura abstrata da obrigação que surgirá com o nascimento da exação. A distinção entre a hipótese de incidência e a base de cálculo é reconhecida na própria legislação, como se vê no art. 44 do CTN, que contrasta com o art. 43, já citado: Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Da mesma forma, o art. 97 do CTN: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Por fim, assumindo o risco da redundância, o contraste se põe de forma ainda mais evidente no art. 219 do RIR/99, evidenciando se tratarem de coisas distintas: Art.219.A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV)ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Diante disso, resta absolutamente claro que o art. 72 da Lei nº 4.502/64, ao descrever a fraude como uma série de condutas relativas ao fato gerador do tributo, acaba por excluir do seu escopo as condutas relativas aos demais aspectos do tributo a exemplo da base de cálculo, alíquota ou sujeição passiva, que dizem respeito à prescrição da obrigação tributária, e não à caracterização da ocorrência fática. Essa questão se torna mais relevante ainda, em se constate a lavratura de representação fiscal pra fins penais em razão da ocorrência da fraude do art. 72 da Lei nº 4.502/64. Há uma açodada relação biunívoca necessária entre multa qualificada e crime contra Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.582 23 a ordem tributária (Lei nº 8.137/90), pela utilização das expressões "sonegação" e "fraude" em ambos os regramentos. Essa relação semântica, entretanto, não existe. Em rigor, o Direito Tributário brasileiro possui dois sentidos diferentes para "sonegação" e "fraude" fiscais um constante na lei nº 4.502/64 e outro na lei nº 8.137/90, sendo este último mais amplo do que o primeiro. Analisando apenas o caso da fraude fiscal, vejamos os dois dispositivos: Lei nº 4.502/64 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Lei nº 8.137/90 Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; De fato, ambas as condutas visam penalizar condutas que visem a redução, total ou parcial, do tributo devido todavia, a fraude fiscal da Lei 4.502 pressupõe condutas relativas apenas ao fato gerador, enquanto a fraude fiscal da Lei 8.137 abrange condutas fraudulentas relativas a qualquer aspecto da regra tributária. Há um claro escopo mais restrito daquele, em relação a esta. Sequer se poderia afirmar que se trata de uma questão interpretativa, haja vista o reenvio expresso determinado pelo legislador. Explico. Ao legislador, o legislador deve observar regras básicas de redação, com vistas a garantir que a mensagem seja o mínimo possível dissonante da intenção do emissor. Para isso, o art. 11 da Lei Complementar nº 95/98 trouxe diversas determinações: Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: I para a obtenção de clareza: a) usar as palavras e as expressões em seu sentido comum, salvo quando a norma versar sobre assunto técnico, hipótese em que se empregará a nomenclatura própria da área em que se esteja legislando; b) usar frases curtas e concisas; Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.583 24 c) construir as orações na ordem direta, evitando preciosismo, neologismo e adjetivações dispensáveis; d) buscar a uniformidade do tempo verbal em todo o texto das normas legais, dando preferência ao tempo presente ou ao futuro simples do presente; e) usar os recursos de pontuação de forma judiciosa, evitando os abusos de caráter estilístico; II para a obtenção de precisão: a) articular a linguagem, técnica ou comum, de modo a ensejar perfeita compreensão do objetivo da lei e a permitir que seu texto evidencie com clareza o conteúdo e o alcance que o legislador pretende dar à norma; b) expressar a idéia, quando repetida no texto, por meio das mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia com propósito meramente estilístico; c) evitar o emprego de expressão ou palavra que confira duplo sentido ao texto; d) escolher termos que tenham o mesmo sentido e significado na maior parte do território nacional, evitando o uso de expressões locais ou regionais; e) usar apenas siglas consagradas pelo uso, observado o princípio de que a primeira referência no texto seja acompanhada de explicitação de seu significado; f) grafar por extenso quaisquer referências a números e percentuais, exceto data, número de lei e nos casos em que houver prejuízo para a compreensão do texto; (Redação dada pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) g) indicar, expressamente o dispositivo objeto de remissão, em vez de usar as expressões ‘anterior’, ‘seguinte’ ou equivalentes; (Incluída pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) III para a obtenção de ordem lógica: a) reunir sob as categorias de agregação subseção, seção, capítulo, título e livro apenas as disposições relacionadas com o objeto da lei; b) restringir o conteúdo de cada artigo da lei a um único assunto ou princípio; c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos, alíneas e itens. Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.584 25 Para o presente caso, calham especificamente as disposições dos incisos I, "a" e II, "g", que tratam do uso das palavras no texto, determinando que sejam usadas em sentido comum, salvo hipótese de terminologia técnica, ao mesmo tempo que exige que os casos em que se utilize da técnica de remissão, se determine expressamente o dispositivo ao qual se remete. O uso comum não inspira maiores investigações aqui, visto que depende do contexto em que se insere o texto, bem como os sentidos consensados socialmente. Por outro lado, ao utilizar conceitos técnicos, o legislador se põe diante de três alternativas, bem explicitadas por Heleno Tôrres, ao tratar da relação entre o Direito Privado e o Direito Civil: As relações entre normas de direito civil e normas tributárias supõem destas últimas um mecanismo seletivo de propriedades para determinar os específicos efeitos dos atos jurídicos de direito privado no âmbito tributário. E, assim, poderemos ter: i) criação de algum tipo próprio, alheio a quaisquer outros do direito privado; ii) um reenvio direto àquelas matérias, quando as normas tributárias nada prescrevem de inovador; ou ainda iii) uma transformação dos conceitos sem que estes percam suas identidades nas relações regidas exclusivamente pelo direito privado (TORRES, Heleno Taveira. Autonomia privada, simulação e elusão tributária. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p.131). No mesmo sentido, Fernando Daniel Fonseca(Cf. Normas Tributárias e a Convergência das Regras Contábeis aos Padrões Internacionais. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2014, p.8485) aduz que três possibilidades se descortinam: a) Construção de conceitos autônomos atribuição de sentido específico para o termo, no ramo tributário; b) Incorporação de conceitos assunção de um conceito preexistente; c) Reenvio a lei tributária faz remissão ao conceito que se refere. Historicamente sempre existiu um conceito de fraude no âmbito do Direito Civil, como vício do negócio jurídico. Entretanto, na seara tributária, o legislador achou por bem criar um conceito de fraude fiscal, positivado no art. 72 da Lei nº 4.502/64, utilizado também no Código Tributário Nacional, mas também utilizouse de um conceito penal, mais amplo, de fraude ao elaborar a Lei nº 8.137/90 portanto, construiu um conceito autônomo na Lei nº 4.502/64, e incorporou um conceito existente na Lei nº 8.137/90. Ao elaborar a Lei nº 9.430/96, o legislador nem criou um novo conceito, nem se utilizou de forma tácita de um conceito preexistente, mas sim fez um reenvio para o conceito de fraude da Lei nº 4.502/64. É dizer, os conceitos de ambas as leis eram preexistentes à Lei nº 9.430/96, mas o legislador fez uma escolha expressa de reenvio, para o conceito mais restrito de fraude fiscal. Da mesma forma que, quando quis tratar da representação fiscal para fins penais, fez remissão expressa aos conceitos hauridos da Lei nº 8.137/90, em seu art. 83, verbis: Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1o e 2o da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.585 26 DecretoLei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Portanto, não há como escapar da escolha expressa feita pelo legislador, nesse caso, por um conceito mais restrito de fraude fiscal para fins de multa qualificada. Sob uma perspectiva estritamente jurídica, podese dizer não apenas que esses homônimos escondem uma assimetria conceitual, mas também que o legislador fez uma escolha expressa em qual seria aplicado para fins de qualificação de multa, e qual seria aplicado para fins de imputação de crime contra a ordem tributária o que quer dizer, por exemplo, ser possível a representação fiscal para fins penais, sem que haja a qualificação da multa aplicada. Essa constatação não é novidade, entretanto, sendo sido a razão determinante do afastamento da qualificação da multa no Acórdão CARF nº 3402002.256, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, ao analisar caso em que o contribuinte inserira informações falsas nas declarações de compensação, para utilizar créditos que não dispunha de fato. Aduziu o relator em seu voto: Explicando melhor: a definição de sonegação e de fraude previstas nas leis penais é mais abrangente do que a definição que visa à qualificação da penalidade administrativa. Existem situações concretas que podem ser enquadradas como crime de sonegação fiscal ou crime contra a ordem tributária, mas que não se encaixam perfeitamente na descrição contida na Lei nº 4.502/64. Isso significa que o fato da penalidade administrativa não ter sido qualificada, não impede o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, se este entender que a conduta do contribuinte se enquadra no que dispõe a lei penal. Os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 estabelecem as circunstâncias qualificativas da multa de ofício, definindo o que se considera sonegação, fraude e conluio para o fim de exasperar a sanção administrativa ao descumprimento da obrigação tributária principal. Esses artigos não definem crimes, mas sim hipóteses de exasperação da multa administrativa. E não se diga, como forma de contornar o presente argumento, que a determinação da base de cálculo faz parte da constatação também do fato gerador, ou que são atividades unitárias, pois tal assunção vai na contramão do disposto no art. 142 do CTN, que aduz: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 10830.726414/201881 Acórdão n.º 1301003.877 S1C3T1 Fl. 2.586 27 É dizer, tratamse de duas atividades distintas em razão da própria diferença entre o fato gerador e a base de cálculo , a verificação da ocorrência do fato gerador (etapa na qual a fiscalização pode verificar a ocorrência de fraude fiscal) e, sucessivamente, a determinação da matéria tributável e cálculo do tributo, pela aplicação da alíquota correspondente. Desse modo, estando devidamente consolidada na legislação a distinção entre fato gerador e base de cálculo, resta claro que as condutas que afetem este último estão fora do alcance do conceito de fraude fiscal abrangido pelo art. 72 da Lei nº 4.502/64, visto que sua literalidade exige que se afete dolosamente a ocorrência do fato gerador ou suas características fundamentais. Retornando ao caso concreto, o próprio fiscal reconheceu que o planejamento tributário realizado pelo contribuinte afetou o montante do tributo devido através da sua base de cálculo que, como demonstrado exaustivamente, nada tem de "característica essencial" do fato gerador. De fato, a dedução das despesas de ágio na apuração do Lucro Real faz parte da determinação da matéria tributável (leiase base de cálculo), e não da realização do fato gerador (que nos termos do art. 43 do CTN, é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos) isso fica absolutamente claro da leitura do art. 247 do RIR/99 c/c com o art. 219 do mesmo diploma: Art.247.Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto Tratase, portanto, de apuração da matéria tributável. É plenamente possível que o fato gerador ocorra, mas que no momento da apuração se verifique uma base de cálculo negativa o que novamente reitera a distinção pertinente para fins de qualificação da multa de ofício. É preciso que reste claro: o fato gerador do IRPJ não é auferimento de Lucro Real, mas sim a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sendo a materialidade tributável calculada à partir da apuração do Lucro Real do exercício, aplicandose sobre ele a alíquota cabível. Desse modo, pela circunstância da dedução das despesas de ágio afetar a apuração da base de cálculo, entendo que ainda que acatando a premissa de ilicitude dessa conduta do contribuinte, consolidada pelo julgamento da CSRF, se verifica que ela não atende à condição do art. 72 da Lei nº 4.502/64, devendo ser afastada a qualificadora. Desse modo, voto por afastar a qualificadora da multa. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 2586DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900653/2014-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 53 /2 01 4- 90 Fl. 67DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.362 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900653/2014-90 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 68DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.362 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900653/2014-90 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 69DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.362 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900653/2014-90 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 70DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.362 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900653/2014-90 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 71DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.362 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900653/2014-90 Fl. 72DF CARF MF
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