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Numero do processo: 16832.001178/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005
Ementa:
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS.
Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005 Ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005 Ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 11 78 /2 00 9- 61 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16832.001178/200961 Acórdão n.º 2302002.374 S2C3T2 Fl. 98 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 23/12/2009, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/2005 a 11/2005, todos os valores pagos aos empregados a título de prêmios e Participação nos Lucros e Resultados, assim como todos os valores pagos aos segurados contribuintes individuais no mesmo período. Após a impugnação, Acórdão de fls.38/45, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que os pagamentos a título de PLR são feitos com base no acordo coletivo, onde está conveniada a distribuição de uma parte do lucro, caso fossem atingidas as metas estabelecidas e o parâmetro para o pagamento seria o comprometimento do funcionário, sua pontualidade e assiduidade; b) que a Constituição Federal desvinculou a PLR do salário; c) que o lucro foi atingido por toda a equipe de funcionários, sendo justo que se pague ao pessoal da limpeza e as serviçais do café; d) que assiduidade é um critério técnico e objetivo. Requer o provimento do recurso para reformar o Acórdão e extinguir o crédito tributário. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se ver que o auto de infração trata do descumprimento da obrigação acessória de informar em GFIP toda a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, o que não foi contestado pela recorrente. A recorrente se insurge apenas quanto à Participação nos Lucros e Resultados PLR, assim, em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 , onde somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, deixo de me manifestar sobre os valores pagos a título de prêmios e remuneração de contribuintes individuais: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) No que pertine à Participação nos Lucros e Resultados, o Fisco solicitou através do Termo de Intimação Fiscal n.º 01, que lhe fossem apresentados a Convenção ou Acordo Coletivo vigentes em 2005 e os documentos decorrentes da negociação em que constassem as regras quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para a revisão do acordo. Entretanto, somente foi apresentado o acordo coletivo de 10/10/2005, (documento de fls. 75/76 do processo 16832001173/200939) onde o Fisco constatou que o pagamento da verba era feito a todos os funcionários, com base num percentual sobre o salário, sem exigir o cumprimento de qualquer regra e sem qualquer evidência da existência de lucros, ou da participação do empregado para tanto. A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. A PLR é um direito constitucional do trabalhador: CF/88: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16832.001178/200961 Acórdão n.º 2302002.374 S2C3T2 Fl. 99 5 um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. Em 1991, a Lei n.º 8.212 institui o plano de custeio da Seguridade Social e no art. 28, define a base de cálculo das contribuições previdenciárias, dispondo, inclusive, sobre parcelas isentas. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Também a lei de custeio, como a Constituição, reafirma a necessidade de obediência a uma legislação para que a PLR não seja conceituada como remuneração, e, portanto, fora do alcance da incidência contributiva previdenciária. Em 29/12/1994 surge a legislação específica, qual seja a Medida Provisória 794, que dispôs sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Assim, a PLR integra a remuneração, até 29/12/94. Após essa data, com o surgimento da legislação específica, a MP 794, não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com as disposições contidas na MP. A MP 794 sofreu diversas reedições, convertendose, finalmente, na Lei nº 10.101, de 18/12/2000. Essa legislação surge como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, pois faz com que o empresariado tenha redução em sua carga tributária, já que há a previsão de isenção dessas parcelas para incidência de contribuição previdenciária e a parcela de PLR, para efeito de apuração do lucro real, poderá ser deduzida como despesa operacional; permite que os trabalhadores obtenham maiores ganhos e incentiva a produtividade, já que sua obtenção depende de um resultado almejado pelas empresas. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 A Lei 10.101/2000 prevê várias exigências e vedações, que a PLR deve seguir para estar de acordo com sua lei específica e obter os efeitos previstos. Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. ... Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16832.001178/200961 Acórdão n.º 2302002.374 S2C3T2 Fl. 100 7 a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa: Como se vê, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros seja justa. Não há regras detalhadas na lei sobre as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Todavia, é necessário que os critérios, condições e metas a serem alcançadas sejam estabelecidos nos acordos coletivos, o que não se configurou no caso em exame, onde a única condição a ser cumprida para a percepção de valores a título de PLR é a assiduidade do funcionário. Ora, a assiduidade é uma obrigação do trabalhador, decorre do seu contrato de trabalho. Não há como vincular a participação nos lucros com a assiduidade do segurado, pois ele não estará fazendo nada além de cumprir uma condição inerente ao contrato de trabalho, qual seja, comparecer ao trabalho para desenvolver as atividades para as quais foi contratado. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Assim como já dito em parágrafo anterior que a intenção do legislador ao tratar da PLR foi impedir que critérios subjetivos impedissem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, também é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Real para considerar os valores integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A autoridade fiscal, no uso de suas prerrogativas, tem o ônus de comprovar a dissimulação do sujeito passivo, conforme artigo 123, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. No caso em exame não restou demonstrado pela recorrente que os valores pagos aos segurados empregados se revestiram das características e cumpriram os pressupostos legais exigíveis para ser efetivamente parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados, devendo, assim integrar o salário de contribuição. A lei de custeio da Previdência Social é clara ao trazer no artigo 28, §9º, aliena “j”, verbis que: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A Participação nos Lucros paga em desacordo com as normas previstas na Lei específica, n.º 10101/ 2000, integra o salário de contribuição e deve ser declrada pela recorrente em GFIP. Como já referido, a recorrente não discutiu o mérito da autuação de não ter declarado em GFIP toda a remuneração paga aos empregados a título de prêmio, Participação nos Lucros e Resultados, bem como as contribuições dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16832.001178/200961 Acórdão n.º 2302002.374 S2C3T2 Fl. 101 9 Ao não informar os valores relativos aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais e aos segurados empregados a título de prêmios e PLR, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Entretanto, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10166.722300/2010-94
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.127
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor redator Helton Carlos Praia de Lima, para que os autos sejam encaminhados à 1ª turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, ou turma responsável, para julgamento em conjunto, com base no art. 9°, § 1°, do Decreto n° 70.235/72 e tendo em vista a competência de alçada decorrente do valor do crédito tributário objeto do processo n° 10166.016223/2008-15 (NFLD). Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor redator Helton Carlos Praia de Lima, para que os autos sejam encaminhados à 1ª turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, ou turma responsável, para julgamento em conjunto, com base no art. 9°, § 1°, do Decreto n° 70.235/72 e tendo em vista a competência de alçada decorrente do valor do crédito tributário objeto do processo n° 10166.016223/200815 (NFLD). Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, André Luís Mársico Lombardi. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722300/201094 Resolução n.º 2803000.127 S2TE03 Fl. 168 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ADLER – ASSESSORAMENTO EMPRESARIAL REPRESENTAÇÕES LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte e manteve a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, referente ao fato de a empresa ter apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. 2. O presente auto de infração é referente a um lançamento substitutivo, uma vez que o auto de infração que consolidou o crédito constituído na NFLD n. 35.675.4189 ter sido anulado por vício formal, conforme narra o relatório fiscal, in verbis: “4. Os fatos que ensejaram esta autuação têm como base documentos já existentes no auto de infração original anulado (AI DEBCAD no. 35.675.4189), lembrando ter sido este anulado por vício formal. 5. E esclarecemos que, conforme informação já constante no AI anulado, a empresa, no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002, apresentou GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, conforme apurado e demonstrado nas planilhas em anexo. 6. E embora às circunstâncias agravantes da penalidade não produzam efeitos para gradação desta multa, registrase que a empresa, objetivando, EM TESE, a sonegação de tributos e contribuições sociais, empregou, conforme detectado pela fiscalização anterior, métodos fraudulentos e dolosos, caracterizados pelos seguintes atos: • Calçar ou espelhar notas fiscais, isto é, emitir estes documentos consignando valores diferentes nas diversas vias, sendo o valor real da operação na via do destinatário e um valor inferior nas vias destinadas à contabilidade e ao fisco; • Omitir em folhas de pagamento e na contabilidade os lançamentos corretos da remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, mantendo controle paralelo, (EM TESE, caixa dois), fato este comprovado pelos arquivos digitais constantes no HARD DISK (HD) apreendido pela Polícia Federal no inquérito Policial SR/DPF/DF n. 04.560/2002. Observação: cabe destacar que os fatos aqui alegados, inclusive os arquivos digitais mencionados, integram, como anexos a NFLD (COMPROT 101..016223200815 / DEBCAD 356754219). E para que seja possível um melhor entendimento de quais são os documentos existentes, em particular na NFLD citada, juntamos como anexo uma cópia do índice de documentos existentes naquela NFLD. 7. Destacase que durante a nova análise dos documentos na empresa, verificouse que a mesma não retificou as GFIPs enviadas, exceto na competência 12/2002, para a qual a empresa reenviou GFIP, corrigindo as falhas apontadas nos campos de SAT, FPAS, TERC e Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722300/201094 Resolução n.º 2803000.127 S2TE03 Fl. 169 3 CNAE, sendo portanto esta competência excluída deste auto relançado. Com relação às demais competências, a empresa continua com os mesmos erros com relação a GFIP” (ff. 7 e 8). 3. A referida decisão de segunda instância proferida em 14/12/2005, pela então 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social considerou o débito nulo uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF estava vencido (fls. 107 e ss). 4. A fiscalização informou que na presente autuação foram efetuados lançamentos idênticos aos feitos na NFLD original. 5. Há relatos da fiscalização acerca de métodos fraudulentos e dolosos cometidos pela empresa, para “em tese”, sonegar tributos e contribuições sociais, conforme constam do relatório fiscal (f.7). 6. O auditor juntou ainda aos autos planilhas de comparação de multas, para auferir qual seria a mais benéfica para se aplicar no caso concreto, e assim individualizou a penalidade que deveria ser aplicada em cada competência lançada, sendo então ajustados os autosdeinfração CFL 68 e CFL 69 para a multa mais benéfica (f. 13). 7. Diante da ciência do novo lançamento, a empresa apresentou impugnação tempestiva e ao julgar a peça impugnatória apresentada, o Colegiado de primeira instância considerou a impugnação improcedente, e por consequência manteve o crédito tributário em sua totalidade. A decisão a quo restou ementada nos termos que hora transcrevo: “OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Apresentar a empresa GFIP com informação incorreta, em campo não relacionado a fatos geradores de contribuições sociais, tipifica infração, por descumprimento de obrigação acessória, ensejando aplicação de penalidade. CERCEAMENTO DE DEFESA Não há cerceamento de defesa quando os motivos fáticos e jurídicos são adequadamente apresentados pela Fiscalização. Impugnação improcedente. Crédito Tributário Mantido”. (f. 150) 8. Após a intimação da referida decisão, irresignado o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, às ff. 161/165, no qual aduz em síntese: a) que existe conexão entre o presente Auto de Infração e os demais lavrados pelo fisco, e assim entende necessário que se promovam os atos administrativos necessários para a conjunta tramitação de todos os autos de infração; b) que a autuação é irregular, tendo em vista que as insinuações fiscais extraídas do contexto da NFLD 4219 estão desprovidas de razoabilidade; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722300/201094 Resolução n.º 2803000.127 S2TE03 Fl. 170 4 c) não reconhece como legítimas as diversas conclusões fiscais atualmente em discussão na conexa NFLD; d) que a mensuração do salário de contribuição lançado na conexa NFLD fica prejudicada pela generalização do vínculo laboral e pelos critérios de aferição de que se valeu o fisco previdenciário. 9. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. PRELIMINAR DE CONEXÃO 2. Considerando que foi apresentada em preliminar de conexão de processos, manifesto meu voto contrário. Entendo que cada processo deve ser instruído com os documentos e fundamentos necessários a sua análise. 3. O artigo 9º, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, aplicável à época do lançamento, determina: “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. 4. E o recente Decreto n.º 7.574, de 29 de setembro de 2011, manteve a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que possa ser analisado separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722300/201094 Resolução n.º 2803000.127 S2TE03 Fl. 171 5 5. A conexão é o fenômeno processual que determina a reunião de duas ou mais ações, para o julgamento em conjunto, a fim de evitar a existência de sentenças conflitantes. Em processo civil, consideramse conexas aquelas ações que possuem o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. 6. É importante ressaltar que a conexão dos processos não implica necessariamente em vantagem para o contribuinte, pois ela somente irá garantir que as ações tenham o mesmo julgamento. 7. E os dados constantes dos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros processos lavrados contra o mesmo sujeito passivo. 8. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 9. Assim, com base no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitando, assim, as dilações indevidas. E como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. 10. Evidentemente que em alguns casos a conexão será necessária, por considerar fato importante para o deslinde da controvérsia constante em processo diverso, contudo, a análise será delimitada pelo julgador caso a caso. 11. Por fim, ressalto que, ainda que reconhecesse a conexão dos processos em comento, todos os processos já foram devidamente apensados e estão sendo julgados pelo mesmo Conselheiro, evitando decisões diversas, dessa forma foram cumpridas todas as exigências suscitadas pela empresa no recurso, restando prejudicada a preliminar. 12. Afasto, portanto, esta preliminar. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA 13. A recorrente faz negativa genérica da regularidade da presente autuação, sem apresentar prova de suas alegações. Porém, o ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária, afastando desse modo, a infração e sua conseqüente penalidade conforme art. 16, II, do Decreto n. 70.235/72, c/c o art. 333, II, do CPC. 14. Nesse sentido, é apropriada a conclusão de Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário, 2008, p. 234): “Em processo tributário,(...) se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas”. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722300/201094 Resolução n.º 2803000.127 S2TE03 Fl. 172 6 15. E não basta apenas juntar um documento ou um conjunto de documento, ainda que volumoso. É preciso estabelecer uma relação entre os documentos e o fato que se pretende provar. Mais uma vez nos valemos das lições de Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário, 2008, p. 179): “Isso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. È preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.” 16. Assim, provar por meio de documentos não se encerra na apresentação destes, mas exige que estes sejam apresentados juntamente com uma argumentação que estabeleça uma relação de implicação entre os documentos e o fato que se pretende provar. A simples juntada de documentos não produz prova, ou seja, não resulta no reconhecimento do fato que se pretende provar, o que também não foi feito pela recorrente. 17. Sem que a recorrente tenha se desincumbido do ônus de provar os fatos modificativos ou extintivos que alega, não há como acatar seus argumentos, tornando oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quasi non allegatio , ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar. A legislação de regência do Processo Administrativo Fiscal prevê que: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” 18. Cumpre ressaltar ainda que a recorrente questiona os critérios da aferição feita pela fiscalização. Todavia também não acosta aos autos nenhuma prova de que os valores aferidos estão errados, caberia ao recorrente no intuito de apontar erros na fiscalização, no mínimo, acostar cálculos dos valores corretos, coisa que também não o fez. 19. Diante disso, dada a falta de provas da recorrente e a ausência de impugnação específica da recorrente, de cada item a que julga ter direito, entendo que não lhe assiste razão nesse ponto. Da mesma forma vem decidindo este Conselho a respeito da matéria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Data do fato gerador: 28/05/2007 CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FOLHAS DE PAGAMENTO. A inobservância da obrigação tributária acessória, mais especificamente, não apresentação de livros contábeis, é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A não impugnação Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722300/201094 Resolução n.º 2803000.127 S2TE03 Fl. 173 7 expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. INCONSTITUCIONALIDADES DE EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. ARGUMENTOS NÃO RELACIONADOS COM A AUTUAÇÃO NÃO APRECIAÇÃO. A apreciação dos argumentos apontados pelo recorrente devem ficar restritos as alegações que possuem relação com os fatos que ensejaram a autuação. Recurso Voluntário Negado. CONCLUSÃO 20. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e NEGARLHE PROVIMENTO mantendo o crédito tributário nos termos exarados pela fiscalização. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos – Relator Voto Vencedor Em que pese a plausibilidade da argumentação tecida pelo Relator em seu respeitável voto, manifestome pelo acatamento da preliminar de conexão de processos e o faço pelas razões que se seguem. Verificase da defesa apresentada pelo contribuinte e dos memoriais apresentados em sessão que, do procedimento fiscal que originou o presente Auto de Infração AI, também decorreu a lavratura de dois outros AI´s e de três Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos – NFLD´s, dentre as quais a referente ao debcad n° 35.675.4219 (processo n° 10166.016223/200815). Notese que a aludida NFLD foi lançada por aferição indireta da base de cálculo e que se encontra em diligência determinada pela 1ª turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF. Quanto aos AI´s, as autuações decorrem das seguintes condutas do contribuinte: 1 não inclusão em GFIP´s dos fatos geradores de contribuições previdenciárias (processo n° 10166.722302/01083); 2 – apresentação de GFIP’s com informação incorreta, em campo não relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias (processo n° 10166.722300/201094); e 3 deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (processo n° 10166.722307/201014). É preciso considerar que, além dos AI´s e a da referida NFLD terem sido lavrados no contexto de um mesmo procedimento fiscal, as condutas descritas nas autuações (AI´s) podem consubstanciar o próprio suporte ou fundamento fático do lançamento da Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722300/201094 Resolução n.º 2803000.127 S2TE03 Fl. 174 8 obrigação principal (NFLD). Ademais, a análise do lançamento da obrigação principal pode influenciar decisavemente quanto ao valor e à própria procedência das autuações (AI´s), de sorte que entendo ser forçoso o julgamento em conjunto dos três AI´s e da NFLD referida. Como se vê, há íntima relação entre a autuação em comento, os outros dois Autos de Infração (AI´s) e o lançamento referente à obrigação principal (NFLD debcad n° 35.675.4219), não havendo, assim, como se analisar, com segurança, o recurso relativo à autuação de que tratam os presentes autos sem o julgamento em conjunto de todos os lançamentos. Os outros dois AI´s também estão sendo objeto de voto à parte, pelas mesmas razões aqui expostas. CONCLUSÃO Portanto, voto em converter o julgamento em diligência para que os autos sejam encaminhados à 1ª turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, ou turma responsável, para julgamento em conjunto, com base no art. 9°, § 1°, do Decreto n° 70.235/72 e tendo em vista a competência de alçada decorrente do valor do crédito tributário objeto do processo n° 10166.016223/200815 (NFLD). É como voto. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Conselheiro Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720509/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. No caso, inexiste efeitos da caducidade.
INDENIZAÇÕES CONCEDIDAS POR LIBERALIDADE DA EMPRESA AOS SEUS EMPREGADOS EM PARCELA ÚNICA COMO INDENIZAÇÃO PELO RESCISÃO CONTRATUAL .
As indenizações concedidas por liberalidade da empresa aos empregados por conta de rescisão contratual não são gratificações ajustadas e não estão compreendidas no conceito de remuneração. Não sendo remuneração, ganho habitual sob a forma de utilidades ou adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, não estão compreendidas no campo de incidência delimitado pelo art. 28, inciso I da Lei 8.212/91.
AJUDA CUSTO PAGA EM DECORRÊNCIA DE MUDANÇA DE LOCAL DE TRABALHO.
A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT desfrute de isenção das contribuições previdenciárias. O pagamento de mais de uma parcela retira o benefício em relação às parcelas posteriores à primeira.
ABONO ÚNICO PREVISTO EM ACORDO COLETIVO. INEXISTÊNCIA DE NATUREZA JURÍDICA DE ABONO. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA.
Abonos são parcelas recebidas pelo trabalhador em virtude de antecipação ou substituição de reajuste. As parcelas denominadas abono que não pagas com tais finalidades não tem a natureza jurídica de abono e não podem desfrutar da isenção do art. 28, §9º, alínea e, item 7 da Lei 8.212/91. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.114/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do abono único previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade na base de cálculo da contribuição.
INDENIZAÇÕES. AUSÊNCIA DE PROVA.
A natureza indenizatória de verba paga a empregado ou contribuinte individual precisa ser provada por documentos idôneos que afastem o caráter contraprestacional e a conseqüente natureza remuneratória dos pagamentos.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-003.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da incidência de contribuição na rubrica 283 e 286, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em excluir do lançamento o primeiro pagamento da rubrica 230, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que negavam provimento ao recurso nesta questão e o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que dava provimento integral ao recurso nesta questão; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa acompanhou a votação por suas conclusões; d) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 233, nos termos do voto do Relator; e) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Sustentação oral: Caio Alexandre Taniguchi Marques. OAB: 242.279/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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PREV ABONOS E VERBAS INDENIZATÓRIAS Recorrente ALL AMERICA LATINA LOGISTICA MALHA PAULISTA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. No caso, inexiste efeitos da caducidade. INDENIZAÇÕES CONCEDIDAS POR LIBERALIDADE DA EMPRESA AOS SEUS EMPREGADOS EM PARCELA ÚNICA COMO INDENIZAÇÃO PELO RESCISÃO CONTRATUAL . As indenizações concedidas por liberalidade da empresa aos empregados por conta de rescisão contratual não são gratificações ajustadas e não estão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 09 /2 01 1- 61 Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.648 2 compreendidas no conceito de remuneração. Não sendo remuneração, ganho habitual sob a forma de utilidades ou adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, não estão compreendidas no campo de incidência delimitado pelo art. 28, inciso I da Lei 8.212/91. AJUDA CUSTO PAGA EM DECORRÊNCIA DE MUDANÇA DE LOCAL DE TRABALHO. A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT desfrute de isenção das contribuições previdenciárias. O pagamento de mais de uma parcela retira o benefício em relação às parcelas posteriores à primeira. ABONO ÚNICO PREVISTO EM ACORDO COLETIVO. INEXISTÊNCIA DE NATUREZA JURÍDICA DE ABONO. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. Abonos são parcelas recebidas pelo trabalhador em virtude de antecipação ou substituição de reajuste. As parcelas denominadas “abono” que não pagas com tais finalidades não tem a natureza jurídica de abono e não podem desfrutar da isenção do art. 28, §9º, alínea “e”, item 7 da Lei 8.212/91. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.114/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do abono único previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade na base de cálculo da contribuição. INDENIZAÇÕES. AUSÊNCIA DE PROVA. A natureza indenizatória de verba paga a empregado ou contribuinte individual precisa ser provada por documentos idôneos que afastem o caráter contraprestacional e a conseqüente natureza remuneratória dos pagamentos. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.649 3 conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da incidência de contribuição na rubrica 283 e 286, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em excluir do lançamento o primeiro pagamento da rubrica 230, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que negavam provimento ao recurso nesta questão e o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que dava provimento integral ao recurso nesta questão; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa acompanhou a votação por suas conclusões; d) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 233, nos termos do voto do Relator; e) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Sustentação oral: Caio Alexandre Taniguchi Marques. OAB: 242.279/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.650 4 Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.651 5 Relatório Cuida o presente de lançamentos, que foram muito bem apresentados pelo Acórdão a quo: 1. O presente processo administrativo é constituído por quatro Autos de Infração (AI), lavrados pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativos a contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração paga a empregados e contribuintes individuais, nas competências 01/2006 a 13/2006, não declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria, a saber: • DEBCAD nº 37.309.0439: AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuições devidas à Seguridade Social: parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes do s riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no art. 22, incisos I e II , da Lei 8.2 12/91, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 30.126.869,48 (trinta milhões cento e vinte e seis mil oitocentos e sessenta e nove reais e quarenta e oito centavos). • DEBCAD nº 37.309.0420 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuição dos segurados empregados, não descontada pela empresa, incidente sobre a remuneração paga aos empregados. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 455.921,66 (quatrocentos e cinqüenta e cinco mil novecentos e vinte e um reais e sessenta e seios centavos) • DEBCAD nº 37.309.0412 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (INCRA e SEBRAE). O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 1.046.735,88 (um milhão quarenta e seis mil setecentos e trinta e cinco reais e oitenta e oito centavos). • DEBCAD nº 37.309.0404 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuição devida à Seguridade Social: parte da empresa, prevista no art. 22, inciso III , da Lei 8.212/91, incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 225.113,10 (duzentos e vinte e cinco mil cento e treze reais e dez centavos). Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.652 6 1.1. Observase que os Autos de Infração acima identificados foram reunidos no mesmo processo administrativo por tratarem de créditos tributários do mesmo Sujeito Passivo, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. 1.2. Para os lançamentos dos créditos tributários foram utilizados os seguintes códigos de levantamento: a) Levantamento RU e RU1 rubricas de remuneração a segurado empregado não reconhecidas pela empresa como base de calculo de Contribuições Previdenciárias em folha de pagamentos e não declaradas em GFIP, mas classificadas como salário de contribuição pela fiscalização. (rubrica 161 INDENIZAÇÃO PO R TEMPO DE SERVIÇO, rubrica 391 –DIFERENÇA DE INDENIZAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO, rubrica 165 – INDENIZAÇÃO ESTABILIDADE, rubrica 230 AJUDA DE CUSTO, rubrica 233 ABONO ACT). b) Levantamento RC: e RC rubricas de remuneração a segurado contribuinte individual não reconhecidas pela empresa como base de calculo de Contribuições previdenciárias em folha de pagamentos e não declaradas em GFIP, mas classificadas como salário de contribuição pela fiscalização. (rubrica 283 – INDENIZAÇÃO BONUS, rubrica 286 – INDENIZAÇÃO DIRETOR). Em síntese, a motivação apresentada pela fiscalização para a inclusão no lançamento de cada uma das rubricas foi a seguinte: Rubrica 161 – Indenização por tempo de serviço – deixou de reconhecer a existência de isenção, apesar de compreender como ganho eventual, por entender que o ganho estava vinculado ao salário e ter sido previsto em Acordo Coletivo e não em lei; Rubrica 165 – Indenização estabilidade – reconheceu a natureza indenizatória, mas não conseguiu enquadrar em uma hipótese de isenção; Rubrica 230 – Ajuda custo Apontou que a ajuda de custo para colaborador transferido de seu local de trabalho era paga mais de uma vez, o que violava a norma isentiva; Rubrica 233 – Abono ACT – o abono previsto em Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) não estavam desvinculados do salário e não haviam previstos em lei em sim em ACT; Rubrica 283 – Indenização Bônus – a indenização ao diretor não empregado Silvio Ricardo foi incluída na base de cálculo tendo em vista que a empresa não apresentou o contrato de trabalho de modo que pudesse ser apurada sua natureza jurídica; Rubrica 286 – Indenização Diretor – as indenizações concedidas a dois diretores , Sebastião Bussolar e José Salomão, foram incluídas na base de cálculo, tendo em vista que a empresa não apresentou os contratos de trabalho de modo que pudesse ser apurada suas naturezas jurídicas. Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.653 7 Após tomar ciência postal da autuação em 30/06/2011, fls. 269, a recorrente apresentou impugnação, fls. 1283/1303, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 14ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 1518/1538, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 17/01/2012, fls. 1540. O recurso voluntário, apresentado em 14/02/2012, fls. 1545/1572, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Protesta pela nulidade da autuação fiscal em virtude de não ter havido a materialização da suposta obrigação tributária, o que ofenderia a legalidade. Haveria violação dos arts. 97 e 142 do Código Tributário Nacional (CTN). A fiscalização não teria fundamentado a natureza remuneratória ou o cunho habitual dos pagamentos. Aponta ter ocorrido ilegalidade na fixação das multas, por conta da aplicação equivocada do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Defende que é necessário que o pagamento tenha natureza remuneratória ou seja pago com habitualidade para que haja a adequação do caso à hipótese prevista na norma de incidência. Passa a tratar individualmente cada uma das rubricas relacionadas pela fiscalização. Rubricas 161 e 391 – Indenização tempo de serviço e diferença de indenização – Para estas rubricas a Turma a quo teria afastado a natureza indenizatória das verbas por entender se tratar de gratificação ajustada. Porém são indenizações nos moldes dos arts. 478 e 479 da CLT. Não existe habitualidade, pois são pagas somente no momento da demissão. Nem haveria que se considerar isenção, uma vez que nem haveria incidência, por se tratarem de verbas indenizatórias. A eventualidade de tais pagamentos foi reconhecida pela fiscalização e pela Turma a quo, o que colocaria as verbas sob a proteção da isenção do art. 28, §9º, “e”, item 7 da Lei 8.212/91. Rubrica 165 – Indenização estabilidade – Informa que tais pagamentos referemse à indenização correspondente aos doze meses que antecedem a aposentadoria para aqueles demitidos nesse período. Aponta que o próprio fiscal reconheceu o caráter indenizatório de tais pagamentos, porém a Turma a quo, entendeu tratarse de salário dos últimos doze meses antes da aposentadoria que deveria sofrer a incidência da contribuição. Entende, a despeito disso, que os pagamentos devem desfrutar da isenção do art. 28, §9º, da Lei 8.212/91. São pagamentos estabelecidos em consonância com a CLT, em seus arts. 477, 478 e 499. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.654 8 Rubrica 230 – Ajuda de custo – Justifica que segregou o pagamento da ajuda de custo em parcelas mensais, por ter constatado que alguns beneficiários acabavam por deixar a empresa. Seu procedimento encontraria amparo no art. 470 da CLT. Entende que eram parcelas únicas pagas de forma partilhada. Rubrica 233 Abono ACT – A Turma a quo acatou entendimento da fiscalização que a desvinculação salarial dos abonos devia ser previsto em lei. Suscita a aplicação das conclusões do Parecer 2.114/2011 que pugnou pela dispensa de apresentação de contestações por parte da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em casos de abono único. Rubricas 283 e 286 – Indenização Bônus e Diretor – aduz que celebrou contrato de trabalho por tempo determinado e que pagou indenizações nos moldes do art. 479 da CLT. O fato de não apresentado os contratos de trabalho não levaria às conclusões adotadas pela fiscalização e pela Turma a quo. No entanto, junta os referidos contratos com o presente recurso. Não haveria nos autos provas de que os pagamentos destinavamse a retribuir o trabalho. Eram pagamentos únicos e de natureza indenizatória. Reclama da Representação Fiscal para Fins Penais (RFPFP) por entender não haver motivação para sua existência. É o relatório. Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.655 9 Voto Conselheiro Mauro José Silva: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento em parte, conforme veremos a seguir. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.656 10 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.657 11 único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.658 12 Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.659 13 Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.660 14 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.661 15 Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.662 16 ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.663 17 fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.664 18 Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Observamos a inexistência de pagamentos relativos aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 30/06/2011, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 11/2005. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Porém, o presente lançamento toma apenas períodos posteriores a tal data, logo, não há que se falar em períodos decadentes no caso. Indenizações pagas por liberalidade no momento da rescisão contratual em parcela única. O TST tem afastado a natureza de gratificação ajustada às indenizações pagas por liberalidade da empresa no momento da rescisão contratual, conforme podemos conferir no julgado abaixo transcrito (ementa e voto do relator): RECURSO DE REVISTA. (...) NATUREZA SALARIAL DA VERBA `INDENIZAÇÃO ESPONTÂNEA. A atribuição de indenização espontânea, relativa a evento determinado, qual seja, a rescisão contratual, sendo devida uma única vez, denota o caráter de liberalidade, não se lhe aplicando o conceito de gratificação ajustada, razão porque não houve violação ao art. 457, CLT. Não conhecido. (RR489520/1998.6, Rel. Juíza Convocada Maria do Perpétuo Socorro Wanderley de Castro, 1ª Turma, DJ 28/04/2006) Trecho de voto do relator: ... Segundo o art. 457, § 1º da CLT, a remuneração é integrada pelas gratificações ajustadas. Todavia, esse alcance tem em vista as que se contratualizam durante o contrato de trabalho, mediante ajuste, expresso ou tácito, consubstanciado pelo ato patronal que institui determinada verba, com valor e periodicidade certos, a ser paga em caráter geral, a empregados. A gratificação em discussão foi prevista, em bases certas e quanto a evento determinado, qual seja, a rescisão contratual; logo, sobressai que ela é devida uma única vez, a denotar o aspecto de liberalidade, bastante a lhe excluir o alcance de gratificação ajustada, ainda que sua percepção seja decorrente do ato de adesão do empregado à proposta. Como explica Luiz José de Mesquita sobre a natureza das gratificações: A ajustada é remuneração ou salário adicional e a sua natureza jurídica, com fundamento no contrato, é salarial. A não ajustada funciona como prêmio ou simples liberalidade e a sua natureza jurídica é premial ou simplesmente liberal.; e mais a gratificação premial Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.665 19 ou a gratificaçãoliberalidade é uma compensação concedida liberalmente pelo empregador devido à colaboração do empregado ou a título de desprendimento. ... Assim sendo, em sintonia com a jurisprudência do TST, concluímos que as indenizações concedidas por liberalidade da empresa por conta de rescisão contratual não são gratificações ajustadas e não estão compreendidas no conceito de remuneração. Ultrapassada a primeira parte do inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, duas outras partes compõem a hipótese de incidência da contribuição previdenciária devida pelo empregador: os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de ajustes salariais. Fácil concluir que as indenizações espontâneas não se encaixam em ambas as hipóteses. Os pagamentos não tomaram a forma de utilidades e não são adiantamentos decorrentes de ajustes salariais. Não estando no campo de incidência, os pagamentos a título de indenização por liberalidade da empresa concedida no momento da rescisão contratual não podem permanecer na base de cálculo da contribuição previdenciária. Em adição, ainda que as considerássemos como pertencentes ao campo de incidência da contribuição, deveríamos reconhecer que desfrutam da isenção da primeira parte do item 7 do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Para tanto, interpretamos o vocábulo eventual em oposição a habitual, contínuo, pois assim a CLT o fez no caput do seu art. 3º, ao estabelecer os requisitos necessários ao empregado. Não desconhecemos que o vocábulo “eventual” é tratado pelo dicionário Michaelis com três significados: (i) dependente de acontecimento incerto; (ii) casual, fortuito; (iii) variável. Isso permitiria, passando pela interpretação gramatical, assumirmos, como o fez a ilustre relatora, a oposição de eventualidade com imprevisibilidade, incerteza. Mas entendemos, considerando o conteúdo do caput do art. 3º da CLT e mesmo das muitas referências a “eventuais” contidas na Lei 8.212/91, que estaríamos negando a harmonia sistemática das normas se interpretássemos ganho eventual como sinônimo de ganho imprevisível. Interpretaremos, portanto, ganho eventual, em oposição a ganho repetido, habitual. Sabendo da dificuldade de conceituarmos o que é habitual, adotaremos, como primeiro critério, a habitualidade como a qualidade daquilo que é freqüente, que é repetido muitas vezes, o que implica tomarmos como habitual aquilo que é, ou poderá ser, repetido mais de três vezes durante a duração do contrato de trabalho. No caso em destaque, os pagamentos eram feitos uma única vez durante o contrato de trabalho, sendo, portanto, ganhos eventuais que estão incluídos na norma isentiva da primeira parte do item 7 do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Logo, as Rubricas 161, 391 e 165 devem ser excluídas do lançamento. Ajuda custo recebida em decorrência de mudança de local de trabalho. Existe isenção para a ajuda de custo em decorrência de mudança de local de trabalho paga em parcela única, conforme art. 28, §9º, alínea “g”, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.666 20 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10 de Dezembro de 1997) (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT ; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10 de Dezembro de 1997) (...) A referência que a norma isentiva faz ao art. 470 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) reforça o requisito de que o pagamento seja feito em parcela única, pois aquela norma trabalhista define que as despesas de transferência correm por conta do empregador. Como a transferência ocorre uma única vez, os demais pagamentos acabam por perder tal natureza jurídica. Porém, não podemos ignorar que a primeira parcela, isoladamente considerada, mantém as características exigidas para desfrutar da isenção. As parcelas pagas a título de ajuda de custo que sucedem à primeira revelam caráter remuneratório, tendo em vista serem pagam em contraprestação pelo trabalho. Assim, reconhecido pela recorrente que houve mais de um pagamento a título de ajuda de custo por transferência de local de trabalho, devem ser mantidas na base de cálculo da contribuição as parcelas que sucederam à primeira, afastandose esta do lançamento. Abono. Natureza Jurídica. Parcela única. Parecer PGFN 2.114/2011. Princípio da eficiência. O STJ já expressou entendimento no sentido de que o abono é importância paga ao trabalhador como substituição ou antecipação de reajuste salarial, ou seja, é parcela paga com objetivo de incrementação do pagamento do trabalhador com vistas à amenização de defasagem salarial, conforme pode ser constatado nos seguintes julgados: "TRIBUTÁRIO – IRRF – ABONO SALARIAL CONCEDIDO POR MEIO DE CONVENÇÃO COLETIVA – NATUREZA SALARIAL – INCIDÊNCIA DO TRIBUTO – PRECEDENTES. A jurisprudência desta Corte há muito se cristalizou no sentido de que as verbas recebidas a título de abono salarial em virtude de acordo ou convenção trabalhista possuem natureza remuneratória, porquanto substituem reajuste salarial e, assim, constituem fato gerador do imposto de renda, sendo passíveis, portanto, de incidência do imposto de renda na fonte. Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.667 21 2. Precedentes: REsp 696.677/CE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 7.3.2007; AgRg no REsp 766.016/CE, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 12.12.2005; REsp 449.217/SC, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 6.12.2004. Agravo regimental improvido. " (AgRg no REsp 885.006/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 31.5.2007, p. 424) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. ABONO CONCEDIDO EM DISSÍDIO TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. SÚMULA 83/STJ. 1. O abono concedido em razão de dissídio coletivo de trabalho tem natureza remuneratória, razão pela qual sobre ele incide o Imposto de Renda. 2. 'Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida' (Súmula 83/STJ). 3. Agravo regimental improvido." (AgRg no Ag 764.115/PI, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 25.8.2006, p. 326) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO IR ABONO CONCEDIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA NATUREZA SALARIAL PRECEDENTES. 1. O abono concedido aos empregados, em virtude de acordo trabalhista, tem natureza jurídica de salário, por isso que em substituição de reajuste salarial, constituindo fato gerador do imposto de renda. 2. Agravo regimental provido." (AgRg no REsp 766.016/CE, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 12.12.2005, p. 349) Assim, somente podem ser reconhecidas com a natureza de abono as importâncias que tenham relação com a negociação do reajuste salarial. No caso presente não temos elementos que apontem a relação entre o abo no e o reajuste salarial, o que retira da parcela paga a natureza de abono. Assim, não deveria tal parcela desfrutar da isenção do art. 28, §9º alínea “e”, tem 7 da Lei 8.212/91. Porém, a posição acima registrada diz respeito ao mérito da discussão sem considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência. A respeito da incidência da contribuição previdenciária sobre o abono único temos que considerar o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.114/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.668 22 Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. Diante da existência do Parecer PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda, ocorrerão os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, in verbis: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3o Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Do dispositivo acima transcrito, extraímos a conclusão de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil irá rever de ofício o lançamento que tratar de matérias objeto de parecer da PGFN aprovado pelo Ministro. Ou seja, ainda que o CARF decida pela manutenção do lançamento nesse aspecto, o crédito tributário não prevalecerá para inscrição em dívida ativa. Se insistirmos em expressar nossa posição de mérito em Acórdão do Colegiado, tal ato administrativo restará desprovido de finalidade e em dissonância com o princípio da eficiência. Portanto, mesmo não concordando com as conclusões do referido Parecer PGFN, adotaremo Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.669 23 las para evitarmos a emissão de um ato administrativo (Acórdão) sem finalidade e em homenagem ao princípio da eficiência. Assim, votamos por excluir da base de cálculo os valores da Rubrica 233 Abono ACT. Indenizações concedidas a diretores. Rubricas 283 e 286. A recorrente alega que firmou contrato de trabalho por tempo determinado com alguns de seus empregados e diretores, tendo pago indenização a estes por conta da rescisão do referido contrato antes do prazo avençado. No entanto, não apresentou provas da existência de tais contratos até o julgamento de primeira instância. Juntamente com seu Recurso Voluntário anexou documentos que alega seriam os contratos de trabalho citados de modo a comprovar a existência do pacto aventado. No entanto, os documentos anexados em fls. 1595/1616 possuem características que não lhes conferem idoneidade suficiente para apoiar nosso convencimento sobre a existência tempestiva dos referidos contratos. Inexplicavelmente, a recorrente deixou de juntar tais contratos até o julgamento de primeira instância e o fez em anexo a seu Recurso Voluntário sem fornecer qualquer justificativa plausível para tanto. Tal fato é indício da inexistência dos contratos no tempo da fiscalização. Ademais, os contratos não contém outros elementos que possam corroborar a sua existência ao tempo da fiscalização ou mesmo em 2005/2006. Ao contrário, várias omissões indicam a conclusão oposta: os diretores que assinam pelas empresas contratantes não são identificados e não há provas de que tais diretores possuíam poderes, na época própria, para assumir obrigações pelas empresas. Assim, temos um conjunto de indícios e omissões que retiram a idoneidade dos documentos juntados de modo que não podem servir para apoiar nosso convencimento. Sem provas idôneas da existência do contrato de trabalho, não há como aceitarmos a alegação de que os valores pagos aos empregados e diretores, assinalados nas Rubricas 283 e 286 referemse à indenizações por rompimento antecipado de contrato de trabalho por tempo determinado. Sem tais provas, correta a conclusão assumida pela autoridade fiscal que os valores pagos representam contraprestação pelo serviço prestado pelos diretores que possuem natureza de remuneração. Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.670 24 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.671 25 Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.672 26 Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.673 27 Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.674 28 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.675 29 Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. A respeito da Representação Fiscal para Fins Penais Os argumentos quanto ao ilícito penal não são objeto da discussão administrativa regida pelo Decreto 70.235/72. Se foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, com natureza de notitia criminis, quando e se esta for enviada ao Ministério Público, a Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301003.209 S2C3T1 Fl. 1.676 30 recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. Afastamos, portanto, os argumentos dessa natureza. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a determinar que: (a) sejam excluídas do lançamento as Rubricas 161, 391, 165 e 233; (b) seja afastada do lançamento a primeira parcela paga a cada empregado em relação à Rubrica 230; (c) nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; (d) nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 35570.005011/2006-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Data do fato gerador: JANEIRO/2002 a JUNHO/2005
Consolidada em 13/12/2005
DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO CORESP
Alega o Recorrente que o presente Auto de Infração é nulo em razão de que
muitos dos CoResponsáveis
nen compunham a direção dela.
Na verdade a relação é tão somente uma indicação que servirá para PGFN em
caso futuro de providencias judiciais cabíveis, mas a manutenção do nome no
rol compeliria a permissão deles exercitarem a Ampla Defesa e o
Contraditório, razão pela qual devem ser excluídos da lide, ao menos nesta
fase.
AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE COMUNICADO DE ACIDENTE DE
TRABALHO CAT
O fato de a Recorrente ser uma empresa de grande porte não a exime de
deixar de emitir o comunicado de acidentes de trabalho CAT.
A emissão do CAT está previsto em lei, não havendo exceções, deve ser
impostas as sanções exigíveis, como é o caso.
ERRO NO CÁLCULO COM BASE NA CIRCUNSTÂNCIA
AGRAVANTE
A gradação da multa em decorrência da reincidência não se aplica apenas aos
casos em que haja infração idêntica à prevista no AI lavrada anteriormente,
pois o § 3° do artigo 289 do RPS é claro ao asseverar que a reincidência é
caracterizada de acordo com os arts. 290 e 292 do mesmo RPS, cujos
parágrafo único e inciso IV, respectivamente, reportamse
a qualquer tipo de
infração, estabelecendo, inclusive, forma de cálculo distinta para as
elevações.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.611
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos listados no CORESP, nos termos do voto do
Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que votou em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis
é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Leonardo Vinicius C. de Melo OAB: 137.721/RJ. Fez sustentação oral: COMPANHIA SIDERURGICA NACIONAL. Votação: Por Maioria Vencido(s) na votação: MARCELO
OLIVEIRA
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Na verdade a relação é tão somente uma indicação que servirá para PGFN em caso futuro de providencias judiciais cabíveis, mas a manutenção do nome no rol compeliria a permissão deles exercitarem a Ampla Defesa e o Contraditório, razão pela qual devem ser excluídos da lide, ao menos nesta fase. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE COMUNICADO DE ACIDENTE DE TRABALHO CAT O fato de a Recorrente ser uma empresa de grande porte não a exime de deixar de emitir o comunicado de acidentes de trabalho CAT. A emissão do CAT está previsto em lei, não havendo exceções, deve ser impostas as sanções exigíveis, como é o caso. ERRO NO CÁLCULO COM BASE NA CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE A gradação da multa em decorrência da reincidência não se aplica apenas aos casos em que haja infração idêntica à prevista no AI lavrada anteriormente, pois o § 3° do artigo 289 do RPS é claro ao asseverar que a reincidência é caracterizada de acordo com os arts. 290 e 292 do mesmo RPS, cujos parágrafo único e inciso IV, respectivamente, reportamse a qualquer tipo de infração, estabelecendo, inclusive, forma de cálculo distinta para as elevações. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos listados no CORESP, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que votou em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Leonardo Vinicius C. de Melo OAB: 137.721/RJ. Fez sustentação oral: COMPANHIA SIDERURGICA NACIONAL. Votação: Por Maioria Vencido(s) na votação: MARCELO OLIVEIRA (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro de Moraes. Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) materializado pelo n° 35.883.2411, consolidada em 13/12/2005, em desfavor da empresa Recorrente por deixar de comunicar, ao INSS, os acidentes de trabalho relacionados nas fls. 58/60, bem como deixar de emitir as comunicações de acidentes de trabalho (CAT) em virtude de ocorrência de exames médicos alterados com a prevalência de origem ocupacional, no período de JANEIRO/2002 a JUNHO/2005. O fundamento da autuação supramencionada é respaldado no argumento de que a empresa teria violado às disposições contidas no item 7.4.8 da Norma Regulamentadora — NR n° 071, aprovada pela Portaria MTE n° 3.214, de 08/06/1978, combinado com o artigo 337, do Decreto n° 3.048/19992 e, ainda, com o artigo 20, incisos I e II, da Lei n° 8.213/1991. Isso significa dizer que é responsabilidade da empresa emitir as respectivas CAT’s em caso de ocorrência de exames médicos alterados com prevalência de origem ocupacional, para que a perícia médica do INSS estabeleça ou não o nexo causal entre a doença e o trabalho. Além disso, em decorrência da infração praticada, a fiscalização, com fundamento no artigo 22, da Lei n° 8.213/91, no art. 28, §3° e 5° da Lei 8.212/91 combinados com o artigo 286, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, exigiu da empresa, a título de multa, o pagamento no valor de R$ 4.064.400,00 (quatro milhões sessenta e quatro mil e quatrocentos reais). A fiscalização fundamentou a aplicação desse valor por ter levado em consideração a reincidência dessa infração, em função da existência dos AutosdeInfração n° 35.180.5974, 35.534.7075, 35.180.4781, 35.095.9706 e 35.180.5966, tendo, por conseguinte, a Recorrente incorrido nas circunstâncias agravantes previstas no artigo 290, inciso V, combinado com o artigo 292, inciso IV, ambos do Regulamento da Previdência Social. Assim, o cálculo da multa foi efetuado da seguinte forma: valor mínimo do saláriode contribuição (R$300,00), multiplicado pela quantidade de ocorrências da infração, perfazendo um montante de R$ 677.400,00 (seiscentos e setenta e sete mil e quatrocentos reais), que, por sua vez, foi multiplicado por 3 (três) em virtude da reincidência específica, sendo, após o resultado encontrado Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 35570.005011/200608 Acórdão n.º 2301002.611 S2C3T1 Fl. 7 3 multiplicado por 2 (dois), em virtude da reincidência genérica, totalizando o valor de R$ 4.064.400,00 (quatro milhões, sessenta e quatro mil e quatrocentos reais). Inconformada com a autuação, em 29 de dezembro de 2005, a Recorrente apresentou sua impugnação tempestiva onde, em síntese, alega o descabimento da autuação realizada pela insubsistência do crédito tributário, bem como a ilegalidade na majoração da multa aplicada em razão da reincidência fundamentada pela fiscalização. No dia 24 de agosto de 2006, a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório n° 17.422.4/0020/2006 (fls. 243/246). Tal despacho fundamenta a retificação da multa original aplicada no valor de R$ 4.064.400,00 (quatro milhões, sessenta e quatro mil e quatrocentos reais) para o valor ajustado de R$ 2.709.600,00 (dois milhões, setecentos e nove mil e seiscentos reais), conforme prevê o artigo 286, § 2°, do RPS, combinado com o artigo 657 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005. Dessa forma, a fiscalização reconheceu que o procedimento correto para apurar a multa seria da seguinte forma: multiplicase o valor mínimo do saláriodecontribuição (R$ 300,00) pela quantidade de ocorrências da infração encontradas pela fiscalização, que perfaz um montante de R$ 677.400,00 (seiscentos e setenta e sete mil e quatrocentos reais). E, em cima desse valor, são aplicadas as reincidências genéricas e específicas, multiplicando a multa por 2 (dois) a cada reincidência considerada. Devidamente notificada, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 204/218). Ato contínuo, a Autoridade Julgadora, concluiu pelo indeferimento da Impugnação apresentada, mantendo, em sua íntegra, o Auto de Infração n° 35.883.2411, fundamentado pelos seguintes argumentos, in verbis (DecisãoNotificação n°. 17.422.4/0012/2007 de fls. 270/283): "OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO. OCORRÊNCIA DE EXAMES MÉDICOS ALTERADOS. VALOR DA MULTA. ROL DE REPRESENTANTES LEGAIS. FINALIDADE CADASTRAL. A empresa é obrigada a comunicar ao INSS todas as ocorrências consideradas como acidentes de trabalho, inclusive os casos relacionados a exames médicos alterados, para que o INSS faça ou não o reconhecimento técnico do nexo causal entre a doença e o trabalho, dentre outros. Nos casos em que ocorra reincidência de infração à legislação previdenciária o valor da multa cabível corresponde ao resultado sucessivo e cumulativo das elevações aplicadas sobre o valor mínimo estabelecido para a multa respectiva. A relação que contém a identificação dos representantes legais da empresa não tem o condão de atribuir, no lançamento, a responsabilidade pelo crédito tributário, mas tão somente de fornecer e informar os dados cadastrais do contribuinte. AUTUAÇÃO PROCEDENTE". Ainda descontente com a DecisãoNotificação supra, a Recorrente pleiteia em sede de Recurso Voluntário (fls. 288/306), os seguintes pontos, em síntese abaixo: 1) Aduz erro no critério utilizado para a gradação da multa; 2) Atesta que não houve uma demonstração minuciosa e individualizada dos casos em que a fiscalização alega que não houve emissão da CAT, acarretando, portanto, cerceamento de defesa. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Alega, por outro lado, que não está obrigada a emitir CAT para primeiro exame sugestivo de “PAIR” e que algumas CAT´s foram devidamente emitidas; 3) Fundamenta que pelo artigo 230, parágrafo único da IN INSS/DC n° 118, de 14/04/2005, a incidência de equívoco da autoridade julgadora quando estabelece que cabe à Perícia Médica do INSS caracterizar o acidente do trabalho, referindose, nesse contexto, às situações em que não há afastamento do segurado por período superior a 15 (quinze) dias. Eis o relato dos fatos. Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame do mérito. ‘Ab initio’ é importante salientar que a peça defendente inicial foi juntada aos autos do processo desacompanhada de prova material do que alegou em defesa. E isto é muito importante no julgamento, já que o ônus da prova, na dinâmica do Código Civil Brasileiro é da Recorrente, artigo 333, I. Assim, em que pese o esmero aplicado para elaborar as perfulgentes peças, seja na impugnação ou no recurso voluntário, tenho que não foram assaz para desconstituírem o Autode Infração, e tão pouco ainda a DecisãoNotificação, uma vez que os argumentos utilizados não podem ser acolhidos, ainda mais quando desacompanhados de provas. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO CORESP Alega o Recorrente que o AI lavrado e combatido na impugnação e na presente peça recorrente há requisitos que deixaram de ser cumpridos por ausência de clareza, precisão e pormenorização dos fatos (conduta), que ensejaram a imputação da infração, sendo que os diretores, muitos deles nem mesmo compunham o quadro diretório à época autuada, coresponsáveis pelas infrações. Há o “CORESP — RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS" (fls. 04 a 07), que constitui um elemento obrigatório para a instrução do processo administrativofiscal previdenciário, conforme estabelece o art. 660, inciso X, da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/2005: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos; X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Então, numa analise interpretativa da lei, temse que a finalidade do CORESP é atribuir a complementação de dados cadastrais da autuada, nomeando os representantes legais da mesma, conforme estatuto social. Diz o Recorrente que não há capitulação legal que autorize a relação dos co responsáveis no AI. Mas, perguntase: se o Artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14.JUL.2005, não é uma normatização legal, o que seria? Desta forma, ainda que queira o Recorrente alegar que esta obrigação cadastral afete a ampla defesa, o contraditório e outros quejandos, penso ser inadmissível tal alegação, não assistindo razão ao apelo do mesmo. Entretanto, como serve como referência a ser observado pela PGFN em caso de execução, temse que a manutenção neste momento é desnecessária. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 35570.005011/200608 Acórdão n.º 2301002.611 S2C3T1 Fl. 8 5 Ademais, manterse o rol deverseia ser intimada pessoalmente para exercício dos princípios pétreos da Ampla Defesa e Contraditório. Por isto, por outro lado, não há como manter os Coresponsáveis no rol de devedores. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE COMUNICADO DE ACIDENTE DE TRABALHO CAT Diz a Recorrente ser ela uma das maiores empresas do Brasil, e que por isto mesmo possui mais de 7 (sete) mil colaboradores, sem contar as demais empresas que compõem o grupo econômico, alegando que este perfil demonstra que ela detém uma série de sistema de controles rígidos. Ora, ‘permissa venia’, pode a Recorrente ter um sério sistema de controles rígidos, como alega. Mas, isto não é o suficiente para autorizála a descumprir o que determina a lei. Seus argumentos, neste quesito, sem muito esforço para aceitar as exaustivas razões trazidas à baila pela Recorrente, poderiam até ser aceitos, se não estivem contrário a legalidade, como é o caso. A esvaída alegação de que a perda de audição, como foi o exemplo dado pela Recorrente, não obriga a emissão do CAT, porque pode derivar de casos diversos que não oriundo do trabalho exercido, devendo, portanto, aguardar por pelo menos um ano para emissão do CAT, após analise da empresa. Este argumento, com toda lhaneza, ultrapassa o bom censo de qualquer julgador, porque estaria impondo ao INSS o cumprimento de uma obrigação da empresa, já que teria que ter pelo menos 5 vezes mais o número de fiscais para poder acompanhar a evolução dos casos, deixados ao ‘bel’ julgo das empresas. Ademais, não pode a empresa, como quer a Recorrente, determinar o grau da anomalia de saúde causada ao trabalhador pela função exercida, tirando do INSS uma incumbência sua estabelecida pelo Artigo 337 do RPS. Isto porque, todo PAIR deve ser comunicado ao INSS através do CAT. Então, também neste quesito, acertada a decisão ‘a quo’, porque demonstra a legalidade da fiscalização que autuou a Recorrente, ressaltando que o Ministério do Trabalho e Emprego, cujo qual tem autorização legal para expedir normas para o eficaz controle e manutenção da saúde do empregado, reconhece a atribuição do INSS, quando trata da necessária emissão do CAT; NORMA REGULAMENTADORA N° 07, APROVADA PELA PORTARIA MTE N° 3.214, DE 08/06/1978 7.4.8. Sendo constatada a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, através de exames médicos que incluam os definidos nesta IR; ou sendo verificadas alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, através dos exames constantes dos Quadros 1 (apenas aqueles com interpretação SC) e ll, e do item 7.4.2.3 da presente NRA mesmo sem sintomatologia, caberá ao médicocoordenador ou encarregado: a) solicitar à empresa a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho CAT; (107.0410/li) c) encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho; (107.0436/li" Veja que a Norma Regulamentadora que trata do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) não dá o poder ao mesmo de emitir o CAT após o diagnostico final. Ao contrário, determina a emissão do comunicado e o encaminhamento do trabalhador à PS para o estabelecimento do nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 O que se viu dos argumentos do Recorrente é que ele deseja inverter as funções, sem contudo, respeitar a legalidade, ou seja, quer dizer o que deve ser tido pelo INSS. De forma que todos os argumentos expendidos pelo Recorrente não merecem prosperar, ao menos neste quesito. ERRO NO CÁLCULO COM BASE NA CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE Diz a Recorrente que outra anomalia e ilegalidade imposta no AI é o fato de os cálculos da multa estar errados em função da cumulação de reincidências aplicadas. Segundo a Recorrente o parágrafo 2° do Artigo 286 do Regulamento da Previdência Social, estabelece multa que deverá ser elevada em duas vezes cada reincidência, mas a autoridade fiscal aplicou duas vezes duas. Ledo engano. A gradação da multa em decorrência da reincidência não se aplica apenas aos casos em que haja infração idêntica à prevista no AI lavrada anteriormente, pois o § 3° do artigo 289 do RPS é claro ao asseverar que a reincidência é caracterizada de acordo com os arts. 290 e 292 do mesmo RPS, cujos parágrafo único e inciso IV, respectivamente, reportamse a qualquer tipo der infração, estabelecendo, inclusive, forma de cálculo distinta para as elevações. Portanto sem razão a Recorrente, também neste quesito. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que tempestivo o recurso, e, portanto, deve ser recepcionado, para lhe dar parcial provimento para somente reconhecerlhe o direito de excluir o rol de co responsáveis, para no mérito negarlhe total provimento, reconhecendo o acerto da fiscalização e da Decisão Notificação exarada em primeira instância administrativa, devendo a mesma ser mantida em sua totalidade, porque não houve agressão a princípios da Constituição e tão pouco da legislação específica. É como voto. Sala das Sessões, 09 de fevereiro de 2012. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 13808.003247/2001-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1997
Ementa:
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de
21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à
ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11).
INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de
1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11). Fl. 82DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 16/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Margareth Valentini, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 02/05), para exigir crédito tributário de IRPF, exercício 1997, no montante total de R$ 8.129,15, correspondente a imposto suplementar, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora, originado da dedução indevida de despesas com instrução, despesas médicas, imposto de renda na fonte, carnêleão e dedução de incentivo. Inconformado com o lançamento, o contribuinte interpôs impugnação (fls.01/02), cujas principais alegações estão assim resumidas no relatório do acórdão de primeira instância, o qual adoto, nessa parte: 1. Todas as deduções feitas em sua declaração foram comprovadas, após notificação fiscal, conforme anotação feita no pedido de esclarecimentos (OK), faltando apenas a referente a despesas médicas, devido impossibilidade de obtenção de 2a via, tendo em vista o prazo decorrido. 2. Está disposto a apresentar os documentos probatórios das deduções e darfs recolhidos novamente. As despesas com o Seguro Saúde Bradesco estão sendo pagas até hoje, como comprova o documento juntado, de filiação de mais de 10 anos, sua e de sua mulher (dependente). As despesas de instrução Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13808.003247/200123 Acórdão n.º 220101.528 S2C2T1 Fl. 2 3 foram gastos com cursos feitos pelo contribuinte, como engenheiro, e por sua mulher, como professora, no importe insignificante de R$ 100,00 por mês, dando o total declarado. 3. Junta novamente todos os documentos que comprovam a exatidão da declaração feita, já verificadas pela fiscalização e obtido o OK, para o cancelamento do auto de infração. Após analisar a matéria, os Membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente em PARTE o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/STM n°4.357 de 22 julho de 2005, fls. 32/34, para afastar do lançamento o valor de R$1.252,49 referente ao recolhimento a título de carnêleão, as demais glosas foram mantidas por não ter sido apresentado nenhum outro elemento capaz de comprovar as deduções pleiteadas. Foi acostada aos autos a Certidão de Óbito do contribuinte, falecido em 14/12/2007 (fls.40). A decisão da DRJ foi enviada e recebida em 21/05/2008 (fls. 46), tendo sido apresentado em 18/06/2008, Recurso Voluntário (fls.47/60), pelos procurados nomeados pela inventariante do espólio do contribuinte (fls.60/63), insurgindose contra a multa de ofício, a aplicação da taxa Selic e a decadência do lançamento. Sobre os fundamentos desse último argumento, cabe extrair o enxerto a seguir transcrito, que foi fundamentado por vasta jurisprudência desse Conselho: “23. Tratandose de tributo sujeito a homologação, a Fazenda Pública tem o prazo de 5 (cinco) anos para efetuar o lançamento de oficio caso o contribuinte não tenha recolhido o tributo total ou parcialmente. Neste caso, o lançamento de oficio segue a regra do parágrafo único do art. 173 do CTN ou seja, o lançamento estará consumado nos seguintes casos já suscitados acima: 1o) não havendo impugnação, com a homologação do auto de infração; 2°) havendo impugnação e sendo a decisão primeira favorável a Fazenda, se o sujeito passivo não recorrer; 3o) havendo recurso, com a decisão definitiva favorável à Fazenda. 24. No caso em questão configurase o último caso. Contudo, se considerarmos a segunda hipótese, o direito da Fazenda Pública também estaria acobertado pela decadência razão de que a decisão da primeira instância administrativa somente ocorreu m julho/2005. Conforme se verifica, a decadência do direito ao crédito tributário do Fisco se consumou em 01/01/2002.” O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls.65 (última). É o Relatório. Voto Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A autuação é glosa de diversas deduções nas declarações de ajuste anual do contribuinte, nos anocalendário de 2006, quando foram aradas deduções sobre as quais não comprovou e/ou justificou sua inclusão. Em sede de preliminar, o contribuinte argüi a ocorrência dos efeitos da decadência. É inquestionável que o lançamento do Imposto de Renda das Pessoas Físicas se dá pela modalidade de homologação, pois cabe ao Contribuinte calcular (definindo a base de cálculo tributável), pagar e declarar o imposto, de acordo com as regras legais vigentes. Nessas condições, a contagem do prazo decadencial para que a Fazenda Pública proceda à revisão dos tributos lançados por homologação obedece à regra especial, prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, que define tal prazo como sendo de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifos nossos) Assim, é a partir do momento em que se consolida o fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas, com a apuração do imposto devido, que se inicia a contagem do prazo decadencial e foi nessa linha se consolidou o posicionamento desse colegiado. Contudo, esse entendimento pacificado foi modificado, face a alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, que introduziu dispositivo no Regimento Interno deste E. Conselho que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, temos como parâmetro o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13808.003247/200123 Acórdão n.º 220101.528 S2C2T1 Fl. 3 5 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento e/ou imposto de renda retido na fonte, devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, independente de ser analisada a antecipação ou não do pagamento, o lançamento não estaria decaído, se não vejamos. O Auto de Infração foi lavrado em 11/04/2001, debruçouse sobre fatos geradores do anocalendário de 1996 e contra o qual foi apresentada impugnação em 05/05/2001. Se aplicarmos a regra do artigo 150, §4º do CTN, mais benéfica ao contribuinte, o prazo decadencial terminaria em 31/12/2001. Por outro lado, aplicado a regra do art. 173, I, do mesmo Código, o lançamento somente estaria fulminado pela decadência no ano seguinte, em 31/12/2002. Assim tendo ocorrido o lançamento, com a devida ciência do contribuinte em 2001, o mesmo encontrase perfeitamente válido. No que se refere ao outro argumento de decadência, baseado na data decisão da primeira instância administrativa, ocorrida em julho/2005, tampouco pode prosperar. Aperfeiçoado o crédito tributário pela ciência tempestiva do contribuinte, não há que se falar em decadência. No que se refere ao prazo prescricional, o mesmo é interrompido pela impugnação e só voltará a fluir após o trânsito em julgado do presente recurso administrativo. Neste sentido, manifestase o jurista Alberto Xavier em seu livro Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, pág. 427/428: “A suspensão da exigibilidade tem, como conseqüência necessária, a suspensão da prescrição. Afirmase, por vezes, mas sem razão, que o Direito Tributário só conhece a figura da interrupção da prescrição, única prevista no Código Tributário Nacional (artigo 174 parágrafo único). Com efeito, se o fundamento da prescrição é a inércia do credor no que respeita ao exercício de direitos, ela não poderá correr se a exigibilidade do direito se encontra, ela própria, suspensa por força da lei. A Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13808.003247/200123 Acórdão n.º 220101.528 S2C2T1 Fl. 4 7 suspensão da prescrição, em matéria tributária, está consagrada, pois, de modo implícito no artigo 151 do Código Tributário Nacional. A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o depósito, nem a liminar em mandado de segurança têm a eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade administrativa deve exercer o seu poderdever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito”. Inclusive, há muito, este já é entendimento pacífico no Conselho de Contribuintes, como se observa pelas ementas dos Acórdãos a seguir: “IRPF DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO Existente o crédito tributário, não há que se falar em decadência. A prescrição intercorrente também inexiste. Ela só pode ocorrer quando cabível a ação de execução, adequada para a cobrança do crédito tributário, a Fazenda Nacional tiver ingressado em juízo e descurarse de ato processual que deva praticar, mantendose inerte por mais de 05 anos, de acordo com o artigo 174 do CTN.” (Acórdão 10242693, de 18/02/1998) “IRPF PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO A apresentação da impugnação suspende o início da contagem da prescrição em virtude da consolidação do lançamento somente ocorrer por ocasião da decisão definitiva na esfera administrativa. A partir da ciência da decisão definitiva, iniciase o prazo para a fazenda cobrar o seu crédito já líquido e certo, e também o prazo prescricional. Este é o entendimento, não só deste Tribunal Administrativo mas também do Supremo Tribunal Federal.( CTN arts. 151 e 174).” (Acórdão 10244131, de 23/02/2000) “PRELIMINAR PRESCRIÇÃO – a contagem do prazo prescricional para cobrança do crédito tributário se inicia após o trânsito em julgado das decisões dos recursos administrativos na forma do PAF. Inteligência do art. 174 c/c art. 145 do Código Tributário Nacional CTN.” (Acórdão 10248436, de 25/04/2007) “PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE – Não ocorre a prescrição prevista no art. 174 do CTN quando não constituído definitivamente o crédito tributário, em virtude de a exigência encontrarse suspensa por força de impugnação ou recurso na esfera administrativa. Súmula nº 11 do 1º Conselho de Contribuintes.” (Acórdão 10809569 de 06/03/2008) Ademais, qualquer controvérsia foi afastada por meio de Súmula deste Conselho: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Assim, não há como ser aplicada a prescrição, pois a exigência encontravase suspensa, devendo portanto ser rejeitada a preliminar de decadência argüida. O recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. É importante ressaltar que a multa pelo não pagamento do tributo devido é imposição de caráter punitivo, constituindose em sanção pela prática de ato ilícito, e infrações a disposições tributárias. O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontrase no artigo 161 do Código Tributário Nacional, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”, extraindose daí o entendimento de que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa – de mora ou de ofício , dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. Assim, a multa de 75% é devida, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco do art. 150, IV da CF, não se conflitando portanto, com o estatuído no art. 5°, XXII da CF, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência, sendo perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, por não se aplicar às penalidades pecuniárias de caráter punitivo o princípio de vedação ao confisco. Inclusive no que se refere a suposta inconstitucionalidade da multa, bem como seu caráter confiscatório, já é posição sumulada deste 1o Conselho de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (Súmula CARF nº 2). Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, esta também já é matéria objeto de súmula deste Conselho, o que dispensa maiores considerações a respeito. Tratase da Súmula CARF nº 4, a seguir reproduzida: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” (Súmula CARF nº 4). Dessa forma, estando válido o lançamento, o mesmo somente poderia ser afastado, se o contribuinte lograsse comprovar as deduções pleiteadas, nos temos do art.73 do RIR/99 que determina: “Art. 73 Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora” Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13808.003247/200123 Acórdão n.º 220101.528 S2C2T1 Fl. 5 9 Não tendo o contribuinte logrado comprovar no recurso voluntário, qualquer uma das deduções pleiteadas, não há qualquer reparo a fazer ao lançamento e a decisão de primeira instância, que inclusive acolheu as deduções devidamente confirmadas através de documentação hábil e idônea. Diante do exposto, deixo de acolher a preliminar de decadência e no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 17883.000380/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Anos-calendários: 2003 a 2005 Ementa: DECADÊNCIA. Cabe declarar de ofício a decadência quando se comprova que parte dos lançamentos foi efetivada depois do prazo estabelecido pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN. GLOSA TOTAL DE CUSTOS E DE DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe glosar a totalidade dos custos e das despesas, sem aprofundamento da investigação pela Fiscalização. Hipótese que demanda o arbitramento do lucro exacionável. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Tendo o contribuinte atendido a algumas das intimações e prestado parte dos esclarecimentos devidos, não se pode aplicar o agravamento da multa de ofício.
Numero da decisão: 1101-000.805
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício interposto. Votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausente, justificadamente, o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro Plinio Rodrigues Lima, e na presidência pela Conselheira Edeli Pereira Bessa
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000380/200852 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 110100.805 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2012 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TPAR TERMINAL PORTUÁRIO DE ANGRA DOS REIS S.A. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Anoscalendários: 2003 a 2005 Ementa: DECADÊNCIA. Cabe declarar de ofício a decadência quando se comprova que parte dos lançamentos foi efetivada depois do prazo estabelecido pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN. GLOSA TOTAL DE CUSTOS E DE DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe glosar a totalidade dos custos e das despesas, sem aprofundamento da investigação pela Fiscalização. Hipótese que demanda o arbitramento do lucro exacionável. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Tendo o contribuinte atendido a algumas das intimações e prestado parte dos esclarecimentos devidos, não se pode aplicar o agravamento da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício interposto. Votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausente, justificadamente, o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro Plinio Rodrigues Lima, e na presidência pela Conselheira Edeli Pereira Bessa Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA 2 (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva, Nara Cristina Takeda Taga e Plinio Rodrigues Lima. Relatório A DRF de VOLTA REDONDA/RJ lavrou autos de infração (fls. 275/362) para exigir: i. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 1.408.049,92 (um milhão, quatrocentos e oito mil, quarenta e nove reais e noventa e dois centavos); ii. Contribuição para o PIS, no valor de R$ 53.083,82 (cinquenta e três mil, oitenta e três reais e oitenta e dois centavos); iii. COFINS, no valor de R$ 228.495,63 (duzentos e vinte e oito mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e sessenta e três centavos); iv. CSLL, no valor de R$ 563.849,77 (quinhentos e sessenta e três mil, oitocentos e quarenta e nove reais e setenta e sete centavos); v. multas de ofício, de 75% (setenta e cinco por cento) e de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento); vi. multa isolada do IRPJ, no valor de R$ 13.568,86 (treze mil, quinhentos e sessenta e oito reais e oitenta e seis centavos); Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 17883.000380/200852 Acórdão n.º 110100.805 S1C1T1 Fl. 2 3 vii. multa isolada de CSLL, no valor de R$ 7.915,80 (sete mil, novecentos e quinze reais e oitenta centavos); e viii. juros de mora, estipulados pela legislação pertinente. Conforme Termo de Constatação Fiscal de fl. 259: a interessada foi intimada, em 17.04.2008, e reintimada, em 15.05.2008, 15.09.2008 e 26.09.2008, mas não comprovou a origem dos valores creditados em suas contascorrentes, no anocalendário de 2003, caracterizando omissão de receita; foi intimada, também, em 17.04.2008, e reintimada, em 15.05.2008, a comprovar a origem dos valores creditados em suas contascorrentes nos anos calendários de 2004 e 2005. O silêncio que se seguiu fez caracterizar omissão de receita; foi notificada, ainda, por meio do Termo de Início de Fiscalização, datado de 17.08.2007, e reintimada, em 05.10.2007, mas não apresentou os comprovantes de seus custos e de suas despesas, dando ensejo, dessa forma, à glosa dos custos dos serviços vendidos, das despesas financeiras e das despesas operacionais constantes das DIPJ’s; foi o contribuinte intimado, no mais, por via do Termo de Início de Fiscalização, datado de 17.08.2007, e reintimado, em 05.10.2007 e 15.10.2007, a apresentar os balanços e os balancetes de suspensão ou de redução transcritos no Livro Diário. O não atendimento dos pedidos caracterizou a impingência de multas isoladas, em decorrência da falta de pagamento do IRPJ sobre as estimativas. O auto de infração de IRPJ apurou as seguintes infrações: i. Omissão de receitas – depósitos bancários não contabilizados, por falta de comprovação da origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrentes, nos anoscalendários de 2003, 2004 e 2005 (fls. 289/291) – enquadramento nos artigos 24 da Lei nº 9.249/1995 e 42 da Lei nº 9.430/1996; ii. Glosas de custos dos serviços vendidos nos anoscalendários de 2003 e 2005, por não apresentação dos comprovantes de custos e de despesas, com base nos artigos 249, inciso I, 251, parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292 e 300 do RIR/1999; iii. Glosa das despesas financeiras constantes das DIPJ’s, por não apresentação dos comprovantes, atinentes aos anoscalendários de 2003 e 2005; Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA 4 iv. Glosa das despesas operacionais constantes das DIPJ’s, por não apresentação dos comprovantes, referentes aos anoscalendários de 2003 e 2005, forte nos artigos 249, inciso I, 251, parágrafo único, 299 e 300 do RIR/1999; e v. Multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ, computada sobre base de cálculo estimada, por não apresentação dos balanços ou dos balancetes de suspensão, consoante enquadramento nos artigos 222 e 843 do RIR/1999, c/c artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996 (fl. 294). A autuação do IRPJ resultou em reflexos de PIS, COFINS e CSLL. Menciona o Termo de Constatação Fiscal que se verificou a não apresentação de balanços ou balancetes de suspensão ou de redução, transcritos no Livro Diário. Disso resultou cobrança de multa isolada, oriunda da falta de pagamento da CSLL computada sobre a base de cálculo estimada, calculada conforme fl. 340. Foi lavrado o auto de infração respectivo (fls. 341/346), já citado, no valor de R$ 7.915,80 (sete mil, novecentos e quinze reais e oitenta centavos). Cientificada em 27.10.2008 (fls. 364/365), a interessada apresentou a impugnação de fls. 369/407, em 25.11.2008, por meio da qual alegou, em síntese, o seguinte: preliminarmente, havia necessidade de realização de diligência, em virtude de a documentação solicitada, no período da fiscalização, estar em poder dos fiscais da Fazenda Municipal de Angra dos Reis/RJ, conforme provam as petições entregues em 09.08.2007 e 20.09.2007; mesmo assim, a Fiscalização considerou todas as entradas bancárias como omissão de receita, de um turno, e glosou todas as despesas referentes a 2004 e a 2005, ignorando as regras de apuração pelo lucro real, de outro; . as expensas glosadas existem e foram ilustradas via considerável número de documentos, disponibilizado em 25.09.2008, 12.11.2008 e 18.11.2008, em resposta às intimações; na hipótese de se desconsiderar a contabilidade e as DIPJ’s da peticionária, deveria ter sido arbitrado o lucro desta – o que não foi feito. Por isso, há necessidade de concretização da diligência postulada; foram relacionadas, às fls. 379/392, por mês, em 2003 e 2005, o nome das empresas e os dados das notas fiscais que arrimaram os ingressos de rendimentos em contas bancárias. Foram anexadas, exemplificativamente, cópias autenticadas dos documentos, que demonstram o erro material da Fiscalização, eis ter sido evidenciada a origem dos valores depositados na conta corrente do contribuinte, provenientes de prestação de serviços; é comum a sociedade receber adiantamentos dos serviços e de despesas, posteriormente faturados em notas fiscais, em grande volume e em pequenos Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 17883.000380/200852 Acórdão n.º 110100.805 S1C1T1 Fl. 3 5 valores, bem como depósitos de diminutas importâncias, que, somados, igualamse aos constantes nas notas fiscais, devidamente registradas e contabilizadas nos Livros Diário e Razão; protestase contra os ínfimos prazos de 10 (dez) e de 03 (três) dias concedidos para a comprovação da origem dos recursos bancários, conforme consta das intimações de 17.04.2008, 15.05.2008, 15.09.2008 e 26.09.2008. Jamais poderiam ser inferiores, ditos lapsos, a 20 (vinte) ou a 15 (quinze) dias. Não foi dado tempo, ao sujeito passivo, para o acesso às informações prestadas por terceiros (clientes e contador), o que redundou em cerceamento de defesa; há graves falhas nos autos, derivadas de ausência de critérios. Os lançamentos se pautam em meros indícios, que levaram à presunção de omissão de todas as entradas bancárias de 2003 a 2005, turno um, e à suposição de que, no mesmo período, inexistiram as despesas e os custos deduzidos, turno outro; a penalidade agravada, prescrita pelo inciso I, § 2º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 – multa por não atendimento a intimações – não se aplica ao caso, visto que a postulante respondeu à Fiscalização, conforme atestam inúmeros comprovantes de depósitos apresentados; a multa isolada de IRPJ, igual a R$ 13.568,86 (treze mil, quinhentos e sessenta e oito reais e oitenta e seis centavos), não deve prevalecer, face à hipótese de redução ou de extinção do crédito do imposto; quanto aos lançamentos reflexos de PIS e de COFINS, devem eles ser deduzidos dos lançamentos de IRPJ e de CSLL, conforme entendimento sedimentado pelo Conselho de Contribuintes. Esta extrusão, ainda que sob contestação estejam aquelas importâncias, caberia, aqui, na medida em que a materialização da exação configura a despesa incorrida, sujeita a dedução no regime de competência; da base de cálculo da PIS e da COFINS deve ser excluído o valor de outras receitas, não provenientes da prestação de serviços, face à declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n º 9.718/1998, responsável por ampliar o conceito de “receita bruta”. Assim seria imperioso, afinal, eis que, dentre os depósitos, constam valores de receitas diversos daquelas atreladas à prestação de serviços; protestouse contra a aplicação da taxa de juros Selic, citandose doutrina e jurisprudência. Às fls. 1280/1284, a interessada apresentou impugnação ao auto de infração de multa isolada de CSLL, no valor de R$ 7.915,80 (sete mil, novecentos e quinze reais e oitenta centavos), repisando os argumentos da impugnação às peças de acusação principais. A 7ª TURMA DA DRJ NO RIO DE JANEIRO – RJ I, ao julgar as impugnações protocoladas, exonerou em parte os lançamentos oficiosos, conforme aresto (fls. 1355/1373) assim ementado: Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA 6 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. – Cabe declarar de ofício a decadência quando se comprova que parte do lançamento foi efetivada após o prazo estabelecido no Código Tributário Nacional – CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS – A Lei n.° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimada, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. – O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. GLOSA TOTAL DE CUSTOS E DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE – Não cabe glosar a totalidade dos custos e despesas sem um aprofundamento da investigação pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. – Tendo a contribuinte atendido às intimações e prestado esclarecimentos, não se aplica o agravamento da multa de ofício por falta de atendimento às intimações. MULTA ISOLADA. IRPJ E CSLL – Nas hipóteses de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50% (cinquenta por cento), isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal eu deixe de ser recolhido, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES AnoCalendário: 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. TAXA SELIC. Legítima a aplicação da taxa Selic, para a cobrança dos juros de mora, a partir de 1.º de abril de 1995 (art. 13 da Lei n.º 9.065/95). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 17883.000380/200852 Acórdão n.º 110100.805 S1C1T1 Fl. 4 7 Segundo notícia dada à fl. 1416, a parcela não exonerada dos passivos foi imiscuída ao parcelamento extraordinário instituído pela Lei nº 11.941/2009. Sobem os presentes autos, portanto, para julgamento exclusivo do Recurso de Ofício imputado em grau precedente, calcado no fato de os cancelamentos perpetrados superarem o valor recursal de alçada. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: Analisaremos o Recurso de Oficio em voga de forma fracionada, cuidando de cada um dos motivos que levaram à exoneração parcial dos lançamentos perpetrados. (i) Da decadência dos valores de PIS e de COFINS atinentes aos meses de janeiro a setembro de 2003 Primeiramente, o aresto recorrido decidiu por nulificar parcela das contingências de PIS e de COFINS formuladas, reportáveis aos meses de janeiro a setembro do anocalendário de 2003. Os julgadores a quo, para fulcrarem a exegese prevalente, fizeram aplicar, ao caso, o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA 8 A aduzida caducidade foi reconhecida em virtude de as peças acusatórias terem sido cientificadas, ao sujeito passivo, somente em 27.10.2008 (fl. 365). Teria decorrido, pois, mais de 05 (cinco) anos da ocorrência dos fatos imponíveis das contribuições – que, em relação ao PIS e à COFINS exoneradas, realizaramse, complexivamente, nos últimos dias de cada período de apuração mensal, até setembro de 2003. Em nosso entendimento, a exegese perpassada pelos julgadores antecedentes é irretocável. O ponto nevrálgico na definição do cabível dies a quo decadencial é, justamente, a verificação, ou não, de pagamentos parciais antecipados, passíveis de ulterior homologação. Havendo cifra recolhida ex ante, vige a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, supra transcrita; salvo contrário, seria o comando do artigo 173, inciso I, do Codex, que deveria ser impingido. Isso é o que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, segundo a sistemática dos “Recursos Repetitivos” (artigo 543C do Código de Processo Civil), no âmbito do Recurso Especial – REsp nº 973.733/SC. Na ocasião, assim foram ementados os fundamentos acolhidos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 17883.000380/200852 Acórdão n.º 110100.805 S1C1T1 Fl. 5 9 dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (g.n.) O juízo agasalhado por este Tribunal Superior, em virtude de ter sido proferido sob a indigitada sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, é de observância compulsória por este colegiado, a rigor do artigo 62A, caput, do RICARF (Anexo I da Portaria MF nº 256/2009): Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA 10 “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...)” Parecenos, então, que o único ponto passível de controvérsia, pendente de solução, toca à demonstração efetiva do pagamento parcial do PIS e da COFINS, no que respeita aos meses cujas autuações foram canceladas. A tese jurídica focada, afinal, não mais comporta questionamentos, frente ao que já se explanou. Nesse sentido, parecenos que a orientação do acórdão inferior também não merece, efetivamente, reprimendas, eis que perfeitamente demonstrada a existência de quitações parciais, relativas aos tributos comentados, conforme extratos encartados às fls. 1353/1354. Bem andaram os julgadores predecessores, pois. Merece o Recurso de Ofício, assim, ser denegado em tal ponto. Posto isso, passemos ao estudo dos demais temas questionados. (ii) Dos lançamentos referentes às glosas de todos os custos e de todas as despesas deduzidos, do lucro real, nos anosbase de 2003 e 2005 Como relatado ao longo do procedimento de fiscalização, a autuada fora intimada e reintimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os custos de prestação de serviços, as despesas operacionais e as despesas financeiras noticiados nas DIPJ’s dos exercícios de 2004 e 2006 (anoscalendários de 2003 e 2005). É fato, como bem ressalvou o aresto exarado na instância inferior, que o sujeito passivo não logrou elucidar, com a certeza requerida, a realidade de grande parte dos custos e das despesas glosados. Isso não autorizaria o Fisco, contudo, a desconsiderar, em termos globais, todas as deduções engendradas, como aconteceu. De fato, temos para nós que é acertada a interpretação de que a glosa integral de custos e despesas sempre descabe, eis que tal procedimento levaria à inverossímil suposição de que a atividade da empresa se desenvolvera sem suporte de quaisquer dispêndios básicos. Mais ainda, dirigirseia, com isso. a atividade impositiva fiscal à tributação da receita bruta, e não do lucro, ao arrepio dos mecanismos inerentes ao IRPJ e à CSLL. Ora, a invalidação de custos ou despesas só se legitima pontualmente, em relação a expensas que careçam de supedâneo documental. Entendendo a Fazenda que todos os valores deduzidos são irreais, sem nenhuma exceção,é certo que se está a argumentar, na prática, a plena imprestabilidade dos escritos contábilfiscais mantidos pelo sujeito passivo. Nesse caso, então, outra deveria ser a medida adotada pela Fazenda, identificada ao arbitramento do lucro, arrimo no artigo 530, inciso II, do Decreto nº 3.000/99: Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 17883.000380/200852 Acórdão n.º 110100.805 S1C1T1 Fl. 6 11 “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real;” A orientação em comento já foi consagrada, por diversas vezes, no âmbito deste colegiado, conforme se pode depreender das ementas de julgamento adiante ilustradas: “EMPRESA INDUSTRIAL CUSTOS DE PRODUÇÃO NECESSIDADE – GLOSA TOTAL DE CUSTOS IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de empresa industrial, que necessariamente necessita incorrer em custos de produção, descabe a glosa total de custos, sob pena de, por decorrência lógica, se considerar obrigatório o lançamento com base no lucro arbitrado e improcedente qualquer lançamento realizado com base no lucro real.. Deve ser exonerada também a parcela de custos que excedeu o valor declarado pelo sujeito passivo como dedutível na apuração do resultado tributável.” (Ac. nº 140200.155/10) “GLOSA TOTAL DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO CABIMENTO. Não é cabível a glosa total de custos e/ou despesas da pessoa jurídica por falta de comprovação. Se a escrituração da empresa não possui lastro em documentos hábeis e idôneos, a sua contabilidade não se presta a apurar o lucro real, de modo que o arbitramento do lucro deve ser adotado como forma de apuração dos tributos devidos.” (Ac. nº 110200.366/10) Perfeito, destarte, o posicionamento do acórdão hodiernamente infirmado. Há flagrante equívoco no procedimento de apuração da matéria tributável. Tal erro é impossível de ser sanado, senão mediante refeitura de todo o labor lançador, com amparo na adoção de critérios completamente novéis. Logo, imperiosa a nulificação das peças de acusação. Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA 12 (iii) Do desagravamento das multas de ofício cominadas, tocantes aos anoscalendários de 2004 e 2005 O Fisco, outrossim, imputou multas proporcionais agravadas ao contribuinte, em relação aos anosbase de 2004 e de 2005, em derivação do fato de, alegadamente, não ter este respondido a inúmeras intimações a ele endereçadas, destinadas a requerer informações tangentes à procedência dos depósitos bancários apurados pelos fazendários e à realidade dos custos e das despesas subtraídos do lucro real. Como bem indicou o acórdão de grau inaugural, constou dos autos, por juntada da Fiscalização, apenas 01 (uma) resposta do contribuinte (fls. 255/256), datada de 25.09.2008, responsável por pleitear dilação de prazo vintenal. Em sede de impugnação, entretanto, a lançada obteve sucesso em demonstrar a existência de outros atendimentos às notificações, anexados às fls. 409/410, 411/413 e 415/416. Restou evidenciado, com isso, que parcela dos pleitos feitos pelo i. lançador fora atendida pela sociedade, ainda que esta não tenha entregado elementos probantes capazes de ilidir as autuações. De mais a mais, concordamos com os julgadores a quo no ponto em que pontificam pela insubsistência do agravamento de quaisquer multas incidentes a exigências calcadas em presunções de omissão de receitas. A consagração da penalidade acentuada, enfim, só se justifica nas ocasiões em que os autos de infração dependam das respostas prestadas pelo fiscalizado. A falta de atendimento aos pleitos de comprovação da origem de creditamentos bancários, afora não obnubilar o trabalho fiscal, configura, ainda, causa eficiente e necessária para o lançamento. Inexiste, portanto, razão para se entrever eventual embaraço ao Fisco. Quanto à não comprovação dos custos e das despesas glosados, lembrese, por fim, que deveria ter sido arbitrado o lucro. Assim sendo, não há como se aventar que a inércia do sujeito passivo pudesse ter causado dificuldades ao labor fiscal, acaso este tivesse sido levado a cabo de modo correto. Assim, irrepreensível o abrandamento da sanção pecuniária oficiosa, até o percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício interposto. Sala das Sessões, em 13de setembro de 2012. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 17883.000380/200852 Acórdão n.º 110100.805 S1C1T1 Fl. 7 13 Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10830.920598/2009-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1).
Numero da decisão: 3803-004.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia à instância administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n° 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 05 98 /2 00 9- 82 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920598/200982 Acórdão n.º 3803004.041 S3TE03 Fl. 62 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 24/9/2007, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração novembro de 2002, no valor original de R$ 6.016,11, destinado a quitar débitos da titularidade do sujeito passivo. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação “in totum” do despacho decisório e o reconhecimento do crédito pleiteado com a correspondente homologação da compensação formulada, alegando o seguinte: a) o crédito decorre de recolhimento indevido da Cofins ocorrido em 30 de novembro de 2002 no valor original de R$ 16.964,42; b) o despacho decisório não informa o número do PER/DCOMP em que o crédito pleiteado teria sido utilizado, nem o tributo compensado ou o período correspondente; c) “houve excesso de sanha arrecadatória por parte da Autoridade Fiscal e pouco empenho quer na análise do direito creditório quer no lastreamento com qualquer PERD/COMP; fato este que impossibilita e limita a Impugnante de formular sua defesa” (fl. 2). A DRJ Campinas/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Válido o Despacho Decisório em que foi demonstrada a utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no Per/Dcomp em débito declarado pelo próprio contribuinte em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário e requer a reforma do acórdão da DRJ Campinas/SP, com a homologação total da compensação pleiteada, sob pena de descumprimento de determinação judicial, arguindo o seguinte: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920598/200982 Acórdão n.º 3803004.041 S3TE03 Fl. 63 3 a) “é fato verdadeiro que o débito foi declarado em DCTF e utilizado para quitação da Cofins” (fl. 39); b) “também é fato verdadeiro que devido ao lapso temporal não se consegue retificar a fatídica DCTF” (fl. 39); c) “o Contribuinte promoveu medida judicial que recebeu decreto de provimento para fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que obrigasse a Recorrente a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9.718/98 nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, bem como autorizou a Contestante (ora Recorrente) a promover compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior nos períodos supra, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para a correção do saldo devedor, devendo o Contribuinte, nos termos do § 1º do art. 74 da Lei 9.430/06, quando do procedimento da compensação, efetuar entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos confessados, tudo como se vê do incluso documento” (fls. 39 a 40); d) a própria Procuradoria da Fazenda editou orientação de que o tema levado ao Poder Judiciário não fosse mais objeto de contestação ou recurso; e) está cumprindo determinação judicial, em conformidade com o contido no art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN); f) os valores pleiteados são de fácil confirmação por parte da Receita Federal, pois que constam das DIPJs. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópia de documento obtido na internet, em que se faz referência à decisão de primeiro grau no processo judicial por ele referenciado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir explanados. Ressaltese que, embora conste do Recurso Voluntário que a sua entrega se dera em 03/06/2012, o que implicaria em intempestividade, dado que a ciência do acórdão ocorrera em 6/2/2012 (conforme Aviso de Recebimento – AR, de fl. 36), é possível deduzir que aquela data foi aposta de forma incorreta na peça recursal, pois o despacho de encaminhamento do recurso ao CARF data de 4/4/2012, data esta incompatível com a que consta do Recurso Voluntário. Outro elemento que contribui para tal conclusão é o fato de que todos os Recursos Voluntários apresentados pelo contribuinte nos demais processos que compõem o Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920598/200982 Acórdão n.º 3803004.041 S3TE03 Fl. 64 4 lote sob julgamento foram apresentados em 6/3/2012, evidenciando, portanto, o erro decorrente da troca dos dígitos relativos ao dia e ao mês de entrega do recurso no presente processo. Inovando em relação à primeira instãncia administrativa, em seu Recurso Voluntário, o contribuinte informa a existência de ação judicial versando sobre a mesma matéria deste processo e traz cópia da sentença da 3ª Vara da Justiça Federal de Campinas/SP. Considerando a cópia da sentença supra referenciada, assim como o resultado da consulta ao sítio na internet da Seção Judiciária de São Paulo realizada em 5 de março de 2013, constatase que o processo judicial nº 2006.61.05.0101393, em que o ora Recorrente encontrase na condição de Impetrante, transitado em julgado em 7/11/2012, versa, de fato, sobre a mesma matéria sobre a qual se controverte nestes autos, qual seja, o direito de creditamento de indébitos decorrentes de pagamentos indevidos da Cofins efetuados com base na Lei nº 9.718, de 1998, o que evidencia a ocorrência de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. A ordem constitucional pátria assegura a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de direitos (art. 5°, XXXV, da Constituição Federal), em razão do que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Sobre essa questão, José Afonso da Silva já se pronunciou nos seguintes termos; A primeira garantia que o texto revela é a de que cabe ao Poder Judiciário o monopólio da jurisdição, pois sequer se admite mais o contencioso administrativo, que estava previsto na Constituição revogada (...). Logo, a apreciação pelo Poder Judiciário da lesão ou ameaça de direito se traduz numa decisão que define se houve ou não a lesão do direito, se há ou não a ameaça a direito alegada pela pessoa ou coletividade que recorreu ao Poder Judiciário1 Portanto, a busca do Poder Judiciário, detentor do monopólio da jurisdição, acarreta, inexoravelmente, o abandono da discussão do conflito na via administrativa, pois qualquer decisão obtida naquela esfera suplantará qualquer outra que venha a ser deferida no processo administrativo, tornandoa, nesse contexto, inócua e afrontosa ao princípio da eficiência que rege a atuação da Administração Pública. Esse entendimento encontrase sumulado neste Conselho nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1 1 SILVA, José Afonso. Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 132. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10830.920598/200982 Acórdão n.º 3803004.041 S3TE03 Fl. 65 5 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, não cabe nesta instância a apreciação da mesma matéria já submetida ao crivo do Poder Judiciário. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, tendo em vista que a matéria já foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, configurandose renúncia à via administrativa, em razão do que os fundamentos de fato e de direito trazidos pelo Recorrente não serão apreciados por este Colegiado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11516.005044/2009-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
PRELIMINARES DE NULIDADE – INTIMAÇÕES DE MPF
As intimações de MPF feitas eletronicamente, com ciência no endereço
eletrônico do site da Receita Federal, mediante código de acesso fornecido,
não ofende o art. 23, III e §§ 4º e 5º, do PAF, pois não trazem prejuízo ao
contribuinte.
PRELIMINAR DE NULIDADE – MPF
Se os mesmos elementos de prova constituem infrações a outros tributos não
contidos no MPF, eles se reputam incluídos nesse. Hipótese prevista em
portaria da Receita Federal que se põe nos limites do dever regulamentar
previsto no Decreto 3.724/01. Ilegalidade inexistente.
PRELIMINAR DE NULIDADE – NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO OU AUTO DE INFRAÇÃO
Inexistem diferenças substantivas entre notificação de lançamento e auto de
infração. Ainda que fosse o caso de se usar o primeiro instrumento, mas
assim não é, a hipótese não configuraria vício que fulminasse o ato de
nulidade.
IRPJ, CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO
Os lançamentos não se deram com base em omissão de receitas presumida
por depósitos bancários de origem incomprovada. Os extratos bancários só
serviram de ponto de partida para o aprofundamento da investigação fiscal,
detectando-se a omissão de receitas pela diferença entre os valores recebidos pelos principais fornecedores e as receitas declaradas.
O que vitima o lançamento é o motivo equivocado, e não o mero erro na
capitulação legal. Correto o arbitramento do lucro ao coeficiente de 9,6% e
de 8%, diante da imprestabilidade da escrituração contábil.
PIS, COFINS
Tendo o mesmo suporte fático em dissídio, cabem as conclusões deduzidas
sobre receitas omitidas para IRPJ.
PAGAMENTOS FEITOS SOB O SIMPLES – ABATIMENTO
Os valores pagos sob o regime simplificado devem ser abatidos das
exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O caso não é de compensação,
mas de mero abatimento, que é de rigor.
DECADÊNCIA
Mantida a multa qualificada, inaplicável o art. 150, § 4º, do CTN, mas o
prazo previsto em seu art. 173, I. Decadência não consumada.
MULTA QUALIFICADA – CONFISCO
A este órgão julgador é defesa a apreciação de constitucionalidade da lei,
conforme Súmula nº 2 do CARF.
Numero da decisão: 1103-000.623
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento parcial ao recurso para determinar a dedução dos valores pagos como IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sob o regime do Simples nos anos-calendário de 2004 a 2006, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: PRELIMINARES DE NULIDADE – INTIMAÇÕES DE MPF As intimações de MPF feitas eletronicamente, com ciência no endereço eletrônico do site da Receita Federal, mediante código de acesso fornecido, não ofende o art. 23, III e §§ 4º e 5º, do PAF, pois não trazem prejuízo ao contribuinte. PRELIMINAR DE NULIDADE – MPF Se os mesmos elementos de prova constituem infrações a outros tributos não contidos no MPF, eles se reputam incluídos nesse. Hipótese prevista em portaria da Receita Federal que se põe nos limites do dever regulamentar previsto no Decreto 3.724/01. Ilegalidade inexistente. PRELIMINAR DE NULIDADE – NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO OU AUTO DE INFRAÇÃO Inexistem diferenças substantivas entre notificação de lançamento e auto de infração. Ainda que fosse o caso de se usar o primeiro instrumento, mas assim não é, a hipótese não configuraria vício que fulminasse o ato de nulidade. IRPJ, CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO Os lançamentos não se deram com base em omissão de receitas presumida por depósitos bancários de origem incomprovada. Os extratos bancários só serviram de ponto de partida para o aprofundamento da investigação fiscal, detectando-se a omissão de receitas pela diferença entre os valores recebidos pelos principais fornecedores e as receitas declaradas. O que vitima o lançamento é o motivo equivocado, e não o mero erro na capitulação legal. Correto o arbitramento do lucro ao coeficiente de 9,6% e de 8%, diante da imprestabilidade da escrituração contábil. PIS, COFINS Tendo o mesmo suporte fático em dissídio, cabem as conclusões deduzidas sobre receitas omitidas para IRPJ. PAGAMENTOS FEITOS SOB O SIMPLES – ABATIMENTO Os valores pagos sob o regime simplificado devem ser abatidos das exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O caso não é de compensação, mas de mero abatimento, que é de rigor. DECADÊNCIA Mantida a multa qualificada, inaplicável o art. 150, § 4º, do CTN, mas o prazo previsto em seu art. 173, I. Decadência não consumada. MULTA QUALIFICADA – CONFISCO A este órgão julgador é defesa a apreciação de constitucionalidade da lei, conforme Súmula nº 2 do CARF.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: PRELIMINARES DE NULIDADE – INTIMAÇÕES DE MPF As intimações de MPF feitas eletronicamente, com ciência no endereço eletrônico do site da Receita Federal, mediante código de acesso fornecido, não ofende o art. 23, III e §§ 4º e 5º, do PAF, pois não trazem prejuízo ao contribuinte. PRELIMINAR DE NULIDADE – MPF Se os mesmos elementos de prova constituem infrações a outros tributos não contidos no MPF, eles se reputam incluídos nesse. Hipótese prevista em portaria da Receita Federal que se põe nos limites do dever regulamentar previsto no Decreto 3.724/01. Ilegalidade inexistente. PRELIMINAR DE NULIDADE – NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO OU AUTO DE INFRAÇÃO Inexistem diferenças substantivas entre notificação de lançamento e auto de infração. Ainda que fosse o caso de se usar o primeiro instrumento, mas assim não é, a hipótese não configuraria vício que fulminasse o ato de nulidade. IRPJ, CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO Os lançamentos não se deram com base em omissão de receitas presumida por depósitos bancários de origem incomprovada. Os extratos bancários só serviram de ponto de partida para o aprofundamento da investigação fiscal, detectandose a omissão de receitas pela diferença entre os valores recebidos pelos principais fornecedores e as receitas declaradas. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 839 2 O que vitima o lançamento é o motivo equivocado, e não o mero erro na capitulação legal. Correto o arbitramento do lucro ao coeficiente de 9,6% e de 8%, diante da imprestabilidade da escrituração contábil. PIS, COFINS Tendo o mesmo suporte fático em dissídio, cabem as conclusões deduzidas sobre receitas omitidas para IRPJ. PAGAMENTOS FEITOS SOB O SIMPLES – ABATIMENTO Os valores pagos sob o regime simplificado devem ser abatidos das exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O caso não é de compensação, mas de mero abatimento, que é de rigor. DECADÊNCIA Mantida a multa qualificada, inaplicável o art. 150, § 4º, do CTN, mas o prazo previsto em seu art. 173, I. Decadência não consumada. MULTA QUALIFICADA – CONFISCO A este órgão julgador é defesa a apreciação de constitucionalidade da lei, conforme Súmula nº 2 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para determinar a dedução dos valores pagos como IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sob o regime do Simples nos anoscalendário de 2004 a 2006, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes e Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 840 3 Relatório DO LANÇAMENTO A pessoa jurídica em epígrafe foi submetida a procedimento fiscal do qual resultou sua exclusão de ofício do Simples Federal, retroativa, a partir de 1º/01/2004 (fl. 602), bem assim a exigência relativa aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, a título de IRPJ (fls. 615 a 623) no valor de R$ 451.981,98; PIS (fls. 633 a 641) no valor de R$ 141.760,01; COFINS (fls. 651 a 659) no valor de R$ 654.277,63; e CSL (fls. 668 a 676) no valor de R$ 235.539,97, ale de multa qualificada de 150% e juros de mora. No Termo de Início a fiscalização requisitou, dentre outros documentos, os Livros Diários e Razão (ou Livro Caixa), e os extratos de contas bancárias movimentadas nos anoscalendário 2004 e 2005. Em resposta, disse que os livros de registros e outros documentos foram sinistrados num incêndio, conforme B.O. Que não foi realizada contabilidade, e apresentou Livros de Registro Fiscal, Entrada, Saída e Apuração de ICMS do período de 1º/01/2005 a 31/12/2005. Novamente intimada a apresentar os Livros, após mais de cento e oitenta dias, a recorrente declarou que estava impossibilitada de cumprir, pois não foi realizada contabilidade. Quanto à movimentação bancária dos anos de 2004 e 2005, a recorrente apresentou em 2/06/2008 extrato de conta mantidas na Caixa Econômica Federal, Unibanco, Cooperativa de Crédito e Banco Safra. Em 06/06/2008, apresentou extratos de contas mantidas no Banco do Brasil e Banco Santander. Em 19/06/2008 apresentou extratos de conta mantida no Bradesco. Em 06/01/2009, a fiscalização informou a inclusão do anocalendário de 2006 no procedimento fiscal e requisitou livros e documentos relativos a este período. Em resposta, a recorrente afirmou não haver Livro de Registro de Inventário. Quanto à movimentação bancária de 2006, a recorrente apresentou extratos de contas mantidas na Caixa Econômica Federal, Banco Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Cooperativa de Crédito, Banco Safra, Unibanco e Banco RealSudameris. Dando continuidade ao procedimento, a fiscalização se concentrou em informações contidas nas declarações anuais apresentadas pela recorrente, concernentes a compras efetuadas nos anos de 2004, 2005 e 2006. Comparando os valores de compras informados pela recorrente, com os valores de vendas a ela realizadas, informados em declarações apresentadas por pessoas jurídicas que lhe fornecem mercadorias para revenda, a fiscalização constatou a existência de uma significativa divergência. Diante dessa constatação, a fiscalização realizo diligência junto aos maiores fornecedores da recorrente, devidamente amparada por MPFD. Nessas diligências, além das informações referentes às operações de vendas realizadas à fiscalizada, aos fornecedores foi exigida a apresentação de dados relativos à liquidação financeira dessas vendas. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 841 4 Com base nas declarações apresentadas pela fiscalizada aos fiscos federal e estadual, e nas informações prestadas pelos seus fornecedores, a fiscalização elaborou um quadro, onde há destaque da discrepância da receita declarada pela recorrente, quando comparada com os valores que os fornecedores informam terem efetivamente recebido a título de vendas para a fiscalizada. Com base nisso, a fiscalização conclui que se não restar comprava a origem dos recursos financeiros, fica caracterizada a omissão de receitas. A recorrente foi intimada a esclarecer as divergências e a comprovar a origem dos recursos. Em resposta, alegou que os valores informados pelos fornecedores não conferem com os seus e que os reais valores são os declarados ao fisco federal. Afirmou que os recursos financeiros utilizado no pagamento aos fornecedores foram oriundos dom faturamento da empresa e de empréstimos bancários. Considerando que os livros Registro de Entradas escriturados pela recorrente nos anos de 2005 e 2006 apresentam valores muito superiores aos declarados ao fisco, e compatíveis com os informados pelos fornecedores, a fiscalização concluiu que as evidências se contrapõe às alegações da contribuinte. Em suporte às suas conclusões, a fiscalização também faz referência a informações oriundas das declarações obrigatórias prestadas ao fisco federal pelas instituições financeiras e registradas nos Sistemas Informatizados da RFB. A partir dessas informações, foi elaborado o “Demonstrativo da Movimentação Financeira Bancária – CPMF” (fl. 686). No Termo de Intimação Fiscal 04, a fiscalização informou à recorrente que a obtenção de receitas não submetidas à tributação e em montante superior ao limite estabelecido para enquadramento no Simples não permite a sua permanência no regime simplificado, o que ensejará sua exclusão de ofício. No mesmo termo, intimou a apresentar os balanços patrimoniais, demonstrações de resultados, Lalur, salientando que o não atendimento ensejaria ao arbitramento do lucro. Não houve resposta da recorrente. A fiscalização formulou Representação para fins de exclusão da recorrente ao regime simplificado, pela falta de apresentação de livros de escrituração obrigatória e pela prática reiterada de infração à legislação tributária, que resultou no Ato Declaratório Executivo nº 92 de 7/10/2009 (fl. 602), com seus efeitos retroativos, a partir de 1º/01/2004. A partir da exclusão, a recorrente passou a se sujeitar às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Considerando a falta de apresentação de assentos que possibilitassem a determinação dos resultados segundo as regras do Lucro Real, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro da recorrente. A receita total considerada no lançamento tributário pela fiscalização, em cada um dos anoscalendário abrangidos pelo lançamento, é constituída de três parcelas. A primeira delas corresponde à receita declarada ao fisco federal. A segunda parcela é a omissão materialmente comprovada pela diferença entre o que foi declarado ao fisco estadual, e o que foi declarado à RFB. Por sim, a terceira parcela corresponde à diferença entre os valores efetivamente pagos nas aquisições de mercadorias para revenda, e o montante de receitas brutas declaradas ao fisco, considerandose em cada mês o maior valor da receita declarada ao fisco, federal ou estadual. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 842 5 O arbitramento do lucro foi feito ao percentual de 9,6%, aplicável à atividade de revenda de mercadorias, de acordo com a legislação. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento e da exclusão do Simples em 23/10/2009, apresentou impugnação de fls. 697 a 709 em 24/11/2009, instruída com documentos juntados às fls. 710 a 716. Posteriormente, para fins de demonstrar os poderes de representação do sócio administrador, foram juntados os documentos de fls. 721 a 788 e 790 a 795. A seguir, os fundamentos sintetizados. Alega a decadência dos autos de infração, por obediência ao art. 150 § 4º do CTN. Sendo o prazo decadencial de 5 anos do fato gerador, todos os supostos créditos tributários anteriores a outubro de 2004 estão decaídos e não podem ser exigidos. A recorrente declarou determinados valores ao fisco federa, recolhendo antecipadamente os tributos incidentes sobre os montantes declarados. Aduz que há ilegalidade dos autos de infração por inobservância dos limites impostos pelo MPF. O MPF inicialmente foi lavrado para que a recorrente fosse fiscalizada em relação as suas declarações e recolhimentos referentes ao Simples de 1/2004 a 12/2005, sendo posteriormente alterado para abranger o IRPJ, PIS e COFINS de 1/2004 a 12/2005. Houve uma segunda alteração do MPF para incluir o IRPJ do período de 1/2006 a 12/2006. Mas, como se verifica dos autos de infração lavrados contra a recorrente, foram notificados tributos não abrangidos pelo MPF, quais sejam, CSL de todo o período e PIS de 1/2006 a 12/2006. O procedimento fiscal deve ser cancelado, face a sua nulidade, ao menos em relação aos tributos não indicados no MPF. Com relação à prorrogação do procedimento fiscal, alega ser ilegal por conta de ausência de intimação da recorrente. Supostamente as intimações foram feitas mediante registro eletrônico, sem o consentimento do sujeito passivo e sem prova do seu recebimento, sendo que essa modalidade exige que o sujeito passivo tenha anuído expressamente e, além disso, deve haver prova de que ele recebeu a intimação. E em momento algum a recorrente anuiu. Portanto, por ausência de intimação da recorrente e conseqüente ilegalidade das prorrogações, deve ser reconhecida a extrapolação do prazo para conclusão da fiscalização, cancelandose os lançamentos faze a nulidade do ato. Afirma que o auto de infração é o meio incorreto para exigir tributos, que são a obrigação tributária principal. Aduz que, de acordo com o art. 10, IV, do Decreto 70.235/72, o auto de infração serve para impor penalidade decorrente de infração à obrigação acessória. Portanto, considera nulos os autos de infração lavrados contra a recorrente. Com relação ao arbitramento do lucro, a recorrente diz ser inaplicável. Isso pois o auditor conseguiu determinar a base imponível da exação tributária, o que afasta a possibilidade de adoção do arbitramento, utilizável somente quando não se pode determinar a base de cálculo dos tributos. Portanto, há nulidade do ato. Alega que houve erros de cálculo que aumentaram a exação tributária. O fiscal reconhece que houve declaração de receitas tributáveis e os pagamentos foram efetuados e, portanto, esses pagamentos deverias ter sido deduzidos dos valores notificados, havendo nulidade neste ponto. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 843 6 O fiscal, mesmo estando de posse dos extratos bancários e tendo acesso aos contratos de empréstimo efetuados pela recorrente, considerou os créditos como se fossem receitas tributárias, o que não pode ser admitido, senão estarseia recolhendo aos cofres públicos valores que não são tributos, causandolhe um enriquecimento indevido às custas da recorrente. Requer prazo para juntada dos contratos bancários de empréstimo, caso a fiscalização não tenha. Foi apurado que supostamente a recorrente teria omitido R$ 735.995,42 de receita no 1º trimestre de 2005; sendo que no mesmo documento, o fiscal apurou receita omitida no 2º trimestre de 2005 no importe de R$ 754.970,95. Na verdade, para o 1º trimestre de 2005, o fiscal utilizou erroneamente a suposta receita omitida no 2º trimestre de 2005, no importe de R$ 754.970,95, quando o valor correto seria R$ 735.995,42. Ou seja, houve apuração indevida sobre R$ 18.975,53, devendo o ato ser cancelado. A recorrente alega que houve erro na determinação dos pagamentos efetuados aos fornecedores em relação ao 3º e 4º trimestres de 2004 e 1º trimestre de 2006. Inclui um quadro com os valores que acredita serem corretos e diz que as informações foram obtidas no material fornecido pelo próprio fiscal. Diz que os erros decorrem do equívoco na soma dos supostos pagamentos à empresa Beaulieu, em relação ao 3º e 4º trimestres de 2004, e equívoco na soma dos supostos pagamentos à empresa Compomade, em relação ao 1º trimestre de 2006, sendo, portanto, nulo o lançamento. Sobre a multa qualificada de 150%, alegando ser confiscatória, citando decisão do STF, devendo o lançamento tributário ser cancelado. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 10/12/2010, acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Florianópolis, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação. Seguem os fundamentos, sintetizados. Sobre o pedido de juntada dos contratos bancários de empréstimo, há que se observar o art. 16 do Decreto 70.235/72. A menos que sejam atendidos os requisitos, indefere se o requerimento da recorrente. A partir da alegação de decadência, embora a recorrente acerte ao afirmar que os tributos lançados estejam submetidos por homologação, não tem razão ao defender que o prazo decadencial seja o do art. 150, § 4º do CTN. Isso pois há a presença de elementos que inquestionavelmente denotam o dolo na conduta da recorrente, onde esta se encontra expressa no dispositivo legal. O dispositivo a ser aplicado neste caso é o do art. 173, I do CTN, sendo este entendimento cristalizado na doutrina e jurisprudência. Portanto, o lançamento poderia ter sido efetuado em até cinco anos contados a partir do primeiro dia do ano de 2005, ou seja, até o último dia do ano de 2009. Em relação aos limites impostos pelo MPF, não estão eivados de ilegalidade os lançamentos relativos à CSL de todo o período, ao PIS e à COFINS do ano de 2006, por conta do disposto no art. 8º da Portaria RFB nº 11.371/2007, pois fundamse nos mesmos elementos de prova que serviram de base para o lançamento do IRPJ. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 844 7 Não se pode acolher a preliminar da ilegalidade em face da ausência de intimação das prorrogações do prazo de execução do procedimento fiscal, pois foram expedidas sucessivas prorrogações do MPF. De acordo com o art. 4º da Portaria RFB nº 11.371/2007, o MPF e suas prorrogações são emitidos exclusivamente em forma eletrônica. No presente caso, a autoridade forneceu o código de acesso, e assim, a recorrente pode acompanhar as posteriores prorrogações de prazo. Essa alegação não causa nulidade, pois não há necessidade nem de formalização da entrega do demonstrativo de prorrogação ao sujeito passivo por meio de termo de ciência. Ainda em sede de preliminar, a alegação de que o auto de infração não é o instrumento adequado não é verdade. O art. 10 do Decreto 70.235/72 não veda a utilização do auto de infração para exigência do tributo. A diferença entre os instrumentos está na competência para expedilos. O auto de infração é lavrado por servidor, e a notificação de lançamento é expedida pelo órgão. Mas ambos podem exigir tributo, multa de ofício isolada, ou tributo acompanhado de multa de ofício. Portanto, o lançamento fiscal não apresenta o vício apontado pela recorrente. No mérito, quanto ao arbitramento do lucro, não assiste razão à recorrente. O ato fiscal não contém subjetivismo, o arbitramento foi aplicado exatamente conforme estabelece a hipótese legal, pois não foram apresentados os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. E o fato de a fiscalização ter conseguido determinar a base imponível da exação tributária, não afasta o arbitramento, como consta no art. 16 da Lei 9.249/95, mas ao contrário, quando conhecida a receita bruta, esta é o ponto de partida para o arbitramento. Não acolhidas as alegações. Sobre a utilização de pagamentos efetuados segundo as regras do Simples, de fato, a autoridade fiscal não considerou os valores pagos ou declarados por essa sistemática, havendo um equívoco ou esquecimento por parte da autuante; entretanto o processo é legítimo. A recorrente recolhia/declarava parte de suas obrigações tributárias pelo regime do Simples. E o regime utilizado no lançamento (Lucro Arbitrado) não coincide com o regime do Simples. Neste caso, os pagamentos efetuados têm natureza de indébito e, portanto, a fiscalização não poderia considerar os valores pagos/declarados pela recorrente, pois, se assim fizesse, estaria procedendo a uma compensação de créditos de natureza diferente dos débitos, não sendo uma mera dedução. Claro é o direito de a recorrente utilizar o indébito para compensar débitos próprios, procedimento que, sem previsão normativa para a compensação pela autoridade fiscal e nem pela julgadora, sempre deverá ser direcionado à Delegacia da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio fiscal da recorrente. Em relação à incidência tributária sobre valores recebidos a título de empréstimos bancários, as alegações da recorrente não procedem, pois o lançamento fiscal não foi efetuado a partir dos valores que ingressaram nas suas diversas contas bancárias. Conforme relatado, a receita total considerada no lançamento é constituída de três parcelas. A primeira corresponde à receita declarada ao fisco federal. A segunda é a omissão materialmente comprovada pela diferença entre o que foi declarado ao fisco estadual, e o que foi declarado à RFB. A terceira corresponde à diferença entre os valores efetivamente pagos nas aquisições de mercadorias para revenda, e o montante de receitas brutas declaradas ao fisco, considerandose em cada mês o maior valor da receita declarada ao fisco, federal ou estadual. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 845 8 Sobre o erro na determinação da base imponível, assiste razão à recorrente. Cabe eliminar seu efeito, reduzindo a exigência, e não anulando todo o lançamento. No caso, a receita bruta do 1º trimestre de 2005 foi equivocadamente majorada em R$ 18.975,53 (R$ 754.970,95 – R$ 735.995,42). O valor do IRPJ calculado a partir da receita em excesso (R$ 18.975,53), e que deve ser excluído do lançamento corresponde a R$ 455,41 [(R$ 18.975,53 x 9,6%) x (15% + 10%)]. Assim, o valor mantido é de R$ 451.526,57. Na afirmação sobre erro na soma dos pagamentos para a empresa Beaulieu e para a empresa Compomade, não foram detectados os equívocos apontados, havendo a coincidência de valores. Foram confrontados os valores constantes no Termo de Verificação Fiscal com os relatórios fornecidos pelas duas empresas citadas. Na alegação da multa qualificada, o único argumento trazido foi o de vedação constitucional da utilização do tributo com efeito de confisco. Essa multa teve como base o que dispunha à época dos fatos o inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96. Entretanto, cabe somente ao Poder Judiciário a apreciação de qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas. Quanto aos lançamentos de CSL, PIS e COFINS, em sendo reflexos das mesmas irregularidades apuradas no IRPJ, dáse o mesmo tratamento dado ao lançamento principal. Como houve erro no lançamento do 1º trimestre de 2005, onde a receita bruta foi equivocadamente majorada em R$ 18.975,53, o valor da CSL a ser exonerado corresponde a R$ 200,94 [(R$ 18.975,53 x 12%) x 9%]. Com relação ao PIS e à COFINS, o referido equívoco repercutiu no mês de março de 2005, e o valor a ser excluído de PIS corresponde a R$ 123,34 (R$ 18.975,53 x 0,65%); e no caso da COFINS, deve ser excluído o valor de R$ 569,27 (R$ 18.975,53 x 3%). Cientificada da decisão em 23/02/2011, apresentou recurso voluntário de fls. 820 a 835 em 24/03/2011, reiterando, basicamente, as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 846 9 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Principio com o exame das preliminares de nulidade. A recorrente invoca nulidade dos lançamentos por conta de o MPF não abranger a CSL de todo o período autuado, e o PIS e a COFINS quanto a 1º/01/06 a 31/12/06. Consigna que portaria não pode se sobrepor a decreto, de modo que resulta flagrante a nulidade. Rejeito essa preliminar de nulidade. O Decreto 3.724/01 instituiu o MPF, como medida protetiva do contribuinte a salvaguardálo de álea de arbítrio no exercício fiscalizatório pela Administração fazendária, conferindo a tal exercício maior transparência ao exercício fiscalizatório. Estabeleceu uma autolimitação ao exercício fiscalizatório. O art. 2º, § 4º, do Decreto 3.724/01 previu a regulamentação pela Receita Federal quanto às informações que devem constar no MPF: Art. 2º. Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007) § 1º. Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardamento do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal e, no prazo de cinco dias, contado de sua data de início, será expedido MPF especial, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007) § 2º. Entendese por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7o e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007) Fl. 863DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 847 10 § 3º. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (Renumerado pelo Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007) I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). § 4º. O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007) A Portaria RFB 11.371/07, que vigorava ao tempo dos lançamentos, previa em seu art. 8º: Art. 8º. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. A meu ver, a Portaria RFB 11.371/07, incluindo seu art. 8º, exerceu o dever regulamentar nos limites do previsto no art. 2º, § 4º, do Decreto 3.724/01. Ilegalidade inexistente a interditar os lançamentos de CSL, de PIS e de COFINS. Argui a recorrente nulidade por força de as intimações referentes ao MPF terem sido feitas por registro eletrônico, sem consentimento dela e sem prova de seu recebimento. Isso violaria o art. 23, §§ 4º, I e 5º, do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.196/05: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 864DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 848 11 a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2°. Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º. Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º. O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Entendo que se devem distinguir as intimações de atos administrativos que demandam ônus ao sujeito passivo ou de atos processuaisadministrativos das intimações que não demandam tal ônus ou não possuam caráter processual. As primeiras reclamam o expresso consentimento do sujeito passivo e devem ser feitas no endereço postal por ele fornecido à Administração fazendária. As últimas, a meu ver, não ensejam serem feitas a endereço postal fornecido pelo sujeito passivo nem seu consentimento, pois não lhe trazem prejuízo. O art. 4º da Portaria RFB 11.371/07 previu: Art. 4º. O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 849 12 A intimação do MPF se põe entre as últimas intimações mencionadas: que não demandam ônus do sujeito passivo (a praticar algum ato) nem possuem caráter processual. São intimações que, feitas eletronicamente, no endereço do site da Receita Federal, não provocam nenhum prejuízo ao sujeito passivo. Não diviso, pois, eiva de ilegalidade no comando do art. 4º da Portaria RFB 11.371/07. Rejeito, outrossim, essa preliminar de nulidade. Sobre a inadequação do meio utilizado, auto de infração ao invés de notificação de lançamento, também não prospera a alegação da recorrente. A notificação de lançamento e o auto de infração não ostentam entre si diferenças substanciais. Ao teor do art. 142 do CTN, o lançamento se presta a formalizar tanto o tributo como a penalidade. Aliás, o CTN sequer prevê a forma ou “instrumento” jurídico do auto de infração, o que já indica a inexistência de diferenças substantivas entre a forma lançamento, regulamente notificado, e o auto de infração. O art. 9º do Decreto 70.235/72 simplesmente prevê a possibilidade de a formalização do tributo ou da penalidade (quando for aplicável) ser feita por auto de infração ou notificação de lançamento: Art. 9º. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Se a notificação de lançamento se prestasse a formalizar somente o tributo, contrariando o CTN (art. 142), reservandose o auto de infração à penalidade, a ordem posta no art. 9º em questão estaria equivocada: ele teria de referir às notificações de lançamento seguida de autos de infração, pois é dito que serão “distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade”. Evidentemente, o art. 9º não quis se referir à notificação de lançamento e ao auto de infração, respectivamente, para formalização só do tributo, e do tributo e da penalidade (ou só desta), mas à prescrição de que, para a exigência de cada espécie de tributo, acompanhada ou não de penalidade, deve ser lavrado auto de infração ou notificação de lançamento distintos. As determinações previstas nos arts. 10 e 11, do Decreto 70.235/72 são obrigatórias1. Mas a descrição e imposição de penalidade, a que se refere o art. 10, é de rigor, quando esta for cabível ao caso – o que significa dizer, quando aquela não for cabível, também é possível a materialização do instrumento “auto de infração”. Não havendo diferenças substantivas entre um e outro, ainda que fosse o caso de notificação de lançamento ao invés de auto de infração, mas assim não se apresenta, a hipótese não configuraria vício que fulminasse o ato de nulidade. 1 O art. 10 prescreve sobre o auto de infração e o art. 11 sobre a notificação de lançamento. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 850 13 Prossigo com o exame do mérito. A recorrente versa sobre a nulidade do arbitramento, porquanto o autuante teria conseguido determinar a base imponível, o que vitimaria o procedimento do arbitramento, que é medida extrema. Também porque o autuante lançara apoio no art. 47, III, da Lei 8.981/95, para o arbitramento do lucro, e o preceito só se refere à falta de apresentação da escrituração contábil na hipótese de lucro presumido, o que não é o caso. O autuante levantara omissões de compras, por cotejo com as DIPJ dos principais fornecedores da recorrente, e mediante diligência feita junto a tais fornecedores. Assim, apurara omissões de compras correspondentes às diferenças entre as compras declaradas ao fisco federal e estadual entre 2004 e 2006 e as informações de vendas à recorrente no período, apresentadas pelos principais fornecedores. Além disso, o autuante procedera ao levantamento dos valores recebidos da recorrente pelos mesmos fornecedores, no mesmo período, conforme dados levantados na diligência efetuada junto a esses fornecedores. Com isso, apurara diferença entre esses valores recebidos da recorrente por tais fornecedores e os valores de receitas declaradas ao fisco federal e estadual, e que corresponderia a outra hipótese de omissão de receitas. Apesar desses levantamentos, creio, como as receitas decorrentes de omissões de compras poderiam estar contidas na omissão de receitas levantada na forma descrita, ao se proceder ao arbitramento do lucro, o autuante considerou somente como omissão de receitas: a) A diferença entre os valores recebidos da recorrente pelos principais fornecedores e as receitas declaradas aos fiscos federal e estadual, adotandose sempre o maior valor declarado (ao fisco federal ou ao estadual); b) A diferença entre as receitas declaradas ao fisco estadual e ao fisco federal. E tais diferenças são bem significativas, sobretudo as de omissão de receitas vinculadas a pagamentos a fornecedores. De se lembrar que a recorrente fora intimada e reintimada à apresentação de sua escrituração contábil. Fora aberto prazo para reconstituição de sua escrituração contábil, sob pena de arbitramento do lucro. E a recorrente não apresentara sua escrituração contábil, ou melhor, foi apresentado somente o Livro Diário com registros parciais dos fatos contábeis ocorridos em 2006. De outra parte, não diviso erros dos valores declarados ao fisco estadual, considerados como receitas (extraídos dos Livros de Registro de Saídas de Mercadorias e compatíveis com as DIME – Declarações do ICMS e do Movimento Econômico). Se há erros, a recorrente não logrou comproválos. E, sabidamente, o ônus aqui é da recorrente, porquanto se trata de confissões de valor por ela prestadas. Diante desse quadro, tributação indevida haveria, vale dizer, tributação do que não corresponde a renda, se a exigência fiscal de IRPJ e de CSL recaísse diretamente Fl. 867DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 851 14 sobre as receita omitidas. Aí, sim, sem se considerar os custos e despesas presumidamente incorridos pela recorrente, estarseia exigido tributo sobre o que não é lucro ou renda. Não percebe a recorrente que, ao se proceder ao arbitramento do lucro, em face da inexistência e imprestabilidade da escrituração contábil, procedeuse ao reconhecimento presumível de custos e despesas incorridos, ao se aplicarem os coeficientes legais para arbitramento do lucro. No caso vertente, de 9,6% para determinação do lucro arbitrado para fins de IRPJ (8% acrescidos de 20%), conforme os arts. 15, caput e 16, da Lei 9.248/95, e de 12% para o lucro arbitrado, para efeitos da CSL, nos termos do art. 20 da Lei 9.249/95 com a redação da Lei 10.684/03 e do art. 29, I, da Lei 9.430/96. De outra parte, houve equívoco na capitulação legal para o arbitramento do lucro. O autuante lançou suporte no art. 47, III, da Lei 8.981/95, reproduzido no art. 530, III, do RIR/99. O correto seria o art. 47, I e II, da Lei 8.981/95, reproduzido no art. 530, I e II, do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Já tive oportunidade de me manifestar por diversas ocasiões que o que vitima o lançamento é o motivo equivocado, e não o mero erro na capitulação legal. Fundamental é o motivo do lançamento. Se este se revelar malsinado, carente de juridicidade ou descompassado ao suporte fático em jogo, aí o vício substancial que o vitima é fulminante, ainda que a capitulação legal se mostre adequada. Mas, se o erro é somente na capitulação legal, sem vício no motivo, não há eiva a vitimar o lançamento. E é este o caso dos autos. O motivo é claro e já dito: a falta de apresentação da escrituração contábil, inclusive diante de abertura de prazo para sua reconstituição. Alega a recorrente que o autuante, de posse dos extratos bancários e tendo acesso aos empréstimos bancários, considerou os créditos como receitas, o que é inadmissível. De todo infundada tal arguição. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 852 15 Os lançamentos não se deram com base em omissão de receitas presumida por créditos bancários de origem incomprovada. Os extratos bancários só serviram como ponto de partida para o aprofundamento da investigação fiscal. O que o autuante considerou como receitas omitidas foi a diferença entre os valores recebidos da recorrente pelos principais fornecedores e as receitas declaradas aos fiscos federal e estadual (a maior delas). Embora tenha levantado, não considerou como receitas omitidas a diferença entre vendas feitas pelos principais fornecedores à recorrente e as compras declaradas aos fisco federal e estadual. Isso, provavelmente pelas razões que já expus anteriormente. E assim procedeu o autuante, por medida de cautela, em abono à certeza, pois poderia ser discutido se a segunda das diferenças estaria ou não contida na primeira delas, ainda que parcialmente. E, contra tal diferença, a recorrente não controverteu, e muito menos trouxe aos autos elementos que a infirmasse. A recorrente acentua que, na apuração das receitas omitidas no 1º trimestre de 2004, o autuante considerou o valor das receitas omitidas no 2º trimestre, resultando numa diferença a maior de R$ 18.975,53. Contudo, a recorrente esqueceuse de que tal diferença já fora acolhida pelo órgão julgador a quo, não tendo sido tal matéria devolvida a esta instância de julgamento. I.e., o órgão julgador de origem já reconhecera o equívoco nos lançamentos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS sobre a referida diferença. Invoca a recorrente também que houve equívoco na soma dos pagamentos feitos à empresa Beaulieu, quanto aos 3º e 4º trimestres de 2004, e na soma dos pagamentos feitos à empresa Compomade, quanto ao 1º trimestre de 2006. Compulsando os autos, não detectei a diferença alegada pela recorrente em relação aos pagamentos feitos à Beaulieu, que totalizam R$ 41.798,09, como consta na tabela de fl. 692 do Termo de Verificação Fiscal (TVF). Possivelmente a recorrente não deteve atenção à segunda coluna de valores recebidos, da folha 314, que consigna a soma dos valores pagos à Beaulieu, e confundiu sua somatória com a posta no TVF. Também não localizei diferença quanto aos pagamentos feitos à Compomade, que totalizam R$ 98.078,45, conforme somatória dos pagamentos feitos constantes nas fls. 293 e 294, expurgados os valores pagos em 2007. Esse é o valor que figura igualmente na tabela da fl. 692 do TVF. Sob o manto dessas considerações, nego provimento ao recurso quanto ao arbitramento do lucro. E, igualmente, nego recurso contra as exações de PIS e de COFINS. A recorrente lança inconformismo quanto à desconsideração dos pagamentos efetuados no regime simplificado, na exigência fiscal. Assiste razão à recorrente, nesse passo. Os valores pagos de 2004 a 2006 sob o regime do Simples federal impõem serem abatidos das exigências de IRPJ, CSL, PIS e COFINS relativos a tais anoscalendário. O caso não é de compensação, como deu a entendeu o órgão julgador a quo, mas de mero abatimento, que é de rigor, nos lançamentos efetuados. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 853 16 Sobre essa questão, por conseguinte, dou provimento ao recurso, para que sejam abatidos os valores de IRPJ, CSL, PIS e COFINS pagos sob o regime simplificado, dos lançamentos desses tributos. Levanta irresignação a recorrente quanto à multa qualificada sob argumento de ser confiscatória a multa no patamar de 150%. Bem se sabe que a este órgão julgador é defesa a apreciação de constitucionalidade da lei, conforme a Súmula nº 2 do CARF, consolidada pela Portaria CARF 52/10: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.. Afastada a apreciação do teste de constitucionalidade do art. 44, II, da Lei 9.430/96, segundo sua dicção à época dos fatos, é de se ver que a omissão de receitas perpetrada pela recorrente, correspondente à diferença entre os valores pagos a seus fornecedores e as receitas declaradas seja ao fisco federal ou ao estadual, revela montantes significativos. Também não são desprezíveis as diferenças entre receitas declaradas ao fisco estadual e ao fisco federal. Esses dados de fato associados à constatada reiteração por três anos calendário são fortes elementos indicativos de dolo específico no comportamento da recorrente, a tipificar a incidência da multa qualificada. De tal feito, nego provimento ao recurso sobre a questão da multa qualificada. Por conseguinte, resulta prejudicada a arguição de decadência em relação às obrigações tributárias anteriores a outubro de 2004 (os lançamentos se aperfeiçoaram em outubro de 2009), por não ser aplicável o art. 150, § 4º, do CTN. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial para abater os valores pagos de 2004 a 2006 sob o regime simplificado, correspondentes a IRPJ, CSL, PIS e COFINS, das exigências desses tributos. É o meu voto. Sala das Sessões, em 1 de fevereiro de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 870DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005044/200989 Acórdão n.º 110300.623 S1C1T3 Fl. 854 17 Fl. 871DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004284/2009-88
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004
AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVAS PELO CONTRIBUINTE.
A aferição indireta/arbitramento de crédito tributário é possível na hipótese de inércia do contribuinte quando intimado a apresentar documentos ou informações, invertendo-se, portanto, o ônus da prova.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004 AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVAS PELO CONTRIBUINTE. A aferição indireta/arbitramento de crédito tributário é possível na hipótese de inércia do contribuinte quando intimado a apresentar documentos ou informações, invertendo-se, portanto, o ônus da prova. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004 AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVAS PELO CONTRIBUINTE. A aferição indireta/arbitramento de crédito tributário é possível na hipótese de inércia do contribuinte quando intimado a apresentar documentos ou informações, invertendose, portanto, o ônus da prova. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 84 /2 00 9- 88 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.004284/200988 Acórdão n.º 2803002.115 S2TE03 Fl. 206 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela GVR SERVIÇOS TEMPORÁRIOS LTDA. contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOI) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento do débito referente ao período de 01/2004 a 12/2004. 2. Conforme dispõe o relatório fiscal, diante da ausência de elementos para apurar as contribuições previdenciárias devidas, a fiscalização utilizouse do instituto da aferição indireta, como segue (fls. 26/27): “(...). 3.1 O presente Auto de Infração deuse por aferição indireta em razão de a fiscalização ter tido acesso deficiente às folhas de pagamento, documento indispensável aos procedimentos de auditoria fiscal previdenciária. 3.2 Tendo em vista a ausência de elementos para apurar as contribuições previdenciárias devidas, face à impossibilidade de analisar todas as folhas de pagamento, utilizamonos dos valores informados na Relação Anual de Informações Sociais RAIS e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, ambos constantes do banco de dados do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). 3.3 Ante o exposto, procedemos à Aferição Indireta das contribuições previdenciárias da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a diferença de massa salarial entre as informadas na RAIS e na GFIP (GFIP DCBC Demonstrativo da Composição da Base de Cálculo e GFIP WEB GFIP Única relação de trabalhadores da empresa) dos segurados empregados, extraídas do CNIS. (...).” 3. O crédito apurado destinase a outras entidades e fundos, correspondendo a: SAL EDUC (2,5%), INCRA (0,2%), SENAC (1,0%), SESC (1,5%), SEBRAE (06,%). TOTAL (5,8%). 4. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa manteve o crédito tributário, nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições destinadas a terceiros a seu cargo, incidentes Fl. 206DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.004284/200988 Acórdão n.º 2803002.115 S2TE03 Fl. 207 3 sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e as destinadas aos terceiros , mencionadas nos artigos 2° e 3º da Lei n.° 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). AI. FORMALIDADES LEGAIS. O Auto de Infração AI encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto constante do anexo denominado Fundamentos Legais do Débito e do Relatório Fiscal. AFERIÇÃO INDIRETA. É lícita a apuração por aferição indireta do saláriode contribuição, quando há recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, por parte da empresa, ou quando a contabilidade não registra o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, constituindose em presunção legal relativa, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETRO BENIGNA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (fls.89/90). 5. Tempestivamente, a empresa interpôs o recurso voluntário, às fls. 104/110, cuja síntese descrevo a seguir: a) existência de decadência das contribuições lançadas com fundamento no art. 150, § 4, do Código Tributário Nacional (CTN); b) cerceamento do direito de defesa do contribuinte, em razão da falta de transparência dos anexos ao relatório fiscal, em que não constam os valores totais da RAIS e os valores totais declarados em GFIP; c) pagamento das contribuições sociais no prazo normal de vencimento, após ter informado em GFIP; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.004284/200988 Acórdão n.º 2803002.115 S2TE03 Fl. 208 4 d) apresentação de todos os documentos (livros contábeis, folhas de pagamentos, RAIS, GFIPs, e demais documentos); e) a empresa efetuou recolhimento não declarado em GFIP referente a rescisões de contrato de trabalho que não foram deduzidas dos valores lançados. 6. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. Eis o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.004284/200988 Acórdão n.º 2803002.115 S2TE03 Fl. 209 5 Voto Conselheiro NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO LANÇAMENTO FISCAL 2. O contribuinte, em suas alegações, manifestou inconformidade no tocante ao lançamento por aferição indireta, portanto, é necessário tecer ponderações a respeito do lançamento tributário. 3. Compulsando os autos, verificase que foi enviado o Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), recebido pelo contribuinte em 16.05.08 (f. (18). Em seguida, foram emitidos três Termos de Intimação Fiscal (TIFs): TIF 01 (recebido em 21.08.2009); TIF 02 (recebido em 05.10.2009); e TIF 03 (recebido em 14.10/2009), fls. 21/23, reforçando a necessidade de entrega da documentação. 4. Pelo que consta dos autos, a motivação utilizada pela fiscalização para que fosse realizada a aferição indireta demonstrou que houve acesso deficiente às folhas de pagamento, documento indispensável aos procedimentos de auditoria fiscal previdenciária. 5. Dessa feita, não restou alternativa ao auditor que não o aferimento indireto para o levantamento do débito, com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), ambos constantes do banco de dados do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). entregues em época própria pelo contribuinte, sem deixar de respeitar o princípio da razoabilidade. 6. Nesse sentido, a primeira instância administrativa ratificou a aferição indireta realizada pelo agente fazendário quando constatou a existência de divergências entre os documentos apresentados pelo contribuinte, GFIP e RAIS do período fiscalizado, sem que o mesmo trouxesse qualquer outra informação. 7. Dessa forma, devido à inércia do contribuinte, entendo que o fisco promoveu o lançamento tributário adequadamente ao realizar os cálculos com base nos valores aferidos indiretamente. 8. Cumpre destacar que o lançamento de ofício, tal como ocorrido, encontra respaldo nos parágrafos 3º e 6º, do artigo 33 da Lei de Organização da Seguridade Social; bem como nos artigos 232, 233 e 235, do Regulamento da Previdência social, ora colacionados: “Lei de Organização da Seguridade Social Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.004284/200988 Acórdão n.º 2803002.115 S2TE03 Fl. 210 6 ...................................................................................................... Art. 33 (...). § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” (g.n.). “Regulamento da Previdência Social ............................................................................................... Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (...). Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário” 9. Dessa forma, diante do acesso deficiente às folhas de pagamento, não foram suficientes os elementos para apurar as contribuições previdenciárias devidas, restando necessário o lançamento por aferição indireta. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.004284/200988 Acórdão n.º 2803002.115 S2TE03 Fl. 211 7 10. Em sendo, nego provimento ao recurso, diante da legalidade da aferição indireta realizada pelo agente fazendário que culminou no lançamento do débito tributário. CONCLUSÃO 11. Dado o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS – Relator. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 3/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001622/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para que seja excluída a parcela correspondente aos valores de alimentação "in natura".
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para que seja excluída a parcela correspondente aos valores de alimentação "in natura". Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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CONTRIBUIÇÃO DESTINDA A OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS Recorrente SAMONTE TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 22 /2 01 0- 79 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para que seja excluída a parcela correspondente aos valores de alimentação "in natura". Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001622/201079 Acórdão n.º 2402003.397 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE, SEST, SENAT, INCRA e SEBRAE), para as competências 01/2006 a 10/2007. O Relatório Fiscal (fls. 23/34) informa que: 1. a empresa forneceu alimentação aos seus empregados sem que estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), no período de 01/2006 a 10/2007, o que constitui remuneração in natura integrante da base de cálculo da contribuição previdenciária. Para que a parcela relativa a alimentação não integre o salário de contribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o PAT, entretanto, como a empresa não estava cadastrada no programa, no período de apuração, os valores despendidos com aquisição dos vales deve integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária; 2. os valores referentes à aquisição da alimentação foram extraídos da contabilidade da empresa e não foram declarados em GFIP. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/11/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 39/50) – acompanhados de anexos de fls. 51/56 –, alegando, em síntese, que: 1. o procedimento é nulo porque foi dada ciência do início do procedimento fiscal ao contador da empresa, que não é sujeito passivo da obrigação, nem seu preposto, o que importaria em preterição ao direito de defesa e contraditório; 2. o vale alimentação é parcela indenizatória derivada de convenção coletiva, portanto, não está sujeita à incidência de contribuição previdenciária, aplicandose a isenção do artigo 214, V, “m” do RPS, entendimento que é corroborado pela jurisprudência do TST. A empresa está cadastrada no PAT desde o ano de 2000, conforme comprova com o documento de fls. 35; 3. requer a produção de prova antes da decisão deste colegiado, em consonância com o disposto em lei e os princípios que regem o processo administrativo tributário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1238.517 da 12a Turma da DRJ/RJO1 (fls. 119/126) – Fl. 165DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que houve cerceamento ao seu direito de defesa e que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001622/201079 Acórdão n.º 2402003.397 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que parte dos fatos geradores que ensejaram a presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, assim como a própria alimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal (fls. 23/34) nos seguintes termos: “[...] 5. Constituem fatos geradores das contribuições aqui lançadas: 5.1. as remunerações pagas aos segurados empregados a título de Alimentação, sem que a empresa estivesse registrada no Programa Alimentação do Trabalhador PAT, do Ministério do Trabalho e Emprego, no período de 01/2006 a 10/2007. [...]” (g.n.) Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: Fl. 167DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentaçãoconvênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001622/201079 Acórdão n.º 2402003.397 S2C4T2 Fl. 5 7 da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, para que sejam excluídos em sua integralidade os valores apurados em decorrência da verba paga a título de valealimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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