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Numero do processo: 10530.723946/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2009 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 39 46 /2 00 9- 50 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Por meio de Pedido Eletrônico de Ressarcimento transmitido eletronicamente em 30/4/2009, a interessada, que atua no ramo de venda, no varejo, de combustíveis e lubrificantes, postulou o ressarcimento de saldo credor da Cofins apurado ao final do 1º trimestre de 2009 após a dedução, da soma dos créditos, do valor devido da contribuição em cada um dos períodos de apuração que compõem o referido trimestre. A DRF em Feira de SantanaBA indeferiu o pedido de ressarcimento sob o argumento de que os créditos em questão não se encaixam na norma prevista pelo artigo 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, podendo ensejar apenas sua utilização na diminuição do valor da contribuição devida. Na Manifestação de Inconformidade a interessada defendeu a utilização do crédito em compensação (sic) citando como base legal o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; os inciso I e II do artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005; o art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e o art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004. Reproduziu ementa de decisão do STJ sobre compensação de débitos, entendendo lhe socorrer, e, ao final, pediu o reconhecimento do crédito e a “extinção da dívida” (sic). A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em SalvadorBA manteve o indeferimento, na linha do entendimento da DRF. No Recurso Voluntário a interessada repetiu as mesmas argumentações de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723946/200950 Acórdão n.º 3401002.177 S3C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Despacho da DRF em Feira de SantanaBA dá conta da tempestividade do Recurso Voluntário, que, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Inicialmente, de afastar da análise a aplicação dos dispositivos legais e infralegais, bem como decisão do STJ colacionada, equivocadamente invocados pela Recorrente em seu auxílio, porquanto não relacionados à matéria em julgamento. Refirome aqui ao artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; ao art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e ao art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004, visto que tratam eles de compensação de débitos, enquanto que o que está em julgamento é o ressarcimento de créditos da Cofins apurados sob o regime da nãocumulatividade. Créditos esses que, de acordo com as fichas do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) anexadas ao processo, tiveram como origem as aquisições no mercado interno e vinculadas à receita tributada no mercado interno, mais especificamente, sobre as rubricas Bens Adquiridos para Revenda, Despesas com Energia Elétrica, Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica, Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil, e Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado. Ou seja, os créditos em discussão não têm origem em operações que possuam vinculação com vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. Mas, a Recorrente entende que seu direito está lastreado nos seguintes dispositivos: à No art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. à Combinandoo com o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3 o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Ora, da leitura desses dois artigos, depreendese que o pedido de ressarcimento a que alude o inciso II do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, é para aquele saldo credor que cumpre duas condições cumulativas, quais sejam, a primeira, que tenha sido apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e, a segunda, que esse saldo credor tenha se acumulado em virtude da existência de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. E, como dito acima, a segunda das condições não foi atendida neste caso, já que os créditos que ensejaram o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento estão vinculados apenas às operações de vendas tributadas. Ou, dito de outra forma, a interessada, acertadamente, não postula créditos calculados sobre as aquisições vinculadas às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, pelo simples fato de que, referindose elas a gasolina, óleo diesel e álcool, há vedação expressa nesse sentido, a teor do contido no inciso I, alínea “a”, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Vejamos de que tratam tais dispositivos: [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10530.723946/200950 Acórdão n.º 3401002.177 S3C4T1 Fl. 4 5 de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Vêse, pois, que o saldo credor em discussão submetese à regra geral de aproveitamento dos créditos do regime da nãocumulatividade, qual seja, o da diminuição da contribuição devida, consoante, aliás, preceitua o caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 15983.000905/2007-15
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A partir do momento em que constatada ocorrência de uma das situações previstas em lei como excludentes do Simples, cabe à Administração Pública efetuar a exclusão de ofício, mediante Ato Declaratório, ainda que eventual crédito tributário decorrente das infrações apuradas quando a empresa ainda estava sujeita ao regime simplificado, e das quais decorreu a sua exclusão, esteja com sua exigibilidade suspensa em razão de recurso administrativo. PRÁTICA REITERADA À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA PENAL EM BRANCO. REGULAMENTAÇÃO ADICIONAL. O disposto no art. 14, inciso V da Lei nº 9.317/96, não depende de qualquer regulamentação adicional, tendo plena eficácia, devendo a legalidade do procedimento de exclusão do SIMPLES ser aferido caso a caso, nos termos da legislação aplicável ao processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 SELEÇÃO DE CONTRIBUINTES. NULIDADES. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Ao contribuinte não é dado indagar acerca dos critérios de seleção de contribuintes fiscalizados, mormente se lhe foi cientificado o Mandado de Procedimento Fiscal, que pressupõe o regular cumprimento por parte da Administração Tributária, de todas orientações internas emanadas pelo órgão fiscalizador.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2001, 2002, 2003, 2004, 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE
DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXCLUSÃO
DO SIMPLES.
A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do CTN, de sorte que, uma vez constatada infração à legislação tributária, impõese a lavratura do auto de infração, observada a forma de tributação a qual deva se submeter à pessoa jurídica a partir de sua exclusão do regime simplificado, ainda que o Ato
Declaratório de exclusão do Simples esteja com seus efeitos suspensos em razão de manifestação de inconformidade ou recurso apresentado em processo administrativo fiscal.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001,
31/10/2001, 30/11/2001
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Consoante dispõe a Súmula STF nº 08 e entendimento exarado no REsp 973.733/SC do STJ, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos
casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário:
2001, 2002, 2003, 2004, 2005
MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA.
Consoante farta e pacífica jurisprudência deste colegiado julgador administrativo, a prática reiterada na prestação de informações inverídicas e a magnitude da omissão de receitas, oferecem elementos suficientes para caracterizar a conduta dolosa no descumprimento das obrigações tributárias, ensejando a aplicação da multa qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1803-001.431
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A partir do momento em que constatada ocorrência de uma das situações previstas em lei como excludentes do Simples, cabe à Administração Pública efetuar a exclusão de ofício, mediante Ato Declaratório, ainda que eventual crédito tributário decorrente das infrações apuradas quando a empresa ainda estava sujeita ao regime simplificado, e das quais decorreu a sua exclusão, esteja com sua exigibilidade suspensa em razão de recurso administrativo. PRÁTICA REITERADA À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA PENAL EM BRANCO. REGULAMENTAÇÃO ADICIONAL. O disposto no art. 14, inciso V da Lei nº 9.317/96, não depende de qualquer regulamentação adicional, tendo plena eficácia, devendo a legalidade do procedimento de exclusão do SIMPLES ser aferido caso a caso, nos termos da legislação aplicável ao processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 SELEÇÃO DE CONTRIBUINTES. NULIDADES. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Ao contribuinte não é dado indagar acerca dos critérios de seleção de contribuintes fiscalizados, mormente se lhe foi cientificado o Mandado de Procedimento Fiscal, que pressupõe o regular cumprimento por parte da Administração Tributária, de todas orientações internas emanadas pelo órgão fiscalizador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do CTN, de sorte que, uma vez constatada infração à legislação tributária, impõese a lavratura do auto de infração, observada a forma de tributação a qual deva se submeter à pessoa jurídica a partir de sua exclusão do regime simplificado, ainda que o Ato Declaratório de exclusão do Simples esteja com seus efeitos suspensos em razão de manifestação de inconformidade ou recurso apresentado em processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Consoante dispõe a Súmula STF nº 08 e entendimento exarado no REsp 973.733/SC do STJ, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Consoante farta e pacífica jurisprudência deste colegiado julgador administrativo, a prática reiterada na prestação de informações inverídicas e a magnitude da omissão de receitas, oferecem elementos suficientes para caracterizar a conduta dolosa no descumprimento das obrigações tributárias, ensejando a aplicação da multa qualificada de 150%.
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DE AREIA E PEDRA E TERRAPLANAGEM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A partir do momento em que constatada ocorrência de uma das situações previstas em lei como excludentes do Simples, cabe à Administração Pública efetuar a exclusão de ofício, mediante Ato Declaratório, ainda que eventual crédito tributário decorrente das infrações apuradas quando a empresa ainda estava sujeita ao regime simplificado, e das quais decorreu a sua exclusão, esteja com sua exigibilidade suspensa em razão de recurso administrativo. PRÁTICA REITERADA À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA PENAL EM BRANCO. REGULAMENTAÇÃO ADICIONAL. O disposto no art. 14, inciso V da Lei nº 9.317/96, não depende de qualquer regulamentação adicional, tendo plena eficácia, devendo a legalidade do procedimento de exclusão do SIMPLES ser aferido caso a caso, nos termos da legislação aplicável ao processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 SELEÇÃO DE CONTRIBUINTES. NULIDADES. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Ao contribuinte não é dado indagar acerca dos critérios de seleção de contribuintes fiscalizados, mormente se lhe foi cientificado o Mandado de Procedimento Fiscal, que pressupõe o regular cumprimento por parte da Administração Tributária, de todas orientações internas emanadas pelo órgão fiscalizador. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 802 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do CTN, de sorte que, uma vez constatada infração à legislação tributária, impõese a lavratura do auto de infração, observada a forma de tributação a qual deva se submeter à pessoa jurídica a partir de sua exclusão do regime simplificado, ainda que o Ato Declaratório de exclusão do Simples esteja com seus efeitos suspensos em razão de manifestação de inconformidade ou recurso apresentado em processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Consoante dispõe a Súmula STF nº 08 e entendimento exarado no REsp 973.733/SC do STJ, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Consoante farta e pacífica jurisprudência deste colegiado julgador administrativo, a prática reiterada na prestação de informações inverídicas e a magnitude da omissão de receitas, oferecem elementos suficientes para caracterizar a conduta dolosa no descumprimento das obrigações tributárias, ensejando a aplicação da multa qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 818DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 803 3 Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto Da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório TERRAMAR COM. DE AREIA E PEDRA E TERRAPLANAGEM LTDA pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. 1. A empresa acima identificada, mediante Ato Declaratório Executivo DRF/STS n° 17, de 27 de agosto de 2007, de emissão do Senhor Delegado da Receita Federal em SantosSP (fl. 685), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) por ter cometido a prática reiterada de infração à legislação tributária, infringindo de maio de 2001 a dezembro 111 de 2005 o disposto no artigo 14, inciso V, da Lei n° 9.317/1996. Os efeitos da exclusão da empresa do Simples são a partir de 01/06/2001, conforme inciso V do artigo 15 da mesma Lei n° 9.317/1996 e inciso VII do artigo 24 da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (SRF) n° 608/2006. 2. Este ato declaratório foi expedido atendendo a Representação Fiscal (fls. 658 e 659), na qual o auditor fiscal relata que a empresa, em relação aos anos calendários de 2001 a 2003, apresentou declarações de inatividade e, em relação aos anos calendário 2004 e 2005, apresentou declarações simplificadas com valores zerados e não fez nenhum recolhimento referente ao Simples ou a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apesar de ter auferido receitas da atividade no período de maio de 2001 a dezembro de 2005, conforme constatado em notas fiscais e no Livro Registro de Faturas de Obras e Serviços, circunstâncias estas registradas no Termo de Intimação Fiscal de fls. 663 e 665 e no Demonstrativo de Receita Bruta Apurada de fls. 666 a 674. 3. A interessada foi cientificada em 10 de setembro de 2007 do Ato Declaratório de Exclusão (fls. 690). 4. Inconformada, a contribuinte apresentou em 18 de setembro de 2007, representada por procuradora (fls. 701 a 706), a Manifestação de Inconformidade de fls. 691/701, acompanhada apenas dos documentos que comprovam a representação (fls. 702 a 706), na qual alega, em síntese, o seguinte: Fl. 819DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 804 4 4.1 há cerceamento do direito de defesa, pois sua exclusão do Simples somente poderia ocorrer depois de devidamente apurada, com o exercício do contraditório e da ampla defesa, a alegada "prática reiterada de infração à legislação tributária” em processo administrativo regular, conforme prevê o artigo 15, § 3º, da Lei n° 9.317/1996; 4.2 conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes em casos semelhantes, cujas ementas dos Acórdãos são reproduzidas, o Ato Declaratório Executivo n° 17, de 27/08/2007 é nulo, já que não esclarece as razões pelas quais considerou a manifestante praticante de reiteradas infrações à legislação tributária, 411 limitandose a indicar o dispositivo legal infringido e o processo administrativo 15983.000295/200750, no qual teria sido apurada a prática infracional e do qual não tomou ciência; 4.3 "a sansão prevista no artigo 14, inciso V, da Lei n° 9.317/96, que prevê a exclusão de oficio do Simples em decorrência da 'prática reiterada de infração à legislação tributária', é inaplicável, por tratarse de norma penal em branco, que necessita ser integrada por outra norma, ainda não editada", já que não está definido se apenas uma ou várias repetições são necessárias, nem quais infrações à legislação tributária dariam margem à exclusão do Simples; 4.4 "se existentes as 'reiteradas infrações', não restam dúvidas de que a exclusão do Simples, na hipótese, corresponde a um agravamento de penalidade, razão pela qual somente pode ser aplicada após restar devidamente caracterizada, em processo administrativo regular, a referida reiteração", nos termos dos Pareceres Normativos CST n's 55/1973 e 194/1974; 4.5 "mesmo que tivesse ocorrido tal prática, tal circunstância acarretaria a sua exclusão do Simples somente a partir do momento em que constatado tal comportamento, e nunca de data aleatoriamente escolhida pela autoridade administrativa"; 5. A exclusão do Simples, bem como a manifestação contrária à exclusão, relatadas acima, compunham originariamente o processo administrativo 15983.000295/2007 50, que por força da Portaria do Secretário da Receita Federal n° 6.129, de 02 de dezembro de 2005, foi juntado por anexação ao presente processo conforme o despacho de fl. 657 e os Termos de fls. 708 e 709, compondo as atuais fls. 658 a 707. 6. O presente processo foi formalizado em decorrência de ação fiscal, em relação a qual a contribuinte, acima identificada, foi cientificada de lançamentos de oficio de tributos federais em 06/12/2007 (fls. 09, 10, 26, 27, 43, 44, 60 e 61), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 805 5 7. Conforme descrito nos Autos de Infração, demonstrativos anexos, no Ter de Verificação e Constatação Fiscal e no Demonstrativo de Receita Omitida (f1s. 08 a 92), a contribuinte teve, em face de sua exclusão do Simples desde 01/06/2001 e da impossibilidade de apuração do Lucro Real pela não apresentação da escrituração contábil elaborada pela mesma fiscalizada, intimada de acordo com as leis comerciais e fiscais, seu lucro arbitrado com base nas receitas omitidas verificadas nas Notas Fiscais de emissão da própria fiscalizada. 8. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9° do Decreto n 70.235, de 06 de março de 1972, os Autos de Infração de IRPJ (fls. 09 a 14), de contribuição para o PIS (fls. 26 a 31), de COFINS (fls. 43 a 48) e de CSLL (fls. 60 a 66), com os respectivos enquadramentos legais e demonstrativos dos montantes dos tributos, multas de ofício aplicadas e juros de mora calculados até 30/11/2007. Devido ao fato de a contribuinte ter apresentado declarações de inatividade em 2001, 2002 e 2003 e Declaração Simplificadas zeradas referentes aos anoscalendário 2004 e 2005, apesar das receitas auferidas nestes períodos, foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, pela existência de evidente intuito de fraude, caracterizada pela omissão de informação e prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias. 9. Irresignada com os lançamentos, a autuada apresentou em 20/12/2007, representada por procuradora (fls. 634 a 639) a impugnação de fls. 620 a 634, instruída com os documentos que comprovam a representação (fls. 635 a 639) e com cópia da manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples (fls. 640 a 652), alegando, em síntese, que: 9.1. os lançamentos são nulos por desvio de poder e desrespeito aos princípios constitucionais da impessoalidade, da imparcialidade e da isonomia, pois em nenhum momento foram indicadas pelo auditor fiscal autuante as razões ou a origem da fiscalização, nem qual programa de fiscalização estava sendo executado, nem foi apresentada a prévia autorização, para fiscalizar a contribuinte, do Coordenador do Sistema de Fiscalização (COFIS), conforme previsto no caput e § 2° do artigo 1° da Portaria do Secretário da Receita Federal (SRF) n° 500/1995 e no caput e § 4° do artigo 1° da Portaria SRF n° 3.007/2002; 9.2. descabe a exigência tributária enquanto não for decidido o processo 15983.000295/200750, no qual a impugnante discute sua exclusão do Simples, conforme cópia da manifestação de inconformidade anexada às fls. 640 a 652, efetivada ilegalmente, pois teve seu direito de defesa desconsiderado, em afronta ao conteúdo do artigo 15, § 3 0, da Lei n° 9.317/1996; 9.3. segundo a doutrina e a jurisprudência administrativas dominantes, esta última com várias ementas de julgados transcritas, a parcela dos créditos tributários cujos fatos Fl. 821DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 806 6 geradores ocorreram até 30/09/2002, já tinha o direito de formalização pela Fazenda decaído quando da ciência do lançamento em 05 de dezembro de 2007, pois os tributos ora discutidos são sujeitos ao lançamento por homologação e o termo inicial de seu prazo decadencial é a data do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN; 9.4. a multa de oficio qualificada (150%) foi aplicada indevidamente, pois a fiscalização não provou a fraude, e segundo o volume 2, n° 4/5 da Revista de Política e Administração Fiscal da própria Secretaria da Receita Federal, acórdão da própria Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo e acórdãos do Conselho de Contribuintes, o ônus de provar a fraude é da Administração Tributária; nem indicou quais as práticas cometidas pela impugnante que levariam à incidência das disposições dos artigos 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/1964, o que é necessário segundo doutrina transcrita; 9.5 a aplicação da multa qualificada de 150% encontrase pacificada no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes como se lê em sua Súmula n° 14, segundo a qual "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimento, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1616.994, de 25 de abril de 2008 (fls. 710/724), julgou procedente em parte o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/06/2001 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRÁTICA REITERADA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O contribuinte que infringe a legislação tributária deve ser excluído do Simples de ofício com efeitos a partir do mês em que fique caracterizada a reiteração na prática infracional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, • 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 Fl. 822DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 807 7 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presumese, até prova contrária a cargo de que alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, • 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA. IMPOSTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O direito de a Fazenda Pública lançar de oficio crédito Tributário referente a imposto somente decai após o prazo de cinco anos contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SEGURIDADE SOCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O direito de a Fazenda Pública lançar de ofício crédito Tributário referente a contribuição para a Seguridade Social somente decai após o prazo de dez anos contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de oficio é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. Ciente da decisão em 12/06/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 743), apresentou o recurso voluntário em 07/07/2008 fls. 744/787, onde reitera em grande parte os argumentos da inicial. É o relatório. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 808 8 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de exclusão do SIMPLES FEDERAL e concomitantes lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos aos anos calendários 2001 a 2005, pela constatação de não tributação de receitas regularmente auferidas, adotandose o regime de tributação do lucro arbitrado. Alega a recorrente em síntese: Em relação à exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96): a) não foi observado, nessa exclusão, o devido processo legal, de que tratam a LEI N° 9.784/99 e O DECRETO N° 70.235/72; b) a sanção prevista no artigo 14, V, da LEI N° 9.317/96, que prevê a exclusão de ofício do SIMPLES em decorrência da "prática reiterada de infração à legislação tributária", é inaplicável, por tratarse de norma penal em branco, que necessita ser integrada por outra norma, ainda não editada, e c) mesmo que tivesse ocorrido tal prática, tal circunstância acarretaria a sua exclusão do SIMPLES somente a partir do momento em que constatado tal comportamento, e nunca de data aleatoriamente escolhida pela autoridade administrativa. Em relação ao lançamento do IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS): a) a seleção da RECORRENTE para a fiscalização não observou as determinações constantes da PORTARIA SRF N° 3.007102 (ITEM 2); b) descabe a exigência tributária enquanto não for decidido definitivamente o PROCESSO N° 15983.000295/200750, no qual a RECORRENTE discute a sua exclusão do SIMPLES, já que efetivada irregularmente (ITEM 3); c) incidiu, com relação aos fatos geradores ocorridos até NOV/2002, o instituto da decadência, posto que a RECORRENTE foi notificada do auto de infração em 06/12/2007, quando já transcorrido o lapso temporal de 05 (cinco) anos (ITEM 4); d) na autuação, foi aplicada, indevidamente, a multa de 150% sobre o tributo (ITEM 5). Passo inicialmente a análise dos argumentos em relação a exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). Fl. 824DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 809 9 Afirma a recorrente que não foi observado o devido processo legal no que tange a sua exclusão do SIMPLES FEDERAL pois não teve acesso prévio aos elementos do processo e o ato declaratório não estaria suficientemente motivado. Ora, a exclusão do SIMPLES FEDERAL se dá com fundamento na Lei nº 9.317/96, havendo efeito suspensivo desta exclusão, com a apresentação da manifestação de inconformidade. Conforme bem observou a decisão de primeira instância, todos os elementos necessários para configurar a situação excludente (prática reiterada de infração tributária), encontravamse no processo nº 15983.000295/200750, anexado ao presente (fls. 658/684), sendo que o ato de exclusão (fl. 685), faz expressa remissão ao processo sendo a contribuinte cientificada de todos os seus termos. A contribuinte exerceu na plenitude o seu amplo direito à defesa por ocasião da manifestação de inconformidade (fls. 693/701), não havendo que se falar em qualquer nulidade neste sentido. Tampouco merece acolhida, a alegação sobre a inaplicabilidade do disposto no art. 14, inciso V da Lei nº 9.317/96, por se tratar de norma penal em branco que necessitaria de regulamentação. Temse que o dispositivo tem plena vigência e eficácia, não dependendo de qualquer regulamentação adicional para que reste aplicada e reconhecida a situação excludente de “prática reiterada de infração à legislação tributária”. Com efeito, conforme a própria recorrente afirma, tratandose de regime diferenciado, simplificado e favorecido para as empresas que aderem ao sistema simplificado de recolhimento de tributos federais (Lei nº 9.317/96), tem como contrapartida a absoluta observância da legislação tributária por parte destas. As dúvidas que a recorrente apresenta sobre a aplicação prática do dispositivo ficam no campo das hipóteses, sendo que somente as questões reais de sua aplicação por parte das autoridades fiscais são objeto de análise por parte deste colegiado julgador administrativo. Fato incontestável e não infirmado em nenhum momento por parte da recorrente é que ao longo de 05 (cinco) anos em que foi objeto do procedimento fiscal, afrontou acintosamente a legislação tributária e em particular a do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), omitindo sistematicamente suas receitas, não recolhendo um centavo sequer à título de tributo, prestando declaração falsa de inatividade em relação aos anos de 2001, 2002 e 2003, e, DSPJ em branco em relação aos anos calendários 2004 e 2005. Onde está a dúvida a ser esclarecida? Os dicionários definem o termo reiterar como "repetir", "renovar", "refazer". Assim, a simples renovação de uma conduta tributária antijurídica já bastaria para caracterizar a situação excludente descrita, conforme já decidiu este colegiado: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 810 10 EXCLUSÃO POR EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA E PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIES A QUO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO. A existência de contrato, cujo objeto é prestação de serviços de mão de obra, e de Ficha Razão dando conta de serviços prestados à vista, não deixam qualquer dúvida no sentido do exercício de atividade vedada. Perfeitamente caracterizada a prática reiterada de infrações à legislação tributária quando o contribuinte não logra comprovar a origem e o ingresso dos recursos no patrimônio da empresa em várias oportunidades. A reiteração dáse na segunda oportunidade, dies a quo para os efeitos da exclusão do SIMPLES. (Ac. 30236.890, 16/06/2005, 2ª Câmara 3º CC) Destarte, totalmente inócua a discussão quantas infrações são necessárias para restar caracterizada a prática reiterada de infração à legislação tributária pois às escâncaras a situação fática apresentada não deixa a menor dúvida quanto a conduta tributária delituosa praticada ao longo de 05 (cinco) anos por parte da recorrente. A exclusão se dá conforme disciplina o art. 15, inciso V, a partir do mês inclusive, da constatação da situação excludente. No caso, constatada a omissão de receitas desde Maio de 2001 e a reiteração da infração no mês de Junho de 2001, correta a exclusão a partir deste mês inclusive, conforme aplicado e disposto no Ato Declaratório Executivo DRF/STS n° 17, de 27 de agosto de 2007 (fl. 685). Rejeito portanto as alegações sobre inaplicabilidade do disposto no art. 14, inciso V da Lei nº 9.317/96. Por derradeiro, descabida a pretensão de que deva ser aguardada a confirmação e decisão condenatória definitiva em relação ao lançamento tributário, por analogia à legislação do IPI. Contudo, não procede a analogia proposta pela recorrente com o instituto da reincidência, conforme definido na legislação de regência do IPI (art. 70 da Lei n° 4.502/64), ou mesmo em relação ao inciso VII do art. 14 da Lei nº 9.317/96. Para a configuração da reincidência, nos termos da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, é necessário que exista decisão condenatória definitiva referente à infração anterior. Confirase o teor do citado artigo: "Art. 70. Considerase reincidência a nova infração da legislação do Imposto do Consumo, cometida pela mesma pessoa natural ou jurídica ou pelos sucessores referidos nos incisos III e IV do artigo 36, dentro de cinco anos da data em que passar em Fl. 826DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 811 11 julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior”. A exigência de decisão condenatória definitiva, no âmbito do SIMPLES, para fins de determinar a exclusão da pessoa jurídica deste sistema, está expressamente prevista apenas no caso de prática de crimes contra a ordem tributária, conforme inciso VII do art. 14 da Lei nº 9.317/96. Contudo, no caso do inciso V do mesmo artigo (prática reiterada de infração), não foi prevista a mesma exigência. Confirase os dispositivos em questão: "Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses. (...) V prática reiterada de infração à legislação tributária; (...); VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva. Impossível a analogia, pois tratamse de institutos distintos, estando apenas um expressamente definido em lei, não sendo possível estender a exigência também para os casos preconizados no inciso V do art. 14 da lei tributária. Rejeito assim, todas as alegações da recorrente no que se refere a exclusão do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). Passo a análise das alegações da recorrente em relação aos lançamentos de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Inicialmente impende apreciar a alegação de decadência, em que a recorrente sustenta que considerando a ciência do lançamento em 06/12/2007, todos os fatos geradores de Junho/2001 a Novembro/2002 restaram atingidos pela decadência. Registrese por oportuno, que a decisão de primeira instância, exonerou a recorrente em relação ao lançamento de IRPJ para os fatos geradores trimestrais de 30/06/2001 e 30/09/2001. Neste aspecto, assiste parcial razão à recorrente. Com a edição da Súmula Vinculante nº 08, por parte do Egrégio Supremo Tribunal Federal, afastouse em definitivo a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91 do ordenamento jurídico tributário, mantendose exclusivamente as regras do Código Tributário Nacional em matéria de prescrição e decadência também para as denominadas contribuições sociais. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 812 12 Neste diapasão, necessária ainda a referência ao julgado contido no REsp 973.733/SC, que por força do art. 62A do RICARF, deve ser observado por este colegiado julgador administrativo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 828DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 813 13 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...). 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º do CTN) e ausente qualquer recolhimento anterior, conforme relatado pela autoridade fiscal (fls. 79/83), impõese a regra do art. 173, I do Código Tributário Nacional. Nesta senda, considerando que o lançamento foi realizado em 06/12/2007, deve ser reconhecida também a decadência para os fatos geradores de 30/06/2001 e 30/09/2001, em relação à CSLL e para os fatos geradores de 30/06/2001 a 30/11/2001 para as exações de PIS e COFINS, considerando como primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderiam ser lançadas, o dia 01/01/2002. Além da incidir a regra do art. 173, I do CTN em virtude da falta de recolhimento anterior, também em consequência da manutenção da multa qualificada de 150%, conforme adiante se verá, é aplicável o disposto no art. 173, I e não a regra do art. 150, § 4º do CTN. A recorrente não fez qualquer alegação em relação ao mérito dos valores lançados, limitandose a abordar questões formais do procedimento que passo a apreciar a seguir. Inicialmente tece a recorrente longas alegações de que não teria como se certificar de que a seleção da empresa pela fiscalização observou as normas regulamentares expedidas pela Secretaria da Receita Federal, não se podendo aferir se esta se realizou observando os critérios de estabelecidos nas Portarias internas e os princípios da isonomia, da impessoalidade e da imparcialidade. Equivocase evidentemente a recorrente, pois não há nenhum dispositivo legal determinando a ciência ao contribuinte acerca dos motivos que levaram a fiscalização, pois referese a prerrogativa legalmente instituída sendo dever instrumental do contribuinte apresentar todos os elementos acerca de suas operações comerciais. Conforme já deixou claro a decisão de primeira instância, tendo a contribuinte recebido o competente Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, inferese que a Administração Tributária agiu de acordo com as orientações emanadas dos órgãos superiores, não cabendo ao contribuinte indagar acerca de assuntos que tem caráter eminentemente “interna corporis”. Rejeito portanto as alegações de nulidade neste sentido. Não há tampouco qualquer irregularidade no lançamento dos tributos não recolhidos antes da decisão definitiva acerca da exclusão do SIMPLES FEDERAL. Com efeito, além das matérias estarem sendo discutidas simultaneamente após a apensação dos processos de exclusão e lançamento de ofício, não há qualquer óbice no Fl. 829DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 814 14 regular cumprimento do dever poder de realizar o lançamento tão logo efetuada pela Administração Tributária a exclusão da sistemática de recolhimento simplificado. O retardo no lançamento dos tributos devidos implica na fatal e inarredável fluência da decadência o que a autoridade fiscal não deve deixar ocorrer sob pena de responsabilização uma vez constatada a falta considerando sua atividade plenamente vinculada conforme dispõe o Código Tributário Nacional. E quanto à forma de tributação adotada, o artigo 16 da Lei nº 9.317/96 prevê o seguinte, (verbis): “Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.” Uma vez que a recorrente, no curso do procedimento fiscalizatório, expressamente reconheceu que não possuía condições de providenciar a escrituração contábil dos períodos fiscalizados (maio de 2001 a dezembro de 2005), foi submetida de ofício ao lucro arbitrado, conforme expressamente prevê o art. 47 da Lei nº 8.981/95. Por derradeiro, resta a análise da correta aplicação da multa qualificada de 150%, conforme disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Na redação vigente à época dos fatos geradores (2001 a 2005), deve restar evidente o intuito de fraude conforme definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Não obstante não ter definido em qual dos artigos estaria enquadrada a contribuinte, descreveu com propriedade a conduta dolosa praticada ao longo dos anos calendários que foram objeto do procedimento fiscal. A contribuinte informou situação inverídica ao se declarar inativa em relação aos anos calendários 2001 a 2003 e sem receita tributável em relação aos anos calendários 2004 e 2005 (DSPJ em branco). Acresce que tampouco recolheu qualquer importância a título de tributo federal mesmo na sistemática de recolhimento simplificado SIMPLES FEDERAL. A prática adotada pela recorrente ao longo de 05 anos, foi de total desprezo ao regular cumprimento de suas obrigações tributárias principais ou acessórias, revelando uma prática habitual e contumaz, que refoge a um simples equívoco ou desorganização em sua área contábil e fiscal, evidenciando conduta dolosa no sentido de locupletarse com os recursos que legitimamente pertencem ao Erário Público Federal. A jurisprudência desta instância julgadora administrativa, acolhe o conceito de prática reiterada e do percentual envolvido na omissão, como parâmetros balizadores para manutenção da penalidade qualificada, conforme excertos: Acórdão CSRF/0105.739, relator Marcos Vinicius Neder de Lima: "QUALIFICAÇÃO DE MULTA — INTUITO DOLOSO — PRATICA REITERADA DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO À Fl. 830DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 815 15 FAZENDA FEDERAL COM VALORES INFERIORES AOS ESCRITURADOS NOS LIVROS A reiteração da entrega de declaração em valor significativamente inferior ao constante em seus livros fiscais por longo período caracteriza o intuito doloso e autoriza a qualificação da multa." Acórdão 10196.908, relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho: "MULTA QUALIFICADA DE 150% — CONDUTA FRAUDULENTA A prática reiterada da contribuinte, por sucessivos exercícios, em omitir receitas, mediante declaração falsa de inatividade, e em declarar de maneira significantemente reduzida a receita auferida, caracterizam sua intenção fraudulenta e, por conseguinte, justificam a aplicação da multa qualificada de 150%." Acórdão 10196.703, relatora Sandra Maria Faroni: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de oficio qualificada de 150 %, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. Acórdão CSRF 910100.140, relator Antonio Carlos Guidoni Filho: "MULTA AGRAVADA – CONDUTA REITERADA. Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco." Acórdão CSRF/0105.810, relator José Clóvis Alves: "MULTA QUALIFICADA — CONDUTA CONTINUADA — A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada." Assim, demonstrado no caso concreto a conduta dolosa do contribuinte tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, é de ser mantida a multa aplicada no percentual de 150%, pelo que deve ser negado provimento ao recurso voluntário também neste aspecto. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo a decadência dos fatos geradores 30/06/2001 e 30/09/2001, para a CSLL, e, dos fatos geradores 01/06/2001 a 30/11/2001, para as exações de PIS e COFINS, mantendose o Fl. 831DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15983.000905/200715 Acórdão n.º 180301.431 S1TE03 Fl. 816 16 lançamento para os demais fatos geradores, seja em relação ao IRPJ bem como dos lançamentos decorrentes de CSLL, PIS e COFINS. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 832DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 29/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10280.720006/2008-17
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 Ementa: LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO. O Lucro Arbitrado está sob a égide da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e tem aplicação in casu, pela não demonstração dos livros Diário e Razão capazes de satisfazer os trabalhos de fiscalização tendentes a homologar/convalidar o lançamento de tributos federais. FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. ERRO. INOCORRÊNCIA. Não há vício material na edificação da base de cálculo dos tributos, tendo em vista que o lançamento respeitou período de apuração trimestral, com a demonstração de faturamento de origem mensal. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não há ofensa ao princípio da legalidade entre outros que regem a administração pública, dado a atividade ter respeitado a forma e os limites do art. 142 do Código Tributário Nacional e atendido aos requisitos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Da imputação do principal, decorre a exigência com relação aos demais tributos.
Numero da decisão: 1802-001.425
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, REJEITAR as preliminares suscitadas e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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SILVEIRA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Ementa: LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO. O Lucro Arbitrado está sob a égide da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e tem aplicação in casu, pela não demonstração dos livros Diário e Razão capazes de satisfazer os trabalhos de fiscalização tendentes a homologar/convalidar o lançamento de tributos federais. FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. ERRO. INOCORRÊNCIA. Não há vício material na edificação da base de cálculo dos tributos, tendo em vista que o lançamento respeitou período de apuração trimestral, com a demonstração de faturamento de origem mensal. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não há ofensa ao princípio da legalidade entre outros que regem a administração pública, dado a atividade ter respeitado a forma e os limites do art. 142 do Código Tributário Nacional e atendido aos requisitos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Da imputação do principal, decorre a exigência com relação aos demais tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, REJEITAR as preliminares suscitadas e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720006/200817 Acórdão n.º 1802001.425 S1TE02 Fl. 192 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de IRPJ e reflexos em CSLL, PIS e Cofins originados pelo arbitramento da pessoa jurídica diante da não apresentação de documentação própria capaz de permitir o cálculo dos referidos tributos. A exigência tem como origem o processo administrativo fiscal n° 10280.004505/200511, onde se discutiu sua exclusão do SIMPLES, inaugurado através do Parecer SECAT/DRF/BEL n° 793 de 05/12/2006 constante às fls. 12/16, confirmado pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 64, de 05 de dezembro de 2006 (fls. 17) e consolidado em 10/04/2007, pela Equipe de Análise de Processos DRFBELPA. Diante da confirmação de exclusão do SIMPLES, instaurouse o presente processo visando constituir o crédito tributário devido pelo contribuinte. Para isso, foi requerido diversas vezes documentos fiscais do contribuinte, os quais não foram apresentados, conforme Relatório de Encerramento de Fiscalização (fls. 53) que aplicou por derradeiro o arbitramento do lucro: Contribuinte :R L Silveira Ltda Cap Centro de Anestesia do Pará Ltda (sic) Operação : 25101 Simples Descaracterização da Opção Vendas. Períodos Fiscalizado(sic): Ano Calendário de 2005 e 2006 2. Dos Fatos A Ação fiscal teve como embasamento, o Parecer SECAT/DRF/BEL, N° 793 de 05.12.2005 do Processo 10280.004505/200511, fls 12 a 17, encaminhado à SAPAC/DRF/BEL, para cobrança da multa que trata o art.21 da Lei 9.317/96 e lançamento de eventuais tributos devidos em virtude da exclusão da PJ da Sistemática do Simples a partir de 01.01.2005, através do ADE/DRF/BEL n° 64 de 05.12.2006, mesma data de sua opção por este regime de Tributação. Como foi excluído Simples na mesma data da inclusão a SAPAC/DRF/BEL concluiu uq (sic) por não haver base de cálculo aplicável ao caso não haveria aplicação da multa solicitada, doc fls. 10 e 11. Intimado várias vezes a apresentar os documentos fiscais e Contábeis, fls. 04 e 18 a 21, somente apresentou os extratos Bancários do Bradesco do período de 01.01.2005 a 31.12.2005, fls. 22 a 50. Com Base nestes extratos apuramos mensalmente , os Valores Depositados , doc às fls. 51 e 52 e Autuamos o Contribuinte Arbitrando o seu Lucro. Inconformado com o arbitramento do lucro e ao conseqüente lançamento de ofício, o contribuinte apresentou impugnação, que se sujeitou à análise da 1a Turma da Fl. 206DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 DRJ/BEL, cujo relatório parte integrante do Acórdão n° 0122.751, (fls. 151) colaciono a seguir: Versa o presente processo sobre auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Programa de Integração Social PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor total de R$ 265.579,37, incluídos os acréscimos legais, referente aos anoscalendário de 2005 e 2006. O arbitramento teve como base a receita bruta conhecida apurada através de extrato bancário apresentado pelo autuado. Cientificado do lançamento em 23/01/2008 apresenta impugnação em 01/02/2008 onde alega em síntese que: 1. houve erro material na determinação do fato gerador, pois a fiscalização descreveu ora 3 (três), ora 4 (quatro) fatos geradores para a mesma data trimestral; 2. após ser excluída do SIMPLES, apresentou espontaneamente, sua DIPJ 2007, anocalendário 2006, com base no Lucro Presumido, opção essa que não foi respeitada pela fiscalização; 3. o PIS, a COFINS (sic) e a CSLL também devem ser considerados IMPROCEDENTE (sic) por acompanhar o resultado do primeiro; 4. a ação fazendária encontrase eivada de nulidade, em razão de desrespeitar diversos princípios estabelecidos na Constituição Federal. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da impugnação, conforme seguinte ementa (fls. 150): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. O lançamento em questão observou o correto período de apuração, não contendo vício de ordem material. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, Fl. 207DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720006/200817 Acórdão n.º 1802001.425 S1TE02 Fl. 193 5 e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicase no que couber o que foi decidido em relação àquele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada do Acórdão em 28/10/2011, apresentou Recurso Voluntário em 23/11/2011, requerendo em apertada síntese pela improcedência do lançamento, ratificando o feito de sua impugnação acerca de suposto excesso de tributação na caracterização do fato gerador, que sustenta evidenciar vício material e formal na constituição do lançamento, e violação aos princípios da verdade material, da legalidade, da impessoalidade e da eficiência. Em síntese, o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade. Dele, tomo conhecimento. Primeiramente é de se ressaltar, que já está consolidada a exclusão do SIMPLES da recorrente para os períodos de que trata a exigência fiscal, nos autos do processo n° 10280.004505/200511, conforme consulta eletrônica no site Comprot, verificandose que se encontra referido processo devidamente arquivado (Arquivo Geral da SAMF/PA). Desta forma, não cabe mais quaisquer considerações a respeito, em atenção ao princípio da segurança jurídica, estando consolidados os efeitos do Ato Declaratório Executivo n° 64, de 05 de dezembro de 2006. Vencida esta prefacial, há que se validar os demais pontos argüidos pela recorrente. Neste sentido, suscita haver vício material, conforme narrativa (fls. 188): 1° A Fiscalização descreveu que fez arbitramento do lucro e denominou a infração como Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, e relacionou como Fatos Geradores: 3 (três) para a data de 31/03/2005; 3 (três) valores para a data 30/06/2005; 3 (três) valores para a data 30/09/2005; 3 (três) valores para a data de 31/12/2005; 2 (dois) valores para a data 31/03/2006; 3 (três) valores para a data 30/06/2006; 3 (três) valores para a data 30/09/2006 e 3 (três) valores para a data 31/12/2006, como se depreende da leitura nas folhas 55 e 56 do processo. [...] 3° Como se vê o flagrante erro de vício material praticado pela fiscalização que descreveu ora 3 (três) fatos geradores para a mesma data para os quatro trimestres do anocalendário de 2005, e para os três últimos trimestres do anocalendário de 2006, e para o primeiro trimestre de 2006 descreveu 2 (dois) fatos geradores para a mesma data, o que torna improcedente o lançamento, por se tratar de erro insanável, uma vez que contrariou literalmente à disposição legal acima citada (art. 530 RIR/99), que não prevê 2 (dois) ou 3 (três) fatos geradores para a mesma data.(Grifo no original) Ora, verifico dos autos que não procede o vício material alegado. Neste sentido, o documento de fls. 51/52 demonstra com base nos extratos bancários fornecidos pela recorrente, os valores levados à tributação. Dada a apuração dos tributos exigidos ser trimestral, foi separado no auto de infração demonstrativo do lançamento mês a mês, embora o “fato gerador” seja o mesmo, pertencendo a cada trimestre relativo. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720006/200817 Acórdão n.º 1802001.425 S1TE02 Fl. 194 7 O fato de haver apenas “2 (dois) valores para a data 31/03/2006” verificase ocorrido por não haver movimento relativo ao mês de fevereiro de 2006 imputado pela fiscalização. Portanto, não há que se falar em vício material, merecendo persistir a cobrança nesta parte, eis que a recorrente não comprova e nem sequer alega a inimputabilidade dos valores considerados pelos extratos bancários como não sendo receita. Em sendo o caso, deveria a recorrente comprovar que os valores que sofreram o arbitramento não fizeram parte da receita da empresa, atendendo ao disposto no art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Não realizada essa comprovação, atesto não ter ocorrido vício material capaz da julgar pela improcedência do lançamento. Num segundo plano, a recorrente argui que realizou a opção para o ano calendário de 2006 no Lucro Presumido, através da Declaração de Informações Econômico Fiscais – DIPJ de 2007, a qual, não foi respeitada pela fiscalização. Neste sentido, é de se ressaltar que o lucro arbitrado é decorrente de fatos que tornem imprestável a escrituração de forma a impedir a efetiva identificação da movimentação financeira, nos termos do art. 530, II do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Um desses indícios é retratado pelos incisos III e VI desse mesmo artigo acima, senão vejamos: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Fl. 210DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Tal comando é senão positivado pelo teor do art. 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720006/200817 Acórdão n.º 1802001.425 S1TE02 Fl. 195 9 § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. In casu, restou evidenciada a não demonstração dos documentos pertinentes e próprios à validação da escrituração da recorrente, o que obrigou a fiscalização a apurar o tributo via lançamento de ofício através do lucro arbitrado, assim como ordena a legislação. Assim, não há que se falar do “momento” em que “houve opção” pela apuração, tendo em vista que o comando legal dispõe ser aplicável o lucro arbitrado quando a escrituração fiscal e contábil impossibilitar os trabalhos de fiscalização tendentes a apurar o tributo. Neste sentido, temse como imprescindível a demonstração dos livros Diário e Razão, comprovando a apuração do lucro, no caso de apuração do lucro real, ou a constatação das receitas no caso de apuração do lucro presumido. Portanto, ainda que a recorrente tenha optado pela forma de apuração que lhe pareceu mais favorável, cabe à fiscalização convalidar a validade dessa apuração, e, não se prestando a documentação para os fins a que se destina, sendo, portanto, imprestável, acarreta a apuração pelo lucro arbitrado, conforme já decidido por este Conselho: FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. A falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável, mormente quando não comprovada a sua destruição em enchente, causadora de sinistro nas dependências da empresa, quando não atendidas as exigências contidas no art. 210 §1°, do RIR/94, com a comunicação à repartição fiscal e ao órgão de registro do comércio, a publicação tempestiva da notícia do ocorrido em jornal de grande circulação e a tentativa de reconstituição da escrita contábil. (1° CC, 8a Câmara, Acórdão n° 10807.624, julgado em 04.12.2003)(Grifouse.) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Ressaltase ainda, que após a decretação do lucro arbitrado, incabível e sem validade a demonstração dos documentos que lhe conduziram a essa condição, conforme já sumulado por este Conselho: Súmula CARF n° 59. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Ademais, é de se atestar que não há nulidade capaz de se averiguar no processo, conforme hipóteses do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe falta. Por derradeiro, a recorrente pede pela aplicação do princípio da legalidade, oportunidade em que estende aos demais princípios do art. 37 da Carta Magna. Como já disposto e estando reflexo ao próprio Auto de Infração, o procedimento fiscal atendeu a tais princípios, sobretudo o princípio da legalidade. A autoridade fiscal procedeu conforme manda a Lei, na boa forma do trazido pelo Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720006/200817 Acórdão n.º 1802001.425 S1TE02 Fl. 196 11 Em decorrência da manutenção da exigência quanto ao IRPJ, decorrese CSLL, PIS e COFINS, na forma em que reflexos. Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator Fl. 214DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11065.002178/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRELIMINAR DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
Acato o argumento contido na preliminar, não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76.
O lançamento, como bem delineado no acórdão recorrido (fls. 234) foi realizado no âmbito da estrita competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil.
A fundamentação legal utilizada pela fiscalização, o art. 89 da Lei nº 8.212/91 c/c o § 6º do art. 44 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, demonstra a correção quando da constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para acatar a preliminar não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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LEYHD CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRELIMINAR DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. 1. Acato o argumento contido na preliminar, não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76. 2. O lançamento, como bem delineado no acórdão recorrido (fls. 234) foi realizado no âmbito da estrita competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. 3. A fundamentação legal utilizada pela fiscalização, o art. 89 da Lei nº 8.212/91 c/c o § 6º do art. 44 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, demonstra a correção quando da constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para acatar a preliminar não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 21 78 /2 00 9- 01 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 3 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, denominados de Terceiros (Salário Educação, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA), incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês aos segurados empregados. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 29 de junho de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2008 Auto de Infração – AI 37.205.5206 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. RECOLHIMENTO. APROVEITAMENTO. Não há que se falar em recolhimento de contribuição quando não efetuado no NNPJ da autuada. NULIDADE. Não há nulidade do auto de infração quando identificado o respectivo sujeito passivo e demonstradas, de forma suficiente, a origem e a composição dos valores lançados, inclusive no que respeita às respectivas bases legais. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em preliminar o contribuinte alega ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, na medida em que desconsidera os já efetuados – e regular – recolhimentos das contribuições patronais destinadas a outras entidades ou terceiros efetuadas por Hanyvery Calçados Ltda. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 5 4 Com argumentos fundados em análises superficiais, sem provar a efetiva ocorrência (por documentos ou qualquer outro meio que não sejam consolidados com base em meras conjecturas) do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, teve desconsiderada a relação jurídica, por suposta simulação na terceirização de atividades produtivas, a ora recorrente, sendo equivocadamente autuada. Sobreveio decisão, consubstanciada no acórdão da 7ª Turma da DRJ/POA (fls. 2002007), no sentido de julgar improcedente a impugnação interposta, mantendo a exação fiscal – com o que não concorda a contribuinterecorrente, eis que, além das demais ilegalidades, sequer restou considerado, que este Auto de Infração, lança – novamente – valores já corretamente recolhidos. Os serviços prestados por pessoas jurídicas não podem ser desconsiderados sem prova robusta e concreta da presença dos requisitos caracterizados da relação de emprego, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Sem eles, não há como reconhecer os segurados de Hanyvery Calçados Ltda como empregados da recorrente. Digase, ainda, que tal competência pertence ao Auditor do Trabalho vinculado ao M.T.E. O lançamento é equivocado e desmedido. Não há documento algum que erija a recorrente à categoria de empregadora da mãodeobra pertencente efetivamente à sua terceirizada. Em relação à composição societária, não há nenhuma ilegalidade. Não há vedação legal que impeça a empresa apontada no relatório fiscal, de prestar serviços de industrialização por encomenda a um único cliente. Não há razão de fato, e nem de direito, que dê guarida a desconsideração da relação jurídica entre a prestadora de serviços e a recorrente. É direito/dever do contribuinte, até para fazer frente ao mercado externo, escolher, dentre as várias alternativas legais, a menos onerosa no planejamento de sua produção industrial. Houve recolhimento válido à previdência social e que não foi considerado pelo fisco. Ante o todo exposto, requer: a) O recebimento das presentes razões recursais – eis que tempestivas e de direito da parte que as interpõe, e; b) Seja analisada a preliminar de ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pelo fato de o acórdão nº 1032.268, da 7ª Turma – DRJ/POA, não ter considerado o recolhimento de contribuições previdenciárias validamente operado – impondo se a reforma do julgado e a decretação de nulidade do AI que deu origem ao feito; Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 6 5 c) Por ocasião do julgamento do mérito, seja dado total provimento ao presente recursos voluntário, reformandose integralmente o Acórdão nº 1032.268 – 7ª Turma da DRJ/POA, com o fito de que seja declarado totalmente nulo o Auto de Infração DEBCAD nº 37.205.5206 (inclusive no que concerne a juros, correção monetária e multa), processo nº 11065.002.178/200901. Reforçamse todos os fundamentos e postulações já veiculados na impugnação e resposta à diligência constantes dos autos. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar o contribuinte alega ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, na medida em que o fisco desconsidera os já efetuados – e regular – recolhimentos das contribuições patronais e ao SAT, efetuadas por Hanyvery Calçados Ltda. Acato o argumento contido na preliminar, não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76, verbis: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Vêse, contudo, não ser o caso de efetiva exclusão do Simples, mas de constatação, pela fiscalização (Relatório Fiscal, fls. 25 a 40), e demais elementos de provas carreados aos autos, de quem seria o efetivo empregador dos trabalhadores supostamente contratados pela empresa Hanyvery Calçados Ltda, in casu, a ora recorrente. Como a matéria diz respeito a um mesmo grupo de segurados a serviço da recorrente, não resta dúvida de que no cômputo final do devido, deve ocorrer o aproveitamento da parte já recolhida pela empresa interposta, devendo a empresa autuada recolher a diferença apurada. Destarte, quando da apuração do devido, a autoridade administrativa incumbida desse mister deve se ater às determinações contidas na Súmula CARF nº 76. Com efeito, não vislumbro nestes autos, a caracterização de decisão lastreada em análise superficial, sem provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou de procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, como alega a recorrente. O lançamento, como bem delineado no acórdão recorrido (fls. 234) foi realizado no âmbito da estrita competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. A fundamentação legal utilizada pela fiscalização, o art. 89 da Lei nº 8.212/91 c/c o § 6º do art. 44 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, demonstra a correção quando da constituição do crédito tributário. Portanto, não há que se falar em lançamento equivocado e desmedido. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 8 7 A questão de ser ou não direito do contribuinte valerse de alternativas legais e menos onerosa no planejamento de sua produção industrial não se aplica à situação vertente, tendo em vista que a opção adotada malfere a legislação em vigor, conforme bem explicitado no relatório fiscal e na decisão recorrida. Por último, as matérias que foram objeto da impugnação e não aventadas no recurso não serão apreciadas, em face do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 que estabelece que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. Acato a preliminar, não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 19679.012479/2004-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2002
Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS.
DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”.
Numero da decisão: 1102-000.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002 Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 2 EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, José Sergio Gomes, João Otávio Opperman Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo SP assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PERC. PROVA DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Solicitação Indeferida.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Tratase de processo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao anocalendário de 2001, formulado em 23/09/2004, pela empresa acima identificada. O "EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS" aponta a ocorrência "11 — CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES E/OU IRREGULARIDADES CADASTRAIS (LEI 9069/95 ART. 60)". Os dados da Ficha 29 — Aplicações em Incentivos Fiscais, da DIPJ/2001/2002, à fl. 19, mostram a destinação de parcela (R$ 485.710,90) do imposto de renda para aplicação no FINAM (fls. 1 a 36). O interessado, com base nos extratos de fls. 14 a 20, foi intimado (Intimação n.° 258/2008, à fl. 21), em 26/06/2008 (fl. 39), a solucionar, em 30 dias, as seguintes pendências (fl. 21): I 1 apresentar Certidão Negativa ou Positiva com efeito de Negativa de Dívida Ativa da União, emitida pela PFN, pois há débitos inscritos na Dívida Ativa da União; 2 apresentar Certidão Negativa de Débitos do INSS; 3 apresentar Certificado de Regularidade do FGTS, emitido pela CEF. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 110200.779 S1C1T2 Fl. 2 3 Feita nova verificação, o PERC foi indeferido, em 19/11/2008 (fls. 38 a 40 e ,verso), pois constatouse a existência das seguintes pendências impeditivas: "INFORMAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL PESSOA JURÍDICA — PERC (...) Face às verificações efetuadas de acordo com a NE SRF/CORAT/COSIT N., 02/2004, proponho que o pedido seja indeferido. (...) Após análise do processo de acordo com a NE/SRF/COSAR/COSIT n.° 02 de 14 de maio de 2004, foi constatado que o contribuinte possuía pendências impeditivas a liberação do incentivo. Foi, então, o contribuinte intimado em 26/06/2008 a ;regularizar tais pendências, conforme consta à fl. 21. Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas à liberação do Incentivo, conforme consta no relatório à pagina 38. Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art 60), proponho que o processo de PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 1998, seja indeferido." A empresa apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 16/12/2008 (fls. 41 a 46), alegando, em síntese, o seguinte: 1 optou, por meio de indicação na Ficha 29 da DIPJ/02, por aplicar parte do IRPJ no FINAM; 2 não tendo havido a ordem de emissão para o FINAM, protocolou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC relativo ao exercício de 2002 ano calendário de 2001, indeferido, conforme intimação n.° 6234/2008, em razão de irregularidades na sua situação fiscal; 3 será demonstrado que não há quaisquer pendências que impossibilitem a concessão dos incentivos fiscais; 4 cumpre, de início, insurgirse contra o procedimento adotado pela Administração para a averiguação da sua situação fiscal; 5 o fundamento principal da decisão foi de que, para fins de aplicação do art. 60, da Lei n.° 9.069/95, a autoridade deve Fl. 320DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 4 verificar a regularidade fiscal do contribuinte na data em que analisa o PERC, desconsiderandose a regularidade da pessoa jurídica quando da apresentação da DIPJ, momento no qual se dá a opção pelo incentivo, conclusão com a qual a não concorda, pois essa posição não se coaduna com a interpretação sistêmica da legislação de regência da Matéria, sendo que a melhor interpretação para a definição da data da regularidade fiscal é a da data da entrega da DIPJ, visto que este critério (i) trata de forma igualitária o período de fruição do beneficio e a regularidade fiscal do contribuinte e (ii) oferece previsibilidade e segurança jurídica a ele; traz diversos argumentos, bem como jurisprudênc1 ia administrativa para respaldar sua tese; 6 quanto às pendências apontadas ,vejase que: a) Sistema Sief Débito em cobrança Saldo devedor principal de R$ 100.594.51: tratase de parte do valor de ajuste anual de IRPJ do anocalendário de 2003; o valor total do ajuste é de R$ 1.117.630,14, do qual R$ 229.252,34 (doc. 3) foi pago com DARF's e R$ 582.014,03 (doc. 4) foi compensado com PER/DCOMP's de n° 01696.65292.260204.1.3.030665, de R$ 205.769,26 (doc. 5) e de n.° 25676.88686.260204.1.3.038566, retificado pela de n° 29898.56534.050107.1.7.033755 (docs. 6 e 7), de $ 100.594,51; ou seja, o valor do ajuste anual de IRPJ do anocalendário de 2003 foi pago em sua totalidade, embora tais PER/DCOMP's, ao que tudo indica, não tenham sido analisados Pela Receita Federal do Brasil, fato que não pode prejudicar o contribuinte; b) inscrição 80.7.04.00081835: foi objeto de Pedido de Revisão protocolado em 04/05/2004 (doc. 5), pendente de análise até o momento (doc. 8); são valores de PISFaturamento dos meses de março (R$ 14.430,16), abril (R$ 10.928,71), maio (R$ 12.299,36) e junho (R$ 10.356,85) de 1999, totalizando R$ 48.015,08, que estavam com à exigibilidade suspensa em virtude de medida liminar em Mandado de Segurança n° 1999.61.00.015652.5 (doc. 10), ajuizado para assegurar o direito de adotar como base de cálculo do PIS o faturamento, entendido como as receitas de venda de bens e de prestação de serviços, afastando a base de cálculo expandida do art. 3º, § 1°, da Lei n° 9.718/98, tendo o processo transitado em julgado com decisão favorável ao contribuinte (doc. 11), de forma que essa inscrição é indevida; c) inscrição 80.6.04.00304900: foi objeto de Pedido de Revisão protocolado em 21/05/2004 (doc. 12 pendente de análise até o momento (doc. 13); tratase da CSLL de R$ 71.365,39, devida no mês de junho/1999, que estava sendo discutida no Mandado de Segurança n° 98.00058273 (doc. 14), que visava deduzir a CSLL da base de cálculo do IRPJ e da sua própria base de cálculo; a ação foi julgada improcedente (doc. 15) e foi proposta Medida Cautelar para não ser compelida ao pagamento desse valor de CSLL (doc. 16), não concedida (doc. 17), razão pela qual foi efetuado, em 30/04/2002, depósito judicial dos valores devidos de CSLL dos anos de 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002 em um único DARF, inclusive com acréscimos legais, no valor total de R$ 1.172.243,64 (doc. 18); Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 110200.779 S1C1T2 Fl. 3 5 COMPOSIÇÃO DO DEPÓSITO JUDICIAL — R$ 1.172.243,64 d) em 31/07/2002, com base no art. 11 da MP n.° 38 de 15/05/2002, requereu a desistência parcial dessa medida cautelar no que tange à dedução da de esa da CSLL da sua própria base de cálculo (doc. 19), devidamente homologada (doc. 20), solicitou a conversão em renda da União dos valores depositados judicialmente; em 28/08/2002, nos termos da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/02, e protocolou na Receita Federal requerimento de desistência de ações judiciais (doc. 21) e, em 08/04/2003, protocolou na Receita Federal cópia da decisão homologatória (doc. 22) proferida nos autos da Apelação em Mandado de Segurança n° 2001.03.99.0052414 de desistência e renúncia parcial da ação judicial. Portanto, essa inscrição é indevida, pois o valor foi integralmente pago nos termos da MP n.° 38/2002; e) inscrição 80.2.04.00238584: IRPJ devido no mês de junho/1999, de R$ 188.917,27, que ainda está sendo discutido no Mandado de Segurança n° 98.00058273 (doc. 14), mencionado no item "c"; em 30/04/2002, para suspender a exigibilidade, efetuou depósito judicial no valor de R$ 422.371,78, que corresponde ao valor do principal de R$ 188.917.27, mais a multa de R$ 37.783.45, Juros Selic de R$ 157.273,63 e encargos legais de R$ 38.397,43 (doc. 23); portanto o débito é indevido, pois está com a exigibilidade suspensa nos termos do inciso IV do art. 151 do CTN; f) nos termos dos incisos II e IV do art. 151 do CTN, nas datas de inscrição em dívida ativa, os valores de PIS dos meses de março, abril, maio e junho de , 1999, já estavam com a exigibilidade suspensa em virtude da medida liminar em mandado de segurança, bem como os valores da CSLL e IRPJ de junho de 1999, em decorrência dos depósitos judiciais; desse modo, não poderiam ter sido inscritos em dívida ativa da União no ano de 2004, ou ao menos, não poderia servir de base para o indeferimento do Incentivo Fiscal; g) quanto aos débitos do sistema PROFISC, são CSLL e IRPJ dos anoscalendário de 2000 a 2002, que, por serem cobranças indevidas, apresentou recursos contestandoas (docs. 21 e 22), que aguardam julgamento na DRJSPO (docs. 23 e 24), e cuja exigibilidade está suspensa (doc. 25); h) assim, os débitos inscritos em dívida ativa 80.7.04.00081835 (PIS), 80.6.04.00304900 (CSLL) e 80.2.04.00238584 (IRPJ), bem assim os débitos do sistema PROFISC, não podem motivar o indeferimento do PERC, pois o contribuinte está em situação fiscal regular e só não apresentou \a Certidão Negativa em virtude de erro da própria Receita Federal, que inscreveu indevidamente em dívida ativa débitos com exigibilidade Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 6 suspensa e até o momento não analisou os pedidos de revisão dos débitos indevidamente inscritos. É o relatório.” Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada sob o fundamento de que o momento apropriado para a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é justamente a data de expedição do Despacho Decisório, conforme precedentes do 1° Conselho de Contribuintes sobre a matéria. Nesse sentido, em não tendo sido demonstrada a regularidade fiscal do contribuinte no momento que lhe fora solicitado pela Fiscalização (anocalendário de 2008 – fls 26 e ss), o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais – PERC relativo ao anocalendário de 2001 deve ser indeferido. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, notadamente no tocante ao momento adequado para a verificação pela Fiscalização da regularidade Fiscal da Contribuinte para fins de acolhimento do PERC. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Cingese a controvérsia, pois, em estabelecer a interpretação que deve ser dada ao art. 60 da Lei n. 9.069, de 1995, especialmente no que se refere ao momento da regularidade fiscal a ser comprovada pelo contribuinte. Citada legislação não faz expressa menção se o referido momento seria o do fato gerador, o da data da opção, o do indeferimento pelo Fisco ou, ainda, o momento do julgamento definitivo do PERC. Citada controvérsia encontrase superada nesta Corte Administrativa por força da edição da Súmula CARF n. 37, verbis: “Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Diante da edição de referida súmula, impõese o afastamento das razões do acórdão recorrido para justificar o indeferimento do direito de fruição do incentivo fiscal pelo Contribuinte, porquanto todas elas reportamse à situação fiscal da Contribuinte em 2008 (fls 26 e ss) e não na data da entrega da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001, momento em que a Contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda ao fundo de investimento FINAM. Nesse sentido, ausente demonstração pela Fazenda Nacional de que a situação fiscal da Contribuinte era irregular no momento da opção do benefício fiscal, oriento Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 110200.779 S1C1T2 Fl. 4 7 meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.900145/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIAS NAS DECLARAÇÕES. DIPJ. DCTF. FALTA DE CERTEZA DO CRÉDITO. Para a efetivação da compensação pretendida, é exigência legal que o crédito pretensamente utilizado pela contribuinte goze dos atributos de liquidez e certeza. A existência de inconformidade nas Declarações DIPJ e DCTF apresentadas, impedem, no caso, a existência da certeza do suposto direito creditório pretendido. Apesar de devidamente intimada, a contribuinte não promovera, ao tempo e modo devido, a necessária retificação de suas declarações, não sendo possível, assim, a admissão da compensação pretendida.
Numero da decisão: 1301-000.857
Decisão: Acordam os membros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIAS NAS DECLARAÇÕES. DIPJ. DCTF. FALTA DE CERTEZA DO CRÉDITO. Para a efetivação da compensação pretendida, é exigência legal que o crédito pretensamente utilizado pela contribuinte goze dos atributos de liquidez e certeza. A existência de inconformidade nas Declarações DIPJ e DCTF apresentadas, impedem, no caso, a existência da certeza do suposto direito creditório pretendido. Apesar de devidamente intimada, a contribuinte não promovera, ao tempo e modo devido, a necessária retificação de suas declarações, não sendo possível, assim, a admissão da compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) Alberto Souza Pinto Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Relatório Por bem apresentar a realidade expressa nos autos, adoto o relatório indicado pela r. decisão recorrida: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 27531.35023.031106.1.7.025385, transmitida em 03/11/2006, com dito crédito de saldo negativo de imposto de renda da pessoa jurídica— IRPJ, do período de apuração de 01/01 a 31/12/2004, no valor de R$ 192.540,85, dos quais pretendia com o valor de R$ 186.816,12, compensar débito de COFINS do PA de Set12005, Out/2005, Nov/2005, Dez/2005 e de IRPJ e CSLL, estimativas mensais de Dez13005 e Jan12006, respectivamente, no valor total de R$ 233.370,70. 2. A interessada foi intimada pela RFB para retificar, no prazo 20 dias, a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP . retificador indicando corretamente o período de apuação do saldo negativo e o detalharnénto do crédito utilizado na sua composição. A intimação, n° 672795063, de 28/02/2007, foi recebida pela interessada em 02/03/2007, cf. AR de fl. 10 e, posteriormente, outra intimação de n° 676031653, substituindo a anterior para retificar o exercício para 2005, expedida em 26/03/2007, com as mesmas exigências, e recebida pela interessada em 02/04/2007, cf. comprova o AR de fl. 12. 3. Em 20/03/2008, diante da inércia da interessada, foi expedido o despacho decisório n° 754351185 que não homologou a DCOMP acima citada e a de n° 35857.80780.031106.1.7.02 8440, vez que não,foi possível confirmar a apuração do saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, uma vez que houve entrega de mais de uma DIPJ para o período de apuração do saldo negativo demonstrado na DCOMP. A interessada recebeu o despacho decisório em 01/04/2008, fl. 14. 3..0 enquadramento legal apontado pela autoridade fazendiria para não homologar a compensação: parágrafo 1° do artigo 1°, parágrafo 3° do artigo 2°, parágrafo 1° do artigo 6°, artigo 28 e 74 da Lei 9.430/96. 4. Inconformada, em 30/04/2008 a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório citado, fl. 15e seguintes, alegando que: 4.1. a empresa apresentou PER/DCOMP com demonstrativo de crédito referente ao apurado no exercício de 2005, entre 01/01/2004 e 31/12/2004, decorrente de saldo negativo de IRPJ, cf. DCOMP 27531.35023.031106.1.7.025385, mas a DIPJ entregue em 31/10/2006 tinha erros de preenchimento na ficha 12 A calculo do IRPJ Lucro Real onde constou R$ 118.544,76 e o correto seria R$ 192.540,85; 4.2. o erro decorreu do fato de na ficha 09 A, a soma das parcelas não dedutiveis foi informada incorretamente como R$ 370.227,30 quando o correto seria R$ 89.948,87. acarretando um lucro real de R$ 2.146.531,44, quando o correto seria R$ 1.866.253,01; 4.3. visando acertar os referidos erros, apresentou nova retificação da DIPJ em 18/04/2008, valores que estariam de acordo com a DCOMP apresentada. 5. Em 11/08/2008, a interessada protocolou petição (fls. 145/8) sobre a mesma matéria, em função do Edital PER/DCOMP n° 0989/2008, alegando que não recebeu despacho decisório referente à DCOMP n°35857.80780.031106.1.7.028440. Aditando razões de inconformidade, apresenta esclarecimentos adicionais e: Fl. 921DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.900145/200856 Acórdão n.º 1301000.857 S1C3T1 Fl. 2 3 5.1. alega que as PER/DCOMP foram apresentadas com alguns erros de preenchimento (data de inicio de período, fichas Pagamentos com DARF, ficha Demais Estimativas Compensadas, Ficha Débitos Referentes à PER/DCOMP 25731.35023.031106. 1.7.025385); 5.2. solicita a retificação das DIPJ dos períodos de 01/01/2004 a 29/03/2004 e 30/03/2004 a 31/12/2004, bem como das fichas contendo informações corretas 5.3. reitera o pedido de homologação das DCOMP Analisando os argumentos apresentados pela contribuinte, por sua vez, conclui a douta DRJ de origem pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, em aresto que, inclusive, assim restara ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INEXISTÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. INDEFERIMENTO. A lei pode, nas condições e sob • as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do .sujeito passivo contra a Fazenda pública. Inexistindo certeza e liquidez do crédito, não há que se homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o apontamento contido na referida decisão, apresenta, agora, a contribuinte o seu competente Recurso Voluntário, destacando, em síntese, que, de fato, foram verificadas falhas nos dados incluídos em sua DIPJ e também nas conseqüentes PER/DCOMP’s, todas elas, entretanto, efetivamente retificadas, não podendo, assim, ser negada a pretensão da compensação pretendida, nos termos então ali destacados. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso voluntário, dele conheço. Analisando as circunstâncias específicas tratadas nos presentes autos, verificase que toda a discussão mantida referese à inconsistência de informações a respeito do pretenso direito creditório utilizado pela contribuinte para fins das compensações manejadas a partir das PER/DCOMP”s n o 27531.35023. 031106.1.7.025385 e n° 35857.80780.031106.1.7.028440. Da análise efetivada, verificase que, reiteradas vezes, a contribuinte, mesmo tendo sido efetivamente intimada para providenciar a retificação das declarações apresentadas Fl. 922DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 (ora DIPJ‘s, ora as PER/DCOMP’s) mantevese inerte, passando a promovêlas a destempo, o que, a rigor, teria então acarretado a negativa de homologação apontada. Nas alegações apresentadas pela recorrente, verificase que, indubitavelmente, não se discute, no caso, a ocorrência do erro apontado em sua DIPJ, não se tendo verificado, entretanto, nenhum ato da contribuinte – em que pese ter sido para isso efetivamente intimada , com vistas à regularização das inconsistências, não se podendo, assim, admitir a desconstituição das circunstâncias da forma como pretendido. Conforme apontado pela r. decisão recorrida, a circunstância constante nos presentes autos é decorrente de erro exclusivamente imputável à contribuinte, que, não atentando para a inclusão das válidas e adequadas informações em suas declarações/manifestações fiscais, impediria, no caso, a constatação de certeza do pretenso direito creditório apontado, afastando, assim, a possibilidade de efetivação da compensação pretendida, com base nas respectivas disposições de regência. Sobre o assunto, nunca é demais destacar, a respeito do assunto, as expressas disposições do art. 170 do CTN, onde especificamente resta apontado: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Especificamente relacionado ao regramento federal entabulado em torno da efetivação da compensação entre débitos e créditos de natureza tributária, destacamse as disposições atuais do art. 74 da Lei 9.430/96, que, a esse respeito, assim destacam: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 923DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.900145/200856 Acórdão n.º 1301000.857 S1C3T1 Fl. 3 5 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 924DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Nesses termos, sendo incontroverso nos autos a efetiva intimação da contribuinte para a regularização dos registros de sua DIPJ e/ou das informações lançadas nas PER/DCOMP’s emitidas, e, também, a sua respectiva inércia, imperioso se faz, no caso, o reconhecimento da incerteza dos créditos apontados na compensação pretendida, estando, assim, perfeitamente adequada a negativa de homologação apontada pela autoridade fazendária de origem. Diante disso, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário oferecido, mantendose, assim, integralmente, a r. decisão recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 925DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.900145/200856 Acórdão n.º 1301000.857 S1C3T1 Fl. 4 7 Fl. 926DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006557/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – CONFUSÃO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS – NULIDADE.
É nulo o auto de infração que, por confusão na descrição do fato imponível, dificulte o entendimento da acusação fiscal e, por conseqüência, o exercício do pleno direito de defesa.
Numero da decisão: 1102-000.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé acompanhou pelas conclusões.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – CONFUSÃO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS – NULIDADE. É nulo o auto de infração que, por confusão na descrição do fato imponível, dificulte o entendimento da acusação fiscal e, por conseqüência, o exercício do pleno direito de defesa.
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Recorrida 2ª TURMA/DRJ CGE Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – CONFUSÃO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS – NULIDADE. É nulo o auto de infração que, por confusão na descrição do fato imponível, dificulte o entendimento da acusação fiscal e, por conseqüência, o exercício do pleno direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Carlos de Lima Junior, Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes e Manoel Mota Fonseca. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de auto de infração por meio do qual foi lançado crédito tributário de IRPJ e CSLL no valor de R$ 7.363.592,72 (sete milhões, trezentos e sessenta e três mil quinhentos e noventa e dois reais e setenta e dois centavos) e R$ 2.655.802,19 (dois milhões, seiscentos e cinqüenta e cinco mil, oitocentos e dois reais e dezenove centavos) respectivamente, valores estes que englobam o principal, juros e multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). De acordo com a descrição dos fatos, referido débito se fundamenta na ausência de recolhimento dos tributos, quando da incorporação da “Fiagril Armazéns Gerais” por “Fiagril Agromercantil Ltda”, conforme relatório fiscal, a seguir transcrito: Esta fiscalização recebeu o Mandado de Procedimento de Fiscalização n° 0131002007001086 em 12 de março de 2007.Em 23 de março de 2007 envia Termo de Início de Fiscalização que foi recepcionado pelo contribuinte em 05 de abril de 2007 cujo teor evidenciava algumas exigências e dentre elas ressaltamos a de n° 11 que ipsis litteris, exigia "11. APRESENTAR E DEMONSTRAR os atos formais praticados na incorporação efetuada com os respectivos balanços de fechamento e abertura e o tratamento dado na compensação de prejuízos (se houver) e as transferências dos valores constantes da parte E do LALUR com seus respectivos tratamentos tributários." Em 25 de abril de 2007 o contribuinte apresenta os documentos exigidos no Termo de Inicio de Fiscalização para a devida conferência. Em 16 de julho de 2008 esta fiscalização envia Termo de Solicitação de Esclarecimentos que foi recepcionado em 21 de julho de 2008 cujo teor intimava, "Dando continuidade a ação fiscal iniciada em 05/04/2007 e de acordo com o disposto nos artigos 904 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99), fica o contribuinte, acima identificado, INTIMADO a, no prazo de 05 (cinco) dias úteis, prestar os esclarecimentos relativos aos elementos especificados abaixo: 1. Esta fiscalização intima o contribuinte a ESCLARECER E JUSTIFICAR o não recolhimento do IR e CSLL na incorporação efetuada em janeiro de 2005 da FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA visto que a legislação preleciona, no artigo 441 do Decreto 3000 de 29 de março de 1999 e artigo 21, §2° e 3º da Lei 9.249 de 26 de dezembro de 1995, ipsis litteris, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 3 3 "Art. 441. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento que teriam na sucedida. "Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço especifico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 2° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação pelo valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda devido e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 3° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os encargos serão considerados incorridos ainda que não tenham sido registrados contabilmente." De acordo com o laudo de avaliação do patrimônio liquido e Demonstração do Acervo Liquido em 31 de janeiro de 2005 da Fiagril Armazéns Gerais Ltda, os imóveis foram reavaliados a preço de mercado pelo valor de R$ 23.195.940,09 e com a depreciação no valor de R$ 5.020.260,50 tendo então um ganho de capital de R$ 18.175.679,59 (R$ 23.195.940,09 R$ 5.020.260,50) conforme legislação acima mencionada. Como a Fiagril Armazéns Gerais Ltda, entregou as declarações de 2004 e 2005 como Lucro Presumido, portanto, este ganho de capital precisa ser incorporado à base de cálculo do IR e CSLL como preleciona a legislação. Assim sendo e com a regra de que na incorporação, cisão ou fusão o tratamento da sucessora teria que ser o mesmo da sucedida concluise, sem sombra de dúvida, que o ganho de capital mencionado deva ser incorporado a base de cálculo dos impostos IR e CSLL.". Em 22 de julho de 2008 o contribuinte responde, in verbis: “(..) No intuito de prestar esclarecimentos, estamos enviando cópia do laudo de avaliação pelo valor contábil utilizado na incorporação devidamente registrado na jucemat, esclarecendo lhe que não houve avaliação a valor de mercado e nem ganho de capital nenhum.” Dispõe o art. 21 da Lei 9249/1995: “...os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado ..." Conforme evidenciado no laudo de avaliação houve a opção da empresa pela incorporação ao valor histórico contábil citado na página 02 do laudo de avaliação, ainda na página 03 do Distrato de extinção por incorporação cita que os ativos e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 4 4 passivos foram transferidos conforme o constante no balanço levantado na data da incorporação. A incorporada possuía, registrado historicamente, uma reserva de reavaliação e uma provisão de IRPJ e CSLL Diferido, saldos contábeis estes que foram transferidos da mesma forma para a incorporadora onde está sendo tributado o IRPJ e CSLL pela realização através da depreciação mensal, baixa por perecimento ou alienação (art. 435 do RIR/99) . Decreto 3000/99 RIR: "Art. 441. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida.(...)” DO AUTO DE INFRAÇÃO Esta fiscalização esclarece que o artigo 21 da Lei n° 9.249 , de 1995, legisla, “Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 1° O balanço a que se refere este artigo deverá ser levantado até trinta dias antes do evento. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de mercado a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda devido e da contribuição social sobre o lucro liquido. § 3° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os encargos serão considerados incorridos, ainda que não tenham sido registrados contabilmente. § 4° A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o anocalendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento”. Analisando o artigo retro referido entendese que a pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido deverá levantar balanço específico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Pois bem, a empresa sucedida , FIAGRIL ARMAGÉNS GERAIS LTDA, conforme Laudo de Avaliação de Ativo Imobilizado de 31 de dezembro de 2004, efetuado pela empresa GENTURY BUSINESS CONSULTANTS LTDA, efetuou uma avaliação A PREÇO DE MERCADO, em 31 de dezembro de 2004, dos bens pertencentes ao ativo imobilizado nas unidades Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 5 5 de LUCAS DO RIO VERDE, SORRISO E SINOP cujos valores são os seguintes: SORRISO VLR TOTAL DOS BENS MÓVEIS......................... 4.385.524,00 VLR TOTAL DOS BENS IMÓVEIS....................... 4.977.000,00 SINOP VLR TOTAL DOS BENS MÓVEIS......................... 1.973.042,00 VLR TOTAL DOS BENS IMÓVEIS....................... 3.385.000,00 LUCAS DO RIO VERDE VLR TOTAL DOS BENS MÓVEIS......................... 3.950.071,00 VLR TOTAL DOS BENS IMÓVEIS.......................... 7.113.000,00 Ainda de acordo com a legislação pátria o contribuinte que declara pelo lucro presumido deve acrescentar na base de cálculo o valor de ganhos de capital, demais receitas e resultados positivos decorrentes de receitas não compreendidas na atividade pelo valor total. Assim sendo deverá tributar as receitas com alíquota diferenciada para se encontrar a base de cálculo e após, adicionar na mesma o valor do ganho de capital.Como o contribuinte efetuou uma reserva de reavaliação em 31 de dezembro de 2004 houve no mês de dezembro de 2004 um ganho de capital que deveria ter sido adicionado à base de cálculo do imposto e o contribuinte não o fez. A empresa FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, que recolhia IRPJ e CSSL pelo lucro presumido conforme DIPJs entregues, deveria ter recolhido IRPJ e CSLL sobre a operação de reavaliação do imobilizado em dezembro de 2004. Já o CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, verbera em seu artigo 132, in verbis: "Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar da fusão, transformação ou incorporação de outra em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.” Em síntese, a FIAGRIL AGROMERCANTIL LTDA, sendo sucessora da FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, é responsável direta pela tributação do IRPJ e CSLL sobre a avaliação a preço de mercado efetuada em 31 de dezembro de 2004 que conforme ANEXO IV da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é da ordem de R$ 12.984.649,02 (doze milhões, novecentos e oitenta e quatro mil, seiscentos e quarenta e nove reais e dois centavos). Valores referentes a ganhos de capital não acrescidos à base de cálculo para fins de incidência do imposto e do adicional. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto multa (%) 31/12/2004 R$ 12.984.649,02 75% ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 6 6 Art. 521 do RIR/99, Lei n° 9.430, de 1996, art. 25, inciso II. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo.” Intimada do auto em 20 de Janeiro de 2009, a Contribuinte apresentou Impugnação, suscitando, em síntese, que: a) Houve cerceamento de defesa, porque a narrativa dos fatos no auto de infração foi confusa, vez que a Fiscalização entendeu, num primeiro momento, que a simples reserva de reavaliação do ativo da empresa incorporada era hipótese de incidência de ambos os tributos, sendo que em outro momento se manifestou no sentido de que foi a incorporação registrada em 27.01.2005 que provocou o nascimento da obrigação tributária, retroagindo àdata da verdadeira reavaliação, em 31.12.2004, bem como porque, conseqüentemente, houveerro na capitulação legal da infração; b) A simples existência da Reserva de Avaliação não desencadeou efeitos tributários aptos a fazer nascer a Obrigação Tributária, seja na sistemática de apuração doLucro Real, ou mesmo, do Lucro Presumido, vez que não representou acréscimo patrimonial; c) Inexistia base legal capaz de amparar a pretensão do fisco à data da reavaliação, em 31.12.2004, o que motivou a fiscalização a embasarse no artigo 21 da Lei 9.249/95, sendo certo que, mesmo tal dispositivo, não tratava do acréscimo patrimonial quando da incorporação; d) Fato posterior (incorporação em 2005), não poderia retroagir para disciplinar fato ocorrido anteriormente (reavaliação em 2004), revelando flagrante ilegalidade na cobrança do IRPJ e da CSLL pretendidos pela fiscalização; e) Inexistiu real ganho de capital, o que somente se efetivaria quando da realização dos ativos. Por unanimidade de votos, a 2ª Turma da DRJ de Campo Grande julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo na íntegra o Auto de Infração lavrado pela fiscalização. Ao afastar a preliminar de nulidade, a DRJ o fez nos seguintes termos, “ipsis literis”: Nulidade. A preliminar deve ser rejeitada. A leitura do relato feito no auto de infração pelo AuditorFiscal autuante dá a exata noção do fato que motivou o lançamento. A parte final da descrição se apresenta assim redigida: Em síntese, a FIAGRIL AGROMERCANTIL LTDA., sendo sucessora da FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA., é responsável direta pela tributação do IRPJ e CSLL sobre a avaliação a preço de mercado efetuada em 31 de dezembro de 2004 que conforme ANEXO IV da Demonstração das mutações Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 7 7 do Patrimônio Líquido é da ordem de R$ 12.984.649,02 (..).Valores referentes a ganhos de capital não acrescidos à base de cálculo para fins de incidência do imposto e adicional. (fls. 07e 16). O trecho acima reproduzido deixa ver com clareza que o fato tido como infração consistiu na omissão do ganho de capital sobre bens transferidos da empresa incorporada para a impugnante. Não houve, por outro lado, dubiedade, nem imprecisão no que diz respeito ao enquadramento legal. Os dispositivos que servem de enquadramento aos autos de infração constam das fls. 07 e 16, e são os seguintes: art. 521 do RIR, art. 25, inciso II, da Lei n° 9.430, art. 2° da Lei n°7.689/1988, art. 29, inciso 11, da Lei n°9.430 e art. 37 da Lei n°10.637/2002. O art. 521 do RIR e o art. 25 da Lei n° 9.430 se referem ambos ao tratamento tributário dispensado ao ganho de capital na alienação de bens e direitos por pessoa jurídica que tenha optado pelo lucro presumido. Para maior clareza, eis o teor dos aludidos dispositivos: Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3° do art. 243, quando for o caso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1° O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. § 2º Os juros e as multas por rescisão contratual de que tratam, respectivamente, os arts. 347 e 681 serão adicionados à base de cálculo (Lei n°9.430, de 1996, arts. 51 e 70, § 3°, inciso III). § 3° Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido para determinação do imposto, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado (Lei n°9.430, de 1996, art. 53). § 4º Na apuração de ganho de capital, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto (Lei n° 9.430, de 1996, art. 52). Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 8 8 Art. 25 da Lei n° 9.430: Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: 1 o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1° desta Lei; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Os artigos 441 do RIR e 21 da Lei n° 9.249 em nenhum momento foram invocados como base normativa dos lançamentos. A citação a tais dispositivos se deu por conta da reprodução feita pelo autuante, no relato da infração, dos termos de uma das intimações feitas à contribuinte na fase fiscalizatória e da respectiva resposta dada naquela ocasião. Bastaria, portanto, uma leitura atenta para desfazer qualquer compreensão imperfeita ou dúbia acerca do enquadramento legal dos autos de infração. O alegado cerceamento de defesa deve igualmente ser rechaçado, porquanto a impugnante teve todas as condições para exercer o direito, tanto é que foi apresentada uma impugnação de vinte seis laudas, contendo farta argumentação, dando mostras de que a contribuinte sabia exatamente os fatos que lhe eram imputados. Analisando, ainda, a alegação do contribuinte quanto à decadência parcial do direito de constituir o crédito, a DRJ manifestouse no sentido da inexistência desta, já que o fato gerador incidiu sobre o ganho de capital ocorrido na incorporação realizada, sendo irrelevante a data da reavaliação. Por fim, ao tratar da alegação do contribuinte no sentido de que teria inocorrido, na espécie, o ganho de capital, a DRJ afastou tal argumento, sob o fundamento que a contribuinte não provou ter adicionado os valores da reserva de reavaliação à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como, afirmou não haver na legislação de regência a possibilidade de adicionar à base de cálculo dos tributos o saldo da reserva de reavaliação somente na medida em que estes se realizarem. Também afirmou não ter ocorrido o alegado “bis in idem” e, se tivesse ocorrido, seria exclusivamente por culpa da errônea escrituração contábil da contribuinte, competindo, exclusivamente, a esta as correções, sem prejuízo do lançamento. Intimada da decisão em 11 de maio de 2009, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08 de junho do mesmo ano, repisando os argumentos aduzidos na impugnação. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 9 9 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. Presentes as condições de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele tomo conhecimento. Alegou a Recorrente, em sede de preliminar, nulidade do Auto de Infração por flagrante confusão na narrativa dos fatos e conseqüentemente na capitulação legal. O deslinde da causa merece apurada análise por parte deste julgador, senão vejamos. Inicialmente, da análise os argumentos aduzidos pelo Senhor Auditor, no relatório do auto de infração, temse a nítida impressão que a autuação diz respeito à incorporação efetuada: “Esta fiscalização esclarece que o artigo 21 da Lei n° 9.249 , de 1995, legisla: “Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. (...) Analisando o artigo retro referido entendese que a pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido deverá levantar balanço específico para esse fim (...) Contudo, logo após, o Auditor começa a tratar da reserva de reavaliação efetuada e dá a entender que o fato tributado foi a reserva de reavaliação, causando grande confusão no entendimento do Auto, conforme se depreende do trecho a seguir transcrito: “Como o contribuinte efetuou uma reserva de reavaliação em 31de dezembro de 2004 houve no mês de dezembro de 2004 um ganho de capital que deveria ter sido adicionado à base de cálculo do imposto e o contribuinte não o fez. A empresa FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, que recolhia IRPJ e CSLL pelo lucro presumido conforme DIPJs entregues, deveria ter recolhido IRPJ e CSLL sobre a operação de reavaliação do imobilizado em dezembro de 2004.” Por fim, para aumentar a confusão, quando da conclusão do auto, a autoridade fiscalizadora afirmou ter havido ganho de capital não oferecido a tributação, conforme trecho abaixo transcrito: Em síntese, a FIAGRIL AGROMERCANTIL LTDA, sendo sucessora da FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, é Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 10 10 responsável direta pela tributação do IRPJ e CSLL sobre a avaliação a preço de mercado efetuada em 31 de dezembro de 2004 que conforme ANEXO IV da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é da ordem de R$ 12.984.649,02 (doze milhões, novecentos e oitenta e quatro mil, seiscentos e quarenta e nove reais e dois centavos). Valores referentes a ganhos de capital não acrescidos à base de cálculo para fins de incidência do imposto e do adicional. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto multa (%) 31/12/2004 R$ 12.984.649,02 75,00 Assim, temse que a conclusão do Auto induz, logo de início, ao entendimento de que o fato tributado é a incorporação, ocorrida em janeiro de 2005, para em seguida, conduzir a outro entendimento, qual seja, de que a tributação, em verdade, está se dando sobre a reserva de reavaliação, tanto que adota como data do fato gerador 31/12/2004. Inegável, assim, a confusão que causa a narrativa do Auto de Infração. E tal confusão, por si só, causa a nulidade do Auto, já que, inegavelmente, impede que o contribuinte exerça seu direito de defesa de forma plena e clara, vez que do modo como foi redigido, não permite o entendimento dos fatos geradores que ensejaram a autuação. Neste sentido é a jurisprudência deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Processo nº 12045.000068/200736 Recurso nº 141.947 Voluntário Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Acórdão nº 20500.665 Sessão de 03 de junho de 2008 Recorrente SCHMIDT IRMÃOS CALÇADOS LTDA Recorrida SRP PORTO ALEGRE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/09/2005 PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – RELATÓRIO FISCAL INCOMPLETO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com insuficiência na descrição clara e precisa dos fatos geradores. A deficiente descrição dos fatos geradores da contribuição autoriza a decretação da nulidade do lançamento por inobservância dos requisitos básicos para a sua validade, propiciadores do exercício do amplo direito de defesa por parte do sujeito passivo e livre formação de convencimento por parte dos julgadores. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 11 11 Processo Anulado. E ainda: Processo nº 10183.005589/200184 Recurso nº 132213 ofício Matéria IRPJ E OUTROS Acórdão nº 10194049 Sessão de 06 de dezembro de 2002 Recorrente 2ªTURMA/DRJCAMPO GRANDE/MS Recorrida CRBS S.A. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO – É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sedo imputado. Tratase, no caso, de nulidade pro vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência. Recurso negado. E, caso seja superada a preliminar de nulidade acima tratada, passamos a enfrentar a data eleita pelo Fisco como a data do fato gerador que ensejou o presente lançamento, qual seja, o dia 31/12/2004, data que nos remete à reserva de reavaliação efetuada e, portanto, nos faz concluir que foi este o fato gerador considerado pelo Fisco ao lavrar o Auto de Infração ora guerreado. Cumpre ressaltar, entretanto, que a reserva de reavaliação não é fato apto a desencadear o nascimento de obrigação tributária. A legislação fiscal, ao tratar do assunto, determina que a reavaliação seja tributada quando for utilizada para aumento de capital ou quando ocorrer a efetiva realização do ativo reavaliado, situação que diverge da ora analisada, portanto, sendo esta a conclusão adotada, é de rigor o cancelamento do Auto de Infração. Por fim, diante da narrativa do auto de infração ora guerreado, poderíamos adotar uma terceira conclusão, no sentido de que o fato gerador foi a data da incorporação da Fiagril Armazéns Gerais Ltda. pela Fiagril Agromercantil Ltda. Neste caso, teríamos um erro de eleição do momento do fato gerador, segundo, inclusive, citado pela própria DRJ em sua decisão, conforme trecho a seguir transcrito: Não obstante tudo quanto se disse acerca da validade do lançamento, há um erro que, embora não induza nulidade do ato administrativo, nem impeça à autuada a compreensão do fato a ela imputado, reclama imediata correção. Tratase do momento de ocorrência do fato gerador e do respectivo período de apuração. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 12 12 O fato gerador (o ganho de capital) só ocorreu com a incorporação da Fiagril Armazéns Gerais Ltda. pela Fiagril Agromercantil Ltda., negócio jurídico consumado em janeiro de 2005. Portanto, é neste momento, e não no quarto trimestre de 2004, que nasce a obrigação relativa ao IRPJ e à CSLL. Ao contrário do que afirma a DRJ, tal erro de eleição cometido pela fiscalização quanto ao momento em que teria ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, se no quarto trimestre de 2004 ou se em janeiro de 2005, acarreta sim a nulidade do Auto, uma vez que impõe ao contribuinte a tributação à título de IRPJ e da CSLL em dezembro de 2004 de um evento que só ocorreu em janeiro 2005 e, portanto, só poderia ser tributado no ano de 2005, jamais em 2004. Impende ressaltar que tal erro acarreta erro na base de cálculo e no critério temporal do tributo, elementos essenciais à regra matriz do tributo, eivando de total nulidade o auto lavrado. Assim, o erro na eleição da data do fato gerador acarreta insanável nulidade ao mesmo, conforme a jurisprudência consolidada por este E. Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, proferidos nesse mesmo sentido: Processo nº 10280.004867/200340 Recurso nº 140241 ofício Matéria IRF Acórdão nº 10420365 Sessão de 01 de dezembro de 2004 Recorrente 1ª TURMA/DRJBELÉM/PA Recorrida FAZENDA DA PONTA LTDA. IRRF DATADO FATO GERADOR ERRO NA SUA INDICAÇÃO LANÇAMENTO NULO A precisa indicação na data da ocorrência do fato gerador é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erronia nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso de ofício negado. (...) Como se vê, a questão central está muito bem delimitada. Trata se de definir se a formalização do Auto de Infração com a indicação da data do fato gerador diferente da efetiva ocorrência dos fatos imponíveis é suficiente para ensejar a anulação do lançamento. (...) De fato, a necessidade de indicação precisa da data do fato gerador é condição essencial para a validade do lançamento pois a partir dela advém diversas conseqüências jurídicas Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 13 13 essenciais para a determinação, por exemplo, da data do vencimento do imposto, como assinalou a decisão recorrida. E acrescento, a própria legislação aplicável depende da data do fato gerado, ex vi do disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional. Convém ressaltar, por fim, que a DRJ ao julgar a impugnação da Recorrente pretendeu corrigir o erro em que incidiu o Auditor quando da eleição do fato gerador do tributo ao lavrar o auto de infração ora guerreado, o que não se pode aceitar, uma vez que a decisão administrativa é vinculada à lei que trata do momento da verificação da ocorrência do fato gerador do tributo lançando, não podendo a decisão administrativa inovar em relação ao dispositivo legal que rege a matéria, sob pena de nulidade. Desta forma, concluise pela nulidade do Auto de Infração lavrado, seja pela confusão do auto, que acarreta, por si só, cerceamento do direito de defesa do contribuinte, seja em virtude do auto ter tributado a reavaliação, que não é fato gerador apto a desencadear o nascimento da obrigação tributária, ou, por fim, seja pelo erro na eleição da data do fato gerador, ao tributar no exercício de 2004, fato gerador que só ocorreu no ano de 2005. Por todo o exposto, voto no sentido de dar TOTAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, anulando o lançamento fiscal em sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Relator Fl. 13DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10920.001166/2004-57
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano calendário: 2002 SIMPLES, EXCLUSÃO. ATIVIDADE NÃO VEDADA. PROVA
A pessoa jurídica que presta serviços de assistência técnica em máquinas e equipamentos pode optar pelo Simples, pois sua atividade não equivale aos serviços profissionais prestados por engenheiros. Inteligência da Sumula 57 do CARF. Incumbe ao Fisco proceder à prova cabal do exercício de atividade vedada a adesão ao sistema. Na ausência de tal prova não pode ser reputada como correta a decisão que não permitiu sua adesão ao Simples Nacional
Numero da decisão: 1803-001.276
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por maioria de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que negava provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ATIVIDADE NÃO VEDADA. PROVA A pessoa jurídica que presta serviços de assistência técnica em máquinas e equipamentos pode optar pelo Simples, pois sua atividade não equivale aos serviços profissionais prestados por engenheiros. Inteligência da Sumula 57 do CARF. Incumbe ao Fisco proceder à prova cabal do exercício de atividade vedada a adesão ao sistema. Na ausência de tal prova não pode ser reputada como correta a decisão que não permitiu sua adesão ao Simples Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por maioria de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que negava provimento ao recurso. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.001166/200457 Acórdão n.º 1803001.276 S1TE03 Fl. 86 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0617.490 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, constante das fls. 64 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “A contribuinte acima qualificada, mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI n° 038, de 28 de maio de 2007 (fl. 46), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, por incorrer em vedação prevista no art. 9°, incisos V e XIII, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ou seja, por realizar serviços de instalações elétricas, eletrônicas e de telecomunicações prediais e obras civis complementares necessárias et execução dos serviços principais, cuja atividade é vedada ao Simples por se tratar de serviços auxiliares e complementares da construção civil e por ser assemelhada à de engenheiro. 2. A exclusão do Simples foi fundamentada nos arts. 9°, V e XIII, 14 e 15, § 3 0, da Lei n° 9.317, de 1996, e Instrução Normativa SRF nº. 608, de 9 de janeiro de 2006. 3. Regularmente intimada por via postal (AR recebido em 01/06/2007, A fl. 47), a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato A fl. 53), optou por não utilizar o formulário Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples — SRS e apresentou, tempestivamente, em 27/06/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 48/51, instruída com os documentos de fls. 54/61, cujas alegações são sintetizadas a seguir. 4.1. Relata que tem como atividade a prestação de serviços de instalações elétricas e eletrônicas em geral, comércio de materiais elétricos, eletrônicos, hidráulicos, máquinas elétricas e mecânicas, material de construção civil e automação comercial. 4.2. Argui que, ainda que a legislação vigente equipare algumas destas atividades à de engenheiro, tecnólogo ou assemelhados, tratase de ilegalidade flagrante que merece ser reparada; que a atividade por ela desempenhada não exige o concurso de nenhum engenheiro, requerendo, no máximo o acompanhamento de técnicos, pois não projeta instalações elétricas ou eletrônicas; cita julgados do STJ e do TRF da 4ª Região. 4.3. Ao final, requer seja julgada improcedente a exclusão do Simples. 4. Nos termos da Portaria MF no 179, de 13 de fevereiro de 2007, o processo foi transferido a essa DRJ em CuritibaPR, para julgamento”. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 28/03/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0617.490 entendendo “por unanimidade de votos, indeferir a solicitação”, em decisão assim ementada: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.001166/200457 Acórdão n.º 1803001.276 S1TE03 Fl. 87 3 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 ATIVIDADE VEDADA. As pessoas jurídicas cuja atividade seja prestação de serviços em instalações elétricas, eletrônicas ou hidráulicas, para automação comercial, por se tratar de serviços auxiliares e complementares da construção civil e por ser assemelhada à de engenheiro, estão impedidas de optar pelo Simples. Solicitação Indeferida”. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/04/2008, (AR constante das fls. 74) a R.E AUTOMACAO LTDA EPP, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0617.490, recorre em 13/05/2008 (fls. 75 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Mesmo diante dos argumentos e também da base legal constante da decisão contida no Acórdão nº 0617.490, não encontrei nos autos qualquer comprovação que a Recorrente realize serviços de construção civil, na verdade a atividade a Recorrente é “prestação de serviços em instalações elétricas e eletrônicas em geral; comércio de materiais elétricos, eletrônicos, hidráulicos; materiais elétricas e mecânicas, material de construção civil e automação comercial” (fls. 04 dos autos). Diante desses fatos e das notas fiscais juntadas aos autos não me parece que se possa considerar que a atividade de venda de piscinas e assistência técnica, exercida pela Recorrente seja alcançada pelo § 4º do inciso V do e o inciso XIII ambos art. 9º da Lei n° 9.317, de 1996, apontado pela DRJ como fatos excludente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, tendo em vista que tais atividades não equivalem, via de regra, a serviços de construção nem tampouco a atividade profissionais de engenheiro ou assemelhado. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.001166/200457 Acórdão n.º 1803001.276 S1TE03 Fl. 88 4 Isso porque o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES não é, simplesmente, um método de administração tributária; tratase de um verdadeiro Instituto Jurídico de nível constitucional que fora introduzido, no ordenamento Brasileiro, pelo constituinte originário e aperfeiçoado pelo constituinte derivado. A arquitetura jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES obedeceu a dois princípios fundamentais que estão escritos na Constituição da República e direcionados às microempresas e às empresas de pequeno porte: a) Com tratamento favorecido (inciso X do art. 170 da CF/88); e b) Com tratamento Diferenciado (art.179 da CF/88). Por conta disso, para dirimir a questão trago, exemplificativamente uma das notas juntada aos autos: Veja que analisandose as condições estabelecidas no contrato social e nas notas fiscais não consigo ligar o “prestação de serviços em instalações elétricas e eletrônicas em geral; comércio de materiais elétricos, eletrônicos, hidráulicos; materiais elétricas e mecânicas, material de construção civil e automação comercial” como atividade privativa de engenheiro. E, diante da afirmação da 2ª Turma da DRJ em Curitiba que as “Com relação ao entendimento de que os serviços atinentes a instalações elétricas e hidráulicas estão abrangidos no conceito legal de atividade de construção de imóveis, o Ato Declaratório Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.001166/200457 Acórdão n.º 1803001.276 S1TE03 Fl. 89 5 Normativo Cosit n° 30, de 1999”, caberia a fiscalização comprovar que a Recorrente executava serviços privativos de engenheiro e não a Recorrente fazer prova negativa de que não os exercia. Por conta disso e observando tudo que consta nos autos, vou ao sentido que o “prestação de serviços em instalações elétricas e eletrônicas em geral; comércio de materiais elétricos, eletrônicos, hidráulicos; materiais elétricas e mecânicas, material de construção civil e automação comercial” não podem ser equiparados a serviços construção de imóveis. Observando a pagina na internet do CREASC (http://www.crea sc.org.br/portal/index.php?cmd=empresashabilitadasdetalhe®=0577816) podemos constatar que a Recorrente tem o seu registro aprovado somente: “para as atividades de: montagem e instalação de sistemas e equipamentos de iluminação em vias publicas, portos e aeroportos; instalação e manutenção elétrica; prestação de serviços em instalações elétricas e eletrônicas em geral, montagem e instalação de sistemas e equipamentos de iluminação e sinalização”. Ou seja, atividades que não são exclusivas de engenheiro. E como a exclusão do Simples da Recorrente foi fundamentada nos arts. 9°, V e XIII, 14 e 15, § 3 0, da Lei n° 9.317, de 1996, e Instrução Normativa SRF nº. 608, de 9 de janeiro de 2006, de forma genérica, não consegui identificar a comprovação da realização de atividades vedadas no sistema . Entendo ser necessário a aplicação do principio do “in dubio pro reu”, com base no inciso II do art. 112 do CTN1, tendo em vista que caberia ao Fisco comprovar que a Recorrente executou serviços vedados no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Como essa prova não consta dos autos, não há o que se falar em manter a decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 28/03/2008, que excluiu a Recorrente de do sistema Simples Assim, observando tudo que consta nos autos, entendo que a decisão recorrida não pode ser confirmada por seus próprios fundamentos. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso para anular o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI n° 038, de 28 de maio de 2007 que excluiu a Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) 1 Art. 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I (...) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.001166/200457 Acórdão n.º 1803001.276 S1TE03 Fl. 90 6 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 11080.725888/2010-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o período lançado como crédito tributário não foi alcançado pela decadência.
RECÁLCULO DA MULTA DE MORA.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
TAXA SELIC.
Legalidade da Taxa SELIC nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF e da Súmula n. 3 do CARF.
ÔNUS DA PROVA.
Estando o lançamento devidamente instruído, compete ao contribuinte o ônus de prova o alegado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INOCORRÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o período lançado como crédito tributário não foi alcançado pela decadência. RECÁLCULO DA MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. TAXA SELIC. Legalidade da Taxa SELIC nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF e da Súmula n. 3 do CARF. ÔNUS DA PROVA. Estando o lançamento devidamente instruído, compete ao contribuinte o ônus de prova o alegado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 58 88 /2 01 0- 41 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725888/201041 Acórdão n.º 2403001.608 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito lançado em face da PORTO ALEGRA CLÍNICAS LTDA., por meio do Auto de Infração n° 37.294.6429, cuja notificação ocorreu em 10/12/2010 (fl. 02), por ter deixado de recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o saláriodecontribuição, no valor de R$ 435.348,84 (quatrocentos e trinta e cinco mil, trezentos e quarenta e oito reais e oitenta e quatro centavos), em relação às competências compreendidas entre 01/2006 a 12/2008, incluindo o 13o salário de 2006 a 2008. 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 57/60, constituem levantamentos do Auto de Infração, in verbis: “AD1 e AD2 Valores declarados nos lançamentos contábeis conta 238219000001 do sócio Alexandre Diamante conforme Planilha e não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP DAL Diferença de Acréscimos Legais, GPS paga com erro na atualização dos juros. D11 e D12 – Segurados empregados cat 1 declarados em DIRF código de retenção 0561, mas não incluídos em Folha de Pagamento, nem GFIP. Valores declarados mensalmente, inclusive com 13 º salário. F11 e F12 – Cruzamento entre FOPAG X GFIP. Valores pagos aos segurados empregados informados pela empresa nas folhas de pagamento e não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. LA1 e LA2 Leandro Castro Alves – recibo. Valores lançados na contabilidade (cta 228159070) dos serviços prestados por Leandro Castro Alves. Em TIF (Termo de Intimação Fiscal nº 04/2010, solicitado o Contrato de Prestação de Serviços entre as partes. O pedido não foi atendido na sua totalidade. Anexa planilha com os lançamentos contábeis. LM1 e LM2 – Leandro Mello Valores lançados na contabilidade (ctas 121319000, 218119000, 4111111100, 462179000 e 468899000). Em TIF (Termo de Intimação Fiscal nº 04/2010, solicitado o Contrato de Prestação de Serviços entre as partes. O pedido não foi atendido na sua totalidade. Anexa planilha com os lançamentos contabeis. PF1 – Serviços Prestados PF Contabilidade – Valores lançados na contabilidade (ctas 4111111000021, 462199000 e 462111002 – Serviços Prestados a Pessoa Físicas). Contribuintes Individuais não declarados em GFIP e tampouco em Folha de Pagamento. R1 – Retenção NF Fernando Escouto Vieira – Serviços Prestados e lançados na cta 228159050. Anexa Planilha com os devidos lançamentos. S11 e S12 – Salários a Pagar, valores lançados na cta 228119001. Em TIF – Termo de Intimação Fiscal 05/2010, solicitado esclarecimentos a respeito dos lançamentos. Não foi atendido o pedido, tampouco cópia dos documentos foram colocados a disposição. Planilha anexa com todos os lançamentos contábeis desta conta. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 SF1 – Salário Família Divergências. Feito confronto entre os valores declarados em GFIP e os declarados em Folha de Pagamento da rubrica salário família.” Ainda segundo o Relatório Fiscal, in verbis: “4) Os créditos previdenciários constituídos neste lançamento fiscal, destinamse à Previdência Social e referemse às contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais. No cálculo da contribuição dos segurados empregados e dos contribuintes individuais foi observado o limite máximo do salário de contribuição. 5) O fato gerador da obrigação previdenciária teve como base as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, informadas nas folhas de pagamento, Contabilidade e DIRF e não declaradas em sua totalidade nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia – GFIP´s. (...) Em razão da MP 449, de 03/12/2008, publicada no DOU de 04/12/2008, convertida na Lei nº 11941/09, publicada no DOU de 28/05/2009, elaboramos para efeito de comparação, o cálculo da multa pela legislação vigente à época dos fatos, ou seja, multa prevista no inciso II, art. 35, de lei 8212/91 (24%), acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela legislação atual, multa de ofício (75%), prevista no art . 44 da Lei 9430/96, a fim de estabelecer o valor mais benéfico ao contribuinte, demonstrado na “Planilha Comparativa da Multa ”, anexa. 8) Verificada a redução de contribuição social previdenciária mediante a omissão de informações na GFIP, fica o contribuinte cientificado que tal fato configura, em tese, ilícito penal, previsto no art. 337 – A, inciso I do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2000 e que será objeto de comunicação ao Ministério Público Federal para a eventual propositura de ação penal, em relatório à parte. 9) As bases de cálculo, as contribuições lançadas, as alíquotas aplicadas, encontramse discriminados, por levantamento e competência, no anexo Discriminativo do Débito – DD, Relatório de Documentos Apresentados.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração, por meio do instrumento de fls. 368/380, a qual não logrou êxito. A DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto AlegreRS, por meio da 7ª Turma da DRJ/POA, prolatou o Acórdão n° 1036.694 de fls. 599/608, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que se transcreve abaixo, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 649DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725888/201041 Acórdão n.º 2403001.608 S2C4T3 Fl. 4 5 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova em relação àquilo que alega, devendo fazêlo oportunamente por ocasião da impugnação. PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS. Não comprovada nenhuma das hipóteses previstas na legislação para a concessão de prazo para a juntada de documentos após a impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 MULTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A multa aplicada obedece à legislação de regência, exceto quando a nova previsão legal de multa for mais benéfica ao contribuinte. JUROS. Os juros aplicados obedecem à previsão legal específica. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera denúncia espontânea da infração as medidas tomadas pelo contribuinte para sanar a irregularidade após o iniciado o procedimento fiscal OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. Extinguese o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, na existência de recolhimento na competência, quando transcorrido o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em prescrição sem a constituição definitiva do crédito tributário. Impugnação Improcedente Fl. 650DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente (fl. 645), Recurso Voluntário (fls. 613/627), requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos, após resumir os fatos: Preliminarmente Da Dilação de Pazo Denegada Neste tópico alega que o pedido de dilação de prazo quanto à perícia requerida no momento da apresentação da impugnação, tempestivamente, teria sido denegada pela DRJ, sem fundamentação pertinente. Que a Receita Federal teria extremo apego às formas ao não atender o pedido de dilação de prazo de 45 dias requerida pelo Recorrente e em contra partida se permite julgar uma simples impugnação em prazo superior a 1 ano. Alega ainda que, o decreto nº 70.235/72 admite expressamente a requisição de juntada de documentos a posteriori. Da Decadência Alega a Recorrente que em relação ao período de crédito compreendido entre 2001 a 2008 parte estaria decaído, em face do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Alega que o período de 2006 jamais poderia ser alvo do lançamento tributário, extinguindo o direito da Fazenda cobrar o suposto débito. Das Obrigações Acessórias Da Inconformidade Quanto à Multa Ante a Extensão dos Efeitos da MP 449 – Retroatividade da Lei Mais Benéfica O efeito mais importante que teria dado o art. 24 da MP 449/2008 não seria a redução da multa de ofício, proporcionada a partir da edição da referida MP, mas sim o efeito retroativo a todos os débitos dessa natureza que ainda não tenham sido julgados definitivamente na esfera administrativa ou judicial. Dessa forma, no caso de multa por erro ou omissão na GFIP, que seria uma obrigação acessória, também deveria ser aplicada a mencionada retroatividade mais benéfica, conforme preceitua o art. 106 do CTN, sendo no presente caso aplicado o art. 32A da lei 8.212/91 que seria mais benéfico ao contribuinte em detrimento da norma aplicada no momento da autuação. Da Multa Moratória e da Ilegalidade da Taxa Selic Insurgese a Recorrente contra a cobrança de multas nos percentuais de acordo com os moldes previstos no art. 35A da lei 8.212/91 c/c o art. 44 da lei 9.430/96, bem como contra a aplicação da Taxa Selic, por estar sendo utilizado pelo governo federal como índice de correção monetária juros moratórios. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725888/201041 Acórdão n.º 2403001.608 S2C4T3 Fl. 5 7 Das Contribuições Individuais Que haveria divergência entre os cálculos elaborados pela Receita Federal e a efetiva contribuição devida para comparação da multa, dos valores apurados pela contabilidade. Informa que, nesta oportunidade, anexa Parecer Técnico elaborado por Perito Contábil o qual aponta os equívocos constantes nos lançamentos apontados. E que o Parecer evidencia de fato o débito de R$ 65.558,81, conforme fls. 83 a 90 do citado Parecer. Do Pedido Ao final requer, a reforma do Acórdão de n. 1036.694, a fim de que seja reconhecido a insubsistência do Auto de infração e a consequente extinção do crédito tributário. Que não sendo assim entendido, que seja procedido novo cálculo, tendo por base a perícia que em anexo. É o relatório. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme consta na fl. 645 o recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DA DILAÇÃO DE PRAZO REQUERIDA Em sede de Impugnação, a Recorrente pleiteou a dilação de prazo de 45 dias para apresentação de relatórios contábeis da auditoria externa contratada. A Recorrente impugnou o lançamento em 10/01/2011 (fl. 368) e até o julgamento por parte da DRJ, que ocorreu em 20/01/2012 (fl. 599), não juntou os relatórios contábeis. Mister destacar que, nem mesmo em sede de Recurso Voluntário a Recorrente juntou o citado relatório, apesar da afirmação em sentido contrário. Pelos princípios norteadores do Processo Administrativo Tributário, em especial o da busca pela verdade material e a informalidade, este conselheiro aceitaria qualquer elemento de prova admitido em direito, mesmo que juntado após a apresentação da Impugnação. Logo, não tendo juntado mais nenhum elemento de prova, tornase sem efeito a sua preliminar acerca da dilação de prazo denegada, vez que, todos os documentos de prova juntados pela Recorrente foram considerados, ou seja, não teve, efetivamente, nenhum documento indeferido. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 653DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725888/201041 Acórdão n.º 2403001.608 S2C4T3 Fl. 6 9 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. A DRJ aplicou a decadência em relação aos períodos anteriores a 12/2005. Nesse diapasão, o lançamento permaneceu em relação ao período compreendido entre as competências 01/2006 a 12/2008. A notificação ocorreu em 10/12/2010 (fl. 02). Logo, não há como prosperar o pleito da Recorrente para afastar o período de 2006, vez que não abrangido pela decadência. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E A INCONFORMIDADE QUANTO À MULTA ANTE A EXTENSÃO DOS EFEITOS DA MP 449 – RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. Alegou o Recorrente o efeito retroativo para beneficiar o contribuinte ante os débitos que ainda não tenham sido julgados definitivamente na esfera administrativa ou judicial. Que, no caso de multa por erro ou omissão na GFIP, que seria uma obrigação acessória, também deveria ser aplicada a mencionada retroatividade mais benéfica, conforme preceitua o art. 106 do CTN, para se aplicar o art. 32A da lei 8.212/91 que seria mais benéfico ao contribuinte em detrimento da norma aplicada no momento da autuação. Ocorre que, a autuação no caso concreto se deu em face da empresa ter deixado de recolher as contribuições patronais, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho – RAT, incidente sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, ou seja, uma obrigação principal. Dessa forma, não se verifica relação entre o tópico abordado e o caso concreto, o que faz o referido tópico ser excluído da apreciação deste julgador. DA MULTA APLICADA A multa aplicada teve por base o artigo 35A, combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96, ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, o qual dispõe que nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ocorre que, o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725888/201041 Acórdão n.º 2403001.608 S2C4T3 Fl. 7 11 Assim, no presente caso, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação do artigo 35A da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte. Esse artigo estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado. Ocorre que, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os julgamentos dos conselheiros estão vinculados aos acórdãos do STF e STJ, quando prolatados nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: Art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse diapasão, o Colendo STJ já se manifestou acerca da possibilidade de atualização monetária pela Taxa SELIC, nos termos do art. 543C do CPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) (grifo nosso) Ademais, além do referendo Judicial em sede de Recurso Repetitivo, essa matéria consta na Súmula n. 3 do CARF, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Após o acórdão da DRJ, a Recorrente apenas ratifica que “anexou, por ocasião da impugnação ao lançamento, as planilhas comparativa (sic) dos cálculos elaborados pela Receita Federal e a efetiva contribuição devida para comparação da multa, com divergência de 50% (cinquenta por cento) dos valores aplicados pela Receita Federal e aqueles apurados pela contabilidade.” Afirma, outrossim, que está anexando um Parecer Técnico elaborado por Perito Contábil. Ocorre que, analisando os autos, não se constata esse parecer. Logo, além dos argumentos genéricos de que as planilhas anexadas aos autos seriam suficientes para comprovar o alegado, a Recorrente não trouxe nenhum novo elemento de fato ou de direito para ensejar na anulação. Por esse motivo, não há como prosperar o pleito da Recorrente. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente em parte o recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 657DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13884.900978/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
CARÊNCIA DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Comprovado que o pagamento apontado como crédito fora totalmente utilizado para satisfazer outro crédito tributário, declarado pela própria recorrente, legítima é a não homologação da compensação encetada.
Numero da decisão: 3101-001.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Leonardo Mussi da Silva, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o pagamento apontado como crédito fora totalmente utilizado para satisfazer outro crédito tributário, declarado pela própria recorrente, legítima é a não homologação da compensação encetada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 22/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Leonardo Mussi da Silva, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 09 78 /2 00 8- 82 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do inciso III do parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso às planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13884.900978/200882 Acórdão n.º 3101001.326 S3C1T1 Fl. 55 3 A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 Faturamento. Valores Repassados A Terceiros. Exclusão da Base De Cálculo. Os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde basicamente reprisa os argumentos de primeira instância e aduz argumentos no sentido de mostrar que a norma do artigo 3º, parágrafo 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98 1 teria sido autoaplicável enquanto não revogado; ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja reconhecido seu direito creditório. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. 1 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à apreciação do apelo. À míngua de preliminares, adentro o mérito do litígio. A decisão recorrida não merece qualquer reparo. Notase que a causa principal para a não homologação da compensação encetada é a carência de crédito da recorrente, porquanto o pagamento apontado fora totalmente utilizado para satisfazer o crédito tributário declarado pela própria recorrente. Significa dizer que antes de transmitir a DCOMP, a recorrente devia ter retificado sua declaração de débito se quisesse ter direito a algum crédito. Num segundo momento, deve ser afastada também a pretensão da recorrente porque a origem veiculada para o seu suposto crédito transferências para outra pessoa jurídica nos termos do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, não chegou a existir, de fato, em nosso sistema jurídico tributário, por falta de regulamentação durante a vigência do dispositivo legal, e o advento de sua revogação em 2001, pela medida provisória nº 2.15835, de 24 de agosto. Sendo a matéria inclusive objeto de AD da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de nº 56/2000, cuja redação foi trazida no bojo do acórdão guerreado. No vinco do exposto, voto por DESPROVER o apelo, prejudicadas as demais alegações. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13884.900978/200882 Acórdão n.º 3101001.326 S3C1T1 Fl. 56 5 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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