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Numero do processo: 10920.002046/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Apr 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: COMPENSAÇÃO – PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO
TRIBUTÁRIO – Em 2006, os direitos a compensar ou restituir tributos pagos em 2001 restam prescritos em cinco anos nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1302-000.913
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL COMPENSAÇÃO – PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO – Em 2006, os direitos a compensar ou restituir tributos pagos em 2001 restam prescritos em cinco anos nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello (presidente), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Diniz Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 2 A Recorrente foi desenquadrada do regime SIMPLES em 3/09/2006 por ter excedido o limite máximo de receita, por Ato Declaratório n.° 39/2006, que excluiu a empresa retroativamente a 01012001. Decidiu parcelar o lançamento fiscal pelo lucro real. Como a autoridade fiscal fez novos lançamentos de PIS e COFINS e não abateu do valor a lançar os valores pagos no SIMPLES, a contribuinte pediu a restituição dos valores pagos de fevereiro a 10092006 pelo regime SIMPLES. O PER/DCOMP foi transmitido em setembro de 2006. O despacho decisório de folhas 29 e seguintes indeferiu o direito ao crédito, não admitindo restituição dos valores pagos até 10092001, por entender, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional, que o prazo para pedir a restituição de indébito tributário é de 5 (cinco) anos. A contribuinte manifestou sua inconformidade com referido despacho alegando em síntese que o indébito surgiu com o lançamento pelo lucro real em 2006 que incorretamente deixou de abater os tributos já pagos pela contribuinte. Sem outra alternativa, coube à contribuinte pedir a restituição de tributo que foi efetivamente pago e indevidamente pela interessada. Negar a restituição é ferir o princípio da capacidade contributiva e da proporcionalidade, é ilegal e imoral. Pede assim a contribuinte que seja recebido o seu pedido para que possa restituir os tributos pagos pelo SIMPLES. Reforçando sua defesa, a interessada afirmou que PER/DCOMP foi transmitida logo depois do lançamento pelo lucro real, sem que tenham sido decorridos 5 anos. Além do mais, o prazo para pedir a restituição de indébito tributário, nos termos de doutrina e jurisprudência, é de 10 anos: cinco anos após a homologação definitiva do autolançamento que ocorre em cinco anos do pagamento, pela composição dos artigos 165 e 168 do CTN. A Lei 118/05 é interpretativa e não alcança fatos geradores pretéritos. Em 17122009 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) decidiu manter o despacho decisório no que tange aos valores pagos pelo SIMPLES para os fatos geradores de janeiro até julho (último vencimento em agosto de 2001). Entendeu a autoridade que o prazo para pedir a restituição do indébito é de 5 (cinco) anos em virtude de sua interpretação do artigo 165 do CTN. O auto de infração em si não está mais em litígio pois houve confissão de dívida e parcelamento correspondente, logo, se a autoridade fiscal deixou de compensar os valores do SIMPLES no lançamento esse fato não pode ser mais discutido administrativamente. Essa verificação contudo não altera o prazo de cinco anos para pedir a restituição do indébito. Ciente da decisão em 05012009, a empresa recorreu em 03022009 alegando que a autoridade fiscal tem o dever do ofício de restituir os tributos pagos indevidamente pela contribuinte e os abater do lançamento fiscal, sendo erro material que merece reparo. O indébito do SIMPLES foi originado apenas com a exclusão do regime que ocorreu em 2006, logo, o pedido de restituição foi processado tempestivamente menos de cinco anos depois. O prazo para restituição de indébito, se contado do pagamento, expira em 10 anos, nos termos dos artigos 165 e 168 do CTN e da melhor interpretação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A contribuinte pediu então que seu recurso seja recebido e provido. É o relatório. Voto Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10920.002046/200710 Acórdão n.º 1302000.913 S1C3T2 Fl. 2 3 Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A empresa pagou débitos no ano de 2001 da forma como entendeu aplicável pelo regime Simples. Em setembro de 2006, três meses antes do prazo decadencial para lançamento, o fisco resolveu rever o lançamento efetuado pela empresa e entendeu que a empresa não deveria pagar tributos pelo Simples. O fisco efetuou o lançamento de ofício retroativamente a 2001, sem compensar os créditos de imposto pago pela contribuinte pelo Simples. Ato concomitante a esse novo fato, em setembro de 2006, a empresa pediu a restituição do saldo pago pelo Simples do ano de 2001. Trata a lide de verificar se a empresa tem ou não o direito à restituição dos tributos pagos pelo Simples no período de 01012001 a 30082001. O prazo para pedir a restituição do indébito começa a contar da data do pagamento indevido, que no caso ocorreu mensalmente ao longo do ano de 2001. O indébito surgiu em 2001. Isso porque, tendo excedido o limite de receita para enquadrarse no regime SIMPLES, no ano de 2000, a empresa não poderia mais estar no SIMPLES em 2001, nos termos da Lei 9.317/96, aplicável. Nesse sentido, a Lei determina que a própria empresa deveria espontaneamente sair do regime em 2001. Como não fez isso, a autoridade fiscal precisou posteriormente fiscalizar e excluir a empresa do SIMPLES em 2006 de ofício, porém com efeitos retroativos a 2001, porque de fato a Lei já previa que a empresa deveria estar espontaneamente fora do SIMPLES desde 2001. Por essa razão, não vejo o surgimento do indébito tributário apenas em 2006, com o lançamento pelo lucro real e a exclusão do SIMPLES. Esses atos são meramente declaratórios de uma situação de fato que já implicava exclusão do SIMPLES desde 01012001. Os fatos eram de conhecimento da empresa: auferiu receita superior ao limite do SIMPLES em 2000; e ela tinha a obrigação legal de migrar para o lucro presumido ou lucro real em 2001. Estamos, portanto, diante da discussão acerca do prazo que a contribuinte tem para compensar o crédito de SIMPLES pagos de fevereiro a agosto de 2001: se o prazo é de cinco anos ou de dez anos, consoante interpretação do artigo 168 do Código Tributário Nacional. O novo Regimento do Conselho, Portaria 256/09 com alterações posteriores, em seu artigo 62A, vincula as decisões administrativas ao teor dos julgados do Superior Tribunal de Justiça em recursos repetitivos e ao Supremo Tribunal Federal nos recursos com repercussão geral. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Assim, já deliberou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) que o prazo que o contribuinte possui para pedir a restituição de indébito é de 10 (dez) anos, sendo que a Lei Complementar 118/05 é modificativa e não interpretativa. A Lei em comento é o artigo 168 do Código Tributário Nacional, na interpretação dada em sede de repetitivo pelo STJ. Vide o inteiro teor que consta Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 4 no sítio do STJ na internet (http://jurisprudenciasuprema.wordpress.com/2010/07/23/stj438 1%C2%AAsecaorepetitivocompensacaoprescricao/ ; consultado em 26052011): STJ 438 – 1ª SEÇÃO – REPETITIVO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Tratase de recurso representativo de controvérsia (art. 543C do CPC e Res. n. 8/2008STJ) em que a recorrente, pessoa jurídica optante pela tributação do imposto de renda com base no lucro presumido, impetrou mandado de segurança na origem, em 26/8/2005, pretendendo a declaração de inexigibilidade da Cofins nos moldes da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota previstas nos arts. 3º, §§ 1º e 8º, da Lei n. 9.718/1998, com o reconhecimento do direito à compensação dos valores recolhidos indevidamente a esse título, corrigidos monetariamente. Então, nas razões recursais, pugnou pelo reconhecimento do prazo prescricional decenal, visto que o tribunal de origem entendeu ser aplicável à espécie o prazo quinquenal, bem como buscou a aplicação das regras de imputação do pagamento previstas no CC/2002. É cediço que a Seção, em recurso repetitivo, já assentou que o advento da LC n. 118/2005 e suas consequências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 9/6/2005), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Assim, explica o Min. Relator que, quanto ao prazo prescricional decenal, assiste razão à recorrente, pois não houve prescrição dos pagamentos efetuados nos dez anos anteriores ao julgamento da ação. Ademais, o princípio da irretroatividade implica a incidência da LC n. 118/2005 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência, e não às ações propostas após a referida lei, visto que essa norma concerne à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação. Entretanto, assevera ainda que, quanto à segunda questão controvertida no REsp, qual seja, a possibilidade de aplicação à matéria tributária do instituto da imputação do pagamento tal qual disciplinada no CC/2002, não pode prosperar a pretensão. Isso porque este Superior Tribunal já pacificou o entendimento de que a regra de imputação de pagamentos estabelecida nos arts. 354 e 379 do CC/2002 é inaplicável aos débitos de natureza tributária, visto que a compensação tributária regese por normas próprias e específicas, não sendo possível aplicar subsidiariamente as regras do CC/2002. Também aponta não haver lacuna na legislação tributária, em matéria de imputação de créditos nas compensações tributárias, que autorize a sua integração pela aplicação da lei civil. Precedentes citados: REsp 1.002.932SP, DJe 18/12/2009; EREsp 644.736PE, DJ 17/12/2007; REsp 1.130.033SC, DJe 16/12/2009; AgRg no Ag 1.005.061SC, DJe 3/9/2009; AgRg no REsp 1.024.138RS, DJe 4/2/2009; AgRg no REsp 995.166SC, DJe 24/3/2009; REsp 970.678SC, DJe 11/12/2008; REsp 987.943SC, DJe 28/2/2008, e AgRg no REsp 971.016SC, DJe 28/11/2008. REsp 960.239SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/6/2010. Segundo a decisão do STJ, o fisco teria prazo até dezembro de 2006 para rever o lançamento da contribuinte e, depois de confirmar se o pagamento foi ou não indevido pela reclamação ou não do fisco, a contribuinte teria mais cinco anos para restituir ou compensar seu crédito. Isso evitaria situações como a presente, em que o fisco muda o lançamento à beira do vencimento do prazo decadencial, alterando do Simples para o lucro real, e a empresa, mesmo providenciando imediatamente o pedido de restituição, acaba por perder o seu crédito. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 10920.002046/200710 Acórdão n.º 1302000.913 S1C3T2 Fl. 3 5 Por outro lado, referida decisão do STJ foi subsequentemente reconsiderada em sede da Repercussão Geral reconhecida para o RE 566621 no Supremo Tribunal Federal (STF), cuja decisão transitou em julgado em 17112011, nos seguintes termos: RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno. DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. A decisão do STF reconsiderou a decisão do STJ sobre a matéria geral restringindo a aplicação do prazo de 10 (dez) anos, aos processos de repetição de indébito interpostos até 9 de junho de 2005, ou seja, até a vigência da Lei Complementar 118/05, enquanto o STJ conferia o prazo para todos os débitos cujo pagamento tenha sido efetuado até essa data. Em minha visão o conceito de “processo” deveria ser entendido como o exercício do direito de pedir a restituição, repetição ou compensação do indébito. Efetivamente, a empresa tem o Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 6 prazo prescricional para dar entrada no seu pedido e esse é o ato protegido por tal direito. Assim, a aplicação do conteúdo decidido pelo STF a este caso interpretado dessa maneira me leva a considerar que a contribuinte não possuía, em setembro de 2006, direito a pedir a restituição dos débitos pagos de 01012001 a 30082001, pois há estavam fulminados por prescrição. É como voto. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 27/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000539/2010-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SALÁRIOS
INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias,
para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
SALÁRIO INDIRETO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO NATUREZA SALARIAL SÚMULA
60 DA AGU.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte
pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba.
SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS COMISSÕES PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA
INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.
A participação em resultados sem os cumprimentos dos dispositivos legais
caracteriza-se como salário indireto pago ao empregado.
As comissões, pagas por meio de cartões nada mais são do que retribuição
por serviço prestado, caracterizando-se verba com nítida feição salarial.
SALÁRIO INDIRETO AJUDA DE CUSTO RELACIONADO A DESLOCAMENTO AO TRABALHO SEM DEMONSTRAÇÃO DA NATUREZA “PARA” O TRABALHO.
O pagamento de deslocamento para alguns empregados de sua residência até
o trabalho não demostra a exclusão da base de cálculo, posto que o
empregado teria que se deslocar de qualquer forma, assim, como os demais
demonstrando um benefício direto não concedido a todos os empregados e
que não se coaduna com a regra “para o trabalho”, capaz de excluir a verba
da base de cálculo.
SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALUGUEL PARA DETERMINADOS EMPREGADOS.
Não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos
alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas,
tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida feição salarial.
SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE EDUCAÇÃO AOS DEPENDENTES DO SEGURADO.
A educação fornecida só estará excluída do conceito de salário de
contribuição, quando fornecida ao próprio empregado e desde que
comprovado a disponibilização a totalidade dos empregados, o que não
logrou êxito o recorrente em demonstrar.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SALÁRIO
INDIRETO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO
DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o
pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no
DAD, bem como no relatório fiscal e seus anexos.
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE
DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder
Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
PROCEDIMENTO FISCAL APRESENTAÇÃO DE TODOS OS TERMOS CIENTIFICANDO O RECORRENTE DA CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL.
Tendo a autoridade fiscal cumprido todo o rito necessário a constituição do
crédito e realização do procedimento não padece o lançamento de qualquer
vício.
INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A assinatura oposto por empregado do setor de contabilidade, para requisição de documentos não vicia o procedimento, posto que não se trata de documento final de constituição do crédito.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra
importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de
imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.466
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para excluir as contribuições atinentes ao lançamento de vale transporte pago em dinheiro. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento parcial em maior extensão, para excluir, também, os valores das contribuições decorrentes das despesas com deslocamento com veículo do empregado.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SALÁRIOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. SALÁRIO INDIRETO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO NATUREZA SALARIAL SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS COMISSÕES PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. A participação em resultados sem os cumprimentos dos dispositivos legais caracteriza-se como salário indireto pago ao empregado. As comissões, pagas por meio de cartões nada mais são do que retribuição por serviço prestado, caracterizando-se verba com nítida feição salarial. SALÁRIO INDIRETO AJUDA DE CUSTO RELACIONADO A DESLOCAMENTO AO TRABALHO SEM DEMONSTRAÇÃO DA NATUREZA “PARA” O TRABALHO. O pagamento de deslocamento para alguns empregados de sua residência até o trabalho não demostra a exclusão da base de cálculo, posto que o empregado teria que se deslocar de qualquer forma, assim, como os demais demonstrando um benefício direto não concedido a todos os empregados e que não se coaduna com a regra “para o trabalho”, capaz de excluir a verba da base de cálculo. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALUGUEL PARA DETERMINADOS EMPREGADOS. Não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas, tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida feição salarial. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE EDUCAÇÃO AOS DEPENDENTES DO SEGURADO. A educação fornecida só estará excluída do conceito de salário de contribuição, quando fornecida ao próprio empregado e desde que comprovado a disponibilização a totalidade dos empregados, o que não logrou êxito o recorrente em demonstrar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SALÁRIO INDIRETO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal e seus anexos. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCEDIMENTO FISCAL APRESENTAÇÃO DE TODOS OS TERMOS CIENTIFICANDO O RECORRENTE DA CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo a autoridade fiscal cumprido todo o rito necessário a constituição do crédito e realização do procedimento não padece o lançamento de qualquer vício. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A assinatura oposto por empregado do setor de contabilidade, para requisição de documentos não vicia o procedimento, posto que não se trata de documento final de constituição do crédito. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. SALÁRIO INDIRETO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO NATUREZA SALARIAL SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS COMISSÕES PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. A participação em resultados sem os cumprimentos dos dispositivos legais caracterizase como salário indireto pago ao empregado. As comissões, pagas por meio de cartões nada mais são do que retribuição por serviço prestado, caracterizandose verba com nítida feição salarial. SALÁRIO INDIRETO AJUDA DE CUSTO RELACIONADO A DESLOCAMENTO AO TRABALHO SEM DEMONSTRAÇÃO DA NATUREZA “PARA” O TRABALHO. Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 O pagamento de deslocamento para alguns empregados de sua residência até o trabalho não demostra a exclusão da base de cálculo, posto que o empregado teria que se deslocar de qualquer forma, assim, como os demais demonstrando um benefício direto não concedido a todos os empregados e que não se coaduna com a regra “para o trabalho”, capaz de excluir a verba da base de cálculo. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALUGUEL PARA DETERMINADOS EMPREGADOS. Não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas, tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida feição salarial. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE EDUCAÇÃO AOS DEPENDENTES DO SEGURADO. A educação fornecida só estará excluída do conceito de salário de contribuição, quando fornecida ao próprio empregado e desde que comprovado a disponibilização a totalidade dos empregados, o que não logrou êxito o recorrente em demonstrar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SALÁRIO INDIRETO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal e seus anexos. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCEDIMENTO FISCAL APRESENTAÇÃO DE TODOS OS TERMOS CIENTIFICANDO O RECORRENTE DA CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo a autoridade fiscal cumprido todo o rito necessário a constituição do crédito e realização do procedimento não padece o lançamento de qualquer vício. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A assinatura oposto por empregado do setor de contabilidade, para requisição de documentos não vicia o procedimento, posto que não se trata de documento final de constituição do crédito. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 2 3 Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para excluir as contribuições atinentes ao lançamento de vale transporte pago em dinheiro. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento parcial em maior extensão, para excluir, também, os valores das contribuições decorrentes das despesas com deslocamento com veículo do empregado. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.266.3826, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2007 a 12/2007. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 75 a 95, com análise das folhas de pagamento e da contabilidade, documentos que consubstanciaram o lançamento, foi detectado o fornecimento de diversos benefícios aos trabalhadores, não considerados pela empresa como base de cálculo de contribuição previdenciária e, consequentemente, não informados em GFIP, declaração de cunho obrigatório, assim, motivo de autuação específica. Ditos fatos geradores consistem: TRANSPORTE (DINHEIRO/COMBUSTÍVEL/PEDÁGIO); PLANOS DE SAÚDE DIFERENCIADOS PARA ALGUNS EMPREGADOS; AJUDA DE CUSTO (ALUGUEL/ESCOLA/OUTROS, PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS (PRÊMIOS); COMISSÕES E OUTROS PAGAMENTOS. A fonte principal das apuração dos fatos geradores foram a contas contábeis: 2.2.54.50.00.17 – PROVISÃO DE PPM A PAGAR Analisando a referida conta, foi possível identificar pelos valores lançados a débito, a entrega de valores referentes a prêmios de participação ao sr. Celso Cintra, administrador empregado da empresa. Temos no item 10 do relatório fiscal, toda argumentação para considerar tais valores como salário de contribuição. 4.3.21.05.00.24 – COMISSÕES PERÍODO DE 01 A 07/2007 E 09 A 12/2007. Da análise da conta constatouse o pagamento da verba comissões que são parcelas de natureza salarial, prevista no inciso I do art. 28 da lei 8212/91. Os pagamentos foram feitos por meio de cartões magnéticos individuais. Foi colacionado aos autos listagem constantes nas notas fiscais emitidas pela empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA. 4.3.21.05.00.32 – AJUDA DE CUSTO – PERÍODO DE 01 A 12/2007. De posse de documentos a autoridade fiscal constatou o pagamento de mensalidades escolares dos filhos do gerente geral Celso Luís Cacheiro Cintra. Foram encontrados outros pagtos denominados ajuda de custo efetuadas mensalmente a determinados funcionários identificados no anexo 1. Descreveu ainda a autoridade que a exclusão da base de cálculo à título de ajuda de custo deveria obedecer o previsto no art. 9, g da lei 8.212/91. 4.3.21.10.00.34 – CONVÊNIO MÉDICO HOSPITALAR PERÍODO DE 01 A 12/2007. Foi realizada intimação fiscal de n. 4, a fim de esclarecer e detalhar a distribuição do benefício “saúde” aos funcionários, tendo sido solicitado a apresentação das Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 3 5 notas fiscais dos planos de saúde, constante da conta ora em destaque, acompanhadas das respectivas relações dos beneficiários e dependentes. Segundo o auditor, pelo exame pormenorizado dessas relações podêse constatar o fornecimento de planos diferenciados para alguns funcionários, sendo que a coparticipação do funcionário era equalitária e simbólica,, quase sempre em torno de R$ 0,10. Da análise do texto legal, qual seja, art. 28, § 9, alínea q da lei 8212/91, denotase que a assistência medica fornecida para não estar incluída deverá indissoluvelmente ser dirigida, de forma igualitária, a todos aqueles que trabalham para a empresa, inclusive seus próprios dirigentes. Para esse levantamento considerouse o menor valor do benefício recebido, para que só a diferença entre os diversos planos, integrasse a base de cálculo da contribuição previdenciária ora lançada, tendo sido subtraído os valores descontados. 4.3.21.15.00.30 – VALE TRANSPORTE PERÍODO DE 01 A 12/2007. Foi constatado que juntamente com a remuneração mensal lançada em folha de pagamento eram pagos valores à título de vale transporte em dinheiro. Foi detalhada planilha com os beneficiários. 4.3.21.15.00.92 – CURSOS E TREINAMENTOS PERÍODO DE 01 A 12/2007. Utilizouse o mesmo preceito da saúde fornecida, qual seja, igualdade no fornecimento do benefício, considerando que a empresa custeia no todo ou em parte a mensalidade dos cursos universitários de alguns poucos empregados. Nada ficou comprovado, no sentido de demonstrar que esse benefício foi estendido a todos os funcionários que pudessem dele se utilizar, uma vez que favorece um percentual em torno de 6% do quadro funcional, que abriga 90 trabalhadores, apesar de devidamente intimado para tanto. Assim, o descumprimento do art. 28, § 9, alínea t da lei 8212/91, enseja considerar os valores como base de cálculo de contribuição. 4.3.21.15.00.98 – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PERÍODO DE 04 A 07/2007. Na mencionada conta foram encontrados lançamentos que demonstram o pagamento de prêmios de participação a dois funcionários do alto escalão da empresa, o sr. Celso Cintra e sr. Alfedro Evaristo. Outros pagamentos de prêmios foram realizados a diversos empregados, sendo pagos por meio de cartões magnéticos, alimentados com os respectivos valores fornecidos pela empresa SIM Incentive House especializada no ramo. Não foi possível nomear os beneficiários, já que a empresa não apresentou a relação a esse fato gerador a apuração do crédito foi feita por aferição indireta, através do levantamento SI – SIM incentive. Tais pagamentos em nada se identificam com o programa PLR, ao qual os funcionários tiveram direito, relativamente ao ano de 2007, por força de convenção coletiva e acordo, totalmente amparado pela lei 10.101/2000, haja vista a empresa ter cumprido as exigências ali contidas através de programa específico de alcance de resultados. Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Assim, os pagamentos aqui descritos não se encontram de acordo com o previsto no art. 28, § 9, alínea j da lei 8212/91 4.3.31.02.00.50 – DESPESAS DE ALUGUÉIS PERÍODO DE 06 A 12/2007. Foram encontrados recibos de aluguel pago a proprietário pessoa física em nome do empregado Jorge Nobuyuki Okumura, de janeiro a dezembro de 2007. Na referida conta aparece o histórico contábil: PAGTO OKUMURA E O VALOR DE r$ 320,00. A identificação do lançamento, além do texto e numa análise mais profunda é indiscutivelmente a mesma dos lançamentos da conta “veículos”, para os pagamentos efetuados em nome desse segurado. Destaque apenas para o fato que no mês de setembro de 2007, o valor foi lançado na conta “veículos” de forma equivocada. 4.3.34.02.00.19 – CAMPANHA DE MARKETING PERÍODO DE 01 A 10 E 12/2007. Conforme descrito anteriormente, foi constatado pagamento por meio de cartões de premiação fornecido pela empresas já citada, SIM INCENTIVE, onde na mencionada conta, constam os pagamentos das notas fiscais. No termo de intimação n. 11 foram solicitados as faturas constantes da conta acima, bem como a relação de beneficiários. Assim, a apuração do débito deuse por aferição indireta nos termos do art. 33, § 1 e 3 da lei 8212/91. Para apuração da base considerouse o valor faturado, excetuadas as taxas de administração. 4.3.35.02.00.42 – VEÍCULOS Esse levantamento engloba os pagamentos feitos pela empresa a alguns funcionários para custear o transporte de ida e vinda ao trabalho, como combustível e pedágio. A apuração deuse por meio de demonstrativos de reembolso de despesas mensais com a quilometragem diária efetuada, atribuindose um valor pelo quilômetro rodado, fixado de acordo com o local da residência do funcionário, juntamente com as passagens diárias pelas praças de pedágios de acesso a empresa. As passagens de pedágio foram obtidas por meio das faturas do sistema “Sem parar”. Ressaltouse que os valores não foram declarados em GFIP, tendo sido lavrado auto de infração específico sob o n. 37.266.3818. Procedeu a autoridade fiscal ao comparativo da multa aplicada de acordo com os termos da lei 11.941, procedendo ao comparativo da mesma de forma a aplicar a mais benéfica a recorrente. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 23/09/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 27/09/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 522 a 558. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 1144 a 1170, excluindo o valor pago à título de assistência médica. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 1270 e seguintes, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 4 7 1. Não merece prosperar a acordão prolatado uma vez que fadado à discricionariedade e dessa maneira, à inconstitucionalidade e ilegalidade, conforme se verificará nas razões de direito a seguir expostas. 2. Quanto ao MPF não tendo ocorrido a intimação de prorrogação no prazo legal, o contribuinte readquire a espontaneidade, o que torna nula a continuidade do procedimento fiscal. 3. Ao contrário do entendimento do nobre julgador, considerando a obrigatoriedade de observância dos preceitos formais vinculados ao procedimento fiscal deve ser declarada a nulidade do lançamento. 4. Considerando que o Sr. Ozemar não compõe o quadro societário da empresa, a este é vedado receber intimação ou notificação sem o devido instrumento de mandato, posto que as informações constantes em procedimento fiscal são sigilosas. 5. Quanto as ajudas de custo e os prêmios, os mesmos não devem compor o conceito de salário de contribuição, na medida em que, além de não possuir o caráter de habitualidade no seu pagamento, não retribui o trabalho desempenhado pelo empregado conforme preceituado no art. 28, I da lei 8212/92. 6. A ajuda de custo não se subsome à hipótese de remuneração passível de incidência, uma vez que se caracteriza como ressarcimento de despesa na realização da função atribuída ao empregado, ou até mesmo na sua locomoção ao estabelecimento onde trabalha. 7. Quanto aos prêmios consistem em agraciamento, em atenção a determinada situação personalíssima que envolve a ativação do empregado sua dedicação, esforço, implemento de condição específica estipulada pelo empregador, meta atingida. Dessa forma, não apresenta natureza salarial. 8. No tocante a moradia, a distância da empresa ficou comprovada, posto que os empregados não residem no mesmo município da sede ora requerente. Logo não possui o caráter salarial. 9. Quanto ao vale transporte pago em dinheiro o STF preferiu recente julgado acrec ada cão caracterização salarial do vale transporte mesmo pago em dinheiro. 10. Não há qualquer vantagem ao empregado sobre o pagamento de ajuda de custo para manutenção de veículo próprio do empregado quando destinado a ressarcir gastos que teve em benefício do empregador, ou seja, no desempenho da atividade que lhe foi atribuída. 11. O ensino superior custeado pelo recorrente destinase a qualificar e capacitar o profissional, uma vez que ficou demonstrado que os mesmos destinamse a incrementar o conhecimento técnico desempenhado nas atividades da empresa. Ficou demonstrado que o cursos estão disponíveis a todos os trabalhadores, de maneira equânime, inexistindo óbice a recorrente isentar em relação a essa verba. 12. No que pertine a PLR apesar da obrigatoriedade procedimental discriminada para disponibilização ao empregado da participação nos lucros, isso não interferirá na Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 descaracterização do recebimento na qualidade de não salarial, uma vez que a própria CF/88objetiva incentivar o empregador a conceder a participação nos resultados. 13. Ilegal a constituição de crédito tributário através de presunção de fatos por insuficiência de provas. Inaceitável a lavratura de auto de infração por presunção sob o argumento da fiscalização de que inexiste material probatório suficiente para motivar a infração que pretende imputar ao contribuinte. 14. Cumpre esclarecer a boa fé da ora recorrente e a constante contribuição para a fiscalização e a constante contribuição para com a fiscalização, a qual em todos os momentos foi sempre atendida e a ela apresentados todos os documentos técnicos solicitados. 15. No caso em questão o presente AI foi lavrado com base numa presunção de infração em momento algum confirmada mediante prova documental pela fiscalização, a qual demonstra expressamente não ter verificado todos os documentos apresentados, sendo dessa maneira necessária a realização de uma nova diligência pelo fiscal impugnado para efetiva verificação de todos os documentos fiscais devidamente apresentados, mas não analisados adequadamente pela fiscalização, conforme se evidencia claramente no presente AI. 16. A imposição de multa foi fixada em desconformidade inclusive com os dispositivos invocados, caracterizandose confiscatória. 17. Foram inobservados os princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, verdade material 18. Os valores disponibilizados aos funcionários da empresa da empresa não possuem natureza salarial dado o caráter de ressarcimento ou incentivo, não constituindo contraprestação ao serviço prestado. 19. Vislumbramse vícios de nulidade no AI, qual seja violação ao sigilo fiscal por não ter sido exigido instrumento hábil a legitimar os funcionários a recebem intimações da impugnante. 20. Nulo também em função de não possui prova documental suficiente para caracterização da infração pretendida, o que invalida o AI. 21. Seja por fim declarada a inexigibilidade da contribuição e multa imposta. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 5 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1999 e 1270. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Alegando nulidade do procedimento, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, independente da causa, legal ou contratual, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação, ou mesmo fundamentação para que se apurasse determinadas verbas como salário de contribuição. Vejamos de forma sintética, os termos do recurso: Não merece prosperar a acordão prolatado uma vez que fadado à discricionariedade e dessa maneira, à inconstitucionalidade e ilegalidade, conforme se verificará nas razões de direito a seguir expostas. Quanto ao MPF não tendo ocorrido a intimação de prorrogação no prazo legal, o contribuinte readquire a espontaneidade, o que torna nula a continuidade do procedimento fiscal. Ao contrário do entendimento do nobre julgador, considerando a obrigatoriedade de observância dos preceitos formais vinculados ao procedimento fiscal deve ser declarada a nulidade do lançamento. Considerando que o Sr. Ozemar não compõe o quadro societário da empresa, a este é vedado receber intimação ou notificação sem o devido instrumento de mandato, posto que as informações constantes em procedimento fiscal são sigilosas. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, as nulidade avençadas pelo recorrente Observase que compõem o Auto de Infração todos os documentos pertinentes a constituição do crédito ora sob análise. e mencionado no corpo do próprio relatório, fl. 36 e 50, as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, anexo IV, fl. 651. Conforme descrito no parágrafo anterior foi emitido o respectivo Termo de Início de Procedimento, instrumento hábil a solicitar a documentação relativa a todo e qualquer recebimento por parte dos segurados empregados a seu serviços, sendo inclusive, solicitada contabilidade formalizada, instrumento que consubstanciou o lançamento. Assim, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 apurados durante o procedimento, não haveria de se falar em qualquer vício no procedimento adotado. No mesmo termo, encontrase a devida designação a auditora fiscal responsável pelo procedimento fiscal. Notese que os termos de Intimação, fl. 654 a 659, de n. 02 a 06, foram entregues pessoalmente na figura do Sr. Alfredo Vieira – Diretor Financeiro, já os termos de n. 07 foi entregue em meio postal, fl. 661 a 662, sendo que os Termos de Intimação 9 e 10, foram assinados pelo Sr. Ozemar Soares. Porém tratase apenas de solicitação de documentos e intimação para que representante da empresa compareça a Delegacia para prestar documentos, sendo que não há de se falar em cerceamento do direito de defesa. Notese que ao contrário do entendimento do recorrente a solicitação de documentos realizada pela autoridade fiscal, na pessoa de empregado do setor de contabilidade não provoca vício no procedimento, uma vez que não tratase de cientificação acerca da lavratura do auto de infração, esse sim, possível apenas na figura do represente legal. Da mesma forma, quanto a alegada falta de sigilo por parte da autoridade fiscal, entendo que não compete a esta relatora a apreciação do fato, posto que no lançamento não foi detectado nenhum vício quanto a constituição do lançamento, conforme descrito acima. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. 668, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Quanto ao questionamento acerca das prorrogações de MPF, que importariam na nulidade do lançamento, entendo que o assunto já foi esclarecido pela autoridade julgadora de primeira instância, não tendo o recorrente apresentado qualquer fato novo que implicasse na alterações da razões descritas na referida decisão. Assim, transcrevo trecho da decisão no que pertine ao MPF, adotando as razões ali expostas como razão de decidir: No que se refere ao MPF, vale lembar que o mesmo encontrase disciplinado pela Portaria RFB n. 11.371 de 12 de dezembro de 2007, que quanto à sua validade e prorrogação assim dispôs: Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Quer dizer o prazo de validade desse Mandado será de 120 dias (cento e vinte) dias, prorrogáveis tantas vezes quantas necessárias, o que ocorreu no presente caso, como se verifica da cópia que juntamos às fls. 1108. Ressaltese que em se tratando de fiscalização, propriamente dita, é emitido o MPFF, conforme dispõe o parágrafo único do art. 2 dessa Portaria. Confira: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 6 11 F), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Ademais, a sua emissão e prorrogação é uma ato administarivo de natureza discricionária de controle e planejamento da atividade fiscal e de informação ao contribuinte, sendo que eventuais incorreções ou omissões na sua expedição ou renovação não geram nulidade no âmbito do processo administrativo ou contaminam o lançamento decorrente da ação fiscal, sujeitando apenas o auditor fiscal quanto ao aspecto disciplinar. Por outro lado, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em inúmeros Acordão, ao apreciar idêntica matéria, já se pronunciou no mesmo sentido, como se vê da Decisão a seguir descrita. PRELIMINAR – MPF – FALTA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO – A regulamentação do MPF estabelece que a prorrogação dos mesmos será controlada na internet, não sendo necessária a ciência pessoal das mesmas (Acordão n. 10248623 – Processo n. 18471.001003/200411, DOU de 23.11.2007) O entendimento se fundamenta no fato de que tanto o MPF original quanto a sua prorrogação não se constitui em ato essencial à validade do procedimento fiscal, tratandose de mero instrumento de controle interno. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, entendo que razão não assiste ao recorrente. Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria (motivação), destacase que ao autoridade fiscal possui competência para verificar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Ademais, o próprio conceito de auditoria descrito na normas previdenciárias, esclarece seu objetivo: “A AuditoriaFiscal Previdenciária AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados.” Simplesmente alegar, sem demonstrar o cumprimento da legislação, ou mesmo quais os vícios contidos no lançamento não servem como meio para anular o lançamento. Notese que o relatório fiscal, encontrase detalhado, por rubrica, permitindo ao recorrente o exercício do amplo direito de defesa, razão porque correto foi o procedimento adotado. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a descumprimento das obrigações acessórias previstas em lei, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato os respectivos autos de infração de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário, ou imputandolhe a multa devida. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 12 geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Importante enfatizar que não se trata de lançamento por presunção, como questionou o recorrente, tanto que o relatório fiscal, mostrouse detalhado, inclusive anexou a autoridade fiscal diversas planilhas e documentos para demonstrar suas convicções, possibilitando ao recorrente, mesmo para aqueles levantamentos em que não apresentou os documentos pertinentes ao cumprimento da legislação durante o procedimento fiscal, apresentálos na impugnação ou na esfera recursal, o que não o fez. Assim, o lançamento encontrase consubstanciado em registros contábeis não contestados pelo recorrente, não servindo meros argumentos desprovido de provas, capazes de desconstituir o lançamento. No que tange a arguição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições e sobre as bases de cálculo apuradas, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas previstas na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, apenas para efeitos de esclarecimento, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO No mérito, foram atacados os salários indiretos considerados pela auditoria fiscal, como salário de contribuição para efeitos previdenciários. Porém antes mesmo de apreciar cada um dos fatos geradores isoladamente, convém apreciar o conceito de salário de contribuição e remuneração. Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 7 13 DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Como o lançamento envolve ainda contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais fazse conveniente apreciar o salário de contribuição e também em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 14 e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 8 15 o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão dos benefícios: TRANSPORTE (DINHEIRO/COMBUSTÍVEL/PEDÁGIO); PLANOS DE SAÚDE DIFERENCIADOS PARA ALGUNS EMPREGADOS; AJUDA DE CUSTO (ALUGUEL/ESCOLA/OUTROS, PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS (PRÊMIOS); COMISSÕES E OUTROS PAGAMENTOS; assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Não há de se argumentar que existia previsão em acordos ou convenções coletivas de trabalho, posto que esses instrumentos de negociação coletiva são válidos para Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 16 normatizar direitos trabalhistas e não os reflexos desses nas parcelas que compõem a base de cálculo de contribuições previdenciárias. DO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO No caso do lançamento de contribuições à título de Vale Transporte pago em Dinheiro relevante informar que a impugnante questiona a incidência de contribuição sobre tal verba, tendo a mesma sido apurada com base na conta contábil 4.3.21.15.00.30 – VALE TRANSPORTE PERÍODO DE 01 A 12/2007. Foi constatado que juntamente com a remuneração mensal lançada em folha de pagamento eram pagos valores à título de vale transporte em dinheiro. Foi detalhada planilha com os beneficiários. Embora entenda que correto o trabalho do auditor ao proceder o lançamento de contribuições sobre o vale transporte pago em dinheiro, devese tem em mente o disposto na Súmula da AGU n. 60, que abarca lançamentos sobre a mesma base de cálculo. SÚMULA AGU Nº 60, DE 08 DE DEZEMBRO DE 2011 DOU DE 09/12/2011 O ADVOGADOGERAL DA UNIÃO, no uso das atribuições que lhe conferem o art. 4º, inc. XII, e tendo em vista o disposto nos arts. 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, no art. 38, § 1°, inc. II, da Medida Provisória nº 2.16943, de 24 de agosto de 2001, no art. 17A, inciso II, da Lei n° 9.650, de 27 de maio de 1998, e nos arts. 2º e 3º, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, bem como o contido no Ato Regimental/AGU nº 1, de 02 de julho de 2008, resolve: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Assim, face o disposto na referida súmula, entendo deva a mesma ser observada para fins de exclusão das contribuições sobre a base de cálculo: VALE TRANSPORTE. DOS VEÍCULOS E DESPESAS PELO DESLOCAMENTO PARA O TRABALHO Esse levantamento 4.3.35.02.00.42 – VEÍCULOS, engloba os pagamentos feitos pela empresa a alguns funcionários para custear o transporte de ida e vinda ao trabalho, como combustível e pedágio. A apuração deuse por meio de demonstrativos de reembolso de despesas mensais com a quilometragem diária efetuada, atribuindose um valor pelo quilômetro rodado, fixado de acordo com o local da residência do funcionário, juntamente com as passagens diárias pelas praças de pedágios de acesso a empresa. As passagens de pedágio foram obtidas por meio das faturas do sistema “Sem parar”. Dessa forma, pelo que restou demonstrado pelo auditor em seu relatório os valores fornecidos a alguns funcionários para o deslocamento desses de suas residências para o trabalho não se coaduna com os dispositivos legais que excluem ditos valores da base de cálculo do salário de contribuição. m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 9 17 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) “r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; O fato do empregador ressarcir as despesas de deslocamento de alguns empregados para ir ao trabalho, não denota que ditos pagos caracterizamse como “necessários ao desempenho do trabalho”, posto que todos os empregados em geral precisam realizar esse deslocamento, independente do local em que residem. Para o caso concreto, entendo que o automóvel fornecido pelo empregador, só não será considerado salário de contribuição, quando fornecidos nos exatos termos do § 9º do art. 28, “r” da lei, ou seja: Assim, o benefício nada mais é do que concedido “pelo” trabalho, consistindo em um benefício direto ao trabalho, que para obtêlo teria que dispender valores próprios. Dessa forma, entendo procedente o lançamento quanto a essa rubrica. DOS PRÊMIOS E COMISSÕES PAGOS POR MEIO DE CARTÕES DE PREMIAÇÃO Da análise da conta 4.3.21.05.00.24 – COMISSÕES PERÍODO DE 01 A 07/2007 E 09 A 12/2007, constatouse o pagamento da verba comissões. Os pagamentos foram feitos por meio de cartões magnéticos individuais. Foi colacionado aos autos listagem constantes nas notas fiscais emitidas pela empresa SIM INCENTIVE MARKETNG S/C LTDA. Foram ainda constatados pagamentos por meio da conta 4.3.34.02.00.19 – CAMPANHA DE MARKETING PERÍODO DE 01 A 10 E 12/2007. pagamento por meio de cartões de premiação fornecido pela empresas já citada, SIM INCENTIVE, onde na mencionada conta, constam os pagamentos das notas fiscais. No termo de intimação n. 11 foram solicitados as faturas constantes da conta acima, bem como a relação de beneficiários. Assim, a apuração do débito deuse por aferição indireta nos termos do art. 33, § 1 e 3 da lei 8212/91. Para apuração da base considerouse o valor faturado, excetuadas as taxas de administração. Quanto a essas rubricas, entendo que os pagamentos feitos à título de premiação constituem sim, salário de contribuição, seja na utilização da nomenclatura “comissões ou “campanha de marketing”, possui nítida feição salarial, portanto não assiste razão ao recorrente quanto a inexigência de contribuições sobre os valores pagos à título de premiação, seja quais sejam os argumentos trazidos pelo recorrente O ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 18 diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral, mesmo que pagas por agraciamento por parte do empregador. Ao contrário do entendimento do recorrente, entendo que a citada habitualidade, resta de pronto demonstrada na medida que o pagamento das comissões ou premiações possui relação direta com a finalidade da empresa. Dessa forma, não há de se falar em pagamento eventual, não relacionado com a prestação de serviços, mas pelo contrário, nada mais é do que uma forma indireta de remunerar os serviços prestados. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: (...) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de constraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...) Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Mascaro Nascimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 10 19 “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos .” Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. Assim, não estando entre as exclusões prevista na legislação não há como excluir da base de cálculo de contribuições previdenciárias os pagamentos feitos à título de premiação, seja enquanto comissões ou outros pagamentos. Dessa forma, razão não assiste ao recorrente. \Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Mesmo entendimento deve ser atribuído ao pagamento feito por meio da conta 4.3.21.15.00.98 – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PERÍODO DE 04 A 07/2007. Neste caso, não demonstrou o recorrente que os pagamento foi realizado nos moldes determinados pela lei 10.101. Identificou o auditor que a empresa possui programa de participação nos lucros e resultados, plano este que não ensejou lançamento de contribuições. Os argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não cumprido o rito procedimental, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 20 conceito de salário de contribuição, contudo entendo que não é esse o entendimento previsto na legislação. Quanto a verba participação nos lucros e resultados em primeiro lugar deve se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 11 21 desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. OU seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 22 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 12 23 (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse fora da base de cálculo conforme disposto acima: Conforme mencionada foram encontrados lançamentos que demonstram o pagamento de prêmios de participação a dois funcionários do alto escalão da empresa, o sr. Celso Cintra e sr. Alfedro Evaristo. Outros pagamentos de prêmios foram realizados a diversos empregados, sendo pagos por meio de cartões magnéticos, alimentados com os respectivos valores fornecidos pela empresa SIM Incentive House especializada no ramo. Não foi possível nomear os beneficiários, já que a empresa não apresentou a relação a esse fato gerador a apuração do crédito foi feita por aferição indireta, através do levantamento SI – SIM incentive. Tais pagamentos em nada se identificam com o programa PLR, ao qual os funcionários tiveram direito, relativamente ao ano de 2007, por força de convenção coletiva e acordo, totalmente amparado pela lei 10.101/2000, haja vista a empresa ter cumprido as exigências ali contidas através de programa específico de alcance de resultados. Outro não pode ser o raciocínio em relação a conta 2.2.54.50.00.17 – PROVISÃO DE PPM A PAGAR, posto que conforme descreveu o auditor, foi possível identificar pelos valores lançados a débito, a entrega de valores referentes a prêmios de participação ao sr. Celso Cintra, administrador empregado da empresa. Temos no item 10 do relatório fiscal, toda argumentação para considerar tais valores como salário de contribuição. Assim, os pagamentos aqui descritos não se encontram de acordo com o previsto no art. 28, § 9, alínea j da lei 8212/91, razão porque deva ser mantido o lançamento também neste ponto. Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 24 De posse de documentos a autoridade fiscal constatou o pagamento de mensalidades escolares dos filhos do gerente geral Celso Luis Cacheiro Cintra, por meio da análise da conta 4.3.21.05.00.32 – AJUDA DE CUSTO – PERÍODO DE 01 A 12/2007.. Foram encontrados outros pagtos denominados ajuda de custo efetuadas mensalmente a determinados funcionários identificados no anexo 1. Descreveu ainda a autoridade que a exclusão da base de cálculo à título de ajuda de custo deveria obedecer o previsto no art. 9, g da lei 8.212/91. t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Da descrição feita pelo auditor em seu relatório notamos que o benefício era concedido em relação aos filhos dos empregados, o que por si só já demonstra a inobservância dos dispositivos legais. Não há como afastar ditos valores da base de cálculo uma vez que constituem meros benefícios, que para o empregado ter acesso, caso o empregador não os fornecesse teriam que sair do bolso do próprio empregado, o que ratifica o seu caráter salarial. O mesmo raciocínio deve ser atribuído aos pagamentos efetuados por meio da conta contábil 4.3.21.15.00.92 – CURSOS E TREINAMENTOS PERÍODO DE 01 A 12/2007. Utilizouse o mesmo preceito da saúde fornecida, qual seja, igualdade no fornecimento do benefício, considerando que a empresa custeia no todo ou em parte a mensalidade dos cursos universitários de alguns poucos empregados. Nada ficou comprovado, no sentido de demonstrar que esse benefício foi estendido a todos os funcionários que pudessem dele se utilizar, uma vez que favorece um percentual em torno de 6% do quadro funcional, que abriga 90 trabalhadores, apesar de devidamente intimado para tanto. Assim, o descumprimento do art. 28, § 9, alínea t da lei 8212/91, enseja considerar os valores como base de cálculo de contribuição. O recorrente não apresentou os planos de concessão do benefício a todos os trabalhadores conforme preceitua a lei, seja durante o procedimento fiscal, ou mesmo na impugnação ou recurso apresentado. Dessa forma,, o benefício concedido também não se coaduna com os dispositivos legais. Para ter os valores do benefícios relacionados a educação concedidos diretamente aos empregados excluídos do conceito de salario de contribuição deveria demonstrar o plano de concessão de educação que demonstrasse a extensão do benefício a totalidade dos empregados, o que não o fez. Assim, como o benefício de educação fornecido, os valores apurados por meio da conta 4.3.21.10.00.34 – CONVÊNIO MÉDICO HOSPITALAR PERÍODO DE 01 A 12/2007, constituem salário de contribuição conforme descreveu a autoridade fiscal em seu relatório. Com relação a essa rubrica, não há mais o que ser apreciado tendo em vista, dita rubrica já ter sido excluído pela decisão de primeira instância. Vejamos trecho da ementa do acordão proferido: ASSISTÊNCIA MÉDICA. COBERTURA TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. PLANOS DE SAÚDE DIFERENCIADOS, CUSTEIO. LEGALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO. Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000539/201063 Acórdão n.º 2401002.466 S2C4T1 Fl. 13 25 O valor pago por assistência medica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o salário de contribuição, ainda que os serviços sejam prestados por mais de um plano ou que não haja custeio por parte dos beneficiados. Com relação aos pagamentos apurados por intermédio da conta 4.3.31.02.00.50 – DESPESAS DE ALUGUÉIS PERÍODO DE 06 A 12/2007, descreve o auditor que foram encontrados recibos de aluguel pago a proprietário pessoa física em nome do empregado Jorge Nobuyuki Okumura, de janeiro a dezembro de 2007. Na referida conta aparece o histórico contábil: PAGTO OKUMURA E O VALOR DE r$ 320,00. A identificação do lançamento, além do texto e numa análise mais profunda é indiscutivelmente a mesma dos lançamentos da conta “veículos”, para os pagamentos efetuados em nome desse segurado. Destaque apenas para o fato que no mês de setembro de 2007, o valor foi lançado na conta “veículos” de forma equivocada. Assim, não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas, tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida feição salarial. Por fim, convêm destacar que a nomenclatura utilizada pelo recorrente não e relevante para identificação da sua feição salarial, tendo a identificação da natureza da verba, sido apreciada de acordo com o objetivo da verba, sua destinação, sendo irrelevante o nome adotado. NATUREZA SALARIAL DAS UTILIDADES Após a apreciação individual de cada uma das utilidades fornecidas, entendo importante firmar entendimento do papel das utilidades dentro do conceito de salário de contribuição. Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á educação, alugueis, prêmios, PLR em desacordo com a lei não representem alguma espécie de ganho para seus empregados Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Ademais, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 26 Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei, por mais que se vislumbre a boa intenção do empregador, estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Alega o recorrente que ilegal a cobrança de juros e multa que lhe foram imputados, contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente neste ponto. Conforme já apreciado pela autoridade julgadora, no caso em questão correto a aplicação dos juros e multa, sendo as duas aplicadas em relação ao montante do débito apurado. Os juros de mora são aplicáveis sobre o valor original da contribuição devida, conforme descrito no relatório fiscal fl. 91 e 92, item 100 e seguintes. Na aplicação da multa, a autoridade fiscal procedeu a análise da situação mais favorável, só havendo a aplicação da multa de ofício nas competência em que essa foi mais benéfica ao recorrente. Note que a aplicação de juros SELIC, não se confunde com a multa de ofício, posto que os juros moratórios são aplicáveis pelo inadimplemento da obrigação na época oportuna. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF “ É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais”. Notese que a autoridade julgadora na decisão de 1 instância já refutou os argumentos do recorrente, não havendo reparo a ser feito na referida decisão. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente em sua maioria são insuficientes para refutar a totalidade lançamento. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas (conforme apreciado individualmente acima), no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento em parte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para excluir as contribuições atinentes ao lançamento de vale transporte pago em dinheiro. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.917799/2009-63
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, inclusive quando se tratar de retificação dos dados declarados, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 77 99 /2 00 9- 63 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.917799/200963 Acórdão n.º 1801001.410 S1TE01 Fl. 91 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 23397.63381.210605.1.7.036741, fls. 0612, em 21.06.2005, utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor original de R$164.962,71 do anocalendário de 2003 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos confessados nas Per/DComp nºs 23397.83381.210605.1.7.036741 e 18795.59846.070604.1.3.032683, fls. 1022. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 09, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido. Restou esclarecido que Valor Original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$164.962,71 Valor na DIPJ: R$164.959,53 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$293.046,80 CSLL devida: R$128.087,17 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$35.174,22 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP:23397.83381.210605.1.7.036741; NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP:18795.59846.070604.1.3.032683. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 22.12.2009, fl. 49, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20.01.2010, fls. 0106, com os argumentos a seguir sintetizados. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.917799/200963 Acórdão n.º 1801001.410 S1TE01 Fl. 92 3 Aduz que O ato decisório, proferido no dia 10 de dezembro de 2009, indeferiu a compensação relativa ao PER/DCOMP com demonstrativo de crédito n. 23397.83381.210605.1.7.036741. Tal declaração tinha por objeto a compensação de estimativas de CSLL com saldo negativo de períodos anteriores com algumas DCOMP, entre elas, as seguintes: 19812.87533.090603.1.3.031807 e a 04205.84790.121103.1.7.036788. Assim, parte da PER/DCOMP sob exame não foi homologada, decisão essa que merece reparos, conforme demonstrado a seguir. III PER/DCOMP 19812.87533.090603.1.3.031807 III.1 Preliminar A PER/DCOMP 19812.87533.090603.1.3.031807 já é objeto de análise no processo 10680.902451/200629. Naquele processo foi apresentado Recurso Voluntário que ainda está aguardando a apreciação pelo Conselho de Contribuintes. Isso porque houve a homologação parcial da PER/DCOMP, com reconhecimento parcial do crédito referente ao saldo negativo de CSLL a.c.2001. [...] Notase que a mesma PER/DCOMP é objeto de dois processos administrativos que tramitam em fases diferentes. Como corolário, o julgamento daquele processo interferirá diretamente no julgamento do presente processo. Desse modo, a fim de se evitar julgamentos contraditórios, fazse necessário que se proceda à suspensão do presente processo, até o julgamento final daquele outro. Cumpre observar que a reunião dos processos não é possível, uma vez que implicaria em supressão de instância, já que o outro processo já se encontra no Conselho de Contribuintes. Assim, diante do acima exposto, requer seja acolhida a preliminar suscitada para suspender o presente processo até o julgamento do processo 10680.902451/2006 29. III.2. Do Mérito Superada a preliminar acima, o que se admite apenas por excesso de zelo, o despacho decisório também merece reforma quanto a não homologação das estimativas compensadas com saldo de período anterior, apurado na PER/DCOMP 19812.87533.090603.1.3.031807. Isso porque, o despacho decisório 0682 de 16 de maio de 2008, proferido no processo 10680.902451/200629, HOMOLOGOU PARCIALMENTE [...]. Assim, considerando que parte da Declaração de compensação já foi homologada, é manifestamente nulo o ato decisório sob exame no tocante a essa parcela do processo. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.917799/200963 Acórdão n.º 1801001.410 S1TE01 Fl. 93 4 De outro lado, a parte que não foi homologada, por estar sendo discutida em outro processo administrativo preexistente a este, não pode ser objeto de análise neste processo. Afinal, configurase litispendência, motivo pelo qual o processo deve ser extinto também quanto a essa parte da PER/DCOMP. Sobre a possibilidade de extinção do processo, dispõe a Lei 9.784/99, a saber: Art. 52. O órgão competente poderá declarar extinto o processo quando exaurida sua finalidade ou o objeto da decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato superveniente. Sucessivamente, caso não seja acolhido o pedido acima, requer seja determinada a suspensão do presente processo a fim de se aguardar a decisão do Conselho de Contribuintes nos autos n. 10680.902451/200629. IV. PER/DCOMP 04205.84790.121103.1.7.036788 De acordo com o detalhamento do despacho decisório que analisou a PER/DCOMP 04205.84790.121103.1.7.036788, a parcela de R$10.126,00 não foi admitida uma vez que a PER/DCOMP foi considerada não declarada. Ocorre que, se analisarmos a PER/DCOMP 04205.84790.121103.1.7.036788 é possível aferir que a mesma constitui uma retificação de outra PER/DCOMP, qual seja, a de n. 10928.06132.270603.1.3.039103. O indeferimento atingiu apenas a PER/DCOMP retificadora [...]. Diante disso, temse a seguinte situação: com o restabelecimento da DCOMP anterior, o valor de R$9.170,44, referido na mesma, foi validado. Com isso, assim que foi cientificada acerca do despacho decisório, no ano de 2008, a empresa pagou o valor faltante de R$955,56, mediante guia DARF, atualizada até aquela data, no valor de R$1.907,86. Assim, verificase que o presente despacho decisório não merece prosperar uma vez que, apesar da DCOMP 04205.84790.121103.1.7.036788 ter sido considerada não declarada, a DCOMP anterior permanece válida e o valor residual foi recolhido a tempo e modo por esta empresa. Por conseguinte, o valor tido como crédito por esta empresa realmente existe e é válido. Desta feita, em que pese o número da DCOMP que originou o crédito não ser o mesmo da DCOMP retificadora, não há motivo para manutenção da glosa efetivada pela d. Auditora. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Assim, requer a convalidação da compensação realizada pela empresa no valor de R$10.126,00, constituído pelo crédito apontado originariamente na DCOMP n. 10928.06132.270603.1.3.039103, no valor de R$9.170,44, acrescido do valor pago mediante guia DARF no valor de R$955,56. [...] Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.917799/200963 Acórdão n.º 1801001.410 S1TE01 Fl. 94 5 Destarte, esta empresa requer seja ACOLHIDA a presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE para REFORMAR o despacho decisório impugnado, nos termos acima expostos. Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0236.732, de 14.12.2011, fls. 5359: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO Incabível o aproveitamento de suposto direito creditório cuja liquidez e certeza se encontram prejudicadas por julgamento anterior de primeira instância. Notificada em 08.02.2012, fls. 68, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.03.2012, fls. 7077, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Sinteticamente, temse o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003 efetivamente objeto de litígio nessa segunda instância de julgamento está discriminado destacadamente na Tabela 1. Tabela 1 – Saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003 objeto de litígio na segunda instância de julgamento Cálculo da CSLL a Pagar de 01.01.2003 a 31.12.2003 (A) Valores da DIPJ R$ (B) Valores Reconhecidos no Despacho Valores em Litígio na Segunda Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.917799/200963 Acórdão n.º 1801001.410 S1TE01 Fl. 95 6 Decisório e pela DRJ R$ (C) Instância de Julgamento R$ (D) CSLL Devida 128.087,17 128.087,17 128.087,17 () CSLL Retida na Fonte (102.816,81) (102.816,81) (102.816,81) () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada Pagamentos (21.218,50) (21.218,50) (21.218,50) () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada – Per/DComp (169.011,59) (39.226,08 (39.226,08) (=) CSLL a Pagar (164.959,73) (35.174,22) (35.174,22) A Recorrente suscita que as Per/DComp devem ser deferidas e diz que tem direito ao reconhecimento do direito creditório no valor de R$129.785,51 a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, decorrente da compensação de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada não homologada nas Per/DComp nºs 19812.87533.090603.1.3.031807 e 04205.84790.121103.1.7.036788 com utilização dos saldos negativos de CSLL dos anoscalendário de 2001 e de 2002, respectivamente. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. No que se refere à dedução de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, temse que a pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.917799/200963 Acórdão n.º 1801001.410 S1TE01 Fl. 96 7 fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O regime de tributação com base no lucro real anual prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 4. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário e nas pesquisas no eprocesso. No que se refere ao Per/DComp nº 19812.87533.090603.1.3.031807 utilizandose do saldo negativo de CSLL no valor original de R$282.827,42 do anocalendário de 2001 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos, entre outros, de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada (código 2484) do fato gerador de janeiro de 2003 no valor original de R$119.659,51, fls. 2031, que não foi homologada no Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0220.224, de 03.12.2008 e formalizada no processo nº 10680.902451/200629. No Acórdão da 1ª TE/3ª Câmara/1ª SJ/CARF nº 180100.897, de 15.03.2012, o resultado foi por negar provimento ao recurso voluntário. Esses autos estão findos na esfera administrativa, em conformidade com o Despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte, Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort, Equipe de Contencioso e Apoio – Eqcont: 3 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 4 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.917799/200963 Acórdão n.º 1801001.410 S1TE01 Fl. 97 8 Trata o presente processo de Compensação, o qual, encontrase devidamente encerrado/arquivado junto ao SIEFPROCESSO. Informamos, ainda, que, o processo de débito – 10680.900648/200712 foi encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional em Minas Gerais para Inscrição do débito em Dívida Ativa da União. Em relação à Per/DComp retificadora nº 04205.84790.121103.1.7.036788, que foi cancelada de ofício, fl. 33, utilizouse do saldo negativo de CSLL no valor original de R$45.815,45 do anocalendário de 2002 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação do débito de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada (código 2484) do fato gerador de maio de 2003 no valor original de R$10.126,00. Por essa razão prevalece o Per/DComp original nº 10928.06182.270603.1.3.039103 utilizandose do saldo negativo de CSLL no valor original de R$45.815,45 do anocalendário de 2002 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação do débito de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada (código 2484) do fato gerador de maio de 2003 no valor original de R$9.170,44, fls. 3343. A Recorrente não informa se essa Per/DComp foi formalizada em processo administrativo fiscal com instauração regular do litígio nesse procedimento. Ademais, restou esclarecido que houve constituição dos créditos tributários pelos lançamentos da CSLL dos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003 formalizados no processo nº 10680.014478/200662, no qual o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 02 13.826, de 11.04.2007, teve como resultado”Lançamento Procedente”. No Acórdão da 3ªTE/4ª Câmara/1ª SJ/CARF nº 180300.292, de 26.01.2009, o resultado foi por negar provimento ao recurso voluntário. Esses autos estão findos na esfera administrativa e se encontram na Equipe Parcelamento SECATDRFBHEMG, desde 01.11.2011, em conformidade com o Despacho da Secretaria da Receita Federal do Brasil, Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, Serviço de Arrecadação Equipe de Processos Fiscais: Considerando a opção do interessado pelo parcelamento dos débitos, conforme extrato de fls. 160, proponho a movimentação do processo para a EQPAR/DRF/BHE, para providências de sua alçada. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada, uma vez que não há direito creditório remanescente de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003 a ser reconhecido nos presentes autos. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. A Recorrente solicita a extinção dos presente autos, nos termos do artigo 52 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De fato, o órgão competente pode declarar extinto o processo quando exaurida sua finalidade ou o objeto da decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato superveniente. Todavia no presente processo não se vislumbra nenhuma dessas situações Além disso, o objeto de litígio não se encontra “prejudicado por fato superveniente”, uma vez que não houve nenhuma ocorrência subseqüente, uma vez que o litígio envolvendo o alegado direito creditório precede a transmissão das Per/DComp ora em exame. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.917799/200963 Acórdão n.º 1801001.410 S1TE01 Fl. 98 9 Relativamente à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000127/2010-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES . INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.361
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES . INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2147; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 80 1 79 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.000127/201021 Recurso nº 937.994 Voluntário Acórdão nº 3801001.361 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria COFINS NÃOCUMULATIVA/RESSARCIMENTO Recorrente ATLANTICA NEWS DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES . INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 01 27 /2 01 0- 21 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000127/201021 Acórdão n.º 3801001.361 S3TE01 Fl. 81 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) apresentado por meio de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 26877.06569.090408.1.1.117636, no qual é declarado crédito no valor original de R$ 358.127,83, referente à Cofins (Mercado Interno) do 2º trimestre de 2005. 2. O Despacho Decisório DRF/JPA nº 622/2010, aprovou o Relatório de Informação Fiscal, indeferindo o pedido de ressarcimento pretendido. 3. Do Relatório de Informação Fiscal citado consta que: 3.1. a empresa foi intimada a apresentar a relação de insumos ou bens adquiridos que deram origem ao crédito objeto do PER, tendo sido apresentado o documento intitulado "Relação dos Bens para revenda que deram origem aos créditos utilizados no PER/DCOMP"; 3.2. a empresa tem como atividade principal o comércio atacadista e varejista de bebidas alcoólicas, refrigerantes e água mineral; 3.3. concluiu a autoridade fiscal que a pretensão do contribuinte em descontar créditos do PIS e da Cofins sobre os produtos em tela, os quais são submetidos à incidência monofásica das contribuições (arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833, de 2003), adquiridos para revenda por atacadistas e varejistas, é vedado pela legislação em vigor (art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, com idêntica redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). 4. Devidamente cientificado da decisão acima em 07/01/2011, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 07/02/2011, por meio do seu representante legal, com os seguintes argumentos: 4.1. aponta que as receitas oriundas dos produtos sujeitos à incidência monofásica foram excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, conforme previsão do art. 1º, § 3º, inc. I e IV, da Lei nº 10.833, de 2003, contendo a Lei nº 10.637, de 2002, idênticos dispositivos (art. 1º, §3º, inc. IV, art. 8º, inc. VII, "a"); 4.2. assevera que, na redação originária, a legislação não autorizava o desconto/utilização de crédito dos produtos sujeitos à tributação monofásica, indicando que em 2004, com a edição Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 4 da Lei nº 10.865, foram introduzidas modificações nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, de maneira que o §3º do art. 1º, que trata da composição da base de cálculo da Cofins, deixou de fazer menção às receitas oriundas das vendas de produtos sujeitos à incidência monofásica, em seu inc. IV; 4.3. relativamente aos créditos, justificou que as alterações promovidas pela Lei nº 10.865, de 2004, ficou impossibilitada a tomada de crédito sobre bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; 4.4. alega que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, estabeleceu que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da Cofins, não impediriam a manutenção pelo vendedor dos créditos vinculados a esses operações; 4.5. acrescenta que o advento da Lei nº 11.116, de 18/05/2005, restou autorizada a compensação do crédito do PIS e da Cofins com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; 4.6. aduz que a Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, alterou mais uma vez a Lei nº 10.833, de 2003, ao introduzir o §22 no art. 3º, para impedir a apuração de créditos do PIS e da Cofins pelos contribuintes atacadistas/distribuidores em relação aos produtos sujeitos à tributação monofásica do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004; 4.7. conclui que "se a MP em questão excluiu os produtos monofásicos do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, é porque eles anteriormente se encontravam abarcados por tal dispositivo"; 4.8. afirma que a lei de conversão da MP nº 413 (Lei nº 11.727, de 23/06/2008) não trouxe o citado §22; 4.9. sustenta que a MP nº 451, de 15/12/2008, mais uma vez trouxe vedação à tomada de créditos de PIS e Cofins por parte do distribuidor ou comerciante de bens submetidos ao regime monofásico, apontando que a lei de conversão (Lei nº 11.945, de 04/06/2009) o texto foi novamente excluído; 4.10. afirma que é possível o aproveitamento do crédito conforme pretendido pelo recorrente, uma vez que as vedações contidas nas MP nº 413 e 451 não foram mantidas por suas leis de conversão; 4.11. requer, ao final, o acolhimento de seu recurso e reforma da decisão recorrida para reconhecer o seu direito creditório. A Delegacia de Julgamento em Recife proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas Fl. 83DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000127/201021 Acórdão n.º 3801001.361 S3TE01 Fl. 82 5 auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 60 a 70, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. DO PEDIDO: Requer se digne esse D. Conselho em acolher o Recurso ora interposto, reformando o acórdão recorrido, reconhecendo, de conseguinte, o direito ao crédito pretendido. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 6 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa, fls. 02/04, referente ao 2º Trimestre de 2005, no valor de R$ 358.127,83. . Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio atacadista e varejista de bebidas alcoólicas, refrigerantes e água mineral, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra desses produtos. Desse modo, necessário se faz trazer a lume a legislação de regência. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) VIII–no art. 58I desta Lei, no caso de venda das bebidas mencionadas no art. 58A desta Lei; IX–no inciso II do art. 58M desta Lei, no caso de venda das bebidas mencionadas no art. 58A desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica optante pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei; Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000127/201021 Acórdão n.º 3801001.361 S3TE01 Fl. 83 7 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) Art. 50. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS em relação às receitas auferidas na venda: (Vide Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos produtos relacionados no art. 49, por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 2o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996; Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foi instituído pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de água, cerveja e refrigerante. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de bebidas (água, cerveja e refrigerante), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltase, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 8 Nesse regime de apuração, a base de cálculo do Pis/Pasep e Cofins é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou nãocumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) O regime diferenciado de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000127/201021 Acórdão n.º 3801001.361 S3TE01 Fl. 84 9 Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da recorrente no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente a revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º , §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades não cumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da nãocumulativa. Portanto, Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 10 no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação as aquisições de bebidas (água, cerveja e refrigerante), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido nos artigo 49 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 tem natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da recorrente ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000127/201021 Acórdão n.º 3801001.361 S3TE01 Fl. 85 11 Declaração de Voto Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. A questão posta é sobre a possibilidade ou não dos contribuintes que operam com produtos sujeitos ao regime monofásico de contribuição do PIS e COFINS. Para entender o pleito, vejo como necessária uma análise da evolução legislativa sobre o tema e busca daí a melhor forma de sua aplicação, vejamos. As contribuições citadas (Pis e Cofins) foram inseridas no regime não cumulativo de apuração após a publicação das leis 10.627/02 e 10.833/03 respectivamente. Pelos referidos normativos, estava criado o regime nãocumulativo de apuração das contribuições, obrigatório para os contribuintes optantes pelo lucro real, porém fora do referido regime operações realizadas com os produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração. Ou seja, com a edição das normas citadas, passamos a ter concomitantemente o regime cumulativo de apuração, o regime nãocumulativo e o regime monofásico. Acontece que com a edição da lei 10.865/04 houve uma significativa alteração no sistema posto, pois pela referida legislação os produtos revendidos pela Recorrente passaram a integrar também o regime nãocumulativo, ou seja, o que antes era tratado pelo legislador como dois regimes distintos, passou a ser uma operação mista, onde o contribuinte sujeito ao recolhimento concentrado (monofásico) também teria o direito de creditamento através regime nãocumulativo. Ou seja, a partir de agosto de 2004, quando entrou em vigência a lei 10.865/04, houve uma mudança no regime monofásico que passou a beneficiar os contribuintes que operam com mercadorias sujeitas a sua sistemática. Tal benefício foi corroborado posteriormente pela lei 11.033/04 que em artigo 17 reconhece o referido crédito, cito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Não bastasse, o artigo 16 da lei 11.116/05 novamente confirma o crédito e disciplina a sua utilização, inclusive possibilitando o seu uso para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cito: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 12 final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vale citar que o artigo supracitado não só reconhece a existência do crédito, como a sua data de início, 09/08/2004, ou seja, início da vigência da lei 10.865/04. O referido crédito e seu aproveitamento chegou inclusive a ser regulamentado no âmbito da Receita Federal, através da IN 600/05, que em seu artigo 42 assim dispunha: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência; ou II aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (Retificada no DOU de 27/01/2009, pág. 11) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 34. (...) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000127/201021 Acórdão n.º 3801001.361 S3TE01 Fl. 86 13 § 5º O saldo credor acumulado, na forma do inciso II do caput e do § 4º, no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser utilizado para compensação a partir de 19 de maio de 2005. § 6º A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III do caput e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. Importante ressaltar que a IN 600/05 permaneceu inalterada e reconhecendo o direito ao crédito, como posto, até a edição da IN 900/08, ou seja, durante 3 (três) anos a própria administração reconheceu e admitiu a cumulação das sistemáticas de apuração – monofásico e nãocumulatividade. Finalmente, a meu sentir para por uma pá de cal sobre o assunto, foi publicada a MP 413/08 que em seus artigos 14 e 15 alterava as leis 10.637/02 e 10.833/03 para impedir a utilização do crédito de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração, a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal, no que se refere à vedação instituída, ou seja, reconhecendo a validade dos créditos em períodos anteriores. O referido dispositivo foi derrubado no Congresso Nacional sendo convertida a MP 413 na Lei 11.727/08 sem tais disposições, ou seja, mantendo na íntegra o direito ao creditamento. A tentativa de revogação ao direito de crédito foi novamente levada a efeito pelo Poder Executivo na edição da MP 451/08 e novamente os dispositivos que vedavam a utilização do crédito não foram aprovados no processo de conversão da MP na Lei 11.945/09. Ou seja, no meu entendimento, é fato que o Congresso Nacional, Poder responsável pela edição das leis em nosso país, reiterou por diversas vezes seu entendimento de que há o direito ao crédito no caso em análise. Portanto como aplicadores das normas, entendo que não é possível o afastamento deste direito, senão mediante alteração legislativa, o que, como dito, foi buscado por duas vezes e não foi admitido pelo Poder Legislativo. Portanto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO
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Numero do processo: 13609.721068/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT).
O Fator Acidentário de Prevenção - FAT não é critério utilizado para fatos geradores anteriores à competência janeiro de 2010.
O enquadramento nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho se dá por estabelecimento e não pela atividade preponderante da empresa como um todo (Parecer PGFN nº 2.120/2011), desde que individualizado por CNPJ próprio.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões Nereu e Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O Fator Acidentário de Prevenção FAT não é critério utilizado para fatos geradores anteriores à competência janeiro de 2010. O enquadramento nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho se dá por estabelecimento e não pela atividade preponderante da empresa como um todo (Parecer PGFN nº 2.120/2011), desde que individualizado por CNPJ próprio. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões Nereu e Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 10 68 /2 01 1- 90 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de 29/12/2008, relativo a reenquadramento da atividade econômica de estabelecimento do recorrente para cobrança da diferença de alíquota correspondente ao grau de risco médio. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP. CONTRIBUIÇÕES PARA O RAT. ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. PEDIDO DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. O Fator Acidentário de Prevenção FAT não é critério utilizado para fatos geradores anteriores à competência janeiro de 2010. Configura recolhimento a menor quando o contribuinte informa alíquota para o RAT inferior ao seu enquadramento na atividade preponderante. À administração não é dado deixar de aplicar a norma sob fundamento de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. Indeferese o pedido de perícia e/ou diligência quando o contribuinte não demonstra ter realizado enquadramento errado no RAT a justificar uma nova análise fiscal das informações constantes de suas GFIP’s. ... Esclareçase, inicialmente, que o Fator Acidentário de Prevenção FAP, segundo o Decreto nº 3.048, de 1999, artigo 202A, § 6º, c/c o Decreto nº 6.957, de 2009, artigo 3º, é aplicável a partir da competência janeiro de 2010. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: O novo enquadramento para o financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, feito pela Receita Federal do Brasil RFB, não espelha o real grau de risco da Administração Pública, por não considerar a natureza preponderantemente burocrática do serviço da Prefeitura, e, ainda, por esta ter mais setores preponderantes de risco de leve, como, por exemplo, o de ensino, sendo, portanto, generalizado o percentual de 2% (dois por cento), previsto no Anexo V do Decreto nº 3.048, de 1999, e totalmente ilegal a sua cobrança. Assim, fala que não se pode estabelecer por decreto a alíquota de forma genérica do risco de acidente de trabalho, porque se estaria a ferir o princípio da legalidade (artigo 150 da Constituição Federal e artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN) quando se extrapola os limites da lei ao estabelecer a Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13609.721068/201190 Acórdão n.º 2402003.424 S2C4T2 Fl. 192 3 alíquota de contribuição para o RAT e ao excluir os empregados das atividades de menor risco, desenvolvidas nos diversos estabelecimentos da empresa, para a contagem que define a sua atividade preponderante. Acrescenta que seria ilegal o Decreto nº 6.042, de 2007, pois teria alterado, abusiva e injustificadamente, a alíquota de 1%, de atividade notoriamente de baixo risco (burocrática e de ensino), para alíquota de 2%. O Município, em sua impugnação, reporta a estudos de Rodrigo Alexandre Lazaro a respeito do Fator Acidentário de Prevenção, instituído pela Lei nº 10.666, de 2003, bem assim à jurisprudência judicial enquadrando prefeitura municipal em risco leve em razão da maioria da mãodeobra desenvolver atividades de ensino. Requer, neste ponto, e se mantida a cobrança de 2% de RAT da Prefeitura, a realização de perícia para se aferir a alíquota com base em dados estatísticos da RFB e no grau de risco no âmbito da Prefeitura de Sete Lagoas. Diz que a perícia é essencial, já que a Prefeitura não tem altos índices de risco de acidentes de trabalho e nem concessão de benefício acidentário pelo INSS, e, ainda, por não haver alta rotatividade dos servidores, que na maioria são estáveis. Para a realização de perícia, fala que a RFB deve fornecer os índices do FAP Fator Acidentário de Prevenção da Prefeitura de Sete Lagoas. Os quesitos de perícia foram postados na peça de defesa e dizem respeito ao cálculo do risco de acidente de trabalho, ao índice de acidente de trabalho, ao índice de concessão do benefício acidentário pelo INSS, à atividade preponderante, à redução do RAT por possuir baixa rotatividade de funcionários, e à possível inconsistência no cálculo do RAT, relacionados à Prefeitura de Sete Lagoas. Em seguida, alega a improcedência da multa e dos juros, porque entende que recolheu devidamente a contribuição para o RAT, como será provado em perícia a realizar. Requer o cancelamento do auto de infração e, por consequência, dos juros e das multas gerados, por ser indevida a cobrança do RAT à alíquota de 2%, como reputa a fiscalização. Por fim, diz que provará o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente, por prova documental e, se necessário, pela juntada de documentos, diligências e prova pericial. É o Relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13609.721068/201190 Acórdão n.º 2402003.424 S2C4T2 Fl. 193 5 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, rejeitamse as preliminares suscitadas. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 No mérito Atividade econômica preponderante Discutese no processo o dissenso sobre o enquadramento de estabelecimentos da empresa nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho. A fiscalização aplicou a regra do enquadramento pela atividade preponderante da empresa como um todo e a recorrente, embora tenha declarado um único CNAE – Administração Pública em Geral, sustenta que seria por estabelecimento, de forma que aqueles cujas atividades principais sejam de grau leve não podem ser enquadrados no grau de risco médio, 2%. Quanto à aplicação ao caso dos critérios de enquadramento de acordo com o Fator Acidentário de Prevenção FAP, a decisão não merece reforma, já que, de fato, os novos parâmetros não são retroativos aos fatos geradores anteriores a 01/2010. A própria recorrente confirma a aplicação do FAP somente a partir de 2010, fls. 183. Quanto ao enquadramento por estabelecimento, assiste razão à recorrente. Embora tenha declarado sua atividade preponderante de forma não individualizada por estabelecimento, na época a regra em vigor era um único grau de risco para todos os estabelecimentos. A administração municipal, em razão da presunção de constitucionalidade nas leis, tão somente cumpriu a legislação tributária vigente. O Decreto nº 3.048/99 determinava o enquadramento pela empresa como um todo: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: ... §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Somente com o Parecer nº 2.120/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN, quando foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, acolheuse o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011 Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13609.721068/201190 Acórdão n.º 2402003.424 S2C4T2 Fl. 194 7 não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda. ... 5. Sobre a matéria, a Lei nº 8.212/91, em seu inciso II, com redação conferida pela Lei nº 9.732/98, estabelece as alíquotas de 1% (um por cento), 2% (dois por cento) ou 3% (três por cento) conforme o grau do risco da atividade preponderante da empresa seja considerado leve, médio ou grave. Regulamentando o dispositivo, o Decreto nº 3.048/99, em seu art. 202, reproduziu o disposto no art. 26 do Decreto nº 2.173/97, o qual previa como critério para identificação da atividade preponderante, o maior número de segurados da empresa como um todo. Convém mencionar que, anteriormente, o Decreto nº 612/92 estabelecia como o critério para aferição da atividade preponderante o maior número de empregados por estabelecimento. No entanto, com a sua revogação pela superveniência do Decreto 2.173/97, a verificação de risco da atividade preponderante passou a ser feita considerando a empresa como um todo, o que foi mantido pelo Decreto nº 3.048/99. ... 16. Examinandose a hipótese vertente, desde logo, concluise que: I) nas ações promovidas contra a Fazenda Nacional, oriundas de causas de natureza fiscal, a competência para representar a União é da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, face ao disposto no art. 12 da Lei Complementar nº 73, de 1993; e II) as decisões, citadas ao longo deste Parecer, manifestam a pacífica e reiterada Jurisprudência do STJ, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. ... ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” No entanto, como se vê, a jurisprudência da Corte Especial exige que o contribuinte tenha individualizado o estabelecimento de risco mais leve através de CNPJ próprio, o que não foi o caso do recorrente. Assim, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/05/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15165.002339/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 31/12/1997 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. O direito de impor penalidade extingue-se em cinco anos, contados da data da ocorrência da infração. REGIME AUTOMOTIVO. PROPORÇÃO. MDIC. HOMOLOGAÇÃO. ACORDO. INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Considera-se adimplida a condição estabelecida em Lei quando observados os critérios definidos em acordo firmado entre a beneficiária e as entidades de classe ABIMAQ/SINDIMAQ e homologado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Recurso Voluntário Provido Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3102-001.483
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Leonardo Mussi acompanhou o Relator pelas conclusões no que se refere à fixação do prazo decadencial, pois entendia como termo inicial a data de registro das declarações de importação. Ausente, momentaneamente e justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituída pelo Conselheiro Leonardo Mussi.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência da infração. REGIME AUTOMOTIVO. PROPORÇÃO. MDIC. HOMOLOGAÇÃO. ACORDO. INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Considerase adimplida a condição estabelecida em Lei quando observados os critérios definidos em acordo firmado entre a beneficiária e as entidades de classe ABIMAQ/SINDIMAQ e homologado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Recurso Voluntário Provido Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Leonardo Mussi acompanhou o Relator pelas conclusões no que se refere à fixação do prazo decadencial, pois entendia como termo inicial a data de registro das declarações de importação. Ausente, momentaneamente e justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituída pelo Conselheiro Leonardo Mussi. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 04/06/2012 Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O Auto de Infração a que se refere o presente processo, constante às fls. 1944/2000, trata da exigência das multas previstas no art. 14, incisos I e III, do Decreto n.º 2.072, de 14/11/1996, por descumprimento das proporções estabelecidas para usufruição do Programa do Regime Automotivo. As multas correspondem aos valores de, respectivamente, R$107.305.589,00 e R$564.600,87, perfazendo um total de crédito tributário no valor de R$107.870.189,87. Segundo relato da fiscalização, a empresa Volkswagen do Brasil Ltda era beneficiária do Programa amparado pelo Regime Automotivo Geral (Lei n.º 9.449/97, alterada pela Lei n.º 9.532/97), conforme os documentos anexos: Termo de Aprovação – fls. 11/12; Certificado de Habilitação ao Regime Automotivo MICT/SPI n.º 180/97 – fls. 13; Termo Aditivo n.º 180/I/98 – fls. 14; Termo Aditivo n.º 180/III/99 – fls. 15. Através do Regime, lhe foram assegurado os seguintes benefícios: Redução de 90% do Imposto de Importação incidente na importação de máquinas, equipamentos, inclusive de testes, ferramental, moldes e modelos para moldes, instrumentos e aparelhos industriais e de controle de qualidade, novos, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes, peças de reposição, destinados ao ativo permanente, nos termos do § único do art. 4.º e art. 5.º do Decreto n.º 1.863/96, revogado pelo Decreto n.º 2.072/96 (arts. 2º, 4.º e 6.º). Redução de 50% do Imposto de Importação incidente na importação dos produtos relacionados nas alíneas “a” e “c” do inciso IV do art. 2.º do Decreto n.º 1.863/96, respeitado o limite estabelecido no art. 8.º combinado com o art. 10 do mesmo Decreto, revogado pelo Decreto n.º 2.072/96 (art. 5º, § 2.º e 8.º). Redução de 55% em 1997 e 40% em 1998 e 1999 do Imposto de Importação incidente na importação de insumos destinados ao seu processo produtivo, dentro dos limites previstos nos arts. 7.º, 8.º, 9.º e 11.º do Decreto n.º 2.072/96 e respeitado o limite do inciso II do art. 4.º do mesmo Decreto. O programa do Regime Automotivo iniciou em 11/07/1997 (data da assinatura o contrato) e finalizou em 31/12/200 para fins do art. 6.º, 7.º, 8.º e 9.º do Decreto n.º 2.072/96 (ano longo por ser uma “Newcomer”, sendo que para o Índice Médio de Nacionalização (§ 2.º do art. 11), o prazo para cumprimento seria até 31/12/2002. Para o controle do Programa, a Portaria Interministerial MICT/MF n.º 01/96 orientou as empresas a apresentarem relatórios trimestrais, convertidos em dólares americanos nos termos do art. 16 do Decreto n.º 2.072/96, adotando as taxas Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.002339/200710 Acórdão n.º 310201.483 S3C1T2 Fl. 3 3 cambiais médias do segmento de taxas livres, divulgadas pelo Banco Central do Brasil. Nos termos do inciso VII do art. 1.º da Portaria MF n.º 227/98, é competência da RFB verificar o cumprimento das cláusulas contratuais firmadas entre a União Federal e a empresa beneficiária, baseandose nos dispositivos legais e no contrato firmado. A partir da comunicação do encerramento do Programa pela Secretaria de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é que foi estabelecido o prazo decadencial para verificação do cumprimento do contrato, conforme estipulado no art. 173, I, do CTN – Lei n.º 5.172/66. Para a verificação do cumprimento dos índices, proporções e limites previstos nos arts. 6.º, 7.º, 8.º, 9.º e 11.º do Decreto n.º 2.072/96 foi tomado por base um período de três anos, considerandose como primeiro o prazo entre a data do primeiro desembaraço aduaneiro das importações com redução do importação de importação de insumos ou de veículos de transporte (ano de 1997) e 31 de dezembro do ano subseqüente (31/12/2000). Para o cálculo do Índice Médio de Nacionalização (IMN) foi tomado por base um período de três anos, considerandose como primeiro ano o prazo entre a data de início da produção dos produtos relacionados nas alíneas “a” a “g” do inciso IV do art. 2.º (abril/1999) e 31 de dezembro do ano subseqüente (31/12/2002). A partir de 2003 a empresa não utilizou os benefícios do Regime Automotivo. Os cálculos das proporções, limites e índices elaborados pela SECEX/MDIC encontramse nas planilhas de fls. 18 a 29. A fiscalização, então, após análises dos relatórios, planilhas e documentos, apurou as seguintes irregularidades: 1.º) Proporção entre aquisição de “Bens de Capital”, produzidos no País, e as importações de “Bens de Capital” com redução de imposto; por ano calendário, um por um até 31/12/1997 e de um e meio por um a partir de 1.º de janeiro de 1998 (art. 6.º): Através do Ofício n.º 340/03 (fls. 08/09), o MDIC, informou a aprovação do encerramento do programa co indicativo de adimplemento contratual decorrente da celebração de acordo com a ABIMAQ/SINDIMAQ no que se refere à proporção estabelecida no art. 6.º. Intimada, então, a beneficiária apresentou cópia do referido documento (fls. 116/327), de onde a fiscalização constatou que o Acordo foi celebrado em 29/06/2001 e homologado pela Secretaria de Desenvolvimento da Produção do MDIC em 15/08/2001 (fls. 119), após o prazo de encerramento do programa. Ressalta também que este Acordo está alterando o prazo para cumprimento das proporções de aquisição de Bens de Capital para até 12/2002 de forma indevida já que o Decreto n.º 2.072/96, art. 6.º, § 2.º permite a alteração de proporção e não de prazo. A Volkswagen adquiriu no mercado doméstico Bens de Capital após o prazo estabelecido para cumprimento da proporção e ainda considerou indevidamente as exportações de fornecedores nacionais à empresas do Grupo Volkswagen do Brasil no exterior no valor de U$45.177.036,00. Como a fiscalização entendeu que a prorrogação de prazo concedida pelo MDIC através do acordo citado é indevida, tendo a beneficiária a obrigação do Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 cumprimento das proporções já estabelecidas, foi glosado o valor de U$44.420.549,59 correspondente à aquisição de Bens de Capital fora do prazo. A autoridade autuante defende que somente a proporção e não o prazo para cumprimento pode ser alterado, nos termos do § 2.º, art. 6. do Decreto n.º 2.072/96, e por esta razão não acata os valores das aquisições efetuadas após a data de 31/12/2000 (prazo por ser uma empresa “newcomer”). Para proceder a verificação física dos Bens de Capital produzidos no país foi intimada a interessada a apresentar as notas de aquisição dos bens e, dada a constatação da existência de bens de origem estrangeira, foi solicitada perícia para discriminação das máquinas e equipamentos adquiridos conforme as notas fiscais apresentadas e identificar a origem dos mesmos. Foram selecionadas notas que deveriam ser objeto dos Laudos por amostragem, relacionando quesitos conforme fls. 1103/1215. As notas emitidas pelas empresas COMAU, DURR, PRENSAS SCHULER, SIEMENS, THYSSEN e ATLAS COPCO e seus respectivos valores estão relacionadas no auto de infração às fls. 1968/1980. O Laudo Técnico emitido pelo engenheiro credenciado encontrase no Anexo I, vols. I e II, fls. 01/301. A conclusão do mesmo foi no sentido de que os bens relacionados e periciados são de produção nacional. Quanto às proporções estabelecidas no art. 6.º, então, a fiscalização concluiu que houve descumprimento da norma, haja vista que o Acordo entre a ABIMAQ/SINDIMAQ e a empresa Volkswagen não tem validade pois o MDIC não tem competência para mudar prazos estabelecidos no Decreto nem para interpretar a norma, além de ter sido realizado após o prazo para cumprimento das condições do regime. A inobservância das proporções, limites e índices dados pelo Decreto n.º 2.072/96 implica na obrigação tributária de multas previstas no art. 13 da Lei n.º 9.449/97. As mudanças pretendidas no Acordo implicam em alteração da obrigação tributária, faltando por isso base legal, nos termos do art. 150, § 6.º da Constituição Federal. Desta forma a fiscalização glosou os valores referentes às exportações de fornecedores nacionais a empresas do Grupo Volkswagen do Brasil e às aquisições de bens de capital fora do prazo legal, e considerando os demais valores informados pela beneficiária nos relatórios como corretos, apurou um valor de descumprimento da proporção do art. 6.º correspondente a U$87.042.375,70. Para o cálculo da multa prevista no art. 13, I da Lei n.º 9.449/97 (70% sobre o valor FOB das importações que contribuírem para o descumprimento da proporção) foi utilizada média aritmética do dólar (PTAX do Sistema BACEN) de acordo com a planilha de fls. 1941, chegando ao valor em Reais da base de cálculo em R$153.293.698,60, importando a multa no valor de R$107.305.589,00. 2.º) Proporção entre matéria prima importada e nacionais, de um por um, por ano calendário, nos termos do art. 7.º: Durante o procedimento de auditoria, a fiscalização constatou que para as importações de matéria prima com redução do imposto de importação feitas através das DI’s n.ºs 97/10534998 e 98/00433406 (fls. 1921/1938), num total de U$845.389,54, correspondendo a R$941.001,46 (conversão do dólar pela data de registro das DI’s), não houve a contrapartida de aquisição pela empresa de matérias primas nacionais, em descumprimento à proporção estabelecida pelo art. 7.º do Decreto n.º 2.072/96. A autoridade fiscal alega que tal fato está confirmado pelas informações prestadas pela beneficiária de que estas importações teriam sido realizadas sem redução de imposto e ainda pelos Relatórios Trimestrais apresentados pela interessada onde constam como imposto integralmente pago. Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.002339/200710 Acórdão n.º 310201.483 S3C1T2 Fl. 4 5 Desta forma, aplicando o art. 13, III da Lei n.º 9.449/97 e art. 14, III do Decreto n.º 2.072/96, foi aplicada a multa de 60% sobre o valor das importações de matéria prima, importando no valor de R$564.600,87. A fiscalização segue na análise das demais obrigações quanto aos limites, índices e proporções estabelecidos no Regime Automotivo e conclui pela aceitação dos valores informados pela beneficiária e o conseqüente cumprimento das obrigações. Esclarece também que de acordo com o Parecer COSIT n.º 13, de 31/12/2004, não cabe a exigência da diferença de tributos mas tão somente a aplicação das multas em comento. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 2029/2054, alegando o que segue: 1 A fiscalização pretende exigir a multa por perda do direito à fruição do benefício do Regime Automotivo (Lei n.º 9.449/97) contrariando o entendimento do MDIC. A Secretaria da Receita Federal do Brasil recebeu comunicação da Secretaria do Desenvolvimento da Produção do MDIC de que foi aprovado o encerramento do Programa Automotivo com indicativo de adimplemento contratual aos arts. 7.º, 8.º, 9.º e alínea “a”, § 2.º do art. 11, do Decreto n.º 2.072/96. Quanto ao art. 6.º o encerramento com indicativo de adimplemento se fez com a celebração do acordo com a ABIMAQ/SINDIMAQ. A conclusão inequívoca é que para o Governo Federal a impugnante cumpriu com suas obrigações para usufruir do benefício do Regime Automotivo. O § 2.º do art. 6.º do Decreto n.º 2.072/96 prevê que quem homologa eventual acordo alterando a proporção é o MDIC/MICT. A Portaria Interministerial MICT/MF n.º 1/96 prevê que a solicitação de habilitação deve ser dirigida ao MICT e que deva ser apresentado a ele as informações para verificação do cumprimento das proporções. À Administração Fiscal compete fazer verificações posteriores, em atividade de fiscalização, a fim de checar se as informações apresentadas ao MDIC/MICT são verdadeiras para, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Não faz parte das atividades fiscais o papel de revisores dos atos do MDIC e de suas competências. A Administração fiscal deve adotar como premissa a aprovação pelo MDIC e realizar seu trabalho de verificação do cumprimento das condições, não podendo desdizer o que foi afirmado pelo Governo Federal, sobrepondose à competência de outro órgão público prevista na legislação. Cita jurisprudência administrativa no tocante ao reconhecimento do cumprimento de obrigações por ocasião de benefícios fiscais concedidos e ainda decisões acerca de Regime Automotivo e o acatamento de acordos homologados pelo MDIC (fls. 2036/2038). Alega que a União Federal por um órgão competente atestou o cumprimento dos requisitos legais e por outro lado, através de outro órgão, negou a mesma premissa e o benefício decorrente. Tal fato implica em que o contribuinte, após atestada a regularidade de sua situação, foi induzido a assumir ônus (aquisições no mercado interno) sob a certeza e convicção de que teria os benefícios fiscais previstos em lei. Após, porém, tudo lhe é negado por um órgão da União (Receita Federal) que desconsidera os atos do MDIC/MICT. Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 2 As tratativas com a ABIMAQ/SINDIMAQ não possuem o conteúdo que a fiscalização julgou ter. Isto porque o acordo teve por conteúdo a alteração da proporção do mencionado § 2.º. Embora a fiscalização entenda que o prazo não possa ser alterado, a Secretaria do Desenvolvimento da Produção do MDIC que analisou o cumprimento das obrigações atinentes ao Programa do Regime Automotivo concluiu que o programa encerrou com adimplemento contratual decorrente da celebração do acordo com a ABIMAQ/SINDIMAQ. Vide Ofício 339/03 e Nota Técnica 30/03 (fls. 2074/2078) e ainda Nota Técnica 14/01 e Ofício 274/01 (fls. 2083/2085). Ofício 339/03 : “Quanto ao art. 6.º o encerramento se fez com indicativo de adimplemento contratual decorrente da celebração de acordo com a ABIMAQ/SINDIMAQ no que se refere à proporção estabelecida pelo art. 6.º do Decreto n.º 2.072, de 14.11.96, bem como indicativo de não utilização de benefício, no ano de 2003, no que se refere à exigência estabelecida pela alínea “c” do § 2.º do art. 11 do mencionado Decreto, com base nas informações prestadas por essa empresa, sujeito a verificação fiscal.” Nota Técnica 30/03: “Quanto ao art. 6.º o encerramento se fez com indicativo de adimplemento contratual decorrente da celebração de acordo com a ABIMAQ/SINDIMAQ que trata da proporção de bens de capital (...)” Nota Técnica 14/01: “O acordo acima identificado foi celebrado em 29 de junho de 2001, visando a alteração das proporções de “bens de capital” relativas aos anos de 1997, 1998 e 1999 previstas pelo art. 6.º do Decreto n.º 2.072, de 14.11.96.” A alteração da proporção pode ser verificada com mais detalhes no Anexo II, inserto no acordo datado de 29/06/2001 (fls.2087/2091). A fiscalização alega indevidamente que o acordo firmado teria apenas prorrogado o prazo de vigência do regime e que o MDIC não estaria autorizado por Lei e não seria de sua competência tal ato. Além da alteração da proporcionalidade foram acordados compromissos adicionais de realização de aquisições complementares nos anos de 2001 e 2002 e de aquisição de bens de capital produzidos no Brasil por empresas domiciliadas no exterior ligadas à impugnante (empresas do Grupo Volkswagen). Estes compromissos adicionais serviam de compensação à alteração da proporção. A mesma Nota Técnica n.º 14/01 dizia: “Informamos que foi negociado no âmbito do acordo aquisições complementares de “bens de capital” produzidos no Brasil que devem ser efetuadas pela empresa beneficiária até 31/12/2002.” Conforme se verifica das claras manifestações do MDIC, os compromissos adicionais, que não alteraram o escopo e o objeto do acordo, alteraram as proporções entre aquisições e importações de bens de capital. Cabia à fiscalização verificar se houve o cumprimento das novas proporções aprovada pelo Governo Federal: 1997: 0:1; 1998: 1,08:1; 1999: 0,76:1; 1,5:0 e 1,5:1 no acumulado de 1997 a 2000. Ela não poderia é desconsiderar o acordo ou afirmar que o acordo teria outra natureza. 3 A autoridade fiscal também alega que o referido acordo foi firmado após o prazo de encerramento do programa e por isso deve ser desconsiderado. No entanto as tratativas foram iniciadas no decorrer do programa, conforme se verifica dos documentos juntados aos autos às fls. 2097/2099, tendo, inclusive, o MDIC concedido prazo de seis meses para finalizar as negociações (fls. 2095). Assim a União Federal, pelo órgão competente (MDIC) autorizou as negociações e homologou o acordo realizado, não podendo a gora a União, através da Receita Federal negálo. Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.002339/200710 Acórdão n.º 310201.483 S3C1T2 Fl. 5 7 4 A fiscalização também que a impugnante importou matéria prima nos anos de 1998 e 1999 e não adquiriu matéria prima nacional, descumprindo o art. 7º do Decreto n.º 2.072/96. Na verdade as importações indicadas no Relatório de Fiscalização correspondem à aquisição de bens de capital e não matéria prima. Estas importações tiveram como fornecedor a empresa “Durr System Gmbh”, conhecida mundialmente como fornecedora de produtos e sistemas para pinturas e tratamento de superfícies para as empresas automotivas. Ela não é uma siderúrgica que fornece chapas de aço comum usadas como matéria prima, conforme se comprova no sítio da empresa na internet. A impugnante importou chapas de aço especiais para montagem dos tanques de pintura de sua unidade industrial de São José dos Pinhais/PR e que foram ativados posteriormente pela contribuinte (como bens de capital). Ocorre que estes produtos foram formalmente tratados pela impugnante como matéria prima por ocasião de suas importações. Tratase de erro meramente formal e que em obediência aos princípios da verdade material, da legalidade e da tipicidade, não pode levar à punição da contribuinte por uma suposta infração que ela não cometeu. Ademais a unidade de São José dos Pinhais só começou a funcionar em abril/1999 o que demonstra a impossibilidade da impugnante adquirir matéria prima quando ainda não havia produção de veículos. 5 A fiscalização também quantificou a multa de forma errada, haja vista que a proporção para uma empresa Newcomer deve ser calculada para o período de três anos e a multa aplicada apenas sobre o montante eventualmente faltante ao final desses três anos. No entanto a fiscalização apurou a insuficiência do anos de 1998 e de 1999, para então calcular a multa. Ou seja, a fiscalização desconsiderou o período total de três anos e apegouse ao resultado individual de cada anocalendário, em flagrante descompasso às determinações do art. 10 do Decreto n.º 2.072/96. Além disso foi utilizado um valor médio do dólar referente ao último trimestre de 1998 sobre a falta de aquisições de 1998 e um valor médio do dólar de todo o ano de 1999 para a falta de aquisição de 1999. Nos termos da legislação (art. 16) deve ser adotada a taxa cambial média do período. Por esta razão a multa deve ser cancelada por ter sido calculada de forma incorreta. 6 Há contradição dos argumentos quanto à decadência. Por um lado a fiscalização alega que o prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, é contado a partir do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, correspondendo à comunicação do MDIC do encerramento do programa, em maio de 2003, em razão da execução do acordo em dezembro de 2002. Ou seja, considera o acordo para contagem do prazo decadencial. Por outro lado, para fins de cumprimento da legislação do regime não considera válido o acordo que previu as obrigações complementares até dezembro de 2002. Para ser coerente a fiscalização deveria adotar uma das posições: i) aceita o acordo para todos os efeitos, podendo, então, adotar o anos de 2003 como início do prazo decadencial, ou ii) desconsidera o acordo para todos os efeitos (que se cogita apenas para argumentação), o que levaria o cancelamento do auto pois o início do prazo decadencial se daria em janeiro de 2001, não podendo ser lavrado o auto em dezembro de 2007. Por todas estas razões, requer o cancelamento integral do Auto de Infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 31/12/1997 a 31/12/2002 REGIME AUTOMOTIVO. ACORDO FIRMADO ENTRE BENEFICIÁRIA E ABIMAQ/SINDIMAQ. VALIDADE. Deve prevalecer o ato administrativo de homologação dos termos do acordo lavrado entre a beneficiária e as entidades de classe que cuidam dos interesses dos produtores de bens de capital. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete a verificação do cumprimento do Regime, nos termos da legislação tributária e aduaneira. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. De sua parte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão que exonerou crédito tributário em valor superior ao limite de alçada. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Inicio pelo recurso voluntário. Depreendese dos autos a inobservância da proporção definida pelo artigo 7º da Lei 9.449/97 para duas declarações de importação desembaraçadas nos anos de 1997 e 1998. O artigo tem o seguinte teor. Art. 7º O Poder Executivo poderá estabelecer, para as empresas montadoras e fabricantes dos produtos relacionados nas alíneas “a “ a “h” do § 1º do art. 1º, em cuja produção forem utilizados insumos importados, relacionados no inciso II do mesmo artigo, índice médio de nacionalização atual, decorrente de compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. § 1º O índice médio de nacionalização anual será uma proporção, entre o valor das partes, peças, componentes, conjuntos, subconjuntos e matériasprimas produzidos no País e a soma do valor destes produtos produzidos no País com o valor FOB das importações destes produtos, deduzidos os impostos e o valor das importações realizadas sob o regime de drawback utilizados na produção global das empresas, em cada ano calendário. § 2º Para as empresas que venham a se instalar no País, para as linhas de produção, novas e completas, onde se verifique acréscimo de capacidade instalada e para as fábricas novas de empresas já instaladas, definidas em regulamento, o índice de que trata este artigo deverá ser atendido no prazo de até três anos, conforme dispuser o regulamento, sendo que o primeiro ano será considerado a partir da data Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.002339/200710 Acórdão n.º 310201.483 S3C1T2 Fl. 6 9 de início da produção dos referidos produtos, até 31 de dezembro do ano subseqüente, findo o qual se utilizará o critério do ano calendário. Tratandose de uma newcomer, o Decreto 2.072/96 definia o prazo de três anos para o cálculo do incide médio de nacionalização, a contar da data do primeiro desembaraço. A fiscalização explica em detalhes no Relatório que compõe o auto de infração. Para a verificação do cumprimento dos índices, proporções e limites previstos nos artigos 6°, 7°, 8° e 9° e 11 do Decreto n° 2.072/96 foi tomado por base um período de três anos, considerandose como primeiro ano o prazo entre a data do primeiro desembaraço aduaneiro das importações com redução do imposto de importação de insumos ou de veículos de transporte e 31 de dezembro do ano subseqüente, conforme definido pelo artigo 10 ° do mesmo Decreto. Verificamos que o primeiro desembaraço aduaneiro com os benefícios do Programa do Regime Automotivo ocorreu no ano de 1997, encerrandose, portanto o período de três anos em 31 de dezembro de 2000. Não há divergência em relação ao critério para contagem do prazo para o adimplemento da proporção definida no artigo 7º da Lei 9.449/97. O problema, a meu ver, é que, distintamente do que defende a fiscalização e de como julgou a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o termo inicial do prazo decadencial, neste caso, deve ser definido levandose em conta as disposições contidas também na legislação aduaneira e não somente as prescrições encontradas no Código Tributário Nacional. Nestes termos, imperioso observar o teor do artigo 669 do Decreto 4.543/02, base legal Decretolei 37/66. Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139).” (grifei) Embora o assunto comporte abalizadas opiniões divergentes, alicerçadas no entendimento de que à decadência aplicamse exclusivamente as definições contidas no Código Tributário Nacional, Lei Complementar, tal como define o artigo 146 da Constituição Federal, e, ainda, que se deva observar a hierarquia das leis, tenho fundamentada razão para sentirme inclinado em sentido contrário, defendendo critério distinto para solução da aparente antinomia identificada na legislação que disciplina a contagem do prazo decadencial nos lançamentos tributários decorrentes em procedimento de Fiscalização Aduaneira. Primeiro, é preciso registrar que não há motivos para objetar o entendimento de que o assunto está reservado à lei complementar, pois o artigo 146 da Constituição Federal faz menção expressa a isso. O que precisa ser analisado, contudo, é o fato de o Decretolei 37/66, ser anterior à Constituição Federal, situação que autoriza a interpretação de que o mesmo foi por ela recepcionado e, nestas circunstâncias, promovido, ainda que apenas neste particular, ao status de Lei Complementar. Sem dúvida, essa interpretação diverge do entendimento defendido em parte da jurisprudência administrativa e judicial assim como da doutrina segundo a qual essas disposições estariam em desarmonia com os preceitos fixados na Carta Magna e teriam sido por ela revogados. Quanto a isso, entendo que, a despeito da orientação que pode ser encontrada na doutrina ou na jurisprudência, a mais robusta indicação do efeito das disposições contidas na Constituição Federal sobre a legislação sub examine encontrase precisamente na legislação Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 10 editado pelo próprio Poder Executivo. Refirome ao Decreto 4.543/02, o Regulamento Aduaneiro. Elaborado com o objetivo de compilar a legislação que regula as ações praticadas em operações de comércio exterior, empreendimento que não se realiza sem a integração de todo o arcabouço legislativo que alcança os fatos jurídicos tutelados, fixou claro entendimento de que o prazo estipulado no DecretoLei 37/66 para a constituição do crédito tributário decorrente de infrações estava, naquele momento, em pleno vigor, devendo ser observado pelos operadores do direito. Ante tais circunstâncias, mais do que inadequada, a inobservância das disposições contidas no Decreto 4.532/02 pareceme mesmo ir de encontro à proibição contida no Regimento Interno deste Colegiado, que vedam ao Conselheiro a decisão de afastar as disposições contidas em Lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, incontroverso nos autos que a infração foi consumada no mês de dezembro do ano de 2000, prazo para a obtenção dos resultados pactuados, encerrouse o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário sub examine no mês de dezembro do ano de 2005, quase dois anos antes da efetivação do lançamento. Quanto ao recurso de ofício. De relevância o fato de que o Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio ter anuído conduta que, segundo a fiscalização, não estaria prevista pela legislação de regência, em dois aspectos. Em primeiro lugar, o MDIC acatou acordo com entidade de classe, firmado depois de encerrado o Programa, e que prorrogou o prazo para o cômputo de valores considerados para fins de cumprimento das proporções de aquisição dos bens de capital e não a proporção em si. Em outras palavras, a norma autorizaria a redefinição de proporções com base em acordos firmados com entidades de classe, mas não a prorrogação de prazo durante o qual as operações serão consideradas para o cálculo das proporções. Em segundo, teria homologado acordo que considera no cômputo de proporção bens não incorporados ao ativo permanente. Em lugar disso, eles teriam sido exportados para outras empresas do conglomerado. Quanto a isso, há nos autos uma carta da ABIMAQ/SINDIMAQ confirmando o interesse nessa operação, sob o argumento de que incrementaria a venda de bens produzidos no país. Antes de qualquer consideração acerca dos argumentos trazidos aos autos pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal e pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, entendo que deva ser apreciada uma questão de cunho preliminar. O Programa, assim informam os documentos, encerrouse no final do ano de 2000. O acordo considerado ilegal pela fiscalização é de 2001 e prorroga o prazo de adimplemento para o mês de dezembro de 2002. Poderseia entender que, aceita premissa defendida pela fiscalização, de que o termo inicial para contagem do prazo decadencial deve ser calculado tendose em conta o artigo 173 do Código Tributário Nacional, o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados seria, no caso concreto, o dia primeiro de janeiro do ano de 2002, já que, no primeiro dia do ano de 2001 os tributos já poderiam ter sido lançados. Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.002339/200710 Acórdão n.º 310201.483 S3C1T2 Fl. 7 11 Contudo, em 2001 já havia sido definida a prorrogação do prazo para o cálculo das proporções até dezembro de 2002. Ou seja, a prazo decadencial que começaria a fluir no primeiro dia do ano de 2002, sequer teve início. Não há que se falar em interrupção ou suspensão no curso do prazo decadencial, fenômenos que, sabese, não podem ser admitidos. O que houve, de fato, foi uma prorrogação do prazo de adimplemento de uma das condições, alterando o termo inicial da contagem do prazo decadencial para o ano de 2004. Também não procede o argumento de que, se considerado ilegal a dilação do prazo determinada pelo MDIC, o termo inicial não poderia ter sido influenciado. A leitura correta dos fatos, segundo entendo, é de que uma vez prorrogado o prazo de adimplemento, tal acarreta o deslocamento do dia a partir do qual a fiscalização já poderia ter lançado os tributos, o que não impede que, ao proceder ao exame das ações praticadas pelo contribuinte, considere irregular a metodologia de cálculo baseada na prorrogação do prazo. A despeito disso tudo, a solução do impasse requer, novamente, seja levado em conta a disposição contida no artigo 669 do Decreto 4.543/02, acima transcrito e analisado. Também aqui, tratase do direito de impor penalidade, que conforme definido, expira em cinco anos contados da data da infração. Neste caso, a infração foi, indubitavelmente, consumada no mês de dezembro do ano de 2002, decaindo o direito aqui debatido no mês de dezembro de 2007, exatamente quando o crédito foi constituído. Afastada a decadência, ocupome do mérito. O i. Relator do voto condutor da decisão recorrida considerou não ser possível questionar a legalidade de ato praticado por outro Órgão do Poder Público. Reproduzo excerto do voto, onde o assunto é tratado. Argumenta a fiscalização que falta competência ao MDIC para interpretar ou integrar a norma, para tratar a inadimplência e para mudar a obrigação tributária. Entendo que a autoridade lançadora equivocouse em sua interpretação. O Programa de Regime Automotivo faz parte da política de Comércio Exterior desenvolvida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, onde são estabelecidos benefícios e contrapartidas aos beneficiários, visando resultados estudados e pretendidos no desenvolvimento industrial, comercial e de serviços no Brasil. Ainda que sujeito ao mesmo princípio da legalidade a que estão sujeitos todo agente público, a este órgão compete a concessão e controle do regime. E o regime implica necessariamente em estabelecer a concessão de benefícios fiscais (redução de imposto de importação) e a obrigação de aquisição de produtos nacionais em determinados prazos para contribuintes, para que, com este programa, o Governo Federal, representado pelo MDIC, implemente suas políticas econômicas. Por outro lado é da competência do Ministério da Fazenda, através da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificar o cumprimento das obrigações contratadas, nos termos da legislação tributária e aduaneira. Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 12 E neste sentido não pode a autoridade fiscal questionar a legalidade de ato de competência de outro órgão público, não sendo da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil o controle da legalidade dos atos administrativos e normativos praticados pelos demais entes públicos. Convém ressaltar que tanto a concessão do benefício do Regime Automotivo, através da certificação expedida, como a homologação de eventuais acordos posteriores são de competência do MDIC, que assim procede com base na legislação que trata do assunto. Por esta razão se o órgão competente para exame e homologação de acordos segundo as diretrizes políticas e econômicas concede o benefício tratado na Lei n.º 9.449/97 e no Decreto n.º 2.072/96, alterando as proporções ali estabelecidas, resta apenas à Receita Federal do Brasil verificar o cumprimento das condições ali postas. A alteração do prazo para cumprimento das proporções, além de ter sido homologado por ente público, pode ser interpretado, também, como alteração da própria proporção na medida em que está diretamente relacionada com um prazo para cumprimento e não só da relação entre importação e aquisição no mercado nacional. Por tudo isto entendo que o acordo firmado entre a beneficiária e as entidades de classe ABIMAQ/SINDIMAQ e devidamente homologado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, é perfeitamente válido, devendo a fiscalização, em ato de verificação fiscal do cumprimento das obrigações por parte da beneficiária, considerar os termos ali constantes, no caso, a alteração das proporções de que trata o art. 6.º e a dilação do prazo para realização das mesmas. (...) Outro ponto levantado pela fiscalização e que originou a glosa do valor de U$45.177.036,00 utilizado pela interessada como aquisição de bens de capital para fins da proporção do art. 6.º, foi o fato de que tal valor corresponde a exportações de bens de capital produzidos por fornecedores nacionais a empresas do Grupo Volkswagen do Brasil no exterior. Entendeu a autoridade que estes bens não poderiam ser considerados para fins de cumprimento do art. 6.º por falta de amparo legal que rege o Regime Automotivo. Fundamenta, inclusive, que os arts. 2.º e 15º definem o que vem a ser bem de capital para efeitos deste regime: Art. 2º Para fins desse Decreto, consideramse: I "Bens de Capital": máquinas, equipamentos, inclusive de testes, ferramental, moldes e modelos para moldes, instrumentos e aparelhos industriais e de controle de qualidade, novos, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e peças de reposição, utilizados no processo produtivo e incorporados ao ativo permanente; Art. 15. Para efeito deste Decreto, serão consideradas realizadas: (...) II as aquisições de "Bens de Capital" produzidos no País, na data da incorporação ao ativo permanente dos "Beneficiários"; A impugnante defendese alegando que o acordo, nestes termos, foi aprovado pela ABIMAQ/SINDIMAQ e homologado pelo MDIC, tendo, por isto, validade e que a mesma cumpriu o acordado. Mais uma vez estamos diante de uma ato praticado pela MDIC (homologação do acordo) em que seus termos são questionados pela fiscalização quanto à validade jurídica. Ainda que concorde com a autoridade lançadora que a definição de bens de capital não abarcaria tais bens exportados a outras empresas do grupo no exterior pelo fato de que estes bens não teriam cumprido o requisito de “incorporação ao ativo permanente da beneficiária”, ao meu ver, prevalece aqui o ato administrativo Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.002339/200710 Acórdão n.º 310201.483 S3C1T2 Fl. 8 13 de homologação dos termos do acordo lavrado entre a beneficiária e as entidades de classe que cuidam dos interesses dos produtores de bens de capital. Primeiro, pelas razões já expostas acima quanto à competência de cada órgão da administração pública. Neste caso, se constatada alguma ilegalidade de ato administrativo poderia caber uma representação ao órgão competente do controle dos atos administrativos. E segundo, há que se considerar o interesse legítimo de tais entidades em promover tais acordos na defesa de seus representados na produção de bens nacionais. Isto se reflete na resposta dada pela ABIMAQ/SINDIMAQ à beneficiária quando questionada sobre a base legal do acordo lavrado: (...) Assim é que se a lei permite a alteração das proporções entre importação e produção nacional mediante acordo entre as partes interessadas, é porque justamente prevalece aí um interesse econômico estabelecido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Caso este acordo não coincidisse com este interesse, certamente não seria homologado por este órgão. (...) Sobre isso, opto por não adentrar á questão atinente à competência dos Órgãos Federais para buscar solução à lide à luz do entendimento que deva prevalecer das disposições contidas na legislação de regência. Não vejo razão para considerar equivocada a interpretação do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio ao acatar acordo com entidade de classe prorrogando o prazo para o cômputo de valores considerados para fins de cumprimento das proporções de aquisição dos bens de capital. Tal como me parece, o prazo para adimplemento de condição pode ser entendido como um dos elementos do requisito estabelecido em Lei. Assim, ainda que perfeitamente compreensível a linha de raciocínio adotada pela Fiscalização Aduaneira, não vejo motivação suficientemente forte para desfazer a homologação determinada pelo MDIC, por força de sua própria leitura da norma regulamentadora. O mesmo devese dizer em relação à aceitação, no cálculo da proporção, de bens exportados para outras empresas do conglomerado. Segundo consta dos autos, o acordo foi aprovado pela ABIMAQ/SINDIMAQ e homologado pelo MDIC, que, uma vez mais, aplicou interpretação distinta daquela adequadamente sugerida pela Fiscalização, por certo considerando que, tratandose de empresas vinculadas, deverseia considerar regular a operação. Além disso tudo, de destaque o fato de que discutese nos autos não a exigência de tributos, mas a ocorrência de infrações tributárioaduaneiras, situação que requer sejam lembradas as disposições contidas no Código Tributário Nacional a respeito. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA 14 III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Pela razões expostas, VOTO POR DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte, por ter decaído o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário correspondente e POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Sala de Sessões, 24 de abril de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/06/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 19515.002171/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
ESCRITURAÇÃO. VALOR PROBANTE.
As informações constantes da escrituração da pessoa jurídica fazem prova a favor do sujeito passivo quando a Fiscalização não consegue demonstrar a existência de vícios ou irregularidades.
Numero da decisão: 1402-001.372
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e a argüição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser efetuado. (STJ, Resp 973.733/SC) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 ESCRITURAÇÃO. VALOR PROBANTE. As informações constantes da escrituração da pessoa jurídica fazem prova a favor do sujeito passivo quando a Fiscalização não consegue demonstrar a existência de vícios ou irregularidades. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e a argüição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 71 /2 00 9- 48 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da CSLL, a empresa, acima qualificada, foi autuada mediante Auto de Infração (fls.47/52), a recolher ou impugnar os créditos tributários no montante total de R$ 28.377.384,83, incluídos nesse total multa e juros de mora calculados até 29/05/2009. Conforme descrição no Termo de Verificação Fiscal de fls.16/17, a Fiscalização, em análise da documentação trazida aos autos, relativamente aos períodos de 2004 a 2007, verificou a inconsistência entre os montantes escriturados em sua contabilidade e os declarados/recolhidos. O presente lançamento foi objeto de retificação e ratificação, conforme Termo de fl.39, em que foram efetuados ajustes discriminados às fls.40/41, resultando em majoração do valor tributável e, conseqüentemente, do tributo exigido nos autos. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou impugnação argüindo em preliminar a decadência para os fatos geradores ocorridos correspondentes ao 1º e ao 2º trimestres de 2004. No mérito, sustenta que apurou base negativa da CSLL no 2º e 3º trimestres de 2004; 3º e 4º trimestres de 2005; 4º trimestre de 2006 e de janeiro a novembro de 2007 (apuração anual); não havendo que se falar em contribuição devida nesses períodos. Tendo em vista que apurou a contribuição trimestralmente nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006; estaria equivocado o lançamento, pois formalizado na sistemática mensal. Afirma que ao verificar em seus balancetes a conta de CSLL, constatou que há lançamentos mensais referentes a multa e juros incidentes sobre CSLL de períodos anteriores contabilizados, declarados e não pagos. Tais lançamentos, obviamente, não se tratam de tributo, sendo apenas um meio contábil para a impugnante e terceiros interessados de manter em seus controles o seu passivo corrigido mensalmente, refletindo a realidade patrimonial da empresa. Esses valores teriam sido erroneamente considerados pelo Fisco como CSLL devida. Como exemplo, registra que no anocalendário de 2007, quando optou pela apuração anual do resultado, os registros contábeis indicam base negativa nos meses de janeiro a novembro enquanto toda a suposta diferença lançada pela RFB é referente a multa e juros de CSLL em períodos anteriores contabilizados e declarados não se tratando, portanto, de tributo. O equívoco teria ocorrido em praticamente todo o período auditado. Além disso, especificamente em setembro/2004, o sistema contábil da pessoa jurídica foi alterado. Ocorre que quando da transição de um sistema para o outro ao invés do novo sistema transportar, como saldo inicial do balancete de setembro de 2004, o valor acumulado até agosto de 2004, lançou o valor "zero". Esse valor acumulado (até agosto de 2004), por sua vez, foi lançado como crédito do mês de setembro de 2004, fazendo com que houvesse distorção no mês de setembro e a fiscalização acaba por criar artificialmente tributo inexistente, Fl. 788DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002171/200948 Acórdão n.º 1402001.372 S1C4T2 Fl. 3 3 eis que tratou como saldo do mês de setembro, o valor total acumulado do passivo até 31/08/2004 (que além do tributo, registrava no passivo, multa e juros do tributo em atraso). Defende que após saneadas as irregularidades no procedimento devem prevalecer apenas os valores da CSLL por ele admitidos como devidos e comprovados nos registros contábeis. Reclama pela inaplicabilidade da multa de ofício, que ofenderia os preceitos da razoabilidade e da proporcionalidade. Por fim, requer a realização de perícia e/ou diligência para esclarecimentos, indicando os quesitos que entende merecerem esclarecimentos. Em primeira apreciação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – SP converteu o julgamento em diligência para que as divergências suscitadas pela impugnante fossem esclarecidas por meio da análise de documentação comprobatória em confronto com a escrita fiscal bem como pesquisas complementares que demonstrassem os valores lançados pela contribuinte em sua contabilidade. Após a realização da diligência, os autos retornaram à autoridade julgadora com proposta de rejeição dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo. O Órgão julgador de primeira instância prolatou o Acórdão 1632.974 em sessão de 27/06/2011, acatando a propositura do relatório de diligência e mantendo integralmente o lançamento. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Voto O recurso é tempestivo e reúne as demais condições admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em sede de preliminar, a recorrente suscita a nulidade da autuação sob o argumento de que o Fisco teria utilizado dados estranhos à contabilidade da pessoa jurídica, o que implicaria em cerceamento do direito de defesa. Nesse aspecto, pelo exame dos autos chego à conclusão de que não houve a utilização de dados alienígenas mas sim a aplicação, pela Fiscalização, de uma questionável metodologia de tratamento das informações contábeis, o que será objeto de análise em momento posterior deste voto. Rejeitase a preliminar. Em relação à decadência, pauto minha linha de raciocínio no sentido de que esse prazo foi definido como regra geral no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (.....) Por outro lado, dentre as modalidades de lançamento definidas pelo CTN, o art. 150 trata do lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ . Nesse caso, o § 4º do dispositivo estabeleceu regra específica para a decadência: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (......) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Entretanto, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (art. 543C, do CPC) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento é relevante para definição do prazo, nos termos defendidos pela recorrente (Resp 973733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, Ministro Luiz Fux): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO Fl. 790DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002171/200948 Acórdão n.º 1402001.372 S1C4T2 Fl. 4 5 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da PrimeiraSeção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não Fl. 791DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Considerando que o sujeito passivo não efetuou qualquer recolhimento da CSLL no período sob exame, a situação enquadrarseia no bojo da decisão supra transcrita, aplicandose a regra geral do inciso I, do art. 173, do CTN. Assim, submetendome ao entendimento consolidado naquele Tribunal, para os fatos geradores ocorridos em 30/03/2004 e 30/06/2004 o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 02/01/2005 e o termo final seria 02/01/2010 ( o que também se aplicaria ao fato gerador ocorrido em 30/09/2004). Como a autuação foi cientificada ao sujeito passivo em 09/07/2009, não ocorreu a caducidade. No mérito, constatase que a Fiscalização efetuou a apuração da CSLL no período sob exame obtendo valores totalmente diferentes daqueles informados pela interessada. Essa discrepância implicou na conversão do julgamento em diligência para que as divergências fossem esclarecidas com base nas informações existentes na escrituração. O procedimento de diligência fugiu totalmente ao escopo do requerido, limitandose o responsável a solicitar ao sujeito passivo, desnecessariamente, “a apresentação de DARFs que justificassem o alegado”. Ora, o cerne da diligência seria o esclarecimento das divergências entre os valores apurados pelo Fisco e aqueles informados em DIPJ pela interessada, esclarecimentos esses a serem prestados a partir dos registros contábeis. Claro está nos autos que a recorrente não efetuou qualquer recolhimento, daí porque a apresentação dos DARFs seria irrelevante. Em função da divergência, a informação relevante que deveria ter sido levantada é o valor correto de CSLL devido e, se for o caso, a ser cobrado em cada um dos períodos examinados. A depender do relatório da diligência, como a interessada não apresentou DARFs de recolhimento os valores informados na DIPJ devem ser sumariamente desprezados ainda que possam estar compatíveis com a escrituração (fato esse quer deveria ter sido objeto de verificação). Um grande equívoco. Como o relatório de diligência não trouxe qualquer argumento em contraponto à impugnação apresentada, os argumentos de defesa ganham robustez probante. Quando o sujeito passivo afirma que a Fiscalização considerou como tributo no período valores referentes a juros e multa da contribuição devida em períodos anteriores, o exame dos registros indica exatamente o alegado. Além disso, os valores da contribuição assumidos como devidos são exatamente aqueles indicados na escrituração. Sob essa ótica, as informações contidas na DIPJ devem ser tidas como corretas. Por fim, em sentido diverso ao posicionamento da decisão recorrida, entendo que a mudança na sistemática contábil ocorrida em setembro de 2004 está devidamente Fl. 792DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002171/200948 Acórdão n.º 1402001.372 S1C4T2 Fl. 5 7 demonstrada o que pode ter causado o engano na apuração do Fisco. Na folha do Razão (fl. 148) da conta 2.1.1.05.03.0002 consta no primeiro dia de setembro o lançamento a crédito no valor de R$ 4.619.897,13; para restabelecer o saldo acumulado da conta em agosto que o sistema havia zerado (indicação de “Saldo Inicial......0,00”). Não procede considerar tal montante na composição da CSLL devida. Do até aqui exposto, o valor da CSLL devido, apurado de acordo com os registros contábeis e a DIPJ é: 1º trimestre/2004 385.793,49 2º trimestre/2004 3º trimestre/2004 4º trimestre/2004 407.557,67 1º trimestre/2005 687.042,33 2º trimestre/2005 33.224,62 3º trimestre/2005 4º trimestre/2005 1º trimestre/2006 117.344,11 2º trimestre/2006 211.865,30 3º trimestre/2006 139.618,97 4º trimestre/2006 Os valores informados na tabela acima devem ser exigidos com multa de ofício e juros de mora, sob a égide da legislação em vigor relativa ao procedimento de ofício. Especificamente em relação à multa, a entrega da DCTF após o início do procedimento de ofício não elide a exigência da penalidade. Ainda com relação à DCTF, cabe à autoridade administrativa efetuar os controles necessários para evitar a cobrança em duplicidade. Em relação ao anocalendário de 2007, o lançamento foi formalizado sob a sistemática trimestral, enquanto o sujeito passivo efetuou a opção pela apuração anual, assumindo como devido o montante de R$ 288.439,73. Nesse caso, ao contrário dos demais períodos, a diferença na sistemática de apuração não permite a adequação da base de cálculo e a autuação não pode ser mantida. Entretanto, especificamente quanto a esse período é legítima a cobrança através da DCTF retificadora. Em resumo do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e a argüição de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que a exigência seja adequada aos valores informados na tabela supra, exigíveis com multa de ofício e juros de mora. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 794DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/05 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13768.000511/2008-67
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a).
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido. Recurso voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 00 05 11 /2 00 8- 67 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário 2006, decorrente de glosa deduções de despesas médicas por falta de previsão legal ou por falta de comprovação. Na impugnação, o contribuinte insurgese contra a glosa unicamente por faltar o endereço nos recibos apresentados, por não ter sido respeitado os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da busca da verdade material. A impugnação foi indeferida por que os documentos apresentado não cumpriram integralmente os requisitos legais para comprovação de despesas médicas. A ciência do acórdão ocorreu em 22/09/2011 (fls. 59). O recurso voluntário foi assinado e protocolado em 27/10/2011 (fls. 60). O termos de perempção foi juntado às (fls. 69). Na peça recursal, o recorrente reitera os argumentos da impugnação, indica precedentes do CARF, alega que formalismo exagerado e suscita a boa fé presumida. Em síntese, é o relato do essencial. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Conforme determinações do Decreto 70.235/1972, a partir da data da notificação da decisão de primeira instância, teria o Recorrente o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação do Recurso Voluntário. Art. 33 – Da decisão caberá recurso voluntário total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Outrossim, o parágrafo único do art. 5º do mesmo Decreto complementa as disposições sobre a forma de contagem desse prazo.: Art. 5 – Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único – Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase que o prazo fatal para a apresentação do Recurso Voluntário fora dia 24/10/2011, uma segundafeira,, tendo o Recorrente se manifestado somente em 27/10/2011, conforme protocolo de fl. 60, que importa na constatação da intempestividade do protocolo da peça recursal. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13768.000511/200867 Acórdão n.º 2802002.280 S2TE02 Fl. 72 3 Não houve préquestionamento sobre a tempestividade. A perempção, caracterizada pela apresentação a destempo da peça recursal pelo contribuinte em decorrência do transcurso de mais de trinta dias entre a data do protocolo do Recurso Voluntário e a cientificação da decisão de primeira instância, impede sua apreciação pelo Colegiado. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904544/2009-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A falta da apresentação de prova, que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação, implica no não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração declarada.
Numero da decisão: 3803-003.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente substituto e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e o suplente José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta da apresentação de prova, que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação, implica no não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração declarada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta da apresentação de prova, que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação, implica no não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente substituto e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e o suplente José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 45 44 /2 00 9- 58 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n° 1528.989, de 18 de novembro de 2011, da Salvador, fls. 25 a 27, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente. A Contribuinte transmitiu a DComp nº 31017.26505.11.01.06.1.7.044215 em que utilizou crédito a título de pagamento a maior da Cofins, período de apuração maio/2004. Despacho Decisório eletrônico da DRF/Passo Fundo não homologou a compensação declarada, em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para esta compensação. Em manifestação de inconformidade, fls. 11/12, a Interessada alegou, em síntese, que efetuou a opção pelo regime não cumulativo e refez a apuração da Cofins Faturamento, referente ao mês de maio/2004, em virtude das disposições da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da Cofins, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei. Após a retificação da apuração do referido mês, o débito que havia sido apurado deixou de existir. E retificou a DCTF do período. Em julgamento da lide a DRJ/Salvador verificou, por meio dos sistemas de controle da Receita Federal, que, de fato, a interessada apresentou diversas DCTFs referentes ao 2º trimestre de 2004, e, em 22/05/2009, transmitiu a última DCTF retificadora excluindo o débito de Cofins de maio/2004, no valor de R$ 76.562,42. Contudo – aduziu só foi apresentada após a transmissão da DComp nº 31017.26505.11.01.06.1.7.044215, e da ciência do despacho decisório, inexistindo o alegado crédito quando da transmissão e análise da DComp em tela. Considerou a alegação carente de comprovação, referindo que deveria ter sido feita à luz dos registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, a permitir a análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria a contribuição devida e comparála ao pagamento efetuado. Apontou que, conforme disposto no art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, da mesma forma como incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, de acordo com o disposto no inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Cientificada da decisão em 23 de dezembro de 2011, irresignado, a Interessada apresentou recurso voluntário em 10 de janeiro de 2012, em que tece os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 41DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11030.904544/200958 Acórdão n.º 3803003.927 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia destes autos diz respeito à falta de comprovação da alegação da Defendente, mediante a apresentação da escrita contábil fiscal, de que procedera a nova apuração da Cofins de maio/2004, dessa feita com base na sua opção pelo regime não cumulativo. Este, o cerne da questão em que se fundou o Colegiado a quo como razão de decidir. No recurso voluntário a Recorrente sustenta o mesmo argumento de sua defesa anterior e aponta para a precipitação da decisão recorrida e equívoco quanto ao contexto probatório, e destaca que o colegiado “tinha plena ciência de que os demais dados para a solução do caso, afora os que foram trazidos aos autos administrativos, estariam registrados em documentos existentes na própria Administração”. Disso decorre a desnecessidade de colacionar outros documentos de comprovação. Não obstante o argumento, afirma que “traz aos autos a documentação referida na decisão recorrida.”. Não é razoável referir que os sistemas de controle da RFB possuem todos os dados relativos aos créditos da Contribuinte, a permitir uma aferição e um ateste automáticos do seu saldo credor da contribuição. Vejo que está corretamente fundamentada a decisão recorrida ao colocar que a Manifestante teria que demonstrar as bases sobre as quais efetuara a apuração da contribuição, no novo regime, sendo este ônus de prova, com efeito, da Contribuinte. Compulsando o anexo do recurso voluntário, constato que a Recorrente não se desincumbe de aderir à peça recursal os documentos que afirma estarem a ele acostados. De rigor, nenhum documento contábil/fiscal acompanhou a peça recursal. Desse modo, é irretocável a decisão de primeira instância, na cabendo a sua reforma. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 42DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 10580.012457/2003-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/1999, 30/09/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002 COFINS. VARIAÇÕES CAMBIAIS. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DÉBITOS COMPENSADOS EM OUTROS PROCESSOS. FALTA DE DECLARAÇÃO EM DCTF. É cabível o lançamento de ofício, previsto no art. 44 da Lei n o 9.430, de 1996, no caso de débitos não declarados em DCTF e objetos de pedidos de compensação, sem efeito de confissão de dívida. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO. EXCLUSÃO. Excluem-se do lançamento os débitos regularmente declarados em DCTF ou que já tenham sido compensados pela autoridade fiscal à vista de pedido do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.134
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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VARIAÇÕES CAMBIAIS. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DÉBITOS COMPENSADOS EM OUTROS PROCESSOS. FALTA DE DECLARAÇÃO EM DCTF. É cabível o lançamento de ofício, previsto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, no caso de débitos não declarados em DCTF e objetos de pedidos de compensação, sem efeito de confissão de dívida. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO. EXCLUSÃO. Excluemse do lançamento os débitos regularmente declarados em DCTF ou que já tenham sido compensados pela autoridade fiscal à vista de pedido do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 2 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência, solicitada na Resolução n. 20100.674, de 2 de março de 2007 (fls. 1474 a 1481), cujo relatório teve o seguinte teor: Tratase de recurso voluntário (fls. 1381 a 1400), apresentado em 21 de agosto de 2006 contra o Acórdão n. 10.545, de 7 de julho de 2006, da DRJ Salvador (fls. 1364 a 1375), que considerou procedente em parte auto de infração da Cofins (fls. 6 a 31), lavrado em 18 de dezembro de 2003, relativamente aos períodos de agosto de 1999 a dezembro de 2002. A ementa do Acórdão foi a seguinte: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins “Período de apuração: 31/08/1999 a 30/09/1999, 31/12/1999 a 31/12/2002 “Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. “Apreciados pela DRF, anteriormente à edição da MP nº 66, de 2002, pedidos de ressarcimento de IPI e de restituição cumulados com compensação, as manifestações de inconformidade e os recursos apresentados contra indeferimento de tais pedidos, ainda que pendentes de apreciação, não impedem a constituição do crédito tributário, por meio de auto de infração, e não suspendem a sua exigibilidade. “VARIAÇÃO CAMBIAL. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. “As variações cambiais ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira compõem a base de cálculo da Cofins, e, se tributadas pelo regime de competência, devem ser reconhecidas Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 3 3 a cada mês, independentemente da efetiva liquidação das operações correspondentes. “Por absoluta falta de amparo legal, não pode a pessoa jurídica excluir da base de cálculo da Cofins as variações cambiais passivas. “BASE DE CÁLCULO. ERRO DE FATO. “Constatado erro de fato na apuração da base de cálculo do lançamento de ofício, cancelase o valor indevidamente tributado. “DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. “Se, em face de expressa determinação legal, só suspende a exigibilidade do crédito tributário o depósito no seu montante integral, sua realização de forma parcial não configura impedimento à exigência do crédito tributário e nem tampouco à aplicação da multa de ofício. “Lançamento Procedente em Parte” Segundo a fiscalização (fls. 21 a 23), a interessada foi intimada a apresentar demonstrativo de apuração da base de cálculo, para efeito de comparação com os valores apurados na ação fiscal. Após intimações e confirmação da interessada de que os valores apurados pela fiscalização seriam corretos, apresentou esclarecimento a respeito das divergências, afirmando haver adotado “o regime de competência para tributação das variações cambiais”. Dessa forma, nos meses em que o movimento das contas ficou devedor, os valores foram desprezados. Esclareceu ainda a fiscalização que a interessada apresentou ação judicial (mandado de segurança 1999.38.00.0225983) contra as alterações da Lei n. 9.718, de 1998, e a majoração da alíquota da Cofins. Entretanto, segundo a fiscalização, a autora da ação, que teria sido proposta conta o Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte, seria a empresa Companhia Paulista de FerroLigas. Ademais, embora a liminar tenha sido concedida, o Tribunal Regional Federal deu provimento à apelação da União. Constatouse, posteriormente, que a ação judicial apresentada foi o mandado de segurança 1999.33.00.0159850 (apelação 2000.01.00.0703737, agravo de instrumento 2000.01.00.0004557). Segundo o acórdão de primeira instância, o depósito efetuado no processo teria sido parcial. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região deu provimento à apelação da União e a interessada apresentou recurso especial ao STJ (RE n. 779.984 BA). Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 4 4 Em 15 de fevereiro de 2006, o processo foi encaminho ao Supremo Tribunal Federal, onde recebeu o número RE 488.499, julgado por despacho em 19 de setembro de 2006, com provimento parcial. Em 10 de outubro de 2006, a interessada apresentou agravo regimental, estando os autos conclusos ao relator. Segundo informação do Diário da Justiça de 5 de outubro de 2006 (Seção 1, P. 93), pesquisada na Internet (http://www.in.gov.br) e abaixo reproduzida, foi dado provimento parcial ao recurso: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 488.4992 (1330) “PROCED. : BAHIA RELATOR :MIN. CARLOS BRITTO RECTE.(S) : RIO DOCE MANGANÊS S/A ADV. (A/S ): PAULA EVARISTO CARLOS REGAL E OUTRO(A/S) “ADV. (A/S): MARCOS JOAQUIM GONÇALVES ALVES RECDO.(A/S) : UNIÃO ADV. (A/S ): PFN VALÉRIA SAQUES DECISÃO: Vistos, etc. “Cuidase de recurso extraordinário, no qual se discute a constitucionalidade da contribuição social para o PIS/PASEP – Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público e a COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. “2. Pois bem, a parte recorrente alega violação ao inciso I do art. 195 da Magna Carta. Daí defender a inconstitucionalidade da exação, tal como disciplinada pela Lei nº 9.718/98. “3. Tenho que o recurso merece acolhida parcial. É que esta excelsa Corte, na Sessão Plenária de 09.11.2005, concluiu a análise do tema aqui discutido (RE 346.084, Relator o Ministro Ilmar Galvão; e REs 357.950, 358.273 e 390.840, Relator o Ministro Marco Aurélio). Ao fazêlo, o Tribunal, por maioria de votos: “a) declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do PIS e da COFINS), para impedir a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70/91; e b) entendeu desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com base no inciso I do art. 195 da Lei das Leis. “Isso posto, e considerando as disposições do § 1ºA do art. 557 do CPC, dou provimento parcial ao recurso apenas para afastar a aplicação do conceito de faturamento definido no § 1o do art. 3o da Lei nº 9.718/98. “Publiquese. “Brasília, 19 de setembro de 2006. Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 5 5 “Ministro CARLOS AYRES BRITTO “Relator” A interessada alegou no recurso que, no entendimento da fiscalização, os seus procedimentos “não estariam amparados por qualquer medida judicial”. Ademais, em face da opção pelo regime de competência, não seria possível “promover o abatimento da base de cálculo, mão tão somente desconsiderá la”. A seguir, resumiu a impugnação e os fundamentos do acórdão e requereu a suspensão do processo administrativo “até que se tenha uma solução definitiva no MS 99/15.9850, onde a exigibilidade dos valores ali questionados está suspensa em face do depósito judicial integral das diferenças relativas ao alargamento da base de cálculo e majoração das alíquotas, e dos pedidos de compensação indicados nestes autos”. Passou a tratar das três matérias relativas ao mérito do recurso. Quanto aos pedidos de compensação, alegou que se refeririam a créditos de ressarcimento de IPI, sendo que os processos estariam “aguardando análise da documentação e manifestação desta DRF”. Acrescentou que o procedimento adotado pela SRF seria o de cobrar os débitos, após a negativa de homologação, de forma que, se mantida a exigência por meio do presente auto de infração, os valores poderiam ser cobrados antes do julgamento definitivo dos pedidos de compensação, o que seria demonstrado pelas intimações para pagamento constantes dos autos. Ademais, a não exclusão dos valores do auto de infração poderia implicar a duplicidade da cobrança. Segundo a impugnação, os processos seriam os seguintes: 10580.019495 / 99 70, 10580.020724 / 99 62, 10580.000258 / 00 12, 10580.001319 / 00 32, 10580.002536 / 00 86, 10580.003530 / 00 35, 10580.004203 / 00 64, 10580.005114 / 00 71, 10580.006001 / 00 11, 10580.006799 / 00 37, 10580.007726 / 00 07, 10580.008617 / 00 07, 10580.009873 / 00 02, 10580.004861 / 2002 15 e 10580.004860 / 2002 62. Quanto aos depósitos judiciais, o acórdão de primeira instância teria considerado equivocadamente que a exclusão das variações cambiais da base de cálculo da contribuição adotada para apurar os valores depositados implicaria a sua não integralidade, em razão de haver a interessada apurado os valores devidos, nos termos da Lei n. 9.718, de 1998, incluindo as receitas financeiras e adotando a alíquota de 3%. Ademais, o fato mais relevante seria a demonstração de que as alterações da Lei n. 9.718, de 1999, foram contestadas judicialmente e, se eventualmente a União fosse vitoriosa na ação, os depósitos poderiam ser convertidos em renda e as Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 6 6 eventuais diferenças poderiam ser exigidas, não causando prejuízo à União a suspensão do processo administrativo até o trânsito em julgado da ação. Quanto à base de cálculo das contribuições, alegou que a interpretação da fiscalização seria equivocada, uma vez que o art. 9º da Lei n. 9.718, de 1999, previu que tanto as variações positivas, como as negativas, devem ser consideradas na apuração das contribuições sociais. Citando Hiromi Higuchi, afirmou que haveria entendimento da SRF, exposto no Parecer Normativo n. 347, de 1970, segundo o qual a opção pelo regime de apuração das receitas decorrentes das variações cambiais seria independente da opção geral da pessoa jurídica. Ademais, a IN SRF n. 73, de 1999, não poderia estender ou restringir a disposição legal e o valor mensal apurado de saldo das variações representaria mera provisão. Ao final, requereu a suspensão do processo até o deslinde da ação judicial e dos processos administrativos que tratam dos pedidos de compensação. Subsidiariamente, requereu o cancelamento da autuação, em face da alegada exigência dos mesmos débitos nos processos de compensação. Também requereu realização de diligência, a fim de verificar a correta apuração dos valores relativos aos períodos de agosto e outubro de 2001 e março e abril de 2002. O voto condutor da resolução foi o seguinte: No tocante à questão da base de cálculo da Cofins, tratase de questão semelhante à apreciada no Acórdão nº 20179.860, uma vez que, embora não tenha havido trânsito em julgado da ação como um todo, ocorreu o trânsito em julgado para a Fazenda Nacional, em face do Despacho do MinistroRelator no RE mencionado no relatório, que lhe deu provimento parcial, para considerar inconstitucional a definição de faturamento dada pela Lei n. 9.718, de 1999. Dessa forma, a questão das variações cambiais ficou superada, devendo a Delegacia de origem, seguindo o disposto no Ato Declaratório Cosit nº 3, de 1996, aplicar a decisão judicial ao caso concreto. Quanto às compensações, a interessada alegou que o presente processo dependeria da solução dos seguintes processos, cuja situação abaixo se reproduz: Processo Situação 10580.019495/9970 Arquivo (GRA BA) 10580.020724/9962 2º CC: NPQ Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 7 7 10580.000258/0012 Arquivo (GRA BA) 10580.001319/0032 2º Conselho: NPQ 10580.002536/0086 DRJ Recife / PE 10580.003530/0035 2º CC: NPQ; CSRF: NPU 10580.004203/0064 2º CC: NPQ; CSRF: NPU 10580.005114/0071 2º CC: NPQ; CSRF: NPU 10580.006001/0011 2º CC: NPQ; CSRF: NPU 10580.006799/0037 2º CC: NPQ; CSRF: NPU 10580.007726/0007 2º CC: NPQ; CSRF: NPU 10580.008617/0007 2º CC: NPQ; CSRF: NPU 10580.009873/0002 2º CC: NPQ; CSRF: com relator 10580.004861/200215 Sorat / DRF / Salvador 10580.004860/200262 Sorat / DRF / Salvador Os dois últimos processos referemse a compensação com créditos de IRPJ, apresentados em 2002 e, aparentemente, ainda aguardando apreciação na DRF / Salvador. Os demais referemse a ressarcimento de IPI, sendo que o único processo que ainda não foi apreciado pelo 2º Conselho de Contribuintes é o 10580.002536/0086, que se encontra na DRJ em Recife. Conforme tem decidido reiteradamente a 1ª Câmara, o destino do auto de infração depende do destino dos processos relativos ao direito creditório e compensação. No caso, os três processos acima mencionados ainda não têm solução alguma no âmbito da 1ª instância. Dessa forma, voto por converter o julgamento em diligência, para que a seção competente da Delegacia de origem tome as seguintes providências: Verifique de quais processos efetivamente, daqueles enumerados na tabela acima, resultou a parcela do auto de infração que derivou de compensação indevida ou maior e, se for o caso, indique se há outros processos além dos relacionados acima. Informe a situação de cada um deles, especificamente se houve decisões administrativas definitivas e seu resultado, se houve apresentação de recurso especial etc. Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 8 8 No tocante aos três processos que não foram ainda apreciados pela primeira instância, confirme a situação do item 1 e as razões do indeferimento do pedido da interessada. Caso o presente processo independa deles, encaminheo ao 2º Conselho de Contribuintes para continuidade do julgamento. Caso contrário, o presente processo deverá aguardar o encaminhamento de todos os três processos ao 2º Conselho de Contribuintes, após eventual apresentação de recurso voluntário pela interessada, devendo os processos serem encaminhados conjuntamente, informandose, naqueles, que deverão ser distribuídos a 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, para julgamento conjunto. Caso não haja apresentação de recurso, da mesma forma o presente processo deverá aguardar para que nele se informe tal situação. A Delegacia local juntou aos autos os documentos de fls. 1484 a 1565 (basicamente extratos dos sistemas DCTF e Comprot) e elaborou o relatório de fls. 1565 a 1569, do seguinte teor: Em atendimento à Resolução n° 20100.674, da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, às fls. 1475/1482, que converteu o julgamento em diligência, seguem informações obtidas a partir do exame dos processos listados na tabela de fls. 1480/1481 e/ou disponibilizadas nos sistemas RFB e demais informações pertinentes. Processo n° 10580.019495/9970 Há débito de Cofins, no valor de RS 98.621,52, PA: 08/1999, vcto: 15/09/1999. Débito fora compensado parcialmente em virtude de manifestação de inconformidade procedente em parte, por decisão da DRJ SDR/BA. Não houve recurso posterior e a diferença foi paga pelo contribuinte (fls. 1537/1540). Processo n° 10580.020724/9962 As informações disponíveis para este processo foram localizadas nos sistemas RFB. Há débito de Cofins, no valor de RS 89.790,41; PA: 09/1999; vcto: 15/10/1999. Este débito está declarado cm DCTF (fl. 1486) e cadastrado no sistema de controle PROFISC. De acordo com informações deste sistema de controle, às fls. 1541/1543, a cobrança do débito foi mantida, após movimentação ao Conselho. Tendo em vista que o débito está declarado em DCTF, a cobrança poderá ser efetuada por meio do próprio processo n° 10580.020724/9962. Processo n° 10580.000258/0012 Há débito de Cofins, no valor de RS 99.170,31, PA: 12/1999, vcto: 14/01/2000. Débito fora compensado integralmente em virtude manifestação de inconformidade julgada totalmente procedente (fls.1544/1546). Processo n° 10580.003530/0035 Consta um pedido de compensação de Cofins, no valor de R$ 111.373,53, PA: 03/2000, vcto: 15/04/00. O pedido foi indeferido administrativamente, inclusive com recurso especial negado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Segunda Turma). O Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 9 9 interessado apresentou Embargos de Declaração, ainda não apreciado. O débito não foi declarado em DCTF e não está cadastrado no sistema de cobrança PROFISC (fls. 1493 e 1552). Portanto, sua cobrança dependerá da constituição do lançamento, efetuada pela Fiscalização, na hipótese de indeferimento administrativo em todas as instâncias. Processo n° 10580.004203/0064 Consta um pedido de compensação de Cofins, no valor de R$ 142.855,92, PA: 04/2000, vcto: 15/05/00. O pedido foi indeferido administrativamente, inclusive com recurso especial negado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Segunda Turma). O interessado apresentou Embargos de Declaração, ainda não apreciado. O débito não foi declarado em DCTF e não está cadastrado no sistema de cobrança PROFISC (fls. 1496 e 1553). Portanto, sua cobrança dependerá da constituição do lançamento, efetuada pela Fiscalização, na hipótese de indeferimento administrativo em todas as instâncias. Processo n° 10580.005114/0071 Consta um pedido de compensação de Cofins, no valor de RS 143.163,49, PA: 05/2000, vcto: 15/06/00. O pedido foi indeferido administrativamente, inclusive com recurso especial negado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Segunda Turma). O débito não foi declarado em DCTF, consta no sistema de cobrança PROFISC (fls. 1496 e 1554) e não está extinto por pagamento. Considerando a ausência da declaração em DCTF, a cobrança deverá prosseguir por meio da constituição do lançamento efetuada pela Fiscalização. Processo n° 10580.006001/0011 Consta um pedido de compensação de Cofins, no valor de RS 167.215,08 PA: 06/2000, vcto: 15/07/2000. O pedido foi indeferido em todas as instâncias administrativas, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais. O débito não foi declarado em DCTF e não está cadastrado no sistema de cobrança PROFISC (fls. 1496. 1497 e 1555). Portanto, sua cobrança dependerá da constituição do lançamento, efetuada pela Fiscalização. Processo nº 10580.006799/0037 Consta um pedido de compensação de Cofins, no valor de RS 106.726,37, PA: 07/2000, vcto: 15/08/2000. O pedido foi indeferido em todas as instâncias administrativas, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais. O débito não foi declarado em DCTF e não está cadastrado no sistema de cobrança PROFISC (fls. 1499, 1500 e 1556). Portanto, sua cobrança dependerá da constituição do lançamento, efetuada pela Fiscalização. Processo nº 10580.007726/0007 Consta um pedido de compensação de Cofins, no valor de RS 127.165,46, PA: 08/2000, veto: 15/09/2000. O pedido foi indeferido em todas as instâncias administrativas, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais. O débito não foi declarado em DCTF e não está cadastrado no sistema de cobrança PROFISC (fls. 1499 e 1557). Portanto, sua cobrança dependerá da constituição do lançamento, efetuada pela Fiscalização. Processo n° 10580.008617/0007 Consta um pedido de compensação de Cofins, no valor de RS 103.396,32, PA: 09/2000, vcto: 15/10/2000. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 10 10 O pedido foi indeferido em todas as instâncias administrativas, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais. O débito não foi declarado em DCTF e não está cadastrado no sistema de cobrança PROFISC (fls. 1499 e 1558). Portanto, sua cobrança dependerá da constituição do lançamento, efetuada pela Fiscalização. Processo n° 10580.009873/0002. Não foi possível coletar informações, pois este processo permanece na Câmara Superior de Recursos Fiscais DF e não consta cadastramento no sistema de controle PROFISC, nem no SIEF (fls. 1559 e 1560). Processo n° 10580.004861/200215. Este processo está cadastrado para outro nº de CNPJ: 57.487.142/000142 (fl. 1561) e foi arquivado devido à duplicidade de cobrança com outro processo. Há um pedido de compensação de um débito de Cofins; CNPJ: 15.144.306/000199: valor de RS 201.104,79; PA: 04/2002; vcto: 15/05/2002, posteriormente retificado para um débito de mesmo código, mesmo PA e mesmo vencimento, de responsabilidade do CNPJ n° 57.487.142/000142; valor R$ 206.662,98. Este último débito foi excluído do sistema de cobrança, por duplicidade e está sendo controlado por meio do processo de n° 10580.005271/200111. Processo n° 10580.004860/200262. Não foi possível coletar informações, pois este processo já foi encaminhado para o Segundo Conselho de Contribuintes DF. em 02/10/2008 (fl. 1562). Para verificar se há mais processos, além daqueles relacionados na tabela de fls. 1480/1481, primeiramente, verificouse todas as DCTF ativas desde o 3o trimestre/1999 até o 4o trimestre/2002 (fls. 1484/1536), com o objetivo de conferir se havia outros números de processos vinculados a débitos de Cofins, mas não se localizou qualquer número novo. Em seguida, foi efetuada uma pesquisa no sistema COMPROT para identificação de demais processos que tivessem como assunto "Ressarcimento de IPI" ou "Compensação de Crédito Tributário". A partir desta identificação, buscouse confirmar se havia débitos vinculados e se estes débitos correspondiam aos períodos de apuração indicados no Auto de Infração de fls. 07/18, do processo em epígrafe. Desta pesquisa, foi localizado outro processo, o de n° 10580.012032/200206 (fl. 1563), que está cadastrado no sistema PROFISC, vinculado ao débito de código 2172; PA: 10/2002; vcto: 14/11/02 e valor R$ 226.769,09. Não dispomos de outras informações, pois o citado processo foi encaminhado do Segundo Conselho de Contribuintes DF para a Primeira Câmara 2 CC DF, em 29/01/2009, conforme consulta de fl. 1564. Ressalto que este débito não foi declarado em DCTF (fl. 1535) e que sua cobrança dependerá da constituição do lançamento, efetuada pela Fiscalização, na hipótese de indeferimento administrativo em todas as instâncias. Em 17 de fevereiro de 2010 (fl. 1571), foi verificado que a Interessada não foi intimada do resultado da diligência, determinandose o retorno dos autos à DRF / Salvador para ciência da Interessada e apresentação de resposta. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 11 11 Entretanto, a Interessada apresentou, antes de tomar ciência da diligência, o pedido de fls. 1575 e seguintes, para “excluir” o débito da Cofins de maio de 2000, à vista do seu recolhimento. Logo em seguida, apresentou novo pedido (fls. 1630 a 1646 do eProcesso), alegando ter verificado a baixa do processo para diligência, sem ser intimada, e requereu a exclusão dos débitos compensados, conforme tabela apresentada. Na ocasião, apresentou cópias de documentos relativos aos processos administrativos envolvidos nas compensações. Na fl. 1749 do eProcesso, esclareceuse que a Interessada não apresentou resposta à intimação do resultado da diligência e que foram juntados aos autos dois requerimentos da Interessada apresentados anteriormente à intimação. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No tocante à questão da base de cálculo da Cofins, repitase o que foi considerado na resolução, pois se trata de questão semelhante à apreciada no Acórdão nº 201 79.860, uma vez que, embora não tenha havido trânsito em julgado da ação como um todo, ocorreu o trânsito em julgado para a Fazenda Nacional, em face do despacho do Ministro Relator no RE mencionado no relatório, que lhe deu provimento parcial, para considerar inconstitucional a definição de faturamento dada pela Lei n. 9.718, de 1999. Dessa forma, a questão das variações cambiais ficou superada, devendo a Delegacia de origem, seguindo o disposto no Ato Declaratório Cosit nº 3, de 1996, aplicar a decisão judicial ao caso concreto. Aplicase ao caso a Súmula Carf no 1: Súmula CARF no 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quanto à diligência, a tabela abaixo demonstra a apuração dos débitos controlados em cada processo, mais o último, que foi identificado pela Fiscalização: Processo PA Valor Sit. apurada 10580.019495/9970 08/1999 98.621,52 Compensado e pago 10580.020724/9962 09/1999 89.790,41 Débito declarado 10580.000258/0012 12/1999 99.170,31 Compensado 10580.001319/0032 01/2000 97.627,68 Valor não comp. quitado 10580.002536/0086 02/2000 85.093,32 Pedido de compensação 10580.003530/0035 03/2000 111.373,53 EDcl na CSRF Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 12 12 10580.004203/0064 04/2000 142.855,92 EDcl na CSRF 10580.005114/0071 05/2000 143.163,49 Pedido de compensação 10580.006001/0011 06/2000 167.215,08 Indeferido pela CSRF 10580.006799/0037 07/2000 106.726,37 Indeferido pela CSRF 10580.007726/0007 08/2000 127.165,46 Indeferido pela CSRF 10580.008617/0007 09/2000 103.396,32 Indeferido pela CSRF 10580.009873/0002 CSRF 10580.004861/200215 Outro CNPJ 10580.004860/200262 2º Conselho 10580.012032/200206 10/2002 226.769,09 2º Conselho Em relação a cada processo, a Interessada esclareceu o seguinte: Processo Situação Valor 10580.019495/9970 Julgado improcedente Pago R$ 90.249,00 10580.020724/9962 Incluído no Refis IV Parcelado R$ 89.790,41 10580.000258/0012 Julgado procedente Compensado R$ 99.170,31 10580.001319/0032 Julgado improcedente Pago R$ 103.470,73 10580.002536/0086 Incluído no Refis IV Parcelado R$ 85.093,32 10580.003530/0035 Aguardando CSRF Suspenso R$ 111.373,54 10580.004203/0064 Aguardando Carf Suspenso R$ 142.855,93 10580.005114/0071 Julgado improcedente Inscrito R$ 143.163,49 10580.006001/0011 Julgado improcedente Pago R$ 167.215,08 10580.006799/0037 Aguardando CSRF Suspenso R$ 160.089,56 10580.007726/0007 Aguardando EDl CSRF Suspenso R$ 190.748,19 10580.008617/0007 Julgado improcedente Pago 155.094,47 10580.009873/0002 Aguardando CSRF Suspenso R$ 145.839,15 10580.004861/200215 x x 10580.004860/200262 Aguardando Carf Suspenso R$ 601.344,39 10580.012032/200206 Aguardando Carf Suspenso R$ 226.769,09 Quanto aos dois primeiros processos, não houve exclusão alguma dos valores compensados no lançamento efetuado pela Fiscalização. O primeiro teve a compensação deferida, de forma que seu valor deve ser excluído à vista da extinção por compensação. O segundo processo referiuse a valor declarado em DCTF, que não foi excluído do demonstrativo efetuado pela Fiscalização. Como informou a Fiscalização, “Tendo em vista que o débito está declarado em DCTF, a cobrança poderá ser efetuada por meio do próprio processo n° 10580.020724/9962.”, independentemente do fato de já haver sido pago (a alocação do pagamento deve ter sido ou deverá ser efetuada ao débito declarado). Já em relação ao terceiro processo, o valor foi expressamente excluído pela Fiscalização no demonstrativo relativo ao período de dezembro de 1999 e, portanto, não houve lançamento ou cobrança em duplicidade. Em relação aos processos acima mencionados que se referem aos períodos de março a setembro de 2000, não houve declaração em DCTF, tendo a Fiscalização efetuado o lançamento pelo valor integral corretamente. Todos os recursos apresentados pela empresa ao 2º Conselho de Contribuintes e à CSRF foram negados, tendo sido apresentados embargos de declaração em relação a algum dos processos. Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.012457/200398 Acórdão n.º 330201.134 S3C3T2 Fl. 13 13 Entretanto, ainda assim o lançamento deve ser mantido, sendo que, na improvável hipótese de haver modificação dos julgamentos à vista dos embargos por se tratar de matéria sumulada (crédito presumido sobre energia elétrica), obviamente a compensação deverá ser realizada e os valores excluídos pela delegacia de origem. Em relação ao processo 10580.009873/0002, o fato de a Fiscalização não ter encontrado as informações no sistema demonstra que não houve declaração do débito em DCTF. Ademais, no Ac. CSRF/0202.782, a CSRF negou provimento ao recurso da Interessada, de forma que, independentemente do período de compensação, caberia o lançamento. Semelhante raciocínio aplicase ao processo 10580.004860/200262. O processo de n. 10580.004861/200215 referiuse a débito de outro CNPJ, controlado em outro processo e, portanto, não tem influência sobre o auto de infração. Já em relação ao processo n. 10580.012032/200206, o débito não foi declarado em DCTF, cabendo o lançamento, mas ficando sujeito ao eventual destino do processo de compensação. No tocante aos parcelamentos, a DRF deve atentar para o fato, evitando a duplicidade da cobrança. Em regra, o procedimento padrão é verificar se os débitos já foram incluídos no parcelamento e, nesse caso, deverá ser efetuada nova consolidação. Em relação aos débitos não declarados em DCTF, o lançamento é cabível com multa de ofício, nos termos do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, uma vez que não se trata da hipótese do art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, situação em que a multa de ofício poderia ser excluída por aplicação retroativa da Lei no 10.833, de 2003, art. 18. Acrescentese que a declaração de compensação somente passou a ter efeito de confissão de dívida com a Lei no 10.833, de 2003. Assim, os pedidos de compensação anteriormente apresentados, ainda que convertidos em declaração de compensação, não tem esse efeito, razão pela qual caberia o lançamento. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir do auto de infração os valores controlados pelos processos 10580.019495/9970 e 10580.020724/9962 (períodos de agosto e setembro de 1999). (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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