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Numero do processo: 10469.721635/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da intimação da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Protocolizada a peça recursal em prazo superior àquele normativamente estabelecido, resta, portanto, prejudicado o seu conhecimento, em estrito respeito às normas do devido processo legal.
Numero da decisão: 1301-001.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER DO RECURSO por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 INTEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da intimação da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Protocolizada a peça recursal em prazo superior àquele normativamente estabelecido, resta, portanto, prejudicado o seu conhecimento, em estrito respeito às normas do devido processo legal.
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O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da intimação da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Protocolizada a peça recursal em prazo superior àquele normativamente estabelecido, resta, portanto, prejudicado o seu conhecimento, em estrito respeito às normas do devido processo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER DO RECURSO por intempestividade. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 16 35 /2 01 0- 81 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Relatório Tratam os presentes autos de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra a decisão exarada nos autos pela 4a Turma da DRJ/REC, julgando completamente improcedente a impugnação apresentada e mantendo, em sua integralidade, o auto de infração lavrado, em acórdão cuja ementa é então a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. OBRIGAÇÃO DECORRENTE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DA EXONERAÇÃO DA PENALIDADE PELO FATO DE O CONTRIBUINTE ATENDER AS INTIMAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO. A aplicação da multa de ofício nos percentuais de 75% (ou 150% nas hipóteses de sonegação, fraude ou conluio) sobre os tributos lançados é uma obrigação ex lege, decorrente de lei, sempre que a fiscalização apure diferença de imposto ou contribuição em procedimento de ofício, não descaracterizando tal cominação o fato de o contribuinte apresentar os documentos exigidos pela fiscalização ou não ter criado qualquer embaraço ao procedimento fiscal. Na verdade, caso o contribuinte não atenda as intimações da fiscalização, terá os percentuais transcritos aumentados pela metade. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Intimada a contribuinte por meio de AR no dia 03/06/2013 (Segundafeira), por ela foi então interposto o seu correspondente Recurso Voluntário (protocolo no dia 04/07/2013 – Quintafeira), pretendendo a desconstituição do julgado. Na essência, é o relatório. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10469.721635/201081 Acórdão n.º 1301001.425 S1C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Pretendendo ver a reforma da decisão de primeira instância administrativa, propôs a contribuinte o presente recurso voluntário contra a r. decisão de primeira instância proferida pela 4a Turma da DRJ/REC, cuja ciência ocorrera no dia 03/06/3013 (Segundafeira). A par das considerações por ela apresentadas, relevante observar, antes mesmo de quaisquer considerações, que em respeito ao devido processo legal, a interposição do recurso voluntário pelos contribuintes deve observar as estreitas disposições contidas na específica legislação de regência, sobretudo naquilo que apontado pelo Decreto 70.235/72, que, a respeito do prazo para a interposição de recurso voluntário no campo do Processo Administrativo Fiscal Federal, assim então especificamente estabelece: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ora. Considerando que a intimação da contribuinte a respeito dos termos da decisão de primeira instância proferida pela douta DRJ ocorrera no dia 03/06/2013 (Segunda feira), intempestiva é a interposição do Recurso Voluntário no dia 04/07/2013 (Quintafeira), não merecendo, por isso, conhecimento por este douto Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em face dessas sumárias considerações, encaminho o meu voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO, tendo em vista a sua clara intempestividade. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.935075/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo.
No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 50 75 /2 00 9- 00 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935075/200900 Acórdão n.º 1102001.064 S1C1T2 Fl. 151 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarouse impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos de IRPJ de agosto e setembro de 2005, acrescidos de juros e multa, com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2005 no valor de R$ 1.204.753,05, por meio do PER/DCOMP de fls. 46 a 50, enviado em 2/8/2007. O despacho decisório eletrônico de fl. 32, emitido em 7/10/2009, não homologou a compensação alegando “improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A decisão se fundamentou nos arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ( CTN), no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935075/200900 Acórdão n.º 1102001.064 S1C1T2 Fl. 152 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 10), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 78 a 79): 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 Informa que apurou o IRPJEstimativa Mensal no mês de janeiro/2005 no montante de R$ 28.296.567,43, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do IRPJ (estimativa mensal) para o período, “apurando uma nova estimativa de IRPJ no valor R$27.400.773,65”, que “acabou por gerar o recolhimento indevido de parte do montante anteriormente recolhido no valor de R$1.204.753,05”.(grifo e negrito do original) 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei nº 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que “a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5 Em outra linha argumentativa, o manifestante “requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN”. Destaca ainda que “na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935075/200900 Acórdão n.º 1102001.064 S1C1T2 Fl. 153 4 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 76 a 90): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de nulidade do despacho decisório por não se verificar hipótese prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), pois a decisão foi prolatada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e o contribuinte tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente; b) as estimativas de IRPJ e de CSLL se constituem em meras antecipações de um tributo que somente será apurado no final do anocalendário. Assim sendo, qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do tributo e traduzse no saldo negativo de IRPJ ou CSLL; c) as estimativas são apuradas, regra geral, pela aplicação de determinado percentual (variável em função da origem da receita auferida) sobre a receita bruta, mas podem ser reduzidas ou suspensas com o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935075/200900 Acórdão n.º 1102001.064 S1C1T2 Fl. 154 5 Contudo, essa apuração deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da IN SRF nº 93, de 1997); d) no caso, na data do vencimento da estimativa mensal, o contribuinte em questão apurou uma quantia a pagar, sendo esse o valor devido. Se, ao alterar o Balanço/Balancete do mês, o sujeito passivo encontrou um valor menor que o já efetivamente recolhido, a diferença somente poderia ser deduzida do tributo apurado quando do levantamento de balanços/balancetes em períodos posteriores (como tributo já antecipado) ou quando da apuração definitiva do tributo devido, no final do período, compondo o saldo negativo (art. 10 da IN SRF nº 93, de 1997); e) nos termos do art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer se expressamente autorizada por lei, e mediante condições e garantias expressamente estipuladas, na hipótese inequívoca de créditos líquidos e certos. O dispositivo legal que autoriza a compensação tributária reportase à Lei nº 9.430, de 1996, que só permite a restituição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL; f) a compensação de estimativas era expressamente proibida pelo art. 10 da IN SRF nº 460, de 2004, e pelo art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. A alteração do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, ao excluir a expressão “efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal”, não revogou a proibição, que decorre da própria lei, mas apenas passou a cuidar da hipótese de retenção indevida ou a maior; g) a jurisprudência administrativa favorável à tese da defesa tem eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas; h) inexiste previsão legal para preservar o direito à restituição, caso o contribuinte não tenha sucesso na compensação pleiteada neste processo; i) o direito de contestação na esfera judicial é garantido pela Constituição Federal. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 7/5/2010 (fl. 95), o contribuinte apresentou, em 7/6/2010, o recurso voluntário de fls. 98 a 118, onde afirma que: a) a decisão recorrida é nula porque (i) confundiu, em sua ementa, a data de pagamento do tributo a maior (29/12/2005) com o período de apuração (31/01/2005); (ii) rejeitou a nulidade do despacho decisório, matéria inexistente na impugnação; (iii) desconsiderou as provas dos autos, e, após tecer considerações acerca da compensação, imprimiu ao pagamento indevido a pecha de “mera antecipação de pagamento”, sem possibilitar ao contribuinte o aproveitamento de créditos para o adimplemento de outros tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil; b) nos arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não há qualquer restrição à compensação de estimativas, que só existe no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Contudo, essa indevida restrição foi revogada pela Instrução Normativa n° 900, de 2008, que demonstra a mudança de entendimento da própria RFB com relação ao tema; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935075/200900 Acórdão n.º 1102001.064 S1C1T2 Fl. 155 6 c) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução para apurar o IRPJ deve ser efetuado até a data de vencimento do imposto, pois o contribuinte pode fazer os ajustes na sua apuração mesmo após o encerramento do exercício do IRPJ, desde que dentro do prazo legal; d) caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação, alternativamente, requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e o presente recurso, tempestivamente apresentados, são provas da interrupção da prescrição e do cumprimento do prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN; e) caso seu direito não seja reconhecido, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do CTN. Ao final, requer a anulação da decisão recorrida ou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação da compensação. Em 7/5/2013, o contribuinte apresentou o documento de fls. 146 a 147, onde destaca que a matéria do recurso é objeto da Súmula CARF nº 84. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em novembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 149. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2005, por não se admitir a restituição de estimativa, que só poderia compor o saldo negativo do final do anocalendário. Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 29/12/2005, enquanto o correto é 31/1/2005; (ii) o acórdão rejeitou a nulidade do despacho decisório, matéria inexistente na impugnação; (iii) o julgado desconsiderou as provas dos autos, e, após tecer considerações acerca da compensação, imprimiu ao pagamento indevido a pecha de “mera antecipação de pagamento”, sem possibilitar ao contribuinte o aproveitamento de créditos para o adimplemento de outros tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935075/200900 Acórdão n.º 1102001.064 S1C1T2 Fl. 156 7 De fato, na ementa da decisão recorrida, consta, como data do fato gerador, a data em que foi efetuado o pagamento indevido (29/12/2005 – DARF fl. 36), quando o correto seria 31/1/2005, por se tratar da estimativa de janeiro de 2005. Contudo, o restante da decisão descreve corretamente qual o crédito em discussão, tratandose de simples erro na confecção da ementa. Já a discussão sobre a nulidade do despacho decisório, apesar de desnecessária, não traz qualquer prejuízo à defesa. Assim, apesar das incorreções apontadas existirem, elas não trazem qualquer nulidade à decisão recorrida, tratandose de simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos que, se necessário, poderiam ser sanadas de ofício pela autoridade competente. Contudo, nem mesmo essa providência é necessária, pois o conjunto do julgado deixa claro qual é o período a qual se refere o direito creditório, não existindo qualquer prejuízo para o sujeito passivo, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Finalmente, a suposta nulidade indicada no item “iii” decorre do próprio entendimento da autoridade julgadora de que estimativas não podem ser restituídas, e compõe o mérito da lide. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. No mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese da defesa, entendendo ser possível a restituição de estimativas pagas a maior, deixando vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência. Já a tese de que a vedação à restituição das estimativas decorria da própria Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não é nem mesmo admitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, entendeu que art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admitiu a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e era preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O item 10.3 da Solução de Consulta é taxativo ao afirmar que a Lei nº 9.430, de 1996, se refere apenas às estimativas recolhidas de acordo com a legislação. Transcrevo: 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. O mesmo ato normativo sepulta o argumento de que a constatação do erro no cálculo da estimativa somente poderia se dar até a data de vencimento do imposto, afirmando Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935075/200900 Acórdão n.º 1102001.064 S1C1T2 Fl. 157 8 que isso pode ocorrer mesmo após o encerramento do ano calendário, como demonstra o trecho abaixo transcrito: 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, a simples alteração de interpretação da Administração Tributária já obrigaria o provimento do recurso, pois não é razoável entender que o sujeito passivo possa receber menos, em sede de recurso administrativo, do que aquilo que a própria autoridade fiscal já reconhece para os demais contribuintes, dado que as soluções de consulta da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) têm efeito vinculante no âmbito da RFB, sendo que o ordenamento veda esse comportamento contraditório (venire contra factum proprium). Contudo, desde a publicação da Súmula CARF nº 84, que fixou que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de janeiro de 2005, se o valor pago a maior não foi apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935075/200900 Acórdão n.º 1102001.064 S1C1T2 Fl. 158 9 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
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Numero do processo: 10980.720828/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.076
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM
sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 13/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Relatório e Voto Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 4ª Turma da DRJ Curitiba que declarou como matéria não impugnada a glosa de dependentes e a omissão de rendimentos no valor de R$802,64 recebidos do INSS, julgando procedente em parte a impugnação para admitir a exclusão dos rendimentos tributáveis o valor pago por serviços de cálculos necessários ao recebimento de ação judicial (R$4.585,25), restabelecendo dedução de despesas médicas no valor de R$4.258,88 e de despesas com instrução pagas em Guarany paraguaio (4.135.000,00) que convertidos pelos índices de conversão fornecidos pelo Banco Central do Brasil somaram R$1.636,16. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.720828/200819 Resolução n.º 2802000.076 S2TE02 Fl. 100 2 Ciência da decisão em 17/03/2010. Recurso voluntário apresentado em 16/04/2010 com os seguintes argumentos, em resumo: 1. o rendimento recebido da Caixa Econômica Federal é proveniente de ação judicial de revisão de proventos de aposentadoria que devem ser tributados mês a mês e não sobre o montante acumulado, consoante julgados do Superior Tribunal de Justiça que especifica (REsp 783724/RS, Resp 852.333/RS e Ag. Reg REgp 1069718/MG; 2. os rendimentos foram recebidos acumuladamente por culpa exclusiva do INSS; e 3. a conversão das despesas de instrução realizadas em guarani paraguaios devem ser convertidas pelo valor de compra da moeda estrangeira no mercado paralelo” e não pelo índice oficial do Banco Central do Brasil, com o que se privilegia a realidade fática. O presente processo foi distribuído para julgamento de recurso voluntário em que uma das matérias a ser decidida é a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (p. ex: fundamentação do acórdão recorrido fls. 71 e argumentação recursal de fls. 84/85), in casu são valores recebidos em ação judicial. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.720828/200819 Resolução n.º 2802000.076 S2TE02 Fl. 101 3 da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10183.720150/2011-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
ILEGITIMIDADE PASSIVA
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado
Numero da decisão: 2202-002.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Jimir Doniak Junior que acolhiam a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento do recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 01 50 /2 01 1- 57 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Jimir Doniak Junior que acolhiam a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento do recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720150/201157 Acórdão n.º 2202002.682 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, ALTAIR BATISTA VIEIRA, O presente processo trata do auto de infração de fls.03 a 08, lavrado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil Gleice Márcia Guerrize, por meio do qual foi lançado o crédito tributário relativo a Imposto de Renda de Pessoa Física exercício 31/12/2007, o crédito tributário apurado foi de R$2.255.149,93 O Auto de Infração originouse da verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, em atenção ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 01.3.01.00 2010000893, em que se apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no valor de R$ 4.055.259,21. Na descrição dos fatos de fls.05 a 07, a autoridade fiscal consignou o seguinte: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos; do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. O Mandado de Procedimento Fiscal foi autorizado para que fosse feita análise da movimentação financeira do contribuinte no ano de 2007, incompatível com os rendimentos declarados. A ação fiscal teve início no dia 16.04.2010, com a ciência do contribuinte ao Termo de Início de Fiscalização, datado de 13.04.2010, através do qual foi intimado a prestar esclarecimentos acerca da sua movimentação financeira, incompatível com os rendimentos declarados, e a apresentar os extratos bancários das contas movimentadas, em conjunto ou isoladamente, no ano de 2007. No dia 07.05.2010 o contribuinte se manifestou, por meio do procurador Paulo Sérgio Costa, solicitando dilação de prazo para prestar os esclarecimentos e as informações requeridas no Termo de Início de Fiscalização. No dia 01.06.2010 requereu mais 15 dias de prazo para o atendimento das solicitações exigidas no Termo de Início. O contribuinte foi cientificado de que a prorrogação seria concedida em relação ao prazo para prestar esclarecimentos sobre a movimentação financeira, porém os extratos bancários necessários a análise seriam solicitados diretamente às instituições financeiras. Sendo assim, nessa mesma data foram expedidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira de n° 0130100 2010000265, direcionada ao Banco Bradesco S/A, n° 0130100 2010000273, endereçada ao Banco do Brasil S/A, e de n°0130100201000028l, endereçada ao HSBC Bank Brasil S/A. No dia 01.07.2010 o contribuinte protocolou um documento que denominou Notas Explicativas, no qual informa que possui três Fl. 383DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 contas bancárias e que é empresário proprietário da empresa A B Vieira Representações Ltda, com o nome fantasia de Verdurão Comércio de Hortifrutigranjeiros, que tem como ramo de atividade o comércio de hortifrutigranjeiros e, como a empresa possui conta na mesma agência, as operações financeiras do contribuinte se confundem e interligam entre a pessoa física e a pessoa jurídica, ocorrendo em algumas transações a clareza de que as operações realizadas na sua pessoa física são oriundas de sua atividade jurídica. Na oportunidade, entregou os extratos bancários em papel do Bradesco e do HSBC (duas contas). Apresentou, ainda, um demonstrativo e alguns contratos de operações de créditos no ano de 2007 e trouxe algumas. notas fiscais de produtor rural juntamente com uma relação das receitas com venda de gado. Todavia, não procurou relacionar as Notas Fiscais entregues com os respectivos depósitos/créditos que pretendia comprovar. De posse dos extratos encaminhados pelo Bradesco e Banco do Brasil, procedemos a analise da movimentação financeira, em conformidade com o que determina o art. 42 da Lei 9.430/96, excluindo as transferências entre contas da mesma titularidade, os estornos e devoluções, os empréstimos bancários e as baixas de aplicações, que foram possíveis identificar através dos extratos bancários. Também foi feito um corte de valores inferiores a R$ 1.000,00. No dia 30.08.2010 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 001 (com AR em 06.09.2010) intimando o contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias no ano de 2007. A intimação deixava claro que a comprovação deveria ser feita de forma individualizada, para cada depósito/crédito listado, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Os valores a comprovar foram listados em relação que seguiu anexa ao Termo de Intimação Fiscal. O contribuinte pediu prorrogação de prazo para apresentar os elementos solicitados. Esgotado o prazo requerido sem que o contribuinte tenha entregue os comprovantes solicitados, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal datado de 29.10.2010, com recebimento em 11.11.2010. Até a lavratura deste Auto de Infração o contribuinte não apresentou os comprovantes necessários. A Lei 9.430/1996, em seu Art. 42, determina que caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O contribuinte, no curso da fiscalização, foi intimado e reintimado a comprovar a origem dos valores creditados/depositados nas contas mantidas em instituições financeiras no ano de 2007. Os valores foram relacionados de forma individualizada para que o fiscalizado identificasse, para cada depósito, a origem dos recursos. No curso do procedimento fiscal, o fiscalizado limitouse a alegar que a sua movimentação financeira provinha da atividade de produtor rural e que muitas vezes se confundia com a movimentação bancária de sua empresa. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720150/201157 Acórdão n.º 2202002.682 S2C2T2 Fl. 4 5 Apesar de estar ciente de que a origem dos recursos deveria ser comprovada de forma individualizada, com a apresentação de documentação hábil e idônea, o contribuinte não trouxe documentos capazes de comprovar suas alegações. Dessa forma, o montante de créditos não comprovados foi lançado como omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, conforme preceitua o Art. 42 da Lei 9.430/1996. A relação dos valores não comprovados consta do anexo intitulado "DEMONSTRATIVO DE DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA", que é parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. Do total de créditos não comprovados foram excluídos os cheques devolvidos lançados a débito nas contas do contribuinte, conforme relacionado no anexo "DEMONSTRATIVO DE ;DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA". Cientificado do Auto de Infração por via postal em 18/01/2011, o contribuinte apresentou, em 16/02/2011, a impugnação de fls. 304 a 311, expondo os argumentos de sua defesa, a seguir enumerados. ∙ preliminarmente, que a autoridade fiscal não consignou no auto de infração qual dispositivo legal permitiria o acesso a seu sigilo bancário, o que lhe impede de exercer seu direito de defesa; ∙ que os depósitos em sua conta bancária decorrem da atividade rural da pessoa jurídica A. B. Vieira Representações Ltda, CNPJ 04.931.740/000100, da qual é sócio, motivo pelo qual a tributação feita com base no art. 1º da Lei nº 10.451, de 2002, é equivocada, devendo esses rendimentos serem tributados conforme os art. 1º e 5º da Lei nº 8.023, de 1990; ∙ cabe a descaracterização da omissão de receita imposta pela autoridade lançadora, uma vez que toda a receita e renda auferida são provenientes de terceiro, ou seja, da empresa A. B. Vieira Representações Ltda, da qual é sócio; ∙ é necessário bastante cuidado ao aplicar a regra do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, pois às vezes o que ocorre são simples erros e deficiências do sistema de informação contábil, cabendo por meio de documentação hábil e idônea a comprovação da origem dos recursos disponibilizados nessas operações; ∙ em momento algum omitiu rendimentos referente ao auto de infração, uma vez que a pessoa jurídica da qual é sócio possui em dia e de acordo com a legislação vigente toda sua escrituração contábil regular; ∙ cabe a ele provar que os valores depositados em sua conta bancária pertencem à pessoa jurídica da qual é sócio, o que descaracteriza a omissão de rendimentos imposta pela autoridade fiscal. Ao final, requer: ∙ preliminarmente, a anulação do auto de infração, em razão de não permitir seu direito de defesa; ∙ no mérito, que a improcedência do lançamento, em razão de as receitas consideradas omitidas pertencerem, na verdade, à pessoa jurídica da qual é sócio; ∙ ainda, revise o lançamento, para que a tributação seja feita conforme manda a legislação tributária nos casos de receitas Fl. 385DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 oriundas da atividade rural desenvolvida pela pessoa jurídica da qual é sócio. A DRJ julga a impugnação procedente em parte, afastando do lançamento uma parte que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. DIREITO DE DEFESA. NÃO AFRONTA Se o auto de infração informa o dispositivo legal infringido que motivou o lançamento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO A Lei nº 9.430, de 1996, criou um tipo de presunção legal de omissão de rendimentos, invertendo o ônus da prova ao sujeito passivo, dispensando a autoridade fiscal desse mister. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Da Preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de autorização para quebra de sigilo bancário; Dos depósitos bancário que não são renda; Da descaracterização e impossibilidade de omissão de receita da pessoa física. É o relatório. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720150/201157 Acórdão n.º 2202002.682 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720150/201157 Acórdão n.º 2202002.682 S2C2T2 Fl. 6 9 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação: No presente caso, conforme relatado no auto de infração (fl.05), o sujeito passivo foi intimado do início do procedimento fiscal em 16/04/2010, sendolhe requisitado documentos que comprovassem a origem dos recursos depositados em sua conta bancária. Houve pedidos de dilação de prazos, o que foi concedido, e houve outras intimações, tudo para que o sujeito passivo apresentasse os documentos que comprovasse a origem dos depostos bancários. Passados vários meses sem a manifestação do sujeito passivo, e a apresentação da documentação necessária, em 12/01/2011 foi lavrado o auto de infração. Ou seja, após decorridos quase nove meses da primeira intimação, o sujeito passivo mantevese inerte, deixando de apresentar os documentos que poderiam ter descaracterizado a infração de omissão de rendimentos. Não basta somente alegações de que a origem desses recursos seriam da atividade rural de pessoa jurídica da qual é sócio, e que simplesmente as movimentações financeiras da pessoa jurídica e da pessoa física se confundiam. O alegado deve ser comprovado por meio de documentos.. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720150/201157 Acórdão n.º 2202002.682 S2C2T2 Fl. 7 11 documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. As provas tem que ser concentradas na explicação de cada depósito considerado como de origem não comprovada. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 19515.000561/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso improvido.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os termos e demonstrativos integrantes das autuações oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, o que resta confirmado através de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados.
INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento na Lei Complementar nº 105/01 e no Decreto nº 3.724/01, não há de ser cogitada quebra de sigilo bancário, muito menos ilegal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
Numero da decisão: 1402-001.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente Conselheiro Carlos Pelá.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso improvido. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os termos e demonstrativos integrantes das autuações oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, o que resta confirmado através de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento na Lei Complementar nº 105/01 e no Decreto nº 3.724/01, não há de ser cogitada quebra de sigilo bancário, muito menos ilegal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
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INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal (art. 59 do Decreto nº 70.235/72). CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os termos e demonstrativos integrantes das autuações oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, o que resta confirmado através de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento na Lei Complementar nº 105/01 e no Decreto nº 3.724/01, não há de ser cogitada quebra de sigilo bancário, muito menos ilegal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 61 /2 01 1- 06 Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 2 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.057 3 Relatório Tratase de exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em razão de suposta omissão de receitas. A infração que deu ensejo ao lançamento referese a créditos em contas bancários cuja origem não foi comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). A autoridade autuante separou a exigência em infrações distintas: em relação aos depósitos que conseguiu vincular como receita da atividade, aplicou penalidade de 150% (art. 44, c/c § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996); no que tange aos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, mas também não foi possível vincular diretamente às atividades operacionais, aplicouse a penalidade do caput do mesmo dispositivo legal (75%). Houve atribuição de responsabilidade tributária a terceiros. Apresentada impugnação, a delegacia de julgamento manteve integralmente a exigência, excluindo, contudo, a responsabilidade tributária atribuída a terceiros. Por bem refletir os detalhes da exigência, reproduzo o relatório da decisão recorrida: Da Autuação Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal – SIMPLES 2, acostado às fls. 195/206, tratase de crédito lançado contra o Contribuinte acima identificado (optante pelo SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições), em relação às competências de fevereiro a dezembro/2006, vez que em decorrência do procedimento fiscal realizado foi constatada omissão de registro de receitas, referente a valores identificados créditos e depósitos bancários em contas correntes da Fiscalizada, não declarados nem contabilizados, o que resultou na lavratura dos Autos de Infração incluídos no presente processo (acompanhados de demonstrativos de apuração dos valores devidos e demonstrativos de acréscimos legais – multa e juros). O montante do crédito tributário em epígrafe perfez R$6.061.447,02 (seis milhões e sessenta e um mil e quatrocentos e quarenta e sete reais e dois centavos). Do conteúdo descrito no referido Termo de Verificação Fiscal e dos elementos acostados aos autos, destacamse as seguintes intimações, documentos e informações: O procedimento fiscal teve início com a ciência do Termo nº 01: Termo de Início de Fiscalização, de 24/03/2010, cientificado por intermédio do Aviso de Recebimento – AR, fls. 06, de 27/03/2010. Tendo em vista a solicitação de prazo adicional para a apresentação dos documentos solicitados, foi emitido o Termo nº 02: Termo de Concessão de Prazo Adicional, de 22/04/2010, fls. 36, por intermédio do qual a Autoridade Fiscal concedeu novo prazo à Fiscalizada. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 4 Às fls. 39/40, consta o Termo nº 03: Termo de Reintimação Fiscal, com o qual a mencionada Autoridade reitera a solicitação de apresentação dos documentos solicitados. Às fls. 43, encontrase o Termo nº 03 (renumerado para nº 04): Termo de Recebimento de Livros e Documentos e Reintimação Fiscal, de 26/05/2010, no qual assenta que foram recebidos e retidos alguns documentos e solicitados outros adicionais. Às fls. 82/4, foi apensado pronunciamento da Autuada apresentado por seu patrono. Às fls. 89, encontrase o Termo nº 06: Termo de Recebimento de Livros e Documentos e Reintimação Fiscal, de 28/06/2010, no qual aponta que foram recebidos e retidos alguns documentos e solicitados outros adicionais. Às fls. 121, consta o Termo nº 07: Termo de Reintimação Fiscal, datado de 09/08/2010, por intermédio do qual são reiteradas as solicitações de apresentação de extratos bancários até então não atendidas. Às fls. 127, temse o Termo nº 08: Termo de Retenção Documentos, de 20/09/2010. Às fls. 128/9, encontrase o Termo nº 09: Termo de Constatação e Intimação Fiscal, 04/11/2010, no qual a Autoridade Fiscal demonstra o cotejo das informações constantes do Livro Caixa nº 06, nº 205611 (JUCESP) e os montantes mensais de movimentação financeira (créditos/depósitos) das contas correntes da Auditada. Diante das divergências verificadas, solicita a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos recursos movimentados nas contas bancárias que indica nas planilhas de fls. 130/157 e 158/162. Em resposta, a empresa se pronuncia às fls. 164/6, não acostando, contudo, as comprovações solicitadas. Às fls. 169/170, a indigitada Autoridade reintima a Autuada às comprovações constantes do Termo nº 09, por intermédio do Termo nº 10: Termo de Reintimação Fiscal, de 19/11/2010. Como resposta, a Autuada reitera suas alegações, desacompanhada de provas, às fls. 172/4. Após o Temo nº 12: Termo de Intimação Fiscal, fls. 178, por intermédio do qual a Autuada foi questionada, especificamente, acerca das pessoas físicas Gervásio Cavalcante De Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante, foi emitida a Solicitação de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 181/2 e respectiva RMF nº 08.1.90.002010011993, fls. 183. Em consequência, informa a Autoridade Fiscal que, em resposta à indigitada RMF, o Banco do Brasil apresentou procuração da Autuada, fls. 191/2, constando como outorgados GERVÁSIO CAVALCANTE DE MACEDO, CPF n° 484.350.23400 e CLÁUDIA CRISTINA COELHO CAVALCANTE, CPF n° Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.058 5 251.278.08803, com poderes exclusivos para movimentação junto à Instituição Financeira da contacorrente nº 3849694. Diante de tal fato, com fundamento no art. 124 do CTN, a Autoridade Fiscal considerou os indicados procuradores como sujeitos passivos solidários. Neste ponto, insta observar que, haja vista que a abordada Sujeição Passiva Solidária foi caracterizada, somente, quanto aos valores depositados junto ao Banco do Brasil, abordados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal – SIMPLES 2, aqueles depositados junto à Caixa Econômica Federal e ao Bradesco foram segregados e formalizados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal – SIMPLES 3 (processo nº 19515.000473/201104), cuja cópia está acostada ao presente às fls. 551/9. Após analisar as informações colhidas durante o processo fiscalizatório, a Autoridade Autuante, em seu Termo de Verificação e Constatação Fiscal – SIMPLES 2, fls. 195/206, informa que do cotejo dos extratos apresentados pelo contribuinte e o Livro Caixa nº 06, vez que não explicados, apesar de intimado para tanto, os valores não constantes do indigitado livro e, assim, classificou as diferenças apuradas em dois grupos: GRUPO 1 – Vendas e Recebimentos de Clientes: Tais valores foram vinculados, diretamente, à receita bruta do Contribuinte omitida, razão pela qual foram acrescidas da multa qualificada de 150%; GRUPO 2 – Demais: Atinente aos valores presumidamente considerados como omissão de receitas e, em tal caso, impingida a multa de 75%. Em consequência do articulado, foram lavrados os seguintes Autos de Infração, cientificados, pessoalmente, a representante constituído da Autuada em 25/02/2011, com os respectivos valores de crédito apurado e anexos de demonstrativo dos valores devidos e de demonstrativo de multa e juros: (a) Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a Receita Bruta e respectiva fundamentação legal (fls.212/4); (b) Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 215/220) incidentes sobre os valores declarados, resultantes da aplicação dos percentuais corretos conforme discriminados no demonstrativo anterior; (c) Demonstrativo da apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas (fls.221/7), incidentes sobre a parcela referente à omissão de receitas; (d) Imposto de Renda Pessoa JurídicaSIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 427.966,42; Auto de Infração, fls. 234/9 e demonstrativos, fls. 228/233; Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 6 (e) PIS – Programa de Integração SocialSIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 312.935, 25; Auto de Infração, fls. 246/251 e demonstrativos, fls. 240/5; (f) CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido SIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 427.966,42; Auto de Infração, fls. 258/263 e demonstrativos, fls. 252/7; (g) COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialSIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 1.255.710,48; Auto de Infração, fls. 270/5 e demonstrativos, fls. 264/9; (h) Contribuição para Seguridade Social – INSSSIMPLES, valor de crédito apurado: R$ 3.636.868,47; Auto de Infração, fls. 282/7 e demonstrativos, fls. 276/281; (i) Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, fls. 03. Insta observar que, em virtude da segregação e explicações constantes no Termo de Verificação e Constatação Fiscal – SIMPLES 2, fls. 195/206 e no Termo de Verificação e Constatação Fiscal – SIMPLES 3, acostado às fls. 551/9, os Autos de Infração e anexos de demonstrativo dos valores devidos e de demonstrativo de multa e juros foram acostados, também, às fls. 584/660. Anotase que consta, no bojo de cada Auto de Infração, a respectiva fundamentação legal relativa ao tributo e aos acréscimos legais (multa e juros). Destacase que o enquadramento legal da multa de ofício aplicada, encontrase no artigo 44, I; contudo, nas circunstâncias que ensejaram a qualificação da multa, a fundamentação está insculpida no art. 44, II, todos da Lei nº 9.430/96, todos da Lei nº 9.430/96. O enquadramento legal dos juros de mora aplicado consta do artigo 61, § 3º, da mesma lei anteriormente referida. Ratificase, ademais, que os AI em epígrafe dizem respeito, apenas, aos créditos em conta corrente da Autuada identificados junto ao Banco do Brasil, consoante esclarecido pela Autoridade Fiscal, especialmente, às fls. 201, e corroborado pela planilha de fls. 207/211. Às fls. 290/1, encontrase o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº01, do qual consta como solidariamente responsável pelos créditos em tela o Sr. Gervásio Cavalcante de Macedo, CPF nº 484.350.23400, com fulcro no art. 124 do CTN – Lei nº5.172/66. Às fls. 292/3, encontrase o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº02, do qual consta como solidariamente responsável pelos créditos em tela a Sra. Cláudia Cristina Coelho Cavalcante, CPF nº 251.278.08803, com fulcro no art. 124 do CTN – Lei nº5.172/66. Às fls. 294/5, foi acostado o Edital DIFIS I nº 35/2011, por intermédio do qual foram intimados todos os sujeitos passivos Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.059 7 solidários quanto à ciência dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária nº 1 e nº 2 e do Termo de Verificação e Constatação Fiscal – SIMPLES 2. O referido edital foi afixado em 14/03/2011 e desafixado em 30/03/2011. Por fim, às fls. 296/7, foi acostada Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, com fulcro no art. 9º, da Lei nº 9.317/96. Da Impugnação O sujeito passivo apresentou, tempestivamente (fls. 476), impugnação às autuações (fls. 306/355). Suas alegações, em síntese, foram: Narrado os acontecimentos e termos do procedimento fiscal desenvolvido, afirma que as movimentações bancárias se referiam as refeições fornecidas a seus clientes e pagas por meio de tickets. Ademais, informa que não apresentou relação de beneficiários dos recursos sacados de suas contas correntes, conforme solicitado, pois que a própria Defendente era quem sacava tais valores para a compra dos tíckets. Em complemento, informa que as movimentações financeiras foram realizadas por conta e ordem, e em benefício, do Contribuinte, mas que tais quantias não compunham, de nenhuma maneira, a renda do estabelecimento comercial, pois repassadas, invariavelmente, às operadoras de tíquetes. Ainda, sustenta que seu comércio apresentava lucro extremamente diminuto, vez que suportava custos elevados com fornecedores e, desta forma, sua movimentação financeira, ainda que elevada, não pode ser considerada como base de cálculo para qualquer tributo federal. Explicando suas operações, esclarece que a movimentação financeira se dava de forma cíclica, vez que a Impugnante comprava "tickets" de seus clientes com pequeno deságio, repassava tais "tickets" para as competentes empresas operadoras e estas realizam os depósitos nas contas corrente da Impugnante, descontadas todas as taxas envolvidas. Lado outro, articula que a Insurgente foi vítima de contumazes e reiterados roubos a seu estabelecimento comercial, situação que conduziu, invariavelmente, ao extravio de papéis de toda sorte, entre os quais, alguns daqueles que seriam aptos a prestar os devidos esclarecimentos. Em resumo e reforço, assevera que origem das movimentações financeiras na reclamadas contas bancárias decorreu da prática de compra de tíquetes de alimentação e de refeição dos trabalhadores que a procuravam, mediante deságio do valor total. Demais do exposto, exemplifica a “operação de desconto” que efetuava quando da “compra” dos tíquetes (vale Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 8 refeição/alimentação), para ratificar que os valores movimentados em suas contascorrente não compõe o seu faturamento, senão no quanto referente ao “deságio” (equivalente a 1% do valor total) cobrado na referida “operação”. Resulta de sua ilação que não ocorria fato gerador e, em consequência, hão há que se falar em crédito tributário de nenhuma espécie. Em adição, os sócios da Impugnante não apresentam quaisquer sinais exteriores de riqueza. Em complemento, entende por inadmissível a exigência de conhecimento técnicotributário de pessoas acostumadas à informalidade inerente à cultura de seus pares, quando mesmo aqueles com conhecimento na área jurídica ou contábil enfrentam dificuldades face a complexa legislação tributária pátria. De outra banda, questiona a constitucionalidade das normas que autorizam a utilização da requisição de informações bancárias pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, diretamente às instituições financeiras, e a utilização destas informações no prosseguimento do respectivo processo administrativo. Colaciona doutrina. Conclui, neste ponto, que o ato da Autoridade Fiscal na quebra do sigilo bancário do contribuinte sem qualquer respaldo ou ordem judicial, afronta cláusula pétrea e, assim, tendo em vista que os lançamentos tributários tiveram como base as informações prestadas pelos Bancos, ou seja, com base em informações ilegais mediante quebra do sigilo bancário diretamente pela Autoridade Fiscal sem o devido amparo judicial, deve o Auto de Infração em epígrafe ser devidamente cancelado. Ademais, erige o argumento de que os valores creditados em suas contascorrente não se enquadram no conceito de receita, trazendo como suporte opiniões doutrinárias e, em conclusão, assevera que receita é somente aquele ingresso que se incorpora ao patrimônio do contribuinte. Colaciona julgado administrativo. Neste ponto, conclui, amparado na doutrina, que o caso é verdadeiramente de nãoincidência vez que o fato jurígeno efetivamente ocorrido escapa, por completo, àquele previsto na legislação e na própria Constituição. Colaciona julgados administrativos. Abordando a questão da presunção, mormente quanto à previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, após discorrer longamente sobre o tema, expressa o entendimento de que a presunção jamais poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador, devendo esta apoiarse na repetida e comprovada correlação natural de dois fatos considerados, o conhecido e o desconhecido. Afirma, ainda, que tal previsão colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais por Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.060 9 inexistência de liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Conclui asseverando que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura, pois nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato. Colaciona julgados administrativos atinentes ao IRPF. Cita, adicionalmente, a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, TFR. Do exposto, conclui que nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato. Colaciona doutrina e afirma que a presunção legal estribada em depósitos bancários encontra os seguintes óbices: não está calcada em experiência anterior; não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos; o encargo probatório é totalmente transferido para o contribuinte, com manifesta impossibilidade de produção de provas. Lado outro, a Insurgente articula pela abusividade das multas de ofício impostas e, ainda, característica de confisco, vez que entende não ter havido qualquer irregularidade ou infração praticada pela Impugnante que ensejasse tal imposição. Colaciona doutrina e jurisprudência. Do que expõem, entende que resta claro ser descabida, devendo ser totalmente cancelada as multas de ofício de 75% e 150% sobre o valor do tributo supostamente devido, por configurar situação abusiva e confiscatória, em total descompasso com o disposto no art. 5º, inciso XXII, e art 150, IV, ambos da Constituição Federal de 1988. No tocante aos juros moratórios, por falta de previsão legal expressa, contesta a respectiva incidência sobre a multa de ofício, com fundamento no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Colaciona jurisprudência. Alega, ademais, que em virtude de o CTN prever a incidência de juros no percentual de 1%, resta desconforme o ordenamento a cobrança de juros com base na taxa SELIC. Escorase em jurisprudência colacionada. Por fim, em razão da inconstitucionalidade da Taxa SELIC, conforme discorre em sua peça vestibular de Defesa, entende deva ser cancelado o combatido Auto de Infração. Pelo exposto, requer que seja acolhida e provida a Impugnação apresentada a fim de que seja julgada improcedente a lavratura dos presentes Auto de Infração, com o consequente Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 10 cancelamento do débito em epígrafe e arquivamento do processo administrativo correspondente. Em arremate, requer que as publicações e intimações referentes ao presente feito sejam encaminhadas exclusivamente em nome e endereço dos patronos que nomeia. Da Impugnação dos Solidariamente Responsáveis Os sujeitos passivos solidários Gervásio Cavalcante de Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante apresentaram, tempestivamente, impugnação às autuações (fls. 508/545, reproduzida às fls. 677/714). Suas alegações, em síntese, foram: Informa, liminarmente, que os indigitados sujeitos passivos solidários, à época dos fatos e ao contrário do articulado pela Autuada, trabalhavam para a referida empresa. Demais disso, argúem que, ao não terem sido intimados a prestar informações e desconhecendo o processo administrativo que culminou nas hostilizadas lavraturas, tiveram os respectivos direitos à ampla defesa e ao contraditório desrespeitados razão pela qual o ato resistido deve ser anulado. Lado outro, questiona a constitucionalidade das normas que autorizam a utilização da requisição de informações bancárias pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, diretamente às instituições financeiras, e a utilização destas informações no prosseguimento do respectivo processo administrativo. Colaciona doutrina. Conclui, neste ponto, que o ato da Autoridade Fiscal na quebra do sigilo bancário do contribuinte sem qualquer respaldo ou ordem judicial, afronta cláusula pétrea, vez que infringe direitos e garantias individuais, e, assim, tendo em vista que os lançamentos tributários tiveram como base as informações prestadas pelos Bancos, ou seja, com base em informações ilegais mediante quebra do sigilo bancário diretamente pela Autoridade Fiscal sem o devido amparo judicial, deve o Auto de Infração em epígrafe ser devidamente cancelado. Ainda, articulando, novamente, pelo cerceamento dos respectivos direitos de defesa, discorre longamente sobre os direitos envolvidos com o Devido Processo Legal, afirmando que, sem qualquer embasamento fático ou legal, e, amparando se única e exclusivamente numa procuração e sem que tenham sido intimados para qualquer tipo de esclarecimentos, a Autoridade Fiscal lavrou AI, impôs multa e incluiu no pólo passivo, arbitrariamente, os ora Defendentes ao arrepio da lei. Dito de outra forma, entende que a indigitada Autoridade impediu que os Impugnantes se defendessem na forma legalmente permitida, acarretando o cerceamento da defesa e causando a nulidade do ato praticado. No tocante à questão da sujeição passiva solidária, alega, que os Impugnantes não exerciam atos de direção ou administração na Fiscalizada, limitandose a obedecer e executar ordens. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.061 11 Para sustentar seus argumentos suscita previsões do Código Civil, Lei da S.A., CLT e CTN, sobre as quais discorre. Tratando especificamente do quanto prevê o art. 135 do CTN, conclui que nos autos não restou configurada ou demonstrada qualquer das hipóteses previstas no indigitado preceptivo legal. Do que expõe, conclui que a Autoridade Fiscal não logrou êxito em demonstrar o ilícito praticado, vez que a simples falta de recolhimento de tributo, sem dolo ou fraude, representa mora da empresa contribuinte, mas não ato violador da lei, do contrato social ou do estatuto, e, assim, os ora Impugnantes figuram em clara situação de ilegitimidade passiva. Colaciona jurisprudência, entendimento sumulado (Súmula nº 341 do STF) e doutrina. De tudo quanto articulado, entendendo demonstrada a total insubsistência e improcedência do lançamento, requer seja declarada anulada a lavratura do presente Auto de Infração no que se refere à inclusão dos Impugnantes (responsáveis solidários) com a consequente exclusão dos senhores Gervásio Cavalcante de Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante como sujeitos passivos solidários da presente contenda, em decorrência do cerceamento de defesa, por violação ao Princípio do Devido Processo Legal. Por fim, requer que as publicações e intimações referentes ao presente feito sejam encaminhadas exclusivamente em nome e endereço dos patronos que nomeia. Da Juntada de Novos Documentos (Solicitação de Inquérito Policial PF) Às fls. 479/486, por intermédio de advogado constituído, a Defendente manifestase, uma vez mais no processo, para, após resumos dos fatos processuais, afirmar que o montante da autuação era totalmente incompatível com a receita gerada pela movimentação usual do seu estabelecimento e que nunca praticou operação de compra e venda de tickets. Ademais, assevera que as operações que deram origem ao AI foram realizadas por procuradores da empresa (Gervásio Cavalcante de Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante), os quais agiram à revelia desta e sem autorização e utilizaram se da contacorrente da autuada para registrar movimentação financeira própria daqueles: compra e venda de tickets restaurante. A respectiva procuração encontrase às fls. 191/2. Diante dos narrados fatos, a Autuada, em 29/12/2011, solicitou à Autoridade Policial competente, fls. 489/498, a abertura de inquérito policial (Protocolo SIAPRO nº 08500.096072/201186, fls. 487). É de ser observado que a indigitada solicitação diz respeito, tão somente, à conta corrente mantida junto ao Banco do Brasil, agência Vieira de Morais, nº 133, conta nº 384.9694 (fls. 497). Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 12 Consoante Ofício nº 3.044/2012 – COR/SR/DPF/SP, fls. 487, não houve instauração do mencionado Inquérito Policial. A seguir, narra, com minúcias, como teriam ocorrido as transações verificadas no procedimento fiscal a partir das movimentações nas contas correntes mantidas pela Autuada. Por fim, com supedâneo no art. 135, II e no art. 137, III, b, ambos do CTN, articula que os procuradores da Autuada (Gervásio Cavalcante de Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante), vez que teriam agido com excesso de poderes, deveriam figurar como responsáveis pessoais e exclusivos quanto ao crédito tributário em epígrafe. Do que expõe, entende que o hostilizado AI não merece prosperar em relação à Autuada, haja vista que os verdadeiros sujeitos passivos do crédito tributário são os indigitados procuradores que excederam os poderes do mandato, e, assim, requer seja decretada a insubsistência e o cancelamento da exigência fiscal em nome da Insurgente. Finaliza protestando pela produção de todas as provas que se fizerem necessárias, inclusive a juntada de documentos e a realização de perícias. Da Juntada de Novos Documentos (Inquérito Policial – Polícia Civil) Às fls. 837/8, a Fiscalizada informa que na data de 13/02/2013 foi requerida a abertura de inquérito policial junto à Delegacia de Polícia Civil do 14º Distrito de São Paulo com o intuito de apurarse a indevida utilização de sua conta bancária por procurador que a movimentou para fins próprios. Ademais, ratifica que como resultado do citado inquérito restará demonstrado que os procuradores Gervásio Cavalcante de Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante agiram com excesso de poderes, devendo, assim, serem responsabilizados de forma pessoal e exclusiva quanto ao crédito tributário em apreço, por força do art. 137, III, ‘b’, do CTN. Finaliza reiterando os termos da petição de fls. 479/486, bem como o pedido de decretação de insubsistência do auto de infração e o cancelamento da exigência feita em nome da mesma. Da Exclusão do Simples Às fls. 477, foi acostado o Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQPIR nº 80/2011, cuja ciência do Sujeito Passivo se deu, via postal, em 25/10/2011, fls. 507, com efeitos a partir do dia 01/01/2007 em virtude de a receita bruta no ano calendário de 2006 ter ultrapassado o limite legal. Conforme despacho de fls. 834, não foi apresentada impugnação (sic) a desafiar o ADE nº 80/2011. A turma julgadora a quo julgou improcedente a impugnação em relação ao crédito tributário exigido, excluindo, contudo, a responsabilidade atribuída aos coobrigados. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.062 13 A Interessada foi intimada da decisão em 14 de agosto de 2013 (fl. 905), apresentando recurso voluntário de fls. 911939 em 11 de setembro de 2013. Em resumo, reproduz os argumentos expendidos em sua impugnação, arguindo ainda nulidade da decisão recorrida por supostamente não ter analisado questões sobre a pretensa responsabilidade pessoal dos coobrigados, então responsáveis pela movimentação financeira da Recorrente junto às instituições financeiras e que teriam se utilizado de tais poderes para realizar operações estranhas aos objetivos sociais da empresa (compra e vende de tickets refeição). Anexou boletim de ocorrência lavrado em razão dos supostos fatos. Requer sobrestamento do feito até final das investigações policiais, bem como pelo então disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF a respeito das matérias submetidas pelo STF ao regime da repercussão geral (arts. 543A e 543B do Código de Processo Civil). É o relatório. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 14 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 1 SIGILO BANCÁRIO E NULIDADE A respeito da suposta quebra de sigilo bancário, convém reforçar que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece que as informações e documentos obtidos pela RFB junto às instituições financeiras serão conservados em sigilo. No mesmo sentido, o mesmo diploma legal estabelece em seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. Para preservar a inviolabilidade do direito constitucional que as pessoas têm à intimidade e à privacidade, preceitua o § 5º do art. 5º da precitada LC que: "As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor". Relativamente ao sigilo fiscal, vigora o art. 198 do Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, que, no seu caput, de acordo com a nova redação atribuída pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: "Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades". Portanto, as informações bancárias sigilosas são transferidas à administração tributária da União sem perderem a proteção do sigilo. Ademais, no que tange às questões que envolvem princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pelo Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.063 15 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Argumenta também a Recorrente que o procedimento fiscal seria nulo em razão de suposta “quebra” de seu sigilo bancário. Aduz ainda que a decisão recorrida seria nula por não analisar questões atinentes ao suposto crime cometido por seus procuradores contra a Recorrente, em especial os documentos referentes ao inquérito policial em curso que visa a apurar o pretenso ilícito. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A despeito do já exposto, no caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defenderse plenamente. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pela descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal. Portanto, no caso em concreto, não há que se falar em cerceamento de defesa, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 16 Ademais, além de não restar configurada quebra do sigilo bancário, conforme já exposto, o contribuinte deixou de atender às intimações do Fisco que, baseado na Lei Complementar nº 105, de 2001, e no Decreto nº 3.724, de 2001, procedeu à obtenção de seus extratos bancários diretamente junto às instituições financeiras. Especificamente em relação a alegada nulidade da decisão recorrida, de igual forma não vislumbro qualquer vício que a leve a ser nula. O relator da decisão a quo abordou a questão, assim concluindo: 10.12.7. No tocante ao inquérito policial solicitado junto à Delegacia de Polícia Civil do 14º Distrito de São Paulo, nenhuma notícia ou desfecho constou do processo. Contudo, ressaltese, o desenrolar ou destino do referido inquérito, sem que haja o carreamento de provas cabais para o processo administrativo, não tem/teria o condão de afetar a decisão sobre o tema ora analisado. 10.12.8. Insta mencionar, ainda, que não se extrai do processo a existência, entre a Autuada e os considerados como solidariamente responsáveis, de relação diversa daquela demonstrada e delimitada pela procuração acostada aos autos, razão porque não se cogita de digressões que extrapolem a relação estabelecida pelo mandato ou normais de prepostos. Convém ainda transcrever as demais considerações da decisão recorrida sobre a matéria: A leitura do Termo de Verificação e Constatação Fiscal – SIMPLES 2 (fls. 195/206) permite a constatação de que a Autoridade Autuante narrou, com clareza e coerência, os fatos verificados durante o procedimento fiscal e a respectiva subsunção às normas legais de regência. Constam do referido termo os dispositivos legais que fundamentaram os Autos de Infração lançados, estando ainda presentes no processo administrativo os demonstrativos de cálculo dos tributos devidos. Foram disponibilizadas cópias dos documentos integrantes do Auto de Infração ao Contribuinte/Solidariamente Responsável, tendolhes sido conferido tempo hábil, após regularmente cientificados do lançamento, para apresentarem seus questionamentos, consubstanciados nas Impugnações protocoladas (fls.306/355 e 508/545), nas quais demonstraram conhecer plenamente os fatos que lhes foram imputados. Assim, tendo sido os interessados regularmente cientificados do lançamento e dos relatórios componentes, inexiste qualquer omissão nesse sentido. Ressaltese que o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição de 1988, tem por escopo oferecer aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Dessa forma, quando a Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.064 17 Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Lado outro, abordando a questão erigida pelos sujeitos passivos solidários (Gervásio Cavalcante de Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante) quanto à falta de intimação para prestarem informações durante o procedimento fiscal que culminou nas hostilizadas lavraturas, que teria acarretado desrespeito aos respectivos direitos à ampla defesa e ao contraditório, temse a observar o que segue. Liminarmente, cumpre enfatizar que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase na qual a Autoridade Administrativa pratica atos de ofício tendentes à aplicação da legislação tributária à situação de fato, que resultam na individualização da obrigação tributária – lançamento tributário e/ou na aplicação de penalidades. Nessa fase preliminar, conhecida como oficiosa, ou não contenciosa, a Autoridade Fiscal coleta dados, examina documentos, procede à auditagem dos dados contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária, bem como analisa se houve descumprimento de alguma obrigação acessória. Tratase de procedimento oficioso, de iniciativa da indigitada Autoridade. Destarte, nesta fase oficiosa, os procedimentos que antecedem o ato de lançamento/autuação são unilaterais da Fiscalização, não havendo que se falar em processo, contraditório, ampla defesa. A partir do lançamento fiscal ou autuação, regularmente cientificados aos Sujeitos Passivos, nasce a faculdade destes de provocarem o início da segunda fase do procedimento – a fase contenciosa, litigiosa ou contraditória. Essa fase é de iniciativa do Sujeito Passivo, em contraposição à fase oficiosa, de iniciativa da Autoridade Fiscal, conforme predito. Portanto, no procedimento fiscal, o exercício do contraditório somente pode ser exercido após o ato de lançamento quando o Contribuinte é cientificado deste, sendo a partir de tal advento que surge o correspondente direito de interposição de defesa a desafiar o lançamento fiscal, com a exposição dos motivos e apresentação dos documentos julgados pertinentes para provar o quanto alegado. Em conclusão, verificado que os Sujeitos Passivos conheciam a origem dos tributos lançados e o motivo da responsabilização solidária passiva, que tomaram plena ciência dos relatórios integrantes da autuação, tendolhes sido concedido o tempo hábil (prazo legal) para apresentar suas contrariedades, não há de se cogitar ocorrência de cerceamento dos respectivos direitos de defesa. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 18 Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula nos autos de infração lavrados. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Desse modo, rejeito preliminar de nulidade. 2 DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA O interessado requereu em sua impugnação a realização de diligência a fim de demonstrar que grande parte dos recursos movimentados em suas contas correntes diz respeito a valores estranhos ao seu faturamento. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. O recurso voluntário apresentado repete o pedido de diligência. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários bastaria ao recorrente demonstrar que determinados depósitos possuíam origem em operação que não denotava a auferição de renda. Tanto em sua impugnação, quanto em sede de recurso voluntário, o contribuinte limitouse a argumentar de que muitos dos depósitos não se referiam à renda, e que boa parte destes teria origem em atividade exercida por seus procuradores em Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.065 19 descompasso com os objetivos sociais da Recorrente, revelando excesso de poderes. Contudo, conforme se analisará mais detidamente em item específico deste voto, a Recorrente não trouxe à baila elementos suficientes que pudessem comprovar suas alegações. Os créditos realizados em sua conta bancária que foram passíveis de identificação de origem, diversa de renda (transferência entre contas bancárias da própria Recorrente), foram excluídos da exação já pela autoridade lançadora. Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de diligência, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Diante do exposto, indefiro o pedido de diligência. 3 DA OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A Recorrente é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 20 Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A Recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Para a turma julgadora de primeira instância, não houve comprovação da origem dos créditos em suas contas, uma vez que meras alegações não possuem o condão de comprovar a origem dos valores depositados ou creditados em suas contas bancárias. Por bem apreciar o tema, recorrese a transcrição das razões de decidir da autoridade julgadora a quo: No presente caso, conforme consta dos autos e acima articulado, a Autoridade Fiscal intimou e reintimou (Termos nº 09 e nº 10) a Autuada para comprovar a origem de depósitos em contas bancárias, indicou as instituições bancárias e as respectivas contas, histórico e valores transacionados, tudo objetiva e claramente demonstrado, na forma de planilhas (fls. 130/162), e não foi atendida pelo Sujeito Passivo. Em consequência, sabido que o Contribuinte era optante pelo SIMPLES, a omissão de receita, decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, correspondeu à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo mencionado Sistema Simplificado, de acordo com o disposto no caput do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, in verbis: Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.066 21 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Em adição, há de ser enfatizado que além de a Defendente não ter comprovado a origem dos indigitados depósitos durante o procedimento fiscal, consoante predito, juntamente com a Impugnação, mais uma vez, apenas apresentou argumentos desacompanhados de provas necessárias, suficientes e cabais. Após interposição de recurso voluntário, a Recorrente anexou aos autos o expediente de fls. 9581054 referente à cópia integral – até aquele momento – do inquérito policial a respeito do suposto crime praticados por seus procuradores em seu desfavor. Compulsandoo não vislumbro elementos que comprovem a ocorrência de tais crimes. Há três depoimentos de testemunhas insuficientes, por si só, para comprovar as alegações da Recorrente quanto à sua ausência de dolo ou culpa em relação às infrações tributárias em lide. Duas dessas testemunhas são funcionários da Recorrente, e, ainda assim, não confirmam a tese de que as supostas operações de compra e venda de tickets e vales refeição cuja movimentação financeira teria sido realizada nas contas da Recorrente foram de responsabilidade dos mandatários, limitandose a, de maneira genérica, informar que há pouco tempo souberam que os mandatários teriam agido de forma fraudulenta contra a Recorrente, mas sem confirmar serem testemunhas do ocorrido. Vejase excerto das transcrições dos depoimentos: Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 22 Embora as testemunhas afirmem que desconheciam a ocorrência de compra e venda de tickets nas dependências da Recorrente, não há como se aferir, de tais ilações, que as operações eram realizadas sem consentimento da Recorrente. A terceira testemunha, gerente de contas do Banco do Brasil, confirmou que os mandatários eram os responsáveis pela movimentação da conta, Tal afirmação, nada acrescenta aos poderes transmitidos pelo sócio da Recorrente aos mandatários. Firmouse procuração justamente nesse sentido. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.067 23 No mesmo sentido dispõe o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 24 – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) De acordo com o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontrase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Por fim, cabe ressaltar que o tema já foi pacificado no âmbito do processo administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.068 25 A respeito da Súmula 182 por vezes citadas pelos recorrentes, convém ressaltar, primeiramente, que não foi expedida por qualquer Tribunal Regional Federal, mas sim pelo extinto Tribunal Federal de Recursos. Ademais, referiase à legislação já revogada (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ante o exposto, confirmase a omissão de receita apontada pelo Fisco. 4 DA SUPOSTA RESPONSABILIDADE PESSOAL E EXCLUSIVA DOS MANDATÁRIOS A respeito do tema, convém ressaltar que a decisão recorrida excluiu a responsabilidade dos até então coobrigados, nos seguintes termos: Ainda, é de observar que o apontado inquérito policial (Polícia Federal) desejado pela Autuada, consoante Ofício nº 3.044/2012 – COR/SR/DPF/SP, fls. 487, não foi, sequer, instaurado. No tocante ao inquérito policial solicitado junto à Delegacia de Polícia Civil do 14º Distrito de São Paulo, nenhuma notícia ou desfecho constou do processo. Contudo, ressaltese, o desenrolar ou destino do referido inquérito, sem que haja o carreamento de provas cabais para o processo administrativo, não tem/teria o condão de afetar a decisão sobre o tema ora analisado. Insta mencionar, ainda, que não se extrai do processo a existência, entre a Autuada e os considerados como solidariamente responsáveis, de relação diversa daquela demonstrada e delimitada pela procuração acostada aos autos, razão porque não se cogita de digressões que extrapolem a relação estabelecida pelo mandato ou normais de prepostos. Diante do raciocínio exposto e do quanto essencial para o desate da questão atinente ao caso vertente, insta sumariar e repisar os seguintes pontos: i) Não restou caracterizada a existência de interesse jurídico comum na situação que constituiu os fatos geradores lançados e ora analisados entre os pretensos solidários; ii) Não há no ordenamento designação expressa em lei quanto à existência de solidariedade entre mandante e mandatário, respeitados os limites da outorga; iii) Não houve comprovação da prática, por parte do Srs. Gervásio Cavalcante de Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante, de ato irregular no exercício do mandato ou em desrespeito a lei ou ao contrato social; iv) Não foi evidenciada a prática de infração tributária no exercício do mandato que foi conferido aos Srs. Gervásio Cavalcante de Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante; v) Não se extrai dos autos a demonstração de vínculo cingindo os apontados responsáveis solidários às circunstâncias que, subsumidas, acarretaram a ocorrência do fato jurígeno tributário, nem, Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 26 tampouco, a possibilidade daqueles em determinar o adimplemento ou não da obrigação tributária surgida. Desta feita, diante dos argumentos expendidos, entendese pela exclusão dos Srs. Gervásio Cavalcante de Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante do pólo passivo da relação tributária decorrente do processo ora em apreço, vez que não configuradas/demonstradas as circunstâncias que ensejaram a conclusão pela existência de tal liame jurídico por parte da Autoridade Fiscal nem, tampouco, daquelas aventadas pela Autuada. Desse modo, não há mais discussão a respeito da possível atribuição de responsabilidade aos mandatários, inclusive quanto às características de tal responsabilidade (pessoal e exclusiva, conforme pleiteia a Recorrente). Também não há que se falar em sobrestamento do feito para aguardar o resultado do inquérito policial. Isso porque, além da ausência de previsão legal para tanto, impõese como regra a aplicação do princípio da oficialidade que rege o processo administrativo fiscal, implicando o poder/dever se impulsionar o processo até que se obtenha um resultado final conclusivo e definitivo. No que tange à aplicação do § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF como pressuposto de sobrestamento do feito, esclarecese que a Portaria MF 545, de 18 de novembro de 2013 revogou tal dispositivo. 5 DAS MULTAS DE OFÍCIO Convém ressaltar que somente aplicouse a multa qualificada de que trata o art. 44, I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, em relação aos depósitos bancários em que a autoridade fiscal logrou êxito em relacionar diretamente com as operações realizadas pela Recorrente (v.g., recebimento de cartões de créditos). A decisão recorrida muito bem analisa a questão, razão pela qual, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, mantenho a decisão pelos seus próprios fundamentos, reproduzindoa a seguir: No atinente às multas de ofício impingidas, a Defendente articula pela configuração de situação abusiva e confiscatória, em total descompasso com o disposto no art. 5º, inciso XXII, e art 150, IV, ambos da Constituição Federal de 1988. Destarte, cabe, de início, esclarecer que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Demais disso, conforme predito, não compete à Autoridade Administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constituição Federal, art. 102, sendo relevante relembrar, ainda, a vedação vaticinada no art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Em acréscimo, impende relembrar que a Autoridade Fiscal segregou no lançamento tributário, conforme bem esclarecido no seus Termo de Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.069 27 Verificação e Constatação Fiscal – SIMPLES 2, fls. 195/206, os valores identificados como créditos nas contas bancárias da Autuada em dois grupos: GRUPO 1 – Vendas e Recebimentos de Clientes: Valores identificados como vinculados, diretamente, à receita bruta do Contribuinte omitida. Sobre o respectivo crédito tributário constituído foi aplicada a multa qualificada de 150%; GRUPO 2 – Demais: Valores presumidamente considerados como omissão de receitas. Sobre o respectivo crédito tributário constituído foi impingida a multa de 75%. Ao sinteticamente expendido, deve ser aditado que a Autuada, ora Impugnante, não atacou qualquer questão fática ou procedimental a ensejar a aplicação das objetadas multas de ofício, sendo certo que a Autoridade Fiscal declinou os fatos que formaram a sua convicção e referenciou a legislação suporte no tocante às multas de ofício impingidas, donde se extrai, sem sobra de dúvida, os comportamentos ilícitos que deram azo às sanções ora em debate. Cumpre esclarecer, contudo, que muito embora no Termo de Verificação e Constatação Fiscal – SIMPLES 2 a indicada Autoridade tenha transcrito o art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/07, equivocadamente referenciada para o caso em tela, nos relatórios que acompanham os hostilizados AI, especialmente no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora de cada tributo lançado – Enquadramento Legal – consta a correta remissão legislativa aplicada restando, assim, salvaguardados o entendimento e a possibilidade de defesa dos litigantes. Assim, restringindose a presente análise às questões de direito aventadas pela Insurgente, nada há a merecer reparo, no tocante à multa apreciada, no crédito tributário em testilha. Em complemento a tal fundamentação, esclareço que o montante de receitas omitidas, cuja origem são as próprias operações de vendas realizadas pela Recorrente é cerca de 45 vezes maior que a receita declarada à RFB e oferecida à tributação. Por oportuno, reproduzse quadro integrante do Termo de Verificação Fiscal lavrado: Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 28 De tal quadro, extraise que a Recorrente ofereceu à tributação pouco mais de R$ 120.000,00, tendo omitido receitas operacionais da ordem de R$ 5.300.000,00. Nesse cenário, impõese reconhecer a ocorrência de sonegação, prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, e, por conseguinte justificar a exasperação da penalidade no que tange às infrações denominadas pela autoridade fiscal como GRUPO 1 – Vendas e Recebimentos de Clientes. Com fulcro no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, mantémse a exigência da multa de 75% relativa à infração do “Grupo 2” (créditos bancários sem comprovação de origem). Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000561/201106 Acórdão n.º 1402001.680 S1C4T2 Fl. 1.070 29 6 TAXA SELIC No que tange ao questionamento da aplicação da taxa Selic, a matéria encontrase absolutamente pacificada no âmbito do CARF, tendo sido alvo, inclusive de súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conforme determina o caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, os enunciado da súmula CARF são de observância obrigatória por parte de seus membros. Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos apurados. 7 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar as arguições de nulidade e a solicitação de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11330.001111/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2006
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece o recurso de ofício, cujo valor consolidado do crédito seja inferior ao limite fixado em ato do Ministro da Fazenda.
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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VALOR ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece o recurso de ofício, cujo valor consolidado do crédito seja inferior ao limite fixado em ato do Ministro da Fazenda. Recurso de Ofício Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 11 11 /2 00 7- 01 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ) contra o seu Acórdão de n. 1216.803, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo para desconstituir o Auto de Infração – AI n. 37.041.4560. A lavratura em questão referese à aplicação de multa em razão da conduta da empresa de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP sem a totalidade das contribuições previdenciárias devidas. O valor da penalidade assumiu o montante de R$ 671.031,00. Apresentada a defesa, a DRJ determinou a realização de diligência fiscal, cuja informação foi no sentido de considerar indevida parte da multa em razão de erros cometidos na apuração fiscal. Quanto ao suposto equívoco no enquadramento da entidade no código FPAS 639 (entidade beneficente com isenção), o órgão a quo também deu razão ao sujeito passivo, seguindo orientação do Manual da GFIP, posto que a empresa estava discutindo judicialmente a sua isenção da cota patronal previdenciária, portanto, deveria informar o código que entendia ser o correto. A multa foi reduzida para R$ 18.714,55. Contra essa decisão o sujeito passivo não se insurgiu. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001111/200701 Acórdão n.º 2401003.347 S2C4T1 Fl. 161 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício não merece conhecimento, porquanto o valor do crédito é inferior ao limite de alçada fixada pela Administração Tributária. É que o RPS na alteração promovida pelo Decreto n.º 6.224, de 04/10/2007, passou a dispor da seguinte forma: Art.366.O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). Ideclarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). IIrelevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). (...) §2oO recurso de que trata o caput será interposto ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda.. §3oO Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. Regulamentando a matéria foi editada a Portaria MF n.º 03, de 03/01/2008, fixando o limite para dispensa do recurso de ofício, nos seguintes termos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. A regra acima, por se tratar de norma processual, tem aplicação imediata, mesmo para recursos interpostos antes da vigência da mesma, de modo que o recurso de ofício em destaque não deve ser conhecido. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Conclusão Voto pelo não conhecimento do recurso de ofício. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11080.722781/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2000
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PARECER AGU AC - 55/2006. ALCANCE.
Os efeitos do Parecer AGU nº AC-55/2006 - DOU de 24/11/2006 alcançam, tão somente, os Contratos Administrativos celebrados pela Administração Pública direta, circunstância em que Poder Público atua com supremacia sobre as empresas privadas contratadas, mediante cláusulas e preceitos de Direito Público previstos no Capítulo III da Lei nº 8.666/93, não irradiando efeitos sobre as Sociedades de Economia Mista, pessoas jurídicas de direito privado, eis que tais empresas atuam no mercado de bens e serviços em igualdade de condições que as demais empresas privadas, e cujos contratos regem-se pelas normas de Direito Privado.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL.
O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE.
Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa signatária da certidão, circunstância que não afasta o direito da Fazenda Pública de constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND.
A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.169
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Relatora e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem aplicar-se ao caso o Parecer AGU N.º AC- 55/2006 - DOU 24/11/2006. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PARECER AGU AC 55/2006. ALCANCE. Os efeitos do Parecer AGU nº AC55/2006 DOU de 24/11/2006 alcançam, tão somente, os Contratos Administrativos celebrados pela Administração Pública direta, circunstância em que Poder Público atua com supremacia sobre as empresas privadas contratadas, mediante cláusulas e preceitos de Direito Público previstos no Capítulo III da Lei nº 8.666/93, não irradiando efeitos sobre as Sociedades de Economia Mista, pessoas jurídicas de direito privado, eis que tais empresas atuam no mercado de bens e serviços em igualdade de condições que as demais empresas privadas, e cujos contratos regemse pelas normas de Direito Privado. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 81 /2 01 0- 41 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa signatária da certidão, circunstância que não afasta o direito da Fazenda Pública de constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Relatora e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem aplicarse ao caso o Parecer AGU N.º AC 55/2006 DOU 24/11/2006. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Lacroix Thomasi – Presidente Fl. 253DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 253 3 Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo BANCO DO BRASIL S/A em face da decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/BSB que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. O crédito previdenciário lançado contra a empresa referese ao período de 09/1999 a 12/2000, no valor de R$ 2.092,30 (dois mil e noventa e dois reais e trinta centavos). O presente lançamento objetiva restabelecer os lançamentos anulados (NFLD n° 35.067.6682 levantamentos SC1 e SM1; nº 35.067.6690 levantamento SC2), por vício formal, conforme ementa da 4ª CAJ –Câmara de Julgamento /CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO”. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 12/24), o objeto do crédito constituído é a contribuição previdenciária dos segurados que a empresa deveria ter retido e recolhido ao INSS, devida por RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, e calculada por aferição indireta (8% sobre a base de cálculo) na forma das legislações e normas ali citadas. Consta ainda no relatório que o Banco do Brasil é responsável solidário pelo pagamento das contribuições devidas pelo contribuinte AIRTON ZOCH VINAS, CNPJ: 00.528.962/000118. A fundamentação legal do débito (fls. 08/10), demonstra que a cobrança encontra validade nas disposições contidas no art. 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 9.528/97; art. 220 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. Por não ter sido possível a intimação via postal, às fls. 79, consta a intimação por edital da empresa executora da obra, Airton Zoch Vinas, CNPJ: 00.528.962/000118, (TSPS Termo de Sujeição Passiva Solidária). Não apresentou manifestação. O Banco do Brasil, após intimado do lançamento (DEBCAD nº 37.292.8307) em 23.08.2010, apresentou defesa (fls. 82/95) aduzindo: a) Preliminarmente, suplicou o chamamento ao processo da empresa executora da obra para apurar a real existência dos débitos Fl. 255DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 254 5 autuados, tudo em estrita observância dos princípios da garantia de defesa e da verdade material, dado que ela dispõe de diversos documentos probantes dos recolhimentos previdenciários; b) Que por fazer parte da Administração Pública Federal, podendo contratar somente mediante licitação pública, está respaldada pela Lei de Licitações nº 8.666/93 e, neste contexto, não pode ser responsabilizada, por solidariedade, pelos encargos previdenciários devidos pela empresa contratada; c) Que há pagamentos comprovadamente efetuados pela empresa contratada cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 (PAF 11686.000242/200813) e 35.067.6690 (PAF 11686.000241/200879); d) Que as Certidões Negativas de Débito – CND, expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; e) Que o fisco deve cobrar primeiramente da contratada. A omissão na fiscalização desta, importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo à empresa Impugnante; f) Que a redação original do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, vigente de junho/91 a dezembro/97, não vedava a aplicação do benefício de ordem, razão pela qual deve, pelo menos até dezembro/1997, ser aceito. g) Que a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou ilegal e abusivamente a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; h) Que a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos nº 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e nº 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690), deve ser aproveitada no presente feito, apensando a este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual; i) Por fim, requereu o acolhimento da preliminar para o fim de determinar o chamamento ao processo da empresa contratada responsável pelo recolhimento do débito relativo ao período lançado e, ultrapassadas essas, no mérito, pleiteou a improcedência da autuação. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Na decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/BSB ACORDÃO 03 48.847 (fls. 147/159), por unanimidade de votos, foi mantido o crédito previdenciário pelos seguintes motivos: a) Não há cerceamento de defesa se estão devidamente discriminados no Auto de Infração e em seus anexos os fatos geradores e as contribuições apuradas, bem como, a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento; b) O contratante de quaisquer serviços de construção civil responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias em relação aos serviços prestados. A elisão da responsabilidade solidária somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida e pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. A não apresentação desses documentos pelo tomador de serviços implica no lançamento a esse título; c) A solidariedade não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços, ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor; d) Não obstante seja procedimento excepcional, a aferição indireta encontrase perfeitamente autorizada na hipótese da não apresentação pelo contribuinte, ou a apresentação deficiente, dos documentos solicitados pela Fiscalização e necessários à verificação do fato gerador; e) A utilização de percentual para apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias foi definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, o que constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade; f) Que embora a CND certifique a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído, não suprime o lançamento de contribuições devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador; g) A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil; Intimado do Acórdão, em 21.07.2012 (fls. 160), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 163/250). Em suas razões ratificou a matéria de defesa outrora apresentada. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 255 7 Voto Vencido Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. Conforme dito no relatório, a fundamentação legal do débito, constante às fls. 08/10, demonstra que a cobrança encontra validade nas disposições contidas no art. 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 9.528/97 e art. 220 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, in verbis: Lei nº 8.212/91: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) ... VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97)" Regulamento da Previdência Social: "Art. 220 O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 258DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem." De acordo com as normas acima, o dono da obra, no caso, o Banco do Brasil, é responsável solidário pelos encargos previdenciários devidos pelo construtor (empresa Airton Zoch Vinas (CNPJ nº 00.528.962/000118). Conforme art. 4º, inciso II, alínea 'c', do Decreto nº 200/67, o Banco do Brasil é uma sociedade de economia mista e, como tal, integra a Administração Pública Federal, devendo submeterse ao disposto na Lei de Licitações nº 8.666/93. "Decreto nº 200/67: Art. 4° A Administração Federal compreende: ... II A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: ... c) Sociedades de Economia Mista." Neste diapasão, dispõe o art. 71, §1º da Lei nº 8.666/93 que a Administração Pública só responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, ou seja, quando a execução do contrato ocorrer mediante cessão de mãodeobra: "Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995)" Sendo a Lei nº 8.666/93 específica, pelo Princípio da Especialidade, sobrepõese à Lei nº 8.212/91. Desse modo, o sujeito passivo integrante do quadro da administração pública indireta não pode ser responsabilizado solidariamente pelas Fl. 259DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 256 9 contribuições previdenciárias a cargo da empresa prestadora de serviço tal como previsto no art. 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91. Avulta deste panorama, o Parecer AC nº 55/2006 da AGU, aprovado pelo Presidente da República, o qual também consolidou o entendimento segundo o qual a Administração Pública não poderá responder por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil prevista no art. 30, inciso VI da Lei 8.212/91, abaixo transcrito: "PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do Decreto Lei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do Decreto Lei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mãode obra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Fl. 260DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãode obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art. 31)" Com efeito, ciente que nos termos do art. 40, §1º da Lei Complementar nº 73/93 os pareceres do Advogado Geral submetidos à aprovação pelo Presidente da República vincula a Administração Federal, não tenho alternativa senão reconhecer a improcedência da obrigação imposta ao Banco do Brasil neste lançamento. "Art. 40. Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento." É bom ressaltar que esta matéria já foi objeto de julgamento na 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária cuja Conselheira Carolina Landim, no Acórdão 2401003.202, de 17.09.2013, assim ementou: "ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91." Pelos fatos acima elencados, reputo inválido o lançamento. Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, por tempestivo, para darlhe TOTAL PROVIMENTO, excluindo todo crédito previdenciário em relação ao Banco do Brasil ante a força vinculante do Parecer AGU 55/2006 aprovado pelo Presidente da República, mantendo a cobrança tão somente em relação a empresa AIRTON ZOCH VINAS (CNPJ: 00.528.962/000118). Fl. 261DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 257 11 É como voto. Sala das Sessões, em 14 de Maio de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Voto Vencedor Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento esposado pela Ilustre Relatora relativo à responsabilidade solidária das sociedades de economia mista com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. DO LANÇAMENTO O presente processo tem por objeto o restabelecimento da exigência fiscal constituída pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 35.067.6690, declarada nula por vício formal pela 4ª CAJ – Câmara de Julgamento do CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDO SE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Tratase de lançamento fiscal para constituição de crédito tributário correspondente a contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incidentes sobre os seus respectivos Salários de Contribuição mensais incluídos em notas fiscais, faturas e recibos de obra de construção civil, apuradas por aferição indireta na forma da legislação previdenciária, devidas pelo Autuado em referência em razão da responsabilidade solidária da empresa contratante com o executor de obra de construção civil prevista no inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91, conforme descrito no Relatório Fiscal. Compete destacar que a NFLD nº 35.067.6690, referente aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999, foram substituídas por 67 Autos de Infração relativos a Contribuição Previdenciária – Parte segurados , sendo um Auto de Infração para cada empresa com a qual o Banco do Brasil é solidário. Deve ser enaltecido igualmente que, após a aplicação da regra estabelecida para o prazo decadencial na forma do art. 173, II do CTN, em combinação com os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, e pela adoção do mecanismo inscrito no art. 150, §4º do CTN, foram alcançados pelos Autos de Infração substitutos, tão somente, as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos a contar da competência novembro/96 até fevereiro/2001. No caso em apreço, colhemos do Relatório Fiscal que o presente lançamento é substituto da NFLD nº 35.067.6690, referente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro/1999, consistentes na remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas Fl. 263DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 258 13 quais o Banco do Brasil, na condição de contratante da obra, responde solidariamente, a teor do inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 124, II, do CTN. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) De acordo com o Relatório Fiscal, foi solicitada pela Auditoria Fiscal a relação de contratos de obras de construção civil realizados pelo Banco do Brasil a partir de MAIO de 1995, assim como os respectivos processos físicos. Em resposta ao pedido, a Instituição Financeira informou que os dados referentes aos contratos de construção/reforma/acréscimo, bem como as respectivas parcelas de pagamento, notas fiscais/faturas/recibos, são cadastrados no sistema informatizado SISPAG, fato comprovado pela Auditoria Fiscal através da confrontação das informações contidas no SISPAG com a documentação física dos processos. Diante de tal panorama, em razão da apresentação deficiente dos documentos solicitados, o crédito tributário houvese por apurado mediante aferição indireta, utilizandose no procedimento de arbitramento, subsidiariamente, as informações contidas no sistema SISPAG, revertendo em desfavor do Recorrente o onus da prova em contrário, a teor das determinações contidas no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS EMPRESAS ESTATAIS Louvouse a decisão adotada pela insigne Relatora na ausência de responsabilidade solidária da Administração Pública plasmada no Parecer AGU AC nº 55/2006. Aduz o voto de relatoria que as sociedades de economia mista também estariam compreendidas nas hipóteses de ausência de solidariedade acima citada, por serem integrantes da administração pública indireta. Ocorre, todavia, que tal hipótese de excepcionalidade apenas se aplica aos contratos administrativos, não espraiando efeitos sobre os contratos regidos pelo Direito privado, como assim se revelam os contratos firmados entre o Recorrente e as construtoras em questão. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 PARECER AGU Nº AC55/2006 DOU DE 24/11/2006 ADVOCACIAGERAL DA UNIÃO PROCESSOS Nº 00552.001601/200425, 00405.001152/9990 e 00404.004214/200614 Interessados: Ministério da Previdência Social – MPS Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina CEFET/SC Ministério da Defesa Comando do Exército Ministério da Fazenda MF Assunto: Contribuições previdenciárias. Contrato administrativo. Definição da responsabilidade tributária da contratante (Administração Pública) e do contratado (empregador) pelas contribuições previdenciárias relativas aos empregados deste. Lei nº 8.666/93, art. 71. Obras públicas. Contratação da construção, reforma ou acréscimo (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI) ou serviço executado mediante cessão de mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art 31). Distinção. Lei nº 9.711/98. Retenção. Adoto, nos termos do Despacho do ConsultorGeral da União nº 996/2006, para os fins do art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, o anexo PARECER Nº AGU/MS08/2006, da lavra do Consultor da União, Dr. MARCELO DE SIQUEIRA FREITAS, e submetoo ao EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, para os efeitos do art. 40, § 1º, da referida Lei Complementar. Brasília, 17 de novembro de 2006. ALVARO AUGUSTO RIBEIRO COSTA AdvogadoGeral da União Se distingue o contrato administrativo do contrato de direito privado pela supremacia do interesse público sobre o particular, circunstância que permite ao Estado certos benefícios sobre os contratados particulares que não existem nos contratos de Direito privado. Estes benefícios ou peculiaridades são denominados pela doutrina de cláusulas exorbitantes e são previstas nos contratos administrativos de forma explícita, nos termos do art. 58 da Lei nº 8.666/93, ou implícita, de maneira dispersa no corpo do citado Diploma Legal. Os contratos administrativos são regidos pelos preceitos de direito público, aplicandoselhes, supletivamente, os princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado, enquanto que os contratos firmados por pessoas jurídicas de direito privado são regidos, integralmente, pelas normas de direito privado, especialmente, o Código Civil. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993 Art. 54. Os contratos administrativos de que trata esta Lei regulam se pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público, aplicandoselhes, supletivamente, os princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 259 15 § 1o Os contratos devem estabelecer com clareza e precisão as condições para sua execução, expressas em cláusulas que definam os direitos, obrigações e responsabilidades das partes, em conformidade com os termos da licitação e da proposta a que se vinculam. § 2o Os contratos decorrentes de dispensa ou de inexigibilidade de licitação devem atender aos termos do ato que os autorizou e da respectiva proposta. Nos contratos administrativos, a administração pública atua respaldada pela supremacia do interesse público sobre o do particular. Por isso que tais contratos só se aplicam aos órgãos e entidades da Administração Pública stricto sensu, não alcançando as empresas públicas e as Sociedades de Economia Mista, as quais atuam no mercado em igualdades de condições que as demais empresas privadas. Não por outra razão, as empresas públicas e as Sociedades de Economia Mista tem natureza jurídica de pessoa jurídica de direito privado. Notese que a exclusão da responsabilidade solidária da Administração Pública encontra assento no regime jurídico introduzido pela Lei nº 9.711/98, em cotejo com as normas vertidas no art. 71 da Lei nº 8.666/93, na redação da Lei nº 9.032/95, o qual se insere no Capítulo normativo dos contratos administrativos, e apenas a estes sendo aplicável, não irradiando efeitos sobre os contratos regidos pelo Direito Privado. Repisese que os contratos administrativos notabilizamse pela inafastável supremacia da Administração Pública contratante sobre os contratados pessoa jurídica de direito privado, daí os contratos administrativos serem privativos dos órgãos de Poder, não se estendendo às pessoas jurídicas de direito privado cuja maioria do capital votante seja da titularidade da Administração Pública. Estes não são órgão de Poder Público, mas pessoas jurídicas de direito privado que atuam no mercado de bens ou serviços em igualdades de condições que as demais pessoas jurídicas de direito privado. A supremacia do Poder Público nos contratos administrativos é tão marcante que o art. 61 da Lei nº 8.666/93 impõe o dever de todo contrato mencionar a sujeição dos contratantes às normas dessa Lei e às cláusulas contratuais, de molde que o contratado não seja surpreendido pelos efeitos das cláusulas que extrapolem à sinalagmàtica dos contratos de Direito Privado, dever esse não demonstrado pelo Recorrente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 61. Todo contrato deve mencionar os nomes das partes e os de seus representantes, a finalidade, o ato que autorizou a sua lavratura, o número do processo da licitação, da dispensa ou da inexigibilidade, a sujeição dos contratantes às normas desta Lei e às cláusulas contratuais. (grifos nossos) §1º A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial, que é condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela Administração na mesma data de sua assinatura para ocorrer no prazo de 20 (vinte) dias, qualquer que seja o seu valor, ainda que sem ônus. § 2º (VETADO). § 3º (VETADO) Fl. 266DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Parágrafo único. A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial, que é condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura, para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu valor, ainda que sem ônus, ressalvado o disposto no art. 26 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.883/94) Por todo exposto, sendo os contratos firmados ente o Banco do Brasil S/A e a empresa construtora em questão regidos pelas normas de direito privado, não se qualificando tais contratos na condição de contrato administrativo stricto sensu regido pela Lei nº 8.666/93, entendo que à hipótese vertida nos autos não se aplica a exclusão de solidariedade prevista no Parecer AGU nº AC 55/2006, uma vez que este é de aplicação exclusiva aos contratos administrativos stricto sensu, não aos contratos regidos pelo Direito Privado. Merece ser mencionado que o Ordenamento Jurídico exige concurso público para a contratação de pessoal tanto pela administração pública stricto sensu, quanto pelas empresas que compõem a Administração Pública indireta. Todavia, as normas de direito público aplicamse, tão somente, aos servidores públicos investidos nos cargos da Administração Pública propriamente dita, enquanto que os trabalhadores das empresas públicas e das Sociedades de Economia Mista, pessoas jurídicas de direito privado, são regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, não pelo Regime Jurídico Único. De maneira análoga, o Ordenamento Jurídico também exige concurso público para a contratação de obras e outros serviços tanto pela administração pública stricto sensu, quanto pelas empresas que compõem a Administração Pública indireta. Todavia, as normas de direito público aplicamse, tão somente, aos Contratos Administrativos disciplinados na Lei nº 8.666/93, típicos da Administração Pública propriamente dita, enquanto que os contratos de obras e de serviços celebrados pelas empresas públicas e pelas Sociedades de Economia Mista, pessoas jurídicas de direito privado, são regidos pelo Direito Privado, mormente pelo Código Civil. Não se deslembre que o Parecer AGU nº AC 55/2006 é específico para os Contratos Administrativos. Aliás, a motivação para a prolação do citado Parecer decorreu, exatamente, em razão de contenda tributária existente entre diferentes órgãos da Administração Pública stricto sensu, cabendo à AdvocaciaGeral da União pacificar as controvérsias havidas, conforme item 3 do Despacho do ConsultorGeral da União que submeteu ao AdvogadoGeral da União a aprovação do mencionado parecer. “3. Penso que é exata a interpretação realizada pelo parecer em causa vez que reflete a melhor compreensão dos textos legais, podendo ser aprovado com os efeitos vinculantes para a administração (art. 40, §1º da Lei Complementar 73/93) vez que contendem diferentes órgãos no interior da Administração e cabe à AdvocaciaGeral da União pacificar as controvérsias havidas”. Ora ... não estando as Sociedades de Economia Mista inseridas no campo de atuação da Advocacia Geral da União, não detém esse órgão competência para transigir em nome do Banco do Brasil S/A. Conforme enaltecido pelo ConsultorGeral da União, os efeitos vinculantes do Parecer AGU nº AC 55/2006 alcançam, tão somente, os órgãos e entidades da Fl. 267DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 260 17 Administração Pública Federal, jamais as pessoas jurídicas de direito privado integrantes da, assim denominada, administração pública indireta. Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993 Art. 40. Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. §1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. §2º O parecer aprovado, mas não publicado, obriga apenas as repartições interessadas, a partir do momento em que dele tenham ciência. Por todo o exposto, voto no sentido da observância da responsabilidade solidária do Recorrente, Sociedade de Economia Mista, em virtude de as disposições aviadas no Parecer AGU nº AC 55/2006 produzirem efeitos, tão somente, sobre os contratos administrativos stricto sensu, não se irradiando sobre os contratos típicos de direito privado. Por tais razões, pugnamos pela manutenção do integral do lançamento em realce, com fundamento na responsabilidade solidária do proprietário ou do dono da obra com o construtor, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsto no inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 121, II e 124, II do Código Tributário Nacional. DO CHAMAMENTO AO PROCESSO Argumenta o Recorrente que a matrícula da obra e as contribuições previdenciárias devidas eram obrigações da empresa contratada, razão pela qual deve esta ser chamada a integrar o processo. Razão não lhe assiste. O chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiros prevista nos artigos 77 a 80 do CPC, configurandose como um incidente processual por intermédio do qual o devedor demandado chama para integrar o mesmo processo os coobrigados pela dívida, de modo a fazêlos também responsáveis pelo resultado da demanda. No processo civil, o chamamento ao processo figura como uma faculdade legal outorgada exclusivamente ao réu da demando. Ocorre, todavia, que no Processo Administrativo Fiscal não há assento reservado para tal modalidade de intervenção de terceiros, uma vez que a relação jurídica tributária se estabelece diretamente entre a Fazenda Pública e os responsáveis tributários pelo adimplemento da obrigação, os quais são formalmente cientificados do lançamento, quando então se lhes abre a oportunidade de impugnar a exigência fiscal. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Cabe enfatizar que, tratandose de lançamento por responsabilidade solidária do contratante pelas obrigações tributárias da contratada pela execução de obra de construção civil, inexiste benefício de ordem podendo o crédito tributário ser constituído em face do devedor principal ou em face do devedor solidário ou, ainda, em desfavor de ambos, simultaneamente, como sói ocorrer no presente caso, a teor do Parágrafo Único do art. 124 do CTN. No caso em apreciação, o devedor principal houvese por devidamente cientificado do lançamento, conforme documento a fl. 79, e Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, a fls. 77/78, deixando transcorrer in albis o prazo assinalado na lei, sem oferecer impugnação, configurandose, assim, a revelia, exclusivamente em seu desfavor. Todavia, tendo a relação jurídicoprocessual em palco multiplicidade de sujeitos passivos, a revelia do devedor principal não induz o efeito previsto no art. 319 do Código de Processo Civil, eis que o devedor solidário honrou impugnar, tempestivamente, a exigência fiscal em apreço, a teor do art. 320, I do CPC. Código de Processo Civil Art. 319. Se o réu não contestar a ação, reputarseão verdadeiros os fatos afirmados pelo autor. Art. 320. A revelia não induz, contudo, o efeito mencionado no artigo antecedente: I se, havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; II se o litígio versar sobre direitos indisponíveis; III se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público, que a lei considere indispensável à prova do ato. Teve, portanto, a contratada – devedor principal, a mesma oportunidade concedida à solidária de se manifestar nos autos do processo, favorecendo, dessarte o pleno acesso ao contraditório e a ampla defesa. Não fêlo, porém, anuindo, implicitamente, com os termos do lançamento, em atenção ao disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/1997) Nada obstante, tendo sido formalmente convidado o executor da obra a contestar a exação, independentemente de manifestação da contratada no Processo Administrativo Fiscal, a lei faculta ao devedor solidário o direito regressivo para reaver os valores por este diretamente recolhidos, conforme expressamente previsto o art. 30, VI da lei 8.212/91. Aditese que, nos termos assinalados no art. 322 do Pergaminho Processual Civil, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, configurada a revelia do devedor principal e não tendo este patrono constituído nos autos, os prazos lhe correrão independentemente de intimação a contar da publicação de cada ato decisório. Código de Processo Civil Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 261 19 Art. 322. Contra o revel que não tenha patrono nos autos, correrão os prazos independentemente de intimação, a partir da publicação de cada ato decisório. (Redação dada pela Lei nº 11.280/2006) Parágrafo único O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendoo no estado em que se encontrar. (Incluído pela Lei nº 11.280/2006) DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Alega o Recorrente que a sociedade de economia mista somente pode contratar mediante licitação pública, não devendo o Recorrente responder de forma solidária pelas obrigações do responsável pela execução. Aduz, em ádito, que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a corresponsabilidade solidária atribuída ao Recorrente. A razão não lhe sorri, porém. A sociedade de economia mista é uma Pessoa Jurídica de Direito Privado, criada com o propósito de implementar um processo de descentralização administrativa que consiste em delegar a uma entidade criada por lei a realização, mediante adoção de métodos de ação privada, de atividade estatal específica. Por isso lhe é atribuída personalidade jurídica de direito privado, para que, em suas operações e relações interna corporis, se submeta ao regime de direito privado. Como entidade administrativa que realiza atividade estatal fica, porém, a sociedade de economia mista sujeita ao influxo de normas de direito público compatíveis com o regime de direito privado. As relações interna corporis das sociedades de economia mista são regidas, em regra, por normas típicas de direito privado (arts. 235 e seguintes da Lei nº 6.404/76), mas algumas dessas relações recebem o influxo de normas de direito público, dado que a sociedade é um ente administrativo, dentre as quais sobressaem aquelas enunciadas no Dec. Lei nº 200/67 e na Lei das Licitações, além daquelas com ressalva constitucional, como é o caso da contratação de servidores mediante concurso público, dentre tantas outras. Nesse panorama, nem todos os aspectos da atuação de uma sociedade de economia mista, que cabem licitamente ao acionista controlador decidir no regime comum, ficam sujeitos às regras inerentes à administração pública, mas tão somente os aspectos que podem, por força de lei, receber o influxo de normas de direito público. Assim, ao Estado, que é o acionista controlador, não cabe impor às sociedades de economia mista todas as regras inerentes à administração pública, mas tão somente àquelas que se coadunam com o poder de supervisão do Poder Executivo ou que se harmonizam com os programas governamentais relacionados com a atividade da sociedade de economia mista. Todos os demais aspectos que contrariam o regime de direito privado a que se submetem as sociedades de economia mista, mesmo que, em princípio, sejam da competência do acionista controlador, são a este vedados por força do art. 27 e seu parágrafo único do Dec. Lei nº 200/67. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 No que pertine ao custeio da seguridade social, tanto as sociedades de economia mista como as empresas públicas, além dos órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, encontramse sujeitos aos rigores fixados na Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme assim estatui o art. 15 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (grifos nossos) II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Mostrase virtuoso também enveredar sobre algumas digressões acerca do instituto da solidariedade no ramo do Direito Previdenciário. A pedra fundamental sobre a qual se edifica a doutrina atinente à responsabilidade solidária encontrase assentada na Constituição Federal de 1988, cujo art. 146, topograficamente inserido no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, conforme se vos segue: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 262 21 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Imerso em tal contexto constitucional, o instituto da solidariedade alicerçou suas sapatas de escoramento no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. No plano infraconstitucional, no ramo do direito previdenciário, a matéria sob foco foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo inciso VI do art. 30, na redação que lhe fora outorgada pelas Leis nº 8.620/93 e 9.528/97, fixou de forma taxativa a responsabilidade solidária do proprietário, do incorporador, do dono da obra ou do condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) Fl. 272DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528/97) Sem ultrapassar os umbrais que lhe foram erguidos pelo CTN e pela Lei nº 8.212/91, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 2.173/1997, estatuiu, sem vias laterais de escape, que a responsabilidade solidária em realce somente seria elidida na exclusiva hipótese em que o executor da obra comprovasse o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. Regulamento da Previdência Social Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. §1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. (grifos nossos) §2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (grifos nossos) §3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. Mas não parou por aí. Disse mais. Sem deixar margens a dúvidas, o Regulamento da Previdência Social pavimentou o caminho a ser seguido pelos contratante e contratado na persecução da elisão em tela, ao impor ao executor da obra o dever jurídico tributário de elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas e individualizadas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Inúteis se revelam, portanto, qualquer outro meio diverso, eventualmente engendrado pelos atores em foco, contribuinte e responsável solidário, para se elidir do Fl. 273DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 263 23 instituto da solidariedade ora em apreciação, eis que a lei define, de maneira cristalina, ser aquela a única hipótese aceitável para que se proceda à elisão tributária em realce. Nesse panorama, havendo verificado o auditor fiscal a execução de obra de construção civil e não restando elidida a responsabilidade solidária pela via estreita fixada pela legislação previdenciária, estabelecese definitivamente a solidariedade em estudo entre o dono da obra e o executor, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face do contribuinte (o executor), ou diretamente em desfavor do responsável solidário (o contratante), ou contra ambos, sendo certo que o pagamento efetuado por um aproveita o outro. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a eleição do sujeito passivo a figurar no polo passivo da obrigação tributária, na ocasião do lançamento, é prerrogativa privativa da autoridade fiscal, consoante dessai das letras que conformam o art. 142 do codex tributário: Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia que colima, como objetivo precípuo, assegurar a arrecadação e a auxiliar a administração tributária na satisfação de seus interesses. Conferese dessarte, poder ao Fisco de exercer sua ação fiscalizatória diretamente sobre aquele que melhor lhe aprouver, pautandose, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. O Instituto da solidariedade justificase, portanto, pelo propósito de resguardar o adimplemento do crédito tributário, criando mecanismos para que o Estado Arrecadador possa indicar, com exclusividade, em face de quem promoverá o lançamento tributário, não havendo que se falar em benefício de ordem e nem em condições para o exercício desse direito que não estejam previstas em lei. A Lei de Custeio da Seguridade Social, ao estabelecer a hipótese de solidariedade em seu art. 30, VI , culminou por atribuir ao contratante de obra de construção civil a obrigação acessória de auxiliar o Fisco na fiscalização das empresas construtoras, fazendo com que aquele exija destas cópias autenticadas das individualizadas guias de recolhimento e respectivas folhas de pagamento, acenando, inclusive, com a possibilidade de retenção das importâncias devidas pelo executor para a garantia do cumprimento das obrigações previdenciárias. Não se mostra despiciendo salientar que as obrigações acessórias têm por objeto prestações, positivas ou negativas, estabelecidas pela legislação tributária no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, a teor do art. 113, §2º do CTN. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Nessa perspectiva, da fiel observância das obrigações assim impostas pela solidariedade resulta que tanto a empresa construtora quanto o dono da obra passam a ter, à sua disposição, toda a documentação indispensável e necessária para fiscalização sindicar, pelos meios ordinários, o efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias referentes aos serviços assim contratados. Com efeito, o arcabouço normativo dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Nesse particular, como fruto do mecanismo fiscalizatório da solidariedade, a empresa tomadora passa a dispor da folha de pagamento dos trabalhadores cedidos e as GPS correspondentes, situação que somente não ocorrerá caso a contratante se descuide da obrigação acessória em realce, explicitamente imposta pela lei. Tal inobservância frustra os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, obrigandoos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos destacados no parágrafo precedente, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos, títulos diversos da contabilidade, Custo Unitário Básico da obra, etc. Como consequência, nas ocasiões em que o conhecimento fiel da ocorrência de fatos jurígenos tributários e/ou do montante tributável a eles associado não for viável pelo exame direto dos documentos específicos indicados adrede pela lei, o ordenamento jurídico admite e legitima o emprego excepcional da aferição indireta da base de cálculo, transferindo se para os ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrário, conforme previsão taxativa expressa nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Fl. 275DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 264 25 §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Salientese que o próprio CTN prevê a prerrogativa do agente fiscal de arbitrar, mediante processo regular de aferição indireta, o valor ou preço de bens, direitos, serviços e atos jurídicos, sempre que estes sejam tomados por base para o cálculo do tributo, e sejam omissas, ou não mereçam fé, as declarações ou esclarecimentos prestados ou documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Código Tributário Nacional CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Registrese que o poder conferido pela lei ao dono da obra de exigir do executor cópias autenticadas das folhas de pagamento e das guias de recolhimento acima pontuadas não se consubstancia numa mera faculdade do tomador, mas, sim, num ônus que lhe é avesso, o qual lhe assegurará a elisão da comentada responsabilidade solidária. Em reforço às diretivas ora enunciadas, o item 27 da Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997 dispõe expressamente que a responsabilidade solidária do contratante será imediatamente apurada pela fiscalização na forma do disposto no seu Título V, quando este não apresentar as cópias de GRPS correspondentes às notas fiscais de serviço/fatura de empresas de construção civil a seu serviço. Diante de tal cenário jurídico, revelamse órfãs de embasamento jurídico as alegações de que a sociedade de economia mista, por somente poderem contratar mediante licitação pública, não devem responder de forma solidária pelas obrigações do responsável pela execução da obra, e a de que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a corresponsabilidade solidária atribuída ao Recorrente. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Isso porque as sociedades de economia mista sujeitamse a todas as normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91, por força de seu art. 15, além de tanto a Lei de Custeio da Seguridade Social quanto o próprio CTN estatuírem, com clareza solar, que a solidariedade tributária não comporta o benefício de ordem. Com efeito, sob a ótica da garantia, da eficiência e da agilidade da atuação da Administração Tributária na recuperação de créditos previdenciários, exigirse a fiscalização conjunta do dono da obra e do construtor ou o lançamento primeiramente em face deste e, subsidiariamente, em face daquele, configurarseia um verdadeiro contrassenso, esvaziando por completo o sentido teleológico do instituto em análise, tornandoo inócuo. De outro eito, sob a ótica legal, tal procedimento representaria negativa de vigência aos preceitos inscritos no art. 30, VI da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.528/97, ferindo os mais comezinhos princípios de Direito. Tal compreensão não se atrita com as orientações pautadas no Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000, de cuja redação deflui não haver impedimentos legais para se constituir o crédito tributário tanto em face do contribuinte, como em desfavor do responsável tributário, conforme se depreende dos excertos transcritos a seguir, para uma perfeita compreensão de seus fundamentos. Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 (...) 10. No caso em tela, com a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder ao lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário, obviamente, pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário. Pode ser feito em relação ao contribuinte e depois em relação ao responsável, ou ainda, somente em função do responsável tributário. 11. Isto porque o contribuinte e o responsável tributário são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Cabe, portanto, ao credor escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E obviamente poderá fazêlo em relação a todos os coobrigados, ou em relação a apenas um deles. (grifos nossos) 12. Havendo responsabilidade solidária, o INSS deve cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Deve negar a expedição de CND para os dois e deve inscrever o nome de um e do outro no cadastro de inadimplentes, pois ambos são responsáveis solidários pelo valor total da obrigação. 13. Por outro lado, a lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação à mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir outro crédito. Por outro lado, pode ainda ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Pode ainda constituir um crédito contra o Fl. 277DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 265 27 responsável e um outro contra o contribuinte, pois o crédito tributário não se confunde com a obrigação tributária que, neste caso, será sempre a mesma. 14. O que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. 15. Vejase, portanto, que sobre uma mesma obrigação tributária podem existir diversos créditos tributários, sem que com isso se possa afirmar que esteja havendo bis in idem. Este só ocorreria se houvesse duplicidade de pagamento. Até a ocorrência deste, ou a negociação da dívida, através de um contrato de parcelamento, por exemplo, não há que se falar em bis in idem. 16. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. 17. Nos casos de responsabilidade solidária, o credor pode escolher, dentre os coresponsáveis solidários, contra quem irá exigir a satisfação da obrigação. A escolha de um deles não exclui a responsabilidade dos demais até mesmo quando a Certidão de Dívida Ativa não contempla o nome do responsável tributário. Nestes casos, a Jurisprudência vem admitindo que a execução fiscal seja direcionada ao responsável, mesmo quando o nome deste não esteja na CDA. 18. Vejamos a propósito o seguinte precedente do Eg. Superior Tribunal de Justiça: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE FRAUDE À EXECUÇÃO CARACTERIZAÇÃO. Sóciogerente que dissolve irregularmente a sociedade, deixando de recolher os tributos devidos, infringe a lei e se torna responsável pela dívida da empresa. Mesmo não constando da CDA o nome dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, podem ser citados, e ter seus bens penhorados para o pagamento de dívidas da sociedade da qual eram sócios. Para a caracterização da fraude à execução basta que a alienação seja posterior à existência de pedido de executivo despachado pelo juiz, não sendo necessária e efetivação da citação. (STJ, 1ª Turma, REsp 193226/SP, Relator Min. GARCIA VIEIRA, julgado em 14.12.1998, publicado no DJ de 08.03.1999). 19. Portanto, não há "bis in idem". O que há é a possibilidade, para o credor, de escolher, dentre os devedores solidários, contra qual deles irá forçar o cumprimento da obrigação Fl. 278DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 tributária. Esta cobrança, portanto, pode se dar em relação a um dos coobrigados, em relação a todos ou em relação apenas ao responsável. Não há, portanto, nenhuma vedação legal a isso e nem haverá cobrança em duplicidade. O Egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, lançando definitivamente uma pá de cal nessa infrutífera discussão, consoante se depreende do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2002/00892216, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: Processo AgRg no Ag 463744 / SC ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2002/00892216 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador TI PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 20/05/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 02.06.2003 p. 192 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELO RECOLHIMENTO DOS VALORES DEVIDOS PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. DESPROVIMENTO. I. O artigo 31 da Lei 8.212/91 impõe ao contratante de mãode obra a solidariedade com o executor em relação às obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como outorga o direito de regresso contra o executor, permitindo, inclusive, ao tomador a retenção dos valores devidos ao executor para imporlhe o cumprimento de suas obrigações. 2. Para a empresa tomadora de serviços isentarse da responsabilidade pelo não pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela prestadora de serviço, é necessário que demonstre o efetivo recolhimento destas contribuições. 3. O Agravante não trouxe argumento capaz de infirmar o decisório agravado, apenas se limitando a corroborar o disposto nas razões do Recurso Especial e no Agravo de Instrumento interpostos, de modo a comprovar o desacerto da decisão agravada. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Quanto à alegação de que a matrícula era de responsabilidade da contratada e que o conceito de obra de construção civil se refere, exclusivamente, a obra de grande vulto, também não lhe confiro razão. A legislação previdenciária estabelece os casos em que é necessária a abertura de matrícula para as obras de construção civil, sejam elas de grande ou de pequeno vulto. Por outro viés, o debate acerca de matrícula de obra é impertinente ao processo em debate, haja vista que a obrigação principal e a responsabilidade solidária aqui Fl. 279DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 266 29 tratadas independem do vulto da obra, da responsabilidade pela formalização da matrícula, até mesmo da condição da obra possuir ou não matrícula. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente tópico, podese asselar categoricamente que o procedimento adotado pela fiscalização, consistente no lançamento direto em face do devedor solidário, não se encontra eivado de qualquer vício de legalidade. DAS CND EXPEDIDAS Pondera o Recorrente que as CND expedidas à época das autuações originais certificam que a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada perante o INSS. A cantilena ora esposada não merece o abrigo pretendido. Conforme demonstrado no tópico anterior, por disposição expressa dos §§ 3º e 4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação atribuída pela Lei nº 9.032/95, a responsabilidade solidária em apreço somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, devendo para tanto o cedente da mãodeobra elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópias autenticadas de tais documentos. Outro não é o Direito legislado na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997, in verbis: Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165, de 11 de julho de 1997 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, autenticada pelo Posto de Arrecadação e Fiscalização ou por cartório, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea "b", além de folha de pagamento. No caso em estudo, compulsando os autos, não nos deparamos com as guias de recolhimento capazes de elidir a responsabilidade do contratante, nas condições de contorno determinadas pela lei, digase, cortejadas pelas respectivas folhas de pagamento Fl. 280DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 individualizadas por tomador, condição sine qua non para a elisão da responsabilidade solidária ora em debate. Da mesma forma, não há qualquer evidência nos autos, quanto mais comprovação, de que a prestadora em relevo tenha recebido CND referente ao período fiscalizado. Por outro lado, mas ária de outra ópera, cumpre trazer à balha que a expedição de CND não representa reconhecimento de inexistência de obrigações tributárias passíveis de lançamento, tampouco se constitui em modalidade de extinção do crédito tributário, eis que não prevista nas hipóteses assentadas numerus clausus no art. 156 do Código Tributário Nacional que rege a matéria. O que se deseja encarecer é que a CND apenas atesta que, no momento de sua emissão, não havia crédito constituído exigível em desfavor da empresa signatária da certidão, tanto assim que no instrumento de certidão encontrase consignada a ressalva que alerta o beneficiário do direito da Previdência Social de cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, nos termos do §1º do art. 47 da Lei nº 8.212/91: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art.47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032/95). (...) §1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O fisco federal, com fundamento no instituto da responsabilidade solidária já tanto depurado nos tópicos precedentes, demonstrou as circunstâncias constitutivas do seu crédito, eis que demonstrada a prestação de serviços de construção civil sem a devida comprovação do recolhimento prévio das contribuições previdenciárias respectivas, não logrando o Recorrente produzir os meios de prova hábeis a desconstituir o lançamento que ora se opera. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Alega o Recorrente a ausência de normativo legal para a fixação da base de cálculo no percentual de 40%. Os argumentos expendidos pela empresa não merecem prosperar. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 267 31 O art. 146 da CF/88 outorgou à Lei Complementar a competência para ditar normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários e contribuintes, dentre outras. No exercício de tal competência, louvou o art. 148 do CTN prescrever que, nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Inserido no escopo iluminado no parágrafo precedente, o art. 33 da Lei nº 8.212/91 honrou estabelecer, de forma hialina, imune a qualquer questionamento, que nas hipóteses de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. No procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, valor presumido de mão de obra empregada em serviços executados mediante cessão de mão de obra, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta, a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que em princípio lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. No caso ora em apreciação, o Recorrente não logrou elidir a responsabilidade solidária que lhe fora imputada pela lei, decorrente da contratação de serviços de construção civil. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 A fiscalização intimou a empresa, mediante termo próprio, a apresentar a relação de contratos de obras de construção civil realizadas pelo Banco do Brasil a partir de maio/95, assim como os respectivos processos físicos. Em resposta ao pedido, a Instituição Financeira informou que os dados referentes aos contratos de construção/reforma/acréscimo, bem como as respectivas parcelas de pagamento, notas fiscais/faturas/recibos, encontravamse cadastrados no sistema informatizado SISPAG, fato comprovado pela Auditoria Fiscal. Nesse contexto, utilizaramse as informações contidas no sistema informatizado acima citado subsidiariamente nos casos de apresentação deficiente dos documentos solicitados, conforme determina o §3º do art. 33, da Lei nº 8.212/91. Com base em tais informações, elaborouse planilha eletrônica com vistas à utilização na Auditoria Fiscal. Na sequência, do exame da documentação física apresentada pelo Recorrente para o fim de comprovação de elisão da responsabilidade solidária, procedeu se aos ajustes necessários na referida planilha através de retificações e exclusões dos valores lançados. Como resultado final foram apuradas as diferenças de base de cálculo, em relação às quais não houve a devida comprovação do recolhimento prévio, não se consumando, em consequência, em relação a estas, a elisão da responsabilidade solidária. Não tendo o Recorrente comprovado o recolhimento prévio das contribuições devidas, mediante a anexação, pela contratada, à nota fiscal de serviço de cópia da GRPS quitada, autenticada pelo Posto de Arrecadação e Fiscalização ou por cartório, além de folha de pagamento, valeuse a autoridade lançadora, escudada pelo permissivo legal há pouco revisitado, do critério de apuração das contribuições previdenciárias devidas via aferição indireta da base de cálculo, conforme os procedimentos estabelecidos para esse fim na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997, aplicandose para a apuração da remuneração, os percentuais estabelecidos de acordo com a atividade desenvolvida pela empresa prestadora de serviços constantes em seu subitem 31, conforme ilustrado no Demonstrativo a fls. 25/26. A matéria em relevo já foi bater às portas da Suprema Corte, em precedente específico sobre o tema, proferido quando do julgamento do RE nº 579.281/PR, da lavra do eminente Ministro Cezar Peluso, DJe de 14/3/08, assim ementado: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA ANULATÓRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. Não padece de vício de legalidade a Ordem de Serviço nº 083/93, que estabelece percentuais a incidirem sobre o valor bruto de nota fiscal de serviço ou fatura, na hipótese de aferição indireta do salário de contribuição. Tratase de regulamentação do procedimento de arbitramento, a estabelecer critérios para tanto. Do contrário, não existiriam parâmetros objetivos para o Fisco proceder ao levantamento do débito nos casos em que não dispusesse de elementos concretos para fazêlo, ante a imprestabilidade ou inexistência de escrita contábil relativa a mãodeobra empregada pelo contribuinte’ (fl. 308). A recorrente, com fundamento no art. 102, III, a, alega violação ao disposto nos arts. 5º, II; 37; 146, III, a; e 150, I, da Constituição Federal. Inadmissível o recurso. E não se menospreze o poder normativo das Ordens de Serviço acima revisitadas. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República Fl. 283DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722781/201041 Acórdão n.º 2302003.169 S2C3T2 Fl. 268 33 afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32/2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Sintonizado nessa mesma frequência, a Suprema Lei reservou aos Ministros de Estado a competência para expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: I exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República; II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; (grifos nossos) III apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério; IV praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República. Assim, sob o Manto Constitucional desfraldado nos parágrafos precedentes, foram editadas as Ordens de Serviço acima transcritas, condição que revela serem improcedentes as alegações deduzidas pela empresa de ausência de normativo legal para a fixação da base de cálculo no percentual de 40% do valor bruto das notas fiscais/faturas. Depreendese do exposto que as Ordens de Serviço e Instruções Normativas expedidas pelos órgãos da administração direta defluem da competência constitucional do Presidente da República e dos Ministros de Estado, estes últimos, para complementar e concretizar a vocação presidencialista, constitucionalmente afigurada. Por via de consequência, os instrumentos normativos expedidos pelos órgãos da administração direta Fl. 284DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 fulguram como emanações de agentes políticos de elevada estatura – Presidente da República e Ministros de Estado – ocupantes do arquétipo fundamental de Poder, os quais, nestas circunstâncias, aliamse para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assentado que os instrumentos normativos suso citadas são dotados de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência e Assistência Social e do Ministério da Fazenda, deflui daí que, na apuração por aferição indireta da mão de obra empregada em obra ou serviço de construção civil, o Salário de Contribuição será fixado em 40%, no mínimo, do valor bruto consignado nas notas fiscais de serviço/faturas correspondentes. Por derradeiro, o Recorrente pondera que a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. No caso sobre o qual nos debruçamos, ante a inexistência de vícios a macular o processo, motivos não se avultaram para a anulação do lançamento, uma vez que, conforme demonstrado, o procedimento houvese por conduzido de acordo com a estreita parametrização fixada na lei. Também não vislumbramos razão para rever de ofício o lançamento eis que não restou demonstrada qualquer das ocorrências autorizadoras do revisional fixadas no art. 149 do CTN. Conforme evidenciado, restam improcedentes as alegações desfiladas pelo Recorrente, não carecendo a decisão de Primeira Instância, alfim, qualquer reparo. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Redator designado. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 16682.720028/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008
MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62-A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da lavratura a multa relativa à competência 01/2007. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008 MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 28 /2 01 0- 55 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da lavratura a multa relativa à competência 01/2007. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720028/201055 Acórdão n.º 2401003.336 S2C4T1 Fl. 373 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 42.986 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.265.0430. O AI foi lavrado para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Consoante o relatório fiscal, fl. 122, o sujeito passivo omitiu em GFIP fatos geradores das contribuições previdenciárias, consistentes em pagamentos realizados a título de “participação nos lucros e resultados”, “indenização adicional acordo coletivo”, “gratificação especial” e “prêmio de campanha de vendas”. Esclarece que a análise material das parcelas de “PLR” está detalhada nos autos de infração nº 37.265.0457 (16682.720030/201024) e 37.265.0473 (16682.720032 201013), ao passo que as demais verbas nos processos nº 37.265.0481 (16682.720.092/2010 36) e 37.265.0503 (16682.720094/201025). No Relatório Fiscal de Aplicação da Multa (fl. 123), a autoridade autuante esclarece que a multa aplicada corresponde a 100% do valor devido relativo às contribuições não declaradas em GFIP, demonstrando no Anexo II (fl.617) o valor que deixou de ser declarado, por competência, e o cálculo da multa que teve por base legal o art. 32, IV e § 5º da Lei 8212/91 c/c art. 284, inciso II do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, com valor atualizado pela Portaria MPS/MF nº 333, de 29/06/2010, alcançando o valor de R$ 136.020,05. Adicionalmente, informa que o lançamento foi realizado já na vigência da Medida Provisória 449 de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, a qual modificou a forma de cálculo da multa para a infração objeto deste lançamento. Assim, em obediência ao artigo 106, II, “c” do CTN e ao artigo 44, I da Lei 9.430/97, foi feito o comparativo entre os valores de multa apurados de acordo com a sistemática anterior e aqueles apurados pelo critério do artigo 35A da Lei 8.212/91 (após a alteração pela MP 449/2008), verificandose qual a mais benéfica ao contribuinte. Verificou a fiscalização, conforme planilha intitulada Anexo III, que a multa vigente à época do fato gerador é mais benéfica ao contribuinte nas competências 01/2007, 02/2007, 08/2007 e 02/2008, sendo por isto lavrado este Auto de Infração com base nesta legislação, apenas para estas competências. Nas demais competências foi aplicada a legislação vigente no momento da ação fiscal. O órgão de primeira instância, baseado no fato de que o presente AI guarda conexão com aqueles em que foram exigidas as contribuições decorrentes do descumprimento da obrigação principal relativa aos fatos geradores omitidos na GFIP, vinculou o resultado do julgamento do processo sob análise aos julgamentos dos processos conexos. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Concluiu que mesmo tendo afastado a exigência de contribuições incidentes sobre a “indenização adicional” e a “gratificação especial”, estes valores não afetariam o cálculo da multa, posto que mesmo com a exclusão destas parcelas a penalidade permaneceria acima do máximo legal aplicável. Foi, assim, negado provimento ao recurso. O sujeito passivo, em seu recurso, pediu inicialmente o julgamento deste processo em conjunto com aqueles em que se discute a exigência das obrigações principais. A seguir, afirma que as parcelas remanescentes nos processos em que se apurou as contribuições (PLR e campanhas de vendas) ainda se encontram sob discussão, não havendo descumprimento de obrigação acessória enquanto não julgadas definitivamente os feitos relativos a exigência das obrigações principais. Afirma que não pode ser compelida a retificar suas GFIP, escrita contábil e folhas de pagamento para incluir fatos geradores que se encontram sob discussão. No mérito, defende a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de “participação nos lucros e resultados” e “prêmio de campanha de vendas” , reproduzindo os argumentos já aduzidos nos autos de infração nº 37.265.0457 (16682.720030/201024), 37.265.0473 (16682.720032201013), 37.265.0481 (16682.720.092/201036) e 37.265.0503 (16682.720094/201025). Ao final, pede o provimento do recurso, ou sobrestamento do feito até que sobrevenha decisão final no Recurso Extraordinário n. 569.441/RS, processado sob o rito da repercussão geral no STF. Afirma que essa providência tem como fundamento os §§ 1. e 2. do art. 62A do RI CARF. É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720028/201055 Acórdão n.º 2401003.336 S2C4T1 Fl. 374 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Sobrestamento do feito Invocando os §§ 1. e 2. do art. 62A do RI CARF, o sujeito passivo requer o sobrestamento do feito até que sobrevenha decisão final no Recurso Extraordinário n. 569.441/RS, processado sob o rito da repercussão geral no STF. O pedido de sobrestamento não tem mais amparo legal. É que a Portaria MF n. 545, de 18/11/2013 (DOU 20/11/2013, revogou os §§ 1. e 2. do art. 62A do RI CARF. As regras da nova Portaria por serem de direito processual têm aplicação imediata, afastando a pretensão do sujeito passivo de ter o feito sobrestado. Ocorrência da Infração Considerando que este AI contempla apenas fatos geradores ocorridos nas competências 01, 02 e 08/2007 e 02/2008 e que as contribuições sobre os valores pagos a título de premiação de campanha de vendas circunscrevemse apenas à competência 09/2008, esta parcela é estranha a presente lide. Remanesce, portanto, a discussão sobre as verbas pagas a título de PLR. Esta turma tem entendido que os julgamentos de autuações por falta de recolhimento do tributo devem ser efetuados conjuntamente com as lavraturas decorrentes de omissão de contribuições na GFIP. Esse procedimento tem razão de ser no fato do colegiado entender que o auto de infração por descumprimento da obrigação acessória de apresentar Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias tem conexão com o lançamento da obrigação principal. Por essa linha de entendimento a verificação da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP dáse no momento da apreciação da obrigação principal. Assim, declarandose improcedentes as contribuições lançadas, deve o resultado refletirse no lançamento decorrente de descumprimento da obrigação acessória de não declarar as contribuições excluídas na GFIP. Diante disso, tendo sido declarados parcialmente improcedentes os lançamentos relativos à exigência das contribuições incidentes sobre a PLR, deve ter o mesmo destino a lavratura pela falta de declaração dos tributos na GFIP. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Das parcelas a serem excluídas do cálculo da multa Levandose em conta as exclusões das contribuições nos AI para apuração das obrigações principais, devem ser desconsideradas do cálculo da multa as remunerações constantes do Anexo I (fls. 124 e segs) do presente AI, conforme tabela abaixo: COMP PARCELAS PARA EXCLUSÃO 01/2007 Levantamento P3 Levantamento IA Obs: multa totalmente excluída 02/2007 Para esta competência, a exclusão do levantamento IA não provocará alteração no cálculo da multa, posto que esta permanecerá acima do teto legal. 08/2007 Para esta competência, a exclusão do levantamento P3 e IA não provocará alteração no cálculo da multa, posto que esta permanecerá acima do teto legal. 02/2008 Para esta competência, a exclusão do levantamento GE e das remunerações afastadas do levantamento PN não provocará alteração no cálculo da multa, posto que esta permanecerá acima do teto legal. Conclusão Voto por afastar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da lavratura a multa relativa à competência 01/2007. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10768.008740/99-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2102-002.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar os embargos de declaração, por inexistência do erro material alegado. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Acompanhou o julgamento o Dr. André Torres dos Santos, OAB/DF nº 35.161.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Redatora-designada
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar os embargos de declaração, por inexistência do erro material alegado. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Acompanhou o julgamento o Dr. André Torres dos Santos, OAB/DF nº 35.161. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Redatora-designada EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar os embargos de declaração, por inexistência do erro material alegado. Vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Acompanhou o julgamento o Dr. André Torres dos Santos, OAB/DF nº 35.161. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Redatoradesignada EDITADO EM: 14/04/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 87 40 /9 9- 15 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/06/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008740/9915 Acórdão n.º 2102002.866 S2C1T2 Fl. 430 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do Acórdão n° 10614.849, proferido pela 6º Turma do então Primeiro Conselho de Contribuintes em 11 de Agosto de 2005, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 394/396 pelo contribuinte, sob a alegação de que a decisão embargada padeceria de erro material. O alegado erro material residira no fato de que: II. DOS FATOS NÃO LEVADOS EM CONSIDERAÇÃO 4. Nos termos do V. Acórdão de fls., essa C. Sexta Camara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes houve por bem negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo ora Embargante, para determinar incabível a compensação dos valores recolhidos a titulo de IRRF, pelo ora Embargante BANCO BBM, sobre recursos aplicados pela ELETROS FUNDAÇÃO ELETROBRAS SEG. SOCIAL ("ELETROS") no BBM Arbitragem Institucional Fundo de Investimento e Financiamento. 5. Notese, contudo, conforme os Embargantes tiveram conhecimento após proferido o V. Acórdão de fls., que não obstante se encontrar amparada por provimento jurisdicional que lhe assegurava a inexigibilidade do crédito tributário, a ELETROS aderiu ao Regime Especial de Tributação introduzido pela Medida Provisória n° 2.222 (doc. 2) e recolheu os valores de IRRF até então discutidos com os beneficios da referida anistia. (...) 7. Dessa forma, notese que tal pagamento pela Eletros fez com que os recolhimentos a titulo de IRRF já efetuados pelo Embargante se tornassem "pagamentos em duplicidade" — porquanto se referirem a débito tributário já extinto —, de maneira que o Embargante BANCO BBM entende ter direito a compensar esses valores recolhidos em duplicidade, sob pena de caracterizarse um enriquecimento indevido por parte da Fazenda Nacional. A Embargante requer ao final que: 9. Assim sendo, e face aos argumentos expostos anteriormente, os Embargantes requerem o conhecimento e o provimento do presente recurso de Embargos de Declaração, para que seja Fl. 471DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/06/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008740/9915 Acórdão n.º 2102002.866 S2C1T2 Fl. 431 3 sanado o erro material apontado, bem como seja revisto o V. Acórdão embargado para que, por força do principio da verdade material, seja julgado procedente o pedido de compensação formulado. A fim de sanar/esclarecer os vícios apontados nos referidos embargos, devem os mesmos ser submetidos à Turma para julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Conforme relatado, tratase de embargos opostos sob a alegação de que o julgado embargado padeceria de erro material, que deveria ser sanado por esta turma julgadora. O alegado erro material residiria no fato de que após o julgamento do Recurso Voluntário em questão (nas palavras dela mesma, como transcrito acima) teve ela ciência de que a ELETROS (empresa que sofreu a retenção do IRRF retido) teria aderido ao RETT, e nele incluído o IRRF aqui em discussão, de forma que o crédito tributário em questão já teria sido pago, e por isso o imposto retido se tornaria indébito tributário, já que pago “em duplicidade”. Tratandose de reconhecido indébito tributário, surgiria então o seu direito à compensação pretendida, que deveria ser reconhecida por esta turma julgadora. Com efeito, antes de entrar no mérito dos embargos, é imperioso salientar que não se pode reconhecer ter havido o erro material suscitado pela Embargante simplesmente porque não se pode falar em erro quanto a situações que não eram conhecidas por ocasião do julgamento do acórdão embargado. Ora, se o fato de a ELETROS ter aderido ao RETT e através dele ter quitado o IRRF aqui em discussão não era de conhecimento dos julgadores por ocasião da apreciação do Recurso Voluntário, não se pode falar em erro material e tampouco em omissão no julgado embargado (quanto a este fato). Por outro lado, entendo que assiste razão à Embargante no que diz respeito ao princípio da verdade material, e em atendimento ao mesmo, pareceme que os embargos devam ser apreciados por um outro motivo. É que se mantido o indeferimento do pedido de compensação da forma como foi formulado, a Embargante jamais terá o direito de reaver o crédito que alega ter sido recolhido indevidamente (e agora em duplicidade). Por isso, e considerando o próprio fundamento da decisão embargada (de que deverseia aguardar o término do processo judicial para verificar a efetiva existência de direito creditório), um outro documento constante dos autos chama a atenção e deveria ter sido levado em consideração por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/06/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008740/9915 Acórdão n.º 2102002.866 S2C1T2 Fl. 432 4 Tratase da correspondência através da qual a ELETROS (fls. 53) atesta ter recebido da Embargante o montante relativo às retenções do IRRF em comento e ainda lhe autoriza a requerer a devolução do imposto pago aos cofres públicos, comprometendose a arcar com o ônus do mesmo imposto caso viesse a ser exigido no futuro em razão de um desfecho desfavorável na ação judicial então proposta. Este documento foi devidamente mencionado no relatório do acórdão embargado, como demonstra o seguinte trecho: que em razão da retenção, a Eletros requereu ao BBM S/A a devolução deste valor indevidamente retido e recolhido, o que fez através de carta, subrogando os direitos do crédito referido ao BBM S/A; que foi por essa razão que o BBM S/A requereu a compensação em exame; que quando foi efetuado o pedido de compensação, a mencionada carta não foi anexada, e que por isso a Deinf/RJ indeferiu o pedido com base no art. 166 do CTN; Ocorre que, a despeito de haver expressa menção ao mesmo no relatório, o voto condutor do aresto recorrido não fez menção a ele e não levou este fato em consideração nas suas razões de decidir. Por isso, vislumbro verdadeira omissão naquele julgado que deve agora ser sanada. Assim, VOTO no sentido de CONHECER dos embargos opostos. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, Redatoradesignada Com a devida vênia, divirjo da ilustre relatora quanto ao acolhimento dos embargos de declaração. Veja que, os embargos de declaração foram propostos pela contribuinte sob a alegação de erro material. Tal proposta foi devidamente rejeitada pela relatora, no que concordo integralmente. Contudo, a relatora vencida entendeu haver omissão no acórdão embargado em razão de o mesmo não ter apreciado uma correspondência, fls. 53, através da qual a Eletros atesta ter recebido da embargante o montante relativo às retenções do IRRF em comento e ainda lhe autoriza a requerer a devolução do imposto pago aos cofres públicos, comprometendose a arcar com o ônus do mesmo imposto caso viesse a ser exigido no futuro, em razão de um desfecho desfavorável na ação judicial então proposta. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/06/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008740/9915 Acórdão n.º 2102002.866 S2C1T2 Fl. 433 5 De pronto, devese dizer que esta possível omissão sequer foi mencionada nos embargos de declaração opostos pela contribuinte. Por outro lado, no recurso interposto pela embargante temse que as alegações suscitadas foram no sentido de dizer que no momento da retenção e do recolhimento do imposto, sua exigibilidade estava suspensa por força de liminar e que estando a exigibilidade do crédito suspensa, o recolhimento efetuado seria indevido e geraria um indébito a ser ressarcido. Da leitura do voto condutor da decisão embargada, verificase que as alegações trazidas no recurso foram fartamente apreciadas e a decisão de negarse provimento ao recurso está perfeitamente fundamentada, sendo certo que a apreciação do documento, fls. 53, não foi necessária para o deslinde da questão. Assim, não há que se falar em existência de omissão no acórdão embargado, razão porque devem os embargos de declaração serem rejeitados. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Redatora designada Fl. 474DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/06/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por NUB IA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10283.001067/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2003
NULIDADE DO LANÇAMENTO.VICIO FORMAL. CERCEAMENTO DE DEFESA
Anula-se o lançamento quando devidamente comprovado a ocorrência de
vício formal que importe em cerceamento de defesa.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-002.978
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que votou pelo provimento ao Recurso de Ofício, por entender ser nulo o lançamento por vício material
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO.VICIO FORMAL. CERCEAMENTO DE DEFESA Anula-se o lançamento quando devidamente comprovado a ocorrência de vício formal que importe em cerceamento de defesa. Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que votou pelo provimento ao Recurso de Ofício, por entender ser nulo o lançamento por vício material Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.001067/200851 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2302002.978 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DO AMAZONAS CEAM Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO.VICIO FORMAL. CERCEAMENTO DE DEFESA Anulase o lançamento quando devidamente comprovado a ocorrência de vício formal que importe em cerceamento de defesa. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que votou pelo provimento ao Recurso de Ofício, por entender ser nulo o lançamento por vício material Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 10 67 /2 00 8- 51 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10283.001067/200851 Acórdão n.º 2302002.978 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.141.2242: consolidado em 26/12/2007, em face da COMPANHIA ENERGÉTICA DO MARANHÃO CEAM. no valor de R$ 14.131.632,34 (quatorze milhões, cento e trinta e um mil e seiscentos e trinta e dois reais e trinta e quatro centavos), referente a contribuições previdenciárias parte patronal, segurados, Terceiros e Sat, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como às contribuições incidentes sobre auxílio transporte e auxílio alimentação, no período de 01/09/1999 a 31/12/2003, declaradas ou não em GFIP. Segundo o relatório fiscal, a notificação é composta de 6 (seis) levantamentos, a seguir descritos: AUT — AUTÔNOMOS (11/1999 a 12/2003): referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (pessoas físicas). Tal levantamento foi obtido da análise dos Livros Diário e Razão AL — AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO (09/1999 a 12/2003): referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a segurados empregados a titulo de alimentação, obtidas em folha de pagamento subtraindo os valores que foram descontados dos empregados. Segundo a fiscalização a empresa não seguiu o que determinam as regras contidas do Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, AT — AUXÍLIO TRANSPORTE (02/2001 a 12/2003): referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a segurados empregados a titulo de auxilio transporte, obtidas em folha de pagamento. Informa a fiscalização que a empresa não efetua o desconto de 6% (seis por cento) dos empregados indo de encontro ao disposto na Lei n° 7.418/1985; DIR — DIRETORIA (09/1999 a 12/1999): referese as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (conselheiros administrativos e fiscais); GFN — VL NÃO DECLARADO EM GFIP AUDIG (09/1999 a 12/2003): referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, obtidas por meio do cruzamento da folha de pagamento e GFIP. Neste levantamento a fiscalização consolidou os valores dos estabelecimentos filiais no estabelecimento matriz, no que respeita aos valores de débito (folha de pagamento) e os créditos (GPS). DIF — DIFERENÇA CONTABILIDADE E FP (10/1999 a 12/2003): referese as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, obtidas da diferença entre os valores registrados na contabilidade e nas folhas de pagamento. Neste levantamento a fiscalização consolidou os valores dos Fl. 575DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10283.001067/200851 Acórdão n.º 2302002.978 S2C3T2 Fl. 4 3 estabelecimentos filiais no estabelecimento matriz, no que respeita aos valores de débito (folha de pagamento) e os créditos (GPS). Apresentada impugnação pela empresa, em que se argüiu a nulidade do crédito previdenciário em razão dos vícios formais apontados, o lançamento foi anulado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2003 LANÇAMENTO. NFLD N° 37.141.2242. INCERTEZA DE VALORES. VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na análise dos aspectos formais do lançamento, uma vez constatada a ocorrência de vícios insanáveis que impedem a discriminação clara e precisa dos fatos geradores e das contribuições devidas e, simultaneamente, prejudicam o exercício do direito de defesa, assim como, impedem o exame da matéria pela autoridade julgadora, impõese a declaração de nulidade do feito. Lançamento Nulo Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Recebo o recurso de ofício por atender aos pressupostos de admissibilidade. Do Mérito – O Acórdão de primeira instância decidiu acertadamente por declarar nula a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito por entender ter sido constatada a ocorrência de vícios insanáveis, que impedem a discriminação clara e precisa dos fatos geradores e das contribuições devidas e, simultaneamente, prejudicam o exercício do direito de defesa. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10283.001067/200851 Acórdão n.º 2302002.978 S2C3T2 Fl. 5 4 Concordase com o entendimento exarado no acórdão de impugnação, pelos motivos expostos a seguir: Toda e qualquer cobrança de dívida tributária deve ser revestida de certeza e liquidez do crédito e, dessa forma, é indispensável que as Notificações Fiscais de Lançamentos de débitos e os documentos que lhe acompanham sejam detalhados, claros e ausentes de vícios. Desta feita, os diversos discriminativos que integram a NFLD devem demonstrar, por estabelecimento, o montante apurado, bem como os créditos das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades, apurados pela fiscalização, sob pena de comprometer a garantia de liquidez e certeza do crédito previdenciário, e cercear o direito de defesa do contribuinte. Ressaltase que, em acordo ao que dispõe o art. 742, da Instrução Normativa/SRP n° 03/2005, entendese por estabelecimento a unidade ou dependência de cada empresa, sujeita à inscrição no CNPJ ou no CET. Assim, no presente caso, a empresa é constituída pelos estabelecimentos matriz e várias filiais, cada uma com CNPJ próprio. Da análise dos diversos discriminativos que acompanham a NFLD constata se, que o procedimento devido não foi seguido pela Autoridade Lançadora. Depreendese que os levantamentos DIF e GFN contemplam contribuições sociais previdenciárias cujos fatos geradores foram identificados nos estabelecimentos matriz e diversas filiais da postulante. Assim sendo, nos Discriminativos Analíticos de Débitos (DAD fls. 25/33 e 40144), deveriam constar, por estabelecimento, por tipo de levantamento, por competência e item de cobrança, o montante apurado, bem como os créditos considerados pela fiscalização, Contudo, constatase que todas as diferenças apuradas nos levantamentos DIF e GFN foram aglutinadas e apropriadas no estabelecimento matriz (CNPJ 0001), em vez de alcançar todos os estabelecimentos filiais da empresa. Isto não lhe permitiu se inteirar sobre aquilo que está sendo cobrado tanto na matriz, como em cada filial. Assim também, no Relatório de Lançamentos — RL, (fls. 64/67 e 71/125), a fiscalização relacionou a remuneração percebida pelos segurados empregados da matriz e de todas as filiais deixando de informar cada um dos CNPJ no campo estabelecimento do RL de forma a totalizar o salário decontribuição apurado por estabelecimento. Em se tratando do Relatório de Documentos Apresentados RDA, e do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, RADA (fls. 126/287), a Autoridade Notificante totalizou, em cada competência apurada, os recolhimentos (GPS) e os créditos efetuados pela matriz e por todas as filiais, porém, deixou de informar à recorrente quais e como as guias de recolhimento e os créditos foram considerados para efeito de abatimento dos débitos apurados por cada estabelecimento. O DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento, por sua vez, deixou de ser emitido em virtude de o crédito constituído na presente NFLD se referir apenas ao estabelecimento matriz. De outra parte, é imprescindível um Relatório que informe ao contribuinte quais as guias de recolhimento que foram consideradas para efeito de abatimento dos débitos apurados; como as mesmas foram utilizadas; e onde, informando as Notificações, cada Fl. 577DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10283.001067/200851 Acórdão n.º 2302002.978 S2C3T2 Fl. 6 5 estabelecimento, levantamentos, competências e onde foram apropriados os valores recolhidos. Sem isso, não há como dirimir dúvidas acerca de possíveis recolhimentos não consideradas pela fiscalização, bem como não há como afastar a argüição defensória de que as contribuições ora lançadas encontramse devidamente quitadas. Nesta diapasão,, determina a Instrução Normativa n° 03/2005, em seu art. 660, incisos VI e VII, que constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, dentre outros, os seguintes relatórios: VI Relatório de Documentos Apresentados RDA, que relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificações anteriores; VII Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, que demonstra, por estabelecimento, competência, levantamento e tipo de documento, os valores recolhidos pelo sujeito passivo, arrolados no relatório do inciso VI, e a correspondente apropriação e abatimento das contribuições devidas; Ressaltase ainda que, ao reunir todos os recolhimentos efetuados pela empresa (matriz e filiais) em uma só competência, no CNPJ da matriz, a Autoridade lançadora procedeu de forma a possibilitar o aproveitamento de recolhimento entre estabelecimentos distintos, prática que não encontra guarida em nenhuma disposição normativa. Desta feita, a forma como foram elaborados os levantamentos DIF e GFN acarreta a discriminação imprecisa das contribuições devidas, o que dificulta, ou até inviabiliza, a compreensão da exação fiscal pelo sujeito passivo e, conseqüentemente, a elaboração de sua defesa. Bem como impossibilita, também, a esta julgadora a formação de convicção quanto aos valores exigidos em todo o lançamento fiscal. É cediço que ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Art. 59. São nulos: (...) Fl. 578DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10283.001067/200851 Acórdão n.º 2302002.978 S2C3T2 Fl. 7 6 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Assim sendo, havendo prejuízo de defesa estáse diante de um caso de cerceamento de defesa, o que acarreta a nulidade do ato, devendo o mesmo ser revisto para zelar pela sua legalidade. Dispõe a Lei 9.784/99, Art. 53: "A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos". Do mesmo entendimento, partilha o Supremo Tribunal Federal no enunciado n.°473, ,vejase: "A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos: ou revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial". Frizase que a nulidade, no presente caso, não decorre propriamente do descumprimento de requisito formal, mas dos seus efeitos prejudiciais ao direito de defesa do contribuinte, direito esse assegurado constitucionalmente, até porque as formalidades nada mais são que instrumentos assecuratórios do exercício o contraditório e da ampla defesa. Por todo o exposto, deve administração rever seu ato. Cabe, ainda, a ressalva de que no entendimento deste relator o vício ora apresentado é material, e não formal. Todavia, por se tratar de recurso de ofício, e por não se poder agravar a situação da recorrente, em observância ao princípio da reformatio in pejus, mantémse, pois, o posicionamento da decisão de primeira instância, que entendeu ser o lançamento nulo em razão de vício formal. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso DE OFÍCIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de fevereiro de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 579DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10283.001067/200851 Acórdão n.º 2302002.978 S2C3T2 Fl. 8 7 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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