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Numero do processo: 10909.000663/2009-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/06/2008, 25/06/2008, 02/09/2008, 03/09/2008, 10/09/2008, 15/09/2008, 16/09/2008, 18/09/2008
PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Infere-se ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente.
COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003.
Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica - Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente.
Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52).
Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009.
Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa.
Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3803-006.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/06/2008, 25/06/2008, 02/09/2008, 03/09/2008, 10/09/2008, 15/09/2008, 16/09/2008, 18/09/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Inferese ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 06 63 /2 00 9- 09 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 801 2 Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator). Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Tratase de auto de infração em que a fiscalização impõe multa à ora Recorrente por ter deixado de observar os prazos para a “prestação de informações sobre veículo ou carga transportada, ou a operação que seria executada”. Segundo a Fiscalização, o transportador ou o agente de cargas estão obrigados a prestar à Receita Federal do Brasil informações sobre a chegada das cargas transportadas, na forma e nos prazos definidos pela legislação. No caso, as embarcações atracaram no Porto de Itajaí/SC em 24/04/2008; 20/06/2008; 28/08/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 04/09/2008; 09/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008, sendo que a Recorrente procedeu a desconsolidação das Fl. 801DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 802 3 CE Mercantes somente em 23/06/2008; 25/06/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008.(fls. 11) Por tal motivo, a Recorrente foi autuada pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a inobservância de prazo para a prestação de informação perante a RFB. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação, sustentando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração pela ausência de descrição clara dos fatos e do próprio enquadramento legal, e no mérito, o não descumprimento do prazo, eis que a prestação de informações estaria disciplinada no artigo 22 da IN RFB 800/2007, cujos efeitos somente entraram em vigor em 1º de abril de 2009, por força da IN 899/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC julgou improcedente a impugnação, mantendo a autuação. Segundo a DRJ/FNS, revelouse insubsistente a alegação de nulidade formal, pelo que rejeitou a preliminar. E no mérito, concluiu que embora o artigo 22 da IN RFB 800/2007 não estivesse em vigor ao tempo dos fatos, a solução do caso estava no parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, que impunha prazos de antecedência para a prestação de informações inerentes ao Controle Aduaneiro. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos. Em síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. Preliminarmente, alega o recorrente que o auto de infração não observou as formalidades previstas nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Pela leitura do auto de infração, constatase que o douto auditorfiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos e fundamentos legais e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional marítimo e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Deste modo, não merece guarida a alegação de violação aos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972, pelo que rejeito a preliminar. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 803 4 Passo a analisar o mérito do recurso. A questão me parece bastante simples. A Recorrente está certa ao defender que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800/2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de 2008 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da IN RFB 800/2007, com redação dada pela IN 899/2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, impossível se cogitar que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800/2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 804 5 Tal dispositivo diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800/2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que as embarcações atracaram em 24/04/2008; 20/06/2008; 28/08/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 04/09/2008; 09/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008, e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação das CE Mercantes em 23/06/2008; 25/06/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir a Recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) Assim, penso que a exigência fiscal está correta, de modo que não vislumbro argumentos capazes de infirmar a presente autuação. Em tempo, registramos que a tese levantada pela empresa recorrente, acerca da denúncia espontânea prevista na atual redação do artigo 102 e parágrafos do DecretoLei 37/66, não se aplica ao caso dos autos. Explico a partir da transcrição do dispositivo legal: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 804DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 805 6 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Como se vê, o parágrafo 1º do artigo 102 do Decretolei 37/66 não considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. O ato que determina o início do despacho aduaneiro de importação é o registro da DI no Siscomex. No caso dos autos há uma particularidade que envolve as novas ferramentas à disposição do controle aduaneiro, sobretudo a implantação do SISCOMEX Cargas, cujos prazos de transmissão de informação de conteúdo de carga estão disciplinados pela IN 800/2007. Isto é, pela observância obrigatória do SISCOMEC Cargas, o despacho aduaneiro terá início no momento da inclusão das informações no referido sistema, cujo prazo limite será o da atracação. Vejamos as razões extraídas do próprio auto de infração: A Receita Federal do Brasil, no âmbito da competência conferida pelo Art. 37 do DecretoLei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo Art. 77 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e na maneira prevista no Art. 64 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 estabeleceu que o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados deverá ser procedido de acordo com a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, que em seus Artigos 10 e 52 dispõe: "Art. 1º 0 controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RW) pelos intervenientes, conforme estabelecido nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: (grifo nosso) I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), gerenciado pelo departamento do Fundo da Marinha Mercante (DEFI0), pelos transportadores, agentes marítimos e agentes de Carga; e II diretamente no Siscomex Carga, pelos demais intervenientes". Conforme explicitado, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, desde 31 de março de 2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como às relativas Fl. 805DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 806 7 às escalas, aos dados constantes nos Manifestos Marítimos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga dar seá pela elaboração no Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. (...) 0 planejamento das ações de Fiscalização, a partir da implementação do Siscomex Carga, está fundamentado em critérios de análise de risco. 0 gerenciamento de risco constitui a ferramenta que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e consequentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional acarretando maior competitividade dos produtos fabricados no País, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que nortearão os atos da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério entrave ao exercício do Controle Aduaneiro, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate A pirataria. Portanto, a atracação se deu nos dias 24/04/2008; 20/06/2008; 28/08/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 04/09/2008; 09/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008, e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação das CE Mercantes em 23/06/2008; 25/06/2008; 02/09/2008; 03/09/2008; 10/09/2008; 15/09/2008; 16/09/2008 e 18/09/2008, ou seja, já no curso do despacho aduaneiro, o que atrai a hipótese de não aplicação da denúncia espontânea prevista no artigo 102 do DecretoLei 37/66. Derradeiramente, ainda existe outra regra que afasta a denúncia espontânea no caso dos autos. Tratase do parágrafo 3º do artigo 612 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4543, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos. In verbis: Art. 612, § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade formal do auto de infração, e no mérito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a exigência fiscal. É como penso. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 806DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10909.000663/200909 Acórdão n.º 3803006.947 S3TE03 Fl. 807 8 Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 807DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11050.002276/2008-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/11/2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/11/2008 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 22 76 /2 00 8- 19 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito, sendo o Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF n° 1.364, de 10/11/2004. Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 5 4 Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11050.002276/200819 Acórdão n.º 3801004.817 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13807.007464/2002-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997
FALTA DE RECOLHIMENTO.
Constatado no procedimento fiscal que o contribuinte deixou de recolher, parcial ou integralmente, a Contribuição para o PIS, é de se efetuar, por ato próprio da Administração Fiscal, o lançamento das diferenças apuradas.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A exigência de juros de mora com base na Taxa SELIC está em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determinam.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO.
Numero da decisão: 3101-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama Deça.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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Constatado no procedimento fiscal que o contribuinte deixou de recolher, parcial ou integralmente, a Contribuição para o PIS, é de se efetuar, por ato próprio da Administração Fiscal, o lançamento das diferenças apuradas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A exigência de juros de mora com base na Taxa SELIC está em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determinam. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 74 64 /2 00 2- 83 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.007464/200283 Acórdão n.º 3101001.840 S3C1T1 Fl. 4 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama D’eça. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração eletrônico decorrente de Auditoria Interna da DCTF/1997, cuja análise, procedida pela DRJ I (SPO), conforme acórdão exarado às folhas n° 128 a 138, considerou procedente em parte o lançamento efetuado. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1620.194 de fls. 128 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO.NULIDADE Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em cancelamento ou anulação do Auto de Infração. PRECLUSÃO. A contribuinte não apresenta base de cálculo que entende correta. Não comprovando as alegações de erro na base de cálculo que gera cada saldo devedor mensal por ela mesma informado em DCTF, não há como acatar seu argumento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento apurado em procedimento fiscal enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. JUROS DE MORA. SELIC. CABIMENTO. Utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora encontra guarida no art. 84, I, da Lei n° 8.981/95, no art. 13 da Lei n° 9.065/95, e no art. 61, § 30, da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA. ANATOCISMO. INEXISTÊNCIA. Os juros de mora são calculados de forma simples, somandose o percentual de um determinado mês ao dos meses anteriores. MULTA DE OFICIO – RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.007464/200283 Acórdão n.º 3101001.840 S3C1T1 Fl. 5 3 Com a edição da MP n° 135/2003, convertida n° 10.833/2003, não cabe mais imposição e multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõese o cancelamento da multa de oficio lançada. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 148 a 164) basicamente repetindo as mesmas razões de sua impugnação. Finalmente requer: É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. É certo que o presente Recurso Voluntário é sobre a parte remanescente do Auto de Infração indicado em razão do reconhecimento e cancelamento da multa de ofício em decorrência da aplicação da RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Para enfrentar os argumentos presentes no Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente que em nada inovou com relação a sua impugnação, é importante, lembrar que tratase de da exigência de tributo resultante da análise da ação de compensação – Ação Judicial transitada em julgado referente a inconstitucionalidade dos decretosleis nº 2.445/88 e nº 2.449/88 e aplicação da sistemática da Lei Complementar nº 7/70 e alterações posteriores, executada no processo administrativo nº 13804.00462/2003/74 fls. 92 e seguintes. Assim, a decisão recorrida não merece reparos, pois, a Recorrente não demonstrou nenhum erro de cálculo nos valores apurados e resultantes do AI. Também, o que se observa é que a fiscalização ao lavrar o Auto de Infração o fez levando em consideração as informações declaradas pelo Recorrente em suas DCTFs e pedidos de compensações que foram considerados e apurados em suas diferenças, o que se pode concluir é que o processo referente as compensações não têm o condão de sobrestar esse processo, que não foi emitido para prevenir decadência, mas de apuração de ofício da constituição do crédito tributário não recolhido pela Recorrente. No que concerne ao questionamento dos juros de mora pela taxa Selic, dado que sua fixação em percentual superior a 1%, convém lembrar que se o próprio Código Tributário Nacional consigna que só na hipótese de não fixação legal da taxa de juros é que será ele Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13807.007464/200283 Acórdão n.º 3101001.840 S3C1T1 Fl. 6 4 cobrado de 1%, significa que pode a lei prever outras taxas, como lhe aprouver. Observese o dispositivo: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (destaquei) O mandamento no sentido de que a taxa de juros deve incidir ao percentual de 1% am, somente tem aplicação na ausência de preceito legal estabelecendo índice ou forma diversa de calcular o encargo. Assim, no presente, o índice inserto no CTN e previsto anteriormente na Lei 8.383, de 1991 deixou de ter aplicação face à regulamentação de forma diversa pela Lei nº 8.981, de 1995, com a redação dada pela Lei 9.065, de 1995, que determinou o acréscimo de juros de mora equivalentes à taxa média mensal de captação do serviço de liquidação e custódia para títulos federais (SELIC), acumulados mensalmente, sendo legal sua exigência na forma efetuada. Diante do todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e, portanto, manter a decisão recorrida. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 178DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11080.919025/2012-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 24/04/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 25 /2 01 2- 02 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919025/201202 Acórdão n.º 3801005.165 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919025/201202 Acórdão n.º 3801005.165 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919025/201202 Acórdão n.º 3801005.165 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919025/201202 Acórdão n.º 3801005.165 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919025/201202 Acórdão n.º 3801005.165 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919025/201202 Acórdão n.º 3801005.165 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919025/201202 Acórdão n.º 3801005.165 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919025/201202 Acórdão n.º 3801005.165 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722252/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2007
Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD sob nº 37.245.312-0
Consolidados em 13/11/2009
TERCEIROS. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, CTN.
Em relação ao lançamento de ofício das contribuições devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, não caracteriza pagamento antecipado, ainda que parcial, o recolhimento pela empresa das contribuições previdenciárias dos segurados, contando-se o prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I, do CTN.
O pagamento parcial, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, exige a análise individualizada conforme a contribuição devida pelo sujeito passivo.
ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. PERDA DA ISENÇÃO PELA MANTENEDORA.
Havendo a perda de isenção pela mantenedora, não há reconhecimento de direito adquirido da mantida.
Alegação de existência de mandado de segurança no pálio judicial, com êxito em outros tributos não implica em extensão aos efeitos da decisão judicial na isenção previdenciária não prospera, ausência de efeito 'erga omes'.
No caso em tela havendo ação mandamental específica não guarda vínculo nenhum com o presente lançamento, eis que visam desconstituir os lançamentos fiscais específicos, consubstanciados nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.445.9821, 35.471.7910, 35.471.7928 e 35.445.9830, referentes a ação fiscal anterior, referente a período diferente do presente (10/1996 a 05/2002), razão pela qual a decisão dele não importa neste, não havendo concomitância e tão pouco há necessidade de diligência para ter o resultado final.
DIREITO A ISENÇÃO
A lei previdenciária estabelece as formas de reconhecimento da isenção, resguardando o direito adquirido às entidades que em período pretérito obtiveram o benefício perante o INSS, face a revogação da isenção em virtude de novo ordenamento legal, seu restabelecimento mediante novas regras, bem como o cancelamento do benefício, administrativamente, quando não cumpridos os requisitos para a manutenção.
No caso em tela houve a perda do benefício da isenção por parte da mantenedora e a mantida também o perde.
DA CONDIÇÃO DE ISENTA DA RECORRENTE. INEXISTÊNCIA COM A PERDA DO RECONHECIMENTO DE ISENTA DA MANTENEDORA
A mera alegação de enquadramento do FPAS 639, não garante a Recorrente a condição de isenta se a mantenedora perdeu o direito ao benefício, sem demonstração de existência de reversão diante de recurso próprio.
Em não sendo reconhecida como isenta a mantenedora, então, por sua vez a mantida há de demonstrar a sua condição de isenta, que não presente caso não ocorreu, mantendo o lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em Acordam os membros do colegiado em: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, quanto à decadência, pela aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial pela aplicação da regar decadencial expressa no Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, CTN. Em relação ao lançamento de ofício das contribuições devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, não caracteriza pagamento antecipado, ainda que parcial, o recolhimento pela empresa das contribuições previdenciárias dos segurados, contandose o prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I, do CTN. O pagamento parcial, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, exige a análise individualizada conforme a contribuição devida pelo sujeito passivo. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. PERDA DA ISENÇÃO PELA MANTENEDORA. Havendo a perda de isenção pela mantenedora, não há reconhecimento de direito adquirido da mantida. Alegação de existência de mandado de segurança no pálio judicial, com êxito em outros tributos não implica em extensão aos efeitos da decisão judicial na isenção previdenciária não prospera, ausência de efeito 'erga omes'. No caso em tela havendo ação mandamental específica não guarda vínculo nenhum com o presente lançamento, eis que visam desconstituir os lançamentos fiscais específicos, consubstanciados nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.445.9821, 35.471.7910, 35.471.7928 e 35.445.9830, referentes a ação fiscal anterior, referente a período diferente do presente (10/1996 a 05/2002), razão pela qual a decisão dele não importa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 22 52 /2 00 9- 38 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 neste, não havendo concomitância e tão pouco há necessidade de diligência para ter o resultado final. DIREITO A ISENÇÃO A lei previdenciária estabelece as formas de reconhecimento da isenção, resguardando o direito adquirido às entidades que em período pretérito obtiveram o benefício perante o INSS, face a revogação da isenção em virtude de novo ordenamento legal, seu restabelecimento mediante novas regras, bem como o cancelamento do benefício, administrativamente, quando não cumpridos os requisitos para a manutenção. No caso em tela houve a perda do benefício da isenção por parte da mantenedora e a mantida também o perde. DA CONDIÇÃO DE ISENTA DA RECORRENTE. INEXISTÊNCIA COM A PERDA DO RECONHECIMENTO DE ISENTA DA MANTENEDORA A mera alegação de enquadramento do FPAS 639, não garante a Recorrente a condição de isenta se a mantenedora perdeu o direito ao benefício, sem demonstração de existência de reversão diante de recurso próprio. Em não sendo reconhecida como isenta a mantenedora, então, por sua vez a mantida há de demonstrar a sua condição de isenta, que não presente caso não ocorreu, mantendo o lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em Acordam os membros do colegiado em: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, quanto à decadência, pela aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial pela aplicação da regar decadencial expressa no Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário aviado contra Acórdão sob n° 0733.103 da 5ª Turma da DRJ/FNS onde julgou procedente o lançamento efetuado no AIOP acima identificado, sendo ele: AIOP DEBCAD sob nº 37.245.3120, referente a crédito à contribuição previdenciária, onde se exige crédito referente às contribuições sociais devidas às terceiras entidades Salário Educação FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE. Diz a Fiscalização que trata de uma instituição de ensino, pesquisa e extensão sem fins financeiro e que deveria se enquadrar no código FAPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social, sob nº 574 e no entanto ela registrou na GFIP com o código sob nº 639. Que tal comportamento resulta em declarar apenas contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados e dos contribuintes individuais, deixando de ser declaradas a cota patronal incidente sobre remuneração pagas, devidas ou creditadas de segurados empregados e de contribuintes individuais, conforme dispõe o Artigo 22, I, II e III da Lei 8.212/91. Intimada a apresentar o Deferimento do Pedido de Isenção de Contribuição Previdenciária a Recorrente informou que é abrangida pelo direito adquirido, nos moldes do § 1º do artigo 55 da Lei 8.212/91, porque já contempla de isenção em razão de ser entidade mantida pelo CETEC. Destacou a Fiscalização que o CETEC, através do Ato Cancelatório sob nº 15.401.1/001/2005, perdeu a isenção, com efeito retroativo em 01/01/93. E ainda, relata a Fiscalização, que em relação as demais obrigatoriedade que trata o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, a Recorrida teve seu CEBAS renovado ao triênio 23/10/2005 a 2008 por força da MP 446/2008, ao qual foi rejeitado. Quanto a multa, já analisando a benevolência do artigo 106, II, C do CTN a Fiscalização aplicou o Artigo 35 da Lei 8.212/91, bem como lançou em outro AI a multa pelo descumprimento de obrigação acessória relaciona à GFIP. Quanto a decadência a Fiscalização entendeu que não houve recolhimento antecipado, razão pela qual teve como fulcro para analise da decadência o Artigo 173, I do CTN. Inconformada com lançamento aviou sua Impugnação, cuja qual não foi suficiente para modificálo, sendo mantido ‘in totum’. Noticiada da decisão de piso, em 11/11/2013, no dia 02/12/2013 apressouse em recorrer a esta Corte, com as seguintes alegações: i) tempestividade; ii) fatos; ii) da decisão recorrida; iv)necessidade de reforma e suas razões. É a síntese do necessário. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Vencido Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O Recurso acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço e passo a examinar as suas razões. O ponto nodal da testilha é a isenção de contribuição previdenciária, parte patronal, face ao reconhecimento ou não do direito adquirido da Recorrente diante da isenção da sua mantenedora CETEC. Lamenta a Recorrente em ter ajuizado mandado de segurança na Justiça Federal ao invés de ter aviado ação declaratória, em caso idêntico, mas com outros lançamentos, onde lá se conheceu da sua isenção, por ser mantida pela sociedade civil Centro e Educação técnica e Cultural – CETEC, entidade que, segundo a decisão judicial goza de isenção previdenciária desde 1966, direito a ela extensivo. A decisão de piso trás a nós a notícia que verificou no sítio da internet do TRF/5 o ‘mandamus’ mencionado e que constatou que a Recorrente de fato buscou a anulação dos lançamentos fiscais outros referentes a ação fiscal anterior, compreendido no período (10/1996 a 05/2002), sendo que em decisão singular o mesmo foi julgada improcedente, mas em sede de recurso de apelação a impetrante obteve provimento parcialmente favorável, para afastar o lançamento fiscal do período objeto das autuações, e que atualmente se encontra em tramitação perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por força de Recurso Especial. Observo que por ser uma ação mandamental específica não guarda vínculo nenhum com o presente lançamento, eis que visam desconstituir os lançamentos fiscais específicos, consubstanciados nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.445.9821, 35.471.7910, 35.471.7928 e 35.445.9830, referentes a ação fiscal anterior, referente a período diferente do presente (10/1996 a 05/2002), razão pela qual a decisão dele não importa neste, não havendo concomitância e tão pouco há necessidade de diligência para ter o resultado final. A lei previdenciária estabelece as formas de reconhecimento da isenção, resguardando o direito adquirido às entidades que em período pretérito obtiveram o benefício perante o INSS, face a revogação da isenção em virtude de novo ordenamento legal, seu restabelecimento mediante novas regras, bem como o cancelamento do benefício, administrativamente, quando não cumpridos os requisitos para a manutenção. Assim, reportome ao Relatório Fiscal onde este informa que houve o cancelamento de isenção da mantenedora, através do Ato Cancelatório sob nº 15.401.1/001/2005, onde perdeu a isenção retroativo em 01/01/93. Por onde inicio o meu julgamento. DA PERDA DO BENEFÍCIO INCENTIVO PELA ENTIDADE MANTENEDORA CETEC No Relatório Fiscal, quando tratou da obrigatoriedade do requerimento administrativo para o direito à isenção, que a entidade mantenedora CETEC teve cancelada a Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 4 5 isenção, por meio do Ato Declaratório nº 15.401.1/001/2005, emitido em 22/02/2005, com efeito retroativo a 01/01/1993 a Recorrente não manifestou em sua impugnação. Ora, esta questão não foi espancada pela Recorrente no momento da impugnação, tornandose assim, matéria não impugnada, nos dizeres do Artigo 17 do Decreto 70.235/72, ‘in verbis’: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Desta forma, como a Recorrente sustenta em sua argumentação na resposta à intimação fiscal (fl. 231), que possui direito adquirido como entidade mantida pelo CETEC, mas não demonstrou que esta é instituição isenta, não há de se conhecer a sua isenção também. Assim, como não anatematizou o relato da fiscalização ao dizer que a mantenedora não tinha mais reconhecida a isenção por força de ato cancelatório que o ‘caçou’, não vejo como prosperar a alegação de isenta por ser mantida por mantenedora isenta. DA CONDIÇÃO DE ISENTA DA RECORRENTE A Recorrente alega ser enquadrada no FPAS 639, porque isenta em razão de ser mantida pela CETEC e ainda por ter direito adquirido. Por sua fez, como alhures dito, a CETEC já não é mais isenta, porque afastada esta condição através de ato declaratório não combatido, fato este por si só que já estabelece que a Recorrente não faz jus à isenção da cota patronal. Em não sendo reconhecida como isenta a mantenedora, então, por sua vez, deveria a mantida, ora Recorrente demonstrar cabalmente a sua condição de isenta, cuja evolução histórica foi trazida na decisão de piso, a qual me inclino e peço vênia para transcrevêla em parte: Do reconhecimento de isenção das Contribuições Sociais No âmbito da Previdência Social, a legislação estabeleceu as formas de reconhecimento da isenção, resguardando o direito adquirido às entidades que em período pretérito obtiveram o benefício perante o INSS, face a revogação da isenção em virtude de novo ordenamento legal, seu restabelecimento mediante novas regras, bem como o cancelamento do benefício, administrativamente, quando não cumpridos os requisitos para a manutenção. Nestes termos, a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção (IFC), como requisito para que se tenha seguimento a cobrança de contribuições através de lançamento fiscal, tem lugar quando a entidade é reconhecida como isenta pelo INSS, tal como previsto na Instrução Normativa SRP nº 03, de 14 de julho de 2005, vigente à época da lavratura fiscal em comento: Instrução Normativa SRP nº 03/2005: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. [...]. Denotase, pelo dispositivo da IN 03/2005, que a verificação diz respeito à continuidade do atendimento dos requisitos para manutenção do benefício, ou seja, diante de uma entidade beneficente de assistência social e em gozo de isenção das contribuições destinadas à seguridade social reconhecida pelo INSS, quando o Fisco constata o descumprimento de requisitos que importem na perda da isenção, fará informação fiscal, dandolhe oportunidade do contraditório e da ampla defesa na via administrativa. Da mesma forma na legislação posterior, destacandose a Instrução Normativa RFB nº 971 de 13 de novembro de 2009, e que atualmente sequer se faz necessária a exigência prévia de IFC, bastando que não se cumpram os requisitos legais para manutenção da isenção, para se proceder ao imediato lançamento fiscal, que colaciono: Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 229. Constatado o descumprimento, pela entidade, de requisito estabelecido no art. 227, a isenção ficará suspensa e a fiscalização da RFB lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, relatando os fatos que lhe deram causa. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.238, de 11 de janeiro de 2012 ) [...] Art. 233. A partir de 30 de novembro de 2009, deixam de ser emitidos ato declaratório e ato cancelatório de isenção. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010 ) [...] Pelo que se vê, a IFC é apenas prérequisito para a cobrança de contribuições destinadas à seguridade social, devidas por entidades beneficentes de assistência social que estejam em gozo de isenção reconhecida pelo INSS, pois que se destina ao cancelamento da isenção anteriormente concedida. O ato de reconhecimento do direito à isenção, conforme a legislação, pode ser tácito ou expresso. Na forma expressa, temse aquele obtido por ato formal expedido pelo INSS, posteriormente pela Secretaria da Receita Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 5 7 Previdenciária e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, atualmente, dispensada a sua emissão, por força da novel legislação (Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009). No seu período de exigência formal, constava expresso do § 1º, do art. 55, da Lei nº 8.212/91, nestes termos: Lei nº 8.212/91: Art. 55. [...]. [...] § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. [...]. Tacitamente seria em virtude dos direitos adquiridos, que o parágrafo primeiro ressalvou, cuja interpretação foi dada pelo Parecer CJ/MPAS nº 2.901, de 25 de novembro de 2002: ASSUNTO: Interpretação do § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de1991. EMENTA: Direito Previdenciário. Assistência Social. Direito adquirido à isenção. Interpretação do § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Tratase de consulta sobre a interpretação do § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, cujo teor é o seguinte: [...] 7. Desde o início, a opção do legislador brasileiro foi a de dar benefício fiscal às entidades de fins filantrópicos. Infraconstitucionalmente, os primórdios da legislação de assistência social datam de 4 de julho de 1959, quando entrou em vigor a Leinº 3.577,que concedia isenção da taxa de contribuição de previdência aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões às entidades de fins filantrópicos reconhecidas como de utilidade pública cujos membros de suas diretorias não percebessem remuneração, nos seguintes termos: Art. 1º Ficam isentas da taxa de contribuição de previdência aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões as entidades de fins filantrópicos, reconhecidas como de utilidade pública, cujos membros de suas diretorias não percebam remuneração. Art. 2º As entidades beneficiadas pela isenção instituída pela presente lei ficam obrigadas a recolher aos Institutos, apenas, a parte devida pelos Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 seus empregados, sem prejuízo dos direitos aos mesmos conferidos pela legislação previdenciária. 8. Em 1º de setembro de 1977 passou a viger o DecretoLei nº 1.572, que revogou a Lei nº 3.577, de 1959, resguardando o direito da instituição que tinha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data em que foi publicada, fosse portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e já estivesse isentada contribuição. Este decreto deu prazo para que a entidade que não estivesse de posse de todos os documentos os pleiteasse junto aos órgãos competentes, conforme se depreende da sua leitura: Art. 1º Fica revogada a Leinº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isentada contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam a remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste DecretoLei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. §2ºA instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo da isenção referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do início da vigência deste DecretoLei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando da aludida isenção até, que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. §3ºO disposto no parágrafo anterior, aplicase às instituições cujo certificado provisório de entidade de fins filantrópicos esteja expirado, desde que tenham requerido ou venham a requerer, no mesmo prazo, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal e a renovação daquele certificado. § 4º A instituição que tiver o seu reconhecimento como de utilidade pública federal indeferido, ou que não o tenha requerido no prazo previsto no parágrafo anterior deverá proceder ao recolhimento das contribuições previdenciárias a partir do mês seguinte ao do término desse prazo ou ao da publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 6 9 Art. 2º O cancelamento da declaração de utilidade pública federal ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, ficando a instituição obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária a partir do mês seguinte ao dessa revogação. 9. As entidades filantrópicas criadas a partir deste DecretoLei, por falta de previsão legal, contribuíam normalmente para a Previdência Social, sem poder usufruir de benefícios fiscais nesta área. Só com a Constituição de 1988 é que se volta a discutir a matéria, levando ainda, a partir de sua promulgação, quase três anos para que uma norma específica fosse publicada para regulamentar definitivamente a isenção. [...] O Direito Adquirido à Isenção 26. Tecidas estas poucas considerações, chegamos ao cerne da questão, qual seja, a melhor interpretação do § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. [...]. 28. Se depois da Constituição de 1988 surgiu a celeuma do § 7º do art. 195 estar tratando de imunidade ou de isenção, antes a dúvida não existia. Era isenção. Isenção é revogável a qualquer tempo, conforme o art. 178 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. 29. A Lei nº 8.212, de 1991, quando trouxe de volta a possibilidade de uma entidade beneficente ter o benefício fiscal, assegurou que aquelas que vinham gozando do benefício desde o DecretoLei nº 1.572, de 1977, não precisariam requerer a isenção novamente ao INSS. 30. E é novamente mesmo, porque era necessário requerer a isenção ao Instituto,que em 1978 ainda era o IAPAS: ORDEM DE SERVIÇO PRÉIAPAS/SAF/Nº 023.34, DE 21 DE FEVEREIRO DE 1978. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 Assunto: Entidades de fins filantrópicos isenção da quota patronal da contribuição previdenciária. O SECRETÁRIO DE ARRECADAÇÃO E FISCALIZAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 110, inciso V do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº MTPS 3.283, de 18 de setembro de 1973, e consoante o disposto no subitem 3.1 da Portaria n° MPAS838, de 19 de setembro de 1977, Considerando o que dispõe o DecretoLei nº 1.572, de 01 de setembro de 1977, Considerando o Parecer nº 1.168, de 30.11.77, do Sr. Consultor Geral da República Processo nº 024C77 P. R. nº 4.192/77, publicado no "Diário Oficial da União" de 16.01.78, e Considerando o que determina a Portaria n° MPAS928, de 23 de janeiro de 1978, RESOLVE: 1 Disciplinar as obrigações das entidades de fins filantrópicos perante a Previdência Social, para efeito de isenção da quota patronal. I CONDIÇÕES PARA ISENÇÃO DA QUOTA PATRONAL 2 A isenção da quota patronal de contribuição previdenciária, prevista na Lei n° 3.577, de 04 de julho de 1959, estará assegurada às entidades em qualquer das situações abaixo indicadas: a) que tenham sido reconhecidas como de utilidade pública pelo governo federal até 01.09.77 e que, naquela data, fossem portadoras de certificado de entidade de fins filantrópicos, com validade por prazo indeterminado, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social do Ministério da Educação e Cultura e estivessem isentas daquela contribuição; b) que se encontravam em gozo da isenção, sendo portadoras de certificado provisório de entidades de fins filantrópicos em vigor, desde que tenham requerido até 30.11.77 seu reconhecimento como de utilidade pública federal; c) que se encontravam em gozo de isenção, ainda que expirado o prazo da vigência do certificado provisório de entidade de fins filantrópicos, desde que tenham requerido, até 30.11.77, a renovação do referido certificado e o reconhecimento como de utilidade pública federal. 2.1 Ocorrendo o indeferimento do pedido de reconhecimento como de utilidade pública federal ou da renovação do certificado provisório, a isenção cessará na data da publicação dos atos decisórios. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 7 11 2.2 Para as entidades que não tenham requerido, até 30.11.77, a renovação de certificado provisório e o reconhecimento como de utilidade pública federal, a isenção cessou, definitivamente, naquela data. 3 O cancelamento da declaração de utilidade pública federal, o seu indeferimento ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, tornandose devidas as contribuições previdenciárias integrais a partir do mês seguinte ao da revogação. [...]. 31. O que o § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, está garantindo é que a entidade beneficente que já gozava da isenção não precisaria se submeter ao crivo do INSS novamente para manter a benesse. A observância aos requisitos da nova lei, a partir de sua exigência (novembro de 1991), é imperiosa para todas as entidades que quiserem continuar gozando de isenção das contribuições sociais previdenciárias. [...]. 35. O Instituto tem sim a competência para verificar se a entidade atende aos requisitos da isenção a qualquer tempo. Se constata que ela não mais atende, deve emitir informação fiscal, que dará origem ao ato cancelatório, e dependendo do requisito que não está sendo cumprido pode retroagir os efeitos da decisão de cancelamento ao momento ao em que a entidade deixou de cumprilo, observado o prazo decadencial. 36. Por outro lado, nenhuma entidade que, depois da Lei de Custeio, reúna todas os documentos e condições do seu art. 55, pode se autodeclarar isenta, dispensarse do pagamento das contribuições previdenciárias, sem o requerimento e a prévia manifestação do INSS, exceto as que já eram reconhecidamente isentas antes daquela lei. 37. Os atos cancelatórios eventualmente feitos pelo INSS com base única e exclusivamente no fato de entidade isenta antes da Lei nº 8.212, de 1991, não ter requerido novamente a isenção, afrontam o § 1º do art. 55, e devem ser de pronto revistos. Ante o exposto, concluise que, administrativamente, a melhor interpretação para o § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, é aquela que garante às entidades isentas pela Lei nº 3.577, Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 12 de 1959, que continuaram a usufruir o benefício após o DecretoLei nº 1.572, de 1977, o direito de não precisarem requerer novamente a isenção ao INSS, devendo contudo se adequar a todos os requisitos da nova legislação, ficando sujeita a fiscalização posterior. Também se faz necessário que o INSS revise todos os cancelamentos de isenções que contrariem este Parecer. [...] Temse, pois, que as entidades reconhecidas administrativamente como isentas pelo INSS são as que: a partir da vigência da Lei 8.212/1991, efetuaram pedido de isenção e tiveram este deferido expressamente; ou as que eram isentas nos termos da Lei nº 3.577, de 1959, e continuaram a usufruir o benefício após o Decreto=Lei nº 1.572, de 1977. Para as entidades nesta situação, faziase necessário o cancelamento do benefício para a posterior exigência da contribuição não paga. É o que mostram as Instruções Normativas INSS/DC nº 100, de 18/12/2003, Instrução Normativa MPS/SRP nº 03, de 14/07/2005 e Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009: IN INSS/DC nº 100/2003: Art. 321. A entidade que, em 1º de setembro de 1977, data da publicação do Decretolei nº 1.572, atendia aos requisitos abaixo, teve assegurado o direito à isenção até 31 de outubro de 1991: I detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEFF) com validade por prazo indeterminado; II era reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal; III os diretores não percebiam remuneração; IV encontravase em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. [...]. Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005: Art. 313. O direito à isenção foi assegurado até 31 de outubro de 1991 à entidade que, em 1º de setembro de 1977, data da publicação do Decreto lei nº 1.572, de 1977, atendia aos requisitos abaixo: I detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos CEFF com validade por prazo indeterminado; II era reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal; III os diretores não percebiam remuneração; Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 8 13 IV encontravase em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. [...]. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 240. O direito à isenção foi assegurado até 31 de outubro de 1991 à entidade que, em 1º de setembro de 1977, data da publicação do Decreto Lei nº 1.572, de 1º de setembro de 1977, atendia aos requisitos abaixo: I detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEFF) com validade por prazo indeterminado; II era reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal; III os diretores não percebiam remuneração; IV encontravase em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. [...]. O art. 55 da Lei nº 8.212/91 regulamentou a isenção da contribuição social por parte das entidades de assistência social, estabelecida pelo art. 195, § 7º, nestes termos: Lei nº 8.212/91: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal. II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos. III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes. IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título. V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 14 seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social/INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. [...] Temse, pois, que uma das formas do reconhecimento da isenção é o requerimento administrativo e o seu deferimento por parte do órgão competente (INSS, SRP, RFB, nos períodos das respectivas competências). Digase que não se trata de inovação da Lei nº 8.212/1991, uma vez que o art. 275, § 1º, do Regulamento do Regime de Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 72.771/1973, já o exigia. No caso presente, não consta ter a autuada requerido o reconhecimento de isenção perante o INSS, não havendo, portanto, o reconhecimento pela via expressa, como previsto no art. 55, § 1º, da Lei nº 8.212/1991. Decreto nº 72.771/1973: Art. 275. A entidade de fins filantrópicos, para gozar da isenção prevista na Lei no 3.577, de 4 de julho de 1959, deverá apresentar ao INPS o certificado em que seja como tal declarada pelo Conselho Nacional de Serviço Social do Ministério da Educação e Cultura. § 1º A isenção será efetivada a contar do mês em que a interessada formalizar ao INPS sua pretensão, acompanhada dos elementos pelos quais faça prova de que preenche os requisitos indicados no parágrafo seguinte e será suspensa, a qualquer tempo, quando for apurado que deixou de satisfazer qualquer daqueles requisitos, notificado o Conselho Nacional de Serviço Social. [...]. Neste ponto, cabe verificar se estaria a entidade abarcada pelo reconhecimento tácito, face a ressalva ao direito adquirido, que compõe a primeira parte do parágrafo primeiro citado. O Parecer CJ/MPAS buscou dar a interpretação ao direito adquirido, dantes colacionado, no sentido de que as entidades que já usufruíam da isenção, por terem requerido antes da novel legislação, não precisariam se submeter a novo pedido administrativo, como consta no seu item 30: “30. E é novamente mesmo, porque era necessário requerer a isenção ao Instituto, que em 1978 ainda era o IAPAS: [...]”. O direito à isenção sempre foi atribuído a título precário, ou seja, as entidades eram obrigadas a atenderem aos requisitos estabelecidos em Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 9 15 lei, sob pena de perecimento do direito. Assim é desde o Decretolei nº 1.572/1977, que previu em seu art. 2º os casos de revogação do mesmo. DecretoLei nº 1.572/1977: Art. 1º Fica revogada a Lei no 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste Decretolei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. § 2º A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo da isenção referida no caput deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do inicio da vigência deste decretolei, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal continuará gozando da aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. § 3º O disposto no parágrafo anterior aplicase às instituições cujo certificado provisório de entidade de fins filantrópicos esteja expirado, desde que tenham requerido ou venha a requerer, no mesmo prazo, o seu reconhecimento como de utilidade pública federal e a renovação daquele certificado. § 4º A instituição que tiver o seu reconhecimento como de utilidade pública federal indeferido, ou que não o tenha requerido no prazo previsto no parágrafo anterior deverá proceder ao recolhimento das contribuições previdenciárias a partir do mês seguinte ao do término desse prazo ou ao da publicação do ato que indeferir aquele reconhecimento. Art. 2º. O cancelamento da declaração de utilidade pública federal ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, ficando a instituição obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária a partir do mês seguinte ao desta revogação. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 16 Nada impedia nem impede que, por inovação legislativa, viessem ou venham a surgir novos requisitos ao reconhecimento ou à manutenção do direito à isenção a que se refere o art. 195, § 7º, da CF/1988. É o que também se observa da leitura do art. 178 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (....) O art. 55 da Lei nº 8.212/1991, foi regulamentado pelo Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado sucessivamente pelos Decretos nº 356, de 7 de dezembro de 1991, nº 612, de 21 de julho de 1992, nº 2.173, de 5 de março de 1997 e Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, que por conveniência se reproduz o necessário: Decreto nº 356/1991: Art. 30. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 25, 26 e 28 a entidade beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] § 1º A isenção das contribuições é extensiva às dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da entidade beneficente, quando por ela executada e destinadas a uso próprio. § 2º A isenção não abrange empresas ou entidades que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja, no exercício do direito a isenção, exceto no caso de que trata o § 11. § 3º Ressalvado o direito adquirido, a isenção será requerida ao INSS na forma do art. 31. § 4º O INSS verificará, periodicamente, se a entidade beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. § 5º O Conselho Nacional do Serviço Social encaminhará trimestralmente ao INSS a relação das entidades que não renovaram o Registro na forma do inciso III. § 6º A entidade filantrópica que em 24 de julho de 1991 gozava da isenção de que trata este artigo, estará, a partir de 25 de julho de 1991, sujeita ao cumprimento das exigências referidas nos incisos I a VIII para manter a isenção, que poderá ser Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 10 17 cancelada, a qualquer tempo, caso o INSS venha a verificar a falta de qualquer delas, ainda que isoladamente. § 7º O disposto no inciso II somente será exigido da entidade beneficiada pela isenção em 24 de julho de 1991, na forma do Decretolei nº 1.572, de 01 de setembro de 1977, quando da renovação do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos. § 8º Perderá direito à isenção a entidade que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos. § 9º O INSS comunicará ao Ministério da Justiça e ao Conselho Nacional do Serviço Social o cancelamento de que trata o parágrafo anterior, observado o disposto no § 2º do art. 33. § 10. Para os fins previstos neste artigo, todas as entidades registradas no Conselho Nacional do Serviço Social até 24 de julho de 1991 deverão renovar seu Certificado ou Registro até 25 de julho de 1994, conforme o inciso III. § 11. O disposto nos § 6º e 7º aplicase à empresa ou entidade mantida por outra que, em 24 de julho de 1991, estava no exercício do direito à isenção, desde que esse direito fosse a ela extensivo. Como se observa, o § 11, do art. 30 estendeu o benefício fiscal às entidades mantidas, com personalidade jurídica própria. Pela leitura dos §§ 2º, 3º e 11 do art. 30 do Decreto nº 356/1991, temse que para as entidades personalizadas ligadas à mantenedora, a dispensa de requererem a própria isenção ao INSS, só estaria assegurada na ocorrência cumulativa das seguintes condições: a) ser entidade mantida por instituição com direito à isenção, estando o nome daquela averbado no certificado de entidade de fins filantrópicos desta; b) a instituição mantenedora estar no exercício do direito à isenção, por efeito da Lei nº 3.577/59, em 24 de julho de 1991; e c) que esse direito fosse extensivo à entidade mantida. A conclusão que se vislumbra é que, com a vigência da Lei nº 8.212/1991, a entidade vinculada que possuía isenção por via reflexa, para a preservação desse benefício sem a necessidade de requerer a isenção diretamente ao INSS, deveria continuar na condição de entidade mantida, implicando, o contrário, na perda da benesse fiscal. De outra forma, se pretendesse a desvinculação da entidade tida como mantenedora e a preservação do benefício, deveria requerer a isenção na via administrativa e aguardar o pronunciamento, sujeitandose às normas legais vigentes à data do requerimento, como as entidades em geral, sendo impossível se autodeclarar como entidade isenta, eximindose do pagamento Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 18 das contribuições previdenciárias, sem o requerimento e a prévia manifestação do órgão administrativo, como fez a autuada, ainda que reunisse todos os documentos e as demais condições previstas no art. 55 da Lei nº 8.212/91. O Decreto nº 612/1992, que deu nova redação ao ROCSS, manteve as mesmas disposições do Decreto nº 356/1991, que reproduzo: Decreto nº 612/1992: Art. 30. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 25, 26 e 28 a entidade beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] § 1º A isenção das contribuições é extensiva às dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da entidade beneficente, quando por ela executadas e destinadas a uso próprio. § 2º A isenção não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício do direito à isenção, exceto no caso de que trata o § 11. § 3º Ressalvado o direito adquirido, a isenção será requerida ao INSS na forma do art. 31. § 4º O INSS verificará, periodicamente, se a entidade beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. § 5º O Conselho Nacional de Serviço Social encaminhará trimestralmente ao INSS a relação das entidades que não renovaram o registro na forma do inciso III. § 6º A entidade filantrópica que em 24 de julho de 1991 gozava da isenção de que trata este artigo, estará, a partir de 25 de julho de 1991, sujeita ao cumprimento das exigências referidas no incisos I a VIII para manter a isenção, que poderá ser cancelada, a qualquer tempo, caso o INSS venha a verificar a falta de qualquer delas, ainda que isoladamente. § 7º O disposto no inciso II somente será exigido da entidade beneficiada pela isenção em 24 de julho de 1991, na forma do Decretolei nº 1.572, de 1º de setembro de 1977, quando da renovação do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos. § 8º Perderá o direito à isenção a entidade que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 11 19 § 9º O INSS comunicará ao Ministério da Justiça e ao Conselho Nacional do Serviço Social o cancelamento de que trata o parágrafo anterior, observado o disposto no § 2º do artigo 33. § 10. Para os fins previstos neste artigo, todas as entidades registradas no Conselho Nacional do Serviço Social até 24 de julho de 1991 deverão renovar seu Certificado ou Registro até 25 de julho de 1994, conforme o inciso III. § 11. O disposto nos §§ 6º e 7º aplicase à empresa ou entidade mantida por outra que, em 24 de julho de 1991, estava no exercício do direito à isenção, desde que esse direito fosse a ela extensivo. Com o advento do Decreto nº 2.173, de 5 de março de 1997, que deu nova redação ao ROCSS e à regulamentação do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, restou em definitivo afastada a possibilidade de isenção, por via reflexa, a entidade mantida, como se vê: Decreto nº 2.173/1997: Art. 30. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a pessoa jurídica beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] § 1º A isenção das contribuições é extensiva a todas as entidades mantidas, suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da pessoa jurídica beneficente, quando por ela executadas e destinadas a uso próprio. § 2º A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva e nem abrange outra pessoa jurídica, ainda que esta seja mantida por aquela, ou por ela controlada. § 3º Ressalvado o direito adquirido, a isenção será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS na forma do art. 31. § 4º A pessoa jurídica beneficente de assistência social que, em 24 de julho de 1991, gozava de isenção de que trata o Decretolei nº 1.572, de 1º de setembro de 1977, está sujeita ao cumprimento das exigências referidas nos incisos I a VI deste artigo para manter a isenção, que poderá ser cancelada, a qualquer tempo, caso o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS venha a verificar a falta de qualquer delas, ainda que isoladamente. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 20 § 5º O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS verificará, periodicamente, se a pessoa jurídica beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. § 6º Perderá o direito à isenção a pessoa jurídica que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, obedecido o seguinte procedimento: I se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinam a perda da isenção; II a entidade será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; IV cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência SocialCRPS. § 7º O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS comunicará ao Ministério da JustiçaMJ e ao Conselho Nacional de Assistência SocialCNAS o cancelamento de que trata o parágrafo anterior. (destacamos). Denotase pelo novo regulamento, que restou afastado o benefício a outra entidade, disciplinando que a isenção concedida a uma pessoa jurídica não mais seria extensiva nem abrangeria outra pessoa jurídica, ainda que mantida por aquela. Desta feita, a entidade mantida que detinha personalidade jurídica própria, a partir de 06/03/97 (vigência do Decreto 2.173), deveria requerer a isenção em nome próprio (art. 30, § 2º), e o deferimento do benefício pelo órgão administrativo (na data do Decreto, a autarquia INSS). (GN) Temse, portanto, que em 05/03/1997, dia anterior à vigência do ROCSS, pereceu o direito de qualquer entidade propriamente personificada, por via reflexa, na condição de mantida, usufruir o favor incentivo e, desta feita, a partir de 06/03/1997, com base nas disposições da legislação, a autuada não mais estava amparada no benefício fiscal, que somente poderia voltar a obtêlo após o prévio requerimento administrativo e o conseqüente deferimento, situação que não ocorreu. (GN) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 12 21 O Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, também afastou a possibilidade de extensão do benefício a entidade mantida, nestes temos: Decreto nº 3.048/1999 (obs: Art. 206 revogado pelo Decreto nº 7.237, de 20/07/2010): Art.206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] § 5º A isenção das contribuições é extensiva a todas as entidades mantidas, suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da pessoa jurídica de direito privado beneficente, quando por ela executadas e destinadas a uso próprio. § 6º A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva e nem abrange outra pessoa jurídica, ainda que esta seja mantida por aquela, ou por ela controlada. [...]. § 7º O Instituto Nacional do Seguro Social verificará, periodicamente, se a pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. ....” Feito a cronologia da lei e observado que a Recorrente, por também não acudir os pressupostos legais para ter reconhecida sua isenção, julgo improcedente suas alegações. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 22 contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 13 23 Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 24 Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. Entretanto a decadência, diferentemente é matéria de ordem pública e mesmo não sendo espancada no presente recurso, tenho que ela deva ser analisada, eis que representa anseio social de justiça. Vejo que a Recorrente antecipou o recolhimento de parte da contribuição previdenciária ao contribuir com a parte dos empregados, razão pela qual, ainda que de valores inferiores ao que julga a Fiscalização o valor correto, de uma certa forma houve o recolhimento, comportando assim a aplicação da Súmula CARF 99, estando decadentes os lançamentos a outubro de 2004, inclusive este. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço para DARLHE PROVIMENTO EM PARTE, declarando decadentes os lançamentos anteriores a outubro de 2004, com aplicação da Súmula CARF 99. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10480.722252/200938 Acórdão n.º 2301004.351 S2C3T1 Fl. 14 25 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator designado Peço licença ao nobre relator para divergir quanto à decadência. 2. Concordo que é possível reconhecer de ofício a decadência. Porém, no caso do crédito tributário sob exame, não houve pagamento parcial antecipado para fins da contagem da decadência na forma do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 3. É verdade que, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial do direito de constituir de ofício o crédito tributário, relativo à diferença entre o valor constituído pelo sujeito passivo e aquele que o Fisco entende devido, regese pelo art. 150, § 4º, do CTN, isto é, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 4. Nada obstante, o chamado lançamento por homologação pressupõe uma atividade do sujeito passivo correspondente a determinar e quantificar a prestação pecuniária. 4.1 Ao dispor dos elementos para a formalização do crédito tributário, a atividade contempla forte grau de participação do sujeito passivo, na medida em que verifica a ocorrência do fato gerador, calcula o montante do tributo devido e realiza o seu pagamento, atuando o Fisco, eventualmente, no controle posterior de correção desse procedimento, procedendo ou não a sua homologação. 4.2 A tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento exige do sujeito passivo, portanto, um conjunto de procedimentos realizado separadamente para cada um dos tributos devidos, a partir do cotejo individualizado dos fatos jurídicos com a regramatriz de incidência tributária. 4.3 Longe de uma análise conjunta, o débito relativo a um determinado tributo, para fins de antecipação do pagamento, impõe que o sujeito passivo calcule o seu valor à vista da norma jurídica aplicável, tendo em conta, entre outros, o fato gerador, a base de cálculo e a alíquota de cada tributo. 5. Logo, suscita a aplicação da regra do art. 150, § 4º, do CTN, tão somente a hipótese de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, cujo exame individual e por período de apuração dáse sob o enfoque dessa exação devida e antecipada pelo sujeito passivo. 6. Conforme registram os autos, a recorrente antecipou o recolhimento da contribuição previdenciária a cargo dos segurados, não existindo notícia, por sua vez, de qualquer pagamento das contribuições devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, objeto do lançamento de ofício constante do processo administrativo. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 26 6.1 É de se notar que a inexistência desse pagamento mantém coerência com a descrição dos fatos, dado que a fiscalização informa que o sujeito passivo, ao se enquadrar como entidade isenta (FPAS 639), deixou de declarar e recolher a cota patronal, incluído terceiros, incidente sobre as remunerações de segurados empregados. 7. De maneira que a ausência de pagamento, mesmo que parcial, em relação às contribuições devidas a terceiros, distintas que são das contribuições previdenciárias dos segurados, considerando a regramatriz de incidência, afasta a regra do art. 150, § 4º, do CTN, e justifica a utilização do critério do art. 173 do CTN. 8. Ao se referir o crédito tributário às competências de 06/2004 a 13/2007, com ciência da autuação pelo sujeito passivo em 20/11/2009 (fls. 43/50 e 55), e tendo em vista o prazo contado na forma definida no art. 173, inciso I, do CTN, não há que se falar em decadência. 9. Cabe reforçar que essa linha de pensamento não conflita, pelo contrário, harmonizase com o enunciado da Súmula 99 deste Conselho, a seguir reproduzido: SÚMULA CARF 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. 10. Com efeito, o enunciado vinculante associa o pagamento antecipado, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, a uma mesma contribuição previdenciária, chamada de fato gerador, ainda que não tenha sido incluída no recolhimento parcial alguma parcela exigida no auto de infração, e que normativamente compõe a respectiva base de cálculo do tributo. 10.1 O enunciado trata de afastar, assim, a tese de que o pagamento parcial deve ser verificado rubrica a rubrica integrante da base de cálculo de uma mesma contribuição. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de aplicar a regra decadencial expressa no art. 173, inciso I, do CTN, descabendo reconhecer, no lançamento fiscal, crédito tributário alcançado pela decadência. Acompanho o relator nas demais matérias do seu voto. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 16/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.913788/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/03/2000
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. CONCLUSÃO DE EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Constatada a existência de crédito em realização de diligência, deve ser reconhecido o direito creditório.
Numero da decisão: 3401-002.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. CONCLUSÃO DE EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatada a existência de crédito em realização de diligência, deve ser reconhecido o direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 37 88 /2 00 8- 19 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 06 /05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 15/07/2004 (fls. 127/131), pela qual a Contribuinte pretende o ressarcimento de crédito da COFINS do período de março de 2000, no valor de R$ 2.898,91, supostamente recolhida a maior em 14/04/2000, para compensar com débitos do PIS e da COFINS de junho de 2004. A delegacia de origem reconheceu somente R$ 12,56 (fl.132). A DRJ Rio de Janeiro II/RJ manteve a decisão do despacho decisório (fl. 141). A Recorrente interpôs recurso voluntário. Na primeira apreciação (fls.01/05), sob a relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, concluiuse que o direito ao crédito dependia de um exame da matéria de fato para saber se ocorreu recolhimento indevido, haja vista a DRJ já ter reconhecido que a prestação de serviço realizado pela Recorrente é isento, por ser para exterior. Por essa razão, o julgamento foi convertido em diligência para que fossem analisados os documentos apresentados pela Recorrente junto com o recurso voluntário. O Relatório de diligência está nas fls. 119/125. Na conclusão, foi reconhecido o crédito pleiteado, razão pela qual a Recorrente não foi intimada do resultado e os autos foram enviados de volta para julgamento do mérito. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Como já constatado na primeira apreciação, o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão consistia em saber se ocorreu ou não recolhimento indevido da COFINS no período alegado. Durante a diligência, ficou constatado que o crédito não foi inicialmente localizado em razão de erro no preenchimento da DACON e da DCTF nas quais não foram informadas as receitas isentas. Ao fazer o recálculo do valor devido, considerando as receitas isentas, a autoridade fiscal concluiu que a Recorrente tem um crédito no valor de R$ 2.898,91 passível de ressarcimento e utilização na compensação. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 06 /05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.913788/200819 Acórdão n.º 3401002.986 S3C4T1 Fl. 193 3 Diante disso, deve ser acolhido o resultado da diligência para que o crédito seja reconhecido. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer o direito creditório no valor de R$ 2.898,91 e homologar a compensação até esse valor. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 06 /05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13558.002372/2007-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONFISSÃO DE DÍVIDA/EXTINÇÃO DO DÉBITO POR COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA TÁCITA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
A confissão irretratável de dívida e/ou a extinção dos débitos, sem ressalva, por qualquer de suas modalidades, importa na desistência tácita do recurso interposto, que não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 1103-001.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Fábio Nieves Barreira - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão.
Participaram do julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes Moura e Breno Ferreira Martins Vasconcelos.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 25/08/2015.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONFISSÃO DE DÍVIDA/EXTINÇÃO DO DÉBITO POR COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA TÁCITA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. A confissão irretratável de dívida e/ou a extinção dos débitos, sem ressalva, por qualquer de suas modalidades, importa na desistência tácita do recurso interposto, que não pode ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Fábio Nieves Barreira - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Participaram do julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes Moura e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 25/08/2015.
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CONFISSÃO DE DÍVIDA/EXTINÇÃO DO DÉBITO POR COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA TÁCITA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. A confissão irretratável de dívida e/ou a extinção dos débitos, sem ressalva, por qualquer de suas modalidades, importa na desistência tácita do recurso interposto, que não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Fábio Nieves Barreira Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Participaram do julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes Moura e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 25/08/2015. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 23 72 /2 00 7- 09 Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 13558.002372/200709 Acórdão n.º 1103001.140 S1C1T3 Fl. 1.118 2 Relatório O Relatório Fiscal aponta como mérito do ato administrativo de lançamento: “(...) Pelo exposto, da análise do Demonstrativo e Apuração do ICMS — DMA da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, dos livros fiscais e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), constatamos as infrações abaixo especificadas: 1. Falta de vinculação em DCTF da quantia de R$ 150,00 referente ao segundo trimestre do anobase 2003, conforme Tabela I, anexa; 2. Falta de oferta à tributação (declaração) da receita escriturada, referente aos anoscalendário 2003 e 2004, respectivamente, nas quantias de R$ 6.003.521,41 e R$ 13.125.998,06, na forma apurada na Tabela IV e na Tabela IX, anexas. Vale salientar que a contribuinte apresentou Balanços Patrimoniais Sintéticos dos anoscalendário 2003 e 2004, nos quais não consta saldo de valores a receber decorrentes de vendas das mercadorias. Ademais, em suas Demonstrações do Resultado do Exercício, há consignado como vendas de mercadorias R$ 6.630.565,07 e R$ 15.435.919,44, respectivamente, referentes aos anoscalendário 2003 e 2004. Em razão da legislação vigente, salientase que, a partir de abril de 2004, a tributação do PIS e da COFINS passou a ter incidência monofásica, razão por que desconsideramos a falta de declaração para referido período. Tendo restado caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 30 de novembro de 1964, a multa aplicável a esta infração é a prevista no art. 44, inciso II, da Lei no. 9.430/96, de acordo com o art. 9, da Lei 9.715/98. Até porque, referida contribuinte é reincidente nesse tipo de infração, já que foi fiscalizada/autuada anteriormente pelo mesmo motivo.” A recorrente, inconformada, oferta impugnação (fls. 147), a) inconstitucionalidade da composição do ICMS na base de cálculo das contribuições PIS, COFINS e CSLL; b) inconstitucionalidade da consideração do ICMS na base de cálculo do IRPJ. O v. acórdão recorrido julgou improcedente o lançamento fiscal pelas razões a seguir alinhadas: a) PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS O v. acórdão indeferiu a juntada de provas que acompanharam a impugnação, pois: “(...) Cabe observar, quanto A. questão de apresentação posterior de provas, o que dispõe a legislação especifica. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 13558.002372/200709 Acórdão n.º 1103001.140 S1C1T3 Fl. 1.119 3 Podese afirmar que é um direito da contribuinte apresentar as provas que julgar necessárias para reforçar seu ponto de vista. No entanto, devese atentar, no que se refere apresentação de provas documentais, para o que dispõe os parágrafos 4° e 5° do art. 16 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal — PAF, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 1997, in verbis: § 40 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997) § 50 A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida a autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Parágrafo acrescido pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 1997). Como se vê, o momento adequado para a autuada apresentar novos documentos comprobatórios da sua alegação era dentro do prazo previsto para a impugnação. Entretanto, se não o fez à época da impugnação, nem até o momento presente, nem logrou comprovar a impossibilidade de fazêlo, por motivo de força maior, ou qualquer outro motivo citado no mencionado § 4°, encontrase prejudicada a aplicação do disposto no § 5° do art. 16 do PAF, acima transcrito, em face da preclusão nele prevista. Ademais, a documentação constante dos autos é suficiente para a formação da convicção desta autoridade julgadora. Portanto, indefiro o pedido de apresentação posterior de provas nesta instancia de julgamento.” b) MÉRITO Quanto ao mérito, o lançamento de ofício foi mantido, pois o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal teria se dado em controle difuso. Cientificada em 30/09/2008, a recorrente protocolou recurso voluntário em 29/10/2008, aduzindo, em preliminar, cerceamento do direito de defesa, em razão da negativa da autoridade julgadora em receber os documentos que acompanharam a impugnação e, no mérito, reitera as razões apresentadas em impugnação. Em 15/03/2013, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itabuna/BA, encaminhou ao CARF o Ofício nº 3/2013 (fls. 241 eprocesso) informando que os débitos controlados neste processo foram quitados mediante compensação, por meio de DCOMP's apresentadas pela interessada. É o relatório. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 13558.002372/200709 Acórdão n.º 1103001.140 S1C1T3 Fl. 1.120 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Formalizo este acórdão por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, ocorrida em 12/08/2015, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Fábio Nieves Barreira, por ocasião do julgamento realizado em 24/10/2014, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Portanto, o entendimento consubstanciado neste relatório e voto tem por base os elementos dos autos, a manifestação de voto apresentada pelo Conselheiro durante a sessão, que consta dos arquivos do CARF e, ainda, os dados constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 24/10/2014, e não exprime qualquer juízo de valor deste redator. O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente. Não obstante, tendo em vista que a interessada optou por apresentar declarações de compensação com vistas a extinção dos débitos controlados neste processo, conforme informado no ofício enviado pela DRF/Itabuna/BA (fls. 241 eprocesso), configurouse a desistência tácita do recurso interposto, nos termos do art. 78, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. nº256/2009. Ante ao exposto, os membros do colegiado decidiram não conhecer do recurso voluntário interposto. Acórdão formalizado em 25 de Agosto de 2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 13558.002372/200709 Acórdão n.º 1103001.140 S1C1T3 Fl. 1.121 5 Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916996/2009-42
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IOF. PAGAMENTO A MAIOR. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A DEVOLUÇÃO.
Nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional, somente possui legitimidade para repetir o indébito, seja pela via da restituição ou da compensação, o contribuinte que, tendo repassado o ônus econômico a terceiros, receber autorização destes. Assim, para que o responsável possa pleitear restituição em seu nome, deverá obter autorização junto a quem sofreu o ônus econômico, juntando-a ao processo administrativo para fins de prova.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi (Relator), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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IOF. PAGAMENTO A MAIOR. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A DEVOLUÇÃO. Nos termos do art. 166 do Código Tributário Nacional, somente possui legitimidade para repetir o indébito, seja pela via da restituição ou da compensação, o contribuinte que, tendo repassado o ônus econômico a terceiros, receber autorização destes. Assim, para que o responsável possa pleitear restituição em seu nome, deverá obter autorização junto a quem sofreu o ônus econômico, juntandoa ao processo administrativo para fins de prova. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 96 /2 00 9- 42 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi (Relator), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 139), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente, PRECE – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1238.680, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro –DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra o referido contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Tratase do Despacho Decisório n° 831256515, de 09.04.2009, da então Delegacia Especial de Instituições Financeiras Deinf/RJO (fls.6), que, sob o fundamento de que o Darf já havia sido integralmente utilizado, não homologou a seguinte Declaração de CompensaçãoDcomp: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15374.916996/200942 Acórdão n.º 3802001.985 S3TE02 Fl. 141 3 Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.11/16), instruída com os documentos de fls. 17/60 e 63/69, o interessado afirma que é entidade fechada de previdência complementar, tendo por objeto instituir plano de previdência complementar e pagar aposentadorias complementares, e, ainda, que: a) o crédito utilizado teve "origem na apuração de equivoco no procedimento adotado para cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme laudo técnico em anexo (doc.01)"; b) equivocouse no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e não demonstrou a existência de crédito de I0F, e "declarou como devido exatamente o valor recolhido"; c) os equívocos nas declarações não criam tributos, e não podem, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária; d) "se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário"; e) se o valor confessado não corresponde às hipóteses de incidência, "a confissão de divida e o consequente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária". 3. O interessado alega que "o valor realmente devido para esta competência é de R$ 12.326,03, e não R$ 39.867,80, como erroneamente declarado em DCTF". Sustenta que "a existência deste crédito pode ser facilmente observada, bastandose comparar os valores apresentados como devidos (...), conforme planilha em anexo (doc.2), com a guia de recolhimento da mesma competência (doc.3)". 4. Afirma que, "desta forma, fica clara a existência de simples equívoco no preenchimento da DCTF (...) e a existência do crédito, bem como a consequente extinção do débito ora indevidamente imputado". 5. Pede que a Manifestação de Inconformidade seja julgada procedente, bem como, que se homologue a compensação procedida, extinguindose o crédito tributário cobrado. 6. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.71/88. 7. Relatados. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/RJ1 resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a impugnação apresentada. Vejase: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2002. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2002. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na manifestação de inconformidade, e enfatizando a legitimidade para pleitear a compensação, por ter ocorrido decisão do Conselho da Recorrente nesse sentido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 139), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado a reconhecer a validade da compensação realizada pelo sujeito passivo, que alega, na qualidade de responsável pela retenção do IOF Fl. 143DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15374.916996/200942 Acórdão n.º 3802001.985 S3TE02 Fl. 142 5 junto a seus segurados, haver adotado procedimento equivocado para cálculo do imposto nas operações de empréstimos que realizou. A Recorrente atua como responsável pela retenção e recolhimento do IOF incidente sobre os contratos de crédito celebrados com seus clientes, nos termos da legislação aplicável, mormente o Decreto nº 4.494, de 2002, que, regulamentando o IOF à época da ocorrência dos fatos geradores, permitenos analisar a questão de modo objetivo. O contribuinte do IOF crédito, nos termos do art. 4º do antigo RIOF, é o tomador do crédito, seja este pessoa física ou jurídica. Todavia, o art. 5º do mesmo diploma atribui a responsabilidade pela retenção (a norma se refere a “cobrança”, mas em verdade referese a retenção) e recolhimento do IOF às instituições financeiras que efetuarem operações de crédito, empresas de factoring adquirentes do direito de crédito e pessoas jurídicas que concederem o crédito, nas operações correspondentes a mútuo de recursos financeiros. A situação, portanto, está bem posta. A Recorrente, na qualidade de entidade fechada de previdência complementar, ao realizar empréstimos atua como responsável tributário do IOF – cujo ônus econômico pertence não a si, mas ao contribuinte tomador do crédito. Logo, ao perceber que houve cálculo a maior do IOF, seguramente houve retenção a maior do imposto, não somente um recolhimento a maior do que fora retido junto aos contribuintes. Pelo menos, não consta dos autos qualquer prova que leve a uma presunção em contrário. Ora, havendo retenção do imposto a maior, cada cliente dos financiamentos realizados pela Recorrente tornase passível de repetição do indébito de IOF, pois são os efetivos contribuintes do imposto, e que sofreram oneração econômica indevida. Estes, portanto, os legítimos pleiteantes de restituição junto à RFB. A Recorrente, ao seu turno, na qualidade de responsável pela retenção e recolhimento do imposto, não sofre qualquer prejuízo, carecendo sua legitimidade para buscar o indébito. Essa situação lógica é refletida no art. 166 do Código Tributário Nacional, o qual confere a legitimidade para pleitear repetição do indébito apenas àquelas pessoas que demonstrarem ter sofrido o ônus econômico do tributo. A única exceção permitida pelo CTN diz respeito aos casos nos quais os prejudicados autorizem expressamente um terceiro (no caso, a Recorrente) a buscar, em seu nome, o justo indébito tributário. Para provar, portanto, legitimidade no seu pleito, a Recorrente deveria ter primeiramente apresentado autorização de cada cliente seu, objeto de retenção a maior do IOF, para que esta efetuasse o pedido. No entanto, em seu recurso informa que, "(...) Assim é que mediante decisão do Conselho da Recorrente ficou decidido que a ora Recorrente estaria autorizada a buscar a repetição do indébito tributário objeto do presente processo e em contrapartida, assim que houvesse a recuperação destes valores, devolveria aos participantes (...)". Não me parece suficiente, portanto, que uma deliberação do Conselho da Recorrente faça as vezes de instrumento autorizador de indébito tributário, em nome de particulares. Até porque, dos documentos juntados ao Recurso Voluntário não enxergo nem mesmo a referida deliberação – somente consta a deliberação de 26/01/2005 para executar Fl. 144DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 auditoria de empréstimos, e uma resposta de 29/03/2005 a memorando em que expressamente o Diretor de Seguridade da Recorrente entende ser “necessária consulta à SRF, para dirimir dúvidas quanto aos detalhes técnicos”, a fim de que se faça a “recuperação dos valores pagos a maior”, ainda que “de uma só vez, mediante pedido de restituição junto à Receita Federal”. Uma vez não demonstrada a legitimidade da Recorrente para buscar o indébito do IOF, resta prejudicada até mesmo a análise da materialidade do crédito. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 10/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10831.009267/2005-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/01/2003
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RECOF. PRAZOS. INOBSERVÂNCIA. INFRAÇÃO. INTERPRETAÇÃO FAVORÁVEL.
Na existência de mais do que um prazo para o adimplemento de obrigações relacionadas, a legislação que define infrações e penalidades deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado em relação à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-00.901
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/04/2001 a 31/01/2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RECOF. PRAZOS. INOBSERVÂNCIA. INFRAÇÃO. INTERPRETAÇÃO FAVORÁVEL. Na existência de mais do que um prazo para o adimplemento de obrigações relacionadas, a legislação que define infrações e penalidades deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado em relação à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Ricardo Paulo Rosa – Redator Designado. EDITADO EM: 05/05/2011 Fl. 193DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1730.344, de 04 de março de 2009 (fls. 133/1800), proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP (DRJ/SPOII), em que, por unanimidade de votos, consideraram procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/04/2001 a 31/01/2003 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE ENTREPOSTO INDUSTRIAL SOB CONTROLE INFORMATIZADO (RECOF). PERDAS INEVITÁVEIS NO PROCESSO PRODUTIVO. APRESENTAÇÃO DE RELATÓRIOS FORA DE PRAZO. Ocorrendo perdas no processo produtivo que excedam o percentual estabelecido para a empresa, caberá apresentação do respectivo relatório até o quinto dia do mês subseqüente ao da conclusão do processo de industrialização. Conforme Instrução Normativa SRF nº 80, de 24 de outubro de 2001, artigo 8º, parágrafo 4º. A falta de apresentação do mencionado relatório, ou sua apresentação fora do prazo, implicará perda do direito à utilização do limite de tolerância estabelecido. Caracterizada tal hipótese, cabível a cobrança dos tributos suspensos, além dos juros de mora e multa de ofício, por descumpridas as condições e os requisitos exigidos pela legislação de regência, relativos ao regime especial de Entreposto Sob Controle Informatizado RECOF. Lançamento Procedente A presente autuação resultou na exigência do Imposto sobre a Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros moratórios e multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), formalizada por meio dos Autos de Infração de fls. 01/12. O presente lançamento originouse do procedimento de auditoria fiscal destinado a verificar o cumprimento das formalidades concernentes a entrega dos Relatórios de Perdas ocorridas no processo produtivo da Interessada, relativos ao Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof). No citado procedimento, foi apurado que a Autuada havia descumprido o prazo de apresentação do referido Relatório. Segundo o Termo de Constatação Fiscal de fls. 13/28, por meio do Ato Declaratório nº 55, de 23 de junho de 1999 (CNPJ: 01.472.720/000201, da filial) e do Ato Declaratório Executivo SRF nº 35, de julho de 2002 (CNPJ: 01,472,720/000112, da matriz) foi estabelecido o percentual de tolerância de 1,4 % (um vírgula quatro por cento), como sendo o limite máximo de perdas inevitáveis para o processo produtivo dos estabelecimentos beneficiários do regime. Conforme a legislação vigente, este percentual deveria ser apurado Fl. 194DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10831.009267/200556 Acórdão n.º 310200.901 S3C1T2 Fl. 190 3 trimestralmente, levando em conta a quantidade total das mercadorias importadas, classificadas por NCM. Ainda de acordo com o mencionado Termo, nos trimestres em que as perdas excedessem o referido percentual de tolerância, a dispensa do pagamento dos tributos suspensos, até o limite de tolerância, ficaria condicionada à apresentação do Relatório de Perdas no Processo Produtivo dentro do prazo, ou seja, até o quinto dia do mês subsequente do trimestre de conclusão do processo de industrialização, acompanhado do comprovante de pagamento dos tributos devidos sobre a parcela das perdas excedente. Ademais, segundo a legislação vigente na época, o não cumprimento dessa exigência, implicaria perda da exoneração tributária concernente ao limite de tolerância estabelecido. Assim, de acordo com o citado Termo, nos 1º e 2º trimestres de 2001 e no 4º trimestre de 2001 e 2002, por ter entregue o citado Relatório de Perdas fora do prazo, a Autuada perdera o direito da exclusão da exigência tributária atinente ao limite de tolerância estabelecido, sendo dele exigido os respectivos tributos suspensos, relativos aos mencionados trimestres. Na Tabela a seguir, estão relacionados os Relatórios entregues fora do prazo: RESUMO DOS RELATÓRIOS ENTREGUES FORA DO PRAZO Trimestre de referência Data da Entrega do Relatório Quinto dia do mês subsequente situação excesso 1º TRIM. 2001 06/04/2001 05/04/01 fora do prazo sim 2º TRIM. 2001 06/07/2001 05/07/01 fora do prazo sim 4º TRIM. 2001 08/01/2002 07/02/02 fora do prazo sim 4º TRIM. 2002 08/01/2003 06/02/03 fora do prazo sim Após a ciência da presente exigência fiscal, a Interessada apresentou a Impugnação de fls. 104/110, assim resumida no Relatório integrante do Acórdão recorrido, in verbis: Em virtude do acima exposto, foi lavrado o Auto de Infração em comento. Ao tomar ciência do mesmo, o interessado apresentou sua impugnação às fls. 104/110, onde alega, resumidamente, que: 1 Que entregou os relatórios de Perdas no Processo Produtivo no quinto dia útil do mês subseqüente ao da conclusão do processo de industrialização, (e não no quinto dia do mês), por divergência de entendimento quanto à interpretação das normas legais respectivas. 2 Que, pelo mesmo art. 8º da IN SRF nº 80/01, o relatório de perdas deve ser acompanhado do recolhimento dos tributos devidos., e o recolhimento dos tributos pode ser feito até o quinto dia útil do mês subsequente ao da conclusão do processo de industrialização. Portanto, essa é a obrigação principal, sendo a entrega dos relatórios obrigação acessória. 3 Entende que devem ser reconhecidas a inconsistência e a imperfeição das normas legais vigentes, que implicam no Fl. 195DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 cumprimento de obrigação acessória antes do vencimento da obrigação principal. 4 Contesta a aplicação de multa e juros sobre crédito tributário que considera indevido. Sobreveio o Acórdão guerreado, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 149), em 02/04/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 150/158, protocolado em 30/04/2009 (fl. 150), em que reapresentou as razões de defesa apresentadas na referida Impugnação, acrescentando ainda que: a) os tributos lançados tinham vencimento no 5° dia útil do mês subsequente ao trimestre e sempre foram pagos rigorosamente em dia; b) os relatórios de perdas no processo produtivo foram entregues no 5° dia do mês seguinte ao trimestre, acompanhados dos comprovantes de recolhimento dos tributos devidos; c) não era e nunca estivera inadimplente quanto à obrigação de entregar os relatórios de perdas no processes produtivo, já que a manutenção do 5° dia como prazo tornava a norma juridicamente impossível de cumprimento; d) a legislação vigente continha clara imperfeição, logo, para sua a preservação de validade e eficácia, havia necessidade de uma interpretação no sentido de que o prazo de vencimento da obrigação de entrega dos citados relatórios de perdas se venceria no quinto dia útil do mês subseqüente, ou seja, na mesma data de vencimento da obrigação do pagamento dos tributos; e) havendo no mínimo fundada dúvida acerca da interpretação das normas legais vigentes e tendo a Recorrente efetivamente entregue todos os relatórios de perdas no quinto dia útil dos respectivos meses subseqüentes a cada trimestre, não pode a Recorrente sofrer conseqüências punitivas e lançamento de tributos indevidos, como se pura e simplesmente não tivesse cumprido suas obrigações legais; f) era evidente a total falta de intenção da Recorrente de se locupletar ou de violar quaisquer das normas ou regras do Recof, o que geraria a necessidade de relevação das penalidades indevidamente impostas, eis que fruto da imperfeição legislativa e não de conduta culposa da Recorrente; e g) as autuações seriam improcedentes, não havendo diferenças de impostos, muito menos penalidades a serem aplicadas. No final, requereu o julgamento procedente do presente Recurso, para que fosse integralmente reformado o Acórdão de primeiro grau e cancelados as presentes autuações. Em cumprimento ao despacho de fl. 188, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de julho de 2010, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10831.009267/200556 Acórdão n.º 310200.901 S3C1T2 Fl. 191 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado no prazo legal e por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da controvérsia. O cerne da presente controvérsia diz respeito a exigência do II e do IPI, acrescidos dos juros moratórios e da multa de ofício de 75% (setenta e cinco) por cento), correspondente ao percentual de tolerância das perdas inevitáveis (1,4%), referente ao processo produtivo da Interessada, suspensos em decorrência da aplicação do Recof. O presente lançamento decorreu da apresentação fora do prazo estabelecido na legislação (5º dia do trimestre seguinte) do Relatório de Perdas excedentes ao limite tolerância. O Acórdão recorrido manteve integralmente o lançamento, com o argumento de que tanto o prazo de apresentação do referido Relatório quanto o prazo de vencimento dos tributos devidos em decorrência das perdas excedentes ao limite tolerância ocorriam na mesma data, ou seja, no quinto dia do trimestre seguinte. Para os integrantes do Órgão julgador a quo, o prazo de vencimento estabelecido no art. 10 do Decreto nº 2.412, de 03 de dezembro de 1997, isto é, o quinto dia útil do mês seguinte, não se aplicava ao caso vertente, mas apenas ao prazo de vencimento fixado para pagamento dos tributos relativos às mercadorias importadas no a égide do Recof e destinadas ao mercado interno. Por outro lado, a Recorrente alegou que o prazo de vencimento da obrigação de entrega dos citados relatórios de perdas e do prazo de vencimento da obrigação de pagamento dos respectivos tributos suspensos, concernentes às perdas excedentes ao limite de tolerância, vencerseiam na mesma data, ou seja, no quinto dia útil do mês subseqüente ao trimestre de conclusão do processo de industrialização. Assim, fica evidenciado que o cerne da presente controvérsia gira em torno do prazo de vencimento de entrega dos relatórios de perdas excedentes ao limite tolerância, isto é, se o relatório deveria ser entregue no quinto dia ou no quinto dia útil do mês subsequente ao trimestre de encerramento do processo de industrialização, e da consequente sanção decorrente do descumprimento do referido prazo. Da apresentação intempestiva do relatório de perdas excedentes ao percentual tolerância. Na época em que ocorreram os fatos objeto da presente autuação, o Recof estava disciplinado, inicialmente, na Instrução Normativa nº 105, de 24 de novembro de 2000, Fl. 197DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 e posteriormente na Instrução Normativa SRF nº 80, de 11 de outubro de 2001, que revogou a anterior. A matéria em litígio estava disciplina no 7º1 da Instrução Normativa SRF nº 105, de 2000, cuja redação foi reproduzida nos §§ 2º e 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 80, de 2001, a seguir transcritos: Art. 8º A autorização para a empresa operar o regime será consignada em ADE do Secretário da Receita Federal, que definirá o percentual de tolerância para efeito de exclusão da responsabilidade tributária, no caso de perda inevitável no processo produtivo. (...) § 2º O percentual de tolerância de que trata este artigo será aplicado trimestralmente sobre a quantidade total de mercadorias importadas, classificadas de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). § 3º No caso de as perdas excederem o percentual de tolerância fixado, o estabelecimento autorizado a operar o Recof deverá apresentar à unidade da SRF jurisdicionante, até o quinto dia do mês subseqüente ao de conclusão do processo de industrialização, relatório das perdas verificadas, por NCM, acompanhado do comprovante de pagamento dos tributos devidos. § 4º A falta de apresentação do relatório de que trata o parágrafo anterior, ou sua apresentação fora do prazo, implicará perda do direito à utilização do limite de tolerância estabelecido. (...) (grifos não originais) De acordo com a referida legislação, a manutenção da exclusão da responsabilidade tributária, no caso de perda inevitável ocorrida no processo produtivo, relativo às mercadorias admitidas no Recof, estava condicionado as seguintes condições: a) que as perdas de mercadorias, por NCM, estejam dentro do limite de tolerância, no caso até o limite de 1,4% (um virgula quatro por cento); ou 1 "Art. 7º A autorização para a empresa operar no regime será consignada em Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, que definirá o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária, no caso de perda inevitável no processo produtivo. § 1º A expedição do Ato Declaratório estará condicionada à homologação do sistema de controle informatizado, previsto no art. 14. § 2º A autorização para operar no RECOF será concedida a título precário e será cancelada ou suspensa, por ato do Secretário da Receita Federal. § 3º Aplicase o disposto no parágrafo anterior, na hipótese de descumprimento dos requisitos estabelecidos nos incisos I a IV do art. 3º . § 4º O percentual de tolerância de que trata este artigo será aplicado trimestralmente sobre a quantidade total das mercadorias importadas, classificadas de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. § 5º Quando as perdas excederem o percentual de tolerância fixado, o estabelecimento autorizado a operar o RECOF deverá apresentar à unidade da SRF de jurisdição, até o quinto dia do mês subseqüente ao do processo de industrialização, relatório das perdas verificadas, por NCM, acompanhado do comprovante de pagamento dos tributos devidos. § 6º A falta de apresentação do relatório de que trata o parágrafo anterior, ou sua apresentação fora do prazo, implicará perda do direito à utilização do limite de tolerância estabelecido". Fl. 198DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10831.009267/200556 Acórdão n.º 310200.901 S3C1T2 Fl. 192 7 b) caso as perdas excedam o percentual de tolerância fixado, que a entrega relatório das perdas excedentes ocorra até o quinto dia do mês subseqüente ao trimestre da conclusão do processo de industrialização, acompanhado do comprovante de pagamento dos tributos devidos. No presente caso, é incontroverso que nos 1º, 2º e 4º trimestres de 2001 e no 4º trimestre de 2002 a Interessada entregou o relatório das perdas excedentes após o 5º dia do mês subseqüente ao respectivo trimestre de conclusão do processo de industrialização. De fato, segundo a própria Recorrente, os citados relatórios foram entregues no quinto dia útil dos respectivos meses subseqüentes aos mencionados trimestres. Segundo a Recorrente, esta seria a data de vencimento do mencionado prazo, conforme anteriormente exposto. Discordo. O quinto dia do mês subsequente nem sempre coincide com o quinto dia útil do mês subsequente, embora, em determinados meses, as datas possam ser as mesmas. Isto ocorre, por exemplo, quando o primeiro dia mês (útil) coincide com a segunda feira. Neste caso, tanto quinto dia quanto quinto dia útil do mês ocorrem no mesmo dia, ou seja, na sextafeira (dia cinco). Com efeito, se até o quinto dia do mês subseqüente ao de conclusão do processo de industrialização, a apresentação do relatório das perdas deve ser acompanhado do comprovante de pagamento dos tributos devidos, consequentemente, o prazo de vencimento dos tributos devidos também ocorre na mesma data da apresentação do respectivo relatório. Também não concordo com a alegação da Recorrente de que o prazo de vencimento dos tributos suspensos, referente as perdas excedentes ao percentual de tolerância, ocorre no quinto dia útil do mês subsequente. Esse prazo, na verdade, aplicase apenas aos casos de mercadorias destinadas ao mercado interno, no mesmo estado ou incorporadas ao produto industrializado. Neste sentido, dispõe o art. 20 da Instrução Normativa SRF nº 80, de 2001, a seguir reproduzido: Art. 20. No caso de destinação ao mercado interno, o recolhimento dos impostos suspensos correspondentes às mercadorias importadas, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação na unidade da SRF que jurisdicione o estabelecimento. Dessa forma, neste ponto, não merece qualquer reparo o entendimento esposado pelos membros da Turma de Julgamento de primeiro grau. Da exclusão das multas aplicadas. Alegou ainda a Recorrente que era evidente a total falta de intenção da Recorrente de se locupletar ou de violar quaisquer das normas ou regras do Recof, o que geraria a necessidade de relevação das penalidades indevidamente impostas, eis que fruto da imperfeição legislativa e não de conduta culposa. Não assiste razão a Recorrente. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 A multa de ofício de 75% (setenta cinco por cento), exigida na presente autuação, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicase nos casos de falta ou insuficiência de recolhimento de tributos devidos, conduta que se encontra devidamente materializada no caso em tela. Além disso, nos termos do art. 136 do CTN, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” Dessa forma, em face da natureza da presente infração, entendo inaplicável ao caso em tela a relevação da multa exigida nos presentes autos. Da conclusão. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso, devendo ser mantido na íntegra o Acórdão recorrido. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2011. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor De fato, tal como precisamente descrito no voto do i. Conselheiro Relator do voto vencido, não restam dúvidas quanto ao prazo expresso na norma da Secretaria da Receita Federa do Brasil para a apresentação do relatório de perdas, tampouco quanto às conseqüências advindas do atraso no adimplemento da obrigação, respectivamente, o quinto dia do mês subseqüente ao de conclusão do processo de industrialização e a perda do direito à utilização do limite de tolerância estabelecido. Inobstante, peço vênia para divergir do nobre colega em relação à solução que devesse ser dada à lide, pelas razões que passo a expor. Como consta nas explicações apresentadas pela recorrente na tentativa de justificar o atraso na apresentação do relatório de perdas, tal teria ocorrido por força de dispositivos infralegais, cuja orientação terminou por confundir a ação da contribuinte. Assevera que a IN SRF nº 80/01, se por um lado fixa prazo até o quinto dia do mês para a entrega do relatório de perdas, por outro determina que o mesmo seja acompanhado do recolhimento dos tributos devidos, cujo prazo se estende até o quinto dia útil do mesmo mês. Tais considerações são confirmadas pela leitura das disposições contidas na IN 80/01, já reproduzida nos autos. Assim sendo, antes de analisar a possibilidade de que a responsabilidade da empresa autuada seja excluída, é preciso preliminarmente admitir que os prazos fixados pela Instrução Normativa regulamentadora do RECOF são, no mínimo, incoerentes. Explico. Fl. 200DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10831.009267/200556 Acórdão n.º 310200.901 S3C1T2 Fl. 193 9 A IN fixa uma data para a apresentação do relatório de perdas e outra para o recolhimento dos tributos devidos, sendo que a segunda frequentemente acontecerá depois da primeira. Simultaneamente, determina que a providência tomada antes seja acompanhada dos documentos que comprovam a adoção da medida que será tomada depois. Ora, isso não faz nenhum sentido. Se o administrado tem prazo até o quinto dia útil do mês para efetuar o recolhimento dos tributos devidos, como exigir que no quinto dia do mês, data frequentemente anterior àquela, ele apresente um relatório e comprove que já adotou a providência cujo prazo ainda não venceu? Não se está aqui afirmando que tratase de uma exigência impossível. É claro que tais prestações poderiam ser regularmente adotadas pela empresa, bastando, para tanto, que antecipasse o recolhimento dos tributos para o quinto dia do mês, permitindo, com isso, que o relatório de perdas fosse entregue com o comprovante exigido; inobstante, a interpretação da norma não pode ser levada por uma visão tão estreita, sem que se admita que alguma coisa parece não ter sentido quando se examina a consistência lógica do conjunto completo. Isto posto, penso que se deva, sim, admitir a possibilidade de que a empresa tenhase confundido com os prazos para o adimplemento de suas obrigações fiscais, pois o processo de compreensão e assimilação da palavra escrita não prescinde de critérios lógicos instantâneos, que podem perfeitamente recusar a incorporação de regras nas quais a consistência lógica não esteja presentes. Ademais, não se pode olvidar o disposto no Código Tributário Nacional quando à legislação que trata de infrações e penalidades. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Por todo o exposto, VOTO POR DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 31 de janeiro de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Redator Designado. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 05/05/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13804.005726/2004-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 01/10/1998
DECADÊNCIA AFASTADA. LEI COMPLEMENTAR N 118/2005. NOVO JULGAMENTO.
Se o pedido de restituição foi formulado antes da entrada em vigor da Lei n 118/2005, ele não se sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, mas sim ao prazo prescricional de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo, vez que a Lei n 118/2005 não pode retroagir, devendo ser aplicada somente aos processos posteriores à sua entrada em vigor, em 09 de julho de 2005 (RE 566.621/RS - STF).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciação dos demais argumentos de defesa lançados na impugnação e prolação de uma nova Decisão.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Jorge Freire, Ivan Allgretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrente ALTA COMERCIAL DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 01/10/1998 DECADÊNCIA AFASTADA. LEI COMPLEMENTAR N 118/2005. NOVO JULGAMENTO. Se o pedido de restituição foi formulado antes da entrada em vigor da Lei n 118/2005, ele não se sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, mas sim ao prazo prescricional de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo, vez que a Lei n 118/2005 não pode retroagir, devendo ser aplicada somente aos processos posteriores à sua entrada em vigor, em 09 de julho de 2005 (RE 566.621/RS STF). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciação dos demais argumentos de defesa lançados na impugnação e prolação de uma nova Decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 57 26 /2 00 4- 67 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Jorge Freire, Ivan Allgretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório A empresa Alta Comercial de Veículos Ltda., ingressou com Pedido de Restituição, em 13 de setembro de 2004, relativo aos recolhimentos para o Programa de Integração Social – PIS, no montante por ela calculado e atualizado de R$ 2.479.852,70, referentes aos períodos de apuração de 10/1995 a 10/1998. O pedido foi inicialmente analisado pela DERATSP/DIORT/EQITD, que proferiu Despacho Decisório em 05/12/08, no qual indeferiu o pedido de restituição, e não homologou as declarações de compensação apresentadas, fundamentando que, pelo decurso de prazo de 5 anos contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, o direito para solicitar restituição do suposto indébito foi atingido pela decadência e, como consequência, fica prejudicada sua compensação com débitos tributários do contribuinte. Cientificado da decisão em 23/03/09 a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: 1. O pedido de restituição/compensação do tributo destinado ao PIS foi formulado com fulcro na inconstitucionalidade reconhecida e declarada pelo STF; 2. Quanto ao transcurso do prazo decadencial, o PIS enquadrase na categoria de tributos, cujo lançamento se dá por homologação, previsto no art. 150 do CTN, sendo que o disposto no § 4° do mesmo artigo, considera definitivamente extinto o crédito tributário apenas após a homologação do lançamento; 3. Olvidouse o julgador monocrático, das diferentes espécies de lançamento tributário, invocando, como razões de decidir, o Ato Declaratório SRF n° 96/99, o qual encontra aplicabilidade nos casos de tributos cujo lançamento se dê por declaração do contribuinte ou nos lançamentos por ofício pelo fisco, não havendo que se cogitar sua aplicação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação; Fl. 510DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13804.005726/200467 Acórdão n.º 3403003.662 S3C4T3 Fl. 8 3 4. A extinção do crédito tributário sujeito a homologação do lançamento ocorre expressamente no momento em que o fisco realiza a “conferência” do lançamento ou, nos casos em que não haja “conferência” pelo sujeito ativo, ocorre a homologação tácita com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da data do efetivo pagamento antecipado pelo contribuinte; 5. O recolhimento apenas antecipa a obrigação tributária iniciada com o fato gerador, que constitui o ato jurídico tributário. A antecipação do pagamento prevista no art. 150 do CTN não extingue nada definitivamente, pois está vinculada a uma condição resolutória; 6. A homologação satisfaz a condição resolutória, extinguindo o ato jurídico tributário iniciado com o fato gerador; 7. O prazo para restituir/compensar os tributos em referência somente se daria após 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos dos 5 (cinco) anos previstos no art. 168 do CTN, perfazendo o total de 10 (dez) anos; 8. Cita jurisprudência e doutrina sobre o assunto, para corroborar com seu entendimento; 9. Tendo em vista a interposição da Manifestação de Inconformidade, que fique sobrestada a cobrança das compensações realizadas com os supostos créditos oriundo deste processo (juntadas aos autos), até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo; A DRJ inicia o julgamento tratando do pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário formulado pela Recorrente, dispondo que tal efeito decorre da Lei, não sendo matéria de julgamento da DRJ. No que tange à alegação de inexistência de fato gerador e que o tributo não pode ser constituído nem cobrado, a DRJ afirma que após a resolução nº 49/95 do Senado Federal que suspendeu a execução dos Decretos Lei nº 2.445/88 e nº 2.449/88, foi editada a Medida Provisória nº1.212 em 28 de novembro de 1995, que passou a regular a contribuição para o PIS, sendo convertida na Lei nº9.715/98. Contra a Medida Provisória nº 1.325/96 foi proposta ação direta de inconstitucionalidade, sendo que a única arguição acolhida foi a apontada sobre a aplicação da MP nº 1.212/95 sobre os fatos geradores ocorridos desde 01/10/1995, contrariando o princípio da irretroatividade do art. 150 da Constituição Federal. No julgamento da medida cautelar, o STF por unanimidade determinou a suspensão temporária da expressão “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995”, sendo o mesmo decidido pelo Tribunal sua inconstitucionalidade; Lembra que quando o regramento, por inconstitucionalidade, perde eficácia, volta a ser aplicado o ordenamento jurídico pretensamente afetado pela norma inconstitucional que é' nula, e por este motivo, não gera qualquer efeito jurídico, nem revoga a legislação que pretendeu afetar. Desta forma, se a MP for rejeitada, será então restaurada a lei anterior; Por ter sido revogada parte da Medida Provisória, volta a incidir a regra geral, contando o período de noventa dias, previsto no §6º do art. 196 da Constituição Federal. Foi Fl. 511DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 editada a Instrução Normativa nº 6 de 19 de janeiro de 2000, que estabelece à autoridade administrativa, a vedação da constituição de crédito tributário referente à contribuição PIS/PASEP e determinando o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na MP nº 1.212/95. Portanto, não tem razão o contribuinte quando alega que o PIS é um tributo que não possui fato gerador, pois aos fatos ocorridos entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplicamse o disposto na LC nº 07/70, já os dos períodos subsequentes aplicamse as normas da MP nº 1.215/95 e suas reedições. No que tange ao prazo para pleitear a restituição, afirma a DRJ que a interessada quer demonstrar que o termo inicial da contagem do prazo decadencial para a recuperação do indébito nos casos de tributos sujeitos por homologação é de dez anos, e que o prazo decadencial só começa a fluir após decurso de cinco anos do fato gerador. Cita a DRJ o art. 165 e art. 168 do CTN, que tratam respectivamente do reconhecimento do direito de o contribuinte pleitear a restituição do indébito e que esta deve ser exercida no decurso do prazo de cinco anos. Nos tributos lançados por homologação, o pagamento antecipado do contribuinte está apto a produzir todos os efeitos que a ele são próprios, pois não está subordinado à condição suspensiva, mas sim à condição resolutiva, sendo assim, aduz a DRJ que o pagamento antecipado já extingue o crédito, e o contribuinte se submete a uma condição resolutória que consiste em homologação anterior. Se não constatada nenhuma irregularidade, o Fisco apenas o confirma; só se torna definitiva a homologação se houver revisão pelo Fisco. Cita Parecer PGFN/CAT nº 1.538 de 18 de outubro de 1999 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional acerca do assunto. Fica claro, portanto, que o pagamento antecipado já produz o efeito de extinguir o crédito tributário, ainda que sob o mesmo esteja pendente a condição resolutória da ulterior homologação tácita ou expressa. Desta forma, se o contribuinte pode exercer o direito de repetir o pagamento indevido, afirma a Autoridade Fazendária que é lógico que o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para pedir a restituição se dê com o pagamento antecipado. No caso em tela, o contribuinte pleiteia a restituição de pagamentos efetuados entre 30/11/1995 e 13/l l/1998 que, segundo seu entendimento, seriam indevidos; porém, pelas razões expostas, constata a DRJ que o direito à repetição de indébito está irremediavelmente atingido pela decadência, visto que o pedido de restituição foi protocolado em 13/09/2004, já os recolhimentos a título de contribuição para o PIS foram efetuados anteriormente a 13/09/1999, tendo transcorrido assim, o prazo quinquenal em que se extingue o direito de pleitear a restituição. Por fim, no que tange ao direito do contribuinte à compensação, a DRJ afirma que somente após a verificação da certeza e do crédito alegado que seria possível a homologação da compensação, sendo que como o pedido de restituição se deu em 13/09/2004, encontravase extinto o direito de pleitear quaisquer recolhimentos efetuados antes de 13/09/1999, tendo em vista o transcurso do prazo de cinco anos, não havendo então, crédito a ser compensado. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que reiterou as matérias arguidas em sua Manifestação de Inconformidade. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13804.005726/200467 Acórdão n.º 3403003.662 S3C4T3 Fl. 9 5 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista O Recurso Voluntário é tempestivo e por isso dele tomo conhecimento. A discussão, nos presentes autos, cingese à aplicação ou não da decadência ao pedido de restituição formulado em 13 de setembro de 2004, pela Recorrente, tendo como objeto pagamentos do PIS realizados entre 30 de novembro de 1995 a 13 de novembro de 1998. Isso porque, o despacho decisório sequer chegou a analisar o pleito da Recorrente, tendo negado a restituição formulada sob o fundamento de que o direito da Recorrente havia decaído. O Despacho Decisório cita, como razão de decidir, o artigo 3 da Lei Complementar n 118/2005, para afirmar que o prazo decadencial se computa do pagamento realizado, conforme segue: "Art. 3* Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei." Com efeito, a Lei Complementar n 118/2005 alterou por completo a jurisprudência então reinante sobre o tema "restituição", que, até então, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação reconhecia que o prazo de 5 anos apenas se iniciava após o término do prazo para a homologação do lançamento, resultando, portanto, em 10 anos (e daí a célebre tese dos 5 anos mais 5). Esse é o entendimento a que se apega a Recorrente, que, a seu turno, foi rechaçado pelo Despacho Decisório e reiterado pela DRJ, com fundamento no artigo 168 do Código Tributário Nacional, interpretado em conjunto com o artigo 156 do mesmo Diploma Legal. De qualquer maneira, tendo em vista o direcionamento interpretativo dado pelo artigo 3 da Lei Complementar n 118/2005, discutiuse se tal dispositivo, de caráter Fl. 513DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 adjetivo, aplicarseia ou não aos fatos jurídicos tributários anteriores à sua vigência ou se, pelo contrários, aos pedidos realizados anteriormente à entrada em vigor da novel legislação. Naturalmente que, por ter natureza adjetiva, e não poder retroagir, a nova legislação apenas e tão somente se aplicaria aos pedidos realizados posteriormente a sua vigência, não atingindo aqueles pleitos formulados anteriormente, que permaneceriam sujeitos ao entendimento jurisprudencial pacificado pelos Tribunais. Em outras palavras, o prazo para pleitear a restituição, conforme a jurisprudência do próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que se apoiou na jurisprudência do STJ, sempre foi a célebre tese dos 5 mais 5, para os pedidos anteriores à Lei Complementar nº 118/2005, segundo o qual o contribuinte tem direito a pedir a restituição nos cinco anos posteriores ao fim do prazo de homologação concedido ao Fisco, conforme ilustra a ementa abaixo reproduzida de relatoria do Dr. Rafael Pandolfo: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 1989, 1990, 1993 PRAZO PRESCRICIONAL RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO PAGAMENTO INDEVIDO TRIBUTOS SUJEITOS A HOMOLOGAÇÃOO LEI COMPLEMENTAR 11/05 RETROATIVIDADE IMPOSSIBILIADE A regra aplicável à prescrição deve ser definida pelo momento do exercício do direito de ação (Resp. 1.266.570/MG). Em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da vigência da Lei Complementar 118/05, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, quanto aos lançamentos por homologação, deve observar a tese dos “cinco mais cinco”: cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. A atribuição de efeitos retroativos é vedada sempre que acarretar a instituição de regime tributário mais oneroso ao contribuinte, de modo que a LC 118/05 não pode retroagir, devendo ser aplicada somente aos processos posteriores à sua entrada em vigor, 09/07/05 (RE 566.621/RS). PRAZO PRESCRICIONAL RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL DIES A QUO IMPOSSIBILIDADE ART 168, I, CTN APLICABILIDADE. O marco inicial definido pelo CTN para a contagem do prazo prescricional é a extinção da obrigação tributária, a data do trânsito em julgado ou de definitividade do processo que reformar, anular, revogar ou rescindir a decisão condenatória, não podendo ser considerada a publicação de Resolução do Senado Federal como dies a quo. Aplicase à hipótese prevista no art. 168, I, do CTN quando: a) a causa de pedir da restituição for o pagamento espontâneo de tributo indevido em face de legislação aplicável; e b) não existir processo judicial anterior em que tenha sido proferida decisão condenatório. SOCIEDADES POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA DISPONIBILIDADE IMEDIATA DE LUCROS PREVISÃO CONTRATUAL ILL COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Conforme o STR (RE nº 172.0581/SC), para que uma sociedade constituída por quotas de responsabilidade limitada faça jus ao crédito de valores indevidamente recolhidos a título de ILL, é preciso que não haja previsão contratual determinando a disponibilidade Fl. 514DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 13804.005726/200467 Acórdão n.º 3403003.662 S3C4T3 Fl. 10 7 imediata dos lucros auferidos no final do anocalendário aos sócios. Recurso Voluntário não provido. (Número do Processo: 10280.004971/200172) Importante ressaltar que tal ementa de julgado encontrase em consonância com a atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e, ainda, com o posicionamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal sobre o tema, que decidiu que a Lei Complementar n 118/2005 apenas se aplica aos pedidos de restituição formulados após a sua vigência, não tendo, pois, caráter retroativo. No presente caso, a Recorrente ingressou com pedido de restituição em 13 de setembro de 2004, tendo por objeto período de apuração compreendido ente 10/1995 a 10/1998, ou seja, antes da entrada em vigor da Lei Complementar n 118/2005 e dentro do prazo de 10 anos (5 anos + 5 anos do exercício do pedido). Isso significa dizer que, em verdade, não incidiu a regra de decadência sobre o pedido efetuado pela Recorrente, diversamente do decidido no Despacho Decisório e pela DRJ, de modo que o obstáculo preliminar oposto deve ser afastado, dandose prosseguimento à análise do pedido formulado pela Recorrente. Nesse sentido, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciação dos demais argumentos de defesa lançados na impugnação e prolação de nova Decisão. É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 515DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 28/ 04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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